Segunda-feira, 8 de Abril de 2019

The Proper Ornaments - Six Lenins

Já viu a luz do dia Six Lenins, o terceiro registo de originais de um dos segredos mais bem guardados da indie britânica contemporânea. Refiro-me aos londrinos The Proper Ornaments de James Hoare, uma das caras metade dos Ultimate Painting e de Max Claps, membro recente dos Toy, que conseguiram ultrapassar um período bastante complicado, ainda antes da edição de Foxhole, o registo que lançaram há pouco mais de dois anos. Foram tempos conturbados, após uma estreia auspiciosa com Wooden Head, em dois mil e catorze, peripécias infelizes que incluiram episódios de doença, divórcio e abuso de drogas, mas que não impediram que três anos depois chegasse aos escaparates esse tal Foxhole, o segundo tomo do grupo.

Agora, na primavera de dois mil e dezanove e depois de uma digressão pelo outro lado do atlântico e de uma estadia bastante profícua no estúdio caseiro de James em Finsbury Park, Londres, que também serviu para afastar definitivamente todos os fantasmas que foram apoquentando os The Proper Ornaments neste meia década, a banda entrega finalmente aos seus fãs Six Lenins, uma espetacular coleção de dez canções que nos convidam a contemplar o grupo a dominar o seu som aparentemente sem qualquer esforço e com um acabamento exemplar, enquanto as suas proezas de composição, que divagam entre as heranças de uns Beach Boys ou uns Velvet Underground, se mostram cada vez mais surpreendentes.

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A impressão imediata que se tem logo após a audição de Six Lenins é que este é um daqueles discos em que se vai, num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, numa espécie de indie-folk-surf-suburbano, feito por intérpretes de um arquétipo sonoro que exala um intenso charme, principalmente porque a sensação de intuição e espontaneidade é tal que, ao ouvi-los, parece que não se importaram nada de poderem, eventualmente, transmitir uma óbvia sensação de despreocupação, desde que levem à tona a sonoridade com que realmente se identificam e se sentem realizados em replicar. E tal facto representa, desde logo, a manifestação de um elevado bom gosto, que se torna ainda maior pela peça em si que este disco representa, tendo em conta a bitola qualitativa do mesmo.

Six Lenins, o terceiro álbum dos The Proper Ornaments, que contou com as participações especiais de Danny Nellis (Charles Howl) no baixo e Bobby Syme (Wesley Gonzalez) na bateria, está, portanto, repleto de composições refinadas e exemplarmente elaboradas. A sonoridade é sempre controlada de modo a criar um clima homogéneo que se torna transversal ao alinhamento, enganando quem ouvir o disco desinteressadamente, porque irá sentir, erradamente, que as canções soam muito iguais. Mas este é um álbum que merece audição dedicada e que deve ser saboreado com o tempo e a velocidade que exige. A sua crueza plena de ricos detalhes, o charme analógico e o carisma vintage nada pretensioso e que não se desbota na contemporaneidade dos nossos dias em que a ferocidade do sintético e da pop fácil arrastam multidões tantas vezes iludidas e a riqueza melódica que contém e que nos permite encontrar a tal individualidade que cada composição claramente possui, só são devidamente assimilados, compreendidos e saboreados através de um modus operandi auditivo que seja dedicado à descoberta do que cada tema tem para oferecer e para nos enriquecer e desprendido de qualquer preconceito relativamente às influências e ao histórico sombrio, nublado e até algo decadente subjacente à incubação deste alinhamento solarengo, otimista e sorridente.

Assim, do ternurento efeito metálico que divaga por Apologies, até à intuitiva Crepuscular Child, uma canção emotivamente forte, conduzida por um baixo vincado e uma guitarra cheia de soul, passando pela jovialidade dos efeitos do sintetizador que conduz Song For John Lennon, pelo travo psicadélico de Where Are You Now, pela vibe surf sessentista de Please Release Me, ou pelo forte odor nostálgico a que exalam as teclas e as cordas de Bullet From A Gun, Six Lenins é um disco extraordinariamente jovial, uma sedutora demonstração de superior clarividência por parte de um projeto que soube sobreviver ao caos e que, fruto do empenho e da superior capacidade criativa dos seus membros, merece, claramente, uma outra posição de relevo no universo sonoro indie e alternativo. Espero que aprecies a sugestão...

The Proper Ornaments - Six Lenins

01. Apologies
02. Crepuscular Child
03. Where Are You Now
04. Song For John Lennon
05. Can’t Even Choose Your Name
06. Please Release Me
07. Bullet From A Gun
08. Six Lenins
09. Old Street Station
10. In The Garden


autor stipe07 às 21:30
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Quarta-feira, 3 de Abril de 2019

Um Corpo Estranho - Homem Delírio

Já chegou aos escaparates Homem Delírio, o terceiro registo de originais do projeto Um Corpo Estranho, formado por Pedro Franco e João Mota e sedeado em Setúbal. O registo sucede aos trabalhos De Não Ter Tempo (2014), que contou com a participação de Celina da Piedade e incluia uma versão de um tema da Madredeus e Pulso (2016), considerado por alguma imprensa especializada como um dos melhores discos nacionais desse ano (Santos da Casa RUC, Certeza da Música, No Sólo Fado). Além destes três álbuns, Um Corpo Estranho também conta já no seu cardápio com três bandas sonoras para os bailados, A velha Ampulheta, Qarib e A Almofada da Paula, este último baseado na obra da pintora Paula Rego. Importa ainda referir que estes finalistas do Prémio José Afonso em 2015, já compuseram para curtas metragens e peças de dança e de teatro.

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Lançado com o apoio da Fundação GDA, produzido por Sérgio Mendes, elemento já frequente nos arranjos de Um Corpo Estranho e com as participações especiais de Paulo Cavaco ao piano e o acordeão inconfundível da, já habitual, Celina da Piedade, citada acima, Homem Delírio abre em modo excelência com Fio A Par Do Mal, uma canção que reflete sobre diversas dualidades e que nos deslumbra com um jogo vocal bastante impressivo e realista. A partir dessa impressionante interpretação está dado o mote para um alinhamento que no bucolismo e na superior complacência das cordas de Sangue Irmão e do tema homónimo, começa por nos levar a viajar até ao outro lado da fronteira, com o intuíto de nos apresentar alguém que quase todos conhecemos e que inspirou o processo de escrita do álbum. Assim, nessa demanda por uma sedutora Andaluzia espanhola cheia de histórias de um cavaleiro que lutou contra moinhos de vento e de cheiro a feno, reluz o conhecido escritor Ernest Hemingway, que é para os Um Corpo Estranho uma espécie de Dom Quixote moderno, não só por causa do seu cardápio lírico, mas também pelo modo pouco regrado como viveu, num trajeto onde inquietação, isolamento e desgosto conviveram paredes meias com um corajoso aventureiro.

Apresentado o Homem Delírio personagem que vai seguir de mãos dadas conosco até ao ocaso do alinhamento, de seguida, cordas, vozes em dor e uma distorção agreste alimentam em O Estrangeiro uma profunda reflexão sobre a problemática da crise dos refugiados e o modo como o nosso continente tem lidado com quem se vê abruptamente privado do lugar onde sempre pertenceu e passa a conviver em terra estranha com a desconfiança e o preconceito de quem nem sempre acolhe como devia. Esta temática da desconfiança e dos receios é substituida, pouco depois, por mais um fator causador de angústia e depressão humana, o universo da morte e da perca, mas que nesta abordagem também intui sobre o renascimento e o recomeço. É mais uma dicotomia alvo de reflexão, neste caso ao som do piano de Hera, com as mesmas teclas e o acordeão de Só O Paraíso a nos fazerem contemplar outra, o modo como olhamos para determinados espaços físicos e lugares e os analisamos, ou pela perspetiva dos factos provados que eles testemunharam e que a história narra com maior ou menor exatidão, ou os mitos e as lendas que lhes estão muitas vezes associados.

Esta maravilhosa viagem pelo nosso âmago termina com Valsa do Acaso, canção que encerra o alinhamento em modo convite, para que cada um de nós tenha a capacidade de meditar sobre a nossa existência e não recear mudar caso sinta que pode muito bem ter dentro de si um Homem Delírio a precisar de urgente exorcização. Pode muito bem fazer este exercício de introspeção ao som destes pouco mais de trinta minutos pensados para serem analisados à lupa, como é essencial na música que preenche e enriquece e nos dá algo de novo dentro da amálgama sonora dos dias de hoje, até porque os protagonistas de Um Corpo Estranho são exímios no modo como nos oferecem sons criados com forte inspiração em elementos paisagísticos, enquanto se debruçam sobre o lado mais inconstante e dilacerante da nossa dimensão sensível e colocam a nu algumas das feridas e chagas que, desde tempos intemporais, perseguem a humanidade e definem a propensão natural que todos temos, enquanto espécie, de cair insistentemente no erro e de colocar em causa o mundo que nos rodeia. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 10:47
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Quinta-feira, 21 de Março de 2019

Said The Whale – Cascadia

Os Said the Whale de Vancouver, no Canadá, regressaram aos discos no início deste ano com Cascadia, o sucessor do excelente As Long As Your Eyes Are Wide, que viu a luz do dia há uns dois anos. Sexto disco da carreira deste projeto liderado por Ben Worcester e Tyler Bancroft, Cascadia contém, em doze canções, um festim luminoso de forte índole sintetizada, que nos mostra um indie rock com pegadas de folkcountry e muita pop e onde é possível a apreciar delicadas harmonias vocais, pianos, guitarras limpas e um imenso impressionismo lírico.

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Ouvir Cascadia é circular por um sinuoso percurso sonoro com diversas interseções e cruzamentos que abarcam uma vasta míriade de géneros e estilos, tudo feito com coerência e bom gosto. Se em alguns instantes do registo é o rock mais comercial quem dita as suas regras, nomeadamente no single  UnAmerican, já em Love Don't Ask, por exemplo, aprecia-se, ainda dentro do mesmo rock, uma faceta mais intrincada e rugosa que, piscando o olho ao garage através das guitarras, encontra um ponto de equilíbrio no modo como o piano se consegue acomodar ao restante arquétipo instrumental do tema. E nestas duas canções acabamos por ficar com uma ideia clara da tal porção de referências que orienta os Said The Whale, cada vez mais aprimoradas, de disco para disco. Depois, o clima dream pop atmosférico de Shame, a pura e genuína folk de Old Soul, Young Heart, ou o travo lo-fi e avant garde de Gambier Island Greeen, acabam por cimentar toda esta flexibilidade e diversidade estilística de um projeto que nos oferece um registo que acaba por ter nesta enorme riqueza um dos seus maiores atributos.

Cascadia é simultaneamente sério e divertido, sexy e contemplativo e cada uma das suas composições tem uma alma própria, por um lado, mas, por outro, o disco também só é entendível na sua plenitude, já que  este é um alinhamento coerente, autêntico, rico e onde há muito para descobrir e desfrutar. Espero que aprecies a sugestão...

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01. Wake Up
02. UnAmerican
03. Love Don’t Ask
04. Cascadia
05. Shame
06. Old Soul, Young Heart
07. Record Shop
08. Moonlight
09. Broken Man
10. Love Always
11. Level Best
12. Gambier Island Green


autor stipe07 às 15:15
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Terça-feira, 19 de Março de 2019

I Was A King – Slow Century

Já viu a luz do dia, à boleia da Coastal Town Recordings, Slow Century, o novo registo de originais dos noruegueses I Was A King, um coletivo formado por Frode Strømstad, Anne Lise Frøkedal, Ole Reidar Gudmestad e Arne Kjelsrud Mathisen e oriundo de Egersund, nos arredores de Oslo. Liderados pelos dois primeiros, Frode Strømstad e Anne Lise Frøkedal, e a compôr belíssimas canções pop há já mais de uma década, os I Was A King já têm cinco discos em carteira e uma enorme reputação não só no circuito local, mas também no panorama indie nórdico e britânico, inclusive e este novo disco do grupo veio acentuar ainda mais a boa impressão da crítica e de uma já vasta legião de seguidores relativamente ao seu percurso musical.

A imagem pode conter: 2 pessoas, pessoas em palco e pessoas a tocarem instrumentos musicais

Os I Was A King admitem ter como principal bitola a pop dos anos sessenta e setenta, mas também abordagens mais contemporâneas deste amplo género musical. Nomes como os The Byrds, Big Star, Robyn Hitchcock, Teenage Fanclub, The Beatles, Incredible Stringband, Guided By Voices, Olivia Tremor Control e Neil Young, entre outros, são declaradas influências. Por isso, sem escutarmos Slow Century, um disco produzido por uma das suas infuências, Norman Blake, dos Teenage Fanclub, quase que conseguimos antecipar o seu conteúdo sonoro e a respetiva base melódica, sabendo de antemão todo este manancial rico e eclético de referências. E de facto, o que se escuta neste alinhamento de doze canções, divididas em cerca de meia hora e que começam logo a impressionar com a ímpar luminosidade da guitarra que conduz Clouds, confirma essas suspeitas que poderiam ter sido formuladas à priri, de estarmos na presença de canções perfeitas para os apreciadores da típica sonoridade pop, feita de imensas cordas, às vezes distorcidas, mas sempre muito melódicas, vozes concisas, límpidas e bem audíveis, cheias de mudanças no tom e, finalmente, uma excelente escrita, daquela que denota um apreciável sentido crítico e uma enorme sensibilidade.

Havendo em Slow Century aquela saudável linearidade, que faz com que o disco seja ouvido de uma vez só sem quase se notar, há, no entanto, canções que de destacam e que denotam sentido criativo e uma vontade expressa de procurar diferentes ritmos e abrodagens instrumentais, nomeadamente com recurso à percurssão, sem fugir à sonoridade padrão adotada. Assim, além da já descrita Clouds, no single Bubble é possível contemplar uma subtil mistura entre sintetizações inebriantes e uma abordagem clássica, mas sempre eficaz às guitarras, num resultado final particularmente efusivo e luminoso. Por outro lado, se o tema homónimo oferece-nos um instante um pouco mais lisérgico e contemplativo, mas igualmente recompensador, já Folksong, mantendo essa abordagem mais intimista, comprova que este grupo também se movimenta com à vontade por climas mais acústicos e orgânicos.

Slow Century é um bom disco de indie pop da mais pura estirpe nórdica, ouve-se em qualquer altura do ano, tem belíssimas canções, está cheio de potenciais singles e prova que, quando os intérpretes têm qualidade, escrever e compôr boa música não é uma ciência particularmente inacessível. Espero que aprecies a sugestão...

I Was A King - Slow Century

01. Clouds
02. Bubble
03. Shake
04. Tiny Dots
05. Hatchet
06. Tanker
07. Slow Century
08. No Way Out
09. Folksong
10. Egersound
11. Run
12. Lighthouse


autor stipe07 às 21:26
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Segunda-feira, 11 de Março de 2019

Panda Bear – Buoys

Já está nos escaparates desde o início do passado mês de fevereiro Buoys, o sexto álbum de estúdio do músico norte-americano Panda Bear, mais um vigoroso passo em frente na carreira a solo de Noah Lennox, um músico natural de Baltimore, no Maryland e a residir em Lisboa e um dos nomes obrigatórios da indie pop e daquele rock mais experimental e alternativo que se deixa cruzar por uma elevada componente sintética, sempre com uma ímpar contemporaneidade e enorme bom gosto.

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Quem acompanha cuidadosamente e com particular devoção a carreira de Panda Bear, compreende a necessidade que ele sente de propôr em cada novo disco algo que supere os limites da edição anterior. É como se, independente da pluralidade de acertos que caracterizavam o antecessor, o novo compêndio de canções que oferece tenha que transpôr barreiras e como se tudo o que fora antes construído se encaminhasse de alguma forma para o que ainda há-de vir, já que é frequente perceber que, entre tantas mudanças bruscas e nuances, é normal perceber que, para Bear, o que em outras épocas fora acústico, transformou-se depois em eletrónico, o ruidoso tornou-se melodioso e o que antes era experimental, estranhamente aproximou-se da pop. Agora, quase quatro anos depois do aclamado Panda Bear Meets The Grim Reaper e um do EP A Day With The Homies, Lennox dá um novo significado a essa necessidade de superação e de evolução a cada disco no conteúdo deste Buoys, um regresso a um maior minimalismo e acusticidade, numa sequência de nove canções que não deixam de nos oferecer ainda primorosas e atrativas experimentações, mas com um menor nível de desordem sonora e, consequentemente, uma maior acessibilidade para o ouvinte, com o próprio autor a confessar que pretendeu fazer desta vez canções que a sua descendência pudesse ouvir, compreender e apreciar.

Assim, num álbum sereno, apelativo e coerente, importa antes de mais referir que uma das maiores diferenças que notamos neste Buoys relativamente aos registos anteriores do autor é uma maior predominância da componente vocal na sonoridade global dos temas. Isso não significa necessariamente que exista uma maior abundância dessa vertente, desta vez gravada quase sempre num único take, mas é um facto que desta vez as batidas sintéticas e os efeitos maquinais das cordas ou a sua acusticidade, em vez de se sobreporem à voz, amparam-na e, em alguns casos, até ajudam a evidenciar os dotes de quem a replica. E para esta nova realidade plasmada em Buoys muito contribuiu o excelente trabalho de produção de Rusty Santos, além de diversos arranjos da autoria de DJ e cantora de trap e reggaetón chilena Lizz, não só vocais mas também, por exmplo, de gotas de água ou disparos de laser, só para citar alguns dos exemplos mais audíveis e felizes. Por exemplo, no caso das gotas de água, são elas que de certa forma marcam o ritmo de Dolphin, o single de apresentação do disco e ajudam a dar ao tema uma frescura e um colorido muito curiosos e apelativos.

Mas há outros momentos fortes e merecedores de devoção e audição atenta neste Buoys. O eco que ressoa das cordas e da voz que dá vida a Cranked, atravessada pelos tais lasers, o toque cósmico do dub crescente em Token, o belíssimo instante de folk psicadélica que é I Know I Don't Know ou o (falso) minimalismo tremendamente detalhístico de Master, fazem o disco fluir com uma salutar leveza e uma homogeneidade que acaba por fazer transparecer um certo humanismo que Lennox certamente quis que transbordasse de um alinhamento que entre o experimental e o atmosférico, seduz e emociona, um rol de canções em que, parecendo que não, abundam sons que tão depressa surgem como se desvanecem e deixam-nos sempre na dúvida sobre uma possível alteração repentina do rumo dos acontecimentos, exigindo ao ouvinte estar permanentemente alerta e focado no que escuta.

Exatidão e previsibilidade não são palavras que constem do dicionário deste autor e Buoys, um disco corajoso e encantador, plasma mais uma completa reestruturação no som de Panda Bear, firmada por uma poesia sempre metafórica, o que faz com que este artista se mostre ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade e capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-lo para cenários complexos, mas repletos de sensações únicas e que só ele consegue transmitir. Espero que aprecies a sugestão...

Panda Bear - Buoys

01. Dolphin
02. Cranked
03. Token
04. I Know I Don’t Know
05. Master
06. Buoys
07. Inner Monologue
08. Crescendo
09. Home Free


autor stipe07 às 17:48
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Sábado, 9 de Março de 2019

The Black Keys – Lo/Hi

The Black Keys - Lo-Hi

Cinco anos depois de Turn Blue, a dupla The Black Keys de Dan Auerbach e Patrick Carney estará provavelmente de regresso em dois mil e dezanove com um novo disco. Para já, acabam de divulgar um novo tema intitulado Lo/Hi, gravado no estúdio Easy Eye Sound, em Nashville e produzido pela própria banda.

Confortáveis com o passado, mas cientes da capacidade que têm de prosseguirem a carreira sem cair na repetição, em Lo/Hi os The Black Keys voltaram a ganhar carisma, vibração, potência e um elevado charme, numa canção com um groove intenso e pleno de soul, conduzida por uma guitarra mais perto do que nunca do punk rock de garagem. Confere...


autor stipe07 às 21:46
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Sexta-feira, 1 de Março de 2019

Robert Forster - Inferno

Lembram-se dos míticos The-Go Betweens? Pois é... Robert Forster, um dos fundadores deste projeto australiano, andou bastante ocupado nos últimos anos a orientar a histórica edição da Domino Records de Anthology Volume 1 1978-1984 , uma revisitação de alguns dos melhores momentos da sua antiga banda The Go-Betweens e escreveu o livro de memórias Grant & I, que foi eleito pela Mojo e pela Uncut como Livro do Ano. Mas Forster tem também um muito recomendável projeto a solo, que começou há pouco mais de uma década e que acaba de ver um novo capítulo.

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O novo disco de Robert Forster chama-se Inferno, é o primeiro registo do artista desde Songs To Play (2015) e contém nove temas gravados em Berlim no último verão, com a ajuda de Victor Van Vugt (Beth OrtonTrailer Park, PJ Harvey Stories From The City, Stories From The Sea), que produziu de modo brilhante o registo e com quem Forster tem trabalhado nesta sua trajetória a solo. Nos créditos de Inferno, lançado através da Tapete Records, é também possível encontrar os multi-instrumentalistas Scott Bromley e Karin Bãumler, que também tocaram em Songs To Play (2015), além do baterista Earl Havin (Tidersticks, Mary J. Blige) e do teclista Michael Muhlhaus (Blumfeld, Kante), que tocam pela primeira vez em canções de Robert Forster.

Inferno é um solarengo festim pop, onde não falta uma vasta interseção de detalhes sonoros oriundos de diferentes latitudes e espetros sonoros, idealizados por um músico com uma vasta experiência e com uma irrepreensível formação musical. Assim, desde a empolgante alegoria pop que é Inferno (Brisbane In Summer), passando pelo groove refrescante de Life Has Turned A Page e pela pitada underground setentista de Remain e terminando, de modo brilhante, dramático e inteligente na épica One Birds In The Sky, este é um registo esteticamente apurado e onde o vintage e o contemporâneo se cruzam de modo muitas vezes impercetível, apenas uma de várias nuances que oferecem à toada geral do alinhamento não só um intenso charme como uma sensação de familiariedade inconfundíveis. Espero que aprecies a sugestão...

Robert Forster - Inferno

01. Crazy Jane On The Day Of Judgement
02. No Fame
03. Inferno (Brisbane In Summer)
04. The Morning
05. Life Has Turned A Page
06. Remain
07. I’ll Look After You
08. I’m Gonna Tell It
09. One Bird In The Sky


autor stipe07 às 14:09
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Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2019

Luke Sital-Singh – Lover

Luke Sital-Singh - Lover

Depois da edição de Time Is A Riddle, o seu último álbum, Luke Sital-Singh fez as malas, pegou no passaporte e embarcou numa viagem solitária por vários destinos do mundo, durante a qual escutou uma banda-sonora muito pessoal, composta por temas e artistas da sua eleição. Ficaram lançados os dados para a criação de novas canções, mostradas ao público o ano transato com a edição de Just A Song Before I Go e Weight Of Love, dois eps fieis ao espírito intimista e profundamente reflexivo do músico e ao misticismo a à inocência que a sua filosofia sonora, na sua génese, transborda, inclusive nas suas letras sempre profundas, intimistas e bastante reflexivas.

Agora, em dois mil e dezanove, parece ser tempo do britânico Luke, agora radicado na costa oeste do outro lado do Atlântico, juntar um novo disco ao seu catálogo, um alinhamento intitulado A Golden State, que aterrará nos escaparates no início de abril próximo e que focar-se-á nessa viagem transatlântica que o autor e compositor efetuou e que mudou dramaticamente a sua vida.

Canção sobre o lado negro do amor que todos os casais vivenciam e o melhor caminho para uma reconciliação quando as coisas ficam menos harmoniosas e mais tensas, Lover é um dos temas já revelados de A Golden State, uma canção que transporta no charme das teclas do piano e na sua suavidade melancólica aquele intenso travo à herança mais pura da soul americana, uma composição profundamente emotiva e sofisticada e com o habitual cunho pessoal muito identitário de Luke Sital-Singh, que sobre Lover referiu recentemente: It’s a song about marital fights, relationship woes, and the ebb and flow of that, essentially, (...). One of the most frequent spats I have with my wife (illustrator Hannah Cousins) is about driving. She drives, I don’t. The new album is sort of about moving to America, and before we decided on the move we went on a road trip down the Californian coast (documented in Cousins' new book Coast). It was a beautiful journey, but there was quite a lot of bickering. So ‘Lover’ is about a difficult drive, and just trying to keep it together, basically. Confere Lover...


autor stipe07 às 12:41
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Sábado, 23 de Fevereiro de 2019

Teenage Fanclub – Everything Is Falling Apart

Teenage Fanclub - Everything Is Falling Apart

Quase dois anos e meio depois de excelente Here, os escoceses Teenage Fanclub estão de regresso com Everything Is Falling Apart, uma nova canção que pretende marcar o início de uma digressão norte-americana. Serão vinte concertos no outro lado do atlântico que não contarão, pela primeira vez na história da banda, com Gerard Love, vocalista e membro fundador do grupo, que o abandonou no verão passado.

Tema que mistura nostalgia e contemporaneidade, com afeto e melancolia, através de uma guitarra com aquela dose equilibrada de eletrificação que permite o experimentalismo, sem colocar em causa o cariz fortemente radiofónico que sempre caracterizou os Teenage Fanclub, Everything Is Falling Apart foi gravado há alguns meses na Alemanha, na cidade de Hamburgo, nos estúdios Clouds Hill. Esta canção deverá, espera-se, fazer parte de um novo registo dos Teenage Fanclub, agora formados pelos fundadores Raymond McGinley (voz e guitarra) e Norman Blake (guitarra), acompanhados por Francis Macdonald (bateria) , David McGowan (baixo), e Euros Childs (teclados). Confere...


autor stipe07 às 12:34
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Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2019

Tomara - Favourite Ghost (vídeo)

Chegou aos escaparates há já algum tempo Favourite Ghost, o disco de estreia do projeto Tomara da autoria de Filipe Monteiro, um músico que começou por estudar Design de Comunicação na Faculdade de Belas Artes e que trabalhou em vídeos e na parte visual de concertos de nomes como os já extintos Da Weasel, mas também com Paulo Furtado, David Fonseca, Rita Redshoes, António Zambujo e Márcia. São oito canções plenas daquela nostalgia que provoca encantamento e torpor, temas que enquanto suavemente entram pelos nossos ouvidos, inapelavelmente nos arrebatam e conquistam e em definitivo.

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O tema homónimo deste álbum, uma canção onde o minimalismo suave delicioso das cordas e a cândura do registo vocal transbordam uma majestosa e luminosa melancolia, acaba de ter direito a um vídeo dirigido pelo próprio Filipe e que marca o início de uma nova digressão que levará este seu disco de estreia a diversas salas do país. Às datas já agendadas, que incluem São Miguel (Açores), Leiria, Torres Vedras e Oeiras, junta-se agora o convite da Casa da Música para integrar Tomara na sua programação. Este concerto, que acontecerá a dezoito de Abril, marca não só a estreia da banda na cidade do Porto em formato completo, como será também a primeira vez que o espectáculo integrará uma importante e cuidada componente cinematográfica realizada pelo próprio Filipe C. Monteiro.

"Esta é uma tour para tentar levar o meu primeiro disco a mais gente. Temos concertos confirmados em várias salas do país. Eu destaco o Porto porque é uma cidade que me diz muito e onde já toquei inúmeras vezes com outros projectos, mas nunca com a formação completa de Tomara. O convite da direcção artística da Casa da Música para integrar Tomara na sua programação enche-me de orgulho, por ser uma das salas que mais dignifica a música e os músicos em todos os géneros, que é transversal em termos de estilo musical e isso é, já por si, um apoio enorme à Arte e à Cultura".

Ainda antes de subir ao palco da Casa da Música, durante o mês de Março, Filipe C. Monteiro juntar-se-á a Tiago Bettencourt e a Surma numa residência artística nas Caldas da Rainha, no âmbito do Festival Impulso, onde criarão juntos temas inéditos que serão apresentados ao público em finais de Maio no decorrer desse evento. Confere o videoclip de Favourite Ghost.

 


autor stipe07 às 17:24
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Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2019

Cass McCombs – Tip Of The Sphere

Natural de Los Angeles, na Califórnia, Cass Mccombs é um dos mais notáveis intérpretes do folk rock norte americano e está de regresso aos discos com Tip Of The Sphere, o novo tomo discográfico da sua já extensa e notável carreira. Refiro-me a um alinhamento de onze canções, que viram a luz a oito de fevereiro último e sucedem ao excelente Mangy Love (2016), sendo o segundo álbum do músico abrigado pela ANTI- Records.

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No antecessor Mangy Love foi-nos novamente oferecido o ambiente algo ambivalente a que McCombs nos tem habituado na sua já extensa discografia, feito de sonho e amargura, dois campos lexicais que parecem não se cruzar em nenhum instante nas nossas vidas, mas que na escrita deste músico californiano se entrelaçam insistentemente. Neste Tip Of The Sphere, McCombs manteve essa permissa estilística e continua focado em aproximar-se de modo acessível dos seus ouvintes, algo bem plasmado na visceralidade das guitarras, no furor do baixo e na voz sussurrante de Sleeping Volcanoes e no imenso oceano nostálgico que se espraia perante nós em Estrella e, de um modo mais animado, na psicadélica The Great Pixley Train Robbery, canções abrigadas por alguns dos elementos essenciais daquela folk tipicamente americana que nos transporta para o tradicional jogo de sons e versos que caracterizam este género musical tão específico. E McCombs, ao invés de ser purista oferece de braços abertos esta sua visão contemporânea da folk ao indie rock e à própria eletrónica, não só como se percebe nos temas citados, mas também em Absentee, composição carregada de amargura, mas também de uma interessante dose de bom humor e ironia, à boleia de uma sonoridade simplista, guiada ao piano, porém inebriante, que pula entre suaves exaltações e um oceano de melancolia ilimitada. Depois, temas como a intimista Real Life, que segue esta linha autoral bem definida com rigidez, mostrando-nos um romântico inveterado, especialista em musicar lamentos e amores que não deram certo e o andamento rugoso e contemplativo da fumarenta Sidewalk Bop After Suicide, deixam-nos convencidos da excelência de um disco que mantém, em todo o alinhamento, uma fluidez agradável e inegavelmente marcante.

Tip Of The Sphere é, em suma, uma formidável sequência de composições onde tudo aquilo que atrai e influencia Cass McCombs é densamente compactado, com enorme mestria e um evidente bom gosto, num artista que longe de se abrigar apenas à sombra de canções melódicas convencionais, procura, disco após disco, reforçar o seu historial sonoro com um brilho raro que entronca, basicamente, na simplicidade com que se aventura na sua própria imaginação e numa indisfarcável devoção aos autores clássicos da América que o viu nascer e onde cabem, numa ténue fronteira, todos os sonhos, mas também diferentes angústias. Espero que aprecies a sugestão...

Cass McCombs - Tip Of The Sphere

01. I Followed The River South To What
02. The Great Pixley Train Robbery
03. Estrella
04. Absentee
05. Real Life
06. Sleeping Volcanoes
07. Sidewalk Bop After Suicide
08. Prayer For Another Day
09. American Canyon Sutra
10. Tying Up Loose Ends
11. Rounder

 


autor stipe07 às 21:36
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Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2019

Wye Oak – Evergreen

Wye Oak - Evergreen

Foi na primavera do ano passado e à boleia da Merge Records que viu a luz do dia The Louder I Call, The Faster It Runs, o sexto registo de originais da dupla de Baltimore Wye Oak formada por Jenn Wasner e Andy Stack. Mestres da folk e do indie rock, mas com um cardápio sonoramente cada vez mais eclético, suportado por uma sólida carreira de pouco mais de uma década cujos maiores trunfos são a belíssima voz de Jenn e o magnífico trabalho instrumental de Andy, os Wye Oak solidificaram nesse registo uma opção clara por sonoridades mais contemporâneas e direcionadas, essencialmente, para cruzamentos entre a pop e a eletrónica.

Agora, quase um ano depois desse registo, a dupla acaba de divulgar um novo tema intitulado Evergreen, à boleia da iniciativa Adult Swin Singles, uma composição que contém as novas caraterísticas marcantes da dupla, uma salutar confusão sonora muito experimental e apelativa que originou uma atmosfera sonora simultaneamente íntima e vibrante, por um lado e eminentemente sintética, por outro, mas sem descurar uma faceta emocional, que é perservada não só pela voz de Jenn, mas também pelos diversos arranjos que vão flutuando pela melodia. Confere...


autor stipe07 às 12:39
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Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2019

The Lemonheads – Varshons II

Dez anos depois de Varshons, a compilação de covers que continha composições da autoria de Gram Parsons, Wire, GG Allin, Leonard Cohen e Christina Aguilera, entre outros, os norte-americanos Lemonheads de Evan Dando estão de regresso às covers com o segundo capítulo dessa saga. Varshons II inclui versões de clássicos do calibre de Take It Easy dos Eagles, Straight To You de Nick Cave & The Bad Seeds, Speed of the Sound of Loneliness de John Prine, Abandoned de  Lucinda Williams e Can't Forget dos Yo La Tengo, o tema escolhido para single de apresentação deste registo de treze canções, que também inclui revisitações de originais dos Jayhawks, Florida Georgia Line, NRBQ, Paul Westerberg, The Eyes e Bevis Frond, entre outros.

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Esta banda de Boston tem uma carreira de mais de trinta anos firmada em oito discos que nos levam facilmente e num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, à boleia de uma espécie de indie-folk-surf-suburbano, particularmente luminoso e que acaba por se tornar até viciante. E a responsabilidade desta tela impressiva que inclui registos do calibre de Hate Your Friends (1987), Lovely (1990) ou Come On Feel The Lemonheads (1993), só para citar alguns dos exemplos mais emblemáticos da discografia dos Lemonheads, é a versatilidade instrumental de Dando, líder incontestável do projeto desde o início, à vontade seja no baixo, na guitarra ou na bateria e a capacidade que sempre teve de se rodear de intérpretes sonoros igulamente exímios, nomeadamente a baixista Juliana Hatfield e o baterista australiano David Ryan, dupla com quem gravou It's A Shame About  Ray (1992), outro álbum fundamental do cardápio do projeto. Ben Deily, com quem teve graves problemas de relacionamento por questões de ego que estiveram perto de ser esgrimidas na justiça, foi outro nome importante para a afirmação dos Lemonheads como banda fundamental da universo indie norte-americano da última década do século passado.

Esta saga intitulada Varshons, que vê agora o segundo capítulo, dez anos depois do primeiro, como já referi, acaba por ser uma opção natural por parte de um músico que sente necessidade de homenagear algumas das suas principais referências, fazendo-o, neste Varshons II, através de um modus operandi baseado na sua companheira mais fiel, a guitarra, que serve de base melódica às composições, acompanhada por um baixo exemplar no modo como se alia a ela para marcar as várias nuances rítmicas de temas que se espraiam pelos nossos ouvidos algo preguiçosamente. Assim, da vibe soalheira e etérea de Can't Forget, que depois também pisca o olho ao reggae, imagine-se, em Unfamiliar, passando por aquele rock genuínuo e tipicamene americano que todos reconhecemos e que é audível em Settled Down Like Rain, Things e Abandoned, até ao festim garage de Old Man Blank e com travo punk em TAQN e à folk intimista de Speed Of The Sound Of Loneliness e mais efusiva de Now And Then, assim como ao swing de Magnet e à crua acusticidade de Round Here, os Lemonheads homenageiam mas também provam a relevância que os originais ainda têm enquanto saciam o nosso desejo de ouvir algo descomplicado mas que deixe uma marca impressiva firme e de simples codificação. Varshons II é, portanto, um daqueles discos que esconde a sua complexidade na simplicidade e estas boas canções mostram como é bonito quando o rock pode ser básico e ao mesmo tempo encantador, divertido e melancólico, sem muito alarde. Espero que aprecies a sugestão...

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01. Can’t Forget
02. Settled Down Like Rain
03. Old Man Blank
04. Things
05. Speed Of The Sound Of Loneliness
06. Abandoned
07. Now And Then
08. Magnet
09. Round Here
10. TAQN
11. Unfamiliar
12. Straight To You
13. Take It Easy


autor stipe07 às 17:21
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Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2019

Steve Mason - About The Light 

O escocês Steve Mason esteve recentemente ocupado com a reedição em vinil do catálogo dos seus Beta Band, mas está novamente focado na sua carreira a solo, à boleia de About The Light, o quarto registo de originais do seu cardápio. Gravado em vários estúdios de Londres e Brighton, com a ajuda do mítico Stephen Street, que trabalhou com os Blur e os The Smiths, About The Light viu a luz do dia a dezoito de janeiro último e sucede aos aclamados trabalhos Boys Outside (2010), Monkey Minds In The Devil’s Time (2013) e o antecessor Meet The Humans (2016).

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Steve Mason parece estar destinado a tornar-se numa figura de culto do cenário indie britânico. Tal como muitos parceiros de luta muitas vezes catalogados de egocêntricos, foi-lhe diagnosticado em tempos um síndrome de distúrbio mental, que tem tentado contrariar desde o surpreendente registo Boys Outside, de dois mil e dez. Nesse álbum Mason fez uma espécie de mea culpa acerca da necessidade que foi sentido, ao longo da sua vida, de vestir uma determinada capa perante o grande público e nele, além de debruçar-se, com particular clarividência, sobre essa questão em concreto, também o faz, imagine-se, sobre a realidade política dessa época, no fundo uma estratégia igual a tantas outras, mas eficaz, de aproximação ao público e de quebrar barreiras. O passo seguinte deste exercício de exorcização e de busca de uma normalidade quotidiana deu-se há dois anos, durante o processo de gravação de Meet the Humans. Durante a escrita desse álbum Mason deixou de vez o seu refúgio escocês em Fife, numa zona florestal e mudou-se para a urbanidade de Brighton, em Inglaterra, onde encontrou parceira e enfrentou, inesperadamente, a dura mas feliz batalha da paternidade.

A nova realidade pessoal, mais feliz, estável e adulta de Mason, acaba por se refletir no conteúdo de About The Light, o seu Brighton Album, como o músico também gosta de o intitular, um disco que sonoramente coloca as fichas na melhor herança da britpop noventista e que mostra um som eminentemente experimental, como é suposto tendo em conta o adn deste músico, mas claramente mais acessível que o universo sonoro algo intrincado e frequentemente sofisticado dos Beta Band.  De facto, temas como o single Walking Away From Love, canção com uma sonoridade bastante efusiva e radiofónica, cimentada num rock melodicamente aditivo e assente em cordas exuberantes e a acusticidade charmosa das cordas e dos metais de America Is Your Boyfriend, dão este cunho muito british ao conteúdo de About The Light. Mas depois,a toada melódica de Rocket, canção sobre o tal problema mental do músico, mas que mostra um Mason confiante sobre o seu eu e a toada blues do piano que conduz o tema homónimo, oferecem-nos um artista sem medo do óbvio, ou seja, além de serem canções que plasmam a filosofia interpretativa de um músico que mostra a sua maturidade sem tentar inventar de novo a roda, são o espelho fiel de alguém que dá um passo seguro em frente na sua já longa e respeitável carreira porque renova, potencia e embeleza o seu modus operandi, canalizando o momento positivo pessoal que vive para a felicidade que sente em compôr de modo simples e direto, mas também, bonito, confidente e gentil. Espero que aprecies a sugestão...

Steve Mason - About The Light

01. America Is Your Boyfriend
02. Rocket
03. No Clue
04. About The Light
05. Fox On The Rooftop
06. Stars Around My Heart
07. Spanish Brigade
08. Don’t Know Where
09. Walking Away From Love
10. The End


autor stipe07 às 13:21
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Terça-feira, 29 de Janeiro de 2019

Dan Mangan – Losing My Religion

Dan Mangan - Losing My Religion

Depois de ter lançado o ano passado o excelente More or Less, o seu último registo de originais, o canadiano Dan Mangam acaba de disponibilizar uma cover do clássico Losing My Religion, um original dos norte-americanos R.E.M. Esta revisitação do original da banda de Michael Stipe também pode ser escutada no trailer da série da  CBC/AMC TV Unspeakable, de cujos créditos Dan Mangan faz parte.

De acordo com o músico de Vancouver, Losing My Religion, um enorme e inesperado éxito da banda de Athens, na Georgia, incluído no alinhamento de Out Of Time (1991), faz parte do seu imaginário infantil e foi sempre uma canção à qual Dan quis dar um cunho pessoal. Acabou por fazê-lo explorando-a através de um ângulo mais etéreo e homenagendo dessa forma o original, sem o querer replicar (When I was a kid, R.E.M. was a staple in my household. I remember air guitaring to this song with my brother and sister. It was such a massive hit but also so unlikely a candidate to be so. The chorus isn't really a chorus. It's long. It's repetitive. It's like a hypnotic cyclical trance of words that stick with you even if you have no idea what they're about. I really wanted to try and approach it from a new angle. There's no point in attempting to sing like Michael Stipe — there is only one Michael Stipe. So I tried my best to let it live in a new light while paying homage to the original.).

O canadiano acabou por dar asas a essa vontade antiga de reinterpretar Losing My Religion de um modo bastante curioso, sem descurar a veia acústica e a folk que escorre do seu cardápio sonoro habitual, mas conjugadas com uma faceta pop assente em arranjos e orquestrações de cariz classicista que deram à versão uma imponência e um nível de refinamento superiores. Confere...


autor stipe07 às 10:42
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Sábado, 26 de Janeiro de 2019

Sharon Van Etten - Remind Me Tomorrow

Quase meia década depois do excelente e melancólico Are We There, e com o nascimento de uma filha pelo meio e a participação nas séries The OA e Twin Peaks como atriz, Sharon Van Etten está de regresso aos discos com um trabalho intitulado Remind Me Tomorrow. Este disco com dez temas é o quinto alinhamento da carreira da autora e compositora norte americana, natural do Tennessee e foi lançado à boleia da Jagjaguwar, tendo sido produzido pela própria e pelo reputado John Congleton.

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Sempre resistente, inventiva e apaixonada, em Remind Me Tomorrow Sharon Van Etten volta a surpreender-nos com a sua voz inconfundível e a sua capacidade única de conseguir fazer-nos crer na nossa capacidade de perseguirmos os nossos sonhos mais verdadeiros, neste caso através de um disco repleto de energia e emotividade e onde a autora encara novamente o ouvinte como uma espécie de amigo e confindente. Fá-lo de modo genuíno e até, em alguns temas, desarmante, ou seja, de modo a não deixar quem a escuta indiferente à sua mensagem e aos seus apelos, quase sempre relacionados com a temática daquele amor que não resultou e do modo como a autora se sente frequentemente infeliz ou desiludida com o mundo que a rodeia.

De facto, Remind Me Tomorrow soa a mais um capítulo desta sua saga pessoal, o quinto álbum da carreira de uma cantora e compositora que com uma mão na indie folk e a outra no rock alternativo e também na eletrónica, letra após letra, verso após verso, abre-se connosco enquanto discute consigo mesma e coloca-nos na primeira fila de uma vida, a sua, que acontece mesmo ali, diante de nós.

Ao longo destas dez canções, Sharon construiu belíssimas melodias pop que se entrelaçaram com as letras e com a sua voz marcante com enorme mestria, num disco que palpita uma notória sensação instintiva, como se ela tivesse deixado fluir livremente tudo aquilo que sente e já descrevi e assim potenciado a possibilidade de nos emocionarmos genuinamente com estas canções. Temas como Seventeen, sobre a sempre difícil transição da juventude para a vida adulta numa cidade como Nova Iorque, I Told You Everything, uma canção que descreve uma amargurada conversa de balcão, ou Stay, dedicado à filha, são excelentes exemplos deste exercício algo dramático de partilha, assim como a ode ao romantismo feita em No One’s Easy To Love e os factos descritos em Comeback Kid,  uma canção que instrumentalmente impressiona pela inserção de uma vertente sintética algo inédita na carreira da Etten, que se repete impressivamente em Jupiter 4, e que relata memórias da sua infância despertadas durante uma visita a casa dos pais.

Em suma, Remind Me Tomorrow marca uma nova etapa na carreira discográfica de Sharon Van Etten, principalmente no modo como olha com maior gula para o sintético e aprimora o uso dessa vertente estilística na sua habitual folk tipicamente americana e sulista. Tematicamente, a poetisa mantém o tom intimista e comunicativo, mas fá-lo com uma ainda maior profundidade, fruto certamente das mudanças vividas na sua vida na última meia década e que a tornaram ainda mais sapiente, instruída e rica no modo como disserta e reflete sobre a sua existência. Espero que aprecies a sugestão...

Sharon Van Etten - Remind Me Tomorrow

01. I Told You Everything
02. No One’s Easy To Love
03. Memorial Day
04. Comeback Kid
05. Jupiter 4
06. Seventeen
07. Malibu
08. You Shadow
09. Hands
10. Stay


autor stipe07 às 10:37
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Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2019

Strand Of Oaks – Weird Ways

Strand Of Oaks - Weird Ways

Foi há cerca de dois anos que Tim Showalter editou Hard Love, o quinto registo de originais em que assinou Strand Of Oaks. Hard Love sucedeu ao aclamado disco Heal, que o colocou, em dois mil e catorze, nas luzes da ribalta e foi, de acordo com o autor, um trabalho gravado numa época tumultuosa e sobre enorme pressão, devido ao peso do sucesso de Heal e ao escurtínio que sabia que iria ser feito relativamente ao sucessor desse tão bem sucedido trabalho. A boa aceitação por parte da crítica e dos fãs de Hard Love, acabou por constituir um bálsamo retemperador para Showalter que gsnhou elan para colocar nos escaparates, o ano passado, um alinhamento de demos melhorados que sobraram das gravações de Hard Love, intitulado Harder Love, um alinhamento alternativo que encerrou um capítulo importante da vida discográfica do autor e o deixou de mente limpa e consciência tranquila para o próximo passo.

Agora, um ano depois, Strand Of Oaks anuncia o seu sexto e novo disco, um registo intitulado Eraserland, que irá ver a luz do dia a vinte e dois de março à boleia da Dead Oceans. Será um trabalho curioso porque conta com a participação especial dos My Morning Jacket como banda de suporte de Showalter, além do guitarrista Jason Isbell e da voz de Emma Ruth Rundle num dos temas.

Weird Ways é o primeiro single divulgado de Eraserland, uma composição já com direito a um vídeo realizado por David Boone e onde se sente uma genuína entrega por parte do autor. É uma canção plena de intimismo e nostalgia, que começa banhada por um manto etéreo de acusticidade, mas que depois, envolvida por uma vibe pop oitocentista indisfarçável, fica repleta de orquestrações opulentas e, apesar do ruido e da distorção da guitarra, contém, no seu todo, um grau de refinamento classicista incomensuravelmente belo. Confere o vídeo de Weird Ways e a tracklist de Eraserland...

Weird Ways
Hyperspace Blues
Keys

Visions
Final Fires
Moon Landing
Ruby
Wild And Willing
Eraserland
Forever Chords


autor stipe07 às 13:28
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Terça-feira, 18 de Dezembro de 2018

The Pains Of Being Pure At Heart – Full Moon Fever

Mestres do indie pop e oriundos de Brooklyn, em Nova Iorque, os The Pains Of Being Pure At Heart regressaram aos discos este ano para participar na iniciativa Sounds Delicious do portal Turntable Kitchen, um site criado por um casal que nasceu num apartamento de São Francisco e agora sedeado em Seattle e que mistura comida e música. O objetivo desta iniciativa é que uma banda faça uma versão integral de um álbum completo de outro grupo que admire e os The Pains Of Being Pure At Heart escolheram Full Moon Fever, o disco de estreia do projeto a solo de Tom Petty, lançado em mil novecentos e oitenta e nove e que contém, entre outros notáveis temas, clássicos como I Won’t Back Down ou Free Fallin', entre outros.

Resultado de imagem para The Pains Of Being Pure At Heart Full Moon Fever

Ora, a nova roupagem que o projeto liderado por Kip Berman deu a Full Moon Fever, recaiu numa abordagem um pouco mais elétrica e lisérgica que sabe a uma doce exaltação daquela dream pop que caminha de mãos dadas com a psicadelia. Com esse estilo sonoro sempre presente no momento de recriar temas tão intemporais como os que Tom Petty escreveu, os The Pains Of Being Pure At Heart acabaram por manter intacta a aúrea nostálgica e romântica de um disco ímpar da contemporaneidade norte-americana do final do século passado, criando um alinhamento tenso, planante e intrigante do início ao fim, com uma proposta estética assente num clima abstrato e meditativo, mas com um impacto verdadeiramente colossal e marcante.

De facto, esta revisitação de Full Moon Fever impregna-nos com um ambiente contemplativo fortemente consistente, num resultado final que encarna um notório marco de libertação e de experimentação que homenageia e aprimora o espírito do original, sugando-nos para um universo pop feito com uma sonoridade tão preciosa, bela, silenciosa e fria, como só estes The Pains Of Being Pure At Heart nos conseguem proporcionar. Espero que aprecies a sugestão...

The Pains Of Being Pure At Heart - Full Moon Fever

01. Free Fallin’
02. I Won’t Back Down
03. Love Is A Long Road
04. A Face In The Crowd
05. Runnin’ Down A Dream
06. I’ll Feel A Whole Lot Better
07. Yer So Bad
08. Depending On You
09. The Apartment Song
10. Alright For Now
11. A Mind With A Heart Of It’s Own
12. Zombie Zoo


autor stipe07 às 22:00
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Tom Rosenthal – The Only Time I’m Home

Tom Rosenthal - The Only Time I'm HomeO cantor e compositor britânico Tom Rosenthal acaba de nos oferecer uma das melhores canções de natal da safra de dois mil e dezoito, um épico tema, pleno de sentimento e de emoção e que faz justiça a toda a míriade sentimental que nos invade e com frequência nos comove nesta época tão especial.

Assim, da majestosidade instrumental, ao modo assertivo como diferente vozes se vão cruzando e interpretando com lindíssimas tonalidades uma inspirada melodia, The Only Time I'm In Home é, claramente, uma canção feliz no modo como encarna com tremenda pujança e impressionismo toda a singela emotividade desta época tão especial. Confere...


autor stipe07 às 11:29
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Terça-feira, 4 de Dezembro de 2018

Conor Oberst – No One Changes vs The Rockaways

Nos últimos meses, o norte-americano Conor Oberst, um músico natural de uma pequena localidade no estado do Omaha mas radicado em Nova Iorque há mais de uma década, tem estado na penumbra, mas nem por isso deixou de estar atarefado. Escreveu um tema initulado LAX, que foi interpretado por Ethan Hawke na comédia romântica Juliet, Naked, depois gravou mais uma versão desse tema com Phoebe Bridgers e, como agradecimento, Bridgers convidou-o para tocar harmónica na versão que fez de Powerful Man, um original de Alex G. Agora, quase no ocaso de dois mil e dezoito, Oberst acaba de divulgar dois novos temas, No One Changes e The Rockaways, disponíveis em formato single e que terão edição física em vinil de sete polegadas, lá para fevereiro do próximo ano.

Resultado de imagem para Conor Oberst No One Changes

Estas duas novas composições de Conor Orbest poderiam muito bem fazer parte do seu aclamado álbum Ruminations, editado há cerca de dois anos e ainda sem sucessor anunciado, um registo que, como ceertamente os mais atentos se recordarão, tinha uma tonalidade bastante intimista e melancólica e até algo depressiva. Estas sensações trespassam quer por No One Changes quer por The Rockaways, com a primeira canção, sobre o amor próprio, a assentar num inspirado piano e a segunda, uma composição sobre os momentos bons que devemos sempre recordar quando há uma separação, a oferecer-nos uma sonoridade acústica bastante impressiva e intensa, ampliada pela participação especial das teclas do sintetizador de Nathaniel Walcott , membro dos Bright Eyes. Confere...

Conor Oberst - No One Changes

01. No One Changes
02. The Rockaways


autor stipe07 às 13:11
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