Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Scott Orr – Do You?

Terça-feira, 24.11.20

O canadiano Scott Orr é um dos nomes fundamentais da indie mais melancólica e introspetiva da América do Norte. Depois do excelente registo Worried Mind, um álbum com uma subtileza muito própria e contagiante e que marcou o ano discográfico de dois mil e dezoito, Orr tem-se dedicado a lançar alguns singles avulsos, através da editora independente canadiana Other Songs Music Co., uma etiqueta indie independente de Hamilton no Ontário, terra natal deste extraordinário músico e compositor.

SCOTT ORR - Letras, playlists e vídeos | Shazam

O single mais recente lançado por Scott Orr é Do You?, uma lindíssima paisagem sonora assente num minimalismo eletrónico eminentemente etéreo e com uma forte vocação experimental de elevado travo pop, uma canção conduzida por um sintetizador bastente pueril, ao qual cordas e sopros vão sendo adicionados, com uma subtileza muito própria e contagiante. São pouco mais de quatro minutos onde a toada instrumental se entrelaça com o charme inconfundível da voz do autor, um lançamento disponível gratuitamente ou com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo. Confere...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 10:54

Born Ruffians - Squeeze

Segunda-feira, 12.10.20

Os Born Ruffians de Luke Lalonde, Mitch DeRosier e Steve Hamelin provam estar no momento maior de forma de uma já irrepreensível e astuta carreira de quinze anos, uma evidência que ficou bem assente nas nove canções de Juice, o sexto e novo disco deste projeto canadiano e que chegou aos escaparates na passada primavera. Este momento de elevada criatividade acaba de ser reforçado com o anúncio surpreendente de um novo álbum dos Born Ruffians intitulado Squeeze, escrito e composto durante o período de confinamento e que acaba por ser uma espécie de segundo tomo de um olhar fortemente crítico à nossa contemporaneidade.

Born Ruffians To Release 'SQUEEZE' October 2nd

A filosofia de Squeeze terá sido mesmo a de, conforme indica o título, espremer ao máximo o conceito intepretativo e o modus operandi que conduziram o processo de criação do antecessor Juice, mas dando mais importância à vertente instrumental, do que propriamente à diomensão lírica. Aliás, a voz de Lalonde é utilizada em algumas composições como um recurso eminentemente instrumental, no que concerne aos sons que debita. Por exemplo, em Rainbow Superfriends é notória essa permissa vocal, neste caso num espetro algo humorístico, o modo como o cantor versa sobre e fama e a amizade, mas os efeitos vocais presentes em Leaning on You, que contribuem para o acerto melódico da canção, também atestam a teoria.

Seja como for, e um pouco à semelhança do que sucedeu com Juice, o ouvinte é anestesiado com um indie rock vibrante, afoito e jovial, muito também devido ao excelente trabalho de produção de Graham Walsh, que, mais uma vez, foi fundamental para o eclodir de um som polido e confiante e com fortes reminiscências no período mais aúreo daquele experimentalismo setentista que tanto dava enorme ênfase ao vigor das cordas, como à opção por arsenais instrumentais de proveniências menos orgânicas.

Temas como 30th Century War, uma ritmada e divertida canção, assente em exuberantes cordas, das quais sobressai o timbre metálico reluzente da viola e um riff de guitarra efusiante, a epicidade funk de Noodle Soup, a subtileza melódica de Sentimental Saddle e a intimista e reflexiva Albatross, uma composição de elevado travo Radioheadiano, que vale pela delicadeza dos seus arranjos, principalmente os que são assegurados pelos teclados, por uma secção de sopros que vai ganhando imponência e brilho à medida que o tema progride e, de um modo geral, pelo seu elevado cariz emocional, assumem o nobre papel de fiéis sustentáculos de uma permissa revivalista plena de atitude e firmeza, num disco pleno de consistência corrosiva e atualidade. Espero que aprecies a sugestão...

Born Ruffians - Squeeze

01. Sentimental Saddle
02. 30th Century War
03. Waylaid (Feat. Hannah Georgas)
04. Rainbow Superfriends
05. Sinking Ships
06. Death Bed
07. Leaning On You
08. Noodle Soup
09. Albatross
10. Waylaid (Feat. Hannah Georgas) (Edit)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 17:56

Born Ruffians – 30th Century War vs Albatross

Quinta-feira, 03.09.20

Os Born Ruffians de Luke Lalonde, Mitch DeRosier e Steve Hamelin provam estar no momento maior de forma de uma já irrepreensível e astuta carreira de quinze anos, uma evidência que ficou bem assente nas nove canções de Juice, o sexto e novo disco deste projeto canadiano e que chegou aos escaparates na passada primavera. Este momento de elevada criatividade acaba de ser reforçado com o anúncio surpreendente de um novo álbum dos Born Ruffians já para outubro, um trabalho intitulado Squeeze, escrito e composto durante o período de confinamento e do qual já se conhecem dois dos seus temas, 30th Century War, canção que abre o alinhamento do registo e Albatross.

BORN RUFFIANS

Assim, se 30th Century War é uma ritmada e divertida canção, assente em exuberantes cordas, das quais sobressai o timbre metálico reluzente da viola e um riff de guitarra efusiante, já Albatross, uma composição mais intimista e reflexiva e de elevado travo Radioheadiano, vale pela delicadeza dos seus arranjos, principalmente os que são assegurados pelos teclados, por uma secção de sopros que vai ganhando imponência e brilho à medida que o tema progride e, de um modo geral, pelo seu elevado cariz emocional. Confere...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 14:38

Jaguar Sun – This Empty Town

Quinta-feira, 30.07.20

Chega de Ontário, no Canadá, This Empty Town, o disco de estreia de Jaguar Sun, um projeto a solo encabeçado pelo multi-instrumentista Chris Minielly,  músico que navega nas águas serenas de uma indie pop apimentada por paisagens ilidíacas em que é ténue a fronteira entre o orgânico e o sintético e onde uma forte componente experimental, livre de constrangimentos e até de rótulos específicos, dita de modo implacável a sua lei, no momento de compôr e criar canções que parecem passear pelo mundo dos sonhos, neste caso aqueles que se formam no espaço sideral.

Album Review & Interview: Jaguar Sun - "This Empty Town" - Lost In Groove

Não é preciso escutar This Empty Town muitas vezes para se perceber que Chris Minielly tem o dom de conseguir transmitir boas vibrações. Aliás, há nele uma inclinação para a beleza que é, quanto a mim, inquestionável. A bolha sonora que idealizou para esta inspirada estreia, já que o alinhamento do disco é bastante homogéneo e fluído, abastecendo-se ora de cordas com elevado grau de acusticidade, ora de elementos sintetizados, contém elevada cosmicidade e lisergia e nela, rock lo fi e eletrónica conjuram entre si, num misto de nostalgia e contemporaneidade.

Logo a abrir o registo, o esplendor solarengo e nostálgico de Red dá-nos, no imediato, no efeito do sintetizador que plana pela melodia, na batida inebriante e numa guitarra encadeante, a possibilidade de obtermos um olhar bastante impressivo e esclarecedor acerca do processo criativo de Minielly, enquanto compositor. A partir daí, desde instantes que parecem ser apenas devaneios experimentais, mas que se mostram muito bem sucedidos, intrincados e elaborados, como o singelo tema homónimo ou a espiritual Grey Skies, dois belíssimos exercícios de acusticidade lisérgica, até algumas composições em que o charme lo fi típico de uma produção crua e uma gravação arcaica se transformam em instantes de pura levitação soul, como é o caso da retro Those Days, da inflamante Time e da épica Next Year, o que não falta neste alinhamento são temas notáveis e extremamente belos, impregnados com letras de forte cariz introspetivo, num resultado final algo hipnótico, muito também por causa da vibrante e calorosa atmosfera que se cria em redor de uma estreia aboslutamente imperdível para todos os amantes da melhor indie pop atual. Espero que aprecies a sugestão...

Jaguar Sun - This Empty Town

01. Red
02. Keep You Warm
03. Time
04. Messed Up
05. Those Days
06. Grey Skies
07. This Empty Town
08. Next Year

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 14:45

The Dears – I Know What You’re Thinking And It’s Awful

Quarta-feira, 06.05.20

The Dears - I Know What You're Thinking And It's Awful

O quinteto canadiano The Dears, liderado pelo casal Murray Lightburn e Natalia Yanchak, acaba de divulgar um belíssimo avanço para Lovers Rock, o disco que este projeto sedeado em Montréal, se prepara para lançar digitalmente no final da próxima semana. A edição física, em vinil, chegará aos escaparates mais tarde, a vinte e um de agosto, à boleia da Dangerbird Records.

I Know What You’re Thinking And It's Awful é o nome desse novo tema dos The Dears, uma balada pop, que impressiona pela irrepreensível prestação vocal do casal e pela intensidade emotiva das cordas e das teclas e que nasceu de uma noticia trágica que Murray viu sobre uma operação policial de captura de dois adolescentes acusados de homicídio e que acabaram por ser encontrados sem vida. Confere...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 18:49

Born Ruffians – Juice

Domingo, 05.04.20

Os Born Ruffians de Luke Lalonde, Mitch DeRosier e Steve Hamelin provam estar no momento maior de forma de uma já irrepreensível e astuta carreira de quinze anos, uma evidência assente nas nove canções de Juice, o sexto e novo disco deste projeto canadiano que é atualmente abrigado pela Yep Roc Records em parceria com a Paper Bag Records.

Born Ruffians "Breathe" one last time before the drop of their new ...

Juice sucede ao aclamado registo Uncle, Duke & The Chief de dois mil e dezoito e em quase meia hora proporciona-nos um indie rock vibrante, afoito e jovial, muito também devido ao excelente trabalho de produção de Graham Walsh, que foi fundamental para o eclodir de um som polido e confiante e com fortes reminiscências no período mais aúreo daquele experimentalismo setentista que tanto dava enorme ênfase ao vigor das cordas, como à opção por arsenais instrumentais de proveniências menos orgânicas.

Os três temas que abrem o disco,  a majestosa e inebriante secção de sopros e a frenética percurssão de I Fall In Love Every Night, a ferocidade tribal de Breathe e a aspereza punk de Dedication, assumem, desde logo, esse nobre papel de fiéis sustentáculos desta permissa revivalista plena de atitude e firmeza que tem um objetivo que, quanto a mim, me parece claro, a vontade de incendiar as hostes para que reflitam sobre a sua realidade pessoal e assumam de uma vez por todas as suas inquietudes e as combatam sem dó.

A delicadeza dos arranjos acústicos que brilham em Hey You, tema que conta com a participação especial de Maddy Wilde, são um curioso antagonismo entre um travo sonoro algo sobranceiro e contemplativo e uma mensagem efusiva, direta e que nada tem de difuso ou intuitivo. Aliás, a canção é, sonoramente, em termos de luminosidade pop, um oásis num alinhamento pleno de eletricidade e vibração, encontrando apenas paralelo na soul enevoada de Wavy Haze, composição que encerra um disco pleno de consistência, mas também de frescura e de uma multiplicidade de sabores, como se exige a um sumo suculento e revigorante. Espero que aprecies a sugestão...

Born Ruffians - Juice

01. I Fall in Love Every Night
02. Breathe
03. Dedication
04. The Poet (Can’t Jam)
05. I’m Fine
06. Hey You (Feat. Maddy Wilde)
07. Squeaky
08. Hazy Wave
09. Wavy Haze

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 22:16

Indoor Voices - Animal

Sexta-feira, 28.02.20

Foi há já quase uma década, em 2011, com Nevers e um ano depois com um EP intitulado S/T, que o projeto Indoor Voices de Jonathan Relph, chamou a atenção da crítica com um naipe de canções iluminadas por uma fragilidade incrivelmente sedutora, que tiveram sequência há cerca de quatro anos com um outro EP, intitulado Auratic, que viu sucessor o ano passado, um registo de oito canções intitulado Gaslight Ephemera, que contou com as participações especiais vocais de Sandra Vu em Breathe, Barely, Kate Rogers em I'm Sorry, Maja Thunberg em Punch Me in the FaceAlways the Same e Shit World e ainda Alisha Erao em You're My. Agora, cerca de um ano depois dess registo, os Indoor Voices já têm um novo disco intitulado Animal, um alinhamento de dez composições masterizado por Simon Scott (Slowdive) e disponível no bandcamp do projeto.

Resultado de imagem para Indoor Voices jonathan relph

À semelhança da anterior discografia criada por Jonathan Relph, Animal flui, como se percebe logo em He Won't Fight, algures entre um aditivo intimismo e uma indisfarçável epicidade de forte cariz lo fi, carateristicas marcantes do adn de um projeto que tem como principais permissas uma elevada fluidez nas guitarras, sempre acompanhadas por um baixo vigoroso, uma bateria encorpada e uma vasta miríade de entalhes sintéticos, um cardápio sonoro que sustenta a dinâmica natural de temas que não receiam assumir uma faceta algo negra e obscura, para criar um cenário musical implicitamente rock, que em Less Problems Of Joy toca nas bordas do krautrock e em No One, num espetro mais punk, tudo esculpido com cordas ligas à eletricidade, mas com uma certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica.

Este desígnio é logo audível, como referi, no primeiro tema do registo, um enleante instrumental, mas também na intrigante atmosfera nublosa do tema homónimo e burilado com louvável sensibilidade no clima etéreo de Better, uma composição de forte cariz orquestral, onde deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos, carregam uma sobriedade sentimental esplendorosa e única. Depois, o clima mais progressivo de Heart é outro exemplo feliz do modo como nestes Indoor Voices conseguem, através do sintetizador, uma simbiose entre shoegaze e post rock, sensação amplificada com superior requinte na cosmicidade pop de I'm Just Fine e feita, neste caso, sem excesso de ruído ou de modo demasiado experimental, apesar do cariz pouco imediato e radiofónico não só desta, mas também das restantes composições do registo.

Na verdade, todos os temas de Animal têm uma toada eminentemente tranquila e algo de épico e sedutor. Há uma sonoridade muito implícita em relação à herança da melhor pop dos anos setenta e oitenta e destacam-se os belos instantes sonoros em que a instrumentação é colocada em camadas e a voz manipulada como uma espécie de eco, criando uma atmosfera geral contemplativa e que atinge um elevado pico de magnificiência em Always All Ways, o meu destaque maior do trabalho, uma sinuosa e eloquente canção, difícil de desbravar, mas tremendamente narcótica. 

Além de manter intacta a aura melancólica e mágica de um projeto cada vez mais sedutor e de um Jonathan Relph cada vez mais sábio e abrangente, Animal exala o contínuo processo de transformação de uns Indoor Voices que procuram sempre mostrar, com a marca do indie shoegaze muito presente e com uma dose de experimentalismo equilibrada, uma rara sensibilidade e uma explícita habilidade para conceber texturas e atmosferas sonoras que transitam, muitas vezes, entre a euforia e o sossego, de modo quase sempre impercetível, mas que inquietam todos os poros do nosso lado mais sentimental e espiritual. Espero que aprecies a sugestão...

Indoor Voices - Animal

01. He Won’t Fight
02. Better
03. I’m Just Fine
04. Heart
05. Wrong Wrong Wrong
06. Always All Ways
07. They Hang Around
08. Animal
09. Less Problems Of Joy
10. No One

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 11:52

Elephant Stone - Hollow

Sábado, 15.02.20

Os canadianos Elephant Stone são uma banda de Montreal, no Canadá, liderada por Rishi Dhir, baixista e um dos tocadores de cítara mais importantes do cenário musical psicadélico atual. Andam por cá desde dois mil e nove e nesse ano editaram The Seven Seas, o disco de estreia. Logo aí, deram início à busca, quase obsessiva, pela canção pop perfeita. O seu conteúdo acabou por chamar a atenção da crítica e o álbum foi nomeado para os Polaris Music Prize desse ano. A seguir surgiu mais um EP, The Glass Box EP, num período em que Dhir também andou na digressão de dois mil e onze dos The Brian Jonestown Massacre. Depois, no início de dois mil e treze, chega o segundo álbum, um homónimo lançado pela Hidden Pony Records, quase três anos, em dois mil e dezasseis, vê a luz dia Ship Of Fools e agora, no dealbar de dois mil e vinte, chega aos escaparates Hollow, o novo registo de originais deste grupo que se destaca por uma tonalidade psicadélica única e pouco vulgar no modo como se cruza com alguns dos melhores detalhes do indie rock.

Resultado de imagem para Elephant Stone Hollow

Hollow, o sexto disco dos Elephant Stone, é, antes de mais, um assumir preciso das verdadeiras motivações de Dhir relativamente ao projeto, já que ele é o cérebro dominante na conceção deste trabalho. De facto, nunca um disco dos Elephant Stone dependeu tanto da criatividade e da criação do mentor de um projeto inspirado na música dos Stone Roses com o mesmo nome e numa estátua do deus hindu Ganesh que o próprio Rishi Dhir possui e que o leva a referi que a sua banda tem uma sonoridade hindie rock

Olhando então para o disco, Hollow é um álbum ambicioso e distópico, um compêndio que olha com gula para o universo sci-fi e que, segundo Dhir, é fortemente inspirado nos The Who e no White Album dos Beatles, bandas e registos que, segundo o músico, criavam canções para pessoas infelizes que procuravam encontrar uma saída nas canções, o significado da vida e algo em que acreditar ... ou nada em que acreditar. Assim, Dhir, com isso em mente, começou a escrever um conjunto de canções que relata um mundo de almas infelizes que perderam a conexão entre si, uma história contada pela alquimia psíquica dos Elephant Stone e que ocorre imediatamente após a destruição catastrófica da Terra pela humanidade e o que acontece quando a mesma elite responsável pelo desastre climático que destruiu o mundo aterrou na Nova Terra, um planeta recém-descoberto vendido com a mesma vida de prosperidade que o que eles acabaram de destruir. Assim que os poucos escolhidos abandonam a nave Harmonia e começam a colonizar o novo planeta, fica claro que a humanidade parece destinada a cometer os mesmos erros, replicando-os no novo lar.

Tendo esta trama como pano de fundo, Hollow dá vida e cor a esta sequência de eventos, à boleia de uma sequência de canções abastecidas por guitarras planantes e faustosas, repletas de efeitos em eco, teclados cósmicos, riffs empolgantes e distorções inebriantes, que criam melodia incisivas, com um elevado grau de epicidade e esplendor e que replicam com ímpar contemporaneidade a melhor herança do rock progressivo e do shoegaze setentista, sempre com um indesmentível travo pop, detalhe bem patente logo em Hollow World. Depois, a cítara que vagueira pela etérea Harmonia e que introduz a rugosa e impulsiva Land Of Dead, a luminosidade do timbre metálico das cordas que conduzem We Cry For Harmonia e a tal quase tão desejada perfeição pop que exala dos tambores e dos teclados de I See You, são nuances que neste Hollow conferem o habitual grau de exotismo dos Elephant Stone, que criaram mais um verdadeiro maná de revivalismo psicadélico. Espero que aprecies a sugestão... 

Elephant Stone - Hollow

01. Hollow World
02. Darker Time, Darker Space
03. The Court and Jury
04. Land Of Dead
05. Keep The Light Alive
06. We Cry For Harmonia
07. Harmonia
08. I See You
09. The Clampdown
10. Fox On The Run
11. House On Fire
12. A Way Home

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 16:52

Destroyer – Have We Met

Terça-feira, 04.02.20

Abrigado pela insuspeita Merge Records, Have We Met é o décimo terceiro e novo registo discográfico dos canadianos Destroyer de Dan Bejar, um músico que também está escalado na formação dos The New Pornographers e que não gostando de lutar contra o tempo e não aprecia estipular prazos, prefere que a música escorra na sua mente e depois nas partituras e nos instrumentos de modo fluído, no devido timing e com a pressa que merece, sempre com uma tonalidade algum cinzenta e agreste e eminentemente reflexiva.

Resultado de imagem para destroyer have we met"

Fortemente influenciado pela banda-sonora de filmes dos anos oitenta, como O Sol da Meia-Noite (1985) e A Garota de Rosa Shocking (1986), produzido pelo carismático John Collins (The New Pornographers, Tegan and Sara) e sucessor do excelente Ken, editado há pouco mais de três anos, Have We Met é um disco algo intrincado, mas bastante sedutor, um dobrar de esquina consistente e apurado, mesmo sendo o trabalho recente dos Destroyer que mais se aproxima da herança atmosférica da obra-prima Kaputt (2011). Tal sucede porque é feito por um grupo que também já habituou os seus fãs a um espetro rock onde não faltavam de guitarras distorcidas e riffs vigorosos, mas que opta agora, e mais do que nunca, num claro sinal de maturidade e de pujança criativa, por compôr composições que olham de modo mais anguloso para a eletrónica e para ambientes eminentemente clássicos, fazendo-o com superior apuro melódico. São, portanto, composições conduzidas por uma ímpar diversidade instrumental, com o modo como as teclas do piano são enormes protagonistas, a meias com a guitarra maravilha de Nicolas Bragg, a serem dis trunfos maiores deste modus operandi com elevado charme quilate.

De facto, quando Bejar e Collins começaram a fermentar artesanalmente o conteúdo de Have We Met, em sessões noturnas de captação e gravação na própria cozinha de Bejar, a ideia inicial era desenvolver um conjunto de demos bastante inspiradas em alguma da melhor herança de nomes como Björk, Air, ou Massive Attack, captadas durante as sessões de gravação do próprio Kaput e do registo Poison Season, de dois mil e quinze. No entanto, depressa perceberam que seguir tal permissa seria distanciar-se demasiado do adn dos Destroyer e, felizmente, optaram por uma espécie de simbiose do melhor desses dois mundos. O resultado final, bastante burilado e tremendamente bem conseguido, proporciona-nos um clima eminentemente sofisticado, claramente clássico e moderno, um disco intenso e que joga com diferentes nuances sonoras sempre com um espírito aberto ao saudosismo e à relevância inventiva.

Canções como a fluída e magnânima Crimson Tide, o abundante jogo de sobreposições que edifica Kinda Dark, a delirante cândura celestial em que levitam os sons fantasmnagóricos de The Television Music Supervisor, um tema sobre as inquietações de alguém que está prestes a morrer, o clima retro eminentemente oitocentista que sustenta The Raven, o picotar melódico a que sabe Cue Synthesizer e o mistério lírico que se entranha nas diferentes camadas sintéticas de Foolsong, além de também piscarem o olho a latitudes sonoras mais consentâneas com as tendências atuais do espetro sonoro em que os Destroyer se movimentam, enriquecem tremendamente o cardápio sonoro do projeto e elevam-no a um novo estatuto, como banda fundamental do indie rock alternativo contemporâneo. Espero que aprecies a sugestão...

Destroyer - Have We Met

01. Crimson Tide
02. Kinda Dark
03. It Just Doesn’t Happen
04. The Television Music Supervisor
05. The Raven
06. Cue Synthesizer
07. University Hill
08. Have We Met
09. The Man In Black’s Blues
10. Foolssong

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 16:33

Elephant Stone – Keep The Light Alive

Terça-feira, 14.01.20

Elephant Stone - Keep The Light Alive

Os canadianos Elephant Stone são uma banda de Montreal, no Canadá, liderada por Rishi Dhir, baixista e um dos tocadores de cítara mais importantes do cenário musical psicadélico atual. Andam por cá desde 2009 e nesse ano editaram The Seven Seas, o disco de estreia e, logo aí, deram início à busca, quase obsessiva, pela canção pop perfeita. O seu conteúdo acabou por chamar a atenção da crítica e o álbum foi nomeado para os Polaris Music Prize desse ano. A seguir surgiu mais um EP, The Glass Box EP, num período em que Dhir também andou na digressão de dois mil e onze dos The Brian Jonestown Massacre. Depois, no início de dois mil e treze, chega o segundo álbum, um homónimo lançado pela Hidden Pony Records, quase três anos, em dois mil e dezasseis, vê a luz dia Ship Of Fools e agora, no dealbar de dois mil e vinte, é-nos anunciado Hollow, o próximo registo de originais deste grupo que se destaca por uma tonalidade psicadélica única e pouco vulgar no modo como se cruza com alguns dos melhores detalhes do indie rock.

Hollow chegará aos escaparates a catorze de fevereiro e Keep The Light Alive é o primeiro single divulgado do alinhamento desse registo, uma composição com um ritmo vibrante, assente em faustosas guitarras que criam uma melodia incisiva, com um elevado grau de epicidade e esplendor. Confere...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 11:05






mais sobre mim

foto do autor


Parceria - Portal FB Headliner

HeadLiner

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Man On The Moon · Man On The Moon - Programa 400


Disco da semana 100#


Em escuta...


pesquisar

Pesquisar no Blog  

links

as minhas bandas

My Town

eu...

Outros Planetas...

Isto interessa-me...

Rádio

Na Escola

Free MP3 Downloads

Cinema

Editoras

Records Stream


calendário

Novembro 2020

D S T Q Q S S
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.