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Yellow Days – A Day In A Yellow Beat

Segunda-feira, 21.09.20

Três anos após o EP de estreia Harmless Melodies e o seu primeiro longa duração, Is Everything OK In Your World?, o cantor e multi-instrumentista britânico George van den Broek, de vinte e um anos, natural de Manchester e que assina a sua música como Yellow Days, está de regresso com A Day In A Yellow Beat, um tratado de indie pop de forte toada jazzística, gravado em Los Angeles, com forte influência da soul e do blues e sonoramente bastante eclético, também por causa de uma ilustre lista de convidados especiais, nomeadamente Shirley Jones, Nick Walters, Mac DeMarco e Bishop Nehru.

Yellow Days: A Day In A Yellow Beat — sprawling, ambitious and irritating |  Financial Times

Se nos seus dois primeiros registos, o EP e o álbum, Yellow Days focou-se nas temáticas da ansiedade e da depressão, com uma forte componente auto-biográfica, neste A Day In A Yellow Beat o compositor não deixa de versar sobre os dilemas típicos da entrada na vida adulta, mas logo no orgão buliçoso e na farta seleção de samples que constroem o diálogo que se estabelece na Intro, o autor mostra um lado mais irrequieto, luminoso e optimista, parecendo que deixou de vez a escuridão e o odor bafiento que marcava os seus dias para se encontrar com a luz e passar a viver tempos mais felizes e esperançosos. Não é claro se houve algum evento específico na sua vida que tenha originado tal transformação, mas é um facto que, logo após o rock experimental repleto de groove de Be Free, tema em que a voz de George atinge um registo que não fica a dever nada aos melhores intérpretes da soul americana do último meio século, canções como Getting Closer, uma composição com um clima retro setentista inconfundível, ou Let You Know, tema que também nos remete para a mesma época, mas de um modo mais charmoso, principalmente devido ao modo como o piano se intercepta com vários efeitos percurssivos, mostram um disco de janelas abertas para brisas suaves e aconchegantes e para um sol radioso e retemperador. Quer estas composições, quer, por exemplo, Who´s There?, uma obra-prima de pop funk, ou a sensualidade inconfundível de Keeps Me Satisfied, estão repletas de menções e clichés sobre o amor, do mais romântico ao mais lascivo, mas também sobre a alegria e a positividade. A expressão Put your hate away, que ciranda pelo space funk de Let’s Be Good to Each Other, é, talvez, o exemplo mais paradigmático desta impressão feliz que, a espaços, para ampliar a sensação de festa que Yellow Days certamente procurou incutir num alinhamento longo, mas que nunca satura, obedece a uma lógica sonora próxima do chamado discosound, feita com um elevado toque de modernidade, num ambiente algo psicadélico e que apela claramente às pistas de dança. 

Com nomes tão proeminentes como Howlin’ Wolf e Ray Charles como influências declaradas e repleto de diversos interlúdios feitos apenas à boleia da voz, com destaque para a enigmática Pot Party (The trippers, the grasshoppers, the hip ones, all gathered in secrecy, and flying high as a kite), A Day In A Yellow Beat  proporciona-nos uma experiência sensorial única e até intrigante, já que cada audição é uma janela de oportunidade que se abre para descobrir mais um efeito, uma nuance, um flash, uma corda, um sopro ou uma nota que ainda não tinha sido captada pelo nosso âmago.É um disco criado por uma das personagens mais queridas da indie britânica atual e que se expôe bem menos caótico e confuso do que antes e mais aprumado e organizado, fruto, certamente, de uma nova dinâmica existencial certamente mais feliz e que este A Day In A Yellow Beat claramente exala. Espero que aprecies a sugestão...

Yellow Days - A Day in a Yellow Beat

01. Intro
02. Be Free
03. Let You Know
04. (The Outsider)
05. Who’s There? (Feat. Shirley Jones)
06. Getting Closer
07. Come Groove (Interlude)
08. Keep Yourself Alive
09. Open Your Eyes (Feat. Nick Walters)
10. ! (Feat. Bishop Nehru)
11. (Pot Party)
12. Keeps Me Satisfied
13. You
14. (What Goes Up Must Come Down)
15. The Curse (Feat. Mac Demarco)
16. Let’s Be Good To Each Other
17. Whatever You Wanna Do
18. Something Special (Interlude)
19. So Lost
20. I Don’t Mind
21. (Mature Love)
22. Treat You Right
23. Love Is Everywhere

 

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publicado por stipe07 às 13:21

Time For T - Simple Songs for Complicated Times EP

Sexta-feira, 04.09.20

Gravado, de acordo com a própria banda, durante o mais recente período de confinamento resultante da situação pandémica global e com início numa caravana que assentou arraiais nos arredores de Lagos, Simple Songs For Complicated Times é o novo EP dos Time For T, um projeto nacional mas com raízes em Inglaterra, mais concretamente em Brighton. Na sua génese está Tiago Saga, um jovem com genes britânicos, libaneses e espanhóis e que cresceu no Algarve. Enquanto estudava composição contemporânea na Universidade de Sussex, Inglaterra, Tiago Saga foi criando a sua própria sonoridade assente na world music e na folk rock anglo-saxónica com outros músicos que foi conhecendo e com quem foi partilhando as mesmas inspirações, nomeadamente Joshua Taylor, Felipe Bastos e Juan Toran, os seus parceiros nestes Time For T.

Time For T antecipa edição de EP com “Qualquer Coisa” – Glam Magazine

Simple Songs for Complicated Times foi pensado, inicialmente, para ser uma coleção de canções feitas apenas com voz e guitarra, mas Saga acabou por pedir aos outros membros da banda e a alguns amigos que se encontravam em quarentena, para adicionarem as suas partes, porque cada um tinha a possibilidade de gravar em casa. O resultado é um tomo de canções feitas em português, inglês e espanhol e que nos cativam quase instantaneamente, não só porque, sonoramente, é um registo radiante, repleto de luminosas cordas,  

Aquela viola que ciranda por Fire On The Mountain, uma composição cuja crueza e imediatismo acústicos nos obrigam a fazer um sorriso fácil de orelha a orelha, a doce intimidade convidativa e sincera que plasma Brighton (Clumsy), o divertido aconchego de Manteiga, um tema que fala da experiência pessoal de Tiago por voltar a viver em Portugal e, paralelamente, daquela situação onde todos nós já nos encontramos, quando estamos sem tempo ou energia para fazer tudo aquilo que queremos e o minimalismo reconfortante, asim como o violino eloquente de Qualquer Coisa, um tributo à vida boémia, em toda a sua glória e comédia trágica, contendo uma lista de observações da vida em Portugal, mais concretamente em Lisboa, na altura dos Santos. são momentos maiores de um alinhamento que, no geral, balança num timbre luminoso de diversas cordas que se entrelaçam harmoniosamente com um jogo vocal repleto de interseções, uma salutar acusticidade, que nos oferece, de modo particuarmente impressivo e como a própria banda com clareza define bem melhor do que nós, um cardápio sonoro eclético que se abre em leveza aos hemisférios e meridianos, trazendo as praias, as florestas e os desertos à humanidade. Uma viagem imperdível à incandescência da música livre. É mesmo isto. Espero que aprecies a sugestão...

 

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publicado por stipe07 às 14:19

Golf Alpha Bravo – The Sundog

Quarta-feira, 15.07.20

Chega da Austrália um dos discos mais interessantes e convidativos deste início de verão. Chama-se The Sundog, é o registo de estreia da carreira a solo de Gab Winterfield, guitarrista e vocalista dos Jagwar Ma e foi editado pela própria etiqueta do músico, a Treasured Recordings Label. The Sundog contém onze canções e no regaço delas viajamos espacial e temporalmente, até à melhor herança do rock psicadélico setentista, uma epopeia pincelada com impressivos tiques do melhor jazz e do melhor blues que são possíveis conferir na história mais recente da música contemporânea, uma espécie de surf blues inspirado pelas vivências pessoais de Gab durante a sua infância e adolescência na zona costeira australiana perto de Sidney, onde cresceu.

Jagwar Ma's Gab Winterfield shares debut solo album as Golf Alpha ...

The Sundog é um daqueles discos que se escutam com o mesmo prazer com que se encosta uma concha ao ouvido e se finge que durante esse ato tão simples, mas também simbólico, se consegue escutar todo o vasto oceano que está defronte de nós e os seres que nele habitam e que stornam, através desse ato tão simples, nossos amigos e confidentes. Se nos Jagwar Ma Gab viajou pelo mundo inteiro, cantou em Coachella ou Glastonbury e conheceu o lado mais frenético daquilo que é a vida cheia e confusa de uma pop star, The Sundog funciona para o autor como um disco de recolhimento, uma tentativa de regresso à terra, às origens e à simplicidade onde cresceu e que o moldou. E de facto, os trinta e oito minutos do disco são bem sucedidos nessa função de auto recolhimento. Para o ouvinte também podem causar resultados similares já que se trata de um registo descomplicado e prazeirento. Nele, à boleia de explorações sonoras eminentemente minimalistas, feitas apenas com o baixo, a viola e a bateria, são criados pontos de interseção seguros e estreitos entre o rock e o jazz, sempre com uma toada eminentemente lo fi e psicadélica, que até nem dispensou alguns artifícios caseiros de gravação. O resultado tanto leva a nossa mente a viajar pela imensidão cósmica, como a embrenhar-se nas profundezas da nossa célula mais minúscula, sendo o disco perfeito para tratar da necessidade primária que todos nós temos, de longe a longe, fugir ao ritmo alucinante desta modernidade que nos absorve, enquanto acende nos nosso corações algumas fogueiras em redor das quais nos sentamos juntamente com todas as faces da nossa individualidade, com o propósito claro de encontrar as melhores saídas para os dilemas que nos afligem ou, simplesmente, usufruir da companhia de todas as vertentes do nosso eu.

The Sundog provoca, de imediato, um sorriso inconsciente, porque não só se escuta de um só travo, quase sem se dar por isso, mas também porque está recheado de canções otimistas, alegres e, sem deixarem de ter o indispensável conteúdo reflexivo e intimista que está sempre subjacente a um alinhamento que quer deixar uma marca enquanto se debruça sobre alguns dos dilemas existenciais típicos da adolescência, sejam eles mais ou menos incisivos no modo como regem a nossa presença neste mundo.

Assim, e olhando de modo mais concreto para as canções de The Sundog, se Stuck Being Me é uma daquelas composições que automaticamente nos colocam a refletir acerca daquilo que é o nosso eu e se está tudo bem ou não com ele, já Unwind é o tema perfeito para nos deixar a divagar, enquanto nos deixamos seduzir por uma brisa leve e aconchegante que nos leva sabe-se lá para onde. Já completamente absorvidos por um início de alinhamento tão intenso e incandescente, levamos um soco no baixo ventre quando entra pelos nossos ouvidos o baixo narcótico em que navega Blue Wave, canção que, quanto a mim (e como ninguém vai ler isto, posso dizê-lo abertamente), tem na sua génese tudo para ser sexualmente bastante apelativa e funcionar como um verdadeiro e eficaz estimulante. Na verdade, quer esta Blue Wave, quer a mais espraiada Rainbow Island, parecem uma espécie de parelha inseparável, dois temas que se enrolaram sem apelo nem agravo, envoltos numa sonoridade que faz com que pareçam ter estado presas num qualquer transítor há várias décadas e que finalmente libertadas com o aconchego que a evolução tecnológica destes dias permite, ficaram disponíveis algures num assento almofadado virado para uma solarenga praia, no início daquela madrugada que todos vivemos uma vez na vida, ou na cama mais confortável lá de casa, com vista para um vasto oceano de questões existenciais, que entre o arrojado e o denso, oferece-nos uma estadia de magia e delicadeza invulgares.

Até ao final aguardam-nos muitas outras surpresas e instantes de difícil mas bastante acessível e recompensadora catalogação sonora, que experimentados à boleia do hipnótico cinismo de Comet Loop, da simplicidade crua e boémia de Love In The Clouds e da exuberância e majestosidade de Groove Baby Groove, permitem-nos a absorção plena e dedicada de uma assumida quietude algo celestial, onde o retro se confunde com charme, uma simbiose à qual é impossível ficar indiferente, até porque se situa num patamar superior de abrangência.

The Sundog tem aquele groove que não deixa ninguém indiferente e um conteúdo, quer lirico, quer instrumental, suficientemente sólido para oferecer ao ouvinte uma experiência auditiva particularmente marcante e imersiva, mas também para o fazer sentir-se rodeado de sensações amenas e relaxantes É, no fundo, uma mistura equilibrada, sóbria e bem sucedida entre o passado e o presente e uma épica jornada de conforto e prazer perfeita para um verão que exige festa e alegria incontrolados, mas também períodos de recolhimento e revisão pessoal. Espero que aprecies a sugestão...

Golf Alpha Bravo - The Sundog

01. Stuck Being Me
02. Unwind
03. Blue Wave
04. Rainbow Island
05. Groove Baby Groove
06. Love In The Clouds
07. Mo’ Clouds
08. Golden Deep
09. Comet Loop
10. Night Glow Drip
11. Dream Baker

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publicado por stipe07 às 15:48

Birds Are Indie - Migrations – The Travel Diaries #1

Segunda-feira, 06.07.20

Já viu a luz do dia Migrations – The Travel Diaries #1, o quinto álbum dos conimbricenses Birds Are Indie de Joana Corker, Ricardo Jerónimo e Henrique Toscano, um registo de dez canções abrigadas pela Lux Records e que celebram a mesma quantidade de anos de um dos projetos nacionais mais queridos nesta redação, porque transmitem com as suas composições sonoras um rol de emoções e sensações únicas, sempre com intensidade e minúcia, mas também misticismo e argúcia e geralmente com uma serenidade extraordinariamente melancólica e bastante contemplativa.

Birds Are Indie apresentam "Migrations - the travel diaries #1 ...

Migrations – The Travel Diaries #1 tem a curiosidade de ver a luz do dia em duas edições distintas, uma em CD que surgiu nos escaparates em abril e outra em vinil, que chegrá lá para setembro. Ambos os formatos contam com a revisita de cinco canções da discografia anterior da banda, reinterpretadas e regravadas no estúdio Blue House, em Coimbra, mais cinco originais.

Com mistura e masterização de João Rui, todos os temas de Migrations– The Travel Diaries #1 tiveram a participação no baixo e em algumas teclas do convidado especial Jorri (a Jigsaw), que também colaborou na gravação. Liderar esse processo, como habitualmente, ficou a cargo de um elemento da banda, Henrique Toscano e o mesmo aconteceu com o artwork e o design, feitos pela mão da Joana Corker, modus operandi muito semelhante a Local Affairs, o registo que os Birds Are Indie editaram há dois anos atrás.

Uma década parece uma eternidade mas é um facto que parece que foi ontem que este lindíssimo projeto conimbricense deixou em sentido os mais atentos com a edição do EP Love Birds, Hate Pollen, um tomo de cinco canções que nos ofereceram, desde logo, tonalidades pop vibrantes de primeira água, tendo como grande elementos indutor de imensa magia e encantamento, as cordas. A partir daí, registo após registo, os Birds Are Indie foram dando passos consistentes num percurso que até nos foi habituando a algumas inflexões e salutares piscares de olho ao rock, ao blues e ao jazz, mostrando que o trio está sempre atento às novas tendências e disposto a manipulá-las em proveito próprio, dentro daquela indie folk assente em cordas exuberantes, melodias aditivas e arranjos inspirados, uma fórmula que cria um ambiente emotivo e honesto e que nunca descura um elevado espírito nostálgico e sentimental, duas caraterísticas bastante presentes na escrita e na composição deste grupo.

The Travel Diaries #1 é, no fundo, um registo de balanço de todo este percurso estilístico e conceptual, um trabalho que vagueia e passeia por estes dez anos, mas que também nos oferece algumas pistas importantes acerca do futuro do projeto. O single Black (or the art of letting go), que foi selecionado há alguns meses para nos entreabrir a portas de The Travel Diaries #1 contém, de facto, essa marca viajante sendo, sonoramente, uma composição que, como os próprios Birds Are Indie descrevem, mostra uma determinação materializada num ritmo tenso e intenso, em guitarras sujas e teclados acutilantes, ou seja, que acaba por fazer uma espécie de súmula de tudo aquilo que foi inspirando o projeto no processo de composição e que depois, na letra, nos permite contemplar, no imediato, uma ironia gerada pelo contraste, algo tão característico dos Birds Are IndieNo refrão e a terminar a música, ouve-se repetidamente: «I never said it's over, I'll never say I want you back». E é nesta decidida indecisão que se inicia mais uma viagem...

Em suma, a simplicidade com que os Birds Are Indie transmitem um rol sensações particularmente vasto e sem se preocuparem com o modo como possam ser catalogados, é, talvez, o maior atributo deste grupo, que também impressiona pela graça como os seus membros combinam e manipulam, com sentido melódico e lúdico, a estrutura de uma canção. Muitas vezes parece um esforço indisciplinado, infantil e claramente emocional, mas acaba por ser bem sucedido porque, entre a pop luminosa de I won't take it anymore ou a nostalgia de Time to make amends, além do rock vintage sessentista de Needless to Say e o de cariz mais jazzístico, audível nas teclas do piano que conduzem The senior dancer, sem descurar alguns aspetos essenciais do american rock, claramente esplanados em We're not coming down e na refrescante e encantadora Instead of watching telly, somos presenteados com diversos piscares de olho à história do rock nas últimas décadas, havendo sempre espaço para o sarcasmo e o humor que tão bem carateriza a dupla que lidera este projeto, conduzido por três inspirados músicos que se movem entre o preto, o branco e a cor, entre a luz e a sombra, entre a contenção e a explosão, entre a protecção oferecida pela tela e a crueza da máxima exposição. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 10:18

Glass Animals – Dreamland

Sábado, 02.05.20

Glass Animals - Dreamland

No próximo dia dez de julho chegará aos escaparates Dreamland, o terceiro registo de originais dos britânicos Glass Animals, álbum que sucede ao aclamado compêndio How To Be A Human Being e que, de acordo com informações recentemente divulgadas, será um disco de forte cariz autobiográfico e bastante inspirado num acidente que quase paralisou o baterista da banda Joe Seaward e marcou imenso quer o próprio, quer os seus companheiros, o vocalista Dave Bayley, o guitarrista Drew MacFarlane e o baixista Ed Irwin-Singer.

Em julho de dois mil e dezoito Joe foi atropelado por um camião em Dublin enquanto andava de bicicleta e além de ter ficado com múltiplas fraturas numa perna, teve uma grave lesão craniana que o levou duas vezes à mesa de operações e que o fez perder algumas das suas faculdades psíquicas e partes da sua memória, obrigando-o a um longo e doloroso processo de fisioterapia, de modo a recuperar do evento.

O primeiro single retirado de Dreamland, o novo álbum da banda de Oxford, é o tema homónimo do disco, um tratado de pop eletrónica algo viciante e hipnótico, onde abundam harmonias vocais belíssimas, que se espraiam lentamente pela canção e se deixam afagar livremente pelo manto sonoro que as sustenta. Também já se conhece o vídeo de Dreamland, gravado por Dave integralmente através da plataforma zoom e que replica genuinamente o cariz intimista e marcante da composição. Confere...

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publicado por stipe07 às 21:21

Balthazar – Halfway

Terça-feira, 11.02.20

Balthazar - Halfway

O excelente registo Fever ainda não tem um ano de existência, mas os belgas Balthazar mantêm-se criativamente ativos, estando de regresso no início deste ano aos lançamentos discográficos, em formato single, com Halfway, um tema que acaba de ver a luz do dia através da etiqueta Play It Again Sam e que foi idealizado por Jinte Deprez e Maarten Devoldere, as duas grandes mentes criativas do projeto.

Incubada durante a recente digressão de promoção a Fever e com muitas das nuances que marcaram esse trabalho que o grupo belga lançou em dois mil e dezanove, Halfway é uma composição melodicamente charmosa e com uma soul muito própria, assente num travo R&B algo peculiar, abrigado por uma linha de baixo plena de groove e adornada por deliciosos falsetes e diversos arranjos de elevado apuro melódico e onde as teclas são protagonistas. Confere...

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publicado por stipe07 às 12:47

Destroyer – Have We Met

Terça-feira, 04.02.20

Abrigado pela insuspeita Merge Records, Have We Met é o décimo terceiro e novo registo discográfico dos canadianos Destroyer de Dan Bejar, um músico que também está escalado na formação dos The New Pornographers e que não gostando de lutar contra o tempo e não aprecia estipular prazos, prefere que a música escorra na sua mente e depois nas partituras e nos instrumentos de modo fluído, no devido timing e com a pressa que merece, sempre com uma tonalidade algum cinzenta e agreste e eminentemente reflexiva.

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Fortemente influenciado pela banda-sonora de filmes dos anos oitenta, como O Sol da Meia-Noite (1985) e A Garota de Rosa Shocking (1986), produzido pelo carismático John Collins (The New Pornographers, Tegan and Sara) e sucessor do excelente Ken, editado há pouco mais de três anos, Have We Met é um disco algo intrincado, mas bastante sedutor, um dobrar de esquina consistente e apurado, mesmo sendo o trabalho recente dos Destroyer que mais se aproxima da herança atmosférica da obra-prima Kaputt (2011). Tal sucede porque é feito por um grupo que também já habituou os seus fãs a um espetro rock onde não faltavam de guitarras distorcidas e riffs vigorosos, mas que opta agora, e mais do que nunca, num claro sinal de maturidade e de pujança criativa, por compôr composições que olham de modo mais anguloso para a eletrónica e para ambientes eminentemente clássicos, fazendo-o com superior apuro melódico. São, portanto, composições conduzidas por uma ímpar diversidade instrumental, com o modo como as teclas do piano são enormes protagonistas, a meias com a guitarra maravilha de Nicolas Bragg, a serem dis trunfos maiores deste modus operandi com elevado charme quilate.

De facto, quando Bejar e Collins começaram a fermentar artesanalmente o conteúdo de Have We Met, em sessões noturnas de captação e gravação na própria cozinha de Bejar, a ideia inicial era desenvolver um conjunto de demos bastante inspiradas em alguma da melhor herança de nomes como Björk, Air, ou Massive Attack, captadas durante as sessões de gravação do próprio Kaput e do registo Poison Season, de dois mil e quinze. No entanto, depressa perceberam que seguir tal permissa seria distanciar-se demasiado do adn dos Destroyer e, felizmente, optaram por uma espécie de simbiose do melhor desses dois mundos. O resultado final, bastante burilado e tremendamente bem conseguido, proporciona-nos um clima eminentemente sofisticado, claramente clássico e moderno, um disco intenso e que joga com diferentes nuances sonoras sempre com um espírito aberto ao saudosismo e à relevância inventiva.

Canções como a fluída e magnânima Crimson Tide, o abundante jogo de sobreposições que edifica Kinda Dark, a delirante cândura celestial em que levitam os sons fantasmnagóricos de The Television Music Supervisor, um tema sobre as inquietações de alguém que está prestes a morrer, o clima retro eminentemente oitocentista que sustenta The Raven, o picotar melódico a que sabe Cue Synthesizer e o mistério lírico que se entranha nas diferentes camadas sintéticas de Foolsong, além de também piscarem o olho a latitudes sonoras mais consentâneas com as tendências atuais do espetro sonoro em que os Destroyer se movimentam, enriquecem tremendamente o cardápio sonoro do projeto e elevam-no a um novo estatuto, como banda fundamental do indie rock alternativo contemporâneo. Espero que aprecies a sugestão...

Destroyer - Have We Met

01. Crimson Tide
02. Kinda Dark
03. It Just Doesn’t Happen
04. The Television Music Supervisor
05. The Raven
06. Cue Synthesizer
07. University Hill
08. Have We Met
09. The Man In Black’s Blues
10. Foolssong

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publicado por stipe07 às 16:33

Loosense - Saloon

Quarta-feira, 01.01.20

Enorme família sedeada em Setúbal e formada por Pedro Nobre, João Completo, Iúri Oliveira, Gonçalo Mahú, Diogo Costa, Diogo Marrafa, Rafael Gil, José Zambujo, Rúben Silva e Ivo Rodrigues, os Loosense são um dos projetos mais interessantes do jazz contemporâneo nacional, aquele jazz corajoso e irrequieto, que irrompe fronteiras e convenções, porque ousa cruzar-se com alguns dos arquétipos fundamentais do indie rock de início da segunda metade do século passado, uma espécie de funk jazz rock que se estreou no verão de dois mil e dezoito com Doze e que, pouco mais de um ano depois, nos oferece Saloon, o segundo alinhamento de canções do projeto e cujo nome homenageia o espaço onde os Loosense ensaiam desde dois mil e catorze, ano em que se formaram.

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Gravado, tal como Doze, no Estúdio Vale de Lobos em Sintra, no verão de dois mil e dezoito, Saloon está recheado de composições astutas, no modo como conseguem ser indutoras de paisagens multicoloridas, telas impressivas que se instalam quase instantaneamente na mente de quem se predispõe a uma escuta dedicada e atenta deste Saloon. Para que isso suceda, guitarras que fluem livremente, sopros bem vincados e uma vasta panóplia percurssiva, onde o baixo assume, muitas vezes, o protagonismo maior, são fortes aliados, amigos que dão as mãos firmemente enquanto entroncam no desejo do coletivo em materializar essa impressão e, ao mesmo tempo, encarnar um forte ensejo de oferecer algo de positivo e marcante ao ouvinte. 

Os sopros melancólicos e esvoaçantes de Capitol e o modo como, em particular, no primeiro tomo dessa composição, se deixam embalar pelo piano, o modo incrível como, no capítulo seguinte, a guitarra flamenga nos instiga, sacode e provoca, através de Marco Alonso, um mestre interpretativo deste intrumento de cordas único, a charmosa eletrónica ambiental que arquiteta Flamingo, o profundo e inebriante pendor festivo de Dabox e o anguloso piscar de olhos a uma vibe funk tropicalista em Tokyo, são apenas alguns dos instantes maiores de um registo composicionalmente interessantíssimo e de um inconformismo estético irrepreensível. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 20:46

Time For T - Galavanting

Terça-feira, 31.12.19

Gravado, de acordo com a banda, por acidente e tendo como ponto de partida um conjunto de demos captadas numa carvana durante o ano de dois mil e dezoito, numa viagem ao Algarve, Galavanting é o novo registo de originais dos Time For T, um projeto nacional mas com raízes em Inglaterra, mais concretamente em Brighton. Na sua génese está Tiago Saga, um jovem com genes britânicos, libaneses e espanhóis que cresceu no Algarve. Enquanto estudava composição contemporânea na Universidade de Sussex, Inglaterra, Tiago Saga foi criando a sua própria sonoridade assente na world music e na folk rock anglo-saxónica com outros músicos que foi conhecendo e com quem foi partilhando as mesmas inspirações, nomeadamente Joshua Taylor (baixo), Martyn Lillyman (bateria), Oliver Weder (teclas), os seus parceiros nestes Time For T.

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Sucessor do excelente Hoping Something Anything, disco editado no início do outono de dois mil e dezassete, Galavanting tanto deambula pela folk como pelo rock psicadélico e nesse balanço, lá pelo meio, tanto piscam o olho à tropicália, como é o caso das batidas e dos arranjos de Naima e Eyes, como ao próprio jazz, exuberante nos devaneios percurssivos de Pink Marshmallows e no clima enevoado das cordas que conduzem Calling Back, indo também até ao blues experimental em Practically, uma canção com raízes na Índia, aquele rock mais boémio, audível em You Seem Intelligent, um modus operandi melodicamente acessível, sem deixar de exalar profundidade lírica e um charme genuíno.

Gravado e produzido por Juan Torán e misturado por Hugo Valverde, Galavanting representa bem aquele espírito intuítivo, orgânico e crú que carateriza a filosofia criativa destes Time For T que sabem melhor do que ninguém como fazer transparecer musicalmente todas as experiências de vidaque vão moldando a personalidade quer dos músicos quer da própria banda como um todo. Espero que aprecies a sugestão...

 

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publicado por stipe07 às 16:53

Richard Ashcroft – Have Yourself A Merry Little Christmas

Segunda-feira, 16.12.19

Richard Ashcroft - Have Yourself A Merry Little Christmas

Com o aproximar do Natal é usual haver alguns lançamentos discográficos alusivos à época e Richard Ashcroft, vocalista dos The Verve, acabou por aderir a esta tendência com a recente divulgação da sua versão do clássico Have Yorself A Merry Little Christmas. Este é um original de mil novecentos e quarenta e três, assinado por Hugh Martin e Ralph Blane e interpretado pela primeira vez porJudy Garland, no ano seguinte, no musical da MGM, Meet Me in St. Louis, uma canção já celebrizada por nomes como Frank Sinatra, Tori Amos, Bob Dylan e, mais recentemente, Sam Smith e os Coldplay.

Na sua reinterpretação deste clássico, Richard Ashcroft apostou numa toada tipicamente blues e jazzística, num resultado final repleto de charme, com o timbre da guitarra, o tom grave da sua voz e uma seleção de arranjos de índole classicista a conferirem ao tema uma feliz sensação de magia e cor, como é apanágio deste época única do ano. Confere...

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publicado por stipe07 às 21:31






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