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Birds Are Indie - Migrations – The Travel Diaries #1

Segunda-feira, 06.07.20

Já viu a luz do dia Migrations – The Travel Diaries #1, o quinto álbum dos conimbricenses Birds Are Indie de Joana Corker, Ricardo Jerónimo e Henrique Toscano, um registo de dez canções abrigadas pela Lux Records e que celebram a mesma quantidade de anos de um dos projetos nacionais mais queridos nesta redação, porque transmitem com as suas composições sonoras um rol de emoções e sensações únicas, sempre com intensidade e minúcia, mas também misticismo e argúcia e geralmente com uma serenidade extraordinariamente melancólica e bastante contemplativa.

Birds Are Indie apresentam "Migrations - the travel diaries #1 ...

Migrations – The Travel Diaries #1 tem a curiosidade de ver a luz do dia em duas edições distintas, uma em CD que surgiu nos escaparates em abril e outra em vinil, que chegrá lá para setembro. Ambos os formatos contam com a revisita de cinco canções da discografia anterior da banda, reinterpretadas e regravadas no estúdio Blue House, em Coimbra, mais cinco originais.

Com mistura e masterização de João Rui, todos os temas de Migrations– The Travel Diaries #1 tiveram a participação no baixo e em algumas teclas do convidado especial Jorri (a Jigsaw), que também colaborou na gravação. Liderar esse processo, como habitualmente, ficou a cargo de um elemento da banda, Henrique Toscano e o mesmo aconteceu com o artwork e o design, feitos pela mão da Joana Corker, modus operandi muito semelhante a Local Affairs, o registo que os Birds Are Indie editaram há dois anos atrás.

Uma década parece uma eternidade mas é um facto que parece que foi ontem que este lindíssimo projeto conimbricense deixou em sentido os mais atentos com a edição do EP Love Birds, Hate Pollen, um tomo de cinco canções que nos ofereceram, desde logo, tonalidades pop vibrantes de primeira água, tendo como grande elementos indutor de imensa magia e encantamento, as cordas. A partir daí, registo após registo, os Birds Are Indie foram dando passos consistentes num percurso que até nos foi habituando a algumas inflexões e salutares piscares de olho ao rock, ao blues e ao jazz, mostrando que o trio está sempre atento às novas tendências e disposto a manipulá-las em proveito próprio, dentro daquela indie folk assente em cordas exuberantes, melodias aditivas e arranjos inspirados, uma fórmula que cria um ambiente emotivo e honesto e que nunca descura um elevado espírito nostálgico e sentimental, duas caraterísticas bastante presentes na escrita e na composição deste grupo.

The Travel Diaries #1 é, no fundo, um registo de balanço de todo este percurso estilístico e conceptual, um trabalho que vagueia e passeia por estes dez anos, mas que também nos oferece algumas pistas importantes acerca do futuro do projeto. O single Black (or the art of letting go), que foi selecionado há alguns meses para nos entreabrir a portas de The Travel Diaries #1 contém, de facto, essa marca viajante sendo, sonoramente, uma composição que, como os próprios Birds Are Indie descrevem, mostra uma determinação materializada num ritmo tenso e intenso, em guitarras sujas e teclados acutilantes, ou seja, que acaba por fazer uma espécie de súmula de tudo aquilo que foi inspirando o projeto no processo de composição e que depois, na letra, nos permite contemplar, no imediato, uma ironia gerada pelo contraste, algo tão característico dos Birds Are IndieNo refrão e a terminar a música, ouve-se repetidamente: «I never said it's over, I'll never say I want you back». E é nesta decidida indecisão que se inicia mais uma viagem...

Em suma, a simplicidade com que os Birds Are Indie transmitem um rol sensações particularmente vasto e sem se preocuparem com o modo como possam ser catalogados, é, talvez, o maior atributo deste grupo, que também impressiona pela graça como os seus membros combinam e manipulam, com sentido melódico e lúdico, a estrutura de uma canção. Muitas vezes parece um esforço indisciplinado, infantil e claramente emocional, mas acaba por ser bem sucedido porque, entre a pop luminosa de I won't take it anymore ou a nostalgia de Time to make amends, além do rock vintage sessentista de Needless to Say e o de cariz mais jazzístico, audível nas teclas do piano que conduzem The senior dancer, sem descurar alguns aspetos essenciais do american rock, claramente esplanados em We're not coming down e na refrescante e encantadora Instead of watching telly, somos presenteados com diversos piscares de olho à história do rock nas últimas décadas, havendo sempre espaço para o sarcasmo e o humor que tão bem carateriza a dupla que lidera este projeto, conduzido por três inspirados músicos que se movem entre o preto, o branco e a cor, entre a luz e a sombra, entre a contenção e a explosão, entre a protecção oferecida pela tela e a crueza da máxima exposição. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 10:18

Widowspeak – Money

Terça-feira, 30.06.20

Widowspeak - Money

É na insuspeita Captured Tracks que se abrigam os Widowspeak, projeto sedeado em Brooklyn, Nova Iorque e que flutua abrigado pela incrível e criativa química que se estabeleceu há já uma década entre a cantora e escritora Molly Hamilton e o guitarrista Robert Earl Thomas, dois músicos com raízes em Tacoma e Chicago, mas estabelecidos na cidade que nunca dorme há já algum tempo. Com já quatro extraordinários discos em carteira e o quinto na forja, começaram por viver à sombra daquela pop de finais dos anos oitenta muito sustentada por elementos sintetizados, mas não restam dúvidas que é nas construções musicais lançadas há cerca de três décadas que melhor navegam, nomeadamente a dream pop e a psicadelia sessentistas.

Widowspeak Announce New Album Plum, Share New Single | opera news

No final de agosto chegará aos escaparates Plum, o tal quinto disco dos Widowspeak e Money, canção com um forte cariz bucólico, é o mais recente single de avanço divulgado desse trabalho, que, tendo em conta este tema, surgirá certamente embrulhado por uma melancolia épica algo inocente, mas com uma tonalidade muito vincada, um álbum que soprará na nossa mente de modo a fazer o nosso espírito facilmente levitar e que nos provocará, aposto, um cocktail delicioso de boas sensações.

De facto, uma incrível e sedutora sensação de paz, tranquilidade e amena letargia invade-te logo após os acordes iniciais de Money, canção assente em faustosas cordas vibrantes, num andamento rítmico marcial que nunca definha, acamado por um baixo que acolchoa e na doce e campestre voz de Hamilton, num resultado final que convida a nossa mente e o nosso espírito a se deixarem envolver num clima abstrato e meditativo, com um impacto verdadeiramente colossal e marcante. Confere...

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publicado por stipe07 às 15:39

Rufus Wainwright – You Ain’t Big

Quarta-feira, 10.06.20

Rufus Wainwright - You Ain't Big

Exatamente daqui a um mês, dia dez de julho, o norte-americano Rufus Wainwright irá regressar aos discos com Unfollow the Rules, um alinhamento de doze canções que irá suceder ao registo Out The Game, que tem já oito anos de existência e que, como se percebe, quebra um longo hiato discográfico do autor, cantor e compositor natural de Nova Iorque.

O charme folk vintage bastante luminoso e apelativo de You Ain't Big, canção que contém sonoramente um forte travo à melhor herança da country no seu estado mais puro, é o mais recente single divulgado de Unfollow The Rules, uma canção bastante atual porque versa sobre o extremismo racial que grassa nos Estados Unidos da América e de costa a costa (You ain’t big if you’re little in Texas, Don’t know who you are unless you’re made it in Lawrence, Kansas, Wait a minute Lawrence, Kansas, Doesn’t really matter at all.). Confere...

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publicado por stipe07 às 17:08

Gary Olson - Gary Olson

Terça-feira, 09.06.20

Gary Olson é um notável cantor, compositor, escritor e multinstrumentista, que se destaca, no último atributo referido, aos comandos do trompete. Tem colocado em prática todos estes seus recursos na banda Ladybug Transistor, que lidera e com a qual já editou cinco discos à boleia da conceituada Merge Records. Mas Gary Olson também aposta numa carreira a solo, recentemente materializada num disco homónimo, que viu a luz do dia no final do passado mês de maio à boleia da Tapete Records e que resulta de uma colaboração estreita do músico com dois irmãos noruegueses, Ole Johannes Åleskjær, dono do estúdio Tune-J, situado nos arredores de Oslo e Jorn Åleskjær.

Também produtor e engenheiro de som nos estúdios Marlborough Farms, situados no bairro de Flatbush, em Brooklyn, nos arredores de Nova Iorque, Gary Olson e os irmãos noruegueses começaram a conjurar estes disco há já alguns anos quando a banda Loch Ness Mouse se cruzou com os Ladybug Transistor em digressão. A partir daí, a via de comunicação entre as duas partes ficou aberta, Gary fez algumas incursões à Noruega até ao estúdio dos irmãos para gravar, regressava a Flatbush onde acrescentava a voz e diversos arranjos aos temas, que tinham Ole aos comandos da guitarra e depois as composições iam novamente para a Noruega para serem concluídas.

Contando também com as participações de Håvard Krogedal (baixo, violoncelo), Emil Nikolaisen (bateria), Joe McGinty (arranjos de cordas, piano e órgão) e Suzanne Nienaber (voz), Gary Olson oferece-nos uma coleção de onze canções que impressionam pelo charme algo displicente, mas feliz, como parecem desprezar alguns dos arquétipos fundamentais da música atual, fazendo-o através de um clima sonoro que entre o rock clássico, a folk mais experimental e a pop charmosa, exala um travo algo boémio, fazendo-o com elevada sabedoria interpretativa e um realismo temático ímpar.

De facto, a radiosa luminosidade do timbre das cordas que conduzem e adornam Giovanna Please e, de um modo mais requintado, The Old Twin e o registo mais eletrificado e até algo progressivo de Some Advice, dentro de um indisfarçável espetro rock, são, dentro do registo, alicerces fundamentais de duas pontas do largo leque de influências e confluências que definem o conteúdo de Gary Olson, existindo em todas elas, como ponto comum, a segurar as pontas e a oferecer uma assinatura indistinta, o modo sagaz como o trompete induz vivacidade, cor e lineariedade a um alinhamento que se torna particularmente aprazível em dias festivos e descomprometidos, como seria de esperar num autor que sempre se fez notar por uma filosofia estilística de choque com convenções e normas pré-estabelecidas.

Sem perder tempo com o acessório e claramente a querer celebrar o momento, o imediato e o presente, Gary Olson vai direto ao assunto neste seu novo registo homónimo, fazendo-o com canções complexas e conversacionais e repletas de várias camadas sonoras que refletem uma variedade instrumental imensa, mas que que nos são dadas a apreciar em verdadeira plenitude, nesta contemporaneidade cheia de encruzilhadas e dilemas em que vivemos. Espero que aprecies a sugestão...

1. Navy Boats
2. Giovanna Please
3. Some Advice
4. Postcard From Lisbon
5. All Points North
6. Initials DC
7. Afternoon Into Evening
8. Diego It’s Time
9. A Dream For A Memory
10. Tourists Taking Photographs
11. The Old Twin

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publicado por stipe07 às 11:08

Lonely Tourist – Tom And The Library

Segunda-feira, 08.06.20

Lonely Tourist - Tom And The Library

Natural de Bristol, Paul Terney encabeça o projeto Lonely Tourist, que impressionou a crítica inglesa em fevereiro de dois mil e dezoito com Remuneration, o seu quarto disco, um compêndio de indie folk absolutamente ímpar. Pouco mais de um ano depois, no verão de dois mil e dezanove, Lonely Tourist voltou à carga com a edição de Last Night At Tony's, um dos melhores discos ao vivo que a folk britânica viu chegar ao seu catálogo em dois mil e dezanove.

Agora, quase um ano depois desse delicioso alinhamento, Paul Terney está de volta com um novo tema intitulado Tom And The Library, uma exuberante e luminosa composição, assente em cordas vibrantes, repletas de vivacidade e ritmo, aspetos que conferem à composição, juntamente com a notável performance declamativa vocal de Paul, um inconfundível charme, tipicamente british. Confere...

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publicado por stipe07 às 21:29

Glen Hansard – Cold Comfort

Domingo, 07.06.20

Glen Hansard - Cold Comfort

O irlandês Glen Hansard é um já velho conhecido do universo musical e com algumas citações por cá desde o início desta década, devido ao seu envolvimento no projeto The Swell Season, onde fazia parceria com Marketá Irglova e de cuja discografia destaco a banda sonora de Once, que lhes valeu um óscar, mas também por causa de Rhythm And Repose álbum de estreia que este ícone da folk contemporânea lançou em dois mil e doze. No início de dois mil e dezoito também mereceu destaque e menção neste espaço com o disco Between Two Shores, dez canções abrigadas pela reputada -ANTI e que começaram a ser incubadas pelo músico logo após a conclusão da gravação de Rhythm And Repose, no estúdio dos Wilco em Chicago.

Agora, em plena primavera de dois mil e vinte, e quase um ano depois da edição de This Wild Willing, o álbum que Glen Hansard editou o ano passado, o músico irlandês está de volta com Cold Comfort, uma nova canção que nos proporciona um delicioso instante folk de filosofia eminentemente acústica, que nos transporta para bem longe, ao mesmo tempo que, havendo predisposição para isso, toca fundo bem aqui, no nosso coração. Confere...

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publicado por stipe07 às 23:19

Muzz - Muzz

Sexta-feira, 05.06.20

Uma das grandes surpresas discográficas do momento é o registo homónimo de estreia do super grupo Muzz, um trio formado por Paul Banks dos Interpol, Matt Barrick dos The Walkmen e Josh Kaufman dos Bonny Light Horseman. O projeto começou a ser incubado há quase meia década por Banks e Barrick, amigos dos tempos de escola que tiveram sempre em mente juntar esforços para compor e criar música. Josh Kaufman, exímio multi-instrumentista e habitual colaborador em diversos projetos, com especial destaque para os The National e o registo de estreia a solo de Matt Berninger, prestes a ver a luz do dia, foi a cereja no topo do bolo dessa ideia feliz e que dá agora frutos num alinhamento de doze canções com elevado travo indie e onde do rock alternativo à folk, funde-se o adn de Banks, que olhou sempre com gula para um registo eminentemente punk, com as sonoridades mais atmosféricas e luminosas do agrado de Barrick, admirador confesso de referências como Neil Young ou Bob Dylan.

Muzz - Muzz review: Paul Banks's drowsy, occasionally lovely but ...

Abrigado pela Matador Records, Muzz tem como excelente exemplo de toda a trama que o sustenta, o modo como um dramático piano se entrelaça com uma guitarra repleta de efeitos, enquanto alguns sopros deambulam pela melodia de Broken Tambourine, uma das canções mais bonitas do ano. A partir daí, Muzz proporciona uma jornada sonora em que limpidez e sobriedade dão as mãos convictamente, para colocarem rédea curta num rock que não deixa de ser sedutor, adulto e até charmoso, mas que é minuciosamente arquitetado e alvo de um trabalho de produção irrepreensível. Mesmo quando as guitarras distorcidas se fazem notar desenfreadamente em Red Western Sky ou Knuckleduster, nunca é permitido o resvalar para territórios mais progressivos e rugosos.

Apesar de Banks e Barrick serem as figuras públicas maiores deste coletivo, é Kaufman quem, no fundo, está na base a segurar todo o edifício sonoro do álbum, já que é ele o responsável pelo adorno dos temas, o dono de grande parte dos arranjos de cordas e o intérprete da maioria do arsenal instrumental utilizado. O intimismo sintético de Evergreen, a salutar e impressiva acusticidade de Everything Like It Used to Be, o pendor clássico e até pastoral de All Is Dead to Me e o modo como folk e eletrónica sustentam Patchouli, só são possíveis devido aos múltiplos recursos que este músico possui e à sua ímpar capacidade interpretativa.

Outro aspeto interessante durante a audição de Muzz é a percepção clara de que fica sempre à tona um salutar minimalismo que, diga-se, é o registo instrumental interpretativo que melhor faz sobressair a voz inconfundível de Banks, uma das mais sagazes do indie rock contemporâneo e que, podendo estar a perder alguma potência com a idade, está a ganhar claramente em afinação e sentimento.

Não sendo ainda claramente percetível em que direção pretendem estes três amigos talentosos caminhar, algo que até abona positivamente em relação às expetativas futuras relativamente a este projeto, é já certo poder dizer-se que Muzz é uma feliz e promissora estreia de um conjunto de músicos que parecem ter encontrado o ninho perfeito para deixarem a sua criatividade fluir livremente, sem os constrangimentos óbvios do adn sonoro das bandas de onde são originários. Em Banks, por exemplo, percebe-se que ele se sente feliz por finalmente fazer parte de uma banda em que não precisa de vestir um fato cada vez que tem de dar a cara por ela. Espero que aprecies a sugestão...

Muzz - Muzz

01. Bad Feeling
02. Evergreen
03. Red Western Sky
04. Patchouli
05. Everything Like It Used To Be
06. Broken Tambourine
07. Knuckleduster
08. Chubby Checker
09. How Many Days
10. Summer Love
11. All Is Dead To Me
12. Trinidad

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publicado por stipe07 às 14:16

Woods - Strange To Explain

Segunda-feira, 01.06.20

Com uma dezena de discos no seu catálogo, os Woods são, claramente, uma verdadeira instituição do indie rock alternativo contemporâneo. De facto, esta banda norte americana oriunda do efervescente bairro de Brooklyn, bem no epicentro da cidade que nunca dorme e liderada pelo carismático cantor e compositor Jeremy Earl e pelo parceiro Jarvis Taveniere, tem-nos habituado, tomo após tomo,  a novas nuances relativamente aos trabalhos antecessores, aparentes inflexões sonoras que o grupo vai propondo à medida que publica um novo alinhamento de canções. Mas, na verdade, tais laivos de inedetismo entroncam sempre num fio condutor que tem sido explorado até à exaustão e com particular sentido criativo, abarcando todos os detalhes que o indie rock, na sua vertente mais pura e noise e a folk com um elevado pendor psicadélico permitem. Estes são os grandes pilares que, juntamente com o típico falsete de Jeremy, orientam o som dos Woods e que se mantêm, com enorme primor, em Strange To Explain, o álbum que a dupla lançou a vinte e dois de maio, à boleia da etiqueta do grupo, a Woodsist.

Woods ainda relevante em "Strange to Explain" - Escuta Essa Review

Strange To Explain sucede ao excelente Love Is Love, de dois mil e dezassete, sendo o primeiro do projeto desde que Earl foi pai e Jarvis se mudou para Los Angeles. Tais eventos foram marcantes para a dupla e obrigaram a mesma a uma redifinição de rotinas, mas também acabaram por influenciar o conteúdo lírico e sentimental de onze canções que acabam por mostrar os Woods num território sonoro onde se sentem particularmente confortáveis. Falo daquele rock com um elevado travo folk, nomeadamente aquele mais reflexivo e íntimo que, curiosamente, foi o combustível principal de At Echo Lake, o trabalho que os Woods lançaram há exatamente uma década e que ainda é, para muita crítica, o momento discográfico maior deste projeto norte-americano.

De facto, canções como Next To You And The Sea, um buliçoso mas agradável portento de luz e cândura e Where Do You Go When You Dream?, canção que entre cordas, um baixo vibrante, um belo falsete, uma bateria pujante, arranjos luminosos e simultaneamente lo fi e guitarras experimentais, reluz porque assenta num som leve e cativante e com texturas psicadélicas que, simultaneamente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, são temas que nos mostram, desde logo, que houve uma intenção clara de estabelecer um diálogo sonoro com o ouvinte que não obrigasse este a demasiada reflexão de modo a destrinçar o modus operandi que conduziu a conceção do disco, ao mesmo tempo que houve uma busca por induzir uma sonoridade agradável, sorridente e o mais orgânica possível. As cordas vibrantes e os efeitos borbulhantes em que navegam as águas calmas de Just To Fall Asleep e o clima sedutor que se estabelce entre viola e bateria em Before They Pass By são outros exemplos bonito desta busca por um clima otimista, reluzente e aconchegante, que marca Strange To Explain.

Mesmo nas sintetizações retro em que assenta Can’t Get Out, na subtil epicidade experimental de The Weekend Wind, ou no travo cósmico dos flashes que pairam pela bateria e pela guitarra de Fell So Hard, nunca é colocada em causa esta marca indistinta que possui Strange To Explain, um disco eminentemente cru, envolvido por um doce travo psicadélico, enquanto passeia por diferentes universos musicais, sempre com um superior encanto interpretativo e um sugestivo pendor pop, traves mestras que melodicamente colam-se com enorme mestria ao nosso ouvido e que justificam, no seu todo, que este seja um dos melhores registos do já impressionante catálogo do grupo e o que mais aproxima os Woods dos seus primórdios. Espero que aprecies a sugestão...

Woods - Strange To Explain

01. Next To You And The Sea
02. Where Do You Go When You Dream?
03. Before They Pass By
04. Can’t Get Out
05. Strange To Explain
06. The Void
07. Just To Fall Asleep
08. Fell So Hard
09. Light Of Day
10. Be There Still
11. Weekend Wind

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publicado por stipe07 às 22:07

Kumpania Algazarra feat. Ikonoklasta - Actuality (Live at Azenhas do Mar)

Terça-feira, 26.05.20

O projeto Kumpania Algazarra, mestre na arte de transformar cada espectáculo na mais louca e inesquecível festa, nasceu nas ruas de Sintra em dois mil e quatro e confessa que estar frente a frente com o público faz parte da sua identidade desde o início. É ao vivo que a banda mostra a sua potência máxima. Saltimbancos por natureza, filhos da rua por destino, estes músicos apaixonados em permanente folia, trazem na bagagem quase duas décadas de estrada, palcos, romarias, festivais e festas, pondo sempre toda a gente a dançar.

Kumpania Algazarra | Festa do Avante! 2019 - 6, 7 e 8 de Setembro ...

De facto, os  Kumpania Algazarra trazem tatuadas na pele influências musicais de todas as cores, formas, geografias e latitudes, do ska ao folk, dos ritmos latinos ao funk e ao afro, do reggae às inebriantes melodias dos Balcãs. Enérgicos e vibrantes, já levaram a sua música aos quatro cantos do mundo, actuando em diversos países como a Bélgica, Itália, Suíça, Brasil, França, Espanha, Macau, Reino Unido, Sérvia, entre tantos outros.

O ano passado os Kumpania Algazarra comemoraram quinze anos de vida e para assinalar e celebrar a data, gravaram um álbum ao vivo onde reúnem temas de todos os discos editados até ao momento. O registo chama-se Live, vê a luz do dia a dezanove de junho e conta com a participação especial de Ikonoklasta (Luaty Beirão) no tema Actuality, o primeiro single do disco, com um vídeoclip gravado nas Azenhas do Mar.

Todos os temas foram gravados o ano passado em diversos concertos muito especiais de celebração destes quinze anos e cristalizam para sempre os momentos únicos vividos no palco na Festa do Avante, na Feira da Luz em Montemor-o-Novo, no MusicBox, nas Festas de São Lourenço nas Azenhas do Mar, no Festival do Caracol em Castro Marim e na Festa da Liberdade no Porto.

Para o final do ano avizinham-se ainda mais novidades. Uma delas é o lançamento de um álbum de remisturas produzidas por diversos artistas nacionais e internacionais durante o período de reclusão da pandemia. Confere...

Facebook: www.facebook.com/kumpaniaalgazarra

Instagram: https://instagram.com/kumpaniaalgazarra?igshid=1kyan6rg8n1ju

Bandcamp: https://kumpaniaalgazarra.bandcamp.com/album/kumpania-algazarra

Spotify: https://open.spotify.com/artist/1xGf7srdjaLe4ljYXlYUrt?nd=1

 

 

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publicado por stipe07 às 14:44

The Magnetic Fields – Quickies

Sábado, 16.05.20

Vinte anos depois da mítica obra conceptual 69 Love Songs, Stephin Merritt mantém uma insciável gula interpretativa, que alimenta uma espécie de mania das grandezas à qual os fâs dos The Magnetic Fields já se habituaram e que nunca os deixa ficar mal, diga-se na verdade. Quickies, o novo registo deste projeto natural de Boston, no Massachussetts, é mais uma prova inequívoca de toda uma trama com já três décadas de existência, um tomo de vinte e oito canções que enriquece substancialmente o cardápio de um grupo que tem dado ao indie rock experimental norte-americano, registo após registo, uma notoriedade e uma relevância ímpares.

The Magnetic Fields metem a tocar os "Kraftwerk in a Blackout" em ...

Quickies sucede a 50 Song Memoir, também um álbum conceptual, lançado em dois mil e dezassete e dividido em cinco discos, um por cada década da sua vida, cerca de duas horas e meia de música idealizada por Merritt, que começou a escrever e a compor as cinquenta canções do registo em dois mil e quinze, ano em que fez cinquenta anos de vida, com cada um dos temas a debruçar-se sobre cada um desses anos e a servir de crónica do mesmo. Agora, ao décimo segundo disco, abrigados novamente pela Nonesuch Records e três anos depois dessa obra inigualável, Merritt e os outros membros dos The Magnetic Fields, Sam Davol, Claudia Gonson, Shirley Simms e John Woo, aos quaise se juntaram os convidados Chris Ewen, Daniel Handler e Pinky Weitzman, proporcionam-nos mais um exuberante festim de canções, quase sempre assentes em sonoridades eminentemente clássicas, geralmente acústicas e de forte pendor orgânico.

A luminosidade das cordas de The Biggest Tits In History, o minimalismo acústicco que devaneia em Favorite Bar, o travo barroco e classicista de Kill A Man A Week, ou o climático e insinuante piano que desliza por The Day The Politicians Died são excelentes exemplos desta clássica matriz interpretativa, num disco que nunca resvala na monotonia, porque apesar de estar concetualmente claramente balizado, é melodicamente rico e diversificado.

Existe, obviamente, uma espécie de som standard nos The Magnetic Fields, um adn muito próprio, sui generis e inédito, mas é impressionante o modo como registo após registo, nunca desaparece aquela sensação de ligação entre as canções. E aqui assiste-se a mais uma nova espécie de narrativa leve e sem clímax, com uma dinâmica bem definida e muito agradável, desta vez traçando, liricamente, uma ténue fronteira entre aquilo que é a pura comédia e a hilariante blasfémia (You’ve Got a Friend in Beelzebub), ou a vulgarização da sexualidade (Bathroom Quickie) e a mais abosoluta e dolorosa devastação emocional (Love Gone Wrong).

Os notáveis arranjos de cordas dissolvidos em doses atmosféricas, mas sempre expressivos, mesmo que subtis, que suportam Quickies, comprovam, pela enésima vez na carreira deste projeto, que a experiência passada de Merritt no mundo do teatro foi bastante marcante e que na sua cabeça um disco só faz sentido se conter um elevado grau de dramatismo, uma narrativa condutora e indutora e uma intensidade sentimental inabalável. É este o caso de um registo que serve não só para os The Magnetic Fields saciarem, uma vez mais, de modo muito rico e saboroso a gula dos mais devotos seguidores, mas também para conquistar as mais novas gerações e despertarem nestas o interesse pela descoberta da sua notável discografia. Espero que aprecies a sugestão...

The Magnetic Fields - Quickies

01. Castles Of America
02. The Biggest Tits In History
03. The Day The Politicians Died
04. Castle Down A Dirt Road
05. Bathroom Quickie
06. My Stupid Boyfriend
07. Love Gone Wrong
08. Favorite Bar
09. Kill A Man A Week
10. Kraftwerk In A Blackout
11. When She Plays The Toy Piano
12. Death Pact (Let’s Make A)
13. I’ve Got A Date With Jesus
14. Come, Life, Shaker Life!
15. (I Want To Join A) Biker Gang
16. Rock ‘n’ Roll Guy
17. You’ve Got A Friend In Beelzebub
18. Let’s Get Drunk Again (And Get Divorced)
19. The Best Cup Of Coffee In Tennessee
20. When The Brat Upstairs Got A Drum Kit
21. The Price You Pay
22. The Boy In The Corner
23. Song Of The Ant
24. I Wish I Had Fangs And A Tail
25. Evil Rhythm
26. She Says Hello
27. The Little Robot Girl
28. I Wish I Were A Prostitute Again

 

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publicado por stipe07 às 22:33






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