Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


John Grant – Boy From Michigan

Quinta-feira, 15.04.21

Pouco mais de dois anos após o excelente registo Love Is Magic, um John Grant enraivecido e profundamente incomodado pela conjuntura atual do seu país natal e do mundo, não só devido à crise pandémica, mas também ao crescimento político dos extremismos, que não abrandam apesar da derrota de Trump e da entrada de Biden na Casa Branca, prepara-se para lançar um novo álbum intitulado Boy From Michigan, que irá ver a luz do dia a vinte e cinco de junho próximo, à boleia do consórcio Partisan/Bella Union.

John Grant anuncia o álbum 'Boy From Michigan' e revela a faixa-título

Boy From Michigan conta com Cate Le Bon nos créditos da produção que, já agora, tem um novo disco intitulado Reward e que a nossa redação recomenda vivamente. Mas voltando ao novo álbum de Grant, depois de em janeiro termos contemplado o single The Only Baby, agora chega a vez de conferirmos o tema homónimo do disco, uma canção com uma toada muito charmosa e onde um delicioso travo psicadélico passeia por um tratado de chillwave intemporal, enquanto Grant disserta sobre algumas memórias que ainda guarda dos seus primeiros anos de vida no Michigan. Confere Boy From Michigan e a tracklist de Boy From Michigan...

Boy From Michigan
County Fair
03 “The Rusty Bull
The Cruise Room
Mike And Julie
Best In Me
Rhetorical Figure
Just So You Know
Dandy Star
Your Portfolio
The Only Baby
Billy

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 17:52

Zero 7 – Shadows EP

Segunda-feira, 26.10.20

Seis anos após o EP Simple Science e cinco depois de EP3, os britânicos Zero 7, um dos nomes fundamentais da eletrónica downtempo e da chillwave, estão de regresso com um novo EP intitulado Shadows, que também serve para apresentar o novo vocalista principal da banda de Sam Hardaker e Henry Binns, o cantor britânico Lou Stone. Já agora, recordo que os Zero 7 não lançam um disco desde o já longínquo Yeah Ghost de dois mil e nove.

FLOOD | Zero 7 Discuss Returning to Form for Their New “Shadows” EP

Este EP Shadows viu a luz do dia a vinte e três de outubro e oferece-nos um alinhamento muito quente e a apelar à soul, com quatro canções que exalam aquele charme típico da dupla e que reforçam o ambiente fashion que sempre caraterizou os Zero 7. São composições com um enredo bastante centrado nas memórias que Binns e Sam carregam consigo, individualmente e como peças fulcrais do universo Zero 7 e de como as duas décadas que levam juntos as criar e a compôr foram marcando as suas vidas e dando sentido a uma existência que sempre se centrou na necessidade de ambos em criar artisticamente.

É, pois, um EP vibrante, mas também soturno, quatro pérolas buriladas em cima de sintetizadores cósmicos, efusivos em Shadows e algumas cordas, serenas em Take My Hand e belíssimas em After The Fall, esta uma composição onde os típicos violinos, que eram peças chave dos primeiros registos da dupla, se mostram exuberantes. Pelo meio vai sendo tudo acomodado por interseções de arranjos que, contrastando com a emotividade vocal de Stone, uma voz habituada a registos mais folk, mas que se assentou como uma luva nos Zero 7, nos proporciona um resultado final lindíssimo, refinado e tremendamente contemplativo. Espero que aprecies a sugestão...

Zero 7 - Shadows

01. Shadows (Feat. Lou Stone)
02. Take My Hand (Feat. Lou Stone)
03. After The Fall (Feat. Lou Stone)
04. Outline (Feat. Lou Stone)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 12:54

Archive – Versions

Domingo, 04.10.20

Ícones da eletrónica das últimas três décadas, os londrinos Archive estão a comemorar um quarto de século de carreira, com a edição de Versions, um maravilhoso registo que nos oferece dez novas roupagens de alguns dos temas míticos da banda londrina liderada por Darius Keeler e Danny Griffiths.

Archive (band) - Alchetron, The Free Social Encyclopedia

Produzido pelos próprios Archive e misturado por Jerome Devoise, colaborador de longa data do grupo, Versions é um documento sonoro obrigatório para conhecermos a fundo este que é o nome maior da vertente mais sombria e dramática do trip hop. Ao longo da carreira do grupo, nomeadamente a mais recente, se With Us Until You're Dead e Axiom trilhavam caminhos que iam da electrónica à soul, passando pela pop de câmara e se em Restriction, há meia década, colocaram as guitarras na linha da frente, ampliaram o volume das distorções e, mesmo sendo um disco que vivia essencialmente da eletrónica e dos ambientes intimistas e expansivos, foi-lhe acrescentado uma toada mais orgânica, ruidosa e visceral, Versions faz a simbiose de tudo isto, constituindo-se, no seu todo, como uma espécie de cruzamento espectral e meditativo da carreira do grupo.

Assim se Light surpreende pelo modo como as guitarras, o baixo e a bateria seguem a sua dinâmica natural, mesmo tendo a companhia sempre atenta do sintetizador, que não deixa de rivalizar com o conjunto, mas sem nunca ofuscar o protagonismo da tríade, que conduz o tema para uma faceta mais negra e obscura, tipicamente rock, esculpindo-o com cordas ligas à eletricidade, ao mesmo tempo que a banda exibe uma consciente e natural sapiência melódica, já Kid Corner, tem um certo travo industrial, que a belíssima voz de Holly Martin aprofunda, com uma carga ambiental assinalável, bem patente no modo como as guitarras e a voz se enquadram com a grave batida sintética e repleta de efeitos maquinais. Estes dois temas acabam por sintetizar com superior mestria o adn essencial dos Archive, enquanto nos agarram pelos colarinhos sem dó nem piedade e nos sugam para um universo pop feito com uma sonoridade preciosa, bela, silenciosa e estranha e que, amiúde, parece que nos afoga numa hipnótica nuvem de melancolia.

Esta lindíssima viagem às pastosas aguas turvas em que mergulha a eletrónica dos Archive ganha contornos de excelência em Nothing Else, um mundo de paz e tranquilidade, originalmente presente em Londinium, um dos momentos maiores da discografia do grupo londrino, versão que nos embala e acolhe de modo reconfortante, proporcionando uma sensação de bem-estar e tranquilidade que nem um potente efeito sintetizado desfaz. O tema faz-nos descolar ao encontro de uma soul  cheia de imagens evocativas sobre o mundo moderno e encarna o momento alto do trabalho de produção feito em Versions e o já habitual modo como os Archive conseguem dar vida a belíssimas letras entrelaçadas com deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos.

A escrita deste grupo britânico carrega uma sobriedade sentimental que acaba por servir de contraponto a uma sonoridade algo sombria, mas onde geralmente nenhum instrumento ou som está deslocado ou a mais e a conjugação entre exuberância e minimalismo prova a sensibilidade dos Archive para expressar pura e metaforicamente as virtudes e as fraquezas da condição humana. Os Archive sempre seguiram uma linha sonora complexa e nunca recearam abarcar variados estilos e tendências musicais, mantendo sempre uma certa integridade em relação ao ambiente sonoro geral que os carateriza. Versions tem alma e paixão, é fruto de intenso trabalho e consegue ter canções perfeitas, com vozes carregadas de intriga e profundidade. Espero que aprecies a sugestão...

Archive - Versions

01. Lights (Version)
02. Kid Corner (Version)
03. Bright Lights (Version)
04. Fuck U (Version)
05. Erase (Version)
06. Again (Version)
07. Pills (Version)
08. Nothing Else (Version)
09. Remains Of Nothing (Version)
10. End Of Our Days (Version)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 17:18

Zero 7 – Shadows

Terça-feira, 01.09.20

Seis anos após o EP Simple Science, e cinco depois de EP3, os britânicos Zero 7, um dos nomes fundamentais da eletrónica downtempo e da chillwave, estão de regresso com um novo EP intitulado Shadows, que também serve para apresentar o novo vocalista principal da banda de Sam Hardaker e Henry Binns, o cantor britânico Lou Stone. Já agora, recordo que os Zero 7 não lançam um disco desde o já longínquo Yeah Ghost de dois mil e nove.

Zero 7 Announces Shadows EP, First New Record in Five Years for October  2020 Release and Shares Title Track - mxdwn Music

Este EP Shadows irá ver a luz do dia a vinte e três de outubro e dele já se conhece o tema homónimo, uma composição assente num registo muito quente e a apelar à soul, uma canção que exala aquele charme típico da dupla e que reforça o ambiente fashion que sempre caraterizou os Zero 7. Juntamente com a divulgação do single homónimo do EP, foi também dado a conhecer o vídeo do mesmo, realizado por Julian House que, recordo, foi quem criou o artwork espetacular de Simple Things, o álbum de estreia dos Zero 7, que comemora no próximo ano vinte anos de existência. Confere...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 21:04

Tim Bowness – Northern Rain

Quinta-feira, 13.08.20

Tim Bowness - Northern Rain

Nascido e criado no noroeste de Englaterra, Tim Bowness começou a sua carreira nos anos noventa, tendo sido representado pelas etiquetas Probe Plus, One Little Indian e Sony/Epic 550, tendo começado por se destacar como vocalista e compositor dos No-Man, banda onde também tocava Steven Wilson, membro dos Porcupine Tree. Nesse projeto participou em seis discos e um documentário, mas ainda arranjou tempo para colaborar com a italiana Alice e com Robert Fripp, Hugh Hopper (Soft Machine), OSI e Phil Manzanera dos Roxy Music, entre outros, além de ter feito parte dos Henry Fool, dos Slow Electric e dos Memories Of Machines.

Além disso, Tim ainda gravou o álbum Flame (1994) com Richard Barbieri (Porcupine Tree), coproduziu e compôs para o aclamado Talking With Strangers (2009), um álbum de Judy Dyble, antigo membro dos Fairport Convention e colaborou com Peter Chilvers, um músico que costuma acompanhar Brian Eno e Karl Hyde. Desde dois mil e um dirige a bem sucedida etiqueta e loja de música online Burning Shed, juntamente com o baixista Pete Morgan, seu antigo companheiro nos No-Man.
Agora, quase três décadas após o disco de estreia dos No-Man e cerca de quinze anos depois de My Hotel Year, o seu primeiro registo a solo, Tim Bowness está de regresso aos lançamentos discográficos com Late Night Laments, o seu terceiro álbum a solo, lançado pela etiqueta Inside Out, com as participações especiais de Richard Barbieri, Colin Edwin e Tom Atherton e que irá ver a luz do dia a vinte e oito deste mês de agosto.

Northern Rain, uma canção sobre alguém que assiste impotente ao companheiro de uma vida a ser engolido pelas garras da demência, é o mais recente avanço divlgado de Late Night Laments, um tema fabuloso e extremamente sensorial, que conta com as participações especiais de Melanie Woods (Sidi Bou Said, Knifeworld) e Evan Carson (Kate Rusby, iamthemorning) e que está carregado com uma densidade e ao mesmo tempo leveza sonora, difíceis de descrever, graças não só a uma guitarra com um timbre bastante vincado, mas também devido a teclados atmosféricos e ao glamour inigualável da voz nasalada bastante sedutora e intrigante deste gentleman do indie rock britânico. Confere...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 13:06

Sufjan Stevens - America

Terça-feira, 07.07.20

Sufjan Stevens - America

Desde o longínquo registo Carrie & Lowell , lançado em dois mil e quinze que o norte-americano Sufjan Stevens não lança um registo a solo. No entanto, o músico natural de Chicago não tem deixado de estar ativo, não só através da participação em outros projetos paralelos, com especial realce para o seu contributo fundamental no álbum Planetarium (2017), onde assinou os créditos com Bryce Dessner, Nico Muhly e James McAlister, mas também com a edição de alguns singles, a homenagem a patinadora Tonya Harding no tema com o mesmo nome, lançado no final de dois mil e dezassete e, o ano passado, em junho, mês que comemora o Orgulho LGTBQ, Sufjan Stevens ofereceu-nos, à boleia da Asthamatic Kitty, um EP com dois inéditos, Love Yourself e With My Whole Heart, duas assumidas canções de amor cuja parte das receitas obtidas foram oferecidas às organizações Ali Forney Center em Harlem, Nova Iorque e o Ruth Ells Center, em Detroit, no Michigan, que apoiam, respetivamente, a comunidade LGBTQ e crianças sem lar norte-americanas.

Agora, em dois mil e vinte, parece certo um novo disco de Sufjan Stevens, um trabalho intitulado The Ascension, do qual acaba de ser retirado o épico single America, uma jornada eletrónica climática e intimsta, mas também algo inquietante, feita de um psicadelismo eminentemente experimental, assente numa vasta miríade de efeitos, distorções de guitarra, interseções e arranjos que adornam uma composição bem à medida da imensidão e do silêncio que carateriza o vazio cósmico a que o músico de Chicago nos tem habituado ultimamente.

Liricamente, America são doze minutos de retórica reflexiva, mais ou menos racional e consciente, assente em várias menções alegóricas e até biblícas transpostas para o estado atual do seu país de origem, uma América que, como o próprio já referiu recentemente, o envergonha particuarmente (I’m ashamed to admit I no longer believe). Sufjan fala de uma América a correr vertiginosamente rumo ao apocalipse e de como essa constatação o atormenta e aflige particularmente (don’t do to me what you did to America ). Confere...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 14:40

EOB – Earth

Quarta-feira, 13.05.20

Um importante marco discográfico de dois mil e vinte é, certamente, o disco de estreia da carreira a solo de Ed O'Brien, guitarrista dos Radiohead. Earth é o feliz nome desse trabalho e tem nos créditos Flood, como responsável pela produção, o experiente Alan Moulder na mistura e o baixista Colin Greenwood, também membro dos Radiohead, como destacado convidado, além de Laura Marling, Adrian Utley (Portishead), Nathan East, Glenn Kotche (Wilco), Omar Hakim, Adam “Cecil” Bartlett, David Okumu e Richie Kennedy, entre outros.

EOB – 'Earth' review: Radiohead guitarist Ed O'Brien proves ...

Disco fortemente marcado pelo período em que Ed O'Brien viveu no Barsil no início da década passada com a sua família, Earth é um álbum de homenagem, mas também de alerta. Pretende, antes de mais e primeiro que tudo, agradecer a esta bola azul que tantas vezes maltratamos, o facto de ter acolhido a nossa espécie, mas também, e de um modo bastante impressivo, chamar a atenção de todos nós para o modo agressivo como estamos a cuidar deste lar que é de todos, mas que, tantas vezes, parece ser de tão poucos. Canções como Banksters, a composição mais parecida com o catálogo mais recente da banda de origem dos Radiohead e onde se estranha apenas a ausência vocal de Thom Yorke, Shangri-La, um delicioso portento percurssivo que progride e oscila entre o orgânico e o sintético com inquestionável inquietude, a acusticidade climática do tratado pop que define Deep Days e, no mesmo hemisfério sonoro, mas de modo ainda mais íntimo, a soturna Long Time Coming, são canções criadas com o firme propósito de nos fazer contemplar as maravilhas do nosso planeta e consciencializar-nos para a necessidade de o tratarmos com amor e devoção

Santa Teresa, nome de um bairro dos arredores do Rio de Janeiro, oferece a faceta política de Earth,  uma composição de cariz eminentemente ambiental, assente em diversos fragmentos samplados, agregados em redor de um fluído de elevado travo orgânico e que nos faz sentir que estamos no local que serviu de inspiração à composição. Já Brasil, uma extensa canção que progride de uma eletrónica ambiental de pendor vincadamente acústico para um espetro rock amplificado pelo vigoroso baixo de Greenwood e pelo excelente trabalho percurssivo de Omar Hakim, é um espelho dos tempos em que vivemos e do modo intrigante e, de certo modo, confrangedor como a liderança desse país tem olhado para as riquezas em que vive e tudo aquilo que de prejudicial tem provocado nele.

Brasil, país assolado por diversas catástrofes naturais nos últimos tempos, com especial destaque para os fogos extensos que ocorreram recentemente na Amazónia e o descontrole pandémico provocado pelo Civd-19, acaba por ser um espelho fiel desse modo desregulado como tratamos a nossa casa. Entre o rock, a eletrónica, a soul e a chillwave, em Earth O'Brien quer colocar novamente os holofotes no centro desse flagelo, mas também procurar dar uma perspetiva otimista e mais poética de todo este enredo, acreditando que ainda é possível que a espécie humana se una no objetivo comum de não deixar que a sua casa se deteriore irreversivelmente. Espero que aprecies a sugestão...

EOB - Earth

01. Shangri-La
02. Brasil
03. Deep Days
04. Long Time Coming
05. Mass
06. Banksters
07. Sail On
08. Olympik
09. Cloak Of The Night (Feat. Laura Marling)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 12:04

Washed Out – Too Late

Quarta-feira, 15.04.20

Dono de obras-primas do calibre do excelente tratado de lisergia que sustenta o longa duração de estreia Within Without (2011) e do psicadélico e inebriante álbum Paracosm (2013), o projeto Washed Out, do multi-instrumentista norte-americano Ernest Greene, um dos nomes fundamentais, a par de Neon Indian ou Toro Y Moi, da nova chillwave, não dava sinais de vida desde o buliçoso e intrigante registo Mister Mellow (2017). No entanto, esse hiato de três anos parece ter já um fim com a divulgação de Too Late, uma canção que, para já, surge isoladamente, à boleia da Sub Pop Records, sem atrelar a edição prevista de um álbum, mas que pode muito bem ser um ponto de partida para novo compêndio deste músico natural da Georgia.

Washed Out Releases New Song And Video “Too Late” - Paste

Em Too Late a batida dançante, os detalhes percussivos orgânicos e os flashes irradiantes sintetizados transportam-nos de imediato para o universo sonoro típico de Washed Out e já nem queremos olhar para trás porque entramos em contado direto com uma praia ensolarada à beira de uma floresta tropical, à boleia de uma pop sonhadora, excelente para nos hipnotizar e que acaba por funcionar como aquele eficaz soporífero que nos leva para longe de uma realidade tantas vezes pouco agradável, como tem sido a mais recente.

Por falar nisso, chamo também a atenção para o vídeo do tema; O mesmo foi feito com diversos filmes que os fãs do músico lhe enviaram depois de uma solicitação deste, que queria, de algum modo, recompensar os seus seguidores pelas agruras provocadas por este período difícil de confinamento, envolvendo-os diretamente no seu trabalho e homenageando também, desse modo, o nosso esforço coletivo. Confere...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 16:48

EOB - Santa Teresa vs Brasil

Segunda-feira, 20.01.20

Um importante marco discográfico de dois mil e vinte será, certamente, o disco de estreia da carreira a solo de Ed O'Brien, guitarrista dos Radiohead. Ainda sem título divulgado, esse trabalho terá, nos créditos, Flood, como responsável pela produção, o experiente Alan Moulder na mistura e o baixista Colin Greenwood, também membro dos Radiohead, como destacado convidado, além de Laura Marling, Adrian Utley (Portishead), Nathan East, Glenn Kotche (Wilco), Omar Hakim, Adam “Cecil” Bartlett, David Okumu e Richie Kennedy, entre outros.

Ed-OBrien

Do registo de Ed O'Brien já se conhecem as composições Santa Teresa e Brasil. Ambas inspiradas no período em que Ed viveu no Barsil no início da década passada com a sua família. A primeira, Santa Teresa, nome de um bairro dos arredores do Rio de Janeiro, divulgada em outubro passado, é uma composição de cariz eminentemente ambiental, assente em diversos fragmentos samplados, agregados em redor de um fluído de elevado travo orgânico. Já Brasil, uma extensa canção que progride de uma eletrónica ambiental de pendor vincadamente acústico para um espetro rock amplificado pelo vigoroso baixo de Greenwood e pelo excelente trabalho percurssivo de Omar Hakim, é um espelho dos tempos em que vivemos e do modo intrigante e, de certo modo, confrangedor como o homem, enquanto espécie, olha para o planeta em que vive e tudo aquilo que de prejudicial tem provocado nele. Brasil, país assolado por diversas catástrofes naturais nos últimos tempos, com especial destaque para os fogos extensos que ocorreram recentemente na Amazónia, acaba por ser um espelho fiel desse modo desregulado como tratamos a nossa casa. Nessa canção, O'Brien quer colocar novamente os holofotes no centro desse flagelo, mas também procurar dar uma perspetiva otimista e mais poética de todo este enredo, acreditando que ainda é possível que a espécie humana se una no objetivo comum de não deixar que a sua casa se deteriore irreversivelmente. Confere Santa Teresa e Brasil...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 11:18

Beck – Hyperspace

Quinta-feira, 05.12.19

Colors ainda não tem três anos, o single Tarantula, inserido na banda-sonora do filme Roma, escrito e dirigido por Alfonso Cuarón, um, mas Beck Hansen, uma referência icónica da música popular das últimas duas décadas, já tem disco novo, um registo intitulado Hyperspace, um tomo de onze canções que viu recentemente a luz do dia, à boleia da Capitol Records.

Resultado de imagem para Beck Hyperspace

O frenesim criativo não é algo inédito neste músico californiano que no início da década de noventa atuava em clubes noturnos vestido de stormtrooper e que da aproximação lo-fi ao hip-hop de Mellow Gold Odelay, passando pela melancolia de Sea Change e a psicadelia de Modern Guilt, nos foi habituando, nas últimas três décadas, a frequentes e bem sucedidas inflexões sonoras. Produzido por Pharell Williams e o próprio autor, Hyperspace, o décimo quarto registo de originais da carreira de Beck, acaba por ser mais um passo em frente relativamente às pegadas do antecessor Colors, um trabalho que, recordo, fez Beck regressar ao trilho da pop mais efervescente, sintética e luminosa e que estava repleto de canções a apelarem às pistas e à criatividade dos remisturadores.

O tal passo em frente de Hyperspace relativamente a Colors é dado em direção a uma filosofia estilística e interpretativa menos burilada e mais simples, direta e minimal. No entanto, mantém-se a fixação recente de Beck pelos anos oitenta do século passado, num disco repleto de tiques típicos do R&B, da soul e da pop lisérgica, num resultado final onde ironia, festa e uma auto reflexão muitas vezes emotiva são conceitos transversais a todo o alinhamento.

Assim, se as cordas de Die Waiting nos oferecem aquele Beck que é exímio em criar melodias agradáveis, marcantes e ricas em detalhes e texturas, dentro de um espetro pop eminentemente contemplativo, já Saw Lightning, pouco mais de quatro minutos de um efervescente festim pop, que sobressai pela luminosidade das cordas de uma viola, por diversos detalhes percurssivos e pelo fuzz intermitente de uma teclado, oferece-nos o tal outro lado mais animado e consentâneo com as propostas mais sintéticas do autor. Depois, Chemical, uma lindíssima balada onde sobressai um teclado que acompanha com mestria aquele efeito mais doce com que o músico costuma adornar a sua voz quando quer transmitir algo mais profundo, é outro oásis etéreo dentro de um registo que também vive muito de uma componente cósmica, no que concerne ao cardápio de efeitos e sintetizações que adornam algumas das suas composições.

Recheado de outros ilustres convidados, nomeadamente os colegas de longa data de Beck, Jason Falkner, Smokey Hormel e Roger Manning Jr., Greg Kurstin, que coescreveu e coproduziu See Through, uma mescla feliz entre R&B e chillwave, Paul Epworth que fez o mesmo em Star, Chris Martin que participa em Stratosphere, Terrell Hines, no tema homónimo do disco e Sky Ferreira nos coros de Die Waiting, Hyperspace não é ainda uma aproximação bem conseguida aos melhores trabalhos da carreira de Beck, mas contém um pretexto explícito, mensagens contundentes e uma identidade bem definida, além de um forte sentido de contemporaneidade e de aproximação às tendências comerciais mais ouvidas na música atual. Espero que aprecies a sugestão...

Beck - Hyperspace

01. Hyperlife
02. Uneventful Days
03. Saw Lightning
04. Die Waiting (Feat. Sky Ferreira)
05. Chemical
06. See Through
07. Hyperspace (Feat. Terrell Hines)
08. Stratosphere
09. Dark Places
10. Star
11. Everlasting Nothing

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 13:40






mais sobre mim

foto do autor


Parceria - Portal FB Headliner

HeadLiner

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Man On The Moon · Man On The Moon -Programa 422


Disco da semana 117#


Em escuta...


pesquisar

Pesquisar no Blog  

links

as minhas bandas

My Town

eu...

Outros Planetas...

Isto interessa-me...

Rádio

Na Escola

Free MP3 Downloads

Cinema

Editoras

Records Stream


calendário

Maio 2021

D S T Q Q S S
1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.