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Malaboos - Nada Cénico

Domingo, 18.07.21

Projeto com cinco anos de existência, os Malaboos são formados por Diogo Silva (Guitarra e Voz), Ivo Correia (Bateria, Voz e Sintetizador) e Rui Jorge (Baixo), um trio que é fruto de um entendimento musical e uma ligação pessoal muito vincada. Inauguraram o cardápio com dois EPs, Plântula e Matuta, trabalhos que permitiram ao grupo partilhar cartaz e palcos variados com artistas de renome e ganhar uma já apreciável reputação no universo indie nacional.

Malaboos antecipa novo disco “Nada Cénico” com videoclip – ineews the best  news

Depois desta auspiciosa estreia, rapidamente o grupo percebeu que dois mil e vinte e um era o momento certo de avançar para o passo seguinte, o disco de estreia. Chama-se Nada Cénico, viu a luz do dia no final do passado mês de maio e logo no punk rock majestoso e eloquente de Cavaco o ouvinte mais perspicaz percebe que tem nas mãos um registo que explora a simbiose entre a dureza, crueza e robustez do Rock Avant-Garde com a delicadeza e experimentalismo do Art-Rock,.

De facto, o press release de divulgação prometia que Nada Cénico iria conter uma fusão de belos riffs, com pesados e marcados beats de bateria. E a verdade é que neste disco somos constantemente esmurrados, no bom sentido da palavra, por uma inteligente crueza, trespassada por uma filosofia experimentalista muito alicerçada num modus operandi tipicamente jam,. Nele, e cintuando a citar o press release porque faz uma análise assertiva do conteúdo e desarma qualquer crítico mais experimentado, as constastes oscilações de dinâmicas e mudanças abruptas de tempo estabelecem o limbo entre a calma e o caos, sentimentos que causam um agradável massacre psicológicoQuando não há nada, encontra-se sempre mais do que se estaria à espera. Entre paisagens desprovidas de sentimento mas providas de textura, encontra-se o nosso refúgio. A filosofia destrutiva e pessimista da interpretação (escute-se Tudônada) é camuflada com entoações e melodias cantantes tornando assim este álbum num exercício enfático de  enaltecimento e ampliação do que é humano, desde os sentimentos mais banais até aos mais invulgares, tornando-se assim um lugar seguro para a libertação de emoções e da viagem conjunta pela solidão constante presente em nósEste álbum é uma tela em branco, fica ao encargo do espectador delinear o seu próprio percurso durante esta viagem atribulada, entre paisagens verdejantes, ao encanto do mar até ao fundo de um escuro poço. Tudo é possível, tudo é válido, tudo e nada coexiste no mesmo universo auditivo, criando assim a possibilidade de uma mancha abstrata no nosso mundo utópico. Espero que aprecies a sugestão...

YouTube https://www.youtube.com/c/MALABOOS/featured
Spotify https://open.spotify.com/artist/0Jb1nrRjiY3JwRk2esf2ew?si=_gy7ACzHSsSvFKFh3vfXWA
Bandcamp Music | Malaboos (bandcamp.com)
Instagram https://www.instagram.com/malaboosmalaboos/
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publicado por stipe07 às 21:04

Um Corpo Estranho - Mavorte

Sexta-feira, 25.06.21

Foi em dois mil e dezanove que a nossa redação apresentou o projeto nacional sedeado em Setúbal chamado Um Corpo Estranho, formado por Pedro Franco e João Mota. Na altura a nossa redação teve o privilégio de ouvir antecipadamente o extraordinário disco Homem Delírio, na altura o terceiro registo de originais do projeto e que sucedia aos trabalhos De Não Ter Tempo (2014), que contou com a participação de Celina da Piedade e incluia uma versão de um tema da Madredeus e Pulso (2016), considerado por alguma imprensa especializada como um dos melhores discos nacionais desse ano (Santos da Casa RUC, Certeza da Música, No Sólo Fado).

Um Corpo Estranho lançam tema "Mavorte" com A Garota Não - MIP Música

Agora, no início do verão de dois mil e vinte e um, os Um Corpo Estranho voltam à carga, novamente abrigados pela editora independente Malafamado Records, com um novo single intitulado Mavorte, uma canção que conta com a participação da também setubalense Cátia Mazari Oliveira, responsável pelo projecto A Garota Não. O tema foi produzido por Sérgio Mendes, guitarrista e produtor de A Garota Não, mas também habitual colaborador dos Um Corpo Estranho, tendo sido ele quem produziu o já referido Homem Delírio.

De acordo com a própria dupla, Mavorte, composição que reflete sobre diversas dualidades e que nos deslumbra não só pelas cordas, mas também pelo jogo vocal bastante impressivo e realista, é um tema pessoal que nasce da análise de relações e vivências passadas, que fala de amor e de perdão mas também de auto-superação.

Mavorte já tem direito a um lindíssimo vídeo produzido pelas produtoras Souza Filmes e Garagem e realizado por António Aleixo, vencedor de vários prémios nacionais e internacionais entre os quais um prémio Sophia há dois anos. Confere...

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publicado por stipe07 às 18:11

Cassete Pirata - Pirâmide

Segunda-feira, 07.06.21

Tem feito furor no principal canal da estação pública de televisão uma série intitulada Até Que A Vida Nos Separe, da autoria de João Tordo, Tiago R. Santos e Hugo Gonçalves, realizada por Manuel Pureza e que, sem vilões, nos oferece histórias originais e contemporâneas, todas elas unidas pela magia do amor. Esta produção nacional é abrilhantada sonoramente pelos Cassete Pirata, um grupo formado por João Firmino (Pir), autor das canções, Margarida Campelo e Joana Espadinha, que comandam as teclas e o coro, António Quintino, à frente do baixo e João Pereira aos comandos da bateria e que nasceu da vontade de escrever e descobrir novas canções em português, num regresso ao que todos possamos ter de tronco comum de referências, de paisagens, de sons e através da nossa língua.

Cassete Pirata grava LP de estreia em 2018 – Glam Magazine

Com a pandemia como pano de fundo e a consequente paragem total da actividade cultural no país, os Cassete Pirata mantiveram-se ativos e resilientes. Assim, depois do lançamento deste single A Próxima Viagem, que faz parte do genérico de Até Que A Vida Nos Separe, o grupo anuncia que está em fase de produção e criação o seu próximo disco que tem como título A Semente e que propõe um olhar sobre o momento em que vivemos enquanto civilização. De acrodo com o press release deste anúncio, pela primeira vez, como espécie, temos uma percepção mais palpável de um certo precipício inerente ao nosso estilo de vida. Este tem trazido uma sensação de fim de linha, de doença lenta e invisível que a médio e longo prazo nos vai lembrando e concretizando a efemeridade da vida e do modo como a levamos.

Pirâmide é o primeiro single retirado do alinhamento de Semente, uma canção luminosa e imponente, de forte travo psicadélico e na qual sobressai uma guitarra abrasiva que é depois amaciada por um vasto arsenal de efeitos e detalhes, das mais diversas proveniências e que João Firmino descreve, deliciosamente, do seguinte modo: Lembro-me de ser miúdo e de na escola me ter deparado com um desenho de um triângulo que desvendava a estrutura de uma sociedade profundamente injusta, onde no topo se via uma classe dominante que acumulava uma imensa quantidade de poder e riqueza em oposição a uma outra, que a suportava num contexto de miséria e escravatura. Essa imagem e a sensação de injustiça que a imortalizou na minha memória ficaram para sempre. As últimas décadas trouxeram lutas e discussões ferozes para descobrir, em democracia, como resolver ou dissolver essa estrutura. O que fica é: mudaram os actores mas a Pirâmide mantêm-se. Confere...

 

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publicado por stipe07 às 10:02

Malaboos - Nascente

Quarta-feira, 12.05.21

Projeto com cinco anos de existência, os Malaboos são formados por Diogo Silva (Guitarra e Voz), Ivo Correia (Bateria, Voz e Sintetizador) e Rui Jorge (Baixo), umtrio que é fruto de um entendimento musical e uma ligação pessoal muito vincada. Já têm no cardápio dois EPs, Plântula e Matuta, trabalhos que permitiram ao grupo partilhar cartaz e palcos variados com artistas de renome e ganhar uma já apreciável reputação no universo indie nacional.

Malaboos - CORTE (Estreia Exclusiva) - Wav

É, pois, o momento certo de avançar para o passo seguinte, o disco de estreia. Chama-se Nada Cénico, irá ver a luz do dia no final do presente mês de maio e explora a simbiose entre a dureza, crueza e robustez do Rock Avant-Garde com a delicadeza e experimentalismo do Art-Rock, sendo um registo que, de acordo com o press release de divulgação, contém uma fusão de belos riffs, com pesados e marcados beats de bateria. Nele, as constastes oscilações de dinâmicas e mudanças abruptas de tempo estabelecem o limbo entre a calma e o caos, sentimentos os quais causam um agradável massacre psicológico. Quando não há nada, encontra-se sempre mais do que se estaria à espera. Entre paisagens desprovidas de sentimento mas providas de textura, encontra-se o nosso refúgio. A filosofia destrutiva e pessimista da interpretação é assim camuflada com entoações e melodias cantantes tornando assim este álbum. Assim, Nada Cénico enaltece e exagera todos sentimentos humanos, desde os mais banais até aos mais invulgares, tornando-se assim um lugar seguro para a libertação de emoções e da viagem conjunta pela solidão constante presente em nós. Este álbum é uma tela em branco, fica ao encargo do espectador delinear o seu próprio percurso durante esta viagem atribulada, entre paisagens verdejantes, ao encanto do mar até ao fundo de um escuro poço. Tudo é possível, tudo é válido, tudo e nada coexiste no mesmo universo auditivo, criando assim a possibilidade de uma mancha abstrata no nosso mundo utópico

Nascente é o primeiro single retirado do alinhamento de Nada Cénico, uma composição quente e na qual os delays da guitarra atuam como as crescentes marés na areia. Nela, as notas fluem como o desenrolar das ondas, o baixo afirma um andamento dançante e vibrante e a bateria estabelece a marcha da música até à explosão caótica final. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:01

Senhor Jorge - sr. jorge

Sexta-feira, 30.04.21

Beirão de origem e fadista por paixão, Senhor Jorge Novo é o cabeça de cartaz de um projeto que tem as suas raízes na Igreja da Misericórdia de Viseu. Nela, há pouco mais de dois anos, Rui Sousa (Dada Garbeck), João Pedro Silva (The Lemon Lovers) e Gonçalo Alegre (Galo Cant’às Duas) conheceram este Sr. Jorge Novo, sacristão, ex-lapidador de diamantes e ele próprio uma preciosidade escondida que rapidamente conquistou o coração de quem o ouviu. Foi desse encontro inesperado e feliz, foi dessa surpresa e dos afetos que ela desencadeou, que nasceu este projeto e o E.P. sr. jorge, exercício generoso de troca e de diálogo criativo entre universos artísticos que, frequentemente, estão condenados a viverem separados.

Senhor Jorge assinala edição de EP com videoclip “Palhaço” – Glam Magazine

sr. jorge viu a luz do dia a nove de abril e, sendo um dos lançamentos nacionais mais curiosos desta primeira metade do ano, merece dedicada audição não só pelo cariz inusitado que lhe deu origem, mas também, e acima de tudo, pelo seu notável conteúdo. É um alinhamento de cinco canções imperdíveis, pouco mais de dezoito minutos intensos, concebidos com uma abordagem sonora de forte cariz experimental, claramente etérea e envolvente mas ao mesmo tempo fresca, pop, viciante e catalisadora. A ela junta-se, como refere José Soeiro, responsável pelo press release do lançamento, a voz vivida e emocionante do Sr. Jorge., numa espécie de lamento musicado sobre um passado que já foi, sobre um presente de saudade e de desencanto, sobre o envelhecimento e a perda, as alegrias e as tristezas, a memória das gargalhadas, dos desesperos e das paixões. Temos o amor – e sempre, implacável, o tempo. Temos, acima de tudo, o efeito de múltiplos e fecundos encontros cujo resultado agora se oferece à nossa fruição. Só temos de agradecer e aproveitar.

De facto, canções como Cobertor, tema que nos ensina que por vezes, um amor é tão profundo que, para conforto do outro, consegue conter a urgência de repreender, Palhaço, composição que, na óptica de Pedro Bastos, realizador do vídeo do tema, nos mostra o quanto somos uns palhaços nesta vida sempre que hesitamos (e se eu tivesse ido antes por ali...?), ficamos marcados pelo tempo que não aproveitámos, ou tornamo-nos descartáveis, quando deixamos de ser essenciais, são verdadeiros compêndios de pop experimental contemporânea, ao mesmo tempo que comprovam que aquilo que é aparentemente díspar e inconciliável, pode, afinal, coexistir, subliminar-se e originar algo único e distinto e, por isso mesmo, imperdível. Espero que aprecies a sugestão...

Facebook: https://www.facebook.com/ossenhorjorge

Instagram: https://www.instagram.com/ossenhorjorge/

Soundcloud: https://soundcloud.com/user-45507788

Bandcamp: https://senhorjorge.bandcamp.com/album/senhor-jorge 

YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCtKW9hos6tYZYLB0JdKv_ZQ/videos

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publicado por stipe07 às 11:16

Andrage - Andrage

Segunda-feira, 19.04.21

Margarida Marques (Voz), Daniel Gouveia (Trompete), Humberto Dias (Bateria), João Heliodoro (Saxofone Tenor), José Rego (Baixo) e Pedro Campos (Guitarra), são os Andrage, uma banda que começou o seu percurso em dois mil e dezassete e cujo nome é inspirado numa planta nativa do território Alentejano, uma escolha que se deve ao facto de grande parte dos elementos da banda serem naturais do Baixo Alentejo. Esta planta acaba por servir de metáfora para a filosofia interpretativa do grupo, que se assume como detentor de ideias delicadas à superfície mas bem firmes desde a baseNa passada sexta-feira, dia dezasseis de abril, chegou aos escaparates Andrage, o novo trabalho homónimo do grupo, um alinhamento de oito canções gravadas e masterizadas por Bruno Xisto nos estúdios Black Sheep Studios em Sintra e com a chancela da Throwing Punches.

Andrage a uma só voz - bodyspace.net

Disco que se escuta de fio a pavio com um sorriso sincero e instintivamente feliz nos lábios, Andrage está encharcado de composições diversificadas e acessíveis, repletas de melodias orelhudas e que, tendo sido alvo de uma produção aberta e notoriamente inspirada, proporcionam-nos um baquete sonoro de forte cariz eclético e ímpar abrangência. Entre o rock e o jazz, neste deslumbrante festim de sons, cadências rítmicas e dissertações melódicas, é vasta a fusão de estilos e tiques, não só por causa de um arsenal instrumental feliz e que, além das habituais cordas, tem nos sopros e nas teclas elementos preponderantes na indução de emotividade, cor e substância aos temas, mas também devido a um registo vocal sem meios termos e constantemente nos píncaros da emotividade.

De facto, o abraço indulgente entre a guitarra e o saxofone em So Wrong, a subtileza dilacerante de Sign, o ambiente festivo de Getting Wild, uma composição assente em sons inteligentes e solidamente construídos, que nos emergem num universo carregado de batidas e ritmos que não deixam de exalar um certo erotismo, o travo glam de Wasting Time e o vigor rítmico que o baixo impôe em Stuck e que nunca resvala, são provas concretas da excentricidade dos Andrage e da rara graça como os seus membros combinam e manipulam, com sentido melódico e lúdico, a estrutura de uma canção, no fundo, um esforço indisciplinado, infantil, amiúde feito de improviso e claramente emocional, que sobrevive num universo subsónico e contrastante, que parece falar-nos ao ouvido e à anca de sonhos, de liberdade e de redenção.

Andrage é, pois, um disco que exala amadurecimento por todos os poros, uma firmeza artística assente num impecável trabalho de produção que permite que todo o arsenal instrumental utilizado pelos autores tenha o seu protagonismo no tempo certo, em suma, um verdadeiro banquete requintado, sedutor e repleto de charme, um oásis de cor e luz que evoca ambientes sonoros repletos de nostalgia, mas que, simultaneamente, também soam de uma forma muito nova e refrescante. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 11:54

YAGMAR - Mítica Luz

Sexta-feira, 16.04.21

Os lisboetas YAGMAR (You Actually Gave Me A Ride) têm já uma carreira com interessante longevidade, mas só começaram a dar realmente nas vistas há cerca de dois anos com o EP Amargo, o segundo da banda, um registo que levou a banda a muitos palcos deste país e a fazer parte da colectânea Fnac Novos Talentos 2019. Acabaram por tocar no festival com o mesmo nome e também no Super Bock em Stock, em dois mil e dezanove. No início do ano passado arregaçaram as mangas para incubar o primeiro longa duração, com a ajuda do produtor e engenheiro de som Vitor Carraca Teixeira, conhecido pelo seu trabalho com nomes emergentes e já consolidados do panorama musical em Portugal como Dream People, Meses Sóbrio, Vila Martel, Left., entre outros, refugiando-se no seu estúdio para criar um disco que terá o nome de Homem Severo e que vê a luz dentro de dias.

Yagmar antecipam edição do primeiro LP “Homem Severo” com single “Mítica Luz”  – Glam Magazine

Homem Severo terá um alinhamento de oito composições que, por premonição ou não, se tivermos em conta o atual período pandémico que vivemos, acabam por se adequar a estes tempos conturbados e ao estado de espírito que de algum modo nos assalta quase todos e que está cheio de interrogações e ansiedades. Sonoramente, será, certamente, um flirt aos ritmos africanos acompanhados de melodias de outras regiões, tal como sucedeu nos EPs anteriores, mas com outra maturidade e acuidade melódica.

Há sempre algo que nos guia nos momentos de aperto, aquilo que nos faz ter perseverança e lutar contra os momentos desafortunados desta vida. É este o mote de Mítica Luz, o mais recente tema retirado do alinhamento de Homem Severo, um turbilhão melódico e rítmico mas que, por vezes, nos deixa respirar. Confere....

Facebook: https://www.facebook.com/yagmarband/

Instagram: https://www.instagram.com/yagmar.jovem/

YouTube: https://www.youtube.com/channel/UC9iIEutk-qrsKOMI6Fy-kZw

Soundcloud: https://soundcloud.com/user-556339908

Spotify: https://open.spotify.com/artist/4MH8poPCB7vchDU77AG6C8?si=O4ZxyirjRw6hXK2F8ktHdg

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publicado por stipe07 às 14:36

Perpétua - Esperar Pra Ver

Sexta-feira, 02.04.21

Diogo, Rúben e Xavier têm arraiais montados no nosso distrito e conheceram-se ainda muito jovens numa escola de música na Gafanha da Nazaré, em Aveiro, onde lançaram as sementes de um interessantíssimo projeto nacional que ainda vai dar muito que falar, aposto, chamado Perpétua. Depois, o Diogo conheceu a Beatriz no ensino secundário e há cerca de dois anos deram início a uma banda que aposta o seu modus operandi numa bateria marcante, um baixo cavalgante, guitarras afundadas em reverberação, uma voz suave e teclados que cosem tudo isto em paisagens sonoras imaginativas e frescas, repletas de refrões orelhudos e melodias doces que marquem pela diferença, prometendo, assim, uma jornada sonora memorável.

Perpétua revelam primeiro single “Condição” de disco de estreia “Esperar  Pra Ver” – Glam Magazine

Os Perpétua acabam então de se estrear nos discos com Esperar Pra Ver, um trabalho sempre pensado num formato indie, com influências declaradas como os Parcels ou Men I Trust e que foi composto e gravado no ano passado por todos os membros da banda, tendo sido depois produzido, misturado e masterizado pelo Rúben e pelo Xavier, com ajuda à produção da Beatriz e do Diogo.

O press release de lançamento do disco é exímio na sua análise e, por isso, nada melhor do que o citar. Assim, de acordo com o mesmo, em Esperar Pra Ver, escutamos expressões de vários subgéneros da música indie. Nas duas primeiras músicas, “Perdi a Cor” e “Manhãs Longas”, é notório um ambiente marcadamente disco que faz lembrar nomes como os já citados Parcels ou a banda francesa L’Impératrice. Aliado a isto nota-se também a influência da música portuguesa dos anos oitenta, sendo possível encontrar na voz e melodias da Beatriz ecos de algo que podia ter sido cantado pelas Doce ou por António Variações. “Condição”, “Lugar” e “Dores de Cabeça” distanciam-se do universo disco e assumem-se como músicas de pop alternativo, ligeiras no ouvido e fáceis de cantar, sendo que a “Dores de Cabeça” se aproxima mais a um registo de balada que pode fazer lembrar os trabalhos de Tim Bernardes. A bridge de “Condição” traz à tona a faceta mais psicadélica da banda, que também encontra no shoegaze e no dreampop fontes de inspiração. Esta inspiração é notória em “Grilos” e “Blockbuster”, cuja sonoridade remete para nomes como Turnover ou Beach Fossils. Estas músicas vivem da atmosfera e da repetição dos riffs, fazendo-os ecoar em loop na cabeça do ouvinte. “Falei de Cor” é a wildcard do álbum. É a canção da qual não se está à espera quando se ouve as anteriores. É a mais rockeira do grupo, que nesta reta final aciona as distorções e se entrega à confusão. O álbum termina com “Brisinha”, um fecho calmo depois da erupção que é a música anterior, procurando terminar esta viagem de forma suave, deixando no ar um tom nostálgico que, avise-se já, pode ter como consequência a potenciação da vontade de ouvir tudo outra vez.

As letras do disco retratam experiências normais e mundanas de cada um. O que as inspira são experiências vividas, contadas, percebidas e imaginadas. No entanto, estas barreiras esbatem-se, deixando a cargo do ouvinte o grau de reconhecimento que procure imprimir nelas. Falam e refletem sobre conforto, crescimento, perda e todo esse tipo de sentimentos com as quais alguém é confrontado ao longo da vida, na relação consigo ou com os outros. Há sempre um tom melancólico, nostálgico, mas esperançoso e expectante transversal ao longo das músicas. Espero que aprecies a sugestão...

 

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publicado por stipe07 às 20:51

Dream People - Almost Young

Sexta-feira, 19.03.21

Os Dream People são uma nova banda lisboeta formada por Francisco Taveira (voz), Nuno Ribeiro (guitarra), Bernardo Sampaio (guitarra), João Garcia (baixo) e Diogo Teixeira de Abreu (bateria), cinco jovens que procuram refletir na sua música a sua visão de um país belo mas pobre, onde ser músico tanto pode ser considerado um ato de coragem como de loucura. Abriram as hostilidades com um EP intitulado Soft Violence que nos oferecia um equilíbrio entre atmosferas sintéticas, que lembram algumas variações da dream pop, e uma componente de shoegaze melancólico. Esse trabalho já tem sucessor, um disco intitulado Almost Young, que vai realmente ao encontro das expetativas plasmadas no press release de antecipação, porque nos oferece uns Dream People mais maduros e confortáveis na busca de autenticidade e substância no seu trabalho.

Dream People Lançam Álbum “Almost Young” Com Listening Party | Arte Sonora

De facto, estes Dream People são mesmo uma banda de sonhadores em busca da realidade e que não renunciam pintá-la como ela é, cantando-a sem adornos, complexa e intrincada. É aí que reside a profundidade deste Almost Young, um alinhamento onde leveza e amor coabitam com a dor, a perda e a solidão, muitas vezes dentro do invólucro de uma só canção.

Assim, se Talking Of Love, um dos momentos maiores do disco aborda o conceito de perda da juventude e funciona como um lembrete da importância de, nesse caminho de transformação, se manter a essência daquilo que somos e de nunca se perder essa mesma liberdade de espírito, já People Think é mais optimista e até eufórica. Com uma vibe claramente oitocentista, contém uma letra confrontativa, em que se aponta o dedo a quem, com o decorrer da vida, se deixa tornar obsoleto e com a idade adulta cai numa rotina entorpecente e perde a sua própria essência, esquecendo-se da juventude. Aliás, esta ideia de abandono e de perda da juventude, é transversal a todo disco. Ela espelha receios e angústias dos cinco membros da banda: o receio da mudança de pele, da transformação. O receio de sair do ninho e aterrar no mundo real. A enorme angústia de se ser quase jovem mas não se poder voltar a sê-lo, porque esse tempo simplesmente não volta.

Almost Young é um disco sobre o fim de uma era. E é também, mais uma vez, um disco feliz e triste, que mesmo nos momentos altos esconde uma camada negra de melancolia e dor, só acessíveis ao ouvido mais atento. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 09:45

Dream People - Talking of Love

Quinta-feira, 11.03.21

Os Dream People são uma nova banda lisboeta formada por Francisco Taveira (voz), Nuno Ribeiro (guitarra), Bernardo Sampaio (guitarra), João Garcia (baixo) e Diogo Teixeira de Abreu (bateria), cinco jovens que procuram refletir na sua música a sua visão de um país belo mas pobre, onde ser músico tanto pode ser considerado um ato de coragem como de loucura. Abriram as hostilidades com um EP intitulado Soft Violence que nos oferecia um equilíbrio entre atmosferas sintéticas, que lembram algumas variações da dream pop, e uma componente de shoegaze melancólico. Esse trabalho já tem sucessor, um disco intitulado Almost Young, que vai ver a luz do dia amanhã e que, de acordo com as expetativas plasmadas no press release de antecipação, mostrará um grupo mais maduro, mais confortável consigo mesmo. Um grupo que, acima de tudo, busca autenticidade e substância no seu trabalho. Uma banda de sonhadores em busca da realidade e que não renuncia pintá-la como ela é, quer cantar a realidade sem adornos, complexa, intrincada. É aí que reside a profundidade do seu trabalho.

Dream People have just released People Think, the first single from Almost  Young, the Lisbon band's new album. | FrontView Magazine

Depois da divulgação do single People Think é, agora, e enquanto a redação de Man On The Moon, não se debruça afincadamente no conteúdo de Almost Young, confere, como aperitivo, Talking Of Love, um dos momentos maiores do disco e uma canção que, pelos vistos, e de acordo com o grupo, transparece o conceito chave do novo disco: o conceito de perda da juventude.A canção funciona como um lembrete da importância de, nesse caminho de transformação, se manter a essência daquilo que somos e de nunca se perder essa mesma liberdade de espírito.

De facto, e continuando a parafrasear o press release de Talking Of Love, esta é uma canção multidimensional e caleidoscópica, tal como o seu vídeo. A música parte de um ambiente quase industrial, num ritmo semelhante ao de uma linha de montagem, mas vai progressivamente abrindo-se e transformando-se num indie pop dançável e recheado de camadas que se vão complementando entre si. O resultado é uma autêntica jornada, em que o tema principal é a liberdade.

Francisco Taveira fala do tema como sendo um castelo de metáforas que remete para uma espécie de revolução. Uma revolução pessoal e intima, da liberdade individual e do espírito, pela qual todos deveríamos passar. Por essa razão, ainda que recorrendo a símbolos, fala-se de temas “menos confortáveis”, como o sexo e a religião e descreve-se a necessidade de abandono de todos os espartilhos e limitações que nos impedem de chegar àquilo que verdadeiramente queremos ser, à nossa verdade. Confere...

 

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publicado por stipe07 às 14:17






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