man on the moon
music will provide the light you cannot resist! ou o relato de quem vive uma nova luz na sua vida ao som de algumas das melhores bandas de rock alternativo do planeta!
The Afghan Whigs - Fake Like (Poliça cover) vs Downtown (Still Corners cover)
Os norte-americanos The Afghan Whigs de Greg Dulli, são um estrondoso projeto em atividade desde mil novecentos e oitenta e seis e já com uma reputação mítica no universo sonoro indie e alternativo, das últimas quatro décadas. Estão de regresso ao nosso radar no final de dois mil e vinte e cinco com um lançamento em formato digital e fisico de 7'', que contém um par de covers e que conta com a chancela da Shake It Records, a etiqueta do próprio grupo.

Primeiro sinal de vida da banda natural de Cincinnati, no Ohio, desde o disco How Do You Burn?, lançado em dois mil e dois, este par de versões resultaram de um processo criativo espontâneo levado a cabo por Greg Dulli em estúdio e oferecem-nos um registo inpterpretativo majestoso e épico, bem à imagem de um projeto que assenta os seus pilares naquele rock eminentemente denso, mas com elevada sagacidade melódica, um rock carregado com guitarras poderosas e incisivas que não descuram uma faceta psicadélica que se aplaude e que é reforçada pela presença infatigável e marcante da clássica bateria.
Assim, quer Fake Like, um original que o projeto Poliça, sedeado em Minneapolis, lançou em dois mil e dezasseis, quer Downtown, tema que os britânicos Still Corners incubaram nesse mesmo ano, não vêm colocado em causa o adn sonoro dos originais, mas ganham uma outra exuberância, com as guitarras no primeiro tema e o piano no segundo, a serem os grandes sustentos de duas novas roupagens que também acabam por recriar com astúcia o habitual ambiente misterioso e sombrio das criações sonoras do Afghan Whigs. Confere as covers e os originais...
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Pure Bathing Culture – I Said What I Said (The Softies cover)
Em dois mil e vinte e quatro os The Softies, uma dupla formada por Rose Melberg, que também integra os Tiger Trap e Jen Sbragia, dos Pretty Faces, reuniram-se novamente e lançaram um disco intitulado The Bed I Made. Foi o primeiro álbum do projeto em vinte e quatro anos, já que, tendo a sua origem em mil novecentos e noventa e quatro, tinham-se separado em dois mil, depois de terem lançado alguns registos ainda na década de noventa.

pic by Shervin Lainez
Um dos momentos altos de The Bed I Made era o single I Said What I Said, que acaba de ser exemplarmente revisto pela dupla de Portland, Pure Bathing Culture, formada por Daniel Hindman e Sarah Versprille, antigos membros dos consagrados Vetiver, que já tinham lançado este ano, em formato single, os temas Wild Fillies e Cardinal.
A nova roupagem que os Pure Bathing Culture conferiram a I Said What I Said assenta as suas permissas numa sonoridade eminentemente orgânica, mas luxuriante, com a bossa nova a ser um estilo que salta logo à mente do ouvinte durante a sua audição. É uma versão charmosa e plena de bom gosto, onde os acordes da guitarra e o teclado atmosférico nos fazem planar de forma quase surrealista. Confere a cover assinada pelos Pure Bathing Culture e o original da autoria dos The Softies...

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Still Corners - The Crying Game
Quase quatro meses depois de ter rodado com insistência por cá a canção Summer Nights, a dupla britânica Still Corners está de regresso ao nosso radar com uma cover intitulada The Crying Game, um tema escrito em mil novecentos e sessenta pelo produtor Geoff Stevens, mas cantado e publicado por Dave Berry, no disco homónimo que lançou em mil novecentos e sessenta e quatro.

Apesar de apostar num perfil eminentemente sintético e até algo soturno, esta versão de The Crying Game, um verdadeiro clássico da década de sessenta do século passado, acaba por ser uma ode impressiva e feliz a um original que continha uma atmosfera sonora bastante íntima e orgânica, predicados que se mantêm nos teclados insinuantes e na guitarra planante, plena de soul, que sustentam o processo criativo dos Still Corners, relativamente a esta composição, acabando por ser também uma janela feliz para contemplarmos o habitual estilo interpretativo desta dupla formada por Greg Hughes e Tessa Murray, que é exímia a replicar aquela pop que pisca muitas vezes o olho aquele rock alternativo em que sintetizadores e teclados também marcam indubitavelmente uma forte presença. Confere a cover e o original...

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Anna Calvi – I See A Darkness (feat. Perfume Genius)
Sete anos depois de um extraordinário álbum intitulado Hunter, à época o seu terceiro registo de originais, a britânica Anna Calvi, está de regresso ao nosso radar devido a uma cover que incubou a meias com Perfume Genius. Trata-se da revisitação de um original de Bonnie Prince Billy intitulado I See A Darkness, que fazia parte do disco com o mesmo nome que o músico norte-americano Will Oldham lançou em mil novecentos e noventa e nove e o primeiro da sua carreira sob o nome Bonnie "Prince" Billy.
![Cover] Anna Calvi – I See A Darkness (feat. Perfume Genius (Bonnie 'Prince' Billy Cover)](https://www.ecletismomusical.pt/wp-content/uploads/2025/10/561900025_1397140398446575_2975757658218280551_n-e1761147302105-787x787_c.jpg)
Autora, cantora e compositora que tem chamado a si os holofotes da crítica devido ao seu registo vocal único e, já agora, também devido a um modus operandi sempre de difícil catalogação no que concerne ao modo como manuseia a guitarra, simultaneamente rugosa e gentil, Anna Calvi ponderou com todo o detalhe esta nova roupagem de I See A Darkness, não só para não defraudar as justificadas elevadas expetativas dos fervorosos fãs de Oldham, mas também, e principalmente, porque queria doar novas nuances, a um tema já de si bastante rico e intenso.
Assim, com a ajuda de Mike Hadreas aka Perfume Genius, Calvi oferece-nos um soporífero sintético, com uma impactante atmosfera lo-fi, mas também com aquela dose de delicadeza e emotividade que carateriza, através de um aparato tecnológico amplo, os principais caminhos de expressão musical dos dois protagonistas. É, em suma, um curioso e realisticamente magnético exercício de simbiose, entre elementos sintéticos particularmente rugosos. Confere a cover, já com direito a um vídeo assinado por Alexander Brown e o original...

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Thurston Moore – Temptation Inside Your Heart - (The Velvet Underground Cover)
Thurstoon Moore, um dos pilares dos míticos Sonic Youth, lançou o ano passado um excelente disco a solo intitulado Flow Critical Lucidity, que foi amplamente aclamado pela crítica e que continha pérolas como Sans Limites ou Hypnogram. Já em dois mil e vinte e cinco deu-nos a conhecer um inédito intitulado The Serpentine e juntou-se aos Napalm Death para juntos criarem uma cover do clássico dos Ramones Now I Wanna Sniff Some Glue.

Agora, no ocaso do verão, o músico norte-americano, natural de Coral Gables, na Flórida, está de regresso às novidades também com uma versão. Trata-se de uma revisitação feliz ao tema Tempation Inside Your Heart, um original dos The Velvet Underground, que este grupo criou em mil novecentos e sessenta e oito, mas só gravou dezassete anos depois, em mil novecentos e oitenta e cinco, tendo feito parte da compilação VU, que a banda nova-iorquina lançou nesse ano.
Esta nova roupagem de Temptation Inside Your Heart, assinada por Thurstoon Moore, com a ajuda de Deb Googe, dos My Bloody Valentine, tem um perfil mais orgânico e experimental do que o original, assentando numa fórmula que, feita com guitarras sobrepostas e com um baixo encorpado, abriga-se no seio de um indie rock, com um travo de shoegaze e alguma psicadelia lo fi, sendo curiosa a forma como Moore tenta ajustar ao seu modus operandi vocal, aquele típico registo declamativo sussurante de Lou Reed. Confere a versão e o original...

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Imaginary People – State Trooper
Os norte-americanos Imaginary People, de Von Wagner, Mark Roth, Justin Repasky, Kolby Wade e Bryan Percivall, estão de regresso aos discos a doze de setembro, com Alibi, o terceiro longa-duração da banda sedeada em nova Iorque. Alibi foi produzido nessa mesma cidade por Phil Weinrobe (Nick Murphy, Pussy Riot, Stolen Jars) nos estúdios Rivington 66 e misturado por Eli Crews.

Uma nova versão de State Trooper, um original que fazia parte do mítico álbum Nebraska, que Bruce Springsteen lançou em mil novecentos e oitenta e dois, é o primeiro single que os Imaginary People revelam do alinhamento de Alibi. O quinteto apresenta nesta nova roupagem de State Trooper uma versão ruidosa, elétrica, progressiva e expansiva, conduzida por uma bateria frenética e uma guitarra cavernosa, em oposição ao tema original, que era intimista e minimalista, assente apenas numa guitarra discreta e na voz ecoante do Boss. Confere a cover assinada pelos Imaginary People e o original...

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Iron And Wine & Ben Bridwell – Luther (Kendrick Lamar & SZA cover)
Nascido a vinte e cinco de julho de mil novecentos e setenta e quatro na localidade de Chapin, na Carolina do Sul, Sam Bean é um dos nomes essenciais da melhor folk norte-americana contemporânea, assinando as suas criações sonoras com o nome artístico Iron And Wine. O músico e compositor é também amigo de infância de Ben Bridwell, vocalista dos Band of Horses e essa amizade já deu frutos sonoros, nomeadamente há cerca de uma década, quando criaram juntos um disco de versões intitulado Sing Into My Mouth.

Agora, uma década depois, a dupla de amigos volta a juntar-se para criarem mais um EP de covers, neste caso um alinhamento de cinco canções intitulado Making Good Time, que vai ver a luz do dia a doze de setembro. Making Good Time conta nos créditos da produção com Brad Cook e vai revisitar verdadeiros clássicos, incluindo novas roupagens de I Still Haven’t Found What I’m Looking For, dos U2, I Want to Know What Love Is, dos Foreigner, More Than This, dos Roxy Music, Ketchum, ID, de Boygenius e Luther, de Kendrick Lamar e SZA.
Em jeito de antecipação do EP, a dupla acaba de revelar o conteúdo sonoro do último tema referido, Luther, de Kendrick Lamar e SZA. A roupagem assinada por Beam e Bridwell é um verdadeiro tratado de indie folk clássico, minimal e cru, mas melodicamente rico e que também impressiona pela destreza e vigor do jogo vocal que os intervenientes vão protagonizando e pelo inedetismo dos arranjos que vão cirandando por pouco mais de três minutos claramente reveladores da singularidade de uma canção que, à semelhança do original, exala uma simplicidade desarmante e irradia uma luz que cativa instantaneamente qualquer ouvinte mais incauto. Confere Luther e o artwork e a tracklist de Making Good Time...


01 I Still Haven’t Found What I’m Looking For
02 Luther
03 I Want to Know What Love Is
04 More Than This
05 Ketchum, ID
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The Feelies – Rewind
Há mais de quatro décadas a ditar regras e a tornarem-se influência primordial no cenário do indie rock norte americano, os The Feelies estão de regresso aos discos com Rewind, uma coleção de nove covers abrigadas pela insuspeita Bar None Records e que foram sendo captadas pelo projeto liderado por Glenn Mercer nos anos oitenta e noventa do século passado, período em que lançaram, por exemplo, momentos discográficos tão relevantes como Crazy Rhythms (1980), ou o soberbo disco Only Life (1988). Exceção deste período temporal que abraça Rewind é a versão do clássico dos The Doors, Take It As It Comes, que foi gravada pela banda de Nova Jersei em dois mil e dezasseis.

Com revisitações de composições assinadas por nomes como The Rolling Stones, The Beatles, os já referidos The Doors, ou os The Modern Lovers, Rewind mostra-nos os The Feelies a manterem intata a sua habitual filosofia sonora, que se tem abrigado, desde o início, à sombra de uma fórmula de composição muito específica e que faz da luminosidade lo fi das cordas e da criação de melodias aditivas a sua maior premissa. A opção por alguns verdadeiros clássicos intemporais do cenário indie, acaba por ser a cereja em cima do bolo, já que mostra, com clareza, aos seguidores do grupo, quem foram as suas influências maiores. Dancing Barefoot e Barstool Blues, dois originais assinados por Patti Smith e Neil Young são dois exemplos felizes, porque quer Patti Smith quer Neil Young têm tudo aquilo que os The Feelies sempre procuraram adicionar ao seu catálogo sonoro, texturas em que sobressaia uma curiosa leveza rugosa que incite os seus ouvintes a viajarem pelos recantos mais amplos de uma América também profundamente selvagem e mística.
Rewind é, em suma, uma demonstração cabal do modo exímio como os The Feelies, no período áureo da carreira, sentiam à vontade a recriar inflexões e variações, quer de sons quer de arranjos, enquanto navegavam com segurança e vigor nos meandros intrincados e sinuosos de um indie rock que, entre uma toada mais grunge, progressiva e psicadélica e uma leveza pop mais intimista, nunca deixou de exalar um sedutor entusiasmo lírico e uma atmosfera amável, mesmo no meio de algum fuzz ocasional. Espero que aprecies a sugestão...
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LCD Soundsystem – Home (Tom Sharkett Edit)
Quase nove anos depois de American Dream, os norte-americanos LCD Soundystem de James Murphy, vão regressar aos discos ainda este ano com o quinto registo de estúdio da carreira, um trabalho que, de acordo com Murphy, ainda está em pleno processo de incubação.

Enquanto o álbum não chega aos escaparates, os LCD Soundsystem mantêm-se ativos, acabando de divulgar uma espetacular remistura de Home, o tema que encerrava o alinhamento de nove canções de This Is Happening, o trabalho que a banda nova-iorquina lançou há década e meia, ou seja, em dois mil e dez.
Assinada por Tom Sharkett, membro da banda inglesa de Manchester W. H. Lung, esta remistura de Home recorda-nos, com renovada e justificada excitação, aquela fórmula clássica, contagiante e lasciva, que é a imagem de marca de uma banda sempre disposta a levar o garage rock numa direção eminentemente dançável e psicadélica. É um indie dance post punk rock, com uma assinatura muito identitária e que nos possibilita usufruir de um mosaico declarado de referências, que se centram, essencialmente, numa mescla entre a típica eletrónica underground nova iorquina e o colorido neon dos anos oitenta, como é apanágio do catálogo dos LCD Soundsystem. Confere...

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Matt Pond PA – Heaven Or Las Vegas (Cocteau Twins cover)
O projeto Matt Pond PA, encabeçado pelo norte-americano Matt Pond, regressou aos discos em janeiro último com um registo intitulado The Ballad of the Natural Lines, que estava repleto de participações especiais, nomeadamente Humbird, Jonathan Russell e Anya Marina e Erin Rae, que participou vocalmente no tema homónimo, o segundo single revelado do disco.

The Ballad of the Natural Lines ofereceu-nos, em treze canções, um verdadeiro compêndio de indie folk rock, que espelhou na perfeição o habitual ambiente emotivo e honesto que carateriza a música deste cantautor que nunca perde o espírito nostálgico e sentimental que carateriza o seu modus operandi. Esse espírito interpretativo mantém-se intacto na cover que Matt Pond PA criou para Heaven Or Las Vegas, um original dos Cocteau Twins, que fazia parte do disco com o mesmo nome que a banda escocesa formada em Grangemouth, Escócia, em mil novecentos e setenta e nove, por Elizabeth Fraser, Robin Guthrie, Will Heggie e Simon Raymonde, lançou em mil novecentos e noventa.
Contando com a participação especial vocal de Anya Marina, esta nova roupagem de Heaven Or Las Vegas, um verdadeiro clássico dos início da última década do século passado, está encharcada em cor e melancolia, com guitarras e teclados a conjurarem entre si com mestria, mantendo intocável a essência melódica do original, mas induzindo-lhe um perfil ligeiramente mais épico e vigoroso. Confere a cover e o original...
