Sábado, 20 de Julho de 2019

Tricycles - Hamburger

João Taborda, Afonso Almeida, Edgar Gomes e Sérgio Dias são os Tricycles, uma espécie de super grupo que se estreou recentemente nos registos discográficos com um homónimo, gravado e produzido por Nelson Carvalho e editado pela Lux Records e que foi alvo de revisão atenta neste blogue.

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Descritos como um triciclo no alto de uma duna, a ver o mar, a sentir o sol quente nas rodas pintalgadas de areia, com uma certa comichão no volante por causa da humidade salgada, os Tricycles continuam a tirar dividendos desse registo e o mais recente é a divulgação de um vídeo de Hamburger, o segundo tema do seu alinhamento, juntamente com o anúncio do lançamento de Tricycles em formato vinil, lá para o final do ano, talvez ainda a tempo das próximas compras de Natal.

Canção sobre um assunto falsamente risível, (...) a vertigem da queda, que pode ter muitas formas, algumas mais subtis que outras, ou seja, um hamburger muito pouco gourmet, Hamburger oferece-nos um dos instantes mais solarengos e festivos de um disco com uma filosofia interpretativa que dá a primazia à guitarra quer no processo de criação melódica, quer também no modo como as canções vão sendo adornadas, geralmente com rudes baixos que conversam com educadas baterias e pianos falsamente corteses. Este é, pois, um dos momentos maiores de um alinhamento que nos deixa algo inebriados, doze canções que acabam por funcionar, no seu todo, como um sentido quadro sonoro, pintado com belíssimos arranjos e transições entre um alargado e rico espetro sonoro, que abarca alguns dos melhores tiques e heranças do indie rock das últimas décadas.

O videoclip de Hamburger foi filmado em Coimbra, realizado e editado pelo Bruno Pires e João Taborda, e conta com uma série de ilustres convidados da cidade: Vitor Torpedo, António Olaio, Ricardo Jerónimo, Pedro Chau, Pedro Renato, MC Ruze, Maria João Robalo e Joana Cipriano. Confere...


autor stipe07 às 16:30
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Quarta-feira, 17 de Julho de 2019

Peter Perrett – Humanworld

Já chegou aos escaparates Humanworld, o segundo registo de originais da carreira a solo do mítico artista Peter Perrett, antigo vocalista dos The Only Ones, banda que também ajudou a fundar e que acabou por ter um papel preponderante durante o auge da cena punk/new wave britânica, entre os anos setenta e oitenta do século passado. Sucessor do aclamado How The West Was Won, editado em dois mil e dezassete, Humanworld tem a chancela da Domino Records, numa carreira a solo que também funciona como um elíxir terapêutico de excelência após um complicado período de adições psicotrópicas, algo bem percetível num alinhamento em que Perrett volta a dissertar sobre o amor a e política com o habitual sarcasmo que carateriza esta personagem ímpar do cenário musical alternativo britânico.

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Texturalmente e sonicamente rico, urgente e conciso, Humanworld escorre de rajada (doze temas dividios por cerca de trinta e cinco minutos) e com uma leveza algo intrigante, porque se as canções têm um forte cariz radiofónico e uma altivez pop indesmentível, também possuem uma aúrea de mistério e consistência capazes de deixar o ouvinte a refletir sobre o seu conteúdo. Logo a abrir, em I Want Your Dreams, se nas interseções entre baixo e sintetizadores, que são depois abafadas por uma guitarra exuberante, Peter Perret reinvindica os nossos sonhos e quer deles apropriar-se de um modo tipicamente vampiresco e se na pop cósmica de Once Is Enough o músico mantém essa toada altiva e até algo desafiante, aprimorada um pouco adiante no travo punk libidinoso de Believe In Nothing, já no manto de acusticidade tipicamente brit de Heavenly Day o músico começa a mostrar uma faceta mais sentimental e até ternurenta, que depois se aprimora e atinge os píncaros daquela irecusável nostalgia que a todos toca em The Power Is In You, uma majestosa composição em que não faltam violinos e uma vasta panóplia de efeitos ecoantes, detalhes que ajudam o ouvinte a sentir-se ainda mais embalado e seduzido.

É nesta contínua dicotomia entre a vontade de querer dominar o ouvinte e tomar posse de todo o seu eu, mas também ser embalado e entendido por ele, que Peter Perrett conduz um bom disco de indie pop rock, feito da mais pura estirpe de terras de Sua Majestade e que, apesar de piscar o olho a heranças diretas do pós punk e onde não faltam também vias sonoras abertas para o pop rock, a new wave e o grunge, define-se sonoramente pelo modo como faz exalar um intenso charme da agregação de todos estes subgéneros, uma combinação conseguida com superior sentido criativo e à boleia de uma vontade expressa de procurar diferentes ritmos e abordagens instrumentais, sempre com considerável dose de loucura, divertimento e inegável boa disposição e anormalidade. Espero que aprecies a sugestão...

Peter Perrett - Humanworld

01. I Want Your Dreams
02. Once Is Enough
03. Heavenly Day
04. Love Comes On Silent Feet
05. The Power Is In You
06. Believe In Nothing
07. War Plan Red
08. 48 Crash
09. Walking In Berlin
10. Love’s Inferno
11. Master Of Destruction
12. Carousel


autor stipe07 às 19:49
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Segunda-feira, 15 de Julho de 2019

Dope Lemon – Smooth Big Cat

Os seguidores mais atentos do universo sonoro indie e altrnativo já terão certamente ouvido falar de Angus Stone, um cantor, compositor e produtor australiano, nascido a vinte e sete de abril do já longínquo ano de mil novecentos e oitenta e seis e que se tem notabilizado com a sua irmã, formando juntos o duo Angus & Julia Stone, já com quatro discos em carteira, numa carreira iniciado há cerca de uma década com o excleente, Smoking Gun. Ora, Angus Stone também tem uma carreira a solo, onde assina com o pseudónimo Dope Lemon, iniciada há três anos com o registo Honey Bones, que teve sequência, no ano seguinte, com o EP Hounds Tooth e que vê agora sucessor com Smooth Big Cat, dez canções abrigadas pela BMG Australia e que, rezam as crónicas, se tornaram num verdadeiro desafio para o músico, que procurou um ambiente intimista e recatado sem colocar em causa o exigido som de estúdio que faz parte do seu adn.

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Tal cono o antecessor, Smooth Big Cat foi gravado nos estúdios Belafonte, que pertencem ao próprio Angus Stone e que se situam num rancho que tambem possui. Stone tocou e gravou todos os instrumentos e misturou e produziu todas as dez composições de um trabalho que relata a vida de uma personagem chamada exatamente Dope Lemon e que funciona como uma espécie de alter-ego do artista. Dope Lemon é, no fundo, um tipo normal mas também bizarro e sempre bem disposto e otimista, que gosta de estar no seu canto a ouvir música com um copo numa mão e um cigarro na outra.

É esta a figura que trespassa a filosofia temática das dez canções de Smooth Big Cat, que tiveram na sua concepção como principal ferramenta alguns dos típicos traços identitários de uma espécie de folk psicadélica de cariz eminentemente etéreo e contemplativo, com uma considerável vertente experimental associada. Canções como a boémia Hey You, movida a cordas reluzentes, adornadas por diversos efeitos e acamadas numa batida algo hipnótica, a cósmica Salt & Pepper, que impressiona pelo efeito metálico e pela vasta miríade de elementos percurssivos, a lisérgica Hey Little Baby, um portento de acusticidade que se espraia por cinco minutos particularmente solarengos, a mais épica e orgânica Lonely Boys Paradise ou a romântica Give Me Honey, oferecem-nos um cândido alinhamento repleto de blues folk acústica particularmente embaladora e intimista, mas também de um rock bastante sui generis, porque não se faz só de guitarras, mas acima de tudo de fragmentos de sons sintetizados e distorcidos, versos hipnóticos, um registo vocal muitas vezes sussurrante, geralmente dialogante e com forte pendor lo fi e também subtis instantes melódicos de pura subtileza e encantamento. 

Disco homogéneo e que nos permite aceder a uma outra dimensão, mística e cósmica, num subida feita à boleia de timbres, detalhes e harmonias, agregadas com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, Smooth Big Cat tem aquele travo despreocupado e ligeiro que, sendo particularmente sedutor, provoca imediato encantamento, fazendo-o sem descurar as mais básicas tentações pop, com tudo a soar, no final e no seu todo, utopicamente perfeito. Espero que aprecies a sugestão...

Dope Lemon - Smooth Big Cat

01. Hey You
02. Salt And Pepper
03. Hey Little Baby
04. Lonely Boys Paradise
05. Give Me Honey
06. Dope And Smoke
07. Smooth Big Cat
08. The Midnight Slow
09. Mechanical Bull
10. Hey Man, Don’t Look At Me Like That


autor stipe07 às 16:45
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Domingo, 14 de Julho de 2019

Bon Iver – Faith

Bon Iver - Faith

22, A Million, o excelente registo que o projeto Bon Iver de Justin Vernon lançou em dois mil e dezasseiss, já tem sucessor. O novo trabalho deste músico norte-americano natural de Eau Claire, no Wisconsin, chama-se i,i, terá novamente a chancela do selo Jagjaguwar e irá conter treze canções que trilham diversos caminhos, expandem horizontes e aprimoram o modo como Vernon se manifesta artisticamente num processo de mutação que reflete ousadia e inquietude, duas permissas indispensáveis em qualquer artista que queira levar cada vez mais adiante a sua carreira.

i,i será o quarto registo do percurso discográfico de Bon Iver, conta com as participações especiais de James Blake, Aaron Dessner, Moses Sumney e Velvet Negroni e tem já vários temas do seu alinhamento divulgados. O mais recente é Faith, uma canção que encontra o seu sustento em guitarras agrestes, sintetizadores incisivos e um registo vocal modificado, mas pleno de alma e sentimento e que nos enche de paixão e luz. Confere Faith e o alinhamento de i,i... 

01 Yi
02 iMi
03 We
04 Holyfields,
05 Hey, Ma
06 U (Man Like)
07 Naeem
08 Jelmore
09 Faith
10 Marion
11 Salem
12 Sh’Diah
13 RABi


autor stipe07 às 22:02
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Terça-feira, 9 de Julho de 2019

Graveyard Club - Goodnight Paradise

Oriundos de Minneapolis e já com a reputação de serem uma das melhores bandas ao vivo da atualidade nessa cidade, os Graveyard Club são Matthew Schufman (voz e sintetizadores), Michael Wojtalewicz (guitarra), Cory Jacobs (bateria) e Amanda Zimmerman (baixo, voz), um coletivo que se juntou para fazer música há cerca de meia década, inspirado por interesses comuns tão díspares como um fascínio comum pela pop oitocentista, pelo cardápio sonoro de Ryan Gosling, que também fez história na mítica banda Dead Man's Bones e pelas narrativas do aclamado autor de ficção científica Ray Bradbury. Estrearam-se no início de dois mil e catorze com o EP Sleepwalk, ao qual se seguiram o álbum de estreia Nightingale, em setembro desse ano e o sucessor Cellar Door, em agosto de dois mil e dezasseis e o ano passado deram mais um sinal de vida com o single Ouija.

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Agora, pouco mais de um ano depois desse tema, os Graveyard Club estão de regresso com um álbum intitulado Goodnight Paradise, um alinhamento de treze canções gravadas e produzidas por Andy Thompson e que colocam este projeto definitivamente não só na mira da crítica especializada, mas também de um número cada vez maior de seguidores de um estilo sonoro que mistura rock e pop, com uma toada noise e um elevado pendor shoegaze.

Witchcraft, uma imponente canção que nos transporta para um universo algo sonhador e íntimo, mesmo sendo inexistente e que sonoramente abriga-se em cordas inspiradas, replicadas com um desempenho orgânico ímpar mas também em sintetizadores de forte travo oitocentista, dá o pontapé de saída para um disco que é, no seu todo, um tratado sonoro que tem tanto de nostálgico como de imponente e vanguardista. À medida que divagamos por canções como William, um festim sintético repleto de cosmicidade, pela mais climática, contemplativa e angulosamente cinquentista Finally Found, pela divagante e pouco ébria Maureen ou pela efusiante Deathproof, repete-se uma receita tremendamente eficaz, assente numa guitarra rugosa e plena de efeitos metálicos, acompanhada por uma bateria falsamente rápida, baixos contundentes e amplificadores sem receio de abusarem numa panóplia de efeitos e sons particularmente eclética, tudo apoiado por um prodigioso abastecimento de instintiva simplicidade, que não é mais do que um rigoroso espelho da filosofia eclética, abrangente e sofisticada que rege o formato sonoro destes Graveyard Club

Álbum em que foi notório o desejo de dar algum sentido épico e grandioso às canções, arriscando-se o máximo até à fronteira entre o indie e o post rock, Goodnight Paradise é um compêndio sonoro cheio de energia e dominado por um descarado sentimento de urgência que poderá mostrar a luz a este grupo caso tenha a pretensão de ascender definitivamente à premier league rockeira do outro lado do atlântico. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 16:43
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Sexta-feira, 5 de Julho de 2019

Night Moves - Can You Really Find Me

Já chegou aos escaparates e através da insuspeita Domino Records, Can You Really Find Me, o novo registo de originais da dupla norte-americana Night Moves, formada por Micky Alfano e John Pelant, sendo o último o principal responsável pela escrita das canções neste projeto. Can You Really Find Me foi produzido por Jim Eno, membro fundador e baterista dos Spoon, nos estúdios Public Hi-Fi em Austin, no Texas e contou com as participações especiais dos músicos Mark Hanson e Chuck Murlowski.

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Sedeados em Minneapolis, estes Night Moves apostam todas as fichas numa espécie de mistura entre um country cósmico e o típico rock psicadélico, um caldeirão improvável mas perfeito para incubar canções texturalmente ricas e que acabam por encarnar deliciosos tratados de epicidade e lisergia, como é possível atestar no conteúdo de Can You Really Find Me.

De facto, neste sucessor de Pennied Days, o disco que os Night Moves lançaram em fevereiro de dois mil e dezasseis, canções como Ribboned Skies, uma composição onde o piano se mostra tremendamente sedutor, Mexico, um solarengo tratado de pop efusiva, Keep Me In Mind, uma ode à melhor herança daquela América profunda que teve sempre uma indisfarçável faceta psicotrópica, Waiting For The Simphony, um portento de cosmicidade e sentimentalismo e, principalmente, Strands Align, uma verdadeira orgia lisérgica que nos catapulta, em simultâneo, para duas direções aparentemente opostas, a indie folk psicadélica e o rock experimental, divagamos por um alinhamento extremamente coeso, com uma identidade sonora perfeitamente definida e certamente conduzido pela ambição de criar um microcosmos sonhador onde a realidade ao redor ganha cores garridas ou um romantismo incurável.

Can You Really Find Me sabe a Queen e a Fleetwood Mac e transporta melodias gentis, cantadas quase sempre com a voz de John Pelant próxima de um registo enternecedor e delicado e muitas vezes atravessada por trechos de rock cósmico, que apenas nos sobressaltam um pouco antes do regresso à pureza original em que o disco assenta, uma convocatória à celebração e até ao romantismo, que nos emerge numa realidade palpável e, ao mesmo tempo, efabulada, com canções que nos trazem o melhor de uma América cada vez mais heterogénea e saudosa de um passado que já foi bem mais glorioso, por muito que o poder instalado tente demonstrar o contrário. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:11
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Quinta-feira, 4 de Julho de 2019

The Drums – Try

The Drums - Try

Foi em abril que viu a luz do dia Brutalism, o quinto e novo registo de originais dos norte-americanos The Drums e que sucedeu ao excelente Abysmal Thoughts, o primeiro álbum desde que este projeto se tornou, assumidamente, no trabalho a solo de Jonny Pierce. Recordo que os The Drums são um dos grandes nomes do movimento saudosista de revitalização do lo-fi, que tem feito escola no século XXI. Na verdade, continuam a ser uma daquelas bandas que pura e simplesmente não custa nada gostar, apesar dos momentos menos felizes que viveram e que ditaram praticamente o ocaso do projeto quando, em 2010, o guitarrista Adam Kessler abandonou o grupo e alguns anos depois Jacob Graham também acabou por o fazer. Pierce é quem mantém o projeto vivo, estando a tentar com as nove canções deste Brutalism estabilizar os The Drums numa posição de relevo dentro do espetro sonoro que calcorreia. E desta vez procurou uma sonoridade com maior ênfase naquela pop sintetizada que dialoga promiscuamente com o rock oitocentista.

Try, um novo single revelado por Pierce e que não constando do alinhamento de Brutalism foi incubado durante as sessões de gravação do disco, ajuda ainda mais a comprovar este encosto a tão importantes referências, particularmente as oitocentistas, mas também, tendo em conta o seu formato poeticamente triste e eminentemente orgânico, minimal e percurssivo, serve para mostrar que Pierce, quando se entrega emocionalmente sem barreiras, é capaz de agarrar em fórmulas bem sucedidas e, procurando nunca se colar demasiado a essa zona de conforto, conseguir criar algo único e genuíno e que, no seu todo, represente algo de inovador e relevante. Confere...


autor stipe07 às 18:49
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Quarta-feira, 3 de Julho de 2019

Deportees – Re-dreaming EP

Produzido por Pontus Winnberg (Miike Snow), Johannes Berglund e Måns Lundberg e gravado nos estúdios Skolhaus, em Mariefred, nos arredores de Estocolmo, Re-Dreaming, é o novo EP do trio sueco Deportees, um registo com cinco canções que colocam este projeto liderado por Peder Stenberg, debaixo dos holofotes da crítica fora das fronteiras de uma Suécia onde são já um caso sério de popularidade.

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Com forte tonalidade oitocentista, Re-Dreaming é um daqueles registos optimistas e luminosos, muito à imagem de outras propostas oriundas dos países nórdicos, em que guitarras e sintetizadores conjuram entre si para criar ambientes sonoros amplos, emotivos e com um elevado cariz retro.

Assim, se Bright Eyes, um dos grandes destaques do EP, tem uma atmosfera bastante emotiva, empática e sentimental e debruça-se sobre a capacidade que todos devemos ter de nos reerguermos depois de instantes de dissabor em que tudo parece desmoronar em nosso redor, já Time Is The Tiger, por exemplo, aposta num clima mais progressivo e visceral e Patterns numa abordagem mais melancólica e reflexiva, num resultado final que procura incutir no ouvinte, de acordo com Stenberg, otimismo e esperança relativamente a um futuro que não se prevê particularmente animador. Confere...

Deportees - Re-dreaming EP

01. Bright Eyes
02. Time Is The Tiger
03. Wild Repeat
04. A Love Design
05. Patterns


autor stipe07 às 19:55
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Sábado, 29 de Junho de 2019

Blossoms – Your Girlfriend

Blossoms - Your Girlfriend

Cerca de um ano após o lançamento de Cool Like You, um registo que sucedeu ao disco homónimo de estreia editado no verão de dois mil e dezasseis e que à época causou forte impacto na crítica generalizada, muito por culpa de canções como Charlemagne, Honey Sweet ou Getaway, o quinteto britânico Blossoms, oriundo de Stockport e formado por Tom Ogden, Charlie Salt, Josh Dewhurst, Joe Donovan e Myles Kellock, regressou em abril último, no âmbito do Record Store Day, com uma canção intitulada I've Seen The Future. Agora, dois meses depois, os Blossoms voltam à carga com um novo single intitulado Your Girlfriend, que contém no b side a composição Torn Up. I've Seen The Future e Girlfriend deverão fazer parte do alinhamento de um novo registo de originais do grupo a lançar ainda em dois mil e dezanove.

A fazer recordar a herança dos míticos Talking Heads, a banda que Tom Ogden, o líder dos Blossoms, mais tem ouvido ultimamente, Your Girlfriend foi produzida por James Skelly, Rich Turvey e a própria banda e oferece-nos uma perspicaz simbiose entre guitarras certeiras e teclados incisivos, mescla que resulta numa composição luminosa, tremendamente radiofónica e vibrante, feita, em suma, com uma synthpop retro muito aditiva, inspirada e orelhuda.

Também merece uma vista de olhos o video do tema, dirigido poe James Slater e que nos mostra o quinteto disfarçado com algumas das personagens mais icónicas do universo fantástico e do terror, entre elas o Dracula, Wolf Man e Frankenstein, a tocar a canção num bar vazio. Confere...

 


autor stipe07 às 20:27
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Sexta-feira, 28 de Junho de 2019

Thom Yorke – ANIMA

Já viu a luz do dia ANIMA, o terceiro registo de originais da carreira a solo de Thom Yorke, vocalista dos Radiohead, verdadeiros Fab Five do novo milénio, não só porque estão criativamente sempre prontos a derrubar barreiras e a surpreender com o inesperado, mas também porque, disco após disco, acabam por estabelecer novos paradigmas e bitolas pelas quais se vão depois reger tantas bandas e projetos contemporâneos que devem o seu valor ao facto de terem este quinteto na linha da frente das suas maiores influências. ANIMA  foi lançado pela XL Recordings e produzido por Nigel Godrich, colaborador de longa data do músico de Oxford. Ambos desenvolveram este alinhamento através de performances ao vivo e trabalho de estúdio, que também já deu origem a uma curta-metragem realizada por Paul Thomas Anderson e disponível no canal Netflix.

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Em ANIMA Thom Yorke prossegue a sua demanda experimental pelos sinuosos caminhos de uma eletrónica de cariz eminentemente etéreo, uma opção mais sintética do que a trilhada no seio da sua banda de sempre que mesmo tendo virado agulhas para universos mais eletrónicos nos seus últimos capítulos discográficos, continua a ter no indie rock uma elemento nuclear de formatação da sonoridade global das obras criadas pelos Radiohead.

É recorrente que o sonho seja uma temática bastante abordada por artistas plásticos, cineastas e músicos, que têm neles a principal fonte de inspiração e tentam incessantemente produzir algo que se aproxime do que é sentindo num sonho. O norte-americano Steven Ellison, o músico e produtor que assina o projeto The Flying Lotus, não sendo apenas um artista onírico ou surrealista, mas tendo uma imaginação que transcende o estado lógico e comum, porque é muito fácil sentirmo-nos dentro de um sonho ao ouvirmos a música desse seu projeto, acabou por ser uma das grandes inspirações de Thom Yorke, juntamente com algumas das principais teorias do psicanalista Carl Jung, ainda dentro da temática dos sonhos, mas também o modo como nos deixamos influenciar atualmente pelas novas teconlogias e a sensação de anonimato que elas nos dão. Nós enviamos os nossos avatares para abusar e lançar veneno e depois regressamos para o anonimato, referiu Yorke numa entrevista recente acerca desta particularidade influenciadora do conteúdo de ANIMA.

Portanto, e como não podia deixar de ser, escutar ANIMA faz-nos estarmos perante uma experiência não só auditiva, mas também tremendamente visual. No pulsar analógico das batidas de Last I Heard (…He Was Circling The Drain), no apelo tribal do dubstep de Traffic, nas teclas soturnas de Dawn Chorus, no clima borbulhante e positivamente visceral de I Am A Very Rude Person, na intrigante Not The News e na intensidade crescente de Twist, uma composição onde um teclado se deixa rodear graciosamente pelo típico registo vocal em falsete de Yorke, fazendo-o de modo particularmente sensível e com um toque de lustro de forte pendor introspetivo, fica recriado não só o típico ambiente soturno com que este autor tem pautado o seu projeto a solo há já mais de uma década, mas também a densidade e a névoa sombria de um modo de ver a humanidade de hoje como se estivesse globalmente adormecida, num sonho coletivo de felicidade e realização material que nunca se concretizará e, em consequência disso, numa inconsciente caminhada em fila indiana rumo ao abismo.

A sociedade contemporânea e, principalmente, a evolução tecnológica que nem sempre respeita o ritmo biológico de um planeta que tem dificuldade em assimilar e adaptar-se ao modo como apenas uma espécie, possuindo o dom único da inteligência, coloca em causa todo um equilíbrio natural, é um manancial para a escrita de Yorke, que sempre gostou de se debruçar sobre o lado mais inconstante e dilacerante da nossa dimensão sensível e de colocar a nú algumas das feridas e chagas que, desde tempos intemporais, perseguem a humanidade e definem a propensão natural que o homem tem, enquanto espécie, de cair insistentemente no erro e de colocar em causa o mundo que o rodeia. ANIMA de certo modo satiriza esse lado menos racional e destrutivo que parece dominar a nossa espécie no seu todo e sem aparente retorno. Espero que aprecies a sugestão...

Thom Yorke - ANIMA

01. Traffic
02. Last I Heard (…He Was Circling The Drain)
03. Twist
04. Dawn Chorus
05. I Am A Very Rude Person
06. Not The News
07. The Axe
08. Impossible Knots
09. Runwayaway


autor stipe07 às 22:11
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Quinta-feira, 27 de Junho de 2019

The Laurels – Sound System

The Laurels - Sound System

Já tem sucessor anunciado Sonicology, o disco que os australianos The Laurels lançaram há cerca de três anos e que na altura sucedeu a Plains, o álbum de estreia, lançado em dois mil e doze. Ainda sem nome anunciad,o esse novo trabalho do grupo de Sidney, formado por Luke O’Farrell (voz, guitarra), Piers Cornelius (voz, guitarra), Conor Hannan (baixo) e Kate Wilson (bateria), contará com a participação especial de Kat Harley (Mezko) no baixo e na voz e tem já um single divulgado, uma canção chamada Sound System.

Tema que nos oferece um som muito plural, criado a partir de elementos retirados das mais diversas épocas e estilos, sem que soe necessariamente preso a esses géneros, com um registo vocal efusiante, um efeito de guitarra agudo imponente e um ritmo bastante dançável proporcionado por uma linha de baixo robusta e uma melodia bastante aditiva, Sound System pinta um quadro algo negro mas impressivamente realista daquilo que poderá ser o futuro próximo de um mundo cada vez mais influenciado pela realidade virtual, pelos grandes grupos empresariais e pela força dos media, conforme explica Luke O'Farell (Sound System lives of high rise apartments and rent prices loom large over this paean to a future dystopian city, the inhabitants of which are doomed to a lifetime of evenings spent in queues waiting to eat at fine dining restaurants after a round of putt putt golf. Sound System finds this group of part-time disc jockeys loading up their van with generators and loud speakers as they seek to reignite the street party.) Confere...


autor stipe07 às 17:38
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Quarta-feira, 26 de Junho de 2019

The Catenary Wires - Til The Morning

Quando um fio é pendurado em dois pontos fixos, a forma que faz é uma catenária. E quando duas pessoas, Amelia Fletcher e Rob Pursey, que depois de brilharem num quarteto de bandas pop lendárias, os Tender Trap, os Marine Research, os Heavenly e os Talulah Gosh, se tornaram elas próprias lendas pop, incubaram os The Catenary Wires. Fizeram-no depois de decidirem deixar a cena independente de Londres para se instalarem num distante canto verdejante, no meio do nada, em Kent. Num dia de inverno, agarram na pequena guitarra da sua filha, só para ver o que acontecia, começando assim o percurso musical a dois de um casal muito peculiar e que acaba de editar um registo intitulado Til The Morning com a chancela da Tapete Records.

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Gravado o ano passado na Sunday School, no meio do tal nada em Kent, Til The Morning é o segundo disco da dupla, sucedendo a Red Red Skies, o álbum de estreia. Produzido por Andy Lewis, que recentemente produziu álbuns para Judy Dyble e French Boutik, Til The Morning contém doze canções que impressionam pelo charme algo displicente mais feliz como parecem desprezar alguns dos arquétipos fundamentais da música atual, fazendo-o através de um clima sonoro que entre a folk mais experimental e a psicadelia, exala um travo algo boémio, com um realismo ímpar.

Este é, de facto, um registo complexo e sedutor, com a magnificiência de Dream Town, a singular emotividade de Hollywood, a exuberância das cordas que cirandam por Back On Hastings Pier, o travo boémio de Love On The Screen ou o diálogo vocal assertivo que sustenta Tie Me To The Rails a cimentarem uma constante tensão oscilante entre o urbano e o rural e entre aquilo que é meramente quotidiano e aquilo que é naturalmente poético e o modo como se podem entrelaçar todos estes factores de modo nada aleatório, nomeadamente na criação musical.

Impressionando pelo modo como está revestido de um jogo de vozes íntimas, emocionais, complexas e conversacionais e repleto de várias camadas sonoras que refletem uma variedade de instrumentos imensa, na qual se incluem sinos e um velho reboque e que, além da dupla, são tocados pelo já citado Andy Lewis (violoncelo, mellotron e percussão), Fay Hallam (órgão Hammond), Matthew King (piano) e Nick e Claire Sermon (metais), Til The Morning é um trabalho eminentemente festivo e jovial, que nos leva a colocar o nosso melhor sorriso eufórico e enigmático e a passar a língua pelo lábio superior com indisfarçável deleite, à medida que saboreamos o seu alinhamento. Os acordes deambulantes que empoeiram com ruído e frenesim a maioria das canções manifestam instrumentalmente experiências de vida sincera de um casal e fazem do registo uma jornada espiritual que nos é dada a apreciar em verdadeira plenitude, nesta contemporaneidade cheia de encruzilhadas e dilemas. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 20:58
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Terça-feira, 25 de Junho de 2019

Two Door Cinema Club - False Alarm

Ja está nos escaparates e à boleia da conceituada Pias Recordings, False Alarm, o quarto e novo registo de originais dos irlandeses Two Door Cinema Club, um alinhamento de dez canções produzido por Jacknife Lee, que já tinha colocado as mãos no antecessor Gameshow, lançado em dois mil e dezassete. False Alarm também tem sido notícia pela curiosa capa da autoria da fotógrafa Aleksandra Kingo, que retratou o grupo cercado por emissores de ruído variados, numa aparente situação de pânico. A ideia é retratar a sensação de ansiedade coletiva que carateriza, nos dias de hoje, um mundo em que se sucedem desastres naturais, catástrofes provocadas pelo próprio homem e um sem número de perigos que vão florescendo um pouco por toda a parte.

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Contando nos seus créditos com as participações especiais do grupo zambiano Mokoomba em Satisfaction Guaranteed, um dos temas mais ritmados do disco e do artista de hip hop norte americano Open Mike Eagle, na toada vibrante e metálica de Nice To See You, False Alarm é, no global, uma mistura incandescente entre o indie rock mais efusivo e efervescente, audível no fuzz das guitarras, com aquela pop experimental new wave, feita com o travo retro proporcionado pelo sintetizador. Tal simbiose feliz entre rock e eletrónica está presente com superior quilate em vários temas do álbum, mas com especial ênfase no single Dirty Air, uma composição que de acordo com Alex Trimble, o vocalista, é sobre o fim do mundo e o modo como se pode fazer desse evento uma grande festa. No entanto, a rugosidade da batida de Talk, canção que mostra como o baixo é um elemento preponderante de produção melódica no seio destes Two Door Cinema Club e o modo como um flash sintetizado contrasta, nesse tema, com o vigor percurssivo e depois a efervescência pop do refrão, assim como o clima mais charmoso e urbano de So Many People e o olhar anguloso que é feito ao r&b futurista em Think, são outros momentos maiores de um disco que cimenta a fama dos Two Door Cinema Club como um projeto de magnitude, que aposta em criar composições que ao vivo funcionem de modo a agitar grandes massas mais preocupadas em dançar do que propriamente em refletir sobre o conteúdo lírico da música que consomem.

False Alarm não vai salvar as nossas vidas ou modificá-las drasticamente, mas vai-te fazer dançar de forma bem humorada e continuar a fazer sobressair estes Two Door Cinema Club em relação à concorrência. Espero que aprecies a sugestão...

Two Door Cinema Club - False Alarm

01. Once
02. Talk
03. Satisfaction Guaranteed (Feat. Mokoomba)
04. So Many people
05. Think
06. Nice to See You (Feat. Open Mike Eagle)
07. Break
08. Dirty Air
09. Satellite
10. Already Gone


autor stipe07 às 20:56
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Segunda-feira, 24 de Junho de 2019

The Kooks – Got Your Number vs So Good Looking

Oriundos de Brighton, uma cidade inglesa com uma vida cultural bastante animada, os The Kooks são uma das bandas mais incomprendidas do cenário indie britânico e nunca foram levados demasiado a sério. Com tenra idade começaram a dar nas vistas, havendo mesmo quem os tivesse catalogado de boys band, um grupo de rapazes com um rosto particularmente laroca e que tendo uma boa máquina de produção para trás, tinham apenas que cantar, tocar e... encantar. No entanto, e tendo passado mais de uma década desde a estreia, o grupo tem mostrado trabalho árduo e sério, responsabilidade e criatividade. Se as três primeiras constações não podem merecer qualquer objeção de quem procurar inteirar-se sobre a carreira e o modus operandi da banda e for sério, já a questão da criatividade fica sempre, naturalmente, ao critério de cada um. Mas, também aqui, há que ser coerente e sério e desbravar, sem concessões, uma já apreciável discografia com cinco tomos.

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Ainda sem disco novo anunciado e que suceda ao registo Let's Go Sunshine editado o ano passado os britânicos The Kooks têm-se dedicado à divulgação de algumas novas canções recentemente, tendo sido a última So Good Looking, depois de terem-nos revelado a composição Got Your Number há algumas semanas.

Ambos os temas contêm aditivos riffs de guitarra, inspirados e vigorosos, entrelaçados com um dançante toada pop, diversificada e acessível, que dá vida a duas melodias orelhudas que foram alvo de uma produção aberta e notoriamente inspirada e que enriquece bastante o espetro sonoro dos The Kooks, sem trair a identidade de um projeto que não falseia o desejo de se manter no seio das grandes bandas que atualmente mantêm vivo o indie rock alternativo britânico. Confere...


autor stipe07 às 16:26
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Sexta-feira, 21 de Junho de 2019

The High Dials – Primitive Feelings – Part 1 EP

Montréal, no Canadá, é o poiso dos The High Dials, banda com uma década de carreira e de regresso aos discos em dois mil dezanove com Primitive Feelings, um longa duração com lançamento em formato vinil previsto para o próximo outono. Entretanto alinhamento desse álbum físico já começou a ser antecipado digitalmente com dois eps, tendo o primeiro, com oito composições, provavelmente o lado a dessa edição, visto a luz do dia há algumas semanas.

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Primitive Feelings será o sexto registo de originais dos The High Dials e, pelo que se percebe desta primeira metade revelada, será um disco repleto de texturas sonoras que privilegiam um punk rock algo sujo e lo fi, mas onde também não faltam texturas eletrónicas particularmente pulsantes e contemporâneas e com um elevado groove e um espírito shoegaze, nuances que se saúdam num projeto particularmente inovador e reputado na esfera indie canadiana.

O fabuloso baixo vibrante que sustenta The Future Prospects Of Your Ego, sendo já uma imagem de marca desta banda também claramente influenciada pela melhor herança do indie rock britânico forjado em terras de Sua Majestade no último meio século, volta a fazer-se acompanhar, nomeadamente neste tema que é para mim o destaque maior destas oito canções, por uma guitarra jovial e criativa, guiada por uma forte vertente experimental e uma certa soul, com alguns efeitos e detalhes sintetizados a rematarem em grande estilo uma canção que não receia ser exuberante no modo como sustenta alguns dos arquétipos típicos da pop e do punk dos anos oitenta. Depois, a precisão rítmica da bateria e os riffs incendiários que dão colorido à luminosa Jaws Of Life, a graciosidade psicadélica de Employment And Enjoyment, o charmoso piano que deambula por World War You ou o travo jazzístico do punk incisivo que exala de Guerrilla Guru, ampliam o efeito soporífero desta amostra de um trabalho que quando for possível de ser escutado no seu todo, irá certamente potenciar a fama destes The High Dials, não só devido à bitola qualitativa e criativa desse novo capítulo de um catálogo discográfico que é já riquissímo, mas também por causa da superior capacidade que têm de fazer o nosso espírito facilmente levitar e provocar no âmago de quem os escuta devotamente um cocktail delicioso de boas sensações. Se a segunda metade do registo, fizer jus ao conteúdo já revelado de Primitive Feelings, então estaremos certamente em presença de um dos grandes álbuns de dois mil e dezanove. Espero que aprecies a sugestão...

The High Dials - Primitive Feelings - Part 1

01. O Blue Day
02. The Future Prospects Of Your Ego
03. Jaws Of Life
04. Employment And Enjoyment
05. World War You
06. Guerilla Guru
07. Primitive Feelings
08. City Of Gold


autor stipe07 às 15:39
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Quinta-feira, 20 de Junho de 2019

Swimming Tapes - Morningside

Os Swimming Tapes são os norte irlandeses Louis Price, Robbie Reid, Paddy Conn e Jason Hawthorne e o baterista inglês Andrew Evans, cinco amigos sedeados em Londres e que estão a surpreender a crítica com Morningside, o registo de estreia do grupo, que viu a luz do dia recentemente, à boleia da Sub Pop Records.

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Com dois EPs em carteira antes do lançamento deste longa duração, os Swimming Tapes gravaram Morningside nos estúdios Haggerston, no leste de Londres, com a ajuda de Paddy Baird (Kowalski, Two Door Cinema Club, Warm Digits) e contaram com Tom Schick (Wilco, Nora Jones, Glen Hansard) para a mistura do mesmo, feita no outro lado do atlântico, em Chicago, nos míticos estúdios Loft de Chicago, propriedade dos Wilco de Jeff Tweedy.

Há uma emotividade em constante latejo e uma forte sensação de nostalgia na indie pop de Morningside, um disco que reluz à medida que escorre nos nossos ouvidos, não só por causa dos sons ritmados que sustentam a inegável mestria melódica que carateriza praticamente todos os seus temas, mas também devido ao charme dos arranjos de guitarra e de uma prestação vocal em que sobriedade e sensibilidade se fundem com particular bom gosto. A serenidade vocal de Robbie e Louis é pouco usual e juntos denotam uma imensa cumplicidade, que adiciona um travo fascinante e ainda mais envolvente a um registo que soa, no seu todo, otimista, alegre e descontraído.

De facto, desde as primeiras notas de Passing Ships que se percebe que há algo de muito especial e de deliciosamente ternurento em Morningside. E depois, canções como Pyrenees, o mais recente single divulgado de Morningside, uma composição que mistura de modo deliciosamente sonhador cordas luminosas e vibrantes com uma bateria viciante, a enigmática See It Out e a dançante Out Of Line, estando cobertas por uma aúrea de sensibilidade e fragilidade romântica indisfarçáveis, potenciam enormemente a elevada bitola qualitativa de uma estreia auspiciosa e extraordinariamente jovial, um disco que seduz pela forma genuína e simples como retrata eventos e relacionamentos de um quotidiano rotineiro e fantástico e excelente para ser escutado num dia de sol acolhedor como os que certamente nos aguardam para muito em breve. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 15:10
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Quarta-feira, 19 de Junho de 2019

Maps – Colours. Reflect. Time. Loss.

Já tem sucessor, Vicissitude, o disco que o projeto britânico Maps de James Chapman, nome grande do catálogo da Mute Records, editou em dois mil e catorze. O novo e quarto álbum a solo deste artista de Northampton intitula-se  Colours. Reflect. Time. Loss. e as suas dez composições proporcionam-nos o contacto com um feliz exercício de fusão do rock com diversos cânones da eletrónica, uma labuta de corte e recorte feita com um charme e uma elegância inegáveis, uma experiência não só auditiva, mas também tremendamente visual.

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Colours. Reflect. Time. Loss. demorou três anos a ser incubado e gravado e muitos dos arranjos orquestrais das canções foram, de acordo com James, inspirados na ruralidade de Northampton. É um registo que reflete, portanto, muitos eventos da vida pessoal do autor, que fez questão de ser também peça fundamental no processo de produção de um trabalho que contou com as participações especiais do grupo clássico de ensemble belga The Echo Collective (famoso por ter interpretado, no início do ano passado, na íntegra, Amnesiac, o clássico da discografia dos Radiohead, lançado em dois mil e um) e com percussionistas e vocalistas de diversas latitudes (I wanted to push everything to the limit with this record and explore new territory for Maps,(...) The orchestral instrumentation and addition of other musicians and singers played a huge part in finding the purer and more human emotion I was searching for. I learnt the violin as I was growing up, so I’m glad it finally came in useful!). 

O primeiro single que o compositor e produtor retirou do álbum foi Just Reflecting, a quinta composição do seu alinhamento, um tema que impressiona pela sua beleza utópica, feita de belas orquestrações, que vivem e respiram, lado a lado, com distorções e arranjos que alicerçaram uma melodia particularmente hipnótica. Tal escolha não foi obviamente feita ao acaso já que é uma bela amostra de um disco idelizado por um verdadeiro escultor sonoro que olha de frente para as guitarras e depois não receia envolvê-las com sintetizadores imbuídos de uma superior inteligência e epicidade, apenas temperados por uma filosofia melódica que procura intuir no ouvinte um desejo de reflexão e introspeção ao som de um universo sonoro fortemente cinematográfico e imersivo.

Depois, na encantadora alegoria pop sessentista de The Plans We Made, na luminosidade do piano e dos sopros de Howl Around, uma canção feita para nos retirar do fundo do poço, ou no clima oitocentista de Wildfire, James dá-nos asas e leva-nos de modo certeiro ao refúgio bucólico e denso onde se embrenharam aquelas nossas emoções que melhor e mais alto nos levantam, num disco que impressiona por este provocador belicismo e pelo seu forte cariz sensorial. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 17:23
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Terça-feira, 18 de Junho de 2019

Yeasayer – Erotic Reruns

Desde o notável Fragrant World, disco editado já no longínquo ano de 2012, que os nova iorquinos Yeasayer mantiveram um silêncio de quatro anos que, à época, já começava a preocupar os seguidores deste projeto sonoro verdadeiramente inovador e bastante recomendável. Mas esse compêndio de onze canções, das quais se destacavam composições tão inebriantes como Henrietta ou Longevity, teve, em dois mil e dezasseis, para gaúdio de todos nós, sucessor, um álbum intitulado Amen and Goodbye,  que reforçou não só o caraterístico romantismo lisérgico do projeto, mas também consolidou a veia instável e experimental de uns Yeasayer cada vez mais apostados em colocar as fichas todas numa pop de forte cariz eletrónico, mas bastante recomendável, principalmente no modo como se mistura com alguns dos aspetos mais relevantes do típico indie rock alternativo.

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Agora, novamente após um hiato algo prolongado, a banda de Brooklyn regressa com Erotic Reruns, o quinto álbum de estúdio desta banda americana, um trabalho lançado através da própria gravadora do projeto, a Yeasayer Records, produzido também pelo grupo e que coloca novamente o trio na senda de um experimentalismo que mescla psicadelia com eletrónica e rock com elevado grau de hipnotismo, sem descurar a veia divertida e festiva que sempre foi uma das grandes forças motrizes desta banda.

Com a capa do disco captada em Portugal e da autoria de Bráulio Amado, Erotic Reruns deve muito do seu conteúdo à eleição de Trump há pouco mais de dois anos mas também a personalidades controversas como  James Comey, Sarah Huckabee Sanders e ao monstro anti-imigração Stephen Miller. Num alinhamento que dura praticamente meia hora, canções como a charmosa e libidinosa daftpunkiana People I Loved, a exuberante e cósmica Ecstatic Baby, a sensual Crack A Smile, ou a mais instável e emotiva Blue Skies Dandelions, reforçam não só o caraterístico romantismo lisérgico do projeto, mas também consolidam a veia instável e experimental de uns Yeasayer cada vez mais eficazes no modo como nos oferecem uma eficaz oscilação e simbiose entre os orgânico e sintético, rock e eletrónica, com cada vez maior mestria, criatividade, heterogeneidade e bom gosto.

Quase no ocaso do disco, o modo como a guitarra e os sintetizadores se cruzam em Ohm Death e, usando também esse receituário, a tonalidade pop oitocentista indisfarçável de Fluttering In The Floodlights e a deliciosa luminosidade do timbre da guitarra que conduz I’ll Kiss You Tonight, ajudam a ampliar o cada vez maior distanciamento dos Yeasayer relativamente à receita instrumental de outrora. Mais do que carisma e a explosão de sons, cores e versos marcantes de Odd Blood (2010), por exemplo, a ideia é cada vez mais explorar territórios emotivamente mais abrangentes, com o registo vocal inédito de Chris Keating, já uma imagem de marca deste grupo nova iorquino, a ser também uma arma certeira neste bem sucedido processo de reinvenção e ampliação da vitalidade e da abrangência do catálogo de um grupo que é já uma referência incontornável de um género sonoro que se for abordado com este grau de criatividade e bom gosto acaba, incontornavelmente, por originar discos animados, alegres, solarengos e qualitativamente marcantes. O carisma e a personalidade de Erotic Reruns merece todas estas odes. Espero que aprecies a sugestão...

Yeasayer - Erotic Reruns

01. People I Loved
02. Ecstatic Baby
03. Crack A Smile
04. Blue Skies Dandelions
05. Let Me Listen In On You
06. I’ll Kiss You Tonight
07. 24-Hour Hateful Live!
08. Ohm Death
09. Fluttering In The Floodlights


autor stipe07 às 19:28
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Sexta-feira, 14 de Junho de 2019

Slowness – Berths

Formados em 2008 em São Francisco, os norte americanos Slowness são uma dupla formada por Julie Lynn e Geoffrey Scott, à qual se juntou recentemente Christy Davis. Deram início às hostilidades com Hopeless but Otherwise, um EP produzido por Monte Vallier (Weekend, The Soft Moon, Wax Idols) e em dois mil e treze surpreenderam com o longa duração For Those Who Wish to See the Glass Half Full, produzido pelo mesmo Vallier e que teve uma edição física em vinil, via Blue Aurora Audio Records. Depois, em junho do ano seguinte, passaram com distinção o teste do sempre difícil segundo disco, à boleia de How to Keep From Falling Off a Mountain, um registo que tem finalmente sucessor, um trabalho intitulado Berths e com seis canções que mantêm o trio na senda de um shoegaze de forte pendor ambiental e particularmente contemplativo.

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Algures entre Stereolab, Spacemen 3 os seus conterrâneos The Soft Moon e Slowdive, os Slowness são uma excelente banda para se perceber como os anos oitenta devem soar quase no final da segunda década do século vinte e um. Em Berths e à boleia da Schoolkids Records, expôem tal constatação através de composições com uma tonalidade cinza intensa e charmosa e um polimento muito próprio, lo fi q.b., um fórmula de composição enganadoramente simples, feita de guitarras carregadas de efeitos planantes, acompanhadas por uma percurssão de baixa intensidade, tudo embrulhado por um travo experimental intenso, logo explicíto no jogo de sobreposição de distorções que sustenta a majestosidade de The Fall, o primeiro tema do alinhamento de Berths. A seguir, no brilho pop da tonalidade de Rose, proporcionado por um timbre metálico bem vincado, somos conforntados com uma faceta menos obscura e mais luminosa dos Slowness, um barco onde o trio também navega com segurança e bom gosto, nessa toada mais climática e, no fundo, mais abrangente. Depois, no travo mais progressivo de Berlin, canção que parece ter sido incubada de uma bem sucedida jam session e respeitada a sua integridade inicial e, principalmente, no nervo de Breathe, dois dos grandes momentos do disco, percebe-se com ainda maior nitidez a filosofia de criação sonora destes Slowness, certamente muito assente em instantes bem sucedidos de improviso, mas também em acomodações felizes de uma vasta miríade de detalhes e nuances instrumentais, rematadas por uma voz colocada em camadas, com um resultado final que parece debitar, no seu todo, uma constante carga de ruídos pensados de forma cuidada, como um imenso curto circuito que passeia por Berths.
Firmado num estilo sonoro que tanto tem um sabor algo amargo e gótico, como uma veia mais etérea e até melancólica, Berths atesta, mais uma vez, a vitalidade de um género que nasceu há quatro décadas, com os Slowness a provarem que ainda é possível encontrar novidade dentro de um som já dissecado de inúmeras formas. Espero que aprecies a sugestão..

Slowness - Berths

01. The Fall
02. Rose
03. Berlin
04. Breathe
05. Sand And Stone
06. Asunder


autor stipe07 às 16:35
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Quinta-feira, 13 de Junho de 2019

Foreign Diplomats – Monami

Thomas Bruneau Faubert, Charles Primeau, Élie Raymond, Lazer Vallières e Tony L. Roy são os Foreign Diplomats, uma banda canadiana oriunda de Montreal, no Quebeque, que acaba de regressar aos lançamentos discográficos com Monami, um compêndio de canções que sucede a Princess Flash, o extraordinário disco de estreia que a banda lançou no final de dois mil e quinze, ainda a tempo de ser um dos melhores desse ano para esta redação.

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Escrito e composto maioritariamente por Élie Raymond e produzido e misturado por Jace Lasek, que já tinha trabalhado com os Foreign Diplomats no antecessor, Monami mantém o projeot canadiano nas coordenadas certas para estilizar canções em cujo regaço festa e lisergia caminham lado a lado, duas asas que nos fazem levitar ao encontro de paisagens multicoloridas de sons e sentimentos.

Num disco em que a ideia principal é o amor e o medo que nos invade sempre que nos apaixonamos, mas também onde não faltam referências a viagens, comida e a tudo aquilo que preenche a normalidade rotineira de qualquer um de nós, não faltam aqui canções repletas daqueles arrepios que nos provocam, muitas vezes, autênticas miragens lisérgicas e hipnóticas. E fazem-no deambulando pelos nossos ouvidos, alicerçadas num frágil balanço entre uma percussão pulsante, um rock e uma eletrónica com um vincado sentido cósmico e uma indulgência orgânica que se abastece de guitarras plenas de efeitos texturalmente ricos, teclados corrosivos no modo como atentam contra o sossego em que constantemente nos refugiamos e a voz de Élie que, num registo ecoante e esvoaçante, coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta.

Se a audição de Monami nos oferece então vastas paisagens sonoras, nota-se, rapidamente, um ponto em comum em praticamente todas as suas canções e, de certo modo, já descrito acima. Refiro-me ao modo como as guitarras fornecem a base melódica que vai depois sustentar praticamente todos os temas até ao seu ocaso, havendo, pelo meio, quase sempre uma explosão sónica sintética, feita de exuberância, cor e um apreciável experimentalismo, que do clima animado de Road Wage, ao travo oitocentista mais negro de City Luv, aperfeiçoado com um grau superior de refinamento em Adopted Hometown, passando pela luminosidade percurssiva de Charger ou, com maior epicidade ainda, de You Decide (The Return Of), pela elegância de Amafula e pelo charme contagiante de Demon (Slamador), tem sempre em comum essa primazia das cordas eletrificadas e a adição às mesmas de teclados repletos de um vasto catálogo de efeitos embebidos por uma inegável filosofia pop, uma relação simbiótica que faz da audição deste alinhamento uma demanda por um percurso triunfante e seguro.  

Bálsamo retemperador perfeito capaz de nos fazer recuperar o fôlego de um dia intenso, Monami  balança genuinamente nos nossos ouvidos, agita a mente e força-nos a um abanar de ancas intuitivo e capaz de nos libertar de qualquer amarra ou constrangimento que ainda nos domine. Disco mais exuberante e fervoroso que o antecessor, Monami é um extraordinário exemplo do modo como esta banda é capaz de ser genuína a combinar guitarras com teclados, sem colocar em causa a vivacidade e o esplendor que é muitas vezes abafado por aquela faceta algo rígida que a eletrónica intui, sendo, no seu todo, uma súmula quase imperceptível entre epicidade frenética, crua e impulsiva e sensualidade lasciva, num resultado global borbulhante e colorido. Espero que aprecies a sugestão...

Foreign Diplomats - Monami

01. Road Wage
02. City Luv
03. Charger
04. Amafula
05. You Decide (The Return Of)
06. Demon (Slamador)
07. Adopted Hometown
08. Frilu
09. Tender Night
10. How Cool Is That?
11. Fearful Flower


autor stipe07 às 16:05
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