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Frans Asthma – Wait Outside EP

Sexta-feira, 03.05.24

Uma das boas surpresas que entrou nos ouvidos da nossa redação por estes dias chama-se Wait Outside, o novo EP de Frans Asthma, um músico norte-americano, natural do Arizona e que se move tranquilamente em territórios sonoros assentes num indie rock atmosférico, com um elevado travo lo fi e um espírito shoegaze ímpar.

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Em pouco mais de oito minutos é possível absorver tranquilamente as quatro canções de Wait Outside, um EP em que sedução e melancolia se confundem e se arrastam, no bom sentido, tranquilamente, nas asas de uma guitarra crua, dedilhada com uma delicadeza muitas vezes surreal e uma simplicidade estonteante e que resulta, mas sem deixar de exalar um vigor e uma energia que mexe com os nossos sentimentos mais íntimos.

Tratam-se, portanto, de quatro temas que expandem no catálogo deste músico novos horizontes no campo da experimentação sonora, enquanto materializa um exercício comunicacional ávido com o lado mais indecifrável do ouvinte, o seu âmago, já que existe um travo cinematográfico intenso nestes oito minutos e um convite claro à introspeção, algo que, garantimos, acaba por suceder inconscientemente. De facto, estas quatro canções têm esse efeito mágico sobre quem as escuta e não se sai incólume da audição de um EP cheio de melodias harmoniosas e luminosas e que não deixam ninguém indiferente à sua passagem. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 18:50

Woods – Five More Flowers EP

Domingo, 28.04.24

Com uma dezena de discos no seu catálogo, os Woods são, claramente, uma verdadeira instituição do indie rock alternativo contemporâneo. De facto, esta banda norte americana oriunda do efervescente bairro de Brooklyn, bem no epicentro da cidade que nunca dorme e liderada pelo carismático cantor e compositor Jeremy Earl e pelo parceiro Jarvis Taveniere, aos quais se junta John Andrews, tem-nos habituado, tomo após tomo, a novas nuances relativamente aos trabalhos antecessores, aparentes inflexões sonoras que o grupo vai propondo à medida que publica um novo alinhamento de canções. E foi isso que sucedeu em dois mil e vinte e três com Perennial, um álbum que, plasmando tais laivos de inedetismo, entroncou num fio condutor, com particular sentido criativo, já que, mantendo a tónica num perfil eminentemente indie folk, foi trespassado por algumas das principais nuances do rock alternativo contemporâneo e colocou um elevado ênfase num indisfarçável clima jazzístico.

Woods Release Surprise New EP 'Five More Flowers' - Our Culture

Agora, pouco mais de meio ano depois de Perennial, os Woods estão de regresso em formato EP com Five More Flowers, um tomo de cinco canções que foram gravadas durante as sessões de Perennial, mas que ficaram de fora do alinhamenrto do registo. São cinco composições que sobrevivem à custa de um experimentalismo sonoro eminentemente contemplativo e que, entre o indie rock e a folk, exalam um elevado travo psicadélico.

Melodias com um perfil sonoro eminentemente acústico, jogos de vozes que se intersetam entre si continuamente e delicados apontamentos sonoros apadrinhados por teclas e cordas, colocam a nú a elaborada e eficazmente arriscada filosofia experimental interpretativa de um grupo bastante seguro a manusear o arsenal instrumental de que se rodeia e que aposta cada vez mais em composições com arranjos inéditos e que são abordados e construídos através de uma perspetiva que se percebe ter resultado de um trabalho aturado de criação que, tendo pouco de intuitivo, diga-se, plasma, com notável impressionismo, a enorme qualidade musical dos Woods.

Assim, se o EP dá o pontapé de saída com Day Before Your Night, pouco mais de quatro minutos feitos com um som leve, cativante e repleto de texturas lisérgicas, a seguir, Lay With Luck, uma belíssima composição nostálgica, solarenga e ecoante, com um elevado travo reflexivo e íntimo, adornada por cordas exemplarmente dedilhadas, uma guitarra encharcada num fuzz fascinante e conduzida por uma bateria enleante, é um exemplo claro dessa tal aposta que mostra vigor, segurança e enorme cumplicidade. Depois, e ainda na senda dos instrumentais, uma nuance cada vez maior dos Woods e que também comprova este modus operandi abrangente, Stinson Morning, afirma com esplendor esta toada mais jazzística e subtilmente experimental.

Em suma, este EP além de servir de complemento eficaz e aditivo a um disco que tinha uma intenção clara de estabelecer um diálogo sonoro com o ouvinte que convidava à reflexão, ao mesmo tempo que nos induzia uma sonoridade agradável, sorridente e o mais orgânica possível, comprova aquela quase presunçosa segurança que os Woods demonstram na criação e na interpretação de canções que, tendo claramente o adn Woods, não são assim tão óbvias para os ouvintes. E isso acontece, e ainda bem, porque este projeto é exímio a passear por diferentes universos musicais sempre com superior encanto interpretativo e sugestivo pendor pop, enquanto se assume cada vez mais como uma banda fundamental do rock alternativo contemporâneo. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 13:56

Django Django – Somebody’s Reality & High Line

Quinta-feira, 25.04.24

Três anos depois do registo Glowing In The Dark e do lançamento de uma mão cheia de remisturas e outros temas avulso, disponíveis no bandcamp do projeto, os londrinos Django Django de Dave Maclean, Vincent Neff, Tommy Grace e Jimmy Dixon, estão de regresso aos nosso radar devido ao lançamento de um EP de sete polegas, em formato vinil e digital, que contém os temas Somebody's Reality e High Line.

As várias influências do Django Django

Estes dois novos temas dos Django Django sobrevivem à custa de uma eletrónica apurada, contando também com a inspirada contribuição do baixo de Isobella Burnham em High Line. Os dois temas são, uma vez mais, a constatação de que este é um projeto tremendamente criativo no modo como arquiteta canções feitas com uma pop angulosa, proposta por quatro músicos que, entre muitas outras coisas, tocam baixo, guitarra, bateria e cantam, sendo isto praticamente a única coisa que têm em comum com qualquer outra banda emergente no cenário alternativo atual.

Somebody's Reality é um oásis de cândura sintética levitante. É uma canção repleta de detalhes e nuances que vão deambulando em redor de uma batida algo hipnótica, adornada por um detalhe sintetizado cósmico repetitivo, com uma proeminente toada vintage. High Line é um curioso instrumental com a duração de pouco mais de dois minutos com um travo ambiental anguloso, arquitetado em sintetizações com um sóbrio pendor experimental e com uma cadência encharcada com um groove que apela instantaneamente à dança. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:47

TOLEDO – Popped Heart EP

Segunda-feira, 15.04.24

How It Ends foi o maravilhoso disco que a dupla nova iorquina TOLEDO, formada por Dan Alvarez e Jordan Dunn-Pilz, lançou em dois mil e vinte e dois, um registo que teve direito a uma reedição de luxo na primavera do ano passado e que, além do alinhamento original de doze músicas, continha mais alguns inéditos e demos de várias canções que faziam parte do álbum. A dupla ainda não anunciou um novo registo de originais dos TOLEDO em formato longa duração, mas está de volta com um EP de quatro canções intituado Popped Heart.

Em pouco mais de dezito minutos, os TOLEDO oferecem-nos em Popped Heart uma luminosa, efusiante e emotiva coleção de canções pop que, como In Yr Head (1818) tão bem demonstra,  contêm um forte pendor eletrónico feito de sintetizações cósmicas e de uma batida vigorosa, nuances que sustentam cinco melodias felizes e cativantes, que vão sendo adornadas por diversos arranjos metálicos percussivos e pelo já habitual registo vocal da dupla, de elevado pendor etéreo, ecoante e adocicado. 

Jesus Bathroom é outra curiosa canção deste EP, um tema com fortes reminiscências na melhor pop setentista e que reluz no modo como sobrevive e deslumbra através de sintetizações vibrantes e uma bateria e um baixo vigorosos, enquanto Lindo Lindo, uma composição com um perfil eminentemente jazzístico, aposta num groove e numa irreverência que Say! de certo modo mantém, mas através de um perfil mais etéreo e lo fi.

EP colorido, tocante e charmoso, Popped Heart contém, como seria de esperar, um forte pendor temperamental, enquanto recria, com minúcia e mestria, um ambiente muito peculiar, feito com cor, sonho e sensualidade, catapultando os TOLEDO para um patamar qualitativo sólido, inteligente e feito de um irrepreensível bom gosto. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 15:59

Sun Kil Moon – Birthday Girl EP

Domingo, 10.03.24

Sun Kil Moon, o projeto atual do cantor e compositor Mark Kozelek, que ficou conhecido por ter sido o líder dos carismáticos Red House Painters, é um dos projetos que constam na listagem da melhor indie folk contemporânea e um dos mais queridos para a nossa redação. Cada novidade de Sun Kil Moon é tragada por cá com delícia e minúcia, algo a que não foge à regra Birthday Girl, um delicioso compêndio de três canções, em formato EP, com a chancela da Caldo Verde Records.

Sun Kil Moon – “I Love Portugal”

Assim que começamos a escutar as cordas que conduzem Birthday Girl, o tema que dá nome ao EP, ficamos boquiabertos com a exuberância e o dramatismo melódicos que a canção exala, enquanto Mark disserta sobre as memórias de um amor da juventude e de alguns acontecimentos marcantes que essa relação deixou bem impressos na sua memória. Logo a partir dessa experiência ímpar e curiosa, que o marcou em tempos, um aspeto habitual da narrativa de Mark, somos abanados e convidados, sem aviso prévio, a um subtil abanar de ancas, à boleia de Mark Kozelek Died Happy While Fishing, uma hipnótica e inebriante composição, com um curioso travo de epicidade que nos oferece sensações algo inquietantes, mas também acolhedoras. Finalmente, The Call Of The Wild, encarna um instante folk luminoso, algo buliçoso, até, com a voz sussurrante de Mark a contar-nos mais uma história marcante do seu passado, enquanto cordas e um sintetizador travam uma amigável luta enleante, enquanto carimbam um charmoso e indesmentível bom gosto sonoro.

Birthday Girl EP encarna um belíssimo compêndio sonoro, onde a simplicidade melódica coexiste com uma densidade sonora suave que transborda uma majestosa e luminosa melancolia que, diga-se, sabe tremendamente bem nesta altura do ano. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 15:47

Black Rebel Motorcycle Club – Black Tape EP

Quarta-feira, 07.02.24

Cinco anos depois de Wrong Creatures, os norte americanos Black Rebel Motorcycle Club (BRMC) de Peter Hayes, Robert Levon Been e Leah Shapiro, estão de regresso com novidades, um EP com quatro canções intitulado Black Tape, que ainda retira dividendos daquele que foi o oitavo disco da carreira de uma banda com mais de década e meia de carreira e que se estreou em dois mil e um com um extraordinário homónimo, cujo conteúdo fez destes músicos de São Francisco os potenciais salvadores do rock alternativo.

El regreso de Black Rebel Motorcycle Club: escucha su nuevo EP «The Black  Tape» – Nación Rock

Wrong Creatures foi produzido por Nick Launay (Yeah Yeah Yeahs, Arcade Fire, Nick Cave) e ofereceu-nos uns Black Rebel Motorcycle Club cientes não só do mundo em que vivem e das várias transformações que foram sucedendo nos últimos vinte e cinco anos, mas também das alterações estilísticas e de formação que moldaram a sobrevivência e o próprio crescimento de um projeto que se abastece de um espetro sonoro muito específico e com caraterísticas bastante vincadas. As quatro canções de Black Tape EP foram incubadas durante o processo de gravação do registo e, tendo ficado de fora do seu alinhamento, ganham agora protagonismo enquanto servem para nos recordar que os Black Rebel Motorcycle Club continuam bem vivos e em excelente forma.

De facto, logo com a toada lasciva e provocante de Bad Rabbit e o fuzz rugoso e cerrado de Bandung Hum, somos colocados bem no epicentro de um adn que também contém impressivos traços de post punk e blues e que, abraçando igualmente o noise rock, plasma uma simbiose perfeita entre a guitarra de Peter, o baixo de Robert e a forte percussão de Leah. São duas canções extraordinárias e que, reafirmando a interação brilhante entre estes três músicos, comprovam o indesmentível travo de diversidade e de perspicácia melódica e instrumental que sempre definiu o percurso dos Black Rebel Motorcycle Club, dentro dos limites bem definidos da filosofia sonora que os anima.

Depois do ruído incisivo e direto de Running In The Red (Messy) nos mostrar um perfil mais garageiro, Black Tape EP remata com uma versão longa e ainda mais experimental do tema DFF (For Those Who Can’t) que abria o alinhamento de Wrong Creatures. Recordo que DFF (For Those Who Can’t) era um típico tema introdutório, com um baixo firme e constante e uma percurssão com uma cadência crescente e neste EP acaba por se tornar numa excelente opção para o ocaso do alinhamento, na medida em que ajuda a sossegar os ânimos saudavelmente atiçados pelas três composições anteriores.

Black Tape EP é, em suma, um suplemento vitamínico bastante anguloso do conteúdo de Wrong Creatures que, fazendo-nos suspirar por um novo álbum do grupo, oferece-nos uns Black Rebel Motorcycle Club dentro da sua verdadeira essência, um projeto criador de canções assumidamente introspetivas, nebulosas e viscerais, que além de se debruçarem sobre o quotidiano, preocupam-se, estilisticamente, em colocar o puro rock negro e pesado em plano de assumido destaque. Espero que aprecies a sugestão...

 

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publicado por stipe07 às 17:54

Kurt Vile – Back To Moon Beach EP

Quarta-feira, 22.11.23

Meia década depois do excelente registo Bottle It In, e ano e meio após (watch my moves), o oitavo disco da carreira, Kurt Vile volta a dar as mãos à Matador Records e coloca nos escaparates Back To Moon Beach, o novo EP deste músico que descende da melhor escola indie rock norte americana e que adora piscar o olho à melhor folk nativa do outro lado do atlântico, quer através da forma como canta, quer nos trilhos sónicos da guitarra elétrica que abraça há duas décadas, sempre com elevado requinte.

Kurt Vile - 'Back to Moon Beach' EP review

Não deixa de ser um pouco estranho catalogar um compêndio de nove canções com uma duração de quase uma hora como um EP, mas é desse modo que se identifica Back To The Moon Beach, composições que são b-sides incubadas durante as sessões de gravação dos discos que Kurt Vile lançou na última meia década.

Back To The Moon EP é um sublime alinhamento que coloca Kurt Vile no rasto da herança de alguns dos cantautores de eleição do seu país e que são verdadeiras referências incontornáveis, como Johnny Cash ou Neil Young, só para citar alguns dos autores mais conhecidos. E Vile fá-lo servindo-se da folk, o seu universo sonoro de eleição, aqui mesclado com alguns dos melhores tiques identitários da country e do jazz, como o próprio plasma e assume, logo a abrir o EP, em Another Good Year For The Roses e Touched Somethin (Caught A Virus), por esta ordem. Se na primeira canção o piano assume as rédeas, na segunda compsição é o violão quem cerra os punhos, exemplarmente acompanhado pela bateria. Mas, em ambos os casos, a filosofia é semelhante, porque a base instrumental das canções vai-se deixando enlear por uma quase impercetível vastidão de arranjos, detalhes e nuances das mais diversas proveniências, que vão adornando, com um charme intenso, duas canções assentes numa simbiose quase hipnótica entre melancolia e exprimentalismo.

É neste modus operandi fascinante que se fundem os alicerces de Back To The Moon. O próprio tema homónimo é um impressivo flash sonoro de cosmicidade poeirenta e intimista, que abraça e suscita no ouvinte conceitos como espontaneidade e inocência. Depois, se Like A Wounded Bird Trying To fly plasma um perfil mais roqueiro e evocativo, sem deixar de lado o indispensável intimismo e se Tom Petty’s Gone (But Tell Him I Asked For Him) pisca o olho, com notável  acerto, a uma espécie de sensualidade orgânica apimentada com pequenos delírios acústicos e elétricos, Blues Come For Some volta a chamar o piano para a linha da frente, sem rodeios e receios, numa canção que é um verdadeiro festim de sentimentalismo. 

Back To The Moon Beach é, em suma, um calcorrear eminentemente lisérgico que olha para a folk de espírito livre e aberto, uma opção criativa que deu origem a composições sublimes no modo como aprimoram o melhor adn identitário de Vile, feito de melodias conduzidas quase sempre por cordas elétricas e acústicas inspiradas e também, neste caso, de um piano buliçoso, espraiadas em quase sessenta minutos de enorme beleza, emoção, arrojo e, acima de tudo, contemplação. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 16:43

Midlake & John Grant – Roadrunner Blues vs You Don’t Get To

Sábado, 14.10.23

Todos certamente se recordam de Queen Of Denmark, o fabuloso disco de estreia de John Grant, editado em dois mil e dez e que teve nos créditos de produção o coletivo Midlake. Treze anos depois dessa extraordinária colaboração, Midlake e John Grant voltam a dar as mãos para incubar um curioso EP com duas canções intitulado Roadrunner Blues, mostrando que a magia desta relação entre a banda texana e o músico natural de Denver mantém-se incólume e assertiva.

Midlake & John Grant reteam for new collab double single "Roadrunner Blues"  & "You Don't Get To"

John Grant é uma personagem muitas vezes ambígua, mas sempre determinada nas suas crenças e convicções acerca de um mundo que, apesar de mentalmente mais aberto e liberal, continua a ser um lugar estranho para quem nunca hesita em ser implacável, mesmo consigo próprio, na hora de tratar abertamente e com muita honestidade e coragem os seus problemas relacionados com o vício de drogas, distúrbios psicológicos, relacionamentos amorosos traumáticos e o preconceito. Na vertente sonora desta relação pouco pacífica com o exterior, os Midlake, que infelizmente nunca conseguiram a notoriedade de Grant, sempre foram, na verdade, uma espécie de porto de abrigo seguro para o músico e este EP com duas canções é mais um capítulo nessa relação estreita e profícua.

Quanto aos Midlake, também tiram, em abono da verdade, proveitos deste abraço fraterno com Grant, porque desde Antiphon, em dois mil e treze, têm tido dificuldade em se manter à tona. Aliás, esse disco já foi muito marcado ausência do vocalista Tim Smith, que abandonou o projeto um ano antes e obrigou o sexteto, que passou a quinteto, a começar do zero e a criar, de certa forma e em termos de sonoridade, aquilo que se pode chamar de uma nova banda. Antífona, uma peça musical religiosa, entoada no canto gregoriano por dois coros, foi, nessa altura, a ideia de banda, de conjunto, de união, de ajuda artística mútua entre os cinco músicos restantes, que se expressa também na relação que os Midlake alimentam com John Grant.

Assim, se em Roadrunner Blues escutamos um portento soul, com uma toada crescente e progressiva, com cascatas de guitarras e de efeitos sintéticos a terem um resultado final muito charmoso, emotivo e com um delicioso travo setentista e psicadélico, já You Don't Let Go é um sofisticado e cósmico tratado sonoro que cruza um vincado espírito shoegaze com alguns dos tiques essenciais do melhor rock alternativo setentista. O piano planante e o detalhe das cordas da guitarra a introduzirem a entrada em cena de guitarras encharcadas num fuzz vigoroso, aprimora, nesta canção, uma sofisticada toada pop que amplia um ambiente particularmente épico e deslumbrante. Uma espetacular colaboração entre dois projetos únicos. Confere...

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publicado por stipe07 às 08:43

Ben Lee – 2 Songs I Wrote In 1993 And Recorded Last Week

Sábado, 02.09.23

O australiano Ben Lee lançou o registo I'm Fun! no ano transato, mas já tem mais novidades para os seus seguidores. No início do verão deu as mãos a Georgia Maq para gravarem juntos uma cover dos clássico dos The Replacements Androgynous e agora foi a vez de partilhar o microfone com Alex Lahey para dar vida a Cute Indie Girls, uma extraordinária canção que faz parte de um novo EP do músico intitulado 2 Songs I Wrote in 1993 and Recorded Last Week.

Why the US election and QAnon led musician Ben Lee to get political

De facto, e conforme o título indica, este novo EP de Ben Lee inclui no seu alinhamento temas que o músico natural de Sidney escreveu há cerca de três décadas e que estariam gravadas na gaveta, à espera do momento certo para verem a luz do dia. Assim, além de Cute Indie Girls, este EP 2 Songs I Wrote in 1993 and Recorded Last Week, contém a canção Do I Know You?. Ambas são composições estilisticamente semelhantes, a primeira com um perfil mais folk e a segunda com um travo algo garageiro, mas as duas assentes naquele típico indie rock imediatista e com um perfil eminentemente orgânico e lo-fi, feito de guitarras abrasivas, que oscilam facilmente entre o elétrico e o acústico. Confere...

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publicado por stipe07 às 14:20

Drab Majesty – An Object In Motion EP

Sexta-feira, 01.09.23

Drab Majesty é um grupo oriundo de Los Angeles, liderado por Andrew Clinco, baterista da banda Marriages, que assume neste projeto a personagem andrógena Deb Demure. A ele junta-se Mona D (Alex Nicolaou), num projeto que conta já com pouco mais de uma década de existência e que acaba de lançar um EP intitulado An Object In Motion, que viu a luz do dia a vinte e cinco de agosto, com a chancela da Dais.

Drab Majesty: Rejuvinated and untethered on new EP “An Object In Motion” –  Messed!Up

O enigmático rock oitocentista que nomes como os Echo & The Bunnymen ou os Talk Talk ajudaram a cimentar com indiscutível mestria há quatro décadas atrás é a trave mestra que, com um elevado travo a estranheza e a surrealismo, alimenta a filosofia interpretativa que conduz a carreira destes Drab Majesty, desde que se estrearam em dois mil e quinze com o registo Careless. As duas bandas acima referidas são, certamente, nomes que virão facilmente à cabeça de todos aqueles que mergulharem no conteúdo deste compêndio de quatro canções que marcam um novo rumo de um projeto que é já, sem qualquer dúvida e por direito próprio, um nome fundamental da chamada neo-psicadelia.

Escrito na cidade costeira de Yachats, no Oregon, An Object In Motion é um desabafo sobre isolamento e introspeção, não tivesse sido criado durante a crise pandémica que nos assolou a todos recentemente. Nele, linhas de guitarra, acústicas ou eletricas, delicadas, um acerto meloódico que exala um dramatismo sempre latente e vocalizações a condizer com um clima sonoro bastante peculiar, são caraterísticas omnipresentes e que trespassam os cerca de trinta minutos de um EP estruturalmente irrepreensível.

A audição do EP merece ser feita na íntegra, mas há duas composições que merecem superior destaque e que, por esse motivo, terão tido também direito ao formato single. Refiro-me aVanity, tema que conta com a magnífica participação especial de Rachel Goswell, cantora do mítico projeto Slowdive e a The Skin And The Glove, canção com nuances mais luminosas e épicas do que Vanity. São composições que, assentando num timbre metálico de uma viola tocada com vigor, em redor da qual diversas camadas de sons sustentam um encanto etéreo e fortemente nostálgico, assim como num jogo vocal que plana sobre o arsenal instrumental que induz um toque de lustro de forte pendor introspetivo, seduzem pelo modo como, estando livre de constrangimentos estéticos, nos provocam um saudável torpor e nos sugam para uma atmosfera densa e pastosa, mas libertadora e esotérica. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 14:35






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