Quarta-feira, 15 de Janeiro de 2020

Papercuts – Kathleen Says EP

Quatro anos depois do excelente Life Among The Savages, os Papercuts regressaram às luzes da ribalta em outubro de dois mil e dezoito com Parallel Universe Blues, dez canções que viram a luz do dia à boleia da Slumberland Records, a nova etiqueta deste projeto encabeçado por Jason Robert Quever e David Enos e oriundo de São Francisco, na costa oeste dos Estados Unidos da América. Sexto disco do cardápio dos Papercuts e, como já referi, primeiro na Slumberland, Parallel Universe Blues continha um alinhamento com canções assentes no cruzamento feliz entre melodia e voz, com a escolha assertiva dos arranjos a nunca ofuscar o brilho que as cordas sempre tiveram no catálogo dos Papercuts. Esta era, de facto, uma nuance fundamental desse novo registo do projeto que, tematicamente, reflete a mudança de Jason Quever de São Francisco para Los Angeles, ocorrida à época.

Resultado de imagem para Papercuts Kathleen Says EP

Foram vários os singles já retirados desse excelente trabalho dos Papercuts, sendo, talvez, o mais badalado, Laughing Man, uma composição que, como os mais atentos se recordarão, estava coberta por um manto de monumentalidade e epicidade únicos. No entanto, um dos temas mais relevantes de Parallel Universe Blues e que merece também superior destaque é, sem dúvida, Kathleen Says, a sexta composição do alinhamento do registo. Foi editada em single, no início da passada primavera, com direito a um EP próprio, com 2 b sides: uma cover do clássico Blues Run The Game, da autoria de Jackson C. Frank e uma versão acústica de Comb In Your Hair., um dos temas mais emblemáticos do passado discográfico dos Papercuts.

Em Kathleen Says, uma guitarra abrasiva e com um elevado timbre metálico, variações percurssivas constantes e deliciosamente encadeadas com o baixo e uma luminosidade melódica ímpar, são os grandes atributos de uma canção repleta de diversos detalhes preciosos, fundamental para conferir uma tonalidade refrescante e inédita ao alinhamento de um disco cheio de personalidade, com uma produção cuidada e que nos aproxima do que melhor propõe atualmente a música independente americana contemporânea. Confere o EP Kathleen Says, o alinhamento de Parallel Universe Blues e espero que aprecies a sugestão...

Papercuts - Kathleen Says

01. Kathleen Says
02. Blues Run The Game
03. Comb In Your Hair


autor stipe07 às 10:08
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sexta-feira, 10 de Janeiro de 2020

Steve Mason – Coup D’état EP

O escocês Steve Mason esteve nos últimos anos ocupado com a reedição em vinil do catálogo dos seus Beta Band, mas no início deste ano focou-se novamente na sua carreira a solo, à boleia de About The Light, o quarto registo de originais do seu cardápio. Gravado em vários estúdios de Londres e Brighton, com a ajuda do mítico Stephen Street, que trabalhou com os Blur e os The Smiths, About The Light viu a luz do dia a dezoito de janeiro último e na altura sucedeu aos aclamados trabalhos Boys Outside (2010), Monkey Minds In The Devil’s Time (2013) e o antecessor Meet The Humans (2016). Agora, cerca de dez meses depois desse disco, Steve Mason volta a surpreender com Coup D’état, um EP com quatro temas, três novos originais e uma remistura de  America Is Your Boyfriend, canção que abria o alinhamento de About The Light, da autoria de Tim Goldsworthy.

Resultado de imagem para steve mason coup d'etat

Steve Mason parece estar destinado a tornar-se numa figura de culto do cenário indie britânico. Tal como muitos parceiros de luta muitas vezes catalogados de egocêntricos, foi-lhe diagnosticado em tempos um síndrome de distúrbio mental, que tem tentado contrariar desde o surpreendente registo Boys Outside, de dois mil e dez. Nesse álbum Mason fez uma espécie de mea culpa acerca da necessidade que foi sentido, ao longo da sua vida, de vestir uma determinada capa perante o grande público e nele, além de debruçar-se, com particular clarividência, sobre essa questão em concreto, também o fez, imagine-se, sobre a realidade política dessa época, no fundo uma estratégia igual a tantas outras, mas eficaz, de aproximação ao público e de quebrar barreiras. O passo seguinte deste exercício de exorcização e de busca de uma normalidade quotidiana deu-se há dois anos, durante o processo de gravação de Meet the Humans. Durante a escrita desse álbum Mason deixou de vez o seu refúgio escocês em Fife, numa zona florestal e mudou-se para a urbanidade de Brighton, em Inglaterra, onde encontrou parceira e enfrentou, inesperadamente, a dura mas feliz batalha da paternidade. Essa nova realidade pessoal, mais feliz, estável e adulta de Mason, acabou por se refletir no conteúdo de About The Light, o seu Brighton Album, como o músico também gostou de o intitular, um disco que sonoramente colocou as fichas na melhor herança da britpop noventista e que apresentou um som eminentemente experimental, como é suposto tendo em conta o adn deste músico, mas claramente mais acessível que o universo sonoro algo intrincado e frequentemente sofisticado dos Beta Band. Agora, neste Coup D’état, que viu os três originais produzidos por Steve Mac e Martin Duffy dos Primal Scream e cujo conteúdo não pode ser desligado do longa duração antecessor, Mason não se afasta muito dessa filosofia interpretativa efusiva, radiofónica e cimentada num rock melodicamente aditivo, mas coloca mais fichas numa toada eletrónica, de elevado cariz retro, como se percebe logo em Like A Ripple, o fabuloso tema que abre o EP e que nos remete para aquele eletro punk encharcado em glam que esteve em voga há cerca de quatro décadas. Depois, quer o pendor abrasivo desta canção, quer a toada mais climática mas tremendamente hipnótica de Against The World, acabam por ser amaciadas em Head Case, singela composição, que flutua num luminoso piano e numa subtil batida, enquanto a voz sorridente de Mason, quer neste tema, quer na cósmica e divertida remix de America Is Your Boyfriend, idealizada por Tim Goldsworthy, encarna o espelho fiel de alguém que dá mais um passo seguro em frente na sua já longa e respeitável carreira porque renova, potencia e embeleza o seu modus operandi, canalizando, novamente, o momento positivo pessoal que vive para a felicidade que sente em compôr de modo simples e direto, mas também, bonito, confidente e gentil. Espero que aprecies a sugestão...

Steve Mason - Coup D'état

01. Like A Ripple
02. Head Case
03. Against The World
04. America Is Your Boyfriend (Tim Goldsworthy Remix)


autor stipe07 às 21:19
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Terça-feira, 7 de Janeiro de 2020

Black Marble – Bigger Than Life

Os Black Marble são Chris Stewart e Ty Kube, uma dupla natural de Brooklyn, mas agora sedeada em Los Angeles, que se estreou nos discos em outubro de dois mil e doze, através da Hardly Art, com o registo A Different Arrangement, onze canções que carimbaram desde logo a sonoridade de uma banda, que nos remeteu, no imediato, para o classicismo sonoro dos anos setenta e oitenta. Tal impressão teve sequência com o excelente sucessor It's Immaterial, editado também em outubro, mas de dois mil e dezasseis, mantendo-se o décimo mês do ano como período período predileto paras o lançamento de registos, já que Bigger Than Life, o terceiro álbum do projeto, viu a luz do dia precisamente nesse mês do último ano.

Resultado de imagem para Black Marble Bigger Than Life

Apesar de serem uma dupla, nos Black Marble quem assume as rédeas é Chris Stewart, que começou a escrever o conteúdo de Bigger Than Life depois da mudança recente de Nova Iorque para a outra costa, uma mudança física e ambiental que acabou por inspirar o músico, que, de acordo com o próprio, no primeiro dia em que entrou em estúdio para gravar e olhou pela janela, ficou logo fascinado com a luz e o contraste entre o ceú e as montanhas que rodeiam a cidade dos anjos, um ambiente natural único que fax da principal cidade da costa oeste dos Estados Unídos um lugar especial e muito procurado.

A partir daí, e tendo presente esta conjuntura relativamente à incubação de Bigger Than Life, conforntamo-nos com um alinhamento bastante coeso de onze canções de forte cariz retro, já que têm como receituário fundamental o classicismo sonoro dos anos setenta e oitenta. é uma estética que não recusa a originalidade e a autenticidade que já são imagem de marca do som identitário dos Black Marble, mas que os mesmos tentam recontextualizar e fazer progredir, tendo sempre como pano de fundo aquela premissa que há trinta anos atrás colocava o sintetizador analógico na linha da frente e a nostalgia na proa das construções melódicas.

A própria postura vocal de Stewart abraça a tonalidade típica de um Ian Curtis que se rege pelo baixo, irrepreensível em Grey Eyeliner, e por batidas insistentes, o que ajuda imenso a criar uma certa tensão melancólica, que também é uma das traves mestras do disco e que terá como ponto forte a vibe surf de Daily Driver, uma das composições mais encantadoras do registo, a par dos fragmentos de sons sintetizados e distorcidos de Feels.

Em suma, neste Bigger Than Life as composições refletem, com alguma minúcia, estados de alma e os contextos que definem o momento atual de Stewart, através de um código específico, tal é a complexidade e a criatividade que estão nelas plasmadas. Tema após tema, o álbum transcende-se e sente-se uma emoção histórica que se encaixa também confortavelmente na tradição gótica dos anos oitenta, mas com uma leitura mais contemporânea, tudo agregado através de uma produção minimal, mas brilhante. Espero que aprecies a sugestão...

Black Marble - Bigger Than Life

01. Never Tell
02. One Eye Open
03. Daily Driver
04. Feels
05. The Usual
06. Grey Eyeliner
07. Bigger Than Life
08. Private Show
09. Shoulder
10. Hit Show
11. Call


autor stipe07 às 18:05
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Segunda-feira, 6 de Janeiro de 2020

MOMO - I Was Told To Be Quiet

MOMO é Marcelo Frota, um cantor e compositor brasileiro que se estreou a solo em dois mil e seis com o aclamado registo A Estética do Rabisco, onze composições com fortes influências da herança do rock setentista que o país irmão produziu com particular abundância à quatro décadas atrás, em especial no nordeste. Seguiram-se mais quatro álbuns, que piscaram o olho a uma atmosfera mais acessível, sempre dentro de um espetro rock, os registos Buscador (2008), Serenade Of A Sailor (2011), Cadafalso (2013) e Voá (2017). Este último já tem sucessor, um trabalho intitulado I Was Told To Be Quiet, lançado no passado mês de outubro, no Brasil pelo selo LAB344, nos Estados Unidos pelo Yellow Racket Records e na Itália por Deusamora Records.

Resultado de imagem para MOMO I Was Told To Be Quiet

I Was Told To Be Quiet foi gravado em Los Angeles e produzido pelo norte-americano Tom Biller, amigo pessoal de Marcelo e que já trabalho com nomes tão influentes como Fiona Apple, Sean Lennon, Elliot Smith, Kanye West e Warpaint, entre outros. O seu alinhamento é uma resposta sensível ao mundo atribulado que vivemos e junta a herança calorosa e afetiva das sonoridades tupiniquins, nomeadamente a bossa nova e o samba, com a estética arrojada do indie contemporâneo. O resultado é um reportório brilhante e original, no qual o autor exibe diversas nuances de sua musicalidade. Entre composições cantadas em português, inglês e francês, temos contato com seu lado mais sonhador (Higher Ground), o mais confessional (For I Am Just a Reckless Child) e, como não podia deixar de ser, o mais ensolarado (Diz a Verdade). Depois, enquanto em Vida MOMO regressa um pouco aos ambientes psicadélicos de inicío da carreira, Mon Neant, Marigold e Lillies for Eyes impressionam pela riqueza estilística ao nível dos arranjos. Já Stupid Lullaby e Sereno Canto, composições mais exigentes e intrincadas, revelam toda a sua formosura à medida que o ouvinte se deixa conquistar pela voz e pelos sentimentos que MOMO lhes induziu.

Com uma lista notável de convidados, nomeadamente Wado, Thiago Camelo e Ana Lomelino (Mãeana) e com as participações especiais nas gravações dos músicos Régis Damasceno (baixo) e Marco Benevento (piano, polli synth, cordas synth), I Was Told To Be Quiet é um álbum alegre, livre e libertador, parco em pensamentos negativos e que, fazendo a antítise do seu título encharcado em ironia, nos oferece um MOMO buliçoso e salutarmente crítico relativamente ao modo como observa o mundo que o rodeia e como reflete sobre a feliz irrequietude da sua própria existência. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 14:58
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quarta-feira, 1 de Janeiro de 2020

Loosense - Saloon

Enorme família sedeada em Setúbal e formada por Pedro Nobre, João Completo, Iúri Oliveira, Gonçalo Mahú, Diogo Costa, Diogo Marrafa, Rafael Gil, José Zambujo, Rúben Silva e Ivo Rodrigues, os Loosense são um dos projetos mais interessantes do jazz contemporâneo nacional, aquele jazz corajoso e irrequieto, que irrompe fronteiras e convenções, porque ousa cruzar-se com alguns dos arquétipos fundamentais do indie rock de início da segunda metade do século passado, uma espécie de funk jazz rock que se estreou no verão de dois mil e dezoito com Doze e que, pouco mais de um ano depois, nos oferece Saloon, o segundo alinhamento de canções do projeto e cujo nome homenageia o espaço onde os Loosense ensaiam desde dois mil e catorze, ano em que se formaram.

Resultado de imagem para Loosense - Saloon

Gravado, tal como Doze, no Estúdio Vale de Lobos em Sintra, no verão de dois mil e dezoito, Saloon está recheado de composições astutas, no modo como conseguem ser indutoras de paisagens multicoloridas, telas impressivas que se instalam quase instantaneamente na mente de quem se predispõe a uma escuta dedicada e atenta deste Saloon. Para que isso suceda, guitarras que fluem livremente, sopros bem vincados e uma vasta panóplia percurssiva, onde o baixo assume, muitas vezes, o protagonismo maior, são fortes aliados, amigos que dão as mãos firmemente enquanto entroncam no desejo do coletivo em materializar essa impressão e, ao mesmo tempo, encarnar um forte ensejo de oferecer algo de positivo e marcante ao ouvinte. 

Os sopros melancólicos e esvoaçantes de Capitol e o modo como, em particular, no primeiro tomo dessa composição, se deixam embalar pelo piano, o modo incrível como, no capítulo seguinte, a guitarra flamenga nos instiga, sacode e provoca, através de Marco Alonso, um mestre interpretativo deste intrumento de cordas único, a charmosa eletrónica ambiental que arquiteta Flamingo, o profundo e inebriante pendor festivo de Dabox e o anguloso piscar de olhos a uma vibe funk tropicalista em Tokyo, são apenas alguns dos instantes maiores de um registo composicionalmente interessantíssimo e de um inconformismo estético irrepreensível. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 20:46
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Terça-feira, 31 de Dezembro de 2019

Time For T - Galavanting

Gravado, de acordo com a banda, por acidente e tendo como ponto de partida um conjunto de demos captadas numa carvana durante o ano de dois mil e dezoito, numa viagem ao Algarve, Galavanting é o novo registo de originais dos Time For T, um projeto nacional mas com raízes em Inglaterra, mais concretamente em Brighton. Na sua génese está Tiago Saga, um jovem com genes britânicos, libaneses e espanhóis que cresceu no Algarve. Enquanto estudava composição contemporânea na Universidade de Sussex, Inglaterra, Tiago Saga foi criando a sua própria sonoridade assente na world music e na folk rock anglo-saxónica com outros músicos que foi conhecendo e com quem foi partilhando as mesmas inspirações, nomeadamente Joshua Taylor (baixo), Martyn Lillyman (bateria), Oliver Weder (teclas), os seus parceiros nestes Time For T.

Resultado de imagem para Time For T - Galavanting

Sucessor do excelente Hoping Something Anything, disco editado no início do outono de dois mil e dezassete, Galavanting tanto deambula pela folk como pelo rock psicadélico e nesse balanço, lá pelo meio, tanto piscam o olho à tropicália, como é o caso das batidas e dos arranjos de Naima e Eyes, como ao próprio jazz, exuberante nos devaneios percurssivos de Pink Marshmallows e no clima enevoado das cordas que conduzem Calling Back, indo também até ao blues experimental em Practically, uma canção com raízes na Índia, aquele rock mais boémio, audível em You Seem Intelligent, um modus operandi melodicamente acessível, sem deixar de exalar profundidade lírica e um charme genuíno.

Gravado e produzido por Juan Torán e misturado por Hugo Valverde, Galavanting representa bem aquele espírito intuítivo, orgânico e crú que carateriza a filosofia criativa destes Time For T que sabem melhor do que ninguém como fazer transparecer musicalmente todas as experiências de vidaque vão moldando a personalidade quer dos músicos quer da própria banda como um todo. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 16:53
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quinta-feira, 12 de Dezembro de 2019

MGMT – In The Afternoon

MGMT - In The Afternoon

Quase dois anos depois de Little Dark Age, a dupla norte-americana MGMT formada por Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser, volta a dar sinais de vida com o anúncio do lançamento de um single de 12 polegadas do tema In The Afternoon, que inclui o b side As You Move Through The World, sendo a estreia da banda na sua própria etiqueta, recém-criada, a MGMT Records.

In The Afternoon, canção também já com direito a um extraordinário vídeo da autoria da própria dupla e misturada por Dave Fridmann, coloca os MGMT na senda daquela pop cheia de glamour que foi rainha dos anos oitenta do século passado, através de uma voz com aquele tom grave que era comum na época, mas também de efusivos teclados e guitarras com o grau de rugosidade ideal, não faltando na composição uma vibe psicadélica e um grau de epicidade interessantes, nuances que mostram que os MGMT continuam a chegar ao estúdio de mente aberta e dispostos a servir-se de tudo aquilo que é colocado ao seu dispôr para criar músca, sejam instrumentos eletrónicos ou acústicos e assim fazerem canções deliciosias no modo como contêm uma dupla faceta de nostalgia e contemporaneidade. Confere...


autor stipe07 às 12:45
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quinta-feira, 5 de Dezembro de 2019

Beck – Hyperspace

Colors ainda não tem três anos, o single Tarantula, inserido na banda-sonora do filme Roma, escrito e dirigido por Alfonso Cuarón, um, mas Beck Hansen, uma referência icónica da música popular das últimas duas décadas, já tem disco novo, um registo intitulado Hyperspace, um tomo de onze canções que viu recentemente a luz do dia, à boleia da Capitol Records.

Resultado de imagem para Beck Hyperspace

O frenesim criativo não é algo inédito neste músico californiano que no início da década de noventa atuava em clubes noturnos vestido de stormtrooper e que da aproximação lo-fi ao hip-hop de Mellow Gold Odelay, passando pela melancolia de Sea Change e a psicadelia de Modern Guilt, nos foi habituando, nas últimas três décadas, a frequentes e bem sucedidas inflexões sonoras. Produzido por Pharell Williams e o próprio autor, Hyperspace, o décimo quarto registo de originais da carreira de Beck, acaba por ser mais um passo em frente relativamente às pegadas do antecessor Colors, um trabalho que, recordo, fez Beck regressar ao trilho da pop mais efervescente, sintética e luminosa e que estava repleto de canções a apelarem às pistas e à criatividade dos remisturadores.

O tal passo em frente de Hyperspace relativamente a Colors é dado em direção a uma filosofia estilística e interpretativa menos burilada e mais simples, direta e minimal. No entanto, mantém-se a fixação recente de Beck pelos anos oitenta do século passado, num disco repleto de tiques típicos do R&B, da soul e da pop lisérgica, num resultado final onde ironia, festa e uma auto reflexão muitas vezes emotiva são conceitos transversais a todo o alinhamento.

Assim, se as cordas de Die Waiting nos oferecem aquele Beck que é exímio em criar melodias agradáveis, marcantes e ricas em detalhes e texturas, dentro de um espetro pop eminentemente contemplativo, já Saw Lightning, pouco mais de quatro minutos de um efervescente festim pop, que sobressai pela luminosidade das cordas de uma viola, por diversos detalhes percurssivos e pelo fuzz intermitente de uma teclado, oferece-nos o tal outro lado mais animado e consentâneo com as propostas mais sintéticas do autor. Depois, Chemical, uma lindíssima balada onde sobressai um teclado que acompanha com mestria aquele efeito mais doce com que o músico costuma adornar a sua voz quando quer transmitir algo mais profundo, é outro oásis etéreo dentro de um registo que também vive muito de uma componente cósmica, no que concerne ao cardápio de efeitos e sintetizações que adornam algumas das suas composições.

Recheado de outros ilustres convidados, nomeadamente os colegas de longa data de Beck, Jason Falkner, Smokey Hormel e Roger Manning Jr., Greg Kurstin, que coescreveu e coproduziu See Through, uma mescla feliz entre R&B e chillwave, Paul Epworth que fez o mesmo em Star, Chris Martin que participa em Stratosphere, Terrell Hines, no tema homónimo do disco e Sky Ferreira nos coros de Die Waiting, Hyperspace não é ainda uma aproximação bem conseguida aos melhores trabalhos da carreira de Beck, mas contém um pretexto explícito, mensagens contundentes e uma identidade bem definida, além de um forte sentido de contemporaneidade e de aproximação às tendências comerciais mais ouvidas na música atual. Espero que aprecies a sugestão...

Beck - Hyperspace

01. Hyperlife
02. Uneventful Days
03. Saw Lightning
04. Die Waiting (Feat. Sky Ferreira)
05. Chemical
06. See Through
07. Hyperspace (Feat. Terrell Hines)
08. Stratosphere
09. Dark Places
10. Star
11. Everlasting Nothing


autor stipe07 às 13:40
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quarta-feira, 4 de Dezembro de 2019

Tame Impala – Posthumous Forgiveness

Tame Impala - Posthumous Forgiveness

Quase cinco anos após Currents e a testar os limites da nossa paciência devido a tão prolongado hiato, eis que os australianos Tame Impala de Kevin Parker voltam, finalmente, a dar sinais de vida comThe Slow Rush, o novo registo de originais do projeto, um alinhamento com doze músicas gravadas, produzidas e misturadas pelo próprio Parker entre Los Angeles e o estúdio do artista em Fremantle, na Austrália, onde reside. The Slow Rush tem data de lançamento prevista para catorze de fevereiro do próximo ano, à boleia da Modular Records, a habitual etiqueta do grupo.

Posthumous Forgiveness é já o quarto tema divulgado de The Slow Rush. Os leitores mais atentos de Man On The Moon certamente recordam-se que este ano a nossa redação já divulgou as composições Patience e Borderline e It Might Be Time

Quanto ao seu conteúdo, Posthumous Forgiveness é, na verdade, uma junção daquilo que eram inicialmente duas composições distintas, com o resultado final a oferecer-nos pouco mais de seis minutos de um pop rock de forte matriz psicadélica e com uma atmosfera sonora bastante aprazível, tremendamente épica e de forte pendor setentista. Aliás, uma regra essencial da filosofia estilistica dos Tame Impala, tem a ver com o foco e um enorme ênfase na nostalgia, mas tal reflete-se não numa cópia declarada de tiques, mas antes numa projeção de sintetizações, batidas e linhas de guitarra feita com uma contemporaneidade invulgar. Estes serão, certamente, e tendo em conta todas as amostras já divulgadas, alguns dos detalhes fundamentais daquele que será o quarto alinhamento dos Tame Impala e certamente um dos marcos discográficos de dois mil e vinte. Confere...


autor stipe07 às 12:38
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sexta-feira, 29 de Novembro de 2019

The Flaming Lips - The Soft Bulletin: Recorded Live At Red Rocks With The Colorado Symphony Orchestra

Poucos meses após King's Mouth, um álbum conceptual baseado no estúdio de arte com este nome que esta banda norte americana abriu há quatro anos e que fala de um rei gigante bebé que quando cresceu fê-lo de tal modo que sugou para dentro da sua enorme cabeça todas as auroras boreais e de uma coletânea com os maiores êxitos da carreira com a chancela da Warner Brothers Records, os The Flaming Lips de Wayne Coyne estão de regresso com The Soft Bulletin: Recorded Live At Red Rocks With The Colorado Symphony Orchestra, um registo de doze canções que se assume como o primeiro ao vivo da banda de Oklahoma.  The Soft Bulletin: Recorded Live At Red Rocks With The Colorado Symphony Orchestra conta, como o próprio título indica, com a participação especial de cento e vinte e cinco elementos da Colorado Symphony Orchestra, conduzidos pelo maestro Andre De Ridder, sessenta e oito insturmentistas e cinquenta e sete cantores e reproduz o alinhamento de The Soft Bulletin, considerada por muitos como a obra-prima dos The Flaming Lips, um disco que está a comemorar vinte anos de vida.

Resultado de imagem para The Flaming Lips - The Soft Bulletin: Recorded Live At Red Rocks With The Colorado Symphony Orchestra

Quem conhece a fundo a trajetória desta banda percebe que este registo ao vivo só pode ter sido incubado pela mente de um Coyne que é, claramente, um dos artistas mais criativos do cenário indie contemporâneo e que percebe, talvez melhor que ninguém, que as componentes visual e teatral são, a par do conteúdo sonoro, também essenciais na promoção e divulgação musical. E ao escutar-se The Soft Bulletin: Recorded Live At Red Rocks With The Colorado Symphony Orchestra, um concerto que teve lugar a vinte e seis de maio de dois mil e dezasseis, a ideia com que imediatamente se fica é que, mesmo não se vendo o palco e a multidão defronte, adivinha-se um orgasmo de cor feito de confetis e balões e até de dramatização de canções que são verdadeiras pérolas do catálogo indie e alternativo de final do século passado.

De facto, na majestosidade das cordas e da percurssão vibrante de Race For The Prize, nos sopros, nos violinos lacrimejantes e na harpa que enfeitiça A Spoonful Weighs A Ton, nos efeitos etéreos e nas nuvens agridoces de sons feitos com trompetes e clarinetes que parecem flutuar em The Spark That Bled, no modo como o piano e os sopros namoram em de The Spiderbite Song e também em Buggin', na suavidade flourescente de What Is The Light?, na luminosidade da curiosa acusticidade das teclas que abastecem Waitin' For A Superman e na inflamante rugosidade do baixo e das distorções que vagueiam por Feeling Yourself Disintegrate, somos convidados a contemplar um extraordinário tratado de indie rock, mas também de música clássica, um caldeirão de natureza hermética e de enormes proporções, porque além de existir neste alinhamento diversidade e heterogeneidade, cada composição tem um objetivo claro dentro da narrativa subjacente à filosofia que incubou The Soft Bulletin, compartimentando-a e ajudando assim o ouvinte a perceber de modo mais claro, orgânico e impressivo toda a trama idealizada há já duas décadas. 

The Soft Bulletin: Recorded Live At Red Rocks With The Colorado Symphony Orchestra conduz-nos, então, numa espécie de viagem apocalíptica, onde Coyne, exemplarmente secundado pelo maestro Andre De Ridder, assume o papel de guia, num resultado final que ilustra na perfeição o cariz poético, teatral e orquestral dos The Flaming Lips, um grupo ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade e sempre capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-los para cenários complexos, mas repletos de sensações únicas que só eles conseguem transmitir. Espero que aprecies a sugestão...

The Flaming Lips - The Soft Bulletin Recorded Live At Red Rocks With The Colorado Symphony Orchestra

01. Race For The Prize
02. A Spoonful Weighs A Ton
03. The Spark That Bled
04. The Spiderbite Song
05. Buggin’
06. What Is The Light?
07. The Observer
08. Waitin’ For A Superman
09. Suddenly Everything Has Changed
10. The Gash
11. Feeling Yourself Disintegrate
12. Sleeping On The Roof


autor stipe07 às 17:52
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sábado, 23 de Novembro de 2019

Niki Moss - Standing In The Dark EP

Niki Moss é o alter-ego de Miguel Vilhena, músico multi-instrumentista, fundador da editora pontiaq, vocalista dos Savanna e produtor de inúmeras bandas portuguesas (Pista, Marvel Lima, Ditch Days, Flying Cages, George Marvinson, entre outros). Estreou-se em maio com Gooey, o seu registo de estreia e que tem como um dos grandes destaques Standing In The Dark, uma canção que Niki Moss resolveu agora reinterpretar com cinco diferentes versões, dando assim origem a um dos mais curiosos lançamentos em formato EP, dos últimos tempos. Já agora, Gooey e Standing In The Dark EP foram lançados numa colaboração entre a pontiaq e a editora britânica Street Mission Records com distribuição pela PIAS.

Resultado de imagem para Niki Moss Standing In The Dark EP

No conteúdo do EP, segunda reintrepretação de Standing In The Dark, Standing In The Dark II, é o single do EP, uma versão que se foca nos aspetos mais pop do original e que tem, de acordo com o autor, o refrão mais épico e dramático, com uma instrumentação à anos 80. O single tem também já direito a um vídeo realizado por Diogo Vale e que pretende seguir os passos da música, um filme sombrio mas confortável, misterioso e metafórico, ora sereno, ora explosivo

Ao conceber este EP Niki Moss teve como grande permissa, um forte desejo de embarcar numa viagem para descobrir quão épico, psicadélico, eletrónico e sombrio este single se poderia tornar. É uma abordagem radical e ousada, um verdadeiro trabalho de amor, onde duas das cinco versões são acompanhadas de teledisco para ilustrar a sua realidade. O próprio confessa que quis dissecar os aspetos mais poderosos da música original e dividi-los em capítulos. A parte dois é focada nas tendências mais pop, com refrões orelhudos e um imaginário mais 80s. A terceira parte remete ao trabalho de estúdio, onde abusei muito do equipamento analógico e retorci os instrumentos originais para criar novas texturas. A parte IV é sobre as influências eletrónicas sempre presentes na minha música e a parte V é sobre as trevas que são o tema do EP.

Confere Standing In The Dark e, se for possível, vai ver Niki Moss, já amanhã, no Super Bock em Stock, na Sala 2 do Cinema São Jorge.

TOUR Niki Moss

22 de Novembro/ Super Bock Em Stock 2019, Lisboa

28 de Novembro/ Wurlitzer Ballroom, Madrid

29 de Novembro/ Carpe Diem, Santo Tirso

30 de Novembro/ Porta 253, Braga

30 de Novembro/ Ferro, Porto

6 de Dezembro/ Rock With Benefits 2019, Fafe

7 de Dezembro/ Quina das Beatas Fest 2019, Portalegre

20 de Dezembro/ Oficina Os Infantes, Beja

21 de Dezembro/ SHE, Évora


autor stipe07 às 13:51
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sábado, 16 de Novembro de 2019

TOY – Songs Of Consumption

Depois do lançamento já em dois mil e dezanove de Happy In The Hollow, o quarto registo da carreira, os TOY de  Tom Dougall, Maxim Barron, Dominic O'Dair, Charlie Salvidge e Max Oscarnold, estão de regresso com Songs Of Consumption, uma coleção de oito canções que são, nada mais nada menos, que reinterpretações da banda de temas que inspiraram a carreira dos TOY, originais de alguns nomes míticos do coletivo britânico, nomeadamente os Stooges, Amanda Lear, Nico, The Troggs, Soft Cell, John Barry e Pet Shop Boys, entre outros.

Resultado de imagem para TOY – Songs Of Consumption
Sonoramente, Songs of Consumption é um feliz apêndice da filosofia que esteve subjacente à gravação de Happy In The Hollow, ampliando, portanto, a nova visão sonora dos TOY, cada vez mais distintiva e original e que se vai distanciando do chamado krautrock sujo e aproximando-se de uma bem sucedida simbiose entre alguns elementos fundamentais da pop mais harmoniosa com o fuzz lisérgico que, diga-se de passagem, sempre caraterizou o ambiente sónico deste quinteto.

Sintetizadores e uma vasta miríade de elementos eletrónicos, incluindo as cada vez mais famosas drum machines, e uma opção ao nível da produção, pelo lo fi, sempre aliado a um aturado trabalho de exploração experimental, foram, claramente, as traves mestras que nortearam o processo de incubação de Songs Of Consumption, com os TOY a tentarem sempre puxar as canções para um universo sonoro distinto das versões originais, mas sem nunca colocar em causa a essência das mesmas. Espero que aprecies a sugestão...

TOY - Songs Of Consumption

1.   Down On The Street (The Stooges)
2.   Follow Me (Amanda Lear)
3.   Sixty Forty (Nico)
4.   Cousin Jane (The Troggs)
5.   Fun City (Soft Cell)
6.   Lemon Incest (Charlotte Gainsbourg & Serge Gainsbourg)
7.   Always On My Mind (B.J. Thomas)
8.   A Dolls House (John Barry)


autor stipe07 às 17:56
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quarta-feira, 13 de Novembro de 2019

Pond – Sessions

Depois de terem começado a primavera deste ano do nosso hemisfério com Tasmania, os POND de Nick Allbrook, baixista dos Tame Impala, estão de regresso com Sessions, um apanhado de onze das canções mais emblemáticas do projeto australiano, interpretadas ao vivo em estúdio e produzidas por Kevin Parker.

Resultado de imagem para Pond – Sessions

O objetivo primordial de Sessions é, de acordo com Jay Watson, multi-instrumentista dos POND, capturar a essência de um espetáculo ao vivo do grupo e, ao mesmo tempo, reproduzir um pouco da essência das famosas Peel Sessions, da autoria do famoso e saudoso DJ John Peel, da BBC, que promoveu algumas das melhores sessões ao vivo da história da indie contemporânea.

Com especial enfase no conteúdo de Tasmania, mas com temas como Don’t Look at the Sun (Or You’ll Go Blind), lançado originalmente no disco de estreia Psychedelic Mango (2009), Paint Me Silver, Burnt Out StarSweep Me Off My Feet retirados de The Weather (2017), ou Man It Feels Like Space Again, tema homónimo do disco do grupo de dois mil e quinze, a oferecerem ao alinhamento um cariz amplo, abrangente e bastante apelativo, porque Tasmania será, na minha opinião, o registo menos inspirado da carreira dos POND, Sessions é um álbum obrigatório para todos aqueles que da psicadelia, à dream pop, passando pelo shoegaze e o chamado space rock, se deliciam com a mistura destas vertentes e influências sonoras, sempre em busca do puro experimentalismo e com liberdade plena para ir além de qualquer condicionalismo editorial que possa influenciar o processo criativo de um projeto.

Os POND vivem num momento crucial da carreira, não só porque Tasmania mostrou que a banda parece cada vez menos disponível para abraçar aquele lado mais experimental e, consciente ou inconscientemente, um pouco amarrada ao sucesso comercial dos Tame Impala e a resvalar para um perfil mais direcionado para as tabelas de vendas do que o exercício pleno de uma salutar liberdade criativa. Que Sessions seja um ponto de partida para o regresso a um conceito de criação artística que privilegie guitarras alimentadas por um combustível eletrificado que inflame raios flamejantes que cortem a direito, feitas, geralmente, de acordes rápidos, distorções inebriantes e plenas de fuzz e acidez e acompanhadas por sintetizadores munidos de um infinito arsenal de efeitos e sons originários das mais diversas fontes instrumentais, reais ou fictícias. Não faltam exemplos desses neste alinhamento que terá na expressão rock cósmico talvez a forma mais feliz de se catalogar. Espero que aprecies a sugestão...

Pond - Sessions

01. Daisy
02. Paint Me Silver
03. Sweep Me Off My Feet
04. Don’t Look At The Sun (Or You’ll Go Blind)
05. Hand Mouth Dancer
06. Burnt Out Star
07. Tasmania
08. Fire In The Water
09. The Weather
10. Medicine Hat
11. Man It Feels Like Space Again


autor stipe07 às 15:44
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sexta-feira, 8 de Novembro de 2019

Vancouver Sleep Clinic – Onwards To Zion

Foi numas férias em Bali que Tim Bettinson, o músico e compositor australiano de vinte e três anos que encabeça o projeto Vancouver Sleep Clinic, se inspirou e começou a idealizar o conteúdo de Onwards To Zion, o seu segundo registo de originais, onze maravilhosas canções que sucedem a Revival, o álbum de estreia que o autor lançou em dois mil e dezassete e que colocou logo este projeto debaixo de merecidos holofotes, não só da crítica dos antípodas, mas também de diversas outras latitudes do nosso globo.

Resultado de imagem para Vancouver Sleep Clinic Onwards To Zion

Onwards To Zion tem uma faceta dupla bastante interessante e que vale bem a pena tomar como ponto de partida para a análise do seu conteúdo; Se por um lado, para compôr as suas canções, o autor teve de reaprender a incubar e ressuscitar todo o talento que sempre demonstrou ter desde tenra idade para esta poda, já que o álbum encarna um marco de libertação do projeto Vancouver Sleep Clinic de uma espécie de purgatório editorial porque Tim esteve em acérrima luta judicial com a sua editora para poder criar livre de constrangimentos artísticos, por outro é um registo que tem como grande força motriz a perca de um amigo muito chegado do músico, sendo um exercício de catarse dessa inevitável dor.

Logo a abrir o alinhamento de Onwards To Zion, na pueril melodia sintetizada e na batida que se esprai em espuma e dor no falsete de Bad Dream, Tim plasma esta permissa, numa canção que se debruça sobre esse trauma e a necessidade de seguir em frente, sem receios, porque seria certamente esse o desejo de quem partiu. A luminosidade dessa composição e, pouco depois a riqueza emotiva e instrumental da lindíssima Shooting Stars, são músicas que entroncam no desejo do músico de materializar em Onwards To Zion um forte ensejo de oferecer algo de positivo ao mundo, mesmo que subsistam depois, no âmago do álbum, alguns instantes menos coloridos, mas não menos inspirados ou belos, como as cordas melancólicas de Summer 09, canção composta num dia de chuva intensa, a charmosa eletrónica ambiental de ZION, uma enumeração exaustiva de todos os sentimentos negativos que chicotearam Tim em tempos, ou a feliz interseção entre R&B e rock psicadélico plasmada em Into The Sun, um tema sobre como enfrentar com coragem os medos para que não se derrape para um poço sem fundo caso não se consiga exorcizá-los.

Registo repleto de guitarras sonhadoras abraçadas a sintetizadores cósmicos e sofisticados e camaleónicos arranjos da mais diversificada proveniência, com o jazz e a pop sessentistas à cabeça como inspirações óbvias, tudo embrulhado num profundo e inebriante pendor emotivo, Onwards To Zion oferece-nos a visão mágica de uma jornada de descoberta individual, feita por um músico que tem sentido na pele algumas das maiores agruras que a passagem da juventude para a vida adulta podem proporcionar, mas que parece não só passar incólume a essa travessia, como pronto para servir de exemplo e de aconchego a quem com ele se identificar e o solicitar. Espero que aprecies a sugestão...

Vancouver Sleep Clinic - Onwards To Zion

01. Bad Dream
02. Lovina Beach (Sunrise)
03. Summer ’09
04. Into The Sun
05. Shooting Stars
06. Fever
07. Villa Luna (Midnight)
08. Ghost Town
09. ZION
10. Yosemite
11. Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love


autor stipe07 às 18:19
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quinta-feira, 7 de Novembro de 2019

Mikal Cronin – Seeker

Mikal Cronin, um músico norte-americano natural de Laguna Beach, na Califórnia, está de regresso aos discos com Seeker, dez canções com a chancela da Merge Records e que rematam um ano bastante profícuo do autor, que já tem no seu historial os registos Mikal Cronin (2011), MCII (2013) e MCIII (2015), além de colaborações importantes com outros músicos, como Ty Segall ou Kim Gordon e que tinha dado o pontapé de saída em dois mil e dezanove com a edição em vinil de sete polegadas de dois temas, Undertow e Breathe, através da iniciativa  de caridade FAMOUS CLASS RECORDS / LAMC 7" SERIES.

Resultado de imagem para Mikal Cronin Seeker

Gravado ao vivo nos estúdios Palmetto, em Los Angeles, com a banda que costuma acompanhar Ty Segall e com o produtor Jason Quever, Seeker quebra uma sequência de títulos homónimos e um hiato de quase meia década desta referência ímpar do indie rock do outro lado do atlântico e que nos tem feito viajar no tempo, disco após disco, à boleia de uma feliz simbiose entre garage rock pós punk.

Para escrever Seeker, Cronin passou um mês numa cabana nas montanhas do sul da Califórnia, com o seu gato como única companhia, um retiro bucólico perfeito, de acordo com o próprio músico, e que acabou por ser essencial para um forte cariz biográfico do disco. O resultado final é, pois, um excitante documento de mudança e de reinvenção, um tomo de canções estilisticamente rico e diversificado, com Seeker a plasmar a necessidade de Cronin se reinventar, erguer e seguir em frente depois de um período atribulado, quer a nível pessoal quer a nível profissional, decorrente de relações falhadas, digressões termendamente cansativas e os típicos dilemas existências da fase inicial da vida adulta.

Logo no clima psicadélico algo pomposo de Shelter percebe-se uma ânsia de amplitude e de epicidade, um pouco amainada em Show Me, um devaneio de (falsa) acusticidade folk rock onde não faltam ligeiras distorções. Mas logo depois, com os curiosos arranjos de cordas e a soul melancólica de Feel It All, a intensidade indie lo fi da guitarra que sustenta Fire, o forte odor nativo do piano e da harmónica de Guardian Well e a vibe mais experimental do fuzz que se insinua em I've Got Reason, ficamos esclarecidos acerca do vasto calcorrear de estilos, tendências e exposições que fazem de Seeker um registo com elevada bitola qualitativa, não só porque sobrevive à custa do modo astuto como o autor continua a abanar-nos com riffs agressivos e esplendorosos, sem descurar um lado mais snesível e ameno, muitas vezes na mesma composição e, passando pelo punk, o rock psicadélico, o surf rock e o rock lo fi típico da década de noventa, a plasma um inédito sentido de urgência, fruto certamente da tal ânsia de virar de página e seguir em frente com altivez e com uma centelha de sucesso bem acesa. Espero que aprecies a sugestão...

Mikal Cronin - Seeker

01. Shelter
02. Show Me
03. Feel It All
04. Fire
05. Sold
06. I’ve Got Reason
07. Caravan
08. Guardian Well
09. Lost A Year
10. On The Shelf


autor stipe07 às 21:32
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quarta-feira, 6 de Novembro de 2019

Vetiver – Up On High

Andy Cabic, a mente profunda e inspirada que em São Francisco, na solarenga Califórnia, alimenta e dá vida ao projeto Vetiver, está de regresso aos discos, com um trabalho intitulado Up On High, o sétimo da sua carreira, um alinhamento de dez canções que chegou aos escaparates a um de novembro, através das etiquetas Mama Bird Recording Co. (US/World) e Loose Music (UK/EU).

Resultado de imagem para Vetiver Up On High

Andy Cabic assina com exemplar bitola qualitativa um dos projetos mais bonitos da indie folk contemporânea. E não é como dizer isto de outra forma, porque bonito é mesmo um adjetivo feliz para caraterizar o seu catálogo. De facto, cada disco de Vetiver é um regalo para os ouvidos e para a mente de quem aprecia relaxar e viajar para um universo sonoro que seja melodicamente acessível, mas sem deixar de exalar profundidade lírica, um ideário concetual que Cabic sabe plasmar na perfeição através de canções geralmente  sentidas e honestas no modo como partilham sensações e eventos, que até podem ser factos que o autor experimentou em diferentes locais e com diversas pessoas que se foram cruzando na sua vida.

Esta faceta auto biográfica da discografia de Vetiver é um dos seus maiores atributos e Up On High não foge a essa regra, num álbum mágico e em que o autor parece recolher-se muito sobre si próprio, enrolando-se numa espécie de concha onde dança sozinho estas canções, enquanto reflete sobre si e o o seu passado, de modo a viver o presente com altivez e alegria e sem nunca elevar demasiado o tom delicado da sua voz, nem a míriade instrumental que a sustenta.

Assim, se a cândida acusticidade de The Living End, o tema que abre Up On High, tem, desde logo, a generosidade de nos mostrar aquela folk pintada com alguns dos melhores detalhes da chillwave, uma receita que se repete em Filigree e que Vetiver recria melhor que ninguém, To Who Knows Where adensa ainda mais a trama, indo ao âmago da matriz da melhor herança tradicional americana, com nomes como George Harrison ou até o próprio Reed a serem influências mais ou menos nítidas. Tal também sucede em Wanted, Never Asked, outra aconchegante composição, que contém na sua essência a melhor herança da mais genuína folk do outro lado do atlântico, uma canção com um travo de pureza e simplicidade únicos, amena, íntima e cuidadosamente produzida, mas também arrojada no modo como, através da suavidade das cordas e do groove da bateria exala uma enorme elegância e sofisticação. Depois, canções como Swaying, um tratado de indie rock oitocentista que nos traz à memória momentos maiores da discografia de uns The Feelies, Yo La Tengo, Wilco ou os próprios R.E.M., Hold Tight, curiosa no modo como pisca olho ao reggae e All We Could Want, uma composição buliçosa, sorridente e assente numa orgânica percurssiva com um certo travo psicadélico, acabam por dar a indispensável riqueza e diversidade a um alinhamento que é bem capaz de nos dar a mesma força positiva que levou este compositor a criar estas canções com esse vincado propósito individual.

Registo em que se sente à tona uma curiosa e sensação de positivismo, bom humor e crença em dias melhores, Up On High é capaz de nos colocar no rosto aquele nosso sorriso que nunca nos deixa ficar mal, enquanto nos ajuda, por exemplo, a finalmente traçar uma rota sem regresso até aquele secreto desejo que nunca tivemos coragem de realizar. De facto, a música de Vetiver é perfeita para nos fazer descolar da vida real muitas vezes confusa e repleta de precalços, aterrando-nos num mundo paralelo que espicaça as sensações mais positivas e bonitas que alimentam o nosso íntimo e que, entre a luz e a melancolia, realizam-se, provando que Andy sabe como ser um conselheiro espiritual sincero e firme e que tem a ousadia de nos querer guiar pelo melhor caminho, sem mostrar um superior pretensiosismo ou tiques desnecessários de superioridade. Espero que aprecies a sugestão...

Vetiver - Up On High

01. The Living End
02. To Who Knows Where
03. Swaying
04. All We Could Want
05. Hold Tight
06. Wanted, Never Asked
07. A Door Shuts Quick
08. Filigree
09. Up On High
10. Lost (In Your Eyes)


autor stipe07 às 17:08
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Terça-feira, 5 de Novembro de 2019

Cigarettes After Sex – Cry

Já chegou aos escaparates Cry, o novo registo de originais dos norte americanos Cigarettes After Sex, um projeto oriundo de El Paso, no Texas e liderado por Greg Gonzalez, ao qual se juntam Jacob Tomsky, Phillip Tubbs e Randy Miller. Este novo alinhamento de uma das maiores coqueluches da indie pop de cariz mais ambiental, tem a chancela da Partizan Records e sucede ao muito aclamado registo homónimo de estreia que este grupo lançou há pouco mais de dois anos.

Cigarettes After Sex release new track ‘Falling In Love’

Gravado em sessões noturnas numa mansão na ilha de Maiorca e, de acordo com o grupo, uma meditação cinematográfica sobre as muitas facetas complexas do amor – encontro, desejo, necessidade, perda… ou tudo uma vez só, Cry  contém impressa a marca indistinta de uma banda que se baptizou com felicidade, já que compôe com todos os sentidos apontados à alcova, criando temas que tanto servem para o jogo de sedução, como para (traduzindo à letra) aquele cigarro que muitos gostam de queimar depois do coito.

O desejo e o prazer sexual são então, naturalmente, marcas indistintas desta banda e registadas sem grandes pudores neste Cry, em canções cujo travo minimal é uma enganadora aparência, porque são, globalmente, ricas em detalhes e nuances que vale bem a pena destrinçar. Sintetizadores enevoados, cruzados com cordas de forte pendor metálico e vibrante e arranjos soturnos que contrastam com o ambiente soalheiro da ilha onde Cry foi gravado, são a pedra de toque de um registo com têmpera, que apela aos mais carnais sentidos e cavalga até ao hipotálamo do ouvinte sem receio da rejeição, até porque as palavras não são o que mais conta à primeira impressão, mas antes a aparência, neste caso sonora, de um disco que vale, acima de tudo, pela capacidade melódica que tem de nos hipnotizar e enlear.

Portanto, canções como a romântica Don't Let Me Go, um daqueles típicos temas que pode servir de banda sonora àquela primeira aproximação ao alvo, a lasciva Kiss It Off Me, a intrigante Heavenly, uma composição que serve-se de um imponente baixo, do reverb ecoante de uma guitarra e do ritmo hipnótico da bateria ou a sensitiva Touch, além de colocarem em prática uma alternância contínua e quase impercetível entre diferentes estilos, eminentemente noventistas e com uma dose de experimentalismo bastante vincada e repleta de soul, levam, sem apelo nem agravo, a nossa mente e o nosso corpo rumo a universo abstrato e meditativo, mas também profundamente sensorial e com um impacto verdadeiramente colossal e marcante. Espero que aprecies a sugestão...

Cigarettes After Sex - Cry

01. Don’t Let Me Go
02. Kiss It Off Me
03. Heavenly
04. You’re The Only Good Thing In My Life
05. Touch
06. Hentai
07. Cry
08. Falling In Love
09. Pure


autor stipe07 às 18:36
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Domingo, 3 de Novembro de 2019

CocoRosie – Smash My Head

Será a seis de março do próximo ano que irá ver a luz do dia o novo registo de originais das francesas CocoRosie, que têm andado ocupadas com colaborações, nomeadamente com Chance the Rapper no registo Roo e ANOHNI no seu trabalho Smoke ´em Out, além de terem editado o single Lamb And The Wolf no passado mês de agosto. Esse novo álbum das irmãos Casady chama-se Put The Shine, sucede ao já longínquo Heartache City de dois mil e quinze e terá o selo da Marathon Artists.

Cocorosie-Put-The-Shine-On

Smash My Head é o primeiro tema divulgado do alinhamento de Put The Shine, uma composição que mantém intocável o habitual clima intrigante e até algo tenebroso das CocoRosie, numa composição que traz à tona o típico ambiente daquela pop gótica que marcou a última década do século passado. Juntamente com o single, foi divulgado um vídeo de forte cariz teatral dirigido por Bianca Casady, uma das duas irmãs. Confere...


autor stipe07 às 16:59
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sábado, 2 de Novembro de 2019

Deerhunter – Timebends

Parece que ainda foi ontem, mas já foi em janeiro que os Deerhunter de Bradford Cox, Lockett Pundt, Moses Archuleta e Josh McKay, nos ofereceram o seu tão aguardado oitavo registo de originais, um fabuloso álbum intitulado Why Hasn’t Everything Disappeared?, gravado em Marfa, no Texas, mítica localidade norte-americana que serviu de cenário a Giant (1956), o último filme protagonizado por James Dean. Agora, a poucos dias de Bradford Cox editar um EP intitulado Myths 004, a meias com o músico e produtor galês e seu amigo Cate Le Bon, que produziu Why Hasn’t Everything Disappeared?, os Deerhunter divulgam um novo inédito, um verdadeiro épico intitulado Timebends, gravado em Nova Iorque na passada noite de doze de setembro.

Resultado de imagem para Deerhunter – Timebends

Em pouco mais de treze minutos, Timebends possibilita ao ouvinte contemplar uma peça sonora de eminentemente experimental, um tratado de pop rock setentista de forte cariz psicadélico, que vai progredindo até um final catárquico e portentoso, uma composição sustentada num piano cru e enevoado e numa guitarra repleta de fuzz, além de um trabalho percurssivo brilhante, nuances que poderão indicar novas coordenadas sonoras por parte dos Deerhunter em futuros registos, que poderão ter na expressão rock cósmico talvez a forma mais feliz de se catalogarem. Confere...

Deerhunter - Timebends


autor stipe07 às 15:26
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quarta-feira, 30 de Outubro de 2019

Tiago Vilhena - Portugal 2018

O músico e compositor Tiago Vilhena, que já foi George Marvison noutro projeto e membro dos Savana, acaba de se estrear nos lançamentos discográficos com Portugal 2018, um trabalho que tem a chancela da Pontiaq e cantado quase na sua totalidade em português. Portugal 2018 contém dez composições filosóficas e relaxadas, introspetivas e reveladoras, sendo um registo com um forte cunho ativista, mas tambémum álbum fantástico porque retrata profetas, dilemas da morte e da vida, poções e milagres. É um registo em que o autor olha de modo particularmente crítico para este mundo e, de modo muito particular, para o nosso jardim à beira mar plantado, questionando a existência, incorporando e relatando experiências de animais, criticando a inoportunidade, elogiando a vida, a viagem e a simplicidade.

Resultado de imagem para Tiago Vilhena - Portugal 2018

Ode à diversidade e ao bom gosto, Portugal 2018 contém um soberbo manancial de composições buriladas com inquestionável requinte e bom gosto, rematadas por uma limpidez e uma sapiência indesmentíveis, quer ao nível da produção quer da mistura. Se ao ouvires Portugal 2018 percebes que o buliçoso piano de Quem me trouxe ao mundo te faz sorrir de orelha a orelha sem notares, se o dedilhar intensamente impressivo das cordas que recriam um instante a dois de intenso frenesim sensual em Cabaço vai morrer é um filme que fazes no teu âmago sem esforço, se as ondas que sentes a se eriçarem na tua pele durante a audição de O mar têm um travo a sal e a ostras delicioso ou as sintetizações pueris que sustentam Fujo para sempre te iludem com uma espécie de despreocupação inócua, que resulta, na verdade, de um processo de experimentação tremandamente criterioso e bem sucedido, ou se D'esta vida te coloca dentro de uma espécie de caixinha de sons minúscula, que tem como cenário um delicioso pôr do sol em plena Primavera então estás, na minha humilde opinião, claramente sintonizado com a essência de um disco com uma beleza melódica, lírica e instrumental incomum, que instiga, hipnotiza e emociona, um registo capaz de fazer parar o relógio ao mais empedernido coração e colocá-lo no rumo certo, tal é o rol de emoções que transmite e a intensidade das mesmas. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:14
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...

eu...


more about...

Follow me...

. 51 seguidores

Powered by...

stipe07

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Parceria - Portal FB Headliner

Facebook

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Em escuta...

Twitter

Twitter

Blogs Portugal

Disco da semana

Janeiro 2020

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
11

12
18

19
25

26
27
28
29
30
31


posts recentes

Papercuts – Kathleen Says...

Steve Mason – Coup D’état...

Black Marble – Bigger Tha...

MOMO - I Was Told To Be Q...

Loosense - Saloon

Time For T - Galavanting

MGMT – In The Afternoon

Beck – Hyperspace

Tame Impala – Posthumous ...

The Flaming Lips - The So...

Niki Moss - Standing In T...

TOY – Songs Of Consumptio...

Pond – Sessions

Vancouver Sleep Clinic – ...

Mikal Cronin – Seeker

Vetiver – Up On High

Cigarettes After Sex – Cr...

CocoRosie – Smash My Head

Deerhunter – Timebends

Tiago Vilhena - Portugal ...

Tame Impala – It Might Be...

Foals - Everything Not Sa...

Panda Bear – Playing The ...

Allah-Las - Lahs

The New Pornographers - I...

X-Files

Janeiro 2020

Dezembro 2019

Novembro 2019

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

take a look...

I Love...

Os melhores discos de 201...

Astronauts - Civil Engine...

SAPO Blogs

subscrever feeds