01. In Age
02. Bathe In Glory
03. Selfless
04. This Power
05. Repeat
06. Darkling, I Listen
07. Widow’s Song
08. Avenue Of Splendours
09. All Girls Are Grey
10. His Famous Last Painting
Depois de Life Less Ordinary, o disco de estreia, editado em 2012, os finlandeses Big Wave Riders de Teppo, Aleksi, Anssi e Pete regressaram recentemente aos discos com Endless Summer, dez canções alicerçadas num rock pulsante, épico e majestoso, um perfil sonoro exemplarmente retratado logo no tema homónimo que abre um alinhamento patrocinado pela Soliti Music, uma etiqueta sedeada em Helsínquia, cidade finlandesa de onde também é oriundo este excelente grupo.
Polaroid pic by Anna-Mari Leppisaari.
Olhando para o rock alternativo com aquele olhar tipicamente nórdico, que procura, dentro deste género sonoro, criar canções com forte abrangência instrumental, elevado acerto melódico e uma superior dose de imponência, Endless Summer está impregnado, de alto a baixo, com ecos e ritmos, dominados, predominantemente, pelas cordas eletrificadas, mas também com um indisfarçável toque de lustro eletrónico. Percebe-se facilmente que os Big Wave Riders balizaram as suas influências num género sonoro específico, mas fazem música sem matemática ou cálculos precisos, compondo quer canções rápidas, quer lentas, ou seja, com diferentes ritmos e uma imensa variedade. Assim, se o baixo e a bateria de Escaping The City se aliam à guitarra para alicercar uma canção plena de cor e jovialidade, já em Fearless estes elementos conjuram para cimentar um clima sonoro que, algures entre o frenético e o hipnótico, prende e fustiga, sem apelo nem agravo. Depois, numa abordagem um pouco menos complexa, a guitarra estridente e plena de swing que conduz While You’re Half A World Away e que depois não deixa o punk da dupla Crest Of A Wave e What You Do Is Up To You descarrilar para uma espiral eletrificada de ruídos e ritmos desproporcionados, firma-se como a grande força motriz de um disco ruidoso, algo rugoso até em determinados instantes, mas que não deixa de conter também, algo implicitamente, uma toada doce e sonhadora. Escuta-se o clima animado e descontraído de Flipping The Bird e as variações ritmícas e o looping da guitarra de Rebel Without a Cause e percebe-se que este quarteto não se importa minimamente com as grandes questões que preocupam a gllobalidade do mundo em que vivemos, e que terá, no fundo, uma perspetiva mais imediatista e descomplicada da sua existência. Espero que aprecies a sugestão...

01. Endless Summer
02. Escaping The City
03. While You’re Half A World Away
04. Fearless
05. Crest Of A Wave
06. What You Do Is Up To You
07. Flipping The Bird
08. A Head Full Of Attitude
09. Rebel Without A Cause
10. Treading The Borderline
Quase três anos após um extraordinário disco de estreia homónimo, os finlandeses Sans Parade regressaram aos álbuns na reta final de 2015 com Artefacts, sete canções que abrigadas pela insuspeita Solina Records nos oferecem um cardápio sem adjetivos suficientemente claros para que possamos definir com exatidão a sua qualidade sonora.

Formados em 2009 pelo músico, cantor e escritor Markus Perttula e pelo músico de house Jani Lehto, os Sans Parade rapidamente tornaram-se num trio quando o músico de jazz Pekka Tuppurainen se juntou à dupla. Hoje o grupo é ainda maior, com músicos que dominam diferentes géneros musicais e que, além dos já referidos, também tocam a folk. Assim, esta massiva junção de géneros e influências, naturalmente iria dar origem a um verdadeiro caldeirão sonoro, algo que se escuta em Artefacts, um disco impregnado com arranjos orquestrais lindíssimos e que começou a ser incubado quando a banda se encontrava a delinear o video de Coastal Town, um dos destaques do disco anterior. Fragmentos encontrados pela câmara de filmar de uma carta rasgada junto a uma ponte, provavelmente relacionada com o ocaso de uma relação amorosa e escrita por uma adolescente que terá sofrido a sua primeira desilusão amorosa, provocaram um click imediato na banda, tal era a profundidade e a autenticidade dos sentimentos plasmados no documento encontrado.
Depois de destruirem esses fragmentos da carta através de um ritual verdadeiramente catártico, os Sans Parade arregaçaram as mangas e puseram mãos à obra, começando por olhar com particular atenção, para excertos da opera Einstein On The Beach, de Philip Glass, além da carta acima referida, que inspirou porfundamente, por exemplo, Letter Fragments Found On The Halinen Bridge, o tema que encerra Artefacts. Outros excertos de escrita utilizados nas canções foram frases incrustadas em mesas de madeira de restaurantes, inscrições em casas antigas, provérbios chineses e até linhas de programação informática. Todos estes fragmentos inspiraram a banda e deram um sentido a alguns eventos anteriores da mesma, nomeadamente em Chinese Wisdoms on the Road to Jiuzhaighou, que relata uma viagem do grupo à região chinesa de Sichuan, no outono de 2011, ou The Premises Of A Life That Could Have Been Yours, canção que se debruça nas memórias de infância relacionadas com o percurso escolar de alguns elementos do grupo. Já Hyperborea vê o ideário sa sua exuberância instrumental ser sustentado e inspirado pelo conteúdo de Kalevala, a epopeia nacional da Finlândia, escrita e compilada por Elias Lönnrot.
Sustentados pela habitual melancolia que só os grupos escandinavos sabem transmitir, já que este grupo tem, como referi, as suas raízes num ponto do globo artisticamente muito criativo e assenta a sua sonoridade numa mistura de indie pop e indie rock, com post rock e alguns elementos eletrónicos, os Sans Parade deixam aqui bem claro que fizeram mais um disco perfeito para quem tem necessidade de se afundar em sonoridades etéreas para ganhar um novo ânimo e assim deixar para trás as adversidades. O conteúdo orquestral de Chinese Wisdoms on the Road to Jiuzhaighou, um tema que expande os horizontes minimalistas quando, antes de cada refrão, eleva o volume dos instrumentos como um todo e origina uma explosão que nos faz levitar, é um excelente exemplo desta receita que exige que não deixemos escapar nenhum dos imensos detalhes sonoros, enquanto nos deixamos engolir pela voz cândida de Perttula, que soa, quase sempre, a uma perfeição avassaladora e onde custa identificar um momento menos inspirado.
Artefacts é uma espécie de súmula da amálgama de elementos e referências sonoras que inspiram os Sans Parade, o que confere ao disco uma ímpar catalogação, ao mesmo tempo que o seu conteúdo nos conduz para lugares calmos e distantes, que depois nos deixam marcas muito positivas e sintomas claros de deslumbramento. Espero que aprecies a sugestão...

01. Fenland Tenebrae
02. Hyperborea
03. Chinese Wisdom On The Road To Jiuzhaigou
04. The Premises Of A Life That Could Have Been Yours
05. Farmer’s Tale For A Prepared Piano
06. Of November And Programming
07. Letter Fragments Found On The Halinen Bridge
Antti, Pasi, Tuomo, Utu e Ringa são os I Was A Teenage Satan Worshipper, um quinteto finlandês oriundo de Helsinquia que se estreou em 2006 com Bees & Honey e que acaba de editar Gtthrgh, o quinto disco da carreira, um trabalho que viu a luz do dia por intermédio da Gaea Records.

O apetite das bandas nórdicas por sonoridades simultaneamente épicas e etéreas, aliadas a guitarras plenas de distorção e que exploram ambientes progressivos é sobejamente conhecida e a Finlândia um território onde abundam projetos que perscutam os caminhos frequentemente tortuosos desta mescla de géneros que, no fundo, acaba por entroncar numa espécie de post rock, com caraterísticas muito próprias e um vincado cariz identitário.
O ar punk destes I Was A Teenage Satan Worshipper não engana! Em The Howling, acrescentam um baixo vigoroso e uma percussão frenética à receita anteriormente enunciada e que encontra, como referi, o seu principal sustento nas guitarras, para construir uma canção que mostra uma inédita faceta pop, mas criada por uma banda que fará questão de viver permanentemente de braço dado com o experimentalismo e em simbiose com a psicadelia. Um pouco adiante, New Friends acrescenta alguns arranjos sintetizados, com o teclado a vincar esta exploração que vai encontrar as suas raízes nos primórdios do punk britânico da década de oitenta, à boleia de uma melodia que nos conquista e que, quase sem darmos por ela, tem em nós um efeito aditivo e fortemente viciante. No ocaso do disco, em Meshes Of The Afternoon e Pick Your Star, o sintetizador, de braço dado com o baixo, acaba mesmo por ter um papel de elevado protagonismo, não só ao nivel dos arranjos, mas também no próprio andamento das canções. Estes são bons exemplos de como o analógico e o digital, envoltos num manto de referências que nos remetem para o glorioso passado do krautrock, podem sobreviver eficazmente no presente e de um modo particularmente intuitivo e expressivo.
O rock portentoso de Keep Your Secrets, o single já retirado do disco, acaba por ir ainda mais longe, distanciando-se de paisagens sombrias e nebulosas para abraçar as fronteitas do indie rock mais expansivo, tendo um cariz comercial que pressupôe não ter sido inocente a tentativa de compôr uma espécie de canção chamariz, que depois fizesse chamar a atenção do público para o resto do álbum e para a música que os I Was A Teenage Satan Worshipper realmente gostam de fazer. Seja como for, canções como She Wants To Know ou They Don't Hear, também apostam no mesmo indie rock melódico, adornado com arranjos sintetizados e orgânicos muito subtis mas capazes de enriquecer a típica crueza das guitarras, tornando o cardápio de Gtthrgh mais rico e luminoso e dando ao disco uma dupla face que lhe confere uma salutar abrangência e amplitude.
Ao quinto disco os I Was ATeenage Satan Worshipper criam uma porta de entrada perfeita e completamente escancarada para o universo de uma banda com um percurso já sólido e profícuo e feliz a agregar tudo aquilo que tem de melhor o indie rock atual, fazendo-o através de um esqueleto instrumental eminentemente melancólico e claramente embebido num conteúdo vintage heterogéneo, mas relacionado com um tempo futuro, cenários imaginados e universos paralelos. Espero que aprecies a sugestão...

01. Gtthrgh
02. The Howling
03. She Wants To Know
04. Keep Your Secrets
05. The Rising
06. New Friends
07. They Don’t Hear
08. Meshes Of The Afternoon
09. Pick Your Star
Os Sin Cos Tan são um projeto comandado pela dupla Jori Hulkkonen, um importante músico e produtor do cenário eletrónico e Juho Paalosmaa, um músico que faz parte da dupla finlandesa Villa Nah. Os Sin Cos Tan tinham-se estreado em 2012 com um homónimo que foi muito bem aceite pela crítica e que fez incidir sobre eles o olhar da mesma e o sempre difícil segundo disco dos Sin Cos Tan chegou no ano seguinte, um trabalho chamado Afterlife e chamou-me a atenção devido à participação de Casey Spooner em Avant Garde, um dos temas do álbum, um músico que é a metade mais influente dos nova iorquinos Fischerspooner, uma das minhas bandas preferidas, ao qual se junta Warren Fischer. Agora, no passado dia um de agosto, a dupla regressou aos lançamentos com Blown Away, uma coleção de dez canções que viu a luz do dia por intermédio da Solina Records.

Quando dois nomes importantes e talentosos da música se juntam para algum projeto, o resultado geralmente costuma ser satisfatório. Em Blown Away os Sin Cos Tan vão de Brian Ferry aos Pet Shop Boys e os A-Ha e seguem a cartilha sonora na qual a dupla se especializou e que assenta numa eletrónica que navega por várias épocas e influências, mas que se concentra, essencialmente, na pop nórdica dos anos setenta e oitenta.
Os anos setenta e, principalmente, oitenta foram marcantes no mundo da música, assim como no universo cinematográfico. Todos os adultos de hoje cresceram naquele ambiente de euforia e recordam-no com saudade. Em Blown Away, os Sin Cos Tan não querem só resgatar esses sentimentos dos anos oitenta mas também converter a sonoridade dessa época para algo atual, familiar e inovador, ao mesmo tempo. Realizado por Sakke Soini, o próprio vídeo de Love Sees No Colour, o single já retirado de Blown Away, é claramente inspirado nessa época.
As canções desta dupla nórdica prendem-se aos nossos ouvidos com a mistura lo fi e os sintetizadores que definiam a magia da pop de há trinta anos atrás, ditam as regras no processo de criação melódica e de seleção dos arranjos. Mesmo em momentos mais soturnos e melancólicos, os Sin Cos Tan não se entregam por completo à tristeza e também criam canções que apesar de poderem ser fortemente emotivas e se debruçar em sonhos por realizar também servem para dançar.
Blown Away navega entre a luz e a escuridão e o sintético e o orgânico, em dez canções onde a eletrónica é um elemento preponderante e a presença de outros instrumentos serve apenas para ampliar o contraste e acrescentar novas cores a estes temas, que são, quase todos, muito cativantes. É uma eletrónica simples e intrigante, feita de intimismo romântico que integra uma espantosa solidez de estruturas, num misto de euforia e contemplação. Espero que aprecies a sugestão...

01. Divorcee
02. Love Sees No Colour
03. A New World
04. Colombia
05. Lifestyle
06. Traffic
07. Addiction
08. Cocaine
09. Blown Away
10. Heart Of America
Depois do aclamado Paper Trees, o disco de estreia editado em 2012, os finalndeses Black Twig estão de regresso aos registos musicais com Heliogram, o segundo álbum deste coletivo oriundo de Helsinquia e formado por Aki (guitarras, voz), Aleksi (bateria), Janne - guitarra, teclados, voz) e Kaarlo (baixo). Heliogram viu a luz do dia a doze de fevereiro último por intermédio da insuspeita Soliti Music e o single Pastel Blue está disponivel para download através da editora.

Paper Trees foi um trabalho que deixou bem claro que este quarteto nórdico gosta de se movimentar livremente pelas múltiplas oportunidades sonoras que a dream pop proporciona. Assim, do shoegaze, ao post rock, passando pelo próprio indie rock e até uma faceta mais punk, são vários os terrenos que os Black Twig têm pisado na sua ainda curta carreira e que Heliogram potencia.
A base melódica através da qual os Black Twig partem para começar a distribuir jogo está bem definida e Heliogram está carregado de belíssimas improvisações melódicas, que criam paisagens enérgicas e cheias de movimento, que não deixam de ter aquela típica melancolia nórdica que nos ajuda a emergir às profundezas das nossas memórias.
As guitarras ferozes do single Pastel Blue destacam-na e fazem dela a canção mais parecida com muitas das propostas punk rock atuais, tendo um cariz um pouco mais comercial, o que pressupôe que não terá sido inocente a tentativa de compôr uma espécie de canção chamariz, que depois fizesse chamar a atenção do público para o resto do álbum e para a música que os Black Twig realmente gostam de fazer. No entanto, canções como Halfaways, um tema que se destaca pelo dedilhar a guitarra, ou a energia instrumental de Sunday Air e Quiet Time, também apostam no mesmo indie punk rock melódico, adornado com arranjos sintetizados e orgânicos muito subtis mas capazes de amenizar a típica crueza das guitarras, tornando as canções mais ricas e luminosas. Mesmo na mais melancólica Further Here, a canção mais acústica e serena do disco, não se perde o ambiente incisivo e a energia psicadélica intrínseca ao ambiente geral do álbum.
Não há dúvida que em Heliogram estes quatro rapazes finlandeses voltaram a levantar asas e subiram bem alto, rumo a paisagens sonoras brilhantes e enérgicas. Com o segundo disco tornaram-se ainda mais expansivos, encheram-se com uma sonoridade vincada, com a atual bagagem vintage algo crua, mas madura e assertiva e conseguiram fazê-lo sem grande excesso e com um belíssimo acabamento açucarado, provando que são hoje um dos projetos mais interessantes da Finlândia. Espero que aprecies a sugestão...
www.blacktwigmusic.com/ www.facebook.com/blacktwigmusic twitter.com/blacktwigmusic

01. Halfways
02. Pastel Blue
03. Summer Slow Down
04. Sunday Air
05. On White
06. Floors
07. Until You Know
08. She’s Still My Friend
09. Further Here
10. Quiet Daytime
Os The New Tigers já existem desde 2007, mas só se estrearam nos discos em setembro de 2011 com um homónimo, lançado na altura pela Soliti Records. E no passado dia nove de setembro de 2013 chegou finalmente o sucessor, um disco intitulado The Badger, composto por uma banda da cidade finlandesa de Turku formada por Appu, Valtteri, Janne (baixo) e Ville.

The Badger é mais um exemplo da capacidade de um país nórdico particularmente inóspito, mas bastante desenvolvido culturalmente, em produzir excelentes compêndios de música pop, com uma luminosidade que destoa do ambiente típico de Turku, uma cidade finlandesa com uma movimentada vida cultural e onde frequentemente se cruzam variados mundos e culturas.
Confesso um absoluto desconhecimento em relação ao primeiro disco dos The New Tigers e por isso não posso afirmar se este sucessor está à sua altura, independentemente de ser, ou não, um disco de continuidade. Seja como for, The Badger é um excelente cartão de visita para contatarmos com estes New Tigers, que parecem fazer da sofisticação uma das suas grandes permissas, não só no que concerne à questão melódica das suas canções, mas também da própria escrita das mesmas. As nove canções de The Badger assentam uma relação harmoniosa entre a voz e a guitarra, com a inclusão de interessantes arranjos e detalhes pelos meio, de forma harmoniosa e equilibrada e a conferir um ligeiro toque psicadélico à toada geral do disco.
Os The New Tigers não se ficam pelo habiutal estereótipo das canções pop com pouco mais de três minutos, já que três dos temas de The Badger excedem o dobro desse tempo, mas nem por isso as canções se perdem em segmentos instrumentais de forma desnecessária ou repetitiva, fazendo-o antes com bom gosto e com o tempo certo para que estas canções, que têm o seu tempo próprio, possam ser mostrar tudo aquilo que valem. Os The New Tigers são generosos com o seu reportório e zelam para que as músicas que são geradas no seu leito tenham o espaço adequado para demonstrarem todo o potencial que possuem.
No alinhamento do disco há temas que parecem abordar a tristeza ou a infelicidade e algumas canções até podem parecer que puxam o registo para um universo mais amargurado, mas boa parte do álbum, principalmente nos seus momentos iniciais, é carregado de luz e vivacidade, o que resulta numa coleção de belos acertos sonoros e canções memoráveis. O disco abre com Where Is It e Secondary City e logo aí, ao sermos invavidos pelo fuzz das guitarras, por uma percurssão musculada onde é evidente a simbiose entre o baixo e a bateria e melodias extremamente aditivas com um certo sentido épico, sentimos aquela espécie de perfeição pop que geralmente define uma pop luminosa e vibrante. É como se dessemos um enorme mergulho em sons adocicados e guiados por uma elevada instrumentalidade melancólica. Antarktis baixa um pouco o ritmo permitindo ganhar novamente fôlego para nos deliciarmos com Don't Know Where To Go, umas das melhores canções do álbum, juntamente com o punk rock viciante de Remote Control. Mas o ponto alto de The Badger está, sem dúvida, em Quicksilver, quase oito minutos de uma indie pop vibrante, colorida e solarenga, onde até a voz algo grave ajuda a acentuar o cariz nostálgico de uma das melhores canções que ouvi nos últimos meses.
O disco encerra com Mercury e Gentle Rock, dois temas que, à semelhança de Blue Fell, servem para os The New Tigers exporem mais sentimentos e emoções através de composições puras, encantadoras e delicadas e cuja sonoridade vai do épico ao melancólico, mas sempre com uma vincada e profunda delicadeza. The Badger reflete uma assinalável maturidade de um grupo que deve ter apostado na coerência quando decidiu criar mais um conjunto de canções com elevado bom gosto e asim conseguirem ser joviais e agradar aos ouvintes. Espero que aprecies a sugestão...

1. Where Is It
2. Secondary City (Soundcloud)
3. Antarktis
4. Don't Know Where to Go
5. Blue Fell
6. Quicksilver (Soundcloud)
7. Mercury
8. Remote Control (Soundcloud)
9. Gentle Rock
Os Delay Trees são uma banda de dream pop dos arredores de Helsinquia, na Finlândia, formada por Rami Vierula (voz, guitarra), Lauri Järvinen (voz, guitarra, sintetizador), Onni Oikari (voz, bateria) e Sami Korhonen (baixo, sintetizador). Depois de Doze, o disco editado no ocaso de 2012 e que foi antecedido pelo EP minimalista Soft Construction (2009 ), pelo EP Before I Go Go (2011) e pelo álbum homónimo de estreia (2011), esta banda finlandesa está de regresso com Readymade, mais um excelente lançamento da Soliti Records.

Os Delay Trees já me tinham deixado uma escelente impessão com Doze, um trabalho que deixou bem claro que este quarteto nórdico gosta de se movimentar livremente pelas múltiplas oportunidades sonoras que a dream pop proporciona. Portanto, do shoegaze, ao post rock, passando pelo próprio indie rock e até uma faceta mais ambiental e chillwave, são vários os terrenos que os Delay Trees têm pisado na sua ainda curta carreira e que Readymade potencia.
Seja como for, a base melódica através da qual os Delay Trees partem para começar a distribuir jogo está bem definida! É como se os Beach Boys tivessem uma banda de shoegaze e dream pop; Se tal sucedesse eles seriam os Delay Trees. Readymade está carregado de belíssimas improvisações melódicas, que criam paisagens etéreas e melancólicas que nos ajudam a emergir às profundezas das nossas memórias. É um álbum perfeito para ser mais uma banda sonora para estas noites frias de introspeção e meditação, um disco excelente para ouvir nos headphones junto à lareira, apenas iluminados pela luz que ela e as canções deste álbum debitam.
O single Perfect Heartache destaca-se por ser a canção mais parecida com muitas das propostas pop atuais, tendo um cariz um pouco mais comercial, o que pressupôe que não terá sido inocente a tentativa de compôr uma espécie de canção chamariz, que depois fizesse chamar a atenção do público para o resto do álbum e para a música que os Delay Trees realmente gostam de fazer. No entanto, canções como Fireworks, Sister e Big Sleep, também apostam no mesmo indie rock melódico, adornado com arranjos sintetizados e orgânicos muito subtis mas capazes de amenizar a típica crueza das guitarras, tornando as canções mais ricas e luminosas.
Não há dúvida que em Readymade estes quatro rapazes finlandeses voltaram a levantar asas e subiram bem alto, rumo a paisagens sonoras brilhantes e etéreas. Com o terceiro disco tornaram-se ainda mais expansivos e luminosos, encheram-se com uma sonoridade alegre, floral e perfumada pelo clima ameno da primavera que há-de chegar e o mais interessante é que conseguiram fazê-lo sem grande excesso e com um belíssimo acabamento açucarado, provando que são hoje um dos projetos mais interessantes da Finlândia. Espero que aprecies a sugestão...

01. Intro
02. Fireworks
03. Steady
04. Sister
05. Woods
06. Perfect Heartache
07. The Howl
08. Big Sleep
09. The Atlantic
Lançado no passado dia vinte e cinco de outubro, Afterlife é o novo disco dos Sin Cos Tan, uma projeto comandado pela dupla Jori Hulkkonen, um importante músico e produtor do cenário eletrónico e Juho Paalosmaa, um músico que faz parte da dupla findlandesa Villa Nah. Os Sin Cos Tan tinham-se estreado o ano passado com um homónimo que foi muito bem aceite pela crítica e que fez incidir sobre eles o olhar da mesma; Por isso, este sempre difícil segundo disco dos Sin Cos Tan era aguardado com enorme expetativa e chamou-me a atenção devido à participação de Casey Spooner em Avant Garde, um músico que é a metade mais influente dos nova iorquinos Fischerspooner, uma das minhas bandas preferidas, ao qual se junta Warren Fischer.

Quando dois nomes importantes e talentosos da música se juntam para algum projeto, o resultado geralmente costuma ser satisfatório. Em Afterlife os Sin Cos Tan vão de Brian Ferry aos Pet Shop Boys e os A-Ha e seguem a cartilha sonora na qual a dupla se especializou e que assenta numa eletrónica que navega por várias épocas e influências, mas que se concentra, essencialmente, na pop nórdica dos anos setenta e oitenta.
Os anos setenta e, principalmente, oitenta foram marcantes no mundo da música, assim como no universo cinematográfico. Todos os adultos de hoje cresceram naquele ambiente de euforia e recordam-no com saudade. Em Afterlife, os Sin Cos Tan não querem só resgatar esses sentimentos dos anos oitenta mas também converter a sonoridade dessa época para algo atual, familiar e inovador, ao mesmo tempo. Por isso, num trabalho onde se destacam o baixo e o orgão da aditiva Limbo, a batida marcante de Avant Garde, ou a beleza dos sintetizadores de Moonstruck, as canções desta dupla nórdica prendem-se aos nossos ouvidos com a mistura lo fi e esses mesmos sintetizadores que definiam a magia da pop de há trinta anos atrás, continuam a ditar as regras no processo de criação melódica e de seleção dos arranjos. Mesmo em momentos mais soturnos e melancólicos, os Sin Cos Tan não se entregam por completo à tristeza e também criam canções que apesar de poderem ser fortemente emotivas e se debruçar em sonhos por realizar também servem para dançar.
Afterlife navega entre a luz e a escuridão e o sintético e o orgânico, em onze canções onde a eletrónica é um elemento preponderante e a presença de outros instrumentos serve apenas para ampliar o contraste e acrescentar novas cores a estes temas, que são, quase todos, muito cativantes. É uma eletrónica simples e intrigante, feita de intimismo romântico que integra uma espantosa solidez de estruturas, num misto de euforia e contemplação. Espero que aprecies a sugestão...

01. Limbo
02. Part Of Me
03. Ritual
04. Heat
05. Destroyer
06. Fair Rewards
07. Heart On A Plate
08. Avant Garde (Feat Casey Spooner)
09. Television
10. Moonstruck
11. Burning Man
Os French Films de francês só têm o nome já que são um quinteto indie rock natural de Helsinquia, Finlândia, formado por Johannes Leppänen (voz e guitarra), Joni Kähkönen (voz e guitarra), Mikael Jurmu (voz e baixo), Santtu Vainio (teclado, percurssão e guitarra) e Antti Inkiläinen (bateria). Lançaram em 2010 o EP Golden Sea e em setembro de 2011, Imaginary Future, o disco de estreia, que na altura divulguei e que fez parte da minha lista dos melhores desse ano. Agora, chegou finalmente o sucessor. O novo trabalho do grupo finlandês chama-se White Orchid e viu a luz do dia novamente através da GAEA Records.

Se o EP Golden Sea foi muito bem recebido pela crítica do rock independente, Imaginary Future, o tal disco de estreia, tinha a mesma sonoridade do EP, ou seja, um rock sujo e lo fi, uma espécie de surf rock com um pé no post punk de um grupo cujo som lembra as praias da Califórnia e um nome que remete à Nouvelle Vague. Assim, todos os trabalhos da banda, incluindo este White Orchid, são bastante homogéneos e facilmente identificáveis para quem estiver já minimamente familiarizado pelo grupo. Obviamente que esta constatação acaba por ser uma faca de dois gumes já que quem os aprecia delicia-se com esta nova coleção de canções e quem esperava por algo diferente e uma inversão inesperada na sonoridade do grupo, sentir-se-á defraudado com esta nova etapa dos French Films. Talvez isso venha a suceder no terceiro disco...
No My Space da banda os French Films estamparam rostos do francês Serge Gainsbourg e dos Jesus and Mary Chain e descrevem a sua música como sendo inspiradas no inverno frio e escuro. Mas White Orchid é a banda sonora de um dia de verão, um cardápio de surf rock, com trinta e sete minutos de canções curtas mas vibrantes. Existem boas letras, arranjos assentes num baixo vibrante adornado por uma guitarra jovial e criativa e com alguns efeitos e detalhes típicos da pop e do punk dos anos oitenta. A bateria e a secção ritmíca são bastante aceleradas, surgindo ali no meio Latter Days, a fazer de contraponto ao restante conteúdo, graças a um noise diferenciado e a uma melodia mais aberta e luminosa. Em Into Thousand Years a banda também diminui um pouco o ritmo, até porque depois de oito canções, os French Films perceberam que seria bom abrandar um pouco e em boa hora o fizeram.
Em toda esta toada descontraída e ao mesmo tempo visceral, estes finlandeses conseguem juntar uma atmosfera sonora épica, positiva, sorridente e bastante dançável. Vale a pena ouvir o disco todo, sem parêntesis e pausas, com uma atitude descontraída e jovial, já que certamente fará o ouvinte antecipar o verão que se aproxima. Espero que aprecies a sugestão...
01. White Orchid
02. Where We Come From
03. Ridin’ On
04. Special Shades
05. All The Time You Got
06. Latter Days
07. Long Lost Children
08. Juveniles
09. Into Thousand Years
10. 99
No passado dias cinco de abril chegou aos escaparates, por intermédio da Soliti Music, Black Lizard, o homónimo de estreia dos Black Lizard, uma banda finlandesa formada por Paltsa-Kai Salama, Joni Seppänen (guitarra e sintetizador), Lauri Lyytinen (baixo) e Onni Nieminen (bateria e percurssão).
As sessões de gravação de Black Lizard decorreram entre Berlim e Helsinquia e contaram com a participação especial de Anton Newcombe dos The Brian Jonestown Massacre, sendo Love Is A Lie o primeiro single retirado deste trabalho. Os Black Lizard assentam a sua sonoridade no rock psicadélico e hipnótico, com raízes nos anos setenta, na senda de outras bandas atuais, nomeadamente os Brian Jonestown Massacre, Spacemen 3 ou os B.R.M.C., entre outros.
Para a sonoridade deste homónimo, com nove canções e quase quarenta minutos de duração, terá sido fundamental a ajuda de Anton Newcombe, durante as sessões de gravação que decorreram em Berlim. A simplicidade ao nível da percussão e uma abordagem direta por parte das guitarras em busca da tão ansiada sonoridade hipnótica psicadélica, acabam por ser dois grandes trunfos, com um cunho pessoal que faz dos Black Lizard mais do que apenas uma banda que recorre a uma súmula de influências sonoras.
Cada uma das canções do disco tem um selo próprio ou um detalhe diferente que a diferencia das demais. O disco começa com a simples Honey, Please, um tema muito ao estilo dos Spacemen 3; Depois, Love Is A Lie é uma escolha perfeita para single, principalmente pelos coros e pelo desempenho vocal, em especial ao nível dos coros. New Kind Of High prepara o caminho para Some Drugs, uma canção com uma batida constante altamente aditiva e Forever Gold é um brilhante momento pop, mesmo antes da atmosfera sombria que Thrill proporciona, uma canção muito próxima da sonoridade dos The Velvet Undferground, com a própria voz de Paltsa-Kai Salama a aproximar-se perigosamente do registo de um Lou Reed. Esta aproximação também é audível no final, em Fucking Up. Boundaries é uma das melhores canções do álbum, não só por inculir uma interessante variedade instrumental, que incluí a cítara, que lhe confere um elevado pendor hipnótico, mas por contar com o desempenho de Anton numa curiosa bateria elétrica.
Os finlandeses Black Lizard são mais um nome a ter em conta no universo musical psicadélico e apesar de se dedicarem a dar um cunho próprio a uma sonoridade que surgiu há quase quarenta anos, com este estreia colocaram-se na linha da frente de um grupo importante de bandas que voltaram a colocar no nosso roteiro sonoro o rock psicadélico e hipnótico. Espero que aprecies a sugestão...

Honey, Please
Boundaries
Dead Light
Love Is A Lie
New Kind Of High
Some Drugs
Forever Gold
Thrill
Fucking UP
Um dos melhores discos que ouvi em 2013 chama-se Past Perfect e assinala a estreia nos trabalhos de longa duração dos Paperfangs, uma banda finlandesa natural de Helsinquia, formada pelos irmãos Jyri e Tarleena e pelo amigo Mikko. Past Perfect viu a luz do dia a vinte e dois de fevereiro por intermédio da Soliti Music e sucede aos EPs ePop006, editado em 2010 e AAVAV, disponibilizado em 2012 e que contém Violet, uma cover de um original dos Kiss Kiss. (O último está disponível para audição no Bandcamp dos Paperfangs e ePop006 pode ser obtido gratuitamente na Eardrums Pop).

Past Perfect é um dos discos que mais tenho ouvido nos últimos dias, muito por culpa de encantadores teclados, de uma batida subtil transversal ao disco e que lhe confere uma textura sonora única e peculiar e de um jogo de vozes quente e intimista. Past Perfect ouve-se com satisfação no carro, no escritório, no quarto, ou no exterior enquanto se pratica exercício físico, sendo um álbum excelentemente produzido e que viaja bem connosco, independentemente do local onde se está.
Não é fácil destacar algumas canções devido à homonegeidade sonora do álbum e à elevada bitola qualitativa do mesmo. Não há pressa e sofreguidão na forma como as guitarras e o sintetizador se cruzam musicalmente entre si e suportam as aproximações com a eletrónica. No entanto impressionou-me In Age, tema que dá o mote para o conteúdo dos cerca de trinta e cinco minutos dos disco e das próximas nove canções e também, logo depois, Bathe In Glory, o primeiro single de Past Perfect e já conhecido há algum tempo, um tema que entra pelos nossos ouvidos com extrema delicadeza, na forma de uma belíssima canção, com uma voz profunda e uma viola que se encaixa perfeitamente num ambiente nostálgico, também potenciado pela luminosidade do sintetizador. This Power destaca-se pelos pequenos toques de uma corneta e um piano profundo, numa simbiose que provoca uma espécie de quebra cabeças que nos implora para que nos dediquemos a identificar as várias camadas sonoras e as diferentes texturas da canção.
All Girls Are Grey é o segundo single já retirado de Past Perfect; Começa de forma muito simples, apenas com a bateria e o sintetizador, para depois receber, de braços abertos, o piano, uma batida dançável e a peculiar voz grave de Jyri.
Para estreia, os Paperfangs não se sairam nada mal. O irmão, a irmã e o amigo dos dois deitaram-se numa nuvem feita com a melhor dream pop escandinava e operaram um pequeno milagre sonoro; Tornaram-se expansivos e luminosos, encheram essa nuvem com uma sonoridade alegre, floral e perfumada pelo clima ameno da primavera que está quase a chegar e o mais interessante é que conseguiram fazê-lo sem grande excesso e com um belíssimo acabamento açucarado, duas das permissas que justificam coerência e acerto na estratégia musical escolhida.
Em suma, Past Perfect é um belíssimo álbum, com um conteúdo grandioso e um desempenho formidável ao nível instrumental e da voz, um tratado musical leve, cuidado e que encanta, não sendo difícil ficarmos rendidos ao seu conteúdo. Espero que aprecies a sugestão...
Os Sans Parade são uma banda finlandesa fundada em 2009 e liderada por Markus Perttula (voz e baixo) e Jani Lehto (guitarra, sintetizador, piano, percurssão,...), aos quais se juntaram o multi-instrumentista Pekka Tuppurainen, Ville Pynssi (bateria), Tommi Asplund (violino), Inkeri Siirilä (violino), Laura Turpeinen (viola) e Magdalena Valkeus. Sans Parade, um homónimo, é o disco de estreia deste grupo que se divide entre Turku e Helsinquia, na Finlândia e Estocolmo, na Suécia, um álbum que viu recentemente a luz do dia por intermédio da Soliti Records.

Quando se escuta música nova, geralmente há dois tipos diferentes de sensações; Há discos e bandas que à primeira audição até causam alguma repulsa e estranheza, mas que depois se entranham com enorme afinco, ou então há aqueles exemplos que logo à primeira audição nos conquistam de forma arrebatadora e visceral. Mas como a própria vida é, quase sempre, muito mais abrangente nos seus momentos do que propriamente a simples análise através de duas bitolas comparativas que tocam opostos, também na música há momentos em que somos assaltados por algo muito maior e mais belo do que a simples soma de duas ou três sensações que nos fazem catalogar e arrumar em determinada prateleira aquilo que escutamos. Os finlandeses Sans Parade são um destes casos, o exemplo claro de uma banda que, tendo em conta este disco homónimo de estreia, nos deixam sem adjetivos suficientemente claros para que possamos definir com exatidão a sua qualidade sonora.
Formados em 2009 pelo músico, cantor e escritor Markus Perttula e pelo músico de house Jani Lehto, os Sans Parade rapidamente tornaram-se num trio quando o músico de jazz Pekka Tuppurainen se juntou à dupla. Hoje o grupo é ainda maior, com músicos que dominam diferentes géneros musicais e que, além dos já referidos, também tocam a folk. Assim, esta massiva junção de géneros e influências, naturalmente iria dar origem a um verdadeiro caldeirão sonoro, algo que se escuta em Sans Parade, um disco cantado por uma belíssima voz e com arranjos orquestrais lindíssimos, que fazem dele uma das mais belas surpresas do início de 2013.
Sustentados pela habitual melancolia que só os grupos escandinavos sabem transmitir, já que este grupo tem, como referi, as suas raízes num ponto do globo artisticamente muito criativo e assenta a sua sonoridade numa mistura de indie pop e indie rock, com post rock e alguns elementos eletrónicos, os Sans Parade deixam aqui bem claro que fizeram um disco perfeito para quem tem necessidade de se afundar em sonoridades etéreas para ganhar um novo ânimo e assim deixar para trás as adversidades. Logo na pop rock orquestral de The Last Song Is A Love Song, um tema que expande os horizontes minimalistas quando, antes de cada refrão, eleva o volume dos instrumentos como um todo e temos a explosão que, com os coros finais, dá a cor e brilho que nos fazem levitar, apetece aumentar o volume o mais possível para não deixarmos escapar nenhum dos imensos detalhes sonoros e para nos deixarmos engolir pela voz cândida de Perttula que nos obriga a acordar... Waltz with me! I’ve stopped dreaming, I’m not okay.
Depois, basta conferir A Ballet On The Sea e December 13th para não restarem mais dúvidas que estamos na presença de um disco com uma sonoridade única e peculiar, com várias canções que soam a uma perfeição avassaladora e onde custa identificar um momento menos inspirado.
Sans Parade é uma espécie de súmula de toda a amálgama de elementos e referências sonoras o que confere ao disco uma sensação um pouco dúbia, de difícil catalogação e assim deveras interessante tentar deslindar. Nele somos conduzidos para lugares calmos e distantes, os quais conseguem ser alcançados muito por influência de uma voz que parece conversar connosco. Quando o disco termina ficamos com a sensação que acabou-nos de passar pelos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que, por tudo isso, deixou marcas muito positivas e sintomas claros de deslumbramento perante a obra. Já agora e como os sintetizadores tiveram a primazia na condução sonora de Sans Parede, aqui podes ler um artigo muito interessante onde se percebe a artilharia que foi utilizada em cada canção. Espero que aprecies a sugestão...
Os K-X-P são um trio finlandês, sedeado em Helsinquia e formado por Timo Kaukolampi, Tuomo Puranen e Tomi Leppanen. No estúdio e, às vezes, ao vivo, acompanham-nos Anssi Nykänen. O grupo nasceu das cinzas dos Op:l Bastards e dos And The Lefthanded e começaram a carreira com Kaukolampi a declarar que K-X-P started after I wanted to stop playing in bands. It’s the antidote to normal bands. Its an anti-band. II foi lançado a onze de fevereiro pela Melodic Records e sucede ao disco de estreia, homónimo, editado em 2010.

O uso apurado dos sintetizadores, remetem para ambientes algo sombrios, mas as melodias são acessíveis o que provoca uma estranha, mas agradável sensação durante a audição. A canção Melody, logo a abrir, encarna este espírito e não será inocente o título já que o conteúdo perverte as redundâncias naturais do estilo em que está inserida e o mesmo é dançante, rápido e cresce numa mistura que percorre a eletrónica, o pós-punk e a música de dança.
É notório que todo o ambiente instrumental criado foi pensado para os concertos, como se II fosse, só por si, uma enorme jam session, soturna e imprevisível, que mergulha em túneis de ruídos, sintetizadores intransponíveis e o uso assertivo das reformulações musicais.
Mas II não vive só dos sintetizadores. Há sequências felizes de guitarras dançantes, vozes complementares e batidas que aproximam a banda dos alemães Neu!. Temas como Magnetic North e Flags & Crosses são capazes de olhar para o passado, ao mesmo tempo que mantêm firme uma relação com o presente. É quase uma quebra do que naturalmente direciona outros trabalhos do género, com o trio a mostrar ser capaz de manipular toda e qualquer referência de forma a produzir algo novo.
Curiosa é a inserção de pequenos complementos instrumentais que parecem feitos apenas para encher o disco, mínimas inclusões atmosféricas espalhadas por toda a obra, como se fossem uma introdução para outros temas, nomeadamente, Ydolem, RBJTEV, EKMVIV e Reel Ghosts, que têm uma dimensão sonora e temporal muito mais significativa.
Tudo isto somado resulta, como referi anteriormente, numa sequência instrumental hipnótica de oito temas que poderá deixar-nos em transe. A força musical que circula pelo álbum parece ampliar-se em cada nova audição e esse é um dos maiores elogios que se pode fazer a II e a estes K-X-P. Espero que aprecies a sugestão...

01. Ydolem
02. Melody
03. Staring At The Moon
04. RBJTEV
05. Magnetic North
06. EKMVIV
07. In The Valley
08. Tears (Extended Interlude)
09. Flags & Crosses
10. Reel Ghosts
11. Easy (Infinity Waits)
12. Dark Satellite
K-X-P "Magnetic North" directed by Kimmo Kuusniemi (2013) from K-X-P on Vimeo.
Life Less Ordinary é o disco de estreia dos finlandeses Big Wave Riders, uma banda natural da capital desse país, Helsinquia. O álbum foi editado no passado dia sete de setembro na Soliti Music e tem como grande destaque o single Sunny Season, uma canção que nos deixa cheios de saudades do verão que há pouco terminou.

A sonoridade de Life Less Ordinary é feita de ecos e ritmos experimentais, com um toque eletrónico. Percebe-se facilmente que os Big Wave Riders não balizem as suas influências num género sonoro específico. Fazem música sem matemática ou cálculos precisos, compondo canções rápidas, lentas, ou seja, com diferentes ritmos e uma imensa variedade.
O conteúdo de Life Less Ordinary já tinha sido anunciado no EP homónimo que a banda lançou em 2011 e que antecipava uma espécie de surf punk, com uma toada doce e sonhadora, que preenche as canções deste trabalho. A grande diferença entre estes finlandeses e outras bandas, nemoeadamente norte americanas, que têm sido influenciadas por sonoridades das décadas de sessenta e oitenta, está no caráter menos lo fi e mais límpido no que concerne à produção e por uma maior primazia das guitarras, em deterimento dos sintetizadores que, apesar de lá estarem, assumem um papel menos vistoso. Espero que aprecies a sugestão...
01. Waiting In The Wings
02. Stuck In Reverse
03. California
04. Life Is Art, You Wonder
05. Sunny Season
06. Science Fiction
07. Castle In The Air
08. Disco Lies
09. Acid
10. Move On

Os Free Energy são um dos projetos mais interessantes e divertidos que surgiram em 2010. Com um disco tão aditivo como a pastilha elástica que ilustrava a capa do primeiro álbum, Stuck On Nothing, a banda norte-americana está de volta para lançar mais um álbum, intitulado Lovesign. Prevista para o dia quinze de janeiro de 2013, a rodela deverá apostar na mesma sonoridade da estreia, algo que o rock clássico e melancólico do single Dance All Night evidencia. Com versos simples e atrativos, a canção enche as medidas de quem busca um som fácil e livre dos exageros e redundâncias de outros discos do género.
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Para assinalar a entrada na Soliti Music, os finlandeses Black Lizard acabam de divulgar uma nova canção intitulada Dead Light e disponível para download gratuito. Os Black Lizard assentam a sua sonoridade no rock piscadélico e hipnótico, com raízes nos anos setenta, na senda de outras bandas atuais, nomeadamente os Brian Jonestown Massacre, Spacemen 3 ou os B.R.M.C., entre outros.

Russ Manning (aka Rush Midnight), ex-baixista dos Twin Shadow, prepara o seu EP +1- inspirado nas viagens que o músico fez pela Europa, Brasil e Austrália. O EP chega a trinta de outubro pelo selo Cascine. The Night Was Young Enough é o primeiro single extraído do trabalho, uma canção pop cujo vídeo, carregado de sensualidade e dirigido por Sam Ellison e Claudia LaBianca, acompanha um grupo de dançarinas num estúdio cheio de luzes vermelhas.

Naturais de Ontario, no Canadá, os New Hands de Spence Newell, Ben Munoz, Pat O'Brien, Evan Bond e Gordy Bond, estão de regresso às canções e disponibilizaram para download, no bandcamp da banda, Wichever Way You'll Have It, um extraordinário tema, bastante dançável, dominado pelo baixo e pelas guitarras e que nos faz regressar ao que melodica e instrumentalmente de melhor se ouvia nos anos oitenta.

Anthony Ferraro estudava música em Berkeley, numka vertente eminentemente clássica, quando decidiu criar um projeto eletrónico que produz uma dream pop doce, íntima e melancólica, bem produzida e sonoramente lo-fi, mas agradável. O artista diz-se influenciado por bandas como os The XX, Beach House e os The Antlers, principalmente no que concerne à voz.
No passado dia oito de setembro editou o EP Supermelodic Pulp, que tem como grande single o tema Mystery Colors.
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Os Beacon preparam-se para lançar um novo EP, intitulado For Now e a Ghostly International está a disponibilizar o primiero single. A canção chama-se Feeling's Gone, também traz um instrumental na bagagem e é um original dos londrinos Fort Romeau.

Os finlandeses Paperfangs, uma banda de indie pop muito conceituada nos meandros mais alternativos do cenário muscial europeu, acabam de oferecer aos mais atentos uma cover de Everyday, um original de Buddy Holly, um conceituado cantor norte americano, nascido em 1936 e falecido em 1959 e considerado como um dos pioneiros do rock e da folk. Aproveita...

Os Black Marble são uma dupla natural de Brooklyn e que se prepara para lançar, no próximo dia nove de outubro, A Different Arrangement, o disco de estreia, através daSub Pop. Static é o segundo single já conhecido do disco, depois de, em julho, terem divulgado A Great Design.

O quarteto noise pop californiano Dum Dum Girls está de volta como um novo EP chamado End of Daze e que será editado, pela Sub Pop, amanhã, dia vinte e cinco de Setembro.
O EP será lançado, em princípio, apenas em vinil (com MP3 pra download); São cinco músicas, sobras do trabalho de estúdio que deu origem a Only In Dreams e todas produzidas por Sune Rose Wagner, dos Raveonettes.
Os canadianos The Wilderness of Manitoba, acabam de lançar Island Of Echoes, um álbum cuja sonoridade obedece à tipica sonoridade folk do grupo, mas que saúda também diferentes influências. O grupo não esconde a sua inspiração, que vai dos Fleetwood Mac à obra de Crosby, Stills, Nash e Young.
Tudo é feito com esmero, e se o disco começa com a cansativa Morning Sun, disponível para download gratuito, cresce a cada canção até atingir níveis etéreos dignos de um Bon Iver. Não é um álbum de rutura, mas de continuidade. Espero que aprecies a sugestão...
01. Balloon Lamp
02. Morning Sun
03. Echoes
04. The First Snowfall
05. The Aral Sea/Southern Winds
06. Chasing Horses
07. White Woods
08. Golden Thyme
09. A Year In Its Passing
10. Glory Days
11. The Island of the Day Before
12. The Escape
13. Northern Drives

Quem se estreou no discos com um homónimo foram os The Rubens, uma banda australiana de indie rock, natural de Sidney e formada por Zaac Margin (guitarras), Elliott Margin (voz e teclados), Sam Margin (voz e guitarras) e Scott Baldwin (bateria). Em termos de sonoridade encontram raízes em bandas como os The Black Keys, The Doors e Cold War Kids. Confere...
01. The Best We Got
02. My Gun
03. Never Be The Same
04. Lay It Down
05. Be Gone
06. Elvis
07. The Day You Went Away
08. I’ll Surely Die
09. Look Good, Feel Good
10. Don’t Ever Want To Be Found
11. Paddy
Os French Films são um quinteto indie rock natural de Helsinquia, Finlândia, formado por Johannes Leppänen (voz e guitarra), Joni Kähkönen (voz e guitarra), Mikael Jurmu (voz e baixo), Santtu Vainio (teclado, percurssão e guitarra) e Antti Inkiläinen (bateria). Lançaram no passado mês de setembro Imaginary Future, o disco de estreia, através da GAEA Records.

Os French Films são considerados pela crítica como uma das revelações do ano, moldados pelas influências do post punk e dos anos oitenta. A mesma considera-os os primos europeu dos norte americanos The Drums e eu acrescento que parecem uma simbiose perfeita deles com os The Horrors. Golden Sea, um dos destaques deste Imaginary Future e uma canção que já em 2010 deu nome ao EP de estreia da banda é o exemplo refeito desta junção, devido ao baixo vibrante e vincado e ao tom da voz do vocalista. Mas logo no início do álbum, em This Dead Town, eles mostram de imediato ao que vêm e o que aguarda o ouvinte; Canções curtas mas vibrantes, com boas letras, assentes numa secção rítmica bastante rápida, alicerçada num baixo vibrante e numa bateria musculada, tudo isto adornado com uma guitarra jovial e criativa devido a alguns efeitos e detalhes típicos da pop e do punk dos anos oitenta. Logo de seguida You Don’t Know é outro destaque do disco, uma canção carregada de otimismo, com um video onde pessoas estranhas e com vidas depressivas encontram alegria e utilidade na vida ao som da canção. Mas a minha maior preferência vai para Escape In The Afternoon, onde a toda esta toada descontraída e ao mesmo tempo visceral, os French Films conseguem juntar uma atmosfera sonora épica, positiva, sorridente e bastante dançável.
Vale a pena ouvir o resto do disco, sem parêntesis e pausas, com uma atitude descontraída e jovial, já que certamente fará o ouvinte reviver o verão que ainda há pouco terminou. Espero que aprecies a sugestão...
01. This Dead Town
02. You Don't Know
03. Golden Sea
04. Pretty In Decadence
05. The Great Wave Of Light
06. Living Fortress
07. Escape In The Afternoon
08. Convict
09. New Zealand
10. Up The Hill
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