Terça-feira, 16 de Julho de 2019

Work Drugs – Surface Waves EP

Os Work Drugs de Benjamin Louisiana e Thomas Crystal são uma dupla de Filadélfia já com um assinalável cardápio e que se mantém bastante ativa e profícua, lançando um disco praticamente todos os anos, além de alguns singles e compilações, desde que se estrearam com Summer Blood, há já quase uma década. Enquanto não chega aos escaparates lá para o final deste ano o sucessor do excelente Holding On To Forever de dois mil e dezoito, têm-se mostrado visíveis e audíveis com a edição em formato EP. Belize foi editado em março e agora acaba de ser divulgado Surface Waves. Ambos compilam não só alguns singles que poderão fazer parte desse novo álbum dos Work Drugs, mas também diversos instrumentais e material nunca antes divulgado e que foi sobrando das sessões de gravação de alguns dos antecessores do futuro trabalho discográfico do projeto.

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Surface Waves contém oito composições perfeitas para saborear estes últimos raios de sol mais quentes, enquanto não chega a longa penumbra outunal e o interminável frio e implacável inverno. Se a melhor herança de Michael Jackson conduz Embers Never Fade e uma bateria eletrónica bastante insinuante sustenta Burned, em L.A. Looks dominam paisagens com uma mais acentuada tonalidade surf rock, enquanto a chillwave de Counterclaims contém um encanto vintage, relaxante e atmosférico, intenso e charmoso.

O resultado final de Surface Waves é um compêndio particularmente eclético, que além de proporcionar instantes de relaxamento, também poderá adequar-se a momentos de sedução e recolhimento, um EP que faz adivinhar um disco tremendamente sensorial e emotivo e que será, sem dúvida, mais um episódio significativo e bem sucedido num já riquíssimo compêndio proporcionado por um dos projetos mais excitantes da pop contemporânea. Espero que aprecies a sugestão...

Work Drugs - Surface Waves

01. Embers Never Fade
02. Burned
03. L.A. Looks
04. Counterclaims
05. Reunions
06. Do It Like We Used To Do
07. Counterclaims (Instrumental)
08. Embers Never Fade (Instrumental)


autor stipe07 às 20:55
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Quinta-feira, 30 de Agosto de 2018

BC Camplight – Deportation Blues

Depois do excelente registo How To Die In The North, lançado em dois mil e quinze, Brian 'BC Camplight' Christinzio está de regresso aos álbuns com Deportation Blues, nove canções com a chancela da Bella Union e que servem para este músico nascido em Nova Jersey, mas a residir em Manchester, continuar a lutar contra algumas adições psicotrópicas que o têm afligido nos últimos anos, nomeadamente desde que deixou de fazer parte da etiqueta One Little Indian, onde lançou os registos Hide, Run Away (2005) e Blink Of A Nihilist (2007). São questões pessoais de peso na carreira de um artista que chegou a ser comparado, na primeira década deste século a nomes com Brian Wilson ou George Gershwin e que têm feito da sua vida uma verdadeira epopeia que chegou a impedi-lo de escrever e compôr, tendo mesmo habitado numa igreja abandonada de Filadélfia durante algum tempo.

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Antes de How To Die In The North, apesar do histórico já descrito sucintamente acima e de algumas aparições como pianista com Sharon Van Etten e algum trabalho ao vivo com músicos dos The War On Drugs (Robbie Bennett e David Hartley já fizeram parte da banda ao vivo de BC), ele sabia que precisava de uma mudança radical na sua vida, de modo a não perder a sua carreira e a sua sanidade. Mudou-se para o lado de cá do atlântico, instalou-se em Manchesterk, em Inglaterra, chamou a atenção da Bella Union e estes dois registos nesta reconhecida etiqueta são consequência desse novo trajeto pessoal e profissional de um músico e compositor com enorme reconhecimento no seu país, mas ainda pouco conhecido por esse mundo fora. Convém acrescentar à história que dois dias após o lançamento de How To Die In The North, o músico foi deportado de Inglaterra de volta aos Estados Unidos da América por falta de documentação e só regressou à Europa ocasionalmente para alguns concertos, tendo a obtenção da nacionalidade italiana, devido aos seus avós, sido o detalhe que faltava a BC para regressar de modo mais definitivo a Manchester. Fê-lo, com o propósito firme de começar a gravar um novo registo de originais, este Deportation Blues, mas dois dias depois desta segunda mudança deu-se o Brexit. O registo acaba por ser, como o seu nome indica, tremendamente inspirado em todas estas peripécias, algo plasmado de modo incisivo em composições como I'm Desperate, um tema que impressiona pelas mudanças rítmicas e pelos arranjos sintéticos, I’m In A Weird Place Now (And there’s something about Manchester town, And the silly little things she makes me do) e a jazzística Hell Or Pennsylvania, canção onde a referência ao limão (lemon twirls) representa a luta de BC contra um dos tais abusos psicotrópicos que padeceu em tempos. 

Gravado e produzido pelo próprio autor nos estúdios Whitewood Studios, em Liverpool, Deportation Blues acaba por ser também o impulso que falta para Camplight obter o merecido reconhecimento na Europa, num disco negro, direto e liricamente impressivo e incisivo, com canções que sonoramente homenageiam aquela herança do rock americano mais genuíno e onde pianos e guitarras se cruzam constantemente, com sintetizadores e onde não faltam também sopros, pianos e vários elementos percussivos, num resultado final recompensador e particularmente refrescante e original. Espero que aprecies a sugestão...

BC Camplight - Deportation Blues

01. Deportation Blues
02. I’m In A Weird Place Now
03. Hell Or Pennsylvania
04. I’m Desperate
05. When I Think Of My Dog
06. Am I Dead Yet?
07. Midnight Ease
08. Fire In England
09. Until You Kiss Me


autor stipe07 às 18:02
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Quarta-feira, 29 de Agosto de 2018

Kurt Vile - Loading Zones

Kurt Vile - Loading Zones

Apesar da curiosa colaboração o ano passado com Courtney Barnett que resultou no excelente registo Lotta Sea Lice, a verdade é que depois de ter lançado Smoke Ring For My Halo, no início de dois mil e onze e Wakin On A Pretty Daze dois anos depois, Kurt Vile não deu mais sinais de vida depois de b’lieve i’m goin down…, álbum que viu a luz do dia a vinte e cinco de setembro de dois mil e quinze por intermédio da Matador Records e o sexto da carreira deste músico que descende da melhor escola indie rock norte americana, quer através da forma como canta, quer nos trilhos sónicos da guitarra elétrica.

Finalmente, três anos depois desse excelente disco, Kurt Vile volta a lançar uma nova canção, intitulada Loading Zones. É uma composição repleta de ironia que se debruça sobre a experiência pessoal de Kurt Vile relativamente às estratégias que costuma usar para estacionar sem pagar em Filadélfia, a sua terra natal. No vídeo, dirigido por Drew Saracco, Vile vai mostrando as suas escapadelas ao pagamento do estacionamento enquanto deixa exasperados dois polícias, interpretados pelos atores Kevin Corrigan e Matt Korvette, este último também vocalista dos Pissed Jeans.

Quanto à sonoridade de Loading Zones, obedecendo à tal herança do rock mais genuíno, a canção é conduzida por cordas elétricas e acústicas inspiradas, com um resultado final bastante fluído e intenso. Ainda não há notícias sobre um novo ábum de Kurt Vile, mas este tema é, certamente, uma pista que indica que poderá haver novo alinhamento do músico norte-americano nos próximos meses. Para já, sabe-se que Kurt Vile entrará em digressão com Jessica Pratt em novembro. Confere...


autor stipe07 às 16:39
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Segunda-feira, 16 de Julho de 2018

Vacationer – Mindset

Filadélfia, nos Estados Unidos da América, é o poiso natural dos Vacationer de Ken Vasoli, um dos projetos de dream pop mais interessantes do outro lado do atlântico e de regresso aos lançamentos discográficos com Mindset, doze canções que viram a luz do dia a vinte e sete de junho último, à boleia da Downtown Records. Mindset sucede a Relief, um álbum editado em dois mil e catorze e o seu título baseia-se naquelas memórias e recordações que vamos guardando na nossa mente e às quais recorremos em instantes mais difíceis para nos devolverem as boas sensações e vibrações positivas que nos ajudam a levantar o ânimo.

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Vacationer é um projeto que parece não encontrar fronteiras apenas dentro daquela pop eletrónica que explora paisagens sonoras expressionistas, através das teclas do sintetizador e de uma percurssão orgânica, as grandes referências instrumentais num processo de justaposição de vários elementos sonoros. E isso sucede porque ao terceiro disco temos a possibilidade de contemplar delicadas melodias, trespassadas por ritmos cristalinos que parecem ter sido retirados de uma vasta miríade de texturas que nos rodeiam, tal é a sua índole orgânica e expressiva e a capacidade que têm de oferecer ao nosso cérebro as tais sensações felizes, a permissa fundamental que guiou Ken quando criou estas canções.

Apesar desta componente otimista e até algo eufórica de Mindset, o disco não teve um arranque fácil. Vasoli contou com as colaborações essenciais  de Matthew Young e Grant Wheeler, os restantes rostos dos Vacationer, durante o processo de gravação, mas o cerne dos temas foi criado solitariamente, durante meses a fios, um período temporal em que Ken se isolou e, acompanhado por discos dos Beach Boys, Barry White e Curtis Mayfield, arrancou do seu âmago o esqueleto essencial do alinhamento.

A pop sessentista e a eletrónica da década seguinte acabam, assim, por ser influências prementes na sonoridade de Vacationer. Os sintetizadores e as cordas reluzentes de Entrance, a extrema sensibilidade dos arranjos de Magnetism, o clima sereno de Strawberry Blonde, um tema inspirado em Waldo, o cão de Vasoli e o têmpero psicadelico de Being Here, sublimam com mestria esse processo de fazer música, composições que destaquem a emoção e que transportem bonitos sentimentos, num disco mutante, que cria um universo quase impenetrável em torno de si e que se vai transformando à medida que avançamos na sua audição, que surpreende a cada instante. A própria voz de Vasoli é usada como camada sonora e um elemento essencial na adição de um humanismo eminentemente melancólico a várias canções, um detalhe que confere ao álbum, no seu todo, um tom fortemente denso e que potencia a oscilação necessária para transparecer do seu cerne uma elevada veia sentimental.

Em suma, Mindset serve como uma revolução extremista. Equilibra a nossa mente com sons que recriam as sensações típicas de um sono calmo e com instantes onde reina a natural euforia subjacente ao caos, muitas vezes apenas visível naquela cavidade do nosso ser às vezes desabitada e sempre irrevogavelmente desconhecida, que é o nosso cérebro. Espero que aprecies a sugestão...

Vacationer - Mindset

01. Entrance
02. Magnetism
03. Euphoria
04. Being Here
05. Strawberry Blonde
06. Late Bloomer
07. Turning
08. Hallucinations
09. Romance
10. Blue Dreaming
11. Green
12. Companionship


autor stipe07 às 14:06
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Segunda-feira, 18 de Setembro de 2017

Work Drugs – Flaunt The Imperfection

Depois do excelente Louisa, editado em finais de 2015, os Work Drugs, uma dupla de Filadélfia já com um assinalável cardápio e que se mantém bastante ativa e profícua, lançando um disco praticamente todos os anos, além de alguns singles e compilações, desde que se estreou com Blood, em 2010, está de regresso no ocaso deste verão com Flaunt The Imperfection, mais dez canções perfeitas para saborear estes últimos raios de sol mais quentes, enquanto não chega a longa penumbra outunal e o interminável frio e implacável inverno.

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Ainda bem que há determinados projetos que se mantêm, por muito ativos e profícuos que sejam, fiéis a uma determinada permissa sonora e os Work Drugs são um bom exemplo disso porque proporcionam-nos sempre aquilo que exatamente procuramos neles, um acervo de canções impregnado com aquela sonoridade pop, um pouco lo fi e shoegaze, numa espécie de mistura entre surf rock e chillwave. E este Flaunt The Imperfection, que conta com as participações especiais de Maxfield Gast no saxofone, Tim Speece na guitarra e Nero Catalano no baixo, é mais um episódio significativo e bem sucedido num já riquíssimo compêndio proporcionado por um dos projetos mais excitantes da pop contemporânea.

Os Work Drugs servem-se, então, mais uma vez e ainda bem, de guitarras cheias de charme, alguns efeitos sintetizados cheios de luz e uma bateria eletrónica bastante insinuante para criar canções que contêm um encanto vintage, relaxante e atmosférico. são composições que além de proporcionarem instantes de relaxamento,também poderão adequar-se a momentos de sedução e a ambientes que exigem uma banda sonora que conjugue charme com uma elevada bitola qualitativa.

Apesar destas virtudes no campo instrumental, um dos maiores segredos destes Work Drugs parece-me ser a postura vocal, às vezes um pouco lo fi e shoegaze, mas que dá às composições aquele encanto vintage, relaxante e atmosférico. Assim, ouvir Flaunt The Imperfection é acompanhar esta dupla norte americana numa espécie de viagem orbitral, mas a uma altitude ainda não muito considerável, numa espécie de posição limbo, já que a maior parte das canções, apesar da forte componente etérea, são simples, concisas, curtas e diretas. Às vezes pressente-se que os Work Drugs não sabem muito bem se queriam que as músicas avançassem para uma sonoridade futurista, ou se tinham a firme intenção de deixá-las a levitar naquela pop típica dos anos oitenta. É certamente nesta aparente indefinição que reside uma importante virtude destes Work  Drugs, uma dupla que espelha com precisão o manto de transição e incerteza que tem invadido o cenário da pop de cariz mais alternativo e independente.

Quando se torna difícil inventar algo novo, a melhor opção poderá passar por baralhar e voltar a dar, de preferência com as cartas muito bem misturadas e os trunfos divididos, talvez num cenário de gravidade zero. Aqui, o charme libidinoso do saxofone de Cheap Shots, a inconfundível toada nostálgico contemplativa de Magic In The Night, o rock impulsivo de Alternative Facts e o delicioso encanto retro de Midnight Emotion, são apenas alguns dos trunfos com que os Work Drugs jogam com quem os escuta para conquistar o apreço de quem se deixar enredar sem dó nem piedade por esta teia sonoroa tremendamente sensorial e emotiva e, por isso, viciante. Espero que aprecies a sugestão...

Work Drugs - Flaunt The Imperfection

01. For The Year
02. Magic In The Night
03. Cheap Shots
04. Tradewinds
05. Flaunt The Imperfection
06. Midnight Emotion
07. Love Higher
08. Alternative Facts
09. Giving Up The Feeling
10. Final Bow


autor stipe07 às 18:06
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Sexta-feira, 25 de Agosto de 2017

The War On Drugs – A Deeper Understanding

Os The War On Drugs de Adam Gradunciel já eram sinónimo de saudade na redação de Man On The Moon, até porque não davam sinais de vida desde o excelente Lost In The Dream, editado há cerca de três anos. Refiro-me a um sexteto norte americano formado pelo baixista Dave Hartley, pelo teclista Robbie Bennett, pelo baterista Charlie Hall e pelos multi-instrumentistas Anthony LaMarca e Jon Natchez, além de Gradunciel e cuja sonoridade descomprometida e apimentada com pequenos delírios acústicos foi aos poucos transformando-se numa referência para vários artistas em início de carreira e não só e que está de regresso em 2017 com um novo registo de originais. O novo tomo de canções dos The War On Drugs intitula-se A Deeper Understanding, é o quarto da carreira do grupo, que contou na gravação e produção com a ajuda do engenheiro de som Shawn Everett (Alabama Shakes, Weezer) e viu a luz do dia hoje mesmo. Contém dez maravilhosas canções que deambulam entre a folk, a dream pop, o indie rock e a psicadelia e são bem capazes de oferecer ao autor o pódio no que concerne aos álbuns mais influentes, inspirados e acolhedores de 2017.

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Escutar com devoção os sermões de Gradunciel faz-nos embarcar serenamente e quase sem darmos por isso numa gloriosa viagem pela América que o inspira, uma América ao mesmo tempo tão sui generis, mas também tão genuína nas suas raízes e nos seus cânones fundamentais, mas também uma América plena de contrastes, até porque deve as suas fundações e raízes a numa heterogeneidade civilizacional cimentada ao longo de quatro séculos de choque cultural e civilizacional. E o encontro com este conjunto de incontornáveis permissas é um dos melhores elogios que se pode fazer a um disco que nos mostra com alguma clareza, entre outras coisas, como é viver nos dias de hoje numa sociedade profundamente dividida e carente de um rumo que agregue toda a amálgama de etnias, raças e povos que fazem do maior país do outro lado do atlântico um dos mais heterogéneos e conturbados deste nosso mundo, apesar de apregoar aos sete ventos ser o mais civilizado e desenvolvido de todos.

É curioso ver um tipo tão tímido e introvertido como este Adam Gardunciel parecer querer chamar a si o ónus gigantesco de tentar agregar num mesmo propósito toda uma multiplicidade racial, já que ele compõe canções que tanto servem à esquerda como à direita, a cristãos e a judeus e a brancos, índios, latinos ou negros, porque no fundo daquilo que nelas se fala são de pessoas, seres com uma humanidade própria que, apesar de adorarem vincar divergências, vêem, tantas vezes, quer o amor, quer os sonhos e os anseios, do mesmo modo. O segredo para a pacificação acaba por estar, no fundo, no encontro de pontos comuns e a música dos The War On Drugs é fértil a deixar pistas nesse sentido, porque para este grupo a felicidade não olha a cores de pele, heranças ou deuses para se manifestar. 

Com o reverb das guitarras e os sintetizadores a sustentarem o cardápio sonoro de um disco dinâmico e que se destaca logo na abertura com Up All Night, uma longa canção que apresenta uma progressão interessante e onde vão sendo adicionados os diversos arranjos que adornam as guitarras e a voz, nomeadamente sintetizadores e uma bateria indulgente, com um resultado muito atrativo e cativante para o ouvinte, A Deeper Understanding parece ser, por cá, a banda sonora ideal para aquecer os dias mais tristonhos e sombrios que se aproximam, mas também já serve para contemplarmos como serenidade o ocaso de um verão algo frenético e que para muitos não ficará gravado pelos melhores motivos.

Apesar deste álbum oferecer ao ouvinte diferentes perspetivas sobre a realidade sociológica que abriga os autores, ao longo da dez canções do disco Gradunciel também medita e repousa e cria facilmente no ouvinte suposições relacionadas sobre a sua vida pessoal, já que é inevitável escutar-se canções como Pain ou Knocked Down e concluir-se que este registo está cheio de poemas com uma elevada componente biográfica, que nos permitem entender melhor o âmago do autor, com a curiosidade de o fazermos através de tudo aquilo que de mais transcendental e lisérgico tem sempre a composição e a criação musical. Thinking Of A Place, onze minutos que são uma verdadeira vibe psicadélica e poeticamente melancólica, com uma progressão interessante e onde vão sendo adicionados diversos arranjos, sintetizadores a batidas que adornam as guitarras e a voz, com um resultado muito atrativo e cativante para o ouvinte, é mais um exemplo concreto deste indisfarçável impressionismo transversal a todo o alinhamento de A Deeper Understanding, um compêndio de várias narrativas onde convive uma míriade alargada de sentimentos que, da angústia à euforia, conseguem ajudar-nos a conhecer melhor a essência do autor e a descortinarmos opinião sobre a tal América que ele medita, assim como as suas conclusões e as perceções pessoais daquilo que observa enquanto a sua vida vai-se desenrolando e ele procura não se perder demasiado na torrente de sonhos que guarda dentro de si e que nem sempre são atingíveis.

Letras tão pessoais exigem, naturalmente, arranjos delicados e cuidados, com os quais o autor se identifique profundamente e, além do esplendor das cordas, particularmente inspiradas na já citada Pain ou no modo como induzem luz e positivismo a Nothing to Find, há que enfatizar as paisagens sonoroas criadas em In Chains e Strangest Thing, duas canções que, apesar de conduzidas pela guitarra, expandem-se e ganham vida devido ao critério que orientou a escolha dos restantes instrumentos e à forma como a voz de Gradunciel se posiciona e se destaca.

A Deeper Understanding é um trabalho que, do vintage ao contemporâneo, consegue encantar-nos e fazer-nos imergir na intimidade de um Gradunciel sereno e bucólico, através de uma viagem aos universos de Dylan e Kurt Vile, passando por Springsteen, com canções cheias de versos intimistas que flutuam livremente. É um disco simultaneamente amplo e conciso sobre as experiências pessoais do músico, mas também sobre o presente, a velhice, o isolamento, a melancolia e o cariz tantas vezes éfemero dos sentimentos, em suma, sobre a inquietação sentimental, ou seja, o existencialismo e as perceções humanas de uma América que parece ter encalhado e não saber como voltar novamente ao rumo certo. Espero que aprecies a sugestão...

 

The War On Drugs - A Deeper Understanding

01. Up All Night
02. Pain
03. Holding On
04. Strangest Thing
05. Knocked Down
06. Nothing To Find
07. Thinking Of A Place
08. In Chains
09. Clean Living
10. You Don’t Have To Go


autor stipe07 às 22:59
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Domingo, 16 de Julho de 2017

Work Drugs – Midnight Emotion

Work Drugs - Midnight Emotion

Depois do excelente Louisa, editado em finais de 2015, os Work Drugs, uma dupla de Filadélfia já com um assinalável cardápio e que se mantém bastante ativa e profícua, lançando um disco praticamente todos os anos, além de alguns singles e compilações, desde que se estreou com Blood, em 2010, está de regresso neste verão com Midnight Emotion, um avanço para Flaunt the Imperfection, o proximo disco do grupo, que verá brevemente a luz do dia.

Como seria de esperar, este novo tema dos Work Drugs está impregnado com aquela sonoridade pop, um pouco lo fi e shoegaze, numa espécie de mistura entre surf rock e chillwave. Esta é uma dupla que serve-se de guitarras cheias de charme, alguns efeitos sintetizados cheios de luz e uma bateria eletrónica bastante insinuante para criar canções que contêm um encanto vintage, relaxante e atmosférico, como é o caso desta Confere...


autor stipe07 às 18:22
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Quarta-feira, 29 de Junho de 2016

Mumblr - The Never Ending Get Down

Depois da espetacular estreia nos discos em 2014 com Full Of Snakes, os norte americanos Mumblr de Nick Morrison, Ian Amidon, Sean Reilly e Scott Stitzer, estão de regresso com o sucessor, um trabalho intitulado The Never Ending Get Down e que viu a luz do dia a dez de junho através da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Estes Mumblr mantêm-se apostados em criar hinos sonoros que plasmem diferentes manifestações de raiva adolescente, já que parece ser este o ideário lírico privilegiado das canções e da escrita de Nick Morrisson, que agora também se debruça na temática dos sonhos e das sensações que as recordações dos mesmos provocam. Por exemplo, o edifício melódico de Mud Mouth, carregado de variações rítmicas e a transpirar dores e anseios que, para desespero de tantos, insistem em não saltarem do irrealismo puro e Microwave, o primeiro single divulgado de The Never Ending Get Down, confirmam esta direção, que numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, contém aquela sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas.

Os Mumblr não desistem de segurar firme a bandeira de um estilo sonoro que do fuzz ao grunge, alinhado em redor de guitarras que explodem em elevadas doses de distorção, com raízes no rock alternativo da década de noventa, já foi várias vezes declarado extinto e fora de moda, muito por causa do cada vez maior uso da sintetização e de cuidados superlativos nos processos de arrumação e polimento do som, por parte das maiores bandas rock da atualidade. Este desejo, quase em jeito de desafio, por parte dos Mumblr, de se manterem íntegros a uma fórmula que dificilmente lhes renderá maiores dividendos do que uma pura e fiel devoção por parte de alguns seguidores e nos quais me incluo, saúda-se e, seguindo as pegadas firmemente impressas pelo excelente Full Of Snakes, The Never Ending Get Down revela um superior arrojo ao nível da construção arquitetónica das canções, agora mais heterógenas e menos diretas e incisivas, mas mais ricas, quer sonora, quer liricamente, como já expus acima. A feliz incostância da secção ritmíca e das guitarras em Three Leg Dog, uma canção onde Nick se expõe com invulgar avidez e os laivos de punk rock de cariz mais progressivo que palpitam em VHS, assim como, numa direção oposta, a forma como o baixo e os tambores de Push se entrelaçam cruamente com a guitarra, parecendo que os Mumblr tocam a canção no canto mais recôndito do nosso quarto, mesmo ali ao lado, são um claro exemplo de um vigor e de uma expressão estética que, olhando de frente para alguns ícones do rock alternativo dos anos noventa, com os Sonic Youth e os Nirvana à cabeça, estampa um olhar genuíno e único, sempre com uma sensação plena de controle, inclusive quando a própria temática das canções que, como já referi, exploram a dura realidade da nossa existência, até convidaria a um maior manifestação, através da sonoridade, de uma certa raiva ou descontrole emocional.

Quem espera encontrar nos Mumblr um ombro amigo para consolar as suas angústias e problemas, escuta Ugly Ugly, Tiny Tiny ou Last Stop e vai sentir-se defraudado e incompreendido porque eles estão cá para nos plasmar com alguns dos aspetos práticos do lado negro deste mundo e não para nos ensinar como lidar com ele. The Never Ending Get Down existe para nos mostrar a vida tal como ela realmente se apresenta diante de nós e para satisfazer uma raiva que, se muitas vezes transcende certos limites e resvala para uma obscuridade aparentemente imutável e definitiva, geralmente nunca perde aquela consciência que nos permite continuar a avançar e a fintar as adversidades, mesmo que existam nos dias de hoje, na sociedade ocidental, dita civilizada, alguns eventos politicos ou económicos, moralmente de difícil compreensão para o mais comum dos mortais. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 21:58
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Quarta-feira, 27 de Abril de 2016

Mumblr - Microwave

Depois da espetacular estreia nos discos em 2014 com Full Of Snakes, os norte americanos Mumblr de Nick Morrison, Ian Amidon, Sean Reilly e Scott Stitzer, estão de regresso com o sucessor, um trabalho intitulado The Never Ending Get Down e que irá ver a luz do dia a dez de junho através da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Estes Mumblr mantêm-se apostados em criar hinos sonoros que plasmem diferentes manifestações de raiva adolescente, já que parece ser este o ideário lírico privilegiado das canções e da escrita de Nick Morrisson, que agora também se debruça na temática dos sonhos e das sensações que as recordações dos mesmos provocam. E Microwave, o primeiro single divulgado de The Never Ending Get Down, confirma esta direção, que numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, contém aquela sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas. Confere...


autor stipe07 às 22:03
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Segunda-feira, 9 de Novembro de 2015

Work Drugs – Louisa

Os Work Drugs, uma dupla de Filadélfia, estão de regresso aos discos com Louisa, o sucessor de Insurgents, o anterior longa duração de uma banda já com um assinalável cardápio e que se mantém bastante ativa e profícua, lançando um disco praticamente todos os anos, além de alguns singles e compilações, desde que se estreou com Blood, em 2010.

Tendo visto a luz do dia a três de agosto, Louisa, como seria de esperar, está impregnado com aquela sonoridade pop, um pouco lo fi e shoegaze. Numa espécie de mistura entre surf rock e chillwave, a dupla serve-se de guitarras cheias de charme, alguns efeitos sintetizados cheios de luz e uma bateria eletrónica bastante insinuante para criar canções que contêm um encanto vintage, relaxante e atmosférico. É um arsenal instrumental que dá sempre o tempero ideal às composições, que recebem aquele toque final com a postura vocal da dupla, quase sempre em eco e que muitas vezes, como se pode escutar em True Romance, funciona à luz de um encadeamento perfeito entre os registos dos dois músicos, que se vão revezando entre os versos de poemas que falam quase sempre do amor e da aparente simplicidade do nosso quotidiano. Já agora, este tema conta com alguns arranjos de sopros aboslutamente deslumbrantes e algo inéditos neste projeto de Filadélfia.

Logo no início, no movimento constante da guitarra de My Billie Jean e na pandeireta de Minor Flaws percebemos que este é um daqueles discos perfeito para se escutar em frente à praia enquanto saboreamos uma esplanada virada para o pôr do sol. Pouco depois, a bonita e dançável Another Life ou o charme urbano de Stars, canção com uma sonoridade algo retro que pisca o olho a alguns detalhes típicos do r&b e até da motown, são outros dois exemplos perfeitos de como Louisa contém um alinhamento perfeito para o abanar de anca constante, nem que o façamos no nosso íntimo e para nós mesmos. 

Ouvir Louisa é acompanhar esta dupla norte americana numa espécie de viagem orbitral, mas a uma altitude ainda não muito considerável, numa espécie de posição limbo, já que a maior parte das canções, apesar da forte componente etérea, são simples, concisa, curtas e diretas. Às vezes pressente-se que os Work Drugs não sabem muito bem se queriam que as músicas avançassem para uma sonoridade futurista, ou se tinham a firme intenção de deixá-las a levitar naquela pop típica dos anos oitenta. É certamente nesta aparente indefinição que reside uma importante virtude destes Work  Drugs, uma dupla que espelha com precisão o manto de transição e incerteza que tem invadido o cenário da pop de cariz mais alternativo e independente. Na verdade, quando se torna difícil inventar algo novo, a melhor opção poderá passar por baralhar e voltar a dar, de preferência com as cartas muito bem misturadas e os trunfos divididos, talvez num cenário de gravidade zero. Espero que aprecies a sugestão...

Work Drugs - Louisa

01. My Billie Jean
02. Minor Flaws
03. True Romance
04. Left At Redemption
05. The Diamond Life
06. Stars
07. Chase The Night
08. Another Life
09. In Dreams
10. Hey Nineteen
11. Just Like The Wind


autor stipe07 às 18:21
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Quarta-feira, 9 de Setembro de 2015

Grandchildren – Zuni

Oriundos de Filadélfia, os norte americanos Grandchildren trazem na sua bagagem uma já assinalável reputação, principalmente pelo modo como agregam e depois misturam alguns elementos essenciais da folk, da pop e da eletrónica para criar canções animadas, positivas e com uma vibração única. Formados em 2008 por Aleks Martray e tendo já sofrido algumas transformações na constituição da equipa, os Grandchildren têm conseguido revitalizar constantemente as suas propostas sonoras, à custa de uma discografia iniciada em dois mil e dez com Everlasting. O sempre difícil segundo disco, intitulado Golden Age, viu a luz do dia em maio de 2013 e agora, pouco mais de dois anos depois, chegou a vez de ser editado Zuni, mais um compêndio de temas enérgicos e cheios de arranjos intrincados e assertivos.

O ecletismo sonoro destes Grandchildren explica-se, em parte, pelo espírito nómada de Martray, que tendo viajado pela Europa e a América Latina, além do seu próprio país, foi bebendo muita música e assimilando detalhes instrumentais e melódicos que suportam e adornam as composições criadas pelos Grandchildren. Esta jornada sónica definiu imenso o conteúdo dos dois primeiros trabalhos do grupo e mantem-se em Zuni, nove canções que mostram a habilidade enorme que este coletivo possui para criar um balanço poético entre o íntimo e o épico.

A grandiosidade percussiva de Make It, ampliada por alguns efeitos flamejantes curiosos, a complexidade inspiradora e luminosa de Nothing, um tema que nos oferece distorções de guitarra incríveis e algo inéditas, o piscar de olhos à pop sessentista californiana em The War e, de um ângulo algo distinto, o groove tribal de The Answer, canção por onde deambulam alguns isntrumentos de sopro quase sem controle, são exemplos que celebram esta batalha intensa e sedutora entre beleza e escuridão, plasmada no confronto simbiótico entre uma sonoridade geralmente explosiva, majestosa e impulsiva e uma escrita algo sombria que se debruça sobre os sentimentos, muitas vezes algo surreais, que nos invadem a todos em alguns instantes da nossa vida em que parece que fomos colocado de lado pela fortuna.

Inspiração por um lado e desespero por outro, ou então apenas e só um modo mais lúcido e racional que os Grandchildren nos oferecem para analisar a existência humana, Zuni suporta uma exploração exaustiva de narrativas que nos mostram com detalhe o que pode suceder em momentos de dor, por muito inconveniente que a perceção lúcida da realidade às vezes possa ser. A escrita de temas como Things They Buried ou Turn Away está impregnada com este ideário de certo modo desconfortável, mas isso não impede que Zuni esteja repleto de paisagens feitas com ritmos complexos e melodias intrincadas, cobertas por um vasto arsenal instrumental, sintetizadores, guitarras precisas e batidas que moldam melodias cujo clima soturno apela claramente a uma pop que se acomoda num ambiente repleto de luzes coloridas e projeções frenéticas que, curiosamente, servem para ampliar o tom sombrio do álbum. Espero que aprecies a sugestão...

Grandchildren - Zuni

01. Nothing
02. The War
03. Things They Buried
04. Make It
05. Walking Dead
06. The Answer
07. Turn Away
08. The Roads
09. You Know It All


autor stipe07 às 21:27
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Terça-feira, 30 de Junho de 2015

Kissing Party - Justine vs New Glue

Deirdre (voz), Gregg (voz e guitarra), Joe (guitarra), Lee (baixo) e Shane (bateria) são os Kissing Party, uma banda norte-americana oriunda de Denver, no Colorado e que faz já parte da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Depois de terem divulgado Trash, um extraordinário instante sonoro, com guitarras que misturam um travo de rock de garagem com efeitos que piscam o olho à refrescante luminosidade que habitualmente se encontra em algumas referências óbvias da dream pop, agora chegou a vez de nos deliciarem com Justine e New Glue, mais dois singles do disco de estreia destes Kissing Party, que vê a luz do dia hoje mesmo. No primeiro tema, as vozes de Gregg Dolan e Dierdre Sage envolvem-se entre si, como os lábios num cigarro, e em New Glue a voz açucarada e quente de Dierdre perde todo o pudor e apresenta-se ao mundo exatamente como é, sem reservas ou concessões Bitch I'm perfect, canta ela... Yes, you are!, acrescento eu.

Looking Back It Was Romantic But At The Time I Was Suffocating é o nome do trabalho de estreia destes Kissing Party, um compêndio sonoro de quinze canções que será certamente analisado por cá na altura. Confere...


autor stipe07 às 14:09
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Quinta-feira, 18 de Junho de 2015

Kissing Party -Trash

Deirdre (voz), Gregg (voz e guitarra), Joe (guitarra), Lee (baixo) e Shane (bateria) são os Kissing Party, uma banda norte-americana oriunda de Denver, no Colorado e que faz já parte da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Trash, um extraordinário instante sonoro, com guitarras que misturam um travo de rock de garagem com efeitos que piscam o olho à refrescante luminosidade que habitualmente se encontra em algumas referências óbvias da dream pop, é o primeiro single divulgado do disco de estreia destes Kissing Party, que vai ver a luz do dia no final deste mês de junho. Looking Back It Was Romantic But At The Time I Was Suffocating é o nome desse trabalho, um compêndio sonoro de quinze canções que será certamente analisado por cá na altura. Confere...


autor stipe07 às 14:15
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Sexta-feira, 15 de Maio de 2015

Loose Tooth - Easy Easy East

Filadélfia é uma das cidades atualmente mais ativas no universo indie norte americano, principalmente quando se trata de replicar a simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, que contém aquela sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas e que, um pouco mais ao lado, em Seattle, também fez escola e tomou conta do resto do mundo à época. Kian Sorouri, Larissa, Christian Bach e Kyle Laganella são os Loose Tooth, uma das novidades mas recentes dessa cidade norte americana e mais uma forte aposta da texana Fleeting Yourh Records, de Ryan M., que se estreou nos discos as vinte e um de abril, com Easy Easy East.

Particularmente melódicos, com um interessante balanço entre ruído, distorção e aquela delicadeza que muitas vezes faz a diferença em determinados projetos de rock com um cariz mais lo fi, estes Loose Tooth não defraudam quem aprecia universos universos sonoros adjacentes ao indie rock alternativo que marcou os anos noventa e que podem ir da psicadelia, ao punk rock e ao próprio blues. A verdade é que, logo em Pickwick Average, o tema que abre o disco, tendo em conta o modo como a bateria alterna a cadência, com as guitarras a fazerem o acompanhamento melódico devido e a altetnância de postura vocal, demonstram que estes Loose Tooth lutam com garra e criatividade para empurrar e alargar as barreiras do seu som e que esta estreia é um marco no género este ano.

Nas restantes nove canções de Easy Easy East a viagem nostálgica prossegue, sempre a um ritmo frenético, com canções que duram, na maioria das vezes, menos de dois minutos, havendo lugar para um experimentalismo de cariz mais progressivo nas guitarras em Skinny Chewy e Yorami e alguns arranjos curiosos que, em Greetings From incluem um fade in e um sample de sons naturais que dão corpo a um instrumental bastante recomendável. 

Lizzy e Lemon Zest já têm uma sonoridade mais punk, com o ritmo desenfrado da bateria e conduzir guitarras plenas de fuzz e um baixo sempre vigoroso que acompanham exemplarmente a percussão. A busca de um ambiente eminentemente pop e comercialmente festivo, fica plasmado em Sunk Chubi e Bone Folder, duas canções que atestam a visceralidade sempre impecavelmente controlada de um quarteto que sabe como manipular os nossos sentidos, fazendo-nos facilmente dançar, até perdermos o fôlego e deixarmos o nosso corpo esvair-se num misto de agonia e boa disposição.

Depois do devaneio instrumental Through a Hazy, Easy Easy East encerra com About Ruined Everything, o instante mais pop, épico e melancólico do disco, uma canção com uma limpidez e um acerto melódico pomposo e luminoso que projeta os Loose Tooth para uma toada mais contemplativa e que demonstra a capacidade eclética do grupo em compôr boas letras e oferecer-lhes belíssimos arranjos, que ganham vida quase sempre à boleia de uma guitarra jovial e pulsante e com alguns dos melhores efeitos e detalhes típicos do rock alternativo e do indie punk vintage mais juvenil. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 23:33
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Quinta-feira, 9 de Abril de 2015

Loose Tooth - Skinny Chewy

Filadélfia é uma das cidades atualmente mais ativas no universo indie norte americano, principalmente quando se trata de replicar a simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, que contém aquela sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas e que, um pouco mais ao lado, em Seattle, também fez escola e tomou conta do resto do mundo à época. Kian Sorouri, Larissa, Christian Bach e Kyle Laganella são os Loose Tooth, uma das novidades mas recentes dessa cidade norte americana e mais uma forte aposta da texana Fleeting Youth Records, de Ryan M., que se prepara para a estreia nos discos as vinte e um de abril, com Easy Easy East.

Depois de terem divulgado Pickwick Average, o primeiro avanço desse álbum, com edição prevista em formato digital e cassete, como é habitual nessa etiqueta, agora chegou a vez de podermos escutar Skinny Chewy, mais uma canção que não defrauda quem aprecia universos universos sonoros adjacentes ao indie rock alternativo que marcou os anos noventa e que podem ir da psicadelia, ao punk rock e ao próprio blues. A verdade é que estes Loose Tooth parecem dispostos a lutar com garra e criatividade para empurrar e alargar as barreiras do seu som e que a estreia será um marco no género em 2015. Confere...

 


autor stipe07 às 13:42
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Sexta-feira, 27 de Março de 2015

Loose Tooth- Pickwick Average

Filadélfia é uma das cidades atualmente mais ativas no universo indie norte americano, principalmente quando se trata de replicar a simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, que contém aquela sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas e que, um pouco mais ao lado, em Seattle, também fez escola e tomou conta do resto do mundo à época. Kian Sorouri, Larissa, Christian Bach e Kyle Laganella são os Loose Tooth, uma das novidades mas recentes dessa cidade norte americana e mais uma forte aposta da texana Fleeting Yourh Records, de Ryan M., que se prepara para a estreia nos discos as vinte e um de abril, com Easy Easy East.

Pickwick Average é o primeiro avanço divulgado desse álbum com edição prevista em formato digital e cassete, como é habitual nessa etiqueta e a canção não defrauda quem aprecia universos universos sonoros adjacentes ao indie rock alternativo que marcou os anos noventa e que podem ir da psicadelia, ao punk rock e ao próprio blues. A verdade é que, tendo em conta o modo como a bateria alterna a cadência, com as guitarras a fazerem o acompanhamento melódico devido, Pickwick Average demonstra que estes Loose Tooth parecem dispostos a lutar com garra e criatividade para empurrar e alargar as barreiras do seu som e que a estreia será um marco no género em 2015. Confere...

 


autor stipe07 às 11:26
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Domingo, 1 de Março de 2015

CLIQUE​, ​LOOSE TOOTH​, ​GHOST GUM​, MUMBLR - CLIQUE​/​/​LOOSE TOOTH​/​/​GHOST GUM​/​/​MUMBLR SPLIT

CLIQUE//LOOSE TOOTH//GHOST GUM//MUMBLR SPLIT cover art

Filadélfia é uma das cidades atualmente mais ativas no universo indie norte americano, principalmente quando se trata de replicar a simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, que contém aquela sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas e que, um pouco mais ao lado, em Seattle, também fez escola e tomou conta do resto do mundo à época.

Os Mumblr de Nick Morrison, Ian Amidon, Sean Reilly e Scott Stitzer, são um dos grandes destaques desse movimento, mas há outras bandas locais que parecem querer calcorrear um percurso semelhante e, unindo esforços, chegar a um número cada vez mais de ouvintes.

Com o alto patrocínio da Fleeting Yourh Records, de Ryan M., os Clique, os Loose Thoot e os Ghost Gum, deram as mãos aos já consagrados Mumblr e editaram um EP, em que cada banda contribuiu com um tema, disponível para download gratuíto e que pretende ser uma porta de entrada acessível para esta sonoridade rugosa e envolvente, feita de guitarras que apontam em diferentes direções, sempre acompanhadas pelo baixo que, frequentemente, não receia tomar as rédeas do conteúdo melódico dos temas. Confere...

 


autor stipe07 às 14:48
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Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2015

Mumblr - Full of Snakes (vinyl edit)

Após vários EPs, os norte americanos Mumblr de Nick Morrison, Ian Amidon, Sean Reilly e Scott Stitzer, finalmente  estrearam-se nos discos. Full of Snakes é o nome do primeiro longa duração dos Mumblr e chegou aos escaparates a dezasseis de setembro de 2014, através da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Inicialmente disponível em edição digital ou em cassete, com dezassete canções, algumas delas untitled, a grande novidade é que este trabalho acaba de ser lançado no formato vinil. Falo de uma edição limitada a trezentos exemplares, mas absolutamente imperdível, disponivel para encomenda no bandcamp da editora.
Para comemorar o lançamento desta edição em vinil, os Mumblr divulgaram também um video para Got It, o tema de abertura de Full Of Snakes, um disco cheio de hinos sonoros que plasmam diferentes manifestações de raiva adolescente, o ideário lírico privilegiado das canções desta banda norte-americana. Na verdade, eles debruçam-se sobre algumas das temáticas mais comuns para quem começa a entrar na idade adulta, nomeadamente a questão da auto estima, a perca da inocência e as relações amorosas.
Philadelphia, o nome da cidade de onde os Mumblr são oriundos, foi o primeiro avanço divulgado do álbum, uma canção que numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, contém uma sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas. Logo aí se percebeu qual seria a bitola sonora destes Mumblr e o alinhamento na verdade não defrauda os apreciadores do género, até porque Got It, este novo avanço divulgado de Full of Snakes, não foge muito a esta toada, apesar de ser um tema mais contemplativo e com uma temática bastante reflexiva. Já agora, sobre esta canção, Nick Morrison referiu: It´s about being a strange, confused young man; feigning confidence and asking people to take him as he is.
Apesar de estar claramente balizado o espetro sonoro dos Mumblr, há que destacar a forma corajosa como, logo na estreia, não se coibem de tentar experimentar ideias diferentes e fugir da habitual bitola. Canções como Black Ships, White Devil ou Greyhound Station, contêm momentos de pura improvisação, com guitarras que apontam em diferentes direções e o baixo dos dois singles acima citados não receia tomar as rédeas do conteúdo melódico das mesmas. E estes dois importantes ítens não perturbam a conturbada homogeneidade de um alinhamento que raramente deixa de ser fluído e acessível, apesar desses momentos e da especificidade rugosa do som que carateriza os Mumblr.
Em Full Of Snakes os Mumblr estabelecem uma zona de conforto, mas não se coibem de colocar o pé de fora e de calcorrear outros universos sonoros adjacentes ao indie rock alternativo que marcou os anos noventa e que podem ir da psicadelia, ao punk rock e ao próprio blues. A verdade é que eles parecem dispostos a lutar com garra e criatividade para empurrar e alargar as barreiras do seu som, ao longo de cerca de quarenta minutos intensos, rugosos e que não envergonharão o catálogo sonoro deste grupo de Filadélfia, seja qual for o restante conteúdo que o futuro lhes reserve. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 13:11
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Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2015

Suburban Living – Suburban Living

Wesley Bunch, um músico de Filadélfia, é a mente criativa que dá vida a Suburban Living, um projeto de que acaba de se estrear no formato álbum com um homónimo preenchido com oito canções, editado através da etiqueta nova iorquina PaperCup Music, o abrigo perfeito para um trabalho que tem os seus pilares assentes numa pop com traços de shoegaze e num indie rock carregado de psicadelia.

Gravado nos estúdios EarthSound, em Virginia Beach, com o engenheiro de som Mark Padgett, Suburban Living traça linhas paralelas com a tradição sonora deixada por herança há umas três décadas por nomes como os My Bloody Valentine, os Pylon ou os Cure, claramente audíveis na forte vertente experimental nas guitarras pulsantes e numa certa soul na secção rítmica, dois aspetos essenciais do tratamento sonoro que Wesley resolveu dar à nostalgia que certamente sente relativamente a uma outra época, que marcou fortemente várias gerações de músicos e ainda hoje é um referencial bastante explorado. Assim, obscuro e melancólico, mas pleno de energia e focado numa enorme dedicação à causa, Suburban Living não complica na altura de exaltar o retro, mesmo que nos dias de hoje exista já alguma saturação relativamente ao vintage

Se durante a audição de Suburban Living somos confrontados com a aparente primazia da guitarra e do efeito peculiar que ela debita e que carimba e tipifica o som caraterístico que Wesley quer que seja marca identificativa do projeto, o que mais me agradou neste disco foi, no entanto, o baixo vigoroso e o modo como dá as mãos a uma bateria, numa relação progressiva que contém uma tonalidade muito vincada e que acaba por ser um excelente tónico para potenciar a capacidade do músico, num registo vocal geralmente em eco, mas também amiúde reverberado, em soprar na nossa mente e envolvê-la com uma elevada toada emotiva e delicada, que faz o nosso espírito facilmente levitar, provocando um cocktail delicioso de boas sensações.

Canções como a épica Faded Lover, mas também Wasted ou Dazed, além de conterem belíssimas letras entrelaçadas com deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos, são exemplares no modo como nelas Wesley deixou as guitarras, o baixo e a bateria seguir a sua dinâmica natural, fazendo com que os temas assumissem aquela faceta algo negra e obscura que carateriza um ambiente sonoro fortemente etéreo e melancólico. Esta dinâmica ganha um fôlego ainda maior em New Strings, um dos singles de Suburban Living e um tema onde a voz atinge o auge açucarado qualitativo, uma canção que ilustra o quanto certeiro e incisivo o músico conseguiu ser na replicação do ambiente sonoro que escolheu.

Instrumentalmente Drowning é outro dos meus destaques deste trabalho, uma canção naturalmente conduzida pelo tal baixo vibrante, mas que sobressai pela distorção da guitarra e o efeito sintetizado que constrói a melodia, um cenário idílico para quem, como eu, aprecia alguns dos detalhes básicos da melhor psicadelia. No final do disco, Different Coast segue-lhe as pisadas, numa toada que privilegia a simbiose entre traços identitários do rock psicadélico, e da dream pop, o que justifica os elogios realtivamente ao modo como sendo este compêndio tipicamente rock e esculpido com cordas ligas à eletricidade, também consegue mostrar canções cheias de uma fragilidade incrivelmente sedutora.

O clima geral lo fi, que não é mais do que um notório marco de libertação e de experimentação vintage, acaba por ser uma consequência lógica de todo o ideário sonoro e conceptual de Suburban Living. E este é um disco que nos agarra pelos colarinhos, sobretudo pelo modo como nos mostra a interpretação contemporânea do revivalismo de outras épocas, nomeadamente os primórdios do punk rock mais sombrio, pelas mãos de um músico bastante inspirado e mestre a misturar e a explorar diferentes territórios sonoros, sugando-nos assim para um universo pop que impressiona pelo bom gosto com que se cruzam várias dinâmicas sonoras, com o indie rock a servir de elemento aglutinador de um imenso arsenal de arranjos e detalhes, que são um atestado de qualidade ao alcance de poucos projetos que pretendem deixar uma marca indelével neste universo sonoro. Espero que aprecies a sugestão...

Suburban Living - Suburban Living

01. Faded Lover
02. New Strings
03. Wasted
04. Dazed
05. Drowning
06. No Fall
07. Hotel Unizo
08. Different Coast


autor stipe07 às 22:09
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Sexta-feira, 2 de Janeiro de 2015

Cave People - Older EP

Oriundos de Scranton, mas agora sedeados em Filadélfia, os norte americanos Cave People são liderados por David Tomaine e estrearam-se nos lançamentos discográficos com Older, um EP que viu a luz do dia a nove de dezembro último, por intermédio da Stereophonodon, onde poderás encomendar o lindíssimo exemplar do lançamento, em formato cassete.

Cave People by Gabrielle Elizabeth Photography

Depois de terem divulgado Cluster, o tema que abre o EP, estes Cave People ficaram logo na retina desta publicação, por causa dos sons inéditos que sustentam o tema, com a guitarra a ter a primazia no processo de construção melódica, particularmente virada para o clássico rock norte americano, mas também a explorar com algum ênfase aquela pop que contém referências mais etéreas e que passam também um pouco pela música experimental.

Brace, a terceira canção do alinhamento de Older, é outro dos seus destaques e comprova que estes Cave People, além de escreverem letras que apontam diretamente ao âmago e nos conquistam com a sua profunda sensibilidade e delicadeza (Hope you don’t see me when no one sees me because that’s the person I try to hide), sonoramente também conseguem alargar o seu leque de influências, já que neste caso apostam no lado mais sentimental do punk, apontado também ao rock alternativo dos anos oitenta, dominado por guitarras joviais, uma bateria crua e potente e um baixo vibrante.

Em suma e como também está registado em Lather, uma canção lenta mas cheia de detalhes preciosos, ao longo do alinhamento de Older acaba por existir um cruzamento entre a leveza onírica da dream pop e o cariz mais rugoso que carateriza do rock alternativo, mas sem descurar a presença de outros espetros sonoros. Falo de canções que crescem em emoção, arrojo e amplitude sonora, com uma toada épica e aberta, mas que não deixam de conter igualmente um particular teor nostálgico. Confere...


autor stipe07 às 23:06
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