Quarta-feira, 13 de Novembro de 2019

Pond – Sessions

Depois de terem começado a primavera deste ano do nosso hemisfério com Tasmania, os POND de Nick Allbrook, baixista dos Tame Impala, estão de regresso com Sessions, um apanhado de onze das canções mais emblemáticas do projeto australiano, interpretadas ao vivo em estúdio e produzidas por Kevin Parker.

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O objetivo primordial de Sessions é, de acordo com Jay Watson, multi-instrumentista dos POND, capturar a essência de um espetáculo ao vivo do grupo e, ao mesmo tempo, reproduzir um pouco da essência das famosas Peel Sessions, da autoria do famoso e saudoso DJ John Peel, da BBC, que promoveu algumas das melhores sessões ao vivo da história da indie contemporânea.

Com especial enfase no conteúdo de Tasmania, mas com temas como Don’t Look at the Sun (Or You’ll Go Blind), lançado originalmente no disco de estreia Psychedelic Mango (2009), Paint Me Silver, Burnt Out StarSweep Me Off My Feet retirados de The Weather (2017), ou Man It Feels Like Space Again, tema homónimo do disco do grupo de dois mil e quinze, a oferecerem ao alinhamento um cariz amplo, abrangente e bastante apelativo, porque Tasmania será, na minha opinião, o registo menos inspirado da carreira dos POND, Sessions é um álbum obrigatório para todos aqueles que da psicadelia, à dream pop, passando pelo shoegaze e o chamado space rock, se deliciam com a mistura destas vertentes e influências sonoras, sempre em busca do puro experimentalismo e com liberdade plena para ir além de qualquer condicionalismo editorial que possa influenciar o processo criativo de um projeto.

Os POND vivem num momento crucial da carreira, não só porque Tasmania mostrou que a banda parece cada vez menos disponível para abraçar aquele lado mais experimental e, consciente ou inconscientemente, um pouco amarrada ao sucesso comercial dos Tame Impala e a resvalar para um perfil mais direcionado para as tabelas de vendas do que o exercício pleno de uma salutar liberdade criativa. Que Sessions seja um ponto de partida para o regresso a um conceito de criação artística que privilegie guitarras alimentadas por um combustível eletrificado que inflame raios flamejantes que cortem a direito, feitas, geralmente, de acordes rápidos, distorções inebriantes e plenas de fuzz e acidez e acompanhadas por sintetizadores munidos de um infinito arsenal de efeitos e sons originários das mais diversas fontes instrumentais, reais ou fictícias. Não faltam exemplos desses neste alinhamento que terá na expressão rock cósmico talvez a forma mais feliz de se catalogar. Espero que aprecies a sugestão...

Pond - Sessions

01. Daisy
02. Paint Me Silver
03. Sweep Me Off My Feet
04. Don’t Look At The Sun (Or You’ll Go Blind)
05. Hand Mouth Dancer
06. Burnt Out Star
07. Tasmania
08. Fire In The Water
09. The Weather
10. Medicine Hat
11. Man It Feels Like Space Again


autor stipe07 às 15:44
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Segunda-feira, 4 de Novembro de 2019

Coldplay – Everyday Life

Coldplay - Everyday Life

Quatro anos depois de A Head Full Of Dreams, os britânicos Coldplay estão finalmente de regresso, e já a vinte de dois de novembro, com Everyday Life, um disco duplo que contém um total de dezasseis composições, um alinhamento que já é conhecido e cuja primeira metade tem como título Sunrise, ao passo que a segunda se chama SunsetEveryday Life irá ver a luz do dia através da Parlohone, a etiqueta de sempre da banda formada por Chris Martin, Guy Berryman, Will Champion e Jonny Buckland.

Disco antecipado desde há algumas semanas através da publicação de diversas mensagens enigmáticas na página oficial da banda, cartas escritas aos fãs e da divulgação de diversos cartazes em várias cidades do mundo, com fotos vintage dos membros dos Coldplay a tocarem numa orquestra dos anos vinte do século passado, juntamente com o filósofo alemão Friedrich Nietzsche, Everyday Life começou por se entreabrir a semana passadacom a divulgação dos singles Arabesque e Orphans, um tema de cada uma das duas metades do registo.

Agora, alguns dias depois dessa dose dupla, chegou a vez de conhecermos o tema homónimo do disco e que encerra Sunset, uma composição instrumentalmente bastante cinematográfica e que tem no piano a ferramenta maior de uma melodia com uma sensibilidade muito própria, como é apanágio das propostas mais recentes da banda de Chris Martin. Everyday Life foi estreada na última edição do programa norte americano Saturday Night Live, uma atuação que com a participação especial da atriz Kristen Stewart. Confere Everyday Life... 


autor stipe07 às 16:04
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Terça-feira, 29 de Outubro de 2019

Tame Impala – It Might Be Time

Tame Impala - It Might Be Time

Quase cinco anos após Currents e a testar os limites da nossa paciência devido a tão prolongado hiato, eis que os australianos Tame Impala de Kevin Parker voltam, finalmente, a dar sinais de vida com It Might Be Time, tema que fará parte de The Slow Rush, o novo registo de originais do projeto, um alinhamento com doze músicas gravadas, produzidas e misturadas pelo próprio Parker entre Los Angeles e o estúdio do artista em Fremantle, na Austrália, onde reside. The Slow Rush tem data de lançamento prevista para catorze de fevereiro do próximo ano, à boleia da Modular Records, a habitual etiqueta do grupo.

It Might Be Time é já o terceiro tema divulgado de The Slow Rush. Os leitores mais atentos de Man On The Moon certamente recordam-se que este ano a nossa redação já divulgou as composições Patience e Borderline. No entanto esta é a primeira canção a confirmar alguns dos detalhes fundamentais daquele que será o quarto alinhamento dos Tame Impala e certamente um dos marcos discográficos de dois mil e vinte.

Quanto ao seu conteúdo, It Might Be Time oferece-nos quatro minutos e meio de um pop rock de forte matriz psicadélica e com uma atmosfera sonora bastante aprazível, num resultado final algo melancólico e espiritual e onde, como é norma no projeto, é dado um enorme ênfase na nostalgia e no modo como apresenta com uma contemporaneidade invulgar alguns sons do passado, importantes pedras de toque da filosofia sonora dos Tame Impala.Confere...


autor stipe07 às 13:33
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Sexta-feira, 25 de Outubro de 2019

Coldplay – Arabesque vs Orphans

Quatro anos depois de A Head Full Of Dreams, os britânicos Coldplay estão finalmente de regresso, e já a vinte de dois de novembro, com Everyday Life, um disco duplo que contém um total de dezasseis composições, um alinhamento que já é conhecido e cuja primeira metade tem como título Sunrise, ao passo que a segunda se chama Sunset. Everyday Life irá ver a luz do dia através da Parlohone, a etiqueta de sempre da banda formada por Chris Martin, Guy Berryman, Will Champion e Jonny Buckland.

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Disco antecipado desde há algumas semanas através da publicação de diversas mensagens enigmáticas na página oficial da banda, cartas escritas aos fãs e da divulgação de diversos cartazes em várias cidades do mundo, com fotos vintage dos membros dos Coldplay a tocarem numa orquestra dos anos vinte do século passado, juntamente com o filósofo alemão Friedrich Nietzsche, Everyday Life acaba de se entreabrir com a divulgação dos singles Arabesque e Orphans, um tema de cada uma das duas metades do registo.

Se Arabesque, sétima canção de Sunrise, com trechos cantados em francês e que conta com as participações especiais de Stromae (voz) e de Femi Kuti (sopros), está repleta de detalhes eletreónicos, mas também conta com um excelente trabalho percurssivo, já Orphans, segunda composição de Sunset, oferece-nos aquela faceta eminentemente pop que marcou os últimos trabalhos dos Coldplay, um tema luminoso e festivo, mas também melodicamente amplo e épico e que celebra o otimismo e a alegria. Confere Arabesque e Orphans e a tracklist de Everyday Life... 

Coldplay - Arabesque - Orphans

01. Arabesque
02. Orphans

Disc 1: Sunrise
01 “Sunrise”
02 “Church”
03 “Trouble in Town”
04 “BrokEn”
05 “Daddy”
06 “WOTW / POTP”
07 “Arabesque”
08 “When I Need a Friend”

Disc 2: Sunset
01 “Guns”
02 “Orphans”
03 “Èkó”
04 “Cry Cry Cry”
05 “Old Friends”
06 “بني آدم” (“Bani Adam,” Arabic for “Children Of Adam”)
07 “Champion Of The World”
08 “Everyday Life”


autor stipe07 às 11:06
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Segunda-feira, 21 de Outubro de 2019

Perfume Genius – Pop Song

Perfume Genius - Pop Song

Cerca de dois anos e meio depois do excelente No Shape, Mike Hadreas, aka Perfume Genius, está de regresso com novidades que poderão muito bem antecipar o lançamento em breve do quinto álbum da carreira de um dos nomes mais excitantes do cenário musical alternativo. Importa, no entanto, ressalvar que Hadreas não este parado durante este par de anos, já que criou os temas Eighth GradeBooksmart e13 Reasons Why, para a banda sonora do filme The Goldfinch, além de ter andado em digressão a promover No Shape e de ter ainda autorizado algumas remisturas e participado em colaborações.

Entretanto também já era do conhecimento público que Perfume Genius andava a colaborar com a coreógrafa Kate Wallich e com a companhia de dança The YC, num bailado contemporâneo e numa performance ao vivo. O nome dessa inusitada obra éThe Sun Still Burns Here e começam a ser revelados cada vez mais detalhes do produto final e da performance, estando o seu conteúdo cada vez menos confinado aos estúdios de dança onde têm decorrido os ensaios e as gravações.

Eye In The Wall foi o primeiro grande detalhe já revelado desse trabalho colaborativo, uma composição sonora assinada por Perfume Genius e que nos oferece uma espécie de sinistro western percurssivo, com uma impactante atmosfera lo-fi, mas também com aquela dose de delicadeza e emotividade que carateriza, através de um aparato tecnológico amplo, os principais caminhos de expressão musical da sua discografia. Agora, algumas semanas depois, acaba de ser revelada mais uma composição dessa performance colaborativa e com a assinatura de Hadreas. A canção intitula-se Pop Song e permite-nos contemplar um curioso exercício de simbiose entre elementos sintéticos particularmente rugosos, com um edifício percussivo repleto de groove, tudo temperado com o habitual falsete de Hadreas, sempre emotivo e realisticamente magnético. Confere...


autor stipe07 às 21:12
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Sexta-feira, 18 de Outubro de 2019

Miniature Tigers - Vampires In The Daylight

Três anos depois do muito recomendável I Dreamt I Was A Cowboy, os nova iorquinos Miniature Tigers de Charlie Brand, Rick Schaier, Algernon Quashie e Brandon Lee, mais uma banda natural de Brooklyn, um dos bairros musicalmente mais profícuos da maior cidade da costa leste dos Estados Unidos da América, estão de regresso com Vampires In The Daylight, um álbum que viu a luz do dia a onze de outubro, e disponível no sitio da banda.

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Banda inspirada no modo como se serve de alguns dos princípios orientadores da clássica pop, estes Miniature Tigers oferecem-nos uma espécie de sexy electronic pop, muito kitsch, ampliada por uma dose elevada de experimentalismo que parece não se preocupar demasiado com regras e conveções, fundindo, em suma os sons da pop dos anos sessenta com uma indie muito animada e psicadélica.

Logo a abrir o registo, o clima orquestral intrincado de Caged Bird tem essa vertente de heterogeneidade e logo depois as cordas exuberantes e a percussão frenética de Manic Upswings, assim como, numa abordagem radicalmente diferente, o singelo paladar climático de Anything Else, a vibe surf do tema homónimo o travo R&B de cariz mais ambiental de Wish, carimbam esta impressão geral de elevado ecletismo, num disco em que a temática das relações está bastante presente, com canções carregadas de trocadilhos e metáforas e com a própria sonoridade geral a não deixar de denotar uma inspirada languidez, carregada ainda mais pela voz muitas vezes em falsete de Rick.

Vampires In The Daylight é para ser escutado sem ideias pré definidas e de espírito livre e aberto, sendo um daqueles álbuns que vai revelando, pouco a pouco, o exotismo de muitas das suas canções, repletas de texturas acústicas e elétricas, sobrepostas ou de mão dada e que, consoante o nosso estado de espírito no momento, trazem à tona da predominância de de algumas das imensas paisagens sonoras contém, um exercício inconsciente que faz com que este disco se torne estranhamente viciante. Espero que aprecies a sugestão.

Miniature Tigers - Cool

01. Caged Bird
02. Manic Upswings
03. Rattlesnake ASMR
04. Anything Else
05. Wish
06. Cool
07. Vampires In The Daylight
08. Guilty Sunsets
09. LNOE
10. Better Than Ezra
11. Somewhere Soft


autor stipe07 às 19:03
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Terça-feira, 15 de Outubro de 2019

Panda Bear – Playing The Long Game

Panda Bear - Playing The Long Game

Pouco mais de meio ano após a edição do excelente registo Buoys, o seu sexto álbum de estúdio, o músico norte-americano Panda Bear acaba de dar mais um vigoroso passo em frente na sua carreira a solo, com a divulgação de um novo tema intitulado Playing The long Game e que não fazia parte do alinhamento desse registo. Além da canção, este músico natural de Baltimore, no Maryland e a residir em Lisboa e um dos nomes obrigatórios da indie pop e daquele rock mais experimental e alternativo que se deixa cruzar por uma elevada componente sintética, sempre com uma ímpar contemporaneidade e enorme bom gosto, também deu a conhecer ao grande público o vídeo da mesma, realizado pela portuguesa Fernanda Pereira e onde se pode ver Noah Lennox a deambular por uma floresta enquanto uma horda de mascarados vagueia à distância.

Canção sobre dilemas existenciais mais ou menos óbvios, como confessou o próprio Lennox (The song is about a brief series of thoughts I had one morning about who I am, what I’m doing, and where I’m going), Playing The Long Game foi produzida pelo próprio músico com a colaboração de Rusty Santos e Sebastian Sartor e assenta numa pop experimental eminentemente sintética e com um indesmentível travo R&B, uma composição de forte cariz etéreo e contemplativo, mas também com uma frescura e um colorido muito curiosos e apelativos. Confere...


autor stipe07 às 15:34
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Quarta-feira, 2 de Outubro de 2019

Efterklang – Altid Sammen

Sete anos depois do excelente registo Piramida, os dinamarques Efterklang de Mads Brauer, Casper Clausen e Rasmus Stolberg elevaram ainda mais a fasquia qualitativa do seu catálogo disponível com a edição de Altid Sammen, em português sempre juntos, o quinto registo de originais de um grupo que se divide entre Lisboa e Copenhaga e que viu estas nove canções editadas à boleia da conceituada 4AD, a etiqueta de sempre do projeto.

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Com as participações especiais de Kjartan Sveinsson (Sigur Rós), de uma orquestra barroca e de um coro islandês, Altid Sammen é o disco mais ambicioso da carreira do trio, um portento de indie pop plasmado num alinhamento onde conceitos como majestosidade e bom gosto estão presentes de modo bastante impressivo, proporcionados por três músicos exímios no modo como criam sons com forte inspiração em elementos paisagísticos, uma imagem de marca em que acusticidade orgânica e texturas eletrónicas particularmente intrincadas, conjuram entre si, muitas vezes de modo quase impercetível, para incubar melodias com uma beleza sonora que nos deixa muitas vezes boquiabertos.

Assim que se inicia a audição de Altid Sammen, com o single Vi Er Uendelig, cujo vídeo é uma homenagem a uma icónica performance televisiva de Johnny Hallyday e que conta com a participação da modelo Helena Christensen, cria-se ao nosso redor, instantaneamente, uma espécie de névoa celestial, com o falsete etéreo de Casper, que canta pela primeira vez em dinamarquês num álbum dos Efterklang, a olhar para o interior da nossa alma e a incitar os nossos desejos mais profundos, como se cavasse e alfinetasse um sentimento em nós, enquanto o piano amplifica ainda mais este inusitado momento de agitação elegante e introspetiva.

Se tal visão celestial é replicada, algumas faixas depois, na explosiva inquietude dos sopros que encorpam a suplicante Hænder Der åbner Sig, o modo como o baixo e a secção rítmica nos arrastam em Supertanker e, de modo mais intenso, em I Dine øjne, são nuances que nos obrigam a esquecer tudo o que nos rodeia e a refugiar-nos numa espécie de feliz isolamento auto imposto. Ainda mal refeitos dessa injeção de pura adrenalina soporífera, levamos nos olhos, literalmente, com o irresistível lacrimejar que nos proporciona Uden Ansigt, o meu tema preferido do registo, uma jóia verdadeiramente preciosa que arrebata toda a dose de melancolia que temos guardada dentro de nós, esvaziando-nos e deixando-nos naquela letargia típica de quando se dorme e se está acordado, uma dormência que se acentua e que despoleta a nossa capacidade de sonhar de olhos abertos em Verden Forsvinder e que finalmente nos afaga e nos permite repousar em paz na suprema espiritualidade que exala de Under Broen Der Ligger Du, um dos temas melodicamente mais felizes de Altid Sammen.

Ao longo da carreira, o som dos Efterklang não foi sempre estanque e a opção por um alinhamento de contornos eminentemente clássicos acaba por ser um passo lógico depois de uma fase feliz que assentou na mistura de sonos típicos do rock mais progressivo com a eletrónica de cariz mais ambiental. Tem sido, portanto, um percurso cheio de períodos de transformação, que oscilaram entre momentos minimalistas e outros mais expansivos e este Altid Sammen acaba por funcionar como uma espécie de catarse de toda uma carreira feita de constante mudança e evolução, materializada num disco cheio de sentimentos, emocionalmente profundo e que quando termina deixa-nos com a sensação que acabou-nos de passar pelos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que, por tudo isso, deixou marcas muito positivas e sintomas claros de enorme e absoluto deslumbramento. Espero que aprecies a sugestão... 

Efterklang - Altid Sammen

01. Vi Er Uendelig
02. Supertanker
03. Uden Ansigt
04. I Dine øjne
05. Hænder Der åbner Sig
06. Verden Forsvinder
07. Under Broen Der Ligger Du
08. Havet Løfter Sig
09. Hold Mine Hænder


autor stipe07 às 15:47
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Terça-feira, 24 de Setembro de 2019

Y La Bamba – Entre Los Dos EP

Quase um ano após o excelente Mujeres, o projeto norte americano Y La Bamba, liderado por Luz Elena Mendoza, está de regresso aos lançamentos discográficos com Entre Los Dos, o novo tomo de canções deste grupo sedeado em Portland. Entre Los Dos é um EP com sete espetaculares canções e editado através da Tender Loving Empire, a etiqueta de sempre dos Y La Bamba.

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Depois do excelente Ojos Del Sol, lançado há cerca de três anos, a crítica começou finalmente a ficar bastante atenta a este projeto Y La Bamba, único no modo como mescla post punk com música latina, eletrónica e alguns dos arquétipos fundamentais da indie de cariz mais lo fiMujeres, um registo gravado pela própria Luz Elena Mendoza, com a ajuda de Ryan Oxford nos estúdios Color Therapy Studios e nos Besitos Fritos Studios em Portland e misturado por Jeff Bond, ampliou ainda mais a elevada bitola qualitativa de uma proposta sonora única no cenário musical contemporâneo e que oferece ao ouvinte mais devoto uma viagem espiritual, convidando-nos a refletir e a conhecer as posições da autora acerca de questões como o machismo, o feminismo e o modo como as mulheres se posicionam socialmente, politicamente e até moralmente nos dias de hoje, com particular enfoque nas que são oriundas de países latinos, especialmente as mexicanas a residir nos Estados Unidos da América.

As sete canções de Entre Los Dos, que além de Luz contam com Grace Bugbee aos comandos do baixo, John Niekrasz na bateria, Margaret Wher Gibson nos teclados e a dupla Ed Rodriguez e Ryan Oxford na guitarra elétrica, são como que um fechar de ciclo de uma espécie de triologia iniciada no tal Ojos Del Sol, três trabalhos que plasmam, com fidelidade e minúcia uma abordagem muito pessoal e íntima, claramente auto-reflexiva, mas que também é, de algum modo, sociológica, por parte de Luz, relativamente ao modo como a mulher é vista nos dias de hoje. No carrocel percurssivo de Gabriel e de Los Gritos, canções que conjugam o melhor dos ritmos da música tradicional espanhola e mexicana, com um toque rock e a voz sublime de Luz, na acusticidade minimal etérea de Entre Los Dos e de Octavio, na eletrónica em forma de dream pop de cariz lo fi e etéreo que cimenta Rios Sueltos, no festim folk punk de Soñadora e na riqueza estilística que define os arranjos que ampliam o grau de rugosidade de Las Platicas, apreciamos uma narrativa plena de histórias simples e comuns, mas onde este timbre ordinário das mesmas é enganador, porque são relatos de vidas difíceis e que muitas vezes escapam à própria compreensão de quem nunca vivenciou na pele tais realidades. Os Y La Bamba acabam por suavizar, até com uma certa ironia e sarcasmo, dores, agruras e medos, com  composições que ampliam o diâmetro da nossa anca, deixando-a possuída, sem dono e sem vontade própria, porque não resistimos a acompanhar tambem fisicamente um alinhamento que além de todo o cariz sério e profundo que sustenta, também consegue mexer muito com a temperatura do nosso corpo. Espero que aprecies a sugestão...

Y La Bamba - Entre Los Dos

01. Gabriel
02. Entre Los Dos
03. Rios Sueltos
04. Octavio
05. Soñadora
06. Las Platicas
07. Los Gritos


autor stipe07 às 20:59
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Sábado, 14 de Setembro de 2019

Perfume Genius – Eye In The Wall

Perfume Genius - Eye In The Wall

Cerca de dois anos e meio depois do excelente No Shape, Mike Hadreas, aka Perfume Genius, está de regresso com novidades que poderão muito bem antecipar o lançamento em breve do quinto álbum da carreira de um dos nomes mais excitantes do cenário musical alternativo. Importa, no entanto, ressalvar que Hadreas não este parado durante este par de anos, já que criou os temas Eighth GradeBooksmart e13 Reasons Why, para a banda sonora do filme The Goldfinch, além de ter andado em digressão a promover No Shape e de ter ainda autorizado algumas remisturas e participado em colaborações.

Entretanto também já era do conhecimento público que Perfume Genius andava a colaborar com a coreógrafa Kate Wallich e com a companhia de dança The YC, num bailado contemporâneo e numa performance ao vivo. O nome dessa inusitada obra éThe Sun Still Burns Here e têm sido poucos os detalhes revelados do produto final e da performance, estando o seu conteúdo confinado aos estúdios de dança onde têm decorrido os ensaios e as gravações.

Eye In The Wall acaba por ser o grande detalhe já revelado desse trabalho colaborativo, uma composição sonora assinada por Perfume Genius e que nos oferece uma espécie de sinistro western percurssivo, com uma impactante atmosfera lo-fi, mas também com aquela dose de delicadeza e emotividade que carateriza, através de um aparato tecnológico amplo, os principais caminhos de expressão musical da sua discografia. Confere...


autor stipe07 às 21:56
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Segunda-feira, 2 de Setembro de 2019

Miniature Tigers – Manic Upswings

Miniature Tigers - Manic Upswings

Três anos depois do muito recomendável I Dreamt I Was A Cowboy, os nova iorquinos Miniature Tigers de Charlie Brand, Rick Schaier, Algernon Quashie e Brandon Lee, mais uma banda natural de Brooklyn, um dos bairros musicalmente mais profícuos da maior cidade da costa leste dos Estados Unidos da América, estão de regresso com Vampires In The Daylight, um álbum que irá ver a luz do dia a onze de outubro e do qual já se conhece Manic Upswings, o primeiro single retirado do registo.

Fundindo de modo bastante criativo, com cordas exuberantes e uma percurssão frenética, os sons da pop dos anos sessenta com uma indie muito animada e psicadélica, Manic Upswings é uma espécie de sexy electronic pop, muito kitsch, um tema que faz adivinhar um disco particularmente exótico e texturalmente bastante rico. Confere...


autor stipe07 às 10:00
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Domingo, 28 de Julho de 2019

Of Monsters And Men – Fever Dream

Chama-se Fever Dream o novo álbum dos islandeses Of Monsters And Men de Nanna Bryndís Hilmarsdóttir, Ragnar þórhallsson, Brynjar Leifsson e Arnar Rósenkranz Hilmarsson, um trabalho que viu a luz do dia à boleia da etiqueta Republic Records e que sucede ao aclamado registo Beneath The Skin, lançado em dois mil e quinze.

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Imagine-se Reiquiavique em hora de ponta e um cruzamento onde estão parados projetos como os The Naked and Famous, Dirty Projectors, Childish Gambino e Katy Perry. Os semáforos avariam, todos chocam no centro do cruzamento e dessa explosão sónica acidental nasce Fever Dream, um disco produzido pela própria banda e por Rick Costey e que foi idealizado quase integralmente por Nanna Bryndís Hilmarsdóttir, um exercício de escrita e composição que a própria vocalista já confessou ter sido particularmente exaustivo. O modus operandi foi o uso da guitarra acústica como instrumento fundamental do processo de criação do arquétipo melódico dos temas e depois o adorno das mesmas foi feito através do uso assertivo de um sintetizador caseiro. A partir daí, num caminho simbiótico entre o orgânico e o sintético, ganhou vida e cor um alinhamento que tem no tema Alligator, uma vibrante composição que agrega impecavelmente a filosofia sonora do disco, o seu ponto fulcral, mas também outros momentos de particular destaque. Um deles é Wild Roses, uma canção com um elevado cariz reflexivo e melancólico, que inicia com um melodia ao piano bastante aditiva, mas que depois se expande num pop rock apoteótico, através de guitarras pulsantes e sintetizadores plenos de epicidade,  à medida que a interpretação vocal de Nanna Hilmarsdóttir ganha entusiasmo e sentimento. Depois, a homenagem que é feita à beleza natural do país da banda em Róróró, a luminosidade do eletropop que edifica Waiting For The Snow, a canção do registo em que melhor ressoam os exímios recursos vocais de Nanna e a impecável performance percurssiva que temas como Ahay e Stuck In Gravity plasmam com superior quilate, são instantes que reforçam a consistência pura de um alinhamento que é também um tratado daquele pop rock apoteótico que se define com uma percussão vibrante e pleno de guitarras e onde cada verso de cada canção é entoado com sentimento e emoção.

Disco que deixa definitivamente de parte aquela pitada folk rock que fez sempre parte do adn dos Of Monsters and Men e que marcou os antecessores My Head is an Animal e Beneath the Skin, Fever Dream aposta definitivamente e em exclusivo naquela pop dançante e efusiva, uma nova postura sonora que acaba por provocar uma conexão imediata entre banda e ouvinte. O seu próprio cariz radiofónico, acessível e orelhudo tem o veneno eficaz para congregar uma vasta legião ainda maior de seguidores entusiastas e ávidos de canções impecavelmente produzidas e que apelem de modo incisivo à grandiosidade do sentimento, confirmando que este quarteto islandês representa muito do que de melhor o mercado alternativo e independente tem atualmente para oferecer. Espero que aprecies a sugestão.

Of Monsters And Men - Fever Dream

01. Alligator
02. Ahay
03. Róróró
04. Waiting For The Snow
05. Vulture, Vulture
06. Wild Roses
07. Stuck In Gravity
08. Sleepwalker
09. Wars
10. Under A Dome
11. Soothsaye


autor stipe07 às 11:00
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Sexta-feira, 26 de Julho de 2019

Generationals – Reader As Detective

Depois de uma revisitação da coleção de singles lançados durante a carreira, feita o ano passado à boleia de State Dogs: Singles 2017-18, a dupla Generationals de Ted Joyner e Grant Widmer, natural de Nova Orleães, no Louisiana e que se estrou nos discos há meia década com o aclamado registo Alix, está de regresso aos lançamentos discográficos com Reader As Detective, um compêndio de dez canções que viu a luz do dia a dezanove de julho último, à boleia da Polyvinyl Records.

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Quinto registo de originais da carreira dos Generationals, Reader As Detective é um alinhamento de forte cariz radiofónico, um tratado de indie rock repleto de fuzz e incisivo, pouco mais de trinta minutos inspirados e felizes no modo como nos fazem dançar e despertar em nós aquela alegria e boa disposição que muitas vezes buscamos na música e raramente encontramos com este acerto criativo.

Logo na batida majestosa de I’ve Been Wrong Before somos impelidos a saltar para a pista de dança, inebriados por uma guitarra com um fuzz arrebatador e estilisticamente próxima do melhor punk oitocentista. Depois, o luminoso groove do piano e dos reverbs que sustentam o festim pop I Turned My Back On The Written Word, o clima indie sombrio e nublado de Breaking Your Silence, o eletro que divaga por A List Of The Virtues e o travo mais melancólico de Gatekeeper e Xeno Bobby, dão continuidade a uma sensação permanente de otimismo, cor e euforia, num disco em que não falta um exemplar sentido de urbanidade e uma toada retro bastante apelativa.

Reader As Detective é mais um álbum perfeito para se perceber como este projeto deambula de modo escorreito entre abordagens mais electrónicas e tonalidades que exalam uma indie eminentemente nostálgica, sempre com uma base melódica muito elaborada e coesa, com pronunciadas influências quase sempre relacionadas com os teclados típicos do anos oitenta e que acabam por cair facilmente no goto do grande público, já que para os Generationals, independentemente da receita, uma toada experimental animada, luminosa e feliz é sempre algo transversal ao conteúdo musical que criam. Espero que aprecies a sugestão.

Generationals - Reader As Detective

01. I’ve Been Wrong Before
02. I Turned My Back On The Written Word
03. Breaking Your Silence
04. A List Of The Virtues
05. Gatekeeper
06. Xeno Bobby
07. Society Of Winners
08. Deadbeat Shiver
09. Save This For Never
10. Dream Box


autor stipe07 às 09:52
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Quarta-feira, 24 de Julho de 2019

Message To Bears – Constants

Message To Bears é o nome do projeto a solo do cantor, compositor e multi-instrumentista inglês Jerome Alexander. Esta banda de um homem só estreou-se em 2007 com um EP que chamou a atenção pelo conteúdo um pouco confuso, com algumas distorções tímidas, violinos, ecos e susurros. Message To Bears encontrou um rumo mais definido no álbum seguinte, The Soul's Release, com uma sonoridade que passava pela pop atmosférica, a folk e o post rock, com destaque para as canções Joy LeavesCathing Fireflies e principalmente Where the Trees are Painted White. A esta promissora estreia nos álbuns sucedeu, em 2009, Departures, um disco ainda mais sólido, com melhor definição sonora e bastante hipnótico e, três anos depois, Jerome brindou-nos com Folding Leaves, um álbum surpreendente, rústico e orgânico, lançado pela Dead Pilot Records. Nessa altura Jerome mudou-se de Bristol para Londres, lançou mais dois discos, mas resolveu fazer marcha atrás, voltar à terra natal e criar no seu estúdio caseiro Constants, o seu quinto longa duração, um alinhamento de onze canções emocionalmente poderosas e com tudo para ser um marco discográfico do ano dentro do espetro sonoro em que se situa.

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Constants funciona como uma espécie de válvula de escape para o autor, já que no registo exorciza alguns demónios que o período londrino colocou no seu equilíbrio psicológico pessoal e serve para o ouvinte como um confortável e sossegado refúgio, num mundo cada vez mais dominado pela pressãoque é exercida pelos media. Esta é a grande ideia temática de quarenta minutos introduzidos, em On Reflection, por um ternurento piano que logo nos abre de par em par um portal de luz, magia e cor, incomparável a algo que faça parte do mundo concreto em que vivemos.

Saborear Constants tem obrigatoriamente essa permissa de suscitar no ouvinte a necessidade de usar a sua imaginação para melhor percepcionar um universo mágico e que causa impacto por ser complexo e detalhado, mas também (e isso é possível) graciosamente simples. Nele, Jerome combinou em várias canções diversas camadas de cordas, com elementos percurssivos eminentemente orgânicos e melodias sintetizadas únicas e criou assim um ambiente aconchegante, difícil de definir, um som que se constrói ao longo de cada canção e em todo o álbum, com especial destaque para a graciosidade de Raining Whilst She Sleeps, a religiosidade de Rescue, o cariz místico dos violinos que gravitam em Away From You e a esplendorosa emotividade que exala em cada nota e arranjo de Small Light.

Em Bristol, Jerome consegue testemunhar com outra clarividência a constância das estações do ano, os diferentes sons que a natureza tem durante essa roda viva, os odores dos cursos de água, este ciclo da vida e da morte que recorda ao músico quer o efémero da sua existência quer a fragilidade e tantas vezes a insginificância que carateriza a presença de tantos de nós neste mundo. A eletrónica ambiental inspirada de Constants é o tal refúgio, mas também um grito de alerta, um apelo ao desassossego onde estão plasmadas emoções e sugestões sempre de modo humilde, carinhoso, sincero e, obviamente, nada pretensioso. Espero que aprecies a sugestão...

Message To Bears - Constants

01. On Reflection
02. Raining Whilst She Sleeps
03. Pull Apart
04. All We Said
05. Rescue
06. New Air
07. Away From You
08. Small Light
09. Convalescence
10. We All Were Swallowed By Sleep
11. Nowhere


autor stipe07 às 16:21
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Terça-feira, 23 de Julho de 2019

Stereo Total - Ah! Quel Cinéma!

Um dos nomes míticos do catálogo da Tapete Records são os Stereo Total, dupla que começou a fazer música antes da internet existir, antes do Euro, antes da Alemanha se reunir e antes ainda de haver bandas ou músicas. Aliás, pelo andar da carruagem, os Stereo Total provavelmente ainda estarão a tocar quando tudo isso for consignado ao lixo da história. O grupo é composto por Françoise Cactus, também apresentadora de rádio e Brezel Göring, um homem cuja escolha do nome artístico foi motivada pelo desejo de não ser levado a sério pela música e pelos escribas.

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Quando começaram a fazer música juntos, os Stereo Total tinham como missão romper as regras, desestabilizar as ideias e sarcasticamente repelir amantes sérios de música enquanto os chocam com uma engenharia de som muito abaixo dos padrões dos ouvintes do mainstreamAh! Quel Cinéma!, o novo álbum da dupla e décimo segundo da carreira dos Stereo Total, é um descendente fiel de toda uma linhagem de discos que têm reforçado a já mítica propensão deste projeto para o jogo de palavras, mesmo que tal desiderato não esteja em evidência em todas as letras que apresentam. Sendo um álbum com não um, mas dois pontos de exclamação no título, aprimora ainda mais essa caraterística única da dupla, com temas como lesões pessoais (Ich bin cool), traição (Mes copines), deficiências de personalidade provocadas pelo abuso de drogas (Methedrine), raiva (Hass-Satellit) opiniões inflamadas de si próprio (Brezel says), suicídio (Le Spleen), luto (Dancing with a memory) e almas atormentadas (Elektroschocktherapie) a serem apresentadas em formato panorâmico e, muitas vezes, da forma mais divertida possível.

Musicalmente,  Ah! Quel Cinéma! acaba por ser de difícil catalogação e esse é, naturalmente, um dos principais elogios que se pode fazer ao panorama geral criado pelas suas catorze composições. Se álbuns anteriores dos Stereo Total ressoaram com influências de chanson, trash, disco para punk, rock'n'roll e NDW (New Wave alemão), Ah! Quel Cinéma! tem como grande enfoque uma espécie de rock de garagem Lo Fi, trespassado por uma eletrónica sagaz que não descura uma forte toada orgânica e sensitiva, assente numa vasta gama instrumental de instrumentos mais propensos a serem encontrados nas mãos de crianças em lares onde uma educação musical não está na agenda. Um órgão de plástico de bébé, um piano de brincar, acompanhado por guitarras caseiras e um Casio adquirido numa feira em segunda mão, são alguns dos exemplos dessa pafernália. Nela, cada instrumento musical provavelmente poderia ser traduzido em coordenadas sociais e, nesse sentido, as ferramentas do comércio de Stereo Total falam uma linguagem inequívoca. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:17
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Quinta-feira, 4 de Julho de 2019

The Drums – Try

The Drums - Try

Foi em abril que viu a luz do dia Brutalism, o quinto e novo registo de originais dos norte-americanos The Drums e que sucedeu ao excelente Abysmal Thoughts, o primeiro álbum desde que este projeto se tornou, assumidamente, no trabalho a solo de Jonny Pierce. Recordo que os The Drums são um dos grandes nomes do movimento saudosista de revitalização do lo-fi, que tem feito escola no século XXI. Na verdade, continuam a ser uma daquelas bandas que pura e simplesmente não custa nada gostar, apesar dos momentos menos felizes que viveram e que ditaram praticamente o ocaso do projeto quando, em 2010, o guitarrista Adam Kessler abandonou o grupo e alguns anos depois Jacob Graham também acabou por o fazer. Pierce é quem mantém o projeto vivo, estando a tentar com as nove canções deste Brutalism estabilizar os The Drums numa posição de relevo dentro do espetro sonoro que calcorreia. E desta vez procurou uma sonoridade com maior ênfase naquela pop sintetizada que dialoga promiscuamente com o rock oitocentista.

Try, um novo single revelado por Pierce e que não constando do alinhamento de Brutalism foi incubado durante as sessões de gravação do disco, ajuda ainda mais a comprovar este encosto a tão importantes referências, particularmente as oitocentistas, mas também, tendo em conta o seu formato poeticamente triste e eminentemente orgânico, minimal e percurssivo, serve para mostrar que Pierce, quando se entrega emocionalmente sem barreiras, é capaz de agarrar em fórmulas bem sucedidas e, procurando nunca se colar demasiado a essa zona de conforto, conseguir criar algo único e genuíno e que, no seu todo, represente algo de inovador e relevante. Confere...


autor stipe07 às 18:49
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Terça-feira, 25 de Junho de 2019

Two Door Cinema Club - False Alarm

Ja está nos escaparates e à boleia da conceituada Pias Recordings, False Alarm, o quarto e novo registo de originais dos irlandeses Two Door Cinema Club, um alinhamento de dez canções produzido por Jacknife Lee, que já tinha colocado as mãos no antecessor Gameshow, lançado em dois mil e dezassete. False Alarm também tem sido notícia pela curiosa capa da autoria da fotógrafa Aleksandra Kingo, que retratou o grupo cercado por emissores de ruído variados, numa aparente situação de pânico. A ideia é retratar a sensação de ansiedade coletiva que carateriza, nos dias de hoje, um mundo em que se sucedem desastres naturais, catástrofes provocadas pelo próprio homem e um sem número de perigos que vão florescendo um pouco por toda a parte.

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Contando nos seus créditos com as participações especiais do grupo zambiano Mokoomba em Satisfaction Guaranteed, um dos temas mais ritmados do disco e do artista de hip hop norte americano Open Mike Eagle, na toada vibrante e metálica de Nice To See You, False Alarm é, no global, uma mistura incandescente entre o indie rock mais efusivo e efervescente, audível no fuzz das guitarras, com aquela pop experimental new wave, feita com o travo retro proporcionado pelo sintetizador. Tal simbiose feliz entre rock e eletrónica está presente com superior quilate em vários temas do álbum, mas com especial ênfase no single Dirty Air, uma composição que de acordo com Alex Trimble, o vocalista, é sobre o fim do mundo e o modo como se pode fazer desse evento uma grande festa. No entanto, a rugosidade da batida de Talk, canção que mostra como o baixo é um elemento preponderante de produção melódica no seio destes Two Door Cinema Club e o modo como um flash sintetizado contrasta, nesse tema, com o vigor percurssivo e depois a efervescência pop do refrão, assim como o clima mais charmoso e urbano de So Many People e o olhar anguloso que é feito ao r&b futurista em Think, são outros momentos maiores de um disco que cimenta a fama dos Two Door Cinema Club como um projeto de magnitude, que aposta em criar composições que ao vivo funcionem de modo a agitar grandes massas mais preocupadas em dançar do que propriamente em refletir sobre o conteúdo lírico da música que consomem.

False Alarm não vai salvar as nossas vidas ou modificá-las drasticamente, mas vai-te fazer dançar de forma bem humorada e continuar a fazer sobressair estes Two Door Cinema Club em relação à concorrência. Espero que aprecies a sugestão...

Two Door Cinema Club - False Alarm

01. Once
02. Talk
03. Satisfaction Guaranteed (Feat. Mokoomba)
04. So Many people
05. Think
06. Nice to See You (Feat. Open Mike Eagle)
07. Break
08. Dirty Air
09. Satellite
10. Already Gone


autor stipe07 às 20:56
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Quarta-feira, 19 de Junho de 2019

Maps – Colours. Reflect. Time. Loss.

Já tem sucessor, Vicissitude, o disco que o projeto britânico Maps de James Chapman, nome grande do catálogo da Mute Records, editou em dois mil e catorze. O novo e quarto álbum a solo deste artista de Northampton intitula-se  Colours. Reflect. Time. Loss. e as suas dez composições proporcionam-nos o contacto com um feliz exercício de fusão do rock com diversos cânones da eletrónica, uma labuta de corte e recorte feita com um charme e uma elegância inegáveis, uma experiência não só auditiva, mas também tremendamente visual.

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Colours. Reflect. Time. Loss. demorou três anos a ser incubado e gravado e muitos dos arranjos orquestrais das canções foram, de acordo com James, inspirados na ruralidade de Northampton. É um registo que reflete, portanto, muitos eventos da vida pessoal do autor, que fez questão de ser também peça fundamental no processo de produção de um trabalho que contou com as participações especiais do grupo clássico de ensemble belga The Echo Collective (famoso por ter interpretado, no início do ano passado, na íntegra, Amnesiac, o clássico da discografia dos Radiohead, lançado em dois mil e um) e com percussionistas e vocalistas de diversas latitudes (I wanted to push everything to the limit with this record and explore new territory for Maps,(...) The orchestral instrumentation and addition of other musicians and singers played a huge part in finding the purer and more human emotion I was searching for. I learnt the violin as I was growing up, so I’m glad it finally came in useful!). 

O primeiro single que o compositor e produtor retirou do álbum foi Just Reflecting, a quinta composição do seu alinhamento, um tema que impressiona pela sua beleza utópica, feita de belas orquestrações, que vivem e respiram, lado a lado, com distorções e arranjos que alicerçaram uma melodia particularmente hipnótica. Tal escolha não foi obviamente feita ao acaso já que é uma bela amostra de um disco idelizado por um verdadeiro escultor sonoro que olha de frente para as guitarras e depois não receia envolvê-las com sintetizadores imbuídos de uma superior inteligência e epicidade, apenas temperados por uma filosofia melódica que procura intuir no ouvinte um desejo de reflexão e introspeção ao som de um universo sonoro fortemente cinematográfico e imersivo.

Depois, na encantadora alegoria pop sessentista de The Plans We Made, na luminosidade do piano e dos sopros de Howl Around, uma canção feita para nos retirar do fundo do poço, ou no clima oitocentista de Wildfire, James dá-nos asas e leva-nos de modo certeiro ao refúgio bucólico e denso onde se embrenharam aquelas nossas emoções que melhor e mais alto nos levantam, num disco que impressiona por este provocador belicismo e pelo seu forte cariz sensorial. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 17:23
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Terça-feira, 18 de Junho de 2019

Yeasayer – Erotic Reruns

Desde o notável Fragrant World, disco editado já no longínquo ano de 2012, que os nova iorquinos Yeasayer mantiveram um silêncio de quatro anos que, à época, já começava a preocupar os seguidores deste projeto sonoro verdadeiramente inovador e bastante recomendável. Mas esse compêndio de onze canções, das quais se destacavam composições tão inebriantes como Henrietta ou Longevity, teve, em dois mil e dezasseis, para gaúdio de todos nós, sucessor, um álbum intitulado Amen and Goodbye,  que reforçou não só o caraterístico romantismo lisérgico do projeto, mas também consolidou a veia instável e experimental de uns Yeasayer cada vez mais apostados em colocar as fichas todas numa pop de forte cariz eletrónico, mas bastante recomendável, principalmente no modo como se mistura com alguns dos aspetos mais relevantes do típico indie rock alternativo.

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Agora, novamente após um hiato algo prolongado, a banda de Brooklyn regressa com Erotic Reruns, o quinto álbum de estúdio desta banda americana, um trabalho lançado através da própria gravadora do projeto, a Yeasayer Records, produzido também pelo grupo e que coloca novamente o trio na senda de um experimentalismo que mescla psicadelia com eletrónica e rock com elevado grau de hipnotismo, sem descurar a veia divertida e festiva que sempre foi uma das grandes forças motrizes desta banda.

Com a capa do disco captada em Portugal e da autoria de Bráulio Amado, Erotic Reruns deve muito do seu conteúdo à eleição de Trump há pouco mais de dois anos mas também a personalidades controversas como  James Comey, Sarah Huckabee Sanders e ao monstro anti-imigração Stephen Miller. Num alinhamento que dura praticamente meia hora, canções como a charmosa e libidinosa daftpunkiana People I Loved, a exuberante e cósmica Ecstatic Baby, a sensual Crack A Smile, ou a mais instável e emotiva Blue Skies Dandelions, reforçam não só o caraterístico romantismo lisérgico do projeto, mas também consolidam a veia instável e experimental de uns Yeasayer cada vez mais eficazes no modo como nos oferecem uma eficaz oscilação e simbiose entre os orgânico e sintético, rock e eletrónica, com cada vez maior mestria, criatividade, heterogeneidade e bom gosto.

Quase no ocaso do disco, o modo como a guitarra e os sintetizadores se cruzam em Ohm Death e, usando também esse receituário, a tonalidade pop oitocentista indisfarçável de Fluttering In The Floodlights e a deliciosa luminosidade do timbre da guitarra que conduz I’ll Kiss You Tonight, ajudam a ampliar o cada vez maior distanciamento dos Yeasayer relativamente à receita instrumental de outrora. Mais do que carisma e a explosão de sons, cores e versos marcantes de Odd Blood (2010), por exemplo, a ideia é cada vez mais explorar territórios emotivamente mais abrangentes, com o registo vocal inédito de Chris Keating, já uma imagem de marca deste grupo nova iorquino, a ser também uma arma certeira neste bem sucedido processo de reinvenção e ampliação da vitalidade e da abrangência do catálogo de um grupo que é já uma referência incontornável de um género sonoro que se for abordado com este grau de criatividade e bom gosto acaba, incontornavelmente, por originar discos animados, alegres, solarengos e qualitativamente marcantes. O carisma e a personalidade de Erotic Reruns merece todas estas odes. Espero que aprecies a sugestão...

Yeasayer - Erotic Reruns

01. People I Loved
02. Ecstatic Baby
03. Crack A Smile
04. Blue Skies Dandelions
05. Let Me Listen In On You
06. I’ll Kiss You Tonight
07. 24-Hour Hateful Live!
08. Ohm Death
09. Fluttering In The Floodlights


autor stipe07 às 19:28
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Quinta-feira, 13 de Junho de 2019

Foreign Diplomats – Monami

Thomas Bruneau Faubert, Charles Primeau, Élie Raymond, Lazer Vallières e Tony L. Roy são os Foreign Diplomats, uma banda canadiana oriunda de Montreal, no Quebeque, que acaba de regressar aos lançamentos discográficos com Monami, um compêndio de canções que sucede a Princess Flash, o extraordinário disco de estreia que a banda lançou no final de dois mil e quinze, ainda a tempo de ser um dos melhores desse ano para esta redação.

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Escrito e composto maioritariamente por Élie Raymond e produzido e misturado por Jace Lasek, que já tinha trabalhado com os Foreign Diplomats no antecessor, Monami mantém o projeot canadiano nas coordenadas certas para estilizar canções em cujo regaço festa e lisergia caminham lado a lado, duas asas que nos fazem levitar ao encontro de paisagens multicoloridas de sons e sentimentos.

Num disco em que a ideia principal é o amor e o medo que nos invade sempre que nos apaixonamos, mas também onde não faltam referências a viagens, comida e a tudo aquilo que preenche a normalidade rotineira de qualquer um de nós, não faltam aqui canções repletas daqueles arrepios que nos provocam, muitas vezes, autênticas miragens lisérgicas e hipnóticas. E fazem-no deambulando pelos nossos ouvidos, alicerçadas num frágil balanço entre uma percussão pulsante, um rock e uma eletrónica com um vincado sentido cósmico e uma indulgência orgânica que se abastece de guitarras plenas de efeitos texturalmente ricos, teclados corrosivos no modo como atentam contra o sossego em que constantemente nos refugiamos e a voz de Élie que, num registo ecoante e esvoaçante, coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta.

Se a audição de Monami nos oferece então vastas paisagens sonoras, nota-se, rapidamente, um ponto em comum em praticamente todas as suas canções e, de certo modo, já descrito acima. Refiro-me ao modo como as guitarras fornecem a base melódica que vai depois sustentar praticamente todos os temas até ao seu ocaso, havendo, pelo meio, quase sempre uma explosão sónica sintética, feita de exuberância, cor e um apreciável experimentalismo, que do clima animado de Road Wage, ao travo oitocentista mais negro de City Luv, aperfeiçoado com um grau superior de refinamento em Adopted Hometown, passando pela luminosidade percurssiva de Charger ou, com maior epicidade ainda, de You Decide (The Return Of), pela elegância de Amafula e pelo charme contagiante de Demon (Slamador), tem sempre em comum essa primazia das cordas eletrificadas e a adição às mesmas de teclados repletos de um vasto catálogo de efeitos embebidos por uma inegável filosofia pop, uma relação simbiótica que faz da audição deste alinhamento uma demanda por um percurso triunfante e seguro.  

Bálsamo retemperador perfeito capaz de nos fazer recuperar o fôlego de um dia intenso, Monami  balança genuinamente nos nossos ouvidos, agita a mente e força-nos a um abanar de ancas intuitivo e capaz de nos libertar de qualquer amarra ou constrangimento que ainda nos domine. Disco mais exuberante e fervoroso que o antecessor, Monami é um extraordinário exemplo do modo como esta banda é capaz de ser genuína a combinar guitarras com teclados, sem colocar em causa a vivacidade e o esplendor que é muitas vezes abafado por aquela faceta algo rígida que a eletrónica intui, sendo, no seu todo, uma súmula quase imperceptível entre epicidade frenética, crua e impulsiva e sensualidade lasciva, num resultado global borbulhante e colorido. Espero que aprecies a sugestão...

Foreign Diplomats - Monami

01. Road Wage
02. City Luv
03. Charger
04. Amafula
05. You Decide (The Return Of)
06. Demon (Slamador)
07. Adopted Hometown
08. Frilu
09. Tender Night
10. How Cool Is That?
11. Fearful Flower


autor stipe07 às 16:05
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