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Sigur Rós – Sigur Rós Presents Liminal Sleep

Quinta-feira, 15.08.19

O sono é talvez a atividade humana que ainda carece de maior profundo conhecimento, acerca não só da sua função e dos benefícios que traz para o funcionamento do nosso organismo, mas também do modo como se processa e as caraterísticas essenciais dos diferentes ciclos que contém. Isso não impediu que os islandeses  Sigur Rós, provavelmente os maiores responsáveis por toda uma geração de ouvintes se ter aproximado da música erudita ou de quaisquer outras formas de experimentação e estranhos diálogos que possam existir dentro do campo musical, procurassem criar uma espécie de banda sonora perfeita para uma sessão de sono completa, tendo nascido assim Sigur Rós Presents Liminal Sleep, um alinhamento de nove canções pensadas para as diferentes fases do nosso sono, de modo a tornar essa necessidade fisiológica fundamental ainda mais reconfortante e bem sucedida ( we like the fact that sleep remains defiantly mysterious; something we all do — all need to do — but can’t ever get fully inside. this playlist is a modest attempt to mirror the journey of a sleep cycle, with its curves, steady states and natural transitions. - Jónsi, Alex Somers & Paul Corley).

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Cada uma das nove composições de Sigur Rós Presents Liminal Sleep, representa um momento específico do ciclo do sono e nelas todas as opções instrumentais, predominantemente sintéticas e minimalistas, se orientaram de forma controlada. Assim, todos os detalhes escutados funcionam como um todo, agregados em nove composições que não deixam de ser um bloco único de som que dá cor, movimento e substância à exuberância natural de um dos pilares essenciais da nossa existencia enquanto organismos vivos e que se querem saudáveis. 

Na verdade, neste Sigur Rós Presents Liminal Sleep, os Sigur Rós acabaram por criar um alinhamento musical com um objetivo eminentemente funcional, mas que não deixa de ter uma vincada veia de sensibilidade e emoção. Se a música, como forma eminente de manifestação artística, teve sempre, ao longo da história do homem, seu criador privilegiado, uma faceta bastante recreativa e se culturalmente essa função este sempre um pouco acima de todas as outras, estas nove canções foram idealizadas como elixir soporífero relaxante e meditativo, ou seja, são, na minha modesta opinião, um bom remédio para quem tenha insónias ou outros distúrbios de sono.

Em suma, Sigur Rós Presents Liminal Sleep é claramente capaz estar presente e de ir ao encontro da necessidade intuitiva que todos nós temos de dormir, utilizando essa atividade como arma capaz não só de fazer o nosso corpo descansar e recarregar baterias mais também de modular o nosso humor, sendo, esse mesmo sono, por excelência, o refúgio onde podemos encontrar, também sonoramente, a pura realização feliz e plena desse preenchimento interior.

O resultado final deste trabalho sui generis é um falso minimalismo ambiental que desafia os nossos sentidos, segundo após segundo, tal é a opulência sonora de detalhes, ruídos e efeitos que cruzam as melodias, uma receita que não soará particularmente estranha a quem já está devidamente identificado com a discografia dos Sigur Rós e percebe que há aqui o apelo da novidade, mas sem abandonar a essência. Espero que aprecies a sugestão...

Sigur Rós - Sigur Rós Presents Liminal Sleep

01. Sleep 1
02. Sleep 2
03. Sleep 3
04. Sleep 4
05. Sleep 5
06. Sleep 6
07. Sleep 7
08. Sleep 8
09. Sleep 9

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publicado por stipe07 às 15:01

Of Monsters And Men – Fever Dream

Domingo, 28.07.19

Chama-se Fever Dream o novo álbum dos islandeses Of Monsters And Men de Nanna Bryndís Hilmarsdóttir, Ragnar þórhallsson, Brynjar Leifsson e Arnar Rósenkranz Hilmarsson, um trabalho que viu a luz do dia à boleia da etiqueta Republic Records e que sucede ao aclamado registo Beneath The Skin, lançado em dois mil e quinze.

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Imagine-se Reiquiavique em hora de ponta e um cruzamento onde estão parados projetos como os The Naked and Famous, Dirty Projectors, Childish Gambino e Katy Perry. Os semáforos avariam, todos chocam no centro do cruzamento e dessa explosão sónica acidental nasce Fever Dream, um disco produzido pela própria banda e por Rick Costey e que foi idealizado quase integralmente por Nanna Bryndís Hilmarsdóttir, um exercício de escrita e composição que a própria vocalista já confessou ter sido particularmente exaustivo. O modus operandi foi o uso da guitarra acústica como instrumento fundamental do processo de criação do arquétipo melódico dos temas e depois o adorno das mesmas foi feito através do uso assertivo de um sintetizador caseiro. A partir daí, num caminho simbiótico entre o orgânico e o sintético, ganhou vida e cor um alinhamento que tem no tema Alligator, uma vibrante composição que agrega impecavelmente a filosofia sonora do disco, o seu ponto fulcral, mas também outros momentos de particular destaque. Um deles é Wild Roses, uma canção com um elevado cariz reflexivo e melancólico, que inicia com um melodia ao piano bastante aditiva, mas que depois se expande num pop rock apoteótico, através de guitarras pulsantes e sintetizadores plenos de epicidade,  à medida que a interpretação vocal de Nanna Hilmarsdóttir ganha entusiasmo e sentimento. Depois, a homenagem que é feita à beleza natural do país da banda em Róróró, a luminosidade do eletropop que edifica Waiting For The Snow, a canção do registo em que melhor ressoam os exímios recursos vocais de Nanna e a impecável performance percurssiva que temas como Ahay e Stuck In Gravity plasmam com superior quilate, são instantes que reforçam a consistência pura de um alinhamento que é também um tratado daquele pop rock apoteótico que se define com uma percussão vibrante e pleno de guitarras e onde cada verso de cada canção é entoado com sentimento e emoção.

Disco que deixa definitivamente de parte aquela pitada folk rock que fez sempre parte do adn dos Of Monsters and Men e que marcou os antecessores My Head is an Animal e Beneath the Skin, Fever Dream aposta definitivamente e em exclusivo naquela pop dançante e efusiva, uma nova postura sonora que acaba por provocar uma conexão imediata entre banda e ouvinte. O seu próprio cariz radiofónico, acessível e orelhudo tem o veneno eficaz para congregar uma vasta legião ainda maior de seguidores entusiastas e ávidos de canções impecavelmente produzidas e que apelem de modo incisivo à grandiosidade do sentimento, confirmando que este quarteto islandês representa muito do que de melhor o mercado alternativo e independente tem atualmente para oferecer. Espero que aprecies a sugestão.

Of Monsters And Men - Fever Dream

01. Alligator
02. Ahay
03. Róróró
04. Waiting For The Snow
05. Vulture, Vulture
06. Wild Roses
07. Stuck In Gravity
08. Sleepwalker
09. Wars
10. Under A Dome
11. Soothsaye

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publicado por stipe07 às 11:00

Of Monsters And Men – Wild Roses

Sábado, 13.07.19

Of Monsters And Men - Wild Roses

Chama-se Fever Dream o novo álbum dos islandeses Of Monsters And Men de Nanna Bryndís Hilmarsdóttir, Ragnar þórhallsson, Brynjar Leifsson e Arnar Rósenkranz Hilmarsson, um trabalho com edição prevista no final deste mês de julho, à boleia da etiqueta Republic Records e que já tem alguns dos seus temas editados em formato single.

O single mais recente divulgado de Fever Dream é Wild Roses, uma canção com um elevado cariz reflexivo e melancólico, que inicia com um melodia ao piano bastante aditiva, mas que depois se expande  num pop rock apoteótico, através de guitarras pulsantes e sintetizadores plenos de epicidade,  à medida que a interpretação vocal de Nanna Hilmarsdóttir ganha entusiasmo e sentimento. Confere...

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publicado por stipe07 às 11:30

Sigur Rós - Ágætis byrjun (A Good Beginning); 20th Anniversary Deluxe Edition

Quarta-feira, 12.06.19

Os islandeses Sigur Rós são provavelmente os maiores responsáveis pela geração a que pertenço se ter aproximado da música erudita ou de quaisquer outras formas de experimentação e de estranhos diálogos que possam existir dentro do campo musical. Ao lado da conterrânea Björk, este quarteto, entretanto reduzido a trio, não apenas colocou a Islândia no mapa dos grandes expoentes musicais, como definiu de vez o famigerado pós rock, género que mesmo não sendo de autoria da banda, só alcançou o estatuto e a celebração de hoje graças, em grande parte, ao rico cardápio instrumental que este grupo conseguiu alicerçar nas mais de duas décadas que já leva de existência.

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Adeptos da constante transformação de suas obras, desde Von, o primeiro álbum, que os Sigur Rós se concentram na produção de discos que, mesmo próximos, organizam-se e funcionam de maneiras diferentes. Têm sido álbuns que acabam sempre por partilhar um novo sentimento ou proposta, utilizando uma fórmula básica que serve de combustível a cada nova estreia.

Apesar dessa brilhante estreia chamada Von, acabou por ser Ágætis Byrjun, o sucessor, que colocou o grupo islandês definitivamente nos holofotes, uma obra introspectiva, misteriosa, cinematográfica e conceptual, que muitas vezes parece ecoar de forma suja, mas que contém uma inolvidável subtileza angelical, um disco repleto de propostas estilísticas únicas, nuances variadas e firmado em harmonias magistrais que fazem do seu alinhamento de dez canções um dos mais belos da história da música.

Hoje faz vinte anos que Ágætis Byrjun viu a luz do dia, uma data que não passará em claro para todos os amantes e seguidores do indie alternativo e que a banda também quis assinalar com toda a pompa e circunstância a efeméride. Para isso, surgirá brevemente nos escaparates uma edição de luxo do disco que, além do alinhamento original, irá conter mais três horas de demos, gravações ao vivo e versões alternativas de todas as dez composições de  Ágætis Byrjun, distribuidas por três discos de vinil e que foram subtraídas dos arquivos particulares dos músicos. De realçar que alguns temas já nem faziam memória da própria banda, que só voltou a recordar-se das mesmas depois que começou a preparar esta reedição.

Este lançamento comemorativo de Ágætis Byrjun também inclui o concerto que os Sigur Rós deram neste mesmo dia, há vinte anos atrás, na sala Íslenska Óperan (the Icelandic Opera House), um espetáculo de noventa e cinco minutos que nunca foi reproduzido nem visionado antes e que será hoje mostrado na íntegra, através do canal de youtube da banda, a partir das 22 horas. Nesse concerto ainda tocou Águst Gunnarsson, o primeiro baterista da banda, juntamente com Jón Thor Birgisson, Georg Holm e Kjartan Sveinsson, que oficialmente só se juntou à banda no ano seguinte, em dois mil.

Quando o coração é paciente e sabe que na vida há momentos únicos pelos quais vale a pena esperar, mais claras são as boas sensações que nos preenchem quando os instantes pelos quais tanto esperámos estão ali, ao nosso lado e à nossa frente, ao mesmo tempo, no mesmo espaço físico e temporal. E às vezes estão num simples disco. Há quem vibre com um bom filme quando determinadas imagens projectadas numa tela negra, reais ou cheias de ficção, mexem com todos os nossos sentidos, nos arrepiam e nos dão momentos momentâneos de pura felicidade! Isso acontece-me com frequência em canções como Svefn-g-englarOlsen Olsen ou Viðrar vel til loftárása, no fundo durante a audição de um álbum que é um refúgio onde consigo encontrar sonoramente a pura realização feliz e plena desse preenchimento interior.

Confere o conteúdo desta edição especial de Ágætis Byrjun já, disponível no bandcamp dos Sigur Rós e que, como já disse, terá também edição física muito em breve.

live at íslenska óperan 1999

Intro

Von
Syndir Guðs
Flugufresarinn
Olsen Olsen
Ágætis byrjun
Viðrar vel til loftárása
Svefn-g-englar
Ny batterí
Nýja lagið
Hafssól

demos, rarities and early live recordings

Svefn-g-englar   (Live at Popp í Reykjavík, 1998)
Starálfur   (Original speed version)
Flugufrelsarinn   (1998 Demo)
Ný batterí   (Instrumental)
Hjartað hamast (bamm bamm bamm)   (1995 Demo)
Viðrar vel til loftárása   (Alternative ending)
Olsen Olsen   (1998 Demo)
Ágætis byrjun   (1998 Demo)
Hugmynd 1   (1998 Demo)
Hugmynd 2   (1998 Demo)
Hugmynd 3   (1998 Demo)
Debata mandire   (Live at Laugardashöll, 1999)
Rafmagnið búið   (From Ný batterí EP, 2000)

 

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publicado por stipe07 às 16:15

John Grant – Love Is Magic

Segunda-feira, 29.10.18

Quase três anos depois do excelente Grey Tickles, Black Pressure, o canadiano John Grant regressou aos discos com Love Is Magic, o quarto registo de originais de um artista que, a solo, demonstra ser um cantor e compositor de inúmeros recursos, utilizados quase sempre para criar composições sonoras com um sabor algo agridoce e expostas num fundo cinza intencionalmente dramático e muitas vezes icónico e geralmente com uma forte componente autobiográfica. Este Love Is Magic não foge à regra, num alinhamento de dez canções que nos apresenta, uma vez mais, uma personagem muitas vezes ambígua, mas sempre determinada nas suas crenças e convicções acerca de um mundo que, apesar de mentalmente mais aberto e liberal, continua a ser um lugar estranho para quem nunca hesita em ser implacável, mesmo consigo próprio, na hora de tratar abertamente e com muita honestidade e coragem os seus problemas relacionados com o vício de drogas, distúrbios psicológicos, relacionamentos amorosos traumáticos e o preconceito.

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Cada vez mais requintado no modo como se serve de um vascato cardápio de sintetizações e efeitos no momento de compor, um John Grant mais otimista, convencido, confiante e festivo, criou uma nova coleção de inspiradas e lindíssimas composições, conduzidas por notáveis arranjos orquestrais, apresentados logo em Metamorphosis, uma composição tremendamente cinematográfica e plena de variações rítmicas e melódicas e que também impressiona pelo modo como a voz é sistematicamente modificada. Depois, o dramatismo incontornável do tema homónimo, o clima algo tumultuoso de Tempest, a toada retro de Preppy Boy, a pop luminosa de He's Got His Mother Hips  e o vigor algo punk de Diet Gum, são temas que nos inserem num clima de festa e celebração, num mundo muito rosa mas onde podem entrar todos aqueles que têm uma mente aberta e uma predisposição natural para não julgarem nem colocarem entraves ou preconceitos, mas antes deixarem-se levar por uma onda sonora inspirada rumo à diversão pura e genuína.

Love Is Magic oferece-nos, em suma, um John Grant cada vez mais lânguido e libidinoso e virado para a tecnologia, em dez composições que reforçam a sua mestria compositória, o seu ecletismo cada vez mais abrangente e, principalmente, o modo eficaz como usa a música como um elixir terapêutico para tentar amenizar as experiências intensas que vão assolando a sua existência. Espero que aprecies a sugestão...

John Grant - Love Is Magic

01. Metamorphosis
02. Love Is Magic
03. Tempest
04. Preppy Boy
05. Smug Cunt
06. He’s Got His Mother’s Hips
07. Diet Gum
08. Is He Strange
09. The Common Snipe
10. Touch And Go

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publicado por stipe07 às 20:52

Sigur Rós - Route One

Segunda-feira, 30.04.18

No solstício de verão de 2016, o dia com mais horas de sol desse ano (o que na Islândia significa que praticamente nunca fica de noite, devido à sua posição sobre o Círculo Polar Ártico) os Sigur Rós embarcaram num interessante projeto designado Route One para mostrar as paisagens da sua terra Natal. Conduziram durante as vinte e quatro horas desse dia pelos mil trezentos e trinta e dois quilómetros da Route One, a estrada que envolve toda a costa do país, motivo pelo qual é também chamada de Ring Route e gravaram essa viagem, cujos filmes, disponíveis no canal de youtube da banda, são uma verdadeira visita guiada por idílicas paisagens e uma bela maneira de ficar a descobrir a Islândia. A essas imagens acabaram por juntar várias melodias que depois de terem sido editadas e comprimidas, resultaram em pouco mais de quarenta minutos de música, divididos em oito faixas, que acabam de ser publicadas, sem aviso prévio, pela XL Recordings, materializando a banda sonora dessa incrível e curiosa jornada.

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Cada uma das oito composições de Route One, o oitavo disco da carreira do grupo islandês, representa um ponto específico da ilha, na forma de coordenadas. Assim, se 63º32’43.7″N 19º43’46.3″W refere-se a Steinahellier Cave, uma caverna encrustada na rocha, no sul da ilha, junto ao lago Holtsós, já 63º47’36.2″N 18º02’16.9″W é numa pequena ilha logo a seguir ao posto de gasolina de ÓB Kirkjubæjarklaustur, perto de Skaftárhreppur, por onde passa a Route One, um pouco a leste do primeiro ponto, 64º02’44.1″N 16º10’48.5″W são as coordenadas da ponte sobre o encontro do lago Jökulsárlón e o mar e 64º08’43.3″N 21º55’38.8″W o ponto de partida, em Reykjavík, só para referir alguns exemplos.

Sonoramente, Route One é um disco onde tudo se orienta de forma controlada, como se todos os detalhes instrumentais escutados, de forte cariz orgânico, fossem agrupados num bloco único de som que dá voz à exuberância natural de um país forjado à milhões de anos a fogo vulcânico e constantemente banhado por gelo. A Islândia é um dos locais do globo onde os quatro elementos melhor se revelam (água, terra, fogo e ar) e de forma mais extraordinária coabitam. Os Sigur Rós percebem melhor do que ninguém esta maravilhosa constatação que é um dos pilares fundamentais da essência de um país e de um povo e musicaram-na dando a maior liberdade possível ao arsenal instrumental de que se serviram, eminentemente sintético, para recriar as oito coordenadas. O resultado final é um falso minimalismo ambiental que desafia os nossos sentidos segundo após segundo, tal é a opulência sonora de detalhes, ruídos e efeitos que cruzam as melodias, uma receita que não soará particularmente estranha a quem já está devidamente identificado com a discografia dos Sigur Rós e percebe que há aqui o apelo da novidade, mas sem abandonar a essência.

Em suma, à medida que Route One avança e nos dilacera por dentro, testemunhamos euforicamente um intenso impacto lisérgico, num exercício musical que certamente será do agrado de quem não se importa de descobrir uns Sigur Rós mais crus, diretos e psicadélicos, mas que não deixam, mesmo assim, de nos fazer flutuar num universo de composições etéreas e sentimentalmente atrativas. Espero que aprecies a sugestão...

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63º32’43.7″N 19º43’46.3″W
63º47’36.2″N 18º02’16.9″W
64º02’44.1″N 16º10’48.5″W
64º08’43.3″N 21º55’38.8″W
64º46’34.1″N 14º02’55.8″W
65º27’29.1″N 15º31’56.0″W
65º30’17.9″N 18º37’01.3″W
65º38’27.9″N 20º16’56.9″W

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publicado por stipe07 às 21:16

Björk – Utopia

Terça-feira, 28.11.17

Uma das caraterísticas mais marcantes da carreira da islandesa Björk é não só mostrar o quanto o cenário musical do país de onde é originária é inspirador, mas ela ser também, por si só, uma verdadeira fonte de inspiração para imensos artistas. Recentemente envolvida em algumas questões polémicas, nomeadamente devido ao apoio público incondicional que tem dado a causas que defendem a liberdade de expressão sexual, principalmente nos Estados Unidos e depois de ela ter também confessado ter sido vítima de assédio há alguns anos, Björk, crítica acérrima de Trump, sente-se mais inspirada do que nunca e, em consequência disso, Vulnicura, o álbum que lançou há pouco mais de dois anos, já tem sucessor. O novo disco da artista islandesa chama-se Utopia, viu a luz do dia a vinte e quatro último, via One Little Indian Records, e constitui uma ode ao otimismo e à esperança, porque é isso que estes tempos algo negros e difíceis clamam, depois do antecessor ter sido um disco intimista e algo depressivo, que se focou muito no termino da relação amorosa da autora com Matthew Barney, um reputado artista plástico americano.

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De facto, o que não falta em Utopia são ideias e sugestões para um mundo melhor e o venezuelano Arca, produtor deste disco, é um elemento preponderante para o deslumbre que se sente com toda a pafernália de sons, detalhes e efeitos que vão cirandando em redor da voz de uma Björk que parece ter encontrado de novo motivos para olhar com optimismo para o mundo que a rodeia. Se The Gate, o terceiro tema do disco é, de acordo com a própria autora, a canção que melhor retrata as diferenças entre Vulnicura e Utopia, muito por causa do modo como Björk posiciona o seu registo vocal no meio de uma vasta miríade de luxuriantes efeitos e detalhes eminentemente sintéticos e com um poderoso potencial impressivo, logo na luxuriante secção de metais que vai sobressaindo em Arisen My Senses percebe-se que a compositora islandesa sente-se mais sorridente e disponível para a celebração. Logo depois, em Blissing Me, somos confrontados com uma canção cujo conteúdo mostra que esse desiderato será alcançado com a habitual simplicidade absolutamente sedutora e intemporal que carateriza a música desta expoente da cultura sonora contemporânea. É uma lindíssima canção assente em belíssimos arranjos e pinceladas acústicas que se cruzam com um registo vocal ternurento, uma composição que narra o amor feliz e incondicional que dois seres viciados pela internet sentem um pelo outro e que vinca, definitivamente, aquela que será a filosofia sonora do restante alinhamento de Utopia.

Até ao ocaso deste trabalho, quer na extensa e espiritual Body Memory, uma canção que conta com a extraordinária participação especial de seis dezenas de vozes feminimas, quer na complexidade orquestral de temas tão envolventes como Tabula Rasa, uma composição que eriça com contundência o nosso lado mais sensível, ou de Losss, um oásis de cândura e suavidade, assim como de Claimstaker, uma ode ao amor tremendamente retemperadora, somos absorvidos sem apelo nem agravo por um álbum que representa, claramente, uma espécie de renascimento e de virar de página para um universo mais eloquente e transcendental por parte de uma das intérpretes mais inspiradas e influentes do cenário musical contemporâneo. Espero que aprecies a sugestão....

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publicado por stipe07 às 20:42

Björk – Blissing Me

Quarta-feira, 15.11.17

Björk - Blissing Me

Uma das caraterísticas mais marcantes da carreira da islandesa Björk é não só mostrar o quanto o cenário musical do país de onde é originária é inspirador, mas ela ser também, por si só, uma verdadeira fonte de inspiração para imensos artistas. Recentemente envolvida em algumas questões polémicas, nomeadamente devido ao apoio público incondicional que tem dado a causas que defendem a liberdade de expressão sexual, principalmente nos Estados Unidos e depois de ela ter também confessado ter sido vítima de assédio há alguns anos, Björk, crítica acérrima de Trump, sente-se mais inspirada do que nunca e, em consequência disso, Vulnicura, o álbum que lançou há pouco mais de dois anos, prepara-se para ter sucessor já dentro de dias.

O novo disco da artista islandesa chamar-se-à Utopia, irá ver a luz do dia já dia vinte e quatro, via One Little Indian, e será, de acordo com a própria autora, uma ode ao otimismo e à esperança, porque é isso que estes tempos algo negros e difíceis clamam. Supostamente irá conter algumas ideias e sugestões para um mundo melhor, o que deverá ser mesmo uma realidade tendo em conta Blissing Me, o novo single divulgado do disco, cujo conteúdo mostra que esse desiderato será alcançado com a habitual simplicidade absolutamente sedutora e intemporal que carateriza a música desta expoente da cultura sonora contemporânea. Falo de uma lindíssima canção assente em belíssimos arranjos e pinceladas acústicas que se cruzam com um registo vocal ternurento, uma composição que narra o amor feliz e incondcional que dois seres viciados pela internet sentem um pelo outro. Confere...

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publicado por stipe07 às 21:34

Sigur Rós – Óveður

Sexta-feira, 24.06.16

Sigur Rós - Óveður

Os islandeses Sigur Rós são provavelmente os maiores responsáveis por toda uma geração de ouvintes se ter aproximado da música erudita ou de quaisquer outras formas de experimentação e estranhos diálogos que possam existir dentro do campo musical. Ao lado da conterrânea Björk, este quarteto, entretanto reduzido a trio, não apenas colocou a Islândia no mapa dos grandes expoentes musicais, como definiu de vez o famigerado pós rock, género que mesmo não sendo de autoria da banda só alcançou o estatuto e a celebração de hoje graças ao rico cardápio instrumental que o grupo conseguiu alicerçar nas duas décadas que já leva de existência.

Adeptos da constante transformação de suas obras, desde Von, o primeiro álbum, que os Sigur Rós se concentram na produção de discos que, mesmo próximos, organizam-se e funcionam de maneiras diferentes. Têm sido álbuns que acabam sempre por partilhar um novo sentimento ou proposta, utilizando uma fórmula básica que serve de combustível a cada nova estreia.

Alguns dias após o excelente concerto no NOS Primavera Sound, os Sigur Rós deram a conhecer um novo tema intitulado Óveður e que marca uma nova inflexão sonora, novamente para territórios mais ambientais e minimalistas, depois da exuberância particlarmente sombria de Kveikur. Este tema já tem direito a um excelente vídeo filmado pelo realizador sueco Jonas Åkerlund e coreografado e interpretado por Erna Ómarsdóttir.

Esta canção e o filme da mesma, além de anteciparem um novo álbum dos Sigur Rós, surgem na sequência de um outro projecto apresentado recentemente pelos islandeses intitulado Route One, um live stream de vinte e quatro horas, emitido em exclusivo no canal YouTube, do grupo e que combina paisagens da Islândia em slow motion com pequenos excertos de música dos Sigur Rós. Confere...

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publicado por stipe07 às 14:48

John Grant – Grey Tickles, Black Pressure

Terça-feira, 26.01.16

Dois anos e meio depois do fabuloso Pale Green Ghosts, o canadiano John Grant regressou aos discos perto do ocaso de 2015 com Grey Tickles, Black Pressure, o terceiro registo de originais de um artista que, a solo, demonstra ser um cantor e compositor de inúmeros recursos, utilizados quase sempre para criar composições sonoras com um sabor algo agridoce e expostas num fundo cinza intencionalmente dramático e muitas vezes icónico, geralmente com uma forte componente autobiográfica, não faltando, desta vez, algumas alusões ao seu problema de saúde, conhecido do público em geral (John Grant é portador do vírus HIV).

Produzido por John Congleton, gravado em Dallas e lançado à boleia da insuspeita Bella Union, Grey Tickles, Black Pressure fala de amores não correspondidos e, acima de tudo, da dificuldade que este hoemm, que reside atualmente na Islândia e com quase meio século de vida, continua a sentir para se integrar num mundo que, apesar de mentalmente mais aberto e liberal, continua a ser um lugar estranho para quem nunca hesita em ser implacável, mesmo consigo próprio, na hora de tratar abertamente e com muita honestidade e coragem os seus problemas relacionados com o vício de drogas, distúrbios psicológicos, relacionamentos amorosos traumáticos e o preconceito sofrido por ser homossexual.

Se Grey Tickles é, então, uma alusão direta à questão da meia idade, na tradição islandesa e Black Pressure, refere-se a pesadelo, na linguagem turca, o título clarifica implacavelmente toda a temática acima referida, o cenário denso e intrincado que molda o palco onde Grant desfila a sua existência diária e que encontra paralelo em doze canções de um disco que abre e fecha com trechos bíblicos retirados da Carta de Paulo aos Coríntios, uma intensa ode de celebração do amor coletivo e fraterno e, no fundo, uma referência irónica vinda de um Grant que, como já referi, além de se sentir permanentemente desfocado da realidade concreta, não é propriamente hábil a demonstrar o seu afeto por alguém, apesar de ter um coração enorme e cheio de amor para dar.

Assim, Grey Tickles, Black Pressure está impregnado de lindíssimas baladas, conduzidas por belíssimos arranjos orquestrais e pela voz imponente de Grant. Excelentes exemplo são o tema homónimo, uma canção que fala da arte de envelhecer, ou Global Warming, o grande momento do disco, uma canção com um dramatismo incontrolável, que nos revela uma espécie de apocalipse. Mas também há que escutar atentamente No Morte Tangles, composição conduzida por batidas sintéticas algo incontroladas, que comprovam a mestria compositória do autor.

Mas este disco não é feito só de momentos particularmente sentidos e melancólicos; Os ruídos vintage de Guess How I Know, a voz apelativa e sensual de Amanda Palmer, dos Dresden Dolls, em You And Him, a misteriosa Down Hill, a climática e híbrida Magma Arrives e o minimalismo sintético de Voodoo Doll e Disappointing, tema que conta com a participação vocal de Tracey Horn, são canções que merecem audição dedicada e comprovam a mestria de quem usa a música como um elixir terapêutico para tentar amenizar as experiências trágicas que têm assolado a sua existência.

Em Grey Tickles, Black Pressure, John Grant expôe alguns dos detalhes mais delicados da sua vida, enquanto se aproxima de nós sem pedir compaixão, apenas com o intuito honesto de partilhar vivências e tentar curar as suas feridas internas. E também, quem sabe, fazer com que as suas músicas ajudem alguns de nós que se possam identificar com aquilo que ele já passou e que tem para nos dizer. Espero que aprecies a sugestão...

John Grant - Grey Tickles, Black Pressure

01. Intro
02. Grey Tickles, Black Pressure
03. Snug Slacks
04. Guess How I Know
05. You And Him (Feat. Amanda Palmer)
06. Down Here
07. Voodoo Doll
08. Global Warming
09. Magma Arrives
10. Black Blizzard
11. Disappointing (Feat. Tracey Thorn)
12. No More Tangles
13. Geraldine
14. Outro

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publicado por stipe07 às 21:33






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