Sábado, 16 de Junho de 2018

Hooded Fang – Dynasty House EP

Já chegou aos escaparates à boleia da DAPS Records Dinasty House, o novo EP dos canadianos Hooded Fang, uma banda natural de Toronto, formada por April Aliermo, Daniel Lee, D. Alex Meeks e Lane Halley e que do blues dos anos sessenta, ao punk setentista, passando pelo rock experimental e de garagem, são competentes na forma como abordam diferentes estilos e tendências dentro do universo sonoro mais alternativo. Este EP sucede ao aclamado álbum Venus On Edge, editado há pouco mais de dois anos, um alinhamento que chamou ainda mais a atenção da crítica para o grupo e com temas que chegaram a fazer parte da banda sonora de vários anúncios comerciais em televisões europeias e em programas de televisão norte-americanos, tais como The Flash, Parenthood e CSI New York.

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Este quarteto tem vindo a apresentar, registo após registo, um som cada vez mais adulto e intrincado, com uma forte tonalidade urbana e típica dos subúrbios. O baixo e a guitarra abrasiva de Nene Of The Light, o single entretanto extraído de Dinasty House, é uma boa amostra desta evolução e os desvios rítmicos percussivos dessa canção, clarificam um trabalho exploratório que tem feito sempre parte do adn dos Hooded Fang que, sem colocarem de lado a essência pop dos anos sessenta e setenta, usam uma impressiva veia experimentalista para piscarem com cada vez maior confiança o olho a um universo ainda mais progressivo e sombrio.

Embrenhamo-nos corajosamente em Dinasty House e, ainda sem sabermos que, lá mais para o ocaso, o solo do baixo de Mama Pearl vai convencer definitivamente os mais cépticos acerca da excelência criativa destes Hooded Foang, a distorção metálica e as insinuantes cadências rítmicas de Queen Of Agusan Del Norte e o devaneio fortememente etílico que transborda do andamento punk de Sister And Suns, são bons exemplos de duas canções que poderiam estar esquecidas algures numa cassete legendada com uma banda lá do bairro, que apesar de nunca ter saído de um sala de ensaios que também servia de destilaria, tinha todo o potencial para poder chegar a um universo sempre ávido de sonoridades inéditas, como parece ser o caso destes Hooded Fang, já merecedores de uma posição de relevo na esfera indie punk rock internacional

Os Hooded Fang são canadianos, mas é o rock americano, com uma produção forte e notoriamente agressiva e progressiva que se torna no verdadeiro cavalo de batalha do seu som, montado numa crueza lo fi e rugosa, muitas vezs algo inquietante, mas sempre sedutora, até porque este verdadeiro caldeirão insinuante de ruído é ordenado e feito com propósito, num grupo que, lançamento após lançamento, tem aperfeiçoado a sua linguagem sonora. Espero que aprecies a sugestão...

Hooded Fang - Dynasty House

01. Queen Of Agusan Del Norte
02. Sister And Suns
03. Nene Of The Light
04. Paramaribo Prince
05. Doñamelia
06. Mama Pearl


autor stipe07 às 12:05
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Domingo, 3 de Junho de 2018

Imploding Stars - Riverine

Três anos depois do excelente A Mountain And A Tree, da banda sonora Mizar & Alcor (2016) para a versão portuguesa do documentário From Earth to Universe e da participação com Treeless prairie na coletânea T(h)ree – Vol. 5 – Portugal – Cazaquistão – Uzbequistão (2017), os bracarenses Imploding Stars de Élio Mateus, Francisco Carvalho, Jorge Cruz, João Figueiredo e Rafael Lemos, regressaram aos discos com Riverine, disco com oito temas que, de acordo com o press release do lançamento desta banda das Taipas, aborda o princípio da compreensão dos diferentes estágios de desenvolvimento da vida humana, desde o momento que nascemos até o momento que morremos. Durante a nossa vida, experimentamos diferentes sensações que levam à criação de memórias. No entanto, estamos normalmente limitados aos limites da perceção humana e às decisões sobre o que é bom ou mau nas bifurcações que vamos encontrando. Mas afinal o que é bom ou mau? E se não houver limites nessa perceção humana? E se pudéssemos, de alguma forma, viver para sempre ou reviver.

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Sendo assim, no alinhamento de Riverine os Imploding Stars recriaram com notável mestria os diferentes estágios temporais que fazem parte da existência humana e que, no fundo, definem o trajeto de vida de cada um de nós, sendo possível, tendo em conta a abordagem da banda a esse ideário, cada ouvinte, à medida que se embrenha no álbum, adaptar os temas à sua experiência pessoal e aos seus pensamentos, experiências, sonhos, conquistas e desejos.

A partir desta permissa e tendo-a bem presente, as oito canções avançam na sequência lógica desses tais estágios de desenvolvimento (nascimento, infância, adolescência, idade-adulta meia-idade, velhice, morte e renascimento), com cada composição a retratar de modo sui generis um clima sonoro que encontra paralelismo na essência de cada um desses estágios e aquelas que são as nossas formas mais comuns de pensar, de ser, de agir e de comunicar nessa fase da nossa vida. Por exemplo, se Birth é um tema mais contemplativo, já Adulthood são nove minutos de altos e baixos, mudanças ritmícas e melódicas e Senescence tem um travo mais nostálgico e, no final, algo inquietante, retratando fielmente o ocaso.

Transversal ao alinhamento é a sua beleza utópica. Nele os Imploding Stars reproduziram um bloco único de som feito de belas orquestrações, que vivem e respiram, lado a lado, com distorções e arranjos que alicerçam esta busca de uma expressão melódica incisiva e inteligente da nossa natureza animal e dos sentimentos inerentes à nossa condição de humanos. De facto, em Riverine tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do projeto tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. É, como se percebe, um álbum conceptual, que impressiona por uma beleza utópica que explora ao máximo a relação sensorial humana, através de um som espacial, experimental, psicadélico, barulhento e melódico que atiça todos os nossos sentidos, ,as também um disco que nos fecha dentro de um mundo muito próprio, místico e grandioso, onde tudo flui e se orienta de modo a fazer-nos levitar, enquanto ficamos certos que passa pelos nossos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que está a deixar marcas muito positivas e sintomas claros de deslumbramento. Espero que aprecies a sugestão... 


autor stipe07 às 18:10
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Sábado, 2 de Junho de 2018

Mazzy Star – Still EP

Quatro anos depois de Seasons Of Your Day, os Mazzy Star de David Roback e Hope Sandoval estão de regresso à boleia da Rhymes of an Hour Records com um ep intitulado Still, um alinhamento de três originais e uma nova versão do clássico da banda So Tonight That I Might See, gravado pela primeira vez há vinte e cinco anos e que deu nome ao disco que a banda lançou em mil novecentos e noventa e três. Recordo que esse disco e o antecessor She Hangs Brightly (1990) cimentaram a posição dos Mazzy Star no universo mainstream, mas sem fazer deles um fenómeno à escala global. Tornaram-se numa espécie de segredo mal guardado, mas que acabou por cimentar muito do que hoje se escuta no campo da dream pop. O próprio fenómeno trip hop, que começava à época a dar cartas, por intermédio, principalmente, dos Massive Attack, foi mais uma distração que o grande público e os media tiveram e que os Mazzy Star aproveitaram, um pouco à imagem do que fariam uns Portishead anos depois, para criarem o seu nicho devoto de seguidores e conseguirem manter a sua identidade musical intacta sem terem de ceder e de se sujeitar às orientações da editora e às regras do mercado. Depois de terem editado três álbuns na década de noventa (além dos discos referidos, Among My Swan viu a luz do dia em mil novecentos e noventa e seis), Roback e Sandoval dedicaram-se a alguns projetos paralelos e às suas carreiras a solo, com o já referido Seasons Of Your Day, em 2003, a marcar uma nova etapa dos Mazzy Star que recebe com este EP mais um pequeno mas qualitativamente significativo fôlego.

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Quiet, The Winter Harbor abre Still com Roback a assegurar a condução de um planante e melancólico piano, em redor do qual a voz de Sandoval divaga com a sua habitual assinatura doce e contemplativa e pela qual os anos parecem que não passam. Depois, o florescer melancólico que passeia pelas cordas e pelo efeito de That May Again e a altivez lo fi que exala do poema e do violão que conduz o tema homónimo, fazem-nos avivar a memória relativamente ao modo como fomos tocados no nosso âmago, há quase trinta anos, por uma fórmula que apostava em letras carregadas de nostalgia e melancolia e em detalhes sonoros delicados e introspetivos que nos levavam numa viagem algo sombria por um mundo tímido. Finalmente, o orgão e o reverb contínuo de So Tonight That I Might See, fornecendo-nos uma atmosfera mais psicadélica, mostram-nos uma tentativa clara da dupla em se contextualizar com algumas das novas tendências do rock mais ambiental, sem deixarem de imprimir o seu cunho identitário, numa versão plena de lisergia e espiritualidade.

Vinte e oito anos depois da estreia, este projeto californiano continua a alimentar em Still a sua saga feita de um negro romantismo que prescruta, constantemente, caminhos mais sombrios e particularmente hipnóticos e submersivos, mas que também sobrevive num clima doce e tocante, com um imenso travo a melancolia, feito ao som de canções com um sabor bucólico bastante impressivo e sentimentalmente rico. Espero que aprecies a sugestão...

Mazzy Star - Still

01. Quiet, The Winter Harbor
02. That Way Again
03. Still
04. So Tonight That I Might See (.ascension version)


autor stipe07 às 14:57
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Sexta-feira, 1 de Junho de 2018

The Flaming Lips – Greatest Hits Vol. 1

Basta fazer uma pesquisa ao histórico de Man On The Moon para perceber que no dia um de junho, o Dia Mundial da Criança é, curiosamente, o dia de ser publicado neste blogue algo sobre uma das bandas fundamentais e mais criativas do cenário musical indie e alternativo. Falo, como é natural, dos The Flaming Lips de Oklahoma, um dos projetos sonoros mais curiosos e animados da cultura musical contemporânea. Há quase três décadas que gravitam em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e em cada novo disco reinventam-se e quase que se transformam num novo projeto. Oczy Mlody foi o nome do último trabalho que este coletivo liderado pelo inimitável Wayne Coyne lançou no dealbar de 2017, uma verdadeira orgia lisérgica de sons e ruídos etéreos que direcionaram, em simultâneo, esta banda para duas direções aparentemente opostas, a indie pop etérea e psicadélica e o rock experimental, o último capítulo de uma saga alimentada por histórias complexas (Yoshimi Battles the Pink Robots), sentimentos (The Soft Bulletin) e experimentações únicas (Zaireeka) e ruídos inimitáveis (The Terror), que acaba de ser revisitada numa edição de luxo de três tomos intitulada Greatest Hits Vol. 1, que abarca todo o catálogo dos The Flaming Lips na Warner Brothers, não só os singles e temas mais conhecidos do grupo mas também alguns lados b, versões demo e temas que nunca foram gravados.

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O alinhamento de Greatest Hits, Vol. 1 começa logo nos singles editados em 1992 e retirados do mítico álbum Hit to Death in the Future Head e só termina no já referido Oczy Mlody. Todas as canções dos três discos que faem parte do lançamento foram remasterizadas a partir das gravaçoes originais, pela mão de Dave Fridmann, o produtor de sempre dos The Flaming Lips. Haverá também uma edição em vinil de Greatest Hits, Vol. 1 que condensará onze dos melhores temas do grupo, estando todo o arsenal do lançamento e material promocional disponível na página oficial do grupo a preços particularmente acessíveis.

Os The Flaming Lips causaram furor desde o início da carreira e posicionaram-se desde logo na linha da frente dos grupos que se assumem como bandas de rock alternativo mas que não se coibem de colocar toda a sua criatividade também em prol da construção de canções que obedeçam a algumas das permissas mais contemporâneas, nomeadamente a eletrónica ambiental, muito presente nos discos da banda desde Yoshimi Battles the Pink Robots. Essa busca de abrangência está muito bem plasmada nesta súmula que chega agora aos escaparates e que foi servindo para solidificar tamém o desejo da banda de construir alinhamentos temáticos, onde os temas se colocassem ao serviço de uma espécie de tratado de natureza hermética e esse bloco de composições não fosse mais do que partes de uma só canção de enormes proporções. Assim, podemos, sem receio, olhar para Greatest Hits Vol. 1 como uma grande composição que se assume como um veículo pronto a conduzir-nos numa espécie de viagem apocalíptica, onde Coyne, sempre consciente das transformações que foram abastecendo a musica psicadélica, assume o papel de guia e conta o seu percurso pessoal das últimas trêsdécadas, servindo-se ora de composições atmosféricas com marcas sonoras relacionadas com vozes convertidas em sons e letras que praticamente atuam de forma instrumental e tudo é dissolvido de forma aproximada e homogénea como de ondas sonoras expressivas relacionadas com o espaço sideral através de guitarras experimentais, com enorme travo lisérgico, ou tratados de indie rock rugoso, épico e submersivo, que não se coibem de piscar o olho ao grunge e ao próprio punk mais intuitivo.

Uma das virtudes e encantos dos The Flaming Lips foi sempre a capacidade de criarem discos algo desfasados do tempo real em que foram lançados, quase sempre relacionados com um tempo futuro, cenários imaginados e universos paralelos. E na verdade, além disso, o que eles têm feito tem sido, no fundo, musicar todas as atribulações normais da existência comum, especialmente, na algo desregulada sociedade norte americana contemporânea. A poesia dos The Flaming Lips é sempre metafórica, o que faz deles um grupo ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade, capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-los para cenários complexos, mas repletos de sensações únicas e que só eles conseguem transmitir. Espero que aprecies a sugestão...

The Flaming Lips - Greatest Hits Vol. 1

CD 1

01. Talkin’ ‘Bout the Smiling Deathporn Immortality Blues (Everyone Wants To Live Forever)
02. Hit Me Like You Did The First Time
03. Frogs
04. Felt Good To Burn
05. Turn It On
06. She Don’t Use Jelly
07. Chewin The Apple Of Your Eye
08. Slow Nerve Action
09. Psychiatric Explorations Of The Fetus With Needles
10. Brainville
11. Lightning Strikes The Postman
12. When You Smile
13. Bad Days (Aurally Excited Version)
14. Riding To Work In The Year 2025
15. Race For The Prize (Sacrifice Of The New Scientists)
16. Waitin’ For A Superman (Is It Getting Heavy?)
17. The Spark That Bled
18. What Is The Light?

CD 2
01. Yoshimi Battles The Pink Robots, Pt. 1
02. In The Morning Of The Magicians
03. All We Have Is Now
04. Do You Realize??
05. The W.A.N.D.
06. Pompeii Am Gotterdammerung
07. Vein Of Stars
08. The Yeah Yeah Yeah Song
09. Convinced Of The Hex
10. See The Leaves
11. Silver Trembling Hands
12. Is David Bowie Dying? (Feat. Neon Indian)
13. Try To Explain
14. Always There, In Our Hearts
15. How??
16. There Should Be Unicorns
17. The Castle

CD 3
01. Zero To A Million
02. Jets (Cupid’s Kiss vs. The Psyche Of Death) [2-Track Demo]
03. Thirty-Five Thousand Feet Of Despair
04. The Captain
05. 1000ft Hands
06. Noodling Theme (Epic Sunset Mix #5)
07. Up Above The Daily Hum
08. The Yeah Yeah Yeah Song (In Anatropous Reflex)
09. We Can’t Predict The Future
10. Your Face Can Tell The Future
11. You Gotta Hold On
12. What Does It Mean?
13. Spider-man Vs. Muhammad Ali
14. I Was Zapped By The Lucky Super Rainbow
15. Enthusiasm For Life Defeats Existential Fear Part 2
16. If I Only Had A Brain
17. Silent Night / Lord, Can You Hear Me


autor stipe07 às 18:27
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Terça-feira, 29 de Maio de 2018

Deerhunter – Double Dream Of Spring

Após quase década e meia de excelentes registos discográficos que consolidaram uma das carreiras mais bem sucedidas e profícuas do indie rock experimental contemporâneo, os Deerhunter de Bradford Cox acabam de anunciar a edição de The Double Dream of Spring, um registo em formato cassete, limitado a trezentas cópias, com dez temas no alinhamento. Esta edição física irá com a banda na sua próxima digressão, a ter início nos próximos dias, com dois concertos em Nova Iorque e que virá depois até à Europa, com passagem por Inglaterra, França e Alemanha. As dez canções de Double Dream Of Spring foram gravadas em Atlanta, na casa de Bradford Cox e, de acordo com um press release do grupo, antecipam também a gravação e posterior edição de um novo álbum de originais, que deverá ver a luz do dia ainda este ano e que será produzido por Cate Le Bon.

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Mestres de um estilo sonoro bastante sui generis e que mistura alguns dos arquétipos fundamentais do indie rock, sempre com uma componente pop que entronca numa acessibilidade melódica que nem sempre está na linha da frente das bandas que se movimentam neste espetro sonoro mais underground, os Deerhunter oferecem-nos em Double Dream Of Spring um conjunto de experimentações sónicas que, não renegando, em alguns instantes, aquela toada lo fi, crua e pujante, feita também de quebras e mudanças de ritmos e momentos de pura distorção, também tenta, dentro de um salutar experimentalismo, adocicar os nossos ouvidos com melodias que misturem acessibilidade, diversidade e intrincado bom gosto, sempre com enorme eficácia. Mostra-o logo o instrumental Dial’s Metal Patterns, tema que parecendo ter sido criado num momento de puro improviso, vai recebendo cordas e sopros de um modo aparentemente anárquico, o que resulta, no seu todo, numa composição que, apesar dos seus quase doze minutos, mais do que agregar diversos fragmentos, é um corpo uno e de indisfarçável leveza e beleza sonora.

A partir desse mote inicial, Double Dream Of Spring prossegue a sua senda encantatória, sempre com essa toada experimental e algo progressiva e além da base instrumental típica dos Deerhunter, temos composições repletas de arranjos fornecidos por sons do quotidiano, como é o caso de Strang's Glacier, outras em que o sintetizador é o elemento chave, nomeadamente The Primitive Baptists, ou instantes, como em Denim Opera, em que o rugoso e a crueza mais lo fi mas que nunca incomoda vem à tona. Em Lilacs In Motor Oil, por exemplo, identifica-se um xilofone, mas tudo o resto é um absoluto emaranhado que nos submerge e nos leva ao alheamento de tudo aquilo que nos pode afetar em nosso redor e quer a mágica melancolia que trespassa o xilofone e a bateria de Faulkner's Dance, quer o sintetizador irrepreensível e um efeito de guitarra que parece planar na cativante How German Is It?, solidificam o ambiente geral de um alinhamento que apela, segundo após segundo, ao que de melhor conseguem captar todos os nossos sentidos.

Double Dream Of Spring acaba por fazer, de modo inesperado e bastante subtil, uma espécie de súmula de toda a sensibilidade pop que foi balizando a evolução da carreira dos Deerhunter e que em alguns momentos foi atingida com um forte cariz épico e monumental, mas que também abrigou os seus alicerces fundamentais em instantes mais introspetivos e etéreos. Fazer uma pausa na gravação de temas com formato mais acessível acaba por ser uma consequência óbvia para um grupo que vive no pico da sua produção criativa e que exigindo e conseguido navegar sem parcimónia em diferentes campos de exploração, acaba por sentir necessidade de criar algo onde reine a imprevisibilidade, faceta que é, afinal, bastante valiosa no mundo artístico e que Bradford Cox, uma dos personagens mais excêntricas no mundo da música de hoje, tanto valoriza. Double Dream Of Spring é a materialização desse instintiva necessidade. Espero que aprecies a sugestão...

Deerhunter - Double Dream Of Spring

01. Clorox Creek Chorus
02. Dial’s Metal Patterns
03.
04. Strang’s Glacier
05. The Primitive Baptists
06. Denim Opera
07. Lilacs In Motor Oil
08. Faulkner’s Dance
09. How German Is It?
10. Serenity 1919 (Ives)


autor stipe07 às 20:39
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Segunda-feira, 28 de Maio de 2018

Capitão Fausto - Sempre Bem

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Depois da promissora estreia em 2011 com Gazela e do excelente sucessor, um trabalho intitulado Pesar o Sol, da participação em projetos como os Modernos, BISPO e El Salvador, da criação de um selo próprio e do terceiro álbum em 2016, um registo intitulado Capitão Fausto Têm Os Dias Contados, os lisboetas Capitão Fausto de Domingos Coimbra, Francisco Ferreira, Manuel Palha, Salvador Seabra e Tomás Wallenstein, acabam de revelar Sempre Bem, uma nova canção, que irá constar do quarto registo de originais do grupo. O trabalho vai-se chamar A Invenção do Dia Claro, foi gravado no Red Bull Studios São Paulo em Dezembro de 2017, pelas mãos e os ouvidos do Rodrigo Funai Costa e deverá ver a luz do dia no último trimestre deste ano.

 Segundo a banda, o disco foi imaginado para incluir a ideia que tínham de "Brasil" na sua forma habitual de fazer música. Nunca foi intenção fazê-la à maneira de lá mas sim procurar a apropriação de alguns elementos sónicos ou melódicos mais específicos, retirando-os do seu contexto habitual para servirem as suas canções. Nos textos fala-se da relação com a rotina, da complexidade das relações humanas e do fatalismo inexorável do amor.

A canção Sempre Bem contém um registo tipicamente rock, algo experimental e eminentemente cru e psicadélico, como é habitual nos Capitão Fausto e nos coros conta com a participação de Catarina Wallenstein, Constança Rosado e Madalena Tamen. O vídeo do tema foi realizado por Gonçalo Perestrelo. Confere...

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autor stipe07 às 13:52
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Quinta-feira, 24 de Maio de 2018

Parquet Courts - Wide Awake!

Lançado a dezoito de maio último por intermédio da Rough Trade Records, Wide Awake! é o novo registo de originais dos norte americanos Parquet Courts, uma banda nova iorquina formada pelos guitarristas Andrew Savage e Austin Brown, o baixista Sean Yeaton e o baterista Max Savage e um dos coletivos do universo indie e alternativo mais aclamados da última meia década, muito por culpa de canções que parecem viajar no tempo e que, disco após disco, vão amadurecendo numa simbiose certeira entre garage rockpós punk e rock, até se tornarem naquilo que são, peças sonoras que querem brincar com os nossos ouvidos, sujá-los com ruídos intermináveis e assim, proporcionarem uma audição leve e divertida.

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Abrigados numa filosofia instrumental que se tem servido fundamentalmente de arranjos sujos e guitarras desenfreadas, às vezes com uma forte índole psicadélica, os Parquet Courts sempre foram uma banda insatisfeita com o seu adn e disposta a potenciar o seu som de acordo com o momento criativo do coletivo, sem grandes preocupações acerca de eventuais limites ou fronteiras relativamente a esse exercício libertário. Tal opção acabou por fazer do cardápio já disponível do grupo, um emaranhado heterogéneo, que ganha ainda maior abrangência neste Wide Awake!, provavelmente o disco mais eclético e abrangente dos Parquet Courts. E isso também sucede porque além de terem criado Wide Awake! na fase mais madura da sua curta, mas já rica, carreira, também é clara a vontade de baterem com ainda maior estrondo às portas de um sucesso que materialize uma superior e merecida exposição do projeto a um número cada vez maior de ouvintes e de críticos. Sendo assim, a missão está cumprida porque este quarteto é, sem sombra de dúvidas, um dos coletivos mais excitantes e inovadores da atualidade, dentro do espetro musical em que se movimenta.

Se logo nos loopings bizarros da insana cartilha de garage folk que costura o punk shoegaze incisivo de Total Football se percebe que, como é norma no projeto, Wide Awake! é um disco muito concentrado no uso das guitarras, logo a seguir, no devaneio psicadélico funk de Violence, regista-se um incremento da importância da sintetização, com as teclas que conduzem a melodia de Before The Water Gets Too High a cimentarem de modo particularmente impressivo esta nuance, à qual não será alheia a escolha de Danger Mouse para a produção do registo.

O modo harmonioso e eficaz como este núcleo parece funcionar também deve muito ao caos aparente que reina no seu seio. Aí, cada um extraí o melhor de si próprio, dentro das suas responsabilidades líricas e instrumentais, mas fá-lo para proveito imediato do todo. Por exemplo, chega-se ao âmago do disco e em Freebird II fica latente uma certa tensão entre aquilo que é essa individualidade de cada um dos executantes do grupo e a mente de Andrew Savage, que canta uma canção escrita pelo próprio e dedicada à sua mãe e onde disserta sobre a importância dela num período da sua vida em que dominou a solidão e a adição a algumas substâncias psicotrópicas. O espírito descontraído e vibrante da vertente instrumental do tema, contradiz, de algum modo, o cariz depressivo do poema, mas este paradoxo é já uma imagem de marca e funciona, como se percebe na composição, na perfeição. Depois, Mardi Gras Beads, o tema mais etéreo e contemplativo de Wide Awake!, dissertando sobre um vocalista de uma banda punk que sonha constantemente em flutuar sobre uma multidão em êxtase, reforça esse paradoxo e a antítese entre aquilo que é a realidade lírica e a materialização sonora de algumas das canções deste alinhamento. Além disso, o groove setentista do punk rock de Normalization, o piscar de olhos assumidamente sexy a um coito efervescente entre o jazz, a bossa nova e a tropicália no tema homónimo e o blues fumarento e sulista do piano de Tenderness, carimbando de modo qualitativamente superior a tal abrangência, mostra-nos que a banda está a mover-se muito rapidamente para um universo sonoro bastante mágico e com um estilo muito vincado e identitário, sendo difícil prever quais serão, daqui para a frente, os próximos passos musicais dos Parquet Courts.

Independentemente de todas as referências nostálgicas e mais contemporâneas que Wide Awake! possa suscitar, este tomo raivoso de canções que mostram os dentes sem receio, possibilita-nos apreciar uns Parquet Courts renovados, enérgicos e interventivos, instalados no seu trabalho mais divertido, mas também ousado, uma sucessão incrível de canções que são passos certos e firmes para um futuro que não deverá descurar um piscar de olhos a ambientes ainda mais experimentalistas, sem colocar em causa esta óbvia e feliz vontade de chegarem a cada vez mais ouvidos. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 20:50
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Terça-feira, 22 de Maio de 2018

Damien Jurado – The Horizon Just Laughed

Já chegou aos escaparates um disco novo de Damien Jurado. Chama-se The Horizon Just Laughed e é o décimo terceiro álbum de estúdio deste cantautor norte-americano, sucedendo a Visions Of Us In The Land, disco de 2016 que pôs fim a uma trilogia iniciada com Maraqopa (2012), registo ao qual se seguiu Brothers and Sisters of the Eternal Son, dois anos depois.

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Produzido pelo próprio Jurado e gravado com uma pequena banda num modesto estúdio na Califórnia, The Horizon Just Laughed volta a justificar porque é que Damien Jurado é um dos nomes fundamentais da folk norte americana e um dos artistas que melhor tem sabido preservar algumas das caraterísticas mais genuínas de um cancioneiro que dá enorme protagonismo ao timbre acentuado e rugoso das cordas para dissertar crónicas sobre uma América profunda e muitas vezes oculta, não só para os estrangeiros, mas também para muitos nativos que desde sempre se habituaram à rotina e aos hábitos de algumas das metrópoles mais frenéticas e avançadas do mundo, construídas num país onde ainda é possível encontrar enormes pegadas de ancestralidade e que inspiram calorosamente este músico.

Como é apanágio na discografia de JuradoThe Horizon Just Laughed começou com um sonho que, no caso deste registo, acabou por culminar em onze das canções mais complexas e incisivas da discografia do autor, que já confessou ser este o seu trabalho mais pessoal e enraizado, ainda mais do que aquilo que sucedeu na trilogia Maraqopa.
Ao longo dos cerca de trinta e sete minutos da obra, todas as notas, melodias, versos, acordes, palavras, ideias e arranjos posicionam-se com o firme propósito de apresentar um cantor simultaneamente simples e genuíno, mas também sofisticado, não faltando, nas suas canções, além da típica folk acústica, também abordagens ao samba, ao rock e à pop, numa narrativa sonora vibrante onde vozes e instrumentos compôem um painel muito impressivo que acaba por se tornar num dos momentos maiores da sua carreira, principalmente pelo modo como nele este músico se coneta com a sua mente e os seus dilemas e desejos mais profundos e assim se expôe triunfalmente, sem receio e despudor, tornando-nos confidentes de alguns dos arquétipos essenciais da sua intimidade maior. Espero que aprecies a sugestão...

Damien Jurado - The Horizon Just Laughed

01. Allocate
02. Dear Thomas Wolfe
03. Percy Faith
04. Over Rainbows And Rainier
05. The Last Great Washington State
06. Cindy Lee
07. 1973
08. Marvin Kaplan
09. Lou – Jean
10. Florence – Jean
11. Random Fearless


autor stipe07 às 22:32
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Domingo, 20 de Maio de 2018

The Dirty Coal Train - Portuguese Freakshow

Depois de quatro álbuns, uma compilação e cinco singles, já está nos escaparates Portuguese Freakshow, o novo disco do projeto The Dirty Coal Train que nasceu da mente do casal Ricardo Ramos e Beatriz Rodrigues, uma dupla natural de Viseu e a residir em Lisboa, que se tem assumido na presente década como uma das bandas mais excitantes do garage rock nacional. É um longo registo com quase quatro dezenas de temas e que conta com vários convidados especiais, nomeadamente Carlos Mendes (Tédio Boys, The Parkinsons, The Twist Connection), Nick Nicotine (The Act-Ups, Ballyhoos, The Jack Shits, Bro X), Victor Torpedo (The Parkinsons, Subway Riders), Ondina Pires (The Great Lesbian Show, Pop Dell'Arte), Fast Eddie Nelson (Big River Johnson, Fast Eddie & the Riverside Monkeys), Captain Death (Tracy Lee Summer) e Mário Mendes (Conan Castro & the Moonshine Piñatas), entre outros, um projeto megalómano bem sucedido lançado em vinil pela Groovie Records em parceria com a Garagem Records, tendo sido gravado nos estúdios Golden Pony em Lisboa e no King no Barreiro.

Cheio de acordes rápidos e batidas viciantes, Portuguese Freakshow é um tratado de rock crú e direto, hora e meia de completo transe roqueiro feito com originais, mas também com versões de clássicos, de bandas tão distintas como os Residents, The Animals, Richard & The Young Lions, The Standells, Marti Barris e Beat Happening, entre outros. No seu alinhamento cruzam-se diferentes universos desse espetro sonoro, desde o garage, ao punk sessentista, passando pelo blues, o próprio metal, o rockabilly e o surf rock. Este elevado ecletismo aliado a uma enrome segurança e vigor interpretativos, além de proporcionarem ao ouvinte  contacto com uma personalidade e uma amplitude sonora algo agressiva, no bom sentido, tem como grande cereja no topo, para quem conhecer os trabalhos anteriores dos The Dirty Coal Train, permitir a perceção de que a dupla ampliou a técnica e o apuro interpretativo, quer instrumental quer vocal, com a percussão a ser um dos aspetos em que isso mais se nota, mas com os riffs e os efeitos das guitarras a exalarem também novas nuances, que não se coibem de penetrar por territórios mais intrincados e progressivos, nomeadamente quando deambulam pelos algumas experimentações eletrónicas.

Álbum que impressiona pelo seu todo e repleto de referências a seres fantásticos e ao cinema mais alternativo, Portuguese Freakshow acaba por ser um retrato sonoro bastante interessante e impressivo acerca da nossa realidade atual enquanto povo, que parece muitas vezes bastante desligado da realidade e a viver num permanente estado de alienação que é aqui de certo modo documentado com uma elevada dose de humor, ironia e simbolismo. o registo foi produzido pelos próprios Ricardo Ramos e Beatriz Rodrigues e o artwork é da autoria de Olaf Jens. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:34
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Quarta-feira, 16 de Maio de 2018

Beach House – 7

Quase três anos depois da dose dupla que foi Depression Cherry e Thank Your Lucky Stars, o quarto e o quinto discos da dupla Beach House, lançados em 2015 e de terem limpo o armário o ano passado com B-sides e Rarities, este projeto sedeado em Baltimore, no Maryland, formado pela francesa Victoria Legrand e pelo norte americano Alex Scally tem novo álbum já nos escaparates. É um trabalho intitulado 7 e foi misturado por Alan Moulder, tendo sido gravado no estúdio da banda em Baltimore e também nos estúdios Carriage House em Stamford e nos estúdios Palmetto Studio em Los Angeles.

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7 viu a luz do dia a onze de maio e, felizmente, mantem intacta aquela habitual toada simples e nebulosa da dupla, uma filosofia sonora bastante melódica e etérea, plena de sintetizadores assertivos e ruidosos e guitarras com efeitos recheados de eco, aspectos fundamentais da sonoridade do projeto e transversais aos registos anteriores. No entanto, 7, contendo estes pilares da aura melancólica e mágica de um projeto que vive em redor da voz doce de Victoria e da mestria instrumental de Alex, exemplarmente replicados no intimismo perene de Pay No Mind e no clima simulaneamente etéreo e pastoso de L’Inconnue, tem a novidade maior de se aproximar com superior gula de algumas referências óbvias de finais do século passado. Este propósito está explícito logo no edifício instrumental nada minimal que sustenta Dark Spring, canção que ao abrir de modo irrepreensível este 7, clarifica a vontade da dupla de fornecer maior luminosidade às canções, através de um rock mais expansivo e a piscar o olho aquele shoegaze que tradicionalmente assenta na orgânica típica das guitarras ritmadas e intensas, cruzadas com efeitos sintetizados com elevado teor sintético e que parecem querer personificar uma estranha escuridão interestelar.

7 prossegue sempre em modo levitação e quando se chega, num crescendo de corpo e emoção, à distorção inebriante que conduz Drunk In LA e à exuberância barroca do sintetizador que se cruza com uma subtil passagem pelas cordas em Dive, assim como à espiral instrumental disposta em camadas finíssimas em redor de quatro cliques repetitivos em Black Car e ao andamento sentimentalmente pronunciado e épico de Lose Your Smile, sentimo-nos invariavelmente impregnados por um ambiente contemplativo fortemente consistente, que encarna um notório marco de libertação e de experimentação e nos agarra pelos colarinhos sem dó nem piedade, sugando-nos para um universo pop feito com uma sonoridade tão preciosa, bela, silenciosa e fria, como só estes Beach House nos podem proporcionar.

Disco para ser apreogado aos sete ventos, 7 é mais um convincente apelo para que a nossa mente e o nosso espírito se deixem ir à boleia de uma proposta estética assente num clima abstrato e meditativo, com um impacto verdadeiramente colossal e marcante, possível de ser apreciada ao vivo e a preto e branco por cá ainda este ano. Dia vinte e cinco de Setembro os Beach House atuam no Coliseu de Lisboa antes de seguirem até ao Teatro Sá da Bandeira, no Porto, no dia seguinte. Espero que aprecies a sugestão...

Beach House - 7

01. Dark Spring
02. Pay No Mind
03. Lemon Glow
04. L’Inconnue
05. Drunk In LA
06. Dive
07. Black Car
08. Lose Your Smile
09. Woo
10. Girl Of The Year
11. Last Ride


autor stipe07 às 13:36
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