Terça-feira, 2 de Julho de 2019

The Black Keys – Let’s Rock

Cinco anos depois de Turn Blue, a dupla The Black Keys de Dan Auerbach e Patrick Carney está de regresso em dois mil e dezanove com um novo disco, o nono da carreira do projeto, um registo intitulado Let´s Rock e que viu a luz do dia a vinte e oito de junho pela Easy Eye Sound em parceira com a Nonesuch Records. As doze canções de Let's Rock recolocam a dupla norte-americana nos eixos, depois da intensa digressão de promoção a Turn Blue ter feito com que Dan e Patrick entrassem num período relacional entre ambos bastante complicado que acabou por provocar uma pausa no projeto, finalmente quebrada.

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Logo no riff efusivo da guitarra que ornamenta o refrão de Shine A Little Light e das inflexões rítmicas do tema, percebe-se que os The Black Keys quiseram neste Let's rock regressar um pouco às origens, depois de em Turn Blue terem perdido alguma potência, apesar do upgrade de charme e da nova personalidade que alguns arranjos inéditos e uma guitarra cada vez mais longe do rock de garagem e mais perto da psicadelia, conferiram à época ao projeto.

De facto, Let's Rock é um vigoroso mas feliz retrocesso, um regresso saudável aquela especie de blues rock minimal puro e duro, tão bem expresso no solo da guitarra e nas pandeiretas de Eagle Birds, mas também no carisma, na vibração, na potência de Lo/Hi, uma canção com um groove intenso e pleno de soul, conduzida por uma guitarra mais perto do que nunca do punk rock de garagem. Depois, a divertida e irónica Go, a vibrante Get Yourself Together, o elevado charme da balada Walk Across The Water e o travo funk de Tell Me Lies esclarecem-nos acerca da  manutenção da elevada alquimia entre Dan e Patrick, num disco com uma vertente orgânica bem vincada e em que esta dupla de Nashville também apostou em letras simples e diretas.

Disco intenso e com aquele brilho discreto que carateriza a douradoura consistência de uns The Black Keys de volta ao melhor rock independente e clássico, Let's Rock confirma aquela máxima que todos conhecemos que o melhor de uma zanga entre duas pessoas apaixonadas é mesmo o momento da reconciliação. Espero que aprecies a sugestão...

The Black Keys - Let's Rock

01. Shine A Little Light
02. Eagle Birds
03. Lo/Hi
04. Walk Across The Water
05. Tell Me Lies
06. Every Little Thing
07. Get Yourself Together
08. Sit Around And Miss You
09. Go
10. Breaking Down
11. Under The Gun
12. Fire Walk With Me


autor stipe07 às 21:51
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Segunda-feira, 29 de Abril de 2019

Booby Trap - Stand Up And Fight

Depois de terem reeditado há pouco mais de um ano Brutal Intervention, a demo tape que lançaram no início da carreira e que deu o pontapé de saída de um percurso ímpar no panorama do crossover thrash nacional, os aveirenses Booby Trap de Pedro Junqueiro, Pedro Azevedo, Tó Jó e Hugo Lemos, estão de regresso aos originais com Stand Up And Fight, treze novos temas que contam algumas participações especiais, como é o caso de Lex Thunder (Midnight Priest, Toxikull) e Inês Menezes (Albert Fish, ex-Asfixia, ex-Nostragamus), entre outras e que foi gravado e produzido pela banda no seu próprio estúdio no final do ano transacto.

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Em Stand Up And Fight os Booby Trap consolidam a elevada bitola qualitativa de um grupo que está hoje na linha da frente na defesa de um género musical que surgiu nos anos oitenta e que se define pela mistura entre o hardcore punk e o trash metal. Recordo que enquanto o trash metal nasceu quando parte da cena metal incorporou influências vindas do hardcore punk, o crossover thrash nasceu pelo caminho inverso, quando as bandas hardcore punk passaram a metalizar a sua música.

Os Booby Trap estão, claramente, no apogeu de um percurso que foi sendo calcorreado a pulso, com momentos altos e outros menos efusivos, mas a verdade é que hoje, quase três décadas depois do pontapé de saída com o mítico registo Brutal Intervention, estão bem vivos e em condições de se assumirem como porta estandartes nacionais de um movimento musical que tem como uma das suas maiores valências, o facto de ser seguido por legiões de fãs bastante devotos e que sugam até ao tutano canções com uma personalidade e uma amplitude sonora mais agressiva do que o habitual, no bom sentido.

Um grande passo em frente que a banda dá neste disco relativamente ao cardápio discográfico anterior é a inserção de alguns detalhes e elementos técnicos inéditos. Logo nas sirenes, na percurssão marcante e na guitarra imponente e lasciva que introduz o tema homónimo do disco, asim como no timbre vocal com um sotaque intenso e pronunciado e num tom que sustenta o seu charme e, principalmente, na coerente tonalidade do mesmo em relação à melodia, percebe-se que estes fantásticos atributos justificam, por si só, a tal catalogação dos Booby Trap como estando no seu melhor momento de sempre. Depois, o clima garage punk de Set The World On Fire, puro, vibrante e feito sem amarras e concessões, sujo e distorcido e carregado de sentimento e emoção latente e a toada mais progressiva da guitarra e uma maior omnipresença do baixo em Big Disgrace, uma composição feita de avanços e recuos particularmente lascivos, cativam definitivamente o ouvinte para um registo orelhudo, feito com uma filosofia instrumental rugosa mas que inflama distorções verdadeiramente inebriantes e que aprofundam, à medida que o alinhamento avança, o exuberante sentimento de exclamação inicial que o tema homónimo continha e que nunca mais abandona o ouvinte dedicado, porque essa energia vai ser uma constante em Stand Up And Fight, até ao ocaso de um alinhamento que coloca a nú as grandes virtudes instrumentais da banda, enfatizadas nos efeitos das cordas eletrificadas e no modo como se encadeiam com mudanças de ritmo e como as letras e as rimas se colam às melodias, ganhando vida e flutuando com notável precisão pelo limbo sentimental que transborda das canções. A própria voz do Pedro, além de manter as caraterísticas acima descritas com enorme vigor até ao final, consegue sempre variar o volume de acordo com a componente instrumental, nunca havendo uma sobreposição pouco recomendável de qualquer uma das partes ao longo das canções, como se exige em registos onde predominam temas curtos, crus, sujos e diretos, mas vigorosos, emocionados e sentidos, como é o caso.

Em suma, os Booby Trap sabem muito bem como harmonizar e tornar agradável aos nossos ouvidos sons aparentemente ofensivos e pouco melódicos, fazendo da rispidez visceral algo de extremamente sedutor e apelativo. A viagem lisérgica que o quarteto nos oferece nas reverberações ultra sónicas destes temas, com os riffs da guitarra a exibirem linhas e timbres com um clima marcadamente monumental, comprime tudo aquilo que sonoramente seduz este grupo aveirense em algo genuíno e com uma identidade muito própria.

Importa ainda referir que a capa ficou mais uma vez a cargo do aveirense Deivis Tavares e, segundo Pedro Junqueiro, vocalista da banda, tem a intenção de transmitir aquele sentimento de luta contra o sedentarismo instituído, contra tudo aquilo que nos oprime mas que a letargia e comodismo dos tempos modernos não nos faz levantar o cu do sofá e lutar pelo que é nosso por direito. Espero que aprecies a sugestão...

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1 - Stand Up And Fight 
2 - Set The World On Fire 
3 - Big Disgrace 
4 - O Bom, O Mau E O Filho Da Puta 
5 - Fuckers 
6 - A Message Of Love 
7 - Spiders 
8 - Full Of Shit 
9 - I'd Rather See You Dead 
10 - Psycho Trap 
11 - Alcohol 
12- Bombing For Oil 
13 - The Ritual


autor stipe07 às 16:13
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Sexta-feira, 5 de Outubro de 2018

Cervelet - Todos Santos

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Oriundos de  Jaboticabal, no estado de São Paulo, uma cidade de setenta mil habitantes, fundada por portugueses e onde prosperam cinco universidades, os brasileiros Cervelet são Guto Cornaccioni, Iuri Nogueira, Igor Nogueira, Tiko Previato e Vitor Marini, uma banda que diz misturar cerveja com música, poesia e liberdade e que, por isso, se considera a banda mais estranha da cidade!

Depois de ter editado na primavera de 2014 Canções de Passagem, o disco de estreia, este quinteto regressou em 2016 aos lançamentos com Degradê, uma canção sobre o amor e, talvez na mesma altura, terá iniciado a composição de Todos Santos, um novo tema do projeto e que acaba por assentar que nem uma luva no panorama atual brasileiro, pelo seu conteúdo tão atual e premonitório. Recordo que o país vive o ocaso de uma campanha eleitoral para a predidência do país algo atribulada e comentada pelo mundo inteiro como o reflexo daquilo que é o Brasil nos dias de hoje. Os principais candidatos a possuir as chaves do Palácio da Alvorada intitulam-se santos e pregam aos quatro cantos do Brasil que prometem salvar o país, mas são poucos os brasileiros que não acreditam que o que eles querem é salvar-se a si próprios.

Sonoramente, Todos Santos assenta numa instrumentação rugosa e musculada, que pende para um hard rock de primeira água, com um resultado muito atrativo e cativante para o ouvinte. Confere...

 


autor stipe07 às 17:58
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Sexta-feira, 11 de Dezembro de 2015

Le Rug - Game Over

Natural de Brooklyn, Nova Iorque, o guitarrista e cantor Ray Weiss é um dos destaques da Fleeting Youth Records e um nome importante do cenário indie punk local, já que em integrou projetos tão importantes como os Butter the Children, Red Dwarf ou Medics. A banda Le Rug foi a sua última aposta e dei-a a conhecer há pouco mais de um ano devido a Press Start (The Collection), uma coleção de canções que Weiss apresentou ao mundo por intermédio dessa etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Quase no ocaso de 2015 este projeto Le Rug regressou, e para se despedir, com Game Over, uma espécie de balanço de toda a carreira artística do seu grande mentor, que se orgulha de nos últimos dois anos ter editado dez discos e composto mais de trezentas e cinquenta canções, algumas delas incubadas durante um breve período da sua vida passado em Bangecoque, na Tailândia.

Do alinhamento de setenta e uma canções de Game Over, há várias que merecem audição dedicada, tendo sempre como denominador comum um punk rock direto e incisivo, mas também com uma apelativa sensibilidade melódica, que temas como Gloss ou 1779 comprovam com notável grau de assertividade e imaginação. Já agora, esta última conta com a participação especial de Tim Rusterholtz e é mais uma clara demonstração da capacidade poética de Weiss, especialmente quando a perca, o sentimento de derrota e frustração são o assunto dominante.

O universo sonoro que rege a paleta sonora de Le Rug alimenta-se de uma instrumentação vincada, assente numa linha de baixo encorpada e em guitarras carregadas de fuzz, havendo depois, a partir da seleção dos efeitos e do modo como a bateria conduz os temas, o piscar de olhos aos mais variados subgéneros do rock. Se Gaxinthaw, por exemplo, transporta todos os detalhes fundamentais do melhor grunge, o baixo de Mammal exala hard punk por todos os poros e canções como Telebones, Hindenburg ou St. Vincents oferecem-nos uma visão sonora mais experimental e até, num certo sentido, com uma luminosidade pop bastante curiosa, com o pendor acústico da última a conter uma intensa dose de rugosidade e lisergia. Já temas como The Loveless Fuzz ou Perodafodil baseiam-se naquela simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, abrigados pela sonoridade crua, rápida e típica que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas.
Game Over é uma sucessão incrível de canções que são potenciais sucessos e singles, composições sonoras que parecem ter viajado no tempo e amadurecido até se tornarem naquilo que são. É um compêndio concentrado, tendo como grande ponto de acerto o movimento das diferentes composições e o modo como se arriscam em aproximações a diversos espetros sonoros, havendo em comum uma voz sempre vincada, letras algo sensíveis e, como referi logo no início, melodias acessíveis, o que faz com que o próprio som destes Le Rug ganhe em harmonia e delicadeza o que, em algumas canções, perde em distorção, apesar de, felizmente, o red line das guitarras não deixar de fazer sempre parte do cardápio sonoro dos Le Rug. Nostálgico e carregado de referências, parece claro o compromisso assumido por Ray Weiss de não produzir algo demasiado sério, acertado e maduro, mas canções que querem brincar com os nossos ouvidos, sujá-los com ruídos intermináveis e assim, proporcionarem uma audição leve e divertida. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:57
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Domingo, 29 de Março de 2015

KRILL - A Distant Fist Unclenching

Jonah Furman (baixo, voz), Aaron Ratoff (guitarra) e Ian Becker (bateria) são os Krill, uma banda oriunda de Boston, na costa leste dos Estados Unidos, já com meia década de existência e que a dezassete de fevereiro último lançou A Distant Fist Unclenching, o terceiro álbum da carreira do trio, nove excelentes canções gravadas por Justin Pizzoferrato, em julho e agosto de 2014, nos estúdios Sonelab em Easthampton, Massachusetts e masterizadas por Carl Saff. Editado pela insuspeita Exploding in Sound Records em parceria com a Double Double Whammy e a Steak Club Records, A Distant Fist Unclenching está disponivel em formato digital e em vinil.

Com uma já apreciável reputação no país de origem e digressões com os Deerhoof, os conterrâneos Speedy Ortiz, Big Ups ou The Thermals, os Krill preparam-se para dar o salto para a Europa este ano, trazendo na bagagem estas nove novas canções que encarnam uma verdadeira jornada sentimental, auto-depreciativa e filosófica pelos meandros de uma américa cada vez mais cosmopolita e absorvida pelas suas próprias encruzilhadas, uma odisseia heterogénea e multicultural oferecida por um projeto visionário que explora habituais referências dentro de um universo sonoro muito peculiar e que aposta na fusão do rock, com outras vertentes sonoras, nomeadamente o post punk e o hardcore, de uma forma direta, mas também densa, sombria, progressiva e marcadamente experimental. Esta é uma fórmula que me agrada particularmente e onde, no seio da esfera indie rock, se alia o grunge e o punk rock direto e preciso, com um travo de shoegaze e alguma psicadelia lo fi, numa espécie de space rock que, sem grande esforço, nos leva até territórios sonoros tão bem recriados e reproduzidos há umas quatro décadas e que depois se cruzam com o típico rock alternativo da última década do século passado.

A Distant Fist Unclenching são, portanto, nove canções enérgicas, invadidas por vairações melódicas e ritmícas constantes, uma percurssão cheia de groove que em temas como Phantom ou Torturer atinge uma elevada bitola qualitativa e que não deixa o disco viajar a uma velocidade descontrolada, apesar de nesses temas ficarmos com a sensação que somos sugados para uma espiral sonora alimentada por um festim sonoro acelerado e difícil de travar. Depois, a versatilidade instrumental e o bom gosto com que as várias influências se cruzam, elevam algumas canções a uma atmosfera superior, esculpida pelas raízes primordiais do rock, com a já referida Torturer a ser talvez aquele tema que melhor condensa todo o universo sonoro referencial para os Krill. Esta Torturer é um excelente exemplo da exploração de uma ligação estreita entre a psicadelia e o rock progressivo, através de um sentido épico pouco comum e com resultados práticos extraordinários, mas em instantes sonoros do calibre de Mom ou Squirrels a estreita relação entre guitarras carregadas de fuzz e um baixo vigoroso, amplia a intensidade experimental dos Krill e dá-lhes um lado ainda mais humano, orgânico e sentimental. A própria performance de Furman, dono de um registo vocal curioso e desafiante, que impressiona pela forma como se expressa e atinge diferentes intensidades e tonalidades, consoante o conteúdo lírico que canta, é também um dos grandes suportes do alinhamento, apesar do maralhal sónico que o disco contém e onde sobressai, como já dei a entender, a forma livre e espontânea como as guitarras se expressam, guiadas pela nostalgia do grunge e do punk rock.

Com o charme de uma recomendável toada lo fi como pano de fundo de toda esta apenas aparente amálgama, A Distant Fist Unclenching prova que os Krill estão bem documentados e têm gostos musicais muito ecléticos, como mostra este compêndio feito de pura adrenalina sonora, uma viagem que nos remete para a gloriosa época do rock independente, sem rodeios, medos ou concessões, com um espírito aberto e criativo. Os Krill são um novo nome a ter em conta no universo musical onde se inserem e estão no ponto e prontos a contrariar quem acha que já não há bandas a fazer música de qualidade. Espero que aprecies a sugestão...

Phantom

Foot

Fly

Torturer

Tiger

Mom

Squirrels

Brain Problem

It Ends

 


autor stipe07 às 22:31
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Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2015

LFM - Somersaults

Oriundos de Londres, os LFM, aka Loose Fruit Museum, são Conal (voz e guitarra), Ali (guitarra), Phil (teclados), Ev (baixo) and Tony (bateria), um quinteto que aposta forte numa sonoridade hard rock, que do rock setentista, ao rock de garagem e passando pelo blues, sobrevive à custa de guitarras cheias de ruído e distorção, um teclado que não receia colcoar-se em bicos de pés quando procura protagonismo e uma secção ritmíca vibrante e poderosa.

Somersaults é o primeiro tema divulgado de The Room, o novo álbum dos LFM, que vai ver a luz do dia a vinte e três de março através da Ciao Ketchup Recordings. Conal, o vocalista, é o grande portagonista de uma canção com um ritmo efervescente, que pisca o olho ao punk e ao ska, com a guitarra a assumir a condução melódica, num resultado final explosivo, vibrante e contagiante, que catapulta os LFM para um muito desejado estrelato no universo indie rock.

Dirigido por Benny Tricket, habitual colaborador dos Pink Floyd, o video de Somersaults também acaba de ser divulgado e merece dedicada visualização, pelo modo retro como apresenta a banda, colocando a nú algumas das suas maiores virtudes, em termos de pose e postura. Confere...


autor stipe07 às 12:06
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Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2014

Mile Me Deaf - Holography

Oriundos de Viena, os austríacos Mile Me Deaf regressaram em 2014 aos discos com Holography, um trabalho que viu a luz do dia no início de maio e que podes escutar no bandcamp do grupo, onde está igualmente disponível toda a sua discografia, podendo ser adquirido através da Siluh Records.

Um músico chamado Wolfgang Möstl é o lider destes Mile Me Deaf, sendo ele quem escreve e compôe a maioria das canções. No entanto, não se trata propriamente de um projeto a solo até porque ao vivo os Mile Me Deaf apresentam-se como um conjunto coeso, com vários músicos e que não sofre grandes alterações desde 2008, ano em que se estrearam nos lançamentos.

Quanto à música e a este disco em particular, os Mile Me Deaf são exemplares no modo como sugerem um rock de garagem, cru e lo fi, exemplarmente replicado em canções como Science Fiction, o sensual rock de cabaret de True Blood, o grunge de Cryptic Boredom Rites e em Out Of Breath At Ego Death, este último um tema algo inédito no alinhamento já que nele coexiste uma relação frutuosa entre a distorção da guitarra e da voz, com uma bateria acelerada, algo que remete a canção para o experimentalismo punk, que se estende para Domestics, no caso da voz e também para o fuzz psicadélico de Motor Down, plasmado na relação progressiva que, neste caso, se estabelece entre o baixo e a bateria.

No entanto, os Mile Me Deaf também não descuram paisagens sonoras mais amenas, com a indie pop descomprometida que temas como o single Artificial ou a divertida War Bonding, claramente comprovam. A primeira é um dos grandes destaques de Holography, uma canção com uma tonalidade muito vincada e onde Wolfgang consegue, através da voz, envolver-nos numa elevada toada emotiva e delicada, que faz o nosso espírito facilmente levitar e que provoca um cocktail delicioso de boas sensações.

Holography são doze canções onde a herança dos anos oitenta e do rock alternativo da década seguinte estão bastante presente e com o processo de construção melódica a não descurar uma forte vertente experimental nas guitarras e uma certa soul na secção rítmica, o que só abona a favor deste projeto austríaco que contém uma forte componente nostálgica, mas também algo descomprometida. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:12
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Domingo, 23 de Novembro de 2014

heklAa - My Name Is John Murdoch

Alsaciano de nascimento, mas inspirado sonoramente por latitudes mais a norte, Sébastien Touraton é um francês apaixonado pela islândia, além de um músico talentoso que adora post rock. Líder do projeto heklAa, o nome de um vulcão islandês, tem um novo álbum intitulado My Name Is John Murdoch, um trabalho inspirado em Dark City, um dos filmes preferidos de Sébastien, mas com referências a outras fitas, nomeadamente o Batman de Tim Burton.

O autor do disco nega que My Name Is John Murdoch seja uma banda sonora alternativa de Dark City mas, na verdade, tendo o filme na mente e escutado estas canções, é possivel fazer um paralelismo entre as duas obras, até porque o alinhamento de nove canções procura recriar o filme, com cada tema a servir como banda sonora de um capítulo da trama, descrita abaixo pelo próprio autor do disco.

heklAa começou a trabalhar no álbum há cerca de dois anos e ideias e sentimentos como a nostalgia, o fim precoce da inocência e a auto-descoberta estão muito presentes nas canções que trespassam esses conceitos para algumas personagens do filme, à medida que a história se desenrola.

Com uma forte componente instrumental e com a voz a servir esencialmente como suporte narrativo, My Name Is John Murdoch tem momentos coloridos e cheios de emoção e, ao mesmo tempo, instantes que se tornam profundamente pensativos, nostálgicos e melancólicos. No entanto, é nos instantes em que o autor pretende recriar uma aúrea mais sombria e dramática que sobressai a sua capacidade de composição e a grandiosidade instrumental que não descura praticamente nenhuma secção ou classe de instrumentos. Das cordas, acústicas e eletrificadas, à percussão, passando pelos instrumentos de sopro, arranjos com metais e efeitos sintetizados que replicam sons de diversas proveniências, Sébastien conseguiu atingir o pleno orquestral e com isso fazer com que My Name Is john Murdoch criasse uma impressionante sensação de beleza e de efeitos contrastantes dentro de nós, além da possibilidade de podermos visualizar a trama.

Claramente apaixonado pela música erudita, heklAa foi corajoso na ideia e no modo como a colocou em prática, apropriando-se de uma forma de experimentação sonora e musical algo inédita, o que atesta a sua enorme capacidade para pintar verdadeiras telas sonoras cheias de vida e cor, utilizando uma fórmula básica que serve de combustível a nuances variadas e harmonias magistrais, onde tudo se orienta de forma controlada, em nove canções avassaladoras e marcantes, claramente à altura do enredo que procuram musicar. Espero que aprecies a sugestão...

The Story.
The movie tells the story of John Murdoch, a music journalist, expert of Miles Davis’ work. After years, he comes back in sirenZ, the big city where he grew up, to cover a set of jazz concerts. As he is walking along the main street, he has the strange feeling that nothing is like it used to be. Did the city change so much? Did he change so much? Did time just go by?

(Episode 1: The Dark City of sirenZ) A whole series of events is going to intensify his conviction that something is wrong: that beautiful woman he meets in the “Hopper’s bar”; he does not know any Selina Kyle, but he could swear that he knows that woman, like a reminiscence from yesteryears, he knows that he had dinner once with her, that they have spent the night after that together, too. (Episode 2: L’Inconnue ) There is also this original recording of Miles Davis’ soundtrack for “Elevator of the Gallows” that he finds in an old music store; as an expert, he knows full well that this milestone in jazz was celebrated in 1958. “Générique”, the perfection of music according to John, this permanent catchy tune in his head could not be just a creation of his own mind. But, the calendar in the store still indicates that John is living in the year 1946… Last but not least, in place of Miles Davis’ music, John discovers a recording made by a Louis Malville who introduces himself as a French movie director. Louis reveals that sirenZ is a shameless lie, a Dark City like many others, where nothing is real. (Générique)

Nothing? What about Shell Beach, this sunny happy place of his childhood, where he used to fly a kite or go sailing and fishing with his father? So many memories of brighter times… (Episode 5: Remembering Shell Beach)
After days of investigating, at last, John finds out the truth, as he is walking by a souvenir shop. Behind the window, a glass snow ball representing sirenZ. He understands, terrified, that this is not just a trinket for tourists, but reality: The city is lying in the depths of the sea, under a giant bell. (Episode 3: The Dome) Shell Beach does exist, but only in his head, nothing more than pretty pictures in a photo album. Why? When? How? John will never get the answer. (Episode 4: Dance with the Shadows)
John’s world has collapsed. (Ep 7: Say hurray! ‘cause it’s the End of the World!). Now that he knows the whole truth, what comes next? Should he tell everything and run the risk of becoming a curse, an incurable decease for everyone in the city? Should he just live a normal, quiet life by the woman he loves? No, he will not be a tragic hero. He knows who he is. (Episode 6: My name is John Murdoch). Selina is waiting for him. (Epilogue).

 


autor stipe07 às 19:07
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Segunda-feira, 23 de Junho de 2014

Fucked Up - Glass Boys

Editado pela Matador Records, chegou no passado dia três de junho às lojas Glass Boys, o quarto álbum da carreira dos canadianos Fucked Up, um dos nomes mais importantes do cenário punk rock atual e que aposta num hardcore que tem na voz agressiva de Damian Abraham e nas guitarras de Mike Haliechuk, que vão beber ao punk dos anos oitenta, dois dos traços identitários mais significativos.

Glass Boys marca mais uma etapa deste coletivo na replicação de um som barulhento e agressivo, depois da timidez de Hidden World (2006), de buscas melodiosas em The Chemistry of Common Life (2008) e da história de amor que foi David Comes To Life, o antecessor, editado em 2011, um álbum de mais de setenta minutos de duração e que mostrava a banda a explorar, com muito gosto e sucesso, as possibilidades infinitas do punk rock mais pesado. 

Habituados a transformar em hinos sonoros as diferentes manifestações de raiva adolescente que costumavam preencher o ideário lírico das suas canções, Glass Boys, mostra-nos uns Fucked Up mais maduros e controlados e ainda com novos truques na manga, nomeadamente alguns pequenos arranjos pop. Além da receita habitual, a introdução de Warm Change e o refrão pesado de Led By Hand mostram que os Fucked Up tentaram experimentar ideias diferentes e fugir da habitual bitola, algo que a viola que introduz o tema homónimo também pode comprovar, uma canção que fala sobre o passado que há em cada um de nós e a influência que as experiências anteriores têm na definição daquilo que cada um de nós é hoje. As mudanças de andamento entre o refrão e os versos de The Great Divide também impressionam pela novidade e depois, além disso, será sempre obrigatório escutar DET e Paper The House para quem aprecia verdadeiramente o ADN específico destes Fucked UP que sabem encaixar as canções de forma a criar um alinhamento fluído e acessível, apesar da especificidade do som que os carateriza.

Em suma, neste Glass Boys os Fucked Up não fogem muito da sua habitual zona de conforto, mas continuam a lutar com garra e criatividade para empurrar e alargar as barreiras do seu som, ao longo de quarenta e dois minutos intensos, rugosos e que não envergonham o catálogo sonoro deste grupo de Toronto. Espero que aprecies a sugestão...

01 Echo Boomer
02 Touch Stone
03 Sun Glass
04 The Art Of Patrons
05 Warm Change
06 Paper The House
07 DET
08 Led By Hand
09 The Great Divide
10 Glass Boys


autor stipe07 às 17:51
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Segunda-feira, 9 de Junho de 2014

The Black Keys – Turn Blue

Dois anos e alguns meses depois de El Camino, a dupla The Black Keys de Dan Auerbach e Patrick Carney está de regresso com um novo disco. Turn Blue chegou a treze de maio através da Nonesuch e ao oitavo disco, os The Black Keys consolidam o estouro de popularidade desejada. Para chegar aqui esta dupla contou com a ajuda essencial do mítico produtor Danger Mouse, que já pode  ser considerado um terceiro membro dos The Black Keys e que voltou a produzir mais um trabalho do grupo.

A sonoridade hard rock, do rock setentista, do rock de garagem e do blues mantém-se como a pedra de toque desta dupla que já tem um estatuto forte no universo sonoro alternativo e que após treze anos de parceria parece ter atingido o ponto mais alto de uma carreira com alguns momentos marcantes, mas agora com novas nuances e um som mais experimental e menos planeado para as rádios e os estádios.

Confortáveis com o passado, mas cientes da capacidase que têm de prosseguirem a carreria sem cair na repetição, em Turn Blue os The Black Keys perderam alguma potência, mas ganharam um certo charme e uma nova personalidade, devido a a alguns arranjos inéditos e uma guitarra cada vez mais longe do rock de garagem e mais perto da psicadelia. Quem quiser ouvir o blues rock minimal puro e duro, em discos recheados de potenciais singles só tem que ficar no antecessor e regressar a Brother e aos primeiros trabalhos do grupo, porque a duração do solo de guitarra do funk psicadélico da épica Fever surpreendeu os seguidores mais puristas e não terá sido por acaso que o tema foi escolhido para single de avanço do disco. A própria postura da voz, a linha do baixo e a precisão da bateria não deixam de ter os genes The Black Keys, mas há um ambiente novo em que se dança, mas numa toada mais intíma. Mas antes, logo a abrir, a bússola já aponta noutro sentido quando na expansiva Weight of Love somos surpreendidos com uma batida lenta, detalhes eletrónicos e uma guitarra que persegue uma maior proximidade dos The Black Keys connosco. Isso é algo que se depreende também da sensação de espontaneidade da maioria do alinhamento, como se tivesse sido composto para ser escutado por amigos e não para a massa homónima que uma banda que agrega multidões em seu redor e suscita enorme expetativa sempre que respira, geralmente coleciona no seu cardápio de seguidores.

Momentos como o groove que destila imenso soul de In Time,  ou a acústica vintage que abre Bullet In The Brain e que depois desliza até ao krautrock, são outros dois exemplos que mostram que Auerbach e Carney estão no apogeu do seu estado de maturidade e mais arrojados do que nunca.

Em suma, este disco não é um documento único daqueles que perduram quando se contar a história definitiva do rock, mas é um marco importante numa dupla que parece apostada em calcorrear novos territórios e comprova a entrada em grande estilo dos mesmos na primeira divisão do campeonato indie e alternativo, podendo até figurar em algumas listas dos melhores discos lançados este ano. Turn Blue prova que se o rock estiver em boas mãos tem capacidade que sobra para se renovar e quantas vezes for necessário. Espero que aprecies a sugestão...

The Black Keys - Turn Blue

01. Weight Of Love
02. In Time
03. Turn Blue
04. Fever
05. Year In Review
06. Bullet In The Brain
07. It’s Up To You Now
08. Waiting On Words
09. 10 Lovers
10. In Our Prime
11. Gotta Get Away

 


autor stipe07 às 16:38
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