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Polyenso – Dust Devil

Sexta-feira, 28.08.20

Polyenso - Dust Devil

Os Polyenso são uma banda de rock experimental norte americana sedeada em St. Petersburg, na Flórida. A banda é composta pelo vocalista e teclista Brennan Taulbee, pelo multi-instrumentista e vocalista Alexander Schultz e pelo percussionista Denny Agosto. Year Of The Dog foi o último longa duração que o trio lançou, em janeiro do ano passado, oito canções, algumas instrumentais, impregnadas com uma tonalidade refrescante e inédita, um disco cheio de personalidade, com uma produção cuidada e que nos aproximou do que de melhor propõe a música independente americana contemporânea. 

Agora, ano e meio depois desse tomo, os Polyenso voltam a dar sinais de vida com duas novas canções que fazem adivinhar sucessor. A primeira foi Red Colored Pencil e agora chega a vez da fresquíssima Dust Devil, uma deslumbrante canção incubada num território firme de experimentações sonoras e com um travo lisérgico algo incomum no panorama alternativo atual. Ora ouçam...

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publicado por stipe07 às 10:57

Radical Face – The Missing Road

Quarta-feira, 12.08.20

Radical Face - The Missing Road

O norte-americano Ben Cooper é a mente que lidera o projeto Radical Face e ficou famoso nos últimos anos por ter andado a produzir algumas versões de temas que são do seu agrado. Começou por remexer em The Goonies, um tema da autoria de Cyndi Lauper, depois foi até à Irlanda do Norte homenagear os The Cranberries com a sua versão de Ode to My Family e, finalmente, na sua terceira versão de canções que fazem parte daquele núcleo de composições com as quais se identifica, este músico oriundo de Jacksonville Beach, na Flórida, revisitou de modo particularmente charmoso e aditivo Video Games, o grande hit de Lana Del Rey, fazendo-o olhando para algumas das principais particularidades que marcam a eletrónica ambiental contemporânea, com um resultado final muito agradável e sedutor.

Agora, em pleno verão de dois mil e vinte, Ben Cooper oferce-nos um novo original, um tema intitulado The Missing Road e que encontra inspiração no romance de Robert Frost, The Road Not Taken. Sonoramente, esta nova composição do projeto Radical Face proporciona-nos uma brilhante e aconchegante imersão num universo em que reina a mais clássica indie folk norte-americana, que dita as suas regras através de uma deslumbrante guitarra repleta de cor e emotividade. Confere...

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publicado por stipe07 às 13:45

Polyenso – Red Colored Pencil

Domingo, 28.06.20

Polyenso - Red Colored Pencil

Os Polyenso são uma banda de rock experimental norte americana sedeada em St. Petersburg, na Flórida. A banda é composta pelo vocalista e teclista Brennan Taulbee, pelo multi-instrumentista e vocalista Alexander Schultz e pelo percussionista Denny Agosto. Year Of The Dog foi o último longa duração que o trio lançou, em janeiro do ano passado, oito canções, algumas instrumentais, impregnadas com uma tonalidade refrescante e inédita, um disco cheio de personalidade, com uma produção cuidada e que nos aproximou do que de melhor propõe a música independente americana contemporânea. 

Agora, ano e meio depois desse tomo, os Polyenso voltam a dar sinais de vida com Red Colored Pencil, uma deslumbrante canção incubada num território firme de experimentações sonoras que dá bastante ênfase às cordas, mas que não descura a importância que o sintético tem na construção de uma melodia tremendamente adocicada e com um travo lisérgico algo incomum no panorama alternativo atual. Confere...

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publicado por stipe07 às 22:40

Surfer Blood – Hourly Haunts EP

Terça-feira, 20.08.19

Parece que ainda foi ontem, mas já está a comemorar uma década de vida Astro Coast, o extraordinário registo de estreia dos Surfer Blood e que colocou esta banda oriunda da Flórida no mapa. Para assinalar a efeméride o grupo anunciou o lançamento do sucessor de Snowdonia (2017), um novo álbum ainda sem nome, que irá chegar aos escaparates no próximo ano e divulgou Hourly Haunts, um EP com seis canções e com uma identidade própria já que nenhum destes novos temas do quarteto fará parte desse trabalho que irá ver a luz do dia em dois mil e vinte.

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Atualmente formados por John Paul Pitts, Tyler Schwarz, Mike McCleary e Lindsey Mills e com um percurso algo acidentado mas sempre profícuo e balizado por um surf rock claramente feliz no modo como pisca o olho a espetros sonoros tão variados como a surf music ou o rock alternativo dos anos noventa, os Surfer Blood oferecem-nos em Hourly Haunts talvez a coleção de canções mais inspirada dos seus dez anos de carreira. São seis composições solarengas, assentes num rock direto e incisivo, tremendamente luminoso e otimista, bastante festivo e exuberante, feito à boleia de guitarras em que abundam várias camadas de distorção, um detalhe imprescindível para o dinamismo de um EP extremamente criativo e pleno de melodias únicas e com um forte cariz radiofónico.

Assim, da toada inicialmente sombria mas depois fortemente orquestral de Around Your Sun à nostalgia ensolarada de Atom Bomb e ao frenesim pop de Nm Sky Song, passando, pouco depois, pelo piscar de olhos da distorção das guitarras ao rock mais progressivo em Windy e, no ponto alto do EP, pelo energia otimista que exala de Cariboo, tudo parece ter sido pensado para soar bem nos nossos ouvidos, com naturalidade e sem exageros desnecessários, num resultado final verdadeiramente feliz e inspirado. Não restam dúvidas que os Surfer Blood continuam na sua louvável cruzada de busca incessante do melhor estilo sonoro, num percurso cheio de energia criativa, marcada por uma angústia quase inofensiva, onde não faltam momentos altos e de notável esplendor e júbilo. Este é claramente o caso. Espero que aprecies a sugestão... 

Surfer Blood - Hourly Haunts

01. Around Your Sun
02. Cariboo
03. Windy
04. NM Sky Song
05. Atom Bomb
06. Edge Of The World

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publicado por stipe07 às 14:32

Helado Negro – This Is How You Smile

Sexta-feira, 15.03.19

Pouco mais de dois anos após o excelente Private Energy, o projeto Helado Negro, liderado por Roberto Carlos Lange, um filho de emigrantes equatorianos, radicado nos Estados Unidos, está de regresso com This Is How You Smile, o seu sexto longa duração. Falo de doze belíssimas canções que plasmam mais um momento marcante deste músico sedeado em Brooklyn, um disco onde Lange amplia as suas experimentações com samples e sons sintetizados de modo a replicar uma multiplicidade de referências sonoras, desta vez em busca de ambientes mais intimstas e acolhedores, que encarnam na perfeição o espírito muito particular e simbólico da música de Helado Negro.

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Projeto que me é muito querido, Helado Negro tem conduzido o seu percurso musical sempre em busca da mescla entre aa especificidade sonora centro-americana, muito marcada por percurssões vibrantes e cordas de forte pendor orgânico, com a melhor eletrónica ambiental contemporânea. E de facto, se logo em Please Won't Please, uma sublime sapiência sintética e uma incontida sensação de relaxamento e conforto apoderam-se imediatamente do ouvinte, nos acordes de Imagining What To Do, é fácil viajarmos para as areias calientes do caribe. Depois planamos com os samples dos sons tipicamente sul americanos que adornam os teclados e os sopros ariscos de Fantas, e ficamos prontos para ao som da viola que conduz Pais Nublado, para levantar o nosso olhar para o horizonte sem deixar de querer alargar o diâmetro da nossa anca, possuída, sem dono e com vontade própria, porque ela não resiste a acompanhar, subtilmente, uma canção que fala que vai subindo de intensidade e emoção enquanto provoca igual efeito na temperatura do nosso corpo, que volta a estabilizar ao som do delicado piano que sustenta Running, um tema com forte pendor temperamental e com um ambiente único, feito de nostalgia, mas também de cor, de sonho e de sensualidade. Sabana de Luz é outra composição com um efeito soporífero que convida aquela intimidade que força o pensamento à divagar, mas sem deixar que o mesmo resvale para memórias menos felizes.

É assim a música de Helado Negro, intensa, palpável, urbana e dominada por um pendor acústico e tipicamente latino, mas com a eletrónica em forma de dream pop de cariz lo fi e etéreo e que incluí também travos deR&B, a ser cada vez mais um veículo privilegiado no processo de composição. Nela sente-se facilmente aquele aspeto geográfico e ambiental tão sul americano em que cidade, praia e floresta tropical amiúde se fundem, neste caso num registo com uma elevada vertente autobiográfica, já que nele Lange desabafa sobre experiências individuais da sua infância e juventude. O músico apresenta muito esta filosofia interpretativa, no que concerne à escrita das suas canções, mostrando, sem receios, ser alguém positivamente obcecado pela evocação de memórias passadas e, principalmente, pela concretização sonora de sensações, estímulos, reacções e vivências cujo fato serve a qualquer comum mortal.

Cada vez mais confiante, inspirado e multifacetado, Lange continua a aventurar-se corajosamente na sua própria imaginação, construída entre o caribe que o viu nascer e a América de todos os sonhos. Neste This Is How You Smile contorna, mais uma vez, todas as referências culturais que poderiam limitar o seu processo criativo para, isento de tais formalismos, compilar com música, história, cultura, saberes e tradições, num pacote sonoro cheio de groove e de paisagens sonoras que contam histórias que Helado Negro sabe, melhor do que ninguém, como encaixar. Espero que aprecies a sugestão...

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01. Please Won’t Please
02. Imagining What To Do
03. Echo For Camperdown Curio
04. Fantasma Vaga
05. Pais Nublado
06. Running
07. Seen My Aura
08. Sabana De luz
09. November 7
10. Todo Lo Que Me Falta
11. Two Lucky
12. My Name Is For My Friends

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publicado por stipe07 às 18:17

Radical Face – Video Games

Sexta-feira, 25.05.18

Radical Face - Video Games

O norte-americano Ben Cooper é a mente que lidera o projeto Radical Face e tem-se dedicado, ultimamente, a produzir algumas versões de temas que são do seu agrado. Começou por remexer em The Goonies, um tema da autoria de Cyndi Lauper e depois foi até à Irlanda do Norte homenagear os The Cranberries com a sua versão de Ode to My Family.

Agora, na sua terceira versão de canções que fazem parte daquele núcleo de composições com as quais se identifica, este músico oriundo de Jacksonville Beach, na Flórida, revisitou de modo particularmente charmoso e aditivo Video Games, o grande hit de Lana Del Rey, fazendo-o olhando para algumas das principais particularidades que marcam a eletrónica ambiental contemporânea, com um resultado final muito agradável e sedutor. Confere...

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publicado por stipe07 às 21:08

Helado Negro - Private Energy

Domingo, 09.10.16

Helado Negro é um projeto que me é muito querido, liderado por Roberto Carlos Lange, um filho de emigrantes equatorianos, radicado nos Estados Unidos e que lançou há poucos dias Private Energy, o seu quinto longa duração, como é habitual através da Asthmatic Kitty. Falo de catorze belíssimas canções que são mais um momento marcante deste músico sedeado em Brooklyn, um disco onde Lange amplia as suas experimentações com samples e sons sintetizados de modo a replicar uma multiplicidade de referências sonoras. Uma das particularidades deste disco é contar, nas apresentações ao vivo de promoção deste registo, com o contributo visual e artístico do coletivo Tinsel Mammal, um grupo de dançarinos com vestes prateadas e que encarnam na perfeição o espírito muito particular e simbólico da música de Helado Negro.

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Sublime sapiência e uma incontida sensação de relaxamento e conforto apoderam-se imediatamente do ouvinte logo que os acordes de Calienta sussurram nos nossos ouvidos. Depois planamos com os samples dos sons tipicamente sul americanos que adornam os teclados e os sopros épicos de Tartamudo, com a batida sintética de Lengua Larga a alargar quer os nossos horizontes quer o diâmetro da nossa anca, possuída, sem dono e com vontade própria, não resistindo a acompanhar uma canção que fala muito de lábios e que sobe de intensidade e emoção, assim como a temperatura do nosso corpo.

É assim a música de Helado Negro, intensa, palpável e dominada por um pendor acústico e tipicamente latino, mas com a eletrónica em forma de dream pop de cariz lo fi e etéreo e que incluí também travos de hip hop, a ser cada vez mais um veículo privilegiado no processo de composição.

Disco fortemente conduzido por uma tendência urbana e contemporânea, mas onde também não falta, em Obra Dos, Tres, Cuatro e Cinco, aquele aspeto geográfico e ambiental tâo sul americano em que cidade e floresta tropical amiúde se fundem, em Private Energy Lange desabafa sobre experiências individuais que poderão indicar a presença de uma elevada vertente autobiográfica. Escuta-se o verso I Feel Invisible Without Your Wisdom em Transmission Listen, uma profunda canção sobre muitas das dicotomias subjacentes ao amor e no love can cut our knife in two em Runaround, o primeiro single divulgado do álbum, um tema com forte pendor temperamental e com um ambiente feito com cor, sonho e sensualidade e percebe-se esta filosofia de alguém positivamente obcecado pela evocação de memórias passadas e, principalmente, pela concretização sonora de sensações, estímulos,reacções e vivências cujo fato serve a qualquer comum mortal.

Ao quinto disco, cada vez mais confiante, inspirado e multifacetado, Lange continua a aventurar-se corajosamente na sua própria imaginação, construída entre o caribe que o viu nascer e a América de todos os sonhos. Nestas suas novas canções contorna, mais uma vez, todas as referências culturais que poderiam limitar o seu processo criativo para, isento de tais formalismos, não recear misturar tudo aquilo que ouviu, aprendeu e assimilou e que é, mais uma vez, sonoramente tão bem retratado, com enorme mestria e um evidente bom gosto, ao mesmo tempo que reflete com indisfarçável temperamento sobre si próprio, enquanto compila com música, história, cultura, saberes e tradições, num pacote sonoro cheio de groove e de paisagens sonoras que contam histórias que Helado Negro sabe, melhor do que ninguém, como encaixar. Espero que aprecies a sugestão...

Helado Negro - Private Energy

01. Calienta
02. Tartamudo
03. Obra Dos
04. Lengua Larga
05. Runaround
06. Young, Latin And Proud
07. Obra Tres
08. Transmission Listen
09. Persona Facil
10. Mi Mano
11. Obra Cuatro
12. It’s My Brown Skin
13. We Don’t Have Time For That
14. Obra Cinco

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publicado por stipe07 às 22:25

The Vera Violets – Six

Sábado, 15.08.15

Jonathan Beadle, Neal McCamis e Bryan Thompson, são os The Vera Violets, um trio norte americano oriundo de Tampa, na Florida e que coloca todas as fichas no indie rock psicadélico, onde não faltam típicos detalhes do rock de garagem, replicados no fuzz das guitarras e no charme da produção, em alguns momentos com um sedutor pendor lo fi. Conforme o título indica, Six, um trabalho editado no passado dia sete, é o sexto álbum da carreira deste grupo, que se iniciou há já onze anos com Faintly Acquainted, o álbum de estreia dos The Vera Violets.

Este trio norte americano invoca os espíritos passados que fundaram e cimentaram as bases estruturais do indie rock, com firmeza, amplitude e uma rugosidade saudável. Na distorção das guitarras, na bateria musculada e nos gritos rebeldes de Distorted View, amaciados por uma delicadeza melódica impar e no andamento solarengo e sorridente de Wherever It Goes, estão impressos carateres sonoros sólidos que fazem destes The Vera Violets uma banda vanguardista e na linha da frente, mais um exemplo a seguir, na segunda década do século XXI, de projetos que conseguem colocar o indie rock lo fi e de cariz mais psicotrópico na ordem do dia, faznedo-o à sombra do melhor garage rock que surgiu nos anos sessenta e a psicadelia da década seguinte.

Além destes dois temas acima referidos, basta escutar-se com dedicação o frenesim intuitivo lo fi de Rock Song, os acordes sujos de Wild At Heart e o efeito musculado da guitarra cheia de groove que conduz To Be In para se perceber que este Six é a banda sonora perfeita para uma festa feita de cor, movimento e muita letargia, onde não falta mesmo a atmosfera mais introspetiva de Somewhere Else, uma forma muito luminosa e profunda de encerrar um disco feito de referências bem estabelecidas e com uma arquitetura musical que garante aos autores a impressão firme da sua sonoridade típica e ainda permite terem margem de manobra para futuras experimentações, apesar do cardápio sonoro que já possuem.

Depois de onze anos a impressionar a crítica, estes californianos mantêm, em Six, a toada dos trabalhos antecessores e trazem o horizonte vasto de referências e as inspirações de sempre, mas trabalhadas de forma ainda mais abrangente e eficaz. Levam-nos novamente numa viagem que espelha fielmente o gosto que demonstram relativamente aos primórdios do rock e conseguem apresentar, em simultâneo, algo inovador e diferente, através de uma sonoridade muito fresca e luminosa, assente em guitarras vintage, sempre angulares, diversificadas ao nível dos efeitos e com um espírito shoegaze que se saúda e que Octupus Dream, por exemplo, ampara. Espero que aprecies a sugestão...

The Vera Violets - Six

01. Distorted View
02. To Be In
03. Wild At Heart
04. Wherever It Goes
05. Octopus Dream
06. Perfect Day
07. Rock Song
08. Everything
09. Come On Come On
10. Somewhere Else

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publicado por stipe07 às 10:45

Surfer Blood - 1000 Palms

Quarta-feira, 20.05.15

Os Surfer Blood são uma banda de surf rock natural de West Palm Beach, na Flórida, formada por John Paul Pitts, Tyler Schwarz, Thom Fekete e Kevin Williams. Impressionaram esta publicação há cerca de dois anos com Pythons, o segundo longa duração do grupo. No passado dia doze chegou aos escaparates 1000 Palms, o sucessor de Pythons, uma nova coleção de canções destes Surfer Blood sedentos e claramente felizes no modo como piscam o olho a espetros sonoros tão variados como a surf music ou o rock alternativo dos anos noventa, fazendo-o com uma particular relevância comercial que tem aproximado o quarteto de um número cada vez maior de ouvintes. Na verdade, logo desde o início de 1000 Palms, da toada inicialmente sombria mas depois fortemente orquestral de Grand Inquisitor à nostalgia ensolarada de Island, passando, pouco depois, pelo piscar de olhos da distorção das guitarras ao rock mais progressivo em I Can't Explain, tudo parece ter sido pensado para soar bem nos nossos ouvidos, com naturalidade e sem exageros desnecessários.

Além desta ampla miríade de influências que fundamentam o seu cardápio sonoro, um dos grandes trunfos destes Surfer Blood é, sem sombra de dúvida, a voz de John Pitts, um importante factor para essa aproximação com o ouvinte já que, melodicamente, decide a maioria dos rumos sonoros que as diferentes canções têm, mesmo que abundem várias camadas de distorção nos alicerces das mesmas. Seja como for e apesar da tal importância da voz, as guitarras são um dos principais atributos de 1000 Palms e imprescindíveis para o seu dinamismo. Tocadas por Thom Fekete e pelo também vocalista John Paul Pitts, são extremamente criativas e dão-nos melodias únicas, com destaque para Sabre-Tooth And Bone e a já citada I Can't Explain; Se a primeira dissolve-se uniformemente em acordes muito precisos, mesmo que os efeitos alternem entre o rugoso e o luminoso, a segunda cresce num solo que nos leva, ainda que levemente, até à psicadelia, conferindo a tal toada progressiva referida. Já Covered Wagons conduz o registo das cordas para uma toada mais pop e os vários blocos de distorção de Dorian aproximam claramente o quarteto da essência de Slow Six, o primeiro disco e claramente o mais cru ate à data.

Novamente afastados de grandes editoras e de regresso ao circuito comercial independente depois de terem editado Pythons à sombra da Warner Bros. e, talvez por isso, libertos de algumas amarras editoriais, os Surfer Blood continuam na sua louvável cruzada de busca incessante do melhor estilo sonoro, num percurso cheio de energia criativa, marcada por uma angústia quase inofensiva, onde não faltam momentos altos e, como mostra, por exemplo, Other Desert Cities, instantes de notável esplendor e júbilo. Espero que aprecies a sugestão... 

Surfer Blood - 1000 Palms

01. Grand Inquisitor
02. Island
03. I Can’t Explain
04. Feast/Famine
05. Point Of No Return
06. Sabre-Tooth And Bone
07. Covered Wagons
08. Dorian
09. Into Catacombs
10. Other Desert Cities
11. NW Passage

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publicado por stipe07 às 21:45

Kodak To Graph - ISA

Quarta-feira, 18.03.15

Depois de em agosto de 2013 Mikey Maleki ter andado a editar uma canção por mês, numa longa e bonita jornada que resultou na compilação 2013 Monthly Singles, disponivel para audição e download e que fui dando conta, por cá, durante esse ano, este músico e produtor norte americano de origens iranianas oriundo de Pensacola, na Flórida, atualmente a residir em Los Angeles e que assina a sua música como Kodak To Graph, começou 2015 a participar ativamente na gravação de Oldies, um trabalho também disponivel gratuitamente e que plasma eletrificantes experimentações sonoras. Agora, a dez de março, chegou, finalmente, o seu longa duração de estreia, um disco chamado ISA, também possivel de ser obtido gratuitamente e que é uma verdadeira jornada emotiva e emocional pelos pensamentos, experiências e momentos que se revelaram significativos para o autor nos últimos temps e que o transformaram no músico e pessoa que é hoje.

Maleki sempre gostou de gravar e depois reproduzir sinteticamente sons reais, que capta ao seu redor e que tanto podem ser relacionados com a natureza, nomeadamente o chilrear de aves ou os galhos que se quebram durante um passeio pela floresta, como sons mais citadinos e que reproduzem ruídos habituais num ambiente citadino. Desolation Wilderness é um bom tema para se perceber de que modo funciona esta imagem de marca de Kodak to Graph e igualmente bastante presente no restante alinhamento de ISA. O autor confessa cultivar esse gosto com método porque acha que a inserção desses arranjos nas melodias enriquece-as e funciona, de certa forma, como a componente lírica das suas canções, geralmente instrumentais, dando-lhes uma clara sensação de narrativa e ampliando o propósito que elas têm, que é o de contar histórias concretas e com vida, mesmo que não contenham letras e uma voz que as replique de modo entendível. Quando a voz surge nas canções de Maleki é quase sempre modificada e samplada, funcionando como mais um detalhe sonoro ou outro dos instrumentos que deambulam pelas composições. Los Angeles, tema de tributo à cidade que recentemente acolheu este músico, é um notável exemplo do modo como Maleki utiliza a voz como mero recurso sonoro, no meio de outros detalhes e sons que facilmente nos colocam no meio da movimentada South Vermont rumo a Beverly Hills.

A música de Kodak To Graph exala imenso uma sensação de convite frequente à introspeção e à reflexão sobre o mundo moderno e este produtor não poupa na materialização dos melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, com Belong, o tema de abertura, a surpreender desde logo pelo cariz pop claramente urbano, proporcionado por uma eletrónica manipulada com mestria, não só no modo como o cruza o trompete com a melodia, mas também pelo realce que alguns metais usufruem em determinados momentos da canção. Belong liga-se com Floating através de uma batida minimal que depois parece submergir num mundo aquático e, por isso, sonoramente mais denso e pastoso e se esta conexão entre canções acentua o tal espírito de narrativa sequencial que domina ISA, a opção por arranjos, detalhes, ruídos e métodos de manipulação sonora que se interligam com o título das canções, além de nos fazerem perceber as diversas variáveis que Mike introduz no sintetizador para transmitir uma sensação intrincada e fortemente espiritual. Na verdade, ISA transborda um ideal de leveza e cor constantes, como se o disco transmitisse todas as sensações positivas e os raios de luz que fazem falta aos nossos dias, apesar de, felizmente, serem agora menos frios e sombrios, permitindo-nos escutar uma música bastante sensorial, que parece ter textura, cheiro e flutuações térmicas condizentes com o ritmo, a batida ou o borbulhar de determinados detalhes, aquáticos ou terrenos que facilmente se identificam e que são passíveis de serem confrontados com aspetos reais e palpáveis do meio que nos rodeia. Se a sensibilidade emotiva, minimal e arrepiante de Glaciaa nos obriga a vestir um agasalho bem quente enquanto sobrevoamos os pólos, as já citadas Los Angeles e Belong retratam uma América multicultural e cosmopolita que acolheu e inspira Maleki.

Rico e arrojado e apontando em diferentes direções sonoras, apesar de haver um estilo vincado que pode catalogar o cardápio sonoro apresentado, ISA tem um fio condutor óbvio, assente em alguma da melhor eletrónica contemporânea, mas uma das suas particularidades é conseguir, sem fugir muito desta bitola, oferecer música que se sente e que se vê, englobando diferentes aspetos e detalhes de outras raízes musicais, que podem passar pelo trip hop, a chillwave, o hip hop ou o R&B num pacote que conta histórias que as máquinas de Maleki sabem, melhor do que ninguém, como reporduzir e encaixar. Este é um álbum para ser escutado, visto e sentido, recheado de paisagens sonoras bastante diversificadas, mas de algum modo descomplicadas e acessíveis e que não descuram a beleza dos arranjos e um enorme e intrincado bom gosto. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 19:14






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