Segunda-feira, 2 de Dezembro de 2019

Bombay Bicycle Club – Everything Else Has Gone Wrong

Bombay Bicycle Club - Everything Else Has Gone Wrong

Cinco anos depois do excelente So Long, See You Tomorrow, o quarto álbum de estúdio dos Bombay Bicycle Club, o projeto britânico voltou finalmente nesta segunda metade de dois mil e dezanove a dar sinais de vida com o anúncio de um novo trablho intitulado Everything Else Has Gone Wrong, que irá ver a luz do dia a dezassete de janeiro próximo.

Divulgado em pleno verão, Eat, Sleep, Wake (Nothing But You), foi o primeiro avanço divulgado deste novo alinhamento de canções da banda dos arredores de Londres, formada por Jack Steadman, Jamye MacCol, Suren de Saram e Ed Nash. Agora chegou a vez de conhecermos o tema homónimo, uma sumptuosa e efervescente composição assente numa filosofia sonora que dá primazia ao baixo e às guitarras, apesar da omnipresença do sintetizador, nomeadamente nos arranjos melódicos. Estas duas canções confirmam que Everything Else Has Gone Wrong deverá colocar a banda no trilho de um rock mais cru e direto, em vez das sagazes interseções com a eletrónica que os Bombay Bicycle Club efetuaram no disco que lançaram à meia década. Confere...


autor stipe07 às 13:44
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Quarta-feira, 27 de Novembro de 2019

Elbow – Giants Of All Sizes

Já chegou aos escaparates Giants Of All Sizes, o oitavo álbum de estúdio dos britânicos Elbow, um compêndio de nove canções lançado à boleia da Polydor Records. Giants Of All Sizes foi gravado em Hamburgo, na Alemanha, nos estúdios Clouds Hill Studios, com equipamento eminentemente analógico e foi produzido e misturado pelo teclista do grupo, Craig Potter. É um trabalho que conta com as participações especiais de músicos como Jesca Hoop, os The Plumedores e o novato Chilli Chilton e que, de acordo com Guy Garvey, o vocalista e líder do projeto, tem o conceito de luto bastante presente, um luto devido às morte recente do pai de Garvey (On Deronda Road debruça-se sobre este assunto em particular), mas também um mais metafórico devido ao brexit e ao atentado a vinte e dois de maio de dois mil e dezassete em Manchester, terra natal dos Elbow, durante um concerto de Ariana Grande.

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Donos de um som épico, eloquente e que exige dedicação, os Elbow verbalizam sonoramente em Giants Of All Sizes, um distanciamento cada vez maior da faceta rock que sempre marcou o projeto e que teve como clímax o excelente tema Grounds for Divorce, incluído no já clássico The Seldom Seen Kid (2208), para se aproximarem, mais do que nunca, de um som íntimo, polido, de forte pendor acústico, ou seja, um som que tem na pop, na folk e até na própria música de câmara influências mais do que evidentes.

Assim, charme e classicismo são conceitos que assaltam facilmente a mente de quem escuta estas nove composições que, não deixando de ter felizes combinações entre guitarras eletrificadas e uma ímpar imponência percurssiva, como é o caso do single Dexter And Sinister, canção que mistura com ímpar virtuosismo um baixo vibrante, com alguns efeitos sintetizados subtis e uma bateria eloquente, acabam por mostrar todo o seu esplendor em composições que têm como ponto forte instrumentais sofisticados, onde não faltam violinos (Seven Veils) ou orgãos (Empires), como instrumentos de eleição da condução melódica e da indução de alma, caráter e beleza às mesmas e, no cômputo geral, ao registo. No entanto, importa também salientar que a voz de Garvey é, também, um ponto forte do trabalho, funcionando como mais uma espécie de elemento instrumental, com igual importância no arquétipo do registo. O modo como se entrelaça com as cordas em The Delayed é um excelente exemplo dessa constatação, que se tornará óbvia para quem escutar este registo com alguma devoção.

Giants Off All Sizes é o primeiro capítulo de uma espécie de segunda vida dos Elbow, até porque não terá sido por acaso que o grupo editou uma compilação de sucessos há exatamente dios anos. A nova vida da banda britânica é sonoramente mais recatada e charmosa, mas a escrita talvez seja mais efusiva e aprimorada do que nunca. Independentemte disso, o travo mantém-se idêntico; Os Elbow são das melhores bandas do mundo para nos ensinar como enfrentar a habitual ressaca emocional que os eventos familiares menos positivos provocam no equilíbrio emocional de qualquer mortal, mas também servem como odes celebratórias de todo o encanto e alegria que a vida nos oferece. Espero que aprecies a sugestão...

Elbow - Giants Of All Sizes

01. Dexter And Sinister
02. Seven Veils
03. Empires
04. The Delayed 3:15
05. White Noise White Heat
06. Doldrums
07. My Trouble
08. On Deronda Road
09. Weightless


autor stipe07 às 21:20
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Terça-feira, 26 de Novembro de 2019

The Japanese House – Chewing Cotton Wool

The Japanese House debuts "Chewing Cotton Wool"

O projeto The Japanese House de Amber Bain vai começar dois mil e vinte com a edição de um EP intitulado Something Has To Change, à boleia da Dirty Hit Records. Esse novo trabalho da autora, compositora e cantora britânica irá suceder ao disco de estreia Good At Falling, que viu a luz do dia em março último.

Depois de em setembro termos ficado a conhecer o tema homónimo deste novo EP de The Japanese House, agora chega a vez de contemplarmos Chewing Cotton Wool, um suculento prato sonoro repleto de minimalismo melancólico e que se debruça sobre o modo como é possível amar mesmo nos momentos em que nos sentimos mais angustiados e tristes. Confere...

The Japanese House - Chewing Cotton Wool


autor stipe07 às 13:05
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Sexta-feira, 22 de Novembro de 2019

Coldplay – Everyday Life

Quatro anos depois de A Head Full Of Dreams, os britânicos Coldplay estão de regresso com Everyday Life, um disco duplo que contém um total de vinte e duas composições, com vários interlúdios pelo meio, um alinhamento cuja primeira metade tem como título Sunrise, ao passo que a segunda se chama SunsetEveryday Life viu a luz do dia hoje mesmo através da Parlohone, a etiqueta de sempre da banda formada por Chris Martin, Guy Berryman, Will Champion e Jonny Buckland.

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Disco antecipado desde há algumas semanas através da publicação de diversas mensagens enigmáticas na página oficial da banda, cartas escritas aos fãs e da divulgação de diversos cartazes em várias cidades do mundo, com fotos vintage dos membros dos Coldplay a tocarem numa orquestra dos anos vinte do século passado, juntamente com o filósofo alemão Friedrich Nietzsche, Everyday Life pode muito bem ser um daqueles discos que inicialmente se estranha, mas que após sucessivas audições poderá acabar por se entranhar e tornar-se, quem sabe, no melhor trabalho do grupo desde a genial estreia com Parachutes, há já quase vinte anos.

De facto, não só devido à possível saturação de uma fórmula que já se estava a tornar demasiado repetitiva, mas também porque os últimos desenvolvimentos na vida pessoal de Chris Martin fizeram o seu âmago recuar até aos bons velhos tempos daquela juventude mais inocente e apaixonada, parece que os Coldplay parecem finalmente apostados em deixar um pouco de lado aquela etiqueta de banda de massas da pop e da cultura musical, feita de exuberância sonora e de uma mescla da enorme variedade de estilos que foram bem sucedidos comercialmente na última década, nomeadamente a eletrónica e o rock repleto de sintetizações, para voltarem a colocar na linha da frente aquele lado mais intimista, simples e humano, o modus operandi que talvez melhor potencie todos os atributos estilísticos e interpretativos que o grupo possui.

Assim, apesar do tema homónimo, por exemplo, ser uma composição instrumentalmente bastante cinematográfica e épica e que tem no piano a ferramenta maior de uma melodia com uma sensibilidade muito própria, como é apanágio das propostas mais recentes da banda de Chris Martin, de Arabesque, tema com trechos cantados em francês e que conta com as participações especiais de Stromae (voz) e de Femi Kuti (sopros), estar repleta de detalhes eletrónicos e de Orphans oferecer-nos aquela tal faceta eminentemente pop que marcou os últimos trabalhos dos Coldplay, os melhores momentos de Everyday Life estão reservados para canções como Daddy, um sublime exercício de catarse intimista dedilhado ao piano e sussurrado no nosso ouvido, Church, tema assente num rock rugoso e direto de primeira água, apesar da vasta miríade de efeitos que o adorna sem ofuscar, Trouble In Town, uma montanha russa de emoções assente num riff de guitarra empolgante e numa sonoridade rock expansiva que faz jus a alguns dos melhores instantes da carreira da banda e BroKen, um delicioso exercício experimental gospel, buliçoso e vibrante.

Em Everyday Life os Coldplay parecem querer voltar, como já referi, um pouco àquelas raízes em que o coração de Martin é que impõe a sua lei no conteúdo das canções do quarteto e não aquilo que a exigente radiofonia pede, apesar do travo que o disco tem à areia do deserto que cobre uma das zonas mais conturbadas do mundo atual. Nos seus dois volumes, os Coldplay não deixam de ser ajudados por uma máquina de produção irrepreensível, juntam ao cardápio mais um naipe de canções que funcionará certamente bem em estádio defronte de grandes masssas, apesar da cada vez maior consicência ecológica do projeto e da menos necessidade de faturar os fazer interrrogar acerca da necessidade de tal, mas o que mais marca este álbum é o facto de expôr alguns dos fantasmas estéticos que sempre acompanharam a carreira discográfica dos Coldplay, que tantas vezes procurou um equilíbrio nem sempre fácil entre o apelo comercial da indústria musical e a vontade destes músicos em ressuscitar antigos arranjos, técnicas e sonoridades. Espero que aprecies a sugestão...

Coldplay - Everyday Life

01. Sunrise
02. Church
03. Trouble In Town
04. BrokEn
05. Daddy
06. WOTW/POTP
07. Arabesque
08. When I Need A Friend
09. Sunrise/Sunset Interlude #1
10. Sunrise/Sunset Interlude #2
11. Sunrise/Sunset Interlude #3
12. Sunrise/Sunset Interlude #4
13. Sunrise/Sunset Interlude #5
14. Sunrise/Sunset Interlude #6
15. Guns
16. Orphans
17. Eko
18. Cry Cry Cry
19. Old Friends
20. Bani Adam
21. Champion Of The World
22. Everyday Life


autor stipe07 às 14:55
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Quarta-feira, 20 de Novembro de 2019

Comet Gain - Fireraisers Forever!

Os britânicos Comet Gain de David Feck, estão de regresso com o seu primeiro álbum em cinco anos, um trabalho intitulado Fireraisers Forever! que viu a luz do dia através da Tapete Records e que sucede ao aclamado registo Paperback Ghosts de 2014. Gravado numa sala de estar no norte de Londres com James Hoare (The Proper Ornaments, Ultimate Painting), com a ajuda de Joseph Harvey-Whyte (Hanging Stars), Fireraisers Forever foi transformado em disco pelo baterista e produtor MJ Taylor e oferece-nos doze enraivecidas canções, assentes num punk rock de elevado calibre e com uma forte toada abrasiva, como se exige a um projeto que sempre se fez notar por uma filosofia estilística de choque com convenções e normas pré-estabelecidas.

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Fireraisers Forever! é uma claro contra a desumanidade crescente e a estupidez incomensurável que grassa neste mundo onde o dinheiro se reclama como a religião com mais crentes. Numa época do vale tudo, custe o que custar e seja contra quem for, os Comet Gain parecem apostados em fazer mossa e agitar as mentes mais desprevenidas e incautas com composições plenas de chama nas veias e com um travo nostálgico em que a herança de nomes como os The Clash, Ramones e até o próprio Lou Reed, se faz notar com elevado grau de impressionismo.

Assim, sem perderem tempo com o acessório e claramente a quererem celebrar o momento, o imediato e o presente, os Comet Gain vão diretos ao assunto, com canções como Mid 8ts ou We're All Fucking Morons a assentarem em guitarras repletas de fuzz e distorções ríspidas e uma bateria onde a anarquia é pedra de toque essencial, mas também com instantes como Society Of Inner Nothing ou The Godfrey Brothers, a mostrarem uma faceta mais clássica e acessível, dentro do declarado espetro rock puro e duro em que assenta o adn dos Comet Gain.

Foreraisers Forever! é um daqueles espasmos criativos pensado e executado logo à primeira, um disco para ser escutado sem ideias pré-definidas e que se torna particularmente aprazível em dias festivos e descomprometidos. É aquela banda-sonora perfeita para os momentos em que vale tudo e as consequências ficam para depois, um alinhamento boémio, irascível e lascivo, desobediente e até algo marginal, executado por um projeto que merece claramente uma superior projeção. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 12:41
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Sábado, 16 de Novembro de 2019

TOY – Songs Of Consumption

Depois do lançamento já em dois mil e dezanove de Happy In The Hollow, o quarto registo da carreira, os TOY de  Tom Dougall, Maxim Barron, Dominic O'Dair, Charlie Salvidge e Max Oscarnold, estão de regresso com Songs Of Consumption, uma coleção de oito canções que são, nada mais nada menos, que reinterpretações da banda de temas que inspiraram a carreira dos TOY, originais de alguns nomes míticos do coletivo britânico, nomeadamente os Stooges, Amanda Lear, Nico, The Troggs, Soft Cell, John Barry e Pet Shop Boys, entre outros.

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Sonoramente, Songs of Consumption é um feliz apêndice da filosofia que esteve subjacente à gravação de Happy In The Hollow, ampliando, portanto, a nova visão sonora dos TOY, cada vez mais distintiva e original e que se vai distanciando do chamado krautrock sujo e aproximando-se de uma bem sucedida simbiose entre alguns elementos fundamentais da pop mais harmoniosa com o fuzz lisérgico que, diga-se de passagem, sempre caraterizou o ambiente sónico deste quinteto.

Sintetizadores e uma vasta miríade de elementos eletrónicos, incluindo as cada vez mais famosas drum machines, e uma opção ao nível da produção, pelo lo fi, sempre aliado a um aturado trabalho de exploração experimental, foram, claramente, as traves mestras que nortearam o processo de incubação de Songs Of Consumption, com os TOY a tentarem sempre puxar as canções para um universo sonoro distinto das versões originais, mas sem nunca colocar em causa a essência das mesmas. Espero que aprecies a sugestão...

TOY - Songs Of Consumption

1.   Down On The Street (The Stooges)
2.   Follow Me (Amanda Lear)
3.   Sixty Forty (Nico)
4.   Cousin Jane (The Troggs)
5.   Fun City (Soft Cell)
6.   Lemon Incest (Charlotte Gainsbourg & Serge Gainsbourg)
7.   Always On My Mind (B.J. Thomas)
8.   A Dolls House (John Barry)


autor stipe07 às 17:56
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Terça-feira, 12 de Novembro de 2019

Fink – Bloom Innocent

Cinco anos depois do excelente álbum Hard Believer e três do credível e não menos exuberante sucessor, o registo Resurgam, o projeto Fink de Fin Greenall (voz, guitarra), um músico britânico com quase meio século de vida, natural de Bristol e que, deambulando entre Londres e Berlim, vai-se destacando não só como músico, mas também como compositor e produtor para outros projetos, está de volta com Bloom Innocent, oito canções que encarnam o alinhamento mais intimista, negro e intrincado do músico, mas que mesmo assim não deixam de continuar a catapultá-lo para o já habitual nível qualitativo de excelência das suas propostas, numa das carreiras mais menosprezadas do cenário indie contemporâneo.

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Gravado na intimidade do seu estúdio caseiro de Berlim, o local onde Fin se sente mais confortável e feliz a compôr e onde, de acordo com o próprio, consegue manter a sua sanidade mental, sempre em risco de resvalar devido à frustração inerente às agruras e à insatisfação de qualquer processo criativo, com destaque para o musical, Bloom Innocent contém as composições mais complexas da carreira de Fink, assentes em guitarras repletas de efeitos e timbres etéreos e uma complexidade melódica ímpar, que tanto apela à meditação e ao recolhimento, como à celebração de tudo aquilo que de bom podemos retirar das coisas mais simples da vida, o tema preferido da escrita deste compositor único.

Assim, num projeto que também tem como atributo maior a belíssima voz de Fin e o exemplar trabalho de produção de Flood, que já tinha colocado as mãos em Resurgam, canções como Bloom Innocent, o tema homónimo de abertura, feito de uma melodia que tem por base uma bateria, um insinuante piano e a voz de Fink impregnada de soul, às quais vão sendo adicionados vários detalhes e elementos, incluindo o som de um teclado e algumas cordas, ou o clima intrigante e vincadamente experimental e orgânico de We Watch The Stars, são perfeitos para nos transportar para um disco essencialmente acústico e com uma forte toada blues. Depois, na indisfarcável tonalidade chill de Once You Get A Taste, no modo preciso como cordas e tambor se revezam no controle em Out Loud, no modo inteligente como as vozes se sobrepôem à crescente trama instrumental, ampliando o travo dramático de That's How I See You Now e no piscar de olhos à música negra e ao r&b em I Just Want A Yes, contemplamos um disco com uma elevada componente cinematográfica e reflexia, uma materialização não tão exuberante como alguns antecessores, mas igualmente assertiva, de todos os atributos que Fink, um artista tremendamente dotado, guarda na sua bagagem sonora, assente numa filosofia estilística de forte cariz eclético.

Bloom Innocent está recheado de sons inteligentes e solidamente construídos, que nos emergem em ambientes carregados de ritmos e estruturas sonoras muitas vezes falsamente minimalistas e que têm como grande atributo poderem facilmente fazer-nos acreditar que a música pode ser realmente um veículo para o encontro do bem e da felicidade coletivas. Espero que aprecies a sugestão...

Fink - Bloom Innocent

01. Bloom Innocent
02. We Watch The Stars
03. Once You Get A Taste
04. Out Loud
05. That’s How I See You Now
06. I Just Want A Yes
07. Rocking Chair
08. My Love’s Already There


autor stipe07 às 20:39
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Segunda-feira, 4 de Novembro de 2019

Coldplay – Everyday Life

Coldplay - Everyday Life

Quatro anos depois de A Head Full Of Dreams, os britânicos Coldplay estão finalmente de regresso, e já a vinte de dois de novembro, com Everyday Life, um disco duplo que contém um total de dezasseis composições, um alinhamento que já é conhecido e cuja primeira metade tem como título Sunrise, ao passo que a segunda se chama SunsetEveryday Life irá ver a luz do dia através da Parlohone, a etiqueta de sempre da banda formada por Chris Martin, Guy Berryman, Will Champion e Jonny Buckland.

Disco antecipado desde há algumas semanas através da publicação de diversas mensagens enigmáticas na página oficial da banda, cartas escritas aos fãs e da divulgação de diversos cartazes em várias cidades do mundo, com fotos vintage dos membros dos Coldplay a tocarem numa orquestra dos anos vinte do século passado, juntamente com o filósofo alemão Friedrich Nietzsche, Everyday Life começou por se entreabrir a semana passadacom a divulgação dos singles Arabesque e Orphans, um tema de cada uma das duas metades do registo.

Agora, alguns dias depois dessa dose dupla, chegou a vez de conhecermos o tema homónimo do disco e que encerra Sunset, uma composição instrumentalmente bastante cinematográfica e que tem no piano a ferramenta maior de uma melodia com uma sensibilidade muito própria, como é apanágio das propostas mais recentes da banda de Chris Martin. Everyday Life foi estreada na última edição do programa norte americano Saturday Night Live, uma atuação que com a participação especial da atriz Kristen Stewart. Confere Everyday Life... 


autor stipe07 às 16:04
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Domingo, 27 de Outubro de 2019

The 1975 – Frail State Of Mind

The 1975 - Frail State Of Mind

Depois de um percurso discográfico com três tomos em que a grande aposta foi um anguloso piscar de olhos a algumas das referências pop dos anos oitenta com forte tendência radiofónica, não faltando até interseções com o melhor R&B norte americano e a eletrónica mais futurista, os The 1975 de Matt Healy preparam-se para uma verdadeira inflexão sonora à boleia de Notes On A Conditional Form, o ábum que o grupo britânico se prepara para lançar no início do próximo ano.


autor stipe07 às 12:01
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Sexta-feira, 25 de Outubro de 2019

Coldplay – Arabesque vs Orphans

Quatro anos depois de A Head Full Of Dreams, os britânicos Coldplay estão finalmente de regresso, e já a vinte de dois de novembro, com Everyday Life, um disco duplo que contém um total de dezasseis composições, um alinhamento que já é conhecido e cuja primeira metade tem como título Sunrise, ao passo que a segunda se chama Sunset. Everyday Life irá ver a luz do dia através da Parlohone, a etiqueta de sempre da banda formada por Chris Martin, Guy Berryman, Will Champion e Jonny Buckland.

Resultado de imagem para Coldplay Arabesque Orphans

Disco antecipado desde há algumas semanas através da publicação de diversas mensagens enigmáticas na página oficial da banda, cartas escritas aos fãs e da divulgação de diversos cartazes em várias cidades do mundo, com fotos vintage dos membros dos Coldplay a tocarem numa orquestra dos anos vinte do século passado, juntamente com o filósofo alemão Friedrich Nietzsche, Everyday Life acaba de se entreabrir com a divulgação dos singles Arabesque e Orphans, um tema de cada uma das duas metades do registo.

Se Arabesque, sétima canção de Sunrise, com trechos cantados em francês e que conta com as participações especiais de Stromae (voz) e de Femi Kuti (sopros), está repleta de detalhes eletreónicos, mas também conta com um excelente trabalho percurssivo, já Orphans, segunda composição de Sunset, oferece-nos aquela faceta eminentemente pop que marcou os últimos trabalhos dos Coldplay, um tema luminoso e festivo, mas também melodicamente amplo e épico e que celebra o otimismo e a alegria. Confere Arabesque e Orphans e a tracklist de Everyday Life... 

Coldplay - Arabesque - Orphans

01. Arabesque
02. Orphans

Disc 1: Sunrise
01 “Sunrise”
02 “Church”
03 “Trouble in Town”
04 “BrokEn”
05 “Daddy”
06 “WOTW / POTP”
07 “Arabesque”
08 “When I Need a Friend”

Disc 2: Sunset
01 “Guns”
02 “Orphans”
03 “Èkó”
04 “Cry Cry Cry”
05 “Old Friends”
06 “بني آدم” (“Bani Adam,” Arabic for “Children Of Adam”)
07 “Champion Of The World”
08 “Everyday Life”


autor stipe07 às 11:06
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Terça-feira, 22 de Outubro de 2019

Foals - Everything Not Saved Will Be Lost Part 2

Quase quatro anos depois de What Went Down, os Foals de Yannis Philippakis prepararam dose dupla para dois mil e dezanove, tendo começado com o lançamento, no passado mês de maio, de Everything Not Saved Will Be Lost Part 1, ao qual sucedeu, já neste mês de outubro, Everything Not Saved Will Be Lost Part 2, dois trabalhos com a chancela do consórcio Transgressive / Warner Bros. Sexto registo da carreira do projeto britânico e, tal como o antecessor, com artwork do artista equatoriano Vicente Muñoz, que pretende simbolizar muito do conteúdo lírico dos álbuns através de um cruzamento criativo entre a natureza e uma construção humana e produzido pela própria banda e por Brett Shaw, Everything Not Saved Will Be Lost Part 2 é o segundo registo do projeto sem a presença do baixista Walter Gervers que o ano passado abandonou amigavelmente os Foals.

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Everything Not Saved Will Be Lost Part 1 foi um disco muito focado no modo como o homem tem pressionado o ambiente e a natureza, colocando o futuro do nosso planeta em risco, mas também olhanva para assuntos importantes da realidade britânica como o brexit, a imigração e o fosso cada vez maior entre ricos e pobres. Everything Not Saved Will Be Lost Part 2 mantém-se, filosoficamente, nessa demanda de análise analítica da contemporaneidade conturbada em que a sociedade ocidental vive, fazendo-o de um modo ainda mais dramático e intenso que o antecessor. Os pouco mais de dez minutos de Neptune, no ocaso do registo, acabam por sublimar toda esta trama que os Foals nos facultaram este ano em dose dupla, fazendo-o com irrepreensível lucidez, mas também notável sentimentalismo.

De facto, se logo no clima cinematográfico impressivo da introdutória Red Desert é-nos apresentado um certo travo de angústia e dúvida, em composições do calibre de Black Bull, uma canção impulsiva e eloquente, assente em guitarras conduzidas por uma epicidade frenética, crua e impulsiva, que tem ainda o bónus de contar com um elevado protagonismo do baixo na arquitetura melódica que a sustenta, mas também em The Runner e Into The Surf, dois temas que têm essa toada hard, seca e vibrante, fica assente a tónica numa clara angústia e aversão dos Foals, relativamente ao modo como vêm hoje o poder e quem toma conta das suas rédeas. Nelas, as guitarras experimentais que sustentaram com enorme sucesso Antidotes o registo de estreia da banda e a atmosfera pop rock oitocentista bastante vincada de canções como a marcial Like Lightning, a empolgante Dreaming Of e a cinematográfica e a intrigante10,000 Feet, têm esse cunho realístico que confere às composições de Everything Not Saved Will Be Lost Part 2 poder e capacidade para se tornarem em bandas sonoras perfeitas das mais diversas manifestações de contra poder que temos assistido um pouco por todo o mundo nas últimas semanas e que, da questão das alterações climáticas ao sufoco do capitalismo, passando pela intolerância religiosa e pelo direito à auto determinação,  deixam este mundo mais irrequieto e vulnerável do que o aquilo que seria de supor. Só o tempo dirá se esta é, no cômputo geral, uma irrequietude saudável.

Registos pensados ao milímetro, carregados de nuances, quebras, detalhes, instantes de euforia, mas também de contemplação, Everything Not Saved Will Be Lost, Part 1 e Part 2 consolidam a verdadeira essência de um projeto que, por muitas voltas que procure dar ao seu catálogo, tem no seu adn as guitarras como elemento aglutinador e identitário primário, assim como o tal tribalismo percussivo, mas que também utiliza alguma sintetização para fugir ao óbvio de forma madura e cativante, sem nunca deixar de tentar estabelecer, com sentimentalismo penetrante e profundo, uma conexão assertiva entre as pistas de dança do passado e do presente. Espero que aprecies a sugestão...

Foals - Everything Not Saved Will Be Lost, Part 2

01. Red Desert
02. The Runner
03. Wash Off
04. Black Bull
05. Like Lightning
06. Dreaming Of
07. Ikaria
08. 10,000 Feet
09. Into The Surf
10. Neptune


autor stipe07 às 21:55
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Sexta-feira, 11 de Outubro de 2019

Storm The Palace - Delicious Monster

Com origem no nome latino da planta Monstera Deliciosa, Delicious Monster é o segundo e novo registo de originais do coletivo britânico Storm The Palace, atualmente formado por Sophie Dodds, Reuben Taylor, Willa Bews, Jon Bews e Alberto Bravo. São onze canções gravadas em Edimburgo no último inverno e escritas quase todas por Sophie, que também participou na produção do disco juntamente com Reuben Taylor, um trabalho com a chancela da etiqueta Abandoned Love Records.

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Ao segundo tomo da carreira, os Storm The Palace merecem amplo destaque porque conseguem ser particularmente originais, dentro de um quadro musical que faz parte do ADN da banda e que se sustenta numa simbiose bastante criativa entre a típica folk britânica, com nuances mais clássicas e o indie rock, sempre em busca de sonoridades estranhas, bizarras e inovadoras, mas também sedutoras e repletas de charme. Delicious Monster é, então, mais uma prova concreta da excentricidade deste grupo, da rara graça como os seus membros combinam e manipulam, com sentido melódico e lúdico, a estrutura de uma canção, no fundo, um esforço indisciplinado, infantil e claramente emocional, mas bem sucedido de se manterem à tona de água na lista das bandas imprescindíveis para contar a história atual da pop de Terras de Sua Majestade.

Se o anterior registo Snow, Stars and Public Transport versava, essencialmente, sobre a vida em sociedade em espaços públicos amplos e abertos, neste Delicious Monster temos uma abordagem mais intimista das relações e das conexões humanas que se estabelecem dentro de quatro paredes e de como o espaço doméstico pode ser o local mais aconchegante, mas também o mais incómodo e insuportável, consoante o nosso estado de espírito e a nossa condição em determinado momento.

O álbum inicia e logo em Clive sentimo-nos em casa, a sintonizar aquele velhinho rádio a pilhas com um napron rendado por cima e as belíssimas vozes de Sophie e Willa a deixarem-nos à vontade e confortáveis. A partir daí, na delicada If I Were A Seagull, no travo jazzístico de Ancient Goldfish, no olhar pela janela para os prados verdejantes em redor que nos suscita The Magician, no minimalismo das cordas que cirandam por Splendid e na lamechice encapotada de Give Me My Fucking Puppy You Bastard, o clima é de forte proximidade entre banda e ouvinte, uma sensação firmada não só nesta crueza instrumental de praticamente todas as canções, mas também na forte sensação de pertença relativamente ao espaço onde a banda toca e nos convida a penetrar, um antro de perdição que atiça todos os nossos sentidos e cuja acusticidade se abastece de um rock clássico cheio das tais nuances, sempre com uma elevada toada nostálgica e uma luminosidade muito peculiar.

Disco pleno de canções competentes na forma como abarcam diferentes sensações dentro de um mesmo cosmos e que misturam harmoniosamente a exuberância acústica com a voz, dando expressão a letras que exaltam o lado mais festivo da existência humana, conseguida através da combinação da guitarra com outros sons e detalhes, quase sempre precurssivos, os Storm The Palace conseguem confrontar-nos neste Delicious Monster com a nossa natureza, inseridos no universo que eles tão bem recriaram neste alinhamento, uma sensação curiosa e reconfortante que transforma a audição do álbum numa experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:55
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Quinta-feira, 3 de Outubro de 2019

The Monochrome Set - Fabula Mendax

Já com um percurso de quatro décadas, os The Monochrome Set liderados pelo cantor de origem indiana Bid (pseudónimo de Ganesh Seshadri), ao qual se juntam o guitarrista Lester Square e o baixista Andy Warren, são uma das bandas mais subestimadas da história da música britânica. Nasceram nos início dos anos setenta do século passado e começaram a ganhar fama no final da era punk, optando, sonoramente, por uma vertente eminentemente arty dentro daquele rock de cariz mais nostálgico e sombrio. O nome do grupo inspira-se nas pinturas monocromáticas de Yves Klein e alguns dos títulos das suas músicas mais emblemáticas, como Alphaville e Eine Symphonie des Grauens, sugerem uma ligação a grandes obras primas de Jean-Luc Godard e F. W. Murnau). Em mil novecentos e setenta e nove lançaram uma série de singles pela Rough Trade que são agora peças de colecionador, seguidos pelas primeiras obras primas, Strange Boutique (1980) e Love Zombies (1980). Três anos depois mudaram para a Cherryl Red Records onde lançaram Eligible Bachelors (1982) e “The Lost Weekend” (1985). Já neste século, mais de três décadas depois, editam uma súmula desse período intitulada 1979 – 1985: Complete Recordings, o documento perfeito do capítulo inicial da história dos The Monochrome Set, que teve sequência com mais quatro discos na década de noventa e outros dois já no novo século. Juntamente com essa súmula, o trio editou também à boleia da Tapete Records, um registo de originais intitulado Maisieworld, sucessor de Platinum Coils (2012) e Super Plastic City (2013), que já tem sucessor, um trabalho intitulado Fabula Mendax e sobre o qual me debruçarei já de seguida.

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Intemporais e merecedores de rasgados elogios, sendo fonte de inspiração para nomes como Graham Coxon, os Franz Ferdinand ou Edwin Collins, os The Monochrome Set continuam a mostrar-se paicularmente incisivos no modo como se servem da clássica tríade guitarra, baixo e bateria para esculpir canções que mostram ser verdadeiras espirais sonoras, ora rugosas e algo climáticas, ora dançantes e capazes de fazer sobressair o nosso lado mais festivo e exaltante. Assim, Fabula Mendax, um álbum inspirado em manuscritos escritos no século XV por Armande de Pange, um companheiro de Joana d'Arc, apresenta-se como um verdadeiro frenesim rock que encontra continuidade segura na melhor herança da banda, enquanto narra a história de Armande que foge da sua família descontrolada, que acaba por ser apanhada no caos da Guerra dos Cem Anos. Ela encontra e segue a enigmática Joan, tornando-se mais tarde parte de seu crescente grupo de seguidores. Enquanto viajam para o oeste na zona de guerra do norte da França, eles encontram uma mistura heterogénea de nobres intrigantes, cavaleiros belicosos, bispos nefastos e muitos supervilões, bandidos e renegados.

Assim, na exuberância das cordas que sustentam Rest, Unquiet Spirit, na luminosidade folk da smithiana Throw It Out The Window, na solenidade pop dos arranjos de cordas da soturna Darkly Sky, no travo punk vigoroso da sinistra Summer Of The Demon ou na festiva I Can't Sleep, escutamos The Monochrome Set na sua forma mais ornamentada e, assim como se fosse um conjunto ao serviço de Joana D'Arc, apresenta uma infinidade de violinistas, batedores, tocadores e lamentadores, que cercam um núcleo central de notórios excêntricos. No final, o resultado é uma sucessão de músicas que, destacam a natureza volátil, caprichosa e instável deste projeto. OsThe Monochrome Set irão apresentar o novo disco em Portugal no dia 14 de Dezembro no TAGV, em Coimbra. Espero que aprecies a sugestão...

21/09/2019 GR Athens, AN Club 09/11/2019 JP Tokyo, Koenji High

28/09/2019 UK London, The Lexington 23/11/2019 UK Oxford, The Jericho Tavern

01/10/2019 DE Nuremberg, Kantine 14/12/2019 PT Coimbra, TAGV

02/10/2019 DE Karlsruhe, KOHI-Kulturraum 01/02/2020 UK Norwich, Waterfront Studio

03/10/2019 DE Frankfurt, The Cave 08/02/2020 UK Liverpool, Jimmy's

04/10/2019 DE Reutlingen, franz.K 28/02/2020 UK Glasgow, Mono

05/10/2019 DE Hamburg, Yoko 29/02/2020 UK Dundee, Beat Generator

12/10/2019 UK Bristol, The Crofters Rights 07/03/2020 UK Newcastle, The Cluny

25/10/2019 NL The Hague, Paard 11/04/2020 UK Manchester, The Deaf Institute

26/10/2019 FR Paris, Petit Bain 18/04/2020 UK Lewes, The Con Club

02/11/2019 UK Hasting, The Printworks 25/04/2020 UK Sheffield, Greystones

08/11/2019 JP Tokyo, Shinjuku Marz US tours in 2020


autor stipe07 às 17:48
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Terça-feira, 1 de Outubro de 2019

Foreign Poetry - Freeform

Os Foreign Poetry são Danny Geffin e Moritz Kerschbaumer. Danny é inglês, Moritz é austríaco e ambos tocam vários instrumentos e escrevem canções. Conheceram-se em Londres, durante o verão de dois mil e onze, quando tocavam em projetos diferentes e se cruzaram na mesma noite no The Ritzy, em Brixton. Moritz tocava com Luís Nunes, mais conhecido por (Walter) Benjamin e Danny era uma das duas metades dos Geffin Brothers. Alguns anos depois Moritz enviou a Danny duas ideias para canções nas quais andava a trabalhar e este retribuiu dias depois devolvendo-as cheias de ideias novas. Este encontro tornou-se num hábito, as ideias de ambos começaram a andar para trás e para a frente e ao fim de um ano neste modus operandi, estava praticamente estruturado um alinhamento de canções intitulado Grace and Error on the Edge of Now, que viu a luz do dia há poucos dias, à boleia da Pataca Discos e que será alvo de revisão crítica atenta neste bogue muito em breve.

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Seja como for, posso já adiantar que este Grace and Error on the Edge of Now foi polido nos estúdios da Pataca Discos, em Lisboa, onde o disco ganhou novas e belas texturas, com a ajuda dos Anna Louisa Etherington (violino), Alice Febles Padron (coros), Luís (W. Benjamin) Nunes (bateria, percussão e coros) e Tony Love (bateria), sendo uma estreia em grande de um projeto que serviu-se de variadas texturas e arranjos, melodias vocais com raízes folclóricas e uma crua vulnerabilidade, para incubar uma espécie de álbum conceptual, que aborda ideias tão mundanas como o universo pessoal, a adolescência e a juventude, o impacto da teconologia na condição humana e as complexidades da vida e das relações humanas, fazendo tudo isso de um modo relevante, provocador e rico. Nele, Moritz e Danny criaram paisagens sonoras e orquestrações complexas, mas também apostaram em grooves mais descontraídos e numa narrativa lírica eminentemente simples, com nomes como Arthur Russell, The National, Lambchop e Future Islands, a serem referências óbvias de um compêndio de rock psicadélico, mas sem rock nem psicadelia no seu estado mais puro, já que a folk é também um ingrediente essencial de toda a trama sonora do registo.

Depois de em pleno verão termos ficado a conhecer Chain Of Events, um dos temas já divulgados deste álbum de estreia dos Foreign Poetry que, faltava referir, foi misturado por Luís Nunes e o próprio Moritz Kerschbaumer e masterizado por Tiago de Sousa, agora, em pleno período de lançamento do registo, chegou a vez de também ganhar direito a superior relevância a canção Freeform, uma belíssima composição envolta numa eletrónica repleta de subtilezas detalhísticas, imbuídas de um charme incomum e etéreo e com uma forte vibe nostálgica e contemplativa, conceitos que amplificam ainda mais a certeza de estarmos na presença de um disco que merece dedicada e fervorosa audição. Confere...


autor stipe07 às 12:34
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Segunda-feira, 30 de Setembro de 2019

Temples - Hot Motion

Foi à boleia da ATO Records que já viu a luz do dia Hot Motion, o terceiro registo de originais dos britânicos Temples, uma banda de rock psicadélico formada por James Edward Bagshaw (vocalista e guitarrista), Thomas Edison Warsmley (baixista), Sam Toms (baterista) e Adam Smith (teclista e guitarrista). Este quarteto natural de Kessering, estreou-se nos discos em dois mil e catorze com o excelente Sun Structures, três anos depois foi editado Volcano, o sempre difícil segundo disco e agora foi a vez de Hot Motion, onze canções que reavivam mais uma vez e com notável esforço, mas de um modo menos intuitivo, aquele som que conduziu alguns dos melhores intérpretes do rock experimental e progressivo da história do rock clássico.

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Ao terceiro disco os Temples brindam-nos com aquele que é, claramente, o alinhamento mais intrincado, complexo e grandioso da carreira do projeto. E fazem-no com uma abordagem, quer sonora quer lírica algo sombria, que talvez seja reflexo do período conturbado em que se vive atualmente nas Terras de Sua Majestade, fruto de todas as indefinições e até já de um certo caos instalado, devido ao brexit.

Portanto, Hot Motion pode muito bem ser, se o ouvinte quiser, um espelho de todo esse clima, com canções como a tremendamente nostálgica You’re Either On Something, uma composição liricamente muito bem sucedida (You're either on something or you're onto something), a homónima Hot Motion, que versa sobre as tensões do desejo, sobre sonhos e pesadelos e já com direito a um hipnótico vídeo da autoria de David Lynch, ou a desconcertante e aguda The Howl, a ficarem um pouco a milhas daquela postura mais direta, luminosa e até algo lo fi que caraterizou Sun Structures, o maravilhoso disco de estreia do grupo, que apostava em melodias contagiantes e com forte perfil radiofónico, uma premissa deixada agora para segundo plano, na minha opinião.

Assim, onde antes havia cor, espírito de aventura, jovialidade e crueza, existe agora desejo de majestosidade, de conjurar o complexo e de confrontação até, por parte de uns Temples mais sérios, digamos assim e que parecem ter sido apanhados numa teia conjuntural que terá mirrado aquela faceta divertida, ligeira e festiva que já os caraterizou e que agora parece um pouco distante. Espero que aprecies a sugestão...

Temples - Hot Motion

01. Hot Motion
02. You’re Either On Something
03. Holy Horses
04. The Howl
05. Context
06. The Beam
07. Not Quite The Same
08. Atomise
09. It’s All Coming Out
10. Step Down
11. Monuments


autor stipe07 às 18:25
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Sexta-feira, 13 de Setembro de 2019

Bat For Lashes - Lost Girls

Já chegou aos escaparates Lost Girls, uma espécie de banda sonora de um filme retro centrado numa personagem chamada Nikki Pink, que vive numa Los Angeles alternativa à que conhecemos e que lidera um gangue velocipédico exclusivamente feminino dessa cidade. A autoria de tão curiosa obre é do projeto britânico Bat For Lashes, viu a luz do dia através da AWAL Recordings e sucede ao enigmático e melancólico registo The Bride, editado há cerca de três anos.

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São batidas sintéticas bem vincadas, um baixo encorpado, uma guitarra planante e uma vasta miríade de efeitos cósmicos, que nos fazem perceber, quase sem hesitação, o ideário estético desta nova coleção de canções de um extraordinário projeto que Natasha Khan, uma artista, cantora e compositora oriunda de Brighton, lidera, com notável bom gosto, há pouco mais de uma década. Num resultado final vincadamente oitocentista, Lost Girls escreve uma sentida carta de amor aquele glorioso universo synth pop sci-fi que brilhou esplendorosamente quando eramos miúdos e de certo modo nos moldou, enquanto faz uma súmula interessante e bem idealizada de todo o conteúdo que sustentou a eletrónica nos últimos trinta a quarenta anos. Tal é conseguido com elevado realismo atráves de canções pop bem estruturadas, devidamente adocicadas com arranjos bem conseguidos e que não dispensam a vertente orgânica conferida pelas cordas e pela percussão, tudo envolto com a pulsão rítmica que carateriza a personalidade de Bat For Lashes, que criou neste álbum mais um alinhamento consistente e carregado de referências assertivas e que, diga-se em abono da verdade, tem passado grande parte da sua carreira a olhar sonoramente para o passado, até porque o legado de veteranas do calibre de Kate Bush ou Stevie Nicks são referências declaradas de Natasha.

Canções como Kids In The Dark, uma crónica impressiva e romântica da cidade que nunca dorme e que, como já referi, é nevrálgica no conteúdo do trabalho, os arranjos impregnados de nostalgia e com uma forte vibe atmosférica impressa nas interseções vocais, de The Hunger, as sintetizações dançantes de Feel For You e a doce sedutora melancolia que exala de Mountains e Jasmine acabam por ser sóbrios reveladores do claro charme e misticismo de um disco intimista e que prova a meritória capacidade que este projeto Bat For Lashes tem de se reinventar constantemente num nicho sonoro saturado de propostas e referências. Espero que aprecies a sugestão...

Bat For Lashes - Lost Girls

01. Kids In The Dark
02. The Hunger
03. Feel For You
04. Desert Man
05. Jasmine
06. Vampires
07. So Good
08. Safe Tonight
09. Peach Sky
10. Mountain


autor stipe07 às 15:36
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Quinta-feira, 5 de Setembro de 2019

Kaiser Chiefs – Duck

Depois de há pouco mais de três anos os britânicos Kaiser Chiefs terem editado Stay Together, à altura o sucessor do excelente Education, Education, Education & War, de dois mil e catorze, a banda liderada pelo carismático Ricky Wilson e que conta atualmente na sua formação também com Andrew White, Simon Rix, Nick Baines e Vijay Mistry, está de regresso com Duck, um novo registo de originais que viu a luz do dia à boleia da Polydor Records e que, sendo uma espécie de continuação do conteúdo do antecessor, foi produzido pela própria banda de Leeds, com a ajuda de Ben H. Allen, que já tinha trabalhado com os Kaiser Chiefs em Education, Education, Education & War.

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Disco de difícil incubação, de acordo com o grupo e liricamente profundo, Duck encontra os Kaiser Chiefs numa espécie de natural encruzilhada entre a sustentação de uma herança sonora com mais de uma década e que nunca conteve um indesmentivel apelo radiofónico e o desejo nada disfarçado de explorarem sonoridades menos imediatas, uma vontade que se foi firmando no seio do grupo desde que o baterista Vijay Mistry substituiu Nick Hodgson em dios mil e catorze, até à altura o principal compositor da banda e que deixou, com a sua saída, um buraco difícil de preencher. Assim, se Education, Education, Education & War foi, à época, já um disco de ruptura e se Stay Together, um disco muito centrado na temática do amor, calcorreou territórios sonoros mais próximos da pop, em deterimento do indie rock que popularizou este projeto no início da carreira, Duck acaba por quebrar este processo evolutivo já que pouco acrescenta de inédito ao cardápio dos Kaiser Chiefs além do ambiente sonoro do antecessor. Tal constatação não é propriamente uma crítica negativa ao registo, sendo, principalmente, uma espécie de formulação da teoria que considera que o grupo encontrou uma nova zona de conforto e que quis, desta vez, explorá-la até à exaustão, ficando para discos futuros novos avanços na indução de nuances inéditas ao cardápio sonoro global da banda.

Assim, nesta espécie de limbo criativo em que assenta Duck, em canções como a efusiante People Know How To Love One Another, a melancólica Target Market, a vibrante Electric Heart ou a cósmica Record Collection, um single repleto de groove, conferimos, numa mesca de teclados e guitarras com a peculiar tonalidade grave e imponente da secção ritmíca deste quarteto, composições com o habitual acerto melódico e, por isso, contagiante e radiofónico, dos Kaiser Chiefs. Quem quiser encontrar mais do que isso neste registo poderá sentir-se, na minha opinião, algo defraudado. Confere...

Kaiser Chiefs - Duck

01. People Know How To Love One Another
02. Golden Oldies
03. Wait
04. Target Market
05. Don’t Just Stand There, Do Something
06. Record Collection
07. The Only Ones
08. Lucky Shirt
09. Electric Heart
10. Northern Holiday
11. Kurt Vs Frasier (The Battle For Seattle)


autor stipe07 às 10:24
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Sábado, 31 de Agosto de 2019

Bombay Bicycle Club – Eat, Sleep, Wake (Nothing But You)

Bombay Bicycle Club - Eat Sleep Wake (Nothing But You)

Cinco anos depois do excelente So Long, See You Tomorrow, o quarto álbum de estúdio dos Bombay Bicycle Club, o projeto britânico volta finalmente a dar sinais de vida com Eat, Sleep, Wake (Nothing But You), o primeiro avanço de um novo alinhamento de canções da banda dos arredores de Londres, formada por Jack Steadman, Jamye MacCol, Suren de Saram e Ed Nash.

Tendo em conta o conteúdo de Eat, Sleep, Wake (Nothing But You), uma sumptuosa e efervescente composição assente numa filosofia sonora que dá primazia ao baixo e às guitarras, apesar da omnipresença do sintetizador, nomeadamente nos arranjos melódicos, o próximo trabalho do grupo, ainda sem nome nem data de lançamento, deverá colocar a banda no trilho de um rock mais cru e direto, em vez das sagazes interseções com a eletrónica que os Bombay Bicycle Club efetuaram no disco que lançaram à meia década. Confere...


autor stipe07 às 16:07
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Quarta-feira, 28 de Agosto de 2019

Horsebeach – The Unforgiving Current

The Unforgiving Current é o título do quarto registo de originais dos britânicos Horsebeach, um quarteto natural de Manchester e formado por Ryan Kennedy (voz) Matt Booth (bateria), Tom Featherstone (guitarra) e Tom Critchley (baixo). Os Horsebeach estrearam-se nos discos há cerca de meia década com um homónimo e este The Unforgiving Current sucede a Beauty & Sadness, um álbum com dois anos e que reforçou a aposta da banda em sonoridades eminentemente etéreas e melancólicas, dentro de um catálogo indie virtuoso, com uma atmosfera particularmente íntima e envolvente.

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Uma das boas surpresas da temporada são, claramente, estes Horsebeach, mestres no balanço inspirado entre uma rugosidade bastante vincada e plena de groove, bem patente no baixo que conduz Net Cafe Refuge, uma das canções do ano para esta redação e aquela dream pop de forte cariz lo fi, conduzida por uma guitarra com um efeito metálico particularmente vibrante, acompanhada por um registo vocal ecoante e uma bateria multifacetada e bastante omnipresente, em Dreaming. E é no meio destes dois opostos de The Unforgiving Current, bem explícitos no tema homónimo, conduzido por um baixo e uma guitarra com as diretrizes identificadas nas duas composições acima descritas, mas também no ecoante frenesim de Unlucky Strike e muitas vezes numa filosofia simbiótica de fronteiras que carecem de simples definição e recorte, que escorre um disco bastante homogéneo, uma perfeita banda sonora de um dia de verão, com quarenta e cinco minutos repletos de boas letras e onde abundam, como seria de esperar, arranjos feitos de detalhes típicos da pop e do punk dos anos oitenta.

De facto, se além do protagonismo do baixo e da guitarra, se a bateria e a secção rítmica são também intervenientes preciosos no arquétipo sonoro do registo, com destaque para o excelente exercício rítmico que ambos protagonizam nos avanços e recuos de Trust, ali no meio, quando surge uma espécie de mistura entre surf rock e chillwave na complacência deVanessa, no encanto vintage, relaxante e atmosférico do instrumental Yuuki e no insinuante charme das teclas que adornam Mourning Thoughts, é feito o indispensável contraponto que confere a este alinhamento a tal riqueza estilística que faz de The Unforgiving Current também um claro favorito, caso o objetivo do ouvinte seja recriar e dar vida a um ambiente que também tenha algo de soturno e melancólico.

Disco descontraído, jovial e que carece de audição atenta e dedicada, The Unforgiving Current é um cenário idílico para quem, como eu, aprecia alguns dos detalhes básicos da melhor pop lo fi contemporânea, um oásis de contida elegância que impressiona pelo bom gosto com que cruza vários estilos e dinâmicas sonoras. Espero que aprecies a sugestão...

Horsebeach - The Unforgiving Current

01. Net Cafe Refuge
02. The Unforgiving Current
03. Dreaming
04. Mourning Thoughts
05. Vanessa
06. Yuuki
07. Trust
08. Unlucky Strike
09. Mother
10. Acting


autor stipe07 às 14:55
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Domingo, 25 de Agosto de 2019

The 1975 – People

The 1975 - People

Depois de um percurso discográfico com três tomos em que a grande aposta foi um anguloso piscar de olhos a algumas das referências pop dos anos oitenta com forte tendência radiofónica, não faltando até interseções com o melhor R&B norte americano e a eletrónica mais futurista, os The 1975 de Matt Healy preparam-se para uma verdadeira inflexão sonora à boleia de Notes On A Conditional Form, o ábum que o grupo britânico se prepara para lançar no início do próximo ano.


autor stipe07 às 14:41
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