man on the moon
music will provide the light you cannot resist! ou o relato de quem vive uma nova luz na sua vida ao som de algumas das melhores bandas de rock alternativo do planeta!
Helado Negro – The Last Sound On Earth EP
Pouco mais de ano e meio depois de PHASOR, um disco que esteve em alta rotação na nossa redação no ocaso do inverno de dois mil e vinte e quatro, o projeto Helado Negro, liderado por Roberto Carlos Lange, está de regresso com o anúncio do lançamento de Last Sound on Earth, um novo EP deste artista filho de emigrantes equatorianos e radicado há vários anos nos Estados Unidos. É um registo com cinco canções que viu recentemente a luz do dia com a chancela da Big Dada, a nova etiqueta de Lange.

Os cinco temas de Last Sound On Earth, têm como mote resultarem de um exercício reflexivo levado a cabo pelo artista, no qual imaginou quais seriam os últimos sons que escutaria antes de falecer. O filme Wavelength, assinado por Michael Snow, foi também, de acordo com Lange, um interruptor que acionou no âmago do músico sentimentos e emoções tão díspares como a esperança e o desespero, que acabaram por inspirar o conteúdo deste EP.
More, a composição que abre Last Sound on Earth, uma canção eminentemente sintética, que escorre com desmesurada rugosidade e vibração pelos nossos ouvidos, plena de distorções e de diversos efeitos e sons, alguns cavernosos, acamadas por uma batida plena de groove, dá o mote para o conteúdo filosófico e sonoro do registo, debruçando-se sobre o modo como todos nós, que vivemos numa sociedade tremendamente conetada nas redes sociais e no digital e no virtual, acabamos por nos afundar em instantes prolongados de angústia e de isolamento. Depois, Protector, outro tema eminentemente sintético e um verdadeiro festim de pop eletrónica, acentua o perfil. Por cima de uma batida abrasiva, acomodam-se diversos efeitos, nuances e detalhes, que criam um clima sonoro pleno de distorções, efeitos e sons, um estilo interpretativo que recria uma fronteira muito ténue entre o retro e o futurista, devido também ao elevado espírito lo-fi que exala e que se mantém na cosmicidade ecoante e frenética de Send Receiver, no fugaz sussurro de Zenith e no estilo ambiental e contemplativo de Don't Give It Up Now.
The Last Sound n Earth escorre com desmesurada rugosidade e vibração pelos nossos ouvidos, num resultado final eminentemente experimentalista, que recria um clima que encarna na perfeição o espírito muito particular e simbólico que Helado Negro pretenderá para esta nova etapa da sua carreira e da sua música, que parece ter a bússola definitivamente apontada para as máquinas. Espero que aprecies a sugestão...

01. More
02. Protector
03. Sender Receiver
04. Zenith
05. Don’t Give It Up Now
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Lord Huron – The Cosmic Selector Vol. 1
Natural de Okemos, no Michigan, Ben Schneider encabeça o conceituado projeto Lord Huron, atualmente sedeado em Los Angeles, na Califórnia e que se estreou em dois mil e doze com o registo Lonesome Dreams, que foi amplamente aclamado pela crítica e que teve a chancela da Play It Again Sam Recordings. Agora, em dois mil e vinte e cinco, Lord Huron está de regresso à ribalta com The Cosmic Selector Vol. 1, o quinto disco da do grupo e que tem a chancela da Mercury Recordings.

Pic by Cole Silberman
Com uma discografia já bastante sólida e com uma vasta legião de seguidores fiéis, este projeto Lord Huron solidifica em The Cosmic Selector Vol. 1, com notável eficácia, a elevada bitola qualitativa do seu catálogo, à boleia de doze canções que, em quase cinquenta minutos, nos presenteiam com canções que calcorreiam caminhos tão díspares como a folk introspetiva, o rock alternativo e o rock progressivo e o próprio jazz.
Se The Cosmic Selector Vol. 1 abre de modo intimista e melancólico com a ecoante Looking Back, tema em que ressalta uma acústica dedilhada, enquanto texturas rodopiantes flutuam pelo campo estéreo, logo a seguir em Bag Of Bones, a agulha muda para territórios mais intrincados e encorpados. Trata-se de uma composição que balança num curioso misto entre intimidade e epicidade, lisergia e opulência, uma mistura alicerçada num inspiradíssimo acerto melódico, feito de cordas empolgantes, uma bateria envolvente, uma harmónica insinuante mas segura e diversos efeitos conferidos por uma guitarra plena de soul, imponente e que ciranda por ali, algures entre alguns dos melhores tiques identitários da típica folk norte-americana e aquele rock mais progressivo, que olha para a década de setenta do século passado com particular gula.
Depois deste início tão prometedor, damos de caras com a folk na sua mais pura essência à boleia de Nothing I Need, um luminoso e radiante oásis de cordas acústicas e onde não falta sequer o banjo e a harmónica. Depois, enquanto o disco flutua por atmosferas ou algo nebulosas, ou mais radiantes, damos de caras com um piscar de olhos efusivo à pop em Who Laughs Last, uma canção que conta com a participação especial vocal de Kristen Stewart e que impressiona pelo modo como o refrão se insinua e cresce em arrojo e emotividade.
Outro dos grandes momentos do disco é Fire Eternal, mais uma canção melodicamente inspiradíssima e que conta com outra participação especial, neste caso de Kazu Makino. Fire Eternal navega novamente nas águas límpidas de uma pop que, neste caso, exala uma tremenda sensualidade, muito por causa de um insolente e insinuante piano e de um registo vocal tremendamente adocicado.
Até ao ocaso do disco, o piscar de olhos ao indie alternativo noventista, feito com guitarras fluídas e sobrepostas com mestria, em Used To Know e o clima eminentemente clássico e nostálgico que sustenta a imponência de Life Is Strange, são outros instantes maravilhosos deste The Cosmic Selector Vol. 1, um disco fantástico e cheio de nuances, mas também íntimo, profundo, reflexivo. É um registo repleto de laivos musicais de excelência e que proporcionam ao ouvinte muitas boas sensações, que só a vivência da audição consegue suscitar e descrever com detalhe. Espero que aprecies a sugestão...

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Allah-Las – Countryman ’82 & Dume Room
Os norte americanos Allah-Las de Miles Michaud, Pedrum Siadatian, Spencer Dunham e Matt Correia, lançaram em outubro de dois mil e vinte e três Zuma 85, um alinhamento de treze canções que viu a luz do dia com a chancela da Calico Discos, a editora do grupo.

Banda fundamental do indie surf rock contemporâneo, os Allah-Las teimaram, com esse disco, em acrescentar ao seu catálogo naipes de canções que, por um lado mostraram coerência com um adn bem definido e que, por outro, não deixaram de oferecer ao projeto um sempre indispensável grau de inedetismo. As treze canções de Zuma 85, um registo que teve como propósito essencial criar uma banda sonora que fugisse aquilo que os Allah-Las apelidam de monotonia radiofónica assente em alinhamentos criados por algoritmos, como confessam logo em The Stuff, obedeceram, portanto, à premissa de obedecerem a uma filosofia sonora assente num surf rock vibrante, luminoso, festivo, repleto de groove e que nunca descurasse um delicioso travo garage, enquanto procuraram alargar o espetro de experimentações do projeto de Los Angeles que, por essa altura, já piscava o olho com cada vez mais gula a territórios tão díspares como o jazz, e at´o reggae.
Agora, dois anos depois do lançamento de Zuma 85, os Allah-Las oferecem-nos dois instrumentais que foram incubados durante o processo de gravação desse disco, que decorreu nos estúdios Panorama Studio e Bounce House, em los Angeles. Tratam-se de Countryman ’82 e Dume Room, dois verdadeiros oásis de nostalgia psicadélica. São duas paisagens etéreas narcóticas que exalam toda essa vasta miríade de influências que, empacotadas numa embalagem muito fresca, deixam-nos completamente absorvidos por um experimentalismo instrumental feito de referências bem estabelecidas e com uma arquitetura musical que garante aos Allah-Las a impressão firme de que a sua sonoridade típica conquista e seduz, com as visões de uma pop caleidoscópica e o sentido de liberdade e prazer juvenil que suscita, também por experimentar um vasto leque de referências antigas. Espero que aprecies a sugestão...

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DIIV - Return Of Youth
Cerca de um ano depois de Frog In Boiling Water, os DIIV de Zachary Cole-Smith, Andrew Bailey, Colin Caulfield e Ben Newman estão de regresso ao nosso radar à boleia de Return Of Youth, um novo single da banda nova-iorquina que se estreou em dois mil e doze com o extraordinário álbum Doused.

pic by Coley Brown
Tema com um edifício melódico que apela ao mais íntimo de nós e que não descura uma elevada essência pop, Return Of Youth está repleto de diversas nuances orgânicas e sintéticas, com destaque para o timbre metálico das cordas, diversas distorções abrasivas enleantes, um baixo vigoroso e vários efeitos sempre algo cavernosos, que se vão revezando entre si, num resultado final pleno de densidade, nostalgia, crueza e hipnotismo.
Return Of Youth tem, de facto, uma forte marca impressiva, já que a canção foi escrita ainda antes do nascimento do primeiro filho de Cole-Smith, com o propósito de encarnar uma espécie de projeção, tentar recriar aquilo que o autor veria ao seu redor, imaginando que seria os olhos e a mente do seu progenitor. No entanto, acaba também por ter muito presente a tragédia que o músico e a sua família viveram no início deste ano. A casa onde Cole-Smith vivia com a sua companheira e os seus dois filhos, ainda bebés, em Altadena, nos arredores de Los Angeles, foi totalmente destruída pelos terríveis incêndios que assolaram a Califórnia há cerca de cinco meses. Foi um evento bastante traumático para o músico, como é natural, porque, segundo o próprio, com a casa desapareceram também todas as memórias construídas e vividas pelo casal e todos os planos que tinham feito, já que o recheio tinha sido planeado ao pormenor de modo a recriar um mundo muito próprio e aconchegante para os dois bebés. Confere Return Of Youth e o vídeo do tema que mostra a casa do músico em ruínas...
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Cass McCombs – Priestess
Foi há pouco mais de meia década, com o belíssimo registo Tip Of The Sphere, que o norte-americano Cass McCombs ficou definitivamente na mira da nossa redação, uma boa impressão que se acentuou um par de anos depois com o tema Vacation Thought, que resultou de uma parceria do músico com a banda de indie rock nova iorquina Weak Signal.

Pic by Ebru Yildiz
Agora, na primavera de dois mil e vinte e cinco, CassMcCombs está de regresso ao nosso ouvido à boleia de Priestess, a primeira canção que o músico divulga depois de ter regressado à chancela da Domino Recordings, etiqueta pela qual lançou já, o ano passado, a coletânea Seed Cake on Leap Year, após um período de ligação contratual à Anti-Records.
Gravada com a ajuda de Brian Betancourt (baixo), Frank LoCrasto (teclados) e Austin Vaughn (bateria), Priestess é uma composição que sobrevive à boleia do maravilhoso timbre uma guitarra que exala um vasto oceano de nostalgia que se espraia nos nossos ouvidos com fino recorte e com aquela vibração que carateriza o melhor indie tipicamente americano. Confere...

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Runner - Spackle
Runner é o pseudónimo do artista americano de indie rock Noah Henry Weinman, um artista que acaba de chamar a atenção da nossa redação devido a Spackle, o novo single do músico sedeado em Los Angeles, na Califórnia e que sucede aos temas Untitled October Song e Coinstar, também divulgados recentemente, os três com a chancela da Run For Cover Recordings.

Tema certeiro a dissertar sobre sentimentos, emoções e, em suma, a condição humana, Spackle olha para a pop e para o rock alternativo contemporâneos com sagacidade e dramatismo, enquanto testa a nossa capacidade de resistência à lágrima fácil. É um tema arrojado e vigoroso, com guitarras acústicas e elétricas, exemplarmente acompanhadas por diversas sintetizações subtilmente selecionadas, a oferecerem-nos uma espiral de indie rock pulsante e irresistivelmente grandioso. Confere...
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Wavves – So Long
Os californianos Wavves de Nathan Williams, uma das grandes apostas da Fat Possum Records, estiveram em alta rotação na nossa redação em dois mil e vinte e um com Hideaway, o sétimo álbum deste grupo com praticamente duas décadas de estrada e que, atingindo, à época, este marco temporal importante para bandas contemporâneas, angariaram uma certa maturidade em torno de si, que se confirmou pouco tempo depois com um tema que o grupo também lançou nesse ano intitulado Caviar.

Agora, quatro anos depois, os Wavves estão de regresso com um novo single intitulado So Long que, para já, ainda não traz atrelado um novo disco do projeto, mas as novidades da banda não ficam por aí, porque também revelaram que lançaram uma nova empresa de síntese de canábis e que vão ser cabeças de cartaz de um concerto de beneficiência a favor das vítimas dos incêndios florestais de Los Angeles, que irá decorrer no final deste mês de março.
Relativamente a So Long, a canção mantêm a tonalidade rugosa e abrasiva que é imagem de marca das guitarras dos Wavves, particularmente efusivas no refrão, mas o polimento conferido pelo baixo e o registo arritmado da bateria dão ao tema um acabamento mais refinado, demonstrando que Nathan Williams tem sabido, ao longo do tempo, aprimorar as suas qualidades interpretativas e abrir o olhar para outros horizontes, mas nunca cedendo totalmente à radiofonia e à ditadura implacável do mercado. Confere...

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Wallows – Your New Favorite Song
Os Wallows têm a sua génese em Los Angeles há pouco mais de meia década e são atualmente formados por Dylan Minnette, Braeden Lemasters e Cole Preston. Logo em dois mil e dezassete começaram a divulgar música com o single Pleaser, que alcançou centenas de milhar de audições nas plataformas digitais, o que lhes valeu a atenção de Atlantic Records e um contrato com essa editora. Spring foi o título do EP de estreia do projeto, em dois mil e dezoito e o primeiro longa duração, Nothing Happens, chegou no ano seguinte, tendo como grande destaque do seu alinhamento o single Are You Bored Yet?.

A sequência discográfica ganhou nova vida em dois mil e vinte com o EP Remote, do qual fazia parte uma melancólica canção intitulada Wish Me Luck e que encerrava o alinhamento do registo. No início do outono de dois mil e vinte e um, os Wallows voltaram à carga com um single intitulado I Don’t Want to Talk, uma canção sobre inseguranças, que antecipou o segundo registo dos Wallows, um trabalho intitulado Tell Me That It's Over, que chegou aos escaparares a vinte e cinco de março desse ano e que teve sucessor o ano passado com Model, o terceiro álbum dos Wallows, um registo produzido por John Congleton e que teve a chancela da Atlantic Records.
Agora, no arranque de dois mil e vinte e cinco, o trio volta à carga com um novo single intitulado Your New Favorite Song. É um tema que sonoramente assenta num indie rock de superior calibre, que tem a sua génese num guitarra metálica vibrante, que depois recebe um trompete faustoso e uma bateria complacente, com o piano a ser a cereja no topo do bolo de uma canção solarenga e, ao mesmo tempo, intimista e tremendamente acolhedora. Confere...

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Luke Sital-Singh – Saint And Thief
O britânico Luke Sital-Singh, um artista muito querido para a nossa redação e agora radicado na costa oeste do outro lado do Atlântico, lançou em setembro de dois mil e vinte e dois um excelente disco intitulado Dressing Like A Stranger, disponivel no bandcamp do artista, um alinhamento de onze canções que plasmavam de modo tremendamente fiel o espírito intimista e profundamente reflexivo deste artista e o habitual misticismo a a inocência da sua filosofia sonora.

Enquanto não chega um sucessor para esse registo, Luke Sital-Singh oferece-nos como aperitivo um novo single intitulado Saint And Thief. Trata-se de uma composição melodicamente rica e sonoramente bastante luminosa e emotiva. Em Saint And Thief, um baixo vigoroso e uma guitarra intensa, entrelaçam-se com algumas sintetizações ecoantes, com o autor a servir-se de um arsenal instrumental faustoso para, numa simbiose entre folk, eletrónica ambiental e alguns dos melhores detalhes da pop contemporânea, criar uma canção com um clima quente e descontraído, mas que atinge, na nossa opinião, um elevado grau de brilhantismo. Confere...

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Cold War Kids – Meditations
A comemorar vinte anos de carreira com uma digressão interna, os norte-americanos Cold War Kids de Nathan Willett estão de regresso ao nosso radar quase dez anos depois do disco Hold My Home, lançado em dois mil e catorze e que foi, nessa época, dissecado minuciosamente na nossa redação. Tal acontece devido a um novo single intitulado Meditations, gravado já este mês de outubro com a ajuda de Jonathan Rado e que sucede ao álbum homónimo que a banda de Silverlake, nos arredores de Los Angeles, lançou o ano passado.

Meditations é uma canção intensa e com um registo percussivo dominante. Depois, a envolvência dos teclados e o modo como se cruzam sagazmente com guitarras que mudam constantemente de sonoridade e distorção, são outra nuance importante de um tema em que o ritmo sempre bem marcado da bateria é o suporte ideal destes dois edifícios sonoros enérgicos e intencionalmente meticulosos. A tensão permanente entre a intepretação vocal de Willett e o solo de guitarra criam na melodia de Meditations, um elevado sentido de urgência e de impetuosidade, num resultado final poderoso e orquestral. Confere...