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James Blake – Godspeed

Sexta-feira, 11.09.20

James Blake - Godspeed

Tem cerca de um ano e meio Assume Form, o último registo de originais do londrino James Blake, um álbum que, curiosamente, acabou por afastar o músico um pouco dos holofotes e da vida pública. No entanto, o estado recente de confinamento, resultante do período pandémico que ainda se vive, parece ter provocado em Blake uma nova vontade de mostrar serviço, que se tem materializado em algumas aparições ao vivo no seu instagram, desde Los Angeles, onde habita atualmente. Nesses mini-concertos Blake já cantou vários clássicos do seu catálogo, mas também uma versão muito feliz de No Surprises, grande tema dos Radiohead e, numa outra aparição,  uma cover de  Georgia On My Mind, original de Ray Charles, gravado em mil novecentos e sessenta e de The First Time Ever I Saw Your Face, um tratado folk da autoria de Roberta Flack, gravado em mil novecentos e sessenta e nove e que ganhou enorme notoriedade quando fez parte da banda sonora de Play Misty Fo Me, o primeiro filme de Clint Eastwood.

Entretanto, na passada primavera, James Blake colocou a cereja no topo do bolo com a edição de um novo single original. A canção chamava-se You're Too Precious, e tem agora sequência com Godspeed, uma cover de um original da autoria de Frank Ocean. Blake ampliou a essência emotiva do original, tocando e cantando a canção ao piano, criando assim uma paisagem sonora impregnada com uma beleza e uma complexidade tal que merece ser apreciada com particular devoção. Confere...

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publicado por stipe07 às 14:03

New Order – Be A Rebel

Terça-feira, 08.09.20

Quase cinco anos depois do registo Music Complete, os míticos New Order de Bernard Sumner, cada vez mais com as agulhas viradas para a eletrónica, principalmente depois da saida do baixista Peter Hook, que já não participou na gravação desse registo de dois mil e quinze, estão de regresso com um novo single intitulado Be A Rebel e que pode muito bem ser um sinal claro de poder estar na forja um novo disco do coletivo de Manchester.

Be A Rebel foi apresentada em primeira mão há poucas horas no programa Breakfast With Zoe The Ball, na BBC Radio 2 e contém aquela matriz identitária que tão bem identifica os New Order e que, no caso deste tema, de elevado travo oitocentista, combinando uma sonoridade pós-punk com elementos da new wave, originou um resultado final bastante dançante, frenético e apelativo. Confere...

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publicado por stipe07 às 11:28

Zero 7 – Shadows

Terça-feira, 01.09.20

Seis anos após o EP Simple Science, e cinco depois de EP3, os britânicos Zero 7, um dos nomes fundamentais da eletrónica downtempo e da chillwave, estão de regresso com um novo EP intitulado Shadows, que também serve para apresentar o novo vocalista principal da banda de Sam Hardaker e Henry Binns, o cantor britânico Lou Stone. Já agora, recordo que os Zero 7 não lançam um disco desde o já longínquo Yeah Ghost de dois mil e nove.

Zero 7 Announces Shadows EP, First New Record in Five Years for October  2020 Release and Shares Title Track - mxdwn Music

Este EP Shadows irá ver a luz do dia a vinte e três de outubro e dele já se conhece o tema homónimo, uma composição assente num registo muito quente e a apelar à soul, uma canção que exala aquele charme típico da dupla e que reforça o ambiente fashion que sempre caraterizou os Zero 7. Juntamente com a divulgação do single homónimo do EP, foi também dado a conhecer o vídeo do mesmo, realizado por Julian House que, recordo, foi quem criou o artwork espetacular de Simple Things, o álbum de estreia dos Zero 7, que comemora no próximo ano vinte anos de existência. Confere...

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publicado por stipe07 às 21:04

Glass Animals - Dreamland

Terça-feira, 25.08.20

Já chegou aos escaparates Dreamland, o terceiro registo de originais dos britânicos Glass Animals, álbum que sucede ao aclamado compêndio How To Be A Human Being e um disco de forte cariz autobiográfico, já que, além de nostalgicamente ter servido para regatar algumas das memórias mais indelévies da infância e da adolescência de Dave Bayley, o vocalista do grupo, é também bastante inspirado num acidente que quase paralisou o baterista da banda Joe Seaward, um evento que marcou imenso quer o próprio, quer os seus companheiros, o já referido Dave Bayley, assim como o guitarrista Drew MacFarlane e o baixista Ed Irwin-Singer. Em julho de dois mil e dezoito Joe foi atropelado por um camião em Dublin enquanto andava de bicicleta e além de ter ficado com múltiplas fraturas numa perna, teve uma grave lesão craniana que o levou duas vezes à mesa de operações e que o fez perder algumas das suas faculdades psíquicas e partes da sua memória, obrigando-o a um longo e doloroso processo de fisioterapia, de modo a recuperar do evento.

Glass Animals – 'Dreamland' album review

Dreamland é, conforme indica o titulo, implicitamente, uma espécie de fuga da realidade, mas não na forma de busca de um mundo paralelo e imaginário. O objetivo é criar uma banda sonora que poderia muito bem ter servido para ilustrar um passado que marcou intensamente Bayley. Captações de gravações em VHS, alusões nada discretas a alguns ícones dos anos noventa do século passado, como o Pokémon, o jogo Street Fighter ou a série Friends, não enganam relativamente a esse propósito. É um relato de uma época ainda bastante fresca na memoria de muitos de nós, impressivo desde o tema homónimo, um tratado de pop eletrónica algo viciante e hipnótico, onde abundam harmonias vocais belíssimas, que se espraiam lentamente pela canção e se deixam afagar livremente pelo manto sonoro que as sustenta, até Helium, tema rico em detalhes e com um groove muito genuíno e uma atmosfera dançante, onde encaixa indie popfolkhip-hop e electrónica, com noção de equilíbrio e um limbo perfeito.

Pelo meio, sempre inundados por uma ímpar sensação de nostalgia e por um travo retro com uma estética distinta, composições do calibre de Space Ghost Coast To Coast, um rugoso e buliçoso tratado de R&B repleto de citações ao filme Golden Eye e aos jogos Quake e Doom, Melon And The Coconut, canção com um clima quente, proporcionado por um efeito sintetizado pleno de soul, a crescente efervescência de It's All So Incredible Loud e a curiosa amálgama instrumental efusiante de Waterfalls Coming Out Your Mouth, são temas que conseguem abarcar os melhores detalhes da música eletrónica mais soturna e atmosférica e que, entre o insinuante e o sublime, nos fazem recuar pouco mais de vinte anos até às nebulosas ruas de Bristol e aos primórdios do trip-hop, mas também à Brooklyn dos anos setenta, em pleno ressurgimento da melhor música negra.

Disco competente no modo como personifica o natural processo evolutivo de um dos projetos mais inovadores da eletrónica contemporânea, Dreamland assenta numa receita assertiva onde não falta uma prestação vocal intensa, constituindo, no seu todo, um ambiente sonoro intenso e emocionante, que nunca deixa de lado a delicadeza, uma melancolia digital que traça a régua e esquadro aquele que é um dos discos mais curiosos deste verão. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 16:17

Tim Bowness – Northern Rain

Quinta-feira, 13.08.20

Tim Bowness - Northern Rain

Nascido e criado no noroeste de Englaterra, Tim Bowness começou a sua carreira nos anos noventa, tendo sido representado pelas etiquetas Probe Plus, One Little Indian e Sony/Epic 550, tendo começado por se destacar como vocalista e compositor dos No-Man, banda onde também tocava Steven Wilson, membro dos Porcupine Tree. Nesse projeto participou em seis discos e um documentário, mas ainda arranjou tempo para colaborar com a italiana Alice e com Robert Fripp, Hugh Hopper (Soft Machine), OSI e Phil Manzanera dos Roxy Music, entre outros, além de ter feito parte dos Henry Fool, dos Slow Electric e dos Memories Of Machines.

Além disso, Tim ainda gravou o álbum Flame (1994) com Richard Barbieri (Porcupine Tree), coproduziu e compôs para o aclamado Talking With Strangers (2009), um álbum de Judy Dyble, antigo membro dos Fairport Convention e colaborou com Peter Chilvers, um músico que costuma acompanhar Brian Eno e Karl Hyde. Desde dois mil e um dirige a bem sucedida etiqueta e loja de música online Burning Shed, juntamente com o baixista Pete Morgan, seu antigo companheiro nos No-Man.
Agora, quase três décadas após o disco de estreia dos No-Man e cerca de quinze anos depois de My Hotel Year, o seu primeiro registo a solo, Tim Bowness está de regresso aos lançamentos discográficos com Late Night Laments, o seu terceiro álbum a solo, lançado pela etiqueta Inside Out, com as participações especiais de Richard Barbieri, Colin Edwin e Tom Atherton e que irá ver a luz do dia a vinte e oito deste mês de agosto.

Northern Rain, uma canção sobre alguém que assiste impotente ao companheiro de uma vida a ser engolido pelas garras da demência, é o mais recente avanço divlgado de Late Night Laments, um tema fabuloso e extremamente sensorial, que conta com as participações especiais de Melanie Woods (Sidi Bou Said, Knifeworld) e Evan Carson (Kate Rusby, iamthemorning) e que está carregado com uma densidade e ao mesmo tempo leveza sonora, difíceis de descrever, graças não só a uma guitarra com um timbre bastante vincado, mas também devido a teclados atmosféricos e ao glamour inigualável da voz nasalada bastante sedutora e intrigante deste gentleman do indie rock britânico. Confere...

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publicado por stipe07 às 13:06

Ed Harcourt – Drowning In Dreams

Sexta-feira, 24.07.20
O músico Ed Harcourt já tem pronto o seu nono e novo registo de originais, um disco que iráver a luz do dia a dezoito de setembro próximo e que irá suceder ao extraordinário registo Beyond The End, de dois mil e dezoito. Monochrome To Colour é o título do novo trabalho deste cantor e compositor britânico, mais um alinhamento apenas com instrumentais e que será certamente mais um trabalho bastante cinematográfico e evocativo, tendo em conta Drowning In Dreams, o mais recente single divulgado da obra, uma canção em que entalhes eletrónicos das mais diversas proveniências, um piano repleto de variações rítmicas e cordas inssinuantes abraçam-se e contrapôem-se, afagando uma melodia muito emotiva, vivbrante e impressiva.
SEE: Ed Harcourt returns, 'Drowning in Dreams' | Backseat Mafia
Este modus operandi plasmado no single entronca naquela que é a filosofia subjacente a este novo trabalho de Ed Harcourt, já que, de acordo com o próprio músico, Monochrome To Colour será um disco mais luminoso, amplo e otimista do que o antecessor, que era um trabalho eminemtemente melancólico e introspetivo (The new album is much more of an escapist record than Beyond The End,” he says. “[It] opens its arms to the world). Confere...
 

Ed Harcourt - Drowning In Dreams

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publicado por stipe07 às 11:11

Aviator – All You Haters

Quinta-feira, 25.06.20

É Pete Wilkinson, antigo baixista dos projetos Cast, Shack e Echo & The Bunnymen, todos de Liverpool, de onde o músico também é natural, quem encabeça o projeto britânico Aviator. A ele juntam-se Paul Hemmings, Keith O'Neill e Nick Graff, para criarem composições com uma tonalidade psicadélica única e pouco vulgar no modo como se cruza com alguns dos melhores detalhes do indie rock. All You Haters é o novo registo de originais do projeto, dez canções que viram a luz do dia recentemente através da etiqueta The Viper Label.

FLYING: PETE WILKINSON AND AVIATOR |

All You Haters oferece-nos uma luxuosa pafernália de explosões sónicas, afirmadas e comprovadas num registo interpretativo em que a acusticidade vibrante das cordas não tem qualquer pudor em dar as mãos a riffs rugosos e enleantes, sendo este, claramente, o grande conceito definidor da sonoridade do disco. Canções como All Around You (Omni), The Ballad Of Tempest Brown, um tema hipnótico e intrigante e a composição homónima são excelentes exemplos desta trama interpretativa que, aliás, tinha ficado logo no início evidenciada em Scarecrow, um intro instrumental vibrante e no qual um violão desliza impecavelmente por uma melodia de forte pendor melancólico.

Depois, os arranjos percussivos que adornam K Tripper, tema de superior requinte letárgico, ou os efeitos sintetizados que sobram em Av8tor e que nos levam direitinhos rumo à melhor pop psicadélica setentista, alargam o espetro criativo de um trabalho exuberante e hirto, que sabe aquela brisa amena que aparentemente não fere nem inclina, mas que não deixa de penetrar na nossa pele até ao âmago, de nos fazer tremer e de eriçar todos os nossos sentidos.

Álbum espontâneo, mágico e com com uma beleza muito imediata e acessível, All You Haters é uma manifestação de pura classe destes Aviator e muito em particular do líder Pete Wilkinson que é, dentro de um espetro eminentemente rock e com tudo o que isso implica em termos de ruído, sujidade e visceralidade, eximío a criar melodia incisivas, com um elevado grau de epicidade e esplendor e que replicam com ímpar contemporaneidade a melhor herança do rock progressivo e do shoegaze setentista, sempre com um indesmentível travo pop. Espero que aprecies a sugestão...

Aviator - All You Haters

01. Scarecrow
02. The Wrong Turn
03. All Around You (Omni)
04. K Tripper
05. All You Haters
06. AV8TOR
07. The Ballad Of Tempest Brown
08. Here Comes The Gun
09. Catching The Blues
10. Scarecrow (Reprise)

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publicado por stipe07 às 14:45

Everything Everything – Planets

Quarta-feira, 24.06.20

Everything Everything - Planets

art rock crescente e explosivo dos britânicos Everything Everything, está de regresso neste verão com Re-Animator, o novo trabalho da banda de Jonathan Higgs, que chega às lojas no dia vinte e um  de agosto. Do alinhamento do quinto registo do grupo oriundo de Manchester, acaba de ser retirado o single Planets, depois de há derca de um mês termos tido a oportunidade de contemplar a composição Arch Enemy.

Ao contrário que sucedeu com Arch Enemy, um tema com uma vibe orgânica bastante vincada, Planets aposta num registo mais sintético, um eletropop plasmado no modo exemplar como um efeito sintetizado cósmico e uma bateria eletrónica conduzem o tema, com o último a induzir à canção uma cadência e um ritmo diferenciados, principalmente durante o refrão. O resultado final é um rodopio eletrificado, carimbado por uma construção melódica estrutural minuciosamente planeada, rematada pelo falsete único de Higgs, que dá vida e alma a um poema com uma linguagem muito intrigante e fortemente evocativa (o the bigots in the batcave, I think some of you are permanently off my Christmas list, Oooh the dancefloor is overrunning, With frat boys telling me I got no business sitting in business class. God knows I could use a drink of virgin blood to quench my thirst.). Confere...

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publicado por stipe07 às 15:21

Elbow – Elbowrooms

Sexta-feira, 19.06.20

O período de confinamento que vivemos recentemente devido ao Covid-19 e que ainda não está totalmente ultrapassado, foi motivo para algumas bandas e projetos musicais inovarem no modo como se mantiveram ativos, criativos e, principalmente, em contacto direto com os fãs, visto os concertos ao vivo estarem proibidos. Os britânicos Elbow de Guy Garvey, Craig Potter, Mark Potter, Pete Turner e Alex Reeves não foram excepção e conseguiram dinamizar um dos projetos mais interessantes deste período de restrição, interpretando alguns dos seus principais exitos com uma roupagem mais íntima e acústica, com cada um dos cinco músicos da banda a tocar e a cantar a partir de sua casa, sem desrespeitar as regras de confinamento.

Elbow – Rank The Albums | NME

O resultado final dessa demanada chama-se Elbowrooms, um tomo de nove canções que fazem uma resenha bastante abrangente da carreira do grupo que, nos trabalhos mais recentes, tem mostrado um distanciamento cada vez maior da faceta rock que sempre marcou o projeto e que teve como clímax o excelente tema Grounds for Divorce, incluído no já clássico The Seldom Seen Kid (2208), para se aproximarem, mais do que nunca, de um som íntimo, polido, de forte pendor acústico, ou seja, um som que tem na pop, na folk e até na própria música de câmara influências mais do que evidentes, aspetos bem audíveis neste Elbowrooms.

Assim, charme e classicismo são conceitos que assaltam facilmente a mente de quem escuta estas nove composições que, não deixando de ter felizes combinações entre guitarras acústicas ou ligeiramente eletrificadas e uma ímpar cautela percurssiva, à qual o piano não é também alheio, como é o caso da reinterpretação do clássico Mirrorball, canção que também conta com alguns efeitos sintetizados subtis, acabam por mostrar todo o seu esplendor quando, mesmo numa atmosfera minimlista, conseguem colocar à tona arranjos instrumentais sofisticados, que induzem a alma, o caráter e a beleza que todas estas canções, na sua versão original, já possuem. Importa salientar, ainda, que a voz de Garvey é, também, um ponto forte do trabalho, funcionando como mais uma espécie de elemento instrumental, com igual importância no arquétipo do registo. O modo como se entrelaça com as cordas em Weightless é um excelente exemplo dessa constatação, que se tornará óbvia para quem escutar este Elbowrooms com a devoção que o trabalho merece.

Os Elbow são das melhores bandas do mundo para nos ensinar como enfrentar a habitual ressaca emocional que os eventos familiares menos positivos provocam no equilíbrio emocional de qualquer mortal, mas também servem como odes celebratórias de todo o encanto e alegria que a vida nos oferece. Quando se mostram e o fazem de forma tão charmosa, autêntica e recatada, ampliam ainda mais esta óbvia constatação. Espero que aprecies a sugestão...

Elbow - Elbowrooms

01. Weightless
02. Great Expectations
03. Fugitive Motel
04. Scattered Black and Whites
05. Mirrorball
06. Magnificent (She Says)
07. Puncture Repair
08. Dear Friends
09. Lippy Kids

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publicado por stipe07 às 10:12

Psychic Markers – Psychic Markers

Sexta-feira, 29.05.20

Naturais de Londres e formados por Steven, Leon, Alannah, Lewis e Luke, os Psychic Markers são uma banda de indie rock que mistura a psicadelia e o punk com alguns dos melhores detalhes do rock experimental e do krautrock de raízes setentistas. Abrigados pela insuspeita Bella Union, acabam de editar um extraordinário registo homónimo, uma espécie de cápsula temporal que nos transporta com superior requinte e elevada dose de letargia até às fundações de praticamente tudo aquilo que define o melhor rock cósmico e lisérgico contemporâneo.

Psychic Markers's stream on SoundCloud - Hear the world's sounds

A peculiar e distinta receita de Psychic Markers é muito eficaz e quer a fórmula, quer as intenções conceptuais do disco, ficam claras, logo no modo progressivo como Where Is The Prize? se abastece de um vastíssimo arsenal de projeções sintéticas, amiúde anárquicas, mas de elevado pendor narcótico. Logo depois, em Silence In The Room, a batida hipnótica e o trespasse que ela sofre com teclas de forte cariz vintage, amplia a sensação de descolagem da realidade e de entrada numa espécie de universo paralelo, uma impressão firme e transversal às dez canções polidas do álbum que, no seu todo, assentam também em riffs de guitarra viscerais, nas batidas pulsantes, um baixo muitas vezes frenético e em sintetizadores muito direcionados para o krautrock.

Após tão desafiante início, ficamos definitivamente rendidos ao registo com Pulse, composição com uma atmosfera algo tenebrosa e, por isso, bastante desafiante, mas tabém com Enveloping Cycles, um instante de indie rock psicadélico verdadeiramente extraordinário, assente numa melodia grandiosa e espacial, envolvida em camadas de guitarras distorcidas e sintetizadores incisivos e luminosos. Logo a seguir, Sacred Geometry aponta para caminhos ainda mais experimentais e simultaneamente etéreos, com a primazia da percurssão e da acústica a mostrar uns Psychic Markers fortemente ecléticos e inspirados na criação de melodias que se entranham com invulgar mestria nos nossos ouvidos, mesmo quando, um pouco à frente, a guitarra elétrica distorce-as dando-lhes um teor ainda mais grandioso e épico. Até ao ocaso do disco, não há como não deixar de exaltar também Clouds, um segredo feito de punk rock puro e duro muito bem guardado, que sobe emocionalmente, de degrau em degrau, até uma espécie de climax, enquanto recebe vários efeitos sintetizados, sem que a bateria amansse a batida.

Em Psychic Markers é possível aceder a canções oriundas de uma outra dimensão musical, com uma assumida e inconfundível pompa sinfónica, típica das propostas indie de terras de Sua Majestade e sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde tudo soa utopicamente perfeito. Há uma beleza enigmática nas composições destes Psychic Markers, feita com belas orquestrações que vivem e respiram lado a lado com as distorções e arranjos mais agressivos, enquanto projetam no ouvinte inúmeras possibilidades e aventuras, assentes num misto de pop, psicadelia, rock progressivo e soul. Espero que aprecies a sugestão...

Psychic Markers - Psychic Markers

01. Where Is The Prize?
02. Silence In The Room
03. Pulse
04. Enveloping Cycles
05. Sacred Geometery
06. A Mind Full And Smiling
07. Irrational Idol Thinking
08. Juno Dreams
09. Clouds
10. Baby, It’s Time

 

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publicado por stipe07 às 21:32






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