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Wilco – Hot Sun Cool Shroud EP

Segunda-feira, 08.07.24

Os norte americanos Wilco de Jeff Tweedy são um dos projetos mais profícuos do universo indie e alternativo atual. Não cedem à passagem do tempo, não acusam a erosão que tal inevitabilidade forçosamente provoca, mantêm-se firmes no seu adn e conseguem, disco após disco, apresentar uma nova nuance interpretativa, ou uma nova novela filosófica que surpreenda os fãs e os mantenha permanentemente ligados e fidelizados. Cousin, o álbum que os Wilco lançaram o ano passado, não fugiu a essa permissa, assim como o novo EP do projeto, um tomo de seis canções intitulado Hot Sun Cool Shroud, que serve para comemorar os trinta anos de carreira do grupo de Chicago, mas também o verão, o calor e o prazer físico que o sol indubitavelmente transmite.

Wilco - Hot Sun Cool Shroud - Northern Transmissions

O formato EP sempre fez parte da história da carreira dos Wilco, mas quase sempre serviu de apêndice aos álbuns que a banda ia lançando. Talvez o melhor exemplo disso seja o EP More Like the Moon, que em dois mil e três fez parte das edições de luxo e promocionais de Yankee Hotel Foxtrot.

Hot Sun Cool Shroud parece ter uma filosofia diferente, não só por causa do hiato temporal relativamente ao último longa duração, mas também, e principalmente, porque a própria estrutura e sonoridade do seu alinhamento parece obedecer ao que a banda de Jeff Tweedy costuma encarnar em disco. Assim, há uma homogeneidade sonora, assente em canções diretas, com um elevado travo orgânico e em que as guitarras assumem o comando estilístico e melódico, mas também uma temática transversal ao registo, o calor, o verão e o sol.

Logo a abrir o EP, em Hot Sun, uma contundente espiral elétrica, acamada por um baixo vigoroso, marca, com elevado virtuosismo, os pouco mais de dezassete minutos do registo. Enquanto Tweedy versa sobre o prazer físico que o sol lhe provoca, um timbre metálico repetitivo, hipnótico e enleante assume as rédeas e, simultaneamente, traz-nos logo à memória a memorável herança da obra prima da banda de Chicago, o aclamado Yankee Hotel Foxtrot de dois mil e um, ainda hoje, com inteira justiça, um dos discos essenciais da indie folk rock alternativa contemporânea. Pouco depois e a seguir ao orgasmo grunge que se escuta em Livid, a psicadelia folk de superior filigrana que nos embala em Ice Cream, pôe em campo a faceta experimental e lisérgica que os Wilco tanto prezam e que certamente quiseram que este EP também tivesse.

O momento maior de Hot Sun Cool Shroud está em Annihilation, uma aprimorada visão detalhística, quer ao nível das cordas, quer da percussão, daquilo que deve estar presente na estutura de uma boa canção de indie rock, que tanto queira exalar uma vertente radiofónica, como climas marcadamente progressivos e rugosos e onde não falte, também, um sempre indispensável piscar de olhos a climas eminentemente experimentais e inéditos.

O intrigante pendor lisérgico de Say You Love Me, uma composição que olha com gula para a herança do melhor catálogo dos famosos fab four,  é a proposta que os Wilco nos deixam de banda sonora para um pôr do sol perfeito, rematando assim um mini disco que se tivesse mais duas ou três composições de semelhante calibre, encarnaria, certamente, uma verdadeira obra-prima que mereceria figurar, com inteira justiça, num lugar bastante cimeiro dos melhores discos da carreira do projeto. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 10:56

The Japanese House – :)

Sexta-feira, 28.06.24

O projeto The Japanese House de Amber Bain chamou a nossa atenção há precisamente um ano com o disco In The End It Always Does, que chegou aos escaparates com a chancela da Dirty Hit e que era, à época, o segundo álbum da carreira da autora, compositora e cantora britânica, sucedendo ao disco de estreia Good At Falling, que viu a luz do dia em março de dois mil e dezanove.

The Japanese House Is Ready to Sweep You Off Your Feet | GQ

Agora, Amber Rain regressa ao nosso radar à boleia de um novo tema com o sugestivo título :). Trata-se de uma luminosa e solarenga canção, encharcada com alguns dos melhores ingredientes da folk acústica contemporânea, ou seja, está repleta de cordas exuberantes, enredadas num registo percussivo bem vincado. É uma que faz justiça ao título, exalando, claramente, uma certa sensação de libertação, de abertura de uma janela arejada e, ao mesmo tempo, contemplativa e esperançosa. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:33

Wilderado - Bad Luck

Quinta-feira, 27.06.24

Com origem em Tulsa, no Oklahoma, os norte-americanos Wilderado de Max Rainer, Tyler Wimpee e Justin Kila, são um dos nomes mais excitantes da nova vaga do indie folk alternativo do lado de lá do atlântico e estão de regresso aos holofotes com um novo disco intitulado Talker, um alinhamento de doze canções produzidas por Chad Copelin e James McAlister e que irá ver a luz do dia a vinte de setembro, com a chancela da Bright Antenna Records.

Wilderado (Band), photo by Ryan Alexander - Out & About Magazine

Bad Luck é o mais recente single retirado do alinhamento de Talker, depois de já termos tido a oportunidade de escutar o tema homónimo e as canções Sometimes e Tomorrow. É uma canção com um travo melancólico bastante vincado e que assenta a sua melodia num baixo rugoso e envolvente, mas encharcado em emotividade, que é depois acompanhado por um registo vocal planante e uma bateria arritmada mas repleta de groove, mas bem vincado e cheio de charme, com algumas sintetizações quase impercetíveis a adornarem um verdadeiro oásis de indie rock luminoso e enleante. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:31

EELS – EELS TIME!

Quarta-feira, 26.06.24

Quase três anos depois do excelente registo Extreme Witchcraft, os Eels de E. (Mark Oliver Everett), Kool G Murder e P-Boo, estão de regresso aos discos em dois mil e vinte e quatro com Eels Time!, o décimo quinto registo da carreira do grupo norte-americano, um alinhamento de doze canções que viu a luz do dia a sete de junho com a chancela do consórcio E Works e PIAS Recordings.

Eels: 'Both my songs of the year are by people in their 70s!' | The  Independent

Gravado em Los Feliz, na Califórnia, e Dublin, na Irlanda, com a colaboração do músico e ator Tyson Ritter, Eels Time! contém alguns dos temas mais introspetivos e pessoais que Mark Oliver Everett escreveu e compôs na sua carreira, muito à imagem do que criou, por exemplo, no disco End Times, em dois mil e dez. E, diga-se em abono da verdade, essa faceta reveladora é, sem sombra de dúvidas, transversal a toda a carreira dos Eels. Basta pensarmos no conteúdo de Electro-Shock Blues, álbum de mil novecentos e noventa e oito que versava sobre a morte trágica da irmã, no registo The Cautionary Tales Of Mark Oliver Everett, em dois mil e catorze, que era muito inspirado no amor, um campo lexical e uma área vocabular onde sempre se sentiu inspirado, principalmente quando confessa o desconforto e a desilusão que esse sentimento tantas vezes causou na sua vida, ou de Extreme Witchcraft, há pouco mais de dois anos, incubado na ressaca de mais um revés na vida pessoal de Everett, com algumas chagas do seu segundo divórcio ainda muito vivas em várias canções desse disco, para termos apenas mais três exemplos impressivos sobre o modo como essa profunda sinceridade confessional esteve sempre presente na criação artística dos Eels e que, por causa dela, torna-se fácil simpatizar automaticamente com a história de vida desta personalidade fundamental para a descrição de alguns dos mais bonitos momentos sonoros do universo indie das últimas três décadas e que ainda procura, com uma ansiedade controlada e natural, a verdadeira felicidade.

Eels Time! não foge, portanto, a essa permissa, ocupando-se, desta vez, do modo como Everett vive uma espécie de crise de meia idade. Em várias canções percebe-se que o músico pretende dizer que que já viveu e passou por imenso na sua vida e que, após tantos anos, acaba por ser na simplicidade de um passeio a um centro comercial ou no modo como se sente responsável pela sobrevivência de um pequeno peixe dourado, que vê preenchida a sua existência.

Sonoramente, os Eels continuam, de algum modo a surpreender. Aliás, este projeto ainda sobrevive no universo indie rock devido à forma como tem sabido adaptar-se às transformações musicais que vão surgindo no universo alternativo, fazendo-o sem que haja uma perca de identidade na conduta sonora do grupo. E, pelos vistos, por muito que se atrevam a prescutar teritórios mais agressivos, é mesmo no campo da pop e da indie folk que os Eels se sentem mais confortáveis e que conseguem, com particular mestria, criar momentos de sincera e sentida emoção sonora.

Assim, neste álbum, se temas como Goldy ou Lay With The Lambs apostam em territórios sonoros mais eletrificados e, de certo modo, mais angulosos, já em temas como If I'm Gonna Go Anywhere e Sweet Smile um evidente espírito predominantemente acústico foi permissa essencial da construção da base melódica dessas duas canções, acabando também por impressionar pelo inedetismo de alguns entalhes sintetizados que se vão insinuando por cordas acomodadas com sobriedade e por um registo percussivo bem vincado, criando nas mesmas um clima planante e algo psicadélico, com um elevado travo experimentalista, a fazer lembrar a sonoridade predominante dos primeiros discos da banda, nomeadamente o Beautiful Freak, de mil novecentos e noventa e seis.

Eels Time! é, em suma, mais uma narrativa que serve para Everett confessar dores e arrependimentos e desejar que ainda haja um futuro risonho à sua espera, enquanto mantém bem viva a aúrea de um grupo essencial no momento de contar a história do melhor rock alternativo das últimas três décadas. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 16:14

Orcas - Next Life

Domingo, 23.06.24

Thomas Meluch aka Benoît Pioulard e Rafael Anton Irisarri são a dupla que dá vida ao projeto norte-americano Orcas, que baseia a sua sonoridade em elementos melódicos clássicos, etéreos e na eletrónica de cariz mais acústico e ambiental. A dezanove de julho vão regressar aos discos com um alinhamento de dez canções intitulado How to Color A Thousand Mistakes e que terá a chancela da insuspeita Morr Music.

Orcas Band Interview - Rafael Anton Irisarri, Benoit Pioulard - REDEFINE  magazine

How to Color A Thousand Mistakes sucede ao registo Yearling que viu a luz do dia em dois mil e catorze e há cerca de um mês divulgámos Riptide, o single de apresentação do disco. Agora chega a vez de conferirmos Next Life, a quinta canção do alinhamento de How To Colour A Thousand Mistakes.

Sintetizações planantes cósmicas, uma guitarra com um timbre ecoante com um elevado travo progrssivo e psicadélico e o habitual registo vocal ecoante e adocicado, são nuances que fazem de Next Life um belo tratado de dream pop, que calcorreia territórios eminentemente esotéricos e sintéticos, mas que também não deixa de conter um certo travo aquele indie rock mais contemplativo, melancólico e atmosférico, mas mesmo assim incisivo, encarnando uma sonoridade que vai ao encontro daquilo que são hoje importantes premissas de quem acompanha as novidades deste espetro sonoro e que, num período de algum marasmo, deveria ser uma estética com maior acolhimento junto do público. Confere...

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publicado por stipe07 às 10:19

Ra Ra Riot – The Wish

Sexta-feira, 21.06.24

Cinco anos depois do disco Superbloom, que foi minuciosamente dissecado à época pela nossa redação, os Ra Ra Riot de Wes Miles e ao qual se juntam atualmente Mathieu Santos, Milo Bonacci, Rebecca Zeller e Kenny Bernard, estão finalmente de regresso ao nosso radar com uma nova canção intitulada The Wish, que foi produzida por Rostam Batmanglij, membro dos Vampire Weekend, que partilha com Wes Miles o projeto paralelo Discovery.

Ra Ra Riot Return With First New Song in Five Years: Listen | Pitchfork

The Wish coloca os Ra Ra Riot na senda de uma pop nostálgica de elevado perfil acústico, mas sem deixar de exalar luminosidade e cor, entroncando, à boleia de cordas reluzentes tocadas com um declarado perfil radiofonico,  nas tendências mais atuais da pop folk, que misturam cordas e sintetizadores, quase sempre com cor e irrepreensível assertividade melódica. The Wish é uma canção bonita, apelativa e que coloca os Ra Ra Riot na rota de uma sonoridade otimista e de fácil assimilação, mas sem deixar de demonstrar um superior quilate criativo. Confere...

 

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publicado por stipe07 às 17:16

No Good With Secrets - Tour Tape EP

Segunda-feira, 17.06.24

Madison James é um profícuo músico norte-americano, natural de New Jersey, membro da banda de Ogbert The Nerd, que lançou recentemente um disco intitulado What You Want, mas também o grande responsável por um curioso projeto a solo chamado No Good With Secrets, que acaba de divulgar um EP com seis canções na plataforma bandcamp, depois do registo de originais Another Side, que editou há pouco mais de um mês.

No Good With Secrets Shares Tour Tape: Listen

Os seis temas de Tour Tape EP distribuem-se por três originais e o mesmo número de versões, Casual, um original de Chappell Roan, Kelly, um dos temas fundamentais do catálogo dos The Pains Of Being Pure At Heart e Kiss Me, uma canção assinada por Sixpence None The Richer, em mil novecentos e noventa e sete.

Madison James é um artista que domina diferentes vertentes e se expressa em múltiplas linguagens artísticas e culturais, sendo a música mais um dos códigos que ele utiliza para expressar o mundo próprio em que habita e dar-lhe a vida e a cor, as formas e os símbolos que ele idealizou. E basta ouvir estas seis canções para perceber que, realmente, Madison comunica connosco através de um código específico, tal é a complexidade e a criatividade que estão plasmadas nas suas canções, usando como principal ferramenta alguns dos típicos traços identitários de uma espécie de punk folk psicadélico, com uma considerável vertente experimental associada.

Esta filosofia sonora aventureira ganha forma e estilo através de um arsenal sintético bastante diversificado, mas que também não dispensa cordas e diferentes recursos percussivos, mas é mesmo a eletrónica o terreno onde este artista se move com maior conforto, utilizando-a até para reproduzir muitos dos sons mais orgânicos que podemos escutar neste EP. 

Tour Tape EP é, em suma, uma representação feliz das diferentes colagens de experiências assumidas pelo ideário sonoro pretendido para este projeto No Good With Secrets e que parece ter o propósito de materializar uma espécie de súmula do cardápio que preenche o âmago de Madison. Assim, o que temos é, basicamente, um  espetacular festim de canções pop ruidosas, exemplarmente picotadas e fragmentadas e que penetram profundamente no nosso subconsciente. Tour Tape EP é eclético, complexo e de audição verdadeiramente desafiante, mas altamente recompensadora. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 17:12

Sharon Van Etten – Every Time The Sun Comes Up (Alternate Version)

Sexta-feira, 31.05.24

Está a comemorar por estes dias dez anos de lançamento o registo Are We There, assinado pela norte-americana Sharon Van Etten, uma das vozes mais queridas da atualidade, uma mulher apaixonada, persistente e impulsiva e que, nos seus discos, com uma mão na indie folk e a outra no rock alternativo, letra após letra, verso após verso, foi-se abrindo connosco ao longo de quase duas décadas, enquanto discutia consigo mesma, colocando-nos na primeira fila de uma vida, a sua, que vem acontecendo mesmo ali, diante de nós.

Um dos momentos maiores de Are We There, que foi, à época, o terceiro disco da autora, é, sem dúvida, Every Time The Sun Comes Up, a canção que encerrava o alinhamento do disco. O tema acaba de ser revisto com uma versão alternativa, lançada em formato EP, que inclui além do original e desta nova roupagem, uma versão ao vivo gravada num concerto de Sharon em Sidney, na Austrália.

O original Every Time The Sun Comes Up é uma extraordinária balada, de forte pendor acústico, com uma leveza sonora ímpar, que explora uma narrativa muito pessoal e íntima e algo dolorosa e que comprova a excepcional capacidade que esta cantora e compositora natural de Belleville, nos arredores de Nova Jersey, tem de confidenciar connosco com sublime generosidade, desafiando-nos, desse modo, a perdermo-nos nos confins da sua alma, nos seus desejos, memórias, perdas, medos e anseios.

Dez anos depois, a nova versão do tema mantém a filosofia estilística do original, mas induz-lhe novos arranjos que a autora tem experimentado ao vivo e que conferem à canção um perfil mais ruidoso. Os mesmos incluem alguns elementos sintéticos e diversos detalhes de cordas eletrificados, nuances que ampliam o travo hipnótico e um certo sentimento de urgência que se vai sentindo ao longo da canção, que dá uma espécie de salto conceptual sonoro da folk para o rock. Confere a versão alternativa e o original...

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publicado por stipe07 às 16:38

Aaron Thomas – Human Patterns

Segunda-feira, 27.05.24

Natural de Adelaide, na Austrália, Aaron Thomas está de regresso aos discos com Human Patterns, um álbum produzido pelo próprio autor, que o misturou com Tom Barnes e que era aguardado com enorme expetativa na nossa redação, contando nos créditos com a contribuição dos músicos Django Rowe, Tori Phillips, Kyrie Anderson, Kiah Gossner, Alex Taylor, Jason McMahon, Tom White e Gemma Phillips.

Aaron Thomas Releases New Album ' Human Patterns' - Music Feeds

O amor, o fim de algumas amizades, eventos familiares e a contemporaneidade, são temas centrais de Human Patterns, um compêndio com doze canções envolventes, que tanto conseguem mexer com a nossa intimidade, como nos encorajar a enfrentar os dias com um sorriso renovado, enquanto planam nas asas de uma indie folk psicadélica de elevado calibre.

Aaron Thomas é um exímio compositor e um multi-instrumentista de elevado calibre. Ele tomou as rédeas da maior parte das guitarras e da bateria que se escutam no registo, fazendo-o com subtil beleza e comprovando que a simplicidade melódica pode coexistir com densidade sonora, sem colocar em causa conceitos como luminosidade, radiofonia, majestosidade e, principalmente, melancolia.

E, realmente, é de melancolia, mas não só, que se deve falar quando se escuta com devoção Human Patterns, algo que o disco merece. O seu alinhamento apela constantemente à nossa memória e atiça o desejo de revivermos, com ela, eventos felizes e de querer muito ter a oportunidade de consertar outros que correram menos bem.

Logo a abrir o registo o modo como, em Walk On Water, uma guitarra distorcida trespassa o banjo e os violinos coloca-nos em sentido, enquanto nos esclarece relativamente ao modus operandi sonoro que sustenta Human Patters. Depois, o faustoso travo classicista de Money, uma daquelas canções que nos mostram como vozes e cordas conseguem coabitar com superior beleza, principalmente se os sopros forem o indutor principal dos arranjos e a arrojada Before I Met You, ou Mouth Of The City, dois temas sustentados melodicamente por uma vibrante viola acústica e que aumentam de tensão à medida que recebem novos instrumentos, são belos exemplos que atestam esta capacidade comunicativa constante que o álbum transporta no seu âmago, plasmando o seu efeito atrativo muito pronunciado e simultaneamente animado e festivo, diga-se.

A subtil delicadeza enleante de Like A Stone, a simplicidade encantadora que embala Long Lost A Friend e o modo como Your Light nos impele, quase que de modo instintivo, a ir em frente sem receios, abrilhantam ainda mais um registo assinado por um cantautor que merece, de pleno direito, figurar no leque restrito dos melhores artistas que atualmente misturam com fino recorte folk, blues, rock e country. De facto, não falta a Aaron Thomas experiência e maturidade suficientes para navegar confortavelmente nas águas agitadas que misturam tudo aquilo que é, por definição, a força da indie folk mais pura e genuína, plasmada num disco que é, por direito próprio, um forte candidato ao pódio dos melhores do ano dentro do espetro sonoro em que se insere. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:39

Porches - Joker

Quinta-feira, 23.05.24

Aaron Maine é a mente que lidera o projeto Porches, sedeado em Pleasantville, nos subúrbios de Nova Iorque, com quase uma década de vida. Porches tem já um interessante catálogo de discos, inaugurado em dois mil e dezasseis com o registo Pool, ao qual se sucederam The House, em dois mil e dezoito, Ricky Music, em dois mil e vinte e, mais recentemente, All Day Gentle Hold, em dois mil e vinte um.

Porches: “Joker” (VÍDEO) - Música Instantânea

Há pouco mais de um mês a nossa redação partilhou uma canção intitulada Rag, o primeiro sinal de vida desde All Day Gentle Hold, novidade que parecia anunciar um disco novo de Porches para breve. Essa previsão confirmar-se agora com o anúncio de um novo álbum do projeto, um registo de originais intitulado Shirt, que irá chegar aos escaparates a dezanove de setembro com a chancela da Domino Recordings.

Joker, a oitava composição do alinhamento de Shirt, é o segundo single retirado do registo, porque Rag também consta do seu conteúdo. Assim, se Rag assentava num indie rock cru e intenso, com um perfil noventista bastante vincado, Joker aposta numa filosofia estilística com um curioso travo folk, sendo uma canção mais melancólica e contemplativa do que a antecessora. O dedilhar de uma guitarra é o principal sustento de uma composição que também contém algumas sintetizações atmosféricas joviais e que acabam por oferecer a Joker o tal travo pop, referido acima. Confere Joker, o vídeo do tema protagonizado pelo próprio Aaron Maine e dirigido por Nick Harwood e o artwork e a tracklist de Shirt...

01 Return of the Goat
02 Sally
03 Bread Believer
04 Precious
05 Rag
06 School
07 Itch
08 Joker
09 Crying at the End
10 Voices in My Head
11 USA
12 Music

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publicado por stipe07 às 16:40






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