Segunda-feira, 13 de Maio de 2019

Cayucas – Real Life

Depois de passarem os últimos dois anos a escrever canções, os Cayucas dos gémeos Zach e Ben Yudin, estão de regresso aos discos com Real Life, o terceiro trabalho desta banda sedeada em Santa Mónica, na Califórnia e que sucede ao aclamado registo Dancing At The Blue Lagoon editado no ocaso do verão de dois mil e quinze. Recordo que na altura esse álbum era aguardado com enorme expetativa porque sucedia a Bigfoot (2012), um disco que, logo na estreia da dupla, colocou os dois irmãos nas bocas da crítica mais especializada e grangeou uma legião vasta de fãs que tem tudo para aumentar tendo em conta o conteúdo luminoso e feliz de Real Life.

Resultado de imagem para Cayucas Real Life

Produzido por Dennis Herring (Elvis Costello, Modest Mouse, Camper Van Beethoven), Real Life é um verdadeiro festim pop, meia hora de canções que se esfumam com uma altivez ímpar, enquanto nos proporcionam um retrato feliz de uma Califórnia cheia de sol, praias e pessoas que vivem algo alienadas do mundo real, por mergulharem constantemente nas ondas salgadas de um pacífico que estabelece pontes com uma costa oeste cheia de oportunidades e todo aquele conforto que o capitalismo pode oferecer, com Hollywood a ser, de certo modo, o expoente máximo deste modo de viver tão exuberante e frenético.

Escutamos Jessica WJ ou Girl e imaginamos facilmente Sunset Boulevard e atrizes a desfilar passeio abaixo com vestidos insinuantes e os braços repletos de sacos de papel carregados de trapinhos de alta costura,mas também é fácil sermos levados até ao passado, sentados num manto de nostalgia retro, ao som de Melrose Place ou para uma sunset party, com direito à fogueira da praxe, à boleia do banjo e das palmas de Tears.

A receita para todo este clima envolvente e único? Simples, mas eficaz! Melodias que ganham vida conduzidas por guitarras carregadas de timbres metálicos e que mesclam algumas das caraterísticas fundamentais do indie rock alternativo com aquela pop vibrante e que deve muita da sua essência a sintetizadores plenos de efeitos com elevada cosmicidade. What It Feels Like é, talvez, o malhor exemplo desta opção estilística dos Cayucas, mas que também não descura uma vertente acústica, audivel nas cordas e nos elementos percurssivos de Alligator.

Escutar Real Life é, pois, uma experiência divertida e nostálgica sobre um mundo diferente do nosso, visto pelos olhos de uma dupla que afirma inspirar-se muito nas memórias do seu passado e daqueles que se foram cruzando nas suas vidas, nomeadamente amigos e colegas da escola e do meio onde cresceram. Aliás, a já citada canção Jessica WJ é sobre uma amiga dos dois irmãos que era popular porque tocava baixo na escola secundária que frequentaram e Winter of 98 fala de tardes passadas a jogar bilhar em bares e salas de jogos de Santa Mónica, no final do século passado. Portanto, estando na fase mais madura e profícua de uma carreira que é olhada com intesidade e devoção na costa oeste dos Estados Unidos da América, os Cayucas certamente procuraram neste Real Life criar canções que contassem histórias reais e comuns a qualquer mortal, tramas com que o ouvinte se identificasse espontaneamente e que fluissem naturalmente, transmitindo, ao mesmo tempo, aquela felicidade incontrolável e contagiante que todos nós procuramos. Missão cumprida! Espero que aprecies a sugestão...

Cayucas - Real Life

01. Jessica WJ
02. Real Life
03. Girl
04. Melrose Place
05. Tears
06. Naked Shower Scene
07. Winter Of ’98
08. What It Feels Like
09. Alligator


autor stipe07 às 16:07
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sexta-feira, 10 de Maio de 2019

Starflyer 59 – Young In My Head

Os míticos Starflyer 59 de Jason Martin, ao qual se juntam, atualmente o baixista Steven Dail (Project 86, Inner Means, Crash Rickshaw, Bloodshed), o teclista TW Walsh (TW Walsh, Pedro the Lion, Lo-Tom, The Soft Drugs) e o baterista Charlie, filho de Jason, estão de regresso aos discos com Young In My Head, um compêndio de dez canções que sucedem a Slow, um registo lançado há cerca de três anos. Young In My Head viu a luz do dia através da Tooth & Nail Records, a editora de sempre desta banda oriunda de Riverside, na Califórnia.

Resultado de imagem para Starflyer 59 Young In My Head

Com já quase três décadas de existência, os Starflyer 59 começaram por apostar em abordagens ao shoegaze, logo no registo homónimo de estreia lançado em mil novecentos e noventa e quatro, uma opção que se manteve nos sucessores Gold Americana. Depois, com The Fashion FocusEverybody Makes Mistakes, e Leave Here a Stranger, os Starflyer 59 entraram num período de transição e começaram a migrar para um som mais limpido e acessivel e próximo dos arquétipos fundamentais do típico indie rock alternativo norte-americano, sendo considerados, na atualidade, como um dos projetos mais profícuos do cenário alternativo do outrolado do atlântico.  Já agora, aos discos que o grupo já lançou, juntam-se nove EPs, quatro edições ao vivo, três compilações e um sem número de edições de singles em vinil, além da participação do grupo em outros projetos paralelos, sendo os mais célebres os Pony Express, Bon Voyage, Dance House Children, The Brothers Martin, White Lighter, Neon Horse e os Lo-Tom.

Young In My Head é, então, o décimo quinto registo de originais do catálogo do grupo, um alinhamento de dez canções que coloca os Starflyer 59 a replicar uma sonoridade com um travo muito nativo e profundamente americano, com as guitarras e os sintetizadores a mostrarem-nos alguns dos maiores méritos daquele rock oitocentista que ainda hoje está bem impresso na memória de muitos. Basta escutar o ritmo frenético do tema homónimo e o modo como a guitarra encaixa e os teclados planam acima da melodia, para recuarmos facilmente até esse período aúreo da história musical contemporânea. Depois, o clima mais blues da guitarra que conduz a subtileza melódica de Cry, a curiosa e inesperada beleza que emana da mais negra e depressiva Remind Me e o rock agreste e poeirento que conduz Crash, atestam a força, o vigor e a vitalidade de um disco bem definido em termos de sonoridade e exemplar na forma como a recria, através de canções que nos oferecem algum do melhor rock que se escuta por aí, às vezes tão rugoso e quente como o asfalto que pisamos todos os dias. Espero que aprecies a sugestão...

Starflyer 59 - Young In My Head

01. Hey, Are You Listening?
02. Young In My Head
03. Not That I Want To
04. Cry
05. Remind Me
06. Smoke
07. Wicked Trick
08. Junk
09. Cain
10. Crash


autor stipe07 às 16:39
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Segunda-feira, 22 de Abril de 2019

Damien Jurado – In The Shape Of A Storm

Quase um ano depois do portentoso registo The Horizon Just Laughed, um disco de despedida de Seattle, de onde Damien Jurado saiu para se mudar para a solarenga Los Angeles, este cantautor norte-americano único está de regresso aos discos com In The Shape Of A Storm, dez canções concebidas à guitarra com a ajuda de Josh Gordon, novo companheiro de viagem de Jurado e abrigadas pela Mama Bird Recording Co., a nova editora que publica o artista, com sede em Portland, no Oregon. No alinhamento de In The Shape Of A Storm conferimos uma dezena de nuvens negras e ameaçadoras que, conforme o título do disco indica, estão sempre disponiveis para se precipitarem sobre o nosso âmago, desde que estejamos dispostos a absorver toda a emotividade que delas transbordam.

Resultado de imagem para Damien Jurado In The Shape Of A Storm

In The Shape Of A Storm, o décimo quarto longa duração da carreira de Jurado, é, de facto, o primeiro álbum completamente acústico deste artista, gravado em apenas duas horas de uma inspirada tarde californiana, mas não é por isso que deixa de ser um registo melodica e instrumentalmente rico, se comparado com os últimos trabalhos do autor. Foi pensado por um dos nomes fundamentais da folk norte americana e um dos artistas que melhor tem sabido preservar algumas das caraterísticas mais genuínas de um cancioneiro que dá enorme protagonismo ao timbre acentuado e rugoso das cordas para dissertar crónicas sobre uma América profunda e muitas vezes oculta, não só para os estrangeiros, mas também para muitos nativos que desde sempre se habituaram à rotina e aos hábitos de algumas das metrópoles mais frenéticas e avançadas do mundo, construídas num país onde ainda é possível encontrar enormes pegadas de ancestralidade e que inspiram calorosamente este músico.

Se Damien Jurado já cantou ao longo da carreira baladas sobre o cosmos, ou sobre extraterrestres e espíritos de assassinos e moribundos, desta vez resolveu servir-se do cinema e de personagens de filmes marcantes da sua vida, como American Graffiti, Paris, Texas, ou The Last Picture Show, para dissertar sobre si próprio e sobre alguns dos instantes mais marcantes da sua existência, enquanto em seu redor o mundo parece, na sua óptica, desmoronar-se e degradar-se, dia após dia. A personagem Oda Mae Brown, interpretada por Whoopi Goldberg em Ghost, é mesmo a referência máxima do músico, ao longo do álbum (You ever see that movie Ghost? Whoopi Goldberg’s character, Oda Mae Brown—that’s who I am. These spirits are showing up at her door, jumping into her body. That’s how I feel. I don’t know what’s coming out of me…I just show up and deliver it.)

Uma nuance estilistica muito marcante em In The Shape Of A Storm é o modo como Damien Jurado usa as palavras nos temas e o estilo de interpretação e produção das mesmas. A ideia é fazer com que o ouvinte tenha a sensação de estar a converdsar com o autor e junto de si. Se logo em Lincoln, quando ele afirma There is nothing to hide, Jurado deixa-nos esclarecidos sobre esse se propósito de proximidade, a seguir, nas variações de tonalidade presentes em Newspaper Gown, no clima celestial de South, no intimismo óbvio de Throw Me Now Your Arms, na narrativa vibrante de Where You Want Me To Be e na toada algo ébria de Silver Bail, estamos definitivamente em comunhão profunda e em simbiose perfeita com um painel muito impressivo de composições que acabam por se tornar num dos momentos maiores da carreira deste cantautor, exatamente devido ao modo como nele este músico se coneta com a nossa mente, enquanto confessa alguns dos seus dilemas e desejos mais profundos e assim se expôe triunfalmente, sem receio e despudor, tornando-nos confidentes de alguns dos arquétipos essenciais da sua intimidade maior. No fundo, se a discografia de Damien Jurado está repleta de canções passiveis de serem coreografadas cinematicamente em curtas-metragens sobre pessoas comuns e as suas vidas, origens e destinos, In The Shape Of A Storm é uma espécie de filme autobiográfico, registado a preto e branco, que documenta em dez canções quase duas décadas de uma vida dedicada à composição e à interpretação musical num dos formatos mais genuínos que se pode imaginar. E se elas foram sendo criadas e guardadas ao longo de todo este tempo, só agora viram a luz do dia porque este era, claramente, o melhor momento de se expressarem e nos tocarem com plenitude (I believe songs have their own time and place). Espero que aprecies a sugestão...

Damien Jurado - In The Shape Of A Storm

01. Lincoln
02. Newspaper Gown
03. Oh Weather
04. South
05. Throw Me Now Your Arms
06. Where You Want Me to Be
07. Silver Ball
08. The Shape Of A Storm
09. Anchors
10. Hands On The Table


autor stipe07 às 14:45
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quarta-feira, 17 de Abril de 2019

Beck – Saw Lightning

Beck - Saw Lightning

Colors ainda não tem dois anos, o single Tarantula, inserido na banda-sonora do filme Roma, escrito e dirigido por Alfonso Cuarón, quatro meses, mas Beck Hansen, uma referência icónica da música popular das últimas duas décadas, já tem disco novo na forja, um registo initulado Hyperspace, ainda sem data de lançamento anunciada, mas certamente ainda em dois mil e dezanove. Tal frenesim criativo não é inédito neste músico californiano que no início da década de noventa atuava em clubes noturnos vestido de stormtrooper e que da aproximação lo-fi ao hip-hop de Mellow Gold Odelay, passando pela melancolia de Sea Change e a psicadelia de Modern Guilt, nos foi habituando, nas últimas três décadas, a frequentes e bem sucedidas inflexões sonoras.

Saw Lightning é o primeiro single divulgado de Hyperspace, pouco mais de quatro minutos de um efervescente festim pop, que sobressai pela luminosidade das cordas de uma viola, por diversos detalhes percurssivos e pelo fuzz intermitente de uma teclado, uma canção que deve muito aquela estética típica do som nova iorquino da década de oitenta, sendo indisfarçavel a busca de uma melodia agradável e marcante e rica em detalhes e texturas. Confere...


autor stipe07 às 12:08
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quarta-feira, 20 de Março de 2019

Mating Ritual – U.N.I.

Mating Ritual - U.N.I.

Menos de um ano do lançamento de Light Myself On Fire, o projeto Mating Ritual do músico californiano Ryan Marshall Lawhon e do seu irmão Taylor Marshall, que planeia nos próximos cinco anos lançar o mesmo número de alinhamentos de canções, está de regresso aos discos já em maio com um trabalho intitulado Hot Content, que será o terceiro registo de originais da dupla e que verá a luz do dia a dez de maio à boleia da editora Smooth Jaws, pertença do próprio Ryan.

U.N.I. é o primeiro single divulgado de Hot Content, uma composição assente numa guitarra efusiante e num baixo imponente, cordas que se aliam a a sintetizadores de elevado cariz retro, com efeitos que disparam em diferentes direções, uma míriade instrumental que aconchega o timbre sintético vocal de Ryan, numa toada que tem tanto de sexy como de robótico e que nos clarifica que vira aí mais um disco que poderia muito bem ter sido congeminado algures no início da década de oitenta e no período aúreo do disco sound. Confere...


autor stipe07 às 15:46
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2019

Cass McCombs – Tip Of The Sphere

Natural de Los Angeles, na Califórnia, Cass Mccombs é um dos mais notáveis intérpretes do folk rock norte americano e está de regresso aos discos com Tip Of The Sphere, o novo tomo discográfico da sua já extensa e notável carreira. Refiro-me a um alinhamento de onze canções, que viram a luz a oito de fevereiro último e sucedem ao excelente Mangy Love (2016), sendo o segundo álbum do músico abrigado pela ANTI- Records.

Resultado de imagem para Cass McCombs Tip Of The Sphere

No antecessor Mangy Love foi-nos novamente oferecido o ambiente algo ambivalente a que McCombs nos tem habituado na sua já extensa discografia, feito de sonho e amargura, dois campos lexicais que parecem não se cruzar em nenhum instante nas nossas vidas, mas que na escrita deste músico californiano se entrelaçam insistentemente. Neste Tip Of The Sphere, McCombs manteve essa permissa estilística e continua focado em aproximar-se de modo acessível dos seus ouvintes, algo bem plasmado na visceralidade das guitarras, no furor do baixo e na voz sussurrante de Sleeping Volcanoes e no imenso oceano nostálgico que se espraia perante nós em Estrella e, de um modo mais animado, na psicadélica The Great Pixley Train Robbery, canções abrigadas por alguns dos elementos essenciais daquela folk tipicamente americana que nos transporta para o tradicional jogo de sons e versos que caracterizam este género musical tão específico. E McCombs, ao invés de ser purista oferece de braços abertos esta sua visão contemporânea da folk ao indie rock e à própria eletrónica, não só como se percebe nos temas citados, mas também em Absentee, composição carregada de amargura, mas também de uma interessante dose de bom humor e ironia, à boleia de uma sonoridade simplista, guiada ao piano, porém inebriante, que pula entre suaves exaltações e um oceano de melancolia ilimitada. Depois, temas como a intimista Real Life, que segue esta linha autoral bem definida com rigidez, mostrando-nos um romântico inveterado, especialista em musicar lamentos e amores que não deram certo e o andamento rugoso e contemplativo da fumarenta Sidewalk Bop After Suicide, deixam-nos convencidos da excelência de um disco que mantém, em todo o alinhamento, uma fluidez agradável e inegavelmente marcante.

Tip Of The Sphere é, em suma, uma formidável sequência de composições onde tudo aquilo que atrai e influencia Cass McCombs é densamente compactado, com enorme mestria e um evidente bom gosto, num artista que longe de se abrigar apenas à sombra de canções melódicas convencionais, procura, disco após disco, reforçar o seu historial sonoro com um brilho raro que entronca, basicamente, na simplicidade com que se aventura na sua própria imaginação e numa indisfarcável devoção aos autores clássicos da América que o viu nascer e onde cabem, numa ténue fronteira, todos os sonhos, mas também diferentes angústias. Espero que aprecies a sugestão...

Cass McCombs - Tip Of The Sphere

01. I Followed The River South To What
02. The Great Pixley Train Robbery
03. Estrella
04. Absentee
05. Real Life
06. Sleeping Volcanoes
07. Sidewalk Bop After Suicide
08. Prayer For Another Day
09. American Canyon Sutra
10. Tying Up Loose Ends
11. Rounder

 


autor stipe07 às 21:36
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2018

Wavves – Emo Christmas EP

Depois do excelente You're Welcome, lançado no verão do ano passado, os californianos Wavves de Nathan Williams e Stephen Pope, atualmente em digressão interna com os Beach Fossils, acabam de nos surpreender com Emo Christmas, um EP com duas canções inspiradas nesta época festiva que estamos já a viver e que também tem fortes raízes e tradições no outro lado do Atlântico.

Resultado de imagem para Wavves – Emo Christmas EP

No lado a de Emo Christmas EP podemos conferir o tema homónimo, uma canção melodicamente incisiva, de acordes simples, como se exige a uma boa canção de Natal e bastante orelhuda. Já So Glad It's Christmas, o lado b deste EP de Natal dos Wavves, escrita por Pope, é uma composição mais intimista, com um cariz algo lo-fi, mas com um travo de sarcasmo e ironia muito marcante. 

Em suma, neste Natal o que importa para os Wavves é curtir ao máximo e este Emo Christmas EP é uma excelente banda sonora pensada para esse propósito com duas canções a obedecerem a essa fórmula tão legitima como outra qualquer. Se o Natal também já faz parte da indústria do entretenimento, Emo Christmas EP é uma seta apontada diretamente ao centro do alvo desse conceito de abordagem a uma época tão especial e rica em sentimentos e emoções. Confere...

Wavves - Emo Christmas

01. Emo Christmas
02. So Glad It’s Christmas


autor stipe07 às 13:15
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Segunda-feira, 12 de Novembro de 2018

Cloud Nothings – Last Building Burning

Depois da parceria com os Wavves de Nathan Williams no disco a meias No Life For Me (2015), os Cloud Nothings de Dylan Baldi, ofereceram-nos o ano passado Life Without Sound, nove canções impregnadas com um excelente indie rock lo fi, abrigadas pela insuspeita Carpark Records e um regalo para os ouvidos de todos aqueles que, como eu, seguem com particular devoção este subgénero do indie rock. Foi um registo produzido por John Goodmanson, gravado em El Paso, no Texas e que já tem finalmente sucessor. O novo álbum dos Cloud Nothings, o quinto da carreira do grupo, contém oito canções, chama-se Last Building Burning e viu a luz do dia a dezanove de outubro à boleia da mesma etiqueta que lançou o antecessor, a já mencionada Carpark Records.

Resultado de imagem para Cloud Nothings Last Building Burning

Mais enérgicos e agressivos, no bom sentido, do que nunca, em Last Building Burning os Cloud Nothings aproximam-se sem rodeios e receios daquele rock que, algures entre o grunge e o emo, volta a colocar o grupo num rumo sonoro mais direto e espontâneo, em detrimento de um certo calculismo e polimento que marcou o antecessor Life Without Sound. De facto, logo na emergente On An Edge ou na frenética Leave Him Now, os Cloud Nothings mostram-se altivos, confiantes e entusiasticos no modo como se movimentam naquela que é, claramente, a sua zona de conforto, uma sonoridade que se orienta por guitarras plenas de experimentações sujas que procuram conciliar uma componente lo fi com o garage rock, numa espécie de embalagem caseira e íntima, que acaba por, no seu todo, exalar uma negra ferocidade e uma agressividade punk que se estende ao próprio registo vocal de Baldi, pleno de energia, como se percebe n clima progressivo de The Echo Of The World, um dos singles já retirados do registo.

Há em Last Building Burning uma espécie de caos controlado e que acaba por fazer sentido também para quem tem estado mais atento aos últimos concertos dos Cloud Nothings, porque a sonoridade do disco acaba por entroncar no clima que tem caraterizado os mesmos, muitas vezes algo errático e nada convencional. Com firmeza, bom gosto, pujança e altivez, o grupo de Dylan Baldi dá, em dois mil e dezoito, mais um passo nobre e bem sucedido no histórico de uma banda que, sem deixar de ser rugosa, intensa e visceral, procurou recentemente um brilho mais acessivel e imediato, mas que realmente só mostra plenamente todos os seus predicados quando aposta numa abordagem ao noise através de um enraivecido negrume punk, que aqui é elástico, orelhudo, anguloso e até radiofónico. Espero que aprecies a sugestão...

Cloud Nothings - The Echo Of The World

01. On An Edge
02. Leave Him Now
03. In Shame
04. Offer An End
05. The Echo Of The World
06. Dissolution
07. So Right So Clean
08. Another Way Of Life


autor stipe07 às 18:26
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sexta-feira, 26 de Outubro de 2018

The Dodos – Certainty Waves

Os The Dodos de Meric Long e Logan Kroeber já têm sucessor para Individ (2015). O novo álbum da dupla de São Francisco chama-se Certainty Waves, foi produzido pelo próprio Meric Long e viu a luz do dia através da Polyvinyl Records. Nos últimos três anos, os The Dodos apenas deram dois sinais de vida; a participação com o tema Mirror Fake na compilação Philia: Artists Rise Against Islamophobia e quando revelaram uma cover de Never Meant, um original dos American Football, inserida na compilação que marcou o vigésimo aniversário da Polyvinyl. Individ foi um dos discos mais escutados na redação fixa e móvel de Man On The Moon durante estes últimos três anos e impressionou, seduziu e conquistou, nas suas repetidas e sempre dedicadas e aprazíveis audições, razão pela qual este sucessor está a ser aguardado por cá com enorme expetativa.

Resultado de imagem para The Dodos – Certainty Waves

Registo fértil num casamento feliz entre as cordas, os teclados e a percussão, elementos que conjuram entre si na exploração de um som amplo, épico e alongado, através do abraço constante entre dois músicos que criam melhor que ninguém atmosferas sonoras verdadeiramente nostálgicas, sedutoras e hipnotizantes, Certainty Waves está coberto, do início ao fim, por um manto de epicidade bastante vincado. As canções sucedem-se em catadupa e, uma após outra, somos bombardeados por luxuriantes paisagens sonoras, impregnadas de notáveis arranjos, que afastam cada vez mais a dupla da toada folk que marcou os seus primeiros trabalhos, em deterimento de uma filosofia interpretativa que dá cada vez maior importância ao sintético e à tecnologia. Apenas Center Of, por sinal um dos melhores momentos do registo, entronca na herança mais genuína dos The Dodos, onde as cordas eram líderes incontestáveis no processo de criação musical, com as guitarras e a percurssão de 3WW a aproximarem-se também, mas de forma menos objetiva, desses aúreos tempos do grupo. Curiosamente, Forum, o primeiro tema divulgado de Certainty Waves, assentando num deambulante efeito strokiano de uma guitarra e no reverb da mesma, mas, principalmente, no cariz épico de uma melodia que não dispensa teclas efusivas, uma bateria incessante e trompetes nos arranjos, terá sido uma escolha acertada para revelar as novas diretrizes do projeto, demonstradas com notável lucidez também na pop oitocentista que exala de Sort Of.

Disco pleno de personalidade, com uma produção cuidada e muito aguardado por cá, como já referi, Certainty Waves tem alma e caráter, força e uma positividade contagiante. Os The Dodos dão neste alinhamento um passo evolutivo importante na carreira, a carecer de aprimoração em próximos lançamentos, sem deixarem de se manter fieis aos seus instintos mais primários, que exigem a constante quebra de estruturas e padrões e a fuga a categorizações que balizem em excesso o adn do projeto. Espero que aprecies a sugestão...

The Dodos - Certainty Waves

01. Forum
02. IF
03. Coughing
04. Center Of
05. SW3
06. Excess
07. Ono Fashion
08. Sort Of
09. Dial Tone


autor stipe07 às 17:20
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Terça-feira, 2 de Outubro de 2018

Milo Greene - Adult Contemporary

Os norte-americanos Milo Greene de Robbie Arnett, Graham Fink e Marlana Sheetz são um dos projetos mais interessantes da indie atual, exímios intérpretes daquela pop retro cheia de charme e com uma filosofia vintage sempre muito vincada, não só na sonoridade mas também na componente visual do projeto. Começaram por ganhar fama devido aos músicos trocarem constantemente de instrumento durante os concertos e estrearam-se nos discos em dois mil e doze com um homónimo que chamou logo a atenção da crítica. Três anos depois, no sempre difícil segundo álbum, o registo intitulado Control marcou uma inflexão sonora no grupo, que deixou para trás, nessa altura, a sonoridade eminentemente folk da estreia e os Milo Greene conseguiram alargar ainda mais a sua base de fãs. Agora, três anos depois de Control, o trio de Los Angeles, na Califórnia, está de regresso com Adult Contemporary, doze canções produzidas por Bill Reynolds (Band Of Horses, Lissie), com a chancela da Nettwerk Records e que mantêm o projeto na senda de uma pop com uma elevada toada ambiental mas também dançante, à imagem do antecessor Control.

Resultado de imagem para milo greene band 2018

Adult Contemporary é o disco mais eclético, abrangente e arriscado dos Milo Greene. De facto, tendo a pop em ponto de mira, contém um alinhamento que também capta algumas das principais caraterísticas da eletrónica ambiental, exemplarmente replicada em Be Good To Me, mas também da chamada art pop, belíssima em Drive. Mas um bom tema para nos fazer perceber toda esta espécie de amálgama, nem sempre claramente percetível, ou seja, geralmente bem acomodada e assimilada, é Young At Heart, o single de apresentação do registo, um exuberante tema conduzido por um baixo pulsante e sintetizadores planantes que originaram uma composição com uma elevada toada dançante e com fortes raízes no imaginário oitocentista. O próprio vídeo da canção, dirigido por Nicolas Harvard, é uma combinação feliz entre a postura vocal particularmente atraente de Marlana Sheetz e filmagens de arquivo de alguns icones de uma época que foi sonoramente bastante marcante, particularmente para a minha geração, neste caso Sting e Bruce Springsteen e que, pelos vistos, também marcaram profundamente o imaginário deste grupo.

Familiaridade e liberdade acabam por ser duas sensações que saltam ao ouvinte durante a audição deste alinhamento, não só porque abundam os refrões aditivos, mas principalmente porque se percebe que o trio não se deixou amarrar a nenhum género em específico para recriar uma trama sonora com uma componente fortemente cinematográfica, no modo como nos suscita a lembrança nostálgica de alguns momentos que marcaram a nossa juventude. O final épico de Worth The Waith seria a banda sonora perfeita para ilustrar um final de tarde ao portão de um liceu de esquina, Please Don't recorda-nos aquele amor inocente que nunca foi correspondido e Wolves traz-nos à memória toda a força que sentíamos naqueles anos em que nos sentíamos imparáveis e inquebráveis. Espero que aprecies a sugestão...

Milo Greene - Adult Contemporary

01. Easy Listening Pt. 1
02. Be Good To Me
03. Young At Heart
04. Drive
05. Please Don’t
06. Slow
07. Move
08. Runaway Kind
09. Easy Listening Pt. 2
10. Your Eyes
11. Wolves
12. Worth The Wait

 


autor stipe07 às 19:08
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quarta-feira, 12 de Setembro de 2018

Massage – Oh Boy

Sedeados em Los Angeles, na Califórnia e liderados por Alex Naidus, membro dos Pains Of Being Pure At Heart, os Massage foram crescendo e ganhando vida na internet. Alex começou a tocar e a escrever algumas canções paralelamente à sua atividade nos Pains Of Being Pure At Heart com o designer e baixista Michael Felix, amigo de infância de Alex e à dupla juntaram-se, entretanto, o jornalista Andrew Romano, David Rager e Gabi Ferrer, responsável pelas teclas e pela composição melódica. Estrearam-se há dois anos com o EP Lydia e lançaram o primeiro longa duração, à boleia da Tear Jerk Records, no último verão, um disco intitulado Oh Boy, gravado com a ajuda de Jason Quever dos Papercuts.

Resultado de imagem para massage band 2018

Quase meio século após o seu aparecimento, a sonoridade tipicamente indie e universitária continua a soar mais fresca que nunca, especialmente quando bandas como os Massage surgem no radar e, logo na estreia, causam furor devido a discos do calibre deste Oh Boy, doze canções que se esfumam em pouco mais de meia hora, mas que não deixam indiferente o ouvinte devido a um alinhamento que nos leva facilmente e num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, à boleia de uma espécie de indie-folk-surf-suburbano, particularmente luminoso e que acaba por se tornar até viciante. E a responsabilidade desta tela impressiva é uma guitarra com um timbre metálico muito caraterístico que serve de base melódica às canções, acompanhada por um baixo exemplar no modo como se alia à guitarra para marcar as várias nuances rítmicas de temas geralmente acelerados, mas sem serem frenéticos, não deixando de se espraiar pelos nossos ouvidos algo preguiçosamente, mesmo que estejamos a falar de composições curtas, como já referi, e com um ritmo algo intenso.

Catapultado pela ligeireza subtil de Lydia, pelo cariz intimista do single homónimo, pelo clima lisérgico de Couldn't Care Less, pelo piscar de olhos a ambientes mais roqueiros em Under, ou pelo bom gosto dos acordes de Crying Out Loud, Oh Boy é, em suma, um embrulho sonoro com um têmpero lo fi muito próprio, um salutar indie rock com leves pitadas de surf pop, agregado com um espírito vintage marcadamente oitocentista e que se escuta de um só trago, enquanto sacia o nosso desejo de ouvir algo descomplicado mas que deixe uma marca impressiva firme e de simples codificação. É um daqueles discos que esconde a sua complexidade na simplicidade e estas boas canções mostram como é bonito quando o rock pode ser básico e ao mesmo tempo encantador, divertido e melancólico, sem muito alarde. Espero que aprecies a sugestão...

Massage - Oh Boy

01. Lydia
02. Oh Boy
03. Gee
04. Kevin’s Coming Over
05. Couldn’t Care Less
06. Under
07. Breaking Up
08. Crying Out Loud
09. Cleaners
10. Liar
11. I’m Trying
12. At Your Door


autor stipe07 às 16:14
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sábado, 8 de Setembro de 2018

Milo Greene – Young At Heart

Milo Greene - Young At Heart

Os norte-americanos Milo Greene de Robbie Arnett, Graham Fink r Marlana Sheetz são um dos projetos mais interessantes da indie atual, exímios intérpretes daquela pop retro cheia de charme e com uma filosofia vintage sempre muito vincada, não só na sonoridade mas também na componente visual do projeto. Estrearam-se nos discos em dois mil e doze com um homónimo que chamou logo a atenção da crítica e três anos depois, no sempre difícil segundo disco, um registo intitulado Control, confirmaram todas as credenciais do registo inicial e conseguiram alargar ainda mais a base de fãs do trio.

Agora, três anos depois de Control, o trio de Los Angeles, na Califórnia, está de regresso com Adult Contemporary, doze canções produzidas por Bill Reynolds (Band Of Horses, Lissie), com a chancela da Nettwerk Records e que serão alvo de revisão cuidada neste espaço dentro de dias. Para já, e como aperitivo, sugiro Young At Heart, o single de apresentação do registo, um exuberante tema conduzido por um baixo pulsante e sintetizadores planantes que originaram uma composição que sabe a uma espécie de punk pop com uma elevada toada dançante e com fortes raízes no imaginário oitocentista. O próprio vídeo da canção, dirigido por Nicolas Harvard, é uma combinação feliz entre a postura vocal particularmente atraente de Marlana Sheetz e filmagens de arquivo de alguns icones de uma época que foi sonoramente bastante marcante, particularmente para a minha geração, neste caso Sting e Bruce Springsteen. Confere...


autor stipe07 às 18:11
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quinta-feira, 23 de Agosto de 2018

Cloud Nothings – The Echo Of The World

Cloud Nothings - The Echo Of The World

Depois da parceria com os Wavves de Nathan Williams no disco a meias No Life For Me (2015), os Cloud Nothings de Dylan Baldi, ofereceram-nos o ano passado Life Without Sound, nove canções impregnadas com um excelente indie rock lo fi, abrigadas pela insuspeita Carpark Records e um regalo para os ouvidos de todos aqueles que, como eu, seguem com particular devoção este subgénero do indie rock. Foi um registo produzido por John Goodmanson, gravado em El Paso, no Texas e que parece ter finalmente sucessor. O próximo álbum dos Cloud Nothings, o quinto da carreira do grupo, contém oito canções, chama-se Last Building Burning e vai ver a luz do dia a dezanove de outubro à boleia da mesma etiqueta que lançou o antecessor, a já mencionada Carpark Records.

O primeiro single divulgado de Last Building Burning é a quinta canção do seu alinhamento, um tema intitulado The Echo Of The World e que assentando em guitarras plenas de experimentações sujas que procuram conciliar uma componente lo fi com o garage rock, numa espécie de embalagem caseira e íntima, acaba por, no seu todo, exalar uma negra ferocidade, uma agressividade punk que se estende ao próprio registo vocal de Baldi, pleno de energia. Há na canção uma espécie de caos controlado e que acaba por fazer sentido para quem tem estado mais atento aos últimos concertos dos Cloud Nothings, porque a sonoridade da canção acaba por entroncar no clima que tem caraterizado os mesmos, muitas vezes algo errático e nada convencional. Confere The Echo Of The World e o alinhamento de Last Building Burning...


autor stipe07 às 11:59
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Domingo, 19 de Agosto de 2018

The Growlers – Casual Acquaintances

Os The Growlers são uma banda norte americana de Costa Mesa, na Califórnia, formada por Brooks Nielsen (voz), Matt Taylor (guitarra), Scott Montoya (bateria), Anthony Braun Perry (baixo) e Kyle Straka (teclas e guitarra) e que descobri já em 2012 por causa de Hung At Heart, o terceiro álbum da discografia do grupo, um disco gravado em Nashville, editado em novembro desse ano através da Everloving Records e que foi produzido por Dan Auerbach dos The Black Keys. Um ano após esse registo, disponibilizaram Guilded Pleasures e em dois mil e catorze, com uma cadência quase anual, os The Growlers regressaram às edições com Chinese Fountain, um trabalho que cimentou definitivamente o adn de um projeto que aposta numa sonoridade fortemente influenciada pela psicadelia dos anos sessenta.

Resultado de imagem para The Growlers Casual Acquaintances

Após Chinese Fountain os The Growlers entraram num período de relativo pousio e criaram a sua própria etiqueta, a Beach Goth Records and Tapes. Casual Acquaintances é o primeiro sinal de vida do grupo nesta nova fase da carreira, um levantamento de algumas demos, lados b e temas inacabados que a banda foi juntando ao longo das sessões de gravação dos discos anteriores e que acabam por ganhar vida num alinhamento que merece ser descoberto com alguma minúcia já que contém canções com elevada bitola qualitativa.

Frequentemente catalogados com uma banda de surf rock, a sonoridade vai muito além dessa simples catalogação e Casual Acquaintances é mais uma demonstração cabal dessa permissa. Se em Heaven In Hell é o rock mais clássico que dita leis, já as guitarras de Problems III olham com astúcia para o rock de garagem e os sintetizadores de Pavement And The Boot contêm uma aúrea mais progressiva e psicadélica, com Decoy Face a fazer a indispensável abordagem a um universo mais cósmico e blues que também carateriza o grupo e Orgasm Of Death a alfinetar o punk rock de início deste século sem receios ou concessões. Seja como for, independentemente de todo este manancial de abordagens, importa reter a aparente simplicidade e descomprometimento com que os The Growlers compôem, uma filosofia estilística que não será obra do acaso e obedece claramente a um desejo de criação de uma imagem própria, inerente ao conceito de rebeldia, mas sem descurar um apreço pela qualidade comercial e pela criação de canções que agradem às massas.

Os The Growlers têm toda a aparência de conviverem pacificamente com a herança do rock das últimas quatro ou cinco décadas, mas escapam do eventual efeito preverso da mesma e com mestria, até porque há uma elevada sensação de espontaneidade num catálogo que necessitava claramente desta espécie de revisitação e acresecento para ficar completo antes do grupo avançar para a segunda fase de um projeto que deve continuar no radar de todos aqueles que se interessam por este espetro sonoro. Espero que aprecies a sugestão...

The Growlers - Casual Acquaintances

01. Neveah
02. Problems III
03. Heaven In Hell
04. Pavement
05. Decoy Face
06. Orgasm Of Death
07. Drop Your Phone In The Sick
08. Thing For Trouble
09. Last Cabaret
10. Casual Acquaintances


autor stipe07 às 15:26
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sexta-feira, 10 de Agosto de 2018

The Dodos - Forum

Resultado de imagem para the dodos forum 2018

Os The Dodos de Meric Long e Logan Kroeber já têm sucessor para Individ (2013). O novo álbum da dupla de São Francisco chama-se Certainty Waves e vê a luz do dia a doze de outubro, através da Polyvinyl Records. Ao longo destes três anos, os The Dodos apenas deram dois sinais de vida com a participação com o tema Mirror Fake na compilação Philia: Artists Rise Against Islamophobia e quando revelaram uma cover de Never Meant, um original dos American Football, inserida na compilação que marcou o vigésimo aniversário da Polyvinyl. Individ foi um dos discos mais escutados na redação fixa e móvel de Man On The Moon durante estes últimos três anos e impressionou, seduziu e conquistou, nas suas repetidas e sempre dedicadas e aprazíveis audições, razão pela qual este sucessor está a ser aguardado por cá com enorme expetativa.

Forum é o primeiro tema divulgado de Certainty Waves e o seu deambulante efeito strokiano da guitarra e o reverb da mesma, assim como o cariz épico de uma melodia que não dispensa teclas efusivas, uma bateria incessante e trompetes nos arranjos, acentua ainda mais esta ânsia pela chegada dos disco aos escaparates, um registo que será certamente fértil num casamento feliz entre as cordas e a percussão e na exploração de um som amplo, épico e alongado, sustentado no abraço constante entre dois músicos que criam melhor que ninguém atmosferas sonoras verdadeiramente nostálgicas, sedutoras e hipnotizantes. Confere Forum e a tracklist de Certainty Waves...

Forum

IF

Coughing

Center of

SW3

Excess

Ono Fashion

Sort of

Dial Tone


autor stipe07 às 14:15
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quinta-feira, 2 de Agosto de 2018

Ty Segall & White Fence - Joy

Ty Segall é uma máquina de fazer discos. Não apenas trabalhos aleatórios, composições frias ou registos descartáveis, mas lançamentos de peso dentro da cena independente norte-americana. Dono de uma infinidade de projetos paralelos cada um deles com vários álbuns lançados, é quando assume as guitarras na carreira a solo que este californiano, natural de São Francisco, alcança o melhor desempenho. Mas este músico também gosta de alinhar em parcerias e nelas consegue potenciar a sua capacidade para nos embrenhar num universo sonoro labiríntico que nunca deixando de lado a estética lo fi que Ty tanto aprecia, também consegue entranhar alguns dos pilares fundamentais da sonoridade de quem a ele se alia na hora de compôr. Tim Presley, a mente que assina o projeto White Fence, foi um dos que se deixou enredar pela teia lançada por Ty, já em dois mil e doze com o excelente álbum Hair, o que nem admira até porque estamos na presença de dois artistas que têm na sua discografia muito pontos em comum, desde logo a apetência por aquele rock mais cru, que tanto abraça a folk como pisca o olho aquela psicadelia setentista que ainda hoje é muito marcante. Joy é o nome da segunda etapa desta parceria, quinze canções assentes num salutar experimentalismo sem fronteitas ou concessões a um género bem delimitado, cheias de guitarras sujas e riifs enérgicos, mas também sóbrios dedilhares de uma viola e constantes variações ritmícas com Please Don't Leave This Town a ser um bom tema para se perceber toda a essência deste disco.

Resultado de imagem para Ty Segall & White Fence - Joy

Alegria e diversão, cor e arrojo, são adjetivos felizes na hora de caraterizar o conteúdo de Joy e de imaginar o seu processo de gravação. São pouco mais de trinta minutos de pura exaltação indie, assentes numa sonoridade ensolarada, com reminiscências algures na década de sessenta e no rock de garagem da década seguinte, um alinhamento que merece audição dedicada não só pela elevada bitola qualitativa dos arranjos de cordas, percetíveis em diversos temas, como assim como pelas já habituais linhas de baixo a que Ty já nos habituou, absolutamente incríveis.

Assim, no inedetismo do luminoso instante surf psicadélico presente em Good Boy e no modo como a dupla cruza uma toada algo pop, com o fuzz típico do garage rock, fazendo com que este tema deixe de lado os habituais limites do rock caseiro e se converta num momento de pura exaltação e no hard rock setentista, de mãos dadas com rock de garagem e no blues de Other Way e na toada hippie, vintage e acústico psicadélica de My Friend, assentam os momentos maiores de trinta minutos sonoros propostos por dois artistas que parecem querer buscar um lugar no meio de outros gigantes da cena alternativa, mas que, quanto a mim, nada mais têm a provar para terem direito a uma posição de relevo nesse antro de perdição.

Com um nível superior de cumplicidade, em Joy os dois músicos que assinam o registo até deixam um pouco de lado um habitual nível de anarquia e desiquilibrio que frequentemente firmam na execução dos seus registos e, sem sofrerem de desgaste ou possíveis redundâncias, executam um ensaio de assimilação de heranças, com um sentido melódico irrepreensível, que exala um sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentarem de modo tremendamente atual tantas referências do passado. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 10:17
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quinta-feira, 12 de Julho de 2018

William Duke - Quatro

Foi a vinte e sete de junho último que viu a luz do dia Quatro, o segundo registo de originais de William Duke, um músico e escritor natural de São Francisco, na Califórnia e que se movimenta dentro daquele típico indie rock norte-americano mais genuíno, que foi criando raízes no último meio século e que deve grande parte da sua identidade ao modo como incorpora alguns detalhes do jazz, do blues e da folk típica não só da costa oeste, geralmente de cariz algo lisérgico, mas também aquela folk mais sulista, que tem no banjo o instrumento de eleição. O resultado final é um álbum com uma filosofia sonora descontraída e bastante aditiva, comandada invariavelmente pelas cordas e enriquecida por letras com um elevado sentido de humor e descontração, onde abundam descrições muito expressivas acerca da contemporaneidade americana, onde a dor, a saudade e os problemas típicos da juventude têm plano de destaque.

Foto de William Duke Presents.

Neste Quatro embarcamos numa viagem sonora inspirada e inspiradora, uma jornada que em pouco mais de meia hora nos permite pulsar em torno de uma expressão melancólica acústica que este artista norte americano sabe muito bem interpretar, na senda de alguns nomes que sustentam a melhor herança local deste universo sonoro tão peculiar e com raízes tão profundas. Assim, do extraordinário jogo de cordas que abastece Hotels And Meetings ao tremendo travo surf pop de Cue Up The Memories, passando pelo clima jovial e luminoso do single Caroline And The Silver Screen e pelo perfil nostálgico de Thank You, descobrimos ao longo do registo uma sonoridade simples, mas plena de expressividade e vida e que vai ampliando a nossa boa impressão acerca do autor, enquanto ele expôe todos os seus atributos para compôr telas sonoras com uma tonalidade algo cinza, mas plenas de sentimentos e emoções. A mais contemplativa e charmosa de As Good As It Gets é um bom exemplo deste nível apurado de abrangência, uma canção que acaba por enriquecer o elevado grau de ecletismo de um alinhamento que, recordando com particular nitidez alguns dos nossos clássicos preferidos que alimentaram os primordios do rock alternativo, acaba por ser também uma banda sonora perfeita para um verão que se quer descontraído e vivido com alegria e boa disposição.

Quatro é, em suma, um desfilar exuberante de sons que fluem livres de compromissos com uma estética própria, apenas com  o louvável intuíto de nos fazerem regressar ao passado e entregar-nos o que queremos ouvir: canções caseiras e perfumadas, a navegarem numa espécie de meio termo entre a pop, o rock clássico, o shoegaze e a psicadelia. Espero que aprecies a sugestão...

William Duke - Quatro

01. Caroline And The Silver Screen
02. Junk#2
03. Hotels And Meetings
04. Hotels End
05. Cue Up The Memories
06. As Good As It Gets
07. Complications#1
08. Thank You


autor stipe07 às 10:21
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quarta-feira, 4 de Julho de 2018

Tape Deck Mountain – Echo Chamber Blues

Travis Trevisan, Andy Gregg e Sully Kincaid são os Tape Deck Mountain, um trio norte americano que se divide entre Nashville, no Tenessee e São diego na Califórnia e que acaba de regressar aos discos com Echo Chamber Blues, nove canções misturadas por Andy Gregg, o baterista do grupo e assentes num indie rock de forte travo progressivo e de elevada bitola qualitativa.

Resultado de imagem para Tape Deck Mountain band

Os Tape Deck Mountain já andam nestas andanças há uma década, mas Echo Chamber Blues é apenas o terceiro disco da carreira do grupo. Estrearam-se em dois mil e nove com Ghost, quatro anos depois aprimoraram a fórmula da estreia com o excelente Sway e agora, cinco anos depois, neste Echo Chamber Blues, limam arestas e proporcionam ao ouvinte um caldeirão sonoro assente num shoegaze que, entre ambientes mais contemplativos e outros mais arrojados, não vive só do baixo e da guitarra (abastecida por onze pedais diferentes só neste disco), mas também da bateria, a tríade que a banda usa como canal privilegiado para comunicar conosco sobre temas como o amor e alguns distúrbios emocionais que o mesmo pode provocar, assim como alguns eventos marcantes da nossa história contemporânea.

Acaba por ser através duma combinação de improvisação arrebatadora e composição sublime, que temas como a imponente I Will Break You, a intrincada Morse Code, ou o sublime instrumental Bueu, nos permitem contemplar belíssimas improvisações melódicas, cheias de detalhes e sem grande excesso, num disco rematado por um belíssimo acabamento açucarado, fruto do excelente trabalho de produção do baterista da banda e pleno de potencial para criar em nós paisagens melancólicas que nos ajudam a emergir às profundezas das nossas memórias. Espero que aprecies a sugestão...

Tape Deck Mountain - Echo Chamber Blues

01. Is
02. Loopers Of Bushwick
03. Morse Code
04. Elephant
05. Bueu
06. I Will Break U
07. IQU
08. Halo
09. Locations


autor stipe07 às 21:44
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sexta-feira, 15 de Junho de 2018

Mating Ritual – Light Myself On Fire

Mating Ritual é o projeto a solo do músico californiano Ryan Marshall Lawhon, que tem a sua própria editora, a Smooth Jaws, através da qual acaba de editar Light Myself On Fire, o seu segundo registo de originais, álbum que sucede ao aclamado registo de estreia, intitulado How You Gonna Stop It?, lançado à cerca de um ano, também através da sua etiqueta.

Resultado de imagem para mating ritual ryan marshall

Mating Ritual é um artista de várias facetas, já que dentro de um espetro bem delimitado, o rock oitocentista, procura abraçar os diversos subgéneros de um espetro sonoro que está sempre muito presente no nosso imaginário e que é, nos dias de hoje, fonte de inspiração para imensos projetos, com origem, especialmente, do outro lado do atlântico. Logo a abrir o alinhamento de Light Myself On Fire, a excelente melodia do teclado e o swing das guitarras do tema homónimo e, depois, a imponência orquestral do edifício melódico que envolve U + Me Will Never Die, uma canção com um refrão avassalador, percebe-se que Ryan dá primazia a uma faceta algo sonhadora e romântica, que se aplaude e que é também fruto de uma produção cuidada que, nunca disfarçando a intensidade e o vigor elétrico, também demonstra uma atitude corajosa de querer evitar ao máximo que a limpidez e a capacidade de airplay radiofónico dos temas possam castrar a extraordinária capacidade criativa que o músico demonstra possuir, sempre com a objetiva direcionada para o universo sonoro já referido. Depois, a percurssão trememendamente intuitiva e ritmada de Heaven's Lonely e, ainda nesse tema, as guitarras efusiantes e diversificadas em termos de efeitos e o baixo imponente aliado a sintetizadores de elevado cariz retro, com efeitos que disparam em diferentes direções, além do timbre sintético na voz que dá a Ryan uma toada que tem tanto de sexy como de robótico, clarificam-nos, ao terceiro tema que este Light Myself On Fire é a banda sonora perfeita para uma odisseia espacial, congeminada algures no início da década de oitenta e do período aúreo do disco sound.

Assim, é verdade que ao longo do alinhamento do registo abundam os flashes de efeitos vários, mas é o indie rock quem mais ordena, feito com guitarras acomodadas em diversas camadas e melodias orelhudas que tanto nos levam, no caso de Stop Making Sense, para ambientes mais climáticos, mas com uma pinta de epicidade, como para aquela pop efusiante, expansiva, radiofónica e luminosa, exemplarmente retratada em Low Light, um verdadeiro e imenso hino indie rockA viagem interestelar continua em Spliting In Two e depois nas variações rítmicas de Monster e na encantadora tonalidade reflexiva de Lust + Commitment, o autor confere um ambiente ainda mais negro e místico ao disco, ampliando, assim, o seu cariz sonoro abrangente e múltiplo.

Em suma, ao segundo disco Mating Ritual continua a dar vida à fusão única que alimenta entre o talento musical que possui e a nostalgia que sente relativamente a um período musical que o terá marcado profundamente, propondo mais um punhado de canções que exploram a eletrónica e o indie rock de modo a serem simultaneamente abrangentes, versáteis e acessíveis ao grande público, sempre com as pistas de dança debaixo de olho. Espero que aprecies a sugestão...

Mating Ritual - Light Myself On Fire

01. Light Myself On Fire
02. U + Me Will Never Die
03. Heaven’s Lonely
04. Stop Making Sense
05. Low Light
06. Splitting In Two
07. Monster
08. Lust + Commitment
09. I Know So Much Less Than I Thought I Did


autor stipe07 às 10:37
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quarta-feira, 13 de Junho de 2018

Wooden Shjips – V.

Editado recentemente pela Thrill JockeyV. é o novo disco dos Wooden Shjips, uma banda natural de São Franscisco, na costa oeste dos Estados Unidos, que toca um rock de garagem influenciado pela psicadelia dos anos sessenta e o krautrock da década seguinte. V. sucede ao aclamado Back To Land, disco dos Wooden Shjips editado em 2013 e marca o regresso aos lançamentos discográficos de Ripley Johnson com os Wooden Shjips, um guru do rock psicadélico que também é cabeça de cartaz dos extraordinários Moon Duo, banda que partilha com Sanae Yamada. Quanto aos Wooden Shjips, neste grupo Ripley Johnson tem a companhia de Omar Ahsanuddin, Dusty Jermier e Nash Whalen.

Resultado de imagem para wooden shjips 2018

A sugestiva capa de V., representando de modo expressivo o título do registo e o ambiente colorido de uma espécie de utopia tropical, personifica, de modo feliz, o conteúdo de um registo que é uma verdadeira trip de rock psicadélico, algo que os Wooden Shjips fazem com mestria. Assim, e como convém a um projeto que aposta numa espécie de hipnose instrumental, escutam-se em V. guitarras, baterias e sintetizadores em catadupa, um arsenal instrumental que nos leva numa viagem lisérgica através do tempo, até há quase meio século, em completo transe e hipnose. Já agora, confesso que sempre admirei a capacidade que algumas bandas têm de construirem canções assentes numa multiplicidade de instrumentos e são imensos os casos divulgados e exaltados por cá. Como não podia deixar de ser, no caso dos Wooden Shjips a fórmula selecionada é muito simples e aquilo que sobressai acaba por ser a genialidade e a capacidade de execução de dois verdadeiros mestres do improviso psicadélico, uma estratégia que melodicamente, cria atmosferas nostálgicas e hipnotizantes capazes de nos transportar para uma outra galáxia, que terá muito de etéreo, mas também uma imensa aúrea crua e visceral e, como já foi referido, eminentemente sessentista.

Aliás, os Wooden Shjips são uma banda perfeita para nos recordar aquele som de protesto e incendiário que teve o seu auge na ressaca de Woodstock e que contém muitos dos pilares fundamentais que são ainda, meio século depois, a nossa contemporaneidade cultural. No fuzz constante da guitarra de Eclipse e no teclado que amiúde plana sobre a melodia de In The Fall percebe-se, com nitidez, como ainda é possível, várias décadas depois, este som ainda ser recriado com elevado grau de inedetismo e de acessibilidade, apesar de muitos projetos insistirem em servir-se dessa herança para criar instantes sonoros muitas vezes amorfos e  despidos não só de qualidade mas, principalmente, de um conceito que os justifique. Depois, nas cordas vibrantes e luminosas de Already Gone, para mim o momento maior deste caldo que é V. e no cósmico clima entorpecedor de Staring At The Sun e no travo hindu de Golden Flower, sentimos facilmente uma outra mais valia dos Wooden Shjips, a sua subtil capacidade para nos fazer deambular entre diferentes mundos, inclusive da própria da world music, uns com mais groove e outros mais relaxantes, sempre com o tal experimentalismo na linha da frente e sem se perderem em exageros desnecessários. Espero que aprecies a sugestão... 

Wooden Shjips - V.

01. Eclipse
02. In The Fall
03. Red Line
04. Already Gone
05. Staring At The Sun
06. Golden Flower
07. Ride On


autor stipe07 às 11:40
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...

eu...


more about...

Follow me...

. 52 seguidores

Powered by...

stipe07

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Parceria - Portal FB Headliner

Facebook

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Em escuta...

Twitter

Twitter

Blogs Portugal

Disco da semana

Maio 2019

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9

18

21
22
23
24
25

26
27
28
29
30
31


posts recentes

Cayucas – Real Life

Starflyer 59 – Young In M...

Damien Jurado – In The Sh...

Beck – Saw Lightning

Mating Ritual – U.N.I.

Cass McCombs – Tip Of The...

Wavves – Emo Christmas EP

Cloud Nothings – Last Bui...

The Dodos – Certainty Wav...

Milo Greene - Adult Conte...

Massage – Oh Boy

Milo Greene – Young At He...

Cloud Nothings – The Echo...

The Growlers – Casual Acq...

The Dodos - Forum

Ty Segall & White Fence -...

William Duke - Quatro

Tape Deck Mountain – Echo...

Mating Ritual – Light Mys...

Wooden Shjips – V.

We Are Scientists - Megap...

We Are Scientists – Your ...

First Aid Kit – Ruins

We Are Scientists – One I...

Calexico – The Thread Tha...

X-Files

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

take a look...

I Love...

Os melhores discos de 201...

Astronauts - Civil Engine...

SAPO Blogs

subscrever feeds