Sexta-feira, 8 de Novembro de 2019

Vancouver Sleep Clinic – Onwards To Zion

Foi numas férias em Bali que Tim Bettinson, o músico e compositor australiano de vinte e três anos que encabeça o projeto Vancouver Sleep Clinic, se inspirou e começou a idealizar o conteúdo de Onwards To Zion, o seu segundo registo de originais, onze maravilhosas canções que sucedem a Revival, o álbum de estreia que o autor lançou em dois mil e dezassete e que colocou logo este projeto debaixo de merecidos holofotes, não só da crítica dos antípodas, mas também de diversas outras latitudes do nosso globo.

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Onwards To Zion tem uma faceta dupla bastante interessante e que vale bem a pena tomar como ponto de partida para a análise do seu conteúdo; Se por um lado, para compôr as suas canções, o autor teve de reaprender a incubar e ressuscitar todo o talento que sempre demonstrou ter desde tenra idade para esta poda, já que o álbum encarna um marco de libertação do projeto Vancouver Sleep Clinic de uma espécie de purgatório editorial porque Tim esteve em acérrima luta judicial com a sua editora para poder criar livre de constrangimentos artísticos, por outro é um registo que tem como grande força motriz a perca de um amigo muito chegado do músico, sendo um exercício de catarse dessa inevitável dor.

Logo a abrir o alinhamento de Onwards To Zion, na pueril melodia sintetizada e na batida que se esprai em espuma e dor no falsete de Bad Dream, Tim plasma esta permissa, numa canção que se debruça sobre esse trauma e a necessidade de seguir em frente, sem receios, porque seria certamente esse o desejo de quem partiu. A luminosidade dessa composição e, pouco depois a riqueza emotiva e instrumental da lindíssima Shooting Stars, são músicas que entroncam no desejo do músico de materializar em Onwards To Zion um forte ensejo de oferecer algo de positivo ao mundo, mesmo que subsistam depois, no âmago do álbum, alguns instantes menos coloridos, mas não menos inspirados ou belos, como as cordas melancólicas de Summer 09, canção composta num dia de chuva intensa, a charmosa eletrónica ambiental de ZION, uma enumeração exaustiva de todos os sentimentos negativos que chicotearam Tim em tempos, ou a feliz interseção entre R&B e rock psicadélico plasmada em Into The Sun, um tema sobre como enfrentar com coragem os medos para que não se derrape para um poço sem fundo caso não se consiga exorcizá-los.

Registo repleto de guitarras sonhadoras abraçadas a sintetizadores cósmicos e sofisticados e camaleónicos arranjos da mais diversificada proveniência, com o jazz e a pop sessentistas à cabeça como inspirações óbvias, tudo embrulhado num profundo e inebriante pendor emotivo, Onwards To Zion oferece-nos a visão mágica de uma jornada de descoberta individual, feita por um músico que tem sentido na pele algumas das maiores agruras que a passagem da juventude para a vida adulta podem proporcionar, mas que parece não só passar incólume a essa travessia, como pronto para servir de exemplo e de aconchego a quem com ele se identificar e o solicitar. Espero que aprecies a sugestão...

Vancouver Sleep Clinic - Onwards To Zion

01. Bad Dream
02. Lovina Beach (Sunrise)
03. Summer ’09
04. Into The Sun
05. Shooting Stars
06. Fever
07. Villa Luna (Midnight)
08. Ghost Town
09. ZION
10. Yosemite
11. Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love


autor stipe07 às 18:19
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Quinta-feira, 30 de Maio de 2019

Andrew Bird – My Finest Work Yet

Já viu a luz do dia My Finest Work Yet, o décimo segundo álbum da carreira de Andrew Bird, um dos maiores cantautores da atualidade e com um vasto catálogo de canções que são pedaços de música intemporais. A elas Bird junta mais dez, abrigadas pela primeira vez pela Loma Vista Recordings, canções que, curiosamente, mostram pela primeira vez uma faceta crítica deste músico norte-americano natural de Chicago relativamente a alguns dos tópicos mais importantes da nossa contemporaneidade, nomeadamente as mudanças climáticas e o choque ideológico global entre o capitalismo de direita, o socialismo e o ambientalismo.

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Líder na última década do século passado dos míticos Bowl Of Fire e apelidado de mestre do assobio, o multi-instrumentista e cantor, Andrew Bird tem consolidado a sua carreira a solo com uma notável frequência de lançamentos discográficos, fazendo-o sempre com elevada bitola qualitativa e conseguindo dar uma cariz identitário genuíno a cada um dos lançamentos, não se limitando, registo após registo, por repetir a mesma fórmula até à exaustão. Ele vai oferecendo-nos sempre novas nuances, detalhes e formas de compôr que entroncam numa base comum, a típica folk norte americana, proposta através de diferentes registos e papéis, mas sempre com a mesma eficácia e brilhantismo, uma das marcas identitárias da sua arte.

My Finest Work Yet, um disco gravado ao vivo no Barefoot Studios, em Los Angeles e produzido por Paul Butler, não foge à regra, com canções como Olympians, uma luminosa alegoria intensa e festiva, a setentista Fallorun e a charmosa Proxy War a escorrerem  à sombra de um clima claramente pop, gizado por cordas dedilhadas sempre na medida certa, sem grandes exageros, como é habitual na mestria interpretativa de Andrew. Depois há outras do calibre de Bloodless, um anguloso piscar de olhos ao jazz ou a mais incontida e paisagisticameente vasta Don The Struggle, a oferecerem-nos, dentro da espinha dorsal sonora do autor, outras interseções de maior risco e variedade, mas claramente bem sucedidas, relativamente ao universo sonoro acima referido, um espetro sonoro que tem como grande virtude a possibilidade de se acomodar facilmente aos mais variados géneros que a ela se queiram associar. E Bird mostra neste disco o quanto é exímio neste exercício climático de agregação, fazendo-o imbuído de sofisticação e com enorme bom gosto.

My Finest Work Yet é mais um instante precioso na discografia de um músico notável, um trabalho que mostra a sua beleza não só nos diversos momentos de intersecção entre vozes, sopros, teclas e cordas, mas principalmente no modo como exala um suspiro íntimo e pessoal sobre aspetos sociais que afligem o autor, repleto de optimismo e esperança relativamente a dia melhores. Espero que aprecies a sugestão...

Andrew Bird - My Finest Work Yet

01. Sisyphus
02. Bloodless
03. Olympians
04. Cracking Codes
05. Fallorun
06. Archipelago
07. Proxy War
08. Manifest
09. Don The Struggle
10. Bellevue Bridge Club


autor stipe07 às 16:12
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Quarta-feira, 22 de Maio de 2019

André Carvalho - The Garden of Earthly Delights

Já chegou aos escaparates The Garden of Earthly Delightso terceiro registo de originais do contrabaixista e compositor André Carvalho, um músico natural de Lisboa, mas a viver do outro lado do atlântico, na big apple, há quase meia década. Com artwork da autoria de Margarida Girão e inspirado no espantoso e intrincado universo do artista Hieronymus Bosch, em particular da pintura que dá nome ao disco, patente no Museu do Prado em Madrid, The Garden of Earthly Delights sucede a Hajime e Memória de Amiba, dois registos que mostraram uma mescla muito pessoal e original entre jazz contemporâneo e alguns dos arquétipos fundamentais da música portuguesa de cariz mais erudito e tradicional.

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Misturado pelo pianista, engenheiro e produtor Pete Rende, e masterizado pelo multi-instrumentista Nate Wood, com as participações especiais de nomes tão proeminentes como Jeremy Powell, um saxofonista americano e um dos mais influentes músicos no panorama de Nova Iorque, Eitan Gofman, um jovem saxofonista Israelista que tocou com Randy Brecker, Gerald Clayton, Eddie Gomez, David Liebman entre muitos outros, Oskar Stenmark, trompetista sueco que tocou com nomes como Maria Schneider Orchestra, David Byrne, Arturo O’Farrill e a Bohusland Big Band, o português André Matos, guitarrista que tocou com Sara Serpa, Billy Mintz, Pete Rende, Jacob Sacks e Thomas Morgan e Rodrigo Recabarren, baterista chileno com uma vasta experiência e cujo currículo inclui participações com Camila Meza, Kenny Barron, Kenny Werner, Melissa Aldana e Gilad Hekselman, The Garden of Earthly Delights oferece-nos, nas suas onze composições, uma recompensadora viagem em forma de suite musical, uma jornada contemplativa com vários momentos de tensão, mas também de calma. São composições que entre a suavidade e a brutalidade, a simplicidade e a complexidade, a harmonia e o conflito, fluiem com ímpar indulgência e subtil sagacidade, ao mesmo tempo que nos dão uma visão muito própria do referido quadro, um tríptico pintado pelo pintor holandês entre finais do século XV e início do séxulo XVI e em que a parte mais fechada representa a criação do mundo, mas que quando aberto, nos oferece um panorama incrível de interpretações que, entre as noções de paraíso, as tentações, uma visão do inferno repleto de almas pecadoras a caminho de um moinho, o voyeurismo e a pura e dura sexualidade, possibilitam por parte do nosso olhar as mais variadas interpretações.

Assim também é a música de André Carvalho, telas sonoras passíveis de apropriação por parte do ouvinte, que movidas através de complexas texturas melódicas entrelaçadas em sopros e cordas, sempre com uma certa aúrea de mistério e com uma enorme personalidade, plasmam todo o charme do melhor jazz contemporâneo. The Garden of Earthly Delights é, pois, um magnífico caldeirão sonoro onde as composições vestem a sua própria pele enquanto se dedicam, de corpo e alma, à hercúlea tarefa comunicativa que o autor designou para cada uma, individualmente. Depois poderemos com elas exorcizar demónios, mas também aconchegar alegrias e realizações, esteja o ouvinte predisposto a saborear convenientemente o universo criado por este excelente intérprete de um estilo sonoro nem sempre devidamente apreciado. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 16:54
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Quinta-feira, 2 de Maio de 2019

Mano A Mano Vol. 3

Cerca de ano e meio após Vol. 2, já viu a luz do dia Vol. 3, o novo trabalho dos  Mano a Mano dos irmãos André e Bruno Santos, dois guitarristas com um vasto percurso musical, eminentemente jazzístico e dos melhores intérpretes nacionais desse espetro sonoro, na atualidade.  Recordo que o projeto Mano a Mano estreou-se há meia década nos discos através de uma edição cujo financiamento foi obtido através de uma campanha bem sucedida de crowdfunding e que o sucessor, Mano a Mano Vol. 2,continha onze canções que, de acordo com o press release desse lançamento, centravam-se num duelo dinâmico de guitarras, um disco cheio de momentos de virtuosismo, elegância e humor, explorando as inúmeras possibilidades deste formato.

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Gravado no Estúdio Paulo Ferraz, com os manos rodeados de discos de Bill Evans, Ella Fitzgerald & Louis Armstrong, António Carlos Jobim, Boney M. e do projeto Planetarium, de Sufjan Stevens, Nico Muhly, Bryce Dessner e James McAlister, conforme se confere na capa do lançamento, Vol. 3 amplia o arrojo instrumental do catálogo da dupla, já que nas suas doze canções, além das presenças habituais da guitarra, da braguinha e do rajão, os sintetizadores e variados instrumentos percurssivos também têm um protagonismo que ainda não tinha sido visto nos Mano A Mano, no que concerne à definição do arquétipo fundamental de algumas das suas composições.

Irmãos com uma química evidente e que tem como um dos factos mais curiosos o André ser destro mas tocar com a guitarra virada para o lado esquerdo devido a uma espécie de efeito de espelho por ver o Bruno a tocar à sua frente anos a fio, os Mano A Mano assentam as suas propostas sonoras numa filosofia estilística com uma especificidade muito própria e estreitamente balizada, mas não deixam, por isso, de nos oferecer alinhamentos cada vez mais sinuosos e cativantes. A luminosidade madrugadora das cordas que vibram na introdutória Parque Aventura é apenas uma pequena amostra de um superior quilate interpretativo, porque Guimarães, logo a seguir, já é sinónimo da maior abrangência deste terceiro volume, numa melodia com forte apelo caliente, clima ampliado pela inserção de vários samples e efeitos percurssivos, alguns apenas insinuantes mas vincados, num resultado final pleno de virtuosismo e sentimento.

Dado em grande estilo o mote e com o ouvinte já preso, rendido e, em simultâneo, a deixar-se espraiar nestes dois temas, mas também a dar por si a sentir uma imensa curiosidade relativamente ao restante alinhamento, Vol. 3 prossegue, em grande estilo, à sombra do travo folk nostálgico de Rosa, da sumptuosa delicadeza que exala das constantes variações de tom em Flor do Amor, do travo afro que não pode deixar de ser ouvido sem ser acompanhado por um sorridente bater de pés ou um efusivo abanar de ancas em Cabo Verde, amplificado pelo kashaka, um instrumento de percurssão típico do arquipélago africano que dá nome ao tema e do fumarento espreguiçar a que nos convida Rocky, canções que vingam na onda dos vários dedilhares que se cruzam entre si e as tricotam de modo a materializar os melhores atributos que os Mano A Mano guardam na sua bagagem sonora. 

Até ao fim de Vol. 3 e ainda antes de uma reintrepretação feliz de Stardust, um original dos anos vinte do século passado de Hoagy Carmichael, revisto aqui com enorme protagonismo do rajão, a Madeira marca a sua presença, através do modo como a braguinha e o mesmo rajão dialogam entre si, com uma ímpar serenidade, na Valsa para Cândido Drumond de Vasconcelos, um tributo a este intérprete do machete e compositor que viveu na Madeira no século dezanove e também à boleia de uma magnífica e nostálgica versão de Noites da Madeira, um original de Tony Amaral, nome importante do jazz funchalense da primeira metade do século passado.

Em suma, é da constante inquietação que lateja do diálogo que estes dois músicos estabelecem entre si, que se sustenta muita da essência de um disco que, mesmo sem letras, não deixa de ser, no seu todo, um exímio e lúcido contador de histórias, deixemo-nos nós absorver por tudo aquilo que as cordas (e não só) nos sussurram ao ouvido com indesmentível clareza. Isso apenas é possível porque Vol. 3 está recheado de sons inteligentes e solidamente construídos e que têm como grande atributo poderem facilmente fazer-nos acreditar que mesmo este género de música tão específico e sui generis pode ser também um veículo para o encontro do bem e da felicidade, quer individual quer coletiva. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 10:54
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Sábado, 27 de Abril de 2019

Jay-Jay Johanson – Kings Cross

Já está nos escaparates Kings Cross, o décimo segundo álbum do sueco Jay-Jay Johanson, mais um riquíssimo reportório de experimentações sónicas que cimentam o percurso sonoro tremendamente impressivo e cinmetográfico de um dos nomes mais relevantes da pop europeia das últimas três décadas. Com a participação especial de Robin Guthrie dos míticos Cocteau Twins em Lost Forever e com um dueto com Jeanne Added em Fever, Kings Cross consiste num inspirado compêndio de eletropop idealizado por um Jay-Jay Johanson que teve o firme intuíto de nos captar com a sua voz melancólica, ao som de arrebatadoras melodias, revestidas de sons intrincados e algo misteriosos, geralmente de origem sintética e batidas e efeitos percurssivos de cariz emimentemente experimental.

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Not Time Yet, a canção que abre o alinhamento de Kings Cross, torna logo explícita toda a trama esplanada num alinhamento de canções que têm a pop eletrónica, de cariz eminentemente reflexivo e ambiental, como grande suporte sonoro, conforme já referi, mas é demasiado redutor, aviso desde já, parcelar de modo tão concreto todo o emaranhado de referências estilísticas que o artista sueco absorveu, degustou e depois esplanou neste seu novo álbum.

Assim, se no caso dessa primeira composição do álbum, temos um som polido, mas desafiante por se mostrar um pouco escuro, mesmo assumindo-se como particularmente charmoso e intenso, na tonalidade mais descontraída e cativante do jazz que alinha Heard Somebody Whistle, na soul da percurssão, do baixo e do insinuante piano de Smoke, na romântica fragilidade que flutua à tona do manto sonoro ondulado que nos embala em Hallucination, na guitarra que ressoa com vigor em Niagara Falls e no clima íntimo e de forte pendor clássico de Old Dog ficamos devidamente esclarecidos acerca de toda a diversidade instrumental que suportou a gravação de um disco que, contendo diferentes texturas e travos conceptuais, entronca sempre numa filosofia interpretativa típica de um músico que já se movimentou por espetros sonoros tão vastos e díspares como a folk, o rock progressivo, a música clássica contemporânea ou a eletrónica, e que, quer por isso, quer devido à sua enorme sensibilidade poética e artística, consegue sempre proporcionar ao ouvinte instantes de arrebatadora sedução, mesmo quando uma espécie de ideia de simplicidade paira sempre como uma nuvem melancólica e mágica em seu redor. Espero que aprecies a sugestão...

Jay-Jay Johanson - Kings Cross

01. Not Time Yet
02. Heard Somebody Whistle
03. Smoke
04. Lost forever (Feat. Robin Guthrie)
05. Hallucination
06. Old Dog
07. Niagara Falls
08. Fever (Feat. Jeanne Added)
09. Swift Kick In The Butt
10. We Used To Be So Close
11. Everything I Own
12. Dead End Playing


autor stipe07 às 14:04
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Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2019

Lambchop – Everything For You

Lambchop - Everything For You

Depois de FLOTUS, o disco que os Lambchop editaram em dois mil e dezasseis, Kurt Wagner, o grande mentor deste projeto norte-americano sedeado em Nashville e ao qual se juntam atualmente o baixista Matt Swanson e o pianista Tony Crow, fez uma cover para o clássico When You Were Mine de Prince e realizou um mini-documentário em Colónia, onde juntamente com seis músicos alemães reinterpretou temas de FLOTUS.

Quase no ocaso de dois mil e dezoito, os Lambchop começaram a revelar detalhes de This (is what I wanted to tell you), um trabalho que irá ver a luz do dia a vinte e dois de março próximo à boleia da City Slang, em parceria com a Merge Records e que, além do trio, também conta nos créditos com Matt McCaughan, reconhecido pelo seu excelente trabalho percurssivo em projetos como os Hiss Golden Messenger e Bon Iver.

Depois de os Lambchop terem revelado a amostra The December-ish You, canção com uma tonalidade particularmente íntima e a exalar uma desarmante sensibilidade, agora chegou a vez de ficarmos a conhecer Everything For You, o terceiro tema do alinhamento de This (is what I wanted to tell you), uma composição que segue a linha melódica e estilística que tem marcado os últimos registos dos Lambchop, cada vez mais enredados em paisagens onde jazz e eletrónica se misturam com superior elegância.

This (is what I wanted to tell you) é, tecnicamente, o décimo terceiro registo dos Lambchop desde o álbum de estreia em mil novecentos e noventa e quatro, mas está a ser anunciado por Wagner, pelos vistos por uma questão de superstição, como o décimo quarto da carreira do grupo (Like all the other tallest buildings in the world, Lambchop skips No. 13), This (is what I wanted to tell you). Confere Everything For You, canção descrita por Wagner desta forma - a collection of imperfections on the road to a better day - e o espetacular vídeo realizado para o tema da autoria de Jonny Sanders....


autor stipe07 às 13:36
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Segunda-feira, 7 de Janeiro de 2019

Balthazar – I’m Never Gonna Let You Down Again

Quase meia década após o aclamado Thin Walls, os belgas Balthazar estão de regresso no início deste ano aos lançamentos discográficos com Fever, um disco que irá ver a luz do dia a vinte e cinco de janeiro através da etiqueta Play It Again Sam e que foi idealizado por Jinte Deprez e Maarten Devoldere, as duas grandes mentes criativas do projeto.

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Após o lançamento e a promoção de Thin Walls, os dois grandes mentores dos Balthazar exploraram outros territórios e latitudes sonoras, algo que acabou por influenciar o conteúdo de Fever. Enquanto Devoldere andou pela antiga república soviética do Quirguistão a gravar temas de jazz abrigado pelo alterego Warhaus, Deprez ficou por Ghent a aprofundar a sua paixão antiga pelo R&B mais clássico, tendo gravado um disco a solo, assinando nele J. Bernardt. Quando ambos se voltaram a reunir para preparar a nova etapa dos Balthazar levaram consigo essas novas nuances que acabam, certamente, por estar impressas de modo mais ou menos explícito em I’m Never Gonna Let You Down Again, o primeiro single revelado de Fever.

Composição charmosa e com uma soul muito própria, assente numa linha de baixo plena de groove e adornada por deliciosos falsetes e diversos arranjos de elevado apuro melódico e onde as teclas são protagonistas, I’m Never Gonna Let You Down Again é uma clara manifestação dos tais novos interesses e da busca de uma maior pureza sentimental, sem olhar propriamente para aquilo que o ouvinte à partida espera de um grupo capaz de agradar às massas, sendo, também por isso, uma harmoniosa porta de entrada para um álbum que deverá certamente marcar a reentrée discográfica. Confere...

Balthazar - I’m Never Gonna Let You Down Again


autor stipe07 às 12:03
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Sexta-feira, 21 de Dezembro de 2018

Lambchop – The December-ish You

Lambchop - The December-ish You

Depois de FLOTUS, o disco que os Lambchop editaram em dois mil e dezasses, Kurt Wagner, o grande mentor deste projeto norte-americano sedeado em Nashville, fez uma cover para o clássico When You Were Mine de Prince e realizou um mini-documentário em Colónia, onde juntamente com seis músicos alemães reinterpretou temas de FLOTUS.

Agora, quase no ocaso de dois mil e dezoito, os Lambchop revelam The December-ish You, o primeiro avanço para This (is what I wanted to tell you), trabalho que irá ver a luz do dia a vinte e dois de março do proximo ano à boleia da City Slang, em parceria com a Merge Records. Com uma tonalidade particularmente íntima e a exalar uma desarmante sensibilidade, The December-ish You segue a linha melódica e estilística que tem marcado os últimos registos dos Lambchop, cada vez mais enredados em paisagens onde jazz e eletrónica se misturam com superior elegância.

Tecnicamente o décimo terceiro registo dos Lambchop desde o álbum de estreia em mil novecentos e noventa e quatro, mas anunciado por Wagner, pelos vistos por uma questão de superstição, como o décimo quarto da carreira do grupo (Like all the other tallest buildings in the world, Lambchop skips No. 13), This (is what I wanted to tell you) também já viu o seu alinhamento divulgado. Confere o primeiro single de This (is what I wanted to tell you) e o seu alinhamento...

01 “The New Isn’t So You Anymore”
02 “Crosswords, Or What This Says About You”
03 “Everything For You”
04 “The Lasting Last Of You”
05 “The Air Is Heavy And I Should Be Listening To You”
06 “The December-ish You”
07 “This Is What I Wanted To Tell You”
08 “Flower”


autor stipe07 às 21:31
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Segunda-feira, 29 de Outubro de 2018

John Grant – Love Is Magic

Quase três anos depois do excelente Grey Tickles, Black Pressure, o canadiano John Grant regressou aos discos com Love Is Magic, o quarto registo de originais de um artista que, a solo, demonstra ser um cantor e compositor de inúmeros recursos, utilizados quase sempre para criar composições sonoras com um sabor algo agridoce e expostas num fundo cinza intencionalmente dramático e muitas vezes icónico e geralmente com uma forte componente autobiográfica. Este Love Is Magic não foge à regra, num alinhamento de dez canções que nos apresenta, uma vez mais, uma personagem muitas vezes ambígua, mas sempre determinada nas suas crenças e convicções acerca de um mundo que, apesar de mentalmente mais aberto e liberal, continua a ser um lugar estranho para quem nunca hesita em ser implacável, mesmo consigo próprio, na hora de tratar abertamente e com muita honestidade e coragem os seus problemas relacionados com o vício de drogas, distúrbios psicológicos, relacionamentos amorosos traumáticos e o preconceito.

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Cada vez mais requintado no modo como se serve de um vascato cardápio de sintetizações e efeitos no momento de compor, um John Grant mais otimista, convencido, confiante e festivo, criou uma nova coleção de inspiradas e lindíssimas composições, conduzidas por notáveis arranjos orquestrais, apresentados logo em Metamorphosis, uma composição tremendamente cinematográfica e plena de variações rítmicas e melódicas e que também impressiona pelo modo como a voz é sistematicamente modificada. Depois, o dramatismo incontornável do tema homónimo, o clima algo tumultuoso de Tempest, a toada retro de Preppy Boy, a pop luminosa de He's Got His Mother Hips  e o vigor algo punk de Diet Gum, são temas que nos inserem num clima de festa e celebração, num mundo muito rosa mas onde podem entrar todos aqueles que têm uma mente aberta e uma predisposição natural para não julgarem nem colocarem entraves ou preconceitos, mas antes deixarem-se levar por uma onda sonora inspirada rumo à diversão pura e genuína.

Love Is Magic oferece-nos, em suma, um John Grant cada vez mais lânguido e libidinoso e virado para a tecnologia, em dez composições que reforçam a sua mestria compositória, o seu ecletismo cada vez mais abrangente e, principalmente, o modo eficaz como usa a música como um elixir terapêutico para tentar amenizar as experiências intensas que vão assolando a sua existência. Espero que aprecies a sugestão...

John Grant - Love Is Magic

01. Metamorphosis
02. Love Is Magic
03. Tempest
04. Preppy Boy
05. Smug Cunt
06. He’s Got His Mother’s Hips
07. Diet Gum
08. Is He Strange
09. The Common Snipe
10. Touch And Go


autor stipe07 às 20:52
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Terça-feira, 9 de Outubro de 2018

Sons Of Kemet - Your Queen Is A Reptile

Your Queen Is a Reptile é o terceiro álbum do grupo britânico de jazz Sons of Kemet, um coletivo incubado em dois mil e onze e atualmente formado Shabaka Hutchings, Tom Skinner, Theon Cross e Eddie Hick. O grupo costuma servir-se do saxofone e do clarinete, instrumentos de sopro tocados por Hutchings, da tuba de Cross e de um exemplar trabalho de percurssão a cargo de Skinner e Hich para oferecer-nos um som que mistura o melhor do jazz, com alguns dos principais arquétipos do rock, da folk caribenha, do dub, da tropicalia e da música africana de cariz mais tradicional.

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Your Queen Is A Reptile é uma referência direta à rainha de Inglaterra e à coroa britânica, assim como as notas da capa do disco. O objetivo do grupo é denunciar um ponto de vista, segundo o qual a atual monarca britânica não representa os imigrantes negros e não os vê como humanos, discriminando-os racialmente. Assim, nas nove canções do registo, o coletivo serve-se de cada uma das composições para homenagear figuras femininas de relevo, todas reais e com histórias de vida conturbadas, que subiram a pulso e que os Sons Of Kemet assumem ser as mulheres que realmente lhes importam e que regem as suas vidas.
Produzido pelo próprio Shabaka Hutchings, Your Queen Is A Reptile tem como grande motor melódico o saxofone deste músico, instrumento que depois vai suscitar nos restantes elementos sonoros a inserção de arranjos e detalhes que vão dar corpo a composições sempre com uma tonalidade grave, bastante encorpada e tremendamente ritmada. 
Assim, só para citar alguns exemplos e deixando de lado a terminologia inicial My Queen Is, se em Angela Davis, canção que homenageia uma filósofa norte americana comunista acusada injustamente de matar um juiz na época de militância pelos Panteras Negras, na década de sessenta, presente-se os perigos e a perseguição que lhe foi movida através da gravidade da tuba, já em Mamie Phips Clark, uma psicóloga ativista que estudou a autoestima de crianças negras também nessa década, assistimos a uma espiral frenética que mistura dub e rock psicadélico, um efeito potenciado por uma superior performance na bateria. Depois, a coragem e a energia ativista da espiã do tempo da Guerra Civil americana, Harriet Tubman, um rosto recente das notas de vinte dólares e que se notabilizou por levar a cabo missões que libertaram centenas de escravos, é personificada pela modo ágil e virtuoso com que a melodia ganha vida com superior homogeneidade, através dos melhores recursos de todo o arsenal instrumental dos Sons Of Kemet.

Your Queen Is A Reptile tira do anonimato contemporâneo personagens que tiveram os seus momentos de dor, mas também de glória e de reconhecimento, mesmo que póstumo e cujos ideais que defenderam acabam por ser ainda muito atuais, num mundo que continua a não saber respeitar a diferença e as minorias. Numa Inglaterra aristocrática, a viver o Brexit em pleno, com uma certa fobia relativamente aos imigrantes e onde a Monarquia sempre mostrou um posicionamento político algo conservador, este disco faz ainda mais sentido, sendo um exercício claramente recompensador pesquisar acerca destas mulheres constestatárias de sistemas vigentes quase sempre impostos à força e depois relacioná-las com a abordagem sonora que os Sons Of Kemet criaram para lhes dar vida, cor, ritmo e voz. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 10:40
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Segunda-feira, 3 de Setembro de 2018

Big Red Machine – Big Red Machine

Os mais atentos realtivamente ao histórico relativamente recente do universo sonoro indie e alternativo recordam-se, certamente, da coletânea de beneficiência Dark Was The Night, lançada em dois mil e nove e cujos fundos revertiam a favor a Red Hot Organization, uma organização internacional dedicada à angariação de receitas e consciencialização para vírus HIV. Do alinhamento dessa coletânea fazia parte uma canção intitulada Big Red Machine, da autoria de Justin Vernon aka Bon Iver e Aaron Dessner, distinto membro dos The National, dois artistas que juntos também já desenvolveram a plataforma PEOPLE, que reúne composições inéditas de mais de oitenta artistas, organizaram festivais (Eaux Claires) e agora têm um projeto sonoro intitulado exatamente Big Red Machine, que acaba de se estrear nos discos com um extraordinário homónimo, abrigado pela já referida PEOPLE.

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Produzido pelos próprios Justin Vernon e Aaron Dessner em colaboração com Brad Cook e com a participação especial de vários músicos que fazem parte do catálogo da PEOPLE, nomeadamente Phoebe Bridgers, This Is the Kit e músicos dos The Staves e que costumam tocar com os Arcade Fire, Big Red Machine coloca Vernon e Dessner na senda de sonoridades intimistas e ambientais, com composições de cariz predominantemente minimal mas que nem por isso deixam de ser intrincadas e de conterem várias nuances e detalhes que vale bem a pena destrinçar ao longo da audição das dez canções que compõem o registo.

Com a herança sonora de ambientes urbanos originários do outro lado do atlântico a ter sido certamente a grande força motriz da inspiração criativa da dupla e com uma filosofia soul sempre em ponto de mira, este é um disco com um universo sonoro fortemente cinematográfico e imersivo, um funk digital que nos leva numa viagem lisérgica por paisagens que, do dub ao R&B, passando pelo rap, o jazz, o afro beat e até o trip-hop, sobrevivem muito à custa de um cuidado arsenal instrumental, eminentemente eletrónico e, por isso, de forte cariz sintético.

Começamos a ouvir o registo e logo na batida de Deep Green, tema com forte cariz étnico e, ao mesmo tempo, uma ode inspirada à dita música negra e no modo como é feita a inserção de uma vasta miríade de efeitos e sons sintetizados em Gratitude, percebemos que este é um álbum complexo, onde é forte a dinâmica entre os diferentes elementos que esculpem as canções e que virá, daí em diante, mais um encadeamento de oito temas que nos obrigará a um exercício exigente de percepção, mas que será, de certeza, fortemente revelador e claramente recompensador, até porque tudo isto é ampliado, como todos sabemos, pelo claro charme e misticismo que estes dois músicos transportam sempre e que trespassa muitas vezes o cenário do que é apenas audível.

Assim, as inserções ritmícas que sustentam o funk incisivo de Lyla, na insanidade desconstrutiva em que alicerçam as camadas de sons das guitarras e do teclas que dão vida a Air Stryp, a espiral pop majestosa que exala do piano e da voz imponente de Vernon em Hymnostic e a incontestável beleza e coerência dos detalhes orgânicos e dos flashes sintetizados que nos fazem levitar em Forest Green, justificam, sem qualquer sombra de dúvida, a atribuição de um claro nível de excelência aos diferentes fragmentos que Vernon e Dessner convocaram nos vários universos sonoros que os rodeiam para este álbum, criando nele uma relação simbiótica bastante sedutora, enquanto partiram à descoberta de texturas sonoras que podem muito bem servir de referência para outros projetos futuros. Espero que aprecies a sugestão...

Big Red Machine - Big Red Machine

01. Deep Green
02. Gratitude
03. Lyla
04. Air Stryp
05. Hymnostic
06. Forest Green
07. OMDB
08. People Lullaby
09. I Won’t Run From It
10. Melt


autor stipe07 às 18:58
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Terça-feira, 26 de Junho de 2018

Jorge Ferraz - Machines dor Don Quixote ...et... viva la muerte?

Numa edição da sempre muito recomendável Cobra Discos, já viu a luz do dia Machines dor Don Quixote ...et... viva la muerte?, o novo capítulo discográfico de Jorge Ferraz, um consagrado músico e guitarrista que embora trabalhe com muito equipamento electrónico e digital, tem na guitarra a sua grande obsessão. Este compositor e produtor, fundou e liderou algumas bandas portuguesas underground desde o início dos anos oitenta, com destaque para Santa Maria, Gasolina em Teu Ventre!, um projeto cujo primeiro registo foi considerado em 1998, num trabalho conjunto do Público e da FNAC, um dos melhores discos da música popular portuguesa de 1960 a 1997. Ezra Pound e a Loucura, ou Fatimah X, foram outros projetos em que se envolveu, tendo sido também cofundador da efémera banda João Peste & o Acidoxibordel que reuniu, entre outros, músicos dos Pop Dell’Arte e dos Santa Maria, Gasolina em Teu Ventre!, bem como o saxofonista Rodrigo Amado.

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Em 2006 Jorge Ferraz passou a trabalhar em nome próprio, tendo publicado, desde então, dois álbuns, um em dois mil e oito e outro em dois mil e dez. Foi produtor dos seus discos a solo e de grande parte das edições das bandas que integrou, tendo ainda desempenhado essas funções com os Pop Dell’Arte e os The Great Lesbian Show. Publicou também poesia e ensaio em revistas como Vértice e Bumerangue, bem como um livro de contos, Telescópio Quebrado Scanner Descontínuo, na Black Sun Editores. Desde 2013 que é igualmente membro fundador do colectivo multimédia Cellarius Noisy Machinae.

No que concerne ao conteúdo de Machines dor Don Quixote ...et... viva la muerte?, o registo contém dezasseis canções que são compêndios de poesia-ruído assumidamente radicais, serenamente aquáticas e borbulhantes e/ou violentas e distorcidas, organizadas em quatro movimentos/partes - talvez pseudo-géneros musicais distintos - com uma duração de cerca de 40 min. Um caminho que vai de infantis melodias de adeus a súbitas atonalidades intrometidas, num sempre aberto jogo de manipulação analógica e digital de tempos, “pitches” e “loops” que resulta do confronto entre a guitarra e outras máquinas. Um vaivém entre o interventivo e o contemplativo, a ruptura activa e a desistência, o rigor maníaco e a displicência ladina, o romântico e o desencantamento irónico. Música e temas onde também se pergunta o que é a identidade de um artista e criador e de onde vem. Qual é a sua liberdade e onde reside a sua coerência? Um romantismo derrotado... de que nunca se desiste.

Rock , eletrónica e jazz são, de certo modo, os grandes eixos orientadores da filosofia sonora deste Machines dor Don Quixote ...et... viva la muerte?, disco onde tudo aquilo que se escuta sabe a uma verdadeira e inspirada ode ao improviso, numa busca constante de sons e melodias que de anárquico terão muito pouco. Assim, do jazz funk de Beirut, the policeman said, versão de uma música incubada no seio dos Santa Maria, Gasolina em teu Ventre!, ao travo eminentemente jazzístico do rock que sustenta Free Rock Songs for Losers and Romantics, que se repete de modo mais subversivo e caricatural em Sax Bitch e que assume uma toada mais abrasiva em Fake-Jazzy Adventures with Alien Breakdowns and Broken Instruments até ao travo pop e de certo modo mais radiofónico de  There is No Second Time and I Feel Fine, este é um disco que procura unificar, através daquilo que o autor apelida de guitartrónica pessoal, toda a miríade de ruídos, ritmos, cadências e pulsares que o  inspiram, mas também o inquietam. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 21:52
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Sexta-feira, 2 de Fevereiro de 2018

They Might Be Giants – I Like Fun

Já aclamados com dois Grammys e detentores de três décadas e meia de uma exemplar carreira, os They Might Be Giants de John Flansburgh, John Linnell, Dan Miller, Danny Weinkauf e Marty Beller, estão de regresso aos discos com I Like Fun, o vigésimo álbum desta banda de rock alternativo de Massachusetts. Produzido e misturado por Patrick Dillett (St. Vincent, David Byrne, Mary J. Blige, The National, Donald Fagen) nos estúdios Reservoir, é um disco que tem a particularidade de ter no seu alinhamento vários temas que se inserem numa iniciativa da banda chamada Dial-A-Song Project, que teve início já na decada de oitenta. Este recurso permite ligarmos para um número de telefone que nos oferece a audição de um tema da banda, com I Like Fun a conter uma base de canções regularmente partilhadas com os visitantes.

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Se analisarmos com distanciamento e amplitude a história do universo indie, facilmente chegaremos à conclusão que os They Might Be Giants são um grupo de músicos com um vasto conhecimento das bases do indie rock e um dos nomes essenciais deste universo cultural sonoro das últimas décadas. E merecem amplo destaque porque conseguiram sempre ser originais, dentro do quadro musical que faz parte do ADN da banda e que se sustenta na busca de sonoridades estranhas, bizarras e inovadoras. I Like Fun é mais uma prova concreta da excentricidade deste grupo, da rara graça como os seus membros combinam e manipulam, com sentido melódico e lúdico, a estrutura de uma canção, no fundo, um esforço indisciplinado, infantil e claramente emocional, mas bem sucedido de se manterem à tona de água na lista das bandas imprescindíveis para contar a história contemporânea do rock alternativo.

I Like Fun é um exercício poético de muitos contrastes, uma viagem divertida e ligeira que oferece ao ouvinte um amplo espetro sonoro que se estende entre a pop luminosa de I Left My Body ou a lamechice de Push Back The Hands e Lake Monsters, além do rock vintage sessentista de This Microphone e o rock de cariz mais alternativo audível nas guitarras que conduzem By The Time You Get This, sem descurar alguns aspetos essenciais do punk rock, claramente esplanados em All Time What e na inebriante e corrosiva An Insult To The Fact Checkers, mas também daquela blues sulista que o piano de Mrs. Bluebeard replica com um acerto e uma luminosidade invulgares. E, qual cereja no topo do bolo desta alegoria pop, também não falta um trajeto curioso de cariz mais experimental e eminentemente progressivo em When The Light Comes On.

Assim, do frenesim rock à psicadelia, passando pelo rock mais progressivo, não faltam neste alinhamento piscares de olho a toda a herança não só da própria banda como da história do rock nas últimas décadas, havendo sempre espaço para o sarcasmo e o humor que tão bem carateriza a dupla que lidera este projeto. De facto, os They Might Be Giants não perderam a capacidade de escrever belas canções no universo das coisas estranhas que fazem apenas parte do universo temático da banda e demonstram essa virtude de modo cativante e com uma salutar criatividade e elevada imaginação. Espero que aprecies a sugestão...

They Might Be Giants - I Like Fun

01. Let’s Get This Over With
02. I Left My Body
03. All Time What
04. By The Time You Get This
05. An Insult To The Fact Checkers
06. Mrs. Bluebeard
07. I Like Fun
08. Push Back The Hands
09. This Microphone
10. The Bright Side
11. When The Light Comes On
12. Lake Monsters
13. Mccafferty’s Bib
14. The Greatest
15. Last Wave


autor stipe07 às 18:15
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Quinta-feira, 9 de Novembro de 2017

Bruno Pernadas e Ricardo Toscano no palco do CCB.

Bruno Pernadas e Ricardo Toscano são ambos músicos de jazz com formação académica na música clássica. Os dois estarão no palco do Grande Auditório do Centro Cultural de Belém no próximo dia 15 de Dezembro para encerrar o ciclo CCBeat 2017. O concerto preparado em exclusivo para a ocasião conta com um alinhamento maioritariamente inédito executado por um ensemble de luxo que reúne uma secção rítmica, secção de cordas e naipe de sopros e ainda dois cantores convidados.

Imagem intercalada 1

A abordagem tem como base diversos estilos tais como o jazz, o rock, a música exótica, cinematográfica e erudita, sendo o principal solista Ricardo Toscano no saxofone alto. Nas palavras de Bruno Pernadas, que acumula a direcção musical, na conjunção deste ensemble procura-se aquilo que se assume como identitário de cada instrumento, combinando as diferentes linguagens harmónicas, rítmicas, texturais nos vários momentos que integram o espectáculo.

 De acordo com o músico e compositor, a proposta a apresentar é marcada por uma abordagem dinâmica, forte e ambiciosa que traduz-se num concerto onde a composição e a improvisação ocupam um papel determinante no seu resultado final.

Dois excelentes músicos, o multi-instrumentista e compositor Bruno Pernadas e o saxofonista Ricardo Toscano num encontro singular que transforma esta ocasião em algo surpreendente e certamente memorável.

Bruno Pernadas - composição, guitarra e teclados

Ricardo Toscano - saxofone alto, solista

Afonso Cabral - voz (convidado)

Francisca Cortesão - voz (convidada)

Margarida Campelo - piano, teclados e voz

João Correia - bateria

Nuno Lucas - baixo eléctrico

Diogo Duque - trompete

João Capinha - saxofone

Raimundo Semedo - saxofone

Raquel Merrelho - violoncelo

João de Andrade – violino


autor stipe07 às 21:19
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Quinta-feira, 2 de Novembro de 2017

Destroyer – Ken

Produzido pelo carismático Josh Wells, baterista dos Destroyer desde 2012 e abrigado pela insuspeita Merge Records, Ken é o novo registo discográfico dos Destroyer de Dan Bejar, um músico que também está escalado na formação dos The New Pornographers e que não gostando de lutar contra o tempo e não aprecia estipular prazos, prefere que a música escorra na sua mente e depois nas partituras e nos instrumentos de modo fluído, no devido timing e com a pressa que merece, sempre com uma tonalidade algum cinzenta e agreste e eminentemente reflexiva.

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Muito inspirado no clássico The Wild Ones dos Suede, cuja demo se chamava Ken, este é um disco algo intrincado e bastante sedutor no modo como apresenta construções melódicas e instrumentais que ora parecem ríspidas ora profundamente acolhedoras, estabelecendo no seu seio, amiúde, uma espécie de caos inédito que metais, teclas, guitarras, intensos trompetes, batidas e uma postura vocal sui generis ampliam. Logo em Sky's Grey fica bem patente toda esta trama que parece lançar sobre nós, à primeira vista, pensamentos algo depressivos mas que, no fundo, estão imbuídos de uma elevada componente irónica, numa espécie de humor negro que o efeito das guitarras e os sintetizadores imponentes da rugosa In The Morning tão bem personificam.

À medida que o disco avança Bejar parece estar continuamente a soltar alguns dos seus demónios ao mesmo tempo que parece gozar não só do facto de eles terem permanecido algum tempo dentro de si, mas também do destino que preparou para os mesmos. Quer no balanço vintage da pop eletrónica oitocentista que abastece Tinseltown Swimming In Blood ou no imediatismo intuitivo do rock que carrega Cover From The Sun, assim como na luminosidade da toada acústica de Saw You At The Hospital e nos arranjos lindíssimos que sobressaem das cordas e do curioso saxofone de Rome transparece quer essa impressão filosófica quer o clima eminentemente sofisticado e claramente clássico e moderno de um disco intenso e que joga com diferentes nuances sonoras sempre com um espírito aberto ao saudosismo e à relevância inventiva.

Em Ken Dan Bejar aperfeiçoa o charme inconfundível deste projeto Destroyer e coloca em cima da mesa mais uma vez a sua mestria genética na hora de sobrepor não só diferentes camadas de instrumentos e arranjos, mas também variações rítmicas e, consequentemente, sentimentais, que a sua música ao longo da carreira tem sempre exalado. Espero que aprecies a sugestão...

Destroyer - Ken

01. Sky’s Grey
02. In The Morning
03. Tinseltown Swimming In Blood
04. Cover From The Sun
05. Saw You At The Hospital
06. A Light Travels Down The Catwalk
07. Rome
08. Sometimes In The World
09. Ivory Coast
10. Stay Lost
11. La Regle Du Jeu


autor stipe07 às 20:21
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Segunda-feira, 30 de Outubro de 2017

Mano a Mano - Mano a Mano Vol. 2

Os mais atentos ao jazz que se vai fazendo por cá consideram os irmãos André e Bruno Santos, dois guitarristas com um vasto percurso musical, dos melhores intérpretes nacionais desse espetro sonoro na atualidade. E são eles que dão a face pelo projeto Mano a Mano, que se estreou em 2014 nos discos através de uma edição cujo financiamento foi obtido através de uma campanha bem sucedida de crowdfunding e que agora já tem sucessor. Mano a Mano Vol. 2 viu a luz do dia recentemente, onze canções que, de acordo com o press release do lançamento, centram-se num duelo dinâmico de guitarras, um disco cheio de momentos de virtuosismo, elegância e humor, explorando as inúmeras possibilidades deste formato.

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Disco essencialmente acústico, vincadamente experimental e orgânico e com uma forte toada bluesMano a Mano Vol. 2 vive do violão e das guitarras, como referi, mas também conta com o Braguinha/Machete, um instrumento tradicional da Madeira parecido com o cavaquinho, que faz a sua aparição em alguns temas. Como um todo, assenta numa filosofia sonora com uma especificidade muito própria e estreitamente balizada, mas não deixa, por isso, de nos oferecer um alinhamento sinuoso e cativante e que nos convida frequentemente à introspeção e à reflexão e até à dança, imagine-se. Dinah é um bom exemplo desta aparente ambivalência, numa canção que não pode deixar de ser ouvida sem ser acompanhada por um sorridente bater de pés ou um efusivo abanar de ancas, mas que também não deixa de exalar, na onda dos vários dedilhares que se cruzam entre si, a uma ode sobre o mundo moderno, sendo este tema a opção mais certa para percebermos, à partida, o modo como esta dupla é ímpar a materializar os melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora. Depois, através da exploração de várias formas de diversificar os arranjos, usando, por exemplo, processamento de som (reverb, wah-wah, distorção, loops, pitch-shifter e outros), nomeadamente no tema antecessor, o single Super Mario, mas também no espraiar solarengo de A Cadeira, O Baloiço e a Rosa, no frenesim desafiador de Without a Song, na sumptuosa delicadeza que exala das constantes variações de tom em Vignette e no jazzístico arrojo pop a que sabe Nem tudo é o que parece, ficamos esclarecidos acerca de constante inquietação que lateja do diálogo que estes dois músicos estabelecem entre si, sempre a suplicar por um patamar de serenidade que felizmente nunca surge, porque este não é um disco para cativar sem primeiro espicaçar, até porque, mesmo sem letras, não deixa de ser, no seu todo, um exímio e lúcido contador de histórias que servem a qualquer comum dos mortais, deixemo-nos nós absorver por tudo aquilo que as cordas nos sussurram ao ouvido com indesmentível clareza.

Em suma, Mano a Mano Vol. 2 está recheado de sons inteligentes e solidamente construídos, que nos emergem em ambientes carregados de ritmos e estruturas sonoras muitas vezes falsamente minimalistas e que têm como grande atributo poderem facilmente fazer-nos acreditar que mesmo este género de música tão específico e sui generis pode ser também um veículo para o encontro do bem e da felicidade, quer individual quer coletiva. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 20:50
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Segunda-feira, 2 de Outubro de 2017

Time For T - Hoping Something Anything

Gravado ao longo do ano de 2016 nos Spitfire Audio Studios em Londres, produzido pela própria banda e masterizado por JJ Golden (Rodrigo Amarante, Devendra Banhart, Vetiver) em Ventura, California, Hoping Something Anything é o novo registo de originais dos Time for T de Tiago Saga. Refiro-me a um projeto nacional mas com raízes em Inglaterra, mais concretamente em Brighton, por este jovem com genes britânicos, libaneses e espanhóis que cresceu no Algarve. Enquanto estudava composição contemporânea na Universidade de Sussex, Inglaterra, Tiago Saga foi criando a sua própria sonoridade assente na world music e na folk rock anglo-saxónica com outros músicos que foi conhecendo e com quem foi partilhando as mesmas inspirações, nomeadamente Joshua Taylor (baixo), Martyn Lillyman (bateria), Oliver Weder (teclas), os seus parceiros nestes Time For T. Andrew Stuart-Buttle (violino), Harry Haynes (guitarra eléctrica) e Louis Pavlo (teclas) foram outros convidados especiais de um disco que viu a luz do dia a quinze de Setembro último, à boleia da Last Train Records, editora que os Time For T têm em parceria com a banda amiga de Brighton, os Common Tongues.

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Banda eclética no modo como abraça diferentes influências e sonoridades, os Time For T tanto deambulam pela folk como pelo rock psicadélico e nesse balanço, lá pelo meio, tanto piscam o olho à tropicália, como é o caso das batidas e dos arranjos de Ronda, como ao próprio jazz, exuberante nos sopros e nas teclas de Back to School, indo também até ao blues experimental em India, aquele rock mais impulsivo e cru, audível em Rescue Plane e ao mais boémio que procura ser melodicamente acessível, sem deixar de exalar profundidade lírica, um ideário concetual que a divertida Wax plasma na perfeição.

Este é, portanto, um compêndio de catorze canções ecléticas, com metade delas compostas logo desde o lançamento do ep homónimo do grupo em janeiro de 2015 e a outra metade inspiradas pela viagem de Tiago Saga à India no início de 2016. Mas, independentemente deste balizar temporal, cada uma delas tem vincada a sua própria identidade, estando todas de certo modo livres daquelas amarras que uma produção demasiado cuidada e límpida muitas vezes causa. Como o disco foi produzido pelos próprios Time For T, os temas acabam por soar aquele charme genuíno que os registos mais orgânicos quase sempre possuem. Ao vivo as versões dos temas não deverão diferir muito, nomeadamente em termos de arranjos e esse é, claramente, outro grande atributo deste Hoping Something Anything, um disco para ser escutado e saboreado num final de tarde relaxante e, de preferência, solarengo, juntamente com um bom chá,quente ou frio. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 17:29
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Quinta-feira, 7 de Setembro de 2017

King Gizzard and the Lizard Wizard - Sketches Of Brunswick East

Quando no início do ano o projeto australiano King Gizzard and the Lizard Wizard de Stu Mackenzie anunciou que iria lançar cinco álbuns em 2017, foram muitos os cépticos que se apressaram a apontar o dedo à impossibilidade deste grupo de rock psicadélico conseguir levar por diante tal desiderato. Mas a verdade é que Sketches Of Brunswick East, treze canções que viram a luz do dia a vinte e cinco de agosto, através da ATO Records, são já o terceiro capítulo desta imponente saga onde detalhes da soul, do jazz, do rock, essencialmente o setentista e sonoridades africanas e até a folk tradicional inglesa se misturam, para dar vida e cor a um alinhamento onde também teve uma importante palavra a dizer Alexander Brettin, outro músico australiano e natural de Brunswick East, bairro dos subúrbios de Melbourne, tal como Stu e fã de Todd Rundgren e Wire, que tem como carapaça pop o projeto Mild High Club.

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Com os King Gizzard and the Lizard Wizard a contarem já com cerca de uma dezena de discos em carteira, a verdade é que este Sketches Of Brunswick East é já o terceiro trabalho que também conta com a participação dos Mild High Club. E Sketches Of Brunswick East, que também alude ao clássico de Miles Davis, Sketches Of Spainresulta na plenitude, porque é profusamente intensa e feliz esta estreita colaboração entre Stu e Alexander, nomeadamente através da modo como trocam trechos de guitarra acústica, que acabam por servir depois de base a um posterior trabalho de aperfeiçoamento e desenvolvimento por parte dos restantes membros dos King Gizzard and the Lizard Wizard, com o resultado final, mais uma vez, a ser verdadeiramente intenso e contagiante.

O disco inicia com um solo de piano lindíssimo por parte de Brettin, secundado por alguns detalhes percurssivos da autoria do baterista Michael Cavanagh e a partir daí o que se escuta é uma verdadeira espiral entusiasta e multicolorida, que nos colocabem no centro de um tornado que, da psicadelia, à dream pop, passando pelo shoegaze e o chamado space rock, se delicia com a mistura destas vertentes e influências sonoras, sempre em busca do puro experimentalismo e com liberdade plena para ir além de qualquer condicionalismo editorial que possa influenciar o processo criativo de um grupo.

Se ao longo da audição deste álbum parece evidente que tudo aquilo que se pode escutar, dos arranjos às melodias passando pelos diferentes detalhes e samples, é cuidadosamente pensado. É curioso constatar que a busca do caos também pareceu fazer parte da filosofia dominante no processo de construção do arquétipo das várias canções. O jazz experimental acaba por ser a base, mas é muito redutor uma catalogação tão objetiva já que, obedecendo a uma filosofia firme de controle instrumental, quer a homenagem descarada à melhor bossa nova em You Can Be Your Silhouette, assim como os devaneios dos sopros divagantes de Sketches Of Brunswick East II e o modo como em The Spider And Me as variações rítmicas também sobressaiem devido ao modo como as cordas se entrelaçam com a voz, são apenas alguns exemplos felizes que nos remetem para um espetro muito mais vasto e abrangente, onde diferentes estruturas e influências submergem e se acotovelam, quase em uníssono, para conseguirem destaque entre si. É, em pouco mais de trinta minutos, o espraiar indulgente e sereno de uma prévia colocação numa máquina de lavar, num programa que permitiu uma espécie de rotação e sobreposição constante de tudo aquilo que a herança musical contemporânea, de índole eminentemente psicadélica, foi agregando e assimilando ao longo das últimas cinco décadas.

Mais uma vez os King Gizzard and the Lizard Wizard conseguem facultar-nos um acervo de canções único e peculiar e que resulta, certamente, da consciência que Stu, o grande mentor do projeto, tem das transformações que abastecem a música psicadélica atual, enquanto tenta ligar-nos umbilicalmente aquela que considera ser a melhor lista de referências essenciais na parada psicotrópica explicitamente aberta ao experimentalismo que tem inundado os nossos ouvidos ultimamente. Sendo este seu terceiro disco do ano um tratado sonoro de natureza hermética, também não se furta a quebrar algumas regras da pop, nomeadamente na questão da crueza lo fi, e até de desafiar as mais elementares do bom senso, impressionando, assim, pelo arrojo e mostrando-se genial no modo como dá vida a mais um excelente tratado sonoro do melhor revivalismo que se escuta atualmente relativamente ao rock psicadélico do século passado. Espero que aprecies a sugestão...

Sketches of Brunswick East artwork

01. Sketches Of Brunswick East I
02. Countdown
03. D-Day
04. Tezeta
05. Cranes, Planes, Migraines
06. The Spider And Me
07. Sketches Of Brunswick East II
08. Dusk To Dawn On Lygon Street
09. The Book
10. A Journey To (S)hell
11. Rolling Stoned
12. You Can Be Your Silhouette
13. Sketches Of Brunswick East III


autor stipe07 às 09:27
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Segunda-feira, 4 de Setembro de 2017

Mano a Mano - Super Mario

 

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Os mais atentos ao jazz que se vai fazendo por cá consideram os irmãos André e Bruno Santos, dois guitarristas com um vasto percurso musical, dos melhores intérpretes nacionais desse espetro sonoro na atualidade. E são eles que dão a face pelo projeto Mano a Mano, que se estreou em 2014 nos discos através de uma edição cujo financiamento foi obtido através de uma campanha bem sucedida de crowdfunding e que agora se prepara para lançar o sucessor.

Mano a Mano Vol. 2 irá ver a luz do dia daqui a algumas semanas e Super Mario é o primeiro avaço divulgado das doze canções que irão constituir um alinhamento que, de acordo com o press release do lançamento, centrar-se-ão num duelo dinâmico de guitarras, um disco cheio de momentos de virtuosismo, elegância e humor, explorando as inúmeras possibilidades deste formato. Assim, a vertente acústica, como se percebe neste single, estará na linha da frente da condução dos temas, que também contarão com a exploração de várias formas de diversificar os arranjos, usando, por exemplo, processamento de som (reverb, wah-wah, distorção, loops, pitch-shifter e outros) e técnicas percussivas. O Braguinha/Machete, um instrumento tradicional da Madeira parecido com o cavaquinho, também fará a sua aparição em alguns temas do álbum.

De modo a tornar os concertos dos Mano a Mano ainda mais interessantes, haverá uma forte componente visual nos mesmos, com a inclusão de um cenário que retratará uma simples sala-de-estar, com o objetivo de fazer com que o público se sinta mais acolhido e os temas possam fluir de um modo mais descontraído e familiar. Confere...

 

autor stipe07 às 14:20
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Quarta-feira, 5 de Julho de 2017

You Can't Win, Charlie Brown - If I Know You, Like You Know I Do

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Marrow é um vegetal parente da courgette, cultivado nas ilhas britânicas, na Holanda e na Nova Zelândia e também o título do último registo de originais dos extraordinários You Can't Win, Charlie Brown de Afonso Cabral (voz, teclas, guitarra), Salvador Menezes (voz, guitarra, baixo), Tomás Sousa (bateria, voz), David Santos (teclas, voz), João Gil (teclas, baixo, guitarra, voz) e Luís Costa (guitarra). Este Marrow foi um dos discos do ano de 2016 para este blogue e com toda a justiça porque, no seu todo, contém um sentido conjunto de quadros sonoros pintados com belíssimos arranjos de cordas, sintetizadores capazes de fazer espevitar o espírito mais empedernido e imponentes doses eletrificadas de fuzz e distorção, que se saúdam amplamente, tudo adornado por uma secção vocal contagiante, que proporciona ao ouvinte uma assombrosa sensação de conforto e proximidade.

Um dos grandes temas de Marrow é, claramente, If I Know You, Like You Know I Do, quinta canção do alinhamento do álbum e que piscando o olho à eletrónica dos anos oitenta, carateriza-se como uma alegoria pop extravagante e irresistivelmente dancável, que acaba de ter direito a um extraordinário vídeo que mostra os You Can't Win, Charlie Brown de bem perto, com produção dos We Are Plastic Too e realização de Afonso Cabral.

Os You Can't Win, Charlie Brown vão mostrar este e outros temas no palco Nos do Nos Alive, já amanhã, dia seis de julho e por todo o país durante o verão, com passagens marcadas para o Vodafone Paredes de Coura, Douro Rock e Feira de São Mateus, entre outros. Confere...


autor stipe07 às 18:17
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