Domingo, 18 de Novembro de 2018

The Vaccines – All My Friends Are Falling In Love

The Vaccines - All My Friends Are Falling In Love

Produzido por Ross Orton, Combat Sports foi o registo discográfico que os britânicos The Vaccines de Justin Young, Freddie Cowan, Pete Robertson, Árni Árnason, editaram na passada primavera, o quarto registo de originais da carreira deste projeto que se estreou em 2011 com o aclamado  What Did You Expect from The Vaccines? e que desde então tem pautado o seu percurso discográfico pela consolidação de uma estética sonora que, numa esfera indie rock, nunca deixou de olhar quer para alguns detalhes dopunk, como para certos tiques e arranjos que sobrevivem à sombra da eletrónica.

Agora, cerca de meio ano depois de colocarem nos escaparates esse alinhamento, os The Vaccines acabam de divulgar um novo single intitulado All My Friends Are Falling In Love, uma exuberante canção assente em cordas inspiradas e com uma luminosidade radiofónica ímpar, pouco mais de três minutos e meio de uma pop animada, dançavel e positiva, que antecipam uma nova digressão do grupo pelas ilhas britânicas. Confere...


autor stipe07 às 15:18
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Terça-feira, 13 de Novembro de 2018

Anna Calvi - Hunter

Já viu a luz do dia, à boleia da Domino Records, Hunter, o terceiro registo de originais da britânica Anna Calvi, sucessor do já longínquo One Breath, editado em dois mil e treze e que sucedeu ao aclamado registo de estreia, lançado dois anos antes, no início desta década. Num momento crucial da carreira, já que a autora, cantora e compositora tem chamado a si os holofotes da crítica devido ao seu registo vocal único e a um modus operandi sempre de difícil catalogação no que concerne ao modo como manuseia a guitarra, simultaneamente rugosa e gentil, percebe-se que Calvi ponderou com todo o detalhe o conteúdo de Hunter, não só porque não queria defraudar as elevadas expetativas que sobre si têm recaído, mas também, e principalmente, porque queria doar novas nuances, inclusive temáticas (a identidade de género é um tema muito presente em Hunter) ao seu já rico e heterógeneo cardápio sonoro.

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Tendo PJ Harvey e Kate Bush como referências ímpares, Anna Calvi, mostra-se intrincada, subtil e sinuosa no modo como constroi melodias e a elas agrega arranjos e poemas, ao longo dos pouco mais de quarenta minutos que dura Hunter, um registo muito orgânico e profundo e com uma elevada dose de dramatismo, caraterísticas muito presentes logo no clima envolvente de As A Man e no modo incisivo e confessional como se refere à identidade de géneros no tema homónimo, em particular no refrão (Don’t Beat the Girl out of My Boy). Depois, na selvática e tremendamente sensual Indies or Paradise, por excelência o tema do registo que melhor mostra os enormes predicados vocais de Calvi, na majestosidade teatral de Swimming Pool, na agressividade sentida de Chain, no travo rock vintage da algo macabra Wish, na subtileza de Alpha e, na sequência, na melancolia de Away, somos tragados para o âmago de um registo que sabe a um catárquico exercício de individualidade. Tem esse cariz marcante porque vem do fundo da mente de uma mulher bem resolvida com a vida e com o modo como lida com a sua sexualidade e o prazer, mas Hunter pode ser interpretado de um modo ainda mais vasto e coletivo, já que também tem muito presente e subtilmente uma crítica e um desalinhameto relativamente às correntes mais conservadoras que têm plasmado à sua maneira a temática do feminismo, do sexismo e da igualdade de géneros, temas tão em voga na nossa contemporaneidade.

Hunter é, sem dúvida, o disco mais experimental, arriscado e dramático da carreira de Anna Calvi e, tendo em conta essas permissas e a sua elevada bitola qualitativa, é um notório marco de excelência sonora que nos é oferecido em bandeja de ouro por uma mulher adulta, mas também a tapar os buracos que o sucesso cada vez maior foi abrindo na sua alma numa década pessoal conturbada, fazendo-o com o máximo grau de autenticidade e com um vigor, confiança e clarividência, relativamente a si e ao mundo que a rodeia, que chega, às vezes, a ser inquietante. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:21
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Segunda-feira, 5 de Novembro de 2018

Naevus – Curses

Foi à boleia da GH-Records que viu a luz do dia Curses, o oitavo e mais recente registo de originais dos Naevus, um coletivo londrino formado atualmente por Lloyd James, Ben McLees, Hunter Barr e Sam Astley. Formados há já duas décadas por Lloyd e Joanne Owen, que já não faz parte do projeto, os Naevus eram frequentemente categorizados como mestres do neo-folk, tendo entretanto virado agulhas para territórios mais experimentais e lisérgicos, sendo sistematicamente comparados com nomes tão influentes como os Swans e Wire, expoentes máximos de um dos subgéneros mais subestimados do indie rock de cariz mais experimental.

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É na exuberância das cordas, majestosas no single Odour, e num forte travo melancólico que subsiste a sonoridade destes Naevus, mestres em replicar um som com um travo de religiosidade vincado, que consegue ser contundente e vibrante, mas também contido e convidativo, quer ao recolhimento, quer à introspeção. Os arranjos que flutuam em redor de melodias geralmente conduzidas pela guitarra e pela viola, têm, geralmente, aquele travo místico e tipicamente celta, como se percebe logo em The Wall In The Sun, umas das canções mais marcantes deste Curses, um registo que quebra um hiato de seis anos do grupo, sucedendo ao excelente The Division of Labour que, em dois mil e doze, juntou mais um enorme punhado de seguidores há já enorme legião de ouvintes que seguem este grupo com particular devoção.

De facto, Curses é o disco mais introspetivo e pessoal dos Naevus, que têm em Lloyd James a grande força motriz, que leva-nos numa alucinante viagem pela sua mente, um autor que consegue ser particularmente impressivo a debruçar-se sobre algumas das questões essenciais que toda e qualquer individualidade tem forçosamente de enfrentar num mundo cada vez mais competitivo e sempre em constante mutação. A acidez da guitarra de Abacus, o modo sinistro como disserta aobre algumas das suas agruras no claustrofóbico tema homónimo ou a a história de terror que narra em Dead Man Circling são outros notáveis exemplos do elevado cariz pessoal de um disco complexo, não só pela atmosfera muito própria que replica, mas também pelo modo como estes Naevus conseguem servir em bandeja de ouro um mundo sonoro onde pessoas estranhas e com vidas depressivas encontram alegria e utilidade na vida ao som das suas canções. Espero que aprecies a sugestão...

Naevus - Curses

01. The Wall In The Sun
02. Dead Man Circling
03. Abacus
04. Heart Fell Foul
05. Aria/Acqua
06. Curses
07. The Pit
08. Odour
09. Surface


autor stipe07 às 21:46
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Domingo, 28 de Outubro de 2018

Thom Yorke - Suspiria

Líder dos Radiohead, verdadeiros Fab Five do novo milénio, não só porque estão criativamente sempre prontos a derrubar barreiras e a surpreender com o inesperado, mas também porque, disco após disco, acabam por estabelecer novos paradigmas e bitolas pelas quais se vão depois reger tantas bandas e projetos contemporâneos que devem o seu valor ao facto de terem este quinteto na linha da frente das suas maiores influências, Thom Yorke está de regresso à atividade musical com a sua participação na banda sonora de Suspiria. Originalmente lançado em 1977, Suspiria, um dos grandes clássicos do cinema de terror, dirigido por Dario Argento, acaba de ser revisto pelas lentes do cineasta italiano Luca Guadagnino e Thom Yorke criou vinte e cinco originais para a banda-sonora, com a colaboração de Sam Petts-Davies, Noah Yorke, Pasha Mansurov e de elementos da Orquestra Contemporânea de Londres, que já participaram em A Moon Shaped Pool.

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Entre outros atributos, exige-se a uma banda sonora de elevado calibre qualitativo que permita, através da audição prévia à visualização do filme, que o ouvinte consiga antecipar de modo minimamente plausível a trama do enredo que depois poderá vir a conferir no grande ecrã. E esse é um dos grandes atributos de Suspiria, ou seja, escuta-se as vinte e cinco composições desta banda sonora e, tendo em conta a emotividade, a intensidade e o grau de impressionismo de muitas das canções, parece quase intuitivo o adivinhar da história de uma jovem norte-americana que chega a uma escola de dança alemã para estudar ballet, mas, na verdade, entra num antro de bruxas. De facto, nunca a música de Thom Yorke soou tão horrífica e escutar Suspiria faz-nos estarmos perante uma experiência não só auditiva, mas também tremendamente visual.

No pulsar analógico das batidas de Volk, no travo trip-hop de Has Ended, nas teclas soturnas de The Hooks e de Olga's Destruction e na intensidade crescente de Suspirium, tema central do registo e uma composição de intensidade crescente, onde um piano se deixa rodear graciosamente pelo típico registo vocal em falsete de Yorke, fazendo-o de modo particularmente sensível e com um toque de lustro de forte pendor introspetivo, fica recriado não só o típico ambiente soturno com que este autor tem pautado o seu projeto a solo há já mais de uma década, mas também a densidade e a névoa sombria de um filme que tem no elenco nomes como Tilda Swinton, Dakota Johnson e Chloë Grace Moretz, bem como Jessica Harper, a protagonista principal do filme original. Espero que aprecies a sugestão...

Suspiria

01 A Storm That Took Everything
02 The Hooks
03 Suspirium
04 Belongings Thrown In A River
05 Has Ended
06 Klemperer Walks
07 Open Again
08 Sabbath Incantation
09 The Inevitable Pull
10 Olga’s Destruction
11 The Conjuring Of Anke
12 A Light Green
13 Unmade
14 The Jumps
15 Volk
16 The Universe Is Indifferent
17 The Balance Of Things
18 A Soft Hand Across Your Face
19 Suspirium Finale
20 A Choir Of One
21 Synthesizer Speaks
22 The Room Of Compartments
23 An Audition
24 Voiceless Terror
25 The Epilogue


autor stipe07 às 18:56
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Terça-feira, 23 de Outubro de 2018

The Good, The Bad & The Queen - Merrie Land

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Doze anos depois do excelente disco de estreia homónimo, os The God The Bad And The Queen de Damon Albarn, Paul Simonon, Simon Tong, Fela Kuti e Tony Allen estão de regresso com Merrie Land, um registo que chegará aos escaparates a dezasseis de novembro próximo e das quais já se conhece o tema homónimo dos onze que farão parte do seu alinhamento.

Merrie Land é uma lindíssima peça sonora cheia de charme, uma canção que nos faz submergir no meio de um teclado cósmico, leves batidas e uma guitarra que nos faz emergir da solidão, com a voz calma e humana de Albarn a mostrar-nos, uma vez mais, que por trás de um músico que tinha tudo para viver uma existência ímpar e plena de excessos, existe antes um homem comum, às vezes também solitário e moderno. Confere..


autor stipe07 às 21:53
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Quinta-feira, 18 de Outubro de 2018

The KVB – Only Now Forever

Foi no passado dia doze de outubro à boleia da Invada Records que chegou aos escaparates Only Now Forever, o sexto registo de originais da carreira dos londrinos The KVB, mais uma banda a apostar na herança do krautrock e do garage rock, aliados com o pós punk britânico dos anos oitenta. Liderados pela dupla Nicholas Wood e Kat Day, o núcleo duro do projeto, os The KVB gravaram este Only Now Forever em Berlim, no apartamento que a banda tem nessa cidade alemã, depois de um ano de dois mil e dezasseis particularmente intenso e repleto de concertos.

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Only Now Forever é um extraordinário registo sonoro em cuja concepção a dupla esmerou-se na construção de composições volumosas e conduzidas por um som denso, atmosférico e sujo, que encontra o seu principal sustento nas guitarras, na bateria e nos sintetizadores, instrumentos que se entrelaçam na construção de canções que espreitam perigosamente uma sonoridade muito próxima da pura psicadelia.

Com vários instantes sonoros relevantes, nomeadamente o compositório eletrónico que sustenta a voluptuosa epicidade de Above Us, o clima hipnótico do ecos e do som repetitivo das teclas de On My Skin e a melodia enleante de Only Now Forever, o tema homónimo do disco, três dos vários momentos altos deste agregado, Only Now Forever está recheado de canções onde os sintetizadores se posicionam numa posição cimeira, mas onde a primazia melódica foi entregue às guitarras, sempre acompanhadas por um baixo vibrante que nos recorda a importância que este instrumento ainda tem no punk rock mais sombrio que influencia tanto e tão bem esta banda. E há que realçar que os The KVB conseguem aliar às cordas desse instrumento, cuja gravidade exala ânsia, rispidez e crueza, uma produção cuidada, arranjos subtis e uma utilização bastante assertiva da componente maquinal.

Only Now Forever é mais uma cabal demonstração do modo exemplar como os The KVB são capazes de se insinuar nos nossos ouvidos com uma toada geral de elevado travo orgânico e fazem-no de modo inédito, porque são poucos os projetos contemporâneos que conseguem aliar desta forma a monumentalidade das cordas eletrificadas e da percurssão, com uma abundância de arranjos delicados, quer sintéticos, quer feitos com metais minimalistas. De facto, enquanto muitas bandas procuram a inovação na adição de uma vasta miríade de influências e tiques sonoros, que muitas vezes os confundem e dispersam enquanto calcorreiam um caminho que ainda não sabem muito bem para onde os leva, os The KVB já balizaram com notável exatidão o farol que querem para o seu percurso musical. Espero que aprecies a sugestão...

The KVB - Only Now Forever

01. Above Us
02. On My Skin
03. Only Now Forever
04. Afterglow
05. Violet Noon
06. Into Life
07. Live In Fiction
08. Tides
09. No Shelter
10. Cerulean


autor stipe07 às 21:42
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Quinta-feira, 11 de Outubro de 2018

Thom Yorke – Suspirium

Líder dos Radiohead, verdadeiros Fab Five do novo milénio, não só porque estão criativamente sempre prontos a derrubar barreiras e a surpreender com o inesperado, mas também porque, disco após disco, acabam por estabelecer novos paradigmas e bitolas pelas quais se vão depois reger tantas bandas e projetos contemporâneos que devem o seu valor ao facto de terem este quinteto na linha da frente das suas maiores influências, Thom Yorke está de regresso à atividade musical com a sua participação na banda sonora de Suspiria. Originalmente lançado em 1977, Suspiria, um dos grandes clássicos do cinema de terror, dirigido por Dario Argento, acaba de ser revisto pelas lentes do cineasta italiano Luca Guadagnino e Thom Yorke criou vinte e cinco originais para a banda-sonora, com a colaboração de Sam Petts-Davies, Noah Yorke, Pasha Mansurov e de elementos da Orquestra Contemporânea de Londres, que já participaram em A Moon Shaped Pool.

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Suspirium é o primeiro tema divulgado dessa banda-sonora, uma composição de intensidade crescente, onde um piano se deixa rodear graciosamente pelo típico registo vocal em falsete de Yorke, fazendo-o de modo particularmente sensível e com um toque de lustro de forte pendor introspetivo, recriando, de certo modo, o típico ambiente soturno que este autor tão bem recria no seu projeto a solo há já mais de uma década. Confere Suspirium e o alinhamento de Suspiria, que estará nos escaparates a partir do próximo dia vinte e seis, via XL...

Suspiria

01 A Storm That Took Everything
02 The Hooks
03 Suspirium
04 Belongings Thrown In A River
05 Has Ended
06 Klemperer Walks
07 Open Again
08 Sabbath Incantation
09 The Inevitable Pull
10 Olga’s Destruction
11 The Conjuring Of Anke
12 A Light Green
13 Unmade
14 The Jumps
15 Volk
16 The Universe Is Indifferent
17 The Balance Of Things
18 A Soft Hand Across Your Face
19 Suspirium Finale
20 A Choir Of One
21 Synthesizer Speaks
22 The Room Of Compartments
23 An Audition
24 Voiceless Terror
25 The Epilogue


autor stipe07 às 21:00
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Terça-feira, 9 de Outubro de 2018

Sons Of Kemet - Your Queen Is A Reptile

Your Queen Is a Reptile é o terceiro álbum do grupo britânico de jazz Sons of Kemet, um coletivo incubado em dois mil e onze e atualmente formado Shabaka Hutchings, Tom Skinner, Theon Cross e Eddie Hick. O grupo costuma servir-se do saxofone e do clarinete, instrumentos de sopro tocados por Hutchings, da tuba de Cross e de um exemplar trabalho de percurssão a cargo de Skinner e Hich para oferecer-nos um som que mistura o melhor do jazz, com alguns dos principais arquétipos do rock, da folk caribenha, do dub, da tropicalia e da música africana de cariz mais tradicional.

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Your Queen Is A Reptile é uma referência direta à rainha de Inglaterra e à coroa britânica, assim como as notas da capa do disco. O objetivo do grupo é denunciar um ponto de vista, segundo o qual a atual monarca britânica não representa os imigrantes negros e não os vê como humanos, discriminando-os racialmente. Assim, nas nove canções do registo, o coletivo serve-se de cada uma das composições para homenagear figuras femininas de relevo, todas reais e com histórias de vida conturbadas, que subiram a pulso e que os Sons Of Kemet assumem ser as mulheres que realmente lhes importam e que regem as suas vidas.
Produzido pelo próprio Shabaka Hutchings, Your Queen Is A Reptile tem como grande motor melódico o saxofone deste músico, instrumento que depois vai suscitar nos restantes elementos sonoros a inserção de arranjos e detalhes que vão dar corpo a composições sempre com uma tonalidade grave, bastante encorpada e tremendamente ritmada. 
Assim, só para citar alguns exemplos e deixando de lado a terminologia inicial My Queen Is, se em Angela Davis, canção que homenageia uma filósofa norte americana comunista acusada injustamente de matar um juiz na época de militância pelos Panteras Negras, na década de sessenta, presente-se os perigos e a perseguição que lhe foi movida através da gravidade da tuba, já em Mamie Phips Clark, uma psicóloga ativista que estudou a autoestima de crianças negras também nessa década, assistimos a uma espiral frenética que mistura dub e rock psicadélico, um efeito potenciado por uma superior performance na bateria. Depois, a coragem e a energia ativista da espiã do tempo da Guerra Civil americana, Harriet Tubman, um rosto recente das notas de vinte dólares e que se notabilizou por levar a cabo missões que libertaram centenas de escravos, é personificada pela modo ágil e virtuoso com que a melodia ganha vida com superior homogeneidade, através dos melhores recursos de todo o arsenal instrumental dos Sons Of Kemet.

Your Queen Is A Reptile tira do anonimato contemporâneo personagens que tiveram os seus momentos de dor, mas também de glória e de reconhecimento, mesmo que póstumo e cujos ideais que defenderam acabam por ser ainda muito atuais, num mundo que continua a não saber respeitar a diferença e as minorias. Numa Inglaterra aristocrática, a viver o Brexit em pleno, com uma certa fobia relativamente aos imigrantes e onde a Monarquia sempre mostrou um posicionamento político algo conservador, este disco faz ainda mais sentido, sendo um exercício claramente recompensador pesquisar acerca destas mulheres constestatárias de sistemas vigentes quase sempre impostos à força e depois relacioná-las com a abordagem sonora que os Sons Of Kemet criaram para lhes dar vida, cor, ritmo e voz. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 10:40
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Quarta-feira, 26 de Setembro de 2018

Simon Love - Sincerely, S. Love x

Três anos depois de se estreado nos discos com o muito apetecível registo pop It Seemed Like A Good Idea At The Time, o britânico Simon Love regressou no início deste mês de setembro aos lançamentos discográficos com Sincerely, S. Love X, dez canções abrigadas à sombra da Tapete Records e que além da superior bitola qualitativa da sua escrita, dão-nos a certeza de formarem uma sequência eloquente e grandiosa, proporcionada por um artista com uma linguagem sonora que até já foi influenciada por sonoridades mais cruas, mas que hoje subsiste, de modo bastante particular, à sombra de uma pop encharcada com melancolia e romance.

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Quase sempre conduzidos por um efusivo piano, adornado por cordas e sopros, nomeadamente trompetes e com muitos outros dos melhores ingredientes da mais genuina herança da brit popSincerely, S. Love x apresenta dez excelentes temas gravado nos últimos dois anos em Londres. É um disco que reflete, parece-me, um estado de espírito de quem vive numa espécie de crise de meia idade. Digo-o porque  na ironia de canções do calibre de The Ballad of Simon Love (I’ll never own a house) ou God Bless The Dick Who Let You Go, tema sobre as típicas agruras de uma vida a dois que não é, como todos sabemos, feita só de bons momentos, Simon expressa um modo de pensar habitual numa mente que tem de lidar diariamente com medos e dilemas, mas que, nem por isso, deixa de ser uma pessoa optimista e crente em relação ao seu universo pessoal. Aliás, de acordo com o press release do lançamento, o próprio Simon confessa toda esta trama sem qualquer tipo de complexo: Please, buy the álbum, my son eats like a horse and he need new shoes. Sincerely, Simon Love. Façam-no, porque certamente não se arrependerão, já que neste alinhamento todos os sons que se escutam, orgânicos ou sintéticos, posicionam-se, claramente, com um propósito bem definido e não é preciso ser um expert para se perceber essa filosofica interpretativa, bastando o charme das canções para nos elucidar, intuitivamente, acerca dessa permissa. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 17:49
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Terça-feira, 25 de Setembro de 2018

TOY – The Willo vs Energy

Desde dois mil e dez os TOY têm vindo a ganhar uma reputação de banda íntegra, virtuosa e tremendamente criativa, com Tom Dougall, Maxim Barron, Dominic O'Dair, Charlie Salvidge e Max Oscarnold (desde dois mil e quinze) a oferecerem a uma base já sólida de seguidores um leque alargado de sonoridades que incluem o punk, o psicadelismo, o krautrock ou o post rock, sempre aliadas a um aturado trabalho de exploração experimental de técnicas de gravação feitas em estúdio.

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O próximo grande passo da carreira dos TOY será a edição de um novo álbum, já no início do próximo ano, um registo que irá marcar uma nova visão sonora ainda mais distintiva e original, agora à boleia da etiqueta Tough Love, a nova editora do projeto. Para quem conhece a discografia dos grupos, percebe esta progressão depois de ouvir The Willo e Energy, as duas novas canções acabadas de editar pelos TOY, em formato digital e em formato físico, este através de um vinil de doze polegadas, numa edição limitada a quinhentas cópias, duzentas delas em vinil transparente.

The Willo e Energy impressionam ainda mais porque são dois temas díspares e, por isso, uma prova cabal do elevado grau de ecletismo e de abrangência desta banda londrina. Na primeira conferimos sete minutos que nos levam numa inebriante viagem psicadélica ambiental, assente na astúcia acústica de Maxim e no orgão inspirado e elegante de Max. Já Energy é um contagiante frenesim elétrico, conduzido por um feroz riff de guitarra proporcionado por Dominic e um superior desempenho na bateria, a cargo de Charlie, num tema em que Max Dougall escreve sobre alguns rituais noturnos. Confere...

TOY - The Willo-Energy

01. The Willo
02. Energy


autor stipe07 às 18:01
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