Terça-feira, 18 de Junho de 2019

Yeasayer – Erotic Reruns

Desde o notável Fragrant World, disco editado já no longínquo ano de 2012, que os nova iorquinos Yeasayer mantiveram um silêncio de quatro anos que, à época, já começava a preocupar os seguidores deste projeto sonoro verdadeiramente inovador e bastante recomendável. Mas esse compêndio de onze canções, das quais se destacavam composições tão inebriantes como Henrietta ou Longevity, teve, em dois mil e dezasseis, para gaúdio de todos nós, sucessor, um álbum intitulado Amen and Goodbye,  que reforçou não só o caraterístico romantismo lisérgico do projeto, mas também consolidou a veia instável e experimental de uns Yeasayer cada vez mais apostados em colocar as fichas todas numa pop de forte cariz eletrónico, mas bastante recomendável, principalmente no modo como se mistura com alguns dos aspetos mais relevantes do típico indie rock alternativo.

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Agora, novamente após um hiato algo prolongado, a banda de Brooklyn regressa com Erotic Reruns, o quinto álbum de estúdio desta banda americana, um trabalho lançado através da própria gravadora do projeto, a Yeasayer Records, produzido também pelo grupo e que coloca novamente o trio na senda de um experimentalismo que mescla psicadelia com eletrónica e rock com elevado grau de hipnotismo, sem descurar a veia divertida e festiva que sempre foi uma das grandes forças motrizes desta banda.

Com a capa do disco captada em Portugal e da autoria de Bráulio Amado, Erotic Reruns deve muito do seu conteúdo à eleição de Trump há pouco mais de dois anos mas também a personalidades controversas como  James Comey, Sarah Huckabee Sanders e ao monstro anti-imigração Stephen Miller. Num alinhamento que dura praticamente meia hora, canções como a charmosa e libidinosa daftpunkiana People I Loved, a exuberante e cósmica Ecstatic Baby, a sensual Crack A Smile, ou a mais instável e emotiva Blue Skies Dandelions, reforçam não só o caraterístico romantismo lisérgico do projeto, mas também consolidam a veia instável e experimental de uns Yeasayer cada vez mais eficazes no modo como nos oferecem uma eficaz oscilação e simbiose entre os orgânico e sintético, rock e eletrónica, com cada vez maior mestria, criatividade, heterogeneidade e bom gosto.

Quase no ocaso do disco, o modo como a guitarra e os sintetizadores se cruzam em Ohm Death e, usando também esse receituário, a tonalidade pop oitocentista indisfarçável de Fluttering In The Floodlights e a deliciosa luminosidade do timbre da guitarra que conduz I’ll Kiss You Tonight, ajudam a ampliar o cada vez maior distanciamento dos Yeasayer relativamente à receita instrumental de outrora. Mais do que carisma e a explosão de sons, cores e versos marcantes de Odd Blood (2010), por exemplo, a ideia é cada vez mais explorar territórios emotivamente mais abrangentes, com o registo vocal inédito de Chris Keating, já uma imagem de marca deste grupo nova iorquino, a ser também uma arma certeira neste bem sucedido processo de reinvenção e ampliação da vitalidade e da abrangência do catálogo de um grupo que é já uma referência incontornável de um género sonoro que se for abordado com este grau de criatividade e bom gosto acaba, incontornavelmente, por originar discos animados, alegres, solarengos e qualitativamente marcantes. O carisma e a personalidade de Erotic Reruns merece todas estas odes. Espero que aprecies a sugestão...

Yeasayer - Erotic Reruns

01. People I Loved
02. Ecstatic Baby
03. Crack A Smile
04. Blue Skies Dandelions
05. Let Me Listen In On You
06. I’ll Kiss You Tonight
07. 24-Hour Hateful Live!
08. Ohm Death
09. Fluttering In The Floodlights


autor stipe07 às 19:28
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Sexta-feira, 14 de Junho de 2019

Slowness – Berths

Formados em 2008 em São Francisco, os norte americanos Slowness são uma dupla formada por Julie Lynn e Geoffrey Scott, à qual se juntou recentemente Christy Davis. Deram início às hostilidades com Hopeless but Otherwise, um EP produzido por Monte Vallier (Weekend, The Soft Moon, Wax Idols) e em dois mil e treze surpreenderam com o longa duração For Those Who Wish to See the Glass Half Full, produzido pelo mesmo Vallier e que teve uma edição física em vinil, via Blue Aurora Audio Records. Depois, em junho do ano seguinte, passaram com distinção o teste do sempre difícil segundo disco, à boleia de How to Keep From Falling Off a Mountain, um registo que tem finalmente sucessor, um trabalho intitulado Berths e com seis canções que mantêm o trio na senda de um shoegaze de forte pendor ambiental e particularmente contemplativo.

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Algures entre Stereolab, Spacemen 3 os seus conterrâneos The Soft Moon e Slowdive, os Slowness são uma excelente banda para se perceber como os anos oitenta devem soar quase no final da segunda década do século vinte e um. Em Berths e à boleia da Schoolkids Records, expôem tal constatação através de composições com uma tonalidade cinza intensa e charmosa e um polimento muito próprio, lo fi q.b., um fórmula de composição enganadoramente simples, feita de guitarras carregadas de efeitos planantes, acompanhadas por uma percurssão de baixa intensidade, tudo embrulhado por um travo experimental intenso, logo explicíto no jogo de sobreposição de distorções que sustenta a majestosidade de The Fall, o primeiro tema do alinhamento de Berths. A seguir, no brilho pop da tonalidade de Rose, proporcionado por um timbre metálico bem vincado, somos conforntados com uma faceta menos obscura e mais luminosa dos Slowness, um barco onde o trio também navega com segurança e bom gosto, nessa toada mais climática e, no fundo, mais abrangente. Depois, no travo mais progressivo de Berlin, canção que parece ter sido incubada de uma bem sucedida jam session e respeitada a sua integridade inicial e, principalmente, no nervo de Breathe, dois dos grandes momentos do disco, percebe-se com ainda maior nitidez a filosofia de criação sonora destes Slowness, certamente muito assente em instantes bem sucedidos de improviso, mas também em acomodações felizes de uma vasta miríade de detalhes e nuances instrumentais, rematadas por uma voz colocada em camadas, com um resultado final que parece debitar, no seu todo, uma constante carga de ruídos pensados de forma cuidada, como um imenso curto circuito que passeia por Berths.
Firmado num estilo sonoro que tanto tem um sabor algo amargo e gótico, como uma veia mais etérea e até melancólica, Berths atesta, mais uma vez, a vitalidade de um género que nasceu há quatro décadas, com os Slowness a provarem que ainda é possível encontrar novidade dentro de um som já dissecado de inúmeras formas. Espero que aprecies a sugestão..

Slowness - Berths

01. The Fall
02. Rose
03. Berlin
04. Breathe
05. Sand And Stone
06. Asunder


autor stipe07 às 16:35
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Quarta-feira, 12 de Junho de 2019

Sigur Rós - Ágætis byrjun (A Good Beginning); 20th Anniversary Deluxe Edition

Os islandeses Sigur Rós são provavelmente os maiores responsáveis pela geração a que pertenço se ter aproximado da música erudita ou de quaisquer outras formas de experimentação e de estranhos diálogos que possam existir dentro do campo musical. Ao lado da conterrânea Björk, este quarteto, entretanto reduzido a trio, não apenas colocou a Islândia no mapa dos grandes expoentes musicais, como definiu de vez o famigerado pós rock, género que mesmo não sendo de autoria da banda, só alcançou o estatuto e a celebração de hoje graças, em grande parte, ao rico cardápio instrumental que este grupo conseguiu alicerçar nas mais de duas décadas que já leva de existência.

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Adeptos da constante transformação de suas obras, desde Von, o primeiro álbum, que os Sigur Rós se concentram na produção de discos que, mesmo próximos, organizam-se e funcionam de maneiras diferentes. Têm sido álbuns que acabam sempre por partilhar um novo sentimento ou proposta, utilizando uma fórmula básica que serve de combustível a cada nova estreia.

Apesar dessa brilhante estreia chamada Von, acabou por ser Ágætis Byrjun, o sucessor, que colocou o grupo islandês definitivamente nos holofotes, uma obra introspectiva, misteriosa, cinematográfica e conceptual, que muitas vezes parece ecoar de forma suja, mas que contém uma inolvidável subtileza angelical, um disco repleto de propostas estilísticas únicas, nuances variadas e firmado em harmonias magistrais que fazem do seu alinhamento de dez canções um dos mais belos da história da música.

Hoje faz vinte anos que Ágætis Byrjun viu a luz do dia, uma data que não passará em claro para todos os amantes e seguidores do indie alternativo e que a banda também quis assinalar com toda a pompa e circunstância a efeméride. Para isso, surgirá brevemente nos escaparates uma edição de luxo do disco que, além do alinhamento original, irá conter mais três horas de demos, gravações ao vivo e versões alternativas de todas as dez composições de  Ágætis Byrjun, distribuidas por três discos de vinil e que foram subtraídas dos arquivos particulares dos músicos. De realçar que alguns temas já nem faziam memória da própria banda, que só voltou a recordar-se das mesmas depois que começou a preparar esta reedição.

Este lançamento comemorativo de Ágætis Byrjun também inclui o concerto que os Sigur Rós deram neste mesmo dia, há vinte anos atrás, na sala Íslenska Óperan (the Icelandic Opera House), um espetáculo de noventa e cinco minutos que nunca foi reproduzido nem visionado antes e que será hoje mostrado na íntegra, através do canal de youtube da banda, a partir das 22 horas. Nesse concerto ainda tocou Águst Gunnarsson, o primeiro baterista da banda, juntamente com Jón Thor Birgisson, Georg Holm e Kjartan Sveinsson, que oficialmente só se juntou à banda no ano seguinte, em dois mil.

Quando o coração é paciente e sabe que na vida há momentos únicos pelos quais vale a pena esperar, mais claras são as boas sensações que nos preenchem quando os instantes pelos quais tanto esperámos estão ali, ao nosso lado e à nossa frente, ao mesmo tempo, no mesmo espaço físico e temporal. E às vezes estão num simples disco. Há quem vibre com um bom filme quando determinadas imagens projectadas numa tela negra, reais ou cheias de ficção, mexem com todos os nossos sentidos, nos arrepiam e nos dão momentos momentâneos de pura felicidade! Isso acontece-me com frequência em canções como Svefn-g-englarOlsen Olsen ou Viðrar vel til loftárása, no fundo durante a audição de um álbum que é um refúgio onde consigo encontrar sonoramente a pura realização feliz e plena desse preenchimento interior.

Confere o conteúdo desta edição especial de Ágætis Byrjun já, disponível no bandcamp dos Sigur Rós e que, como já disse, terá também edição física muito em breve.

live at íslenska óperan 1999

Intro

Von
Syndir Guðs
Flugufresarinn
Olsen Olsen
Ágætis byrjun
Viðrar vel til loftárása
Svefn-g-englar
Ny batterí
Nýja lagið
Hafssól

demos, rarities and early live recordings

Svefn-g-englar   (Live at Popp í Reykjavík, 1998)
Starálfur   (Original speed version)
Flugufrelsarinn   (1998 Demo)
Ný batterí   (Instrumental)
Hjartað hamast (bamm bamm bamm)   (1995 Demo)
Viðrar vel til loftárása   (Alternative ending)
Olsen Olsen   (1998 Demo)
Ágætis byrjun   (1998 Demo)
Hugmynd 1   (1998 Demo)
Hugmynd 2   (1998 Demo)
Hugmynd 3   (1998 Demo)
Debata mandire   (Live at Laugardashöll, 1999)
Rafmagnið búið   (From Ný batterí EP, 2000)

 

autor stipe07 às 16:15
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Sexta-feira, 7 de Junho de 2019

Clinic – Wheeltappers And Shunters

Já considerados, com toda a justiça, míticos mestres do indie rock psicadélico, os britânicos Clinic de Ade Blackburn, Hartley, Brian Campbell e Carl Turney, têm uma inquestionável carreira de mais de duas décadas aos ombros, alicerçada num modo muito peculiar e sui generis e até quase marginal de criar música e de a expôr ao grande público, fazendo-o sempre com uma elevada dose de sarcasmo e de fina ironia.

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Wheeltappers and Shunters, o novo disco deste projeto oriundo de Liverpool, editado a dez de maio pela Domino Records, gravado na cidade natal da banda e misturado por Dilip Harris, chega sete anos depois do escelente registo Free Reign e, ao contrário do antecessor, que contou com a colaboração do músico e produtor norte-americano Daniel Lopatin, mentor do projeto Oneohtrix Point Never e que estava recehado com algumas canções de longa duração e particularmente intrincadas, é um trabalho de curta duração, com doze temas sempre abaixo dos três minutos mas, nem por isso, menos majestoso, cósmico e experimentalista que esse Free Reign.

Oitavo álbum do grupo, Wheeltappers and Shunters tem o seu nome inspirado num programa de variedades dos anos setenta e que satirizava de modo contundente a sociedade britânica desse tempo. Movendo-se nas areias movediças de uma psicadelia lisérgica particularmente narcótica, estes Clinic são ricos no modo como utilizam uma hipnótica subtileza, assente, essencialmente, na dicotómica e simbiótica relação entre o fuzz da guitarra e vários efeitos sintetizados arrojados, com uma voz peculiar e muitas vezes manipulada a rematar este ménage, que fica logo tão bem expresso no clima corrosivo e incisivo de Laughing Cavalier. É uma musicalidade prática, concisa e ao mesmo tempo muito abrangente, num disco marcado pela proximidade entre as canções, fazendo com que o uso de letras cativantes e bem humoradas e de uma instrumentação focada em estruturas técnicas simples, amplie e renove com indiscutível contemporaneidade o já rico catálogo destes verdadeiros mestres do punk rock experimental, que começou a ser listado em dois mil com o extraordinário Internal Wrangler, já depois de três promissores eps terem deixado a crítica em sobressalto no ano anterior.

Já perfeitamente identificados com o modus operandi dos Clinic que vai trespassar o resto do alinhamento do disco, em Complex, com a passagem de uma batida seca e um efeito no teclado algo cínico e acompanhado por um flash e um rugoso e cru riff de guitarra, percebe-se uma saudável insolência, insinuando-se um clima punk que pisa um terreno bastante experimental e que, algures entre os Liars e os The Flaming Lips, é banhado por uma psicadelia ampla e elaborada, sem descurar um lado íntimo e resguardado, que dá, não só a esta canção, mas a todo um disco, um inegável charme, firme, definido e bastante apelativo.

A tal insolência não é, em momento algum do disco, sinónimo de amálgama ou ruído intencional; Se a rebeldia que exala da crueza percurssiva e dos efeitos e samples que adornam a ríspida Rubber Bullets, se as nuances mais translúcidas do clima western spaghetti de Ferryboat Of The Mind, se o travo grunge de Rejoice! e o frio e contemplativo efeito planante que abraça a batida de Mirage mostram-nos que este é um registo onde cada instrumento parece assumir uma função de controle, nunca se sobrepondo demasiado aos restantes, evitando a todo momento que o alinhamento desande, apesar das batidas e das teclas mostrarem uma constante omnipresença, já a aparente toada jazzística que define o baixo e a bateria de Flying Fish e o travo sensual ecoante e esvoaçante de Congratulations, uma ode majestosa ao rock experimental setentista, fazem o contraponto num disco que sem nunca descurar a faceta algo obscura e misteriosa que estes Clinic apreciam radiar, também contém momentos de inegável destreza melódica, esculpida com superior criatividade e bom gosto.

Em suma, a receita que os Clinic assumiram em Wheeltappers And Shunters arrancou do seio do grupo o melhor alinhamento que apresentaram até hoje, expresso em doze canções que exaltaram o superior quilate de cada intérprete. Se as guitarras ganham ênfase em efeitos e distorções hipnóticas e se bases suaves sintetizadas, acompanhadas de batidas, cruzam-se com o baixo, também num piscar de olhos insinuante a um krautrock, já o constante enganador minimalismo eletrónico, prova o minucioso e matemático planeamento instrumental de um disco que contém um acabamento que gozou de uma clara liberdade e indulgência interpretativa, dividida entre redutos intimistas e recortes tradicionais esculpidos de forma cíclica e onde tudo se orientou com o propósito de criar um único bloco de som, fazendo do álbum um corpo único e indivisível e com vida própria, onde couberam todas as ferramentas e fórmulas necessárias para que a criação de algo verdadeiramente imponente e que obriga a crítica a ficar mais uma vez particularmente atenta a esta nova definição sonora que deambula algures pela cidade que acaba de se sagrar com toda a justiça campeã europeia. Espero que aprecies a sugestão...

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01. Laughing Cavalier
02. Complex
03. Rubber Bullets
04. Tiger
05. Ferryboat Of The Mind
06. Mirage
07. D.I.S.C.I.P.L.E.
08. Flying Fish
09. Be Yourself / Year Of The Sadist
10. Congratulations
11. Rejoice!
12. New Equations (At The Copacabana)


autor stipe07 às 12:45
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Quinta-feira, 6 de Junho de 2019

Temples - Hot Motion

Temples - Hot Motion

Será a vinte e sete de setembro próximo e à boleia da ATO Records que irá ver a luz do dia o terceiro registo de originais dos britânicos Temples, uma banda de rock psicadélico formada por James Edward Bagshaw (vocalista e guitarrista), Thomas Edison Warsmley (baixista), Sam Toms (baterista) e Adam Smith (teclista e guitarrista). Este quarteto natural de Kessering, estreou-se nos discos em dois mil e catorze com o excelente Sun Structures, três anos depois foi editado Volcano, o sempre difícil segundo disco e agora será a vez de Hot Motion, onze canções das quais já se conhece a que dá nome ao álbum e que abre o seu alinhamento.

Música sobre as tensões do desejo, sobre sonhos e pesadelos e já com direito a um hipnótico vídeo da autoria de David Lynch, Hot Motion começa por impressionar pelo virtuosismo da bateria e pelo modo como esse instrumento assume as rédeas na condução do tema, tendo sempre uma posição cimeira, mesmo quando as guitarras mostram todo o seu esplendor, nomeadamente no refrão. A majestosidade e o esplendor instrumental da composição, acabam por fazê-la revalar para aquela aúrea setentista que conduziu alguns dos melhores intérpretes do rock experimental e progressivo da história do rock clássico, uma abordagem mais corajosa e lisérgica por parte dos Temples e que faz adivinhar um registo mais intrincado, grandioso e complexo que os antecessores. Confere Hot Motion e a tracklist do disco...

Hot Motion

You’re Either On Something

Holy Horses

The Howl

Context

The Beam

Not Quite The Same

Atomise

It’s All Coming Out

Step Down

Monuments


autor stipe07 às 12:35
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Terça-feira, 4 de Junho de 2019

Alen Tagus - Paris, Sines

É entre Sines e Paris que se divide o projeto Alen Tagus, da autoria do músico português Charlie Mancini, pianista e compositor para cinema e da artista francesa Pamela Hute, melodista e roqueira de coração. Esta dupla que assume preferir movimentar-se nas águas revoltas da indie pop introspectiva com fortes raízes na década de setenta do século passado, compôe de modo a proporcionar ao ouvinte uma viagem onírica com um elevado grau de impressionismo e de realismo, ou seja, com uma forte aposta em letras e melodias que proporcionem a quem os escuta uma experiência sensorial não só auditiva mas também visual.

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Paris, Sines é o nome do EP de estreia do projeto, um registo de seis canções misturado no estúdio de Mancini em Pamela, masterizado por Jean-Nicholas Casalis nos RTM Studios em Paris, com capa da autoria de Ricardo Pereira, fotógrafo artístico residente em São Miguel, Açores e que tem a chancela da My Dear Recordings, etiqueta da própria Pamela Hute. Esta etiqueta fo fundada em dois mil e dezasseis e conta já no seu catálogo com artistas e bandas francesas que se movimentam dentro do indie pop rock, além do compositor inglês Robin Foster, também exímio neste universo sonoro.

The Void, o tema que abre Paris, Sines, começa com um provocante sintetizador que quando está prestes a explodir prefere abrir os braços e aconchegar nas suas teclas um baixo impulsivo, uma bateria deliciosamente compassada e uma atrevida guitarra, que se vai insinuando apenas quando muito bem lhe apetece, variáveis intrumentais que definem um estilo sonoro que não tem receio de mesclar alguns dos mais indisfarçáveis tiques do dito rock experimental e progressivo e que também é exemplarmente retratado na misteriosa aspereza de Only Lovers Left Alive. Depois, o solarengo travo pop de Love Syndrome, mais uma composição que mantém as pontas seguras graças a uma relação feliz entre cordas e teclas, o paladar provocante e algo enevoado, que depois explode, sem dó nem piedade, de Time Passing By, um clima soporífero que se mantém em Black Hole e no ocaso do EP, o passeio meditativo inspirado pela estética lo-fi dos Velvet Undergound de Holiday, uma canção que assenta num batimento simples e repetitivo, ao qual se juntam depois guitarras com camadas de delays e outros efeitos sonoros distintos que nos transportam para um promenade poético numa zona rural e balnear, constituem o esqueleto, o corpo e a pele que fazem espevitar primeiro e contorcer, depois, todos os nossos poros, enquanto esperamos que o silêncio e a razão nos libertem do estado letárgico que este EP invariavelmente nos provoca. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 16:56
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Quarta-feira, 29 de Maio de 2019

Foals – Everything Not Saved Will Be Lost, Part 1

Quase quatro anos depois de What Went Down, os Foals de Yannis Philippakis prepararam dose dupla para dois mil e dezanove começando com o lançamento há algumas semanas de Everything Not Saved Will Be Lost Part 1, que terá como sucessor Everything Not Saved Will Be Lost Part 2, lá mais para o outono, dois trabalhos com a chancela do consórcio Transgressive / Warner Bros. Quinto registo da carreira do projeto britânico e com artwork do artista equatoriano Vicente Muñoz, que pretende simbolizar muito do conteúdo lírico do álbum através de um cruzamento criativo entre a natureza e uma construção humana e produzido pela própria banda e por Brett Shaw, Everything Not Saved Will Be Lost Part 1 é o primeiro registo do projeto sem a presença do baixista Walter Gervers que o ano passado abandonou amigavelmente os Foals.

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Disco muito focado no modo como o homem tem pressionado o ambiente e a natureza colocando o futuro do nosso planeta em risco, mas também olhando para assuntos importantes da realidade britânica como o brexit, a imigração e o fosso cada vez maior entre ricos e pobres, Everything Not Saved Will Be Lost Part 1 mostra, logo em Exits, uma canção com direito a um vídeo realizado por Albert Moya, que se os dois últimos registos dos FoalsHoly Fire (2013) e What Went Down (2015), mostraram um lado intrincado do grupo e um rumo sonoro que buscou territórios eminentemente negros, sombrios e encorpados, houve agora uma tentativa declarada de recuperar o som inicial do grupo, nomeadamente as guitarras experimentais que sustentaram com enorme sucesso Antidotes o registo de estreia da banda. Com uma atmosfera pop oitocentista bastante vincada e plena de groove, este segundo tema do alinhamento do trabalho, cheio de efeitos borbulhantes e coloridos nas cordas, sabe a uma espécie de bálsamo retemperador, um travo ampliado pelo habitual tribalismo percussivo dos Foals, que adoram convidar-nos a um abanar de ancas intuitivo e capaz de nos libertar de qualquer amarra ou constrangimento.

A partir daí, o disco reforça essa toada e progride numa ânsia de saciar a vontade constante de inovação, transformação e desenvolvimento do referencial sonoro que carateriza a banda, mesmo que isso implique, no caso, uma reinvenção de algum do seu arquétipo fundamental. O frenesim empolgante de White Onions e o modo como em Degrees a bateria se entrelaça com o sintetizador para juntos irem deixando abertas ao longo da melodia para a guitarra se ir intrometendo e adornando o clima retro do tema, são dois bons reforços do ambiente deixado por Exits. Aliás, um dos grandes atributos de Everything Not Saved Will Be Lost, Part 1 é mesmo o modo como Edwin Congreave, o teclista do grupo, se serve dos sintetizadores para criar texturas algo enigmáticas e densas, mas geralmente etéreas, com o objetivo claro de contrastarem com as guitarras de Philippakis e Jimmy Smith, ampliando, assim, por incrível que pareça, o protagonismo das mesmas e a ruiqeza estilística de um alinhamento que em temas como a claustrofóbica Syrups ou a mais impulsiva e eloquente On The Luna, também nos convida a fazermos rewind na nossa memória até ao período inicial da carreira do grupo de Oxford.

Registo pensado ao milímetro, carregado de nuances, quebras, detalhes, instantes de euforia, mas também de contemplação, Everything Not Saved Will Be Lost, Part 1 consolida a verdadeira essência de um projeto que, por muitas voltas que procure dar ao seu catálogo, tem no seu adn as guitarras como elemento aglutinador e identitário primário, assim como o tal tribalismo percussivo, mas que também utiliza alguma sintetização para fugir ao óbvio de forma madura e cativante, sem nunca deixar de tentar estabelecer, com sentimentalismo penetrante e profundo, uma conexão assertiva entre as pistas de dança do passado e do presente. Espero que aprecies a sugestão...

Foals - Everything Not Saved Will Be Lost, Part 1

01. Moonlight
02. Exits
03. White Onions
04. In Degrees
05. Syrups
06. On The Luna
07. Cafe D’Athens
08. Surf Pt.1
09. Sunday
10. I’m Done With The World (And It’s Done With Me)


autor stipe07 às 16:26
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Terça-feira, 28 de Maio de 2019

Von Spar - Under Pressure

Já chegou aos escaparates Under Pressure, o quinto álbum do projeto Von Spar de Sebastian Blume, Jan Philipp Janzen, Christopher Marquez e Phillip Tielsch, sem contar com a homenagem aos Can, captada ao vivo com Stephen Malkmus em dois mil e treze. As oito composições do álbum foram gravadas no Dumbo Studio dos próprios Von Spar em Colónia, com convidados de Toronto, Tóquio, Nova York, Londres e Nashville, contribuições notáveis de nomes como Chris A. Cummings,  Eiko Ishibashi, a professora de punk e reggae Vivien Goldman (The Flying Lizards) ou Lætitia Sadier (Stereolab).

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Passaram-se 15 anos desde o disco de estreia Die uneingeschränkte Freiheit der privaten Initiative e cinco anos desde o álbum Streetlife, mas o arquétipo temático e lírico dos Von Spar, feito de irreverência pop e de uma irrequietude única no que concerne à opção pela desobediência aos formalismos típicos de uma banda alinhada com o mainstream, mantém-se intocável. E tal acontece apesar da faceta algo camaleónica da discografia dos Von Spar, com os diferentes registos do catálogo do grupo a provarem uma metamorfose contínua no som da banda, abrindo frechas ao post punk, ao krautrock e à pop art oitocentista.

Com a chancela da Tapete Records, Under Pressure é uma homenagem declarada ao clássico de David Bowie já com quase quatro décadas e onde o recentemente desaparecido guru da pop já lamentava, juntamente com Freddie Mercury, o rumo descontrolado que este mundo em que vivemos parece ir (It's the terror of knowing what this world is about). Portanto é um trabalho que pretende mostrar que os Von Spar também refletem sobre a nossa contempraneidade, sendo especialmente críticos no que diz respeito à frequente postura intimidatória da classe dirigente, a aguda concorrência social e a necessidade de vivermos numa permanente luta pela sobrevivência, numa era de capitalismo desenfreado e vigilante relativamente aos seus cidadãos. Esta sensação de urgência e de constante frenesim social, acaba por estar plasmada nestas canções logo na dupla entrada A Dream (Pt 1)A Dream (Pt 2), canções em que a banda, juntamente com Cummings e Ishibashi, idealizam uma sequência de sonhos que exploram onde poderiam chegar se as algemas da carne fossem arrematadas. Pouco depois, Vivien Goldman pega o fio à meada, reforça o conceito e liberta-se dos fantasmas do passado em Boyfriends (Dead Or Alive), enquanto Lætitia Sadier em Extend The Song, um hino krautrock notável, defende que poderia tocar e tocar para sempre, impulsionada pela energia motora de uma composição algo ácida e particularmente psicotrópica: (if someone would ask me, Could I go on?).

Apesar do cariz temático bem balizado e que faz os Von Spar divagarem dentro de um universo sonoro bastante específico, a verdade é que neste Under Pressure fazem-no através de diferentes ângulos e espetros, flutuando livremente à boleia de uma atitude claramente experimental e enganadoramente despreocupada, expressa numa vontade óbvia de transformar cada composição numa espécie de retrato fiel de um modo de pensar lascivamente crítico, mas sem deixarem de criar espaço para a reflexão e auto-interrogação por parte do ouvinte. E essa é uma das grandes virtudes de um disco onde não falta refinamento rítmico, saltos quânticos harmónicos, arpejos de sintetizadores giratórios, guitarras para trás sem nenhum sinal de retrogradação mas, principalmente, um modo bastante textural, orgânico e imediato de criar música e de fazer dela uma forma artística privilegiada na transmissão de sensações que não deixam ninguém indiferente. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 16:41
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Quarta-feira, 22 de Maio de 2019

André Carvalho - The Garden of Earthly Delights

Já chegou aos escaparates The Garden of Earthly Delightso terceiro registo de originais do contrabaixista e compositor André Carvalho, um músico natural de Lisboa, mas a viver do outro lado do atlântico, na big apple, há quase meia década. Com artwork da autoria de Margarida Girão e inspirado no espantoso e intrincado universo do artista Hieronymus Bosch, em particular da pintura que dá nome ao disco, patente no Museu do Prado em Madrid, The Garden of Earthly Delights sucede a Hajime e Memória de Amiba, dois registos que mostraram uma mescla muito pessoal e original entre jazz contemporâneo e alguns dos arquétipos fundamentais da música portuguesa de cariz mais erudito e tradicional.

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Misturado pelo pianista, engenheiro e produtor Pete Rende, e masterizado pelo multi-instrumentista Nate Wood, com as participações especiais de nomes tão proeminentes como Jeremy Powell, um saxofonista americano e um dos mais influentes músicos no panorama de Nova Iorque, Eitan Gofman, um jovem saxofonista Israelista que tocou com Randy Brecker, Gerald Clayton, Eddie Gomez, David Liebman entre muitos outros, Oskar Stenmark, trompetista sueco que tocou com nomes como Maria Schneider Orchestra, David Byrne, Arturo O’Farrill e a Bohusland Big Band, o português André Matos, guitarrista que tocou com Sara Serpa, Billy Mintz, Pete Rende, Jacob Sacks e Thomas Morgan e Rodrigo Recabarren, baterista chileno com uma vasta experiência e cujo currículo inclui participações com Camila Meza, Kenny Barron, Kenny Werner, Melissa Aldana e Gilad Hekselman, The Garden of Earthly Delights oferece-nos, nas suas onze composições, uma recompensadora viagem em forma de suite musical, uma jornada contemplativa com vários momentos de tensão, mas também de calma. São composições que entre a suavidade e a brutalidade, a simplicidade e a complexidade, a harmonia e o conflito, fluiem com ímpar indulgência e subtil sagacidade, ao mesmo tempo que nos dão uma visão muito própria do referido quadro, um tríptico pintado pelo pintor holandês entre finais do século XV e início do séxulo XVI e em que a parte mais fechada representa a criação do mundo, mas que quando aberto, nos oferece um panorama incrível de interpretações que, entre as noções de paraíso, as tentações, uma visão do inferno repleto de almas pecadoras a caminho de um moinho, o voyeurismo e a pura e dura sexualidade, possibilitam por parte do nosso olhar as mais variadas interpretações.

Assim também é a música de André Carvalho, telas sonoras passíveis de apropriação por parte do ouvinte, que movidas através de complexas texturas melódicas entrelaçadas em sopros e cordas, sempre com uma certa aúrea de mistério e com uma enorme personalidade, plasmam todo o charme do melhor jazz contemporâneo. The Garden of Earthly Delights é, pois, um magnífico caldeirão sonoro onde as composições vestem a sua própria pele enquanto se dedicam, de corpo e alma, à hercúlea tarefa comunicativa que o autor designou para cada uma, individualmente. Depois poderemos com elas exorcizar demónios, mas também aconchegar alegrias e realizações, esteja o ouvinte predisposto a saborear convenientemente o universo criado por este excelente intérprete de um estilo sonoro nem sempre devidamente apreciado. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 16:54
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Quinta-feira, 16 de Maio de 2019

Bear Hands – Fake Tunes

Foi através da Spensive Sounds que viu a luz do dia Fake Tunes, o quarto registo de originais dos Bear Hands, um coletivo norte-americano, oriundo de Brooklyn, Nova Iorque e atualmente formado por Dylan Rau, Val Loper e TJ Orscher. O registo é um mergulho profundo e particularmente imersivo numa multiplicidade de estilos sonoros, misturados e depois torcidos e retorcidos, uma filosofia sonora interpretada com sentido melódico e lúdico e com o firme propósito de fazer o ouvinte divagar por diferentes épocas sonoras, com particular ênfase nos anos oitenta do século passado.

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Coloca-se em modo play Fake Tunes e percebe-se, logo em Blue Lips, o cariz retro de um trabalho influenciado não só pelas habituais camadas sonoras que compôem o rock alternativo das últimas décadas, mas também por alguns tiques caraterísticos do hip hop, do pop punk, do eletropop e do rock clássico, sempre com a herança dos anos oitenta em ponto de mira. E, logo a seguir, toda esta trama estende-se de modo esplendoroso nos efeitos, na distorção e no clima épico de Mr. Radioactive, mas também, numa abordagem mais rugosa e densa, em Friends In High Places, canção que demonstra de modo claro todo  um esforço algo indisciplinado, infantil e claramente emocional, mas bem sucedido, diga-se, de criar composições cativantes e saudosistas, mas que também estejam em linha com as tendências mais contemporâneas da pop. Em Back Seat Driver (Spirit Guide) a simbiose do registo vocal imponente e emotivo com um sintetizador que parece ter sido ressuscitado após trinta anos de hibernação, ao qual se juntam excelentes loops de guitarra e uma distorção rugosa altiva e visceral, o charme retro vintage do clima neo psicadélico de Reptilians, assim como o reverb vocal e os teclados cósmicos que aprimoram a inebriante e corrosiva Ignoring The Truth, são outras composições que acomodam um disco coeso, assente em texturas sonoras intrincadas e inteligentes, diferentes puzzles que dão substância a uma mescla de géneros e estilos, idealizada sem regras ou convenções e de modo particularmente cativante e sedutor.

Os Bear Hands são de difícil catalogação, mas parecem já ter encontrado o rumo certo com este Fake Tunes, uma sátira intensa e até algo paranóica à contemporaneidade em que vivemos e onde névoas permanentes nos assombram quando olhamos para o futuro. Por cá serão novamente merecedores de loas e de exaltação plena se optarem sempre pela miscelânia e heterogeneidade sonora que carateriza este registo. Espero que aprecies a sugestão...

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01. Blue Lips (Feat. Ursula Rose)
02. Mr. Radioactive
03. Friends In High Places
04. Back Seat Driver (Spirit Guide)
05. Reptilians
06. Ignoring The Truth
07. Clean Up California
08. Exes
09. Pill Hill
10. Blame
11. Confessions (Feat. Ursula Rose)


autor stipe07 às 17:47
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Sábado, 11 de Maio de 2019

Night Moves – Strands Align

Night Moves - Strands Align

Será a vinte e oito de junho próximo que chegará aos escaparates e através da insuspeita Domino Records, Can You Really Find Me, o novo registo de originais da dupla norte-americana Night Moves, formada por Micky Alfano e John Pelant, sendo o último o principal responsável pela escrita das canções neste projeto. Can You Really Find Me foi produzido por Jim Eno, membro fundador e baterista dos Spoon, nos estúdios Public Hi-Fi em Austin, no Texas e contou com as participações especiais dos músicos Mark Hanson e Chuck Murlowski.

Sedeados em Minneapolis, estes Night Moves apostam todas as fichas numa espécie de mistura entre um country cósmico e o típico rock psicadélico, um caldeirão improvável mas perfeito para incubar canções texturalmente ricas e que acabam por encarnar deliciosos tratados de epicidade e lisergia, como será certamente possível atestar no conteúdo de Can You Really Find Me.

Para já podemos deliciar-nos com Strands Align, o primeiro avanço já revelado de Can You Really Find Me, uma verdadeira orgia lisérgica que nos catapulta, em simultâneo, para duas direções aparentemente opostas, a indie folk psicadélica e o rock experimental. Confere...


autor stipe07 às 13:29
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Quinta-feira, 9 de Maio de 2019

Vampire Weekend – Father Of The Bride

Mais de meia década depois do excelente Modern Vampires of the City, os Vampire Weekend de Ezra Koenig, Chris Baio e Chris Tomson, estão finalmente de regresso aos lançamentos discográficos com Father Of The Bride, o quarto disco da carreira do grupo de Nova Iorque, um álbum duplo, que viu a luz do dia através da Columbia Records e que tem como eixos basilares orientadores da sua escrita noções como alegria, luminosidade e o renascer para uma nova vida, no fundo, ideias que deverão estar neste momento muito presentes no dia-a-dia de um projeto que perdeu há três anos Rostam Batmanglij, uma das suas pedras basilares, multi-instrumentista e anterior responsável pela função de principal produtor do grupo e que procura agora colocar-se novamente nos eixos. Ezra Koenig é, portanto, a grande força motriz atual de um projeto muito centrado neste músico, vocalista e compositor, que durante este longo hiato constituiu família com a atriz Rashida Jones, lançou a sua série de animação Neo Yokio no Netflix, continuou a apresentar o programa Time Crisis e co-escreveu Hold Up de Beyoncé, enquanto vivia algumas experiências descritas neste novo álbum dos Vampire Weekend.

Esta banda nova iorquina sempre evoluiu e enriqueceu o seu cardápio à custa de canções divididas entre um travo afro e o rock alternativo, um modus operandi que com Contra, e no anterior Modern Vampires Of The City também evoluiu para sonoridades mais maduras e experimentais. Com as participações especiais de Steve Lacy dos The Internet em dois temas e de Danielle Haim em três, Father Of The Bride continua a apostar nesta lógica de continuidade evolutiva e de busca de uma maior heterogeneidade e complexidade para o cardápio do grupo.

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Desta vez tal demanda centrou-se na busca de interseções apuradas entre a herança pop do último meio século, com especial ênfase para o período sessentista dominado pela exuberância das cordas, mas também pelo uso das teclas de um modo menos clássico e mais experimental. Assim, dentro dessa baliza estilística, importa referir Harmony Hall, uma lindíssima composição conduzida por um inspirado piano pleno de charme e de contemporaneidade, acompanhado por cordas radiantes, num exercício de simbiose que de forma experimental e criativa sustenta uma melodia pop com um certo cariz épico e melancólico e que nas suas nuances rítmicas se divide constantemente entre a simplicidade e a grandeza dos detalhes, assim como Big Blue, composição com uma intimidade e uma acusticidade ímpares. Depois, num plano mais exuberante, canções como a vibrante Married In A Gold RushThis Life, um buliçoso tema solarengo e com um groove bastante charmoso, assente num trabalho rítmico e percurssivo bastante radiante, atestam a já habitual asseritividade rítmica do grupo, também preenchida com elementos tropicais e étnicos. Já agora, o tema This Life, um dos que conta com a participação especial vocal de Danielle Haim, tem uma letra inspirada nas canções It Never Rains in Southern California, um sucesso de mil novecentos e setenta e dois da autoria de Albert Hammond, pai de Albert Hammond Jr., membro dos The Strokes e presença assídua neste blogue (Baby I know pain is as natural as the rain, I just thought it didn’t rain in California) e, no refrão, na composição Tonight, do rapper californiano iLoveMakonnen (You’ve been cheating on, cheating on me, So I’ve been cheating on, cheating on you).

No meio de toda esta diversidade e ecletismo, importa ainda referir a aposta em algumas da principais tendências estilísticas da eletrónica atual, bem patentes, por exemplo, em 2021, uma pequena peça sonora intimista, sustentada num curioso sintetizador minimalista e numa guitarra com um efeito metálico muito peculiar e em Unbearably White, tema que se debruça no modo cínico como a questão do racismo é hoje tratada numa cada vez mais politizada e dividida América (There’s an avalanche coming, Cover your eyes), uma composição melancólica e intimista, com uma vasta inserção de arranjos de cordas e outros de origem sintética a pairarem sobre uma melodia intrigante e algo densa. Sympathy é talvez aquela canção que melhor condensa todo este receituário, no modo como cruza batidas e ritmos com funk e com um travo hispânico delicioso, com alguns dos arquétipos essenciais do rock progressivo setentista, rematados por detalhes de cordas de forte indole orgânica.

Toda esta trama conceptual faz movimentar um trabalho que se divide constantemente entre a simplicidade e a grandeza dos detalhes, um registo entregue, de forma experimental e criativa à busca algo incessante de melodias com um forte cariz pop e radiofónico, mas sem deixarem de piscar o olho ao universo underground e mais alternativo que foi quem sustentou e ajudou os Vampire Weekend, no início da carreira, a obterem a notoriedade que hoje os distingue. Espero que aprecies a sugestão...

Vampire Weekend - Father Of The Bride

01. Hold You Now (Feat. Danielle Haim)
02. Harmony Hall
03. Bambina
04. This Life
05. Big Blue
06. How Long?
07. Unbearably White
08. Rich Man
09. Married In A Gold Rush (Feat. Danielle Haim)
10. My Mistake
11. Sympathy
12. Sunflower (Feat. Steve Lacy)
13. Flower Moon (Feat. Steve Lacy)
14. 2021
15. We Belong Together (Feat. Danielle Haim)
16. Stranger
17. Spring Snow
18. Jerusalem, New York, Berlin


autor stipe07 às 14:27
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Segunda-feira, 6 de Maio de 2019

Cage The Elephant - Social Cues

Já tem sucessor Tell Me I'm Pretty, o álbum que os norte americanos Cage The Elephant, de Matt Schultz (voz), Brad Schultz (guitarra), Jared Champion (bateria), Daniel Tichenor (baixo) e Lincoln Parish (guitarra), lançaram no final de dois mil e quinze e que na altura nos conduziu por uma verdadeira road trip, à boleia das cordas, da bateria e do sintetizador, uma viagem lisérgica que contou com um complemento de versões acústicas dois anos depois, intitulado UnpeeledSocial Cues é o nome do quinto e novo registo discográfico desta banda oriunda de Bowling Green, no Kentucky, viu a luz a dezanove de abril, foi produzido por John Hill e contém um alinhamento de treze temas que conta com a participação especial de Beck na canção Night Running.

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A composição deste novo álbum dos Cage The Elephant é bastante inspirada no final de uma relação amorosa de Matt Schultz, que criou nas letras que escreveu para alguns dos temas personagens que recriam eventos e pensamentos da sua história pessoal mais recente. Aproveitando esse momento introspetivo, Matt acabou por ir um pouco mais além da sua esfera pessoal e refletiu também sobre o modo como nos dias de hoje nos relacionamos pessoal e socialmente, enquanto vivemos e procuramos ser felizes em ambientes onde o frenesim, a impessoalidade, a competitividade, a ausência constante de valores e a busca incessante do material são presenças constantes e factores de pressão indesmentíveis.

Descrito este enredo musical, feito de poesia que tanto pode exalar descontentamente e frustração, como uma certa euforia e júbilo, a materialização sonora do mesmo assenta numa filosofia interpretativa bastante heterogénea, num alinhamento que oscila também entre dois pólos aparentemente opostos, ou seja, numa lógica de coerência entre letras e musica, entre momentos ruidosos e expansivos e instantes menos ritmados e agitados. Assim, se uma constante sensação de irritação percetível em Broken Boy ganha vida à custa de uma guitarra que a espaços se insinua, no meio de uma batida dominante, já Ready To Let Go balança entre a típica rugosidade do rock feito sem adereços desnecessários, mas que impressiona pela forma como as cordas são manuseadas e produzidas e a calorosa e acústica pop, misturada com um salutar experimentalismo psicadélico. Este lado mais ritmado e eufórico do registo é reforçado pelo fuzz da guitarra da luminosa Black Madonna, pelo rugoso travo psicadélico de House of Glass e pelo instinto pop que sustenta The War Is Over. Já o tema homónimo, por exemplo, querendo dar ao ouvinte algumas pistas sobre como deve agir socialmente perante determinada situação menos pacífica, acaba por fazer parte do conjunto de composições mais minimalistas e soporíferas, no modo como vê a componente da letra enfatizada através de uma opção sonora que primou pela discrição, apenas com a bateria e uma suave guitarra a servirem de pano de fundo para a mensagem. O piano que conduz Goodbye, a melodia sintética e os flashes cósmicos que adocicam Skin And Bones e o clima algo enevoado e lisérgico de What I'm Becoming, sendo canções que oferece ao disco uma maior dose de imprevisibilidade e ineditismo e talvez pensadas para fugirem aos habituais cânones em termos de formatação sonora dos Cage The Elephant, proporcionam-nos os tais instantes mais reflexivos e intimistas.

Álbum com um pretexto explícito, mensagens contundentes e uma identidade bem definida, Social Cues suga-nos para uma centrifugadora que mistura alguns dos mais saborosos ingredientes do rock alternativo atual, com um resultado que te faz sentir emoções fortes e verdadeiramente inebriantes, num alinhamento que nos deixa constantemente à espera que surja nos nossos ouvidos algo de imprevisível e inédito e que contribui para que sejamos definitivamente absorvidos pela mente insana de uma banda sem preocupações estilísticas ou de obediência cega a fronteiras sonoras e que voltou a criar um conjunto de canções plenas de originalidade e com uma elevada bitola qualitativa, enquanto brincam com os nossos sentimentos mais íntimos. Espero que aprecies a sugestão...

Cage The Elephant - Social Cues

01. Broken Boy
02. Social Cues
03. Black Madonna
04. Night Running (Feat. Beck)
05. Skin And Bones
06. Ready To Let Go
07. House Of Glass
08. Love’s The Only Way
09. The War Is Over
10. Dance Dance
11. What I’m Becoming
12. Tokyo Smoke
13. Goodbye


autor stipe07 às 18:22
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Sexta-feira, 3 de Maio de 2019

Lamb - The Secret of Letting Go

A dupla de Manchester Lamb, formada por Lou Rhodes e Andy Barlow, já anda por cá desde meados dos anos noventa, altura em que lançaram um disco homónimo de estreia que é um verdadeiro clássico da pop contemporânea. Depois disso, a dupla tem-se mantido sempre à tona, mesmo durante longos hiatos em que Rhodes se dedicou a uma promissora carreira a solo a Barlow à produção de outros artistas.

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O último sinal de vida dos Lamb tinha sido em dois mil e catorze com o álbum Backspace Unwind, que tem finalmente sucessor. O sétimo e novo trabalho da dupla chama-se The Secret of Letting Go, viu a luz do dia através da Cooking Vynil e contém um alinhamento que tem no espaço a sua ideia central e que foi gravado entre o estúdio dos Lamb e Ibiza e Goa, na Índia.

The Secret Of Letting Go vive, no seu todo, de uma simbiose feliz entre a pop soturna e clássica, a eletrónica mais sofisticada e um rock eminentemente experimental. Contém um alinhamento suave e bastante adocicado, recheado de composições sustentadas por uma elevada consistência instrumental e melódica, dominado, especialmente, nas últimas canções, por belíssimos acordes de piano, cordas certeiras e sintetizadores cósmicos, detalhes que se acamam com elevada mestria ao registo vocal de Rhodes. Por exemplo, se quase no ocaso do disco, em Silence Inbetween, quase se consegue sentir a ténue vibração das cordas dentro da caixa de um piano tocado com enorme pureza e que se entrelaça com o violino com uma química de uma paixão avassaladoras, já Armageddon Waits, uma composição vibrante, rugosa e evocativa, oferece-nos um feliz exercício de fusão de diversos cânones da eletrónica com um rock de cariz eminentemente progressivo, assente numa percussão bastante ritmada, guitarras planantes e diversos arranjos de sopros.

É, pois, através deste jogo fluído e simbiótico entre dois grandes universos e os diversos mundos de cada um, que The Secret Of Letting Go vai deixando cada vez mais para trás aquela sedutora ingenuidade dos primórdios dos Lamb. Continuam a escutar-se temas mais dançantes, como é o caso de Moonshine e o travo trip-hop de Bulletproof e outros essencialmente introspetivos, nomeadamente One Hand Clapping, uma bonita fusão entre metais, teclas e cordas que nos mostram aquele lado mais romântico e delicado do trio, num resultado final charmoso e sofisticado, como não podia deixar de ser nos Lamb e que deverá ajudar a revitalizar a carreira de um grupo que já estava algo esquecido mas que, pelos vistos, ainda tem muito para oferecer aos apreciadores de um género sonoro pleno de especificidades. Espero que aprecies a sugestão...

Lamb - The Secret Of Letting Go

01. Phosphorous
02. Moonshine
03. Armageddon Waits
04. Bulletproof
05. The Secret Of Letting Go
06. Imperial Measures
07. The Other Shore
08. Deep Delirium
09. Illumina
10. The Silence in Between
11. One Hand Clapping


autor stipe07 às 16:35
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Quinta-feira, 2 de Maio de 2019

Mano A Mano Vol. 3

Cerca de ano e meio após Vol. 2, já viu a luz do dia Vol. 3, o novo trabalho dos  Mano a Mano dos irmãos André e Bruno Santos, dois guitarristas com um vasto percurso musical, eminentemente jazzístico e dos melhores intérpretes nacionais desse espetro sonoro, na atualidade.  Recordo que o projeto Mano a Mano estreou-se há meia década nos discos através de uma edição cujo financiamento foi obtido através de uma campanha bem sucedida de crowdfunding e que o sucessor, Mano a Mano Vol. 2,continha onze canções que, de acordo com o press release desse lançamento, centravam-se num duelo dinâmico de guitarras, um disco cheio de momentos de virtuosismo, elegância e humor, explorando as inúmeras possibilidades deste formato.

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Gravado no Estúdio Paulo Ferraz, com os manos rodeados de discos de Bill Evans, Ella Fitzgerald & Louis Armstrong, António Carlos Jobim, Boney M. e do projeto Planetarium, de Sufjan Stevens, Nico Muhly, Bryce Dessner e James McAlister, conforme se confere na capa do lançamento, Vol. 3 amplia o arrojo instrumental do catálogo da dupla, já que nas suas doze canções, além das presenças habituais da guitarra, da braguinha e do rajão, os sintetizadores e variados instrumentos percurssivos também têm um protagonismo que ainda não tinha sido visto nos Mano A Mano, no que concerne à definição do arquétipo fundamental de algumas das suas composições.

Irmãos com uma química evidente e que tem como um dos factos mais curiosos o André ser destro mas tocar com a guitarra virada para o lado esquerdo devido a uma espécie de efeito de espelho por ver o Bruno a tocar à sua frente anos a fio, os Mano A Mano assentam as suas propostas sonoras numa filosofia estilística com uma especificidade muito própria e estreitamente balizada, mas não deixam, por isso, de nos oferecer alinhamentos cada vez mais sinuosos e cativantes. A luminosidade madrugadora das cordas que vibram na introdutória Parque Aventura é apenas uma pequena amostra de um superior quilate interpretativo, porque Guimarães, logo a seguir, já é sinónimo da maior abrangência deste terceiro volume, numa melodia com forte apelo caliente, clima ampliado pela inserção de vários samples e efeitos percurssivos, alguns apenas insinuantes mas vincados, num resultado final pleno de virtuosismo e sentimento.

Dado em grande estilo o mote e com o ouvinte já preso, rendido e, em simultâneo, a deixar-se espraiar nestes dois temas, mas também a dar por si a sentir uma imensa curiosidade relativamente ao restante alinhamento, Vol. 3 prossegue, em grande estilo, à sombra do travo folk nostálgico de Rosa, da sumptuosa delicadeza que exala das constantes variações de tom em Flor do Amor, do travo afro que não pode deixar de ser ouvido sem ser acompanhado por um sorridente bater de pés ou um efusivo abanar de ancas em Cabo Verde, amplificado pelo kashaka, um instrumento de percurssão típico do arquipélago africano que dá nome ao tema e do fumarento espreguiçar a que nos convida Rocky, canções que vingam na onda dos vários dedilhares que se cruzam entre si e as tricotam de modo a materializar os melhores atributos que os Mano A Mano guardam na sua bagagem sonora. 

Até ao fim de Vol. 3 e ainda antes de uma reintrepretação feliz de Stardust, um original dos anos vinte do século passado de Hoagy Carmichael, revisto aqui com enorme protagonismo do rajão, a Madeira marca a sua presença, através do modo como a braguinha e o mesmo rajão dialogam entre si, com uma ímpar serenidade, na Valsa para Cândido Drumond de Vasconcelos, um tributo a este intérprete do machete e compositor que viveu na Madeira no século dezanove e também à boleia de uma magnífica e nostálgica versão de Noites da Madeira, um original de Tony Amaral, nome importante do jazz funchalense da primeira metade do século passado.

Em suma, é da constante inquietação que lateja do diálogo que estes dois músicos estabelecem entre si, que se sustenta muita da essência de um disco que, mesmo sem letras, não deixa de ser, no seu todo, um exímio e lúcido contador de histórias, deixemo-nos nós absorver por tudo aquilo que as cordas (e não só) nos sussurram ao ouvido com indesmentível clareza. Isso apenas é possível porque Vol. 3 está recheado de sons inteligentes e solidamente construídos e que têm como grande atributo poderem facilmente fazer-nos acreditar que mesmo este género de música tão específico e sui generis pode ser também um veículo para o encontro do bem e da felicidade, quer individual quer coletiva. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 10:54
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Sábado, 27 de Abril de 2019

Jay-Jay Johanson – Kings Cross

Já está nos escaparates Kings Cross, o décimo segundo álbum do sueco Jay-Jay Johanson, mais um riquíssimo reportório de experimentações sónicas que cimentam o percurso sonoro tremendamente impressivo e cinmetográfico de um dos nomes mais relevantes da pop europeia das últimas três décadas. Com a participação especial de Robin Guthrie dos míticos Cocteau Twins em Lost Forever e com um dueto com Jeanne Added em Fever, Kings Cross consiste num inspirado compêndio de eletropop idealizado por um Jay-Jay Johanson que teve o firme intuíto de nos captar com a sua voz melancólica, ao som de arrebatadoras melodias, revestidas de sons intrincados e algo misteriosos, geralmente de origem sintética e batidas e efeitos percurssivos de cariz emimentemente experimental.

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Not Time Yet, a canção que abre o alinhamento de Kings Cross, torna logo explícita toda a trama esplanada num alinhamento de canções que têm a pop eletrónica, de cariz eminentemente reflexivo e ambiental, como grande suporte sonoro, conforme já referi, mas é demasiado redutor, aviso desde já, parcelar de modo tão concreto todo o emaranhado de referências estilísticas que o artista sueco absorveu, degustou e depois esplanou neste seu novo álbum.

Assim, se no caso dessa primeira composição do álbum, temos um som polido, mas desafiante por se mostrar um pouco escuro, mesmo assumindo-se como particularmente charmoso e intenso, na tonalidade mais descontraída e cativante do jazz que alinha Heard Somebody Whistle, na soul da percurssão, do baixo e do insinuante piano de Smoke, na romântica fragilidade que flutua à tona do manto sonoro ondulado que nos embala em Hallucination, na guitarra que ressoa com vigor em Niagara Falls e no clima íntimo e de forte pendor clássico de Old Dog ficamos devidamente esclarecidos acerca de toda a diversidade instrumental que suportou a gravação de um disco que, contendo diferentes texturas e travos conceptuais, entronca sempre numa filosofia interpretativa típica de um músico que já se movimentou por espetros sonoros tão vastos e díspares como a folk, o rock progressivo, a música clássica contemporânea ou a eletrónica, e que, quer por isso, quer devido à sua enorme sensibilidade poética e artística, consegue sempre proporcionar ao ouvinte instantes de arrebatadora sedução, mesmo quando uma espécie de ideia de simplicidade paira sempre como uma nuvem melancólica e mágica em seu redor. Espero que aprecies a sugestão...

Jay-Jay Johanson - Kings Cross

01. Not Time Yet
02. Heard Somebody Whistle
03. Smoke
04. Lost forever (Feat. Robin Guthrie)
05. Hallucination
06. Old Dog
07. Niagara Falls
08. Fever (Feat. Jeanne Added)
09. Swift Kick In The Butt
10. We Used To Be So Close
11. Everything I Own
12. Dead End Playing


autor stipe07 às 14:04
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Quarta-feira, 24 de Abril de 2019

Jaws - The Ceiling

Já chegou aos escaparates The Ceiling, o novo registo de originais dos Jaws de Connor Schofield. Este novo registo do trio de Birmingham foi produzido por Gethin Pearson, que já tinha trabalhado com a banda há três anos no registo Simplicity e tem a chancela da Rough Trade Records, firmando o projeto numa posição relevante no que concerne àquele indie rock que oscila entre nuances algo etéreas e contemplativas, mais típicas da dream pop e outras mais efusiantes e progressivas.

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Driving At Night e Feel, os dois temas que abrem as hostilidades em The Ceiling, comprovam, desde logo e respetivamente, os territórios sonoros que os Jaws trilharam neste seu novo trabalho e que acabam por definir o adn do grupo. Portanto, este é um disco de continuidade relativamente ao som do grupo e de aprimoração de alguns dos seus principais atributos, num claro sinal de maturidade. A esse propósito, o tema Do You Remember? não terá sido escolhido ao acaso como um dos singles já extraídos do registo, visto ser uma canção onde o trio põe prego a fundo no pedal da distorção de modo a criar uma composição que encontra as suas raízes sonoras no típico rock alternativo de final do século passado, mas com um travo shoegaze muito apetecível. De facto, esta canção é fruto de uma produção cuidada que, nunca disfarçando a intensidade e o vigor elétrico, também demonstra uma atitude corajosa por parte dos Jaws de quererem conciliar limpidez e capacidade de airplay radiofónico, sem que isso castre a extraordinária capacidade criativa que o grupo demonstra possuir, sempre com a objetiva direcionada para a diversidade sonora descrita e que tem muitas vezes na sujidade de guitarras efusiantes, numa percurssão trememendamente intuitiva e ritmada e num baixo imponente, fortes aliados e mais valias.

O modo como a guitarra e algumas texturas sintéticas e samples vocais se relacionam em Fear, acaba por ser o instante mais intringante e menos linear do registo, deixando no ar um curioso ponto de interrogação acerca de uma possível inflexão sonora futura dos Jaws para territórios menos orgânicos e imediatos. Patience, um pouco depois, também se deixa deslizar para uma espécie de electrorock ambiental, mas as guitarras durante o refrão conseguem normalizar, de algum modo, a composição. Seja como for, se a acusticidade de January proporciona ao ouvinte um inspirado contacto com o lado mais experimental dos Jaws, em End of the World a banda volta ao rock mais direto, desta vez com a distorção metálica da guitarra a proporcionar uma toada mais punk e sombria que eu particularmente saúdo e que, na minha opinião, acaba por ser o melhor momento de um disco, abrigado numa filosofia interpretativa com um travo indie de excelência e onde apesar de sobressair o travo oitocentista, não deixa de exalar uma diversidade e uma abrangência que terá o louvável intuíto de nos proporcionar quarenta e cinco minutos de rock vibrante, majestoso e algo saudosista e nostálgico, mas também, a espaços, contemplativo e contemporâneo. Espero que aprecies a sugestão...

Jaws - The Ceiling

01. Driving At Night
02. Feel
03. Do You Remember?
04. Fear
05. End Of The World
06. Patience
07. Looking / Passing
08. The Ceiling
09. Please Be Kind
10. January


autor stipe07 às 12:36
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Terça-feira, 23 de Abril de 2019

Strand Of Oaks - Eraserland

Foi há cerca de dois anos que Tim Showalter editou Hard Love, o quinto registo de originais em que assinou Strand Of OaksHard Love sucedeu ao aclamado disco Heal, que o colocou, em dois mil e catorze, nas luzes da ribalta e foi, de acordo com o autor, um trabalho gravado numa época tumultuosa e sobre enorme pressão, devido ao peso do sucesso de Heal e ao escurtínio que sabia que iria ser feito relativamente ao sucessor desse tão bem sucedido trabalho. A boa aceitação por parte da crítica e dos fãs de Hard Love, acabou por constituir um bálsamo retemperador para Showalter que ganhou elan para colocar nos escaparates, o ano passado, um alinhamento de demos melhorados que sobraram das gravações de Hard Love, intitulado Harder Love, um alinhamento alternativo que encerrou um capítulo importante da vida discográfica do autor e o deixou de mente limpa e consciência tranquila para o próximo passo.

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Agora, um ano depois, Strand Of Oaks está de volta com o seu sexto e novo disco, um registo intitulado Eraserland, que viu a luz do dia à boleia da Dead Oceans, um trabalho curioso porque conta com a participação especial dos My Morning Jacket como banda de suporte de Showalter, além do guitarrista Jason Isbell e da voz de Emma Ruth Rundle num dos temas.

É um Timothy revigorado e com uma impressionante capacidade de nos fazer cavalgar à retaguarda umas quatro décadas sem que quase nos apercebamos, pelo menos de imediato, desse hiato temporal, que se apresenta em Eraserland, um tomo de onze composições que nos oferecem uma sentida homenagem do autor a alguns dos seus heróis musicais, com Springsteen e Tom Petty à cabeça, enquanto nos mostra que afinal pode ser bastante ténua a linha que separa aquilo que é a vida real de qualquer comum mortal e aquilo a que nós temos por hábito de chamar arte, neste caso, arte sonora, música, uma manifestação livre da critividade e da imaginação humanas. Strand Of Oaks volta a falar muito de si e da sua existência e fá-lo com um grau de impressionismo e realismo tal, através da música, que acaba por exaltar e de algum modo normalizar e relativizar aquilo que é para muitos algo só ao alcance de certos predistinados, a criação artística, neste caso a musical. Por exemplo, Weird Ways, um dos momentos maiores de Eraserland, é, talvez, aquela onde se sente o âmago desta genuína entrega por parte do autor. É uma canção plena de intimismo e nostalgia, que começa banhada por um manto etéreo de acusticidade, mas que depois, envolvida por uma vibe pop oitocentista indisfarçável, fica repleta de orquestrações opulentas e, apesar do ruido e da distorção da guitarra, contém, no seu todo, um grau de refinamento classicista incomensuravelmente belo, mas também um modo muito simples, direto e acessível de transmitir o seu ideário lírico, que tem muitas parecenças com nomes contemporâneos como Mount Eerie ou Margo Price, intérpretes e escritores reconhecidos pelo modo como se expôem sem receios e de mente aberta.

Acaba por ser curioso travarmos conhecimento com Timothy, investigando a sua vida pessoal e perceber o quanto ele é recatado e comedido em público e depois contactarmos com esta escrita tão vibrante, confessional e comunicativa. Talvez esta acabe por ser uma fervorosa demonstração de saudável alienação e exorcização por parte de um músico que, com quinze anos, no sotão de sua casa, se sentiu ausente do resto do mundo e percebeu que a música seria a sua cura e a composição sonora a alquimia que lhe permitiria exorcizar todos os seus medos, problemas e angústias.

São, portanto, vários os instantes de puro deleite de um disco escrito sob um manto nublado de dúvidas, hesitações e um estado de espírito algo depressivo depois do frenesim de promoção a Heal e que, de acordo com o próprio Timothy, teve como grande força motriz a audição do clássico registo Spirit Of Eden dos Talk Talk, num passeio junto à praia numa quente noite no verão de dois mil e dezassete. Além da já descrita Weird Ways, logo a seguir, em Hyperspace Blues, encontramos uma canção repleta de cor e frenesim, um luminoso instante pop abastecido por referências noisefolk e psicadélicas, que depois se vão encontrar noutros temas do alinhamento, nomeadamente no clima envolvente do baixo que embala e conduz a pulsante Final Fires, no efeito cósmico da guitarra audível na melancólica Keys e no andamento vibrante, proeminente e majestoso que conduz Moon Landing e, numa faceta mais radiofónica e pop, Ruby, composição em que piano e guitarra conjuram entre si para nos facultar uma impressionante e tremendamente realista viagem ao melhor dos anos oitenta. Depois, momentos mais intimistas como Wild and Willing ou Forever Chords, composições aparentemente minimalistas mas adornadas por camadas sonoras ricas em detalhes implícitos, nunca ofuscam a natural predisposição deste reverendo barbudo para expor tudo aquilo que sente e precisa de expelir com genuína entrega e sensibilidade extrema.

Escutar com devoção Eraserland é embarcar numa viagem emocional e emocionante rumo ao fulcro cósmico da mente de Strand Of Oaks. A empatia entre o autor e os músicos convidados referidos anteriormente é outro factor que ajuda a ampliar ainda mais a elegância e o charme de um alinhamento que de mãos dadas com uma produção irrepreensível, nos proporciona muito do que de melhor propõe hoje a música independente americana contemporânea. É um álbum que volta a expandir os territórios deste artista verdadeiramente singular, que replica uma vez mais com mestria um emaranhado de antigas nostalgias e novas tendências, que reproduzem toda a força neo hippie tipicamente rock, mas que também se deixa consumir abertamente tanto pelo experimentalismo punk lisérgico como pela soul. Espero que aprecies a sugestão...

Strand Of Oaks - Eraserland

01. Weird Ways
02. Hyperspace Blues
03. Keys
04. Visions
05. Final Fires
06. Moon Landing
07. Ruby
08. Wild and Willing
09. Eraserland
10. Forever Chords
11. Cruel Fisherman (Hidden Track)


autor stipe07 às 11:44
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Segunda-feira, 22 de Abril de 2019

Damien Jurado – In The Shape Of A Storm

Quase um ano depois do portentoso registo The Horizon Just Laughed, um disco de despedida de Seattle, de onde Damien Jurado saiu para se mudar para a solarenga Los Angeles, este cantautor norte-americano único está de regresso aos discos com In The Shape Of A Storm, dez canções concebidas à guitarra com a ajuda de Josh Gordon, novo companheiro de viagem de Jurado e abrigadas pela Mama Bird Recording Co., a nova editora que publica o artista, com sede em Portland, no Oregon. No alinhamento de In The Shape Of A Storm conferimos uma dezena de nuvens negras e ameaçadoras que, conforme o título do disco indica, estão sempre disponiveis para se precipitarem sobre o nosso âmago, desde que estejamos dispostos a absorver toda a emotividade que delas transbordam.

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In The Shape Of A Storm, o décimo quarto longa duração da carreira de Jurado, é, de facto, o primeiro álbum completamente acústico deste artista, gravado em apenas duas horas de uma inspirada tarde californiana, mas não é por isso que deixa de ser um registo melodica e instrumentalmente rico, se comparado com os últimos trabalhos do autor. Foi pensado por um dos nomes fundamentais da folk norte americana e um dos artistas que melhor tem sabido preservar algumas das caraterísticas mais genuínas de um cancioneiro que dá enorme protagonismo ao timbre acentuado e rugoso das cordas para dissertar crónicas sobre uma América profunda e muitas vezes oculta, não só para os estrangeiros, mas também para muitos nativos que desde sempre se habituaram à rotina e aos hábitos de algumas das metrópoles mais frenéticas e avançadas do mundo, construídas num país onde ainda é possível encontrar enormes pegadas de ancestralidade e que inspiram calorosamente este músico.

Se Damien Jurado já cantou ao longo da carreira baladas sobre o cosmos, ou sobre extraterrestres e espíritos de assassinos e moribundos, desta vez resolveu servir-se do cinema e de personagens de filmes marcantes da sua vida, como American Graffiti, Paris, Texas, ou The Last Picture Show, para dissertar sobre si próprio e sobre alguns dos instantes mais marcantes da sua existência, enquanto em seu redor o mundo parece, na sua óptica, desmoronar-se e degradar-se, dia após dia. A personagem Oda Mae Brown, interpretada por Whoopi Goldberg em Ghost, é mesmo a referência máxima do músico, ao longo do álbum (You ever see that movie Ghost? Whoopi Goldberg’s character, Oda Mae Brown—that’s who I am. These spirits are showing up at her door, jumping into her body. That’s how I feel. I don’t know what’s coming out of me…I just show up and deliver it.)

Uma nuance estilistica muito marcante em In The Shape Of A Storm é o modo como Damien Jurado usa as palavras nos temas e o estilo de interpretação e produção das mesmas. A ideia é fazer com que o ouvinte tenha a sensação de estar a converdsar com o autor e junto de si. Se logo em Lincoln, quando ele afirma There is nothing to hide, Jurado deixa-nos esclarecidos sobre esse se propósito de proximidade, a seguir, nas variações de tonalidade presentes em Newspaper Gown, no clima celestial de South, no intimismo óbvio de Throw Me Now Your Arms, na narrativa vibrante de Where You Want Me To Be e na toada algo ébria de Silver Bail, estamos definitivamente em comunhão profunda e em simbiose perfeita com um painel muito impressivo de composições que acabam por se tornar num dos momentos maiores da carreira deste cantautor, exatamente devido ao modo como nele este músico se coneta com a nossa mente, enquanto confessa alguns dos seus dilemas e desejos mais profundos e assim se expôe triunfalmente, sem receio e despudor, tornando-nos confidentes de alguns dos arquétipos essenciais da sua intimidade maior. No fundo, se a discografia de Damien Jurado está repleta de canções passiveis de serem coreografadas cinematicamente em curtas-metragens sobre pessoas comuns e as suas vidas, origens e destinos, In The Shape Of A Storm é uma espécie de filme autobiográfico, registado a preto e branco, que documenta em dez canções quase duas décadas de uma vida dedicada à composição e à interpretação musical num dos formatos mais genuínos que se pode imaginar. E se elas foram sendo criadas e guardadas ao longo de todo este tempo, só agora viram a luz do dia porque este era, claramente, o melhor momento de se expressarem e nos tocarem com plenitude (I believe songs have their own time and place). Espero que aprecies a sugestão...

Damien Jurado - In The Shape Of A Storm

01. Lincoln
02. Newspaper Gown
03. Oh Weather
04. South
05. Throw Me Now Your Arms
06. Where You Want Me to Be
07. Silver Ball
08. The Shape Of A Storm
09. Anchors
10. Hands On The Table


autor stipe07 às 14:45
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Sexta-feira, 19 de Abril de 2019

Tellavision - Add Land

Já viu a luz do dia Add Land, à boleia da Bureau B, o mais recente tomo discográfico do projeto artístico Tellavision, já com uma década de carreira, assente em três álbuns e dois EPs, sempre em busca de excitantes aventuras sónicas, abstrações musicais que têm a sua raíz na génese do chamado krautrock e onde o ruído não é algo supérfluo ou incómodo, mas usado com um propósito bem definido de servir como mais um veículo de transmissão de emoções e sensações que se pretendem o mais físicas e orgânicas possível, dentro daquilo que a música, enquanto manifestação artística por excelência, consegue provocar no âmago de cada um de nós. E de facto, nestas treze canções que constituem o alinhamento de Add Land, produzidas pela própria Tellavision e por Thies Mynther, uma das metades da dupla Phantom / Ghost, não faltam instantes que arrebatam e concentram a atenção, mesmo no ouvinte mais desatento ou desprevenido.

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Começa-se a ouvir os flashes sintetizados do tema homónimo do disco e somos logo dominados por campos magnéticos que estalam ao longo de uma batida pontiaguda, enquanto um pulso lento e levemente errático agita-se por baixo da voz de Tellavision à medida que ela canta, evocando os medos que nos paralisam, mas também aqueles que nos inspiram. E logo nesse tema percebe-se outro ás de trunfo deste projeto, o registo vocal da protagonista, sempre vibrante e tremendamente empático. Depois, no minimalismo da batida misteriosa de Salty Man, no travo maquinal de Hat Makers e no groove dançante da buliçosa bateria que conduz Purple View, estamos lançados e ficamos ainda mais esclarecidos acerca dos elevados níveis de complexidade e virtuosismo que estiveram na génese da concepção de um registo, em que máquinas e sons eletrónicos coabitam pacificamente e com superior simbiose com aquela instrumentação mais tradicional e orgânica e que costuma balizar as trevas mestras do indie rock.

Disco merecedor de contemplação cuidada e dedicada, aberto, confiante e otimista, apesar de muito balizado pela noção de medo, como de certo modo já referi, mas com o foco deste sentimento muito virado para o amor que nos permite superar os nossos medos, nomeadamente o nosso amor pelo outro e por nós próprios, Add Land oferece um novo grau de firmeza qualitativa a um projeto ímpar no panorama sonoro e artístico alternativo europeu. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 14:48
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