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Vancouver Sleep Clinic – Beyond All Reason

Domingo, 26.10.25

É sempre com agrado que recordamos na nossa redação um dos discos que mais nos marcou no já longínquo ano de dois mil e dezanove. O trabalho chamava-se Onwards To Zion e era assinado, quase na íntegra, por Tim Bettinson, o músico e compositor australiano que encabeça o projeto Vancouver Sleep Clinic. Era, à altura, o segundo registo de originais de um projeto que ficou logo debaixo de merecidos holofotes, não só da crítica dos antípodas, mas também de diversas outras latitudes do nosso globo e que tinha como grande força motriz a perca de um amigo muito chegado do músico, sendo um exercício de catarse dessa inevitável dor.

Vancouver Sleep Clinic tinha estado pela última vez no nosso radar devido a Fallen Paradise, o álbum que o projeto lançou em dois mil e vinte e dois, o terceiro do grupo, um alinhamento de dez canções que tinha a chancela da Believe e que nos ofereceu pouco mais de trinta e seis minutos de música bastante envolvente, intimista e charmosa. Era um disco intenso, riquíssimo em detalhes e nuances, orquestralmente chegava a ser extravagante em alguns momentos e era tocante, já que exalava, em praticamente todo o seu alinhamento, sentimentos que, à partida, mexem sempre com o nosso âmago e o nosso lado mais irracional.

Agora, no outono de dois mil e vinte e cinco, Vancouver Sleep Clinic impressiona-nos novamente devido a um novo tema Beyond All Season. Trata-se de uma canção sentimentalmente intensa e hipnotizante, com uma elevada luminosidade intimista, que desagua numa feliz interseção entre música clássica eletrónica e pop ambiental, abraçada à voz sempre tocante de Tim, que não deixa ninguém passar incólume e que pode servir como ponte vigorosa, estável e firme para uma travessia segura rumo a um território de aconchego inimitável. Confere...

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publicado por stipe07 às 21:07

Ólafur Arnalds e Talos – Bedrock (feat. Sandrayati)

Segunda-feira, 16.06.25

Natural da belíssima Islândia, o compositor Ólafur Arnalds estreou-se em dois mil e sete com o disco Eulogy For Evolution, sendo um dos mais reputados compositores da atualidade. Combina música de orquestra com eletrónica, sempre com elevada elegância e com um cunho sentimental intenso. Estas serão certamente permissas muito presentes em A Drawning, um registo que vai chegar aos escaparates a onze de julho com a chancela do consórcio OPIA / Mercury KX.

A Drawing resultou de uma colaboração do músico irlandês com Eoin French, que assinava a sua música como Talos e que faleceu subitamente em agosto do ano passado, depois de doença prolongada. Ólafur e French tinham começado a incubar as oito canções de A Drawing no início de dois mil e vinte e três, quando ambos se conheceram no Safe Harbour Festival, que se realizou na cidade irlandesa de Cork, por intermédio de Mary Hickson, um amigo comum, que os incitou a comporem juntos.

O esqueleto das canções de A Drawning ficou pronto ainda antes do desaparecimento de French e Ólafur deu-lhes os retoques finais, que poderão ser contemplados por todos nós num álbum que vai ser, com toda a certeza, um marco discográfico do ano, no espetro da música clássica de perfil mais eletrónico e ambiental.

Essa certeza ficou logo patente em Signs, a segunda composição do alinhamento de A Drawning, o primeiro tema que os dois artistas criaram juntos e escolhido como single de apresentação do disco. Agora, cerca de três semanas depois de termos escutado Signs, uma canção sonoramente muito complexa e encantadora, desenvolvida dentro de uma ambientação essencialmente experimental e que exalava uma sensação única de beleza e de efeitos contrastantes dentro de nós, temos a possibilidade de conferir Bedrock, o terceiro tema do alinhamento de A Drawning e que conta com a participação especial de Sandrayati.

Bedrock é uma canção carregada de contrastes, um sereno, comovente e encantador minimalismo, feliz no modo como a voz da filipina Sandrayati se entranha com ímpar destreza no falsete imperturbável de Talos, em quase cinco minutos que enquanto nos convidam à reflexão e à interioridade, nos transportam para um oásis de sonho e tranquilidade. Confere...

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publicado por stipe07 às 21:31

Ólafur Arnalds e Talos – Signs

Terça-feira, 27.05.25

Natural da belíssima Islândia, o compositor Ólafur Arnalds estreou-se em dois mil e sete com o disco Eulogy For Evolution, sendo um dos mais reputados compositores da atualidade. Combina música de orquestra com eletrónica, sempre com elevada elegância e com um cunho sentimental intenso. Estas serão certamente permissas muito presentes em A Drawning, um registo que vai chegar aos escaparates a onze de julho com a chancela do consórcio OPIA / Mercury KX.

New Collaborative Album 'A Dawning' from Ólafur Arnalds and Talos - Out  July 11 | grains

A Drawing resultou de uma colaboração do músico irlandês com Eoin French, que assinava a sua música como Talos e que faleceu subitamente em agosto do ano passado, depois de doença prolongada. Ólafur e French tinham começado a incubar as oito canções de A Drawing no início de dois mil e vinte e três, quando ambos se conheceram no Safe Harbour Festival, que se realizou na cidade irlandesa de Cork, por intermédio de Mary Hickson, um amigo comum, que os incitou a comporem juntos.

O esqueleto das canções ficou pronto ainda antes do desaparecimento de French e Ólafur deu-lhes os retoques finais, que poderão ser contemplados por todos nós num álbum que vai ser, com toda a certeza, um marco discográfico do ano, no espetro da música clássica de perfil mais eletrónico e ambiental. Essa é a ideia que nos sugere Signs, a segunda composição do alinhamento de A Drawing e o primeiro tema que os dois artistas criaram juntos. Signs é uma canção sonoramente muito complexa e encantadora, desenvolvida dentro de uma ambientação essencialmente experimental e que exala uma sensação única de beleza e de efeitos contrastantes dentro de nós. É um tema carregado de contrastes,  no modo como as sintetizações e alguns elementos orgânicos se organizam e interagem num edifício melódico bastante inspirado e comovente, mas que nunca deixa de seguir uma linha condutora homogénea e coerente. Confere Signs e o artwork e a tracklist de A Drawing...

Shared Time
Signs
Bedrock feat. Sandrayati
west cork, 12 feb
Borrowed Time feat. Alexi Murdoch
A Dawning
for Steph
We Didn’t Know We Were Ready feat. Niamh Regan and Ye Vagabonds

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publicado por stipe07 às 08:46

Beirut – Guericke’s Unicorn

Quarta-feira, 19.02.25

No passado mês de novembro, o norte-americano Zach Condon aka Beirut revelou que depois do  contributo esplêndido que deu, na passada primavera, para o conteúdo de Things We Have In Common, o novo disco dos dinamarqueses Efterklang, voltou a concentrar-se no seu projeto a solo. Assim, começou a compôr uma banda sonora em parceria com a companhia circense sueca Kompani Giraff, inspirada no romance Inventário de Algumas Perdas, da escritora alemã Judith Schalansky. Começou por revelar dessa safra o tema Caspian Tiger, um líndissimo portento de intimidade e emotividade e agora anuncia um novo álbum intitulado A Study of Losses, que vai ver a luz do dia a dezoito de abril próximo, com a chancela da Pompeii e que será, logicamente, o resultado final dessa parceria.

pic by Lina Gaißer

Se Caspian Tiger irá, naturalmente, fazer parte do alinhamento de dezoito canções de A Study Of Losses, outra composição que também estará presente nesse registo e que acaba de ser revelada chama-se Guericke's Unicorn, um tema vibrante e intenso, um oásis de pop eletrónica incubado no seio de uma superior sapiência criativa que manipulou sintetizações e batidas de modo a criar uma peça sonora imponente, com as diferentes texturas, quer percussivas, quer melódicas, a conjurarem, no seu todo, uma canção bastante elegante e com uma beleza sonora inquietante.

Confere o vídeo de Guericke's Unicorn, assinado pela dupla Jan Pivoňka e Filip Rejč e o artwork e a tracklist de A Study Of Losses, um disco que será bastante inspirado na história fascinante de alguém que dedicou a sua vida a catalogar todos os pensamentos e as obras esquecidos da humanidade e qe protagoniza a obra literária acima referida...

01 Disappearances and Losses
02 Forest Encyclopedia
03 Oceanus Procellarum
04 Villa Sacchetti
05 Mare Crisium
06 Garbo’s Face
07 Mare Imbrium
08 Tuanaki Atoll
09 Mare Serenitatis
10 Guericke’s Unicorn
11 Mare Humorum
12 Sappho’s Poems
13 Ghost Train
14 Caspian Tiger
15 Mani’s 7 Books
16 Moon Voyager
17 Mare Nectaris
18 Mare Tranquillitatis

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publicado por stipe07 às 18:23

Bat For Lashes – Christmas Day (Harp Visions)

Quarta-feira, 18.12.24

Sedeado em Londres, o projeto britânico Bat For Lashes, encabeçado pela cantora, compositora e milti-instrumentista Natasha Khan, divulgou recentemente um novo EP que resulta de uma colaboração com a tocadora de Harpa Lara Somogyi. É um alinhamento de cinco canções intitulado The Dream Of Delphi (Harp Visions) e nele são apresentadas novas versões de alguns temas do alinhamento de The Dream Of Delphi, o último disco de Bat For Lashes.

Uma das canções incluídas neste EP The Dream Of Delphi (Harp Visions) chama-se Christmas Day e encaixa perfeitamente no espírito da época em que vivemos. Impressionando pela delicadeza acústica e pelo clima clássico que a harpa confere sempre e que a voz cândida e sedutora de Natasha amplia, Christmas Day é um oásis contemplativo e comovente, que ajuda certamente os mais distraídos a sentirem-se tocados pela magia deste período festivo. Confere... 

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publicado por stipe07 às 13:37

Damien Jurado – Sheets (’24) / Des Moines

Sábado, 14.12.24

O norte-americano Damien Jurado atravessa, claramente, uma das fases mais profícuas da sua já longa carreira. Depois de na primavera de dois mil e vinte e um ter editado o excelente registo The Monster Who Hated Pennsylvania, regressou, no verão do ano seguinte, com um novo disco também monstruoso, intitulado Reggae Film Star e o ano passado editou Sometimes You Hurt The Ones You Hate, o décimo nono registo de originais deste músico e compositor natural de Seattle, um trabalho que, como é habitual neste artista, teve a chancela da Maraqopa Records, a sua própria etiqueta.

Damien Jurado On Writing In Quarantine And 'What's New, Tomboy?' : NPR

Em dois mil e vinte e quatro Jurado tem-se dedicado a lançar alguns temas avulsos em formato single, disponíveis na sua página bandcamp e há mais um par deles a chamar a nossa atenção. Trata-se de um lançamento em formato digital e de sete polegadas com duas canções, Sheets (’24) e Des Moines, ambas gravadas nos estúdios Fremont Abbey, em Washington, com a ajuda de Lacey Brown e Sean Wolcott, nos arranjos e na produção.

Ao contrário do que tem sucedido nos lançamentos mais recentes de Damien Jurado, em que o par de canções que apresenta é sonoramente algo díspar, Sheets (’24) e Des Moines são duas composições com muitas semelhanças. Ambas encontram o seu sustento em melodias criadas por cordas com forte pendor acústico e com uma filosofia interpretativa eminentemente clássica e contemplativa, com a distorção ecoante de uma guitarra, um registo percussivo eminentemente jazzístico e diversos efeitos ecoantes a ganharem vida através de um processo de gravação eminentemente analógico.

Sheets (’24) e Des Moines são mais duas belíssimas novidades, com uma sofisticação muito própria, incubadas por um dos maiores cantautores e filósofos do nosso tempo, um artista sem paralelo no panorama da indie folk contemporânea. Confere...

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publicado por stipe07 às 18:36

Damien Jurado – Call Me, Madame

Terça-feira, 03.12.24

O norte-americano Damien Jurado atravessa, claramente, uma das fases mais profícuas da sua já longa carreira. Depois de na primavera de dois mil e vinte e um ter editado o excelente registo The Monster Who Hated Pennsylvania, regressou, no verão do ano seguinte, com um novo disco também monstruoso, intitulado Reggae Film Star e o ano passado editou Sometimes You Hurt The Ones You Hate, o décimo nono registo de originais deste músico e compositor natural de Seattle, um trabalho que, como é habitual neste artista, teve a chancela da Maraqopa Records, a sua própria etiqueta.

Damien Jurado On Writing In Quarantine And 'What's New, Tomboy?' : NPR

Em dois mil e vinte e quatro Jurado tem-se dedicado a lançar alguns temas avulsos em formato single, disponíveis na sua página bandcamp e um deles chamou a nossa atenção. Trata-se de Call Me, Madame, uma canção com direito a duas versões distintas Smoking Version e Non-Smoking Version e que conta com a participação especial do The Everett Assembly, um grupo coral criado pelo próprio Damien Jurado no verão deste ano. O resultado final é imponente e charmoso e de forte travo vintage, potenciado por um processo de gravação eminentemente analógico, com a primeira versão a incidir numa base instrumental eminentemente orquestral e clássica e a segunda a colocar as fichas num clima mais jazzístico. Uma belíssima novidade, com uma sofisticação muito própria e sem paralelo no panorama da indie folk contemporânea, incubada por um dos maiores cantautores e filósofos do nosso tempo. Confere...

01. Call Me, Madame (Smoking Version)
02. Call Me, Madame (Non-Smoking Version)

 

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publicado por stipe07 às 17:33

Father John Misty – Mahashmashana

Segunda-feira, 25.11.24

Dois anos depois do extraordinário registo Chloë And The Next 20th Century, Josh Tillman, que assina a sua música como Father John Misty, está de regresso aos discos com Mahashmashana, o sexto compêndio de originais da carreira do músico norte-americano, um álbum produzido pelo próprio Father John Misty e por Drew Erickson. São oito canções que acabam de ver a luz do dia, com a chancela do consórcio Bella Union e Sub Pop Records.

Father John Misty é um dos artistas mais queridos deste espaço de crítica musical, sempre absorvido nos seus dilemas, vulnerabilidades e inquietações pessoais, enquanto ensaia, em cada novo trabalho, uma abordagem tremendamente empática e próxima connosco, sem se deslumbrar e perder a sua capacidade superior de criar canções assentes, quase sempre, num luminoso e harmonioso enlace entre cordas e teclas, que dão vida a temas carregados de ironia e de certo modo provocadores.

Desta vez, o músico disserta sobre o momento civilizacional atual e a ténue fronteira que todos nós sabemos que existe entre e vida e a morte, considerando, o autor, que temos os nossos arraiais assentes em Mahashmashana, (महामशान) uma palavra em sânscrito que significa grande campo de cremação. E, de facto, este registo oscila entre canções com um intenso espírito roqueiro, viçoso, inquieto e irrequieto e baladas de elevado pendor melodramático e quase desesperante, sendo transversal a todo o registo uma permanentes sensação de tensão e de inquietude, que personifica, de certa forma, a tal fronteira ténue em que vivemos.

Logo a abrir o registo, a magnificiência melodramática e cinematográfica de um tema homónimo que agrega em seu redor uma vasta pafernália instrumental, enquanto coloca todas as fichas líricas e filosóficas na descrição de um local que tanto pode ser de redenção, como de expiação, ficamos esclarecidos relativamente ao busílis sonoro de um disco que estará recheado de momentos sonoros esplendorosos e únicos. Misty é hoje, sem sombra de dúvida, uma figura interpretativa central e de excelência, não só como cantor, mas também como multi-instrumentista e, acima de tudo isso, um arquiteto de canções riquíssimas em detalhes, sobreposições orgânicas e sintéticas e jogos de sedução entre sons das mais diversas proveniências, sempre com um charme inconfundível, enquanto fortalece e carimba uma assinatura estilística muito própria e sem paralelo no universo sonoro indie contemporâneo. Por exemplo, o modo como o piano, os saxofones e os violinos vão dando a vez entre si no protagonismo arquitetural de Being You é um dos mais belos exemplos desta ímpar capacidade criativa do autor.

She Cleans Up dá-nos uma outra face da mesma moeda, enquanto projeta Tillman para um universo sonoro ainda pouco escutado no seu catálogo, uma nova nuance que claramente se saúda. Rugosa e roqueira, esta canção impressiona pelo efeito ecoante da voz, que se entrelaça com mestria com uma guitarra encharca em decibéis e que, no refrão, recebe uma inebriante distorção, amplificada por alguns sopros enleantes, mostrando, como referi, uma faceta mais arrojada, crua e imediata do que as propostas habituais do músico californiano.

Dado o pontapé de saída de Mahashmashana de forma tão díspar, temas como Mental Health, um testemunho impressivo das marcas profundas que ficaram do seu crescimento no seio de uma família extremamente conservadora e com a qual cortou relações, ou o relato da própria experiência pessoal do próprio músico ao consumo psicotrópico, em Josh Tillman And The Accidental Dose, que o fazia ver um apalhaço tagarela sempre que observava um quadro pendurado num apartamento imaginado, reforçam o cariz sempre autobiográfico e, simultaneamente, redentor, da sua obra artística. Depois, Screamland, tema que conta com a participação especial de Alan Sparhawk, dos Low, na guitarra e um extraordinário arranjo de cordas escrito por Drew Erickson, reforça o cariz dicotómico e, consequente, heterogéneo já descrito do processo criativo do autor, numa canção que impressiona pelo clima algo sinistro e épico, dominado por cascatas de diversas distorções, eminentemente sintéticas. 

Mahashmashana deixa-nos defintivamente rendidos com a estrondosa faustosa parada sonora que sustenta I Guess Time Just Makes Fools Of Us All, uma canção vibrante, com um groove ímpar e uma sensualidade indesmentível, em que teclas, sopros e cordas se entrelaçam entre si, conduzidas por um registo percussivo frenético, com um grau de refinamento classicista incomensuravelmente belo e, a seguir, com Summer's Gone, um típico tema de encerramento de um disco, íntimo, profundo, reflexivo e repleto de laivos musicais de excelência que proporcionam ao ouvinte, entre muitas outras sensações que só a vivência da audição consegue descrever, uma constante sensação de beleza e de melancolia ímpares, enquanto testemunhamos o modo como Father John Misty concebe o mundo em que hoje vivemos e que, na sua opinião, está, comicamente, mais próximo do que muitos pensam da ruína. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 13:11

Beirut - Caspian Tiger

Terça-feira, 19.11.24

Depois de ter lançado o disco Hadsel há cerca de um ano e do contributo esplêndido que deu, já na primavera de dois mil e vinte e quatro, para o conteúdo de Things We Have In Common, o novo disco dos dinamarqueses Efterklang, o norte-americano Zach Condon aka Beirut, voltou a concentrar-se no seu projeto a solo, tendo andado a compôr uma banda sonora para a companhia circense sueca Kompani Giraff.

Zach Condon grava música para grupo circense sueco, mas a coloca no novo disco do Beirut. Ouça e veja “Caspian Tiger”

Uma das composições que faz parte desse inusitado registo é Caspian Tiger, um líndissimo portento de intimidade e emotividade, já com direito a um vídeo assinado por Jan Pivoňka. Caspian Tiger assenta num piano comovente, que vai sendo subtilmente acompanhado por uma harpa reluzente e por diversos detalhes percussivos, enquanto Condon canta, com arrojo e delicadeza, sobre as ténues fronteiras que separam a dor e o conforto e a vida e a morte, neste caso dos tigres das estepes, enquanto imagina, na sua mente, o sofrimento que estes animais viveram quando, na antiguidade, foram retirados das estepes asiáticas em redor do Mar Cáspio para lutar em coliseus romanos. Confere...

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publicado por stipe07 às 08:47

Sigur Rós - ÁTTA

Segunda-feira, 19.06.23

Os islandeses Sigur Rós são provavelmente os maiores responsáveis pela geração a que pertenço se ter aproximado da música erudita ou de quaisquer outras formas de experimentação e de estranhos diálogos que possam existir dentro do campo musical. Ultimamente viviam numa espécie de hiato, pelo menos como banda, mas, finalmente, onze anos depois de Valtari, estão de regresso aos discos com ÁTTA, o oitavo disco do projeto, um alinhamento de dez canções produzido por Paul Corley e que é, de acordo com a própria banda, o trabalho mais emotivo e íntimo de todos os álbuns que já compuseram.

Review: On Sigur Rós' 'ÁTTA,' warmth and light push through the darkness :  NPR

Gravado em diferentes estúdios espalhados por vários continentes, em Abbey Road (Londres), no estúdio da banda em Sundlaugin e em diversos estúdios nos Estados Unidos da América, ÁTTA (que significa oito em islandês) é simultaneamente estranho e familiar para quem conhece e ouve afincadamente esta banda há aproximadamente duas décadas, algo que não é, diga-se, inédito numa projeto que logo desde Von, o primeiro álbum, se concentrou na produção de discos que, mesmo próximos, organizam-se e funcionam de modo distinto. O resultado final é uma discografia que se renova, capítulo após capítulo, acabando sempre por partilhar um novo sentimento ou proposta, ao mesmo tempo que utiliza uma fórmula básica, mas riquíssima, que serve de combustível a cada novo catálogo. E esse combustível parece-nos ser, mais do que o modus operandi, uma necessidade intensa que este trio tem de, com generosidade, convicção, impressionismo e patriotismo, plasmar a sua visão física e espiritual relativamente ao país de origem e, a partir daí, do mundo que os rodeia e no qual, por acaso, também, vivemos.

ÁTTA é, portanto, um novo marco e um passo em frente, seguro e maduro, na discografia dos Sigur Rós. Em quase uma hora, o trio avança, talvez definitivamente, rumo à musica de cariz mais clássico e erudito, deixado para trás as guitarras inflamadas em agrestes distorções e uma imponência percurssiva, tantas vezes inigualável, que só o baterista Orri Páll Dýrason sabia como replicar, para se deleitar com um manuseamento tremendamente delicado, despudoradamente calculado e indisfarçadamente belo, do sintético, mesmo se trombones, violinos, harpas ou trompetes continuem a fazer parte da equação, exemplarmente tocados, na sua maioria, pela orquestra contemporânea de Londres. No entanto, é curioso o modo como mesmo através desta guinada conceptual e interpretativa, os Sigur Rós continuam a manter intacto aquele adn muito próprio e único que nos transporta sempre para a típica paisagem vulcânica islandesa, fria e inóspita, já que, à semelhança da restante discografia do trio, este alinhamento é para ser escutado como um único bloco de som, compacto, hermético e aparentemente minimalista, mas rico em detalhes, experiências, nuances e paisagens, como é, num obrigatório e feliz paralelismo, um país tão belo, intrigante e rico como a Islândia.

ÁTTA é, então, um deleite de sons com forte inspiração em elementos paisagísticos, uma imagem de marca Sigur Rós em que a pouca acusticidade orgânica que ainda subsiste, entrelaça-se com texturas eletrónicas particularmente intrincadas, que conjuram entre si, muitas vezes de modo quase impercetível, para incubar melodias com uma beleza sonora que nos deixa muitas vezes boquiabertos. O disco avança, música após música, e dificilmente nos apercebemos de quando começa um tema e acaba outro. Os momentos de (quase) silêncio abundam e mesmo esses são detalhísticamente muito ricos. A ímpar delicadeza comovente que nos submerge em Glóð, o manancial sintético com poderes encantatórios que sustenta Blóðberg, enquanto convida o nosso âmago a dar primazia aos nossos sonhos em detrimento da velocidade vertiginosa em que todos vivemos e que Skel também ajuda, qual ABS em forma de orquestra, a abrandar, a suprema espiritualidade que exala de Mór, a pura adrenalina soporífera que nos injeta com pó de ignimbrite em Andrá e, principalmente, o modo como Klettur nos eleva à categoria de protagonistas e de seres escolhidos para a condução até ao caminho maior, deste mundo que nos foi oferecido, por geração espontânea ou por obra do divino, não se sabe muito bem, mas que estando ainda escondido no fundo de um lago gelado que se formou há milhares de anos nas profundezas de uma escura, mas intacta e nunca explorada caverna e de onde nunca saiu, agora explode, finalmente, rumo ao espaço celestial, ao som desta imponente canção, são instantes obrigatórios de um álbum que, mesmo tendo trechos sonoros que sabem a tormento e a desolação e que são impossíveis de ignorar, até por causa da beleza dos mesmos, quer queiramos, quer não, facilmente mexe com todos os nossos sentidos, nos arrepia e nos dá momentos momentâneos de pura felicidade!

ÁTTA surpreende todos aqueles que consideravam que este trio formado por Kjartan Sveinsson, Jónsi e Georg Holm já não teria capacidade de criar alinhamentos conceptualmente tão portentosos como Ágætis Byrjun ou Takk. Mas, imensamente mais importante que isso, é um regresso feliz dos Sigur Rós à boa forma e mostra que a espera de mais de uma década valeu bem a pena. ÁTTA vale, reforço uma vez mais, pelo todo e a audição individual de uma única canção, descontextualiza-o, até porque cria ao nosso redor, instantaneamente, uma espécie de névoa celestial. Como é apanágio dos Sigur Rós, cada ouvinte é livre para absorver o seu conteúdo do modo que mais lhe convier. Pessoalmente, ÁTTA soube-me, na dúzia de vezes que já ouvi o disco nos últimos quatro dias, a uma expressão sublime de contradições e a uma materialização assustadoramente real do modo como a sagacidade de três mentes inspiradas consegue feitos únicos e inolvidáveis, demonstrando que é possível a convivência saudável entre ordem e caos, amor e ódio, paz e guerra, presença e ausência, neste mundo tão agreste e cinzento em que vivemos e que a própria capa do registo quer, de algum modo, fazer-nos recordar. O perigo em que vivemos é tal nos dias de hoje, que até uma das obras mais sublimes da natureza, o arco-íris, sendo confiada nas nossas mãos, corre o risco de se incendiar. Espero que aprecies a sugestão...

 

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publicado por stipe07 às 18:20






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