Domingo, 5 de Abril de 2020

Born Ruffians – Juice

Os Born Ruffians de Luke Lalonde, Mitch DeRosier e Steve Hamelin provam estar no momento maior de forma de uma já irrepreensível e astuta carreira de quinze anos, uma evidência assente nas nove canções de Juice, o sexto e novo disco deste projeto canadiano que é atualmente abrigado pela Yep Roc Records em parceria com a Paper Bag Records.

Born Ruffians "Breathe" one last time before the drop of their new ...

Juice sucede ao aclamado registo Uncle, Duke & The Chief de dois mil e dezoito e em quase meia hora proporciona-nos um indie rock vibrante, afoito e jovial, muito também devido ao excelente trabalho de produção de Graham Walsh, que foi fundamental para o eclodir de um som polido e confiante e com fortes reminiscências no período mais aúreo daquele experimentalismo setentista que tanto dava enorme ênfase ao vigor das cordas, como à opção por arsenais instrumentais de proveniências menos orgânicas.

Os três temas que abrem o disco,  a majestosa e inebriante secção de sopros e a frenética percurssão de I Fall In Love Every Night, a ferocidade tribal de Breathe e a aspereza punk de Dedication, assumem, desde logo, esse nobre papel de fiéis sustentáculos desta permissa revivalista plena de atitude e firmeza que tem um objetivo que, quanto a mim, me parece claro, a vontade de incendiar as hostes para que reflitam sobre a sua realidade pessoal e assumam de uma vez por todas as suas inquietudes e as combatam sem dó.

A delicadeza dos arranjos acústicos que brilham em Hey You, tema que conta com a participação especial de Maddy Wilde, são um curioso antagonismo entre um travo sonoro algo sobranceiro e contemplativo e uma mensagem efusiva, direta e que nada tem de difuso ou intuitivo. Aliás, a canção é, sonoramente, em termos de luminosidade pop, um oásis num alinhamento pleno de eletricidade e vibração, encontrando apenas paralelo na soul enevoada de Wavy Haze, composição que encerra um disco pleno de consistência, mas também de frescura e de uma multiplicidade de sabores, como se exige a um sumo suculento e revigorante. Espero que aprecies a sugestão...

Born Ruffians - Juice

01. I Fall in Love Every Night
02. Breathe
03. Dedication
04. The Poet (Can’t Jam)
05. I’m Fine
06. Hey You (Feat. Maddy Wilde)
07. Squeaky
08. Hazy Wave
09. Wavy Haze


autor stipe07 às 22:16
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Segunda-feira, 30 de Março de 2020

Dela Marmy - Captured Fantasy EP

Com um passado relevante no projeto The Happy Mess, Joana Sequeira Duarte aposta agora numa carreira a solo e assina o projeto Dela Marmy. Estreou-se o ano passado com a edição dos singles Empty PlaceStellarMari Wolf e Secretly Here, uma coleção de canções que viria a resultar num EP homónimo. Dela Marmy foi editado à boleia da KPRecords*KillPerfection, um alinhamento já com sucessor  e no mesmo formato. Captured Fantasy é o novo EP da cantora, tem também a chancela também da KPRecords*KillPerfection e viu a luz do dia a vinte e sete de março último.

Dela Marmy - Not Real - man on the moon

Captured Fantasy contém cinco canções e foi produzido pelo experiente produtor inglês Charlie Francis, uma opção que conferiu uma maior maturidade e consistência ao cardápio da autora, sem colocar em causa a puerilidade intrínseca à sua filosofia sonora. O EP também conta com as colaborações especiais da escritora e poetisa Raquel Serejo Martins, que credita a letra de Flying Fishes e o lyricist galês TYTUN que participa no introspetivo tema Take Me Back Home. Os músicos que acompanharam Dela Marmy em estúdio foram Vasco Magalhães (bateria), Tiago Brito, Steven Goundrey (guitarras) e o próprio Francis (baixo).

Cada composição do EP Captured Fantasy é uma pequena viagem que nos pede tempo, num resultado final tremendamente detalhístico, porque atenta às pequenas coisas, às pequenas histórias e ao marginal, um paradoxal compêndio de canções, já que todo este intimismo acaba por ter uma universalidade muito própria, visto ser um alinhamento passível de ser apropriado por qualquer comum mortal, que com o seu conteúdo facimente se identificará.

Assim, do notável festim sintético que adorna a guitarra planante que sustenta Flying Fishes, até ao delicioso charme contemplativo que nos proporciona a romântica Take Me Back Home, passando pelo travo pop muito peculiar de Not Real, arquitetado por uma trama instrumental onde é subtil a fronteira entre o orgânico e o sintético, numa canção pulsante, épica, incisiva e particularmente etérea, são vários os momentos deliciosos de um EP cujo birlhantismo é rematado por um registo vocal ecoante que confere ao alinhamento, no seu todo, um charme intenso e tipicamente feminino, como, aliás, convém. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:51
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Sábado, 28 de Março de 2020

STRFKR – Budapest (Feat. Shy Boys)

STRFKR - Budapest (Feat. Shy Boys)

Não é assim tão incomum quanto isso encontrar quem ache que os STRFKR de Josh Hodges são a maior banda de todos os tempos. De facto, esta banda norte-americana, natural de Portland, no Oregon, é mestre a transmitir boas vibrações e tem uma inclinação para a beleza que é, quanto a mim, inquestionável. É impressionante a sua capacidade de criar composições que oferecem êxtase às pistas de dança, mas também de proporcionar instantes sonoros contemplativos que, escutados, por exemplo, numa estufa de plantas, tornam-se no adubo ideal para as fazer crescer. Aliás, não será assim tão absurdo quanto isso, acreditar que aquela new wave de forte intensidade e que num misto de nostalgia e contemporaneidade, baliza o catálogo dos STRFKR, foi pensada por Hodges, o grande cérebro criativo do projeto, para o cultivo de sementes.

Assim, alegremo-nos todos e acreditemos piamente que a paz será de novo restaurada nos vales, as vacas voltarão a ser felizes e as águas serão purificadas, porque os STRFKR acabam de nos garantir um futuro mais feliz com o lançamento de mais uma nova canção, a terceira em qusse um mês, intitulada Budapest, mais um sinal de vida do grupo depois do fabuloso registo Being No One, Going Nowhere (2016). Recordo que no início do mês os STRFKR já nos tinham oferecido Never the Same, canção assente numa batida hipnótica, um delicioso efeito planante, cordas vibrantes e sintetizações cósmicas, de forma surpreendente e mágica, enquanto fala de um indivíduo com olhos castanhos iguais aos olhos da sua mãe e depois veio Deep Dream, canção que resultou de um espetacular brainstorming entre Hodges e dois músicos holandeses, Mathias Janmat e David Hoogerheide, um devaneio psicadélico, com uma acentuda vibe setentista, em que diversas texturas orgânicas, orientadas por uma guitarra ecoante e sintéticas, conduzidas por uma sintetizador repleto de efeitos cósmicos se entrecruzam entre si e dividem o protagonismo no andamento melódico e estilístico da canção. Agora chega a vez de nos deliciarmos com Budapest, majestosa e vibrante composição, assente num efeito metálico da guitarra delicioso e que conta com a participação especial vocal dos também norte- americanos Shy Boys, dos irmãos Collin Rausch e Kyle Rausch, um coletivo de Kansas City, no Missouri, que deu um travo mais angelical e solarengo ao típico charme lo fi radiante dos STRFKR.

Este novo tema dos STRFKR não traz, à imagem dos dois anteriores, a companhia de anúncio de um novo álbum do grupo para dois mil e vinte, mas já começa a ser fácil perceber que essa será, claramente, uma realidade incontornável e que se tal suceder os STRFKR figurarão incontestavelmente nos lugares cimeiros das listas dos melhores discos deste ano. Confere...


autor stipe07 às 21:45
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Quarta-feira, 25 de Março de 2020

Grouplove – Healer

Terminou a espera e já viu a luz do dia o sucessor do excelente registo Big Mess que os norte-americanos Grouplove de Hannah Hooper e Christian Zucconi, editaram em dois mil e dezasseis. O novo registo dos Grouplove chama-se Healer e contém onze canções com a chancela da Canvasback, muito marcadas pelo problema de saúde que Hannah Hooper teve de enfrentar durante este interregno, já que foi diagnosticada com uma mal-formação no cérebro e teve de ser internada durante um longo período, suficiente para a fazer olhar para o mundo em redor e para a sua própria existência de um modo mais profundo e racional do que o habitual.

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Healer é, antes de mais e no seu todo, um portento de luz, cor e festa, um alinhamento que traduz na perfeição o sol da California que diariamente banha os Grouplove e que Dave Sitek (TV On The Radio, Yeah Yeah Yeahs, Weezer), produtor do registo, soube captar, aprimorar e burilar no seu estúdio em El Paso, no Texas. Logo em Deleter, em teclas abrasivas, linhas de guitarras estridentes e uma bateria extremamente rápida, fica plasmado uma espécie de grito de libertação de um período negro e uma abertura escancarada de portas para o interior de um alinhamento que quer proporcionar ânimo e positivismo, através de um modus operandi sonoro a instantes implacável e vigoroso, no modo como interpreta alguns dos cânones fundamentais do rock alternativo de cariz mais rugoso, como é o caso deste tema de abertura e, de um modo mais radiofónico The Great Unknown, mas que também dá espaço para instantes mais límpidos e melodicamente prazeirentos.

O eletrofunk oitocentista a que sabe Youth, o delicioso dedilhar da viola e o jogo de vozes intenso que sustenta Places ou o clima nostálgico sessentista do efeito ecoante que abastece a guitarra que conduz This Is Everything e, de um modo ainda mais retro cósmico Expectations, são outros quatro maravilhosos exemplos desta feliz dicotomia entre indie rock cru e uma feliz sensibilidade pop, num disco com imensa carga emocional e que tem claramente a arte de separar muito bem a melancolia da severidade, tratando as diferentes fases sentimentais de uma qualquer existência de forma leve e elegante e colocando cada pârametro na dose perfeita. Espero que aprecies a sugestão...

Grouplove - Healer

01. Deleter
02. Inside Out
03. Expectations
04. The Great Unknown
05. Youth
06. Places
07. Promises
08. Ahead Of Myself
09. Hail To The Queen
10. Burial
11. This Is Everything


autor stipe07 às 21:06
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Terça-feira, 24 de Março de 2020

Grand Sun - Circles

Os Grand Sun de Ribeiro, António, Simon e Miguel, um coletivo oriundo de Oeiras, nos arredores da capital, estream-se dentro de dias no formato álbum com Sal Y Amore, uma coleção de dez canções que, à boleia da Aunt Sally Records, deverá, de forma mais crua, sem filtros e genuína que o antecessor, o EP The Plastic People Of The Universe, encarnar um exuberante registo indie com fortes raízes no rock setentista mais lisérgico, mas também naquela pop efervescente que fez escola na década anterior e onde a psicadelia era preponderante no modo como trespassava com cor e luminosidade o edifício melódico de muitas composições.

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Sal Y Amore foi bastante inspirado nos concertos e nas viagens que os Grand Sun fizeram o ano passado, onde constam passagens memoráveis pelo Festival Ecos de Lima, a Festa do Avante ou o Festival Termómetro. O registo foi gravado e misturado por André Isidro nos estúdios Duck Tape Melodies e masterizado pelo João Alves no Sweet Mastering Studio.

Para marcar o lançamento do registo, os Grand Sun acabam de divulgar o video de Circles, um dos momentos maiores de Sal Y Amore, uma canção frenética, seca e crua, assente num indie rock visceralmente ruidoso e sujo, mas que não deixa de ser melodicamente apelativa, até porque é um convite direto à ação e ao movimento. O tema debruça-se na inevitável aceitação em relação à nossa vida - because Sometimes you don’t get what you want - e pessoalmente sobre este limbo constante em que nos encontramos enquanto construímos a nossa personalidade. A formulação desta dicotomia entre o querer e não querer partir trata-se de cobrirmos este nosso medo existencial com o entusiasmo por esta mesma existência. Visualmente, o vídeo gravado por Francisco Lopes retrata os Grand Sun num talk-show surreal, quase bizarro, onde a banda se entrevista a si própria, numa conversa inconsequente que é uma sátira e uma representação caseira do ruído que estamos expostos diariamente.

Importa ainda referir que, para assinalar o lançamento de Circles e, posteriormente, do disco Sal Y Amore, os Grand Sun lançaram uma campanha especial no Bandcamp, com todo o catálogo do projeto disponível a metade do preço até ao lançamento do disco, sexta-feira próxima, dia vinte e sete de março. Basta apenas colocar a palavra squares no checkout. Confere...


autor stipe07 às 21:23
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Segunda-feira, 23 de Março de 2020

MGMT – As You Move Through The World

MGMT - As You Move Through The World

Quase dois anos depois de Little Dark Age, a dupla norte-americana MGMT formada por Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser, voltou a dar sinais de vida recentemente com um single de 12 polegadas com os temas In The Afternoon e o b side As You Move Through The World, sendo esta edição a estreia da banda na sua própria etiqueta, recém-criada, a MGMT Records.

Como certamente se recordam, a nossa redação fez eco desse lançamento no passado mês de dezembro, descrevendo e divulgado o lado a do 12'', o tema In The Afternoon, canção também com direito a um extraordinário vídeo da autoria da própria dupla e misturada por Dave Fridmann e que coloca os MGMT na senda daquela pop cheia de glamour que foi rainha dos anos oitenta do século passado, através de uma voz com aquele tom grave que era comum na época, mas também de efusivos teclados e guitarras com o grau de rugosidade ideal, não faltando na composição uma vibe psicadélica e um grau de epicidade interessantes.

Ora, a dupla tinha previsto editar o b side As You Move Through The World também como single, mas só dqui a algumas semanas. No entanto, como a pandemia do covid-19 forçou os MGMT a cancelar alguns concertos, nomeadamente no México e no Texas, a dupla resolveu antecipar a divulgação da canção, um instrumental com mais de sete minutos impregnados com um ímpar experimentalismo, repleto de sintetizadores com uma elevada vibe psicadélica, receita que nos remete para a melhor herança do house ambiental de final do século passado.  Confere...

 


autor stipe07 às 21:27
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Sábado, 21 de Março de 2020

Baxter Dury – The Night Chancers

Três anos depois do excelente registo Prince of Tears, o irascível Baxter Dury, filho do icónico Ian Dury, vocalista dos extintos Blockheads, uma das bandas mais importantes do cenário pós punk britânico, está de regresso com The Night Chancers, dez composições abrigadas pela Heavenly Records, produzidas pelo próprio Baxter com o apoio inestimável de Craig Silvey (Arcade Fire, John Grant, Arctic Monkeys) e gravadas nos estúdios Hoxa em West Hampstead, Londres, na primavera do ano passado.

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Sexto álbum da carreira de Dury, The Night Chancers aprimora a já habitual e bem sucedida fórmula interpretativa de um músico e compositor que se serve do rock, da pop e da eletrónica para alimentar a sua aúrea de exímio inquieto e provocador, assente em impressivas crónicas e relatos de experiências pessoais mais ou menos aventureiras, mas até comuns e ordinárias,que resultam numa enorme sátira e crítica à modernidade, tudo apimentado com aquele sarcástico humor típico de terras de Sua Majestade. 

Assim, num disco idealizado com superior requinte e ousadia, até porque Dury começa dizendo I’m not your fucking friend, se composições como a intrigante Slumlord, que nos faz divagar no regaço de uma guitarra planante, ou Carla's Got a Boyfriend, um lamento soul intenso, íntimo e sensual, protagonizado por alguém que acaba de descobrir que a ex tem outra pessoa (I spotted him on Instagram / Followed him about for a bit), são exemplos de canções que sobressaiem no modo como a gravidade vocal de alguém que se recusa a cantar e apenas declama, como se estivesse constantemente encharcado em álcool e numa manhã difícil depois de mais uma noite plena de aventura, é ampliada pela orgânica das cordas e pelo modo como alguns elementos percurssivos conjuram entre si para arquiteturar inquietude e mistério, já o baixo vigoroso e o sintetizador vintage de I'm Not Your Dog, a batida lenta mas indesmentivelmente hipnótica de Saliva Hog e, num registo mais clássico e chill, o monumental jogo de cintura constante, que o saxofone e a guitarra executam em Sleep People, com tremenda fluidez e incomparável bom gosto, aprisionam-nos nesse tal universo sujo, reacionário e até criminoso, mas de um modo bem mais sereno e contemplativo e, por isso, talvez ainda mais perigoso.

Em The Night Chancers, o spoken word Dury, na altivez dos seus quarenta e oito anos, assume que vive num período negro e algo conturbado da sua existência. Escuta-se o álbum e percebe-se facilmente que, para ele, todos aqueles que o rodeiam não são de confiança, incluindo o próprio, a vida resume-se ao hoje, ao aqui e ao agora. O dia a dia é vivido enclausurado entre quatro paredes de duvidosos quartos de hotel, tendo como única companhia os pensamentos obscuros pelos quais se deixa manipular mais vezes que o recomendável e as noites das quais restam, geralmente, vagas memórias, são, uma após outra, sem intermitências, nada serenas ou agradáveis. Refletir sobre toda esta trama musicalmente e expô-la sem particular receio ou filtro, do modo que Baxter o faz, com crueza, despudor e até desprezo por quem se queira predispôr a ouvi-lo e ajudá-lo, pode não ser um exercício de exorcização minimamente eficaz, mas é um facto que artisticamente resulta, até porque, se calhar são mais do que se pensa aqueles que se podem sentir realmente identificados com toda esta narrativa de vida tão peculiar e realista e que, se todos refletirmos sem medo, espelha aquilo que é a verdade de tantos hoje, na dita sociedade ocidental contemporânea. Espero que aprecies a sugestão...

Baxter Dury - The Night Chancers

01. I’m Not Your Dog
02. Slumlord
03. Saliva Hog
04. Samurai
05. Sleep People
06. Carla’s Got A Boyfriend
07. The Night Chancers
08. Hello, I’m Sorry
09. Daylight
10. Say Nothing

 


autor stipe07 às 21:48
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Quinta-feira, 19 de Março de 2020

Spicy Noodles - Sensacional (vídeo)

A brasileira Érika Machado e a portuguesa Filipa Bastos são as Spicy Noodles, uma dupla que busca sons e imagens para escrever um diário a quatro mãos e são as responsáveis por toda a parte criativa, das composições e execução das músicas, dos vídeos, às ilustrações, fotografias, e o que mais for preciso. Chamaram a atenção dos mais atentos em janeiro de dois mil e dezassete quando conseguiram incluir o single Leve Leve no álbum Novos Talentos Fnac 2017 e viram esse tema no top A3_30 da Antena 3 durante alguns meses.

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Há algumas semanas as Spicy Noodles estreiam-se nos discos com Sensacional!, um álbum com a chancela da conimbricense Lux Records, um alinhamento de nove canções idealizado entre Julho e Agosto do ano transato, gravado e pré produzido no estúdio caseiro Quebra Galho em Coimbra, produzido, misturado e masterizado por John Ulhoa, no Estúdio 128 Japs em Belo Horizonte no Brasil e que foi alvo de revisão atenta por parte desta redação pouco depois de ter visto a luz do dia.

Agora, no início de mais uma primavera, as Spicy Noodles voltam a merecer o nosso destaque porque acabam de nos ofertar o video de Sensacional, o tema homónimo do disco, uma canção em que, de acordo com o press release do single, o refrão fala daqueles momentos em que nos sentimos o Mr. Bean, uma personagem com as mais originais e excêntricas soluções para resolver alguns problemas e uma indiferença total para soluciona outros, com uma incrível habilidade para gerar confusão, e nos sentimos o Charlie Brown, o menino que falha em quase tudo o que tenta fazer, uma criança dotada de infinita esperança e determinação mas que é dominada pelas suas inseguranças e uma permanente má sorte, sofrendo pequenos golpes dos seus amigos, um carismático fracassado, e em como nos sentimos tão contentes quando pensamos que é sensacional. A música foi feita para aquelas coisas que queremos que aconteçam de qualquer forma, o que tem de ser, o que vai acontecer mesmo que tenhamos de tentar de novo, aquilo que pagamos para ver, e deixamos andar, o que tem de ser e não tem solução.

Importa apenas acrescentar da nossa parte que Sensacional é mesmo isso... uma canção sensacional, vibrante, com uma luz que irradia otimismo, cor, alegria e alegoria e na qual uma bateria eletrónica frenética, teclados sintéticos repletos de flashes borbulhantes e um riff de guitarra abrasivo se misturam e criam uma explosão melódica e rítmica com um tempero singular, dançante e viciante. Confere...


autor stipe07 às 21:33
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Quarta-feira, 18 de Março de 2020

Deap Lips - Deap Lips

Uma das colaborações mais inusitadas do universo sonoro indie e alternativo é a que junta o projeto californiano Deap Vally, da dupla Lindsey Troy e Julie Edwards aos The Flaming Lips de Wayne Coyne e Steven Drozd, banda de Oklahoma que há quase três décadas gravita em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e que se reinventa constantemente. O resultado final da equação chama-se Dead Lips e já se materializou com um disco homónimo, um cardápio de dez canções que fundem com elevado grau criativo o universo psicadelico unicorniano dos The Flaming Lips e o rock puro e simples das Deap Vally.

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Não é novidade os The Flaming Lips darem as mãos a outros nomes importantes da pop contemporânea, quase sempre projetos ou artistas nos antípodas da esfera sonora em que a banda de Coyne gravita. Miley Cyrus ou Justin Timberlake, são apenas dois dos exemplos mais conhecidos dessa evidência, mas o objeto deste artigo, intitulado Dead Lips, parece-me ser o mais feliz e bem conseguido, de todas as interseções sonoras que a banda de Oklahoma efetuou com outros nomes fundamentais da música atual.

Escutar Dead Lips é, de facto, um verdadeiro festim, tal é o manancial de nuances, detalhes, estilos ou tendências que as canções do álbum contêm e que se escutam de um só travo, como se fossem uma sinfonia única, até porque estão interligadas entre si, sem pausas, com as melodias a saltarem para o tema seguinte, sem pedirem licença e a espraiarem-se lentamente enquanto o arquétipo fundamental da composição seguinte encarreira e segue o seu curso normal. É, no seu todo, uma heterogeneidade ímpar, única e intensa, mas que entronca num pilar fundamental, a indie pop etérea e psicadélica, de natureza eminentemente hermética, impressão que deve muito ao virtuosismo interpretativo de Lindsey Troy na guitarra, assumindo também ela as rédeas vocais do registo.

Mas não se pense que por Coyne se ter mantido longe do microfone e por o exercício performativo dele e do colega Drozd se ter baseado essencialmente no campo do sintético, que o travo dos The Flaming Lips é escasso ou acessório. A impressão é exatamente a contrária. Qualquer seguidor da carreira do grupo de Oklahoma, logo em Home Thru Hell, se não soubesse a origem da canção, imediatamente iria perceber que os The Flaming Lips fazem parte dos créditos do tema. Nesse tema e, mais adiante, em Love Is A Mind Control, os flashes cósmicos e o timbre radiante das cordas que se cruzam com a rispidez da guitarra, em ambos os temas, só poderiam ter uma origem e, a partir daí, a luminosidade folk sessentista e borbulhante de Hope Hell High, a hipnótica subtileza de One Thousand Sisters with Aluminum Foil Calculators e, com um pouco mais de groove, de Wandering Witches, a cativante cândura de Shit Talkin, o clima corrosivo e incisivo de Motherfuckers Got to Go ou a ecoante psicadelia repleta de reverb de Wandering Witches, sem descurarem um lado íntimo e resguardado, oferecem, em toda a amálgama e heterogeneidade que incorporam, um inegável charme, firme, definido e bastante apelativo, mas também insolente, algo selvático, rebelde e banhado numa indesmentível crueza. Atenção que esta tal insolência não é, em momento algum do disco, sinónimo de amálgama ou ruído intencional; Apesar do protagonismo melódico da guitarra de Lindsey, o constante enganador minimalismo eletrónico que trespassa os trinta e oito minutos de Deap Lips, prova o minucioso e matemático planeamento instrumental de um disco que contém um acabamento que gozou de uma clara liberdade e indulgência interpretativa e onde tudo se orientou com o propósito de criar um único bloco de som, fazendo do álbum um corpo único e indivisível, como já referi, e com vida própria, onde couberam todas as ferramentas e fórmulas necessárias para que a criação de algo verdadeiramente imponente e inédito no panorama alternativo atual. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:18
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Terça-feira, 17 de Março de 2020

Perfume Genius – On The Floor

Perfume Genius - On The Floor

Será a quinze de maio próximo que irá chegar aos escaparates Set My Heart On Fire Immediately, o quinto registo de originais de Mike Hadreas aka Perfume Genius, registo produzido por Blake Mills, habitual coloaborador do artista e que irá suceder ao muito aclamado álbum No Shape, com quase três anos de existência. 

Importa, no entanto, ressalvar que Hadreas não este parado durante este período, já que criou os temas Eighth GradeBooksmart e13 Reasons Why, para a banda sonora do filme The Goldfinch, além de ter andado em digressão a promover No Shape, ter autorizado algumas remisturas e participado em colaborações, com especial destaque para a que o juntou com a coreógrafa Kate Wallich e com a companhia de dança The YC, num bailado contemporâneo e numa performance ao vivo, intituladaThe Sun Still Burns Here.

On The Floor é o mais recente single divulgado de Set My Heart On Fire Immediately, uma composição que nos leva numa intensa viagem no tempo até á melhor pop oitocentista, à boleia de uma guitarra algo divagante e com um efeito metálico bastante charmoso, que se alia a um registo percurssivo com um groove bastante animado, num resultado final bastante luminoso, emotivo, melodicamente bem conseguido e até algo inédito tendo em conta a sua discografia. Confere...


autor stipe07 às 22:02
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Segunda-feira, 16 de Março de 2020

STRFKR – Deep Dream

STRFKR - Deep Dream

Não é assim tão incomum quanto isso encontrar quem ache que os STRFKR de Josh Hodges são a maior banda de todos os tempos. De facto, esta banda norte-americana, natural de Portland, no Oregon, é mestre a transmitir boas vibrações e tem uma inclinação para a beleza que é, quanto a mim, inquestionável. É impressionante a sua capacidade de criar composições que oferecem êxtase às pistas de dança, mas também de proporcionar instantes sonoros contemplativos que, escutados, por exemplo, numa estufa de plantas, tornam-se no adubo ideal para as fazer crescer. Aliás, não será assim tão absurdo quanto isso, acreditar que aquela new wave de forte intensidade e que num misto de nostalgia e contemporaneidade, baliza o catálogo dos STRFKR, foi pensada por Hodges, o grande cérebro criativo do projeto, para o cultivo de sementes.

Assim, alegremo-nos todos e acreditemos piamente que a paz será de novo restaurada nos vales, as vacas voltarão a ser felizes e as águas serão purificadas, porque os STRFKR acabam de nos garantir um futuro mais feliz com o lançamento de uma nova canção intitulada Deep Dream, o segundo sinal de vida do grupo depois do fabuloso Being No One, Going Nowhere (2016), já que há alguns dias atrás também nos tinham oferecido Never the Same, canção assente numa batida hipnótica, um delicioso efeito planante, cordas vibrantes e sintetizações cósmicas, de forma surpreendente e mágica, enquanto fala de um indivíduo com olhos castanhos iguais aos olhos da sua mãe.

Para descrever Deep Dream convém antes contextualizar devidamente a origem deste novo tema dos STRFKR. Em dois mil e catorze Josh Hodges passou uma temporada do lado de cá do atlântico, em Amsterdão, nos Países Baixos, a incubar o grosso do conteúdo de Being No One, Going Nowhere. Depois do regresso, já em Los Angeles e por mero acaso, Hodges entra em contacto, através de um amigo em comum, com dois músicos holandeses, Mathias Janmat e David Hoogerheide, criando-se logo uma enorme empatia entre o trio, que resultou num punhado de três canções no primeiro encontro entre todos.

Deep Dream é uma dessas composições criadas entre Hodges e os dois amigos holandeses, um devaneio psicadélico, com uma acentuda vibe setentista, em que diversas texturas orgânicas, orientadas por uma guitarra ecoante e sintéticas, conduzidas por uma sintetizador repleto de efeitos cósmicos se entrecruzam entre si e dividem o protagonismo no andamento melódico e estilístico da canção. Este novo tema dos STRFKR não traz, à imagem do anterior, a companhia de anúncio de um novo álbum do grupo para dois mil e vinte, mas já é mais um maravilhoso bálsamo retemperador para todos aqueles que, como eu, ressacavam por novidades do projeto, um tema que prova, uma vez mais, que Hodges tem um talento especial para criar composições de forte índole pessoal e reflexivo. Confere...


autor stipe07 às 21:39
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Domingo, 15 de Março de 2020

Vundabar – Either Light

Oriundos de Boston, no Massachusetts, os Vundabar são uma dupla formada por Brandon Hagen e Drew McDonald e um caso sério no panorama alternativo da costa leste dos Estados Unidos da América. Algo desconhecidos do lado de cá do atlântico, têm, no entanto, já excelentes álbuns em carteira. A saga discográfica iniciou-se em dois mil e treze com o  registo Antics. Dois anos depois viu a luz do dia Gawk e, no dealbar de dois mil e dezoitoSmell Smoke, um trabalho que já tem sucessor pronto, um disco chamado Either Light, que acaba de chegar aos escaparates, através da Gawk Records e bastante inspirado pela personagem Tony Soprano, da série Os Sopranos, interpretada pelo malogrado ator James Gandolfini.

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De facto, estes Vundabar têm chamado a atenção da crítica e já foram alvo de algumas nomeações e artigos relevantes, mas a verdade é que nunca conseguiram fugir do universo mais underground e alternativo. No entanto, têm agora um trunfo de elevada valia paa chegarem à primeira divisão do indie rock, este trabalho intitulado Either Light, onze composições buriladas a guitarra, baixo e bateria,  com um travo festivo em que sobressai a luminosidade do timbre metálico das cordas e o já mítico ecoante efeito vocal dos Vundabar, ingredientes que conferem a este cardápio de canções uma indesmentível toada pop.

Logo a abrir, o baixo de Out Of It e o modo como se alia a variações rítmicas, um refrão intenso e um efeito de guitarra metálico condutor das base melódica, são detalhes cósmicos inebriantes que merecem, por si só, a audição deste álbum, numa composição que pisca o olho com languidez ao melhor cardápio da pop atual. Depois, o hipnotico frenesim de Burned Off, a delicadeza da oitocentista Codeine, o charme único de Petty Crime, uma curiosa ode strokiana e os arranjos envolventes e sofisticados da sensibilidade melódica muito aprazível de Easyer, composição que intercala uma excelente interpretação vocal de Hagen com um trabalho instrumental habilidoso da restante banda, nomeadamente a bateria e a guitarra, são instantes que impressionam pelo ambiente sonoro com um teor lo fi algo futurista, devido à distorção e à orgânica do ruído em que assentam, quer estas quer as outras canções do registo, onde não faltam alguns arranjos claramente jazzísticos e o tal falsete vocal num registo em falsete, com um certo reverb que acentua o charme rugoso da mesma.

Dicso repleto de canções pop bem estruturadas, devidamente adocicadas com arranjos bem conseguidos e que não dispensam a vertente orgânica conferida pelas cordas e pela percussão, Either Light envolve-se, no seu todo, por uma pulsão rítmica ímpar, sendo um álbum consistente, carregado de referências assertivas, que também impressiona pela cadência frenética em que assenta e que oscila entre o épico e o hipnótico, o lo-fi e o hi-fi, sendo, de certeza, um dos grandes lançamentos deste primeiro trimestre de dois mil e vinte. Espero que aprecies a sugestão...

Vundabar - Either Light

01. Out Of It
02. Burned Off
03. Codeine
04. Petty Crime
05. Easier
06. Never Call
07. Montage Music
08. Jester
09. Paid For
10. Other Flowers
11. Wax Face


autor stipe07 às 20:38
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Sábado, 14 de Março de 2020

Woods - Where Do You Go When You Dream?

Woods - Where Do You Go When You Dream

Com quase uma dezena de discos no seu catálogo, os Woods são, claramente, uma verdadeira instituição do indie rock alternativo contemporâneo. De facto, esta banda norte americana oriunda do efervescente bairro de Brooklyn, bem no epicentro da cidade que nunca dorme e liderada pelo carismático cantor e compositor Jeremy Earl e pelo parceiro Jarvis Taveniere, tem-nos habituado, tomo após tomo,  a novas nuances relativamente aos trabalhos antecessores, aparentes inflexões sonoras que o grupo vai propondo à medida que publica um novo alinhamento de canções. Mas, na verdade, tais laivos de inedetismo entroncam sempre num fio condutor que tem sido explorado até à exaustão e com particular sentido criativo, abarcando todos os detalhes que o indie rock, na sua vertente mais pura e noise e a folk com um elevado pendor psicadélico permitem. Estes são os grandes pilares que, juntamente com o típico falsete de Jeremy, orientam o som dos Woods e parece-me que se vão manter em Strange To Explain, o álbum que a dupla se prepara para lançar a vinte e dois de maio, à boleia da etiqueta do grupo, a Woodsist e que sucede ao excelente Love Is Love, de dois mil e dezassete, sendo o primeiro do projeto desde que Earl foi pai e Jarvis se mudou para Los Angeles.

Where Do You Go When You Dream? é o primeiro single revelado de Strange To Explain, canção que entre cordas, um baixo vibrante, um belo falsete, uma bateria pujante, arranjos luminosos e simultaneamente lo fi e guitarras experimentais, reluz porque assenta num som leve e cativante e com texturas psicadélicas que, simultaneamente, nos alegram e nos conduzem à introspeção. Confere Where Do You Go When You Dream? e a tracklist de Strange To Explain...

01 “Next To You And The Sea”
02 “Where Do You Go When You Dream?”
03 “Before They Pass By”
04 “Can’t Get Out”
05 “Strange To Explain”
06 “The Void”
07 “Just To Fall Asleep”
08 “Fell So Hard”
09 “Light Of Day”
10 “Be There Still”
11 “Weekend Wind”


autor stipe07 às 21:08
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Terça-feira, 10 de Março de 2020

bdrmm - If Not, When?

Ryan Smith, Jordan Smith, Joe Vickers, Danny Hull e Luke Irvin são os brdmm, um projeto natural de Hull, em Inglaterra e que está a fazer furor com If Not, When?, um EP de seis canções que viu a luz do dia no passado outono à boleia da Sonic Cathedral Recordings e que foi gravado e masterizado por Alex Greaves.

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If Not, When? tem um alinhamento curto, mas intenso, assente num garage rock que dialoga incansavelmente com o punk rock e que incorpora, nessa trama, doses indiscretas de uma suja nostalgia, que nos conduz a um amigável confronto entre o rock alternativo de cariz mais lo fi e shoegaze com aquela psicadelia particularmente luminosa que atingiu o êxtase nas décadas finais do século passado, mas que se mantém mais atual do que nunca.

Assim, na suprema melancolia e na luminosidade vibrante da lindíssima Shame, no clima nostálgico da etérea The Way I Want, nas diversas camadas de guitarras que tingem a tonalidade progressiva e sentimentalmente crua de Question Mark e no rock efusiante de C: U, somos agraciados por um alinhamento em que sombra, rugosidade e monumentalidade se misturam entre si com intensidade e requinte superiores, através da crueza orgânica das guitarras, repletas de efeitos e distorções inebriantes e de um salutar experimentalismo percurssivo em que baixo e bateria atingem, juntos, um patamar interpretativo particularmente turtuoso.

Sendo este EP um ponto de partida na carreira dos bdrmm, que estarão no Hard Club no próximo dia vinte e três de maio, a base que ele firma no catálogo do projeto é tremendamente consistente e se a opção for permitir que a intuição tome as rédeas em posteriores lançamentos, este é já um belo ponto de partida rumo a sonoridades que poderão ser ainda mais abrangentes. Espero que aprecies a sugestão...

 

autor stipe07 às 17:56
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Quinta-feira, 5 de Março de 2020

Vundabar – Montage Music

Oriundos de Boston, no Massachusetts, os Vundabar são uma dupla formada por Brandon Hagen e Drew McDonald e um caso sério no panorama alternativo da costa leste dos Estados Unidos da América. Algo desconhecidos do lado de cá do atlântico, têm, no entanto, já três excelentes álbuns em carteira. A saga discográfica iniciou-se em dois mil e treze com o registo Antics. Dois anos depois viu a luz do dia Gawk e, no dealbar de dois mil e dezoitoSmell Smoke, um trabalho que já tem sucessor pronto, um disco chamado Either Light, que acaba de chegar aos escaparates, através da Gawk Records.

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Depois de na reta final de janeiro termos ficado a conhecer o tema Burned Off, o primeiro avanço divulgado de Either Light e algumas semanas depois Petty Crime, agora chega a vez de conferir Montage Music, mais um carrossel sonoro, burilado a guitarra, baixo e bateria,  com um travo festivo em que sobressai a luminosidade do timbre metálico das cordas e o já mítico ecoante efeito vocal dos Vundabar, ingredientes que conferem à canção uma indesmentível toada pop. Será, certamente, mais um dos momentos altos de um disco bastante inspirado pela personagem Tony Soprano, da série Os Sopranos. Confere...

Vundabar - Montage Music


autor stipe07 às 13:07
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Segunda-feira, 2 de Março de 2020

STRFKR – Never The Same

STRFKR - Never The Same

Não é assim tão incomum quanto isso encontrar quem ache que os STRFKR de Josh Hodges são a maior banda de todos os tempos. De facto, esta banda norte-americana, natural de Portland, no Oregon, é mestre a transmitir boas vibrações e tem uma inclinação para a beleza que é, quanto a mim, inquestionável. É impressionante a sua capacidade de criar composições que oferecem êxtase às pistas de dança, mas também de proporcionar instantes sonoros contemplativos que, escutados, por exemplo, numa estufa de plantas, tornam-se no adubo ideal para as fazer crescer. Aliás, não será assim tão absurdo quanto isso, acreditar que aquela new wave de forte intensidade e que num misto de nostalgia e contemporaneidade, baliza o catálogo dos STRFKR, foi pensada por Hodges, o grande cérebro criativo do projeto, para o cultivo de sementes.

Assim, alegremo-nos todos e acreditemos piamente que a paz será de novo restaurada nos vales, as vacas voltarão a ser felizes e as águas serão purificadas, porque os STRFKR acabam de nos garantir um futuro mais feliz com o lançamento de uma nova canção intitulada Never the Same, o primeiro sinal de vida do grupo depois do fabuloso Being No One, Going Nowhere (2016).

Esta nova canção dos STRFKR não traz a companhia de anúncio de um novo álbum do grupo para dois mil e vinte, mas já é um maravilhoso bálsamo retemperador para todos aqueles que, como eu, ressacavam por novidades do projeto, um tema que prova, uma vez mais, que Hodges tem um talento especial para criar composições de forte índole pessoal e reflexivo, conseguindo, aqui, esse efeito, à boleia de uma batida hipnótica, um delicioso efeito planante, cordas vibrantes e sintetizações cósmicas, de forma surpreendente e mágica, enquanto fala de um indivíduo com olhos castanhos iguais aos olhos da sua mãe. Confere...


autor stipe07 às 12:08
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Sexta-feira, 28 de Fevereiro de 2020

Indoor Voices - Animal

Foi há já quase uma década, em 2011, com Nevers e um ano depois com um EP intitulado S/T, que o projeto Indoor Voices de Jonathan Relph, chamou a atenção da crítica com um naipe de canções iluminadas por uma fragilidade incrivelmente sedutora, que tiveram sequência há cerca de quatro anos com um outro EP, intitulado Auratic, que viu sucessor o ano passado, um registo de oito canções intitulado Gaslight Ephemera, que contou com as participações especiais vocais de Sandra Vu em Breathe, Barely, Kate Rogers em I'm Sorry, Maja Thunberg em Punch Me in the FaceAlways the Same e Shit World e ainda Alisha Erao em You're My. Agora, cerca de um ano depois dess registo, os Indoor Voices já têm um novo disco intitulado Animal, um alinhamento de dez composições masterizado por Simon Scott (Slowdive) e disponível no bandcamp do projeto.

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À semelhança da anterior discografia criada por Jonathan Relph, Animal flui, como se percebe logo em He Won't Fight, algures entre um aditivo intimismo e uma indisfarçável epicidade de forte cariz lo fi, carateristicas marcantes do adn de um projeto que tem como principais permissas uma elevada fluidez nas guitarras, sempre acompanhadas por um baixo vigoroso, uma bateria encorpada e uma vasta miríade de entalhes sintéticos, um cardápio sonoro que sustenta a dinâmica natural de temas que não receiam assumir uma faceta algo negra e obscura, para criar um cenário musical implicitamente rock, que em Less Problems Of Joy toca nas bordas do krautrock e em No One, num espetro mais punk, tudo esculpido com cordas ligas à eletricidade, mas com uma certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica.

Este desígnio é logo audível, como referi, no primeiro tema do registo, um enleante instrumental, mas também na intrigante atmosfera nublosa do tema homónimo e burilado com louvável sensibilidade no clima etéreo de Better, uma composição de forte cariz orquestral, onde deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos, carregam uma sobriedade sentimental esplendorosa e única. Depois, o clima mais progressivo de Heart é outro exemplo feliz do modo como nestes Indoor Voices conseguem, através do sintetizador, uma simbiose entre shoegaze e post rock, sensação amplificada com superior requinte na cosmicidade pop de I'm Just Fine e feita, neste caso, sem excesso de ruído ou de modo demasiado experimental, apesar do cariz pouco imediato e radiofónico não só desta, mas também das restantes composições do registo.

Na verdade, todos os temas de Animal têm uma toada eminentemente tranquila e algo de épico e sedutor. Há uma sonoridade muito implícita em relação à herança da melhor pop dos anos setenta e oitenta e destacam-se os belos instantes sonoros em que a instrumentação é colocada em camadas e a voz manipulada como uma espécie de eco, criando uma atmosfera geral contemplativa e que atinge um elevado pico de magnificiência em Always All Ways, o meu destaque maior do trabalho, uma sinuosa e eloquente canção, difícil de desbravar, mas tremendamente narcótica. 

Além de manter intacta a aura melancólica e mágica de um projeto cada vez mais sedutor e de um Jonathan Relph cada vez mais sábio e abrangente, Animal exala o contínuo processo de transformação de uns Indoor Voices que procuram sempre mostrar, com a marca do indie shoegaze muito presente e com uma dose de experimentalismo equilibrada, uma rara sensibilidade e uma explícita habilidade para conceber texturas e atmosferas sonoras que transitam, muitas vezes, entre a euforia e o sossego, de modo quase sempre impercetível, mas que inquietam todos os poros do nosso lado mais sentimental e espiritual. Espero que aprecies a sugestão...

Indoor Voices - Animal

01. He Won’t Fight
02. Better
03. I’m Just Fine
04. Heart
05. Wrong Wrong Wrong
06. Always All Ways
07. They Hang Around
08. Animal
09. Less Problems Of Joy
10. No One


autor stipe07 às 11:52
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Quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2020

Mush - 3D Routine

3D Routine marca a estreia em formato longa duração dos britânicos Mush, uma banda oriunda de Leeds e liderada por Dan Hyndman, ao qual se juntam Nick Grant (baixo), Tyson (guitarra) e Phil Porter (bateria). É um registo de doze canções que sucede ao aclamado EP Induction Party, editado em maio do ano passado e que, abrigado pela chancela da insuspeita Memphis Industries, nos oferece um indie rock de primeira água, com aquele travo genuíno e sincero que quase sempre podemos saborear em discos de estreia criados por grupos com uma sede enorme de mostrarem que merecem uma posição de relevo no universo sonoro em que pretendem gravitar e que, neste caso, assenta na melhor herança do rock alternativo que marcou as duas décadas finais do século passado, com os Pavement como referência assumidamente fundamental do quarteto.

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Cruzando linhas entre a crítica social, o existencialismo banal e um certo surrealismo abstrato, apimentado com uma interessante dose de ironia, 3D Routine é um disco que tem na guitarra a personagem principal, assumindo-se como o arquétipo maior de canções que têm, no seu todo, aquele travo indie clássico, mas que se forem analisadas à lupa, contêm uma notável abrangência; Do blues ao rock progressivo, passando pelo garage, o grunge e o punk lo fi, tudo cabe.

Logo em Revising My Fee, na batida das baquetas, na distorção da guitarra e no tom deliciosamente desleixado da voz, percebemos esta opção estilística, num tema tenso e progressivo que serve na perfeição para abrir um alinhamento que será um constante jogo do empurra entre banda e ouvinte, que tem de estar em permanente alerta e firme para perceber e opinar acerca daquilo que os Mush têm a dizer, geralmente de punho cerrado e sem riscar a azul partes de vocabulário.

A partir desse prometedor e imperial início de alinhamento, somos constantemente bombardeados com canções onde, sempre sob domínio das guitarras, o baixo e a bateria conjuram entre si, em conjunto ou à vez, para criar um som que pode parecer à primeira vista caótico, mas que é sempre um agregado de ruídos e arranjos calculado. Do alinhamento sobressai pela diferença, além do tema inicial já referido, o falso intimismo saloio de Existential Dread e o mais jingão de Fruits Of The Happening, o clima festivo de Eat The Etiquette, o travo boémio e enfumarado de Coronation Chicken e a intensidade musculada de Island Mentality.

Gravado com a ajuda de Andy Savours (Dream Wife, Our Girl, My Bloody Valentine), nos estúdios Green Mount, em Leeds, 3D Routine é uma estreia em cheio dos Mush, muito por culpa de um som simultaneamente poderoso e agressivo, mas também franco e honesto, com uma positividade contagiante e uma postura anti-sistema que impressiona pela objetividade e, principalmente, pelo grau de proximidade que se estabelece, ao longo do alinhamento, entre grupo e ouvintes. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 18:45
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Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2020

Tame Impala – The Slow Rush

Quase cinco anos após Currents e a testar os limites da nossa paciência devido a tão prolongado hiato, eis que os australianos Tame Impala de Kevin Parker voltam, finalmente, aos discos com The Slow Rush, o novo registo de originais do projeto, um alinhamento com doze músicas gravadas, produzidas e misturadas pelo próprio Parker entre Los Angeles e o estúdio do artista em Fremantle, na Austrália, onde reside. The Slow Rush viu a luz do dia à boleia da Modular Records, a habitual etiqueta do grupo.

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Banda fundamental daquele prisma sonoro em que eletrónica e psicadelia se juntam de modo a descobrir novos sons, dentro de um espetro eminentemente pop, há mais de uma década que os Tame Impala refletem essa permissa para a exploração de um universo muito pessoal e privado de Kevin Parker, o grande mentor do projeto. E fazem-no situando-se na vanguarda das propostas musicais dessa área, mas também com um forte pendor nostálgico, também uma das inconfundíveis pedras de toque da discografia dos Tame Impala, nuance que começou por olhar com gula para o período setentista, mas que mais recentemente tem apontado baterias à década seguinte.

Ora, este último travo amplifica-se em The Slow Rush, um trabalho que se mantém, portanto, na peugada eminentemente oitocentista que marcou o antecessor Currents, uma filosofia estilística idealizada, como já disse, quase única e exclusivamente por Parker e que, mais do que nunca, é hoje feita de constantes encaixes eletrónicos durante a construção melódica, aos quais se juntam um almofadado conjunto de vozes em eco e guitarras mágicas que se manifestam com uma mestria instrumental única.

Excelentes exemplos dessa guinagem profunda oitocentista estão bem audíveis no vistoso e exuberante jogo entre o orgânico e o sintético que é possível contemplar em Gilmmer, no cósmico charme de Breathe Deeper e na daftpunkiana Is It True, com o apontar de novas pistas futuras, burilado em temas como Lost In Yesterday, canção sobre as nossas memórias, principalmente as menos felizes e a dificuldade natural que todos sentimos para exorcizar alguns demónios que nos atormentam por causa de eventos passados, ou Phostumous Forgiveness, longa e estratosférica canção, uma junção daquilo que eram inicialmente duas composições distintas e que flui de modo homogéneo e no universo próprio da banda e da sonoridade em que se insere, rebocada pela mestria vocal de Parker e pela multiplicidade de efeitos que cria com a guitarra elétrica, assim como o groove que oferece ao tema o baixo e uma habilidade inata do grupo no manuseamento dos sintetizadores e da percussão.

Conhecidos por nos transportar até aos dias em que os homens eram homens, as raparigas eram girl-groups e a vida revolvia em torno da ideia de expandir os pensamentos através de clássicos de blues rock, com os Cream ou Jimmy Hendrix à cabeça, em The Slow Rush os Tame Impala não fogem à regra deste modus operandi, replicando e aprimorando a fórmula dos recentes antecessores, através de doze canções impecavelmente estruturadas, algumas com uma vibração excitante e onde, no fundo, mais guinadela menos guinadela por alguns dos fundamentos da história da pop contemporânea, mantém-se a temática de revisão da psicadelia que busca pontos de encontro com o rock clássico, proposto há mais de quatro décadas por gigantes que se entregaram ao flutuar sonoro da lisergia. Espero que aprecies a sugestão...

Tame Impala - The Slow Rush

01. One More Year
02. Instant Destiny
03. Borderline
04. Posthumous Forgiveness
05. Breathe Deeper
06. Tomorrow’s Dust
07. On Track
08. Lost In Yesterday
09. Is It True
10. It Might Be Time
11. Glimmer
12. One More Hour


autor stipe07 às 13:11
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Sexta-feira, 14 de Fevereiro de 2020

Dela Marmy - Not Real

Com um passado relevante no projeto The Happy Mess, Joana Sequeira Duarte aposta agora numa carreira a solo e assina o projeto Dela Marmy. Estreou-se o ano passado com a edição dos singles Empty Place, Stellar, Mari Wolf e Secretly Here, uma coleção de canções que viria a resultar num EP homónimo. Dela Marmy foi editado à boleia da KPRecords*KillPerfection, um alinhamento já com sucessor na forja e no mesmo formato. Captured Fantasy é o novo EP da cantora, tem também a chancela também da KPRecords*KillPerfection e verá a luz do dia a vinte e sete de março próximo.

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Captured Fantasy contém cinco canções e foi produzido pelo experiente produtor inglês Charlie Francis, uma opção que conferiu uma maior maturidade e consistência ao cardápio da autora, sem colocar em causa a puerilidade intrínseca à sua filosofia sonora. O EP também conta com as colaborações especiais da escritora e poetisa Raquel Serejo Martins, que credita a letra de Flying Fishes e o lyricist galês TYTUN que participa no introspetivo tema Take Me Back Home. Os músicos que acompanharam Dela Marmy em estúdio foram Vasco Magalhães (bateria), Tiago Brito, Steven Goundrey (guitarras) e o próprio Francis (baixo).

Cada composição do EP Captured Fantasy é uma pequena viagem que nos pede tempo, num resultado final tremendamente detalhístico, porque atenta às pequenas coisas, às pequenas histórias e ao marginal, um paradoxal compêndio de canções, já que todo este intimismo acaba por ter uma universalidade muito própria, visto ser um alinhamento passível de ser apropriado por qualquer comum mortal, que com o seu conteúdo facimente se identificará.

Not Real é o primeiro single divulgado de Captured Fantasy, uma canção com um travo pop muito peculiar, arquitetada por uma trama instrumental onde é subtil a fronteira entre o orgânico e o sintético, uma composição inconfundível, pulsante, épica, incisiva e particularmente etérea, abrilhantada por um registo vocal ecoante que lhe confere um charme intenso.

O teledisco da canção é realizado pela CASOTA Collective (elementos dos First Breath After Coma). De acordo como press release de lançamento do single, no vídeo o colectivo leiriense reflecte sobre a certeza que temos do que é real, abordando também a percepção dos outros em relação à nossa realidade, claramente  inventada. Viver numa fantasia/realidade que não é reconhecida, passar e pisar o limite dos padrões sociais, estender e contornar as fronteiras do Real, inventar, sugerir e arquitectar horizontes mais amplos à vida, finita, que inevitavelmente vivemos. Confere Not Real e o alinhamento de Captured Fantasy...

Flying Fishes

Tempest

Old Human

Not Real

Take Me Back Home feat.TYTUN

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autor stipe07 às 10:46
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