Quarta-feira, 8 de Agosto de 2018

Confidence Man - Confident Music For Confident People

Foi a insuspeita Amplifire em parceria com a Heavenly Recordings quem teve a honra de colocar nos escaparates Confident Music For Confident People, o álbum de estreia de Confidence Man, um projeto sedeado em Melbourne, na Austrália e que está a dar muito que falar neste verão, sendo considerada uma das bandas mais desinibidas e dançantes que surgiu no universo sonoro indie e alternativo em dois mil e dezoito. Com uma abordagem animada e charmosa ao universo sonoro feito com aquele rock convincente que se mistura com uma eletrónica de apurado faro relativamente às tendências mais contemporâneas e que têm colocado em ponto de mira alguns dos melhores tiques da pop das últimas duas décadas do século passado, este é um disco cheio de groove, um trabalho discográfico perfeito para criar um ambiente festivo único e inédito tendo em conta o som que vai predominando nas pistas de dança atuais.

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Logo no clima incisivo e luminoso da batida e das nuances rítmicas e vocais de Try Your Luck fica expressa a sonoridade típica de um disco assente numa pafernália de instrumentos eletrónicos bastante heterogénea e peculiar. Os sintetizadores repletos de efeitos cósmicos e as baterias eletrónicas que debitam uma pafernália alargada de timbres, possibilitam-nos dançar de modo acelerado e enérgico em diversos universos míticos que marcam a história mais recente da música de dança. Por exemplo, se o clima punk de Don't You Know I'm In A Band consegue fazer-nos viajar até ao underground nova iorquino de dois mil e uns pozinhos e C.O.O.L. Party aos subúrbios de Brooklyn em plenos anos noventa, já o piano de Catch My Breath suspira por uma remistura efusiva no catálogo de Fatboy Slim, com Out Of The Window a levar-nos até à herança que resultou da onda de Manchester, liderada, no auge, pelos Primal Scream e Fascination a acentuar esse olhar anguloso sobre alguns dos melhores atributos que foram deixados pela britpop de pendor mais psicadélico há umas duas décadas atrás.

As canções de Confident Music For Confident People são, sem dúvida, uma imensa lufada de ar fresco no panorama musical do chamado eletropunk atual. Além de entrarem facilmente no goto e nas ancas chegam para semear discórdia e inquietar os nossos ouvidos. Os Confidence Man disparam ao longo das onze canções do alinhamento do registo, os seus gostos musicais em várias direcções, fazendo-o sem preconceitos nem compromissos, numa mistura explosiva de energia, audácia, irreverência e atitude, salpicada com a indispensável qualidade melódica e uma interessante dose de acessibilidade, dizendo-nos sem qualquer pudor que as pistas de dança podem também ser a salvação e um excelente remédio para muitos dos nossos problemas. Espero que aprecies a sugestão...

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autor stipe07 às 15:12
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Quarta-feira, 1 de Agosto de 2018

Simon Love - Not If I See You First

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Três anos depois de se estreado nos discos com o muito apetecível registo pop It Seemed Like A Good Idea At The Time, o britânico Simon Love regressa em setembro aos lançamentos discográficos com Sincerely, S. Love X, dez canções abrigadas à sombra da Tapete Records e das quais acaba de ser retirado o single Not If I See You First, tema conduzido por um efusivo piano, adornado por cordas e sopros, nomeadamente trompetes e com muitos outros dos melhores ingredientes da mais genuina herança da brit pop. A canção encerra o alinhamento do álbum e também já teve direito a um vídeo de promoção.

Sincerely, S. Love x apresenta dez excelentes temas gravado nos últimos dois anos em Londres e o disco, de acordo com o press release do lançamento, evoca imagens do vídeo de Run DMC/ Aerosmith "Walk This Way". A Fruitgum Company de 1910 estaria a ensaiar num dos lados da parede e The Left Banke no outro. Quando a parede entre as duas bandas se desmoronar, o Elton John pode aparecer para ver de que se trata todo o alarido. Ele vê um piano de cauda branco e junta-se. Depois abrem algumas garrafas de Cola e ouvem The Rutles ou 7 polegadas da Stiff Records. E já que estão todos no mesmo lugar, gravam algumas músicas juntos. A última palavra vai para o próprio Simon: Please, buy the álbum, my son eats like a horse and he need new shoes. Sincerely, Simon Love. Confere...


autor stipe07 às 10:05
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Segunda-feira, 27 de Novembro de 2017

Noel Gallagher’s High Flying Birds – Who Built The Moon?

O ideário sonoro dos gloriosos anos noventa está ainda bem presente entre nós após duas décadas desse período aúreo de movimentos musicais incríveis como a britpop que, do lado de cá do atlântico, fez na altura frente ao grunge e ao indie rock norte americano, num período temporal que massificou definitivamente o acesso global à música. E os Oasis foram um dos nomes fundamentais da arte musical em terras de Sua Majestade nessa época, liderados pelos irmãos Gallagher que continuam a fazer questão de alimentar uma relação lendariamente conturbada. E agora fazem-no através das suas carreiras a solo, com ambos a editarem discos em nome próprio no ocaso de 2017. O primeiro foi Liam, o mais novo, com o seu registo de estreia As You Were e agora chega a vez de Noel, juntamente com os seus High Flying Birds, através de um trabalho intitulado Who Built the Moon?, que viu a luz do dia já neste mês de novembro.

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Produzido por David Holmes, Who Built The Moon? deve grande parte dos méritos do seu conteúdo ao trabalho deste produtor algo desconhecido do universo índie e que se esforçou ao máximo por conseguir domar, com aparente sucesso, o natural ímpeto de Noel para compôr de acordo com o seu adn e, consequentemente, o adn dos Oasis. E esse é um dos maiores méritos que este álbum tem, o facto de mostrar um Noel a ser impelido para fora da sua zona de conforto criativa, com as distorções, a heterogeneidade instrumental e a vasta miríade de efeitos da vibe psicadélica Fort Knox, o tema inicial do disco, a fintarem quem estava a contar com a habitual receita da banda que esteve no trono da britpop durante cerca de uma década.

 A partir daí, esse distanciamento torna-se ainda mais assertivo ao som de Holy Mountain, o primeiro single divulgado deste Who Built The Moon?, uma canção impetuosa e com uma vasta miríade de influências, que vão da britpop, ao rock mais ácido e experimental setentista, passando pelo rock alternativo da década seguinte e aquela toada pop algo sintética do mesmo período, com um espírito bastante festivo e dançante, mas também à boleia do sedutor experimentalismo de It's A Beautiful World e do instrumental Wednesday, da grandiosa secção de sopros que abastece o ritmo vibrante de Keep On Reaching e do rock sujo e empoeirado presente no tema homónimo.

Who Built The Moon? assenta grande parte da sua filosofia numa ideia de espontaneidade e liberdade, uma estratégia que pressupõe desde logo um aumento do fator risco relativamente à herança sonora do autor. Mas este é, sem dúvida, um risco calculado, um desafio que incubou canções com o indispensável apelo radiofónico e aquele som de estádio que Noel precisa para sustentar com firmeza a promoção ao vivo do registo, mas também composições com uma elevada bitola qualitativa no que concerne à demonstração da capacidade intuitiva do Gallagher mais velho de criar trechos melódicos quer apelativos quer criativos, mesmo que pareçam conceptualmente distantes. Espero que aprecies a sugestão...

Noel Gallagher's High Flying Birds - Who Built The Moon

01. Fort Knox
02. Holy Mountain
03. Keep On Reaching
04. It’s A Beautiful World
05. She Taught Me How To Fly
06. Be Careful What You Wish For
07. Black And White Sunshine
08. Interlude
09. If Love Is A Low
10. The Man Who Built The Moon
11. End Credits (Wednesday Part 2)
12. Dead In The Water (Live At RTE 2FM Studios, Dublin)
13. God Help Us All


autor stipe07 às 20:51
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Quinta-feira, 12 de Outubro de 2017

Noel Gallagher’s High Flying Birds – Holy Mountain

Noel Gallagher's High Flying Birds - Holy Mountain

O ideário sonoro dos gloriosos anos noventa está ainda bem presente entre nós após duas décadas desse período aúreo de movimentos musicais incríveis como a britpop que, do lado de cá do atlântico, fez na altura frente ao grunge e ao indie rock norte americano, num período temporal que massificou definitivamente o acesso global à música. E os Oasis foram um dos nomes fundamentais da arte musical em Terras de Sua Majestade nessa época, liderados pelos irmãos Gallagher que continuam a fazer questão de alimentar uma relação lendariamente conturbada. E agora fazem-no através das suas carreiras a solo, com ambos a editarem discos em nome próprio no ocaso de 2017. O primeiro foi Liam, o mais novo, com o seu registo de estreia As You Were e agora chega a vez de Noel, juntamente com os seus High Flying Birds, através de um trabalho intitulado Who Built the Moon?, que irá ver a luz do dia já em novembro.

Holy Mountain é o primeiro single divulgado de Who Built The Moon?, uma canção impetuosa e com uma vasta miríade de influências, que vão da britpop, ao rock mais ácido e experimental setentista, passando pelo rock alternativo da década seguinte e aquela toada pop algo sintética do mesmo período, com um espírito bastante festivo e dançante. Confere...


autor stipe07 às 21:35
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Sexta-feira, 6 de Outubro de 2017

Liam Gallagher – As You Were

O ideário sonoro dos gloriosos anos noventa está ainda bem presentes entre nós após duas décadas desse período aúreo de movimentos musicais incríveis como a britpop que, do lado de cá do atlântico, fez na altura frente ao grunge e ao indie rock norte americano, num período temporal que massificou definitivamente o acesso global à música. E os Oasis foram um dos nomes fundamentais da arte musical em Terras de Sua Majestade nessa época, liderados pelos irmãos Gallagher que continuam a fazer questão de alimentar uma relação lendariamente conturbada. E agora fazem-no através das suas carreiras a solo, com ambos a editarem discos em nome próprio no ocaso de 2017. O primeiro foi Liam, o mais novo, com o seu registo de estreia; Chama-se As You Were e contém doze canções que devem também parte do seu cunho identitário a Greg Kurstin, produtor que além de ter salvo a carreira dos Foo Fighters à cerca de uma década, também ajudou a impulsionar nomes como Sia ou Adele e assina seis das doze músicas deste disco. O outro produtor de As You Were é Dan Grech-Marguerat, que também transita entre a pop e o rock e tem nomes como Lana Del Rey ou os The Vaccines no seu currículo. Já agora, a vinte e quatro de novembro será a vez de Noel regressar aos lançamentos discográficos com um trabalho intitulado Who Built the Moon?.

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Espontaneidade e risco foram duas permissas que Liam certamente teve em conta quando idealizou o conteúdo de As You Were. Logo no rock que tem tanto de incisivo como nostálgico de Wall Of Glass percebe-se que o mais novo dos manos Gallagher mantém intacto o modo emotivo como replica algumas das marcas identitárias do indie rock que povoa o nosso subconsciente e que forjaram parte importante da história da música dos finais do século passado, numa canção cujas distorções e variações percurssivas  transportam consigo muita dessa herança, mas com um espírito renovado e mais contemporâneo. Depois, no dedilhar da viola que conduz Paper Crown, no muro de guitarras que afaga a acusticidade inicial de Bold e no clima impetuoso de Greedy Soul Liam firma essa ideia de espontaneidade e liberdade, conseguindo, por um lado, o indispensável apelo radiofónico e aquele som de estádio que precisa para sustentar com firmeza a promoção ao vivo do registo e, por outro, uma elevada bitola qualitativa no que concerne à demonstração da sua capacidade intuitiva de criar trechos melódicos quer apelativos quer criativos.

Claramente feliz com a liberdade musical ilimitada que uma carreira a solo lhe permite, Liam Gallagher expôe o habitual modelo de canção assente na primazia das cordas das guitarras, no que concerne ao processo de condução melódica, mas está também reservada à bateria e ao baixo um papel mais que acessório e secundário. Se logo nas cordas da já citada Bold e em Universal Gleam é fácil recordarmos o hino Wonderwall e se When I'm In Need deve muito ao clima pop psicadélico gerado pelos Fab Four já o fulgor de I Get By e o rock sujo e empoeirado de You Better Run têm aquela toada épica e gloriosa que os Oasis tanto gostavam de explorar e que o efeito mais contemporâneo do baixo nos dois temas atualiza com notável precisão, cabendo a estes temas funcionarem como uma espécie de cone sonoro por onde acaba por circular o restante alinhamento que, como se vê, tem impressa uma marca identitária única e facilmente identificável.

As You Were é um disco algo crú mas que não deixa também de estar impecavelmente produzido e pronto para ser cantado por multidões que irão decorar estas letras até à exaustão, pensado e idealizado por um dos melhores compositores e cantores ingleses das últimas duas décadas e ao qual o indie rock britânico tanto deve. Espero que aprecies a sugestão...

Liam Gallagher - As You Were

01. Wall Of Glass
02. Bold
03. Greedy Soul
04. Paper Crown
05. For What It’s Worth
06. When I’m In Need
07. You Better Run
08. I Get By
09. Chinatown
00. Come Back To Me
11. Universal Gleam
12. I’ve All I Need


autor stipe07 às 21:30
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Quarta-feira, 18 de Maio de 2016

Oscar – Cut And Paste

Oriundo de Londres, Oscar Scheller é Oscar, um dos nomes mais comentados no cenário indie pop britânico devido a Cut And Paste, o registo de estreia deste músico e compositor, editado no passado dia treze do corrente mês com a chancela da Wichita Recordings e com dez canções feitas para dançar, até à exaustão, no baile da esquina, regado com torneiras que nunca estão secas e onde os niveis de destilação corporal atingem o limite.

O rugoso punk rock de Sometimes, canção conduzida por um baixo musculado e uma guitarra inspirada, trespassada por efeitos estratosféricos, clarifica, desde logo, que Cut And Paste é um manifesto pop, senão para o mundo inteiro, pelo menos para os subúrbios de uma Londres sempre ávida de novidades e que muitas vezes coloca em determinadas bandas ou artistas expetativas que as mesmas depois, nem sempre conseguem acompanhar. Nele, quer seja abrigado pelo groove sedutor e cheio de pêlo na venta de Feel It Too ou pelo piscar de olhos a uma centelha punk em Daffodil Days, Oscar desafia as suas probabilidades, não se preocupa com aquilo que poderão esperar de si e apresenta a sua paleta sonora, que das raízes do rock britânico a alguns dos detalhes mais prementes da pop atual, conjuga sintetizadores, teclados e batidas, com guitarras, num aparente caos, que neste caso resulta plenamente, já que nos oferece um clima sonoro que abre os nossos ouvidos para algo inédito e que parece divertir imenso o autor. Mesmo quando Oscar arrisca por terrenos mais reflexivos, como sucede na redentora Good Things, ou na luminosa Beautiful Words, não existem motivos para duvidar da capacidade deste artista em utilizar a típica ironia britânica com elevada mestria, fazendo-o de modo assertivo e sem deturpar a essência de quem é feliz alimentando-se de riffs de guitarra vigorosos e da pujança de uma percussão que cresce à sombra de um punk dançante, permissas que clarificam um modus operandi diversificado, acessível e orelhudo.

Cut and Paste foi alvo de uma produção aberta e notoriamente inspirada e cimenta num nível qualitativamente elevado o espetro sonoro e a identidade de um projeto que não falseia o desejo de se tornar num referencial dos grandes autores que atualmente mantêm vivo o indie rock alternativo britânico. E aquela toada épica e grandiosa que esse indie local quase exige em determinados instantes, como se cada banda ou projeto tivessem que compor um hino glorioso à Rainha e ao Império para conquistar os corações mais inflamados do proletariado que tantas vezes gosta de se sentir orgulhosamente só, também está devidamente salvaguardado na vibe funk de Good Things. Espero que aprecies a sugestão..

Oscar - Cut And Paste

01. Sometimes
02. Be Good
03. Feel It Too
04. Good Things
05. Only Friend (Feat. Marika Hackman)
06. Breaking My Phone
07. Daffodil Days
08. Fifteen
09. Beautiful Words
10. Gone Forever


autor stipe07 às 21:37
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Terça-feira, 17 de Maio de 2016

The Stone Roses – All For One

The Stone Roses - All For One

Mais de duas décadas depois do aclamado Second Coming (1994), o segundo registo de originais da banda e que sucedeu ao aclamado The Stone Roses, o disco de estreia, lançado em 1989, os britânicos The Stone Roses resolveram dar um novo impulso à carreira. A ideia inicial seria organizar uma digressão de verão, mas os ensaios foram tão produtivos que parece certo um novo disco, a ser lançado muito em breve.

Enquanto o terceiro registo discográfico dos The Stone Roses não chega aos escaparates, All For One é o primeiro tema divulgado pelo grupo de Manchester, uma canção conduzida por guitarras incisivas e uma percurssão inebriante e que não defrauda minimamente o ilustre passado da banda de Ian Brown e John Squire. Confere...


autor stipe07 às 13:49
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Quinta-feira, 11 de Junho de 2015

Palma Violets – Danger In The Club

Considerados por muitos como os novos pontas de lança do indie rock britânico mais genuíno, os Palma Violets estão de regresso aos discos com Danger In The Club,  o sucessor do aclamado disco de estreia 180, um trabalho editado há dois anos e que além de os catapultar para o estrelato, fez deles um dos novos nomes sonantes da sempre exigente Rough Trade Records.

Ao segundo disco já deixa de ser prematuro questionar-se se o indie rock mais fervoroso e festivo, orinudo de Terras de Sua Majestade, está bem entregue nas mãos destes Palma Violets, acompanhados nos últimos tempos com particular frenesim por uma imprensa local musical sempre ávida de novidades e que muitas vezes coloca em determinadas bandas expetativas que as mesmas depois não conseguem acompanhar. Seja como for, quer no rock vibrante e festivo de Hollywood (I Got It), quer no piscar de olhos a uma centelha mais punk e eighties em Girl, You Couldn’t Do Much Better On The Beach, percebe-se que pelos menos este quarteto está disposto a fazer-nos dançar sem grandes complicações e até com um certo estardalhaço que, neste caso concreto, até é louvável. Mesmo quando a guitarra e a bateria procuram entrelaçar-se de um modo mais insinuante nessa Girl, You Couldn’t Do Much Better On The Beach, não faltam motivos para duvidar da capacidade dos Palma Violets em utilizar a típica ironia britânica que os Blur, por exemplo, exploraram até à exaustão com elevada mestria na primeira metade dos anos noventa, fazendo-o de modo assertivo e sem deturpar a essência da banda, mesmo se procuram, como acontece em The Jacket Song, encetar por uma sonoridade mais acústica e pop.

Seja como for, a grande força motriz deste Danger In The Club alimenta-se de riffs de guitarra vigorosos e da pujança de uma percussão que cresce à sombra do punk dançante, com Secrets Of America a balizar-se dentro destas permissas e a ser mais um exempo  do modus operandi diversificado, acessível e orelhudo destes Palma Violets, num disco que foi alvo de uma produção aberta e notoriamente inspirada e que alargou bastante o espetro sonoro e a identidade de um projeto que não falseia o desejo de se manter no seio das grandes bandas que atualmente mantêm vivo o indie rock alternativo britânico. Já agora, aquela toada épica e grandiosa que o indie rock local quase exige em determinados instantes, como se cada banda tivesse que compor um hino glorioso à Rainha e ao Império para conquistar os corações mais inflamados do proletariado que tantas vezes gosta de se sentir orgulhosamente só, também está devidamente salvaguardado nas guitarras de Coming Over To My Place.

Com uma bateria e um baixo algo sombrios, mas com o travo do funk nas guitarras em Matador e com um baixo arrebator e impulsivo em Gout! Gang! Go!, uma canção feitar para dançar até à exaustão no baile da esquina quando as torneiras estão quse secas e os niveis de destilação corporal no limite, chega ao ocaso um disco onde os Palma Violets expandiram a sua paleta sonora, diversificaram o clima e abriram os olhos para um novo mundo que parece diverti-los imenso e onde, pelos vistos, se sentem igualmente confortáveis. Espero que aprecies a sugestão...

Palma Violets - Danger In The Club

01. Sweet Violets
02. Hollywood (I Got It)
03. Girl, You Couldn’t Do Much Better On The Beach
04. Danger In The Club
05. Coming Over To My Place
06. Secrets Of America
07. The Jacket Song
08. Matador
09. Gout! Gang! Go!
10. Walking Home
11. Peter And The Gun
12. No Money Honey
13. English Tongue


autor stipe07 às 21:58
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Quarta-feira, 10 de Junho de 2015

The Vaccines – English Graffiti

Lançado a vinte cinco de maior por intermédio da Columbia Records, English Graffiti é o terceiro álbum dos londrinos The Vaccines, de Justin Hayward-Young, Freddie Cowan, Árni Árnason e Pete Robertson. Disco produzido por Dave Fridmann e Cole M. Greif-Neill, English Graffiti sucede aos aclamados álbuns What Did You Expect from the Vaccines? (2011) and Come of Age (2012), que consolidaram uma estética sonora que numa esfera indie rock nunca deixou de olhar quer para alguns detalhes do punk, como para certos tiques e arranjos que sobrevivem à sombra da eletrónica.

Vistos por alguma crítica como a resposta britânica ao nova iorquinos The Strokes, quer na postura, quer na sonoridade rock frenética, livre de constrangimentos e adornos desnecessários e certeiros no modo como adoptam uma estética sonora retro à boleia de riffs de guitarra potentes e uma voz poderosa, os The Vaccines chegam ao terceiro tomo do seu percurso discográfico seguros do som que pretendem apresentar que, com um pé na new wave e outro no pós punk, procura atingir uma maior luminosidade e amplitude melódica. As festivas e frescas Handsome e 20 / 20 e o som da guitarra de Dream Lover e um efeito quase indecifrável de um teclado que deambula pela canção, assim como o andamento vigoroso da bateria marcam uma chancela rugosa e acendem uma chama intensa que, com a preciosa ajuda de Dave Fridmann, que já colocou as mãos em discos dos MGMT ou dos Flaming Lips, coloca o som do quarteto exatamente no ponto pretendido. Depois, a fina fronteira que separa o baixo do sintetizador em Denial, um dos meus temas preferidos de English Graffiti e, numa abordagem mais groove, o indie rock exuberante e irresistível de Give Me a Sign e Minimal Affection, canção que assenta em batidas sintéticas que se escutam em sintonia com riffs de guitarra melódicos e uma voz poderosa, mostram a outra face de uma mesma moeda que os The Vaccines cunharam neste disco e que os fará render milhões, se for bem explorada. Esta última canção, já agora, impressiona pela imagética criada para a ilustrar, com cenas de uma aventura espacial com uma estética retro, numa temática que gira em torno da dificuldade que as gerações mais novas têm de se relacionar pessoalmente por estarem tão dependentes das novas tecnologias.

Até ao ocaso, se os efeitos do teclado, a guitarra viciante e a condução melódica a cargo do piano fazem de (All Afternoon) In Love um dos grandes momentos nostálgicos do disco, já o frenético pop surf punk de Radio Bikini e, em oposição, a tensão emocional e o minimalismo eletrónico que o fuzz da guitarra disfarça em Maybe I Could Hold You, são outros instantes obrigatórios de um álbum que além de ter como trunfo importante a temática reflexiva das canções, impressiona pelo modo como os The Vaccines abordam diferentes espetros sonoros, com o declarado objetivo de alargarem a lista de caraterísticas essenciais do seu som, fazendo-o com enorme qualidade, jovialidade e bom gosto. Espero que aprecies a sugestão...

The Vaccines - English Graffiti

01. Handsome
02. Dream Lover
03. Minimal Affection
04. 20 / 20
05. (All Afternoon) In Love
06. Denial
07. Want You So Bad
08. Radio Bikini
09. Maybe I Could Hold You
10. Give Me A Sign
11. Undercover
12. English Graffiti
13. Stranger
14. Miracle
15. Handsome Reimagined (Dave Fridmann Edit)
16. Dream Lover Reimagined (Malcolm Zillion Edit)
17. 20/20 Reimagined (Dave Fridmann Edit)
18. Give Me A Sign Reimagined (Co Co T Edit)


autor stipe07 às 18:16
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Sexta-feira, 24 de Abril de 2015

Noel Gallagher’s High Flying Birds – Chasing Yesterday

O britânico Noel Gallagher e os High Flying Birds regressaram aos discos em março com Chasing Yesterday, atráves da Sour Mage Records, o segundo trabalho de uma banda liderada por um músico que  terá escrito algumas das páginas mais significativas do livro das escrituras da britpop, não só nos Oasis, como noutros projetos em que se envolveu também como produtor.

Responsável, portanto, por algumas das marcas identitárias do indie rock que povoa o nosso subconsciente e que forjaram parte importante da história da música dos finais do século passado, o mais velho dos irmãos Gallagher assina em Chasing Yesterday pouco mais de uma dezena de novas canções que transportam consigo muita dessa herança, mas com um espírito renovado e mais contemporâneo.

Claramente feliz com a liberdade musical ilimitada que uma carreira a solo lhe permite, já que a componente High Flying Birds do projeto é apenas um elemento acessório e que se rege cegamente pelas orientações do líder, Noel Gallagher expôe o habitual modelo de canção assente na primazia das cordas das guitarras, no que concerne ao processo de condução melódica, estando reservada à percussão um papel mais acessório e secundário. Logo nas cordas de Riverman e, mais adiante, em The Dying Of The Light, é fácil recordarmos o hino Wonderwall e In The Heat Of The Moment tem aquela toada épica e gloriosa que os Oasis tanto gostavam de explorar e que o efeito mais contemporâneo do baixo atualiza com notável precisão, ficando, nestes dois temas bastante diferentes, o cone sonoro por onde circulará o restante alinhamento, que, como se vê, tem impressa uma marca identitária única e facilmente identificável. 

Ao longo do alinhamento, se os teclados retro de The Girl With X-Ray Eyes e o seu refrão apoteótico piscam o olho a uma certa lisergia pop, acontecendo o mesmo com os metais de The Right Stuff, já o rock psicadélico sujo e empoeirado de The Mexican, a espiral emotiva da grandiosa Lock All The Doors e a batida sintética e o jogo de guitarras de Ballad Of The Mighty I, trilham a paleta de cores caraterística do percurso do autor, com While The Song Remains The Same a ser um outro bom exemplo dessa fórmula, mas com as tais roupagens mais atuais e que piscam o olho a um público mais jovem. O próprio efeito inicial da guitarra que depois se transforma, quase por magia, num riff assombroso e inebriante em You Know We Can't Go Back mostra como Gallagher tem a noção que os seus ouvintes esperam de si música que possa ser cantada sem complicações desnecessárias e que ao vivo deve surpreender e encher espaços amplos e abertos.

Chasing Yesterday é um disco elegante, impecavelmente produzido e pronto para ser cantado por multidões que irão decorar estas letras até à exaustão, pensado, idealizado e tocado, quase na íntegra, por um dos melhores compositores, cantores e guitarristas das últimas duas décadas e ao qual o indie rock britânico tanto deve. Espero que aprecies a sugestão...

Noel Gallagher's High Flying Birds - Chasing Yesterday

01. Riverman
02. In The Heat Of The Moment
03. The Girl With X-Ray Eyes
04. Lock All The Doors
05. The Dying Of The Light
06. The Right Stuff
07. While The Song Remains The Same
08. The Mexican
09. You Know We Can’t Go Back
10. Ballad Of The Mighty I
11. Do The Damage
12. Revolution Song
13. Freaky Teeth
14. In The Heat Of The Moment (Remix)
15. Leave My Guitar Alone


autor stipe07 às 15:45
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