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Ailbhe Reddy - Looking Happy

Sexta-feira, 18.09.20

Conforme já demos conta por cá há sensivelmente um mês, uma das estreias discográficas mais interessantes do próximo outono é a da irlandesa Ailbhe Reddy, uma jovem artista de Dublin, estudante de psicoterapia e que tem na forja um álbum intitulado Personal History, com lançamento previsto para daqui a duas semanas à boleia da Street Mission Records.

Ailbhe Reddy anticipates album with single "Looking Happy" – portugalinews  the best news

Personal History é uma colecção íntima e introspetiva de canções que ruminam os ritos de passagem de uma mulher exímia a escrever canções de auto-avaliação sincera e honesta, navegando autobiograficamente pelas agruras das relações amorosas mal sucedidas nesta era em que impera a lei das redes sociais (Looking Happy), mas que também sentiu necessidade de espalhar no registo aquilo que sente acerca da habitual dualidade de sentimentos, entre a solidão e a independência, que muitas vezes um artista sente em digressão (Time Difference), além de revelar explicitamente e sem pudores a sua orientação sexual (Between Your Teeth e Loyal). Além dessa componente pessoal, Personal History também coloca Ailbhe Reddy a olhar para o mundo que a rodeia, fruto do seu percurso académico acima referido. Assim, no alinhamento de Personal History encontramos também canções que mostram a sua compreensão e empatia relativamente às perspectivas e problemas das pessoas que a rodeiam. O estimulante tema Self Improvement oferece-nos um diálogo sobre as dificuldades em lidar com a saúde mental, enquanto outras músicas dissecam com maior precisão questões como aprender a conviver com o fracasso, nomeadamente Late Bloomer e como enfrentar os medos de compromisso Failing e Walk Away.

Um verdadeiro portento de indie pop, Looking Happy é, logo o primeiro tema acima mencionado, é o mais recente single retirado de Personal History, um tema pessoal e comovente e que, de acordo com a própria autora, é sobre observar a vida de alguém de longe após o término do namoro. Todos nós deveríamos saber agora que o que as pessoas apresentam online é uma versão brilhante e feliz dos eventos mas, às vezes, é impossível ter essa lógica quando estás a sofrer. A maioria das pessoas provavelmente acaba por visitar o perfil online de um ex e sente que sua vida é cheia de festas e dias divertidos porque isso é tudo o que as pessoas mostram da sua vida no online. Confere...

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publicado por stipe07 às 18:11

Ailbhe Reddy - Time Difference

Quinta-feira, 20.08.20

Uma das estreias discográficas mais interessantes do próximo outono é a da irlandesa Ailbhe Reddy, uma jovem artista de Dublin, estudante de psicoterapia e que tem na forja um álbum intitulado Personal History, com lançamento previsto para 2 de Outubro de 2020 pela Street Mission Records.

Track Review: Time Difference // Ailbhe Reddy | by Adam Goldsmith | The  Indiependent | Jun, 2020 | Medium

Personal History é uma colecção íntima e introspetiva de canções que ruminam os ritos de passagem de uma mulher exímia a escrever canções de auto-avaliação sincera e honesta, navegando autobiograficamente pelas agruras das relações amorosas mal sucedidas nesta era em que impera a lei das redes sociais (Looking Happy), mas que também sentiu necessidade de espalhar no registo aquilo que sente acerca da habitual dualidade de sentimentos, entre a solidão e a independência, que muitas vezes um artista sente em digressão (Time Difference), além de revelar explicitamente e sem pudores a sua orientação sexual (Between Your Teeth e Loyal). Além dessa componente pessoal, Personal History também coloca Ailbhe Reddy a olhar para o mundo que a rodeia, fruto do seu percurso académico acima referido. Assim, no alinhamento de Personal History encontramos também canções que mostram a sua compreensão e empatia relativamente às perspectivas e problemas das pessoas que a rodeiam. O estimulante tema Self Improvement oferece-nos um diálogo sobre as dificuldades em lidar com a saúde mental, enquanto outras músicas dissecam com maior precisão questões como aprender a conviver com o fracasso, nomeadamente Late Bloomer e como enfrentar os medos de compromisso Failing e Walk Away.

Um verdadeiro portento de indie pop, Time Difference é o primeiro single retirado de Personal History, um tema já referido acima, escrito no precipício de uma separação e que captura um momento de percepção, quando dois amantes vêem as suas vidas em direcções opostas. Pessoal e comovente, a canção foi escrita há dois anos durante uma digressão da artista com Will Varley. Sozinha, no seu quarto de hotel, depois de um concerto em Glasgow, a disparidade entre a agitada vida nocturna da cidade com o seu próprio isolamento fez ecoar os sentimentos vacilantes de solidão e de emoção que ela sentia naquele momento. Parando num momento de reflexão e percepção, Time Difference encaixou perfeitamente ali mesmo. 

A canção também já tem direito a um vídeo realizado por Ciaran O'Brien, filmado em Dublin em dois dias e que mostra Ailbhe aparentemente fora de sincronia com o resto do mundo. Confere...

Site: http://www.ailbhereddy.com/

Facebook: https://www.facebook.com/AilbheReddy/

Instagram: https://www.instagram.com/ailbhereddy/

YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCzRCXBOHcUu0pgpQfvJQcgQ

Twitter: https://twitter.com/ailbhereddy

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publicado por stipe07 às 15:49

Fontaines D.C. – Televised Mind

Quarta-feira, 01.07.20

Um dos discos mais aguardados em dois mil e vinte é, claramente, o novo trabalho dos irlandeses Fontaines D.C., uma das bandas mais excitantes do indie rock atual, um registo intitulado A Hero's Death e que será o segundo da banda de Dublin formada por Carlos O'Connell, Conor Curley, Conor Deegan III, Grian Chatten e Tom Coll, sucedendo ao espetacular registo de estreia do grupo, intitulado Dogrel, lançado o ano passado.

Produzido por Dan Carey, A Hero's Death irá ver a luz do dia no ocaso dia do próximo mês de julho pela Partisan Records e a semana passada, como certamente se recordam, foi destaque neste espaço o single homónimo e o tema I Don't Belong, duas amostras que fizeram por cá adivinhar, desde logo, um disco com onze enraivecidas canções, assentes num punk rock de elevado calibre e com uma forte toada abrasiva, como se exige a um projeto que sempre se fez notar, desde dois mil e dezassete, por uma filosofia estilística de choque com convenções e normas pré-estabelecidas.

Televised Mind, a nova canção que veio a público nas últimas horas do alinhamento de A Hero's Death, confirma e reforça tais impressões. A canção, com o adn típico dos Fontaines D.C., é um convite direto à dança e ao movimento, apelo assente em guitarras combativas e um registo percussivo vibrante e claramente marcado, tema que, de acordo com vocalista dos Fontaines D.C., Grian Chatten, reflete sobre a câmara de eco e como a personalidade é arrancada pela aprovação circundante. As opiniões das pessoas são reforçadas por um acordo constante e somos roubados da nossa capacidade de nos sentirmos errados. Nunca recebemos realmente a educação de nossa própria falibilidade. As pessoas fingem estas grandes crenças para parecerem modernas, em vez de chegarem independentemente aos seus próprios pensamentos.

Numa época do vale tudo, custe o que custar e seja contra quem for, os Fontaines D.C. parecem mais uma vez apostados em fazer mossa e agitar as mentes mais desprevenidas e incautas com composições plenas de chama nas veias e com um travo nostálgico em que a herança de nomes como os The Clash e os Ramones,  mas também os Suicide, os Nirvana e os The Beach Boys, se fazem notar com elevado grau de impressionismo. Confere...

Fontaines D.C. - Televised Mind

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publicado por stipe07 às 11:15

Fontaines D.C. – A Hero’s Death vs I Don’t Belong

Segunda-feira, 22.06.20

Um dos discos mais aguardados em dois mil e vinte é, claramente, o novo trabalho dos irlandeses Fontaines D.C., uma das bandas mais excitantes do indie rock atual, um registo intitulado A Hero's Death e que será o segundo da banda de Dublin formada por Carlos O'Connell, Conor Curley, Conor Deegan III, Grian Chatten e Tom Coll, sucedendo ao espetacular registo de estreia do grupo intitulado Dogrel, lançado o ano passado.

Produzido por Dan Carey, A Hero's Death irá ver a luz do dia no ocaso dia do próximo mês de julho pela Partisan Records e quer o single homónimo quer o tema I Don't Belong, são duas amostras do alinhamento do registo já divulgadas, que fazem adivinhar um disco com onze enraivecidas canções, assentes num punk rock de elevado calibre e com uma forte toada abrasiva, como se exige a um projeto que sempre se fez notar, desde dois mil e dezassete, por uma filosofia estilística de choque com convenções e normas pré-estabelecidas.

Numa época do vale tudo, custe o que custar e seja contra quem for, os Fontaines D.C. parecem mais uma vez apostados em fazer mossa e agitar as mentes mais desprevenidas e incautas com composições plenas de chama nas veias e com um travo nostálgico em que a herança de nomes como os The Clash e os Ramones,  mas também os Suicide, os Nirvana e os The Beach Boys, se fazem notar com elevado grau de impressionismo. Confere...

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publicado por stipe07 às 21:31

Glen Hansard – Cold Comfort

Domingo, 07.06.20

Glen Hansard - Cold Comfort

O irlandês Glen Hansard é um já velho conhecido do universo musical e com algumas citações por cá desde o início desta década, devido ao seu envolvimento no projeto The Swell Season, onde fazia parceria com Marketá Irglova e de cuja discografia destaco a banda sonora de Once, que lhes valeu um óscar, mas também por causa de Rhythm And Repose álbum de estreia que este ícone da folk contemporânea lançou em dois mil e doze. No início de dois mil e dezoito também mereceu destaque e menção neste espaço com o disco Between Two Shores, dez canções abrigadas pela reputada -ANTI e que começaram a ser incubadas pelo músico logo após a conclusão da gravação de Rhythm And Repose, no estúdio dos Wilco em Chicago.

Agora, em plena primavera de dois mil e vinte, e quase um ano depois da edição de This Wild Willing, o álbum que Glen Hansard editou o ano passado, o músico irlandês está de volta com Cold Comfort, uma nova canção que nos proporciona um delicioso instante folk de filosofia eminentemente acústica, que nos transporta para bem longe, ao mesmo tempo que, havendo predisposição para isso, toca fundo bem aqui, no nosso coração. Confere...

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publicado por stipe07 às 23:19

Villagers – Summer’s Song

Quinta-feira, 18.07.19

Villagers - Summer's Song

Os irlandeses Villagers são, neste momento, praticamente monopólio da mente criativa de Conor O'Brien e estão já na linha da frente do universo indie folk europeu, pelo modo criativo e carregado com o típico sotaque irlandês, como replicam o género, ainda por cima oriundos de um país com fortes raízes e tradições neste género musical.

Com um trajeto musical bastante profícuo nos últimos anos, além de intenso e rico, com momentos discográficos significativos do calibre de Becoming a Jackal (2010), {Awayland} (2013) e Darling Arithmetic (2015), entre outros, os Villagers tardam em anunciar um novo registo de originais que suceda a The Art Of Pretending To Swim, editado o ano passado, mas têm uma nova canção, por sinal perfeita para este inconstante julho. O tema chama-se Summer's Song, é um belíssimo tratado pop, que impressiona pela cadência rítmica, pela robustez das cordas e, principalmente, por um coro de seis fliscornes (instrumento de sopro semelhante a um trompete), que confere uma luminosidade ímpar àcomposição. Será possível apreciares este e outros temas no dia dois de Agosto, em Chaves, no festival N2. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:12

Two Door Cinema Club - False Alarm

Terça-feira, 25.06.19

Ja está nos escaparates e à boleia da conceituada Pias Recordings, False Alarm, o quarto e novo registo de originais dos irlandeses Two Door Cinema Club, um alinhamento de dez canções produzido por Jacknife Lee, que já tinha colocado as mãos no antecessor Gameshow, lançado em dois mil e dezassete. False Alarm também tem sido notícia pela curiosa capa da autoria da fotógrafa Aleksandra Kingo, que retratou o grupo cercado por emissores de ruído variados, numa aparente situação de pânico. A ideia é retratar a sensação de ansiedade coletiva que carateriza, nos dias de hoje, um mundo em que se sucedem desastres naturais, catástrofes provocadas pelo próprio homem e um sem número de perigos que vão florescendo um pouco por toda a parte.

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Contando nos seus créditos com as participações especiais do grupo zambiano Mokoomba em Satisfaction Guaranteed, um dos temas mais ritmados do disco e do artista de hip hop norte americano Open Mike Eagle, na toada vibrante e metálica de Nice To See You, False Alarm é, no global, uma mistura incandescente entre o indie rock mais efusivo e efervescente, audível no fuzz das guitarras, com aquela pop experimental new wave, feita com o travo retro proporcionado pelo sintetizador. Tal simbiose feliz entre rock e eletrónica está presente com superior quilate em vários temas do álbum, mas com especial ênfase no single Dirty Air, uma composição que de acordo com Alex Trimble, o vocalista, é sobre o fim do mundo e o modo como se pode fazer desse evento uma grande festa. No entanto, a rugosidade da batida de Talk, canção que mostra como o baixo é um elemento preponderante de produção melódica no seio destes Two Door Cinema Club e o modo como um flash sintetizado contrasta, nesse tema, com o vigor percurssivo e depois a efervescência pop do refrão, assim como o clima mais charmoso e urbano de So Many People e o olhar anguloso que é feito ao r&b futurista em Think, são outros momentos maiores de um disco que cimenta a fama dos Two Door Cinema Club como um projeto de magnitude, que aposta em criar composições que ao vivo funcionem de modo a agitar grandes massas mais preocupadas em dançar do que propriamente em refletir sobre o conteúdo lírico da música que consomem.

False Alarm não vai salvar as nossas vidas ou modificá-las drasticamente, mas vai-te fazer dançar de forma bem humorada e continuar a fazer sobressair estes Two Door Cinema Club em relação à concorrência. Espero que aprecies a sugestão...

Two Door Cinema Club - False Alarm

01. Once
02. Talk
03. Satisfaction Guaranteed (Feat. Mokoomba)
04. So Many people
05. Think
06. Nice to See You (Feat. Open Mike Eagle)
07. Break
08. Dirty Air
09. Satellite
10. Already Gone

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publicado por stipe07 às 20:56

Glen Hansard – This Wild Willing

Sexta-feira, 26.04.19

Pouco mais de um ano depois do excelente registo Between Two Shores, o irlandês Glen Hansard, um já velho conhecido do universo musical e com algumas citações por cá devido ao seu envolvimento no projeto The Swell Season, onde fazia parceria com Marketá Irglova e de cuja discografia destaco a banda sonora de Once, que lhes valeu um óscar, mas também por causa de Rhythm And Repose álbum de estreia que este ícone da folk contemporânea lançou em dois mil e doze, está de regresso aos lançamentos discográficos com This Wild Willingdoze canções abrigadas pela reputada -ANTI e que começaram a ser incubadas pelo músico no verão passado em Paris, cidade onde Hansard se refugiou durante uma breve temporada com o propósito de compôr depois de uma extenuante digressão europeia e na ressaca de uma infeção pulmonar que o atormentou por algum tempo. Depois de vários esboços sonoros prontos, no final do ano partilhou algumas dessas ideias com dois músicos da área da eletrónica experimental, David Cleary (DEASY) e Dunk Murphy (Sunken Foal), tendo até, informalmente, incubado uma banda chamada The Invisible Brethren com esta dupla. Este contacto de Hansard com um espetro sonoro a que estava pouco habituado acabou por enriquecer a sua experiência ao nível da composição e por influenciar decisivamente o refinamento do arquétipo sonoro de um registo que contou ainda com as participações especiais de Graham Hopkins e Earl Harvin na bateria e na percurssão, Michael Buckley nos sopros, Breanndán Ó Beaglaoich, Cape Breton, Rosie MacKenzie, a já referida Markéta Irglová e a iraniana Aida Shahghasemi, nas vozes, Eamon O’Leary (The Murphy Beds) no banjo e no bandolim e Anna Roberts-Gevalt (Anna & Elizabeth) e Brían Mac Gloinn (Ye Vagabonds) no violino, além de Una O’Kane, Katie O’Connor e Paula Hughes, que já costumam acompanhar o artista irlandês na estrada.

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Gravado nos estúdios da Black Box e produzido pelo próprio autor com a ajuda de David Odlum, This Wild Willing oferece-nos um Glen Hansard mais charmoso e desafiador do que nunca, com um registo vocal eminentemente sussurante, visceralmente emotivo e algo misterioso enquanto se debruça sobre a temática do amor não correspondido e das paixões arrebatadoras, aspetos que permanecem bem presentes na sua escrita. A viola acústica, às vezes mais folk, outras eminentemente country, perdeu agora protagonismo no processo de condução melódica, fruto do tal contacto do autor com um espetro sonoro de cariz mais sintético, o que acabou por resultar em canções mais buriladas, diversificadas e instrumentalmente ricas. Assim, se em Brother's Keeper, Mary e Threading Water, Glen Hansard preserva essa filosofia eminentemente acústica, com a ajuda de banjos e bandolins, na alternância entre silêncio e explosão de I'll Be You, Be Me, ele oferece às drum machines a liderança e em Race To The Bottom ao baixo. Depois, na majestosidade de Don't Settle são as teclas que dirigem a orquestra e em The Closing Door já são os sopros que sobressaiem, assim como em Fool's Game, à boleia do saxofone, num emaranhado de canções que nos transportam para bem longe, ao mesmo tempo que, havendo predisposição para isso, tocam fundo bem aqui, no nosso coração.

Famoso também por ter sido durante largos anos frontman dos míticos The Frames, Glen Hansard oferece-nos em The Wild Willing o momento maior e mais ousado da sua carreira a solo. Nele o autor privilegia novas estéticas, cheias de subtilezas e detalhes inéditos, onde não falta um sample de uma parceria esquecida de David Bowiecom os Queen, trilha diversos caminhos, expande horizontes e aprimora o modo como se manifesta artisticamente num processo de mutação que reflete ousadia e inquietude, duas permissas indispensáveis em qualquer artista que queira levar cada vez mais adiante a sua carreira. Dando uma espécie de passo no desconhecido, mas com altivez e coragem, Hansard enche-nos de paixão e luz ao longo de pouco mais de uma hora que deve ser saboreada com esperança, ânimo e devoção. Espero que aprecies a sugestão...

Glen Hansard - This Wild Willing

01. I’ll Be You, Be Me
02. Don’t Settle
03. Fool’s Game
04. Race To The Bottom
05. The Closing Door
06. Brother’s Keeper
07. Mary
08. Threading Water
09. Weight Of The World
10. Who’s Gonna Be Your Baby Now
11. Good Life Of Song
12. Leave A Light

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publicado por stipe07 às 13:28

Sea Pinks – Rockpool Blue

Quinta-feira, 15.11.18

Belfast, na República da Irlanda, é o poiso dos Sea Pinks, de Neil Brogan e Davey Agnew, que estão de regresso aos discos com Rockpool Blues, oito canções fundidas por uma pop particularmente luminosa e incisiva, apimentada por um saboroso pendor lo fi e que viram a luz do dia há algumas semanas à boleia da CF Records. Gravado em Belfast, com o engenheiro de som Ben McAuley, em quatro dias, apos um período de composição que durou praticamente meio ano, entre outubro do ano passado abril deste ano, Rockpool Blues é já o sétimo álbum da carreira dos Sea Pinks, o primeiro sem a presença do baixista Steven Henry e sucede à dose dupla que foi Watercourse (2017) e Soft Days (2016), dois trabalhos que colocaram definitivamente este trio no trilho certo, firmemente posicionado naquela ténue fronteira que separa o chamado post punk daquela indie pop particularmente colorida e sorridente.

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Neste Rockpool Blue os Sea Pinks renovam com elevada dose de frescura e luminosidade o seu já rico cardápio, em vinte e oito minutos que se espraiem em composições assentes em guitarras estratosféricas e coloridas, que sustentam melodias intensas e cativantes, misturadas eficazmente com acessibilidade, diversidade e intrincado bom gosto. São canções que se debruçam sobre as pressões inerentes à vida adulta e ao choque que muitos de nós sentimos ao avançarmos na idade e, interiormente, muitas vezes, não acompanharmos, em termos de maturidade e aceitação de responsabilidades, a inevitabilidade cronológica a que ninguém consegue escapar.

Do impressionismo efusiante de Watermelon Sugar (Alcohol), à pop efervescente de Bioluminescence, passando pelo post punk que exala da guitarra do tema homónimo, pelo piscar de olhos ao melhor rock alternativo americano dos anos oitenta em Dumb Angel, ou pela exploração de territórios mais intrincados e acústicos no dedilhar sedutor das cordas em Versions Of You, este é um disco que se escuta devidamente se estiver bem presente a noção de que foi pensado à sombra de um universo muito específico que percorre vias menos óbvias, mas que mesmo dentro da temática algo angustiante sobre a qual se debruça, não deixou de buscar um intenso sentido melódico e uma cândura geral muito própria e aconchegante, capaz de soar sempre com enorme prazer nos nossos ouvidos, independentemente do nosso momento e do nosso estado de espírito.

Disco com felizes ambições sonoras, quer estruturais, quer estilísticas e com um elevado sentido pop, Rockpool Blue entra pelos nossos ouvidos com propósitos firmes e sacode-nos com composições contemplativas que nos permitem refletir e, ao mesmo tempo, obter um completo alheamento de tudo aquilo que nos preocupa ou pode afetar. Espero que aprecies a sugestão...

Sea Pinks - Rockpool Blue

01. Watermelon Sugar (Alcohol)
02. Rockpool Blue
03. Bioluminescence
04. Dumb Angel
05. Grown Up Kids
06. A Man In My Condition
07. Versions of You
08. The Apple

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publicado por stipe07 às 17:40

Snow Patrol – Wildness

Sábado, 26.05.18

Não é segredo nenhum para ninguém que os irlandeses Snow Patrol são uma das minhas bandas prediletas, sendo sempre aguardado por mim com enorme e redobrada expetativa cada novo disco deles. E Wildness, disco que esta banda formada em 1994 em Dundee acaba de lançar, naturalmente não é exceção. É o sétimo trabalho de estúdio desta banda liderada por Gary Lightbody, foi produzido por Jacknife Lee e mostra o projeto a tentar afastar-se um pouco daquela pop eloquente que caraterizou os registos mais recentes, para voltar a acertar contas com atmosferas mais melancólicas e introspetivas, como se percebe logo nas cordas e no clima etéreo dos arranjos de Life On Earth, a cativante composição que abre Wildness e talvez o seu momento mais alto, juntamente com o arrepiante abraço entre Lightbody e o piano em What If This Is All the Love You Ever Get?.

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Nos primeiros discos dos Snow Patrol sempre foram audíveis canções desenvolvidas com afinco e assentes num jogo de versos cuidadoso, sincero e trabalhado, tendo sempre por base um indie rock bastante rugoso e algo experimental que tanto piscava o olho ao grunge norte-americano como a alguns dos detalhes essenciais da brit mais alternativa e psicadélica. Com a chegada de Eyes Open, já no novo século, o grupo optou por uma fórmula mais pop, assente num catálogo de sons convencionais e característicos de uma radiofonia que acabou por ir ocultando a beleza explorada pelo grupo nos anos iniciais. Em Wildness essa fórmula não é totalmente renegada, mas os pianos melancolicamente projetados e as guitarras carregadas de efeitos, também dão protagonismo à acusticidade das cordas, com o exemplo já referido e o clima folk de Don’t Give In, assim como o brilho mágico de A Youth Written On Fire, a oferecerem-nos uns Snow Patrol mais serenos, debruçando-se, sem receios, em alguns dos problemas mais recentes que mexeram com o âmago de Lightbody, nomeadamente a demência do seu pai, publicamente conhecida e retratada em Soon, outro momentos maior do disco e o modo como lidou com a sua adição ao alcoolismo, ainda não totalmente resolvida, apesar de Gary ter afirmado recentemente estar sóbrio há mais de dois anos.

Temos então em Wildness um disco mais confessional e que serve, parece-me, para exorcizar alguns fantasmas, servindo como uma espécie de ponto de recomeço depois da ausência dos Snow Patrol de mais de meia década do formato álbum. Mas, apesar desta filosofia do registo, estas são músicas das quais muitos de nós se podem apropriar, ou seja, tendo sido incubadas a partir da reflexão pessoal de alguém que viveu recentemente dias complicados, contêm aquela desejada universalidade já que acabam por abordar temáticas comuns reais e íntimas a tantos de nós.

Disco sóbrio e tremendamente honesto, Wildness volta a deixar-nos rendidos ao especial talento que Lightbody tem para cantar sobre o amor e o desassossego que tantas vezes ele nos causa, principalmente qundo perdemos algo ou alguém que parece ser parte de nós. Para os Snow Patrol parece funcionar como uma espécie de confortável regresso ao espaço natural de um conjunto de intérpretes que estiveram ultimamente habituados a grandes multidões mas que precisavam de estar novamente no seu próprio espaço reduzido e intimista e rodeados dos instrumentos que mais apreciam, para evocarem tranquilamente alguns dos traços mais nostálgicos e sensíveis da existência humana. Espero que aprecies a sugestão... 

Snow Patrol - Wildness

01. Life On Earth
02. Don’t Give In
03. Heal Me
04. Empress
05. A Dark Switch
06. What If This Is All the Love You Ever Get?
07. A Youth Written In Fire
08. Soon
09. Wild Horses
10. Life And Death

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publicado por stipe07 às 16:18






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