Terça-feira, 24 de Abril de 2018

The Coral – Sweet Release

The Coral - Sweet Release

Os britânicos The Coral de James Skelly, Ian Skelly, Nick Power, Lee Southall e Paul Duffy vão regressar a dezassete de agosto aos discos com Move Through The Dawn, onze canções gravados nos Parr Street Studios de Liverpool e produzidas pelos próprios The Coral e por Rich Turvey.
sucessor do aclamado Distance Inbetween de 2016, Move Through The Dawn, o nono álbum da carreira deste mítico grupo, verá a luz do dia via Ignition Records e Sweet Release é o primeiro single divulgado do registo, um extroaridnário tratado de indie rock efusivo e vigoroso, já com direito a um curioso vídeo realizado por James Slater. Confere...


autor stipe07 às 21:48
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Segunda-feira, 23 de Abril de 2018

Josh Rouse – Love In The Modern Age

Natural de Nashville, no Nebraska, Josh Rouse, um dos meus intérpretes preferidos a solo, está de regresso com Love In The Modern Age, disco lançado por intermédio da Yep Roc Records e já o décimo segundo da carreira de um dos músicos e compositores mais aclamados das últimas duas décadas. O álbum é mais um passo consistente no percurso de um artista que foi habituando os seus seguidores e críticos a algumas inflexões, passando pela folk mais intimista de início da carreira, a um período mais solarengo, fruto da sua mudança para o sul de Espanha, no início do século, depois de se ter casado com Paz Suay e agora olhando com uma certa gula, que de certo modo já se adivinhava num músico que se foi revelando sempre atento às novas tendências, para aquela pop mais sintética que fez escola nos anos oitenta.

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Love In The Modern Age representa, talvez, o disco de maior ruptura com um trabalho antecessor na carreira de Rouse, neste caso o bem sucedido The Embers Of Time (2015), um álbum que tinha sido gravado entre o seu estúdio em Valência e Nashville e que sustentava-se no esplendor das cordas e nos arranjos típicos da folk sulista norte americana, que davam as mãos para a criação do habitual ambiente emotivo e honesto que carateriza a música e os discos deste cantautor que nunca perdeu o espírito nostálgico e sentimental que carateriza a sua escrita e composição. Ora, se agora, três anos depois, em Love In The Modern Age esta última caraterística mantém-se intacta, a abordagem sonora acaba por ser um pouco diferente, como se percebe logo em Salton Sea, na linha do baixo, na batida, nos arranjos sofisticados, fornecidos por um teclado de forte cariz oitocentista e no efeito vocal. Mesmo qu,e logo depois, em Ordinary People, Ordinary Lives, pareça que Josh vai fazer marcha atrás e regressar ao som que o tipifica, logo nos saxofones, na segunda voz feminina e no ambiente luminoso e polido do tema homónimo percebe-se que há realmente um propósito claro de criar um alinhamento mais sofisticado, uma impressão que se torna ainda mais inquestionável nas teclas da fleetwoodiana Businessman, canção que conta com a participação especial vocal de Wendy Smith dos Prefab Sprout. Pouco depois, em Tropic Moon, Rouse faz certamente referência (sleeping under stars) a um dos seus primeiros discos, Under Cold Blue Stars e num outro verso do mesmo tema, quando refere estar right where he wants to be ninguém duvida dessa sua certeza. O grande momento do disco acaba por estar guardado para Hugs and Kisses, uma lindíssima balada onde torna-se impossível não olhar para o nosso íntimo e não sentirmos inspiração suficiente para enfrentarmos de frente alguns dos nossos maiores dilemas enquanto descobrimos na composição a solução para certas encruzilhadas, uma resposta que estava mesmo ali, dentro do nosso peito, à espera desta canção para se revelar em todo o seu esplendor.

A mudança de direção que Josh Rouse operou nestas nove canções de Love In The Modern Age foi, quanto a mim, bem sucedida, já que se nos oferece um ambiente sonoro distinto no seu catálogo, o mesmo não coloca em causa aqueles que são alguns pilares identitários essenciais de um músico que parece ser capaz de entrar pela nossa porta com uma garrafa numa mão e um naco de presunto na outra e o maior sorriso no meio, como se ele fosse já da casa, já que consegue sempre revelar-se, nas suas canções, como um grande parceiro, confidente e verdadeiro amigo, um daqueles que não complicam e com o qual se pode sempre contar. Josh Rouse é único e tem um estilo inconfundível no modo como dá a primazia às cordas, seja qual for o instrumento de que elas se servem e agora também às teclas, sem descurar o brilho dos restantes protagonistas sonoros e, principalmente, sem se envergonhar de colocar a sua belíssima voz na primeira linha dos principais fatores que ainda tornam a sua música tão tocante e inspiradora. Espero que aprecies a sugestão...

Josh Rouse - Love In The Modern Age

01. Salton Sea
02. Ordinary People, Ordinary Lives
03. Love In The Modern Age
04. Businessman
05. Women And The Wind
06. Tropic Moon
07. I’m Your Man
08. Hugs And Kisses
09. There Was A Time

Website
[mp3 320kbps] rg tb zs uc


autor stipe07 às 21:39
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Quinta-feira, 19 de Abril de 2018

Huggs - Take My Hand

Duarte Queiroz (voz, guitarra) e Jantónio Nunes da Silva (bateria) são o núcleo duro dos Huggs, dois amigos que se conheceram por acaso na faculdade e que começaram a compôr juntos, inspirados pela energia crua e indisciplinada do panorama underground britânico e pelas baladas românticas típicas dos anos cinquenta e sessenta. A eles junta-se, ao vivo, Guilherme Correia que, depois de assistir a um ensaio, não só se encarregou do baixo como ajudou a produzir e a completar as primeiras canções da banda.

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Os Huggs vão estrear-se nos lançamentos no último trimestre deste ano com um EP, gravado por Gonçalo Formiga (dos Cave Story) no seu estúdio nas Caldas da Rainha e produzido pelo próprio em conjunto com a banda. Desse registo já se conhece Take My Hand, canção também já com direito a um video realizado por Manuel Casanova, que trabalhou ao longo da carreira com bandas como os Comeback Kid, Japandroids ou os Hills Have Eyes.

Este tema que apresenta os Huggs ao mundo oferece-nos um rock acessível e bastante melódico, uma filosofica sonora que acaba por entroncar em alguns dos principais detalhes daquele anguloso punk rock nova iorquino que bandas como os The Strokes ou os Yeah Yeah Yeahs ajudaram a cimentar no início deste século, mas onde também não falta uma curiosa pitada garage novecentista, em especial na guitarra, essencial para conceder à composição um charme vintage particularmente luminoso e apelativo. Confere...

Facebook: www.facebook.com/freehuggssuck

Instagram: www.instagram.com/freehuggssuck

Bandcamp: www.freehuggssuck.bandcamp.com


autor stipe07 às 21:26
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Terça-feira, 17 de Abril de 2018

Cœur De Pirate – Somnambule

Cœur De Pirate - Somnambule

Conhecida pela sua escrita impressiva, quase sempre na primeira pessoa e pela arrebatadora sinceridade e doce luminosidade da sua música, a canadiana Béatrice Martin comemora em 2018 dez anos de carreira à frente do seu projeto Cœur De Pirate e fá-lo com a edição de um álbum intitulado En cas de tempête, ce jardin sera fermé. Esse novo registo de originais desta lindíssima artista oriunda do quebeque canadiano chega aos escaparates já nesta primavera e Somnambule é o primeiro tema divulgado do seu alinhamento.

Escuta-se Somnambule e percebe-se que esta é uma daquelas canções composta num estágio superior de sapiência que permite à autora utilizar o seu habitual espírito acústico e orgânico ao piano para se colocar também à boleia de arranjos de cordas tensos, dramáticos e melódicos e contar-nos assim mais uma história que a materializa na forma de uma conselheira espiritual sincera e firme e que tem a ousadia de nos querer guiar pelo melhor caminho, neste caso do amor, sem mostrar um superior pretensiosismo ou tiques desnecessários de superioridade. Para acompanhar o lançamento deste singleCœur De Pirate gravou uma versão ao vivo em França na igreja Saint-Jean-Baptiste, em Neuilly-sur-Seine. Confere...


autor stipe07 às 18:28
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Sexta-feira, 13 de Abril de 2018

Florence And The Machine – Sky Full Of Song

Florence And The Machine - Sky Full Of Song

Dois anos depois do seu último registo de originais, Florence Welsh está de regresso às canções com o seu projeto Florence and The Machine à boleia de Sky Full Of Song, tema que deverá fazer parte do seu próximo registo de originais, o quarto da carreira.

A canção vai ver a luz do dia em formato vinil de sete poelgadas no próximo Record Store Day, uma efeméride anual amplamente publicitada neste espaço e que é marcada pela chegada de vários álbuns e singles em edição limitada às lojas de discos, um pouco por todo o mundo.

A sonoridade intimista e minimal deste tema Sky Full Of Song recorda-me uma espécie de mistura entre Kate Bush e os The Knife, num som um pouco escuro, mas com uma tonalidade épica e constituido por diferentes texturas, quase sempre feitas com recurso a instrumentos sintetizados. Confere...


autor stipe07 às 17:58
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Quinta-feira, 12 de Abril de 2018

Albert Hammond Jr. – Francis Trouble

Constantemente a biografia de inúmeros músicos está recheada de experiências e eventos inéditos e até algo surreais que acabam por justificar, em certa medida, uma opção, que pode ser precoce ou tardia, consciente ou instintiva, por um percurso profissional e de vida nas artes e mais concretamente pela carreira musical, até como modo de exorcizar e refletir sobre tais factos de vida incomuns e que fogem amiúde da dita normalidade. Muitas dessas experiências são mesmo transcendentais ou, no mínimo, causadoras de estigmas, recalcamentos, depressões, traumas, fobias e desgostos, que a música tratará de revelar ao grande público e de servir, em simultâneo, de veículo de cura dos mesmos. Albert Hammond Jr., músico norte americano e uma das faces mais visíveis dos The Strokes, acaba de editar um novo registo de originais, o quarto da sua carreira a solo, que cataliza no seu seio um evento que é, certamente, dos mais surreais que se pode imaginar. Em 1979, a sua mãe abortou o seu irmão gémeo Francis mas Albert sobreviveu. Quando nasceu, alguns meses depois, trouxe consigo um lembrete solitário do seu irmão com quem compartilhava o útero, uma unha. Albert sempre soube do irmão, mas só ficou a conhecer este último detalhe há pouco tempo, tendo o mesmo servido de inspiração para a composição das dez canções deste Francis Trouble, um trabalho onde Albert procura encontrar a sua persona perdida em Francis e, ao mesmo tempo que homenageia o irmão, tornar-se um pouco mais ele, como se fosse uma espécie de alter-ego.

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Do som crú e incisivo de Francis Trouble, mas ao mesmo tempo carregado de imagens sugestivas e com forte cariz impressivo, depreende-se que há um enorme apego do autor ao evento descrito, transbordando em temas como Screamer, por exemplo, um sentimento de esperança algo romântico de que ele possa, à sua maneira, trazer de volta, nem que seja espiritualmente, a sua outra metade (I saw you as someone I wanted to trust, I saw you as everyone I wanted to f**k), mas também uma ideia de contemplação e admiração, audível em Strangers, por aquilo que é a relação entre ambos que não deixa de existir mesmo na ausência física de uma das partes (How strange the feeling to be strangers, Who strain for feeling), 

Mesmo inspirado por uma situação que muitos de nós poderiamos considerar trágica e triste, Albert consegue criar composições banhadas por um indie rock em muitos aspectos luminoso e radiante, podendo este ser até, imagine-se,  o disco mais divertido da carreira do autor. A energia contagiante das guitarras de Muted Beatings e o travo vintage da já referida Strangers e de Far Away Truths, são bons exemplos de um enredo que teria à partida todos os ingredientes para incubar uma toada sonora algo negra e depressiva, mas aquilo que se escuta são melodias alegres, adornadas por arranjos que oscilando entre o delicado, o luminoso e o contagiante nos deixam facilmente com um sorriso no rosto e com vontade de abanar um pouco a anca.

Ao longo da sua carreira, Albert serviu-de da guitarra para vestir diferentes personalidades, nomeadamente a declaradamente cool que interpreta nos The Strokes, a que deu vida à sensibilidade indie de Yours To Keep (2006), o seu disco de estreia e agora a simultaneamente sincera e complexa de Francis Trouble, um álbum que, como referi acima, é crú e incisivo, mas também consciente e profundo, materializando na perfeições os intentos do autor quando o idealizou e toda a filosofica subjacente ao mesmo. Escutá-lo atentamente é submeter-se a um exercício de descoberta particularmente emotivo e esclarecedor dos principais alicerces da personalidadce deste músico ímpar. Espero que aprecies a sugestão...

Albert Hammond Jr. - Francis Trouble

01. DVSL
02. Far Away Truths
03. Muted Beatings
04. Set To Attack
05. Tea For Two
06. Stop And Go
07. Screamer
08. Rocky’s Late Night
09. Strangers
10. Harder, Harder, Harder


autor stipe07 às 13:43
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Terça-feira, 10 de Abril de 2018

X-Wife - X-Wife

Os portuenses X-Wife de  João Vieira (Dj Kitten) (voz/guitarra), Fernando Sousa (baixo) e Rui Maia (sintetizadores/teclas), estão finalmente de regresso aos discos com o quinto disco da sua carreira, um espetacular homónimo de electro punk alternativo que sucede ao já longínquo Infectious Affectional, álbum que data de 2011. Pelo meio, os White Haus, projeto alternativo de João Vieira e o alter ego Mirror People de Rui Maia foram ganhando fôlego, a banda participou com o tema Movin' Up na banda sonora do jogo de culto EA SPORTS FIFA 16, ao lado de bandas e artistas do calibre dos Bastille, Beck, Foals, Icona Pop e Unknown Mortal Orchestra e o baixista Fernando Sousa envolveu-se com uma mão-cheia de bandas do Porto e arredores, nomeadamente os Best Youth.

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É em ambiente de festa que abre X-Wife, um disco que foi sendo gravado de modo intermitente ao longo destes últimos sete anos em que o trio muitas vezes se questionou se valeria a pena manter o projeto vivo. E não são precisos muitos acordes de This Game para se celebrar espontaneamente, não essa relutância dos X-Wife em encerrarem as hostilidades, mas a persistência de acreditarem que afinal o quinto disco deste grupo faria todo o sentido, até porque é um registo que está naturalmente, tendo em conta a elevada mestria criativa dos seus membros, recheado de excelentes canções capazes de nos empolgar e de nos fazer acreditar que aquele rock mais enérgico, direto e incisivo a que nos habituámos no dealbar deste século e que lá por fora nomes tão influentes com os Franz Ferdinand, Radio 4, LCD Soundsystem, The Rapture ou The Strokes cimentaram, acabou por fazer escola por cá, havendo quem o replique com tanta ou mais mestria.

Depois deste início auspicioso à boleia de um tema que se sustenta num frenético ritmo deliciosamente anguloso, proporcionado, em grande parte, por um intenso riff de guitarra e uma distorção incisiva a acompanhar um refrão eloquente, escutam-se os trompetes, os flashes intermitentes e os metais de Boom Shaka Boom e não há como não renunciar à festa, numa canção verdadeiramente intemporal, já que nos oferece uma mescla entre a típica eletrónica underground nova iorquina e o colorido neon dos anos oitenta. Depois, se a já referida Movin' Up parece levar, com assinalável mestria, uma espécie de jazz rock numa direção eminentemente dançável e psicadélica e se Coconuts é um curiosa mistura entre ambientes latinos e o vibrante eletropunk que define o adn dos X-Wife, já o frenesim de Monday Tuesday oferece-nos aquele irresistível swing da guitarra que no refrão se torna particularmente buliçoso ao resvalar para um riff épico e de maior exaltação, nuance que em Show Me Your Love recebe a companhia do sintetizador que, ainda neste tema, ao mesmo tempo que conduz a melodia também dispara diversos flashes em diferentes direções, proporcionando um festim sintético pulsante e algo lascivo.

Cheio de composições que nos fazem abanar a anca mesmo que não haja um firme propósito, apenas e só o facto de ser hora de celebrar, X-Wife é um daqueles discos que ensina que nunca é tarde para recomeçar e que os anos podem passar por uma banda, mas o seu espírito pode manter-se amplamente jovial e criativo, mesmo que isso suceda de modo menos intuitivo, mas mais refletido, maduro e consciente. É assim, de certo modo, a melhor descrição que se pode fazer destes renovados X-Wife como entidade. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 20:50
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Segunda-feira, 9 de Abril de 2018

Editors - Violence

Finalmente In Dream, o aclamado álbum que os Editors de Tom Smith editaram em 2015, já tem sucessor. O sexto álbum de estúdio desta banda britânica oriunda de Birmingham viu a luz do dia a nove de março à boleia da Play It Again Sam e chama-se Violence. Nele é possível escutar nove canções forjadas por uma banda que se mantém apostada em se assumir definitivamente como um grupo de massas e deixar de vez o universo mainstream para fazer parte da primeira liga do campeonato mundial do indie rock.

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Os Editors são donos de uma discografia conduzida pela típica intensidade emocional da escrita de Tom Smith e pelo carisma do seu tímbre vocal grave único, ao qual se juntam as habituais guitarras angulares, sintetizadores progressivos e um baixo imponente. Estas são, no fundo, as principais matrizes identitárias deste grupo que nunca tendo conseguido ser consensual no universo sonoro alternativo, apesar de The Back Room, o disco de estreia, ser, quanto a mim, um marco no género pós punk, acabou por manter uma assinalável coerência ao longo de quase duas décadas, um trajeto que parece agora querer piscar o olho a latitudes sonoras mais consentâneas com as tendências atuais do espetro sonoro em que os Editors se movimentam.

Assim, com a eletrónica em cada vez maior plano de destaque no seio dos Editors, Violence não renega a habitual atmosfera algo sombria impressiva que confere um charme inconfundível a este projeto, mas há aqui um refinamento dessa demanda, com a procura de territórios mais dançantes e, por isso, também mais festivos e otimistas. Em temas como a radiofónica Cold, na atmosfera intrigante de Nothingness ou no travo vintage oitocentista da homónima Violence, os sintetizadores debitam efeitos e melodias rugosas e texturalmente profundas e algo negras, mas há depois no ritmo e em algumas nuances do reverb das guitarras detalhes que dão aos temas um balanço e uma expressão mais colorida e sorridente do que o habitual. Para cimentar ainda mais esta filosofia subjacente ao registo, a imponência orquestral do edifício melódico que envolve o single Magazine, canção com um refrão avassalador, a toada pop e o charme luminoso de Darkness At The Door e o piano cintilante de No Sound But The Wind, são outras canções que, tomando como ponto de partida o já referido referencial sonoro que tipifica os Editors, acrescentam e ampliam o adn que sustenta o historial da banda.

Pleno de dramatismo e particularmente incisivo no modo como aborda alguns dos grandes dilemas da atualidade, Violence acaba por ser um título simultaneamente feliz e enganador para um alinhamento de canções que podem, na sua esmagadora maioria, servir para justificar esta ideia contraditória e oposta, já que, não deixando de navegar nas habituais águas lúgubres em que os Editors se sentem como peixes, este é um álbum que também exala uma faceta algo sonhadora e romântica, o que naturalmente se aplaude. Espero que aprecies a sugestão...

Editors - Violence

01. Cold
02. Hallelujah (So Low)
03. Violence
04. Darkness At The Door
05. Nothingness
06. Magazine
07. No Sound But The Wind
08. Counting Spooks
09. Belong


autor stipe07 às 21:00
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Sexta-feira, 6 de Abril de 2018

EELS – The Deconstruction

Depois de uma espera de quatro anos, os Eels de E (Mark Oliver Everett), Kool G Murder e P-Boo estão de regresso com um novo álbum gravado na sua maioria em Pasadena, na Califórnia. O novo trabalho deste grupo norte-americano chama-se The Deconstruction, é o décimo segundo da carreira deste projeto liderado pelo carismático Mark Everett e, sucedendo ao já longínquo The Cautionary Tales Of Mark Oliver Everett, foi produzido pelo próprio Everett e por Mickey Petralia, um nome que já trabalha com os Eels desde o fabuloso Electro-Schock Blues (1998), o melhor disco da banda, prestes a comemorar vinte anos de existência.

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Para quem, como eu, acompanha com atenção a carreira dos Eels praticamente desde o seu início, The Deconstruction, o primeiro tema do alinhamento deste disco com o mesmo nome surpreende pelo modo como nos remete para o início da carreira do projeto. Esta seria uma canção que encaixaria claramente no meio de Beautiful Freak, com a sua sonoridade algo rugosa e assente num rock orquestral bastante experimental, onde as cordas dominam, mas onde é também possível escutar arranjos de sopros e percussivos bastante peculiares e distintivos e o timbre vocal inédito de Everett. Essas mesmas cordas que não deixam de encontrar as suas raízes no banjo foram uma imagem de marca dos Eels em tempos, assim como a vasta miríade de efeitos metálicos presentes na percurssão e que cruzam Bone Dry, o segundo tema e single do disco, sem complacência. Nesse tema a guitarra distorce-se, as variações rítmicas também habituais nos Eels fazem a sua aparição e a partir daí somos sugados, sem mercê, para um disco que acaba por fazer uma espécie de súmula de uma vasta e gloriosa carreira de mais de duas décadas de um dos melhores e mais peculiares grupos de rock alternativo da nossa contemporaneidade.

Oliver Everett gosta de surpreender e sobrevive no universo indie rock devido à forma como tem sabido adaptar os Eels às transformações musicais que vão surgindo no universo alternativo sem que haja uma perca de identidade na conduta sonora do grupo. E, pelos vistos, por muito que se atreva a prescutar teritórios mais agressivos ou, em oposição, mais introspetivos e cândidos, algo que fez aqui, com superior delicadeza, na lindíssima canção Premonition, é mesmo no campo daquele pop rock lo fi que pisca o olho à indie folk que o autor se sente mais confortável e onde consegue, com particular mestria, criar momentos de sincera e sentida emoção sonora. Assim, se essa Premonition e se o dedilhar e os violinos de Sweet Scorched Earth são, sem dúvida, temas que comprovam o feliz regresso dos Eels à folk eminentemente acustica, melancólica e introspetiva e se a ternurenta balada nostálgica Rusty Pipes, com notáveis arranjos de cordas e uma percussão bastante aditiva, tem o mesmo efeito, espelhando com notável acerto aquelas saudosistas caraterísticas sonoras que impressionarem todos aqueles que há vinte anos olharam com admiração para este grupo norte americano, já a luminosidade sorridente e feliz de Today Is The Day e, de um modo com mais elétrico, o fuzz de You Are The Shining Light, são canções capazes de nos fazer encher o peito e de abrir o nosso sorriso de orelha a orelha, espelhando aquele universo mais divertido e optimista que os Eels também gostam de expressar sonoramente.

Tematicamente, E mantém-se lúcido no modo como aborda o amor, um campo lexical e uma área vocabular onde sempre se sentiu inspirado, principalmente quando confessa o desconforto e a desilusão que esse sentimento tantas vezes causou na sua vida, estando numa fase em que sente necessidade de olhar para o seu percurso pessoal e perceber as falhas e os instantes em que algo correu mal e as pontas que ainda estão por fixar. É explícita uma espécie de narrativa que em The Epiphany, vai servindo para E confessar dores e arrependimentos e desejar que ainda haja um futuro risonho à sua espera, fazendo-o em Be Hurt, canção onde o músico admite falhas e o desejo de poder ainda vir a ser recompensado pela boa pessoa que é, ou, pelo menos, julga ser.

Cheio de melodias orelhudas e que nos embalam e fazem partilhar algumas das angústias e desejos plasmados, The Deconstruction é um disco que transborda uma profunda sinceridade confessional por todos os acordes e torna-se fácil simpatizar automaticamente com a história de vida desta personalidade fundamental para a descrição de alguns dos mais bonitos momentos sonoros do universo indie das duas últimas décadas, que estará por cá, nos Nos Alive, no dia treze de julho. e que ainda procura, com uma ansiedade controlada e natural, a verdadeira felicidade. Espero que aprecies a sugestão...

EELS - The Deconstruction

01. The Deconstruction
02. Bone Dry
03. The Quandary
04. Premonition
05. Rusty Pipes
06. The Epiphany
07. Today Is the Day
08. Sweet Scorched Earth
09. Coming Back
10. Be Hurt
11. You Are the Shining Light
12. There I Said It
13. Archie Goodnight
14. The Unanswerable
15. In Our Cathedral


autor stipe07 às 17:34
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Sábado, 31 de Março de 2018

daguida - Passageiro

Yuran, João Pedro e António Serginho são os daguida, um trio oriundo de Santa Maria de Lamas e já com dezoito anos de história. Depois de todo este tempo, apresentam-se finalmente ao grande público, com a sua primeira publicação oficial nas redes digitais, um tema intitulado Passageiro e o respetivo vídeo de promoção, realizado pela produtora Dawn Pictures. O passo seguinte será a edição deste single em vinil e depois virá o álbum de estreia, lá para 2019, estando prevista a abertura de uma campanha de crowdfunding para financiar a sua gravação.

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Edição de autor com o apoio da Revolução d’Alegria Associação, produzido por Mário Barreiros e gravado em Amarante, no Estúdio Fridão Natura Recording, Passageiro é um tema com fortes raízes na nossa música tradicional. Luminoso e exuberante nas cordas e escorreito na melodia, Passageiro alerta, de acordo com os daguidapara o valor daquilo que não tem preço, estando o tema liricamente coberto por uma aurea satírica, irónica e alegre, aspetos muito presentes nos concertos do trio e que representam a vontade de quebrar barreiras e preconceitos. Entre a beleza e o degredo abordam sem medo o quanto nos pesa este enredo. Do troiano ao grego, do velho ao novo, tudo é sempre novo.

Hoje mesmo, a partir da meia-noite, no Bar Galeria de Paris, no Porto, os daguida apresentam ao vivo esta canção e muitos dos temas que vão registar no seu primeiro álbum. Confere...

Manifesto daguida

 Algures entre Ovar e Contumil

daguida nasceu no inverno de 2000

Vestem seus pijamas, abanam suas canas

A terra é Santa Maria de Lamas

 

Passaram 18 anos

Há que limpar os canos

Será a primeira vez

Já muito perdemos os três

 

E vamos embora gente

daguida vai prá frente

Podes sempre dar algum

Podes ouvir sem dar nenhum

 

Muito sinceramente

Que fique bem assente

daguida anda por cá

Até que a bolha rebente


autor stipe07 às 15:21
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