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Matt Corby – Burn It Down

Segunda-feira, 08.12.25

Há pouco mais de uma década, no meio da interminável vaga de novos artistas que iam surgindo todos os dias e que foram consolidando os alicerces de um blogue já numa fase de afirmação consistente da sua existência, houve alguns autores que, nesse inesquecível ano de dois mil e doze, acabaram por ficar na retina da nossa redação. Um deles foi o australiano Matt Corby, músico cujo primeiro single, Brother, editado no verão desse ano e grande destaque de um EP intitulado Into The Flame, soou do lado de cá como um daqueles singles revelação e que fez querer descobrir, na altura, toda a obra que esse artista já tinha lançado.

Entretanto, há quase três anos, na alvorada da primavera de dois mil e vinte e três, e depois de no final do ano anterior termos divulgado um single intitulado Problems, Matt Corby voltou aos nossos radares, também pouco mais de dois anos depois de um par de canções chamadas If I Never Say a Word e Vitamin, que o músico lançou em dois mil e vinte. E fê-lo à boleia de um disco intitulado Everything's Fine, o terceiro da sua carreira, um alinhamento de onze canções gravado nos Rainbow Valley Studios com Chris Collins e que foi cuidadosamente dissecado pela nossa redação.

Agora, Matt corby anuncia finalmente o sucessor de Everything's Fine. Trata-se de um trabalho intitulado Tragic Magic. É um registo com treze canções, que vai ver a luz do dia a seis de março do próximo ano e que resultou de dezoito meses de árduo trabalho de composição e gravação em estúdio e que foi produzido por Chris Collins, seu habitual colaborador.

Do seu alinhamento acaba de ser revelado o single Burn It Down. Uma bateria de forte timbre nostálgico, um baixo insinuante e um piano expressivo, instrumentos tocados pelo próprio Corby, são as grandes forças motrizes de uma composição repleta de soul, com um groove e uma luminosidade ímpares, que resultam numa espécie de indie jazz psicadélico, bastante vibrante e policromático, aprofundado pelo cariz sensual da postura vocal de Corby. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:34

Midlake - A Bridge To Far

Sexta-feira, 07.11.25

Três anos depois do excelente registo For the Sake of Bethel Woods, os norte-americanos Midlake de Eric Pulido estão de regresso ao formato longa duração com um disco intitulado A Bridge to Far, o sexto da carreira, que acaba de ver a luz do dia com a chancela do consórcio Believe / Bella Union e que conta com várias participações especiais, nomeadamente Madison Cunningham, Hannah Cohen e Meg Lui.

Midlake – A Bridge To Far Review: A career highpoint

Com um alinhamento de dez canções e produzido por Sam Evian, A Bridge To Far reclama, com firmeza, o posicionamento dos seus autores num lugar de relevo do panorama indie e alternativo, nomeadamente naquele espetro sonoro que aposta na riqueza dos detalhes e na sapiência melódica, como traves mestras do processo criativo. De facto, os Midlake sempre tiveram esta apetência para a criação de canções aprazíveis e reluzentes e que, simultaneamente, contendo sempre um elevado grau de acessibilidade, mostrassem o elevado grau de refinamento.

A típica folk norte-americana, feita de cordas reluzentes e com aquele timbre metálico ecoante tão caraterístico, sempre fizeram parte do cardápio da banda e, logo a abrir o disco, a impetuosa Days Gone By plasma praticamente todas as caraterísticas acima descritas, com alguns arranjos de origem sintética a ofereceram ao tema o tal clima intrincado e rico que os Midlake tanto apreciam. Logo a seguir, no tema homónimo, temos um olhar mais contemplativo e, ao mesmo tempo, envolvente, numa canção em que cordas e bateria se entrelaçam com minúcia, convidando as vozes a entrarem numa dança sonora em que elas e os instrumentos foram criativamente coreografados e corresponderam ao milímetro a esse apelo.

Depois de tão auspicioso início, A Bridge To Far, um álbum que se debruça sobre temas tão díspares como o estoicismo, a esperança perante a adversidade e a humildade imposta pelos acontecimentos da vida, entra em alta rotação com The Ghouls, uma composição vibrante e imponente, orquestralmente rica e diversificada, introduzida por um sólido piano e depois conduzida por um registo percurssivo frenético que acama cordas e teclados, num resultado final muito charmoso, emotivo e com um delicioso travo psicadélico.

De seguida, Guardians coloca-nos de novo na senda de uma folk psicadélica bastante evocativa e detalhisticamente rica, com o piano, alguns sopros, uma bateria de forte travo jazzístico e uma viola dedilhada com minúcia, a criarem um dos momentos mais intimistas de um alinhamento que encontra, logo depois, no piano insinuante e no baixo encorpado que sustentam o jazz espacial de Make Haste, o verdadeiro âmago de quase quarenta minutos recheados de canções soberbas no modo como suportam, sem receio, ténues e quase indefinidas fronteiras entre delicadeza e epicidade, muitas vezes numa mesma composição.

Eyes Full Of Animal, um tema que vai crescendo em arrojo e emotividade, mostra bem essa faceta de A Bridge to Far em que a ostentação sonora não é feita gratuitamente, mas de modo bastante calculado. Esta canção tem no balanço quase hipnótico da bateria o sustento perfeito para uma acomodação quase indecifrável de uma diversidade instrumental que é, sem uma audição muito atenta, praticamente impossível de nomear na sua totalidade.

Até ao ocaso de A Bridge To Far, os saxofones vigorosos de The Calling, uma inesperada explosão de cores e de sentimentos, a curiosa abordagem que é feita à eletrónica de cariz mais ambiental em Within/Without, outra composição que impressiona pelo modo como os sons se sobrepôem em subtis camadas e o clima onírico e pastoral da encorajadora The Valley Of Roseless Thorns são outros momentos altos de um álbum sólido, com um ritmo bastante natural do início ao fim e bastante espontâneo e quente, principalmente no modo como exala uma dinâmica muito singular e, em simultâneo, uma forte e marcante faceta emocional.

Em suma, se o resultado final de A Bridge To Far não deixa de ser vistoso, a verdade é que é também profundamente comovente, até no modo como nos mostra que os Midlake investiram muito de si próprios e da sua exposição pessoal perante o mediático, naquele que é o conteúdo do registo. Essa coragem, geralmente universalmente incompreensível, é sempre de realçar e de elogiar e ainda mais quando acontece de modo tão deslumbrante e bonito. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 19:07

Damien Jurado – Private Hospital

Quarta-feira, 05.11.25

O norte-americano Damien Jurado atravessa, claramente, desde há algum tempo para cá, uma das fases mais profícuas da sua já longa carreira. Depois de na primavera de dois mil e vinte e um ter editado o excelente registo The Monster Who Hated Pennsylvania, regressou, no verão do ano seguinte, com um novo disco também monstruoso, intitulado Reggae Film Star e em dois mil e vinte e três lançou Sometimes You Hurt The Ones You Hate, o décimo nono registo de originais deste músico e compositor natural de Seattle, um trabalho que, como é habitual neste artista, teve a chancela da Maraqopa Records, a sua própria etiqueta.

Damien Jurado — Little Saint

Agora, exatamente dois anos depois, Damien Jurado está de regresso com um novo compêndio de originais intitulado Private Hospital, uma coleção de onze músicas produzidas pelo próprio e que, contando com as contribuições especiais de Lacey Brown, Aura Ruddell, Zach Alva e Stevan Alva, proporcionam-nos, em pouco mais de trinta e dois minutos, um novo festim de indie pop rock luxuriante e vibrante, caraterísticas bem patentes logo em Celia Weston, o tema de abertura, um tratado de epicidade rugoso e simultaneamente luminoso, que disserta, com sagaz ironia e requinte, sobre o inevitável fim da nossa passagem por esta vida terrena.

Depois de tão imponente abertura, Private Hospital segue a todo o vapor no clima algo psicadélico e tremendamente cinematográfico de Here In The States, uma canção que crítica severamente o caos económico e social em que, na perspetiva do próprio, está mergulhado o país de origem de Jurado, evidenciando, desse modo, uma habitual faceta deste músico, relacionada com a crítica social, sempre sustentada por pontos de vista algo mordazes, mas certeiros e, muitas vezes, encarnados com uma elevada dose de ironia, como é uma vez mais o caso.

O clima mais soturno e ambiental de Hey Pauline, representa, com notável riqueza estilística, as mais recentes experimentações que Jurado, também um mestre da folk, tem colocado em prática, através de instrumentos que habitualmente só fazem parte do cardápio de quem se dedica a criar uma pop de cariz mais sintético. De facto, uma das grandes virtudes de Jurado tem sido, ultimamente, a capacidade de se adaptar aos novos desenvolvimentos tecnológicos e de alargar o seu cardápio instrumental na hora de entrar em estúdio, sem colocar em causa o adn essencial do seu catálogo. O piano eletrónico de forte travo cósmico que conduz Heaven's a Drag é outro exemplo prático desse modus operandi, em que os sintetizadores têm a primazia, mesmo que sejam depois afagados por alguns entalhes percussivos e pelo registo vocal ecoante adocicado de Jurado, num resultado final algo contemplativo.

Private Hospital prossegue em grande estilo em Howard Morton e na robustez de uma batida que sustenta um tema repleto de faustosos arranjos instrumentais, em que cordas, sopros e metais, se vão revezando entre si no predomínio e na liderança da indução de emotividade e charme e altivez a uma composição que balança numa fronteira muito ténue entre o clássico, o retro e o futurista. Depois, Pictures On The Run é um oásis de intimidade com um ligeiro travo a tropicália, um detalhe bastante curioso, mesmo que um sintetizador algo rugoso seja o seu grande sustento sonoro. Já Vampira encontra na mestria de alguns entalhes sintéticos a base que exala um clima amiúde sinistro e inquietante, como é apanágio de uma composição que versa sobre aquilo que uma pessoa sente e faz quando está sobre o efeito de um feitiço inquebrável e não se consegue livrar do mesmo. Private Hospital chega ao seu ocaso em grande estilo, com Call Me, Madam, um tema de forte travo vintage, potenciado por um processo de gravação eminentemente analógico, que coloca as fichas num clima ligeiramente jazzístico.

Em suma, importa dizer, uma vez mais e em jeito de conclusão, que estas novas canções de Damien Jurado, editadas exclusivamente em formato físico de livro, além do digital, sendo, como já vimos, instrumentalmente fartas e filosoficamente tocantes, comunicam com o nosso âmago, através de uma forma de compôr que, algures entre a penumbra e a luz e com uma sofisticação muito própria, é incubada por um dos maiores cantautores e filósofos do nosso tempo, um artista sem paralelo no panorama da indie folk contemporânea. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 17:52

Geese - Getting Killed

Segunda-feira, 20.10.25

Caos e tensão são adjetivos que se ajustam às mil maravilhas aos Geese, uma banda de Nova Iorque que teve a sua génese há quase uma década no profícuo e efervescente bairro de Brooklyn e que é atualmente formada por Cameron Winter, Emily Green, Dominic DiGesu e Max Bassin, quarteto ao qual se junta o teclista Sam Revaz, quando o projeto toca ao vivo. Estrearam-se nos discos já esta década, em dois mil e vinte e um, com o registo Projector, ao qual se sucedeu 3D Country dois anos depois e agora, há poucos dias, Getting Killed, um alinhamento de onze canções produzidas por Kenneth Blume e que têm a chancela da Partisan Recordings.

Pujantes e, ao mesmo tempo íntimos, contundentes e simultaneamente emotivos, os Geese são o exemplo perfeito de como na música muitas vezes a ausência de regras estilísticas rigidas, de seguidismos ou de balizamentos é, também, uma boa fórmula para se chegar ao sucesso e à tão almejada perfeição. Getting Killed, o novo álbum do quarteto, pode ser catalogado, de modo simplista, como um disco de indie rock, mas é claramente muito mais do que isso. Os seus quarenta e cinco minutos condensam, sem ordem definida e numa espécie de caos ordenado, world music, jazz, folk, rock, pop, R&B, grunge, garage, psicadelia, punk e tudo aquilo que mais quiseres colocar nesta listagem. Depois, qual cereja no topo do bolo, temos Cameron Winter, considerado já por muitos como um dos vocalistas mais carismáticos do cenário indie e alternativo atual. Se num segundo ele choca-te e instiga-te com um voz ensurdecedora e, imagine-se, algo desconfortável, pouco depois está a falar, de modo contundente, ao teu coração, sussurrando-te ao ouvido com o registo mais adoçicado que possas imaginar. Pelo meio, captando a nossa atenção frequentemente de uma forma pouco convencional e até algo chocante, mantém uma performance algo arrastada, mas sempre tensa, atributos que ampliam ainda mais o modo bem sucedido como ele comunica connosco, mesmo que a disposição para o escutar não esteja nos píncaros.

Começa-se a escutar Trinidad, o tema que abre Getting Killed e, numa espécie de alegoria aquele jazz da primeira metade do século passado, percebe-se logo a cadência e o travo de um perfil sonoro ansioso, fragmentado e descontrolado, aspetos que vão ser transversais a todo o disco, independentemente do perfil interpretativo selecionado para cada composição, que explora sempre um som vibrante e que parece estar permanentemente a querer fugir ao típico arquétipo estrutural do formato canção, na sua forma mais pura e natural.

Feitas as apresentações, logo a seguir Cobra escancara, de par em par, as janelas da nossa alma para a contemplação de uma pop lisérgica e luminosa, com Husbands a colocar as fichas num perfil mais minimal e eletrónico, mas nem por isso menos abundante em detalhes, tiques e nuances, geralmente percussivas, que nos mantêm permanentemente alerta relativamente ao rumo que a canção possa levar.

Getting Killed prossegue em grande estilo e 100 Horses é outro exemplo feliz desta filosofia interpretativa musculada e quase irreal, em que os instrumentos frequentemente se confundem e mal se distinguem, deixando-nos sempre em absoluto suspense; No travo funk da composição saboreia-se um arsenal instrumental que tem na rugosidade do baixo e na aspereza das guitarras, elementos decisivos na indução de extase a uma canção de elevado pendor lisérgico. Antes, já o ímpeto vibrante do tema homónimo e o modo como as cordas crescem em intensidade e astúcia em Islands Of Men, tinham-nos mostrado que as guitarras são também uma arma de arremesso essencial do disco e que a guitarrista Emily Green e o baixista Dominic DiGesu são peças vitais no seu movimento sinuoso que, por incrível que Às vezes possa parecer, nunca resvala nem se despista.

Até ao ocaso de Getting Killed, o refrão gospel e a alegria contagiante de Half Real, uma belíssima canção de amor e o hino Taxes, um tema que tem tudo para se tornar numa das melhores canções do século XXI, são outros instantes impressivos de um disco cheio de reviravoltas e imprevistos, que escapa constantemente às expetativas que sobre ele se possam colocar e que parece saciar uma curiosidade inquieta e indomável que os Geese sentiram de explorar o máximo possível o potencial criativo que neles existe e o arsenal intrumental que dispôem.

Num dos discos do ano, cheio de força e vigor criativo, timbres e dinâmicas, este quarteto nova iorquino mostra que o sucesso e a felicidade no seio desta forma de arte chamada música, podem andar de mãos dadas, desde que se ponha de lado convenções e regras e se aposte numa fé inabalável no instinto e naquilo que ele nos pedir que seja feito no momento de criar e de desconstruir, porque aí, quando a realidade se dissolve, vale mesmo tudo. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 12:38

Gorillaz – The Manifesto (feat. Trueno and Proof)

Segunda-feira, 13.10.25

Dois anos e meio depois de Cracker Island, os britânicos Gorillaz, projeto formado por Russell, Noodle, 2D e Murdoc e conduzido pelo enorme Damon Albarn, talvez a única personalidade da música alternativa contemporânea capaz de agregar nomes de proveniências e universos sonoros tão díspares e fazê-lo num único registo sonoro, estão de regresso aos discos com The Mountain, o nono álbum da carreira do projeto, um alinhamento de quinze canções que vai chegar aos escaparates a vinte de março de dois mil e vinte e seis, com a chancela da KONG, etiqueta criada pelo próprio grupo.

Gorillaz Share New Song “The Manifesto” Featuring Trueno and Proof: Listen  | Pitchfork

The Mountain será mais um disco conceptual, como é hábito nos Gorillaz, pretendendo, neste caso, ser uma espécie de banda sonora de uma festa na fronteira entre este mundo e o seguinte, explorando a jornada da vida e a emoção de existir. Para conseguir isso, o quarteto refugiou-se em Mumbai, na Índia, chegando lá à boleia de passaportes falsos fornecidos a Murdoch, por um mafioso de Nova Iorque. Na metrópole asiática, deixaram-se envolver pelo misticismo local e deixaram fluir corpo e mente pelos terrenos íngremes e montanhosos daquilo a que chamamos vida.

O resultado final desta jornada intimista, produzida pelos próprios Gorillaz, com a ajuda de James Ford, Samuel Egglenton e Remi Kabaka Jr. e gravada nos estúdios no Studio 13, em Londres e Devon, em diversos locais da Índia, incluindo Mumbai, Nova Deli, Rajasthan e Varanasi e em Ashgabat, Damasco, Los Angeles, Miami e Nova Iorque, são quinze canções repletas de participações especiais de excelência, como são os casos de Bizarrap, Black Thought, Anoushka Shankar, Omar Souleyman, Johnny Marr (The Smiths), Mark E. Smith (The Fall), Paul Simonon (The Clash), Yasiin Bey (anteriormente conhecido como Mos Def), os Idles e os Sparks, dos veteraníssimos irmãos Ron e Russell Mael.

The Happy Dictator, uma canção ímpar no modo como recria um verdadeiro oásis de pop sintética, à boleia de uma batida frenética cósmica, um teclado encharcado em sintetizações retro e um sem fim de entalhes, foi o primeiro single divulgado do alinhamento de The Mountain. Agora, cerca de um mês depois, temos a possibilidade de conferir The Manifesto, canção que conta com as participações especiais do rapper argentino Trueno e com um pequeno trecho de Proof, membro dos D12, que faleceu há quase vinte anos, em abril de dois mil e seis.

Descrito por Russell Hobbs, o baterista fictício dos Gorillaz, como uma meditação musical recheada de luz e uma viagem do nosso âmago à boleia de batidas, The Manifesto é, sonoramente, um verdadeiro oásis lisérgico e contemplativo, em que world music, R&B, eletrónica, jazz, rap e hip-hop, conjuram entre si com particular deleite. Tema quente, algo inebriante até, The Manifesto é, realmente, um cinematográfico convite à aceitação da morte como uma inveitabilidade, mas também como um possível ritual de passagem para uma outra dimensão, contando, também, nos créditos do tema com vários músicos indianos, nomeadamente os irmãos Amaan Ali Bangash e Ayaan Ali Bangash, Ajay Prasanna, a banda Jea Band Jaipur e o coro Mountain Choir, dirigido por Vijayaa Shanker. Confere...

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publicado por stipe07 às 17:40

Sun Kil Moon And Amoeba – Sun Kil Moon And Amoeba, Vol. II

Domingo, 05.10.25

Natural da pequena localidade de Massillon, no Ohio, Sun Kil Moon é o nome do projeto atual a solo do cantor e compositor Mark Kozelek, que ficou conhecido por ter sido o líder dos carismáticos Red House Painters. Este é um dos projetos que constam na listagem da melhor indie folk contemporânea e um dos mais queridos para a nossa redação. Cada novidade de Sun Kil Moon é tragada por cá com delícia e minúcia, algo a que não foge à regra Sun Kil Moon And Amoeba, Vol. II, um novo disco do artista, que surge no nosso radar meio ano depois de termos conferido Wolves, um delicioso tema que tinha a chancela da Caldo Verde Records, tal como sucede com este novo álbum do músico.

MusicPress

Conforme o título indica, Sun Kil Moon And Amoeba, Vol. II é o segundo capítulo de uma saga colaborativa que Sun Kil Moon tem encetado, nos últimos tempos, com um grupo de músicos húngaro de jazz chamado Amoeba, formado por Péter Sabák, Bence Molnár, Viktor Sági e Levente Boros.

Logo em Wolves, o tema acima referido e que abre o registo, está bem patente o perfil interpretativo transversal ao alinhamento de oito canções deste álbum. Em Wolves, ficamos boquiabertos com o perfil tremendamente jazzístico, boémio e claramente experimental de uma canção que, logo nos primeiros acordes e batidas, se percebe que é, na sua génese, angulosa, quente e visceral.

Com essa experiência ímpar e curiosa que nos marca durante a audição de Wolves, em que somos abanados e convidados, sem aviso prévio, a um subtil abanar de ancas, mantemos claramente a postura em Happy Birthday Elle, uma composição que encanta pelo modo como bateria e guitarra se entrelaçam com astúcia em quase oito minutos que exalam um jazz experimental algo minimal e crú, mas tremendamente saciador. Depois, o modo como a voz de Kozelek, divagante e sentida, se torna, ele própria, num indutor fundamental do perfil melódico do tema, enquanto disserta sobre a vida e o passado da protagonista, amplia ainda mais o grau de proximidade entre artista e ouvinte.

O disco prossegue e somos de novo sujeitos a um imersivo exercício de contemplação com a longa Dulcolax, uma canção algo densa e inquietante, mas exemplarmente burilada com constantes interseções entre cordas acústicas e alguns entalhes sintéticos. Depois, Mother And Daughter oferece-nos um instante de pura contemplação enquanto guitarra e bateria travam, com bom gosto, mais uma amigável luta enleante e a majestosa Fairytale Sunday oferece ao piano as rédeas enquanto Kozelek disserta, no seu também habitual registo declamativo, sobre a sua relação especial com este grupo de músicos húngaros que marcaram o cenário musical alternativo de Budapeste nos últimos anos, não só através do projeto Amoeba, mas também à boleia de outras colaborações, quer em nome próprio, quer com outros músicos.

Até ao ocaso de Sun Kil Moon And Amoeba, Vol. II,  no encanto até algo romântico de What The World Needs Now Is Love, na subtila aproximação a ambientes mais consentâneos com a eletrónica ambiental em Budapest Block e na primazia que é dada à voz em Verőce, mais uma canção em que Kozelek declama sobre esta estreita colaboração com o projeto Amoeba, ficamos devidamente esclarecidos relativamente ao sentimento geral que este disco nos transmite. Trata-se de um belíssimo compêndio sonoro, onde a simplicidade melódica coexiste com uma densidade sonora suave e esteticamente bastante vincada e com uma assintura única, em uma hora de música que transborda uma majestosa e luminosa melancolia que, diga-se, sabe tremendamente bem nesta altura do ano. Espero que aprecies a sugestão...

01. Wolves
02. Happy Birthday Elle
03. Dulcolax
04. Mother And Daughter
05. Fairytale Sunday
06. What The World Needs Now Is Love
07. Budapest Block
08. Verőce

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publicado por stipe07 às 10:08

Lord Huron – The Cosmic Selector Vol. 1

Quinta-feira, 25.09.25

Natural de Okemos, no Michigan, Ben Schneider encabeça o conceituado projeto Lord Huron, atualmente sedeado em Los Angeles, na Califórnia e que se estreou em dois mil e doze com o registo Lonesome Dreams, que foi amplamente aclamado pela crítica e que teve a chancela da Play It Again Sam Recordings. Agora, em dois mil e vinte e cinco, Lord Huron está de regresso à ribalta com The Cosmic Selector Vol. 1, o quinto disco da do grupo e que tem a chancela da Mercury Recordings.

Pic by Cole Silberman

Com uma discografia já bastante sólida e com uma vasta legião de seguidores fiéis, este projeto Lord Huron solidifica em The Cosmic Selector Vol. 1, com notável eficácia, a elevada bitola qualitativa do seu catálogo, à boleia de doze canções que, em quase cinquenta minutos, nos presenteiam com canções que calcorreiam caminhos tão díspares como a folk introspetiva, o rock alternativo e o rock progressivo e o próprio jazz.

Se The Cosmic Selector Vol. 1 abre de modo intimista e melancólico com a ecoante Looking Back, tema em que ressalta uma acústica dedilhada, enquanto texturas rodopiantes flutuam pelo campo estéreo, logo a seguir em Bag Of Bones, a agulha muda para territórios mais intrincados e encorpados. Trata-se de uma composição que balança num curioso misto entre intimidade e epicidade, lisergia e opulência, uma mistura alicerçada num inspiradíssimo acerto melódico, feito de cordas empolgantes, uma bateria envolvente, uma harmónica insinuante mas segura e diversos efeitos conferidos por uma guitarra plena de soul,  imponente e que ciranda por ali, algures entre alguns dos melhores tiques identitários da típica folk norte-americana e aquele rock mais progressivo, que olha para a década de setenta do século passado com particular gula.

Depois deste início tão prometedor, damos de caras com a folk na sua mais pura essência à boleia de Nothing I Need, um luminoso e radiante oásis de cordas acústicas e onde não falta sequer o banjo e a harmónica. Depois, enquanto o disco flutua por atmosferas ou algo nebulosas, ou mais radiantes, damos de caras com um piscar de olhos efusivo à pop em Who Laughs Last, uma canção que conta com a participação especial vocal de Kristen Stewart e que impressiona pelo modo como o refrão se insinua e cresce em arrojo e emotividade. 

Outro dos grandes momentos do disco é Fire Eternal, mais uma canção melodicamente inspiradíssima e que conta com outra participação especial, neste caso de Kazu Makino. Fire Eternal navega novamente nas águas límpidas de uma pop que, neste caso, exala uma tremenda sensualidade, muito por causa de um insolente e insinuante piano e de um registo vocal tremendamente adocicado.

Até ao ocaso do disco, o piscar de olhos ao indie alternativo noventista, feito com guitarras fluídas e sobrepostas com mestria, em Used To Know e o clima eminentemente clássico e nostálgico que sustenta a imponência de Life Is Strange, são outros instantes maravilhosos deste The Cosmic Selector Vol. 1, um disco fantástico e cheio de nuances, mas também íntimo, profundo, reflexivo. É um registo repleto de laivos musicais de excelência e que proporcionam ao ouvinte muitas boas sensações, que só a vivência da audição consegue suscitar e descrever com detalhe. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 17:44

Ricardo Reis Soares- A Velha Bailarina

Domingo, 21.09.25

Ricardo Reis Soares nasceu em Braga e vive em Lisboa. Muito novo teve aulas de piano e mais tarde descobriu na guitarra uma confidente ouvinte das suas histórias. Passou pela Academia Valentim de Carvalho e estudou jazz no Hot Clube de Portugal.

Ricardo Reis Soares lança “A Noite”, segundo single do seu primeiro EP  "Contra Tempo"

Músico e compositor, traz para as suas canções a sua interpretação do mundo através da sensibilidade de quem o escuta devagar, o olha através dos detalhes e conta histórias através de seus personagens reais e fictícios. O quotidiano, as coisas mais simples do dia a dia, têm sido o que mais o inspira a compor e a escrever. O primeiro EP Contra tempo sairá no final deste ano, com produção de Miguel Marôco.

A Velha Bailarina é o título do terceiro single do EP partilhado pelo cantautor. Retrata a história de uma mulher idosa, bailarina, cuja passagem do tempo não a esqueceu. Ela encontra-a em cada gesto e em cada movimento do seu próprio corpo. Retrata a velhice e como esta se faz notar não só fisicamente como na perspetiva com que o mundo pode ser olhado na sua presença.

O videoclipe de A Velha Bailarina, cujas filmagens decorreram no theatro-club na Póvoa de Lanhoso, em Braga, foi realizado por Luís Castro e conta com duas participações especiais: a talentosa bailarina Margarida Braz e a avó Guida, avó de Ricardo Reis Soares. Confere...

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publicado por stipe07 às 14:45

Imaginary People – David’s Eyes

Sexta-feira, 05.09.25

Os norte-americanos Imaginary People, de Von Wagner, Mark Roth, Justin Repasky, Kolby Wade e Bryan Percivall, estão de regresso aos discos na próxima semana, dia doze de setembro, com Alibi, o terceiro longa-duração da banda sedeada em nova Iorque. Alibi foi produzido nessa mesma cidade por Phil Weinrobe (Nick Murphy, Pussy Riot, Stolen Jars) nos estúdios Rivington 66 e misturado por Eli Crews.

pic by Rina Khadivi

Uma versão de State Trooper, um original que fazia parte do mítico álbum Nebraska, que Bruce Springsteen lançou em mil novecentos e oitenta e dois, foi o primeiro single que os Imaginary People revelaram do alinhamento de Alibi, no final de agosto. Agora chega a vez de escutarmos David's Eyes, uma espiral de indie rock algo híbrida, já que além de conter um ímpar travo jazzístico, também pisca o olho a alguns dos tiques do melhor punk rock de final do século passado.

Em David's Eyes, uma bateria exemplarmente ritmada e uma guitarra buliçosa, vão-se deixando enlear por diversos efeitos ecoantes, com a voz magnética de Dylan Von Wagner, que encarna uma espécie de simbiose entre Paul Banks (Interpol), Roland Gift (Fine Young Cannibals) e Bryan Ferry (Roxy Music), a ser também uma das forças motrizes de uma canção intensa, que exala um ímpar groove e com uma elevada tonalidade progressiva e expansiva. Confere... 

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publicado por stipe07 às 17:36

Cass McCombs – I Never Dream About Trains

Quarta-feira, 20.08.25

Presença assídua na nossa redação e neste espaço de crítica e divulgação musical, Cass McCombs está de regresso ao nosso ouvido à boleia de I Never Dream About Trains, o último avanço divulgado de Interior Live Oak, o disco que o músico lançou há alguns dias e que irá ser brevemente dissecado com minúcia neste espaço de crítica e divulgação musical e, já agora, o primeiro tomo de originais do artista natural de Concord, na Califórnia, com a chancela da Domino Recordings.

De Interior Live Oak, um álbum com dezasseis canções, já passaram por cá os temas Peace e Priestess, antes de I Never Dream About Trains. Peace era uma canção em que Cass McCombs, habituado a apontar a mira aos pilares essenciais da mais pura indie folk, fez uma ligeira e feliz inflexão para territórios mais exuberantes e elétricos, com guitarras frenéticas, acústicas e ligeiramente distorcidas. Em Priestess, o músico norte-americano ofereceu-nos um tema em que sobrevive à boleia do maravilhoso timbre uma guitarra que exala um vasto oceano de nostalgia que se espraia nos nossos ouvidos com fino recorte e com aquela vibração que carateriza o melhor indie tipicamente americano.

Quanto a I Never Dream About Trains, trata-se de uma composição eminentemente intimista e contemplativa, conduzida por um melancólico piano, exemplarmente acompanhado por uma bateria com um elevado pendor jazzístico, nuances que encarnam um inebriante instante sonoro de indie soul, com um forte e intenso cariz sentimental e reflexivo, que se espraia nos nossos ouvidos com fino recorte. Confere I Never Dream About Trains e o vídeo do tema assinado pela dupla Eugene Shakemup e M. Arnoux...

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publicado por stipe07 às 20:45






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