Quarta-feira, 18 de Março de 2020

Deap Lips - Deap Lips

Uma das colaborações mais inusitadas do universo sonoro indie e alternativo é a que junta o projeto californiano Deap Vally, da dupla Lindsey Troy e Julie Edwards aos The Flaming Lips de Wayne Coyne e Steven Drozd, banda de Oklahoma que há quase três décadas gravita em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e que se reinventa constantemente. O resultado final da equação chama-se Dead Lips e já se materializou com um disco homónimo, um cardápio de dez canções que fundem com elevado grau criativo o universo psicadelico unicorniano dos The Flaming Lips e o rock puro e simples das Deap Vally.

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Não é novidade os The Flaming Lips darem as mãos a outros nomes importantes da pop contemporânea, quase sempre projetos ou artistas nos antípodas da esfera sonora em que a banda de Coyne gravita. Miley Cyrus ou Justin Timberlake, são apenas dois dos exemplos mais conhecidos dessa evidência, mas o objeto deste artigo, intitulado Dead Lips, parece-me ser o mais feliz e bem conseguido, de todas as interseções sonoras que a banda de Oklahoma efetuou com outros nomes fundamentais da música atual.

Escutar Dead Lips é, de facto, um verdadeiro festim, tal é o manancial de nuances, detalhes, estilos ou tendências que as canções do álbum contêm e que se escutam de um só travo, como se fossem uma sinfonia única, até porque estão interligadas entre si, sem pausas, com as melodias a saltarem para o tema seguinte, sem pedirem licença e a espraiarem-se lentamente enquanto o arquétipo fundamental da composição seguinte encarreira e segue o seu curso normal. É, no seu todo, uma heterogeneidade ímpar, única e intensa, mas que entronca num pilar fundamental, a indie pop etérea e psicadélica, de natureza eminentemente hermética, impressão que deve muito ao virtuosismo interpretativo de Lindsey Troy na guitarra, assumindo também ela as rédeas vocais do registo.

Mas não se pense que por Coyne se ter mantido longe do microfone e por o exercício performativo dele e do colega Drozd se ter baseado essencialmente no campo do sintético, que o travo dos The Flaming Lips é escasso ou acessório. A impressão é exatamente a contrária. Qualquer seguidor da carreira do grupo de Oklahoma, logo em Home Thru Hell, se não soubesse a origem da canção, imediatamente iria perceber que os The Flaming Lips fazem parte dos créditos do tema. Nesse tema e, mais adiante, em Love Is A Mind Control, os flashes cósmicos e o timbre radiante das cordas que se cruzam com a rispidez da guitarra, em ambos os temas, só poderiam ter uma origem e, a partir daí, a luminosidade folk sessentista e borbulhante de Hope Hell High, a hipnótica subtileza de One Thousand Sisters with Aluminum Foil Calculators e, com um pouco mais de groove, de Wandering Witches, a cativante cândura de Shit Talkin, o clima corrosivo e incisivo de Motherfuckers Got to Go ou a ecoante psicadelia repleta de reverb de Wandering Witches, sem descurarem um lado íntimo e resguardado, oferecem, em toda a amálgama e heterogeneidade que incorporam, um inegável charme, firme, definido e bastante apelativo, mas também insolente, algo selvático, rebelde e banhado numa indesmentível crueza. Atenção que esta tal insolência não é, em momento algum do disco, sinónimo de amálgama ou ruído intencional; Apesar do protagonismo melódico da guitarra de Lindsey, o constante enganador minimalismo eletrónico que trespassa os trinta e oito minutos de Deap Lips, prova o minucioso e matemático planeamento instrumental de um disco que contém um acabamento que gozou de uma clara liberdade e indulgência interpretativa e onde tudo se orientou com o propósito de criar um único bloco de som, fazendo do álbum um corpo único e indivisível, como já referi, e com vida própria, onde couberam todas as ferramentas e fórmulas necessárias para que a criação de algo verdadeiramente imponente e inédito no panorama alternativo atual. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:18
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Quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2020

Mush - 3D Routine

3D Routine marca a estreia em formato longa duração dos britânicos Mush, uma banda oriunda de Leeds e liderada por Dan Hyndman, ao qual se juntam Nick Grant (baixo), Tyson (guitarra) e Phil Porter (bateria). É um registo de doze canções que sucede ao aclamado EP Induction Party, editado em maio do ano passado e que, abrigado pela chancela da insuspeita Memphis Industries, nos oferece um indie rock de primeira água, com aquele travo genuíno e sincero que quase sempre podemos saborear em discos de estreia criados por grupos com uma sede enorme de mostrarem que merecem uma posição de relevo no universo sonoro em que pretendem gravitar e que, neste caso, assenta na melhor herança do rock alternativo que marcou as duas décadas finais do século passado, com os Pavement como referência assumidamente fundamental do quarteto.

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Cruzando linhas entre a crítica social, o existencialismo banal e um certo surrealismo abstrato, apimentado com uma interessante dose de ironia, 3D Routine é um disco que tem na guitarra a personagem principal, assumindo-se como o arquétipo maior de canções que têm, no seu todo, aquele travo indie clássico, mas que se forem analisadas à lupa, contêm uma notável abrangência; Do blues ao rock progressivo, passando pelo garage, o grunge e o punk lo fi, tudo cabe.

Logo em Revising My Fee, na batida das baquetas, na distorção da guitarra e no tom deliciosamente desleixado da voz, percebemos esta opção estilística, num tema tenso e progressivo que serve na perfeição para abrir um alinhamento que será um constante jogo do empurra entre banda e ouvinte, que tem de estar em permanente alerta e firme para perceber e opinar acerca daquilo que os Mush têm a dizer, geralmente de punho cerrado e sem riscar a azul partes de vocabulário.

A partir desse prometedor e imperial início de alinhamento, somos constantemente bombardeados com canções onde, sempre sob domínio das guitarras, o baixo e a bateria conjuram entre si, em conjunto ou à vez, para criar um som que pode parecer à primeira vista caótico, mas que é sempre um agregado de ruídos e arranjos calculado. Do alinhamento sobressai pela diferença, além do tema inicial já referido, o falso intimismo saloio de Existential Dread e o mais jingão de Fruits Of The Happening, o clima festivo de Eat The Etiquette, o travo boémio e enfumarado de Coronation Chicken e a intensidade musculada de Island Mentality.

Gravado com a ajuda de Andy Savours (Dream Wife, Our Girl, My Bloody Valentine), nos estúdios Green Mount, em Leeds, 3D Routine é uma estreia em cheio dos Mush, muito por culpa de um som simultaneamente poderoso e agressivo, mas também franco e honesto, com uma positividade contagiante e uma postura anti-sistema que impressiona pela objetividade e, principalmente, pelo grau de proximidade que se estabelece, ao longo do alinhamento, entre grupo e ouvintes. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 18:45
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Segunda-feira, 17 de Fevereiro de 2020

Basic Plumbing – Keeping Up Appearances

No final do inverno de dois mil e dezoito o universo indie e alternativo britânico ficou em choque com o súbito desaparecimenro de Patrick Doyle, um músico escocês que contava, À altura, trinta e dois anos e que se notabilizava pela sua presença atrás da bateria no aclamado projeto Veronica Falls, mas também por estar a sobressair na sua carreira a solo. O pontapé de saída tinha sido dado em dois mil e dezasseis com um disco homónimo assinando Boys Forever e, à época, preparava-se para o sucessor, mas assinando, desta vez, como Basic Plumbing. Felizmente, quando Doyle faleceu o disco estava praticamente pronto e vê agora a luz do dia, postumamente, com o título Keeping Up Appearances, dez canções que viram a luz do dia no final de janeiro, com o alto patrocínio da Rough Trade.

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Gravadas com o apoio inestimável de Helen Skinner, baixista e companheira de digressão de Doyle, Keeping Up Appearances oferece-nos um indie rock exuberante e hirto, que sabe aquela brisa amena que aparentemente não fere nem inclina, mas que não deixa de penetrar na nossa pele até ao âmago, de nos fazer tremer e de eriçar todos os nossos sentidos. São canções com uma arquitetura sonora muito centrada nas cordas de uma guitarra eletrificada com o nível de distorção certo para nos oferecer um clima tipicamente rock, aliado com um delicioso e orelhudo charme pop, tudo rematado com aquele requinte vintage que revive não só o punk lo fi dos gloriosos anos oitenta, bem patente no baixo que acomoda As You Disappear, mas principalmente o clima mais grunge da década seguinte, indisfarçável na melodia hipnótica que conduz Keeping Up Appearances, o tema homónimo do álbum e a sombria e intrigante Strangers.

Sendo estas três composições talvez os momentos maiores do registo e excelentes portas de entrada para um alinhamento instrumentalmente irrepreensível, sem atropelos e com uma dose de agressividade necessária e salutar, porque este foi um álbum concebido por Doyle para chorar a morte do seu marido, o jornalista Max Padilla, com quem se tinha mudado para Los Angeles à época, canções como Lilac, tema com um curioso toque psicadélico e que nos agarra pela mão e até à pista de dança mais próxima, a vibrante Bad Mood, a minimalista, mas encharcada de grooveToo Slow, ou a contemplativa e introspetiva Sunday, são também belíssimos instantes de um álbum com uma beleza muito imediata e acessível, porque pode ajudar qualquer um de nós a exorcizar sentimentos de perca que nos causam amargura e dor, de um modo algo radiante e otimista.

Quer Skinner quer a família de Patrick resolveram oferecer toda receita deste disco para as organizações LGBT Center de Los Angeles e a CALM, a Campaign Against Living Miserable, uma organização do Reino Unido que trabalha para prevenir o suicídio. Espero que aprecies a sugestão...

Basic Plumbing - Keeping Up Appearances

01. As You Disappear
02. Lilac
03. Keeping Up Appearances
04. Bad Mood
05. Sunday
06. It All Comes Back
07. Too Slow
08. Fantasy
09. Constant Attention
10. Strangers


autor stipe07 às 21:26
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Sexta-feira, 29 de Novembro de 2019

The Flaming Lips - The Soft Bulletin: Recorded Live At Red Rocks With The Colorado Symphony Orchestra

Poucos meses após King's Mouth, um álbum conceptual baseado no estúdio de arte com este nome que esta banda norte americana abriu há quatro anos e que fala de um rei gigante bebé que quando cresceu fê-lo de tal modo que sugou para dentro da sua enorme cabeça todas as auroras boreais e de uma coletânea com os maiores êxitos da carreira com a chancela da Warner Brothers Records, os The Flaming Lips de Wayne Coyne estão de regresso com The Soft Bulletin: Recorded Live At Red Rocks With The Colorado Symphony Orchestra, um registo de doze canções que se assume como o primeiro ao vivo da banda de Oklahoma.  The Soft Bulletin: Recorded Live At Red Rocks With The Colorado Symphony Orchestra conta, como o próprio título indica, com a participação especial de cento e vinte e cinco elementos da Colorado Symphony Orchestra, conduzidos pelo maestro Andre De Ridder, sessenta e oito insturmentistas e cinquenta e sete cantores e reproduz o alinhamento de The Soft Bulletin, considerada por muitos como a obra-prima dos The Flaming Lips, um disco que está a comemorar vinte anos de vida.

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Quem conhece a fundo a trajetória desta banda percebe que este registo ao vivo só pode ter sido incubado pela mente de um Coyne que é, claramente, um dos artistas mais criativos do cenário indie contemporâneo e que percebe, talvez melhor que ninguém, que as componentes visual e teatral são, a par do conteúdo sonoro, também essenciais na promoção e divulgação musical. E ao escutar-se The Soft Bulletin: Recorded Live At Red Rocks With The Colorado Symphony Orchestra, um concerto que teve lugar a vinte e seis de maio de dois mil e dezasseis, a ideia com que imediatamente se fica é que, mesmo não se vendo o palco e a multidão defronte, adivinha-se um orgasmo de cor feito de confetis e balões e até de dramatização de canções que são verdadeiras pérolas do catálogo indie e alternativo de final do século passado.

De facto, na majestosidade das cordas e da percurssão vibrante de Race For The Prize, nos sopros, nos violinos lacrimejantes e na harpa que enfeitiça A Spoonful Weighs A Ton, nos efeitos etéreos e nas nuvens agridoces de sons feitos com trompetes e clarinetes que parecem flutuar em The Spark That Bled, no modo como o piano e os sopros namoram em de The Spiderbite Song e também em Buggin', na suavidade flourescente de What Is The Light?, na luminosidade da curiosa acusticidade das teclas que abastecem Waitin' For A Superman e na inflamante rugosidade do baixo e das distorções que vagueiam por Feeling Yourself Disintegrate, somos convidados a contemplar um extraordinário tratado de indie rock, mas também de música clássica, um caldeirão de natureza hermética e de enormes proporções, porque além de existir neste alinhamento diversidade e heterogeneidade, cada composição tem um objetivo claro dentro da narrativa subjacente à filosofia que incubou The Soft Bulletin, compartimentando-a e ajudando assim o ouvinte a perceber de modo mais claro, orgânico e impressivo toda a trama idealizada há já duas décadas. 

The Soft Bulletin: Recorded Live At Red Rocks With The Colorado Symphony Orchestra conduz-nos, então, numa espécie de viagem apocalíptica, onde Coyne, exemplarmente secundado pelo maestro Andre De Ridder, assume o papel de guia, num resultado final que ilustra na perfeição o cariz poético, teatral e orquestral dos The Flaming Lips, um grupo ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade e sempre capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-los para cenários complexos, mas repletos de sensações únicas que só eles conseguem transmitir. Espero que aprecies a sugestão...

The Flaming Lips - The Soft Bulletin Recorded Live At Red Rocks With The Colorado Symphony Orchestra

01. Race For The Prize
02. A Spoonful Weighs A Ton
03. The Spark That Bled
04. The Spiderbite Song
05. Buggin’
06. What Is The Light?
07. The Observer
08. Waitin’ For A Superman
09. Suddenly Everything Has Changed
10. The Gash
11. Feeling Yourself Disintegrate
12. Sleeping On The Roof


autor stipe07 às 17:52
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Segunda-feira, 15 de Abril de 2019

The Flaming Lips – King’s Mouth

Pouco mais de dois anos depois do excelente Oczy Mlody e de uma coletânea com os maiores êxitos da carreira com a chancela da Warner Brothers Records, os The Flaming Lips de Wayne Coyne estão de regresso com King's Mouth, um registo de doze canções que a banda assume ser um álbum conceptual baseado no estúdio de arte com este nome que esta banda de Oklahoma abriu há quatro anos e que tem com uma das principais atrações que os visitantes podem usufruir, um espetáculo de luzes LED de sete minutos que falam de um rei gigante bebé que quando cresceu fê-lo de tal modo que sugou para dentro da sua enorme cabeça todas as auroras boreais.

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King’s Mouth, o décimo quinto disco da carreira dos The Flaming Lips, lançado no âmbito da edição deste ano do Record Store Day, é sobre este rei disforme que morre quando tenta salvar o seu reino de uma avalanche de neve apocalíptica, acabando por sucumbir no meio dela. Após a morte, a sua cabeça enorme transforma-se numa espécie de fortaleza de aço pela qual os seus súbditos podem trepar e entrar pela boca, chegando, assim, às estrelas enquanto contemplam toda a imensidão de luzes e cores que em vida esse rei sugou enquanto se tornava maior e atingia a maioridade.

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Dado este mote lírico, incubado pela mente de um Coyne que é, claramente, um dos artistas mais criativos do cenário indie contemporâneo, a componente musical começou com uma mescla de sons e melodias abstratas que acabaram por se transformar num disco, apesar de esses não serem os objetivos iniciais do grupo. Mick Jones dos Clash e o coletivo Big Audio Dynamite narrariam as melodias e a história acima, descrita sucintamente, mas a verdade é que um mês depois de os The Flaming Lips colocarem mâos à obra estava pronto um álbum que acaba por nos oferecer mais uma verdadeira orgia lisérgica de sons e ruídos etéreos que nos catapultam, em simultâneo, para duas direções aparentemente opostas, a indie pop etérea e psicadélica e o rock experimental.

De facto, nas cordas de Sparrow, nos efeitos etéreos e nas nuvens doces de sons que parecem flutuar em Giant Baby, na suavidade flourescente de How Many Times, na sombria agregação de ruídos e samples que abastecem Electric Fire, na inflamante rugosidade do baixo e das distorções que vagueiam por Feedaloodum Beedle Dot e, principalmente, na cósmica puerilidade de All For The Life Of The City, somos convidados a contemplar um extraordinário tratado de indie pop etérea e psicadélica. Tendo esta natureza hermética, King's Mouth afirma-se num bloco de composições que são mais do que partes de uma só canção de enormes proporções, porque além de existir neste alinhamento diversidade e heterogeneidade, cada composição tem um objetivo claro dentro da narrativa, compartimentando-a e ajudando assim o ouvinte a perceber de modo mais claro toda a trama idealizada.

King's Mouth conduz-nos, então, numa espécie de viagem apocalíptica, onde Coyne, sempre consciente das transformações que foram abastecendo a musica psicadélica, assume o papel de guia e conta-nos uma história simples, mas repleta de metáforas sobre a nossa contemporaneidade, servindo-se ora de composições atmosféricas, ora de temas de índole mais progressiva e agreste e onde também coabitam marcas sonoras feitas com vozes convertidas em sons e letras e que praticamente atuam de forma instrumental. No final, tudo é dissolvido de forma aproximada e homogénea, através de sintetizadores cósmicos e guitarras experimentais, sempre com enorme travo lisérgico, num resultado final que ilustra na perfeição o cariz poético dos The Flaming Lips, um grupo ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade e sempre capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-los para cenários complexos, mas repletos de sensações únicas que só eles conseguem transmitir. Espero que aprecies a sugestão...

The Flaming Lips - King's Mouth

01. We Dont Know How a´And We Don’t Know Why
02. The Sparrow
03. Giant Baby
04. Mother Universe
05. How Many Times
06. Electric Fire
07. All For The Life Of The City
08. Feedaloodum Beedle Dot
09. Funeral Parade
10. Dipped In Steel
11. Mouth Of The King
12. How Can A Head


autor stipe07 às 14:49
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Quarta-feira, 27 de Março de 2019

Idlewild – Same Things Twice

Idlewild - Same Things Twice

Os britânicos Idlewild, formados atualmente por Roddy Woomble, Rod Jones, Colin Newton, Allan Stewart e Gareth Russell, preparam-se para regressar aos registos discográficos com Interview Music, um disco que vai ver a luz do dia já a cinco de abril e que sucede ao aclamado registo Everything Ever Written, lançado há já quatro anos.

Depois do single Dream Variations, revelado em fevereiro, agora chegou a vez de conferirmos Same Things Twice, o novo avanço revelado de Interview Music, uma canção que atesta o regresso dos Idlewild a territórios mais experimentais e que exalando muita da energia adolescente de bandas como os Superchunk ou os Sonic Youth e experiências dissonantes ao estilo Pavement, nomeadamente na guitarra, acaba por, no seu todo, abarcar heranças diretas do pós punk, onde não faltam também vias sonoras abertas para o pop rock, a new wave e o grunge, tudo acomodado por aquele jeito meio desajeitado e aparentemente pouco sóbrio de cantar, típico do vocalista da banda. Confere Same Things Twice e o seu curioso vídeo...


autor stipe07 às 10:33
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Segunda-feira, 12 de Novembro de 2018

Cloud Nothings – Last Building Burning

Depois da parceria com os Wavves de Nathan Williams no disco a meias No Life For Me (2015), os Cloud Nothings de Dylan Baldi, ofereceram-nos o ano passado Life Without Sound, nove canções impregnadas com um excelente indie rock lo fi, abrigadas pela insuspeita Carpark Records e um regalo para os ouvidos de todos aqueles que, como eu, seguem com particular devoção este subgénero do indie rock. Foi um registo produzido por John Goodmanson, gravado em El Paso, no Texas e que já tem finalmente sucessor. O novo álbum dos Cloud Nothings, o quinto da carreira do grupo, contém oito canções, chama-se Last Building Burning e viu a luz do dia a dezanove de outubro à boleia da mesma etiqueta que lançou o antecessor, a já mencionada Carpark Records.

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Mais enérgicos e agressivos, no bom sentido, do que nunca, em Last Building Burning os Cloud Nothings aproximam-se sem rodeios e receios daquele rock que, algures entre o grunge e o emo, volta a colocar o grupo num rumo sonoro mais direto e espontâneo, em detrimento de um certo calculismo e polimento que marcou o antecessor Life Without Sound. De facto, logo na emergente On An Edge ou na frenética Leave Him Now, os Cloud Nothings mostram-se altivos, confiantes e entusiasticos no modo como se movimentam naquela que é, claramente, a sua zona de conforto, uma sonoridade que se orienta por guitarras plenas de experimentações sujas que procuram conciliar uma componente lo fi com o garage rock, numa espécie de embalagem caseira e íntima, que acaba por, no seu todo, exalar uma negra ferocidade e uma agressividade punk que se estende ao próprio registo vocal de Baldi, pleno de energia, como se percebe n clima progressivo de The Echo Of The World, um dos singles já retirados do registo.

Há em Last Building Burning uma espécie de caos controlado e que acaba por fazer sentido também para quem tem estado mais atento aos últimos concertos dos Cloud Nothings, porque a sonoridade do disco acaba por entroncar no clima que tem caraterizado os mesmos, muitas vezes algo errático e nada convencional. Com firmeza, bom gosto, pujança e altivez, o grupo de Dylan Baldi dá, em dois mil e dezoito, mais um passo nobre e bem sucedido no histórico de uma banda que, sem deixar de ser rugosa, intensa e visceral, procurou recentemente um brilho mais acessivel e imediato, mas que realmente só mostra plenamente todos os seus predicados quando aposta numa abordagem ao noise através de um enraivecido negrume punk, que aqui é elástico, orelhudo, anguloso e até radiofónico. Espero que aprecies a sugestão...

Cloud Nothings - The Echo Of The World

01. On An Edge
02. Leave Him Now
03. In Shame
04. Offer An End
05. The Echo Of The World
06. Dissolution
07. So Right So Clean
08. Another Way Of Life


autor stipe07 às 18:26
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Quinta-feira, 23 de Agosto de 2018

Cloud Nothings – The Echo Of The World

Cloud Nothings - The Echo Of The World

Depois da parceria com os Wavves de Nathan Williams no disco a meias No Life For Me (2015), os Cloud Nothings de Dylan Baldi, ofereceram-nos o ano passado Life Without Sound, nove canções impregnadas com um excelente indie rock lo fi, abrigadas pela insuspeita Carpark Records e um regalo para os ouvidos de todos aqueles que, como eu, seguem com particular devoção este subgénero do indie rock. Foi um registo produzido por John Goodmanson, gravado em El Paso, no Texas e que parece ter finalmente sucessor. O próximo álbum dos Cloud Nothings, o quinto da carreira do grupo, contém oito canções, chama-se Last Building Burning e vai ver a luz do dia a dezanove de outubro à boleia da mesma etiqueta que lançou o antecessor, a já mencionada Carpark Records.

O primeiro single divulgado de Last Building Burning é a quinta canção do seu alinhamento, um tema intitulado The Echo Of The World e que assentando em guitarras plenas de experimentações sujas que procuram conciliar uma componente lo fi com o garage rock, numa espécie de embalagem caseira e íntima, acaba por, no seu todo, exalar uma negra ferocidade, uma agressividade punk que se estende ao próprio registo vocal de Baldi, pleno de energia. Há na canção uma espécie de caos controlado e que acaba por fazer sentido para quem tem estado mais atento aos últimos concertos dos Cloud Nothings, porque a sonoridade da canção acaba por entroncar no clima que tem caraterizado os mesmos, muitas vezes algo errático e nada convencional. Confere The Echo Of The World e o alinhamento de Last Building Burning...


autor stipe07 às 11:59
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Sexta-feira, 1 de Junho de 2018

The Flaming Lips – Greatest Hits Vol. 1

Basta fazer uma pesquisa ao histórico de Man On The Moon para perceber que no dia um de junho, o Dia Mundial da Criança é, curiosamente, o dia de ser publicado neste blogue algo sobre uma das bandas fundamentais e mais criativas do cenário musical indie e alternativo. Falo, como é natural, dos The Flaming Lips de Oklahoma, um dos projetos sonoros mais curiosos e animados da cultura musical contemporânea. Há quase três décadas que gravitam em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e em cada novo disco reinventam-se e quase que se transformam num novo projeto. Oczy Mlody foi o nome do último trabalho que este coletivo liderado pelo inimitável Wayne Coyne lançou no dealbar de 2017, uma verdadeira orgia lisérgica de sons e ruídos etéreos que direcionaram, em simultâneo, esta banda para duas direções aparentemente opostas, a indie pop etérea e psicadélica e o rock experimental, o último capítulo de uma saga alimentada por histórias complexas (Yoshimi Battles the Pink Robots), sentimentos (The Soft Bulletin) e experimentações únicas (Zaireeka) e ruídos inimitáveis (The Terror), que acaba de ser revisitada numa edição de luxo de três tomos intitulada Greatest Hits Vol. 1, que abarca todo o catálogo dos The Flaming Lips na Warner Brothers, não só os singles e temas mais conhecidos do grupo mas também alguns lados b, versões demo e temas que nunca foram gravados.

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O alinhamento de Greatest Hits, Vol. 1 começa logo nos singles editados em 1992 e retirados do mítico álbum Hit to Death in the Future Head e só termina no já referido Oczy Mlody. Todas as canções dos três discos que faem parte do lançamento foram remasterizadas a partir das gravaçoes originais, pela mão de Dave Fridmann, o produtor de sempre dos The Flaming Lips. Haverá também uma edição em vinil de Greatest Hits, Vol. 1 que condensará onze dos melhores temas do grupo, estando todo o arsenal do lançamento e material promocional disponível na página oficial do grupo a preços particularmente acessíveis.

Os The Flaming Lips causaram furor desde o início da carreira e posicionaram-se desde logo na linha da frente dos grupos que se assumem como bandas de rock alternativo mas que não se coibem de colocar toda a sua criatividade também em prol da construção de canções que obedeçam a algumas das permissas mais contemporâneas, nomeadamente a eletrónica ambiental, muito presente nos discos da banda desde Yoshimi Battles the Pink Robots. Essa busca de abrangência está muito bem plasmada nesta súmula que chega agora aos escaparates e que foi servindo para solidificar tamém o desejo da banda de construir alinhamentos temáticos, onde os temas se colocassem ao serviço de uma espécie de tratado de natureza hermética e esse bloco de composições não fosse mais do que partes de uma só canção de enormes proporções. Assim, podemos, sem receio, olhar para Greatest Hits Vol. 1 como uma grande composição que se assume como um veículo pronto a conduzir-nos numa espécie de viagem apocalíptica, onde Coyne, sempre consciente das transformações que foram abastecendo a musica psicadélica, assume o papel de guia e conta o seu percurso pessoal das últimas trêsdécadas, servindo-se ora de composições atmosféricas com marcas sonoras relacionadas com vozes convertidas em sons e letras que praticamente atuam de forma instrumental e tudo é dissolvido de forma aproximada e homogénea como de ondas sonoras expressivas relacionadas com o espaço sideral através de guitarras experimentais, com enorme travo lisérgico, ou tratados de indie rock rugoso, épico e submersivo, que não se coibem de piscar o olho ao grunge e ao próprio punk mais intuitivo.

Uma das virtudes e encantos dos The Flaming Lips foi sempre a capacidade de criarem discos algo desfasados do tempo real em que foram lançados, quase sempre relacionados com um tempo futuro, cenários imaginados e universos paralelos. E na verdade, além disso, o que eles têm feito tem sido, no fundo, musicar todas as atribulações normais da existência comum, especialmente, na algo desregulada sociedade norte americana contemporânea. A poesia dos The Flaming Lips é sempre metafórica, o que faz deles um grupo ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade, capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-los para cenários complexos, mas repletos de sensações únicas e que só eles conseguem transmitir. Espero que aprecies a sugestão...

The Flaming Lips - Greatest Hits Vol. 1

CD 1

01. Talkin’ ‘Bout the Smiling Deathporn Immortality Blues (Everyone Wants To Live Forever)
02. Hit Me Like You Did The First Time
03. Frogs
04. Felt Good To Burn
05. Turn It On
06. She Don’t Use Jelly
07. Chewin The Apple Of Your Eye
08. Slow Nerve Action
09. Psychiatric Explorations Of The Fetus With Needles
10. Brainville
11. Lightning Strikes The Postman
12. When You Smile
13. Bad Days (Aurally Excited Version)
14. Riding To Work In The Year 2025
15. Race For The Prize (Sacrifice Of The New Scientists)
16. Waitin’ For A Superman (Is It Getting Heavy?)
17. The Spark That Bled
18. What Is The Light?

CD 2
01. Yoshimi Battles The Pink Robots, Pt. 1
02. In The Morning Of The Magicians
03. All We Have Is Now
04. Do You Realize??
05. The W.A.N.D.
06. Pompeii Am Gotterdammerung
07. Vein Of Stars
08. The Yeah Yeah Yeah Song
09. Convinced Of The Hex
10. See The Leaves
11. Silver Trembling Hands
12. Is David Bowie Dying? (Feat. Neon Indian)
13. Try To Explain
14. Always There, In Our Hearts
15. How??
16. There Should Be Unicorns
17. The Castle

CD 3
01. Zero To A Million
02. Jets (Cupid’s Kiss vs. The Psyche Of Death) [2-Track Demo]
03. Thirty-Five Thousand Feet Of Despair
04. The Captain
05. 1000ft Hands
06. Noodling Theme (Epic Sunset Mix #5)
07. Up Above The Daily Hum
08. The Yeah Yeah Yeah Song (In Anatropous Reflex)
09. We Can’t Predict The Future
10. Your Face Can Tell The Future
11. You Gotta Hold On
12. What Does It Mean?
13. Spider-man Vs. Muhammad Ali
14. I Was Zapped By The Lucky Super Rainbow
15. Enthusiasm For Life Defeats Existential Fear Part 2
16. If I Only Had A Brain
17. Silent Night / Lord, Can You Hear Me


autor stipe07 às 18:27
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Quinta-feira, 29 de Março de 2018

Preoccupations - New Material

Matt Flegel e Mike Wallace são dois músicos já habituados a recomeços no que concerne a projetos musicais. Depois de terem feito parte dos extintos Women, um grupo norte americano de Calgary, que terminou a carreira há alguns anos, mas que deixou saudades no universo sonoro alternativo, incubaram os extraordinários Viet Cong, um coletivo que fez furor há três anos com um disco homónimo que foi considerado por esta redação como o melhor do ano, em 2015. Este nome tão sugestivo da banda acabou por não sobreviver à crítica, muita dela oriunda do importante mercado discográfico local e, por isso, a dupla viu-se na necessidade de se reinventar de novo, surgindo agora sobre a capa dos Preoccupations, um coletivo onde à dupla se juntam os guitarristas Scott Munro e Daniel Christiansen, que já os acompanhavam nos Viet Cong. New Material é o registo discográfico que dá o pontapé de saída a esta nova vida do projeto, dez canções alicerçadas num post punk labiríntico de elevado calibre e abençoado pela chancela da insuspeita Jagjaguwar, uma das principais editoras independentes norte-americanas.

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Disco cheio de canções que assentam quase sempre numa guitarra com um rugoso efeito metálico particularmente aditivo e um baixo imponente, acompanhados por uma bateria falsamente rápida, como é o caso de Espionage, o tema que abre o disco, New Material remete-nos, no imediato, para aquele rock que impressiona pela rebeldia com forte travo nostálgico e por aquela sensação de espiral progressiva de sensações, que tantas vezes ferem porque atingem o âmago. A psicadelia oitocentista que dá as mãos ao punk é outra nuance importante deste alinhamento com uma originalidade muito própria e um acentuado cariz identitário, por procurar, em simultâneo, texturas melódicas e expansivas, mas também aquele pendor lo fi com uma forte veia experimentalista. É uma matriz sonora percetivel na distorção das guitarras, no vigor do baixo de Matt Flengel e, principalmente, na bateria de Wallace, muitas vezes algo esquizofrénica e fortemente combativa. Aliás, este instrumento é frequentemente chamado para a linha da frente na arquitetura sonora de New Material, ficando com as luzes da ribalta e um elevado protagonismo na percussão tribal de Decompose e no modo como as suas variações rítmicas introduzem o efeito da guitarra em Solace. Já que falamos em efeitos da guitarra, um dos grandes tiques identitários que trespassa toda a discografia destes músicos é, claramente, a sensibilidade do efeito metálico abrasivo da guitarra que corta fino e rebarba eque é audível em Decompose, um som que se ouvia frequentemente em Viet Cong, geralmente em contraste com a pujança do baixo. O resultado era uma elevada amplitude épica, presente em melodias que nos levavam rumo ao rock alternativo de final do século passado, mas que agora ganha contornos um pouco mais futuristas. E isso sucede porque nos Preoccupations Floegel e Wallace colocam os sintetizadores também em posição de elevado destaque, sendo Disarray uma boa canção para se perceber esta alteração estilística que combina post punk com shoegaze, uma fórmula pessoal e muito deles e onde o ruído não funciona com um entrave à expansão das canções, mas como mais um veículo privilegiado para lhes dar um relevo muito próprio que, sem esse mesmo ruído, os temas certamente não teriam. Aliás, na já referida Solace e em Compliance os solos e riffs da guitarra de Scott e Daniel, exibem linhas e timbres com um clima marcadamente progressivo e rugoso, com os teclados a tornarem-se numa mais valia no modo como adornam este garage rock, ruidoso e monumental e o harmonizam, tornando-o agradável aos nossos ouvidos, ou seja, fazem da rispidez visceral algo de extremamente sedutor e apelativo.

A viagem lisérgica que o quarteto nos oferece nas reverberações ultra sónicas de New Material, fazem deste compêndio um agregado instrumental clássico, despido de exageros desnecessários e amiúde apoteótico. É uma demonstração clara do modo como este coletivo se disponibiliza corajosamente para um saudável experimentalismo que não os inibe de se manterem concisos e diretos, à medida que constroem os diferentes puzzles que dão substância às canções. No final, tudo resulta de forma coesa e o ruído abrasivo proporcionado por esta catarse onde reina uma certa megalomania e uma saudável monstruosidade agressiva, aliada a um curioso sentido de estética, fascina e seduz. Espero que aprecies a sugestão...

 Preoccupations - Espionage

01. Espionage
02. Decompose
03. Disarray
04. Manipulation
05. Antidote
06. Solace
07. Doubt
08. Compliance


autor stipe07 às 17:31
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Sábado, 17 de Março de 2018

Pearl Jam – Can’t Deny Me

Pearl Jam - Can't Deny Me

Primeiro original em cinco ano, Can't Deny Me é a mais recente novidade dos Pearl Jam de Eddie Vedder, um single de protesto, já que se assume como um claro manifesto anti-Trump, ao mesmo tempo que serve de tributo aos sobreviventes da tragédia ocorrida no liceu de Parkland, na Flórida, há algumas semanas.

Canção cheia de energia, Can't Deny Me mostra as guitarras e a bateria dos Pearl Jam de regresso aos gloriosos ano noventa, à boleia de alguns dos melhores detalhes do grunge e do rock alternativo desse período. Confere...


autor stipe07 às 16:58
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Domingo, 11 de Março de 2018

Dinosaur Jr. – Hold Unknown

Dinosaur Jr. - Hold Unknown

2016 ficou invariavelmente na história por marcar o regresso dos míticos Dinosaur Jr. de J Mascis, Lou Barlow e Murph aos discos. Recordo que o trio gravou três álbuns nos anos oitenta e surpreenderam-nos a todos quando se reuniram novamente já neste século, há quase década e meia, tendo editado desde então Beyond (2007), Farm (2009), I Bet On Sky (2012) e Give A Glimpse Of What Yer Not nesse ano. Agora, quase dois anos depois desse excelente disco, o trio volta a dar sinais de vida e divulga Hold Unknown, a sua contribuição para a série Adult Swim’s Singles.

O busílis instrumental de Hold Unknown concentra-se, naturalmente, em guitarras bastante eletrificadas e com uma identidade vincada, uma bateria frenética e um baixo sempre omnipresente, mesmo que não esteja na primeira linha da condução melódica e, o mais importante, numa jovialidade e numa luminosidade festivas que se saúdam e que atestam o habitual excelente humor e positivismo destes três músicos. Confere...


autor stipe07 às 16:51
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Quinta-feira, 28 de Setembro de 2017

Deerhoof - Mountain Moves

Os Deerhoof de São Francisco, formados por John Dieterich, Satomi Matsuzaki, Ed Rodriguez e Greg Saunier, estão de regresso aos discos com mais quinze canções, certamente impregandas com um indie rock carregado de distorções e pesadas batidas que chocam com o punk e o hip hopriffs carregados de groove e toda a amálgama desorientada de texturas sonoras que possas imaginar. A rodela é já a décima quarta do grupo, chama-se Mountain Moves e viu  luz do dia através da Joyful Noise Recordings.

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Sempre inventivos e com uma intocável capacidade em proporcionar, disco após disco, canções e alinhamentos que tanto contêm um travo experimentalista indisfarçável como parecem ir ao encontro das regras mais convencionais da pop contemporânea, os Deerhoof mantêm-se convictamente decididos não só a rasgar toda a sua herança e ir apontando novos direções e rumos, mas também a reforçarem o arsenal de canções que têm à disposição para agradar ao mainstream e assim manterem-se na linha da frente dos projetos mais consensuais e escutados dentro do universo sonoro em que se inserem.

É um facto que nos Deerhoof quanto maior for a sensação de caos e confusão nos nossos ouvidos, maior é a vontade que se tem de elogiar a sua música e neste Mountain Moves aquele lixo sonoro, completamente metafórico e sublime que eles apresentaram em discos tão emblemáticos como Breakup Song, ou o antecessor La Isla Bonita, mantém os seus altíssimos padrões qualitativos, com a voz da japonesa Satomi Matsuzaki, uma miúda cheia de energia, com quem dá vontade de rebolar num jardim e acabar com a boca cheia de húmus e pétalas de jasmins e malmequeres, a ser, ainda por cima, aquele detalhe que não nos faz hesitar em qualquer instante relativamente ao desejo de escutar este trabalho com frequência e de o balizar com natural louvor.

Disco que também impressiona pela presença de algumas versões, com destaque para o tema Gracias a La Vida, um original da chilena Violeta Parra, assim como Freedoom Highway, tema do cardápio setentista dos The Staple Singers e ainda, no final do alinhamento, Small Axe, de Bob Marley, Mountain Moves conta também com as participações especiais do rapper Awkwafina em Your Dystopic Creation Doesn't Fear You, uma luminosa e divertida canção conduzida por cordas inebriantes e das cantoras Laetitia Sadier no funk assertivo de Come Down Here & Say That, Juana Molina, na estrutura caótica, barulhenta e tematicamente reinvindicativa de Slow Motion Detonation e Jenn Wasner no rock enérgico de I Will Spite Survive. São artistas que conferem ao disco um clima ainda mais abrangente e onde abundam guitarras, sintetizadores, sinos, tambores, violas, xilofones e uma praga de instrumentos que nos consomem, numa filosofia de montagem de canções em torre, com loopings e riffs até que a tal torre pareça uma canção e dela se liberte uma energia que nos impele ao movimento indiscriminado.

Mountain Moves é um excelente exemplo do poder de diversão que a música pode ter e, numa banda que, imagine-se, vai já no décimo quarto trabalho da carreira e consegue sempre ser, ainda, familiar e surpreendeente, esta vitalidade no modo como constantemente se reinventa, é um dos maiores elogios que se pode fazer a um alinhamento que comprova que dificilmente os Deerhoof têm concorrência á altura, mantendo intacta a sua ideologia e abraçando, simultaneamente, o inedetismo com grande relevância. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 20:57
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Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2017

The Feelies – In Between

Há já quatro décadas a ditar regras e a tornarem-se influência primordial no cenário do indie rock norte americano, os The Feelies estão de regresso aos discos com In Between, onze canções abrigadas pela insuspeita Bar None Records e que além de não envergonharem toda a herança deste grupo de Nova Jersey, acrescentam ainda ao seu cardápio alguns instantes sonoros que merecem figurar num plano de elevado destaque no momento de referir algumas das melhores canções que atualmente suportam o espetro sonoro em que os The Feelies navegam e que nomes como os Wilco, The New Pornographers, Yo La Tengo ou Stereolab, entre outros, têm sabido respeitar e elogiar.

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Com momentos discográficos tão relevantes como Crazy Rhythms (1980), o soberbo disco Only Life (1988), ou o antecessor Here Before (2011), os The Feelies não se podem dar ao luxo de se exporem sonoramente sem que tal não signifique que existirá uma elevada bitola qualitativa por trás das suas novas canções. E este In Between é uma segura e confiante adição à lista dos melhores álbuns de um grupo que com a herança de nomes tão díspares como os The Velvet Underground ou os The Kinks, por trás da sua filosofia sonora, tem-se abrigado à sombra de uma fórmula de composição muito específica e que faz da luminosidade lo fi das cordas e da criação de melodias aditivas a sua maior premissa.

Logo no tema homónimo deste In Between conseguimos imaginar um enorme e amplo prado verdejante num dia de sol ameno e no dedilhar pulsante da guitarra de Turn Back Time percebe-se essa incessante busca de texturas em que sobressaia uma curiosa leveza rugosa que nos incite a viajar por aqueles recantos mais amplos de uma América também profundamente selvagem e mística. Essa demanda mais real que nunca também em Stay The Course, tema que tem como curiosidade maior o facto de a bateria se chegar à frente na condução e também na eletrificação da guitarra de Flag Days, que nos oferece o que de melhor ainda tem o vigor e a autenticidade de um povo hoje mais dividido que nunca, mas que encontra a sua génese numa vasta miscelânea de culturas e raízes.

A música dos The Feelies sempre teve essa capacidade de plasmar autênticos quadros impressionistas de uma América cheia de contrastes e o forte odor à herança de um Lou Reed em Been Replaced ou, em oposição, a vibe psicadélica assertiva de Pass The Time, assim como a sensibilidade emotiva das cordas e dos metais que vagueiam por Time Will Tell, tornam bem sucedido esse desejo que o grupo certamente conjura de levar os seus ouvintes a viajarem através das suas canções, intensas, poéticas e cheias de alma, até aos mais diversos cenários naturais e espirituais que lhes servem de inspiração e que, ainda mais do que isso, ajudaram a moldar aquelas que são as suas vidas atuais.

Aos quarenta anos de idade, os The Feelies deslumbram intensamente pelo à vontade com que, nas várias inflexões e variações, quer de sons quer de arranjos, que colocam nas suas músicas, ainda navegam em segurança e vigor nos meandros intrincados e sinuosos de um indie rock que entre uma toada mais grunge, progressiva e psicadélica e uma leveza pop mais intimista, nunca deixam de exalar um sedutor entusiasmo lírico, uma atmosfera amável mesmo no meio de algum fuzz constante e um clima geral luminoso, enérgico e até algo frenético, num disco que flui bem, não só porque tem um conjunto de belíssimas canções, que nos oferecem camadas sofisticadas de arranjos criativos e bonitos, mas também porque é um álbum que reforça o traço de honestidade de uma banda cada vez mais protagonista no universo sonoro em que se move. Espero que aprecies a sugestão...

The Feelies - In Between

01. In Between
02. Turn Back Time
03. Stay The Course
04. Flag Days
05. Pass The Time
06. When To Go
07. Been Replaced
08. Gone, Gone, Gone
09. Time Will Tell
10. Make It Clear
11. In Between (Reprise)


autor stipe07 às 11:50
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Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2017

Cloud Nothings – Life Without Sound

Depois da parceria com os Wavves de Nathan Williams no disco a meias No Life For Me (2015), os Cloud Nothings de Dylan Baldi, estão de regresso aos lançamentos discográficos com Life Without Sound, nove canções impregnadas com um excelente indie rock lo fi, abrigadas pela insuspeita Carpark Records e um regalo para os ouvidos de todos aqueles que, como eu, seguem com particular devoção este subgénero do indie rock. Este disco foi produzido por John Goodmanson e gravado em El Paso, no Texas.

Trabalho que, na sua génese, é feito de experimentações sujas que procuram conciliar uma componente lo fi com a surf music e o garage rock, numa embalagem caseira e íntima e que não coloque em causa o adn sonoro identitário dos Cloud Nothings, Life Without Sound mostra-se logo à partida, em Up To The Surface, um compêndio onde pujança, crueza e até uma certa monumentalidade caminham de mãos dadas, nas asas de guitarras plenas de momentos melódicos mas também de pura distorção, vozes muitas vezes quase inaudíveis e uma bateria que não receia plasmar, em simultâneo, raiva e quietude, no fundo alguns dos atributos essenciais para a definição justa do tal adn deste grupo e que, nesta nova etapa, atinge um patamar superior de maturidade.

Se aquela jovialidade a tresandar a acne está ainda muito presente no riff de Things Are Right With You e se Darkened Rings está impregnada de loopings e parece querer a todo o instante resvalar para uma ruidosa inconsistência que só costuma ver o ocaso num conveniente fade out, já o dedilhar emotivo de forte odor grunge de Enter Entirely ou o clima pop de Modern Act, canção com um excelente refrão e com os arranjos distribuídos em camadas, que fazem deste tema um momento intenso e obrigatório no disco, provam o modo como estes Cloud Nothings se mostram mais maduros, criativos, incisivos no modo como apresentam o som que deles transborda e crentes das suas capacidades compositórias. Depois, terminar o alinhamento de Life Without Sound de modo quase inesperado, com o enraivecido negrume punk blues algo progressivo de Realize My Fate, acaba por ser a cereja no topo do bolo de um álbum trabalho arrojado e que, apesar do constante noise das guitarras, nunca deixa de conter, até no ocaso, uma sonoridade aberta, acessível e pop.

Álbum, na minha opinião, importante e significativo no modo como reinventa um subgénero do rock alternativo que ultimamente apenas nomes como os conterâneos Ty Segall, Wavves ou The Oh Sees, por um lado e os Deerhunter, por outro, têm sabido defender com mestria, Life Without Sound é um passo nobre e bem sucedido no histórico de uma banda que, sem deixar de ser rugosa, intensa e visceral, procura um brilho mais acessivel e imediato e uma abordagem ao noise mais elástica, orelhuda, angulosa e até radiofónica. Espero que aprecies a sugestão...

Cloud Nothings - Life Without Sound

01. Up To The Surface
02. Things Are Right With You
03. Internal World
04. Darkened Rings
05. Enter Entirely
06. Modern Act
07. Sight Unseen
08. Strange Year
09. Realize My Fate


autor stipe07 às 21:56
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Quinta-feira, 25 de Agosto de 2016

Jimmy Eat World – Get Right

Jimmy Eat World - Get Right

Os norte americanos Jimmy Eat World já têm sucessor para Damage, o disco que lançaram há três anos e que foi o oitavo do cardápio deste projeto de Meza, no Arizona e que lançou álbuns tão fundamentais como Clarity (1999) ou Bleed American (2001), a obra-prima do colectivo. Isso irá mudar em 2016, já que este excelente grupo de rock alternativo divulgou para audição Get Right, uma nova canção que explode em cordas eletrificadas que clamam por um enorme sentido de urgência e caos, um incómodo sadio que não nos deixa duvidar acerca da manutenção do ADN dos Jimmy Eat World no nono disco, ainda sem data de lançamento prevista. Confere...


autor stipe07 às 17:11
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Quarta-feira, 20 de Julho de 2016

Dinosaur Jr. – Give A Glimpse Of What Yer Not

2016 está a ser um ano profícuo no que diz respeito à música e ficará invariavelmente na história por marcar o regresso aos discos dos míticos Dinosaur Jr. de J Mascis, Lou Barlow e Murph aos discos. Recordo que o trio gravou três álbuns nos anos oitenta e surpreenderam-nos a todos quando se reuniram novamente já neste século, há pouco mais de uma década, tendo editado desde então Beyond (2007), Farm (2009) e I Bet On Sky (2012).  Agora, onze anos depois desse recomeço, chega aos escaparates Give A Glimpse Of What Yer Not, sendo curioso constatar que uma das bandas essenciais do rock alternativo de final do século passado tenha já mais discos editado no século XXI do que nessa fase inicial da carreira.

Tendo visto a luz do dia à boleia da conceituada Jagjaguwar, Give A Glimpse Of What Yer Not contém doze canções que, celebrando trinta anos de carreira deste projeto único, oferecem aos nossos ouvidos uma já esperada toada revivalista, protagonizada por uma banda em grande forma e com todas as suas marcas identitárias intactas e consentâneas com toda a herança que carregam. Assim, e como se percebe logo nas festivas Going Down e Tiny, o busílis instrumental concentra-se, naturalmente, em guitarras bastante eletrificadas e com uma identidade vincada, uma bateria frenética e um baixo sempre omnipresente, mesmo que não esteja na primeira linha da condução melódica e, o mais importante, numa jovialidade e numa luminosidade festivas que se saúdam e que atestam o habitual excelente humor e positivismo destes três músicos, mesmo quando em Be A Part e Lost All Day se mostram ligeiramente soturnos e intimistas e mais progressivos e sombrios em I Walk For Miles.

Com nove das canções a terem sido escritas por J Mascis e as outras duas por Lou Barlow, as amáveis Love Is...Left/Right, duas composições que personificam um pouco a personalidade de um músico que dos Sebadoth ao seu projeto a solo sempre procurou um balanço delicado entre o quase pop e o rock mais ruidoso, Give A Glimpse Of What Yer Not é um disco que flui bem, não só porque tem um conjunto de belíssimos temas, mas também porque reforça o traço de honestidade de uma banda que é protagonista cimeira no universo sonoro em que se move. Numa América onde se prime o gatilho com uma incrível facilidade e com toda a insanidade que prolifera por este mundo fora nos dias de hoje e num verão particularmente turbulento e agitado, é bom poder contar com este refúgio sonoro tão refrescante e ligeiro e, ao mesmo tempo, preenchido com canções cheias de significado, têmpera e entusiasmo. Espero que aprecies a sugestão...

Dinosaur Jr. - Give A Glimpse Of What Yer Not (2016)

01. Goin Down
02. Tiny
03. Be A Part
04. I Told Everyone
05. Love Is…
06. Good To Know
07. I Walk For Miles
08. Lost All Day
09. Knocked Around
10. Mirror
11. Left/Right


autor stipe07 às 17:51
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Quarta-feira, 6 de Julho de 2016

Ivy Moon - Prelude EP

Nascidos há dois anos em Santiago de Compostela, os Ivy Moon são um quarteto formado por Elba Souto, Inés Mirás, Pablo González e Alberto Rama e têm já um intenso percurso sonoro, apesar da curta existência. Estrearam-se logo no Brincadeira Festival (2014) e desde o seu nascimento percorreram já algumas das mais emblemáticas salas de espetáculos da Galiza; O La Fábrica de Chocolate (Vigo), Sala Garufa (Coruña), Sala Son, Sala Super 8, Sala Moon, Sala Sónar..., tendo também atuado em outros locais do país natal. Os Ivy Moon já têm dois EPs no seu cardápio, sendo o mais recente Prelude, cinco canções que olham para o indie rock alternativo de frente, com um leque alargado de influências que do grunge ao experimentalismo psicadélico, colocam sempre as guitarras na linha da frente da condução melódica, que não dispensa um charmoso pendor lo fi.

Os acordes iniciais de Buried By Ignorance são perfeitos para percebermos o que nos espera nos próximos cerca de quarenta minutos. Aguarda-nos belíssimas letras entrelaçadas com deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos. Os Ivy Moon deixaram as guitarras, o baixo e a bateria seguirem a sua dinâmica natural e em Hallocinogetic assumem mesmo uma faceta algo punk, esculpida com cordas ligas à eletricidade, que fazem desta canção um intenso e frenético instante sonoro, também bastante festivo.

Estes Ivy Moon transpiram uma exibição consciente de sapiência melódica, conseguindo nas cinco canções diversificar estilos, sem descurar o tronco comum que as une. Curls, por exemplo, seduz pelo dedilhar inicial da guitarra e surpreende, logo depois, pela distorção robusta, acompanhada de uma bateria que cresce e que amplia a emotividade do tema, para, logo depois, o clima mais cru e hipnótico de Addicted, nos oferecer, num imenso arsenal de arranjos e detalhes, um agregado sonoro rico em alguns dos melhores detalhes do rock alternativo de final do século passado.

Os Ivy Moon sabem a fórmula exata para temporizar, adicionar e remover pequenos sons e, como se as canções fossem um puzzle, construir, a partir de uma aparente amálgama de vários sons, uma peça sonora sólida, feita de cinco canções que são um evidente marco de libertação e de experimentação onde não terá havido apenas um anseio por cumprir um caderno de encargos alheio. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:14
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Quarta-feira, 29 de Junho de 2016

Mumblr - The Never Ending Get Down

Depois da espetacular estreia nos discos em 2014 com Full Of Snakes, os norte americanos Mumblr de Nick Morrison, Ian Amidon, Sean Reilly e Scott Stitzer, estão de regresso com o sucessor, um trabalho intitulado The Never Ending Get Down e que viu a luz do dia a dez de junho através da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Estes Mumblr mantêm-se apostados em criar hinos sonoros que plasmem diferentes manifestações de raiva adolescente, já que parece ser este o ideário lírico privilegiado das canções e da escrita de Nick Morrisson, que agora também se debruça na temática dos sonhos e das sensações que as recordações dos mesmos provocam. Por exemplo, o edifício melódico de Mud Mouth, carregado de variações rítmicas e a transpirar dores e anseios que, para desespero de tantos, insistem em não saltarem do irrealismo puro e Microwave, o primeiro single divulgado de The Never Ending Get Down, confirmam esta direção, que numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, contém aquela sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas.

Os Mumblr não desistem de segurar firme a bandeira de um estilo sonoro que do fuzz ao grunge, alinhado em redor de guitarras que explodem em elevadas doses de distorção, com raízes no rock alternativo da década de noventa, já foi várias vezes declarado extinto e fora de moda, muito por causa do cada vez maior uso da sintetização e de cuidados superlativos nos processos de arrumação e polimento do som, por parte das maiores bandas rock da atualidade. Este desejo, quase em jeito de desafio, por parte dos Mumblr, de se manterem íntegros a uma fórmula que dificilmente lhes renderá maiores dividendos do que uma pura e fiel devoção por parte de alguns seguidores e nos quais me incluo, saúda-se e, seguindo as pegadas firmemente impressas pelo excelente Full Of Snakes, The Never Ending Get Down revela um superior arrojo ao nível da construção arquitetónica das canções, agora mais heterógenas e menos diretas e incisivas, mas mais ricas, quer sonora, quer liricamente, como já expus acima. A feliz incostância da secção ritmíca e das guitarras em Three Leg Dog, uma canção onde Nick se expõe com invulgar avidez e os laivos de punk rock de cariz mais progressivo que palpitam em VHS, assim como, numa direção oposta, a forma como o baixo e os tambores de Push se entrelaçam cruamente com a guitarra, parecendo que os Mumblr tocam a canção no canto mais recôndito do nosso quarto, mesmo ali ao lado, são um claro exemplo de um vigor e de uma expressão estética que, olhando de frente para alguns ícones do rock alternativo dos anos noventa, com os Sonic Youth e os Nirvana à cabeça, estampa um olhar genuíno e único, sempre com uma sensação plena de controle, inclusive quando a própria temática das canções que, como já referi, exploram a dura realidade da nossa existência, até convidaria a um maior manifestação, através da sonoridade, de uma certa raiva ou descontrole emocional.

Quem espera encontrar nos Mumblr um ombro amigo para consolar as suas angústias e problemas, escuta Ugly Ugly, Tiny Tiny ou Last Stop e vai sentir-se defraudado e incompreendido porque eles estão cá para nos plasmar com alguns dos aspetos práticos do lado negro deste mundo e não para nos ensinar como lidar com ele. The Never Ending Get Down existe para nos mostrar a vida tal como ela realmente se apresenta diante de nós e para satisfazer uma raiva que, se muitas vezes transcende certos limites e resvala para uma obscuridade aparentemente imutável e definitiva, geralmente nunca perde aquela consciência que nos permite continuar a avançar e a fintar as adversidades, mesmo que existam nos dias de hoje, na sociedade ocidental, dita civilizada, alguns eventos politicos ou económicos, moralmente de difícil compreensão para o mais comum dos mortais. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 21:58
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Domingo, 10 de Abril de 2016

Ghost King - Bones

A insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas, está de regresso às edições, em formato digital e cassete, como é habitual, com os Ghost King de Carter McNeil (voz e guitarra), Lee Hayden (baixo) e Tom D'agustino (bateria), um trio oriundo do Bronx, em Nova Iorque e que se estreia nos lançamentos discográficos com Bones, um compêndio de onze canções, gravado em três dias e que viu a luz do dia a vinte e seis de março, podendo ser encomendado a um preço bastante acessível.

Colegas de escola, os Ghost King tocam desde os oito anos de idade e apesar das participações em outros projetos, nunca deixaram de acreditar que seria possível um dia editar música juntos. Bones é a materialização bem sucedida de tal desiderato,um compêndio sonoro que logo no baixo vigoroso e na guitarra efusiva de When The Sky Turns Blue, oferece-nos uma excelente demonstração da cumplicidade que une os Ghost King e que, felizmente, foi utilizada como veículo de manifestação artística, nomeadamente a composição musical.

O clima de Bones não se cinge, naturalmente, aquilo que nos é dado a contemplar na canção que abre este alinhamento de onze composições. A trip deambulante, com intenso travo surf pop, que exala de Ghost In Love e, numa abordagem oposta, o clima mais contemplativo e acústico de Below The Sun e Winter's Air, assim como a visceralidade efusiva e imponente de Skeleton Dance e toda a miríade de tiques e detalhes do melhor rock alternativo de finais do século passado que transbordam das guitarras e da bateria da camposição homónima, dividida em dois capítulos que não sobrevivem isoladamente, são instantes de Bones que carecem de audição dedicada e que comprovam a elevada mestria e bom gosto dos autores.

Imponente, repleto de instantes sonoros ricos em nuances variadas que do rock de garagem, à psicadelia, passando pelo grunge, misturam solidão, alienação e escuridão, com luz, alegria e conforto, Bones reflete, numa curiosa amálgama de sensações, uma visão muito própria e saudavelmente impulsiva e, por isso, necessariamente genuína, do melhor indie rock contemporâneo. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 19:23
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