Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Flock Of Dimes – Head Of Roses

Quarta-feira, 07.04.21

A cantora e compositora Jenn Wasner, membro fundamental da banda Wye Oak, mas também com uma respeitável carreira a solo assinada como Flock of Dimes, passou por cá há alguns meses por ter dado as mãos a Roberto Carlos Lange, aka Helado Negro e a Devendra Banhart, para assinarem, em conjunto, uma versão do clássico Lotta Love de Neil Young. Agora, no pontapé de saída da primavera de dois mil e vinte e um, Flock Of Dimes tem um novo disco nos escaparates, à boleia da Sub Pop Records. Chama-se Head Of Roses, foi gravado com a ajuda de Nick Sanborn, do projeto Sylvan Esso, nos estúdios Chapel Hill e conta com as participações especiais de Meg Duffy, Matt McCaughan, membro do projeto Bon Iver, Andy Stack, colega de Jenn nos Wye Oak e Adam Schatz, dos Landlady.

Watch Flock of Dimes' official video for “Hard Way,” a new offering from  Head of Roses in Sub Pop Records News

Head Of Roses é um registo muito íntimo e pessoal, um exercício de cedência aos instintos mais básicos de Wasner que clamam que a mesma confesse a quem a quiser escutar, algumas das suas maiores angústias do momento, utilizando a música como veículo privilegiado para esse exercício comunicacional. E a autora fá-lo com uma acolhedora e charmosa filosofia auditiva, sustentada entre climas acústicos e divagações eletrónicas, tudo preenchido com alguns dos cânones fundamentais daquele rock que também tem a folk mais clássica em ponto de mira. O resultado é uma simbiose feliz entre composições mais contemplativas como a confessional Lightning, a cósmica e deambulante Hardway, ou a serena e aconchegante Walking e outras com elevada vibração e sentimentalismo. Neste último parâmetro merece amplo destaque a rugosidade e o majestoso solo da guitarra de Price Of Blue, o superior registo interpretativo vocal de One More Hour, ou a salutar confusão sonora que norteia Two, uma composição vibrante, em que a percurssão assume uma faceta muito experimental e heterogénea.

Disco com uma atmosfera sonora simultaneamente íntima e eloquente, Head Of Roses plasma a ténue fronteira que exite no âmago de todos nós e que separa a nossa necessidade de independência, da inevitabilidade de precisarmos dos outros para nos sentirmos felizes, em suma, o desejo que todos sentimos de sermos autónomos e a necessidade biológica de criarmos laços com quem amamos. É, em suma, um espelho dos tempos em que vivemos, um modo eloquente mas também intrigante de demonstrar a nossa incapacidade de percebermos que é muito pouco aquilo que controlamos realmente do nosso destino, quando comparado com aquilo que pensamos e ansiamos controlar. Espero que aprecies a sugestão...

Flock Of Dimes - Two

01. 2 Heads
02. Price Of Blue
03. Two
04. Hard Way
05. Walking
06. Lightning
07. One More Hour
08. No Question
09. Awake For The Sunrise
10. Head Of Roses

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 17:20

Chad VanGaalen – World’s Most Stressed Out Gardener

Segunda-feira, 29.03.21

Foi há poucos dias e por intermédio da Sub Pop Records que chegou aos escaparates World’s Most Stressed Out Gardenero novo trabalho do canadiano Chad Van Gaalen, um alinhamento de treze canções gravado, misturado e produzido pelo próprio nos seus estudios Yoko Eno Studio em Calgary, Alberta e masterizado por Ryan Morey em Montreal, no Quebeque.

Chad VanGaalen: 5 Albums That Changed My Life | TIDAL Magazine

Antes de tecer considerações sobre o conteúdo do alinhamento de World’s Most Stressed Out Gardener, é, como habitual, importante contextualizar o autor desta magnífica obra musical e esclarecer que Chad é, acima de tudo, um artista que domina diferentes vertentes e se expressa em múltiplas linguagens artísticas e culturais, sendo a música mais um dos códigos que ele utliza para expressar o mundo próprio em que habita e dar-lhe a vida e a cor, as formas e os símbolos que ele idealizou. E basta ouvir World’s Most Stressed Out Gardener para perceber que, realmente, Chad comunica connosco através de um código específico, tal é a complexidade e a criatividade que estão plasmadas nas suas canções, usando como principal ferramenta alguns dos típicos traços identitários de uma espécie de folk psicadélica, com uma considerável vertente experimental associada.

Esta filosofia sonora aventureira começou a ganhar forma sem rodeios em Infiniheart (2004) e Soft Airplane (2008), trabalhos que apostaram numa sonoridade folk eminentemente acústica e orgânica, mas a partir de Diaper Island (2011) e com mais vigor em Shrink Dust (2014) e Light Information (2017), o estilo foi aprimorado com um arsenal sintético cada vez mais diversificado, tendência que se mantém em World’s Most Stressed Out Gardener, um disco eclético, complexo e de audição verdadeiramente desafiante, mas altamente recompensadora.

Se dúvidas ainda existiam, World’s Most Stressed Out Gardener, o oitavo disco do autor e que tem este nome porque o músico gosta de cultivar vegetais no seu quintal e comê-los crus, como um animal no pasto, prova que é mesmo a eletrónica o terreno onde hoje musicalmente VanGaalen se move com maior conforto, utilizando-a até para reproduzir muitos dos sons mais orgânicos que podemos escutar neste álbum. Sintetizadores e teclados são a matriz do arsenal bélico com que o canadiano nos sacode e traduz em grande parte destas treze canções, que materializam, na forma de música, visões alienadas de uma mente criativa que parece, em determinados períodos, ir além daquilo que ele vê, pensa e sente, nomeadamente quando questiona alguns cânones elementares ou verdades insofismáveis do nosso mundo. A visão apocalítica que nos oferece com a sua voz profusa e decadente sobre o futuro do mundo na lindíssima balada Nothing Is Strange, ou o frenesim roqueiro que avalia os diferentes níveis de realismo de alguns pesadelos em Nightwaves, são bons exemplos desta escrita e composição emocionalmente ressonante e que parte também, muitas vezes, de premissas absurdas, como sucede na sua visão de uma pêra mágica em Golden Pear, ou uma curiosa busca por uma espada de samurai perdida, plasmada em Samurai Sword, uma das canções mais bonitas do disco. Aliás, a própria criatura mutante que estampa a capa deste World’s Most Stressed Out Gardener, é também uma representação feliz das diferentes colagens de experiências assumidas por VanGaalen ao longo da sua carreira e que parece ser alvo de uma espécie de súmula neste seu mais recente cardápio, um festim de canções pop ruidosas, exemplarmente picotadas e fragmentadas e que penetram profundamente no nosso subconsciente.

A trama adensa-se à medida que o álbum floresce nos nossos ouvidos, com a fantasia coalhante do rock estridente de Spider Milk, o clima sci-fi oitocentista dos instrumentais Earth From a Distance e Plant Musica energia alienígena positivamente agressiva de Starlight e o krautrock sombrio de Inner Fire, a servirem-se dos sonhos do autor como matéria-prima por excelência, para consolidar um verdadeiro jogo de texturas e distorções, em suma, um notável passeio pela essência da música psicadélica, idealizado por um inventor de sons que nos canta as subtilezas da sua existência pessoal e que nos oferece neste World’s Most Stressed Out Gardener, o disco mais estranho e abrasivo, mas também feliz, da sua carreira. Espero que aprecies a sugestão...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 10:34

Jay-Jay Johanson – Rorschach Test

Quinta-feira, 25.03.21

Foi há pouco mais de um ano que chegou aos escaparates Niagara Falls, o último álbum do sueco Jay-Jay Johanson, um riquíssimo reportório de experimentações sónicas que cimentaram o percurso sonoro tremendamente impressivo e cinematográfico de um dos nomes mais relevantes da pop europeia das últimas três décadas. Agora, no início desta promissora primavera, Jay-Jay Johanson está de regresso com um novo álbum intitulado Rorschach Test, o décimo terceiro de uma carreira ímpar e que merece ser apreciada com profunda devoção.

Jay-Jay Johanson | Discografía | Discogs

Rorschach Test é, antes de mais, um dos momentos maiores do cardápio que o autor sueco asssinou na sua carreira. Todo o alinhamento é um festim de charme e encantamento, um verdadeiro tratado de indie pop, no qual um baixo, amiúde vigoroso e uma profusa míriade de sons intrincados e misteriosos acamam a voz sempre melancólica e sedutora do autor e sustentam uma coleção irreprrensível de arrebatadoras e sensuais melodias, onde não faltam também batidas e efeitos percurssivos de cariz eminentemente experimental.

Repleto de momentos de elevadíssimo quilate, como a inquietante e hipnótica Romeo, a tonalidade descontraída e cativante do jazz que alinha Vertigo, a romântica fragilidade que flutua à tona do manto sonoro ondulado que expira do piano que nos embala em Amen, a imponência de Why Wait Until Tomorrow, a clemência de Stalker ou a eminência percurssiva que ressoa com vigor em I Don't Like YouRorschach Test encharca os nossos ouvidos com um som polido, mas desafiante, por se mostrar um pouco escuro, mesmo assumindo-se como particularmente charmoso e intenso, enquanto nos esclarece acerca de toda a diversidade instrumental que suportou a gravação de um disco que, contendo diferentes texturas e travos conceptuais, entronca sempre numa filosofia interpretativa típica de um músico que já se movimentou por espetros sonoros tão vastos e díspares como a folk, o rock progressivo, a música clássica contemporânea ou a eletrónica, e que, quer por isso, quer devido à sua enorme sensibilidade poética e artística, consegue sempre proporcionar ao ouvinte instantes de arrebatadora sedução, mesmo quando uma espécie de ideia de simplicidade paira sempre como uma nuvem melancólica e mágica em seu redor. Espero que aprecies a sugestão...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 13:25

Nick Cave And Warren Ellis – Carnage

Segunda-feira, 22.03.21

Primeiro longa duração de Nick Cave e Warren Ellis longe do conceito The Bad Sees e do formato banda sonora, Carnage é um impressionante e comovente testemunho desta dupla acerca da pandemia global que nos assola, a oferenda desinteressada de duas pessoas iguais a todas as outras que têm vivido, dia após dia, esta inesperada realidade covid, que nos deprime e apoquenta a todos, mas também tem gerado momentos de intensa criatividade em pessoas comuns e diversos artistas, mas poucos com bitola tão elevada como a que sustenta estas oito canções.

Nick Cave and Warren Ellis: Carnage review – the firebrand returns | Nick  Cave | The Guardian

Álbum que congrega o típico modus operandi das criações artísticas que este músico australiano nos foi apresentano nas últimas três décadas, nos mais variados formatos e rodeado de uma já vasta panóplia de parceiros, Carnage é, como seria de esperar, um álbum imbuído de uma farta espiritualidade, que atinge neste caso uma dimensão inédita, devido a uma profundidade que comove, instiga, questiona, e quase esclarece, porque contamina e alastra-se, tornando-se compreensível por todos aqueles que testemunham e sentem na pele tudo o que é aqui descrito, com ímpar grau de realismo, por exemplo, em Balcony Man, no ocaso do alinhamento. São oito canções, ampliadas por subtilezas instrumentais de raro requinte e intensidade e pela voz de Cave, mais grave e nasalada do que nunca e que parece não suspirar mas respirar ao nosso ouvido, com cruel nitidez e assombro. 

Se o início do registo, Hand of God ainda faz pairar no ouvinte, devido ao enlace curioso com uma inesperada mas subtil eletrónica, alguma dúvida relativamente ao ambiente sonoro do disco, a mesma fica logo desfeita nos temas seguintes, quando o piano se torna rei e senhor do arquétipo sonoro de composições que transpiram uma constante sensação de proximidade com o ouvinte, efeito ampliado por um modo de produção que procurou acentuar o tipicamente lo fi e a recriação realística de um delicioso voyeurismo caseiro. As próprias letras ajudam a este intimismo, já que além do omnipresente amor, elementos da natureza, como montanhas, cursos de água e árvores, abundam, juntamente com as já habituais referências à divindade e, amiúde, a uma hipotética incompreensão por parte de Deus relativamente ao sofrimento alheio.

Cada vez mais maduro e incisivo nas suas criações artísticas e com um braço direito que, ao contrário de tantos outros que teve, como o já falecido Roland S. Howard nos The Bad Seeds, o deixa manobrar livremente e o ampara nos devaneios e nas experimentações, Nick Cave oferece-nos neste Carnage um belo disco, principalmente no modo como inquieta e recria a sensação de desespero comum e contínuo que nos assola a todos, mas também na forma como nos oferece um indisfarçável sentido de esperança. Espero que aprecies a sugestão...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 17:24

Dream People - Talking of Love

Quinta-feira, 11.03.21

Os Dream People são uma nova banda lisboeta formada por Francisco Taveira (voz), Nuno Ribeiro (guitarra), Bernardo Sampaio (guitarra), João Garcia (baixo) e Diogo Teixeira de Abreu (bateria), cinco jovens que procuram refletir na sua música a sua visão de um país belo mas pobre, onde ser músico tanto pode ser considerado um ato de coragem como de loucura. Abriram as hostilidades com um EP intitulado Soft Violence que nos oferecia um equilíbrio entre atmosferas sintéticas, que lembram algumas variações da dream pop, e uma componente de shoegaze melancólico. Esse trabalho já tem sucessor, um disco intitulado Almost Young, que vai ver a luz do dia amanhã e que, de acordo com as expetativas plasmadas no press release de antecipação, mostrará um grupo mais maduro, mais confortável consigo mesmo. Um grupo que, acima de tudo, busca autenticidade e substância no seu trabalho. Uma banda de sonhadores em busca da realidade e que não renuncia pintá-la como ela é, quer cantar a realidade sem adornos, complexa, intrincada. É aí que reside a profundidade do seu trabalho.

Dream People have just released People Think, the first single from Almost  Young, the Lisbon band's new album. | FrontView Magazine

Depois da divulgação do single People Think é, agora, e enquanto a redação de Man On The Moon, não se debruça afincadamente no conteúdo de Almost Young, confere, como aperitivo, Talking Of Love, um dos momentos maiores do disco e uma canção que, pelos vistos, e de acordo com o grupo, transparece o conceito chave do novo disco: o conceito de perda da juventude.A canção funciona como um lembrete da importância de, nesse caminho de transformação, se manter a essência daquilo que somos e de nunca se perder essa mesma liberdade de espírito.

De facto, e continuando a parafrasear o press release de Talking Of Love, esta é uma canção multidimensional e caleidoscópica, tal como o seu vídeo. A música parte de um ambiente quase industrial, num ritmo semelhante ao de uma linha de montagem, mas vai progressivamente abrindo-se e transformando-se num indie pop dançável e recheado de camadas que se vão complementando entre si. O resultado é uma autêntica jornada, em que o tema principal é a liberdade.

Francisco Taveira fala do tema como sendo um castelo de metáforas que remete para uma espécie de revolução. Uma revolução pessoal e intima, da liberdade individual e do espírito, pela qual todos deveríamos passar. Por essa razão, ainda que recorrendo a símbolos, fala-se de temas “menos confortáveis”, como o sexo e a religião e descreve-se a necessidade de abandono de todos os espartilhos e limitações que nos impedem de chegar àquilo que verdadeiramente queremos ser, à nossa verdade. Confere...

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 14:17

The Telescopes - Songs Of Love And Revolution

Sábado, 06.03.21

Com mais de trinta anos de carreira e já descritos pela imprensa musical britânica como uma revolução da psique, os The Telescopes estão de regresso aos discos com Songs Of Love And Revolution, o décimo segundo álbum do quarteto e mais uma explosão solar de ritmos indutores de transe, presa no leme por uma parede de baixo pulsante e mantida no lugar por um enxame de guitarras ao redor, como é apanágio num projeto com um legado cheio de momentos “eureka”, alimentados via intravenosa através de uma racha no ovo cósmico, e que sempre revelou algo novo dentro de um espetro indie de forte cariz lisérgico e amplamente progressivo.

The Telescopes – Songs of Love and Revolution – P3DRO

Neste Songs Of Love And Revolution, em quase quarenta minutos de absoluta hipnose e nebulosa alienação,  temas como Mesmerised, composição assente num registo minimalista e crú, com o vibrante hipnotismo da relação frutuosa que se estabelece entre um repetitivo dedilhar da guitarra e a voz a criarem uma espécie de fuzz acústico psicadélico, ou Strange Waves, tema em que a tónica é colocada, primordialmente, na criação de um ambiente com forte travo lisérgico e cósmico, proporcionado pela eficaz interseção entre um efeito tenebroso de uma guitarra e um efeito reverbante de outra, são pináculos de uma experiência auditiva de forte pendor metafísico e sensorial.

Como se percebe então Songs Of Love And Revolution atiça, enquanto impressiona o ouvinte devido ao modo como se serve das guitarras para construir canções embrulhadas numa espécie de névoa radioativa, que intoxica pela majestosidade e ímpeto, nuances conjuradas com elevada mestria  e que cimentam essa relação simbiótica perfeita entre instrumento e intérprete, oferecida por um projeto sempre visionário, revolucionário e marcadamente experimental. Espero que aprecies a sugestão...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 18:29

The Horrors - Lout

Sábado, 27.02.21

Os The Horrors de Faris Badwan, Joshua Hayward, Tom Cowan, Rhys Webb e Joseph Spurgeon, preparam-se para lançar às feras o sexto tomo de uma discografia ímpar, idealizada por um quinteto de rapazes com o típico ar punk de há quarenta anos atrás, mas que têm mostrado que não pretendem apenas ser mais uma banda propagadora do garage rock ou do pós-punk britânico dos anos oitenta, mas donos de uma sonoridade própria e de um som adulto, jovial e tremendamente inovador, que, pelos vistos, se prepara para virar agulhas para o rock mais industrial.

The Horrors Announce Lout EP, Share New Song: Listen | Pitchfork

Tal suposição baseia-se no conteúdo do single que dá nome ao novo álbum dos The Horrors e que será, talvez, o disco mais arriscado e eclético da carreira do projeto natural de Southend-on-Sea. Falo de Lout, uma vigorosa composição sobre a relação entre a escolha e o acaso, a tomada compulsiva de riscos e o empurrar da sorte, conforme referiu recentemente Faris Badwan e que, da viscerilidade e do fuzz agreste das guitarras, à aspereza da bateria e dos arranjos, nos oferece um rock duro, corrosivo e denso. Sobre a canção, Tom Furse, o teclista, acrescentou que parece um regresso a um som mais pesado mas está a um milhão de milhas de distância de qualquer coisa que a banda tenha feito antes. Confere...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 13:29

Steven Wilson - The Future Bites

Segunda-feira, 22.02.21

Também conhecido pela sua contribuição ímpar nos projetos Porcupine Tree e Storm Corrosion, Steven Wilson tem já uma profícua carreira a solo, que viu recentemente um novo capítulo, com o registo The Future Bites. Sexto trabalho do catálogo de Steven Wilson, gravado em Londres e resultado de uma parceria entre Wilson e David Kosten, The Future Bites sucede ao aclamado álbum To The Bone, trabalho que há três anos comprovou que este é um dos músicos que na atualidade melhor mistura rock progressivo e eletrónica, fazendo-o sempre com grandiosidade e elevado nível qualitativo. Aliás, bastava escutar Hand. Cannot. Erase.,(2015) ou a obra-prima The Raven That Refused To Sing (And Other Stories) (2013), para se perceber como Steven Wilson é exímio nessa mescla e como convive confortavelmente com o esplendor e a grandiosidade, não tendo receio de arriscar, geralmente com enorme dinâmica e com uma evidente preocupação pela limpidez sonora.

STEVEN WILSON to release '1 of 1' box set for £10,000 to aid the Music  Venue Trust | XS Noize | Online Music Magazine

The Future Bites é, de acordo com o próprio Wilson um portal online para um mundo de elevado conceito de design construído especificamente para consumidores ultra-modernos. Nos seus pouco mais de quarenta minutos, somos constantemente bombardeados por uma ímpar riqueza melódica e por uma assertiva conexão entre belas paisagens acústicas e instantes de fulgor progressivo, como se percebe logo na parelha UNSELF e SELF. Depois, a sagacidade orgânica que molda o falso minimalismo a que sabe King Ghost e o inconfundível timbre metálico aconchegante e o vigoroso ritmo de12 Things I Forgot, que nos remetem para a melhor herança daquele rock oitocentista mais nostálgico e efusiante, são outras composições a reter atentamente, juntamente com o orgasmo contemplativo de Man On The People, o efusiante krautrock que encharca Follower e a cuidadosa e bem planeada incursão ao R&B em Eminent Sleeze.

The Future Bites é, em suma, um disco extremamente sensorial e que está carregado com uma densidade e ao mesmo tempo leveza sonora, difíceis de descrever, graças não só a guitarras e elementos percurssivos debitados com uma contemporaneidade bastante vincada, mas também devido a teclados atmosféricos e ao glamour inigualável da voz nasalada bastante sedutora e intrigante deste gentleman do indie rock britânico. Espero que aprecies a sugestão...

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 15:30

Clap Your Hands Say Yeah – New Fragility

Sábado, 20.02.21

Disco fundamental da reentrée em dois mil e vinte e um é New Fragility, o novo compêndio de originais dos norte americanos Clap Your Hands Say Yeah, sucessor do excelente registo The Tourist lançado no início de dois mil e dezassete e que continha um olhar particularmente anguloso, para sonoridades mais ecléticas, tendo os anos oitenta em particular, como principal ponto de mira. Este New Fragility, título inspirado no conto de David Foster Wallace Forever Overhead, é o sexto trabalho da banda oriunda de Brooklyn, Nova Iorque, liderada pelo carismático por Alec Ounsworth e que há década e meia causou enorme furor com um fabuloso homónimo junto de uma blogosfera atenta, que sempre os seguiu com devoção e na qual me incluo, até se tornarem, aos dias de hoje, num projeto de dimensão mundial. New Fragility foi produzido pelo próprio Alec Ounsworth, com produção adicional de Will Johnson, gravado por Britton Beisenherz em Austin, no Texas, misturado por John Agnello e masterizado por Greg Calbi.

Resultado de imagem para Clap Your Hands Say Yeah – New Fragility

Alec Ounsworth é a face mais visível e o grande sustentáculo deste projeto, facto que, por si só, imprime o espírito e a filosofia de cada disco dos Clap Your Hands Say Yeah. E a política nunca foi, na verdade, um prato forte na escrita de Alec, até este New Fragility, o disco mais politizado da carreira do grupo de Brooklyn e onde conceitos como o cada vez mais crescente capitalismo e o suposto colapso da democracia americana durante a administração Trump, estão bem presentes, juntamente com as consequências que tal conjuntura atual e dominante na sociedade em que o coletivo vive, tem provocado na existência pessoal de cada um e, em particular de Ounsworth, que já confessou publicamente um certo trauma por viver num mundo em que o abuso de substâncias ilícitas e o divórcio que a maioria das pessoas tem pelas causas públicas e o bem coletivo, é uma realidade bastante impressiva.

São, portanto, vários os temas com forte motivação política e declaradamente canções de intervenção, neste New Fragilty. As que mais impressionam são Hesitating Nation e Thousand Oaks. A primeira reflete sobre o modo como Alec Ounsworth se sente desiludido e até alienado com a tão propalada democracia americana, uma efervescente composição, com uma toada minimal mas crescente, adornada por uma guitarra ondulante e com uma interpretação vocal irrepreensível. Já Thousand Oaks versa sobre o tiroteio que ocorreu em Thousand Oaks, na Califórnia, em mil novecentos e dezoito e que matou treze pessoas. É uma canção que assenta num formato mais contemplativo e altivo, à boleia de uma guitarra insinuante que se vai entrecortando com a bateria, à medida que a canção progride.

Relativamente à componente sonora de New Fragility, como é natural, o indie rock contemporâneo assente em temas construídos sobre linhas de guitarra efervescentes e sintetizadores inspirados, com uma forte componente melódica e refrões bastante luminosos, é a grande força motriz deste registo, caraterísticas impecavelmente impressas no tema homónimo de um disco, ou na majestosidade de CYHSY, 2005, duas das composições em que a banda, ciente  destas permissas, procurou ir um pouco mais adiante e acrescentar novas nuances ao seu cardápio. A abrangência estilística dos arranjos que adornam Went Looking For Trouble, uma canção em que a acusticidade de diversas cordas amplia o pendor suplicante do registo vocal, e também Mirror Song, composição que impressiona pelo modo magnífico como o piano gela os nossos ouvidos, são mais exemplos, numa esfera mais intimista, desse salto estilístico que New Fragility contém, numa espécie de metamorfose e ambivalência entre territórios mais luminosos e outros mais introspetivos.

Disco que se divide constantemente entre a simplicidade e a grandeza dos detalhes, New Fragility é um exercício assertivo numa nova etapa da vida dos Clap Your Hands Say Yeah, que parecem procurar novas boas ideias que comprovam que eles não desistem de procurar o seu lugar de relevo, diferencial e distinto no cenário musical alternativo. No futuro irão certamente reencontrar e nunca se sabe se, entretanto, acontece outra metamorfosoe. Na mente de Alec tudo continua a parecer possível. Espero que aprecies a sugestão...

Clap Your Hands Say Yeah - New Fragility

01. Hesitating Nation
02. Thousand Oaks
03. Dee, Forgiven
04. New Fragility
05. Innocent Weight
06. Mirror Song
07. CYHSY, 2005
8. Where They Perform Miracles
9. Went Looking For Trouble
10. If I Were More Like Jesus

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 16:09

Flock Of Dimes – Two

Quarta-feira, 17.02.21

A cantora e compositora Jenn Wasner, membro fundamental da banda Wye Oak, mas também com uma respeitável carreira a solo assinada como Flock of Dimes, passou por cá há alguns meses por ter dado as mãos a Roberto Carlos Lange, aka Helado Negro e a Devendra Banhart, para assinarem, em conjunto, uma versão do clássico Lotta Love de Neil Young. Agora, e ainda no pontapé de saída de dois mil e vinte e um, Flock Of Dimes anuncia um novo disco lá para abril, à boleia da Sub Pop Records. Irá chamar-se Head Of Roses, foi gravado com a ajuda de Nick Sanborn, do projeto Sylvan Esso, nos estúdios Chapel Hill e conta com as participações especiais de Meg Duffy, Matt McCaughan, membro do projeto Bon Iver, Andy Stack, colega de Jenn nos Wye Oak e Adam Schatz, dos Landlady.

Resultado de imagem para Flock Of Dimes – Two

Two é o primeiro avanço divulgado de Head Of Roses, uma composição vibrante, assente numa salutar confusão sonora, em que a percurssão assume uma faceta muito experimental e heterogénea, nuance que originou uma atmosfera sonora simultaneamente íntima e eloquente, que se debruça sobre a ténue fronteira que exite no âmago de todos nós e que separa a nossa necessidade de independência, da inevitabilidade de precisarmos dos outros para nos sentirmos felizes, em suma, o desejo que todos sentimos de sermos autónomos e a necessidade biológica de criarmos laços com quem amamos. Two é, em suma, um espelho dos tempos em que vivemos, um modo eloquente mas também intrigante de demonstrar a nossa incapacidade de percebermos que é muito pouco aquilo que controlamos realmente do nosso destino, quando comparado com aquilo que pensamos e ansiamos controlar. Confere Two e a tracklist de Head Of Roses...

Flock Of Dimes - Two

01 “2 Heads”
02 “Price Of Blue”
03 “Two”
04 “Hard Way”
05 “Walking”
06 “Lightning”
07 “One More Hour”
08 “No Question”
09 “Awake For The Sunrise”
10 “Head Of Roses”

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 13:53






mais sobre mim

foto do autor


Parceria - Portal FB Headliner

HeadLiner

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Man On The Moon · Man On The Moon -Programa 422


Disco da semana 117#


Em escuta...


pesquisar

Pesquisar no Blog  

links

as minhas bandas

My Town

eu...

Outros Planetas...

Isto interessa-me...

Rádio

Na Escola

Free MP3 Downloads

Cinema

Editoras

Records Stream


calendário

Maio 2021

D S T Q Q S S
1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.