Sexta-feira, 22 de Março de 2019

Be Forest – Knocturne

Knocturne foi lançado há algumas semanas à boleia da We Were Never Being Boring, uma editora já com um catálogo bastante interessante e importante para várias bandas underground e que ainda procuram chegar a um lugar de relevo no universo sonoro alternativo. Falo do novo registo de originais do fabuloso projeto italiano Be Forest, oriundo de Pesaro, uma pequena cidade na costa do Adriático e um viveiro cultural onde, nos últimos, anos, têm despontado algumas bandas promissoras. Formados atualmente por Costanza Delle Rose (baixo e voz), Erica Terenzi (bateria e voz) e Nicola Lampredi (guitarra), este grupo do país dos césares estreou-se nos discos no início desta década com Cold, um trabalho que chamou a atenção por plasmar uma forte influência de um nome tão fundamental como os Cure. Depois, Heartbeat, o sempre difícil segundo álbum, chegou quatro anos após esse promissor arranque e agora, mais ou menos após o mesmo hiato temporal, foi editado este Knocturne, um registo com nove canções produzido e misturado pela própria banda com a ajuda de Steve Scanu e masterizado por Josh Bonati.

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Knocturne é o disco mais ambicioso, rico, cru e atmosférico do catálogo dos Be Forest, um trio conhecido por apostar numa filosofia sonora que centra esforços em aproximações a um indie rock com uma componente eminentemente etérea e contemplativa e que tem impressionado pelo bom gosto com que, nos alinhamentos já criados, se cruzam vários estilos e dinâmicas sonoras, com o lo fi a servir de elemento aglutinador das várias influências do trio. Knocturne não foge, portanto, a esta regra mas, honra seja feita ao seu conteúdo, assume-se como um registo mais ambicioso e amplo no modo como permite ao ouvinte contemplar não só uma pafernália alargada de sensações em que o cósmico e o espiritual são presenças imponentes, como é o caso do single Bengala, uma canção vibrante e fortemente intuitiva, mas também onde não falta um certo groove altivo e revigorante, não só plasmado na distorção aguda da guitarra de Alto I, mas também no vasto rol de efeitos que vagueiam por Empty Space e, principalmente, na percurssão de Gemini, uma composição com uma progressão quase incontrolada e que coloca os Be Forest mesmo na fronteira de um rock progressivo onde o experimentalismo das cordas distorcidas dita, como é óbvio, a sua lei.

Os Be Forest têm no seu ADN bem vincada a vontade de calcorrear uma imensidão de territórios sonoros e este Knocturne mostra que o fazem com uma maturidade imensa, assente em melodias que fazem levitar quem se deixar envolver pelo assomo de elegância contida e pela sapiência melódica do seu conteúdo. Ouvir este disco é uma experiência diferente revigorante e a oportunidade de contatar com um conjunto de canções que transbordam uma aúrea algo mística e espiritual, reproduzidas por um grupo que sabe como o fazer de forma direta, pura e bastante original. Espero que aprecies a sugestão...

Be Forest - Knocturne

01. Atto I
02. Empty Space
03. Gemini
04. K
05. Sigfrido
06. Atto II
07. Bengala
08. Fragment
09. You, Nothing


autor stipe07 às 12:54
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Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2017

Porcelain Raft – Microclimate

Depois de Strange Weekend (2012) e Permanent Signal (2013), Remiddi, um italiano nascido em 1972 e a viver em Nova Iorque, está de regresso com o seu projeto Porcelain Raft, fazendo-o à boleia de Microclimate, doze canções gravadas pelo músico em los Angeles, cidade californiana onde também foram misturadas por Chris Coady, tendo sido masterizadas já na costa leste por Heba Kaby.

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Remiddi é, claramente, um caso especial no universo sonoro indie e alternativo, pois pertence a uma geração que sempre se colou a uma sonoridade mais rock ou, pelo menos, algo distante do som típico deste projeto que batizou de Porcelain Raft. Depois do inebriante EP de estreia, Curve, de 2010, e principalmente do EP seguinte, Gone Blind, de 2011, este projeto foi ganhando respeito no seio da crítica devido às colagens eletrónicas, as vozes enigmáticas e o clima soturno das suas composições, com os dois discos anteriores a este Microclimate não só a confirmarem as enormes expetativas de elevada bitola qualitativa do projeto, mas também a alargarem a amplitude e a abrangência sonora do mesmo.

Assim, e porque o cardápio sonoro de Porcelain Raft é cada vez mais heterógeneo e abrangente convém, antes de colocar um olhar e um ouvido clínicos em Microclimate, fazer uma espécie de exercício de auto contextualização e definir sobre que prisma queremos interpretar estas doze canções. Perceber a forma como cada um de nós observa a música pode ser um exercício interessante. Para alguns apenas importa a sonoridade, para outros o importante são as letras e ainda há aqueles que deliram com pequenos pormenores instrumentais. Há ainda quem procure a expressão de sentimentos, se a música te faz deprimir, rir, saltar ou dançar. Se juntarmos a isso o que está na moda, aquilo que são as tendências, tudo se baralha ainda mais. Depende de tudo, como é óbvio. Porcelain Raft está também condicionado, como não podia deixar de ser, por esta visão caleidoscópica da música e acaba por nos contagiar também com tal abrangência.

Portanto, em Microclimate, a primeira pedra do edifício que Porcelain Raft escolheu para sustentar a sua música é aquela dream pop muito colorida e reluzente, ora mais tímida ora mais extrovertida, com as batidas e o clima de Kookaburra e Distant Shore, por exemplo, a colocarem os anos oitenta em ponto de mira e com Rising a perpetuar este olhar de um modo mais introvertido e sentimental. E depois, porque esse também é um aspeto primordial da sua filosofia melódica e interpretativa, deu elevado relevo à sua voz andrógena, que ajuda imenso a que tudo soe mágico e intenso em temros de nitidez no modo com expressa as sensações que a sua escrita pretende transmitir. Em Big Sur, canção inspirada numa localidade com o mesmo nome da Califórnia que Remiddi visitou e que o inspirou para este disco, é exemplar o modo como ele implora a uma terceira pessoa que regresse do casulo onde vive e o acompanhe vida fora e no mundo real, porque tudo irá ficar bem de novo (before you know it, all the answers are on the way).

Microclimate é o termo científico utilizado para designar uma área relativamente pequena cujas condições atmosféricas diferem da zona exterior e que surgem porque há barreiras geomorfológicas ou elementos naturais que confinam tal espaço. Remiddi terá escolhido este título para o seu terceiro álbum porque quer que cada uma das canções do seu alinhamento tenha uma identidade própria e única e que cada uma delas nos transporte para um universo psicossomático diferente e inédito. Missão cumprida. Espero que aprecies a sugestão...

Porcelain Raft - Microclimate

01. The Earth Before Us
02. Distant Shore
03. Big Sur
04. Rolling Over
05. Rising
06. Kookaburra
07. The Greatest View
08. Bring Me To The River
09. Accelerating Curve
10. The Poets Were Right
11. Zero Frame Per Second
12. Inside The White Whale


autor stipe07 às 18:16
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Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2016

Nosound – Scintilla

Os italianos Nosound são vistos como uma das mais influentes bandas de alt/art rock da Europa, já que combinam, com particular mestria, influências que vão da psicadelia setentista de século passado ao rock alternativo da década seguinte, passando por alguns dos traços mais caraterísticos do rock progressivo atual. Este projeto começou a solo em 2005, pelas mãos de Giancarlo Erra, mas rapidamente cresceu para uma banda de cinco músicos, com Marco Berni, Alessandro Luci, Paolo Vigliarolo e Giulio Caneponi a serem os companheiros atuais de Erra nesta aventura, que também já contou com os músicos Paolo Martellacci, Gigi Zito, Gabriele Savini e Mario Damico.

Uma sonoridade intensa e bastante evocativa encabeçada por nomes tão distintos como Brian Eno e Pink Floyd por um lado ou Sigur Rós e Porcupine Tree por outro, é aquela que abastece Scintilla, o nome do quinto e novo registo de originais destes Nosound, dez canções embrulhadas por uma produção impecável e que nos emergem numa intensa catarse de letargia sentimental proporcionada com apurado bom gosto.

Logo na introdutória Short Story sentimos nos ombros toda a carga emocional do universo Nosound. Logo depois, na cândura vocal de Erra e na beleza melancólica de Last Lunch, que nos conserva e nos alivia, somos clarificados acerca do enorme poder que a música pode ter no nosso amago e no modo como remexe com causas que achávamos perdidas e convenções que eram, para o nosso cerne, verdades insofismáveis.

A música de Scintilla possibilita este abanão estimológico, numa espécie de profecia que abrigada pelas asas onde planam os metais de Little Man ou pela guitarra que divaga em Sogno E Incendio, nos faz crer que nem sempre tudo aquilo que julgamos resolvido, para o bem ou para o mal, não possa ser visto de uma outra perspetiva e acabar por ser alvo de uma diferente abordagem. A eternidade que dura cada nota da guitarra deste último tema dá-nos o fôlego suficiente para nos apropriarmos daquela réstia de coragem que falta para que tudo se revire e em The Perfect Wife o modo como o baixo oscila entre o querer estar no primeiro plano do processo de construção melódica e, a partir de determinado ponto, numa posição de menor protagonismo, cimenta esta ténue fronteira entre aquilo que é o que é, mas nem sempre é o que realmente parece ser. A própria atmosfera do tema homónimo e os raios de luz que o piano e a distorção da guitarra nos oferecem nessa canção, traduzem este sentimento que se baseia num misto de eterna dúvida acerca das felizes certezas que vamos construindo e na nossa predisposição para não fazermos de conta que a vida é mesmo assim, um constante sobressalto para quem se resigna a viver numa realidade de confortáveis aparências. Espero que aprecies a sugestão...

Nosound - Scintilla

01. Short Story
02. Last Lunch
03. Little Man
04. In Celebration Of Life
05. Sogno E Incendio
06. Emily
07. The Perfect Wife
08. Love Is Forever
09. Evil Smile
10. Scintilla


autor stipe07 às 17:49
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Quinta-feira, 15 de Outubro de 2015

a violet pine - Turtles

A vinte e três de setembro chegou aos escaparates, por intemédio da T.a. Rock Records, Turtles, o segundo disco dos italianos a violet pine, uma banda italiana que se divide entre Barletta, Bergamo e Milão e formada por Giuseppe Procida, Pasquale Ragnatela e Paolo Ormas e que aposta no post rock com pitadas de shoegaze no processo de composição melódica.

Nos a violet pine não existem limites, regras e concessões para o ruído, na mesma proporção da ausência de caos para a expansão do mesmo. Uma guitarra a desafiar permanentemente os limites do que é humanamente audível, mas sempre com um consistente entalhe melódico, um baixo cuja vibração das cordas parece ter sido captada no fundo da gruta mais escura e cavernosa a que a banda teve acesso, uma bateria tão crua como a força de um braço quando bate sem receio da dor e sintetizadores que nunca reclamam no instante de oferecer efeitos abrasivos, constituem a mistura instrumental nada anárquica, mas bastante heterogénea de que este trio se serve no momento de compôr. Estes são, claramente, todos os vetores sonoros que têm orientado a carreira dos a violet pine e Turtles sobrevive à luz dessa base sonora bastante peculiar e climática, com propostas ora banhadas por um doce toque de psicadelia a preto e branco, nomeadamente o espetacular single New Gloves, ora consumidas por um teor ambiental denso e complexo, como se confere no ranger metálico de New Game, ou no emaranhado de batidas e efeitos que sustentam o tema homónimo.

Independentemente da abordagem que é feita em cada canção e que varia imenso, com Have Fun, por exemplo, a piscar o olho a uma toada mais comercial e acessível, o que este disco nos oferece sem rodeios é um indie rock fulgurante, visceral infeccioso e incisivo, claramente marcado pela nostalgia dos anos oitenta, quase sempre envolvida numa embalagem frenética, embrulhada com vozes e sintetizadores num registo predominantemente grave, sombrio e ligeiramente distorcido.

Além de The Game, o tema de abertura, ser uma excelente porta de entrada para Turtles, porque contendo uma riqueza instrumental imensa, é também uma canção algo assustadora, friamente dividida em várias secções que, à medida que surgem, ampliam o cariz sombrio da canção e engrandecem o clima da mesma, Last Year é outra composição de audição imprescindível para se perceber como funcionam e se clarificam as transições sonoras em que os a violet pine apostam, notando-se a experimentação de diferentes estilos, com ecos bem audíveis de post punk e até uma faceta algo gótica, à qual não sera alheia a forte herança deixada por projetos como os Depeche Mode, se bem que estes italianos fazem-no com um forte carimbo experimental.

É evidente a mestria com que os a violet pine executam aquilo que pretenderam arquitetar em Turtles e impressiona a forma como enquadram todas estas referências num estilo muito próprio e inédito. Apreciar esta coleção algo invulgar de canções e todas as dinâmicas que propõe é um exercício auditivo simultâneamente complexo e recompensador, porque estamos na presença de uma amálgama sonora bastante calculada e muito bem construída. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:43
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Quarta-feira, 3 de Junho de 2015

A Violet Pine - New Gloves

A vinte e três de setembro irá chegar aos escaparates, por intemédio da T.a. Rock Records, Turtles, o segundo disco dos italianos A Violet Pine, uma banda italiana que se divide entre Barletta, Bergamo e Milão e formada por Giuseppe Procida, Pasquale Ragnatela e Paolo Ormas e que aposta no post rock com pitadas de shoegaze no processo de composição melódica.

New Gloves é o primeiro avanço divulgado de Turtles, um indie rock fulgurante, visceral infeccioso e incisivo, claramente marcado pela nostalgia dos anos oitenta, sustentado num baixo bastante grave, guitarras plenas de distorção e uma secção rítmica exemplar. Em setembro voltarei aos A Violet Pine para uma crítica completa a Turtles. Até lá, delicia-te com este single imperdível. Confere...

 


autor stipe07 às 17:34
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Sexta-feira, 13 de Março de 2015

Cairobi - Distan Fire EP

Com músicos da Inglaterra, México, Itália e Áustria, mas baseados atualmente em Londres, os Cairobi são Giorgio Poti, Salvador Garza, Stefan Miksch, Alessandro Marrosu e Aurelien Bernard, um coletivo que se lançou nos lançamentos discográficos com Distante Fire, um EP que viu a luz do dia a dezasseis de fevereiro.

Animados e melancólicos, mas plenos de energia e focados numa enorme dedicação à causa, estes Cairobi não complicam na altura de exaltar o retro, mesmo que nos dias de hoje exista já alguma saturação relativamente ao vintage e são um claro exemplo de que quando a música é boa, esse tipo de projeções e comparações tornam-se inócuos e a data da gravação pouco importa, sendo apenas um mero detalhe formal sem qualquer valor.

Zoraide é a canção que abre o alinhamento de Distante Fire, uma junção sónica e psicadélica de um verdadeiro caldeirão instrumental e melódico, um momento de pura experimentação, assente numa colagem de várias mantas de retalhos que nem sempre se preocupam com a coerência melódica e que, por isso e por ser extremamente dançável, deverá ser objeto do maior deleite e admiração. Esta é, acreditem, uma canção que desperta-nos para um paraíso de glória e esplendor e subjuga momentaneamente qualquer atribulação que nesse instante nos apoquente. Depois, o batuque e as cordas de Perfect Strangers convencem-nos definitivamente que estamos a escutar algo grandioso, mas sempre controlado, um sentimento plasmado num épico festim que parece implodir a qualquer instante e que o carrocel instrumental de Human Friend, consumindo-nos com um arsenal de efeitos, flashes e ruídos que correm impecavelmente ao longo da melodia, ajuda a cimentar.

O instrumental Please encerra o EP estendendo-se graciosamente por uma passadeira vermelha, à boleia de um belíssimo instante de folk psicadélica. Esta é a canção mais melancólica do EP, um ordenado caos, onde cada fragmento tem um tempo certo e uma localização e tonalidade exatas, seja debitado por um instrumento orgânico ou resultado de uma programação sintetizada e que prossegue a sua demanda triunfal até ao último segundo com insanidade desconstrutiva e psicadélica, onde também cabe aquela incontestável beleza e coerência dos detalhes que nos fazem levitar.

Com quatro canções que se sucedem articuladas entre si e de forma homogénea, com cada uma, sem exceção, a contribuir para a criação de um bloco denso e criativo, cheio de marcas sonoras relacionadas com vozes convertidas em sons e letras que praticamente atuam de forma instrumental e onde tudo é dissolvido de forma homogénea, Distant Fire está longe de revelar todos os seus segredos logo na primeira audição e eleva estes Cairobi para um elevado patamar qualitativo de cenários e experiências instrumentais. Espero que aprecies a sugestão...

Zoraide

Perfect Strangers

Human Friend

Please

 


autor stipe07 às 21:22
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Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2015

Shirley Said - Salvation (video)

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Uma das novas apostas da etiqueta Lost In The Manor é a dupla italiana Shirley Said, natural de Latina, nos arredores de Roma e formada por Giulia Scarantino e Simone Bozzato. A eletrónica experimental, que chega a raiar a fronteira do techo minimal, é a pedra de toque destes Shirley Said, uma eletrónica sensual e algo abstrata, mas bastante sofisticada e de forte cariz ambiental.

Depois de terem divulgado o vídeo de Merry Go Round, um filme dirigido e produzido por Gabriel Beretta e com Yin Lee a ficar a cargo da maquilhagem espetacular de Giulia, agora chegou a vez de ser conhecido o filme de Salvation, o lado a de um single que vai ser editado, apenas em formato digital, a vinte e três de março.

Nesta canção tudo se movimenta como uma massa de som em que o mínimo dá lugar ao todo, ou seja, os detalhes são, sem dúvida, parte fundamental da funcionalidade e da beleza da obra da dupla, sendo impecável o modo como exploram essa unidade e as várias nuances sonoras que aplicam, de um modo que instiga, hipnotiza e emociona. Quanto ao video, a junção de paisagens amplas e naturais, com elementos abstratos, funciona como uma metáfora interessante da sonoridade dos Shirley Said que, fazendo juz à descrição deste single acima plasmada, gravita na fusão de dois universos sonoros ambivalentes, onde o sintético e o orgânico se fundem. Confere...


autor stipe07 às 17:55
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Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2015

Shirley Said - Merry Go Round (video)

shirleysaid_press_960

Uma das novas apostas da etiqueta Lost In The Manor é a dupla italiana Shirley Said, natural de Latina, nos arredores de Roma e formada por Giulia Scarantino e Simone Bozzato. A eletrónica experimental, que chega a raiar a fronteira do techo minimal, é a pedra de toque destes Shirley Said, uma eletrónica sensual e algo abstrata, mas bastante sofisticada e de forte cariz ambiental.

A dupla acaba de divulgar o vídeo de Merry Go Round, um filme dirigido e produzido por Gabriel Beretta e com Yin Lee a ficar a cargo da maquilhagem espetacular de Giulia. Na canção tudo se movimenta como uma massa de som em que o mínimo dá lugar ao todo, ou seja, os detalhes são, sem dúvida, parte fundamental da funcionalidade e da beleza da obra da dupla, sendo impecável o modo como exploram essa unidade e as várias nuances sonoras que aplicam, de um modo que instiga, hipnotiza e emociona. Confere...


autor stipe07 às 21:13
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Quinta-feira, 4 de Dezembro de 2014

Cairobi - Zoraide

Cairobi

Com músicos da Inglaterra, México, Itália e Áustria, mas baseados atualmente em Londres, os Cairobi são Giorgio Poti, Salvador Garza, Stefan Miksch, Alessandro Marrosu e Aurelien Bernard, um coletivo prestes a lançar-se nos lançamentos discográficos com Distante Fire, um EP que vai ver a luz do dia a dezasseis de fevereiro do próximo ano.

Zoraide é a canção que abre o alinhamento de Distante Fire, uma junção sónica e psicadélica de um verdadeiro caldeirão instrumental e melódico, um momento de pura experimentação, assente numa colagem de várias mantas de retalhos que nem sempre se preocupam com a coerência melódica e que, por isso e por ser extremamente dançável, deverá ser objeto do maior deleite e admiração. Esta é, acreditem, uma canção que desperta-nos para um paraíso de glória e esplendor e subjuga momentaneamente qualquer atribulação que nesse instante nos apoquente. Confere...


autor stipe07 às 18:28
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Domingo, 2 de Novembro de 2014

Deckard - Noble Gases EP

O italiano Beppe Massara faz música como Deckard e fez-me chegar à redação Noble Gases, um curioso EP de seis canções, desde logo pelo conceito que as envolve, explícito no título das mesmas. Editado já a trinta de maio pela etiqueta T.a. Rock Records, Noble Gases sucede ao disco Bit Bullets (2010) e foi trabalhado integralmente por Beppe Massara, já que foi ele quem também cuidou dos arranjos, gravação e produção dos temas. Nele escutam-se as participações especiais de Alberto Fiori e Francesco Guerri, em alguns detalhes instrumentais e da argentina Carolina Pintos, com a voz.

Helium, Neon, Argon, Krypton, Xenon e Radon são os seis gases nobres da natureza, elementos quimícos que existem naturalmente, têm caraterísticas comuns e que além de serem incolores e inodores e de possuirem baixa radioactividade, fazem parte do mesmo grupo da Tabela Periódica dos Elementos, nomeadamente o 18.

Compostas no início deste ano, as canções revivem o período aúreo da eletrónica europeia das últimas três décadas do século passado e, seguindo uma mesma inspiração, têm algumas nuances que as distinguem, um pouco à imagem do que sucede com os elementos quimicos que recriam. Dominadas por sintetizadores e com alguns arranjos que incluem samples de vozes, teclas de pianos e cordas de viola, são canções que recriam uma atmosfera sonora intimista, mas também algo cibernética e futurista. 

Da chillwave melancólica de Helium e da mais acessivel Neon, ao techno minimal de Krypton, passando pelo space pop de Xenon, o alinhamento cheio de efeitos robóticos carregados de poeira, parece funcionar como uma justaposição de vários blocos de som sintetizado e de experiências livres de qualquer formalismo ou regra e que só se justificam numa espécie de tratado de natureza hermética, onde esse bloco de composições não é mais do que partes de uma só canção de enormes proporções, já que é fluída a interligação entre os vários gases, como se estivessemos diante de uma obra única com a duração de pouco mais de trinta minutos.

Deckard é um dos segredos mais bem guardados da eletrónica europeia e neste EP mostra a sua visão desta tendência atual que é olhar para o passado e misturar várias influências, artistas e legados que há várias décadas gravitam em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e reinventar tudo isso com uma visão mais contemporânea. 

 

1.Helium

2.Neon

3.Argon

4.Krypton

5.Xenon

6.Radon

 


autor stipe07 às 21:38
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Terça-feira, 30 de Setembro de 2014

Niagara – Don’t Take It Personally

Sedeados em Turim, os italianos Niagara são David Tomat e Gabriele Ottino, dois extraordinários músicos e produtores, que também já foram membros da mítica banda de rock italiana N.A.M.B., além do coletivo Gemini Excerpt. Já agora, Tomat grava ainda em nome próprio e Ottino mantém outro projeto, acompanhado por Milena Lovesick. Editado no passado dia nove de setembro através da Monotreme Records, Don't Take it Personally é o extraordinário novo disco deste projeto que se estreou em 2012 com o não menos eloquente Otto e que, à semelhança desse primeiro trabalho, mergulha a pop eletrónica com nuances sonoras que ganham vida em densas e pastosas águas turvas, devido ao elevado pendor psicadélico, num expressivo balanço entre uma faceta experimental e um lado mais groove e dançável, de algum modo evocando o bom e velho trip hop que surgiu no início dos anos noventa noutro ponto da Europa.

Don't Take It Personally parece querer falar-nos de visões e do desvendar de algo misterioso e que não é deste mundo, já que escuta-se como uma espécie de pintura sonora carregada de imagens evocativas, pintadas com melodias bastante virtuosas e cheias de cor e arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos, que provam a sensibilidade dos Niagara para expressar pura e metaforicamente as virtudes e as fraquezas da condição humana. 

Como nenhum instrumento ou som está deslocado ou a mais e percebe-se que a dupla sabe melhor do que ninguém como conjugar exuberância com minimalismo, este é um álbum tão rico que permite várias abordagens, sendo complexo definir uma faceta sonora dominante, tal é a míriade de estilos e géneros que suscita. Se o típico trip hop ácido e nebuloso conduz John Barrett , que, já agora, é manietado por efeitos robóticos carregados de poeira e por aquele som típico da agulha a ranger no vinil, assim como por teclados e um subtil efeito de guitarra em Currybox, já em Vanillacola é o rock progessivo feito com guitarras carregadas de distorção que domina, em oposição ao minimalismo folk pintado com belíssimos arranjos de cordas e uma voz contagiante que paira delicadamente sobre uma melodia pop simples e muito elegante, em Laes, uma canção que depois evolui de forma magistral devido ao piano e à batida sintetizada e devido à forma como os arranjos e a voz ecoam numa melodia que nos proporciona uma assombrosa sensação de conforto e nos oferece o melhor momento do disco. Já a voz robótica e o cruzamento de vários ruídos sintéticos espaciais que parecem sair de um sintetizador analógico monofónico em Speak And Spell e, mais adiante, em Else (feel like a eletric machine), conduz-nos numa viagem rumo ao universo da pop eletrónica com um cariz vincadamente ambiental, denso, complexo e futurista, que ganha um fôlego ainda mais intenso em Popeye e China Eclipse, uma canção dividida em duas. Essa mesma voz aparece apenas na última e fica carregada de poeira e eco, adornada por subtis efeitos e ruídos etéreos e melancólicos que colocam-nos na rota certa de um álbum que impressiona pela tal atmosfera densa e pastosa, mas claramente libertadora e esotérica.

Em Don't Take It Personally, a produção é uma das mais valias já que, seja entre o processo dos primeiros arranjos, até à manipulação geral do álbum, tudo soa muito polido e nota-se a preocupação por cada mínimo detalhe, o que acaba por gerar num resultado muito homogéneo, num disco que é muito experimentalista naquilo que o experimentalismo tem por génese: a mistura de coisas existentes, para a descoberta de outras novas. Mas tem também uma estrutura sólida e uma harmonia constante. É estranho mas pode também não o ser. É a música no seu melhor e estes Niagara irão certamente e muito em breve, assumir justamente uma posição de relevo no espetro sonoro em que se inserem. Espero que aprecies a sugestão...

Niagara - Don't Take It Personally

01. John Barrett
02. Fat Kaoss
03. Vanillacola
04. Speak And Spell
05. Laes
06. Currybox
07. Popeye
08. China Eclipse
09. Else
10. Bloom


autor stipe07 às 21:28
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Sábado, 8 de Março de 2014

Be Forest – Earthbeat

Pesaro é uma pequena cidade na costa nordesta italiana e um viveiro cultural onde, nos últimos, anos, têm despontado algumas bandas promissoras, entre elas os Be Forest. Formados por Costanza Delle Rose (baixo e voz), Erica Terenzi (bateria e voz), Nicola Lampredi (guitarra) e Lorenzo Badioli (sintetizadores), este grupo italiano estreou-se nos discos em 2011 com Cold, um trabalho que chamou a atenção por plasmar uma forte influência de um nome tão fundamental como os Cure. Agora, no passado dia quatro de fevereiro chegou o sucessor; O sempre difícil segundo álbum dos Be Forest chama-se Earthbeat e viu a luz do dia por intermédio da We Were Never Being Bored, uma editora importante para várias bandas que ainda procuram chegar a um lugar de relevo no universo sonoro alternativo e já com um catálogo bastante interessante.

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Um dos grandes atributos com que os Be Forest puderam contar para a criação de Earthbeat foi Lorenzo Badioli, músico que não tinha feito parte dos créditos da estreia. E a verdade é que as sintetizações que ele reproduz conferem ao som dos Be forest uma toada muito rica e luminosa, talvez mais pop do que o escutado em Cold, um disco algo sombrio. Captured Heart, o single de avanço do trabalho, é um bom exemplo desta busca de algo mais luminoso, um desejo bem patente na percussão tribal e na própria letra da canção (It’s better you run away with me, cause all my life I have been dead inside).

A verdade é que Earthbeat poderá agradar aos fãs de uns Pains Of Being Pure At Heart, mas também a quem aprecia aproximações mais lo fi, típicas de uns Blouse ou de umas Warpaint e, no cômputo geral, este é um trabalho que de algum modo impressiona pelo bom gosto com que se cruzam vários estilos e dinâmicas sonoras, com o indie rock a servir de elemento aglutinador.

A voz de Erica Terenzi é também um elemento importante para criar um ambiente de rara frescura e pureza sonora, de feliz encontro entre sonoridades que surgiram há décadas e se foram aperfeiçoando ao longo do tempo e ditando regras que hoje consagram as tendências mais atuais em que assenta uma dream pop com um cariz fortemente nostalgico e contemplativo, mas também feita com um certo groove.

Os Be Forest têm no seu ADN bem vincada a vontade de experimentar e Earthbeat respira por todos os poros uma enorme vitalidade, com melodias que fazem levitar quem se deixar envolver pelo assomo de elegância contida e pela sapiência melódica do seu conteúdo. Ouvir este disco é uma experiência diferente revigorante e a oportunidade de contatar com um conjunto de canções que transbordam uma aúrea algo mística e espiritual, reproduzidas por um grupo que sabe como o fazer de forma direta, pura e bastante original. Espero que aprecies a sugestão...

Be Forest - Earthbeat

01. Totem
02. Captured heart
03. Lost boy
04. Ghost dance
05. Airwaves
06. Totem II
07. Colours
08. Sparkle
09. Hideway

 


autor stipe07 às 20:58
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Segunda-feira, 27 de Janeiro de 2014

The Base - Twenty Minutes By Fall EP

Naturais de Padova, na Italia, os The Base são Renato Rancan (guitarra e sintetizador), Francesco Zambon (bateria), Paolo Fava (voz, guitarra), Andrea Visaggio (voz, baixo), Stefano Murrone (sintetizador) e Filippo Lorenzin (editor). Twenty Minutes By Fall é o trabalho de estreia da banda, um EP com seis canções, integralmente disponível para download gratuito no soundcloud da banda.

Os The Base existem desde o início de 2013 e tudo começou com a criação do single Balance, que encerra este EP e de um video promocional do tema. A boa aceitação da canção pela crítica encorajou o grupo as continuar a criar, de tal forma que já se econtram a preparar o lançamento do disco de estreia, que poderá ocorrer ainda este ano.

Quanto à sonoridade dos The Base, são evidentes as aproximações diretas ao legado dos Joy Division e ao trabalho mais contemporâneo desenvolvido pelos Interpol, resultado identificado nas guitarras e nas vozes sóbrias, com o típico registo grave, que delimitam toda a mecânica do EP, com especial destaque para Space, uma canção que poderia facilmente ser encontrada nos primeiros discos da banda de Nova Iorque. Essa tonalidade simultaneamente sombria e dançável é também audível em Twin Peaks, canção que mesmo mergulhada em acertos mais sombrios e em alguns detalhes eletrónicos, está sonoramente próxima do velho fulgor anguloso e elétrico do indie rock.

A terminar o EP, algures entre os U2 e Codplay, a tal Balance explora nuvens de sintetizadores e encaixes certeiros de guitarras, o que resulta em algo simultaneamente épico e cativante.

Twenty Minutes By Fall é uma descoberta algo inesperada numa Itália que raramente nos habituou a dar-nos bandas que apostam em replicar referências sonoras alimentadas por grandes ícones em décadas anteriores e cuja receita assentava no uso de melodias rock com riffs imparáveis que davam forma a sons volumosos, densos e principalmente etéreos, mas também algo nostálgicos e sombrios. Pela amostra, os The Base merecem, desde já, o maior crédito e uma certa ansiedade pela chegada do longa duração de estreia. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 17:56
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Sábado, 21 de Dezembro de 2013

We Are Us - And This Is You

Lançado no passado dia vinte e cinco de setembro, And This Is You é o EP de estreia dos italianos We Are Us, uma dupla de indie punk formada por Silvio Pasqualini e Maddalena Zavatta e que ainda se encontra numa fase muito embrionária da carreira. Silvio e Maddalena conheceram-se num festival de rock onde tocaram com as suas bandas anteriores.

And This Is You são três magníficas canções, You, Talking To My Baby e Call Me, que do punk ao rock, passando pela new wave, abarcam diferentes espetros sonoros e que me deixaram a salivar quanto ao futuro dos We Are Us.  São canções assentes na voz delicada e com uma toada muito pop de Maddalena, a que se junta os riffs rasgados das guitarras de Pasqualini.Ficarei muito atento a esta dupla e espero que aprecies a sugestão..


autor stipe07 às 23:19
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Terça-feira, 15 de Outubro de 2013

Porcelain Raft - Permanent Signal

Pouco mais de um ano após Strange Weekend, o primeiro disco da carreira, Mauro Remiddi, um italiano nascido em 1972 e a viver em Nova Iorque, está de regresso com um novo trabalho de originais chamado Permanent Signal, lançado através da Secretly Canadian. Depois do inebriante EP de estreia, Curve, de 2010, e principalmente do EP seguinte, Gone Blind, de 2011 e do tal longa duração de estreia, este projeto ganhou respeito devido às colagens eletrónicas, as vozes enigmáticas e o clima soturno de suas composições.

Perceber a forma como cada um de nós observa a música pode ser um exercício interessante. Para alguns apenas importa a sonoridade, para outros o importante são as letras e ainda há aqueles que deliram com pequenos pormenores instrumentais. Há ainda quem procure a expressão de sentimentos, se a música te faz deprimir, rir, saltar ou dançar. Se juntarmos a isso o que está na moda, aquilo que são as tendências, tudo se baralha ainda mais. Depende de tudo, como é óbvio. Porcelain Raft está também condicionado, como não podia deixar de ser, por esta visão caleidoscópica da música e pela sua atribulada e quase nómada existência pessoal.

Permanent Signal é uma expressão inglesa que identifica um telefone que fica sem linha, sem ligação e inativo por um longo período de tempo. De algum modo, o título deste disco acaba por ser um reflexo da vida de Remiddi; O músico nasceu e cresceu em Itália, depois viveu doze anos em Londres e agora vive há um par de anos em Nova Iorque, período que coincidiu com a edição de Strange Weekend e que obrigou o Remiddi a andar em digressão quase um ano. Assim, este músico começou a dar por si a ter conversas imaginárias com amigos que não vê há muito tempo e percebeu que tantas mudanças fizeram-no sentir falta de determinadas pessoas que faziam parte do seu dia a dia e que agora percebeu que eram realmente importantes para si.

Com uma sonoridade em tudo idêntica ao disco de estreia, Permanent Signal é uma espécie de mea culpa, um edifício sonoro que usa como primeira pedra aquela dream pop muito colorida e reluzente, ora mais tímida ora mais extrovertida. E dentro dessa caraterística é impossível não notar também na importância que tem no projeto a voz andrógina de Remiddi, que ajuda imenso a que tudo soe mágico e relaxante.

A escrita algo abstrata e intrigante faz com que o músico tenha diretamente conosco as tais conversas que foi adiando com os seus amigos, soando simultaneamente genuíno e romântico, como se ao mesmo tempo que sente necessidade de aconchego, tenha também um coração imenso cheio da boas sensações para retribuir e distribuir por todos nós. Neste seu segundo disco Porcelain Raft faz uma espécie de contrição em relação a todos aqueles que foi deixando fisicamente para trás e cimenta definitivamente a sua posição no universo sonoro que replica com enorme espiritualidade e sinceridade. Espero que aprecies a sugestão...

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01. Think Of The Ocean
02. Cluster
03. Minor Pleasure
04. Open Letter
05. Night Birds
06. It Ain’t Over
07. I Lost Connection
08. Warehouse
09. The Way Out
10. Five Minutes From Now
11. Echo


autor stipe07 às 21:05
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Segunda-feira, 22 de Abril de 2013

Echopark - Trees

Echopark é o novo projeto do italiano Antonio Elia Forte, um músico a residir atualmente em Londres. Trees, lançado a dezasseis de abril, é o disco de estreia e foi gravado quase inteiramente num quarto arrendado em Whitechapel, nos arredores da capital britânica, com meios instrumentais rudimentares e apenas uma mão cheia de microfones.

Teleportation é o primeiro single retirado de Trees. O video foi realizado por Valentina Dell’Aquila e o download do tema pode ser feito gratuitamente através da página do soundcloud da editora Enclaves.

 

Antonio é natural de Lecce onde, com cinco anos, pegou na guitarra que era do seu pai e começou a querer tocar. Lecce é uma cidade mediterrânica do sul de Itália conhecida pelo bom tempo durante todo o ano e pelo dinâmico movimento underground. É um local onde proliferam músicos, e praticantes de skate e surf. Em Itália acaba por ser o equivalente a Echo Park, uma importante zona industrial de Los Angeles, onde se inspirou para batizar este seu projeto musical.

Para Antonio a imperfeição é um objetivo concreto, uma espécide de ideal que busca com lucidez e um bom gosto que merece amplo destaque. Atualmente abundam propostas sonoras que fazem do ruído e da imprecisão sonora pontos de partida no processo de criação musical e Echopark segue esse rumo, mas fá-lo com inegável mestria, nomeadamente na forma como consegue captar o instante mais emotivo de uma canção e deixá-lo submergir, sem que o conceito lo fi e impreciso seja subjugado.

Trees percorre o mesmo território da dream pop de uns Beach House ou uns Midas Fall, mas sem obedecer ao habitual formato canção, indo mais ao encontro do que, por exemplo, Four Tet ou Youth Lagoon costumam sugerir. É um disco que se deve ouvir de uma enfiada, como um todo, como se fosse apenas um tema de trinta e seis minutos e proporciona sentimentos antagónicos já que é um disco muito acessível mas difícil de descrever. Tem momentos intrigantes, principalmente aqueles em que se ouvem as tais imperfeições, ruídos de fundo e colagens e aqui reside o maior charme do disco porque ficamos sem saber muito bem se são sempre propositadas ou até momentos sonoros involuntários. Tão depressa surgem ruídos sintetizados como um incrível baixo (Mountain) ou sons de cordas perfeitamente limpídos (For Lore), mas sempre com um fundo, que muitas vezes é um simples bater de ondas ou a aspereza do contacto entre dois grãos de areia.

Esta primavera Antonio vai passar do quarto arrendado para os palcos e entrar em digressão para promover Trees. E uma das grandes novidades é que terá uma banda a acompanhá-lo. O disco tem momentos que poderão agradar bastante ao vivo. Espero que aprecies a sugestão...

Cranes

Teleportation

Mountain

Franky

Youth and Fury

Raindrops

Gray Clouds

Brother

No Time To Riot

Waves

For Lore

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autor stipe07 às 22:49
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Domingo, 18 de Março de 2012

Conheces os Snow In Mexico?

Os Snow In Mexico são Massimiliano Cruciani (guitarra e voz) e Andrea Novelli (sintetizador e percussão), dois músicos naturais de Roma e que se estrearam nos lançamentos discográficos em 2009 com um EP homónimo. Agora, em 2012, lançaram um novo EP intitulado Prodigal Summer.

Estes dois trabalhos discográficos estão disponiveis para download gratuíto no sitio da banda, mas aceitam, obviamente, um donativo pelos mesmos, algo que deve ter sido em consideração já que o conteúdo dos dois álbuns merece uma audição atenta. A sonoridade de ambos assenta numa pop eletrónica e de ambos destaco Velvet, do EP homónimo, uma canção muito luminosa e alegre e com arranjos de cordas muito bonito.

Espero que te delicies com estas duas amostras de um projeto bastante interessante e que aprecies a sugestão...

01. Prodigal Summer
02. 4 Days
03. I Need To Sleep
04. Code Playground


autor stipe07 às 12:38
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Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012

Porcelain Raft – Strange Weekend

Remiddi é um italiano a viver em Nova Iorque. Nascido em 1972, Remiddi torna-se num caso especial, pois pertence a uma geração que sempre se colou a uma sonoridade mais rock ou, pelo menos, algo distante do som típico deste projeto que batizou de Porcelain Raft. Depois do inebriante EP de estreia, Curve, de 2010, e principalmente do EP seguinte, Gone Blind, de 2011, este projeto ganhou respeito devido às colagens eletrónicas, as vozes enigmáticas e o clima soturno de suas composições. No passado dia 24 de janeiro, via Secretly Canadian, lançou o primeiro disco; Chama-se Strange Weekend e foi gravado numa cave em Brooklyn, Nova Iorque, como se Remiddi se quisesse esconder e deixar as canções falarem por si.

Perceber a forma como cada um de nós observa a música pode ser um exercício interessante. Para alguns apenas importa a sonoridade, para outros o importante são as letras e ainda há aqueles que deliram com pequenos pormenores instrumentais. Há ainda quem procure a expressão de sentimentos, se a música te faz deprimir, rir, saltar ou dançar. Se juntarmos a isso o que está na moda, aquilo que são as tendências, tudo se baralha ainda mais. Depende de tudo, como é óbvio. Porcelain Raft está também condicionado, como não podia deixar de ser, por esta visão caleidoscópica da música.

A primeira pedra do edifício que Porcelain Raft escolheu para sustentar a sua música é aquela dream pop muito colorida e reluzente, ora mais tímida ora mais extrovertida. E, ao mesmo tempo, é impossível não notar também na importância que tem a voz andrógina de Remiddi, que ajuda imenso a que tudo soe mágico e relaxante. No entanto, apesar de serem estes os ingredientes fundamentais desta mistura que Remiddi tenta reproduzir, sente-se que falta qualquer coisa que nos deixe com água na boca; A única canção inovadora e que arrisca ir um pouco além da receita adotada é Unless You Speak From Your Heart, que funciona de forma quase antagónica em relação aos restantes temas.

Strange Weekend pode ser visto de várias perspectivas, mas por mais que tentemos encontrar o que torna este disco especial, a verdade é que nenhum dos argumentos com que Remiddi nos tenta iluminar, parecem verdadeiramente capazes de nos convencer; Desde o sentimento típico da dream pop, passando pela lírica das canções, tudo soa a uma sobreposição de camadas supérfluas de um universo oco e incipiente. Mesmo que a nossa imaginação desperte durante a audição e haja um clique que nos acorda, Strange Weekend deixa-nos a perguntar onde já ouvimos isto antes. Seja como for, é um disco essencial para os verdadeiros fãs do género.

Porcelain Raft destacou-se recentemente por ter feito uma cover de Come As You Are dos Nirvana e em breve embarcará na digressão europeia dos M83, que passa por Portugal.

01. Drifting In And Out
02. Shapeless And Gone
03. Is It Too Deep For You?
04. Put Me To Sleep
05. Backwords
06. Unless You Speak From Your Heart
07. The End Of Silence
08. If You Have A Wish
09. Picture
10. The Way In

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autor stipe07 às 13:09
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Sábado, 10 de Dezembro de 2011

A Classic Education - Call It Blazing

Os A Classic Education são uma banda natural de Bolonha, na Itália, mas liderada por um músico canadiano chamado Jonathan Clancy. Os restantes elementos são Luca, Paul, GiuliaFrederico. Acabam de mostrar ao mundo o disco de estreia Call It Blazing, produzido por Jarvis Taveniere e lançado pela Lefse Records e cujo artwork foi executado por Aleksandra Niepsuj.

Os A Classic Education juntam várias influências bastante interessantes nas doze canções deste Call It Blazing. A crítica que li não é unânime na descrição do som; No entanto, e porque depois de ouvir o álbum tirei conclusões semelhantes, destaco a conceituada SPIN que refere que estes bolonheses soam a uma mistura entre os Pains of Being Pure at Heart e os Ra Ra Riot. Em suma, é rock indie que se ouve neste álbum que flui tranquilamente do começo ao fim, assente em camadas de som baseadas em guitarras e sobre as quais o vocalista Jonathan Clancy solta uma voz tipica de um roqueiro dos anos cinquenta.

O resultado final não compromete. Call It Blazing é um álbum constante e que vagueia por uma espécie de mar tranquilo, mas volta e meia somos sacudidos por uma onda mais cavada, mas que nunca rebenta verdadeiramente. Estes A Classic Education mostram na estreia que têm grande potencial e que são uma bela surpresa vinda do país da bota também já quase afundado na depressão económica e financeira em que vivemos! Espero que aprecies a sugestão...

01. Work It Out
02. Baby, It’s Fine
03. Grave Bird
04. Gone To Sea
05. Place A Bet On You
06. Billy’s Gang Dream
07. Spin Me Round
08. Forever Boy
09. Can You Feel The Backwash
10. Terrible Day
11. I Lost Time
12. Night Owl

 

 


autor stipe07 às 11:23
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