Terça-feira, 25 de Fevereiro de 2020

Anibal Zola - Vida de Cão

Nascido na Invicta cidade do Porto há trinta e sete anos, Aníbal Zola apaixonou-se pela música e pela interpretação muito cedo. Ainda criança já tocava piano, mas no início da juventude ingressou na Valentim de Carvalho onde estudou guitarra clássica. Começou a tocar baixo eléctrico de forma autodidacta aos dezasseis anos tendo começado a ter aulas aos dezoito com o professor Helder Mendonça e um ano mais tarde, na Escola de Jazz do Porto com o professor João André Piedade durante três anos. Neste período, estudou engenharia civil na FEUP e fez parte do projecto musical Pay Per View?.

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No final da década passada, motivado pelo crescente interesse na improvisação e na composição baseada na escrita de canções, regressa à Escola de Jazz do Porto desta vez para estudar contrabaixo com o professor João André Piedade e Pedro Barreiros. Fez parte de um combo que participou na Festa do Jazz do S.Luiz em dois mil e onze, ano em que é admitido na ESMAE no curso de Jazz. Terminou a licenciatura em Contrabaixo/Jazz em Julho de dois mil e catorze na ESMAE onde teve a oportunidade de aprender e trabalhar com António Augusto Aguiar, José Carlos Barbosa, Florian Pertzborn, Nuno Ferreira, Michael Lauren, Mário Santos, Carlos Azevedo, Pedro Guedes, Abe Rabade, Telmo Marques, Jeffrey Davis, entre outros.

Actualmente faz parte dos projectos Palankalama, Les Saint Armand, Projecto Ferver e Carol Mello, além do seu projeto a solo Aníbal Zola, que se estreou nos discos há dois anos com Baiumbadaiumbé, um registo com um som muito particular onde se podem sentir influências da música brasileira nordestina, elementos plásticos que remetem à música de Tom Zé e ao tropicalismo brasileiro, algum rock e alguma folk anglo saxónica.

Agora, em dois mil e vinte, Aníbal Zola regressa aos discos com Amortempo, dez canções sobre o amor, a morte e o tempo, um registo escrito em português e com uma abordagem musical de busca de identidade. De acordo com o press release de lançamento, é um trabalho que resulta do desejo de juntar o contrabaixo e a voz a um conjunto generoso de participações de outros músicos extremamente talentosos que têm vindo a cruzar-se com Aníbal Zola. Procura essencialmente fundir música portuguesa com música latino americana e dá, com frequência, espaço para a improvisação. As letras não são mais do que as próprias inquietações do artista que se espelharam em temas já muito explorados pela humanidade, e que, em Aníbal Zola, surgiram através de um processo bastante inocente.

De amortempo acaba de ser revelado o single Vida de Cão, uma música frenética tal como é a vida da maior parte de nós. A letra é fundamentalmente instintiva e pouco pensada, tentando misturar os sentidos da visão, olfato e audição de uma forma nervosa e desequilibrada,  representando o comportamento selvagem de um cão. Além disso fala de tudo e não fala de nada. Há quem diga que é o chico fininho dos cães. No vídeo da canção, o cão de Aníbal Zola é protagonista numa viagem em alvoroço pela cidade e a filmagem, tal como a música, também é descomplexada. Confere Vida de Cão e os próximos concertos do artista...

29 Fevereiro/ Porto, CCOP – Apresentação do disco com presença de todos os participantes 13 Março/ Vermil, Centro e laboratório artístico Clav Live Sessions – Concerto a solo

14 Março/ Amarante, 3 Mini Festival de Artes – Concerto a solo

19 Março/ Lisboa, Clube Ferroviário – Concerto em trio

30 Maio/ Ciclo Fora de Portas na Adega Cooperativa, Arruda dos Vinhos

12 Junho/ Setúbal, Casa da Cultura – Concerto em trio

Facebook https://www.facebook.com/anibalcbvoz/

Instagram https://www.instagram.com/anibalzola/

Bandcamp https://anibalcbvoz.bandcamp.com

YouTube https://www.youtube.com/user/zenibeirao

Spotify https://open.spotify.com/artist/5YN3Sf9fbfdaRG1NSouCIL?si=KkrguNuVTFuseqxJXt8D2A


autor stipe07 às 17:21
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Quarta-feira, 5 de Fevereiro de 2020

Grand Sun - Veera

Os Grand Sun de Ribeiro, António, Simon e Miguel, um coletivo oriundo de Oeiras, nos arredores da capital, estream-se a vinte e sete de março próximo no formato álbum com Sal Y Amore, uma coleção de dez canções que, à boleia da Aunt Sally Records, deverá, de forma mais crua, sem filtros e genuína que o antecessor, o EP The Plastic People Of The Universe, encarnar um exuberante registo indie com fortes raízes no rock setentista mais lisérgico, mas também naquela pop efervescente que fez escola na década anterior e onde a psicadelia era preponderante no modo como trespassava com cor e luminosidade o edifício melódico de muitas composições.

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Sal Y Amore foi bastante inspirado nos concertos e nas viagens que os Grand Sun fizeram o ano passado, onde constam passagens memoráveis pelo Festival Ecos de Lima, a Festa do Avante ou o Festival Termómetro. O registo foi gravado e misturado por André Isidro nos estúdios Duck Tape Melodies e masterizado pelo João Alves no Sweet Mastering Studio.

Veera é um dos momentos maiores de Sal Y Amore, uma canção que plasma o nome de uma rapariga decidida a ser enigmática, descrita através de uma alegoria pop particularmente luminosa, conduzida por uma guitarra inspirada, sintetizadores cósmicos e um constante efeito vocal ecoante, uma maravilhosa amostra do primeiro sal saudável para hipertensão, que os Grand Sun pretendem colocar nos nossos pratos em dois mil e vinte. Confere...

https://www.facebook.com/grandsunband/

https://www.instagram.com/grand.sun/

https://grandsun.bandcamp.com/

https://www.youtube.com/channel/UC5M5a9i4DhXJi47yNcaqoMQ    


autor stipe07 às 13:11
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Sexta-feira, 31 de Janeiro de 2020

Badly Drawn Boy – Is This A Dream?

Badly Drawn Boy - Is This A Dream

O inglês Damon Gough, aka Badly Drawn Boy, passou grande parte da última fase da sua carreira a assinar ou a fazer parte dos créditos de algumas bandas-sonoras, com especial destaque para o alinhamento que criou para os filmes About a Boy, uma comédia adaptada de um romance de Nick Hornby Being Flynn, ambos do realizador Paul Weitz. De facto, desde que em dois mil e dez editou a triologia It’s What I’m Thinking, Badly Drawn Boy não editou qualquer registo de originais fora dessa bitola cinéfila, um hiato que parece ter os dias contados com o anúncio de um novo registo do autor em dois mil e vinte.

Is This a Dream?, uma canção produzida e misturada por Gethin Pearson (Kele Okereke, JAWS) e inicialmente captada pelo produtor Youth (The Verve, Paul McCartney) é o primeiro avanço já divulgado do novo disco de Badly Drawn Boy, um tema vibrante e épico, onde se torna quase impercetível o jogo de sedução incrivelmente libdinoso que se estabelece entre teclas e cordas, enquanto uma enleante melodia, repleta de cor e otimismo, faz tudo para colocar no nosso rosto o melhor sorriso que conseguirmos armar. Destaque também para o vídeo da canção, dirigido por Broken Antler, no qual as palavras de Badly Drawn Boy tomam proporções políticas e sociais únicas, numa animação carregada de cores e colagens. Confere...


autor stipe07 às 13:46
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Sexta-feira, 24 de Janeiro de 2020

Noiserv - Meio vs Neutro

Uma das mentes mais brilhantes e inspiradas da música nacional chama-se David Santos e assina a sua música como Noiserv. Vindo de Lisboa, Noiserv tem na bagagem um compêndio de canções que fazem parte dos EPs 56010-92 e A Day in the Day of the Days, estando o âmago da sua criação artística nos álbuns One Hundred Miles from Thoughtless Almost Visible Orchestra, adocicados pelo DVD Everything Should Be Perfect Even if no One's There e, desde o outono de 2016, um trabalho intitulado 00:00:00:00, incubado quase de modo espontâneo e sem aviso prévio, mas mais um verdadeiro marco numa já assinalável discografia, ímpar no cenário musical nacional.

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Agora, quatro anos depois desse brilhante registo, Noiserv tem finalmente na manga um sucessor, um disco ainda sem nome, mas já com dois temas divulgados, Meio e Neutro. Neles, David regressa novamente a territórios sonoros mais intrincados, subtis e diversificados, com a primeira canção a proporcionar-nos um banquete percurssivo intenso e criativo e a segunda a impressionar pelo modo como diferentes naunces, detalhes e samples se entrelaçam com uma base melódica algo hipnótica, mas extremamente doce e colorida. Em ambas as canções, Noiserv mantém sempre, numa interessante dicotomia, única no cenário alternativo nacional, um intenso charme, induzido por uma filosofia interpretativa que, mesmo tendo por trás um infinito arsenal instrumental, nunca abandona aquele travo minimalista, pueril e meditativo que carateriza o cardápio sonoro deste músico único.

Gravado no no seu novo estúdio A Loja, onde tem também estado a produzir, misturar e masterizar o disco de estreia do projeto The Artist Is Irrelevant, Noiserv dará, no seu novo trabalho, maior protagonismo à lingua de Camões, num álbum que é aguardado com enorme expetativa nesta redação, criado por um artista que nos trouxe uma nova forma de compôr e fazer música e que gosta de nos deixar no limbo entre o sonho feito com a interiorização da cor e da alegria sincera das suas canções e a realidade às vezes tão crua e que ele também sabe tão bem descrever.

Realce, também, para os dois vídeos que acompanham os singles Meio e Neutro. Em ambos resultam de uma colaboração com os leirienses Casota Collective. No filme de Meio as sonoridades de Noiserv são delicadamente apresentadas pelos movimentos de Marco da Silva Ferreira e em Neutro por Rui Miguel. Confere...


autor stipe07 às 21:45
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Sexta-feira, 17 de Janeiro de 2020

Real Estate – Paper Cup

Real Estate - Paper Cup

Será a vinte e oito de fevereiro próximo que irá ver a luz do dia, à boleia da Domino Records, The Main Thing, o quarto e novo registo de originais dos Real Estate, sucessor do excelente In Mind, editado em dois mil e dezassete e que estava repleto de canções feitas com guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico, nuances que ajudaram o projeto a assumir-se definitivamente como um dos mais interessantes e inovadores do cenário indie atual.

The Main Thing será o primeiro disco do coletivo natural de Rodgewood, em Nova Jersey, sem a presença de Matt Mondanile, a contas com a justiça devido a várias acusações de abuso sexual. Mondanile foi substituido pelo multi-instrumentista Julian Lynch, que se junta a Martin Courtney, Alex Bleeker, Matt Kallman e Jackson Pollis e, de acordo com Paper Cup, o primeiro single divulgado de The Main Thing e que conta com a participação especial de Amelia Meath, uma das metades da dupla Sylvan Esso, tal mudança na formação não alterou decisivamente o som que típifica o adn dos Real Estate, uma constatação, a meu ver, positiva, refletida em Paper Cup, o primeiro avanço divulgado do trabalho, uma canção em que piano, cordas e uma vasta míriade de arranjos de elevada luminosidade e com um indisfarçável travo tropical, conjuram entre si intimamente, num resultado final bastante charmoso e sensorial. Confere Paper Cup e a tracklist de The Main Thing...

The Main Thing

01 Friday
02 Paper Cup
03 Gone
04 You
05 November
06 Falling Down
07 Also A But
08 The Main Thing
09 Shallow Sun
10 Sting
11 Silent World
12 Procession
13 Brother


autor stipe07 às 11:17
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Quarta-feira, 15 de Janeiro de 2020

Papercuts – Kathleen Says EP

Quatro anos depois do excelente Life Among The Savages, os Papercuts regressaram às luzes da ribalta em outubro de dois mil e dezoito com Parallel Universe Blues, dez canções que viram a luz do dia à boleia da Slumberland Records, a nova etiqueta deste projeto encabeçado por Jason Robert Quever e David Enos e oriundo de São Francisco, na costa oeste dos Estados Unidos da América. Sexto disco do cardápio dos Papercuts e, como já referi, primeiro na Slumberland, Parallel Universe Blues continha um alinhamento com canções assentes no cruzamento feliz entre melodia e voz, com a escolha assertiva dos arranjos a nunca ofuscar o brilho que as cordas sempre tiveram no catálogo dos Papercuts. Esta era, de facto, uma nuance fundamental desse novo registo do projeto que, tematicamente, reflete a mudança de Jason Quever de São Francisco para Los Angeles, ocorrida à época.

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Foram vários os singles já retirados desse excelente trabalho dos Papercuts, sendo, talvez, o mais badalado, Laughing Man, uma composição que, como os mais atentos se recordarão, estava coberta por um manto de monumentalidade e epicidade únicos. No entanto, um dos temas mais relevantes de Parallel Universe Blues e que merece também superior destaque é, sem dúvida, Kathleen Says, a sexta composição do alinhamento do registo. Foi editada em single, no início da passada primavera, com direito a um EP próprio, com 2 b sides: uma cover do clássico Blues Run The Game, da autoria de Jackson C. Frank e uma versão acústica de Comb In Your Hair., um dos temas mais emblemáticos do passado discográfico dos Papercuts.

Em Kathleen Says, uma guitarra abrasiva e com um elevado timbre metálico, variações percurssivas constantes e deliciosamente encadeadas com o baixo e uma luminosidade melódica ímpar, são os grandes atributos de uma canção repleta de diversos detalhes preciosos, fundamental para conferir uma tonalidade refrescante e inédita ao alinhamento de um disco cheio de personalidade, com uma produção cuidada e que nos aproxima do que melhor propõe atualmente a música independente americana contemporânea. Confere o EP Kathleen Says, o alinhamento de Parallel Universe Blues e espero que aprecies a sugestão...

Papercuts - Kathleen Says

01. Kathleen Says
02. Blues Run The Game
03. Comb In Your Hair


autor stipe07 às 10:08
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Segunda-feira, 13 de Janeiro de 2020

The Proper Ornaments – Purple Heart

The Proper Ornaments - Purple Heart

Nem um ano passou desde o excelente Six Lenins, disco que figurou na lista dos melhores dez álbuns do ano passado para esta redação, e os londrinos The Proper Ornaments já estão de regresso aos lançamentos discográficos com Mission Bells, um compêndio com treze canções e com a chancela da Tapete Records, que irá ver a luz do dia a vinte e oito de fevereiro próximo.

Missin Bells será o quinto registo de originais da banda de James Hoare, uma das caras metade dos Ultimate Painting e de Max Claps, membro recente dos Toy e começou a ser incubado durante a digressão de promoção de Six Lenins. Do seu alinhamento acaba de ser revelado o conteúdo de Purple Heart, a canção que abre o disco e que, num clima que oscila entre a melancolia e o hipnotismo, nos leva, num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, numa espécie de indie-folk-surf-suburbano, feito por intérpretes de um arquétipo sonoro que exala um intenso charme. Confere Purple Heart e o alinhamento de Mission Bells...

1. Purple Heart
2. Downtown
3. Black Tar
4. The Wolves At The Door 5. Broken Insect
6. The Impeccable Lawns
7. Echoes
8. Flophouse Calvary
9. Strings Around Your Head
10. The Park
11. Music Of The Traffic
12. Cold
13. Tin Soldiers


autor stipe07 às 09:43
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Terça-feira, 31 de Dezembro de 2019

Time For T - Galavanting

Gravado, de acordo com a banda, por acidente e tendo como ponto de partida um conjunto de demos captadas numa carvana durante o ano de dois mil e dezoito, numa viagem ao Algarve, Galavanting é o novo registo de originais dos Time For T, um projeto nacional mas com raízes em Inglaterra, mais concretamente em Brighton. Na sua génese está Tiago Saga, um jovem com genes britânicos, libaneses e espanhóis que cresceu no Algarve. Enquanto estudava composição contemporânea na Universidade de Sussex, Inglaterra, Tiago Saga foi criando a sua própria sonoridade assente na world music e na folk rock anglo-saxónica com outros músicos que foi conhecendo e com quem foi partilhando as mesmas inspirações, nomeadamente Joshua Taylor (baixo), Martyn Lillyman (bateria), Oliver Weder (teclas), os seus parceiros nestes Time For T.

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Sucessor do excelente Hoping Something Anything, disco editado no início do outono de dois mil e dezassete, Galavanting tanto deambula pela folk como pelo rock psicadélico e nesse balanço, lá pelo meio, tanto piscam o olho à tropicália, como é o caso das batidas e dos arranjos de Naima e Eyes, como ao próprio jazz, exuberante nos devaneios percurssivos de Pink Marshmallows e no clima enevoado das cordas que conduzem Calling Back, indo também até ao blues experimental em Practically, uma canção com raízes na Índia, aquele rock mais boémio, audível em You Seem Intelligent, um modus operandi melodicamente acessível, sem deixar de exalar profundidade lírica e um charme genuíno.

Gravado e produzido por Juan Torán e misturado por Hugo Valverde, Galavanting representa bem aquele espírito intuítivo, orgânico e crú que carateriza a filosofia criativa destes Time For T que sabem melhor do que ninguém como fazer transparecer musicalmente todas as experiências de vidaque vão moldando a personalidade quer dos músicos quer da própria banda como um todo. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 16:53
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Sábado, 28 de Dezembro de 2019

Josh Rouse – The Holiday Sounds Of Josh Rouse

O músico, cantor e compositor Josh Rouse já tem um disco de natal, um trabalho intitulado The Holiday Sounds Of Josh Rouse que compila nove canções que fazem recordar a este músico natural de Nashville, mas há alguns anos radicado no sul de Espanha, momentos felizes da sua infância e de férias de natal passadas fora de casa. A receita é a habitual neste músico; uma enorme sensibilidade melódica assente em esplendorosas cordas e nos arranjos típicos da folk sulista norte americana, que dão as mãos para a criação do habitual ambiente emotivo e honesto que carateriza a música e os discos deste cantautor que nunca perdeu o espírito nostálgico e sentimental que carateriza a sua escrita e composição.

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Assim, apesar de datado e de ter uma especificidade natalícia vincada, The Holiday Sounds Of Josh Rouse não coloca em causa aqueles que são alguns pilares identitários essenciais de um músico que parece ser capaz de entrar pela nossa porta com uma garrafa numa mão e um naco de presunto na outra e o maior sorriso no meio, como se ele fosse já da casa, já que consegue sempre revelar-se, também nestas canções, como um grande parceiro, confidente e verdadeiro amigo, um daqueles que não complicam e com o qual se pode sempre contar. Josh Rouse é único e tem um estilo inconfundível no modo como dá a primazia às cordas, sem descurar o brilho dos restantes protagonistas sonoros e, principalmente, sem se envergonhar de colocar a sua belíssima voz na primeira linha dos principais fatores que ainda tornam a sua música tão tocante e inspiradora. Espero que aprecies a sugestão...

Josh Rouse - The Holiday Sounds Of Josh Rouse

01. Mediterranean X-mas
02. Red Suit
03. New York Holiday
04. Easy Man
05. Sleigh Brother Bill
06. Lights Of Town
07. Letters In The Mailbox
08. Heartbreak Holiday
09. Christmas Songs


autor stipe07 às 20:53
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Quarta-feira, 18 de Dezembro de 2019

Andrew Bird – Hark! EP

Com o aproximar do Natal é usual haver alguns lançamentos discográficos alusivos à época e o norte-americano Andrew Bird acaba de aderir a esta tendência com a recente edição de Hark, um EP de seis canções de Natal, editado à boleia da Loma Vista Records e que sucede a My Finest Work Yet, o décimo segundo álbum da carreira do músico natural de Chicago, um trabalho que viu a luz do dia na passada primavera.

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Andrew Bird é. claramente, um dos maiores cantautores da atualidade e tem um vasto catálogo de canções que são pedaços de música intemporais. A elas poderá muito bem juntar os originais AlabasterChristmas Is Coming e Night's Falling, assim como as covers dos clássicos Oh Holy Night e White Christmas, além de Skating, um original do compositor Vince Guaraldi e a grande fonte de inspiração para a elaboração de Hark!, um registo que se escuta com particular deleite e que encarna na perfeição o espírito sonoro da época que tem em sonoridades eminentemente clássicas maior aceitação. Nele, quer nas versões quer nos inéditos, Bird vai oferecendo-nos novas nuances, detalhes e formas de compôr que entroncam numa base comum, a típica folk norte americana, proposta através de diferentes registos e papéis, mas sempre com a mesma eficácia e brilhantismo, uma das marcas identitárias da sua arte.

Nos originais, os sinos e o timbre orgânico das cordas e das teclas de Alabaster, o pendor jazzístico da percurssão e dos sopros que inflamam um enorme charme a Skating e o assobio de Christmas Is Coming, são prova clara da habitual na mestria interpretativa de Andrew, enquanto que nas versões, a opção por roupagens minimalistas, acaba por conferir às canções uma alma mais intimista, mostrando-nos o quanto ele é também feliz quando opta por um exercício mais climático de agregação, fazendo-o, neste caso, imbuído de sofisticação e com enorme bom gosto. Espero que aprecies a sugestão...

Andrew Bird - Hark!

01. Alabaster
02. Skating
03. Christmas Is Coming
04. White Christmas
05. Oh Holy Night
06. Night’s Falling


autor stipe07 às 15:11
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Quarta-feira, 11 de Dezembro de 2019

Luke Sital-Singh – Strange And Beautiful (I’ll Put A Spell On You)

Luke Sital-Singh - Strange And Beautiful (I'll Put A Spell On You)

Depois da edição de Time Is A Riddle, em dois mil e dezassete, Luke Sital-Singh fez as malas, pegou no passaporte e embarcou numa viagem solitária por vários destinos do mundo, durante a qual escutou uma banda-sonora muito pessoal, composta por temas e artistas da sua eleição. Ficaram lançados os dados para a criação de novas canções, mostradas ao público o ano transato com a edição de Just A Song Before I Go e Weight Of Love, dois eps que tiveram sequência já este ano, na última primavera, com um disco intitulado A Golden State, que foca-se nessa viagem transatlântica que o autor e compositor efetuou e que mudou dramaticamente a sua vida.

Agora, no ocaso de dois mil e dezanove, é tempo do britânico Luke, agora radicado na costa oeste do outro lado do Atlântico, juntar um novo tema ao seu catálogo, uma cover do clássico Strange & Beautiful (I’ll Put A Spell On You), um original de dois mil e dois do projeto Aqualung. Recordo que Luke chegou a fazer parte da banda de suporte dos Aqualung e que trabalhou como artista convidado em discos desse projeto liderado por Matt Hales.

Através de cordas e teclas impregnadas de uma pegada folk eminentemente melancólica, o resultado final desta nova roupagem do tema é tremendamente fiel ao espírito intimista e profundamente reflexivo do músico britânico e ao misticismo a à inocência que a sua filosofia sonora, na génese, transborda, um modus operandi sempre profundo, intimista e bastante reflexivo. Confere a cover e o original de Strange And Beautiful (I’ll Put A Spell On You)...


autor stipe07 às 13:13
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Terça-feira, 10 de Dezembro de 2019

Crayon Fields – All The Pleasures Of The World

Crayon Fields - All The Pleasurse Of The World

Os míticos Crayon Fields de Geoff O'Connor são de Melbourne e deram-nos o último registo de originais em setembro de dois mil e quinze. O trabalho intitulava-se No One Deserves You e enquanto não vê sucessor, o quarteto está a preparar uma comemoração em grande dos dez anos de vida de All The Pleasures Of The World, o disco que em dois mil e nove lançou este projeto australiano para o estrelato, à boleia da Chapter Music.

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All The Pleasures Of The World são pouco mais de trinta minutos de uma simbiose bastante criativa entre a típica folk, com nuances mais clássicas da pop e do indie rock, A reedição de luxo deste belíssimo álbum inclui lados B, instrumentais demos e covers de clássicos de bandas e nomes como os ABBA, Roxette ou Kath Bloom e, entretanto, já podemos conferir o buliçoso baixo e a melodia vibrante da nova roupagem do tema homónimo do registo. Confere...


autor stipe07 às 14:08
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Sábado, 7 de Dezembro de 2019

Taïs Reganelli - Tanto Mar (Chico Buarque)

Filha de pais brasileiros, Taïs Reganelli nasceu em Berna, na Suíça, há quarenta e um anos, durante o exílio político de seu pai, o jornalista Wilson Roberto Reganelli, que foi embora do Brasil após a morte de seu companheiro de trabalho, o também jornalista Vladimir Herzog, assassinado pela ditadura militar. A família viveu na Suíça doze anos antes de voltar definitivamente ao país natal, para Campinas, no interior de São Paulo, quase no ocaso da década de oitenta do século passado.

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Taïs Reganelli iniciou sua carreira ainda na adolescência, cantando em bares, teatros e espaços culturais da cidade, sempre acompanhada de seu irmão mais velho, o violonista Henrique Torres, com quem formou um duo por mais de vinte anos. Em mil novecentos e noventa e nove, fixou-se em Itália onde durante dois anos deu vários concertos com o irmão,  regressando de novo ao Brasil em dois mil e um para cimentar um lugar de relevo no cenário musical do país irmão e dividir o palco com grandes nomes da música popular brasileira. Ao longo desses anos tocou em vários países da América Latina e da Europa, entre eles Nicarágua, Chile, França, Espanha, Bélgica, Holanda, Itália e Portugal. Lançou quatro álbuns de carreira, destacando-se Leve, há oito anos, que ganhou posições de destaque em várias listas dos melhores discos brasileiros desse ano.

Atualmente a cantora e compositora Taïs Reganelli, vive em Portugal, está apaixonada por Lisboa e a explorar a nossa cultura musical e conceitos tão nossos como a saudade e a solidão. Na sequência, a intérprete estreou-se no nosso país com o lançamento do single Vem (Além de toda solidão), um original da Madredeus composto por Pedro Ayres Magalhães, Rodrigo Leão e Gabriel Gomes e que Taïs canta com pronúncia brasileira, dando ao original um cunho muito pessoal e uma identidade diferente da original sob a produção do pianista e compositor Pablo Lapidusas.

Agora, dois meses depois dessa feliz estreia por cá e da revisitação à Madredeus, Taïs Reganelli dá-nos a conhecer outra versão, neste caso de Tanto Mar, um original icónico de Chico Buarque e que é, segundo a autora, uma forma de aproximar ainda mais Portugal e Brasil, com histórias parecidas de luta e resistência durante os períodos em que foram submetidos a regimes ditatoriais.

Com a ajuda novamente de Pablo Lapidusas, Reganelli ofereceu ao original de Buarque uma toada mais roqueira e contemporânea, desconstruindo-o e conseguindo com felicidade um contraponto certeiro entre guitarras distorcidas e a sua voz suave. A presença inicial e a espaços de um sintetizador melodicamente inspirado, ajuda a ampliar o grau de emotividade e o colorido de um tema cujo original fala sobre o nosso vinte e cinco de abril e cuja escolha se entende devido ao facto de a ditadura ser algo muito presente dentro do seio familiar da cantora, como referi acima.

Realizado por Juliana Frug, o video da composição apropria-se, de acordo com o seu press release, de uma profusão de cravos para celebrar um dos principais acontecimentos de Portugal, ocorrido em 25 de abril de 1974. A ideia foi produzir um clipe conceitual, apenas com cravos e água (simbolizando o mar que separa os Continentes), interpretando assim toda a letra, afirma Taïs. A cartela de cores foi pensada de acordo com as cores das bandeiras do Brasil e de Portugal com algumas pequenas variações de tons, acrescenta Juliana Frog.

Importa ainda referir que o concerto de lançamento deste single está marcado para dia 14 de dezembro, às 21h, no AveNew, em Lisboa. Confere...

Web: https://www.taisreganelli.com/

Facebook: https://www.facebook.com/taisreganellioficial/

Instagram: https://www.instagram.com/taisreganelli/

YouTube: https://www.youtube.com/user/taisreganelli    


autor stipe07 às 14:06
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Sexta-feira, 6 de Dezembro de 2019

Efterklang – Lyset EP

Dois meses depois da edição de Altid Sammen (em português sempre juntos), o quinto registo de originais, os dinamarques Efterklang de Mads Brauer, Casper Clausen e Rasmus Stolberg, um grupo que se divide entre Lisboa e Copenhaga, voltam a oferecer novidades com a edição de um novo EP intitulado Lyset, quatro canções divididas pelo inédito homónimo e três novas versões de três dos momentos maiores de Altid Sammen.

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Lyset, mais uma jóia verdadeiramente preciosa que arrebata toda a dose de melancolia que temos guardada dentro de nós, foi gravada no passado dia dezasseis de setembro em Copenhaga, capital da Dinamarca e significa a luz, com os Efterklang a dividirem os créditos do tema com o artista sueco Sir Was.

Quer na gravação de Lyset, quer na das outras três composições, os Efterklang contaram com as participações especiais de Simon Toldam (piano) e Øyunn (voz, percussão), músicos que costumam acmpanhar o trio nos concetos ao vivo e ainda o South Denmark Girls Choir / Sønderjysk Pigekor, sedeado em Sønderborg, cidade natal dos Efterklang, liderado por Mette Rasmussen e que já tinha participado nas gravações de Piramida o mítico álbum de dois mil e doze dos Efterklang. Confere...

Efterklang - Lyset01. Lyset
02. Vi Er Uendelig (Feat. South Denmark Girls’ Choir)
03. Havet Løfter Sig
04. Hænder Der Åbner Sig (Feat. South Denmark Girls’ Choir)


autor stipe07 às 13:31
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Quinta-feira, 5 de Dezembro de 2019

Beck – Hyperspace

Colors ainda não tem três anos, o single Tarantula, inserido na banda-sonora do filme Roma, escrito e dirigido por Alfonso Cuarón, um, mas Beck Hansen, uma referência icónica da música popular das últimas duas décadas, já tem disco novo, um registo intitulado Hyperspace, um tomo de onze canções que viu recentemente a luz do dia, à boleia da Capitol Records.

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O frenesim criativo não é algo inédito neste músico californiano que no início da década de noventa atuava em clubes noturnos vestido de stormtrooper e que da aproximação lo-fi ao hip-hop de Mellow Gold Odelay, passando pela melancolia de Sea Change e a psicadelia de Modern Guilt, nos foi habituando, nas últimas três décadas, a frequentes e bem sucedidas inflexões sonoras. Produzido por Pharell Williams e o próprio autor, Hyperspace, o décimo quarto registo de originais da carreira de Beck, acaba por ser mais um passo em frente relativamente às pegadas do antecessor Colors, um trabalho que, recordo, fez Beck regressar ao trilho da pop mais efervescente, sintética e luminosa e que estava repleto de canções a apelarem às pistas e à criatividade dos remisturadores.

O tal passo em frente de Hyperspace relativamente a Colors é dado em direção a uma filosofia estilística e interpretativa menos burilada e mais simples, direta e minimal. No entanto, mantém-se a fixação recente de Beck pelos anos oitenta do século passado, num disco repleto de tiques típicos do R&B, da soul e da pop lisérgica, num resultado final onde ironia, festa e uma auto reflexão muitas vezes emotiva são conceitos transversais a todo o alinhamento.

Assim, se as cordas de Die Waiting nos oferecem aquele Beck que é exímio em criar melodias agradáveis, marcantes e ricas em detalhes e texturas, dentro de um espetro pop eminentemente contemplativo, já Saw Lightning, pouco mais de quatro minutos de um efervescente festim pop, que sobressai pela luminosidade das cordas de uma viola, por diversos detalhes percurssivos e pelo fuzz intermitente de uma teclado, oferece-nos o tal outro lado mais animado e consentâneo com as propostas mais sintéticas do autor. Depois, Chemical, uma lindíssima balada onde sobressai um teclado que acompanha com mestria aquele efeito mais doce com que o músico costuma adornar a sua voz quando quer transmitir algo mais profundo, é outro oásis etéreo dentro de um registo que também vive muito de uma componente cósmica, no que concerne ao cardápio de efeitos e sintetizações que adornam algumas das suas composições.

Recheado de outros ilustres convidados, nomeadamente os colegas de longa data de Beck, Jason Falkner, Smokey Hormel e Roger Manning Jr., Greg Kurstin, que coescreveu e coproduziu See Through, uma mescla feliz entre R&B e chillwave, Paul Epworth que fez o mesmo em Star, Chris Martin que participa em Stratosphere, Terrell Hines, no tema homónimo do disco e Sky Ferreira nos coros de Die Waiting, Hyperspace não é ainda uma aproximação bem conseguida aos melhores trabalhos da carreira de Beck, mas contém um pretexto explícito, mensagens contundentes e uma identidade bem definida, além de um forte sentido de contemporaneidade e de aproximação às tendências comerciais mais ouvidas na música atual. Espero que aprecies a sugestão...

Beck - Hyperspace

01. Hyperlife
02. Uneventful Days
03. Saw Lightning
04. Die Waiting (Feat. Sky Ferreira)
05. Chemical
06. See Through
07. Hyperspace (Feat. Terrell Hines)
08. Stratosphere
09. Dark Places
10. Star
11. Everlasting Nothing


autor stipe07 às 13:40
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Quinta-feira, 28 de Novembro de 2019

Bill Callahan – If You Could Touch Her At All vs So Long, Marianne

Bill Callahan, nascido em mil novecentos e sessenta e seis, é um músico norte americanos folk, natural de Silver Spring, no Maryland. A sua carreira musical começou na década de noventa com o bem sucedido projeto Smog e desde então Callahan não sabe o que é descanso. Depois de em dois mil e cinco ter lançado A River Ain’t Too Much To Love, o último disco nos Smog, começou a carreira a solo em 2007 com Woke on a Whaleheart, logo após ter assinado pela editora independente Drag City. Mas o melhor ainda estava para vir; Lançado em 2009, Sometimes I Wish We Were an Eagle resgatava toda a funcionalidade e beleza das composições da antiga banda do músico e figurou nas listas de alguns dos melhores lançamentos desse ano. O segundo disco, Sometimes I Wish We Were An Eagle chegou dois anos depois e, em dois mil e onze, Apocalypse, vinha embutido com a palavra paradoxo, devido à beleza e mistério de um álbum feito à base de guitarras eléctricas, mas embutidas em sonoridades folk, a roçarem o country e o jazz.

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Lançado o ano passado, Shepherd In A Sheepskin Vest é o mais recente trabalho de Callahan, uma obra-prima da qual o músico ainda retira dividendos e cujo primeiro aniversário resolveu comemorar com a edição de um single com duas covers de músicas da sua eleição; If You Could Touch Her At All, de Lee Clayton, um original celebrizado por  Willie Nelson e Waylon Jennings e uma versão do clássico So Long, Marianne, com cinquenta e um anos, da autoria de Leonard Cohen. As duas composições impressionam tanto na voz como na instrumentação sofisticada e plural, uma espécie de gravitar divertido em redor de um intimismo controlado, simultaneamente espontâneo e livre. Confere...

Bill Callahan - If You Could Touch Her At All - So Long, Marianne

01. If You Could Touch Her At All
02. So Long, Marianne


autor stipe07 às 18:01
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Quarta-feira, 27 de Novembro de 2019

Elbow – Giants Of All Sizes

Já chegou aos escaparates Giants Of All Sizes, o oitavo álbum de estúdio dos britânicos Elbow, um compêndio de nove canções lançado à boleia da Polydor Records. Giants Of All Sizes foi gravado em Hamburgo, na Alemanha, nos estúdios Clouds Hill Studios, com equipamento eminentemente analógico e foi produzido e misturado pelo teclista do grupo, Craig Potter. É um trabalho que conta com as participações especiais de músicos como Jesca Hoop, os The Plumedores e o novato Chilli Chilton e que, de acordo com Guy Garvey, o vocalista e líder do projeto, tem o conceito de luto bastante presente, um luto devido às morte recente do pai de Garvey (On Deronda Road debruça-se sobre este assunto em particular), mas também um mais metafórico devido ao brexit e ao atentado a vinte e dois de maio de dois mil e dezassete em Manchester, terra natal dos Elbow, durante um concerto de Ariana Grande.

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Donos de um som épico, eloquente e que exige dedicação, os Elbow verbalizam sonoramente em Giants Of All Sizes, um distanciamento cada vez maior da faceta rock que sempre marcou o projeto e que teve como clímax o excelente tema Grounds for Divorce, incluído no já clássico The Seldom Seen Kid (2208), para se aproximarem, mais do que nunca, de um som íntimo, polido, de forte pendor acústico, ou seja, um som que tem na pop, na folk e até na própria música de câmara influências mais do que evidentes.

Assim, charme e classicismo são conceitos que assaltam facilmente a mente de quem escuta estas nove composições que, não deixando de ter felizes combinações entre guitarras eletrificadas e uma ímpar imponência percurssiva, como é o caso do single Dexter And Sinister, canção que mistura com ímpar virtuosismo um baixo vibrante, com alguns efeitos sintetizados subtis e uma bateria eloquente, acabam por mostrar todo o seu esplendor em composições que têm como ponto forte instrumentais sofisticados, onde não faltam violinos (Seven Veils) ou orgãos (Empires), como instrumentos de eleição da condução melódica e da indução de alma, caráter e beleza às mesmas e, no cômputo geral, ao registo. No entanto, importa também salientar que a voz de Garvey é, também, um ponto forte do trabalho, funcionando como mais uma espécie de elemento instrumental, com igual importância no arquétipo do registo. O modo como se entrelaça com as cordas em The Delayed é um excelente exemplo dessa constatação, que se tornará óbvia para quem escutar este registo com alguma devoção.

Giants Off All Sizes é o primeiro capítulo de uma espécie de segunda vida dos Elbow, até porque não terá sido por acaso que o grupo editou uma compilação de sucessos há exatamente dios anos. A nova vida da banda britânica é sonoramente mais recatada e charmosa, mas a escrita talvez seja mais efusiva e aprimorada do que nunca. Independentemte disso, o travo mantém-se idêntico; Os Elbow são das melhores bandas do mundo para nos ensinar como enfrentar a habitual ressaca emocional que os eventos familiares menos positivos provocam no equilíbrio emocional de qualquer mortal, mas também servem como odes celebratórias de todo o encanto e alegria que a vida nos oferece. Espero que aprecies a sugestão...

Elbow - Giants Of All Sizes

01. Dexter And Sinister
02. Seven Veils
03. Empires
04. The Delayed 3:15
05. White Noise White Heat
06. Doldrums
07. My Trouble
08. On Deronda Road
09. Weightless


autor stipe07 às 21:20
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Terça-feira, 12 de Novembro de 2019

Fink – Bloom Innocent

Cinco anos depois do excelente álbum Hard Believer e três do credível e não menos exuberante sucessor, o registo Resurgam, o projeto Fink de Fin Greenall (voz, guitarra), um músico britânico com quase meio século de vida, natural de Bristol e que, deambulando entre Londres e Berlim, vai-se destacando não só como músico, mas também como compositor e produtor para outros projetos, está de volta com Bloom Innocent, oito canções que encarnam o alinhamento mais intimista, negro e intrincado do músico, mas que mesmo assim não deixam de continuar a catapultá-lo para o já habitual nível qualitativo de excelência das suas propostas, numa das carreiras mais menosprezadas do cenário indie contemporâneo.

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Gravado na intimidade do seu estúdio caseiro de Berlim, o local onde Fin se sente mais confortável e feliz a compôr e onde, de acordo com o próprio, consegue manter a sua sanidade mental, sempre em risco de resvalar devido à frustração inerente às agruras e à insatisfação de qualquer processo criativo, com destaque para o musical, Bloom Innocent contém as composições mais complexas da carreira de Fink, assentes em guitarras repletas de efeitos e timbres etéreos e uma complexidade melódica ímpar, que tanto apela à meditação e ao recolhimento, como à celebração de tudo aquilo que de bom podemos retirar das coisas mais simples da vida, o tema preferido da escrita deste compositor único.

Assim, num projeto que também tem como atributo maior a belíssima voz de Fin e o exemplar trabalho de produção de Flood, que já tinha colocado as mãos em Resurgam, canções como Bloom Innocent, o tema homónimo de abertura, feito de uma melodia que tem por base uma bateria, um insinuante piano e a voz de Fink impregnada de soul, às quais vão sendo adicionados vários detalhes e elementos, incluindo o som de um teclado e algumas cordas, ou o clima intrigante e vincadamente experimental e orgânico de We Watch The Stars, são perfeitos para nos transportar para um disco essencialmente acústico e com uma forte toada blues. Depois, na indisfarcável tonalidade chill de Once You Get A Taste, no modo preciso como cordas e tambor se revezam no controle em Out Loud, no modo inteligente como as vozes se sobrepôem à crescente trama instrumental, ampliando o travo dramático de That's How I See You Now e no piscar de olhos à música negra e ao r&b em I Just Want A Yes, contemplamos um disco com uma elevada componente cinematográfica e reflexia, uma materialização não tão exuberante como alguns antecessores, mas igualmente assertiva, de todos os atributos que Fink, um artista tremendamente dotado, guarda na sua bagagem sonora, assente numa filosofia estilística de forte cariz eclético.

Bloom Innocent está recheado de sons inteligentes e solidamente construídos, que nos emergem em ambientes carregados de ritmos e estruturas sonoras muitas vezes falsamente minimalistas e que têm como grande atributo poderem facilmente fazer-nos acreditar que a música pode ser realmente um veículo para o encontro do bem e da felicidade coletivas. Espero que aprecies a sugestão...

Fink - Bloom Innocent

01. Bloom Innocent
02. We Watch The Stars
03. Once You Get A Taste
04. Out Loud
05. That’s How I See You Now
06. I Just Want A Yes
07. Rocking Chair
08. My Love’s Already There


autor stipe07 às 20:39
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Quinta-feira, 31 de Outubro de 2019

Pete Yorn – Caretakers

Nascido em Nova Jersey há já quatro décadas e meia, Pete Yorn é um dos nomes mais interessantes do cenário indie norte-americano, um músico, cantor e compositor, que se notabilizou há cerca de dez anos quando gravou o disco Break Up, em parceria com a atriz e cantora Scarlett Johansson. Caretakers é o seu novo compêndio de originais, o oitavo registo do seu cardápio sonoro, um trabalho em que Yorn demonstra com elevada bitola qualitativa a sua elevadíssima capacidade interpretativa junto das cordas, nomeadamente a viola e a guitarra, os seus instrumentos de eleição.

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Tendo-se estreado no início deste milénio com o álbum musicforthemorningafter e já beneficiado de colaborações de nomes como Peter Buck ou os Guided By Voices, além da já referida Scarlett, nos oito discos que editou, Pete Yorn tem consolidado uma carreira bastante interessante dentro de um espetro sonoro que privilegia uma interseção cuidada entre alguns dos tiques essenciais do típico rock alternativo norte-americano e o chamado alt-country, que conserva, na sua essência, alguns dos mais belos fundamentos daquele som tipicamente americano que todos identificamos facilmente. Chapéus de cowboy e camisas aos quadrados por cima de t-shirts desbotoadas podem muito bem ser o dress code das canções de Yorn, caso elas se quisessem vestir com aquela que é a sua essência e travo.

De facto, em pouco mais de meia hora, Caretakers transporta-nos com nitidez para uma América repleta de dilemas, mas também profundamente humana, emocional e, de algum modo, simples. Canções do calibre de Calm Down, um exuberante exercício de manipulação de cordas luminosas com arranjos de forte cariz vintage, Can't Stop You, um mais intimista e afetuoso instante de melancolia e introspeção à boleia de uma guitarra eletrificada repleta de charme ou ECT, um portento de intimidade que convida ao sorriso fácil e à reflexão espontânea, são momentos maiores de um trabalho onde simplicidade e sofisticação se confundem e se sentem porque as canções deste disco falam do nosso interior com clareza e ressucitam o que de melhor a mente humana pode sentir, sendo a sua audição uma experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia. Espero que aprecies a sugestão...

Pete Yorn - Caretakers

01. Calm Down
02. I Wanna Be the One
03. Can’t Stop You
04. Idols (We Don’t Ever Have To Say Goodbye)
05. Do You Want To Love Again?
06. Caretakers
07. Friends
08. ECT
09. POV
10. Opal
11. A Fire In The Sun
12. Try


autor stipe07 às 15:09
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Segunda-feira, 21 de Outubro de 2019

Perfume Genius – Pop Song

Perfume Genius - Pop Song

Cerca de dois anos e meio depois do excelente No Shape, Mike Hadreas, aka Perfume Genius, está de regresso com novidades que poderão muito bem antecipar o lançamento em breve do quinto álbum da carreira de um dos nomes mais excitantes do cenário musical alternativo. Importa, no entanto, ressalvar que Hadreas não este parado durante este par de anos, já que criou os temas Eighth GradeBooksmart e13 Reasons Why, para a banda sonora do filme The Goldfinch, além de ter andado em digressão a promover No Shape e de ter ainda autorizado algumas remisturas e participado em colaborações.

Entretanto também já era do conhecimento público que Perfume Genius andava a colaborar com a coreógrafa Kate Wallich e com a companhia de dança The YC, num bailado contemporâneo e numa performance ao vivo. O nome dessa inusitada obra éThe Sun Still Burns Here e começam a ser revelados cada vez mais detalhes do produto final e da performance, estando o seu conteúdo cada vez menos confinado aos estúdios de dança onde têm decorrido os ensaios e as gravações.

Eye In The Wall foi o primeiro grande detalhe já revelado desse trabalho colaborativo, uma composição sonora assinada por Perfume Genius e que nos oferece uma espécie de sinistro western percurssivo, com uma impactante atmosfera lo-fi, mas também com aquela dose de delicadeza e emotividade que carateriza, através de um aparato tecnológico amplo, os principais caminhos de expressão musical da sua discografia. Agora, algumas semanas depois, acaba de ser revelada mais uma composição dessa performance colaborativa e com a assinatura de Hadreas. A canção intitula-se Pop Song e permite-nos contemplar um curioso exercício de simbiose entre elementos sintéticos particularmente rugosos, com um edifício percussivo repleto de groove, tudo temperado com o habitual falsete de Hadreas, sempre emotivo e realisticamente magnético. Confere...


autor stipe07 às 21:12
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