Terça-feira, 16 de Julho de 2019

Work Drugs – Surface Waves EP

Os Work Drugs de Benjamin Louisiana e Thomas Crystal são uma dupla de Filadélfia já com um assinalável cardápio e que se mantém bastante ativa e profícua, lançando um disco praticamente todos os anos, além de alguns singles e compilações, desde que se estrearam com Summer Blood, há já quase uma década. Enquanto não chega aos escaparates lá para o final deste ano o sucessor do excelente Holding On To Forever de dois mil e dezoito, têm-se mostrado visíveis e audíveis com a edição em formato EP. Belize foi editado em março e agora acaba de ser divulgado Surface Waves. Ambos compilam não só alguns singles que poderão fazer parte desse novo álbum dos Work Drugs, mas também diversos instrumentais e material nunca antes divulgado e que foi sobrando das sessões de gravação de alguns dos antecessores do futuro trabalho discográfico do projeto.

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Surface Waves contém oito composições perfeitas para saborear estes últimos raios de sol mais quentes, enquanto não chega a longa penumbra outunal e o interminável frio e implacável inverno. Se a melhor herança de Michael Jackson conduz Embers Never Fade e uma bateria eletrónica bastante insinuante sustenta Burned, em L.A. Looks dominam paisagens com uma mais acentuada tonalidade surf rock, enquanto a chillwave de Counterclaims contém um encanto vintage, relaxante e atmosférico, intenso e charmoso.

O resultado final de Surface Waves é um compêndio particularmente eclético, que além de proporcionar instantes de relaxamento, também poderá adequar-se a momentos de sedução e recolhimento, um EP que faz adivinhar um disco tremendamente sensorial e emotivo e que será, sem dúvida, mais um episódio significativo e bem sucedido num já riquíssimo compêndio proporcionado por um dos projetos mais excitantes da pop contemporânea. Espero que aprecies a sugestão...

Work Drugs - Surface Waves

01. Embers Never Fade
02. Burned
03. L.A. Looks
04. Counterclaims
05. Reunions
06. Do It Like We Used To Do
07. Counterclaims (Instrumental)
08. Embers Never Fade (Instrumental)


autor stipe07 às 20:55
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Quarta-feira, 3 de Julho de 2019

Deportees – Re-dreaming EP

Produzido por Pontus Winnberg (Miike Snow), Johannes Berglund e Måns Lundberg e gravado nos estúdios Skolhaus, em Mariefred, nos arredores de Estocolmo, Re-Dreaming, é o novo EP do trio sueco Deportees, um registo com cinco canções que colocam este projeto liderado por Peder Stenberg, debaixo dos holofotes da crítica fora das fronteiras de uma Suécia onde são já um caso sério de popularidade.

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Com forte tonalidade oitocentista, Re-Dreaming é um daqueles registos optimistas e luminosos, muito à imagem de outras propostas oriundas dos países nórdicos, em que guitarras e sintetizadores conjuram entre si para criar ambientes sonoros amplos, emotivos e com um elevado cariz retro.

Assim, se Bright Eyes, um dos grandes destaques do EP, tem uma atmosfera bastante emotiva, empática e sentimental e debruça-se sobre a capacidade que todos devemos ter de nos reerguermos depois de instantes de dissabor em que tudo parece desmoronar em nosso redor, já Time Is The Tiger, por exemplo, aposta num clima mais progressivo e visceral e Patterns numa abordagem mais melancólica e reflexiva, num resultado final que procura incutir no ouvinte, de acordo com Stenberg, otimismo e esperança relativamente a um futuro que não se prevê particularmente animador. Confere...

Deportees - Re-dreaming EP

01. Bright Eyes
02. Time Is The Tiger
03. Wild Repeat
04. A Love Design
05. Patterns


autor stipe07 às 19:55
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Sexta-feira, 21 de Junho de 2019

The High Dials – Primitive Feelings – Part 1 EP

Montréal, no Canadá, é o poiso dos The High Dials, banda com uma década de carreira e de regresso aos discos em dois mil dezanove com Primitive Feelings, um longa duração com lançamento em formato vinil previsto para o próximo outono. Entretanto alinhamento desse álbum físico já começou a ser antecipado digitalmente com dois eps, tendo o primeiro, com oito composições, provavelmente o lado a dessa edição, visto a luz do dia há algumas semanas.

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Primitive Feelings será o sexto registo de originais dos The High Dials e, pelo que se percebe desta primeira metade revelada, será um disco repleto de texturas sonoras que privilegiam um punk rock algo sujo e lo fi, mas onde também não faltam texturas eletrónicas particularmente pulsantes e contemporâneas e com um elevado groove e um espírito shoegaze, nuances que se saúdam num projeto particularmente inovador e reputado na esfera indie canadiana.

O fabuloso baixo vibrante que sustenta The Future Prospects Of Your Ego, sendo já uma imagem de marca desta banda também claramente influenciada pela melhor herança do indie rock britânico forjado em terras de Sua Majestade no último meio século, volta a fazer-se acompanhar, nomeadamente neste tema que é para mim o destaque maior destas oito canções, por uma guitarra jovial e criativa, guiada por uma forte vertente experimental e uma certa soul, com alguns efeitos e detalhes sintetizados a rematarem em grande estilo uma canção que não receia ser exuberante no modo como sustenta alguns dos arquétipos típicos da pop e do punk dos anos oitenta. Depois, a precisão rítmica da bateria e os riffs incendiários que dão colorido à luminosa Jaws Of Life, a graciosidade psicadélica de Employment And Enjoyment, o charmoso piano que deambula por World War You ou o travo jazzístico do punk incisivo que exala de Guerrilla Guru, ampliam o efeito soporífero desta amostra de um trabalho que quando for possível de ser escutado no seu todo, irá certamente potenciar a fama destes The High Dials, não só devido à bitola qualitativa e criativa desse novo capítulo de um catálogo discográfico que é já riquissímo, mas também por causa da superior capacidade que têm de fazer o nosso espírito facilmente levitar e provocar no âmago de quem os escuta devotamente um cocktail delicioso de boas sensações. Se a segunda metade do registo, fizer jus ao conteúdo já revelado de Primitive Feelings, então estaremos certamente em presença de um dos grandes álbuns de dois mil e dezanove. Espero que aprecies a sugestão...

The High Dials - Primitive Feelings - Part 1

01. O Blue Day
02. The Future Prospects Of Your Ego
03. Jaws Of Life
04. Employment And Enjoyment
05. World War You
06. Guerilla Guru
07. Primitive Feelings
08. City Of Gold


autor stipe07 às 15:39
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Segunda-feira, 3 de Junho de 2019

Sufjan Stevens - Love Yourself & With My Whole Heart

Desde o longínquo registo Carrie & Lowell , lançado em dois mil e quinze que o norte-americano Sufjan Stevens não lança um registo a solo. No entanto, o músico natural de Chicago não tem deixado de estar ativo, não só através da participação em outros projetos paralelos, com especial realce para o seu contributo fundamental no álbum Planetarium (2017), onde assina os créditos com Bryce Dessner, Nico Muhly e James McAlister, mas também com a edição de alguns singles, sendo o mais relevante a homenagem a patinadora Tonya Harding no tema com o mesmo nome, lançado no final de dois mil e dezassete.

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Agora, no início de junho, mês que comemora o Orgulho LGTBQ, Sufjan Stevens oferece-nos, à boleia da Asthamatic Kitty, um EP com dois inéditos, Love Yourself e With My Whole Heart, duas assumidas canções de amor cuja parte das receitas obtidas será oferecida às organizações Ali Forney Center em Harlem, Nova Iorque e o Ruth Ells Center, em Detroit, no Michigan, que apoiam, respetivamente, a comunidade LGBTQ e crianças sem lar norte-americanas.

Já com raízes em mil novecentos e noventa e seis, altura em que Sufjan Stevens gravou o tema pela primaiera vez, Love Yourself é uma peça pop de cariz eminentemente sintético, com um ligeiro travo gospel, conduzida por pianos melancólicos e uma suave batida, nuances que aglutinam uma forte veia eletroacústica algo suave e adocicada. Já With My Whole Heart, dentro de um psicadelismo eminentemente experimental, é um instante mais intimista, apesar da vasta miríade de efeitos, distorções de guitarra, interseções e arranjos que adornam uma composição bem à medida da imensidão e do silêncio que muitas vezes carateriza o vazio cósmico que nos invade sempre que o amor nos prega uma partida. Confere...

Sufjan Stevens - Love Yourself - With My Whole Heart

01. Love Yourself
02. Love Yourself (1996 Demo)
03. With My Whole Heart
04. Love Yourself (Short Reprise)


autor stipe07 às 16:35
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Segunda-feira, 27 de Maio de 2019

Keane – Retroactive EP1

Com uma vasta e bem sucedida carrera de cerca de duas décadas, os britânicos Keane de Tom Chaplin, sempre gostaram de revisitar e dar novas roupagens a alguns dos seus temas mais emblemáticos, sendo a safra mais recente desse exercício de reinterpretação Retroactive EP 1, um tomo de quatro canções, obrigatório para quem é assumido seguidor deste projeto incontornável da história musical contemporânea.

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Para quem conhece os Keane e já amou e se desiludiu ao som da voz ternurenta de Tom Chaplin, Retroactive EP 1 é um aconchegante compêndio sonoro, perfeito para tocar nestes finais de tarde ensolarados, enquanto fazemos rewind à fita magnética que guarda algumas das melhores memórias vividas ao som de quatro clássicos únicos e intemporais desta banda britânica. São canções por natureza otimistas, compostas por uma banda que soube sempre fintar as críticas relacionadas com uma face supostamente demasiado radiofónica, melosa e sentimental e que foram criadas num estágio superior de sapiência que, à altura, se colocou à boleia de arranjos tensos, dramáticos e melódicos e dos quais nos apropriámos individual e coletivamente, através de discos tão essenciais para a hitória da pop deste século como Hopes and Fears (2004), Under The iron Sea (2006) ou Perfect Symmetry (2008).

Prestes a lançar novo álbum este ano, quatro das composições  marcantes desse período aúreo dos Keanee podem agora ser degustadas com igual emotividade e prazer, através de uma faceta mais acústica, contemplativa e etérea, mas igualmente melancólica, nostálgica e marcante. Espero que aprecies a sugestão...

Keane - Retroactive EP1

01. Somewhere Only We Know (Sprint Music Series)
02. Bedshaped (Acoustic / Live At The Roundhouse / 2013)
03. Spiralling (Demo)
04. Silenced By The Night (Live / Sea Fog Acoustic Session)

 


autor stipe07 às 16:53
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Domingo, 19 de Maio de 2019

Interpol - Fine Mess EP

Quase um ano após o lançamento de Marauder, os Interpol entraram em grande estilo no verão de dois mil e dezanove com Fine Mess, um EP que a banda acaba de lançar à boleia, obviamente, da Matador Records e que contém cinco canções gravadas por Dave Fridmann nos estúdios nova iorquinos do próprio, os Tarbox Studios, durante a sessões de Maraudero tal disco que os Interpol editaram no verão passado.

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É impossível indissociar o conteúdo de Fine Mess do alinhamento de Marauder,  até porque o EP mantém o trio naquele formato que exalta o espírito sombrio dos anos oitenta e que tem sido replicado por Banks, Kessler e Fogarino com elevado quilate. Seja como for, parece-me não ter havido apenas um exercício de junção de composições que ficaram de fora desse registo, mas antes algo mais aturado e refletido. De facto, Fine Mess tem uma identidade muito própria e será redutor e injusto considerar este EP como uma espécie de apêndice de Marauder. Escuta-se o tema homónimo e somos confrontados com o Banks incisivo de sempre, não só na voz mas também no modo como toca aquela guitarra agreste, agudizada pelo efeito identitário dos Interpol, um timbre metálico que lançou o grupo para as luzes da ribalta no início deste século, quando com o indie rock genuíno de Antics e o post punk revivalista de Turn On The Bright Lights conquistaram meio mundo. É, pois, uma canção que contém uma ímpar virilidade elétrica misturada com uma espécie de absurdo lírico que, sendo uma imagem de marca da escrita e composição dos Interpol, inclui, neste caso, referências à década de oitenta e à inquietude das relações.

As nuances rítmicas de No Big Deal e a energia intuitiva de Real Life acabam por ser duas balizas identitárias deste alinhamento e de marcação da tal ruptura com Marauder, com a toada invulgarmente pop de The Weekend a ser a cereja no topo do bolo de um EP que atesta, uma vez mais, a superior experiência por parte do grupo nova iorquino e tem a mais valia de oferecer ao fã um extra inesperado e, ainda por cima, com elevada bitola qualitativa. Espero que aprecies a sugestão...

Interpol - A Fine Mess

01. Fine Mess
02. No Big Deal
03. Real Life
04. The Weekend
05. Thrones


autor stipe07 às 18:19
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Sábado, 2 de Março de 2019

Funeral Advantage – Nectarine EP

Lançado há alguns dias à boleia da Sleep Well Records, Nectarine é o novo fôlego na carreira do projeto norte-americano Funeral Advantage de Tyler Kershaw, sete canções que sucedem a um outro EP intitulado Please Help Me, editado no início de dois mil e dezassete e ao longa duração do projeto, um trabalho intitulado Body Is Dead que viu a luz do dia no final do verão de dois mil e quinze.

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Natural de Boston, Tyler Kershaw é mestre a criar um ambiente sonoro fortemente etéreo e melancólico, através de canções tipicamente rock, esculpidas com cordas ligas à eletricidade, mas com um travo lo fi charmoso que lhes confere uma fragilidade incrivelmente sedutora, uma certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida e uma exibição consciente da sapiência melódica de um autor, cantor, produtor e compositor que tem na herança oitocentista o seu principal eixo orientador.

Em Nectarine, assistimos então a uma parada de composições bastante emotivas e intimistas e que além de serem construídas à base de guitarras com efeitos e distorções intrigantes e enleantes e uma percussão bastante vincada, sem ter uma tonalidade exageradamente grave, também estão cheias de boas letras que nos oferecem uma atmosfera sonora épica, positiva, sorridente e bastante apelativa.

O timbre metálico da guitarra de Peach Nectarine, o baixo pulsante que conduz o andamento incisivo e visceral de Black House, o frenesim encantador de Rinsed, o esplendor e a intensidade de Stone Around Your Neck são um convite direto e preciso ao acto de encarar estes últimos dias de inverno com esperança, enquanto ficamos envoltos numa intensa aúrea vincadamente orgânica e, por isso, fortemente sensual, que nos despe de todo aquele mistério, tantas vezes artificial, onde frequentemente nos refugiamos, para que não tenhamos receio de mostrar, com ousadia, a verdadeira personalidade do agregado sentimental que nos carateriza, enquanto não chega a primavera que há-de finalmente libertar-nos de toda esta reclusão que nos entorpece. Espero que aprecies a sugestão...

Funeral Advantage - Nectarine

01. Rinsed
02. Black House
03. Peach Nectarine
04. Stone Around Your Neck
05. Bad Magnet
06. Take Me Down
07. It Never Gets Any Better, You Just Get Used To It


autor stipe07 às 15:15
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Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2018

Wavves – Emo Christmas EP

Depois do excelente You're Welcome, lançado no verão do ano passado, os californianos Wavves de Nathan Williams e Stephen Pope, atualmente em digressão interna com os Beach Fossils, acabam de nos surpreender com Emo Christmas, um EP com duas canções inspiradas nesta época festiva que estamos já a viver e que também tem fortes raízes e tradições no outro lado do Atlântico.

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No lado a de Emo Christmas EP podemos conferir o tema homónimo, uma canção melodicamente incisiva, de acordes simples, como se exige a uma boa canção de Natal e bastante orelhuda. Já So Glad It's Christmas, o lado b deste EP de Natal dos Wavves, escrita por Pope, é uma composição mais intimista, com um cariz algo lo-fi, mas com um travo de sarcasmo e ironia muito marcante. 

Em suma, neste Natal o que importa para os Wavves é curtir ao máximo e este Emo Christmas EP é uma excelente banda sonora pensada para esse propósito com duas canções a obedecerem a essa fórmula tão legitima como outra qualquer. Se o Natal também já faz parte da indústria do entretenimento, Emo Christmas EP é uma seta apontada diretamente ao centro do alvo desse conceito de abordagem a uma época tão especial e rica em sentimentos e emoções. Confere...

Wavves - Emo Christmas

01. Emo Christmas
02. So Glad It’s Christmas


autor stipe07 às 13:15
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Sexta-feira, 2 de Novembro de 2018

Grand Sun - The Plastic People of The Universe EP

Foi através da Aunt Sally Records que viu a luz do dia The Plastic People of The Universe, o novo EP dos Grand Sun de Ribeiro, António, Simon e Miguel, um coletivo oriundo de Oeiras, nos arredores da capital e que aposta num exuberante registo indie com fortes raízes no rock setentista mais lisérgico, mas também naquela pop efervescente que fez escola na década anterior e onde a psicadelia era preponderante no modo como trespassava com cor e luminosidade o edifício melódico de muitas composições. Deste EP constam cinco canções que são autênticos passeios por um mesmo jardim contemplativo, onde, na sua concepção e gravação, nos Blacksheep Studios por Guilherme Gonçalves e pelo Bruno Plattier, nada mais interessou para os Grand Sun senão observar e cantar o que os rodeava.

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Num alinhamento impecavelmente produzido, agradável e bastante comunicativo, este quarteto proporciona-nos uma rápida mas intensa orgia de lisergia à custa de guitarras inspiradas, sintetizadores cósmicos e um constante efeito vocal ecoante. É uma filosofia interpretativa que criou de modo sonhador, aventureiro e alucinogénico, um quadro sonoro fluído, homogéneo e aparentemente ingénuo que, nos emerge num mundo fantástico e que potencia uma sensação estranha mas feliz de familiariedade com o seu conteúdo.

Da majestosidade luminosa de Go Home, à história de amor entre dois jovens perdidos num jardim em Flowers, passando pelo pueril exercício de auto descoberta descrito em Clown, este EP é impressivo, realista e capaz de nos colocar a interagir com o seu conteúdo, quase sem darmos por isso. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 17:43
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Segunda-feira, 22 de Outubro de 2018

Palas - Dente de Leão EP

Já viu a luz do dia Dente de Leão, o registo em formato EP com seis maravilhosos temas que estreia nas lides discográficas o projeto a solo de Filipe Palas, conhecido pela sua performance em projetos como os Smix Smox Smux e os Máquina del Amor. Para esta sua nova aventura, Palas conta com a ajuda de Tiago Calçada na guitarra, João Costeira na bateria, Filipe Fernandes no baixo e Luis Marques no clarinete, um coletivo que promete muita energia e diversão nos concertos ao vivo.

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Mais uma lufada de ar fresco revigorante e motivador no panorama discográfico indie nacional, Palas oferece-nos logo na estreia um alinhamento que nos permite contactar com uma variedade imensa de sons, que tanto podem ser retirados da normal atividade do quotidiano, como serem fornecidos por instrumentos de cordas, metais, sopros e sintetizações, além de um notável trabalho percursivo. É um amplo panorama de descobertas sonoras, que pode agregar num mesmo tema uma guitarra agreste tremendamente aditiva com o som de um jorro de água, como sucede em Pau ou permitir-nos sentir Prazer ao som da soul dessa mesma guitarra, sempre em crescendo, exemplarmente acompanhada pela gentileza complacente da bateria, numa dança que fica a ressoar dentro de nós muito depois da canção terminar. Esperança é outra enorme canção deste registo, uma composição que impressiona pela subtileza das cordas e pelo modo como as mesmas vão, progressivamente, e mais uma vez, fazendo o tema crescer e ganhar amplitude, garra e rugosidade, uma canção que destrincei por cá há alguns dias e que, como na altura referi e citei, nos fala de dois mundos diferentes: quando crescemos e tudo o que nos rodeia é seguro e belo, e quando nos deparamos com as dificuldades da vida, as diferenças de valores, educação e personalidades, o jogo da vida sem um árbitro.

Dente de Leão oferece-nos, em suma, um delicioso caldeirão sonoro, onde as composições vestem a sua própria pele enquanto se dedicam, de corpo e alma, à hercúlea tarefa comunicativa que o autor designou para cada uma, individualmente. E fazem-no fervilhando de emoção, arrojo e astúcia, enquanto vêm potenciadas todas as suas qualidades, à medida que Palas polvilha o conteúdo das mesmas com alguns dos melhores tiques de variadíssimos géneros e subgéneros sonoros, cabendo, no desfile dos mesmos, indie rock, punk, pop, folk, e eletrónica, num contínuo e inquieto frenesim onde é dada total liberdade aos diferentes intervenientes sonoros para provocarem em nós uma agradável e viciante sensação de letargia e torpor. Dente de Leão é um ponto de partida para muitas emoções agradáveis, por ser, curiosamente, o ponto de chegada de muitas porções de um mundo onde é possível sentir, sonoramente, diferentes cheiros e sabores, enquanto se aprecia composições de diferentes cores, intensidades e balanços, que desafiam e apuram todos os nossos sentidos. Espero que aprecies a sugestão…

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Intro

Pau

Prazer

Esperança

Inglês

Saltar à Corda


autor stipe07 às 21:46
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Terça-feira, 16 de Outubro de 2018

Django Django – Winter’s Beach EP

Foi no início deste ano que os Django Django de Dave Maclean, Vincent Neff, Tommy Grace e Jimmy Dixon desvendaram Marble Skies, o último registo de originais desta banda escocesa natural de Edimburgo. O trabalho continha dez canções feitas com uma pop angulosa proposta por quatro músicos que, entre muitas outras coisas, tocam baixo, guitarra, bateria e cantam, sendo isto praticamente a única coisa que têm em comum com qualquer outra banda emergente no cenário alternativo atual. Agora, nove meses depois, os Django Django regressaram aos lançamentos discográficos, mas no formato EP, com um registo intitulado Winter’s Beach, seis originais que viram a luz do dia a doze de outubro à boleia da Because Music.

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Repleto de sintetizadores com uma proeminente toada vintage e fortemente inspirado na eletrónica do século passado, Winter's Beach começou a ganhar forma durante as sessões de gravação de Marble Skies, revisitando, inclusive, algum material de arquivo dos Django Django, nomeadamente em Blue Hazy Highs, o esqueleto de Waveforms, um dos grandes sucessos de Django Django, o disco homónimo de estreia da banda, lançado em dois mil e doze, como certamente se recordam.

O EP abre com o excitante tema homónimo, que tem por base material que Dave compôs em tempos para o artista, escultor e cinematógrafo George Henry Longly. A partir daí, também merece destaque Sand Dunes, canção inspirada na temática dos refugiados e que começou por ser um instante acústico ao qual foram adicionados elementos percurssivos a cargo de Anna Prior dos Metronomy, assim como Flash Forward, onde se pode escutar além de um sample de um cão, uma melodia e diversos arranjos sintéticos que devem muito à herança da música de dança de final do século passado. Depois, merece também dedicada audição o single Swimming At Night, uma contagiante canção escrita por Mclean em casa dos pais, na Escócia, assente em batidas debitadas por um velhinho sintetizador Roland, uma composição feita com uma dose divertida de experimentalismo e psicadelismo, onde sobressai o piano, as palmas e um refrão que convida inconscientemente ao sorriso e à diversão.

Em suma, Winter's Beach cumpre cabalmente a função lúdica dos Django Django de reforçarem o seu acervo com uma visão mais alternativa e até intimista de uma cartilha sonora que é feita há mais de meia década com uma dose divertida de experimentalismo e psicadelismo, que muitos rotulam como art popart rock ou ainda beat pop, um cardápio de um projeto que merece claramente sentar-se à mesa dos nomes fundamentais da música de dança atual. Espero que aprecies a sugestão...

Django Django - Winter's Beach

01. Winter’s Beach
02. Sand Dunes
03. Swimming At Night
04. Flash Forward
05. Ghost Rider
06. Blue Hazy Highs


autor stipe07 às 14:21
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Sexta-feira, 12 de Outubro de 2018

Huggs - Did I Cut These Too Short? EP

Duarte Queiroz (voz, guitarra) e Jantónio Nunes da Silva (bateria) são o núcleo duro dos Huggs, dois amigos que se conheceram por acaso na faculdade e que começaram a compôr juntos, inspirados pela energia crua e indisciplinada do panorama underground britânico e pelas baladas românticas típicas dos anos cinquenta e sessenta. A eles junta-se, ao vivo, Guilherme Correia que, depois de assistir a um ensaio, não só se encarregou do baixo como ajudou a produzir e a completar as primeiras canções da banda.

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Os Huggs acabam de estrear-se nos lançamentos com Did I Cut These Too Short?, um EP gravado por Gonçalo Formiga (dos Cave Story) no seu estúdio nas Caldas da Rainha e produzido pelo próprio em conjunto com a banda. Em seis canções que duram pouco mais de dezanove minutos os Huggs oferecem-nos um verdadeiro tratado de rock acessível e bastante melódico, uma filosofia sonora que acaba por entroncar em alguns dos principais detalhes daquele anguloso punk rock nova iorquino que bandas como os The Strokes ou os Yeah Yeah Yeahs ajudaram a cimentar no início deste século, mas onde também não falta uma curiosa pitada garage novecentista, em especial na guitarra, essencial para conceder às composições dos Huggs um charme vintage particularmente luminoso e apelativo.

Canções do calibre de Take My Hand, composição que mistura calorosamente uma áurea romântica com uma tonalidade punk bem vincada, a abrasiva Losing que se debruça sobre as dores de crescimento, a mais nostálgica Find Out e a impressiva Cocaine, composição sobre um psicopata apaixonado e inspirada no icónico músico punk norte-americano Jay Reatard, famoso como artista a solo e como membro de projetos como os Terror Visions, The Reatards e Lost Sounds, falecido aos vinte e nove anos, em dois mil e dez, carimbam de modo indelével a elevada bitola qualitativa de um registo abrigado pela etiqueta portuense Cão da Garagem e que faz dos Huggs uma das mais promissoras bandas portuguesas de garage rock da actualidade. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 20:01
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Quinta-feira, 5 de Julho de 2018

Luke Sital-Singh - Just A Song Before I Go EP

Depois da edição o ano passado de Time Is A Riddle, o seu último álbum, Luke Sital-Singh fez as malas, pegou no passaporte e embarcou numa viagem solitária por vários destinos do mundo, durante a qual escutou uma banda-sonora muito pessoal, composta por temas e artistas da sua eleição.

Alguns meses depois, Luke editou Weight Of Love, um EP com quatro canções e que foi divulgado por cá, mas não seria justo deixar de fora desta abordagem recente da nossa redação a Luke Sital-Singh, o EP Just A Song Before I Go, um registo também com quatro temas e que é fortemente influenciado pela passagem do músico pelos Estados Unidos durante essa viagem. Este EP viu a luz do dia no primeiro mês deste ano, através da Dine Alone Records, a morada atual do músico britânico, à semelhança de Weight Of Love e de Time Is A Riddle.

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Luke é exímio a criar canções sonora e liricamente profundamente reflexivas e intimistas, conduzidas por cordas inspiradas, mas também por teclas inspiradas, uma receita que cria melodias deliciosas e repletas de um charme inconfundível que deve muito a alguns dos melhores detalhes não só da folk, mas também da pop contemporânea. A luminosidade do tema homónimo que abre o EP é um bom exemplo disso e a melancolia que está agregada à acusticidade de Thirteen, um clássico original de 1972 dos Big Star, que foi na mala de Luke na tal viagem e já revisitado por nomes tão proeminentes como os Wilco ou Elliot Smith, sendo fiel ao espírito intimista e profundamente reflexivo do músico e ao misticismo, acentua a inocência que a própria canção, na sua génese, transborda, nomeadamente da sua letra. Depois, o intimismo subjacente à versão de Harvest Moon, um clássico de Neil Young aqui conduzido por um piano insinuante e pelo inconfundível falsete do artista e, finalmente, o intenso travo à herança mais pura da folk americana em Late For The Sky, reforçam a suavidade melancólica de um EP que é uma ode do autor a alguns dos seus heróis, muitos deles verdadeiros pilares da história musical do outro lado do atlântico, ao mesmo tempo que plasma todos os predicados que este músico britânico possui para criar composições profundamente emotivas e sofisticadas, sempre com um cunho pessoal muito identitário, mesmo quando revisita composições que não são da sua autoria. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 13:36
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Sábado, 2 de Junho de 2018

Mazzy Star – Still EP

Quatro anos depois de Seasons Of Your Day, os Mazzy Star de David Roback e Hope Sandoval estão de regresso à boleia da Rhymes of an Hour Records com um ep intitulado Still, um alinhamento de três originais e uma nova versão do clássico da banda So Tonight That I Might See, gravado pela primeira vez há vinte e cinco anos e que deu nome ao disco que a banda lançou em mil novecentos e noventa e três. Recordo que esse disco e o antecessor She Hangs Brightly (1990) cimentaram a posição dos Mazzy Star no universo mainstream, mas sem fazer deles um fenómeno à escala global. Tornaram-se numa espécie de segredo mal guardado, mas que acabou por cimentar muito do que hoje se escuta no campo da dream pop. O próprio fenómeno trip hop, que começava à época a dar cartas, por intermédio, principalmente, dos Massive Attack, foi mais uma distração que o grande público e os media tiveram e que os Mazzy Star aproveitaram, um pouco à imagem do que fariam uns Portishead anos depois, para criarem o seu nicho devoto de seguidores e conseguirem manter a sua identidade musical intacta sem terem de ceder e de se sujeitar às orientações da editora e às regras do mercado. Depois de terem editado três álbuns na década de noventa (além dos discos referidos, Among My Swan viu a luz do dia em mil novecentos e noventa e seis), Roback e Sandoval dedicaram-se a alguns projetos paralelos e às suas carreiras a solo, com o já referido Seasons Of Your Day, em 2003, a marcar uma nova etapa dos Mazzy Star que recebe com este EP mais um pequeno mas qualitativamente significativo fôlego.

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Quiet, The Winter Harbor abre Still com Roback a assegurar a condução de um planante e melancólico piano, em redor do qual a voz de Sandoval divaga com a sua habitual assinatura doce e contemplativa e pela qual os anos parecem que não passam. Depois, o florescer melancólico que passeia pelas cordas e pelo efeito de That May Again e a altivez lo fi que exala do poema e do violão que conduz o tema homónimo, fazem-nos avivar a memória relativamente ao modo como fomos tocados no nosso âmago, há quase trinta anos, por uma fórmula que apostava em letras carregadas de nostalgia e melancolia e em detalhes sonoros delicados e introspetivos que nos levavam numa viagem algo sombria por um mundo tímido. Finalmente, o orgão e o reverb contínuo de So Tonight That I Might See, fornecendo-nos uma atmosfera mais psicadélica, mostram-nos uma tentativa clara da dupla em se contextualizar com algumas das novas tendências do rock mais ambiental, sem deixarem de imprimir o seu cunho identitário, numa versão plena de lisergia e espiritualidade.

Vinte e oito anos depois da estreia, este projeto californiano continua a alimentar em Still a sua saga feita de um negro romantismo que prescruta, constantemente, caminhos mais sombrios e particularmente hipnóticos e submersivos, mas que também sobrevive num clima doce e tocante, com um imenso travo a melancolia, feito ao som de canções com um sabor bucólico bastante impressivo e sentimentalmente rico. Espero que aprecies a sugestão...

Mazzy Star - Still

01. Quiet, The Winter Harbor
02. That Way Again
03. Still
04. So Tonight That I Might See (.ascension version)


autor stipe07 às 14:57
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Quarta-feira, 9 de Maio de 2018

Luke Sital-Singh – Weight Of Love EP

Depois da edição de Time Is A Riddle, o se último álbum, Luke Sital-Singh fez as malas, pegou no passaporte e embarcou numa viagem solitária por vários destinos do mundo, durante a qual escutou uma banda-sonora muito pessoal, composta por temas e artistas da sua eleição. Uma das canções presentes nesse alinhamento que Luke escutou nessa road trip sonora foi Thirteen, um clássico original de mil novecentos e setenta e dois dos Big Star, já revisitado por nomes tão proeminentes como os Wilco ou Elliot Smith e que acabou por ser também cantado por Luke, numa versão divulgada no início do ano e que era fiel ao espírito intimista e profundamente reflexivo do músico e ao misticismo a à inocência que a própria canção, na sua génese, transbordava, nomeadamente da sua letra. Agora, alguns meses depois, Luke prepara-se para editar Weight Of Love, um EP com quatro canções, que verá a luz do dia já a um de junho através da Dine Alone Records.

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Depois de ter sido revelado o tema Afterneath, que abre o alinhamento do EP, agora chegou a vez de podermos escutar a canção homónima do mesmo, que mantém a filosofia sonora e filosófica subjacente à primeira composição divulgada, um clima que acaba por ser transversal a todo o alinhamento, que já escutei na íntegra. Falo, portanto, de canções sonora e liricamente profundamente reflexivas e intimistas, conduzidas por cordas inspiradas e que nos convidam à introspeção momentânea no meio destes dias agitados e sempre corridos, conforme admite o próprio autor: This song was inspired by those moments when I lose perspective on my life and my dreams and I just need to shake myself out of the mundane day to day to refresh and re-energize. For me, that’s by getting to a beach and breathing in the ocean air or climbing high up on a mountain looking down at all the noise below. Já agora, os outros dois temas, que já tive a oportunidade de escutar, transportam-nos, no caso de Mirrorball, para um clima sonoro algo sinistro, mas com o inconfundível registo vocal de Luke a facultar à música a suavidade melancólica que a equilibra e a lindíssima balada Loving You Well plasma todos os predicados que este músico britânico possui para criar composições profundamente emotivas e sofisticadas, apenas, neste caso, com uma linha de guitarra e a sua voz. Confere Weight Of Love, o tema homónimo deste novo EP de Luke Sital-Singh e o alinhamento do registo...

Luke Sital-Singh - Weight Of Love

Afterneath

Weight of Love

Mirrorball

Loving You Well


autor stipe07 às 18:17
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Quarta-feira, 2 de Maio de 2018

Ulrika Spacek – Suggestive Listening EP

Criadores do melhor disco do ano de dois mil e dezassete para a redação deste blogue, os britânicos Ulrika Spacek de Rhys Edwards e Rhys William, aos quais se juntam Ben White, Callum Brown e Joseph Stone, estão de regresso com Suggestive Listening, um EP de cinco canções gravado, produzido e misturado numa galeria de arte chamada KEN e à qual os Ulrika Spacek chamam de sua casa, a bolha onde se refugiam para compôr, idealizar vídeos e expressar-se através de outras formas de arte além da música.

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A filosofia de composição musical destes Ulrika Spacek baliza-se através de um assomo de crueza tingido com uma impressiva frontalidade quer lírica quer sonora. Na complacência enganadora de No. 1 Hum há um timbre metálico de guitarra rugosa, acompanhada por uma bateria em contínua contradição, e esta dupla é a mesma que vai ser depois o grande suporte das canções do EP, em volta da qual gravitarão diferentes arranjos, quer orgânicos, quer sintéticos, geralmente com um teor algo minimal. E se a guitarra nunca perde identidade, a bateria vai-se tornando mais precisa no modo como confere alma e robustez ao ritmo de cada composição. Depois, há um baixo implacável na marcação à zona e todo este arsenal instrumental é rematado por uma voz geralmente reverberizada e que se arrasta. É um rock que impressiona pelo forte travo nostálgico e por aquela sensação de espiral progressiva de sensações, que tantas vezes ferem porque atingem o âmago, bastanto ouvir Freudian Slips para se tomar contacto com esta autenticidade que desmascara quem arrisca entrar no jogo de sedução ímpar que Suggestive Listening proporciona.

Canções do calibre de Wave To Paulo, He’s Not There, pouco mais de quatro minutos de um cósmico devaneio soul onde aquela pop sessentista ácida e psicotrópica, encontra o poiso ideal para se espraiar ou a indulgência acústica intensamente reflexiva da já referida Black Mould, plasmam uma das maiores virtudes destes Ulrika Spacek que é a capacidade de conseguirem divagar por diferentes ângulos e espetros dentro de um universo sonoro bastante específico. Isso sucede porque corre-lhes nas veias aquela atitude claramente experimental e enganadoramente despreocupada, expressa numa vontade óbvia de transformar cada composição numa espécie de colagem de vários momentos de improviso. O modo quase cínico como em Lord Luck os Ulrika Spacek nos levam a abanar a anca ao som de uma canção que se insinua continuamente por causa do modo algo desconexo como se vai desenvolvendo ritmíca e melodicamente, acaba por ser a expressão máxima no EP deste modo bastante textural, orgânico e imediato de criar música e de fazer dela uma forma artística privilegiada na transmissão de sensações que não deixam ninguém indiferente.

Suggestive Listening atesta novamente a segurança, o vigor e o modo criativamente superior como este grupo britânico entra em estúdio para compôr e criar um shoegaze progressivo que se firma com um arquétipo sonoro sem qualquer paralelo no universo indie e alternativo atual. Espero que aprecies a sugestão...

Ulrika Spacek - Suggestive Listening EP

01. No. 1 Hum
02. Black Mould
03. Freudian Slip
04. Lord Luck
05. Wave To Paulo, He’s Not There


autor stipe07 às 17:40
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Sábado, 13 de Janeiro de 2018

Panda Bear – A Day With The Homies EP

Quem acompanha cuidadosamente e com particular devoção a carreira a solo de Noah Lennox, aka Panda Bear, um músico natural de Baltimore, no Maryland e com residência em Lisboa, compreende a necessidade que ele sente de propôr em cada novo disco algo que supere os limites da edição anterior. É como se, independente da pluralidade de acertos que caracterizavam o antecessor, o novo compêndio de canções que oferece tenha que transpôr barreiras e como se tudo o que fora antes construído se encaminhasse de alguma forma para o que ainda há-de vir, já que é frequente perceber que, entre tantas mudanças bruscas e nuances, é normal perceber que, para Bear, o que em outras épocas fora acústico, transformou-se depois em eletrónico, o ruidoso tornou-se melodioso e o que antes era experimental, estranhamente aproximou-se da pop. Agora, quase três anos depois do aclamado Panda Bear Meets The Grim Reaper, Lennox dá um novo significado a essa necessidade de superação e de evolução a cada disco no conteúdo de A Day With The Homes, um EP de cinco canções onde encontramos uma sequência de primorosas e ainda atrativas experimentações, com o nível de desordem sonora a mostrar-se sempre acessível ao ouvinte e o disco a fluir dentro de limites bem definidos.

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Neste A Day With The Homies as canções sucedem-se articuladas entre si e de forma homogénea, com cada uma, sem exceção, a contribuir para a criação de um bloco denso e criativo, cheio de marcas sonoras relacionadas com vozes convertidas em sons e letras que praticamente atuam de forma instrumental e onde tudo é dissolvido de forma homogénea. É a materialização de um universo muito próprio e algo peculiar e até colorido, uma impressão obtida logo noinício com a batida animada de Flight a surpreender pelo seu nível de humor e de acessibilidade.

O EP avança e quer no clima kraut algo subversivo de Parth Of The Math ou nos flashes e ruídos que correm impecavelmente atrás de uma percussão orgânica e bem vincada que, em Shepard Tone, nos faz transpor quase instantaneamente uma espécie de portal, para um universo de pendor mais psicadélico, escutamos dois temas com uma filosofia diferente e menos imediata do que a da canção incial e que nos deixam a impressão que Lennox quis, desta vez, trazer à tona sons, efeitos e melodias que estavam guardadas e à espera do momento certo para ganharem vida, porque o autor considerava que antes não se encaixavam no perfil sonoro dos seus alinhamentos, ou porque ainda não tinham sido objeto do trabalho de produção merecido. 

O ocaso do EP chega mais depressa do que gostaríamos com o clima etéreo de Noad To The Folks, canção onde as batidas sintéticas e repletas de efeitos maquinais, nunca se sobrepôem em demasiado ao restante conteúdo sonoro, assente em elementos minimalistas que vão sendo adicionados a um efeito aquático com um volume crescente e com um piscar de olhos sintético a sonoridades mais negras em Sunset, mais duas canções que justificam o modo como A Day With The Homies pode ser descrito como extraordinário. Naturalmente corajoso, complexo e encantador, além de não renegar a identidade sonora distinta de Panda Bear, ainda a eleva para um novo patamar de diferentes cenários e experiências instrumentais, onde exatidão e previsibilidade não são palavras que constem do dicionário sonoro desenvolvido dentro de uma ambientação essencialmente experimental, mas repleta de sensações únicas e que só ele consegue transmitir. Espero que aprecies a sugestão...

Panda Bear - A Day With The Homies

01. Flight
02. Part Of The Math
03. Shepard Tone
04. Nod To The Folks
05. Sunset


autor stipe07 às 16:44
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Terça-feira, 2 de Janeiro de 2018

Soft Serve – Trap Door EP

Os canadianos Soft Serve formaram-se em 2013, mas só em 2016 conseguiram alguma projeção quando Kyle Thiessen, líder do projeto, mudou-se para Toronto, mesmo que Thomas James, o seu parceiro, que também assina o projeto Milk, tenha permanecido em Vancouver. Já agora, nesta cidade abriram uma espécie de estúdio de gravação comunitário, os Luna Studios, que hoje é um porto de abrigo de muitos grupos locais que, não tendo um espaço próprio para gravar, socorrem-se dele. Trap Door é o novo EP destes Soft Serve que têm um pé no passado e o outro firmemente plantado no presente, algo comum a um elevado número de grupos que enquanto revivem influências de alguns dos melhores catálogos sonoros das últimas cinco décadas, procuram também dar um cunho algo pessoal, genuíno e identitário a essa permissa revivalista, de forte cariz sentimental.

Foto de Soft Serve.

Do post punk oitocentista, ao indie rock da década seguinte, passando pelo lo-fi setentista, Trap Door é uma excitante viagem temporal por um arquétipo sonoro que soa familiar a quem se habituou a crescer ao som de alguns dos melhores projetos deste universo sonoro. Da vibe melancólica e contemplativa de Whisper In The Wind, ao timbre corrosivo e encorpado que escorre de Phantasm, passando pela luminosidade sedutora e inebriante de Pat's Pun Open Blues Jam, as suas cinco canções foram um alinhamento primoroso e bastante audível. Não faltam nele leves pitadas de shoegaze, com as guitarras plenas de efeitos metálicos e timbres luminosos e uma bateria com a cadência adequada ao sentimentalismo das canções, a serem os grandes trunfos de um compêndio que colocará estes Soft Serve na mira de um número cada vez maior de entusiastas de um rock descomplicado e que se saboreia por nunca deixar de soar de modo refrescante e simultaneamente vintage. Trap Door tem tanto de acessível como de inédito, criativo e agradavelmente refrescante e único. Espero que aprecies a sugestão...

Soft Serve - Trap Door EP

01. Whisper In The Wind
02. Pat’s Pub Open Blues Jam
03. Phantasm
04. Camera Phone
05. Soft Soap


autor stipe07 às 17:46
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Sexta-feira, 1 de Dezembro de 2017

Teleman – Fünf EP

Cerca de ano e meio depois do muito recomendável Brilliant Sanity, os britânicos Teleman de Tommy Sanders (vocalista), do seu irmão Johnny (teclados), do baixista Peter Cattermoul e do baterista Hiro Amamiya estão de regresso com Fünf, um ep com cinco canções que resultaram de uma estreita colaboração deste grupo de Reading, nascido das cinzas dos Pete & The Pirates, com cinco produtores de relevo. São figuras proeminentes da eletrónica atual, nomeadamente Timothy J. Fairplay, Ghost Culture, Bullion, Oli Bayston e Moscoman, com cada um deles a intervir diretamente em cada uma das composições do ep.

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Grandes destaques do catálogo da insuspeita Moshi Moshi Records, os Teleman são um nome fortíssimo da art pop atual e têm ao longo da ainda curta carreira feito um súmula interessante e bem idealizada de todo o conteúdo que sustentou a eletrónica nos últimos trinta anos. Assim, neste novo ep e como não podia deixar de ser, estamos na presença de canções pop bem estruturadas, devidamente adocicadas com arranjos bem conseguidos e que não dispensam a vertente orgânica conferida pelas cordas, nomeadamente o baixo e pela percussão, tudo envolto com uma pulsão rítmica que carateriza a personalidade deste quarteto, que tem aqui mais um alinhamento consistente e carregado de referências assertivas.

Da toada pulsante de Spectre, conferida por um curioso efeito sintetizado intenso e modulado, até ao punk rock apurado, incisivo e extremamente dançável de Bone China Face, uma das melhores canções de 2017, passando pelo groove insinuante e climático de Rivers In The Dark, pela atribulada aspereza rítmica de Repeater e pelo apelo vintage crescente de Nights On Earth, este é um ep com fino notável recorte clássico, um alinhamento preenchido com uma paleta colorida e animada de paisagens instrumentais e líricas, que fazem dele uma companhia perfeita para um momento mais festivo e que, ao mesmo tempo, nos possibilita contactar quer com algumas das melhores nuances da eletónica atual,quer com aquela filosofica pop que vem fazendo escola em algumas bandas britânicas de há quatro décadas para cá. Espero que aprecies a sugestão....

Teleman - Fünf

01. Spectre
02. Bone China Face
03. Rivers In The Dark
04. Repeater
05. Nights On Earth


autor stipe07 às 16:58
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Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017

Fujiya And Miyagi – Different Blades From The Same Pair Of Scissors

Com já uma década e meia de atividade e assumindo-se, meia dúzia de discos depois, como um dos projetos mais relevantes do cenário indie britânico, pelo modo exímio como misturam alguns dos melhores aspetos do rock alternativo com a eletrónica de cariz mais progressivo, os Fujiya And Miyagi resolveram em 2016 deixar um pouco de lado o habitual formato álbum para se dedicarem à edição de dois EPs, mas depressa regressaram à primeira forma com um homónimo editado no início deste ano e que, diga-se de passagem, acaba por ser uma espécie de súmula desses anteriores lançamentos, que mostraram que este quarteto está cada vez mais apostado numa relação estreita entre o krautrock inaugurado nos anos setenta e as tendências atuais da pop movida a sintetizadores, sem nunca descurar a presença do baixo e da guitarra no processo de criação.

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Agora, alguns meses depois de Fujiya And Miyagi a dupla regressa com a edição de um tema intitulado Different Blades From The Same Pair Of Scissors, uma canção cuja versão original viu a luz do dia em 2008 para a iniciativa Nike Running Series e que chega até nós pela Strange Tongues, a própria etiqueta da banda. Com ela, os Fujiya And Miyagi divulgam também a versão integral das seis canções que juntas compôem o tema que dá nome ao lançamento. São, portanto, quarenta e três minutos que acabam por ser uma junção de várias composições, todas elas assentes num espaço de delicioso diálogo com heranças e referências de outros tempos e que remetem-nos, essencialmente, para a sintetização oitocentista, mas também para a melhor herança da eletrónica alemã.

É obrigatório ouvir a canção Different Blades From The Same Pair Of Scissors no seu todo, até para se perceber a homogeneidade que foi conseguida no agregado que contém. E depois é fulcral escutar as suas diferentes partes, não só para se clarificar o processo de recorte e colagem, mas também a identidade de cada trecho. Assim, se Chichikov e Sick & Tired sobrevivem através da simbiose entre as batidas, a voz sussurrada de Best, uma guitarra impregnada com diversos efeitos planantes e o groove de um teclado enganadoramente minimal, em temas como In ou Tic Tac Toe o baixo e as guitarras não esbatem uma declarada essência vintage, mas também acabam por encontrar eco em muitas propostas indie atuais já que se movem, com mestria, pelo meio da elegância do groove e do ritmo dos teclados que nos balançam entre a pista de dança e paisagens mais contemplativas. Depois, Paper Airplanes, uma canção que cresce apoiada em batidas sincopadas e que clama por um momento de êxtase que nunca chega, oferece-nos uma toada mais rock e orgânica que este projeto nunca descurou apesar da sua raíz eminentemente sintética.

Pensado para nos acompanhar numa corrida ou num treino físico, Different Blades From The Same Pair Of Scissors acaba por ser também uma súmula interessante e bem idealizada de todo o conteúdo que sustentou a eletrónica nos últimos trinta anos, atráves de trechos bem estruturados, devidamente adocicados com arranjos bem conseguidos e que não dispensam a vertente orgânica conferida pelas cordas e pela percussão, tudo envolto com a habitual pulsão rítmica que carateriza a personalidade deste projeto, que nos deixa a pensar porque é que nos dias de hoje os Fujiya And Miyagi não são, por exemplo, mais assiduamente banda sonora de ginásios e de outros espaços de exercitação física e desportiva. Espero que aprecies a sugestão...

Fujiya And Miyagi - Different Blades From The Same Pair Of Scissors

01. Different Blades From The Same Pair Of Scissors
02. In
03. Chichikov
04. Paper Airplanes
05. Sick And Tired
06. Tic Tac Toe
07. Out


autor stipe07 às 18:12
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