Sexta-feira, 20 de Julho de 2018

Florence And The Machine – High As Hope

Dois anos depois do seu último registo de originais, Florence Welsh está de regresso às canções com o seu projeto Florence and The Machine à boleia de High As Hope, o seu novo registo de originais, o quarto da carreira. Lançado através da Virgin Records e produzido pela própria Florence Welch, ao lado de Emile Haynie, High As Hope sucede a How Big, How Blue, How Beautiful (2015) e apresenta uma sonoridade mais minimalista e despojada que esse antecessor, explorando temas como mágoas, a família, relações amorosas falhadas e a descoberta de conforto na solidão.

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Com um excelente desempenho vocal e lírico por parte da autora, audível logo em June, canção poderosa que pretende mostrar que amar é resistir, mas que o amor é visado como algo desafiante e quase sempre sinónimo de dor (In those heavy days in June, When love became an act of defiance), High As Hope é um disco particularmente intimista e pessoal. Essa filosofia temática não é virgem na carreira de Welsh, se considerarmos que, por exemplo, o antecessor acima referido chegou a ser descrito pela autora como o disco mais pessoal da sua carreira. A questão aqui é que neste High As Hope, a autora eleva esta pessoalidade a um nível superior de exuberância e de impressionismo, ou seja, fala sobre si própria com uma linguagem menos metafórica e muito mais literal.

Canções como The End Of Love, que aborda o suicídio da avó materna de Welsh, mas também Sky Full Of Song ou Hunger, debruçando-se sobre lutas e dores que a autora teve de enfrentar, fazem-no de um ponto de vista particularmente despojado e com o extra de haver sempre um sentimento de esperança e optimismo em mente. O disco esteve para se chamar The End Of Love, mas como a autora foi sempre vendo esse lado positivo, acabou por deixar essa expressão para apenas uma canção e optar pelo título definitivo e assim tornar mais explícita toda a trama esplanada num alinhamento de canções que têm a pop eletrónica, de cariz eminentemente percurssivo, como grande suporte sonoro, num som um pouco escuro, com menor diversidade instrumental do que o haibtual, mas não deixando de conter uma tonalidade épica e constituida por diferentes texturas, quase sempre feitas com recurso a inspiradas sintetizações, da autoria de Isabella Summers, parceira de Florence no projeto.

High As Hope oferece-nos, em suma, uma Florence Welsh feita mulher adulta e a entrar na casa dos trinta anos, a procurar tapar os buracos que foi abrindo na sua alma numa década pessoal conturbada e a tentar enviar para bem longe aquele vazio esquisito que nos consome de dentro para fora, fazendo-o com o máximo grau de autenticidade e com uma serenidade que chega, às vezes, a ser inquietante tendo em conta a temática do registo. Espero que aprecies a sugestão...

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01. June
02. Hunger
03. South London Forever
04. Big God
05. Sky Full Of Song
06. Grace
07. Patricia
08. 100 Years
09. The End Of Love
10. No Choir


autor stipe07 às 13:26
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Segunda-feira, 16 de Julho de 2018

Vacationer – Mindset

Filadélfia, nos Estados Unidos da América, é o poiso natural dos Vacationer de Ken Vasoli, um dos projetos de dream pop mais interessantes do outro lado do atlântico e de regresso aos lançamentos discográficos com Mindset, doze canções que viram a luz do dia a vinte e sete de junho último, à boleia da Downtown Records. Mindset sucede a Relief, um álbum editado em dois mil e catorze e o seu título baseia-se naquelas memórias e recordações que vamos guardando na nossa mente e às quais recorremos em instantes mais difíceis para nos devolverem as boas sensações e vibrações positivas que nos ajudam a levantar o ânimo.

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Vacationer é um projeto que parece não encontrar fronteiras apenas dentro daquela pop eletrónica que explora paisagens sonoras expressionistas, através das teclas do sintetizador e de uma percurssão orgânica, as grandes referências instrumentais num processo de justaposição de vários elementos sonoros. E isso sucede porque ao terceiro disco temos a possibilidade de contemplar delicadas melodias, trespassadas por ritmos cristalinos que parecem ter sido retirados de uma vasta miríade de texturas que nos rodeiam, tal é a sua índole orgânica e expressiva e a capacidade que têm de oferecer ao nosso cérebro as tais sensações felizes, a permissa fundamental que guiou Ken quando criou estas canções.

Apesar desta componente otimista e até algo eufórica de Mindset, o disco não teve um arranque fácil. Vasoli contou com as colaborações essenciais  de Matthew Young e Grant Wheeler, os restantes rostos dos Vacationer, durante o processo de gravação, mas o cerne dos temas foi criado solitariamente, durante meses a fios, um período temporal em que Ken se isolou e, acompanhado por discos dos Beach Boys, Barry White e Curtis Mayfield, arrancou do seu âmago o esqueleto essencial do alinhamento.

A pop sessentista e a eletrónica da década seguinte acabam, assim, por ser influências prementes na sonoridade de Vacationer. Os sintetizadores e as cordas reluzentes de Entrance, a extrema sensibilidade dos arranjos de Magnetism, o clima sereno de Strawberry Blonde, um tema inspirado em Waldo, o cão de Vasoli e o têmpero psicadelico de Being Here, sublimam com mestria esse processo de fazer música, composições que destaquem a emoção e que transportem bonitos sentimentos, num disco mutante, que cria um universo quase impenetrável em torno de si e que se vai transformando à medida que avançamos na sua audição, que surpreende a cada instante. A própria voz de Vasoli é usada como camada sonora e um elemento essencial na adição de um humanismo eminentemente melancólico a várias canções, um detalhe que confere ao álbum, no seu todo, um tom fortemente denso e que potencia a oscilação necessária para transparecer do seu cerne uma elevada veia sentimental.

Em suma, Mindset serve como uma revolução extremista. Equilibra a nossa mente com sons que recriam as sensações típicas de um sono calmo e com instantes onde reina a natural euforia subjacente ao caos, muitas vezes apenas visível naquela cavidade do nosso ser às vezes desabitada e sempre irrevogavelmente desconhecida, que é o nosso cérebro. Espero que aprecies a sugestão...

Vacationer - Mindset

01. Entrance
02. Magnetism
03. Euphoria
04. Being Here
05. Strawberry Blonde
06. Late Bloomer
07. Turning
08. Hallucinations
09. Romance
10. Blue Dreaming
11. Green
12. Companionship


autor stipe07 às 14:06
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Domingo, 1 de Julho de 2018

Gorillaz – The Now Now

Pouco mais de um ano depois de Humanz, já chegou aos escaparates The Now Now, o mais recente disco dos Gorillaz de 2-D, Murdoc, Noodle e Russel, um trabalho produzido por James Ford e Remi Kabaka Jr e anunciado logo após o lançamento do antecessor e durante a longa digressão de promoção de Humanz.

Apesar de contar com dois produtores de créditos firmados, The Now Now é um disco muito centado na capacidade criativa, quer lírica, quer sonora e instrumental de Damon Albarn. Se Humanz, um registo em que Albarn pouco cantou, continha uma vasta lista de convidados, que cantaram e tocaram em quase todo o alinhamento do álbum, desta vez, à excepção de George Benson, Snoop Dog e Jamie Principle, é Albarn que toma as rédeas, quem mais canta e, servindo-se de um isolamento que potenciou tremendamente a sua capacidade de criar e compôr, cria um dos trabalhos mais interessantes da carreira dos Gorillaz.

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Com particular ênfase numa pop de cariz eminentemente sintético, com raízes do lado de lá do atlântico e que diz cada vez mais a Albarn, The Now Now é um sólido passo dos Gorillaz rumo a uma zona de conforto sonora cada vez mais afastada das experimentações iniciais do projeto que, tendo sempre a eletrónica, o hip-hop e o R&B na mira, também chegou a olhar para o rock com uma certa gula. Mas este rock parece cada vez mais afastado do ponto concetual nevrálgico do projeto, com a eletrónica a abraçar-se principalmente a outras vertentes que sustentam muita da pop que é mais apreciada nos dias de hoje. Assim, se Humility serve-se das teclas sintetizadas e de diversos efeitos para se tornar num dos mais deliciosos apontamentos de charme, seneridade e harmonia da carreira dos Gorillaz e se Hollywood, muito por culpa de Snoop Dog, mantém viva a melhor tradição de abordagem a uma urbanidade americana que esteve sempre impressa no grupo, canções como a desafiante Kansas, a futurista Sorcererz, o dub tremendamente dançavel de Lake Zurich, ou a mais contemplativa e etérea Idaho, para mim a melhor canção do álbum, servem-se de alguns dos melhores artefactos tecnológicos que é possível encontrar hoje num estúdio de gravação para firmarem de modo arrojado este capítulo seguro numa linha de continuidade que, tendo como referência fundamental todo o espetro pop contemporâneo, busca uma filosofia de experimentação contínua, livre de constrangimentos e com um alvo bem definido, um público que procura também na dita pop uma filosofia de criação sonora que foge ao mainstream e que não necessita de ter como objetivo principal o airplay radiofónico.

Aos cinquenta anos Damon Albarn continua a escrever canções para a banda animada mais famosa do mundo porque acredita na ideia romântica de que um grupo mundialmente famoso pode transformar o planeta em que vivemos num sítio melhor. Se em 2010 Plastic Beach centrava-se nas alterações climáticas e na poluição e se o ano passado Humanz dissertava sobre alguns dos principais dilemas e tiros nos pés que a sociedade contemporânea insiste em dar, ainda nos dias de hoje, com o Brexit, Trump e o racismo, The Now Now é súmula e materialização de tudo aquilo que cada um de nós, na sua individualidade, precisa diariamente, independentemente da origem, para se sentir realizado e feliz sem depender da dita classe dominante, uma elite feita de políticos e milionários que pensam em tudo menos no bem comum. Magic City é, muito provavelmente, a descrição, na óptica de Albarn, do local perfeito para encontrarem paz todos aqueles que acreditam que ainda há esperança para todos nós. Espero que aprecies a sugestão...

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01. Humility (Feat. George Benson)

02. Tranz
03. Hollywood (Feat. Snoop Dogg And Jamie Principle)
04. Kansas
05. Sorcererz
06. Idaho
07. Lake Zurich
08. Magic City
09. Fire Flies
10. One Percent
11. Souk Eye


autor stipe07 às 18:55
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Sexta-feira, 15 de Junho de 2018

Mating Ritual – Light Myself On Fire

Mating Ritual é o projeto a solo do músico californiano Ryan Marshall Lawhon, que tem a sua própria editora, a Smooth Jaws, através da qual acaba de editar Light Myself On Fire, o seu segundo registo de originais, álbum que sucede ao aclamado registo de estreia, intitulado How You Gonna Stop It?, lançado à cerca de um ano, também através da sua etiqueta.

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Mating Ritual é um artista de várias facetas, já que dentro de um espetro bem delimitado, o rock oitocentista, procura abraçar os diversos subgéneros de um espetro sonoro que está sempre muito presente no nosso imaginário e que é, nos dias de hoje, fonte de inspiração para imensos projetos, com origem, especialmente, do outro lado do atlântico. Logo a abrir o alinhamento de Light Myself On Fire, a excelente melodia do teclado e o swing das guitarras do tema homónimo e, depois, a imponência orquestral do edifício melódico que envolve U + Me Will Never Die, uma canção com um refrão avassalador, percebe-se que Ryan dá primazia a uma faceta algo sonhadora e romântica, que se aplaude e que é também fruto de uma produção cuidada que, nunca disfarçando a intensidade e o vigor elétrico, também demonstra uma atitude corajosa de querer evitar ao máximo que a limpidez e a capacidade de airplay radiofónico dos temas possam castrar a extraordinária capacidade criativa que o músico demonstra possuir, sempre com a objetiva direcionada para o universo sonoro já referido. Depois, a percurssão trememendamente intuitiva e ritmada de Heaven's Lonely e, ainda nesse tema, as guitarras efusiantes e diversificadas em termos de efeitos e o baixo imponente aliado a sintetizadores de elevado cariz retro, com efeitos que disparam em diferentes direções, além do timbre sintético na voz que dá a Ryan uma toada que tem tanto de sexy como de robótico, clarificam-nos, ao terceiro tema que este Light Myself On Fire é a banda sonora perfeita para uma odisseia espacial, congeminada algures no início da década de oitenta e do período aúreo do disco sound.

Assim, é verdade que ao longo do alinhamento do registo abundam os flashes de efeitos vários, mas é o indie rock quem mais ordena, feito com guitarras acomodadas em diversas camadas e melodias orelhudas que tanto nos levam, no caso de Stop Making Sense, para ambientes mais climáticos, mas com uma pinta de epicidade, como para aquela pop efusiante, expansiva, radiofónica e luminosa, exemplarmente retratada em Low Light, um verdadeiro e imenso hino indie rockA viagem interestelar continua em Spliting In Two e depois nas variações rítmicas de Monster e na encantadora tonalidade reflexiva de Lust + Commitment, o autor confere um ambiente ainda mais negro e místico ao disco, ampliando, assim, o seu cariz sonoro abrangente e múltiplo.

Em suma, ao segundo disco Mating Ritual continua a dar vida à fusão única que alimenta entre o talento musical que possui e a nostalgia que sente relativamente a um período musical que o terá marcado profundamente, propondo mais um punhado de canções que exploram a eletrónica e o indie rock de modo a serem simultaneamente abrangentes, versáteis e acessíveis ao grande público, sempre com as pistas de dança debaixo de olho. Espero que aprecies a sugestão...

Mating Ritual - Light Myself On Fire

01. Light Myself On Fire
02. U + Me Will Never Die
03. Heaven’s Lonely
04. Stop Making Sense
05. Low Light
06. Splitting In Two
07. Monster
08. Lust + Commitment
09. I Know So Much Less Than I Thought I Did


autor stipe07 às 10:37
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Sexta-feira, 1 de Junho de 2018

The Flaming Lips – Greatest Hits Vol. 1

Basta fazer uma pesquisa ao histórico de Man On The Moon para perceber que no dia um de junho, o Dia Mundial da Criança é, curiosamente, o dia de ser publicado neste blogue algo sobre uma das bandas fundamentais e mais criativas do cenário musical indie e alternativo. Falo, como é natural, dos The Flaming Lips de Oklahoma, um dos projetos sonoros mais curiosos e animados da cultura musical contemporânea. Há quase três décadas que gravitam em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e em cada novo disco reinventam-se e quase que se transformam num novo projeto. Oczy Mlody foi o nome do último trabalho que este coletivo liderado pelo inimitável Wayne Coyne lançou no dealbar de 2017, uma verdadeira orgia lisérgica de sons e ruídos etéreos que direcionaram, em simultâneo, esta banda para duas direções aparentemente opostas, a indie pop etérea e psicadélica e o rock experimental, o último capítulo de uma saga alimentada por histórias complexas (Yoshimi Battles the Pink Robots), sentimentos (The Soft Bulletin) e experimentações únicas (Zaireeka) e ruídos inimitáveis (The Terror), que acaba de ser revisitada numa edição de luxo de três tomos intitulada Greatest Hits Vol. 1, que abarca todo o catálogo dos The Flaming Lips na Warner Brothers, não só os singles e temas mais conhecidos do grupo mas também alguns lados b, versões demo e temas que nunca foram gravados.

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O alinhamento de Greatest Hits, Vol. 1 começa logo nos singles editados em 1992 e retirados do mítico álbum Hit to Death in the Future Head e só termina no já referido Oczy Mlody. Todas as canções dos três discos que faem parte do lançamento foram remasterizadas a partir das gravaçoes originais, pela mão de Dave Fridmann, o produtor de sempre dos The Flaming Lips. Haverá também uma edição em vinil de Greatest Hits, Vol. 1 que condensará onze dos melhores temas do grupo, estando todo o arsenal do lançamento e material promocional disponível na página oficial do grupo a preços particularmente acessíveis.

Os The Flaming Lips causaram furor desde o início da carreira e posicionaram-se desde logo na linha da frente dos grupos que se assumem como bandas de rock alternativo mas que não se coibem de colocar toda a sua criatividade também em prol da construção de canções que obedeçam a algumas das permissas mais contemporâneas, nomeadamente a eletrónica ambiental, muito presente nos discos da banda desde Yoshimi Battles the Pink Robots. Essa busca de abrangência está muito bem plasmada nesta súmula que chega agora aos escaparates e que foi servindo para solidificar tamém o desejo da banda de construir alinhamentos temáticos, onde os temas se colocassem ao serviço de uma espécie de tratado de natureza hermética e esse bloco de composições não fosse mais do que partes de uma só canção de enormes proporções. Assim, podemos, sem receio, olhar para Greatest Hits Vol. 1 como uma grande composição que se assume como um veículo pronto a conduzir-nos numa espécie de viagem apocalíptica, onde Coyne, sempre consciente das transformações que foram abastecendo a musica psicadélica, assume o papel de guia e conta o seu percurso pessoal das últimas trêsdécadas, servindo-se ora de composições atmosféricas com marcas sonoras relacionadas com vozes convertidas em sons e letras que praticamente atuam de forma instrumental e tudo é dissolvido de forma aproximada e homogénea como de ondas sonoras expressivas relacionadas com o espaço sideral através de guitarras experimentais, com enorme travo lisérgico, ou tratados de indie rock rugoso, épico e submersivo, que não se coibem de piscar o olho ao grunge e ao próprio punk mais intuitivo.

Uma das virtudes e encantos dos The Flaming Lips foi sempre a capacidade de criarem discos algo desfasados do tempo real em que foram lançados, quase sempre relacionados com um tempo futuro, cenários imaginados e universos paralelos. E na verdade, além disso, o que eles têm feito tem sido, no fundo, musicar todas as atribulações normais da existência comum, especialmente, na algo desregulada sociedade norte americana contemporânea. A poesia dos The Flaming Lips é sempre metafórica, o que faz deles um grupo ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade, capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-los para cenários complexos, mas repletos de sensações únicas e que só eles conseguem transmitir. Espero que aprecies a sugestão...

The Flaming Lips - Greatest Hits Vol. 1

CD 1

01. Talkin’ ‘Bout the Smiling Deathporn Immortality Blues (Everyone Wants To Live Forever)
02. Hit Me Like You Did The First Time
03. Frogs
04. Felt Good To Burn
05. Turn It On
06. She Don’t Use Jelly
07. Chewin The Apple Of Your Eye
08. Slow Nerve Action
09. Psychiatric Explorations Of The Fetus With Needles
10. Brainville
11. Lightning Strikes The Postman
12. When You Smile
13. Bad Days (Aurally Excited Version)
14. Riding To Work In The Year 2025
15. Race For The Prize (Sacrifice Of The New Scientists)
16. Waitin’ For A Superman (Is It Getting Heavy?)
17. The Spark That Bled
18. What Is The Light?

CD 2
01. Yoshimi Battles The Pink Robots, Pt. 1
02. In The Morning Of The Magicians
03. All We Have Is Now
04. Do You Realize??
05. The W.A.N.D.
06. Pompeii Am Gotterdammerung
07. Vein Of Stars
08. The Yeah Yeah Yeah Song
09. Convinced Of The Hex
10. See The Leaves
11. Silver Trembling Hands
12. Is David Bowie Dying? (Feat. Neon Indian)
13. Try To Explain
14. Always There, In Our Hearts
15. How??
16. There Should Be Unicorns
17. The Castle

CD 3
01. Zero To A Million
02. Jets (Cupid’s Kiss vs. The Psyche Of Death) [2-Track Demo]
03. Thirty-Five Thousand Feet Of Despair
04. The Captain
05. 1000ft Hands
06. Noodling Theme (Epic Sunset Mix #5)
07. Up Above The Daily Hum
08. The Yeah Yeah Yeah Song (In Anatropous Reflex)
09. We Can’t Predict The Future
10. Your Face Can Tell The Future
11. You Gotta Hold On
12. What Does It Mean?
13. Spider-man Vs. Muhammad Ali
14. I Was Zapped By The Lucky Super Rainbow
15. Enthusiasm For Life Defeats Existential Fear Part 2
16. If I Only Had A Brain
17. Silent Night / Lord, Can You Hear Me


autor stipe07 às 18:27
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Quarta-feira, 30 de Maio de 2018

Thievery Corporation – Treasures From The Temple

Sem um daqueles sucessos radiofónicos que catapultam um projeto para o éden durante um longo período de tempo, sem uma portentosa máquina de marketing por trás, vídeos com milhões de visualizações ou uma editora internacional nos seus créditos, os Thievery Corporation continuam, quase duas décadas após a estreia, a ser um dos nomes mais consensuais e influentes da chamada música de fusão, tendo uma base de seguidores fiel e numerosa em todo o mundo, a sua própria editora, a ESL Music Label, assento destacado em cartazes de alguns dos mais relevantes festivais de música e, mais importante que tudo isso, uma carreira recheada de extraordinários momentos sonoros. O ano passado os Thievery Corporation chegaram ao seu oitavo disco de originais, um registo intitulado The Temple Of I And I e com ele voltámos todos a dançar ao som desta dupla de Washington, formada por Rob Garza e Eric Hilton, que agora, um ano depois, acaba de lançar Treasures from the Temple, um alinhamento de doze canções que são as gravações originais ou remisturas de temas incluídos em Temple of I & I e que surgiram durante as sessões de gravação desse álbum nos estúdios Geejam, em Port Antonio, na Jamaica.

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Em The Temple Of I And I foi a Jamaica que seduziu os Thievery Corporation, com as quinze canções do registo a captarem muita da essência mítica e do poder da música deste arquipélago caribenho. Repleto de participações especiais das quais se destacam, por exemplo, os rappers Zee e Notch, mas também  a norte americana Lou Lou Ghelichkhani e a jamaicana Raquel Jones, que agora voltam a aparecer em alguns dos temas de Treasures From The Temple, esse foi um disco que absorveu e explanou com eficiência e enorme criatividade toda a influência e exotismo deste pedaço de mundo onde nasceu, como todos sabemos, o reggae.

Tendo estado, portanto, toda a herança sonora da Jamaica em ponto de mira para os Thievery Corporation nesse The Temple Of I And I, esse mesmo reggae firma-se, naturalmente, como o grande suporte estilístico da sonoridade do alinhamento de Treasures From The Temple, com o dubb, o jazz, o rap e a eletrónica e fornecerem a base para arranjos, batidas, efeitos e até trechos melódicos, destacando-se, como grandes instantes do disco, logo a abrir, e dentro do reggae, a vibe que se espraia por San San Rock e a participação de Notch na mais sintética e climática Destroy The Wicked. Depois, as batidas inebriantes de History, canção em que Mr. Lif e Sitali dividem, a meias, os créditos vocais, a toada envolvente de Music To Make You Stagger, os sopros e o groove de Guidance e os flashes que vão adornando a batida hipnótica de Water Under The Bridge (Feat. Natalia Clavier), têm sempre o objetivo primordial de fazer o ouvinte dançar mas também refletir sobre vários aspetos da vida contemporânea, nomeadamente os de cariz eminentemente político.

Já não restam dúvidas que Garza e Hilton apreciam imenso ir ao génese de alguns dos movimentos musicais essenciais da dita música do mundo, desta vez dando vida à vocalização melancólica, quente e cheia de alma que faz parte da essência do reggae, completando com Treasures From The Temple um círculo onde, depois de deambularem pela música eletrónica e, no exato momento anterior a este registo, pela bossa nova, viajaram agora para algo ainda eminentemente orgânico, construindo mais um tronco do túnel do tempo musical que é a sua discografia, antes de passarem ao próximo capítulo. Espero que aprecies a sugestão...

Thievery Corporation - Treasures From The Temple

01. San San Rock
02. History (Feat. Mr. Lif And Sitali)
03. Music To Make You Stagger
04. Letter To The Editor (Feat. Racquel Jones)
05. Destroy The Wicked (Feat. Notch)
06. Guidance
07. Water Under The Bridge (Feat. Natalia Clavier)
08. Voyage Libre (Feat. LouLou Ghelichkhani)
09. Road Block (Feat. Racquel Jones)
10. Joy Ride (Feat. Sitali And Mr. Lif)
11. La Force De Melodie (Feat. LouLou Ghelichkhani)
12. Waiting Too Long (Feat. Notch)


autor stipe07 às 21:36
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Sexta-feira, 20 de Abril de 2018

Soulwax - Essential Four

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Depois de uma prolongada ausência de mais de uma década do formato álbum, os belgas Soulwax, dos irmãos David e Stephen Dewaele, vão regressar aos discos este ano, mais concretamente a vinte e dois de junho, com um tomo de doze canções que ganharam vida nos estúdios do grupo DEEWEE, situados em Ghent, a cidade natal do projeto. É um disco conceptual, gravado em apenas duas semanas, chamado Essential One – Essential Twelve, com cada música do álbum a ser baseada na palavra Essential e a ideia para o mesmo surgiu quando os Soulwax apresentaram material original numa hora inteira para a BBC Radio 1 Essential Mix, tendo sido os primeiros artistas a fazê-lo nesse registo.

Essential Four, o quarto tema do alinhamento, é a primeira composição divulgada de Essential One – Essential Twelve, um corte de pouco mais de seis minutos do álbum que conta com a participação especial vocal da também belga Charlotte Adigéry, que lançará o seu segundo EP através da DEEWEE em 2018. Conduzido por uma espetacular linha de baixo, é um extraordinário tratado de eletropop, vigoroso, insinuante, sexy e cheio de funk, que faz adivinhar um set pensado para dançar do início até ao fim. Confere...


autor stipe07 às 18:21
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Sexta-feira, 13 de Abril de 2018

Florence And The Machine – Sky Full Of Song

Florence And The Machine - Sky Full Of Song

Dois anos depois do seu último registo de originais, Florence Welsh está de regresso às canções com o seu projeto Florence and The Machine à boleia de Sky Full Of Song, tema que deverá fazer parte do seu próximo registo de originais, o quarto da carreira.

A canção vai ver a luz do dia em formato vinil de sete poelgadas no próximo Record Store Day, uma efeméride anual amplamente publicitada neste espaço e que é marcada pela chegada de vários álbuns e singles em edição limitada às lojas de discos, um pouco por todo o mundo.

A sonoridade intimista e minimal deste tema Sky Full Of Song recorda-me uma espécie de mistura entre Kate Bush e os The Knife, num som um pouco escuro, mas com uma tonalidade épica e constituido por diferentes texturas, quase sempre feitas com recurso a instrumentos sintetizados. Confere...


autor stipe07 às 17:58
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Segunda-feira, 9 de Abril de 2018

Editors - Violence

Finalmente In Dream, o aclamado álbum que os Editors de Tom Smith editaram em 2015, já tem sucessor. O sexto álbum de estúdio desta banda britânica oriunda de Birmingham viu a luz do dia a nove de março à boleia da Play It Again Sam e chama-se Violence. Nele é possível escutar nove canções forjadas por uma banda que se mantém apostada em se assumir definitivamente como um grupo de massas e deixar de vez o universo mainstream para fazer parte da primeira liga do campeonato mundial do indie rock.

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Os Editors são donos de uma discografia conduzida pela típica intensidade emocional da escrita de Tom Smith e pelo carisma do seu tímbre vocal grave único, ao qual se juntam as habituais guitarras angulares, sintetizadores progressivos e um baixo imponente. Estas são, no fundo, as principais matrizes identitárias deste grupo que nunca tendo conseguido ser consensual no universo sonoro alternativo, apesar de The Back Room, o disco de estreia, ser, quanto a mim, um marco no género pós punk, acabou por manter uma assinalável coerência ao longo de quase duas décadas, um trajeto que parece agora querer piscar o olho a latitudes sonoras mais consentâneas com as tendências atuais do espetro sonoro em que os Editors se movimentam.

Assim, com a eletrónica em cada vez maior plano de destaque no seio dos Editors, Violence não renega a habitual atmosfera algo sombria impressiva que confere um charme inconfundível a este projeto, mas há aqui um refinamento dessa demanda, com a procura de territórios mais dançantes e, por isso, também mais festivos e otimistas. Em temas como a radiofónica Cold, na atmosfera intrigante de Nothingness ou no travo vintage oitocentista da homónima Violence, os sintetizadores debitam efeitos e melodias rugosas e texturalmente profundas e algo negras, mas há depois no ritmo e em algumas nuances do reverb das guitarras detalhes que dão aos temas um balanço e uma expressão mais colorida e sorridente do que o habitual. Para cimentar ainda mais esta filosofia subjacente ao registo, a imponência orquestral do edifício melódico que envolve o single Magazine, canção com um refrão avassalador, a toada pop e o charme luminoso de Darkness At The Door e o piano cintilante de No Sound But The Wind, são outras canções que, tomando como ponto de partida o já referido referencial sonoro que tipifica os Editors, acrescentam e ampliam o adn que sustenta o historial da banda.

Pleno de dramatismo e particularmente incisivo no modo como aborda alguns dos grandes dilemas da atualidade, Violence acaba por ser um título simultaneamente feliz e enganador para um alinhamento de canções que podem, na sua esmagadora maioria, servir para justificar esta ideia contraditória e oposta, já que, não deixando de navegar nas habituais águas lúgubres em que os Editors se sentem como peixes, este é um álbum que também exala uma faceta algo sonhadora e romântica, o que naturalmente se aplaude. Espero que aprecies a sugestão...

Editors - Violence

01. Cold
02. Hallelujah (So Low)
03. Violence
04. Darkness At The Door
05. Nothingness
06. Magazine
07. No Sound But The Wind
08. Counting Spooks
09. Belong


autor stipe07 às 21:00
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Domingo, 1 de Abril de 2018

Fujiya And Miyagi – Subliminal Cuts

Fujiya And Miyagi - Subliminal Cuts

Com já uma década e meia de atividade e assumindo-se, meia dúzia de discos depois, como um dos projetos mais relevantes do cenário indie britânico, pelo modo exímio como misturam alguns dos melhores aspetos do rock alternativo com a eletrónica de cariz mais progressivo, os Fujiya And Miyagi resolveram em 2018 revisitar Transparent Things, o disco que editaram há uma dúzia de anos e que os lançou para o estrelato. E para comemorar essa efeméride lançaram também um novo single intitulado Subliminal Cuts, inspirado na série televisiva policial Columbo, uma canção que cresce apoiada em batidas sincopadas e que também impressiona pelo jogo que se estabelece entre o baixo e as guitarras no meio das batidas.

Em 2006, com rock britânico em crise acentuada devido ao resurgimento do outro lado atlântico do punk rock (Interpol, The Strokes, Liars) e da underground dance nova iorquina (LCS Soundsystem, Yeah, Yeah, Yeahs, Radio 4), Transparent Things era um trabalho que apostava numa relação estreita entre o krautrock inaugurado nos anos setenta e as tendências mais contemporâneas da pop movida a sintetizadores, sem nunca descurar a presença do baixo e da guitarra no processo de criação. O disco continha clássicos do calibre de Ankle Injuries, Collarbone ou Photographer e foi um sucesso imediato que é possível agora revisitar, numa reedição em vinil. A mesma contém como bónus um tema intitulado Different Blades From The Same Pair Of Scissors, uma canção cuja versão original viu a luz do dia em 2008 para a iniciativa Nike Running Series, sendo a versão integral das seis canções que juntas compôem o tema. São quarenta e três minutos que acabam por ser uma junção de várias composições, todas elas assentes num espaço de delicioso diálogo com heranças e referências de outros tempos e que remetem-nos, essencialmente, para a sintetização oitocentista, mas também para a melhor herança da eletrónica alemã. Confere...


autor stipe07 às 18:19
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