Quinta-feira, 18 de Julho de 2019

Villagers – Summer’s Song

Villagers - Summer's Song

Os irlandeses Villagers são, neste momento, praticamente monopólio da mente criativa de Conor O'Brien e estão já na linha da frente do universo indie folk europeu, pelo modo criativo e carregado com o típico sotaque irlandês, como replicam o género, ainda por cima oriundos de um país com fortes raízes e tradições neste género musical.

Com um trajeto musical bastante profícuo nos últimos anos, além de intenso e rico, com momentos discográficos significativos do calibre de Becoming a Jackal (2010), {Awayland} (2013) e Darling Arithmetic (2015), entre outros, os Villagers tardam em anunciar um novo registo de originais que suceda a The Art Of Pretending To Swim, editado o ano passado, mas têm uma nova canção, por sinal perfeita para este inconstante julho. O tema chama-se Summer's Song, é um belíssimo tratado pop, que impressiona pela cadência rítmica, pela robustez das cordas e, principalmente, por um coro de seis fliscornes (instrumento de sopro semelhante a um trompete), que confere uma luminosidade ímpar àcomposição. Será possível apreciares este e outros temas no dia dois de Agosto, em Chaves, no festival N2. Confere...


autor stipe07 às 16:12
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Terça-feira, 25 de Junho de 2019

Two Door Cinema Club - False Alarm

Ja está nos escaparates e à boleia da conceituada Pias Recordings, False Alarm, o quarto e novo registo de originais dos irlandeses Two Door Cinema Club, um alinhamento de dez canções produzido por Jacknife Lee, que já tinha colocado as mãos no antecessor Gameshow, lançado em dois mil e dezassete. False Alarm também tem sido notícia pela curiosa capa da autoria da fotógrafa Aleksandra Kingo, que retratou o grupo cercado por emissores de ruído variados, numa aparente situação de pânico. A ideia é retratar a sensação de ansiedade coletiva que carateriza, nos dias de hoje, um mundo em que se sucedem desastres naturais, catástrofes provocadas pelo próprio homem e um sem número de perigos que vão florescendo um pouco por toda a parte.

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Contando nos seus créditos com as participações especiais do grupo zambiano Mokoomba em Satisfaction Guaranteed, um dos temas mais ritmados do disco e do artista de hip hop norte americano Open Mike Eagle, na toada vibrante e metálica de Nice To See You, False Alarm é, no global, uma mistura incandescente entre o indie rock mais efusivo e efervescente, audível no fuzz das guitarras, com aquela pop experimental new wave, feita com o travo retro proporcionado pelo sintetizador. Tal simbiose feliz entre rock e eletrónica está presente com superior quilate em vários temas do álbum, mas com especial ênfase no single Dirty Air, uma composição que de acordo com Alex Trimble, o vocalista, é sobre o fim do mundo e o modo como se pode fazer desse evento uma grande festa. No entanto, a rugosidade da batida de Talk, canção que mostra como o baixo é um elemento preponderante de produção melódica no seio destes Two Door Cinema Club e o modo como um flash sintetizado contrasta, nesse tema, com o vigor percurssivo e depois a efervescência pop do refrão, assim como o clima mais charmoso e urbano de So Many People e o olhar anguloso que é feito ao r&b futurista em Think, são outros momentos maiores de um disco que cimenta a fama dos Two Door Cinema Club como um projeto de magnitude, que aposta em criar composições que ao vivo funcionem de modo a agitar grandes massas mais preocupadas em dançar do que propriamente em refletir sobre o conteúdo lírico da música que consomem.

False Alarm não vai salvar as nossas vidas ou modificá-las drasticamente, mas vai-te fazer dançar de forma bem humorada e continuar a fazer sobressair estes Two Door Cinema Club em relação à concorrência. Espero que aprecies a sugestão...

Two Door Cinema Club - False Alarm

01. Once
02. Talk
03. Satisfaction Guaranteed (Feat. Mokoomba)
04. So Many people
05. Think
06. Nice to See You (Feat. Open Mike Eagle)
07. Break
08. Dirty Air
09. Satellite
10. Already Gone


autor stipe07 às 20:56
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Sexta-feira, 26 de Abril de 2019

Glen Hansard – This Wild Willing

Pouco mais de um ano depois do excelente registo Between Two Shores, o irlandês Glen Hansard, um já velho conhecido do universo musical e com algumas citações por cá devido ao seu envolvimento no projeto The Swell Season, onde fazia parceria com Marketá Irglova e de cuja discografia destaco a banda sonora de Once, que lhes valeu um óscar, mas também por causa de Rhythm And Repose álbum de estreia que este ícone da folk contemporânea lançou em dois mil e doze, está de regresso aos lançamentos discográficos com This Wild Willingdoze canções abrigadas pela reputada -ANTI e que começaram a ser incubadas pelo músico no verão passado em Paris, cidade onde Hansard se refugiou durante uma breve temporada com o propósito de compôr depois de uma extenuante digressão europeia e na ressaca de uma infeção pulmonar que o atormentou por algum tempo. Depois de vários esboços sonoros prontos, no final do ano partilhou algumas dessas ideias com dois músicos da área da eletrónica experimental, David Cleary (DEASY) e Dunk Murphy (Sunken Foal), tendo até, informalmente, incubado uma banda chamada The Invisible Brethren com esta dupla. Este contacto de Hansard com um espetro sonoro a que estava pouco habituado acabou por enriquecer a sua experiência ao nível da composição e por influenciar decisivamente o refinamento do arquétipo sonoro de um registo que contou ainda com as participações especiais de Graham Hopkins e Earl Harvin na bateria e na percurssão, Michael Buckley nos sopros, Breanndán Ó Beaglaoich, Cape Breton, Rosie MacKenzie, a já referida Markéta Irglová e a iraniana Aida Shahghasemi, nas vozes, Eamon O’Leary (The Murphy Beds) no banjo e no bandolim e Anna Roberts-Gevalt (Anna & Elizabeth) e Brían Mac Gloinn (Ye Vagabonds) no violino, além de Una O’Kane, Katie O’Connor e Paula Hughes, que já costumam acompanhar o artista irlandês na estrada.

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Gravado nos estúdios da Black Box e produzido pelo próprio autor com a ajuda de David Odlum, This Wild Willing oferece-nos um Glen Hansard mais charmoso e desafiador do que nunca, com um registo vocal eminentemente sussurante, visceralmente emotivo e algo misterioso enquanto se debruça sobre a temática do amor não correspondido e das paixões arrebatadoras, aspetos que permanecem bem presentes na sua escrita. A viola acústica, às vezes mais folk, outras eminentemente country, perdeu agora protagonismo no processo de condução melódica, fruto do tal contacto do autor com um espetro sonoro de cariz mais sintético, o que acabou por resultar em canções mais buriladas, diversificadas e instrumentalmente ricas. Assim, se em Brother's Keeper, Mary e Threading Water, Glen Hansard preserva essa filosofia eminentemente acústica, com a ajuda de banjos e bandolins, na alternância entre silêncio e explosão de I'll Be You, Be Me, ele oferece às drum machines a liderança e em Race To The Bottom ao baixo. Depois, na majestosidade de Don't Settle são as teclas que dirigem a orquestra e em The Closing Door já são os sopros que sobressaiem, assim como em Fool's Game, à boleia do saxofone, num emaranhado de canções que nos transportam para bem longe, ao mesmo tempo que, havendo predisposição para isso, tocam fundo bem aqui, no nosso coração.

Famoso também por ter sido durante largos anos frontman dos míticos The Frames, Glen Hansard oferece-nos em The Wild Willing o momento maior e mais ousado da sua carreira a solo. Nele o autor privilegia novas estéticas, cheias de subtilezas e detalhes inéditos, onde não falta um sample de uma parceria esquecida de David Bowiecom os Queen, trilha diversos caminhos, expande horizontes e aprimora o modo como se manifesta artisticamente num processo de mutação que reflete ousadia e inquietude, duas permissas indispensáveis em qualquer artista que queira levar cada vez mais adiante a sua carreira. Dando uma espécie de passo no desconhecido, mas com altivez e coragem, Hansard enche-nos de paixão e luz ao longo de pouco mais de uma hora que deve ser saboreada com esperança, ânimo e devoção. Espero que aprecies a sugestão...

Glen Hansard - This Wild Willing

01. I’ll Be You, Be Me
02. Don’t Settle
03. Fool’s Game
04. Race To The Bottom
05. The Closing Door
06. Brother’s Keeper
07. Mary
08. Threading Water
09. Weight Of The World
10. Who’s Gonna Be Your Baby Now
11. Good Life Of Song
12. Leave A Light


autor stipe07 às 13:28
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Quinta-feira, 15 de Novembro de 2018

Sea Pinks – Rockpool Blue

Belfast, na República da Irlanda, é o poiso dos Sea Pinks, de Neil Brogan e Davey Agnew, que estão de regresso aos discos com Rockpool Blues, oito canções fundidas por uma pop particularmente luminosa e incisiva, apimentada por um saboroso pendor lo fi e que viram a luz do dia há algumas semanas à boleia da CF Records. Gravado em Belfast, com o engenheiro de som Ben McAuley, em quatro dias, apos um período de composição que durou praticamente meio ano, entre outubro do ano passado abril deste ano, Rockpool Blues é já o sétimo álbum da carreira dos Sea Pinks, o primeiro sem a presença do baixista Steven Henry e sucede à dose dupla que foi Watercourse (2017) e Soft Days (2016), dois trabalhos que colocaram definitivamente este trio no trilho certo, firmemente posicionado naquela ténue fronteira que separa o chamado post punk daquela indie pop particularmente colorida e sorridente.

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Neste Rockpool Blue os Sea Pinks renovam com elevada dose de frescura e luminosidade o seu já rico cardápio, em vinte e oito minutos que se espraiem em composições assentes em guitarras estratosféricas e coloridas, que sustentam melodias intensas e cativantes, misturadas eficazmente com acessibilidade, diversidade e intrincado bom gosto. São canções que se debruçam sobre as pressões inerentes à vida adulta e ao choque que muitos de nós sentimos ao avançarmos na idade e, interiormente, muitas vezes, não acompanharmos, em termos de maturidade e aceitação de responsabilidades, a inevitabilidade cronológica a que ninguém consegue escapar.

Do impressionismo efusiante de Watermelon Sugar (Alcohol), à pop efervescente de Bioluminescence, passando pelo post punk que exala da guitarra do tema homónimo, pelo piscar de olhos ao melhor rock alternativo americano dos anos oitenta em Dumb Angel, ou pela exploração de territórios mais intrincados e acústicos no dedilhar sedutor das cordas em Versions Of You, este é um disco que se escuta devidamente se estiver bem presente a noção de que foi pensado à sombra de um universo muito específico que percorre vias menos óbvias, mas que mesmo dentro da temática algo angustiante sobre a qual se debruça, não deixou de buscar um intenso sentido melódico e uma cândura geral muito própria e aconchegante, capaz de soar sempre com enorme prazer nos nossos ouvidos, independentemente do nosso momento e do nosso estado de espírito.

Disco com felizes ambições sonoras, quer estruturais, quer estilísticas e com um elevado sentido pop, Rockpool Blue entra pelos nossos ouvidos com propósitos firmes e sacode-nos com composições contemplativas que nos permitem refletir e, ao mesmo tempo, obter um completo alheamento de tudo aquilo que nos preocupa ou pode afetar. Espero que aprecies a sugestão...

Sea Pinks - Rockpool Blue

01. Watermelon Sugar (Alcohol)
02. Rockpool Blue
03. Bioluminescence
04. Dumb Angel
05. Grown Up Kids
06. A Man In My Condition
07. Versions of You
08. The Apple


autor stipe07 às 17:40
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Sábado, 26 de Maio de 2018

Snow Patrol – Wildness

Não é segredo nenhum para ninguém que os irlandeses Snow Patrol são uma das minhas bandas prediletas, sendo sempre aguardado por mim com enorme e redobrada expetativa cada novo disco deles. E Wildness, disco que esta banda formada em 1994 em Dundee acaba de lançar, naturalmente não é exceção. É o sétimo trabalho de estúdio desta banda liderada por Gary Lightbody, foi produzido por Jacknife Lee e mostra o projeto a tentar afastar-se um pouco daquela pop eloquente que caraterizou os registos mais recentes, para voltar a acertar contas com atmosferas mais melancólicas e introspetivas, como se percebe logo nas cordas e no clima etéreo dos arranjos de Life On Earth, a cativante composição que abre Wildness e talvez o seu momento mais alto, juntamente com o arrepiante abraço entre Lightbody e o piano em What If This Is All the Love You Ever Get?.

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Nos primeiros discos dos Snow Patrol sempre foram audíveis canções desenvolvidas com afinco e assentes num jogo de versos cuidadoso, sincero e trabalhado, tendo sempre por base um indie rock bastante rugoso e algo experimental que tanto piscava o olho ao grunge norte-americano como a alguns dos detalhes essenciais da brit mais alternativa e psicadélica. Com a chegada de Eyes Open, já no novo século, o grupo optou por uma fórmula mais pop, assente num catálogo de sons convencionais e característicos de uma radiofonia que acabou por ir ocultando a beleza explorada pelo grupo nos anos iniciais. Em Wildness essa fórmula não é totalmente renegada, mas os pianos melancolicamente projetados e as guitarras carregadas de efeitos, também dão protagonismo à acusticidade das cordas, com o exemplo já referido e o clima folk de Don’t Give In, assim como o brilho mágico de A Youth Written On Fire, a oferecerem-nos uns Snow Patrol mais serenos, debruçando-se, sem receios, em alguns dos problemas mais recentes que mexeram com o âmago de Lightbody, nomeadamente a demência do seu pai, publicamente conhecida e retratada em Soon, outro momentos maior do disco e o modo como lidou com a sua adição ao alcoolismo, ainda não totalmente resolvida, apesar de Gary ter afirmado recentemente estar sóbrio há mais de dois anos.

Temos então em Wildness um disco mais confessional e que serve, parece-me, para exorcizar alguns fantasmas, servindo como uma espécie de ponto de recomeço depois da ausência dos Snow Patrol de mais de meia década do formato álbum. Mas, apesar desta filosofia do registo, estas são músicas das quais muitos de nós se podem apropriar, ou seja, tendo sido incubadas a partir da reflexão pessoal de alguém que viveu recentemente dias complicados, contêm aquela desejada universalidade já que acabam por abordar temáticas comuns reais e íntimas a tantos de nós.

Disco sóbrio e tremendamente honesto, Wildness volta a deixar-nos rendidos ao especial talento que Lightbody tem para cantar sobre o amor e o desassossego que tantas vezes ele nos causa, principalmente qundo perdemos algo ou alguém que parece ser parte de nós. Para os Snow Patrol parece funcionar como uma espécie de confortável regresso ao espaço natural de um conjunto de intérpretes que estiveram ultimamente habituados a grandes multidões mas que precisavam de estar novamente no seu próprio espaço reduzido e intimista e rodeados dos instrumentos que mais apreciam, para evocarem tranquilamente alguns dos traços mais nostálgicos e sensíveis da existência humana. Espero que aprecies a sugestão... 

Snow Patrol - Wildness

01. Life On Earth
02. Don’t Give In
03. Heal Me
04. Empress
05. A Dark Switch
06. What If This Is All the Love You Ever Get?
07. A Youth Written In Fire
08. Soon
09. Wild Horses
10. Life And Death


autor stipe07 às 16:18
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Sábado, 12 de Maio de 2018

Snow Patrol – Empress

Snow Patrol - Empress

Não é segredo nenhum para ninguém que os irlandeses Snow Patrol são uma das minhas bandas prediletas, sendo sempre aguardado por mim com enorme e redobrada expetativa cada novo disco deles. E Wildness, disco que esta banda formada em 1994 em Dundee vai lançar já a vinte e cinco de maio, naturalmente não é exceção. Será o sétimo trabalho de estúdio desta banda liderada por Gary Lightbody e Empress é o mais recente tema divulgado do registo depois Don't Give Up e Life On Earth.

Nos primeiros discos dos Snow Patrol sempre foram audíveis canções desenvolvidas com afinco e assentes num jogo de versos cuidadoso, sincero e trabalhado, tendo sempre por base um indie rock bastante rugoso e algo experimental que tanto piscava o olho ao grunge norte-americano como a alguns dos detalhes essenciais da brit mais alternativa e psicadélica. Com a chegada de Eyes Open, já no novo século, o grupo optou por uma fórmula mais pop, assente num catálogo de sons convencionais e característicos de uma radiofonia que acabou por ir ocultando a beleza explorada pelo grupo nos anos iniciais. Em Wildness essa fórmula irá, pelos vistos, manter-se, num disco que deverá ser muito marcado por pianos melancolicamente projetados, guitarras carregadas de efeitos, a voz encaixada de forma a soar épica e a bateria com um leve eco, de modo a chegar ao maior número possível de ouvintes do modo mais acessível possível. Confere...


autor stipe07 às 15:46
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Sexta-feira, 23 de Março de 2018

Kodaline – Follow Your Fire

Kodaline - Follow Your Fire

É já no verão que chega aos escaparates o terceiro disco dos irlandeses Kodaline, um grupo natural de Dublin, formado por Stephen Garrigan, Mark Prendergast, Vinny May Jr e Jason Boland. Follow Your Fire é o mais recente single divulgado desse alinhamento, uma poderosa canção que entronca na filosofia sonora deste grupo cuja sonoridade assenta na busca de melodias que originem belas canções de forte cariz impressivo. A toada geral dos Kodaline soa, por vezes, demasiadamente melodramática mas este é um dos melhores grupos da atualidade a proporcionar-nos aquele ambiente sonoro épico e melancólico que tanto agrada aos fãs do indie rock mais sentimental. Confere..


autor stipe07 às 17:27
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Quarta-feira, 24 de Janeiro de 2018

Glen Hansard – Between Two Shores

O irlandês Glen Hansard é um já velho conhecido do universo musical e com algumas citações por cá, devido ao seu envolvimento no projeto The Swell Season, onde fazia parceria com Marketá Irglova e de cuja discografia destaco a banda sonora de Once, que lhes valeu um óscar, mas também por causa de Rhythm And Repose álbum de estreia que este ícone da folk contemporânea lançou em 2012. Agora, no início de 2018 Hansard está de regresso aos lançamentos discográficos com Between Two Shores, dez canções abrigadas pela reputada -ANTI e que começaram a ser incubadas pelo músico logo após a conclusão da gravação de Rhythm And Repose, no estúdio dos Wilco em Chicago. Hansard andava na altura em digressão a promover o seu disco de estreia mas tinha algum material em mãos que queria gravar, canções que acabaram por ser os alicerces deste Between Two Shores, sucessor de Didn’t He Ramble, disco lançado em 2015 mas que não contém nenhuma das composições que foram gravadas em Chicago dois anos antes.

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Produzido pelo próprio autor com a ajuda de David Odlum, Between Two Shores oferece-nos um Glen Hansard mais expansivo e extorvertido do que nunca, sem deixar de se debruçar sobre a temática do amor não correspondido e das paixões arrebatadoras, aspetos que permanecem bem presentes na sua escrita. A viola acústica, às vezes mais folk, outras eminentemente country, também tem a companhia da guitarra elétrica e logo no rock frenético de Roll On Slow e, pouco depois, de Wheels On Fire, ela recebe o apoio de outros instrumentos, nomedamente sopros na primeira e o orgão na segunda, uma nuance que se vai repetir noutros temas do trabalho, nomeadamente Why Woman, o tema seguinte. Esta segunda canção do alinhamento, faz o contraponto através de um blues mais introspetivo, estando com estas três composições dado o pontapé de saída para um disco animado e com momentos festivos, mas também intimista, um registo onde se ouve um emaranhado de canções que nos transportam para bem longe, ao mesmo tempo que, havendo predisposição para isso, tocam fundo bem aqui, no nosso coração.

Sentimental como sempre e mais romântico do que nunca, Glen Hansard expõe em Between Two Shores o seu coração explosivo, mostrando-nos as suas diferentes caras e estados de espírito, ajudado por canções que misturam melodias avassaladoras, como é o caso da intimista e terna Wreckless Heart ou da mais explosiva Movin' On, com momentos mais intrincados e particularmente sentidos e melancólicos. São canções que merecem audição dedicada e comprovam a mestria de quem usa a música como um elixir terapêutico para tentar amenizar situações menos felizes que possam ter assolado a sua existência. Espero que aprecies a sugestão...

Glen Hansard - Between Two Shores

01. Roll On Slow
02. Why Woman
03. Wheels On Fire
04. Wreckless Heart
05. Movin’ On
06. Setting Forth
07. Lucky Man
08. One Of Us Must Lose
09. Your Heart’s Not In It
10. Time Will Be the Healer


autor stipe07 às 18:35
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Sexta-feira, 19 de Agosto de 2016

Lisa Hannigan – At Swim

A irlandesa Lisa Hannigan está de regresso aos discos com At Swim, a nova coleção de canções de uma das intérpretes e compositoras do cenário musical atual mais relevantes e que depois de ter feito parte da banda de Damien Rice abriu as hostilidades já há quase uma década com Sea Sew (2008), um álbum encantador que deixou logo a crítica especializada rendida. Três anos depois, em 2011, chegou Passenger, o segundo trabalho, que manteve a bitola qualitativa inicial e onde se destacava um dueto com Ray LaMontagne no tema O Sleep.

At Swin interrompe um hiato de cinco anos e permite-nos contemplar uma Lisa Hannigan em pleno estado de maturidade e mais incisiva e criativa do que nunca no modo como é capaz de nos enternecer com simples canções, um trabalho que também foi alavancado por Aaron Dessner, dos The National, admirador do percurso de Lisa e que desde o início das gravações se disponibilizou para oferecer toda a ajuda que a cantora precisasse, desencandeando uma troca de correspondência transatlântica, de trechos sonoros e lirícos, que sustentam muito do cardápio disponível em At Swim.

Gravado então junto ao rio Hudson, em Nova Iorque e produzido por Dessner, At Swim gira muito em redor da doce gravidade da voz única de Lisa, exímia a penetrar no nossso âmago e com um talento imenso no modo como nos consegue colocar na linha da frente de toda a trama que gira em redor das suas canções, que narram eventos que podem suceder com naturalidade a quem se entrega ao amor com convicção e procura, nesse sentimento, viver uma jornada emocional única e que faça do dia a dia um constante tesouro. É vasta a panóplia de acontecimentos que estas canções narram, com Fall a expôr as sensações de isolamento e solidão que a saída de casa causou na autora e a luminosidade acolhedora de Lo a levantar a nossa mente para um voo estratosférico com uma quase impercetível serenidade. Depois, se escutarmos atentamente a doce melancolia debitada pela guitarra de Prayer For The Dying percebemos que esta é uma daquelas canções capaz de elevar o espírito daquele nosso amigo que está a atravessar um momento amoroso menos positivo. Entretanto, se o dedilhar do banjo de Snow esclarece-nos que a redenção também faz parte dentro do conceito de perca e que a ideia de recomeço deve nortear sempre quem é desafiado pelas circunstâncias menos felizes da vida, o piano de We, The Drowned ensina-nos que se o destino nem sempre está nas nossas mãos e que aquilo que semeamos é sempre aquilo que acabamos por colher, inevitavelmente.

Um dos momentos mais significativos e curiosos de At Swim é a interpretação à capella de Anahorish, um poema maravilhoso de Seamus Heaney e que nos prende hermeticamente bem longe do turbilhão ruminante de uma qualquer existência quotidiana, criando um universo familiar e cativante que facilmente nos enclausura. A partir daí, a percussão jazzística absolutamente irrepreensível e carregada de soul de Tender e o piano minimalista de Barton expressam, sintomaticamente, um constante plasmar de paradoxos, de uma constante tensão oscilante entre a celebração e a ansiedade, a pop e a folk, o doce e o amargo e, enfim, entre o meramente quotidiano e aquilo que é naturalmente poético.

At Swim esconde no seu seio uma pancada seca e certeira numa pop paciente e charmosa, nas asas de Lisa Hannigan, uma cantautora que jurou uma fidelidade quase canónica à lentidão melódica, à boleia do charme das cordas e à capacidade que o uso assertivo dos graves, agudos e falsetes da sua voz têm de colocar em causa todos os cânones e normas que definem alguns dos pilares fundamentais da nossa interioridade. Espero que aprecies a sugestão...

Lisa Hannigan - At Swim

01. Fall
02. Prayer For The Dying
03. Snow
04. Lo
05. Undertow
06. Ora
07. We, The Drowned
08. Anahorish
09. Tender
10. Funeral Suit
11. Barton


autor stipe07 às 10:36
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Terça-feira, 16 de Fevereiro de 2016

Sea Pinks – Soft Days

Belfast, na República da Irlanda, é o poiso dos Sea Pinks, um trio formado por Neil Brogan, Davey Agnew e Steven Henry e de regresso aos discos com Soft Days, onze canções fundidas por uma pop particularmente luminosa e incisiva, apimentada por um saboroso pendor lo fi e que viram a luz do dia em janeiro à boleia da CF Records.

Vibrantes, animados e algo descomprometidos, estes Sea Pinks oferecem-nos em Soft Days uma lindíssima coleção de composições, assentes em guitarras estratosféricas e coloridas, melodias intensas e cativantes, misturando acessibilidade, diversidade e intrincado bom gosto, com enorme eficácia. Canções como a divertida , a vibrante Cold Reading ou a apelativa (I Don’t Feel Like) Giving In, são apenas três exemplos do uso assertivo de uma fórmula simples, mas que contém uma mágica melancolia que trespassa e que nos permite obter um completo alheamento de tudo aquilo que nos preocupa ou pode afetar em nosso redor.

Num disco alegre e extrovertido, mesmo quando em Green With Envy sobressai uma maior variedade ritmíca na guitarra e na percussão, em Trend When You’re Dead há a exploração de territórios mais intrincados e acústicos no dedilhar sedutor da viola e em Depth Of Field a guitarra pisca o olho ao melhor rock alternativo americano dos anos oitenta e em Down Dog ao rock britânico da década seguinte, o que se escuta é sempre replicado à sombra de um universo muito específico que percorre vias menos óbvias e que não descurando um intenso sentido melódico, busca uma cândura muito própria e aconchegante, capaz de soar sempre com enorme prazer, independentemente do momento e do estado de espírito.

Disco com pouco evidentes mas felizes ambições sonoras, quer estruturais, quer estilísticas e com um elevado sentido pop, Soft Days quer entrar pelos nossos ouvidos com propósitos firmes, de modo a criar espontâneos sorrisos. Mesmo que a musica destes Sea Pinks não coloque em causa ideias pré concebidas ou afronte estruturas e sentimentos que julgamos ser inabaláveis, a verdade é que à medida que comunicam connosco sacodem os nossos sentidos com sopros e composições contemplativas, que criam uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades e um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual. Espero que aprecies a sugestão...

Sea Pinks - Soft Days

01. (I Don’t Feel Like) Giving In
02. Ordinary Daze
03. Cold Reading
04. Trend When You’re Dead
05. Green With Envy
06. Depth Of Field
07. Everything In Sight
08. Yr Horoscope
09. Down Dog
10. I Won’t Let Go
11. Soft Days


autor stipe07 às 21:42
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Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2016

Villagers – Where Have You Been All My Life?

Os irlandeses Villagers são, neste momento, praticamente monopólio da mente criativa de Conor O'Brien e estão já na linha da frente do universo indie folk europeu, pelo modo criativo e carregado com o típico sotaque irlandês, como replicam o género, ainda por cima oriundos de um país com fortes raízes e tradições neste género musical. Com um trajeto musical bastante profícuo nos últimos anos, além de intenso e rico, acabaram por resolver agregar alguns dos temas mais significativos de Becoming a Jackal (2010), {Awayland} (2013) e Darling Arithmetic (2015), dando assim origem a Where Have You Been All My Life?, um álbum editado a oito de janeiro último, através da Domino Records e que nos oferece não apenas uma simples compilação de sucessos, mas uma narrativa muito pessoal e autobiográfica de um cantor e compositor extraordinário, que se debruça frequentemente sobre a temática da sexualidade e os desafios emocionais que a questão da sua homossexualidade lhe tem colocado nos anos mais recentes.

Com o apoio inestimável de Richard Woodcraft, um dos elementos fundamentais da retaguarda dos Radiohead e do engenheiro de som Ber Quinn, os Villagers assentaram arraiais nos estúdios RAK, em Londres e regravaram os doze temas do alinhamento de Where Have You Been All My Life?, adaptando os novos arranjos de modo a que fluissem como uma narrativa homogénea e linear, a exata sensação que a audição do álbum nos oferece.

Se temas como Set The Tigers Free ou Everything I Am Is Yours não defraudam a implacável herança folk que foi tipificando o som do Villagers, já o dedilhar de cordas de Darling Aritmethic e de The Souls Serene ou o baixo impulsivo de Memoir oferecem-nos um olhar mais vincado sobre o modo como Conor consegue entrelaçar letras e melodias e adicionar ainda belos arranjos, de forte teor sentimental, caraterísticas que fazem deste coletivo irlandês não só uma referência essencial e obrigatória no género, mas também um bom aconchego para alguns dos nossos instantes mais introspetivos e fisicamente intimistas.

Seja como for, o meu grande destaque deste trabalho acaba por ser, sem dúvida, até pela temática, Hot Scary Summer, uma canção onde o autor canta emotivamente sobre o fim do amor e o lado mais destrutivo desse sentimento (all the pretty young homophobes looking out for a fight); É nesta canção que Conor amplifica inteligentemente o modo como em Villagers fala de si e das suas experiências e esse ênfase, ampliado pela cândura do seu falsete, acaba por fazer com que se dispa totalmente, exalando uma vincada veia erótica.

Terminando com uma lindíssima versão de Wichita Lineman, um original de 1968 da autoria de Glen Campbell, já revisto por nomes importantes como os R.E.M., Where Have You Been All My Life? contém instantes sonoros de superior magnificiência, em que é possível sentirmos que estamos abraçados ao líder desta banda, a partilhar o mesmo espaço físico da mesma, completamente desprovidos de qualquer defesa, enquanto testemunhamos o modo como Conor se entrega a uma aritmética amorosa, onde está em causa não só o modo como gere a sua relação com o amor, mas também consigo mesmo e os seus próprios conflitos emocionais. Espero que aprecies a sugestão...

Villagers - Where Have You Been All My Life

01. Set The Tigers Free
02. Everything I Am Is Yours
03. My Lighthouse
04. Courage
05. That Day
06. The Soul Serene
07. Memoir
08. Hot Scary Summer
09. The Waves
10. Darling Arithmetic
11. So Nave
12. Wichita Lineman


autor stipe07 às 20:51
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Sexta-feira, 25 de Dezembro de 2015

Kowalski – The Kowalski Archives: 2007 – 2009

Louis Price, Paddy Coon, Tom O'Hara e Paddy Baird são os Kowalski, uma banda irlandesa por cá há cerca de uma década e que acaba de editar uma coleção de canções, disponível para download gratuito, ou com a possibilidade de doares um valor e que faz uma espécie de súmula de alguns dos melhores instantes da fase inicial de uma carreira amplamente reconhecida no país de origem do grupo, mas que carece de uma visibilidade internacional que seria bem merecida.

Mestres em escrever sobre sentimentos e emoções, plasmadas em letras profundas e intensas, que debruçando-se sobre as relações humanas podem, potencialmente, ser fonte de identificação para qualquer um de nós, os Kowalski testam a nossa capacidade de resistência à lágrima fácil com vitórias e derrotas para ambos os lados, mas sempre com a impressão firme no lado de cá da barricada de estarmos perante uma banda extremamente criativa, atual, inspirada e inspiradora e que sabe como agradar aos fãs.

The Kowalski Archives: 2007 – 2009 é, portanto, uma amostra clara do modo como este quarteto abriu as hostilidades de uma carreira que tem dado uma elevada primazia a detalhes tipicamente pop, com as teclas e alguns arranjos sintéticos a surgirem com insistência no edifício das canções, mas sempre agregados à guitarra e a belíssimos efeitos, com um forte cariz etéreo. No entanto, não se pense que o indie rock puro e genuíno não faz parte do cardápio do grupo; Se Phil Cansus é um portento sonoro épico conduzido por guitarras cheias de distorção, Top Body Shot segue a linha com uma superior dose de eletrificação, com Untitled 1, uma das minhas canções preferidas deste disco, a ser aquele indispensável tratado de dream pop que justifica imensas loas a este alinhamento, uma canção que não fica a dever nada aos melhores intérpretes atuais deste subgénero musical.

Outro exemplo maior desta primazia de elementos tipicamente pop de uma coletânea registada maioritariamente ao vivo e com várias sessões intimistas,mas impecavelmente produzido, é Stinck Of Change, outro sinal genuíno do modo assertivo como os Kowalski escrevem com a mira bem apontada ao nosso âmago, plasmando todas as sensações positivas provocadas por esse processo de criação sonora que, no caso deste grupo, deverá ser um momento reconfortante de incubação melódica, também um dos ingredientes indispensáveis para que comecemos a olhar para este grupo com um olhar mais abrangente e dedicado. Espero que aprecies a sugestão...

Kowalski - The Kowalski Archives 2007 - 2009

01. Oh My Good God (Courtyard Sessions – Nov 2007)
02. Stink Of Change (Courtyard Sessions – May 2008)
03. Untitled 1 (Live From Vence – Jan 2009)
04. Phil Cansus (Oh Yeah – Apr 2008)
05. Little House (Courtyard Sessions – May 2008)
06. Jennifer Stringer (Courtyard Sessions – May 2008)
07. New York Games (Courtyard Sessions – Nov 2007)
08. Top Body Shot (BBC live – Feb 2007)
09. Another Plan (Blueroom Live – Sept 2007)
10. What’s In The Bag Boss? (Blueroom Live – Feb 2007)
11. Dawn (Blueroom Live – Mar 2008)
12. Untitled 3 (Live From Vence – Jan 2009)
13. Untitled 2 (Live From Vence – Jan 2009)
14. Untitled 4 (Live From Vence – Jan 2009)
15. Like You Too (Blueroom Live – Mar 2008)


autor stipe07 às 18:49
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Quarta-feira, 13 de Maio de 2015

Villagers – Darling Arithmetic

Os irlandeses Villagers são, neste momento, praticamente monopólio da mente criativa de Conor O'Brien e estão já na linha da frente do universo indie folk europeu, pelo modo criativo e carregado com o típico sotaque irlandês, como replicam o género, ainda por cima oriundos de um país com fortes raízes e tradições neste género musical.

A treze de abril último chegou aos escaparates Darling Arithmetic, o novo álbum dos Villagers, através da Domino Records e produzido pelo próprio Conor. Hot Scary Summer, o primeiro avanço divulgado do disco, uma canção onde o autor canta emotivamente sobre o fim do amor e o lado mais destrutivo desse sentimento (all the pretty young homophobes looking out for a fight), plasma a temática de um disco que se debruça sobre a temática da sexualidade do grande mentor deste projeto e dos desafios emocionais que a questão da sua homossexualidade lhe tem colocado.

O amor e os conflitos que provoca, quando não é correspondido ou resvala para um ponto de ruptura provoca sentimentos e emoções transversais à orientação sexual. Serve isto para dizer que, independentemente da mesma, qualquer um de nós pode sentir-se identificado com o conteúdo destas canções que mostram como a energia destrutiva que esse sentimento muitas vezes liberta pode ter um enorme potencial artístico. Basta escutar a tensão sombria de Courage ou a luminosidade das cordas e do piano de Everything I Am Is Yours, para se perceber claramente esses dois lados de um mesmo sentimento, em canções onde Conor fala constantemente de modo autobiográfico e com a temática mais física da relação a ter destaque. Depois, a primazia da viola confere um cariz ainda mais intimista a Darling Arithmetic.

O modo como Villagers fala de si e das suas experiências e o ênfase que dá a determinadas emoções, ampliadas pela cândura do seu falsete, acabam por fazer com que certas canções, além de o despirem totalmente, exalem uma vincada veia erótica; Escuta-se Dawning On Me com atenção e torna-se fácil sentirmos que estamos abraçados ao músico, a partilhar o mesmo espaço físico do mesmo, completamente desprovidos de qualquer defesa, enquanto testemunhamos o modo como ele se entrega a uma aritmética amorosa, onde está em causa não só o modo como gere a sua relação com o amante, mas também consigo mesmo e os seus próprios conflitos emocionais.

Cheio de bonitos arranjos e resultado de um trabalho de composição elaborado e de elevada consistência técnica, Darling Arithmetic pode ser aquele disco que vai aguçar definitivamente o nosso gosto para o usufruto de sonoridades que são contemporâneas e que podem alargar o nosso panorama cénico e a ginástica linguística das canções que nos tocam profndamente. Temas como The Soul Serene, o já citado Hot Scary Summer, ou a ode ao amor intitulada Little Bigot podem colocar também a folk a tocar profundamente nas bases genéticas mais profundas da nossa identidade, à boleia de um género sonoro que, apesar da sua história, popularidade e raízes, que muitos puristas não gostam de ver quebradas, pode sempre atualizar-se e procurar novos caminhos, sem perder a sua génese. O modo como Conor consegue entrelaçar letras e melodias e adicionar ainda belos arranjos aliados, de forte teor sentimental, fazem já de Villagers uma referência essencial e obrigatório no género e um bom aconchego para alguns dos nossos instantes mais introspetivos e fisicamente intimistas.

Parafraseando o autor em Näive, descontando o facto de sermos woman, man, boy, girl e não importando como estes ítens se cruzam ou relacionam... este disco serve para todos aqueles que, independentemente das experiências vividas, estão sempre disponíveis a abrir as portas para o amor. (I believe I make part of something bigger). Espero que aprecies a sugestão...

Villagers - Darling Arithmatic

01. Courage
02. Everything I Am Is Yours
03. Dawning On Me
04. Hot Scary Summer
05. The Soul Serene
06. Darling Arithmetic
07. Little Bigot
08. No One To Blame
09. So Naive

 


autor stipe07 às 22:23
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Domingo, 15 de Março de 2015

Villagers – Hot Scary Summer

Os irlandeses Villagers de Conor O'Brien estão já na linha da frente do universo indie folk europeu, pelo modo criativo e carregado com o típico sotaque irlandês, como replicam o género, ainda por cima oriundos de um país com fortes raízes e tradições neste género musical.

A treze de abril chegará aos escaparates Darling Arithmetic, o novo álbum dos Villagers, através da Domino Records e Hot Scary Summer é o primeiro avanço divulgado do disco, uma canção onde Conor O'Brien canta emotivamente sobre o fim do amor e o lado mais destrutivo desse sentimento (all the pretty young homophobes looking out for a fight).

Villagers - Hot Scary Summer


autor stipe07 às 18:47
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Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2015

Subplots - Autumning

Oriundos de Dublin, na Irlanda, os Subplots são uma dupla formada por Phil Boughton e Daryl Chaney (autor do belíssimo artwork deste disco), que ao vivo conta ainda com o baterista Ross Chaney. Estrearam-se nos discos em 2009 com Nightcycles e finalmente já há sucessor. O novo álbum dos Subplots chama-se Autumning e viu a luz do dia a trinta de janeiro por intermédio da Cableattack!!, podendo ser ainda feita a encomenda da edição limitada em vinil no Bandcamp da banda.

É sabido que a dupla funcionalidade da almofada faz dela um objecto perfeito e versátil. Ainda que convenha à madrugada televisiva impingir a todos os que sofrem de insónias as vantagens de uma oitava maravilha ortopédica, anatómica e à prova de ácaros, as qualidades essenciais são as duas comuns a todas as almofadas: dispor de uma face que se possa encharcar de lágrimas e, caso necessário, de um reverso propício a um sono descansado. O próprio acto amoroso geralmente envolve o ajustamento da nuca a uma almofada, que, a bem do conforto, não deve estar húmida. Isto para esclarecer que este novo trabalho dos Subplots, cumpre impecavelmente o aconchego de uma almofada, mas sem existir uma relação direta entre o seu conteúdo e os sentimentos de desgosto e depressão que, frequentemente clamam pela sua presença. Autumning é adequado a servir os nossos propósitos da auto-medicação, mas também em instantes em que é essencial colocar um travão na euforia e satisfaz, com igual mérito, as nossas necessidades de sermos como a avestruz que enterra a cabeça no chão e as do nostálgico que está sempre disposto a exagerar na celebração quando é abençoado pela bondade alheia ou revive as mais queridas memórias de outrora.

Numa perspectiva ainda mais intimista, a música dos Subplots é associável ao sentimento que se vive durante o impasse entre o aperto de mão e a consumação horizontal. Serve, nesses casos, os propósitos fantasiosos de quem passa a noite de gin na mão a observar a mais decotada das manequins que dançam na pista da discoteca da moda. No pior dos casos, e arrisco aqui um freudismo muito caseiro, a repetição mecanizada dos loops básicos que os Subplots extraem das cordas e das teclas pode até satisfazer uma qualquer necessidade física comum a ambos os sexos, mas mais afeta ao masculino. Ficam a cabo do leitor as restantes ilações.

Autumning oferece-nos instantes em que os instrumentos clamam pela simplicidade e outros em que a teia sonora se diversifica e se expande para dar vida a um conjunto volumoso de versos sinceros, sons acinzentados e um desmoronamento pessoal que nos arrasta sem dó nem piedade para um ambiente que oscila entre a amplitude luminosa da crença e o cariz nostálgico da dúvida e do receio, em canções que tanto podem ser extremamente simples e prezar pelo minimalismo da combinação instrumental que as sustenta, como Wave Collapse, Colourbars ou a percurssão de Escherich, ou soarem mais ricas e trabalhadas, sendo 9/8 ou a esplendorosa Epilogue raros exemplos atuais da tomada de consciência de que a existência humana não deve apenas esforçar-se por ampliar intimamente o lado negro, porque ele será sempre uma realidade, mas antes focar-se no que de melhor nos sucede e explorar até à exaustão o usufruto das benesses com que o destino nos brinda, mesmo que as relações interpessoais nem sempre aconteçam como nos argumentos dos filmes. Aliás, Future Tense, o primeiro avanço divulgado de Autumning, uma obra de arte que balança entre a dream pop e o rock progressivo, delicada e envolvente e que emociona facilmente os mais incautos e de lágrima fácil, já que é alicerçada num piano adulto e jovial, à volta do qual gravita uma voz deslumbrante e uma guitarra que adivinha um clímax sónico com forte sentido de urgência, deixou logo fortes indicações acerca do modo como esta dupla se serve principalmente de guitarras, que parecem amiúde estar assombradas, para criar melodias que circulam ao nosso redor, criando uma atmosfera no mínimo encantadora

Autumning é a página do nosso diário pessoal onde contabilizámos o número de parceiros sexuais, ao elaborar uma lista em que incluimos apenas as iniciais dos seus nomes. Descobrir uma resolução concreta para o seu conteúdo é como tentar diferenciar a cor do céu aquando do anoitecer da tonalidade que este assume pela aurora, sendo a prova irrevogável de que, para compreender o estado atual do que melhor propôe o universo sonoro alternativo é obrigatória a passagem pelo universo Subplots. Espero que aprecies a sugestão...

1. Wave Collapse
2. The Sunken Wild
3. Escherich
4. Colourbars
5. 9/8
6. Future Tense
7. End of Print
8. Follower
9. Epilogue

 


autor stipe07 às 21:14
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