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The Notwist – Ship

Quarta-feira, 05.08.20

The Notwist - Ship

Considerados por muitos como verdadeiros pais do indie rock, os The Notwist, liderados pelos irmãos Archer, estão de regresso aos lançamentos discográficos com Ship, um EP que irá ver a luz do dia ainda durante este mês de agosto, à boleia da Morr Music, etiqueta alemã, e que será o primeiro sinal de vida do projeto em seis anos. Recordo que em dois mil e catorze este projeto alemão único lançou o disco Close to The Glass, um tomo de onze canções assentes numa eletrónica cheia de elementos do krautrock, mas que também passava pelo hip hop mais negro, o indie rock e o jazz progressivo, um verdadeiro caldeirão sonoro onde cada elemento foi cuidadosamente tratado e que estava minuciosamente carregado de vida.

Para antecipar o lançamento deste EP, ao qual se seguirá, ainda de acordo com a banda, um novo longa duração ainda em 2020, os The Notwist acabam de divulgar o single homónimo do registo, uma canção que conta com a participação vocal da japonesa Saya, vocalista da banda Tenniscoats e que impressiona pelo rigor percurssivo, assente num registo tremendamente hipnótico, devido a uma batida seca que lateja sem cessar, enquanto é constantemente rodeada por uma espiral sintetizada repetitiva e diversas aparições de uma guitarra que se insinua sempre à espreita do momento ideal para explodir em riffs e distorções incontroláveis, algo que acaba por não acontecer. Confere...

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publicado por stipe07 às 21:31

The Psychedelic Furs – Made Of Rain

Segunda-feira, 03.08.20

Trinta anos é uma eternidade, o disco a que se refere este artigo quebra um dos mais longos hiatos da historia do indie rock, mas é exatamente este o tempo que separa World Outside, disco que os londrinos The Psychedelic Furs lançaram no início da década de noventa do século passado, de Made Of Rain, o oitavo e novo registo de originais desta banda londrina de pós punk, liderada pelos irmãos Butler, Richard e Tim, aos quais se juntam, atualmente, o guitarrista Rich Good, o baterista Paul Garisto, o saxofonista Mars Williams e a teclista Amanda Kramer, e cujas raízes remontam a mil novecentos e setenta e sete, tendo o projeto estreado-se nos lançamentos discográficos em mil novecentos e oitenta com um homónimo que, apesar de ter sido um relativo fracasso comercial, foi bem aceite pela crítica e colocou logo este projeto nos holofotes do cenário indie britânico.

The Psychedelic Furs Anuncia Lançamento Do Novo Álbum, Made Of Rain -  RockBizz

Basta ouvir Made Of Rain uma única vez para se perceber que esté um disco de rock puro e duro, pleno de profundidade e força, instrumentalmente luxuoso, adulto, impressionista e com alguns instantes emocionalmente sublimes. Para quem atualmente aprecia nomes tão sobejamente conhecidos como os The National, Interpol, Editors ou The Killers e nunca se esqueceu da herança dos Cure ou Echo & The Bunnymen, Made Of Rain é o registo perfeito para a agregação num só alinhamento de todas as boas sensações que cada uma destas ilustres figuras nos proporcionam isoladamente e com as suas próprias especificidades, já que este é um álbum exuberante, texturizado e moderno, mas nitidamente atemporal.

Uma das grandes virtudes dos The Psychedelic Furs durante os anos oitenta foi sempre o cultivo de uma faceta algo enigmática, dissidente e extravagante, com a vertente comercial a estar sempre em segundo plano. Trinta anos poderiam ter feito mudar esse modo de ver a arte musical e este regresso à atividade poderia muito bem obedecer a um imperativo de aproveitamente de um nome e de uma herança para faturar mais uns milhões e assegurar a segurança financeira definitiva dos três irmãos. Mas nem a essa lógica Made Of Rain parece obedecer, porque mais do que a busca de canções melodicamente radiofónicas, o intuíto terá sido o reencontro com o simples prazer de compôr e criar, tendo apenas como bitola, além da herança rica da banda, o gosto pessoal do núcleo duro que se mantém integro e que não sofreu qualquer desgaste com o tempo. Existem semelhanças na abordagem estética relativamente ao que o grupo fez há quatro décadas atrás, mas há também uma sensação de modernidade indesmentível.

Assim, na enganadora gentileza de Tiny Hands, na absoluta epicidade de You'll Be Mine, no travo gótico do single Don't Believe e de Turn Your Back On Me e na grandiosidade lírica e dramaticamente maleóvola de No-One, situam-se os alicerces fundamentais de um disco imponente, repleto de drama mas também de humor, um alinhamento ao qual é transversal um niilismo melancólico amiúde arrepiante, encharcado de narrativas em que as palavras e frases são como cores feitas para criar pinturas abstratas e impressionistas, mas sentimentalmente bastante evocativas de uma espiritualidade que foi sempre muito intrínseca a um Richard Butler, o grande poeta destes The Psychedelic Furs, ávido por se afogar com as contradições inerentes a quem se deixa ver exteriormente como alguém alegre e sorridente, mas que guarda no seu âmago uma dose nada pequena de negatividade e dramatismo. É esta ambiguidade e este belo caos emocional que Made Of Rain, um disco cinematográfico, impressionista e expressionista, destila por todos os poros. Espero que aprecies a sugestão...

The Psychedelic Furs - Made Of Rain

01. The Boy That Invented Rock And Roll
02. Don’t Believe
03. You’ll Be Mine
04. Wrong Train
05. This’ll Never Be Like Love
06. Ash Wednesday
07. Come All Ye Faithful
08. No-One
09. Tiny Hands
10. Hide The Medicine
11. Turn Your Back On Me
12. Stars

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publicado por stipe07 às 16:31

Jaguar Sun – This Empty Town

Quinta-feira, 30.07.20

Chega de Ontário, no Canadá, This Empty Town, o disco de estreia de Jaguar Sun, um projeto a solo encabeçado pelo multi-instrumentista Chris Minielly,  músico que navega nas águas serenas de uma indie pop apimentada por paisagens ilidíacas em que é ténue a fronteira entre o orgânico e o sintético e onde uma forte componente experimental, livre de constrangimentos e até de rótulos específicos, dita de modo implacável a sua lei, no momento de compôr e criar canções que parecem passear pelo mundo dos sonhos, neste caso aqueles que se formam no espaço sideral.

Album Review & Interview: Jaguar Sun - "This Empty Town" - Lost In Groove

Não é preciso escutar This Empty Town muitas vezes para se perceber que Chris Minielly tem o dom de conseguir transmitir boas vibrações. Aliás, há nele uma inclinação para a beleza que é, quanto a mim, inquestionável. A bolha sonora que idealizou para esta inspirada estreia, já que o alinhamento do disco é bastante homogéneo e fluído, abastecendo-se ora de cordas com elevado grau de acusticidade, ora de elementos sintetizados, contém elevada cosmicidade e lisergia e nela, rock lo fi e eletrónica conjuram entre si, num misto de nostalgia e contemporaneidade.

Logo a abrir o registo, o esplendor solarengo e nostálgico de Red dá-nos, no imediato, no efeito do sintetizador que plana pela melodia, na batida inebriante e numa guitarra encadeante, a possibilidade de obtermos um olhar bastante impressivo e esclarecedor acerca do processo criativo de Minielly, enquanto compositor. A partir daí, desde instantes que parecem ser apenas devaneios experimentais, mas que se mostram muito bem sucedidos, intrincados e elaborados, como o singelo tema homónimo ou a espiritual Grey Skies, dois belíssimos exercícios de acusticidade lisérgica, até algumas composições em que o charme lo fi típico de uma produção crua e uma gravação arcaica se transformam em instantes de pura levitação soul, como é o caso da retro Those Days, da inflamante Time e da épica Next Year, o que não falta neste alinhamento são temas notáveis e extremamente belos, impregnados com letras de forte cariz introspetivo, num resultado final algo hipnótico, muito também por causa da vibrante e calorosa atmosfera que se cria em redor de uma estreia aboslutamente imperdível para todos os amantes da melhor indie pop atual. Espero que aprecies a sugestão...

Jaguar Sun - This Empty Town

01. Red
02. Keep You Warm
03. Time
04. Messed Up
05. Those Days
06. Grey Skies
07. This Empty Town
08. Next Year

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publicado por stipe07 às 14:45

Bill Callahan – The Mackenzies

Quarta-feira, 29.07.20

Nascido em mil novecentos e sessenta e seis, Bill Callahan é um músico norte americano, natural de Silver Spring, no Maryland. A sua carreira musical começou na década de noventa com o bem sucedido projeto Smog e desde então Callahan não sabe o que é descanso. Depois de em dois mil e cinco ter lançado A River Ain’t Too Much To Love, o último disco nos Smog, começou a carreira a solo em 2007 com Woke on a Whaleheart, logo após ter assinado pela editora independente Drag City. Mas o melhor ainda estava para vir; Lançado em 2009, Sometimes I Wish We Were an Eagle resgatava toda a funcionalidade e beleza das composições da antiga banda do músico e figurou nas listas de alguns dos melhores lançamentos desse ano. O segundo disco, Sometimes I Wish We Were An Eagle chegou dois anos depois e, em dois mil e onze, Apocalypse vinha embutido com a palavra paradoxo, devido à beleza e mistério de um álbum feito à base de guitarras eléctricas, mas embutidas em sonoridades folk, a roçarem o country e o jazznuances que foram determinantes para o esboço do conteúdo de Shepherd In A Sheepskin Vest, o álbum que o músico norte-americano lançou o ano passado e que já tem sucessor.

Bill Callahan shares new song “The Mackenzies”

Gold Record, o novo disco de Bill Callahan, chega aos escaparates no início do próximo mês de setembro, à boleia da Drag City. Terá dez canções, sendo uma delas uma nova versão de Let’s Move to the Country, um dos momentos altos de Knock Knock (1999), para muitos a obra-prima dos Smog. São vários quatro os singles divulgados de Gold Record; Começámos por apreciar Pigeons, depois foi a vez de Another Song35 e Protest Song, temas que foram comprovando, com enorme mestria e refinadíssima acusticidade, a superior capacidade interpretativa de Callahan aos comandos de uma viola.

Agora, no ocaso de julho, chega a vez de nos rendermos a The Mackenzies, mais uma história que Callahan nos conta, como é hábito nas suas letras, que contêm sempre uma impressiva componente narrativa, feita muitas vezes na primeira pessoa. Desta vez  escutamos o relato de alguém que tem um vizinho que sempre lhe suscitou enorme curiosidade e vontade de conhecer, faltando a coragem para a aproximação. Tendo um subito problema no carro, vê-se obrigado a contar com a sua ajuda, nascendo assim uma relação de amizade profunda entre duas pessoas que sempre se quiseram conhecer mas nunca conseguiram dar o primeiro passo e que envolve jantares em que abundam as trocas de experiências e memórias sobre o passado de cada um, nomeadamente as relações que ambos têem com os seus filhos. Sonoramente, a canção tem um travo blues bastante covincente, desenvolvendo-se lentamente e com as cordas a absorver, como é hábito, soberbos e charmosos arranjos e entalhes, das mais diversas proveniências. Confere..

Bill Callahan - The Mackenzies

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publicado por stipe07 às 10:57

Wye Oak – No Place

Sábado, 25.07.20

Wye Oak - No Place

É já no último dia deste mês que os infatigáveis Wye Oak nos oferecem No Horizon, um novo EP desta dupla de Baltimore formada por Jenn Wasner e Andy Stack. Mestres da folk e do indie rock, mas com um cardápio sonoramente cada vez mais eclético, suportado por uma sólida carreira de pouco mais de uma década cujos maiores trunfos são a belíssima voz de Jenn e o magnífico trabalho instrumental de Andy, os Wye Oak têm solidificado, nas suas últimas propostas discográficas, nomeadamente o disco de dois mil e dezoito,The Louder I Call, The Faster It Runs, uma opção clara por sonoridades mais contemporâneas e direcionadas, essencialmente, para cruzamentos entre a pop e a eletrónica.

No Place, o single recentemente retirado do alinhamento de No Horizon, e que volta a contar com o contributo do coro infantil Brooklyn Youth Chorus, reforça essa aposta em sonoridades de forte pendor sintético, apesar da filosofia rock que esteve sempre subjacente ao adn dos Wye Oak. É uma canção assente numa salutar confusão sonora muito experimental e apelativa e que originou uma atmosfera sonora simultaneamente íntima e vibrante, que se debruça sobre a fronteira que existe entre a nossa dimensão corporal e biológica e a nossa dimensão metafísica e como muitas vezes as pessoas, recentemente mais direcionadas para profissões que exigem o uso predominante da mente e do pesamento, se esquecem do seu lado mais físico, descurando o bem estar dessa dimensão mais orgânica do seu corpo. Confere...

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publicado por stipe07 às 12:01

Ed Harcourt – Drowning In Dreams

Sexta-feira, 24.07.20
O músico Ed Harcourt já tem pronto o seu nono e novo registo de originais, um disco que iráver a luz do dia a dezoito de setembro próximo e que irá suceder ao extraordinário registo Beyond The End, de dois mil e dezoito. Monochrome To Colour é o título do novo trabalho deste cantor e compositor britânico, mais um alinhamento apenas com instrumentais e que será certamente mais um trabalho bastante cinematográfico e evocativo, tendo em conta Drowning In Dreams, o mais recente single divulgado da obra, uma canção em que entalhes eletrónicos das mais diversas proveniências, um piano repleto de variações rítmicas e cordas inssinuantes abraçam-se e contrapôem-se, afagando uma melodia muito emotiva, vivbrante e impressiva.
SEE: Ed Harcourt returns, 'Drowning in Dreams' | Backseat Mafia
Este modus operandi plasmado no single entronca naquela que é a filosofia subjacente a este novo trabalho de Ed Harcourt, já que, de acordo com o próprio músico, Monochrome To Colour será um disco mais luminoso, amplo e otimista do que o antecessor, que era um trabalho eminemtemente melancólico e introspetivo (The new album is much more of an escapist record than Beyond The End,” he says. “[It] opens its arms to the world). Confere...
 

Ed Harcourt - Drowning In Dreams

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publicado por stipe07 às 11:11

Bill Callahan – 35 vs Protest Song

Terça-feira, 21.07.20

Nascido em mil novecentos e sessenta e seis, Bill Callahan é um músico norte americano, natural de Silver Spring, no Maryland. A sua carreira musical começou na década de noventa com o bem sucedido projeto Smog e desde então Callahan não sabe o que é descanso. Depois de em dois mil e cinco ter lançado A River Ain’t Too Much To Love, o último disco nos Smog, começou a carreira a solo em 2007 com Woke on a Whaleheart, logo após ter assinado pela editora independente Drag City. Mas o melhor ainda estava para vir; Lançado em 2009, Sometimes I Wish We Were an Eagle resgatava toda a funcionalidade e beleza das composições da antiga banda do músico e figurou nas listas de alguns dos melhores lançamentos desse ano. O segundo disco, Sometimes I Wish We Were An Eagle chegou dois anos depois e, em dois mil e onze, Apocalypse vinha embutido com a palavra paradoxo, devido à beleza e mistério de um álbum feito à base de guitarras eléctricas, mas embutidas em sonoridades folk, a roçarem o country e o jazznuances que foram determinantes para o esboço do conteúdo de Shepherd In A Sheepskin Vest, o álbum que o músico norte-americano lançou o ano passado e que já tem sucessor.

Gold Record, o novo disco de Bill Callahan, chega aos escaparates no início do próximo mês de setembro, à boleia da Drag City. Terá dez canções, sendo uma delas uma nova versão de Let’s Move to the Country, um dos momentos altos de Knock Knock (1999), para muitos a obra-prima dos Smog. São vários quatro os singles divulgados de Gold Record; Começámos por apreciar Pigeons, depois foi a vez de Another Song e os mais recentes são 35 e Protest Song, canções que mostram, com enorme mestria e refinadíssima acusticidade, a superior capacidade interpretativa de Callahan aos comandos de uma viola. Na primeira, de elevado travo jazzístico, as cordas vão absorvendo soberbos e charmosos arranjos e entalhes, das mais diversas proveniências, enquanto relatam a busca de um novo amor. Já Protest Song, contendo uma filosofia interpretativa um pouco mais crua e minimal, versa sobre a experiência pouco enriquecedora que é, na generalidade, visualizar nos dias de hoje televisão. Confere..

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publicado por stipe07 às 13:49

Matt Berninger – Distant Axis

Segunda-feira, 20.07.20

Matt Berninger - Distant Axis

Está para breve o lançamento do disco de estreia da carreira a solo de Matt Berninger, um registo intitulado Serpentine Prison, cuja produção está a ser ultimada e acabou por ser acelerada devido ao período de confinamento que o músico também viveu em Nova Iorque e que lhe permitiu debruçar-se com maior empenho neste seu projeto paralelo à realidade The National.

Serpentine Prison conta nos créditos com os produtores Booker T. Jones e Sean O’Brien, verà a luz do dia através da Book Records, uma nova etiqueta, subsidiária da Concord Records e formada por Berninger e Jones em conjunto e do seu alinhamento, depois de ter sido revelado o tema homónimo, agora chega a vez de contemplarmos Distant Axis, tema que foi crescendo a partir de um esboço criado por Walter Martin (The Walkmen) e que tinha o nome inicial Savannah. É mais uma lindíssima composição, instrumentalmente riquíssima e repleta de arranjos das mais diversaa proveniências, com uma toada emotiva crescente e na qual cordas e piano se deixam cobrir com mestria por uma nuvem espessa de classicismo e por uma aúrea de sentimentalismo e sensibilidade únicos, impressões ampliadas pela superior delicadeza do registo vocal grave de Berninger, num resultado final extraordinário. Confere...

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publicado por stipe07 às 08:35

Widowspeak – Plum

Sábado, 18.07.20

Widowspeak - Plum

É na insuspeita Captured Tracks que se abrigam os Widowspeak, projeto sedeado em Brooklyn, Nova Iorque e que flutua abrigado pela incrível e criativa química que se estabeleceu há já uma década entre a cantora e escritora Molly Hamilton e o guitarrista Robert Earl Thomas, dois músicos com raízes em Tacoma e Chicago, mas estabelecidos na cidade que nunca dorme há já algum tempo. Com já quatro extraordinários discos em carteira e o quinto na forja, começaram por viver à sombra daquela pop de finais dos anos oitenta muito sustentada por elementos sintetizados, mas não restam dúvidas que é nas construções musicais lançadas há cerca de três décadas que melhor navegam, nomeadamente a dream pop e a psicadelia sessentistas.

Widowspeak Announce New Album Plum, Share New Single | opera news

No final de agosto chegará aos escaparates Plum, o tal quinto disco dos Widowspeak e depois de nos termos deliciado com Money, canção com um forte cariz bucólico, assente em faustosas cordas vibrantes, num andamento rítmico marcial que nunca definha, acamado por um baixo que acolchoa e na doce e campestre voz de Hamilton, agora chegou a vez de nos deixarmos seduzir pelo tema homónimo do disco, uma composição feita de uma enorme sensibilidade melódica assente em esplendorosas cordas e nos arranjos típicos da folk sulista norte americana, que dão as mãos para a criação de um descontraído ambiente emotivo e honesto.

Bastam estas duas amostras para estarmos certos que Plum será um marco discográfico de dois mil e vinte, um trabalho que soprará na nossa mente de modo a fazer o nosso espírito facilmente levitar e que nos provocará, aposto, um cocktail delicioso de boas sensações. Confere...

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publicado por stipe07 às 14:48

Bill Callahan – Another Song

Sexta-feira, 17.07.20

Nascido em mil novecentos e sessenta e seis, Bill Callahan é um músico norte americano, natural de Silver Spring, no Maryland. A sua carreira musical começou na década de noventa com o bem sucedido projeto Smog e desde então Callahan não sabe o que é descanso. Depois de em dois mil e cinco ter lançado A River Ain’t Too Much To Love, o último disco nos Smog, começou a carreira a solo em 2007 com Woke on a Whaleheart, logo após ter assinado pela editora independente Drag City. Mas o melhor ainda estava para vir; Lançado em 2009, Sometimes I Wish We Were an Eagle resgatava toda a funcionalidade e beleza das composições da antiga banda do músico e figurou nas listas de alguns dos melhores lançamentos desse ano. O segundo disco, Sometimes I Wish We Were An Eagle chegou dois anos depois e, em dois mil e onze, Apocalypse vinha embutido com a palavra paradoxo, devido à beleza e mistério de um álbum feito à base de guitarras eléctricas, mas embutidas em sonoridades folk, a roçarem o country e o jazz, nuances que foram determinantes para o esboço do conteúdo de Shepherd In A Sheepskin Vest, o álbum que o músico norte-americano lançou o ano passado e que já tem sucessor.

Gold Record, o novo disco de Bill Callahan, chega aos escaparates no início do próximo mês de setembro, à boleia da Drag City. Terá dez canções, sendo uma delas uma nova versão de Let’s Move to the Country, um dos momentos altos de Knock Knock (1999), para muitos a obra-prima dos Smog. Another Song é o mais recente single retirado do alinhamento de Gold Record, uma canção que mostra, com enorme mestria, a superior capacidade interpretativa de Callahan aos comandos de uma viola, um lindíssimo tema sobre o magnetismo de um casal que anseia pelo momento do reencontro e que, sonoramente, apesar de parecer sustentar-se num registo eminentemente minimalista, está replto de subtis arranjos e entalhes, quer orgânicos, quer sintéticos. Confere...

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publicado por stipe07 às 15:44






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