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Robert Forster - She's A Fighter

Sexta-feira, 06.01.23

Lembram-se dos míticos The-Go Betweens? Pois é... Robert Forster, um dos fundadores deste projeto australiano, andou bastante ocupado na década passada a orientar a histórica edição da Domino Records de Anthology Volume 1 1978-1984 , uma revisitação de alguns dos melhores momentos da sua antiga banda The Go-Betweens e escreveu o livro de memórias Grant & I, que foi eleito pela Mojo e pela Uncut como Livro do Ano. Mas Forster tem também um muito recomendável projeto a solo, que chamou a nossa atenção em dois mil e dezanove com o registo Inferno e que terá, brevemente, um novo capítulo.

Robert Forster's 'She's A Fighter' is short, stark, and striking - Double J

The Candle And The Flame é o título daquele que será o oitavo disco a solo de Robert Forster, um trabalho que encarna uma jornada de criação de música com a família e amigos com a necessidade do autor de encontrar alegria e consolo diante da adversidade e que irá ver a luz do dia a três de fevereiro. The Candle And The Flame irá conter, portanto, nove canções, todas escritas por Robert. o disco foi produzido por Robert, Karin Bäumler e Louis Forster (The Goon Sax), misturado por Victor Van Vugt (Nick Cave and The Bad Seeds, PJ Harvey) e conta com o baixista ex-Go-Betweens e Warm Nights Adele Pickvance, bem como Scott Bromiley e Luke McDonald (The John Steele Singers), nos créditos, músicos que trabalharam nos dois anteriores álbuns de Robert, Inferno e Songs To Play.

The Candle And The Flame tem como single de antecipação, a canção She's A Fighter, um solarengo festim pop, onde não falta uma vasta interseção de detalhes sonoros oriundos de diferentes latitudes e espetros sonoros, idealizados por um músico com uma vasta experiência e com uma irrepreensível formação musical. Confere...

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publicado por stipe07 às 13:16

Os Melhores Discos de 2022 (10-01)

Sexta-feira, 30.12.22

10 - Guided By Voices - Tremblers and Goggles by Rank

É o rock no seu estado mais genuíno que sustenta o arquétipo sonoro de Tremblers and Goggles by Rank, um portento de ruído e vigor, só ao alcance de verdadeiros mestres da arte de criar canções que conseguem manter à tona uma forte sensibilidade melódica, mesmo que estejam encharcadas em riffs de guitarra irascíveis e linhas de baixo quase descontroladas. É um rock que ganha luminosidade e que também atinge territórios ditos mais progressivos e até psicadélicos, mas sem nunca abafar a filosofia fundamental, quer do disco, quer do adn de quem o criou. Robert Pollard e os Guided by Voices são, sem dúvida nenhuma, uma máquina extremamente bem oleada e que, dentro de um espetro sonoro que se pode caraterizar por uma espécie de súmula entre o garage rock e o art punk, continuam a provar ser dignos de relevância e merecedores de odes significativas, enquanto analisam e criticam, com uma angulosa assertividade poética, diga-se, esta contemporaneidade que é, para Pollard, um manancial crítico infindável.

9 - Arctic Monkeys - The Car

The Car mantém as teclas como grandes protagonistas do esqueleto dos seus temas, quase sempre criados ao piano por Turner. No entanto, é curioso escutar atentamente os primeiros acordes de quase todas as canções porque, além de nos deixarem muitas vezes numa deliciosa dúvida sobre qual será o rumo de cada canção, demonstram que as cordas e a bateria foram também essenciais no burilamento arquitetural de praticamente todo o alinhamento do disco. Os restantes elementos do grupo estiveram claramente sintonizados com Turner, nomeadamente pelo modo harmonioso e simbiótico como incorporaram os seus instrumentos nas melodias. Os Arctic Monkeys continuam sintonizados com o absurdo sociológico e político dos nossos tempos, numa carreira de assinalável coerência e bastante marcada por momentos de exaltação e de vigor que nunca descuraram uma profunda reflexão sobre aquilo que os rodeia. Portanto, à semelhança do que sucedeu em Tranquility Base Hotel And Casino, mostram-se, em The Car, incisivos e irónicos, desta vez olhando menos para o espaço e mais para o outro vazio, o das cidades densamente povoadas, fazendo-o abrigados por um vasto manancial de referências que, piscando o olho a latitudes sonoras consentâneas com as tendências atuais do espetro sonoro em que se movimentam, enriquecem tremendamente o cardápio sonoro do quarteto, que é, claramente, uma banda fundamental do indie rock alternativo contemporâneo.

8 - Broken Bells - Into The Blue

Este novo disco dos Broken Bells é um portento inabalável de indie pop, daquela indie pop charmosa, convincentemente majestosa e descaradamente fulgurante, incubado por dois músicos com provas mais do que dadas em variadíssimos subgéneros sonoros, quer como autores, compositores e intérpretes, mas também quer como produtores. Assim, com uma herança tão rica em ombros, só aos mais distraídos é que pode surpreender o elevadíssimo refinamento deste alinhamento de nove canções, que entusiasma e suscita sem grande sacrifício repetidas, mas sempre prazeirosas audições. O universo dos Broken Bells sempre oscilou entre atmosferas místicas carregadas com harmonias vintage e terrenos cósmicos futuristas, numa vivência feliz entre o retro e o tecnológico, assente em doces melodias e sofisticados arranjos vocais, com o falsete de Mercer, efusivo, a dar um pulsar e um charme verdadeiramente único aos seus próprios versos. Em Into The Blue este cardápio traça-se nas curvas sinuosas de um caminho que faz esta parceria Broken Bells atingir, finalmente, o real e maior potencial dos seus dois pólos.

7 - Death Cab For Cutie - Asphalt Meadows

À medida que as audições de Asphalt Meadows se repetem, as suas onze canções ganham cada vez mais rugosidade e sentimento dentro do ouvinte empenhado e dedicado, uma evidência embalada por uma vasto arsenal de explosões sónicas vigorosas e musculadas, que, mesmo com esse perfil que pode soar a algo de certo modo cru e desprovido de sentimento, emocionam o ouvinte mais incauto com uma facilidade incrível. Os Death Cab For Cutie acabam de nos mostrar, com clarividência, a impressão firme no lado de cá da barricada de estarmos perante uma banda extremamente criativa, atual, inspirada e inspiradora e que sabe sempre como agradar aos fãs. Se dúvidas ainda haviam, agora é um facto que nunca mais colocaremos reservas sempre que este quarteto norte-americano colocar algo de novo debaixo dos nossos radares.

6 - Arcade Fire - WE

A exuberância das cordas, o modo como os temas evoluem através do piano e da voz inconfundível de Butler, alicerçada num catálogo de nuances e variações nunca visto, até atingirem um pico orquestral quase sempre exuberante, são caraterísticas de um álbum que emociona e instiga e que carrega um ambiente sonoro que aprimorou a tonalidade da escrita quase religiosa de Butler e Chassagne. Podemos até acrescentar que WE terá a capacidade de até nos pode fazer dançar, com a certeza de que, ao contário do que aconteceu com registos anteriores do grupo, não há o risco de, há mínima escorregadela, podermos cair para um lado mais obscuro e depressivo. Em suma, sendo WE um trabalho altamente preciso e controlado e pensado ao mínimo detalhe, é indesmentível que vai ao encontro das enormes expetativas que sobre ele recaia desde que foi prometido, personificando um salto qualitativo em frente (ou para atrás, dependendo da perspetiva) na carreira dos Arcade Fire, ao mesmo tempo que volta a empolgar os fãs e apreciadores da banda relativamente ao futuro sonoro de uma das maiores e melhores bandas do mundo.

5 - Palace - Shoals

Shoals, o terceiro disco da carreira dos Palace, é um faustoso compêndio de doze canções, abrigado por alguns dos melhores pilares estilísticos e conceptuais que sustentam a nata do rock alternativo atual, um modus operandi que não descura piscares de olhos descarados a ambientes eminentemente clássicos, polidos e orquestralmente ricos e que pretendem puxar o ouvinte para um lado muito reflexivo e sonhador. É um disco que, enquanto explora a relação dos conceitos de sonho e medo, com aquilo que é palpável e a realidade, coloca-nos, hipnotizados, num mergulho em queda livre rumo a um universo vasto e exótico, mas também indiscutivelmente humano e sensorial.

4 - Alt J - The Dream

The Dream é um álbum inspirado em histórias e eventos relacionados com o mundo do crime que também existe em Hollywood, mas também está muito marcado pelo modo como a banda viveu a situação pandémica que todos conhecemos e que, de acordo com Joe Newman, o fez querer ser mais responsável e adulto no modo como escreve as letras das suas canções que, continuando a ser sobre eventos fictícios, acabam por ter paralelo com algumas das suas vivências mais recentes. Vive-se , durante a sua audição, numa permanente tensão de nunca se saber que som, detalhe, nuance, efeito, ritmo ou arranjo vem no segundo seguinte e essa é, na verdade, a melhor sensação que se pode receber de um trabalho único que foi feito com vasto leque de referências. Da pop ambiental contemporânea ao art-rock clássico, passando pelo R&B, The Dream é uma epopeia onde se acumula um amplo referencial de elementos típicos desses diversos universos sonoros e que se vão entrelaçando entre si de forma particularmente romântica, cinematográfica e até, diria eu, objetivamente sensual.

3 - Kevin Morby - This Is A Photograph

Produzido por Sam Cohene e com as participações especiais de Cassandra Jenkins, Makaya McCraven, Tim Heideker e Alia Shawkat, This Is A Photograph é um disco de memórias e de exorcização, já que é bastante inspirado numa coleção de fotografias que estavam guardadas na casa onde cresceu e que Morby começou a vasculhar na mesma noite em que o pai faleceu enquanto jantava. O alinhamento do registo mistura, com fino recorte, folk, blues, rock e country, idealizado por um artista que começou a carreira aventurando-se no rock clássico, depois deu-lhe algumas pitadas indie e agora, mais maduro e na melhor fase da carreira, navega confortavelmente nas águas agitadas que misturam tudo aquilo que é, por definição, a força da música americana mais pura e genuína.

2 - The Smile - A Light For Attracting Attention

A Light For Attracting Attention disserta com gula, cinismo, ironia, sarcasmo, têmpera, doçura e esperança, sobre a nossa cada vez mais estranha contemporaneidade. Os seus pilares sonoros estão assentes numa dimensão sonora eminentemente épica e orquestral. São composições detalhísticamente ricas em nuances, pormenores, sobreposições e encadeamentos, quase sempre guiadas por um cardápio de cordas geralmente com um timbre abrasivo e rugoso, mas também por um registo percussivo de forte travo jazzístico, ou seja, canções que exalam aquele habitual ambiente soturno que decalca um terreno auditivo muito confortável para Yorke, que sempre gostou de se debruçar sobre o lado mais inconstante e dilacerante da nossa dimensão sensível e de colocar a nu algumas das feridas e chagas que, desde tempos intemporais, perseguem a humanidade e definem a propensão natural que o homem tem, enquanto espécie, de cair insistentemente no erro e de colocar em causa o mundo que o rodeia.

1 - Spiritualized - Everything Was Beautiful

Everything Was Beautiful é um clássico instantâneo. É um disco repleto de calafrios na espinha e nós na garganta. É um fabuloso tratado de indie rock experimental, mas, principalmente, mais uma banda sonora indicada para instantes da nossa existência em que somos desafiados e superar obstáculos que à partida, por falta de coragem, fé e alento, poderiam ser insuperáveis, mas que durante a audição do registo sabem a meros precalços ou areias na engrenagem de fácil superação. Cascatas de guitarras mais ou menos distorcidas, sintetizações cósmicas variadas, espirais de violinos em catadupa, impacientes e rebeldes sopros e um registo percurssivo com a dinâmica e o vigor indicados, são o receituário que suporta a arquitetura sonora de um alinhamento que também se define, como não podia deixar de ser, pela sua destreza melódica, um expediente essencial nas canções dos Spiritualized que buscam sempre os atalhos mais diretos para o coração do ouvinte. 

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publicado por stipe07 às 17:48

Cœur De Pirate – Parfait Noël

Quinta-feira, 22.12.22

Na véspera de Natal de dois mil e dezasseis revelámos que os canadianos Cœur De Pirate de Béatrice Martin e Renaud Bastien, tinham lançado, à época, um EP intitulado Chansons Tristes Pour Noël, que continha três canções, duas cantadas em francês e uma cover do clássico dos Wham!, Last Christmas. Esse EP Chansons Tristes Pour Noël era um pequeno mas aconchegante instante natalício, perfeito para tocar na noite de consoada, naquela pausa entre o levantar das espinhas do bacalhau da mesa e a ascensão do leite creme ao primeiro plano da mesma, com uma elevada toada nostálgica e uma luminosidade muito peculiar.

Une chanson de Noël pour Cœur de pirate | La Presse

Agora, no natal de dois mil e vinte e dois, a dupla volta à carga com uma nova canção de Natal. Chama-se Parfait Noël e nela, os Cœur De Pirate induziram arranjos de cordas exuberantes e imensos detalhes percussivos tipicamente natalícios, num cosmos onde se mistura harmoniosamente a exuberância acústica da voz de Béatrice, com um exuberante arsenal instrumental melodicamente sagaz e sentimentalmente pleno de dramatismo e emotividade. 

Optimistas por natureza, estes dois músicos mostram-se, neste canção, mais uma vez maduros e conscientes, compondo num estágio superior de sapiência que lhes permite utilizar o habitual espírito acústico que os carateriza, para contar histórias, neste caso uma de natal, que os materializam na forma de conselheiros espirituais sinceros e firmes, ainda por cima com a ousadia de nos quererem guiar pelo melhor caminho, sem mostrar um superior pretensiosismo ou tiques desnecessários de superioridade. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 15:33

Silvermannen – A Wishful Christmas

Quarta-feira, 21.12.22
Os suecos Tobias Borelius e Johan Eckman foram pela primeira vez citados na nossa redação em dois mil e onze, devido ao projeto Emerald Park que, nesse já longínquo ano, editou o registo For Tomorrow, disco que nos ofereceu um verdadeiro banquete de pop rock de contornos alternativos e indie e que, à época, plasmava com elevada bitola qualitativa a já habitual enorme criatividade musical que o cenário alternativo nórdico geralmente nos oferece. Já agora, aproveito para revelar que os Emerald Park lançaram, em novembro último, o single Little Things, uma canção que conta com a participação especial de Hate The Boyfriend.
Agora, no Natal de dois mil e vinte e dois, Tobias e Johan voltam a merecer a nossa referência devido a uma composição intitulada A Wishful Christmas, que assinam com o nome Silvermannen, um novo projeto da dupla. A Wishful Christmas é uma clássica canção de natal, que brilha no modo como as teclas do piano acamam uma vasta miríade de cordas das mais diversas proveniências e que também está repleta de arranjos percussivos tipicamente natalícios, com destaque para o xilofone e os sinos. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:23

Kishi Bashi – All I Want For Christmas Is You

Terça-feira, 20.12.22

Original de Mariah Carey, datado de mil novecentos e noventa e quatro, All I Want For Christmas Is You é, quase vinte anos depois da sua incubação, uma das mais famosas e revistas composições desta época do ano, uma canção de amor e, de certa forma, o tema de Natal dos dias modernos mais solidificado na cultura e na música populares.

Song Premiere: Kishi Bashi, 'It's Christmas, But It's Not White Here In Our  Town' : All Songs Considered : NPR

O norte-americano Kishi Bashi é mais um nome a juntar à extensa lista de artistas que já revisitaram o tema, uma lista que inclui nomes tão proeminentes como Justin Bieber, Shania Twain, My Chemical Romance e Amber Riley, entre outros. O músico natural de Athens, na Georgia e que chegou ao nosso radar à cerca de uma década com o registo 151a, deu à sua versão de All I Want For Christmas Is You um enorme e generoso festim de alegria e descomprometimento, fruto da profunda veia inventiva de Kishi Bashi que, para criar esta versão, apostou numa espécie de ramificação barroca ou orquestral da pop, num resultado final que vive em função de violinos, de arranjos claramente pomposos e cheios de luz e do seu habitual registo vocal cristalino. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:16

Dropkick – All I Want For Christmas Is A Rest (Is It Only Another Day​​?)

Segunda-feira, 19.12.22

Os escoceses Dropkick encontram-se em estúdio a gravar um novo registo de originais e aproveitarma a presença em estúdio para gravar uma nova canção de natal, algo que não faziam há já uma década. O novo tema do natal desta banda formada por Andrew Taylor, que partilha com o espanhol Gonzalo Marcos o projeto The Boys With The Perpetual Nervousness (TBWTPN), que foi dissecado por cá recentemente, Ian Grier e Alan Shields, chama-se All I Want For Christmas Is A Rest (Is It Only Another Day​​?) e foi gravado no quartel general da banda, os estúdios Inch House, em Edimburgo.

All I Want For Christmas Is A Rest (Is It Only Another Day?) | Dropkick

All I Want For Christmas Is A Rest (Is It Only Another Day​​?) é um tema feito com todos os ingredientes daquele indie rock melodicamente sagaz e que, desbravando caminho até uma mescla contundente entre os primórdios da surf pop e o melhor rock oitocentista, deslumbra pelo jogo charmoso que, ao longo da canção, se vai estabelecendo entre cordas e a percussão, no meio de algum fuzz constante. Confere...

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publicado por stipe07 às 20:23

Pixies – Doggerel

Quinta-feira, 08.12.22

Dois mil e vinte e dois foi mais um ano particularmente profícuo para os Pixies. Começaram logo no final do passado inverno por divulgar uma nova canção intitulada Human Crime e logo aí percebeu-se que seria eminente a chegada de um novo disco desta banda americana de rock alternativo formada em Boston, Massachusetts, em mil novecentos e oitenta e seis. E, de facto, tais expetativas vieram a confirmar-se à boleia de um disco chamado Doggerel, o oitavo do grupo, que chegou recentemente aos escaparates, com a chancela da BMG.

Pixies: Doggerel review – pristinely produced absurdism | Pixies | The  Guardian

Doggerel é um álbum maduro e visceral, um registo feito de folk macabro, pop festivo e de um rock brutal, assombrado pelos fantasmas dos negócios e das indulgências, conduzido à loucura pelas forças cósmicas e pelo sexo e visualizando vidas onde Deus não providenciou. E, de facto, se em canções como There's A Moon On, a toada enérgica e vibrante das guitarras que arquitetam este tema ilustram uns Pixies a tentarem honrar o som roqueiro e lo fi do passado, esse modus operandi também plasma um salutar alinhamento com as tendências mais recentes do campo sonoro em que o quarteto se movimenta, uma permissa particularmente impressiva que se repete, com nuances mais sombrias e requintadas, em Vault Of Heaven. Depois, Dregs Of The Wine, o primeiro tema criado pelo guitarrista Joey Santiago, oferece-nos uns Pixies tremendamente arrojados, o que não surpreende, colocando o melhor grunge noventista em declarado ponto de mira.

Doggerel é um disco explosivo, vibrante e claramente o trabalho da banda que mais a aproxima da herança feroz que os Pixies nos deixaram há cerca de três décadas. Doggerel também merece exaltação porque não é obra unicamente saída da mente criativa de Black Francis, mas antes uma feliz conjugação de esforços, que inclui o produtor Tom Dalgety (Royal Blood, Ghost) e as contribuições ímpares, quer no processo de escrita, quer no arquétipo das canções, dos restantes membros da banda, o já referido guitarrrista Joey Santiago, o baterista David Lovering e a baixista Paz Lenchantin. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 17:44

Storm the Palace - La Bête Blanche

Quarta-feira, 07.12.22

Três anos depois de Delicious Monster, o coletivo escocês Storm The Palace está de regresso aos lançamentos discográficos com La Bête Blanche, o terceiro álbum da carreira de uma banda atualmente formada por Sophie Dodds, Reuben Taylor, Willa Bews, Jon Bews e Alberto Bravo. É um alinhamento de quinze canções incubadas durante o atípico período pandémico e que nos oferecem diversos relatos impressivos de sonhos, desejos, aspirações, anseios, medos, crenças e sensações, com o universo cinematográfico mais fantasioso a ser também pedra de toque basilar e nomes como Bowie, Hedningarna, Broadcast, Cocteau Twins, Vangelis, Harold Budd, Alice Coltrane, Kate Bush ou Magnet Wickerman referências declaradas.

Watch: Storm the Palace - Some Of The Beasts And Birds We Saw - Folk Radio  UK

É de indie rock na sua essência mais tradicional e singela que se faz o conteúdo de La Bête Blanche, mas também de punk e folk, duas marcas identitárias do cancioneiro tradicional e contemporâneo britânico, num registo que se pode definir como clássico e até intemporal. Esta é a simbiose que marca o ADN dos Storm The Palace e que o terceiro álbum do projeto carimba com fulgor, criado por uma banda que não renega até, se for necessário, apropriar-se de sonoridades estranhas e bizarras, que acabam por, no resultado final, mostrar-se inovadoras, sedutoras e repletas de charme.

Canções como Born On The Other Side, um portento daquela luz barroca que deslumbra e ofusca, através de um imponente registo vocal e de violinos inquietantes, ou a lamechice encapotada de The Witch Bitch, são apenas duas das várias provas concretas da excentricidade deste grupo e da rara graça com que os seus membros combinam e manipulam, com sentido melódico e lúdico, a estrutura de uma canção, no fundo, um esforço indisciplinado, infantil e claramente emocional, mas bem sucedido de se manterem à tona de água na lista das bandas imprescindíveis para contar a história atual da pop de Terras de Sua Majestade.

 La Bête Blanche pode ser aconchegante, mas também incómodo e até, imagine-se insuportável, consoante o nosso estado de espírito e a nossa condição em determinado momento. E essa miscelânea de sensações que o disco proporciona, que às vezes parece que saí daquele velhinho rádio a pilhas com um napron rendado por cima, além de cimentar uma forte proximidade entre banda e ouvinte, também firmada na crueza instrumental de praticamente todas as canções, faz-nos penetrar num verdadeiro antro de perdição que atiça todos os nossos sentidos, sempre com uma elevada toada nostálgica e uma luminosidade muito peculiar. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 15:57

Local Natives – Just Before The Morning (Acoustic Version)

Terça-feira, 06.12.22

Três anos depois do excelente disco Violet Street e dois do EP Sour Lemon, os Local Natives de Taylor Rice regressaram em dois mil e dois com novas canções. Começaram a safra em julho último com os temas Desert Snow e Hourglass, que não traziam ainda atrelado o anúncio de um novo disco da banda de Los Angeles, uma incógnita que se manteve no final de outubro com Just Before The Morning, o último tema divulgado pelo projeto californiano.

Just Before The Morning (Acoustic Version) | Local Natives

O original Just Before The Morning foi gravado em três diferentes estúdios de Los Angeles, os Valentine Recording Studio, 64Sound e Sargent Recorders. Conceptualmente, a canção explora o ciclo natural da vida e a noção de recomeço e, sonoramente, a versão original contém um curioso travo que, entre epicidade e lisergia, nos remete para a melhor herança do rock experimental que fez escola na década de setenta do século passado e que hoje bandas como os MGMT ou os Tame Impala vão burilando e aprimorando com particular minúcia.

Agora, quase no Natal de dois mil e vinte e dois, Just Before The Morning foi revisitada pela banda numa fabulosa versão acústica, que amplia a toada melancólica do tema, colocando os Local Natives num patamar ainda mais sofisticado e charmoso do que o habitual. Confere...

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publicado por stipe07 às 21:07

The Natural Lines – Monotony

Domingo, 04.12.22

The Natural Lines é o novo projeto de Matt Pond, lider da banda de Filadélfia Matt Pond PA que, já agora, anunciou um hiato até dois mil e vinte e seis. Este projeto The Natural Lines já chamou a atenção da insuspeita Bela Union, editora que vai chancelar o disco homónimo de estreia da banda, com saída prevista para o dia vinte e quatro de março do próximo ano. Matt gravou o disco com a ajuda de Chris Hansen, que além de coproduzir o registo e de cantar em alguns dos sus temas, também tocou baixo teclas, saxofone. Outros músicos que tambem fazem arte dos créditos de The Natural Lines são Hilary James (violoncelo e vozes), Kyle Kelly-Yahner (bateria), Louie Lino (teclas), Sarah Hansen (sopros), Sean Hansen (baixo e bateria) e Kat Murphy e MJ Murphy (vozes).

With 'Still Summer,' Matt Pond PA Announces Its Final Album : All Songs  Considered : NPR

Monotony, a canção que abre este álbum de estreia do projeto The Natural Lines, é o primeiro single extraído do seu alinhamento e está a fazer furor no seio da crítica, não só por causa do seu conteúdo sonoro, mas também devido à participação da comediante Nikki Glaser no vídeo do tema. Monotony é uma canção que se debruça sobre o balaço e o equilíbrio que todos temos de encontrar entre paixão e tranquilidade, uma canção que nos oferece um verdadeiro festim de cordas luminosas e vibrantes, entrelaçadas por diversos efeitos enleantes e uma bateria e um baixo vigorosos, que acamam uma composição que nos proporciona contemplar um feliz tratado de indie rock melancólico e pleno de sentimento e amoção. Confere...

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publicado por stipe07 às 17:34






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