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The Notwist - Ship EP

Quarta-feira, 26.08.20

Considerados por muitos como verdadeiros pais do indie rock, os The Notwist, liderados pelos irmãos Archer, estão de regresso aos lançamentos discográficos com Ship, um EP que acaba de ver a luz do dia à boleia da Morr Music, etiqueta alemã, sendo o primeiro sinal de vida do projeto em seis anos. Recordo que em dois mil e catorze este grupo alemão incrível lançou o disco Close to The Glass, um tomo de onze canções assentes numa eletrónica cheia de elementos do krautrock, mas que também passava pelo hip hop mais negro, o indie rock e o jazz progressivo, um verdadeiro caldeirão sonoro onde cada elemento foi cuidadosamente tratado e que estava minuciosamente carregado de vida.

The Notwist prep new EP & album, share “Ship” ft. Saya of Tenniscoats

Já com um novo longa duração prometido ainda este ano, os The Notwist afagam-nos, para já, um pouco a alma e acalmam as expetativas desse longa duração, com três excelentes novos temas em que, seja entre o processo dos primeiros arranjos, até à manipulação geral dos cerca de doze minutos do EP, tudo soa muito polido, notando-se a preocupação por cada mínimo detalhe, o que acaba por gerar num resultado muito homogéneo e bem conseguido.

Abrindo, como seria de esperar, com o single homónimo do registo, uma canção que conta com a participação vocal da japonesa Saya, vocalista da banda Tenniscoats e que impressiona pelo rigor percurssivo, percebe-se, logo à partida, que Ship EP será um registo tremendamente hipnótico. Nesta canção, a batida seca que lateja sem cessar, enquanto é constantemente rodeada por uma espiral sintetizada repetitiva e diversas aparições de uma guitarra que se insinua sempre à espreita do momento ideal para explodir em riffs e distorções incontroláveis, são nuances típicas de um grupo exímio a tricotar, sem receio do risco, os alicerces fundamentais de um rock que se entrega a toda o universo sonoro alternativo, sem se alimentar apenas da clássica tríade guitarra, baixo e bateria.

Depois, a incomensurável diversidade sónica que, entre luminosas cordas, efeitos cósmicos, uma bateria embaladora e guitarras metálicas, dá sentido e cor ao sublime experimentalismo de Loose Ends e, para rematar, o forte pendor espiritual e reflexivo do instrumental Avalanche, são mais duas canções que carimbam, de modo indelével, a sagacidade e a sensação catártica de um alinhamento curto mas impressivo, criado por uns The Notwist hábeis a convidar-nos a uma real libertação de sentimentos ou emoções reprimidas, ao som das suas canções. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 21:20

The Notwist – Ship

Quarta-feira, 05.08.20

The Notwist - Ship

Considerados por muitos como verdadeiros pais do indie rock, os The Notwist, liderados pelos irmãos Archer, estão de regresso aos lançamentos discográficos com Ship, um EP que irá ver a luz do dia ainda durante este mês de agosto, à boleia da Morr Music, etiqueta alemã, e que será o primeiro sinal de vida do projeto em seis anos. Recordo que em dois mil e catorze este projeto alemão único lançou o disco Close to The Glass, um tomo de onze canções assentes numa eletrónica cheia de elementos do krautrock, mas que também passava pelo hip hop mais negro, o indie rock e o jazz progressivo, um verdadeiro caldeirão sonoro onde cada elemento foi cuidadosamente tratado e que estava minuciosamente carregado de vida.

Para antecipar o lançamento deste EP, ao qual se seguirá, ainda de acordo com a banda, um novo longa duração ainda em 2020, os The Notwist acabam de divulgar o single homónimo do registo, uma canção que conta com a participação vocal da japonesa Saya, vocalista da banda Tenniscoats e que impressiona pelo rigor percurssivo, assente num registo tremendamente hipnótico, devido a uma batida seca que lateja sem cessar, enquanto é constantemente rodeada por uma espiral sintetizada repetitiva e diversas aparições de uma guitarra que se insinua sempre à espreita do momento ideal para explodir em riffs e distorções incontroláveis, algo que acaba por não acontecer. Confere...

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publicado por stipe07 às 21:31

Psychic Markers – Psychic Markers

Sexta-feira, 29.05.20

Naturais de Londres e formados por Steven, Leon, Alannah, Lewis e Luke, os Psychic Markers são uma banda de indie rock que mistura a psicadelia e o punk com alguns dos melhores detalhes do rock experimental e do krautrock de raízes setentistas. Abrigados pela insuspeita Bella Union, acabam de editar um extraordinário registo homónimo, uma espécie de cápsula temporal que nos transporta com superior requinte e elevada dose de letargia até às fundações de praticamente tudo aquilo que define o melhor rock cósmico e lisérgico contemporâneo.

Psychic Markers's stream on SoundCloud - Hear the world's sounds

A peculiar e distinta receita de Psychic Markers é muito eficaz e quer a fórmula, quer as intenções conceptuais do disco, ficam claras, logo no modo progressivo como Where Is The Prize? se abastece de um vastíssimo arsenal de projeções sintéticas, amiúde anárquicas, mas de elevado pendor narcótico. Logo depois, em Silence In The Room, a batida hipnótica e o trespasse que ela sofre com teclas de forte cariz vintage, amplia a sensação de descolagem da realidade e de entrada numa espécie de universo paralelo, uma impressão firme e transversal às dez canções polidas do álbum que, no seu todo, assentam também em riffs de guitarra viscerais, nas batidas pulsantes, um baixo muitas vezes frenético e em sintetizadores muito direcionados para o krautrock.

Após tão desafiante início, ficamos definitivamente rendidos ao registo com Pulse, composição com uma atmosfera algo tenebrosa e, por isso, bastante desafiante, mas tabém com Enveloping Cycles, um instante de indie rock psicadélico verdadeiramente extraordinário, assente numa melodia grandiosa e espacial, envolvida em camadas de guitarras distorcidas e sintetizadores incisivos e luminosos. Logo a seguir, Sacred Geometry aponta para caminhos ainda mais experimentais e simultaneamente etéreos, com a primazia da percurssão e da acústica a mostrar uns Psychic Markers fortemente ecléticos e inspirados na criação de melodias que se entranham com invulgar mestria nos nossos ouvidos, mesmo quando, um pouco à frente, a guitarra elétrica distorce-as dando-lhes um teor ainda mais grandioso e épico. Até ao ocaso do disco, não há como não deixar de exaltar também Clouds, um segredo feito de punk rock puro e duro muito bem guardado, que sobe emocionalmente, de degrau em degrau, até uma espécie de climax, enquanto recebe vários efeitos sintetizados, sem que a bateria amansse a batida.

Em Psychic Markers é possível aceder a canções oriundas de uma outra dimensão musical, com uma assumida e inconfundível pompa sinfónica, típica das propostas indie de terras de Sua Majestade e sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde tudo soa utopicamente perfeito. Há uma beleza enigmática nas composições destes Psychic Markers, feita com belas orquestrações que vivem e respiram lado a lado com as distorções e arranjos mais agressivos, enquanto projetam no ouvinte inúmeras possibilidades e aventuras, assentes num misto de pop, psicadelia, rock progressivo e soul. Espero que aprecies a sugestão...

Psychic Markers - Psychic Markers

01. Where Is The Prize?
02. Silence In The Room
03. Pulse
04. Enveloping Cycles
05. Sacred Geometery
06. A Mind Full And Smiling
07. Irrational Idol Thinking
08. Juno Dreams
09. Clouds
10. Baby, It’s Time

 

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publicado por stipe07 às 21:32

Young Knives – Sheep Tick

Domingo, 29.03.20

Young Knives - Sheep Tick

Tendo iniciado a carreira discográfica com Voices Of Animals And Men e depois Superabundance, os Young Knives dos irmãos Henry e Thomas Dartnall, aos quais se juntou Oliver Askew, obtiveram rapidamente uma boa reputação e um interessante sucesso comercial de vendas. Depois, em dois mil e onze, com Ornaments From The Silver Arcade, chegaram ainda mais longe na divulgação da sua música, mudaram um pouco o seu som, dando-lhe uma componente mais soul, introduziram novos instrumentos no processo de gravação, contaram com o reputado produtor Nick Launay e alguns músicos, cantores e percussionistas e, através desse trabalho, plasmaram o gosto pelo experimentalismo e pela chamada música de dança. O resultado foi uma míriade de sonoridades, assentes no punk, mas com pinceladas de groove, house, soul, jazz e até alguma eletrónica.

O passo seguinte deu-se quase no ocaso de dois mil e treze, com um trabalho dinâmico e cheio de pequenas surpresas chama-do Sick Octave, álbum que na altura nos propôs uma viagem intensa por diversas sonoridades, climas, emoções e inspirações, um alinhamento de treze temas pensado e desenvolvido numa atmosfera de total liberdade criativa, lançado pelos Young Knives de modo independente, com os próprios recursos financeiros do grupo e sem reportar fosse a quem fosse o andamento do trabalho e o conteúdo sonoro do mesmo.

Depois deste excelente registo os Young Knives ficaram um pouco fora de cena, mas parecem dispostos a voltar a ribalta em dois mil e vinte com um novo trabalho discográfico, que será o quinto da carreira do projeto, uma intenção revelada juntamente com Sheep Tick, o primeiro single desse disco ainda sem nome revelado. A canção é um portento sonoro que mescla algumas das traves mestras da melhor pop contemporânea de raízes eminentemente sintéticas com o indie rock, comercial, pincelado com deliciosos detalhes típicos do punk e do krautrock, num resultado final claramente glorioso e que nos deixa de apetite aguçado para as próximas cenas deste espetacular acordar dos Young Knives. Confere...

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publicado por stipe07 às 22:47

Say Hi – Diamonds And Donuts

Sexta-feira, 07.02.20

Say Hi é Eric Elbogen, um músico norte americano natural de Seattle e que faz música desde 2002. O seu disco mais recente tem o sugestivo nome de Diamonds And Donuts, um trabalho que chegou aos escaparates pela mão da Euphobia Records e o décimo terceiro na carreira de um artista que para este registo se inspirou em treze excitantes estudos psicológicos e que é capaz de, em poucos segundos, viajar do rock mais selvagem até à indie pop de cariz experimental e à eletrónica e sempre movido a muita testosterona.

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Sucessor do curioso registo Werewolf Diskdrive (2017), Diamonds And Donuts marca mais um capítulo numa saga fictional onde cada tomo deste músico se debruça sobre uma temática precisa. Desta vez, Diamonds And Donuts é o resultado direto de treze experiências psicológicas inovadoras que foram idealizadas e conduzidas pelo próprio Eric ao longo de treze meses, com o único objetivo de gerar teorias sobre a natureza humana que pudessem ser traduzidas em composições musicais. No final, o músico constatou que tanto o Diamond como o Donut foram os dois objetos considerados mais motivacionais para obter respostas verosímeis dos participantes nos grupos de estudo criados para o efeito. Depois de projetar e conduzir cada estudo, o compositor de Seattle entrava em estúdio, na sua própria casa, para manipular os dados obtidos, criando, assim, este disco onde não falta uma mescla de eletropop com sonoridades hard rock, o rock setentista, o rock de garagem e o blues.

Assim, neste Diamonds and Donuts, se temas como Obsidian Oblivion Golfing e Happy As A Clam assentam num sintetizador melodicamente assertivo e numa percussão convincente, além de guitarras plenas de groove e distorção, bem à medida do melhor soft rock oitocentista, já Then Some Miniature Golfing e a soturna Non-Linear Time vs. Misshapen Space abrandam um pouco o clima, mas não o ritmo, já que a receita repleta de espasmos sintéticos debruçados em linhas baixo pulsantes e construções melódicas baseadas em guitarras perspicazes mantém-se, mas numa toada mais nostálgica e intimista. Depois, se Lookachu espreita ambientes mais negros e progressivos, não faltando nessa canção um travo punk delicioso, Confetti Xerox (Let’s Go Team) desvia-se um pouco dessa toada, para se focar num registo mais intrincado e experimental, conferindo ao disco um indispensável grau de ecletismo e abrangência.

A diversidade plasmada nesses seis exemplos acentua a justeza da necessidade de este músico obter, finalmente, um reconhecimento verdadeiro e um estatuto forte no universo sonoro alternativo. Aliás, o modo convincente como em A MacBook Pro To A Nineties Dell e Jupiter Death Bunnies, Say Hi serve-se da grandiosidade das guitarras e das teclas e de variações rítmicas e melódicas constantes, enquanto se debruça a fundo no universo da adição tecnológica e do sobrenatural, além de carimbar a enorme dose de criatividade que nele habita, sugere que este autor busca sempre abranger múltiplas nuances para o seu cardápio, curiosamente dentro de um som experimental, mas que tem, quanto a mim, potencial para um elevado airplay.

Até ao ocaso de Diamonds And Donuts, a imensa soul que desliza pelo piano arrebatador e pelos detalhes sintéticos de Grey As A Ghost e a subtileza instrumental de Ballerina, Ballerina, Ballerina, que desliza até ao âmago de um krautrock tendencialmente obscuro, são outros pontos de paragem obrigatória numa viagem única de fusão entre elementos particulares intrínsecos ao que de melhor ficou dos primórdios da pop, nos anos setenta, com o rock mais épico da década de oitenta e algumas das caraterísticas que definem o adn da eletropop atual.

Indubitavelmente, Say Hi domina a fórmula correta, feita com guitarras energéticas, uma sintetizador indomável, efeitos mais ou menos subtis e melodias cativantes, para presentear quem o quiser ouvir com canções alegres, aditivas, profundas e luminosas. O disco também se torna viciante devido a uma voz que, ao longo do trabalho, preenche verdadeiras pinturas sonoras que se colam facilmente aos nossos ouvidos e que nos obrigam a mover certas partes do nosso corpo. Espero que aprecies a sugestão...

Say Hi - Diamonds And Donuts

01. And Then Some Miniature Golfing
02. Obsidian Oblivion
03. Lookachu
04. Confetti Xerox (Let’s Go Team)
05. Non-Linear Time vs. Misshapen Space
06. Windsor Knots And Ruffles
07. A MacBook Pro To A Nineties Dell
08. Jupiter Death Bunnies
09. Tiger Unicorn
10. Happy As A Clam
11. Grey As A Ghost
12. Heavy Metal And Video Games
13. Ballerina, Ballerina, Ballerina

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publicado por stipe07 às 16:20

Steve Mason – Coup D’état EP

Sexta-feira, 10.01.20

O escocês Steve Mason esteve nos últimos anos ocupado com a reedição em vinil do catálogo dos seus Beta Band, mas no início deste ano focou-se novamente na sua carreira a solo, à boleia de About The Light, o quarto registo de originais do seu cardápio. Gravado em vários estúdios de Londres e Brighton, com a ajuda do mítico Stephen Street, que trabalhou com os Blur e os The Smiths, About The Light viu a luz do dia a dezoito de janeiro último e na altura sucedeu aos aclamados trabalhos Boys Outside (2010), Monkey Minds In The Devil’s Time (2013) e o antecessor Meet The Humans (2016). Agora, cerca de dez meses depois desse disco, Steve Mason volta a surpreender com Coup D’état, um EP com quatro temas, três novos originais e uma remistura de  America Is Your Boyfriend, canção que abria o alinhamento de About The Light, da autoria de Tim Goldsworthy.

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Steve Mason parece estar destinado a tornar-se numa figura de culto do cenário indie britânico. Tal como muitos parceiros de luta muitas vezes catalogados de egocêntricos, foi-lhe diagnosticado em tempos um síndrome de distúrbio mental, que tem tentado contrariar desde o surpreendente registo Boys Outside, de dois mil e dez. Nesse álbum Mason fez uma espécie de mea culpa acerca da necessidade que foi sentido, ao longo da sua vida, de vestir uma determinada capa perante o grande público e nele, além de debruçar-se, com particular clarividência, sobre essa questão em concreto, também o fez, imagine-se, sobre a realidade política dessa época, no fundo uma estratégia igual a tantas outras, mas eficaz, de aproximação ao público e de quebrar barreiras. O passo seguinte deste exercício de exorcização e de busca de uma normalidade quotidiana deu-se há dois anos, durante o processo de gravação de Meet the Humans. Durante a escrita desse álbum Mason deixou de vez o seu refúgio escocês em Fife, numa zona florestal e mudou-se para a urbanidade de Brighton, em Inglaterra, onde encontrou parceira e enfrentou, inesperadamente, a dura mas feliz batalha da paternidade. Essa nova realidade pessoal, mais feliz, estável e adulta de Mason, acabou por se refletir no conteúdo de About The Light, o seu Brighton Album, como o músico também gostou de o intitular, um disco que sonoramente colocou as fichas na melhor herança da britpop noventista e que apresentou um som eminentemente experimental, como é suposto tendo em conta o adn deste músico, mas claramente mais acessível que o universo sonoro algo intrincado e frequentemente sofisticado dos Beta Band. Agora, neste Coup D’état, que viu os três originais produzidos por Steve Mac e Martin Duffy dos Primal Scream e cujo conteúdo não pode ser desligado do longa duração antecessor, Mason não se afasta muito dessa filosofia interpretativa efusiva, radiofónica e cimentada num rock melodicamente aditivo, mas coloca mais fichas numa toada eletrónica, de elevado cariz retro, como se percebe logo em Like A Ripple, o fabuloso tema que abre o EP e que nos remete para aquele eletro punk encharcado em glam que esteve em voga há cerca de quatro décadas. Depois, quer o pendor abrasivo desta canção, quer a toada mais climática mas tremendamente hipnótica de Against The World, acabam por ser amaciadas em Head Case, singela composição, que flutua num luminoso piano e numa subtil batida, enquanto a voz sorridente de Mason, quer neste tema, quer na cósmica e divertida remix de America Is Your Boyfriend, idealizada por Tim Goldsworthy, encarna o espelho fiel de alguém que dá mais um passo seguro em frente na sua já longa e respeitável carreira porque renova, potencia e embeleza o seu modus operandi, canalizando, novamente, o momento positivo pessoal que vive para a felicidade que sente em compôr de modo simples e direto, mas também, bonito, confidente e gentil. Espero que aprecies a sugestão...

Steve Mason - Coup D'état

01. Like A Ripple
02. Head Case
03. Against The World
04. America Is Your Boyfriend (Tim Goldsworthy Remix)

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publicado por stipe07 às 21:19

TOY – Songs Of Consumption

Sábado, 16.11.19

Depois do lançamento já em dois mil e dezanove de Happy In The Hollow, o quarto registo da carreira, os TOY de  Tom Dougall, Maxim Barron, Dominic O'Dair, Charlie Salvidge e Max Oscarnold, estão de regresso com Songs Of Consumption, uma coleção de oito canções que são, nada mais nada menos, que reinterpretações da banda de temas que inspiraram a carreira dos TOY, originais de alguns nomes míticos do coletivo britânico, nomeadamente os Stooges, Amanda Lear, Nico, The Troggs, Soft Cell, John Barry e Pet Shop Boys, entre outros.

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Sonoramente, Songs of Consumption é um feliz apêndice da filosofia que esteve subjacente à gravação de Happy In The Hollow, ampliando, portanto, a nova visão sonora dos TOY, cada vez mais distintiva e original e que se vai distanciando do chamado krautrock sujo e aproximando-se de uma bem sucedida simbiose entre alguns elementos fundamentais da pop mais harmoniosa com o fuzz lisérgico que, diga-se de passagem, sempre caraterizou o ambiente sónico deste quinteto.

Sintetizadores e uma vasta miríade de elementos eletrónicos, incluindo as cada vez mais famosas drum machines, e uma opção ao nível da produção, pelo lo fi, sempre aliado a um aturado trabalho de exploração experimental, foram, claramente, as traves mestras que nortearam o processo de incubação de Songs Of Consumption, com os TOY a tentarem sempre puxar as canções para um universo sonoro distinto das versões originais, mas sem nunca colocar em causa a essência das mesmas. Espero que aprecies a sugestão...

TOY - Songs Of Consumption

1.   Down On The Street (The Stooges)
2.   Follow Me (Amanda Lear)
3.   Sixty Forty (Nico)
4.   Cousin Jane (The Troggs)
5.   Fun City (Soft Cell)
6.   Lemon Incest (Charlotte Gainsbourg & Serge Gainsbourg)
7.   Always On My Mind (B.J. Thomas)
8.   A Dolls House (John Barry)

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publicado por stipe07 às 17:56

DIIV – Blankenship

Sexta-feira, 20.09.19

DIIV - Blankenship

Continuam a ser reveladas estrondosas composições de Deceiver, o terceiro registo de originais dos nova-iorquinos DIIV de Zachary Cole Smith, músico dos Beach Fossils e que tem atualmente como companheiros de banda neste projeto Andrew Bailey (guitarra), Colin Caulfield (baixo) e Ben Newman (bateria). E à medida que se abre o pano sobre aquele que será, certamente, um dos melhores discos de dois mil e dezanove, ficamos cada vez mais entusiasmados com a proximidade da data de lançamento, prevista para quatro de outubro, à boleia da Captured Tracks.

Gravado no passado mês de março em Los Angeles com o produtor Sonny Diperri, Deceiver irá suceder ao excelente Is The Is Are, um registo com já três anos e que não renegando totalmente os atributos essenciais do adn do grupo, assentes num garage rock que dialoga incansavelmente com o surf rock e que incorpora, nessa trama, doses indiscretas de uma pop suja e nostálgica, conduziu-nos, na altura, a um amigável confronto entre o rock alternativo de cariz mais lo fi com aquela pop particularmente luminosa e com um travo a maresia muito peculiar.

DIIV

Is The Is Are foi um disco muito centrado nos problemas de Zachary com a adição às drogas, mas o músico confessou, pouco depois do lançamento desse trabalho, que não foi totalmente honesto no conteúdo do mesmo e que era altura de se dedicar verdadeiramente à superação desse problema. Assim, nos últimos três anos o músico tem realmente tentado lutar contra essa questão, tendo estado internado em diferentes clínicas.

Sendo o conteúdo de Deceiver também muito centrado nessa questão psicotrópica, como se percebeu logo em Skin Game, o primeiro single divulgado do registo há já dois meses, um diálogo imaginário entre duas personagens, que poderão ser muito bem o próprio Zachary e os seus dilemas relativamente à psicotropia e em Taker, a segunda composição também manteve essa tonalidade auto reflexiva e particularmente dolorosa. Blankenship, a nova canção divulgada do registo, atesta, de vez, esta teoria, oferecendo-nos a composição mais ruidosa, efervescente e crua das três já conhecidas, um portento de indie krautrock repleto de nostalgia e crueza, idealizada por um artista que parece já ter percebido que, além do indispensável isolamento, a auto sinceridade e a força de vontade são condições essenciais para o sucesso. Confere...

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publicado por stipe07 às 13:08

Stereo Total - Ah! Quel Cinéma!

Terça-feira, 23.07.19

Um dos nomes míticos do catálogo da Tapete Records são os Stereo Total, dupla que começou a fazer música antes da internet existir, antes do Euro, antes da Alemanha se reunir e antes ainda de haver bandas ou músicas. Aliás, pelo andar da carruagem, os Stereo Total provavelmente ainda estarão a tocar quando tudo isso for consignado ao lixo da história. O grupo é composto por Françoise Cactus, também apresentadora de rádio e Brezel Göring, um homem cuja escolha do nome artístico foi motivada pelo desejo de não ser levado a sério pela música e pelos escribas.

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Quando começaram a fazer música juntos, os Stereo Total tinham como missão romper as regras, desestabilizar as ideias e sarcasticamente repelir amantes sérios de música enquanto os chocam com uma engenharia de som muito abaixo dos padrões dos ouvintes do mainstreamAh! Quel Cinéma!, o novo álbum da dupla e décimo segundo da carreira dos Stereo Total, é um descendente fiel de toda uma linhagem de discos que têm reforçado a já mítica propensão deste projeto para o jogo de palavras, mesmo que tal desiderato não esteja em evidência em todas as letras que apresentam. Sendo um álbum com não um, mas dois pontos de exclamação no título, aprimora ainda mais essa caraterística única da dupla, com temas como lesões pessoais (Ich bin cool), traição (Mes copines), deficiências de personalidade provocadas pelo abuso de drogas (Methedrine), raiva (Hass-Satellit) opiniões inflamadas de si próprio (Brezel says), suicídio (Le Spleen), luto (Dancing with a memory) e almas atormentadas (Elektroschocktherapie) a serem apresentadas em formato panorâmico e, muitas vezes, da forma mais divertida possível.

Musicalmente,  Ah! Quel Cinéma! acaba por ser de difícil catalogação e esse é, naturalmente, um dos principais elogios que se pode fazer ao panorama geral criado pelas suas catorze composições. Se álbuns anteriores dos Stereo Total ressoaram com influências de chanson, trash, disco para punk, rock'n'roll e NDW (New Wave alemão), Ah! Quel Cinéma! tem como grande enfoque uma espécie de rock de garagem Lo Fi, trespassado por uma eletrónica sagaz que não descura uma forte toada orgânica e sensitiva, assente numa vasta gama instrumental de instrumentos mais propensos a serem encontrados nas mãos de crianças em lares onde uma educação musical não está na agenda. Um órgão de plástico de bébé, um piano de brincar, acompanhado por guitarras caseiras e um Casio adquirido numa feira em segunda mão, são alguns dos exemplos dessa pafernália. Nela, cada instrumento musical provavelmente poderia ser traduzido em coordenadas sociais e, nesse sentido, as ferramentas do comércio de Stereo Total falam uma linguagem inequívoca. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 21:17

Sigur Rós - Ágætis byrjun (A Good Beginning); 20th Anniversary Deluxe Edition

Quarta-feira, 12.06.19

Os islandeses Sigur Rós são provavelmente os maiores responsáveis pela geração a que pertenço se ter aproximado da música erudita ou de quaisquer outras formas de experimentação e de estranhos diálogos que possam existir dentro do campo musical. Ao lado da conterrânea Björk, este quarteto, entretanto reduzido a trio, não apenas colocou a Islândia no mapa dos grandes expoentes musicais, como definiu de vez o famigerado pós rock, género que mesmo não sendo de autoria da banda, só alcançou o estatuto e a celebração de hoje graças, em grande parte, ao rico cardápio instrumental que este grupo conseguiu alicerçar nas mais de duas décadas que já leva de existência.

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Adeptos da constante transformação de suas obras, desde Von, o primeiro álbum, que os Sigur Rós se concentram na produção de discos que, mesmo próximos, organizam-se e funcionam de maneiras diferentes. Têm sido álbuns que acabam sempre por partilhar um novo sentimento ou proposta, utilizando uma fórmula básica que serve de combustível a cada nova estreia.

Apesar dessa brilhante estreia chamada Von, acabou por ser Ágætis Byrjun, o sucessor, que colocou o grupo islandês definitivamente nos holofotes, uma obra introspectiva, misteriosa, cinematográfica e conceptual, que muitas vezes parece ecoar de forma suja, mas que contém uma inolvidável subtileza angelical, um disco repleto de propostas estilísticas únicas, nuances variadas e firmado em harmonias magistrais que fazem do seu alinhamento de dez canções um dos mais belos da história da música.

Hoje faz vinte anos que Ágætis Byrjun viu a luz do dia, uma data que não passará em claro para todos os amantes e seguidores do indie alternativo e que a banda também quis assinalar com toda a pompa e circunstância a efeméride. Para isso, surgirá brevemente nos escaparates uma edição de luxo do disco que, além do alinhamento original, irá conter mais três horas de demos, gravações ao vivo e versões alternativas de todas as dez composições de  Ágætis Byrjun, distribuidas por três discos de vinil e que foram subtraídas dos arquivos particulares dos músicos. De realçar que alguns temas já nem faziam memória da própria banda, que só voltou a recordar-se das mesmas depois que começou a preparar esta reedição.

Este lançamento comemorativo de Ágætis Byrjun também inclui o concerto que os Sigur Rós deram neste mesmo dia, há vinte anos atrás, na sala Íslenska Óperan (the Icelandic Opera House), um espetáculo de noventa e cinco minutos que nunca foi reproduzido nem visionado antes e que será hoje mostrado na íntegra, através do canal de youtube da banda, a partir das 22 horas. Nesse concerto ainda tocou Águst Gunnarsson, o primeiro baterista da banda, juntamente com Jón Thor Birgisson, Georg Holm e Kjartan Sveinsson, que oficialmente só se juntou à banda no ano seguinte, em dois mil.

Quando o coração é paciente e sabe que na vida há momentos únicos pelos quais vale a pena esperar, mais claras são as boas sensações que nos preenchem quando os instantes pelos quais tanto esperámos estão ali, ao nosso lado e à nossa frente, ao mesmo tempo, no mesmo espaço físico e temporal. E às vezes estão num simples disco. Há quem vibre com um bom filme quando determinadas imagens projectadas numa tela negra, reais ou cheias de ficção, mexem com todos os nossos sentidos, nos arrepiam e nos dão momentos momentâneos de pura felicidade! Isso acontece-me com frequência em canções como Svefn-g-englarOlsen Olsen ou Viðrar vel til loftárása, no fundo durante a audição de um álbum que é um refúgio onde consigo encontrar sonoramente a pura realização feliz e plena desse preenchimento interior.

Confere o conteúdo desta edição especial de Ágætis Byrjun já, disponível no bandcamp dos Sigur Rós e que, como já disse, terá também edição física muito em breve.

live at íslenska óperan 1999

Intro

Von
Syndir Guðs
Flugufresarinn
Olsen Olsen
Ágætis byrjun
Viðrar vel til loftárása
Svefn-g-englar
Ny batterí
Nýja lagið
Hafssól

demos, rarities and early live recordings

Svefn-g-englar   (Live at Popp í Reykjavík, 1998)
Starálfur   (Original speed version)
Flugufrelsarinn   (1998 Demo)
Ný batterí   (Instrumental)
Hjartað hamast (bamm bamm bamm)   (1995 Demo)
Viðrar vel til loftárása   (Alternative ending)
Olsen Olsen   (1998 Demo)
Ágætis byrjun   (1998 Demo)
Hugmynd 1   (1998 Demo)
Hugmynd 2   (1998 Demo)
Hugmynd 3   (1998 Demo)
Debata mandire   (Live at Laugardashöll, 1999)
Rafmagnið búið   (From Ný batterí EP, 2000)

 

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publicado por stipe07 às 16:15






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