Quarta-feira, 13 de Novembro de 2019

Pond – Sessions

Depois de terem começado a primavera deste ano do nosso hemisfério com Tasmania, os POND de Nick Allbrook, baixista dos Tame Impala, estão de regresso com Sessions, um apanhado de onze das canções mais emblemáticas do projeto australiano, interpretadas ao vivo em estúdio e produzidas por Kevin Parker.

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O objetivo primordial de Sessions é, de acordo com Jay Watson, multi-instrumentista dos POND, capturar a essência de um espetáculo ao vivo do grupo e, ao mesmo tempo, reproduzir um pouco da essência das famosas Peel Sessions, da autoria do famoso e saudoso DJ John Peel, da BBC, que promoveu algumas das melhores sessões ao vivo da história da indie contemporânea.

Com especial enfase no conteúdo de Tasmania, mas com temas como Don’t Look at the Sun (Or You’ll Go Blind), lançado originalmente no disco de estreia Psychedelic Mango (2009), Paint Me Silver, Burnt Out StarSweep Me Off My Feet retirados de The Weather (2017), ou Man It Feels Like Space Again, tema homónimo do disco do grupo de dois mil e quinze, a oferecerem ao alinhamento um cariz amplo, abrangente e bastante apelativo, porque Tasmania será, na minha opinião, o registo menos inspirado da carreira dos POND, Sessions é um álbum obrigatório para todos aqueles que da psicadelia, à dream pop, passando pelo shoegaze e o chamado space rock, se deliciam com a mistura destas vertentes e influências sonoras, sempre em busca do puro experimentalismo e com liberdade plena para ir além de qualquer condicionalismo editorial que possa influenciar o processo criativo de um projeto.

Os POND vivem num momento crucial da carreira, não só porque Tasmania mostrou que a banda parece cada vez menos disponível para abraçar aquele lado mais experimental e, consciente ou inconscientemente, um pouco amarrada ao sucesso comercial dos Tame Impala e a resvalar para um perfil mais direcionado para as tabelas de vendas do que o exercício pleno de uma salutar liberdade criativa. Que Sessions seja um ponto de partida para o regresso a um conceito de criação artística que privilegie guitarras alimentadas por um combustível eletrificado que inflame raios flamejantes que cortem a direito, feitas, geralmente, de acordes rápidos, distorções inebriantes e plenas de fuzz e acidez e acompanhadas por sintetizadores munidos de um infinito arsenal de efeitos e sons originários das mais diversas fontes instrumentais, reais ou fictícias. Não faltam exemplos desses neste alinhamento que terá na expressão rock cósmico talvez a forma mais feliz de se catalogar. Espero que aprecies a sugestão...

Pond - Sessions

01. Daisy
02. Paint Me Silver
03. Sweep Me Off My Feet
04. Don’t Look At The Sun (Or You’ll Go Blind)
05. Hand Mouth Dancer
06. Burnt Out Star
07. Tasmania
08. Fire In The Water
09. The Weather
10. Medicine Hat
11. Man It Feels Like Space Again


autor stipe07 às 15:44
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Terça-feira, 12 de Novembro de 2019

Fink – Bloom Innocent

Cinco anos depois do excelente álbum Hard Believer e três do credível e não menos exuberante sucessor, o registo Resurgam, o projeto Fink de Fin Greenall (voz, guitarra), um músico britânico com quase meio século de vida, natural de Bristol e que, deambulando entre Londres e Berlim, vai-se destacando não só como músico, mas também como compositor e produtor para outros projetos, está de volta com Bloom Innocent, oito canções que encarnam o alinhamento mais intimista, negro e intrincado do músico, mas que mesmo assim não deixam de continuar a catapultá-lo para o já habitual nível qualitativo de excelência das suas propostas, numa das carreiras mais menosprezadas do cenário indie contemporâneo.

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Gravado na intimidade do seu estúdio caseiro de Berlim, o local onde Fin se sente mais confortável e feliz a compôr e onde, de acordo com o próprio, consegue manter a sua sanidade mental, sempre em risco de resvalar devido à frustração inerente às agruras e à insatisfação de qualquer processo criativo, com destaque para o musical, Bloom Innocent contém as composições mais complexas da carreira de Fink, assentes em guitarras repletas de efeitos e timbres etéreos e uma complexidade melódica ímpar, que tanto apela à meditação e ao recolhimento, como à celebração de tudo aquilo que de bom podemos retirar das coisas mais simples da vida, o tema preferido da escrita deste compositor único.

Assim, num projeto que também tem como atributo maior a belíssima voz de Fin e o exemplar trabalho de produção de Flood, que já tinha colocado as mãos em Resurgam, canções como Bloom Innocent, o tema homónimo de abertura, feito de uma melodia que tem por base uma bateria, um insinuante piano e a voz de Fink impregnada de soul, às quais vão sendo adicionados vários detalhes e elementos, incluindo o som de um teclado e algumas cordas, ou o clima intrigante e vincadamente experimental e orgânico de We Watch The Stars, são perfeitos para nos transportar para um disco essencialmente acústico e com uma forte toada blues. Depois, na indisfarcável tonalidade chill de Once You Get A Taste, no modo preciso como cordas e tambor se revezam no controle em Out Loud, no modo inteligente como as vozes se sobrepôem à crescente trama instrumental, ampliando o travo dramático de That's How I See You Now e no piscar de olhos à música negra e ao r&b em I Just Want A Yes, contemplamos um disco com uma elevada componente cinematográfica e reflexia, uma materialização não tão exuberante como alguns antecessores, mas igualmente assertiva, de todos os atributos que Fink, um artista tremendamente dotado, guarda na sua bagagem sonora, assente numa filosofia estilística de forte cariz eclético.

Bloom Innocent está recheado de sons inteligentes e solidamente construídos, que nos emergem em ambientes carregados de ritmos e estruturas sonoras muitas vezes falsamente minimalistas e que têm como grande atributo poderem facilmente fazer-nos acreditar que a música pode ser realmente um veículo para o encontro do bem e da felicidade coletivas. Espero que aprecies a sugestão...

Fink - Bloom Innocent

01. Bloom Innocent
02. We Watch The Stars
03. Once You Get A Taste
04. Out Loud
05. That’s How I See You Now
06. I Just Want A Yes
07. Rocking Chair
08. My Love’s Already There


autor stipe07 às 20:39
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Sexta-feira, 8 de Novembro de 2019

Vancouver Sleep Clinic – Onwards To Zion

Foi numas férias em Bali que Tim Bettinson, o músico e compositor australiano de vinte e três anos que encabeça o projeto Vancouver Sleep Clinic, se inspirou e começou a idealizar o conteúdo de Onwards To Zion, o seu segundo registo de originais, onze maravilhosas canções que sucedem a Revival, o álbum de estreia que o autor lançou em dois mil e dezassete e que colocou logo este projeto debaixo de merecidos holofotes, não só da crítica dos antípodas, mas também de diversas outras latitudes do nosso globo.

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Onwards To Zion tem uma faceta dupla bastante interessante e que vale bem a pena tomar como ponto de partida para a análise do seu conteúdo; Se por um lado, para compôr as suas canções, o autor teve de reaprender a incubar e ressuscitar todo o talento que sempre demonstrou ter desde tenra idade para esta poda, já que o álbum encarna um marco de libertação do projeto Vancouver Sleep Clinic de uma espécie de purgatório editorial porque Tim esteve em acérrima luta judicial com a sua editora para poder criar livre de constrangimentos artísticos, por outro é um registo que tem como grande força motriz a perca de um amigo muito chegado do músico, sendo um exercício de catarse dessa inevitável dor.

Logo a abrir o alinhamento de Onwards To Zion, na pueril melodia sintetizada e na batida que se esprai em espuma e dor no falsete de Bad Dream, Tim plasma esta permissa, numa canção que se debruça sobre esse trauma e a necessidade de seguir em frente, sem receios, porque seria certamente esse o desejo de quem partiu. A luminosidade dessa composição e, pouco depois a riqueza emotiva e instrumental da lindíssima Shooting Stars, são músicas que entroncam no desejo do músico de materializar em Onwards To Zion um forte ensejo de oferecer algo de positivo ao mundo, mesmo que subsistam depois, no âmago do álbum, alguns instantes menos coloridos, mas não menos inspirados ou belos, como as cordas melancólicas de Summer 09, canção composta num dia de chuva intensa, a charmosa eletrónica ambiental de ZION, uma enumeração exaustiva de todos os sentimentos negativos que chicotearam Tim em tempos, ou a feliz interseção entre R&B e rock psicadélico plasmada em Into The Sun, um tema sobre como enfrentar com coragem os medos para que não se derrape para um poço sem fundo caso não se consiga exorcizá-los.

Registo repleto de guitarras sonhadoras abraçadas a sintetizadores cósmicos e sofisticados e camaleónicos arranjos da mais diversificada proveniência, com o jazz e a pop sessentistas à cabeça como inspirações óbvias, tudo embrulhado num profundo e inebriante pendor emotivo, Onwards To Zion oferece-nos a visão mágica de uma jornada de descoberta individual, feita por um músico que tem sentido na pele algumas das maiores agruras que a passagem da juventude para a vida adulta podem proporcionar, mas que parece não só passar incólume a essa travessia, como pronto para servir de exemplo e de aconchego a quem com ele se identificar e o solicitar. Espero que aprecies a sugestão...

Vancouver Sleep Clinic - Onwards To Zion

01. Bad Dream
02. Lovina Beach (Sunrise)
03. Summer ’09
04. Into The Sun
05. Shooting Stars
06. Fever
07. Villa Luna (Midnight)
08. Ghost Town
09. ZION
10. Yosemite
11. Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love


autor stipe07 às 18:19
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Quinta-feira, 7 de Novembro de 2019

Mikal Cronin – Seeker

Mikal Cronin, um músico norte-americano natural de Laguna Beach, na Califórnia, está de regresso aos discos com Seeker, dez canções com a chancela da Merge Records e que rematam um ano bastante profícuo do autor, que já tem no seu historial os registos Mikal Cronin (2011), MCII (2013) e MCIII (2015), além de colaborações importantes com outros músicos, como Ty Segall ou Kim Gordon e que tinha dado o pontapé de saída em dois mil e dezanove com a edição em vinil de sete polegadas de dois temas, Undertow e Breathe, através da iniciativa  de caridade FAMOUS CLASS RECORDS / LAMC 7" SERIES.

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Gravado ao vivo nos estúdios Palmetto, em Los Angeles, com a banda que costuma acompanhar Ty Segall e com o produtor Jason Quever, Seeker quebra uma sequência de títulos homónimos e um hiato de quase meia década desta referência ímpar do indie rock do outro lado do atlântico e que nos tem feito viajar no tempo, disco após disco, à boleia de uma feliz simbiose entre garage rock pós punk.

Para escrever Seeker, Cronin passou um mês numa cabana nas montanhas do sul da Califórnia, com o seu gato como única companhia, um retiro bucólico perfeito, de acordo com o próprio músico, e que acabou por ser essencial para um forte cariz biográfico do disco. O resultado final é, pois, um excitante documento de mudança e de reinvenção, um tomo de canções estilisticamente rico e diversificado, com Seeker a plasmar a necessidade de Cronin se reinventar, erguer e seguir em frente depois de um período atribulado, quer a nível pessoal quer a nível profissional, decorrente de relações falhadas, digressões termendamente cansativas e os típicos dilemas existências da fase inicial da vida adulta.

Logo no clima psicadélico algo pomposo de Shelter percebe-se uma ânsia de amplitude e de epicidade, um pouco amainada em Show Me, um devaneio de (falsa) acusticidade folk rock onde não faltam ligeiras distorções. Mas logo depois, com os curiosos arranjos de cordas e a soul melancólica de Feel It All, a intensidade indie lo fi da guitarra que sustenta Fire, o forte odor nativo do piano e da harmónica de Guardian Well e a vibe mais experimental do fuzz que se insinua em I've Got Reason, ficamos esclarecidos acerca do vasto calcorrear de estilos, tendências e exposições que fazem de Seeker um registo com elevada bitola qualitativa, não só porque sobrevive à custa do modo astuto como o autor continua a abanar-nos com riffs agressivos e esplendorosos, sem descurar um lado mais snesível e ameno, muitas vezes na mesma composição e, passando pelo punk, o rock psicadélico, o surf rock e o rock lo fi típico da década de noventa, a plasma um inédito sentido de urgência, fruto certamente da tal ânsia de virar de página e seguir em frente com altivez e com uma centelha de sucesso bem acesa. Espero que aprecies a sugestão...

Mikal Cronin - Seeker

01. Shelter
02. Show Me
03. Feel It All
04. Fire
05. Sold
06. I’ve Got Reason
07. Caravan
08. Guardian Well
09. Lost A Year
10. On The Shelf


autor stipe07 às 21:32
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Terça-feira, 5 de Novembro de 2019

Cigarettes After Sex – Cry

Já chegou aos escaparates Cry, o novo registo de originais dos norte americanos Cigarettes After Sex, um projeto oriundo de El Paso, no Texas e liderado por Greg Gonzalez, ao qual se juntam Jacob Tomsky, Phillip Tubbs e Randy Miller. Este novo alinhamento de uma das maiores coqueluches da indie pop de cariz mais ambiental, tem a chancela da Partizan Records e sucede ao muito aclamado registo homónimo de estreia que este grupo lançou há pouco mais de dois anos.

Cigarettes After Sex release new track ‘Falling In Love’

Gravado em sessões noturnas numa mansão na ilha de Maiorca e, de acordo com o grupo, uma meditação cinematográfica sobre as muitas facetas complexas do amor – encontro, desejo, necessidade, perda… ou tudo uma vez só, Cry  contém impressa a marca indistinta de uma banda que se baptizou com felicidade, já que compôe com todos os sentidos apontados à alcova, criando temas que tanto servem para o jogo de sedução, como para (traduzindo à letra) aquele cigarro que muitos gostam de queimar depois do coito.

O desejo e o prazer sexual são então, naturalmente, marcas indistintas desta banda e registadas sem grandes pudores neste Cry, em canções cujo travo minimal é uma enganadora aparência, porque são, globalmente, ricas em detalhes e nuances que vale bem a pena destrinçar. Sintetizadores enevoados, cruzados com cordas de forte pendor metálico e vibrante e arranjos soturnos que contrastam com o ambiente soalheiro da ilha onde Cry foi gravado, são a pedra de toque de um registo com têmpera, que apela aos mais carnais sentidos e cavalga até ao hipotálamo do ouvinte sem receio da rejeição, até porque as palavras não são o que mais conta à primeira impressão, mas antes a aparência, neste caso sonora, de um disco que vale, acima de tudo, pela capacidade melódica que tem de nos hipnotizar e enlear.

Portanto, canções como a romântica Don't Let Me Go, um daqueles típicos temas que pode servir de banda sonora àquela primeira aproximação ao alvo, a lasciva Kiss It Off Me, a intrigante Heavenly, uma composição que serve-se de um imponente baixo, do reverb ecoante de uma guitarra e do ritmo hipnótico da bateria ou a sensitiva Touch, além de colocarem em prática uma alternância contínua e quase impercetível entre diferentes estilos, eminentemente noventistas e com uma dose de experimentalismo bastante vincada e repleta de soul, levam, sem apelo nem agravo, a nossa mente e o nosso corpo rumo a universo abstrato e meditativo, mas também profundamente sensorial e com um impacto verdadeiramente colossal e marcante. Espero que aprecies a sugestão...

Cigarettes After Sex - Cry

01. Don’t Let Me Go
02. Kiss It Off Me
03. Heavenly
04. You’re The Only Good Thing In My Life
05. Touch
06. Hentai
07. Cry
08. Falling In Love
09. Pure


autor stipe07 às 18:36
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Segunda-feira, 4 de Novembro de 2019

Coldplay – Everyday Life

Coldplay - Everyday Life

Quatro anos depois de A Head Full Of Dreams, os britânicos Coldplay estão finalmente de regresso, e já a vinte de dois de novembro, com Everyday Life, um disco duplo que contém um total de dezasseis composições, um alinhamento que já é conhecido e cuja primeira metade tem como título Sunrise, ao passo que a segunda se chama SunsetEveryday Life irá ver a luz do dia através da Parlohone, a etiqueta de sempre da banda formada por Chris Martin, Guy Berryman, Will Champion e Jonny Buckland.

Disco antecipado desde há algumas semanas através da publicação de diversas mensagens enigmáticas na página oficial da banda, cartas escritas aos fãs e da divulgação de diversos cartazes em várias cidades do mundo, com fotos vintage dos membros dos Coldplay a tocarem numa orquestra dos anos vinte do século passado, juntamente com o filósofo alemão Friedrich Nietzsche, Everyday Life começou por se entreabrir a semana passadacom a divulgação dos singles Arabesque e Orphans, um tema de cada uma das duas metades do registo.

Agora, alguns dias depois dessa dose dupla, chegou a vez de conhecermos o tema homónimo do disco e que encerra Sunset, uma composição instrumentalmente bastante cinematográfica e que tem no piano a ferramenta maior de uma melodia com uma sensibilidade muito própria, como é apanágio das propostas mais recentes da banda de Chris Martin. Everyday Life foi estreada na última edição do programa norte americano Saturday Night Live, uma atuação que com a participação especial da atriz Kristen Stewart. Confere Everyday Life... 


autor stipe07 às 16:04
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Domingo, 3 de Novembro de 2019

CocoRosie – Smash My Head

Será a seis de março do próximo ano que irá ver a luz do dia o novo registo de originais das francesas CocoRosie, que têm andado ocupadas com colaborações, nomeadamente com Chance the Rapper no registo Roo e ANOHNI no seu trabalho Smoke ´em Out, além de terem editado o single Lamb And The Wolf no passado mês de agosto. Esse novo álbum das irmãos Casady chama-se Put The Shine, sucede ao já longínquo Heartache City de dois mil e quinze e terá o selo da Marathon Artists.

Cocorosie-Put-The-Shine-On

Smash My Head é o primeiro tema divulgado do alinhamento de Put The Shine, uma composição que mantém intocável o habitual clima intrigante e até algo tenebroso das CocoRosie, numa composição que traz à tona o típico ambiente daquela pop gótica que marcou a última década do século passado. Juntamente com o single, foi divulgado um vídeo de forte cariz teatral dirigido por Bianca Casady, uma das duas irmãs. Confere...


autor stipe07 às 16:59
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Sábado, 2 de Novembro de 2019

Deerhunter – Timebends

Parece que ainda foi ontem, mas já foi em janeiro que os Deerhunter de Bradford Cox, Lockett Pundt, Moses Archuleta e Josh McKay, nos ofereceram o seu tão aguardado oitavo registo de originais, um fabuloso álbum intitulado Why Hasn’t Everything Disappeared?, gravado em Marfa, no Texas, mítica localidade norte-americana que serviu de cenário a Giant (1956), o último filme protagonizado por James Dean. Agora, a poucos dias de Bradford Cox editar um EP intitulado Myths 004, a meias com o músico e produtor galês e seu amigo Cate Le Bon, que produziu Why Hasn’t Everything Disappeared?, os Deerhunter divulgam um novo inédito, um verdadeiro épico intitulado Timebends, gravado em Nova Iorque na passada noite de doze de setembro.

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Em pouco mais de treze minutos, Timebends possibilita ao ouvinte contemplar uma peça sonora de eminentemente experimental, um tratado de pop rock setentista de forte cariz psicadélico, que vai progredindo até um final catárquico e portentoso, uma composição sustentada num piano cru e enevoado e numa guitarra repleta de fuzz, além de um trabalho percurssivo brilhante, nuances que poderão indicar novas coordenadas sonoras por parte dos Deerhunter em futuros registos, que poderão ter na expressão rock cósmico talvez a forma mais feliz de se catalogarem. Confere...

Deerhunter - Timebends


autor stipe07 às 15:26
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Quinta-feira, 31 de Outubro de 2019

Pete Yorn – Caretakers

Nascido em Nova Jersey há já quatro décadas e meia, Pete Yorn é um dos nomes mais interessantes do cenário indie norte-americano, um músico, cantor e compositor, que se notabilizou há cerca de dez anos quando gravou o disco Break Up, em parceria com a atriz e cantora Scarlett Johansson. Caretakers é o seu novo compêndio de originais, o oitavo registo do seu cardápio sonoro, um trabalho em que Yorn demonstra com elevada bitola qualitativa a sua elevadíssima capacidade interpretativa junto das cordas, nomeadamente a viola e a guitarra, os seus instrumentos de eleição.

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Tendo-se estreado no início deste milénio com o álbum musicforthemorningafter e já beneficiado de colaborações de nomes como Peter Buck ou os Guided By Voices, além da já referida Scarlett, nos oito discos que editou, Pete Yorn tem consolidado uma carreira bastante interessante dentro de um espetro sonoro que privilegia uma interseção cuidada entre alguns dos tiques essenciais do típico rock alternativo norte-americano e o chamado alt-country, que conserva, na sua essência, alguns dos mais belos fundamentos daquele som tipicamente americano que todos identificamos facilmente. Chapéus de cowboy e camisas aos quadrados por cima de t-shirts desbotoadas podem muito bem ser o dress code das canções de Yorn, caso elas se quisessem vestir com aquela que é a sua essência e travo.

De facto, em pouco mais de meia hora, Caretakers transporta-nos com nitidez para uma América repleta de dilemas, mas também profundamente humana, emocional e, de algum modo, simples. Canções do calibre de Calm Down, um exuberante exercício de manipulação de cordas luminosas com arranjos de forte cariz vintage, Can't Stop You, um mais intimista e afetuoso instante de melancolia e introspeção à boleia de uma guitarra eletrificada repleta de charme ou ECT, um portento de intimidade que convida ao sorriso fácil e à reflexão espontânea, são momentos maiores de um trabalho onde simplicidade e sofisticação se confundem e se sentem porque as canções deste disco falam do nosso interior com clareza e ressucitam o que de melhor a mente humana pode sentir, sendo a sua audição uma experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia. Espero que aprecies a sugestão...

Pete Yorn - Caretakers

01. Calm Down
02. I Wanna Be the One
03. Can’t Stop You
04. Idols (We Don’t Ever Have To Say Goodbye)
05. Do You Want To Love Again?
06. Caretakers
07. Friends
08. ECT
09. POV
10. Opal
11. A Fire In The Sun
12. Try


autor stipe07 às 15:09
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Quarta-feira, 30 de Outubro de 2019

Tiago Vilhena - Portugal 2018

O músico e compositor Tiago Vilhena, que já foi George Marvison noutro projeto e membro dos Savana, acaba de se estrear nos lançamentos discográficos com Portugal 2018, um trabalho que tem a chancela da Pontiaq e cantado quase na sua totalidade em português. Portugal 2018 contém dez composições filosóficas e relaxadas, introspetivas e reveladoras, sendo um registo com um forte cunho ativista, mas tambémum álbum fantástico porque retrata profetas, dilemas da morte e da vida, poções e milagres. É um registo em que o autor olha de modo particularmente crítico para este mundo e, de modo muito particular, para o nosso jardim à beira mar plantado, questionando a existência, incorporando e relatando experiências de animais, criticando a inoportunidade, elogiando a vida, a viagem e a simplicidade.

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Ode à diversidade e ao bom gosto, Portugal 2018 contém um soberbo manancial de composições buriladas com inquestionável requinte e bom gosto, rematadas por uma limpidez e uma sapiência indesmentíveis, quer ao nível da produção quer da mistura. Se ao ouvires Portugal 2018 percebes que o buliçoso piano de Quem me trouxe ao mundo te faz sorrir de orelha a orelha sem notares, se o dedilhar intensamente impressivo das cordas que recriam um instante a dois de intenso frenesim sensual em Cabaço vai morrer é um filme que fazes no teu âmago sem esforço, se as ondas que sentes a se eriçarem na tua pele durante a audição de O mar têm um travo a sal e a ostras delicioso ou as sintetizações pueris que sustentam Fujo para sempre te iludem com uma espécie de despreocupação inócua, que resulta, na verdade, de um processo de experimentação tremandamente criterioso e bem sucedido, ou se D'esta vida te coloca dentro de uma espécie de caixinha de sons minúscula, que tem como cenário um delicioso pôr do sol em plena Primavera então estás, na minha humilde opinião, claramente sintonizado com a essência de um disco com uma beleza melódica, lírica e instrumental incomum, que instiga, hipnotiza e emociona, um registo capaz de fazer parar o relógio ao mais empedernido coração e colocá-lo no rumo certo, tal é o rol de emoções que transmite e a intensidade das mesmas. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:14
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Terça-feira, 29 de Outubro de 2019

Tame Impala – It Might Be Time

Tame Impala - It Might Be Time

Quase cinco anos após Currents e a testar os limites da nossa paciência devido a tão prolongado hiato, eis que os australianos Tame Impala de Kevin Parker voltam, finalmente, a dar sinais de vida com It Might Be Time, tema que fará parte de The Slow Rush, o novo registo de originais do projeto, um alinhamento com doze músicas gravadas, produzidas e misturadas pelo próprio Parker entre Los Angeles e o estúdio do artista em Fremantle, na Austrália, onde reside. The Slow Rush tem data de lançamento prevista para catorze de fevereiro do próximo ano, à boleia da Modular Records, a habitual etiqueta do grupo.

It Might Be Time é já o terceiro tema divulgado de The Slow Rush. Os leitores mais atentos de Man On The Moon certamente recordam-se que este ano a nossa redação já divulgou as composições Patience e Borderline. No entanto esta é a primeira canção a confirmar alguns dos detalhes fundamentais daquele que será o quarto alinhamento dos Tame Impala e certamente um dos marcos discográficos de dois mil e vinte.

Quanto ao seu conteúdo, It Might Be Time oferece-nos quatro minutos e meio de um pop rock de forte matriz psicadélica e com uma atmosfera sonora bastante aprazível, num resultado final algo melancólico e espiritual e onde, como é norma no projeto, é dado um enorme ênfase na nostalgia e no modo como apresenta com uma contemporaneidade invulgar alguns sons do passado, importantes pedras de toque da filosofia sonora dos Tame Impala.Confere...


autor stipe07 às 13:33
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Segunda-feira, 28 de Outubro de 2019

The Growlers – Natural Affair

Os The Growlers são uma banda norte americana de Costa Mesa, na Califórnia, formada por Brooks Nielsen (voz), Matt Taylor (guitarra), Scott Montoya (bateria), Anthony Braun Perry (baixo) e Kyle Straka (teclas e guitarra) e que descobri já em 2012 por causa de Hung At Heart, o terceiro álbum da discografia do grupo, um disco gravado em Nashville, editado em novembro desse ano através da Everloving Records e que foi produzido por Dan Auerbach dos The Black Keys. Um ano após esse registo, disponibilizaram Guilded Pleasures e em dois mil e catorze, com uma cadência quase anual, os The Growlers regressaram às edições com Chinese Fountain, um trabalho que cimentou definitivamente o adn de um projeto que aposta numa sonoridade fortemente influenciada pela psicadelia dos anos sessenta.

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Após Chinese Fountain os The Growlers entraram num período de relativo pousio e criaram a sua própria etiqueta, a Beach Goth Records and Tapes. Casual Acquaintances, disco editado o ano passado, foi o primeiro sinal de vida do grupo nesta nova fase da carreira, um levantamento de algumas demos, lados b e temas inacabados que a banda foi juntando ao longo das sessões de gravação dos discos anteriores e que acabam de ver finalmente sucessor, um trabalho intitulado Natural Affair e que merece ser descoberto com alguma minúcia já que contém canções com elevada bitola qualitativa.

Frequentemente catalogados com uma banda de surf rock, a sonoridade do projeto vai muito além dessa simples catalogação e Natural Affair é mais uma demonstração cabal dessa permissa. Se no tema homónimo do registo é a pop radiante e efusiva que dita leis, logo a seguir, em Long Hot Night (Halfway To Certain) e em Shadow Woman a toada é um pouco mais à blues, com Pulp Of Youth e Foghorn Town a olharem com astúcia para climas algo etéreos e psicadélicos e Social Man a ter um travo tropical que se saúda, até porque se espraia com enorme deleite pelos nossos ouvidos. A partir daí, no chill lo fi de Truly ou no modo astuto como a banda exercita alguns dos cânones fundamentais do rock psicadélico setentista em Tune Out, percebe-se claramente o charme e a personalidade ímpar de um disco cuja aparente simplicidade e descomprometimento não será obra do acaso, mas a obediência clara a um desejo de criação de uma imagem própria, inerente ao conceito de rebeldia, mas sem descurar um apreço pela qualidade comercial e pela apresentação de um alinhamento de canções que agrade às massas.

Os The Growlers têm toda a aparência de conviverem pacificamente com a herança do rock das últimas quatro ou cinco décadas, mas escapam do eventual efeito preverso da mesma e fazem-no com mestria, até porque há uma elevada sensação de espontaneidade num álbum que deve estar no radar de todos aqueles que se interessam por este espetro sonoro. Espero que aprecies a sugestão...

The Growlers - Natural Affair

01. Natural Affair
02. Long Hot Night (Halfway To Certain)
03. Pulp Of Youth
04. Social Man
05. Foghorn Town
06. Shadow Woman
07. Truly
08. Tune Out
09. Coinstar
10. Stupid Things
11. Try Hard Fool
12. Die And Live Forever


autor stipe07 às 21:50
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Sexta-feira, 25 de Outubro de 2019

Coldplay – Arabesque vs Orphans

Quatro anos depois de A Head Full Of Dreams, os britânicos Coldplay estão finalmente de regresso, e já a vinte de dois de novembro, com Everyday Life, um disco duplo que contém um total de dezasseis composições, um alinhamento que já é conhecido e cuja primeira metade tem como título Sunrise, ao passo que a segunda se chama Sunset. Everyday Life irá ver a luz do dia através da Parlohone, a etiqueta de sempre da banda formada por Chris Martin, Guy Berryman, Will Champion e Jonny Buckland.

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Disco antecipado desde há algumas semanas através da publicação de diversas mensagens enigmáticas na página oficial da banda, cartas escritas aos fãs e da divulgação de diversos cartazes em várias cidades do mundo, com fotos vintage dos membros dos Coldplay a tocarem numa orquestra dos anos vinte do século passado, juntamente com o filósofo alemão Friedrich Nietzsche, Everyday Life acaba de se entreabrir com a divulgação dos singles Arabesque e Orphans, um tema de cada uma das duas metades do registo.

Se Arabesque, sétima canção de Sunrise, com trechos cantados em francês e que conta com as participações especiais de Stromae (voz) e de Femi Kuti (sopros), está repleta de detalhes eletreónicos, mas também conta com um excelente trabalho percurssivo, já Orphans, segunda composição de Sunset, oferece-nos aquela faceta eminentemente pop que marcou os últimos trabalhos dos Coldplay, um tema luminoso e festivo, mas também melodicamente amplo e épico e que celebra o otimismo e a alegria. Confere Arabesque e Orphans e a tracklist de Everyday Life... 

Coldplay - Arabesque - Orphans

01. Arabesque
02. Orphans

Disc 1: Sunrise
01 “Sunrise”
02 “Church”
03 “Trouble in Town”
04 “BrokEn”
05 “Daddy”
06 “WOTW / POTP”
07 “Arabesque”
08 “When I Need a Friend”

Disc 2: Sunset
01 “Guns”
02 “Orphans”
03 “Èkó”
04 “Cry Cry Cry”
05 “Old Friends”
06 “بني آدم” (“Bani Adam,” Arabic for “Children Of Adam”)
07 “Champion Of The World”
08 “Everyday Life”


autor stipe07 às 11:06
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Quinta-feira, 24 de Outubro de 2019

Mando Diao - Bang

Já chegou aos escaparates Bang, o novo registo de originais dos suecos Mando Diao, uma banda de rock alternativo formada em dois mil e um, com origem em Borlänge e comandada atualmente por Björn Dixgård, Mats Björke e Carl-Johan Fogelklou. Bang é o nono tomo da carreira dos Mando Diao, sucedendo ao excelente trabalho Good Times, editado na primavera de dois mil e dezassete.

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A primeira impressão que fica da audição de Bang, ainda mais intensa para quem conhece com algum detalhe a discografia do projeto, é uma clara sensação de imediatismo e crueza do seu alinhamento. Em Bang, e um pouco à imagem do que já sucedeu com o antecessor Good Times, os Mando Diao resolveram simplificar o seu receituário estilístico e o seu modus operandi, que tinha-se tornado algo difuso e enigmático em Aelita (2014) e, principalmente, em Infruset (2012), criando agora canções que não deixam de conter um indispensável cardápio de nuances e detalhes, quer no modo como as cordas se apresentam ou como as sintetizações conduzem ou adornam as composições, mas que são, no cômputo geral, composições de elevado airplay e intensidade.

Long Long Way um dos singles divulgados de Bang, é um bom exemplo de toda esta trama que conjura Bang. É uma composição bastante otimista e que impressiona pela exuberância das cordas e dos arranjos que as adornam, sendo, claramente, um tema que faz com nitidez a súmula de um trabalho um pouco diferente da suposta escalada sonora e vertiginosa ao universo indie rock mais pop e até progressivo, que marcou a primeira metade desta década da carreira dos Mando Diao, para voltar a colocar as fichas numa estética também plena de adrenalina, mas com uma forte filosofia garageira, talvez o território onde este quarteto sueco se tem sentido mais confortável ao longo da carreira.

Bang é, portanto, não só um exercício de continuidade de superior calibre relativamente ao antecessor, sem deixar também de ser, no fundo, um registo um pouco diferente do que estamos habituados ultimamente nos Mando Diao, já que nesse Good Times era mais tímida a vontade de optar por uma direção diferente. De facto, o travo funk de Bang Your Head, o virtuosismo vocal e a delicadeza acústica que nunca se deixa esconder inteiramente na crescente My Woman, a luminosidade punk de One Last Fire ou a deliciosa soul empoeirada que conduz a stoniana He Can't Control You, são momentos maiores de um registo que recoloca os Mando Diao no trilho ideal e os faz terem mais um notável punhado de canções que irão certamente incendiar plateias em concertos futuros de uma banda que se tem valorizado pela originalidade simultaneamente vintage e contemporânea das suas obras, discos que sustentam uma identidade firme e coesa de uma banda que merece, claramente, e agora mais do que nunca, uma superior projeção. Confere...

Mando Diao - BANG

01. One Last Fire
02. He Can’t Control You
03. Long Long Way
04. Don’t Tell Me
05. I Was Blind
06. Bang Your Head
07. Get Free
08. My Woman
09. Scream For You
10. Society


autor stipe07 às 18:07
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Quarta-feira, 23 de Outubro de 2019

Born-Folk - Fall-Inn

Têm apenas alguns meses de vida os Born-Folk, um projeto oriundo de Lisboa constituido por músicos com influências oriundas de épocas distintas, mas que assume uma dimensão criativa pop, livre e eclética. O grupo quer chegar ao âmago do coração, de modo assumidamente casual e algo romântico, tendo já na forja um EP intitulado Come Inside! e do qual começou por ser retirado o tema Heat And Rum, no ocaso do último verão. Agora, em pleno estio outunal, chega a vez da composição Fall-Inn, tema que encerra o alinhamento do EP e também já com direito a um vídeo realizado por Luis Vieira, um possível retrato de um peculiar “rendez vous” outonal falhado com uma “patinadora artística” que vai pirateando corações com o seu sorriso alemão.

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Se Heat And Rum era uma típica canção de verão, com uma indesmentível e peculiar vibe surf rock sessentista, carregada de surf tremolo na guitarra e voz delicada e com uma letra em que estava patente toda a simbologia ligada à temática do surf, calor, ondas e raparigas a exibirem-se e toda a parte, Fall-Inn, conduzida por um eletrificação de cordas agreste e abrasiva, mas tremendamente charmosa e com um travo punk delicioso, tem um clima mais outunal. De acordo com os Born-Folk, no hotel FALL-INN (uma espécie de open space hostel) somos saqueados por uma coelhinha pirata que embala os hóspedes com o seu olho empalado. A enigmática mensagem em “alemão da região da baixa googlândia” é o hall de entrada. Segue-se uma imperial overdrive interminável até à infusão fatal, um cházinho relaxante e inebriante carregado de wah wah “delayano” que nos levará até ao grand finale, onde a queda é uma aposta segura. Willkommen!!! Confere...


autor stipe07 às 18:53
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Terça-feira, 22 de Outubro de 2019

Foals - Everything Not Saved Will Be Lost Part 2

Quase quatro anos depois de What Went Down, os Foals de Yannis Philippakis prepararam dose dupla para dois mil e dezanove, tendo começado com o lançamento, no passado mês de maio, de Everything Not Saved Will Be Lost Part 1, ao qual sucedeu, já neste mês de outubro, Everything Not Saved Will Be Lost Part 2, dois trabalhos com a chancela do consórcio Transgressive / Warner Bros. Sexto registo da carreira do projeto britânico e, tal como o antecessor, com artwork do artista equatoriano Vicente Muñoz, que pretende simbolizar muito do conteúdo lírico dos álbuns através de um cruzamento criativo entre a natureza e uma construção humana e produzido pela própria banda e por Brett Shaw, Everything Not Saved Will Be Lost Part 2 é o segundo registo do projeto sem a presença do baixista Walter Gervers que o ano passado abandonou amigavelmente os Foals.

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Everything Not Saved Will Be Lost Part 1 foi um disco muito focado no modo como o homem tem pressionado o ambiente e a natureza, colocando o futuro do nosso planeta em risco, mas também olhanva para assuntos importantes da realidade britânica como o brexit, a imigração e o fosso cada vez maior entre ricos e pobres. Everything Not Saved Will Be Lost Part 2 mantém-se, filosoficamente, nessa demanda de análise analítica da contemporaneidade conturbada em que a sociedade ocidental vive, fazendo-o de um modo ainda mais dramático e intenso que o antecessor. Os pouco mais de dez minutos de Neptune, no ocaso do registo, acabam por sublimar toda esta trama que os Foals nos facultaram este ano em dose dupla, fazendo-o com irrepreensível lucidez, mas também notável sentimentalismo.

De facto, se logo no clima cinematográfico impressivo da introdutória Red Desert é-nos apresentado um certo travo de angústia e dúvida, em composições do calibre de Black Bull, uma canção impulsiva e eloquente, assente em guitarras conduzidas por uma epicidade frenética, crua e impulsiva, que tem ainda o bónus de contar com um elevado protagonismo do baixo na arquitetura melódica que a sustenta, mas também em The Runner e Into The Surf, dois temas que têm essa toada hard, seca e vibrante, fica assente a tónica numa clara angústia e aversão dos Foals, relativamente ao modo como vêm hoje o poder e quem toma conta das suas rédeas. Nelas, as guitarras experimentais que sustentaram com enorme sucesso Antidotes o registo de estreia da banda e a atmosfera pop rock oitocentista bastante vincada de canções como a marcial Like Lightning, a empolgante Dreaming Of e a cinematográfica e a intrigante10,000 Feet, têm esse cunho realístico que confere às composições de Everything Not Saved Will Be Lost Part 2 poder e capacidade para se tornarem em bandas sonoras perfeitas das mais diversas manifestações de contra poder que temos assistido um pouco por todo o mundo nas últimas semanas e que, da questão das alterações climáticas ao sufoco do capitalismo, passando pela intolerância religiosa e pelo direito à auto determinação,  deixam este mundo mais irrequieto e vulnerável do que o aquilo que seria de supor. Só o tempo dirá se esta é, no cômputo geral, uma irrequietude saudável.

Registos pensados ao milímetro, carregados de nuances, quebras, detalhes, instantes de euforia, mas também de contemplação, Everything Not Saved Will Be Lost, Part 1 e Part 2 consolidam a verdadeira essência de um projeto que, por muitas voltas que procure dar ao seu catálogo, tem no seu adn as guitarras como elemento aglutinador e identitário primário, assim como o tal tribalismo percussivo, mas que também utiliza alguma sintetização para fugir ao óbvio de forma madura e cativante, sem nunca deixar de tentar estabelecer, com sentimentalismo penetrante e profundo, uma conexão assertiva entre as pistas de dança do passado e do presente. Espero que aprecies a sugestão...

Foals - Everything Not Saved Will Be Lost, Part 2

01. Red Desert
02. The Runner
03. Wash Off
04. Black Bull
05. Like Lightning
06. Dreaming Of
07. Ikaria
08. 10,000 Feet
09. Into The Surf
10. Neptune


autor stipe07 às 21:55
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Segunda-feira, 21 de Outubro de 2019

Perfume Genius – Pop Song

Perfume Genius - Pop Song

Cerca de dois anos e meio depois do excelente No Shape, Mike Hadreas, aka Perfume Genius, está de regresso com novidades que poderão muito bem antecipar o lançamento em breve do quinto álbum da carreira de um dos nomes mais excitantes do cenário musical alternativo. Importa, no entanto, ressalvar que Hadreas não este parado durante este par de anos, já que criou os temas Eighth GradeBooksmart e13 Reasons Why, para a banda sonora do filme The Goldfinch, além de ter andado em digressão a promover No Shape e de ter ainda autorizado algumas remisturas e participado em colaborações.

Entretanto também já era do conhecimento público que Perfume Genius andava a colaborar com a coreógrafa Kate Wallich e com a companhia de dança The YC, num bailado contemporâneo e numa performance ao vivo. O nome dessa inusitada obra éThe Sun Still Burns Here e começam a ser revelados cada vez mais detalhes do produto final e da performance, estando o seu conteúdo cada vez menos confinado aos estúdios de dança onde têm decorrido os ensaios e as gravações.

Eye In The Wall foi o primeiro grande detalhe já revelado desse trabalho colaborativo, uma composição sonora assinada por Perfume Genius e que nos oferece uma espécie de sinistro western percurssivo, com uma impactante atmosfera lo-fi, mas também com aquela dose de delicadeza e emotividade que carateriza, através de um aparato tecnológico amplo, os principais caminhos de expressão musical da sua discografia. Agora, algumas semanas depois, acaba de ser revelada mais uma composição dessa performance colaborativa e com a assinatura de Hadreas. A canção intitula-se Pop Song e permite-nos contemplar um curioso exercício de simbiose entre elementos sintéticos particularmente rugosos, com um edifício percussivo repleto de groove, tudo temperado com o habitual falsete de Hadreas, sempre emotivo e realisticamente magnético. Confere...


autor stipe07 às 21:12
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Quinta-feira, 17 de Outubro de 2019

Vetiver – Wanted, Never Asked

Vetiver - Wanted, Never Asked

Andy Cabic, a mente profunda e inspirada que em São Francisco, na solarenga Califórnia, alimenta e dá vida ao projeto Vetiver, está de regresso aos discos, com um trabalho intitulado Up On High, que chegará aos escaparates a um de novembro próximo, através das etiquetas Mama Bird Recording Co. (US/World) e Loose Music (UK/EU).

Em jeito de antecipação do registo, já são conhecidos alguns temas do seu alinhamento, sendo o mais recente Wanted, Never Asked, uma aconchegante composição, que contém na sua essência a melhor herança da mais genuína folk norte-americana, uma canção com um travo de pureza e simplicidade únicos, amena, íntima e cuidadosamente produzida, mas também arrojada no modo como, através da suavidade das cordas e do groove da bateria exala uma enorme elegância e sofisticação. Confere...


autor stipe07 às 13:10
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Quarta-feira, 16 de Outubro de 2019

Men On The Couch - Senso Comum

Já chegou aos escaparates Senso Comum, o primeiro álbum gravado em estúdio dos madeirenses Men On The Couch, de Guilherme Gomes, João Rodrigues, Tiago Rodrigues e Francisco Sousa, um alinhamento de onze canções captado nos míticos BlackSheep Studios em Sintra. Após vários anos a tocarem juntos, a banda madeirense decidiu finalmente pegar nas músicas que foi acumulando e aventurar-se na criação do disco de estreia, um álbum que, de acordo com o grupo, carrega todas as felicidades, desilusões, pensamentos e teorias que uns miúdos na casa dos vinte anos possam ter.

Resultado de imagem para Men On The Couch Senso Comum

Esta banda, que começou por cantar em inglês mas rapidamente optou pela língua mãe, oferece-nos, em Senso Comum, algumas músicas mais calmas e outras para abanar a anca, tendo, no processo de composição, olhado com uma certa gula para o pop rock contemporâneo, mas também, numa curiosa mescla, para alguma da melhor música popular brasileira. O resultado final são, de acordo com os próprios Men On The Couch, quarenta e três minutos de temas originais e refrescantes, que abordam vários temas do domínio comum da nossa sociedade, com letras leves e fáceis de digerir onde o ouvinte tem espaço para rir, chorar, dançar, gritar e refletir ao som das guitarras melódicas características da banda.

De facto, canções do calibre de Se eu morresse amanhã, uma composição que faz uma abordagem leviana e recheada de ironia a algo que assalta, pelo menos uma vez na vida, o pensamento de todos: O que é que acontecia se morrêssemos amanhã? Ficava tudo igual? Iam chorar por nós? Faziam uma grande festa? Era bolo de quê?, mas também Areia, uma história de amor passada numa ilha semelhante ao paraíso, intensificada pelos beijos salgados, mergulhos no mar e cervejas na areia, possibilitam-nos, desde logo, elevadas doses de sensibilidade e otimismo que nem sempre é fácil de decortinar nas propostas sonoras recentes deste jardim à beira mar plantado.

Mas Senso Comum não impressiona só pelas portas que os singles do disco nos escancaram; aliás, quem queira descobrir a fundo a filosofia estilística destes Men On The Couch não se pode cingir à audição de apenas estes dois temas de Senso ComumEnredos, um tema que impressiona pela forte luz que irradia e pelo travo festivo que uma declaração sentida de amor nem sempre tem, Clickbait, um orgasmo percussivo que nos oferece com notável nostalgia, memórias de alguma da melhor pop de há três décadas atrás que já era feita por cá, Na Lua, um portento de experimentalismo rock que impressiona pelo modo como um efeito ciranda melodia acima e abaixo sem nunca se insinuar demasiado, a soul contemplativa, mimnimal mas intensa de It's Okay e 760, composição que faz uma simbiose cuidada entre o jazz e a folk pop melancólica mais negra e extrovertida, são momentos também maiores de um alinhamento em que quem vence é, na soma de todas as partes, aquele rock clássico e intemporal, um resultado obtido através de um curioso nonsense e de uma vibe soalheira que tem uma contemporaneidade ímpar e um charme incomum. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:19
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Terça-feira, 15 de Outubro de 2019

Panda Bear – Playing The Long Game

Panda Bear - Playing The Long Game

Pouco mais de meio ano após a edição do excelente registo Buoys, o seu sexto álbum de estúdio, o músico norte-americano Panda Bear acaba de dar mais um vigoroso passo em frente na sua carreira a solo, com a divulgação de um novo tema intitulado Playing The long Game e que não fazia parte do alinhamento desse registo. Além da canção, este músico natural de Baltimore, no Maryland e a residir em Lisboa e um dos nomes obrigatórios da indie pop e daquele rock mais experimental e alternativo que se deixa cruzar por uma elevada componente sintética, sempre com uma ímpar contemporaneidade e enorme bom gosto, também deu a conhecer ao grande público o vídeo da mesma, realizado pela portuguesa Fernanda Pereira e onde se pode ver Noah Lennox a deambular por uma floresta enquanto uma horda de mascarados vagueia à distância.

Canção sobre dilemas existenciais mais ou menos óbvios, como confessou o próprio Lennox (The song is about a brief series of thoughts I had one morning about who I am, what I’m doing, and where I’m going), Playing The Long Game foi produzida pelo próprio músico com a colaboração de Rusty Santos e Sebastian Sartor e assenta numa pop experimental eminentemente sintética e com um indesmentível travo R&B, uma composição de forte cariz etéreo e contemplativo, mas também com uma frescura e um colorido muito curiosos e apelativos. Confere...


autor stipe07 às 15:34
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