Sexta-feira, 19 de Abril de 2019

Tellavision - Add Land

Já viu a luz do dia Add Land, à boleia da Bureau B, o mais recente tomo discográfico do projeto artístico Tellavision, já com uma década de carreira, assente em três álbuns e dois EPs, sempre em busca de excitantes aventuras sónicas, abstrações musicais que têm a sua raíz na génese do chamado krautrock e onde o ruído não é algo supérfluo ou incómodo, mas usado com um propósito bem definido de servir como mais um veículo de transmissão de emoções e sensações que se pretendem o mais físicas e orgânicas possível, dentro daquilo que a música, enquanto manifestação artística por excelência, consegue provocar no âmago de cada um de nós. E de facto, nestas treze canções que constituem o alinhamento de Add Land, produzidas pela própria Tellavision e por Thies Mynther, uma das metades da dupla Phantom / Ghost, não faltam instantes que arrebatam e concentram a atenção, mesmo no ouvinte mais desatento ou desprevenido.

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Começa-se a ouvir os flashes sintetizados do tema homónimo do disco e somos logo dominados por campos magnéticos que estalam ao longo de uma batida pontiaguda, enquanto um pulso lento e levemente errático agita-se por baixo da voz de Tellavision à medida que ela canta, evocando os medos que nos paralisam, mas também aqueles que nos inspiram. E logo nesse tema percebe-se outro ás de trunfo deste projeto, o registo vocal da protagonista, sempre vibrante e tremendamente empático. Depois, no minimalismo da batida misteriosa de Salty Man, no travo maquinal de Hat Makers e no groove dançante da buliçosa bateria que conduz Purple View, estamos lançados e ficamos ainda mais esclarecidos acerca dos elevados níveis de complexidade e virtuosismo que estiveram na génese da concepção de um registo, em que máquinas e sons eletrónicos coabitam pacificamente e com superior simbiose com aquela instrumentação mais tradicional e orgânica e que costuma balizar as trevas mestras do indie rock.

Disco merecedor de contemplação cuidada e dedicada, aberto, confiante e otimista, apesar de muito balizado pela noção de medo, como de certo modo já referi, mas com o foco deste sentimento muito virado para o amor que nos permite superar os nossos medos, nomeadamente o nosso amor pelo outro e por nós próprios, Add Land oferece um novo grau de firmeza qualitativa a um projeto ímpar no panorama sonoro e artístico alternativo europeu. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 14:48
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Segunda-feira, 15 de Abril de 2019

The Flaming Lips – King’s Mouth

Pouco mais de dois anos depois do excelente Oczy Mlody e de uma coletânea com os maiores êxitos da carreira com a chancela da Warner Brothers Records, os The Flaming Lips de Wayne Coyne estão de regresso com King's Mouth, um registo de doze canções que a banda assume ser um álbum conceptual baseado no estúdio de arte com este nome que esta banda de Oklahoma abriu há quatro anos e que tem com uma das principais atrações que os visitantes podem usufruir, um espetáculo de luzes LED de sete minutos que falam de um rei gigante bebé que quando cresceu fê-lo de tal modo que sugou para dentro da sua enorme cabeça todas as auroras boreais.

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King’s Mouth, o décimo quinto disco da carreira dos The Flaming Lips, lançado no âmbito da edição deste ano do Record Store Day, é sobre este rei disforme que morre quando tenta salvar o seu reino de uma avalanche de neve apocalíptica, acabando por sucumbir no meio dela. Após a morte, a sua cabeça enorme transforma-se numa espécie de fortaleza de aço pela qual os seus súbditos podem trepar e entrar pela boca, chegando, assim, às estrelas enquanto contemplam toda a imensidão de luzes e cores que em vida esse rei sugou enquanto se tornava maior e atingia a maioridade.

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Dado este mote lírico, incubado pela mente de um Coyne que é, claramente, um dos artistas mais criativos do cenário indie contemporâneo, a componente musical começou com uma mescla de sons e melodias abstratas que acabaram por se transformar num disco, apesar de esses não serem os objetivos iniciais do grupo. Mick Jones dos Clash e o coletivo Big Audio Dynamite narrariam as melodias e a história acima, descrita sucintamente, mas a verdade é que um mês depois de os The Flaming Lips colocarem mâos à obra estava pronto um álbum que acaba por nos oferecer mais uma verdadeira orgia lisérgica de sons e ruídos etéreos que nos catapultam, em simultâneo, para duas direções aparentemente opostas, a indie pop etérea e psicadélica e o rock experimental.

De facto, nas cordas de Sparrow, nos efeitos etéreos e nas nuvens doces de sons que parecem flutuar em Giant Baby, na suavidade flourescente de How Many Times, na sombria agregação de ruídos e samples que abastecem Electric Fire, na inflamante rugosidade do baixo e das distorções que vagueiam por Feedaloodum Beedle Dot e, principalmente, na cósmica puerilidade de All For The Life Of The City, somos convidados a contemplar um extraordinário tratado de indie pop etérea e psicadélica. Tendo esta natureza hermética, King's Mouth afirma-se num bloco de composições que são mais do que partes de uma só canção de enormes proporções, porque além de existir neste alinhamento diversidade e heterogeneidade, cada composição tem um objetivo claro dentro da narrativa, compartimentando-a e ajudando assim o ouvinte a perceber de modo mais claro toda a trama idealizada.

King's Mouth conduz-nos, então, numa espécie de viagem apocalíptica, onde Coyne, sempre consciente das transformações que foram abastecendo a musica psicadélica, assume o papel de guia e conta-nos uma história simples, mas repleta de metáforas sobre a nossa contemporaneidade, servindo-se ora de composições atmosféricas, ora de temas de índole mais progressiva e agreste e onde também coabitam marcas sonoras feitas com vozes convertidas em sons e letras e que praticamente atuam de forma instrumental. No final, tudo é dissolvido de forma aproximada e homogénea, através de sintetizadores cósmicos e guitarras experimentais, sempre com enorme travo lisérgico, num resultado final que ilustra na perfeição o cariz poético dos The Flaming Lips, um grupo ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade e sempre capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-los para cenários complexos, mas repletos de sensações únicas que só eles conseguem transmitir. Espero que aprecies a sugestão...

The Flaming Lips - King's Mouth

01. We Dont Know How a´And We Don’t Know Why
02. The Sparrow
03. Giant Baby
04. Mother Universe
05. How Many Times
06. Electric Fire
07. All For The Life Of The City
08. Feedaloodum Beedle Dot
09. Funeral Parade
10. Dipped In Steel
11. Mouth Of The King
12. How Can A Head


autor stipe07 às 14:49
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Sexta-feira, 12 de Abril de 2019

Tunng – Heatwave

Tunng - Heatwave

Alguns meses depois do excelente Songs You Make At Night, disco que chegou aos escaparates no verão passado à boleia da insuspeita Full Time Hobby, o coletivo britânico Tunng, que está a comemorar década e meia de uma respeitável carreira, onde tem misturado com uma ímpar contemporaneidade e bom gosto eletrónica e folk, volta a dar notícias com Heatwave, o primeiro avanço para This Is Tunng… Magpie Bites and Other Cuts, um disco de raridades e lados b que a banda atualmente formada por Mike Lindsay, Sam Genders, Ashley Bates, Phil Winter, Becky Jacobs e Martin Smith, prevê lançar no final do próximo mês de junho.

Tema vibrante, alegre e solarengo, Heatwave impressiona logo pela vasta pafernália de sons e detalhes sintéticos e orgânicos que o preenchem, camada após camada, sendo uma excelente canção para se perceber, de modo particularmente belo e impressivo, a materialização de toda a riqueza e heterogeneidade estilística que tem conduzido as mais recentes propostas sonoras dos Tunng. Confere...


autor stipe07 às 18:16
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Quinta-feira, 11 de Abril de 2019

Tame Impala - Borderline

Tame Impala - Borderline

Cerca de quatro anos após Currents e a testar os limites da nossa paciência devido a tão prolongado hiato, eis que os australianos Tame Impala de Kevin Parker voltam, finalmente, a dar sinais de vida com o anúncio praticamente certo de um novo disco ainda este ano.

De facto, depois de há algumas semanas nos terem brindado com o tema Patience, agora chegou a vez de ficarmos a conhecer a canção Borderline, que foi apresentada em primeira mão no famoso programa de televisão norte-americano Saturday Night Live. A mesma gravita em redor de um teclado inspirado, em redor do qual se insinua a bateria, diversos encaixes eletrónicos, uma guitarra indulgente e o habitual registo vocal ecoante, num resultado final algo melancólico e espiritual e onde, como é norma no projeto, rock, eletrónica e psicadelia dão as mãos dentro de um espetro eminentemente pop. Confere...


autor stipe07 às 23:07
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Terça-feira, 26 de Março de 2019

Fujiya And Miyagi – Flashback

Fujiya And Miyagi - Flashback

Com já uma década e meia de atividade e assumindo-se, à boleia de um já vasto e riquíssimo catálogo discográfico, como um dos projetos mais relevantes do cenário indie britânico, pelo modo exímio como misturam alguns dos melhores aspetos do rock alternativo com a eletrónica de cariz mais progressivo, os Fujiya And Miyagi resolveram o ano passado revisitar Transparent Things, o disco que editaram há pouco mais de uma dúzia de anos, que continha clássicos do calibre de Ankle Injuries, Collarbone ou Photographer e que os lançou para o estrelato. Agora, um ano depois dessa reedição em vinil do primeiro álbum da banda, os Fujiya And Miyagi lançam-se num novo registo de originais, um trabalho intitulado Flashback, que irá ver a luz do dia no final de maio à boleia da Red Eye Records. Será um disco com sete canções e bastante inspirado na adolescência de David Best e Stephen Lewis, os dois grandes mentores dos Fujiya And Miyagi e das memórias que guardam da Brighton em que cresceram, nos arredores de Londres e do período aúreo do eletro pop e do breakdance em plenos anos oitenta, época em que na Iglaterra trabalhista de Tatcher era cool usar fatos de treino da Nike, sapatilhas da Adidas e saber rodopiar no chão com estilo.

Deste novo álbum dos Fujiya And Miyagi já se conhece o tema homónimo, uma canção que retrata com elevado grau de impressionismo todo o ideário do disco acima referido, através da simbiose entre as batidas graves e palmas, a voz sussurrada de Best e o groove de um teclado retro, ao qual se juntam amiúde efeitos metálicos percurssivos com uma declarada essência vintage. Para já, o single esclarece que David Best, Stephen Lewis, Ed Chivers, Ben Adamo e Ben Farestuedt mergulharão uma vez mais a fundo, dentro da filosofia do trabalho, numa mescla entre electropop, disco e o clássico krautrock alemão setentista. Confere Flashback e o alinhamento e o artwork do disco que terá, como já disse, o mesmo nome...

fujiya miyagi flashback new album cover artwork

01. Flashback
02. Personal Space
03. For Promotional Use Only
04. Fear of Missing Out
05. Subliminal
06. Dying Swan Act
07. Gammon


autor stipe07 às 10:50
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Domingo, 24 de Março de 2019

Tame Impala – Patience

Tame Impala - Patience

Cerca de quatro anos após Currents e a testar os limites da nossa paciência devido a tão prolongado hiato, eis que os australianos Tame Impala de Kevin Parker voltam, finalmente, a dar sinais de vida com Patience, tema que deverá fazer parte de um novo disco deste coletivo que tem na nostalgia e no modo como apresenta com uma contemporaneidade invulgar alguns sons do passado, importantes pedras de toque da sua filosofia sonora.

Esta canção Patience não foge à bitola concetual anteriormente descrita já que nos seus quase cinco minutos acomoda-se num rock psicadélico sonoramente sustentado numa guitarra mágica de forte índole setentista e que se manifesta com um charme vintage único e em constantes encaixes eletrónicos, detalhes aos quais se junta o já habitual almofadado conjunto de vozes em eco, num resultado final em que rock, eletrónica e psicadelia dão as mãos dentro de um espetro eminentemente pop. Confere...


autor stipe07 às 10:48
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Quarta-feira, 20 de Março de 2019

Mating Ritual – U.N.I.

Mating Ritual - U.N.I.

Menos de um ano do lançamento de Light Myself On Fire, o projeto Mating Ritual do músico californiano Ryan Marshall Lawhon e do seu irmão Taylor Marshall, que planeia nos próximos cinco anos lançar o mesmo número de alinhamentos de canções, está de regresso aos discos já em maio com um trabalho intitulado Hot Content, que será o terceiro registo de originais da dupla e que verá a luz do dia a dez de maio à boleia da editora Smooth Jaws, pertença do próprio Ryan.

U.N.I. é o primeiro single divulgado de Hot Content, uma composição assente numa guitarra efusiante e num baixo imponente, cordas que se aliam a a sintetizadores de elevado cariz retro, com efeitos que disparam em diferentes direções, uma míriade instrumental que aconchega o timbre sintético vocal de Ryan, numa toada que tem tanto de sexy como de robótico e que nos clarifica que vira aí mais um disco que poderia muito bem ter sido congeminado algures no início da década de oitenta e no período aúreo do disco sound. Confere...


autor stipe07 às 15:46
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Segunda-feira, 18 de Março de 2019

Local Natives – When Am I Gonna Lose You vs Café Amarillo

Cerca de dois anos depois de Sunlit Youth, os norte-americanos Local Natives de Taylor Rice estão de regresso aos discos com Violet Street, um registo produzido por Shawn Everett e que irá ver a luz do dia a vinte e seis de abril, à boleia da Loma Vista Recordings.

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When Am I Gonna Lose You e Café Amarillo são dois singles já divulgados de Violet Street, canções em que a banda de Los Angeles se mantém fiel à sua herança sonora, assente num indie rock que se cruza com a eletrónica, algo muitas vezes feito com texturas monumentais e arranjos deslumbrantes, mas também nunca perdendo de vista melodias suaves e mais intimistas, vectores essenciais do conceito sonoro deste grupo e que se deverão estender pelo alinhamento desse novo registo dos Local Natives. De facto, se o piano e a bateria animada de When Am I Gonna Lose You nos oferecem um ambiente mais deslumbrante, luminoso e efervescente, já em Café Amarillo, nos efeitos de cordas, no registo vocal eminentemente agudo e numa guitarra apenas insinuante, mas muito presente, somos puxados para ambientes mais melancólicos, amenos e nostálgicos.

Ambos os temas já tê direito a vídeo oficial, merecendo especial menção o filme de When Am I Gonna Lose You, que conta com a participação especial da atriz Kate Mara, sendo dirigido por Van Alpert. Confere os dois singles...

Local Natives - When Am I Gonna Lose You - Café Amarillo

01. When Am I Gonna Lose You
02. Café Amarillo


autor stipe07 às 18:35
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Quinta-feira, 14 de Março de 2019

Ten Fé – Future Perfect, Present Tense

Já viu a luz do dia, à boleia do consórcio Some Kinda Love/PIAS, Future Tense, Present Tense, o novo registo dos londrinos Ten Fé, um alinhamento de onze canções que sucede ao aclamado disco de estreia, Hit The Light, lançado o ano passado. Future Tense, Present Tense foi produzido por Luke Smith (Foals, Depeche Mode) e misturado por Craig Silvey (Arcade Fire, Florence & The Machine).

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Hit the Light foi uma das lufadas de ar fresco que o panorama indie britânico sentiu há cerca de dois anos e colocou logo esta banda sob o olhar clínico de grande parte da crítica especializada e de uma já considerável legião de fãs que aguardavam com expetativa o sucessor. E o primeiro elogio que se deve desde já fazer a Future Tense, Present Tense é o modo como abarca composições grandiosas e crescentes, mas também instantes sonoros intimistas e melancólicos, com a grande novidade desta vez a ser um mais efusivo piscar de olhos à pop de cariz mais sintético e retro que fez escola na década de oitenta do século passado, como se confere logo no soft rock do single Won’t Happen, uma nuance que não é nova no grupo, mas que se mostra mais apurada e capaz de agradar a um espetro ainda mais alargado de ouvintes.

Para que a audição deste disco seja usufruida em pleno é preciso que o ouvinte tenha a noção que a ideia de tempo é transversal a praticamente todo o registo. A canção que melhor plasma essas noções temporais é o single No Night Lasts Forever, canção que se debruça sobre o tempo que demora para chegar a algo, o tempo que nunca voltará e o tempo que ainda está para vir. Esta composição com uma sonoridade assente numa onda sintética particularmente expansiva e luminosa, é um tratado pop inspirado e rico que, quer na luminosidade da acusticidade inicial das cordas, quer na emotividade da sua escrita, reforça a tal presença na filosofia interpretativa atual dos Ten Fé e a predisposição para oferecerem ao ouvinte uma paleta de sons o mais inédita, urbana e contemporânea possível, fazendo-o com o tal espectro mais virado para a electrónica e para o synthpop, os estilos que atualmente mais seduzem e melhor conseguem captar a alma deste grupo londrino. O impressionismo percurssivo de Coasting, o travo setentista de Echo Park e o piano que conduz To Lie Here Is Enough, são outros focos de vitalidade, astúcia e de uma declarada intencionalidade pop de um álbum que passa com distinção no sempre difícil teste do segundo disco. Espero que aprecies a sugestão...

Ten Fé - Future Perfect, Present Tense

01. Won’t Happen
02. Isn’t Ever A Day
03. No Night Lasts Forever
04. Coasting
05. Echo Park
06. Caught On The Inside
07. To Lie Here Is Enough
08. Here Again
09. Not Tonight
10. Can’t Take You With Me
11. Superrich


autor stipe07 às 15:55
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Segunda-feira, 11 de Março de 2019

Panda Bear – Buoys

Já está nos escaparates desde o início do passado mês de fevereiro Buoys, o sexto álbum de estúdio do músico norte-americano Panda Bear, mais um vigoroso passo em frente na carreira a solo de Noah Lennox, um músico natural de Baltimore, no Maryland e a residir em Lisboa e um dos nomes obrigatórios da indie pop e daquele rock mais experimental e alternativo que se deixa cruzar por uma elevada componente sintética, sempre com uma ímpar contemporaneidade e enorme bom gosto.

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Quem acompanha cuidadosamente e com particular devoção a carreira de Panda Bear, compreende a necessidade que ele sente de propôr em cada novo disco algo que supere os limites da edição anterior. É como se, independente da pluralidade de acertos que caracterizavam o antecessor, o novo compêndio de canções que oferece tenha que transpôr barreiras e como se tudo o que fora antes construído se encaminhasse de alguma forma para o que ainda há-de vir, já que é frequente perceber que, entre tantas mudanças bruscas e nuances, é normal perceber que, para Bear, o que em outras épocas fora acústico, transformou-se depois em eletrónico, o ruidoso tornou-se melodioso e o que antes era experimental, estranhamente aproximou-se da pop. Agora, quase quatro anos depois do aclamado Panda Bear Meets The Grim Reaper e um do EP A Day With The Homies, Lennox dá um novo significado a essa necessidade de superação e de evolução a cada disco no conteúdo deste Buoys, um regresso a um maior minimalismo e acusticidade, numa sequência de nove canções que não deixam de nos oferecer ainda primorosas e atrativas experimentações, mas com um menor nível de desordem sonora e, consequentemente, uma maior acessibilidade para o ouvinte, com o próprio autor a confessar que pretendeu fazer desta vez canções que a sua descendência pudesse ouvir, compreender e apreciar.

Assim, num álbum sereno, apelativo e coerente, importa antes de mais referir que uma das maiores diferenças que notamos neste Buoys relativamente aos registos anteriores do autor é uma maior predominância da componente vocal na sonoridade global dos temas. Isso não significa necessariamente que exista uma maior abundância dessa vertente, desta vez gravada quase sempre num único take, mas é um facto que desta vez as batidas sintéticas e os efeitos maquinais das cordas ou a sua acusticidade, em vez de se sobreporem à voz, amparam-na e, em alguns casos, até ajudam a evidenciar os dotes de quem a replica. E para esta nova realidade plasmada em Buoys muito contribuiu o excelente trabalho de produção de Rusty Santos, além de diversos arranjos da autoria de DJ e cantora de trap e reggaetón chilena Lizz, não só vocais mas também, por exmplo, de gotas de água ou disparos de laser, só para citar alguns dos exemplos mais audíveis e felizes. Por exemplo, no caso das gotas de água, são elas que de certa forma marcam o ritmo de Dolphin, o single de apresentação do disco e ajudam a dar ao tema uma frescura e um colorido muito curiosos e apelativos.

Mas há outros momentos fortes e merecedores de devoção e audição atenta neste Buoys. O eco que ressoa das cordas e da voz que dá vida a Cranked, atravessada pelos tais lasers, o toque cósmico do dub crescente em Token, o belíssimo instante de folk psicadélica que é I Know I Don't Know ou o (falso) minimalismo tremendamente detalhístico de Master, fazem o disco fluir com uma salutar leveza e uma homogeneidade que acaba por fazer transparecer um certo humanismo que Lennox certamente quis que transbordasse de um alinhamento que entre o experimental e o atmosférico, seduz e emociona, um rol de canções em que, parecendo que não, abundam sons que tão depressa surgem como se desvanecem e deixam-nos sempre na dúvida sobre uma possível alteração repentina do rumo dos acontecimentos, exigindo ao ouvinte estar permanentemente alerta e focado no que escuta.

Exatidão e previsibilidade não são palavras que constem do dicionário deste autor e Buoys, um disco corajoso e encantador, plasma mais uma completa reestruturação no som de Panda Bear, firmada por uma poesia sempre metafórica, o que faz com que este artista se mostre ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade e capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-lo para cenários complexos, mas repletos de sensações únicas e que só ele consegue transmitir. Espero que aprecies a sugestão...

Panda Bear - Buoys

01. Dolphin
02. Cranked
03. Token
04. I Know I Don’t Know
05. Master
06. Buoys
07. Inner Monologue
08. Crescendo
09. Home Free


autor stipe07 às 17:48
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Segunda-feira, 4 de Março de 2019

Pond – Tasmania

Quase dois anos depois de The Weather e quatro do excelente Man It Feels Like Space Again, os australianos POND de Nick Allbrook, baixista dos Tame Impala, estão de regresso aos discos em dois mil e dezanove com Tasmania, um álbum que viu a luz do dia através da Marathon Artists e idealizado por uma banda obrigatória para todos aqueles que da psicadelia, à dream pop, passando pelo shoegaze e o chamadospace rock, se deliciam com a mistura destas vertentes e influências sonoras, sempre em busca do puro experimentalismo e com liberdade plena para ir além de qualquer condicionalismo editorial que possa influenciar o processo criativo de um projeto.

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Oitavo disco da trajetória discográfica dos POND e produzido por Kevin Parker, vocalista dos Tame Impala, Tasmania começou a ser incubado quando Nick Albrook trocou impressões com um cientista especializado em meterologia e questões ambientais que lhe explicou que a temperatura média da Austrália iria continuar a subir consideravelmente nas próximas décadas e que não faltaria muito até a Tasmânia ser o único local habitável desse continente. De facto, canções como o rock orquestral, vibrante e épico de Daisy , o charme hipnótico dos sintetizadores que adornam a melodia de Selené ou o intenso downgrade sonoro, fortemente lisérgico, cósmico e imponente do tema homónimo, (might go and shack up in Tasmania before the ozone goes. And paradise burns in Australia, who knows?) comprovam essa permissa conceptual do disco, alargada com maior abrangência na alegoria pop eletrónica eminentemente sintética de Hand Mouth Dancer, tema em que Albrook alarga as suas preocupações ambientais à realidade geopolítica europeia e à crise de refugiados que atualmente assola o nosso continente (I’m no hero; just do my hand mouth dance,[This is ] for all the actual heroes, dying to get the kids to France). E estes três exemplos, além de mostrarem o leque temático do disco, também podem servir para balizar a matriz sonora de dez canções que apostam, claramente, na diversidade e que têm apenas como ponto comum irem progredindo e aumentando de intensidade, dentro de um universo que terá na expressão rock cósmico talvez a forma mais feliz de se catalogar.

Tasmania é, portanto, mais um retrato fiel do caldeirão sonoro que os POND reservam para nós cada vez que entram em estúdio para compor. Seja no andamento mais progressivo e experimental de Goodnight, P.C.C., no curioso travo R&B de The Boys Are Killing Me ou na vibe cósmica e etérea inicial e depois explosiva de Burnt Out Star, não faltam guitarras alimentadas por um combustível eletrificado que inflama raios flamejantes que cortam a direito, feitas, geralmente, de acordes rápidos, distorções inebriantes e plenas de fuzz e acidez e acompanhadas, desta vez mais do que nunca, por sintetizadores munidos de um infinito arsenal de efeitos e sons originários das mais diversas fontes instrumentais, reais ou fictícias. Para compor o ramalhete não falta ainda uma secção rítmica que aposta, frequentemente, numa sobreposição instrumental em camadas, onde vale quase tudo, mas nunca é descurado um forte sentido melódico e uma certa essência pop, numa busca de acessibilidade enquanto passeamos por uma espécie de jardim contemplativo que nos proporciona um rol de emoções e sensações expressas com intensidade e minúcia, misticismo e argúcia e sempre com uma serenidade extraordinariamente melancólica e bastante impressiva.

Com um clima glam muito próprio, Tasmania enche-nos com um espaço sonoro pleno de texturas e fôlegos e onde é transversal uma sensação de experimentação nada inócua e que espelha o cimento das coordenadas que se apoderaram do departamento de inspiração dos POND, sendo o resultado da ambição deste fabuloso projeto australiano em se rodear, cada vez mais, com uma áurea resplandecente e inventiva e de se mostrar mais heterogéneo e abrangente do que nunca. Espero que aprecies a sugestão...

Pond - Tasmania

01. Daisy
02. Sixteen Days
03. Tasmania
04. The Boys Are Killing Me
05. Hand Mouth Dancer
06. Goodnight, P.C.C.
07. Burnt Out Star
08. Selené
09. Shame
10. Doctor’s In


autor stipe07 às 22:06
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Domingo, 24 de Fevereiro de 2019

Copeland - Blushing

Os norte-americanos Copeland de Aaron Marsh (voz, guitarra, baixo, piano), Bryan Laurenson (guitarra) e Stephen Laurenson (guitarra) já andam por cá, algo despercebidos, é certo, mas tremendamente criativos, desde o início do novo milénio. Têm cinco discos em carteira, sendo o último IXORA, um registo editado em novembro de dois mil e catorze e que já tem finalmente sucessor, um trabalho intitulado Blushing, que viu a luz do dia há poucos dias, à boleia da tooth & nail records.

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Gravado nos dois últimos dois anos no The Vanguard Room, o estúdio de Aaron Marsh, em Lakeland, Florida, terra natal da banda e misturado em Nova Iorque por  Michael Brauer, Blushing assenta, liricamente, na habitual escrita algo intrincada e levemente lúgubre, que carateriza o cardápio lírico dos Copeland, envolvida por um arquétipo sonoro que, piscando também o olho à eletrónica, consegue ser, com superior subtileza, sereno e majestoso.

Logo que foi revelado Pope, o primeiro single de Blushing, percebeu-se que este seria mais um álbum emotivo e capaz de mexer com o âmago de quem se predispusesse a destrinçar o seu conteúdo, que vai sempre muito além, no caso dos Copeland, da simples vertente musical. E de facto, a atmosfera cativante do registo, que facilmente nos faz levitar e dançar e sonhar em simultâneo, sendo transversal a todo o alinhamento, faz de Blushing uma espécie de disco conceptual, idealizado para funcionar como um potente soporífero e onde o clássico, o ambiental e o contemporâneo se misturam para dar vida a um receituário único no panorama alternativo atual.

O sintetizador e a batida hipnótica que o sustentam em Lay Here e que depois são envolvidos por detalhes borbulhantes, o piano digital e a bateria inituitiva que conduzem a radioheadiana As Above, So Alone, o indistinto charme de Night Figures, a guitarra abrasiva de Colorless ou a nave espacial que se despenha entre os efeitos inebriantes e a distorção vocal de On Your Worst Day, são telas sonoras de elevado cariz impressionista, dentro daquilo que pode ser descrito como uma eletrónica feita de um ímpar bucolismo que nos força a enfrentar o nosso lado mais melancólico, etéreo e introspetivo, enquanto os Copeland parecem querer colocar a nú algumas das feridas e chagas que, desde tempos intemporais, perseguem a humanidade e definem a propensão natural que o homem tem, enquanto espécie, de cair insistentemente no erro e de colocar em causa o mundo que o rodeia. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:32
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Sábado, 16 de Fevereiro de 2019

Toro y Moi - Outer Peace

Já viu a luz do dia, através da Carpark Records, Outer Peace, o sexto e novo registo de originais de Toro Y Moy, o extraordinário projeto a solo de Chazwick Bundick, um músico e produtor norte americano, natural de Columbia, na Carolina do Sul e um dos nomes mais importantes do movimento chillwave atual, fruto de uma curta mas intensa carreira, iniciada em dois mil e nove e ao longo da qual tem flutuado num oceano de reverberações etéreas e essencialmente caseiras. Este seu disco é um registo muito íntimo e reflexivo já que é centrado no modo como o autor refletiu sobre o seu modus operandi ao longo de uma década, um processo que o próprio afirma ter sido duro e solitário e que obrigou a uma constante auto reflexão sobre aquilo que é a existência e a evolução pessoal humana, em suma, um exercício mental fatigante e que exige paz e tranquilidade em redor (outer peace).

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A carreira de Toro Y Moi tem sido sempre em crescendo e se há algo de que este autor não pode ser acusado é de ter demonstrado, álbum após álbum, constância e monotonia nas suas propostas sonoras. Assim, sempre em busca de uma salutar instabilidade, o produtor conseguiu no experimental Causers of This (2010), o disco de estreia, compilar fisicamente algumas das suas invenções sonoras e esse registo tornou-se imediatamente numa referência do género musical acima citado, ao lado de trabalhos como Life of Leisure dos Washed Out e Psychic Chasms de Neon Indian. Depois desse pontapé de saída auspicioso, surgiu Underneath The Pine (2011) e a leveza da estreia amadureceu e ganhou contornos mais definidos, com a ajuda de vozes transformadas e diferentes camadas sonoras sobrepostas, ficando claro que, a partir desse instante, Toro Y Moy ficaria ainda mais íntimo da pop, mas sem abandonar as suas origens. A seguir, a psicadelia, o rock e a eletrónica começaram a surgir, quase sempre numa toada lo fi, nascendo assim as bases de Anything In Return (2013), com What For? (2015), o quarto tomo da sua carreira, a piscar o olho ao hip hop e ao R&B mais retro, assim como ao discosound dos anos oitenta, fruto da sua relação musical profícua, à altura, com Tyler The Creator e Frank Ocean. O quinto capítulo desta saga sonora, Boo Boo, (2017), além de aprofundar uma já cimentada curiosa relação com a eletrónica, também muito presente no seu outro projeto paralelo intitulado Les Sins, olhou com particular ênfase para territórios um pouco mais ambientais e um pouco cósmicos, algo que não deixa de suceder em Outer Peace, nomeadamente nos reverbs e na batida hipnótica de 50-50, composição que conta com a participação especial de Instupdendo e na feliz simbiose entre hip hop e ambientes eminentemente etéreos em Miss Me, tema com outro convidado, neste caso a cantora ABRA. Mas, como seria de esperar e tendo em conta a carreira de Chaz, Outer Peace é essencialmente um alinhamento de ruptura relativamente ao antecessor. Temas do calibre de Ordinary Pleasure, uma espécie de orgia encapotada entre eletrónica e funk, o charme sedutor e intrigante das teclas e da guitarra de Laws Of The Universe, ou a estética sintética de forte travo vintage de Freelance, são tentativas bem sucedidas de acrescentar ao catálogo do autor novas nuances que alarguem o seu espetro sónico, cada vez mais focado nas pistas de dança e em ambientes onde o digital se sobrepõe claramente ao orgânico.

Em suma, Outer Peace convive pacificamente com a filosofia sonora que tem dado vida à carreira de quem se dedica a um espetro sonoro bastante específico, mas sempre com criatividade e com vontade de explorar o mais possível as múltiplas possibilidades que a chillwave permite, principalmente desde que os avanços tecnológicos mais recentes têm sido aproveitados para dar uma nova vitalidade a um subgénero importantíssimo da eletreónica. Toro Y Moi é cada vez mais capaz de nos levar com ele rumo às profundezas de um imenso oceano de hipnotismo e letargia, enquanto estabelece uma multiplicidade de novos caminhos e testa sonoridades e experimentações sem recear ser apontado de ser uma espécie de terrorista sonoro. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 10:47
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Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2019

LCD Soundsystem – Electric Lady Sessions

Quase ano e meio depois do excelente álbum American Dream, a primeira etapa do segundo fôlego da carreira dos LCD Soundsystem, o projeto nova- iorquino liderado por James Murphy volta à carga com o seu terceiro álbum ao vivo, um registo intitulado Electric Lady Sessions, que viu a luz do dia recentemente através da DFA Records, etiqueta de Murphy em parceira com a Columbia Records. Electric Lady Sessions foi, como o nome indica, gravado nos estúdios com esse nome, situados em Manhattan e que já foram de Jimmy Hendrix, durante a digressão de promoção a American Dream.

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Depois de London Sessions (2010) e The Long Goodbye (2014), Electric Lady Sessions é o terceiro registo dos LCD Soundsystem ao vivo e nele são captados os mais recentes arranjos que a banda induziu nos seus originais, grande parte deles pertencentes ao alinhamento de American Dream, de modo a criar nos seus concertos um ambiente enérgico, festivo e dançante, mas também que proporcione momentos de algum pendor mais reflexivo, nomeadamente acerca do modo como Murphy vê a América que atualmente tanto o inquieta. De certa forma é como se Murphy pegasse numa espécie de versão 2D de algumas das canções mais emblemáticas do catálogo LCD e lhes desse uma faceta tridimensional e mais encorpada, em suma, com outra substância, espaço e textura.

No travo oitocentista impressivo e tremendamente nostálgico, quer do baixo quer das teclas de Seconds, no modo como carregou o fuzz das sintetizações em American Dream, no clima saturado e rugoso da efusiva e lasciva Tonite, nas camadas sonoras sintéticas que são acrescentadas ao arquétipo de Home e que ampliam a emotividade da canção e na liberdade que é dada ao baixo de Tyler Pope para recriar em I Used To um clima ainda mais ritmado e visceral do que o original, fica patente esta ideia de amplificação do festim, numa banda sempre disposta a levar o garage rock numa direção eminentemente dançável e psicadélica. Já agora, Tyler volta a mostrar toda a sua versatilidade e superior capacidade interpretativa aos comandos do baixo na versão de I Want Your Love, um original com quarenta anos da autoria dos norte-americanos Chic de Nile Rodgers e Bernard Edwards e que também impressiona pela participação vocal da teclista Nancy Whang. Outra cover audível neste Electric Lady Sessions é uma reinterpretação de (we don’t need this) fascist groove thang, um original de mil novecentos e oitenta e um dos britânicos Heaven 17, de Martyn Ware, Ian Craig Marsh e Glenn Gregory e escolhida por Murphy para fazer parte da digressão de American Dream com o intuíto de reforçar a sua opinião relativamente ao atual presidente do seu país, numa espécie de gloriosa celebração do que é viver num país que nunca se cansa de apregoar que lidera os destinos do mundo. 

O âmago de Electric Lady Sessions acaba por estar no espetacular baixo (Tyler novamente) e no pendor exaltante dos sintetizadores e da batida crescente de Call The Police, nuances que acabam por fazer desta canção uma espécie de tema aglutinador perfeito de todo este receituário live, um tema onde é possível descobrir razões para dançar de olhos fechados e a sorrir enquanto se pensa na vida e naquilo que mais nos consome e inquieta.

Disco que exige várias audições para ser devidamente compreendido, até porque vive muito deste apelo constante, mas nem sempre explícito, à festa, Electric Lady Sessions acaba por ser o documento ao vivo mais essencial no catálogo do LCD Soundsystem. Ao longo das suas doze composições, a gravação consegue dar uma ideia clara do que é estar presente num concerto do grupo e resgatar os momentos marcantes do disco que marcou o regresso da banda ao ativo, mas também lembrar os ouvintes da imponência e vitalidade dos sucessos anteriores. Para quem acompanha a carreira desta banda nova iorquina há qwuase duas décadas, escutar Electric Lady Sessions ensina-nos que nunca é tarde para recomeçar e que os anos podem passar por nós, mas o nosso espírito pode manter-se amplamente jovial e criativo, mesmo que isso suceda de modo menos intuitivo, mas mais refletido, maduro e consciente. É assim, de certo modo, a melhor descrição que se pode fazer destes renovados LCD Soundsystem como entidade e como entertainers de serviço. Espero que aprecies a sugestão...

LCD Soundsystem - Electric Lady Sessions

01. Seconds
02. American Dream
03. You Wanted A Hit
04. Get Innocuous
05. Call The Police
06. I Used To
07. Tonite
08. Home
09. I Want Your Love
10. Emotional Haircut
11. Oh Baby
12. (We Don’t Need This) Fascist Groove Thang


autor stipe07 às 17:33
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Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2019

Pavo Pavo – Mystery Hour

Na sequência do enorme sucesso do registo de estreia Young Narrator In The Breakers, considerado por esta redação como um dos melhores álbuns de dois mil e dezasseis, os Pavo Pavo de Eliza Bagg e Oliver Hil, aos quais se juntam Nolan Green, Austin Vaughn e Ian Romer, estão de regresso com um novo disco intitulado Mystery Hour, o segundo capítulo discográfico de um projeto exímio a criar aquela música pop que parece servir para banda sonora de uma representação retro de um futuro utópico e imaginário, mas só no que concerne à componente sonora, porque a poesia de Mystery Hour tem uma inspiração real e concreta, focando-se, de modo bastante cinematográfico, emotivo e realista, no final da relação amorosa de seis anos entre os dois grandes protagonistas da banda e o modo como conseguiram manter uma ligação entre ambos que lhes permitiu continuar a fazer música juntos, apesar desta ruptura que, como se sabe, frequentemente deixa sequelas profundas entre os protagonistas, quer individualmente quer no modo como (não) passam a comunicar e a conviver entre si.

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Mystery Hour é um disco sobre separações, mas também sobre reajustes e sobre a alquimia do amor, um sentimento tão forte que muitas vezes consegue sobreviver misteriosamente e manter laços entre intervenientes, mesmo quando ambos optam livremente por deixar de manifestar fisicamente os seus sentimentos entre si. Escuta-se o disco e torna-se óbvio que Eliza e Oliver ainda se amam, mas de um modo diferente daquele que é o amor entre duas pessoas que se sentem sexualmente atraídas e que convivem intimamente e com frequência. Eliza e Oliver ainda se amam porque mantêm os Pavo Pavo mais vivos e pujantes do que nunca e porque se não existisse um sentimento tão forte como o amor entre eles, nunca ganhariam vida canções do calibre da efusiante Mon Cheri, ou da insinuante Close To Your Ego, curiosamente o tema do disco que se debruça sobre a impossibilidade da reconciliação.

Ao longo do disco, o próprio modo como Oliver utiliza uma clara indulgência orgânica para dar vida a guitarras plenas de efeitos texturalmente ricos e a teclados corrosivos no modo como atentam contra o sossego em que constantemente nos refugiamos e o modo como essa filosofia instrumental do músico se cruza com a voz de Eliza que, num registo ecoante e esvoaçante, coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta, é uma prova clara da proximidade e da química entre estes dois autores, que criaram nestas onze canções a banda sonora de um verdadeiro melodrama romântico. Logo a abrir o alinhamento de Mystery Hour, o clima celestial do tema homónimo do disco, simultaneamente épico e comovente, apimentado por um efeito de guitarra planante capaz de derrubar o coração mais empedernido, principalmente quando acontece uma explosão sónica, feita de exuberância e cor, idealizada por Oliver quando Eliza deixou o apartamento que era de ambos, é a melhor prova da continuação desta cumplicidade, assim como no ocaso, no dueto Goldenrod, que se debruça sobre a dor da perca. Estes dois temas, estrategicamente colocados no alinhamento do registo, são os pontos de partida e de chegada de um círculo onde apesar de haver duas visões e dois ângulos de análise forçosamente diferentes acerca do evento central de Mystery Hour, é impressionante perceber a química e a força de uma amizade que se manteve inquebrável. Pelo meio, além dos temas já descritos, a nuvem de plumas que sustenta o piano que marca 100 Years, o jogo lascivo que se estabelece entre teclas e sopros em The Other Half e, principalmente, em Statue Is A Man Inside, a guitarra que debita um efeito planante pleno de charme e  que deambula por uma harmonia particularmente cativante, proporcionada por um sintetizador com uma luminosidade intensa e sedutora, são outros momentos felizes de um processo de criação musical que tenta sempre, com sucesso, estilizar canções em cujo regaço amor e lisergia caminhem lado a lado. Falo de duas asas que nos fazem levitar ao encontro de paisagens multicoloridas de sons e sentimentos, arrepios que nos provocam autênticas miragens hipnóticas enquanto deambulam pelos nossos ouvidos num frágil balanço entre uma percussão pulsante, um rock e uma eletrónica com um vincado sentido cósmico.

Com um ideário definido e um objetivo genuíno de entrega mútua e de exorcização e, além do tal divórcio, com declaradas inspirações como o universo de Ingmar Bergman, da coreógrafa Pina Bausch, do pintor David Hockney e do artista de multimédia Alex da Corte, Mystery Hour está repleto de nuances variadas e harmonias magistrais, que fazem do disco um corpo único e indivisível e com vida própria, com os temas a serem os orgãos e membros de um ser que se dividiu em dois mas que continua a ser um só, na sua individualidade, e que através destas músicas, se não tem esse efeito nos autores, pelo menos no ouvinte é bem capaz de  fazer estremecer o nosso lado mais libidinoso, ao som destas onze composiçõs servidas em bandeja de ouro e que devem figurar na prateleira daqueles trabalhos que são de escuta essencial para se perceber as novas e mais inspiradas tendências do indie rock contemporâneo. Espero que aprecies a sugestão...

Pavo Pavo - Mystery Hour

01. Mystery Hour
02. Mon Cheri
03. Easy
04. 100 Years
05. Check The Weather
06. Close To Your Ego
07. The Other Half
08. Around, Pt. 1
09. Around, Pt. 2
10. Statue Is A Man Inside
11. Goldenrod


autor stipe07 às 13:16
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Domingo, 20 de Janeiro de 2019

The Drums – Body Chemistry

The Drums - Body Chemistry

Os norte-americanos The Drums lançaram há dois anos Abysmal Thoughts , o último registo deste projeto que se tornou, assumidamente, no trabalho a solo de Jonny Pierce. O ano passado este músico nova iorquino voltou a dar sinais de vida com o tema Meet Me In Mexico e agora, no início de dois mil e dezanove, anuncia finalmente um novo álbum. O próximo longa duração dos The Drums chama-se Brutalism, e vê a luz do dia na próxima primavera, à boleia da ANTI.

Body Chemistry é o primeiro single divulgado de Brutalism, uma canção muito pessoal em que Pierce aborda o modo como lidou com um diagnóstico recente de depressão (Maybe I’m depressed, Maybe I know too much about the world, about myself) e que sonoramente assenta numa curiosa simbiose entre o indie surf rock e a eletrónica chillwave, audível num curioso e bem sucedido jogo de interseções melódicas entre baixo e sintetizadores. Confere Body Chemistry e o alinhamento de Brutalism...

Pretty Cloud
Body Chemistry
626 Bedford Avenue
Brutalism
Loner
I Wanna Go Back
Kiss It Away
My Jasp
Blip Of Joy


autor stipe07 às 15:33
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Sábado, 19 de Janeiro de 2019

Galo Cant’Às Duas - Cabo da Boa Esperança

Moita, no concelho de Castro Daire, é um ponto geográfico nevrálgico fulcral para o projeto Galo Cant’às Duas, uma dupla natural de Viseu, formada por Hugo Cardoso e Gonçalo Alegre e que tocou pela primeira vez nesse local, de modo espontâneo, durante um encontro de artistas. Nesse primeiro concerto, o improviso foi uma constante, com a bateria, percussões e o contrabaixo a serem os instrumentos escolhidos para uma exploração de sonoridades que, desde logo, firmaram uma enorme química entre os dois músicos.

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Inspirados por esse momento único, Hugo e Gonçalo arregaçaram as mangas e há cerca de dois anos começaram a compor, ao mesmo tempo que procuravam dar concertos, sempre com a percussão e o contrabaixo na linha da frente do processo de construção sonora. A guitarra e o baixo elétrico acabam por ser dois ingredientes adicionados a uma receita que tem visado, desde Os Anjos Também Cantam, o disco de estreia do projeto editado na primavera do ano passado, a criação de um elo de ligação firme entre duas mentes disponíveis a utilizar a música como um veículo privilegiado para a construção de histórias, mais do que a impressão de um rótulo objetivo relativamente a um género musical específico.

Agora, cerca de ano e meio depois dessa estreia auspiciosa, os Galo Cant’Às Duas deixaram a guitarra em casa, olharam com maior gula para os sintetizadores e já colocaram nos escaparates o sempre difícil segundo disco, um trabalho chamado Cabo da Boa Esperança, que marca, claramente, um rumo mais abrangente, ousado e criativo para a dupla, algo que se percebe de imediato e com clareza no cortejo alegórico de distorções e diferentes nuances rítmicas que abastecem a jam session A Dança do Tempo, o tema de abertura do registo.

Cabo da Boa Esperança não mais levanta o pé do acelerador impressivo. O clima caleidoscópico que trespassa o sintetizador melódico de Coro a Cara, o indisfarçavel travo punk inicial de Guia do Fazer que depois se amansa para territórios mais etéreos, para voltar a carregar num ruído progressivo, ou o salutar experimentalismo psicadélico que brota do single Sobre Um Tanto Medo, uma canção sobre a ténue fronteira entre a ânsia de descobrir, ao medo de ser descoberto e que plasma a inegável ousadia e mestria instrumental da dupla, nomeadamente na percussão, deixam-nos de olhos e ouvidos em bico e à bica. E o festim prolonga-se nménage a trois desavergonhado e feito cópula, à vez, entre bateria, guitarra e sintetizador em Foto Grama e na espiral rugosa feita de flashes de samples, de alguns sopros que gostam de jogar ao esconde esconde, de uma guitarra em contínuo e inquieto frenesim e loops percussivos inquietos em Mudo, mais duas composições feitas para nos levar numa viagem de descoberta de um leque variado de extruturas e emoções que se vão sobrepondo e antecipando diversas quebras e mudanças de ritmo e fulgor.

Ao longo das oito canções de Cabo da Boa Esperança, mais do que ser-nos dada a possibilidade de descobrirmos o rumo certo da nossa jornada pessoal ou a fórmula infalível que nos vai levar para o lado certo da razão, é-nos facultada uma sequência muito física de sensações, através de um delicioso caldeirão sonoro onde as composições vestem a sua própria pele enquanto se dedicam, de corpo e alma, à hercúlea tarefa comunicativa que os autores designaram para cada uma, individualmente. E os Galo Cant’Às Duas fazem-no fervilhando de emoção, arrojo e astúcia, enquanto vêm potenciadas todas as suas qualidades, à medida que polvilham os trinta e cinco minutos de Cabo da Boa Esperança com alguns dos melhores tiques de variadíssimos géneros e subgéneros sonoros, cabendo, no desfile dos mesmos, liderados pelo chamado rock progressivo, indie rock, popfolk, eletrónica e psicadelia. Espero que aprecies a sugestão…


autor stipe07 às 11:33
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Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2019

Missio – Rad Drugz

Missio - Rad Drugz

Os electro rockers norte americanos Missio vão regressar aos discos este ano, via RCA Records e em dose dupla com The Darker The Weather the Better The Man. The Darker The Weather (Part 1), chega aos escaparates a vinte e nove de março e The Better The Man (Part II) lá mais para o verão.

Os artistas rock estão nos dias de hoje debaixo dos holofotes e, para muitos, ser membro de uma banda é sinónimo, muitas vezes, de ser alguém que sofe de uma adição a drogas e a sexo e de ser alguém irresponsável, imaturo e rebelde. Por outro lado, a sensação que muitas vezes existe é que é cada vez menor a separação entre aquilo que é o conteúdo musical em si e a personalidade do artista, uma ideia claramente errada porque a autobiografia sonora é, na minha opinião, cada vez menos uma realidade. Por isso, geralmente nunca esperamos que os nossos gurus do rock sejam modelos de virtude, mesmo quando conseguem evitar enveredar pela espiral de decadência que a fama muitas vezes potencia.

A crítica a estas ideias pré-concebidas e erradas e uma novela russa cheia de personagens disfuncionais são as ideias centrais de Rad Drugz!, o primeiro single divulgado deste novo registo dos Missio, uma dupla oriunda de Austin, no Texas, uma empolgante composição rica de linhas de baixo encorpadas, um riff de guitarra pulsante e uma batida sintetizada, idealizada com o intuíto de fazer dançar todos aqueles que gostam de abanar a anca mas deprezam terrenos sonoros como o house, o discosound e afins. Confere...


autor stipe07 às 14:06
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Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2019

Baxter Dury, Étienne De Crécy And Delilah Holliday – B.E.D.

B.E.D. são nada mais nada menos do que as iniciais dos autores de um dos discos mais curiosos do cenário alternativo eminentemente pop do final do ano de dois mil e dezoito. Nesse B.E.D., o produtor francês Étienne de Crécy deu as mãos a Baxter Dury e a Delilah Holliday para incubar um conciso registo de nove composições que nascidas do génio interpretativo de três músicos que não coincidem, individualmente, no espetro sonoro que baliza a carreira de cada um, mas que juntos conseguiram criar um alinhamento coeso, dinâmico e com uma fronteira bem delimitada.

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B.E.D. é um álbum de canções com um espírito moderno, envolvidas por um manto sonoro de charme sedutor e apelativo que agrega alguns dos detalhes fundamentais da eletrónica francesa contemporânea, que nomes como os Air ou os Daft Punk, contemporâneos de Étienne, têm sabido preservar e potenciar exemplarmente, com a melhor herança do pós punk britânico, que é aqui defendida com unhas e dentes, no baixo de Tais Toi e de White Coats, por exemplo, por Baxter Dury, filho do mítico Ian Dury, um dos nomes ímpares da cultura pop britânica da segunda metade do século passado.

As tais diferenças estilísticas que marcam cada um dos intervenientes neste registo acabam por sobressair no modo como a voz, o sintetizador e a orgânica das cordas e de alguns elementos percurssivos conjuram entre si para arquiteturar canções em que quase não se nota a predominância de um destes três elementos. Os três temas já referidos e que serviram para exemplificar a importância do baixo na costura do ritmo são bons exemplos desta simbiose feliz, mas a toada mais groove de Only My Honest Matters ou, num registo mais clássico e chill, na contemplativa But I Think, cantada por Delilah, é igualmente possível apreciar este jogo de cintura constante, com tremenda fluidez e incomparável bom gosto.

Exemplarmente produzido e passível de ser apreciado de um só travo, tal é a sua homogeneidade, fluidez e modernidade, que um certo travo vintage não coloca em causa, B.E.D. terá o objetivo primordial de fazer o ouvinte dançar mas também o colocar a refletir sobre vários aspetos da vida contemporânea, inclusive alguns de cariz eminentemente político. Espero que aprecies a sugestão...

Baxter Dury, Étienne De Crécy And Delilah Holliday - B.E.D

01. Tais Toi
02. Walk Away
03. How Do You Make Me Feel
04. Fly Away
05. White Coats
06. Only My Honesty Matters
07. Centipedes
08. But I Think
09. Eurostars


autor stipe07 às 17:54
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Sábado, 22 de Dezembro de 2018

UNKLE – The Other Side

UNKLE - The Other Side

Com a participação especial vocal de Tom Smith dos Editors, The Other Side é o novo single divulgado dos UNKLE e o segundo avanço conhecido de The Road: Part II / Lost Highway, o próximo disco do projeto britânico liderado por Philip Sheppard, que irá ver a luz do dia a vinte e nove de março próximo.

A participação de Tom Smith neste novo tema dos UNKLE acaba por ser uma opção compreensível, já que os UNKLE remisturaram recentemente Cold, uma das composições incluídas no último álbum dos Editors. Negra, intimista e plena de sentimentalismo, The Other Side fala do processo de recuperação que todos aqueles que têm momentos na vida menos bons precisam de viver para voltarem a erguer-se de novo. Confere...


autor stipe07 às 21:06
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