music will provide the light you cannot resist! ou o relato de quem vive uma nova luz na sua vida ao som de algumas das melhores bandas de rock alternativo do planeta!
O músico, cantor e compositor Josh Rouse já tem um disco de natal, um trabalho intitulado The Holiday Sounds Of Josh Rouse que compila nove canções que fazem recordar a este músico natural de Nashville, mas há alguns anos radicado no sul de Espanha, momentos felizes da sua infância e de férias de natal passadas fora de casa. A receita é a habitual neste músico; uma enorme sensibilidade melódica assente em esplendorosas cordas e nos arranjos típicos da folk sulista norte americana, que dão as mãos para a criação do habitual ambiente emotivo e honesto que carateriza a música e os discos deste cantautor que nunca perdeu o espírito nostálgico e sentimental que carateriza a sua escrita e composição.
Assim, apesar de datado e de ter uma especificidade natalícia vincada, The Holiday Sounds Of Josh Rouse não coloca em causa aqueles que são alguns pilares identitários essenciais de um músico que parece ser capaz de entrar pela nossa porta com uma garrafa numa mão e um naco de presunto na outra e o maior sorriso no meio, como se ele fosse já da casa, já que consegue sempre revelar-se, também nestas canções, como um grande parceiro, confidente e verdadeiro amigo, um daqueles que não complicam e com o qual se pode sempre contar. Josh Rouse é único e tem um estilo inconfundível no modo como dá a primazia às cordas, sem descurar o brilho dos restantes protagonistas sonoros e, principalmente, sem se envergonhar de colocar a sua belíssima voz na primeira linha dos principais fatores que ainda tornam a sua música tão tocante e inspiradora. Espero que aprecies a sugestão...
01. Mediterranean X-mas 02. Red Suit 03. New York Holiday 04. Easy Man 05. Sleigh Brother Bill 06. Lights Of Town 07. Letters In The Mailbox 08. Heartbreak Holiday 09. Christmas Songs
O coletivo de músicos ingleses e espanhóis Crystal Fighters, que se divide entre Londres e Navarra e é atualmente formado por Sebastian Pringle, Gilbert Vierich e Graham Dickson, trio ao qual se juntam em digressão Eleanor Fletcher, Louise Bagan e Daniel Bingham, estreou-se há quase uma década com o excelente registo Star Of Love e vai regressar este ano aos discos. Essa nova adição ao catálogo dos Crystal Fighters chama-se Gaya & Friends, verá a luz do dia a um de março através da Warner Bros. e sucede a Everything Is My Family (2016) e ao EP Hypnotic Sun, lançado no passado mês de novembro e que continha as composições Another Level, que faz parte da banda sonora do Fifa 19, Going Harder (feat. Bomba Estereo) e All My Love.
Do alinhamento de Gaya & Friends já foi retirado o single Wild Ones, uma canção que dentro de um registo muito peculiar que cruza pop com eletrónica, contém uma vincada contemporaneidade. Quer a percurssão, quer as cordas e os teclados exalam uma enorme energia, bastante dançável e muito agradável de ouvir, com um resultado final que aguça a curiosidade relativamente ao restante conteúdo de Gaya & Friends. Confere...
Natural de Nashville, no Nebraska, Josh Rouse, um dos meus intérpretes preferidos a solo, está de regresso comLove In The Modern Age, disco lançado por intermédio da Yep Roc Records e já o décimo segundo da carreira de um dos músicos e compositores mais aclamados das últimas duas décadas. O álbum é mais um passo consistente no percurso de um artista que foi habituando os seus seguidores e críticos a algumas inflexões, passando pela folk mais intimista de início da carreira, a um período mais solarengo, fruto da sua mudança para o sul de Espanha, no início do século, depois de se ter casado com Paz Suay e agora olhando com uma certa gula, que de certo modo já se adivinhava num músico que se foi revelando sempre atento às novas tendências, para aquela pop mais sintética que fez escola nos anos oitenta.
Love In The Modern Age representa, talvez, o disco de maior ruptura com um trabalho antecessor na carreira de Rouse, neste caso o bem sucedido The Embers Of Time (2015), um álbum que tinha sido gravado entre o seu estúdio em Valência e Nashville e que sustentava-se no esplendor das cordas e nos arranjos típicos da folk sulista norte americana, que davam as mãos para a criação do habitual ambiente emotivo e honesto que carateriza a música e os discos deste cantautor que nunca perdeu o espírito nostálgico e sentimental que carateriza a sua escrita e composição. Ora, se agora, três anos depois, em Love In The Modern Age esta última caraterística mantém-se intacta, a abordagem sonora acaba por ser um pouco diferente, como se percebe logo em Salton Sea, na linha do baixo, na batida, nos arranjos sofisticados, fornecidos por um teclado de forte cariz oitocentista e no efeito vocal. Mesmo qu,e logo depois, em Ordinary People, Ordinary Lives, pareça que Josh vai fazer marcha atrás e regressar ao som que o tipifica, logo nos saxofones, na segunda voz feminina e no ambiente luminoso e polido do tema homónimopercebe-se que há realmente um propósito claro de criar um alinhamento mais sofisticado, uma impressão que se torna ainda mais inquestionável nas teclas da fleetwoodiana Businessman, canção que conta com a participação especial vocal de Wendy Smith dos Prefab Sprout. Pouco depois, em Tropic Moon, Rouse faz certamente referência (sleeping under stars) a um dos seus primeiros discos, Under Cold Blue Stars e num outro verso do mesmo tema, quando refere estar right where he wants to be ninguém duvida dessa sua certeza. O grande momento do disco acaba por estar guardado para Hugs and Kisses, umalindíssima balada onde torna-se impossível não olhar para o nosso íntimo e não sentirmos inspiração suficiente para enfrentarmos de frente alguns dos nossos maiores dilemas enquanto descobrimos na composição a solução para certas encruzilhadas, uma resposta que estava mesmo ali, dentro do nosso peito, à espera desta canção para se revelar em todo o seu esplendor.
A mudança de direção que Josh Rouse operou nestas nove canções de Love In The Modern Age foi, quanto a mim, bem sucedida, já que se nos oferece um ambiente sonoro distinto no seu catálogo, o mesmo não coloca em causa aqueles que são alguns pilares identitários essenciais de um músico que parece ser capaz de entrar pela nossa porta com uma garrafa numa mão e um naco de presunto na outra e o maior sorriso no meio, como se ele fosse já da casa, já que consegue sempre revelar-se, nas suas canções, como um grande parceiro, confidente e verdadeiro amigo, um daqueles que não complicam e com o qual se pode sempre contar. Josh Rouse é único e tem um estilo inconfundível no modo como dá a primazia às cordas, seja qual for o instrumento de que elas se servem e agora também às teclas, sem descurar o brilho dos restantes protagonistas sonoros e, principalmente, sem se envergonhar de colocar a sua belíssima voz na primeira linha dos principais fatores que ainda tornam a sua música tão tocante e inspiradora. Espero que aprecies a sugestão...
01. Salton Sea 02. Ordinary People, Ordinary Lives 03. Love In The Modern Age 04. Businessman 05. Women And The Wind 06. Tropic Moon 07. I’m Your Man 08. Hugs And Kisses 09. There Was A Time
Nascidos há dois anos em Santiago de Compostela, os Ivy Moon são um quarteto formado por Elba Souto, Inés Mirás, Pablo González e Alberto Rama e têm já um intenso percurso sonoro, apesar da curta existência. Estrearam-se logo no Brincadeira Festival (2014) e desde o seu nascimento percorreram já algumas das mais emblemáticas salas de espetáculos da Galiza; O La Fábrica de Chocolate (Vigo), Sala Garufa (Coruña), Sala Son, Sala Super 8, Sala Moon, Sala Sónar..., tendo também atuado em outros locais do país natal. Os Ivy Moon já têm dois EPs no seu cardápio, sendo o mais recente Prelude, cinco canções que olham para o indie rock alternativo de frente, com um leque alargado de influências que do grunge ao experimentalismo psicadélico, colocam sempre as guitarras na linha da frente da condução melódica, que não dispensa um charmoso pendor lo fi.
Os acordes iniciais de Buried By Ignorance são perfeitos para percebermos o que nos espera nos próximos cerca de quarenta minutos. Aguarda-nos belíssimas letras entrelaçadas com deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos. Os Ivy Moon deixaram as guitarras, o baixo e a bateria seguirem a sua dinâmica natural e em Hallocinogeticassumem mesmo uma faceta algo punk, esculpida com cordas ligas à eletricidade, que fazem desta canção um intenso e frenético instante sonoro, também bastante festivo.
Estes Ivy Moon transpiram uma exibição consciente de sapiência melódica, conseguindo nas cinco canções diversificar estilos, sem descurar o tronco comum que as une. Curls, por exemplo, seduz pelo dedilhar inicial da guitarra e surpreende, logo depois, pela distorção robusta, acompanhada de uma bateria que cresce e que amplia a emotividade do tema, para, logo depois, o clima mais cru e hipnótico de Addicted, nos oferecer, num imenso arsenal de arranjos e detalhes, um agregado sonoro rico em alguns dos melhores detalhes do rock alternativo de final do século passado.
Os Ivy Moon sabem a fórmula exata para temporizar, adicionar e remover pequenos sons e, como se as canções fossem um puzzle, construir, a partir de uma aparente amálgama de vários sons, uma peça sonora sólida, feita de cinco canções que são um evidente marco de libertação e de experimentação onde não terá havido apenas um anseio por cumprir um caderno de encargos alheio. Espero que aprecies a sugestão...
Josh Rouse, um dos meus intérpretes preferidos a solo, está de regresso em 2015 com The Embers Of Time, disco lançado no passado dia sete de abril por intermédio da Yep Roc Records. O álbum foi produzido por Brad Jones, que já havia trabalhado com o cantor em 1972, em Nashville e no anterior The Happiness Waltz e foi gravado entre Valência, Espanha, no estúdio do artista, chamado Rio Bravo e Nashville, cidade norte americana natal do músico.
The Embers Of Time começa solarengo e festivo com Some Day’s I’m Golden All Night e com o esplendor das cordas e os arranjos típicos da folk sulista norte americana a darem as mãos para a criação do habitual ambiente emotivo e honesto que carateriza a música e os discos deste cantautor que nunca perdeu o espírito nostálgico e sentimental que carateriza a sua escrita e composição. Na verdade, The Embers Of Time é mais um trabalho repleto de letras pessoais e a harmónica de Too Many Things On My Mind, uma das melhores canções do disco, oferece-nos um Josh que não se envergonha de escrever sobre o modo como aprecia alguns dos melhores prazeres da vida, que tanto podem ser um bom filme, ou uma garrafa de um excelente vinho que o músico terá certamente aprendido a apreciar devidamente desde que assentou arraiais na vizinha Espanha e como os nossos dilemas existenciais também podem relacionar-se com algumas das melhores coisas da vida. No blues de JR Worried Blues, essa mesma harmónica volta a fazer das suas e a servir para dar cor a um ambiente igualmente descontraído e regado com um teor etílico ainda mais elevado e oriundo da Nashville que certamente o terá inspirado neste instante do alinhamento.
Josh Rouse tem este lado muito humano que eu aprecio imenso e que já fez dele, em tempos, um dos meus maiores confidentes, quando Nashville, um dos momentos altos da sua carreira, liderou a banda sonora de um período menos feliz, mas muito importante da minha existência. Ele faz questão de se mostrar próximo de nós e de partilhar connosco as coisas boas e menos boas que a vida lhe vai proporcionando e, com essa abertura, faz-nos, quase sem darmos por isso, retribuir do mesmo modo. Começa-se a ouvir as vozes e o som ambiente que introduz You Walked Through The Door e torna-se obrigatório vislumbrar Rouse a entrar pela nossa porta com uma garrafa numa mão e um naco de presunto na outra e o maior sorriso no meio, como se ele fosse já da casa, um grande parceiro, confidente e verdadeiro amigo, um daqueles que não complicam e com o qual se pode sempre contar. Alías, é curioso constar-se que The Embers Of Time foi uma das formas de terapia que Josh Rouse encontrou para combater uma crise de confiança e um estado algo depressivo que se apoderou do músico nos últimos tempos vividos em Valência (It's my surreal expat therapy record), quando as dez canções do alinhamento podem ter em nós essa mesma função terapêutica e retemperadora. Escuta-se a melodia escorreita e preguiçosa de Timee torna-se impossível não olhar para o nosso íntimo e sentirmos inspiração suficiente para enfrentarmos de frente alguns dos nossos maiores dilemas enquanto descobrimos a solução para certas encruzilhadas, uma resposta que estava mesmo ali, dentro do nosso peito, à espera desta canção para se revelar em todo o seu esplendor.
Esta superior capacidade que a música de Rouse tem de suscitar sensações concretas no nosso íntimo, tem um travo muito particular naquela harmónica quando chamou para junto de si o piano ao terceiro tema, numa canção chamada You Walked Through The Door, que sabe a um Paul Simon em grande forma, presente não só no sabor country da harmónica ma também no modo subtil como Josh conjuga a enorme sensibilidade melódica que lhe é intrínseca com a envolvència dos arranjos que seleciona, tocando-nos bem fundo. Essa mesma sensação reconfortante de proximidade e de fulgor repete-se adiante, nos arranjos feitos com violinos e no dueto com Jessie Baylin em Pheasant Feather. Aliás, Josh Rouse é único e tem um estilo inconfundível no modo como dá a primazia às cordas, seja qual for o instrumento de que elas se servem, sem descurar o brilho dos restantes protagonistas sonoros e, principalmente, sem se envergonhar de colocar a sua belíssima voz na primeira linha dos principais fatores que tornam a sua música tão tocante e inspiradora.
Até ao ocaso de The Embers Of Timenunca se perde o elo de ligação entre músico e ouvinte já que é impossível ficarmos indiferentes aos lamentos sentidos e tremendamente confessionais que acompanham a viola em Ex-pat Blues e depois, já devidamente exorcizados, não deixarmos de olhar em frente, recompostos e prontos para olhar a vida de um modo mais otimista e positivo ao som de Crystal Falls, enquanto termina um alinhamento de dez canções que será, certamente, justamente considerado como um marco fundamental na carreira de um compositor pop de topo, capaz de soar leve e arejado, mesmo durante as baladas de cariz mais sombrio e nostálgico e de nos mostrar como é fina a fronteira que existe muitas vezes entre dor e redenção. Espero que aprecies a sugestão...
The Embers of Time was recorded between Spain and Nashville with Brad Jones who I've recorded with a lot. Part of it’s a band and part of it’s just me with some arrangements. A lot of the performances on there are live. We ran through each song maybe once or twice and [the band] just nailed it! They’re so good! As a result, it has something you just can’t get recording things one at a time. We were in the same room. Something happens. A sort of glue to everything.
01. Some Days I’m Golden All Night 02. Too Many Things On My Mind 03. New Young 04. You Walked Through The Door 05. Time 06. Pheasant Feather (Feat. Jessie Baylin) 07. Coat For A Pillow 08. JR Worried Blues 09. Ex-Pat Blues 10. Crystal Falls
Josh Rouse, um dos meus intérpretes preferidos a solo, está de regresso em 2015 com The Embers Of Time, um disco que será lançado a sete de abril por intermédio da Yep Roc Records. O álbum foi produzido por Brad Jones, habitual colaborador de Josh, que já havia trabalhado com o cantor em 1972 e no anterior The Happiness Waltz, assim como no aclamado Nashville, o meu trabalho preferido do músico.
Disco que se debruça, de acordo com o artista, sobre a sua estada na cidade de Villa de Santa Maria, próximo de Valência, no sul da Espanha, onde reside desde 2006 e numa crise existencial que se apoderou dele entretanto, The Embers Of Timeexorciza e serve como terapia, tendo sido gravado entre Valência, Espanha, no estúdio do artista, chamado Rio Bravo e Nashville, no país natal de Rouse.
Some Days I’m Golden All Night é o primeiro avanço divulgado do álbum, uma canção que plasma a fina fronteira que existe muitas vezes entre dor e redenção, criada por um compositor pop de topo, capaz de soar leve e arejado, mesmo durante as baladas de cariz mais sombrio e nostálgico. Confere...
A Nariz Entupido, Associação Cultural, uma promotora de concertos sediada em Lisboa que pretende mostrar não só artistas de público fiel como também talentos emergentes, irá organizar, no próximo dia dezasseis de julho, o concerto de apresentação do álbum Vora de autoria de Rauelsson, de Raúl Pastor Medall, um projeto que se divide entre Portland, nos Estados Unidos e Benicássim, na vizinha Espanha.
Será, de acordo com a promotora, uma noite que ficará gravada na memória dos amantes de música ambiental e que se estrutura em camadas oníricas de rara beleza. Vora é o novo registo que às matizes electrónicas acrescenta instrumento de eleição, o piano. Este trabalho tem recebido as críticas mais elogiosas da imprensa internacional da especialidade e está disponível abaixo para audição. Fica a sugestão....
Josh Rouse, um dos meus intérpretes preferidos a solo, está de regresso em 2013 com The Happiness Waltz, disco lançado no passado dia dezanove de março por intermédio da Yep Roc Records. O álbum foi produzido por Brad Jones, que já havia trabalhado com o cantor em 1972 e em Nashville e foi gravado em Valência, Espanha, no estúdio do artista, chamado Rio Bravo.
Songwriting for me is something I have to do to stay on the sunny side of life. It’s my therapy. I pick up a guitar from time to time and it spills out. I feel lucky in that, after years of being blessed by their presence, the song spirits are still moving through me
Quinze anos depois de este músico natural dos subúrbios de Nashville, no Tennessee e cinco anos após ter trocado, por amor, essa Nashville por Valência, na espanha, Josh Rouse não perdeu o espírito nostálgico e sentimental da sua escrita e composição, já que The Happiness Waltzé um trabalho cheio de letras pessoais, que falam da sua experiência recente como marido e pai e que, também por isso, conjuga tudo aquilo que de bom tem a sua fantástica carreira.
No início da sua carreira Josh terá sido fortemente influenciado pela pop britânica dos anos oitenta, feita por nomes tão consagrados como Echo And The Bunnymen e os The Smiths. Os belíssimos arranjos de cordas que ele propunha e ainda cria e reproduz, tornaram-se logo numa imagem de marca e o seu disco de estreia Dressed Up Like Nebraska, de 1998, é hoje, um disco fundamental da música popular norte americana do final do século passado. Depois, Chester, o EP que Rouse gravou com o cérebro por trás dos Lambchop, Kurt Wagner, foi mais uma prova de que ele era uma boa aposta para o futuro.
Com o novo século chega o reconhecimento mundial obtido com os clássicos Under The Cold Blue Stars em 2002, 1972 em 2003 e Nashville em 2005. Com essa tríade Josh provou definitivamente ser um compositor pop de topo, capaz de soar leve e arejado, mesmo durante as baladas de cariz mais sombrio e nostálgico. Nashville, o meu disco preferido de Josh Rouse, acabou por ser uma marco na sua carreira já que foi o clímax de toda uma época em que se dedicou a cantar sobre a sua herança de menino filho de militares que viveu em várias cidades e os sofrimentos amorosos que teve, nos quais se inclui um divórcio atribulado; Canções como Street Lights, Winter In The Hamptons e outras, mostram a fina fronteira que existe muitas vezes entre dor e redenção e indicavam que daí para a frente nada mais seria igual e que nos próximos álbuns o músico teria de se reinventar.
Em 2006 Josh foi morar na cidade de Villa de Santa Maria, próximo de Valencia, no sul da Espanha e aí inicia uma nova vida e, musicalmente, uma nova fase da sua carreira. Os discos posteriores a essa mudança mantêm o espírito e as habilidades de composição de Josh, mas procuram transmitir uma sonoridade mais extrovertida e luminosa, fruto também de um novo amor, agora com a espanhola Paz Suay, cantora com quem Josh entretanto casou. Assim, Subtitulo (2006) tem canções mais leves, como Quiet Town, Summertime, Givin' It Up e a exceção, a autobiográfica, The Man Who Doesn't Know How To Smile, que já conta com a voz de Paz. Logo de seguida, Josh e Paz editam o EP She's Spanish, I'm American, dando como oficial a também união artística do casal.
Os trabalhos seguintes, Country Mouse, City House (2007), El Turista (2010) e The Long Vacations (2011), foram incorporando elementos melódicos espanhóis na música de Rouse, inclusive nas letras que levam Josh a cantar numa língua que nem sempre domina na perfeição, como se percebe, por exemplo, em Bienvenido ou Las Voces. Em 2011, Josh Rouse And The Long Vacations, é uma tentativa do músico de, mantendo a mesma proposta sonora alegre e festiva, partir até aos anos setenta e à costa oeste dos Estados Unidos.
Agora, The Happiness Waltzé a assumida tentativa de, como referi acima, tentar fazer uma espécie de súmula da carreira e uma simbiose das duas grandes fases da sua carreira, a tristeza por algo ou alguém que se foi, com a certeza do sol quente do mediterrâneo peninsular. O disco começa com Julie (Come Out Of The Rain), uma bela canção devido à voz e ao timbre da guitarra; Depois segue-se Simple Pleasureum tema simples e feliz, com uma sonoridade muito colada aos The Smiths, assim como It's Good To Have You, onde Josh assume estar feliz com a sua nova família. Esta temática familiar volta a estar presente em This Movie's Way To Long.
City People, City Thingsacena novamente aos anos setenta, assim comoOur Love, um dos destaques do álbum por ter um ritmo parecido com uma valsa e travos de soft rock do início dos anos 70. A Lot Like Magicacena à pop britânica dos anos oitenta e casa-a com as melodias americanas dos anos setenta e com a própria pop soul típica da Motown. Em Start A Family, Josh regressa aos climas hispânicos e a percussão e o baixo de Western Islandsrecordam Winter In The Hamptons, um dos destaques de Nashville.
Nos últimos três temas de The Happinezz Waltzo ritmo abranda um pouco; Purple And Beigeé um belíssima balada, feita com notáveis arranjos de cordas e onde Rouse recorda tempos distantes. The Ocean fala sobre a mudança do músico do interior americano para o mediterrâneo e o tema homónimo é um final perfeito para um disco único, devido à mistura instrumental que congrega. Espero que aprecies a sugestão...
I can’t wait another moment to see those eyes
Lately all I care about is you and me
And the future that looks so bright
It feels good to have you in my life
01. Julie (Come Out Of The Rain) 02. Simple Pleasure 03. It’s Good To Have You 04. City People, City Things 05. This Movie’s Way Too Long 06. Our Love 07. A Lot Like Magic 08. Start Up A Family 09. The Western Isles 10. Purple And Beige 11. The Ocean 12. The Happiness Waltz
Os Let's Go Dutch! são um projeto indie rock da vizinha Espanha liderado por Eduardo Monzón. Eduardo nasceu em Tudela e aos dezoito anos foi para Saragoça onde estudou filologia inglesa e também num a escola de música moderna. Após esse período curricular foi viver para Dublin, na Irlanda, onde entrou em contacto com o cenário musical local, algo que influenciou decisivamente as suas escolhas musicais. Depois de Dublin, Edimburgo, na Escócia, foi o poiso seguinte, cidade onde começou finalmente a compôr.
De regresso a Espanha, gravou uma demo (Paradise) e o seu primeiro disco (Two Is A Crowd), sempre em nome próprio, ou seja, num projeto a solo. O passo seguinte acabou por ser a formação de uma banda. Juntaram-se a Eduardo vários músicos e assim nasceram os Let's Go Dutch!. Em 2008 gravaram nos estúdios Aire, de Madrid, Daydreaming, um álbum que teve direito a digressão e concertos em algumas das mais conceituadas salas de espétaculos da capital espanhola. Depois a banda sofreu algumas alterações na sua formação e começou a germinar no seu seio uma sonoridade mais rock. Assim, gravado nos estúdios Rec Division de Madrid e masterizado em Londres, Hard Times é o novo EP deste projeto, um trabalho disponível para download gratuito no soundcloud de Eduardo.
Hard Times é uma coleção de cinco canções, com uma sonoridade muito atrevida e direta, tipicamente rock, onde a maior virtude reside na simplicidade melódica e na crueza sonora. O segredo é confiar cegamente na tríade instrumental básica, mas tendo sempre a guitarra como elemento primordial na construção dos temas, todos cantados en inglês. O grande destaque deste trabalho deverá ser a canção homónima, mas New Tricks é, na minha opinião, pela sua potência e sonoridade visceral, o melhor tema desta coleção de cinco canções.
A banda irá apresentar este EP no próximo dia quinze de fevereiro no famoso Moby Dick Club, em Madrid. Se andares pela capital espanhola nessa altura, espero que aprecies e te lembres desta sugestão...
01. Hard Times 02. New Tricks 03. Crooked Ways 04. Mysterious Nights 05. Special Gallery