Quarta-feira, 11 de Julho de 2018

Patrick Watson – Melody Noir

Patrick Watson - Melody Noir

O canadiano Patrick Watson está de regresso aos discos com Melody Noir, um registo de originais que vai ver a luz do dia muito em breve e do qual acaba de ser revelado o single homónimo, assim como o vídeo, realizado pelo próprio músico e pela conterrânea Brigitte Poupart e produzido por Olivier Sirois.

Esta canção Melody Noir é inspirada num músico venezuelano chamado Simon Diaz e nela Patrick Watson plasma todos os seus predicados quer como dono de uma voz única e multifacetada, da qual sobressai o seu inconfundível falsete, quer como arquiteto de uma sonoridade com raízes na folk, mas que busca uma salutar contemporaneidade ao inserir também alguns detalhes da pop e da eletrónica mais contemplativa.

Importa ainda referir que Patrick Watson está de regresso a Portugal no final do ano para promover este seu novo álbum, mais concretamente de dois a quatro de Dezembro, com Lisboa, Coimbra, Guimarães e Porto a receberem, respectivamente, um dos artistas internacionais mais acarinhados pelo publico português e que deverá fazer-se acompanhar por Joe Grass, na guitarra, Robbie Kuster, na bateria e percurssão e por Mishka Stein, no baixo. Confere...


autor stipe07 às 10:11
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Quinta-feira, 5 de Julho de 2018

Luke Sital-Singh - Just A Song Before I Go EP

Depois da edição o ano passado de Time Is A Riddle, o seu último álbum, Luke Sital-Singh fez as malas, pegou no passaporte e embarcou numa viagem solitária por vários destinos do mundo, durante a qual escutou uma banda-sonora muito pessoal, composta por temas e artistas da sua eleição.

Alguns meses depois, Luke editou Weight Of Love, um EP com quatro canções e que foi divulgado por cá, mas não seria justo deixar de fora desta abordagem recente da nossa redação a Luke Sital-Singh, o EP Just A Song Before I Go, um registo também com quatro temas e que é fortemente influenciado pela passagem do músico pelos Estados Unidos durante essa viagem. Este EP viu a luz do dia no primeiro mês deste ano, através da Dine Alone Records, a morada atual do músico britânico, à semelhança de Weight Of Love e de Time Is A Riddle.

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Luke é exímio a criar canções sonora e liricamente profundamente reflexivas e intimistas, conduzidas por cordas inspiradas, mas também por teclas inspiradas, uma receita que cria melodias deliciosas e repletas de um charme inconfundível que deve muito a alguns dos melhores detalhes não só da folk, mas também da pop contemporânea. A luminosidade do tema homónimo que abre o EP é um bom exemplo disso e a melancolia que está agregada à acusticidade de Thirteen, um clássico original de 1972 dos Big Star, que foi na mala de Luke na tal viagem e já revisitado por nomes tão proeminentes como os Wilco ou Elliot Smith, sendo fiel ao espírito intimista e profundamente reflexivo do músico e ao misticismo, acentua a inocência que a própria canção, na sua génese, transborda, nomeadamente da sua letra. Depois, o intimismo subjacente à versão de Harvest Moon, um clássico de Neil Young aqui conduzido por um piano insinuante e pelo inconfundível falsete do artista e, finalmente, o intenso travo à herança mais pura da folk americana em Late For The Sky, reforçam a suavidade melancólica de um EP que é uma ode do autor a alguns dos seus heróis, muitos deles verdadeiros pilares da história musical do outro lado do atlântico, ao mesmo tempo que plasma todos os predicados que este músico britânico possui para criar composições profundamente emotivas e sofisticadas, sempre com um cunho pessoal muito identitário, mesmo quando revisita composições que não são da sua autoria. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 13:36
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Quarta-feira, 27 de Junho de 2018

Cœur De Pirate – En Cas De Tempête, Ce Jardin Sera Fermé.

Conhecida pela sua escrita impressiva, quase sempre na primeira pessoa e pela arrebatadora sinceridade e doce luminosidade da sua música, a canadiana Béatrice Martin comemora em 2018 dez anos de carreira à frente do seu projeto Cœur De Pirate e fá-lo com a edição de um álbum intitulado En Cas De Tempête, Ce Jardin Sera Fermé. Esse novo registo de originais desta lindíssima artista oriunda do Quebeque canadiano chegou aos escaparates já no início deste mês através da Dare To Care Records e não é necessário ser um génio na língua francesa para se entender toda a teia emocional destas dez canções que, até no próprio duplo sentido do título do disco, num misto de cautela e turbulência, explícita toda a teia sentimental que descreve a pessoalidade de uma mulher madura, mas também tremendamente humana e já bastante vivida.

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Gravado maioritariamente em Paris e produzido por Cristian Salvati, En Cas De Tempête, Ce Jardin Sera Fermé é uma deliciosa narrativa sobre o poder do amor, o modo como essa força se ajusta aos diferentes ritmos e vivências de uma relação e como a desregulação desse sentimento pode provocar, no seio da mesma, situações menos felizes e saudáveis que, em última instância, podem colocar em causa a senilidade dos intervenientes.

Escuta-se Somnambule, um dos momentos altos do registo que também teve forte influência da obra ficcional do escritor René Barjavel e percebe-se claramente toda esta trama acima descrita, numa canção que foi composta num estágio superior de sapiência, um estado de alma que permitiu à autora utilizar o seu habitual espírito acústico e orgânico ao piano para se colocar também à boleia de arranjos de cordas tensos, dramáticos e melódicos e contar-nos assim mais uma história que a materializa na forma de uma conselheira espiritual sincera e firme e que tem a ousadia de nos querer guiar pelo melhor caminho, neste caso do tal amor, sem mostrar um superior pretensiosismo ou tiques desnecessários de superioridade. Depois, na pop efervescente de Prémonition, na luminosidade e no positivismo feliz de Amour D'un Soir e nos belíssimos arranjos que divagam por De Honte Et De Pardon, percebemos o modo como este disco acabou por funcionar como um bem sucedido escape emocional para alguém que incubou este alinhamento num momento complicado da sua vida pessoal, de exaustão e de necessidade de isolamento, mas que, talvez inconscientemente, acabou por dar vida a um dos discos mais pessoais e intimistas do ano. Espero que aprecies a sugestão...

Cœur De Pirate - En Cas De Tempête, Ce Jardin Sera Fermé.

01. Somnambule
02. Prémonition
03. Je Veux Rentrer
04. Dans Les Bras De L’autre
05. Combustible
06. Dans La Nuit (Feat. Loud)
07. Amour D’un Soir
08. Carte Blanche
09. Malade
10. De Honte Et De Pardon


autor stipe07 às 21:08
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Segunda-feira, 25 de Junho de 2018

The Wave Pictures – Brushes With Happiness

Uma das bandas mais profícuas e queridas do cenário indie britânico são os The Wave Pictures de David Tattersall, Franic Rozycki e Johnny 'Huddersfield' Helm, nestas andanças há uns doze anos, mas que estrearam uma segunda vida discográfica em 2011 com Beer In The Breakers e que têm habituado os seus seguidores a pelo menos um lançamento discográfico de relevo por ano. Em 2018 elevam a fasquia e editam dois compêndios, sendo o primeiro Brushes With Happiness, nove canções gravadas espontaneamente pelo trio em apenas um dia de janeiro, num pequeno estúdio caseiro, abrigadas à sombra da Moshi Moshi Records e que, conforme explica Dave Tattersall, o líder da banda, têm um lado muito espiritual e sentimental; We recorded this album live in a small room to tape on one night in January, playing music into the wee hours. Listening to the album feels like being in a ceremony. It takes you to that place. This is music that emanates from one group of people in one place in space and time. Listening to it is like being let in on a secret. Depois deste Brushes With Happiness, chegará em outubro aos escaparates Look Inside Your Heart, um disco menos intuitivo e mais elaborado e refletido, o que não significa automaticamente que venha a ser qualitativamente superior. Veremos.

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Brushes With Happiness mostra o lado mais contemplativo e cru dos The Wave Pictures. É um registo eminentemente acústico onde canções como The Little Window, que mistura blues e folk com uma certa psicadelia, ou a mais orgânica Jim, assim como as nuances classicistas do rock que abastece o tema homónimo, são excelentes instantes sonoros para se perceber o modo como o processo de composição do trio assenta, acima de tudo, na mente criativa de Dave Tatterstall e na sua guitarra. Esse instrumento é o eixo orientador do processo melódico e rítmico das canções, que segue muitas vezes pelo caminho mais simples e minimal no processo de criação, uma aparente ligeireza que acaba por dar um ar mais familiar e ligeiro às canções, o que faz com que o disco flua com enorme prazer.

Os The Wave Pictures não gostam muito de obedecer a convenções e acima da perfeição colocam o seu talento tipicamente indie ao serviço do gozo que lhes dá criarem composições que toquem no âmago pela tal familiariedade que exalam, mas que também tenham uma tonalidade acessível e otimista. A longa Laces é um excelente exemplo da facilidade com que os The Wave Pictures modelam canções que, pela sua duração poderiam ser aborrecidas, mas que, devido neste caso à toada blues que a sustenta, tornam-se em instantes de elevado prazer.

O disco terá nascido, naturalmente, com processos eminentemente analógicos, normais num ambiente bastante intimista; Este toque algo vintage acaba por conferir ao trabalho um certo charme algo indisfarçável. E ao longo das nove canções Tattersall revela-se, mais uma vez, um brilhante escritor de canções, nas quais escreve imensas vezes na primeira pessoa e referindo-se certamente a ele próprio. Mas o que mais impressiona na sua escrita é a combinação recorrente entre a sinceridade e o sarcasmo e o detalhe com que pinta determinados cenários que quase conseguimos visualizar.

Brushes With Happiness é uma aparente repetição mais intimista de uma fórmula que tem sido muito bem sucedida num projeto já com uma extensa discografica, mas que não completou ainda uma década de carreira no regresso à ribalta, mas é mais uma acha certeira para a fogueira do culto que esta banda já usufrui, principalmente em terras de Sua Majestade, alimentada em grande parte por uma fórmula sonora que nos mostra que na música são os prazeres mais simples, aqueles que melhor recompensam o ouvinte. Espero que aprecies a sugestão...

The Wave Pictures - Brushes With Happiness

01. The Red Suitcase
02. Rise Up
03. Jim
04. Laces
05. The Little Window
06. Crow Jane
07. The Burnt Match
08. Brushes With Happiness
09. Volcano


autor stipe07 às 23:22
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Terça-feira, 19 de Junho de 2018

Emma Louise – Wish You Well

Emma Louise - Wish You Well

Natural de Brisbane, na Austrália, a cantora e compositora Emma Louise prepara-se para lançar Lilac Everything; A Project by Emma Louise, o seu novo registo de originais que, sendo já o quarto da carreira, começou, curiosamente, a ser incubado logo em 2011 durante as gravações de Full Hearts And Empty Rooms, o seu EP de estreia, algo que a autora confessou recentemente numa rede social (The seed of this project was planted about 5 years ago when I was recording my first album. I heard my vocals slowed down on tape and fell in love with this character. I called the voice Joseph and said I’d one day do a full album with his vocals). 

Lilac Everything; A Project by Emma Louise irá, portanto, marcar uma inflexão na habitual trajetória sonora da cantora, que vai no novo disco dar um maior ênfase à sua prestação vocal, procurando um registo com um grau de dramatismo e de epicidade particularmente vincados, de modo a dar vida ao tal Joseph que ela idealizou. O canadiano Tobias Jesso Jr., produtor do álbum, é também parte fundamental da engrenagem, tendo sido uma das vozes mais encorajadoras para que Emma colocasse finalmente em prática esta sua antiga ambição. O cândido piano e a voz suave de Wish You Well, o primeiro single que acaba de ser divulgado do registo e que foi escrito no México e gravado nos estúdios Bear Creek, em Seattle por Jesso e pelo engenheiro de som Shawn Everett, vencedor de um Grammy,  são nuances que vão claramente ao encontro desse objetivo conceptual. Confere...


autor stipe07 às 15:40
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Domingo, 17 de Junho de 2018

Birds Are Indie - Messing With Your Mind

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Os conimbricenses Birds Are Indie de Joana Corker, Ricardo Jerónimo e Henrique Toscano, transmitem com as suas composições sonoras um rol de emoções e sensações únicas, sempre com intensidade e minúcia, mas também misticismo e argúcia e geralmente com uma serenidade extraordinariamente melancólica e bastante contemplativa. Para nosso deleite, eles regressaram esta primavera aos discos, à boleia da Lux Records de Rui Ferreira, com Local Affairs, quinze solarengas canções que carimbam um passo consistente no percurso de um projeto que foi habituando os seus seguidores e críticos a algumas inflexões, mas sempre atento às novas tendências, dentro daquela indie folk assente em cordas exuberantes, melodias aditivas e arranjos inspirados, uma fórmula que cria um ambiente emotivo e honesto e que nunca descura um elevado espírito nostálgico e sentimental, duas caraterísticas bastante presentes na escrita e na composição do grupo.

Messing With Your Mind é o mais recente avanço divulgado desse novo alinhamento de temas do trio, uma luminosa, contagiante e animada canção que conta com a participação especial de João Jorri Silva (a Jigsaw, The Parkinsons) na guitarra-baixo e com um vídeo a condizer. Editado pela própria banda, o filme tem como personagens um conjunto de bailarinos muito peculiares, aos quais se juntam diversos elementos gráficos, quase hipnóticos.

Confere Messing With Your Mind e as datas dos próximos concertos de promoção ao novo disco que os Birds Are Indie já marcaram. Se andarem perto de ti não desperdices a oportunidade.

23 Junho // COIMBRA // Teatro da Cerca de São Bernardo

06 Julho // PONTE DE LIMA // Festival Percursos da Música

07 Julho // OVAR // Casa do Povo

08 Julho // VILA DAS AVES // Chinfrim

19 Julho // ZARAGOZA (ES) // La Lata de Bombillas

20 Julho // MALGRAT DE MAR (ES) // [a anunciar]

21 Julho // BARCELONA (ES) // Niu

22 Julho // MONTGAT (ES) // Panoràmic

23 Julho // MADRID (ES) // secret show

23 Agosto // VILA REAL // [a anunciar]

08 Setembro // RONFE // Salão Paroquial - ExcentriCidade

19 Outubro // SETÚBAL // Casa da Cultura

14 Dezembro // FIGUEIRA DA FOZ // Centro de Artes e Espectáculos


autor stipe07 às 13:19
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Terça-feira, 5 de Junho de 2018

Father John Misty - God's Favourite Costumer

Depois do excelente Pure Comedy, lançado na primavera do ano passado e que teve posição de destaque na lista dos melhores álbuns desse ano para esta redação, além de ter valido um Grammy para o autor, os fãs nacionais de Father John Misty têm mais motivos para se regozijar em 2018, já que este músico norte-americano acaba de editar um novo álbum intitulado God's Favourite Customer, cujo conteúdo nos oferece um Josh Tillman ainda mais absorvido nos seus dilemas, vulnerabilidades e inquietações pessoais, enquanto ensaia uma abordagem tremendamente empática e próxima com o ouvinte, sem se deslumbrar e perder a sua capacidade superior de criar canções assentes num luminoso e harmonioso enlace entre cordas e teclas, que dão vida a temas carregados de ironia e de certo modo provocadores. Bom exemplo disso é o single Mr Tillman, canção cuja letra, flutuando sobre um memorável piano, nos coloca na perspetiva de um empregado de hotel que questiona o comportamento algo excêntrico do próprio Misty durante uma estadia de dois meses num hotel nova iorquino, onde lidou com o uso abusivo de substâncias psicotrópicas e as dificuldades do seu matrimónio, entre outras questões pessoais.

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God's Favourite Customer é, claramente, um constante diálogo de Josh consigo próprio, uma forma de exorcizar tudo aquilo que o consome e de conseguir obter uma saída airosa para o labirinto em que a sua vida se parece ter tornado. Ao perguntar a uma entidade divina, em Hangout At The Gallows, o quê e o porquê das coisas, num tema que faz o autor regressar aquela folk mais agreste em que se tornou mestre superior, ao dissertar sobre a dificuldade que tem em avançar em frente nos momentos de maior dor em Just Dumb Enough To Try, ao demonstrar em The Palace o medo que sente de sair do quarto de hotel referido em Mr Tillman, ao colocar-se na pele da esposa em Please Don’t Die, tentanto adivinhar o que ela sente por ver o marido em sofrimento quase permanente e ao encerrar os quase trinta e nove minutos do disco com uma canção em que, como o seu título indica, é a imperfeição da nossa inevitabilidade humana que muitas vezes nos leva ao sofrimento, mas que isso não deverá ser mais forte do que a nossa propensão natural para a busca da felicidade e do sentido da vida, fica plasmado este cenário auto reflexivo, mas que pelo modo como é musicado acaba também por ser, por incrivel que pareça, um tónico que nos deixa acreditar que pode ser possível confiar que o nosso modus operandi para a obtenção dos melhores caminhos e atalhos principais e secundários para a suprema felicidade ou, como ponto de partida, para a redenção pessoal. E Father John Misty leva a cabo esta demanda com um elevado sentido críptico e desafiante, já que não é óbvia, em alguns instantes, a descodificação célere e intuitiva das suas reais intenções.

Num disco preenchido então com canções bonitas e sentidas, repletas de orquestrações opulentas e com um grau de refinamento classicista incomensuravelmente belo, chega a ser inquietante o modo impressivo e realista como Joshua Tillman se senta ao piano ou coloca a viola no regaço e toca e canta emotivamente sobre as agruras, anseios, inquietações inerentes à condição humana, mas também as motivações e os desejos de quem usa o coração como veículo privilegiado de condução, orientação e definição de algumas das metas imprescindíveis na sua existência. Espero que aprecies a sugestão...

Father John Misty - God's Favorite Customer

01. Hangout At The Gallows
02. Mr. Tillman
03. Just Dumb Enough To Try
04. Date Night
05. Please Don’t Die
06. The Palace
07. Disappointing Diamonds Are The Rarest Of Them All
08. God’s Favourite Customer
09. The Songwriter
10. We’re Only People (And There’s Not Much Anyone Can Do About That)


autor stipe07 às 16:15
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Terça-feira, 22 de Maio de 2018

Damien Jurado – The Horizon Just Laughed

Já chegou aos escaparates um disco novo de Damien Jurado. Chama-se The Horizon Just Laughed e é o décimo terceiro álbum de estúdio deste cantautor norte-americano, sucedendo a Visions Of Us In The Land, disco de 2016 que pôs fim a uma trilogia iniciada com Maraqopa (2012), registo ao qual se seguiu Brothers and Sisters of the Eternal Son, dois anos depois.

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Produzido pelo próprio Jurado e gravado com uma pequena banda num modesto estúdio na Califórnia, The Horizon Just Laughed volta a justificar porque é que Damien Jurado é um dos nomes fundamentais da folk norte americana e um dos artistas que melhor tem sabido preservar algumas das caraterísticas mais genuínas de um cancioneiro que dá enorme protagonismo ao timbre acentuado e rugoso das cordas para dissertar crónicas sobre uma América profunda e muitas vezes oculta, não só para os estrangeiros, mas também para muitos nativos que desde sempre se habituaram à rotina e aos hábitos de algumas das metrópoles mais frenéticas e avançadas do mundo, construídas num país onde ainda é possível encontrar enormes pegadas de ancestralidade e que inspiram calorosamente este músico.

Como é apanágio na discografia de JuradoThe Horizon Just Laughed começou com um sonho que, no caso deste registo, acabou por culminar em onze das canções mais complexas e incisivas da discografia do autor, que já confessou ser este o seu trabalho mais pessoal e enraizado, ainda mais do que aquilo que sucedeu na trilogia Maraqopa.
Ao longo dos cerca de trinta e sete minutos da obra, todas as notas, melodias, versos, acordes, palavras, ideias e arranjos posicionam-se com o firme propósito de apresentar um cantor simultaneamente simples e genuíno, mas também sofisticado, não faltando, nas suas canções, além da típica folk acústica, também abordagens ao samba, ao rock e à pop, numa narrativa sonora vibrante onde vozes e instrumentos compôem um painel muito impressivo que acaba por se tornar num dos momentos maiores da sua carreira, principalmente pelo modo como nele este músico se coneta com a sua mente e os seus dilemas e desejos mais profundos e assim se expôe triunfalmente, sem receio e despudor, tornando-nos confidentes de alguns dos arquétipos essenciais da sua intimidade maior. Espero que aprecies a sugestão...

Damien Jurado - The Horizon Just Laughed

01. Allocate
02. Dear Thomas Wolfe
03. Percy Faith
04. Over Rainbows And Rainier
05. The Last Great Washington State
06. Cindy Lee
07. 1973
08. Marvin Kaplan
09. Lou – Jean
10. Florence – Jean
11. Random Fearless


autor stipe07 às 22:32
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Segunda-feira, 21 de Maio de 2018

Frank Turner - Be More Kind

Até 2005 Frank Turner, músico inglês nascido em Meonstoke, era vocalista da banda de post hardcore Million Dead. Nesse ano abandonou as guitarras para seguir uma carreira a solo numa sonoridade bem mais acústica. A vontade do músico em seguir uma linha menos agressiva e mais sofisticada já era antiga e em 2007 estreou-se nos discos com o bem sucedido Sleep Is For The Week. Nesse disco Turner não abandonou a voz forte e exuberante, nem a atitude típica de um verdadeiro rockstar. No entanto, adaptou a folk de forma singular a estas caraterísticas e por isso recebeu inúmeras críticas positivas e foi mais um a mostrar que a música acústica também poderá ter uma toada punk. Acabou por se tornar numa das figuras mais queridas da pop britânica e em 2011 lançou England Keep My Bones, mais um registo distante do hardcore e que que continha letras tocantes e apaixonadas. Agora, meia década depois desse registo fortemente politizado e depois de dois registos que serviram para exerocizar alguns demónios pessoais, Tape Deck Heart (2013) e Positive Songs For Negative People (2015), Frank Turner faz chegar aos escaparates Be More Kind, o seu oitavo registo, treze canções vibrantes e que colocam novamente o autor na rota de sonoridades rugosas e impulsivas, misturadas com arranjos de forte pendor orgânico e teor acústico.

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Be More Kind vê a luz do dia depois de Turner ter estado em estúdio com Austin Jenkins e Joshua Block, antigos membros dos White Denim e também com Charlie Hugall (Florence And The Machine, Halsey), que assume as rédeas da produção de um alinhamento que abre com Don't Worry, um tratado de folk gospel pensado para quem quer conseguir perceber e conetar-se com este mundo cada vez mais estranho e anormal (I don’t know what I’m doing, no-one has a clue). A partir daí, Turner passa grande parte do álbum a dissertar  sobre o brexit e Trump e fá-lo com resutlados particularmente inspirados, nomeadamente em 1933, um tratado sonoro fortemente influenciado pelo típico punk rock do outro lado do atlântico, um cerrar de punhos que curiosamente Turner rejeita, do seguinte modo, em declarações recentes: 1933 filled me with a mixture of incredulity and anger. (...) The idea that it have anything to do with punk rock makes me extremely angry. Algumas canções depois, no rock sintético de Make America Great Again, o autor dispara novamente sobre a ascendência de Trump ao poder nos Estados Unidos e como isso potenciou o declínio moral de um país que ele considera cada vez mais rascista e perigoso (Making racists ashamed again, Let’s make compassion in fashion again).

Este modo de pensar de Turner relativamente ao mundo que o rodeia, a colocar permanentemente o ênfase nos aspetos menos positivos da nossa contemporaneidade, é um percurso do qual ele nunca se desvia até ao ocaso de Be More Kind. Assim, se Brave Face dá a sua visão sobre como poderá ser o apocalipse num futuro próximo, em 21st Century Survival Blues encontramo-lo a dissertar sobre as alterações climáticas e, logo depois, no eletropop anguloso de Blackout, ele prevê o caos que se instalaria no nosso planeta se a eletricidade deixasse de existir de um momento para o outro. Mas, no meio de todo este clima caótico, Turner encontra finalmente espaço para a compaixão e para o entendimento entre os povos através do amor, aquela que ele considera ser a principal arma contra os racistas, os fascistas e os apoiantes do brexit, fazendo-o de modo particularmente vincado e simbólico na folk intimista do tema homónimo (In a world that has decided that it’s going to lose its mind, Be more kind, my friends, try to be more kind).

Toda a autenticidade que Be More Kind passa para o ouvinte, em jeito de apelo, é um enorme atributo, um fato a reter e um aspecto que dá ao alinhamento um imenso charme e carisma. Abrigado pela típica intensidade de Turner, Be More Kind ganha identidade e personalidade graças ao espírito único da música do compositor inglês, que não tem medo de experimentar e que volta a provar que na folk também pode existir um lado punk, enérgico, charmoso e carismático, neste disco de identificação e empatia, indicado para nos fazer refletir e ponderar sobre o presente, sem pressa de chegarmos ao nosso destino. Espero que aprecies a sugestão...

Frank Turner - Be More Kind

01. Don’t Worry
02. 1933
03. Little Changes
04. Be More Kind
95. Make America Great Again
06. Going Nowhere
07. Brave Face
08. There She Is
09. 21st Century Survival Blues
10. Blackout
11. Common Ground
12. The Lifeboat
13. Get It Right


autor stipe07 às 18:08
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Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

The Sea And Cake – Any Day

Cerca de meia década depois do excelente Runners, os norte-americanos The Sea And Cake, agora um trio formado por Sam Prekop, Archer Prewitt, John McEntire, depois da partida do baixista Eric Claridge, estão de regresso aos lançamentos discográficos à boleia da Thrill Jockey, a sua morada há já algum tempo, com Any Day, dez canções que deixam bem claro que, mesmo depois de um hiato mais ou menos prolongado, a fórmula The Sea And Cake continua jovem, não pensa em férias e tem argumentos para esgrimir com a concorrência, mesmo já em pleno século XXI.

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Com a participação especial de Paul Von Mertens, habitual colaborador de Brian Wilson, nas flautas e clarinetes e de Nick Macri no baixo, em Any Day os The Sea and Cake oferecem-nos uma refrescante e íntima coleção de canções pop, cada uma com a sua singularidade, mas todas tendo em comum uma ímpar delicadeza, limpidez e luminosidade que transpira otimismo e boa disposição por todos os poros, também por causa de melodias particularmente inspiradas e aditivas.

Mestres da subtileza, os The Sea And Cake apelam à descoberta pessoal e à reflexão íntima, com canções como a incisiva e lânguida Cover The Mountain, a refrescante e bem disposta I Should Care, a serenidade folk da homónima, o travo tropical de Into Rain, a sobriedade melancólica de Occurs ou a rispidez progressiva de Starling a subsistirem alicerçadas em arranjos de cordas com um timbre eminentemente metálico, abraçados a sintetizações moduladas e a um trabalho percurssivo bastante sóbrio, aspetos que nos convidam, ao longo dos quase quarenta minutos do registo, a penetrarmos num universo sonoro com um adn bem definido, mas que não deixa de soar sempre familiar, sem deixar de nos oferecer instantes e detalhes muitas vezes inesperados e que espelham a riqueza criativa do projeto. Os sopros que acompanham as cordas e adornam a melodia de Paper Window e o modo como um simples toque numa corda eletrificada se intercala com o baixo em Day Moon são um bom exemplo deste modo superior de compôr tendo em vista impressionar e regalar o ouvinte sem o forçar a espreitar para fora de uma zona de conforto bem delimitada.

Em suma, este novo álbum do quarteto de Chicago, mantém a beleza melódica caraterística do projeto, com a adição de novos elementos, nomeadamente uma forte presença de elementos jazzísticos e da folk a serem essenciais para um resultado final bastante fluído, ameno e arejado, que nos possibilita saborearmos uma recatada zona de conforto, mesmo que farta de invulgares expedições sónicas. De facto, os The Sea And Cake já não precisam de argumentos a favor do seu génio. O contributo que deram para a índie dos anos noventa foi extraordinário e não merece ser sequer beliscado até porque ainda hoje conseguem manter uma apreciável dose inventiva, já que Any Day é, claramente, mais um clássico de degustação obrigatória na já extensa discografia desta extraordinária banda norte americana. Espero que aprecies a sugestão...

The Sea And Cake - Any Day

01. Cover The Mountain
02. I Should Care
03. Any Day
04. Occurs
05. Starling
06. Paper Window
07. Day Moon
08. Into Rain
09. Circle
10. These Falling Arms


autor stipe07 às 18:42
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