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LNZNDRF – II

Terça-feira, 16.02.21

Depois de cerca de meia década de uma longa e penosa espera, já viu finalmente a luz do dia II, o novo registo de originais do super grupo LNZNDRF, que junta Ben Lanz e Aaron Arntz dos Beirut e Scott e Bryan Devendorf dos The National. Abrigado pela Rough Trade, II é um daqueles excelentes instantes sonoros que merecem figurar em lugar de destaque na indie contemporânea, criado por um quarteto que parece tocar submergido num mundo subterrâneo de onde debita música através de tunéis rochosos revestidos com placas metálicas que aprofundam o eco de composições que impressionam pelo forte cariz sensorial.

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II abre as hostilidades com um piano tocado em surdina, mas que rapidamente perde a vergonha e se deixa contagiar por uma incontida avidez que sobrevoa um baixo rugoso que vai rodando numa espiral continua e agregando cada vez mais detalhes sonoros, uns sinistros outros reluzentes, das mais diversas proveniências, sejam elas acústicas, percurssivas ou sintéticas. É The Xeric Steppe, uma indisfarçável busca por um clímax que por volta do quarto minuto se manifesta, através da bateria vigorosa de Bryan Devendorf, um baixo corpulento e uma tenebrosa guitarra, numa composição que acaba por nos esclarecer o estilo e marca de um disco que será, até ao seu ocaso, um verdadeiro orgasmo de rock com um cariz fortemente ambiental, mas também amplamente progressivo. Esta receita volta a deslumbrar-nos alguns minutos depois, de forma menos efusiva, mas igualmente burilada, em Cascade, um cenário idílico para os apreciadores do rock progressivo mais climático e lisérgico.

No entanto, o rock alternativo, na sua essência mais pura e imesiva, é um dos pontos mais fortes de II e um claro avanço relativamente ao antecessor homónimo, patente em algumas das melhores canções do registo. Por exemplo, em Brace Yourself debatemo-nos com um rock pleno de personalidade e força, onde é forte a dinâmica entre uma opção percurssiva arritmada exemplarmente acompanhada por um baixo que parece ser brotar da própria natureza e por um registo vocal efusivo, num encadeamento que nos obriga a um exercício exigente de percepção fortemente revelador e claramente recompensador. Uma receita mais nostálgica e na qual uma guitarra de forte cariz oitocentista assume relevância clara, mas mantendo a opção estilística por um registo sempre crescente, aprimora-se em You Still Rip, canção que rapidamente nos envolve numa espiral de sentimento e grandiosidade, patente também no modo como a voz também se assume como membro pleno do arsenal instrumental, não havendo, como se percebe, regras ou limites impostos para a inserção da mais variada miríade de arranjos, detalhes e ruídos. Finalmente, Chicxulub, um instumental que poderia muito bem ter tido a assinatura dos DIIV, é uma verdadeira trip deambulante proporcionada por um baixo pouco meigo no modo como incorpora doses indiscretas de uma pop suja e nostálgica e Ringwoodite ascende, nas asas de guitarras joviais e orgulhosamenre orgânicas, ao éden da melhor pop, que também se embrenha por todos os poros de Glaskiers, duas fabulosas composições que não se envergonham de dar as mãos a alguns dos pilares essenciais daquele krautrock de forte cariz sensorial.

Gravado em inspiradas jam sessions durante o outono de dois mil e dezanove, nos Estúdios Public Hi-Fi, em Austin, no Texas, II navega num universo fortemente cinematográfico e imersivo e aos seu conteúdo deve atribuir-se um claro nível de excelência, não só devido aos diferentes fragmentos que os LNZNDRF convocaram nos vários universos sonoros que os rodeiam e que da eletrónica, à pop, passando pelo rock progressivo criaram uma relação simbiótica bastante sedutora, mas também porque, embarcando nessa feliz demanda, também não deixaram de partir à descoberta de texturas sonoras que se expressaram com intensidade e requinte superiores, nomeadamente num transversal piscar de olhos objetivo aquela crueza orgânica que aqui faz questão de viver permanentemente de braço dado com o experimentalismo e em simbiose com a psicadelia. Para já, o momento discográfico maior de dois mil e vinte um. Espero que aprecies a sugestão...

LNZNDRF - II

01. The Xeric Steppe
02. Brace Yourself
03. You Still Rip
04. Cascade
05. Chicxulub
06. Ringwoodite
07. Glaskiers
08. Stowaway

 

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publicado por stipe07 às 16:27

Baio – Dead Hand Control

Segunda-feira, 08.02.21

Foi à boleia da conceituada Glassnote que viu a luz do dia Dead Hand Control, o terceiro disco do catálogo de Chris Baio, baixista dos Vampire Weekend, mas que também tem apostado com inegável sucesso numa carreira a solo que navega com astúcia nas águas quentes de um indie rock sonorizado através de inspiradas e felizes interseções entre cordas imponentes e uma componente sintética geralmente bem vincada e onde os sintetizadores são reis. Este abraço é rematado por uma secção rítmica fluída, sendo estas as bases fundamentais num dos discos mais interessantes e apelativos deste arranque de dois mil e vinte e um.

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Gravado entre o 13 Studios em Londres, propriedade de Damon Albarn e o C+C Music Factory em Los Angeles, estúdio que fundou com o companheiro de banda Chris Tomson, Dead Hand Control é um descarado convite ao positivismo e à boa disposição, ingerdientes que todos precisamos como de pão para a boca neste período pandémico particularmente difícil. O tema homónimo do registo capta a sua essência e esclarece o ouvinte com notável requinte acerca do que o espera nos minutos seguintes, num portento de epicidade folk que faz juz a um dos ambientes sonoros prediletos de Baio, aquele que coloca as cordas bem no centro da ação. Depois, Endless Me, Endlessly, fecha o círculo ao olhar de modo guloso e anguloso para a pop sintetizada oitocentista, movida a néons e plumas, mas que também não descura um olhar em frente, ao abarcar detalhes e arranjos que definem muita da melhor eletrónica que se vai escutando atualmente.

A partir daí, são vários os exemplos do disco que refletem este cenário multicolorido e abrangente. Um dos mais inspirados é Take It From Me, composição em que um groove funk contagiante e sintetizações repletas de luminosidade nos transportam intuitivamente para a melhor herança que o mítico David Byrne imprimiu no catálogo mais inspirado da pop contemporânea. Depois merece também audição dedicada Caisse Noire, composição que impressiona não só pelo baixo pulsante, mas, principalmente, pelo efeito agudo sintetizado que deambula em redor dele e pelo modo como evoluem os restantes arranjos percussivos, num resultado final eloquente, algo etéreo e contemplativo e de elevada amplitude e luminosidade.

Todos estes ingredientes acabam por se repetir noutras canções, resultando num disco que faz uma espécie de mescla entre aquele rock contemporâneo que não precisa de rasgar para se impôr e o melhor retro e vintage que a pop contém na sua herança identitária e que teve a penúltima década do século passado como período mais feliz. O modo como o repetitivo refrão da lo fi Never Never Never abraça o céu e a terra sem se perceber onde termina e acaba essa copúla, ou o modo luxuriante como o baixo e o sintetizador se unem ao tom grave da voz em What Do You Say When I’m Not There?, aprofundam ainda mais a filosofia estilística deste Dead Head Control, um registo que induz no catálogo de Baio novas e inéditas matrizes, precisando por parte deste a sua singular definição da pop que, juntando rock e eletrónica, não renega o rico passado que o músico cresceu a ouvir, mas que em vez de manter em campos estanques, prefere conjugar, não como se fossem água e azeite, mas antes leite e café que, na dose certa, podem tocar-se, envolver-se, dissolver-se e emocionar-nos sem haver fronteiras claras, nessa simbiose, relativamente a cada um dos dois territórios referidos. Espero que aprecies a sugestão...

Baio - Dead Hand Control

01. Dead Hand Control
02. Endless Me, Endlessly
03. What Do You Say When I’m Not There?
04. Dead Hand
05. Take It From Me
06. Caisse Noir
07. Never Never Never
08. O.M.W.

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publicado por stipe07 às 15:10

Jay-Jay Johanson – Why Wait Until Tomorrow

Sábado, 30.01.21

Foi há cerca de um ano que chegou aos escaparates Niagara Falls, o último álbum do sueco Jay-Jay Johanson, um riquíssimo reportório de experimentações sónicas que cimentaram o percurso sonoro tremendamente impressivo e cinematográfico de um dos nomes mais relevantes da pop europeia das últimas três décadas. Agora, no início da próxima primavera, o Jay-Jay Johanson está de regresso com um novo álbum intitulado Rorschach test e do qual acaba de ser revelado o single Why wait until tomorrow.

The King Cross Tour de Jay-Jay Johanson está quase em Portugal ~ Threshold  Magazine

Este primeiro tema extraído do alinhamento de Rorschach test é um verdadeiro tratado de indie pop, no qual um vigoroso baixo acama, além da voz melancólica e sedutora do autor, uma arrebatadora e sensual melodia, revestida de sons intrincados e algo misteriosos, eminentemente de origem sintética e no qual sobressaem batidas e efeitos percurssivos de cariz eminentemente experimental. Confere...

Jay-Jay Johanson - Why Wait Until Tomorrow

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publicado por stipe07 às 15:27

Fontaines D.C. – A Heros Death (Soulwax Remix)

Sexta-feira, 29.01.21

Os irmãos génios belgas da eletrônica Dewaele, que quando são DJs chamam-se 2ManyDJs e como banda Soulwax, pegaram em A Hero’s Death, o tema homónimo do último álbum dos irlandeses Fontaines DC e fizeram com ele uma incrível remistura. Recordo, já agora, que este trabalho dos Fontaines DC ficou em sexto lugar na lista dos melhores trabalhos de dois mil e vinte para esta redação, um disco que tem o dom de soar a uma espécie de filme de terror, mas captado num registo algo comediante, como se exige a um projeto que sempre se fez notar por uma filosofia estilística de choque com convenções e normas pré-estabelecidas. É um disco que contém onze enraivecidas canções, assentes num punk rock de elevado calibre e com uma forte toada abrasiva, temas que enriquecem o modus operandi de um projeto único no panorama alternativo contemporâneo e que parece disposto a não ser visto no futuro, como um cometa que passou, brilhou no momento e depois foi esquecido no ocaso do tempo e do espaço negro e profundo, mas que se quis manter à tona, altivo e agitador, tornando-se num dos grupos mais influenciadores do indie rock contemporâneo.

Listen to Soulwax's new remix of Fontaines D.C.'s 'A Hero's Death'

Voltando à remistura do tema que dá nome a este disco, lançada digitalmente via Partisan, em colaboração com os próprios Soulwax, tendo também uma tiragem limitada de mil vinis estampados à mão, nela está nitidamente impresso o adn sonoro dos irmãos Dewaele. O resultado, conduzido por uma espetacular linha de baixo e diversos arranjos percurssivos enleantes, é um extraordinário tratado de eletropop, vigoroso, insinuante, sexy e cheio de funk, tremendamente dançável e divertido e sem deturpar o forte cariz filosófico do original pensado por Grian Chatten e que carrega nas costas uma grande parte da herança musical e literária de Dublin, a cidade dos Fontaines D.C.. Confere...

Fontaines D.C. - A Heros Death (Soulwax Remix)

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publicado por stipe07 às 11:05

Django Django – Free From Gravity

Quinta-feira, 28.01.21

Foi no início de dois mil e dezoito, ou seja, há cerca de três anos, que os Django Django de Dave Maclean, Vincent Neff, Tommy Grace e Jimmy Dixon desvendaram Marble Skies, o último registo de originais, em formato longa duração, desta banda escocesa natural de Edimburgo. O trabalho continha dez canções feitas com uma pop angulosa proposta por quatro músicos que, entre muitas outras coisas, tocam baixo, guitarra, bateria e cantam, sendo isto praticamente a única coisa que têm em comum com qualquer outra banda emergente no cenário alternativo atual.

Django Django comparte nuevo sencillo: "Free From Gravity" (video) - Rock101

Nove meses depois desse álbum, os Django Django regressaram aos lançamentos discográficos, mas no formato EP, com um registo intitulado Winter’s Beach, seis originais que viram a luz do dia à boleia da Because Music e que estavam encharcados de sintetizadores com uma proeminente toada vintage, tendo sido um EP fortemente inspirado na eletrónica do século passado.

Depois os Django Django começaram a trilhar caminho para um novo disco, que irá chegar aos escaparates daqui a algumas semanas e que terá o sugestivo título Glowing In The Dark. Assim, no ocaso do verão passado o projeto escocês divulgou o single Spirals, uma canção em que conceitos como o DNA humano e as conexões que este agrupamento de proteínas suscita, eram a pedra de toque de uma canção que, tendo esse ponto de partida, debruçava-se sobre o modo como ainda será possível criar laços e afinidades quando a situação pandémica atual e as crenças politicas em voga, que têm ganho bastantes adeptos nas extremas, quer direita quer esquerda, parecem propiciar terreno fértil para a divisão e o afastamento entre as pessoas. Depois ficámos ainda a conhecer o single homónimo do disco e ainda The Ark, sendo agora altura de contemplarmos Free From Gravity. Esta fabulosa composição contém tudo aquilo que uma canção pop aditiva deve conter, nomeadamente uma batida hipnótica e vigorosa, sintetizações com um sóbrio pendor experimental, uma linguagem melódica inspirada e incisiva e uma letra atual e contagiante.

Em suma, Free From Gravity cimenta a cartilha sonora que é feita há mais de meia década pelos Django Django com uma dose divertida de experimentalismo e psicadelismo, um modus operandi que muitos rotulam como art popart rock ou ainda beat pop e que suporta um cardápio riquíssimo assinado por uma banda que merece claramente sentar-se à mesa dos nomes fundamentais da música de dança atual. Confere...

Django Django - Free From Gravity

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publicado por stipe07 às 11:12

John Grant – The Only Baby

Sexta-feira, 22.01.21

Pouco mais de dois anos após o excelente registo Love Is Magic, um John Grant enraivecido e profundamente incomodado pela conjuntura atual do seu país natal e do mundo, não só devido à crise pandémica, mas também ao crescimento político dos extremismos, acaba de divulgar uma noa canção intitulada The Only Baby.

John Grant | Bella Union

O tema foi escrito pelo autor e compositor norte-americano já no passado verão, mas esta foi a altura ideal, segundo o próprio, para a divulgar e, desse modo, tentar alertar de algum modo todos aqueles que o queiram ouvir, para os perigos que atravessamos e para o modo como os fascismos, os narcissismos, as sociopatias e as psicopatias crescentes estão a colocar em causa o futuro da própria humanidade.

Sonoramente, The Only Baby é uma lindíssima composição, conduzida por belíssimos arranjos orquestrais e pela voz imponente de Grant. É uma canção com um dramatismo incontrolável, que nos revela uma espécie de apocalipse e que comprova a mestria compositória do autor. Confere The Only Baby e uma declaração de John Grant sobre o tema...

Hello all you Dear Ones, I’ve been so disturbed to see how things are progressing in the U.S. and the world, I wanted to share this song which I wrote and recorded last summer. Seems like a good time. I feel so much rage and yes, hatred towards the gaslighters, the bullies, the narcissists, the sociopaths and psychopaths, the Christian Fascist Right and of course T**** and all those who enable him and continue to do so all in the name of Jesus and/or Hitler.

John Grant - The Only Baby

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publicado por stipe07 às 13:21

The Notwist – Al Sur (feat. Juana Molina)

Quinta-feira, 21.01.21

Considerados por muitos como verdadeiros pais do indie rock, os The Notwist, liderados pelos irmãos Archer, regressaram no verão do ano passado aos lançamentos discográficos com Ship, um EP que quebrou um hiato de mais de meia década e que viu a luz do dia à boleia da berlinense Morr Music. Esse EP já tem sucessor e no formato longa-duração, o álbum Vertigo Days que irá ver a luz do dia a vinte e nove de janeiro à boleia da mesma etiqueta alemã e que conta com as participações especiais de Juana Molina, Ben Lamar Gay, Zayaendo, Angel Bat Dawid e Saya dos Tenniscoats.

The Notwist and Juana Molina Team Up on New Song 'Al Sur' - Our Culture

São já vários os singles divulgados de Vertigo Days. O mais recente é Al Sur, canção que conta com a participação especial de Juana Molina, uma composição onde o registo vocal desta cantora argentina que aprecia ambientes estéticos eminentemente experimentais encaixa na perfeição, já que a proposta sonora de Al Sur sobrevive à sombra de guitarras e sintetizadores que se entrecruzam constantemente na definição do arquétipo melódico do tema, no fundo, os trunfos maiores de uns The Notwist sempre exímios a piscar o olho ao indie rock psicadélico e a sonoridades assumidamente camaleónicas. Confere...

The Notwist - Al Sur

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publicado por stipe07 às 13:03

Still Corners – White Sands

Terça-feira, 19.01.21

Dois anos depois do belíssimo registo Slow Air, a dupla britânica Still Corners está de regresso, novamente à boleia da Wrecking Light, com The Last Exit, o quinto álbum da carreira deste projeto formado por Greg Hughes e Tessa Murray e que sedeado há já alguns anos nos Estados Unidos tem pautado a sua carreira por calcorrear um percurso sonoro balizado por uma pop leve e sonhadora, íntima da natureza etérea e onde os sintetizadores são reis, mas também uma pop que pisca muitas vezes o olho aquele rock alternativo em que as guitarras eléctricas e acústicas marcam indubitavelmente uma forte presença.

White Sands' the new single from Still Corners - TotalNtertainment

White Sands é a mais recente composição divulgada do alinhamento deste novo trabalho dos Still Corners, uma envolvente canção que através de uma batida frenética, sintetizadores minuciosamente apetrechados com diversas camadas melódicas, um baixo pulsante e guitarras com um timbre encharcado com aquele brilho de forte lustro vintage, aponta angulosamente para ambientes dançantes, sendo também uma canção que tem em ponto de mira um indisfarçável ambiente de romantismo e sensualidade. Confere...

Still Corners - White Sands

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publicado por stipe07 às 13:00

Molly Burch – Emotion

Quinta-feira, 07.01.21

Depois do excelente registo de natal The Molly Burch Christmas Album lançado em dezembro de dois mil e dezanove, a norte-americana Molly Burch, volta a dar sinais de vida com um novo single intitulado Emotion, abrigado pela Captured Tracks e que terá direito nos próximos dias a edição em formato de sete polegadas, juntamente com a canção Needy, uma cover de um original de Ariana Grande como b-side.

Molly Burch links with Wild Nothing for new track “Emotion”

Emotion coloca esta cantora e compositora natural de Austin, no Texas, no terreno que se sente mais confortável, já que nos proporciona, através de um vigoroso baixo, uma hipnótica batida e diversos efeitos sintetizados plenos de groove, um portento melódico de charme e sedução, desenhado à sombra de ambientes algo nebulosos e jazzísticos e que não descuram uma leve pitada de R&B, mas que têm como base os cânones fundamentais da melhor indie pop atual. Confere...

Molly Burch - Emotion

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publicado por stipe07 às 17:26

Future Islands – As Long As You Are

Segunda-feira, 04.01.21

Pouco mais de três anos depois do excelente registo The Far Field, à época o quinto registo de originais dos Future Islands, este projeto norte-americano de Baltimore regressou perto do ocaso de dois mil e vinte com As Long As You Are, um novo tomo de canções de uma banda com uma carreira já bem cimentada no panorama índie contemporâneo, não só por causa da elevada bitola qualitativa do cardápio sonoro que credita, mas também por causa do carisma de Samuel Harring, um agitador nato, fabuloso dançarino e um dos melhores frontmen da atualidade.

Future Islands: As Long As You Are — drenched in synths | Financial Times

Os Future Islands chegam ao sexto disco já com a percepção clara de que fazem parte, com inteiro mérito, dos lugares de topo do panorama sonoro em que se movimentam. Com essa conquista no bolso, a tentação de acomodação e repetição da fórmula vencedora dos trabalhos antecessores poderia ser grande, mas As Long As You Are não cai nessa esparrela, sendo, claramente, mais um passo evolutivo do projeto, num disco que reflete imenso as experiências pessoais de Harring, sonorizadas através de inspiradas e felizes interseções entre uma componente sintética bem vincada e onde os sintetizadores são reis e uma secção rítmica fluída, como é apanágio deste grupo.

São vários os exemplos do disco que refletem este cenário. Um dos mais inspirados é For Sure, tema que conta com a participação especial vocal de Jenn Wasner dos Wye Oak, nos coros e um portento de epicidade que faz juz à estética sonora habitual dos Future Islands, nomeadamente no modo como olha de modo guloso e anguloso para a pop sintetizada oitocentista, movida a néons e plumas, mas que também não descura um olhar em frente, ao abarcar detalhes e arranjos que definem muita da melhor eletrónica que se vai escutando atualmente. Depois merece também audição dedicada Born A War, composição que reflete algumas das tais vivências pessoais de Harring e novamente com uma veia nostálgica oitocentista muito marcada, não só no baixo pulsante, mas, principalmente, no efeito agudo sintetizado que deambula em redor dele e nos restantes arranjos percussivos, num resultado final eloquente, algo etéreo e contemplativo e de elevada amplitude e luminosidade

Estes ingredientes acabam por se repetir noutras canções, resultando num disco que faz uma espécie de mescla entre o melhor retro e vintage que a pop contém na sua herança identitária e que teve a penúltima década do século passado como período mais feliz. O modo como o refrão de Waking abraça o céu e a terra sem se perceber onde termina e acaba essa copúla, ou o modo luxuriante como o baixo e o sintetizador se unem ao tom grave da voz em I Knew You aprofundam ainda mais a filosofia estilística deste As Long As You Are, para que não haja dúvidas que estes Future Islands apontam neste registo algumas novas matrizes, precisando uma inédita definição de pop, que juntando rock e eletrónica, não renega o rico passado que o grupo contém, mas que sabe cada vez melhor como continuar a conjugar dois mundos que sempre pareceram como água e azeite, mas que afinal podem tocar-se, envolver-se e emocionar-nos sem haver fronteiras claras, nessa simbiose, relativamente a cada um dos dois territórios referidos.

Disco sobre confiança, cheio de honestidade, redenção e desapego, permitindo que velhas feridas cicatrizem ao encerrar capítulos dolorosos, conforme declara o quarteto norte-americano, que assumiu funções de produção pela primeira vez, juntamente com Steve Wright, As Long As You Are encarna uma abundância de fragmentos sonoros cheios de vida e cor, dispostos de modo orgânico e enérgico, com a sua audição a oferecer-nos uma viagem ao passado e ao futuro, com aquela sensualidade que apela diretamente às emoções. Espero que aprecies a sugestão...

Future Islands - As Long As You Are

01. Glada
02. For Sure
03. Born In A War
04. I Knew You
05. City’s Face
06. Waking
07. The Painter
08. Plastic Beach
09. Moonlight
10. Thrill
11. Hit The Coast

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publicado por stipe07 às 15:36






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