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Birds Are Indie - Migrations – The Travel Diaries #1

Segunda-feira, 06.07.20

Já viu a luz do dia Migrations – The Travel Diaries #1, o quinto álbum dos conimbricenses Birds Are Indie de Joana Corker, Ricardo Jerónimo e Henrique Toscano, um registo de dez canções abrigadas pela Lux Records e que celebram a mesma quantidade de anos de um dos projetos nacionais mais queridos nesta redação, porque transmitem com as suas composições sonoras um rol de emoções e sensações únicas, sempre com intensidade e minúcia, mas também misticismo e argúcia e geralmente com uma serenidade extraordinariamente melancólica e bastante contemplativa.

Birds Are Indie apresentam "Migrations - the travel diaries #1 ...

Migrations – The Travel Diaries #1 tem a curiosidade de ver a luz do dia em duas edições distintas, uma em CD que surgiu nos escaparates em abril e outra em vinil, que chegrá lá para setembro. Ambos os formatos contam com a revisita de cinco canções da discografia anterior da banda, reinterpretadas e regravadas no estúdio Blue House, em Coimbra, mais cinco originais.

Com mistura e masterização de João Rui, todos os temas de Migrations– The Travel Diaries #1 tiveram a participação no baixo e em algumas teclas do convidado especial Jorri (a Jigsaw), que também colaborou na gravação. Liderar esse processo, como habitualmente, ficou a cargo de um elemento da banda, Henrique Toscano e o mesmo aconteceu com o artwork e o design, feitos pela mão da Joana Corker, modus operandi muito semelhante a Local Affairs, o registo que os Birds Are Indie editaram há dois anos atrás.

Uma década parece uma eternidade mas é um facto que parece que foi ontem que este lindíssimo projeto conimbricense deixou em sentido os mais atentos com a edição do EP Love Birds, Hate Pollen, um tomo de cinco canções que nos ofereceram, desde logo, tonalidades pop vibrantes de primeira água, tendo como grande elementos indutor de imensa magia e encantamento, as cordas. A partir daí, registo após registo, os Birds Are Indie foram dando passos consistentes num percurso que até nos foi habituando a algumas inflexões e salutares piscares de olho ao rock, ao blues e ao jazz, mostrando que o trio está sempre atento às novas tendências e disposto a manipulá-las em proveito próprio, dentro daquela indie folk assente em cordas exuberantes, melodias aditivas e arranjos inspirados, uma fórmula que cria um ambiente emotivo e honesto e que nunca descura um elevado espírito nostálgico e sentimental, duas caraterísticas bastante presentes na escrita e na composição deste grupo.

The Travel Diaries #1 é, no fundo, um registo de balanço de todo este percurso estilístico e conceptual, um trabalho que vagueia e passeia por estes dez anos, mas que também nos oferece algumas pistas importantes acerca do futuro do projeto. O single Black (or the art of letting go), que foi selecionado há alguns meses para nos entreabrir a portas de The Travel Diaries #1 contém, de facto, essa marca viajante sendo, sonoramente, uma composição que, como os próprios Birds Are Indie descrevem, mostra uma determinação materializada num ritmo tenso e intenso, em guitarras sujas e teclados acutilantes, ou seja, que acaba por fazer uma espécie de súmula de tudo aquilo que foi inspirando o projeto no processo de composição e que depois, na letra, nos permite contemplar, no imediato, uma ironia gerada pelo contraste, algo tão característico dos Birds Are IndieNo refrão e a terminar a música, ouve-se repetidamente: «I never said it's over, I'll never say I want you back». E é nesta decidida indecisão que se inicia mais uma viagem...

Em suma, a simplicidade com que os Birds Are Indie transmitem um rol sensações particularmente vasto e sem se preocuparem com o modo como possam ser catalogados, é, talvez, o maior atributo deste grupo, que também impressiona pela graça como os seus membros combinam e manipulam, com sentido melódico e lúdico, a estrutura de uma canção. Muitas vezes parece um esforço indisciplinado, infantil e claramente emocional, mas acaba por ser bem sucedido porque, entre a pop luminosa de I won't take it anymore ou a nostalgia de Time to make amends, além do rock vintage sessentista de Needless to Say e o de cariz mais jazzístico, audível nas teclas do piano que conduzem The senior dancer, sem descurar alguns aspetos essenciais do american rock, claramente esplanados em We're not coming down e na refrescante e encantadora Instead of watching telly, somos presenteados com diversos piscares de olho à história do rock nas últimas décadas, havendo sempre espaço para o sarcasmo e o humor que tão bem carateriza a dupla que lidera este projeto, conduzido por três inspirados músicos que se movem entre o preto, o branco e a cor, entre a luz e a sombra, entre a contenção e a explosão, entre a protecção oferecida pela tela e a crueza da máxima exposição. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 10:18

Aviator – All You Haters

Quinta-feira, 25.06.20

É Pete Wilkinson, antigo baixista dos projetos Cast, Shack e Echo & The Bunnymen, todos de Liverpool, de onde o músico também é natural, quem encabeça o projeto britânico Aviator. A ele juntam-se Paul Hemmings, Keith O'Neill e Nick Graff, para criarem composições com uma tonalidade psicadélica única e pouco vulgar no modo como se cruza com alguns dos melhores detalhes do indie rock. All You Haters é o novo registo de originais do projeto, dez canções que viram a luz do dia recentemente através da etiqueta The Viper Label.

FLYING: PETE WILKINSON AND AVIATOR |

All You Haters oferece-nos uma luxuosa pafernália de explosões sónicas, afirmadas e comprovadas num registo interpretativo em que a acusticidade vibrante das cordas não tem qualquer pudor em dar as mãos a riffs rugosos e enleantes, sendo este, claramente, o grande conceito definidor da sonoridade do disco. Canções como All Around You (Omni), The Ballad Of Tempest Brown, um tema hipnótico e intrigante e a composição homónima são excelentes exemplos desta trama interpretativa que, aliás, tinha ficado logo no início evidenciada em Scarecrow, um intro instrumental vibrante e no qual um violão desliza impecavelmente por uma melodia de forte pendor melancólico.

Depois, os arranjos percussivos que adornam K Tripper, tema de superior requinte letárgico, ou os efeitos sintetizados que sobram em Av8tor e que nos levam direitinhos rumo à melhor pop psicadélica setentista, alargam o espetro criativo de um trabalho exuberante e hirto, que sabe aquela brisa amena que aparentemente não fere nem inclina, mas que não deixa de penetrar na nossa pele até ao âmago, de nos fazer tremer e de eriçar todos os nossos sentidos.

Álbum espontâneo, mágico e com com uma beleza muito imediata e acessível, All You Haters é uma manifestação de pura classe destes Aviator e muito em particular do líder Pete Wilkinson que é, dentro de um espetro eminentemente rock e com tudo o que isso implica em termos de ruído, sujidade e visceralidade, eximío a criar melodia incisivas, com um elevado grau de epicidade e esplendor e que replicam com ímpar contemporaneidade a melhor herança do rock progressivo e do shoegaze setentista, sempre com um indesmentível travo pop. Espero que aprecies a sugestão...

Aviator - All You Haters

01. Scarecrow
02. The Wrong Turn
03. All Around You (Omni)
04. K Tripper
05. All You Haters
06. AV8TOR
07. The Ballad Of Tempest Brown
08. Here Comes The Gun
09. Catching The Blues
10. Scarecrow (Reprise)

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publicado por stipe07 às 14:45

Elbow – Elbowrooms

Sexta-feira, 19.06.20

O período de confinamento que vivemos recentemente devido ao Covid-19 e que ainda não está totalmente ultrapassado, foi motivo para algumas bandas e projetos musicais inovarem no modo como se mantiveram ativos, criativos e, principalmente, em contacto direto com os fãs, visto os concertos ao vivo estarem proibidos. Os britânicos Elbow de Guy Garvey, Craig Potter, Mark Potter, Pete Turner e Alex Reeves não foram excepção e conseguiram dinamizar um dos projetos mais interessantes deste período de restrição, interpretando alguns dos seus principais exitos com uma roupagem mais íntima e acústica, com cada um dos cinco músicos da banda a tocar e a cantar a partir de sua casa, sem desrespeitar as regras de confinamento.

Elbow – Rank The Albums | NME

O resultado final dessa demanada chama-se Elbowrooms, um tomo de nove canções que fazem uma resenha bastante abrangente da carreira do grupo que, nos trabalhos mais recentes, tem mostrado um distanciamento cada vez maior da faceta rock que sempre marcou o projeto e que teve como clímax o excelente tema Grounds for Divorce, incluído no já clássico The Seldom Seen Kid (2208), para se aproximarem, mais do que nunca, de um som íntimo, polido, de forte pendor acústico, ou seja, um som que tem na pop, na folk e até na própria música de câmara influências mais do que evidentes, aspetos bem audíveis neste Elbowrooms.

Assim, charme e classicismo são conceitos que assaltam facilmente a mente de quem escuta estas nove composições que, não deixando de ter felizes combinações entre guitarras acústicas ou ligeiramente eletrificadas e uma ímpar cautela percurssiva, à qual o piano não é também alheio, como é o caso da reinterpretação do clássico Mirrorball, canção que também conta com alguns efeitos sintetizados subtis, acabam por mostrar todo o seu esplendor quando, mesmo numa atmosfera minimlista, conseguem colocar à tona arranjos instrumentais sofisticados, que induzem a alma, o caráter e a beleza que todas estas canções, na sua versão original, já possuem. Importa salientar, ainda, que a voz de Garvey é, também, um ponto forte do trabalho, funcionando como mais uma espécie de elemento instrumental, com igual importância no arquétipo do registo. O modo como se entrelaça com as cordas em Weightless é um excelente exemplo dessa constatação, que se tornará óbvia para quem escutar este Elbowrooms com a devoção que o trabalho merece.

Os Elbow são das melhores bandas do mundo para nos ensinar como enfrentar a habitual ressaca emocional que os eventos familiares menos positivos provocam no equilíbrio emocional de qualquer mortal, mas também servem como odes celebratórias de todo o encanto e alegria que a vida nos oferece. Quando se mostram e o fazem de forma tão charmosa, autêntica e recatada, ampliam ainda mais esta óbvia constatação. Espero que aprecies a sugestão...

Elbow - Elbowrooms

01. Weightless
02. Great Expectations
03. Fugitive Motel
04. Scattered Black and Whites
05. Mirrorball
06. Magnificent (She Says)
07. Puncture Repair
08. Dear Friends
09. Lippy Kids

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publicado por stipe07 às 10:12

Mando Diao – I Solnedgången

Terça-feira, 16.06.20

Cerca de meio ano após o lançamento de Bang, o registo de originais que os suecos Mando Diao lançaram no outono passado, a banda de rock alternativo formada em dois mil e um, com origem em Borlänge e comandada atualmente por Björn Dixgård, Mats Björke e Carl-Johan Fogelklou, já está de regresso aos lançamentos discográficos com I Solnedgången, o décimo tomo da carreira do projeto e o primeiro álbum em língua sueca dos Mando Diao desde dois mil e doze, ano em que lançaram Infruset, talvez o mais bem sucediddo trabalho deste grupo e que, recordo, utilizava em todas as canções poemas de Gustaf Fröding (1860-1911), um conceituado poeta sueco. I Solnedgången conta com as participações especiais de Karin Boye, Nils Ferlin, Gustaf Fröding e dos pais de Björn Dixgård, Malin e Hans, tendo sido gravado na cidade natal da banda em quatro dias e à moda antiga, apenas com um microfone na sala de gravação.

Mando Diao: ”I solnedgången” - Recension | Aftonbladet

I Solnedgången significa ao pôr do sol e este título serve na perfeição, neste momento, numa banda ainda muito marcada pelo espetacular sucesso que esse registo Infruset obteve, essencialmente no país natal, e que colocou a fasquia do projeto bastante elevada no que concerne à avaliação dos lançamentos posteriores. E essa é uma expressão feliz porque este parece ser, claramente, um trabalho de mudança e de virar de página, de uma abordagem sonora que, na maior parte da carreira, foi muito eletrificada e instrumentalmente abrangente, para pender agora para territórios mais íntimos e reflexivos. O antecessor Bang, um alinhamento muito imediato, cru, estilisticamente parco e conscientemente minimal, já deixava pistas evidentes acerca da vontade dos Mando Diao de deixarem definitivamente para trás a escalada sonora e vertiginosa ao universo indie rock mais pop e até progressivo, para voltarem a colocar as fichas numa estética também plena de adrenalina, mas com maior filosofia orgânica e centrada eminentemente nas cordas, talvez o território onde este quarteto sueco se tem sentido mais confortável ao longo da carreira.

De facto, I Solnedgången materializa esse virar de agulhas definitivo, em onze canções sólidas e uniformes, muito centradas, liricamente, nas fraquezas individuais e na fragilidade própria da existência humana e instrumentalmente assentes na acusticidade das cordas, muitas vezes sobrespostas, quer no timbre, quer na tonalidade, mas sem cairem na tentação de recorrerem aos decibéis. O sintetizador também marca presença, até em determinadas circunstâncias como suporte melódico, mas serve, acima de tudo, como indutor de adornos e de pequenos detalhes, daqueles que enriquecem e dão cor, substância e alma ao grosso das canções.

Disco humano e forte, muito concentrado na moralidade e na emoção, num mundo em que a ganância e o poder são metas cada vez mais irresistíveis para muitos, porque expôe fraquezas, deficiências e atritos, não so filosificamente, mas até sonoramente, já que ao nível da produção, nota-se uma fuga incessante aos cânones essenciais que balizam aquela pop mais límpida e lustruosa, I Solnedgången é um trabalho repleto de emoção e, acima de tudo, infestado de melodias que se perfuram no nosso corpo e que são depois difíceis de delas nos livrarmos, tão evidente e profundo é o brilhantismo de canções como Själens Skrubbsår ou a composição homónima, os temas que melhor personificam a tal viragem sonora que explora novos territórios sonoros e que, servindo-se da língua mãe, eleva a ode dos Mando Diao ao seu país a um patamar elevadíssimo. Espero que aprecies a sugestão...

Mando Diao - I Solnedgången

01. I Solnedgången
02. Kvällstilla
03. Långsamt
04. Stjärnornas Tröst
05. Sparven
06. Sorgen
07. Stigen
08. Själens Skrubbsår
09. Kullen Vid Sjön
10. Vaggvisa Under Stora Björn
11. Tid Tröste

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publicado por stipe07 às 21:14

Foals – Collected Reworks Vol. 1

Sexta-feira, 12.06.20

Os Foals de Yannis Philippakis ofereceram-nos dose dupla em dois mil e dezanove, com o lançamento, em maio desse ano, de Everything Not Saved Will Be Lost Part 1, ao qual sucedeu, no mês de outubro, Everything Not Saved Will Be Lost Part 2, dois trabalhos com a chancela do consórcio Transgressive / Warner Bros e que materializaram o quinto e sexto registo da carreira do projeto britânico, dois álbuns muito focados no modo como o homem tem pressionado o ambiente e a natureza, colocando o futuro do nosso planeta em risco, mas que também olhavma para assuntos importantes da realidade britânica como o brexit, a imigração e o fosso cada vez maior entre ricos e pobres.

Foals announce career-spanning 'Collected Reworks Vol. I' remix ...

Agora, na ressaca de tão monstruosa e bem sucedida demanda, os Foals resolveram agregar e disponibilizar num só tomo que terá, presume-se, três capítulos, o modo como nesta década algus dos melhores intérpretes da eletrónica contemporânea, foram misturando alguns dos seus maiores sucessos, de modo a recriarem vários alinhamentos de remisturas. O pontapé de saída de tal demanda acaba de ser dado com Collected Reworks Vol. 1, um compêndio que impressiona pela grandiosidade e pelo modo como, na base sonora dos Foals, assente num indie rock impulsivo e eloquente, feito quase sempre de guitarras conduzidas por uma epicidade frenética e crua, os efeitos exalam um saudável espontaneidade, alinhados por batidas quentes e andamentos melódicos únicos e fortemente inebriantes. 

O resultado final é mais de uma hora e meia de um verdadeiro estardalhaço sonoro libidinoso e festivo que, além de explorar com notável abrangência, requinte e fluidez os diferentes jogos de sedução que se podem estabelecer entre o indie punk rock e a eletrónica que oscila entre o techno, a dance music e a chillwave, procura, numa espécie de filosofia interpretativa global seguida pelos diferentes intérpretes, o encontro de sonoridades simbióticas que coloquem maior ênfase naquela pop sintetizada que dialoga promiscuamente com o rock oitocentista, sem colocar em causa o ângulo individual que cada artista colocou na sonoridade dos Foals e no modo como a quis reinventar e enriquecer. Espero que aprecies a sugestão...

Foals - Collected Reworks Vol. 1

01. My Number (Hot Chip Remix)
02. Give It All (Lxury Remix)
03. Mountain At My Gates (Alex Metric Remix)
04. Into The Surf (Hot Since 82 Remix)
05. Spanish Sahara (John Dahlbäck Remix)
06. The Runner (RÜFÜS DU SOL Remix)
07. In Degrees (Purple Disco Machine Remix)
08. Mountain At My Gates (SebastiAn Remix)
09. Spanish Sahara (Topher Jones Remix)
10. Out Of The Woods (Kulkid Remix)
11. Olympic Airways (Ewan Pearson’s Return To the Villa Of Joy Remix)
12. Late Night (Solomun Remix)
13. Spanish Sahara (Deadboy Remix)

 

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publicado por stipe07 às 16:02

Muzz - Muzz

Sexta-feira, 05.06.20

Uma das grandes surpresas discográficas do momento é o registo homónimo de estreia do super grupo Muzz, um trio formado por Paul Banks dos Interpol, Matt Barrick dos The Walkmen e Josh Kaufman dos Bonny Light Horseman. O projeto começou a ser incubado há quase meia década por Banks e Barrick, amigos dos tempos de escola que tiveram sempre em mente juntar esforços para compor e criar música. Josh Kaufman, exímio multi-instrumentista e habitual colaborador em diversos projetos, com especial destaque para os The National e o registo de estreia a solo de Matt Berninger, prestes a ver a luz do dia, foi a cereja no topo do bolo dessa ideia feliz e que dá agora frutos num alinhamento de doze canções com elevado travo indie e onde do rock alternativo à folk, funde-se o adn de Banks, que olhou sempre com gula para um registo eminentemente punk, com as sonoridades mais atmosféricas e luminosas do agrado de Barrick, admirador confesso de referências como Neil Young ou Bob Dylan.

Muzz - Muzz review: Paul Banks's drowsy, occasionally lovely but ...

Abrigado pela Matador Records, Muzz tem como excelente exemplo de toda a trama que o sustenta, o modo como um dramático piano se entrelaça com uma guitarra repleta de efeitos, enquanto alguns sopros deambulam pela melodia de Broken Tambourine, uma das canções mais bonitas do ano. A partir daí, Muzz proporciona uma jornada sonora em que limpidez e sobriedade dão as mãos convictamente, para colocarem rédea curta num rock que não deixa de ser sedutor, adulto e até charmoso, mas que é minuciosamente arquitetado e alvo de um trabalho de produção irrepreensível. Mesmo quando as guitarras distorcidas se fazem notar desenfreadamente em Red Western Sky ou Knuckleduster, nunca é permitido o resvalar para territórios mais progressivos e rugosos.

Apesar de Banks e Barrick serem as figuras públicas maiores deste coletivo, é Kaufman quem, no fundo, está na base a segurar todo o edifício sonoro do álbum, já que é ele o responsável pelo adorno dos temas, o dono de grande parte dos arranjos de cordas e o intérprete da maioria do arsenal instrumental utilizado. O intimismo sintético de Evergreen, a salutar e impressiva acusticidade de Everything Like It Used to Be, o pendor clássico e até pastoral de All Is Dead to Me e o modo como folk e eletrónica sustentam Patchouli, só são possíveis devido aos múltiplos recursos que este músico possui e à sua ímpar capacidade interpretativa.

Outro aspeto interessante durante a audição de Muzz é a percepção clara de que fica sempre à tona um salutar minimalismo que, diga-se, é o registo instrumental interpretativo que melhor faz sobressair a voz inconfundível de Banks, uma das mais sagazes do indie rock contemporâneo e que, podendo estar a perder alguma potência com a idade, está a ganhar claramente em afinação e sentimento.

Não sendo ainda claramente percetível em que direção pretendem estes três amigos talentosos caminhar, algo que até abona positivamente em relação às expetativas futuras relativamente a este projeto, é já certo poder dizer-se que Muzz é uma feliz e promissora estreia de um conjunto de músicos que parecem ter encontrado o ninho perfeito para deixarem a sua criatividade fluir livremente, sem os constrangimentos óbvios do adn sonoro das bandas de onde são originários. Em Banks, por exemplo, percebe-se que ele se sente feliz por finalmente fazer parte de uma banda em que não precisa de vestir um fato cada vez que tem de dar a cara por ela. Espero que aprecies a sugestão...

Muzz - Muzz

01. Bad Feeling
02. Evergreen
03. Red Western Sky
04. Patchouli
05. Everything Like It Used To Be
06. Broken Tambourine
07. Knuckleduster
08. Chubby Checker
09. How Many Days
10. Summer Love
11. All Is Dead To Me
12. Trinidad

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publicado por stipe07 às 14:16

Woods - Strange To Explain

Segunda-feira, 01.06.20

Com uma dezena de discos no seu catálogo, os Woods são, claramente, uma verdadeira instituição do indie rock alternativo contemporâneo. De facto, esta banda norte americana oriunda do efervescente bairro de Brooklyn, bem no epicentro da cidade que nunca dorme e liderada pelo carismático cantor e compositor Jeremy Earl e pelo parceiro Jarvis Taveniere, tem-nos habituado, tomo após tomo,  a novas nuances relativamente aos trabalhos antecessores, aparentes inflexões sonoras que o grupo vai propondo à medida que publica um novo alinhamento de canções. Mas, na verdade, tais laivos de inedetismo entroncam sempre num fio condutor que tem sido explorado até à exaustão e com particular sentido criativo, abarcando todos os detalhes que o indie rock, na sua vertente mais pura e noise e a folk com um elevado pendor psicadélico permitem. Estes são os grandes pilares que, juntamente com o típico falsete de Jeremy, orientam o som dos Woods e que se mantêm, com enorme primor, em Strange To Explain, o álbum que a dupla lançou a vinte e dois de maio, à boleia da etiqueta do grupo, a Woodsist.

Woods ainda relevante em "Strange to Explain" - Escuta Essa Review

Strange To Explain sucede ao excelente Love Is Love, de dois mil e dezassete, sendo o primeiro do projeto desde que Earl foi pai e Jarvis se mudou para Los Angeles. Tais eventos foram marcantes para a dupla e obrigaram a mesma a uma redifinição de rotinas, mas também acabaram por influenciar o conteúdo lírico e sentimental de onze canções que acabam por mostrar os Woods num território sonoro onde se sentem particularmente confortáveis. Falo daquele rock com um elevado travo folk, nomeadamente aquele mais reflexivo e íntimo que, curiosamente, foi o combustível principal de At Echo Lake, o trabalho que os Woods lançaram há exatamente uma década e que ainda é, para muita crítica, o momento discográfico maior deste projeto norte-americano.

De facto, canções como Next To You And The Sea, um buliçoso mas agradável portento de luz e cândura e Where Do You Go When You Dream?, canção que entre cordas, um baixo vibrante, um belo falsete, uma bateria pujante, arranjos luminosos e simultaneamente lo fi e guitarras experimentais, reluz porque assenta num som leve e cativante e com texturas psicadélicas que, simultaneamente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, são temas que nos mostram, desde logo, que houve uma intenção clara de estabelecer um diálogo sonoro com o ouvinte que não obrigasse este a demasiada reflexão de modo a destrinçar o modus operandi que conduziu a conceção do disco, ao mesmo tempo que houve uma busca por induzir uma sonoridade agradável, sorridente e o mais orgânica possível. As cordas vibrantes e os efeitos borbulhantes em que navegam as águas calmas de Just To Fall Asleep e o clima sedutor que se estabelce entre viola e bateria em Before They Pass By são outros exemplos bonito desta busca por um clima otimista, reluzente e aconchegante, que marca Strange To Explain.

Mesmo nas sintetizações retro em que assenta Can’t Get Out, na subtil epicidade experimental de The Weekend Wind, ou no travo cósmico dos flashes que pairam pela bateria e pela guitarra de Fell So Hard, nunca é colocada em causa esta marca indistinta que possui Strange To Explain, um disco eminentemente cru, envolvido por um doce travo psicadélico, enquanto passeia por diferentes universos musicais, sempre com um superior encanto interpretativo e um sugestivo pendor pop, traves mestras que melodicamente colam-se com enorme mestria ao nosso ouvido e que justificam, no seu todo, que este seja um dos melhores registos do já impressionante catálogo do grupo e o que mais aproxima os Woods dos seus primórdios. Espero que aprecies a sugestão...

Woods - Strange To Explain

01. Next To You And The Sea
02. Where Do You Go When You Dream?
03. Before They Pass By
04. Can’t Get Out
05. Strange To Explain
06. The Void
07. Just To Fall Asleep
08. Fell So Hard
09. Light Of Day
10. Be There Still
11. Weekend Wind

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publicado por stipe07 às 22:07

Psychic Markers – Psychic Markers

Sexta-feira, 29.05.20

Naturais de Londres e formados por Steven, Leon, Alannah, Lewis e Luke, os Psychic Markers são uma banda de indie rock que mistura a psicadelia e o punk com alguns dos melhores detalhes do rock experimental e do krautrock de raízes setentistas. Abrigados pela insuspeita Bella Union, acabam de editar um extraordinário registo homónimo, uma espécie de cápsula temporal que nos transporta com superior requinte e elevada dose de letargia até às fundações de praticamente tudo aquilo que define o melhor rock cósmico e lisérgico contemporâneo.

Psychic Markers's stream on SoundCloud - Hear the world's sounds

A peculiar e distinta receita de Psychic Markers é muito eficaz e quer a fórmula, quer as intenções conceptuais do disco, ficam claras, logo no modo progressivo como Where Is The Prize? se abastece de um vastíssimo arsenal de projeções sintéticas, amiúde anárquicas, mas de elevado pendor narcótico. Logo depois, em Silence In The Room, a batida hipnótica e o trespasse que ela sofre com teclas de forte cariz vintage, amplia a sensação de descolagem da realidade e de entrada numa espécie de universo paralelo, uma impressão firme e transversal às dez canções polidas do álbum que, no seu todo, assentam também em riffs de guitarra viscerais, nas batidas pulsantes, um baixo muitas vezes frenético e em sintetizadores muito direcionados para o krautrock.

Após tão desafiante início, ficamos definitivamente rendidos ao registo com Pulse, composição com uma atmosfera algo tenebrosa e, por isso, bastante desafiante, mas tabém com Enveloping Cycles, um instante de indie rock psicadélico verdadeiramente extraordinário, assente numa melodia grandiosa e espacial, envolvida em camadas de guitarras distorcidas e sintetizadores incisivos e luminosos. Logo a seguir, Sacred Geometry aponta para caminhos ainda mais experimentais e simultaneamente etéreos, com a primazia da percurssão e da acústica a mostrar uns Psychic Markers fortemente ecléticos e inspirados na criação de melodias que se entranham com invulgar mestria nos nossos ouvidos, mesmo quando, um pouco à frente, a guitarra elétrica distorce-as dando-lhes um teor ainda mais grandioso e épico. Até ao ocaso do disco, não há como não deixar de exaltar também Clouds, um segredo feito de punk rock puro e duro muito bem guardado, que sobe emocionalmente, de degrau em degrau, até uma espécie de climax, enquanto recebe vários efeitos sintetizados, sem que a bateria amansse a batida.

Em Psychic Markers é possível aceder a canções oriundas de uma outra dimensão musical, com uma assumida e inconfundível pompa sinfónica, típica das propostas indie de terras de Sua Majestade e sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde tudo soa utopicamente perfeito. Há uma beleza enigmática nas composições destes Psychic Markers, feita com belas orquestrações que vivem e respiram lado a lado com as distorções e arranjos mais agressivos, enquanto projetam no ouvinte inúmeras possibilidades e aventuras, assentes num misto de pop, psicadelia, rock progressivo e soul. Espero que aprecies a sugestão...

Psychic Markers - Psychic Markers

01. Where Is The Prize?
02. Silence In The Room
03. Pulse
04. Enveloping Cycles
05. Sacred Geometery
06. A Mind Full And Smiling
07. Irrational Idol Thinking
08. Juno Dreams
09. Clouds
10. Baby, It’s Time

 

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publicado por stipe07 às 21:32

The 1975 – Notes On A Conditional Form

Quarta-feira, 27.05.20

Um dos grandes momentos discográficos do momento é, sem dúvida, o lançamento de Notes On A Conditional Form, o novo registo de originais dos The 1975 de Matt Healy e sucessor do excelente registo A Brief Inquiry Into Online Relationships, que viu a luz do dia em dois mil e dezoito. Notes On A Conditional Form tem a chancela daPolydor Records e contém dezoito temas, sendo, claramente, o projeto mais ambicioso deste extraordinário coletivo natural de Manchester, em Inglaterra.

The 1975: Notes On A Conditional Form - Review | Vinyl Chapters

Quarto disco da carreira dos The 1975, Notes On A Conditional Form é o trabalho mais ambicioso e abrangente da carreira deste coletivo, não só devido ao número de canções que contém, mas também, e principalmente, por causa do seu conteúdo eclético e abrangente. Depois de um percurso discográfico com três tomos em que a grande aposta foi um anguloso piscar de olhos a algumas das referências pop dos anos oitenta com forte tendência radiofónica, não faltando até interseções com o melhor R&B norte americano e a eletrónica mais futurista, este novo trabalho do grupo britânico encarna com ímpar experimentalismo e superior grau criativo um labirinto sonoro que da eletrónica, ao punk rock, passando pela pop e o típico rock alternativo lo fi, abraça praticamente todo o leque que define os arquétipos essenciais da música alternativa atual.

Assim, logo a abrir, depois de um breve discurso de Greta Thunberg, People, o primeiro single revelado de Notes On A Conditional Form, abre as hostilidades e dá as cartas de modo abrasivo. É uma contundente e tenebrosa canção, que traçando uma linha reta entre a herança de nomes tão proeminentes do metal como os Rammstein ou os Marilyn Manson, nos oferece quase três minutos de um punk rock direto e cru, sólido, vibrante e efusivo. A seguir ao interlúdio The End (Music For Cars), a composição Frail State Of Mind leva-nos a um ambiente mais contido e intimista, através de um soft rock que interceta R&B com dubstep, enquanto se debruça sobre a temática da depressão (Go outside? Seems unlikely, I’m sorry that I missed your call, I watched it ring; Don’t waste their time, I’ve always got a frail state of mind).

Dado o pontapé de partida do álbum com dois temas tão díspares, fica desde logo plasmada a tal abrangência, que se mantém até ao ocaso, sempre com aquele registo pop algo açucarado, mas inconformado, feito de guitarras contundentes, mas também melodicamente sagazes, uma performance percurssiva eclética e que nunca enjeita colocar explicitamente as pistas de dança na mira e uma vasta miríade de efeitos e arranjos, que raramente têm receio de se adornar com cor e exuberância. Canções do calibre de Me And You Together Song, uma composição romântica, amena e contemplativa, assente num rock algo lo fi, onde o vigor das cordas e um ritmo algo frenetico, são amaciados por uma tonalidade ao nível dos arranjos a fazer recordar a euforia pop que marcou grandes sucessos de algumas bandas carismáticas, no dealbar dos anos noventa do século vinte e o início deste, ou Guys, um portento indie de romantismo e nostalgia, em que as guitarras são amaciadas por uma tonalidade cândida ao nível dos arranjos, à medida que Healy homenageia os seus companheiros de grupo, já que o tema versa sobre o modo como determinadas amizades são marcantes na nossa vida, mesmo que o passar dos anos e as vicissitudes da existência de cada um provoquem distanciamento físico, são outros momentos maiores de um registo que tem como ponto comum fundamental deste disco em relação aos seus antecessores. o forte cariz autobiográfico de grande parte das canções. Não faltam, portanto, aqui letras que se debruçam bastante sobre as experiências pessoais e os pontos de vista de Matt Healy, um artista que investe imenso, fisica e psicologicamente, na sua carreira musical e que já confessou que morreria realizado e feliz se isso sucedesse enquanto estivesse em palco.

De facto, o arco narrativo do disco segue Healy desde as suas origens de filho de duas personalidades da televisão britânica relativamente conhecidas e que, não sendo particularmente excepcional no seu percurso educativo, sempre teve o sonho de ser uma estrela rock, desiderato que me parece já ter atingido com este Notes On A Condiotional Form. Mas, apesar deste aparente centralismo narrativo, o foco é abrangente e Healy, olhando para dentro de si com pouco pudor, fá-lo de modo a conciliar também a habitual propensão dos The 1975 para a crítica contundente acerca do estado atual do mundo em que vivemos, com a política, o terrorismo, as questões ambientais e a religião a serem também temas abordados num compêndio que, como já referi, capta na sua essência as tendências mais atuais de um rock alternativo cada vez mais disposto a alargar fronteiras e a misturar, sem receio, estilos, géneros e tiques, de modo a criar uma sonoridade pop cada vez mais futurista e que prime pela diferença. Espero que aprecies a sugestão...

The 1975 - Notes On A Conditional Form

01. The 1975
02. People
03. The End (Music For Cars)
04. Frail State of Mind
05. Streaming
06. The Birthday Party
07. Yeah I Know
08. Then Because She Goes
09. Jesus Christ 2005 God Bless America
10. Roadkill
11. Me And You Together Song
12. I Think There’s Something You Should Know
13. Nothing Revealed / Everything Denied
14. Tonight (I Wish I Was Your Boy)
15. Shiny Collarbone
16. If You’re Too Shy (Let Me Know)
17. Playing On My Mind
18. Having No Head
19. What Should I Say
20. Bagsy Not In Net
21. Don’t Worry
22. Guys

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publicado por stipe07 às 12:05

Amusement Parks On Fire – Thankyou Violin Radiopunk

Domingo, 24.05.20

Nascido em dois mil e quatro através da mente brilhante de Michael Feerick, Amusement Parks On Fire começou por ser um projeto a solo deste músico e compositor, que escreveu e tocou todas as composições do registo homónimo de estreia, editado nesse mesmo ano, um trabalho que teve a chancela da conceituada Invada Records, etiqueta pertencente a Geoff Barrow dos Portishead. Pouco tempo depois, juntaram-se a Michael, Daniel Knowles (guitarra), Pete Dale (bateria), Jez Cox (baixo) e John Sampson (teclados e samples) e a banda mudou-se para a V2 Records, começando a gravar, em dois mil e cinco, em vários estudios britânicos e no estúdios islandeses Sundlaugin, pertencentes aos Sigur Rós, Out Of The Angeles, o sempre difícil segundo disco, um trabalho que ampliou o interesse da crítica especializada por este segredo bem guardado e que lhes valeu uma extensa digressão pela Europa, mas também no outro lado do atlântico.

Thankyou Violin Radiopunk | Amusement Parks On Fire

Com tão promissor pontapé de saída e com uma excelente dose dupla no catálogo, em dois mil e seis os Amusement Parks On Fire, já com Gavin Poole (baixo) e Joe Hardy (teclados e guitarra) na equipa, tocaram pela primeira vez no Japão, na edição desse ano do Summer Sonic Festival e ampliaram a sua discografia, no final dessa década, com uma série de EPs, que clarificaram ainda mais o adn de um projeto que navega nas águas turvas do rock experimental de forte cariz lisérgico, com uma elevada toada shoegaze e um salutar grau de epicidade, uma experiência auditiva de forte pendor metafísico e sensorial.

É exatamente isso que nos oferece, cerca de década e meia depois desse belíssimo início de carreira, Thankyou Violin Radiopunk, o novo disco dos Amusement Parks On Fire, uma belíssima coleção de oito canções, com um imparável travo orgânico, dominadas por cordas que, quer estejam eletrificadas ou não, replicam um delicioso timbre metálico e posicionam-se sempre na linha da frente do processo de construção melódica das canções. O modo como em Firth Of Third essas cordas vão recebendo, no seu regaço, lentamente e à vez, bateria, baixo e alguns efeitos subtis, é um extraordinário exemplo deste modus operandi, que em Venus Of Cancer (Rustic) ganha uma luz multicolorida extraordinaria, devido ao modo como cordas e bateria se envolvem, enquanto o charme vocal de Michael trata de oferecer ao tema uma tremenda sensibilidade e romantismo.

Com tão auspiciosa abertura, engane-se quem ache que os Amusement Parks On Fire, colocaram,  neste Thankyou Violin Radiopunk, todos os trunfos em cima da mesa logo nos dois primeiros temas do seu alinhamento. A magnificiência das guitarras de Come Of Age, uma canção que abraça sem rodeios o melhor que tinha o rock alternativo norte-americano de final do século passado, a obscuridade levitante de Water From The Sun (Demo) e, principalmente, a aspereza vibrante de Young Fight (New Wave), são verdadeiros soporíferos para todos os amantes de sonoridades simples e diretas, sem artifícios sintéticos tantas vezes desnecessários e em que o ruído existe, mas com um objetivo claro de funcionar como algo agradável, com substância, uma crueza lo fi que transborda charme e sedução por todos os poros, nesta que é, sem dúvida, uma das grandes surpresas discográficas de dois mil e vinte. Espero que aprecies a sugestão...

Amusement Parks On Fire - Thankyou Violin Radiopunk

01. Firth Of Third
02. Venus In Cancer (Rustic)
03. Come Of Age
04. Water From The Sun (Demo)
05. Young Fight (New Wave)
06. Hopefully Yours
07. Lasts Forever
08. Tape Grip Addition (Prerise)

 

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publicado por stipe07 às 16:41






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