01. On Reflection
02. Raining Whilst She Sleeps
03. Pull Apart
04. All We Said
05. Rescue
06. New Air
07. Away From You
08. Small Light
09. Convalescence
10. We All Were Swallowed By Sleep
11. Nowhere
Message To Bears é o nome do projeto a solo do cantor, compositor e multi-instrumentista inglês Jerome Alexander. Esta banda de um homem só estreou-se em 2007 com um EP que chamou a atenção pelo conteúdo um pouco confuso, com algumas distorções tímidas, violinos, ecos e susurros. Message To Bears encontrou um rumo mais definido no álbum seguinte, The Soul's Release, com uma sonoridade que passava pela pop atmosférica, a folk e o post rock, com destaque para as canções Joy Leaves, Cathing Fireflies e principalmente Where the Trees are Painted White. A esta promissora estreia nos álbuns sucedeu, em 2009, Departures, um disco ainda mais sólido, com melhor definição sonora e bastante hipnótico e, três anos depois, Jerome brindou-nos com Folding Leaves, um álbum surpreendente, rústico e orgânico, lançado pela Dead Pilot Records. Nessa altura Jerome mudou-se de Bristol para Londres, lançou mais dois discos, mas resolveu fazer marcha atrás, voltar à terra natal e criar no seu estúdio caseiro Constants, o seu quinto longa duração, um alinhamento de onze canções emocionalmente poderosas e com tudo para ser um marco discográfico do ano dentro do espetro sonoro em que se situa.

Constants funciona como uma espécie de válvula de escape para o autor, já que no registo exorciza alguns demónios que o período londrino colocou no seu equilíbrio psicológico pessoal e serve para o ouvinte como um confortável e sossegado refúgio, num mundo cada vez mais dominado pela pressãoque é exercida pelos media. Esta é a grande ideia temática de quarenta minutos introduzidos, em On Reflection, por um ternurento piano que logo nos abre de par em par um portal de luz, magia e cor, incomparável a algo que faça parte do mundo concreto em que vivemos.
Saborear Constants tem obrigatoriamente essa permissa de suscitar no ouvinte a necessidade de usar a sua imaginação para melhor percepcionar um universo mágico e que causa impacto por ser complexo e detalhado, mas também (e isso é possível) graciosamente simples. Nele, Jerome combinou em várias canções diversas camadas de cordas, com elementos percurssivos eminentemente orgânicos e melodias sintetizadas únicas e criou assim um ambiente aconchegante, difícil de definir, um som que se constrói ao longo de cada canção e em todo o álbum, com especial destaque para a graciosidade de Raining Whilst She Sleeps, a religiosidade de Rescue, o cariz místico dos violinos que gravitam em Away From You e a esplendorosa emotividade que exala em cada nota e arranjo de Small Light.
Em Bristol, Jerome consegue testemunhar com outra clarividência a constância das estações do ano, os diferentes sons que a natureza tem durante essa roda viva, os odores dos cursos de água, este ciclo da vida e da morte que recorda ao músico quer o efémero da sua existência quer a fragilidade e tantas vezes a insginificância que carateriza a presença de tantos de nós neste mundo. A eletrónica ambiental inspirada de Constants é o tal refúgio, mas também um grito de alerta, um apelo ao desassossego onde estão plasmadas emoções e sugestões sempre de modo humilde, carinhoso, sincero e, obviamente, nada pretensioso. Espero que aprecies a sugestão...
Nicholas Wood e Kat Day são o núcleo duro dos londrinos The KVB, mais uma banda a apostar na herança do krautrock e do garage rock, aliados com o pós punk britânico dos anos oitenta. Of Desire é o mais recente registo de originais da dupla, um álbum com doze canções com a chancela da Invada Records e que sucede ao aclamado Mirror Being, uma coleção de vários instrumentais e experimentações analógicas que foram sendo captadas pela dupla ao longo da etapa inicial da carreira.

Gravado em Bristol, nos arredores de Londres, Of Desire é um extraordinário registo sonoro em cuja concepção a dupla esmerou-se na construção de composições volumosas e que acabaram por se deixar conduzir por um som denso, atmosférico e sujo, que encontra o seu principal sustento nas guitarras, na bateria e nos sintetizadores, instrumentos que se entrelaçam na construção de canções que espreitam perigosamente uma sonoridade muito próxima da pura psicadelia.
Com vários instantes sonoros relevantes instrumentalmente, nomeadamente o compositório eletrónico que sustenta White Walls, o clima hipnótico do ecos e do som repetitivo das teclas de Silent Wave e a melodia enleante de Never Enough, são apenas três dos vários momentos altos deste agregado, canções onde os sintetizadores também se posicionam numa posição cimeira, apesar da tal primazia das guitarras e onde não falta também um baixo vibrante e que recorda-nos a importância que este instrumento tem para o punk rock mais sombrio, com a diferença que os The KVB conseguem aliar às cordas desse instrumento, cuja gravidade exala ânsia, rispidez e crueza, uma produção cuidada, arranjos subtis e uma utilização bastante assertiva da componente maquinal. In Deep acaba por infletir um pouco as pisadas deixadas pelos temas anteriormente referidos, já que além de conter uma guitarra carregada de fuzz e distorção, insinua os nosso ouvidos com alguns samples impercetíveis mas que conferem ao tema uma toada orgânica inédita, além da abundância de arranjos delicados feitos com metais minimalistas.
Enquanto muitas bandas procuram a inovação na adição de uma vasta miríade de influências e tiques sonoros, que muitas vezes os confundem e dispersam enquanto calcorreiam um caminho que ainda não sabem muito bem para onde os leva, os The KVB parecem ter balizado com notável exatidão o farol que querem para o seu percurso musical, atirando-nos para ambientes eletrónicos onde os teclados têm o maior destaque, construindo diversas camadas sonoras, quase sempre entregue a um espírito desolado e que nos remete para os sons de fundo de uma típica cidade do mundo moderno. Espero que aprecies a sugestão...
01. White Walls
02. Night Games
03. Lower Depths
04. Silent Wave
05. Primer
06. Never Enough
07. In Deep
08. Awake
09. V11393
10. Unknown
11. Mirrors
12. Second Encounter
Primeiro lançamento dos Massive Attack desde o fabuloso Heligoland (2010), Ritual Spirit é o novo compêndio de canções da dupla Robert Del Naja e Grant Marshall. São quatro temas divulgados inicialmente através de uma aplicação intitulada Fantom, mas agora também já disponiveis no circuito comercial habitual e que marcam um regresso em grande forma destes pesos pesados da eletrónica, do trip hop e da pop experimental.

Com as participações especiais de nomes tão significativos como Tricky, Roots Manuva, Azekel ou os Young Fathers, Ritual Spirit é um oásis sonoro intenso e implacavelmente sombrio, criado pelos génios superlativos da manipulação dos típicos suspiros sensuais que o baixo e as batidas da dub proporcionam. Num compêndio homogéneo, mas onde é possível destrinçar dois rumos algo distintos, se a composição homónima ou Take It There juntam, de algum modo, o passado musical da dupla de Bristol, com algumas tendências sintéticas do presente, antevendo assim, devido ao referencial que representam, bastante sobre o futuro próximo de toda a música eletrónica mais soturna e atmosférica, já em Dead Editors ou Voodoo In My Blood, os Massive Attack aproveitam as presenças de Roots Manuva e dos Young Fathers, respetivamente, para tentarem fugir um pouco de si próprios e do seu som inigualável. Continuando a ser os mesmos mestres de sempre, nestes dois casos na arte de manipular os traços caraterísticos e identitários da trip hop, conseguem assim retocar um pouco o seu adn, sem descurar a já habitual e espantosa dose de sensualidade e suavidade que é sempre possível conferir na tonalidade das canções que interpretam, trazendo assim, mesmo no seio daquela névoa que faz parte do charme da dupla, brisas bastante aprazíveis ao ouvinte.
Contemporâneo, futurista e, ao mesmo tempo, deliciosamente retro, porque os Massive Attack nunca deixam de nos oferecer gratuitamente aquela sensação quase física de conseguirmos, através deles, recuar cerca de vinte anos até às nebulosas ruas de Bristol, Ritual Spirit balança entre o insinuante e o sublime, num anacronismo intrigante que nos possibilita descobrir uma nova luz e pistas concretas para outros rumos que poderão vir a sustentar o universo musical que Del Naja e Marshall ajudaram a criar e ainda hoje renovam e defendem como ninguém. Espero que aprecies a sugestão...

01. Dead Editors (Feat. Roots Manuva)
02. Ritual Spirit (Feat. Azekel)
03. Voodoo In My Blood (Feat. Young Fathers)
04. Take It There (Feat. Tricky And 3D)
Julie Campbell é LoneLady, uma magnífica voz impregnada com uma irrepreensível soul oriunda de Manchester e que se estreou nos discos em 2010 com o interessante Nerve Up. Cinco anos depois, Julie está de regresso com Hinterland e disposta a mostrar que continua a haver vida e capacidade de renovação para o bom e velho trip-hop e que a criatividade é uma mais valia para este género sonoro quando a abordagem sucede através da conjugação de diferentes referências sem deturpar a essência.

Denso, sussurrante e com o nervo à flor da pele, é assim Hinterland, um álbum luminoso e expansivo e que convida a dançar logo em Into The Cave, canção impregnada com um notável funk que só um baixo tão inspirado como aquele que conduz esta canção poderia proprocionar. A batida de Bunkerpop de mãos dadas com um ligeiro efeito reverberado na voz de LoneLady plasma a tal relação estreita entre diferentes conceitos, com aquela eletrónica tão industrial, cinzenta e melancólica como a cidade de onde a autora é oriunda a piscar o olho ao punk rock, originando uma atmosfera sonora que exala uma tremenda urbanidade e onde a herança de nomes como os Gang Of four, os Talking Heads, Tricky e os prórios Joy Division se junta com a contemporaneidade de uma Likke Li ou de Grimes. Mais adiante, no baixo minimal mas vincado e nos efeitos frenéticos, de origem sintética que ao intercalarem com a batida, clamam por um momento de êxtase que nunca chega, em (I Can See) Landscapes, e no transe melódico sempre controlado que mistura dance music com punk rock em Silvering e Red Scrap, fica carimbado o reforço desta espreitadela algo timida, mas curiosa e evidente, que LoneLady faz ao universo do indie rock mais rugoso e idílico.
Hinterland avança com firmeza e se o tema homónimo assume-se como uma composição tipicamente pop, animada por um flash de uma guitarra exuberante, num espaço de delicioso diálogo desse efeito futurista com heranças e referências de outros tempos, já Groove It Out plasma claramente uma outra intrincada relação, desta vez entre a típica sintetização da década de oitenta, no período aúreo de uns Pet Shop Boys ou dos New Order, com o groove de uma guitarra que se vai deixando conduzir por típicos suspiros sensuais que só o baixo e as batidas da dub proporcionam. Quer este tema, quer a declarada essência vintage dos sons sintetizados de Flee! acabam por encontrar eco em muitas propostas indie atuais que também se movem, com mestria, na mesma miríade de influências que conjugam teclados que balançam entre a pista de dança e paisagens mais comtemplativas, com a lindissima voz de LoneLady a ser mais um predicado na elevada dose de sensualidade e suavidade que exala da tonalidade de quase todas estas canções e que trazem as brisas mais aprazíveis ao ouvinte.
Hinterland não trai de forma alguma a herança do trip hop e lança mais preciosas achas para a fogueira que ilumina novas relações intimas entre eletónica, pop e punk rock. Nele, LoneLady junta o passado musical que a influencia com o presente e antevém assim o futuro próximo de parte da música eletrónica. De facto, Hinterland soou-me como algo refrescante e, ao mesmo tempo, incrivelmente retro, porque permitiu-me recuar cerca de vinte anos até às nebulosas ruas de Bristol e entre o insinuante e o sublime, num anacronismo intrigante, possibilitou-me também descobrir uma nova luz dentro do universo musical que esta autora hoje defende como poucos. Espero que aprecies a sugestão...
01. Into The Cave
02. Bunkerpop
03. Hinterland
04. Groove It Out
05. (I Can See) Landscapes
06. Silvering
07. Flee!
08. Red Scrap
09. Mortar Remembers You

Os britânicos Blueneck acabaram de editar um novo trabalho intitulado King Nine, através da Denovali Records e, aproveitando a embalagem e o período natalício, gravaram Night Of The Meek, um EP com versões de quatro verdadeiros clássicos de Natal.
Esta banda de Bristol é já um nome consensual e consagrado no universo do rock progressivo europeu e este EP, disponivel para download gratuito no bandcamp dos Blueneck, é uma excelente prenda que oferecem aos seus fãs e a todos aqueles que procuram bandas sonoras e canções um pouco diferentes para alegrarem aquela que é a noite mais especial do ano.
Sem colocarem em causa a integridade dos originais, os Blueneck esmeraram-se no modo como revisitaram os quatro temas, adicionando-lhes alguns arranjos que são intrínsecos à sonoridade do grupo e dando assim um cunho muito próprio a quatro canções que são obrigatórias nesta altura do ano. Espero que aprecies a sugestão...
01. Driving Home For Christmas
02. Blue Christmas
03. Silent Night
04. White Christmas
Hard Believer é o novo registo discográfico do projeto Fink liderado por Fin Greenall (voz, guitarra), um músico britânico com quarenta dois anos, natural de Bristol e habitual colaborador do consagrado John Legend, mas que já foi DJ e hoje, deambulando entre Londres e Berlim, vai-se destacando não só como músico, mas também como compositor e produtor para outros projetos. Fink conta ainda com a companhia de Tim Thornton (bateria, guitarra) e Guy Whittaker (baixo) e este é o primeiro registo da R’COUP’D, uma nova etiqueta criada por Greenall com o apoio da Ninja Tune Records.

Num trio em que os dois maiores trunfos são a belíssima voz de Fin e o magnífico trabalho instrumental, principalmente de Tim, à frente da bateria e da guitarra, ficamos logo agarrados ao disco com Hard Believer, o tema homónimo de abertura, feito de uma melodia que tem por base uma bateria e umas cordas impregnadas de soul, às quais vão sendo adicionados vários detalhes e elementos, incluindo o som de um teclado. Este tema inicial é perfeito para nos transportar para um disco essencialmente acústico, vincadamente experimental e dominado por cordas com uma frote toada blues.
Green and the Blue segue a mesma dinâmica da primeira canção de um alinhamento sinuoso e cativante, que nos convida frequentemente à introspeção e à reflexão sobre o mundo moderno e onde Fin não poupa na materialização dos melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, havendo, no disco, vários exemplos do forte cariz eclético e heterogéneo do seu cardápio.
Pouco depois, ao sermos presenteados com o trip hop de White Flag, percebemos que os Fink também manipulam com mestria os típicos suspiros sensuais que o baixo e as batidas da dub proporcionam e que há uma elevada dose de sensualidade e suavidade na tonalidade das canções que interpretam. Por exemplo, em Pilgrim, o baixo em espiral e melodicamente hipnótico, a corda de uma viola que com ele se entrelaça e alguns efeitos que nos transportam numa viagem rumo ao revivalismo dos anos oitenta e o dedilhar deambulante de Shakespeare, são outros dois momentos que trazem brisas bastante aprazíveis ao ouvinte.
O auge do disco chega com a atmosfera simultaneamente íntima e vibrante do single Looking Too Closely e ao sermos irremediavelmente desarmados pelo jogo de sedução que se instala entre o piano, a viola e a voz de grave, profunda e enigmática de Fin, percebe-se o que Hard Believer tem que facilmente nos fascina, nada mais nada menos que uma coleção irrepreensível de sons inteligentes e solidamente construídos, que nos emergem em ambientes carregados de batidas e ritmos que, tomando como exemplo as teclas desta canção, poderão facilmente fazer-nos acreditar que a música pode ser realmente um veículo para o encontro do bem e da felicidade coletivas.
Hard Believer é um trabalho rico e arrojado, que aponta em diferentes direções sonoras, apesar de haver um estilo vincado que pode catalogar o cardápio sonoro apresentado. O disco tem um fio condutor óbvio, assente em alguma da melhor indie pop contemporânea, mas uma das suas particularidades é conseguir, sem fugir muito desta bitola, englobar diferentes aspetos e detalhes de outras raízes musicais, num pacote cheio de paisagens sonoras que contam histórias que a voz de Fin sabe, melhor do que ninguém, como encaixar. Hard Believer é um álbum maduro e consciente e faz dos Fink, enquanto criadores musicais, uma das novas bandas mais excitantes e influentes do cenário alternativo atual. Espero que aprecies a sugestão...

01. Hard Believer
02. Green And The Blue
03. White Flag
04. Pilgrim
05. Two Days Later
06. Shakespeare
07. Truth Begins
08. Looking Too Closely
09. Too Late
10. Keep Falling
Natural de Bristol e funcionário numa loja de discos, o cantor, produtor e compositor Oliver Wilde captou a atenção da imprensa musical especializada britânica quando lançou o ano passado A Brief Introduction To Unnatural Lightyears, o seu disco de estreia, rotulado como um verdadeiro tratado de pop psicadélica e que lhe valeu comparações com nomes tão relevantes como Mark Linkous ou Bradford Cox. Cerca de um ano depois Oliver está de regresso com um novo disco intitulado Red Tide Opal In The Loose End Womb, um trabalho que viu a luz do dia a cinco de maio através da Howling Owl Records.

A Brief Introduction To Unnatural Lightyears, provocou um impacto intenso numa vasta legião de críticos musicais e ficou nas listas dos melhores de muitos deles, curiosamente como uma espécie de segredo bem guardado, que poucos quiseram revelar, o que fez com que Oliver Wilde se mantivesse internacionalmente na penumbra, como um tesouro escondido, mas que agora, com Red Tide Opal In The Loose End Womb, já não é possível mais ocultar.
As doze canções deste seu novo álbum mantêm a elevada bitola qualitativa do disco de estreia e estão cheias de melodias únicas, onde vagueiam e pairam letras sofisticadas, que criam imagens oníricas e sensíveis, às quais Oliver dá vida e reproduz impecavelmente com a sua voz única e sussurrada, mas que tem algo de profundo e celestial. O amor, a solidão, o abandono, a vida e a morte, servem-lhe como assunto e, sendo conceitos relacionados com a crueza da realidade, falam do universo de um jovem adulto, fazendo-o de forma a deixar-nos com um enorme sorriso nos lábios quando somos confrontados com a beleza melódica de que este artista se serve para atingir tal desiderato.
On This Morning foi o primeiro avanço divulgado do disco e depois chegou a vez de Play & Be Saved. Destaques maiores do disco juntamente com a épica e animada Stomach Full Of Cats, são exemplos exuberantes, cheios de arranjos que, juntamente com a voz de Wilde, dão um cariz efervescente, melancólico e onírico a três temas cheios do brilho e da cor transversais a todo o alinhamento de Red Tide Opal In The Loose End Womb. Essa atmosfera única e vibrante é construída por Oliver tendo por base as cordas, às quais vai adicionando mantos de sons eletrónicos e samplers, de forma a que na sua música palpite uma evidente psicadelia pop que ressuscita com elevado charme com as típicas orquestrações do universo sonoro lo fi .
Ouvir a música de Wilde é passear por um universo feito de exaltações melancólicas, ao som de uma receita que recorta e sobrepõe uma sujidade sonora apenas aparente, para criar melodias únicas e coloridas, detalhes que oferecem ao estilo de Oliver wilde o tal cariz pop lo fi, fortemente emocional e, longe de óbvio, à medida que cruza a folk eletrónica com a pop lo fi, de forma particularmente sofisticada e emotiva. Red Tide Opal In The Loose End Womb é uma da melhores surpresas da primeira metade de 2014. Espero que aprecies a sugestão...

1. On This Morning
2. Stomach Full of Cats
3. St. Elmo's Fire
4. Say Yes To Ewans
5. Plume
6. Smiler
7. Play & Be Saved
8. Pull
9. Rest Less
10. Balance Out
11. Night In Time Lapse (Somewhere Safe)
12. Vessel

Depois de na primavera do ano passado Tricky ter regressado aos discos com False Idols, um álbum lançado por intermédio do selo próprio !K7, depois de um fim de uma relação de quase vinte anos com a Domino Records, o músico divulgou que já está a trabalhar no sucessor daquele que foi o décimo disco da carreira de um dos fundadores dos Massive Attack e um mergulho de Tricky nas mesmas águas turvas que o levaram às viagens sombrias dos seus primeiros trabalhos.
Mas, enquanto não chega o décimo primeiro disco deste músico britânico, resolveu disponibilizar gratuitamente na sua página um EP com cinco canções que resultaram de sessões de gravação feitas nos últimos meses e outras que Tricky não incluiu no alinhamento de False Idols. Tricky resolveu oferecer estes temas para que, seugundo o próprio, não se percam e do canto sevilhano de Emel, onde não faltam a guitarra e as cordas, ao trip hop hipnotico de Black Coffee, passando pelos típicos suspiros sensuais que o baixo e as batidas da dub proporcionam em ESP, há vários motivos de sobra para descarregares cinco pinturas sonoras que Tricky nos dá Just because I can, and it’s just for love. Confere...

‘Black Coffee’ – featuring Martina Topley-Bird
‘A Song for Yukiko’ - featuring John Suzuki and Yukiko Takahasi
‘Strange Fruit’ (Tricky Remix) – Billie Holiday
‘ESP’ - featuring Liz Densmore
‘Emel’ - featuring Emel

Natural de Bristol, o cantor, produtor e compositor Oliver Wilde captou a atenção da imprensa musical especializada britânica quando lançou o ano passado A Brief Introduction To Unnatural Lightyears, o seu disco de estreia, rotulado como um verdadeiro tratado de pop psicadélica e que lhe valeu comparações com nomes tão relevanters como Mark Linkous ou Bradford Cox.
Cerca de um ano depois Oliver está de regresso com um novo disco intitulado Red Tide Opal In The Loose End Womb, um trabalho que verá a luz do dia a cinco de maio através da Howling Owl Records. On This Morning foi o primeiro avanço divulgado do disco e agora chegou a vez de Play & Be Saved. Falo de duas exuberantes canções, cheias de arranjos que, juntamente com a voz arrastada de Wilde, dão um cariz efervescente, melancólico e onírico a dois temas cheios de brilho e cor.
Por estas duas amostras, parece-me que Red Tide Opal In The Loose End Womb será uma das obras discográficas mais relevantes de 2014. Confere...

Quando uma instituição da música eletrónica como os Massive Attack se junta a um artista em ascensão contínua como Will Bevan, aka Burial, só pode acontecer algo de mágico e significativo. Sem aviso prévio, estes dois nomes importantes colaboraram entre si e daí resultou um single com edição limitada e que, por isso, esgotou rapidamente. Falo de Four walls/Paradise circus, um vinil de doze polegadas, lançado via Vinyl Factory e Inhale Gold, que contém dois temas com o mesmo nome, uma em cada lado do mesmo.
O lado A, com Four Walls, resulta de um efetivo trabalho conjunto entre os Massive Attack e Burial; É um tema longo, mas que não satura, feito com doze minutos de um excelente trip hop, com a presença de Burial a conferir contornos algo sombrios e sinistros, feitos com camadas de efeitos sintéticos em cima de batidas lentas e esporádicas.
Já Paradise Circus é uma remistura de Burial para um dos destaques de Heligoland, o último disco dos Massive Attack e um dos melhores da carreira do grupo. Tanto uma canção com a outra escutam-se muito bem, principalmente com headphones, são extraordinárias para momentos de puro relaxamento e permitem-nos embarcar numa viagem profunda ao universo musical típico do trip hop e do cardápio sonoro, quer de Burial, quer dos Massive Attack. Espero que aprecies a sugestão...
01. Four Walls
02. Paradise Circus
Conforme divulguei em Curtas... LXXXIX, Adrian Thaws aka Tricky está de regresso aos discos com False Idols, álbum lançado no passado dia vinte e oito de maio por intermédio do selo próprio !K7, depois de um fim de uma relação de quase vinte anos com a Domino Records. False Idols é o décimo disco da carreira de um dos fundadores dos Massive Attack e um mergulho de Tricky nas mesmas águas turvas que o levaram às viagens sombrias dos seus primeiros trabalhos. Já agora, Nothing's Changed, o primeiro single extraído do álbum e que conta com a participação especial de Francesca Belmonte está disponível para download gratuito no sitio do músico. Além de Francesca, False Idols conta com as colaborações de Peter Silberman dos The Antlers, Fifi Rong e Nneka.

Denso, sussurrante e com o nervo à flor da pele, é assim False Idols, um álbum mais luminoso e expansivo que os anteriores Mixed Race e Knowle West Boy, ou seja, Tricky regressa à primeira divisão do cenário mundial da música eletrónica e está de volta à fórmula bem sucedida, ao bom e velho trip hop que ajudou a fundar não só nos Massive Attack, mas também em Maxinquaye o seu primeiro disco a solo, lançado já no longínquo ano de 1995.
Em False Idols Tricky manipula os típicos suspiros sensuais que o baixo e as batidas da dub proporcionam e pretende dizer-nos que apesar de algumas deambulações recentes por universos sonoros menos inspirados, onde tentou fugir um pouco de si próprio e do seu som inigualável, continua o mesmo mestre de sempre na arte de manipular os traços caraterísticos e identitários da trip hop. Nothing‘s changed, I still feel the same, sussurra Tricky em Nothing’s Changed, para que não restem dúvidas. E ainda tem a altivez de nos desafiar pouco depois quando durante a exuberante linha de baixo de Does It questiona o ouvinte se estamos a gostar da audição do álbum (Does it make you feel good?).
Tricky teve sempre outras vozes a colaborar nos seus discos e as femininas assumiram frequentemente forte protagonismo, o que não é excepção em False Idols. Apesar de desta vez não contar com Martina Topley-Bird ou Elizabeth Fraser, com Francesca Belmonte, Fifi Rong e Nneka, há uma elevada dose de sensualidade e suavidade na tonalidade das canções que interpretam. Por exemplo, If Only I Knew e Chinese Interlude são dois momentos que trazem as brisas mais aprazíveis ao ouvinte.
Quanto a vozes masculinas, Peter Silberman, dos The Antlers, empresta a sua a Parenthesis, um tema que não soaria desalinhado no conteúdo de Burst Apart, a obra prima do grupo desse músico. Depois também há a já habitual pafernália de samples; em False Idols temos samples de Ghosts dos Japan (a banda de David Sylvian) e Somebody Sins, logo a abrir, é uma versão de Van Morrison, que deambula um pouco pelo lado mais religioso da vivência humana (Jesus died for somebody’s sins, but not mine). Esta faceta espiritual encerra o disco com o tema Passion Of Christ, uma canção que volta a colocar a nú a fase em que Tricky andou um pouco desorientado e à procura de si próprio, antes de voltar novamente aos eixos, mais maduro e consciente das suas limitações e, sobretudo, do seu potencial enquanto criador musical e um dos artistas mais influentes do cenário alternativo atual.
False Idols não trai de forma alguma a anterior herança deste artista britânico, junta o seu passado musical com o presente e antevém bastante sobre o futuro próximo de toda a música eletrónica mais soturna e atmosférica. Há mesmo alguns críticos que consideram que o seu conteúdo supera qualitativamente Maxinquaye, disco considerado por muitos como uma biblia do trip hop. Considerações e opiniões exteriores à parte, pessoalmente False Idols soou-me como algo refrescante e, ao mesmo tempo, incrivelmente retro porque permitiu-me recuar cerca de vinte anos até às nebulosas ruas de Bristol e entre o insinuante e o sublime, num anacronismo intrigante, possibilitou-me também descobrir uma nova luz dentro do universo musical que Tricky ajudou a criar e hoje defende como ninguém. Espero que aprecies a sugestão...

01 Somebody’s Sins
02 Nothing Matters
03 Valentine
04 Bonnie & Clyde
05 Parenthesis
06 Nothing’s Changed
07 If Only I Knew
08 Is That Your Life
09 Tribal Drums
10 We Don’t Die
11 Chinese Interlude
12 Does It
13 I’m Ready
14 Hey Love
15 Passion of the Christ

Depois de Songs From An Attic, os britânicos Misophone de Bristol, formados pelo multi instrumentista Herbert e por Welsh acabam de divulgar e disponibilizar gratuitamente Songs from the Cellar- Lost Songs and other relics, uma curiosa e extraordinária compilação cheia de diversidade sonora, através da etiqueta Another Record.
Songs from the Cellar- Lost Songs and other relics materializa o remexer no sotão das relíquias perdidas dos Misophone já que compila algumas sobras dos processos de gravação do grupo, samples feitos pela banda e não só, momentos de estúdio que ficaram registados e outras curiosidades que comprovam o leque de instrumentação imenso a que os Misophone nos habituaram desde sempre. Desde sons da natureza, potes e panelas a chocalhar, ruídos de pássaros e arrulhos feitos com trombones, ouve-se de tudo um pouco num grupo que tem no jazz e na folk tradicional inglesa as maiores referências sonoras.
Esta coleção de instantes sonoros é um verdadeiro carnaval sonoro e até um pouco claustrofóbico e atesta o quanto os Misophone são expressivos e como é difícil balizá-los num estilo concreto, apesar das referências citadas. Entrar no sotão dos Misophone e entendê-lo pressupõe uma enorme predisposição para encarar com o caos e não se ficar chocado por ouvir latidos de cachorros ou um coro de melros e fantasmas a cantarem canções de amor.
Entretanto lá para o final do ano chegará Lost At Sea, um novo álbum de originais da dupla. Espero que aprecies a sugestão...
Gravenhurst é uma banda, mas também um projeto idealizado pelo músico e compositor Nick Talbot, natural de Bristol, Inglaterra e o veículo que ele utiliza para transportar as suas ideias e sentimentos. Afirma ser um estudioso da obra dos Smiths e dos My Bloody Valentine, apesar do som que elabora ter uma sonoridade um pouco mais folk e clássica, com uma belíssima simplicidade, diga-se.

Os Gravenhurst estrearam-se nos discos em 2004 com Flashlight Seasons, lançaram The Western Lands em 2007 e depois deste hiato de cinco anos regressaram agora em 2012 com The Ghost in Daylight, lançado no passado mês de abril através da Warp Records e um trabalho que nos absorve se estivermos predispostos a receber de braços abertos a visita intimista de dez canções que pedem tempo, atenção e dedicação e de onde destaco Fitzrovia, Carousel, Islands, The Ghost Of Saint Paul e a fabulosa The Prize.
Estas canções apresentadas por Nick Talbot e a sua banda seguem um caminho sereno, pautado, como disse, na folk rock e com as guitarras praticamente desligadas, sendo a já citada The Prize e a sua explosão de guitarra nos instantes finais uma das poucas exceções.
Fitzrovia, The Foundry e Three Fires valorizam muito a voz de Talbot, o acústico, a percussão tímida e as letras melancólicas e contêm efeitos que apenas um bom par de headphones pode captar. É mais um disco que nos vai fornecendo novos detalhes sonoros ao longo de várias audições, apesar de parecer simples e de fácil assimilação.
A escrita de Talbot celebra a capacidade inventiva humana e há uma alquimia delicada nestas preciosas canções porque enquadram com uma intensidade tórrida uma multiplicidade de cores de forma particularmente emocionante, com dramatismo, sem soar demasiado piegas e sentimental, mas graciosamente triunfante.
Por toda a beleza suave e melancólica deste conjunto de canções, onde trasborda em simultâneo uma peculiar atmosfera um pouco compulsiva e transcendente, não custa nada afirmar que Talbot será atualmente um dos segredos mais bem guardados da música contemporânea.
01. Circadian
02. The Prize
03. Fitzrovia
04. In Miniature
05. Carousel
06. Islands
07. The Foundry
08. Peacock
09. The Ghost Of Saint Paul
10. Three Fires
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