Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


The Covasettes – Love In Polaroid

Quarta-feira, 05.06.24

Ativos desde dois mil e dezasseis, chancelados pela LAB Records e já com um interessante catálogo de singles e EPs em carteira, os The Covasettes são um dos nomes mais interessantes do novo panorama indie pop britânico. Sedeados em Manchester, são atualmente formados por Chris Buxton, Matt Hewlett, Jamie McIntyre e Matthew Buckley e acabam de chegar aos nosso radar devido a Love In Polaroid, o novo single da banda.

Produzida por Jamie McIntyre, o baixista da banda e misturada por John Catlin, Love In Polaroid é uma inspiradora canção, encharcada num intenso perfil radiofónico, ideal para fazer parte da playlist de muitas bandas sonoras pensadas para o verão que se aproxima. Sintetizações efusiantes, um registo percussivo impactante e guitarras repletas de distorções, dão vida a uma composição intensa, melodicamente feliz, dinâmica, calorosa, uma espécie de hino juvenil que faz os The Covasettes subirem mais um degrau no universo sonoro que os definem. Confere...

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 16:40

Maxïmo Park – Your Own Worst Enemy

Quinta-feira, 30.05.24

Chegará no próximo dia vinte e sete de setembro aos escaparates, com a chancela da Lower Third Records, Stream Of Life, o oitavo álbum dos ingleses Maxïmo Park, de Paul Smith, uma das bandas mais interessantes do cenário indie atual e que quando surgiu foi considerada um novo fenómeno fundamental para o ressurgimento da herança post punk da década de oitenta.E na verdade, os Maxïmo Park têm vindo, de disco para disco, a demonstrar um crescendo de maturidade e uma capacidade inata para apresentar novas propostas diversificadas sem se afastar do ADN que carateriza este coletivo de Newcastle.

Maxïmo Park Shared New Single “Your Own Worst Enemy”; New Album 'Stream Of  Life' Out Sep 27 – THOUGHTS WORDS ACTION

Your Own Worst Enemy é o primeiro single retirado do alinhamento de Stream Of Life, um trabalho produzido por Ben Allen e Burke Reid e que, de acordo com o próprio Paul Smith, se irá debruçar essencialmente sobre temas tão indutores como o amor e a atualidade política, mas também sobre outras ideias e sentimentos. Esta primeira amostra do álbum é uma empolgante composição, assente em guitarras efusiantes, um baixo trmendamente vigoroso e algumas sintetizações assertivas, tendo também no típico timbre amargurado de Paul e na sua interpretação emotiva um dos seus maiores trunfos. Confere...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 16:38

Orlando Weeks – Dig (feat. Rhian Teasdale)

Quarta-feira, 08.05.24

Vocalista e membro fundador dos londrinos The Maccabees, Orlando Weeks tem também apostado na lançamento de uma carreira a solo que promete vir a ser promissora, tendo em conta as canções que já revelou e que têm a sua própria assinatura. A mais recente chama-se Dig, composição que teve uma primeira versão gravada em fevereiro do ano passado, nos estúdios Chale Abbey Studios, situados na ilha de Wight, com a ajuda dos músicos William Doyle, Luca Caruso, Sami El-Enany e Alexander Painter.

Orlando Weeks shares debut solo single 'Safe In Sound' • News • DIY Magazine

Quando Orlando Weeks gravou essa primeira versão de Dig, afirmou, logo nessa altura, que o tema iria ter direito a uma versão em formato dueto, algo que acontece agora, pouco mais de um ano depois, com a ajuda de Rhian Teasdale uma das duas metades da dupla Wet Leg. O resultado final é estrondoso, em quase três minutos assentes num clima punk que pisa um terreno bastante experimental, através de uma lisergia cósmica repleta de têmpora e invulgarmente pop, feita com sintetizações pulsantes e uma batida de forte travo disco, criando um ambiente sonoro que nos remete para aquele universo setentista algo corrosivo e exótico.

Dig é o primeiro avanço revelado do novo álbum de Orlando Weeks intitulado LOJA, que irá ver a luz do dia a seis de junho e que é inspirado num pequeno estabelecimento comercial que o músico possui em Lisboa. Cada tema de LOJA terá direito a uma ilustração concebida pelo próprio músico e o vídeo de Dig tem a assinatura de Matt Harris Freeth, mostrando uma sequência cinematográfica a preto e branco protagonizada por Weeks e por Teasdale, que vão juntos em busca de um tesouro em forma de coração. Confere Dig, o artwork do single e o artwork e a tracklist de LOJA...

Orlando-Weeks-Dig.jpg

Orlando Weeks - Loja

Longing
Best Night
Wake Up
Dig (Ft. Rhian Teasdale)
You & The Packhorse Blues
Good To See You
My Love Is (Daylight Saving)
Please Hold
Sorry Lyrics
Tomorrow Lyrics
Beautiful Place

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 16:46

The WAEVE – City Lights

Terça-feira, 07.05.24

Graham Coxon, um dos elementos fundamentais dos Blur e Rose Dougall são a espinha dorsal de um curioso novo projeto britânico intitulado The WAEVE, que se estreou nos lançamentos discográficos em fevereiro do ano passado com um registo homónimo de dez canções, que teve a chancela da Transgressive Records.

The Waeve (Graham Coxon and Rose Elinor Dougall) Announce Self-Titled Debut  Album, Share Video for New Song: Watch | Pitchfork

Agora, em plena primavera de dois mil e vinte e quatro, a dupla está de regresso com um novo tema intitulado City Lights, que ainda não traz atrelado o anúncio do segundo álbum do projeto, mas que mantém os The WAEVE na senda de um rock intenso, charmoso e, desta vez, com um forte apelo à radiofonia. City Lights está repleto de guitarras abrasivas, sustentadas por um baixo sempre vigoroso e uma ímpar mestria percussiva, com o saxofone a dar ao tema, quase no seu ocaso, um cunho e um travo psicadélico intenso, num resultado final majestoso e imponente. Em suma, City Lights é mais uma prova evidente que nesta dupla britânica o chamado pós punk britânico tem uma esplendorosa via sonora aberta para se expressar de modo particularmente radiante e efusivo. Confere...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 15:33

Elbow - Audio Vertigo

Domingo, 24.03.24

Dois anos depois de Flying Dream 1, os Elbow já têm nos escaparates Audio Vertigo, o décimo registo de originais do grupo formado por Guy Garvey, Craig Potter, Mark Potter e Pete Turner. O novo álbum da banda britânica viu recentemente a luz do dia com a chancela do consórcio Polydor / Geffen e, como não podia deixar de ser, é um notável e majestoso marco discográfico na carreira de uma das bandas fundamentais do cenário indie britânico deste milénio.

ELBOW – Audio Vertigo – BEDROOMDISCO

É bastante interessante a capacidade inventiva dos Elbow e a forma como conseguem, com uma regularidade ao alcance de poucos, apresentar novas propostas sonoras que apresentam, em simultâneo, uma saudável coerência que tipifica um ADN muito específico e um elevado grau de inedetismo, fugindo sempre, disco após disco, à redundância e à repetição de fórmulas, mesmo que bem sucedidas, como aconteceu quase sempre nas já quase três décadas de carreira do grupo.

Assim sendo, basta escutar-se uma única vez Audio Vertigo para se perceber que conceitos como epicidade, majestosidade e charme estão, como sempre, presentes, mas adornados, desta vez e com um curioso sabor a um certo hedonismo, por uma aposta ainda mais declarada no jazz, na pop sintetizada e em detalhes com berço africano e brasileiro, territórios sonoros que, sem fugir ao clássico rock, parecem ser, cada vez mais, algo de gula por parte de Garvey, que apresenta aqui os seus poemas mais negros e ironicos dos últimos tempos e de Craig Potter, o responsável maior pelo ideário instrumental dos discos deste grupo natural de Manchester.

De facto, logo em Things I’ve Been Telling Myself For Years, o trombone, a bateria seca, o coro gospel e o travo blues da guitarra dão à canção uma identidade jazzística indesmentível que, mais adiante, se amplifica para uma tonalidade algo psicadélica em Very Heaven, principalmente no modo como o baixo e a bateria se deixam enlear por uma guitarra eletrificada mas com um intenso perfil jam. Depois, em Her To The Earth, o teclado introdutório abre alas para uma batida com um groove bastante marcado por parte de uma bateria que se deixa enlear por um piano insolente, num resultado final pleno de sagacidade e altivez.

Pelo meio, o curioso travo oitocentista da explosiva e enérgica Balu, uma canção pop na verdadeira acepção da palavra, que oscila entre um refrão vigoroso e imponente e secções melódicas intermédias repletas de efeitos e detalhes, dos quais se destacam diversos instrumentos de sopro, num resultado final recheado de astúcia e virtuosismo, a intensa e vibrante Lover's Leap, composição instrumentalmente riquíssima feita de saxofones e trompetes faustosos e uma bateria e um baixo impulsivos e que até contém um curioso travo inicial latino e as intensas, progressivas e rugosas The PictureGood Blood Mexico City, oferecem a Audio Vertigo aquela faceta roqueira intensa e vigorosa que foi também sempre imagem de marca dos Elbow, deixando para From The River todas as despesas no que concerne aquele perfil interpretativo mais reflexivo, etéreo e cósmico que também não é nada estranho à banda.

Em suma, depois de em dois mil e vinte e dois, em Flying Dream 1, este quarteto britânico nos ter oferecido um dos discos mais refinados, envolventes e íntimos da sua discografia, um verdadeiro deleite melódico, que brilhava canção após canção, no modo como nos ofereceu composições irrepreensíveis ao nível da beleza e do aconchego, em Audio Vertigo o quarteto solta as rédeas, deixa-se inspirar por alguns dos conceitos que vão definindo o melhor rock contemporâneo, sem perder identidade e de modo sedutor, adulto, certamente minuciosamente arquitetado e alvo de um trabalho de produção irrepreensível, criam um álbum que vai ser, claramente, um dos grandes marcos discográficos de dois mil e vinte e quatro. Espero que aprecies a sugestão...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 21:27

Elbow - Balu

Sábado, 02.03.24

Dois anos depois de Flying Dream 1, os Elbow já têm pronto Audio Vertigo, o décimo registo de originais do grupo formado por Guy Garvey, Craig Potter, Mark Potter e Pete Turner. O novo álbum da banda britânica irá ver a luz do dia a vinte e dois deste mês de março, com a chancela do consórcio Polydor / Geffen e será certamente mais um notável e majestoso marco discográfico na carreira de uma das bandas fundamentais do cenário indie britânico deste milénio.

ELBOW Share New High-Energetic Symphony 'BALU' From Their Upcoming 10th LP  - TURN UP THE VOLUME

De facto, majestosidade é um dos conceitos que assalta, desde logo, os ouvidos mais atentos e familizarizados com o catálogo dos Elbow, assim que se escuta Balu, o mais recente single explosivo e enérgico, retirado do alinhamento de Audio Vertigo, depois de termos conferido Lover's Leap há cerca de duas semanas.

Com um curioso travo sintético dominante, pouco habitual nos Elbow, Balu é uma composição vibrante e intensa, instrumentalmente riquíssima e que contém um curioso travo oitocentista. É uma canção pop, na verdadeira acepção da palavra, já que oscila entre um refrão vigoroso e imponente e secções melódicas intermédias repletas de efeitos e detalhes, dos quais se destacam diversos instrumentos de sopro, num resultado final recheado de astúcia e virtuosismo. Os Elbow estão em grande forma e Audio Vertigo vai ser, certamente, um dos grandes marcos discográficos de dois mil e vinte e quatro. Confere...

Elbow-Balu.jpg

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 21:19

Palace - Bleach

Quinta-feira, 01.02.24

Sedeados em Londres, os Palace deram-nos, em dois mil e vinte e dois, um grande momento discográfico encarnado em Shoals, um espetacular alinhamento de doze canções consumidas na esfera de um indie alt-rock expansivo e encharcado em emotividade, que encontrava fortes reminiscências no catálogo de nomes tão credenciados como os DIIV, Alt-J ou os Local Natives e que acabou por fazer parte, com toda a naturalidade, da nossa lista dos melhores álbuns desse ano.

Palace: Life After review – indie trio find new force | Indie | The Guardian

Já em dois mil e vinte e três, no início do verão e depois de uma aclamada digressão por terras de Sua Majestade, a banda londrina, que tem no centro das suas criações sonoras o inconfundível falsete de Leo Wyndham, o vocalista de um projeto ao qual se juntam Rupert Turner e Matt Hodges, divulgou um EP intitulado Part I - When Everything Was Lost, quatro canções que catapultaram os Palace para territórios sonoros orquestralmente ainda mais ricos e intensos do que Shoals, o já referido registo de estreia.

No início do último outono, a banda britânica voltou à carga com o anúncio de mais um novo EP intitulado Part II – Nightmares & Ice Cream, e agora, no início de dois mil e vinte e quatro, chega finalmente a confirmação de um novo longa duração dos Palace, o quarto do trio. É um trabalho intitulado Ultrasound e conta nos créditos da produção com Adam Jaffrey, que já tinha trabalhado com os Palace no disco de estreia So Long Forever, de dois mil e dezasseis.

Bleach é o primeiro single divulgado do alinhamento de Ultrasound, um efusiante tratado de indie rock carregado de guitarras repletas de reverb, exemplarmente acompanhadas por um vigoroso piano que, de mãos dadas com o baixo, acama um registo melódico bastante inspirado, com o remate final a ser conferido por diversas sintetizações que ajudam a acentuar uma tonalidade épica que não deixa o ouvinte indiferente. Confere...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 16:55

The KVB – Labyrinths

Quarta-feira, 31.01.24

Os londrinos The KVB construiram na última meia década um firme reputação que permite afirmar, com toda a segurança, que são, atualmente, uma das melhores bandas a apostar na herança do krautrock e do garage rock, aliados com o pós punk britânico dos anos oitenta. Formados pela dupla Nicholas Wood e Kat Day, os The KVB deram nas vistas em dois mil e dezoito com o registo Only Now Forever, criaram semelhante impacto no ano seguinte com o EP Submersion e, em dois mil e vinte e um com o disco Unity e no verão do ano passado enriqueceram ainda mais o seu catálogo à custa de Artefacts (Reimaginings From The Original Psychedelic Era), um disco que chegou aos escaparates a doze de maio com a chancela da Cleopatra Records, uma etiqueta independente sedeada em Los Angeles. Agora, quase um ano após esse registo, a dupla prepara-se para regressar aos discos com Tremors, um alinhamento de dez canções que irá ver a luz do dia a cinco de abril, com a chancela da Invada Records.

Gravado entre Bristol e Manchester com a ajuda do produtor James Trevascus, Tremors deverá, de acordo com o próprio projeto, aprofundar os conceitos de distopia e apocalipse, que estiveram sempre presentes no ideário lírico dos The KVB, mas de um modo mais pessimista e profundo, abordando também os conceitos de perda, resistência, lamento e aceitação de mudanças inevitáveis.

Labyrinths é o primeiro single revelado do alinhamento de Tremors. É um verdadeiro tratado de indie punk rock progressivo, enérgico e abrasivo, com um travo geral denso, agressivo e sujo, que encontra o seu principal sustento em guitarras encharcadas em distorções vigorosas, na impetuosidade da bateria e na cosmicidade dos sintetizadores, instrumentos que se entrelaçam na construção de uma canção que espreita perigosamente uma sonoridade muito próxima da pura lisergia. Confere...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 17:19

The Smile – Wall Of Eyes

Terça-feira, 30.01.24

Cerca de ano e meio depois de A Light For Attracting Attention, o disco de estreia do projeto The Smile que reúne Thom Yorke e Jonny Greenwood, o chamado núcleo duro dos Radiohead, com Tom Skinner, baterista do Sons of Kemet, a banda está de regresso com um novo álbum intitulado Wall Of Eyes, um alinhamento de oito canções que viu a luz do dia recentemente, com a chancela da XL Recordings.

The Smile 'Wall of Eyes' Review

Já em junho do ano passado tinha ficado a pairar no ar a ideia de que os The Smile teriam na forja um novo disco, quando divulgaram o single Bending Hectic, uma canção que fez parte do alinhamento apresentado pelo trio em alguns dos seus concertos de verão e que, contando com a participação irrepreensível de alguns membros da London Contemporary Orchestra, oferecia-nos, em pouco mais de oito minutos, uma fina e vigorosa interseção entre o melhor dos dois mundos, o do orgânico e o do sintético, de modo exemplarmente burilado. Essa suspeita inicial acabou por se confirmar, materializando-se num disco que agrega nas suas oito composições um fabuloso conteúdo sonoro, lírico e conceptual.

De facto, Wall Of Eyes capitaliza todos os atributos intepretativos do trio que assina os seus créditos e que, partindo dessa base, soube rodear-se de outros músicos que, em momentos chave do álbum, como é o caso do clarinete e do saxofone de Robert Stillman em Read The Room e Friend Of A Friend, ou da flauta de Pete Warehan em Teleharmonic e também em Read The Room, só para citar dois exemplos, foram preponderantes para acentuar um charmoso e contemporâneo ecletismo que materializa uma fina e vigorosa interseção entre o melhor de dois mundos, o do orgânico e o do sintético, de modo exemplarmente burilado, tendo, na sua génese, o jazz como pedra de toque e uma mescla entre rock alternativo e eletrónica ambiental como traves mestras no adorno e na indução de cor e alma a um catálogo de canções de forte cariz intimista e que apenas revelam todos os seus segredos se a sua audição for dedicada.

Logo a abrir o registo, o tema homónimo oferece-nos um portento de acusticidade intimista, sem colocar em causa a personalidade eminentemente rugosa e jazzística do projeto. Cordas dedilhadas com vigor, exemplarmente acompanhadas por um baixo pulsante, sustentam a voz enleante e profundamente enigmática de Yorke, enquanto diversos efeitos se vão entalhando na melodia, ampliando o efeito cinematográfico da mesma. É uma canção repleta de nuances, pormenores, sobreposições e encadeamentos, num resultado final indisfarçadamente labiríntico e que, mesmo não parecendo, guarda em si também algo de grandioso, comovente e catárquico. Depois, Teleharmonic parece querer imobilizar-nos definitivamente porque afunda-nos numa angulosa espiral cósmica hipnotizante, mas o travo progressivo de Read The Room, que paira no regaço de um carrocel psicadélico de sintetizações e distorções e efeitos, logo nos recorda novamente que estas são, acima de tudo, canções feitas para atiçar, inflamar zonas de conforto e deixar definhar apatias e desconsolos.

O disco prossegue e se a robótica guitarra que introduz Under Our Pillows nunca desarma no modo como nos inquieta, enquanto conduz uma abrasiva composição que em pouco mais de seis minutos nos inebria com um punk jazz rock de elevadíssimo calibre, já em Friend Of A Friend, os diversos entalhes sintéticos e alguns sopros, assim como o registo vocal ecoante de Yorke, dão asas a um tema que inicialmente cresce em arrojo e acalma repentinamente para, logo depois, numa espécie de jogo sonoro do toca e foge, deixar-nos, uma vez mais, irremediavelmente presos à escuta.

Até ao ocaso de Wall Of Eyes, a melancolia comovente de I Quit, o bucolismo etéreo e introspetivo de Bending Hectic que, curiosamente, fica ainda mais vincado e realista quando aos seis minutos explode numa majestosa espiral de imediatismo e de rugosidade labiríntica e a longínqua cândura do piano que se insinua em You Know Me!, rematam, com notável nível de destreza, bom gosto e requinte, a essência de Wall Of Eyes, um disco que disserta com gula sobre cinismo, ironia, sarcasmo, têmpera, doçura, agrura, sonhos e esperança, enquanto se torna num portento de indie rock do mais contemporâneo, atual e sofisticado que é possível escutar nos dias de hoje.

De facto, Wall Of Eyes é um álbum excitante e obrigatório, não só para todos os seguidores dos Radiohead, mas também para quem procura ser feliz à sombra do melhor indie rock atual, independentemente do seu espetro ou proveniência estilística. O alinhamento do registo contém uma atmosfera densa e pastosa, mas libertadora e esotérica, materializando a feliz junção de três músicos que acabaram por agregar, no seu processo de criação, o modus operandi que mais os seduz neste momento e que, em simultâneo, melhor marcou a sua carreira, quer nos Radiohead, quer nos Sons Of Kemet. É um disco experimentalista naquilo que o experimentalismo tem por génese: a mistura de coisas existentes, para a descoberta de outras novas. Espero que aprecies a sugestão...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 13:49

Elbow – Lovers’ Leap

Segunda-feira, 29.01.24

Dois anos depois de Flying Dream 1, os Elbow já têm pronto Audio Vertigo, o décimo registo de originais do grupo formado por Guy Garvey, Craig Potter, Mark Potter e Pete Turner. O novo álbum da banda britânica irá ver a luz do dia a vinte e dois de março, com a chancela do consórcio Polydor / Geffen e será certamente mais um notável e majestoso marco discográfico na carreira de uma das bandas fundamentais do cenário indie britânico deste milénio.

Listen to the brand new Elbow single Lovers' Leap here...

De facto, majestosidade é um dos conceitos que assalta, desde logo, os ouvidos mais atentos e familizarizados com o catálogo dos Elbow, assim que se escuta Lover's Leap, o primeiro single retirado do alinhamento de Audio Vertigo. É uma composição vibrante e intensa, instrumentalmente riquíssima e que até contém um curioso travo inicial latino. Os saxofones e os trompetes, assim como um registo percurssivo e um baixo intensos e impulsivos, induzem no tema um clima intenso e recheado de astúcia e virtuosismo. Os Elbow estão em grande forma e Audio Vertigo vai ser, certamente, um dos grandes marcos discográficos de dois mil e vinte e quatro. Confere...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 20:57






mais sobre mim

foto do autor


Parceria - Portal FB Headliner

HeadLiner

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Man On The Moon · Man On The Moon - Programa 581


Disco da semana 181#


Em escuta...


pesquisar

Pesquisar no Blog  

links

as minhas bandas

My Town

eu...

Outros Planetas...

Isto interessa-me...

Rádio

Na Escola

Free MP3 Downloads

Cinema

Editoras

Records Stream


calendário

Junho 2024

D S T Q Q S S
1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.