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Broken Bells – We’re Not In Orbit Yet…

Terça-feira, 05.07.22

Oito anos depois do último registo de originais, um alinhamento de onze canções initulado After The Disco, os Broken Bells de Danger Mouse e James Mercer, vocalista dos The Shins, estão de regresso aos lançamentos discográficos em dois mil e vinte e dois, mas ainda sem data concreta, com Into The Blue, o terceiro disco do projeto, um trabalho que terá a chancela da AWAL e que será, certamente, um regresso à ribalta desta dupla que se conheceu há dezoito anos nos bastidores do festival de Roskilde, na Dinamarca.

Broken Bells are back, share “We're Not in Orbit Yet…” from first album in  8 years

We’re Not In Orbit Yet… é o primeiro single divulgado de Into The Blue, uma magnífica composição que mistura um baixo imponente com alguns detalhes acústicos, harmonias subtis e sintetizações com elevada cosmicidade, num resultado final que, entre o rock alternativo mais clássico, o R&B e a própria folk, plasma um ADN muito próprio e identitário de uma dupla que se mantém bastante ativa nos seus projetos próprios (Danger Mouse prepara-se para lançar o disco de estreia do seu projeto paralelo Black Thought e James Mercer está a comemorar o vigésimo aniversário de Oh, Inverted World, o disco de estreia dos The Shins, com uma digressão), mas que neste novo álbum, tendo em conta a amostra já divulgada, irá certamente manter os Broken Bells na rota de um caminho coeso, assertivo e refinado, numa parceria que sabe como mostrar o real potencial dos seus dois pólos. Confere...

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publicado por stipe07 às 14:44

Sufjan Stevens – Fourth Of July

Segunda-feira, 04.07.22

Na primavera de dois mil e quinze, há já mais de sete anos, Sufjan Stevens regressou algo negro, sombrio e recatado com Carrie And Lowell, um disco que marcou o retorno do músico à folk mais intimista, nostálgica e contemplativa e que volta a estar na ordem do dia devido a um dos temas do seu alinhamento intitulado Fourth Of July, que acaba de ser revisto pelo músico com duas novas versões.

Sufjan Stevens “Fourth of July” | Optimistic Underground

Quatro de julho é o dia do feriado nacional nos Estados Unidos da América e esta canção com esse título debruça-se sobre as memórias de infância que o músico tem da efeméride, exorcizadas numa composição singela, honesta e intimista, que faz parte do alinhamento de um disco que, recordo, tem como título os sobrenomes da sua mãe e do seu padrasto (Carrie & Lowell) e está imbuído de um puro sentimentalismo, embalado por uma folk madura e nostálgica, que se debruça sobre o falecimento da sua mãe, ocorrido há uma década atrás, em dois mil e dez, após uma vida de excessos, abusos e um dignóstico de esquizofrenia.

A canção oferece-nos, portanto, um Sufjan Stevens na pele de um trovador acompanhado apenas pelas cordas de uma viola, com a nova versão da canção a conferir um ainda maior charme e brilho à moldura sonora estética de um tema que pode ser considerado uma verdadeira jóia, em todos os sentidos. Confere...

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publicado por stipe07 às 14:46

António Vale da Conceição - At your service, ma´am EP

Quinta-feira, 30.06.22

António Vale da Conceição é um produtor e músico de Macau, integrante da banda Turtle Giant, agora residente em Portugal e que exerce os papéis de compositor de bandas sonoras e produtor de projectos diversos. O ano passado António Vale da Conceição lançou o seu primeiro álbum de piano Four Hands Piano e realizou e compõs a música para o documentário Beyond the Spreadsheet: The Story of TM1, um documentário que conta a história de vida e contributo tecnológico de Manny Pérez - o génio matemático que criou em mil novecentos e oitenta e três a tecnologia que permitiu ao mundo efectivamente lidar com a complexidade de dados no mundo - A Base de dados Funcional (ou o Excel em esteróides).

At Your Service, Ma'am": António Vale da Conceição edita EP de "batidas  mexidas" e apelos à mudança - Showbiz - SAPO Mag

Agora, em dois mil e vinte e dois, o músico está de regresso com o EP At your service, ma´am, um trabalho que mais parece a banda sonora de um clássico de comédia do que um álbum de canções, encharcado com sopros gritantes, ritmos mexidos e melodias que se alongam. São cinco canções repletas de batidas mexidas e de narrativas que falam sempre de amor, porque um filme tem que ter sempre uma trama de amor. Mas este com apelos à força e à resiliência, à mudança e à aceitação das lutas para que vençamos, juntos.

Os pouco mais de dezassete minutos do EP merecem audição dedicada, não só porque nos revela, com enorme fluidez e expressividade, a singularidade do registo vocal do autor e a sua luminosidade e clarividência instrumental e melódica, mas também porque ilustra uma multiplicidade de mundos e emoções com uma filosofia muito própria e que se amplia após sucessivas audições, tal é o vício que esta mão cheia de temas provoca em quem se deixa imbuir pela sua cartilha sonora e aceita abstrair-se de tudo aquilo que o rodeia enquanto o ouve. No entanto, do alinhamento destaco Love Is The Storm, uma composição que assenta no sentimento exacerbado de Ira, na capacidade que uma emoção tão natural ao Homem, que quando possuído, o torna numa entidade tão “adamastora” quanto poderosa, misteriosa, transformadora, assim como Remedy, um tema que, de acordo com a nota de imprensa, nos apela a não nos contaminarmos pelas sedutoras imagens e sons que nos rodeiam e, ao invés, sermos sãos, verdadeiros e autênticos. O remédio está muitas vezes na não-contaminação, na prevenção, portanto. E por isso, impermeabilizar-mo-nos de venenos (como as fake news, redes sociais, o desejo de fama, egos) é o nosso dever e responsabilidade, como indivíduos e como colectivo.

Em suma, At your service, ma´am é uma experiência de certa forma surreal quando se contextualiza no panorama musical nacional atual. Infelizmente ainda apenas acessível a um grupo não muito amplo de fervorosos e dedicados fãs, o que é uma perfeita e incompreensível injustiça, António Vale da Conceição escreve sem pudores, tem nas letras uma das suas grandes virtudes virtude e arrojo e faz canções com um significado literal nem sempre coerente e facilmente entendível, mas que emparelhadas com guitarras que correm abrasivamente e fogem às fórmulas compositivas de formatos amigos da rádio, resultam na perfeição e originam algo único e de algum modo surreal. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 19:52

Wilco – Cruel Country

Quarta-feira, 29.06.22

Os norte americanos Wilco de Jeff Tweedy são um dos projetos mais profícuos do universo indie e alternativo atual. Não cedem à passagem do tempo, não acusam a erosão que tal inevitabilidade forçosamente provoca, mantêm-se firmes no seu adn e conseguem, disco após disco, apresentar uma nova nuance interpretativa, ou uma nova novela filosófica que surpreenda os fãs e os mantenha permanentemente ligados e fidelizados. Cruel Country, o novo álbum dos Wilco, um duplo registo inteiramente composto por canções de travo eminentemente folk, além de ser uma espécie de regresso às origens e aos primórdios da carreira da banda de Chicago, no Illinois, é, também, uma manifestação impressiva de que Jeff Tweedy e os seus fiéis companheiros ainda têm muito para dar e, claro, vender.

Wilco's 'Cruel Country': Album Review - Rolling Stone

Se há alguma banda que nas últimas décadas nos consegue oferecer um roteiro detalhado do melhor rock alternativo que se vai fazendo do lado de lá do atlântico, os Wilco dizem presente. Discos do calibre de The Whole Love, Schmilco e Star Wars, já para não falar do mítico Yankee Hotel Foxtrot, são documentos sonoros que nos explicam que com o passar dos anos a bitola do grupo não abrandou nem foi atingida pelas normais crises de writer's block, mostrando-se cada vez mais refinada no modo como foi aliando o adn Wilco às tendências mais contemporâneas da folk e do rock alternativo. E realmente, só faltava uma abordagem mais direta e incisiva à folk no catálogo de um grupo que foi muitas vezes apelidado de projeto folk, mas que nunca se sentiu confortável com esse rótulo, chegando mesmo a renegá-lo publicamente. 

Cruel Country, o décimo segundo álbum de estúdio dos Wilco, é a materialização majestosa e eloquente de uma homenagem sincera e despida À herança mais pura e genuína do cancioneiro norte-americano. Em dois tomos, gravados no famoso estúdio da banda, o Loft, em Chicago, que contabilizam um total de vinte e uma canções, os Wilco criaram uma narrativa conceptual de alguns dos momentos fundamentais da história dos Estados Unidos da América, assente numa sonoridade animada e luminosa, mas também algo encantatória e bucólica. A empreitada é conseguida em dois tomos, como já referi, com o primeiro a oferecer-nos instantes sonoros mais expansivos e luminosos e o segundo a materializar-se através de uma filosofia interpretativa mais intimista e bucólica. Seja como for, trespassa todo o disco, um sempre intuítivo e até, amiúde, divertido jogo de cordas da viola, do banjo e da guitarra, esta quase sempre eletrificada ao mínimo, que sustentam composiçãos que, em alguns momentos ajuda também a aproximar os Wilco de uma psicadelia blues de superior filigrana, que se escuta com aquela intensidade que fisicamente não deixa a anca indiferente. 

Cruel Country captura com nitidez quase fotográfica e visual uma América imponente no modo como influencia ainda hoje, quer queiramos, quer não, o melhor indie contemporâneo. E as fundações dessa evidência estão, sem dúvida, na folk, um género musical que tem as suas raízes culturais no velho oeste e que quando é replicado por intérpretes como os Wilco, está sempre encharcado numa certa sabedoria proverbial, porque é, sejamos honestos, o melhor estilo musical para contar histórias de vida, mais ou menos corriqueiras, mas sempre profundas e genuínas. Cruel Country é um manancial de relatos das nossas vivências frágeis e minúsculas. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 15:16

Warpaint – Radiate Like This

Quinta-feira, 23.06.22

Theresa Wayman, Emily Kokal, Jenny Lee Lindberg e Stella Mozgawa estão de regresso com Heads Up, um título feliz para batizar aquele que é o quarto disco das Warpaint, sucessor do registo Heads Up, lançado já no longínquo ano de dois mil e dezasseis. Produzido por Sam Petts-Davies e as próprias Warpaint, Radiate Like This viu a luz do dia no início do passado mês de maio à boleia da Heirlooms em parceria com a Virgin Records e nele estas quatro miúdas deixaram, mais uma vez, as guitarras, o baixo e a bateria seguirem a sua dinâmica natural e assumirem uma faceta eminentemente polida e luminosa, para criar um álbum tipicamente rock, etéreo q.b. e esculpido com cordas ligadas à eletricidade e com uma identidade muito particular.

Warpaint lança seu quarto álbum, “Radiate Like This” - Vitrolando

Repleto de lindíssimas melodias, Radiate Like This é um portento de luminosidade e astúcia criativa. Como é óbvio, o seu alinhamento plasma todas as transformações que as integrantes do projeto sofreram na sua vida pessoal durante um hiato de seis anos desde o álbum anterior, com artistas que emigraram, que foram mães ou que tiveram alguns problemas de saúde delicados, mas é curioso perceber que, felizmente, o som identitário e tipicamente Warpaint mantém-se intocável e, melhor do que isso, ainda mais aprimorado. O trip hop exótico de Champions, o perfil simbólico e ousadamente etéreo de Hard To Tell You, o sensualismo percurssivo de Melting e o intimismo aconchegante de Send Nudes, são belíssimos exemplos de uma heterogeneidade que foi sempre imagem de marca das Warpaint e que se afinou, sem ofuscar a típica densidade orgânica, harmoniosa e vibrante do quarteto, criada a partir de uma espécie de cruzamento feliz entre alguns dos detalhes fundamentais da dream pop e do chamado trip-hop que fez escola nos anos noventa, uma combinação que nestes pouco mais de quarenta minutos que duram Radiate Like This, se inunda de nostalgia e contemporaneidade, sempre com elevado groove e uma clara sapiência melódica.

Quando a pausa é prolongada, o retorno só se justifica se com ele for satisfeita e, já agora, bem sucedida a incessante busca por algo diferente e inovador. E, de facto, Radiate Like This plasma nitidamente as Warpaint a darem mais um passo em frente num projeto que nunca se acomodou a uma abordagem estilística estanque, apesar de manter no seu epicentro sonoro uma intensa aúrea emotiva, que as despe de um mistério tantas vezes artificial. É um dis com uma inegável atmosfera psicadélica, experimentalmente rico e que nos envolve sem mácula, mostrando, sem rodeios e mais uma vez, com ousadia, a verdadeira personalidade de um coletivo inegavelmente maduro e confiante. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 14:04

Kurt Vile – (watch my moves)

Quarta-feira, 22.06.22

Quatro anos depois do excelente registo Bottle It In, Kurt Vile volta a dar as mãos à Matador Records e coloca nos escaparates (watch my moves), o oitavo trabalho da carreira deste músico que descende da melhor escola indie rock norte americana que adora piscar o olho à melhor folk nativa do outro lado do atlântico, quer através da forma como canta, quer nos trilhos sónicos da guitarra elétrica que abraça há já quase duas décadas, sempre com elevado requinte.

Watch My Moves é a mais recente promessa de Kurt Vile | MHD

Produzido por Cate Le Bon, Jesse Trbovich, o próprio Kurt Vile, Kyle Spence, Rob Laakso e Rob Schnapf, (watch my moves) mostra o músico natural de Filadélfia a remexer em algumas demos e composições inacabadas que estavam engavetadas no seu arquivo e que aguardavam o momento certo para serem devidamente polidas e embelezadas. Ganharam finalmente vida e fizeram-no com o autor a preservar a espontaneidade e o timbre singelo e algo inocente, até, que contêm. E este acaba por ser o travo geral de um alinhamento de quinze composições sublimes no modo como nos apresentam o melhor adn identitário de Vile, feito de melodias conduzidas quase sempre por cordas elétricas e acústicas inspiradas, espraiado em quase oitenta minutos de enorme beleza, emoção, arrojo e, acima de tudo, contemplação. Mesmo nos momentos mais experimentais do disco, como Say The Word ou Kut Runner, existe esta sensação distinta de estarmos na presença de uma espécie de rascunho deambulante, que foi embelezado e esculpido com inegável mestria.

Quando for feito um balanço final da carreira de Kurt Vile, (watch my moves) deverá ser analisado fazendo-se justiça à sua especificidade estilística mas, à semelhança de outros discos do músico, o seu alinhamento não poderá ser dissociado do modo como entronca numa filosofia de auto-descoberta, que é uma das marcas incontornáveis do processo de criação deste artista norte-americano. Independentemente da variedade e da heterogeneidade que marcam as quinze canções deste trabalho, tremendamente orgânicas e delicadamente ocasionais, é consensual que a sua sonoridade descomprometida e apimentada com pequenos delírios acústicos e elétricos, nos oferece um verdadeiro oasis sonoro que irá escorrer sempre bem nos nossos ouvidos, ajudando-nos, por exemplo num futuro próximo, a contemplar com serenidade o apogeu de um verão que se adivinha algo frenético e que para muitos não ficará certamente gravado pelos melhores motivos. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 15:44

Belle And Sebastian – A Bit Of Previous

Sábado, 18.06.22

Cordas acústicas ou eletrificadas e de diferentes fontes, mas dedilhadas com inusitado prazer e uma prestação melódica irrepreensível, são o prato forte dos escoceses Belle And Sebastian e do seu novo disco, um trabalho intitulado A Bit Of Previous, que sucede ao registo Girls in Peacetime Want to Dance, que foi editado há sete anos atrás e que, tal como este novo trabalho, tinha o selo da Matador Records.

Belle and Sebastian anuncia "A Bit Of Previous", seu primeiro álbum em sete  anos - A Rádio Rock - 89,1 FM - SP

A nossa redação tem estado particularmente atenta, nos últimos meses, ao lançamento deste disco, nomeadamente com a divulgação que fez dos temas If They’re Shooting At YouUnnecessary Drama e Young And Stupid, a canção que abre o alinhamento de A Bit Of Previous. E, de facto, as elevadas expetativas relativamente ao conteúdo global de A Bit Of Previous, um alinhamento de doze canções produzidas pela própria banda e por Brian McNeill, Kevin Burleigh, Matt Wiggins e Shawn Everett, confirmam-se. Estamos na presença de um registo animado e festivo, mas também nostáligo e encantador, principalmente em temas como Do It for Your Country, A World Without You e Deathbed of my Dreams. É um álbum repleto de canções melodicamente felizes e, mesmo com estes instantes menosefusivos, no seu todo, empolgante e frenético, com as canções a sucederem-se em catadupa sem quebrarem o espírito e a filosofia positiva e vibrante que carateriza a sua essência.

De facto, os Belle And Sebastian ainda conseguem fazer juz à sua riquíssima carreira e manter elevada a bitola, sem mostrarem desgaste ou erosão pelo tempo, neste já clássico. Pelo contrário, conseguem manter firme a sua identidade e, em simultâneo, acompanhar as novas tendências e dar sempre um cunho contemporâneo às suas canções, não resvalando para a repetição exaustiva de uma fórmula que, por muito bem sucedida que tenha sido nos já onze alinhamentos que fazem parte do catálogo do grupo natural de Glasgow, carece sempre de ajustes, inovação e modernidade.

Portanto, um superior registo interpretativo da vasta diversidade instrumental que acama um álbum que faz uma ponte feliz entre ironia e melancolia, delicados arranjos, uma superior agregação de diversas camadas instrumentais e vozes sempre efusiantes e exemplarmente acamadas e retocadas, são as grandes matrizes de um álbum que, como se pede em qualquer alinhamento dos Belle And Sebastian, nos conduz de volta ao indie pop mais orelhudo, com aquele requinte vintage que revive os gloriosos anos setenta e oitenta. Confere...

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publicado por stipe07 às 13:12

Nick Mulvey - New Mythology

Quinta-feira, 16.06.22

Uma pandemia de quase dois anos e a paternidade recente são marcas fulcrais do novo disco do cantor e compositor britânico Nick Mulvey, o terceiro da carreira, um trabalho intitulado New Mythology e que, focando-se na ideia de mudança, acaba por ser o registo mais vulnerável e introspetivo do músico natural de Cambridge.

Nick Mulvey releases third album and first in 5 years, 'New Mythology'

Star Nation, um dos momentos altos deste New Mythology, é um bom exemplo desta filosofia estilística, que acaba por se refletir num disco que acaba por nos oferecer, no seu todo, um maravilhoso compêndio de folk contemporânea, na medida em que mantém intactos alguns dos traços identitários deste estilo musical tão peculiar, agregando-lhe nuances e detalhes, nomeadamente através de inspiradas sintetizações, que encontram sustento em alguma da melhor pop atual.

De facto, se logo a abrir o disco a cândida viola que conduz A Prayer Of My Own e, pouco depois, Shores Of Mona, exalam aquele lado mais clássico e íntimo da folk e se a referida Star Nation já arrisca interseções mais ou menos insinuantes entre esse legado e as novas tendências, a batida seca que trespassa Mecca ou os ecos sintéticos que deambulam pelas cordas de The Gift, são traços exemplares de uma construção artística fulgurante no modo como consegue atestar o grau de ecletismo e de heterogeneidade de treze canções com uma sonoridade única e peculiar.

Em New Mythology, Nick Muvey conseguiu criar um refúgio perfeito para a reflexão pessoal e uma armadilha subtil para capturar os nossos maiores temores, que sujeitam-se a ser devidamente exorcizados num alinhamento repleto de paisagens sonoras que, do minimalismo eletrónico eminentemente etéreo e com uma forte vocação experimental, à típica folk, esbarrando no rap, está impregnado com uma beleza e uma complexidade tais, que merece ser apreciado com alguma devoção, fazendo-nos sentir vontade, no fim, de carregar novamente no play e voltar ao início. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 13:53

Lou Barlow And Company – Only Fading vs Sacrifice

Quinta-feira, 26.05.22

Baixista dos Dinosaur Jr. e vocalista dos Sebadoh, o norte americano Lou Barlow, um músico oriundo de Greenfield, no Massachussets e considerado um dos grandes gúrus do indie alternativo desde a década de noventa, tem também uma profícua carreira a solo, que teve como último grande capítulo o registo Reason to Live, editado o ano passado. E Lou Barlow está prestes a acrescentar uma nova nuance nesta sua aventura sonora, com o projeto Lou Barlow And Company, que junta o artista ao trio também do Massachusetts, Eat Fire Spring.

Waking Up With… LOU BARLOW And His New COMPANY | TURN UP THE VOLUME

Only Fading e Sacrifice são as duas primeiras composições que fazem levantar voo esta nova saga sonora. Foram produzidas pelo baixista Marc Seedorf, membro destes Eat Fire Spring e mostram Barlow na sua clara zona de conforto, que não deixa de ter a folk na mira, mas que se concentra, naturalmente, num garage rock feito de guitarras bastante eletrificadas e com uma identidade vincada, uma bateria frenética e um baixo sempre omnipresente, mesmo que não esteja na primeira linha da condução melódica e, o mais importante, numa jovialidade e numa luminosidade festivas que se saúdam e que, quer numa quer na outra canção, atestam o habitual excelente humor e positivismo de um músico mestre a ensinar-nos a cruzar os labirintos que sustentam todas as recordações que temos guardadas, para que possamos pegar naquelas que nos fazem bem, sempre que nos apetecer. Confere...

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publicado por stipe07 às 21:25

Damien Jurado – Day Of The Robot

Terça-feira, 24.05.22

Depois de há cerca de um ano, na primavera de dois mi l e vinte e um, ter editado o excelente registo The Monster Who Hated Pennsylvania, o norte-americano Damien Jurado está de regresso com um novo disco intitulado Reggae Film Star que terá a chancela da Maraqopa Records e que verá a luz do dia a vinte e quatro de junho.

Damien Jurado comparte nuevo single: 'Day Of The Robot'

Reggae Film Star será o décimo oitavo registo de originais do músico e compositor natural de Seattle e conta, nos seus créditos, com o multi-instrumentista Josh Gordon, Alex Bush na mistura, tendo sido masterizado nos estúdios Sterling Sound de Greg Calbi e Steve Fallone.

Já se conhecem vários temas do alinhamento de Reggae Film Star. O último divulgado é Day Of The Robot, uma composição com um travo mais eletrificado do que o habitual em Jurado e que pisca o olho, com gula e intensidade, à herança do melhor indie rock norte-americano de final do século passado. Uma bateria exemplarmente marcada, cordas com um timbre metálico pleno de charme e violinos a planar pela melodia, são detalhes que dão a Day Of The Robot o merecido carimbo de canção essencial do ano, justificando, uma vez mais, porque é que este autor atualmente a residir em Los Angeles é um dos nomes fundamentais da folk norte americana. Confere...

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publicado por stipe07 às 13:16






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