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The Reds, Pinks And Purples - Pour The Light In

Segunda-feira, 06.12.21

Sedeado em São Francisco, na Califórnia, o projeto The Reds, Pinks And Purples é um nome a ter em conta no cenário indie de cariz mais lo fi e experimental norte-americano, que se prepara para regressar aos discos no próximo ano, o quarto de uma carreira que se iniciou em dois mil e dezanove com o registo Anxiety Art e que vale bem a pena explorar.

dusted — The Reds, Pinks & Purples — Uncommon Weather...

O novo álbum da banda, que é, basicamente, um projeto a solo de Glenn Donaldson, chama-se Summer At Land's End e irá ver a luz do dia a vinte e dois de janeiro com a chancela da insuspeita Slumberland Records. Pour The Light In, o sexto tema do alinhamento de um compêndio que terá onze canções, oferece-nos, além de um registo vocal pleno de sentimento, mas também de mistério, arranjos acústicos luminosos e guitarras ecoantes e com o grau de distorção apropriado para nos fazer contemplar uma canção que carrega consigo claras reminiscências do melhor indie de finais do século passado, criado por um músico claramente consciente dos terrenos sonoros que pisa. Confere...

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publicado por stipe07 às 10:41

The Antlers – Losing Light EP

Segunda-feira, 22.11.21

Projeto fundamental do indie rock experimental norte-americano da última década e meia, os The Antlers de Peter Silberman e Michael Lerner, regressaram na passada primavera aos discos com o registo Green To Gold, que em dez canções nos trouxe uma nova fase do grupo de Brooklyn, bastante promissora, luminosa e empolgante.

The Antlers Surprise Release 'losing Light' EP Today | News | ANTI-

Agora, mais de meio anos depois e de modo algo surpreendente, a dupla oferece-nos um EP intitulado Losing Light, com quatro canções, que são nada mais nada menos que reinterpretações de composições que fazem parte do cardápio de Green To Gold, reconstruções feitas de um modo um pouco mais agreste e intuitivo do que os originais do álbum, tomando como ponto de partida as mesmas demos e gravações que serviram de partida aos originais.

Para quem conhece a fundo o conteúdo de Green to Gold, é fundamental escutar este EP, até para perceber que abordagens poderiam ter tido as canções se o estado de espírito dos The antlers fosse um pouco mais sombrio e depressivo na altura em que o disco foi gravado. Recordo que os The Antlers habituaram-nos desde o fabuloso Hospice (2009) a um faustoso banquete de composições encharcadas em sensibilidade, angústia e conflito, canções cheias de sons aquáticos e claustrofóbicos, mas que nos mantinham sempre à tona porque também sabiam salvaguardar um soporífero cariz relaxante. Após o monumental registo Familiars, editado em dois mil e catorze e colocado em primeiro lugar nos melhores álbuns desse ano para a nossa redação, esse desfile de discos assertivos e metaforicamente intensos foi interrompido por opção da própria dupla e os The Antlers entraram num hiato que foi interrompido com Green To Gold, uma obra prima de sensibilidade e nostalgia. Confere...

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publicado por stipe07 às 17:46

Helado Negro – Far In

Quinta-feira, 18.11.21

O projeto Helado Negro, liderado por Roberto Carlos Lange, um filho de emigrantes equatorianos, radicado nos Estados Unidos, começou em grande estilo a sua caminhada ao lado da etiqueta 4AD, para onde se transferiu em dois mil e vinte, dando as mãos à cantora e compositora Jenn Wasner, que assina as suas obras sonoras como Flock of Dimes e a Devendra Banhart, para assinarem,  há cerca de um ano, em conjunto, uma versão do clássico Lotta Love de Neil Young. Agora Helado Negro já tem também o seu primeiro disco etiquetado pela 4AD, um trabalho intitulado Far In, com quinze inéditos e que aprimora ainda mais a visão psicadélica e caleidoscópica de um artista ímpar no panorama alternativo atual.

Helado Negro's Far In: Stream the New Album

Quem segue com particular atenção a carreira deste músico incrível, ao escutar com devoção Far In a primeira impressão que tem é que o catálogo do mesmo nunca foi tão sensorial e orgânico como agora. De facto, este é um disco que apela muito à natureza, ao ambiente e ao modo como o autor, colocando-se na primeira pessoa, nos transmite memórias de um passado rico em experiências e vivências num Equador riquíssimo em belezas naturais e ancestralmente muito ligado à terra e aos recursos que a mesma nos oferece de mão beijada, quando é devidamente respeitada.

Gemini And Leo, o segundo tema do alinhamento de Far In e o primeiro avanço divulgado deste novo registo de Helado Negro há alguns meses atrás, elucidou-nos desde logo esta ligação que o disco iria ter à natureza. E, sonoramente, também nos fez prever que, como se veio a concretizar, o autor iria ampliar as suas já habituais experimentações com samples e sons sintetizados, com referências sonoras eminentemente cruas, para recriar um clima ainda mais acolhedor e imediato que o habitual e que encarnasse na perfeição o espírito muito particular e simbólico que pretende para esta nova etapa da sua carreira e da sua música.

Far In escorre sorrateiramente pelos nossos ouvidos e os nossos apurados sentidos voltam a ficar em sentido perante Outside The Outside, canção que mantém o autor nessa tão propalada demanda experimental, que se materializa, neste caso, numa agregação inspirada entre batidas e adornos rítmicos e melódicos ondulantes, das mais diversas proveniências instrumentais, principalmente sintéticas, enquanto Lange revive afetuosas memórias da sua infância e o modo como a sua família foi acolhida nos Estados Unidos da América. Depois, a cereja no topo do bolo está guardada para outro fruto, La Naranja, tema muito focado no prazer do usufruto das coisas simples da vida, como um simples sumo de laranja e sonoramente com uma vibração particularmente luminosa e tropical, impressionando pelo modo como a orquestralidade dos arranjos de violino vagueia pela batida sem nunca abafar o seu vigor e impetuosidade.

Far In é, em suma, uma coleção irrepreensível de sons inteligentes e solidamente construídos, mais um naipe de belíssimas canções que são mais um momento marcante deste músico sedeado em Brooklyn, um alinhamento com forte pendor temperamental e com um ambiente feito com cor, sonho e sensualidade. Nele percebe-se esta filosofia de alguém positivamente obcecado pela evocação de memórias passadas e, principalmente, pela concretização sonora de sensações, estímulos, reações e vivências cujo fato serve a qualquer comum mortal. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 21:23

Gang Of Youths - tend the garden

Terça-feira, 16.11.21

Os Gang Of Youths são uma banda australiana formada por David Le'aupepe (vozes e guitarra), Max Dunn (baixo), Jung Kim (guitarra, teclados), Donnie Borzestowski (bateria) e Tom Hobden (violinos, teclados e guitarra). Kim é descendente de um casal coreano e norte-americana, Dunn é da Nova Zelândia, Borzestowski é descendente de um casal polaco e australiano, Hobden é de terras de Sua Majestade e o pai de Le'aupepe é natural da Samoa e a mãe uma austríaca com raízes judaícas. Sedeados em Sidney, estrearam-se nos discos em dois mil e quinze com o registo The Positions, que teve, à época, excelente aceitação da crítica.

This Week's Model — Gang of Youths, “Tend the Garden” – Coffee for Two

Em dois mil e vinte e um os Gang Of Youths têm estado particularmente ativos. Lançaram em julho o EP Serene e há algumas semanas atrás revelaram uma canção intitulada The Man Himself. Agora, em pleno outono no hemisfério norte, confirmam ter um novo álbum na forja. Chama-se Angel In Realtime, irá ver a luz do dia em fevereiro e dele já podemos escutar o single tend the garden.

Angel In Realtime encontra a sua grande inspiração no pai de David Le'aupepe, um nativo da Samoa, como já referi, que emigrou para a Austrália, tendo passado antes pela Nova Zelândia. O tema tend the garden debruça-se sobre o ofício desse Samoês, que era jardineiro e que exercia a profissão de modo apaixonado, colocando sempre um misto de energia e de sensibilidade nas suas criações, que ele considerava serem manifestações vivas de uma forma de arte única. Os Gang Of Youths quiseram encontrar a maior similaridade possível entre a canção e este modo de viver do pai de Le'aupepe e conseguiram-no porque é uma composição plena de exuberância e de majestosidade e que nos permite a absorção plena e dedicada de uma assumida quietude algo celestial, onde o retro se confunde com charme, uma simbiose à qual é impossível ficar indiferente, até porque se situa num patamar superior de abrangência. Confere tend the garden e o alinhamento de Angel In Realtime...

01 “you in everything”
02 “in the wake of your leave”
03 “the angel of 8th ave.”
04 “returner”
05 “unison”
06 “tend the garden”
07 “the kingdom is within you”
08 “spirit boy”
09 “brothers”
10 “forbearance”
11 “the man himself”
12 “hand of god”
13 “goal of the century”

 

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publicado por stipe07 às 19:10

Palace - Fade & Gravity

Segunda-feira, 15.11.21

Sedeados em Londres, os Palace consomem a sua criatividade na esfera de um indie alt-rock expansivo e encharcado em emotividade, que encontra fortes reminiscências no catálogo de nomes tão credenciados como os DIIV, Alt-J ou os My Morning Jacket. No centro das criações sonoras do projeto está quase sempre o inconfundível falsete de Leo Wyndham, o vocalista dos Palace, que nos faz recordar facilmente a maravilhosa tonalidade que era imagem de marca do saudoso Jeff Buckley.

PALACE return with new single 'Gravity' - Listen Now | XS Noize | Online  Music Magazine

Depois de no início do passado mês de outubro o projeto ter revelado a canção Lover (Don’t Let Me Down), o primeiro avanço de Shoals, o novo disco da banda, agora chega a vez de conferirmos, em dose dupla, Fade e Gravity. Estas duas composições também irão fazer parte do alinhamento de Shoals, na terceira e quarta posições, respetivamente, um álbum que tem o lançamento agendado para vinte e um de janeiro de dois mil e vinte e dois, através do consórcio Avenue A/Fiction. Shoals sucede aos registos So Long Forever, o trabalho de estreia, lançado em dois mil e dezasseis e Life After, editado há dois anos, em dois mil e dezanove.

Fade é uma canção que aborda a sempre estreita relação entre o corpo e a mente e o modo como a forma como o nosso lado mais físico responde a determinados estímulos exteriores pode influenciar, mais cedo ou mas tarde, a nossa sanidade mental. Já Gravity aborda a ténue fronteira entre o mundo dos sonhos e a vida real e que muitas vezes é o fenómenos físico da gravidade que acaba por nos acordar para o óbvio. As duas canções são belíssimos instantes sonoros, plenos de soul, que, com bravura, serenidade e exaltação, nos remetem, curiosamente, para a melhor herança do trip-hop britânico que nomes como os Zero 7 ou os Archive cimentaram no início deste século. Confere Fade e Gravity e o alinhamento de Shoals...

Never Said It Was Easy
Shame On You
Fade
Gravity
Give Me The Rain
Friends Forever
Killer Whale
Lover (Don’t Let Me Down)
Sleeper
Salt
Shoals
Where Sky Becomes Sea

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publicado por stipe07 às 20:55

They Might Be Giants – Book

Domingo, 14.11.21

Três anos depois do excelente registo My Murdered Remains, os They Might Be Giants, uma banda norte-americana de rock alternativo do Massachusetts, formada por John Flansburgh, John Linnell, Dan Miller, Danny Weinkauf e Marty Beller, estão de regresso com um novo disco intitulado BOOK. Trata-se, na verdade, de um livro com cento e quarenta e quatro páginas, acompanhado por uma banda sonora constituida por quinze canções, um compêndio que resulta de uma colaboração direta do grupo norte-americano com o designer gráfico Paul Sahre e o fotógrafo de rua Brian Karlsson, que reside em Brooklyn, Nova Iorque.

ALL WRITE NOW – THEY MIGHT BE GIANTS PUMP UP THE VOLUME ON NEW ALBUM 'BOOK'  – Essentially Pop

Book é então, na prática, o vigésimo terceiro registo dos They Might Be Giants e em pouco mais de meia hora oferece-nos um indie rock de extraordinário calibre, encharcado com uma altivez indisfarcável, um disco que merece, logo à partida, todos os elogios porque, independentemente da nossa ligação afetiva à banda ou à sua sonoridade, garante intensidade, animação e diversão a quem se predispuser, de mente aberta e corpo gingado, a deixar-se embuir por uma cartilha interpretativa única e com um adn muito peculiar.

Book foi, de facto, idealizado à boleia de uma filosofia sonora interpretativa que privilegiou exercícios abertos e descomprometidos de excentricidade experimentalista, algo que é, como todos sabemos, um traço típico dos They Might Be Giants e que tem vindo a ser apurado numa notável carreira com cerca de três décadas que parecem confluir neste catálogo de irrepreensíveis canções que, em pouco mais de três minutos, além de nos iluminarem com um travo tremendamente nostálgico e aditivo, também têm inovação e contemporaneidade a rodos.

Assim, e falando do passado, se temas como Part Of You Wants To Believe Me, ou o travo surf rock de Moonbean Rays e o charme de Lord Snowden, nos trazem à memória o melhor catálogo de nomes tão preciosos como os Beach Boys ou os The Beatles, já I Can't Remember The Dream, uma composição com uma rara graça, que se projeta através de um riff de guitarra claramente inspirado na versão de Louie Louie que os Kingsmen fizeram em mil novecentos e sessenta e três e que era um original de Chuck Berry e que acabou por ser o grande sucesso do disco The Kingsmen In Person lançado por esta mítica banda de garage rock de Portland, nesse ano, nos proporciona, com esse olhar fulminante para o passado, com traços ainda mais vibrantes de uma época imprescindível para as fundações da história da música alternativa. 

Outro motivo de enorme interesse neste álbum é o futuro, a percepção de que os momentos inovadores assentam, maioritariamente, em fabulosos instantes de bizarria e salutar improviso. Logo a abrir o registo, o modo como em Synopsis to Latecomers o orgão e a bateria se entrecruzam com a guitarra, ou em Drow The Clown, uma canção que se projeta através de uma linha de teclado claramente inspirada, a forma como as teclas e cordas se abraçam sem qualquer receio, assim como o poder único do baixo de I Lost Thursday, são exemplos felizes de que esta é uma banda indispensável no momento de se criar uma listagem dos projetos que atualmente podem ser considerados influências fundamentais na hora de descrever os cânones fundamentais do pop rock alternativo moderno. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 15:57

Luciano Mello & Orchestra Falsa - Vazio

Quinta-feira, 11.11.21

Luciano Mello é um compositor, cantor, pianista e arranjador brasileiro. Tem obras gravadas por Elza Soares, uma das mais importantes cantoras do Brasil na atualidade e também por Marina Lima, entre outros nomes da MPB. Luciano Mello, que atualmente vive em Braga, tem quatro álbuns disponíveis nas plataformas de streaming de música, além de singles, EPs e inúmeras bandas sonoras compostas para teatro, dança e algumas incursões pelo cinema. Conhecido pelas composições, tem também o seu nome marcado pelos espetáculos de lançamento de seus álbuns, verdadeiras performances multimédia em que vídeo, música eletrónica e acústica dialogam, proporcionando ao público uma experiência de imersão ímpar.

Luciano Mello & Orchestra Falsa antecipam disco Vida Portátil com single “ Vazio” – Glam Magazine

Luciano Mello é também o criador do conceito Orchestra Falsa, uma orquestra construída de samples de gravações antigas, que eleva a sonoridade única das suas produções.

Vazio é o primeiro single do mais recente álbum de Luciano Mello, Vida Portátil. A sua inspiração partiu de uma notícia despercebida que o compositor leu num jornal e que contava como um jovem brasileiro foi a Portugal, mais precisamente ao Porto, encontrar o amor da sua vida, amor este que conheceu na internet e que ao chegar, não viu nada, não viu ninguém, encontrou tudo vazio. Ao procurar o amor nas redes sociais, o jovem constatou que tudo tinha sido apagado, não havia rasto de quem o tinha chamado. Luciano sabe que esta não é a primeira vez que uma história assim acontece e que talvez não seja a última, a internet e sua tecnologia permitem que alguém se personifique num desejo não existente e que simplesmente se esfume durante o voo de outro alguém. 

Com arranjos de travo contemporâneo e uma trama instrumental composta por piano acústico, um sintetizador analógico, uma caixa de ritmos em loop e a voz, Mello forja a sua Orchestra Falsa, a orquestra secreta em que ele mesmo toca ou simula todos os instrumentos, para criar este tema Vazio, que já tem direito a um vídeo assinado pelo artista visual Patrick Tedesco que propôs imagens do artista numa posição de desamparo, como alguém que chega a um lugar desconhecido e está prestes a desintegrar-se. Confere...

Instagram https://www.instagram.com/lucianomellomusic

Spotify https://open.spotify.com/artist/1czaUSU8DQjQPD4HVo3eSg

YouTube https://www.youtube.com/lucianomellomusic

Bandcamp https://lucianomello.bandcamp.com/

Tratore - perfil do artista https://tratore.com.br/um_artista.php?id=35792

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publicado por stipe07 às 18:09

Spiritualized - Always Together With You

Terça-feira, 09.11.21

O extraordinário registo And Nothing Hurt, de dois mil e dezoito, assinado pelo projeto britânico Spiritualized, tem finalmente sucessor. Everything Was Beautiful é o nome do novo alinhamento da banda de Jason Pierce e irá ver a luz do dia a vinte e cinco de fevereiro próximo, com as chancelas da Bella Union e da Fat Possum.

Spiritualized Announce New Album: Hear "Always Together With You"

Everything Was Beautiful contém sete composições que foram gravadas em mais de uma dezena de estúdios diferentes e com um elevado naipe de músicos convidados legível nos seus créditos, incluindo Poppy, a filha de Jason Pierce, músico, cantor e compositor extraordinário e que também toca variadíssimos instrumentos durante o alinhamento daquele que será o nono disco do grupo.

Always Together With You, o tema que abre o alinhamento de Everything Was Beautiful, é o primeiro single retirado do disco, uma estrondosa composição gravada pela primeira vez em dois mil e catorze, na altura com uma roupagem mais agreste e intitulada, à época, Always Forgetting With You (The Bridge Song), sob o pseudónimo Mississippi Space Program.

Esta canção é mais um bom exemplo de variações eletromagnéticas emanadas por planetas, ruídos intergaláticos e uma série de elementos que ao serem posicionados de forma correta se transformam em música. O tema segue a linha condutora mais experimental de registos dos Spiritualized como Sweet Heart, Sweet Light, na medida em que que nos permite aceder a uma outra dimensão musical com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde, no final, tudo soa utopicamente perfeito. Confere Always Together With You e a tracklist de Everything Was Beautiful...

01 Always Together With You
02 Best Thing You Never Had (The D Song)
03 Let It Bleed (For Iggy)
04 Crazy
05 “he Mainline Song
06 The A Song (Laid In Your Arms)
07 I’m Coming Home Again

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publicado por stipe07 às 10:32

Suuns - The Witness

Segunda-feira, 01.11.21

Os Suuns são um dos segredos mais bem guardados do panorama alternativo canadiano. Apareceram em dois mil e sete pela mão do vocalista e guitarrista Ben Shemie e do baixista Joe Yarmush, aos quais se juntaram, pouco depois, o baterista Liam O'Neill e o teclista Max Henry. Estrearam-se nos álbuns em dois mil e dez com Zeroes QC e três anos depois chegou o extraordinário Images Du Futur, um trabalho que lhes elevou o estatuto grandemente, tendo merecido enormes elogios, não só no Canadá, mas também nos Estados Unidos e na Europa. Já na segunda metade da última década a dose dupla Hold/Still e Felt manteve a bitola elevada, dois discos que confirmaram definitivamente que estamos na presença de um grupo especial e distinto no panorama indie e alternativo atual.

SUUNS announce new album “The Witness”, out September 3rd | Secret City  Records

The Witness, o quinto e mais recente disco da carreira dos Suuns, verdadeiros músicos e filósofos, além de não colocar minimamente em causa a herança do projeto, oferece-nos, principalmente ao nível da escrita e da composição, mais um fantástico naipe de canções com um forte cariz impressivo e realístico. Neste alinhamento de oito canções, que tem na sua génese o jazz experimental, explícito, por exemplo, nos sopros e no baixo da sonhadora Clarity, mas também na pafernália de ruídos sintéticos que abastecem The Fix, nomeadamente no modo como as cordas espreitam no meio do caos, os Suuns refletem sobre a contemporaneidade que os inquieta e os absorve, criando um alinhamento sedutoramente intrigante, bem no centro de um noise rock apimentado, convém também dizê-lo, por uma implícita dose de punk dance.

Este piscar de olhos a terrenos mais progressivos e concorrenciais, digamos assim, torna-se explícita na desafiadora Witness Protection, mas The Witness ganha contornos de excelência quando abraça a eletrónica mais ambiental. Go To My Head, um tratado de luminosidade atmosférica bastante peculiar e climática, é a canção que de modo mais explícito carrega nos ombros esta medalha, mas Timebender é o exemplo máximo e mais feliz deste modus operandi sem paralelo, que baliza The Witness. É uma composição de forte travo R&B, repleta de sons da natureza das mais diversas proveniências, mescladas com um registo vocal robótico, que além de nos aproximar de uma sonoridade algo amena e introspetiva, também nos interpela com a ambiguidade atual em que vivemos ,entre a preservação do nosso lar e, fruto do avanço tecnológico, o rumo desenfreado até um futuro imprevisível.

Simultaneamente existencial e sinistro e arrebatadoramente humano, The Witness é, talvez, o disco mais cândido e direto do grupo. Assenta numa definição estrutural quase metódica e, independentemente das diversas abordagens que cada canção contém, tem aquele toque experimental que nos faz crer, logo à primeira audição, que este é um disco colossal, mas também tremendamente reflexivo. Os pássaros que chilrreiam e os trompetes que espreitam por entre cascatas de sintetizações várias, que se sucedem com uma cadência perfeita, em Third Stream, avisam-nos, no imediato, que este é um disco cinematograficamente luminoso, mas também profundamente orgânico, projetado num conjunto de canções com uma base sonora bastante peculiar e climática, ora banhadas por um doce toque de psicadelia narcótica a preto e branco, ora consumidas por um teor ambiental denso e complexo. The Witness é, em suma, música futurista para alimentar uma alquimia que quer descobrir o balanço perfeito entre idealismo e conflito, criada por músicos assertivos, mas também capazes de romper limites, quer entre belíssimas sonorizações instáveis, mas também no seio de pequenas subtilezas, numa busca clara de harmonia entre a celebração e o apoteótico. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 20:01

All We Are – Eden

Quinta-feira, 28.10.21

Depois de no ano passado terem subido à ribalta com Providence, o terceiro disco de uma já interessante carreira, os ingleses All We Are têm um novo tema intitulado Eden, que pode muito bem vir a ser o pronúncio de um novo alinhamento do trio de Liverpool.

All We Are cover Caribou's 'Can't Do Without You' | News | DIY Magazine

Produzida por Al Doyle e Joe Goddard dos Hot Chip, Eden é uma estrondosa canção, que nos remete, no imediato, através do registo percussivo, do perfil encorpado do baixo, da distorção da guitarra e do perfil vocal para o melhor catálogo do mítico Prince. Nela, os All We Are, enquanto fazem uma espécie de ode ao malogrado artista de Minneapolis, piscam o olho à soul e ao R&B mais retro, assim como ao discosound dos anos oitenta, convidando-nos, durante pouco mais de quatro minutos, a uma postura corporal enleante e que, fisicamente, não deixa de nos induzir com um grau elevado de lisergia. Confere...

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publicado por stipe07 às 17:40






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