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Time For T - Manteiga

Quinta-feira, 16.07.20

Gravado, de acordo com a própria banda, durante o mais recente período de confinamento resultante da situação pandémica global e com início numa caravana que assentou arraiais nos arredores de Lagos, Simple Songs For Complicated Times é o novo EP dos Time For T, um projeto nacional mas com raízes em Inglaterra, mais concretamente em Brighton. Na sua génese está Tiago Saga, um jovem com genes britânicos, libaneses e espanhóis e que cresceu no Algarve. Enquanto estudava composição contemporânea na Universidade de Sussex, Inglaterra, Tiago Saga foi criando a sua própria sonoridade assente na world music e na folk rock anglo-saxónica com outros músicos que foi conhecendo e com quem foi partilhando as mesmas inspirações, nomeadamente Joshua Taylor, Felipe Bastos e Juan Toran, os seus parceiros nestes Time For T.

Manteiga" é o novo tema de Time For T - Altamont

Simple Songs for Complicated Times foi pensado, inicialmente, para ser uma coleção de canções feitas apenas com voz e guitarra, mas Saga acabou por pedir aos outros membros da banda e a alguns amigos que se encontravam em quarentena, para adicionarem as suas partes, porque cada um tinha a possibilidade de gravar em casa. O resultado é um tomo de canções feitas em português, inglês e espanhol e que irá ver a luz do dia a catorze de agosto próximo através da Street Mission Records.

Manteiga é o primeiro single divulgado do EP, um tema que fala da experiência pessoal de Tiago por voltar a viver em Portugal e, paralelamente, daquela situação onde todos nós já nos encontramos, quando estamos sem tempo ou energia para fazer tudo aquilo que queremos. Quando nos sentimos sufocados. A solução, na óptica do autor, é tentar exprimir o que se tem na cabeça, para cada um de nós se sentir confortável com aquilo que pode e não pode alcançar. Sonoramente, Manteiga balança num timbre luminoso de diversas cordas que se entrelaçam harmoniosamente com um jogo vocal repleto de interseções, uma salutar acusticidade, que nos oferece, de modo particuarmente impressivo e como a própria banda com clareza define bem melhor do que nós, um cardápio sonoro eclético que se abre em leveza aos hemisférios e meridianos, trazendo as praias, as florestas e os desertos à humanidade. Uma viagem imperdível à incandescência da música livre. É mesmo isto. Confere...

Créditos:

Letras & Musica - Tiago Saga

Voz & Guitarra - Tiago Saga

Teclas - Juan Toran

Baixo - Joshua Taylor

Banjo - Simone Carugati

Coros - Juan Espiga

Percussão - Felipe Bastos, Juan Toran & Tiago Saga

Produzido - Tiago Saga & Juan Toran

Misturado & Masterizado - Hugo Valverde 

Artwork - Naima Lili

Street Mission Records

 

Letra:

E as horas que passei passado da cabeça 

Dentro de segundos saem da ponta da caneta

Ai se eu soubesse mais cedo

Ai se eu soubesse mais cedo

A leveza de andar na rua, com o caderno cheio e a mente vazia 

Ai se eu soubesse mais cedo

Ai se eu soubesse mais cedo

 

Mas tu não sabes o que sabes até não saber

E as lições que a vida dá nem sempre são para aprender 

 

Oh não, no que é que eu me fui meter 

Muita manteiga para o meu pão 

Oh não, o que é que fui dizer

Estas desculpas não são em vão 

 

E o sol arde como ardia

Há 200,000 anos no distinto dia

Do nascer do macaco mais esperto

O homo sapiens não sabe nada é certo

Mas que humildade tenho eu?

De supor que sei como ocorreu

O que está no passado, dificilmente é desenterrado 

 

Mas tu não sabes o que sabes até não saber

E as lições que a vida dá nem sempre são para aprender 

 

Oh não, no que é que eu me fui meter 

Muita manteiga para o meu pão 

Oh não, o que é que fui dizer

Estas desculpas não são em vão 

Oh não, no que é que eu me fui meter 

Muita manteiga para o meu pão 

Oh não, o que é que fui dizer

Estas desculpas não são em vão 

 

Ai se eu, ai se eu, ai se eu soubesse mais

Se eu soubesse mais cedo isto não era assim

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publicado por stipe07 às 16:23

Birds Are Indie - Migrations – The Travel Diaries #1

Segunda-feira, 06.07.20

Já viu a luz do dia Migrations – The Travel Diaries #1, o quinto álbum dos conimbricenses Birds Are Indie de Joana Corker, Ricardo Jerónimo e Henrique Toscano, um registo de dez canções abrigadas pela Lux Records e que celebram a mesma quantidade de anos de um dos projetos nacionais mais queridos nesta redação, porque transmitem com as suas composições sonoras um rol de emoções e sensações únicas, sempre com intensidade e minúcia, mas também misticismo e argúcia e geralmente com uma serenidade extraordinariamente melancólica e bastante contemplativa.

Birds Are Indie apresentam "Migrations - the travel diaries #1 ...

Migrations – The Travel Diaries #1 tem a curiosidade de ver a luz do dia em duas edições distintas, uma em CD que surgiu nos escaparates em abril e outra em vinil, que chegrá lá para setembro. Ambos os formatos contam com a revisita de cinco canções da discografia anterior da banda, reinterpretadas e regravadas no estúdio Blue House, em Coimbra, mais cinco originais.

Com mistura e masterização de João Rui, todos os temas de Migrations– The Travel Diaries #1 tiveram a participação no baixo e em algumas teclas do convidado especial Jorri (a Jigsaw), que também colaborou na gravação. Liderar esse processo, como habitualmente, ficou a cargo de um elemento da banda, Henrique Toscano e o mesmo aconteceu com o artwork e o design, feitos pela mão da Joana Corker, modus operandi muito semelhante a Local Affairs, o registo que os Birds Are Indie editaram há dois anos atrás.

Uma década parece uma eternidade mas é um facto que parece que foi ontem que este lindíssimo projeto conimbricense deixou em sentido os mais atentos com a edição do EP Love Birds, Hate Pollen, um tomo de cinco canções que nos ofereceram, desde logo, tonalidades pop vibrantes de primeira água, tendo como grande elementos indutor de imensa magia e encantamento, as cordas. A partir daí, registo após registo, os Birds Are Indie foram dando passos consistentes num percurso que até nos foi habituando a algumas inflexões e salutares piscares de olho ao rock, ao blues e ao jazz, mostrando que o trio está sempre atento às novas tendências e disposto a manipulá-las em proveito próprio, dentro daquela indie folk assente em cordas exuberantes, melodias aditivas e arranjos inspirados, uma fórmula que cria um ambiente emotivo e honesto e que nunca descura um elevado espírito nostálgico e sentimental, duas caraterísticas bastante presentes na escrita e na composição deste grupo.

The Travel Diaries #1 é, no fundo, um registo de balanço de todo este percurso estilístico e conceptual, um trabalho que vagueia e passeia por estes dez anos, mas que também nos oferece algumas pistas importantes acerca do futuro do projeto. O single Black (or the art of letting go), que foi selecionado há alguns meses para nos entreabrir a portas de The Travel Diaries #1 contém, de facto, essa marca viajante sendo, sonoramente, uma composição que, como os próprios Birds Are Indie descrevem, mostra uma determinação materializada num ritmo tenso e intenso, em guitarras sujas e teclados acutilantes, ou seja, que acaba por fazer uma espécie de súmula de tudo aquilo que foi inspirando o projeto no processo de composição e que depois, na letra, nos permite contemplar, no imediato, uma ironia gerada pelo contraste, algo tão característico dos Birds Are IndieNo refrão e a terminar a música, ouve-se repetidamente: «I never said it's over, I'll never say I want you back». E é nesta decidida indecisão que se inicia mais uma viagem...

Em suma, a simplicidade com que os Birds Are Indie transmitem um rol sensações particularmente vasto e sem se preocuparem com o modo como possam ser catalogados, é, talvez, o maior atributo deste grupo, que também impressiona pela graça como os seus membros combinam e manipulam, com sentido melódico e lúdico, a estrutura de uma canção. Muitas vezes parece um esforço indisciplinado, infantil e claramente emocional, mas acaba por ser bem sucedido porque, entre a pop luminosa de I won't take it anymore ou a nostalgia de Time to make amends, além do rock vintage sessentista de Needless to Say e o de cariz mais jazzístico, audível nas teclas do piano que conduzem The senior dancer, sem descurar alguns aspetos essenciais do american rock, claramente esplanados em We're not coming down e na refrescante e encantadora Instead of watching telly, somos presenteados com diversos piscares de olho à história do rock nas últimas décadas, havendo sempre espaço para o sarcasmo e o humor que tão bem carateriza a dupla que lidera este projeto, conduzido por três inspirados músicos que se movem entre o preto, o branco e a cor, entre a luz e a sombra, entre a contenção e a explosão, entre a protecção oferecida pela tela e a crueza da máxima exposição. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 10:18

Dela Marmy - Flying Fishes

Segunda-feira, 29.06.20

Com um passado relevante no projeto The Happy Mess, Joana Sequeira Duarte aposta agora numa carreira a solo e assina o projeto Dela Marmy. Estreou-se o ano passado com a edição dos singles Empty PlaceStellarMari Wolf e Secretly Here, uma coleção de canções que viria a resultar num EP homónimo. Dela Marmy foi editado à boleia da KPRecords*KillPerfection, um alinhamento já com sucessor  e no mesmo formato. Captured Fantasy é o novo EP da cantora, tem também a chancela também da KPRecords*KillPerfection e viu a luz do dia a vinte e sete de março último, tendo sido destrinçado por esta redação pouco tempo depois, como certamente alguns de vocês se recordam.

Dela Marmy, em escuta Captured Fantasy EP - Música em DX

Captured Fantasy contém cinco canções e foi produzido pelo experiente produtor inglês Charlie Francis, uma opção que conferiu uma maior maturidade e consistência ao cardápio da autora, sem colocar em causa a puerilidade intrínseca à sua filosofia sonora. O EP também conta com as colaborações especiais da escritora e poetisa Raquel Serejo Martins, que credita a letra de Flying Fishes e o lyricist galês TYTUN que participa no introspetivo tema Take Me Back Home. Os músicos que acompanharam Dela Marmy em estúdio foram Vasco Magalhães (bateria), Tiago Brito, Steven Goundrey (guitarras) e o próprio Francis (baixo).

Todas as canções do registo são potenciais singles e, tal como já sucedeu com Not Real, ainda antes do alnçamento do EP, Flying Fishes, a canção que abre o alinhamento de Captured Fantasy, acaba de ter direito a tal nomeação, uma composição sustentada por um notável festim sintético que adorna uma inspirada guitarra planante e que, de acordo com a própria Joana Duarte, é propositadamente metafórica. É sobre peixes que voam. É sobre pássaros que nadam. É sobre o desamparo e o encontro. É sobre noites em que a solidão pesa mais. É sobre dois solitários que por uma noite, em bando, em cardume, se sentem menos sós.

De facto, cada composição do EP Captured Fantasy é uma pequena viagem que nos pede tempo, num resultado final tremendamente detalhístico, porque atenta às pequenas coisas, às pequenas histórias e ao marginal, um paradoxal compêndio de canções, já que todo este intimismo acaba por ter uma universalidade muito própria, visto ser um alinhamento passível de ser apropriado por qualquer comum mortal, que com o seu conteúdo facilmente se identificará. Confere...

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publicado por stipe07 às 15:39

Gary Olson - Gary Olson

Terça-feira, 09.06.20

Gary Olson é um notável cantor, compositor, escritor e multinstrumentista, que se destaca, no último atributo referido, aos comandos do trompete. Tem colocado em prática todos estes seus recursos na banda Ladybug Transistor, que lidera e com a qual já editou cinco discos à boleia da conceituada Merge Records. Mas Gary Olson também aposta numa carreira a solo, recentemente materializada num disco homónimo, que viu a luz do dia no final do passado mês de maio à boleia da Tapete Records e que resulta de uma colaboração estreita do músico com dois irmãos noruegueses, Ole Johannes Åleskjær, dono do estúdio Tune-J, situado nos arredores de Oslo e Jorn Åleskjær.

Também produtor e engenheiro de som nos estúdios Marlborough Farms, situados no bairro de Flatbush, em Brooklyn, nos arredores de Nova Iorque, Gary Olson e os irmãos noruegueses começaram a conjurar estes disco há já alguns anos quando a banda Loch Ness Mouse se cruzou com os Ladybug Transistor em digressão. A partir daí, a via de comunicação entre as duas partes ficou aberta, Gary fez algumas incursões à Noruega até ao estúdio dos irmãos para gravar, regressava a Flatbush onde acrescentava a voz e diversos arranjos aos temas, que tinham Ole aos comandos da guitarra e depois as composições iam novamente para a Noruega para serem concluídas.

Contando também com as participações de Håvard Krogedal (baixo, violoncelo), Emil Nikolaisen (bateria), Joe McGinty (arranjos de cordas, piano e órgão) e Suzanne Nienaber (voz), Gary Olson oferece-nos uma coleção de onze canções que impressionam pelo charme algo displicente, mas feliz, como parecem desprezar alguns dos arquétipos fundamentais da música atual, fazendo-o através de um clima sonoro que entre o rock clássico, a folk mais experimental e a pop charmosa, exala um travo algo boémio, fazendo-o com elevada sabedoria interpretativa e um realismo temático ímpar.

De facto, a radiosa luminosidade do timbre das cordas que conduzem e adornam Giovanna Please e, de um modo mais requintado, The Old Twin e o registo mais eletrificado e até algo progressivo de Some Advice, dentro de um indisfarçável espetro rock, são, dentro do registo, alicerces fundamentais de duas pontas do largo leque de influências e confluências que definem o conteúdo de Gary Olson, existindo em todas elas, como ponto comum, a segurar as pontas e a oferecer uma assinatura indistinta, o modo sagaz como o trompete induz vivacidade, cor e lineariedade a um alinhamento que se torna particularmente aprazível em dias festivos e descomprometidos, como seria de esperar num autor que sempre se fez notar por uma filosofia estilística de choque com convenções e normas pré-estabelecidas.

Sem perder tempo com o acessório e claramente a querer celebrar o momento, o imediato e o presente, Gary Olson vai direto ao assunto neste seu novo registo homónimo, fazendo-o com canções complexas e conversacionais e repletas de várias camadas sonoras que refletem uma variedade instrumental imensa, mas que que nos são dadas a apreciar em verdadeira plenitude, nesta contemporaneidade cheia de encruzilhadas e dilemas em que vivemos. Espero que aprecies a sugestão...

1. Navy Boats
2. Giovanna Please
3. Some Advice
4. Postcard From Lisbon
5. All Points North
6. Initials DC
7. Afternoon Into Evening
8. Diego It’s Time
9. A Dream For A Memory
10. Tourists Taking Photographs
11. The Old Twin

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publicado por stipe07 às 11:08

Kumpania Algazarra feat. Ikonoklasta - Actuality (Live at Azenhas do Mar)

Terça-feira, 26.05.20

O projeto Kumpania Algazarra, mestre na arte de transformar cada espectáculo na mais louca e inesquecível festa, nasceu nas ruas de Sintra em dois mil e quatro e confessa que estar frente a frente com o público faz parte da sua identidade desde o início. É ao vivo que a banda mostra a sua potência máxima. Saltimbancos por natureza, filhos da rua por destino, estes músicos apaixonados em permanente folia, trazem na bagagem quase duas décadas de estrada, palcos, romarias, festivais e festas, pondo sempre toda a gente a dançar.

Kumpania Algazarra | Festa do Avante! 2019 - 6, 7 e 8 de Setembro ...

De facto, os  Kumpania Algazarra trazem tatuadas na pele influências musicais de todas as cores, formas, geografias e latitudes, do ska ao folk, dos ritmos latinos ao funk e ao afro, do reggae às inebriantes melodias dos Balcãs. Enérgicos e vibrantes, já levaram a sua música aos quatro cantos do mundo, actuando em diversos países como a Bélgica, Itália, Suíça, Brasil, França, Espanha, Macau, Reino Unido, Sérvia, entre tantos outros.

O ano passado os Kumpania Algazarra comemoraram quinze anos de vida e para assinalar e celebrar a data, gravaram um álbum ao vivo onde reúnem temas de todos os discos editados até ao momento. O registo chama-se Live, vê a luz do dia a dezanove de junho e conta com a participação especial de Ikonoklasta (Luaty Beirão) no tema Actuality, o primeiro single do disco, com um vídeoclip gravado nas Azenhas do Mar.

Todos os temas foram gravados o ano passado em diversos concertos muito especiais de celebração destes quinze anos e cristalizam para sempre os momentos únicos vividos no palco na Festa do Avante, na Feira da Luz em Montemor-o-Novo, no MusicBox, nas Festas de São Lourenço nas Azenhas do Mar, no Festival do Caracol em Castro Marim e na Festa da Liberdade no Porto.

Para o final do ano avizinham-se ainda mais novidades. Uma delas é o lançamento de um álbum de remisturas produzidas por diversos artistas nacionais e internacionais durante o período de reclusão da pandemia. Confere...

Facebook: www.facebook.com/kumpaniaalgazarra

Instagram: https://instagram.com/kumpaniaalgazarra?igshid=1kyan6rg8n1ju

Bandcamp: https://kumpaniaalgazarra.bandcamp.com/album/kumpania-algazarra

Spotify: https://open.spotify.com/artist/1xGf7srdjaLe4ljYXlYUrt?nd=1

 

 

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publicado por stipe07 às 14:44

MOMO - Till the End of Summer Time

Quinta-feira, 21.05.20

MOMO é Marcelo Frota, um cantor e compositor brasileiro, mas a residir em Lisboa, que se estreou a solo em dois mil e seis com o aclamado registo A Estética do Rabisco, onze composições com fortes influências da herança do rock setentista que o país irmão produziu com particular abundância à quatro décadas atrás, em especial no nordeste. Seguiram-se mais quatro álbuns, que piscaram o olho a uma atmosfera mais acessível, sempre dentro de um espetro rock, os registos Buscador (2008), Serenade Of A Sailor (2011), Cadafalso (2013) e Voá (2017). Este último já teve sucessor, um trabalho intitulado I Was Told To Be Quiet, lançado no passado mês de outubro, no Brasil pelo selo LAB344, nos Estados Unidos pelo Yellow Racket Records e na Itália por Deusamora Records.

MOMO. lança single “Till the End of Summer Time” – Glam Magazine

Agora, pouco mais de meio ano depois do lançamento desse registo, MOMO está de volta com um EP que deverá chegar em pleno verão e que irá contar com colaborações de artistas independentes como Alex Siegel (Amo Amo) e Helio Flanders (Vanguart). Do seu alinhamento já se conhecem dois temas, Rosto Zen, lançado a dezassete de Abril e agora, algumas semanas depois, Till the End of Summer Time.

Esta nova canção de MOMO, gravada pelo autor em casa e misturado em Los Angeles pelo produtor Tom Biller (Karen O, Elliott Smith, Kate Nash), que se tornou parceiro regular desde o trabalho anterior I Was Told To Be Quiet, é uma história de amor marcada pela mudança de estações e que pretende descrever a desilusão e o isolamento que sentimos nos últimos meses. O videoclipe destaca o sentimento de separação e foi filmado remotamente enquanto o músico brasileiro e a realizadora italiana Chiara Missaggia estavam isolados nas suas casas, durante a quarentena imposta pela COVID-19. É uma composição inspirada musicalmente nos clássicos de jazz de nomes como George Gershwin e Irving Berlin e em compositores da bossa nova como Tom Jobim. De acordo com o autor, a sua letra fala de um amor que não funcionou, deste o primeiro encontro até à última despedida. O título remete para a canção pop de mil novecentos e quarenta e cinco, Till the End of Time, gravada por Perry Como, Doris Day e outros artistas e que inspirou um filme com o mesmo título. Confere...

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publicado por stipe07 às 21:19

Fugly - Space Migrant

Segunda-feira, 11.05.20

Dois anos depois do excelente Millenial Shit, os portuenses Fugly estão de regresso aos lançamentos com um novo disco, ainda sem nome anunciado e que, de acordo com os próprios, substitui os problemas adolescentes pelos de adulto,  com uma visão (um bocadinho) mais amadurecida do mundo que os rodeia mas sem largar o lado enérgico, satírico e festivo. Será lá para o final do ano que o projeto liderado por Pedro Feio, ou Jimmy, ao qual se juntam Rafael Silver, Nuno Loureiro e Ricardo Brito, colocará nos escaparates o seu novo trabalho, um alinhamento com a chancela da O Cão da Garagem e produzido, mais uma vez, pelos próprios Fugly no Adega Studios.

Fugly estão de regresso com o single “Space Migrant” – Glam Magazine

O rock direto e sem espinhas de Space Migrant é, um tema que, de acordo com o seu press releasefala sobre a inclusão de todos numa sociedade que tem problemas em unir-se, é o primeiro single retirado desse novo álbum dos Fugly, uma composição feita com uma voz exultante, guitarras banhadas por um efusiante riff metálicopleno de reverb e um baixo vincado e cheio de ritmo que dá as mãos a uma bateria domada com elevada mestria. Confere...

YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCiA17QHA29eFaO0rg5p82Fg

Facebook: https://www.facebook.com/fuglyfuglyfugly/

Instagram: https://www.instagram.com/fuglyfuglyfugly/

Twitter: https://twitter.com/fuglyfuglyband

Bandcamp: https://fuglyfuglyfugly.bandcamp.com/

Spotify: https://open.spotify.com/artist/5CrUuS7NQvUeHwPFnzVKcS?si=xuqdMZa8RvKS5TNQzy40yQ

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publicado por stipe07 às 15:16

From Atomic - Deliverance

Segunda-feira, 04.05.20

Nascidos em Coimbra há quase dois anos, os From Atomic nasceram da mente de Alberto Ferraz, que desafiou Sofia Leonor a fazerem algo em conjunto. Mais tarde juntou-se Márcio Paranhos e tomou assim forma um projeto que tem nomes tão proeminentes como os Yeah Yeah Yeahs, The Jesus & Mary Chain, Cocteau Twins, The Cure, DIIV, Siouxsie & The Banshees, Joy Division, The Raveonettes ou Sonic Youth, como influências declaradas, na busca de uma mescla entre o post punk britânico da década de oitenta e o indie noise da década seguinte. Deliverance é o nome do disco de estreia dos From Atomic, um tomo de onze canções com a chancela da Lux Records.

Gerador

Gravado e produzido nos estúdios da Blue House por Henrique Toscano e João Silva e misturado e masterizado por João Rui, Deliverance mostra-nos que os From Atomic já têm um som identitário definido, um estilo sonoro eminentemente orgânico e negro, mas sem deixar de soar orelhudo apelativo e luminoso, uma simbiose nem sempre fácil de encontrar e que merece todo o destaque quando é bem sucedida, como é o caso. Esta capacidade indesmentível de abraçar o melódico e o poético sem colocar em causa a indispensável visceralidade que os From Atomic exigem que o seu adn exale, foi conseguida através de um registo intepretativo coeso, forte e intenso, que está, como se percebe logo em Better Than, assente em guitarras com um timbre metálico eminentemente agudo e, por isso, pleno de charme, acompanhadas por um baixo vigoroso e ecoante e teclados sempre prontos a abraçar a cosmicidade e a melancolia, muitas vezes em simultâneo.

Uma abordagem precisa ao melhor noise contemporâneo em Heavens Bless, o travo hard de Lights, a toada eminentemente psicadélica de Heartbeat, uma canção que, de acordo com o press release de lançamento do singlefala da relação metafísica de uma personagem com a realidade, com o diálogo lírico da faixa a expressar o jogo entre a inevitável materialização do corpo e a subjectividade da mente e a suprema majestosidade de Juliette, são outros momentos altos do registo que cimentam um modus operandi bastante vanguardista e apelativo, não só no que concerne à componente melódica, mas também à própria estrutura de canções, que têm sempre no refrão um elemento fulcral no transporte da alma e da poesia das mesmas.

Disco coeso, consistente e rico em detalhes e variadas nuances e estilos dentro de um espetro sonoro claramente definido, Deliverance assume-se, no seu todo, como um compêndio de garage rock que dialoga incansavelmente com o punk rock e que incorpora, nessa trama, doses indiscretas de uma pop suja e nostálgica, conduzindo-nos a um amigável confronto entre o rock alternativo de cariz mais lo fi com aquela pop particularmente luminosa e com um travo a maresia muito peculiar. Espero que aprecies a sugestão...

https://www.facebook.com/From-Atomic-188655538613600/

https://www.instagram.com/from_atomic/

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publicado por stipe07 às 18:08

Vila Martel - Nunca Mais É Sábado

Quinta-feira, 30.04.20

Os Vila Martel são Francisco Botelho de Sousa, Rodrigo Marques Mendes, Francisco Inácio, Tiago Cardoso e Afonso Carvalho Alves, um coletivo da capital que se estreou há algumas semanas nos discos com Nunca Mais É Sábado, um espetacular cardápio de oito canções cantadas em português e gravadas há já quase um ano e que são, claramente e sem sombra de dúvida, uma verdadeira lufada de ar fresco no panorama alternativo nacional.

Vila Martel antecipam edição de disco “Nunca Mais É Sábado” com ...

É o puro indie rock, mas de forte travo psicadélico, falsamente inocente, rude e agreste q.b. e buliçoso e optimista que sustenta Nunca Mais É Sábado, um disco que é, também, um verdadeiro portento sonoro que, em quase meia hora, nos instiga e nos abana com ímpar majestosidade. Nunca Mais É Sábado é festa e cor, mas também um impressivo e irrepreensível retrato da urbanidade e dos defeitos e qualidades que tingem o adn de uma grande cidade cosmopolita como é Lisboa no início da segunda década do século vinte e um, um enorme nicho em que centenas de milhares de seres formatados por rotinas, sonhos inatingíveis e superstições inócuas, vagueiam sempre pela mesma rota e com um objetivo sorridente comum... o sábado da libertação, o dia em que não há a obrigação da escala e do serviço e em que a única permissa que realmente interessa é a busca da libertação e da diversão, como se o amanhã fosse apenas uma miragem inócua e ínsipida.

O modus operandi dos Vila Martel para esta epifania, foca-se naquilo que é o elétrico, nomeadamente o modo como a manipulação da eletricidade em estúdio induz, quer nas teclas quer nas cordas,  um caudal massivo de tonalidades sonoras vibrantes, que acabam por funcionar como uma metafora perfeita para tudo aquilo que é o frenesim próprio da nossa contemporaneidade e as alterações que as tais rotinas e obsesões provocaram, inevitavelmente, no mundo que nos rodeia e na sociedade em que vivemos e o quanto isso tem de glorioso e de frenético.

Escorreito e eletrificado de fio a pavio, Nunca Mais É Sábado é redentor no modo como transpira uma profunda sensação de conforto coletivo, não só devido a tudo aquilo que certamente ofereceu aos seus criadores durante o seu período de incubação, mas também por causa do que nos proporciona agora, enquanto objeto sonoro de degustação simples mas contundente e profunda e com um duplo significado, por um lado muito pessoal e circunstancial, por ser capaz de nos fazer sorrir e animar o âmago, mas também, por outro, universal e mitológico, por retratar de modo tão fiel toda a trama que tece as prisões e as contigências que socialmente nos afligem. Espero que apreciesa sugestão...

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publicado por stipe07 às 22:09

Aníbal Zola - amortempo

Quinta-feira, 16.04.20

Nascido na Invicta cidade do Porto há trinta e sete anos, Aníbal Zola apaixonou-se pela música e pela interpretação muito cedo. Ainda criança já tocava piano, mas no início da juventude ingressou na Valentim de Carvalho onde estudou guitarra clássica. Começou a tocar baixo eléctrico de forma autodidacta aos dezasseis anos tendo começado a ter aulas aos dezoito com o professor Helder Mendonça e um ano mais tarde, na Escola de Jazz do Porto com o professor João André Piedade durante três anos. Neste período, estudou engenharia civil na FEUP e fez parte do projecto musical Pay Per View?.

Resultado de imagem para Anibal Zola - Vida de Cão

No final da década passada, motivado pelo crescente interesse na improvisação e na composição baseada na escrita de canções, regressa à Escola de Jazz do Porto desta vez para estudar contrabaixo com o professor João André Piedade e Pedro Barreiros. Fez parte de um combo que participou na Festa do Jazz do S.Luiz em dois mil e onze, ano em que é admitido na ESMAE no curso de Jazz. Terminou a licenciatura em Contrabaixo/Jazz em Julho de dois mil e catorze na ESMAE onde teve a oportunidade de aprender e trabalhar com António Augusto Aguiar, José Carlos Barbosa, Florian Pertzborn, Nuno Ferreira, Michael Lauren, Mário Santos, Carlos Azevedo, Pedro Guedes, Abe Rabade, Telmo Marques, Jeffrey Davis, entre outros.

Actualmente faz parte dos projectos Palankalama, Les Saint Armand, Projecto Ferver e Carol Mello, além do seu projeto a solo Aníbal Zola, que se estreou nos discos há dois anos com Baiumbadaiumbé, um registo com um som muito particular onde se podem sentir influências da música brasileira nordestina, elementos plásticos que remetem à música de Tom Zé e ao tropicalismo brasileiro, algum rock e alguma folk anglo saxónica.

Agora, em dois mil e vinte, Aníbal Zola está de volta aos discos com Amortempo, dez canções sobre o amor, a morte e o tempo, um registo escrito em português e com uma abordagem musical de busca de identidade. De acordo com o press release de lançamento, é um trabalho que resulta do desejo de juntar o contrabaixo e a voz a um conjunto generoso de participações de outros músicos extremamente talentosos que têm vindo a cruzar-se com Aníbal Zola. Procura essencialmente fundir música portuguesa com música latino americana e dá, com frequência, espaço para a improvisação. As letras não são mais do que as próprias inquietações do artista que se espelharam em temas já muito explorados pela humanidade, e que, em Aníbal Zola, surgiram através de um processo bastante inocente.

amortempo é heterogéneo e eclético, mas transpira cheiro e sol portugueses. É um álbum de tato sensível e apurado, um compêndio de afetos, uma ode à melhor tradição do nosso cancionieiro tradicional e que se torna aqui num banquete sensorial de elevada subtileza e encanto por ter sido mesclado com a rica pafernália de tiques e nuances que abastecem a mais altiva e charmosa contemporaneidade sonora que se vai fazendo neste jardim à beira-mar plantado.

O timbre das cordas e a rugosidade do efeito da guitarra de Marujo, forçam logo o ouvinte a percepcionar, mesmo que intuitivamente, essa feliz dicotomia em que acústico e elétrico namoram entre si, sem se perceber claramente quem tem a posição dominante nesta relação que, sendo abençoada por Zola, tem tudo para um final feliz. Depois, quando o orgânico e o romântico fundem-se com superior dose de lascívia, como não podia deixar de ser, em Tango da Lua Nova, quando é fácil saborearmos o sal e a intensa luz que irradiam das ondas que navegam ao sabor do vaivém de um piano que joga conosco ao esconde em redor da secção percurssiva que faz flutuar Mar Profundo, quando percebemos que é impossível à nossa anca resistir à portugalidade a que sabe Samba Pro Pulinho, ou quando o cão de Zola se torna, no regaço das cordas que afagam Vida de Cão, o nosso salvo conduto para a percepção de tantos corropios que nos atormentam, sem razão aparente, torna-se claro que amortempo tem essa facilidade de permitir apropriação por todos aqueles que precisam, de quando em vez, de um porto seguro que lhes mostre que há mais vida do que a rotineira aparência e superficialidade de cumprimento de horários e obrigações em que muitos de nós vivemos. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 22:04






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