Quinta-feira, 17 de Outubro de 2019

Vetiver – Wanted, Never Asked

Vetiver - Wanted, Never Asked

Andy Cabic, a mente profunda e inspirada que em São Francisco, na solarenga Califórnia, alimenta e dá vida ao projeto Vetiver, está de regresso aos discos, com um trabalho intitulado Up On High, que chegará aos escaparates a um de novembro próximo, através das etiquetas Mama Bird Recording Co. (US/World) e Loose Music (UK/EU).

Em jeito de antecipação do registo, já são conhecidos alguns temas do seu alinhamento, sendo o mais recente Wanted, Never Asked, uma aconchegante composição, que contém na sua essência a melhor herança da mais genuína folk norte-americana, uma canção com um travo de pureza e simplicidade únicos, amena, íntima e cuidadosamente produzida, mas também arrojada no modo como, através da suavidade das cordas e do groove da bateria exala uma enorme elegância e sofisticação. Confere...


autor stipe07 às 13:10
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Terça-feira, 15 de Outubro de 2019

Panda Bear – Playing The Long Game

Panda Bear - Playing The Long Game

Pouco mais de meio ano após a edição do excelente registo Buoys, o seu sexto álbum de estúdio, o músico norte-americano Panda Bear acaba de dar mais um vigoroso passo em frente na sua carreira a solo, com a divulgação de um novo tema intitulado Playing The long Game e que não fazia parte do alinhamento desse registo. Além da canção, este músico natural de Baltimore, no Maryland e a residir em Lisboa e um dos nomes obrigatórios da indie pop e daquele rock mais experimental e alternativo que se deixa cruzar por uma elevada componente sintética, sempre com uma ímpar contemporaneidade e enorme bom gosto, também deu a conhecer ao grande público o vídeo da mesma, realizado pela portuguesa Fernanda Pereira e onde se pode ver Noah Lennox a deambular por uma floresta enquanto uma horda de mascarados vagueia à distância.

Canção sobre dilemas existenciais mais ou menos óbvios, como confessou o próprio Lennox (The song is about a brief series of thoughts I had one morning about who I am, what I’m doing, and where I’m going), Playing The Long Game foi produzida pelo próprio músico com a colaboração de Rusty Santos e Sebastian Sartor e assenta numa pop experimental eminentemente sintética e com um indesmentível travo R&B, uma composição de forte cariz etéreo e contemplativo, mas também com uma frescura e um colorido muito curiosos e apelativos. Confere...


autor stipe07 às 15:34
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Sexta-feira, 11 de Outubro de 2019

Storm The Palace - Delicious Monster

Com origem no nome latino da planta Monstera Deliciosa, Delicious Monster é o segundo e novo registo de originais do coletivo britânico Storm The Palace, atualmente formado por Sophie Dodds, Reuben Taylor, Willa Bews, Jon Bews e Alberto Bravo. São onze canções gravadas em Edimburgo no último inverno e escritas quase todas por Sophie, que também participou na produção do disco juntamente com Reuben Taylor, um trabalho com a chancela da etiqueta Abandoned Love Records.

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Ao segundo tomo da carreira, os Storm The Palace merecem amplo destaque porque conseguem ser particularmente originais, dentro de um quadro musical que faz parte do ADN da banda e que se sustenta numa simbiose bastante criativa entre a típica folk britânica, com nuances mais clássicas e o indie rock, sempre em busca de sonoridades estranhas, bizarras e inovadoras, mas também sedutoras e repletas de charme. Delicious Monster é, então, mais uma prova concreta da excentricidade deste grupo, da rara graça como os seus membros combinam e manipulam, com sentido melódico e lúdico, a estrutura de uma canção, no fundo, um esforço indisciplinado, infantil e claramente emocional, mas bem sucedido de se manterem à tona de água na lista das bandas imprescindíveis para contar a história atual da pop de Terras de Sua Majestade.

Se o anterior registo Snow, Stars and Public Transport versava, essencialmente, sobre a vida em sociedade em espaços públicos amplos e abertos, neste Delicious Monster temos uma abordagem mais intimista das relações e das conexões humanas que se estabelecem dentro de quatro paredes e de como o espaço doméstico pode ser o local mais aconchegante, mas também o mais incómodo e insuportável, consoante o nosso estado de espírito e a nossa condição em determinado momento.

O álbum inicia e logo em Clive sentimo-nos em casa, a sintonizar aquele velhinho rádio a pilhas com um napron rendado por cima e as belíssimas vozes de Sophie e Willa a deixarem-nos à vontade e confortáveis. A partir daí, na delicada If I Were A Seagull, no travo jazzístico de Ancient Goldfish, no olhar pela janela para os prados verdejantes em redor que nos suscita The Magician, no minimalismo das cordas que cirandam por Splendid e na lamechice encapotada de Give Me My Fucking Puppy You Bastard, o clima é de forte proximidade entre banda e ouvinte, uma sensação firmada não só nesta crueza instrumental de praticamente todas as canções, mas também na forte sensação de pertença relativamente ao espaço onde a banda toca e nos convida a penetrar, um antro de perdição que atiça todos os nossos sentidos e cuja acusticidade se abastece de um rock clássico cheio das tais nuances, sempre com uma elevada toada nostálgica e uma luminosidade muito peculiar.

Disco pleno de canções competentes na forma como abarcam diferentes sensações dentro de um mesmo cosmos e que misturam harmoniosamente a exuberância acústica com a voz, dando expressão a letras que exaltam o lado mais festivo da existência humana, conseguida através da combinação da guitarra com outros sons e detalhes, quase sempre precurssivos, os Storm The Palace conseguem confrontar-nos neste Delicious Monster com a nossa natureza, inseridos no universo que eles tão bem recriaram neste alinhamento, uma sensação curiosa e reconfortante que transforma a audição do álbum numa experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:55
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Domingo, 6 de Outubro de 2019

Kurt Vile – Baby’s Arms (feat. The Sadies)

Kurt Vile - Baby's Arms

Quase um ano depois de Kurt Vile ter lançado Bottle It In, o sétimo disco da sua carreira, que continha treze temas gravados em várias cidades norte-americanas e finalizados com o produtor Shawn Everett nos estúdios Beer Hole em Los Angeles, contando com a participação especial de nomes tão notáveis como Kim Gordon, Cass McCombs, Stella Mozgawa e Mary Lattimore, o músico natural de Filadélfia, na Pensilvânia, volta a ser notícia com a divulgação de uma versão do seu tema Baby's Arms, que fez parte do alinhamento de Smoke Ring For My Halo, o trabalho que o norte-americano lançou em dois mil e onze.

Contando com a colaboração especial da banda canadiana The Sadies, esta nova roupagem de Baby's Arms, tema que abria o alinhamento daquele que foi, à altura, o quarto álbum de Kurt Vile, foi captada o ano passado durante uma estadio do grupo e do músico nas montanhas Catskill, no Estado de Nova Iorque, sendo apelidado pelos intervenientes como um momento mágico de interação musical e com um resultado tremendamente intimista e impressivo.

Essa estadia de Kurt Vile com os The Sadies nas montanhas Catskill, com o objetivo de ensaiar e preparar a digressão de suporte a Bottle It In, resultou também num documentário intitulado bottle black, dirigido por Ryan Scott e que, tal como esta versão de Baby's Arms, viu a luz do dia via Matador Records. Confere...


autor stipe07 às 21:08
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Quinta-feira, 3 de Outubro de 2019

The Monochrome Set - Fabula Mendax

Já com um percurso de quatro décadas, os The Monochrome Set liderados pelo cantor de origem indiana Bid (pseudónimo de Ganesh Seshadri), ao qual se juntam o guitarrista Lester Square e o baixista Andy Warren, são uma das bandas mais subestimadas da história da música britânica. Nasceram nos início dos anos setenta do século passado e começaram a ganhar fama no final da era punk, optando, sonoramente, por uma vertente eminentemente arty dentro daquele rock de cariz mais nostálgico e sombrio. O nome do grupo inspira-se nas pinturas monocromáticas de Yves Klein e alguns dos títulos das suas músicas mais emblemáticas, como Alphaville e Eine Symphonie des Grauens, sugerem uma ligação a grandes obras primas de Jean-Luc Godard e F. W. Murnau). Em mil novecentos e setenta e nove lançaram uma série de singles pela Rough Trade que são agora peças de colecionador, seguidos pelas primeiras obras primas, Strange Boutique (1980) e Love Zombies (1980). Três anos depois mudaram para a Cherryl Red Records onde lançaram Eligible Bachelors (1982) e “The Lost Weekend” (1985). Já neste século, mais de três décadas depois, editam uma súmula desse período intitulada 1979 – 1985: Complete Recordings, o documento perfeito do capítulo inicial da história dos The Monochrome Set, que teve sequência com mais quatro discos na década de noventa e outros dois já no novo século. Juntamente com essa súmula, o trio editou também à boleia da Tapete Records, um registo de originais intitulado Maisieworld, sucessor de Platinum Coils (2012) e Super Plastic City (2013), que já tem sucessor, um trabalho intitulado Fabula Mendax e sobre o qual me debruçarei já de seguida.

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Intemporais e merecedores de rasgados elogios, sendo fonte de inspiração para nomes como Graham Coxon, os Franz Ferdinand ou Edwin Collins, os The Monochrome Set continuam a mostrar-se paicularmente incisivos no modo como se servem da clássica tríade guitarra, baixo e bateria para esculpir canções que mostram ser verdadeiras espirais sonoras, ora rugosas e algo climáticas, ora dançantes e capazes de fazer sobressair o nosso lado mais festivo e exaltante. Assim, Fabula Mendax, um álbum inspirado em manuscritos escritos no século XV por Armande de Pange, um companheiro de Joana d'Arc, apresenta-se como um verdadeiro frenesim rock que encontra continuidade segura na melhor herança da banda, enquanto narra a história de Armande que foge da sua família descontrolada, que acaba por ser apanhada no caos da Guerra dos Cem Anos. Ela encontra e segue a enigmática Joan, tornando-se mais tarde parte de seu crescente grupo de seguidores. Enquanto viajam para o oeste na zona de guerra do norte da França, eles encontram uma mistura heterogénea de nobres intrigantes, cavaleiros belicosos, bispos nefastos e muitos supervilões, bandidos e renegados.

Assim, na exuberância das cordas que sustentam Rest, Unquiet Spirit, na luminosidade folk da smithiana Throw It Out The Window, na solenidade pop dos arranjos de cordas da soturna Darkly Sky, no travo punk vigoroso da sinistra Summer Of The Demon ou na festiva I Can't Sleep, escutamos The Monochrome Set na sua forma mais ornamentada e, assim como se fosse um conjunto ao serviço de Joana D'Arc, apresenta uma infinidade de violinistas, batedores, tocadores e lamentadores, que cercam um núcleo central de notórios excêntricos. No final, o resultado é uma sucessão de músicas que, destacam a natureza volátil, caprichosa e instável deste projeto. OsThe Monochrome Set irão apresentar o novo disco em Portugal no dia 14 de Dezembro no TAGV, em Coimbra. Espero que aprecies a sugestão...

21/09/2019 GR Athens, AN Club 09/11/2019 JP Tokyo, Koenji High

28/09/2019 UK London, The Lexington 23/11/2019 UK Oxford, The Jericho Tavern

01/10/2019 DE Nuremberg, Kantine 14/12/2019 PT Coimbra, TAGV

02/10/2019 DE Karlsruhe, KOHI-Kulturraum 01/02/2020 UK Norwich, Waterfront Studio

03/10/2019 DE Frankfurt, The Cave 08/02/2020 UK Liverpool, Jimmy's

04/10/2019 DE Reutlingen, franz.K 28/02/2020 UK Glasgow, Mono

05/10/2019 DE Hamburg, Yoko 29/02/2020 UK Dundee, Beat Generator

12/10/2019 UK Bristol, The Crofters Rights 07/03/2020 UK Newcastle, The Cluny

25/10/2019 NL The Hague, Paard 11/04/2020 UK Manchester, The Deaf Institute

26/10/2019 FR Paris, Petit Bain 18/04/2020 UK Lewes, The Con Club

02/11/2019 UK Hasting, The Printworks 25/04/2020 UK Sheffield, Greystones

08/11/2019 JP Tokyo, Shinjuku Marz US tours in 2020


autor stipe07 às 17:48
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Terça-feira, 24 de Setembro de 2019

Y La Bamba – Entre Los Dos EP

Quase um ano após o excelente Mujeres, o projeto norte americano Y La Bamba, liderado por Luz Elena Mendoza, está de regresso aos lançamentos discográficos com Entre Los Dos, o novo tomo de canções deste grupo sedeado em Portland. Entre Los Dos é um EP com sete espetaculares canções e editado através da Tender Loving Empire, a etiqueta de sempre dos Y La Bamba.

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Depois do excelente Ojos Del Sol, lançado há cerca de três anos, a crítica começou finalmente a ficar bastante atenta a este projeto Y La Bamba, único no modo como mescla post punk com música latina, eletrónica e alguns dos arquétipos fundamentais da indie de cariz mais lo fiMujeres, um registo gravado pela própria Luz Elena Mendoza, com a ajuda de Ryan Oxford nos estúdios Color Therapy Studios e nos Besitos Fritos Studios em Portland e misturado por Jeff Bond, ampliou ainda mais a elevada bitola qualitativa de uma proposta sonora única no cenário musical contemporâneo e que oferece ao ouvinte mais devoto uma viagem espiritual, convidando-nos a refletir e a conhecer as posições da autora acerca de questões como o machismo, o feminismo e o modo como as mulheres se posicionam socialmente, politicamente e até moralmente nos dias de hoje, com particular enfoque nas que são oriundas de países latinos, especialmente as mexicanas a residir nos Estados Unidos da América.

As sete canções de Entre Los Dos, que além de Luz contam com Grace Bugbee aos comandos do baixo, John Niekrasz na bateria, Margaret Wher Gibson nos teclados e a dupla Ed Rodriguez e Ryan Oxford na guitarra elétrica, são como que um fechar de ciclo de uma espécie de triologia iniciada no tal Ojos Del Sol, três trabalhos que plasmam, com fidelidade e minúcia uma abordagem muito pessoal e íntima, claramente auto-reflexiva, mas que também é, de algum modo, sociológica, por parte de Luz, relativamente ao modo como a mulher é vista nos dias de hoje. No carrocel percurssivo de Gabriel e de Los Gritos, canções que conjugam o melhor dos ritmos da música tradicional espanhola e mexicana, com um toque rock e a voz sublime de Luz, na acusticidade minimal etérea de Entre Los Dos e de Octavio, na eletrónica em forma de dream pop de cariz lo fi e etéreo que cimenta Rios Sueltos, no festim folk punk de Soñadora e na riqueza estilística que define os arranjos que ampliam o grau de rugosidade de Las Platicas, apreciamos uma narrativa plena de histórias simples e comuns, mas onde este timbre ordinário das mesmas é enganador, porque são relatos de vidas difíceis e que muitas vezes escapam à própria compreensão de quem nunca vivenciou na pele tais realidades. Os Y La Bamba acabam por suavizar, até com uma certa ironia e sarcasmo, dores, agruras e medos, com  composições que ampliam o diâmetro da nossa anca, deixando-a possuída, sem dono e sem vontade própria, porque não resistimos a acompanhar tambem fisicamente um alinhamento que além de todo o cariz sério e profundo que sustenta, também consegue mexer muito com a temperatura do nosso corpo. Espero que aprecies a sugestão...

Y La Bamba - Entre Los Dos

01. Gabriel
02. Entre Los Dos
03. Rios Sueltos
04. Octavio
05. Soñadora
06. Las Platicas
07. Los Gritos


autor stipe07 às 20:59
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Segunda-feira, 23 de Setembro de 2019

Allah-Las – Prazer Em Te Conhecer

Allah-Las - Prazer Em Te Conhecer

Naturais de Los Angeles, os norte americanos Allah-Las de Miles Michaud, Pedrum Siadatian, Spencer Dunham e Matt Correia têm finalmente sucessor para o excelente registo Calico Review de dois mil e dezasseis. Será a onze de outubro que irá ver a luz do dia Lahs, o novo compêndio de originais do quarteto, um trabalho que irá chegar aos escaparates através da Mexican Summer, a habitual editora do grupo.

Os Allah-Las viajaram imenso depois da edição de Calico Review, com passagens por locais táo variados como todo o continente americano, a Europa, África do Sul, Austrália, Rússia e leste da Ásia e o conteúdo de Lahs é bastante inspirado por essa demanda mundo fora, nomeadamente as experiências que a banda foi conseguido vivenciar além das normais rotinas de uma digressão musical.

Depois de Polar Onion, o mais primeiro single divulgado das treze canções do alinhamento de Lahs, agora chegou a vez de nos deliciarmos com Prazer Em Te Conhecer, um tema cantado em português e que nos oferece uma espécie de Califórnia verde e amarela, já que são evidentes as influências da melhor música popular brasileira, em especial a bossa nova, numa composição imbuída de uma indesmentível vibe tropical, além da típica psicadelia lo-fi que carateriza o adn dos Allah-Las.

Merece também uma vista de olhos o vídeo de Prazer Em Te Conhecer, que mostra algumas das tais experiências que a banda foi conseguido vivenciar na digressão acima referida e que foram sendo captadas pelo baterista Matt Correia. Confere...


autor stipe07 às 13:14
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Quarta-feira, 18 de Setembro de 2019

Paper Beat Scissors – Parallel Line

Pouco mais de dois anos depois do excelente EP All We Know, o vocalista, compositor e instrumentista, Tim Crabtree, está de regresso com o seu alter ego Paper Beat Scissors, um projeto que chega de Halifax, no Canadá. Parallel Line é o título do novo álbum deste músico e contém onze canções misturadas pelos conceituados Sandro Perri e Dean Nelson, masterizadas por Andy Magoffin e produzidas pelo próprio Tim Crabtree.

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Terceiro longa duração do projeto Paper Beat Scissors e gravado, à semelhança dos antecessores, na zona rural de Ontario, Parallel Line mergulha de modo ainda mais penetrante e realista do que os trabalhos antecessores numa folk que não deixa ninguém indiferente e que delicia pelo modo exímio como utiliza toda uma orgânica instrumental e vocal para dar vida a poemas lindíssimos, através da inserção de diferentes texturas, muitas vezes em várias camadas de sons. 

Se logo na acusticidade de Gun Shy percebemos que há aqui um charme incomum e que é viciante porque nos embala e paralisa, é na soul da guitarra de All It Was e no vasto emaranhado de interseções instrumentais que se estabelecem com as cordas nesse tema, que se percebe o nível mais apurado, maduro e coerente do cardápio atual de Paper Beat Scissors. De facto, ao terceiro trabalho Crabtree prova ter dado um salto qualitativo enorme no que concerne à sua capacidade de criar e recriar emoções e sentimentos, geralmente algo tristes e depressivos, sem nos trespassar a alma ou nos fazer sentir dor. Assim, se impressiona mais do que nunca a perceção de que é imensamente apurada a enorme sensibilidade e o intenso sentido melódico deste extraordinário músico e compositor, move-nos o desejo da audição contínua deste alinhamento de canções, a certeza de que são um bálsamo retemperador sempre que as temos por perto, em especial nos instantes da nossa existência em que precisamos de usufruir de um certo isolamento e tranquilidade que nos façam refletir e decidir novas opções e caminhos.

De facto, na toada mais vibrante e pulsante de Don't Mind, um tema sobre o destino e a pouca importância que as pedras que se atravessam no nosso caminho poderão ter quando estamos certo da rota que queremos trilhar, é evidente que ficamos ainda mais absorvidos por esta estética delicada, mas também plena de personalidade, cor e harmonia, mas também acabamos por, inconscientemente, ganhar ânimo para as batalhas futuras e os dilemas que carecem de mais ou menos urgente resolução.

Detentor de um registo vocal também ímpar e capaz de reproduzir variados timbres e diferentes níveis de intensidade, Crabtree tem um dom que certamente já terá nascido consigo e que se define pela capacidade de emocionar, mas também de nos converter a uma causa muito sua e que vive da visão poética de que as tesouras representam a agressão dos fantasmas do passado que muitas vezes insistem em se manter acoplados e o papel aquela tela branca que se disponibiliza a receber os nossos recomeços e expetativas. No fim, neste processo de passagem, a delicadeza e a candura acabam por vencer a agressividade e a rispidez, com estas canções a servirem de banda sonora exemplar durante este salto fraticida. Espero que aprecies a sugestão...

Paper Beat Scissors - Parallel Line

01. Respire
02. Gun Shy
03. All It Was
04. Don’t Mind
05. Grace
06. Anything
07. All We Know
08. Shapes
09. Better
10. Half Awake
11. Little Sun


autor stipe07 às 15:43
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Terça-feira, 10 de Setembro de 2019

Pernice Brothers – Spread The Feeling

Formados em mil novecentos e noventa e sete, os míticos Pernice Brothers já não davam notícias desde o excelente registo Goodbye, Killer, editado em dois mil e dez. Depois desse disco, Joe Pernice, o grande mentor deste curioso projeto natural de Massachusetts e ao qual se junta o irmão Bob, voltou a reunir-se com os the Scud Mountain Boys, formou os New Mendicants com Norman Blake e Mike Belitsky, editou um álbum com o nome artístico Roger Lion, ajudado pelo produtor de hip-hop Budo e ainda escreveu para uma série televisiva canadiana intitulada The Detail. Agora, nove anos depois de Goodbye, Killer, os Pernice Brothers regressaram finalmente à linha da frente das prioridades artísticas de Joe, à boleia de Spread The Feeling, registo em que além da dupla de irmãos podemos conferir nos seus créditos nomes tão ilustres como Peyton Pinkerton, James Walbourne, Patrick Berkery, Ric Menck, Neko Case, Pete Yorn, Liam Jaeger e muitos outros.

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Sexto disco da carreira dos Pernice Brothers, Spread The Feeling foi gravado e misturado em Boston, Toronto e Washington e oferece-nos uma ode bastante realista e inspirada à herança sonora mais genuína de uma América que tem no garage rock com laivos de grunge, retratado com mestria em Mint Condition, uma das suas melhores inovações e adições à história musical contemporânea. Mas apesar de serem confessos apreciadores de um registo sonoro particularmente sujo e lo fi, os Pernice Brothers também nos levam facilmente e num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, à boleia de uma espécie de indie-folk-surf-suburbano, particularmente luminoso e que acaba por se tornar até viciante.

Assim, se aquela pop particularmente luminosa, radiofónica e tipicamente oitocentista é retratada com encanto na vibe soalheira que mistura cordas e pianos com esplendor em The Devil And The Jinn, também é audível no efeito da guitarra e no andamento frenético de Throw Me To The Lions e, numa filosofia estilística semelhante, no baixo imponente que conduz Lullabye. Depois, se o rock mais clássico está carimbado na ligeireza nada subtil de Skinny Jeanne e aquela indispensável abordagem mais soul presente em I Came Back, também somos, neste alinhamento rico e variado, convidados a viajar nas asas da folk mais genuína, irrepreensivelmente retratada nas cordas e na harmónica de Whiter On The Vine e, de modo mais intimista, na balada The Queen Of California.

Disco com um têmpero lo fi muito próprio e, no computo geral, guiado por um salutar indie rock com leves pitadas de surf pop, agregado com um espírito vintage marcadamente oitocentista, Spread The Feeling escuta-se de um só trago, enquanto sacia o nosso desejo de ouvir algo descomplicado mas que deixe uma marca impressiva firme e de simples codificação. É um daqueles trabalhos que provam que o rock pode ser básico e ao mesmo tempo encantador, divertido e melancólico, sem muito alarde. Espero que aprecies a sugestão...

Pernice Brothers - Spread The Feeling

01. Mint Condition
02. Lullabye
03. The Devil And The Jinn
04. Always In All Ways
05. Evidently
06. Wither On The Vine
07. Throw Me To The Lions
08. Skinny Jeanne
09. The Queen Of California
10. I Came Back
11. Eric Saw Colors
12. Frank Say (Bonus Track)
13. Unsound (Bonus Track)


autor stipe07 às 18:30
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Terça-feira, 20 de Agosto de 2019

Surfer Blood – Hourly Haunts EP

Parece que ainda foi ontem, mas já está a comemorar uma década de vida Astro Coast, o extraordinário registo de estreia dos Surfer Blood e que colocou esta banda oriunda da Flórida no mapa. Para assinalar a efeméride o grupo anunciou o lançamento do sucessor de Snowdonia (2017), um novo álbum ainda sem nome, que irá chegar aos escaparates no próximo ano e divulgou Hourly Haunts, um EP com seis canções e com uma identidade própria já que nenhum destes novos temas do quarteto fará parte desse trabalho que irá ver a luz do dia em dois mil e vinte.

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Atualmente formados por John Paul Pitts, Tyler Schwarz, Mike McCleary e Lindsey Mills e com um percurso algo acidentado mas sempre profícuo e balizado por um surf rock claramente feliz no modo como pisca o olho a espetros sonoros tão variados como a surf music ou o rock alternativo dos anos noventa, os Surfer Blood oferecem-nos em Hourly Haunts talvez a coleção de canções mais inspirada dos seus dez anos de carreira. São seis composições solarengas, assentes num rock direto e incisivo, tremendamente luminoso e otimista, bastante festivo e exuberante, feito à boleia de guitarras em que abundam várias camadas de distorção, um detalhe imprescindível para o dinamismo de um EP extremamente criativo e pleno de melodias únicas e com um forte cariz radiofónico.

Assim, da toada inicialmente sombria mas depois fortemente orquestral de Around Your Sun à nostalgia ensolarada de Atom Bomb e ao frenesim pop de Nm Sky Song, passando, pouco depois, pelo piscar de olhos da distorção das guitarras ao rock mais progressivo em Windy e, no ponto alto do EP, pelo energia otimista que exala de Cariboo, tudo parece ter sido pensado para soar bem nos nossos ouvidos, com naturalidade e sem exageros desnecessários, num resultado final verdadeiramente feliz e inspirado. Não restam dúvidas que os Surfer Blood continuam na sua louvável cruzada de busca incessante do melhor estilo sonoro, num percurso cheio de energia criativa, marcada por uma angústia quase inofensiva, onde não faltam momentos altos e de notável esplendor e júbilo. Este é claramente o caso. Espero que aprecies a sugestão... 

Surfer Blood - Hourly Haunts

01. Around Your Sun
02. Cariboo
03. Windy
04. NM Sky Song
05. Atom Bomb
06. Edge Of The World


autor stipe07 às 14:32
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Segunda-feira, 19 de Agosto de 2019

Allah-Las – Polar Onion

Allah-Las - Polar Onion

Naturais de Los Angeles, os norte americanos Allah-Las de Miles Michaud, Pedrum Siadatian, Spencer Dunham e Matt Correia têm finalmente sucessor para o excelente registo Calico Review de dois mil e dezasseis. Será a onze de outubro que irá ver a luz do dia Lahs, o novo compêndio de originais do quarteto, um trabalho que irá chegar aos escaparates através da Mexican Summer, a habitual editora do grupo.

Os Allah-Las viajaram imenso depois da edição de Calico Review, com passagens por locais táo variados como todo o continente americano, a Europa, África do Sul, Austrália, Rússia e leste da Ásia e o conteúdo de Lahs é bastante inspirado por essa demanda mundo fora, nomeadamente as experiências que a banda foi conseguido vivenciar além das normais rotinas de uma digressão musical.

Polar Onion é o mais recente single divulgado das treze canções do alinhamento de Lahs, uma composição imbuída de uma indesmentível vibe sessentista, assente em luminosas cordas, uma percurssão tremendamente groove e alguns efeitos hipnóticos na guitarra, detalhes que sustentam uma das mais belas melodias de um disco que certamente abraçará também a folk e o country sulista americano, além da típica psicadelia lo-fi que carateriza o adn dos Allah-Las. Confere...


autor stipe07 às 17:58
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Domingo, 11 de Agosto de 2019

Josh Rouse – Trouble

Josh Rouse - Trouble

Cerca de ano e meio depois do registo Love In The Modern Age, Josh Rouse, músico natural de Nashville, no Nebraska e um dos meus intérpretes preferidos a solo, está de regresso com Trouble, um novo single lançado por intermédio da Yep Roc Records e uma revisitação feliz de um clássico com trinta e oito anos da autoria de Lindsey Buckingham.

Versão que explana a enorme sensibilidade melódica que é intrínseca a Josh, nomeadamente na reconfortante envolvència entre piano e viola e os arranjos que selecionou para sobressair essa mescla, Trouble transmite-nos uma sensação reconfortante de proximidade e de fulgor, sendo um excelente aperitivo para o concerto que o músico vai apresentar a vinte e oito de Novembro próximo, no Hard Club. Confere...


autor stipe07 às 14:54
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Terça-feira, 6 de Agosto de 2019

Ty Segall - First Taste

Ty Segall é uma máquina de fazer discos. Não apenas trabalhos aleatórios, composições frias ou registos descartáveis, mas lançamentos de peso dentro da cena independente norte-americana. Dono de uma infinidade de projetos paralelos cada um deles com vários álbuns lançados, é quando assume as guitarras na carreira a solo que este californiano, natural de São Francisco, alcança o melhor desempenho. Segall tem editado ultimamente, em média, dois registos por ano, adicionando à sua discografia, tomo após tomo, mais um conjunto de canções assentes em riffs assimétricos, ruídos pop e todo o assertivo clima do garage rock, algo que faz dele um dos artistas de maior relevância no panorama atual. O novo disco do artista chama-se First Taste e viu a luz no início deste mês de agosto, por intermédio da Drag City.

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Décimo segundo trabalho discográfico da carreira do músico e o primeiro do californiano sem ter as guitarras na linha da frente do processo de composição das suas canções, First Taste é também um dos seus mais ecléticos e heterogéneos registos, porque nos oferece novas nuances que conferem um grau de inedetismo ao seu alinhamento quando comparado com os antecessores mais recentes. Convém, no entanto, salientar que se as guitarras foram substituidas por teclados, sintetizadores e cordas de outras proveniências, First Taste não deixa de soar a um registo típico de Ty Segall porque, mesmo tendo optado por um caminho diferente do habitual, acabou por entroncar, como seria de esperar, naquela caraterística crueza do fuzz que define a personalidade sonora do autor, mas também, tendo em conta a luminosidade do banjo que sustenta The Arms e a indisfarçável melancolia que exala da fabulosa ode festiva do banjo que aquece Lone Comboys, na limpidez que nunca se mostra exageradamente pop e que também marca alguns dos melhores momentos da sua carreira.

Ty Segall tem uma visão muito própria da dita psicadelia e em First Taste, com a tal opção pelo aparente desprezo relativamente à sua fiel amiga guitarra, mostra não só uma bem sucedida saída da sua habitual zona de conforto, mas também uma nova forma de atingir o noise lo fi que tanto lhe diz. Taste, o ruidoso imponente tema que abre o alinhamento do disco, tem esse cunho de acessibilidade, com o travo blues de Whatever, a majestosidade vocal que depois é afagada por um subtil piano em Ice Plant e a imponente parede percurssiva que cerra os punhos aos sons abrasivos sintetizados que se intrometem em Self Esteem, a serem outros momentos altos de mais uma espécie de viagem lisérgica através do tempo, até há quase meio século, em completo transe e hipnose.

Confesso que sempre admirei a capacidade que algumas bandas ou projetos têm de construirem canções assentes numa multiplicidade de instrumentos e são imensos os casos divulgados e exaltados por cá. Como não podia deixar de ser, no caso de Ty Segall a fórmula selecionada desta vez é muito simples, sair da tal zona de conforto. E aquilo que sobressai de First Taste acaba por ser a genialidade e a capacidade de execução deste verdadeiro mestre do improviso psicadélico, capaz de utilizar um receituário diferente e continuar a criar aquelas atmosferas nostálgicas e hipnotizantes capazes de nos transportar para uma outra galáxia, feita de imensa aúrea crua e visceral e, como é seu apanágio, eminentemente sessentista. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 11:12
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Quinta-feira, 18 de Julho de 2019

Villagers – Summer’s Song

Villagers - Summer's Song

Os irlandeses Villagers são, neste momento, praticamente monopólio da mente criativa de Conor O'Brien e estão já na linha da frente do universo indie folk europeu, pelo modo criativo e carregado com o típico sotaque irlandês, como replicam o género, ainda por cima oriundos de um país com fortes raízes e tradições neste género musical.

Com um trajeto musical bastante profícuo nos últimos anos, além de intenso e rico, com momentos discográficos significativos do calibre de Becoming a Jackal (2010), {Awayland} (2013) e Darling Arithmetic (2015), entre outros, os Villagers tardam em anunciar um novo registo de originais que suceda a The Art Of Pretending To Swim, editado o ano passado, mas têm uma nova canção, por sinal perfeita para este inconstante julho. O tema chama-se Summer's Song, é um belíssimo tratado pop, que impressiona pela cadência rítmica, pela robustez das cordas e, principalmente, por um coro de seis fliscornes (instrumento de sopro semelhante a um trompete), que confere uma luminosidade ímpar àcomposição. Será possível apreciares este e outros temas no dia dois de Agosto, em Chaves, no festival N2. Confere...


autor stipe07 às 16:12
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Segunda-feira, 15 de Julho de 2019

Dope Lemon – Smooth Big Cat

Os seguidores mais atentos do universo sonoro indie e altrnativo já terão certamente ouvido falar de Angus Stone, um cantor, compositor e produtor australiano, nascido a vinte e sete de abril do já longínquo ano de mil novecentos e oitenta e seis e que se tem notabilizado com a sua irmã, formando juntos o duo Angus & Julia Stone, já com quatro discos em carteira, numa carreira iniciado há cerca de uma década com o excleente, Smoking Gun. Ora, Angus Stone também tem uma carreira a solo, onde assina com o pseudónimo Dope Lemon, iniciada há três anos com o registo Honey Bones, que teve sequência, no ano seguinte, com o EP Hounds Tooth e que vê agora sucessor com Smooth Big Cat, dez canções abrigadas pela BMG Australia e que, rezam as crónicas, se tornaram num verdadeiro desafio para o músico, que procurou um ambiente intimista e recatado sem colocar em causa o exigido som de estúdio que faz parte do seu adn.

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Tal cono o antecessor, Smooth Big Cat foi gravado nos estúdios Belafonte, que pertencem ao próprio Angus Stone e que se situam num rancho que tambem possui. Stone tocou e gravou todos os instrumentos e misturou e produziu todas as dez composições de um trabalho que relata a vida de uma personagem chamada exatamente Dope Lemon e que funciona como uma espécie de alter-ego do artista. Dope Lemon é, no fundo, um tipo normal mas também bizarro e sempre bem disposto e otimista, que gosta de estar no seu canto a ouvir música com um copo numa mão e um cigarro na outra.

É esta a figura que trespassa a filosofia temática das dez canções de Smooth Big Cat, que tiveram na sua concepção como principal ferramenta alguns dos típicos traços identitários de uma espécie de folk psicadélica de cariz eminentemente etéreo e contemplativo, com uma considerável vertente experimental associada. Canções como a boémia Hey You, movida a cordas reluzentes, adornadas por diversos efeitos e acamadas numa batida algo hipnótica, a cósmica Salt & Pepper, que impressiona pelo efeito metálico e pela vasta miríade de elementos percurssivos, a lisérgica Hey Little Baby, um portento de acusticidade que se espraia por cinco minutos particularmente solarengos, a mais épica e orgânica Lonely Boys Paradise ou a romântica Give Me Honey, oferecem-nos um cândido alinhamento repleto de blues folk acústica particularmente embaladora e intimista, mas também de um rock bastante sui generis, porque não se faz só de guitarras, mas acima de tudo de fragmentos de sons sintetizados e distorcidos, versos hipnóticos, um registo vocal muitas vezes sussurrante, geralmente dialogante e com forte pendor lo fi e também subtis instantes melódicos de pura subtileza e encantamento. 

Disco homogéneo e que nos permite aceder a uma outra dimensão, mística e cósmica, num subida feita à boleia de timbres, detalhes e harmonias, agregadas com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, Smooth Big Cat tem aquele travo despreocupado e ligeiro que, sendo particularmente sedutor, provoca imediato encantamento, fazendo-o sem descurar as mais básicas tentações pop, com tudo a soar, no final e no seu todo, utopicamente perfeito. Espero que aprecies a sugestão...

Dope Lemon - Smooth Big Cat

01. Hey You
02. Salt And Pepper
03. Hey Little Baby
04. Lonely Boys Paradise
05. Give Me Honey
06. Dope And Smoke
07. Smooth Big Cat
08. The Midnight Slow
09. Mechanical Bull
10. Hey Man, Don’t Look At Me Like That


autor stipe07 às 16:45
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Sábado, 13 de Julho de 2019

Of Monsters And Men – Wild Roses

Of Monsters And Men - Wild Roses

Chama-se Fever Dream o novo álbum dos islandeses Of Monsters And Men de Nanna Bryndís Hilmarsdóttir, Ragnar þórhallsson, Brynjar Leifsson e Arnar Rósenkranz Hilmarsson, um trabalho com edição prevista no final deste mês de julho, à boleia da etiqueta Republic Records e que já tem alguns dos seus temas editados em formato single.

O single mais recente divulgado de Fever Dream é Wild Roses, uma canção com um elevado cariz reflexivo e melancólico, que inicia com um melodia ao piano bastante aditiva, mas que depois se expande  num pop rock apoteótico, através de guitarras pulsantes e sintetizadores plenos de epicidade,  à medida que a interpretação vocal de Nanna Hilmarsdóttir ganha entusiasmo e sentimento. Confere...


autor stipe07 às 11:30
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Segunda-feira, 17 de Junho de 2019

Jeff Tweedy – Warmer

O norte-americano Jeff Tweedy, líder do míticos Wilco, é, claramente, um dos músicos mais profícuos e criativos do cenário musical alternativo atual. Já nesta década, ao comando da sua banda, idealizou e incubou The Whole Love (2011), Star Wars (2015) e Schmilco (2016) e entretanto aproveitou para escrever uma auto-biografia intitulada Let's Go (So We Can Get Back): A Memoir of Recording and Discording with Wilco, Etc., onde disserta sobre aspetos da sua personalidade e do seu trajeto nos Wilco. À boleia desse exaustivo exercício escrito de introspeção, acabou por criar WARM, um dos destaques da sua etapa discográfica a solo, onze canções que viram a luz do dia no início deste ano com a chancela da insuspeita dBpm Records e que sucedem a Together at Last (2017), um registo de versões de alguns dos temas mais emblemáticos da sua já extensa carreira. Ora, por incrível que pareça, esse WARM já tem sucessor, um registo intitulado Warmer e que, conforme o título indica, não pode ser dissociado do conteúdo do antecessor, já que, além de ter sido gravado durante o mesmo período em que foi captado WARM, acaba por, na sua essência, obedecer à mesma filosofia sonora estilística, assente numa concepção de escrita que explora bastante a dicotomia entre sentimentos e no modo criativo e refinado como musica as letras que daí surgem, aliando o seu adn pessoal às tendências mais contemporâneas da folk e do rock alternativo.

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Logo no balanço delicado entre o quase pop e o contemplativo piscar de olhos à soul em Orphan, uma composição em que Tweedy plasma esta predisposição para utilizar a sua música autobiograficamente, fazendo-o como um exercício sonoro de exorcização de alguns dos seus demónios, angústias, eventos traumáticos e conflitos interiores, fica plasmada a essência sonora de um alinhamento com um travo melancólico particularmente abundante, de algum modo em oposição ao conteúdo do antecessor WARM, um registo mais quente, positivo e sorridente. Depois, na crueza da acusticidade de Family Ghost, mais uma composição sobre o modo como este músico de Chicago vê a morte, mas também em …And Then You Cut It In Half, música em que percussão e as cordas procuram insistentemente e de modo delicioso o ritmo certo e, principalmente, em Ten Sentences, um impressivo e jubilante tratado folk assente num timbre de cordas parricularmente estridente, apreciamos esta apenas aparente dicotomia entre os sentimentos e as confissões que sustentam as letras e o modo criativo e refinado como, no modo como as musica, Tweedy se expôe sem relutância e, devido a uma simplicidade melódica simplesmente arebatadora mas terrivelmente eficaz, desprovido de qualquer sede de exacerbado protagonismo. Mesmo nos efeitos indutores da guitarra que se eletrifica com maior audácia em Empty Head e no clima marcadamente rugoso de Sick Server, instantes que mostram uma faceta sonora folk mais experimental e intrincada que os temas acima referidos, não deixa de estar patente sempre esta sensação de oposição entre poema e melodia, que oferece, no global, a Warmer, uma atmosfera bucólica e encantatória, mas intrigante, num álbum particularmente uniforme e homogéneo e, mais do que essas caraterísticas estilísticas, um verdadeiro tratado de manifestação pura, desinteressada e bastante reveladora de uma pessoalidade única e inconfundivel no panorama indie atual, devido ao modo como, disco após disco, o músico endereça à sua consciência um pedido de análise cru e direto da mesma e, aceitando esse exercício de falsa humilhação, acaba por escrever e compôr algumas das canções mais bonitas, profundas e expressivas que podemos escutar atualmente no outro lado do atlântico. Espero que aprecies a sugestão...

Jeff Tweedy - Warmer

01. Orphan
02. Family Ghost
03. …And Then You Cut It In Half
04. Ten Sentences
05. Sick Server
06. Empty Head
07. Landscape
08. Ultra Orange Room
09. Evergreen
10. Guaranteed


autor stipe07 às 22:20
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Segunda-feira, 3 de Junho de 2019

Sufjan Stevens - Love Yourself & With My Whole Heart

Desde o longínquo registo Carrie & Lowell , lançado em dois mil e quinze que o norte-americano Sufjan Stevens não lança um registo a solo. No entanto, o músico natural de Chicago não tem deixado de estar ativo, não só através da participação em outros projetos paralelos, com especial realce para o seu contributo fundamental no álbum Planetarium (2017), onde assina os créditos com Bryce Dessner, Nico Muhly e James McAlister, mas também com a edição de alguns singles, sendo o mais relevante a homenagem a patinadora Tonya Harding no tema com o mesmo nome, lançado no final de dois mil e dezassete.

Resultado de imagem para Sufjan Stevens Love Yourself With My Whole Heart

Agora, no início de junho, mês que comemora o Orgulho LGTBQ, Sufjan Stevens oferece-nos, à boleia da Asthamatic Kitty, um EP com dois inéditos, Love Yourself e With My Whole Heart, duas assumidas canções de amor cuja parte das receitas obtidas será oferecida às organizações Ali Forney Center em Harlem, Nova Iorque e o Ruth Ells Center, em Detroit, no Michigan, que apoiam, respetivamente, a comunidade LGBTQ e crianças sem lar norte-americanas.

Já com raízes em mil novecentos e noventa e seis, altura em que Sufjan Stevens gravou o tema pela primaiera vez, Love Yourself é uma peça pop de cariz eminentemente sintético, com um ligeiro travo gospel, conduzida por pianos melancólicos e uma suave batida, nuances que aglutinam uma forte veia eletroacústica algo suave e adocicada. Já With My Whole Heart, dentro de um psicadelismo eminentemente experimental, é um instante mais intimista, apesar da vasta miríade de efeitos, distorções de guitarra, interseções e arranjos que adornam uma composição bem à medida da imensidão e do silêncio que muitas vezes carateriza o vazio cósmico que nos invade sempre que o amor nos prega uma partida. Confere...

Sufjan Stevens - Love Yourself - With My Whole Heart

01. Love Yourself
02. Love Yourself (1996 Demo)
03. With My Whole Heart
04. Love Yourself (Short Reprise)


autor stipe07 às 16:35
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Quinta-feira, 30 de Maio de 2019

Andrew Bird – My Finest Work Yet

Já viu a luz do dia My Finest Work Yet, o décimo segundo álbum da carreira de Andrew Bird, um dos maiores cantautores da atualidade e com um vasto catálogo de canções que são pedaços de música intemporais. A elas Bird junta mais dez, abrigadas pela primeira vez pela Loma Vista Recordings, canções que, curiosamente, mostram pela primeira vez uma faceta crítica deste músico norte-americano natural de Chicago relativamente a alguns dos tópicos mais importantes da nossa contemporaneidade, nomeadamente as mudanças climáticas e o choque ideológico global entre o capitalismo de direita, o socialismo e o ambientalismo.

Resultado de imagem para Andrew Bird My Finest Work Yet

Líder na última década do século passado dos míticos Bowl Of Fire e apelidado de mestre do assobio, o multi-instrumentista e cantor, Andrew Bird tem consolidado a sua carreira a solo com uma notável frequência de lançamentos discográficos, fazendo-o sempre com elevada bitola qualitativa e conseguindo dar uma cariz identitário genuíno a cada um dos lançamentos, não se limitando, registo após registo, por repetir a mesma fórmula até à exaustão. Ele vai oferecendo-nos sempre novas nuances, detalhes e formas de compôr que entroncam numa base comum, a típica folk norte americana, proposta através de diferentes registos e papéis, mas sempre com a mesma eficácia e brilhantismo, uma das marcas identitárias da sua arte.

My Finest Work Yet, um disco gravado ao vivo no Barefoot Studios, em Los Angeles e produzido por Paul Butler, não foge à regra, com canções como Olympians, uma luminosa alegoria intensa e festiva, a setentista Fallorun e a charmosa Proxy War a escorrerem  à sombra de um clima claramente pop, gizado por cordas dedilhadas sempre na medida certa, sem grandes exageros, como é habitual na mestria interpretativa de Andrew. Depois há outras do calibre de Bloodless, um anguloso piscar de olhos ao jazz ou a mais incontida e paisagisticameente vasta Don The Struggle, a oferecerem-nos, dentro da espinha dorsal sonora do autor, outras interseções de maior risco e variedade, mas claramente bem sucedidas, relativamente ao universo sonoro acima referido, um espetro sonoro que tem como grande virtude a possibilidade de se acomodar facilmente aos mais variados géneros que a ela se queiram associar. E Bird mostra neste disco o quanto é exímio neste exercício climático de agregação, fazendo-o imbuído de sofisticação e com enorme bom gosto.

My Finest Work Yet é mais um instante precioso na discografia de um músico notável, um trabalho que mostra a sua beleza não só nos diversos momentos de intersecção entre vozes, sopros, teclas e cordas, mas principalmente no modo como exala um suspiro íntimo e pessoal sobre aspetos sociais que afligem o autor, repleto de optimismo e esperança relativamente a dia melhores. Espero que aprecies a sugestão...

Andrew Bird - My Finest Work Yet

01. Sisyphus
02. Bloodless
03. Olympians
04. Cracking Codes
05. Fallorun
06. Archipelago
07. Proxy War
08. Manifest
09. Don The Struggle
10. Bellevue Bridge Club


autor stipe07 às 16:12
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Quinta-feira, 23 de Maio de 2019

Sweet Baboo – The Vending Machine

Em novembro de dois mil e dezassete a empresa galesa de charcuteria Charcutier Ltd de Illtud e Liesel e a Amazing Tapes from Canton lançaram um curioso projeto intitulado The Vending Machine Project e convidaram Sweet Baboo aka Stephen Black, um músico e compositor natural de Cardiff, também no País de Gales, a fazer parte do mesmo com um álbum conceptual. Esclareço que o projeto The Vending Machine Project consiste na criação de máquinas de venda automática de produtos locais galeses, com destaque para os fumados e os enchidos, numa das lojas mais famosas de Cardiff, a Castle Emporium, situada em Womanby Street, uma das ruas mais movimentadas dessa cidade. A ideia é a promoção de produtos locais e regionais produzidos em quintas ecológicas e torná-los acessíveis de modo fácil e rápido a todos os interessados, adquirindo-os assim diretamente ao produtor, constituindo-se essa máquina como uma alternativa aos produtos de cariz mais industrializado e produzidos em grande escala, geralmente vendidos nas grandes superfícies comerciais. Além dos enchidos e fumados, queijo, manteiga e mel são outras iguarias que a máquina tem sempre pronta para venda diariamente.

Resultado de imagem para Sweet Baboo The Vending Machine

Sweet Baboo, cujo avô curiosamente era talhante, entra então no projeto a convite de Illtud e Liesel, os patrões da Charcutier Ltd, com o intuíto de criar uma banda-sonora do mesmo, que seja audível na máquina, a troco de uma ou duas salsichas de vez em quando. Assim a máquina The Vending Machine acaba também por funcionar como uma espécie de jukebox gigante, à boleia de um disco com esse nome, editado pela Bubblewrap Records e assente em nove composições possíveis de serem adquiridas também na máquina.

Com artwork da autoria de Rich Chitty, The Vending Machine volta a mostrar um Sweet Baboo irrepreensivel no modo multicolorido como conjuga diversas influências, que vão da folk à synth pop e sempre num registo algo infantil e até despreocupado, como se percebe, com notável impacto, no festivo single Lost Out On The Floor.

Esta conjugação de géneros acaba por dar alguma pompa e imponência a The Vending Machine e um curioso toque retro, ainda mais quando alguns arranjos algo kitsch resolvem aparecer, quase sempre sem aviso prévio. Por exemplo, em The Acorn Drop há uma linha de guitarra repetitiva e hipnótica, que parece transformar-se numa espécie de alarme repetitivo, que tanto causa repulsa como, em simultâneo, uma estranha atração, ampliada pelo modo como no refrão se distorce. Essa sensação repete-se no registo vocal adoptado em Pannage / Panic. Já em TV Theme o clima baladeiro criado pela secção rítmica e pelo orgão é claramente setentista e fervorosamente encadeante. Depois, em instantes mais calmos, a sensualidade pop do saxofone que abrilhanta Early Riser, o travo algo psicadélico das teclas sintetizadas que conduzem The Shipping Forecast e o travo jazzístico fumarengo dos sopros e do paino de Barnyard Rhumba, são detalhes que aprimoram e enchem de primor um disco que é, claramente, uma verdadeira festa, certamente organizada com muito amor e que merece ser elogiada pela sinceridade e pelo charme cativante com que se atreve a desafiar todos os nossos sentidos. Espero que aprecies a sugestão...

Sweet Baboo - The Vending Machine

01. Positive Record
02. Lost Out On The Floor
03. The Acorn Drop
04. Early Riser
05. The Shipping Forecast
06. Barnyard Rhumba
07. TV Theme
08. Pannage / Panic
09. Down The Afon Gwendraeth


autor stipe07 às 18:37
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