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Moby – Natural Blues (Reprise Version)

Sábado, 01.05.21

O músico e produtor nova iorquino Moby tem nove álbuns na última década, vivendo uma das fases mais inspiradas e produtivas de uma já longa e respeitável carreira, que tem feito dele um dos expoentes maiores da eletrónica do novo milénio. O novo passo que Moby se prepara para dar é uma compilação de versões de alguns dos seus maiores sucessos, concretamente treze, com novos arranjos e uma filosofia eminentemente acústica, com a ajuda da Budapest Art Orchestra.

Watch The Video For Moby's Natural Blues Ft. Gregory Porter

Esse disco chama-se Reprise, irá ver a luz do dia a vinte e oito de maio à boleia da Deutsche Grammophon e além da orquestra já referida, também contará com as participações especiais de Gregory Porter, Jim James (My Morning Jacket), Mindy Jones, Víkingur Ólafsson, Kris Kristofferson e Skylar Grey, entre outros.

O tema mais recente divulgado de Reprise é a versão do clássico Natural Blues que, como certamente se recordam, fazia parte de Play, o fabuloso disco de estreia que Moby lançou em mil novecentos e noventa e nove. A mesma conta com a participação vocal da dupla Gregory Porter e Amythyst Kiah e sustenta-se numa dinâmica interpretativa com elevado cariz orquestral e progressivo, ampliada por um travo gospel intenso, que dá um aspecto ainda mais magnificiente ao já robusto original, algo esperado devido à escolha dos intérpretes, especialistas na replicação de ambientes negros, mas plenos de soul. Confere...

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publicado por stipe07 às 14:25

Ghost Of Vroom – Ghost Of Vroom 1

Segunda-feira, 26.04.21

Depois de um aclamado percurso discográfico com três tomos nos anos noventa, Mike Doughty colocou os míticos Soul Coughing numa situação de pousio e dedicou-se a uma profícua carreira a solo, quer como produtor, quer como compositor, tendo o artista produzido dezoito discos já no século XXI, a maioria deles com a chancela da etiqueta ATO de Dave Matthews. Durante estas mais de duas décadas Doughty evitou sempre mexer no catálogo dos Soul Coughing, descrevendo essa fase da sua vida como um casamento obsessivo e sombrio e que já tinha terminado. Seja como for, em dois mil e treze deu luz verde à compilação Circles, Super Bon Bon, and The Very Best of Soul Coughing, chegando a dar nova roupagem a algumas das canções mais emblemáticas do projeto.

Soul Coughing's Mike Doughty prepares new Ghost of Vroom release

Dois anos depois Doughy mudou-se para Memphis onde contactou com o coletivo de hip-hop Unapologetic, uma colaboração que o transportou para territórios sonoros familiares e o levou a equacionar uma potencial reunião dos Soul coughing, juntamente com o seu parceiro nesse projeto Andrew "Scrap" Livingston. No entanto, como não queriam voltar com a palavra atrás em relação ao tal casamento, a dupla rebatizou os soul coughing com o nome Ghost Of Vroom, uma alusão a Ruby Vroom, o disco de estreia dos Soul Coughing, estrearam-se com o EP Ghost of Vroom 2 (no passado mês de julho e agora chegou a hora de colocarem nos escaparates o longa duração que, curiosamente, já estava gravado antes desse EP de estreia ter sido divulgado, como se percebe pelo título.

Para conceber e gravar Ghost Of Vroom 1, registo que viu a luz do dia a vinte e nove de março à boleia da Mod y Vi Records, Doughty e Livingston viajram para Los Angeles para trabalhar com o produtor Mario Caldato Jr., referência ímpar da carreira dos Beastie Boys. Chamaram ao estúdio o baterista Gene Coye, figura relevante do jazz em Los Angeles e depois dividiram entre si o restante arsenal instrumental, com Doughty a ocupar-se das guitarras e dos samplers e Livingston do baixo, dos teclados e das restantes cordas. Divisão feita, a improvisação tornou-se pedra de toque no processo de incubação e o resultado final é um excelente alinhamento que nos transporta de modo impressivo para a herança dos Soul Coughing enquanto jazz, hip-hop e rock conjuram entre si de modo cativante, e com uma senjsibilidade poética ritmicamente vibrante. Desde o delicioso travo a rap de rua de Memphis Woofer Rock, ao rock espacial de I Hear the Axe Swinging, passando pelo rap anguloso, ecoante e comestível de More Bacon Than the Pan Can Handle, o blues incandescente que exala de Miss You Like Crazy, o mais apocalítico de Revelator, o noise rugoso de They Came In the Name of the People e o registo interpretativo mais tradicional de James Jesus Angleton, mantém-se sempre firme um propósito estilístico bem vincado e interpretado com um grau qualitativo elevadíssimo, por parte de uma dupla cujo regresso ao ativo em conjunto irá agradar aos fãs saudositas dos Soul Coughing, mas também a novos públicos, que estejasm sempre sedentos de algo diferente e refrescante. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 15:24

Flock Of Dimes – Head Of Roses

Quarta-feira, 07.04.21

A cantora e compositora Jenn Wasner, membro fundamental da banda Wye Oak, mas também com uma respeitável carreira a solo assinada como Flock of Dimes, passou por cá há alguns meses por ter dado as mãos a Roberto Carlos Lange, aka Helado Negro e a Devendra Banhart, para assinarem, em conjunto, uma versão do clássico Lotta Love de Neil Young. Agora, no pontapé de saída da primavera de dois mil e vinte e um, Flock Of Dimes tem um novo disco nos escaparates, à boleia da Sub Pop Records. Chama-se Head Of Roses, foi gravado com a ajuda de Nick Sanborn, do projeto Sylvan Esso, nos estúdios Chapel Hill e conta com as participações especiais de Meg Duffy, Matt McCaughan, membro do projeto Bon Iver, Andy Stack, colega de Jenn nos Wye Oak e Adam Schatz, dos Landlady.

Watch Flock of Dimes' official video for “Hard Way,” a new offering from  Head of Roses in Sub Pop Records News

Head Of Roses é um registo muito íntimo e pessoal, um exercício de cedência aos instintos mais básicos de Wasner que clamam que a mesma confesse a quem a quiser escutar, algumas das suas maiores angústias do momento, utilizando a música como veículo privilegiado para esse exercício comunicacional. E a autora fá-lo com uma acolhedora e charmosa filosofia auditiva, sustentada entre climas acústicos e divagações eletrónicas, tudo preenchido com alguns dos cânones fundamentais daquele rock que também tem a folk mais clássica em ponto de mira. O resultado é uma simbiose feliz entre composições mais contemplativas como a confessional Lightning, a cósmica e deambulante Hardway, ou a serena e aconchegante Walking e outras com elevada vibração e sentimentalismo. Neste último parâmetro merece amplo destaque a rugosidade e o majestoso solo da guitarra de Price Of Blue, o superior registo interpretativo vocal de One More Hour, ou a salutar confusão sonora que norteia Two, uma composição vibrante, em que a percurssão assume uma faceta muito experimental e heterogénea.

Disco com uma atmosfera sonora simultaneamente íntima e eloquente, Head Of Roses plasma a ténue fronteira que exite no âmago de todos nós e que separa a nossa necessidade de independência, da inevitabilidade de precisarmos dos outros para nos sentirmos felizes, em suma, o desejo que todos sentimos de sermos autónomos e a necessidade biológica de criarmos laços com quem amamos. É, em suma, um espelho dos tempos em que vivemos, um modo eloquente mas também intrigante de demonstrar a nossa incapacidade de percebermos que é muito pouco aquilo que controlamos realmente do nosso destino, quando comparado com aquilo que pensamos e ansiamos controlar. Espero que aprecies a sugestão...

Flock Of Dimes - Two

01. 2 Heads
02. Price Of Blue
03. Two
04. Hard Way
05. Walking
06. Lightning
07. One More Hour
08. No Question
09. Awake For The Sunrise
10. Head Of Roses

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publicado por stipe07 às 17:20

Moby – Porcelain (Reprise Version)

Quarta-feira, 31.03.21

O músico e produtor nova iorquino Moby tem nove álbuns na última década, vivendo uma das fases mais inspiradas e produtivas de uma já longa e respeitável carreira, que tem feito dele um dos expoentes maiores da eletrónica do novo milénio. O novo passo que Moby se prepara para dar é uma compilação de versões de alguns dos seus maiores sucessos, concretamente treze, com novos arranjos e uma filosofia eminentemente acústica, com a ajuda da Budapest Art Orchestra.

Moby anuncia álbum com orquestra e libera nova versão de "Porcelain" - A  Rádio Rock - 89,1 FM - SP

Esse disco chama-se Reprise, irá ver a luz do dia a vinte e oito de maio à boleia da Deutsche Grammophon e além da orquestra já referida, também contará com as participações especiais de Gregory Porter, Jim James (My Morning Jacket), Mindy Jones, Víkingur Ólafsson, Kris Kristofferson e Skylar Grey, entre outros.

Um dos temas já conhecidos do registo é a versão do clássico Porcelain que, como certamente se recordam, fazia parte de Play, o fabuloso disco de estreia que Moby lançou em mil novecentos e noventa e nove. A mesma conta com a participação vocal de Jim James, o vocalista dos My Morning Jacket e sustenta-se numa eletrónica de cariz ambiental e progressivo, onde não falta um clima melancólico que dá um aspecto algo sombrio à música, o que combina bem com a escolha do intérprete, um especialista na replicação de ambientes mais negros. Confere...

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publicado por stipe07 às 12:01

Metronomy – The Look (MGMT Remix)

Terça-feira, 30.03.21

A comemorar dez anos de existência, The English Riviera é o título do fabuloso disco de estreia dos Metronomy, um projeto nascido da fértil imaginação de Joseph Mount, natural da pequena localidade de Totnes, Devon, sudoeste de Inglaterra; Reza a lenda que tudo começou quando o pai lhe ofereceu um computador para que ele pudesse dedicar-se à produção de música electrónica no quarto, onde se ouvia discos de Autechre, LFO, Aphex Twin e Devo, entre outros.

MGMT Remix Metronomy's “The Look”: Listen | Pitchfork

O motivo da recordação por este dias de The English Riviera é que o registo vai ser alvo de reedição no ocaso deste mês de Abril. Será um disco duplo, que além do alinhamento original incluirá seis temas extra. Um deles é a remistura para o tema The Look, da autoria dos MGMT, uma roupagem da canção ainda mais melancólica que o original e na qual é possível identificar o som ecoante e lisérgico tão peculiar dos MGMT que, já agora, ainda não têm sucessor previsto para Little Dark Age (2018). Confere...

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publicado por stipe07 às 19:25

Saint Motel – Feel Good

Quarta-feira, 17.03.21

Formados em Los Angeles no já longínquo ano de dois mil e sete, os Saint Motel de A/J Jackson, Aaron Sharp, Dark Lerdamornpong e Greg Erwin são um dos segredos mais interessantes e mais bem guardados da indie pop contemporânea. Merecem destaque por estes dias devido a um tema intitulado Feel Good e que faz parte da banda sonora da comédia Yes Day, um dos filmes de maior sucesso da plataforma de streaming Netflix, realizado por Miguel Arteta e que conta no elenco com nomes como Jennifer Garner, Edgar Ramirez, Jenna Ortega, Julian Lerner, Everly Carganilla, Arturo Castro, Nat Faxon, Fortune Feimster e Molly Sims.

Saint Motel Pour Over 'Scripts' of Three-Part 'Original Motion Picture  Soundtrack'

Feel Good é um verdadeiro portento de dance music, uma composição enleante, com um ritmo implacável no modo como nos consegue colocar a dançar, mesmo que de modo instintivo e que, na ausência deste período forçado de confinamento, poderia muito bem fazer furor em qualquer pista de dança atual. Confere...

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publicado por stipe07 às 20:57

Everything Everything - Supernormal

Terça-feira, 16.03.21

art rock crescente e explosivo dos britânicos Everything Everything, regressou no verão passado com Re-Animator, o último disco da banda de Jonathan Higgs, o quinto registo do grupo oriundo de Manchester e que apostou num formato eminentemente sintético, um eletropop plasmado no modo exemplar como efeitos sintetizados cósmicos e baterias eletrónicas conduziam a maior parte dos temas.

Everything Everything discuss 'A Fever Dream': "It was more about  collective shock" | Features | DIY

Agora, no início de mais uma primavera, o projeto volta à carga com Supernormal, uma nova canção composta durante o período de gravação de Re-Animator, um rodopio eletrificado, carimbado por uma construção melódica estrutural minuciosamente planeada, rematada pelo falsete único de Higgs, que também assina o vídeo do tema. Confere...

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publicado por stipe07 às 14:01

BirdPen – All Function One

Terça-feira, 09.03.21

Os BirdPen são uma banda de rock eletrónico alternativa formada por Dave Pen (cantor e guitarrista dos Archive) e o guitarrista e teclista Mike Bird. O projeto tem já um respeitável catálogo, sendo a adição mais recente All Function One, um tomo de doze canções, o sexto do grupo de Southampton, produzidas e masterizadas pela própria dupla e pelo carismático Frank Arkwright nos míticos estúdios Abbey Road, em Londres.

BirdPen chante les "Invisible" dans son nouveau single - Rolling Stone

Mais um disco gravado em período período pandémico, à semelhança do que sucede com vários registos que vão chegando aos escaparates e à nossa redação por estes dias, All Function One é uma jornada reflexiva sobre o modo como Dave e Mike viveram dois mil e vinte e os períodos de isolamento imposto que tiveram que experienciar. No entanto, aproveitando a temática, acabaram também por se debruçar sobre todos aqueles a quem a pandemia não trouxe nada de novo porque vivem já enclausurados, há anos a fio, pelas mais variadas circunstâncias, havendo mesmo uma personagem em específico que inspirou de modo intenso a dupla: At the time we wrote the songs they weren’t about a global pandemic that forced everyone to stay inside, but about people who already spent most of their lives indoors due to fear of the outside world. You can have everything you want from your own home these days, even creating a virtual partner. However, by the time we mixed the album in March this theme had become a reality. There was a story about a man who didn’t leave his home for years, built a silver room with no electrical appliances or phone, etc to keep out the radiation. It was really inspiring but also quite tragic. It helped build a kind of narrative to the album. Switching off from everything almost feels like an impossible thing to do these days. Modern junk continually drip feeds into us all. The album follows this theme and also about living in a designed life that is cold, fake and faceless with people feeling lost and invisible.

Sonoramente, All Function One é uma amálgama bem arquitetada, minuciosamente projetada com guitarras repletas de distorções psicadélicas e linhas de baixo vigorosas. Partindo dessa permissa, da eletrónica mais clássica ao krautrock, sempre com uma elevada atmosfera cinemtográfica presente, o disco segue a sua narrativa sem complacência, com a atmosfera sempre crescente, rumo à eloquente majestosidade de Function, o clássico rock vibrante de Life In Design, o intimismo frágil, etéreo e ternurento de Seat 35, a hipnótica cadência da secção rítmica pulsante de Modern Junk, o acerto jazzístico de Flames, ou o irresistível romantismo da acusticidade das cordas que conduzem Shakes a congregarem toda uma vastidão de subgéneros sonoros, apimentados por um travo intenso a melancolia e lisergia, sensações que caminham constantemente lado a lado, em todas estas paisagens multicoloridas de sons e sentimentos que deambulam pelos nossos ouvidos num frágil balanço entre uma eletrónica com um vincado sentido cósmico e uma indulgência orgânica imponente.

De facto, All Function One é um lugar mágico, com um toque de lustro de forte pendor introspetivo, ausente de constrangimentos estéticos, um compêndio de canções que nos ajuda a observar como é viver num mundo onde somos a espécie dominante e protagonista, mas também sujeita às contrariedades mais inesperadas que a mãe natureza implacavelmente nos coloca, um trabalho experimentalista naquilo que o experimentalismo tem por génese: a mistura de coisas existentes, para a descoberta de outras novas, como tão bem prova Blackhole, uma das mais bonitas canções que já foi possível escutar este ano. Espero que aprecies a sugestão...

BirdPen - All Function One

01. Function
02. Life In Design
03. Modern Junk
04. Shakes
05. Seat 35
06. Blackhole
07. Flames
08. Otherside
09. Changes
10. Universe
11. Invisible
12. Undone

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publicado por stipe07 às 14:32

Sondre Lerche – King Of Letting Go

Domingo, 07.03.21

Sondre Lerche é um músico, cantor e compositor norueguês que vive em Brooklyn, Nova Iorque e que também se tem notabilizado pela composição de bandas sonoras, além do seu trabalho a solo. Impressionou esta redação há uma meia década com Please, um disco que apostava numa pop que entre o nostálgico e o esplendoroso, tinha algo de profundamente dramático e atrativo. Eram dez músicas diversificadas e acessíveis, repletas de melodias orelhudas e que, tendo sido alvo de uma produção aberta e notoriamente inspirada, proporcionavam uma festa pop, psicadélica e sensual.

Sondre Lerche and the Art of Radical Sincerity | PopMatters

Em dezembro último Sondre Lerche regressou aos discos com Patience, um registo que chegou aos escaparates à boleia do selo PLZ e que nos ofereceu um deslumbrante festim de sons, cadências rítmicas e dissertações melódicas que, abarcando diversos estilos, entroncavam naquela dream pop de forte cariz eletrónico, mas cada vez mais rugosa e imponente e que, para que tal suceda com brilho, não receia ser instrumentalmente arriscada.

Agora, dois meses depois desse álbum, o Sondre Lerche divulga uma composição intitulada King Of Letting Go, que encontra a sua essência num conceito pop majestoso e contundente, assente em sons inteligentes e solidamente construídos, que nos emergem num universo carregado de batidas e ritmos que não deixam de exalar um certo erotismo, daqueles que também terá vontade de nos pôr a dançar. Confere...

Sondre Lerche - King Of Letting Go

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publicado por stipe07 às 21:45

LNZNDRF – II

Terça-feira, 16.02.21

Depois de cerca de meia década de uma longa e penosa espera, já viu finalmente a luz do dia II, o novo registo de originais do super grupo LNZNDRF, que junta Ben Lanz e Aaron Arntz dos Beirut e Scott e Bryan Devendorf dos The National. Abrigado pela Rough Trade, II é um daqueles excelentes instantes sonoros que merecem figurar em lugar de destaque na indie contemporânea, criado por um quarteto que parece tocar submergido num mundo subterrâneo de onde debita música através de tunéis rochosos revestidos com placas metálicas que aprofundam o eco de composições que impressionam pelo forte cariz sensorial.

Resultado de imagem para LNZNDRF

II abre as hostilidades com um piano tocado em surdina, mas que rapidamente perde a vergonha e se deixa contagiar por uma incontida avidez que sobrevoa um baixo rugoso que vai rodando numa espiral continua e agregando cada vez mais detalhes sonoros, uns sinistros outros reluzentes, das mais diversas proveniências, sejam elas acústicas, percurssivas ou sintéticas. É The Xeric Steppe, uma indisfarçável busca por um clímax que por volta do quarto minuto se manifesta, através da bateria vigorosa de Bryan Devendorf, um baixo corpulento e uma tenebrosa guitarra, numa composição que acaba por nos esclarecer o estilo e marca de um disco que será, até ao seu ocaso, um verdadeiro orgasmo de rock com um cariz fortemente ambiental, mas também amplamente progressivo. Esta receita volta a deslumbrar-nos alguns minutos depois, de forma menos efusiva, mas igualmente burilada, em Cascade, um cenário idílico para os apreciadores do rock progressivo mais climático e lisérgico.

No entanto, o rock alternativo, na sua essência mais pura e imesiva, é um dos pontos mais fortes de II e um claro avanço relativamente ao antecessor homónimo, patente em algumas das melhores canções do registo. Por exemplo, em Brace Yourself debatemo-nos com um rock pleno de personalidade e força, onde é forte a dinâmica entre uma opção percurssiva arritmada exemplarmente acompanhada por um baixo que parece ser brotar da própria natureza e por um registo vocal efusivo, num encadeamento que nos obriga a um exercício exigente de percepção fortemente revelador e claramente recompensador. Uma receita mais nostálgica e na qual uma guitarra de forte cariz oitocentista assume relevância clara, mas mantendo a opção estilística por um registo sempre crescente, aprimora-se em You Still Rip, canção que rapidamente nos envolve numa espiral de sentimento e grandiosidade, patente também no modo como a voz também se assume como membro pleno do arsenal instrumental, não havendo, como se percebe, regras ou limites impostos para a inserção da mais variada miríade de arranjos, detalhes e ruídos. Finalmente, Chicxulub, um instumental que poderia muito bem ter tido a assinatura dos DIIV, é uma verdadeira trip deambulante proporcionada por um baixo pouco meigo no modo como incorpora doses indiscretas de uma pop suja e nostálgica e Ringwoodite ascende, nas asas de guitarras joviais e orgulhosamenre orgânicas, ao éden da melhor pop, que também se embrenha por todos os poros de Glaskiers, duas fabulosas composições que não se envergonham de dar as mãos a alguns dos pilares essenciais daquele krautrock de forte cariz sensorial.

Gravado em inspiradas jam sessions durante o outono de dois mil e dezanove, nos Estúdios Public Hi-Fi, em Austin, no Texas, II navega num universo fortemente cinematográfico e imersivo e aos seu conteúdo deve atribuir-se um claro nível de excelência, não só devido aos diferentes fragmentos que os LNZNDRF convocaram nos vários universos sonoros que os rodeiam e que da eletrónica, à pop, passando pelo rock progressivo criaram uma relação simbiótica bastante sedutora, mas também porque, embarcando nessa feliz demanda, também não deixaram de partir à descoberta de texturas sonoras que se expressaram com intensidade e requinte superiores, nomeadamente num transversal piscar de olhos objetivo aquela crueza orgânica que aqui faz questão de viver permanentemente de braço dado com o experimentalismo e em simbiose com a psicadelia. Para já, o momento discográfico maior de dois mil e vinte um. Espero que aprecies a sugestão...

LNZNDRF - II

01. The Xeric Steppe
02. Brace Yourself
03. You Still Rip
04. Cascade
05. Chicxulub
06. Ringwoodite
07. Glaskiers
08. Stowaway

 

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publicado por stipe07 às 16:27






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