man on the moon
music will provide the light you cannot resist! ou o relato de quem vive uma nova luz na sua vida ao som de algumas das melhores bandas de rock alternativo do planeta!
Ricardo Reis Soares- A Velha Bailarina
Ricardo Reis Soares nasceu em Braga e vive em Lisboa. Muito novo teve aulas de piano e mais tarde descobriu na guitarra uma confidente ouvinte das suas histórias. Passou pela Academia Valentim de Carvalho e estudou jazz no Hot Clube de Portugal.

Músico e compositor, traz para as suas canções a sua interpretação do mundo através da sensibilidade de quem o escuta devagar, o olha através dos detalhes e conta histórias através de seus personagens reais e fictícios. O quotidiano, as coisas mais simples do dia a dia, têm sido o que mais o inspira a compor e a escrever. O primeiro EP Contra tempo sairá no final deste ano, com produção de Miguel Marôco.
A Velha Bailarina é o título do terceiro single do EP partilhado pelo cantautor. Retrata a história de uma mulher idosa, bailarina, cuja passagem do tempo não a esqueceu. Ela encontra-a em cada gesto e em cada movimento do seu próprio corpo. Retrata a velhice e como esta se faz notar não só fisicamente como na perspetiva com que o mundo pode ser olhado na sua presença.
O videoclipe de A Velha Bailarina, cujas filmagens decorreram no theatro-club na Póvoa de Lanhoso, em Braga, foi realizado por Luís Castro e conta com duas participações especiais: a talentosa bailarina Margarida Braz e a avó Guida, avó de Ricardo Reis Soares. Confere...
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mutu - Estado Novo
Projeto bracarense formado em 2020, mutu é um quarteto heterogéneo no que respeita aos gostos e influências dos seus elementos. Da electrónica à música tradicional, passando pelo jazz, o psicadelismo, o fado e o post-rock, tudo se combina num tecido musicalmente moderno e minimalista encimado por uma voz evocativa de uma portugalidade de outrora, transmitindo mensagens que apelam a um sentido crítico sobre importantes problemáticas sociais.

Os mutu estrearam-se nos discos com o registo A Morte do Artista, que levaram a várias salas míticas do país, nomeadamente o Teatro Circo, o gnration, a Casa da Música e também constaram, o ano passado, do cartaz de vários festivais, nomeadamente o Paredes de Coura e o Primavera Sound, no Porto.
Agora, e já com promessa de disco novo para dois mil e vinte e seis, os mutu estão de regresso à estrada com uma digressão que passou há alguns dias pelo Festival Desecentrar em Este, nos arredores de Braga e que tem como próximos capítulos, o Maus Hábitos no Porto, a dezasseis de maio, Famalicão, no dia trinta de maio, Marinha Grande no dia cinco de setembro e, no dia seguinte, Ourém.
Para esta nova fornada de espetáculos os mutu levam na bagagem um novo single intitulado Estado Novo, que deverá fazer parte do segundo disco do grupo. Canção enleante, com um ímpar perfil clássico, mas sem dispensar uma salutar rugosidade e crueza e tendo como eixo central um piano hipnótico que depois vai recebendo sintetizações inebriantes e outros arranjos das mais variadas proveniências instrumentais, quer orgânicas, quer sintéticas, Estado Novo é um convite à resistência, de um discurso que os mutu consideram que se está a repetir nos dias de hoje por cá e que plasma um crescimento do ultranacionalismo e do fascismo vestido de novas cores, mas a carregar a mesma essência: medo, divisão e manipulação. Sem recursos de censura ou de uma polícia política, a propaganda espalha-se pelas redes sociais e pelos meios de comunicação, num discurso encoberto pelo patriotismo e pelo ódio ao diferente e às ideias novas. Confere...
instagram @mutu.music
facebook @mutu.fb
youtube youtube.com/@mutu.videos
spotify open.spotify.com/artist/6np57AmYU7ZFM0XZdCtG1O
live @ primavera sound porto youtu.be/uA1_GezOHm0
showcase @ porta253 https://youtu.be/IHOGTCUdOVs
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Luciano Mello & Orchestra Falsa - Gus Van Sant
Luciano Mello é um compositor, cantor, pianista e arranjador brasileiro. Tem obras gravadas por Elza Soares, uma das mais importantes cantoras do Brasil na atualidade e também por Marina Lima, entre outros nomes da MPB. Luciano Mello, que atualmente vive em Braga, tem quatro álbuns disponíveis nas plataformas de streaming de música, além de singles, EPs e inúmeras bandas sonoras compostas para teatro, dança e algumas incursões pelo cinema. Conhecido pelas composições, tem também o seu nome marcado pelos espetáculos de lançamento de seus álbuns, verdadeiras performances multimédia em que vídeo, música eletrónica e acústica dialogam, proporcionando ao público uma experiência de imersão ímpar.

Luciano Mello é também o criador do conceito Orchestra Falsa, uma orquestra construída de samples de gravações antigas, que eleva a sonoridade única das suas produções.
Depois de termos divulgado o singleVazio, a primeira amostra do mais recente álbum de Luciano Mello, Vida Portátil, agora chega a vez de conferirmos a canção Gus Van Sant, uma composição que impressiona pelos timbres das sintetizações e pela postura algo hipnótica do poema, nomeadamente o refrão. Ela é uma homenagem, de acordo com o autor, a um dos seus diretores preferidos do cinema e também um questionamento que muitos dos filmes deste diretor lhe trouxeram, entre eles, Paranoid Park, Elephant e Milk.
Gus Van Sant tem também já direito a um vídeo produzido por Patrick Tedesco e o próprio Luciano Mello, que traduz com perfeição a atmosfera post-punk que o álbum Vida Portátil quer criar. Confere...
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Luciano Mello & Orchestra Falsa - Vazio
Luciano Mello é um compositor, cantor, pianista e arranjador brasileiro. Tem obras gravadas por Elza Soares, uma das mais importantes cantoras do Brasil na atualidade e também por Marina Lima, entre outros nomes da MPB. Luciano Mello, que atualmente vive em Braga, tem quatro álbuns disponíveis nas plataformas de streaming de música, além de singles, EPs e inúmeras bandas sonoras compostas para teatro, dança e algumas incursões pelo cinema. Conhecido pelas composições, tem também o seu nome marcado pelos espetáculos de lançamento de seus álbuns, verdadeiras performances multimédia em que vídeo, música eletrónica e acústica dialogam, proporcionando ao público uma experiência de imersão ímpar.

Luciano Mello é também o criador do conceito Orchestra Falsa, uma orquestra construída de samples de gravações antigas, que eleva a sonoridade única das suas produções.
Vazio é o primeiro single do mais recente álbum de Luciano Mello, Vida Portátil. A sua inspiração partiu de uma notícia despercebida que o compositor leu num jornal e que contava como um jovem brasileiro foi a Portugal, mais precisamente ao Porto, encontrar o amor da sua vida, amor este que conheceu na internet e que ao chegar, não viu nada, não viu ninguém, encontrou tudo vazio. Ao procurar o amor nas redes sociais, o jovem constatou que tudo tinha sido apagado, não havia rasto de quem o tinha chamado. Luciano sabe que esta não é a primeira vez que uma história assim acontece e que talvez não seja a última, a internet e sua tecnologia permitem que alguém se personifique num desejo não existente e que simplesmente se esfume durante o voo de outro alguém.
Com arranjos de travo contemporâneo e uma trama instrumental composta por piano acústico, um sintetizador analógico, uma caixa de ritmos em loop e a voz, Mello forja a sua Orchestra Falsa, a orquestra secreta em que ele mesmo toca ou simula todos os instrumentos, para criar este tema Vazio, que já tem direito a um vídeo assinado pelo artista visual Patrick Tedesco que propôs imagens do artista numa posição de desamparo, como alguém que chega a um lugar desconhecido e está prestes a desintegrar-se. Confere...
Instagram https://www.instagram.com/lucianomellomusic
Spotify https://open.spotify.com/artist/1czaUSU8DQjQPD4HVo3eSg
YouTube https://www.youtube.com/lucianomellomusic
Bandcamp https://lucianomello.bandcamp.com/
Tratore - perfil do artista https://tratore.com.br/um_artista.php?id=35792
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Grutera - Fica Entre Nós
Será a quatro de maio e à boleia da Planalto Records que irá ver a luz do dia Aconteceu, o quarto disco do projeto Grutera, assinado por Guilherme Efe, um músico nascido em pleno verão de mil novecentos e noventa e um e que, segundo reza à lenda, chegou ao nosso mundo todo nu, careca, sem dentes e cheio de sangue da barriga de sua mãe. As más línguas também referem que na altura o músico ainda não sabia tocar guitarra, porque não tinha unhas, mas provavelmente já sabia que era isso que faria o resto da sua vida, ainda que paralelamente tivesse qualquer outra atividade, mais ou menos lícita, mais ou menos nobre, com que fizesse mais ou menos dinheiro.

Guilherme começou a sua carreira artística a tocar guitarra em bandas de metal, depois descobriu os recônditos prazeres da guitarra clássica e percebeu que seria por aí que iria conseguir alcançar a tão almejada fama, riqueza e sucesso, que tanto ambicionava desde o ventre materno, ou pelo menos, fazer música que o emocionasse e que melhorasse alguns minutos da vida de alguém que a ouvisse.
O percurso discográfico de Guilherme começou há cerca de oito anos com Palavras Gastas, no ano seguinte chegou aos escaparates o registo Sempre e dois anos depois viu a luz do dia Sur Lie, o antecessor deste Aconteceu, que foi gravado numa pequena adega, em casa dos pais do músico e que quebra um hiato de meia década, tendo começado a ser incubado em Braga desde dois mil e dezassete, com a ajuda de Tiago e Diogo Simão, que já tinham tido um papel preponderante nos três trabalhos anteriores deste projeto Grutera.
Fica Entre Nós é o primeiro single divulgado de Aconteceu, uma instrumental dedilhado divinamente à guitarra e que versa sobre a cumplicidade, um sentimento que pode ser entre duas pessoas como entre pessoas e as suas tradições. O próprio vídeo da canção tem essa faceta bem impressa, ao mostrar uma necessidade cada vez mais premente de conservar costumes e preservar espaços e gentes locais. Gentes que, muitas vezes, se vêm expulsas das suas raízes pela força do turismo e dos interesses económicos, que tanto podem ter de bom como de mau, se não existir um equilíbrio. Confere...
CONCERTOS
5 de Abril/ Festival Santos da Casa, Coimbra
4 de Junho/ Maus, Hábitos, Porto
5 de Junho/ Clav Sessions, Vermil
13 de Junho/ CAE Sever do Vouga
25 de Setembro/ Casa da Cultura, Setúbal
https://m.facebook.com/grutera1
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Dear Telephone - Automatic
Inspirados pela curta metragem de Peter Greenway intitulada Dear Phone, realizada em 1976, os Dear Telephone vêem de Barcelos e formaram-se há pouco mais de meia década, tendo na sua formação gente que nos tem sempre mostrado, em todos os projectos em que se envolvem, uma inegável qualidade enquanto músicos e que provam que na música se pode fazer sempre algo de inovador e diferente daquilo que o mainstream habitualmente nos oferece. Falo de Graciela Coelho, André Simão, Pedro Oliveira e Ricardo Cibrão, os membros deste grupo obrigatório no panorama sonoro contemporâneo indie nacional.

Em março de 2011 os Dear Telephone estrearam-se com o EP Birth Of A Robot, um conjunto de canções com uma abordagem sonora algo crua, intimista e minimalista e que foi muito bem recebido pela crítica e apresentado ao vivo em algumas das mais importantes salas de espetáculos do país. Mas também chegaram ecos desse EP ao estrangeiro, com os Dear Telephone a fornecerem um tema para a banda sonora do filme brasileiro Contramão de Fabio Menezes e a representarem Portugal em agosto desse ano no evento Music Alliance Pact. Dois anos depois, em 2013, estrearam-se no formato longa-duração com Taxi Ballad, um disco onde mergulharam sem concessões no assumido fascínio pelo quotidiano e suas contradições, no discurso directo e desconcertante das personagens que as vozes encarnam e numa instrumentação dura e sem artifícios. Entretanto, quase no ocaso de 2017, o grupo minhoto editou Cut, o sempre difícil segundo disco, um compêndio com nove canções alicerçadas em diferentes linguagens e esferas de influência sonora, um disco que experimentou a pop e piscou o olho ao rock, sempre com mestria e com os ingredientes certos, tendo sido agora retirado dele um novo síngle intitulado Automatic, canção que assenta no compasso firme da bateria e que impressiona pelo modo como essa habilidade percurssiva é acompanhada pela guitarra e por um efeito sintetizado inebriante.
Também já com direito a video de promoção, realizado por Miguel C. Tavares e Luis Moreira e protagonizado por Bruna Passos Costa, num álbum em que os Dear Telephone aprofundam a influência do cinema na sua música e lírica, Automatic é sobre lugares e arquitecturas, e nela a personagem do vídeo, busca solitariamente e em passo arriscado e decidido, o caminho de ser o que lhe apetecer. Confere...
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Bed Legs - Bed Legs
Oriundos de Braga, Fernando Fernandes,Tiago Calçada, Helder Azevedo, David Costa e agora também Leandro Araújo são os Bed Legs, que, de acordo com Marcio Freitas dos Dead Men Talking, autor do press release de lançamento do novo registo discográfico do grupo, se afirmam cada vez mais como criadores de música embebida, entornada e enrolada em melodias que despertam a maior das emoções e sensações, numa roda-viva que brota vivências por todos os lados. Esta banda começou por criar um certo e justificado burburinho, junto dos críticos mais atentos, à boleia de Not Bad, um EP editado no início de 2014 e, dois anos depois, através de Black Bottle, o longa duração de estreia, nove canções que justificaram, desde logo, a ideia de estarmos perante uma banda apostada em calcorrear novos territórios, de modo a entrar, justificadamente e em grande estilo, na primeira divisão do campeonato indie e alternativo nacional.

Agora, dois anos depois, os Bed Legs editaram o sempre difícil segundo disco, um homónimo gravado na Mobydick Records, com o apoio do GNRation, por Budda Guedes e masterizado por Frederico Cristiano. Dele ficou-se a conhecer há algum tempo Spillin' Blood, o tema que abre um alinhamento onde, citando novamente Marcio Freitas, abunda a soltura dos teclados e do baixo, a riqueza dos ecos das guitarras e da bateria multi-ritualista, (...) num delicioso frenesim que inebria o mais puro dos seres.
De facto, escuta-se Bed Legs na íntegra e a primeira constatação óbvia é que, tendo em conta o registo anterior, os Bed Legs estão cada vez mais maduros e consistentes. Continuam a firmar o seu adn sonoro, impregnado-o e mascarando-o com o clássico rock cru e envolvente, sem máscaras e detalhes desnecessários, mas não faltam novos arranjos, quase sempre fornecidos por uma guitarra nada longe do rock de garagem e a piscar o olho a territórios cada vez mais progressivos (ouça-se Lift Me Up) e a uma salutar vibe psicadélica, exemplarmente replicada no solo eletrificado planante de Keep On, um tratado de lisergia enleante e submersivo.
A voz está também a tornar-se num caso sério da lista de predicados que os Bed Legs possuem, extravasando de modo superior o rol de emoções que as letras suscitam, sendo o complemento perfeito para um emaranhado sonoro, que parece resultar de uma espécie de rasgo das cordas vocais e que se destaca particularmente nas mudanças de tonalidade que executa à boleia da guitarra de Dreams On Fire, principalmente após a guinada ritmica e textural que o tema sofre a meio e no delicioso tratado de rhythm and blues que é Back On Track, uma ode ao melhor rock americano e onde, ao ouvir-se a postura vocal de Fernandes é fácil imaginar que uma lágrima de dor escorre-lhe da garganta ao coração, tal é a emoção com que ele canta. Esta emoção também se sente perfeitamente em Dance! quando Fernandes se cruza com a guitarra e berra literalmente uma espécie de último suspiro antes de um momento de dança desenfreada, claramente há muito contido.
Bed Legs é um título feliz para este disco, exatamente porque no seu conteúdo está impressa a identidade de um projeto onde por detrás da amálgama estilística que abrange, dentro de um espetro sonoro claramente delimitado, existe existe um universo inteiro de detalhes, sobreposições e arranjos que vale a pensa descobrir e que faz dos Bed Legs um nome a reter no cada vez mais intrincado e valioso universo sonoro alternativo nacional. Espero que aprecies a sugestão...
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Bed Legs - Spillin' Blood
Oriundos de Braga, Fernando Fernandes,Tiago Calçada, Helder Azevedo, David Costa e agora também Leandro Araújo são os Bed Legs, que, de acordo com Marcio Freitas dos Dead Men Talking, autor do press release de lançamento do novo registo discográfico do grupo, se afirmam cada vez mais como criadores de música embebida, entornada e enrolada em melodias que despertam a maior das emoções e sensações, numa roda-viva que brota vivências por todos os lados. Esta banda começou por criar um certo e justificado burburinho, junto dos críticos mais atentos, à boleia de Not Bad, um EP editado no início de 2014 e, dois anos depois, através de Black Bottle, o longa duração de estreia, nove canções que justificaram, desde logo, a ideia de estarmos perante uma banda apostada em calcorrear novos territórios, de modo a entrar, justificadamente e em grande estilo, na primeira divisão do campeonato indie e alternativo nacional.

Agora, dois anos depois, os Bed Legs preparam-se para editar o sempre difícil segundo disco, um homónimo gravado na Mobydick Records, com o apoio do GNRation, por Budda Guedes e masterizado por Frederico Cristiano. Dele já se conhece Spillin' Blood, o tema que abre um alinhamento de oito composições onde, citando novamente Marcio Freitas, abunda a soltura dos teclados e do baixo, a riqueza dos ecos das guitarras e da bateria multi-ritualista, (...) num delicioso frenesim que inebria o mais puro dos seres. Acrescento que, de acordo com esta amostra, o álbum estará impregnado com o clássico rock cru e envolvente, sem máscaras e detalhes desnecessários, mas onde não faltam arranjos inéditos e uma guitarra nada longe do rock de garagem, mas que também pisca o olho a territórios mais progressivos e a uma salutar vibe psicadélica. Nestes Bed Legs é viva e evidente mais uma prova que se o rock estiver em boas mãos tem capacidade que sobra de renovar-se e quantas vezes for necessário. Brevemente divulgarei a crítica desta nova saga discográfica deste quinteto bracarense. Confere...
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Máquina Del Amor - Disco
É em Braga e numa feliz simbiose entre elementos dos peixe:avião e dos Smix Smox Smux que se encontra a génese dos Máquina Del Amor, um quarteto que já carrega nos braços um fabuloso tomo de canções intitulado Disco. São oito temas impregnados com um rock cru, intenso e maquinal, um rock feito sem limites pré-definidos ou concessões a estreótipos de géneros e estilos e do qual exala uma salutar sensação intuitiva. Nela, improviso instrumental e sensibilidade melódica entrelaçam-se constantemente, sem cânones ou fronteiras rígidas e com uma ímpar homogeneidade, um coito desprovido de qualquer tipo de pudor entre o orgânico e o sintético, que acabou por resultar num registo desconcertante e inigualável no panorama sonoro nacional atual.

Logo no modo lascivo e de certo modo corrosivo como Karate aborda e conjuga efeitos etéreos, distorções rugosas e uma batida bastante proeminente percebe-se que este álbum não é para ser escutado por quem é adepto de ambientes sonoros mais amenos e delicados. Esta sonoridade algo psicótica não é propriamente confortável para o ouvido, mas esse acaba por ser, curiosamente, um dos maiores atributos destes Máquina Del Amor que, mesmo com essa permissa sempre presente, conseguem oferecer ao ouvinte instantes melódicos atrativos e que vagueiam pela nossa mente sem atropelo, alguns de um modo até tremendamente hipnótico, como é o caso de Mau ou o falso minimalismo coercivo de Carta de Amor e, de um modo ainda mais progressivo, Nova Antiga, composição onde a delicadeza emotiva nunca deixa de fazer mossa, mesmo que à medida que o tema se desenvolve, longos loopings sintetizados e riffs de guitarra alucinogénicos, façam a sua aparição sem qualquer tipo de mácula ou entrave.
Disco é rock puro e duro e que corta e rebarba de alto a baixo. Frenético, labiríntico, sufocante e cerebral, é capaz de nos levar do subsolo aos confins do universo num ápice, sendo proposto por um projeto que estará totalmente alheado, de forma consciente, do que são hoje os os habituais patamares de rugosidade instrumental e estilística de um campo sonoro que permite uma multiplicidade infinita de abordagens, mas que nem sempre aceita de bom grado a busca de atmosferas mais opressivas e desoladoras que o habitual, mesmo que isso seja apenas uma primeira impressão que pode até nem corresponder à real génese do trabalho. Espero que aprecies a sugestão...
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Gonçalo - Boavista
Figura de proa dos míticos Long Way To Alasca, Gonçalo Alvarez acaba de estrear o seu projeto a solo no formato disco com Boavista, nove cançoes que sucedem a QUIM, o EP que este músico bracarense lançou em 2014 pela Lovers & Lollypops, a mesma etiqueta que abriga este registo. Este disco chega após uma recente participação com Castello Branco, num projeto com o nome de Mar Nenhum, colaboração proposta e promovida pela webzine Bodyspace e que contou com a participação de vários músicos lusófonos.

Gravado e produzido por Gonçalo e João Moreira e com várias participações de relevo, nomeadamente André Simão (La La La Ressonance), Filipe Azevedo (Sensible Soccers), João Moreira, João Pereira (Guilty Ones), Jorge Queijo (Torto), Pedro Oliveira (peixe : avião) e Sérgio Alves (Marta Ren), Boavista é um raio de luz e de cor que flameja com vigor no inverno cinzento e fusco que tem caraterizado os dias mais recentes. Feito com uma instrumentação diversificada que, numa mesma canção, é capaz de ir do simples dedilhar de um par de cordas até à inserção de uma miríade heterogénea de efeitos sintetizados, cruzados por sopros e percurssão de várias proveniências, Boavista é um caldeirão sonoro vivo e tremendamente comunicativo. Carrosséis, com exuberância e Lorosae, de modo mais contido, mas também contundente, mostram-nos, logo a abrir, o esplendor deste receituário estilístico, uma pop refinada, plena de charme e impressiva porque se deixa enlear quase de modo intuitivo pelas memórias que Gonçalo pretende transmitir a quem se predispuser a ser seu confidente íntimo.
O piano é também figura de proa deste sentido quadro, o rei de vários temas, como é o caso de Pianda, uma espécie de divagar soturno por aquele céu onde os sonhos ganham uma leveza irreal, mas também de Bonanza, canção onde a bateria contrasta, parecendo martelar em visões que desvendam algo misterioso e que não é deste mundo, para depois nos aconchegar em Bravo!, uma canção a conter uma acusticidade inicial um pouco sombria, mas simultaneamente festiva e onde uma viola paira delicadamente enquanto debita uma melodia pop simples e muito elegante, para depois se eletrificar sem pudor, proporcionando-nos uma assombrosa sensação de conforto. Mas é na graciosidade algo pueril de Champagna que ficamos definitivamente ofuscados pelo brilho incomensurável de um registo ímpar que não permite entrelinhas ou hesitações.
Boavista é, em suma, uma espécie de pintura sonora carregada de imagens evocativas, pintadas com melodias bastante virtuosas e arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos, que provam a sensibilidade do autor para expressar pura e metaforicamente a fragilidade humana. Gonçalo combina aqui, com uma perfeição raramente ouvida, a música pop com sonoridades mais progressivas e experimentais, provocando um efeito devastador e que torna este álbum numa espécie de disco híbrido perfeito. Espero que aprecies esta sugestão...