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Fontaines D.C. – Televised Mind

Quarta-feira, 01.07.20

Um dos discos mais aguardados em dois mil e vinte é, claramente, o novo trabalho dos irlandeses Fontaines D.C., uma das bandas mais excitantes do indie rock atual, um registo intitulado A Hero's Death e que será o segundo da banda de Dublin formada por Carlos O'Connell, Conor Curley, Conor Deegan III, Grian Chatten e Tom Coll, sucedendo ao espetacular registo de estreia do grupo, intitulado Dogrel, lançado o ano passado.

Produzido por Dan Carey, A Hero's Death irá ver a luz do dia no ocaso dia do próximo mês de julho pela Partisan Records e a semana passada, como certamente se recordam, foi destaque neste espaço o single homónimo e o tema I Don't Belong, duas amostras que fizeram por cá adivinhar, desde logo, um disco com onze enraivecidas canções, assentes num punk rock de elevado calibre e com uma forte toada abrasiva, como se exige a um projeto que sempre se fez notar, desde dois mil e dezassete, por uma filosofia estilística de choque com convenções e normas pré-estabelecidas.

Televised Mind, a nova canção que veio a público nas últimas horas do alinhamento de A Hero's Death, confirma e reforça tais impressões. A canção, com o adn típico dos Fontaines D.C., é um convite direto à dança e ao movimento, apelo assente em guitarras combativas e um registo percussivo vibrante e claramente marcado, tema que, de acordo com vocalista dos Fontaines D.C., Grian Chatten, reflete sobre a câmara de eco e como a personalidade é arrancada pela aprovação circundante. As opiniões das pessoas são reforçadas por um acordo constante e somos roubados da nossa capacidade de nos sentirmos errados. Nunca recebemos realmente a educação de nossa própria falibilidade. As pessoas fingem estas grandes crenças para parecerem modernas, em vez de chegarem independentemente aos seus próprios pensamentos.

Numa época do vale tudo, custe o que custar e seja contra quem for, os Fontaines D.C. parecem mais uma vez apostados em fazer mossa e agitar as mentes mais desprevenidas e incautas com composições plenas de chama nas veias e com um travo nostálgico em que a herança de nomes como os The Clash e os Ramones,  mas também os Suicide, os Nirvana e os The Beach Boys, se fazem notar com elevado grau de impressionismo. Confere...

Fontaines D.C. - Televised Mind

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publicado por stipe07 às 11:15

Courteeners – More. Again. Forever.

Quinta-feira, 23.04.20

Os britânicos Courteeners de Liam Fray estão de regresso aos discos com More. Again. Forever., o sexto álbum da carreira deste projeto oriundo de Middleton, nos arredores de Manchester e sucessor do aclamado registo Mapping The Rendezvous de 2016More. Again. Forever. viu a luz do dia no início do ano à boleia da Ignition Records e Better Man e as dez canções do seu alinhamento oferecem-nos, no seu todo, o registo mais maduro e consistente da trajetória discográfica deste projeto natural de terras de Sua Majestade.

The Courteeners — More. Again. Forever. - You! Me! Dancing! - Medium

A crise da meia idade, a adição aos álcool e as doenças mentais são os temas basilares de More. Again. Forever., um disco incubado por uma das bandas mais proeminentes do outro lado do Canal da Mancha e comercialmente das mais bem sucedidas na última década, nem tanto devido à quantidade de discos vendidos mas, principalmente, por causa da excelente reputação que posssuem como banda ao vivo. E nestas dez canções existem vários temas repletos de potencial para aumentarem ainda mais este estatuto de alto nível de live band de um grupo que olha com intensa gula para a herança da brit pop que nomes como os Blur, os Oasis, os Suede, os Primal Scream, os Pulp e tantos outros levaram ao mundo inteiro na última década do século passado, mas com um travo cada vez mais indie e repleto de nuances típicas do rock alternativo norte-americano.

De facto, se Better Man é um delicioso instante de indie brit rock, que numa espécie de cruzamento assertivo entrer as melhores heranças de nomes ímpares como os The Smiths ou os Doves, nos oferece, à boleia de cordas efusivas e uma percurssão vibrante, uma contundente reflexão pessoal, já a guitarra abrasiva e efusiante de Heart Attack e os acordes sujos de Take It On A Chin piscam o olho ao melhor punk rock nova iorquino e Heavy Jacket tem, no groove melódico e na vastidão de efeitos que cirandam pelo baixo e pela bateria, um clima dançante e vibrante capaz de medir forças com as melhores propostas de cariz lo fi de terras de Tio Sam. Por outro lado, o clima mais radiofónico e contemplativo de canções como Hanging Off Your CloudOne Day At A Time, convidam-nos a embarcar num tempero pop mais límpido e intimista, sem deixarem de ser canções capazes de fazer vibrar arenas, muito por causa das distorções hipnóticas que são incorporadas nos refrões, com o propósito evidente de ampliar o grau de emoção e de sentimentalismo da mensagem que os temas pretendem transmitir.

Disco feito de referências bem estabelecidas e com uma arquitetura musical carregada de emoção e cor, More. Again. Forever. garante a esta banda inglesa a impressão firme da sua sonoridade típica e ainda lhes permite margem de manobra para futuras experimentações. Há neste cardápio sonoro uma intemporalidade que se expressa na forma como os Courteeners plasmam, com elevada dose de criatividade, o que de melhor recria atualmente o rock alternativo de cariz mais comercial. Espero que aprecies a sugestão...

Courteeners - More. Again. Forever.

01. Heart Attack
02. Heavy Jacket
03. More. Again. Forever.
04. Better Man
05. Hanging Off Your Cloud
06. Previous Parties
07. The Joy Of Missing Out
08. One Day At A Time
09. Take It On the Chin
10. Is Heaven Even Worth It?

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publicado por stipe07 às 21:40

Courteeners – Better Man

Segunda-feira, 09.12.19

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Os britânicos Courteeners de Liam Fray estão prestes a regressar aos discos com More. Again. Forever., o sexto álbum da carreira deste projeto oriundo de Middleton, nos arredores de Manchester e sucessor do aclamado registo Mapping The Rendezvous de 2016More. Again. Forever., irá ver a luz do dia a dezassete de janeiro próximo à boleia da Ignition Records e Better Man é o mais recente single divulgado do seu alinhamento.

Better Man é um delicioso instante de indie brit rock, que numa espécie de cruzamento assertivo entrer as melhores heranças de nomes ímpares como os The Smiths ou os Doves, nos oferece, à boleia de cordas efusivas e uma percurssão vibrante, uma contundente reflexão pessoal, incubada por uma das bandas mais queridas dos cenário indie de terras de sua majestade e que deverá ter em More. Again. Forever., o alinhamento mais maduro e consistente da sua trajetória discográfica. Confere...

Courteeners - Better Man

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publicado por stipe07 às 15:49

Bat For Lashes - Lost Girls

Sexta-feira, 13.09.19

Já chegou aos escaparates Lost Girls, uma espécie de banda sonora de um filme retro centrado numa personagem chamada Nikki Pink, que vive numa Los Angeles alternativa à que conhecemos e que lidera um gangue velocipédico exclusivamente feminino dessa cidade. A autoria de tão curiosa obre é do projeto britânico Bat For Lashes, viu a luz do dia através da AWAL Recordings e sucede ao enigmático e melancólico registo The Bride, editado há cerca de três anos.

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São batidas sintéticas bem vincadas, um baixo encorpado, uma guitarra planante e uma vasta miríade de efeitos cósmicos, que nos fazem perceber, quase sem hesitação, o ideário estético desta nova coleção de canções de um extraordinário projeto que Natasha Khan, uma artista, cantora e compositora oriunda de Brighton, lidera, com notável bom gosto, há pouco mais de uma década. Num resultado final vincadamente oitocentista, Lost Girls escreve uma sentida carta de amor aquele glorioso universo synth pop sci-fi que brilhou esplendorosamente quando eramos miúdos e de certo modo nos moldou, enquanto faz uma súmula interessante e bem idealizada de todo o conteúdo que sustentou a eletrónica nos últimos trinta a quarenta anos. Tal é conseguido com elevado realismo atráves de canções pop bem estruturadas, devidamente adocicadas com arranjos bem conseguidos e que não dispensam a vertente orgânica conferida pelas cordas e pela percussão, tudo envolto com a pulsão rítmica que carateriza a personalidade de Bat For Lashes, que criou neste álbum mais um alinhamento consistente e carregado de referências assertivas e que, diga-se em abono da verdade, tem passado grande parte da sua carreira a olhar sonoramente para o passado, até porque o legado de veteranas do calibre de Kate Bush ou Stevie Nicks são referências declaradas de Natasha.

Canções como Kids In The Dark, uma crónica impressiva e romântica da cidade que nunca dorme e que, como já referi, é nevrálgica no conteúdo do trabalho, os arranjos impregnados de nostalgia e com uma forte vibe atmosférica impressa nas interseções vocais, de The Hunger, as sintetizações dançantes de Feel For You e a doce sedutora melancolia que exala de Mountains e Jasmine acabam por ser sóbrios reveladores do claro charme e misticismo de um disco intimista e que prova a meritória capacidade que este projeto Bat For Lashes tem de se reinventar constantemente num nicho sonoro saturado de propostas e referências. Espero que aprecies a sugestão...

Bat For Lashes - Lost Girls

01. Kids In The Dark
02. The Hunger
03. Feel For You
04. Desert Man
05. Jasmine
06. Vampires
07. So Good
08. Safe Tonight
09. Peach Sky
10. Mountain

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Liam Gallagher – One Of Us

Quarta-feira, 21.08.19

Liam Gallagher - One Of Us

O ideário sonoro dos gloriosos anos noventa está ainda bem presentes entre nós após duas décadas desse período aúreo de movimentos musicais incríveis como a britpop que, do lado de cá do atlântico, fez na altura frente ao grunge e ao indie rock norte americano, num período temporal que massificou definitivamente o acesso global à música. E os Oasis foram um dos nomes fundamentais da arte musical em Terras de Sua Majestade nessa época, liderados pelos irmãos Gallagher que continuam a fazer questão de alimentar uma relação lendariamente conturbada. E agora fazem-no através das suas carreiras a solo, com ambos a editarem discos em catadupa em nome próprio, nomeamente Liam, o mais novo, que se estreou no ocaso de dois mil e dezassete com o seu registo As You Were. Esse compêndio de doze canções que deveu também parte do seu cunho identitário a Greg Kurstin, produtor que além de ter salvo a carreira dos Foo Fighters, também ajudou a impulsionar nomes como Sia ou Adele e a Dan Grech-Marguerat, que tem nomes como Lana Del Rey ou os The Vaccines no seu currículo, já tem finalmente sucessor, um álbum intitulado Why Me? Why Not., com data prevista de lançamento para vinte de setembro próximo.

Canção sobre a amizade, a família e o sentimento de ertença e com as participações especiais de Gene, filho de Liam, no bongo e Nick Zimmer, guitarrista dos Yeah Yeah Yeahs, One Of Us é o mais recente single divulgado de Why Me? Why Not., uma composição de forte pendor nostálgico e em cujo conteúdo se percebe que o mais novo dos manos Gallagher mantém intacto o modo emotivo como replica algumas das marcas identitárias do indie rock que povoa o nosso subconsciente e que forjaram parte importante da história da música dos finais do século passado. Nesta canção, a luminosidade do timbre das cordas e os diversos arranjos que confererem corpo e emotividade ao tema, assim como o coro gospel, transportam consigo muita dessa herança, mas com um espírito renovado e mais contemporâneo. Confere...

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publicado por stipe07 às 18:11

Bat For Lashes – Feel For You

Domingo, 04.08.19

Bat For Lashes - Feel For You

Será a seis de setembro que irá chegar aos escaparates Lost Girls, o novo registo de originais do projeto britânico Bat For Lashes, um álbum já com alguns singles divulgados e que nos fazem perceber, quase sem hesitação, o ideário estético desta nova coleção de canções de um extraordinário projeto que Natasha Khan, uma artista, cantora e compositora oriunda de Brighton, lidera, com notável bom gosto, há pouco mais de uma década.

Lost Girls pretende ser uma espécie de banda sonora de um filme retro centrado numa personagem chamada Nikki Pink, que vive numa Los Angeles alternativa à que conhecemos e que lidera um gangue velocipédico exclusivamente feminino dessa cidade. O disco sucederá ao enigmático e melancólico registo The Bride, editado há cerca de três anos e irá ver a luz do dia através da AWAL Recordings. Feel For You é o mais recente tema divulgado da tal fornada de composições já revelada de Lost Girls, uma canção assente numa batida sintética bem vincada, um baixo encorpado, uma guitarra planante e uma vasta miríade de efeitos cósmicos, num resultado final vincadamente oitocentista. Confere...

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publicado por stipe07 às 19:29

Peter Perrett – Humanworld

Quarta-feira, 17.07.19

Já chegou aos escaparates Humanworld, o segundo registo de originais da carreira a solo do mítico artista Peter Perrett, antigo vocalista dos The Only Ones, banda que também ajudou a fundar e que acabou por ter um papel preponderante durante o auge da cena punk/new wave britânica, entre os anos setenta e oitenta do século passado. Sucessor do aclamado How The West Was Won, editado em dois mil e dezassete, Humanworld tem a chancela da Domino Records, numa carreira a solo que também funciona como um elíxir terapêutico de excelência após um complicado período de adições psicotrópicas, algo bem percetível num alinhamento em que Perrett volta a dissertar sobre o amor a e política com o habitual sarcasmo que carateriza esta personagem ímpar do cenário musical alternativo britânico.

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Texturalmente e sonicamente rico, urgente e conciso, Humanworld escorre de rajada (doze temas dividios por cerca de trinta e cinco minutos) e com uma leveza algo intrigante, porque se as canções têm um forte cariz radiofónico e uma altivez pop indesmentível, também possuem uma aúrea de mistério e consistência capazes de deixar o ouvinte a refletir sobre o seu conteúdo. Logo a abrir, em I Want Your Dreams, se nas interseções entre baixo e sintetizadores, que são depois abafadas por uma guitarra exuberante, Peter Perret reinvindica os nossos sonhos e quer deles apropriar-se de um modo tipicamente vampiresco e se na pop cósmica de Once Is Enough o músico mantém essa toada altiva e até algo desafiante, aprimorada um pouco adiante no travo punk libidinoso de Believe In Nothing, já no manto de acusticidade tipicamente brit de Heavenly Day o músico começa a mostrar uma faceta mais sentimental e até ternurenta, que depois se aprimora e atinge os píncaros daquela irecusável nostalgia que a todos toca em The Power Is In You, uma majestosa composição em que não faltam violinos e uma vasta panóplia de efeitos ecoantes, detalhes que ajudam o ouvinte a sentir-se ainda mais embalado e seduzido.

É nesta contínua dicotomia entre a vontade de querer dominar o ouvinte e tomar posse de todo o seu eu, mas também ser embalado e entendido por ele, que Peter Perrett conduz um bom disco de indie pop rock, feito da mais pura estirpe de terras de Sua Majestade e que, apesar de piscar o olho a heranças diretas do pós punk e onde não faltam também vias sonoras abertas para o pop rock, a new wave e o grunge, define-se sonoramente pelo modo como faz exalar um intenso charme da agregação de todos estes subgéneros, uma combinação conseguida com superior sentido criativo e à boleia de uma vontade expressa de procurar diferentes ritmos e abordagens instrumentais, sempre com considerável dose de loucura, divertimento e inegável boa disposição e anormalidade. Espero que aprecies a sugestão...

Peter Perrett - Humanworld

01. I Want Your Dreams
02. Once Is Enough
03. Heavenly Day
04. Love Comes On Silent Feet
05. The Power Is In You
06. Believe In Nothing
07. War Plan Red
08. 48 Crash
09. Walking In Berlin
10. Love’s Inferno
11. Master Of Destruction
12. Carousel

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Steve Mason - About The Light 

Quinta-feira, 31.01.19

O escocês Steve Mason esteve recentemente ocupado com a reedição em vinil do catálogo dos seus Beta Band, mas está novamente focado na sua carreira a solo, à boleia de About The Light, o quarto registo de originais do seu cardápio. Gravado em vários estúdios de Londres e Brighton, com a ajuda do mítico Stephen Street, que trabalhou com os Blur e os The Smiths, About The Light viu a luz do dia a dezoito de janeiro último e sucede aos aclamados trabalhos Boys Outside (2010), Monkey Minds In The Devil’s Time (2013) e o antecessor Meet The Humans (2016).

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Steve Mason parece estar destinado a tornar-se numa figura de culto do cenário indie britânico. Tal como muitos parceiros de luta muitas vezes catalogados de egocêntricos, foi-lhe diagnosticado em tempos um síndrome de distúrbio mental, que tem tentado contrariar desde o surpreendente registo Boys Outside, de dois mil e dez. Nesse álbum Mason fez uma espécie de mea culpa acerca da necessidade que foi sentido, ao longo da sua vida, de vestir uma determinada capa perante o grande público e nele, além de debruçar-se, com particular clarividência, sobre essa questão em concreto, também o faz, imagine-se, sobre a realidade política dessa época, no fundo uma estratégia igual a tantas outras, mas eficaz, de aproximação ao público e de quebrar barreiras. O passo seguinte deste exercício de exorcização e de busca de uma normalidade quotidiana deu-se há dois anos, durante o processo de gravação de Meet the Humans. Durante a escrita desse álbum Mason deixou de vez o seu refúgio escocês em Fife, numa zona florestal e mudou-se para a urbanidade de Brighton, em Inglaterra, onde encontrou parceira e enfrentou, inesperadamente, a dura mas feliz batalha da paternidade.

A nova realidade pessoal, mais feliz, estável e adulta de Mason, acaba por se refletir no conteúdo de About The Light, o seu Brighton Album, como o músico também gosta de o intitular, um disco que sonoramente coloca as fichas na melhor herança da britpop noventista e que mostra um som eminentemente experimental, como é suposto tendo em conta o adn deste músico, mas claramente mais acessível que o universo sonoro algo intrincado e frequentemente sofisticado dos Beta Band.  De facto, temas como o single Walking Away From Love, canção com uma sonoridade bastante efusiva e radiofónica, cimentada num rock melodicamente aditivo e assente em cordas exuberantes e a acusticidade charmosa das cordas e dos metais de America Is Your Boyfriend, dão este cunho muito british ao conteúdo de About The Light. Mas depois,a toada melódica de Rocket, canção sobre o tal problema mental do músico, mas que mostra um Mason confiante sobre o seu eu e a toada blues do piano que conduz o tema homónimo, oferecem-nos um artista sem medo do óbvio, ou seja, além de serem canções que plasmam a filosofia interpretativa de um músico que mostra a sua maturidade sem tentar inventar de novo a roda, são o espelho fiel de alguém que dá um passo seguro em frente na sua já longa e respeitável carreira porque renova, potencia e embeleza o seu modus operandi, canalizando o momento positivo pessoal que vive para a felicidade que sente em compôr de modo simples e direto, mas também, bonito, confidente e gentil. Espero que aprecies a sugestão...

Steve Mason - About The Light

01. America Is Your Boyfriend
02. Rocket
03. No Clue
04. About The Light
05. Fox On The Rooftop
06. Stars Around My Heart
07. Spanish Brigade
08. Don’t Know Where
09. Walking Away From Love
10. The End

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Steve Mason – Walking Away From Love

Terça-feira, 11.12.18

Steve Mason - Walking Away From Love

O escocês Steve Mason esteve recentemente ocupado com a reedição em vinil do catálogo dos seus Beta Band, mas está novamente focado na sua carreira a solo. Assim, acaba de divulgar o tema Walking Away From Love, mais uma composição do alinhamento de About The Light, o seu quarto registo de originais. Gravado em vários estúdios de Londres e Brighton, com a ajuda de Stephen Street, About The Light vai ver a luz do dia a dezoito de janeiro próximo e sucede aos aclamados registos Boys Outside (2010), Monkey Minds In The Devil’s Time (2013) e o antecessor Meet The Humans (2016).

Com uma sonoridade bastante efusiva e radiofónica, cimentada num rock que replica alguns dos traços identitários da vibrante herança brit, sempre melodicamente aditiva e assente em cordas exuberantes, Walking Away From Love, faz adivinhar um disco com uma dose divertida de experimentalismo e que continuará a colocar nas luzes da ribalta este nome influente do cenário indie britânico contemporâneo. Confere...

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publicado por stipe07 às 14:39

Confidence Man - Confident Music For Confident People

Quarta-feira, 08.08.18

Foi a insuspeita Amplifire em parceria com a Heavenly Recordings quem teve a honra de colocar nos escaparates Confident Music For Confident People, o álbum de estreia de Confidence Man, um projeto sedeado em Melbourne, na Austrália e que está a dar muito que falar neste verão, sendo considerada uma das bandas mais desinibidas e dançantes que surgiu no universo sonoro indie e alternativo em dois mil e dezoito. Com uma abordagem animada e charmosa ao universo sonoro feito com aquele rock convincente que se mistura com uma eletrónica de apurado faro relativamente às tendências mais contemporâneas e que têm colocado em ponto de mira alguns dos melhores tiques da pop das últimas duas décadas do século passado, este é um disco cheio de groove, um trabalho discográfico perfeito para criar um ambiente festivo único e inédito tendo em conta o som que vai predominando nas pistas de dança atuais.

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Logo no clima incisivo e luminoso da batida e das nuances rítmicas e vocais de Try Your Luck fica expressa a sonoridade típica de um disco assente numa pafernália de instrumentos eletrónicos bastante heterogénea e peculiar. Os sintetizadores repletos de efeitos cósmicos e as baterias eletrónicas que debitam uma pafernália alargada de timbres, possibilitam-nos dançar de modo acelerado e enérgico em diversos universos míticos que marcam a história mais recente da música de dança. Por exemplo, se o clima punk de Don't You Know I'm In A Band consegue fazer-nos viajar até ao underground nova iorquino de dois mil e uns pozinhos e C.O.O.L. Party aos subúrbios de Brooklyn em plenos anos noventa, já o piano de Catch My Breath suspira por uma remistura efusiva no catálogo de Fatboy Slim, com Out Of The Window a levar-nos até à herança que resultou da onda de Manchester, liderada, no auge, pelos Primal Scream e Fascination a acentuar esse olhar anguloso sobre alguns dos melhores atributos que foram deixados pela britpop de pendor mais psicadélico há umas duas décadas atrás.

As canções de Confident Music For Confident People são, sem dúvida, uma imensa lufada de ar fresco no panorama musical do chamado eletropunk atual. Além de entrarem facilmente no goto e nas ancas chegam para semear discórdia e inquietar os nossos ouvidos. Os Confidence Man disparam ao longo das onze canções do alinhamento do registo, os seus gostos musicais em várias direcções, fazendo-o sem preconceitos nem compromissos, numa mistura explosiva de energia, audácia, irreverência e atitude, salpicada com a indispensável qualidade melódica e uma interessante dose de acessibilidade, dizendo-nos sem qualquer pudor que as pistas de dança podem também ser a salvação e um excelente remédio para muitos dos nossos problemas. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 15:12






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