Quinta-feira, 4 de Julho de 2019

The Drums – Try

The Drums - Try

Foi em abril que viu a luz do dia Brutalism, o quinto e novo registo de originais dos norte-americanos The Drums e que sucedeu ao excelente Abysmal Thoughts, o primeiro álbum desde que este projeto se tornou, assumidamente, no trabalho a solo de Jonny Pierce. Recordo que os The Drums são um dos grandes nomes do movimento saudosista de revitalização do lo-fi, que tem feito escola no século XXI. Na verdade, continuam a ser uma daquelas bandas que pura e simplesmente não custa nada gostar, apesar dos momentos menos felizes que viveram e que ditaram praticamente o ocaso do projeto quando, em 2010, o guitarrista Adam Kessler abandonou o grupo e alguns anos depois Jacob Graham também acabou por o fazer. Pierce é quem mantém o projeto vivo, estando a tentar com as nove canções deste Brutalism estabilizar os The Drums numa posição de relevo dentro do espetro sonoro que calcorreia. E desta vez procurou uma sonoridade com maior ênfase naquela pop sintetizada que dialoga promiscuamente com o rock oitocentista.

Try, um novo single revelado por Pierce e que não constando do alinhamento de Brutalism foi incubado durante as sessões de gravação do disco, ajuda ainda mais a comprovar este encosto a tão importantes referências, particularmente as oitocentistas, mas também, tendo em conta o seu formato poeticamente triste e eminentemente orgânico, minimal e percurssivo, serve para mostrar que Pierce, quando se entrega emocionalmente sem barreiras, é capaz de agarrar em fórmulas bem sucedidas e, procurando nunca se colar demasiado a essa zona de conforto, conseguir criar algo único e genuíno e que, no seu todo, represente algo de inovador e relevante. Confere...


autor stipe07 às 18:49
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Terça-feira, 25 de Junho de 2019

Two Door Cinema Club - False Alarm

Ja está nos escaparates e à boleia da conceituada Pias Recordings, False Alarm, o quarto e novo registo de originais dos irlandeses Two Door Cinema Club, um alinhamento de dez canções produzido por Jacknife Lee, que já tinha colocado as mãos no antecessor Gameshow, lançado em dois mil e dezassete. False Alarm também tem sido notícia pela curiosa capa da autoria da fotógrafa Aleksandra Kingo, que retratou o grupo cercado por emissores de ruído variados, numa aparente situação de pânico. A ideia é retratar a sensação de ansiedade coletiva que carateriza, nos dias de hoje, um mundo em que se sucedem desastres naturais, catástrofes provocadas pelo próprio homem e um sem número de perigos que vão florescendo um pouco por toda a parte.

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Contando nos seus créditos com as participações especiais do grupo zambiano Mokoomba em Satisfaction Guaranteed, um dos temas mais ritmados do disco e do artista de hip hop norte americano Open Mike Eagle, na toada vibrante e metálica de Nice To See You, False Alarm é, no global, uma mistura incandescente entre o indie rock mais efusivo e efervescente, audível no fuzz das guitarras, com aquela pop experimental new wave, feita com o travo retro proporcionado pelo sintetizador. Tal simbiose feliz entre rock e eletrónica está presente com superior quilate em vários temas do álbum, mas com especial ênfase no single Dirty Air, uma composição que de acordo com Alex Trimble, o vocalista, é sobre o fim do mundo e o modo como se pode fazer desse evento uma grande festa. No entanto, a rugosidade da batida de Talk, canção que mostra como o baixo é um elemento preponderante de produção melódica no seio destes Two Door Cinema Club e o modo como um flash sintetizado contrasta, nesse tema, com o vigor percurssivo e depois a efervescência pop do refrão, assim como o clima mais charmoso e urbano de So Many People e o olhar anguloso que é feito ao r&b futurista em Think, são outros momentos maiores de um disco que cimenta a fama dos Two Door Cinema Club como um projeto de magnitude, que aposta em criar composições que ao vivo funcionem de modo a agitar grandes massas mais preocupadas em dançar do que propriamente em refletir sobre o conteúdo lírico da música que consomem.

False Alarm não vai salvar as nossas vidas ou modificá-las drasticamente, mas vai-te fazer dançar de forma bem humorada e continuar a fazer sobressair estes Two Door Cinema Club em relação à concorrência. Espero que aprecies a sugestão...

Two Door Cinema Club - False Alarm

01. Once
02. Talk
03. Satisfaction Guaranteed (Feat. Mokoomba)
04. So Many people
05. Think
06. Nice to See You (Feat. Open Mike Eagle)
07. Break
08. Dirty Air
09. Satellite
10. Already Gone


autor stipe07 às 20:56
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Quarta-feira, 19 de Junho de 2019

Maps – Colours. Reflect. Time. Loss.

Já tem sucessor, Vicissitude, o disco que o projeto britânico Maps de James Chapman, nome grande do catálogo da Mute Records, editou em dois mil e catorze. O novo e quarto álbum a solo deste artista de Northampton intitula-se  Colours. Reflect. Time. Loss. e as suas dez composições proporcionam-nos o contacto com um feliz exercício de fusão do rock com diversos cânones da eletrónica, uma labuta de corte e recorte feita com um charme e uma elegância inegáveis, uma experiência não só auditiva, mas também tremendamente visual.

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Colours. Reflect. Time. Loss. demorou três anos a ser incubado e gravado e muitos dos arranjos orquestrais das canções foram, de acordo com James, inspirados na ruralidade de Northampton. É um registo que reflete, portanto, muitos eventos da vida pessoal do autor, que fez questão de ser também peça fundamental no processo de produção de um trabalho que contou com as participações especiais do grupo clássico de ensemble belga The Echo Collective (famoso por ter interpretado, no início do ano passado, na íntegra, Amnesiac, o clássico da discografia dos Radiohead, lançado em dois mil e um) e com percussionistas e vocalistas de diversas latitudes (I wanted to push everything to the limit with this record and explore new territory for Maps,(...) The orchestral instrumentation and addition of other musicians and singers played a huge part in finding the purer and more human emotion I was searching for. I learnt the violin as I was growing up, so I’m glad it finally came in useful!). 

O primeiro single que o compositor e produtor retirou do álbum foi Just Reflecting, a quinta composição do seu alinhamento, um tema que impressiona pela sua beleza utópica, feita de belas orquestrações, que vivem e respiram, lado a lado, com distorções e arranjos que alicerçaram uma melodia particularmente hipnótica. Tal escolha não foi obviamente feita ao acaso já que é uma bela amostra de um disco idelizado por um verdadeiro escultor sonoro que olha de frente para as guitarras e depois não receia envolvê-las com sintetizadores imbuídos de uma superior inteligência e epicidade, apenas temperados por uma filosofia melódica que procura intuir no ouvinte um desejo de reflexão e introspeção ao som de um universo sonoro fortemente cinematográfico e imersivo.

Depois, na encantadora alegoria pop sessentista de The Plans We Made, na luminosidade do piano e dos sopros de Howl Around, uma canção feita para nos retirar do fundo do poço, ou no clima oitocentista de Wildfire, James dá-nos asas e leva-nos de modo certeiro ao refúgio bucólico e denso onde se embrenharam aquelas nossas emoções que melhor e mais alto nos levantam, num disco que impressiona por este provocador belicismo e pelo seu forte cariz sensorial. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 17:23
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Terça-feira, 18 de Junho de 2019

Yeasayer – Erotic Reruns

Desde o notável Fragrant World, disco editado já no longínquo ano de 2012, que os nova iorquinos Yeasayer mantiveram um silêncio de quatro anos que, à época, já começava a preocupar os seguidores deste projeto sonoro verdadeiramente inovador e bastante recomendável. Mas esse compêndio de onze canções, das quais se destacavam composições tão inebriantes como Henrietta ou Longevity, teve, em dois mil e dezasseis, para gaúdio de todos nós, sucessor, um álbum intitulado Amen and Goodbye,  que reforçou não só o caraterístico romantismo lisérgico do projeto, mas também consolidou a veia instável e experimental de uns Yeasayer cada vez mais apostados em colocar as fichas todas numa pop de forte cariz eletrónico, mas bastante recomendável, principalmente no modo como se mistura com alguns dos aspetos mais relevantes do típico indie rock alternativo.

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Agora, novamente após um hiato algo prolongado, a banda de Brooklyn regressa com Erotic Reruns, o quinto álbum de estúdio desta banda americana, um trabalho lançado através da própria gravadora do projeto, a Yeasayer Records, produzido também pelo grupo e que coloca novamente o trio na senda de um experimentalismo que mescla psicadelia com eletrónica e rock com elevado grau de hipnotismo, sem descurar a veia divertida e festiva que sempre foi uma das grandes forças motrizes desta banda.

Com a capa do disco captada em Portugal e da autoria de Bráulio Amado, Erotic Reruns deve muito do seu conteúdo à eleição de Trump há pouco mais de dois anos mas também a personalidades controversas como  James Comey, Sarah Huckabee Sanders e ao monstro anti-imigração Stephen Miller. Num alinhamento que dura praticamente meia hora, canções como a charmosa e libidinosa daftpunkiana People I Loved, a exuberante e cósmica Ecstatic Baby, a sensual Crack A Smile, ou a mais instável e emotiva Blue Skies Dandelions, reforçam não só o caraterístico romantismo lisérgico do projeto, mas também consolidam a veia instável e experimental de uns Yeasayer cada vez mais eficazes no modo como nos oferecem uma eficaz oscilação e simbiose entre os orgânico e sintético, rock e eletrónica, com cada vez maior mestria, criatividade, heterogeneidade e bom gosto.

Quase no ocaso do disco, o modo como a guitarra e os sintetizadores se cruzam em Ohm Death e, usando também esse receituário, a tonalidade pop oitocentista indisfarçável de Fluttering In The Floodlights e a deliciosa luminosidade do timbre da guitarra que conduz I’ll Kiss You Tonight, ajudam a ampliar o cada vez maior distanciamento dos Yeasayer relativamente à receita instrumental de outrora. Mais do que carisma e a explosão de sons, cores e versos marcantes de Odd Blood (2010), por exemplo, a ideia é cada vez mais explorar territórios emotivamente mais abrangentes, com o registo vocal inédito de Chris Keating, já uma imagem de marca deste grupo nova iorquino, a ser também uma arma certeira neste bem sucedido processo de reinvenção e ampliação da vitalidade e da abrangência do catálogo de um grupo que é já uma referência incontornável de um género sonoro que se for abordado com este grau de criatividade e bom gosto acaba, incontornavelmente, por originar discos animados, alegres, solarengos e qualitativamente marcantes. O carisma e a personalidade de Erotic Reruns merece todas estas odes. Espero que aprecies a sugestão...

Yeasayer - Erotic Reruns

01. People I Loved
02. Ecstatic Baby
03. Crack A Smile
04. Blue Skies Dandelions
05. Let Me Listen In On You
06. I’ll Kiss You Tonight
07. 24-Hour Hateful Live!
08. Ohm Death
09. Fluttering In The Floodlights


autor stipe07 às 19:28
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Quinta-feira, 13 de Junho de 2019

Foreign Diplomats – Monami

Thomas Bruneau Faubert, Charles Primeau, Élie Raymond, Lazer Vallières e Tony L. Roy são os Foreign Diplomats, uma banda canadiana oriunda de Montreal, no Quebeque, que acaba de regressar aos lançamentos discográficos com Monami, um compêndio de canções que sucede a Princess Flash, o extraordinário disco de estreia que a banda lançou no final de dois mil e quinze, ainda a tempo de ser um dos melhores desse ano para esta redação.

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Escrito e composto maioritariamente por Élie Raymond e produzido e misturado por Jace Lasek, que já tinha trabalhado com os Foreign Diplomats no antecessor, Monami mantém o projeot canadiano nas coordenadas certas para estilizar canções em cujo regaço festa e lisergia caminham lado a lado, duas asas que nos fazem levitar ao encontro de paisagens multicoloridas de sons e sentimentos.

Num disco em que a ideia principal é o amor e o medo que nos invade sempre que nos apaixonamos, mas também onde não faltam referências a viagens, comida e a tudo aquilo que preenche a normalidade rotineira de qualquer um de nós, não faltam aqui canções repletas daqueles arrepios que nos provocam, muitas vezes, autênticas miragens lisérgicas e hipnóticas. E fazem-no deambulando pelos nossos ouvidos, alicerçadas num frágil balanço entre uma percussão pulsante, um rock e uma eletrónica com um vincado sentido cósmico e uma indulgência orgânica que se abastece de guitarras plenas de efeitos texturalmente ricos, teclados corrosivos no modo como atentam contra o sossego em que constantemente nos refugiamos e a voz de Élie que, num registo ecoante e esvoaçante, coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta.

Se a audição de Monami nos oferece então vastas paisagens sonoras, nota-se, rapidamente, um ponto em comum em praticamente todas as suas canções e, de certo modo, já descrito acima. Refiro-me ao modo como as guitarras fornecem a base melódica que vai depois sustentar praticamente todos os temas até ao seu ocaso, havendo, pelo meio, quase sempre uma explosão sónica sintética, feita de exuberância, cor e um apreciável experimentalismo, que do clima animado de Road Wage, ao travo oitocentista mais negro de City Luv, aperfeiçoado com um grau superior de refinamento em Adopted Hometown, passando pela luminosidade percurssiva de Charger ou, com maior epicidade ainda, de You Decide (The Return Of), pela elegância de Amafula e pelo charme contagiante de Demon (Slamador), tem sempre em comum essa primazia das cordas eletrificadas e a adição às mesmas de teclados repletos de um vasto catálogo de efeitos embebidos por uma inegável filosofia pop, uma relação simbiótica que faz da audição deste alinhamento uma demanda por um percurso triunfante e seguro.  

Bálsamo retemperador perfeito capaz de nos fazer recuperar o fôlego de um dia intenso, Monami  balança genuinamente nos nossos ouvidos, agita a mente e força-nos a um abanar de ancas intuitivo e capaz de nos libertar de qualquer amarra ou constrangimento que ainda nos domine. Disco mais exuberante e fervoroso que o antecessor, Monami é um extraordinário exemplo do modo como esta banda é capaz de ser genuína a combinar guitarras com teclados, sem colocar em causa a vivacidade e o esplendor que é muitas vezes abafado por aquela faceta algo rígida que a eletrónica intui, sendo, no seu todo, uma súmula quase imperceptível entre epicidade frenética, crua e impulsiva e sensualidade lasciva, num resultado global borbulhante e colorido. Espero que aprecies a sugestão...

Foreign Diplomats - Monami

01. Road Wage
02. City Luv
03. Charger
04. Amafula
05. You Decide (The Return Of)
06. Demon (Slamador)
07. Adopted Hometown
08. Frilu
09. Tender Night
10. How Cool Is That?
11. Fearful Flower


autor stipe07 às 16:05
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Segunda-feira, 10 de Junho de 2019

Metronomy – Lately

Metronomy - Lately

Será provavelmente ainda este ano que verá a luz do dia o sexto e novo registo de originais dos Metronomy, um projeto nascido da fértil imaginação de Joseph Mount, natural da pequena localidade de Totnes, Devon, no sudoeste de Inglaterra. Reza a lenda que tudo começou quando o pai lhe ofereceu um computador para que ele pudesse dedicar-se à produção de música electrónica no quarto, onde se ouvia discos de Autechre, LFO, Aphex Twin e Devo, entre outros e daí até à ideia de criar uma banda foi um pequeno passo, como seria de esperar.

Os Metronomy estrearam-se nos discos em dois mil e onze com o excelente The English Riviera, para mim ainda o melhor registo do catálogo do grupo e a partir daí, em alinhamentos tão emblemáticos como Love Letters (2014) ou Summer 08 (2016) foram cimentando uma posição cimeira na chamada indietrónica, um subgénero sonoro que mescla com mestria sintetizações e guitarras, sempre num clima festivo, com nomes como os Phoenix, os Hot Chip os os Holy Ghost! a serem outras referências obrigatórias neste espetro único.

Lately é o novo sinal de vida dos Metronomy, uma composição que faz adivinhar o tal novo álbum do grupo e que coloca Mount a piscar o olho com indisfarcável gula ao punk rock eletrónico nova iorquino, que começou a escalar playlists no início deste século, não só por causa da potência da batida, sempre em crescendo, mas também devido à posição cimeira que a guitarra ocupa na condução melódica de um tema com um elevado toque de modernidade e que encarna um ambiente algo psicadélico e que apela claramente às pistas de dança. Confere...


autor stipe07 às 11:38
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Sexta-feira, 31 de Maio de 2019

Mating Ritual - Hot Content

Menos de um ano do lançamento de Light Myself On Fire, o projeto Mating Ritual do músico californiano Ryan Marshall Lawhon e do seu irmão Taylor Marshall, que planeia nos próximos cinco anos lançar o mesmo número de alinhamentos de canções, está de regresso aos discos com um trabalho intitulado Hot Content, o terceiro registo de originais da dupla e que viu a luz do dia à boleia da editora Smooth Jaws, pertença do próprio Ryan.

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Hot Content começou por ser uma hashtag dos irmãos utilizada para identificarem publicações que eles consideram verdadeiras idiotices retiradas de publicações e revistas de renomes, com especial ênfase na Forbes, pensadas, segundo os próprios, para uma espécie de elite que ambos claramente desprezam. A partir daí a ideia foi-se desenvolvendo e esse manancial de artigos supostamente de referência, mas que não passam, no fundo, de banalidades escritas por pseudo intelectuais, acabaram por influenciar o conteúdo de onze canções que dentro de um espetro bem delimitado, o rock oitocentista, procuram abraçar os diversos subgéneros de um espetro sonoro que está sempre muito presente no nosso imaginário e que é, nos dias de hoje, fonte de inspiração para imensos projetos, com origem, especialmente, do outro lado do atlântico.

Logo a abrir o registo deliciamo-nos com U.N.I., uma composição assente numa guitarra efusiante e num baixo imponente, cordas que se aliam a sintetizadores de elevado cariz retro, com efeitos que disparam em diferentes direções, uma míriade instrumental que aconchega o timbre sintético vocal de Ryan, numa toada que tem tanto de sexy como de robótico e que nos clarifica que estão a abrir-se as portas para um alinhamento que poderia muito bem ter sido congeminado algures no início da década de oitenta e no período aúreo do disco sound

A partir daí, na imponência e na vibração eloquente de Panic Attack, no balanço sintetizado proporcionado pelas teclas e pelos efeitos que palpitam por Falling Back, no clima retro de October Loveuma canção com um refrão avassalador e onde se percebe o gosto de Ryan por dar primazia a uma faceta algo sonhadora e romântica e no climático swing das guitarras que conduzem a balada Stupid Romantic Things, temos alguns dos momentos maiores de um registo que é fruto de uma produção cuidada e que nunca disfarçando a intensidade e o vigor elétrico, também demonstra, no seu todo, uma vontade corajosa de querer evitar ao máximo que a limpidez e a capacidade de airplay radiofónico dos temas possam castrar a extraordinária capacidade criativa que a dupla demonstra possuir, sempre com a objetiva direcionada para o universo sonoro já referido.

Num alinhamento em que abundam os flashes de efeitos vários, mas onde é o indie rock quem mais ordena, feito com guitarras acomodadas em diversas camadas e melodias orelhudas que tanto nos levam para ambientes mais climáticos, mas com uma pinta de epicidade, como para aquela pop efusiante, expansiva, radiofónica e luminosa, Hot Content impressiona pelo seu cariz sonoro abrangente e múltiplo e pelo modo como funde o inato talento musical dos Mating Ritual com a nostalgia que está sempre subjacente a um período musical que permite, como este registo prova, abordagens versáteis e acessíveis ao grande público, sempre com as pistas de dança debaixo de olho. Espero que aprecies a sugestão.

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01. A Beginning (Descent)
02. U.N.I.
03. Panic Attack
04. Falling Back
05. Future Now
06. Boys Don’t Have To Be Boys
07. The Name Of Love
08. October Lover
09. Good God Regina It’s A Bomb
10. Stupid Romantic Things
11. Game


autor stipe07 às 16:13
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Sexta-feira, 24 de Maio de 2019

Gaz Coombes – Salamander

Gaz Coombes - Salamander

Quem esteve atento à luta fraticida pelo domínio da brit pop durante a década de noventa, recorda-se imediatamente da dupla Blur vs Oasis e depois acrescenta-lhe os Suede e os Pulp, os The Charlatans e talvez os Spiritualized e os Supergrass, este, sem dúvida, o grupo britânico mais negligenciado nessa altura. Gaz Coombes, antigo líder desta banda britânica, estreou-se numa carreira a solo em 2012 e em boa hora o fez com o fabuloso Here Come The Bombs. Uns dois anos depois desse início prometedor, Coombes regressou mais uma vez à boleia da Hot Fruit Recordings, com Matador, um disco produzido pelo próprio autor e gravado no seu estúdio caseiro em Oxford. No início do verão passado foi a vez de nos revelar o terceiro disco, um trabalho intitulado World's Strongest Man, com onze canções idealizadas por uma das personalidades mais criativas da indie britânica e inspiradas no concurso anual World's Strongest Man, um enorme sucesso televisivo em Inglaterra, um talkshow passado numa qualquer ilha das Caraíbas e que escolhe, após várias provas, aquele que é supostamente o homem mais forte do mundo.

Agora cerca de um ano depois de World's Strongest Man, Gaz está de regresso com novidades, um single intitulado Salamander, mas que ainda não traz a reboque o anúncio, pelo menos oficial, da edição de um novo longa duração do artista britânico. Canção vibrante, rugosa e visceral, conduzida por um efeito de guitarra metálico rebarbante e por uma bateria imponente e bastante ritmada e depois cortada a direito por um insolente piano, Salamander oferece-nos uma relação pouco vista em Coombes entre eletrónica, punk rock e climas mais progressivos, sem descurar um intenso sentido melódico e a tipica epicidade das melhores propostas da indie experimental que habitualmente é incubada em terras de Sua Majestade. Confere...


autor stipe07 às 17:30
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Sexta-feira, 3 de Maio de 2019

Lamb - The Secret of Letting Go

A dupla de Manchester Lamb, formada por Lou Rhodes e Andy Barlow, já anda por cá desde meados dos anos noventa, altura em que lançaram um disco homónimo de estreia que é um verdadeiro clássico da pop contemporânea. Depois disso, a dupla tem-se mantido sempre à tona, mesmo durante longos hiatos em que Rhodes se dedicou a uma promissora carreira a solo a Barlow à produção de outros artistas.

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O último sinal de vida dos Lamb tinha sido em dois mil e catorze com o álbum Backspace Unwind, que tem finalmente sucessor. O sétimo e novo trabalho da dupla chama-se The Secret of Letting Go, viu a luz do dia através da Cooking Vynil e contém um alinhamento que tem no espaço a sua ideia central e que foi gravado entre o estúdio dos Lamb e Ibiza e Goa, na Índia.

The Secret Of Letting Go vive, no seu todo, de uma simbiose feliz entre a pop soturna e clássica, a eletrónica mais sofisticada e um rock eminentemente experimental. Contém um alinhamento suave e bastante adocicado, recheado de composições sustentadas por uma elevada consistência instrumental e melódica, dominado, especialmente, nas últimas canções, por belíssimos acordes de piano, cordas certeiras e sintetizadores cósmicos, detalhes que se acamam com elevada mestria ao registo vocal de Rhodes. Por exemplo, se quase no ocaso do disco, em Silence Inbetween, quase se consegue sentir a ténue vibração das cordas dentro da caixa de um piano tocado com enorme pureza e que se entrelaça com o violino com uma química de uma paixão avassaladoras, já Armageddon Waits, uma composição vibrante, rugosa e evocativa, oferece-nos um feliz exercício de fusão de diversos cânones da eletrónica com um rock de cariz eminentemente progressivo, assente numa percussão bastante ritmada, guitarras planantes e diversos arranjos de sopros.

É, pois, através deste jogo fluído e simbiótico entre dois grandes universos e os diversos mundos de cada um, que The Secret Of Letting Go vai deixando cada vez mais para trás aquela sedutora ingenuidade dos primórdios dos Lamb. Continuam a escutar-se temas mais dançantes, como é o caso de Moonshine e o travo trip-hop de Bulletproof e outros essencialmente introspetivos, nomeadamente One Hand Clapping, uma bonita fusão entre metais, teclas e cordas que nos mostram aquele lado mais romântico e delicado do trio, num resultado final charmoso e sofisticado, como não podia deixar de ser nos Lamb e que deverá ajudar a revitalizar a carreira de um grupo que já estava algo esquecido mas que, pelos vistos, ainda tem muito para oferecer aos apreciadores de um género sonoro pleno de especificidades. Espero que aprecies a sugestão...

Lamb - The Secret Of Letting Go

01. Phosphorous
02. Moonshine
03. Armageddon Waits
04. Bulletproof
05. The Secret Of Letting Go
06. Imperial Measures
07. The Other Shore
08. Deep Delirium
09. Illumina
10. The Silence in Between
11. One Hand Clapping


autor stipe07 às 16:35
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Terça-feira, 30 de Abril de 2019

Local Natives – Violet Street

Cerca de dois anos depois de Sunlit Youth, os norte-americanos Local Natives de Taylor Rice estão de regresso aos discos com Violet Street, um registo produzido por Shawn Everett e que viu a luz do dia a vinte e seis de abril, à boleia da Loma Vista Recordings. Quarto disco do grupo californiano, Violet Street eleva o quinteto para um novo patamar instrumental mais arrojado, mantendo-se, no entanto, a excelência nas abordagens ao lado mais sentimental e frágil da existência humana, traduzidos em inspirados versos e a formatação primorosa de diferentes nuances melódicas numa mesma composição, duas imagens de marca do projeto.

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Impecavelmente produzido, Violet Street mantém, como de certo modo já referi, a banda de Salt Lake dentro de uma atmosfera bem delineada e de uma constante proximidade entre as vertentes lírica e musical, algo que ficou logo bem patente em Gorilla Manor, a obra que alicerçou definitivamente o rumo sonoro do grupo logo na estreia, há cerca de uma década. De facto, basta escutar o piano inicial e depois a inserção da batida e do registo vocal em falsete típico tremendamente lisérgico de Taylor, no ambiente deslumbrante, luminoso e efervescente do tema When Am I Gonna Lose You, para se perceber que esses elementos marcantes desde a estreia, muitas vezes agregados a detalhes pontuais, como palmas, distorções de guitarra e efeitos sintetizados, mantêm-se, mas de um modo ainda mais renovado, emotivo e delicioso. Depois, se em Café Amarillo, nos efeitos de cordas, no compasso da bateria e numa guitarra apenas insinuante, mas muito presente, somos puxados para ambientes mais melancólicos, amenos e nostálgicos, no neopsicadelismo progressivo de Gulf Shores e, principalmente, no ritmo efervescente de Megaton Mile e de Shy somos soterrados em variadas emanações sumptuosas e encaixes musicais sublimes, que sobrevivem muito à custa da tal complexidade e riqueza estilística que faz muitas vezes parecer que uma mesma composição dos Local Natives resulta de uma colagem simbiótica de diferentes puzzles com tonalidades e características diferentes, uma agregação que tanto pode ser feita por sobreposição, como se estivessemos a escutar dois temas em simultâneo, um por cima do outro, ou por sequência. Someday Now arrefece um pouco estes ânimos e puxa novamente o registo para um clima mais sombrio e resguardado, fazendo-o com a curiosidade de se suportar numa vasta miríade de efeitos percurssivos, nomeadamente metais, detalhes étnicos e conceptuais que puxam esse tema para uma latitude claramente tropical. Gardens Of Elysian também tem esta faceta mais climática, mas, apesar da rugosidade da guitarra, aposta numa toada eminentemente classicista e com forte cariz pop.

Em suma, num cruzamento feliz entre eletrónica e indie rock, toda esta pormenorizada descrição da vasta heterogeneidade de elementos e nuances que caraterizam cada um dos tema de um registo que, quanto a mim apenas peca pelo curto alinhamento, serve para justificar não só a coerência de Violet Street, até porque cada canção parece introduzir e impulsionar a seguinte, numa lógica de progressão, mas, principalmente, para clarificar a sua enorme riqueza e complexidade, aspetos que sustentam a enorme beleza de um disco que deve ser apreciado com cuidado e real atenção e que se assume, na minha opinião, como um dos melhores lançamentos do ano até ao momento. Espero que aprecies a sugestão...

Local Natives - Violet Street

01. Vogue
02. When Am I Gonna Lose You
03. Cafe Amarillo
04. Munich II
05. Megaton Mile
06. Someday Now
07. Shy
08. Garden Of Elysian
09. Gulf Shores
10. Tap Dancer


autor stipe07 às 15:48
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Sábado, 27 de Abril de 2019

Jay-Jay Johanson – Kings Cross

Já está nos escaparates Kings Cross, o décimo segundo álbum do sueco Jay-Jay Johanson, mais um riquíssimo reportório de experimentações sónicas que cimentam o percurso sonoro tremendamente impressivo e cinmetográfico de um dos nomes mais relevantes da pop europeia das últimas três décadas. Com a participação especial de Robin Guthrie dos míticos Cocteau Twins em Lost Forever e com um dueto com Jeanne Added em Fever, Kings Cross consiste num inspirado compêndio de eletropop idealizado por um Jay-Jay Johanson que teve o firme intuíto de nos captar com a sua voz melancólica, ao som de arrebatadoras melodias, revestidas de sons intrincados e algo misteriosos, geralmente de origem sintética e batidas e efeitos percurssivos de cariz emimentemente experimental.

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Not Time Yet, a canção que abre o alinhamento de Kings Cross, torna logo explícita toda a trama esplanada num alinhamento de canções que têm a pop eletrónica, de cariz eminentemente reflexivo e ambiental, como grande suporte sonoro, conforme já referi, mas é demasiado redutor, aviso desde já, parcelar de modo tão concreto todo o emaranhado de referências estilísticas que o artista sueco absorveu, degustou e depois esplanou neste seu novo álbum.

Assim, se no caso dessa primeira composição do álbum, temos um som polido, mas desafiante por se mostrar um pouco escuro, mesmo assumindo-se como particularmente charmoso e intenso, na tonalidade mais descontraída e cativante do jazz que alinha Heard Somebody Whistle, na soul da percurssão, do baixo e do insinuante piano de Smoke, na romântica fragilidade que flutua à tona do manto sonoro ondulado que nos embala em Hallucination, na guitarra que ressoa com vigor em Niagara Falls e no clima íntimo e de forte pendor clássico de Old Dog ficamos devidamente esclarecidos acerca de toda a diversidade instrumental que suportou a gravação de um disco que, contendo diferentes texturas e travos conceptuais, entronca sempre numa filosofia interpretativa típica de um músico que já se movimentou por espetros sonoros tão vastos e díspares como a folk, o rock progressivo, a música clássica contemporânea ou a eletrónica, e que, quer por isso, quer devido à sua enorme sensibilidade poética e artística, consegue sempre proporcionar ao ouvinte instantes de arrebatadora sedução, mesmo quando uma espécie de ideia de simplicidade paira sempre como uma nuvem melancólica e mágica em seu redor. Espero que aprecies a sugestão...

Jay-Jay Johanson - Kings Cross

01. Not Time Yet
02. Heard Somebody Whistle
03. Smoke
04. Lost forever (Feat. Robin Guthrie)
05. Hallucination
06. Old Dog
07. Niagara Falls
08. Fever (Feat. Jeanne Added)
09. Swift Kick In The Butt
10. We Used To Be So Close
11. Everything I Own
12. Dead End Playing


autor stipe07 às 14:04
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Quarta-feira, 24 de Abril de 2019

Jaws - The Ceiling

Já chegou aos escaparates The Ceiling, o novo registo de originais dos Jaws de Connor Schofield. Este novo registo do trio de Birmingham foi produzido por Gethin Pearson, que já tinha trabalhado com a banda há três anos no registo Simplicity e tem a chancela da Rough Trade Records, firmando o projeto numa posição relevante no que concerne àquele indie rock que oscila entre nuances algo etéreas e contemplativas, mais típicas da dream pop e outras mais efusiantes e progressivas.

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Driving At Night e Feel, os dois temas que abrem as hostilidades em The Ceiling, comprovam, desde logo e respetivamente, os territórios sonoros que os Jaws trilharam neste seu novo trabalho e que acabam por definir o adn do grupo. Portanto, este é um disco de continuidade relativamente ao som do grupo e de aprimoração de alguns dos seus principais atributos, num claro sinal de maturidade. A esse propósito, o tema Do You Remember? não terá sido escolhido ao acaso como um dos singles já extraídos do registo, visto ser uma canção onde o trio põe prego a fundo no pedal da distorção de modo a criar uma composição que encontra as suas raízes sonoras no típico rock alternativo de final do século passado, mas com um travo shoegaze muito apetecível. De facto, esta canção é fruto de uma produção cuidada que, nunca disfarçando a intensidade e o vigor elétrico, também demonstra uma atitude corajosa por parte dos Jaws de quererem conciliar limpidez e capacidade de airplay radiofónico, sem que isso castre a extraordinária capacidade criativa que o grupo demonstra possuir, sempre com a objetiva direcionada para a diversidade sonora descrita e que tem muitas vezes na sujidade de guitarras efusiantes, numa percurssão trememendamente intuitiva e ritmada e num baixo imponente, fortes aliados e mais valias.

O modo como a guitarra e algumas texturas sintéticas e samples vocais se relacionam em Fear, acaba por ser o instante mais intringante e menos linear do registo, deixando no ar um curioso ponto de interrogação acerca de uma possível inflexão sonora futura dos Jaws para territórios menos orgânicos e imediatos. Patience, um pouco depois, também se deixa deslizar para uma espécie de electrorock ambiental, mas as guitarras durante o refrão conseguem normalizar, de algum modo, a composição. Seja como for, se a acusticidade de January proporciona ao ouvinte um inspirado contacto com o lado mais experimental dos Jaws, em End of the World a banda volta ao rock mais direto, desta vez com a distorção metálica da guitarra a proporcionar uma toada mais punk e sombria que eu particularmente saúdo e que, na minha opinião, acaba por ser o melhor momento de um disco, abrigado numa filosofia interpretativa com um travo indie de excelência e onde apesar de sobressair o travo oitocentista, não deixa de exalar uma diversidade e uma abrangência que terá o louvável intuíto de nos proporcionar quarenta e cinco minutos de rock vibrante, majestoso e algo saudosista e nostálgico, mas também, a espaços, contemplativo e contemporâneo. Espero que aprecies a sugestão...

Jaws - The Ceiling

01. Driving At Night
02. Feel
03. Do You Remember?
04. Fear
05. End Of The World
06. Patience
07. Looking / Passing
08. The Ceiling
09. Please Be Kind
10. January


autor stipe07 às 12:36
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Sexta-feira, 19 de Abril de 2019

Tellavision - Add Land

Já viu a luz do dia Add Land, à boleia da Bureau B, o mais recente tomo discográfico do projeto artístico Tellavision, já com uma década de carreira, assente em três álbuns e dois EPs, sempre em busca de excitantes aventuras sónicas, abstrações musicais que têm a sua raíz na génese do chamado krautrock e onde o ruído não é algo supérfluo ou incómodo, mas usado com um propósito bem definido de servir como mais um veículo de transmissão de emoções e sensações que se pretendem o mais físicas e orgânicas possível, dentro daquilo que a música, enquanto manifestação artística por excelência, consegue provocar no âmago de cada um de nós. E de facto, nestas treze canções que constituem o alinhamento de Add Land, produzidas pela própria Tellavision e por Thies Mynther, uma das metades da dupla Phantom / Ghost, não faltam instantes que arrebatam e concentram a atenção, mesmo no ouvinte mais desatento ou desprevenido.

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Começa-se a ouvir os flashes sintetizados do tema homónimo do disco e somos logo dominados por campos magnéticos que estalam ao longo de uma batida pontiaguda, enquanto um pulso lento e levemente errático agita-se por baixo da voz de Tellavision à medida que ela canta, evocando os medos que nos paralisam, mas também aqueles que nos inspiram. E logo nesse tema percebe-se outro ás de trunfo deste projeto, o registo vocal da protagonista, sempre vibrante e tremendamente empático. Depois, no minimalismo da batida misteriosa de Salty Man, no travo maquinal de Hat Makers e no groove dançante da buliçosa bateria que conduz Purple View, estamos lançados e ficamos ainda mais esclarecidos acerca dos elevados níveis de complexidade e virtuosismo que estiveram na génese da concepção de um registo, em que máquinas e sons eletrónicos coabitam pacificamente e com superior simbiose com aquela instrumentação mais tradicional e orgânica e que costuma balizar as trevas mestras do indie rock.

Disco merecedor de contemplação cuidada e dedicada, aberto, confiante e otimista, apesar de muito balizado pela noção de medo, como de certo modo já referi, mas com o foco deste sentimento muito virado para o amor que nos permite superar os nossos medos, nomeadamente o nosso amor pelo outro e por nós próprios, Add Land oferece um novo grau de firmeza qualitativa a um projeto ímpar no panorama sonoro e artístico alternativo europeu. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 14:48
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Segunda-feira, 15 de Abril de 2019

The Flaming Lips – King’s Mouth

Pouco mais de dois anos depois do excelente Oczy Mlody e de uma coletânea com os maiores êxitos da carreira com a chancela da Warner Brothers Records, os The Flaming Lips de Wayne Coyne estão de regresso com King's Mouth, um registo de doze canções que a banda assume ser um álbum conceptual baseado no estúdio de arte com este nome que esta banda de Oklahoma abriu há quatro anos e que tem com uma das principais atrações que os visitantes podem usufruir, um espetáculo de luzes LED de sete minutos que falam de um rei gigante bebé que quando cresceu fê-lo de tal modo que sugou para dentro da sua enorme cabeça todas as auroras boreais.

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King’s Mouth, o décimo quinto disco da carreira dos The Flaming Lips, lançado no âmbito da edição deste ano do Record Store Day, é sobre este rei disforme que morre quando tenta salvar o seu reino de uma avalanche de neve apocalíptica, acabando por sucumbir no meio dela. Após a morte, a sua cabeça enorme transforma-se numa espécie de fortaleza de aço pela qual os seus súbditos podem trepar e entrar pela boca, chegando, assim, às estrelas enquanto contemplam toda a imensidão de luzes e cores que em vida esse rei sugou enquanto se tornava maior e atingia a maioridade.

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Dado este mote lírico, incubado pela mente de um Coyne que é, claramente, um dos artistas mais criativos do cenário indie contemporâneo, a componente musical começou com uma mescla de sons e melodias abstratas que acabaram por se transformar num disco, apesar de esses não serem os objetivos iniciais do grupo. Mick Jones dos Clash e o coletivo Big Audio Dynamite narrariam as melodias e a história acima, descrita sucintamente, mas a verdade é que um mês depois de os The Flaming Lips colocarem mâos à obra estava pronto um álbum que acaba por nos oferecer mais uma verdadeira orgia lisérgica de sons e ruídos etéreos que nos catapultam, em simultâneo, para duas direções aparentemente opostas, a indie pop etérea e psicadélica e o rock experimental.

De facto, nas cordas de Sparrow, nos efeitos etéreos e nas nuvens doces de sons que parecem flutuar em Giant Baby, na suavidade flourescente de How Many Times, na sombria agregação de ruídos e samples que abastecem Electric Fire, na inflamante rugosidade do baixo e das distorções que vagueiam por Feedaloodum Beedle Dot e, principalmente, na cósmica puerilidade de All For The Life Of The City, somos convidados a contemplar um extraordinário tratado de indie pop etérea e psicadélica. Tendo esta natureza hermética, King's Mouth afirma-se num bloco de composições que são mais do que partes de uma só canção de enormes proporções, porque além de existir neste alinhamento diversidade e heterogeneidade, cada composição tem um objetivo claro dentro da narrativa, compartimentando-a e ajudando assim o ouvinte a perceber de modo mais claro toda a trama idealizada.

King's Mouth conduz-nos, então, numa espécie de viagem apocalíptica, onde Coyne, sempre consciente das transformações que foram abastecendo a musica psicadélica, assume o papel de guia e conta-nos uma história simples, mas repleta de metáforas sobre a nossa contemporaneidade, servindo-se ora de composições atmosféricas, ora de temas de índole mais progressiva e agreste e onde também coabitam marcas sonoras feitas com vozes convertidas em sons e letras e que praticamente atuam de forma instrumental. No final, tudo é dissolvido de forma aproximada e homogénea, através de sintetizadores cósmicos e guitarras experimentais, sempre com enorme travo lisérgico, num resultado final que ilustra na perfeição o cariz poético dos The Flaming Lips, um grupo ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade e sempre capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-los para cenários complexos, mas repletos de sensações únicas que só eles conseguem transmitir. Espero que aprecies a sugestão...

The Flaming Lips - King's Mouth

01. We Dont Know How a´And We Don’t Know Why
02. The Sparrow
03. Giant Baby
04. Mother Universe
05. How Many Times
06. Electric Fire
07. All For The Life Of The City
08. Feedaloodum Beedle Dot
09. Funeral Parade
10. Dipped In Steel
11. Mouth Of The King
12. How Can A Head


autor stipe07 às 14:49
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Sexta-feira, 12 de Abril de 2019

Tunng – Heatwave

Tunng - Heatwave

Alguns meses depois do excelente Songs You Make At Night, disco que chegou aos escaparates no verão passado à boleia da insuspeita Full Time Hobby, o coletivo britânico Tunng, que está a comemorar década e meia de uma respeitável carreira, onde tem misturado com uma ímpar contemporaneidade e bom gosto eletrónica e folk, volta a dar notícias com Heatwave, o primeiro avanço para This Is Tunng… Magpie Bites and Other Cuts, um disco de raridades e lados b que a banda atualmente formada por Mike Lindsay, Sam Genders, Ashley Bates, Phil Winter, Becky Jacobs e Martin Smith, prevê lançar no final do próximo mês de junho.

Tema vibrante, alegre e solarengo, Heatwave impressiona logo pela vasta pafernália de sons e detalhes sintéticos e orgânicos que o preenchem, camada após camada, sendo uma excelente canção para se perceber, de modo particularmente belo e impressivo, a materialização de toda a riqueza e heterogeneidade estilística que tem conduzido as mais recentes propostas sonoras dos Tunng. Confere...


autor stipe07 às 18:16
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Quinta-feira, 11 de Abril de 2019

Tame Impala - Borderline

Tame Impala - Borderline

Cerca de quatro anos após Currents e a testar os limites da nossa paciência devido a tão prolongado hiato, eis que os australianos Tame Impala de Kevin Parker voltam, finalmente, a dar sinais de vida com o anúncio praticamente certo de um novo disco ainda este ano.

De facto, depois de há algumas semanas nos terem brindado com o tema Patience, agora chegou a vez de ficarmos a conhecer a canção Borderline, que foi apresentada em primeira mão no famoso programa de televisão norte-americano Saturday Night Live. A mesma gravita em redor de um teclado inspirado, em redor do qual se insinua a bateria, diversos encaixes eletrónicos, uma guitarra indulgente e o habitual registo vocal ecoante, num resultado final algo melancólico e espiritual e onde, como é norma no projeto, rock, eletrónica e psicadelia dão as mãos dentro de um espetro eminentemente pop. Confere...


autor stipe07 às 23:07
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Terça-feira, 26 de Março de 2019

Fujiya And Miyagi – Flashback

Fujiya And Miyagi - Flashback

Com já uma década e meia de atividade e assumindo-se, à boleia de um já vasto e riquíssimo catálogo discográfico, como um dos projetos mais relevantes do cenário indie britânico, pelo modo exímio como misturam alguns dos melhores aspetos do rock alternativo com a eletrónica de cariz mais progressivo, os Fujiya And Miyagi resolveram o ano passado revisitar Transparent Things, o disco que editaram há pouco mais de uma dúzia de anos, que continha clássicos do calibre de Ankle Injuries, Collarbone ou Photographer e que os lançou para o estrelato. Agora, um ano depois dessa reedição em vinil do primeiro álbum da banda, os Fujiya And Miyagi lançam-se num novo registo de originais, um trabalho intitulado Flashback, que irá ver a luz do dia no final de maio à boleia da Red Eye Records. Será um disco com sete canções e bastante inspirado na adolescência de David Best e Stephen Lewis, os dois grandes mentores dos Fujiya And Miyagi e das memórias que guardam da Brighton em que cresceram, nos arredores de Londres e do período aúreo do eletro pop e do breakdance em plenos anos oitenta, época em que na Iglaterra trabalhista de Tatcher era cool usar fatos de treino da Nike, sapatilhas da Adidas e saber rodopiar no chão com estilo.

Deste novo álbum dos Fujiya And Miyagi já se conhece o tema homónimo, uma canção que retrata com elevado grau de impressionismo todo o ideário do disco acima referido, através da simbiose entre as batidas graves e palmas, a voz sussurrada de Best e o groove de um teclado retro, ao qual se juntam amiúde efeitos metálicos percurssivos com uma declarada essência vintage. Para já, o single esclarece que David Best, Stephen Lewis, Ed Chivers, Ben Adamo e Ben Farestuedt mergulharão uma vez mais a fundo, dentro da filosofia do trabalho, numa mescla entre electropop, disco e o clássico krautrock alemão setentista. Confere Flashback e o alinhamento e o artwork do disco que terá, como já disse, o mesmo nome...

fujiya miyagi flashback new album cover artwork

01. Flashback
02. Personal Space
03. For Promotional Use Only
04. Fear of Missing Out
05. Subliminal
06. Dying Swan Act
07. Gammon


autor stipe07 às 10:50
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Domingo, 24 de Março de 2019

Tame Impala – Patience

Tame Impala - Patience

Cerca de quatro anos após Currents e a testar os limites da nossa paciência devido a tão prolongado hiato, eis que os australianos Tame Impala de Kevin Parker voltam, finalmente, a dar sinais de vida com Patience, tema que deverá fazer parte de um novo disco deste coletivo que tem na nostalgia e no modo como apresenta com uma contemporaneidade invulgar alguns sons do passado, importantes pedras de toque da sua filosofia sonora.

Esta canção Patience não foge à bitola concetual anteriormente descrita já que nos seus quase cinco minutos acomoda-se num rock psicadélico sonoramente sustentado numa guitarra mágica de forte índole setentista e que se manifesta com um charme vintage único e em constantes encaixes eletrónicos, detalhes aos quais se junta o já habitual almofadado conjunto de vozes em eco, num resultado final em que rock, eletrónica e psicadelia dão as mãos dentro de um espetro eminentemente pop. Confere...


autor stipe07 às 10:48
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Quarta-feira, 20 de Março de 2019

Mating Ritual – U.N.I.

Mating Ritual - U.N.I.

Menos de um ano do lançamento de Light Myself On Fire, o projeto Mating Ritual do músico californiano Ryan Marshall Lawhon e do seu irmão Taylor Marshall, que planeia nos próximos cinco anos lançar o mesmo número de alinhamentos de canções, está de regresso aos discos já em maio com um trabalho intitulado Hot Content, que será o terceiro registo de originais da dupla e que verá a luz do dia a dez de maio à boleia da editora Smooth Jaws, pertença do próprio Ryan.

U.N.I. é o primeiro single divulgado de Hot Content, uma composição assente numa guitarra efusiante e num baixo imponente, cordas que se aliam a a sintetizadores de elevado cariz retro, com efeitos que disparam em diferentes direções, uma míriade instrumental que aconchega o timbre sintético vocal de Ryan, numa toada que tem tanto de sexy como de robótico e que nos clarifica que vira aí mais um disco que poderia muito bem ter sido congeminado algures no início da década de oitenta e no período aúreo do disco sound. Confere...


autor stipe07 às 15:46
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Sexta-feira, 15 de Março de 2019

Helado Negro – This Is How You Smile

Pouco mais de dois anos após o excelente Private Energy, o projeto Helado Negro, liderado por Roberto Carlos Lange, um filho de emigrantes equatorianos, radicado nos Estados Unidos, está de regresso com This Is How You Smile, o seu sexto longa duração. Falo de doze belíssimas canções que plasmam mais um momento marcante deste músico sedeado em Brooklyn, um disco onde Lange amplia as suas experimentações com samples e sons sintetizados de modo a replicar uma multiplicidade de referências sonoras, desta vez em busca de ambientes mais intimstas e acolhedores, que encarnam na perfeição o espírito muito particular e simbólico da música de Helado Negro.

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Projeto que me é muito querido, Helado Negro tem conduzido o seu percurso musical sempre em busca da mescla entre aa especificidade sonora centro-americana, muito marcada por percurssões vibrantes e cordas de forte pendor orgânico, com a melhor eletrónica ambiental contemporânea. E de facto, se logo em Please Won't Please, uma sublime sapiência sintética e uma incontida sensação de relaxamento e conforto apoderam-se imediatamente do ouvinte, nos acordes de Imagining What To Do, é fácil viajarmos para as areias calientes do caribe. Depois planamos com os samples dos sons tipicamente sul americanos que adornam os teclados e os sopros ariscos de Fantas, e ficamos prontos para ao som da viola que conduz Pais Nublado, para levantar o nosso olhar para o horizonte sem deixar de querer alargar o diâmetro da nossa anca, possuída, sem dono e com vontade própria, porque ela não resiste a acompanhar, subtilmente, uma canção que fala que vai subindo de intensidade e emoção enquanto provoca igual efeito na temperatura do nosso corpo, que volta a estabilizar ao som do delicado piano que sustenta Running, um tema com forte pendor temperamental e com um ambiente único, feito de nostalgia, mas também de cor, de sonho e de sensualidade. Sabana de Luz é outra composição com um efeito soporífero que convida aquela intimidade que força o pensamento à divagar, mas sem deixar que o mesmo resvale para memórias menos felizes.

É assim a música de Helado Negro, intensa, palpável, urbana e dominada por um pendor acústico e tipicamente latino, mas com a eletrónica em forma de dream pop de cariz lo fi e etéreo e que incluí também travos deR&B, a ser cada vez mais um veículo privilegiado no processo de composição. Nela sente-se facilmente aquele aspeto geográfico e ambiental tão sul americano em que cidade, praia e floresta tropical amiúde se fundem, neste caso num registo com uma elevada vertente autobiográfica, já que nele Lange desabafa sobre experiências individuais da sua infância e juventude. O músico apresenta muito esta filosofia interpretativa, no que concerne à escrita das suas canções, mostrando, sem receios, ser alguém positivamente obcecado pela evocação de memórias passadas e, principalmente, pela concretização sonora de sensações, estímulos, reacções e vivências cujo fato serve a qualquer comum mortal.

Cada vez mais confiante, inspirado e multifacetado, Lange continua a aventurar-se corajosamente na sua própria imaginação, construída entre o caribe que o viu nascer e a América de todos os sonhos. Neste This Is How You Smile contorna, mais uma vez, todas as referências culturais que poderiam limitar o seu processo criativo para, isento de tais formalismos, compilar com música, história, cultura, saberes e tradições, num pacote sonoro cheio de groove e de paisagens sonoras que contam histórias que Helado Negro sabe, melhor do que ninguém, como encaixar. Espero que aprecies a sugestão...

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01. Please Won’t Please
02. Imagining What To Do
03. Echo For Camperdown Curio
04. Fantasma Vaga
05. Pais Nublado
06. Running
07. Seen My Aura
08. Sabana De luz
09. November 7
10. Todo Lo Que Me Falta
11. Two Lucky
12. My Name Is For My Friends


autor stipe07 às 18:17
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