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Preoccupations – Ricochet

Segunda-feira, 20.06.22

Quatro anos depois do registo New Material, os canadianos Preoccupations de Matt Flegel, Mike Wallace, Scott Munro e Daniel Christiansen, voltam finalmente a dar sinais de vida com o anúncio de um novo registo de originais que terá um alinhamento de sete canções. O novo álbum dos Preoccupations chama-se Arrangements e será o primeiro lançado pela etiqueta do próprio grupo que cessou a sua ligação à Jagjaguwar.

Preoccupations (@pre_occupations) / Twitter

Ricochet é o primeiro avanço revelado do alinhamento de Arrangements. É uma contundente canção, que de algum modo condensa todos os atributos sonoros dos Preoccupations, já que nela, cascatas de guitarras e inebriantes sintetizadores situam-se em posição de elevado destaque, um modus operandi estilístico muito identitário e que combina post punk com shoegaze. Na composição o ruído não funciona com um entrave à sua expansão, mas como mais um veículo privilegiado para lhe dar um relevo muito próprio que, sem esse mesmo ruído, Ricochet certamente não teria. É, em suma, uma composição criada num clima marcadamente progressivo e rugoso, mas simultaneamente harmonioso, provando, uma vez mais, o modo exímio como este quarteto ímpar faz da rispidez visceral algo de extremamente sedutor e apelativo. Confere...

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publicado por stipe07 às 12:47

Born Ruffians – Don’t Fight The Feeling

Quarta-feira, 01.06.22

Quase dois anos depois do registo Squeeze e de uma triologia de temas lançada o ano passado, os canadianos Born Ruffians de Luke Lalonde, Mitch DeRosier e Steve Hamelin têm estado particularmente ativos na reta final desta primavera de dois mil e vinte e dois. Começaram por há algumas semanas atrás divulgar um tema intitulado Chrysanthemums, que, infelizmente, ainda não trazia atrelado o anúncio de um novo disco e agora voltam à carga com mais uma canção chamada Don't Fight The Feeling.

born ruffians (@BornRuffians) / Twitter

Este novo tema dos Born Ruffians continua a não trazer atrelado o anúncio de um novo disco do projeto, mas a banda promete ter mais canções na forja e já afirmou que irá divulgá-las oportunamente. Esperamos nós que essa fornada resulte, à posteriori, num novo alinhamento do coletivo de Ontário. Relativamente a Don't Fight The Feeling, é uma composição que versa sobre o modo como olhamos para o nosso universo e o perspetivamos tendo em conta a sua grandeza e infinitude. Sonoramente, a composição tem um brilho lisérgico único, como seria de esperar, assente numa sintetização borbulhante, que vai sendo adornada por diversos timbres de cordas insinuantes, um registo vocal ecoante bastante emotivo e um imponente baixo, que vai ganhando brilho e vigor à medida que o tema cimenta o seu elevado cariz confessional. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:07

Arcade Fire – WE

Sexta-feira, 06.05.22

Meia década depois do registo Everything Now, os canadianos Arcade Fire estão finalmente de regresso aos discos com WE, o sexto álbum da banda liderada por Win Butler. Produzido por Nigel Godrich e os próprios Win Butler e Régine, o núcleo duro do grupo, WE viu a luz do dia hoje mesmo com a chancela da Columbia Records.

Arcade Fire: We review – goodbye cod reggae, hello stadium singalongs |  Music | The Guardian

Antes de mais, vale a pena confessar que a suprema constatação que a nossa redação fez logo após a primeira audição de WE é que, finalmente, quase vinte anos depois do fabuloso e inimitável Funeral, os Arcade Fire estão de regresso às obras-primas. WE é já, logo no primeiro dia de vida oficial, um notável clássico e, na nossa opinião, supera tudo aquilo que o grupo de Montreal apresentou ao mundo depois dessa auspiciosa estreia em dois mil e quatro. Sonoramente, a curiosa estrutura dos sete temas do registo, liga, com contemporaneidade ímpar, um arco conceptual que abraça a herança kraftwerkiana setentista com o melhor rock oitocentista em temas como Age Of Anxiety (Rabbit Hole), passando pela pureza e pelo imediatismo, que definem os pilares que sustentaram o rock impetuoso dos primórdios deste século e, já agora, da carreira do projeto, em The Lightning I, II e sem esquecer o clima mais clássico, progressivo e noventista da dupla End Of The Empire I-III e End Of The Empire IV (Sagittarius A*). Nos sintetizadores imponentes e no registo percussivo que mescla origens orgânicas com sintéticas em Unconditional II (Race And Religion), uma canção que conta com a participação especial de Peter Gabriel, constatamos, com elevada dose de impressionismo a simbiose de toda esta trama conceptual que conduziu a filosofia sonora do álbum.

Estes são carimbos sonoros do alinhamento de WE que justificam a apreciação elogiosa acima referida que, parecendo algo precipitada e resultado de um estado de letargia critica ébria devido à audição entusiasmada do registo, estamos certos que continuará a ecoar nestas paredes e ouvidos, após as múltiplas audições futuras de um trabalho que em pouco mais de quarenta minutos nos oferece um naipe de canções que passam impecavelmente a lustro e com laivos de epicidade extrema esta espécie de revisitação catálogo da história do rock nos últimos quarenta anos, principalmente no seu formato mais pop.

Tematicamente WE é um disco de ruptura com o catálogo anterior dos Arcade Fire. Se Everything Now foi um olhar crítico e críptico dos Arcade Fire sobre o imediato e, na altura, um claro manifesto político e de protesto claro ao rumo que o país vizinho tinha tomado com a subida de Trump ao poder, além da abordagem sociológica que o disco fazia aos novos dilemas da contemporaneidade de cariz mais urbano e tecnológico em que a dita sociedade ocidental mais desenvolvida  ainda hoje vive, WE, um disco que começou a ser gravado em março de dois mil e vinte, poucas horas antes de ser decretado o primeiro confinamento global devido ao COVID, prefere olhar em frente, projetando um futuro imaginário, liberto de muitas das amarras que hoje nos afrontam, ao mesmo tempo que reflete sobre o perigo das forças que constantemente tentam nos afastar das pessoas que amamos e a urgente necessidade de superá-las. É uma jornada catártica que segue um arco definido que vai da escuridão à luz ao longo de sete canções, divididas em dois lados distintos: o lado I, que canaliza o medo e a solidão do isolamento e o lado WE, que expressa a alegria e o poder da reconexão.

A partir desta trama impecavelmente balizada, a forma como as canções evoluem e o sentimentalismo que é colocado em cada uma, são, como não podia deixar de ser, uma imagem de marca que estará sempre marcada de modo indelével em WE. A exuberância das cordas, o modo como os temas evoluem através do piano e da voz inconfundível de Butler, alicerçada num catálogo de nuances e variações nunca visto, até atingirem um pico orquestral quase sempre exuberante, são caraterísticas de um álbum que emociona e instiga e que carrega um ambiente sonoro que aprimorou a tonalidade da escrita quase religiosa de Butler e Chassagne. Podemos até acrescentar que WE terá a capacidade de até nos pode fazer dançar, com a certeza de que, ao contário do que aconteceu com registos anteriores do grupo, não há o risco de, há mínima escorregadela, podermos cair para um lado mais obscuro e depressivo. Em suma, sendo WE um trabalho altamente preciso e controlado e pensado ao mínimo detalhe, é indesmentível que vai ao encontro das enormes expetativas que sobre ele recaia desde que foi prometido, personificando um salto qualitativo em frente (ou para atrás, dependendo da perspetiva) na carreira dos Arcade Fire, ao mesmo tempo que volta a empolgar os fãs e apreciadores da banda relativamente ao futuro sonoro de uma das maiores e melhores bandas do mundo. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 11:36

Born Ruffians – Chrysanthemums

Sábado, 30.04.22

Quase dois anos depois do registo Squeeze e de uma triologia de temas lançada o ano passado, os canadianos Born Ruffians de Luke Lalonde, Mitch DeRosier e Steve Hamelin estão de regresso com um novo tema intitulado Chrysanthemums que, infelizmente, ainda não traz atrelado o anúncio de um novo disco para dois mil e vinte e dois.

Born Ruffians by Roger Galvez

Chrysanthemums é uma composição que faz juz a uma extroardinária carreira de quase duas décadas assinada por um projeto sempre firme a colocar um olhar fortemente crítico à nossa contemporaneidade, muitas vezes através de um espetro algo humorístico. É uma canção com um elevado cariz lisérgico e luminoso, potenciado também pela grau impressivo e visual da letra, um tema que merece audição atenta, não só devido à delicadeza dos seus arranjos, principalmente os que são assegurados pelos teclados, mas também por causa de um imponente baixo, que vai ganhando brilho e vigor à medida que o tema cimenta o seu elevado cariz emocional. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:45

Destroyer - Labyrinthitis

Quarta-feira, 06.04.22

Dois anos depois de Have We Met, os canadianos Destroyer de Dan Bejar, já têm na montra o, imagine-se, décimo quarto registo discográfico do projeto, um álbum intitulado Labyrinthitis que viu a luz do dia a vinte e cinco de março, com a chancela da Merge Records.

Destroyer: Labyrinthitis review – wayward, dance-infused weirdness | Pop  and rock | The Guardian

Labyrinthitis, é, certamente, obra de um esforço coletivo, mas deve muito do seu conteúdo, à mente de Dan Bejar, um músico que também está escalado na formação dos The New Pornographers e que não gostando de lutar contra o tempo e não aprecia estipular prazos, prefere que a música escorra na sua mente e depois nas partituras e nos instrumentos de modo fluído, no devido timing e com a pressa que merece, sempre com uma tonalidade algum cinzenta e agreste e eminentemente reflexiva. E, de facto, Labyrinthitis, uma obra muito orgânica, repleta de contrastes, nuances e amálgamas exemplarmente tricotadas e agregadas e que versa sobre assuntos tão díspares como o romance ou o terror, mas também a arte, tem esta filosofia engimática e intrincada, tão do agrado do autor canadiano.

O alinhamento do disco, no seu todo, assenta, essencialmente, em camadas desordenadas de sons sintéticos e orgânicos, um piano e uma bateria em constante desfasamento e o habitual registo vocal peculiar do músico, mais intrigante e sinistro que nunca. A partir daí, na ímpar interioridade reflexiva a que nos instiga It's In Your Heart Now, na parada cósmica a que tresanda June, no delicioso romantismo vintage de All My Pretty Dresses, no festim eletro de Tintoretto, It's For You, no charme pop de Eat The Wine, Drink The Bread, ou na serena ambiguidade do tema homónimo, confrontamo-nos com um compêndio bastante burilado e tremendamente bem conseguido, abrigado num clima eminentemente sofisticado, claramente clássico e moderno.

Labytinthitis é intenso e joga com diferentes nuances sonoras sempre com um espírito aberto ao saudosismo e à relevância inventiva. É um verdadeiro oásis de pop sofisticada em que Bejar eleva a sua escrita críptica e crítica a uma intensidade e requinte nunca antes vistos, rodeado por um grupo de músicos que também já habituou os seus fãs a um espetro rock onde não faltavam de guitarras distorcidas e riffs vigorosos, mas que opta agora, e mais do que nunca, num claro sinal de maturidade e de pujança criativa, por compôr composições que olham de modo mais anguloso para a eletrónica e para ambientes eminentemente clássicos, fazendo-o com superior apuro melódico. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 16:09

Arcade Fire – The Lightning I, II

Segunda-feira, 21.03.22

Meia década depois do registo Everything Now, os canadianos Arcade Fire estão finalmente de regresso aos discos com We, o sexto álbum da banda liderada por Win Butler. Produzido por Nigel Godrich, Win Butler e Régine, We irá ver a luz do dia a seis de maio com a chancela da Columbia Records.

O arcade incendiado e as crianças no funeral: sobre o álbum de estréia do Arcade  Fire, a obra-prima “Funeral” – A CASA DE VIDRO

Com o anúncio oficial da data de lançamento de We, um álbum que foi gravado em vários locais, incluindo Nova Orleans, El Paso e na Ilha Mount Desert, foram revelados detalhes bastante interessantes do seu conteúdo. Assim, We é um trabalho que reflete sobre o perigo das forças que constantemente tentam nos afastar das pessoas que amamos e foi inspirado pela urgente necessidade de superá-las. A jornada catártica de We segue um arco definido que vai da escuridão à luz ao longo de sete canções, divididas em dois lados distintos: o lado I, que canaliza o medo e a solidão do isolamento e o lado We, que expressa a alegria e o poder da reconexão.

Obedecendo a essa filosofia estilística, o primeiro single retirado do registo é um tema com dois capítulos intitulado The Lightning I, II, canção espartilhada em duas que também já tem direito a um fabuloso vídeo assinado por Emily Kai Bock. É uma composição cujo conteúdo sonoro a nossa redação apreciou particularmente porque, ao contrário do que sucedeu nos registos mais recentes da banda, nomeadamente Reflektor (2013) e Everything Now (2017), que apostaram numa base instrumental de forte cariz sintético, esta canção aproxima os Arcade Fire de uma maior pureza e imediatismo, entroncando nos pialres que sustentaram o rock impetuoso dos primórdios da carreira do projeto. The Lightning I, II contém, inicialmente, aquele encanto algo misterioso e místico que marcou Funeral, conseguindo ainda obedecer à vontade nos pôr a dançar. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 13:07

Jaguar Sun - Midnight Man

Terça-feira, 01.03.22

Chega de Ontário, no Canadá, Jaguar Sun, um projeto a solo encabeçado pelo multi-instrumentista Chris Minielly,  músico que navega nas águas serenas de uma indie pop apimentada por paisagens ilidíacas em que é ténue a fronteira entre o orgânico e o sintético e onde uma forte componente experimental, livre de constrangimentos e até de rótulos específicos, dita de modo implacável a sua lei, no momento de compôr e criar canções que parecem passear pelo mundo dos sonhos, neste caso aqueles que se formam no espaço sideral.

This Empty Town foi o disco de estreia de Jaguar Sun, um trabalho destrinçado pela nossa redação no verão de dois mil e vinte e que tem finalmente sucessor. O segundo alinhamento do projeto chama-se All We've Ever Known, irá ver a luz do dia a vinte e quatro de junho através da Born Losers Records e Midnight Man, um tema sobre o amor e o seu lado mais nostálgico e espiritual, é o primeiro single retirado do disco, uma canção esplendorosamente solarenga, abastecida por cordas mágicas, sintetizações planantes e um registo percussivo muito indutor. Confere...

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publicado por stipe07 às 17:05

Said The Whale – Dandelion

Quarta-feira, 09.02.22

Como certamente se recordam, no início do ano passado noticiámos que os Said the Whale de Tyler Bancroft, Ben Worcester, Jaycelyn Brown e Lincoln Hotchen estavam em estúdio com o produtor Steve Bays a ultimar alguns temas que poderiam fazer parte de mais um disco desta banda de Vancouver, no Canadá, com catorze anos de vida e já seis álbuns no catálogo. E essa agradável novidade, confirma-se num disco intitulado Dandelion, o sétimo da carreira do projeto, que está abrigado pela nova etiqueta Everything Forever, propriedade do próprio Tyler Bancroft.

REVIEW: Vancouver Indie Veterans Said The Whale Redefine Success On  Stunning New Album 'Dandelion' | Dusty Organ

Com um alinhamento de nove efusivas e luminosas canções, Dandelion coloca todas as fichas numa toada eminentemente festiva e calorosamente pop, com espirais constantes de fortes vocalizações, variações rítmicas constantes e uma vasta míriade de efeitos de origem eminentemente sintética a serem marcas transversais a praticamente todo o registo, que, tematicamente, olha com particular gula para a temática das alterações climáticas e do turbilhão pandémico e político em que todos vivemos nos dias de hoje.

O rock efusivo e marcante de Honey Lungs, a ruidosa cadência festiva de The Ocean, o charme efusiante de Everything She Touches Is Gold To Me ou a sensível delicadez das teclas que sustentam February 15, são apenas alguns dos melhores momentos de um registo que eleva para patamares superiores, aquele catálogo indie canadiano com pegadas de folkcountry e muita pop e onde, graças a projetos como estes Said The Whale, é possível apreciar delicadas harmonias vocais, pianos, guitarras limpas e o imenso impressionismo lírico que sustenta, geralmente, a filosofia interpretativa de algumas das melhores bandas deste imenso país da América do Norte. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 21:12

Destroyer – Tintoretto, It’s For You

Segunda-feira, 24.01.22

Dois anos depois de Have We Met, os canadianos Destroyer de Dan Bejar, já têm na forja aquele que será o décimo quarto registo discográfico do projeto, um álbum intitulado Labyrinthitis que irá ver a luz do dia a vinte e cinco de março, com a chancela da Merge Records.

Destroyer Returns With Catchy Yet Ominous 'Tintoretto, It's For You' –  Montage Of News

Tintoretto, It’s For You é o primeiro single revelado deste Labyrinthitis, uma canção criada pela mente de um músico que também está escalado na formação dos The New Pornographers e que não gostando de lutar contra o tempo e não aprecia estipular prazos, preferindo que a música escorra na sua mente e depois nas partituras e nos instrumentos de modo fluído, no devido timing e com a pressa que merece, sempre com uma tonalidade algum cinzenta e agreste e eminentemente reflexiva. E, de facto, Tintoretto, It’s For You, canção que versa sobre assuntos tão díspares como o romance ou o terro, tem esta tonalidade engimática e intrincada, tão do agrado de Bejar, assentando em camadas desordenadas de sons sintéticos e orgânicos, um piano e uma bateria em constante desfasamento e o habitual registo vocal peculiar do músico, mas mais intrigante e sinistro que nunca. Confere...

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publicado por stipe07 às 12:30

Suuns - The Witness

Segunda-feira, 01.11.21

Os Suuns são um dos segredos mais bem guardados do panorama alternativo canadiano. Apareceram em dois mil e sete pela mão do vocalista e guitarrista Ben Shemie e do baixista Joe Yarmush, aos quais se juntaram, pouco depois, o baterista Liam O'Neill e o teclista Max Henry. Estrearam-se nos álbuns em dois mil e dez com Zeroes QC e três anos depois chegou o extraordinário Images Du Futur, um trabalho que lhes elevou o estatuto grandemente, tendo merecido enormes elogios, não só no Canadá, mas também nos Estados Unidos e na Europa. Já na segunda metade da última década a dose dupla Hold/Still e Felt manteve a bitola elevada, dois discos que confirmaram definitivamente que estamos na presença de um grupo especial e distinto no panorama indie e alternativo atual.

SUUNS announce new album “The Witness”, out September 3rd | Secret City  Records

The Witness, o quinto e mais recente disco da carreira dos Suuns, verdadeiros músicos e filósofos, além de não colocar minimamente em causa a herança do projeto, oferece-nos, principalmente ao nível da escrita e da composição, mais um fantástico naipe de canções com um forte cariz impressivo e realístico. Neste alinhamento de oito canções, que tem na sua génese o jazz experimental, explícito, por exemplo, nos sopros e no baixo da sonhadora Clarity, mas também na pafernália de ruídos sintéticos que abastecem The Fix, nomeadamente no modo como as cordas espreitam no meio do caos, os Suuns refletem sobre a contemporaneidade que os inquieta e os absorve, criando um alinhamento sedutoramente intrigante, bem no centro de um noise rock apimentado, convém também dizê-lo, por uma implícita dose de punk dance.

Este piscar de olhos a terrenos mais progressivos e concorrenciais, digamos assim, torna-se explícita na desafiadora Witness Protection, mas The Witness ganha contornos de excelência quando abraça a eletrónica mais ambiental. Go To My Head, um tratado de luminosidade atmosférica bastante peculiar e climática, é a canção que de modo mais explícito carrega nos ombros esta medalha, mas Timebender é o exemplo máximo e mais feliz deste modus operandi sem paralelo, que baliza The Witness. É uma composição de forte travo R&B, repleta de sons da natureza das mais diversas proveniências, mescladas com um registo vocal robótico, que além de nos aproximar de uma sonoridade algo amena e introspetiva, também nos interpela com a ambiguidade atual em que vivemos ,entre a preservação do nosso lar e, fruto do avanço tecnológico, o rumo desenfreado até um futuro imprevisível.

Simultaneamente existencial e sinistro e arrebatadoramente humano, The Witness é, talvez, o disco mais cândido e direto do grupo. Assenta numa definição estrutural quase metódica e, independentemente das diversas abordagens que cada canção contém, tem aquele toque experimental que nos faz crer, logo à primeira audição, que este é um disco colossal, mas também tremendamente reflexivo. Os pássaros que chilrreiam e os trompetes que espreitam por entre cascatas de sintetizações várias, que se sucedem com uma cadência perfeita, em Third Stream, avisam-nos, no imediato, que este é um disco cinematograficamente luminoso, mas também profundamente orgânico, projetado num conjunto de canções com uma base sonora bastante peculiar e climática, ora banhadas por um doce toque de psicadelia narcótica a preto e branco, ora consumidas por um teor ambiental denso e complexo. The Witness é, em suma, música futurista para alimentar uma alquimia que quer descobrir o balanço perfeito entre idealismo e conflito, criada por músicos assertivos, mas também capazes de romper limites, quer entre belíssimas sonorizações instáveis, mas também no seio de pequenas subtilezas, numa busca clara de harmonia entre a celebração e o apoteótico. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 20:01






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