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We Are Scientists – You’ve Lost Your Shit

Terça-feira, 14.09.21

Três anos depois de Megaplex, os norte americanos We Are Scientists estão de regresso aos discos em dois mil e vinte e um com Huffy, o sétimo registo discográfico desta banda que teve as suas raízes na Califórnia, está atualmente sedeada em Nova Iorque e já leva dezassete anos de carreira, sendo liderada por Keith Murray e um dos nomes fundamentais do pós punk atual. Este novo trabalho dos We Are Scientists vai ver a luz do dia a oito de outubro próximo através da 100% Records.

We Are Scientists You've Lost Your Shit

Como certamente se recordam, primeiro single divulgado de Huffy, há algumas semanas atrás, foi Handshake Agreement, uma canção sobre o forte impacto que as redes sociais e os média têm no nosso dia a dia e no modo como ambos e a pandemia têm reduzido imenso o sempre necessário contacto social presencial que todos precisamos.

Agora, na reta final deste verão, chega a vez de conferirmos You've Lost Your Shit, composição com um irrepreensível travo hard punk, uma espiral sonora proporcionada por uma guitarra plena de fuzz e um registo percurssivo vibrante e frenético. O tema tem também já um vídeo bastante curioso que disserta sobre o mercado negro de órgãos, com o vocalista Keith Murray a acordar numa banheira cheia de gelo e com uma sutura no abdómen. Confere...

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publicado por stipe07 às 14:51

We Are Scientists – Handshake Agreement

Quinta-feira, 12.08.21

Três anos depois de Megaplex, os norte americanos We Are Scientists estão de regresso aos discos em dois mil e vinte e um com Huffy, o sétimo registo discográfico desta banda que teve as suas raízes na Califórnia, está atualmente sedeada em Nova Iorque e já leva dezassete anos de carreira, sendo liderada por Keith Murray e um dos nomes fundamentais do pós punk atual. Este novo trabalho dos We Are Scientists vai ver a luz do dia a oito de outubro próximo através da 100% Records.

We Are Scientists share new single 'Handshake Agreement'

Canção que se debruça sobre o forte impacto que as redes sociais e os média têm no nosso dia a dia e no modo como ambos e a pandemia têm reduzido imenso o sempre necessário contacto social presencial que todos precisamos,  Handshake Agreement é o novo single retirado do alinhamento de Huffy, uma canção que nos oferece um animado e irrepreensível travo noventista, em que surf punk e garage rock se confundem, sem apelo nem agravo, com astúcia e luminosidade, atingindo no âmago o habitual adn dos We Are Scientists. Confere...

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publicado por stipe07 às 14:07

Wavves – Hideaway

Segunda-feira, 19.07.21

Os californianos Wavves de Nathan Williams, uma das novas grandes apostas da Fat Possum Records, estão de regresso com Hideaway, o sétimo álbum deste grupo com praticamente década e meia de estrada e que, atingindo este marco temporal importante para bandas contemporâneas, angaria já uma certa maturidade em torno de si.

Wavves – 'Hideaway' review: their most original and varied work yet

Produzido por Dave Sitek, baterista e figura talismã responsável pelo sucesso dos TV On The Radio, mas também produtor de nomes como os Yeah Yeah Yeahs ou os Foals, Hideaway oferece-nos um animado alinhamento com um irrepreensível travo noventista, em que surf punk e garage rock se confundem, sem apelo nem agravo, com astúcia e luminosidade, atingindo no âmago o habitual adn dos Wavves, mas conferindo-lhe uma maior bitola qualitativa relativamente à componente melódica, demonstrando, desse modo, que Nathan Williams tem sabido, ao longo do tempo, aprimorar as suas qualidades interpretativas, sem se deixar contagiar por uma vertente mais pop e comercial, que é sempre tentadora para quem, abrindo o olhar para outros horizontes, acaba por ceder à radiofonia e à ditadura implacável do mercado.

De facto, as constantes mudanças ritmícas de Thru Hell, um majestoso exercício de surf rock, a virtuosidade estrutural do tema homónimo, a riqueza dos arranjos que definem a sagacidade de Help Is On The Way, a luminosidade singela de Honeycomb, mas que também tem têmpora, a heterogeneidade das cordas que cirandam por Sinking Feeling, tema que aborda a temática da depressão, ou o country-rock de The Blame, são exemplos quecomprovam a elevada riqueza melódica de um disco que olha para o modo como as canções podem seguir o seu rumo abarcando diversos espetros, não apenas através do modo como a bateria ou o baixo as acamam e as fazem pulsar, mas, principalmente, na maneira como as guitarras tomam as rédeas das mesmas, sem receio e com elevada personalidade.

Álbum com um curioso travo intemporal e eclético, Hideaway não deixa de transmitir sensações e ideias tipicamente juvenis, mas fá-lo com critério e bom gosto, explorando o vasto leque de possibilidades que o punk rock oferece a quem se predispõe, como é o caso, a não colocar entraves e limites na sua exploração. E quando tal acontece, o resultado final só pode ser um atestado de uma cada vez maior abrangência e ecletismo de uns Wavves que sempre tiveram fortes ligações ao universo punk, mas que têm piscado os olhos cada vez mais aquele rock que abre os braços a toda e qualquer possibilidade que possa surgir quando em estúdio não há conceitos estilisticos rigidamente balizados. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 13:40

Wavves – Help Is On The Way

Segunda-feira, 10.05.21

Conforme divulgámos há cerca de mês e meio, pouco mais de três anos após o lançamento de You're Welcome, um disco com a chancela da Ghost Ramp, os californianos Wavves de Nathan Williams assinaram pela Fat Possum Records e estão de regresso com aquele que será o sétimo álbum deste grupo com praticamente década e meia de estrada e que, atingindo este marco temporal importante para bandas contemporâneas, angaria já uma certa maturidade em torno de si. O alinhamento em questão intitula-se Hideaway e chegará aos escaparates a dezasseis de julho próximo.

Wavves lança “Help Is On The Way” e anuncia novo álbum “Hideaway”

Nessa altura, e como primeiro avanço dessse novo registo dos Wavves, demos conta do single Sinking Feeling, uma canção que aobrdava a temática da depressão e que contava com a produção de Dave Sitek, baterista e figura talismã responsável pelo sucesso dos TV On The Radio, mas também produtor de nomes como os Yeah Yeah Yeahs ou os Foals. Agora chega a vez de ouvirmos Help Is On The Way, o avanço mais recente divulgado de Hideaway, uma composição também produzida por Dave Sitek e que atinge no âmago o habitual surf punk contundente que define o adn dos Wavves. Confere Help Is On The Way e a tracklist de Hideaway...

01 “Thru Hell”
02 “Hideaway”
03 “Help Is On The Way”
04 “Sinking Feeling”
05 “Honeycomb”
06 “The Blame”
07 “Marine Life”
08 “Planting a Garden”
09 “Caviar”

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publicado por stipe07 às 17:58

Damien Jurado – Tom

Quarta-feira, 14.04.21

No próximo dia catorze de maio irá chegar aos escaparates The Monster Who Hated Pennsylvania, o novo trabalho do norte-americano Damien Jurado. Esse novo álbum do músico agora a viver em Los angeles, terá a chancela da Maraqopa Records e irá, certamente, voltar a justificar porque é que Damien Jurado é um dos nomes fundamentais da folk norte americana e um dos artistas que melhor tem sabido preservar algumas das caraterísticas mais genuínas de um cancioneiro que dá enorme protagonismo ao timbre acentuado e rugoso das cordas para dissertar crónicas sobre uma América profunda e muitas vezes oculta, não só para os estrangeiros, mas também para muitos nativos que desde sempre se habituaram à rotina e aos hábitos de algumas das metrópoles mais frenéticas e avançadas do mundo, construídas num país onde ainda é possível encontrar enormes pegadas de ancestralidade e que inspiram calorosamente este músico.

Damien Jurado shares new single 'Tom' | Folk Radio

Depois de há algumas semanas ter sido retirado do alinhamento de The Monster Who Hated Pennsylvania o single Helena, agora chega a vez de conferirmos Tom, uma canção algures entre a penumbra e a luz, carregada com um timbre simultaneamente revelador de inquietude e de serenidade único, em que as cordas assumem um protagonismo óbvio, mas deixam espaço para que arranjos de outras proveniências, debitados pelo multi-instrtumentista Josh Gordon, confiram à composição um arquétipo sonoro com uma sofisticação muito própria, rematada pelo habitual modo como este autor usa as palavras de modo a fazer fazer-nos passar a sensação que o ouvinte está a conversar com o autor e junto a si. Confere...

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publicado por stipe07 às 13:25

Sun Kil Moon – Welcome To Sparks, Nevada

Segunda-feira, 05.04.21

Sun Kil Moon é o projeto atual do cantor e compositor Mark Kozelek, que ficou conhecido por ter sido o líder dos carismáticos Red House Painters. Sun Kil Moon encontra então Kozelek ao volante de uma banda que se estreou em dois mil e três com o fabuloso disco Ghosts of the Great Highway, e que tem um novo trabalho intitulado Welcome To Sparks, gravado e misturado na primavera do ano passado nos estúdios Hyde Street Studios e Rancho Riviera, ambos em São Francisco, na Califórnia.

Sun Kil Moon Announces New Album Welcome to Sparks, Nevada for Fall 2020  Release - mxdwn Music

Com as participações especiais de Ted Piecka, Petra Haden, Mimi Parker, Chris Connolly e Ben Boye, Welcome To Sparks, Nevada afirma com subtil beleza a habitual sonoridade frágil e cândida deste projeto. E fá-lo através de um belíssimo compêndio de folk acústica onde a simplicidade melódica coexiste com uma densidade sonora suave que transborda, tema após tema, uma majestosa e luminosa melancolia.

Não é novidade para os seguidores mais atentos deste projeto a descrição sucinta feita no anterior parágrafo a este disco; No entanto, penso que será unânime entre os mesmos (um grupo no qual me incluo), que este é um dos discos mais intrincados e ricos da carreira do autor. De facto, em Welcome To Sparks, Nevada abundam canções encharcadas de detalhes riquíssimos; Logo em Welcome to Sparks ficamos boquiabertos com a exuberância e o dramatismo do piano, enquanto Mark disserta sobre uma viagem que fez em Nevada e um telefone público que o marcou em Sparks, localidade desse estado. Logo a partir dessa experiência ímpar e curiosa, optou por recontar outras histórias de telefones públicos que o marcaram na sua juventude, um aspeto habitual da narrativa de Mark. Depois, é impossível ficar indiferente ao misto de beleza e sombra que exala dos onze minutos de The Johnny Cash Trail, uma canção de amor profundo que nos oferece sensações algo inquietantes. Esse é um registo que se repete com ainda maior intensidade nos dezassete (?) minutos de William McGirt, canção que reflete o desgaste que o músico sente com as restrições da pandemia que vivemos e onde até o ouvimos reclamar, de forma simultaneamente estúpida e genial, durante dois longos minutos, sobre o modo como é atendido num restaurante, nomeadamente devido à utilização de... tigelas.

O disco prossegue e conferimos uma canção com um arquétipo sonoro mais ordinário, no sentido de normal, em Long Slow Spring, tema em que Mark reflete sobre a última primavera, quando o vírus nos atingiu e a maioria de nós teve que entrar em confinamento. Nela o autor menciona o que passou a sentir falta de fazer, nomeadamente tocar ao vivo ou visitar o seu pai. Depois, em Young Road Trips Mark volta ao tópico das viagens, neste caso as que fez quando era criança, regressando à pandemia e à quarentena em Lemon Balm, talvez a composição onde o registo vocal de Mark é mais intenso.

Até ao ocaso do disco, nas dissertações sobre uma visita a um barbeiro em Elk Grove, outro nome de uma localidade, esta em Sacramento, até á beleza das pequenas coisas que uma contemplação demorada da natureza nos pode proporcionar, em Morning Cherry, ou em Hugo, o relato de uma viagem que o autor fez a cidades da Califórnia, percebemos de modo bastante claro que Welcome Sparks, Nevada é, realmente, um belo disco, extremamente desafiador e com uma narrativa mais imprevisível do que nunca. Espero que aprecies a sugestão...

Sun Kil Moon - Welcome To Sparks, Nevada

01. Angela
02. Welcome To Sparks
03. The Johnny Cash Trail
04. William McGirt
05. Long Slow Spring
06. Young Road Trips
07. Lemon Balm
08. Elk Grove
09. Morning Cherry
10. Hugo

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publicado por stipe07 às 20:55

Wavves – Sinking Feeling

Quinta-feira, 01.04.21

Pouco mais de três anos após o lançamento de You're Welcome, um disco com a chancela da Ghost Ramp, os californianos Wavves de Nathan Williams assinaram pela Fat Possum Records e estão de regresso com uma nova canção intitulada Sinking Feeling, primeira amostra para aquele que será o sétimo álbum deste grupo com praticamente década e meia de estrada e que, atingindo este marco temporal importante para bandas contemporâneas, angaria já uma certa maturidade em torno de si.

Wavves lança primeira música desde 2017; Ouça "Sinking Feeling"

Sinking Feeling conta com a produção de Dave Sitek, baterista e figura talismã responsável pelo sucesso dos TV On The Radio, mas também produtor de nomes como os Yeah Yeah Yeahs ou os Foals e aborda a temática da depressão. Sonoramente, é um atestado de uma cada vez maior abrangência e ecletismo de uns Wavves que sempre tiveram fortes ligações ao universo punk, mas que têm piscado nos últimos trabalhos com superior assertividade o olho aquele rock imbuído de uma filosofia eminentemente pop, porque assenta em acordes simples e facilmente digeriveis, com refrões orelhudos e uma elevada intensidade melódica, caraterísticas bem presentes neste tema que também já tem direito a um vídeo realizado por Jesse Lirola, com direção fotográfica de David Vollrath e produção de Ali Dawe. Confere...

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publicado por stipe07 às 15:57

Baio – Dead Hand Control

Segunda-feira, 08.02.21

Foi à boleia da conceituada Glassnote que viu a luz do dia Dead Hand Control, o terceiro disco do catálogo de Chris Baio, baixista dos Vampire Weekend, mas que também tem apostado com inegável sucesso numa carreira a solo que navega com astúcia nas águas quentes de um indie rock sonorizado através de inspiradas e felizes interseções entre cordas imponentes e uma componente sintética geralmente bem vincada e onde os sintetizadores são reis. Este abraço é rematado por uma secção rítmica fluída, sendo estas as bases fundamentais num dos discos mais interessantes e apelativos deste arranque de dois mil e vinte e um.

Resultado de imagem para Baio Dead Hand Control

Gravado entre o 13 Studios em Londres, propriedade de Damon Albarn e o C+C Music Factory em Los Angeles, estúdio que fundou com o companheiro de banda Chris Tomson, Dead Hand Control é um descarado convite ao positivismo e à boa disposição, ingerdientes que todos precisamos como de pão para a boca neste período pandémico particularmente difícil. O tema homónimo do registo capta a sua essência e esclarece o ouvinte com notável requinte acerca do que o espera nos minutos seguintes, num portento de epicidade folk que faz juz a um dos ambientes sonoros prediletos de Baio, aquele que coloca as cordas bem no centro da ação. Depois, Endless Me, Endlessly, fecha o círculo ao olhar de modo guloso e anguloso para a pop sintetizada oitocentista, movida a néons e plumas, mas que também não descura um olhar em frente, ao abarcar detalhes e arranjos que definem muita da melhor eletrónica que se vai escutando atualmente.

A partir daí, são vários os exemplos do disco que refletem este cenário multicolorido e abrangente. Um dos mais inspirados é Take It From Me, composição em que um groove funk contagiante e sintetizações repletas de luminosidade nos transportam intuitivamente para a melhor herança que o mítico David Byrne imprimiu no catálogo mais inspirado da pop contemporânea. Depois merece também audição dedicada Caisse Noire, composição que impressiona não só pelo baixo pulsante, mas, principalmente, pelo efeito agudo sintetizado que deambula em redor dele e pelo modo como evoluem os restantes arranjos percussivos, num resultado final eloquente, algo etéreo e contemplativo e de elevada amplitude e luminosidade.

Todos estes ingredientes acabam por se repetir noutras canções, resultando num disco que faz uma espécie de mescla entre aquele rock contemporâneo que não precisa de rasgar para se impôr e o melhor retro e vintage que a pop contém na sua herança identitária e que teve a penúltima década do século passado como período mais feliz. O modo como o repetitivo refrão da lo fi Never Never Never abraça o céu e a terra sem se perceber onde termina e acaba essa copúla, ou o modo luxuriante como o baixo e o sintetizador se unem ao tom grave da voz em What Do You Say When I’m Not There?, aprofundam ainda mais a filosofia estilística deste Dead Head Control, um registo que induz no catálogo de Baio novas e inéditas matrizes, precisando por parte deste a sua singular definição da pop que, juntando rock e eletrónica, não renega o rico passado que o músico cresceu a ouvir, mas que em vez de manter em campos estanques, prefere conjugar, não como se fossem água e azeite, mas antes leite e café que, na dose certa, podem tocar-se, envolver-se, dissolver-se e emocionar-nos sem haver fronteiras claras, nessa simbiose, relativamente a cada um dos dois territórios referidos. Espero que aprecies a sugestão...

Baio - Dead Hand Control

01. Dead Hand Control
02. Endless Me, Endlessly
03. What Do You Say When I’m Not There?
04. Dead Hand
05. Take It From Me
06. Caisse Noir
07. Never Never Never
08. O.M.W.

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publicado por stipe07 às 15:10

Cayucas – Blue Summer

Segunda-feira, 07.12.20

Já está nos escaparates Blue Summer, o quarto disco da banda Cayucas, um projeto sedeado em Santa Mónica, na Califórnia e liderado pelos gémeos Zach e Ben. Blue Summer é mais um retrato feliz de uma Califórnia cheia de sol, praias e pessoas que vivem algo alienadas do mundo real, por mergulharem constantemente nas ondas salgadas de um pacífico que estabelece pontes com uma costa oeste cheia de oportunidades e todo aquele conforto que o capitalismo pode oferecer, com Hollywood a ser, de certo modo, o expoente máximo deste modo de viver tão exuberante e frenético.

Cayucas brings the perfect summer to the quarantined on “Malibu '79 Long” -  Grimy Goods

De facto, o ao quarto registo de originais, os irmãos Zach e Ben mantêm-se na senda de uma pop ensolarada. São oito canções que, tendo sempre o verão da costa oestye como grande força motriz, nos oferece diferentes experiências e sensações bastante impressas com detalhe nas mentes dos autores. Se em Malibu' 79 é a areia escaldante das praias da costa que banha o pacífico que é exaltada, já California Girl oferce-nos uma ode divertida aos sensuais biquinis que as preenchem. O receituário é homogéneo, num disco que vai fazendo-se de guitarras beliçosas e repletas de efeitos de forte pendor vintage, algumas linhas de piano insinuantes e uma bateria com aquele ritmo sessentista inconfundível, tudo acomodado por um baixo amiúde deslumbrante. Mesmo quando a acusticidade ganha a primazia, como nas cordas de Lonely Without You, e no twist de Red-Yellow Bonfire, há sempre um tempero rock ensolarado que persiste, com os Beach Boys à cabeça de uma trama influencial que é bastante específica e que está bem balizada.

Blue Summer é uma experiência divertida e nostálgica de um mundo diferente do nosso, visto pelos olhos de uma dupla que certamente procura, através da música, fazer refletir aquela luz que não se dispersa e que ilumina as suas memórias, sem serem demasiado complicados no momento de criar sons e melodias que revivem um passado feliz, fazendo-o com canções que fluem naturalmente e, em alguns momentos, transmissoras daquela felicidade incontrolável e contagiante que todos nós procuramos. Espero que aprecies a sugestão...

Cayucas - Blue Summer

01. Yeah Yeah Yeah
02. Malibu ’79 Long
03. California Girl
04. Lonely Without You
05. Red-Yellow Bonfire
06. From The Rafters
07. Champion Of The Beach
08. Summer Moon

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publicado por stipe07 às 15:45

EELS – Earth To Dora

Sexta-feira, 30.10.20

Dois anos depois do excelente registo The Deconstruction, os Eels de E. (Mark Oliver Everett), Kool G Murder e P-Boo regressam hoje mesmo aos lançamentos, no penúltimo dia de outubro deste ano em que se comemoram duas décadas da edição do belíssimo clássico do grupo Daisies Of The Galaxy. O décimo terceiro e novo disco dos Eels intitula-se Earth To Dora e foi gravado no estúdio da banda em Los Feliz, na Califórnia, tendo as sessões de composição e de gravação começado ainda antes do atual período pandémico.

Mark Everett Shares What Went Into Making EELS Latest, 'Earth to Dora'

Em pleno processo de restabelecimento de uma profunda crise de meia idade provocada por três décadas de intensa atividade musical, quase ininterrupta, que o fizeram atingir um profundo desgaste quer físico, quer emocional, levando-o a uma espiral depressiva que o fez perder a sua segunda esposa, uma senhora escocesa que lhe deu o seu primeiro filho em mil novecentos e dezassete, Mark Everett, que usa óculos desde que foi atingido por um laser num concerto dos The Who nos anos oitenta, viveu a sua vida sempre habituado a conviver com a tragédia na sua vida pessoal e a superar eventos nefastos. Tudo começou em mil novecentos e oitenta e dois com a morte por ataque cardíaco do pai, o famoso físico Hugh Everett,  na altura profundamente deprimido por nunca ter conseguido que a sua teoria sobre física quântica fosse aceite no meio científico. Década e meia depois aconteceu o suícidio da irmã Elizabeth em mil novecentos e noventa e seis e a partida da sua mãe, Nancy Everett, devido a um cancro, meses antes do lançamento do espetacular registo Electro-Shock Blues, (1998), disco que se debruça de modo particularemtne impressivo sobre esta espiral de eventos marcantes da vida de Mr E., que ainda teve mais um capítulo no onze de setembro de dois mil e um qundo num dos aviões que foi desviado contra o Pentágono seguia a sua prima Jennifer Lewis Gore.

Earth To Dora marca não só o regresso de Mark Everett à vida ativa na profissão que escolheu e com uma clarividência ímpar, depois da sua própria quarentena, mas também funciona, tendo em conta o conteúdo das doze canções que compôem o seu alinhamento, como um atestado da sua alta clínica, o documento sonoro que confirma o seu regresso em pleno e completamente revigorado ao universo da escrita e composição de canções que, por sinal e como é sabido por todos, são sempre intensamente pessoais e profundas, tratando de temas como a morte, transtornos mentais, a solidão e o amor. O clima geral deste trabalho e o adn lírico do mesmo não fogem, de certa forma, a esta permissa mas, na minha opinião, é um facto que os Eels não lançavam um álbum tão luminoso e otimista desde o já referido Daisies Of The Galaxy.

De facto, se Mr E. gosta de surpreender e consegue sobreviver no universo indie rock devido à forma como tem sabido adaptar os Eels às transformações musicais que vão surgindo no universo alternativo sem que haja uma perca de identidade na conduta sonora do grupo, Earth To Dora mantém-no, nesse aspecto, num nível muitíssimo acima da simples tona da água, tal é o grau qualitativo sentimental deste registo, que instrumentalmente é intenso e melodicamente orelhudo. Tal sucede porque o disco assenta num formato eminentemente pop rock lo fi de elevado travo blues, um clima geral ditado pela orgânica distorção metálica da guitarra e dos arranjos das teclas e de outras cordas, como violinos ou o banjo, de forte índole melancolica e introspetiva, um efeito ampliado por uma percurssão sempre bastante aditiva. Enquanto isso, canção após canção, somos presenteados com belíssimos poemas, quase todos sobre o amor e as múltiplas facetas que ele pode ter, desde o irónico ao depressivo, passando pelo falso e o mais puro e genuíno, sempre com o seu último casamento muito presente e tudo aquilo que de revigorante e nefasto lhe ofereceu enquanto durou e que ficou para smepre carimbado no músico com a descendência que dele resultou (I learned the hard way to be prepared and given the options, I’d rather be alone).

O timbre vocal inédito de Everett é o remate final de um registo que no rock colegial de The Gentle Souls, no clima blues faustoso de Are You Fucking Your Ex, na íntimidade despojada de Dark And Dramatic ou na destreza folk de Baby Let’s Make It Real, prova que merece fazer parte do pódio dos melhores álbuns de uma vasta e gloriosa carreira de um dos melhores e mais peculiares grupos de rock alternativo da nossa contemporaneidade. Espero que aprecies a sugestão...

EELS - Are We Alright Again

01. Anything For Boo
02. Are We Alright Again
03. Who You Say You Are
04. Earth To Dora
05. Dark And Dramatic
06. Are You Fucking Your Ex
07. The Gentle Souls
08. Of Unsent Letters
09. I Got Hurt
10. OK
11. Baby Let’s Make It Real
12. Waking Up

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publicado por stipe07 às 15:58






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