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Washed Out – Too Late

Quarta-feira, 15.04.20

Dono de obras-primas do calibre do excelente tratado de lisergia que sustenta o longa duração de estreia Within Without (2011) e do psicadélico e inebriante álbum Paracosm (2013), o projeto Washed Out, do multi-instrumentista norte-americano Ernest Greene, um dos nomes fundamentais, a par de Neon Indian ou Toro Y Moi, da nova chillwave, não dava sinais de vida desde o buliçoso e intrigante registo Mister Mellow (2017). No entanto, esse hiato de três anos parece ter já um fim com a divulgação de Too Late, uma canção que, para já, surge isoladamente, à boleia da Sub Pop Records, sem atrelar a edição prevista de um álbum, mas que pode muito bem ser um ponto de partida para novo compêndio deste músico natural da Georgia.

Washed Out Releases New Song And Video “Too Late” - Paste

Em Too Late a batida dançante, os detalhes percussivos orgânicos e os flashes irradiantes sintetizados transportam-nos de imediato para o universo sonoro típico de Washed Out e já nem queremos olhar para trás porque entramos em contado direto com uma praia ensolarada à beira de uma floresta tropical, à boleia de uma pop sonhadora, excelente para nos hipnotizar e que acaba por funcionar como aquele eficaz soporífero que nos leva para longe de uma realidade tantas vezes pouco agradável, como tem sido a mais recente.

Por falar nisso, chamo também a atenção para o vídeo do tema; O mesmo foi feito com diversos filmes que os fãs do músico lhe enviaram depois de uma solicitação deste, que queria, de algum modo, recompensar os seus seguidores pelas agruras provocadas por este período difícil de confinamento, envolvendo-os diretamente no seu trabalho e homenageando também, desse modo, o nosso esforço coletivo. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:48

Deerhunter – Timebends

Sábado, 02.11.19

Parece que ainda foi ontem, mas já foi em janeiro que os Deerhunter de Bradford Cox, Lockett Pundt, Moses Archuleta e Josh McKay, nos ofereceram o seu tão aguardado oitavo registo de originais, um fabuloso álbum intitulado Why Hasn’t Everything Disappeared?, gravado em Marfa, no Texas, mítica localidade norte-americana que serviu de cenário a Giant (1956), o último filme protagonizado por James Dean. Agora, a poucos dias de Bradford Cox editar um EP intitulado Myths 004, a meias com o músico e produtor galês e seu amigo Cate Le Bon, que produziu Why Hasn’t Everything Disappeared?, os Deerhunter divulgam um novo inédito, um verdadeiro épico intitulado Timebends, gravado em Nova Iorque na passada noite de doze de setembro.

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Em pouco mais de treze minutos, Timebends possibilita ao ouvinte contemplar uma peça sonora de eminentemente experimental, um tratado de pop rock setentista de forte cariz psicadélico, que vai progredindo até um final catárquico e portentoso, uma composição sustentada num piano cru e enevoado e numa guitarra repleta de fuzz, além de um trabalho percurssivo brilhante, nuances que poderão indicar novas coordenadas sonoras por parte dos Deerhunter em futuros registos, que poderão ter na expressão rock cósmico talvez a forma mais feliz de se catalogarem. Confere...

Deerhunter - Timebends

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publicado por stipe07 às 15:26

R.E.M. - Fascinating

Terça-feira, 17.09.19

Depois da devastação provocada pelo furacão Dorian em algumas regiões das Caraíbas, com especial enfoque no arquipélago das Bahamas, foram várias as iniciativas do meio artístico com vista à angariação de fundos para os milhares que sofreram com esse fenómeno natural. Os R.E.M. foram um desses casos mais visíveis, com a divulgação de uma canção do grupo que estava guardada há quase vinte anos e à espera do momento certo para se revelar.

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Fascinating é o nome desse tema inédito da banda de Athens, na Georgia, uma composição gravada em dois mil e um nos Compass Point Studions, em Nassau, capital das Bahamas, durante as sessões de Around The Sun, o décimo terceiro álbum da carreira dos R.E.M. e que esteve para fazer parte do alinhamento do álbum seguinte, Reveal, editado três anos depois.

À época Fascinating era um dos temas preferidos de Michael Stipe de todas as composições que os R.E.M. estavam a compôr mas, por motivos pouco claros, acabou por não fazer parte de Reveal. Seja como for, esta belíssima melodia, assente num piano suplicante, uma batida sintetizada suave e vários efeitos borbulhantes, onde não faltam sopros, revelou-se em boa hora, com as receitas da sua venda, cerca de dois dólares, a reverterem para a fundação Mercy Corps, uma das mais ativas na ajuda imediata às vitimas do furacão e no apoio futuro à reconstrução das Bahamas. Confere...

We first became aware of Mercy Corps around the time of Hurricane Katrina, and we supported their efforts to help in that situation, I spend a lot of time every year in the Abaco Islands, which was literally ground zero for this disaster. I know a lot of people who lost everything—their homes, their businesses, literally everything they own is gone. I approached [R.E.M. manager] Bertis [Downs], and said, ‘ want to do something as a band to help out however we can. He suggested Mercy Corps, and I said, ‘That’s great—they’re a great organization.” (Mike Mills, baixista dos R.E.M.).

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publicado por stipe07 às 13:25

Deerhunter – Why Hasn’t Everything Already Disappeared?

Sexta-feira, 18.01.19

Após quase década e meia de excelentes registos discográficos que têm vindo a consolidar uma das carreiras mais bem sucedidas e profícuas do indie rock experimental contemporâneo, os Deerhunter de Bradford Cox, Lockett Pundt, Moses Archuleta e Josh McKay, já têm finalmente o pronto seu tão aguardado oitavo registo de originais, um fabuloso álbum intitulado Why Hasn’t Everything Disappeared?, gravado em Marfa, no Texas, mítica localidade norte-americana que serviu de cenário a Giant (1956), o último filme protagonizado por James Dean. Este registo sucede a Fading Frontier (2015), vê a luz do dia à boleia da 4AD Records e foi produzido pela cantora e compositora galesa Cate Le Bon, com a ajuda da própria banda e dos produtores e engenheiros de som Ben H. Allen III e Ben Etter, que já tinham trabalhado com o grupo em discos anteriores.

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Mestres de um estilo sonoro bastante sui generis e que mistura alguns dos arquétipos fundamentais do indie rock, sempre com uma componente pop e que possa entroncar numa acessibilidade melódica que nem sempre está na linha da frente das bandas que se movimentam neste espetro sonoro mais underground, os Deerhunter oferecem-nos em Why Hasn't Everything Already Disappeared? mais um conjunto de experimentações sónicas que, não renegando, em alguns instantes, aquela toada lo fi, crua e pujante, feita também de quebras e mudanças de ritmos e momentos de pura distorção, também tentam, dentro de um salutar experimentalismo, adocicar os nossos ouvidos com melodias que misturem acessibilidade, diversidade e intrincado bom gosto, sempre com enorme eficácia.

Disco com dez canções com uma identidade muito própria, Why Hasn't Everything Already Disappeared? mostra logo os dentes na luminosidade do cravo que introduz os acordes de Death In Midsummer e no modo como o mesmo é dedilhado e flui de modo a receber de braços abertos a bateria e as guitarras. Nesta canção esbarramos com uma típica sonoridade rock setentista, um funk psicadélico particularmente alegre e bastante dançável, pensado por um Cox que curiosamente diz detestar a música psicadélica, com as distorções e os ruídos de fundo constantes, que já são uma imagem de marca dos Deerhunter, testada desde o versátil Microcastle (2008), a conduzirem o tema para um ambiente claramente festivo. Depois, No One's Sleeping, uma composição inspirada pela trágica morte de Jo Cox, uma política britânica assassinada em dois mil e dezasseis por Thomas Mair, um indivíduo com um histórico de doenças mentais, vai recebendo cordas, teclas e efeitos de sopros de um modo aparentemente anárquico, mas tremendamente calculado, uma fórmula que resulta, no seu todo, numa composição que, mais do que agregar diversos fragmentos, afirma-se como uma alegoria pop de indisfarçável leveza e beleza sonora.

A partir desse mote inicial,  Why Hasn't Everything Already Disappeared? prossegue a sua senda encantatória, frequentemente com uma toada até algo progressiva. Além da base instrumental típica dos Deerhunter, temos composições em que o sintetizador é o elemento chave, como é o caso do instrumental Greenpoint Gothic e da experimental Détournement, outras em que é o piano, de mãos dadas com uma guitarra que às vezes parece planar, quem assume as rédeas, nomeadamente na nostalgia de What Happens To People e outras em que o colorido do cravo, um dos instrumentos predilectos de Cox, é, claramente, a grande força motriz, como é o caso de Element, uma ode dos Deerhunter ao meio ambiente e à natureza.

Até ao ocaso de Why Hasn't Everything Already Disappeared?, no clima buliçoso e descomprometido de Futurism, na mágica melancolia que trespassa o xilofone que sustenta Tarnung, no requinte do funk alegre e divertido que conduz Plains e, a encerrar as hostilidades, no devaneio algo caótico que, em Nocturne, dá vida a um minimalismo sintético que depois se transforma num tratado pop, somos convidados a deliciar-nos com um álbum onde a personalidade de cada uma das canções demora um pouco a revelar-se nos nossos ouvidos, já que imensos e variados são os detalhes precisos que as adornam.

Os Deerhunter vivem, de facto, no pico da sua capacidade criativa e mostram-se ao oitavo disco mais arrojados do que nunca, mostrando neste Why Hasn't Everything Already Disappeared? que conseguem navegar sem parcimónia em diferentes campos de exploração. Este projeto de Atlanta, na Georgia, prova-nos que a imprevisibilidade continua a ser, felizmente, algo valioso e ímpar no mundo artístico e Bradford Cox, uma das personagens mais excêntricas no mundo da música contemporânea, continua a jogar com essa evidência a seu favor, à medida que apresenta diferentes ideias e conceitos, de disco para disco, tendo, neste caso, excedido favoravelmente todas as expetativas e criado aquele que é já, na minha opinião, um dos álbuns essenciais de dois mil e dezanove. Espero que aprecies a sugestão...

Deerhunter - Why Hasn't Everything Already Disappeared

01. Death In Midsummer
02. No One’s Sleeping
03. Greenpoint Gothic
04. Element
05. What Happens To People?
06. Détournement
07. Futurism
08. Tarnung
09. Plains
10. Nocturne

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publicado por stipe07 às 08:26

Cat Power – Wanderer

Sábado, 17.11.18

Seis anos depois do excelente Sun, já viu a luz do dia Wanderer, o  décimo álbum de estúdio da norte-americana Cat Power, uma cantora e compositora também conhecida como Chan Marshall, nascida em Atlanta, na Georgia e que foi cedo viver para Nova Iorque onde conheceu  Steve Shelley (baterista dos Sonic Youth) e Tim Foljahn (guitarrista dos Two Dollar Guitar) que a encorajaram a gravar Dear Sir (1995) e Myra Lee (1996), os seus primeiros registos de originais e que, desde logo, chamaram a atenção de Matador Records, sendo este Wanderer o primeiro alinhamento que ela publica noutra etiqueta, neste caso a também insuspeita Matador Records.

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Uma das personalidades mais carismáticas e íntegras do indie rock atual, Cat Power oferece-nos em Wanderer mais um disco cheio de emoção e repleto de testemunhos de uma vivência pessoal que é, no fundo, comum a tantas mulheres da sua idade. E é curioso perceber que esta artista não é propriamente púdica no modo como se expôe aos seus admiradores e lhes conta eventos através das suas canções, quase como se estivesse a fazê-lo num balcão de um bar a uma das suas amigas numa noite de diversão. Aliás, escuta-se o dueto dela com Lana Del Rey em Woman e parece que estamos a testemunhar algo parecido com essa descrição. E depois, quando em Robin Hood ela disserta sobre as dificuldades da vida de quem tenta sobreviver com menos posses, ou quando em Me Voy ela fala diretamente connosco quase em jeito de despedida, percebemos esta proximidade que ela faz questão de ter com o ouvinte, esta busca clara de uma conexão que, como seria de esperar, faz que Wanderer tenha um clima geral bastante introspetivo, cheio de momentos de rara beleza e a exalarem a um forte travo a vulnerabilidade.

Produzido também com a ajuda da autora e com todos os instrumentos a serem tocados pela mesma, Wanderer deambula entre a folk, o blues e o melhor cancioneiro norte-americano, sabendo, por isso, sonoramente, a toda a carreira de Cat Power, já que foram estas as bitolas pelas quais ela se foi guiando nestas duas décadas, mesmo quando em Sun, o antecessor, ela explorou territórios mais eletrónicos e sintéticos, ou quando, neste mesmo Wanderer, nos oferece uma versão de Stay, um tema que Mikky Ekko produziu para o Unapologetic (2012), de Rihanna. Assim, cheio de pianos e guitarras inspiradas é, em suma, um registo de celebração de uma autenticidade rara nos dias de hoje, um disco que sabe a oferenda, mas também a versatilidade e empenho, por parte de uma das artistas mais marcantes, maduras e criativas do cenário musical contemporâneo. Espero que aprecies a sugestão...

Cat Power - Wanderer

01. Wanderer
02. In Your Face
03. You Get
04. Woman (Feat. Lana Del Rey)
05. Horizon
06. Stay
07. Black
08. Robbin Hood
09. Nothing Really Matters
10. Me Voy
11. Wanderer/Exit

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publicado por stipe07 às 15:00

Man On The Moon faz hoje 25 anos.

Terça-feira, 21.11.17

Clássico intemporal e, no meu caso, um lema e um manual existencial, Man On The Moon, a canção da minha vida, viu a luz do dia, em formato single, a vinte e um de novembro de mil novecentos e noventa e dois, faz precisamente hoje, dia vinte e um de novembro de dois mil e dezassete, vinte e cinco anos. Composição que dá nome a este blogue e ao respetivo programa de rádio na Paivense FM e para alguns uma espécie de alcunha minha, já que é rápida a associação que fazem entre esta música e a minha pessoa, tem um significado muito próprio para a minha história pessoal, já que foi e ainda é a banda sonora principal dos últimos vinte e cinco anos da minha vida.

Recentemente, à publicação New Musical Express, Bill Berry, o baixista dos R.E.M., explicou de modo muito detalhado toda a história que envolve esta canção, desde o modo como ela nasceu e foi concebida, até ao ideário que pretende transmitir, terminando na descrição sobre o modo como o icónico vídeo dessa canção foi idealizado e concebido.

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Terminada no último dia de gravações de Automatic For The People num estúdio em Seattle, Man On The Moon, uma obra de arte índie, começou por ser uma demo instrumental intitulada C to D Slide, criada numa guitarra pelo baterista Bill Berry, á qual Michael Stipe juntou, mais tarde, uma das suas melhores letras. E fê-lo por exigência dos restantes membros da banda que achavam que aquela melodia tinha uma história muito significativa para contar.

Assim, com conceitos como crença, jogo, dúvida, conspiração e verdade na mente e com Andy Kaufman, um entertainer famoso e controverso na América dos anos setenta que Stipe admira profundamente, a servir de fio condutor de todos eles, Michael colocou-nos a todos a pensar no que seria a nossa vida hoje se Charles Darwin não tivesse tido a coragem de colocar em causa algumas verdades insofismáveis ou se, no pacote das mesmas e de modo mais alegórico, se a aterragem na lua, a passagem de Moisés por um mar vermelho seco ou a morte de Elvis e do próprio Kaufman, realmente sucederam. E ele fez isso com o propósito claro de nos mostrar que mais importante que a aleatoriedade do jogo (Monopoly, twenty-one, checkers, and chess... Let's play Twister, let's play Risk) todas essas teorias ou questões metafísicas que muitas vezes nos turvam a visão e nos tolhem a mente, é aquilo que guardamos dentro de nós e a força que temos para acreditar nas nossas virtudes e, desse modo, nunca desistirmos de atingir os nossos maiores sonhos que define o nosso destino.

If you believe there's nothing up his sleeve, then nothing is cool.

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publicado por stipe07 às 20:26

Washed Out – Get Lost

Segunda-feira, 05.06.17

Washed Out - Get Lost

Desde o psicadélico e inebriante álbum Paracosm (2013) que o projeto Washed Out, do multi-instrumentista norte-americano natural da Georgia, Ernest Greene, um dos nomes fundamentais, a par de Neon Indian ou Toro Y Moi, da nova chillwave, não dava sinais de vida. No entanto, esse hiato já chegou ao fim com a divulgação de Get Lost, uma canção que surge isoladamente, sem atrelar a edição prevista de um álbum.

Em Get Lost a batida dançante, os detalhes percussivos orgânicos e os flashes irradiantes sintetizados transportam-nos de imediato para o universo sonoro típico de Washed Out e já nem queremos olhar para trás porque entramos em contado direto com uma praia ensolarada à beira de uma floresta tropical, à boleia de uma pop sonhadora, excelente para nos hipnotizar e que acaba por funcionar como aquele eficaz soporífero que nos leva para longe de uma realidade tantas vezes pouco agradável. Confere...

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publicado por stipe07 às 13:10

Kishi Bashi – Sonderlust

Sexta-feira, 30.09.16

Lançado no passado dia dezasseis, Sonderlust é o novo disco de Kishi Bashi, um multi-intrumentista de Athens, na Georgia e colaborador de nomes tão conhecidos como Regina Spektor e os Of Montreal e que se aventurou a solo em 2012 pela mão da Joyful Noise, com 151a, disco que era um enorme e generoso festim de alegria e descomprometimento, tal como acontece com este novo registo que viu a luz do dia por intermédio da mesma etiqueta.

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Kaoru Ishibashi é o verdadeiro nome de um artista de ascendência japonesa, que começou a chamar a atenção em 2011, com apresentações surpreendentes, onde cantava e tocava violino e acrescentava uma caixa de batidas e sintetizadores, agregando novos e diferentes elementos e fazendo incursões em diversas sonoridades. Conhecido pela sua profunda veia inventiva, Kishi Bashi aposta num micro género da pop, uma espécie de ramificação barroca ou orquestral desse género musical, uma variante que vive em função de violinos, de arranjos claramente pomposos e cheios de luz e de vozes cristalinas, com o falsete a ser uma opção óbvia e constante.

A folk orgânica do violino é mesmo o fio condutor principal das canções de Sonderlust e o grande suporte da luminosidade da um alinhamento delicioso no modo como agrega alguns dos pilares fundamentais da pop, com a explosão sónica que o arsenal instrumental eletrónico proporciona, principalmente quando a versatilidade e o bom gosto são elementos fundamentais e muito presentes. No entanto, além das cordas, os sopros, nomeadamente a flauta, também se chegam à frente, numa plataforma de sons e melodias exemplarmente elaboradas e artisticamente positivas e sedutoras. Canções como a épica e exuberante Hey Big Star, Statues In A Gallery ou Say Yeah são belos exemplos do modo exímio como Bashi pinta neles as suas cores prediletas de forma memorável e também influenciado pela música árabe e oriental.

Disco onde não faltam arranjos etéreos, gravações viradas do avesso e tiques de new age, Sonderlust irradia uma universalidade muito própria e tem momentos que fazem-nos sentir que estamos a degustar a própria música, como se cada garfada que damos numa determinada canção nos fizesse sentir todos os elementos de textura, cheiros e sabores da mesma. Apreciar estas dez composições oferece-nos a sensação de que os dias bons estão aqui para durar e que nada de mal pode acontecer enquanto se escuta todo este otimismo algo ingénuo e definitivamente extravagante, onde cabe o luxo, a grandiosidade e uma intemporal sensação de imunidade a tudo o que possa ser sombrio e perturbador. Espero que aprecies a sugestão...

Kishi Bashi - Sonderlust

01. m’lover
02. Hey Big Star
03. Say Yeah
04. Can’t Let Go, Juno
05. Ode To My Next Life
06. Who’d You Kill
07. Statues In A Gallery
08. Why Don’t You Answer Me
09. Flame On Flame (A Slow Dirge)
10. Honeybody

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publicado por stipe07 às 22:33

R.E.M. - Radio Song (demo version)

Quarta-feira, 07.09.16

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Em 2016 comemora-se o vigésimo quinto aniversário do lançamento de Out Of Time, um clássico da discografia dos norte americanos R.E.M. e o disco que lançou o grupo para o estrelato, tendo vendido milhões de cópias em todo o mundo, vencido vários prémios da indústria fonográfica, incluindo alguns Grammys e que contém no seu alinhamento clássicos do calibre de Losing My Religion, Shinny Happy People, Belong, Near Wild Heaven ou Radio Song.

Para comemorar a efeméride, já a dezoito de novembro irá chegar aos escaparates uma reedição de luxo de Out Of Time, com quatro capítulos; A gravação ao vivo de um concerto dos R.E.M. dessa época em Charleston, uma edição remasterizada do alinhamento, todos os vídeos das músicas do disco, com notas e apontamentos dos membros da banda e dos produtores Scott Litt e John Keane e, finalmente, as versões demo, todas elas acústicas, das onze canções. Uma delas é esta versão fantástica de Radio Song, o tema que abre o alinhamento de Out Of Time e que, comparando com o original, não conta com a presença do rapper KRS-One, mas conta com a maravilhosa melancolia intrigante do grupo e tem o baterista Bill Berry a cantar num dos versos da canção. Confere...

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publicado por stipe07 às 14:05

Deerhunter - Fading Frontier

Quarta-feira, 21.10.15

Dois anos após um fabuloso disco de garage rock, com elevada estética punk e cheio de guitarras vintage intitulado Monomania e um atropelamento grave em 2014, Bradford Cox está de regresso com os seus Deerhunter aos álbuns com Fading Frontier, nove canções que viram a luz do dia a dezasseis de outubro à boleia da 4AD e que foram produzidas pelo próprio grupo de Atlanta e por Ben H. Allen III, habitual colaborador dos Deerhunter desde o mítico Halcyon Digest (2010).

Se Monomania tinha uma toada lo fi, crua e pujante, com canções cheias de quebras e mudanças de ritmos e momentos de pura distorção, vozes quase inaudíveis e uma raiva que ainda não tinha sido vista nos Deerhunter, mesmo nos primeiros álbuns da banda, Fading Frontier não renega totalmente estes atributos essenciais para a definição justa do adn do grupo, com Duplex Planet à cabeça como tema que impulsionado pela guitarra de Tim Game, dos Stereolab, assegura algum ideal de continuidade. Mas a verdade é que este é o disco mais melódico do historial da banda e, se do cardápio dos Deerhunter há já excelentes instantes sonoros que merecem figurar em lugar de destaque na indie contemporânea, Fading Frontier contém instantes sonoros que são verdadeiros clássicos e que puxam os autores para um patamar superior de abrangência, não só pela miríade sonora que abrangem, mas também, e principalmente, por estarmos a falar de canções que misturam acessibilidade, diversidade e intrincado bom gosto, tudo com enorme eficácia.

Compêndio que privilegia então uma sensibilidade pop inédita nos Deerhunter e que em alguns momentos é atingida com um forte cariz épico e monumental, como se infere logo em All The Same, o estrondoso tema que abre o alinhamento, Fading Frontier também abriga os seus alicerces fundamentais em instantes mais introspetivos e etéreos, como é o caso da mágica melancolia que trespassa o piano e o baixo de Lather and Wood e do sintetizador irrepreensível e um efeito de guitarra que parece planar na cativante Living My Life, uma canção que permite obter, nos quase quatro minutos de duração, um completo alheamento de tudo aquilo que nos preocupa ou pode afetar em nosso redor. E além destes dois aspetos, transversais a grande parte do historial do grupo e que se misturam e se sublimam em vários temas deste novo álbum, com o single Breaker a ser talvez aquele que melhor consegue juntar toda a amálgama que hoje define o adn dos Deerhunter, há outros dois traços também algo antagónicos, mas aqui expressos com intensidade e requinte superiores; Refiro-me ao funk alegre e divertido de Snakeskin, canção que conta com a participação especial de Zumi Rosow no saxofone e, em Ad Astra, a um piscar de olhos objetivo áquele pós-punk britânico dos anos oitenta que fazia questão de viver permanentemente de braço dado com o experimentalismo e em simbiose com a psicadelia.

Fading Frontier é um daqueles registos discográficos onde a personalidade de cada uma das canções do alinhamento demora um pouco a revelar-se nos nossos ouvidos, mas é incrivelmente compensador experimentar sucessivas audições para destrinçar os detalhes precisos e a produção impecável e intrincada que as distingue e que sustenta a bitola qualitativa de um disco incubado por um grupo que vive no pico da sua produção criativa, porque exige e consegue navegar sem parcimónia em diferentes campos de exploração. A imprevisibilidade é, afinal, algo de valor no mundo artístico e Bradford Cox, uma dos personagens mais excêntricas no mundo da música de hoje, continua a jogar com essa evidência, a seu favor, à medida que apresenta diferentes ideias e conceitos de disco para disco, tendo, neste caso, excedido favoravelmente todas as expetativas e criado um dos álbuns essenciais do ano. Espero que aprecies a sugestão...

Deerhunter - Fading Frontier

01. All The Same
02. Living My Life
03. Breaker
04. Duplex Planet
05. Take Care
06. Leather And Wood
07. Snakeskin
08. Ad Astra
09. Carrion

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publicado por stipe07 às 21:20






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