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Local Natives – Statues In The Garden (Arras)

Terça-feira, 22.09.20

Ano e meio depois do excelente registo Violet Street, um dos preferidos desta redação do catálogo de dois mil e dezanove, os norte-americanos Local Natives de Taylor Rice estão de regresso com o ambiente deslumbrante, luminoso e efervescente de Statues In The Garden (Arras), uma composição que começou a ser incubada na cidade francesa de Arras e que ganhou a sua roupagem final já no lado de lá do atlântico.

Local Natives lança single surpresa, junto com clipe psicodélico em animação

Statues In The Garden (Arras) aprimora os elementos marcantes que têm balizado o adn sonoro da banda de Silver Lake desde a estreia, cimentados por teclados efusiantes, muitas vezes agregados a detalhes pontuais, como palmas, distorções de guitarra e outross efeitos sintetizados, nuances que definem o arquétipo desta canção e de um modo particularmente renovado, emotivo e delicioso. 

Statues In The Garden (Arras) também já tem direito a um psicadélico e sugestivo vídeo da autoria de Jamie K Wolfe e no qual uma personagem passeia por diferentes cenários sempre pontuados por limões, frutos que vão ocupando o cenário e a nossa imaginação, das mais variadas formas. Confere...

Local Natives - Statues In The Garden (Arras)

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publicado por stipe07 às 13:39

Ailbhe Reddy - Looking Happy

Sexta-feira, 18.09.20

Conforme já demos conta por cá há sensivelmente um mês, uma das estreias discográficas mais interessantes do próximo outono é a da irlandesa Ailbhe Reddy, uma jovem artista de Dublin, estudante de psicoterapia e que tem na forja um álbum intitulado Personal History, com lançamento previsto para daqui a duas semanas à boleia da Street Mission Records.

Ailbhe Reddy anticipates album with single "Looking Happy" – portugalinews  the best news

Personal History é uma colecção íntima e introspetiva de canções que ruminam os ritos de passagem de uma mulher exímia a escrever canções de auto-avaliação sincera e honesta, navegando autobiograficamente pelas agruras das relações amorosas mal sucedidas nesta era em que impera a lei das redes sociais (Looking Happy), mas que também sentiu necessidade de espalhar no registo aquilo que sente acerca da habitual dualidade de sentimentos, entre a solidão e a independência, que muitas vezes um artista sente em digressão (Time Difference), além de revelar explicitamente e sem pudores a sua orientação sexual (Between Your Teeth e Loyal). Além dessa componente pessoal, Personal History também coloca Ailbhe Reddy a olhar para o mundo que a rodeia, fruto do seu percurso académico acima referido. Assim, no alinhamento de Personal History encontramos também canções que mostram a sua compreensão e empatia relativamente às perspectivas e problemas das pessoas que a rodeiam. O estimulante tema Self Improvement oferece-nos um diálogo sobre as dificuldades em lidar com a saúde mental, enquanto outras músicas dissecam com maior precisão questões como aprender a conviver com o fracasso, nomeadamente Late Bloomer e como enfrentar os medos de compromisso Failing e Walk Away.

Um verdadeiro portento de indie pop, Looking Happy é, logo o primeiro tema acima mencionado, é o mais recente single retirado de Personal History, um tema pessoal e comovente e que, de acordo com a própria autora, é sobre observar a vida de alguém de longe após o término do namoro. Todos nós deveríamos saber agora que o que as pessoas apresentam online é uma versão brilhante e feliz dos eventos mas, às vezes, é impossível ter essa lógica quando estás a sofrer. A maioria das pessoas provavelmente acaba por visitar o perfil online de um ex e sente que sua vida é cheia de festas e dias divertidos porque isso é tudo o que as pessoas mostram da sua vida no online. Confere...

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publicado por stipe07 às 18:11

This Is The Kit – Coming To Get You Nowhere

Quinta-feira, 17.09.20

This Is The Kit - Coming To Get You Nowhere

Os This Is The Kit da britânica Kate Stables vão regressar aos discos já em outubro com Off Off On,  sucessor do belíssimo registo Moonshine Freeze, que viu a luz do dia em dois mil e dezassete e que contou com a participação do extraordinário multi-instrumentista Josh Kaufman dos Bonny Light Horseman que, como certamente se recordam, faz parte do projeto MUZZ, juntamente com Paul Banks dos Interpol e Matt Barrick dos The Walkmen, que se estreou nos álbuns com um homónimo no final da passada primavera.

Coming To Get You Nowhere é o mais recente avanço divulgado de Moonshine Freeze, uma animada composição com elevado travo indie e onde do rock alternativo à folk, funde-se o adn de Kaufman, que olhou sempre com gula para a exuberância das cordas, com sonoridades cuja riqueza dos arranjos depende muito quer dos sopros quer de uma vasta miríade de recursos percurssivos. Confere...

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publicado por stipe07 às 18:16

FUGLY - Stay In Bed

Quarta-feira, 16.09.20

Mais de dois anos depois do excelente Millenial Shit, os portuenses FUGLY estão de regresso aos lançamentos com um novo disco, ainda sem nome anunciado e que, de acordo com os próprios, substitui os problemas adolescentes pelos de adulto,  com uma visão (um bocadinho) mais amadurecida do mundo que os rodeia mas sem largar o lado enérgico, satírico e festivo. Será lá para janeiro do próximo ano que o projeto liderado por Pedro Feio, ou Jimmy, ao qual se juntam Rafael Silver, Nuno Loureiro e Ricardo Brito, colocará nos escaparates o seu novo trabalho, um alinhamento com a chancela da O Cão da Garagem e produzido, mais uma vez, pelos próprios FUGLY no Adega Studios.

FUGLY lançam “Stay in Bed” de novo álbum a editar em Janeiro de 2021 – Glam  Magazine

O rock direto e sem espinhas de Space Migrant, um tema que, de acordo com o seu press releasefala sobre a inclusão de todos numa sociedade que tem problemas em unir-se, foi, como certamente se recordam, o primeiro single retirado desse novo álbum dos FUGLY, na passada primavera. Agora, no ocaso deste atípico verão, a banda portuense divulga Stay In Bed, canção rugosa, intensa e crua, assente numa desbravada e inquieta guitarra e num ritmo frenético com um inconfundível vigor punk, quase três minutos que mostram os FUGLY de garras afiadas, enquanto descrevem a frustração causada pelas forças inertes à criatividade. O tema vem acompanhado por um vídeo realizado por Hugo Amaral. Confere...

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publicado por stipe07 às 11:43

Django Django - Spirals

Terça-feira, 15.09.20

Foi no início de dois mil e dezoito, ou seja, há já quase três anos, que os Django Django de Dave Maclean, Vincent Neff, Tommy Grace e Jimmy Dixon desvendaram Marble Skies, o último registo de originais, em formato longa duração, desta banda escocesa natural de Edimburgo. O trabalho continha dez canções feitas com uma pop angulosa proposta por quatro músicos que, entre muitas outras coisas, tocam baixo, guitarra, bateria e cantam, sendo isto praticamente a única coisa que têm em comum com qualquer outra banda emergente no cenário alternativo atual.

Stream Django Django's New Song "Spirals" | Consequence of Sound

Nove meses depois desse álbum, os Django Django regressaram aos lançamentos discográficos, mas no formato EP, com um registo intitulado Winter’s Beach, seis originais que viram a luz do dia à boleia da Because Music e que estavam encharcados de sintetizadores com uma proeminente toada vintage, tendo sido um EP fortemente inspirado na eletrónica do século passado.

Agora, no ocaso do verão de dois mil e vinte, o projeto escocês volta à carga com Spirals, uma canção em que conceitos como o DNA humano e as conexões que este agrupamento de proteínas suscita, são a pedra de toque de uma canção que, tendo esse ponto de partida, debruça-se sobre o modo como ainda será possível criar laços e afinidades quando a situação pandémica atual e as crenças politicas em voga, que têm ganho bastantes adeptos nas extremas, quer direita quer esquerda, parecem propiciar terreno fértil para a divisão e o afastamento entre as pessoas.

Sonoramente, Spirals, uma contagiante canção feita com uma dose divertida de experimentalismo e psicadelismo, mostra os Django Django a darem continuidade à filosofia estilística em que alicerçaram os dois lançamentos de dois mil e dezoito, já que se trata de uma canção assente numa relação simbiótica forte entre guitarras e percussão, uma aliança adornada por uma espiral sintetizada que deve muito à herança da música de dança de final do século passado. Em suma, Spirals cimenta uma cartilha sonora que é feita há mais de meia década com uma dose divertida de experimentalismo e psicadelismo, que muitos rotulam como art popart rock ou ainda beat pop, um cardápio de um projeto que merece claramente sentar-se à mesa dos nomes fundamentais da música de dança atual. Ainda não é claro que Spirals possa antecipar um novo disdo dos Django Django nos próximos tempos. Confere...

Django Django - Spirals

01. Spirals
02. Spirals (Edit)

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publicado por stipe07 às 10:57

Matt Berninger - One More Second

Segunda-feira, 14.09.20

Está para breve o lançamento do disco de estreia da carreira a solo de Matt Berninger, um registo intitulado Serpentine Prison e que deve muito do seu conteúdo ao período de confinamento que o músico também viveu em Nova Iorque e que lhe permitiu debruçar-se com maior empenho neste seu projeto paralelo à realidade The National.

Matt-Berninger

Serpentine Prison conta nos créditos com os produtores Booker T. Jones e Sean O’Brien, verà a luz do dia através da Book Records, uma nova etiqueta, subsidiária da Concord Records e formada por Berninger e Jones em conjunto e do seu alinhamento já se conhecem vários temas, que têm sido divulgados pela nossa redação, como os mais atentos certamente se recordam

One More Second é o mais recente single retirado do alinhamento de Serpentine Prison, uma composição escrita por Berninger em parceria com Matt Sheehy, líder da banda Lost Lander e companheiro do músico nova iorquino no projeto EL VY project. É uma belíssima canção de amor, instrumentalmente riquíssima e repleta de arranjos das mais diversas proveniências, com uma toada emotiva indesmentível, abrigada numa nuvem espessa de classicismo e por uma aúrea de sentimentalismo e sensibilidade únicos. Confere...

Matt Berninger - One More Second

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publicado por stipe07 às 11:37

The Flaming Lips – American Head

Sábado, 12.09.20

Ninguém no seu perfeito juízo duvida que os The Flaming Lips, uma banda norte-americana natural de Oklahoma, são um dos projetos sonoros mais curiosos e animados da cultura musical contemporânea. Há quase três décadas que gravitam em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e em cada novo disco reinventam-se e quase que se transformam num novo projeto. Tal sucede porque foram sempre uma banda cheia de ideias e com uma agenda de lançamentos bastante preenchida, principalmente depois de Oczy Mlody, o trabalho que este coletivo liderado pelo inimitável Wayne Coyne lançou há pouco mais de três anos e que nos ofereceu uma verdadeira orgia lisérgica de sons e ruídos etéreos que os orientaram, em simultâneo, para duas direções aparentemente opostas, a indie pop etérea e psicadélica e o rock experimental. A partir daí, o ritmo acelerou sempre e, felizmente, parece não se vislumbrar o último capítulo de uma saga alimentada também por histórias complexas (Yoshimi Battles the Pink Robots), sentimentos (The Soft Bulletin), experimentações únicas (Zaireeka) e ruídos inimitáveis (The Terror). De facto, ultimamente não tem sido fácil perceber, com clareza, que rumo concreto quer a banda dar ao seu percurso discográfico e o truque parece ser mesmo navegar ao sabor da corrente criativa dos seus membros e fazê-lo de modo (aparentemente) anárquico.

The Flaming Lips – 'American Head' album review

Assim, e tomando apenas como ponto de partida o histórico mais recente do projeto, se no verão de dois mil e dezoito revisitaram, numa edição de luxo de três tomos intitulada Greatest Hits, todo o catálogo dos The Flaming Lips na Warner Brothers, não só os singles e temas mais conhecidos do grupo mas também alguns lados b, versões demo e temas que nunca foram gravados, nem um ano depois já tinham nos escaparates King's Mouth, um registo conceptual de doze canções baseado no estúdio de arte com este nome que a banda de Oklahoma abriu há quatro anos e que tem com uma das principais atrações que os visitantes podem usufruir, um espetáculo de luzes LED de sete minutos que falam de um rei gigante bebé que quando cresceu fê-lo de tal modo que sugou para dentro da sua enorme cabeça todas as auroras boreais. Logo de seguida, pouco antes do último Natal, revelaram The Soft Bulletin: Recorded Live At Red Rocks With The Colorado Symphony Orchestra, mais doze canções que se assumiram como o primeiro tomo ao vivo da banda de Oklahoma, um trabalho que contou com a participação especial de cento e vinte e cinco elementos da Colorado Symphony Orchestra, conduzidos pelo maestro Andre De Ridder, sessenta e oito instrumentistas e cinquenta e sete cantores e que reproduziu o alinhamento de The Soft Bulletin, a obra-prima dos The Flaming Lips, com vinte anos de vida.

Sem pausas, já neste ano de dois mil e vinte participaram numa das colaborações mais inusitadas do universo sonoro indie e alternativo, dando as mãos ao projeto californiano Deap Vally, da dupla Lindsey Troy e Julie Edwards. O resultado final da equação, ainda fresco na memória e no ouvido, chamou-se Dead Lips e materializou-se com um disco homónimo que fundiu com elevado grau criativo o universo psicadélico unicorniano dos The Flaming Lips e o rock puro e simples das Deap Vally.

Agora, quase no ocaso deste verão, os The Flaming Lips voltam à carga com American Head, a visão pura, crua e dura, apartidária, sem preconceitos e amiúde até irónica de uma América que vive uma contemporaneidade algo perigosa, fraturada em dois extremos dominantes, espartilhada por um vírus que não tem sido fácil de lidar nesse vasto território e ensaguentada de traumas e males raciais, assentes numa sequência nada feliz de décadas e até de séculos de casos mal resolvidos, que remontam ao período da escravatura, o grande motivo da Guerra Civil que o país viveu há pouco mais de duzentos anos e que deixou fantasmas ainda a pairar. E fê-lo, sonoramente, ampliando a dose de arrojo que tem caraterizado, como já referi, a carreira dos The Flaming Lips, espeditos a rejeitar todas as referências normais do que compreendemos por música, um pouco em contraciclo com uma imensidão de projetos que, com a massificação das formas de divulgação e audição, insistem em colocar a vertente mais comercial na ordem do dia.

De facto, é nas raízes mais profundas e puras do rock tradicional americano que American Head entronca. Desiludido com o seu país, Coyne resolveu colocar na primeira linha do novo álbum da sua banda, aquilo que a América ainda tem de melhor, a sua herança sonora, inigualável no cenário indie e alternativo contemporâneo, mesmo que seja em terras de sua Majestade que estão as raízes de alguns dos melhores projetos de sempre da história da música, vários, como é o caso dos The Beatles, referências incontornáveis dos The Flaming Lips. Logo na soul da guitarra e na vibração luminosa e sentida das cordas que conduzem Will You Return / When You Come Down, temos esse travo tipicamente mojave, que o lindíssimo tema Flowers Of Neptune 6, ainda mais evidencia, nomeadamente na luminosa acusticidade das teclas e das cordas, conjugadas com uma ímpar grandiosidade psicadélica e induzidas por um registo percurssivo heterogéneo, onde abunda uma vasta miriade de efeitos e detalhes. Entretanto, Watching The Lightbugs Glow, confere ao registo aquela faceta mais pop e climática que também é rainha nesse lado do hemisfério norte, um verdadeiro tratado de sentimentalismo latente e pura melancolia, uma canção que nos embarca numa viagem lisérgica ímpar, uma daquelas canções que subjuga momentaneamente qualquer atribulação que no instante da audição nos apoquente.

Este início esplendoroso de American Head faz logo o ouvinte sentir que houve da parte deste grupo uma forma magnífica de darem a volta por cima à tristeza que certamente os invade devido aquilo que vão observando diariamente em redor e fizeram-no, arrisco, até com uma certa dose de ironia, como se aquela sensação depressiva que as canções possuem e que lhes confere, por acaso, grande parte da sua beleza, fosse canalizada para a ironia e para o sarcasmo. A confessional Mother I've Taken LSD, uma canção que contém o clássico arquétipo majestoso que sempre marcou os The Flaming Lips, será talvez o exemplo mais impressivo dessa estratégia libertadora, mas o oásis psicadélico de Dinosaurs On The Mountain, a bonomia complacente da lindíssima balada You N Me Sellin’ Weed, o travo beatleiano do piano que conduz Mother Please Don’t Be Sad, a canção mais estrondosa do álbum e a pueril e etérea, mas riquíssima de detalhes e, por isso, enganadoramente minimal At The Moovies On Quaaludes, são outros temas que nos relatam vidas inocentes mas gloriosas, alienadas e ingenuamente heróicas, aparentemente bem resolvidas, vidas com futuro e potencialmente inundadas em epicidade e alegria, mesmo sendo vividas no meio do caos e da anarquia.

Disco cinematográfico porque inventaria de certo modo tudo aquilo que faz parte da realidade de um normal cidadão americano nos dias de hoje, independentemente do lado da barricada em se encontre e explicitamente aberto aquele experimentalismo tão caro aos The Flaming Lips, mas sem colocar em causa a própria integridade sonora do registo ou descurar a essência inicialmente pretendida para o mesmo, American Head mostra que até é possível ser-se feliz nesse estranho país onde raramente existe algo que pareça aquilo que realmente é. E estas treze canções não fogem a essa impressão firme da aparência, porque se forem analisadas e escutadas com a devoção que merecem, são muito mais otimistas e reluzentes do que aquilo que à primeira audição parecem. Sendo atingido esse efeito no ouvinte, então elas têm tudo para nos fazer acreditar numa posterior redenção e na esperança numa américa melhor e com potencial para renascer em algo melhor. Seja como for, e independentemente da obtenção desse desiderato, não há como negar que este extraordinário registo é mais uma prova da abrangência anteriormente descrita que os The Flaming Lips transportam no seu adn e solidifica a habitual estratégia da banda de construir alinhamentos de vários temas que funcionem como uma espécie de tratado de natureza hermética, onde esse bloco de composições não é mais do partes de uma só canção de enormes proporções, num resultado final que ilustra na perfeição o cariz poético  de um grupo ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade e sempre capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-los para cenários complexos, mas repletos de sensações únicas que só eles conseguem transmitir. Espero que aprecies a sugestão...

The Flaming Lips - American Head

01. Will You Return / When You Come Down (Feat. Micah Nelson)
02. Watching The Lightbugs Glow
03. Flowers Of Neptune 6
04. Dinosaurs On The Mountain
05. At the Movies On Quaaludes
06. Mother I’ve Taken LSD
07. Brother Eye
08. You N Me Sellin’ Weed
09. Mother Please Don’t Be Sad
10. When We Die When We’re High
11. Assassins Of Youth
12. God And The Policeman (Feat. Kacey Musgraves)
13. My Religion Is You

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publicado por stipe07 às 00:47

STRFKR – Ambient 1

Quinta-feira, 10.09.20

Não é assim tão incomum quanto isso encontrar quem ache que os STRFKR de Josh Hodges são a maior banda de todos os tempos. De facto, esta banda norte-americana, natural de Portland, no Oregon, é mestre a transmitir boas vibrações e tem uma inclinação para a beleza que é, quanto a mim, inquestionável. É impressionante a sua capacidade de criar composições que oferecem êxtase às pistas de dança, mas também de proporcionar instantes sonoros contemplativos que, escutados, por exemplo, numa estufa de plantas, tornam-se no adubo ideal para as fazer crescer. Aliás, não será assim tão absurdo quanto isso, acreditar que aquela new wave de forte intensidade e que num misto de nostalgia e contemporaneidade, baliza o catálogo dos STRFKR, foi pensada por Hodges, o grande cérebro criativo do projeto, para o cultivo de sementes.

The band from outer space: STRFKR | Bozeman | bozemandailychronicle.com

Assim, depois de no início da última primavera nos termos alegrado todos e acreditado piamente que a paz iria ser de novo restaurada nos vales, as vacas voltariam a ser felizes e as águas seriam purificadas, porque os STRFKR nos garantiram um futuro mais feliz com o lançamento de um alinhamento de dez canções intitulado, Future Past Life, agora estão de regresso com Ambient 1, doze composições que, conforme o título indica, são de forte índole etérea, experimental e ambiental.

Ambient 1 teve como fonte de inspiração tripla, uma coleção de cassetes que o Hodges adquiriu em saldo de música ambiental, as sessões de gravação de Future Past Life e uma viagem do músico ao conhecido parque nacional Joshua Tree, localizado na Califórnia e que inclui partes dos desertos Colorado e Mojave. Já agora, só em jeito de curiosidade, o seu nome provém de uma espécie de cacto, encontrada quase exclusivamente nesta zona, denominada Joshua tree ou árvore de Josué. Nessa estadia campestre Hodges experimentou um sintetizador de um amigo, surgindo assim o esqueleto de um trabalho único e em cujo regaço melancolia e lisergia caminham lado a lado, duas asas montadas em canções que nos oferecem paisagens multicoloridas de sons e sentimentos, autênticas miragens lisérgicas e hipnóticas que deambulam pelos nossos ouvidos num frágil balanço entre uma percussão pulsante, uma eletrónica com um vincado sentido cósmico e uma indulgência orgânica que se abastece de guitarras plenas de efeitos texturalmente ricos e que privilegiam uma sensibilidade pop inédita.

Neste disco único na discografia dos STRFKR, é atingido, em alguns momentos, um forte cariz épico e monumental, nomeadamente no largo espetro de cruzamentos que se executam entre a eletrónica ambiental e um rock de cariz mais experimental e alternativo, uma filosofia sonora que nos possibilita obter um completo alheamento de tudo aquilo que nos preocupa ou nos pode afetar num determinado momento. Espero que aprecies a sugestão...

STRFKR - Ambient 1

01. Rainzow
02. Work Smoothly Lifetime Peace
03. Bunji
04. Kaleidoscope
05. Telescope
06. Anxiety
07. Zee Majoor
08. Concentrate
09. Vergeten
10. Nexus
11. Zij Aan Zij
12. Sleep

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publicado por stipe07 às 11:40

Silente - Em Espera

Quarta-feira, 09.09.20

Silente é assinado por Miguel Dias (ex-Rose Blanket) e Filipa Caetano, um novo grupo a ter em conta no panorama sonoro alternativo nacional e que está prestes a estrear-se nos lançamentos discográficos com um charmoso trabalho homónimo, gravado na última meia década, entre o Mindelo e Figueiró dos Vinhos, período durante o qual o gosto pela experimentação contribuiu para alongar, sem pressas, todo o processo criativo. Materizado por Miguel Pinheiro Marques (Arda Recorders) Silente conta com a colaboração do escritor e poeta Frederico Pedreira, que assina as letras das canções da dupla, mas também de Miguel Ângelo na bateria e Miguel Ramos no baixo.

Em Espera by Silente on MP3, WAV, FLAC, AIFF & ALAC at Juno Download

Em Espera é o primeiro single que este projeto revela desse seu álbum homónimo de estreia, uma transcendente canção que se sustenta numa simbiose bastante criativa entre a típica folk, com nuances mais clássicas e o indie rock, sempre em busca de uma sonoridade eminentemente clássica, mas também algo bizarra e indesmentivelmente inovadora e sedutora. Confere...

Bandcamp: https://silente.bandcamp.com/

Facebook: https://www.facebook.com/BSilente

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publicado por stipe07 às 21:36

New Order – Be A Rebel

Terça-feira, 08.09.20

Quase cinco anos depois do registo Music Complete, os míticos New Order de Bernard Sumner, cada vez mais com as agulhas viradas para a eletrónica, principalmente depois da saida do baixista Peter Hook, que já não participou na gravação desse registo de dois mil e quinze, estão de regresso com um novo single intitulado Be A Rebel e que pode muito bem ser um sinal claro de poder estar na forja um novo disco do coletivo de Manchester.

Be A Rebel foi apresentada em primeira mão há poucas horas no programa Breakfast With Zoe The Ball, na BBC Radio 2 e contém aquela matriz identitária que tão bem identifica os New Order e que, no caso deste tema, de elevado travo oitocentista, combinando uma sonoridade pós-punk com elementos da new wave, originou um resultado final bastante dançante, frenético e apelativo. Confere...

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publicado por stipe07 às 11:28






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