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Os melhores discos de 2020 (20 - 11)

Domingo, 20.12.20

20 - Sufjan Stevens - The Ascension

The Ascension é uma jornada eletrónica climática e intimista, mas também algo inquietante, feita de um psicadelismo eminentemente experimental. Mesmo contendo alguns dos tiques identitários que marcam uma carreira de quase duas décadas, impressos na intimidade dialogante da sua escrita, que atingiu o apogeu no antecessor que se debruçava sobre o súbito desaparecimento da mãe e na seleção de alguns arranjos e detalhes que ainda têm um travo folk inconfundível, The Ascension oferece-nos, acima de tudo, um vasto e barroco festim eletrónico, justificado em diversas composições recheadas de uma vasta miríade de efeitos, distorções de guitarra, interseções e arranjos que servem bem à medida da imensidão e do silêncio que carateriza o vazio cósmico a que o músico de Chicago nos tem habituado ultimamente.

Sufjan Stevens - The Ascension

01. Make An Offer I Cannot Refuse
02. Run Away With Me
03. Video Game
04. Lamentations
05. Tell Me You Love Me
06. Die Happy
07. Ativan
08. Ursa Major
09. Landslide
10. Gilgamesh
11. Death Star
12. Goodbye To All That
13. Sugar
14. The Ascension
15. America

 

19 - Woods - Strange To Explain

Os Woods são, claramente, uma verdadeira instituição do indie rock alternativo contemporâneo. De facto, esta banda norte americana oriunda do efervescente bairro de Brooklyn, bem no epicentro da cidade que nunca dorme e liderada pelo carismático cantor e compositor Jeremy Earl e pelo parceiro Jarvis Taveniere, tem-nos habituado, tomo após tomo,  a novas nuances relativamente aos trabalhos antecessores, aparentes inflexões sonoras que o grupo vai propondo à medida que publica um novo alinhamento de canções. Mas, na verdade, tais laivos de inedetismo entroncam sempre num fio condutor que tem sido explorado até à exaustão e com particular sentido criativo, abarcando todos os detalhes que o indie rock, na sua vertente mais pura e noise e a folk com um elevado pendor psicadélico permitem. Estes são os grandes pilares que, juntamente com o típico falsete de Jeremy, orientam o som dos Woods e que se mantêm, com enorme primor, em Strange To Explain, um disco eminentemente cru, envolvido por um doce travo psicadélico, enquanto passeia por diferentes universos musicais, sempre com um superior encanto interpretativo e um sugestivo pendor pop.

Woods - Strange To Explain

01. Next To You And The Sea
02. Where Do You Go When You Dream?
03. Before They Pass By
04. Can’t Get Out
05. Strange To Explain
06. The Void
07. Just To Fall Asleep
08. Fell So Hard
09. Light Of Day
10. Be There Still
11. Weekend Wind

 

18 - Destroyer - Have We Met

Have We Met é um disco algo intrincado, mas bastante sedutor, um dobrar de esquina consistente e apurado, mesmo sendo o trabalho recente dos Destroyer que mais se aproxima da herança atmosférica da obra-prima Kaputt (2011). Tal sucede porque é feito por um grupo que também já habituou os seus fãs a um espetro rock onde não faltavam de guitarras distorcidas e riffs vigorosos, mas que opta agora, e mais do que nunca, num claro sinal de maturidade e de pujança criativa, por compôr composições que olham de modo mais anguloso para a eletrónica e para ambientes eminentemente clássicos, fazendo-o com superior apuro melódico. São, portanto, composições conduzidas por uma ímpar diversidade instrumental, com o modo como as teclas do piano são enormes protagonistas, a meias com a guitarra maravilha de Nicolas Bragg, a serem dois trunfos maiores deste modus operandi com elevado charme quilate.

Destroyer - Have We Met

01. Crimson Tide
02. Kinda Dark
03. It Just Doesn’t Happen
04. The Television Music Supervisor
05. The Raven
06. Cue Synthesizer
07. University Hill
08. Have We Met
09. The Man In Black’s Blues
10. Foolssong

 

17 - The Strokes - The New Abnormal

The New Abnormal solidifica e tipifica com ainda maior clareza a filosofia interpretativa deste projeto nova iorquino que depois de ter começado a carreira com um formato sonoro claramente balizado, foi apalpando terreno noutros espetros,  sendo um disco com uma espécie de dupla identidade, porque além de culminar com elevado esplendor um regresso ao punk rock como trave mestra da maioria das composições do disco, aquele rock mais enérgico, direto e incisivo a que nos habituámos no dealbar deste século, permite que este modus operandi seja adornado por uma mescla entre a típica eletrónica underground nova iorquina e o colorido neon pop dos anos oitenta.

The Strokes - The New Abnormal

01. The Adults Are Talking
02. Selfless
03. Brooklyn Bridge To Chorus
04. Bad Decisions
05. Eternal Summer
06. At The Door
07. Why Are Sundays So Depressing
08. Not The Same Anymore
09. Ode To The Mets

 

16 - Bill Callahan - Gold Record

Mais do que um simples registo de canções avulsas e que procuram dissertar abstratamente e filosoficamente sobre o amor ou as agruras ou benesses deste mundo em que vivemos, Gold Record é um compêndio de histórias simples, mas cheias de brilho, intensidade e mérito, porque são concretas. Às vezes, uma coleção bem pensada de histórias simples, contada com as palavras certas e acessíveis e sem desnecessárias preocupações estilísticas, é meio caminho andado para assegurar um registo discográfico de superior quilate. E este é, sem dúvida, o grande trunfo de dez temas que escavam a cultura norte americana para encontrar um tesouro de raízes identitárias, fazendo-o, sonoramente, com a toada eminentemente acústica que define o adn do músico, plasmada num registo interpretativo que privilegia aquele formato canção que vai gradativamente agrupando novos elementos e sons distintos, até um final envolvente e, liricamente, feito com uma sucessão de histórias com as quais todos nós nos identificamos facilmente, já que certamente, apropriando-nos delas e dando-lhes um ou outro retoque, temos impressivos relatos de alguns momentos marcantes da nossa existência pessoal. Este disco com essa notável componente narrativa também comprova, com enorme mestria e refinadíssima acusticidade, a superior capacidade interpretativa de Callahan aos comandos de uma viola, uma espécie de trovador da era moderna, que sussura contos pessoais, enquanto comunica directamente connosco e, ao mesmo tempo, parece que fala consigo próprio.

Bill Callahan -  Gold Record

01. Pigeons
02. Another Song
03. 35
04. Protest Song
05. The Mackenzies
06. Let’s Move To The Country
07. Breakfast
08. Cowboy
09. Ry Cooder
10. As I Wander

 

15 - The Magnetic Fields - Quickies

Vinte anos depois da mítica obra conceptual 69 Love Songs, Stephin Merritt mantém uma insciável gula interpretativa, que alimenta uma espécie de mania das grandezas à qual os fâs dos The Magnetic Fields já se habituaram e que nunca os deixa ficar mal, diga-se na verdade. Quickies, o novo registo deste projeto natural de Boston, no Massachussetts, é mais uma prova inequívoca de toda uma trama com já três décadas de existência, um tomo de vinte e oito canções que enriquece substancialmente o cardápio de um grupo que tem dado ao indie rock experimental norte-americano, registo após registo, uma notoriedade e uma relevância ímpares, através de canções quase sempre assentes em sonoridades eminentemente clássicas, geralmente acústicas e de forte pendor orgânico.

The Magnetic Fields - Quickies

01. Castles Of America
02. The Biggest Tits In History
03. The Day The Politicians Died
04. Castle Down A Dirt Road
05. Bathroom Quickie
06. My Stupid Boyfriend
07. Love Gone Wrong
08. Favorite Bar
09. Kill A Man A Week
10. Kraftwerk In A Blackout
11. When She Plays The Toy Piano
12. Death Pact (Let’s Make A)
13. I’ve Got A Date With Jesus
14. Come, Life, Shaker Life!
15. (I Want To Join A) Biker Gang
16. Rock ‘n’ Roll Guy
17. You’ve Got A Friend In Beelzebub
18. Let’s Get Drunk Again (And Get Divorced)
19. The Best Cup Of Coffee In Tennessee
20. When The Brat Upstairs Got A Drum Kit
21. The Price You Pay
22. The Boy In The Corner
23. Song Of The Ant
24. I Wish I Had Fangs And A Tail
25. Evil Rhythm
26. She Says Hello
27. The Little Robot Girl
28. I Wish I Were A Prostitute Again

 

14 - Jeff Tweedy - Love Is The King

Love Is The King é a mais recente obra discográfica de um compositor que assenta o seu processo criativo numa concepção de escrita que explora bastante a dicotomia entre sentimentos e no modo criativo e refinado como musica as letras que daí surgem, aliando o seu adn pessoal às tendências mais contemporâneas da folk e do rock alternativo. De facto, Love Is The King é um voo picado que o autor faz sobre si próprio, a sua existência e a daqueles que lhe são mais próximos, nomeadamente os seus herdeiros Spencer e Sam. Acaba por ser um disco feito em família, com a participação direta da mesma na sua concepção e definição do conteúdo sonoro e que, como é natural, sendo eminentemente autobiográfico, constitui um exercício sonoro de exorcização de alguns dos demónios, angústias, eventos traumáticos e conflitos interiores de Tweedy. Este é, pois, um alinhamento com um travo melancólico particularmente abundante, mas também um registo quente, positivo e sorridente, um álbum direto, cru, tremendamente orgânico, claramente lo-fi, um impressivo e jubilante tratado folk, dominado por timbres de cordas particularmente estridentes, que abastecem uma constante dicotomia entre sentimentos e confissões.

Jeff Tweedy - Love Is The King

01. Love Is The King
02. Opaline
03. A Robin Or A Wren
04. Gwendolyn
05. Bad Day Lately
06. Even I Can See
07. Natural Disaster
08. Save It For Me
09. Guess Again
10. Troubled
11. Half-Asleep

 
13 - Matt Berninger - Serpentine Prison

Por muitas voltas que Matt Berninger dê à sua carreira musical, seja a solo, seja nos The National ou no projeto El VY, há sempre um tronco comum a todas as suas abordagens artísticas, as ideias de melancolia, de angústia amorosa e de sofrimento mais ou menos profundo devido a esse sentimento único. Serpentine Prison não foge à regra, num registo instrumentalmente riquíssimo e repleto de arranjos das mais diversas proveniências, com uma toada emotiva crescente e na qual cordas e piano se deixam cobrir com mestria por uma nuvem espessa de classicismo e por uma aúrea de sentimentalismo e sensibilidade únicos, impressões ampliadas pela superior delicadeza do registo vocal grave de Berninger, um músico, na sua essência, confessionalmente monocromático e, artisticamente, uma fonte inesperada de soul. Em suma, Serpentine Prison oferece-nos com tremenda nitidez alguns dos maiores medos e inseguranças do autor e Berninger fá-lo aqui tornando-se na própria estrela que interpreta o estilo particulamente cinematográfico de uma escrita sempre tocante, intensa e realista.

Matt Berninger - Serpentine Prison

01. My Eyes Are T-Shirts
02. Distant Axis
03. One More Second
04. Loved So Little
05. Silver Springs (Feat. Gail Ann Dorsey)
06. Oh Dearie
07. Take Me Out of Town
08. Collar Of Your Shirt
09. All For Nothing
10. Serpentine Prison

 

12 - Gorillaz - Sound Machine, Season One: Strange Timez

Song Machine, Season One: Strange Timez, o sétimo álbum dos britânicos Gorillaz, a última materialização e a maior do mais recente e inovador projeto da banda, intitulado Song Machine, uma aventura que tem no seu âmago o enorme Damon Albarn, talvez a única personalidade da música alternativa contemporânea capaz de agregar nomes de proveniências e universos sonoros tão díspares e fazê-lo num único registo sonoro. Melhor álbum dos Gorillaz desde o fabuloso Plastic Beach (2012), Sound Machine, Season One: Strange Timez é um passo seguro e estrondosamente feliz deste projeto, no que concerne ao modo como mais uma vez se reinventa, sem renegar, como seria de esperar, a sua essência. Refiro-me a criar canções onde a experimentação é uma matriz essencial, tem a eletrónica aos comandos, o hip-hop e o R&B na mira, mas também olha para o rock com uma certa gula. E nestas dezassete canções encontramos tudo isto e com um grau de ecletismo nunca visto, estando o centro nevrálgico em redor do qual gravita toda esta diversidade em muita da pop que é mais apreciada nos dias de hoje, principalmente a que tem como origem o lado de lá do atlântico. E uma das facetas mais curiosas das dezassete composições é todas elas conseguirem atingir com enorme mestria o propósito simbiótico entre aquilo que é o som Gorillaz e o adn do convidado desse tema.

Gorillaz - Sound Machine Season One - Strange Timez

01. Strange Timez (Feat. Robert Smith)
02. The Valley Of The Pagans (Feat. Beck)
03. The Lost Chord (Feat. Leee John)
04. Pac-Man (Feat. ScHoolboy Q)
05. Chalk Tablet Towers (Feat. St Vincent)
06. The Pink Phantom (Feat. Elton John And 6LACK)
07. Aries (Feat. Peter Hook And Georgia)
08. Friday 13th (Feat. Octavian)
09. Dead Butterflies (Feat. Kano And Roxani Arias)
10. Désolé (Feat. Fatoumata Diawara) (Extended Version)
11. Momentary Bliss (Feat. slowthai And Slaves)
12. Opium (Feat. EARTHGANG)
13. Simplicity (Feat. Joan As Police Woman)
14. Severed Head (Feat. Goldlink And Unknown Mortal Orchestra)
15. With Love To An Ex (Feat. Moonchild Sanelly)
16. MLS (Feat. JPEGMAFIA And CHAI)
17. How Far? (Feat. Tony Allen And Skepta)

 

11 - Kevin Morby - Sundowner

Sundowner é um relato impressivo e clarividente de uma América claramente dividida entre dois pólos e que talvez, no campo musical, tenha na típica folk o instrumento mais eficaz de busca de pontes entre tão vincado antagonismo. Kevin Morby vem, disco após disco, aprimorando um modus operandi bem balizado, que se define por opções líricas em que dominam ambientes nublados, intimistas e reflexivos e um catálogo sonoro emimentemente delicado e fortemente orgânico, sem artifícios desnecessários, ou uma artilharia instrumental demasiado intrincada. E é este, claramente, o travo geral de Sundowner, um disco minimalista, que procura a interação imediata, mas também profunda, com o ouvinte e que tem no piano e nas cordas as armas de arremesso preferenciais. Kevin Morby é sagaz no modo como vai, disco após disco, subindo degraus no que concerne ao conteúdo qualitativo dos seus registos, fazendo-o com segurança e altivez, nunca beliscando uma apenas aparente dicotomia entre aquilo que é a grandiosidade da sua filosofia criativa e o modo minimal, simples e direto como a expôe, através de canções repletas de beleza, sensibilidade e conteúdo.

Kevin Morby - Campfire

01. Valley
02. Brother, Sister
03. Sundowner
04. Campfire
05. Wander
06. Don’t Underestimate Midwest American Sun
07. A Night At The Little Los Angeles
08. Jamie
09. Velvet Highway
10. Provisions

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publicado por stipe07 às 23:25

Gorillaz – Sound Machine, Season One: Strange Timez

Terça-feira, 27.10.20

Já chegou aos escaparates Song Machine, Season One: Strange Timez, o sétimo álbum dos britânicos Gorillaz, a última materialização e a maior do mais recente e inovador projeto da banda, intitulado Song Machine, uma aventura que teve início em janeiro com o lançamento do single Momentary Bliss. Depois disso, foram sendo divulgados outros episódios e temas, que mostraram Russell, Noodle, 2D e Murdoc, por locais tão díspares como Paris, Marrocos, Londres, Lago de Como e até a Lua. Sound Machine, Season One: Strange Timez é um portento de world music e conta com a participação de diversos artistas, como Elton John, Robert Smith, Fatoumata Diawara, Beck, ou Peter Hook, entre outros, e tal diversidade artística apenas sucede porque tem no seu âmago o enorme Damon Albarn, talvez a única personalidade da música alternativa contemporânea capaz de agregar nomes de proveniências e universos sonoros tão díspares e fazê-lo num único registo sonoro. Em jeito de curiosidade, importa também referir que este novo disco dos Gorillaz marca o retorno do baixista Murdoc Niccals, depois de não ter feito parte dos créditos de The Now Now, por ter sido preso, tendo, nesse registo, sido substituído por Ace, da série Meninas Superpoderosas.

Gorillaz unveil new album 'Song Machine, Season One: Strange Timez'

Melhor álbum dos Gorillaz desde o fabuloso Plastic Beach (2012) e produzido por Remi Kabaka Jr., Sound Machine, Season One: Strange Timez é um passo seguro e estrondosamente feliz deste projeto, no que concerne ao modo como mais uma vez se reinventa, sem renegar, como seria de esperar, a sua essência. Refiro-me a criar canções onde a experimentação é uma matriz essencial, tem a eletrónica aos comandos, o hip-hop e o R&B na mira, mas também olha para o rock com uma certa gula. E nestas dezassete canções encontramos tudo isto e com um grau de ecletismo nunca visto, estando o centro nevrálgico em redor do qual gravita toda esta diversidade em muita da pop que é mais apreciada nos dias de hoje, principalmente a que tem como origem o lado de lá do atlântico. E uma das facetas mais curiosas das dezassete composições é todas elas conseguirem atingir com enorme mestria o propósito simbiótico entre aquilo que é o som Gorillaz e o adn do convidado desse tema.

A eletrónica minimalista e melancólica de Aries, o ambiente dançante e humorístico de The Valley Of The Pagans, abrilhantado por um Beck na sua melhor forma, o transe melódico de The Lost Chord, o ambiente retro de Pac-Man, abrilhantado por beats inconfundíveis e um jogo vocal entre Albarn e ScHoolboy Q espetacular, a tonalidade pop de Chalk Tablet Towers, a fusão entre rap e o piano de Elton John em The Pink Phantom, a fusão entre dub e downtempo de Friday 13th, o travo latino e caliente de Dead Butterflies e o inesperado cruzamento entre jazz soul e bossanova em Désolé, são os instantes maiores de toda esta caldeirada impressiva, rematada pela simbólica e justíssima homenagem a Tony Allen em How Far?, músico falecido já este ano e parceiro de Albarn em variadíssimas aventuras musicais, com particular destaque para o projeto The Good, The Bad and The Queen.

Portanto, escuta-se o álbum de fio a pavio e parece que estamos a escutar uma coletânea riquíssima dos melhores temas de cada um dos artistas convidados. Tal evidência alimenta a perceção que este foi um registo que se foi alimentando, durante o seu processo de criação e de composição, de um certo caos, de uma amálgama mais ou menos indefinida, como se tivesse florescido num Kong Studios, em Essex, arredores de londres, aberto para quem quisesse nele entrar e gravar com Albarn, não importanto a sua proveniência e gostos musicais, porque havia abertura de espírito e pafernália física e tecnológica disponível para captar o que surgisse. É, por isso, um trabalho que se alimenta do desconhecido e também o faz no modo como funciona, claramente, em puro caos.

Com a voz de Albarn a ser aquele inconfundível e delicioso apontamento de charme, serenidade e harmonia, numa multpilicade e heterogeneidade de outros registos, quase sempre abuptos, graves, determinados, contestatários e buliçosos, Sound Machine, Season One: Strange Timez é um intrigante exemplo sonoro de mescla de diferentes culturas, num pacote seguro e familiar, que permite a Albarn deixar mais uma vez vincada a sua apetência natural para se servir das raízes de qualquer estilo e conferir às mesmas o seu toque de personalidade, contornando, sem beliscar, todas as referências culturais dos seus convidados que, se não tivessem a mente tão aberta como o anfitrião, poderiam ver limitado o processo criativo. E assim, isentos de tais formalismos, não receiam misturar tudo aquilo que ouvem, aprendem e assimilam nas respetivas carreiras, fazendo-o com enorme bom gosto, ao mesmo tempo que refletem com indisfarçável temperamento sobre este mundo conturbado em que todos vivemos. Espero que aprecies a sugestão...

Gorillaz - Sound Machine Season One - Strange Timez

01. Strange Timez (Feat. Robert Smith)
02. The Valley Of The Pagans (Feat. Beck)
03. The Lost Chord (Feat. Leee John)
04. Pac-Man (Feat. ScHoolboy Q)
05. Chalk Tablet Towers (Feat. St Vincent)
06. The Pink Phantom (Feat. Elton John And 6LACK)
07. Aries (Feat. Peter Hook And Georgia)
08. Friday 13th (Feat. Octavian)
09. Dead Butterflies (Feat. Kano And Roxani Arias)
10. Désolé (Feat. Fatoumata Diawara) (Extended Version)
11. Momentary Bliss (Feat. slowthai And Slaves)
12. Opium (Feat. EARTHGANG)
13. Simplicity (Feat. Joan As Police Woman)
14. Severed Head (Feat. Goldlink And Unknown Mortal Orchestra)
15. With Love To An Ex (Feat. Moonchild Sanelly)
16. MLS (Feat. JPEGMAFIA And CHAI)
17. How Far? (Feat. Tony Allen And Skepta)

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publicado por stipe07 às 16:08

Portugal. The Man – Who’s Gonna Stop Me (feat. Weird Al” Yankovic)

Quinta-feira, 15.10.20

Pouco mais de três anos após o lançamento do excelente Woodstock, os norte americanos Portugal. The Man de John Baldwin Gourley estão de regresso com um novo single intitulado Who’s Gonna Stop Me e que resulta de uma colaboração estreita com o artista, escritor e comediante “Weird Al” Yankovic. O tema tem o propósito claro de celebrar o Indigenous Peoples’ Day, um importante feriado norte-americano que homenageia e enaltece os povos e culturas indígenas do país, versando sobre a dificuldade que muitas pessoas pertencentes a essas etnias têm em sobreviver e prosperar numa América onde impera o feroz capitalismo que não tem em conta as especificidades culturais.

Stream Portugal. The Man & “Weird Al”'s New Song “Who's Gonna Stop Me” –  Ten15AM

Além de contar com a prestação vocal do rapper Last Artful Dodgr e de Weird Al” Yankovic, que chegou a remisturar os inéditos da banda de Portland, Feel It Still e Live In The Moment, Who's Gonna Stop Me, uma composição que abraça hip-hop, R&B e eletrónica, com criatividade e uma salutar dose de experimentalismo, também conta nos créditos com a presença de Jeff Bhasker, habitual colaborador de nomes como Mark Ronson e Kanye West, Paul Williams, que já escreveu algumas das canções mais emblemáticas dos Carpenters ou Barbra Streisand, Brian De Palma e Kermit The Frog.

O vídeo do tema é dirigido pela dupla Aaron Brown e Josué Rivas e nele podemos observar a banda ao redor de uma fogueira enquanto Weird Al” Yankovic tenta encarnar um coiote e diversos artistas e líderes indígenas vão surgindo vocalizando a canção, encarnados por diversos atores, destacando-se entre eles Acosia Red Elk, uma dançarina do povo Umatilla, nativo do estado norte-americano do Oregon. Confere...

Portugal. The Man - Who's Gonna Stop Me

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publicado por stipe07 às 17:07

Glass Animals - Dreamland

Terça-feira, 25.08.20

Já chegou aos escaparates Dreamland, o terceiro registo de originais dos britânicos Glass Animals, álbum que sucede ao aclamado compêndio How To Be A Human Being e um disco de forte cariz autobiográfico, já que, além de nostalgicamente ter servido para regatar algumas das memórias mais indelévies da infância e da adolescência de Dave Bayley, o vocalista do grupo, é também bastante inspirado num acidente que quase paralisou o baterista da banda Joe Seaward, um evento que marcou imenso quer o próprio, quer os seus companheiros, o já referido Dave Bayley, assim como o guitarrista Drew MacFarlane e o baixista Ed Irwin-Singer. Em julho de dois mil e dezoito Joe foi atropelado por um camião em Dublin enquanto andava de bicicleta e além de ter ficado com múltiplas fraturas numa perna, teve uma grave lesão craniana que o levou duas vezes à mesa de operações e que o fez perder algumas das suas faculdades psíquicas e partes da sua memória, obrigando-o a um longo e doloroso processo de fisioterapia, de modo a recuperar do evento.

Glass Animals – 'Dreamland' album review

Dreamland é, conforme indica o titulo, implicitamente, uma espécie de fuga da realidade, mas não na forma de busca de um mundo paralelo e imaginário. O objetivo é criar uma banda sonora que poderia muito bem ter servido para ilustrar um passado que marcou intensamente Bayley. Captações de gravações em VHS, alusões nada discretas a alguns ícones dos anos noventa do século passado, como o Pokémon, o jogo Street Fighter ou a série Friends, não enganam relativamente a esse propósito. É um relato de uma época ainda bastante fresca na memoria de muitos de nós, impressivo desde o tema homónimo, um tratado de pop eletrónica algo viciante e hipnótico, onde abundam harmonias vocais belíssimas, que se espraiam lentamente pela canção e se deixam afagar livremente pelo manto sonoro que as sustenta, até Helium, tema rico em detalhes e com um groove muito genuíno e uma atmosfera dançante, onde encaixa indie popfolkhip-hop e electrónica, com noção de equilíbrio e um limbo perfeito.

Pelo meio, sempre inundados por uma ímpar sensação de nostalgia e por um travo retro com uma estética distinta, composições do calibre de Space Ghost Coast To Coast, um rugoso e buliçoso tratado de R&B repleto de citações ao filme Golden Eye e aos jogos Quake e Doom, Melon And The Coconut, canção com um clima quente, proporcionado por um efeito sintetizado pleno de soul, a crescente efervescência de It's All So Incredible Loud e a curiosa amálgama instrumental efusiante de Waterfalls Coming Out Your Mouth, são temas que conseguem abarcar os melhores detalhes da música eletrónica mais soturna e atmosférica e que, entre o insinuante e o sublime, nos fazem recuar pouco mais de vinte anos até às nebulosas ruas de Bristol e aos primórdios do trip-hop, mas também à Brooklyn dos anos setenta, em pleno ressurgimento da melhor música negra.

Disco competente no modo como personifica o natural processo evolutivo de um dos projetos mais inovadores da eletrónica contemporânea, Dreamland assenta numa receita assertiva onde não falta uma prestação vocal intensa, constituindo, no seu todo, um ambiente sonoro intenso e emocionante, que nunca deixa de lado a delicadeza, uma melancolia digital que traça a régua e esquadro aquele que é um dos discos mais curiosos deste verão. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 16:17

Sufjan Stevens – Video Game

Segunda-feira, 24.08.20

Sufjan Stevens - Video Game

Está para breve a chegada aos escaparates de The Ascension, o quinto e novo trabalho do norte-americano Sufjan Stevens, um registo que irá ver a luz do dia a vinte e setembro e que sucede ao excelente Carrie & Lowell, um disco com já meia década de existência.

Como bem se recordam, America foi o primeiro single revelado de The Ascension, uma jornada eletrónica climática e intimista, mas também algo inquietante, feita de um psicadelismo eminentemente experimental, assente numa vasta miríade de efeitos, distorções de guitarra, interseções e arranjos que adornaram uma composição bem à medida da imensidão e do silêncio que carateriza o vazio cósmico a que o músico de Chicago nos tem habituado ultimamente.

Agora, cerca de mês e meio depois de contemplarmos essa grandiosa composição, chega a vez de conferirmos a menos ousada, mas igualmente deliciosa, Video Game, talvez a canção da carreira do musico de Chicago que mais fielmente obedece ao formato pop dito convencional, já que, sendo melodicamente feliz, assenta num registo sintético proeminente, em que, numa espécie de dance pop psicadélico, vozes e batidas aproximam perigosamente Sufjan Stevens de um território sonoro dominado por alguns dos maiores mestres do R&B e do hip-hop atual. Confere...

 

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publicado por stipe07 às 21:01

Glass Animals – Dreamland

Sábado, 02.05.20

Glass Animals - Dreamland

No próximo dia dez de julho chegará aos escaparates Dreamland, o terceiro registo de originais dos britânicos Glass Animals, álbum que sucede ao aclamado compêndio How To Be A Human Being e que, de acordo com informações recentemente divulgadas, será um disco de forte cariz autobiográfico e bastante inspirado num acidente que quase paralisou o baterista da banda Joe Seaward e marcou imenso quer o próprio, quer os seus companheiros, o vocalista Dave Bayley, o guitarrista Drew MacFarlane e o baixista Ed Irwin-Singer.

Em julho de dois mil e dezoito Joe foi atropelado por um camião em Dublin enquanto andava de bicicleta e além de ter ficado com múltiplas fraturas numa perna, teve uma grave lesão craniana que o levou duas vezes à mesa de operações e que o fez perder algumas das suas faculdades psíquicas e partes da sua memória, obrigando-o a um longo e doloroso processo de fisioterapia, de modo a recuperar do evento.

O primeiro single retirado de Dreamland, o novo álbum da banda de Oxford, é o tema homónimo do disco, um tratado de pop eletrónica algo viciante e hipnótico, onde abundam harmonias vocais belíssimas, que se espraiam lentamente pela canção e se deixam afagar livremente pelo manto sonoro que as sustenta. Também já se conhece o vídeo de Dreamland, gravado por Dave integralmente através da plataforma zoom e que replica genuinamente o cariz intimista e marcante da composição. Confere...

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publicado por stipe07 às 21:21

Dan Deacon - Mystic Familiar

Quinta-feira, 06.02.20

Quase meia década depois do extraordinário registo Gliss Riffer e de algumas curiosas inscursões pela banda sonora cinéfila, à boleia de Time Trial (2018) e Rat Film (2017), Dan Deacon, um dos artistas mais alternativos do cenário indie atual, está de regresso com Mystic Familiar, o quinto disco de uma carreira onde só subsistem momentos de esplendor. De facto, este músico e produtor que açambarcou na sua mente, com indelével e vicnado carimbo, toda a herança soonora da vasta míriade de latitudes audíveis no underground nova iorquino da primeira década deste século, desde o estupendo Spiderman of the Rings (2007), um trabalho laborioso de lapidação, detalhe, delicadeza e refinamento, que alcancou, dois anos depois, laivos de excelência através das burilações sintéticas exacerbadas que sustentaram as sequências percurssivas de BROMST (2009), passando pelo tempero mais pop country que definiu o conceptual America (2012) e todas as ligações de fios e transistores que transportavam um infinito catálogo de sons e díspares referências em Gliss Riffer (2015), este músico de Baltimore tem encontrado na eletrónica uma forma de sobressair e encontrar o seu espaço particular dentro da vanguarda eletrónica que define muita da música norte americana atual, e não só.

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Apaixonado por algumas das mais complexas formas sonoras jamias produzidas, Dan Deacon oferece-nos em Mystic Familiar uma espécie de súmula de toda a salada hipercodificada com uns sons mais e outros menos familiares, que tem balizado o seu catálogo sonoro, muitas vezes acelerado em níveis absurdos de velocidade e levado a volumes excessivos, mas também com momentos melódicos mais adocicados e sonora e vocalmente introspectivos, criando, registo após registo, quase que subversivamente, um som muito singular, mas também autenticamente pertencente ao mundo contemporâneo.

Mystic Familiar tem, pois, essa virtude imensa, de poder servir como alinhamento descritivo de tudo aquilo que de melhor nos pode oferecer hoje a eletrónica, um naipe de canções que se podem abrir como um leque que tem nos dois pólos opostos. Se o majestoso clima borbulhante de Become a Mountain, o crescente teclado hipnótico e as delicadas inserções vocais que conduzem Fell Into The Ocean e o forte sentimentalismo que escorre pelo novo trip-hop de My Friend têm um travo mais natural, clássico, acessível eminentemente contemplativo, menos anárquico e com um indesmentível têmpero pop, já a efusiante e épica batida da cósmica Sat By A Tree, as quatro composições que entre o punk noise, o jazz e o eletro sustentam Arp I-IV e a indescritível montanha-russa de flashes, batidas e interseções percussivas que se concentram em Bumblee Bee Crown King, são composições repletas de batidas esquizofénicas e samples ruidosos que materializam um resultado de proporções igualmente épicas, mas mais rugosas e com um grau de psicadelismo progressivo superior.

Disco com pontes brilhantes entre momentos de maior intensidade com outros mais intimistas, Mystic Familiar leva-nos, em suma, ao encontro de emoções fortes e explosivas, de modo profundamente emotivo e cinematográfico, através de um genuíno e incomparável manipulador do sintético, um génio inventivo que converte tudo aquilo que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico. Não tendo qualquer tipo de preocupação explícita por compôr de modo particularmente comercial e acessível, o que desde logo é um enorme elogio que pode ser feito em relação a este autor, Deacon deixa-se apropriar de todo o arsenal tecnológico que permite que seja colocado à sua disposição e torna-se ele próprio parte integrante de uma orquestra robótica e maquinal que o consome e dele se apropria, para que as canções que todas estas máquinas, que parecem ter vida própria, compôem, possam ter uma alma e um elo de ligação com a humanidade, plasmada nas letras confessionais e sinceras e numa voz manipulada de modo a ser também, ela própria, mais um elemento essencial e autónomo. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 13:24

Bon Iver - i,i

Sexta-feira, 06.09.19

22, A Million, o excelente registo que o projeto Bon Iver de Justin Vernon lançou em dois mil e dezasseis, já tem sucessor. O novo trabalho do grupo liderado por este músico norte-americano natural de Eau Claire, no Wisconsin, chama-se i,i, tem novamente a chancela do selo Jagjaguwar e contém treze canções que trilham diversos caminhos, expandem horizontes e aprimoram o modo como Vernon se manifesta artisticamente num processo de mutação que reflete ousadia e inquietude, duas permissas indispensáveis em qualquer artista que queira levar cada vez mais adiante a sua carreira.

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i,i é o quarto registo do percurso discográfico de Bon Iver e conta com as participações especiais de James Blake, Aaron e Bryce Dessner, Moses Sumney, Velvet Negroni, Sean Carey, Andrew Fitzpatrick, Mike Lewis, Matt McCaughan, Rob Moose, Jenn Wasner, Phil Cook, Bruce Hornsby, Channy Leaneagh, Naeem Juwan, Veludo Negroni, Marta Salogni, Francis Starlite, Moses Sumney, TU Dance, o coro Brooklyn Youth e muitos outros, uma infindável lista que atesta o grau de ecletismo e de heterogeneidade de treze canções com uma sonoridade única e peculiar. É um alinhamento repleto de paisagens sonoras que, do minimalismo eletrónico eminentemente etéreo e com uma forte vocação experimental, ao R&B, passando pelo hip-hop e a típica pop do outro lado do atlântico, estão impregnadas com uma beleza e uma complexidade tal que merecem ser apreciadas com alguma devoção e fazem-nos sentir vontade, no fim, de carregar novamente no play e voltar ao início.

Nos efusiantes sopros e nas cordas vibrantes e luminosas de iMi, mas também na tonalidade eminentemente grave de We, induzida por um baixo vigoroso, acompanhada por uma vasta miríade instrumental, sempre insinuante, que busca a criação de uma paisagem algo inquietante, é-nos apresentado um álbum que até ao seu ocaso está repleto de paisagens onde o orgânico e o sintético se misturam com superior elegância. Estamos, sem dúvida, na presença de um conjunto notável de composições que, no seu todo, homogéneo e impressivo, nos oferecem um amplo panorama de descobertas sonoras, incubadas durante um processo criativo que terá sido claramente exaustivo e onde cada contributo, cada fragmento sonoro, cada peça de um puzzle repleto de emaranhados e detalhes difíceis de destrinçar, por mínimo que tenha sido, foi fundamental para o painel final, já que, se lá não estivesse, este catálogo de explosivas sensações ficaria incompleto e sem o fulgor e a beleza que transpira.

Disco imaginado por Justin Vernon, mas onde, como insinuei, cada artista convidado vestiu a sua própria pele enquanto se dedicou, de corpo e alma, à hercúlea tarefa comunicativa que o autor lhe designou, i,i é, liricamente, um clamor ruidoso à necessidade imperiosa do autor de nos converter a uma causa que é muito sua, mas também passível de ser apropriada por qualquer um de nós, enquanto mostra ao mundo a sua identidade vincada e se assume explicitamente como um ser humano que tem as suas fragilidades e os seus demónios, mas que também tem um lado muito corajoso e interventivo. Nele, canções como Faith, uma composição que encontra o seu sustento em guitarras agrestes, sintetizadores incisivos e um registo vocal modificado, mas pleno de alma e de um sentimento e que nos enche de paixão e luz, mas também o modo delicado como o piano de U (Man Like) nos afaga a alma e a superior prestação vocal de Naeem, aliada a uma ala percurssiva que vai aumentando de arrojo à medida que nos reergue, ou o tom fortemente denso e contemplativo e os timbres de voz únicos em Jelmore, que, nesse tema, conseguem trazer a oscilação necessária para transparecer mais sentimentos, são outros momentos obrigatório de contemplação enquanto se relacionam connosco com elevada empatia. Espero que aprecies a sugestão...

Bon Iver - i,i

01. Yi
02. iMi
03. We
04. Holyfields,
05. Hey, Ma
06. U (Man Like)
07. Naeem
08. Jelmore
09. Faith
10. Marion
11. Salem
12. Sh’Diah
13. RABi

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publicado por stipe07 às 14:34

Bear Hands – Fake Tunes

Quinta-feira, 16.05.19

Foi através da Spensive Sounds que viu a luz do dia Fake Tunes, o quarto registo de originais dos Bear Hands, um coletivo norte-americano, oriundo de Brooklyn, Nova Iorque e atualmente formado por Dylan Rau, Val Loper e TJ Orscher. O registo é um mergulho profundo e particularmente imersivo numa multiplicidade de estilos sonoros, misturados e depois torcidos e retorcidos, uma filosofia sonora interpretada com sentido melódico e lúdico e com o firme propósito de fazer o ouvinte divagar por diferentes épocas sonoras, com particular ênfase nos anos oitenta do século passado.

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Coloca-se em modo play Fake Tunes e percebe-se, logo em Blue Lips, o cariz retro de um trabalho influenciado não só pelas habituais camadas sonoras que compôem o rock alternativo das últimas décadas, mas também por alguns tiques caraterísticos do hip hop, do pop punk, do eletropop e do rock clássico, sempre com a herança dos anos oitenta em ponto de mira. E, logo a seguir, toda esta trama estende-se de modo esplendoroso nos efeitos, na distorção e no clima épico de Mr. Radioactive, mas também, numa abordagem mais rugosa e densa, em Friends In High Places, canção que demonstra de modo claro todo  um esforço algo indisciplinado, infantil e claramente emocional, mas bem sucedido, diga-se, de criar composições cativantes e saudosistas, mas que também estejam em linha com as tendências mais contemporâneas da pop. Em Back Seat Driver (Spirit Guide) a simbiose do registo vocal imponente e emotivo com um sintetizador que parece ter sido ressuscitado após trinta anos de hibernação, ao qual se juntam excelentes loops de guitarra e uma distorção rugosa altiva e visceral, o charme retro vintage do clima neo psicadélico de Reptilians, assim como o reverb vocal e os teclados cósmicos que aprimoram a inebriante e corrosiva Ignoring The Truth, são outras composições que acomodam um disco coeso, assente em texturas sonoras intrincadas e inteligentes, diferentes puzzles que dão substância a uma mescla de géneros e estilos, idealizada sem regras ou convenções e de modo particularmente cativante e sedutor.

Os Bear Hands são de difícil catalogação, mas parecem já ter encontrado o rumo certo com este Fake Tunes, uma sátira intensa e até algo paranóica à contemporaneidade em que vivemos e onde névoas permanentes nos assombram quando olhamos para o futuro. Por cá serão novamente merecedores de loas e de exaltação plena se optarem sempre pela miscelânia e heterogeneidade sonora que carateriza este registo. Espero que aprecies a sugestão...

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01. Blue Lips (Feat. Ursula Rose)
02. Mr. Radioactive
03. Friends In High Places
04. Back Seat Driver (Spirit Guide)
05. Reptilians
06. Ignoring The Truth
07. Clean Up California
08. Exes
09. Pill Hill
10. Blame
11. Confessions (Feat. Ursula Rose)

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publicado por stipe07 às 17:47

Beck – Saw Lightning

Quarta-feira, 17.04.19

Beck - Saw Lightning

Colors ainda não tem dois anos, o single Tarantula, inserido na banda-sonora do filme Roma, escrito e dirigido por Alfonso Cuarón, quatro meses, mas Beck Hansen, uma referência icónica da música popular das últimas duas décadas, já tem disco novo na forja, um registo initulado Hyperspace, ainda sem data de lançamento anunciada, mas certamente ainda em dois mil e dezanove. Tal frenesim criativo não é inédito neste músico californiano que no início da década de noventa atuava em clubes noturnos vestido de stormtrooper e que da aproximação lo-fi ao hip-hop de Mellow Gold Odelay, passando pela melancolia de Sea Change e a psicadelia de Modern Guilt, nos foi habituando, nas últimas três décadas, a frequentes e bem sucedidas inflexões sonoras.

Saw Lightning é o primeiro single divulgado de Hyperspace, pouco mais de quatro minutos de um efervescente festim pop, que sobressai pela luminosidade das cordas de uma viola, por diversos detalhes percurssivos e pelo fuzz intermitente de uma teclado, uma canção que deve muito aquela estética típica do som nova iorquino da década de oitenta, sendo indisfarçavel a busca de uma melodia agradável e marcante e rica em detalhes e texturas. Confere...

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publicado por stipe07 às 12:08






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