Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Zero 7 – Shadows EP

Segunda-feira, 26.10.20

Seis anos após o EP Simple Science e cinco depois de EP3, os britânicos Zero 7, um dos nomes fundamentais da eletrónica downtempo e da chillwave, estão de regresso com um novo EP intitulado Shadows, que também serve para apresentar o novo vocalista principal da banda de Sam Hardaker e Henry Binns, o cantor britânico Lou Stone. Já agora, recordo que os Zero 7 não lançam um disco desde o já longínquo Yeah Ghost de dois mil e nove.

FLOOD | Zero 7 Discuss Returning to Form for Their New “Shadows” EP

Este EP Shadows viu a luz do dia a vinte e três de outubro e oferece-nos um alinhamento muito quente e a apelar à soul, com quatro canções que exalam aquele charme típico da dupla e que reforçam o ambiente fashion que sempre caraterizou os Zero 7. São composições com um enredo bastante centrado nas memórias que Binns e Sam carregam consigo, individualmente e como peças fulcrais do universo Zero 7 e de como as duas décadas que levam juntos as criar e a compôr foram marcando as suas vidas e dando sentido a uma existência que sempre se centrou na necessidade de ambos em criar artisticamente.

É, pois, um EP vibrante, mas também soturno, quatro pérolas buriladas em cima de sintetizadores cósmicos, efusivos em Shadows e algumas cordas, serenas em Take My Hand e belíssimas em After The Fall, esta uma composição onde os típicos violinos, que eram peças chave dos primeiros registos da dupla, se mostram exuberantes. Pelo meio vai sendo tudo acomodado por interseções de arranjos que, contrastando com a emotividade vocal de Stone, uma voz habituada a registos mais folk, mas que se assentou como uma luva nos Zero 7, nos proporciona um resultado final lindíssimo, refinado e tremendamente contemplativo. Espero que aprecies a sugestão...

Zero 7 - Shadows

01. Shadows (Feat. Lou Stone)
02. Take My Hand (Feat. Lou Stone)
03. After The Fall (Feat. Lou Stone)
04. Outline (Feat. Lou Stone)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 12:54

Clap Your Hands Say Yeah – Hesitating Nation & Thousand Oaks

Sexta-feira, 16.10.20

Os norte americanos Clap Your Hands Say Yeah já têm sucessor para o excelente registo The Tourist lançado no início de dois mil e dezassete e que continha um olhar particularmente anguloso, para sonoridades mais ecléticas, tendo os anos oitenta em particular, como principal ponto de mira. New Fragility, título inspirado no conto de David Foster Wallace Forever Overhead, chega no início do próximo ano e é o título daquele que será o sexto trabalho da banda oriunda de Brooklyn, Nova Iorque, liderada pelo carismático por Alec Ounsworth e que há década e meia causou enorme furor com um fabuloso homónimo junto de uma blogosfera atenta, que sempre os seguiu com devoção e na qual me incluo, até se tornarem, aos dias de hoje, num projeto de dimensão mundial. New Fragility foi produzido pelo próprio Alec Ounsworth, com produção adicional de Will Johnson, gravado por Britton Beisenherz em Austin, no Texas, misturado por John Agnello e masterizado por Greg Calbi.

Listen to Clap Your Hands Say Yeah's 'Hesitating Nation' and 'Thousand Oaks'  from new album 'New Fragility'

Temas com forte motivação política e declaradamente canções de intervenção, Hesitating Nation e Thousand Oaks são os dois primeiros avanços já revelados de New Fragility. O primeiro tema reflete sobre o modo como Alec Ounsworth se sente desiludido e até alienado com a tão propalada democracia americana, uma efervescente composição, com uma toada minimal mas crescente, adornada por uma guitarra ondulante e com uma interpretação vocal irrepreensível. Já Thousand Oaks versa sobre o tiroteio que ocorreu em Thousand Oaks, na Califórnia, em mil novecentos e dezoito e que matou treze pessoas. É uma canção que assenta num formato mais contemplativo e altivo, à boleia de uma guitarra insinuante que se vai entrecortando com a bateria, à medida que a canção progride. Confere Hesitating Nation e Thousand Oaks e a tracklist de New Fragility...

Clap Your Hands Say Yeah - Hesitating Nation - Thousand Oaks

01. Hesitating Nation
02. Thousand Oaks

01 “Hesitating Nation”
02 “Thousand Oaks”
03 “Dee, Forgiven”
04 “New Fragility”
05 “Innocent Weight”
06 “Mirror Song”
07 “CYHSY, 2005″
08 “Where They Perform Miracles”
09 “Went Looking For Trouble”
10 “If I Were More Like Jesus”

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 17:37

Portugal. The Man – Who’s Gonna Stop Me (feat. Weird Al” Yankovic)

Quinta-feira, 15.10.20

Pouco mais de três anos após o lançamento do excelente Woodstock, os norte americanos Portugal. The Man de John Baldwin Gourley estão de regresso com um novo single intitulado Who’s Gonna Stop Me e que resulta de uma colaboração estreita com o artista, escritor e comediante “Weird Al” Yankovic. O tema tem o propósito claro de celebrar o Indigenous Peoples’ Day, um importante feriado norte-americano que homenageia e enaltece os povos e culturas indígenas do país, versando sobre a dificuldade que muitas pessoas pertencentes a essas etnias têm em sobreviver e prosperar numa América onde impera o feroz capitalismo que não tem em conta as especificidades culturais.

Stream Portugal. The Man & “Weird Al”'s New Song “Who's Gonna Stop Me” –  Ten15AM

Além de contar com a prestação vocal do rapper Last Artful Dodgr e de Weird Al” Yankovic, que chegou a remisturar os inéditos da banda de Portland, Feel It Still e Live In The Moment, Who's Gonna Stop Me, uma composição que abraça hip-hop, R&B e eletrónica, com criatividade e uma salutar dose de experimentalismo, também conta nos créditos com a presença de Jeff Bhasker, habitual colaborador de nomes como Mark Ronson e Kanye West, Paul Williams, que já escreveu algumas das canções mais emblemáticas dos Carpenters ou Barbra Streisand, Brian De Palma e Kermit The Frog.

O vídeo do tema é dirigido pela dupla Aaron Brown e Josué Rivas e nele podemos observar a banda ao redor de uma fogueira enquanto Weird Al” Yankovic tenta encarnar um coiote e diversos artistas e líderes indígenas vão surgindo vocalizando a canção, encarnados por diversos atores, destacando-se entre eles Acosia Red Elk, uma dançarina do povo Umatilla, nativo do estado norte-americano do Oregon. Confere...

Portugal. The Man - Who's Gonna Stop Me

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 17:07

Sufjan Stevens – The Ascension

Terça-feira, 13.10.20

Já chegou aos escaparates de The Ascension, o quinto e novo trabalho do norte-americano Sufjan Stevens, um registo que viu a luz do dia a vinte e setembro e que sucede ao excelente Carrie & Lowell, de dois mil e quinze, um trabalho que marcou o retorno do músico à folk mais intimista, nostálgica e contemplativa, depois de ter deambulado entre o caótico, o esquizofrénico e o genial em discos tão importantes como Illinoise ou The Age Of Adz.

Sufjan Stevens lança a faixa épica "America" para divulgar o álbum 'The  Ascension' |

The Ascension é uma jornada eletrónica climática e intimista, mas também algo inquietante, feita de um psicadelismo eminentemente experimental. Depois desta evidência, que fica clara logo após uma primeira audição do alinhamento da obra, importa referir que The Ascension é um marco na inflexão sonora que este músico de Chicago tem vindo a fazer ultimamente, não só no seu projeto a solo, mas também nas colaborações onde tem assentado arraiais, com particular destaque para o disco Planetarium que assinou a meias com Bryce Dessner, Nico Muhly e James McAlister, há pouco mais de três anos.

Mesmo contendo alguns dos tiques identitários que marcam uma carreira de quase duas décadas, impressos na intimidade dialogante da sua escrita, que atingiu o apogeu no antecessor que se debruçava sobre o súbito desaparecimento da mãe e na seleção de alguns arranjos e detalhes que ainda têm um travo folk inconfundível, The Ascension oferece-nos, acima de tudo, um vasto e barroco festim eletrónico, justificado em diversas composições recheadas de uma vasta miríade de efeitos, distorções de guitarra, interseções e arranjos que, como é o caso da grandiosa composição America, servem bem à medida da imensidão e do silêncio que carateriza o vazio cósmico a que o músico de Chicago nos tem habituado ultimamente, não só nas obras já referidas, mas também no inquietanto trabalho The Age Of Adz, a comemorar dez anos de existência.

No entanto, não há um único fio condutor na descrição estilística de The Ascension, um álbum onde questões como a religiosidade, o sobrenatural e o abstracionismo, no fundo, conceitos que também servem para definir o conceito de amor de que Sufjan Stevens tanto gosta de explorar, são a pedra de toque de cerca de oitenta minutos que formam, no seu todo, moldura sonora estética que pode ser comparada a uma verdadeira jóia, em todos os sentidos.Video Game, talvez a canção da carreira do musico de Chicago que mais fielmente obedece ao formato pop dito convencional, mostra também um perfil radiofónico e acessível no disco, uma canção que, sendo melodicamente feliz, assenta num registo sintético proeminente, em que, numa espécie de dance pop psicadélico, vozes e batidas aproximam perigosamente Sufjan Stevens de um território sonoro dominado por alguns dos maiores mestres do R&B e do hip-hop atual.

Em suma, cinco anos após um período extremamente complicado da vida do músico, o entusiasmo, a inspiração e a apurada veia criativa regressaram a Chicago, envolveram Stevens, deram-lhe uma vontade de trabalhar fora do vulgar e o resultado é um disco cuja audição nos proporciona uma experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia. Espero que aprecies a sugestão...

Sufjan Stevens - The Ascension

01. Make An Offer I Cannot Refuse
02. Run Away With Me
03. Video Game
04. Lamentations
05. Tell Me You Love Me
06. Die Happy
07. Ativan
08. Ursa Major
09. Landslide
10. Gilgamesh
11. Death Star
12. Goodbye To All That
13. Sugar
14. The Ascension
15. America

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 16:44

Ailbhe Reddy - Personal History

Terça-feira, 06.10.20

Uma das estreias discográficas mais interessantes deste outono é o álbum de estreia da irlandesa Ailbhe Reddy, uma jovem artista de Dublin, estudante de psicoterapia. O registo intitula-se Personal History e acaba de ver a luz do dia à boleia da Street Mission Records.

Ailbhe Reddy 'Personal • History' out now! (@ailbhereddy) | Twitter

Personal History é uma colecção íntima e introspetiva de canções que ruminam os ritos de passagem de uma mulher exímia a escrever canções de auto-avaliação sincera e honesta, navegando autobiograficamente pelas agruras das relações amorosas mal sucedidas nesta era em que impera a lei das redes sociais (Looking Happy), mas que também sentiu necessidade de espalhar no registo aquilo que sente acerca da habitual dualidade de sentimentos, entre a solidão e a independência, que muitas vezes um artista sente em digressão (Time Difference), além de revelar explicitamente e sem pudores a sua orientação sexual (Between Your Teeth e Loyal).

Além dessa componente pessoal, Personal History também coloca Ailbhe Reddy a olhar para o mundo que a rodeia, fruto do seu percurso académico acima referido. Assim, no alinhamento de Personal History encontramos também canções que mostram a sua compreensão e empatia relativamente às perspectivas e problemas das pessoas que a rodeiam. O estimulante tema Self Improvement oferece-nos um diálogo sobre as dificuldades em lidar com a saúde mental, enquanto outras músicas dissecam com maior precisão questões como aprender a conviver com o fracasso, nomeadamente Late Bloomer e como enfrentar os medos de compromisso Failing e Walk Away.

Sempre com a eletrónica em pano de fundo, mas sem descurar a orgânica das cordas, que abraçam até a mais inspirada acusticidade em Walk Away e a folk genuína em Loyal e de colocar na linha da frente também diversos elementos percurssivos, tão bem expressos em Time Difference, Personal History é um verdadeiro portento de indie pop, um disco de reflexão mas também de perceção, com as diferentes canções a não viverem isoladamente, mas agregadas num todo sustentado por uma míriade instrumental extensa, que entre esse jogo entre o orgânico e o sintético, o acústico e o elétrico,  balançam-se entre si e formam um alinhamento harmonioso, imbuído de um faustoso charme e brilho, bem à medida da moldura sonora estética que tem brilhado com maior intensidade no panorama alternativo atual. Espero que aprecies a sugestão...

Site: http://www.ailbhereddy.com/

Facebook: https://www.facebook.com/AilbheReddy/

Instagram: https://www.instagram.com/ailbhereddy/

YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCzRCXBOHcUu0pgpQfvJQcgQ

Twitter: https://twitter.com/ailbhereddy

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 17:49

Archive – Versions

Domingo, 04.10.20

Ícones da eletrónica das últimas três décadas, os londrinos Archive estão a comemorar um quarto de século de carreira, com a edição de Versions, um maravilhoso registo que nos oferece dez novas roupagens de alguns dos temas míticos da banda londrina liderada por Darius Keeler e Danny Griffiths.

Archive (band) - Alchetron, The Free Social Encyclopedia

Produzido pelos próprios Archive e misturado por Jerome Devoise, colaborador de longa data do grupo, Versions é um documento sonoro obrigatório para conhecermos a fundo este que é o nome maior da vertente mais sombria e dramática do trip hop. Ao longo da carreira do grupo, nomeadamente a mais recente, se With Us Until You're Dead e Axiom trilhavam caminhos que iam da electrónica à soul, passando pela pop de câmara e se em Restriction, há meia década, colocaram as guitarras na linha da frente, ampliaram o volume das distorções e, mesmo sendo um disco que vivia essencialmente da eletrónica e dos ambientes intimistas e expansivos, foi-lhe acrescentado uma toada mais orgânica, ruidosa e visceral, Versions faz a simbiose de tudo isto, constituindo-se, no seu todo, como uma espécie de cruzamento espectral e meditativo da carreira do grupo.

Assim se Light surpreende pelo modo como as guitarras, o baixo e a bateria seguem a sua dinâmica natural, mesmo tendo a companhia sempre atenta do sintetizador, que não deixa de rivalizar com o conjunto, mas sem nunca ofuscar o protagonismo da tríade, que conduz o tema para uma faceta mais negra e obscura, tipicamente rock, esculpindo-o com cordas ligas à eletricidade, ao mesmo tempo que a banda exibe uma consciente e natural sapiência melódica, já Kid Corner, tem um certo travo industrial, que a belíssima voz de Holly Martin aprofunda, com uma carga ambiental assinalável, bem patente no modo como as guitarras e a voz se enquadram com a grave batida sintética e repleta de efeitos maquinais. Estes dois temas acabam por sintetizar com superior mestria o adn essencial dos Archive, enquanto nos agarram pelos colarinhos sem dó nem piedade e nos sugam para um universo pop feito com uma sonoridade preciosa, bela, silenciosa e estranha e que, amiúde, parece que nos afoga numa hipnótica nuvem de melancolia.

Esta lindíssima viagem às pastosas aguas turvas em que mergulha a eletrónica dos Archive ganha contornos de excelência em Nothing Else, um mundo de paz e tranquilidade, originalmente presente em Londinium, um dos momentos maiores da discografia do grupo londrino, versão que nos embala e acolhe de modo reconfortante, proporcionando uma sensação de bem-estar e tranquilidade que nem um potente efeito sintetizado desfaz. O tema faz-nos descolar ao encontro de uma soul  cheia de imagens evocativas sobre o mundo moderno e encarna o momento alto do trabalho de produção feito em Versions e o já habitual modo como os Archive conseguem dar vida a belíssimas letras entrelaçadas com deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos.

A escrita deste grupo britânico carrega uma sobriedade sentimental que acaba por servir de contraponto a uma sonoridade algo sombria, mas onde geralmente nenhum instrumento ou som está deslocado ou a mais e a conjugação entre exuberância e minimalismo prova a sensibilidade dos Archive para expressar pura e metaforicamente as virtudes e as fraquezas da condição humana. Os Archive sempre seguiram uma linha sonora complexa e nunca recearam abarcar variados estilos e tendências musicais, mantendo sempre uma certa integridade em relação ao ambiente sonoro geral que os carateriza. Versions tem alma e paixão, é fruto de intenso trabalho e consegue ter canções perfeitas, com vozes carregadas de intriga e profundidade. Espero que aprecies a sugestão...

Archive - Versions

01. Lights (Version)
02. Kid Corner (Version)
03. Bright Lights (Version)
04. Fuck U (Version)
05. Erase (Version)
06. Again (Version)
07. Pills (Version)
08. Nothing Else (Version)
09. Remains Of Nothing (Version)
10. End Of Our Days (Version)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 17:18

Local Natives – Statues In The Garden (Arras)

Terça-feira, 22.09.20

Ano e meio depois do excelente registo Violet Street, um dos preferidos desta redação do catálogo de dois mil e dezanove, os norte-americanos Local Natives de Taylor Rice estão de regresso com o ambiente deslumbrante, luminoso e efervescente de Statues In The Garden (Arras), uma composição que começou a ser incubada na cidade francesa de Arras e que ganhou a sua roupagem final já no lado de lá do atlântico.

Local Natives lança single surpresa, junto com clipe psicodélico em animação

Statues In The Garden (Arras) aprimora os elementos marcantes que têm balizado o adn sonoro da banda de Silver Lake desde a estreia, cimentados por teclados efusiantes, muitas vezes agregados a detalhes pontuais, como palmas, distorções de guitarra e outross efeitos sintetizados, nuances que definem o arquétipo desta canção e de um modo particularmente renovado, emotivo e delicioso. 

Statues In The Garden (Arras) também já tem direito a um psicadélico e sugestivo vídeo da autoria de Jamie K Wolfe e no qual uma personagem passeia por diferentes cenários sempre pontuados por limões, frutos que vão ocupando o cenário e a nossa imaginação, das mais variadas formas. Confere...

Local Natives - Statues In The Garden (Arras)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 13:39

STRFKR – Ambient 1

Quinta-feira, 10.09.20

Não é assim tão incomum quanto isso encontrar quem ache que os STRFKR de Josh Hodges são a maior banda de todos os tempos. De facto, esta banda norte-americana, natural de Portland, no Oregon, é mestre a transmitir boas vibrações e tem uma inclinação para a beleza que é, quanto a mim, inquestionável. É impressionante a sua capacidade de criar composições que oferecem êxtase às pistas de dança, mas também de proporcionar instantes sonoros contemplativos que, escutados, por exemplo, numa estufa de plantas, tornam-se no adubo ideal para as fazer crescer. Aliás, não será assim tão absurdo quanto isso, acreditar que aquela new wave de forte intensidade e que num misto de nostalgia e contemporaneidade, baliza o catálogo dos STRFKR, foi pensada por Hodges, o grande cérebro criativo do projeto, para o cultivo de sementes.

The band from outer space: STRFKR | Bozeman | bozemandailychronicle.com

Assim, depois de no início da última primavera nos termos alegrado todos e acreditado piamente que a paz iria ser de novo restaurada nos vales, as vacas voltariam a ser felizes e as águas seriam purificadas, porque os STRFKR nos garantiram um futuro mais feliz com o lançamento de um alinhamento de dez canções intitulado, Future Past Life, agora estão de regresso com Ambient 1, doze composições que, conforme o título indica, são de forte índole etérea, experimental e ambiental.

Ambient 1 teve como fonte de inspiração tripla, uma coleção de cassetes que o Hodges adquiriu em saldo de música ambiental, as sessões de gravação de Future Past Life e uma viagem do músico ao conhecido parque nacional Joshua Tree, localizado na Califórnia e que inclui partes dos desertos Colorado e Mojave. Já agora, só em jeito de curiosidade, o seu nome provém de uma espécie de cacto, encontrada quase exclusivamente nesta zona, denominada Joshua tree ou árvore de Josué. Nessa estadia campestre Hodges experimentou um sintetizador de um amigo, surgindo assim o esqueleto de um trabalho único e em cujo regaço melancolia e lisergia caminham lado a lado, duas asas montadas em canções que nos oferecem paisagens multicoloridas de sons e sentimentos, autênticas miragens lisérgicas e hipnóticas que deambulam pelos nossos ouvidos num frágil balanço entre uma percussão pulsante, uma eletrónica com um vincado sentido cósmico e uma indulgência orgânica que se abastece de guitarras plenas de efeitos texturalmente ricos e que privilegiam uma sensibilidade pop inédita.

Neste disco único na discografia dos STRFKR, é atingido, em alguns momentos, um forte cariz épico e monumental, nomeadamente no largo espetro de cruzamentos que se executam entre a eletrónica ambiental e um rock de cariz mais experimental e alternativo, uma filosofia sonora que nos possibilita obter um completo alheamento de tudo aquilo que nos preocupa ou nos pode afetar num determinado momento. Espero que aprecies a sugestão...

STRFKR - Ambient 1

01. Rainzow
02. Work Smoothly Lifetime Peace
03. Bunji
04. Kaleidoscope
05. Telescope
06. Anxiety
07. Zee Majoor
08. Concentrate
09. Vergeten
10. Nexus
11. Zij Aan Zij
12. Sleep

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 11:40

Zero 7 – Shadows

Terça-feira, 01.09.20

Seis anos após o EP Simple Science, e cinco depois de EP3, os britânicos Zero 7, um dos nomes fundamentais da eletrónica downtempo e da chillwave, estão de regresso com um novo EP intitulado Shadows, que também serve para apresentar o novo vocalista principal da banda de Sam Hardaker e Henry Binns, o cantor britânico Lou Stone. Já agora, recordo que os Zero 7 não lançam um disco desde o já longínquo Yeah Ghost de dois mil e nove.

Zero 7 Announces Shadows EP, First New Record in Five Years for October  2020 Release and Shares Title Track - mxdwn Music

Este EP Shadows irá ver a luz do dia a vinte e três de outubro e dele já se conhece o tema homónimo, uma composição assente num registo muito quente e a apelar à soul, uma canção que exala aquele charme típico da dupla e que reforça o ambiente fashion que sempre caraterizou os Zero 7. Juntamente com a divulgação do single homónimo do EP, foi também dado a conhecer o vídeo do mesmo, realizado por Julian House que, recordo, foi quem criou o artwork espetacular de Simple Things, o álbum de estreia dos Zero 7, que comemora no próximo ano vinte anos de existência. Confere...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 21:04

Glass Animals - Dreamland

Terça-feira, 25.08.20

Já chegou aos escaparates Dreamland, o terceiro registo de originais dos britânicos Glass Animals, álbum que sucede ao aclamado compêndio How To Be A Human Being e um disco de forte cariz autobiográfico, já que, além de nostalgicamente ter servido para regatar algumas das memórias mais indelévies da infância e da adolescência de Dave Bayley, o vocalista do grupo, é também bastante inspirado num acidente que quase paralisou o baterista da banda Joe Seaward, um evento que marcou imenso quer o próprio, quer os seus companheiros, o já referido Dave Bayley, assim como o guitarrista Drew MacFarlane e o baixista Ed Irwin-Singer. Em julho de dois mil e dezoito Joe foi atropelado por um camião em Dublin enquanto andava de bicicleta e além de ter ficado com múltiplas fraturas numa perna, teve uma grave lesão craniana que o levou duas vezes à mesa de operações e que o fez perder algumas das suas faculdades psíquicas e partes da sua memória, obrigando-o a um longo e doloroso processo de fisioterapia, de modo a recuperar do evento.

Glass Animals – 'Dreamland' album review

Dreamland é, conforme indica o titulo, implicitamente, uma espécie de fuga da realidade, mas não na forma de busca de um mundo paralelo e imaginário. O objetivo é criar uma banda sonora que poderia muito bem ter servido para ilustrar um passado que marcou intensamente Bayley. Captações de gravações em VHS, alusões nada discretas a alguns ícones dos anos noventa do século passado, como o Pokémon, o jogo Street Fighter ou a série Friends, não enganam relativamente a esse propósito. É um relato de uma época ainda bastante fresca na memoria de muitos de nós, impressivo desde o tema homónimo, um tratado de pop eletrónica algo viciante e hipnótico, onde abundam harmonias vocais belíssimas, que se espraiam lentamente pela canção e se deixam afagar livremente pelo manto sonoro que as sustenta, até Helium, tema rico em detalhes e com um groove muito genuíno e uma atmosfera dançante, onde encaixa indie popfolkhip-hop e electrónica, com noção de equilíbrio e um limbo perfeito.

Pelo meio, sempre inundados por uma ímpar sensação de nostalgia e por um travo retro com uma estética distinta, composições do calibre de Space Ghost Coast To Coast, um rugoso e buliçoso tratado de R&B repleto de citações ao filme Golden Eye e aos jogos Quake e Doom, Melon And The Coconut, canção com um clima quente, proporcionado por um efeito sintetizado pleno de soul, a crescente efervescência de It's All So Incredible Loud e a curiosa amálgama instrumental efusiante de Waterfalls Coming Out Your Mouth, são temas que conseguem abarcar os melhores detalhes da música eletrónica mais soturna e atmosférica e que, entre o insinuante e o sublime, nos fazem recuar pouco mais de vinte anos até às nebulosas ruas de Bristol e aos primórdios do trip-hop, mas também à Brooklyn dos anos setenta, em pleno ressurgimento da melhor música negra.

Disco competente no modo como personifica o natural processo evolutivo de um dos projetos mais inovadores da eletrónica contemporânea, Dreamland assenta numa receita assertiva onde não falta uma prestação vocal intensa, constituindo, no seu todo, um ambiente sonoro intenso e emocionante, que nunca deixa de lado a delicadeza, uma melancolia digital que traça a régua e esquadro aquele que é um dos discos mais curiosos deste verão. Espero que aprecies a sugestão...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 16:17






mais sobre mim

foto do autor


Parceria - Portal FB Headliner

HeadLiner

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Man On The Moon · Man On The Moon - Programa 396


Disco da semana 99#


Em escuta...


pesquisar

Pesquisar no Blog  

links

as minhas bandas

My Town

eu...

Outros Planetas...

Isto interessa-me...

Rádio

Na Escola

Free MP3 Downloads

Cinema

Editoras

Records Stream


calendário

Outubro 2020

D S T Q Q S S
123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.