Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2019

Baxter Dury, Étienne De Crécy And Delilah Holliday – B.E.D.

B.E.D. são nada mais nada menos do que as iniciais dos autores de um dos discos mais curiosos do cenário alternativo eminentemente pop do final do ano de dois mil e dezoito. Nesse B.E.D., o produtor francês Étienne de Crécy deu as mãos a Baxter Dury e a Delilah Holliday para incubar um conciso registo de nove composições que nascidas do génio interpretativo de três músicos que não coincidem, individualmente, no espetro sonoro que baliza a carreira de cada um, mas que juntos conseguiram criar um alinhamento coeso, dinâmico e com uma fronteira bem delimitada.

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B.E.D. é um álbum de canções com um espírito moderno, envolvidas por um manto sonoro de charme sedutor e apelativo que agrega alguns dos detalhes fundamentais da eletrónica francesa contemporânea, que nomes como os Air ou os Daft Punk, contemporâneos de Étienne, têm sabido preservar e potenciar exemplarmente, com a melhor herança do pós punk britânico, que é aqui defendida com unhas e dentes, no baixo de Tais Toi e de White Coats, por exemplo, por Baxter Dury, filho do mítico Ian Dury, um dos nomes ímpares da cultura pop britânica da segunda metade do século passado.

As tais diferenças estilísticas que marcam cada um dos intervenientes neste registo acabam por sobressair no modo como a voz, o sintetizador e a orgânica das cordas e de alguns elementos percurssivos conjuram entre si para arquiteturar canções em que quase não se nota a predominância de um destes três elementos. Os três temas já referidos e que serviram para exemplificar a importância do baixo na costura do ritmo são bons exemplos desta simbiose feliz, mas a toada mais groove de Only My Honest Matters ou, num registo mais clássico e chill, na contemplativa But I Think, cantada por Delilah, é igualmente possível apreciar este jogo de cintura constante, com tremenda fluidez e incomparável bom gosto.

Exemplarmente produzido e passível de ser apreciado de um só travo, tal é a sua homogeneidade, fluidez e modernidade, que um certo travo vintage não coloca em causa, B.E.D. terá o objetivo primordial de fazer o ouvinte dançar mas também o colocar a refletir sobre vários aspetos da vida contemporânea, inclusive alguns de cariz eminentemente político. Espero que aprecies a sugestão...

Baxter Dury, Étienne De Crécy And Delilah Holliday - B.E.D

01. Tais Toi
02. Walk Away
03. How Do You Make Me Feel
04. Fly Away
05. White Coats
06. Only My Honesty Matters
07. Centipedes
08. But I Think
09. Eurostars


autor stipe07 às 17:54
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Quarta-feira, 27 de Junho de 2018

Cœur De Pirate – En Cas De Tempête, Ce Jardin Sera Fermé.

Conhecida pela sua escrita impressiva, quase sempre na primeira pessoa e pela arrebatadora sinceridade e doce luminosidade da sua música, a canadiana Béatrice Martin comemora em 2018 dez anos de carreira à frente do seu projeto Cœur De Pirate e fá-lo com a edição de um álbum intitulado En Cas De Tempête, Ce Jardin Sera Fermé. Esse novo registo de originais desta lindíssima artista oriunda do Quebeque canadiano chegou aos escaparates já no início deste mês através da Dare To Care Records e não é necessário ser um génio na língua francesa para se entender toda a teia emocional destas dez canções que, até no próprio duplo sentido do título do disco, num misto de cautela e turbulência, explícita toda a teia sentimental que descreve a pessoalidade de uma mulher madura, mas também tremendamente humana e já bastante vivida.

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Gravado maioritariamente em Paris e produzido por Cristian Salvati, En Cas De Tempête, Ce Jardin Sera Fermé é uma deliciosa narrativa sobre o poder do amor, o modo como essa força se ajusta aos diferentes ritmos e vivências de uma relação e como a desregulação desse sentimento pode provocar, no seio da mesma, situações menos felizes e saudáveis que, em última instância, podem colocar em causa a senilidade dos intervenientes.

Escuta-se Somnambule, um dos momentos altos do registo que também teve forte influência da obra ficcional do escritor René Barjavel e percebe-se claramente toda esta trama acima descrita, numa canção que foi composta num estágio superior de sapiência, um estado de alma que permitiu à autora utilizar o seu habitual espírito acústico e orgânico ao piano para se colocar também à boleia de arranjos de cordas tensos, dramáticos e melódicos e contar-nos assim mais uma história que a materializa na forma de uma conselheira espiritual sincera e firme e que tem a ousadia de nos querer guiar pelo melhor caminho, neste caso do tal amor, sem mostrar um superior pretensiosismo ou tiques desnecessários de superioridade. Depois, na pop efervescente de Prémonition, na luminosidade e no positivismo feliz de Amour D'un Soir e nos belíssimos arranjos que divagam por De Honte Et De Pardon, percebemos o modo como este disco acabou por funcionar como um bem sucedido escape emocional para alguém que incubou este alinhamento num momento complicado da sua vida pessoal, de exaustão e de necessidade de isolamento, mas que, talvez inconscientemente, acabou por dar vida a um dos discos mais pessoais e intimistas do ano. Espero que aprecies a sugestão...

Cœur De Pirate - En Cas De Tempête, Ce Jardin Sera Fermé.

01. Somnambule
02. Prémonition
03. Je Veux Rentrer
04. Dans Les Bras De L’autre
05. Combustible
06. Dans La Nuit (Feat. Loud)
07. Amour D’un Soir
08. Carte Blanche
09. Malade
10. De Honte Et De Pardon


autor stipe07 às 21:08
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Terça-feira, 17 de Abril de 2018

Cœur De Pirate – Somnambule

Cœur De Pirate - Somnambule

Conhecida pela sua escrita impressiva, quase sempre na primeira pessoa e pela arrebatadora sinceridade e doce luminosidade da sua música, a canadiana Béatrice Martin comemora em 2018 dez anos de carreira à frente do seu projeto Cœur De Pirate e fá-lo com a edição de um álbum intitulado En cas de tempête, ce jardin sera fermé. Esse novo registo de originais desta lindíssima artista oriunda do quebeque canadiano chega aos escaparates já nesta primavera e Somnambule é o primeiro tema divulgado do seu alinhamento.

Escuta-se Somnambule e percebe-se que esta é uma daquelas canções composta num estágio superior de sapiência que permite à autora utilizar o seu habitual espírito acústico e orgânico ao piano para se colocar também à boleia de arranjos de cordas tensos, dramáticos e melódicos e contar-nos assim mais uma história que a materializa na forma de uma conselheira espiritual sincera e firme e que tem a ousadia de nos querer guiar pelo melhor caminho, neste caso do amor, sem mostrar um superior pretensiosismo ou tiques desnecessários de superioridade. Para acompanhar o lançamento deste singleCœur De Pirate gravou uma versão ao vivo em França na igreja Saint-Jean-Baptiste, em Neuilly-sur-Seine. Confere...


autor stipe07 às 18:28
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Quinta-feira, 1 de Dezembro de 2016

Dub Inc - So What

Saint-Étienne é o poiso natural dos Dub Inc, um coletivo formado por Hakim Meridja Bouchkour, Aurélien Zohou Komlan, Jérémie Gregeois, Grégory Mavridorakis Zigo, Frédéric Peyron, Idir Derdiche, Moritz Von Korff e Benjamin Jouve e um dos nomes fundamentais do cenário reggae europeu. A banda já lançou seis álbuns de estúdio. Os três primeiros, Diversité (2003), Dans le décor (2005) e Afrikya (2008), ainda com o nome Dub Incorporation. Os seguintes álbuns, Hors contrôle (2010), Paraíso (2013) e o último, So What (2016), já foram creditados com o nome Dub Inc.

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Foi a vinte e três de setembro que chegou aos escaparates esse So What, o muito aguardado novo álbum deste coletivo francês e nas suas catorze canções assiste-se a um verdadeiro festim de world music, que tendo o reggae como eixo principal, também pisca o olho a outros estilos sonoros, transversais ao rock e à pop. Tiken Jah Fakoly, David Hinds ou Tarrus Riley são influências declaradas do coletivo e as suas atuações ao vivo já lendárias, verdadeiros festins de reggae e world music com uma inergia inesgotável e contagiante. É uma miscelânea de estilos, que dão vida a letras escritas em inglês, kabil e francês e que nos oferecem mensagens positivas, alegres e festivas, como é apanágio deste tipo de som e que, como o press release do lançamento tão bem narra, é inspirado por uma verdadeira ética humana. 

Triste Époque foi a primeira música divulgada do trabalho, uma composição vibrante, intensa e que juntando ao reggae teclados sintetizados e algumas linhas de guitarra, atesta a miscelânea estilística e sonora de uns Dub Inc que se projetam musicalmente, mas composições do calibre da sensual Evil, tema que se espraia por uma deliciosa batida afro e Love Is The Meaning, canção capaz de fazer dançar qualquer resistente, merecem também dedicada audição num regresso fraterno e feliz do nome talvez maior do reggae europeu atual. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 15:05
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Segunda-feira, 22 de Agosto de 2016

Dub Inc - Triste Époque

Saint-Étienne é o poiso natural dos Dub Inc, um coletivo formado por Hakim Meridja Bouchkour, Aurélien Zohou Komlan, Jérémie Gregeois, Grégory Mavridorakis Zigo, Frédéric Peyron, Idir Derdiche, Moritz Von Korff e Benjamin Jouve e que é já um dos nomes fundamentais do cenário reggae europeu.

É já a vinte e três de setembro que chega aos escaparates So What, o muito aguardado novo álbum deste coletivo francês e Triste Époque é a primeira música divulgada do trabalho, uma composição vibrante, intensa e que juntando ao reggae teclados sintetizados e algumas linhas de guitarra, atesta a miscelânea estilística e sonora de uns Dub Inc que se projetam musicalmente e como o press release do lançamento tão bem narra, inspirados por uma verdadeira ética humana. Tiken Jah Fakoly, David Hinds ou Tarrus Riley são influências declaradas e as suas atuações ao vivo já lendárias, verdadeiros festins de reggae e world music com uma inergia inesgotável e contagiante. Confere...


autor stipe07 às 18:00
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Segunda-feira, 2 de Novembro de 2015

Noiserv - Don't say Hi if you don't have time for a nice Goodbye

Já fez dois anos a edição de Almost Visible Orchestra, o extraordinário segundo da carreira de noiserv, um trabalho que além de ter sido distinguido como melhor disco de 2013 pela Sociedade Portuguesa de autores (SPA), também foi considerado o melhor álbum nacional desse ano para este blogue. Mas agora, quase no ocaso de 2015, chegou finalmente o momento deste disco procurar o devido reconhecimento e o seu espaço no estrangeiro.

Na próxima sexta-feira, dia seis de Novembro, Almost Visible Orchestra será editado para o resto do mundo pela naïve, editora francesa de artistas como Yann Tiersen e M83. Para comemorar, noiserv acaba de disponibilizar um novo vídeo de um tema do disco, nomeadamente o filme do single Don't say Hi if you don't have time for a nice Goodbye, canção que marca o encerramento do alinhamento do disco.

Para este vídeo, noiserv contou ainda com a participação vocal do músico francês Cascadeur, recentemente distinguido com o prémio de melhor disco eletrónico do ano nos Victoires de la Musique, os Grammy franceses. Confere...


autor stipe07 às 17:28
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Domingo, 23 de Novembro de 2014

heklAa - My Name Is John Murdoch

Alsaciano de nascimento, mas inspirado sonoramente por latitudes mais a norte, Sébastien Touraton é um francês apaixonado pela islândia, além de um músico talentoso que adora post rock. Líder do projeto heklAa, o nome de um vulcão islandês, tem um novo álbum intitulado My Name Is John Murdoch, um trabalho inspirado em Dark City, um dos filmes preferidos de Sébastien, mas com referências a outras fitas, nomeadamente o Batman de Tim Burton.

O autor do disco nega que My Name Is John Murdoch seja uma banda sonora alternativa de Dark City mas, na verdade, tendo o filme na mente e escutado estas canções, é possivel fazer um paralelismo entre as duas obras, até porque o alinhamento de nove canções procura recriar o filme, com cada tema a servir como banda sonora de um capítulo da trama, descrita abaixo pelo próprio autor do disco.

heklAa começou a trabalhar no álbum há cerca de dois anos e ideias e sentimentos como a nostalgia, o fim precoce da inocência e a auto-descoberta estão muito presentes nas canções que trespassam esses conceitos para algumas personagens do filme, à medida que a história se desenrola.

Com uma forte componente instrumental e com a voz a servir esencialmente como suporte narrativo, My Name Is John Murdoch tem momentos coloridos e cheios de emoção e, ao mesmo tempo, instantes que se tornam profundamente pensativos, nostálgicos e melancólicos. No entanto, é nos instantes em que o autor pretende recriar uma aúrea mais sombria e dramática que sobressai a sua capacidade de composição e a grandiosidade instrumental que não descura praticamente nenhuma secção ou classe de instrumentos. Das cordas, acústicas e eletrificadas, à percussão, passando pelos instrumentos de sopro, arranjos com metais e efeitos sintetizados que replicam sons de diversas proveniências, Sébastien conseguiu atingir o pleno orquestral e com isso fazer com que My Name Is john Murdoch criasse uma impressionante sensação de beleza e de efeitos contrastantes dentro de nós, além da possibilidade de podermos visualizar a trama.

Claramente apaixonado pela música erudita, heklAa foi corajoso na ideia e no modo como a colocou em prática, apropriando-se de uma forma de experimentação sonora e musical algo inédita, o que atesta a sua enorme capacidade para pintar verdadeiras telas sonoras cheias de vida e cor, utilizando uma fórmula básica que serve de combustível a nuances variadas e harmonias magistrais, onde tudo se orienta de forma controlada, em nove canções avassaladoras e marcantes, claramente à altura do enredo que procuram musicar. Espero que aprecies a sugestão...

The Story.
The movie tells the story of John Murdoch, a music journalist, expert of Miles Davis’ work. After years, he comes back in sirenZ, the big city where he grew up, to cover a set of jazz concerts. As he is walking along the main street, he has the strange feeling that nothing is like it used to be. Did the city change so much? Did he change so much? Did time just go by?

(Episode 1: The Dark City of sirenZ) A whole series of events is going to intensify his conviction that something is wrong: that beautiful woman he meets in the “Hopper’s bar”; he does not know any Selina Kyle, but he could swear that he knows that woman, like a reminiscence from yesteryears, he knows that he had dinner once with her, that they have spent the night after that together, too. (Episode 2: L’Inconnue ) There is also this original recording of Miles Davis’ soundtrack for “Elevator of the Gallows” that he finds in an old music store; as an expert, he knows full well that this milestone in jazz was celebrated in 1958. “Générique”, the perfection of music according to John, this permanent catchy tune in his head could not be just a creation of his own mind. But, the calendar in the store still indicates that John is living in the year 1946… Last but not least, in place of Miles Davis’ music, John discovers a recording made by a Louis Malville who introduces himself as a French movie director. Louis reveals that sirenZ is a shameless lie, a Dark City like many others, where nothing is real. (Générique)

Nothing? What about Shell Beach, this sunny happy place of his childhood, where he used to fly a kite or go sailing and fishing with his father? So many memories of brighter times… (Episode 5: Remembering Shell Beach)
After days of investigating, at last, John finds out the truth, as he is walking by a souvenir shop. Behind the window, a glass snow ball representing sirenZ. He understands, terrified, that this is not just a trinket for tourists, but reality: The city is lying in the depths of the sea, under a giant bell. (Episode 3: The Dome) Shell Beach does exist, but only in his head, nothing more than pretty pictures in a photo album. Why? When? How? John will never get the answer. (Episode 4: Dance with the Shadows)
John’s world has collapsed. (Ep 7: Say hurray! ‘cause it’s the End of the World!). Now that he knows the whole truth, what comes next? Should he tell everything and run the risk of becoming a curse, an incurable decease for everyone in the city? Should he just live a normal, quiet life by the woman he loves? No, he will not be a tragic hero. He knows who he is. (Episode 6: My name is John Murdoch). Selina is waiting for him. (Epilogue).

 


autor stipe07 às 19:07
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Segunda-feira, 22 de Setembro de 2014

Starwalker – Losers Can Win EP

Editado já a dezoito de março via Prototyp Recording & Bang ehf e disponivel para escutaLosers Can Win é o nome do EP de estreia dos Starwalker, uma dupla maravilha que junta dois ícones da pop dos nossos dias, nada mais nada menos que Jean-Benoit Dunckel (Air) e o compositor islandês Bardi Johannsson (Bang Gang, Lady & Bird).


Quando os Air vivem um hiato, Dunckel costuma aventurar-se, muitas vezes anonimamente, em outros projetos alternativos, que quase sempre se situam na zona de conforto sonora proposta pela banda a que pertence e que também incluem a composição de bandas sonoras. Um desses devaneios foi Darkel, o seu projeto a solo de 2006 que germinou o disco homónimo Darkel. E em 2013, surgiram os Tomorrow's World, cujo nome era inspirado numa antiga e famosa série televisiva britânica e onde ele deu as mãos à lindíssima Lou Hayter, dando origem a uma dupla cheia de charme e de onde só poderia vir algo muito requintado, como aquilo que foi apresentado nas onze canções do homónimo de estreia desse projeto.

Agora, em Losers Can Win, predominam as reminiscências da dupla de Versailles, nos arredores de Paris, com a eletrónica muito presente, essencialmente na versão mais calma, melódica e clássica, sendo Bad Weather um tema fortemente apelativo para quem aprecia o período mais recente da carreira dos Air e as cordas luxuriantes do tema homónimo, uma porta de entrada privilegiada para quem sente saudades do período inicial aúreo da dupla francesa. 

As cinco canções deste EP são construídas de forma particularmente inspirada no modo como unem a orgânica vocal de Dunckel com uma sintetização que, carregada de efeitos de piano, metais, bateria e outros elementos sonoros nem sempre claramente percetíveis e que funiconam como simples mas preciosos detalhes na manta sonora apresentada, facilmente nos tiram do chão em direção ao espaço. É uma música espacial e inventiva, equilibrada com a rigidez contemplativa kraftwerkiana,o pendor cinematográfico de um Brian Eno e a serenidade típica dos Air e mesmo que Dunckel tenha aqui deixado que Bardi fosse um parceiro ativo no processo de criação melódica, predomina muito do estilo eletrónico típico dos Air, com a bela voz de Dunckel a casar muito bem com as viagens climáticas e etéreas que a dupla compôs.

Seja quando, por exemplo em Losers Can Win, existe um apelo para o movimento new wave mais dançante, ou quando Moral Sex sobrevive com notável sobriedade à custa de lindíssimos efeitos plenos de influências bem vincadas do krautrock, Losers Can Win é uma excelente banda sonora para uma viagem noturna pelas ruas de uma cidade e este é, quanto a mim, um projeto que reúne dois músicos de talento e que, por isso, pode vingar no futuro. Espero que aprecies a sugestão...

Starwalker - Losers Can Win

01. Losers Can Win
02. Bad Weather
03. Moral Sex
04. Losers Can Win (All That You’ve Got)
05. Bad Weather (Bloodgroup Remix)


autor stipe07 às 22:43
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Sexta-feira, 5 de Setembro de 2014

heklAa - Songs In F.

Alsaciano de nascimento, mas inspirado sonoramente por latitudes mais a norte, Sébastien Touraton é um francês apaixonado pela islândia, além de um músico talentoso aapixonado pelo post rock. Líder do projeto heklAa, o nome de um vulcão islandês, ele fez chegar à nossa redação Songs In F., um EP com quatro canções que o músico idealizou e compôs inspiradas na viagem que fez à Islândia em 2010, onde esteve retido devido à famosa erupção vulcânica do vulcão Eyjafjallajökull. Por exemplobAck to jokulsArlon, a canção de abertura do EP, é uma verdadeira visita guiada sonora às maravilhas naturais da localidade que dá nome à canção.

Tanto essa como as outras três canções que compôem Songs In F. impressionam pelo charme e pela limpidez exata com que transparecem o ambiente típico da ilha mais a norte do nosso continente, quase trinta minutos em que podemos facilmente imaginar os espaços, as cores e os cheiros que inspiraram Touraton e que se aprimoram numa elegância altiva, potenciada pelo cunho sentimental com que o compositor abraça a míriade sonora de que se serviu para compôr.

Com uma forte componente insturmental e uma ausência algo sentida da voz, este EP disponível no bandcamp, tem momentos coloridos e cheios de emoção e, ao mesmo tempo, instantes que se tornam profundamente pensativos, nostálgicos e melancólicos. E esta dupla sensação é um dos maiores trunfos de Songs In F., já que cria uma impressionante sensação de beleza e de efeitos contrastantes dentro de nós. Falo seguramente de um EP carregado de contrastes, mas que não deixa de seguir uma linha condutora homogénea que se define por uma deriva entre a componente orquestral, quase sempre assente em simples pianos assombrados por prodigiosos arranjos de cordas, que se fundem com novos e antigos estilos sonoros e elementos típicos da eletrónica.

Em Songs In F. e em particular na magnífica thousAnds of comets Are fAlling down on eArth, o meu tema preferido do EP, Sebastién aproxima-se com vigor da chamada música erudita, usando-a com o mesmo à vontade com que tantos outros se apropriam de quaisquer outras formas de experimentação sonora e atesta a sua enorme capacidade para pintar verdadeiras telas sonoras cheias de vida e cor, utilizando uma fórmula básica que serve de combustível a nuances variadas e harmonias magistrais, onde tudo se orienta de forma controlada, como se todoâ os instrumentos que ele utiliza fossem agrupados num bloco único de som chamado Islândia, um país que afinal também pode ser além de um pedaço de território vulcÂnico onde vive um povo resistente e milenar, quatro canções avassaladoras e marcantes e com uma sonoridade única e peculiar. Espero que aprecies a sugestão...

  • bAck to jokulsArlon
  • thousAnds of comets Are fAlling down on eArth
  • oceAns
  • being steindor Andersen


autor stipe07 às 21:50
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Domingo, 24 de Agosto de 2014

Phoenix – Bankrupt! (Gesaffelstein Remix)

Phoenix remixes

A imagem de cima mostra a quantidade de remisturas de que já foi alvo o material de Bankrupt!, o novo trabalho dos Phoenix. A mais recente está disponível para download e é da autoria do produtor francês Gesaffelstein, que remisturou o tema homónimo do disco. Há quem considere que esta amostra é uma pista credível sobre a sonoridade do próximo disco dos Phoenix. Confere...


autor stipe07 às 11:21
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Sábado, 14 de Junho de 2014

Elephant – Sky Swimming

Os Elephant são uma dupla oriunda de Londres e formada pela francesa Amelia Rivas e por Christian Pinchbeck. Conheceram-se em maio de 2010 e tiveram um 2011 bastante profícuo; Depois de em janeiro terem lançado o EP ants-wolf-cry e em julho allured-actors, em novembro deram a conhecer um terceiro EP, intitulado Assembly, sempre através da Memphis Industries. Agora, três anos depois, chegou aos escaparates Sky Swimming, o primeiro longa duração da dupla.

A sonoridade dos Elephant assenta numa pop etérea e lo-fi e são fortemente influenciados pelo hip-hop francês e pela eletrónica dos anos oitenta. Em qualquer um dos três EPs há uma batida que se vai arrastando um pouco atrás da voz de Rivas e camadas sintetizadas que vão sendo acrescentadas, o que cria um clima sombrio, melancólico e de certa forma até mágico. Fica-se muitas vezes com a sensação estranha que o silêncio é a força motriz das canções, o elemento propulsor das mesmas e que nelas se inclui e as sustenta e ao redor do qual os músicos vão acrescentando vários elementos sonoros, muitas vezes só perceptíveis numa posterior audição.

De Beach House a Mazzy Star e passando por Zola Jesus, os Elephant são requintados, minimalistas e cosmopolitas e combinam todo o encanto da Paris das passadeiras vermelhas com uma fragilidade cândida, futurista e atmosférica, feita com guitarras estridentes e um piano delicado. Estão no momento ideal para, com este disco de estreia, cimentar um lugar de relevo no cenário indie da actualidade. Os três EPs estão disponíveis para download gratuito no bandcamp dos Elephant. Espero que aprecies a sugestão...

Elephant - Sky Swimming

01. Assembly
02. Skyscraper
03. Allured
04. Ants
05. Elusive Youth
06. Shipwrecked
07. Torn Tongues
08. Come To Me
09. TV Dinner
10. Sky Swimming
11. Golden
12. Shapeshifter


autor stipe07 às 15:33
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Sexta-feira, 6 de Junho de 2014

Dia D

Há precisamente 70 anos, nas praias da Normandia, uma geração inteira deu a vida pela liberdade e começou o futuro da Europa tal como hoje a conhecemos. Em tempos tão conturbados no nosso continente, é bom que este dia seja relembrado e contado às gerações vindouras... Para que nunca mais se repita!


autor stipe07 às 16:06
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Terça-feira, 13 de Maio de 2014

Total Warr - Is This It (The Strokes cover)

Total Warr Is This It

Soturna, intrigante e melancólica... assim se pode descrever a versão que a dupla francesa Total Warr acaba de revelar do clássico Is This It que dá o nome ao disco de estreia dos nova iorquinos The Strokes de Julian Casablancas. Assente num sintetizador bastante inspirado, a cover está disponível para download gratuíto. Confere...

 

We did a cover of “Is This It” one of our favorite songs from The Strokes.
We hope you’ll love it.
Download it, share it, delete it.

Bisous


autor stipe07 às 12:45
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Sábado, 1 de Fevereiro de 2014

Mr Crock - Aphrodesis EP

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Os franceses Mr. Crock são Walter Laguerre, Christelle Canot, Benjamin Zana, Solène Rigot, Marc Sanchez, uma banda cujos membros se foram encontrando numa Paris cheia de vida musical que soube recebê-los desde que se juntaram, no já longínquo ano de 2009. Estrearam-se em 2011 com um EP homónimo e depois disso já atuaram em locais tão emblemáticos da cidade das luzes como Trabendo, Elysee Montmartre, Machine du Moulin Rouge, Alhambra, Bus Palladium. Em 2013 venceram um concurso de bandas, o Festival Ici et Demain, que contou com a participação de cerca de oitocentos grupos.

No passado dia treze de janeiro chegou finalmente o segundo trabalho do grupo, mais um EP intitulado Aphrodesis, disponível para audição no soundcloud dos Mr. Crock. Confere...

 


autor stipe07 às 22:04
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Sábado, 16 de Novembro de 2013

Lockhart - The Bridge To Your Heart

lockhartlockhart’s avatar

Lockhart é Nico Lockhart, um músico e produtor sedeado em Paris, que disponibilizou recentemente The Bridge to Your Heart, um tema que me chamou a atenção para este projeto. No soundcloud de Lockhart estão disponíveis mais duas canções, Toi e Lost You, que me fizeram entrar em contacto com Nico para tentar perceber melhor qual o rumo deste projeto e destas canções.

Antes de mais, na repsosta que gentilmente obtive, Nico confessou-me ser um apaixonado por sonoridades algo vintage e mais típicas do outro lado do atlântico, nomeadamente Crosby Stills & Nash, Tears for Fears e Christopher Cross. Quanto a projetos mais contemporâneos, confessou uma grande admiração pelos Violens e Ariel Pink, além de andar a ouvir imenso Small Black, Jagwar Ma, Metronomy e Midlake, estes sim nomes mais consentâneos com o conteúdo sonoro dos três temas que podemos escutar no soundcloud de Lockhart.

Neste momento o músico e produtor discute com algumas etiquetas e editoras o destino destas e de outras canções, não estando, para já, prevista qualquer edição física ou digital de um álbum ou EP. Por outro lado, Lockhart está também a trabalhar na conclusão do novo disco de Frank Rabeyrolles (Double U, Franklin), que será editado em abril do próximo ano. Irá também, brevemente, tocar com ele ao vivo.

Portanto, algures entre o eletropop dos Fischerspooner e uma toada mais minimal e chillwave, típica de uns Metronomy, está este projeto Lockhart, ao qual me manterei muito atento. Confere...


autor stipe07 às 11:27
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Quinta-feira, 2 de Maio de 2013

Tomorrow’s World – Tomorrow’s World

Editado a oito de abril através da Naïve, Tomorrow's World é o disco homónimo de estreia de um novo projeto francês, suportado numa dupla formada por Jean-Benoît Dunckel dos Air e Lou Hayter, dos New Young Pony Club.

Nos períodos em que os Air estão parados Dunckel costuma aventurar-se, muitas vezes anonimamente, em outros projetos alternativos, que quase sempre se situam na zona de conforto sonora proposta pela banda a que pertence e que também incluem a composição de bandas sonoras. Um desses devaneios foi Darkel, o seu projeto a solo de 2006 que germinou o disco homónimo Darkel. E agora, em 2013, surgiram os Tomorrow's World, cujo nome é inspirado numa antiga e famosa série televisiva britânica. Desta vez, a outra face é feminina, neste caso a lindíssima Lou Hayter e desta dupla cheia de charme só poderia vir algo muito requintado, como aquilo que é apresentado nas onze canções do homónimo de estreia.

Em Tomorrow's World ouve-se mais reminiscências da dupla de Versailles, nos arredores de Paris, do que dos New Young Pony Club, o que deverá significar que as rédeas ficaram nas mãos de Dunckel. A eletrónica está muito presente, mas na versão mais calma, melódica e clássica. 

Um dos meus temas preferidos do disco é A Heart That Beats For Me, uma canção com uma certa doçura chic que me fez lembrar o saudoso Moon Safari (1998). Há igualmente uma escrita apurada, que resultou em notáveis momentos de poesia, com realce para as letras de Don’t Let Them Bring You Down (It’s not the time of year that brings me down/It’s not the rain that’s falling down, down/It’s all the people who are not around. e de Drive (Follow the moon through the night/ I feel the pull of the machine/The blood is rushing to my head/I’m driving closer to the edge).

Mesmo que Dunckel, por ter na mão as tais rédeas, não fuja aqui muito do estilo eletrónico típico dos Air, é importante ressaltar a bela voz de Lou Hayter que casa muito bem com as viagens climáticas e etéreas que o seu parceiro compôe, com a performance vocal da miúda a destacar-se em Think Of Me, uma canção que assenta numa melodia simples de um teclado e Insider, já para não falar do charme de Pleurer Et Chanter, acentuado por a música ser cantada em francês. Esta canção mistura também um baixo espacial, com um piano etéreo e uma batida que fazem dela uma espécie de trip ácida implícita. A já citada Drive, sonoramente remete-nos para os anos oitenta e o movimento new wave mais dançante, típico de uns Human League e, finalmente, So Long My Love, uma canção cheia de efeitos, tem influências bem vincadas do krautrock.

À imagem da capa do disco, Tomorrow's World acaba por ser uma excelente banda sonora para uma viagem noturna pelas ruas de uma cidade e este é, quanto a mim, um projeto que reúne dois músicos de talento e que, por isso, pode vingar no futuro. Espero que aprecies a sugestão...

Tomorrow's World - Tomorrow's World

01. A Heart That Beats For Me
02. Think Of Me
03. Drive
04. Pleurer Et Chanter
05. So Long My Love
06. Don’t Let Them Bring You Down
07. Metropolis
08. You Taste Sweeter
09. Catch Me
10. Life On Earth
11. Inside


autor stipe07 às 22:43
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Terça-feira, 2 de Abril de 2013

Woodkid – The Golden Age

Depois do EP de estreia Iron, cujo tema homónimo foi usado por Quentin Tarantino em Django Unchained, já chegou aos escaparates, no passado dia dezanove de março, The Golden Age, o disco de estreia de Woodkid e que também tem essa canção no alinhamento. Woodkid é o nome de um projecto musical criado pelo fotógrafo e realizador francês Yoann Lemoine, um rapaz talentoso e pelos vistos multifacetado.

Apesar de ter demorado cerca de dois anos a ser editado, The Golden Age já causava furor o ano passado quando foram divulgados os temas Run Boy Run e I Love You. Desde o EP que aguardava com alguma expetativa este estreia e confesso ter saboreado com particular gosto o dinamismo e a grandeza deste trabalho.

The Golden Age confirma a estreita ligação entre os dois mundos, o musical e o cinematográfico, onde habita Yoann. Isso está bem evidente quando esta estreia segue as pisadas do primeiro EP e, dessa forma, navega na similar atmosfera ambiciosa e majestosa de Iron, feita com arranjos orquestrais que fazem lembrar a banda sonora de uma epopeia fantástica. Fica evidente que Woodkid aprecia heróis épicos e convive confortavelmente com a grandiosidade sonora que a composição sobre eles exige. E esses heróis poderão ser um simples rapaz que, na tal Run Boy Run, tema que lhe valeu a nomeação para um Grammy, luta pela sua sobrevivência e torna-se num homem cheio de batalhas para enfrentar. Logo a seguir, em The Great Escape, essa personagem encontra, como o título da canção indica, um sempre indispensável refúgio, alimentado com uma base instrumental alegre e repleta de trompetes.

Há uma evidente heterogeneidade entre as catorze canções do disco, onde se incluem dois interlúdios, com destaque para Shadows, uma belíssima ode sinfónica. Logo no início, à delicadeza e sensibilidade do tema homónimo, feitas com pianos e violinos, sucede a atmosfera mais caótica de Run Boy Run. E este dinamismo entre ambientes mais calmos e outros mais agitados vai sendo jogado com vários sons orquestrais e outros mais introspetivos, dos quais destaco, nos primeiros, Iron e Conquest Of Spaces e, nos segundos, Boat Song, Where I Live, uma canção onde Yoann confessa a sua resignação perante a inevitabilidade da morte e as angústias da vida (Where I'm born is where I'll die. Where I live is where I cry) e, principalmente, além  do caos agitado, os coros e a voz de Yoann em Stabat Mater.

A audição de The Golden Age é uma viagem a um mundo imaginado por Yoann, com personagens que encarnam a pacatez do nosso quotidiano e que são elevadas a um ímpar patamar de grandeza e admiração porque lutam, diariamente, pela sobrevivência, nessa espécie de mundo, algo surreal, mas onde se refletem os nossos maiores medos, expetativas e interrogações. Como se pode escutar no final, em The Other Side, é intrínseca à natureza humana uma constante insatisfação e que, por isso mesmo, o homem, quer seja um soldado, um príncipe, um pequeno rapaz, ou um agricultor, estará sempre, enquanto existir, em permanente conflito interior, sendo as pequenas vitórias que vai conseguindo contra si mesmo que sustentam o seu crescimento pessoal e que definem as escolhas que vai fazendo ao longo da vida.

No sitio de Yoann poderás conferir algum do seu art work e de vídeos que realizou, nomeadamente os vídeos Born To Die, da Lana del Rey, Dreaming of Another World, dos Mistery Jets e vídeos de Kate Perry, Rhianna e os seus próprios, conhecidos por roçarem sempre o épico e por terem uma estética inconfundível. Espero que aprecies a sugestão...

01. The Golden Age
02. Run Boy Run
03. The Great Escape
04. Boat Song
05. I Love You
06. The Shore
07. Ghost Lights
08. Shadows
09. Stabat Mater
10. Conquest Of Spaces
11. Falling
12. Where I Live
13. Iron
14. The Other Side

Website
[mp3 320kbps] rg ul zs


autor stipe07 às 19:17
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Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2012

The Narcoleptic Dancers – Never Sleep

Johnny Van Kappers era um futebolista holandês com uma carreira bastante interessante na década de setenta. Em 1978 transferiu-se do HFC Haarlem para o AS Saint-Etienne e apaixonou-se por uma apoiante do clube. Casaram e dessa união nasceu Melody Van Kappers, no ano de 1990 em Haarlem, uma criança cujo principal passatempo era brincar com instrumentos. No entanto, antes desse amor, o futebolista teve um outro affaire com uma francesa que deu frutos; Anton Louis Jr nasceu em Saint Etienne, em 1979 e foi abençoado com uma vox extraordinária que foi precocemente aproveitada. Cresceu no meio da natureza, a ouvir música folk pela qual a mãe era apaixonada e assim, também impulsionado pelo avô que adorava música, tornou-se músico, cantor e vegetariano. No início deste século Melody e Anton conhecem-se finalmente, numa festa de família em Haarlem, impulsionada pela esposa de Johnny e mãe de Melody, que sabia do affaire anterior do marido e achava que a restante família deveria conhecer Anton. A empatia entre os dois irmãos é imediata e um ano depois, no funeral do pai de ambos, decidem formar uma banda e dar-lhe o nome de The Narcoleptic Dancers, em homenagem ao pai, que tinha essa alcunha dos tempos de futebolista, por causa do seu penteado e do drible peculiar. Depois de a vinte e oito de junho de 2010 terem lançado o EP Not Evident, no passado dia 26 de setembro lançaram o disco de estreia, este Never Sleep que tenho andado a ouvir.

Never Sleep é um disco com peças sonoras doces e suaves e assentes numa pop mais direta. As canções têm a delicadeza e a suavidade do algodão, melodias subtis, relaxadas e encantadoras. A voz de Melody é luminosa e arejada e acompanha na perfeição as composições e a experimentação musical de Anton. O primeiro single retirado do álbum, Rastakraut, é uma canção muito alegre e que comprova na perfeição esta harmonia entre os dois irmãos.

E ao longo do disco encontramos as mais diversas referências, desde Pizzicato Five aos B-52, passando pelos admiráveis Saint Etiénne e por Feist, uma influência evidente em Moon Thrill e na própria Rastakraut, por exemplo. As minimalistas Again and Again e Little Clown também são grandes momentos, inteligentes e viciantes. E não falta até uma pequena amostra de surf rock em Cowboy Dust.

As letras são bem trabalhadas e o produto final é uma fatia sucinta de pop harmoniosa e particularmente agradável e eficaz. Os The Narcoleptic Dancers demonstram não ter receio de cantar e compôr com o coração, para expôr sentimentos com sinceridade, encanto e doçura. Espero que aprecies a sugestão...

01. Not Evident
02. Rastakraut
03. Sweet And Soft
04. Dusty Cowboy
05. Moon Thrill
06. Life Goes On
07. Unique Tree
08. Again And Again
09 Bakerloo
10. Little Clown
11. Unique Tree (Demo)
12. Rastakraut (Demo)
13. In The Dark (Bonus Track)


autor stipe07 às 19:52
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Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2012

Air - Le Voyage Dans La Lune

O novo disco dos Air, editado hoje através da Virgin e com direito a site oficial, chama-se Le Voyage Dans La Lune e faz uma homenagem ao filme do compatriota francês George Méliès, um dos percussores do cinema, que lançou em 1902 o filme experimental Viagem à Lua. A importância de tal obra cinematográfica, de apenas catorze minutos, é enorme porque pode ser considerado como o primeiro filme de ficção da história do cinema, num tempo em que essa forma de arte retratava, na maioria das vezes, o quotidiano. Méliès conseguiu oferecer uma fantasia que almejava o entretenimento puro e simples e abriu as portas do fantástico no cinema.

Diversão e entretenimento puro e simples não são bem o DNA dos Air, mas a banda tem a qualidade e o charme suficientes para embarcar numa viagem deste género. O disco tem algumas participações especiais, nomeadamente de Victoria Legrand, a diva dos Beach House, em Seven Stars e da banda Au Revoir Simone, em Who Am I Now?, que interrompem ambientes digitais e funk, já que a viagem é quase toda instrumental. O primeiro avanço é mesmo Seven Stars e a participação de Victoria encaixa como uma luva no universo electro dream pop do duo francês. A sonoridade do álbum mantém a mesma dose de mistério e fantasia que o filme, não faltando os foguetes espaciais, os curiosos em terra alheia e os alienígenas que se descobrem antes do regresso à Terra. As onze canções são construídas de forma bastante orgânica, carregadas de piano, bateria e outros elementos que nos tiram do chão em direção ao espaço.

Acaba por ser um álbum que abarca todas as influências plasmadas na discografia dos Air; Não é a primeira vez que a dupla francesa se arrisca numa banda sonora e acabam por haver aqui, naturalmente, alguns tiques sonoros em comum com o The Virgin Suicides. Mas a melhor novidade durante a audição deste Le Voyage Dans La lune é perceber que aproxima a banda dos primeiros discos, nomeadamente o Moon Safari.   

A lua sempre foi uma das minhas maiores confidentes, confunde-se com a minha personalidade , moldou-a e sempre me disse muito. Por isso, se um disco relacionado com a lua já se tornaria obrigatório para mim, um álbum que pretende servir de banda sonora para um filme incrível e que retrata de forma fantástica e sonhadora uma viagem a esse astro, ganha um cariz absolutamente fundamental na minha discoteca particular, ainda mais quando nela pode ser encontrada toda a discografia desta dupla francesa.

Se nos últimos álbuns perdeste o contato com Godin e Dunckel, este Le Voyage Dans La Lune pode ser o bilhete de retorno necessário para reencontrares de novo os Air que aprecias, porque a viagem à lua será garantida! O lançamento terá uma edição especial que acompanha um DVD com a íntegra da versão do filme sonorizada pela dupla. Espero que aprecies a sugestão...

Air - Le Voyage Dans La Lune

01. Astronomic Club
02. Seven Stars
03. Retour Sur Terre
04. Parade
05. Moon Fever
06. Sonic Armada
07. Who Am I Now?
08. Décollage
09. Cosmic Trip
10. Homme Lune
11. Lava

 
E o filme... 

www.facebook.com/intairnet

www.ilike.com/artist/Air

www.youtube.com/airofficial

www.thevinylfactory.com

twitter.com/airofficial


autor stipe07 às 19:06
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Terça-feira, 17 de Janeiro de 2012

Hold Your Horses! - Sorry! Household EP

Continuo a encontrar nos países nórdicos projetos bastante interessantes, se bem que desta vez fui descobrir em Paris estes Hold Your Horses!, uma banda que se constituiu nessa cidade, mas formada apenas por músicos suecos. E por isso temos aqui uma bela mistura de etnias, numa esfera multicultural e ao mesmo tempo cheia de raiz. Bem vindos então a Sorry! Household, o segundo EP lançado por esta banda em 2011.

Os Hold Your Horses! são uma banda fortemente influenciada pela pop e pelo blues e utilizam diversos instrumentos interessantes, como o violino, o violoncelo, o clarinete, o trompete e a tuba. E não menos importante, contam também com um gracioso coro de vozes.

O EP abre com Cigarettes & Lies uma canção com uma forte componente instrumental e épica, cantada por Florence, uma das vocalistas do grupo. Depois ouve-se 70 Million uma canção que tem andado nas bocas do mundo devido ao magnífico vídeo, que compila obras de arte famosas com a cara dos elementos da banda. Aqui é Charles quem tem a seu cargo a voz principal e se a música começa por parecer uma simples balada, a percussão e o trompete, dão-lhe um caráter bastante orquestral e mais luminoso. We Dear Are a Desert, com o mesmo Charles na voz, é cheia de efeitos e animada; O instrumental cria uma atmosfera bucólica e nostálgica difícil de descrever e de vivenciar como experiência sonora. Sorry! Household finaliza alegremente com Open Water; Florence, Charles e toda a banda, em uníssono, cantam um refrão muito bonito, que até soa a despedida e com uma distorção lá pelo meio bastante original e que à medida que vai sendo abafada pela tuba e a bateria recomeça, dá uma energia e um colorido enorme ao tema; Se as últimas canções costumam dar pistas diferentes e significar alguma rutura em relação ao resto do trabalho, instrumentalmente esta última atesta toda a coerência sonora da obra em si.

O EP é tão curtinho que pode ser ouvido várias vezes em modo repeat e sem cansar. A cada audição consegue-se perceber mais barulhinhos escondidos nas audições anteriores. Este EP é a prova viva de que o sucesso de uma banda poderá estar em encontrar a fórmula mágica em termos sonoros; E isso parece-me que os Hold Your Horses! já alcançaram. De longe. Espero que aprecies a sugestão...

01. Cigarettes And Lies
02. 70 Million
03. We Dear Are A Desert
04. Boston Tea Party
05. Open Water


autor stipe07 às 20:53
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