Terça-feira, 4 de Dezembro de 2018

Conor Oberst – No One Changes vs The Rockaways

Nos últimos meses, o norte-americano Conor Oberst, um músico natural de uma pequena localidade no estado do Omaha mas radicado em Nova Iorque há mais de uma década, tem estado na penumbra, mas nem por isso deixou de estar atarefado. Escreveu um tema initulado LAX, que foi interpretado por Ethan Hawke na comédia romântica Juliet, Naked, depois gravou mais uma versão desse tema com Phoebe Bridgers e, como agradecimento, Bridgers convidou-o para tocar harmónica na versão que fez de Powerful Man, um original de Alex G. Agora, quase no ocaso de dois mil e dezoito, Oberst acaba de divulgar dois novos temas, No One Changes e The Rockaways, disponíveis em formato single e que terão edição física em vinil de sete polegadas, lá para fevereiro do próximo ano.

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Estas duas novas composições de Conor Orbest poderiam muito bem fazer parte do seu aclamado álbum Ruminations, editado há cerca de dois anos e ainda sem sucessor anunciado, um registo que, como ceertamente os mais atentos se recordarão, tinha uma tonalidade bastante intimista e melancólica e até algo depressiva. Estas sensações trespassam quer por No One Changes quer por The Rockaways, com a primeira canção, sobre o amor próprio, a assentar num inspirado piano e a segunda, uma composição sobre os momentos bons que devemos sempre recordar quando há uma separação, a oferecer-nos uma sonoridade acústica bastante impressiva e intensa, ampliada pela participação especial das teclas do sintetizador de Nathaniel Walcott , membro dos Bright Eyes. Confere...

Conor Oberst - No One Changes

01. No One Changes
02. The Rockaways


autor stipe07 às 13:11
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Quarta-feira, 21 de Novembro de 2018

LUMP - LUMP

Foi no início do último verão que viu a luz do dia, à boleia da Dead Oceans, LUMP, o disco homónimo de estreia do projeto com o mesmo nome que junta os britânicos Laura Marling e Mike Lindsay, membro dos Tunng, uma inusitada mas bem sucedida colaboração que começou a ganhar vida há cerca de dois anos quando os dois músicos se conheceram. LUMP materializa-a em sete canções que se fundamentam numa necessidade de ambos de refletirem sobre a sociedade de consumo, através de composições misturadas com uma ímpar contemporaneidade e com inegável bom gosto, cimentadas numa fusão feliz entre pop, eletrónica e folk.

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Lump is a product, assim termina este disco que tem como principal força motriz as reflexões de Laura sobre a desmesurada importância que as marcas, os produtos e a aparência têm na realização pessoal de muitas pessoas. Palavra escolhida pela filha de seis anos de Marling para batizar quer o disco, quer a figura criada para o mesmo que ilustra o artwork, quer o próprio projeto, LUMP tem essa carga conotativa, servindo como uma espécie de sinónimo ou de palavra chave para aquilo que é o pensamento crítico da dupla relativamente à obsessão pelo consumo, um vocábulo que aqui é personificadono tal peluche e musicado numa combinação de estilos entre a habitual interpretação vocal angelical de Marling e o modus operandi sonoro de Lindsay, um compositor que está sempre pronto para criar melodias doces e cativantes, mesmo que sejam adornadas, muitas vezes, com arranjos e samples à primeira vista tendencialmente agrestes e ruidosos. Acaba por ser uma parceria que, à primeira audição, pode parecer antagónica, mas que acaba por soar a um charme e a uma elegância inegáveis, principalmente no modo como, em vários temas, alguns detalhes percussivos algo abrasivos e um vasto oceando de sintetizações, a maioria de cariz falsamente minmalista, se entrelaçam com o registo vocal doce e aconchegante de Marling.

Desse modo, na intrigante combinação de cordas com teclas e na tremenda languidez vocal em Hand Hold Hero (Money didn’t buy you nothing at all, Accept a ball for your chain), no clima algo claustrofóbico, mas também empático de Shake Your Shelter (born a crab, naked and sad), uma canção que reflete de modo impressivo aquela sensação de isolamento e de vazio que muitos sentem num mundo tão amplo e tão vasto como é o nosso, exatamente por causa de algumas opções comportamentais (I know the feeling of losing the ceiling on a beach full of empty shells)  e na pop charmosa e espirituosa de Curse of the Contemporary, a composição melodicamente mais feliz e acessível do disco, LUMP vai-se convertendo nos nossos ouvidos num portento de sensibilidade e optimismo, um álbum a transbordar uma espécie de amor que é oferecido por quem cria a quem escuta e que parece ser só passível de ser sentido na nossa imaginação, mas que é real porque nos liberta definitivamente de algumas das amarras que ainda filtram o modo como a nossa consciência vê o mundo, dia após dia. De facto, o maior ensinamento que LUMP nos permite usufruir é que no seio de um processo de criação sonora algo complexo e que não renegou o uso de várias influências e onde o experimentalismo livre de constrangimentos se assumiu como uma filosofia condutora marcante,  é uma verdade insofismável que por mais que a existência humana e tudo o que existe em nosso redor, estejam amarrados à ditadura da tecnologia, estas canções podem ser um veículo para o encontro do bem e da felicidade, quer pessoal quer até coletiva. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 15:33
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Terça-feira, 20 de Novembro de 2018

The Good, The Bad And The Queen – Merrie Land

Doze anos depois do excelente disco de estreia homónimo, os The God, The Bad And The Queen de Damon Albarn, Paul Simonon, Simon Tong e Tony Allen estão de regresso com Merrie Land, um registo que chegou aos escaparates há alguns dias. É um estrondoso trabalho discográfico, produzido por Tony Visconti e que poderá muito bem vir a figurar em várias listas dos melhores álbuns de dois mil e dezoito.

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O melancólico, mas sempre genial, brilhante, inventivo e criativo Damon Albarn é, obviamente, a personagem central deste projeto que junta quatro músicos de insuspeita qualidade e com provas dadas no panorama indie britânico há várias décadas. Assim, falar da filosofia que Damon Albarn pretende como artista para este projeto The Good, The Bad And The Queen, que esperou quase uma dúzia de anos para ter um novo registo depois da espetacular estreia, e não abordar as experiências musicais do artista em projetos tão significativos como os Blur, os Gorillaz ou a solo, é algo impossível, já que em todos eles há um ponto em comum bem vincado, o modo como o homem Damon Albarn vê a contemporaneidade e em especial a Inglaterra e como, na pele do artista Damon Albarn, transporta as suas ideias e essa sua visão crítica bastante clínica, lúcida e clarividente para as canções que compôe e que, independentemente do género e estilo que abarcam (e os seus vários projetos permitem-lhe uma abrangência e um ecletismo ímpares), têm sempre um marco de excelência, de brilho e de bom gosto.

Assim, se o homónimo The Good, The Bad & The Queen narrava, de certo modo, uma jornada imaginária por algumas ruas mais obscuras de uma Londres cosmopolita mas ainda com fortes marcas ancestrais e com tradições que remontam à revolução industrial, Merrie Land deve imenso a algumas viagens que Albarn fez pelo norte de Inglaterra, nomeadamente pela zona costeira de Blackpool, de certo modo descritas quer no tema homónimo quer em Lady Boston, oferecendo-nos, assim, uma visão mais abrangente sobre o reino de sua majestade, com as suas onze canções a ganharem vida através de poemas comuns sobre o quotidiano ordinário de um típico bife, na busca de explicarem aquilo que é hoje o ser inglês, com a realidade civilizacional, social, económica e cultural do mesmo muito marcada pela crise financeira de início desta década em Inglaterra, as consequentes medidas de austeridade que potenciaram o brexit e, mais recentemente, a comemoração dos cem anos do fim da primeira grande guerra e as memórias familiares que este evento despoletou em muitas famílias inglesas que têm aproveitado o momento para homenagearem e recodarem alguns dos seus heróis esquecidos e as suas façanhas.

É pois, nas asas de uma espécie de folk rock baseado em cordas exuberantes e com um brilho muito inédito e sui generis, amiúde adornadas por detalhes percursivos curiosos, dos quais sobressaiem diversos tipos de metais, um baixo discreto mas essencial no sustento do edifício melódico da maioria dos temas e um piano algo descontraído mas que aparece sempre no momento certo para conferir uma elevada dose de charme, que brilham canções como a descontraída e animada Gun To The Head ou a intrincada homónima. Esta última, por exemplo, é uma lindíssima peça sonora que nos coloca no meio de um teclado cósmico, de leves batidas e de uma guitarra que nos faz emergir da solidão, com a voz calma e humana de Albarn a mostrar-nos, uma vez mais, que por trás de um músico que tinha tudo para viver uma existência ímpar e plena de excessos, existe antes um homem comum, às vezes também solitário e moderno. Mas também nos detalhes doces da contemplativa Ribbons, no clima mais soturno de Nineteen Seventeen ou na sedutora Drifters & Trawlers se consegue sentir aquela névoa húmida tipicamente britânica e visualizar multidões em chapéu de coco a beber um chá ou um gin e a ter conversas humoradas com o típico sotaque que todos conhecemos, enquanto ao fundo, chaminés de tijolo fumarentas e barcos a vapor fazem respirar a alma de um povo sedento de normalidade, num mundo atual tão mecanizado e rotineiro e que, tantas vezes, atrofia, de algum modo, a predominância das vontades e necessidades de cada um, em detrimento daquilo que é descrito como o bem e a vontade comuns. Espero que aprecies a sugestão... 

The Good, The Bad And The Queen - Merrie Land

01. Introduction
02. Merrie Land
03. Gun To The Head
04. Nineteen Seventeen
05. The Great Fire
06. Lady Boston
07. Drifters And Trawlers
08. The Truce Of Twilight
09. Ribbons
10. The Last Man To Leave
11. The Poison Tree


autor stipe07 às 21:05
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Sábado, 17 de Novembro de 2018

Cat Power – Wanderer

Seis anos depois do excelente Sun, já viu a luz do dia Wanderer, o  décimo álbum de estúdio da norte-americana Cat Power, uma cantora e compositora também conhecida como Chan Marshall, nascida em Atlanta, na Georgia e que foi cedo viver para Nova Iorque onde conheceu  Steve Shelley (baterista dos Sonic Youth) e Tim Foljahn (guitarrista dos Two Dollar Guitar) que a encorajaram a gravar Dear Sir (1995) e Myra Lee (1996), os seus primeiros registos de originais e que, desde logo, chamaram a atenção de Matador Records, sendo este Wanderer o primeiro alinhamento que ela publica noutra etiqueta, neste caso a também insuspeita Matador Records.

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Uma das personalidades mais carismáticas e íntegras do indie rock atual, Cat Power oferece-nos em Wanderer mais um disco cheio de emoção e repleto de testemunhos de uma vivência pessoal que é, no fundo, comum a tantas mulheres da sua idade. E é curioso perceber que esta artista não é propriamente púdica no modo como se expôe aos seus admiradores e lhes conta eventos através das suas canções, quase como se estivesse a fazê-lo num balcão de um bar a uma das suas amigas numa noite de diversão. Aliás, escuta-se o dueto dela com Lana Del Rey em Woman e parece que estamos a testemunhar algo parecido com essa descrição. E depois, quando em Robin Hood ela disserta sobre as dificuldades da vida de quem tenta sobreviver com menos posses, ou quando em Me Voy ela fala diretamente connosco quase em jeito de despedida, percebemos esta proximidade que ela faz questão de ter com o ouvinte, esta busca clara de uma conexão que, como seria de esperar, faz que Wanderer tenha um clima geral bastante introspetivo, cheio de momentos de rara beleza e a exalarem a um forte travo a vulnerabilidade.

Produzido também com a ajuda da autora e com todos os instrumentos a serem tocados pela mesma, Wanderer deambula entre a folk, o blues e o melhor cancioneiro norte-americano, sabendo, por isso, sonoramente, a toda a carreira de Cat Power, já que foram estas as bitolas pelas quais ela se foi guiando nestas duas décadas, mesmo quando em Sun, o antecessor, ela explorou territórios mais eletrónicos e sintéticos, ou quando, neste mesmo Wanderer, nos oferece uma versão de Stay, um tema que Mikky Ekko produziu para o Unapologetic (2012), de Rihanna. Assim, cheio de pianos e guitarras inspiradas é, em suma, um registo de celebração de uma autenticidade rara nos dias de hoje, um disco que sabe a oferenda, mas também a versatilidade e empenho, por parte de uma das artistas mais marcantes, maduras e criativas do cenário musical contemporâneo. Espero que aprecies a sugestão...

Cat Power - Wanderer

01. Wanderer
02. In Your Face
03. You Get
04. Woman (Feat. Lana Del Rey)
05. Horizon
06. Stay
07. Black
08. Robbin Hood
09. Nothing Really Matters
10. Me Voy
11. Wanderer/Exit


autor stipe07 às 15:00
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Domingo, 11 de Novembro de 2018

Fleet Foxes – First Collection: 2006-2009

Para comemorar em grande estilo os dez anos do clássico Fleet Foxes, o disco de estreia dos Fleet Foxes, a banda e a etiqueta Sub Pop resolveram editar um registo em formato físico e digital, que inclui a reedição desse trabalho, além dos EPs Sun Giant EP e The Fleet Foxes EP, assim como alguns lados b de singles editados desses alinhamentos e outras raridades, num total de trinta composições que narram sonoramente os três primeiros anos de vida deste projeto norte americano atualmente formado por Robin Pecknold, Skyler Skjelset, Casey Wescott, Christian Wargo e Morgan Henderson e que lançou no verão do ano passado o excelente álbum Crack-Up.

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First Collection: 2006-2009 é, portanto, uma excelente oportunidade para, quer os fâs mais antigos quer os mais recentes, perceberem como começou a ganhar asas um grupo que sempre soube como construir uma soberba imagem de paz e tranquilidade dentro de nós. De facto, em canções como White Winter Hymnal ou Tiger Mountain Peasant Song ficou, logo nessa estreia homónima, exemplarmente plasmada a típica monumentalidade espiritual deste projeto, com tambores, sopros e cordas a revezarem-se entre si numa complexa teia relacional que muitas vezes nos fez e ainda faz suster a respiração, tal é a imensidão com que nos submerge.

Tendo bem presente que os Fleet Foxes são fiéis depositários da identidade mais genuína de uma América que sempre viu na folk um veículo privilegiado de transmissão de todo o seu referencial identitário, escutar as primeiras composições deste projeto é vaguear, obrigatoriamente, pelos meandros de uma realidade civilizacional natural e humana alicerçada numa enorme massa migrante que atravessou o atlântico nos séculos XVIII e XIX, mas também nas raízes deixadas por diferentes tribos que coabitaram com a natureza durante centenas de anos sem qualquer intromissão estrangeira. Assim, mesmo que alguns detalhes eletrónicos e uma vasta miríade instrumental suportadas pelas mais recentes inovações tecnológicas aplicadas à produção musical sejam manuseadas na concepção dos seus discos, estes Fleet Foxes fizeram sempre questão que as suas canções soassem o mais orgânicas e nativas possível, com a mira bastante apontada ao experimentalismo folk que, na verdade, já tinha começado a impressionar e a espevitar tantos nomes hoje consagrados na década de setenta do século passado. Espero que aprecies a sugestão...

Fleet Foxes - First Collection 2006-2009

01. Sun It Rises
02. White Winter Hymnal
03. Ragged Wood
04. Tiger Mountain Peasant Song
05. Quiet Houses
06. He Doesn’t Know Why
07. Heard Them Stirring
08. Your Protector
09. Meadowlarks
10. Blue Ridge Mountains
11. Oliver James
12. Sun Giant
13. Drops In The River
14. English House
15. Mykonos
16. Innocent Son
17. She Got Dressed
18. In The Hot Hot Rays
19. Anyone Who’s Anyone
20. Textbook Love
21. So Long To The Headstrong
22. Icicle Tusk
23. False Knight On The Road
24. Silver Dagger
25. White Lace Regretfully
26. Isles
27. Ragged Wood (Transition Basement Sketch)
28. He Doesn’t Know Why (Basement Demo)
29. English House (Basement Demo)
30. Hot Air (Basement Sketch)


autor stipe07 às 21:05
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Sexta-feira, 9 de Novembro de 2018

Luke Sital-Singh – The Last Day

Luke Sital-Singh - The Last Day

Depois da edição de Time Is A Riddle, o se último álbum, Luke Sital-Singh fez as malas, pegou no passaporte e embarcou numa viagem solitária por vários destinos do mundo, durante a qual escutou uma banda-sonora muito pessoal, composta por temas e artistas da sua eleição. Ficaram lançados os dados para a criação de novas canções, mostradas ao público já este ano com a edição de Just A Song Before I Go e Weight Of Love, dois eps fieis ao espírito intimista e profundamente reflexivo do músico e ao misticismo a à inocência que a sua filosofia sonora, na sua génese, transborda, inclusive nas suas letras sempre profundas, intimistas e bastante reflexivas.

Agora, quase no ocaso de 2018, Luke Sital-Singh acaba de revelar um novo single intitulado The Last Day, uma canção sobre despedidas e pesares pela partida de algo ou alguém e sobre o dia seguinte, que nunca deixa de vir, uma composição que transporta no charme das cordas e na sua suavidade melancólica aquele intenso travo à herança mais pura da folk americana. Sobre ela, Luke referiu recentemente: I had no intention of writing another song about death”, (...) I guess that’s just the happy fun-time guy that I am. I like how a song about the end is coming out first. Putting everything in perspective again as a new phase begins. Confere...


autor stipe07 às 11:06
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Segunda-feira, 5 de Novembro de 2018

Naevus – Curses

Foi à boleia da GH-Records que viu a luz do dia Curses, o oitavo e mais recente registo de originais dos Naevus, um coletivo londrino formado atualmente por Lloyd James, Ben McLees, Hunter Barr e Sam Astley. Formados há já duas décadas por Lloyd e Joanne Owen, que já não faz parte do projeto, os Naevus eram frequentemente categorizados como mestres do neo-folk, tendo entretanto virado agulhas para territórios mais experimentais e lisérgicos, sendo sistematicamente comparados com nomes tão influentes como os Swans e Wire, expoentes máximos de um dos subgéneros mais subestimados do indie rock de cariz mais experimental.

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É na exuberância das cordas, majestosas no single Odour, e num forte travo melancólico que subsiste a sonoridade destes Naevus, mestres em replicar um som com um travo de religiosidade vincado, que consegue ser contundente e vibrante, mas também contido e convidativo, quer ao recolhimento, quer à introspeção. Os arranjos que flutuam em redor de melodias geralmente conduzidas pela guitarra e pela viola, têm, geralmente, aquele travo místico e tipicamente celta, como se percebe logo em The Wall In The Sun, umas das canções mais marcantes deste Curses, um registo que quebra um hiato de seis anos do grupo, sucedendo ao excelente The Division of Labour que, em dois mil e doze, juntou mais um enorme punhado de seguidores há já enorme legião de ouvintes que seguem este grupo com particular devoção.

De facto, Curses é o disco mais introspetivo e pessoal dos Naevus, que têm em Lloyd James a grande força motriz, que leva-nos numa alucinante viagem pela sua mente, um autor que consegue ser particularmente impressivo a debruçar-se sobre algumas das questões essenciais que toda e qualquer individualidade tem forçosamente de enfrentar num mundo cada vez mais competitivo e sempre em constante mutação. A acidez da guitarra de Abacus, o modo sinistro como disserta aobre algumas das suas agruras no claustrofóbico tema homónimo ou a a história de terror que narra em Dead Man Circling são outros notáveis exemplos do elevado cariz pessoal de um disco complexo, não só pela atmosfera muito própria que replica, mas também pelo modo como estes Naevus conseguem servir em bandeja de ouro um mundo sonoro onde pessoas estranhas e com vidas depressivas encontram alegria e utilidade na vida ao som das suas canções. Espero que aprecies a sugestão...

Naevus - Curses

01. The Wall In The Sun
02. Dead Man Circling
03. Abacus
04. Heart Fell Foul
05. Aria/Acqua
06. Curses
07. The Pit
08. Odour
09. Surface


autor stipe07 às 21:46
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Quarta-feira, 31 de Outubro de 2018

The Pains of Being Pure at Heart - Free Fallin' (Tom Petty Cover)

Mestres do indie pop e oriundos de Brooklyn, em Nova Iorque, os The Pains Of Being Pure At Heart estão de regresso para participar na iniciativa Sounds Delicious do portal Turntable Kitchen, um site criado por um casal que nasceu num apartamento de São Francisco e agora sedeado em Seattle e que mistura comida e música. O objetivo desta iniciativa é que uma banda faça uma versão integral de um álbum completo de outro grupo que admire e os The Pains Of Being Pure At Heart escolheram Full Moon Fever, o disco de estreia do projeto a solo de Tom Petty, lançado em mil novecentos e oitenta e nove e que contém, entre outros notáveis temas, clássicos como I Won’t Back Down ou Free Fallin'.

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Ora, a nova roupagem que o projeto liderado por Kip Berman deu a Free Fallin', é exatamente a mais recente amostra divulgada do registo e, através de uma abordagem um pouco mais elétrica e lisérgica que sabe a uma doce exaltação daquela dream pop que caminha de mãos dadas com a psicadelia, os The Pains Of Being Pure At Heart mantiveram intacta a aúrea nostálgica e romântica de um tema ímpar da contemporaneidade norte-americana do final do século passado. Confere...


autor stipe07 às 13:37
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Terça-feira, 30 de Outubro de 2018

Old Jerusalem - Chapels

Foi a doze de outubro que chegou às lojas Chapels, o sétimo registo de originais de Old Jerusalem, o lindíssimo projeto assinado por Francisco Silva e que caminha a passos largos para as duas décadas de carreira. Old Jerusalem é, de facto, uma incrível jornada, batizada com uma música do mítico Will Oldham e com um brilho raro e inédito no panorama nacional, um projeto que nos tem habituado a canções que cirandam entre os altos e baixos da vida e que nos mostram como é, tantas vezes, muito ténue a fronteira entre esses dois pólos, entre magia e ilusão, como se a explicação das diferentes interseções com que nos deparamos durante a nossa existência fossem alguma vez possível de ser relatada de forma lógica e direta.

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Com dez temas imediatos e sem adornos, assentes em interpretações gravadas à primeira e que acabam por estar intimamente associadas ao processo da sua escrita, também algo intuitivo, e deixando a nu os alinhavos de arranjos e as primeiras sugestões de caminhos melódicos e harmónicos, Chapels tem em cada canção um veículo privilegiado para o ouvinte tomar contacto de modo realisticamente impressivo, com o ímpeto criativo do Francisco e a urgência que o seu âmago sente de comunicar connosco. E fá-lo através de um dos melhores veículos que conheço para a transmissão de sentimentos, emoções e ideias... a música.

Chapels é, portanto, um álbum extremamente comunicativo e repleto de composições contemplativas, que criaram uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades que compete a nós destrinçar ou, em alternativa, idealizar, já que as duas abordagens são sempre possíveis na música de Old Jerusalem. Escuta-se a simplicidade melódica e o imediatismo de Black pool of water and sky, assim como a sua crueza e simplicidade acústica, evocando a verdade eterna que todos reconhecemos de que tudo é passageiro, a fragilidade perene que tremula no registo vocal de The Meek, aquela nostalgia que provoca encantamento e torpor e que exala de Oleander, a simultaneamente intrigante e sedutora Ancient Sand, Ancient Sea ou a luz que nos faz sorrir sem medo do amanhã que fica defronte de Lighthouse e acedemos, sem vontade de olhar para trás, a um universo único, enquanto experimentamos a simultaneamente implacável e sedutora sensação de introspeção e melancolia mitológica que este maravilhoso alinhamento transmite. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:08
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Sexta-feira, 26 de Outubro de 2018

The Dodos – Certainty Waves

Os The Dodos de Meric Long e Logan Kroeber já têm sucessor para Individ (2015). O novo álbum da dupla de São Francisco chama-se Certainty Waves, foi produzido pelo próprio Meric Long e viu a luz do dia através da Polyvinyl Records. Nos últimos três anos, os The Dodos apenas deram dois sinais de vida; a participação com o tema Mirror Fake na compilação Philia: Artists Rise Against Islamophobia e quando revelaram uma cover de Never Meant, um original dos American Football, inserida na compilação que marcou o vigésimo aniversário da Polyvinyl. Individ foi um dos discos mais escutados na redação fixa e móvel de Man On The Moon durante estes últimos três anos e impressionou, seduziu e conquistou, nas suas repetidas e sempre dedicadas e aprazíveis audições, razão pela qual este sucessor está a ser aguardado por cá com enorme expetativa.

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Registo fértil num casamento feliz entre as cordas, os teclados e a percussão, elementos que conjuram entre si na exploração de um som amplo, épico e alongado, através do abraço constante entre dois músicos que criam melhor que ninguém atmosferas sonoras verdadeiramente nostálgicas, sedutoras e hipnotizantes, Certainty Waves está coberto, do início ao fim, por um manto de epicidade bastante vincado. As canções sucedem-se em catadupa e, uma após outra, somos bombardeados por luxuriantes paisagens sonoras, impregnadas de notáveis arranjos, que afastam cada vez mais a dupla da toada folk que marcou os seus primeiros trabalhos, em deterimento de uma filosofia interpretativa que dá cada vez maior importância ao sintético e à tecnologia. Apenas Center Of, por sinal um dos melhores momentos do registo, entronca na herança mais genuína dos The Dodos, onde as cordas eram líderes incontestáveis no processo de criação musical, com as guitarras e a percurssão de 3WW a aproximarem-se também, mas de forma menos objetiva, desses aúreos tempos do grupo. Curiosamente, Forum, o primeiro tema divulgado de Certainty Waves, assentando num deambulante efeito strokiano de uma guitarra e no reverb da mesma, mas, principalmente, no cariz épico de uma melodia que não dispensa teclas efusivas, uma bateria incessante e trompetes nos arranjos, terá sido uma escolha acertada para revelar as novas diretrizes do projeto, demonstradas com notável lucidez também na pop oitocentista que exala de Sort Of.

Disco pleno de personalidade, com uma produção cuidada e muito aguardado por cá, como já referi, Certainty Waves tem alma e caráter, força e uma positividade contagiante. Os The Dodos dão neste alinhamento um passo evolutivo importante na carreira, a carecer de aprimoração em próximos lançamentos, sem deixarem de se manter fieis aos seus instintos mais primários, que exigem a constante quebra de estruturas e padrões e a fuga a categorizações que balizem em excesso o adn do projeto. Espero que aprecies a sugestão...

The Dodos - Certainty Waves

01. Forum
02. IF
03. Coughing
04. Center Of
05. SW3
06. Excess
07. Ono Fashion
08. Sort Of
09. Dial Tone


autor stipe07 às 17:20
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Quinta-feira, 25 de Outubro de 2018

Papercuts - Parallel Universe Blues

Quatro anos depois do excelente Life Among The Savages, os Papercuts estão de regresso às luzes da ribalta com Parallel Universe Blues, dez canções que viram a luz do dia a dezanove de outubro, à boleia da Slumberland Records, a nova etiqueta deste projeto encabeçado por Jason Robert Quever e David Enos e oriundo de São Francisco, na costa oeste dos Estados Unidos da América.

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Sexto disco do cardápio dos Papercuts e primeiro na Slumberland, Parallel Universe Blues contém um alinhamento com canções assentes no cruzamento feliz entre melodia e voz, com a escolha assertiva dos arranjos a nunca ofuscar o brilho que as cordas sempre tiveram no catálogo dos Papercuts. Esta é, de facto, uma nuance fundamental deste novo registo do projeto que, tematicamente, reflete a mudança recente de Jason Quever de São Francisco para Los Angeles.

O manto de epicidade que cobre a monumentalidade de Laughing Man e, em Sing To Me Candy, o hipnótico riff de guitarra distorcido e o modo como se faz acompanhar por alguns arranjos sintéticos, onde não falta uma componente lo fi e ruidosa, são boas portas de entrada para a compreensão clara deste universo sonoro dos Papercuts, um território de experimentações sonoras que dá bastante ênfase às cordas, mas que não descura a importância que o sintético tem na construção de melodias tremendamente adocicadas e com um travo lisérgico algo incomum no panorama alternativo atual. Escuta-se também o single How To Quit Smoking, o ritmo frenético de Walk Backwards e, num registo mais contemplativo, a melancolia que exala do dedilhar das cordas de All Along St. Mary's e percebe-se esta clara duplicidade e o modo como a mesma está impregnada de diversos detalhes preciosos que ajudam a conferir uma tonalidade refrescante e inédita a um disco cheio de personalidade, com uma produção cuidada e que nos aproxima do que de melhor propõe a música independente americana contemporânea. Espero que aprecies a sugestão...

Papercuts - Parallel Universe Blues

01. Mattress On The Floor
02. Laughing Man
03. How To Quit Smoking
04. Sing To Me Candy
05. Clean Living
06. Kathleen Says
07. Walk Backwards
08. All Along St. Mary’s
09. Waking Up


autor stipe07 às 21:13
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Quarta-feira, 17 de Outubro de 2018

Time For T - Maria

Gravado ao longo do ano de 2016 nos Spitfire Audio Studios em Londres, produzido pela própria banda e masterizado por JJ Golden (Rodrigo Amarante, Devendra Banhart, Vetiver) em Ventura, California, Hoping Something Anything é o mais registo de originais dos Time for T de Tiago Saga, que continua a retirar dividendos do seu conteúdo. A mais recente atualização é a divulgação do vídeo do single Maria, juntamente com o anúncio de novas datas de concertos de promoção do álbum, que poderão encontrar no final deste artigo.

Composição inspirada pela temática da infidelidade (Oh Maria, it's all in your head. Give me one more chance even though I'll need ten), Maria, uma canção conduzida por um boémio efeito de uma guitarra e por uma bateria abastecida por uma vasto arsenal de nuances rítmicas, já teve uma primeira versão no trajeto inicial da banda, aprimorada, entretanto, para constar do alinhamento de Hoping Something Anything. A canção tem já também um vídeo realizado por Rafael Farias entre Lagos e Lisboa e que representa a ideia de solidão e afastamento das pessoas que mais amamos por más decisões.

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Banda eclética no modo como abraça diferentes influências e sonoridades, os Time For T tanto deambulam pela folk como pelo rock psicadélico e nesse balanço, lá pelo meio, tanto piscam o olho à tropicália, como ao próprio jazz, indo também até ao blues experimental e até aquele rock mais impulsivo e cru. É um projeto nacional mas com raízes em Inglaterra, mais concretamente em Brighton, encabeçado, como referi acima, por Tiago Saga, um jovem com genes britânicos, libaneses e espanhóis que cresceu no Algarve. Enquanto estudava composição contemporânea na Universidade de Sussex, Inglaterra, Tiago Saga foi criando a sua própria sonoridade assente na world music e na folk rock anglo-saxónica com outros músicos que foi conhecendo e com quem foi partilhando as mesmas inspirações, nomeadamente Joshua Taylor (baixo), Martyn Lillyman (bateria), Oliver Weder (teclas), os seus parceiros nestes Time For T. Andrew Stuart-Buttle (violino), Harry Haynes (guitarra eléctrica) e Louis Pavlo (teclas) foram outros convidados especiais de um disco que viu a luz do dia a quinze de Setembro último, à boleia da Last Train Records, editora que os Time For T têm em parceria com a banda amiga de Brighton, os Common Tongues. Confere Maria e as datas dos próximos concertos dos Time For T...

19 Outubro / Friday Happiness / Tojeiro

20 Outubro / Atabai / Barao S. Joao

02 Novembro / Madalena / Faro

03 Novembro / Centro Cultural / Barao S. Joao

24 Novembro / Teatro Lethes / Faro

07 Dezembro / Teatro do Bairro / Lisboa


autor stipe07 às 15:51
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Segunda-feira, 15 de Outubro de 2018

Kurt Vile – Bottle It In

Apesar da curiosa colaboração o ano passado com Courtney Barnett que resultou no excelente registo Lotta Sea Lice, a verdade é que depois de ter lançado Smoke Ring For My Halo, no início de dois mil e onze e Wakin On A Pretty Daze dois anos depois, Kurt Vile não deu mais sinais de vida depois de b’lieve i’m goin down…, álbum que viu a luz do dia a vinte e cinco de setembro de dois mil e quinze por intermédio da Matador Records e o sexto da carreira deste músico que descende da melhor escola indie rock norte americana, quer através da forma como canta, quer nos trilhos sónicos da guitarra elétrica. Finalmente, três anos depois desse excelente disco, Kurt Vile volta a lançar um novo alinhamento intitulado Bottle It In, o sétimo da carreira, treze temas gravados em várias cidades norte-americanas e finalizados com o produtor Shawn Everett nos estúdios Beer Hole em Los Angeles, contando com a participação especial de nomes tão notáveis como Kim Gordon, Cass McCombs, Stella Mozgawa e Mary Lattimore.

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Disco que abre com Loading Zones, uma composição repleta de ironia que se debruça sobre a experiência pessoal de Kurt Vile relativamente às estratégias que costuma usar para estacionar sem pagar em Filadélfia, a sua terra natal, Bottle It In é um registo que, no seu todo, sonoramente, obedece à tal herança do rock mais genuíno, com canções conduzidas por cordas elétricas e acústicas inspiradas, a criarem um disco com um resultado final bastante fluído e intenso. Quanto à vertente temática, conhecer a fundo Bottle It In é entrar em contacto com as profundezas da mente de Vile, já que este é um disco bastante reflexivo e onde o autor revela muito de si.

É inevitável escutar-se canções como Yeah Bones ou Cold Was The Wind e não se concluir que, mesmo que Vile não o deseje, Bottle It In está cheio de poemas com uma elevada componente biográfica, que nos permitem entender melhor o âmago do autor, com a curiosidade de o fazermos através de tudo aquilo que de mais transcendental e lisérgico tem sempre a composição e a criação musical. Se Kurt Vile despe-se logo em Loading Zones do modo humorístico que já descrevi e se em One Trick Ponies ele parece gozar com alguns dos seus demónios pessoais, em Bassackwards, por exemplo, o tom é bastante mais sério, à boleia de um tratado folk rock psicadélico divagante, que nos apresenta um Vile algo confuso, resignado e até distante, como se deambulasse em busca de algo inexistente (The sun went down, and I couldn’t find another one… for a while).

O grande trunfo de Bottle It In é mesmo esta dicotomia estilística sonora e o modo como ela entronca numa mesma filosofia, a da auto-descoberta. As canções sucedem-se sem pressa e muitas vezes sem se perceber se o autor está mais precoupado em comunicar com o ouvinte ou em efetuar um monólogo algo divagante e nem sempre lúcido e consistente. Independentemente de toda esta trama, parece-me conseunsual que esta sonoridade descomprometida e apimentada com pequenos delírios acústicos e elétricos será bem capaz de oferecer ao autor um lugar de destaque no que concerne aos álbuns mais influentes, inspirados e acolhedores deste ano.

De facto, Bottle It In parece ser, por cá, a banda sonora ideal para aquecer os dias mais tristonhos e sombrios que se aproximam, mas também já serve para contemplarmos como serenidade o ocaso de um verão algo frenético e que para muitos não ficará gravado pelos melhores motivos. Mesmo sendo um registo que oferece ao ouvinte diferentes perspetivas sobre a realidade sociológica e psicológica que abriga o autor, é também um álbum sobre o presente, a velhice, o isolamento, a melancolia e o cariz tantas vezes éfemero dos sentimentos, em suma, sobre a inquietação sentimental, ou seja, o existencialismo e as perceções humanas comuns a todos nós. Espero que aprecies a sugestão...

Kurt Vile - Bottle It In

01. Loading Zones
02. Hysteria
03. Yeah Bones
04. Bassackwards
05. One Trick Ponies
06. Rollin With The Flow
07. Check Baby
08. Bottle It In
09. Mutinies
10. Come Again
11. Cold Was The Wind
12. Skinny Mini
13. (Bottle Back)


autor stipe07 às 17:20
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Terça-feira, 9 de Outubro de 2018

Sons Of Kemet - Your Queen Is A Reptile

Your Queen Is a Reptile é o terceiro álbum do grupo britânico de jazz Sons of Kemet, um coletivo incubado em dois mil e onze e atualmente formado Shabaka Hutchings, Tom Skinner, Theon Cross e Eddie Hick. O grupo costuma servir-se do saxofone e do clarinete, instrumentos de sopro tocados por Hutchings, da tuba de Cross e de um exemplar trabalho de percurssão a cargo de Skinner e Hich para oferecer-nos um som que mistura o melhor do jazz, com alguns dos principais arquétipos do rock, da folk caribenha, do dub, da tropicalia e da música africana de cariz mais tradicional.

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Your Queen Is A Reptile é uma referência direta à rainha de Inglaterra e à coroa britânica, assim como as notas da capa do disco. O objetivo do grupo é denunciar um ponto de vista, segundo o qual a atual monarca britânica não representa os imigrantes negros e não os vê como humanos, discriminando-os racialmente. Assim, nas nove canções do registo, o coletivo serve-se de cada uma das composições para homenagear figuras femininas de relevo, todas reais e com histórias de vida conturbadas, que subiram a pulso e que os Sons Of Kemet assumem ser as mulheres que realmente lhes importam e que regem as suas vidas.
Produzido pelo próprio Shabaka Hutchings, Your Queen Is A Reptile tem como grande motor melódico o saxofone deste músico, instrumento que depois vai suscitar nos restantes elementos sonoros a inserção de arranjos e detalhes que vão dar corpo a composições sempre com uma tonalidade grave, bastante encorpada e tremendamente ritmada. 
Assim, só para citar alguns exemplos e deixando de lado a terminologia inicial My Queen Is, se em Angela Davis, canção que homenageia uma filósofa norte americana comunista acusada injustamente de matar um juiz na época de militância pelos Panteras Negras, na década de sessenta, presente-se os perigos e a perseguição que lhe foi movida através da gravidade da tuba, já em Mamie Phips Clark, uma psicóloga ativista que estudou a autoestima de crianças negras também nessa década, assistimos a uma espiral frenética que mistura dub e rock psicadélico, um efeito potenciado por uma superior performance na bateria. Depois, a coragem e a energia ativista da espiã do tempo da Guerra Civil americana, Harriet Tubman, um rosto recente das notas de vinte dólares e que se notabilizou por levar a cabo missões que libertaram centenas de escravos, é personificada pela modo ágil e virtuoso com que a melodia ganha vida com superior homogeneidade, através dos melhores recursos de todo o arsenal instrumental dos Sons Of Kemet.

Your Queen Is A Reptile tira do anonimato contemporâneo personagens que tiveram os seus momentos de dor, mas também de glória e de reconhecimento, mesmo que póstumo e cujos ideais que defenderam acabam por ser ainda muito atuais, num mundo que continua a não saber respeitar a diferença e as minorias. Numa Inglaterra aristocrática, a viver o Brexit em pleno, com uma certa fobia relativamente aos imigrantes e onde a Monarquia sempre mostrou um posicionamento político algo conservador, este disco faz ainda mais sentido, sendo um exercício claramente recompensador pesquisar acerca destas mulheres constestatárias de sistemas vigentes quase sempre impostos à força e depois relacioná-las com a abordagem sonora que os Sons Of Kemet criaram para lhes dar vida, cor, ritmo e voz. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 10:40
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Segunda-feira, 8 de Outubro de 2018

Sharon Van Etten – Comeback Kid

Sharon Van Etten - Comeback Kid

Quase meia década depois do excelente e melancólico Are We There, e com o nascimento de uma filha pelo meio e a participação nas séries The OA e Twin Peaks como atriz, Sharon Van Etten vai regressar no início do próximo ano aos discos com um trabalho intitulado Remind Me Tomorrow. Esse disco com dez temas será o quinto alinhamento da carreira da autora e compositora norte americana, natural do Tennessee e Comeback Kid é o primeiro single divulgado do registo.

Sempre resistente, inventiva e apaixonada, em Comeback Kid Sharon Van Etten volta a surpreender-nos com a sua voz inconfundível e a sua capacidade única de conseguir fazer-nos crer na nossa capacidade de perseguirmos os nossos sonhos mais verdadeiros, neste caso através de um tema repleto de energia e emotividade. É uma canção que instrumentalmente impressiona pela inserção de uma vertente sintética, algo inédita na carreira da Etten, um detalhe que palpita uma notória sensação instintiva, como se ela tivesse deixado mais uma vez fluir livremente tudo aquilo que sente e a inspira e assim potenciar a possibilidade de nos emocionar genuinamente. Confere...


autor stipe07 às 14:07
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Sexta-feira, 5 de Outubro de 2018

Cervelet - Todos Santos

A imagem pode conter: 6 pessoas, árvore e ar livre

Oriundos de  Jaboticabal, no estado de São Paulo, uma cidade de setenta mil habitantes, fundada por portugueses e onde prosperam cinco universidades, os brasileiros Cervelet são Guto Cornaccioni, Iuri Nogueira, Igor Nogueira, Tiko Previato e Vitor Marini, uma banda que diz misturar cerveja com música, poesia e liberdade e que, por isso, se considera a banda mais estranha da cidade!

Depois de ter editado na primavera de 2014 Canções de Passagem, o disco de estreia, este quinteto regressou em 2016 aos lançamentos com Degradê, uma canção sobre o amor e, talvez na mesma altura, terá iniciado a composição de Todos Santos, um novo tema do projeto e que acaba por assentar que nem uma luva no panorama atual brasileiro, pelo seu conteúdo tão atual e premonitório. Recordo que o país vive o ocaso de uma campanha eleitoral para a predidência do país algo atribulada e comentada pelo mundo inteiro como o reflexo daquilo que é o Brasil nos dias de hoje. Os principais candidatos a possuir as chaves do Palácio da Alvorada intitulam-se santos e pregam aos quatro cantos do Brasil que prometem salvar o país, mas são poucos os brasileiros que não acreditam que o que eles querem é salvar-se a si próprios.

Sonoramente, Todos Santos assenta numa instrumentação rugosa e musculada, que pende para um hard rock de primeira água, com um resultado muito atrativo e cativante para o ouvinte. Confere...

 


autor stipe07 às 17:58
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Quinta-feira, 27 de Setembro de 2018

Caged Animals – Escape Artist

Foi a dez de agosto que viu a luz do dia Escape Artist, o mais recente registo de originais dos nova iorquinos Caged Animals, uma banda oriunda do bairro de Brooklyn e liderada por Vincent Cacchione. Recordo que os Caged Animals emergiram das cinzas dos Soft Black, banda que Vincent partilhava com Zachary Cole Smith, dos DIIV, juntamente com a sua irmã Talya e Magali Charron e Patrick Curry. Atualmente Cacchione conta com a companhia de Magali, que também é sua esposa, na liderança dos Caged Animals.

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Escape Artist é um registo com uma história bastante curiosa. Na última digressão da banda pelo país natal, há um par e anos, a carrinha foi roubada e e no seu interior estava a única cópia de um disco terminado. Poucos dias depois Vincent soube que a mulher estava grávida, mesmo a pouco tempo de fazer trinta anos, uma idade sempre marcante. Esta sequência de eventos deixou o músico bastante pensativo e algo desorientado, mas com a ajuda preciosa de Magali colocou novamente mãos à obra e, inspirado por toda esta sequência inusitada de eventos, que inclui já um segundo filho, começou a incubar um registo que junta um intricado conjunto de gostos eclécticos retro e futuristas e que vão do experimentalismo lo-fi às insinuações folk new-wave, passando pelo rock e a soporífera chillwave, uma eletrónica cintilante que é rematada com uma voz que única e que parece, a qualquer momento, poder vir a explodir a emocionalmente

Começamos a escutar os detalhes percurssivos sintéticos inebriantes de These Dark Times e percebemos logo que esta canção leva-nos para o interior de um trabalho cujo conteúdo sonoro e lírico pretende funcionar como uma espécie de estímulo para que acreditemos sempre nos nossos desejos e na existência de algo superior a nós mesmos, mesmo que as adversidades pareçam querer dominar o nosso presente e enevoar o futuro. Depois no groove rugoso pleno de soul de Get It Through My Heart, no clima algo místico do saxofone de Wild Dances, na jazzística The Man Who Walked Alone, no piano demolidor que conduz o single Ghost Riding ou na pureza da folk de Lost In The Sand, somos definitivamente seduzidos por um disco arrebatador na sua simplicidade intimista e espiritual, uma sequência sonora perfeita para funcionar como estímulo para que acreditemos sempre nos nossos desejos e na nossa capacidade de viver numa contínua ilusão, uma qualidade intrínseca a todo o ser humano.

 Escape Artist estende-nos a mão para nos levar numa viagem de texturas felpudas e sintetizadores futuristas que embalam palavras esperançosas embrulhadas com tiques sonoros peculiares que misturam de tudo um pouco com uma exuberância caleidoscópica. Curiosamente, tendo em conta a trama acima descrita, é um registo que parece servir para nos fazer refletir sobre as agruras da maioridade através de uma retórica sonora que não deixa de se imbuir de uma ingenuidade e uma melacolia que só pode ser degustada por quem quer conhecer um mundo onde só cabem os adultos que nunca puseram de parte o seu lado mais infantil. Espero que aprecies a sugestão...

Caged Animals - Escape Artist

01. These Dark Times
02. Get It Through My Heart
03. Wildflowers
04. Night Dances
05. Making Magic
06. The Man Who Walked Alone
07. Solid Steel
08. Escape Artist
09. Ghost Riding
10. Chris Metallic
11. The Oak And The Shrub
12. Lost In The Sand
13. Shadows


autor stipe07 às 21:09
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Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018

Juliana Hatfield - Juliana Hatfield Sings Olivia Newton-John

Juliana Hatfield Sings Olivia Newton-John é o mais recente álbum de estúdio da cantora e compositora americana Juliana Hatfield. Esta artista nasceu em julho de mil novecentos e sessenta e sete, em Wiscasset, no Maine, extremo nordeste dos Estados Unidos. Entretanto, mudou-se para uma cidade costeira de Massachusetts e aí começou a sentir uma forte atração pela música, nomeadamente pela cantora Olivia Newton-John. Acabou por se apaixonar pelo filme Grease, que viu várias vezes no cinema, descobriu os The Replacements já no liceu e, movida por estas duas fortes inspirações, foi estudar música para o Berklee College of Music em Boston, com o intuíto de montar uma banda, o que aconteceu quando se juntou a John Strohm e Freda Love e juntos fundaram os Blake Babies, em plenos anos oitenta. Agora, pouco mais de trinta anos depois desse curioso início de carreira, Juliana Hatfield homenageia a sua maior heroína musical com Juliana Hatfield Sings Olivia Newton-John, um disco com a chancela da American Laundromat Records e onde a artista nos oferece novas versões de alguns dos melhores clássicos da carreira de Olivia Newton-John, com a ajuda de Pete Caldes na bateria e Ed Valauska no baixo.

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Já com treze discos no seu cardápio, quer a solo quer gravados com outras bandas, Juliana Hatfield Sings Olivia Newton-John era o disco que faltava na carreira de Juliana Hatfield, para que ela se sentisse verdadeiramente realizada com a sua caminhada. Neste registo que também é de beneficiência (parte do valor do mesmo reverte para a fundação Olivia Newton-John Cancer Wellness & Research Centre) e que conta com a aprovação do companheiro de Olivia Newton-John, ainda vivo, encontramos verdadeiras obras-primas, assentes num folk rock que faz justiça e enobrece os originais, alguns deles com décadas de vida e que materializaram, na altura, um exemplar percurso discográfico de uma cantora que quebrou algumas barreiras nos anos setenta e oitenta do século passado.

Juliana soube encontrar um notável balanço entre aquilo que são os arranjos originais das canções de Olivia e o seu cunho pessoal artístico, não deixando de haver instantes em que é ténue a fronteira que separa o original da versão. A autora foi feliz a reinterpretar as canções, parecendo muitas vezes que a sua postura foi como estar num bar a cantar as canções que gosta para uma reduzida plateia. Exemplo flagrante disso é Xanadu, composição onde apenas se nota a ausência das segundas vozes relativamente ao original, mas outros momentos altos deste tributo são Physical e Dancin’ Round and Round, um dos momentos altos de Totally Hot, disco que Olivia lançou em mil nocvecentos e setenta e oito e um dos mais importantes da sua carreira. O tema homónimo deste registo também foi revisto por Juliana.

Tributo sincero e bem conseguido de uma artista relativamente a outra, Juliana Hatfield Sings Olivia Newton-John arrebata o ouvinte pela simplicidade melódica e pelo imediatismo e fidelidade de canções, que assumem, notoriamente, a visão sentida de uma fã em relação ao faustoso legado de uma compositra marcante na história da pop, da folk e da country norte-americana do século passado. Espero que aprecies a sugestão... 


autor stipe07 às 14:15
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Quarta-feira, 19 de Setembro de 2018

Papercuts – Sing To Me Candy

Papercuts - Sing To Me Candy

Quatro anos depois do excelente Life Among The Savages, os Papercuts estão de regresso às luzes da ribalta com uma digressão juntamente com os Beach House, que servirá para promover Parallel Universe Blues, dez canções que irão ver a luz do dia a dezanove de outubro, à boleia da Slumberland Records, a nova etiqueta deste projeto encabeçado por Jason Robert Quever e David Enos e oriundo de São Francisco, na costa oeste dos Estados Unidos da América.

Sexto disco do cardápio dos Papercuts e primeiro na Slumberland, Parallel Universe Blues terá certamente um alinhamento com canções assentes no cruzamento feliz entre melodia e voz, com a escolha assertiva dos arranjos a nunca ofuscar o brilho que as cordas sempre tiveram no catálogo dos Papercuts, uma nuance que deverá continuar a estar muito presente, se tivermos em conta Sing To Me Candy, o mais recente single apresentado do álbum. A canção impressiona pelo hipnótico riff de guitarra distorcido e pelo modo como se faz acompanhar por alguns arranjos sintéticos, onde não falta uma componente lo fi e ruidosa, detalhes preciosos que ajudam a conferir uma tonalidade psicadélica a um tema cheio de personalidade, com uma produção cuidada e que nos aproxima do que de melhor propõe a música independente americana contemporânea. Confere...


autor stipe07 às 13:20
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Quarta-feira, 12 de Setembro de 2018

Massage – Oh Boy

Sedeados em Los Angeles, na Califórnia e liderados por Alex Naidus, membro dos Pains Of Being Pure At Heart, os Massage foram crescendo e ganhando vida na internet. Alex começou a tocar e a escrever algumas canções paralelamente à sua atividade nos Pains Of Being Pure At Heart com o designer e baixista Michael Felix, amigo de infância de Alex e à dupla juntaram-se, entretanto, o jornalista Andrew Romano, David Rager e Gabi Ferrer, responsável pelas teclas e pela composição melódica. Estrearam-se há dois anos com o EP Lydia e lançaram o primeiro longa duração, à boleia da Tear Jerk Records, no último verão, um disco intitulado Oh Boy, gravado com a ajuda de Jason Quever dos Papercuts.

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Quase meio século após o seu aparecimento, a sonoridade tipicamente indie e universitária continua a soar mais fresca que nunca, especialmente quando bandas como os Massage surgem no radar e, logo na estreia, causam furor devido a discos do calibre deste Oh Boy, doze canções que se esfumam em pouco mais de meia hora, mas que não deixam indiferente o ouvinte devido a um alinhamento que nos leva facilmente e num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, à boleia de uma espécie de indie-folk-surf-suburbano, particularmente luminoso e que acaba por se tornar até viciante. E a responsabilidade desta tela impressiva é uma guitarra com um timbre metálico muito caraterístico que serve de base melódica às canções, acompanhada por um baixo exemplar no modo como se alia à guitarra para marcar as várias nuances rítmicas de temas geralmente acelerados, mas sem serem frenéticos, não deixando de se espraiar pelos nossos ouvidos algo preguiçosamente, mesmo que estejamos a falar de composições curtas, como já referi, e com um ritmo algo intenso.

Catapultado pela ligeireza subtil de Lydia, pelo cariz intimista do single homónimo, pelo clima lisérgico de Couldn't Care Less, pelo piscar de olhos a ambientes mais roqueiros em Under, ou pelo bom gosto dos acordes de Crying Out Loud, Oh Boy é, em suma, um embrulho sonoro com um têmpero lo fi muito próprio, um salutar indie rock com leves pitadas de surf pop, agregado com um espírito vintage marcadamente oitocentista e que se escuta de um só trago, enquanto sacia o nosso desejo de ouvir algo descomplicado mas que deixe uma marca impressiva firme e de simples codificação. É um daqueles discos que esconde a sua complexidade na simplicidade e estas boas canções mostram como é bonito quando o rock pode ser básico e ao mesmo tempo encantador, divertido e melancólico, sem muito alarde. Espero que aprecies a sugestão...

Massage - Oh Boy

01. Lydia
02. Oh Boy
03. Gee
04. Kevin’s Coming Over
05. Couldn’t Care Less
06. Under
07. Breaking Up
08. Crying Out Loud
09. Cleaners
10. Liar
11. I’m Trying
12. At Your Door


autor stipe07 às 16:14
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