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Manic Street Preachers – Covers

Quarta-feira, 06.07.22

Um ano depois de Ultra Vivid Lament, um registo de originais que consolidou a já habitual forte veia política dos galeses Manic Street Preachers, de James Bradfield e que colocou a banda na estrada, o projeto volta a surpreender pelo fulgor e pela capacidade de inovar e de reinventar as suas propostas, com um novo alinhamento de dezassete canções intitulado Covers que, como o próprio nome indica, reúne versões de alguns dos temas preferidos dos músicos da banda.

Arte SonoraManic Street Preachers, Tudo Sobre o Novo Álbum "The Ultra Vivid  Lament" | Arte Sonora

As composições que fazem parte desta compilação foram interpretadas pelos Manic Street Preachers ao longo da sua já vasta carreira de mais de duas décadas, quer em concertos ao vivo, quer em sessões de gravação mais intimistas, com especial destaque para as que decorreram nos estúdios da BBC. O registo contém reinterpretações de originais de nomes tão díspares como Madonna, Cure, Gun's N' Roses, Nirvana e Rihanna, entre outros, interpretadas por músicos exemplares e cantadas por um Bradfield sempre exímio e contundente a dissertar sobre algumas questões importantes da sociedade ociental contemporânea e a refletir sobre os diferentes rumos que o mundo tem tomado.

Como é óbvio, as canções foram revistas indo ao encontro do típico adn sonoro dos Manic Strret Preachers, feito de um rock sempre musculado e incisivo, feliz a cruzar teclas e guitarras elétricas e acústicas, mas também tremendamente melódico. Independentemente disso, as versões mantêm intacta a identidade dos inéditos, num resultado final bastante curioso e que merece dedicada audição por todos aqueles que se interessam pela história da pop e do rock das últimas décadas. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 13:04

Broken Bells – We’re Not In Orbit Yet…

Terça-feira, 05.07.22

Oito anos depois do último registo de originais, um alinhamento de onze canções initulado After The Disco, os Broken Bells de Danger Mouse e James Mercer, vocalista dos The Shins, estão de regresso aos lançamentos discográficos em dois mil e vinte e dois, mas ainda sem data concreta, com Into The Blue, o terceiro disco do projeto, um trabalho que terá a chancela da AWAL e que será, certamente, um regresso à ribalta desta dupla que se conheceu há dezoito anos nos bastidores do festival de Roskilde, na Dinamarca.

Broken Bells are back, share “We're Not in Orbit Yet…” from first album in  8 years

We’re Not In Orbit Yet… é o primeiro single divulgado de Into The Blue, uma magnífica composição que mistura um baixo imponente com alguns detalhes acústicos, harmonias subtis e sintetizações com elevada cosmicidade, num resultado final que, entre o rock alternativo mais clássico, o R&B e a própria folk, plasma um ADN muito próprio e identitário de uma dupla que se mantém bastante ativa nos seus projetos próprios (Danger Mouse prepara-se para lançar o disco de estreia do seu projeto paralelo Black Thought e James Mercer está a comemorar o vigésimo aniversário de Oh, Inverted World, o disco de estreia dos The Shins, com uma digressão), mas que neste novo álbum, tendo em conta a amostra já divulgada, irá certamente manter os Broken Bells na rota de um caminho coeso, assertivo e refinado, numa parceria que sabe como mostrar o real potencial dos seus dois pólos. Confere...

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publicado por stipe07 às 14:44

Day Wave – Pastlife

Sexta-feira, 01.07.22

Cinco anos depois do registo de estreia The Day We Had, o norte americano Jackson Phillips, que assina a sua música como Day Wave, está de regresso com Pastlife, o seu segundo lançamento no formato álbum, dez canções que acabam de ver a luz do dia pela mão da Capitol Records e que obedecem a uma fórmula de composição bastante particular, na qual os sintetizadores assumem a primazia no modo como acomodam o restante arsenal orgânico que, numa espécie de simbiose entre o polimento melódico de uns Real Estate, o efeito de guitarras que aponta para a luminosidade efusiva de uns DIIV e um baixo com um pulsar muito vincado e caraterístico, tem a mira apontada para os pilares fundamentais da indie pop contemporânea que, como tem sido norma, encontra no saudosismo de outras épocas a sua grande força motriz e que, neste caso específico de Day Wave, olha de modo beliçoso para a herança oitocentista do século passado.

DAY WAVE RETURNS WITH 'PASTLIFE'

O primeiro elogio que se pode fazer a Day Wave e a este seu segundo disco é que as canções nele contidas são realmente boas e apontam para diversas referências, basicamente descritas acima, não de modo a replicá-las, mas procurando abrangê-las naquele que é um cunho estilísitico identitário já bem definido. Por exemplo, se em See You When The End's Near a guitarra parece ter sido retirada de alguns dos melhores clássicos noventistas mais garageiros, ou se o frenesim do tema homónimo tem um travo surf inconfundível, a verdade é que não deixa de haver algo de distintivo e único, no modo como depois o músico deixa que as canções sigam o seu percurso natural.

Phillips oferece-nos de mão beijada mais um registo que contendo uma filosofia interpretativa abrangente, que também atinge laivos progressivos, bem expressos na rugosidade do baixo que conduz We Used To Be Young, esprai-se fundamentalmente por uma lúcida cadência épica, nomeadamente no já referido tema homónimo, mas também em Heart To Rest e, por outro, no frenesim solarengo, impressivo em Loner, um modus operandi que acaba por, no seu todo, resultar em algo consistente e até ligeiramente hipnótico. O dedilhar inicial da guitarra de Where Do You Go e o modo como ela depois se transforma e ganha músculo, enquanto se enleia com a bateria e a voz ecoante do músico que parece planar ligeiramente acima do baixo e do sintetizador, ampliam aquela curiosa sensação constante ao longo do alinhamento e que muitas vezes nos invade quando ouvimos uma canção que parece querer forçar o ouvinte a deixar, nem que seja por breves instantes, tudo e todos para trás, rumo aquela luz que está sempre ali, mas que nunca temos coragem de perscutar.

Pastlife é um alinhamento de temas vibrantes, que tanto contém uma atmosfera catárquica como um clima sonhador, com belos momentos que sabem aquela brisa quente e aconchegante que entra pela nossa janela nestas convidativas noites de verão. Day Wave pode gabar-se de ser capaz de mostrar uma invulgar intensidade emocional na sua escrita e de poder ser já caraterizado como um artista possuidor não só dessa importante valência mas também de um tímbre vocal único e uma postura confiante. Ele exala uma faceta algo sonhadora e romântica que se aplaude e que é também fruto de uma produção cuidada e que irá certamente agradar a todos os apreciadores do género. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 17:25

Wilco – Cruel Country

Quarta-feira, 29.06.22

Os norte americanos Wilco de Jeff Tweedy são um dos projetos mais profícuos do universo indie e alternativo atual. Não cedem à passagem do tempo, não acusam a erosão que tal inevitabilidade forçosamente provoca, mantêm-se firmes no seu adn e conseguem, disco após disco, apresentar uma nova nuance interpretativa, ou uma nova novela filosófica que surpreenda os fãs e os mantenha permanentemente ligados e fidelizados. Cruel Country, o novo álbum dos Wilco, um duplo registo inteiramente composto por canções de travo eminentemente folk, além de ser uma espécie de regresso às origens e aos primórdios da carreira da banda de Chicago, no Illinois, é, também, uma manifestação impressiva de que Jeff Tweedy e os seus fiéis companheiros ainda têm muito para dar e, claro, vender.

Wilco's 'Cruel Country': Album Review - Rolling Stone

Se há alguma banda que nas últimas décadas nos consegue oferecer um roteiro detalhado do melhor rock alternativo que se vai fazendo do lado de lá do atlântico, os Wilco dizem presente. Discos do calibre de The Whole Love, Schmilco e Star Wars, já para não falar do mítico Yankee Hotel Foxtrot, são documentos sonoros que nos explicam que com o passar dos anos a bitola do grupo não abrandou nem foi atingida pelas normais crises de writer's block, mostrando-se cada vez mais refinada no modo como foi aliando o adn Wilco às tendências mais contemporâneas da folk e do rock alternativo. E realmente, só faltava uma abordagem mais direta e incisiva à folk no catálogo de um grupo que foi muitas vezes apelidado de projeto folk, mas que nunca se sentiu confortável com esse rótulo, chegando mesmo a renegá-lo publicamente. 

Cruel Country, o décimo segundo álbum de estúdio dos Wilco, é a materialização majestosa e eloquente de uma homenagem sincera e despida À herança mais pura e genuína do cancioneiro norte-americano. Em dois tomos, gravados no famoso estúdio da banda, o Loft, em Chicago, que contabilizam um total de vinte e uma canções, os Wilco criaram uma narrativa conceptual de alguns dos momentos fundamentais da história dos Estados Unidos da América, assente numa sonoridade animada e luminosa, mas também algo encantatória e bucólica. A empreitada é conseguida em dois tomos, como já referi, com o primeiro a oferecer-nos instantes sonoros mais expansivos e luminosos e o segundo a materializar-se através de uma filosofia interpretativa mais intimista e bucólica. Seja como for, trespassa todo o disco, um sempre intuítivo e até, amiúde, divertido jogo de cordas da viola, do banjo e da guitarra, esta quase sempre eletrificada ao mínimo, que sustentam composiçãos que, em alguns momentos ajuda também a aproximar os Wilco de uma psicadelia blues de superior filigrana, que se escuta com aquela intensidade que fisicamente não deixa a anca indiferente. 

Cruel Country captura com nitidez quase fotográfica e visual uma América imponente no modo como influencia ainda hoje, quer queiramos, quer não, o melhor indie contemporâneo. E as fundações dessa evidência estão, sem dúvida, na folk, um género musical que tem as suas raízes culturais no velho oeste e que quando é replicado por intérpretes como os Wilco, está sempre encharcado numa certa sabedoria proverbial, porque é, sejamos honestos, o melhor estilo musical para contar histórias de vida, mais ou menos corriqueiras, mas sempre profundas e genuínas. Cruel Country é um manancial de relatos das nossas vivências frágeis e minúsculas. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 15:16

Efterklang - Plexiglass EP

Terça-feira, 28.06.22

Foi o ano passado que os dinamarqueses Efterklang protagonizaram uma das transferências mais badaladas da temporada musical, assinando pela City Slang depois de três discos na britânica 4AD. A estreia na etiqueta alemã aconteceu pouco depois com um disco intitulado Windflowers, o sexto da carreira do projeto formado por Mads Brauer, Casper Clausen e Rasmus Stolberg e que, recordo, foi bastante marcado pela circunstância covid, mas também por algumas questões pessoais do trio, uma conjuntura que acabou por criar um clima criativo invulgar no seio dos Efterklang, impulsionando-os para um trabalho em que acusticidade orgânica e texturas eletrónicas particularmente intrincadas, conjuraram entre si, muitas vezes de modo quase impercetível, para incubar uma alinhamento elegante e com uma beleza sonora inquietante.

Com a chegada do verão… Efterklang lançam EP surpresa! – Glam Magazine

Agora, em pleno solstício de verão de dois mil e vinte e dois e para marcar essa mesma efeméride que assinala o dia mais longo do ano, os Efterklang voltam à carga, em formato EP, com Plexiglass, cinco inéditos que contêm nos seus créditos contribuições de nomes tão distintos como Karl Hyde, do projeto Underworld e Katinka Fogh Vindelev, entre outros.

Plexiglass é um verdadeiro bouquet de pop charmosa e delicada, mas também vibrante e orquestral, sonoramente perfeita para estes dias em que vivemos num constante limbo entre a marcha do calendário e a discrepância entre esse movimento celeste do nosso planeta e as sensações metereológicas que tal fenómeno cósmico nos tem feito sentir. É um tomo de cinco lindíssimas composições, em que acusticidade orgânica e texturas eletrónicas particularmente intrincadas conjuram entre si, muitas vezes de modo quase impercetível, para incubar um registo com uma beleza sonora inquietante, onde não faltam momentos de euforia e celebração, como é o caso de Circles, um tema que nos coloca um enorme sorriso no rosto sem razão aparente e nos enche o peito, mas também instantes de recolhimento íntimo, nomeadamente na lindíssima balada Brænder, construída em redor de um delicado piano. Depois, o perfil eminentemente experimental de Rain Take Me Back Himalaya, uma composição trepidante e que nos deixa em contínuo sobressalto, ou os preciosos detalhes intrigantes, interessantes e exuberantes que se emaranham no perfil percussivo que sustenta Laughing In The Rain, ajudam a compôr o ambiente geral de um alinhamento que voltou a fazer os Efterklang descolarem ainda mais da sua habitual zona de conforto sonora para arriscarem ambientes eminentemente épicos e com uma instrumentalização ainda mais diversificada, ao mesmo tempo que nos proporcionam outra banda sonora perfeita para uma jornada de meditação, onde o brilho da suprema criatividade artística e a típica melancolia nórdica caminham, uma vrez mais, de mãos dadas, em perfeita comunhão. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 16:51

DIIV - Sometime / Human / Geist EP

Segunda-feira, 27.06.22

Dois mil e vinte e dois é um ano marcante para todos os fãs dos DIIV, já que a banda norte-americana formada por Zachary Cole Smith (voz e guitarra), Andrew Bailey (guitarra), Colin Caulfield (baixo) e Ben Newman (bateria), comemora uma década do lançamento de Oshin o mítico álbum que lançou o grupo natural de Nova Iorque para as luzes da ribalta. E um dos eventos que marca a efeméride é o lançamento do EP Sometime / Human / Geist, um tomo que junta as primeiras três canções que os DIIV gravaram, um ano antes de incubarem Oshin e os respetivos b side, todas alvo de reimpressão recente em formato vinil de sete polegadas, já disponível no bandcamp do grupo.

DIIV Brasil (@DIIV_BR) / Twitter

Este EP é um registo obrigatório para todos aqueles que querem entender o processo evolutivo dos DIIV e o modo como, a darem o pontapé de saída, escavaram as fundações desse Oshin, compêndio que é, ainda hoje, um marco discográfico fundamental do milénio. E, de facto, a audição destas seis composições, que inclui uma curiosa versão de Bambi Slaughter, um original da autoria de Kurt Cobain, esclarece-nos que eram doses indiscretas de uma pop suja e nostálgica que conduzia a um amigável confronto entre o rock alternativo de cariz mais lo fi com aquela pop particularmente luminosa e com um travo a maresia muito peculiar, a grande força motriz do processo criativo do quarteto, bem impressa em Sometime, a primeira canção do grupo a causar furor no mainstream e que também não renegava aproximações mais ou menos declaradas à herança do melhor garage rock de final do século passado, como se percebe em Geist.

Sombra, rugosidade e monumentalidade, misturando-se entre si com intensidade e requinte superiores, através da crueza orgânica das guitarras, repletas de efeitos e distorções inebriantes e de um salutar experimentalismo percurssivo em que baixo e bateria atingem, juntos, um patamar interpretativo particularmente turtuoso, enquanto todos juntos obedecem à vontade de Zachary de se expôr sem receios e assim afugentar definitivamente todos os fantasmas interiores que o vão consumindo, são os pilares fundamentais dos DIIV e estes seis temas merecem figurar num superior lugar de destaque na indie contemporânea, porque são os grandes responsáveis pelo desabrochar triunfante de uma banda indispensável e única. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 15:31

Gorillaz – Cracker Island (feat. Thundercat)

Domingo, 26.06.22

Foi há já ano e meioa que chegou aos escaparates Song Machine, Season One: Strange Timez, o sétimo álbum dos britânicos Gorillaz, que ofereceram ao úblico português aquele que foi muito possivelmente, a par dos Pavement, o melhor concerto da última edição do NOS Primavera Sound, que decorreu no Parque da Cidade do Porto há cerca de duas semanas. Agora, em pleno início tímido do verão de dois mil e vinte e dois, Russell, Noodle, 2D e Murdoc, conduzidos pelo enorme Damon Albarn, talvez a única personalidade da música alternativa contemporânea capaz de agregar nomes de proveniências e universos sonoros tão díspares e fazê-lo num único registo sonoro, apresentam-nos um novo tema intitulado Cracker Island que, para já, não traz atrelado a divulgação de um novo disco do projeto.

Gorillaz tease release of techno-tinged new track 'Cracker Island'

Canção produzida por Greg Kurstin, Remi Kabaka Jr. e os próprios Gorillaz e que resulta de uma feliz parceria da banda com Stephen Lee Bruner, aka Thundercat, Cracker Island pretende, antes de mais, convidar-nos a todos a aderirmos a uma espécie de culto, que tem como grande líder, nada mais nada menos que o próprio Murdoc Niccals, o baixista da banda. E o convite irresistível é feito à boleia de uma inebriante e polida composição, que junta a uma batida angulosa guitarras efusiantes e diversas camadas de sintetizações ondulantes, ou seja, é uma canção cujo centro nevrálgico gravita em redor de toda a diversidade que sustenta muita da pop que é mais apreciada nos dias de hoje, principalmente a que tem como origem o lado de lá do atlântico. Confere...

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publicado por stipe07 às 15:32

Kurt Vile – (watch my moves)

Quarta-feira, 22.06.22

Quatro anos depois do excelente registo Bottle It In, Kurt Vile volta a dar as mãos à Matador Records e coloca nos escaparates (watch my moves), o oitavo trabalho da carreira deste músico que descende da melhor escola indie rock norte americana que adora piscar o olho à melhor folk nativa do outro lado do atlântico, quer através da forma como canta, quer nos trilhos sónicos da guitarra elétrica que abraça há já quase duas décadas, sempre com elevado requinte.

Watch My Moves é a mais recente promessa de Kurt Vile | MHD

Produzido por Cate Le Bon, Jesse Trbovich, o próprio Kurt Vile, Kyle Spence, Rob Laakso e Rob Schnapf, (watch my moves) mostra o músico natural de Filadélfia a remexer em algumas demos e composições inacabadas que estavam engavetadas no seu arquivo e que aguardavam o momento certo para serem devidamente polidas e embelezadas. Ganharam finalmente vida e fizeram-no com o autor a preservar a espontaneidade e o timbre singelo e algo inocente, até, que contêm. E este acaba por ser o travo geral de um alinhamento de quinze composições sublimes no modo como nos apresentam o melhor adn identitário de Vile, feito de melodias conduzidas quase sempre por cordas elétricas e acústicas inspiradas, espraiado em quase oitenta minutos de enorme beleza, emoção, arrojo e, acima de tudo, contemplação. Mesmo nos momentos mais experimentais do disco, como Say The Word ou Kut Runner, existe esta sensação distinta de estarmos na presença de uma espécie de rascunho deambulante, que foi embelezado e esculpido com inegável mestria.

Quando for feito um balanço final da carreira de Kurt Vile, (watch my moves) deverá ser analisado fazendo-se justiça à sua especificidade estilística mas, à semelhança de outros discos do músico, o seu alinhamento não poderá ser dissociado do modo como entronca numa filosofia de auto-descoberta, que é uma das marcas incontornáveis do processo de criação deste artista norte-americano. Independentemente da variedade e da heterogeneidade que marcam as quinze canções deste trabalho, tremendamente orgânicas e delicadamente ocasionais, é consensual que a sua sonoridade descomprometida e apimentada com pequenos delírios acústicos e elétricos, nos oferece um verdadeiro oasis sonoro que irá escorrer sempre bem nos nossos ouvidos, ajudando-nos, por exemplo num futuro próximo, a contemplar com serenidade o apogeu de um verão que se adivinha algo frenético e que para muitos não ficará certamente gravado pelos melhores motivos. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 15:44

Preoccupations – Ricochet

Segunda-feira, 20.06.22

Quatro anos depois do registo New Material, os canadianos Preoccupations de Matt Flegel, Mike Wallace, Scott Munro e Daniel Christiansen, voltam finalmente a dar sinais de vida com o anúncio de um novo registo de originais que terá um alinhamento de sete canções. O novo álbum dos Preoccupations chama-se Arrangements e será o primeiro lançado pela etiqueta do próprio grupo que cessou a sua ligação à Jagjaguwar.

Preoccupations (@pre_occupations) / Twitter

Ricochet é o primeiro avanço revelado do alinhamento de Arrangements. É uma contundente canção, que de algum modo condensa todos os atributos sonoros dos Preoccupations, já que nela, cascatas de guitarras e inebriantes sintetizadores situam-se em posição de elevado destaque, um modus operandi estilístico muito identitário e que combina post punk com shoegaze. Na composição o ruído não funciona com um entrave à sua expansão, mas como mais um veículo privilegiado para lhe dar um relevo muito próprio que, sem esse mesmo ruído, Ricochet certamente não teria. É, em suma, uma composição criada num clima marcadamente progressivo e rugoso, mas simultaneamente harmonioso, provando, uma vez mais, o modo exímio como este quarteto ímpar faz da rispidez visceral algo de extremamente sedutor e apelativo. Confere...

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publicado por stipe07 às 12:47

Belle And Sebastian – A Bit Of Previous

Sábado, 18.06.22

Cordas acústicas ou eletrificadas e de diferentes fontes, mas dedilhadas com inusitado prazer e uma prestação melódica irrepreensível, são o prato forte dos escoceses Belle And Sebastian e do seu novo disco, um trabalho intitulado A Bit Of Previous, que sucede ao registo Girls in Peacetime Want to Dance, que foi editado há sete anos atrás e que, tal como este novo trabalho, tinha o selo da Matador Records.

Belle and Sebastian anuncia "A Bit Of Previous", seu primeiro álbum em sete  anos - A Rádio Rock - 89,1 FM - SP

A nossa redação tem estado particularmente atenta, nos últimos meses, ao lançamento deste disco, nomeadamente com a divulgação que fez dos temas If They’re Shooting At YouUnnecessary Drama e Young And Stupid, a canção que abre o alinhamento de A Bit Of Previous. E, de facto, as elevadas expetativas relativamente ao conteúdo global de A Bit Of Previous, um alinhamento de doze canções produzidas pela própria banda e por Brian McNeill, Kevin Burleigh, Matt Wiggins e Shawn Everett, confirmam-se. Estamos na presença de um registo animado e festivo, mas também nostáligo e encantador, principalmente em temas como Do It for Your Country, A World Without You e Deathbed of my Dreams. É um álbum repleto de canções melodicamente felizes e, mesmo com estes instantes menosefusivos, no seu todo, empolgante e frenético, com as canções a sucederem-se em catadupa sem quebrarem o espírito e a filosofia positiva e vibrante que carateriza a sua essência.

De facto, os Belle And Sebastian ainda conseguem fazer juz à sua riquíssima carreira e manter elevada a bitola, sem mostrarem desgaste ou erosão pelo tempo, neste já clássico. Pelo contrário, conseguem manter firme a sua identidade e, em simultâneo, acompanhar as novas tendências e dar sempre um cunho contemporâneo às suas canções, não resvalando para a repetição exaustiva de uma fórmula que, por muito bem sucedida que tenha sido nos já onze alinhamentos que fazem parte do catálogo do grupo natural de Glasgow, carece sempre de ajustes, inovação e modernidade.

Portanto, um superior registo interpretativo da vasta diversidade instrumental que acama um álbum que faz uma ponte feliz entre ironia e melancolia, delicados arranjos, uma superior agregação de diversas camadas instrumentais e vozes sempre efusiantes e exemplarmente acamadas e retocadas, são as grandes matrizes de um álbum que, como se pede em qualquer alinhamento dos Belle And Sebastian, nos conduz de volta ao indie pop mais orelhudo, com aquele requinte vintage que revive os gloriosos anos setenta e oitenta. Confere...

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publicado por stipe07 às 13:12






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