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Polyenso – Lost In The Wheel EP

Quarta-feira, 28.10.20

Os Polyenso são uma banda de rock experimental norte americana sedeada em St. Petersburg, na Flórida. A banda é composta pelo vocalista e teclista Brennan Taulbee, pelo multi-instrumentista e vocalista Alexander Schultz e pelo percussionista Denny Agosto. Year Of The Dog foi o último longa duração que o trio lançou, em janeiro do ano passado, oito canções, algumas instrumentais, impregnadas com uma tonalidade refrescante e inédita, um disco cheio de personalidade, com uma produção cuidada e que nos aproximou do que de melhor propõe a música independente americana contemporânea.

Review: Pure in the Plastic by Polyenso – 88.5 KURE

Agora, mais de ano e meio depois desse tomo, os Polyenso voltam a dar sinais de vida com novas canções que fazem adivinhar sucessor e que foram sendo divulgadas desde o início do último verão. A primeira foi Red Colored Pencil, depois chegou a vez da fresquíssima Dust Devil, e agora é a vez de conferirmos Lost In The Wheel, uma deslumbrante canção incubada num território firme de experimentações sonoras e com um travo lisérgico algo incomum no panorama alternativo atual.

O lançamento deste novo single dos Polyenso teve direito ao formato EP, onde se inclui além de Lost In The Wheel, um curto instrumental chamado “Tempo” e que introduz  MissU (Loops And One-Shots), um devaneio de eletrónica climática, algo sujo e caótico, mas bastante hipnótico. Ora ouçam...

Polyenso - Lost In The Wheel

01. Lost In The Wheel
02. “Tempo”
03. MissU (Loops And One-Shots)

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publicado por stipe07 às 18:22

Surfer Blood – Carefree Theatre

Sexta-feira, 02.10.20

Parece que ainda foi ontem, mas já tem mais de uma década de vida Astro Coast, o extraordinário registo de estreia dos Surfer Blood e que colocou esta banda oriunda da Flórida no mapa e fez dela, logo à partida, como uma das mais promissoras e merecedora de justas odes, álbum após álbum, num percurso discográfico inatacável no que diz respeito ao valor qualitativo do mesmo. Caso dúvidas ainda persistissem sobre isso em algumas mentes mais desatentas ao fenómeno musical indie norte-americano, Carefree Theatre, o novo álbum deste grupo atualmente formado por John Paul Pitts, Tyler Schwarz, Mike McClear e Lindsey Mills é a demonstração suprema de que este é um dos projetos mais luminosos e otimistas do cenário indie alternativo global dos últimos anos, tendo os Surfer Blood sabido, por exemplo, superar com inegável capacidade de superação a trágica morte do guitarrista Thomas Fekete, um dos fundadores da banda, que sofria de um tipo raro de cancro, em dois mil e dezasseis.

Surfer Blood com novo álbum… “Carefree Theatre” – Glam Magazine

De facto, escuta-se Carefree Theatre e existe no álbum uma luz radiante constante, uma boa disposição encharcada de charme e uma elevada e deliciosa dose de otimismo e celebração. Mesmo nos dois temas finais, a reflexiva Dewar e a nostálgica Rose Bowl, um tema que recorda um daqueles momentos da nossa vida que nunca esquecemos e que gostaríamos que se eternizasse, essas sensações positivas mantêm-se à tona e nunca vacilam.

Em canções que se esfumam mais rápido que um cigarro e que desfilam numa sequência estonteante e de tirar o fôlego, são variados os destaques do trabalho. Assim, da toada inicialmente rugosa mas depois fortemente orquestral de Dessert Island, à empatia ensolarada de Karen e ao frenesim pop do tema homónimo, passando, pouco depois, pelo piscar de olhos da distorção das guitarras ao rock mais progressivo em In the Tempest’s Eye e, no ponto alto do disco, pelo energia otimista que exala de Summer Trope, o alinhamento de Carefree Theatre escorre sem conceder espaço para a depressão, o recolhimento e a nebulosidade.

São vários os elementos que contribuem decisivamente para esta descrição tão elogiosa do álbum e uma delas é, sem sombra de dúvida, a voz de John Pitts, um importante fator para todo um positivismo saudável que acaba por ditar uma indisfarçável aproximação com o ouvinte, até porque, melodicamente, é quem decide a maioria dos rumos sonoros que as diferentes canções têm, mesmo que abundem várias camadas de distorção nos alicerces das mesmas. Seja como for e apesar da tal importância da voz, as guitarras são também um dos principais atributos de Carefree Theatre e imprescindíveis para o seu dinamismo. Tocadas pelo mesmo Pitts e por Mike McClear, são extremamente criativas e diversificadas, num registo que parece ter sido pensado para soar bem nos nossos ouvidos, com naturalidade e sem exageros desnecessários, num resultado final verdadeiramente feliz e inspirado.

Catalogados frequentemente como uma banda de surf rock, provavelmente pelos tais desatentos que mencionei acima, os Surfer Blood têm neste Carefree Theatre o disco menos surf rock da carreira, dvendo ser colocado sem receio e de modo cimentado bem no centro do espetro do puro e clássico indie rock, não deixando até de em determinadas distorções e apontamentos, quer do baixo, quer da guitarra, de piscar o olho a espetros sonoros tão variados como o punk ou o próprio garage rock.

Disco tremendamente confiante, dinâmico, altivo, lúcido, objetivo, direto e incisivo e com um forte cariz radiofónico, Carefree Theatre inspira os Surfer Blood a manterem-se fiéis ao seu adn e a não hesitarem nem por um instante na sua louvável cruzada de busca incessante do melhor estilo sonoro, num percurso cheio de energia criativa, marcad, amiúde, por uma angústia quase inofensiva, mas que neste caso está repleto momentos altos e de notável esplendor e júbilo. Espero que aprecies a sugestão... 

Surfer Blood - Carefree Theatre

01. Dessert Island
02. Karen
03. Carefree Theatre
04. Parkland (Into The Silence)
05. In the Tempest’s Eye
06. In My Mind
07. Unconditional
08. Summer Trope
09. Uneasy Rider
10. Dewar
11. Rose Bowl

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publicado por stipe07 às 18:00

Polyenso – Dust Devil

Sexta-feira, 28.08.20

Polyenso - Dust Devil

Os Polyenso são uma banda de rock experimental norte americana sedeada em St. Petersburg, na Flórida. A banda é composta pelo vocalista e teclista Brennan Taulbee, pelo multi-instrumentista e vocalista Alexander Schultz e pelo percussionista Denny Agosto. Year Of The Dog foi o último longa duração que o trio lançou, em janeiro do ano passado, oito canções, algumas instrumentais, impregnadas com uma tonalidade refrescante e inédita, um disco cheio de personalidade, com uma produção cuidada e que nos aproximou do que de melhor propõe a música independente americana contemporânea. 

Agora, ano e meio depois desse tomo, os Polyenso voltam a dar sinais de vida com duas novas canções que fazem adivinhar sucessor. A primeira foi Red Colored Pencil e agora chega a vez da fresquíssima Dust Devil, uma deslumbrante canção incubada num território firme de experimentações sonoras e com um travo lisérgico algo incomum no panorama alternativo atual. Ora ouçam...

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publicado por stipe07 às 10:57

Radical Face – The Missing Road

Quarta-feira, 12.08.20

Radical Face - The Missing Road

O norte-americano Ben Cooper é a mente que lidera o projeto Radical Face e ficou famoso nos últimos anos por ter andado a produzir algumas versões de temas que são do seu agrado. Começou por remexer em The Goonies, um tema da autoria de Cyndi Lauper, depois foi até à Irlanda do Norte homenagear os The Cranberries com a sua versão de Ode to My Family e, finalmente, na sua terceira versão de canções que fazem parte daquele núcleo de composições com as quais se identifica, este músico oriundo de Jacksonville Beach, na Flórida, revisitou de modo particularmente charmoso e aditivo Video Games, o grande hit de Lana Del Rey, fazendo-o olhando para algumas das principais particularidades que marcam a eletrónica ambiental contemporânea, com um resultado final muito agradável e sedutor.

Agora, em pleno verão de dois mil e vinte, Ben Cooper oferce-nos um novo original, um tema intitulado The Missing Road e que encontra inspiração no romance de Robert Frost, The Road Not Taken. Sonoramente, esta nova composição do projeto Radical Face proporciona-nos uma brilhante e aconchegante imersão num universo em que reina a mais clássica indie folk norte-americana, que dita as suas regras através de uma deslumbrante guitarra repleta de cor e emotividade. Confere...

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publicado por stipe07 às 13:45

Polyenso – Red Colored Pencil

Domingo, 28.06.20

Polyenso - Red Colored Pencil

Os Polyenso são uma banda de rock experimental norte americana sedeada em St. Petersburg, na Flórida. A banda é composta pelo vocalista e teclista Brennan Taulbee, pelo multi-instrumentista e vocalista Alexander Schultz e pelo percussionista Denny Agosto. Year Of The Dog foi o último longa duração que o trio lançou, em janeiro do ano passado, oito canções, algumas instrumentais, impregnadas com uma tonalidade refrescante e inédita, um disco cheio de personalidade, com uma produção cuidada e que nos aproximou do que de melhor propõe a música independente americana contemporânea. 

Agora, ano e meio depois desse tomo, os Polyenso voltam a dar sinais de vida com Red Colored Pencil, uma deslumbrante canção incubada num território firme de experimentações sonoras que dá bastante ênfase às cordas, mas que não descura a importância que o sintético tem na construção de uma melodia tremendamente adocicada e com um travo lisérgico algo incomum no panorama alternativo atual. Confere...

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publicado por stipe07 às 22:40

Surfer Blood – Hourly Haunts EP

Terça-feira, 20.08.19

Parece que ainda foi ontem, mas já está a comemorar uma década de vida Astro Coast, o extraordinário registo de estreia dos Surfer Blood e que colocou esta banda oriunda da Flórida no mapa. Para assinalar a efeméride o grupo anunciou o lançamento do sucessor de Snowdonia (2017), um novo álbum ainda sem nome, que irá chegar aos escaparates no próximo ano e divulgou Hourly Haunts, um EP com seis canções e com uma identidade própria já que nenhum destes novos temas do quarteto fará parte desse trabalho que irá ver a luz do dia em dois mil e vinte.

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Atualmente formados por John Paul Pitts, Tyler Schwarz, Mike McCleary e Lindsey Mills e com um percurso algo acidentado mas sempre profícuo e balizado por um surf rock claramente feliz no modo como pisca o olho a espetros sonoros tão variados como a surf music ou o rock alternativo dos anos noventa, os Surfer Blood oferecem-nos em Hourly Haunts talvez a coleção de canções mais inspirada dos seus dez anos de carreira. São seis composições solarengas, assentes num rock direto e incisivo, tremendamente luminoso e otimista, bastante festivo e exuberante, feito à boleia de guitarras em que abundam várias camadas de distorção, um detalhe imprescindível para o dinamismo de um EP extremamente criativo e pleno de melodias únicas e com um forte cariz radiofónico.

Assim, da toada inicialmente sombria mas depois fortemente orquestral de Around Your Sun à nostalgia ensolarada de Atom Bomb e ao frenesim pop de Nm Sky Song, passando, pouco depois, pelo piscar de olhos da distorção das guitarras ao rock mais progressivo em Windy e, no ponto alto do EP, pelo energia otimista que exala de Cariboo, tudo parece ter sido pensado para soar bem nos nossos ouvidos, com naturalidade e sem exageros desnecessários, num resultado final verdadeiramente feliz e inspirado. Não restam dúvidas que os Surfer Blood continuam na sua louvável cruzada de busca incessante do melhor estilo sonoro, num percurso cheio de energia criativa, marcada por uma angústia quase inofensiva, onde não faltam momentos altos e de notável esplendor e júbilo. Este é claramente o caso. Espero que aprecies a sugestão... 

Surfer Blood - Hourly Haunts

01. Around Your Sun
02. Cariboo
03. Windy
04. NM Sky Song
05. Atom Bomb
06. Edge Of The World

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publicado por stipe07 às 14:32

Helado Negro – This Is How You Smile

Sexta-feira, 15.03.19

Pouco mais de dois anos após o excelente Private Energy, o projeto Helado Negro, liderado por Roberto Carlos Lange, um filho de emigrantes equatorianos, radicado nos Estados Unidos, está de regresso com This Is How You Smile, o seu sexto longa duração. Falo de doze belíssimas canções que plasmam mais um momento marcante deste músico sedeado em Brooklyn, um disco onde Lange amplia as suas experimentações com samples e sons sintetizados de modo a replicar uma multiplicidade de referências sonoras, desta vez em busca de ambientes mais intimstas e acolhedores, que encarnam na perfeição o espírito muito particular e simbólico da música de Helado Negro.

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Projeto que me é muito querido, Helado Negro tem conduzido o seu percurso musical sempre em busca da mescla entre aa especificidade sonora centro-americana, muito marcada por percurssões vibrantes e cordas de forte pendor orgânico, com a melhor eletrónica ambiental contemporânea. E de facto, se logo em Please Won't Please, uma sublime sapiência sintética e uma incontida sensação de relaxamento e conforto apoderam-se imediatamente do ouvinte, nos acordes de Imagining What To Do, é fácil viajarmos para as areias calientes do caribe. Depois planamos com os samples dos sons tipicamente sul americanos que adornam os teclados e os sopros ariscos de Fantas, e ficamos prontos para ao som da viola que conduz Pais Nublado, para levantar o nosso olhar para o horizonte sem deixar de querer alargar o diâmetro da nossa anca, possuída, sem dono e com vontade própria, porque ela não resiste a acompanhar, subtilmente, uma canção que fala que vai subindo de intensidade e emoção enquanto provoca igual efeito na temperatura do nosso corpo, que volta a estabilizar ao som do delicado piano que sustenta Running, um tema com forte pendor temperamental e com um ambiente único, feito de nostalgia, mas também de cor, de sonho e de sensualidade. Sabana de Luz é outra composição com um efeito soporífero que convida aquela intimidade que força o pensamento à divagar, mas sem deixar que o mesmo resvale para memórias menos felizes.

É assim a música de Helado Negro, intensa, palpável, urbana e dominada por um pendor acústico e tipicamente latino, mas com a eletrónica em forma de dream pop de cariz lo fi e etéreo e que incluí também travos deR&B, a ser cada vez mais um veículo privilegiado no processo de composição. Nela sente-se facilmente aquele aspeto geográfico e ambiental tão sul americano em que cidade, praia e floresta tropical amiúde se fundem, neste caso num registo com uma elevada vertente autobiográfica, já que nele Lange desabafa sobre experiências individuais da sua infância e juventude. O músico apresenta muito esta filosofia interpretativa, no que concerne à escrita das suas canções, mostrando, sem receios, ser alguém positivamente obcecado pela evocação de memórias passadas e, principalmente, pela concretização sonora de sensações, estímulos, reacções e vivências cujo fato serve a qualquer comum mortal.

Cada vez mais confiante, inspirado e multifacetado, Lange continua a aventurar-se corajosamente na sua própria imaginação, construída entre o caribe que o viu nascer e a América de todos os sonhos. Neste This Is How You Smile contorna, mais uma vez, todas as referências culturais que poderiam limitar o seu processo criativo para, isento de tais formalismos, compilar com música, história, cultura, saberes e tradições, num pacote sonoro cheio de groove e de paisagens sonoras que contam histórias que Helado Negro sabe, melhor do que ninguém, como encaixar. Espero que aprecies a sugestão...

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01. Please Won’t Please
02. Imagining What To Do
03. Echo For Camperdown Curio
04. Fantasma Vaga
05. Pais Nublado
06. Running
07. Seen My Aura
08. Sabana De luz
09. November 7
10. Todo Lo Que Me Falta
11. Two Lucky
12. My Name Is For My Friends

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publicado por stipe07 às 18:17

Radical Face – Video Games

Sexta-feira, 25.05.18

Radical Face - Video Games

O norte-americano Ben Cooper é a mente que lidera o projeto Radical Face e tem-se dedicado, ultimamente, a produzir algumas versões de temas que são do seu agrado. Começou por remexer em The Goonies, um tema da autoria de Cyndi Lauper e depois foi até à Irlanda do Norte homenagear os The Cranberries com a sua versão de Ode to My Family.

Agora, na sua terceira versão de canções que fazem parte daquele núcleo de composições com as quais se identifica, este músico oriundo de Jacksonville Beach, na Flórida, revisitou de modo particularmente charmoso e aditivo Video Games, o grande hit de Lana Del Rey, fazendo-o olhando para algumas das principais particularidades que marcam a eletrónica ambiental contemporânea, com um resultado final muito agradável e sedutor. Confere...

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publicado por stipe07 às 21:08

Helado Negro - Private Energy

Domingo, 09.10.16

Helado Negro é um projeto que me é muito querido, liderado por Roberto Carlos Lange, um filho de emigrantes equatorianos, radicado nos Estados Unidos e que lançou há poucos dias Private Energy, o seu quinto longa duração, como é habitual através da Asthmatic Kitty. Falo de catorze belíssimas canções que são mais um momento marcante deste músico sedeado em Brooklyn, um disco onde Lange amplia as suas experimentações com samples e sons sintetizados de modo a replicar uma multiplicidade de referências sonoras. Uma das particularidades deste disco é contar, nas apresentações ao vivo de promoção deste registo, com o contributo visual e artístico do coletivo Tinsel Mammal, um grupo de dançarinos com vestes prateadas e que encarnam na perfeição o espírito muito particular e simbólico da música de Helado Negro.

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Sublime sapiência e uma incontida sensação de relaxamento e conforto apoderam-se imediatamente do ouvinte logo que os acordes de Calienta sussurram nos nossos ouvidos. Depois planamos com os samples dos sons tipicamente sul americanos que adornam os teclados e os sopros épicos de Tartamudo, com a batida sintética de Lengua Larga a alargar quer os nossos horizontes quer o diâmetro da nossa anca, possuída, sem dono e com vontade própria, não resistindo a acompanhar uma canção que fala muito de lábios e que sobe de intensidade e emoção, assim como a temperatura do nosso corpo.

É assim a música de Helado Negro, intensa, palpável e dominada por um pendor acústico e tipicamente latino, mas com a eletrónica em forma de dream pop de cariz lo fi e etéreo e que incluí também travos de hip hop, a ser cada vez mais um veículo privilegiado no processo de composição.

Disco fortemente conduzido por uma tendência urbana e contemporânea, mas onde também não falta, em Obra Dos, Tres, Cuatro e Cinco, aquele aspeto geográfico e ambiental tâo sul americano em que cidade e floresta tropical amiúde se fundem, em Private Energy Lange desabafa sobre experiências individuais que poderão indicar a presença de uma elevada vertente autobiográfica. Escuta-se o verso I Feel Invisible Without Your Wisdom em Transmission Listen, uma profunda canção sobre muitas das dicotomias subjacentes ao amor e no love can cut our knife in two em Runaround, o primeiro single divulgado do álbum, um tema com forte pendor temperamental e com um ambiente feito com cor, sonho e sensualidade e percebe-se esta filosofia de alguém positivamente obcecado pela evocação de memórias passadas e, principalmente, pela concretização sonora de sensações, estímulos,reacções e vivências cujo fato serve a qualquer comum mortal.

Ao quinto disco, cada vez mais confiante, inspirado e multifacetado, Lange continua a aventurar-se corajosamente na sua própria imaginação, construída entre o caribe que o viu nascer e a América de todos os sonhos. Nestas suas novas canções contorna, mais uma vez, todas as referências culturais que poderiam limitar o seu processo criativo para, isento de tais formalismos, não recear misturar tudo aquilo que ouviu, aprendeu e assimilou e que é, mais uma vez, sonoramente tão bem retratado, com enorme mestria e um evidente bom gosto, ao mesmo tempo que reflete com indisfarçável temperamento sobre si próprio, enquanto compila com música, história, cultura, saberes e tradições, num pacote sonoro cheio de groove e de paisagens sonoras que contam histórias que Helado Negro sabe, melhor do que ninguém, como encaixar. Espero que aprecies a sugestão...

Helado Negro - Private Energy

01. Calienta
02. Tartamudo
03. Obra Dos
04. Lengua Larga
05. Runaround
06. Young, Latin And Proud
07. Obra Tres
08. Transmission Listen
09. Persona Facil
10. Mi Mano
11. Obra Cuatro
12. It’s My Brown Skin
13. We Don’t Have Time For That
14. Obra Cinco

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publicado por stipe07 às 22:25

The Vera Violets – Six

Sábado, 15.08.15

Jonathan Beadle, Neal McCamis e Bryan Thompson, são os The Vera Violets, um trio norte americano oriundo de Tampa, na Florida e que coloca todas as fichas no indie rock psicadélico, onde não faltam típicos detalhes do rock de garagem, replicados no fuzz das guitarras e no charme da produção, em alguns momentos com um sedutor pendor lo fi. Conforme o título indica, Six, um trabalho editado no passado dia sete, é o sexto álbum da carreira deste grupo, que se iniciou há já onze anos com Faintly Acquainted, o álbum de estreia dos The Vera Violets.

Este trio norte americano invoca os espíritos passados que fundaram e cimentaram as bases estruturais do indie rock, com firmeza, amplitude e uma rugosidade saudável. Na distorção das guitarras, na bateria musculada e nos gritos rebeldes de Distorted View, amaciados por uma delicadeza melódica impar e no andamento solarengo e sorridente de Wherever It Goes, estão impressos carateres sonoros sólidos que fazem destes The Vera Violets uma banda vanguardista e na linha da frente, mais um exemplo a seguir, na segunda década do século XXI, de projetos que conseguem colocar o indie rock lo fi e de cariz mais psicotrópico na ordem do dia, faznedo-o à sombra do melhor garage rock que surgiu nos anos sessenta e a psicadelia da década seguinte.

Além destes dois temas acima referidos, basta escutar-se com dedicação o frenesim intuitivo lo fi de Rock Song, os acordes sujos de Wild At Heart e o efeito musculado da guitarra cheia de groove que conduz To Be In para se perceber que este Six é a banda sonora perfeita para uma festa feita de cor, movimento e muita letargia, onde não falta mesmo a atmosfera mais introspetiva de Somewhere Else, uma forma muito luminosa e profunda de encerrar um disco feito de referências bem estabelecidas e com uma arquitetura musical que garante aos autores a impressão firme da sua sonoridade típica e ainda permite terem margem de manobra para futuras experimentações, apesar do cardápio sonoro que já possuem.

Depois de onze anos a impressionar a crítica, estes californianos mantêm, em Six, a toada dos trabalhos antecessores e trazem o horizonte vasto de referências e as inspirações de sempre, mas trabalhadas de forma ainda mais abrangente e eficaz. Levam-nos novamente numa viagem que espelha fielmente o gosto que demonstram relativamente aos primórdios do rock e conseguem apresentar, em simultâneo, algo inovador e diferente, através de uma sonoridade muito fresca e luminosa, assente em guitarras vintage, sempre angulares, diversificadas ao nível dos efeitos e com um espírito shoegaze que se saúda e que Octupus Dream, por exemplo, ampara. Espero que aprecies a sugestão...

The Vera Violets - Six

01. Distorted View
02. To Be In
03. Wild At Heart
04. Wherever It Goes
05. Octopus Dream
06. Perfect Day
07. Rock Song
08. Everything
09. Come On Come On
10. Somewhere Else

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publicado por stipe07 às 10:45






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