Terça-feira, 12 de Junho de 2018

Blossoms - Cool Like You

Já viu a luz do dia Cool Like You, o segundo álbum do quinteto Blossoms, um registo que sucede ao disco homónimo de estreia editado no verão de 2016, um trabalho que à época causou forte impacto na crítica generalizada, muito por culpa de canções como Charlemagne, Honey Sweet ou Getaway. Este Cool Like You foi produzido por James Skelly e reforça o percurso ascendente de um projeto que está a tornar-se um caso sério de popularidade em terras de Sua Majestade, muito por causa de uma perspicaz simbiose entre guitarras certeiras e teclados incisivos, mescla que resulta numa synthpop muito aditiva e orelhuda.

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Os Blossoms são oriundos de Stockport, nos arredores de Manchester e, provavelmente, a proximidade a essa cidade mítica do indie punk rock fez com que adoptassem alguns dos detalhes mais significativos da sonoridade típica da geografia que os delimita fisicamente, mas também com o intúito de dar a esse arquétipo sonoro uma aurea refrescante e contemporânea. Assim, I Can't Stand It, o primeiro single que foi divulgado deste Cool Like You e uma opção nada inocente, capta os Blossoms no ponto que definiu o clima sonoro do disco anterior, ampliando-o com o groove intuitivo da batida, um baixo subtil mas convincente e vários efeitos sintetizados de uma canção que nos emerge, sem apelo nem agravo, no clima enérgico da pop novecentista mais luminosa e efervescente.

Com esse single a aumentar enormemente as expetativas dos ouvintes realtivamente ao disco, a verdade é que o restante conteúdo não defrauda, com o amor e o modo como nos relaiconamos com o outro a serem o ponto de partida para um alinhamento com um som ainda mais encorpado, dançante e rico que o do álbum anterior. Stranger Still é outra canção que comprova este input de maturidade, numa junção subtil de psicadelia com alguns dos aspetos fundamentais da pop de final do século passado, assim como Love Talk, uma canção mais intimista e que acaba por mostrar um outro lado deste espetro sonoro, menos direto e mais intrincado e apontar novas nuances ao futuro discográfico dos Blossoms.

Disco coeso e com vários singles em potência, Cool Like You é um promissor rasgo de melodias acessíveis e letras carregadas de encanto, num alinhamento como uma qualidade instrumental que ultrapassa o comum, oferecendo-nos uns Blossoms moderadamente enérgicos, mais amadurecidos e com uma assinalável vitalidade. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 10:00
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Quarta-feira, 6 de Junho de 2018

Gaz Coombes – World’s Strongest Man

Quem esteve atento à luta fraticida pelo domínio da brit pop durante a década de noventa, recorda-se imediatamente da dupla Blur vs Oasis e depois acrescenta-lhe os Suede e os Pulp, os The Charlatans e talvez os Spiritualized e os Supergrass, este, sem dúvida, o grupo britânico mais negligenciado nessa altura. Gaz Coombes, antigo líder desta banda britânica, estreou-se numa carreira a solo em 2012 e em boa hora o fez com o fabuloso Here Come The Bombs. Pouco mais de dois anos depois desse início prometedor, Coombes regressou mais uma vez à boleia da Hot Fruit Recordings, com Matador, um disco produzido pelo próprio autor e gravado no seu estúdio caseiro em Oxford. Agora foi a vez de nos revelar World's Strongest Man, mais onze canções idealizadas por uma das personalidades mais criativas da indie britânica e que se inspirou, neste seu terceiro registo, no concurso anual World's Strongest Man, um enorme sucesso televisivo em Inglaterra, um talkshow passado numa qualquer ilha das Caraíbas e que escolhe, após várias provas, aquele que é supostamente o homem mais forte do mundo.

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De facto, World's Strongest Man é a reflexão individual de Coombes acerca do que é ser o homem mais forte do mundo em 2018. Não sendo a primeira vez que o autor se foca nas noções de masculinidade (Matador tinha várias referências a esse assunto), a verdade é que desta vez ele fá-lo com maior profundidade, tendo também sido determinante para essa influência, além do programa televisivo referido, a leitura dedicada que Gaz fez de The Descent Of Man, um romance do aclamado escritor Grayson Perry e que se debruça sobre o dia-a-dia de um homem que tem como profissão escrever canções, além de uma vida familiar bastante preenchida, onde se incluem três filhos. Um super homem, portanto.

Assim, a mensagem que Gaz Coombes nos quer fazer passar com este World's Strongest Man é que o homem mais poderoso do mundo não é aquele que é fisicamente mais forte e musculado, mas sim aquele homem que tem uma vida preenchida e consegue, dentro dos habituais arquétipos de masculinidade que a contemporaneidade institui, dar conta do recado e atender a todas as solicitaçõe diárias, pessoais e profissionais, de modo profícuo e recompensador. Portanto, este também é um disco que fala de fraquezas, vulnerabilidades e dores emocionais, ou seja, de escolhas difíceis e que um homem forte é aquele que estando sujeito a elas todos os dias, consegue ter o discernimento para optar por aquilo que mais o preenche, ao mesmo tempo que faz feliz quem o rodeia e com ele interage. Wounded Egos, uma das canções mais reveladoras do disco, fala exatamente das consequências de uma vivência oposta a esta, do individualismo e do egoísmo, enquanto o tema homónimo ensina-nos que nunca devemos recear a partilha das nossas fragilidades e receios com quem nos pode orientar e acrescentar algo de positivo, nem que seja, como refere The Oaks, com as árvores que plantámos um dia no jardim lá de casa, porque até elas, se estivermos atentos, comunicam connosco.

Sonoramente, World's Strongest Man é um disco cheio de influências. Gaz Coombes confessou, numa entrevista recente de promoção do álbum, que Frank Ocean foi uma grande influência, nomeadamente na sua prestação vocal, mas nota-se a influência de outras bandas e artistas num alnhamento sonicamente rico e heterogéneo. Se a guitarra de Deep Pockets exala Black Rebel Motorcycle Club por todos os poros, o sintetizador e a batida de Shit (I’ve Done It Again) recordam Daft Punk, com o reverb das cordas e o suspiro minimal do teclado de Walk The Walk a levarem-nos diretamente ao cerne do cardápio de Beck e o já referido tema homónimo a apresentar muitas nuances habituais nos conterrâneos Radiohead, numa canção que mostra uma relação pouco vista entre eletrónica e rock progressivo, sem descurar um intenso sentido melódico. Seja como for, tudo isto não é sinal de plágio ou de falta de inspiração, mas antes uma forma nobre de aceitar influências que acrescentam, claramente, mais valias ao adn sonoro de Coombes que, a solo, liberto das amarras conceptuais que o formato banda muitas vezes impôe, tem a possibilidade de deixar fluir livremente o seu apurado sentido estético, com um interessante grau de criatividade e de inedetismo, até.

World's Strongest Man é, em suma, um disco idealizado por um artista homem que parece viver uma fase da sua existência em que repara atentamente na problemática e nas discussões sobre a igualdade de género que abundam na sociedade ocidental, fazendo-o não como alguém que apresenta uma solução para essas questões, mas com a preocupação principal de servir-se destas canções para provar a si próprio que fazer música é algo que o faz muito feliz e que toca os outros e que por isso. merece ser incluido na lista dos melhores do seu género. Espero que aprecies a sugestão...

Gaz Coombes - World's Strongest Man

01. World’s Strongest Man
02. Deep Pockets
03. Walk The Walk
04. Shit (I’ve Done It Again)
05. Slow Motion Life
06. Wounded Egos
07. Oxygen Mask
08. In Waves
09. The Oaks
10. Vanishing Act
11. Weird Dreams


autor stipe07 às 20:39
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Sábado, 2 de Junho de 2018

Mazzy Star – Still EP

Quatro anos depois de Seasons Of Your Day, os Mazzy Star de David Roback e Hope Sandoval estão de regresso à boleia da Rhymes of an Hour Records com um ep intitulado Still, um alinhamento de três originais e uma nova versão do clássico da banda So Tonight That I Might See, gravado pela primeira vez há vinte e cinco anos e que deu nome ao disco que a banda lançou em mil novecentos e noventa e três. Recordo que esse disco e o antecessor She Hangs Brightly (1990) cimentaram a posição dos Mazzy Star no universo mainstream, mas sem fazer deles um fenómeno à escala global. Tornaram-se numa espécie de segredo mal guardado, mas que acabou por cimentar muito do que hoje se escuta no campo da dream pop. O próprio fenómeno trip hop, que começava à época a dar cartas, por intermédio, principalmente, dos Massive Attack, foi mais uma distração que o grande público e os media tiveram e que os Mazzy Star aproveitaram, um pouco à imagem do que fariam uns Portishead anos depois, para criarem o seu nicho devoto de seguidores e conseguirem manter a sua identidade musical intacta sem terem de ceder e de se sujeitar às orientações da editora e às regras do mercado. Depois de terem editado três álbuns na década de noventa (além dos discos referidos, Among My Swan viu a luz do dia em mil novecentos e noventa e seis), Roback e Sandoval dedicaram-se a alguns projetos paralelos e às suas carreiras a solo, com o já referido Seasons Of Your Day, em 2003, a marcar uma nova etapa dos Mazzy Star que recebe com este EP mais um pequeno mas qualitativamente significativo fôlego.

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Quiet, The Winter Harbor abre Still com Roback a assegurar a condução de um planante e melancólico piano, em redor do qual a voz de Sandoval divaga com a sua habitual assinatura doce e contemplativa e pela qual os anos parecem que não passam. Depois, o florescer melancólico que passeia pelas cordas e pelo efeito de That May Again e a altivez lo fi que exala do poema e do violão que conduz o tema homónimo, fazem-nos avivar a memória relativamente ao modo como fomos tocados no nosso âmago, há quase trinta anos, por uma fórmula que apostava em letras carregadas de nostalgia e melancolia e em detalhes sonoros delicados e introspetivos que nos levavam numa viagem algo sombria por um mundo tímido. Finalmente, o orgão e o reverb contínuo de So Tonight That I Might See, fornecendo-nos uma atmosfera mais psicadélica, mostram-nos uma tentativa clara da dupla em se contextualizar com algumas das novas tendências do rock mais ambiental, sem deixarem de imprimir o seu cunho identitário, numa versão plena de lisergia e espiritualidade.

Vinte e oito anos depois da estreia, este projeto californiano continua a alimentar em Still a sua saga feita de um negro romantismo que prescruta, constantemente, caminhos mais sombrios e particularmente hipnóticos e submersivos, mas que também sobrevive num clima doce e tocante, com um imenso travo a melancolia, feito ao som de canções com um sabor bucólico bastante impressivo e sentimentalmente rico. Espero que aprecies a sugestão...

Mazzy Star - Still

01. Quiet, The Winter Harbor
02. That Way Again
03. Still
04. So Tonight That I Might See (.ascension version)


autor stipe07 às 14:57
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Quarta-feira, 23 de Maio de 2018

The Vaccines – Combat Sports

Produzido por Ross Orton, Combat Sports é o novo registo discográfico dos britânicos The Vaccines de Justin Young, Freddie Cowan, Pete Robertson, Árni Árnason, o quarto registo de originais da carreira deste projeto que se estreou em 2011 com o aclamado  What Did You Expect from The Vaccines? e que desde então tem pautado o seu percurso discográfico pela consolidação de uma estética sonora que, numa esfera indie rock, nunca deixou de olhar quer para alguns detalhes do punk, como para certos tiques e arranjos que sobrevivem à sombra da eletrónica.

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Vistos por alguma crítica como a resposta britânica ao nova iorquinos The Strokes, quer na postura, quer na sonoridade rock frenética, livre de constrangimentos e adornos desnecessários e certeiros no modo como adoptam uma estética sonora retro à boleia de riffs de guitarra potentes e uma voz poderosa, os The Vaccines chegam ao quarto tomo do seu percurso discográfico seguros do som que pretendem apresentar que, com um pé na new wave e outro no pós punk, procura atingir uma maior luminosidade e amplitude melódica.

Resistindo teimosamente à passagem do tempo, em Combat Sports os The Vaccines não se desviam muito da habitual bitola e, ao mesmo tempo que apostam nessa coerência, tentam acrescentar alguns detalhes que permita afastarem-se cada vez mais de outros nomes com os quais sempre foram comparados e muitas vezes acusados de apenas replicarem uma fórmula que, por acaso, tem sido bem sucedida desde o início deste século.

A fina fronteira que separa o baixo do sintetizador na oitocentista Your Love Is My Favourite Band, um dos meus temas preferidos de Combat Sports e, numa abordagem mais groove, o indie rock exuberante e irresistível de Put It On A T-Shirt e, principalmente, do extraordinário single I Can't Quit, canção que assenta numa bateria frenética, plena de mudanças ritmicas, que se escuta em sintonia com riffs de guitarra melódicos e uma voz poderosa, mostram a outra face de uma mesma moeda que os The Vaccines cunharam neste disco e que os fará novamente render milhões, pelo modo como é bem explorada.

Até ao ocaso do disco o clima raramente abranda e se no punk cru feito sem rodeios ou concessões, de Surf In The Sky e  se na abordagem ainda mais intensa e rugosa que é feita ao garage em Nightclub, fica explicitado o à vontade com que os The Vaccines também mergulham no rock mais incisivo e direto, já a estética vintage dos elementos sintetizados que deambulam pela luminosidade radiofónica de Maybe (Luck Of The Draw) e a acuidade melódica de Out On The Street, onde aquela pop algo acessível se mascara com ruído e exuberância, sem perder cor e acessibilidade, servem para ampliar o clima de festa e de piscar de olhos que Combat Sports faz às pistas de dança, acabando por ser outros instantes obrigatórios de um álbum que impressiona pelo modo musculado como os The Vaccines abordam diferentes espetros sonoros, com enorme qualidade, jovialidade e bom gosto. Espero que aprecies a sugestão...

The Vaccines - Combat Sports

01. Put It On A T-Shirt
02. I Can’t Quit
03. Your Love Is My Favourite Band
04. Surfing In The Sky
05. Maybe (Luck Of The Draw)
06. Young American
07. Nightclub
08. Out On The Street
09. Take It Easy
10. Someone To Lose
11. Rolling Stones


autor stipe07 às 18:02
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Segunda-feira, 21 de Maio de 2018

Frank Turner - Be More Kind

Até 2005 Frank Turner, músico inglês nascido em Meonstoke, era vocalista da banda de post hardcore Million Dead. Nesse ano abandonou as guitarras para seguir uma carreira a solo numa sonoridade bem mais acústica. A vontade do músico em seguir uma linha menos agressiva e mais sofisticada já era antiga e em 2007 estreou-se nos discos com o bem sucedido Sleep Is For The Week. Nesse disco Turner não abandonou a voz forte e exuberante, nem a atitude típica de um verdadeiro rockstar. No entanto, adaptou a folk de forma singular a estas caraterísticas e por isso recebeu inúmeras críticas positivas e foi mais um a mostrar que a música acústica também poderá ter uma toada punk. Acabou por se tornar numa das figuras mais queridas da pop britânica e em 2011 lançou England Keep My Bones, mais um registo distante do hardcore e que que continha letras tocantes e apaixonadas. Agora, meia década depois desse registo fortemente politizado e depois de dois registos que serviram para exerocizar alguns demónios pessoais, Tape Deck Heart (2013) e Positive Songs For Negative People (2015), Frank Turner faz chegar aos escaparates Be More Kind, o seu oitavo registo, treze canções vibrantes e que colocam novamente o autor na rota de sonoridades rugosas e impulsivas, misturadas com arranjos de forte pendor orgânico e teor acústico.

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Be More Kind vê a luz do dia depois de Turner ter estado em estúdio com Austin Jenkins e Joshua Block, antigos membros dos White Denim e também com Charlie Hugall (Florence And The Machine, Halsey), que assume as rédeas da produção de um alinhamento que abre com Don't Worry, um tratado de folk gospel pensado para quem quer conseguir perceber e conetar-se com este mundo cada vez mais estranho e anormal (I don’t know what I’m doing, no-one has a clue). A partir daí, Turner passa grande parte do álbum a dissertar  sobre o brexit e Trump e fá-lo com resutlados particularmente inspirados, nomeadamente em 1933, um tratado sonoro fortemente influenciado pelo típico punk rock do outro lado do atlântico, um cerrar de punhos que curiosamente Turner rejeita, do seguinte modo, em declarações recentes: 1933 filled me with a mixture of incredulity and anger. (...) The idea that it have anything to do with punk rock makes me extremely angry. Algumas canções depois, no rock sintético de Make America Great Again, o autor dispara novamente sobre a ascendência de Trump ao poder nos Estados Unidos e como isso potenciou o declínio moral de um país que ele considera cada vez mais rascista e perigoso (Making racists ashamed again, Let’s make compassion in fashion again).

Este modo de pensar de Turner relativamente ao mundo que o rodeia, a colocar permanentemente o ênfase nos aspetos menos positivos da nossa contemporaneidade, é um percurso do qual ele nunca se desvia até ao ocaso de Be More Kind. Assim, se Brave Face dá a sua visão sobre como poderá ser o apocalipse num futuro próximo, em 21st Century Survival Blues encontramo-lo a dissertar sobre as alterações climáticas e, logo depois, no eletropop anguloso de Blackout, ele prevê o caos que se instalaria no nosso planeta se a eletricidade deixasse de existir de um momento para o outro. Mas, no meio de todo este clima caótico, Turner encontra finalmente espaço para a compaixão e para o entendimento entre os povos através do amor, aquela que ele considera ser a principal arma contra os racistas, os fascistas e os apoiantes do brexit, fazendo-o de modo particularmente vincado e simbólico na folk intimista do tema homónimo (In a world that has decided that it’s going to lose its mind, Be more kind, my friends, try to be more kind).

Toda a autenticidade que Be More Kind passa para o ouvinte, em jeito de apelo, é um enorme atributo, um fato a reter e um aspecto que dá ao alinhamento um imenso charme e carisma. Abrigado pela típica intensidade de Turner, Be More Kind ganha identidade e personalidade graças ao espírito único da música do compositor inglês, que não tem medo de experimentar e que volta a provar que na folk também pode existir um lado punk, enérgico, charmoso e carismático, neste disco de identificação e empatia, indicado para nos fazer refletir e ponderar sobre o presente, sem pressa de chegarmos ao nosso destino. Espero que aprecies a sugestão...

Frank Turner - Be More Kind

01. Don’t Worry
02. 1933
03. Little Changes
04. Be More Kind
95. Make America Great Again
06. Going Nowhere
07. Brave Face
08. There She Is
09. 21st Century Survival Blues
10. Blackout
11. Common Ground
12. The Lifeboat
13. Get It Right


autor stipe07 às 18:08
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Quinta-feira, 17 de Maio de 2018

Arctic Monkeys – Tranquility Base Hotel And Casino

Tranquility Base Hotel & Casino é o sexto álbum na carreira dos britânicos Arctic Monkeys de Sheffield, liderados por Alex Turner, ao qual se juntam Matt Helders, Jamie Cook e Nick O'Malley. Produzido por James Ford e pelo próprio Alex Turner, Tranquility Base Hotel And Casino viu a luz do dia a onze de maio último, via Domino Records e sucede ao já longínquo AM, lançado em 2013, contendo onze canções liricamente bastante enigmáticas e recheadas de referências retro e do nosso imaginário cinematográfico e críticas à modernidade, sendo bons exemplos desse modus operandi Star Treatment, canção com referências diretas ao icónico romance Blade Runner de Phillip K Dick e American Sports, tema que fala de uma base lunar onde os humanos habitam e olham de longe para o nosso planeta.

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Apesar dos riffs de Golden Trucks poderem ter feito parte do alinhamento de AM, ou da voz de Alex Turner manter o timbre habitual ao longo do alinhamento, ainda que com menos sotaque, Tranquility Base Hotel And Casino é, claramente, um disco de viragem, um dobrar de esquina consistente e apurado feito por um grupo que habituou os seus fâs a um rock incisivo e esfuziante, repleto de guitarras distorcidas e riffs vigorosos e que agora optou, num claro sinal de maturidade e de pujança criativa, por compôr composições com outro apuro melódico e conduzidas por uma maior diversidade instrumental, com o modo como as teclas também se tornaram protagonistas, a ser uma das principais nuances deste conceito. Aliás, grande parte do esqueleto dos temas foi criado ao piano por Turner, uma particularidade que faz com que este pareça ser o disco menos democrático dos Arctic Monkeys. Mas esta é uma afirmação que faço não em jeito de crítica, mas de elogio, porque se percebe que os restantes elementos estiveram sintonizados com o líder, nomeadamente pelo modo harmonioso e simbiótico como incorporaram os seus instrumentos nas melodias.

Assim, para quem está familiarizado com a discografia dos Arctic MonkeysTranquility Base Hotel And Casino é um disco inicialmente estranho e pouco familiar, mas que após repetidas e dedicadas audições se entranha, com a sua intensidade, feita de sobreposições densas e intrincadas de arranjos e efeitos, a não poder ser medida pelo modo como os decibéis das guitarras são debitados, mas antes pela emoção e pelo teor filosófico do registo. É um universo inédito de sons e referências que pulam entre a soul enevoada de Science Fiction, a pop sessentista que exala subtilmente do clima clássico de One Point Perspective e da psicadelia de The World’s First Ever Monster Truck Front Flip, o rock lisérgico da década seguinte revisto em American Sports e no tema homónimo e até o próprio jazz mais intemporal, homenageado com um charme algo invulgar na já referida Star Treatment, canção que nos remete sem despudor para o cardápio de um Serge Gainsbourg, ou em The Ultracheese, composição envolta por uma arrepiante aurea de mistério e sedução.

Os Arctic Monkeys têm sabido estar sintonizados com o absurdo sociológico e político dos nossos tempos, numa carreira de assinalável coerência e bastante marcada por momentos de exaltação e de vigor que nunca descuraram uma profunda reflexão sobre aquilo que os rodeia e agora, neste Tranquility Base Hotel And Casino, fazem-no novamente, mas de modo ainda mais incisivo e irónico e abrigados por um novo e vasto manancial de referências que, piscando o olho a latitudes sonoras mais consentâneas com as tendências atuais do espetro sonoro em que se movimentam, enriquecem tremendamente o cardápio sonoro do quarteto e elevam-no a um novo estatuto, como banda fundamental do indie rock alternativo contemporâneo. Espero que aprecies a sugestão...

Arctic Monkeys - Tranquility Base Hotel And Casino

01. Star Treatment
02. One Point Perspective
03. American Sports
04. Tranquility Base Hotel And Casino
05. Golden Trunks
06. Four Out Of Five
07. The World’s First Ever Monster Truck Front Flip
08. Science Fiction
09. She Looks Like Fun
10. Batphone
11. The Ultracheese


autor stipe07 às 13:15
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Quarta-feira, 9 de Maio de 2018

Luke Sital-Singh – Weight Of Love EP

Depois da edição de Time Is A Riddle, o se último álbum, Luke Sital-Singh fez as malas, pegou no passaporte e embarcou numa viagem solitária por vários destinos do mundo, durante a qual escutou uma banda-sonora muito pessoal, composta por temas e artistas da sua eleição. Uma das canções presentes nesse alinhamento que Luke escutou nessa road trip sonora foi Thirteen, um clássico original de mil novecentos e setenta e dois dos Big Star, já revisitado por nomes tão proeminentes como os Wilco ou Elliot Smith e que acabou por ser também cantado por Luke, numa versão divulgada no início do ano e que era fiel ao espírito intimista e profundamente reflexivo do músico e ao misticismo a à inocência que a própria canção, na sua génese, transbordava, nomeadamente da sua letra. Agora, alguns meses depois, Luke prepara-se para editar Weight Of Love, um EP com quatro canções, que verá a luz do dia já a um de junho através da Dine Alone Records.

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Depois de ter sido revelado o tema Afterneath, que abre o alinhamento do EP, agora chegou a vez de podermos escutar a canção homónima do mesmo, que mantém a filosofia sonora e filosófica subjacente à primeira composição divulgada, um clima que acaba por ser transversal a todo o alinhamento, que já escutei na íntegra. Falo, portanto, de canções sonora e liricamente profundamente reflexivas e intimistas, conduzidas por cordas inspiradas e que nos convidam à introspeção momentânea no meio destes dias agitados e sempre corridos, conforme admite o próprio autor: This song was inspired by those moments when I lose perspective on my life and my dreams and I just need to shake myself out of the mundane day to day to refresh and re-energize. For me, that’s by getting to a beach and breathing in the ocean air or climbing high up on a mountain looking down at all the noise below. Já agora, os outros dois temas, que já tive a oportunidade de escutar, transportam-nos, no caso de Mirrorball, para um clima sonoro algo sinistro, mas com o inconfundível registo vocal de Luke a facultar à música a suavidade melancólica que a equilibra e a lindíssima balada Loving You Well plasma todos os predicados que este músico britânico possui para criar composições profundamente emotivas e sofisticadas, apenas, neste caso, com uma linha de guitarra e a sua voz. Confere Weight Of Love, o tema homónimo deste novo EP de Luke Sital-Singh e o alinhamento do registo...

Luke Sital-Singh - Weight Of Love

Afterneath

Weight of Love

Mirrorball

Loving You Well


autor stipe07 às 18:17
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Sexta-feira, 13 de Abril de 2018

Florence And The Machine – Sky Full Of Song

Florence And The Machine - Sky Full Of Song

Dois anos depois do seu último registo de originais, Florence Welsh está de regresso às canções com o seu projeto Florence and The Machine à boleia de Sky Full Of Song, tema que deverá fazer parte do seu próximo registo de originais, o quarto da carreira.

A canção vai ver a luz do dia em formato vinil de sete poelgadas no próximo Record Store Day, uma efeméride anual amplamente publicitada neste espaço e que é marcada pela chegada de vários álbuns e singles em edição limitada às lojas de discos, um pouco por todo o mundo.

A sonoridade intimista e minimal deste tema Sky Full Of Song recorda-me uma espécie de mistura entre Kate Bush e os The Knife, num som um pouco escuro, mas com uma tonalidade épica e constituido por diferentes texturas, quase sempre feitas com recurso a instrumentos sintetizados. Confere...


autor stipe07 às 17:58
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Segunda-feira, 9 de Abril de 2018

Editors - Violence

Finalmente In Dream, o aclamado álbum que os Editors de Tom Smith editaram em 2015, já tem sucessor. O sexto álbum de estúdio desta banda britânica oriunda de Birmingham viu a luz do dia a nove de março à boleia da Play It Again Sam e chama-se Violence. Nele é possível escutar nove canções forjadas por uma banda que se mantém apostada em se assumir definitivamente como um grupo de massas e deixar de vez o universo mainstream para fazer parte da primeira liga do campeonato mundial do indie rock.

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Os Editors são donos de uma discografia conduzida pela típica intensidade emocional da escrita de Tom Smith e pelo carisma do seu tímbre vocal grave único, ao qual se juntam as habituais guitarras angulares, sintetizadores progressivos e um baixo imponente. Estas são, no fundo, as principais matrizes identitárias deste grupo que nunca tendo conseguido ser consensual no universo sonoro alternativo, apesar de The Back Room, o disco de estreia, ser, quanto a mim, um marco no género pós punk, acabou por manter uma assinalável coerência ao longo de quase duas décadas, um trajeto que parece agora querer piscar o olho a latitudes sonoras mais consentâneas com as tendências atuais do espetro sonoro em que os Editors se movimentam.

Assim, com a eletrónica em cada vez maior plano de destaque no seio dos Editors, Violence não renega a habitual atmosfera algo sombria impressiva que confere um charme inconfundível a este projeto, mas há aqui um refinamento dessa demanda, com a procura de territórios mais dançantes e, por isso, também mais festivos e otimistas. Em temas como a radiofónica Cold, na atmosfera intrigante de Nothingness ou no travo vintage oitocentista da homónima Violence, os sintetizadores debitam efeitos e melodias rugosas e texturalmente profundas e algo negras, mas há depois no ritmo e em algumas nuances do reverb das guitarras detalhes que dão aos temas um balanço e uma expressão mais colorida e sorridente do que o habitual. Para cimentar ainda mais esta filosofia subjacente ao registo, a imponência orquestral do edifício melódico que envolve o single Magazine, canção com um refrão avassalador, a toada pop e o charme luminoso de Darkness At The Door e o piano cintilante de No Sound But The Wind, são outras canções que, tomando como ponto de partida o já referido referencial sonoro que tipifica os Editors, acrescentam e ampliam o adn que sustenta o historial da banda.

Pleno de dramatismo e particularmente incisivo no modo como aborda alguns dos grandes dilemas da atualidade, Violence acaba por ser um título simultaneamente feliz e enganador para um alinhamento de canções que podem, na sua esmagadora maioria, servir para justificar esta ideia contraditória e oposta, já que, não deixando de navegar nas habituais águas lúgubres em que os Editors se sentem como peixes, este é um álbum que também exala uma faceta algo sonhadora e romântica, o que naturalmente se aplaude. Espero que aprecies a sugestão...

Editors - Violence

01. Cold
02. Hallelujah (So Low)
03. Violence
04. Darkness At The Door
05. Nothingness
06. Magazine
07. No Sound But The Wind
08. Counting Spooks
09. Belong


autor stipe07 às 21:00
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Domingo, 1 de Abril de 2018

Fujiya And Miyagi – Subliminal Cuts

Fujiya And Miyagi - Subliminal Cuts

Com já uma década e meia de atividade e assumindo-se, meia dúzia de discos depois, como um dos projetos mais relevantes do cenário indie britânico, pelo modo exímio como misturam alguns dos melhores aspetos do rock alternativo com a eletrónica de cariz mais progressivo, os Fujiya And Miyagi resolveram em 2018 revisitar Transparent Things, o disco que editaram há uma dúzia de anos e que os lançou para o estrelato. E para comemorar essa efeméride lançaram também um novo single intitulado Subliminal Cuts, inspirado na série televisiva policial Columbo, uma canção que cresce apoiada em batidas sincopadas e que também impressiona pelo jogo que se estabelece entre o baixo e as guitarras no meio das batidas.

Em 2006, com rock britânico em crise acentuada devido ao resurgimento do outro lado atlântico do punk rock (Interpol, The Strokes, Liars) e da underground dance nova iorquina (LCS Soundsystem, Yeah, Yeah, Yeahs, Radio 4), Transparent Things era um trabalho que apostava numa relação estreita entre o krautrock inaugurado nos anos setenta e as tendências mais contemporâneas da pop movida a sintetizadores, sem nunca descurar a presença do baixo e da guitarra no processo de criação. O disco continha clássicos do calibre de Ankle Injuries, Collarbone ou Photographer e foi um sucesso imediato que é possível agora revisitar, numa reedição em vinil. A mesma contém como bónus um tema intitulado Different Blades From The Same Pair Of Scissors, uma canção cuja versão original viu a luz do dia em 2008 para a iniciativa Nike Running Series, sendo a versão integral das seis canções que juntas compôem o tema. São quarenta e três minutos que acabam por ser uma junção de várias composições, todas elas assentes num espaço de delicioso diálogo com heranças e referências de outros tempos e que remetem-nos, essencialmente, para a sintetização oitocentista, mas também para a melhor herança da eletrónica alemã. Confere...


autor stipe07 às 18:19
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