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André Carvalho - Karelu

Quarta-feira, 01.12.21

O contrabaixista e compositor André Carvalho continua a tirar enormes dividendos de Lost In Translation, o quarto álbum da sua carreira, que viu a luz do dia a quinze de outubro pela editora americana Outside in Music e que conta com os apoios da Fundação GDA, Antena 2, Companhia de Actores e do Teatro Municipal Amélia Rey Colaço.

André Carvalho “Lost in Translation” - Agenda Cultural do Porto

Desta vez fá-lo com o single Karelu, o sétimo tema do alinhamento do registo, uma composição que, de acordo com o press release do seu lançamento, tem como título uma palavra que procura dar nome àmarca deixada na pele por se usar algo apertado, ou seja, a canção assenta sobre uma ideia quasi leit motiv que se repete ao longo do desenvolvimento do tema. Uma ideia repetitiva como se tratasse de algo que desse uma certa comichão.

Nesta composição, Karelu, de forte pendor jazzíatico e experimental, que soa a uma espécie de feliz e inspirado momento de improviso e que já conta com um vídeo assinado por Pedro Caldeira, além deJosé Soares, André Matos e o próprio André Carvalho, é possível ouvirmos no trompete o convidado especial João Almeida.

Lost In Translation foi gravado, misturado e masterizado pelo engenheiro de som Tiago de Sousa com quem Carvalho trabalhou nalguns dos seus discos anteriores e o artwork foi desenvolvido pela designer Margarida Girão. Lost In Translation conta também nos créditos com o saxofonista José Soares e o guitarrista André Matos, músicos com quem tem colaborado intensamente nos últimos anos, mas também, como acabámos de verificar, o jovem trompetista João Almeida. Confere...

Site: https://www.andrecarvalhobass.com/

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Twitter: https://twitter.com/acarvalhobass

Spotify: https://open.spotify.com/artist/1E8eyZqM2L6tQTWwHQeDsO?si=WktWy50wR16sGqKkrQLTDw

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publicado por stipe07 às 18:31

Yann Tiersen – Kerber

Quinta-feira, 16.09.21

Criado e gravado no The Eskal, o estúdio que construiu em Ushant, a ilha onde mora e que se localiza a trinta quilómetros da costa oeste da Bretanha, no Mar Céltico, Kerber é o nome do novo disco do compositor francês Yann Tiersen, um compêndio sonoro com a mesma designação de uma capela situada nessa mesma ilha e, no fundo, um disco conceptual porque mapeia mapeia sonoramente a paisagem que circunda a casa do autor.

With “Kerber”, Yann Tiersen switches a little more towards electronics

Kerber é um verdadeiro oásis de beleza e melancolia, neste presente tão inquietante que nos assola, um mundo eletrónico de magníficas texturas, altamente envolvente e cuidadosamente construído. Nele, as teclas penetrantes do piano fundem-se com paisagens sonoras ondulantes, à medida que Tiersen explora as possibilidades criativas que um ano de isolamento lhe proprocionou, ainda por cima numa ilha em que o impossível é conseguir viver de um modo frenético ou massificado.

Kerber é, pois, o retrato de uma ilha em sete telas sonoras lindíssimas legendadas em bretão, mas também a almofada reconfortante que o autor criou para se recostar enquanto usufrui de uma paisagem única e que, pelos vistos, é incrivelmente capaz de trazer à tona uma diversidade rica e infinita de ideias musicais.

Logo a abrir o disco, Kerlann funicona como uma espécie de apresentação do esqueleto de Kerber e, no fundo, como uma espécie de personificação do corpo principal da própria ilha. Depois, em Ar Maner Kozh, através do movimento oscilante que os detalhes eletrónicos fazem em redor de um acordeão sublime e um registo percurssivo sagaz e no modo como em Kerdrall piano e sino nos afagam, de modo simples mas muito eficaz, visualizamos, caso queiramos e com notável grau de impressionismo, as diferentes paisagens que dão forma ao local que serviu de inspiração ao registo. Os tambores que mal se ouvem em Ker al Loch e o piano que neste tema flui como um curso contínuo de água, com reflexos e tons que se alteram pela ação de impressionantes sons modulares que agitam a sua textura com brilho repentino, podem muito bem servir para dar vida à cadência da luz que ilumina La Jument, o farol a oeste de Ushant e um dos ex-libris da ilha.

Registo claramente instintivo e onde o piano, como seria de esperar, é rei e senhor, Kerber é um notável marco de evolução compositória e sinfónica na carreira de Yann Tiersen. É um disco em que a tradicional definição de música clássica pode ser utilizada, sem receio, para embrulhar o seu conteúdo, mas que, no interior, esconde uma diversidade enorme de entalhes sintéticos e percurssivos que encontram eco na melhor eletrónica atual. É, em suma, um poderoso retrato de um homem em sintonia perfeita com a natureza e a sua beleza rude, oferecendo-nos uma visão única desta simbiose perfeita. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 18:27

André Carvalho - Uitwaaien

Quarta-feira, 08.09.21

O contrabaixista e compositor André Carvalho está de regresso aos lançamentos discográficos com Lost In Translation, o quarto álbum da sua carreira, que irá ver a luz do dia a quinze de outubro pela editora americana Outside in Music e que conta com os apoios da Fundação GDA, Antena 2, Companhia de Actores e do Teatro Municipal Amélia Rey Colaço. Lost In Translation foi gravado, misturado e masterizado pelo engenheiro de som Tiago de Sousa com quem Carvalho trabalhou nalguns dos seus discos anteriores e o artwork foi desenvolvido pela designer Margarida Girão. Lost In Translation conta também nos créditos com o saxofonista José Soares e o guitarrista André Matos, músicos com quem tem colaborado intensamente nos últimos anos, mas também o jovem trompetista João Almeida.

André Carvalho

Alguma vez quiseram dizer algo mas não encontraram a palavra certa? É esta a questão que André Carvalho nos quer colocar com Lost In Translation, um disco surpreendente porque se inspira em palavras que existem em determinadas línguas, mais de dez, como o sueco, o holandês, o Urdu e o Wagiman (uma língua que é apenas falada por duas pessoas no mundo inteiro), mas que são intraduzíveis. Segundo o autor, por vezes a palavra está mesmo na ponta da língua mas, outras vezes, simplesmente não existe uma palavra… Ou, pelo menos, na nossa língua. Carvalho continua, dizendo que, por mais fascinante que a língua Portuguesa seja, sempre teve dificuldade em expressar certas ideias usando apenas uma palavra. E, mesmo que soubesse todo o léxico, tem a certeza que este problema persistiria.

Sonoramente, Lost In Translation é a materialização de uma busca incessante por novas sonoridades, que tem levado André Carvalho a explorar algumas áreas musicais tais como o jazz, a música improvisada, a música experimental e a música contemporânea dita erudita. Por isso, não será de estranhar que coabitem neste quarto registo do autor composições que exploram diferentes sonoridades, tempos, silêncio, espaço, cores, dinâmicas, texturas e ruídos. Sobre esta dinâmica de criação, André esclarece-nos que quis usar uma instrumentação diferente da que usou nos outros três álbuns. Paralelamente, idealizava um grupo sem bateria, onde o espaço e o respeito pelo silêncio fosse uma constante. E, com vista a perseguir uma sonoridade contemplativa, intimista e ao mesmo tempo crua, algo que imaginava com bastante clarividência, tentei usar elementos colorísticos e texturais, para além dos tradicionais elementos musicais como a melodia, harmonia e ritmo.

Uitwaaien é o primeiro single divulgado de Lost In Translation, uma composição com um título que, na língua de origem, a holandesa, significa sair para passear num dia ventoso, com o intuito de espairecer e relaxar a cabeça. Aliás, sobre Uitwaaien André Carvalho refere que quando escreveu a canção imaginou algo contemplativo mas ao mesmo tempo com uma certa tensão, já que o significado de Uitwaaien remete para uma acção libertadora. Acrescentou que usando um tempo lento, desenvolveu várias secções contrastantes em que as melodias principais são calmas, em oposição à secção de solos que é inquietante e áspera.

Uitwaaien já tem direito a um vídeo filmado pelo realizador Pedro Caldeira no Teatro Municipal Amélia Rey Colaço em Dezembro do ano passado. Confere...

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publicado por stipe07 às 14:23

Moby – Reprise

Segunda-feira, 31.05.21

O músico e produtor nova iorquino Moby tem nove álbuns na última década, vivendo uma das fases mais inspiradas e produtivas de uma já longa e respeitável carreira, que tem feito dele um dos expoentes maiores da eletrónica do novo milénio. E o novo passo que Moby deu neste percurso inigualável é uma compilação de versões de alguns dos seus maiores sucessos, concretamente treze, com novos arranjos e uma filosofia eminentemente acústica, com a ajuda da Budapest Art Orchestra. Esse disco chama-se Reprise, viu a luz do dia à boleia da Deutsche Grammophon e além da orquestra já referida, também conta com as participações especiais de Gregory Porter, Jim James (My Morning Jacket), Mindy Jones, Víkingur Ólafsson, Kris Kristofferson e Skylar Grey, entre outros.

Moby – Natural Blues (Reprise Version) - man on the moon

Em Reprise, Moby imprime uma dinâmica interpretativa com elevado cariz orquestral e progressivo, que dá um aspecto ainda mais magnificiente ao já robusto catálogo que revisita, algo só possível devido à escolha dos intérpretes, especialistas na replicação de ambientes negros, mas plenos de soul. De facto, com um arranque de carreira memorável à boleia de Play, ainda o melhor disco da sua discografia, foi com elevada dose de ansiedade que se aguardava nesta redação Reprise, até porque há várias canções desse álbum mítico que são alvo de revisão neste trabalho. E as expetativas não são defraudadas porque Reprise contém uma tremenda sensibilidade e está cheio de melodias bastante aditivas. Mesmo revisitando originais, o alinhamento transporta consigo um ideário, quer sonoro, quer lírico e poético muito vincado e consegue tocar o ouvinte e deixá-lo a refletir sobre esta contemporaneidade tão conturbada e perigosa que testemunhamos, quer para a nossa espécie quer para o futuro sustentado do planeta em que vivemos.

Mesmo com o adn típico de uma orquestra clássica, Reprise não deixa de poder ser catalogado também como um infatigável corpo eletrónico que revela as suas diferentes camadas sonoras enquanto o acústico e o elétrico, a pop e a soul, o rock e a chillwave se entrelaçam sem pudor e enleados por um incisivo clima melancólico que combina bem com a essência de Moby, um especialista na replicação de ambientes negros, mas também de assombros orquestrais intensos e belos. Espero que aprecies a sugestão...

01. Everloving (Reprise Version)

02. Natural Blues (Feat. Gregory Porter And Amythyst Kiah) (Reprise Version)
03. Go (Reprise Version)
04. Porcelain (Feat. Jim James) (Reprise Version)
05. Extreme Ways (Reprise Version)
06. Heroes (Feat. Mindy Jones) (Reprise Version)
07. God Moving Over The Face Of The Waters (Feat. Víkingur Ólafsson) (Reprise Version)
08. Why Does My Heart Feel So Bad (Feat. Apollo Jane And Deitrick Haddon) (Reprise Version)
09. The Lonely Night (Feat. Mark Lanegan And Kris Kristofferson) (Reprise Version)
10. We Are All Made Of Stars (Reprise Version)
11. Lift Me Up (Reprise Version)
12. The Great Escape (Feat. Nataly Dawn, Alice Skye And Luna Li) (Reprise Version)
13. Almost Home (Feat. Novo Amor, Mindy Jones And Darlingside) (Reprise Version)
14. The Last Day (Feat. Skylar Grey And Darlingside) (Reprise Version)

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publicado por stipe07 às 10:45

Sigur Rós – Stendur æva

Quarta-feira, 18.11.20

Os islandeses Sigur Rós são provavelmente os maiores responsáveis pela geração a que pertenço se ter aproximado da música erudita ou de quaisquer outras formas de experimentação e de estranhos diálogos que possam existir dentro do campo musical. Ao lado da conterrânea Björk, este projeto não apenas colocou a Islândia no mapa dos grandes expoentes musicais, como definiu de vez o famigerado pós rock, género que mesmo não sendo de autoria da banda, só alcançou o estatuto e a celebração de hoje graças, em grande parte, ao rico cardápio instrumental que este grupo conseguiu alicerçar nas mais de duas décadas que já leva de existência.

Stream "Stendur æva", Sigur Rós' New Orchestral Single | Consequence of  Sound

Agora, sete anos depois do último disco da banda, o aclamado Kveikur,  os Sigur Rós voltam a fazer mossa com Odin’s Raven Magic, um disco orquestral ao vivo, que conta com as participações de vários músicos do país da banda, nomeadamente Maria Huld Markan Sigfúsdóttir do projeto Amiina, Hilmar Örn Hilmarsson e Steindór Andersen e que é inspirado num poema medieval islandês chamado Edda e que retrata um banquete de deuses marcado por presságios agoirentos sobre o fim do mundo. Já agora, a primeira interpretação desta verdadeira banda sonora de um poema sucedeu um par de vezes, há já dezoito anos, em dois mil e dois, no evento Reykjavik Arts Festival. Este lançamento em disco de Odin’s Raven Magic, que vai acontecer a quatro de dezembro à boleia do consórcio Krunk vs Warner, teve os arranjos assinados por Kjartan Sveinsson e por Sigfúsdóttir, da banda Amiina e capta uma performance no La Grande Halle de la Villette, em Paris, em setembro de dois mil e quatro.

Stendur æva (stands alive) é o mais recente tema divulgado deste novo registo dos Sigur Rós que faz uma súmula desse concerto em Paris, uma composição efervescente e onde todas as opções instrumentais, predominantemente sintéticas e minimalistas, mas também fortemente orgânicas e dominadas pelas cordas e pelos sopros da orquestra participante, se orientaram de forma controlada. A canção é marcada por um loop hipnótico conferido por um curioso xilofone construído a partir de fragmentos de pedra rudemente talhados, da autoria do escultor Páll Guðmundsson. A partir dessa base, os restantes elementos instrumentais, a voz profunda de Andersen e o falsete de Jonsi vão conjurando entre si até se aglutinarem num clímax sereno, mas bastante emotivo, resultando, no seu todo, num salutar grau de epicidade, sendo a audição da composição uma experiência auditiva de forte pendor metafísico e sensorial. Confere Stendur æva e a tracklist de Odin’s Raven Magic...

Sigur Rós - Stendur æva

1. Prologus 
2. Alföður orkar 
3. Dvergmál 
4. Stendur æva 
5. Áss hinn hvíti 
6. Hvert stefnir 
7. Spár eða spakmál 
8. Dagrenning

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publicado por stipe07 às 10:20

Ed Harcourt – Drowning In Dreams

Sexta-feira, 24.07.20
O músico Ed Harcourt já tem pronto o seu nono e novo registo de originais, um disco que iráver a luz do dia a dezoito de setembro próximo e que irá suceder ao extraordinário registo Beyond The End, de dois mil e dezoito. Monochrome To Colour é o título do novo trabalho deste cantor e compositor britânico, mais um alinhamento apenas com instrumentais e que será certamente mais um trabalho bastante cinematográfico e evocativo, tendo em conta Drowning In Dreams, o mais recente single divulgado da obra, uma canção em que entalhes eletrónicos das mais diversas proveniências, um piano repleto de variações rítmicas e cordas inssinuantes abraçam-se e contrapôem-se, afagando uma melodia muito emotiva, vivbrante e impressiva.
SEE: Ed Harcourt returns, 'Drowning in Dreams' | Backseat Mafia
Este modus operandi plasmado no single entronca naquela que é a filosofia subjacente a este novo trabalho de Ed Harcourt, já que, de acordo com o próprio músico, Monochrome To Colour será um disco mais luminoso, amplo e otimista do que o antecessor, que era um trabalho eminemtemente melancólico e introspetivo (The new album is much more of an escapist record than Beyond The End,” he says. “[It] opens its arms to the world). Confere...
 

Ed Harcourt - Drowning In Dreams

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publicado por stipe07 às 11:11

Grutera - Fica Entre Nós

Quarta-feira, 04.03.20

Será a quatro de maio e à boleia da Planalto Records que irá ver a luz do dia Aconteceu, o quarto disco do projeto Grutera, assinado por Guilherme Efe, um músico nascido em pleno verão de mil novecentos e noventa e um e que, segundo reza à lenda, chegou ao nosso mundo todo nu, careca, sem dentes e cheio de sangue da barriga de sua mãe. As más línguas também referem que na altura o músico ainda não sabia tocar guitarra, porque não tinha unhas, mas provavelmente já sabia que era isso que faria o resto da sua vida, ainda que paralelamente tivesse qualquer outra atividade, mais ou menos lícita, mais ou menos nobre, com que fizesse mais ou menos dinheiro.

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Guilherme começou a sua carreira artística a tocar guitarra em bandas de metal, depois descobriu os recônditos prazeres da guitarra clássica e percebeu que seria por aí que iria conseguir alcançar a tão almejada fama, riqueza e sucesso, que tanto ambicionava desde o ventre materno, ou pelo menos, fazer música que o emocionasse e que melhorasse alguns minutos da vida de alguém que a ouvisse.

O percurso discográfico de Guilherme começou há cerca de oito anos com Palavras Gastas, no ano seguinte chegou aos escaparates o registo Sempre e dois anos depois viu a luz do dia Sur Lie, o antecessor deste Aconteceu, que foi gravado numa pequena adega, em casa dos pais do músico e que quebra um hiato de meia década, tendo começado a ser incubado em Braga desde dois mil e dezassete, com a ajuda de Tiago e Diogo Simão, que já tinham tido um papel preponderante nos três trabalhos anteriores deste projeto Grutera.

Fica Entre Nós é o primeiro single divulgado de Aconteceu, uma instrumental dedilhado divinamente à guitarra e que versa sobre a cumplicidade, um sentimento que pode ser entre duas pessoas como entre pessoas e as suas tradições. O próprio vídeo da canção tem essa faceta bem impressa, ao mostrar uma necessidade cada vez mais premente de conservar costumes e preservar espaços e gentes locais. Gentes que, muitas vezes, se vêm expulsas das suas raízes pela força do turismo e dos interesses económicos, que tanto podem ter de bom como de mau, se não existir um equilíbrio. Confere...

CONCERTOS

5 de Abril/ Festival Santos da Casa, Coimbra

4 de Junho/ Maus, Hábitos, Porto

5 de Junho/ Clav Sessions, Vermil

13 de Junho/ CAE Sever do Vouga

25 de Setembro/ Casa da Cultura, Setúbal

https://m.facebook.com/grutera1

https://grutera1.bandcamp.com/ 

https://soundcloud.com/grutera1

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publicado por stipe07 às 13:09

Richard Ashcroft – Have Yourself A Merry Little Christmas

Segunda-feira, 16.12.19

Richard Ashcroft - Have Yourself A Merry Little Christmas

Com o aproximar do Natal é usual haver alguns lançamentos discográficos alusivos à época e Richard Ashcroft, vocalista dos The Verve, acabou por aderir a esta tendência com a recente divulgação da sua versão do clássico Have Yorself A Merry Little Christmas. Este é um original de mil novecentos e quarenta e três, assinado por Hugh Martin e Ralph Blane e interpretado pela primeira vez porJudy Garland, no ano seguinte, no musical da MGM, Meet Me in St. Louis, uma canção já celebrizada por nomes como Frank Sinatra, Tori Amos, Bob Dylan e, mais recentemente, Sam Smith e os Coldplay.

Na sua reinterpretação deste clássico, Richard Ashcroft apostou numa toada tipicamente blues e jazzística, num resultado final repleto de charme, com o timbre da guitarra, o tom grave da sua voz e uma seleção de arranjos de índole classicista a conferirem ao tema uma feliz sensação de magia e cor, como é apanágio deste época única do ano. Confere...

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publicado por stipe07 às 21:31

Yann Tiersen – All

Segunda-feira, 01.07.19

Produzido por Gareth Jones, All é o décimo registo de originais do músico francês Yann Tiersen, um registo com onze composições, lançado no passado dia quinze de fevereiro através da Mute Records e que foi gravado na ilha de Ushant, na costa oeste de França, onde o músico vive. Nesse local Yann Tiersen converteu uma antiga discoteca num estúdio de música e num centro cultural, batizado de The Eskal e inaugurado em fevereiro com a apresentação deste álbum que conta com as participações especiais dos músicos Ólavur Jákupsson, Anna von Hausswolff, Emilie Tiersen e Denez.

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All está marcado pela temática do ambiente, já presente no antecessor EUSA (2016) e as composições estão impregnadas de sons gravados na natureza, na região da Bretanha e nos Estados Unidos, uma nuance que confere ao registo um intenso dramatismo e uma permanente tensão, num alinhamento que funciona como um bloco único, uma grande banda sonora, um pouco à semelhança das que já idealizou para filmes tão importantes como Alice et Martin de Juliette Binoche ou Amélie, de Jean-Pierre Jeunet. 

Continuando a utlizar o piano como instrumento de eleição na condução do processo de construção do arquétipo sonoro das canções, algo que já sucedeu com EUSA de um modo mais minimal, All leva-nos de modo submersivo e particularmente realista para um universo feito de cândura e beleza, mas também de alguma angústia e temor, idealizado por um músico que tocou também quase todos os outros instrumentos que se escutam e que soube como os relacionar com os tais sons de ambiente que captou. Em Tempelhof, a lindíssima melodia tocada ao piano e o modo como nela encaixam vozes de crianças, captadas num setor do aeroporto de Berlim onde hoje funciona um dos maiores centros de refugiados da Europa, é um excelente exemplo desse modus operandi que se repete, logo depois, em Koad e, no ocaso de All, em Beure Kentañ, com sons de aves, mas também nos sinos de Bloavezhioù ou, em Pell, com frequências de rádio, detalhes que fazem com que estas composições de All tenham calibre para serem apreciadas e devidamente absorvidas, numa óptica eminentemente reflexiva, mas também como veículos promotores da diferença e da ação, ou seja, são canções capazes de nos fazer ganhar coragem para agir um pouco mais relativamente à dor que nos rodeia.

O momento mais belo de All acaba por estar em Heol, uma canção onde as letras sussurradas em bretão contam uma parábola sobre um castelo trancado e indicam a chave dourada que a abre e que todos guardamos dentro de nós. O caminho para ela vai-nos sendo revelado em cada novo som, sejam cordas violentas ou soturnas, mas também fanfarras de metais e diversos elementos percurssivos estonteantes, numa canção em que progressivamente Tiersen constrói a tal tensão e nos faz subir, sem apelo nem agravo, em direção a um pico envolto em luz. Positivamente edificante e com uma conectividade com o ouvinte irrepreensível, Heol é, pois, o âmago de um disco profundamente humano e sensorial, assente numa indulgência que nos transporta para um mundo que também tem muito de solene e de espiritual, nessa conetivdade que estabelece com cada um de nós. Espero que aprecies a sugestão...

Yann Tiersen - All

01. Tempelhof
02. Koad (Feat. Anna Von Hausswolff)
03. Erc’h (Feat. Olavur Jakupsson)
04. Usal Road
05. Pell
06. Bloavezhioù
07. Heol
08. Gwennilied (Feat. Denez)
09. Aon
10. Prad
11. Beure Kentañ

 

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publicado por stipe07 às 21:06

André Carvalho - The Garden of Earthly Delights

Quarta-feira, 22.05.19

Já chegou aos escaparates The Garden of Earthly Delightso terceiro registo de originais do contrabaixista e compositor André Carvalho, um músico natural de Lisboa, mas a viver do outro lado do atlântico, na big apple, há quase meia década. Com artwork da autoria de Margarida Girão e inspirado no espantoso e intrincado universo do artista Hieronymus Bosch, em particular da pintura que dá nome ao disco, patente no Museu do Prado em Madrid, The Garden of Earthly Delights sucede a Hajime e Memória de Amiba, dois registos que mostraram uma mescla muito pessoal e original entre jazz contemporâneo e alguns dos arquétipos fundamentais da música portuguesa de cariz mais erudito e tradicional.

Resultado de imagem para André Carvalho The Garden of Earthly Delights

Misturado pelo pianista, engenheiro e produtor Pete Rende, e masterizado pelo multi-instrumentista Nate Wood, com as participações especiais de nomes tão proeminentes como Jeremy Powell, um saxofonista americano e um dos mais influentes músicos no panorama de Nova Iorque, Eitan Gofman, um jovem saxofonista Israelista que tocou com Randy Brecker, Gerald Clayton, Eddie Gomez, David Liebman entre muitos outros, Oskar Stenmark, trompetista sueco que tocou com nomes como Maria Schneider Orchestra, David Byrne, Arturo O’Farrill e a Bohusland Big Band, o português André Matos, guitarrista que tocou com Sara Serpa, Billy Mintz, Pete Rende, Jacob Sacks e Thomas Morgan e Rodrigo Recabarren, baterista chileno com uma vasta experiência e cujo currículo inclui participações com Camila Meza, Kenny Barron, Kenny Werner, Melissa Aldana e Gilad Hekselman, The Garden of Earthly Delights oferece-nos, nas suas onze composições, uma recompensadora viagem em forma de suite musical, uma jornada contemplativa com vários momentos de tensão, mas também de calma. São composições que entre a suavidade e a brutalidade, a simplicidade e a complexidade, a harmonia e o conflito, fluiem com ímpar indulgência e subtil sagacidade, ao mesmo tempo que nos dão uma visão muito própria do referido quadro, um tríptico pintado pelo pintor holandês entre finais do século XV e início do séxulo XVI e em que a parte mais fechada representa a criação do mundo, mas que quando aberto, nos oferece um panorama incrível de interpretações que, entre as noções de paraíso, as tentações, uma visão do inferno repleto de almas pecadoras a caminho de um moinho, o voyeurismo e a pura e dura sexualidade, possibilitam por parte do nosso olhar as mais variadas interpretações.

Assim também é a música de André Carvalho, telas sonoras passíveis de apropriação por parte do ouvinte, que movidas através de complexas texturas melódicas entrelaçadas em sopros e cordas, sempre com uma certa aúrea de mistério e com uma enorme personalidade, plasmam todo o charme do melhor jazz contemporâneo. The Garden of Earthly Delights é, pois, um magnífico caldeirão sonoro onde as composições vestem a sua própria pele enquanto se dedicam, de corpo e alma, à hercúlea tarefa comunicativa que o autor designou para cada uma, individualmente. Depois poderemos com elas exorcizar demónios, mas também aconchegar alegrias e realizações, esteja o ouvinte predisposto a saborear convenientemente o universo criado por este excelente intérprete de um estilo sonoro nem sempre devidamente apreciado. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 16:54






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