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Pete Yorn – Elizabeth Taylor

Quarta-feira, 24.11.21

A situação pandémica que o mundo tem vivido nos últimos dois anos tem sido um manancial inspirador para inúmeros artistas, músicos e compositores e Pete Yorn,  um dos nomes mais interessantes do cenário indie norte-americano, que se notabilizou há cerca de dez anos quando gravou o disco Break Up, em parceria com a atriz e cantora Scarlett Johansson. e que nos deslumbrou em dois mil e dezanove com o registo Caretakers, é também um bom exemplo dessa onda.

Pete Yorn - "Elizabeth Taylor": DJ Pick of the Week – Lightning 100

Elizabeth Taylor, o mais recente single divulgado por Pete Yorn, que, já agora, está a comemorar vinte anos que lançou o seu disco de originais, é uma composição criada a partir de uma espécie de alter ego que o artista criou durante o período pandémico em que ficou enclausurado e sentiu necessidade de ter alguém com quem comunicar permanentemente, nem que fosse uma personagem criada por si próprio. O tema é o primeiro avanço divulgado de Hawaii, o próximo álbum de originais de Yorn, uma canção pop reluzente e bastante aditiva, onde o autor demonstra com elevada bitola qualitativa a sua elevadíssima capacidade interpretativa junto das cordas, nomeadamente a viola e a guitarra, os seus instrumentos de eleição. Confere...

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publicado por stipe07 às 18:58

The Antlers – Losing Light EP

Segunda-feira, 22.11.21

Projeto fundamental do indie rock experimental norte-americano da última década e meia, os The Antlers de Peter Silberman e Michael Lerner, regressaram na passada primavera aos discos com o registo Green To Gold, que em dez canções nos trouxe uma nova fase do grupo de Brooklyn, bastante promissora, luminosa e empolgante.

The Antlers Surprise Release 'losing Light' EP Today | News | ANTI-

Agora, mais de meio anos depois e de modo algo surpreendente, a dupla oferece-nos um EP intitulado Losing Light, com quatro canções, que são nada mais nada menos que reinterpretações de composições que fazem parte do cardápio de Green To Gold, reconstruções feitas de um modo um pouco mais agreste e intuitivo do que os originais do álbum, tomando como ponto de partida as mesmas demos e gravações que serviram de partida aos originais.

Para quem conhece a fundo o conteúdo de Green to Gold, é fundamental escutar este EP, até para perceber que abordagens poderiam ter tido as canções se o estado de espírito dos The antlers fosse um pouco mais sombrio e depressivo na altura em que o disco foi gravado. Recordo que os The Antlers habituaram-nos desde o fabuloso Hospice (2009) a um faustoso banquete de composições encharcadas em sensibilidade, angústia e conflito, canções cheias de sons aquáticos e claustrofóbicos, mas que nos mantinham sempre à tona porque também sabiam salvaguardar um soporífero cariz relaxante. Após o monumental registo Familiars, editado em dois mil e catorze e colocado em primeiro lugar nos melhores álbuns desse ano para a nossa redação, esse desfile de discos assertivos e metaforicamente intensos foi interrompido por opção da própria dupla e os The Antlers entraram num hiato que foi interrompido com Green To Gold, uma obra prima de sensibilidade e nostalgia. Confere...

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publicado por stipe07 às 17:46

The War On Drugs – I Don’t Live Here Anymore

Quinta-feira, 04.11.21

Os The War On Drugs de Adam Gradunciel já eram sinónimo de saudade na redação de Man On The Moon, até porque não davam sinais de vida desde o excelente A Deeper Understanding, editado há cerca de quatro anos. Refiro-me a um sexteto norte americano formado pelo baixista Dave Hartley, pelo teclista Robbie Bennett, pelo baterista Charlie Hall e pelos multi-instrumentistas Anthony LaMarca e Jon Natchez, além de Gradunciel e cuja sonoridade descomprometida e apimentada com pequenos delírios acústicos foi aos poucos transformando-se numa referência para vários artistas em início de carreira e não só e que está de regresso com um novo registo de originais. O novo tomo de canções dos The War On Drugs intitula-se I Don't Live Here Anymore, é o quinto da carreira do grupo e contém dez maravilhosas canções que deambulam entre a folk, a dream pop, o indie rock e a psicadelia e são bem capazes de oferecer a este grupo de Filadélfia um lugar de destaque no que concerne aos álbuns mais influentes, inspirados e inspiradores e acolhedores de dois mil e vinte e um.

The War on Drugs Drop New Song 'I Don't Live Here Anymore' - Rolling Stone

Disco inspirado no modo como devemos optar sempre pela resiliência face ao desespero, este I Don’t Live Here Anymore vive conceptualmente, de facto, num universo de diversas dicotomias; Conceitos como amor e dor, casa e fora, escuro e claro, entre outras, escutam-se constantemente, parecendo que querem dar vida a uma espécie de alter-ego, um herói que ficou sem rumo e submerso num vazio existencial profundo e que procura, na audição destas composições, voltar desesperadamente à tona e encontrar de novo um caminho.

I Don't live Here Anymore personifica, então, uma espécie de odisseia romântica, materializada numa jornada longa e emocionalmente grandiosa, amiúde absurdamente épica até, porque embora se sustente em letras que parecem verdadeiros clichés, a verdade é que resultam e têm este efeito renovador e soporífero.De facto, quando escutamos o piano avassalador de Victim, os belíssimos arranjos de cordas de Harmonia's Dream, ou a cósmica Shelter From The Storm, vivenciamos aquela sensação metafísica de conetividade entre o nosso âmago e a obra sonora. No meio, a ligar os dois pólos com astúcia, os The War On Frugs, que ocupam assim o nosso espaço e o nosso tempo com um indie rock que encarna uma verdadeira vibe psicadélica e, como se percebe, poeticamente melancólica.

Disco com uma progressão interessante e onde, ao longo das canções, vão sendo adicionados diversos arranjos, sintetizadores a batidas que adornam as guitarras e a voz, com um resultado muito atrativo e cativante para o ouvinte, I Don't Live Here Anymores é mais um exemplo concreto de um indisfarçável impressionismo. É um compêndio de várias narrativas onde convive uma míriade alargada de sentimentos que, da angústia à euforia, conseguem ajudar-nos a conhecer melhor a essência filosófica do grupo e, principalmente, de Adam Gradunciel que não se importa minimamente, mesmo à boleia de outras pesonagens, de partilhar conosco as perceções pessoais daquilo que observa enquanto a sua vida vai-se desenrolando e ele procura não se perder demasiado na torrente de sonhos que guarda dentro de si e que nem sempre são atingíveis. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 18:05

Band Of Horses – Crutch

Sexta-feira, 22.10.21

Cerca de meia década após o excelente registo Why Are You Ok, os norte-americanos Band Of Horses estão finamente de regresso com um novo álbum. Esse novo alinhamento  de dez canções da banda de Seattle liderada por Ben Bridwell chama-se Things Are Great e vai ver a luz do dia em janeiro próximo, à boleia da BMG.

Foi o próprio Bridwell quem produziu todos os temas de Things Are Great, contando, para isso, com a preciosa ajuda dos amigos e habituais colaboradores Dave Fridmann, Jason Lytle e Dave Sardy, assim como do engenheiro de som Wolfgang “Wolfie” Zimmerman. Crutch é o primeiro single retirado do alinhamento do registo, uma radiosa, efusiva e grandiosa canção, que mescla folk e indie rock com mestria. A prova disso está no modo como o arquétipo sonoro da canção coloca todas as fichas na exuberância das cordas e num registo percussivo efusiante, além da mesma conter uma seleção notável de arranjos e efeitos que lhe conferem uma paleta de cores de agradável contemplação. Confere Crutch e o alinhamento de Things Are Great...

01 “Warning Signs”
02 “Crutch”
03 “Tragedy Of The Commons”
04 “In The Hard Times”
05 “In Need Of Repair”
06 “Aftermath”
07 “Lights”
08 “Ice Night We’re Having”
09 “You Are Nice To Me”
10 “Coalinga

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publicado por stipe07 às 13:45

Strand of Oaks – In Heaven

Terça-feira, 19.10.21

Dois anos depois do excelente Eraserland, o seu sétimo registo de originais, Tim Showalter, que assina a sua música como Strand Of Oaks, está de regresso com um novo alinhamento de onze canções. É o oitavo disco da sua carreira, chama-se In Heaven e oferece-nos mais um maravilhoso e impressivo retrato autobiográfico de um autor nada inibido no momento de expôr as suas alegrias e conquistas, mas também frustrações, dando sempre a firme impressão que tudo aquilo que mexe com o seu âmago é combustível incandescente para criar e compôr canções, geralmente em ponto de mira com a melhor herança do rock norte-americano das décadas de setenta e oitenta do século passado, em especial a primeira.

Strand of Oaks Announces New Album In Heaven, Shares New Song: Listen |  Pitchfork

De facto, teclados efervescentes, guitarras repletas de efeitos planantes e uma filosofia rítmica quase sempre frenética, são os grandes eixos condutores do processo atual de composição de Showalter. Easter, uma luminosa canção que é tão capaz de cerrar punhos como de aclamar à lágrima fácil, é um exemplo paradigmático deste modus operandi do músico natural de Indiana e agora sedeado em Austin, que conta nos créditos de In Heaven com Kevin Ratterman na bateria, com os membros dos My Morning Jacket, Carl Broemel e Bo Koster, na guitarra e nas teclas, respetivamente, com o baixista Cedric LeMoyne, o violinista Scott Moore e ainda James Iha, dos Smashing Pumpkins, na voz e na guitarra do já referido tema Easter.

Intimismo e nostalgia são então, claramente, duas grandes ideias presentes no registo. Galacticana, por exemplo, é uma canção banhada por um manto luminoso feito com a melhor indie folk que se pode ouvir atualmente, porque tem nos fundamentos da sua arquitetura as tais fundações que remontam há quase meio século atrás e que, de uma vez por todas, mostraram ser possível uma coabitação eficaz entre a melhor herança do canioneiro norte-americano muito sustentado nas cordas e a ascenção de uma instrumentação sintética, assente num arsenal tecnológico cada vez mais diversificado e sofisticado. Os efeitos ecoantes de Hurry, uma canção com uma forte componente experimental e uma tonalidade psicadélica ímpar, contém esta faceta simultaneamente identitária e inovadora, assim como o andamento vibrante, proeminente e altivo que conduz Sunbather e Somewhere In Chicago, o quinto tema do alinhamento de In Heaven, que segue essa linha ao nos oferecer belíssimos arranjos de cordas e uma diversidade orquestral significativa, além de um clima sonoro com um pendor ainda mais clássico e romântico que o normal no catálogo do músico.

É, pois, um Timothy revigorado e com uma impressionante capacidade de nos fazer cavalgar à retaguarda umas quatro décadas sem que quase nos apercebamos, que assina este In Heaven, um disco que nos mostra que afinal pode ser bastante ténua a linha que separa aquilo que é a vida real de qualquer comum mortal e aquilo a que nós temos por hábito de chamar arte, neste caso, arte sonora, música, uma manifestação livre da critividade e da imaginação humanas. Strand Of Oaks volta, como já disse, a falar muito de si e da sua existência e fá-lo com um grau de impressionismo e realismo tal, que acaba por exaltar e de algum modo normalizar e relativizar aquilo que é para muitos algo só ao alcance de certos predistinados, a criação artística, neste caso a musical. A religiosidade de Horses At Night, outro momento maior de In Heaven, é outro instante em que se sente um superior grau de refinamento classicista, de modo incomensuravelmente belo, mas também de uma forma muito simples, direta e acessível de transmitir um ideário lírico, que tem muitas parecenças com nomes contemporâneos como Mount Eerie ou Margo Price, intérpretes e escritores reconhecidos pelo modo como se expôem sem receios e de mente aberta.

Acaba por ser curioso travarmos conhecimento com Timothy, entrando na sua vida pessoal e perceber o quanto ele é recatado e comedido em público e depois contactarmos com esta escrita tão vibrante, confessional e comunicativa. Talvez esta acabe por ser uma fervorosa demonstração de uma saudável alienação e exorcização por parte de um artista que, com quinze anos, no sotão de sua casa, se sentiu ausente do resto do mundo e percebeu que a música seria a sua cura e a composição sonora a alquimia que lhe permitiria exorcizar todos os seus medos, problemas e angústias. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 12:44

Manchester Orchestra – Telepath (Dirty Projectors Version)

Sexta-feira, 15.10.21

Os norte-americanos Manchester Orchestra existem há década e meia e são uma das bandas mais excitantes do cenário indie atual de Atlanta, na Georgia. O grupo é atualmente formado pelo guitarrista, cantor e compositor Andy Hull, pelo guitarrista Robert McDowell, pelo teclista e percussionista Chris Freeman, pelo baixista Jonathan Corley e pelo baterista Tim Very. Já têm vários EPs no seu catálogo assim como vários álbuns de estúdio, numa carreira discográfica que começou em dois mil e seis com I'm Like a Virgin Losing a Child e que tem como capítulo mais recente o disco The Million Masks Of Good, lançado pela Loma Vista em trinta de abril de último.

Manchester Orchestra announce UK and European live dates for 2022

Um dos grandes momentos deste The Million Masks Of Good é o tema Telepath, que acaba de ser reinventado e remisturado pelos nova iorquinos Dirty Projectors de David Longstreth, já depois de os Local Natives terem apresentado a sua versão, há algum tempo atrás, de Bed Head, o principal single desse fantástico disco dos Manchester Orchestra.

O resultado final desta nova roupagem de Telepath é surpreendente, na medida em que o grupo de Longstreth não colocou em causa o perfil caleidoscópico fortemente abrangente e eclético de uma doce canção, assente, originalmente, em cordas de forte pendor acústico e orgânico, quer as que têm o violão como origem, mas também o violino, e deu-lhe algumas nuances, quer de cariz percussivo, quer sintético, que acabam por dar ao tema um toque mais urbano e sofisticado, enquanto plasmam a já habitual filosofia estilística dos Dirty Projectors, que sobrevive num universo de experimentações, feitas de cruzamentos entre o afrobeat, a freak folk e alguns tiques que definiram o indie rock experimental da última década. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:17

The Dodos – With A Guitar & Pale Horizon

Terça-feira, 12.10.21

Três anos depois do espetacular registo Certainty Waves, os The Dodos de Meric Long e Logan Kroeber anunciam finalmente sucessor, um álbum intitulado Grizzly Peak, que irá ver a luz do dia em novembro próximo à boleia da Polyvinyl Records.

The Dodos – With a Guitar / Pale Horizon | Mindies

Depois de há alguns dias atrás termos tido a oportunidade de contemplar Annie e The Surface, os primeiros temas revelados de Grizzly Peak, agora chega a vez de, novamente em dose dupla, conferirmos a contemplativa e etérea With A Guitar, uma composição inspirada na época em que Meric Long aprendeu a tocar guitarra e a mais subversiva e frenética Pale Horizon, tema sobre a noção de espaço e do modo como a nossa permanência física em locais abertos ou fechados com áreas diferentes ao longo de um dia, pode afetar a nossa perceção clara do mundo que nos rodeia.

Ambas as canções oferecem-nos o já habitual registo deste projeto, muito centrado numa filosofia interpretativa em que sobressai uma intensa dinâmica percurssiva, entrelaçada com cordas faustosas e com uma crueza metálica ímpar. E o que se percebe das quatro amostras já conhecidas de Grizzly Peak, é que esse álbum será a materialização de um novo rumo sonoro para os The Dodos, colocando o projeto novamente na senda daquela toada folk que marcou os primeiros trabalhos da dupla, tempos aúreos que tiveram o âmago em Individ, a meu ver, o melhor disco do catálogo da banda de São Francisco. Confere...

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publicado por stipe07 às 15:53

Big Red Machine – How Long Do You Think It’s Gonna Last?

Quarta-feira, 22.09.21

Os mais atentos relativamente ao histórico recente do universo sonoro indie e alternativo recordam-se, certamente, da coletânea de beneficiência Dark Was The Night, lançada em dois mil e nove e cujos fundos revertiam a favor a Red Hot Organization, uma organização internacional dedicada à angariação de receitas e consciencialização para vírus HIV. Do alinhamento dessa coletânea fazia parte uma canção intitulada Big Red Machine, da autoria de Justin Vernon aka Bon Iver e Aaron Dessner, distinto membro dos The National, dois artistas que juntos também já desenvolveram a plataforma PEOPLE, que reúne composições inéditas de mais de oitenta artistas, organizaram festivais (Eaux Claires) e acabaram por incubar um projeto sonoro intitulado exatamente Big Red Machine, que se estreou nos discos com um extraordinário homónimo, em dois mil e dezoito, abrigado pela já referida PEOPLE.

Big Red Machine - How Long Do You Think It's Gonna Last? | por Bárbarah  Alves | You! Me! Dancing!

Três anos após essa estreia, a dupla está de regresso com um novo álbum intitulado How Long Do You Think It’s Gonna Last?, que chegou aos escaparates recentemente. São quinze charmosas canções, repletas de convidados especiais, que entregam de mão beijada o melhor do seu adn a construções sonoras geralmente intrincadas, mas acessíveis e repletas de uma vasta míriade de detalhes e efeitos plenos de criatividade, uns de proveniência orgânica, geralmente debitados por cordas e pelo piano,  mas também sintética, já que não falta um assinalável arsenal de sintetizadores no catálogo instrumental do registo.

Canções como Phoenix, um tema conduzido por um majestoso piano e que conta com as participações especiais dos Fleet Foxes e da cantora Anäis Mitchell, Mimi, uma composição luminosa e que conta com a participação especial vocal de Ilsey Juber, uma compositora que se notabilizou nos últimos anos por aparecer nos créditos de criações sonoras assinadas por nomes tão proeminentes como Miley Cyrus, Dua Lipa, Beyoncé ou Lykke Li e Renegade, canção que conta com a participação especial de Taylor Swift e que assenta numa espécie de experimentalismo claustrofóbico, que impressiona pelo modo como o registo vocal de Swift trespassa um inspirado riff acústico acamado por uma arquitetura sonora quente e fortemente cinematográfica e imersiva, que suscita no ouvinte uma forte sensação de proximidade e empatia, são notáveis momentos sonoros, impregnados com a melhor intersecção que é possivel econtrar hoje entre folk e eletrónica no cenário indie. Depois, numa vertente mais sintética, The Ghost Of Cincinnati e Latter Days (feat. Anaïs Mitchell), que sobrevivem muito à custa de um cuidado arsenal instrumental, eminentemente eletrónico, mesmo abrindo ao ouvinte portas para climas mais intimistas, nunca colocam em causa o perfil solarengo e sorridente de um disco que, no fundo, assenta a sua filosofia no modo feliz como Dessner e Vernon deram, no procedimento criativo, primazia às cordas acústicas, elemento instrumental de eleição de ambos e núcleo central do processo de condução sonora e melódica de uma álbum esteticamente muito apelativo e sedutor e tremendamente encharcado em charme e elegância.

Engane-se quem achar que a escuta de How Long Do You Think It’s Gonna Last? não obrigará a um exercício exigente de percepção para que todos os seus cantos e esquinas sejam devidamente retratados na nossa mente. Mas, se tal demanda for feita de modo dedicado, podem estar certos que que tal exercício será, de certeza, fortemente revelador e claramente recompensador, até porque tudo o que é melodicamente belo e exemplarmente interpretado no registo, é ampliado pelo claro charme e misticismo que estes dois músicos transportam sempre que se juntam para compôr, algo que trespassa muitas vezes o cenário do que é apenas audível. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 20:55

Damien Jurado - Take Your Time

Terça-feira, 21.09.21

Depois de na passada primavera ter editado o excelente registo The Monster Who Hated Pennsylvania, o norte-americano Damien Jurado está de regresso com um novo tema intitulado Take Your Time, que conta com a participação especial de Josh Gordon e que, não aparecendo em nenhum registo do autor e nem sendo, para já, acompanhado do anúncio de um novo álbum, tem a chancela da Maraqopa Records.Top 5: Damien Jurado - The Influences

Take Your Time é uma belíssima composição, plena de soul, com a bateria e o piano a trocarem entre si o protagonismo melódico da mesma, enquanto diversos efeitos metálicos percussivos e sintetizações etéreas deambulam pela canção sem aparente norte, num resultado final que justifica, uma vez mais, porque é que este autor atualmente a residir em Los Angeles é um dos nomes fundamentais da folk norte americana. Confere...

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publicado por stipe07 às 18:03

José González - Local Valley

Sexta-feira, 17.09.21

Mais de meia década após o extraordinário disco Vestiges & Claws, à época o seu terceiro álbum, o sueco José González está de regresso com um novo alinhamento intitulado Local Valley, um cardápio de treze audazes composições, cantadas com poemas escritos em inglês, sueco e espanhol e que marca o regresso do autor e compositor à City Slang, etiqueta com quem já trabalhou no seu projeto Junip, que partilha com Tobias Winterkorn.

José González Returns with 'Local Valley' - MANO

Local Valley está obviamente marcado pela situação pandémica que temos todos vivido, mas também é inspirado na felicidade que González tem sentido com a experiência recente no universo da paternidade, com a sua filha Laura, atualmente com quatro anos e com quem conversa diariamente em espanhol, fator também decisivo para uma primeira experiência a cantar nessa língua. El Invento é essa primeira aventura de José González na língua castelhana, a mesma que falam os seus progenitores, naturais da Argentina, um tema inspirado na felicidade que o músico tem sentido com a experiência recente no universo da paternidade, com a sua filha Laura, atualmente com quatro anos e com quem conversa diariamente em espanhol, aborda diretamente essa questyão, uma canção que é um belíssimo tratado de indie folk acústica, de elevado cariz intimista e confessional e que marca muito do ideário conceptual de todo o disco, criado por um artista que já nos deliciou, ao longo da sua carreira, com pérolas como Down the LineKilling for Love e Hand on Your Heart.

Mas Local Valley não se cinge a uma abordagem íntima a um ambiente familiar que, por estes dias, deve ser certamente ternurento e fascinante, mesmo tendo em conta as normais peripécias da convivência diária com crianças em idade precoce. Visions, outra delicada e emotiva canção, onde não faltam também sons da natureza, dá-nos aquela faceta mais bucólica e ecológica, até, que é já imagem de marca de González, para ampliar ainda mais o cariz realista de um poema sobre a busca de paz de espírito nestes tempos de imensa incerteza. E depois, Head On, um magistral exercício de refinamento acústico delicado e emotivo que, além das cordas, utiliza as palmas como elemento rítmico fundamental, carimba aquele lado mais swingado e urbano que o músico sueco também gosta de abordar, apimentado com um delicioso travo tropical na luminosa Swing.

Local Valley é, talvez, o álbum mais enérgico e diversificado do catálogo de José González, não faltando nele até uma versão, neste caso uma lindíssima roupagem do tema En Stund Pa Jorden (A Moment on Earth) do artista iraniano-sueco Laleh. É o primeiro alinhamento em que o músico utiliza ritmos sintéticos em vez da subtileza orgânica percurssiva dos três registos anteriores, sem deixarem de continuar a existir muitas guitarras, como é obrigatório no seu adn, e o primeiro também cantado em mais do que uma língua. É, em suma, um disco multifuncional, intenso e confessional, que nos escancara a porta para a mente de um dos artistas mais humanos da folk atual. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 20:38






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