Terça-feira, 31 de Março de 2020

Sondre Lerche – You Are Not Who I Thought I Was

Sondre Lerche - You Are Not Who I Thought I Was

Sondre Lerche é um músico, cantor e compositor norueguês que vive em Brooklyn, Nova Iorque e que também se tem notabilizado pela composição de bandas sonoras, além do seu trabalho a solo. Impressionou esta redação há uma meia década com Please, um disco que apostava numa pop que entre o nostálgico e o esplendoroso, tinha algo de profundamente dramático e atrativo. Eram dez músicas diversificadas e acessíveis, repletas de melodias orelhudas e que, tendo sido alvo de uma produção aberta e notoriamente inspirada, proporcionavam uma festa pop, psicadélica e sensual.

Agora, em dois mil e vinte, Sondre Lerche está de regresso aos discos com Patience, um registo que chegará aos escaparates a cinco de junho próximo à boleia do selo PLZ. You Are Not Who I Thought I Was é o primeiro single divulgado do alinhamento deste novo registo do músico norueguês, uma composição com um ambiente de festa bem vincado, assente em sons inteligentes e solidamente construídos, que nos emergem num universo carregado de batidas e ritmos que não deixam de exalar um certo erotismo. Confere...


autor stipe07 às 22:04
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Segunda-feira, 30 de Março de 2020

Dela Marmy - Captured Fantasy EP

Com um passado relevante no projeto The Happy Mess, Joana Sequeira Duarte aposta agora numa carreira a solo e assina o projeto Dela Marmy. Estreou-se o ano passado com a edição dos singles Empty PlaceStellarMari Wolf e Secretly Here, uma coleção de canções que viria a resultar num EP homónimo. Dela Marmy foi editado à boleia da KPRecords*KillPerfection, um alinhamento já com sucessor  e no mesmo formato. Captured Fantasy é o novo EP da cantora, tem também a chancela também da KPRecords*KillPerfection e viu a luz do dia a vinte e sete de março último.

Dela Marmy - Not Real - man on the moon

Captured Fantasy contém cinco canções e foi produzido pelo experiente produtor inglês Charlie Francis, uma opção que conferiu uma maior maturidade e consistência ao cardápio da autora, sem colocar em causa a puerilidade intrínseca à sua filosofia sonora. O EP também conta com as colaborações especiais da escritora e poetisa Raquel Serejo Martins, que credita a letra de Flying Fishes e o lyricist galês TYTUN que participa no introspetivo tema Take Me Back Home. Os músicos que acompanharam Dela Marmy em estúdio foram Vasco Magalhães (bateria), Tiago Brito, Steven Goundrey (guitarras) e o próprio Francis (baixo).

Cada composição do EP Captured Fantasy é uma pequena viagem que nos pede tempo, num resultado final tremendamente detalhístico, porque atenta às pequenas coisas, às pequenas histórias e ao marginal, um paradoxal compêndio de canções, já que todo este intimismo acaba por ter uma universalidade muito própria, visto ser um alinhamento passível de ser apropriado por qualquer comum mortal, que com o seu conteúdo facimente se identificará.

Assim, do notável festim sintético que adorna a guitarra planante que sustenta Flying Fishes, até ao delicioso charme contemplativo que nos proporciona a romântica Take Me Back Home, passando pelo travo pop muito peculiar de Not Real, arquitetado por uma trama instrumental onde é subtil a fronteira entre o orgânico e o sintético, numa canção pulsante, épica, incisiva e particularmente etérea, são vários os momentos deliciosos de um EP cujo birlhantismo é rematado por um registo vocal ecoante que confere ao alinhamento, no seu todo, um charme intenso e tipicamente feminino, como, aliás, convém. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:51
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Domingo, 29 de Março de 2020

Young Knives – Sheep Tick

Young Knives - Sheep Tick

Tendo iniciado a carreira discográfica com Voices Of Animals And Men e depois Superabundance, os Young Knives dos irmãos Henry e Thomas Dartnall, aos quais se juntou Oliver Askew, obtiveram rapidamente uma boa reputação e um interessante sucesso comercial de vendas. Depois, em dois mil e onze, com Ornaments From The Silver Arcade, chegaram ainda mais longe na divulgação da sua música, mudaram um pouco o seu som, dando-lhe uma componente mais soul, introduziram novos instrumentos no processo de gravação, contaram com o reputado produtor Nick Launay e alguns músicos, cantores e percussionistas e, através desse trabalho, plasmaram o gosto pelo experimentalismo e pela chamada música de dança. O resultado foi uma míriade de sonoridades, assentes no punk, mas com pinceladas de groove, house, soul, jazz e até alguma eletrónica.

O passo seguinte deu-se quase no ocaso de dois mil e treze, com um trabalho dinâmico e cheio de pequenas surpresas chama-do Sick Octave, álbum que na altura nos propôs uma viagem intensa por diversas sonoridades, climas, emoções e inspirações, um alinhamento de treze temas pensado e desenvolvido numa atmosfera de total liberdade criativa, lançado pelos Young Knives de modo independente, com os próprios recursos financeiros do grupo e sem reportar fosse a quem fosse o andamento do trabalho e o conteúdo sonoro do mesmo.

Depois deste excelente registo os Young Knives ficaram um pouco fora de cena, mas parecem dispostos a voltar a ribalta em dois mil e vinte com um novo trabalho discográfico, que será o quinto da carreira do projeto, uma intenção revelada juntamente com Sheep Tick, o primeiro single desse disco ainda sem nome revelado. A canção é um portento sonoro que mescla algumas das traves mestras da melhor pop contemporânea de raízes eminentemente sintéticas com o indie rock, comercial, pincelado com deliciosos detalhes típicos do punk e do krautrock, num resultado final claramente glorioso e que nos deixa de apetite aguçado para as próximas cenas deste espetacular acordar dos Young Knives. Confere...


autor stipe07 às 22:47
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Segunda-feira, 23 de Março de 2020

MGMT – As You Move Through The World

MGMT - As You Move Through The World

Quase dois anos depois de Little Dark Age, a dupla norte-americana MGMT formada por Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser, voltou a dar sinais de vida recentemente com um single de 12 polegadas com os temas In The Afternoon e o b side As You Move Through The World, sendo esta edição a estreia da banda na sua própria etiqueta, recém-criada, a MGMT Records.

Como certamente se recordam, a nossa redação fez eco desse lançamento no passado mês de dezembro, descrevendo e divulgado o lado a do 12'', o tema In The Afternoon, canção também com direito a um extraordinário vídeo da autoria da própria dupla e misturada por Dave Fridmann e que coloca os MGMT na senda daquela pop cheia de glamour que foi rainha dos anos oitenta do século passado, através de uma voz com aquele tom grave que era comum na época, mas também de efusivos teclados e guitarras com o grau de rugosidade ideal, não faltando na composição uma vibe psicadélica e um grau de epicidade interessantes.

Ora, a dupla tinha previsto editar o b side As You Move Through The World também como single, mas só dqui a algumas semanas. No entanto, como a pandemia do covid-19 forçou os MGMT a cancelar alguns concertos, nomeadamente no México e no Texas, a dupla resolveu antecipar a divulgação da canção, um instrumental com mais de sete minutos impregnados com um ímpar experimentalismo, repleto de sintetizadores com uma elevada vibe psicadélica, receita que nos remete para a melhor herança do house ambiental de final do século passado.  Confere...

 


autor stipe07 às 21:27
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Quinta-feira, 19 de Março de 2020

Spicy Noodles - Sensacional (vídeo)

A brasileira Érika Machado e a portuguesa Filipa Bastos são as Spicy Noodles, uma dupla que busca sons e imagens para escrever um diário a quatro mãos e são as responsáveis por toda a parte criativa, das composições e execução das músicas, dos vídeos, às ilustrações, fotografias, e o que mais for preciso. Chamaram a atenção dos mais atentos em janeiro de dois mil e dezassete quando conseguiram incluir o single Leve Leve no álbum Novos Talentos Fnac 2017 e viram esse tema no top A3_30 da Antena 3 durante alguns meses.

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Há algumas semanas as Spicy Noodles estreiam-se nos discos com Sensacional!, um álbum com a chancela da conimbricense Lux Records, um alinhamento de nove canções idealizado entre Julho e Agosto do ano transato, gravado e pré produzido no estúdio caseiro Quebra Galho em Coimbra, produzido, misturado e masterizado por John Ulhoa, no Estúdio 128 Japs em Belo Horizonte no Brasil e que foi alvo de revisão atenta por parte desta redação pouco depois de ter visto a luz do dia.

Agora, no início de mais uma primavera, as Spicy Noodles voltam a merecer o nosso destaque porque acabam de nos ofertar o video de Sensacional, o tema homónimo do disco, uma canção em que, de acordo com o press release do single, o refrão fala daqueles momentos em que nos sentimos o Mr. Bean, uma personagem com as mais originais e excêntricas soluções para resolver alguns problemas e uma indiferença total para soluciona outros, com uma incrível habilidade para gerar confusão, e nos sentimos o Charlie Brown, o menino que falha em quase tudo o que tenta fazer, uma criança dotada de infinita esperança e determinação mas que é dominada pelas suas inseguranças e uma permanente má sorte, sofrendo pequenos golpes dos seus amigos, um carismático fracassado, e em como nos sentimos tão contentes quando pensamos que é sensacional. A música foi feita para aquelas coisas que queremos que aconteçam de qualquer forma, o que tem de ser, o que vai acontecer mesmo que tenhamos de tentar de novo, aquilo que pagamos para ver, e deixamos andar, o que tem de ser e não tem solução.

Importa apenas acrescentar da nossa parte que Sensacional é mesmo isso... uma canção sensacional, vibrante, com uma luz que irradia otimismo, cor, alegria e alegoria e na qual uma bateria eletrónica frenética, teclados sintéticos repletos de flashes borbulhantes e um riff de guitarra abrasivo se misturam e criam uma explosão melódica e rítmica com um tempero singular, dançante e viciante. Confere...


autor stipe07 às 21:33
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Quarta-feira, 18 de Março de 2020

Deap Lips - Deap Lips

Uma das colaborações mais inusitadas do universo sonoro indie e alternativo é a que junta o projeto californiano Deap Vally, da dupla Lindsey Troy e Julie Edwards aos The Flaming Lips de Wayne Coyne e Steven Drozd, banda de Oklahoma que há quase três décadas gravita em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e que se reinventa constantemente. O resultado final da equação chama-se Dead Lips e já se materializou com um disco homónimo, um cardápio de dez canções que fundem com elevado grau criativo o universo psicadelico unicorniano dos The Flaming Lips e o rock puro e simples das Deap Vally.

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Não é novidade os The Flaming Lips darem as mãos a outros nomes importantes da pop contemporânea, quase sempre projetos ou artistas nos antípodas da esfera sonora em que a banda de Coyne gravita. Miley Cyrus ou Justin Timberlake, são apenas dois dos exemplos mais conhecidos dessa evidência, mas o objeto deste artigo, intitulado Dead Lips, parece-me ser o mais feliz e bem conseguido, de todas as interseções sonoras que a banda de Oklahoma efetuou com outros nomes fundamentais da música atual.

Escutar Dead Lips é, de facto, um verdadeiro festim, tal é o manancial de nuances, detalhes, estilos ou tendências que as canções do álbum contêm e que se escutam de um só travo, como se fossem uma sinfonia única, até porque estão interligadas entre si, sem pausas, com as melodias a saltarem para o tema seguinte, sem pedirem licença e a espraiarem-se lentamente enquanto o arquétipo fundamental da composição seguinte encarreira e segue o seu curso normal. É, no seu todo, uma heterogeneidade ímpar, única e intensa, mas que entronca num pilar fundamental, a indie pop etérea e psicadélica, de natureza eminentemente hermética, impressão que deve muito ao virtuosismo interpretativo de Lindsey Troy na guitarra, assumindo também ela as rédeas vocais do registo.

Mas não se pense que por Coyne se ter mantido longe do microfone e por o exercício performativo dele e do colega Drozd se ter baseado essencialmente no campo do sintético, que o travo dos The Flaming Lips é escasso ou acessório. A impressão é exatamente a contrária. Qualquer seguidor da carreira do grupo de Oklahoma, logo em Home Thru Hell, se não soubesse a origem da canção, imediatamente iria perceber que os The Flaming Lips fazem parte dos créditos do tema. Nesse tema e, mais adiante, em Love Is A Mind Control, os flashes cósmicos e o timbre radiante das cordas que se cruzam com a rispidez da guitarra, em ambos os temas, só poderiam ter uma origem e, a partir daí, a luminosidade folk sessentista e borbulhante de Hope Hell High, a hipnótica subtileza de One Thousand Sisters with Aluminum Foil Calculators e, com um pouco mais de groove, de Wandering Witches, a cativante cândura de Shit Talkin, o clima corrosivo e incisivo de Motherfuckers Got to Go ou a ecoante psicadelia repleta de reverb de Wandering Witches, sem descurarem um lado íntimo e resguardado, oferecem, em toda a amálgama e heterogeneidade que incorporam, um inegável charme, firme, definido e bastante apelativo, mas também insolente, algo selvático, rebelde e banhado numa indesmentível crueza. Atenção que esta tal insolência não é, em momento algum do disco, sinónimo de amálgama ou ruído intencional; Apesar do protagonismo melódico da guitarra de Lindsey, o constante enganador minimalismo eletrónico que trespassa os trinta e oito minutos de Deap Lips, prova o minucioso e matemático planeamento instrumental de um disco que contém um acabamento que gozou de uma clara liberdade e indulgência interpretativa e onde tudo se orientou com o propósito de criar um único bloco de som, fazendo do álbum um corpo único e indivisível, como já referi, e com vida própria, onde couberam todas as ferramentas e fórmulas necessárias para que a criação de algo verdadeiramente imponente e inédito no panorama alternativo atual. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:18
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Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2020

Clock Opera - Carousel

Já chegou aos escaparates Carousel, o terceiro e novo disco dos Clock Opera,  sucessor do muito recomendável registo Venn, lançado há quase dois anos. Carousel foi gravado nos próprios estúdios da banda em Londres, sendo um compêndio de pop futurística inspirado em autores de bandas sonoras de filmes de ficção científica, como Jerry Goldsmith ou Mica Levi.

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Esta banda britânica liderada por Guy Connelly olha com uma certa gula para a herança da pop da década de oitenta do século passado, aquela pop burilada com sintetizadores repletos de cosmicidade, cercados por guitarras planantes e repletas de eco e baixos rugosos e cerrados. Com esta receita arquitetam canções diretas, com pouco mais de três minutos e que se esfumam com uma velocidade estonteante, rematadas por um falsete que lembra Chaplin dos Keane, a nostalgia dos Coldplay e uma densidade sonora muito próxima do shoegaze.

Carousel contém, de facto, esta mistura louvável, deliciosa e aditiva, como se percbe logo em Be Somebody Else, composição onde uma bateria marcante e vários efeitos eletrónicos, ajudaram a criar um tema viciante e particularmente luminoso. Depois, o eslendoroso piano que afaga a batida minimalista que conduz o melancólico tema homónimo, a inquietude permanente a que sabem os flashes sintetizados e as teclas insinuantes de Run, o curioso travo R&B de I Surrender e o modo intenso como em Imaginary Nation os samples eletrónicos são processados e recortados numa frequência absurda e com o registo em falsete da voz de Guy Connelly a atingir uma elevada bitola, num belíssimo momento sonoro que nos envolve num turbilhão contagiante de emoções, são peças fundamentais de um álbum verdadeiramente intenso e vertiginoso, nuances que garantem o tal clima cinematográfico algo retro que sustentou a filosofia estilística de Carousel. O travo negro e intimista inicial de Algorithm e que acaba por resvalar para um portento de rugosidade sintética e a sumptuosa nuvem de efeitos e que definem Last Thing First, rematam com enorme fulgor e realismo esta intensão declarada de um registo único no panorama musical deste primeiro terço de dois mil e vinte, criado por uns Clock Opera que levam uma década de existência, sem mostrarem sinal de desgaste ou de déficit criativo. Aliás, Carousel acaba por deixar pistas bastante interessantes sobre o possível futuro artístico do projeto. Espero que aprecies a sugestão...

Clock Opera - Carousel

01. Be Somebody Else
02. Carousel
03. Run
04. Imaginary Nation
05. Howling At The Moon
06. I Surrender
07. Algorhythm
08. Snake Oil
09. Super Blue Blood Moon
10. Last Things First


autor stipe07 às 17:40
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Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2020

Tame Impala – The Slow Rush

Quase cinco anos após Currents e a testar os limites da nossa paciência devido a tão prolongado hiato, eis que os australianos Tame Impala de Kevin Parker voltam, finalmente, aos discos com The Slow Rush, o novo registo de originais do projeto, um alinhamento com doze músicas gravadas, produzidas e misturadas pelo próprio Parker entre Los Angeles e o estúdio do artista em Fremantle, na Austrália, onde reside. The Slow Rush viu a luz do dia à boleia da Modular Records, a habitual etiqueta do grupo.

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Banda fundamental daquele prisma sonoro em que eletrónica e psicadelia se juntam de modo a descobrir novos sons, dentro de um espetro eminentemente pop, há mais de uma década que os Tame Impala refletem essa permissa para a exploração de um universo muito pessoal e privado de Kevin Parker, o grande mentor do projeto. E fazem-no situando-se na vanguarda das propostas musicais dessa área, mas também com um forte pendor nostálgico, também uma das inconfundíveis pedras de toque da discografia dos Tame Impala, nuance que começou por olhar com gula para o período setentista, mas que mais recentemente tem apontado baterias à década seguinte.

Ora, este último travo amplifica-se em The Slow Rush, um trabalho que se mantém, portanto, na peugada eminentemente oitocentista que marcou o antecessor Currents, uma filosofia estilística idealizada, como já disse, quase única e exclusivamente por Parker e que, mais do que nunca, é hoje feita de constantes encaixes eletrónicos durante a construção melódica, aos quais se juntam um almofadado conjunto de vozes em eco e guitarras mágicas que se manifestam com uma mestria instrumental única.

Excelentes exemplos dessa guinagem profunda oitocentista estão bem audíveis no vistoso e exuberante jogo entre o orgânico e o sintético que é possível contemplar em Gilmmer, no cósmico charme de Breathe Deeper e na daftpunkiana Is It True, com o apontar de novas pistas futuras, burilado em temas como Lost In Yesterday, canção sobre as nossas memórias, principalmente as menos felizes e a dificuldade natural que todos sentimos para exorcizar alguns demónios que nos atormentam por causa de eventos passados, ou Phostumous Forgiveness, longa e estratosférica canção, uma junção daquilo que eram inicialmente duas composições distintas e que flui de modo homogéneo e no universo próprio da banda e da sonoridade em que se insere, rebocada pela mestria vocal de Parker e pela multiplicidade de efeitos que cria com a guitarra elétrica, assim como o groove que oferece ao tema o baixo e uma habilidade inata do grupo no manuseamento dos sintetizadores e da percussão.

Conhecidos por nos transportar até aos dias em que os homens eram homens, as raparigas eram girl-groups e a vida revolvia em torno da ideia de expandir os pensamentos através de clássicos de blues rock, com os Cream ou Jimmy Hendrix à cabeça, em The Slow Rush os Tame Impala não fogem à regra deste modus operandi, replicando e aprimorando a fórmula dos recentes antecessores, através de doze canções impecavelmente estruturadas, algumas com uma vibração excitante e onde, no fundo, mais guinadela menos guinadela por alguns dos fundamentos da história da pop contemporânea, mantém-se a temática de revisão da psicadelia que busca pontos de encontro com o rock clássico, proposto há mais de quatro décadas por gigantes que se entregaram ao flutuar sonoro da lisergia. Espero que aprecies a sugestão...

Tame Impala - The Slow Rush

01. One More Year
02. Instant Destiny
03. Borderline
04. Posthumous Forgiveness
05. Breathe Deeper
06. Tomorrow’s Dust
07. On Track
08. Lost In Yesterday
09. Is It True
10. It Might Be Time
11. Glimmer
12. One More Hour


autor stipe07 às 13:11
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Sexta-feira, 14 de Fevereiro de 2020

Dela Marmy - Not Real

Com um passado relevante no projeto The Happy Mess, Joana Sequeira Duarte aposta agora numa carreira a solo e assina o projeto Dela Marmy. Estreou-se o ano passado com a edição dos singles Empty Place, Stellar, Mari Wolf e Secretly Here, uma coleção de canções que viria a resultar num EP homónimo. Dela Marmy foi editado à boleia da KPRecords*KillPerfection, um alinhamento já com sucessor na forja e no mesmo formato. Captured Fantasy é o novo EP da cantora, tem também a chancela também da KPRecords*KillPerfection e verá a luz do dia a vinte e sete de março próximo.

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Captured Fantasy contém cinco canções e foi produzido pelo experiente produtor inglês Charlie Francis, uma opção que conferiu uma maior maturidade e consistência ao cardápio da autora, sem colocar em causa a puerilidade intrínseca à sua filosofia sonora. O EP também conta com as colaborações especiais da escritora e poetisa Raquel Serejo Martins, que credita a letra de Flying Fishes e o lyricist galês TYTUN que participa no introspetivo tema Take Me Back Home. Os músicos que acompanharam Dela Marmy em estúdio foram Vasco Magalhães (bateria), Tiago Brito, Steven Goundrey (guitarras) e o próprio Francis (baixo).

Cada composição do EP Captured Fantasy é uma pequena viagem que nos pede tempo, num resultado final tremendamente detalhístico, porque atenta às pequenas coisas, às pequenas histórias e ao marginal, um paradoxal compêndio de canções, já que todo este intimismo acaba por ter uma universalidade muito própria, visto ser um alinhamento passível de ser apropriado por qualquer comum mortal, que com o seu conteúdo facimente se identificará.

Not Real é o primeiro single divulgado de Captured Fantasy, uma canção com um travo pop muito peculiar, arquitetada por uma trama instrumental onde é subtil a fronteira entre o orgânico e o sintético, uma composição inconfundível, pulsante, épica, incisiva e particularmente etérea, abrilhantada por um registo vocal ecoante que lhe confere um charme intenso.

O teledisco da canção é realizado pela CASOTA Collective (elementos dos First Breath After Coma). De acordo como press release de lançamento do single, no vídeo o colectivo leiriense reflecte sobre a certeza que temos do que é real, abordando também a percepção dos outros em relação à nossa realidade, claramente  inventada. Viver numa fantasia/realidade que não é reconhecida, passar e pisar o limite dos padrões sociais, estender e contornar as fronteiras do Real, inventar, sugerir e arquitectar horizontes mais amplos à vida, finita, que inevitavelmente vivemos. Confere Not Real e o alinhamento de Captured Fantasy...

Flying Fishes

Tempest

Old Human

Not Real

Take Me Back Home feat.TYTUN

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autor stipe07 às 10:46
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Quarta-feira, 12 de Fevereiro de 2020

The Jungle Giants – Sending Me Ur Loving

The Jungle Giants - Sending Me Ur Loving

Oriundos de Brisbane e formados por Sam Hales, Cesira Aitken, Andrew Dooris e Keelan Bijker, os The Jungle Giants já têm finalmente nos escaparates o sucessor de Quiet Ferocity, o registo que este quarteto editou em dois mil e dezassete. Recordo que os Jungles Giants, estrearam-se em dois mil e treze com Learn To Exist e dois anos depois viu a luz do dia Speakerzoid, o antecessor desse Quiet Ferocity.

Sending Me Ur Loving é o primeiro tema divulgado desse novo trabalho ainda sem título, uma canção produzida pelo próprio Sam Hales, o líder do grupo e que através de um baixo encorpado e pleno de groove, algumas teclas insinuantes, uma guitarra impregnada com aquele fuzz psicadélico hoje tanto em voga e alguns efeitos futuristas, nos oferece uma ode festiva e inebriante, capaz de exaltar o melhor do catálogo do grupo.

A apresentação deste tema antecipa a entrada dos The Jungle Giants numa digressão de dois meses que acabou de começar na Holanda e que terminará no final de março no Japão, com passagem, pelo meio, por vários palcos dos Estados Unidos da América e do Canadá. Confere...


autor stipe07 às 13:43
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Sexta-feira, 7 de Fevereiro de 2020

Say Hi – Diamonds And Donuts

Say Hi é Eric Elbogen, um músico norte americano natural de Seattle e que faz música desde 2002. O seu disco mais recente tem o sugestivo nome de Diamonds And Donuts, um trabalho que chegou aos escaparates pela mão da Euphobia Records e o décimo terceiro na carreira de um artista que para este registo se inspirou em treze excitantes estudos psicológicos e que é capaz de, em poucos segundos, viajar do rock mais selvagem até à indie pop de cariz experimental e à eletrónica e sempre movido a muita testosterona.

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Sucessor do curioso registo Werewolf Diskdrive (2017), Diamonds And Donuts marca mais um capítulo numa saga fictional onde cada tomo deste músico se debruça sobre uma temática precisa. Desta vez, Diamonds And Donuts é o resultado direto de treze experiências psicológicas inovadoras que foram idealizadas e conduzidas pelo próprio Eric ao longo de treze meses, com o único objetivo de gerar teorias sobre a natureza humana que pudessem ser traduzidas em composições musicais. No final, o músico constatou que tanto o Diamond como o Donut foram os dois objetos considerados mais motivacionais para obter respostas verosímeis dos participantes nos grupos de estudo criados para o efeito. Depois de projetar e conduzir cada estudo, o compositor de Seattle entrava em estúdio, na sua própria casa, para manipular os dados obtidos, criando, assim, este disco onde não falta uma mescla de eletropop com sonoridades hard rock, o rock setentista, o rock de garagem e o blues.

Assim, neste Diamonds and Donuts, se temas como Obsidian Oblivion Golfing e Happy As A Clam assentam num sintetizador melodicamente assertivo e numa percussão convincente, além de guitarras plenas de groove e distorção, bem à medida do melhor soft rock oitocentista, já Then Some Miniature Golfing e a soturna Non-Linear Time vs. Misshapen Space abrandam um pouco o clima, mas não o ritmo, já que a receita repleta de espasmos sintéticos debruçados em linhas baixo pulsantes e construções melódicas baseadas em guitarras perspicazes mantém-se, mas numa toada mais nostálgica e intimista. Depois, se Lookachu espreita ambientes mais negros e progressivos, não faltando nessa canção um travo punk delicioso, Confetti Xerox (Let’s Go Team) desvia-se um pouco dessa toada, para se focar num registo mais intrincado e experimental, conferindo ao disco um indispensável grau de ecletismo e abrangência.

A diversidade plasmada nesses seis exemplos acentua a justeza da necessidade de este músico obter, finalmente, um reconhecimento verdadeiro e um estatuto forte no universo sonoro alternativo. Aliás, o modo convincente como em A MacBook Pro To A Nineties Dell e Jupiter Death Bunnies, Say Hi serve-se da grandiosidade das guitarras e das teclas e de variações rítmicas e melódicas constantes, enquanto se debruça a fundo no universo da adição tecnológica e do sobrenatural, além de carimbar a enorme dose de criatividade que nele habita, sugere que este autor busca sempre abranger múltiplas nuances para o seu cardápio, curiosamente dentro de um som experimental, mas que tem, quanto a mim, potencial para um elevado airplay.

Até ao ocaso de Diamonds And Donuts, a imensa soul que desliza pelo piano arrebatador e pelos detalhes sintéticos de Grey As A Ghost e a subtileza instrumental de Ballerina, Ballerina, Ballerina, que desliza até ao âmago de um krautrock tendencialmente obscuro, são outros pontos de paragem obrigatória numa viagem única de fusão entre elementos particulares intrínsecos ao que de melhor ficou dos primórdios da pop, nos anos setenta, com o rock mais épico da década de oitenta e algumas das caraterísticas que definem o adn da eletropop atual.

Indubitavelmente, Say Hi domina a fórmula correta, feita com guitarras energéticas, uma sintetizador indomável, efeitos mais ou menos subtis e melodias cativantes, para presentear quem o quiser ouvir com canções alegres, aditivas, profundas e luminosas. O disco também se torna viciante devido a uma voz que, ao longo do trabalho, preenche verdadeiras pinturas sonoras que se colam facilmente aos nossos ouvidos e que nos obrigam a mover certas partes do nosso corpo. Espero que aprecies a sugestão...

Say Hi - Diamonds And Donuts

01. And Then Some Miniature Golfing
02. Obsidian Oblivion
03. Lookachu
04. Confetti Xerox (Let’s Go Team)
05. Non-Linear Time vs. Misshapen Space
06. Windsor Knots And Ruffles
07. A MacBook Pro To A Nineties Dell
08. Jupiter Death Bunnies
09. Tiger Unicorn
10. Happy As A Clam
11. Grey As A Ghost
12. Heavy Metal And Video Games
13. Ballerina, Ballerina, Ballerina


autor stipe07 às 16:20
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Quinta-feira, 6 de Fevereiro de 2020

Dan Deacon - Mystic Familiar

Quase meia década depois do extraordinário registo Gliss Riffer e de algumas curiosas inscursões pela banda sonora cinéfila, à boleia de Time Trial (2018) e Rat Film (2017), Dan Deacon, um dos artistas mais alternativos do cenário indie atual, está de regresso com Mystic Familiar, o quinto disco de uma carreira onde só subsistem momentos de esplendor. De facto, este músico e produtor que açambarcou na sua mente, com indelével e vicnado carimbo, toda a herança soonora da vasta míriade de latitudes audíveis no underground nova iorquino da primeira década deste século, desde o estupendo Spiderman of the Rings (2007), um trabalho laborioso de lapidação, detalhe, delicadeza e refinamento, que alcancou, dois anos depois, laivos de excelência através das burilações sintéticas exacerbadas que sustentaram as sequências percurssivas de BROMST (2009), passando pelo tempero mais pop country que definiu o conceptual America (2012) e todas as ligações de fios e transistores que transportavam um infinito catálogo de sons e díspares referências em Gliss Riffer (2015), este músico de Baltimore tem encontrado na eletrónica uma forma de sobressair e encontrar o seu espaço particular dentro da vanguarda eletrónica que define muita da música norte americana atual, e não só.

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Apaixonado por algumas das mais complexas formas sonoras jamias produzidas, Dan Deacon oferece-nos em Mystic Familiar uma espécie de súmula de toda a salada hipercodificada com uns sons mais e outros menos familiares, que tem balizado o seu catálogo sonoro, muitas vezes acelerado em níveis absurdos de velocidade e levado a volumes excessivos, mas também com momentos melódicos mais adocicados e sonora e vocalmente introspectivos, criando, registo após registo, quase que subversivamente, um som muito singular, mas também autenticamente pertencente ao mundo contemporâneo.

Mystic Familiar tem, pois, essa virtude imensa, de poder servir como alinhamento descritivo de tudo aquilo que de melhor nos pode oferecer hoje a eletrónica, um naipe de canções que se podem abrir como um leque que tem nos dois pólos opostos. Se o majestoso clima borbulhante de Become a Mountain, o crescente teclado hipnótico e as delicadas inserções vocais que conduzem Fell Into The Ocean e o forte sentimentalismo que escorre pelo novo trip-hop de My Friend têm um travo mais natural, clássico, acessível eminentemente contemplativo, menos anárquico e com um indesmentível têmpero pop, já a efusiante e épica batida da cósmica Sat By A Tree, as quatro composições que entre o punk noise, o jazz e o eletro sustentam Arp I-IV e a indescritível montanha-russa de flashes, batidas e interseções percussivas que se concentram em Bumblee Bee Crown King, são composições repletas de batidas esquizofénicas e samples ruidosos que materializam um resultado de proporções igualmente épicas, mas mais rugosas e com um grau de psicadelismo progressivo superior.

Disco com pontes brilhantes entre momentos de maior intensidade com outros mais intimistas, Mystic Familiar leva-nos, em suma, ao encontro de emoções fortes e explosivas, de modo profundamente emotivo e cinematográfico, através de um genuíno e incomparável manipulador do sintético, um génio inventivo que converte tudo aquilo que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico. Não tendo qualquer tipo de preocupação explícita por compôr de modo particularmente comercial e acessível, o que desde logo é um enorme elogio que pode ser feito em relação a este autor, Deacon deixa-se apropriar de todo o arsenal tecnológico que permite que seja colocado à sua disposição e torna-se ele próprio parte integrante de uma orquestra robótica e maquinal que o consome e dele se apropria, para que as canções que todas estas máquinas, que parecem ter vida própria, compôem, possam ter uma alma e um elo de ligação com a humanidade, plasmada nas letras confessionais e sinceras e numa voz manipulada de modo a ser também, ela própria, mais um elemento essencial e autónomo. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 13:24
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Terça-feira, 4 de Fevereiro de 2020

Destroyer – Have We Met

Abrigado pela insuspeita Merge Records, Have We Met é o décimo terceiro e novo registo discográfico dos canadianos Destroyer de Dan Bejar, um músico que também está escalado na formação dos The New Pornographers e que não gostando de lutar contra o tempo e não aprecia estipular prazos, prefere que a música escorra na sua mente e depois nas partituras e nos instrumentos de modo fluído, no devido timing e com a pressa que merece, sempre com uma tonalidade algum cinzenta e agreste e eminentemente reflexiva.

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Fortemente influenciado pela banda-sonora de filmes dos anos oitenta, como O Sol da Meia-Noite (1985) e A Garota de Rosa Shocking (1986), produzido pelo carismático John Collins (The New Pornographers, Tegan and Sara) e sucessor do excelente Ken, editado há pouco mais de três anos, Have We Met é um disco algo intrincado, mas bastante sedutor, um dobrar de esquina consistente e apurado, mesmo sendo o trabalho recente dos Destroyer que mais se aproxima da herança atmosférica da obra-prima Kaputt (2011). Tal sucede porque é feito por um grupo que também já habituou os seus fãs a um espetro rock onde não faltavam de guitarras distorcidas e riffs vigorosos, mas que opta agora, e mais do que nunca, num claro sinal de maturidade e de pujança criativa, por compôr composições que olham de modo mais anguloso para a eletrónica e para ambientes eminentemente clássicos, fazendo-o com superior apuro melódico. São, portanto, composições conduzidas por uma ímpar diversidade instrumental, com o modo como as teclas do piano são enormes protagonistas, a meias com a guitarra maravilha de Nicolas Bragg, a serem dis trunfos maiores deste modus operandi com elevado charme quilate.

De facto, quando Bejar e Collins começaram a fermentar artesanalmente o conteúdo de Have We Met, em sessões noturnas de captação e gravação na própria cozinha de Bejar, a ideia inicial era desenvolver um conjunto de demos bastante inspiradas em alguma da melhor herança de nomes como Björk, Air, ou Massive Attack, captadas durante as sessões de gravação do próprio Kaput e do registo Poison Season, de dois mil e quinze. No entanto, depressa perceberam que seguir tal permissa seria distanciar-se demasiado do adn dos Destroyer e, felizmente, optaram por uma espécie de simbiose do melhor desses dois mundos. O resultado final, bastante burilado e tremendamente bem conseguido, proporciona-nos um clima eminentemente sofisticado, claramente clássico e moderno, um disco intenso e que joga com diferentes nuances sonoras sempre com um espírito aberto ao saudosismo e à relevância inventiva.

Canções como a fluída e magnânima Crimson Tide, o abundante jogo de sobreposições que edifica Kinda Dark, a delirante cândura celestial em que levitam os sons fantasmnagóricos de The Television Music Supervisor, um tema sobre as inquietações de alguém que está prestes a morrer, o clima retro eminentemente oitocentista que sustenta The Raven, o picotar melódico a que sabe Cue Synthesizer e o mistério lírico que se entranha nas diferentes camadas sintéticas de Foolsong, além de também piscarem o olho a latitudes sonoras mais consentâneas com as tendências atuais do espetro sonoro em que os Destroyer se movimentam, enriquecem tremendamente o cardápio sonoro do projeto e elevam-no a um novo estatuto, como banda fundamental do indie rock alternativo contemporâneo. Espero que aprecies a sugestão...

Destroyer - Have We Met

01. Crimson Tide
02. Kinda Dark
03. It Just Doesn’t Happen
04. The Television Music Supervisor
05. The Raven
06. Cue Synthesizer
07. University Hill
08. Have We Met
09. The Man In Black’s Blues
10. Foolssong


autor stipe07 às 16:33
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Segunda-feira, 3 de Fevereiro de 2020

Spicy Noodles - Sensacional!

A brasileira Érika Machado e a portuguesa Filipa Bastos são as Spicy Noodles, uma dupla que busca sons e imagens para escrever um diário a quatro mãos e são as responsáveis por toda a parte criativa, das composições e execução das músicas, dos vídeos, às ilustrações, fotografias, e o que mais for preciso. Chamaram a atenção dos mais atentos em janeiro de dois mil e dezassete quando conseguiram incluir o single Leve Leve no álbum Novos Talentos Fnac 2017 e viram esse tema no top A3_30 da Antena 3 durante alguns meses.

Agora, no início de dois mil e vinte, as Spicy Noodles estreiam-se nos discos com Sensacional!, um álbum com a chancela da conimbricense Lux Records, um alinhamento de nove canções idealizado entre Julho e Agosto do ano transato, gravado e pré produzido no estúdio caseiro Quebra Galho em Coimbra e produzido, misturado e masterizado por John Ulhoa, no Estúdio 128 Japs em Belo Horizonte no Brasil.

Sensacional! é mesmo isso... um disco mesmo sensacional, um registo vibrante, com uma luz que irradia otimismo, cor, alegria e alegoria, proporcionando-nos quase meia hora de boa disposição e de uma diversificada paleta de canções capazes de nos transmitir, sem grande esforço, sentimentos bonitos enquanto recarregam as nossas reservas de positivismo e força de ontade para encarar os desafios diários que a vida nos coloca, no implacável movimento de um calendário que não admite a mínima pausa.

Nele, uma vasta miríade instrumental, que amplia a superior destreza interpretativa da dupla, conjura entre si e reparte dividendos, à medida que folhos e laços de samples, guitarras, teclados, brinquedos e bits eletrónicos se misturam e criam uma explosão de barulhinhos em cada uma das canções que, em suma, podem muito bem ser o diário de bordo do quotidiano de qualquer comum mortal. As guitarras efusiantes e o teclado retro de Sensacional, o festim sintético da pueril José Francisco, a ode à melhor pop oitocentista a que sabe Converseta ou o ecoante travo nostálgico de Por Aí e o charme único de Online E Invisível, são alguns dos momentos maiores de um disco com um tempero singular e viciante. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 13:27
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Quinta-feira, 30 de Janeiro de 2020

Clock Opera – Imaginary Nation

Clock Opera - Imaginary Nation

Será já a sete de fevereiro que os Clock Opera irão fazer chegar aos escaparates Carousel, o terceiro e novo disco da banda britânica liderada por Guy Connelly e sucessor do muito recomendável registo Venn, lançado há quase dois anos. Carousel foi gravado nos próprios estúdios da banda em Londres, sendo, de acordo com informações recentemente divulgadas, um compêndio de pop futurística inspirado em autores de bandas sonoras de filmes de ficção científica, como Jerry Goldsmith ou Mica Levi.

Imaginary Nation, o mais recente avanço divulgado de Carousel, faz juz a essa estimativa já largamente divulgada, já que se trata de uma composição intensa, em que samples eletrónicos são processados e recortados numa frequência absurda e com o registo em falsete da voz de Guy Connelly a atingir uma elevada bitola, num belíssimo momento sonoro que nos envolve num turbilhão contagiante de emoções.. Confere...


autor stipe07 às 13:22
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Terça-feira, 21 de Janeiro de 2020

Bombay Bicycle Club – Everything Else Has Gone Wrong

No ativo há já década e meia, os Bombay Bicycle Club deJack Steadman, Jamye MacCol, Suren de Saram e Ed Nash, abriram as hostilidades em grande forma, em dois mil e nove, com o promissor registo I Had the Blues But I Shook Them Loose e, desde logo, firmaram um lugar de relevo no cenário indie de terras de Sua Majestade. A partir daí, mantendo uma interessante média de lançamentos conceptualmente distintos, nomeadamente Flaws (2010), A Different Kind of Fix (2011) e So Long, See You Tomorrow (2014), nunca deixaram de, álbum após álbum, cimentar essa posição, que atinge o pico à boleia de Everything Else Has Gone Wrong, o quinto registo do grupo, um disco que quebra um inesperado hiato de cinco anos, tendo em conta a frequência temporal dos trabalhos anteriores, e que contém, talvez, o alinhamento mais consistente, assertivo e eclético deste projeto de Crouch End, nos arredores de Londres.

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O caminho traçado pelos Bombay Bicycle Club deu sempre elevado protagonismo à criação de efervescentes composições assentes numa filosofia sonora que, dando também primazia ao baixo e às guitarras, foram sobrevivendo à sombra da omnipresença do sintetizador, nomeadamente nos arranjos melódicos, criando, desse modo, sagazes interseções entre rock e eletrónica. O antecessor So Long, See You Tomorrow foi o expoente máximo deste receituário, que também primou por uma elevada versatilidade na seleção dos arranjos que adornavam as composições, como se percebeu em temas como Luna e Carry Me, dois belos exemplos dessa opção estilística presentes no trabalho de dois mil e catorze. E estas são nuances que neste Everything Else Has Gone Wrong ganham uma nova dimensão, graças a canções do calibre da sumptuosa Eat, Sleep, Wake (Nothing But You), a melancólica composição homónima ou a extremamente criativa I Can Hardly Speak, um tema em que uma extravagante base sintética, acomoda com superior requinte cordas e metais, enquanto Steadman nos oferece o seu já habitual elevado e inédito grau de entrega e de intimidade.

A presença de galardoado produtor John Congleton (St. Vincent, Sharon Van Etten, War on Drugs) nos créditos do registo terá sido, certamente, fator decisivo para que os Bombay Bicycle Club apresentassem neste Everything Else Has Gone Wrong, como já referi, o seu registo mais heterógeneo, mas também curiosamente, o trabalho com maiores parecenças relativamente ao que se faz do lado de lá do atlântico. Além dos três temas já referidos, com particular destaque para o programado vigor algo punk em que alicerça Eat, Sleep, Wake (Nothing But You), a efervescente luminosidade de I Worry Bout You e o clima mais progressivo e encantatório de Good Day, proporcionam ao ouvinte momentos de familiariedade com as propostas mais recentes de nomes tão proeminentes do cenário indie norte-americano, como os Broken Social Scene ou os The New Pornographers.

Disco diversificado, pulsante, optimista e luminoso, Everything Else Has Gone Wrong tem um travo de efervescência e impulsividade únicos, com guitarras e sintetizadores a lançarem constantentemente nos nossos ouvidos vibrações e melodias de esperança e renovação, que não só colocam a banda no trilho de um rock mais cru e direto, como também amplificam a sensação de estarmos perante uma espécie de caleidoscópio sonoro de forte cariz hipnótico, lisérgico e emocional e em que conceitos como o ambiente, a harmonia, a libertação e o amor e o crescimento, ajudam a engrandecer, mais do que nunca, o percurso discográfico dos Bombay Bicycle Club. Espero que aprecies a sugestão...

Bombay Bicycle Club - Everything Else Has Gone Wrong

01. Get Up
02. Is It Real
03. Everything Else Has Gone Wrong
04. I Can Hardly Speak
05. Good Day
06. Eat, Sleep, Wake (Nothing But You)
07. I Worry Bout You
08. People People (Feat. Liz Lawrence)
09. Do You Feel Loved?
10. Let You Go
11. Racing Stripes


autor stipe07 às 14:52
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Quinta-feira, 12 de Dezembro de 2019

MGMT – In The Afternoon

MGMT - In The Afternoon

Quase dois anos depois de Little Dark Age, a dupla norte-americana MGMT formada por Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser, volta a dar sinais de vida com o anúncio do lançamento de um single de 12 polegadas do tema In The Afternoon, que inclui o b side As You Move Through The World, sendo a estreia da banda na sua própria etiqueta, recém-criada, a MGMT Records.

In The Afternoon, canção também já com direito a um extraordinário vídeo da autoria da própria dupla e misturada por Dave Fridmann, coloca os MGMT na senda daquela pop cheia de glamour que foi rainha dos anos oitenta do século passado, através de uma voz com aquele tom grave que era comum na época, mas também de efusivos teclados e guitarras com o grau de rugosidade ideal, não faltando na composição uma vibe psicadélica e um grau de epicidade interessantes, nuances que mostram que os MGMT continuam a chegar ao estúdio de mente aberta e dispostos a servir-se de tudo aquilo que é colocado ao seu dispôr para criar músca, sejam instrumentos eletrónicos ou acústicos e assim fazerem canções deliciosias no modo como contêm uma dupla faceta de nostalgia e contemporaneidade. Confere...


autor stipe07 às 12:45
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Quinta-feira, 5 de Dezembro de 2019

Beck – Hyperspace

Colors ainda não tem três anos, o single Tarantula, inserido na banda-sonora do filme Roma, escrito e dirigido por Alfonso Cuarón, um, mas Beck Hansen, uma referência icónica da música popular das últimas duas décadas, já tem disco novo, um registo intitulado Hyperspace, um tomo de onze canções que viu recentemente a luz do dia, à boleia da Capitol Records.

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O frenesim criativo não é algo inédito neste músico californiano que no início da década de noventa atuava em clubes noturnos vestido de stormtrooper e que da aproximação lo-fi ao hip-hop de Mellow Gold Odelay, passando pela melancolia de Sea Change e a psicadelia de Modern Guilt, nos foi habituando, nas últimas três décadas, a frequentes e bem sucedidas inflexões sonoras. Produzido por Pharell Williams e o próprio autor, Hyperspace, o décimo quarto registo de originais da carreira de Beck, acaba por ser mais um passo em frente relativamente às pegadas do antecessor Colors, um trabalho que, recordo, fez Beck regressar ao trilho da pop mais efervescente, sintética e luminosa e que estava repleto de canções a apelarem às pistas e à criatividade dos remisturadores.

O tal passo em frente de Hyperspace relativamente a Colors é dado em direção a uma filosofia estilística e interpretativa menos burilada e mais simples, direta e minimal. No entanto, mantém-se a fixação recente de Beck pelos anos oitenta do século passado, num disco repleto de tiques típicos do R&B, da soul e da pop lisérgica, num resultado final onde ironia, festa e uma auto reflexão muitas vezes emotiva são conceitos transversais a todo o alinhamento.

Assim, se as cordas de Die Waiting nos oferecem aquele Beck que é exímio em criar melodias agradáveis, marcantes e ricas em detalhes e texturas, dentro de um espetro pop eminentemente contemplativo, já Saw Lightning, pouco mais de quatro minutos de um efervescente festim pop, que sobressai pela luminosidade das cordas de uma viola, por diversos detalhes percurssivos e pelo fuzz intermitente de uma teclado, oferece-nos o tal outro lado mais animado e consentâneo com as propostas mais sintéticas do autor. Depois, Chemical, uma lindíssima balada onde sobressai um teclado que acompanha com mestria aquele efeito mais doce com que o músico costuma adornar a sua voz quando quer transmitir algo mais profundo, é outro oásis etéreo dentro de um registo que também vive muito de uma componente cósmica, no que concerne ao cardápio de efeitos e sintetizações que adornam algumas das suas composições.

Recheado de outros ilustres convidados, nomeadamente os colegas de longa data de Beck, Jason Falkner, Smokey Hormel e Roger Manning Jr., Greg Kurstin, que coescreveu e coproduziu See Through, uma mescla feliz entre R&B e chillwave, Paul Epworth que fez o mesmo em Star, Chris Martin que participa em Stratosphere, Terrell Hines, no tema homónimo do disco e Sky Ferreira nos coros de Die Waiting, Hyperspace não é ainda uma aproximação bem conseguida aos melhores trabalhos da carreira de Beck, mas contém um pretexto explícito, mensagens contundentes e uma identidade bem definida, além de um forte sentido de contemporaneidade e de aproximação às tendências comerciais mais ouvidas na música atual. Espero que aprecies a sugestão...

Beck - Hyperspace

01. Hyperlife
02. Uneventful Days
03. Saw Lightning
04. Die Waiting (Feat. Sky Ferreira)
05. Chemical
06. See Through
07. Hyperspace (Feat. Terrell Hines)
08. Stratosphere
09. Dark Places
10. Star
11. Everlasting Nothing


autor stipe07 às 13:40
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Quarta-feira, 4 de Dezembro de 2019

Tame Impala – Posthumous Forgiveness

Tame Impala - Posthumous Forgiveness

Quase cinco anos após Currents e a testar os limites da nossa paciência devido a tão prolongado hiato, eis que os australianos Tame Impala de Kevin Parker voltam, finalmente, a dar sinais de vida comThe Slow Rush, o novo registo de originais do projeto, um alinhamento com doze músicas gravadas, produzidas e misturadas pelo próprio Parker entre Los Angeles e o estúdio do artista em Fremantle, na Austrália, onde reside. The Slow Rush tem data de lançamento prevista para catorze de fevereiro do próximo ano, à boleia da Modular Records, a habitual etiqueta do grupo.

Posthumous Forgiveness é já o quarto tema divulgado de The Slow Rush. Os leitores mais atentos de Man On The Moon certamente recordam-se que este ano a nossa redação já divulgou as composições Patience e Borderline e It Might Be Time

Quanto ao seu conteúdo, Posthumous Forgiveness é, na verdade, uma junção daquilo que eram inicialmente duas composições distintas, com o resultado final a oferecer-nos pouco mais de seis minutos de um pop rock de forte matriz psicadélica e com uma atmosfera sonora bastante aprazível, tremendamente épica e de forte pendor setentista. Aliás, uma regra essencial da filosofia estilistica dos Tame Impala, tem a ver com o foco e um enorme ênfase na nostalgia, mas tal reflete-se não numa cópia declarada de tiques, mas antes numa projeção de sintetizações, batidas e linhas de guitarra feita com uma contemporaneidade invulgar. Estes serão, certamente, e tendo em conta todas as amostras já divulgadas, alguns dos detalhes fundamentais daquele que será o quarto alinhamento dos Tame Impala e certamente um dos marcos discográficos de dois mil e vinte. Confere...


autor stipe07 às 12:38
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Sexta-feira, 29 de Novembro de 2019

The Flaming Lips - The Soft Bulletin: Recorded Live At Red Rocks With The Colorado Symphony Orchestra

Poucos meses após King's Mouth, um álbum conceptual baseado no estúdio de arte com este nome que esta banda norte americana abriu há quatro anos e que fala de um rei gigante bebé que quando cresceu fê-lo de tal modo que sugou para dentro da sua enorme cabeça todas as auroras boreais e de uma coletânea com os maiores êxitos da carreira com a chancela da Warner Brothers Records, os The Flaming Lips de Wayne Coyne estão de regresso com The Soft Bulletin: Recorded Live At Red Rocks With The Colorado Symphony Orchestra, um registo de doze canções que se assume como o primeiro ao vivo da banda de Oklahoma.  The Soft Bulletin: Recorded Live At Red Rocks With The Colorado Symphony Orchestra conta, como o próprio título indica, com a participação especial de cento e vinte e cinco elementos da Colorado Symphony Orchestra, conduzidos pelo maestro Andre De Ridder, sessenta e oito insturmentistas e cinquenta e sete cantores e reproduz o alinhamento de The Soft Bulletin, considerada por muitos como a obra-prima dos The Flaming Lips, um disco que está a comemorar vinte anos de vida.

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Quem conhece a fundo a trajetória desta banda percebe que este registo ao vivo só pode ter sido incubado pela mente de um Coyne que é, claramente, um dos artistas mais criativos do cenário indie contemporâneo e que percebe, talvez melhor que ninguém, que as componentes visual e teatral são, a par do conteúdo sonoro, também essenciais na promoção e divulgação musical. E ao escutar-se The Soft Bulletin: Recorded Live At Red Rocks With The Colorado Symphony Orchestra, um concerto que teve lugar a vinte e seis de maio de dois mil e dezasseis, a ideia com que imediatamente se fica é que, mesmo não se vendo o palco e a multidão defronte, adivinha-se um orgasmo de cor feito de confetis e balões e até de dramatização de canções que são verdadeiras pérolas do catálogo indie e alternativo de final do século passado.

De facto, na majestosidade das cordas e da percurssão vibrante de Race For The Prize, nos sopros, nos violinos lacrimejantes e na harpa que enfeitiça A Spoonful Weighs A Ton, nos efeitos etéreos e nas nuvens agridoces de sons feitos com trompetes e clarinetes que parecem flutuar em The Spark That Bled, no modo como o piano e os sopros namoram em de The Spiderbite Song e também em Buggin', na suavidade flourescente de What Is The Light?, na luminosidade da curiosa acusticidade das teclas que abastecem Waitin' For A Superman e na inflamante rugosidade do baixo e das distorções que vagueiam por Feeling Yourself Disintegrate, somos convidados a contemplar um extraordinário tratado de indie rock, mas também de música clássica, um caldeirão de natureza hermética e de enormes proporções, porque além de existir neste alinhamento diversidade e heterogeneidade, cada composição tem um objetivo claro dentro da narrativa subjacente à filosofia que incubou The Soft Bulletin, compartimentando-a e ajudando assim o ouvinte a perceber de modo mais claro, orgânico e impressivo toda a trama idealizada há já duas décadas. 

The Soft Bulletin: Recorded Live At Red Rocks With The Colorado Symphony Orchestra conduz-nos, então, numa espécie de viagem apocalíptica, onde Coyne, exemplarmente secundado pelo maestro Andre De Ridder, assume o papel de guia, num resultado final que ilustra na perfeição o cariz poético, teatral e orquestral dos The Flaming Lips, um grupo ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade e sempre capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-los para cenários complexos, mas repletos de sensações únicas que só eles conseguem transmitir. Espero que aprecies a sugestão...

The Flaming Lips - The Soft Bulletin Recorded Live At Red Rocks With The Colorado Symphony Orchestra

01. Race For The Prize
02. A Spoonful Weighs A Ton
03. The Spark That Bled
04. The Spiderbite Song
05. Buggin’
06. What Is The Light?
07. The Observer
08. Waitin’ For A Superman
09. Suddenly Everything Has Changed
10. The Gash
11. Feeling Yourself Disintegrate
12. Sleeping On The Roof


autor stipe07 às 17:52
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