Pouco mais de dois anos depois do excelente EP All We Know, o vocalista, compositor e instrumentista, Tim Crabtree, está de regresso com o seu alter ego Paper Beat Scissors, um projeto que chega de Halifax, no Canadá. Parallel Line é o título do novo álbum deste músico e contém onze canções misturadas pelos conceituados Sandro Perri e Dean Nelson, masterizadas por Andy Magoffin e produzidas pelo próprio Tim Crabtree.

Terceiro longa duração do projeto Paper Beat Scissors e gravado, à semelhança dos antecessores, na zona rural de Ontario, Parallel Line mergulha de modo ainda mais penetrante e realista do que os trabalhos antecessores numa folk que não deixa ninguém indiferente e que delicia pelo modo exímio como utiliza toda uma orgânica instrumental e vocal para dar vida a poemas lindíssimos, através da inserção de diferentes texturas, muitas vezes em várias camadas de sons.
Se logo na acusticidade de Gun Shy percebemos que há aqui um charme incomum e que é viciante porque nos embala e paralisa, é na soul da guitarra de All It Was e no vasto emaranhado de interseções instrumentais que se estabelecem com as cordas nesse tema, que se percebe o nível mais apurado, maduro e coerente do cardápio atual de Paper Beat Scissors. De facto, ao terceiro trabalho Crabtree prova ter dado um salto qualitativo enorme no que concerne à sua capacidade de criar e recriar emoções e sentimentos, geralmente algo tristes e depressivos, sem nos trespassar a alma ou nos fazer sentir dor. Assim, se impressiona mais do que nunca a perceção de que é imensamente apurada a enorme sensibilidade e o intenso sentido melódico deste extraordinário músico e compositor, move-nos o desejo da audição contínua deste alinhamento de canções, a certeza de que são um bálsamo retemperador sempre que as temos por perto, em especial nos instantes da nossa existência em que precisamos de usufruir de um certo isolamento e tranquilidade que nos façam refletir e decidir novas opções e caminhos.
De facto, na toada mais vibrante e pulsante de Don't Mind, um tema sobre o destino e a pouca importância que as pedras que se atravessam no nosso caminho poderão ter quando estamos certo da rota que queremos trilhar, é evidente que ficamos ainda mais absorvidos por esta estética delicada, mas também plena de personalidade, cor e harmonia, mas também acabamos por, inconscientemente, ganhar ânimo para as batalhas futuras e os dilemas que carecem de mais ou menos urgente resolução.
Detentor de um registo vocal também ímpar e capaz de reproduzir variados timbres e diferentes níveis de intensidade, Crabtree tem um dom que certamente já terá nascido consigo e que se define pela capacidade de emocionar, mas também de nos converter a uma causa muito sua e que vive da visão poética de que as tesouras representam a agressão dos fantasmas do passado que muitas vezes insistem em se manter acoplados e o papel aquela tela branca que se disponibiliza a receber os nossos recomeços e expetativas. No fim, neste processo de passagem, a delicadeza e a candura acabam por vencer a agressividade e a rispidez, com estas canções a servirem de banda sonora exemplar durante este salto fraticida. Espero que aprecies a sugestão...

01. Respire
02. Gun Shy
03. All It Was
04. Don’t Mind
05. Grace
06. Anything
07. All We Know
08. Shapes
09. Better
10. Half Awake
11. Little Sun
Formados em mil novecentos e noventa e sete, os míticos Pernice Brothers já não davam notícias desde o excelente registo Goodbye, Killer, editado em dois mil e dez. Depois desse disco, Joe Pernice, o grande mentor deste curioso projeto natural de Massachusetts e ao qual se junta o irmão Bob, voltou a reunir-se com os the Scud Mountain Boys, formou os New Mendicants com Norman Blake e Mike Belitsky, editou um álbum com o nome artístico Roger Lion, ajudado pelo produtor de hip-hop Budo e ainda escreveu para uma série televisiva canadiana intitulada The Detail. Agora, nove anos depois de Goodbye, Killer, os Pernice Brothers regressaram finalmente à linha da frente das prioridades artísticas de Joe, à boleia de Spread The Feeling, registo em que além da dupla de irmãos podemos conferir nos seus créditos nomes tão ilustres como Peyton Pinkerton, James Walbourne, Patrick Berkery, Ric Menck, Neko Case, Pete Yorn, Liam Jaeger e muitos outros.

Sexto disco da carreira dos Pernice Brothers, Spread The Feeling foi gravado e misturado em Boston, Toronto e Washington e oferece-nos uma ode bastante realista e inspirada à herança sonora mais genuína de uma América que tem no garage rock com laivos de grunge, retratado com mestria em Mint Condition, uma das suas melhores inovações e adições à história musical contemporânea. Mas apesar de serem confessos apreciadores de um registo sonoro particularmente sujo e lo fi, os Pernice Brothers também nos levam facilmente e num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, à boleia de uma espécie de indie-folk-surf-suburbano, particularmente luminoso e que acaba por se tornar até viciante.
Assim, se aquela pop particularmente luminosa, radiofónica e tipicamente oitocentista é retratada com encanto na vibe soalheira que mistura cordas e pianos com esplendor em The Devil And The Jinn, também é audível no efeito da guitarra e no andamento frenético de Throw Me To The Lions e, numa filosofia estilística semelhante, no baixo imponente que conduz Lullabye. Depois, se o rock mais clássico está carimbado na ligeireza nada subtil de Skinny Jeanne e aquela indispensável abordagem mais soul presente em I Came Back, também somos, neste alinhamento rico e variado, convidados a viajar nas asas da folk mais genuína, irrepreensivelmente retratada nas cordas e na harmónica de Whiter On The Vine e, de modo mais intimista, na balada The Queen Of California.
Disco com um têmpero lo fi muito próprio e, no computo geral, guiado por um salutar indie rock com leves pitadas de surf pop, agregado com um espírito vintage marcadamente oitocentista, Spread The Feeling escuta-se de um só trago, enquanto sacia o nosso desejo de ouvir algo descomplicado mas que deixe uma marca impressiva firme e de simples codificação. É um daqueles trabalhos que provam que o rock pode ser básico e ao mesmo tempo encantador, divertido e melancólico, sem muito alarde. Espero que aprecies a sugestão...

01. Mint Condition
02. Lullabye
03. The Devil And The Jinn
04. Always In All Ways
05. Evidently
06. Wither On The Vine
07. Throw Me To The Lions
08. Skinny Jeanne
09. The Queen Of California
10. I Came Back
11. Eric Saw Colors
12. Frank Say (Bonus Track)
13. Unsound (Bonus Track)
Parece que ainda foi ontem, mas já está a comemorar uma década de vida Astro Coast, o extraordinário registo de estreia dos Surfer Blood e que colocou esta banda oriunda da Flórida no mapa. Para assinalar a efeméride o grupo anunciou o lançamento do sucessor de Snowdonia (2017), um novo álbum ainda sem nome, que irá chegar aos escaparates no próximo ano e divulgou Hourly Haunts, um EP com seis canções e com uma identidade própria já que nenhum destes novos temas do quarteto fará parte desse trabalho que irá ver a luz do dia em dois mil e vinte.

Atualmente formados por John Paul Pitts, Tyler Schwarz, Mike McCleary e Lindsey Mills e com um percurso algo acidentado mas sempre profícuo e balizado por um surf rock claramente feliz no modo como pisca o olho a espetros sonoros tão variados como a surf music ou o rock alternativo dos anos noventa, os Surfer Blood oferecem-nos em Hourly Haunts talvez a coleção de canções mais inspirada dos seus dez anos de carreira. São seis composições solarengas, assentes num rock direto e incisivo, tremendamente luminoso e otimista, bastante festivo e exuberante, feito à boleia de guitarras em que abundam várias camadas de distorção, um detalhe imprescindível para o dinamismo de um EP extremamente criativo e pleno de melodias únicas e com um forte cariz radiofónico.
Assim, da toada inicialmente sombria mas depois fortemente orquestral de Around Your Sun à nostalgia ensolarada de Atom Bomb e ao frenesim pop de Nm Sky Song, passando, pouco depois, pelo piscar de olhos da distorção das guitarras ao rock mais progressivo em Windy e, no ponto alto do EP, pelo energia otimista que exala de Cariboo, tudo parece ter sido pensado para soar bem nos nossos ouvidos, com naturalidade e sem exageros desnecessários, num resultado final verdadeiramente feliz e inspirado. Não restam dúvidas que os Surfer Blood continuam na sua louvável cruzada de busca incessante do melhor estilo sonoro, num percurso cheio de energia criativa, marcada por uma angústia quase inofensiva, onde não faltam momentos altos e de notável esplendor e júbilo. Este é claramente o caso. Espero que aprecies a sugestão...

01. Around Your Sun
02. Cariboo
03. Windy
04. NM Sky Song
05. Atom Bomb
06. Edge Of The World

Naturais de Los Angeles, os norte americanos Allah-Las de Miles Michaud, Pedrum Siadatian, Spencer Dunham e Matt Correia têm finalmente sucessor para o excelente registo Calico Review de dois mil e dezasseis. Será a onze de outubro que irá ver a luz do dia Lahs, o novo compêndio de originais do quarteto, um trabalho que irá chegar aos escaparates através da Mexican Summer, a habitual editora do grupo.
Os Allah-Las viajaram imenso depois da edição de Calico Review, com passagens por locais táo variados como todo o continente americano, a Europa, África do Sul, Austrália, Rússia e leste da Ásia e o conteúdo de Lahs é bastante inspirado por essa demanda mundo fora, nomeadamente as experiências que a banda foi conseguido vivenciar além das normais rotinas de uma digressão musical.
Polar Onion é o mais recente single divulgado das treze canções do alinhamento de Lahs, uma composição imbuída de uma indesmentível vibe sessentista, assente em luminosas cordas, uma percurssão tremendamente groove e alguns efeitos hipnóticos na guitarra, detalhes que sustentam uma das mais belas melodias de um disco que certamente abraçará também a folk e o country sulista americano, além da típica psicadelia lo-fi que carateriza o adn dos Allah-Las. Confere...

Cerca de ano e meio depois do registo Love In The Modern Age, Josh Rouse, músico natural de Nashville, no Nebraska e um dos meus intérpretes preferidos a solo, está de regresso com Trouble, um novo single lançado por intermédio da Yep Roc Records e uma revisitação feliz de um clássico com trinta e oito anos da autoria de Lindsey Buckingham.
Versão que explana a enorme sensibilidade melódica que é intrínseca a Josh, nomeadamente na reconfortante envolvència entre piano e viola e os arranjos que selecionou para sobressair essa mescla, Trouble transmite-nos uma sensação reconfortante de proximidade e de fulgor, sendo um excelente aperitivo para o concerto que o músico vai apresentar a vinte e oito de Novembro próximo, no Hard Club. Confere...
Ty Segall é uma máquina de fazer discos. Não apenas trabalhos aleatórios, composições frias ou registos descartáveis, mas lançamentos de peso dentro da cena independente norte-americana. Dono de uma infinidade de projetos paralelos cada um deles com vários álbuns lançados, é quando assume as guitarras na carreira a solo que este californiano, natural de São Francisco, alcança o melhor desempenho. Segall tem editado ultimamente, em média, dois registos por ano, adicionando à sua discografia, tomo após tomo, mais um conjunto de canções assentes em riffs assimétricos, ruídos pop e todo o assertivo clima do garage rock, algo que faz dele um dos artistas de maior relevância no panorama atual. O novo disco do artista chama-se First Taste e viu a luz no início deste mês de agosto, por intermédio da Drag City.

Décimo segundo trabalho discográfico da carreira do músico e o primeiro do californiano sem ter as guitarras na linha da frente do processo de composição das suas canções, First Taste é também um dos seus mais ecléticos e heterogéneos registos, porque nos oferece novas nuances que conferem um grau de inedetismo ao seu alinhamento quando comparado com os antecessores mais recentes. Convém, no entanto, salientar que se as guitarras foram substituidas por teclados, sintetizadores e cordas de outras proveniências, First Taste não deixa de soar a um registo típico de Ty Segall porque, mesmo tendo optado por um caminho diferente do habitual, acabou por entroncar, como seria de esperar, naquela caraterística crueza do fuzz que define a personalidade sonora do autor, mas também, tendo em conta a luminosidade do banjo que sustenta The Arms e a indisfarçável melancolia que exala da fabulosa ode festiva do banjo que aquece Lone Comboys, na limpidez que nunca se mostra exageradamente pop e que também marca alguns dos melhores momentos da sua carreira.
Ty Segall tem uma visão muito própria da dita psicadelia e em First Taste, com a tal opção pelo aparente desprezo relativamente à sua fiel amiga guitarra, mostra não só uma bem sucedida saída da sua habitual zona de conforto, mas também uma nova forma de atingir o noise lo fi que tanto lhe diz. Taste, o ruidoso imponente tema que abre o alinhamento do disco, tem esse cunho de acessibilidade, com o travo blues de Whatever, a majestosidade vocal que depois é afagada por um subtil piano em Ice Plant e a imponente parede percurssiva que cerra os punhos aos sons abrasivos sintetizados que se intrometem em Self Esteem, a serem outros momentos altos de mais uma espécie de viagem lisérgica através do tempo, até há quase meio século, em completo transe e hipnose.
Confesso que sempre admirei a capacidade que algumas bandas ou projetos têm de construirem canções assentes numa multiplicidade de instrumentos e são imensos os casos divulgados e exaltados por cá. Como não podia deixar de ser, no caso de Ty Segall a fórmula selecionada desta vez é muito simples, sair da tal zona de conforto. E aquilo que sobressai de First Taste acaba por ser a genialidade e a capacidade de execução deste verdadeiro mestre do improviso psicadélico, capaz de utilizar um receituário diferente e continuar a criar aquelas atmosferas nostálgicas e hipnotizantes capazes de nos transportar para uma outra galáxia, feita de imensa aúrea crua e visceral e, como é seu apanágio, eminentemente sessentista. Espero que aprecies a sugestão...

Os irlandeses Villagers são, neste momento, praticamente monopólio da mente criativa de Conor O'Brien e estão já na linha da frente do universo indie folk europeu, pelo modo criativo e carregado com o típico sotaque irlandês, como replicam o género, ainda por cima oriundos de um país com fortes raízes e tradições neste género musical.
Com um trajeto musical bastante profícuo nos últimos anos, além de intenso e rico, com momentos discográficos significativos do calibre de Becoming a Jackal (2010), {Awayland} (2013) e Darling Arithmetic (2015), entre outros, os Villagers tardam em anunciar um novo registo de originais que suceda a The Art Of Pretending To Swim, editado o ano passado, mas têm uma nova canção, por sinal perfeita para este inconstante julho. O tema chama-se Summer's Song, é um belíssimo tratado pop, que impressiona pela cadência rítmica, pela robustez das cordas e, principalmente, por um coro de seis fliscornes (instrumento de sopro semelhante a um trompete), que confere uma luminosidade ímpar àcomposição. Será possível apreciares este e outros temas no dia dois de Agosto, em Chaves, no festival N2. Confere...
Os seguidores mais atentos do universo sonoro indie e altrnativo já terão certamente ouvido falar de Angus Stone, um cantor, compositor e produtor australiano, nascido a vinte e sete de abril do já longínquo ano de mil novecentos e oitenta e seis e que se tem notabilizado com a sua irmã, formando juntos o duo Angus & Julia Stone, já com quatro discos em carteira, numa carreira iniciado há cerca de uma década com o excleente, Smoking Gun. Ora, Angus Stone também tem uma carreira a solo, onde assina com o pseudónimo Dope Lemon, iniciada há três anos com o registo Honey Bones, que teve sequência, no ano seguinte, com o EP Hounds Tooth e que vê agora sucessor com Smooth Big Cat, dez canções abrigadas pela BMG Australia e que, rezam as crónicas, se tornaram num verdadeiro desafio para o músico, que procurou um ambiente intimista e recatado sem colocar em causa o exigido som de estúdio que faz parte do seu adn.

Tal cono o antecessor, Smooth Big Cat foi gravado nos estúdios Belafonte, que pertencem ao próprio Angus Stone e que se situam num rancho que tambem possui. Stone tocou e gravou todos os instrumentos e misturou e produziu todas as dez composições de um trabalho que relata a vida de uma personagem chamada exatamente Dope Lemon e que funciona como uma espécie de alter-ego do artista. Dope Lemon é, no fundo, um tipo normal mas também bizarro e sempre bem disposto e otimista, que gosta de estar no seu canto a ouvir música com um copo numa mão e um cigarro na outra.
É esta a figura que trespassa a filosofia temática das dez canções de Smooth Big Cat, que tiveram na sua concepção como principal ferramenta alguns dos típicos traços identitários de uma espécie de folk psicadélica de cariz eminentemente etéreo e contemplativo, com uma considerável vertente experimental associada. Canções como a boémia Hey You, movida a cordas reluzentes, adornadas por diversos efeitos e acamadas numa batida algo hipnótica, a cósmica Salt & Pepper, que impressiona pelo efeito metálico e pela vasta miríade de elementos percurssivos, a lisérgica Hey Little Baby, um portento de acusticidade que se espraia por cinco minutos particularmente solarengos, a mais épica e orgânica Lonely Boys Paradise ou a romântica Give Me Honey, oferecem-nos um cândido alinhamento repleto de blues folk acústica particularmente embaladora e intimista, mas também de um rock bastante sui generis, porque não se faz só de guitarras, mas acima de tudo de fragmentos de sons sintetizados e distorcidos, versos hipnóticos, um registo vocal muitas vezes sussurrante, geralmente dialogante e com forte pendor lo fi e também subtis instantes melódicos de pura subtileza e encantamento.
Disco homogéneo e que nos permite aceder a uma outra dimensão, mística e cósmica, num subida feita à boleia de timbres, detalhes e harmonias, agregadas com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, Smooth Big Cat tem aquele travo despreocupado e ligeiro que, sendo particularmente sedutor, provoca imediato encantamento, fazendo-o sem descurar as mais básicas tentações pop, com tudo a soar, no final e no seu todo, utopicamente perfeito. Espero que aprecies a sugestão...

01. Hey You
02. Salt And Pepper
03. Hey Little Baby
04. Lonely Boys Paradise
05. Give Me Honey
06. Dope And Smoke
07. Smooth Big Cat
08. The Midnight Slow
09. Mechanical Bull
10. Hey Man, Don’t Look At Me Like That
Chama-se Fever Dream o novo álbum dos islandeses Of Monsters And Men de Nanna Bryndís Hilmarsdóttir, Ragnar þórhallsson, Brynjar Leifsson e Arnar Rósenkranz Hilmarsson, um trabalho com edição prevista no final deste mês de julho, à boleia da etiqueta Republic Records e que já tem alguns dos seus temas editados em formato single.
O single mais recente divulgado de Fever Dream é Wild Roses, uma canção com um elevado cariz reflexivo e melancólico, que inicia com um melodia ao piano bastante aditiva, mas que depois se expande num pop rock apoteótico, através de guitarras pulsantes e sintetizadores plenos de epicidade, à medida que a interpretação vocal de Nanna Hilmarsdóttir ganha entusiasmo e sentimento. Confere...
O norte-americano Jeff Tweedy, líder do míticos Wilco, é, claramente, um dos músicos mais profícuos e criativos do cenário musical alternativo atual. Já nesta década, ao comando da sua banda, idealizou e incubou The Whole Love (2011), Star Wars (2015) e Schmilco (2016) e entretanto aproveitou para escrever uma auto-biografia intitulada Let's Go (So We Can Get Back): A Memoir of Recording and Discording with Wilco, Etc., onde disserta sobre aspetos da sua personalidade e do seu trajeto nos Wilco. À boleia desse exaustivo exercício escrito de introspeção, acabou por criar WARM, um dos destaques da sua etapa discográfica a solo, onze canções que viram a luz do dia no início deste ano com a chancela da insuspeita dBpm Records e que sucedem a Together at Last (2017), um registo de versões de alguns dos temas mais emblemáticos da sua já extensa carreira. Ora, por incrível que pareça, esse WARM já tem sucessor, um registo intitulado Warmer e que, conforme o título indica, não pode ser dissociado do conteúdo do antecessor, já que, além de ter sido gravado durante o mesmo período em que foi captado WARM, acaba por, na sua essência, obedecer à mesma filosofia sonora estilística, assente numa concepção de escrita que explora bastante a dicotomia entre sentimentos e no modo criativo e refinado como musica as letras que daí surgem, aliando o seu adn pessoal às tendências mais contemporâneas da folk e do rock alternativo.

Logo no balanço delicado entre o quase pop e o contemplativo piscar de olhos à soul em Orphan, uma composição em que Tweedy plasma esta predisposição para utilizar a sua música autobiograficamente, fazendo-o como um exercício sonoro de exorcização de alguns dos seus demónios, angústias, eventos traumáticos e conflitos interiores, fica plasmada a essência sonora de um alinhamento com um travo melancólico particularmente abundante, de algum modo em oposição ao conteúdo do antecessor WARM, um registo mais quente, positivo e sorridente. Depois, na crueza da acusticidade de Family Ghost, mais uma composição sobre o modo como este músico de Chicago vê a morte, mas também em …And Then You Cut It In Half, música em que percussão e as cordas procuram insistentemente e de modo delicioso o ritmo certo e, principalmente, em Ten Sentences, um impressivo e jubilante tratado folk assente num timbre de cordas parricularmente estridente, apreciamos esta apenas aparente dicotomia entre os sentimentos e as confissões que sustentam as letras e o modo criativo e refinado como, no modo como as musica, Tweedy se expôe sem relutância e, devido a uma simplicidade melódica simplesmente arebatadora mas terrivelmente eficaz, desprovido de qualquer sede de exacerbado protagonismo. Mesmo nos efeitos indutores da guitarra que se eletrifica com maior audácia em Empty Head e no clima marcadamente rugoso de Sick Server, instantes que mostram uma faceta sonora folk mais experimental e intrincada que os temas acima referidos, não deixa de estar patente sempre esta sensação de oposição entre poema e melodia, que oferece, no global, a Warmer, uma atmosfera bucólica e encantatória, mas intrigante, num álbum particularmente uniforme e homogéneo e, mais do que essas caraterísticas estilísticas, um verdadeiro tratado de manifestação pura, desinteressada e bastante reveladora de uma pessoalidade única e inconfundivel no panorama indie atual, devido ao modo como, disco após disco, o músico endereça à sua consciência um pedido de análise cru e direto da mesma e, aceitando esse exercício de falsa humilhação, acaba por escrever e compôr algumas das canções mais bonitas, profundas e expressivas que podemos escutar atualmente no outro lado do atlântico. Espero que aprecies a sugestão...

01. Orphan
02. Family Ghost
03. …And Then You Cut It In Half
04. Ten Sentences
05. Sick Server
06. Empty Head
07. Landscape
08. Ultra Orange Room
09. Evergreen
10. Guaranteed
Desde o longínquo registo Carrie & Lowell , lançado em dois mil e quinze que o norte-americano Sufjan Stevens não lança um registo a solo. No entanto, o músico natural de Chicago não tem deixado de estar ativo, não só através da participação em outros projetos paralelos, com especial realce para o seu contributo fundamental no álbum Planetarium (2017), onde assina os créditos com Bryce Dessner, Nico Muhly e James McAlister, mas também com a edição de alguns singles, sendo o mais relevante a homenagem a patinadora Tonya Harding no tema com o mesmo nome, lançado no final de dois mil e dezassete.

Agora, no início de junho, mês que comemora o Orgulho LGTBQ, Sufjan Stevens oferece-nos, à boleia da Asthamatic Kitty, um EP com dois inéditos, Love Yourself e With My Whole Heart, duas assumidas canções de amor cuja parte das receitas obtidas será oferecida às organizações Ali Forney Center em Harlem, Nova Iorque e o Ruth Ells Center, em Detroit, no Michigan, que apoiam, respetivamente, a comunidade LGBTQ e crianças sem lar norte-americanas.
Já com raízes em mil novecentos e noventa e seis, altura em que Sufjan Stevens gravou o tema pela primaiera vez, Love Yourself é uma peça pop de cariz eminentemente sintético, com um ligeiro travo gospel, conduzida por pianos melancólicos e uma suave batida, nuances que aglutinam uma forte veia eletroacústica algo suave e adocicada. Já With My Whole Heart, dentro de um psicadelismo eminentemente experimental, é um instante mais intimista, apesar da vasta miríade de efeitos, distorções de guitarra, interseções e arranjos que adornam uma composição bem à medida da imensidão e do silêncio que muitas vezes carateriza o vazio cósmico que nos invade sempre que o amor nos prega uma partida. Confere...

01. Love Yourself
02. Love Yourself (1996 Demo)
03. With My Whole Heart
04. Love Yourself (Short Reprise)
Já viu a luz do dia My Finest Work Yet, o décimo segundo álbum da carreira de Andrew Bird, um dos maiores cantautores da atualidade e com um vasto catálogo de canções que são pedaços de música intemporais. A elas Bird junta mais dez, abrigadas pela primeira vez pela Loma Vista Recordings, canções que, curiosamente, mostram pela primeira vez uma faceta crítica deste músico norte-americano natural de Chicago relativamente a alguns dos tópicos mais importantes da nossa contemporaneidade, nomeadamente as mudanças climáticas e o choque ideológico global entre o capitalismo de direita, o socialismo e o ambientalismo.

Líder na última década do século passado dos míticos Bowl Of Fire e apelidado de mestre do assobio, o multi-instrumentista e cantor, Andrew Bird tem consolidado a sua carreira a solo com uma notável frequência de lançamentos discográficos, fazendo-o sempre com elevada bitola qualitativa e conseguindo dar uma cariz identitário genuíno a cada um dos lançamentos, não se limitando, registo após registo, por repetir a mesma fórmula até à exaustão. Ele vai oferecendo-nos sempre novas nuances, detalhes e formas de compôr que entroncam numa base comum, a típica folk norte americana, proposta através de diferentes registos e papéis, mas sempre com a mesma eficácia e brilhantismo, uma das marcas identitárias da sua arte.
My Finest Work Yet, um disco gravado ao vivo no Barefoot Studios, em Los Angeles e produzido por Paul Butler, não foge à regra, com canções como Olympians, uma luminosa alegoria intensa e festiva, a setentista Fallorun e a charmosa Proxy War a escorrerem à sombra de um clima claramente pop, gizado por cordas dedilhadas sempre na medida certa, sem grandes exageros, como é habitual na mestria interpretativa de Andrew. Depois há outras do calibre de Bloodless, um anguloso piscar de olhos ao jazz ou a mais incontida e paisagisticameente vasta Don The Struggle, a oferecerem-nos, dentro da espinha dorsal sonora do autor, outras interseções de maior risco e variedade, mas claramente bem sucedidas, relativamente ao universo sonoro acima referido, um espetro sonoro que tem como grande virtude a possibilidade de se acomodar facilmente aos mais variados géneros que a ela se queiram associar. E Bird mostra neste disco o quanto é exímio neste exercício climático de agregação, fazendo-o imbuído de sofisticação e com enorme bom gosto.
My Finest Work Yet é mais um instante precioso na discografia de um músico notável, um trabalho que mostra a sua beleza não só nos diversos momentos de intersecção entre vozes, sopros, teclas e cordas, mas principalmente no modo como exala um suspiro íntimo e pessoal sobre aspetos sociais que afligem o autor, repleto de optimismo e esperança relativamente a dia melhores. Espero que aprecies a sugestão...

01. Sisyphus
02. Bloodless
03. Olympians
04. Cracking Codes
05. Fallorun
06. Archipelago
07. Proxy War
08. Manifest
09. Don The Struggle
10. Bellevue Bridge Club
Em novembro de dois mil e dezassete a empresa galesa de charcuteria Charcutier Ltd de Illtud e Liesel e a Amazing Tapes from Canton lançaram um curioso projeto intitulado The Vending Machine Project e convidaram Sweet Baboo aka Stephen Black, um músico e compositor natural de Cardiff, também no País de Gales, a fazer parte do mesmo com um álbum conceptual. Esclareço que o projeto The Vending Machine Project consiste na criação de máquinas de venda automática de produtos locais galeses, com destaque para os fumados e os enchidos, numa das lojas mais famosas de Cardiff, a Castle Emporium, situada em Womanby Street, uma das ruas mais movimentadas dessa cidade. A ideia é a promoção de produtos locais e regionais produzidos em quintas ecológicas e torná-los acessíveis de modo fácil e rápido a todos os interessados, adquirindo-os assim diretamente ao produtor, constituindo-se essa máquina como uma alternativa aos produtos de cariz mais industrializado e produzidos em grande escala, geralmente vendidos nas grandes superfícies comerciais. Além dos enchidos e fumados, queijo, manteiga e mel são outras iguarias que a máquina tem sempre pronta para venda diariamente.

Sweet Baboo, cujo avô curiosamente era talhante, entra então no projeto a convite de Illtud e Liesel, os patrões da Charcutier Ltd, com o intuíto de criar uma banda-sonora do mesmo, que seja audível na máquina, a troco de uma ou duas salsichas de vez em quando. Assim a máquina The Vending Machine acaba também por funcionar como uma espécie de jukebox gigante, à boleia de um disco com esse nome, editado pela Bubblewrap Records e assente em nove composições possíveis de serem adquiridas também na máquina.
Com artwork da autoria de Rich Chitty, The Vending Machine volta a mostrar um Sweet Baboo irrepreensivel no modo multicolorido como conjuga diversas influências, que vão da folk à synth pop e sempre num registo algo infantil e até despreocupado, como se percebe, com notável impacto, no festivo single Lost Out On The Floor.
Esta conjugação de géneros acaba por dar alguma pompa e imponência a The Vending Machine e um curioso toque retro, ainda mais quando alguns arranjos algo kitsch resolvem aparecer, quase sempre sem aviso prévio. Por exemplo, em The Acorn Drop há uma linha de guitarra repetitiva e hipnótica, que parece transformar-se numa espécie de alarme repetitivo, que tanto causa repulsa como, em simultâneo, uma estranha atração, ampliada pelo modo como no refrão se distorce. Essa sensação repete-se no registo vocal adoptado em Pannage / Panic. Já em TV Theme o clima baladeiro criado pela secção rítmica e pelo orgão é claramente setentista e fervorosamente encadeante. Depois, em instantes mais calmos, a sensualidade pop do saxofone que abrilhanta Early Riser, o travo algo psicadélico das teclas sintetizadas que conduzem The Shipping Forecast e o travo jazzístico fumarengo dos sopros e do paino de Barnyard Rhumba, são detalhes que aprimoram e enchem de primor um disco que é, claramente, uma verdadeira festa, certamente organizada com muito amor e que merece ser elogiada pela sinceridade e pelo charme cativante com que se atreve a desafiar todos os nossos sentidos. Espero que aprecies a sugestão...

01. Positive Record
02. Lost Out On The Floor
03. The Acorn Drop
04. Early Riser
05. The Shipping Forecast
06. Barnyard Rhumba
07. TV Theme
08. Pannage / Panic
09. Down The Afon Gwendraeth
I Love You. It’s A Fever Dream. é o quinto e novo registo de originais do sueco Kristian Matsson, que assina a sua música como The Tallest Man On Earth, um álbum de difícil gestação e muito querido pelo próprio autor que confessou no verão passado que estava a ser complicado conseguir aprimorar o seu conteúdo devido à digressão de Dark Bird Is Home, o álbum que o músico lançou há quatro anos. Aliás, esta digressão acaba por ser o grande mote de dez canções que reforçam o estatuto de excelência de um autor que tem, com toda a justiça, cada vez maior aceitação e reconhecimento público e que possui o dom raro de transformar histórias particulares e melancolias próprias em música acessível a todos.

De facto, I Love You. It’s A Fever Dream., sendo, de acordo com o autor, um relato de diferentes banalidades, rotinas e curiosidades que estão sempre subjacentes à vida de um músico, geralmente intercalada entre a estrada e o estúdio, procura ter o atributo maior de responder a algumas das questões filosóficas mais prementes da nossa existência, nomeadamente quais os melhores caminhos que devemos percorrer, nos obstáculos que todos temos de contornar ou ultrapassar durante a vida.
Assim, este disco é, essencialmente, um feliz exercício biográfico, onde The Tallest Man On Earth estabelece uma forte vontade de aproximação, como se cantasse diretamente para nós, de forma verdadeiramente confessional, enquanto tem o duplo objetivo de se abrir e desabafar, mas também aconselhar e inspirar. Por exemplo, em Hotel Bar Matsson relata alguns dos constrangimentos da digressão, nomeadamente a solidão, mas também a beleza de um concerto, que reside na arte comunicar com uma audiência de estranhos, utilizando uma forma de manifestação artística sublime, a criação musical. E fá-lo comparando-se a um leopardo que vive uma epopeia que, quer passe por Brooklyn ou por uma savana africana, tem sempre necessidade de escalar a uma árvore ou a um arranha-céus para ver se encontra alguém familiar e da sua espécie. Pouco depois, em I’m A Stranger Now, Matsson regressa à temática da solidão, ampliando porque confessa cruzar-se e conhecer imensas pessoas mas percebe que são poucas aquelas que realmente marcam e que na sua profissão é sempre escasso o tempo e a dispopnibilidade para cultivar a amizade. Já em Waiting For My Ghost explora a estranha sensação de anonimato que a presença constante na estrada provoca, por serem imensos os dias em que se sente rodeado apenas por estranhos e em There's A Girl ele clama por um novo amor que o faça libertar-se de toda esta realidade sombria, rotineira e pouco recompensadora em que vive.
Em suma, I Love You. It’s A Fever Dream. é um daqueles discos que encanta pelo modo como as melancolias afloram, canção após canção, de uma forma muito honesta e ao mesmo tempo comercial. Quer seja através da country ou da folk, nestas dez canções o cantor apodera-se de sentimentos universais, para criar um clima intenso e uma verdadeira espiral sentimental, que atinge com precisão o lado mais sensível de cada um de nós, sem apelo nem agravo. O modo como Matsson cria neste registo metáforas sobre si próprio é feito com um grau de realismo e de criatividade tal que quase nem nos apercebemos da própria instrumentalidade, que conduz o disco. Mas convém referir que nesta tal instrumentalidade, The Tallest Man On Earth é exemplar no modo como usa as cordas, as teclas e diversos efeitos percussivos para ampliar o toque intimista de um álbum inteligente e particularmente belo. Espero que aprecies a sugestão...

01. Hotel Bar
02. The Running Styles Of New York
03. There’s A Girl
04. My Dear
05. What I’ve Been Kicking Around
06. I’m A Stranger Now
07. Waiting For My Ghost
08. I’ll Be A Sky
09. All I Can Keep Is Now
10. I Love You. It’s A Fever Dream.
Elva é o novo projecto do casal Elizabeth Morris ((Allo Darlin) e Ola Innset (Making Marks e Sunturns) e em norueguês a palavra significa rio. É, pois, um projeto sonoro encabeçado por uma dupla que rema na mesma direção e em cujas veias escorre uma seiva artística comum, um casal que se inspirou no mundo natural, na beleza do verão escandinavo e na dureza do inverno, para incubar um álbum intitulado Winter Sun, dez canções que também devem muito do seu conteúdo ao nascimento da filha de ambos. Winter Sun foi gravado no último outono numa escola antiga na floresta sueca, durante a época de caça aos alces e tal atmosfera acabou por potenciar o cunho sonoro fortemente identitário do disco relativamente a uma área geográfica bastante específica, um registo criado por dois artistas nórdicos mas que, curiosamente, também encontram no outro lado do atlântico um oásis inspirador.

Lançado pela Tapete Records, gravado e produzido por Michael Collins, baterista dos Allo Darlin e com as participações especiais de Dan Mayfield no violino, Diego Ivars no baixo e Jørgen Nordby na bateria, Winter Sun tem, como se percebe logo na luminosidade folk de Athens e, adiante, na mais intimista Harbour In The Storm, elevado sustento na exuberância de inspiradas cordas de forte pendor acústico. Mas engana-se quem considerar que será este o único suporte sonoro de Winter Sun, porque, logo a seguir, no ritmo incisivo de Tailwind e, pouco depois, na tonalidade oitocentista vincada de Ghost Writer, percebe-se que, no modo como essas mesmas cordas são eletrificadas, o registo contém também a força de uma pop distinta, acondicionando não só cenários melódicos eminentemente acústicos, mas também algumas das principais linhas orientadoras da country, da folk norte-americana e do melhor rock alternativo das últimas três décadas.
Seja como for, apesar da evidente predominância das cordas, se o ouvinte escutar com a devida e merecida devoção Winter Sun, certamente perceberá que teclados charmosos e de forte cariz vintage e um registo vocal intrincado e até algo complexo, a espaços, são também a alma de um registo lirica e melodicamente profundo e que também convive da combinação de detalhes e nuances opostas, justificados pela opção por elementos acústicos ou elétricos, orgânicos e sintéticos e mais reflexivos ou expansivos, muitas vezes numa mesma canção.
De facto, os Elva sabem muito bem como transmitir e explorar sensações únicas e intensas através de uma sonoridade sempre sóbria e adulta, mas também com um forte cunho envolvente, climático e melancólico. Em Airport Town, na nuance do efeito da guitarra e no modo como os restantes instrumentos se encaixam na mesma enquanto intercalam epicidade com intimismo e no timbre vocal grave de Elizabeth, percebe-se esse elevado índice de maturidade e abrangência, com o odor que afaga e adoça em Everything Is Strange e o travo algo setentista e lisérgico que exala do sereno dedilhar da guitarra de Don't Be Afraid, a reforçarem toda uma complexidade de abordagens felizes a diferentes géneros sonoros e que, numa mistura de força e fragilidade, nas vozes, na letra e na instrumentação, se equilibram sempre de forma vincada e segura.
Disco intenso, mas também bastante relaxante e até, em alguns instantes, algo soporífero, Winter Sun conquista o coração de quem escuta estes Elva, que usam melodias doces para nos fazer despertar no nosso âmago sentimentos que muitas vezes são apenas visíveis numa cavidade anteriormente desabitada e irrevogavelmente desconhecida do nosso ser. Espero que aprecies a sugestão...
![]()
Foi à boleia da Ego Drain Records que viu recentemente a luz do dia Arrivals And Departures, o novo registo de originais dos The Leisure Society de Nick Hemming e Christian Hardy, quinto disco da carreira de um grupo com uma década de existência bastante profícua e materializada nos excelentes trabalhos The Sleeper (2009), Into The Murky Water (2011), Alone Aboard The Ark (2013) e The Fine Art of Hanging On (2015). É um disco apresentado em dose dupla, com oito canções em cada tomo, uma duplicidade acentuada pelo artwork do disco da autoria de Owen Davey e que no dia e noite que ilustram o cenário que domina a capa e contracapa ganha ainda maior relevo e equilíbrio.

Arrivals And Departures desafia-nos a embarcarmos numa viagem particularmente profunda e reflexiva, sem ser complexa, levando o ouvinte como única bagagem uma mente desimpedida de preconceitos e de preocupações de maior, juntamente com estas dezasseis canções criadas com o firme propósito de nos levar até vastos territórios sonoros, que da chamada chamber pop, ao folk, passando pela pop e o próprio rock alternativo, acabam por entroncar numa filosofia sonora com forte cariz identitário, um modo de compôr que reforça a ideia de estes The Leisure Society serem uma daquelas bandas com um adn firme e que não defruadam os mais fiéis seguidores, sem cairem na redundância e na monotonia. De facto, canção após canção e disco após disco, os The Leisure Society replicam a fórmula certa para exalarem riqueza e diversidade dentro do cosmos sonoro em que residem e se sentem mais confortáveis. No caso de Arrivals And Departures essa proeza é conseguida à custa de um arsenal instrumental certeiro e assertivo, em que as cordas têm o lugar de primazia no esqueleto das canções, exímias no dedilhar que conduza luminosidade otimista e feliz de Overheard, no banjo exuberante que adorna Be You Wherever, ou na imponente eletrificação da oitocentista Mistakes On The Field (Part I) e, na sequência, de Mistakes On The Field (Part II), composição que nos desassossega e plasma a típica monumentalidade espiritual deste projeto, com tambores, sopros e cordas a revezarem-se entre si numa complexa teia relacional que muitas vezes faz suster a respiração, tal é a imensidão com que nos submerge. Mas as guitarras também impôem a ordem, mesmo que de um modo mais subtil, na enigmática e insinuante God Has Taken A Vacation, na incontida epicidade de Leave Me To Sleep, na festiva Beat Of A Drum e na algo lasciva e fumarenta Don't Want To Do It Again, uma composição que deve grande parte da sua riqueza aos arranjos de sopros que lhe dão uma alma e um vigor indesmentíveis. Mas o piano também consegue, a espaços, intrometer-se com superior sagacidade e bom gosto em todo este enredo. I’ll Pay For It Now é um extraordinário exemplo desta feliz opção pelas teclas sem colocar em causa um fio condutor que soa sempre bem, independentemente do modo como vai sendo alinhavado. Let Me Bring You Down acaba por ser uma daquelas composições que, de algum modo, mescla e resume toda esta trama, idealizada por um conjunto de músicos que não são insensíveis ao mundo que os rodeiam e gostam de servir-se da música como veículo privilegiado de uma demanda reflexiva, mas também para procurar alertar quem se predispuser a aceitá-los como mais um bando de conselheiros seguros e que merecem crédito.
Em Arrivals And Departures escutamos um álbum desafiante porque só revela todo o seu potencial instrumental e todos os detalhes e nuances que o trespassam após repetidas audições e embarques à boleia de um veículo sonoro gracioso e nada turbulento, alimentado por um conjunto de telas sonoras que nos descrevem com minúcia a importância de uma vivência plena e feliz e que tendo a mira bastante apontada aquele experimentalismo folk que começou a impressionar e a espevitar tantos nomes hoje consagrados na década de setenta do século passado, sabe a uma intocável e até algo surpreendente contemporaneidade. Espero que aprecies a sugestão...

CD 1
01. Arrivals And Departures
02. A Bird, A Bee, Humanity
03. God Has Taken A Vacation
04. I’ll Pay For It Now
05. Overheard
06. Let Me Bring You Down
07. Be You Wherever
08. Arundel Tomb
CD 2
01. Don’t Want To Do It Again
02. Mistakes On The Field (Part I)
03. Mistakes On The Field (Part II)
04. Leave Me To Sleep
05. Beat Of A Drum
06. There Are No Rules Around Here
07. You’ve Got The Universe
08. Ways To Be Saved
Já está nos escaparates Kings Cross, o décimo segundo álbum do sueco Jay-Jay Johanson, mais um riquíssimo reportório de experimentações sónicas que cimentam o percurso sonoro tremendamente impressivo e cinmetográfico de um dos nomes mais relevantes da pop europeia das últimas três décadas. Com a participação especial de Robin Guthrie dos míticos Cocteau Twins em Lost Forever e com um dueto com Jeanne Added em Fever, Kings Cross consiste num inspirado compêndio de eletropop idealizado por um Jay-Jay Johanson que teve o firme intuíto de nos captar com a sua voz melancólica, ao som de arrebatadoras melodias, revestidas de sons intrincados e algo misteriosos, geralmente de origem sintética e batidas e efeitos percurssivos de cariz emimentemente experimental.

Not Time Yet, a canção que abre o alinhamento de Kings Cross, torna logo explícita toda a trama esplanada num alinhamento de canções que têm a pop eletrónica, de cariz eminentemente reflexivo e ambiental, como grande suporte sonoro, conforme já referi, mas é demasiado redutor, aviso desde já, parcelar de modo tão concreto todo o emaranhado de referências estilísticas que o artista sueco absorveu, degustou e depois esplanou neste seu novo álbum.
Assim, se no caso dessa primeira composição do álbum, temos um som polido, mas desafiante por se mostrar um pouco escuro, mesmo assumindo-se como particularmente charmoso e intenso, na tonalidade mais descontraída e cativante do jazz que alinha Heard Somebody Whistle, na soul da percurssão, do baixo e do insinuante piano de Smoke, na romântica fragilidade que flutua à tona do manto sonoro ondulado que nos embala em Hallucination, na guitarra que ressoa com vigor em Niagara Falls e no clima íntimo e de forte pendor clássico de Old Dog ficamos devidamente esclarecidos acerca de toda a diversidade instrumental que suportou a gravação de um disco que, contendo diferentes texturas e travos conceptuais, entronca sempre numa filosofia interpretativa típica de um músico que já se movimentou por espetros sonoros tão vastos e díspares como a folk, o rock progressivo, a música clássica contemporânea ou a eletrónica, e que, quer por isso, quer devido à sua enorme sensibilidade poética e artística, consegue sempre proporcionar ao ouvinte instantes de arrebatadora sedução, mesmo quando uma espécie de ideia de simplicidade paira sempre como uma nuvem melancólica e mágica em seu redor. Espero que aprecies a sugestão...

01. Not Time Yet
02. Heard Somebody Whistle
03. Smoke
04. Lost forever (Feat. Robin Guthrie)
05. Hallucination
06. Old Dog
07. Niagara Falls
08. Fever (Feat. Jeanne Added)
09. Swift Kick In The Butt
10. We Used To Be So Close
11. Everything I Own
12. Dead End Playing
Pouco mais de um ano depois do excelente registo Between Two Shores, o irlandês Glen Hansard, um já velho conhecido do universo musical e com algumas citações por cá devido ao seu envolvimento no projeto The Swell Season, onde fazia parceria com Marketá Irglova e de cuja discografia destaco a banda sonora de Once, que lhes valeu um óscar, mas também por causa de Rhythm And Repose álbum de estreia que este ícone da folk contemporânea lançou em dois mil e doze, está de regresso aos lançamentos discográficos com This Wild Willing, doze canções abrigadas pela reputada -ANTI e que começaram a ser incubadas pelo músico no verão passado em Paris, cidade onde Hansard se refugiou durante uma breve temporada com o propósito de compôr depois de uma extenuante digressão europeia e na ressaca de uma infeção pulmonar que o atormentou por algum tempo. Depois de vários esboços sonoros prontos, no final do ano partilhou algumas dessas ideias com dois músicos da área da eletrónica experimental, David Cleary (DEASY) e Dunk Murphy (Sunken Foal), tendo até, informalmente, incubado uma banda chamada The Invisible Brethren com esta dupla. Este contacto de Hansard com um espetro sonoro a que estava pouco habituado acabou por enriquecer a sua experiência ao nível da composição e por influenciar decisivamente o refinamento do arquétipo sonoro de um registo que contou ainda com as participações especiais de Graham Hopkins e Earl Harvin na bateria e na percurssão, Michael Buckley nos sopros, Breanndán Ó Beaglaoich, Cape Breton, Rosie MacKenzie, a já referida Markéta Irglová e a iraniana Aida Shahghasemi, nas vozes, Eamon O’Leary (The Murphy Beds) no banjo e no bandolim e Anna Roberts-Gevalt (Anna & Elizabeth) e Brían Mac Gloinn (Ye Vagabonds) no violino, além de Una O’Kane, Katie O’Connor e Paula Hughes, que já costumam acompanhar o artista irlandês na estrada.

Gravado nos estúdios da Black Box e produzido pelo próprio autor com a ajuda de David Odlum, This Wild Willing oferece-nos um Glen Hansard mais charmoso e desafiador do que nunca, com um registo vocal eminentemente sussurante, visceralmente emotivo e algo misterioso enquanto se debruça sobre a temática do amor não correspondido e das paixões arrebatadoras, aspetos que permanecem bem presentes na sua escrita. A viola acústica, às vezes mais folk, outras eminentemente country, perdeu agora protagonismo no processo de condução melódica, fruto do tal contacto do autor com um espetro sonoro de cariz mais sintético, o que acabou por resultar em canções mais buriladas, diversificadas e instrumentalmente ricas. Assim, se em Brother's Keeper, Mary e Threading Water, Glen Hansard preserva essa filosofia eminentemente acústica, com a ajuda de banjos e bandolins, na alternância entre silêncio e explosão de I'll Be You, Be Me, ele oferece às drum machines a liderança e em Race To The Bottom ao baixo. Depois, na majestosidade de Don't Settle são as teclas que dirigem a orquestra e em The Closing Door já são os sopros que sobressaiem, assim como em Fool's Game, à boleia do saxofone, num emaranhado de canções que nos transportam para bem longe, ao mesmo tempo que, havendo predisposição para isso, tocam fundo bem aqui, no nosso coração.
Famoso também por ter sido durante largos anos frontman dos míticos The Frames, Glen Hansard oferece-nos em The Wild Willing o momento maior e mais ousado da sua carreira a solo. Nele o autor privilegia novas estéticas, cheias de subtilezas e detalhes inéditos, onde não falta um sample de uma parceria esquecida de David Bowiecom os Queen, trilha diversos caminhos, expande horizontes e aprimora o modo como se manifesta artisticamente num processo de mutação que reflete ousadia e inquietude, duas permissas indispensáveis em qualquer artista que queira levar cada vez mais adiante a sua carreira. Dando uma espécie de passo no desconhecido, mas com altivez e coragem, Hansard enche-nos de paixão e luz ao longo de pouco mais de uma hora que deve ser saboreada com esperança, ânimo e devoção. Espero que aprecies a sugestão...

01. I’ll Be You, Be Me
02. Don’t Settle
03. Fool’s Game
04. Race To The Bottom
05. The Closing Door
06. Brother’s Keeper
07. Mary
08. Threading Water
09. Weight Of The World
10. Who’s Gonna Be Your Baby Now
11. Good Life Of Song
12. Leave A Light
Quase um ano depois do portentoso registo The Horizon Just Laughed, um disco de despedida de Seattle, de onde Damien Jurado saiu para se mudar para a solarenga Los Angeles, este cantautor norte-americano único está de regresso aos discos com In The Shape Of A Storm, dez canções concebidas à guitarra com a ajuda de Josh Gordon, novo companheiro de viagem de Jurado e abrigadas pela Mama Bird Recording Co., a nova editora que publica o artista, com sede em Portland, no Oregon. No alinhamento de In The Shape Of A Storm conferimos uma dezena de nuvens negras e ameaçadoras que, conforme o título do disco indica, estão sempre disponiveis para se precipitarem sobre o nosso âmago, desde que estejamos dispostos a absorver toda a emotividade que delas transbordam.

In The Shape Of A Storm, o décimo quarto longa duração da carreira de Jurado, é, de facto, o primeiro álbum completamente acústico deste artista, gravado em apenas duas horas de uma inspirada tarde californiana, mas não é por isso que deixa de ser um registo melodica e instrumentalmente rico, se comparado com os últimos trabalhos do autor. Foi pensado por um dos nomes fundamentais da folk norte americana e um dos artistas que melhor tem sabido preservar algumas das caraterísticas mais genuínas de um cancioneiro que dá enorme protagonismo ao timbre acentuado e rugoso das cordas para dissertar crónicas sobre uma América profunda e muitas vezes oculta, não só para os estrangeiros, mas também para muitos nativos que desde sempre se habituaram à rotina e aos hábitos de algumas das metrópoles mais frenéticas e avançadas do mundo, construídas num país onde ainda é possível encontrar enormes pegadas de ancestralidade e que inspiram calorosamente este músico.
Se Damien Jurado já cantou ao longo da carreira baladas sobre o cosmos, ou sobre extraterrestres e espíritos de assassinos e moribundos, desta vez resolveu servir-se do cinema e de personagens de filmes marcantes da sua vida, como American Graffiti, Paris, Texas, ou The Last Picture Show, para dissertar sobre si próprio e sobre alguns dos instantes mais marcantes da sua existência, enquanto em seu redor o mundo parece, na sua óptica, desmoronar-se e degradar-se, dia após dia. A personagem Oda Mae Brown, interpretada por Whoopi Goldberg em Ghost, é mesmo a referência máxima do músico, ao longo do álbum (You ever see that movie Ghost? Whoopi Goldberg’s character, Oda Mae Brown—that’s who I am. These spirits are showing up at her door, jumping into her body. That’s how I feel. I don’t know what’s coming out of me…I just show up and deliver it.)
Uma nuance estilistica muito marcante em In The Shape Of A Storm é o modo como Damien Jurado usa as palavras nos temas e o estilo de interpretação e produção das mesmas. A ideia é fazer com que o ouvinte tenha a sensação de estar a converdsar com o autor e junto de si. Se logo em Lincoln, quando ele afirma There is nothing to hide, Jurado deixa-nos esclarecidos sobre esse se propósito de proximidade, a seguir, nas variações de tonalidade presentes em Newspaper Gown, no clima celestial de South, no intimismo óbvio de Throw Me Now Your Arms, na narrativa vibrante de Where You Want Me To Be e na toada algo ébria de Silver Bail, estamos definitivamente em comunhão profunda e em simbiose perfeita com um painel muito impressivo de composições que acabam por se tornar num dos momentos maiores da carreira deste cantautor, exatamente devido ao modo como nele este músico se coneta com a nossa mente, enquanto confessa alguns dos seus dilemas e desejos mais profundos e assim se expôe triunfalmente, sem receio e despudor, tornando-nos confidentes de alguns dos arquétipos essenciais da sua intimidade maior. No fundo, se a discografia de Damien Jurado está repleta de canções passiveis de serem coreografadas cinematicamente em curtas-metragens sobre pessoas comuns e as suas vidas, origens e destinos, In The Shape Of A Storm é uma espécie de filme autobiográfico, registado a preto e branco, que documenta em dez canções quase duas décadas de uma vida dedicada à composição e à interpretação musical num dos formatos mais genuínos que se pode imaginar. E se elas foram sendo criadas e guardadas ao longo de todo este tempo, só agora viram a luz do dia porque este era, claramente, o melhor momento de se expressarem e nos tocarem com plenitude (I believe songs have their own time and place). Espero que aprecies a sugestão...

01. Lincoln
02. Newspaper Gown
03. Oh Weather
04. South
05. Throw Me Now Your Arms
06. Where You Want Me to Be
07. Silver Ball
08. The Shape Of A Storm
09. Anchors
10. Hands On The Table
Depois da edição de Time Is A Riddle, o seu último álbum, Luke Sital-Singh fez as malas, pegou no passaporte e embarcou numa viagem solitária por vários destinos do mundo, durante a qual escutou uma banda-sonora muito pessoal, composta por temas e artistas da sua eleição. Ficaram lançados os dados para a criação de novas canções, mostradas ao público o ano transato com a edição de Just A Song Before I Go e Weight Of Love, dois eps fieis ao espírito intimista e profundamente reflexivo do músico e ao misticismo a à inocência que a sua filosofia sonora, na sua génese, transborda, inclusive nas suas letras sempre profundas, intimistas e bastante reflexivas.

Agora, na primavera de dois mil e dezanove, é tempo do britânico Luke, agora radicado na costa oeste do outro lado do Atlântico, juntar um novo disco ao seu catálogo, um alinhamento intitulado A Golden State, que aterrou nos escaparates no início de abril e que foca-se nessa viagem transatlântica que o autor e compositor efetuou e que mudou dramaticamente a sua vida.
Canção sobre o lado negro do amor que todos os casais vivenciam e o melhor caminho para uma reconciliação quando as coisas ficam menos harmoniosas e mais tensas, Lover tem o privilégio de abrir as cortinas de A Golden State. É uma canção que transporta no charme das teclas do piano e na sua suavidade melancólica aquele intenso travo à herança mais pura da soul americana, uma composição profundamente emotiva e sofisticada e com o habitual cunho pessoal muito identitário de Luke Sital-Singh e que acaba por conter muitas das principais diretrizes estilísticas de um alinhamento pleno de charme e de sofisticação, como é apanágio deste músico tremendamente sensível e impressivo a transmitir sentimentos e emoções comuns a qualquer mortal, principalmente aquelas mais marcantes e intensas.
Assim, na pegada folk de Raise Well e ainda mais pura em The Last Day, uma canção sobre despedidas e pesares pela partida de algo ou alguém e sobre o dia seguinte, que nunca deixa de vir, mas também na suavidade melancólica de Los Angeles e de I Do, na cândura acentuada pela inocência lírica de Silhouette, no piano insinuante e no inconfundível falsete de Almost Gone e no minimalismo acústico de forte travo classicista que exala de Souvenir, somos convidados a contemplar um álbum que além de ser uma espécie de diário de bordo de uma viagem única e inesquecível, é também uma ode do autor a alguns dos seus heróis, muitos deles verdadeiros pilares da história musical contemporânea, como Bob Dylan ou Elliot Smith, sempre com um cunho pessoal muito identitário. Espero que aprecies a sugestão...

01. Lover
02. Raise Well
03. Los Angeles
04. The Last Day
05. I Do
06. Silhouette
07. Almost Gone
08. Souvenir
09. Love Is Hard Enough Without The Winter
10. Hearts Attach
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.
as minhas bandas
The Good The Bad And The Queen
My Town
eu...
Outros Planetas...
Isto interessa-me...
Todos Diferentes Todos Especiais
Rádio
Na Escola
Free MP3 Downloads
Cinema
Editoras
Records Stream