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Birds Are Indie - Migrations – The Travel Diaries #1

Segunda-feira, 06.07.20

Já viu a luz do dia Migrations – The Travel Diaries #1, o quinto álbum dos conimbricenses Birds Are Indie de Joana Corker, Ricardo Jerónimo e Henrique Toscano, um registo de dez canções abrigadas pela Lux Records e que celebram a mesma quantidade de anos de um dos projetos nacionais mais queridos nesta redação, porque transmitem com as suas composições sonoras um rol de emoções e sensações únicas, sempre com intensidade e minúcia, mas também misticismo e argúcia e geralmente com uma serenidade extraordinariamente melancólica e bastante contemplativa.

Birds Are Indie apresentam "Migrations - the travel diaries #1 ...

Migrations – The Travel Diaries #1 tem a curiosidade de ver a luz do dia em duas edições distintas, uma em CD que surgiu nos escaparates em abril e outra em vinil, que chegrá lá para setembro. Ambos os formatos contam com a revisita de cinco canções da discografia anterior da banda, reinterpretadas e regravadas no estúdio Blue House, em Coimbra, mais cinco originais.

Com mistura e masterização de João Rui, todos os temas de Migrations– The Travel Diaries #1 tiveram a participação no baixo e em algumas teclas do convidado especial Jorri (a Jigsaw), que também colaborou na gravação. Liderar esse processo, como habitualmente, ficou a cargo de um elemento da banda, Henrique Toscano e o mesmo aconteceu com o artwork e o design, feitos pela mão da Joana Corker, modus operandi muito semelhante a Local Affairs, o registo que os Birds Are Indie editaram há dois anos atrás.

Uma década parece uma eternidade mas é um facto que parece que foi ontem que este lindíssimo projeto conimbricense deixou em sentido os mais atentos com a edição do EP Love Birds, Hate Pollen, um tomo de cinco canções que nos ofereceram, desde logo, tonalidades pop vibrantes de primeira água, tendo como grande elementos indutor de imensa magia e encantamento, as cordas. A partir daí, registo após registo, os Birds Are Indie foram dando passos consistentes num percurso que até nos foi habituando a algumas inflexões e salutares piscares de olho ao rock, ao blues e ao jazz, mostrando que o trio está sempre atento às novas tendências e disposto a manipulá-las em proveito próprio, dentro daquela indie folk assente em cordas exuberantes, melodias aditivas e arranjos inspirados, uma fórmula que cria um ambiente emotivo e honesto e que nunca descura um elevado espírito nostálgico e sentimental, duas caraterísticas bastante presentes na escrita e na composição deste grupo.

The Travel Diaries #1 é, no fundo, um registo de balanço de todo este percurso estilístico e conceptual, um trabalho que vagueia e passeia por estes dez anos, mas que também nos oferece algumas pistas importantes acerca do futuro do projeto. O single Black (or the art of letting go), que foi selecionado há alguns meses para nos entreabrir a portas de The Travel Diaries #1 contém, de facto, essa marca viajante sendo, sonoramente, uma composição que, como os próprios Birds Are Indie descrevem, mostra uma determinação materializada num ritmo tenso e intenso, em guitarras sujas e teclados acutilantes, ou seja, que acaba por fazer uma espécie de súmula de tudo aquilo que foi inspirando o projeto no processo de composição e que depois, na letra, nos permite contemplar, no imediato, uma ironia gerada pelo contraste, algo tão característico dos Birds Are IndieNo refrão e a terminar a música, ouve-se repetidamente: «I never said it's over, I'll never say I want you back». E é nesta decidida indecisão que se inicia mais uma viagem...

Em suma, a simplicidade com que os Birds Are Indie transmitem um rol sensações particularmente vasto e sem se preocuparem com o modo como possam ser catalogados, é, talvez, o maior atributo deste grupo, que também impressiona pela graça como os seus membros combinam e manipulam, com sentido melódico e lúdico, a estrutura de uma canção. Muitas vezes parece um esforço indisciplinado, infantil e claramente emocional, mas acaba por ser bem sucedido porque, entre a pop luminosa de I won't take it anymore ou a nostalgia de Time to make amends, além do rock vintage sessentista de Needless to Say e o de cariz mais jazzístico, audível nas teclas do piano que conduzem The senior dancer, sem descurar alguns aspetos essenciais do american rock, claramente esplanados em We're not coming down e na refrescante e encantadora Instead of watching telly, somos presenteados com diversos piscares de olho à história do rock nas últimas décadas, havendo sempre espaço para o sarcasmo e o humor que tão bem carateriza a dupla que lidera este projeto, conduzido por três inspirados músicos que se movem entre o preto, o branco e a cor, entre a luz e a sombra, entre a contenção e a explosão, entre a protecção oferecida pela tela e a crueza da máxima exposição. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 10:18

Cold Showers – 07.13.19 Part Time Punks EP

Sábado, 04.07.20

Desde que teve inicio este período pandémico, a plataforma de divulgação e comércio digital sonoro bandcamp tem colocado em prática, em algumas sextas-feiras, uma iniciativa intitulada Bandcamp Friday Strikes Again, cujo objetivo é ajudar alguns artistas a suportarem melhor as percas que o Covid-19 acabou por provocar na sua vida profissional. O dia três de julho, que terminou há poucos minutos, foi palco de mais um capítulo dessa saga, com nomes como Nadja, Lambchop, Marissa Madler, ou os Cold Showers a publicarem alguns temas, em formato single, album ou EP, nessa plataforma.

Cold Showers – Dais Records

De todos estes nomes e lançamentos, acabou por chamar a atenção desta redação o EP 07.13.19 Part Time Punks, da autoria dos Cold Showers, banda formada há uma década ao sol da Califórnia e que o ano passado nos ofereceu o registo Motionless, que foi considerado o oitavo melhor álbum de dois mil e dezanove para este blogue.

Os cinco temas que fazem parte do alinhamento de 07.13.19 Part Time Punks EP foram gravados ao vivo, na data indicada no título, nos estúdios da rádio KXLU 88.9 FM. Nessa atuação, os Cold Showers misturaram novas versões dos seus singles Shine e Faith, momentos altos de Motionless, dando à efervescência da guitarra que conduz o primeiro e à monumentalidade instrumental e vocal do segundo, uma toada mais orgânica e visceral. Além disso, também revisitaram o clássico da banda Plantlife, incluído no disco Matter Of choice que os Cold Showers editaram em dois mil e quinze e, para rematar, ainda tocaram duas novas versões de Whatever You Want e Only Human, também momentos altos desse tomo com já meia década de vida.

Para quem só contactou com os Cold Showers devido a Motionless, este EP é uma excelente oportunidade para ficar com uma perceção mais ampla das vastas virtudes de um grupo exímio a navegar nas águas efervescentes daquela espécie de meio termo que fica entre o rock clássico, a eletrónica, o shoegaze e a psicadelia, interpretado de modo simultaneamente nostálgico e luminoso e sempre com elevado cariz progressivo. São cinco canções que firmam a solidez do post punk que trespassa o catálogo do grupo e oferecem ao mesmo um lustro mais pop e um cariz de maior abrangência. Espero que aprecies a sugestão...

Cold Showers - 07.13.19 Part Time Punks

01. Only Human
02. Whatever You Want
03. Shine
04. Plantlife
05. Faith

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publicado por stipe07 às 00:27

Fontaines D.C. – Televised Mind

Quarta-feira, 01.07.20

Um dos discos mais aguardados em dois mil e vinte é, claramente, o novo trabalho dos irlandeses Fontaines D.C., uma das bandas mais excitantes do indie rock atual, um registo intitulado A Hero's Death e que será o segundo da banda de Dublin formada por Carlos O'Connell, Conor Curley, Conor Deegan III, Grian Chatten e Tom Coll, sucedendo ao espetacular registo de estreia do grupo, intitulado Dogrel, lançado o ano passado.

Produzido por Dan Carey, A Hero's Death irá ver a luz do dia no ocaso dia do próximo mês de julho pela Partisan Records e a semana passada, como certamente se recordam, foi destaque neste espaço o single homónimo e o tema I Don't Belong, duas amostras que fizeram por cá adivinhar, desde logo, um disco com onze enraivecidas canções, assentes num punk rock de elevado calibre e com uma forte toada abrasiva, como se exige a um projeto que sempre se fez notar, desde dois mil e dezassete, por uma filosofia estilística de choque com convenções e normas pré-estabelecidas.

Televised Mind, a nova canção que veio a público nas últimas horas do alinhamento de A Hero's Death, confirma e reforça tais impressões. A canção, com o adn típico dos Fontaines D.C., é um convite direto à dança e ao movimento, apelo assente em guitarras combativas e um registo percussivo vibrante e claramente marcado, tema que, de acordo com vocalista dos Fontaines D.C., Grian Chatten, reflete sobre a câmara de eco e como a personalidade é arrancada pela aprovação circundante. As opiniões das pessoas são reforçadas por um acordo constante e somos roubados da nossa capacidade de nos sentirmos errados. Nunca recebemos realmente a educação de nossa própria falibilidade. As pessoas fingem estas grandes crenças para parecerem modernas, em vez de chegarem independentemente aos seus próprios pensamentos.

Numa época do vale tudo, custe o que custar e seja contra quem for, os Fontaines D.C. parecem mais uma vez apostados em fazer mossa e agitar as mentes mais desprevenidas e incautas com composições plenas de chama nas veias e com um travo nostálgico em que a herança de nomes como os The Clash e os Ramones,  mas também os Suicide, os Nirvana e os The Beach Boys, se fazem notar com elevado grau de impressionismo. Confere...

Fontaines D.C. - Televised Mind

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publicado por stipe07 às 11:15

Dela Marmy - Flying Fishes

Segunda-feira, 29.06.20

Com um passado relevante no projeto The Happy Mess, Joana Sequeira Duarte aposta agora numa carreira a solo e assina o projeto Dela Marmy. Estreou-se o ano passado com a edição dos singles Empty PlaceStellarMari Wolf e Secretly Here, uma coleção de canções que viria a resultar num EP homónimo. Dela Marmy foi editado à boleia da KPRecords*KillPerfection, um alinhamento já com sucessor  e no mesmo formato. Captured Fantasy é o novo EP da cantora, tem também a chancela também da KPRecords*KillPerfection e viu a luz do dia a vinte e sete de março último, tendo sido destrinçado por esta redação pouco tempo depois, como certamente alguns de vocês se recordam.

Dela Marmy, em escuta Captured Fantasy EP - Música em DX

Captured Fantasy contém cinco canções e foi produzido pelo experiente produtor inglês Charlie Francis, uma opção que conferiu uma maior maturidade e consistência ao cardápio da autora, sem colocar em causa a puerilidade intrínseca à sua filosofia sonora. O EP também conta com as colaborações especiais da escritora e poetisa Raquel Serejo Martins, que credita a letra de Flying Fishes e o lyricist galês TYTUN que participa no introspetivo tema Take Me Back Home. Os músicos que acompanharam Dela Marmy em estúdio foram Vasco Magalhães (bateria), Tiago Brito, Steven Goundrey (guitarras) e o próprio Francis (baixo).

Todas as canções do registo são potenciais singles e, tal como já sucedeu com Not Real, ainda antes do alnçamento do EP, Flying Fishes, a canção que abre o alinhamento de Captured Fantasy, acaba de ter direito a tal nomeação, uma composição sustentada por um notável festim sintético que adorna uma inspirada guitarra planante e que, de acordo com a própria Joana Duarte, é propositadamente metafórica. É sobre peixes que voam. É sobre pássaros que nadam. É sobre o desamparo e o encontro. É sobre noites em que a solidão pesa mais. É sobre dois solitários que por uma noite, em bando, em cardume, se sentem menos sós.

De facto, cada composição do EP Captured Fantasy é uma pequena viagem que nos pede tempo, num resultado final tremendamente detalhístico, porque atenta às pequenas coisas, às pequenas histórias e ao marginal, um paradoxal compêndio de canções, já que todo este intimismo acaba por ter uma universalidade muito própria, visto ser um alinhamento passível de ser apropriado por qualquer comum mortal, que com o seu conteúdo facilmente se identificará. Confere...

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publicado por stipe07 às 15:39

Polyenso – Red Colored Pencil

Domingo, 28.06.20

Polyenso - Red Colored Pencil

Os Polyenso são uma banda de rock experimental norte americana sedeada em St. Petersburg, na Flórida. A banda é composta pelo vocalista e teclista Brennan Taulbee, pelo multi-instrumentista e vocalista Alexander Schultz e pelo percussionista Denny Agosto. Year Of The Dog foi o último longa duração que o trio lançou, em janeiro do ano passado, oito canções, algumas instrumentais, impregnadas com uma tonalidade refrescante e inédita, um disco cheio de personalidade, com uma produção cuidada e que nos aproximou do que de melhor propõe a música independente americana contemporânea. 

Agora, ano e meio depois desse tomo, os Polyenso voltam a dar sinais de vida com Red Colored Pencil, uma deslumbrante canção incubada num território firme de experimentações sonoras que dá bastante ênfase às cordas, mas que não descura a importância que o sintético tem na construção de uma melodia tremendamente adocicada e com um travo lisérgico algo incomum no panorama alternativo atual. Confere...

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publicado por stipe07 às 22:40

Aviator – All You Haters

Quinta-feira, 25.06.20

É Pete Wilkinson, antigo baixista dos projetos Cast, Shack e Echo & The Bunnymen, todos de Liverpool, de onde o músico também é natural, quem encabeça o projeto britânico Aviator. A ele juntam-se Paul Hemmings, Keith O'Neill e Nick Graff, para criarem composições com uma tonalidade psicadélica única e pouco vulgar no modo como se cruza com alguns dos melhores detalhes do indie rock. All You Haters é o novo registo de originais do projeto, dez canções que viram a luz do dia recentemente através da etiqueta The Viper Label.

FLYING: PETE WILKINSON AND AVIATOR |

All You Haters oferece-nos uma luxuosa pafernália de explosões sónicas, afirmadas e comprovadas num registo interpretativo em que a acusticidade vibrante das cordas não tem qualquer pudor em dar as mãos a riffs rugosos e enleantes, sendo este, claramente, o grande conceito definidor da sonoridade do disco. Canções como All Around You (Omni), The Ballad Of Tempest Brown, um tema hipnótico e intrigante e a composição homónima são excelentes exemplos desta trama interpretativa que, aliás, tinha ficado logo no início evidenciada em Scarecrow, um intro instrumental vibrante e no qual um violão desliza impecavelmente por uma melodia de forte pendor melancólico.

Depois, os arranjos percussivos que adornam K Tripper, tema de superior requinte letárgico, ou os efeitos sintetizados que sobram em Av8tor e que nos levam direitinhos rumo à melhor pop psicadélica setentista, alargam o espetro criativo de um trabalho exuberante e hirto, que sabe aquela brisa amena que aparentemente não fere nem inclina, mas que não deixa de penetrar na nossa pele até ao âmago, de nos fazer tremer e de eriçar todos os nossos sentidos.

Álbum espontâneo, mágico e com com uma beleza muito imediata e acessível, All You Haters é uma manifestação de pura classe destes Aviator e muito em particular do líder Pete Wilkinson que é, dentro de um espetro eminentemente rock e com tudo o que isso implica em termos de ruído, sujidade e visceralidade, eximío a criar melodia incisivas, com um elevado grau de epicidade e esplendor e que replicam com ímpar contemporaneidade a melhor herança do rock progressivo e do shoegaze setentista, sempre com um indesmentível travo pop. Espero que aprecies a sugestão...

Aviator - All You Haters

01. Scarecrow
02. The Wrong Turn
03. All Around You (Omni)
04. K Tripper
05. All You Haters
06. AV8TOR
07. The Ballad Of Tempest Brown
08. Here Comes The Gun
09. Catching The Blues
10. Scarecrow (Reprise)

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publicado por stipe07 às 14:45

Mikal Cronin – Guardian Well (Switched On)

Terça-feira, 23.06.20

Mikal Cronin - Guardian Well (Switched On)

Mikal Cronin, um músico norte-americano natural de Laguna Beach, na Califórnia, regressou  aos discos no último outono com Seeker, dez canções com a chancela da Merge Records e que remataram um ano bastante profícuo do autor, que já tinha no seu historial os registos Mikal Cronin (2011), MCII (2013) e MCIII (2015), além de colaborações importantes com outros músicos, como Ty Segall ou Kim Gordon e que tinha dado o pontapé de saída em dois mil e dezanove com a edição em vinil de sete polegadas de dois temas, Undertow e Breathe, através da iniciativa  de caridade FAMOUS CLASS RECORDS / LAMC 7" SERIES.

Gravado ao vivo nos estúdios Palmetto, em Los Angeles, com a banda que costuma acompanhar Ty Segall e com o produtor Jason Quever, Seeker quebrou uma sequência de títulos homónimos e um hiato de quase meia década desta referência ímpar do indie rock do outro lado do atlântico e que nos tem feito viajar no tempo, disco após disco, à boleia de uma feliz simbiose entre garage rock pós punk.

Para escrever Seeker, Cronin passou um mês numa cabana nas montanhas do sul da Califórnia, com o seu gato como única companhia, um retiro bucólico perfeito, de acordo com o próprio músico, e que acabou por ser essencial para um forte cariz biográfico do disco. O resultado final foi um excitante documento de mudança e de reinvenção, um tomo de canções estilisticamente rico e diversificado, com Seeker a plasmar a necessidade que Cronin tinha se reinventar, erguer e seguir em frente depois de um período atribulado, quer a nível pessoal quer a nível profissional, decorrente de relações falhadas, digressões tremendamente cansativas e os típicos dilemas existências da fase inicial da vida adulta.

Entretanto o mundo ficou a saber que, afinal, existe uma versão alternativa de todo o conteúdo de Seeker. Esse registo chama-se Switched On Seeker, nele encontramos as mesmas canções de Seeker mas gravadas com sintetizadores analógicos antigos e o título é uma referência aos discos  Switched On que o compositor Wendy Carlos burilou há quase meio século e que não eram mais do que de composições de Bach e de outros compositores clássicos.

Um dos momentos altos do alinhamento de Seeker era, claramente, o forte odor nativo do piano e da harmónica de Guardian Well, uma composição agora revista pelo autor de modo, obviamente, menos orgânico, mas igualmente astuto, altivo, deslumbrante e luminoso e, de certo modo, mais borbulhante, charmoso e obviamente retro. Confere...

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publicado por stipe07 às 15:45

Fontaines D.C. – A Hero’s Death vs I Don’t Belong

Segunda-feira, 22.06.20

Um dos discos mais aguardados em dois mil e vinte é, claramente, o novo trabalho dos irlandeses Fontaines D.C., uma das bandas mais excitantes do indie rock atual, um registo intitulado A Hero's Death e que será o segundo da banda de Dublin formada por Carlos O'Connell, Conor Curley, Conor Deegan III, Grian Chatten e Tom Coll, sucedendo ao espetacular registo de estreia do grupo intitulado Dogrel, lançado o ano passado.

Produzido por Dan Carey, A Hero's Death irá ver a luz do dia no ocaso dia do próximo mês de julho pela Partisan Records e quer o single homónimo quer o tema I Don't Belong, são duas amostras do alinhamento do registo já divulgadas, que fazem adivinhar um disco com onze enraivecidas canções, assentes num punk rock de elevado calibre e com uma forte toada abrasiva, como se exige a um projeto que sempre se fez notar, desde dois mil e dezassete, por uma filosofia estilística de choque com convenções e normas pré-estabelecidas.

Numa época do vale tudo, custe o que custar e seja contra quem for, os Fontaines D.C. parecem mais uma vez apostados em fazer mossa e agitar as mentes mais desprevenidas e incautas com composições plenas de chama nas veias e com um travo nostálgico em que a herança de nomes como os The Clash e os Ramones,  mas também os Suicide, os Nirvana e os The Beach Boys, se fazem notar com elevado grau de impressionismo. Confere...

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publicado por stipe07 às 21:31

Gary Olson - Gary Olson

Terça-feira, 09.06.20

Gary Olson é um notável cantor, compositor, escritor e multinstrumentista, que se destaca, no último atributo referido, aos comandos do trompete. Tem colocado em prática todos estes seus recursos na banda Ladybug Transistor, que lidera e com a qual já editou cinco discos à boleia da conceituada Merge Records. Mas Gary Olson também aposta numa carreira a solo, recentemente materializada num disco homónimo, que viu a luz do dia no final do passado mês de maio à boleia da Tapete Records e que resulta de uma colaboração estreita do músico com dois irmãos noruegueses, Ole Johannes Åleskjær, dono do estúdio Tune-J, situado nos arredores de Oslo e Jorn Åleskjær.

Também produtor e engenheiro de som nos estúdios Marlborough Farms, situados no bairro de Flatbush, em Brooklyn, nos arredores de Nova Iorque, Gary Olson e os irmãos noruegueses começaram a conjurar estes disco há já alguns anos quando a banda Loch Ness Mouse se cruzou com os Ladybug Transistor em digressão. A partir daí, a via de comunicação entre as duas partes ficou aberta, Gary fez algumas incursões à Noruega até ao estúdio dos irmãos para gravar, regressava a Flatbush onde acrescentava a voz e diversos arranjos aos temas, que tinham Ole aos comandos da guitarra e depois as composições iam novamente para a Noruega para serem concluídas.

Contando também com as participações de Håvard Krogedal (baixo, violoncelo), Emil Nikolaisen (bateria), Joe McGinty (arranjos de cordas, piano e órgão) e Suzanne Nienaber (voz), Gary Olson oferece-nos uma coleção de onze canções que impressionam pelo charme algo displicente, mas feliz, como parecem desprezar alguns dos arquétipos fundamentais da música atual, fazendo-o através de um clima sonoro que entre o rock clássico, a folk mais experimental e a pop charmosa, exala um travo algo boémio, fazendo-o com elevada sabedoria interpretativa e um realismo temático ímpar.

De facto, a radiosa luminosidade do timbre das cordas que conduzem e adornam Giovanna Please e, de um modo mais requintado, The Old Twin e o registo mais eletrificado e até algo progressivo de Some Advice, dentro de um indisfarçável espetro rock, são, dentro do registo, alicerces fundamentais de duas pontas do largo leque de influências e confluências que definem o conteúdo de Gary Olson, existindo em todas elas, como ponto comum, a segurar as pontas e a oferecer uma assinatura indistinta, o modo sagaz como o trompete induz vivacidade, cor e lineariedade a um alinhamento que se torna particularmente aprazível em dias festivos e descomprometidos, como seria de esperar num autor que sempre se fez notar por uma filosofia estilística de choque com convenções e normas pré-estabelecidas.

Sem perder tempo com o acessório e claramente a querer celebrar o momento, o imediato e o presente, Gary Olson vai direto ao assunto neste seu novo registo homónimo, fazendo-o com canções complexas e conversacionais e repletas de várias camadas sonoras que refletem uma variedade instrumental imensa, mas que que nos são dadas a apreciar em verdadeira plenitude, nesta contemporaneidade cheia de encruzilhadas e dilemas em que vivemos. Espero que aprecies a sugestão...

1. Navy Boats
2. Giovanna Please
3. Some Advice
4. Postcard From Lisbon
5. All Points North
6. Initials DC
7. Afternoon Into Evening
8. Diego It’s Time
9. A Dream For A Memory
10. Tourists Taking Photographs
11. The Old Twin

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publicado por stipe07 às 11:08

The Flaming Lips – Flowers Of Neptune 6

Terça-feira, 02.06.20

Basta fazer uma pesquisa ao histórico de Man On The Moon para perceber que o dia um de junho, o Dia Mundial da Criança, é, curiosamente, o dia de ser publicado neste blogue algo sobre uma das bandas fundamentais e mais criativas do cenário musical indie e alternativo. Este ano falhámos por pouco... Acontece no mesmo dia, + 1. Falo, como é natural, dos The Flaming Lips, banda norte-americana natural de Oklahoma e um dos projetos sonoros mais curiosos e animados da cultura musical contemporânea. Há quase três décadas que gravitam em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e em cada novo disco reinventam-se e quase que se transformam num novo projeto.

The Flaming Lips anunciam novo single… “Flowers of Neptune 6 ...

Se os The Flaming Lips foram sempre uma banda cheia de projetos e com uma agenda de lançamentos bastante preenchida, depois de Oczy Mlody, o trabalho que este coletivo liderado pelo inimitável Wayne Coyne lançou no há três anos e que nos ofereceu uma verdadeira orgia lisérgica de sons e ruídos etéreos que os orientaram, em simultâneo, para duas direções aparentemente opostas, a indie pop etérea e psicadélica e o rock experimental, o ritmo acelerou ainda mais e, felizmente, parece não se vislumbrar o último capítulo de uma saga alimentada também por histórias complexas (Yoshimi Battles the Pink Robots), sentimentos (The Soft Bulletin), experimentações únicas (Zaireeka) e ruídos inimitáveis (The Terror).

De facto, ultimamente não tem sido fácil perceber, com clareza, que rumo concreto quer a banda dar ao seu percurso discográfico e o truque parece ser mesmo navegar ao sabor da corrente criativa dos seus membros e fazê-lo de modo (aparentemente) anárquico. Assim, se no verão de dois mil e dezoito revisitaram, numa edição de luxo de três tomos intitulada Greatest Hits, todo o catálogo dos The Flaming Lips na Warner Brothers, não só os singles e temas mais conhecidos do grupo mas também alguns lados b, versões demo e temas que nunca foram gravados, nem um ano depois já tinham nos escaparates King's Mouth, um registo conceptual de doze canções baseado no estúdio de arte com este nome que a banda de Oklahoma abriu há quatro anos e que tem com uma das principais atrações que os visitantes podem usufruir, um espetáculo de luzes LED de sete minutos que falam de um rei gigante bebé que quando cresceu fê-lo de tal modo que sugou para dentro da sua enorme cabeça todas as auroras boreais. Logo de seguida, pouco antea do último Natal, revelaram The Soft Bulletin: Recorded Live At Red Rocks With The Colorado Symphony Orchestra, mais doze canções que se assumiram como o primeiro disco ao vivo da banda de Oklahoma, um trabalho que contou com a participação especial de cento e vinte e cinco elementos da Colorado Symphony Orchestra, conduzidos pelo maestro Andre De Ridder, sessenta e oito instrumentistas e cinquenta e sete cantores e que reproduziu o alinhamento de The Soft Bulletin, a obra-prima dos The Flaming Lips, com vinte anos de vida.

Sem pausas, já em dois mil e vinte participaram numa das colaborações mais inusitadas do universo sonoro indie e alternativo, dando as mãos ao projeto californiano Deap Vally, da dupla Lindsey Troy e Julie Edwards. O resultado final da equação, ainda fresco na memória e no ouvido, chamou-se Dead Lips e materializou-se com um disco homónimo que funde com elevado grau criativo o universo psicadelico unicorniano dos The Flaming Lips e o rock puro e simples das Deap Vally.

Agora, quase no início do verão, os The Flaming Lips voltam à carga com Flowers Of Neptune 6, uma composição que conta com a participação especial vocal de Kacey Musgraves e que coloca o projeto no trilho daquele que é, sem dúvida, o território sonoro em que o projeto se deu melhor ao longo da carreira,quando atingiu o topo e grangeou uma maior base de seguidores, à boleia dos fabulosos trabalhosYoshimi Battles the Pink Robots e The Soft Bulletin. Na luminosa acusticidade das teclas e das cordas, conjugada com uma ímpar grandiosidade psicadélica, induzida por um registo percurssivo heterogéneo e uma vasta miriade de efeitos e detalhes, Flowers Of Neptune 6, um verdadeiro tratado de sentimentalismo latente e pura melancolia, embarca-nos em mais uma viagem lisérgica ímpar, uma daquelas canções que subjuga momentaneamente qualquer atribulação que no instante da audição nos apoquente. Confere...

The Flaming Lips - Flowers Of Neptune 6

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publicado por stipe07 às 18:43






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