Quarta-feira, 8 de Maio de 2019

Elva - Winter Sun

Elva é o novo projecto do casal Elizabeth Morris ((Allo Darlin) e Ola Innset (Making Marks e Sunturns) e em norueguês a palavra significa rio. É, pois, um projeto sonoro encabeçado por uma dupla que rema na mesma direção e em cujas veias escorre uma seiva artística comum, um casal que se inspirou no mundo natural, na beleza do verão escandinavo e na dureza do inverno, para incubar um álbum intitulado Winter Sun, dez canções que também devem muito do seu conteúdo ao nascimento da filha de ambos. Winter Sun foi gravado no último outono numa escola antiga na floresta sueca, durante a época de caça aos alces e tal atmosfera acabou por potenciar o cunho sonoro fortemente identitário do disco relativamente a uma área geográfica bastante específica, um registo criado por dois artistas nórdicos mas que, curiosamente, também encontram no outro lado do atlântico um oásis inspirador.

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Lançado pela Tapete Records, gravado e produzido por Michael Collins, baterista dos Allo Darlin e com as participações especiais de Dan Mayfield no violino, Diego Ivars no baixo e Jørgen Nordby na bateria, Winter Sun tem, como se percebe logo na luminosidade folk de Athens e, adiante, na mais intimista Harbour In The Storm, elevado sustento na exuberância de inspiradas cordas de forte pendor acústico. Mas engana-se quem considerar que será este o único suporte sonoro de Winter Sun, porque, logo a seguir, no ritmo incisivo de Tailwind e, pouco depois, na tonalidade oitocentista vincada de Ghost Writer, percebe-se que, no modo como essas mesmas cordas são eletrificadas, o registo contém também a força de uma pop distinta, acondicionando não só cenários melódicos eminentemente acústicos, mas também algumas das principais linhas orientadoras da country, da folk norte-americana e do melhor rock alternativo das últimas três décadas.

Seja como for, apesar da evidente predominância das cordas, se o ouvinte escutar com a devida e merecida devoção Winter Sun, certamente perceberá que teclados charmosos e de forte cariz vintage e um registo vocal intrincado e até algo complexo, a espaços, são também a alma de um registo lirica e melodicamente profundo e que também convive da combinação de detalhes e nuances opostas, justificados pela opção por elementos acústicos ou elétricos, orgânicos e sintéticos e mais reflexivos ou expansivos, muitas vezes numa mesma canção.

De facto, os Elva sabem muito bem como transmitir e explorar sensações únicas e intensas através de uma sonoridade sempre sóbria e adulta, mas também com um forte cunho envolvente, climático e melancólico. Em Airport Town, na nuance do efeito da guitarra e no modo como os restantes instrumentos se encaixam na mesma enquanto intercalam epicidade com intimismo e no timbre vocal grave de Elizabeth, percebe-se esse elevado índice de maturidade e abrangência, com o odor que afaga e adoça em Everything Is Strange e o travo algo setentista e lisérgico que exala do sereno dedilhar da guitarra de Don't Be Afraid, a reforçarem toda uma complexidade de abordagens felizes a diferentes géneros sonoros e que, numa mistura de força e fragilidade, nas vozes, na letra e na instrumentação, se equilibram sempre de forma vincada e segura.

Disco intenso, mas também bastante relaxante e até, em alguns instantes, algo soporífero, Winter Sun conquista o coração de quem escuta estes Elva, que usam melodias doces para nos fazer despertar no nosso âmago sentimentos que muitas vezes são apenas visíveis numa cavidade anteriormente desabitada e irrevogavelmente desconhecida do nosso ser. Espero que aprecies a sugestão...

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  1. Athens
  2. Tailwind
  3. Dreaming With Our Feet
  4. Ghost Writer
  5. Harbour In The Storm
  6. Airport Town
  7. Don't Be Afraid
  8. Everything Is Strange
  9. I Need Love
  10. Winter Sun

 


autor stipe07 às 16:31
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Quinta-feira, 2 de Maio de 2019

Mano A Mano Vol. 3

Cerca de ano e meio após Vol. 2, já viu a luz do dia Vol. 3, o novo trabalho dos  Mano a Mano dos irmãos André e Bruno Santos, dois guitarristas com um vasto percurso musical, eminentemente jazzístico e dos melhores intérpretes nacionais desse espetro sonoro, na atualidade.  Recordo que o projeto Mano a Mano estreou-se há meia década nos discos através de uma edição cujo financiamento foi obtido através de uma campanha bem sucedida de crowdfunding e que o sucessor, Mano a Mano Vol. 2,continha onze canções que, de acordo com o press release desse lançamento, centravam-se num duelo dinâmico de guitarras, um disco cheio de momentos de virtuosismo, elegância e humor, explorando as inúmeras possibilidades deste formato.

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Gravado no Estúdio Paulo Ferraz, com os manos rodeados de discos de Bill Evans, Ella Fitzgerald & Louis Armstrong, António Carlos Jobim, Boney M. e do projeto Planetarium, de Sufjan Stevens, Nico Muhly, Bryce Dessner e James McAlister, conforme se confere na capa do lançamento, Vol. 3 amplia o arrojo instrumental do catálogo da dupla, já que nas suas doze canções, além das presenças habituais da guitarra, da braguinha e do rajão, os sintetizadores e variados instrumentos percurssivos também têm um protagonismo que ainda não tinha sido visto nos Mano A Mano, no que concerne à definição do arquétipo fundamental de algumas das suas composições.

Irmãos com uma química evidente e que tem como um dos factos mais curiosos o André ser destro mas tocar com a guitarra virada para o lado esquerdo devido a uma espécie de efeito de espelho por ver o Bruno a tocar à sua frente anos a fio, os Mano A Mano assentam as suas propostas sonoras numa filosofia estilística com uma especificidade muito própria e estreitamente balizada, mas não deixam, por isso, de nos oferecer alinhamentos cada vez mais sinuosos e cativantes. A luminosidade madrugadora das cordas que vibram na introdutória Parque Aventura é apenas uma pequena amostra de um superior quilate interpretativo, porque Guimarães, logo a seguir, já é sinónimo da maior abrangência deste terceiro volume, numa melodia com forte apelo caliente, clima ampliado pela inserção de vários samples e efeitos percurssivos, alguns apenas insinuantes mas vincados, num resultado final pleno de virtuosismo e sentimento.

Dado em grande estilo o mote e com o ouvinte já preso, rendido e, em simultâneo, a deixar-se espraiar nestes dois temas, mas também a dar por si a sentir uma imensa curiosidade relativamente ao restante alinhamento, Vol. 3 prossegue, em grande estilo, à sombra do travo folk nostálgico de Rosa, da sumptuosa delicadeza que exala das constantes variações de tom em Flor do Amor, do travo afro que não pode deixar de ser ouvido sem ser acompanhado por um sorridente bater de pés ou um efusivo abanar de ancas em Cabo Verde, amplificado pelo kashaka, um instrumento de percurssão típico do arquipélago africano que dá nome ao tema e do fumarento espreguiçar a que nos convida Rocky, canções que vingam na onda dos vários dedilhares que se cruzam entre si e as tricotam de modo a materializar os melhores atributos que os Mano A Mano guardam na sua bagagem sonora. 

Até ao fim de Vol. 3 e ainda antes de uma reintrepretação feliz de Stardust, um original dos anos vinte do século passado de Hoagy Carmichael, revisto aqui com enorme protagonismo do rajão, a Madeira marca a sua presença, através do modo como a braguinha e o mesmo rajão dialogam entre si, com uma ímpar serenidade, na Valsa para Cândido Drumond de Vasconcelos, um tributo a este intérprete do machete e compositor que viveu na Madeira no século dezanove e também à boleia de uma magnífica e nostálgica versão de Noites da Madeira, um original de Tony Amaral, nome importante do jazz funchalense da primeira metade do século passado.

Em suma, é da constante inquietação que lateja do diálogo que estes dois músicos estabelecem entre si, que se sustenta muita da essência de um disco que, mesmo sem letras, não deixa de ser, no seu todo, um exímio e lúcido contador de histórias, deixemo-nos nós absorver por tudo aquilo que as cordas (e não só) nos sussurram ao ouvido com indesmentível clareza. Isso apenas é possível porque Vol. 3 está recheado de sons inteligentes e solidamente construídos e que têm como grande atributo poderem facilmente fazer-nos acreditar que mesmo este género de música tão específico e sui generis pode ser também um veículo para o encontro do bem e da felicidade, quer individual quer coletiva. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 10:54
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Sexta-feira, 19 de Abril de 2019

Tellavision - Add Land

Já viu a luz do dia Add Land, à boleia da Bureau B, o mais recente tomo discográfico do projeto artístico Tellavision, já com uma década de carreira, assente em três álbuns e dois EPs, sempre em busca de excitantes aventuras sónicas, abstrações musicais que têm a sua raíz na génese do chamado krautrock e onde o ruído não é algo supérfluo ou incómodo, mas usado com um propósito bem definido de servir como mais um veículo de transmissão de emoções e sensações que se pretendem o mais físicas e orgânicas possível, dentro daquilo que a música, enquanto manifestação artística por excelência, consegue provocar no âmago de cada um de nós. E de facto, nestas treze canções que constituem o alinhamento de Add Land, produzidas pela própria Tellavision e por Thies Mynther, uma das metades da dupla Phantom / Ghost, não faltam instantes que arrebatam e concentram a atenção, mesmo no ouvinte mais desatento ou desprevenido.

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Começa-se a ouvir os flashes sintetizados do tema homónimo do disco e somos logo dominados por campos magnéticos que estalam ao longo de uma batida pontiaguda, enquanto um pulso lento e levemente errático agita-se por baixo da voz de Tellavision à medida que ela canta, evocando os medos que nos paralisam, mas também aqueles que nos inspiram. E logo nesse tema percebe-se outro ás de trunfo deste projeto, o registo vocal da protagonista, sempre vibrante e tremendamente empático. Depois, no minimalismo da batida misteriosa de Salty Man, no travo maquinal de Hat Makers e no groove dançante da buliçosa bateria que conduz Purple View, estamos lançados e ficamos ainda mais esclarecidos acerca dos elevados níveis de complexidade e virtuosismo que estiveram na génese da concepção de um registo, em que máquinas e sons eletrónicos coabitam pacificamente e com superior simbiose com aquela instrumentação mais tradicional e orgânica e que costuma balizar as trevas mestras do indie rock.

Disco merecedor de contemplação cuidada e dedicada, aberto, confiante e otimista, apesar de muito balizado pela noção de medo, como de certo modo já referi, mas com o foco deste sentimento muito virado para o amor que nos permite superar os nossos medos, nomeadamente o nosso amor pelo outro e por nós próprios, Add Land oferece um novo grau de firmeza qualitativa a um projeto ímpar no panorama sonoro e artístico alternativo europeu. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 14:48
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Quinta-feira, 18 de Abril de 2019

Tricycles - Tricycles

João Taborda, Afonso Almeida, Edgar Gomes e Sérgio Dias são os Trycicles, uma espécie de super grupo que se estreou recentemente nos registos discográficos com um extraordinário disco homónimo, gravado e produzido por Nelson Carvalho e editado pela Lux Records. Descritos como um triciclo no alto de uma duna, a ver o mar, a sentir o sol quente nas rodas pintalgadas de areia, com uma certa comichão no volante por causa da humidade salgada, os Tricycles começaram a ganhar vida quando o Sérgio (bateria) e o Edgar (baixo) se juntaram ao Afonso (guitarra, voz) e ao João (guitarra, teclas, voz), para dar corpo a uma coisa vagamente improvável, mas que resulta claramente e que em estúdio funciona porque lá brincam como putos irrequietos no parque infantil e ao vivo também já que nos concertos a ideia é que a energia da lua no alcatrão quente suba pelos pedais até ao volante e exploda de modo a que o público e a banda comunguem raivas e melodias.

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De facto, assim que começa All The Mornings, o primeiro tema do alinhamento de Tricyclesum jogo de reflexos e um irónico lamento contra o tic tac do relógio, duas ideias que nos são induzidas através de uma composição vibrante, de pêlo na venta, mas também com um travo melódico particularmente aditivo, percebemos que estamos na presença de um conjunto de amigos com uma inegável sensibilidade pop, feita dos mais variados ambientes, mas também com aquele cerrar de punhos no momento certo, indispensável num projeto que queira também marcar uma presença marcante num espetro mais rock e até garageiro, exemplarmente replicado em Climbing Down. Assim, com uma filosofia interpretativa que dá a primazia à guitarra quer no processo de criação melódica, quer também no modo como as canções vão sendo adornadas, geralmente com rudes baixos que conversam com educadas baterias e pianos falsamente corteses, avançamos algo inebriados ao longo de doze canções que acabam por funcionar, no seu todo, como um sentido quadro sonoro, pintado com belíssimos arranjos e transições entre um alargado e rico espetro sonoro, que abarca alguns dos melhores tiques e heranças do indie rock das últimas décadas. Por exemplo, se no caso de Hamburguer, os Tricycles nos oferecem uma visão algo solarenga e festiva, em Kill It Moon nuances eminentemente etéreas e em Into The Sun um registo mais acústico, mas bastante encantatório, já em Words e em Phone Call: Yesterday's Paper, nas asas de um buliçoso piano, o quarteto vira agulhas para uma atmosfera mais insinuante e charmosa, com Humble Hymn a piscar o olho para territórios mais rockeiros e sumptuosos, mas igualmente acessíveis e deslumbrantes e C para outros mais psicadélicos, experimentais e progressivos.

O resultado feliz deste alinhamento que exala com igual dose de inspiração contemporaneidade e tradição, é um exercício de criatividade e sensibilidade único, feito, como já referi, com os mais variados ambientes e que surpreende faixa a faixa. Nesta belíssima estreia, os Tricycles escancaram-nos um mundo inédito, cujos códigos e fechaduras só eles conhecem, mas que anseiam por partilhar com todos nós. E tal só sucederá eficazmente se estivermos sedentos de sensações revigorantes e reflexivas, já que este coletivo socorre-se continuamente de imagens evocativas, que depois sustenta em melodias bastante virtuosas e cheias de cor, arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos e variações rítmicas e emotivas inesperadas, um caudal sonoro e lírico cuja filosofia subjacente prova a sensibilidade deste projeto para expressar e fazer desfilar, através da música que criam, um rol imenso de sensações, vivências e confissões. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 17:26
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Segunda-feira, 8 de Abril de 2019

The Proper Ornaments - Six Lenins

Já viu a luz do dia Six Lenins, o terceiro registo de originais de um dos segredos mais bem guardados da indie britânica contemporânea. Refiro-me aos londrinos The Proper Ornaments de James Hoare, uma das caras metade dos Ultimate Painting e de Max Claps, membro recente dos Toy, que conseguiram ultrapassar um período bastante complicado, ainda antes da edição de Foxhole, o registo que lançaram há pouco mais de dois anos. Foram tempos conturbados, após uma estreia auspiciosa com Wooden Head, em dois mil e catorze, peripécias infelizes que incluiram episódios de doença, divórcio e abuso de drogas, mas que não impediram que três anos depois chegasse aos escaparates esse tal Foxhole, o segundo tomo do grupo.

Agora, na primavera de dois mil e dezanove e depois de uma digressão pelo outro lado do atlântico e de uma estadia bastante profícua no estúdio caseiro de James em Finsbury Park, Londres, que também serviu para afastar definitivamente todos os fantasmas que foram apoquentando os The Proper Ornaments neste meia década, a banda entrega finalmente aos seus fãs Six Lenins, uma espetacular coleção de dez canções que nos convidam a contemplar o grupo a dominar o seu som aparentemente sem qualquer esforço e com um acabamento exemplar, enquanto as suas proezas de composição, que divagam entre as heranças de uns Beach Boys ou uns Velvet Underground, se mostram cada vez mais surpreendentes.

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A impressão imediata que se tem logo após a audição de Six Lenins é que este é um daqueles discos em que se vai, num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, numa espécie de indie-folk-surf-suburbano, feito por intérpretes de um arquétipo sonoro que exala um intenso charme, principalmente porque a sensação de intuição e espontaneidade é tal que, ao ouvi-los, parece que não se importaram nada de poderem, eventualmente, transmitir uma óbvia sensação de despreocupação, desde que levem à tona a sonoridade com que realmente se identificam e se sentem realizados em replicar. E tal facto representa, desde logo, a manifestação de um elevado bom gosto, que se torna ainda maior pela peça em si que este disco representa, tendo em conta a bitola qualitativa do mesmo.

Six Lenins, o terceiro álbum dos The Proper Ornaments, que contou com as participações especiais de Danny Nellis (Charles Howl) no baixo e Bobby Syme (Wesley Gonzalez) na bateria, está, portanto, repleto de composições refinadas e exemplarmente elaboradas. A sonoridade é sempre controlada de modo a criar um clima homogéneo que se torna transversal ao alinhamento, enganando quem ouvir o disco desinteressadamente, porque irá sentir, erradamente, que as canções soam muito iguais. Mas este é um álbum que merece audição dedicada e que deve ser saboreado com o tempo e a velocidade que exige. A sua crueza plena de ricos detalhes, o charme analógico e o carisma vintage nada pretensioso e que não se desbota na contemporaneidade dos nossos dias em que a ferocidade do sintético e da pop fácil arrastam multidões tantas vezes iludidas e a riqueza melódica que contém e que nos permite encontrar a tal individualidade que cada composição claramente possui, só são devidamente assimilados, compreendidos e saboreados através de um modus operandi auditivo que seja dedicado à descoberta do que cada tema tem para oferecer e para nos enriquecer e desprendido de qualquer preconceito relativamente às influências e ao histórico sombrio, nublado e até algo decadente subjacente à incubação deste alinhamento solarengo, otimista e sorridente.

Assim, do ternurento efeito metálico que divaga por Apologies, até à intuitiva Crepuscular Child, uma canção emotivamente forte, conduzida por um baixo vincado e uma guitarra cheia de soul, passando pela jovialidade dos efeitos do sintetizador que conduz Song For John Lennon, pelo travo psicadélico de Where Are You Now, pela vibe surf sessentista de Please Release Me, ou pelo forte odor nostálgico a que exalam as teclas e as cordas de Bullet From A Gun, Six Lenins é um disco extraordinariamente jovial, uma sedutora demonstração de superior clarividência por parte de um projeto que soube sobreviver ao caos e que, fruto do empenho e da superior capacidade criativa dos seus membros, merece, claramente, uma outra posição de relevo no universo sonoro indie e alternativo. Espero que aprecies a sugestão...

The Proper Ornaments - Six Lenins

01. Apologies
02. Crepuscular Child
03. Where Are You Now
04. Song For John Lennon
05. Can’t Even Choose Your Name
06. Please Release Me
07. Bullet From A Gun
08. Six Lenins
09. Old Street Station
10. In The Garden


autor stipe07 às 21:30
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Quarta-feira, 3 de Abril de 2019

Um Corpo Estranho - Homem Delírio

Já chegou aos escaparates Homem Delírio, o terceiro registo de originais do projeto Um Corpo Estranho, formado por Pedro Franco e João Mota e sedeado em Setúbal. O registo sucede aos trabalhos De Não Ter Tempo (2014), que contou com a participação de Celina da Piedade e incluia uma versão de um tema da Madredeus e Pulso (2016), considerado por alguma imprensa especializada como um dos melhores discos nacionais desse ano (Santos da Casa RUC, Certeza da Música, No Sólo Fado). Além destes três álbuns, Um Corpo Estranho também conta já no seu cardápio com três bandas sonoras para os bailados, A velha Ampulheta, Qarib e A Almofada da Paula, este último baseado na obra da pintora Paula Rego. Importa ainda referir que estes finalistas do Prémio José Afonso em 2015, já compuseram para curtas metragens e peças de dança e de teatro.

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Lançado com o apoio da Fundação GDA, produzido por Sérgio Mendes, elemento já frequente nos arranjos de Um Corpo Estranho e com as participações especiais de Paulo Cavaco ao piano e o acordeão inconfundível da, já habitual, Celina da Piedade, citada acima, Homem Delírio abre em modo excelência com Fio A Par Do Mal, uma canção que reflete sobre diversas dualidades e que nos deslumbra com um jogo vocal bastante impressivo e realista. A partir dessa impressionante interpretação está dado o mote para um alinhamento que no bucolismo e na superior complacência das cordas de Sangue Irmão e do tema homónimo, começa por nos levar a viajar até ao outro lado da fronteira, com o intuíto de nos apresentar alguém que quase todos conhecemos e que inspirou o processo de escrita do álbum. Assim, nessa demanda por uma sedutora Andaluzia espanhola cheia de histórias de um cavaleiro que lutou contra moinhos de vento e de cheiro a feno, reluz o conhecido escritor Ernest Hemingway, que é para os Um Corpo Estranho uma espécie de Dom Quixote moderno, não só por causa do seu cardápio lírico, mas também pelo modo pouco regrado como viveu, num trajeto onde inquietação, isolamento e desgosto conviveram paredes meias com um corajoso aventureiro.

Apresentado o Homem Delírio personagem que vai seguir de mãos dadas conosco até ao ocaso do alinhamento, de seguida, cordas, vozes em dor e uma distorção agreste alimentam em O Estrangeiro uma profunda reflexão sobre a problemática da crise dos refugiados e o modo como o nosso continente tem lidado com quem se vê abruptamente privado do lugar onde sempre pertenceu e passa a conviver em terra estranha com a desconfiança e o preconceito de quem nem sempre acolhe como devia. Esta temática da desconfiança e dos receios é substituida, pouco depois, por mais um fator causador de angústia e depressão humana, o universo da morte e da perca, mas que nesta abordagem também intui sobre o renascimento e o recomeço. É mais uma dicotomia alvo de reflexão, neste caso ao som do piano de Hera, com as mesmas teclas e o acordeão de Só O Paraíso a nos fazerem contemplar outra, o modo como olhamos para determinados espaços físicos e lugares e os analisamos, ou pela perspetiva dos factos provados que eles testemunharam e que a história narra com maior ou menor exatidão, ou os mitos e as lendas que lhes estão muitas vezes associados.

Esta maravilhosa viagem pelo nosso âmago termina com Valsa do Acaso, canção que encerra o alinhamento em modo convite, para que cada um de nós tenha a capacidade de meditar sobre a nossa existência e não recear mudar caso sinta que pode muito bem ter dentro de si um Homem Delírio a precisar de urgente exorcização. Pode muito bem fazer este exercício de introspeção ao som destes pouco mais de trinta minutos pensados para serem analisados à lupa, como é essencial na música que preenche e enriquece e nos dá algo de novo dentro da amálgama sonora dos dias de hoje, até porque os protagonistas de Um Corpo Estranho são exímios no modo como nos oferecem sons criados com forte inspiração em elementos paisagísticos, enquanto se debruçam sobre o lado mais inconstante e dilacerante da nossa dimensão sensível e colocam a nu algumas das feridas e chagas que, desde tempos intemporais, perseguem a humanidade e definem a propensão natural que todos temos, enquanto espécie, de cair insistentemente no erro e de colocar em causa o mundo que nos rodeia. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 10:47
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Sexta-feira, 29 de Março de 2019

Tricycles - Saliva

João Taborda, Afonso Almeida, Edgar Gomes e Sérgio Dias são os Tricycles, uma espécie de super grupo que acaba de se estrear nos registos discográficos com um homónimo, gravado e produzido por Nelson Carvalho e editado pela Lux Records e que será alvo de revisão atenta muito em breve neste blogue.

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Descritos como um triciclo no alto de uma duna, a ver o mar, a sentir o sol quente nas rodas pintalgadas de areia, com uma certa comichão no volante por causa da humidade salgada, os Tricycles começaram a ganhar vida quando o Sérgio (bateria) e o Edgar (baixo) se juntaram ao Afonso (guitarra, voz) e ao João (guitarra, teclas, voz), para dar corpo a uma coisa vagamente improvável, mas que resulta claramente e que em estúdio funciona porque lá brincam como putos irrequietos no parque infantil e ao vivo também já que nos concertos a ideia é que a energia da lua no alcatrão quente suba pelos pedais até ao volante e exploda de modo a que o público e a banda comunguem raivas e melodias.

Saliva é o mais recente single extraído de Tricycles, uma canção de amor, mas de um amor especial, o chamado amor-ódio. Como não gostam de coisas anémicas, os Tricycles puseram imenso amor-ódio neste tema e também muita saliva, unhas e contradições, tudo guiado pelo mesmo piano martelado do princípio ao fim. O resultado é uma música íntima e coberta de sal na ferida, já com direito a um video em desenhos animados, realizado por João Taborda, com a colaboração de Afonso Barata e editado por Edgar Gomes e o mesmo João Taborda, feito frame a frame, com muita paciência, muito amor e, desta vez, sem qualquer pitada de ódio

Importa ainda referir que os Tricycles irão participar no EPICENTRO!, um evento com curadoria da Lux Records e da Blue House, a decorrer no Salão Brazil, em Coimbra. Sobem ao palco a vinte de Abril, na última noite do evento, que contará também com Ruze e ainda com os The Parkinsons, como cabeças de cartaz. Confere...


autor stipe07 às 10:50
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Segunda-feira, 25 de Março de 2019

Alen Tagus - Holiday

É entre Sines e Paris que se divide o projeto Alen Tagus, da autoria do músico português Charlie Mancini, pianista e compositor para cinema e da artista francesa Pamela Hute, melodista e roqueira de coração. Esta dupla que assume preferir movimentar-se nas águas revoltas da indie pop introspectiva com fortes raízes na década de setenta do século passado, compôe de modo a proporcionar ao ouvinte uma viagem onírica com um elevado grau de impressionismo e de realismo, ou seja, com uma forte aposta em letras e melodias que proporcionem a quem os escuta uma experiência sensorial não só auditiva mas também visual.

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Alen Tagus vai estrear-se brevemente nos lançamentos com Paris, Sines, um EP misturado no estúdio de Mancini em Pamela, masterizado por Jean-Nicholas Casalis nos RTM Studios em Paris, com capa da autoria de Ricardo Pereira, fotógrafo artístico residente em São Miguel, Açores e que será editado a dezassete de Maio em todas as plataformas digitais. Esse lançamento terá a chancela da My Dear Recordings, etiqueta da própria Pamela Hute, fundada em dois mil e dezasseis e que conta já no seu catálogo com artistas e bandas francesas que se movimentam dentro do indie pop rock, além do compositor inglês Robin Foster, também exímio neste universo sonoro.

Holiday é um dos três avanços já divulgados de Paris, Sines, um tema com direito a um vídeo realizado por Miguel Pité do Amaral, produzido por Miguel Campos, gravado entre Sintra, o Guincho, a Peninha e o Teatro da Comuna, protagonizado pela atriz Helena Caldeira e que transparece muito da narrativa que está contida na sua letra. A personagem principal vive um relacionamento à distância que sobrevive sobretudo pelo uso do telefone enquanto deambula em diversos lugares desertos, à semelhança do clássico cinematográfico Paris, Texas. Sonoramente, a canção foi pensada para nos oferecer um passeio meditativo. Inspirada pela estética lo-fi dos Velvet Undergound, assenta num batimento simples e repetitivo, transportando-nos para um promenade poético numa zona rural e balnear composta por guitarras com camadas de delays e outros efeitos sonoros distintos. Confere...


autor stipe07 às 10:18
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Quinta-feira, 7 de Março de 2019

Tape Junk - Couch Pop

Quase quatro anos depois de um excelente homónimo, os Tape Junk de João Correia estão de regresso aos lançamentos discográficos, em formato digital e em cassete, com Couch Pop, o terceiro disco do projeto, um compêndio de nove canções pensadas e estruturadas pela mente do cérebro da banda. De facto, os Tape Junk assumem-se cada vez mais como um projeto a solo deste músico que também fundou os Julie & The Carjackers e os They’re Heading West, já que neste Couch Pop todos os instrumentos foram registados pelo João, que contou apenas com o apoio de António Vasconcelos Dias nos sintetizadores.

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Álbum escrito e construído sem pressas, entre o início de dois mil e dezasseis e o ocaso do verão passado e com um alinhamento que foi sendo continuamente aperfeiçoado, mutado e aprimorado de acordo com o estado de espírito do autor e ao sabor de um tempo que nunca o pressionou, Couch Pop tem um conjunto notável de composições que, no seu todo, homogéneo e impressivo, nos oferecem um amplo panorama de descobertas sonoras, que acabam por personificar uma espécie de exercício criativo nostálgico, onde cada uma veste a sua própria pele enquanto se dedica, de corpo e alma, à hercúlea tarefa comunicativa que o autor lhe designou.

Pavement, Giant Sand, Yo La Tengo, Rolling Stones ou Velvet Underground são influências óbvias e algumas até assumidas e declaradas, mas quem vence é, na soma de todas as partes, aquele rock clássico e intemporal, que logo no delicioso timbre metálico agudo da guitarra de Willow Crown plasma, com notável nitidez instrumental, a tal personificação de soalheiras aventuras sonoras nos temas. E alguns deles até agudizam o elevado pendor pessoal e intimista caraterístico deste projeto, onde não falta, inclusive, um confessado humor negro, e um curioso nonsense, nomeadamente na vibe soalheira de General Population, um exemplo claro desta despreocupação e deste desejo pessoal que os Tape Junk sentem, na pessoa do João Correia, de não serem levados demasiado a séria no que concerne não só ao arquétipo, mas também à vertente lírica e poética das canções.

De facto, o que impressiona na escrita deste cantautor é o modo como disserta sobre banalidades e rotinas comuns e as transforma num interessante conjunto de eventos inspiradores, já que a sua música tem a capacidade de provocar sentimentos e sensações únicas que podem servir de aconchego para as nossas mágoas ou um incentivo ao despertar aquilo que de melhor guardamos dentro de nós. Se a soul contemplativa de Hard Times Blues só não cerra os punhos de quem se sente já demasiado confiante para não perceber que os precalços estão sempre ao virar daquela esquina que cruzamos diariamente e que nunca nos surpreendeu, já o piano de Down, os sons poderosos, tortuosos, luminosos e flutuantes e as vozes deslumbrantes de Carved In Stone ou o riff contagiante da guitarra que acompanha o refrão e os efeitos sintetizados que vão ornamentando diversas mudanças rítmicas no single Cranberry and Thyme, são canções que refletem aquela luz que não se dispersa, mas antes se refrata para inundar os corações mais carentes daquela luminosidade que transmite energia, num disco sem cantos escuros.

Projeto de palco e já com uma notável reputação nesse campo, os Tape Junk têm neste Couch Pop um notável conjunto de canções para juntar ao cardápio que define aquilo que é uma típica banda rock, mas que sabe qual o melhor receituário para adocicar, através de alguns elementos fundamentais da dita pop, a salutar rugosidade de um universo sonoro que tem de guiar a sua sonoridade através de guitarras plenas de eletrificação, mas que pretende fazê-lo de modo a replicar melodias contagiantes e que exalem uma sensação de contemporaneidade. E no caso dos Tape Junk tal pode ser apreciado quer nas notas mais delicadas, até quando elas estão num modo particularmente explosivo, quer nos efeitos selecionados ou nos arranjos simples, mas bastante criativos, mas também em peculiares variações de ritmo e, mais do que tudo isso, numa saudável sensação de crueza e ingenuidade, transversal aos pouco mais de trinta minutos de um disco em que voz e instrumentos fluem naturalmente e se acomodam naquilo a que claramente se chama de som de banda. Em suma, os Tape Junk provam que não é preciso ser demasiado complicado quando o objetivo é criar sons e melodias intrincadas e simultaneamente acessíveis. Consegui-lo é ser-se agraciado pelo dom de se fazer a música que se quer e o João Correia obteve, mais uma vez, tal desiderato, já que usou a fórmula correcta, feita com uma quase pueril simplicidade, para demonstrar uma formatação adulta e a capacidade de se reinventar, reformular ou simplesmente replicar o que de melhor têm alguns projetos bem sucedidos na área sonora em que melhor se identifica, sem deixar de evocar um certo experimentalismo típico de quem procura, através da música, fazer refletir aquela luz que não se dispersa e que fará, certamente parte daquilo que é a sua própria individualidade, não só como artista mas como ser humano. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 16:20
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Domingo, 3 de Março de 2019

Cosmic Mass - Vice Blooms

Foi no primeiro dia do próximo mês de março que chegou aos escaparates Vice Blooms, o disco de estreia do projeto nacional Cosmic Mass, um quarteto sedeado em Aveiro e formado por André Guimas, Miguel Menano, Pedro Teixeira e António Ventura, que se serve de um garage rock de primeira água, com um elevado pendor psicadélico, para criar canções ariscas, intrigantes e ousadas, que vão diretas ao âmago e ao assunto, sem falsos adereços ou enfeites desnecessários.

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Estes Cosmic Mass assumem, de queixo erguido, o objetivo claro de se constituirem como uma alternativa consistente à lixeira pop radiofónica que tem invadido as playlists recentemente, sendo, na minha opinião, uma verdadeira lufada de ar fresco no panorama indie e alternativo nacional. a resposta à mais recente onda psych-rock que tantos discos nos tem dado nos últimos tempos.
Assim, nas nove canções deste disco, gravadas e misturadas nos Estúdios Adega, por Alexandre Braga e Hugo Ribeiro, confere-se um garage rock rude, mas tremendamente preciso e maduro, que narra histórias sobre Vice, um personagem criado pela banda numa série de noites de copos, com o clima vigoroso de Mantra, o frenesim elétrico de Desert, oandamente progressivo do tema homónimo e, principalmente, a guitarra hipnótica, esquizófrenica e fortemente combativa, mas incrivelmente controlada de I've Become The Sun, o single já retirado de Vice Blooms, a consituirem-se como portas de entrada perfeitas para a filosofia sonora destes Cosmic Mass, que incubaram, logo na estreia, um rock de punhos cerrados, mas também de proporções incrivelmente épicas, que nos proporciona um verdadeiro orgasmo sonoro volumoso, soporífero e emocionalmente desconcertante. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 20:02
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Sexta-feira, 1 de Março de 2019

Robert Forster - Inferno

Lembram-se dos míticos The-Go Betweens? Pois é... Robert Forster, um dos fundadores deste projeto australiano, andou bastante ocupado nos últimos anos a orientar a histórica edição da Domino Records de Anthology Volume 1 1978-1984 , uma revisitação de alguns dos melhores momentos da sua antiga banda The Go-Betweens e escreveu o livro de memórias Grant & I, que foi eleito pela Mojo e pela Uncut como Livro do Ano. Mas Forster tem também um muito recomendável projeto a solo, que começou há pouco mais de uma década e que acaba de ver um novo capítulo.

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O novo disco de Robert Forster chama-se Inferno, é o primeiro registo do artista desde Songs To Play (2015) e contém nove temas gravados em Berlim no último verão, com a ajuda de Victor Van Vugt (Beth OrtonTrailer Park, PJ Harvey Stories From The City, Stories From The Sea), que produziu de modo brilhante o registo e com quem Forster tem trabalhado nesta sua trajetória a solo. Nos créditos de Inferno, lançado através da Tapete Records, é também possível encontrar os multi-instrumentalistas Scott Bromley e Karin Bãumler, que também tocaram em Songs To Play (2015), além do baterista Earl Havin (Tidersticks, Mary J. Blige) e do teclista Michael Muhlhaus (Blumfeld, Kante), que tocam pela primeira vez em canções de Robert Forster.

Inferno é um solarengo festim pop, onde não falta uma vasta interseção de detalhes sonoros oriundos de diferentes latitudes e espetros sonoros, idealizados por um músico com uma vasta experiência e com uma irrepreensível formação musical. Assim, desde a empolgante alegoria pop que é Inferno (Brisbane In Summer), passando pelo groove refrescante de Life Has Turned A Page e pela pitada underground setentista de Remain e terminando, de modo brilhante, dramático e inteligente na épica One Birds In The Sky, este é um registo esteticamente apurado e onde o vintage e o contemporâneo se cruzam de modo muitas vezes impercetível, apenas uma de várias nuances que oferecem à toada geral do alinhamento não só um intenso charme como uma sensação de familiariedade inconfundíveis. Espero que aprecies a sugestão...

Robert Forster - Inferno

01. Crazy Jane On The Day Of Judgement
02. No Fame
03. Inferno (Brisbane In Summer)
04. The Morning
05. Life Has Turned A Page
06. Remain
07. I’ll Look After You
08. I’m Gonna Tell It
09. One Bird In The Sky


autor stipe07 às 14:09
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Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2019

Tomara - Favourite Ghost (vídeo)

Chegou aos escaparates há já algum tempo Favourite Ghost, o disco de estreia do projeto Tomara da autoria de Filipe Monteiro, um músico que começou por estudar Design de Comunicação na Faculdade de Belas Artes e que trabalhou em vídeos e na parte visual de concertos de nomes como os já extintos Da Weasel, mas também com Paulo Furtado, David Fonseca, Rita Redshoes, António Zambujo e Márcia. São oito canções plenas daquela nostalgia que provoca encantamento e torpor, temas que enquanto suavemente entram pelos nossos ouvidos, inapelavelmente nos arrebatam e conquistam e em definitivo.

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O tema homónimo deste álbum, uma canção onde o minimalismo suave delicioso das cordas e a cândura do registo vocal transbordam uma majestosa e luminosa melancolia, acaba de ter direito a um vídeo dirigido pelo próprio Filipe e que marca o início de uma nova digressão que levará este seu disco de estreia a diversas salas do país. Às datas já agendadas, que incluem São Miguel (Açores), Leiria, Torres Vedras e Oeiras, junta-se agora o convite da Casa da Música para integrar Tomara na sua programação. Este concerto, que acontecerá a dezoito de Abril, marca não só a estreia da banda na cidade do Porto em formato completo, como será também a primeira vez que o espectáculo integrará uma importante e cuidada componente cinematográfica realizada pelo próprio Filipe C. Monteiro.

"Esta é uma tour para tentar levar o meu primeiro disco a mais gente. Temos concertos confirmados em várias salas do país. Eu destaco o Porto porque é uma cidade que me diz muito e onde já toquei inúmeras vezes com outros projectos, mas nunca com a formação completa de Tomara. O convite da direcção artística da Casa da Música para integrar Tomara na sua programação enche-me de orgulho, por ser uma das salas que mais dignifica a música e os músicos em todos os géneros, que é transversal em termos de estilo musical e isso é, já por si, um apoio enorme à Arte e à Cultura".

Ainda antes de subir ao palco da Casa da Música, durante o mês de Março, Filipe C. Monteiro juntar-se-á a Tiago Bettencourt e a Surma numa residência artística nas Caldas da Rainha, no âmbito do Festival Impulso, onde criarão juntos temas inéditos que serão apresentados ao público em finais de Maio no decorrer desse evento. Confere o videoclip de Favourite Ghost.

 


autor stipe07 às 17:24
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Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2019

Tricycles - All The Mornings

João Taborda, Afonso Almeida, Edgar Gomes e Sérgio Dias são os Trycicles, uma espécie de super grupo que se vai estrear nos registos discográficos a vinte e nove de março próximo com um homónimo, gravado e produzido por Nelson Carvalho e editado pela Lux Records.

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Descritos no press release de lançamento de All The Mornings, o primeiro single extraído de Tricycles, como um triciclo no alto de uma duna, a ver o mar, a sentir o sol quente nas rodas pintalgadas de areia, com uma certa comichão no volante por causa da humidade salgada, os Tricycles começaram a ganhar vida quando o Sérgio (bateria) e o Edgar (baixo) se juntaram ao Afonso (guitarra, voz) e ao João (guitarra, teclas, voz), para dar corpo a uma coisa vagamente improvável, mas que resulta claramente e que em estúdio funciona porque lá brincam como putos irrequietos no parque infantil e ao vivo também já que nos concertos a ideia é que a energia da lua no alcatrão quente suba pelos pedais até ao volante e exploda de modo a que o público e a banda comunguem raivas e melodias.

Confere All The Morningsum jogo de reflexos e um irónico lamento contra o tic tac do relógio, duas ideias que nos são induzidas através de uma composição vibrante, de pêlo na venta, mas também com um travo melódico particularmente aditivo e fica a contar, lá para o início da primavera, com um disco de estreia com calmas músicas prontas a explodir, lentamente, a mil à hora, com suavidade e rugidos de guitarras zangadas e pianos falsamente corteses, de rudes baixos a conversar com educadas baterias.

 


autor stipe07 às 13:20
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Domingo, 10 de Fevereiro de 2019

Cosmic Mass - I've Become The Sun

É no primeiro dia do próximo mês de março que chega aos escaparates Vice Blooms, o disco de estreia do projeto nacional Cosmic Mass, um quarteto sedeado em Aveiro e formado por André Guimas, Miguel Menano, Pedro Teixeira e António Ventura, que se serve de um garage rock de primeira água, com um elevado pendor psicadélico, para criar canções ariscas, intrigantes e ousadas, que vão diretas ao âmago e ao assunto, sem falsos adereços ou enfeites desnecessários.

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I´ve Become The Sun, o single já retirado de Vice Blooms, é uma porta de entrada perfeita para a filosofia sonora destes Cosmic Mass, que neste tema se servem de uma guitarra hipnótica, esquizofrénica e fortemente combativa, mas incrivelmente controlada, para incubar um rock de punhos cerrados, mas também de proporções incrivelmente épicas, que nos proporciona um verdadeiro orgasmo sonoro volumoso, soporífero e emocionalmente desconcertante.

O vídeo deste single dos Cosmic Mass foi gravado pelo próprio grupo e nele os quatro tentam levar o mais à letra e à imagem possível o conteúdo de I've Become The Sun. Confere I've Become The Sun e as próximas datas de concertos desta banda absolutamente frenética...

28 de Fevereiro, Aveiro, Mercado Negro

1 de Março, Lisboa, Sabotage

2 de Março, Porto, Barracuda

22 de Fevereiro, Esmoriz, Uncle Joe’s Bar

23 de Março, Guimarães, Oub’lá

29 de Março, Estarreja, Kola Moka

4 de Abril, Aveiro, GRETUA

10 de Maio, Évora, She

11 de Maio, Figueira da Foz, DRAC

13 de Julho, Ponte de Lima, Ecos do Lima

Bandcamp : https://cosmicmass.bandcamp.com/album/vice-blooms

Facebook: www.facebook.com/CosmicMass/

Instagram: www.instagram.com/cosmicmass/    


autor stipe07 às 09:36
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Sábado, 9 de Fevereiro de 2019

Flak - Verão

Com uma carreira de mais de três décadas durante a qual incubou e encabeçou bandas tão importantes do universo indie nacional como os Radio Macau ou os Micro Audio Waves, Flak tem também um projeto a solo que começou há exatamente vinte anos com um homónimo que tem finalmente sucessor. Cidade Fantástica é o seu novo registo de originais em nome próprio, um alinhamento de dez canções que viu a luz do dia no final do passado mês de outubro e que foi gravado no mítico Estúdio do Olival, local onde o músico gravou e produziu vários discos, não só das suas bandas, mas também de Jorge Palma, Entre Aspas e GNR, entre muitos outros.

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O mais recente single divulgado de Cidade Fantástica é Verão, uma música que conta com a participação especial vocal de Mariana Norton e que em si é um delicioso tratado de indie pop, assente numa bateria grave e compassada, uma guitarra em contínuo e inquieto frenesim e teclas com efeitos cósmicos, em suma, uma soul contemplativa que sobrevive num terreno experimental e até psicadélico e onde a fronteira entre a sua heterogeneidade instrumental e melódica e um apenas aparente minimalismo estilístico é muitas vezes indecifrável. Sobre Verão o autor refere no seu press release de lançamento:

O Verão é uma canção sobre o mundo fantástico em que vivemos. Não há nenhum que se assemelhe no sistema solar. Temos montanhas mares cores pássaros que cantam nas árvores, um céu estrelado. Provavelmente não existirá nenhum igual no Universo a não ser que existam Universos paralelos. A realidade não existe. A realidade é aquilo que nós queremos ver. Nós é que fazemos a nossa realidade. Quem reflectir um pouco sobre a beleza das coisas e a nossa pequenez, há de lhe sobrar menos tempo e vontade de odiar o vizinho ou aqueles que não são como ele.

No próximo dia 23 de Fevereiro, Flak actuará, com a sua banda, no Teatro de Vila Real, no âmbito do Festival Boreal, com várias datas na primavera e no verão a serem divulgadas em breve. Confere...

https://www.facebook.com/flakoficial/

https://www.instagram.com/surreal_flak/

https://www.youtube.com/channel/UCgcj_xLwGtOj5l0PuVoFnjg 


autor stipe07 às 10:17
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Domingo, 3 de Fevereiro de 2019

The Dirty Coal Train - Juvenile delinquent

Depois de quatro álbuns, uma compilação e vários singles, já está nos escaparates há mais de meio ano Portuguese Freakshow, o último disco do projeto The Dirty Coal Train, que nasceu da mente do casal Ricardo Ramos e Beatriz Rodrigues, uma dupla natural de Viseu e a residir em Lisboa, que se tem assumido na presente década como uma das bandas mais excitantes do garage rock nacional. É um longo registo com quase quatro dezenas de temas e que conta com vários convidados especiais, nomeadamente Carlos Mendes (Tédio Boys, The Parkinsons, The Twist Connection), Nick Nicotine (The Act-Ups, Ballyhoos, The Jack Shits, Bro X), Victor Torpedo (The Parkinsons, Subway Riders), Ondina Pires (The Great Lesbian Show, Pop Dell'Arte), Fast Eddie Nelson (Big River Johnson, Fast Eddie & the Riverside Monkeys), Captain Death (Tracy Lee Summer) e Mário Mendes (Conan Castro & the Moonshine Piñatas), entre outros, um projeto megalómano bem sucedido lançado em vinil pela Groovie Records em parceria com a Garagem Records, tendo sido gravado nos estúdios Golden Pony em Lisboa e no King no Barreiro.

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Cheio de acordes rápidos e batidas viciantes, Juvenile delinquent é o mais recente single retirado de Portuguese Freakshow, um tema também já com direito a um vídeo da autoria do Ricardo e da Beatriz e que, de acordo com o press release do lançamento, brinca com os clichés do rockabilly: a delinquência juvenil dos 50's e o espírito da geração beat. Assim, em pouco menos de um minuto e meio a canção oferece-nos um tratado de rock cru e direto, uma composição de completo transe roqueiro e onde se cruzam garage, punk sessentista, blues, rockabilly e até surf rock.

Juvenile delinquent faz parte de um álbum que impressiona pelo seu todo e que está repleto de referências a seres fantásticos e ao cinema mais alternativo. Portuguese Freakshow, que já tem sucessor pronto e previsto para ser lançado em maio, acaba por ser um retrato sonoro bastante interessante e impressivo acerca da nossa realidade atual enquanto povo, que parece muitas vezes bastante desligado da realidade e a viver num permanente estado de alienação que é aqui de certo modo documentado com uma elevada dose de humor, ironia e simbolismo. O registo foi produzido pelos próprios Ricardo Ramos e Beatriz Rodrigues e o artwork é da autoria de Olaf Jens. Confere Juvenile delinquent..


autor stipe07 às 14:53
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Sábado, 2 de Fevereiro de 2019

Tape Junk - Cranberry and Thyme

Quase quatro anos depois de um excelente homónimo, os Tape Junk de João Correia estão prestes a regressar aos lançamentos discográficos, em formato digital e em cassete, com Couch Pop, o terceiro disco do projeto, um compêndio de nove canções pensadas e estruturadas pela mente do cérebro da banda. De facto, os Tape Junk assumem-se cada vez mais como um projeto a solo deste músico que também fundou os Julie & The Carjackers e os They’re Heading West, já que em Couch Pop todos instrumentos foram registados pelo João, que contou apenas com o apoio de António Vasconcelos Dias nos sintetizadores.

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Álbum escrito e construído sem pressas, entre o início de dois mil e dezasseis e o ocaso do verão passado e com um alinhamento que foi sendo continuamente aperfeiçoado, mutado e aprimorado de acordo com o estado de espírito do autor e ao sabor de um tempo que nunca o pressionou, Couch Pop tem em Cranberry and Thyme o single de apresentação, uma canção que conta com um vídeo de João Paulo Feliciano e que sonoramente nos oferece uma soalheira aventura sonora, com um elevado pendor pessoal e intimista, que impressiona não só pelo trabalho percurssivo, mas também pelo riff contagiante da guitarra que acompanha o refrão e pelos efeitos sintetizados que vão ornamentando diversas mudanças rítmicas. Confere...

https://tapejunk.bandcamp.com/releases

https://www.facebook.com/TapeJunk/

https://www.patacadiscos.pt/


autor stipe07 às 08:14
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Sábado, 19 de Janeiro de 2019

Galo Cant’Às Duas - Cabo da Boa Esperança

Moita, no concelho de Castro Daire, é um ponto geográfico nevrálgico fulcral para o projeto Galo Cant’às Duas, uma dupla natural de Viseu, formada por Hugo Cardoso e Gonçalo Alegre e que tocou pela primeira vez nesse local, de modo espontâneo, durante um encontro de artistas. Nesse primeiro concerto, o improviso foi uma constante, com a bateria, percussões e o contrabaixo a serem os instrumentos escolhidos para uma exploração de sonoridades que, desde logo, firmaram uma enorme química entre os dois músicos.

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Inspirados por esse momento único, Hugo e Gonçalo arregaçaram as mangas e há cerca de dois anos começaram a compor, ao mesmo tempo que procuravam dar concertos, sempre com a percussão e o contrabaixo na linha da frente do processo de construção sonora. A guitarra e o baixo elétrico acabam por ser dois ingredientes adicionados a uma receita que tem visado, desde Os Anjos Também Cantam, o disco de estreia do projeto editado na primavera do ano passado, a criação de um elo de ligação firme entre duas mentes disponíveis a utilizar a música como um veículo privilegiado para a construção de histórias, mais do que a impressão de um rótulo objetivo relativamente a um género musical específico.

Agora, cerca de ano e meio depois dessa estreia auspiciosa, os Galo Cant’Às Duas deixaram a guitarra em casa, olharam com maior gula para os sintetizadores e já colocaram nos escaparates o sempre difícil segundo disco, um trabalho chamado Cabo da Boa Esperança, que marca, claramente, um rumo mais abrangente, ousado e criativo para a dupla, algo que se percebe de imediato e com clareza no cortejo alegórico de distorções e diferentes nuances rítmicas que abastecem a jam session A Dança do Tempo, o tema de abertura do registo.

Cabo da Boa Esperança não mais levanta o pé do acelerador impressivo. O clima caleidoscópico que trespassa o sintetizador melódico de Coro a Cara, o indisfarçavel travo punk inicial de Guia do Fazer que depois se amansa para territórios mais etéreos, para voltar a carregar num ruído progressivo, ou o salutar experimentalismo psicadélico que brota do single Sobre Um Tanto Medo, uma canção sobre a ténue fronteira entre a ânsia de descobrir, ao medo de ser descoberto e que plasma a inegável ousadia e mestria instrumental da dupla, nomeadamente na percussão, deixam-nos de olhos e ouvidos em bico e à bica. E o festim prolonga-se nménage a trois desavergonhado e feito cópula, à vez, entre bateria, guitarra e sintetizador em Foto Grama e na espiral rugosa feita de flashes de samples, de alguns sopros que gostam de jogar ao esconde esconde, de uma guitarra em contínuo e inquieto frenesim e loops percussivos inquietos em Mudo, mais duas composições feitas para nos levar numa viagem de descoberta de um leque variado de extruturas e emoções que se vão sobrepondo e antecipando diversas quebras e mudanças de ritmo e fulgor.

Ao longo das oito canções de Cabo da Boa Esperança, mais do que ser-nos dada a possibilidade de descobrirmos o rumo certo da nossa jornada pessoal ou a fórmula infalível que nos vai levar para o lado certo da razão, é-nos facultada uma sequência muito física de sensações, através de um delicioso caldeirão sonoro onde as composições vestem a sua própria pele enquanto se dedicam, de corpo e alma, à hercúlea tarefa comunicativa que os autores designaram para cada uma, individualmente. E os Galo Cant’Às Duas fazem-no fervilhando de emoção, arrojo e astúcia, enquanto vêm potenciadas todas as suas qualidades, à medida que polvilham os trinta e cinco minutos de Cabo da Boa Esperança com alguns dos melhores tiques de variadíssimos géneros e subgéneros sonoros, cabendo, no desfile dos mesmos, liderados pelo chamado rock progressivo, indie rock, popfolk, eletrónica e psicadelia. Espero que aprecies a sugestão…


autor stipe07 às 11:33
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Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2018

Grand Sun - Little Mouse

Foi através da Aunt Sally Records que viu já na segunda metade deste ano a luz do dia The Plastic People of The Universe, o mais recente EP dos Grand Sun de Ribeiro, António, Simon e Miguel, um coletivo oriundo de Oeiras, nos arredores da capital e que aposta num exuberante registo indie com fortes raízes no rock setentista mais lisérgico, mas também naquela pop efervescente que fez escola na década anterior e onde a psicadelia era preponderante no modo como trespassava com cor e luminosidade o edifício melódico de muitas composições. Deste EP constam cinco canções que são autênticos passeios por um mesmo jardim contemplativo, onde, na sua concepção e gravação, nos Blacksheep Studios por Guilherme Gonçalves e pelo Bruno Plattier, nada mais interessou para os Grand Sun senão observar e cantar o que os rodeava.

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Dessas cinco composições de The Plastic People of The Universe acaba de ser ser extraído em formato single a canção Little Mouse, uma alegoria pop particularmente luminosa conduzida por uma guitarra inspirada, sintetizadores cósmicos e um constante efeito vocal ecoante, também com direito a um inspirado vídeo realizado por Luís Judícibus. Esta edição em formato single de Little Mouse marca o fim da digressão de apresentação do EP que viajou pelo país em cidades como Lisboa, Porto, Aveiro, Freamunde, Coimbra e Torres Vedras. Confere...


autor stipe07 às 20:31
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Quinta-feira, 29 de Novembro de 2018

Galo Cant’Às Duas - Sobre Um Tanto Medo

Moita, no concelho de Castro Daire, é um ponto geográfico nevrálgico fulcral para o projeto Galo Cant’às Duas, uma dupla natural de Viseu, formada por Hugo Cardoso e Gonçalo Alegre e que tocou pela primeira vez nesse local, de modo espontâneo, durante um encontro de artistas. Nesse primeiro concerto, o improviso foi uma constante, com a bateria, percussões e o contrabaixo a serem os instrumentos escolhidos para uma exploração de sonoridades que, desde logo, firmaram uma enorme química entre os dois músicos.

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Inspirados por esse momento único, Hugo e Gonçalo arregaçaram as mangas e há cerca de dois anos começaram a compor, ao mesmo tempo que procuravam dar concertos, sempre com a percussão e o contrabaixo na linha da frente do processo de construção sonora. A guitarra e o baixo elétrico acabam por ser dois ingredientes adicionados a uma receita que tem visado, desde Os Anjos Também Cantam, o disco de estreia do projeto editado na primavera do ano passado, a criação de um elo de ligação firme entre duas mentes disponíveis a utilizar a música como um veículo privilegiado para a construção de histórias, mais do que a impressão de um rótulo objetivo relativamente a um género musical específico.

Agora, cerca de ano e meio depois dessa estreia auspiciosa, os Galo Cant’Às Duas deixaram a guitarra em casa, olharam com maior gula para os sintetizadores e já anunciaram o sempre difícil segundo disco, um trabalho chamado Cabo da Boa Esperança, que verá a luz do dia em janeiro e do qual já se conhece o single de apresentação, um tema intitulado Sobre Um Tanto Medo, uma canção que plasma a inegável ousadia e mestria instrumental da dupla, nomeadamente na percussão e que serviu-se de um salutar experimentalismo psicadélico para nos levar numa viagem de descoberta de um leque variado de extruturas e emoções que se vão sobrepondo e antecipando diversas quebras e mudanças de ritmo e fulgor. 

De acordo com o press release de lançamento do single, para o respectivo vídeo, interessou a ideia de filmar o lugar onde realizaram a capa do disco. Naturalmente sem acompanhar a cadência da música quiseram provocar a dúvida da sua real existência. De um não-lugar, de um universo que é nosso ou criado por nós. Sentiram assim a necessidade de imortalizar/revitalizar aquele lugar que o vídeo vai mostrando e dando vida.

No dia vinte e oito de Dezembro acontecerá uma festa de pré lançamento que se intitula Cantar de Galo. No Carmo’81, em Viseu, os Galo Cant’Às Duas convidam também o percussionista João Pais Filipe, que recentemente lançou o seu disco a solo, para abrir o que será uma noite de celebração cheia de pessoas bonitas que fizeram também parte deste processo de criação. Confere o single de apresentação de Cabo da Boa Esperança...

 


autor stipe07 às 18:36
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