Quinta-feira, 15 de Agosto de 2019

Sigur Rós – Sigur Rós Presents Liminal Sleep

O sono é talvez a atividade humana que ainda carece de maior profundo conhecimento, acerca não só da sua função e dos benefícios que traz para o funcionamento do nosso organismo, mas também do modo como se processa e as caraterísticas essenciais dos diferentes ciclos que contém. Isso não impediu que os islandeses  Sigur Rós, provavelmente os maiores responsáveis por toda uma geração de ouvintes se ter aproximado da música erudita ou de quaisquer outras formas de experimentação e estranhos diálogos que possam existir dentro do campo musical, procurassem criar uma espécie de banda sonora perfeita para uma sessão de sono completa, tendo nascido assim Sigur Rós Presents Liminal Sleep, um alinhamento de nove canções pensadas para as diferentes fases do nosso sono, de modo a tornar essa necessidade fisiológica fundamental ainda mais reconfortante e bem sucedida ( we like the fact that sleep remains defiantly mysterious; something we all do — all need to do — but can’t ever get fully inside. this playlist is a modest attempt to mirror the journey of a sleep cycle, with its curves, steady states and natural transitions. - Jónsi, Alex Somers & Paul Corley).

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Cada uma das nove composições de Sigur Rós Presents Liminal Sleep, representa um momento específico do ciclo do sono e nelas todas as opções instrumentais, predominantemente sintéticas e minimalistas, se orientaram de forma controlada. Assim, todos os detalhes escutados funcionam como um todo, agregados em nove composições que não deixam de ser um bloco único de som que dá cor, movimento e substância à exuberância natural de um dos pilares essenciais da nossa existencia enquanto organismos vivos e que se querem saudáveis. 

Na verdade, neste Sigur Rós Presents Liminal Sleep, os Sigur Rós acabaram por criar um alinhamento musical com um objetivo eminentemente funcional, mas que não deixa de ter uma vincada veia de sensibilidade e emoção. Se a música, como forma eminente de manifestação artística, teve sempre, ao longo da história do homem, seu criador privilegiado, uma faceta bastante recreativa e se culturalmente essa função este sempre um pouco acima de todas as outras, estas nove canções foram idealizadas como elixir soporífero relaxante e meditativo, ou seja, são, na minha modesta opinião, um bom remédio para quem tenha insónias ou outros distúrbios de sono.

Em suma, Sigur Rós Presents Liminal Sleep é claramente capaz estar presente e de ir ao encontro da necessidade intuitiva que todos nós temos de dormir, utilizando essa atividade como arma capaz não só de fazer o nosso corpo descansar e recarregar baterias mais também de modular o nosso humor, sendo, esse mesmo sono, por excelência, o refúgio onde podemos encontrar, também sonoramente, a pura realização feliz e plena desse preenchimento interior.

O resultado final deste trabalho sui generis é um falso minimalismo ambiental que desafia os nossos sentidos, segundo após segundo, tal é a opulência sonora de detalhes, ruídos e efeitos que cruzam as melodias, uma receita que não soará particularmente estranha a quem já está devidamente identificado com a discografia dos Sigur Rós e percebe que há aqui o apelo da novidade, mas sem abandonar a essência. Espero que aprecies a sugestão...

Sigur Rós - Sigur Rós Presents Liminal Sleep

01. Sleep 1
02. Sleep 2
03. Sleep 3
04. Sleep 4
05. Sleep 5
06. Sleep 6
07. Sleep 7
08. Sleep 8
09. Sleep 9


autor stipe07 às 15:01
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Domingo, 28 de Julho de 2019

Of Monsters And Men – Fever Dream

Chama-se Fever Dream o novo álbum dos islandeses Of Monsters And Men de Nanna Bryndís Hilmarsdóttir, Ragnar þórhallsson, Brynjar Leifsson e Arnar Rósenkranz Hilmarsson, um trabalho que viu a luz do dia à boleia da etiqueta Republic Records e que sucede ao aclamado registo Beneath The Skin, lançado em dois mil e quinze.

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Imagine-se Reiquiavique em hora de ponta e um cruzamento onde estão parados projetos como os The Naked and Famous, Dirty Projectors, Childish Gambino e Katy Perry. Os semáforos avariam, todos chocam no centro do cruzamento e dessa explosão sónica acidental nasce Fever Dream, um disco produzido pela própria banda e por Rick Costey e que foi idealizado quase integralmente por Nanna Bryndís Hilmarsdóttir, um exercício de escrita e composição que a própria vocalista já confessou ter sido particularmente exaustivo. O modus operandi foi o uso da guitarra acústica como instrumento fundamental do processo de criação do arquétipo melódico dos temas e depois o adorno das mesmas foi feito através do uso assertivo de um sintetizador caseiro. A partir daí, num caminho simbiótico entre o orgânico e o sintético, ganhou vida e cor um alinhamento que tem no tema Alligator, uma vibrante composição que agrega impecavelmente a filosofia sonora do disco, o seu ponto fulcral, mas também outros momentos de particular destaque. Um deles é Wild Roses, uma canção com um elevado cariz reflexivo e melancólico, que inicia com um melodia ao piano bastante aditiva, mas que depois se expande num pop rock apoteótico, através de guitarras pulsantes e sintetizadores plenos de epicidade,  à medida que a interpretação vocal de Nanna Hilmarsdóttir ganha entusiasmo e sentimento. Depois, a homenagem que é feita à beleza natural do país da banda em Róróró, a luminosidade do eletropop que edifica Waiting For The Snow, a canção do registo em que melhor ressoam os exímios recursos vocais de Nanna e a impecável performance percurssiva que temas como Ahay e Stuck In Gravity plasmam com superior quilate, são instantes que reforçam a consistência pura de um alinhamento que é também um tratado daquele pop rock apoteótico que se define com uma percussão vibrante e pleno de guitarras e onde cada verso de cada canção é entoado com sentimento e emoção.

Disco que deixa definitivamente de parte aquela pitada folk rock que fez sempre parte do adn dos Of Monsters and Men e que marcou os antecessores My Head is an Animal e Beneath the Skin, Fever Dream aposta definitivamente e em exclusivo naquela pop dançante e efusiva, uma nova postura sonora que acaba por provocar uma conexão imediata entre banda e ouvinte. O seu próprio cariz radiofónico, acessível e orelhudo tem o veneno eficaz para congregar uma vasta legião ainda maior de seguidores entusiastas e ávidos de canções impecavelmente produzidas e que apelem de modo incisivo à grandiosidade do sentimento, confirmando que este quarteto islandês representa muito do que de melhor o mercado alternativo e independente tem atualmente para oferecer. Espero que aprecies a sugestão.

Of Monsters And Men - Fever Dream

01. Alligator
02. Ahay
03. Róróró
04. Waiting For The Snow
05. Vulture, Vulture
06. Wild Roses
07. Stuck In Gravity
08. Sleepwalker
09. Wars
10. Under A Dome
11. Soothsaye


autor stipe07 às 11:00
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Sábado, 13 de Julho de 2019

Of Monsters And Men – Wild Roses

Of Monsters And Men - Wild Roses

Chama-se Fever Dream o novo álbum dos islandeses Of Monsters And Men de Nanna Bryndís Hilmarsdóttir, Ragnar þórhallsson, Brynjar Leifsson e Arnar Rósenkranz Hilmarsson, um trabalho com edição prevista no final deste mês de julho, à boleia da etiqueta Republic Records e que já tem alguns dos seus temas editados em formato single.

O single mais recente divulgado de Fever Dream é Wild Roses, uma canção com um elevado cariz reflexivo e melancólico, que inicia com um melodia ao piano bastante aditiva, mas que depois se expande  num pop rock apoteótico, através de guitarras pulsantes e sintetizadores plenos de epicidade,  à medida que a interpretação vocal de Nanna Hilmarsdóttir ganha entusiasmo e sentimento. Confere...


autor stipe07 às 11:30
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Quarta-feira, 12 de Junho de 2019

Sigur Rós - Ágætis byrjun (A Good Beginning); 20th Anniversary Deluxe Edition

Os islandeses Sigur Rós são provavelmente os maiores responsáveis pela geração a que pertenço se ter aproximado da música erudita ou de quaisquer outras formas de experimentação e de estranhos diálogos que possam existir dentro do campo musical. Ao lado da conterrânea Björk, este quarteto, entretanto reduzido a trio, não apenas colocou a Islândia no mapa dos grandes expoentes musicais, como definiu de vez o famigerado pós rock, género que mesmo não sendo de autoria da banda, só alcançou o estatuto e a celebração de hoje graças, em grande parte, ao rico cardápio instrumental que este grupo conseguiu alicerçar nas mais de duas décadas que já leva de existência.

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Adeptos da constante transformação de suas obras, desde Von, o primeiro álbum, que os Sigur Rós se concentram na produção de discos que, mesmo próximos, organizam-se e funcionam de maneiras diferentes. Têm sido álbuns que acabam sempre por partilhar um novo sentimento ou proposta, utilizando uma fórmula básica que serve de combustível a cada nova estreia.

Apesar dessa brilhante estreia chamada Von, acabou por ser Ágætis Byrjun, o sucessor, que colocou o grupo islandês definitivamente nos holofotes, uma obra introspectiva, misteriosa, cinematográfica e conceptual, que muitas vezes parece ecoar de forma suja, mas que contém uma inolvidável subtileza angelical, um disco repleto de propostas estilísticas únicas, nuances variadas e firmado em harmonias magistrais que fazem do seu alinhamento de dez canções um dos mais belos da história da música.

Hoje faz vinte anos que Ágætis Byrjun viu a luz do dia, uma data que não passará em claro para todos os amantes e seguidores do indie alternativo e que a banda também quis assinalar com toda a pompa e circunstância a efeméride. Para isso, surgirá brevemente nos escaparates uma edição de luxo do disco que, além do alinhamento original, irá conter mais três horas de demos, gravações ao vivo e versões alternativas de todas as dez composições de  Ágætis Byrjun, distribuidas por três discos de vinil e que foram subtraídas dos arquivos particulares dos músicos. De realçar que alguns temas já nem faziam memória da própria banda, que só voltou a recordar-se das mesmas depois que começou a preparar esta reedição.

Este lançamento comemorativo de Ágætis Byrjun também inclui o concerto que os Sigur Rós deram neste mesmo dia, há vinte anos atrás, na sala Íslenska Óperan (the Icelandic Opera House), um espetáculo de noventa e cinco minutos que nunca foi reproduzido nem visionado antes e que será hoje mostrado na íntegra, através do canal de youtube da banda, a partir das 22 horas. Nesse concerto ainda tocou Águst Gunnarsson, o primeiro baterista da banda, juntamente com Jón Thor Birgisson, Georg Holm e Kjartan Sveinsson, que oficialmente só se juntou à banda no ano seguinte, em dois mil.

Quando o coração é paciente e sabe que na vida há momentos únicos pelos quais vale a pena esperar, mais claras são as boas sensações que nos preenchem quando os instantes pelos quais tanto esperámos estão ali, ao nosso lado e à nossa frente, ao mesmo tempo, no mesmo espaço físico e temporal. E às vezes estão num simples disco. Há quem vibre com um bom filme quando determinadas imagens projectadas numa tela negra, reais ou cheias de ficção, mexem com todos os nossos sentidos, nos arrepiam e nos dão momentos momentâneos de pura felicidade! Isso acontece-me com frequência em canções como Svefn-g-englarOlsen Olsen ou Viðrar vel til loftárása, no fundo durante a audição de um álbum que é um refúgio onde consigo encontrar sonoramente a pura realização feliz e plena desse preenchimento interior.

Confere o conteúdo desta edição especial de Ágætis Byrjun já, disponível no bandcamp dos Sigur Rós e que, como já disse, terá também edição física muito em breve.

live at íslenska óperan 1999

Intro

Von
Syndir Guðs
Flugufresarinn
Olsen Olsen
Ágætis byrjun
Viðrar vel til loftárása
Svefn-g-englar
Ny batterí
Nýja lagið
Hafssól

demos, rarities and early live recordings

Svefn-g-englar   (Live at Popp í Reykjavík, 1998)
Starálfur   (Original speed version)
Flugufrelsarinn   (1998 Demo)
Ný batterí   (Instrumental)
Hjartað hamast (bamm bamm bamm)   (1995 Demo)
Viðrar vel til loftárása   (Alternative ending)
Olsen Olsen   (1998 Demo)
Ágætis byrjun   (1998 Demo)
Hugmynd 1   (1998 Demo)
Hugmynd 2   (1998 Demo)
Hugmynd 3   (1998 Demo)
Debata mandire   (Live at Laugardashöll, 1999)
Rafmagnið búið   (From Ný batterí EP, 2000)

 

autor stipe07 às 16:15
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Segunda-feira, 29 de Outubro de 2018

John Grant – Love Is Magic

Quase três anos depois do excelente Grey Tickles, Black Pressure, o canadiano John Grant regressou aos discos com Love Is Magic, o quarto registo de originais de um artista que, a solo, demonstra ser um cantor e compositor de inúmeros recursos, utilizados quase sempre para criar composições sonoras com um sabor algo agridoce e expostas num fundo cinza intencionalmente dramático e muitas vezes icónico e geralmente com uma forte componente autobiográfica. Este Love Is Magic não foge à regra, num alinhamento de dez canções que nos apresenta, uma vez mais, uma personagem muitas vezes ambígua, mas sempre determinada nas suas crenças e convicções acerca de um mundo que, apesar de mentalmente mais aberto e liberal, continua a ser um lugar estranho para quem nunca hesita em ser implacável, mesmo consigo próprio, na hora de tratar abertamente e com muita honestidade e coragem os seus problemas relacionados com o vício de drogas, distúrbios psicológicos, relacionamentos amorosos traumáticos e o preconceito.

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Cada vez mais requintado no modo como se serve de um vascato cardápio de sintetizações e efeitos no momento de compor, um John Grant mais otimista, convencido, confiante e festivo, criou uma nova coleção de inspiradas e lindíssimas composições, conduzidas por notáveis arranjos orquestrais, apresentados logo em Metamorphosis, uma composição tremendamente cinematográfica e plena de variações rítmicas e melódicas e que também impressiona pelo modo como a voz é sistematicamente modificada. Depois, o dramatismo incontornável do tema homónimo, o clima algo tumultuoso de Tempest, a toada retro de Preppy Boy, a pop luminosa de He's Got His Mother Hips  e o vigor algo punk de Diet Gum, são temas que nos inserem num clima de festa e celebração, num mundo muito rosa mas onde podem entrar todos aqueles que têm uma mente aberta e uma predisposição natural para não julgarem nem colocarem entraves ou preconceitos, mas antes deixarem-se levar por uma onda sonora inspirada rumo à diversão pura e genuína.

Love Is Magic oferece-nos, em suma, um John Grant cada vez mais lânguido e libidinoso e virado para a tecnologia, em dez composições que reforçam a sua mestria compositória, o seu ecletismo cada vez mais abrangente e, principalmente, o modo eficaz como usa a música como um elixir terapêutico para tentar amenizar as experiências intensas que vão assolando a sua existência. Espero que aprecies a sugestão...

John Grant - Love Is Magic

01. Metamorphosis
02. Love Is Magic
03. Tempest
04. Preppy Boy
05. Smug Cunt
06. He’s Got His Mother’s Hips
07. Diet Gum
08. Is He Strange
09. The Common Snipe
10. Touch And Go


autor stipe07 às 20:52
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Segunda-feira, 30 de Abril de 2018

Sigur Rós - Route One

No solstício de verão de 2016, o dia com mais horas de sol desse ano (o que na Islândia significa que praticamente nunca fica de noite, devido à sua posição sobre o Círculo Polar Ártico) os Sigur Rós embarcaram num interessante projeto designado Route One para mostrar as paisagens da sua terra Natal. Conduziram durante as vinte e quatro horas desse dia pelos mil trezentos e trinta e dois quilómetros da Route One, a estrada que envolve toda a costa do país, motivo pelo qual é também chamada de Ring Route e gravaram essa viagem, cujos filmes, disponíveis no canal de youtube da banda, são uma verdadeira visita guiada por idílicas paisagens e uma bela maneira de ficar a descobrir a Islândia. A essas imagens acabaram por juntar várias melodias que depois de terem sido editadas e comprimidas, resultaram em pouco mais de quarenta minutos de música, divididos em oito faixas, que acabam de ser publicadas, sem aviso prévio, pela XL Recordings, materializando a banda sonora dessa incrível e curiosa jornada.

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Cada uma das oito composições de Route One, o oitavo disco da carreira do grupo islandês, representa um ponto específico da ilha, na forma de coordenadas. Assim, se 63º32’43.7″N 19º43’46.3″W refere-se a Steinahellier Cave, uma caverna encrustada na rocha, no sul da ilha, junto ao lago Holtsós, já 63º47’36.2″N 18º02’16.9″W é numa pequena ilha logo a seguir ao posto de gasolina de ÓB Kirkjubæjarklaustur, perto de Skaftárhreppur, por onde passa a Route One, um pouco a leste do primeiro ponto, 64º02’44.1″N 16º10’48.5″W são as coordenadas da ponte sobre o encontro do lago Jökulsárlón e o mar e 64º08’43.3″N 21º55’38.8″W o ponto de partida, em Reykjavík, só para referir alguns exemplos.

Sonoramente, Route One é um disco onde tudo se orienta de forma controlada, como se todos os detalhes instrumentais escutados, de forte cariz orgânico, fossem agrupados num bloco único de som que dá voz à exuberância natural de um país forjado à milhões de anos a fogo vulcânico e constantemente banhado por gelo. A Islândia é um dos locais do globo onde os quatro elementos melhor se revelam (água, terra, fogo e ar) e de forma mais extraordinária coabitam. Os Sigur Rós percebem melhor do que ninguém esta maravilhosa constatação que é um dos pilares fundamentais da essência de um país e de um povo e musicaram-na dando a maior liberdade possível ao arsenal instrumental de que se serviram, eminentemente sintético, para recriar as oito coordenadas. O resultado final é um falso minimalismo ambiental que desafia os nossos sentidos segundo após segundo, tal é a opulência sonora de detalhes, ruídos e efeitos que cruzam as melodias, uma receita que não soará particularmente estranha a quem já está devidamente identificado com a discografia dos Sigur Rós e percebe que há aqui o apelo da novidade, mas sem abandonar a essência.

Em suma, à medida que Route One avança e nos dilacera por dentro, testemunhamos euforicamente um intenso impacto lisérgico, num exercício musical que certamente será do agrado de quem não se importa de descobrir uns Sigur Rós mais crus, diretos e psicadélicos, mas que não deixam, mesmo assim, de nos fazer flutuar num universo de composições etéreas e sentimentalmente atrativas. Espero que aprecies a sugestão...

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63º32’43.7″N 19º43’46.3″W
63º47’36.2″N 18º02’16.9″W
64º02’44.1″N 16º10’48.5″W
64º08’43.3″N 21º55’38.8″W
64º46’34.1″N 14º02’55.8″W
65º27’29.1″N 15º31’56.0″W
65º30’17.9″N 18º37’01.3″W
65º38’27.9″N 20º16’56.9″W


autor stipe07 às 21:16
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Terça-feira, 28 de Novembro de 2017

Björk – Utopia

Uma das caraterísticas mais marcantes da carreira da islandesa Björk é não só mostrar o quanto o cenário musical do país de onde é originária é inspirador, mas ela ser também, por si só, uma verdadeira fonte de inspiração para imensos artistas. Recentemente envolvida em algumas questões polémicas, nomeadamente devido ao apoio público incondicional que tem dado a causas que defendem a liberdade de expressão sexual, principalmente nos Estados Unidos e depois de ela ter também confessado ter sido vítima de assédio há alguns anos, Björk, crítica acérrima de Trump, sente-se mais inspirada do que nunca e, em consequência disso, Vulnicura, o álbum que lançou há pouco mais de dois anos, já tem sucessor. O novo disco da artista islandesa chama-se Utopia, viu a luz do dia a vinte e quatro último, via One Little Indian Records, e constitui uma ode ao otimismo e à esperança, porque é isso que estes tempos algo negros e difíceis clamam, depois do antecessor ter sido um disco intimista e algo depressivo, que se focou muito no termino da relação amorosa da autora com Matthew Barney, um reputado artista plástico americano.

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De facto, o que não falta em Utopia são ideias e sugestões para um mundo melhor e o venezuelano Arca, produtor deste disco, é um elemento preponderante para o deslumbre que se sente com toda a pafernália de sons, detalhes e efeitos que vão cirandando em redor da voz de uma Björk que parece ter encontrado de novo motivos para olhar com optimismo para o mundo que a rodeia. Se The Gate, o terceiro tema do disco é, de acordo com a própria autora, a canção que melhor retrata as diferenças entre Vulnicura e Utopia, muito por causa do modo como Björk posiciona o seu registo vocal no meio de uma vasta miríade de luxuriantes efeitos e detalhes eminentemente sintéticos e com um poderoso potencial impressivo, logo na luxuriante secção de metais que vai sobressaindo em Arisen My Senses percebe-se que a compositora islandesa sente-se mais sorridente e disponível para a celebração. Logo depois, em Blissing Me, somos confrontados com uma canção cujo conteúdo mostra que esse desiderato será alcançado com a habitual simplicidade absolutamente sedutora e intemporal que carateriza a música desta expoente da cultura sonora contemporânea. É uma lindíssima canção assente em belíssimos arranjos e pinceladas acústicas que se cruzam com um registo vocal ternurento, uma composição que narra o amor feliz e incondicional que dois seres viciados pela internet sentem um pelo outro e que vinca, definitivamente, aquela que será a filosofia sonora do restante alinhamento de Utopia.

Até ao ocaso deste trabalho, quer na extensa e espiritual Body Memory, uma canção que conta com a extraordinária participação especial de seis dezenas de vozes feminimas, quer na complexidade orquestral de temas tão envolventes como Tabula Rasa, uma composição que eriça com contundência o nosso lado mais sensível, ou de Losss, um oásis de cândura e suavidade, assim como de Claimstaker, uma ode ao amor tremendamente retemperadora, somos absorvidos sem apelo nem agravo por um álbum que representa, claramente, uma espécie de renascimento e de virar de página para um universo mais eloquente e transcendental por parte de uma das intérpretes mais inspiradas e influentes do cenário musical contemporâneo. Espero que aprecies a sugestão....


autor stipe07 às 20:42
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Quarta-feira, 15 de Novembro de 2017

Björk – Blissing Me

Björk - Blissing Me

Uma das caraterísticas mais marcantes da carreira da islandesa Björk é não só mostrar o quanto o cenário musical do país de onde é originária é inspirador, mas ela ser também, por si só, uma verdadeira fonte de inspiração para imensos artistas. Recentemente envolvida em algumas questões polémicas, nomeadamente devido ao apoio público incondicional que tem dado a causas que defendem a liberdade de expressão sexual, principalmente nos Estados Unidos e depois de ela ter também confessado ter sido vítima de assédio há alguns anos, Björk, crítica acérrima de Trump, sente-se mais inspirada do que nunca e, em consequência disso, Vulnicura, o álbum que lançou há pouco mais de dois anos, prepara-se para ter sucessor já dentro de dias.

O novo disco da artista islandesa chamar-se-à Utopia, irá ver a luz do dia já dia vinte e quatro, via One Little Indian, e será, de acordo com a própria autora, uma ode ao otimismo e à esperança, porque é isso que estes tempos algo negros e difíceis clamam. Supostamente irá conter algumas ideias e sugestões para um mundo melhor, o que deverá ser mesmo uma realidade tendo em conta Blissing Me, o novo single divulgado do disco, cujo conteúdo mostra que esse desiderato será alcançado com a habitual simplicidade absolutamente sedutora e intemporal que carateriza a música desta expoente da cultura sonora contemporânea. Falo de uma lindíssima canção assente em belíssimos arranjos e pinceladas acústicas que se cruzam com um registo vocal ternurento, uma composição que narra o amor feliz e incondcional que dois seres viciados pela internet sentem um pelo outro. Confere...


autor stipe07 às 21:34
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Sexta-feira, 24 de Junho de 2016

Sigur Rós – Óveður

Sigur Rós - Óveður

Os islandeses Sigur Rós são provavelmente os maiores responsáveis por toda uma geração de ouvintes se ter aproximado da música erudita ou de quaisquer outras formas de experimentação e estranhos diálogos que possam existir dentro do campo musical. Ao lado da conterrânea Björk, este quarteto, entretanto reduzido a trio, não apenas colocou a Islândia no mapa dos grandes expoentes musicais, como definiu de vez o famigerado pós rock, género que mesmo não sendo de autoria da banda só alcançou o estatuto e a celebração de hoje graças ao rico cardápio instrumental que o grupo conseguiu alicerçar nas duas décadas que já leva de existência.

Adeptos da constante transformação de suas obras, desde Von, o primeiro álbum, que os Sigur Rós se concentram na produção de discos que, mesmo próximos, organizam-se e funcionam de maneiras diferentes. Têm sido álbuns que acabam sempre por partilhar um novo sentimento ou proposta, utilizando uma fórmula básica que serve de combustível a cada nova estreia.

Alguns dias após o excelente concerto no NOS Primavera Sound, os Sigur Rós deram a conhecer um novo tema intitulado Óveður e que marca uma nova inflexão sonora, novamente para territórios mais ambientais e minimalistas, depois da exuberância particlarmente sombria de Kveikur. Este tema já tem direito a um excelente vídeo filmado pelo realizador sueco Jonas Åkerlund e coreografado e interpretado por Erna Ómarsdóttir.

Esta canção e o filme da mesma, além de anteciparem um novo álbum dos Sigur Rós, surgem na sequência de um outro projecto apresentado recentemente pelos islandeses intitulado Route One, um live stream de vinte e quatro horas, emitido em exclusivo no canal YouTube, do grupo e que combina paisagens da Islândia em slow motion com pequenos excertos de música dos Sigur Rós. Confere...


autor stipe07 às 14:48
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Terça-feira, 26 de Janeiro de 2016

John Grant – Grey Tickles, Black Pressure

Dois anos e meio depois do fabuloso Pale Green Ghosts, o canadiano John Grant regressou aos discos perto do ocaso de 2015 com Grey Tickles, Black Pressure, o terceiro registo de originais de um artista que, a solo, demonstra ser um cantor e compositor de inúmeros recursos, utilizados quase sempre para criar composições sonoras com um sabor algo agridoce e expostas num fundo cinza intencionalmente dramático e muitas vezes icónico, geralmente com uma forte componente autobiográfica, não faltando, desta vez, algumas alusões ao seu problema de saúde, conhecido do público em geral (John Grant é portador do vírus HIV).

Produzido por John Congleton, gravado em Dallas e lançado à boleia da insuspeita Bella Union, Grey Tickles, Black Pressure fala de amores não correspondidos e, acima de tudo, da dificuldade que este hoemm, que reside atualmente na Islândia e com quase meio século de vida, continua a sentir para se integrar num mundo que, apesar de mentalmente mais aberto e liberal, continua a ser um lugar estranho para quem nunca hesita em ser implacável, mesmo consigo próprio, na hora de tratar abertamente e com muita honestidade e coragem os seus problemas relacionados com o vício de drogas, distúrbios psicológicos, relacionamentos amorosos traumáticos e o preconceito sofrido por ser homossexual.

Se Grey Tickles é, então, uma alusão direta à questão da meia idade, na tradição islandesa e Black Pressure, refere-se a pesadelo, na linguagem turca, o título clarifica implacavelmente toda a temática acima referida, o cenário denso e intrincado que molda o palco onde Grant desfila a sua existência diária e que encontra paralelo em doze canções de um disco que abre e fecha com trechos bíblicos retirados da Carta de Paulo aos Coríntios, uma intensa ode de celebração do amor coletivo e fraterno e, no fundo, uma referência irónica vinda de um Grant que, como já referi, além de se sentir permanentemente desfocado da realidade concreta, não é propriamente hábil a demonstrar o seu afeto por alguém, apesar de ter um coração enorme e cheio de amor para dar.

Assim, Grey Tickles, Black Pressure está impregnado de lindíssimas baladas, conduzidas por belíssimos arranjos orquestrais e pela voz imponente de Grant. Excelentes exemplo são o tema homónimo, uma canção que fala da arte de envelhecer, ou Global Warming, o grande momento do disco, uma canção com um dramatismo incontrolável, que nos revela uma espécie de apocalipse. Mas também há que escutar atentamente No Morte Tangles, composição conduzida por batidas sintéticas algo incontroladas, que comprovam a mestria compositória do autor.

Mas este disco não é feito só de momentos particularmente sentidos e melancólicos; Os ruídos vintage de Guess How I Know, a voz apelativa e sensual de Amanda Palmer, dos Dresden Dolls, em You And Him, a misteriosa Down Hill, a climática e híbrida Magma Arrives e o minimalismo sintético de Voodoo Doll e Disappointing, tema que conta com a participação vocal de Tracey Horn, são canções que merecem audição dedicada e comprovam a mestria de quem usa a música como um elixir terapêutico para tentar amenizar as experiências trágicas que têm assolado a sua existência.

Em Grey Tickles, Black Pressure, John Grant expôe alguns dos detalhes mais delicados da sua vida, enquanto se aproxima de nós sem pedir compaixão, apenas com o intuito honesto de partilhar vivências e tentar curar as suas feridas internas. E também, quem sabe, fazer com que as suas músicas ajudem alguns de nós que se possam identificar com aquilo que ele já passou e que tem para nos dizer. Espero que aprecies a sugestão...

John Grant - Grey Tickles, Black Pressure

01. Intro
02. Grey Tickles, Black Pressure
03. Snug Slacks
04. Guess How I Know
05. You And Him (Feat. Amanda Palmer)
06. Down Here
07. Voodoo Doll
08. Global Warming
09. Magma Arrives
10. Black Blizzard
11. Disappointing (Feat. Tracey Thorn)
12. No More Tangles
13. Geraldine
14. Outro


autor stipe07 às 21:33
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Segunda-feira, 22 de Junho de 2015

Of Monsters And Men - Beneath The Skin

Três anos após My Head Is An Animal, o excelente disco de estreia que catapultou os islandeses Of Monsters And Men de Nanna Bryndís Hilmarsdóttir, Ragnar þórhallsson, Brynjar Leifsson e Arnar Rósenkranz Hilmarsson para o estrelato e lhes proporcionou longas e bem sucedidas digressões, eles estão de regresso com um novo álbum intitulado Beneath The Skyn, um trabalho produzido pela banda e por Rich Costey e que viu a luz do dia a nove de junho, via Republic.

Um pouco contra a corrente da maioria das propostas musicais que vêm da Islândia, quase sempre com um forte cariz épico e experimental e que se inserem no universo fonográfico alternativo, aquilo que se escuta em Beneath The Skin e nestes Of Monsters And Men é difícil de acreditar que tenha vindo de um lugar tão gelado e remoto, porque é feito por músicos calorosos, divertidos e com uma facilidade singular para elaborar melodias deliciosas. Crystals, o tema que abre o disco e primeiro single retirado do mesmo, ilustra a mensagem positiva da composição e clarifica uma aposta na continuidade relativamente à estreia, numa canção assente num pop rock apoteótico, com uma percussão vibrante e pleno de guitarras e onde cada verso da canção é entoado com sentimento e emoção. A forma coesa como a voz de Nanna e Ragnar se complementam fica evidente também em músicas como a climática e densa Hunger e a sentimental e luminosa Empire. Mas as pérolas, quer vocais quer instrumentais não param por aí. É uma árdua tarefa encontrar alguma faixa de qualidade questionável em Beneath The Skin, já que durante as treze canções que compõem este novo álbum dos Of Monsters And Men, o que se ouve é consistência pura.

É já seguro afirmar que este quarteto islandês representa muito do que de melhor o mercado alternativo e independente tem atualmente para oferecer, à boleia de uma receita repleta de elementos pop misturados com a folk, com as cordas, os metais e o acordeão a assumirem a vanguarda na composição, em todo o alinhamento de Beneath The Skin. Mesmo que em temas como a já referida Hunger ou I Of The Storm exista um clima mais introspetivo, é inevitável apreciar-se, à medida que os temas avançam, o florescer de uma dimensão épica, proporcionada, quase sempre, pelo instrumental do refrão. Esta postura sonora acbaa por provocar uma conexão imedisata entre banda e ouvinte e o cariz raidofónico, acessível e orelhudo do processo de composição melódica, em tudo semelhante ao disco cde estreia, tem o veneno eficaz para congregar uma vasta legião de seguidores entusiastas, aqueles que são ávidos de canções açucaradas, impecavelmente produzidas e que apelam de modo incisivo à grandiosidade do sentimento.

Disco com um enorme sabor a deja vú relativamente a My Head Is An Animal, Beneath The Skin digere-se de modo agradável, com os Of Monsters And Men a explorarem um género sonoro que lhes permite revelar toda a sua alma, sem influências externas ou exigências do mercado, demonstrando um talento invejável e revelando uma alma pura que continua a ter muito a oferecer aqueles que, como eu, estão sempre sedentos por boa música. Espero que aprecies a sugestão...

Of Monsters And Men - Beneath The Skin

01. Crystals
02. Human
03. Hunger
04. Wolves Without Teeth
05. Empire
06. Slow Life
07. Organs
08. Black Water
09. Thousand Eyes
10. I Of The Storm
11. We Sink
12. Backyard (Bonus Track)
13. Winter Sound (Bonus Track)
14. Black Water (Chris Taylor Of Grizzly Bear Remix)
15. I Of The Storm (Alex Somers Remix)


autor stipe07 às 17:55
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Terça-feira, 24 de Março de 2015

Of Monsters And Men – Crystals

Of Monsters And Men - Crystals

Três anos após My Head Is An Animal, o excelente disco de estreia que catapultou os islandeses Of Monsters And Men de Nanna Bryndís Hilmarsdóttir, Ragnar þórhallsson, Brynjar Leifsson e Arnar Rósenkranz Hilmarsson para o estrelato e lhes proporcionou longas e bem sucedidas digressões, estão de regresso com um novo álbum intitulado Beneath The Skyn.

Crystals é o primeiro avanço desse disco e para ilustrar a mensagem positiva da composição, assente num pop rock apoteótico, com uma percussão vibrante e pleno de guitarras, o ator Siggi Sigurjóns surge no video a entoar cada verso da canção com sentimento e emoção. A direção é de Addi Atlondres e Freyr Arnason. Confere...


autor stipe07 às 21:40
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Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2015

Björk – Vulnicura

Quatro anos após o projeto audiovisual Biophilia, a islandesa Björk, para muitos a rainha do universo indie, está de regresso com Vulnicura, um novo disco composto por nove canções, tendo quatro delas sido produzidas pela própria Björk e as restantes por Arca ou The Haxan Cloak.

Trabalho lançado pela One Little Indian, Vulnicura debruça-se, sem rodeios e falsas mensagens implícitas ou figuras de estilo desnecessárias, na separação de Björk do artista Matthew Barney, com a curiosidade de as seis primeiras canções do alinhamento terem o subtítulo Five Months Before, Two Months After e por aí fora, numa cronologia emocional precisa, redigida, de acordo com a artista, durante cerca de um ano. O processo de composição destas músicas, retratando o antes, o depois e a cura, acabou por ser um apoio e uma terapia e a prova biológica de um processo de cura de uma ferida, psicologica e fisicamente, como o extraordinário artwork de Vulnicura tão bem retrata.

Cada vez menos afastada do experimentalismo pop e eletrónico que caraterizou sempre a sua carreira e a posicionar-se com maior ênfase em territórios sonoros mais clássicos e eruditos, em Vulnicura Björk apresenta nove sinfonias impecavelmente produzidas, com uma sonoridade ampla e quase sempre eloquente e grandiosa, havendo mesmo instantes em que existe aquela sensação curiosa, mas estranha, de a própria música parecer fugir um pouco ao controle de quem a cria e ganhar vida própria, como é o caso de Black Lake, que termina com um lindíssimo arranjo de cordas. 

Com os sintetizadores a terem interessante protagonismo no processo de composiçãol melódica, mas a não serem, nem por sombras, atores únicos do disco, Vulnicura tem como maior atributo, a elevada heterogeneidade instrumental, dentro de uma matriz estilística bem definida. History of Touches acaba por ser o tema onde o sintético predomina claramente e de modo isolado, fazendo com que essa canção sobressaia, mas a viagem musical que este disco nos proporciona oferece-nos instantes em que há uma orgânica instalada que deslumbra, com a particularidade das já referidas cordas e a multiplicidade de instrumentos que delas se servem, a serem responsáveis por alguns dos arranjos mais bonitos. O modo como o som dos violinos cresce e nos faz levitar em Family (Existe algum lugar onde eu possa deixar condolências para a morte da minha família?) e como depois o violoncelo embala a voz de Björk despertando-nos, para, finalmente, regressarmos ao estágio inicial de suspensão, é , claramente, o ponto mais alto desta intensidade algo intimista, que as cordas proporcionam e do modo como elas conseguem levar-nos ao encontro de emoções fortes e explosivas, outrora adormecidas, para depois nos serenar, representando, do modo que estão orquestradas, o porto seguro da artista.

Mas regressando ao conceito do disco, se na primeira canções como a confessional Stonemilker, o eufórico desespero de Lion Song e os sintetizadores agressivos da já referida History of Touches, retratam os momentos mais angustiantes, tocantes e surpreendentes, até pelo modo como nos introduzem uma Björk que nunca foi tão clara e direta a expressar a sua vida íntima e privada, acaba por ser na metade final de Vulnicura que a voz da islandesa e a alma e o esplendor do disco melhor sobressaiem, com a soul experimental de Atom Dance, que cruza o que de melhor há na música clássica com a pop e a coabitação entre ritmo e voz em Mouth Mantra, a serem perfeitas. Nesta última, é clara a sensação da transposição da dor de um coração que foi partido para o próprio corpo de Björk e percebe-se que chega a ser difícil para ela até respirar, devido à influência dessa dor. Aliás, em alguns momentos de Vulnicura chega a ser surpreendente o modo como a voz da islandesa conversa connosco e nos confidencia, fazendo-nos sofrer com ela. Por mais depressivos que possam soar as melodias entoadas pela sua voz, é inegável que a cantora nunca antes tinha apresentado um registo vocal tão belo e tão doce.

Em Quicksand é selado o fim de uma grande história de amor e a audição de um exemplar álbum de coerência, impecavelmente e homogéneo, com todos os elementos a convergirem para a audição de uma espécie de diário, com as melodias das canções a serem um simbolismo para páginas rabiscadas, amassadas, rasgadas e marcadas por lágrimas. Em Vulnicura Björk rende-se à sua própria vulnerabilidade, para se livrar dos demónios que a assombram e seguir em frente, curando-se através da composição de música de excelência. Espero que aprecies a sugestão...

Björk - Vulnicura

01. Stonemilker
02. Lionsong
03. History Of Touches
04. Black Lake
05. Family
06. Notget
07. Atom Dance (Feat. Antony)
08. Mouth Mantra
09. Quicksand


autor stipe07 às 23:21
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Domingo, 23 de Novembro de 2014

heklAa - My Name Is John Murdoch

Alsaciano de nascimento, mas inspirado sonoramente por latitudes mais a norte, Sébastien Touraton é um francês apaixonado pela islândia, além de um músico talentoso que adora post rock. Líder do projeto heklAa, o nome de um vulcão islandês, tem um novo álbum intitulado My Name Is John Murdoch, um trabalho inspirado em Dark City, um dos filmes preferidos de Sébastien, mas com referências a outras fitas, nomeadamente o Batman de Tim Burton.

O autor do disco nega que My Name Is John Murdoch seja uma banda sonora alternativa de Dark City mas, na verdade, tendo o filme na mente e escutado estas canções, é possivel fazer um paralelismo entre as duas obras, até porque o alinhamento de nove canções procura recriar o filme, com cada tema a servir como banda sonora de um capítulo da trama, descrita abaixo pelo próprio autor do disco.

heklAa começou a trabalhar no álbum há cerca de dois anos e ideias e sentimentos como a nostalgia, o fim precoce da inocência e a auto-descoberta estão muito presentes nas canções que trespassam esses conceitos para algumas personagens do filme, à medida que a história se desenrola.

Com uma forte componente instrumental e com a voz a servir esencialmente como suporte narrativo, My Name Is John Murdoch tem momentos coloridos e cheios de emoção e, ao mesmo tempo, instantes que se tornam profundamente pensativos, nostálgicos e melancólicos. No entanto, é nos instantes em que o autor pretende recriar uma aúrea mais sombria e dramática que sobressai a sua capacidade de composição e a grandiosidade instrumental que não descura praticamente nenhuma secção ou classe de instrumentos. Das cordas, acústicas e eletrificadas, à percussão, passando pelos instrumentos de sopro, arranjos com metais e efeitos sintetizados que replicam sons de diversas proveniências, Sébastien conseguiu atingir o pleno orquestral e com isso fazer com que My Name Is john Murdoch criasse uma impressionante sensação de beleza e de efeitos contrastantes dentro de nós, além da possibilidade de podermos visualizar a trama.

Claramente apaixonado pela música erudita, heklAa foi corajoso na ideia e no modo como a colocou em prática, apropriando-se de uma forma de experimentação sonora e musical algo inédita, o que atesta a sua enorme capacidade para pintar verdadeiras telas sonoras cheias de vida e cor, utilizando uma fórmula básica que serve de combustível a nuances variadas e harmonias magistrais, onde tudo se orienta de forma controlada, em nove canções avassaladoras e marcantes, claramente à altura do enredo que procuram musicar. Espero que aprecies a sugestão...

The Story.
The movie tells the story of John Murdoch, a music journalist, expert of Miles Davis’ work. After years, he comes back in sirenZ, the big city where he grew up, to cover a set of jazz concerts. As he is walking along the main street, he has the strange feeling that nothing is like it used to be. Did the city change so much? Did he change so much? Did time just go by?

(Episode 1: The Dark City of sirenZ) A whole series of events is going to intensify his conviction that something is wrong: that beautiful woman he meets in the “Hopper’s bar”; he does not know any Selina Kyle, but he could swear that he knows that woman, like a reminiscence from yesteryears, he knows that he had dinner once with her, that they have spent the night after that together, too. (Episode 2: L’Inconnue ) There is also this original recording of Miles Davis’ soundtrack for “Elevator of the Gallows” that he finds in an old music store; as an expert, he knows full well that this milestone in jazz was celebrated in 1958. “Générique”, the perfection of music according to John, this permanent catchy tune in his head could not be just a creation of his own mind. But, the calendar in the store still indicates that John is living in the year 1946… Last but not least, in place of Miles Davis’ music, John discovers a recording made by a Louis Malville who introduces himself as a French movie director. Louis reveals that sirenZ is a shameless lie, a Dark City like many others, where nothing is real. (Générique)

Nothing? What about Shell Beach, this sunny happy place of his childhood, where he used to fly a kite or go sailing and fishing with his father? So many memories of brighter times… (Episode 5: Remembering Shell Beach)
After days of investigating, at last, John finds out the truth, as he is walking by a souvenir shop. Behind the window, a glass snow ball representing sirenZ. He understands, terrified, that this is not just a trinket for tourists, but reality: The city is lying in the depths of the sea, under a giant bell. (Episode 3: The Dome) Shell Beach does exist, but only in his head, nothing more than pretty pictures in a photo album. Why? When? How? John will never get the answer. (Episode 4: Dance with the Shadows)
John’s world has collapsed. (Ep 7: Say hurray! ‘cause it’s the End of the World!). Now that he knows the whole truth, what comes next? Should he tell everything and run the risk of becoming a curse, an incurable decease for everyone in the city? Should he just live a normal, quiet life by the woman he loves? No, he will not be a tragic hero. He knows who he is. (Episode 6: My name is John Murdoch). Selina is waiting for him. (Epilogue).

 


autor stipe07 às 19:07
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Segunda-feira, 22 de Setembro de 2014

Starwalker – Losers Can Win EP

Editado já a dezoito de março via Prototyp Recording & Bang ehf e disponivel para escutaLosers Can Win é o nome do EP de estreia dos Starwalker, uma dupla maravilha que junta dois ícones da pop dos nossos dias, nada mais nada menos que Jean-Benoit Dunckel (Air) e o compositor islandês Bardi Johannsson (Bang Gang, Lady & Bird).


Quando os Air vivem um hiato, Dunckel costuma aventurar-se, muitas vezes anonimamente, em outros projetos alternativos, que quase sempre se situam na zona de conforto sonora proposta pela banda a que pertence e que também incluem a composição de bandas sonoras. Um desses devaneios foi Darkel, o seu projeto a solo de 2006 que germinou o disco homónimo Darkel. E em 2013, surgiram os Tomorrow's World, cujo nome era inspirado numa antiga e famosa série televisiva britânica e onde ele deu as mãos à lindíssima Lou Hayter, dando origem a uma dupla cheia de charme e de onde só poderia vir algo muito requintado, como aquilo que foi apresentado nas onze canções do homónimo de estreia desse projeto.

Agora, em Losers Can Win, predominam as reminiscências da dupla de Versailles, nos arredores de Paris, com a eletrónica muito presente, essencialmente na versão mais calma, melódica e clássica, sendo Bad Weather um tema fortemente apelativo para quem aprecia o período mais recente da carreira dos Air e as cordas luxuriantes do tema homónimo, uma porta de entrada privilegiada para quem sente saudades do período inicial aúreo da dupla francesa. 

As cinco canções deste EP são construídas de forma particularmente inspirada no modo como unem a orgânica vocal de Dunckel com uma sintetização que, carregada de efeitos de piano, metais, bateria e outros elementos sonoros nem sempre claramente percetíveis e que funiconam como simples mas preciosos detalhes na manta sonora apresentada, facilmente nos tiram do chão em direção ao espaço. É uma música espacial e inventiva, equilibrada com a rigidez contemplativa kraftwerkiana,o pendor cinematográfico de um Brian Eno e a serenidade típica dos Air e mesmo que Dunckel tenha aqui deixado que Bardi fosse um parceiro ativo no processo de criação melódica, predomina muito do estilo eletrónico típico dos Air, com a bela voz de Dunckel a casar muito bem com as viagens climáticas e etéreas que a dupla compôs.

Seja quando, por exemplo em Losers Can Win, existe um apelo para o movimento new wave mais dançante, ou quando Moral Sex sobrevive com notável sobriedade à custa de lindíssimos efeitos plenos de influências bem vincadas do krautrock, Losers Can Win é uma excelente banda sonora para uma viagem noturna pelas ruas de uma cidade e este é, quanto a mim, um projeto que reúne dois músicos de talento e que, por isso, pode vingar no futuro. Espero que aprecies a sugestão...

Starwalker - Losers Can Win

01. Losers Can Win
02. Bad Weather
03. Moral Sex
04. Losers Can Win (All That You’ve Got)
05. Bad Weather (Bloodgroup Remix)


autor stipe07 às 22:43
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Sexta-feira, 5 de Setembro de 2014

heklAa - Songs In F.

Alsaciano de nascimento, mas inspirado sonoramente por latitudes mais a norte, Sébastien Touraton é um francês apaixonado pela islândia, além de um músico talentoso aapixonado pelo post rock. Líder do projeto heklAa, o nome de um vulcão islandês, ele fez chegar à nossa redação Songs In F., um EP com quatro canções que o músico idealizou e compôs inspiradas na viagem que fez à Islândia em 2010, onde esteve retido devido à famosa erupção vulcânica do vulcão Eyjafjallajökull. Por exemplobAck to jokulsArlon, a canção de abertura do EP, é uma verdadeira visita guiada sonora às maravilhas naturais da localidade que dá nome à canção.

Tanto essa como as outras três canções que compôem Songs In F. impressionam pelo charme e pela limpidez exata com que transparecem o ambiente típico da ilha mais a norte do nosso continente, quase trinta minutos em que podemos facilmente imaginar os espaços, as cores e os cheiros que inspiraram Touraton e que se aprimoram numa elegância altiva, potenciada pelo cunho sentimental com que o compositor abraça a míriade sonora de que se serviu para compôr.

Com uma forte componente insturmental e uma ausência algo sentida da voz, este EP disponível no bandcamp, tem momentos coloridos e cheios de emoção e, ao mesmo tempo, instantes que se tornam profundamente pensativos, nostálgicos e melancólicos. E esta dupla sensação é um dos maiores trunfos de Songs In F., já que cria uma impressionante sensação de beleza e de efeitos contrastantes dentro de nós. Falo seguramente de um EP carregado de contrastes, mas que não deixa de seguir uma linha condutora homogénea que se define por uma deriva entre a componente orquestral, quase sempre assente em simples pianos assombrados por prodigiosos arranjos de cordas, que se fundem com novos e antigos estilos sonoros e elementos típicos da eletrónica.

Em Songs In F. e em particular na magnífica thousAnds of comets Are fAlling down on eArth, o meu tema preferido do EP, Sebastién aproxima-se com vigor da chamada música erudita, usando-a com o mesmo à vontade com que tantos outros se apropriam de quaisquer outras formas de experimentação sonora e atesta a sua enorme capacidade para pintar verdadeiras telas sonoras cheias de vida e cor, utilizando uma fórmula básica que serve de combustível a nuances variadas e harmonias magistrais, onde tudo se orienta de forma controlada, como se todoâ os instrumentos que ele utiliza fossem agrupados num bloco único de som chamado Islândia, um país que afinal também pode ser além de um pedaço de território vulcÂnico onde vive um povo resistente e milenar, quatro canções avassaladoras e marcantes e com uma sonoridade única e peculiar. Espero que aprecies a sugestão...

  • bAck to jokulsArlon
  • thousAnds of comets Are fAlling down on eArth
  • oceAns
  • being steindor Andersen


autor stipe07 às 21:50
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Quarta-feira, 9 de Julho de 2014

Low Roar – 0

Low Roar é o projeto a solo de um músico chamado Ryan Karazija, que depois de alguns anos em São Francisco, na Califórnia, a tentar dar vida à banda Audrye Sessions, decidiu atravessar o Atlântico e instalar-se em Reiquiavique, capital da Islândia. Finalmente aí conseguiu o seu momento Cinderela, sendo o frio mas inspirador ambiente local o sapato onde a sua música conseguiu encaixar. Assim, a um de novembro de 2011, lançou o seu disco de estreia homónimo através da Tonequake Records e agora, dois anos e meio depois, já há sucessor; O, o sempre difícil segundo álbum de Low Roar, chegou aos escaparates no passado dia oito de julho, através da mesma etiqueta do primeiro.

Não sei se a culpa é do longo e rigoroso inverno, das paisagens rochosas, ou das águas das inúmeras nascentes que banham aquela ilha, mas há algo de incrível naquela atmosfera e que pelos vistos inspira decisivamente à criação musical. E depois de tantos anos de busca, parece que foi mesmo na Islândia que este artista introvertido mas cheio de talento, parece ter encontrado a sua redenção sonora.

0 utiliza os mesmos arranjos orquestrais e o clima místico de Low Roar, mas Ryan perdeu alguma da timidez inicial e agora surpreende-nos com um clima mais agressivo, aberto, ambiental e orquestral. Se Low Roar era um álbum com nuances variadas e harmonias magistrais, onde tudo se orientava de forma controlada, como se todos os instrumentos fossem agrupados num bloco único de som, em 0 mantêm-se as harmonias magistrais e o disco pode ser também escutado com um único bloco de som, mas é dada uma maior liberdade e volume ao arsenal instrumental de que Low Roar se serve para recriar as treze canções de um disco invulgarmente longo, com canções intensas e que são certamente resultado de um período de intensa inspiração nas vida de Ryan.

Cada canção deste 0 é uma tela brilhante, lentamente pintada com sons onde a música parece mover-se através de um ambiente carregado daquela típica neblina destas frias manhãs de inverno. A abertura do disco com Breathe In, coloca-nos imediatamente num universo místico ou imerso no mesmo plano gracioso que move um músico que gosta certamente de realizar um som totalmente bucólico, épico e melancólico, feito com a viola eo violino e que sirva de banda sonora para um mundo paralelo cheio de seres fantásticos e criaturas sobrenaturais, apesar dos diferentes ruídos que vão sendo adicionados parecerem ter sido extraídos do próprio subsolo desta ilha vulcânica o que projeta também na canção um som acizentado e urbano, mais terra a terra.

A guitarra liga-se à corrente em Easy Way Out e a melancolia instala-se em nosso redor, assim como o desejo profundo de contemplação dos nossos maiores medos, já que esta parece ser uma canão convidativa ao exercício de exorcização plena dos mesmos, principalmente quando a melodida se expande com a adição de instrumentos de sopro e uma bateria mais marcada que amplia o cariz épico do tema. Basta escutar-se a forma como ele conjuga a voz com os diferentes instrumentos de Nobody Loves Me Like You, o single do disco, para se ficar verdadiramente impressionado, não só com a musicalidade criada, mas também com a intemporalidade da mesma e a centelha criativa que a sustenta. Depois, I'll Keep Coming é comandada por um som sintetizado lúguebre e rugoso, que aliado às cordas e a uma percussão vincada, dá um tom fortemente eletrónico à canção e juntamente com os timbres de voz de Ryan, consegue trazer a oscilação necessária para transparecer mais sentimentos, fazendo dela mais um momento obrigatório de contemplar em 0. Esta fórmula algo minimalista mas extremamente eficaz, onde às cordas e à componente sintética vão sendo adicionados ruídos e pequenos sons num permanente crescendo, repete-se graciosamente em Please Don't Stop (Chapter I) e Please Don't Stop (Chapter II).

Esta sequência inicial acaba por ser o momento nevrálgico do álbum que, como se percebe, tem como um dos pontos fortes de Low Roar a  voz, que eleva-se ao máximo da beleza intemporal, num registo a fazer-me lembrar os melhores momentos de Thom Yorke em Numb ou Street Spirit (Fade Out) e a postura de Jónsi em Valtari, um dos trabalhos mais recentes dos Sigur Rós. Ryan é decididamente um especialista na criação de canções lacrimejantes e que transportam as nossas emoções para um estado emocional que pode parecer depressivo, à imagem dos conterrâneos islandeses, mas que acaba por ser libertador.

0 é um álbum com nuances variadas e harmonias magistrais, onde tudo se orienta de forma controlada, como se todos os instrumentos fossem agrupados num bloco único de som. Quando chega ao fim ficamos com a sensação que acabou-nos de passar pelos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que, por tudo isso, deixou marcas muito positivas e sintomas claros de algum deslumbramento perante a obra. Algumas canções soam a uma perfeição avassaladora e custa identificar um momento menos inspirado nesta rodela, o que faz de 0 uma das grandes referências para os melhores álbuns do ano. Espero que aprecies a sugestão... 

Low Roar - 0

01. Breathe In
02. Easy Way Out
03. Nobody Loves Me Like You
04. I’ll Keep Coming
05. Half Asleep
06. Please Don’t Stop (Chapter 1)
07. I’m Leaving
08. In The Morning
09. Phantoms
10. Anything You Need
11. Dreamer
12. Vampire On My Fridge
13. Please Don’t Stop (Chapter 2)


autor stipe07 às 22:06
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Segunda-feira, 14 de Abril de 2014

Sigur Rós - The Rains of Castamere (Game Of Thrones cover)

Já há alguns meses tinha sido anunciado que os Sigur Rós iriam ter uma participação especial da quarta temporada da aclamada série Game of Thrones e, além disso, a gravação de um tema para a banda sonora também era algo expetável. Na verdade, depois de os The National já o terem feito, agora chegou a vez do grupo islandês divulgar a sua versão do tema The Rains Of Castamere, que faz parte da banda sonora da série. Confere...


autor stipe07 às 11:29
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Sexta-feira, 17 de Janeiro de 2014

Tilbury – Northern Comfort

Os Tilbury são uma banda islandesa de Reykjavík formada pelo baterista Þormóður Dagsson (Skakkamange, Jeff Who?, Hudson Wayne) no verão de 2010. Inicialmente foi pensado como um projeto a solo intitulado Formadur Dagsbrunar, mas rapidamente projetou-se para uma banda quando a Dagsson se juntaram Kristinn Evertsson (sintetizadores e teclados), Örn Eldjárn (guitarra e voz), Magnús Trygvason Eliassen (bateria) e Guðmundur Óskar Guðmundsson (baixo). O disco de estreia chegou em maio de 2012; Chamava-se Exorcise, foi editado pela Record Records e divulgado por cá. Entretanto já há sucessor; O novo trabalho dos Tilbury intitula-se Modern Comfort e também viu a luz do dia por intermédio da Record Records.

Os Tilbury são uma espécie de super grupo já que aglomera intérpretes que fizeram uma carreira musical consistente noutros projetos importantes do panorama musical local. Um belo exemplo da típica simpatia nórdica, fizeram questão de me enviar o disco de estreia quando souberam da divulgação do mesmo no blogue e por isso havia uma elevada expetativa da minha parte em relação ao novo trabalho desta banda islandesa. De facto, a audição de Northern Comfort remete-nos de imediato para nomes tão fundamentais como, por exemplo, os Belle And Sebastian, até porque os próprios Tilbury confessaram ser uma banda de folk pop. Mas é importante não cair na fácil tentação de avaliar o álbum apenas através dessa bitola, já que  neste Northern Comfort, escuta-se, com alguma insistência, vários detalhes sonoros que nos remetem para uma pop ainda mais etérea, sonhadora e gratificante, da qual os Mercury Rev, por exemplo, são um dos expoentes máximos, mas onde também não faltam arranjos que plasmam uma faceta mais rock, o que faz com que este disco esteja cheio de verdadeiras pérolas sonoras!

À semelhança do disco de estreia, Northern Comfort explora diferentes géneros e novas avenidas musicais, sabe aqueles dias primaveris, feitos com um sol ainda algo tímido e que acorda após um longo inverno; É um álbum fascinante, oriundo de um país que, musicalmente, tem uma comunidade de artistas muito díspar, criativa e flexível, que raramente desilude e que merece toda a tua atenção. Espero que aprecies a sugestão...

Tilbury - Northern Comfort

01. Deliverance
02. Frozen
03. Hollow
04. Turbulence
05. Cool Confrontation
06. Northern Comfort
07. Animals
08. Shook Up
09. Great Expectations
10. Transmission

 


autor stipe07 às 19:09
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Domingo, 5 de Janeiro de 2014

Axel Flovent - Your Ghost EP

Natural de Húsavik, na costa norte da Islândia, Axel Flóvent é um dos nomes emergentes da indie folk daquele país nórdico, um músico e compositor que com dezoito anos começou a criar a sua própria música, nomeadamente Your Ghost, o seu mais recente EP, editado a dezassete de outubro de 2013 e disponível para download gratuito no bandcamp do músico, assim como outros dois EPs, Sea Creatures e Narrow-Minded, disponíveis abaixo para audição.

A música de Axel Flóvent é fortemente influenciada pelas paisagens simultaneamente espetaculares e melancólicas de uma Islândia que viveu séculos de isolamento e dificuldades e onde reside uma pequena mas homogénea população, com traços peculiares de caráter, bem expressos na cândura orgânica e introspetiva das suas canções.

Falo de uma indie predominantemente acústica, com forte vínculo à folk moderna, mas onde também cabem detalhes a arranjos eletrónicos. Assim, Your Ghost é uma coleção rica de quatro belas canções, todas escritas por Axel e compostas certamente em dias curtos e longas e frias noites, onde terá sido intensa e constante a procura de harmonias o mais doces e transparentes possíveis.

Com tantas bandas e artistas a fazer atualmente a dita indie folk, é refrescante encontrar alguém que o faz de forma diferente e com músicas profundas e poderosamente bem escritas. A belíssima canção folk homónima é o primeiro single retirado deste EP, uma das mais bonitas baladas que escutei recentemente, feita de infecciosas harmonias vocais e uma melodia magistral.

A música de Axel Flóvent é uma espécie de pintura sonora carregada de imagens evocativas, pintadas com melodias acústicas bastante virtuosas e cheias de cor e arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos, que provam a sensibilidade desta músico islandês para expressar pura e metaforicamente a fragilidade humana. E não restam dúvidas que Axel Flóvent combina com uma perfeição raramente ouvida a música pop com sonoridades mais clássicas. Esperoque aprecies a sugestão...

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autor stipe07 às 15:21
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