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Tashaki Miyaki – I Feel Fine

Quarta-feira, 28.04.21

Quatro anos depois do extraordinário registo de estreia The Dream, que fez parte da nossa lista dos melhores álbuns de dois mil e dezassete num honroso décimo quinto lugar, os Tashaki Miyaki de Paige Stark, Luke Paquin e Sandi Denton, estão de regresso aos discos em dois mil e vinte e um com Castaway, o segundo álbum da banda, um alinhamento de onze canções que irá ver a luz do dia a dois de julho próximo e que já está disponível para pré-reserva no bandcamp do grupo. É um regresso que se saúda com enorme entusiasmo nesta redação, porque estamos a falar de uma banda que navega nas águas turvas e profundas da dream pop de pendor psicadélico e que oferece canções que nos embalam e incitam de um modo muito particular e lisérgico, composições que comprovam o quanto este projeto oriundo de Los Angeles é  incomparável e mestre na criação de uma atmosfera densa, mas particularmente sensual e hipnótica.

Tashaki Miyaki unveils their mesmerizing single and evocative visuals for  “I Feel Fine” - Grimy Goods

Castaway deverá ainda obrigar-nos a aprimorar mais as loas aos Tashaki Miyaki, tendo em conta o conteúdo de I Feel Fine, a primeira amostra revelada de Castaway. Trata-se de uma canção que serve-se de guitarras sobriamente eletrificadas e distorcidas para obter uma mistura sem fronteiras definidas, entre os grandes universos sonoros que são o blues e a folk, acrescentando a esta junção um registo vocal sublime, num resultado final tremendamente intimista e reservado, mas sem deixar de conter emoção e fervor.

I Feel Fine também já tem direito a um curioso vídeo filmado e realizado por Paige Stark, no qual a cantora e baterista dos Tashaki Miyaki homenageia os seus filmes sobre vampiros preferidos, nomeadamente as películas Only Lovers Left Alive and A Girl Walks Home Alone at Night. Curiosamente este também é o primeiro vídeo dos Tashaki Miyaki em que aparecem todos os elementos do grupo, neste caso vestidos de vampiros, vagueando pelas ruas de Los Angeles, noite dentro.

During the pandemic, we were working on an instrumental record because I couldn't write words and was kind of going crazy sitting in my apartment alone. I needed to be creative and see my bandmates to preserve my mental health. So we went to our friend Joel Jerome's place and recorded this instrumental record over two weeks in the middle of the summer heat wave, referiu recentemente Stark à imprensa sobre a canção e o vídeo, que ainda acrescentou: With this song, words just came. I hadn't written a word during the pandemic and then I suddenly felt like saying something about it. At first we were going to let it be the one song with a vocal on this otherwise instrumental record, but later we decided it fit more with Castaway, so we added it. We mixed it with the batch of songs from Castaway, so it feels like part of that group sonically now. Confere...

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publicado por stipe07 às 14:49

Ghost Of Vroom – Ghost Of Vroom 1

Segunda-feira, 26.04.21

Depois de um aclamado percurso discográfico com três tomos nos anos noventa, Mike Doughty colocou os míticos Soul Coughing numa situação de pousio e dedicou-se a uma profícua carreira a solo, quer como produtor, quer como compositor, tendo o artista produzido dezoito discos já no século XXI, a maioria deles com a chancela da etiqueta ATO de Dave Matthews. Durante estas mais de duas décadas Doughty evitou sempre mexer no catálogo dos Soul Coughing, descrevendo essa fase da sua vida como um casamento obsessivo e sombrio e que já tinha terminado. Seja como for, em dois mil e treze deu luz verde à compilação Circles, Super Bon Bon, and The Very Best of Soul Coughing, chegando a dar nova roupagem a algumas das canções mais emblemáticas do projeto.

Soul Coughing's Mike Doughty prepares new Ghost of Vroom release

Dois anos depois Doughy mudou-se para Memphis onde contactou com o coletivo de hip-hop Unapologetic, uma colaboração que o transportou para territórios sonoros familiares e o levou a equacionar uma potencial reunião dos Soul coughing, juntamente com o seu parceiro nesse projeto Andrew "Scrap" Livingston. No entanto, como não queriam voltar com a palavra atrás em relação ao tal casamento, a dupla rebatizou os soul coughing com o nome Ghost Of Vroom, uma alusão a Ruby Vroom, o disco de estreia dos Soul Coughing, estrearam-se com o EP Ghost of Vroom 2 (no passado mês de julho e agora chegou a hora de colocarem nos escaparates o longa duração que, curiosamente, já estava gravado antes desse EP de estreia ter sido divulgado, como se percebe pelo título.

Para conceber e gravar Ghost Of Vroom 1, registo que viu a luz do dia a vinte e nove de março à boleia da Mod y Vi Records, Doughty e Livingston viajram para Los Angeles para trabalhar com o produtor Mario Caldato Jr., referência ímpar da carreira dos Beastie Boys. Chamaram ao estúdio o baterista Gene Coye, figura relevante do jazz em Los Angeles e depois dividiram entre si o restante arsenal instrumental, com Doughty a ocupar-se das guitarras e dos samplers e Livingston do baixo, dos teclados e das restantes cordas. Divisão feita, a improvisação tornou-se pedra de toque no processo de incubação e o resultado final é um excelente alinhamento que nos transporta de modo impressivo para a herança dos Soul Coughing enquanto jazz, hip-hop e rock conjuram entre si de modo cativante, e com uma senjsibilidade poética ritmicamente vibrante. Desde o delicioso travo a rap de rua de Memphis Woofer Rock, ao rock espacial de I Hear the Axe Swinging, passando pelo rap anguloso, ecoante e comestível de More Bacon Than the Pan Can Handle, o blues incandescente que exala de Miss You Like Crazy, o mais apocalítico de Revelator, o noise rugoso de They Came In the Name of the People e o registo interpretativo mais tradicional de James Jesus Angleton, mantém-se sempre firme um propósito estilístico bem vincado e interpretado com um grau qualitativo elevadíssimo, por parte de uma dupla cujo regresso ao ativo em conjunto irá agradar aos fãs saudositas dos Soul Coughing, mas também a novos públicos, que estejasm sempre sedentos de algo diferente e refrescante. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 15:24

Damien Jurado – Tom

Quarta-feira, 14.04.21

No próximo dia catorze de maio irá chegar aos escaparates The Monster Who Hated Pennsylvania, o novo trabalho do norte-americano Damien Jurado. Esse novo álbum do músico agora a viver em Los angeles, terá a chancela da Maraqopa Records e irá, certamente, voltar a justificar porque é que Damien Jurado é um dos nomes fundamentais da folk norte americana e um dos artistas que melhor tem sabido preservar algumas das caraterísticas mais genuínas de um cancioneiro que dá enorme protagonismo ao timbre acentuado e rugoso das cordas para dissertar crónicas sobre uma América profunda e muitas vezes oculta, não só para os estrangeiros, mas também para muitos nativos que desde sempre se habituaram à rotina e aos hábitos de algumas das metrópoles mais frenéticas e avançadas do mundo, construídas num país onde ainda é possível encontrar enormes pegadas de ancestralidade e que inspiram calorosamente este músico.

Damien Jurado shares new single 'Tom' | Folk Radio

Depois de há algumas semanas ter sido retirado do alinhamento de The Monster Who Hated Pennsylvania o single Helena, agora chega a vez de conferirmos Tom, uma canção algures entre a penumbra e a luz, carregada com um timbre simultaneamente revelador de inquietude e de serenidade único, em que as cordas assumem um protagonismo óbvio, mas deixam espaço para que arranjos de outras proveniências, debitados pelo multi-instrtumentista Josh Gordon, confiram à composição um arquétipo sonoro com uma sofisticação muito própria, rematada pelo habitual modo como este autor usa as palavras de modo a fazer fazer-nos passar a sensação que o ouvinte está a conversar com o autor e junto a si. Confere...

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publicado por stipe07 às 13:25

Cold Cave – Night Light

Quinta-feira, 08.04.21

O projeto Cold Cave, liderado por Wesley Eisold, tem catorze anos de existência e não edita discos há uma década. Mas isso não significa que tenha estado em pousio desde então. De facto Wesley tem-se mostrado bastante ativo, nomeadamente depois de em dois mil e dezasseis nos ter presenteado com The Idea Of Love, um lançamento em formato físico e digital, de duas canções, o tema homónimo e Rue The Day. Esse género de edições pareceu ser, à altura, a filosofia de Wesley para a apresentação das canções dos Cold Cave, com o clássico formato álbum a ser, para o autor, uma realidade do passado. À época, o músico natural de Los Angeles confessou que esse seria um formato demasiado redutor e que pretendia publicar música livremente e sem a obrigatoriedade de o fazer à sombra de um alinhamento longo e definido no tempo, mesmo tendo em conta a excelente aceitação dos discos Love Comes Close (2009) e Cherish the Light Years (2011).

Ouça Cold Cave Channel 80ies Synth-Pop na nova música “Night Light” –  Celebrity Land Brasil

Agora, em dois mil e vinte e um, e depois de ter visto interrompida, devido à pandemia, uma digressão com o seu outro projeto, a banda hardcore American Nightmare e de se ter juntado a Mark Lanegan para produzirem juntos uma espetacular cover do clássico Isolation dos Joy Division, Eisold orientou de novo o seu foco para os Cold Cave e acaba de anunciar um novo EP intitulado Fate In Seven Lessons, um alinhamento que irá ver a luz do dia a onze de junho próximo, via Heartworm Press.

Night Life é o primeiro single retirado do EP, um imponente concentrado lo fi, com elevado pendor oitocentista, um tema em que a vibração da guitarra e um efeito sintetizado futurista suportam com superior magnificiência a voz manipulada de Eisold, uma belíssima caldeirada, feita com várias espécies sonoras, envolvida numa embalagem frenética, com uma atmosfera sombria e visceral, numa espécie de meio termo entre o rock clássico, a eletrónica, o shoegaze e a psicadelia. Confere Night Light e o alinhamento de Fate In Seven Lessons...

01 Prayer From Nowhere
02 Night Light
03 Psalm 23
04 Love Is All
05 Happy Birthday Dark Star
06 Honey Flower
07 Promised Land

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publicado por stipe07 às 17:41

Warpaint – Paralysed

Terça-feira, 23.03.21

Como todos certamente se recordam, o ano passado partiu do nosso mundo Andy Gill, um dos pilares do mítico projeto britânico Gang Of Four, que se notabilizou por uma ímpar discografia, dentro de um punk rock adornado por tiques da funk e do dub e que olhava com gula para as mazelas sociais e políticas da sociedade, sendo Entertainment! a obra master do catálogo da banda de Leeds e uma das mais aclamadas da história do rock dos últimos quarenta anos.

Warpaint share Gang of Four cover, 'Paralysed' | News | DIY

Logo após o desaparecimento de Andy Gill começou a ser burilado um registo de tributo aos Gang Of Four, que começa finalmente a ganhar forma. O registo vai chamar-se The Problem With Leisure: A Celebration Of Andy Gill And Gang Of Four e irá ver a luz do dia já em maio. Um dos temas já conhecidos do alinhamento desse trabalho é a cover assinada pelas Warpaint da canção Paralysed, que fazia parte do disco Solid Gold que os Gang Of Four lançaram há precisamente quatro décadas. Esta nova roupagem do projeto formado por Theresa Wayman, Emily Kokal, Jenny Lee Lindberg e Stella Mozgawa adiciona a Paralysed uma nova envolvência e um clima mais refinado e cuidado, sem que isso coloque em causa a orgânica e o pulsar rítmico sui generis do original. Confere a cover e o original...

 

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publicado por stipe07 às 17:02

Saint Motel – Feel Good

Quarta-feira, 17.03.21

Formados em Los Angeles no já longínquo ano de dois mil e sete, os Saint Motel de A/J Jackson, Aaron Sharp, Dark Lerdamornpong e Greg Erwin são um dos segredos mais interessantes e mais bem guardados da indie pop contemporânea. Merecem destaque por estes dias devido a um tema intitulado Feel Good e que faz parte da banda sonora da comédia Yes Day, um dos filmes de maior sucesso da plataforma de streaming Netflix, realizado por Miguel Arteta e que conta no elenco com nomes como Jennifer Garner, Edgar Ramirez, Jenna Ortega, Julian Lerner, Everly Carganilla, Arturo Castro, Nat Faxon, Fortune Feimster e Molly Sims.

Saint Motel Pour Over 'Scripts' of Three-Part 'Original Motion Picture  Soundtrack'

Feel Good é um verdadeiro portento de dance music, uma composição enleante, com um ritmo implacável no modo como nos consegue colocar a dançar, mesmo que de modo instintivo e que, na ausência deste período forçado de confinamento, poderia muito bem fazer furor em qualquer pista de dança atual. Confere...

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publicado por stipe07 às 20:57

Magic Wands – Illuminate

Segunda-feira, 28.12.20

Os Magic Wands são de Los Angeles e formaram-se em dois mil e oito quando Chris descobriu o myspace de Dexy Valentine, onde ouviu uma canção chamada Teenage Love e desde logo resolveu contactá-la. Pouco tempo depois Dexy mudou-se para Nashville e começaram a escrever música juntos, sendo o nome da banda uma alusão à capacidade de ambos conseguirem trabalhar e escrever música como equipa, apesar de viverem em lados opostos dos Estados Unidos. Ainda nesse ano de 2008 a dupla assinou pela Bright Antenna e editaram o primeiro EP, intitulado Magic Love & Dreams, gravado em Nova Iorque com o produtor John Hill. Na primavera de dois mil e doze editaram o disco de estreia, um registo chamado Aloha Moon que só agora, oito anos depois, ganha sucessor.

MAGIC WANDS (@itsmagicwands) | Twitter

Illuminate é o nome do novo compêndio desta dupla, dez músicas que nos remetem para aquele universo oitocentista bem balizado e com caraterísticas bastante peculiares e únicas, aquele rock com forte pendor nostálgico, feico com diversas camadas de guitarras, mudanças rítmicas constante e um registo vocal geralmente abafado, nuances que ainda hoje são pedras basilares de alguns dos nomes mais proeminentes do indie rock, nomeadamente aqueles que o cruzam com a eletrónica.

Assim, e só para citar dois dos melhores momentos de Illuminate, se Blue Cherry é uma daquelas composições que exala por todos os poros a pop dançante de uns Blondie, já o vibrante tema Angel Dust cruza o melhor soft rock com algumas bizarrias eletrónicas e vocalizações sombrias, numa espécie de cruzamento entre os The Kills e os The Horrors. Depois, se Paradise é um portento de garage rock que dialoga incansavelmente com o surf rock e que incorpora, nessa trama, doses indiscretas de uma pop suja e nostálgica, já o sintetizador hipnótico que afaga o terreno para o portentoso baixo que embala o instrumental Psychic Alien, é um excelente soporífero para que não nos afoguemos nas águas turvas da canção homónima do disco, explosiva composição que nos conduz a um amigável confronto entre o rock alternativo de cariz mais lo fi com aquela pop particularmente luminosa e com um travo negro muito peculiar.

Produzido, gravado e misturado pela própria banda no seu estúdio caseiro na última meia década e inspirado em conceitos como introspeção, fantasia, amor e sonho, Illuminate é um álbum tremendamente pop, que nos acolhe numa ilha mágica, cheia de sonhos e cocktails e onde podemos ser acariciados pela brisa do mar. E quem não acredita que a música pode fazer magia não vai sentir-se tocado pelo disco, que não sendo imaculado, por ter nas canções visões de cristal, muitos corações e estrelas cintilantes, torna-se num espetáculo fascinante capaz de encantar o maior dos cépticos. Espero que aprecies a sugestão...

Magic Wands - Illuminate

01. Honeymoon
02. Blue Cherry
03. Angel Dust
04. Paradise
05. Psychic Alien
06. Illuminate
07. Bat Babby
08. Magic Flower
09. Queen of the Gypsies
10. The Beach

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publicado por stipe07 às 20:44

Cayucas – Blue Summer

Segunda-feira, 07.12.20

Já está nos escaparates Blue Summer, o quarto disco da banda Cayucas, um projeto sedeado em Santa Mónica, na Califórnia e liderado pelos gémeos Zach e Ben. Blue Summer é mais um retrato feliz de uma Califórnia cheia de sol, praias e pessoas que vivem algo alienadas do mundo real, por mergulharem constantemente nas ondas salgadas de um pacífico que estabelece pontes com uma costa oeste cheia de oportunidades e todo aquele conforto que o capitalismo pode oferecer, com Hollywood a ser, de certo modo, o expoente máximo deste modo de viver tão exuberante e frenético.

Cayucas brings the perfect summer to the quarantined on “Malibu '79 Long” -  Grimy Goods

De facto, o ao quarto registo de originais, os irmãos Zach e Ben mantêm-se na senda de uma pop ensolarada. São oito canções que, tendo sempre o verão da costa oestye como grande força motriz, nos oferece diferentes experiências e sensações bastante impressas com detalhe nas mentes dos autores. Se em Malibu' 79 é a areia escaldante das praias da costa que banha o pacífico que é exaltada, já California Girl oferce-nos uma ode divertida aos sensuais biquinis que as preenchem. O receituário é homogéneo, num disco que vai fazendo-se de guitarras beliçosas e repletas de efeitos de forte pendor vintage, algumas linhas de piano insinuantes e uma bateria com aquele ritmo sessentista inconfundível, tudo acomodado por um baixo amiúde deslumbrante. Mesmo quando a acusticidade ganha a primazia, como nas cordas de Lonely Without You, e no twist de Red-Yellow Bonfire, há sempre um tempero rock ensolarado que persiste, com os Beach Boys à cabeça de uma trama influencial que é bastante específica e que está bem balizada.

Blue Summer é uma experiência divertida e nostálgica de um mundo diferente do nosso, visto pelos olhos de uma dupla que certamente procura, através da música, fazer refletir aquela luz que não se dispersa e que ilumina as suas memórias, sem serem demasiado complicados no momento de criar sons e melodias que revivem um passado feliz, fazendo-o com canções que fluem naturalmente e, em alguns momentos, transmissoras daquela felicidade incontrolável e contagiante que todos nós procuramos. Espero que aprecies a sugestão...

Cayucas - Blue Summer

01. Yeah Yeah Yeah
02. Malibu ’79 Long
03. California Girl
04. Lonely Without You
05. Red-Yellow Bonfire
06. From The Rafters
07. Champion Of The Beach
08. Summer Moon

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publicado por stipe07 às 15:45

EELS – Earth To Dora

Sexta-feira, 30.10.20

Dois anos depois do excelente registo The Deconstruction, os Eels de E. (Mark Oliver Everett), Kool G Murder e P-Boo regressam hoje mesmo aos lançamentos, no penúltimo dia de outubro deste ano em que se comemoram duas décadas da edição do belíssimo clássico do grupo Daisies Of The Galaxy. O décimo terceiro e novo disco dos Eels intitula-se Earth To Dora e foi gravado no estúdio da banda em Los Feliz, na Califórnia, tendo as sessões de composição e de gravação começado ainda antes do atual período pandémico.

Mark Everett Shares What Went Into Making EELS Latest, 'Earth to Dora'

Em pleno processo de restabelecimento de uma profunda crise de meia idade provocada por três décadas de intensa atividade musical, quase ininterrupta, que o fizeram atingir um profundo desgaste quer físico, quer emocional, levando-o a uma espiral depressiva que o fez perder a sua segunda esposa, uma senhora escocesa que lhe deu o seu primeiro filho em mil novecentos e dezassete, Mark Everett, que usa óculos desde que foi atingido por um laser num concerto dos The Who nos anos oitenta, viveu a sua vida sempre habituado a conviver com a tragédia na sua vida pessoal e a superar eventos nefastos. Tudo começou em mil novecentos e oitenta e dois com a morte por ataque cardíaco do pai, o famoso físico Hugh Everett,  na altura profundamente deprimido por nunca ter conseguido que a sua teoria sobre física quântica fosse aceite no meio científico. Década e meia depois aconteceu o suícidio da irmã Elizabeth em mil novecentos e noventa e seis e a partida da sua mãe, Nancy Everett, devido a um cancro, meses antes do lançamento do espetacular registo Electro-Shock Blues, (1998), disco que se debruça de modo particularemtne impressivo sobre esta espiral de eventos marcantes da vida de Mr E., que ainda teve mais um capítulo no onze de setembro de dois mil e um qundo num dos aviões que foi desviado contra o Pentágono seguia a sua prima Jennifer Lewis Gore.

Earth To Dora marca não só o regresso de Mark Everett à vida ativa na profissão que escolheu e com uma clarividência ímpar, depois da sua própria quarentena, mas também funciona, tendo em conta o conteúdo das doze canções que compôem o seu alinhamento, como um atestado da sua alta clínica, o documento sonoro que confirma o seu regresso em pleno e completamente revigorado ao universo da escrita e composição de canções que, por sinal e como é sabido por todos, são sempre intensamente pessoais e profundas, tratando de temas como a morte, transtornos mentais, a solidão e o amor. O clima geral deste trabalho e o adn lírico do mesmo não fogem, de certa forma, a esta permissa mas, na minha opinião, é um facto que os Eels não lançavam um álbum tão luminoso e otimista desde o já referido Daisies Of The Galaxy.

De facto, se Mr E. gosta de surpreender e consegue sobreviver no universo indie rock devido à forma como tem sabido adaptar os Eels às transformações musicais que vão surgindo no universo alternativo sem que haja uma perca de identidade na conduta sonora do grupo, Earth To Dora mantém-no, nesse aspecto, num nível muitíssimo acima da simples tona da água, tal é o grau qualitativo sentimental deste registo, que instrumentalmente é intenso e melodicamente orelhudo. Tal sucede porque o disco assenta num formato eminentemente pop rock lo fi de elevado travo blues, um clima geral ditado pela orgânica distorção metálica da guitarra e dos arranjos das teclas e de outras cordas, como violinos ou o banjo, de forte índole melancolica e introspetiva, um efeito ampliado por uma percurssão sempre bastante aditiva. Enquanto isso, canção após canção, somos presenteados com belíssimos poemas, quase todos sobre o amor e as múltiplas facetas que ele pode ter, desde o irónico ao depressivo, passando pelo falso e o mais puro e genuíno, sempre com o seu último casamento muito presente e tudo aquilo que de revigorante e nefasto lhe ofereceu enquanto durou e que ficou para smepre carimbado no músico com a descendência que dele resultou (I learned the hard way to be prepared and given the options, I’d rather be alone).

O timbre vocal inédito de Everett é o remate final de um registo que no rock colegial de The Gentle Souls, no clima blues faustoso de Are You Fucking Your Ex, na íntimidade despojada de Dark And Dramatic ou na destreza folk de Baby Let’s Make It Real, prova que merece fazer parte do pódio dos melhores álbuns de uma vasta e gloriosa carreira de um dos melhores e mais peculiares grupos de rock alternativo da nossa contemporaneidade. Espero que aprecies a sugestão...

EELS - Are We Alright Again

01. Anything For Boo
02. Are We Alright Again
03. Who You Say You Are
04. Earth To Dora
05. Dark And Dramatic
06. Are You Fucking Your Ex
07. The Gentle Souls
08. Of Unsent Letters
09. I Got Hurt
10. OK
11. Baby Let’s Make It Real
12. Waking Up

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publicado por stipe07 às 15:58

Local Natives – Sour Lemon EP

Sexta-feira, 23.10.20

Ano e meio depois do excelente registo Violet Street, um dos preferidos desta redação do catálogo de dois mil e dezanove, os norte-americanos Local Natives de Taylor Rice estão de regresso com um EP intitulado Sour Lemon, gravado logo após as sessões finais de Violet Street com o produtor Chris Coady e que tem a chancela do selo Loma Vista.

Local Natives share “Lemon” featuring Sharon Van Etten | lab.fm

Novidades dos Local Natives são sempre de saudar efusivamente. E quando trazem na bagagem participações especiais de nomes como Sharon Van Etten, então o regozijo torna-se ainda mais audível e justificado. De facto, as quatro canções de Sour Lemon aprimoram ainda mais o habitual patamar instrumental arrojado deste quinteto californiano, mantendo-se a excelência nas abordagens ao lado mais sentimental e frágil da existência humana, traduzida em inspirados versos e a formatação primorosa de diferentes nuances melódicas numa mesma composição, duas imagens de marca do projeto.

Sour Lemon EP convida-nos a penetrar no seu âmago à boleia de Lemon, um portento de melancolia e acusticidade, desenhado com uma viola de elevado pendor clássico, enleada por arranjos de cordas de diferentes proveniências e com diversas tonalidades e por um registo vocal ímpar de ambos os intervenientes, Rice e Van Etten, que encaixam na perfeição. Depois, os seguidores mais puristas do grupo ficarão certamente deliciados com o ambiente deslumbrante, luminoso e efervescente de Statues In The Garden (Arras), uma composição que começou a ser incubada na cidade francesa de Arras e que ganhou a sua roupagem final já no lado de lá do atlântico, uma canção que nos mostra os Local Natives soterrados em variadas emanações sumptuosas e encaixes musicais sublimes, como é apanágio do seu adn. Para o ocaso, se Lost não engana no modo como, etereamente, pisca o olho a ambientes mais nebulosos e jazzísticos, sem descurar uma leve pitada de R&B, já Future Lover tem o condão de nos fazer levitar e nos dar aconchego, através de um espírito interpretativo intenso e charmoso, onde se destaca o timbre metálico de uma divagante guitarra que contradiz na perfeição um registo percurssivo hipnótico, num resultado final de forte cariz pop.

Uma das grandes virtudes destas quatro novas canções dos Local Natives tem a ver com o facto de se sustentarem numa calculada complexidade, aliada a uma inspirada riqueza estilística, aspectos que fazem muitas vezes parecer que uma mesma composição dos Local Natives resulta de uma colagem simbiótica de diferentes puzzles com tonalidades e características diferentes. E estes dois aspetos peculiares marcam, claramente, um EP de enorme beleza e que merece ser apreciado com cuidado e real atenção, deixando bastante água na boca relativamente a um próximo longa duração deste grupo ímpar no panorama indie atual. Espero que aprecies a sugestão...

Local Natives - Sour Lemon

01. Lemon (Feat. Sharon Van Etten)
02. Statues In The Garden (Arras)
03. Lost
04. Future Lover

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publicado por stipe07 às 16:35






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