man on the moon
music will provide the light you cannot resist! ou o relato de quem vive uma nova luz na sua vida ao som de algumas das melhores bandas de rock alternativo do planeta!
Ratboys - What's Right?
Os norte-americanos Ratboys, liderados pela vocalista Julia Steiner e pelo guitarrista Marcus Nucci, estão de regresso aos lançamentos discográficos no início de dois mil e vinte e seis com Singin To an Empty Chair, um alinhamento de onze canções, que irá ver a luz do dia a seis de fevereiro com a chancela da New West Records.

Singin To an Empty Chair será o quinto álbum da carreira dos Ratboys e What's Right é o mais recente single retirado do alinhamento deste novo registo da banda de Chicago. Com uma forte componente experimental e com o reverb das guitarras, uma bateria frenética e indulgente e um registo sonoro expressivo, sempre algures entre o ecoante e o clemente, a serem as suas grandes forças motrizes, What's Right é uma longa canção, mas que apresenta uma progressão interessante. Nela vão sendo adicionados diversos arranjos que adornam as guitarras e a voz, com um andamento sempre muito atrativo, luminoso e cativante para o ouvinte, mesmo quando, perto do ocaso, o tom e a rugosidade das distorções é ampliado.
De facto, What's Right parece ser uma excelente proposta como banda sonora ideal para aquecer os dias mais tristonhos e sombrios que temos vivido, mas também já serve para contemplarmos como serenidade o ocaso de um ano algo frenético e que para muitos pode não ter ficado gravado na memória pelos melhores motivos. Confere What's Right e o vídeo do tema assinado pelo já citado guitarrista Marcus Nucci...
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Soft Kill – Feel This High
Depois de terem colocado em sentido a crítica em outubro de dois mil e vinte e dois com o registo Canary Yellow, o projeto Soft Kill manteve-se extremamente ativo e profícuo, lançando mais dois discos desde então. Em dois mil e vinte e três incubaram o registo Metta World Peace, que foi cuidadosamente dissecado pela nossa redação e na primavera do ano passado um alinhamento de treze canções intitulado Escape Forever.

Ainda em dois mil e vinte e quatro e algumas semanas depois do lançamento desse oitavo álbum da carreira da banda liderada por Tobias Grave, o projeto sedeado em Portland, mas natural de Chicago, no Ilinois, surpreendeu-nos com uma versão de In The Town Where I Was Born, um original que fazia parte do registo The Pain And The Pinkerton Thugs, que a banda The Pinkerton Thugs lançou em mil novecentos e noventa e sete. Se o original era uma canção de elevado pendor acústico e intimista, a versão assinada pelos Soft Kill colocou todas as fichas num perfil sonoro eminentemente pop, com o timbre metálico enleante de uma guitarra a suportar um shoegaze cósmico repleto de têmpora e invulgarmente luminoso.
Agora, quase no ocaso de dois mil e vinte e cinco, os Soft Kill estão de regresso ao nosso radar devido a um novo single intitulado Feel This High, que tem como b) side o tema Cullerton Girls., ambos produzidos e masterizados por Trey Frye e com direito a uma edição física limitada e em formato maxi-single de 12'', com trezentos exemplares.
Feel this High é uma canção vibrante, um tema com as portas e as janelas escancaradas para um post punk bastante imersivo e exemplarmente nostálgico. O registo ecoante das guitarras, a robustez do baixo e o frenesim dos teclados, aprimoram essa filosofia estilística ímpar e com um adn muito próprio que, no caso dos Soft Kill, acaba por mover-se também nas areias movediças de uma psicadelia lisérgica particularmente narcótica. Confere...

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Into It. Over It. – Hypernormalisation
Meia década depois do registo Figures, que à época sucedeu ao álbum Standards, de dois mil e dezasseis, o projeto norte-americano Into It. Over It., liderado por Evan Thomas Weiss, está a preparar um novo disco para dois mil e vinte e seis, um novo alinhamento de canções que ainda não tem nome divulgado, mas já com um tema revelado, intitulado Hypernormalisation.

Este novo single do grupo de Chicago personifica uma clara tentativa dos Into It. Over It. em conseguirem abranger novos campos sonoros que não se restrinjam apenas ao típico emo rock que tem marcado, desde sempre, o ADN do projeto. Há na distorção das guitarras de Hypernormalisation, um indesmentível travo grunge, que o andamento algo imparável da bateria ajuda a amplificar.
O resultado final de Hypernormalisation contém um perfil tremendamente nostálgico, levando-nos até à melhor herança de um subgénero do rock que marcou de modo indelével e bastante impressivo a última década do século passado, mas que ainda, pelos vistos, pode ser objeto de renovação, sem colocar em causa aquela toada eminentemente comercial e virada para o airplay fácil, que os Into It. Over It. nunca descuram. Confere...

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Ezra Furman – One Hand Free
Há pouco mais de um mês foi destaque nesta redação Goodbye Small Head, o quinto registo de originais de Ezra Furman, um cantor e compositor norte-americano natural de Chicago e que, com quase quarenta anos, assina em dois mil e vinte e cinco o seu disco mais maduro e consistente. Trata-se de um disco com uma energia, uma autenticidade e um carisma inconfundíveis e que nos oferece uma viagem aventureira e até algo psicadélica, sugerida por um músico que sente finalmente ter força, amor próprio e vigor para encarar o mundo novo que se abriu de par em par depois de concluído o processo de transformação pessoal que viveu.

Assente na primazia da guitarras, mas com o charme do piano e a insistência em utilizar entalhes sintéticos sem receios, a serem também traves mestras do registo, Goodbye Small Head demonstrou-nos, cabalmente, que a carreira de Furman merece, claramente, uma projeção intensa e maior, até porque, pelos vistos sobraram algumas pérolas das sessões de gravação do disco.
Uma delas chama-se One Hand Free e acaba de ser disponibilizada por Ezra Furman em formato single. Trata-se de uma lindíssima balada, com um toque classicista impar, conferido por um belíssimo piano que acama uma melodia bastante aditiva e alegre e que é adornada com cordas vibrantes, em quase três esplendorosos e emotivos minutos que descrevem uma relação conflituosa e intensa entre dois amantes. Confere One Hand Free e o vídeo do tema, assinado por JJ Gonson...

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The Autumn Defense – Here And Nowhere
Depois de um hiato de onze anos os norte-americanos The Autumn Defense, de John Stirratt e Pat Sansone, membros dos Wilco, estão de regresso aos discos com um alinhamento de onze canções intitulado Here And Nowhere, que tem a chancela da Yep Roc Recordings e que sucede ao registo Fifth, que o projeto que existe desde mil novecentos e noventa e nove, lançou em dois mil e catorze.
pic by Mikael Jorgensen
Com Jeff Tweedy embrenhado na sua obra-prima de enorme envergadura e extraordinário conteúdo intitulada Twilight Override, John Stirratt e Pat Sansone aproveitaram a janela de oportunidade que se abriu de par em par e resolveram, em boa hora, dar um novo impulso ao seu notável projeto paralelo The Autumn Defense. O resultado são onze belíssimas canções que celebram, com nostalgia e encantamento, aquela tonalidade radiofónica e aprazível que também deve marcar um bom projeto de indie rock, enquanto aprimoram o adn pretendido e que, neste caso, aposta na riqueza de uma heterogeneidade instrumental praticamente sem entraves, para criar canções que podem ir, num ápice, do épico ao intimista, muitas vezes quase sem o ouvinte dar por isso.
The Ones, o tema que abre o alinhamento de Here And Nowhere, é o reflexo claro desse modus operandi dos The Autumn Defense. Imponente, mas também intimista e reflexiva, a composição começa por impressionar devido a um delicado dedilhar de cordas, que é exemplarmente abraçado por uma bateria complacente. Depois, diversos entalhes percussivos e um piano e alguns sopros insinuantes são a cereja no topo do bolo de um tema que coloca todas as fichas em alguns dos melhores tiques do indie rock experimental setentista e da pop contemporânea, com um clima cósmico e intemporal inebriantes, que tem tanto de intrigante, como de deslumbrante.
Feitas as apresentações do álbum com tão notável canção, Here And Nowhere prossegue e somos constantemente atingidos por sons e detalhes que achávamos que mais nenhuma banda teria a ousadia de replicar em simultâneo, mas que aqui são tocados sem qualquer entrave. Por exemplo, o riff da guitarra da Beatliana I’ll Take You Out Of Your Mind, uma composição com um travo psicadélico bem escondido, mas omnipresente, a majestosidade que transparece da conexão entre baixo e piano, exemplarmente rematada por uma secção de sopros de elevado nível em Winter Shore, o piano imponente, que sustenta a ímpar beleza melódica que transparece de Old Hearts, exemplarmente rematada por um trompete competente e o modo como texturas sinteticas e guitarras acústicas se sobrepoem e vão deixando a voz fluir em Hearts Arrive, são mais quatro belos exemplos da força e do vigor de um disco que acaba por proporcionar ao ouvinte mais atento uma sensação de abrigo e de conforto que não é de descurar.
Alegria e trizteza, riso e dor, luz e sombra, são sensações e ideias muito presentes em Here And Nowhere, um álbum mágico no modo como transpira aquela musicalidade que irrompe e atiça. É um disco que consegue transmitir sempre beleza e cor, mesmo nos tais momentos em que alguns sentimentos menos positivos vêm à tona, algo comum em algumas das suas canções. De facto, beleza e tristeza misturam-se constantemente, mas nunca ninguém disse que isso é ngativo nesta forma de arte, antes pelo contrário. E não serei eu a dizê-lo, certamente, aos The Autumn Defense, até porque o disco comprova que eles possuem a fórmula correta para conseguirem proporcionar-nos sensações tão díspares e, ao mesmo tempo, retemperadoras, através de algum do melhor indie rock alternativo que se faz atualmente, vindo do lado de lá do atlântico. Espero que aprecies a sugestão...

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Jeff Tweedy – Twilight Override
O norte-americano Jeff Tweedy, líder do míticos Wilco, é, claramente, um dos músicos mais profícuos e criativos do cenário musical alternativo atual e, sem sombra de dúvida, um dos mais menosprezados. Não é amplamente reconhecida a sua enormíssima capacidade criativa, algo censurável quando ela é tremendamente inspirada e, melhor do que isso, bastante inspiradora para quem se predispuser a embrenhar-se, com a devida dedicação, na sua filosofia interpretativa, seja ao nível poético, seja no que diz respeito ao modus operandi muito peculiar, e certamente bastante intuitivo, do seu processo de composição.

Pic by Shervin Lainez
Concretizando, na última década e meia, ao comando da sua banda, idealizou e incubou The Whole Love (2011), Star Wars (2015), Schmilco (2016) Cruel Country (2022) e, muito recentemente, Cousin (2023). Entretanto, em dois mil e dezoito, aproveitou para escrever uma auto-biografia intitulada Let's Go (So We Can Get Back): A Memoir of Recording and Discording with Wilco, Etc., onde dissertou sobre aspetos da sua personalidade e do seu trajeto nos Wilco.
No que concerne à carreira a solo, à boleia desse exaustivo exercício escrito de introspeção, acabou por criar diversos registos, destacando-se WARM, onze canções que viram a luz do dia nesse mesmo ano de dois mil e dezoito com a chancela da insuspeita dBpm Records e que sucederam a Together at Last, editado no ano anterior, um registo de versões de alguns dos temas mais emblemáticos da sua, na altura, já extensa carreira. Depois de WARM, em dois mil e dezanove chegou Warmer, disco que, conforme o título indica, não estava dissociado do conteúdo do antecessor, já que, além de ter sido gravado durante o mesmo período em que foi captado WARM, acabou por, na sua essência, obedecer à mesma filosofia sonora estilística.
No início do estranho outono de dois mil e vinte, Jeff Tweedy deu ao mundo Love Is The King, a última obra discográfica em nome próprio, antes de Twilight Override, de um compositor que assenta o seu processo criativo numa concepção de escrita que, de acordo com o que de certa forma ficou plasmado no início desta análise, explora bastante a dicotomia entre sentimentos e o modo criativo e refinado como musica as letras que daí surgem, aliando o seu adn pessoal às tendências mais contemporâneas da folk e do rock alternativo.
Assim, Jeff Tweedy volta a colocar-nos em sentido devido ao espetacular novo capítulo discográfico da sua carreira a solo. Trata-se de um triplo (?) álbum com um total de trinta canções, intitulado, como já referi, Twilight Override, que tem a chancela da dBpm e que foi gravado pelo próprio Tweedy no seu estúdio The Loft, em Chicago, com a ajuda do seu colaborador de longa data, Tom Schick, contando com as participações especiais de James Elkington, Sima Cunningham, Macie Stewart, Liam Kazar e Spencer e Sammy, filhos de Tweedy.
É um verdadeiro exercício exaustivo de megalomania debruçar-nos sobre o conteúdo das trinta canções desta verdadeira obra conceptual, apesar de haver algumas composições que merecem claro destaque e citação. Mais do que isso, o que importa ressaltar de Twilight Override, à partida, é ser um disco para ser escutado na íntegra, como um todo. Instrumentalmente heterogéneo, com momentos épicos e outros intimistas, tem como grande trunfo a força que emana de dentro de si, nomeadamente no modo como se debruça sobre as fragilidades e as potencialidades da nossa espécie, ou seja, sobre o conceito de humanidade, aquela humanidade que todos temos dentro de cada um de nós e como essa mesma humanidade conduz e determina a forma como nos relacionamos com o próximo e vivemos em comunidade.
A partir daí, o amor acaba por ser o tema central do disco. Não apenas o amor sensual e que é vivido entre duas pessoas apaixonadas e que se relacionam emocional e fisicamente, mas também a compaixão, a amizade, a ternura e o apego que temos por aqueles que nos rodeiam e fazem parte da nossa vida. Jeff Tweedy quer, basicamente, na simplicidade do modo como dedilha as cordas de uma viola e na facilidade aparente com que parece conseguir inventar sons e melodias como se isso fosse intrínseco ao seu próprio eu, mostrar-nos que, muitas vezes, o sucesso da nossa passagem por este mundo está no modo como não arranjamos problemas onde muitas vezes eles não existem e, em vez disso, damos preferência aos sentimentos e à permissão que damos aos mesmos, para que se espraiem por todos os nossos poros e, depois, toquem no outro. Se o contagiam ou têm efeito, isso é outra questão, mas termos a consciência tranquila relativamente ao modo como demonstramos para fora o que o nosso coração sente, parece ser, na minha óptica, a grande lição que tiramos de um álbum que tem, sem sombra de dúvida, este potencial comunicativo, reflexivo e até redentor. Atesto que quem o escutar com fervor, vai sair muito mais rico dessa experiência.
Olhando então para algumas das canções, se logo a abrir o disco, One Tiny Flower impressiona pela exuberância e pelo modo como nos remete para aquelas fabulosas experimentações feitas com cordas e teclados que fizeram do clássico Yankee Hotel Foxtrot, dos Wilco, um disco essencial do cenário indie deste século, o perfil eminentemente contemplativo de Enough de Stray Cats In Spain, o olhar para dentro que Tweedy faz em Out In The Dark, um tema que reflete sobre o processo criativo que tem orientado a carreira deste músico extraordinário, o modo como em Feel Free somos incentivados a reconhecer as diferentes formas e vertentes que o conceito de liberdade pode abranger, em pouco mais de sete minutos com um perfil sonoro inicialmente de forte pendor orgânico e reflexivo e o punk folk abrasivo de Lou Reed Was My Babysitter, um tema vibrante e intenso, que impressiona pelo modo sagaz e buliçoso como faz brilhar as cordas que, sempre num registo acústico, mas cheias de força e vigor, conseguem exalar têmpora e rispidez, enquanto são exemplarmente acompanhadas por uma bateria frenética, mas sempre segura, são momentos obrigatórios deste impressivo e jubilante tratado folk, dominado, de alto a baixo, por timbres de cordas, muitas vezes particularmente estridentes, que abastecem a tal constante dicotomia entre sentimentos e confissões, não faltando também, algumas nuances mais eletrificadas e radiofónicas, sempre sem descurar essa essência eminentemente reflexiva e sentimental da génese do catálogo do músico.
Twilight Override é, em suma, a demonstração clara de que não é para todos estar-se imbuído com uma capacidade única e invejável de destilar melodias lindíssimas com a ajuda de uma simples viola, eletrificada, por exemplo, de modo estrondoso em No One's Moving On, ou acústica, quase como quem respira. É abençoado Tweedy por o conseguir e somos abençoados nós por podermos assistir na primeira fila a esse exercício que, mais do que criativo, é, certamente, também redentor para o autor e não apenas para o ouvinte, como já referi. De facto, Twilight Override carrega, em pouco menos de duas horas de audição, mas que passam num esgar, uma inacreditável simplicidade melódica que é simplesmente arrebatadora mas terrivelmente eficaz e desprovida de qualquer sede de exacerbado protagonismo, diga-se. O resultado final é uma atmosfera bucólica e encantatória, mas intrigante, num álbum que manifesta de forma pura, desinteressada e bastante reveladora, uma pessoalidade única e inconfundivel no panorama indie atual. Espero que aprecies a sugestão...

CD 1
01. One Tiny Flower
02. Caught Up In The Past
03. Parking Lot
04. Forever Never Ends
05. Love Is For Love
06. Mirror
07. Secret Door
08. Betrayed
09. Sign Of Life
10. Throwaway Lines
CD 2
01. KC Rain (No Wonder)
02. Out In The Dark
03. Better Song
04. New Orleans
05. Over My Head (Everything Goes)
06. Western Clear Skies
07. Blank Baby
08. No One’s Moving On
09. Feel Free
CD 3
01. Lou Reed Was My Babysitter
02. Amar Bharati
03. Wedding Cake
04. Stray Cats In Spain
05. Ain’t It A Shame
06. Twilight Override
07. Too Real
08. This Is How It Ends
09. Saddest Eyes
10. Cry Baby Cry
11. Enough
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Ezra Furman – Goodbye Small Head
Em setembro de dois mil e dezoito foi disco de destaque nesta redação Transangelic Exodus, na altura o quarto registo de originais de Ezra Furman, um cantor e compositor norte-americano natural de Chicago e que aos trinta e dois anos assinava, na altura, o seu disco mais maduro e consistente. Transangelic Exodus era um trabalho tremendamente expositivo e resultou de uma entrega total de um músico a uma causa que era, sem tirar nem pôr, o querer mostrar ao mundo a sua identidade vincada, assumir-se perante nós como um ser humano com as suas fragilidades e os seus demónios, mas que também tinha um lado muito corajoso e interventivo.

Agora, mais de meia década depois, Ezra Furman, a agora artista
, está de regresso ao nosso radar à boleia de Goodbye Small Head, o novo disco da autora, um alinhamento de doze canções que têm a chancela da insuspeita Bella Union e que sucedem o álbum All Of Us Flames, lançado em dois mil e vinte e dois.
Goodbye Small Head foi gravado com o produtor Brian Deck e Furman descreve o mesmo como doze variações sobre a experiência de perder completamente o controle, seja por fraqueza, doença, misticismo, BDSM, drogas, desgosto ou apenas por viver numa sociedade doente com os olhos abertos.
De facto, o conteúdo deste incrível tomo de canções profundamente pessoais, ressoam no nosso íntimo sem apelo nem agravo, mesmo que nos possa causar algum desconforto, o conteúdo filosófico das mesmas, o que não é o caso de quem assina esta crítica, felizmente, antes pelo contrário. Goodbye Small Head está, portanto, encharcado com histórias emocionalmente fortes, como é o caso, por exemplo, de Jump Out, tema que retrata um momento angustiante, em que alguém está dentro de um carro e salta dele, com o mesmo em movimento, porque se sente ameaçado por um condutor que demonstra ter uma conduta duvidosa, ou Grand Mal, composição em que furman exorciza alguns demónios e que impressiona pelo requinte das cordas e pela impulsividade do piano, intenso e melodicamente sagaz, com a profundidade lírica e a habitual expressividade vocal de Furman, a mostrarem-se ao mais alto nível. Depois, Power Of The Moon, oferece-nos o lado libertador e feliz do autor, numa canção que assenta numa batida sintética angulosa, que depois acama guitarras vibrantes com um travo surf e sessentista intensos. Num misto de luminosidade e rugosidade, a composição vai crescendo em arrojo e intensidade sentimental, sensações ampliadas pela filosofia do tema que aborda a felicidade pelo epílogo bem sucedido das contradições e das lutas existenciais inerentes ao processo de transformação que vivem todos aqueles que experimentam a mesma realidade pessoal que viveu na última década desta artista norte-americana.
Com uma energia, uma autenticidade e um carisma inconfundíveis, Goodbye Small Head oferece-nos uma viagem aventureira e até algo psicadélica, feita por um músico que sente finalmente ter força, amor próprio e vigor para encarar diferente o mundo novo que se abriu de par em par depois de concluído o processo de transformação pessoal que viveu, com a primazia da guitarras, o charme do piano e a insistência em utilizar entalhes sintéticos sem receios, a demonstrarem cabalmente que a carreira de Furman merece, claramente, uma projeção intensa, até porque temos aqui canções que podem fazer parte de um manual de auto ajuda para quem procura forças para superar os percalços de uma vida que possa estar emocionalmente destruída, ou necessita urgentemente de assumir uma outra identidade. Espero que aprecies a sugestão...

01. Grand Mal
02. Sudden Storm
03. Jump Out
04. Power Of The Moon
05. You Mustn’t Show Weakness
06. Submission
07. Veil Song
08. Slow Burn
09. You Hurt Me, I Hate You
10. Strange Girl
11. A World Of Love and Care
12. I Need The Angel
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Jeff Tweedy – Lou Reed Was My Babysitter
O norte-americano Jeff Tweedy, líder do míticos Wilco, é, claramente, um dos músicos mais profícuos e criativos do cenário musical alternativo atual. Concretizando, na última década e meia, ao comando da sua banda, idealizou e incubou The Whole Love (2011), Star Wars (2015), Schmilco (2016) Cruel Country (2022) e, muito recentemente, Cousin (2023). Entretanto, em dois mil e dezoito, aproveitou para escrever uma auto-biografia intitulada Let's Go (So We Can Get Back): A Memoir of Recording and Discording with Wilco, Etc., onde dissertou sobre aspetos da sua personalidade e do seu trajeto nos Wilco.

Pic by Shervin Lainez
À boleia desse exaustivo exercício escrito de introspeção, acabou por criar alguns registos a solo, sendo o mais conseguido WARM, onze canções que viram a luz do dia nesse mesmo ano de dois mil e dezoito com a chancela da insuspeita dBpm Records e que sucederam a Together at Last (2017), um registo de versões de alguns dos temas mais emblemáticos da sua, na altura, já extensa carreira. Depois de WARM, em dois mil e dezanove chegou Warmer, disco que, conforme o título indica, não estava dissociado do conteúdo do antecessor, já que, além de ter sido gravado durante o mesmo período em que foi captado WARM, acabou por, na sua essência, obedecer à mesma filosofia sonora estilística.
No início do estranho outono de dois mil e vinte, Jeff Tweedy deu ao mundo Love Is The King, a última obra discográfica em nome próprio de um compositor que assenta o seu processo criativo numa concepção de escrita que explora bastante a dicotomia entre sentimentos e no modo criativo e refinado como musica as letras que daí surgem, aliando o seu adn pessoal às tendências mais contemporâneas da folk e do rock alternativo.
Recentemente, em pleno verão de dois mil e vinte e cinco, Jeff Tweedy voltou a colocar-nos em sentido devido ao anúncio de um novo capítulo discográfico da sua carreira a solo. Trata-se de um triplo (?) álbum com um total de trinta canções, intitulado Twilight Override, que irá ver a luz do dia a vinte e seis de setembro, com a chancela da dBpm. Twilight Override foi gravado pelo próprio Tweedy no seu estúdio The Loft, em Chicago, com a ajuda do seu colaborador de longa data, Tom Schick e conta com as participações especiais de James Elkington, Sima Cunningham, Macie Stewart, Liam Kazar e Spencer e Sammy, filhos de Tweedy.
Em jeito de antecipação, Jeff Tweedy revelou em julho quatro composições desse extenso alinhamento de Twilight Override. Eram os temas Enough, One Tiny Flower, Out In The Dark e Stray Cats In Spain. O primeiro era um tema eminentemente contemplativo e intimista, Stray Cats In Spain também carregava essa marca eminentemente reflexiva e pessoal, One Tiny Flower impressionou-nos pela exuberância e Out In The Dark refletia sobre o processo criativo que tem orientado a carreira deste músico extraordinário.
Depois, na última semana de agosto, tivemos a oportunidade de escutar a canção Feel Free, o tema que encerra o alinhamento do segundo disco de Twilight Override. Era uma composição que, de acordo com o próprio Tweedy, incentiva-nos a reconhecer as diferentes formas e vertentes que o conceito de liberdade pode abranger, em pouco mais de sete minutos com um perfil sonoro inicialmente de forte pendor orgânico e reflexivo.
Agora, em pleno mês de setembro, temos para escuta Lou Reed Was My Babysitter, a composição que abre o terceiro tomo de Twilight Override. Com um título bastante curioso, Lou Reed Was My Babysitter é um tema vibrante e intenso, que impressiona pelo modo sagaz e buliçoso como faz brilhar as cordas que, sempre num registo acústico, mas cheias de força e vigor, conseguem exalar têmpora e rispidez, enquanto são exemplarmente acompanhadas por uma bateria frenética, mas sempre segura. É, no fundo, uma espécie de punk folk abrasivo e algo intuitivo, mas cheio de charme e carisma. Lou Reed Was My Babysitter é, em suma, mais uma composição do alinhamento de Twilight Override que nos mostra que vem aí um álbum que será jubilante tratado folk, assente numa constante dicotomia entre sentimentos e confissões, não faltando também, de certeza, algumas nuances mais eletrificadas e radiofónicas, algo também muito presente na génese do catálogo deste músico de Chicago.
Confere Lou Reed Was My Babysitter e o vídeo do tema, assinado por Austin Vesely, que mostra Jeff Tweedy e os músicos que o acompanham nos créditos do disco, a tocar a canção nas profundezas de uma cave...

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Jeff Tweedy – Feel Free
O norte-americano Jeff Tweedy, líder do míticos Wilco, é, claramente, um dos músicos mais profícuos e criativos do cenário musical alternativo atual. Concretizando, na última década e meia, ao comando da sua banda, idealizou e incubou The Whole Love (2011), Star Wars (2015), Schmilco (2016) Cruel Country (2022) e, muito recentemente, Cousin (2023). Entretanto, em dois mil e dezoito, aproveitou para escrever uma auto-biografia intitulada Let's Go (So We Can Get Back): A Memoir of Recording and Discording with Wilco, Etc., onde dissertou sobre aspetos da sua personalidade e do seu trajeto nos Wilco.

Pic by Shervin Lainez
À boleia desse exaustivo exercício escrito de introspeção, acabou por criar alguns registos a solo, sendo o mais conseguido WARM, onze canções que viram a luz do dia nesse mesmo ano de dois mil e dezoito com a chancela da insuspeita dBpm Records e que sucederam a Together at Last (2017), um registo de versões de alguns dos temas mais emblemáticos da sua, na altura, já extensa carreira. Depois de WARM, em dois mil e dezanove chegou Warmer, disco que, conforme o título indica, não estava dissociado do conteúdo do antecessor, já que, além de ter sido gravado durante o mesmo período em que foi captado WARM, acabou por, na sua essência, obedecer à mesma filosofia sonora estilística.
No início do estranho outono de dois mil e vinte, Jeff Tweedy deu ao mundo Love Is The King, a última obra discográfica em nome próprio de um compositor que assenta o seu processo criativo numa concepção de escrita que explora bastante a dicotomia entre sentimentos e no modo criativo e refinado como musica as letras que daí surgem, aliando o seu adn pessoal às tendências mais contemporâneas da folk e do rock alternativo.
Agora, em pleno verão de dois mil e vinte e cinco, Jeff Tweedy volta a colocar-nos em sentido devido ao anúncio de um novo capítulo discográfico da sua carreira a solo. Trata-se de um triplo (?) álbum com um total de trinta canções, intitulado Twilight Override, que irá ver a luz do dia a vinte e seis de setembro, com a chancela da dBpm. Twilight Override foi gravado pelo próprio Tweedy no seu estúdio The Loft, em Chicago, com a ajuda do seu colaborador de longa data, Tom Schick e conta com as participações especiais de James Elkington, Sima Cunningham, Macie Stewart, Liam Kazar e Spencer e Sammy, filhos de Tweedy.
Em jeito de antecipação, Jeff Tweedy revelou há pouco mais de um mês quatro composições desse extenso alinhamento de Twilight Override. Eram os temas Enough, One Tiny Flower, Out In The Dark e Stray Cats In Spain. O primeiro era um tema eminentemente contemplativo e intimista, Stray Cats In Spain também carregava essa marca eminentemente reflexiva e pessoal, One Tiny Flower impressionou-nos pela exuberância e Out In The Dark refletia sobre o processo criativo que tem orientado a carreira deste músico extraordinário.
Agora, na última semana de agosto, temos a oportunidade de escutar a canção Feel Free, o tema que encerra o alinhamento do segundo disco de Twilight Override. É uma composição que, de acordo com o próprio Tweedy, incentiva-nos a reconhecer as diferentes formas e vertentes que o conceito de liberdade pode abranger, em pouco mais de sete minutos com um perfil sonoro inicialmente de forte pendor orgânico e reflexivo. Depois, as cordas da viola tocada por Tweedy, recebem um violino insinuante, alguns efeitos planantes e uma bateria com elevado travo jazzístico, nuances que oferecem a Feel Free um carisma ímpar e uma alma intensa.
Esta é mais uma composição do alinhamento de Twilight Override que nos mostra que vem aí um álbum que será jubilante tratado folk, assente numa constante dicotomia entre sentimentos e confissões, não faltando também, de certeza, algumas nuances mais eletrificadas e radiofónicas, algo também muito presente na génese do catálogo deste músico de Chicago. Confere...

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The Autumn Defense – The Ones
Depois de um hiato de onze anos os norte-americanos The Autumn Defense, de John Stirratt e Pat Sansone, membros dos Wilco, estão prestes a regressar aos discos com um alinhamento de onze canções intitulado Here And Nowhere, que terá a chancela da Yep Roc Recordings e que irá suceder ao registo Fifth, que o projeto que existe desde mil novecentos e noventa e nove, lançou em dois mil e catorze.
pic by Mikael Jorgensen
The Ones, o tema que abre o alinhamento de Here And Nowhere, é o primeiro single divulgado do registo. Imponente, mas também intimista e reflexiva, a composição começa por impressionar devido a um delicado dedilhar de cordas, que é exemplarmente abraçado por uma bateria complacente. Depois, diversos entalhes percussivos e um piano e alguns sopros insinuantes são a cereja no topo do bolo de um tema que coloca todas as fichas em alguns dos melhores tiques do indie rock experimental setentista e da pop contemporânea, com um clima cósmico e intemporal inebriantes, que tem tanto de intrigante, como de deslumbrante.
Confere The Ones e a tracklist e o artwork de Here And Nowhere, da autoria de Mikael Jorgensen, também membro dos Wilco...

The Ones
I’ll Take You Out Of Your Mind
Old Hearts
Winter Shore
In The Beginning
Hearts Arrive
Underneath The Rollers
More Than I Can Say
Love Lives
Raven Of The Wood
Ever Flowing Light