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VIAL - Never Been Better

Sexta-feira, 09.01.26

As VIAL são uma banda americana de punk rock, formada em dois mil e dezanove em Minneapolis, no Minnesota e atualmente composta pelo vocalista e guitarrista KT Branscom, a vocalista e baterista Katie Fischer e a vocalista e baixista Taylor Kraemer. Acabam de chamar a nossa atenção devido a Never Been Better, um novo single do trio que antecipa Hellhound, o novo disco do projeto, um alinhamento de treze canções que irá ver a luz do dia a vinte de março com a chancela da Trout Hole Records, a etiqueta da própria banda.

Vial

pic by Katy Kelly

Desde que se formaram as VIAL, que apostam num punk rock incisivo, cru e imponente, à sombra de um catálogo interessante de influências que abraçam os cânones essenciais do grunge, do garage e do gótico, estilos que se cruzam e se mesclam sem receios nas suas criações sonoras, sempre vincaram com vigor as suas opiniões políticas e sociais, servindo-se da música para marcar posições e opinar sobre o estado atual de uma América cada vez mais emaranhada em conflitos, dilemas e tensões políticas e sociais.

Visceral e imponente, Never Been Better tem essa marca reinvindicativa, numa canção que assenta os seus pilares numa guitarra épica e abrasiva, um baixo vigoroso e uma bateria com uma cadência enleante, um modus operandi que sustenta um ímpeto de imediatismo e de urgência indisfarçáveis, afagado nos braços de uma melodia algo hipnótica e sombria. confere Never Been Better e o artwork e a tracklist de Hellhound...

Infected
Scorpio Moon
Creep Smoothie
Idle Hands
Sob
Never Been Better
Hellhound
Undermine Me
Blah
Puke
Talktalktalk
Boredom/Combustion
Blood Red

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publicado por stipe07 às 13:24

The Lemonheads – Togetherness Is All I’m After

Terça-feira, 30.09.25

Quase duas décadas depois de um disco homónimo, os The Lemonheads de Evan Dando estão finalmente de regresso ao mesmo formato à boleia de Love Chant, um álbum que deverá ver a luz do dia brevemente e que certamente nos vai fazer voltar a sentir aquele clima tão caraterístico, que o cenário indie norte-americano replicou com pujança nos anos noventa do século passado.

Pic by Antonia Teixeira

Criado com a ajuda de Tom Morgan, dos australianos Smudge e com a participação especial de J Mascis na guitarra e de Juliana Hatfield, no baixo, Deep End foi o primeiro single divulgado do alinhamento de Love Chant, um álbum produzido pelo brasileiro Apollo Nove e que além dos nomes já referidos, também conta com os contributos do produtor Bryce Goggin, a cantora Erin Rae, John Strohm, Nick Saloman e Adam Green. Nele, a banda de Boston ofereceu-nos um espetacular tratado de indie punk rock, com guitarras exemplarmente eletrificadas e repletas de distorções abrasivas e um baixo e uma bateria arritmados, mas exemplarmente coordenados, a sustentarem uma composição, onde não faltavam solos inebriantes e aquele notável espírito garageiro que nos marcou a todos há cerca de três décadas.

Algumas semanas depois da audição de Deep End, escutámos mais um espetacular tema do alinhamento de Love Chant, uma canção intitulada In The Margin. Era uma composição mais garageira e abrasiva do que a anterior, com o fuzz das guitarras e um registo percussivo frenético a oferecem a In The Margin aquele inconfundível travo grunge, que não deixa de ser também uma das matrizes essenciais do ADN dos The Lemonheads.

Depois, já em pleno mês de agosto, conferimos o single The Key Of Victory, quase quatro minutos íntimos e introspetivos, gravados nos míticos estúdios Abbey Road, em Londres. The Key Of Victory era um portento de acusticidade, em que cordas dedilhadas com astúcia por Apollo Nove e diversos arranjos etéreos tocados por Erin Rae, ofereceram-nos uma peça sonora leve, luminosa e profundamente bela.

Agora, quando se aproxima a data de lançamento de Love Chant, temos para escuta mais um momento alto do disco, um tema intitulado Togetherness Is All I'm After. Àspera, seca, contundente e abrasiva, assim é Togetherness Is All I'm After, uma composição que condensa alguns dos melhores ingredientes daquele rock alternativo e garageiro, que marcou a juventude da minha geração. A canção é um verdadeiro tratado de grunge, assente numa parede eletrificada de guitarras encharcadas em fuzz e com uma indesmentível toada psicadélica. Homenageia, como já referi, aquele modus operandi que fez escola nos anos noventa do século passado, não faltando ao tema, qual cereja no topo do bolo, um estonteante solo de guitarra. A voz adocicada de Evan Dando acaba por ser o ponto de equilíbrio de toda esta estética sonora muito própria e que acaba por ir ao encontro de um louvável intuíto de nos fazer viajar no tempo e entregar-nos o que queremos ouvir, uma canção caseira e perfumadas pelo passado. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:56

The Lemonheads – The Key Of Victory

Segunda-feira, 11.08.25

Quase duas décadas depois de um disco homónimo, os The Lemonheads de Evan Dando estão finalmente de regresso ao mesmo formato à boleia de Love Chant, um álbum que deverá ver a luz do dia no início do outono e que certamente nos vai fazer voltar a sentir aquele clima tão caraterístico, que o cenário indie norte-americano replicou com pujança nos anos noventa do século passado.

Criado com a ajuda de Tom Morgan, dos australianos Smudge e com a participação especial de J Mascis na guitarra e de Juliana Hatfield, no baixo, Deep End foi o primeiro single divulgado do alinhamento de Love Chant, um álbum produzido pelo brasileiro Apollo Nove e que além dos nomes já referidos, também conta com os contributos do produtor Bryce Goggin, a cantora Erin Rae, John Strohm, Nick Saloman e Adam Green. Nele, a banda de Boston ofereceu-nos um espetacular tratado de indie punk rock, com guitarras exemplarmente eletrificadas e repletas de distorções abrasivas e um baixo e uma bateria arritmados, mas exemplarmente coordenados, a sustentarem uma composição, onde não faltavam solos inebriantes e aquele notável espírito garageiro que nos marcou a todos há cerca de três décadas.

Algumas semanas depois da audição de Deep End, escutámos mais um espetacular tema do alinhamento de Love Chant, uma canção intitulada In The Margin. Era uma composição mais garageira e abrasiva do que a anterior, com o fuzz das guitarras e um registo percussivo frenético a oferecem a In The Margin aquele inconfundível travo grunge, que não deixa de ser também uma das matrizes essenciais do ADN dos The Lemonheads.

Agora, em pleno mês de agosto, temos para conferir o single The Key Of Victory, quase quatro minutos íntimos e introspetivos, gravados nos míticos estúdios Abbey Road, em Londres. The Key Of Victory é um portento de acusticidade, em que cordas dedilhadas com astúcia por Apollo Nove e diversos arranjos etéreos tocados por Erin Rae, oferecem-nos uma peça sonora leve, luminosa e profundamente bela. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:41

The Lemonheads – In The Margin

Segunda-feira, 07.07.25

Quase duas décadas depois de um disco homónimo, os The Lemonheads de Evan Dando estão finalmente de regresso ao mesmo formato à boleia de Love Chant, um álbum que deverá ver a luz do dia no início do próximo outono e que certamente nos vai fazer voltar a sentir aquele clima tão caraterístico, que o cenário indie norte-americano replicou com pujança nos anos noventa do século passado.

Criado com a ajuda de Tom Morgan, dos australianos Smudge e com a participação especial de J Mascis na guitarra e de Juliana Hatfield, no baixo, Deep End foi o primeiro single divulgado do alinhamento de Love Chant, um álbum produzido pelo brasileiro Apollo Nove e que além dos nomes já referidos, também conta com os contributos do produtor Bryce Goggin, a cantora Erin Rae, John Strohm, Nick Saloman e Adam Green. Nele, a banda de Boston ofereceu-nos um espetacular tratado de indie punk rock, com guitarras exemplarmente eletrificadas e repletas de distorções abrasivas e um baixo e uma bateria arritmados, mas exemplarmente coordenados, a sustentarem uma composição, onde não faltavam solos inebriantes e aquele notável espírito garageiro que nos marcou a todos há cerca de três décadas.

Agora, algumas semanas depois da audição de Deep End, temos para escuta mais um espetacular tema que deverá fazer parte do alinhamento de Love Chant, uma canção intitulada In The Margin. Trata-se de uma composição mais garageira e abrasiva do que a anterior, com o fuzz das guitarras e um registo percussivo frenético a oferecem a In The Margin aquele inconfundível travo grunge, que não deixa de ser também uma das matrizes essenciais do ADN dos The Lemonheads, sempre abertos a novas descobertas e paisagens sonoras. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:04

Fontaines D.C. – Romance

Sábado, 24.08.24

Dois anos depois de Skinty Fia, o curioso título do disco que os irlandeses Fontaines D.C. lançaram na primavera de dois mil e vinte e dois, a banda formada pelo vocalista Grian Chatten, os guitarristas Carlos O’Connell e Conor Curley, o baixista Conor Deegan, o contrabaixista Conor Deegan III no contra-baixo e o baterista Tom Coll, apostou em não colocar rédeas na sua veia criativa e está de regresso ao formato longa-duração, à boleia de Romance, um alinhamento de onze canções que viu a luz do dia com a chancela da XL Recordings, a nova etiqueta do grupo.

Fontaines DC review, Romance: Leaves post-punk in its dust and roars off  into broad new horizons | The Independent

Skinty Fia era um disco de contestação, um trabalho muito marcado pela realidade económica e social de uma Irlanda que oferecia poucas oportunidades de futuro para as gerações mais jovens. Era um álbum eminentemente político, que personificava ironicamente o ponto de vista de um bem sucedido irlandês que, de modo algo corrosivo, em forma de elogio fúnebre, se congratulava com o país onde vivia e o orgulho que sente no seu (in)sucesso, mesmo que deitasse para trás das costas questões tão prementes como a política climática ou a milenar e fraterna herança histórica da Irlanda.

Romance afaga essa filosofia conceptual, voltando-se para temáticas mais pessoais e sensitivas, enquanto, sonoramente, em contra-mão, amplia o percurso ambicioso e eclético do projeto, que no trabalho mais ambicioso e complexo da carreira materializa uma bem sucedida fusão de géneros, que oscilam entre o rock alternativo noventista, o rock progressivo, o hip-hop e aquela eletrónica que aposta em texturas eminentemente densas e pastosas. O punk rock, uma das imagens de marca do período inicial da carreira dos Fontaines D.C., não é colocado inteiramente de lado em Romance, mas tem um perfil mais marginal, servindo essencialmente como adorno em algumas canções.

Logo a abrir o registo, o perfil inicialmente intimista e depois cavernoso do tema homónimo marca a tal rutura com uma herança que sempre se fez notar por uma filosofia estilística de choque com convenções e normas pré-estabelecidas. A partir daí está dado o mote para uma parada sonora com onze robustas canções, que mantêm o já habitual grau superior de rugosidade dos Fontaines D.C., mas que, no geral, são menos imediatas, intuitivas e cruas do que as de Skinti Fia. Começa por fazer mossa na anca o tom épico, mas também algo sinistro e inquietante de Starbuster, uma canção inspirada num ataque de pânico que Chatten viveu na famosa estação ferroviária londrina St. Pancras e tinha uma sonoridade algo sinistra e inquietante. Depois, Here's The Thing prova o modo feliz como o projeto conseguiu olhar para a herança do melhor indie rock da última década do século passado, à boleia de guitarras abrasivas e cruas e de um registo melódico algo intuitivo, mas repleto de guinadas rítmicas, tudo rematado por um baixo exemplar no modo como acama um perfil interpretativo com elevado espírito garageiro.

Este início prometedor e bem sucedido, mantém-se no assalto bem sucedido à herança do melhor rock clássico em Desire e na subtileza hipnótica das guitarras que acamam diversos violinos em In The Modern World, uma composição com uma essência pop assinalável. Depois, a acusticidade tipicamente british de Bug e de Motorcycle Boy, duas canções que despertam na nossa mente, de imediato, a melhor herança dos manos Gallagher, a cosmicidade lisérgica de Sundowner, canção repleta de sintetizações pastosas que nao defraudam o superior desempenho interpretativo da guitarra de Carlos O’Connell e o superior tom alternativo noventista de Favourite, uma verdadeira canção de amor, que reflete sobre a rapidez com que esse sentimento nos leva da euforia à tristeza, sem meio-termo, rematam um álbum que é um desfilar efusiante e esplendoroso dos atributos maiores do quinteto, mas que também possibilita ao seu catálogo, obter uma subida alguns degraus acima na sua bitola qualitativa.

Numa época do vale tudo, custe o que custar e seja contra quem for e em que a individualidade se deixa facilmente manietar, quase sem se aperceber, pelas solicitações dos media e das redes sociais, Romance puxa pelo nosso lado mais emocional e sensível e faz com que nunca nos esqueçamos que o amor, a solidariedade e a compaixão pelo próximo fazem parte da natureza humana. Ao fazê-lo, comprova também que os Fontaines D.C. não são, nem devem ser, mais vistos como um cometa que passa, brilha no momento e que depois corre o risco de ser esquecido no ocaso do tempo e do espaço negro e profundo, mas que são, já e com pleno direito, uma das melhores bandas do rock alternativo mundial contemporâneo. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 14:46

Porches – Itch

Quarta-feira, 03.07.24

Aaron Maine é a mente que lidera o projeto Porches, sedeado em Pleasantville, nos subúrbios de Nova Iorque, com quase uma década de vida. Porches tem já um interessante catálogo de discos, inaugurado em dois mil e dezasseis com o registo Pool, ao qual se sucederam The House, em dois mil e dezoito, Ricky Music, em dois mil e vinte e, mais recentemente, All Day Gentle Hold, em dois mil e vinte um.

Aaron Maine Of Porches On His Beauty Routine | Into The Gloss

No início da primavera a nossa redação partilhou uma canção intitulada Rag, o primeiro sinal de vida desde All Day Gentle Hold, novidade que parecia anunciar um disco novo de Porches para breve. Essa previsão confirmou-se no final de maio com o anúncio de um novo álbum do projeto, um registo de originais intitulado Shirt, que irá chegar aos escaparates a dezanove de setembro com a chancela da Domino Recordings.

Depois de também já termos divulgado Joker, a oitava composição do alinhamento de Shirt, hoje chega a vez de escutarmos Itch, o sétimo tema do disco. Se Rag assentava num indie rock cru e intenso, com um perfil noventista bastante vincado e Joker numa filosofia estilística com um curioso travo folk, Itch coloca as fichas num perfil mais minimal, orgânico e sujo, com o grunge em declarado ponto de mira. Confere Itch e o vídeo do tema dirigido por Nick Harwood, que já tinha tomado as rédeas dos filmes que ilustram Rag e Joker...

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publicado por stipe07 às 18:46

SPRINTS - Letter To Self

Segunda-feira, 08.01.24

Formados em dois mil e dezanove, os irlandeses SPRINTS de Karla Chubb (vocalista), Colm O’Reilly (guitarrista), Jack Callan (baterista) e Sam McCann (baixista), são uma das grandes sensações deste já vertiginoso início sonoro de dois mil e vinte e quatro. Sedeados em Dublin, apostam num indie rock incisivo, cru e imponente, à sombra de um catálogo interessante de influências que abraçam os cânones essenciais do grunge, do garage e do gótico, estilos que se cruzam e se mesclam sem receios nas suas criações sonoras, nomeadamente num alinhamento de onze canções intitulado Letter To Self, produzido por Daniel Fox e que viu a luz do dia por estes dias, com a chancela da City Slang.

Sprints: Letter to Self review — the explosive Irish band join a thriving  scene

Cada vez é mais difícil escutar um disco e sermos, no imediato, trespassados pelo seu conteúdo e tal suceder sem apelo nem agravo. Letter To Self é um forte, seco e contundente murro no estômago, um registo que nos recorda que a música ainda consegue surpreender e que ainda há esperança para quem já não acredita que é possível agitar as águas com algo de sustancialmente diferente do que o habitual e, melhor do que isso, inovador. Os SPRINTS não inventaram nenhuma fórmula nova, não descobriram a pólvora, como se costuma dizer, mas constate-se, em abono da verdade, que foram tremendamente eficazes no modo como sugaram para o seu âmago um leque de influências bem delineado e, dando-lhe um cunho pessoal que se transformou rapidamente em adn indistinto, criaram, logo na estreia, uma verdadeira obra-prima, porque é disso que Letter To Self se trata.

Logo a abrir o disco, na guitarra abrasiva e no modo como a bateria cresce em Ticking até à explosão eufórica rebarbada que é depois afagada pela voz de Karla, fica explícita a cartilha destes SPRINTS. Depois, em Heavy, com um ímpeto de imediatismo e de urgência indisfarçáveis e nos braços de uma melodia algo hipnótica e sombria, torna-se ainda mais óbvio o receituário que nos é aplicado, atingindo terrenos algo progressivos em Cathedrals, um festim punk que racha de alto a baixo qualquer convenção ou alicerce. Shaking Their Hands ainda tenta, sem sucesso felizmente, afagar um pouco a toada, através de um clima mais íntimo e clemente, mas o hino de estádio Can't Get Enough Of It, o travo psicadélico de Adore Adore Adore e, principalmente, o modo principesco como em A Wreck (A Mess) e Up And Comer o ruído torna-se sinónimo de coerência, enquanto estabelece uma relação íntima conosco que preenche, esclarecem-nos que este naipe de composições foi pensado para satisfazer até à exaustão a ânsia de todos aqueles que procuram projetos sonoros que fujam ao apelo radiofónico e que, simultaneamente, ofereçam ao rock novos fôlegos e heróis.

Neste disco ímpar, fabuloso, potente e visceral, o modus operandi é, portanto, coerente, claro, incisivo e explicito; Canção após canção é a guitarra que dá o mote, depois a bateria vai ao encontro dela, chocando os dois, muitas vezes, de frente e o baixo faz depois o trabalho sujo de contrabalançar e impôr ordem nessa luta satânica, mas que nunca se mostra desigual, entre cordas e baquetas. Em resultado disso, crueza, vigor, monumentalidade e destreza interpretativa andam sempre de mãos dadas, em quase quarenta minutos que se escutam, como tem que ser, com os punhos cerrados, o queixo altivo e as ancas desgovernadas. A energia e a vibração são constantes e enquanto isso sucede, exorcizamos demónios, enfrentamos os nossos medos e atiramos para trás das costas as nossas hesitações, gritando letras que falam das agruras típicas de quem entra na vida adulta e nem sempre sabe como lidar com os dilemas do amor, o peso da desilusão, as angústias do amanhã ou as marcas que o ontem nos deixou e que teimam em não passar.

Letter To Self é um disco que seduz, instiga e maravilha pela crueza e pela espontaneidade do rock que exala e que contendo aspetos identitários deslumbrantes de todo o espetro sonoro acima identificado, agrega-os com enorme mestria, ao mesmo tempo que define o adn de uma banda que vai ser, apostamos, referência e inspiração para outras. E quando esse patamar se atinge, um pódio ao alcance de poucos, mas que os SPRINTS já ocupam, estamos, obviamente, na presença de uma referência incontornável do indie rock atual. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 16:01

Pixies – Dregs Of The Wine

Segunda-feira, 12.09.22

Dois mil e vinte e dois tem sido um ano particularmente profícuo para os Pixies. No final do inverno divulgaram uma cançao intitulada Human Crime, em junho último o single There's A Moon On, algumas semanas depois a composição Vault Of Heaven e agora chega a vez de conferirmos mais um tema desta banda americana de rock alternativo formada em Boston, Massachusetts, em mil novecentos e oitenta e seis. A canção intitula-se Dregs Of The Wine e, tal como as antecessoras, fará parte de um disco chamado Doggerel, que chegará aos escaparates daqui a duas semanas, com a chancela da BMG.

Pixies – “Dregs Of The Wine”

De acordo com a própria BMG, Doggerel será um álbum maduro mas visceral, de folk macabro, pop festivo e de um rock brutal, assombrado pelos fantasmas dos negócios e das indulgências, conduzido à loucura pelas forças cósmicas e visualizando vidas onde Deus não providenciou. E, de facto, se, por exemplo, a toada enérgica e vibrante das guitarras que arquitetavam There's A Moon On, além de ilustrarem uns Pixies a tentarem honrar o som roqueiro e lo fi do passado, também mostrava um salutar alinhamento com as tendências mais recentes do campo sonoro em que o quarteto se movimenta, uma permissa particularmente impressiva que se repetiu, com nuances mais sombrias e requintadas, em Vault Of Heaven, agora, em Dregs Of The Wine, os Pixies mostram-se ainda mais arrojados, colocando o melhor grunge noventista em declarado ponto de mira.

Dregs Of The Wine é o primeiro tema criado pelo guitarrista Joey Santiago e comprova, em suma, que Doggerel será um disco explosivo, vibrante e que não será uma obra unicamente saída da mente criativa de Black Francis, mas antes uma feliz conjugação de esforços, que inclui o produtor Tom Dalgety (Royal Blood, Ghost) e as contribuições ímpares, quer no processo de escrita, quer no arquétipo das canções, dos restantes membros da banda, o guitarrrista Joey Santiago, como já referi realtivamente a Dregs Of The Wine, o baterista David Lovering e a baixista Paz Lenchantin. Confere...

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publicado por stipe07 às 12:06

The Family Rain – Memorabilia

Sábado, 08.05.21

Os The Family Rain são uma banda de blues rock, com um percurso de uma década, que inclui um breve hiato de cerca de três anos pelo meio. Formado pelos pelos irmãos William, Ollie e Timothy Walter, este projeto tem no seu cardápio três EPs, diversos singles e um disco de estreia intitulado Under The Volcano, lançado ainda antes da separação em 2016.

On the radar: The Family Rain | MusicRadar

Há cerca de dois anos a banda anunciou nova reunião nas redes sociais e, entretanto, parece vir a caminho também um novo disco deste projeto oriundo de Bath, no sudoeste de Inglaterra. Memorabilia, um portento de indie trash rock lo fi de forte travo grunge, assente em guitarras abrasivas e um registo percurssivo estonteante, é o novo single do trio, um verdadeiro tratado de impetuosidade garageira, pleno de nostalgia, com o melhor do rock dos anos noventa em claro e anguloso ponto de mira. Confere...

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publicado por stipe07 às 17:29

Dinosaur Jr. – Sweep It Into Space

Quarta-feira, 05.05.21

Se não for por mais nenhum motivo válido, dois mil e vinte e um ficará invariavelmente na história por marcar o regresso dos míticos Dinosaur Jr. de J Mascis, Lou Barlow e Murph aos discos. Recordo que o trio gravou alguns álbuns míticos no século passado, nomeadamente nos anos oitenta e surpreenderam-nos a todos quando se reuniram novamente já neste século, há quase década e meia, tendo editado desde então discos como Beyond (2007), Farm (2009), I Bet On Sky (2012) e Give A Glimpse Of What Yer Not (2016), que se concentram, naturalmente, em guitarras bastante eletrificadas e com uma identidade vincada, uma bateria frenética e um baixo sempre omnipresente, mesmo que não esteja na primeira linha da condução melódica e, o mais importante, numa jovialidade e numa luminosidade festivas que se saúdam e que atestam o habitual excelente humor e positivismo destes três músicos, nuance que se mantém em Sweep It Into Space, o novo disco dos Dinossaur Jr, lançado pelas mãos da JagJaguwar, no passado dia vinte e três de abril.

Dinosaur Jr.'s 'Sweep It Into Space' Review: An Exuberant Musical  Affirmation

Produzido por Kurt Vile, Sweep It Into Space tem logo em I Ain't, tema que evoca o simples desejo de companheirismo musical que definiu a reunião desta banda, todas as marcas identitárias de um perfil interpretativo que foi sempre imagem de marca de um trio que nunca deixou de colocar na linha da frente uma indispensável radiofonia, sem deixar de tocar no âmago de quem os escuta com superior atenção e devoção. Essa coerência prossegue na deliciosa rugosidade da guitarra de I Met The Stones, na taciturna To Be Waiting, na animada Take It Back e na radiosa I Ran Away, sendo Garden, um verdadeiro clássico de rock pulsante, a composição em que o disco atinge um pináculo interpretativo de superior quilate.

Importa referir que, num disco sempre consistente e orelhudo, as vocalizações de Mascis, geralmente de cariz algo aspero e lo fi, mantêm a bitola habitual assente numa interpretação vocal que, contendo o espírito rebelde e a atitude punk do intérprete, nunca deixam de conter uma indispensável faceta melódica e harmoniosa. De facto, Mascis mistura bem a sua voz com as letras e os arranjos das melodias, o que faz com que o próprio som da banda contenha sempre harmonia e delicadeza, mesmo no meio da distorção, até porque, felizmente, o red line das guitarras mantém-se pujante no cardápio sonoro dos Dinosaur Jr., mesmo com a modelagem mais folk que inevitavelmente Vile conferiu ao som global do disco e que é mesmo da sua co-autoria quando toca cordas em I Ran Away. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 14:47






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