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James Blake – You’re Too Precious

Domingo, 26.04.20

James Blake - You're Too Precious

Tem cerca de um ano Assume Form, o último registo de originais do londrino James Blake, um álbum que, curiosamente, acabou por afastar o músico um pouco dos holofotes e da vida pública. No entanto, o estado atual global de confinamento parece ter provocado em Blake uma nova vontade de mostrar serviço, que se tem materializado em algumas aparições ao vivo no seu instagram, desde Los Angeles, onde habita atualmente. Nesses mini-concertos Blake já cantou vários clássicos do seu catálogo, mas também uma versão muito feliz de No Surprises, grande tema dos Radiohead e, numa outra aparição,  uma cover de  Georgia On My Mind, original de Ray Charles, gravado em mil novecentos e sessenta e de The First Time Ever I Saw Your Face, um tratado folk da autoria de Roberta Flack, gravado em mil novecentos e sessenta e nove e que ganhou enorme notoriedade quando fez parte da banda sonora de Play Misty Fo Me, o primeiro filme de Clint Eastwood.

Agora, muito recentemente, James Blake coloca a cereja no topo do bolo com a edição de um novo single original. A canção chama-se You're Too Precious, encarna uma paisagem sonora assente num minimalismo eletrónico eminentemente etéreo e com uma forte vocação experimental e está impregnada com uma beleza e uma complexidade tal que merece ser apreciada com particular devoção. Confere...

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publicado por stipe07 às 21:04

Luke Sital-Singh – Almost Home

Domingo, 01.03.20

Depois da edição, em dezembro último, de uma cover do clássico Strange & Beautiful (I’ll Put A Spell On You), um original de dois mil e dois do projeto Aqualung, e que sucedeu aos EPs Just A Song Before I Go e Weight Of Love e ao disco A Golden State, o britânico Luke Sital-Singh, agora radicado na costa oeste do outro lado do Atlântico, prepara-se para lançar um EP recheado de colaborações, intitulado New Haze, e que chegará aos escaparates a três de abril, através da etiqueta The Orchard.

Almost Home é o primeiro tema divulgado desse EP, uma composição cujos créditos Sital-Singh divide com o amigo Steve Aeillo (Lana Del Ray, Mumford & Sons, Thirty Seconds To Mars) e na qual o músico se debruça sobre os normais dilemas de quem fez uma mudança de residência e de vida transatlântica e de como isso pode redifinir aquele conceito de casa que todos temos e que pode variar imenso de pessoa para pessoa.

Sonoramente, Almost Home oferece-nos pouco mais de três minutos luminosos e vibrantes, aviados com cordas e outros arranjos eletrificados impregnados de uma pegada folk eminentemente melancólica, num resultado final tremendamente fiel ao espírito intimista e profundamente reflexivo do músico britânico e ao misticismo a à inocência que a sua filosofia sonora, na génese, transborda. Confere...

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publicado por stipe07 às 20:48

Tame Impala – The Slow Rush

Quinta-feira, 20.02.20

Quase cinco anos após Currents e a testar os limites da nossa paciência devido a tão prolongado hiato, eis que os australianos Tame Impala de Kevin Parker voltam, finalmente, aos discos com The Slow Rush, o novo registo de originais do projeto, um alinhamento com doze músicas gravadas, produzidas e misturadas pelo próprio Parker entre Los Angeles e o estúdio do artista em Fremantle, na Austrália, onde reside. The Slow Rush viu a luz do dia à boleia da Modular Records, a habitual etiqueta do grupo.

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Banda fundamental daquele prisma sonoro em que eletrónica e psicadelia se juntam de modo a descobrir novos sons, dentro de um espetro eminentemente pop, há mais de uma década que os Tame Impala refletem essa permissa para a exploração de um universo muito pessoal e privado de Kevin Parker, o grande mentor do projeto. E fazem-no situando-se na vanguarda das propostas musicais dessa área, mas também com um forte pendor nostálgico, também uma das inconfundíveis pedras de toque da discografia dos Tame Impala, nuance que começou por olhar com gula para o período setentista, mas que mais recentemente tem apontado baterias à década seguinte.

Ora, este último travo amplifica-se em The Slow Rush, um trabalho que se mantém, portanto, na peugada eminentemente oitocentista que marcou o antecessor Currents, uma filosofia estilística idealizada, como já disse, quase única e exclusivamente por Parker e que, mais do que nunca, é hoje feita de constantes encaixes eletrónicos durante a construção melódica, aos quais se juntam um almofadado conjunto de vozes em eco e guitarras mágicas que se manifestam com uma mestria instrumental única.

Excelentes exemplos dessa guinagem profunda oitocentista estão bem audíveis no vistoso e exuberante jogo entre o orgânico e o sintético que é possível contemplar em Gilmmer, no cósmico charme de Breathe Deeper e na daftpunkiana Is It True, com o apontar de novas pistas futuras, burilado em temas como Lost In Yesterday, canção sobre as nossas memórias, principalmente as menos felizes e a dificuldade natural que todos sentimos para exorcizar alguns demónios que nos atormentam por causa de eventos passados, ou Phostumous Forgiveness, longa e estratosférica canção, uma junção daquilo que eram inicialmente duas composições distintas e que flui de modo homogéneo e no universo próprio da banda e da sonoridade em que se insere, rebocada pela mestria vocal de Parker e pela multiplicidade de efeitos que cria com a guitarra elétrica, assim como o groove que oferece ao tema o baixo e uma habilidade inata do grupo no manuseamento dos sintetizadores e da percussão.

Conhecidos por nos transportar até aos dias em que os homens eram homens, as raparigas eram girl-groups e a vida revolvia em torno da ideia de expandir os pensamentos através de clássicos de blues rock, com os Cream ou Jimmy Hendrix à cabeça, em The Slow Rush os Tame Impala não fogem à regra deste modus operandi, replicando e aprimorando a fórmula dos recentes antecessores, através de doze canções impecavelmente estruturadas, algumas com uma vibração excitante e onde, no fundo, mais guinadela menos guinadela por alguns dos fundamentos da história da pop contemporânea, mantém-se a temática de revisão da psicadelia que busca pontos de encontro com o rock clássico, proposto há mais de quatro décadas por gigantes que se entregaram ao flutuar sonoro da lisergia. Espero que aprecies a sugestão...

Tame Impala - The Slow Rush

01. One More Year
02. Instant Destiny
03. Borderline
04. Posthumous Forgiveness
05. Breathe Deeper
06. Tomorrow’s Dust
07. On Track
08. Lost In Yesterday
09. Is It True
10. It Might Be Time
11. Glimmer
12. One More Hour

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publicado por stipe07 às 13:11

Grouplove – Deleter

Quinta-feira, 16.01.20

Grouplove - Deleter

Terminou a espera e será, finalmente, em dois mil e vinte, que irá ver a luz do dia o sucessor do excelente registo Big Mess que os norte-americanos Grouplove de Hannah Hooper e Christian Zucconi, editaram em dois mil e dezasseis. Ainda sem nome divulgado, o registo já tem, no entanto, um tema divulgado, intitulado Deleter.

Com direito a um fantástico vídeo assinado por Chris Blauvelt e em que se vê os membros da banda de Los Angeles de macacões laranja a interpretar o tema, Deleter foi gravada e produzida por Dave Sitek (TV On The Radio, Yeah Yeah Yeahs, Weezer) em El Paso, no Texas, sendo alimentada por teclas abrasivas, linhas de guitarras estridentes e uma bateria extremamente rápida, um modus operandi implacável e vigoroso, no modo como interpreta alguns dos cânones fundamentais do rock alternativo de cariz mais rugoso. Confere...

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publicado por stipe07 às 11:16

Papercuts – Kathleen Says EP

Quarta-feira, 15.01.20

Quatro anos depois do excelente Life Among The Savages, os Papercuts regressaram às luzes da ribalta em outubro de dois mil e dezoito com Parallel Universe Blues, dez canções que viram a luz do dia à boleia da Slumberland Records, a nova etiqueta deste projeto encabeçado por Jason Robert Quever e David Enos e oriundo de São Francisco, na costa oeste dos Estados Unidos da América. Sexto disco do cardápio dos Papercuts e, como já referi, primeiro na Slumberland, Parallel Universe Blues continha um alinhamento com canções assentes no cruzamento feliz entre melodia e voz, com a escolha assertiva dos arranjos a nunca ofuscar o brilho que as cordas sempre tiveram no catálogo dos Papercuts. Esta era, de facto, uma nuance fundamental desse novo registo do projeto que, tematicamente, reflete a mudança de Jason Quever de São Francisco para Los Angeles, ocorrida à época.

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Foram vários os singles já retirados desse excelente trabalho dos Papercuts, sendo, talvez, o mais badalado, Laughing Man, uma composição que, como os mais atentos se recordarão, estava coberta por um manto de monumentalidade e epicidade únicos. No entanto, um dos temas mais relevantes de Parallel Universe Blues e que merece também superior destaque é, sem dúvida, Kathleen Says, a sexta composição do alinhamento do registo. Foi editada em single, no início da passada primavera, com direito a um EP próprio, com 2 b sides: uma cover do clássico Blues Run The Game, da autoria de Jackson C. Frank e uma versão acústica de Comb In Your Hair., um dos temas mais emblemáticos do passado discográfico dos Papercuts.

Em Kathleen Says, uma guitarra abrasiva e com um elevado timbre metálico, variações percurssivas constantes e deliciosamente encadeadas com o baixo e uma luminosidade melódica ímpar, são os grandes atributos de uma canção repleta de diversos detalhes preciosos, fundamental para conferir uma tonalidade refrescante e inédita ao alinhamento de um disco cheio de personalidade, com uma produção cuidada e que nos aproxima do que melhor propõe atualmente a música independente americana contemporânea. Confere o EP Kathleen Says, o alinhamento de Parallel Universe Blues e espero que aprecies a sugestão...

Papercuts - Kathleen Says

01. Kathleen Says
02. Blues Run The Game
03. Comb In Your Hair

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publicado por stipe07 às 10:08

Black Marble – Bigger Than Life

Terça-feira, 07.01.20

Os Black Marble são Chris Stewart e Ty Kube, uma dupla natural de Brooklyn, mas agora sedeada em Los Angeles, que se estreou nos discos em outubro de dois mil e doze, através da Hardly Art, com o registo A Different Arrangement, onze canções que carimbaram desde logo a sonoridade de uma banda, que nos remeteu, no imediato, para o classicismo sonoro dos anos setenta e oitenta. Tal impressão teve sequência com o excelente sucessor It's Immaterial, editado também em outubro, mas de dois mil e dezasseis, mantendo-se o décimo mês do ano como período período predileto paras o lançamento de registos, já que Bigger Than Life, o terceiro álbum do projeto, viu a luz do dia precisamente nesse mês do último ano.

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Apesar de serem uma dupla, nos Black Marble quem assume as rédeas é Chris Stewart, que começou a escrever o conteúdo de Bigger Than Life depois da mudança recente de Nova Iorque para a outra costa, uma mudança física e ambiental que acabou por inspirar o músico, que, de acordo com o próprio, no primeiro dia em que entrou em estúdio para gravar e olhou pela janela, ficou logo fascinado com a luz e o contraste entre o ceú e as montanhas que rodeiam a cidade dos anjos, um ambiente natural único que fax da principal cidade da costa oeste dos Estados Unídos um lugar especial e muito procurado.

A partir daí, e tendo presente esta conjuntura relativamente à incubação de Bigger Than Life, conforntamo-nos com um alinhamento bastante coeso de onze canções de forte cariz retro, já que têm como receituário fundamental o classicismo sonoro dos anos setenta e oitenta. é uma estética que não recusa a originalidade e a autenticidade que já são imagem de marca do som identitário dos Black Marble, mas que os mesmos tentam recontextualizar e fazer progredir, tendo sempre como pano de fundo aquela premissa que há trinta anos atrás colocava o sintetizador analógico na linha da frente e a nostalgia na proa das construções melódicas.

A própria postura vocal de Stewart abraça a tonalidade típica de um Ian Curtis que se rege pelo baixo, irrepreensível em Grey Eyeliner, e por batidas insistentes, o que ajuda imenso a criar uma certa tensão melancólica, que também é uma das traves mestras do disco e que terá como ponto forte a vibe surf de Daily Driver, uma das composições mais encantadoras do registo, a par dos fragmentos de sons sintetizados e distorcidos de Feels.

Em suma, neste Bigger Than Life as composições refletem, com alguma minúcia, estados de alma e os contextos que definem o momento atual de Stewart, através de um código específico, tal é a complexidade e a criatividade que estão nelas plasmadas. Tema após tema, o álbum transcende-se e sente-se uma emoção histórica que se encaixa também confortavelmente na tradição gótica dos anos oitenta, mas com uma leitura mais contemporânea, tudo agregado através de uma produção minimal, mas brilhante. Espero que aprecies a sugestão...

Black Marble - Bigger Than Life

01. Never Tell
02. One Eye Open
03. Daily Driver
04. Feels
05. The Usual
06. Grey Eyeliner
07. Bigger Than Life
08. Private Show
09. Shoulder
10. Hit Show
11. Call

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publicado por stipe07 às 18:05

Local Natives – Nova

Domingo, 17.11.19

Local Natives - Nova

Foi em abril e à boleia da Loma Vista Records, que chegou aos escaparates Violet Street, um marco discográfico essencial de dois e dezanove e que elevou os seus autores, os Local Natives, para um novo patamar instrumental mais arrojado, mantendo-se, no entanto, a excelência nas abordagens ao lado mais sentimental e frágil da existência humana, traduzidos em inspirados versos e a formatação primorosa de diferentes nuances melódicas numa mesma composição, duas imagens de marca do projeto norte americano.

Agora, quase no ocaso do ano, o grupo de Salt Lake acaba de divulgar Nova, uma  composição inspirada no filme Interstellar e no vídeo de Location, um original do rapper e compositor norte-americano de Atlanta, Playboi Carti, que também utiliza imagens dessa obra cinematográfica protagonizada por Emma Thomas e Matthew McConaughey , nomeadamente o momento em que o último mergulha num buraco negro.

Nova foi gravada durante as sessões de Violet Street e estava pensada para fazer parte do alinhamento desse álbum, o que acabou por não acontecer. Em boa hora os Local Natives resolveram divulgá-la, pois trata-se de uma lindíssima canção, tremendamente climática e que, apesar da rugosidade da guitarra, aposta numa toada eminentemente classicista e com forte cariz pop, sendo, de acordo com o grupo, sobre aquela áurea e aquele zumbido constante que invadem a nossa mente quando nos apaixonamos pela primeira vez e que todos nós já experimentámos. Confere...

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publicado por stipe07 às 17:39

Vetiver – Up On High

Quarta-feira, 06.11.19

Andy Cabic, a mente profunda e inspirada que em São Francisco, na solarenga Califórnia, alimenta e dá vida ao projeto Vetiver, está de regresso aos discos, com um trabalho intitulado Up On High, o sétimo da sua carreira, um alinhamento de dez canções que chegou aos escaparates a um de novembro, através das etiquetas Mama Bird Recording Co. (US/World) e Loose Music (UK/EU).

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Andy Cabic assina com exemplar bitola qualitativa um dos projetos mais bonitos da indie folk contemporânea. E não é como dizer isto de outra forma, porque bonito é mesmo um adjetivo feliz para caraterizar o seu catálogo. De facto, cada disco de Vetiver é um regalo para os ouvidos e para a mente de quem aprecia relaxar e viajar para um universo sonoro que seja melodicamente acessível, mas sem deixar de exalar profundidade lírica, um ideário concetual que Cabic sabe plasmar na perfeição através de canções geralmente  sentidas e honestas no modo como partilham sensações e eventos, que até podem ser factos que o autor experimentou em diferentes locais e com diversas pessoas que se foram cruzando na sua vida.

Esta faceta auto biográfica da discografia de Vetiver é um dos seus maiores atributos e Up On High não foge a essa regra, num álbum mágico e em que o autor parece recolher-se muito sobre si próprio, enrolando-se numa espécie de concha onde dança sozinho estas canções, enquanto reflete sobre si e o o seu passado, de modo a viver o presente com altivez e alegria e sem nunca elevar demasiado o tom delicado da sua voz, nem a míriade instrumental que a sustenta.

Assim, se a cândida acusticidade de The Living End, o tema que abre Up On High, tem, desde logo, a generosidade de nos mostrar aquela folk pintada com alguns dos melhores detalhes da chillwave, uma receita que se repete em Filigree e que Vetiver recria melhor que ninguém, To Who Knows Where adensa ainda mais a trama, indo ao âmago da matriz da melhor herança tradicional americana, com nomes como George Harrison ou até o próprio Reed a serem influências mais ou menos nítidas. Tal também sucede em Wanted, Never Asked, outra aconchegante composição, que contém na sua essência a melhor herança da mais genuína folk do outro lado do atlântico, uma canção com um travo de pureza e simplicidade únicos, amena, íntima e cuidadosamente produzida, mas também arrojada no modo como, através da suavidade das cordas e do groove da bateria exala uma enorme elegância e sofisticação. Depois, canções como Swaying, um tratado de indie rock oitocentista que nos traz à memória momentos maiores da discografia de uns The Feelies, Yo La Tengo, Wilco ou os próprios R.E.M., Hold Tight, curiosa no modo como pisca olho ao reggae e All We Could Want, uma composição buliçosa, sorridente e assente numa orgânica percurssiva com um certo travo psicadélico, acabam por dar a indispensável riqueza e diversidade a um alinhamento que é bem capaz de nos dar a mesma força positiva que levou este compositor a criar estas canções com esse vincado propósito individual.

Registo em que se sente à tona uma curiosa e sensação de positivismo, bom humor e crença em dias melhores, Up On High é capaz de nos colocar no rosto aquele nosso sorriso que nunca nos deixa ficar mal, enquanto nos ajuda, por exemplo, a finalmente traçar uma rota sem regresso até aquele secreto desejo que nunca tivemos coragem de realizar. De facto, a música de Vetiver é perfeita para nos fazer descolar da vida real muitas vezes confusa e repleta de precalços, aterrando-nos num mundo paralelo que espicaça as sensações mais positivas e bonitas que alimentam o nosso íntimo e que, entre a luz e a melancolia, realizam-se, provando que Andy sabe como ser um conselheiro espiritual sincero e firme e que tem a ousadia de nos querer guiar pelo melhor caminho, sem mostrar um superior pretensiosismo ou tiques desnecessários de superioridade. Espero que aprecies a sugestão...

Vetiver - Up On High

01. The Living End
02. To Who Knows Where
03. Swaying
04. All We Could Want
05. Hold Tight
06. Wanted, Never Asked
07. A Door Shuts Quick
08. Filigree
09. Up On High
10. Lost (In Your Eyes)

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publicado por stipe07 às 17:08

Allah-Las - Lahs

Sábado, 12.10.19

Naturais de Los Angeles, os norte americanos Allah-Las de Miles Michaud, Pedrum Siadatian, Spencer Dunham e Matt Correia têm finalmente sucessor para o excelente registo Calico Review de dois mil e dezasseis. Foi ontem, onze de outubro, que viu a luz do dia Lahs, o novo compêndio de originais do quarteto, um trabalho que chegou aos escaparates através da Mexican Summer, a habitual editora do grupo.

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Os Allah-Las viajaram imenso depois da edição de Calico Review, com passagens por locais tão variados como todo o continente americano, a Europa, África do Sul, Austrália, Rússia e leste da Ásia e o conteúdo de Lahs é bastante inspirado por essa demanda mundo fora, nomeadamente as experiências que a banda foi conseguido vivenciar além das normais rotinas de uma digressão musical.

A música dos Allah-Las é algo que se esprai deliciosamente nos nossos ouvidos, sem pressas, arrufos ou complicações desnecessárias. Há uma constante sensação de conforto, calma, quietude e etérea contemplação nas composições deste quarteto e Lahs, o registo mais heterógeneo e completo da carreira do projeto, amplia esta filosofia interpretativa, adocicando-a com novas nuances, nomeadamente aquelas que foram retiradas da lista de arquétipos fundamentais do rock clássico e do alternativo. A soul da guitarra de Holding Pattern é, desde logo, uma primeira demonstração inequívoca de um maior experimentalismo, de um desejo de divagar que contraste com o cariz mais direto e incisivo dos dois trabalhos anteriores dos Allah-Las. Depois, se o efeito metálico da guitarra que ciranda por Keeping Dry espreguiça os nossos sentidos, fazendo também abanar ligeiramente a anca, a tal diversidade atinge píncaros de criatividade em Prazer Em Te Conhecer, um tema cantado em português e que nos oferece uma espécie de Califórnia verde e amarela, já que são evidentes as influências da melhor música popular brasileira, em especial a bossa nova, numa composição imbuída de uma indesmentível vibe tropical, além da típica psicadelia lo-fi que carateriza o adn dos Allah-Las.

Os Allah-Las estão atrasados ou adiantados quase meio século, depende da perspetiva que cada um possa ter acerca do conteúdo sonoro que replicam. Se na década de sessenta seriam certamente considerados como uma banda vanguardista e na linha da frente e um exemplo a seguir, na segunda década do século XXI conseguem exatamente os mesmos pressupostos porque, estando novamente o indie rock lo fi e de cariz mais psicotrópico na ordem do dia, são, na minha modesta opinião, um dos projetos que melhor replica o garage rock dos anos sessenta e a psicadelia da década seguinte.

À medida que nos embrenhamos no âmago do disco, na frescura dançante de In The Air,  na luminosidade de Roco Ono, no clima contemplativo de Star, na radiofonia feliz de Polar Onion, na mescla entre folk e o country sulista americano em Royal Star ou no reverb empoeirado que conduz Electricity, percebemos que a receita dos Allah-Las mantém-se tremendamente eficaz e ainda mais aditiva, mesmo no sentido psicotrópico do termo. A embalagem muito fresca que é, no seu todo, Lahs, assente numa guitarra vintage, que de Creedance Clearwater Revival a Velvet Underground, passando pelos Lynyrd Skynyrd, faz ainda alguns desvios pelo blues dos primórdios da carreira dos The Rolling Stones e pela irremediável crueza dos The Kinks, deixa-nos completamente absortos por este experimentalismo instrumental que pode servir como uma feliz homenagem ao final de um verão que se tem estendido um pouco mais além do necessário. Em suma, estamos na presença de um alinhamento com sabor a despedida do sol e do calor, feito de referências bem estabelecidas e com uma arquitetura musical que garante aos Allah-Las a impressão firme de que a sua sonoridade típica conquista e seduz, com as visões de uma pop caleidoscópia e o sentido de liberdade e prazer juvenil que suscita, também por experimentar um vasto leque de referências antigas. Espero que aprecies a sugestão...

Allah-Las - Lahs

01. Holding Pattern
02. Keeping Dry
03. In The Air
04. Prazer Em Te Conhecer
05. Roco Ono
06. Star
07. Royal Blues
08. Electricity
09. Light Yearly
10. Polar Onion
11. On Our Way
12. Houston
13. Pleasure

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publicado por stipe07 às 17:48

Allah-Las – Polar Onion

Segunda-feira, 19.08.19

Allah-Las - Polar Onion

Naturais de Los Angeles, os norte americanos Allah-Las de Miles Michaud, Pedrum Siadatian, Spencer Dunham e Matt Correia têm finalmente sucessor para o excelente registo Calico Review de dois mil e dezasseis. Será a onze de outubro que irá ver a luz do dia Lahs, o novo compêndio de originais do quarteto, um trabalho que irá chegar aos escaparates através da Mexican Summer, a habitual editora do grupo.

Os Allah-Las viajaram imenso depois da edição de Calico Review, com passagens por locais táo variados como todo o continente americano, a Europa, África do Sul, Austrália, Rússia e leste da Ásia e o conteúdo de Lahs é bastante inspirado por essa demanda mundo fora, nomeadamente as experiências que a banda foi conseguido vivenciar além das normais rotinas de uma digressão musical.

Polar Onion é o mais recente single divulgado das treze canções do alinhamento de Lahs, uma composição imbuída de uma indesmentível vibe sessentista, assente em luminosas cordas, uma percurssão tremendamente groove e alguns efeitos hipnóticos na guitarra, detalhes que sustentam uma das mais belas melodias de um disco que certamente abraçará também a folk e o country sulista americano, além da típica psicadelia lo-fi que carateriza o adn dos Allah-Las. Confere...

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publicado por stipe07 às 17:58






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