Sábado, 20 de Julho de 2019

Tricycles - Hamburger

João Taborda, Afonso Almeida, Edgar Gomes e Sérgio Dias são os Tricycles, uma espécie de super grupo que se estreou recentemente nos registos discográficos com um homónimo, gravado e produzido por Nelson Carvalho e editado pela Lux Records e que foi alvo de revisão atenta neste blogue.

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Descritos como um triciclo no alto de uma duna, a ver o mar, a sentir o sol quente nas rodas pintalgadas de areia, com uma certa comichão no volante por causa da humidade salgada, os Tricycles continuam a tirar dividendos desse registo e o mais recente é a divulgação de um vídeo de Hamburger, o segundo tema do seu alinhamento, juntamente com o anúncio do lançamento de Tricycles em formato vinil, lá para o final do ano, talvez ainda a tempo das próximas compras de Natal.

Canção sobre um assunto falsamente risível, (...) a vertigem da queda, que pode ter muitas formas, algumas mais subtis que outras, ou seja, um hamburger muito pouco gourmet, Hamburger oferece-nos um dos instantes mais solarengos e festivos de um disco com uma filosofia interpretativa que dá a primazia à guitarra quer no processo de criação melódica, quer também no modo como as canções vão sendo adornadas, geralmente com rudes baixos que conversam com educadas baterias e pianos falsamente corteses. Este é, pois, um dos momentos maiores de um alinhamento que nos deixa algo inebriados, doze canções que acabam por funcionar, no seu todo, como um sentido quadro sonoro, pintado com belíssimos arranjos e transições entre um alargado e rico espetro sonoro, que abarca alguns dos melhores tiques e heranças do indie rock das últimas décadas.

O videoclip de Hamburger foi filmado em Coimbra, realizado e editado pelo Bruno Pires e João Taborda, e conta com uma série de ilustres convidados da cidade: Vitor Torpedo, António Olaio, Ricardo Jerónimo, Pedro Chau, Pedro Renato, MC Ruze, Maria João Robalo e Joana Cipriano. Confere...


autor stipe07 às 16:30
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Quinta-feira, 18 de Julho de 2019

Villagers – Summer’s Song

Villagers - Summer's Song

Os irlandeses Villagers são, neste momento, praticamente monopólio da mente criativa de Conor O'Brien e estão já na linha da frente do universo indie folk europeu, pelo modo criativo e carregado com o típico sotaque irlandês, como replicam o género, ainda por cima oriundos de um país com fortes raízes e tradições neste género musical.

Com um trajeto musical bastante profícuo nos últimos anos, além de intenso e rico, com momentos discográficos significativos do calibre de Becoming a Jackal (2010), {Awayland} (2013) e Darling Arithmetic (2015), entre outros, os Villagers tardam em anunciar um novo registo de originais que suceda a The Art Of Pretending To Swim, editado o ano passado, mas têm uma nova canção, por sinal perfeita para este inconstante julho. O tema chama-se Summer's Song, é um belíssimo tratado pop, que impressiona pela cadência rítmica, pela robustez das cordas e, principalmente, por um coro de seis fliscornes (instrumento de sopro semelhante a um trompete), que confere uma luminosidade ímpar àcomposição. Será possível apreciares este e outros temas no dia dois de Agosto, em Chaves, no festival N2. Confere...


autor stipe07 às 16:12
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Quarta-feira, 17 de Julho de 2019

Peter Perrett – Humanworld

Já chegou aos escaparates Humanworld, o segundo registo de originais da carreira a solo do mítico artista Peter Perrett, antigo vocalista dos The Only Ones, banda que também ajudou a fundar e que acabou por ter um papel preponderante durante o auge da cena punk/new wave britânica, entre os anos setenta e oitenta do século passado. Sucessor do aclamado How The West Was Won, editado em dois mil e dezassete, Humanworld tem a chancela da Domino Records, numa carreira a solo que também funciona como um elíxir terapêutico de excelência após um complicado período de adições psicotrópicas, algo bem percetível num alinhamento em que Perrett volta a dissertar sobre o amor a e política com o habitual sarcasmo que carateriza esta personagem ímpar do cenário musical alternativo britânico.

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Texturalmente e sonicamente rico, urgente e conciso, Humanworld escorre de rajada (doze temas dividios por cerca de trinta e cinco minutos) e com uma leveza algo intrigante, porque se as canções têm um forte cariz radiofónico e uma altivez pop indesmentível, também possuem uma aúrea de mistério e consistência capazes de deixar o ouvinte a refletir sobre o seu conteúdo. Logo a abrir, em I Want Your Dreams, se nas interseções entre baixo e sintetizadores, que são depois abafadas por uma guitarra exuberante, Peter Perret reinvindica os nossos sonhos e quer deles apropriar-se de um modo tipicamente vampiresco e se na pop cósmica de Once Is Enough o músico mantém essa toada altiva e até algo desafiante, aprimorada um pouco adiante no travo punk libidinoso de Believe In Nothing, já no manto de acusticidade tipicamente brit de Heavenly Day o músico começa a mostrar uma faceta mais sentimental e até ternurenta, que depois se aprimora e atinge os píncaros daquela irecusável nostalgia que a todos toca em The Power Is In You, uma majestosa composição em que não faltam violinos e uma vasta panóplia de efeitos ecoantes, detalhes que ajudam o ouvinte a sentir-se ainda mais embalado e seduzido.

É nesta contínua dicotomia entre a vontade de querer dominar o ouvinte e tomar posse de todo o seu eu, mas também ser embalado e entendido por ele, que Peter Perrett conduz um bom disco de indie pop rock, feito da mais pura estirpe de terras de Sua Majestade e que, apesar de piscar o olho a heranças diretas do pós punk e onde não faltam também vias sonoras abertas para o pop rock, a new wave e o grunge, define-se sonoramente pelo modo como faz exalar um intenso charme da agregação de todos estes subgéneros, uma combinação conseguida com superior sentido criativo e à boleia de uma vontade expressa de procurar diferentes ritmos e abordagens instrumentais, sempre com considerável dose de loucura, divertimento e inegável boa disposição e anormalidade. Espero que aprecies a sugestão...

Peter Perrett - Humanworld

01. I Want Your Dreams
02. Once Is Enough
03. Heavenly Day
04. Love Comes On Silent Feet
05. The Power Is In You
06. Believe In Nothing
07. War Plan Red
08. 48 Crash
09. Walking In Berlin
10. Love’s Inferno
11. Master Of Destruction
12. Carousel


autor stipe07 às 19:49
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Terça-feira, 16 de Julho de 2019

Work Drugs – Surface Waves EP

Os Work Drugs de Benjamin Louisiana e Thomas Crystal são uma dupla de Filadélfia já com um assinalável cardápio e que se mantém bastante ativa e profícua, lançando um disco praticamente todos os anos, além de alguns singles e compilações, desde que se estrearam com Summer Blood, há já quase uma década. Enquanto não chega aos escaparates lá para o final deste ano o sucessor do excelente Holding On To Forever de dois mil e dezoito, têm-se mostrado visíveis e audíveis com a edição em formato EP. Belize foi editado em março e agora acaba de ser divulgado Surface Waves. Ambos compilam não só alguns singles que poderão fazer parte desse novo álbum dos Work Drugs, mas também diversos instrumentais e material nunca antes divulgado e que foi sobrando das sessões de gravação de alguns dos antecessores do futuro trabalho discográfico do projeto.

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Surface Waves contém oito composições perfeitas para saborear estes últimos raios de sol mais quentes, enquanto não chega a longa penumbra outunal e o interminável frio e implacável inverno. Se a melhor herança de Michael Jackson conduz Embers Never Fade e uma bateria eletrónica bastante insinuante sustenta Burned, em L.A. Looks dominam paisagens com uma mais acentuada tonalidade surf rock, enquanto a chillwave de Counterclaims contém um encanto vintage, relaxante e atmosférico, intenso e charmoso.

O resultado final de Surface Waves é um compêndio particularmente eclético, que além de proporcionar instantes de relaxamento, também poderá adequar-se a momentos de sedução e recolhimento, um EP que faz adivinhar um disco tremendamente sensorial e emotivo e que será, sem dúvida, mais um episódio significativo e bem sucedido num já riquíssimo compêndio proporcionado por um dos projetos mais excitantes da pop contemporânea. Espero que aprecies a sugestão...

Work Drugs - Surface Waves

01. Embers Never Fade
02. Burned
03. L.A. Looks
04. Counterclaims
05. Reunions
06. Do It Like We Used To Do
07. Counterclaims (Instrumental)
08. Embers Never Fade (Instrumental)


autor stipe07 às 20:55
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Segunda-feira, 15 de Julho de 2019

Dope Lemon – Smooth Big Cat

Os seguidores mais atentos do universo sonoro indie e altrnativo já terão certamente ouvido falar de Angus Stone, um cantor, compositor e produtor australiano, nascido a vinte e sete de abril do já longínquo ano de mil novecentos e oitenta e seis e que se tem notabilizado com a sua irmã, formando juntos o duo Angus & Julia Stone, já com quatro discos em carteira, numa carreira iniciado há cerca de uma década com o excleente, Smoking Gun. Ora, Angus Stone também tem uma carreira a solo, onde assina com o pseudónimo Dope Lemon, iniciada há três anos com o registo Honey Bones, que teve sequência, no ano seguinte, com o EP Hounds Tooth e que vê agora sucessor com Smooth Big Cat, dez canções abrigadas pela BMG Australia e que, rezam as crónicas, se tornaram num verdadeiro desafio para o músico, que procurou um ambiente intimista e recatado sem colocar em causa o exigido som de estúdio que faz parte do seu adn.

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Tal cono o antecessor, Smooth Big Cat foi gravado nos estúdios Belafonte, que pertencem ao próprio Angus Stone e que se situam num rancho que tambem possui. Stone tocou e gravou todos os instrumentos e misturou e produziu todas as dez composições de um trabalho que relata a vida de uma personagem chamada exatamente Dope Lemon e que funciona como uma espécie de alter-ego do artista. Dope Lemon é, no fundo, um tipo normal mas também bizarro e sempre bem disposto e otimista, que gosta de estar no seu canto a ouvir música com um copo numa mão e um cigarro na outra.

É esta a figura que trespassa a filosofia temática das dez canções de Smooth Big Cat, que tiveram na sua concepção como principal ferramenta alguns dos típicos traços identitários de uma espécie de folk psicadélica de cariz eminentemente etéreo e contemplativo, com uma considerável vertente experimental associada. Canções como a boémia Hey You, movida a cordas reluzentes, adornadas por diversos efeitos e acamadas numa batida algo hipnótica, a cósmica Salt & Pepper, que impressiona pelo efeito metálico e pela vasta miríade de elementos percurssivos, a lisérgica Hey Little Baby, um portento de acusticidade que se espraia por cinco minutos particularmente solarengos, a mais épica e orgânica Lonely Boys Paradise ou a romântica Give Me Honey, oferecem-nos um cândido alinhamento repleto de blues folk acústica particularmente embaladora e intimista, mas também de um rock bastante sui generis, porque não se faz só de guitarras, mas acima de tudo de fragmentos de sons sintetizados e distorcidos, versos hipnóticos, um registo vocal muitas vezes sussurrante, geralmente dialogante e com forte pendor lo fi e também subtis instantes melódicos de pura subtileza e encantamento. 

Disco homogéneo e que nos permite aceder a uma outra dimensão, mística e cósmica, num subida feita à boleia de timbres, detalhes e harmonias, agregadas com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, Smooth Big Cat tem aquele travo despreocupado e ligeiro que, sendo particularmente sedutor, provoca imediato encantamento, fazendo-o sem descurar as mais básicas tentações pop, com tudo a soar, no final e no seu todo, utopicamente perfeito. Espero que aprecies a sugestão...

Dope Lemon - Smooth Big Cat

01. Hey You
02. Salt And Pepper
03. Hey Little Baby
04. Lonely Boys Paradise
05. Give Me Honey
06. Dope And Smoke
07. Smooth Big Cat
08. The Midnight Slow
09. Mechanical Bull
10. Hey Man, Don’t Look At Me Like That


autor stipe07 às 16:45
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Domingo, 14 de Julho de 2019

Bon Iver – Faith

Bon Iver - Faith

22, A Million, o excelente registo que o projeto Bon Iver de Justin Vernon lançou em dois mil e dezasseiss, já tem sucessor. O novo trabalho deste músico norte-americano natural de Eau Claire, no Wisconsin, chama-se i,i, terá novamente a chancela do selo Jagjaguwar e irá conter treze canções que trilham diversos caminhos, expandem horizontes e aprimoram o modo como Vernon se manifesta artisticamente num processo de mutação que reflete ousadia e inquietude, duas permissas indispensáveis em qualquer artista que queira levar cada vez mais adiante a sua carreira.

i,i será o quarto registo do percurso discográfico de Bon Iver, conta com as participações especiais de James Blake, Aaron Dessner, Moses Sumney e Velvet Negroni e tem já vários temas do seu alinhamento divulgados. O mais recente é Faith, uma canção que encontra o seu sustento em guitarras agrestes, sintetizadores incisivos e um registo vocal modificado, mas pleno de alma e sentimento e que nos enche de paixão e luz. Confere Faith e o alinhamento de i,i... 

01 Yi
02 iMi
03 We
04 Holyfields,
05 Hey, Ma
06 U (Man Like)
07 Naeem
08 Jelmore
09 Faith
10 Marion
11 Salem
12 Sh’Diah
13 RABi


autor stipe07 às 22:02
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Sábado, 13 de Julho de 2019

Of Monsters And Men – Wild Roses

Of Monsters And Men - Wild Roses

Chama-se Fever Dream o novo álbum dos islandeses Of Monsters And Men de Nanna Bryndís Hilmarsdóttir, Ragnar þórhallsson, Brynjar Leifsson e Arnar Rósenkranz Hilmarsson, um trabalho com edição prevista no final deste mês de julho, à boleia da etiqueta Republic Records e que já tem alguns dos seus temas editados em formato single.

O single mais recente divulgado de Fever Dream é Wild Roses, uma canção com um elevado cariz reflexivo e melancólico, que inicia com um melodia ao piano bastante aditiva, mas que depois se expande  num pop rock apoteótico, através de guitarras pulsantes e sintetizadores plenos de epicidade,  à medida que a interpretação vocal de Nanna Hilmarsdóttir ganha entusiasmo e sentimento. Confere...


autor stipe07 às 11:30
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Quinta-feira, 11 de Julho de 2019

The Soft Cavalry – The Soft Cavalry

Mestres e pioneiros do shoegaze e uma referência ímpar do indie rock alternativo de final do século passado, os britânicos Slowdive voltaram a reunir-se há quase meia década, vinte e dois anos depois de Pygmalion (1995), e fizeram-no com a edição de um disco homónimo que continha oito maravilhosas canções que fizeram as delicias de todos os seguidores deste nome incontornável da cena musical contemporânea. Mas além desse quarto álbum dos Slowdive e de uma aclamada digressão, o novo fôlego desse projeto também fez com que Rachel Goswell, a vocalista e guitarrista, conhecesse Steve Clarke. Daí resultou uma união sentimental já oficializada e o surgimento de um novo projeto encabeçado pela dupla e intitulado The Soft Cavalry, que acaba de se estrear nos discos com um fabuloso homónimo, à sombra da insuspeita Bella Union.

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Explorando, tal como os Slowdive, os mesmos meandros do indie rock mais contemplativo, melancólico e atmosférico, os The Soft Cavalry vão um pouco mais longe, injetando na sua sonoridade uma maior vertente sintética, atributo plasmado num disco homónimo produzido por Michael Clarke, irmão de Steve e que contém uma indesmentível aúrea de dramatismo e espiritualidade, como seria de esperar num registo que é também um ato de amor genuíno partilhado por duas pessoas que, tendo casado o ano passado e vivendo em Devon, encontraram uma na outra e na música um novo e feliz fôlego para as suas vidas pessoais.

Intensamente melódico e com uma atmosfera sonora a lembrar interseções eficazes entre nomes tão ímpares como os Pink Floyd, Talk Talk ou R.E.M., The Soft Cavalry reescreve, de certo modo, a narrativa de Steve, um homem que viveu os últimos anos profundamente amargurado com o destino, fruto de um divórcio conturbado em dois mil e onze e que, mesmo a tocar baixo em alguns projetos ou a agenciar digressões de bandas como os já referidos Slowdive, só reencontrou o equilíbrio depois de conhecer Rachel. Assim, homenageando a sua nova companheira e servindo-se dos imensos atributos vocais e interpretativos dela, Steve criou neste álbum um extraordinário exercício de criatividade terapêutica, com canções como a buliçosa e enleante Bulletproof, a nostálgica Never Be Without You, a etérea Passerby, uma canção sobre abraços genuínos ou Spiders, uma balada sobre a fase inicial do encantamento por alguém, a abrigarem-se numa filosofia estilística simples e nebulosa, mas bastante melódica e climática.

Com as participações especiais do teclista Jesse Chandler (Mercury Rev, Midlake), do guitarrista Tom Livermore e do baterista Stuart Wilkinson, este é, pois, um disco que se arrasta com complacência e sem pressas, espraiando-se no tempo certo, alicerçado em melodias envoltas por cordas de forte pendor acústico e orgânico, mas amiúde eletrificadas com uma subtil vibração metálica particularmente charmosa, girando tudo em redor de um sintetizador assertivo e com efeitos recheados de eco, nuances que fazem sobressair a aura melancólica e mágica de um alinhamento que também deve muito do seu cariz impressivo aos tais atributos vocais de Rachel, que reforçam a elevada bitola qualitativa da estreia destes novos mestres da melancolia aconchegante.

Os The Soft Cavalry emergem-nos num universo muito próprio e no qual só penetra verdadeiramente quem se predispuser a se deixar absorver pela sua cartilha. E o arquétipo sonoro de tal ambiente firma-se também num falso impressionismo e num exemplar cariz lo fi na produção, elementos que costuram e solidificam um som muito homogéneo e subtil e, também por isso, bastante intenso e catalizador, plasmado num trabalho discográfico que tem um toque de lustro de forte pendor introspetivo, livre de constrangimentos estéticos e que nos provoca um saudável torpor, sendo, no seu todo, um disco cuja atmosfera densa e pastosa, é também libertadora e esotérica. Espero que aprecies a sugestão...

The Soft Cavalry - The Soft Cavalry

01. Dive
02. Bulletproof
03. Passerby
04. The Velvet Fog
05. Never Be Without You
06. Only In Dreams
07. Careless Sun
08. Spiders
09. The Light That Shines On Everyone
10. Home
11. Mountains
12. The Ever Turning Wheel


autor stipe07 às 21:45
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Terça-feira, 9 de Julho de 2019

Graveyard Club - Goodnight Paradise

Oriundos de Minneapolis e já com a reputação de serem uma das melhores bandas ao vivo da atualidade nessa cidade, os Graveyard Club são Matthew Schufman (voz e sintetizadores), Michael Wojtalewicz (guitarra), Cory Jacobs (bateria) e Amanda Zimmerman (baixo, voz), um coletivo que se juntou para fazer música há cerca de meia década, inspirado por interesses comuns tão díspares como um fascínio comum pela pop oitocentista, pelo cardápio sonoro de Ryan Gosling, que também fez história na mítica banda Dead Man's Bones e pelas narrativas do aclamado autor de ficção científica Ray Bradbury. Estrearam-se no início de dois mil e catorze com o EP Sleepwalk, ao qual se seguiram o álbum de estreia Nightingale, em setembro desse ano e o sucessor Cellar Door, em agosto de dois mil e dezasseis e o ano passado deram mais um sinal de vida com o single Ouija.

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Agora, pouco mais de um ano depois desse tema, os Graveyard Club estão de regresso com um álbum intitulado Goodnight Paradise, um alinhamento de treze canções gravadas e produzidas por Andy Thompson e que colocam este projeto definitivamente não só na mira da crítica especializada, mas também de um número cada vez maior de seguidores de um estilo sonoro que mistura rock e pop, com uma toada noise e um elevado pendor shoegaze.

Witchcraft, uma imponente canção que nos transporta para um universo algo sonhador e íntimo, mesmo sendo inexistente e que sonoramente abriga-se em cordas inspiradas, replicadas com um desempenho orgânico ímpar mas também em sintetizadores de forte travo oitocentista, dá o pontapé de saída para um disco que é, no seu todo, um tratado sonoro que tem tanto de nostálgico como de imponente e vanguardista. À medida que divagamos por canções como William, um festim sintético repleto de cosmicidade, pela mais climática, contemplativa e angulosamente cinquentista Finally Found, pela divagante e pouco ébria Maureen ou pela efusiante Deathproof, repete-se uma receita tremendamente eficaz, assente numa guitarra rugosa e plena de efeitos metálicos, acompanhada por uma bateria falsamente rápida, baixos contundentes e amplificadores sem receio de abusarem numa panóplia de efeitos e sons particularmente eclética, tudo apoiado por um prodigioso abastecimento de instintiva simplicidade, que não é mais do que um rigoroso espelho da filosofia eclética, abrangente e sofisticada que rege o formato sonoro destes Graveyard Club

Álbum em que foi notório o desejo de dar algum sentido épico e grandioso às canções, arriscando-se o máximo até à fronteira entre o indie e o post rock, Goodnight Paradise é um compêndio sonoro cheio de energia e dominado por um descarado sentimento de urgência que poderá mostrar a luz a este grupo caso tenha a pretensão de ascender definitivamente à premier league rockeira do outro lado do atlântico. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 16:43
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Segunda-feira, 8 de Julho de 2019

Belle And Sebastian – Sister Buddha

Belle And Sebastian - Sister Buddha

Os escoceses Belle And Sebastian parecem já ter sucessor para o aclamado álbum How to Solve Our Human Problems, lançado o ano passado. O novo trabalho discográfico da banda liderada por Stuart Murdock será a banda sonora do filme Days of the Bagnold Summer e irá ver a luz do dia a treze de Setembro, através da etiqueta habitual da banda, a Matador Records.

Realizado por Simon Bird, Days of the Bagnold Summer é um filme tipicamente indie, baseado no romance homónimo de Joff Winterhart. A trama conta a história de um adolescente amante de heavy metal cujos planos para o verão vão por água abaixo no último minuto. Assim, vê-se preso por três longos meses à pessoa com quem mantém a relação mais enervante do mundo, a sua mãe. O protagonista desta história é interpretado por Earl Cave, actor já conhecido por participar na série The End of the F***ing World. O filme está previsto para estrear no próximo ano.

Sister Buddha é o primeiro single revelado deste novo álbum dos Belle And Sebastian e tema principal da banda sonora da película, que contém onze canções originais e duas novas versões de temas antigos do grupo escocês, I Know Where the Summer Goes e Get Me Away From Here I’m Dying. Safety Valve, a sexta canção do alinhamento que podes conferir abaixo, também é um tema antigo dos Belle And Sebastian, mas nunca foi gravado em estúdio anteriormente.

Quanto a Sister Buddha, é uma canção melodicamente feliz e que conduzindo-nos de volta ao indie pop mais orelhudo, contém aquele requinte vintage que revive os gloriosos anos oitenta, sendo, por isso, uma excelente porta de entrada para um alinhamento que será certamente instrumentalmente irrepreensível e sem atropelos ou agressividade desnecessária. Confere...

  1. Sister Buddha (Intro)
  2. I Know Where the Summer Goes
  3. Did the Day Go Just Like You Wanted?
  4. Jill Pole
  5. I’ll Keep It Inside
  6. Safety Valve
  7. The Colour’s Gonna Run
  8. Another Day, Another Night
  9. Get Me Away From Here I’m Dying
  10. Wait and See What the Day Holds
  11. Sister Buddha
  12. This Letter
  13. We Were Never Glorious

autor stipe07 às 18:52
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Sexta-feira, 5 de Julho de 2019

Night Moves - Can You Really Find Me

Já chegou aos escaparates e através da insuspeita Domino Records, Can You Really Find Me, o novo registo de originais da dupla norte-americana Night Moves, formada por Micky Alfano e John Pelant, sendo o último o principal responsável pela escrita das canções neste projeto. Can You Really Find Me foi produzido por Jim Eno, membro fundador e baterista dos Spoon, nos estúdios Public Hi-Fi em Austin, no Texas e contou com as participações especiais dos músicos Mark Hanson e Chuck Murlowski.

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Sedeados em Minneapolis, estes Night Moves apostam todas as fichas numa espécie de mistura entre um country cósmico e o típico rock psicadélico, um caldeirão improvável mas perfeito para incubar canções texturalmente ricas e que acabam por encarnar deliciosos tratados de epicidade e lisergia, como é possível atestar no conteúdo de Can You Really Find Me.

De facto, neste sucessor de Pennied Days, o disco que os Night Moves lançaram em fevereiro de dois mil e dezasseis, canções como Ribboned Skies, uma composição onde o piano se mostra tremendamente sedutor, Mexico, um solarengo tratado de pop efusiva, Keep Me In Mind, uma ode à melhor herança daquela América profunda que teve sempre uma indisfarçável faceta psicotrópica, Waiting For The Simphony, um portento de cosmicidade e sentimentalismo e, principalmente, Strands Align, uma verdadeira orgia lisérgica que nos catapulta, em simultâneo, para duas direções aparentemente opostas, a indie folk psicadélica e o rock experimental, divagamos por um alinhamento extremamente coeso, com uma identidade sonora perfeitamente definida e certamente conduzido pela ambição de criar um microcosmos sonhador onde a realidade ao redor ganha cores garridas ou um romantismo incurável.

Can You Really Find Me sabe a Queen e a Fleetwood Mac e transporta melodias gentis, cantadas quase sempre com a voz de John Pelant próxima de um registo enternecedor e delicado e muitas vezes atravessada por trechos de rock cósmico, que apenas nos sobressaltam um pouco antes do regresso à pureza original em que o disco assenta, uma convocatória à celebração e até ao romantismo, que nos emerge numa realidade palpável e, ao mesmo tempo, efabulada, com canções que nos trazem o melhor de uma América cada vez mais heterogénea e saudosa de um passado que já foi bem mais glorioso, por muito que o poder instalado tente demonstrar o contrário. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:11
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Quarta-feira, 3 de Julho de 2019

Deportees – Re-dreaming EP

Produzido por Pontus Winnberg (Miike Snow), Johannes Berglund e Måns Lundberg e gravado nos estúdios Skolhaus, em Mariefred, nos arredores de Estocolmo, Re-Dreaming, é o novo EP do trio sueco Deportees, um registo com cinco canções que colocam este projeto liderado por Peder Stenberg, debaixo dos holofotes da crítica fora das fronteiras de uma Suécia onde são já um caso sério de popularidade.

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Com forte tonalidade oitocentista, Re-Dreaming é um daqueles registos optimistas e luminosos, muito à imagem de outras propostas oriundas dos países nórdicos, em que guitarras e sintetizadores conjuram entre si para criar ambientes sonoros amplos, emotivos e com um elevado cariz retro.

Assim, se Bright Eyes, um dos grandes destaques do EP, tem uma atmosfera bastante emotiva, empática e sentimental e debruça-se sobre a capacidade que todos devemos ter de nos reerguermos depois de instantes de dissabor em que tudo parece desmoronar em nosso redor, já Time Is The Tiger, por exemplo, aposta num clima mais progressivo e visceral e Patterns numa abordagem mais melancólica e reflexiva, num resultado final que procura incutir no ouvinte, de acordo com Stenberg, otimismo e esperança relativamente a um futuro que não se prevê particularmente animador. Confere...

Deportees - Re-dreaming EP

01. Bright Eyes
02. Time Is The Tiger
03. Wild Repeat
04. A Love Design
05. Patterns


autor stipe07 às 19:55
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Segunda-feira, 1 de Julho de 2019

Yann Tiersen – All

Produzido por Gareth Jones, All é o décimo registo de originais do músico francês Yann Tiersen, um registo com onze composições, lançado no passado dia quinze de fevereiro através da Mute Records e que foi gravado na ilha de Ushant, na costa oeste de França, onde o músico vive. Nesse local Yann Tiersen converteu uma antiga discoteca num estúdio de música e num centro cultural, batizado de The Eskal e inaugurado em fevereiro com a apresentação deste álbum que conta com as participações especiais dos músicos Ólavur Jákupsson, Anna von Hausswolff, Emilie Tiersen e Denez.

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All está marcado pela temática do ambiente, já presente no antecessor EUSA (2016) e as composições estão impregnadas de sons gravados na natureza, na região da Bretanha e nos Estados Unidos, uma nuance que confere ao registo um intenso dramatismo e uma permanente tensão, num alinhamento que funciona como um bloco único, uma grande banda sonora, um pouco à semelhança das que já idealizou para filmes tão importantes como Alice et Martin de Juliette Binoche ou Amélie, de Jean-Pierre Jeunet. 

Continuando a utlizar o piano como instrumento de eleição na condução do processo de construção do arquétipo sonoro das canções, algo que já sucedeu com EUSA de um modo mais minimal, All leva-nos de modo submersivo e particularmente realista para um universo feito de cândura e beleza, mas também de alguma angústia e temor, idealizado por um músico que tocou também quase todos os outros instrumentos que se escutam e que soube como os relacionar com os tais sons de ambiente que captou. Em Tempelhof, a lindíssima melodia tocada ao piano e o modo como nela encaixam vozes de crianças, captadas num setor do aeroporto de Berlim onde hoje funciona um dos maiores centros de refugiados da Europa, é um excelente exemplo desse modus operandi que se repete, logo depois, em Koad e, no ocaso de All, em Beure Kentañ, com sons de aves, mas também nos sinos de Bloavezhioù ou, em Pell, com frequências de rádio, detalhes que fazem com que estas composições de All tenham calibre para serem apreciadas e devidamente absorvidas, numa óptica eminentemente reflexiva, mas também como veículos promotores da diferença e da ação, ou seja, são canções capazes de nos fazer ganhar coragem para agir um pouco mais relativamente à dor que nos rodeia.

O momento mais belo de All acaba por estar em Heol, uma canção onde as letras sussurradas em bretão contam uma parábola sobre um castelo trancado e indicam a chave dourada que a abre e que todos guardamos dentro de nós. O caminho para ela vai-nos sendo revelado em cada novo som, sejam cordas violentas ou soturnas, mas também fanfarras de metais e diversos elementos percurssivos estonteantes, numa canção em que progressivamente Tiersen constrói a tal tensão e nos faz subir, sem apelo nem agravo, em direção a um pico envolto em luz. Positivamente edificante e com uma conectividade com o ouvinte irrepreensível, Heol é, pois, o âmago de um disco profundamente humano e sensorial, assente numa indulgência que nos transporta para um mundo que também tem muito de solene e de espiritual, nessa conetivdade que estabelece com cada um de nós. Espero que aprecies a sugestão...

Yann Tiersen - All

01. Tempelhof
02. Koad (Feat. Anna Von Hausswolff)
03. Erc’h (Feat. Olavur Jakupsson)
04. Usal Road
05. Pell
06. Bloavezhioù
07. Heol
08. Gwennilied (Feat. Denez)
09. Aon
10. Prad
11. Beure Kentañ

 


autor stipe07 às 21:06
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Sábado, 29 de Junho de 2019

Blossoms – Your Girlfriend

Blossoms - Your Girlfriend

Cerca de um ano após o lançamento de Cool Like You, um registo que sucedeu ao disco homónimo de estreia editado no verão de dois mil e dezasseis e que à época causou forte impacto na crítica generalizada, muito por culpa de canções como Charlemagne, Honey Sweet ou Getaway, o quinteto britânico Blossoms, oriundo de Stockport e formado por Tom Ogden, Charlie Salt, Josh Dewhurst, Joe Donovan e Myles Kellock, regressou em abril último, no âmbito do Record Store Day, com uma canção intitulada I've Seen The Future. Agora, dois meses depois, os Blossoms voltam à carga com um novo single intitulado Your Girlfriend, que contém no b side a composição Torn Up. I've Seen The Future e Girlfriend deverão fazer parte do alinhamento de um novo registo de originais do grupo a lançar ainda em dois mil e dezanove.

A fazer recordar a herança dos míticos Talking Heads, a banda que Tom Ogden, o líder dos Blossoms, mais tem ouvido ultimamente, Your Girlfriend foi produzida por James Skelly, Rich Turvey e a própria banda e oferece-nos uma perspicaz simbiose entre guitarras certeiras e teclados incisivos, mescla que resulta numa composição luminosa, tremendamente radiofónica e vibrante, feita, em suma, com uma synthpop retro muito aditiva, inspirada e orelhuda.

Também merece uma vista de olhos o video do tema, dirigido poe James Slater e que nos mostra o quinteto disfarçado com algumas das personagens mais icónicas do universo fantástico e do terror, entre elas o Dracula, Wolf Man e Frankenstein, a tocar a canção num bar vazio. Confere...

 


autor stipe07 às 20:27
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Sexta-feira, 28 de Junho de 2019

Thom Yorke – ANIMA

Já viu a luz do dia ANIMA, o terceiro registo de originais da carreira a solo de Thom Yorke, vocalista dos Radiohead, verdadeiros Fab Five do novo milénio, não só porque estão criativamente sempre prontos a derrubar barreiras e a surpreender com o inesperado, mas também porque, disco após disco, acabam por estabelecer novos paradigmas e bitolas pelas quais se vão depois reger tantas bandas e projetos contemporâneos que devem o seu valor ao facto de terem este quinteto na linha da frente das suas maiores influências. ANIMA  foi lançado pela XL Recordings e produzido por Nigel Godrich, colaborador de longa data do músico de Oxford. Ambos desenvolveram este alinhamento através de performances ao vivo e trabalho de estúdio, que também já deu origem a uma curta-metragem realizada por Paul Thomas Anderson e disponível no canal Netflix.

Resultado de imagem para Thom Yorke ANIMA

Em ANIMA Thom Yorke prossegue a sua demanda experimental pelos sinuosos caminhos de uma eletrónica de cariz eminentemente etéreo, uma opção mais sintética do que a trilhada no seio da sua banda de sempre que mesmo tendo virado agulhas para universos mais eletrónicos nos seus últimos capítulos discográficos, continua a ter no indie rock uma elemento nuclear de formatação da sonoridade global das obras criadas pelos Radiohead.

É recorrente que o sonho seja uma temática bastante abordada por artistas plásticos, cineastas e músicos, que têm neles a principal fonte de inspiração e tentam incessantemente produzir algo que se aproxime do que é sentindo num sonho. O norte-americano Steven Ellison, o músico e produtor que assina o projeto The Flying Lotus, não sendo apenas um artista onírico ou surrealista, mas tendo uma imaginação que transcende o estado lógico e comum, porque é muito fácil sentirmo-nos dentro de um sonho ao ouvirmos a música desse seu projeto, acabou por ser uma das grandes inspirações de Thom Yorke, juntamente com algumas das principais teorias do psicanalista Carl Jung, ainda dentro da temática dos sonhos, mas também o modo como nos deixamos influenciar atualmente pelas novas teconlogias e a sensação de anonimato que elas nos dão. Nós enviamos os nossos avatares para abusar e lançar veneno e depois regressamos para o anonimato, referiu Yorke numa entrevista recente acerca desta particularidade influenciadora do conteúdo de ANIMA.

Portanto, e como não podia deixar de ser, escutar ANIMA faz-nos estarmos perante uma experiência não só auditiva, mas também tremendamente visual. No pulsar analógico das batidas de Last I Heard (…He Was Circling The Drain), no apelo tribal do dubstep de Traffic, nas teclas soturnas de Dawn Chorus, no clima borbulhante e positivamente visceral de I Am A Very Rude Person, na intrigante Not The News e na intensidade crescente de Twist, uma composição onde um teclado se deixa rodear graciosamente pelo típico registo vocal em falsete de Yorke, fazendo-o de modo particularmente sensível e com um toque de lustro de forte pendor introspetivo, fica recriado não só o típico ambiente soturno com que este autor tem pautado o seu projeto a solo há já mais de uma década, mas também a densidade e a névoa sombria de um modo de ver a humanidade de hoje como se estivesse globalmente adormecida, num sonho coletivo de felicidade e realização material que nunca se concretizará e, em consequência disso, numa inconsciente caminhada em fila indiana rumo ao abismo.

A sociedade contemporânea e, principalmente, a evolução tecnológica que nem sempre respeita o ritmo biológico de um planeta que tem dificuldade em assimilar e adaptar-se ao modo como apenas uma espécie, possuindo o dom único da inteligência, coloca em causa todo um equilíbrio natural, é um manancial para a escrita de Yorke, que sempre gostou de se debruçar sobre o lado mais inconstante e dilacerante da nossa dimensão sensível e de colocar a nú algumas das feridas e chagas que, desde tempos intemporais, perseguem a humanidade e definem a propensão natural que o homem tem, enquanto espécie, de cair insistentemente no erro e de colocar em causa o mundo que o rodeia. ANIMA de certo modo satiriza esse lado menos racional e destrutivo que parece dominar a nossa espécie no seu todo e sem aparente retorno. Espero que aprecies a sugestão...

Thom Yorke - ANIMA

01. Traffic
02. Last I Heard (…He Was Circling The Drain)
03. Twist
04. Dawn Chorus
05. I Am A Very Rude Person
06. Not The News
07. The Axe
08. Impossible Knots
09. Runwayaway


autor stipe07 às 22:11
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Quinta-feira, 27 de Junho de 2019

The Laurels – Sound System

The Laurels - Sound System

Já tem sucessor anunciado Sonicology, o disco que os australianos The Laurels lançaram há cerca de três anos e que na altura sucedeu a Plains, o álbum de estreia, lançado em dois mil e doze. Ainda sem nome anunciad,o esse novo trabalho do grupo de Sidney, formado por Luke O’Farrell (voz, guitarra), Piers Cornelius (voz, guitarra), Conor Hannan (baixo) e Kate Wilson (bateria), contará com a participação especial de Kat Harley (Mezko) no baixo e na voz e tem já um single divulgado, uma canção chamada Sound System.

Tema que nos oferece um som muito plural, criado a partir de elementos retirados das mais diversas épocas e estilos, sem que soe necessariamente preso a esses géneros, com um registo vocal efusiante, um efeito de guitarra agudo imponente e um ritmo bastante dançável proporcionado por uma linha de baixo robusta e uma melodia bastante aditiva, Sound System pinta um quadro algo negro mas impressivamente realista daquilo que poderá ser o futuro próximo de um mundo cada vez mais influenciado pela realidade virtual, pelos grandes grupos empresariais e pela força dos media, conforme explica Luke O'Farell (Sound System lives of high rise apartments and rent prices loom large over this paean to a future dystopian city, the inhabitants of which are doomed to a lifetime of evenings spent in queues waiting to eat at fine dining restaurants after a round of putt putt golf. Sound System finds this group of part-time disc jockeys loading up their van with generators and loud speakers as they seek to reignite the street party.) Confere...


autor stipe07 às 17:38
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Quarta-feira, 26 de Junho de 2019

The Catenary Wires - Til The Morning

Quando um fio é pendurado em dois pontos fixos, a forma que faz é uma catenária. E quando duas pessoas, Amelia Fletcher e Rob Pursey, que depois de brilharem num quarteto de bandas pop lendárias, os Tender Trap, os Marine Research, os Heavenly e os Talulah Gosh, se tornaram elas próprias lendas pop, incubaram os The Catenary Wires. Fizeram-no depois de decidirem deixar a cena independente de Londres para se instalarem num distante canto verdejante, no meio do nada, em Kent. Num dia de inverno, agarram na pequena guitarra da sua filha, só para ver o que acontecia, começando assim o percurso musical a dois de um casal muito peculiar e que acaba de editar um registo intitulado Til The Morning com a chancela da Tapete Records.

Resultado de imagem para The Catenary Wires Til The Morning

Gravado o ano passado na Sunday School, no meio do tal nada em Kent, Til The Morning é o segundo disco da dupla, sucedendo a Red Red Skies, o álbum de estreia. Produzido por Andy Lewis, que recentemente produziu álbuns para Judy Dyble e French Boutik, Til The Morning contém doze canções que impressionam pelo charme algo displicente mais feliz como parecem desprezar alguns dos arquétipos fundamentais da música atual, fazendo-o através de um clima sonoro que entre a folk mais experimental e a psicadelia, exala um travo algo boémio, com um realismo ímpar.

Este é, de facto, um registo complexo e sedutor, com a magnificiência de Dream Town, a singular emotividade de Hollywood, a exuberância das cordas que cirandam por Back On Hastings Pier, o travo boémio de Love On The Screen ou o diálogo vocal assertivo que sustenta Tie Me To The Rails a cimentarem uma constante tensão oscilante entre o urbano e o rural e entre aquilo que é meramente quotidiano e aquilo que é naturalmente poético e o modo como se podem entrelaçar todos estes factores de modo nada aleatório, nomeadamente na criação musical.

Impressionando pelo modo como está revestido de um jogo de vozes íntimas, emocionais, complexas e conversacionais e repleto de várias camadas sonoras que refletem uma variedade de instrumentos imensa, na qual se incluem sinos e um velho reboque e que, além da dupla, são tocados pelo já citado Andy Lewis (violoncelo, mellotron e percussão), Fay Hallam (órgão Hammond), Matthew King (piano) e Nick e Claire Sermon (metais), Til The Morning é um trabalho eminentemente festivo e jovial, que nos leva a colocar o nosso melhor sorriso eufórico e enigmático e a passar a língua pelo lábio superior com indisfarçável deleite, à medida que saboreamos o seu alinhamento. Os acordes deambulantes que empoeiram com ruído e frenesim a maioria das canções manifestam instrumentalmente experiências de vida sincera de um casal e fazem do registo uma jornada espiritual que nos é dada a apreciar em verdadeira plenitude, nesta contemporaneidade cheia de encruzilhadas e dilemas. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 20:58
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Terça-feira, 25 de Junho de 2019

Two Door Cinema Club - False Alarm

Ja está nos escaparates e à boleia da conceituada Pias Recordings, False Alarm, o quarto e novo registo de originais dos irlandeses Two Door Cinema Club, um alinhamento de dez canções produzido por Jacknife Lee, que já tinha colocado as mãos no antecessor Gameshow, lançado em dois mil e dezassete. False Alarm também tem sido notícia pela curiosa capa da autoria da fotógrafa Aleksandra Kingo, que retratou o grupo cercado por emissores de ruído variados, numa aparente situação de pânico. A ideia é retratar a sensação de ansiedade coletiva que carateriza, nos dias de hoje, um mundo em que se sucedem desastres naturais, catástrofes provocadas pelo próprio homem e um sem número de perigos que vão florescendo um pouco por toda a parte.

Resultado de imagem para Two Door Cinema Club - False Alarm

Contando nos seus créditos com as participações especiais do grupo zambiano Mokoomba em Satisfaction Guaranteed, um dos temas mais ritmados do disco e do artista de hip hop norte americano Open Mike Eagle, na toada vibrante e metálica de Nice To See You, False Alarm é, no global, uma mistura incandescente entre o indie rock mais efusivo e efervescente, audível no fuzz das guitarras, com aquela pop experimental new wave, feita com o travo retro proporcionado pelo sintetizador. Tal simbiose feliz entre rock e eletrónica está presente com superior quilate em vários temas do álbum, mas com especial ênfase no single Dirty Air, uma composição que de acordo com Alex Trimble, o vocalista, é sobre o fim do mundo e o modo como se pode fazer desse evento uma grande festa. No entanto, a rugosidade da batida de Talk, canção que mostra como o baixo é um elemento preponderante de produção melódica no seio destes Two Door Cinema Club e o modo como um flash sintetizado contrasta, nesse tema, com o vigor percurssivo e depois a efervescência pop do refrão, assim como o clima mais charmoso e urbano de So Many People e o olhar anguloso que é feito ao r&b futurista em Think, são outros momentos maiores de um disco que cimenta a fama dos Two Door Cinema Club como um projeto de magnitude, que aposta em criar composições que ao vivo funcionem de modo a agitar grandes massas mais preocupadas em dançar do que propriamente em refletir sobre o conteúdo lírico da música que consomem.

False Alarm não vai salvar as nossas vidas ou modificá-las drasticamente, mas vai-te fazer dançar de forma bem humorada e continuar a fazer sobressair estes Two Door Cinema Club em relação à concorrência. Espero que aprecies a sugestão...

Two Door Cinema Club - False Alarm

01. Once
02. Talk
03. Satisfaction Guaranteed (Feat. Mokoomba)
04. So Many people
05. Think
06. Nice to See You (Feat. Open Mike Eagle)
07. Break
08. Dirty Air
09. Satellite
10. Already Gone


autor stipe07 às 20:56
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Segunda-feira, 24 de Junho de 2019

The Kooks – Got Your Number vs So Good Looking

Oriundos de Brighton, uma cidade inglesa com uma vida cultural bastante animada, os The Kooks são uma das bandas mais incomprendidas do cenário indie britânico e nunca foram levados demasiado a sério. Com tenra idade começaram a dar nas vistas, havendo mesmo quem os tivesse catalogado de boys band, um grupo de rapazes com um rosto particularmente laroca e que tendo uma boa máquina de produção para trás, tinham apenas que cantar, tocar e... encantar. No entanto, e tendo passado mais de uma década desde a estreia, o grupo tem mostrado trabalho árduo e sério, responsabilidade e criatividade. Se as três primeiras constações não podem merecer qualquer objeção de quem procurar inteirar-se sobre a carreira e o modus operandi da banda e for sério, já a questão da criatividade fica sempre, naturalmente, ao critério de cada um. Mas, também aqui, há que ser coerente e sério e desbravar, sem concessões, uma já apreciável discografia com cinco tomos.

Resultado de imagem para The Kooks Got Your Number So Good Looking

Ainda sem disco novo anunciado e que suceda ao registo Let's Go Sunshine editado o ano passado os britânicos The Kooks têm-se dedicado à divulgação de algumas novas canções recentemente, tendo sido a última So Good Looking, depois de terem-nos revelado a composição Got Your Number há algumas semanas.

Ambos os temas contêm aditivos riffs de guitarra, inspirados e vigorosos, entrelaçados com um dançante toada pop, diversificada e acessível, que dá vida a duas melodias orelhudas que foram alvo de uma produção aberta e notoriamente inspirada e que enriquece bastante o espetro sonoro dos The Kooks, sem trair a identidade de um projeto que não falseia o desejo de se manter no seio das grandes bandas que atualmente mantêm vivo o indie rock alternativo britânico. Confere...


autor stipe07 às 16:26
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Sexta-feira, 21 de Junho de 2019

The High Dials – Primitive Feelings – Part 1 EP

Montréal, no Canadá, é o poiso dos The High Dials, banda com uma década de carreira e de regresso aos discos em dois mil dezanove com Primitive Feelings, um longa duração com lançamento em formato vinil previsto para o próximo outono. Entretanto alinhamento desse álbum físico já começou a ser antecipado digitalmente com dois eps, tendo o primeiro, com oito composições, provavelmente o lado a dessa edição, visto a luz do dia há algumas semanas.

Resultado de imagem para The High Dials Primitive Feelings

Primitive Feelings será o sexto registo de originais dos The High Dials e, pelo que se percebe desta primeira metade revelada, será um disco repleto de texturas sonoras que privilegiam um punk rock algo sujo e lo fi, mas onde também não faltam texturas eletrónicas particularmente pulsantes e contemporâneas e com um elevado groove e um espírito shoegaze, nuances que se saúdam num projeto particularmente inovador e reputado na esfera indie canadiana.

O fabuloso baixo vibrante que sustenta The Future Prospects Of Your Ego, sendo já uma imagem de marca desta banda também claramente influenciada pela melhor herança do indie rock britânico forjado em terras de Sua Majestade no último meio século, volta a fazer-se acompanhar, nomeadamente neste tema que é para mim o destaque maior destas oito canções, por uma guitarra jovial e criativa, guiada por uma forte vertente experimental e uma certa soul, com alguns efeitos e detalhes sintetizados a rematarem em grande estilo uma canção que não receia ser exuberante no modo como sustenta alguns dos arquétipos típicos da pop e do punk dos anos oitenta. Depois, a precisão rítmica da bateria e os riffs incendiários que dão colorido à luminosa Jaws Of Life, a graciosidade psicadélica de Employment And Enjoyment, o charmoso piano que deambula por World War You ou o travo jazzístico do punk incisivo que exala de Guerrilla Guru, ampliam o efeito soporífero desta amostra de um trabalho que quando for possível de ser escutado no seu todo, irá certamente potenciar a fama destes The High Dials, não só devido à bitola qualitativa e criativa desse novo capítulo de um catálogo discográfico que é já riquissímo, mas também por causa da superior capacidade que têm de fazer o nosso espírito facilmente levitar e provocar no âmago de quem os escuta devotamente um cocktail delicioso de boas sensações. Se a segunda metade do registo, fizer jus ao conteúdo já revelado de Primitive Feelings, então estaremos certamente em presença de um dos grandes álbuns de dois mil e dezanove. Espero que aprecies a sugestão...

The High Dials - Primitive Feelings - Part 1

01. O Blue Day
02. The Future Prospects Of Your Ego
03. Jaws Of Life
04. Employment And Enjoyment
05. World War You
06. Guerilla Guru
07. Primitive Feelings
08. City Of Gold


autor stipe07 às 15:39
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