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Helado Negro – Ya No Estoy Aquí

Quarta-feira, 27.04.22

Poucos meses depois de ter editado o registo Far In, que figurou na lista dos melhores álbuns de dois mil e vinte e um para a nossa redação, o projeto Helado Negro, liderado por Roberto Carlos Lange, um filho de emigrantes equatorianos radicado nos Estados Unidos, está de regresso com um novo tema intitulado Ya No Estoy Aquí, que tem o título inspirado num filme com o mesmo nome assinado por Fernando Frias.

Helado Negro comparte el video de su nueva canción “Ya No Estoy Aquí” -  Rock101

De facto, Roberto Carlos Lange está a começar em grande estilo a sua caminhada ao lado da etiqueta 4AD, para onde se transferiu em dois mil e vinte, quer com o disco Far In, quer com esta nova composição, comprovando, também, estar a viver um dos períodos mais profícuos da sua já respeitável carreira. Além dessa exuberância criativa quantitativa, deve ser realçada igualmente a bitola qualitativa da mesma. Ya No Estoy Aquí é uma lindíssima canção, que escorre sorrateiramente pelos nossos ouvidos, enquanto encarna as já habituais experimentações com samples e sons sintetizados, que fazem parte do receituário de Lange, para recriar um clima bastante acolhedor e imediato e que encarna na perfeição o espírito muito particular e simbólico que pretende para esta nova etapa da sua carreira e da sua música. Confere...

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publicado por stipe07 às 15:30

Hot Chip – Down

Terça-feira, 26.04.22

Os londrinos Hot Chip têm já cerca de duas décadas de uma carreira de créditos firmados e são um projeto absolutamente essencial, quando se quer fazer um ponto de situação rigoroso sobre o estado atual da música de dança. Atualmente formados por Alexis Taylor, John Goddard, Owen Clarke, Felix Martin, Al Doyle, Rob Smoughton e Sarah Jones, os Hot Chip têm esse cariz de banda indispensável porque, além de serem um dos nomes mais consensuais e proficuos do universo sonoro em que navegam, estão cada vez mais ecléticos, uma nuance que deverá ser marca essencial de Freakout/Release, o novo álbum da banda.

Hot Chip: novo disco chega em agosto

Com data de lançamento prevista para dezanove de agosto e com a chancela da Domino Recordings, Freakout/Release será o oitavo disco da carreira dos Hot Chip, tendo sido idealizado e gravado no estúdio da banda, chamado Relax & Enjoy. De acordo com o próprio grupo, será um registo liricamente denso, mas sonoramente vibrante, apelativo e bastante dançável, com a cover que o grupo criou para o clássico Sabotage dos Beastie Boys, a ter servido como rampa de lançamento para a filosofia sonora do trabalho.

Down é o primeiro single retirado de Freakout/Release, um tema extremamente vibrante, que impressiona pela grandiosidade e pela saudável espontaniedade e convincente no modo como as suas guitarras e sintetizaodres nos agarram pelos colarinhos, em direção da pista de dança mais próxima, criado em torno de um looping samplado de um trecho da composição More Than Enough dos Universal Togetherness Band, que fazia parte do disco Saturday Night que este grupo lançou em dois mil e catorze. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:18

Destroyer - Labyrinthitis

Quarta-feira, 06.04.22

Dois anos depois de Have We Met, os canadianos Destroyer de Dan Bejar, já têm na montra o, imagine-se, décimo quarto registo discográfico do projeto, um álbum intitulado Labyrinthitis que viu a luz do dia a vinte e cinco de março, com a chancela da Merge Records.

Destroyer: Labyrinthitis review – wayward, dance-infused weirdness | Pop  and rock | The Guardian

Labyrinthitis, é, certamente, obra de um esforço coletivo, mas deve muito do seu conteúdo, à mente de Dan Bejar, um músico que também está escalado na formação dos The New Pornographers e que não gostando de lutar contra o tempo e não aprecia estipular prazos, prefere que a música escorra na sua mente e depois nas partituras e nos instrumentos de modo fluído, no devido timing e com a pressa que merece, sempre com uma tonalidade algum cinzenta e agreste e eminentemente reflexiva. E, de facto, Labyrinthitis, uma obra muito orgânica, repleta de contrastes, nuances e amálgamas exemplarmente tricotadas e agregadas e que versa sobre assuntos tão díspares como o romance ou o terror, mas também a arte, tem esta filosofia engimática e intrincada, tão do agrado do autor canadiano.

O alinhamento do disco, no seu todo, assenta, essencialmente, em camadas desordenadas de sons sintéticos e orgânicos, um piano e uma bateria em constante desfasamento e o habitual registo vocal peculiar do músico, mais intrigante e sinistro que nunca. A partir daí, na ímpar interioridade reflexiva a que nos instiga It's In Your Heart Now, na parada cósmica a que tresanda June, no delicioso romantismo vintage de All My Pretty Dresses, no festim eletro de Tintoretto, It's For You, no charme pop de Eat The Wine, Drink The Bread, ou na serena ambiguidade do tema homónimo, confrontamo-nos com um compêndio bastante burilado e tremendamente bem conseguido, abrigado num clima eminentemente sofisticado, claramente clássico e moderno.

Labytinthitis é intenso e joga com diferentes nuances sonoras sempre com um espírito aberto ao saudosismo e à relevância inventiva. É um verdadeiro oásis de pop sofisticada em que Bejar eleva a sua escrita críptica e crítica a uma intensidade e requinte nunca antes vistos, rodeado por um grupo de músicos que também já habituou os seus fãs a um espetro rock onde não faltavam de guitarras distorcidas e riffs vigorosos, mas que opta agora, e mais do que nunca, num claro sinal de maturidade e de pujança criativa, por compôr composições que olham de modo mais anguloso para a eletrónica e para ambientes eminentemente clássicos, fazendo-o com superior apuro melódico. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 16:09

Gongori - There Is Nowhere

Domingo, 03.04.22

Gonçalo Alegre, natural de Mangualde, nasceu em Julho de mil novecentos e oitenta e oito. Cresceu numa atmosfera onde predominava a música e assume-se como autodidata em vários instrumentos, iniciando estudos em baixo elétrico aos dezassere anos e mais tarde em contrabaixo, na variante de Jazz. Ainda na adolescência, junta-se a amigos e passa por vários projetos como Crying Machine, Sense?, Metamorfose ou Apiores. A Escola de Jazz do Porto e alguns professores particulares também do Porto foram guias determinantes para a aprendizagem desta linguagem e do contexto artístico e musical português, bem como a descoberta dos músicos que naquela altura partilhavam o mesmo palco nas jam sessions da Esmae.

GONGORI antecipa disco de estreia “Vazio” com videoclip “There is Nowhere”  – Glam Magazine

Em dois mil e oito, ingressa no curso de música no ISEIT em Viseu - Licenciatura de Instrumento – Contrabaixo – variante Clássica, que conclui seis anos depois. Cedo começa a trabalhar em estúdio, estreando-se em dois mil e quinze com o produtor Tim Tautorat nos Hansa TonStudios – Berlim, na gravação de um disco que, curiosamente, nunca foi lançado.

Durante cinco anos, entre dois mil e onze e dois mil e dezasseis, Gonçalo Alegre faz Direção de Produção de Espetáculos na Moita Mostra - Encontro de Artes em Meio Rural, onde conhece Pedro Branco, filho de José Mário Branco, que o convida a produzir o seu disco de estreia - Contigo, nos estúdios Namouche – Lisboa. É nesta mostra que Galo Cant’Às Duas, projeto seu com Hugo Cardoso, que já passou por cá, se estreia em concerto. Em dois mil e dezoito envolve-se na criação da banda Senhor Jorge, que apresentámos também neste blogue, com Rui Sousa, também conhecido por Dada Garbeck, João Pedro Silva, dos The Lemon Lovers e Jorge Novo, sacristão e “fadista por paixão”.

O ano passado, outra banda sua, os Burning Casablanca’z, lança o primeiro single, Getting Overdo disco de estreia Kind of Truth, com composições suas e de Hugo Cardoso, Bernardo Simões, Bernardo Pardo e Marlow Digs. 

Agora, Gonçalo decide dar o impulso maior ao seu projeto a solo que assina como Gongori. É um projeto artístico de cruzamentos disciplinares que envolve o cinema, a música, a dança, a fotografia e as artes performativas. VAZIO, o disco de estreia, é lançado  dentro de semanas, sendo também o nome do filme que Gonçalo Alegre realiza e conta com argumento de António Sanganha.

There Is Nowhere é o single de apresentação de VAZIO, uma canção que reflete sobre ser-se Humano, e sobre o conflito interior que carregamos no percurso da vida. O tema é uma introspeção sobre a introspeção individual e coletiva, uma camada de luz na sombra, uma lembrança de aceitar quem fomos, somos e podemos ser; que na escuridão existe esperança, e na descoberta uma lembrança, de que estamos vivos. There is Nowhere é a primeira parte de uma viagem para um portal onde no vazio, pode estar tudo, assente em sintetizadores que exploram cruzamentos com o contrabaixo, a guitarra elétrica, a bateria, as percussões e até a voz. Confere...

www.gongori.pt

https://www.instagram.com/gongori.gongori/

https://www.facebook.com/gongori.gongori

https://linktr.ee/gongori

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publicado por stipe07 às 15:03

Milky Chance – Synchronize

Terça-feira, 22.03.22

A dupla germânica Milky Chance, formada por Clemens Rehbein e Philipp Dausch Milky, acaba de surpreende a nossa redação com o animado single Synchronize, uma canção que ainda não traz acoplado o anúncio de um novo disco do projeto, mas algo bem possível até porque muito recentemente também divulgaram uma outra novidade intitulada Colorado.

Novo Single do Milky Chance traz refrão inspirado em The Mamas & The Papas  | Boomerang Music

Synchronize é uma efusiante canção, com um perfil interpretativo exótico, luminoso, otimista e vincadamente pop, uma composição dominada pelos sintetizadores e que, à semelhança do que sucedeu com Colorado, resultou de uma estreita colaboração dos Milky Chance com uma outra dupla de compositores e produtores chamada DECCO. É, de acordo com Philipp Dausch, uma música sobre comunicação e conexão, já com direito a um vídeo assinado por Marie Schuller e que transporta o espectador para um culto do juízo final, enquanto fenómenos astrológicos bizarros iluminam o céu. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:47

ORANGEPURPLEBEACH - Exposure

Sexta-feira, 18.03.22

Nos primeiros dias de dois mil e vinte, o mítico intérprete e compositor indie John Vanderslice resolveu fechar o seu reputado estúdio de São Francisco Tiny Telephone, onde produziu discos de nomes tão importante como os Death Cab for Cutie, Spoon, Deerhoof, The Magnetic Fields, e mudar-se para Los Angeles. Em pleno confinamento começou a explorar sons de fontes eminentemente analógicas e a tentar abordagens à escrita e à composição sonora radicalmente diferentes de tudo aquilo que tinha feito até então.

John Vanderslice forms new band ORANGEPURPLEBEACH, preps debut LP (stream a  track)

Assim, fortemente inspirado pelos ares da eletrónica e até do próprio hip-hop, Vanderslice resolveu dar vida a um novo projeto a solo intitulado ORANGEPURPLEBEACH e começou a criar o esboço de um naipe de canções que serão materalizadas no disco d E A T h ~ b U g, que irá ver a luz do dia a oito de abril.

De facto, em termos rítmicos, estruturais e texturais, os temas que farão parte do alinhamento de  d E A T h ~ b U g divergem do seu catálogo anterior, algo que já ficou bem patente há algumas semanas quando foi divulgado o tema Pylon Shadow e ainda mais agora na canção Exposure, uma divertida e luminosa composição eminentemente sintética, repleta de sintetizações flashantes, mas que também conta com proeminentes arranjos de cordas, Confere...

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publicado por stipe07 às 17:49

Alt-J (∆) - The Dream

Sexta-feira, 18.02.22

Um dos grandes lançamentos discográficos deste início de dois mil e dois é The Dream, o novo disco dos os  Alt-J (∆) de Joe Newman, Gus Unger-Hamilton e Thom Green, um registo de doze canções que entrou em alta rotação na nossa redação há alguns dias e que tem, de facto, impressionado, pela sua riqueza detalhística, pela diversidade de nuances, pela própria filosofia lírica e estilística subjacente ao registo e, acima de tudo, pela emotividade e assombro que a sua audição dedicada suscita.

Arte SonoraAlt-j Mostram “Get Better” | Arte Sonora

Com a chancela da Infectious Music, The Dream é um álbum inspirado em histórias e eventos relacionados com o mundo do crime que também existe em Hollywood, mas também está muito marcado pelo modo como a banda viveu a situação pandémica que todos conhecemos e que, de acordo com Joe Newman, o fez querer ser mais responsável e adulto no modo como escreve as letras das suas canções que, continuando a ser sobre eventos fictícios, acabam por ter paralelo com algumas das suas vivências mais recentes.

Uma outra curiosidade que a história deste disco transporta consigo, é algo que se percebe e entende através da sua audição atenta. Conclui-se facilmente que muitas canções resultam de sobreposições, encadeamentos e uniões de diversos sons, inclusive vocais (o alinhamento está repleto de gravações de diálogos e vocalizações retirados, na sua maioria, de filmes), que muitas vezes não estão em harmonia, mesmo em termos de volume; Tal explica-se, obviamente, através da superior qualidade interpretativa dos elementos do grupo, mas, acima de tudo, porque muitas destas canções resultaram de um processo demorado e paciente de captura e aproveitamento de trechos de gravações que foram sendo feitos pelos Alt-J (∆), nos últimos anos. Por exemplo, o segmento de guitarra que se escuta em Bane, o espetacular tratado de pop eletrónica experimental que abre o disco, já foi composto por Newman em dois mil e doze, os coros foram pensados dois anos depois e a estrutura lírica da canção tem dois anos de existência.

The Dream é, pois, um disco que sendo tematicamente corajoso e sonoramente muito complexo e encantador, desenvolvido dentro de uma ambientação essencialmente experimental, plasma, no fundo, e em jeito de ponto alto,  toda a evolução que o projeto foi conseguindo obter na carreira, que não deixou de em alguns momentos, nomeadamente em álbuns como Reduxer ou An Awesome Wave, de soar a completas reestruturações, tendo em conta as respetivas propostas anteriores, mas que plasma, em suma, todos os atributos, de modo majestoso e impressivo, que o grupo foi adicionando e burilando no seu catálogo, sem renegar a sua identidade sonora distinta.

Além do tema de abertura já referido, o fabuloso single U&ME, uma composição intrigante, intensa e sedutora, com um vasto arsenal instrumental a suportar uma eufórica e intensa história de amor, que pode muito bem ser aquela que une os três membros desta espetacular banda de Leeds, é um claro exemplo de todo este portentoso refinamento. Depois, canções como Get Better, uma composição que resultou da união de duas, uma delas um trecho de um tema que Newman criou, há três anos, para a sua companheira, Darcy Wallace, a outra uma sequência melódica incubada pelo mesmo durante o confinamento, enquanto refletia sobre as vítimas desta pandemia e a dor daqueles que perderam alguém querido, a robustez progressiva e com um travo até algo punk de Hard Drive Gold, a sombria solidez de Losing My Mind, a singela cândura que é trespassada a fundo por cascatas de violinos em Philadelphia, ou a ímpar delicadeza de Delta, servem apenas para apimentar ainda mais a espetacular sensação que é perceber que ouvir The Dream é provar que o inesperado está sempre ao virar da esquina. Vive-se numa permanente tensão de nunca se saber que som, detalhe, nuance, efeito, ritmo ou arranjo vem no segundo seguinte e essa é, na verdade, a melhor sensação que se pode receber de um trabalho único que foi feito com vasto leque de referências. Da pop ambiental contemporânea ao art-rock clássico, passando pelo R&B, The Dream é uma epopeia onde se acumula um amplo referencial de elementos típicos desses diversos universos sonoros e que se vão entrelaçando entre si de forma particularmente romântica, cinematográfica e até, diria eu, objetivamente sensual. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 15:35

JennyLee - Tickles / Heart Tax

Segunda-feira, 03.01.22

Jenny Lee Lindberg toca baixo e canta nas Warpaint, mas também edita música num projeto a solo que batizou com o nome JennyLee. Editou em dois mil e quinze um disco intitulado Right On! e está de regresso num formato diferente. Assim, em vez de um novo álbum, a artista está a lançar uma série de vários singles de sete polegadas, com artwork assente em pinturas abstratas da sua autoria e que estão a merecer destaque neste espaço, à medida que vão vendo a luz do dia.

Listen to Warpaint's Jennylee's new Depeche Mode-featuring single, 'Stop  Speaking' – Uber Turco News

Assim, depois de na semana passada termos dado conta dos detalhes dos singles Newtopia e Clinique, agora é a vez de nos debruçarmos sobre o conteúdo de Tickles e Heart Tax. A primeira composição, Tickles, tem um tempero bastante orgânico, proporcionado por um delicioso dedilhar das cordas do baixo e um registo percurssivo oleado com vigorosas palmas, duas nuances que são depois envolvidas por diversos efeitos sintéticos e psicadélicos, incubados pelo produtor dinamarquês Trentemøller, um dos nomes fundamentais da eletrónica contemporânea. Já Heart Tax tem uma tonalidade mais minimal, introspetiva e até sinistra, marcada pela exuberância da interpretação vocal, que vai sendo embalada por um esparso piano e diversos efeitos inebriantes, uma trama que cria uma atmosfera bastante envolvente e hipnótica. Confere...

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publicado por stipe07 às 18:12

Os Melhores discos de 2021 (10 - 01)

Sexta-feira, 31.12.21

10 - Suuns - The Witness

The Witness, o quinto e mais recente disco da carreira dos Suuns, verdadeiros músicos e filósofos, além de não colocar minimamente em causa a herança do projeto, oferece-nos, principalmente ao nível da escrita e da composição, mais um fantástico naipe de canções com um forte cariz impressivo e realístico. Neste alinhamento de oito canções, que tem na sua génese o jazz experimental, explícito, os Suuns refletem sobre a contemporaneidade que os inquieta e os absorve, criando um alinhamento sedutoramente intrigante, bem no centro de um noise rock apimentado, convém também dizê-lo, por uma implícita dose de punk dance. Simultaneamente existencial e sinistro e arrebatadoramente humano, The Witness é, talvez, o disco mais cândido e direto do grupo. Assenta numa definição estrutural quase metódica e, independentemente das diversas abordagens que cada canção contém, tem aquele toque experimental que nos faz crer, logo à primeira audição, que este é um disco colossal, mas também tremendamente reflexivo.

9 - José González - Local Valley

Local Valley é o álbum mais enérgico e diversificado do catálogo de José González. É o primeiro alinhamento em que o músico utiliza ritmos sintéticos em vez da subtileza orgânica percurssiva dos três registos anteriores, sem deixarem de continuar a existir muitas guitarras, como é obrigatório no seu adn, e o primeiro também cantado em mais do que uma língua. É, em suma, um disco multifuncional, intenso e confessional, que nos escancara a porta para a mente de um dos artistas mais humanos da folk atual.

8 - The Dodos - Grizzly Peak

Disco muito coeso, maduro, impecavelmente produzido e um verdadeiro manancial de melodias lindíssimas, Grizzly Peak é muito centrado numa filosofia interpretativa em que sobressai uma intensa dinâmica percurssiva, entrelaçada com cordas faustosas e com uma crueza metálica ímpar. O registo materializa um novo rumo sonoro para os The Dodos, colocando o projeto novamente na senda daquela toada folk que marcou os primeiros trabalhos da dupla, enquanto nos transporta para um universo particularmente melancólico, sensível e confessional.

7 - Courtney Barnett - Things Take Time, Take Time

Fruto desta pandemia que nos assola, Things Take Time, Take Time, tem o condão de nos convidar a um certo recolhimento, mas também a nos tornarmos, em simultâneo, confindentes e bons amigos desta artista cada vez mais impressiva e realista. Fá-lo em dez canções sonoramente assentes na destemida companheira de sempre de Barnett, a guitarra, mas também com os sintetizadores a se quererem mostrar cada vez mais interventivos no catálogo da australiana, assim como o piano. Em suma, testemunha e materializa o cada vez maior ecletismo de Barnett, enquanto oferece ao ouvinte diferentes perspetivas sobre a realidade sociológica e psicológica que abriga a autora. 

6 - The Antlers - Green To Gold

Green To Gold traz consigo uma nova fase criativa do grupo de Brooklyn, promissora, luminosa e empolgante, assente na terna indulgência das cordas e na ardente soul das mesmas. Este sabor vai sendo ampliado, ao longo das dez canções, por portentosos violinos, sopros inspiradíssimos e um efeito metálico na guitarra com um adn muito vincado e pelo modo como este receituário se entrelaça sempre com a cândura vocal de Silberman e com o registo jazzístico da bateria. O resultado final é um alinhamento repleto de nostalgia e que versa quase sempre sobre a inocência que carateriza a esmagadora maioria das memórias da infância.

5 - Helado Negro - Far In

Far In é uma coleção irrepreensível de sons inteligentes e solidamente construídos, um naipe de belíssimas canções que são mais um momento marcante deste músico sedeado em Brooklyn, um alinhamento com forte pendor temperamental e com um ambiente feito com cor, sonho e sensualidade. Nele percebe-se esta filosofia de alguém positivamente obcecado pela evocação de memórias passadas e, principalmente, pela concretização sonora de sensações, estímulos, reações e vivências cujo fato serve a qualquer comum mortal.

4 - Liars - The Apple Drop

The Apple Drop é o disco mais esplendoroso e simultaneamente acessível da carreira dos Liars. Nele, o projeto que é a solo desde dois mil e catorze, altura em que o australiano, radicado em Nova Iorque, Angus Andrew tomou definitivamente as suas rédeas, podemos contemplar um krautrock que mistura eletrónica com rock alternativo, funk, noise rock, avant garde, post punk e quase todas as outras sonoridades que possas imaginar e que cabem num espetro sonoro que podia muito bem personificar a mescla perfeita entre os Radiohead pós Kid A e a melhor herança dos alemães Kraftwerk.

3 - Bill Callahan & Bonnie “Prince” Billy - Blind Date Party

Repleto de convidados de referência e nomes ímpar da indie cotemporânea, Blind Date Party é um exercício criativo ímpar e robusto, quer na concepção, quer no conteúdo, uma homenagem feliz e muito bem sucedida a uma herança e um género sonoro que é muitas vezes negligenciado mas que, bem vistas as coisas, contém os alicerces de toda a diversidade musical que o indie hoje em dia contém. Mesmo sendo uma obra comunitária, confirma a genialidade de dois nomes essenciais da folk norte-americana atual.

2 - Elbow - Flying Dream 1

Flying Dream 1 é um deleite melódico, um registo que brilha, canção após canção, no modo como nos oferece composições irrepreensíveis ao nível da beleza, um portento de majestosidade sonora e um dos trabalhos mais refinados, envolventes e íntimos da discografia dos Elbow, enquanto reflete, mais uma vez, um universo muito pessoal de Garvey, desta vez as memórias e os encantamentos que foram ficando dos seus primeiros anos de vida e que o marcaram para sempre.

1 - Damon Albarn - The Nearer The Fountain, More Pure The Stream Flows

Álbum intenso e cinematográfico, The Nearer The Fountain, More Pure The Stream Flows explora com minúcia temas como a fragilidade, a perda, a emergência e o renascimento e o seu título é um excerto do poema Love and Memory, de John Clare. O disco mostra um lado experimental que Albarn gosta de explorar com uma delicadeza bem presente e um lado também algo sombrio e questionador, que tão bem o carateriza, em onze canções que pretendem, no seu todo, dar vida a uma peça orquestral inspirada na Islândia, país onde o músico tem assentado arraiais periodicamente nos últimos anos. É um registo, de facto, maravilhoso, que encarna na perfeição o ambiente muito peculiar de uma ilha com caraterísticas únicas, mas que também exibe, a espaços com enorme esplendor, toda a cartografia sonora que faz com que Damon Albarn seja um dos músicos mais ecléticos e completos das últimas duas décadas. 

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publicado por stipe07 às 12:19

Metronomy – Red River Rock

Quarta-feira, 22.12.21

Enquanto não chega aos escaparates Small World, o novo disco dos Metronomy, com data de lançamento prevista para dezoito de fevereiro de dois mil e vinte e dois, a banda de Joseph Mount e com raízes na pequena localidade de Totnes, Devon, no sudoeste de Inglaterra, acaba de divulgar uma deliciosa versão de Red River Rock, um original dos Johnny & The Hurricanes.

Metronomy BR (@metronomybr) / Twitter

A versão que os Metronomy criaram para este clássico Red River Rock, com sessenta e dois anos de vida, é bastante divertida. Tem uma tonalidade retro intensa e charmosa e está recheada de sintetizadores quentes e vibrantes, adornados com um inconfundível toque de Natal. Confere...

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publicado por stipe07 às 15:40






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