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Cayucas – Blue Summer

Segunda-feira, 07.12.20

Já está nos escaparates Blue Summer, o quarto disco da banda Cayucas, um projeto sedeado em Santa Mónica, na Califórnia e liderado pelos gémeos Zach e Ben. Blue Summer é mais um retrato feliz de uma Califórnia cheia de sol, praias e pessoas que vivem algo alienadas do mundo real, por mergulharem constantemente nas ondas salgadas de um pacífico que estabelece pontes com uma costa oeste cheia de oportunidades e todo aquele conforto que o capitalismo pode oferecer, com Hollywood a ser, de certo modo, o expoente máximo deste modo de viver tão exuberante e frenético.

Cayucas brings the perfect summer to the quarantined on “Malibu '79 Long” -  Grimy Goods

De facto, o ao quarto registo de originais, os irmãos Zach e Ben mantêm-se na senda de uma pop ensolarada. São oito canções que, tendo sempre o verão da costa oestye como grande força motriz, nos oferece diferentes experiências e sensações bastante impressas com detalhe nas mentes dos autores. Se em Malibu' 79 é a areia escaldante das praias da costa que banha o pacífico que é exaltada, já California Girl oferce-nos uma ode divertida aos sensuais biquinis que as preenchem. O receituário é homogéneo, num disco que vai fazendo-se de guitarras beliçosas e repletas de efeitos de forte pendor vintage, algumas linhas de piano insinuantes e uma bateria com aquele ritmo sessentista inconfundível, tudo acomodado por um baixo amiúde deslumbrante. Mesmo quando a acusticidade ganha a primazia, como nas cordas de Lonely Without You, e no twist de Red-Yellow Bonfire, há sempre um tempero rock ensolarado que persiste, com os Beach Boys à cabeça de uma trama influencial que é bastante específica e que está bem balizada.

Blue Summer é uma experiência divertida e nostálgica de um mundo diferente do nosso, visto pelos olhos de uma dupla que certamente procura, através da música, fazer refletir aquela luz que não se dispersa e que ilumina as suas memórias, sem serem demasiado complicados no momento de criar sons e melodias que revivem um passado feliz, fazendo-o com canções que fluem naturalmente e, em alguns momentos, transmissoras daquela felicidade incontrolável e contagiante que todos nós procuramos. Espero que aprecies a sugestão...

Cayucas - Blue Summer

01. Yeah Yeah Yeah
02. Malibu ’79 Long
03. California Girl
04. Lonely Without You
05. Red-Yellow Bonfire
06. From The Rafters
07. Champion Of The Beach
08. Summer Moon

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publicado por stipe07 às 15:45

EELS – Earth To Dora

Sexta-feira, 30.10.20

Dois anos depois do excelente registo The Deconstruction, os Eels de E. (Mark Oliver Everett), Kool G Murder e P-Boo regressam hoje mesmo aos lançamentos, no penúltimo dia de outubro deste ano em que se comemoram duas décadas da edição do belíssimo clássico do grupo Daisies Of The Galaxy. O décimo terceiro e novo disco dos Eels intitula-se Earth To Dora e foi gravado no estúdio da banda em Los Feliz, na Califórnia, tendo as sessões de composição e de gravação começado ainda antes do atual período pandémico.

Mark Everett Shares What Went Into Making EELS Latest, 'Earth to Dora'

Em pleno processo de restabelecimento de uma profunda crise de meia idade provocada por três décadas de intensa atividade musical, quase ininterrupta, que o fizeram atingir um profundo desgaste quer físico, quer emocional, levando-o a uma espiral depressiva que o fez perder a sua segunda esposa, uma senhora escocesa que lhe deu o seu primeiro filho em mil novecentos e dezassete, Mark Everett, que usa óculos desde que foi atingido por um laser num concerto dos The Who nos anos oitenta, viveu a sua vida sempre habituado a conviver com a tragédia na sua vida pessoal e a superar eventos nefastos. Tudo começou em mil novecentos e oitenta e dois com a morte por ataque cardíaco do pai, o famoso físico Hugh Everett,  na altura profundamente deprimido por nunca ter conseguido que a sua teoria sobre física quântica fosse aceite no meio científico. Década e meia depois aconteceu o suícidio da irmã Elizabeth em mil novecentos e noventa e seis e a partida da sua mãe, Nancy Everett, devido a um cancro, meses antes do lançamento do espetacular registo Electro-Shock Blues, (1998), disco que se debruça de modo particularemtne impressivo sobre esta espiral de eventos marcantes da vida de Mr E., que ainda teve mais um capítulo no onze de setembro de dois mil e um qundo num dos aviões que foi desviado contra o Pentágono seguia a sua prima Jennifer Lewis Gore.

Earth To Dora marca não só o regresso de Mark Everett à vida ativa na profissão que escolheu e com uma clarividência ímpar, depois da sua própria quarentena, mas também funciona, tendo em conta o conteúdo das doze canções que compôem o seu alinhamento, como um atestado da sua alta clínica, o documento sonoro que confirma o seu regresso em pleno e completamente revigorado ao universo da escrita e composição de canções que, por sinal e como é sabido por todos, são sempre intensamente pessoais e profundas, tratando de temas como a morte, transtornos mentais, a solidão e o amor. O clima geral deste trabalho e o adn lírico do mesmo não fogem, de certa forma, a esta permissa mas, na minha opinião, é um facto que os Eels não lançavam um álbum tão luminoso e otimista desde o já referido Daisies Of The Galaxy.

De facto, se Mr E. gosta de surpreender e consegue sobreviver no universo indie rock devido à forma como tem sabido adaptar os Eels às transformações musicais que vão surgindo no universo alternativo sem que haja uma perca de identidade na conduta sonora do grupo, Earth To Dora mantém-no, nesse aspecto, num nível muitíssimo acima da simples tona da água, tal é o grau qualitativo sentimental deste registo, que instrumentalmente é intenso e melodicamente orelhudo. Tal sucede porque o disco assenta num formato eminentemente pop rock lo fi de elevado travo blues, um clima geral ditado pela orgânica distorção metálica da guitarra e dos arranjos das teclas e de outras cordas, como violinos ou o banjo, de forte índole melancolica e introspetiva, um efeito ampliado por uma percurssão sempre bastante aditiva. Enquanto isso, canção após canção, somos presenteados com belíssimos poemas, quase todos sobre o amor e as múltiplas facetas que ele pode ter, desde o irónico ao depressivo, passando pelo falso e o mais puro e genuíno, sempre com o seu último casamento muito presente e tudo aquilo que de revigorante e nefasto lhe ofereceu enquanto durou e que ficou para smepre carimbado no músico com a descendência que dele resultou (I learned the hard way to be prepared and given the options, I’d rather be alone).

O timbre vocal inédito de Everett é o remate final de um registo que no rock colegial de The Gentle Souls, no clima blues faustoso de Are You Fucking Your Ex, na íntimidade despojada de Dark And Dramatic ou na destreza folk de Baby Let’s Make It Real, prova que merece fazer parte do pódio dos melhores álbuns de uma vasta e gloriosa carreira de um dos melhores e mais peculiares grupos de rock alternativo da nossa contemporaneidade. Espero que aprecies a sugestão...

EELS - Are We Alright Again

01. Anything For Boo
02. Are We Alright Again
03. Who You Say You Are
04. Earth To Dora
05. Dark And Dramatic
06. Are You Fucking Your Ex
07. The Gentle Souls
08. Of Unsent Letters
09. I Got Hurt
10. OK
11. Baby Let’s Make It Real
12. Waking Up

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publicado por stipe07 às 15:58

Local Natives – Sour Lemon EP

Sexta-feira, 23.10.20

Ano e meio depois do excelente registo Violet Street, um dos preferidos desta redação do catálogo de dois mil e dezanove, os norte-americanos Local Natives de Taylor Rice estão de regresso com um EP intitulado Sour Lemon, gravado logo após as sessões finais de Violet Street com o produtor Chris Coady e que tem a chancela do selo Loma Vista.

Local Natives share “Lemon” featuring Sharon Van Etten | lab.fm

Novidades dos Local Natives são sempre de saudar efusivamente. E quando trazem na bagagem participações especiais de nomes como Sharon Van Etten, então o regozijo torna-se ainda mais audível e justificado. De facto, as quatro canções de Sour Lemon aprimoram ainda mais o habitual patamar instrumental arrojado deste quinteto californiano, mantendo-se a excelência nas abordagens ao lado mais sentimental e frágil da existência humana, traduzida em inspirados versos e a formatação primorosa de diferentes nuances melódicas numa mesma composição, duas imagens de marca do projeto.

Sour Lemon EP convida-nos a penetrar no seu âmago à boleia de Lemon, um portento de melancolia e acusticidade, desenhado com uma viola de elevado pendor clássico, enleada por arranjos de cordas de diferentes proveniências e com diversas tonalidades e por um registo vocal ímpar de ambos os intervenientes, Rice e Van Etten, que encaixam na perfeição. Depois, os seguidores mais puristas do grupo ficarão certamente deliciados com o ambiente deslumbrante, luminoso e efervescente de Statues In The Garden (Arras), uma composição que começou a ser incubada na cidade francesa de Arras e que ganhou a sua roupagem final já no lado de lá do atlântico, uma canção que nos mostra os Local Natives soterrados em variadas emanações sumptuosas e encaixes musicais sublimes, como é apanágio do seu adn. Para o ocaso, se Lost não engana no modo como, etereamente, pisca o olho a ambientes mais nebulosos e jazzísticos, sem descurar uma leve pitada de R&B, já Future Lover tem o condão de nos fazer levitar e nos dar aconchego, através de um espírito interpretativo intenso e charmoso, onde se destaca o timbre metálico de uma divagante guitarra que contradiz na perfeição um registo percurssivo hipnótico, num resultado final de forte cariz pop.

Uma das grandes virtudes destas quatro novas canções dos Local Natives tem a ver com o facto de se sustentarem numa calculada complexidade, aliada a uma inspirada riqueza estilística, aspectos que fazem muitas vezes parecer que uma mesma composição dos Local Natives resulta de uma colagem simbiótica de diferentes puzzles com tonalidades e características diferentes. E estes dois aspetos peculiares marcam, claramente, um EP de enorme beleza e que merece ser apreciado com cuidado e real atenção, deixando bastante água na boca relativamente a um próximo longa duração deste grupo ímpar no panorama indie atual. Espero que aprecies a sugestão...

Local Natives - Sour Lemon

01. Lemon (Feat. Sharon Van Etten)
02. Statues In The Garden (Arras)
03. Lost
04. Future Lover

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publicado por stipe07 às 16:35

Local Natives - Lemon (feat. Sharon Van Etten)

Segunda-feira, 19.10.20

Ano e meio depois do excelente registo Violet Street, um dos preferidos desta redação do catálogo de dois mil e dezanove, os norte-americanos Local Natives de Taylor Rice estão de regresso com um novo EP intitulado Sour Lemon, gravado logo após as sessões finais de Violet Street com o produtor Chris Coady e que terá a chancela do selo Loma Vista.

Sharon Van Etten Joins Local Natives On New Song "Lemon": Listen - Stereogum

Como certamente os leitores mais atentos deste espaço se recordam, há quase um mês divulgámos o ambiente deslumbrante, luminoso e efervescente de Statues In The Garden (Arras), uma composição que começou a ser incubada na cidade francesa de Arras e que ganhou a sua roupagem final já no lado de lá do atlântico. Essa composição fará parte do alinhamento de Sour Lemon, juntamente com Lemon, a mais recente canção divulgada pelos Local Natives e que conta com a participação especial de Sharon Van Etten, ultimamente ocupada a criar versões de clássicos dos Nine Inch Nails.

Lemon, um portento de melancolia e acusticidade, desenhado com uma viola de elevado pendor clássico, enleada por arranjos de cordas de diferentes proveniências e com diversas tonalidades, e por um registo vocal ímpar de ambos os intervenientes, que encaixam na perfeição, já tem direito a um vídeo dirigido por Kenny Laubbacher e que mostra Rice e Van Etten passeando em margens opostas do Rio Los Angeles. Confere LemonStatues In The Garden (Arras) e a tracklist de Sour Lemon...

Local Natives - Lemon

01 Lemon (Feat. Sharon Van Etten)
02 Statues In The Garden (Arras)
03 Lost
04 Future Lover

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publicado por stipe07 às 13:14

Widowspeak – Plum

Segunda-feira, 28.09.20

É na insuspeita Captured Tracks que se abrigam os Widowspeak, projeto sedeado em Brooklyn, Nova Iorque e que flutua abrigado pela incrível e criativa química que se estabeleceu há já uma década entre a cantora e escritora Molly Hamilton e o guitarrista Robert Earl Thomas, dois músicos com raízes em Tacoma e Chicago, mas estabelecidos na cidade que nunca dorme há já algum tempo. Com já vários extraordinários discos em carteira, estão de regresso com Plum, o quinto álbum, um alinhamento que foi gravado e co-produzido com a preciosa ajuda de Sam Evian (Cass Mccombs, Kazu Makino) e misturado por Ali Chanbt (Aldous Harding, Perfume Genius, PJ Harvey).

Plum is More Organic for Widowspeak - 2SER

Os Widowspeak começaram por alimentar a carreira à sombra daquela pop de finais dos anos oitenta muito sustentada por elementos sintetizados, mas não restam dúvidas que foi nas construções musicais lançadas há cerca de três décadas que melhor navegaram, nomeadamente a dream pop e a psicadelia sessentistas. Agora, em Plum, os Widowspeak acrescentam ao seu catálogo elementos sonoros mais atuais, fazendo-o através de uma simbiose muito particular e caraterística entre um baixo pulsante, guitarras com um timbre encharcado em brilho e sintetizadores minuciosamente apetrechados com diversas camadas melodicas, em deterimento dessa identidade puramente vintage que marcou os registos anteriores. E fazendo-o, viajam pela ansiedades típicas da nossa contemporaneidade, ironizando sobre temas tão díspares como o poder financeiro e o modo como nos domina, mas também sobre o amor na era digital. Money, canção com um forte cariz bucólico, assente em faustosas cordas vibrantes, tal como sucede com o tema homónimo do disco, é o exemplo mais impressivo deste propósito analítico, uma composição feita de uma enorme sensibilidade melódica assente em esplendorosas cordas e nos arranjos típicos da folk sulista norte americana. Mas o modo como a temática do pânico é abordada em Even True Love, curiosamente um tema luminoso e otimista, alinhado num andamento rítmico marcial que nunca definha e acamado por um baixo que acolchoa a doce e campestre voz de Hamilton, a descrição do dia a dia de alguém que trabalha arduamente enquanto anseia por uma relação amorosa na sua vida, em Breadwinner e a reflexão profunda sobre o modo como vivemos quase toda a nossa vida adulta absorvidos pelo dever, no já referido tema homónimo, são também exemplos particulares de um disco que quer, em suma, alertar cada um de nós para o modo como o nosso trabalho nos pode sustentar, mas também matar, nem que seja metaforicamente. O tempo é o nosso bem mais precioso e desperdiçamos uma enorme fatia daquele que a vida nos oferece com as nossas obrigações laborais.

Com uma sobriedade e um polimento que se saúdam, os Widowspeak já não conseguem escapar de uma maior aproximação ao grande público com este Plum, um álbum que sai airosamente do risco que contém e que se define numa nova proposta instrumental e lírica, conforme já foi descrita e que, propositadamente, ou não, vai de encontro ao movimento atual que resgata de forma renovada as principais marcas e particularidades sonoras de décadas anteriores, mas sem deixar de acrescentar e incuir a esse referencial retro toques de modernidade. Em Plum, a beleza e qualidade desta transformação e desta espécie de recomeço, coloca a dupla num plano qualitativo superior, com a crítica capitalista dos Widowspeak a ser um notável espelho do caos que permeia o nosso ritmo diário; comprar, vender e fazer. Espero que aprecies a sugestão...

Widowspeak - Plum
01. Plum
02. The Good Ones
03. Money
04. Breadwinner
05. Even True Love
06. Amy
07. Sure Thing
08. Jeanie
09. Y2K

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publicado por stipe07 às 17:16

Stephen Malkmus – Juliefuckingette

Sexta-feira, 25.09.20

O ex-Pavement Stephen Malkmus continua a construir um inatacável percurso que cobre de alegria todos os apreciadores do verdadeiro e clássico rock n'roll. Se em dois mil e dezoito nos ofereceu o excelente registo Sparkle Hard, o ano passado piscou o olho a territórios mais sintéticos à boleia de Groove Denied e, já este ano, abraçou a folk à boleia de Traditional Techniques. De facto, é muita música em três anos, mas a fonte parece ser inesgotável, já que o músico natural de Santa Mónica, na Califórnia, acaba de revelar uma nova canção intitulada  Juliefuckingette.

Stephen Malkmus Shares New Song 'Juliefuckingette' & Announces Rescheduled  Tour Dates

Esta nova canção de Stephen Malkmus encontra a sua génese nas sessões de gravação de Traditional Techniques. É uma composição inspirada no clássico Romeu e Julieta de Shakespeare, mas encharcada em sarcasmo e ironia, devido a uma letra com um elevado sentido de humor e descontração (Abolish the fanfiction set, I don’t wanna clean up the Lagaria mess, It’s the last brand standing,You know you wanna kill it but you can’t kill that quite yet). Sonoramente, é uma canção feita com uma melodia aditiva, comandada pela viola acústica de doze cordas que é já imagem de marca de Malkmus, assentando concetualmente na mesma folk intimista, nostálgica e algo boémia que marcou o conteúdo de Traditional Techniques. Confere...

Stephen Malkmus - Juliefuckingette

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publicado por stipe07 às 13:17

EELS – Are We Alright Again

Quinta-feira, 24.09.20

Dois anos depois do excelente registo The Deconstruction, os Eels de E (Mark Oliver Everett), Kool G Murder e P-Boo regressaram recentemente aos lançamentos, no ano em que se comemoram duas décadas da edição do belíssimo clássico do grupo Daisies Of The Galaxy, com alguns novos singles, que, finalmente, vão de encontro as nossas suspeitas, já que farão parte de um disco intitulado Earth To Dora, que foi gravado no estúdio da banda em Los Feliz, na Califórnia e que vai ver a luz do dia a trinta de outubro.

Eels Announce New Album Earth to Dora, Share "Are We Alright Again" |  Consequence of Sound

Como certamente os mais atentos se recordam, o primeiro tema revelado deste Earth To Dora foi Baby Let's Make It Real, uma canção com um registo melódico orelhudo, assente num formato eminentemente pop rock lo fi ditado através da distorção da guitarra e dos arranjos das teclas, de forte índole melancolica e introspetiva, efeito ampliado por uma percurssão bastante aditiva. Algumas semanas depois da divulgação desse primeiro tema, os Eels disponibilizaram Who You Say You Are, uma composição que nos embala e nos convida a partilhar algumas angústias e desejos plasmados, enquanto pisca o olho à tradição da melhor indie folk norte-americana.

Agora, juntamente com o anúncio da data da edição de Earth To Dora, assim como do respetivo artwork e tracklist, os Eels revelam Are We Alright Again, uma canção fortemente influenciada pelas agruras de quem deseja ardentemente que este período pandémico se torne numa mera recordação e que, curiosamente, até tem um travo sonoro luminoso e sorridente, devido a uma melodia de teclado repetitiva, em redor da qual diferentes registos vocais, várias interseções de cordas acústicas e eletrificadas e diversos elementos percurssivos se vão manifestando, num resultado final assumidamente pop. Confere Are We Alright Again e o artwork e tracklist de Earth To Dora...

EELS - Are We Alright Again

01 “Anything For Boo”
02 “Are We Alright Again”
03 “Who You Say You Are”
04 “Earth To Dora”
05 “Dark And Dramatic”
06 “Are You Fucking Your Ex”
07 “The Gentle Souls”
08 “Of Unsent Letters”
09 “I Got Hurt”
10 “OK”
11 “Baby Let’s Make It Real”
12 “Waking Up”

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publicado por stipe07 às 13:02

Local Natives – Statues In The Garden (Arras)

Terça-feira, 22.09.20

Ano e meio depois do excelente registo Violet Street, um dos preferidos desta redação do catálogo de dois mil e dezanove, os norte-americanos Local Natives de Taylor Rice estão de regresso com o ambiente deslumbrante, luminoso e efervescente de Statues In The Garden (Arras), uma composição que começou a ser incubada na cidade francesa de Arras e que ganhou a sua roupagem final já no lado de lá do atlântico.

Local Natives lança single surpresa, junto com clipe psicodélico em animação

Statues In The Garden (Arras) aprimora os elementos marcantes que têm balizado o adn sonoro da banda de Silver Lake desde a estreia, cimentados por teclados efusiantes, muitas vezes agregados a detalhes pontuais, como palmas, distorções de guitarra e outross efeitos sintetizados, nuances que definem o arquétipo desta canção e de um modo particularmente renovado, emotivo e delicioso. 

Statues In The Garden (Arras) também já tem direito a um psicadélico e sugestivo vídeo da autoria de Jamie K Wolfe e no qual uma personagem passeia por diferentes cenários sempre pontuados por limões, frutos que vão ocupando o cenário e a nossa imaginação, das mais variadas formas. Confere...

Local Natives - Statues In The Garden (Arras)

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publicado por stipe07 às 13:39

STRFKR – Ambient 1

Quinta-feira, 10.09.20

Não é assim tão incomum quanto isso encontrar quem ache que os STRFKR de Josh Hodges são a maior banda de todos os tempos. De facto, esta banda norte-americana, natural de Portland, no Oregon, é mestre a transmitir boas vibrações e tem uma inclinação para a beleza que é, quanto a mim, inquestionável. É impressionante a sua capacidade de criar composições que oferecem êxtase às pistas de dança, mas também de proporcionar instantes sonoros contemplativos que, escutados, por exemplo, numa estufa de plantas, tornam-se no adubo ideal para as fazer crescer. Aliás, não será assim tão absurdo quanto isso, acreditar que aquela new wave de forte intensidade e que num misto de nostalgia e contemporaneidade, baliza o catálogo dos STRFKR, foi pensada por Hodges, o grande cérebro criativo do projeto, para o cultivo de sementes.

The band from outer space: STRFKR | Bozeman | bozemandailychronicle.com

Assim, depois de no início da última primavera nos termos alegrado todos e acreditado piamente que a paz iria ser de novo restaurada nos vales, as vacas voltariam a ser felizes e as águas seriam purificadas, porque os STRFKR nos garantiram um futuro mais feliz com o lançamento de um alinhamento de dez canções intitulado, Future Past Life, agora estão de regresso com Ambient 1, doze composições que, conforme o título indica, são de forte índole etérea, experimental e ambiental.

Ambient 1 teve como fonte de inspiração tripla, uma coleção de cassetes que o Hodges adquiriu em saldo de música ambiental, as sessões de gravação de Future Past Life e uma viagem do músico ao conhecido parque nacional Joshua Tree, localizado na Califórnia e que inclui partes dos desertos Colorado e Mojave. Já agora, só em jeito de curiosidade, o seu nome provém de uma espécie de cacto, encontrada quase exclusivamente nesta zona, denominada Joshua tree ou árvore de Josué. Nessa estadia campestre Hodges experimentou um sintetizador de um amigo, surgindo assim o esqueleto de um trabalho único e em cujo regaço melancolia e lisergia caminham lado a lado, duas asas montadas em canções que nos oferecem paisagens multicoloridas de sons e sentimentos, autênticas miragens lisérgicas e hipnóticas que deambulam pelos nossos ouvidos num frágil balanço entre uma percussão pulsante, uma eletrónica com um vincado sentido cósmico e uma indulgência orgânica que se abastece de guitarras plenas de efeitos texturalmente ricos e que privilegiam uma sensibilidade pop inédita.

Neste disco único na discografia dos STRFKR, é atingido, em alguns momentos, um forte cariz épico e monumental, nomeadamente no largo espetro de cruzamentos que se executam entre a eletrónica ambiental e um rock de cariz mais experimental e alternativo, uma filosofia sonora que nos possibilita obter um completo alheamento de tudo aquilo que nos preocupa ou nos pode afetar num determinado momento. Espero que aprecies a sugestão...

STRFKR - Ambient 1

01. Rainzow
02. Work Smoothly Lifetime Peace
03. Bunji
04. Kaleidoscope
05. Telescope
06. Anxiety
07. Zee Majoor
08. Concentrate
09. Vergeten
10. Nexus
11. Zij Aan Zij
12. Sleep

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publicado por stipe07 às 11:40

EELS – Who You Say You Are

Segunda-feira, 07.09.20

Dois anos depois do excelente registo The Deconstruction, os Eels de E (Mark Oliver Everett), Kool G Murder e P-Boo regressaram recentemente com um novo single intitulado Baby Let's Make It Real, que foi gravado no estúdio da banda em Los Feliz, na Califórnia, que vai ter direito a uma edição em formato single de sete polegadas e que, para já, não vem, infelizmente, acompanhado com o anúncio de um novo disco do grupo.

EELS Drop Another Surprise Single: 'Who You Say You Are'

Como certamente os mais atentos se recordam, Baby Let's Make It Real era uma canção com um registo melódico orelhudo, assente num formato eminentemente pop rock lo fi ditado através da distorção da guitarra e dos arranjos das teclas, de forte índole melancolica e introspetica e de uma percurssão bastante aditiva.

Agora, algumas semanas depois da divulgação desse novo tema, os Eels disponibilizam o labo b dessa canção. Trata-se do tema Who You Say You Are, uma composição que nos embala e nos convida a partilhar algumas angústias e desejos plasmados, enquanto pisca o olho à tradição da melhor indie folk norte-americana. Confere...

EELS - Who You Say You Are

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publicado por stipe07 às 13:50






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