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Interpol – Fables

Segunda-feira, 23.05.22

Os Interpol de Banks, Fogarino e Kessler, continuam a revelar detalhes de The Other Side Of Make-Believe, um registo que irá ver a luz do dia a quinze de julho próximo, com a chancela da Matador Records e que surge quatro anos depois de Marauder e três do EP Fine Mess. Recordo que durante este período Paul Banks não deixou de estar ativo, porque ofereceu-nos o espetacular disco homónimo de estreia do projeto Muzz, que partilha com Matt Barrick dos The Walkmen e Josh Kaufman dos Bonny Light Horseman.

Interpol lança o single "Fables" do álbum 'The Other Side of Make-Believe'

Assim, depois de terem sido divulgados os singles Toni e Something Changed, de um álbum que começou a ser incubado em dois mil e vinte numa casa alugada nas Catskills e que ganhou definitivamente forma no Norte de Londres com os co-produtores Flood e Alan Moulder, agora chega a vez de conferir Fables, uma curiosa composição que faz a banda resvalar para territórios mais próximos do hip-hop e do próprio R&B clássico, imagine-se, muito graças a um curioso e bem conseguido registo percussivo, a cargo de Daniel Fogarino.

Fables também já tem direito a um espetacular vídeo assinado por Van Alpert, o mesmo realizador dos filmes dos dois singles anteriores. Confere...

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publicado por stipe07 às 13:00

António Vale da Conceição - Remedy

Sexta-feira, 20.05.22

António Vale da Conceição é um produtor e músico de Macau, integrante da banda Turtle Giant, e agora residente em Portugal. Além da sua carreira já vasta nesse projeto macaense, é também autor de temas e bandas sonoras para Cinema e Televisão, destacando-se na relação próxima com o realizador António Caetano Faria.

Música | António Vale da Conceição lança novo trabalho em Março – Hoje Macau

O ano passado António Vale da Conceição lançou o seu primeiro álbum, intitulado Four Hands Piano e realizou e compõs a música para o documentário Beyond the Spreadsheet: The Story of TM1, um documentário que conta a história de vida e contributo tecnológico de Manny Pérez - o génio matemático que criou em 1983 a tecnologia que permitiu ao mundo efectivamente lidar com a complexidade de dados no mundo - A Base de dados Funcional (ou o Excel em esteróides). O documentário foi vencedor do Festival Internacional de Cinema de Anatolia e Selecção Oficial do OFF Berlin e Madrid e do Portland Film Festival.

Agora, na primavera de dois mil e vinte dois, António Vale da Conceição anuncia o lançamento de um EP, que tem como avanço uma canção intitulada Remedy. É um tema que, de acordo com a nota de imprensa, nos apela a não nos contaminarmos pelas sedutoras imagens e sons que nos rodeiam e, ao invés, sermos sãos, verdadeiros e autênticos. O remédio está muitas vezes na não-contaminação, na prevenção, portanto. E por isso, impermeabilizar-mo-nos de venenos (como as fake news, redes sociais, o desejo de fama, egos) é o nosso dever e responsabilidade, como indivíduos e como colectivo.

Remedy também já tem direito a um vídeo filmado pela realizadora do Porto Francisca Siza. A nota de imprensa refere que a ideia foi desdobrar a personagem António Vale da Conceição em várias personalidades ou alter-egos, que compõem a banda que actua a música “Remedy”. O resultado foi uma colagem de imagens destes alter-egos contra imagens que reflectem as ideias por trás duma canção que apela a que nos tornemos impermeáveis a desejos, ambições destrutivas, maus vícios, vitimizações. E que, por sua vez, apela a que usemos a mente, a cabeça, o intelecto, - para que estendamos a mão ao outro e nos reconheçamos a nós próprios, relembrando-nos que viemos todos na mesma matéria, da mesma mãe. Tudo, com vontade de rir. Confere...

Site: www.antoniovaledaconceicaomusic.com

Instagram: https://www.instagram.com/iamantonioconceicao/

Shop: https://thedonutworks.threadless.com

YouTube: https://www.youtube.com/channel/UC1DyVIGoq0-Vt06WASrSjhA

Spotify: https://open.spotify.com/artist/0O6mVy6NiE9cigEcv0rd29?si=AFekjtGlSXSkuDC6JjYcog

IMDB - https://www.imdb.com/name/nm5482868/

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publicado por stipe07 às 15:12

Papercuts – Past Life Regression

Quinta-feira, 19.05.22

Quatro anos depois do excelente Parallel Universe Blues, os Papercuts estão de regresso às luzes da ribalta com Past Life Regression, dez canções que viram a luz do dia em abril último, à boleia da Slumberland Records, a nova etiqueta deste projeto encabeçado por Jason Robert Quever e David Enos e oriundo de São Francisco, na costa oeste dos Estados Unidos da América.

Oh Nobody's Son | Papercuts

Past Life Regression é mais uma feliz jornada afagada nas nuvens poeirentas da folk pop psicadélica, com nomes como os Spiritualized, Echo & The Bunnymen, ou Leonard Cohen a serem influêcias declaradas, como Jason já admitiu recentemente. É um disco muito marcado pela mudança deste músico para São Francisco, depois de alguns anos a viver em Los Angeles, assim como pela questão pandémica atual e pela tensão politica que continua a dividir uma América muito marcada pelos acontecimentos que na última década têm criado feridas profundas nesse país.

Ao longo do alinhamento de Past Life Regression, Quever procura também colocar em perspetiva a sua carreira como grande mentor deste projeto Papercuts, acabando por alimentar nas dez canções um balanço feliz entre aquela que tem sido a sua demanda pelo alargado arco conceptual do chamado indie rock, que começou por abordagens mais ou menos cruas e diretas a universo lo-fi, no início da carreira e que, neste momento, se situa naquela esfera estilística que tem sempre em ponto de mira, nomeadamente ao nível da produção, quer a luminosidade, quer o requinte. 

A pop cósmica de Lodger, uma canção que nos faz levitar rumo às estrelas sem grande dificuldade, afagados por sintetizadores pulsantes e um jogo de cordas majestoso, o luminoso tratado de indie pop que é I Want My Jacket Back, canção que prima pela escolha assertiva de diversos arranjos percurssivos, que nunca ofuscam o brilho que as cordas conferem à canção do primeiro ao último segundo e a tonalidade burilada de The Strange Boys, tema com um orgão distorcido a acamar uma pafernália quase impercetível de sons, numa melodia de elevado cariz épico, são maravilhosos instantes sonoros de um registo que pode ser comparado a uma daquelas telas impressivas que exalam emoção e cor por todos os seus milimetros quadrados.

Past Life Regression é, em suma, um álbum que, canção após canção, implora pela nossa atenção, que sendo para ele orientada, sacia o nosso desejo de ouvir algo rico, charmoso e tremendamente contemporâneo e que deixa uma marca impressiva firme e de recompensadora codificação. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 15:38

Kevin Morby – This Is A Photograph

Quarta-feira, 18.05.22

Pouco mais de um ano depois do magnífico registo Sundowner, o sexto disco da carreira, Kevin Morby, um músico natural de Lubbock, no Texas, mas atualmente sedeado em Kansas City, depois de uma temporada a viver em Los Angeles, está de regresso aos discos com um alinhamento de doze composições intitulado This Is A Photograph, um registo que chegou aos escaparates com a chancela da insuspeita Dead Oceans.

Kevin Morby regressa aos discos com “This Is A Photograph” – Glam Magazine

Produzido por Sam Cohene e com as participações especiais de Cassandra Jenkins, Makaya McCraven, Tim Heideker e Alia Shawkat, This Is A Photograph é um disco de memórias e de exorcização, já que é bastante inspirado numa coleção de fotografias que estavam guardadas na casa onde cresceu e que Morby começou a vasculhar na mesma noite em que o pai faleceu enquanto jantava.

É este o curioso e apelativo mote para um extraordinário acervo sonoro que, mais uma vez, nos oferece um retrato impressivo sobre a América dos anos setenta e oitenta do século passado, ainda a lamber as feridas do Vietname e em pleno Watergate. Uma América à época cada vez mais refém de um sedento capitalismo e de um processo de industrialização intenso, mas que ainda conseguia manter em algumas zonas mais rurais, principalmente no sul, em estados como o Kentucky, o Texas, o Arkansas, a Georgia ou o Alabama, profundas marcas identitárias de uma ancestralidade que é hoje parte importante da definição daquilo que é ser-se verdadeiramente americano. Ao longo do disco, em temas como Forever Inside A Picture ou Stop Before I Cry, à medida que Morby descreve algumas das fotografias que encontrou e confessa as memórias que as mesmas lhes suscitam, acabamos por assistir a um desfile desses tiques, em simples descrições do quotidiano da sua família de que ele se recorda e que acabaram por ser eventos únicos da infância de Morby.

Assim, além desta narrativa que o autor de modo altruísta nos oferece sobre algo tão privado como as memórias familiares, algumas delas particularmente únicas, This Is A Photograph comprova, uma vez mais, que situações com potencial elevado para suscitarem sentimentos negativos e depressivos são, muitas vezes, incubadoras das melhores obras, porque a tristeza traz mais facilmente à tona udo aquilo que de mais profundo e nostálgico guardamos no nosso âmago e que quando encontra um veículo expressivo privilegiado, como a criação musical criativa de elevado calibre, acaba por resultar em algo estranhamente belo e de maravilhosa contemplação, ou audição, como é o caso.

Sonoramente, tal desiderato é alcançado num alinhamento que mistura com fino recorte folk, blues, rock e country, idealizado por um artista que começou a carreira aventurando-se no rock clássico, depois deu-lhe algumas pitadas indie e agora, mais maduro e na melhor fase da carreira, navega confortavelmente nas águas agitadas que misturam tudo aquilo que é, por definição, a força da música americana mais pura e genuína. O delicioso piano que conduz, de mãos dadas com lindíssimas cordas, Five Easy Pieces, uma bela balada que Morby dedica a uma antiga namorada chamada Bobby, o fuzz da guitarra que sustenta a angulosa rugosidade de Rock Bottom, o clima melancólico intenso que resvala de alto a baixo pela hipnótica A Coat of Butterflies, o travo climático e introspetivo de Disappearing, o modo desarmante como a flauta e a harpa nos emocionam em Stop Before I Cry, uma sentida e melosa declaração de amor do músico à sua atual companheira Katie Crutchfield, aka Waxahatchee e, ainda nas homeagens, as referências aos gurus da soul Otis Redding e Tina Turner, são belíssimas odes à celebração da vida e à possibilidade que ela nos oferece, diariamente, de podermos homenagear quem já partiu e, desse modo, tornar essas pessoas que nos marcaram bem presentes.

Em suma, This Is A Photograph consolida o modo com Kevin Morby vem, disco após disco, aprimorando um modus operandi bem balizado, que se define por opções líricas em que dominam ambientes nublados, intimistas e reflexivos e um catálogo sonoro emimentemente delicado e fortemente orgânico, sem artifícios desnecessários, ou uma artilharia instrumental demasiado intrincada. E é este, claramente, o travo geral de um disco repleto de tonalidades e que procura a interação imediata, mas também profunda, com o ouvinte, tendo no piano e nas cordas as armas de arremesso preferenciais, mas não as únicas. Kevin Morby é sagaz no modo como sobe mais alguns degraus no que concerne ao conteúdo qualitativo dos seus registos, fazendo-o com segurança e altivez e nunca beliscando uma apenas aparente dicotomia entre aquilo que é a grandiosidade da sua filosofia criativa e o modo simples e direto como a expôe, através de canções repletas de beleza, sensibilidade e conteúdo. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 15:53

Wilco – Tired Of Taking It Out On You

Terça-feira, 17.05.22

Os norte americanos Wilco de Jeff Tweedy estão de regresso aos discos nas próximas semanas com Cruel Country, um duplo registo inteiramente composto por canções de travo eminentemente folk, uma espécie de regresso às origens e aos primórdios da carreira da banda de Chicago, no Illinois.

Wilco lança "Tired Of Taking It Out On You", segundo single do novo álbum

Falling Apart (Right Now) foi o primeiro single revelado de Cruel Country, uma canção que mostrou, desde logo, com inegável realismo, a filosofia deste lançamento. Tired Of Taking It Out On You, o segundo single do trabalho, que tal como a esmagadora maioria das canções do álbum, é uma narrativa conceptual de alguns dos momentos fundamentais da história dos Estados Unidos da América, amplia essa permissa. A composição foi gravada no Loft em Chicago, um modus operandi que não se via desde o Sky Blue Sky, de dois mil e sete e assenta numa sonoridade animada e luminosa, mas também algo encantatória e bucólica. O divertido jogo de cordas da viola, do banjo e da guitarra, que sustenta a composição ajuda também a aproximar os Wilco de uma psicadelia blues de superior filigrana, que se escuta com aquela intensidade que fisicamente não deixa a anca indiferente. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:06

Death Cab For Cutie – Roman Candles

Segunda-feira, 16.05.22

Quatro anos depois do registo Thank You For Today, os norte-americanos Death Cab For Cutie já têm finalmente um sucessor para esse excelente disco que atestou, à época e mais uma vez, que o grupo liderado por Ben Gibbard é mestre a escrever sobre sentimentos e emoções, sustentado essa permissa em canções que olham sempre para a pop e o rock alternativo contemporâneos com sagacidade e, como é óbvio, com letras que testam constantemente a nossa capacidade de resistência à lágrima fácil.

Death Cab For Cutie: “Roman Candles” - Música Instantânea

De facto, disco após disco, os Death Cab For Cutie têm mostrado com clarividência a impressão firme no lado de cá da barricada de estarmos perante uma banda extremamente criativa, atual, inspirada e inspiradora e que sabe sempre como agradar aos fãs. E essa impressão deverá manter-se com Asphalt Meadows, o décimo disco da banda, que deverá ver a luz do dia em setembro próximo, com a chancela da Atlantic Records e que conta com a presença de John Congleton nos créditos relativos à produção. Assentamos essa nossa suposição no conteúdo de Roman Candles, o primeiro single divulgado de Asphalt Meadows, uma canção que Gibbard escreveu inspirando-se naquela sensação de ansiedade e incerteza que todos nós que vivemos o período pandémico e os sucessivos confinamentos e restrições conhecemos e que, sonoramente, à boleia de guitarras que debitam distorções sujas e abrasivas, nos oferece um instante de indie rock pulsante, rugoso e até algo hipnótico. Em suma, uma canção de de calibre ímpar e com uma radiofonia que também não é, certamente, inocente. Confere...

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publicado por stipe07 às 15:05

The Smile – A Light For Attracting Attention

Sexta-feira, 13.05.22

Chega hoje mesmo aos escaparates A Light For Attracting Attention, o disco de estreia do projeto The Smile que reúne Thom Yorke e Jonny Greenwood, o chamado núcleo duro dos Radiohead, com Tom Skinner, baterista do Sons of Kemet. Este é um álbum que tem vindo a agitar, com ânsia, burburinho e excitação, o acervo discográfico do ano de dois mil e vinte e dois, algo compreensível tendo em conta as amostras que foram sendo disponibilizadas nas últimas semanas do fabuloso conteúdo sonoro, lírico e conceptual de um alinhamento que tem a chancela da XL Recordings.

The Smile Debut Album “Free in the Knowledge” Announced with New Single |  Illustrate Magazine

Depois da audição deste disco, a primeira impressão que fica bem vincada no ouvido de quem está familiarizado com o cardápio único e incontornável de uma certa banda de Abingdon, nos arredores de Oxford, são duas questões bastante simples: Se este A Light For Attracting Attention conta com Thom Yorke e Jonny Greenwood em dois dos papéis principais da lista de créditos e se Nigel Godrich, um dos responsáveis máximos pela arquitetura sonora inconfundível dos Radiohead, é o produtor, porque é que este não é um disco assinado pelos próprios Radiohead? Se Yorke e Greenwood tiveram a ideia de um projeto paralelo, porque é que o som que idealizaram é tão semelhante ao da banda mãe de onde provêm, ao contrário do que é normal suceder? De facto, se A Light For Attracting Attention fosse o título de um novo álbum dos Radiohead, o seu conteúdo, tal como está, sem adaptações, seria, claramente, um dos destaques da exuberante discografia do mítico grupo britânico liderado por Thom Yorke e, consequentemente, apetece mesmo questionar se Ed O'Brien e Philip Selway sentir-se-ão confortáveis a ouvir este disco, podendo ter, legitimamente, a mesma sensação que nós temos.

Hipotéticas polémicas à parte, debruçando-nos com alguma minúcia no conteúdo sonoro de A Light For Attracting Attention, damos de caras (e ouvidos) com um álbum que disserta com gula, cinismo, ironia, sarcasmo, têmpera, doçura e esperança, sobre a nossa cada vez mais estranha contemporaneidade, algo que não espanta porque foi concebido por um trio cujo nome, (The Smile), não se refere àquele riso inocente e doce que todos apreciamos, seja qual for a sua proveniência, mas àquele riso típico de quem nos mente diariamente e fá-lo sem pudor, nomeadamente aquele riso pateta dos políticos que nos tentam convencer do contrário daquilo que geralmente dizem. E este disco tem, então, todos os ingredientes que é usual encontrar-se num alinhamento dos Radiohead, contando com uma fina e vigorosa interseção entre o melhor dos dois mundos que de modo mais fiel abarcam a herança sonora do grupo Oxford, o mundo do orgânico e o mundo do sintético. Para que tal se materialize, não faltam mesmo várias marcas identitárias, claramente audíveis ao longo do alinhamento, quer nas distorções das guitarras e na rudeza do baixo, quer na panóplia de sintetizações, com que facilmente nos familiarizamos, porque não fazem parte do cardápio de nenhum outro projeto além do projeto dos Radiohead, a não ser daqueles que tentam, quase sempre sem sucesso, replicar uma sonoridade sem paralelo no rock alternativo das últimas três décadas.

Assim, todas as doze canções deste A Light For Attracting Attention, de uma maneira ou de outra, umas mais exuberantes, outras mais cruas e contidas, têm os seus pilares assentes numa dimensão sonora eminentemente épica e orquestral. São composições detalhísticamente ricas em nuances, pormenores, sobreposições e encadeamentos, quase sempre guiadas por um cardápio de cordas geralmente com um timbre abrasivo e rugoso, mas também por um registo percussivo de forte travo jazzístico, ou seja, canções que exalam aquele habitual ambiente soturno que decalca um terreno auditivo muito confortável para Yorke, que sempre gostou de se debruçar sobre o lado mais inconstante e dilacerante da nossa dimensão sensível e de colocar a nu algumas das feridas e chagas que, desde tempos intemporais, perseguem a humanidade e definem a propensão natural que o homem tem, enquanto espécie, de cair insistentemente no erro e de colocar em causa o mundo que o rodeia.

Assim, tomando como referência o típico universo radioheadiano, aquele rock mais cru e vigoroso que todos conhecemos e que a banda de Oxford replicou com enorme argúcia, em especial nos primeiros três discos da sua carreira, está exemplarmente representado em temas como We Don’t Know What Tomorrow Brings, um portentoso hino de synth rock para se escutar de punhos bem cerrados, mas também na elegância das distorções que acamam Skrting On The Surface, ou na abrasiva You Will Never Work In Television Again, composição que em pouco mais de três minutos nos inebria com um punk rock de elevadíssimo calibre, com guitarras ruidosas e um registo percurssivo frenético a acamarem a voz de Yorke que permanece intacta e pujante, mesmo após tantos anos. Na outra face da mesma moeda, ou seja, na herança mais sintética, ambiental e experimental, que começou a ganhar forma no início deste milénio com a mítica dupla Kid A e Amnesiac, cabem temas como Pana-vision, uma canção que nos proporciona um maravilhoso momento sonoro intimista e acolhedor, mas que depois resvala para uma pujante trama orquestral, sustentado pelas teclas do piano, adornadas, depois, com sopros sedutores e uma bateria de forte travo jazzístico, enquanto o típico falsete de Yorke, conduz o andamento do baixo, assim como em Free In The Knowdlege, música bastante reflexiva, íntima e sentimentalmente poderosa, talvez a que, em vinte e sete anos de The Bends, mais perto chegou à fronteira de Fake Plastic Treesmelodicamente assente numa belissima melodia de uma viola, que está sempre, ao longo dos quatro minutos e treze segundos que o tema dura, exemplarmente acompanhada por excelsos violinos e por diversos detalhes percussivos de forte travo jazzístico. Depois, e numa espécie de simbiose entre os dois pólos, temos o funk anguloso e vibrante de The Opposite e, num registo menos fulgurante, mas igualmente sensual, principalmente na beleza dos sopros, The Smoke, duas canções que encaixariam na perfeição no alinhamento do magistral In Rainbows, a hiperativa Thin Thing e a charmosa e melancólica Open The Floodgates. Estes são quatro exemplos de músicas que têm de modo mais ou menos declarado a eletrónica presente, mas sem abafar aquele bucolismo etéreo e introspetivo que, curiosamente, fica ainda mais vincado e realista quando conta com linhas de guitarra ligeiramente agudas e com uma bateria que parece, amiúde, rodar sobre si própria, tal é o seu grau de imediatismo e intuição, no modo como se cola às melodias e amplia o colorido das mesmas.

Disco muito desejado desde que se tornou pública a sua concretização, A Light For Attracting Attention é um álbum excitante e obrigatório, não só para todos os seguidores dos Radiohead, mas também para quem procura ser feliz à sombra do melhor indie rock atual, independentemente do seu espetro ou proveniência estilística. O alinhamento do registo contém uma atmosfera densa e pastosa, mas libertadora e esotérica, materializando a feliz junção de três músicos que acabaram por agregar, no seu processo de criação, o modus operandi que mais os seduz neste momento e que, em simultâneo, melhor marcou a sua carreira, quer nos Radiohead, quer nos Sons Of Kemet. Surgiu, assim, um disco experimentalista naquilo que o experimentalismo tem por génese: a mistura de coisas existentes, para a descoberta de outras novas, como tão bem prova a fabulosa e surpreendente Waving A White Flag, forte candidata ao pódio das mais bonitas canções de dois mil e vinte e dois. Espero que aprecies a sugestão...

The Smile 'A Light For Attracting Attention' Review

 

The Same

The Opposite

You Will Never Work In Television Again

Pana-vision

The Smoke

Speech Bubbles

Thin Thing

Open the Floodgates

Free in the Knowledge

A Hairdryer

Waving a White Flag

We Don’t Know What Tomorrow Brings

Skrting on the Surface

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publicado por stipe07 às 01:45

The Boys With The Perpetual Nervousness – Look Back

Quinta-feira, 12.05.22

The Boys With The Perpetual Nervousness (TBWTPN) é um curioso projeto formado pela dupla Gonzalo Marcos, um músico espanhol natural de Madrid e membro dos míticos El Palacio de Linares e Andrew Taylor, um escocês oriundo de Edimburgo e membro dos também muito recomendáveis Dropkick. Preparam-se para regressar aos discos com um alinhamento de dez canções intitulado The Third Wave Of..., que irá ver a luz do dia a seis de julho próximo e que sucede aos aclamados registos Dead Calm, de dois mil e dezanove, o trabalho de estreia e Songs From Another Life, lançado o ano passado.

The Boys With The Perpetual Nervousness - Pop Spain

Look Back é o mais recente single divulgado de The Third Wave Of​.​.​., uma luminosa composição, intensa, poética e cheia de alma, que exala uma leveza pop intimista e um sedutor entusiasmo lírico. O tema contém uma atmosfera amável, que deslumbra pelo jogo charmoso que se estabelece entre cordas e a percussão e, mesmo no meio de algum fuzz constante, Look Back impressiona, inclusive no modo como nos oferece camadas sofisticadas de arranjos criativos e bonitos, obedecendo à melhor herança estilística de nomes tão proeminentes como os The Byrds, Teenage Fanclub ou os The Feelies. Confere...

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publicado por stipe07 às 15:49

The Afghan Whigs – The Getaway

Quarta-feira, 11.05.22

How Do You Burn? é o título do novo registo de originais dos The Afghan Whigs de Greg Dulli, o nono disco da banda norte-americana natural de Cincinnati, no Ohio, um estrondoso projeto em atividade desde mil novecentos e oitenta e seis e já com uma reputação mítica no universo sonoro indie e alternativo, das últimas quatro décadas.

The Afghan Whigs lançam novo single… “The Getaway” – Glam Magazine

How Do You Burn? irá ver a luz do dia a nove de setembro à boleia do consórcio Royal Cream/BMG e sucede aos registos Do To The Beast (2014) e In Spades (2017), álbuns que marcaram uma nova fase da banda depois de um longo hiato, durante parte da primeira década deste milénio. O disco contém dez canções que começaram a ganhar forma em setembro de dois mil e vinte, com a questão pandémica a ter um papel decisivo no modus operandi do processo de gravação.

As composições deste disco, cujos créditos assinalarão as participações especiais do falecido Mark Lanegan, de Susan Marshall, Van Hunt, Marcy Mays, Stevie Nicks e Lindsey Buckingham, foram gravadas em diferentes estúdios, nomeadamente na Califórnia, onde estiveram Dulli, o baterista Patrick Keeler e o produtor Christopher Thorn e em nova Jersey, Nova Orleães e Cincinnati, locais onde o guitarrista Jon Skibic, o baixista John Curley e o multi-instrumentista Rick Nelson, gravaram as suas contribuições para o posterior processo de mistura e produção.

The Getaway é o primeiro single revelado de How Do You Burn?, uma composição que assenta os seus pilares naquele rock eminentemente denso, mas com elevada sagacidade melódica, um rock carregado com guitarras poderosas e incisivas que não descuram uma faceta psicadélica que se aplaude e que é reforçada pela presença infatigável e marcante da clássica bateria. É, em suma, uma canção onde as cordas e a voz de Dulli ajudam a transportar-nos para paisagens áridas e quentes, como se exige a um bom tema dos The Afghan Whigs. Confere The Getaway e a tracklist de How Do You Burn?...


I’ll Make You See God
The Getaway
Catch A Colt
Jyja
Please, Baby, Please
A Line Of Shots
Domino and Jimmy
Take Me There
Concealer
In Flames

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publicado por stipe07 às 15:40

Ball Park Music - Manny

Terça-feira, 10.05.22

Quase uma década depois de termos analisado um disco com o curioso nome Puddinghead, e ano e meio após o registo seguinte, voltamos a colocar os nossos holofotes sobre os Ball Park Music , uma banda oriunda de Brisbane, na Austrália, formada por Sam Cromack, Jennifer Boyce, Paul Furness, Daniel Hanson e Dean Hanson. Eles têm um novo single intitulado Manny, o mais recente sinal de vida da banda e avanço para o trabalho intitulado Weirder & Weirder, o terceiro do quinteto, que irá ver a luz do dia a três de junho próximo.

Listen to Ball Park Music's new single 'Manny'

Manny é uma animada canção, dominada por uma guitarra encharcada num fuzz que carrega consigo o adn do melhor rock noventista, em especial o que ganhou fulgor à epoca por terras de Sua Majestade. É um um tema onde os arranjos e a combinação entre cordas, teclas, bateria e teclados e as mudanças de ritmo constantes impressionam verdadeiramente, mostrando que estes Ball Park Music são um grupo que tem realmente no seu seio músicos extremamente competentes e criativos. Confere...

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publicado por stipe07 às 15:34






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