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The Magnetic Fields – Quickies

Sábado, 16.05.20

Vinte anos depois da mítica obra conceptual 69 Love Songs, Stephin Merritt mantém uma insciável gula interpretativa, que alimenta uma espécie de mania das grandezas à qual os fâs dos The Magnetic Fields já se habituaram e que nunca os deixa ficar mal, diga-se na verdade. Quickies, o novo registo deste projeto natural de Boston, no Massachussetts, é mais uma prova inequívoca de toda uma trama com já três décadas de existência, um tomo de vinte e oito canções que enriquece substancialmente o cardápio de um grupo que tem dado ao indie rock experimental norte-americano, registo após registo, uma notoriedade e uma relevância ímpares.

The Magnetic Fields metem a tocar os "Kraftwerk in a Blackout" em ...

Quickies sucede a 50 Song Memoir, também um álbum conceptual, lançado em dois mil e dezassete e dividido em cinco discos, um por cada década da sua vida, cerca de duas horas e meia de música idealizada por Merritt, que começou a escrever e a compor as cinquenta canções do registo em dois mil e quinze, ano em que fez cinquenta anos de vida, com cada um dos temas a debruçar-se sobre cada um desses anos e a servir de crónica do mesmo. Agora, ao décimo segundo disco, abrigados novamente pela Nonesuch Records e três anos depois dessa obra inigualável, Merritt e os outros membros dos The Magnetic Fields, Sam Davol, Claudia Gonson, Shirley Simms e John Woo, aos quaise se juntaram os convidados Chris Ewen, Daniel Handler e Pinky Weitzman, proporcionam-nos mais um exuberante festim de canções, quase sempre assentes em sonoridades eminentemente clássicas, geralmente acústicas e de forte pendor orgânico.

A luminosidade das cordas de The Biggest Tits In History, o minimalismo acústicco que devaneia em Favorite Bar, o travo barroco e classicista de Kill A Man A Week, ou o climático e insinuante piano que desliza por The Day The Politicians Died são excelentes exemplos desta clássica matriz interpretativa, num disco que nunca resvala na monotonia, porque apesar de estar concetualmente claramente balizado, é melodicamente rico e diversificado.

Existe, obviamente, uma espécie de som standard nos The Magnetic Fields, um adn muito próprio, sui generis e inédito, mas é impressionante o modo como registo após registo, nunca desaparece aquela sensação de ligação entre as canções. E aqui assiste-se a mais uma nova espécie de narrativa leve e sem clímax, com uma dinâmica bem definida e muito agradável, desta vez traçando, liricamente, uma ténue fronteira entre aquilo que é a pura comédia e a hilariante blasfémia (You’ve Got a Friend in Beelzebub), ou a vulgarização da sexualidade (Bathroom Quickie) e a mais abosoluta e dolorosa devastação emocional (Love Gone Wrong).

Os notáveis arranjos de cordas dissolvidos em doses atmosféricas, mas sempre expressivos, mesmo que subtis, que suportam Quickies, comprovam, pela enésima vez na carreira deste projeto, que a experiência passada de Merritt no mundo do teatro foi bastante marcante e que na sua cabeça um disco só faz sentido se conter um elevado grau de dramatismo, uma narrativa condutora e indutora e uma intensidade sentimental inabalável. É este o caso de um registo que serve não só para os The Magnetic Fields saciarem, uma vez mais, de modo muito rico e saboroso a gula dos mais devotos seguidores, mas também para conquistar as mais novas gerações e despertarem nestas o interesse pela descoberta da sua notável discografia. Espero que aprecies a sugestão...

The Magnetic Fields - Quickies

01. Castles Of America
02. The Biggest Tits In History
03. The Day The Politicians Died
04. Castle Down A Dirt Road
05. Bathroom Quickie
06. My Stupid Boyfriend
07. Love Gone Wrong
08. Favorite Bar
09. Kill A Man A Week
10. Kraftwerk In A Blackout
11. When She Plays The Toy Piano
12. Death Pact (Let’s Make A)
13. I’ve Got A Date With Jesus
14. Come, Life, Shaker Life!
15. (I Want To Join A) Biker Gang
16. Rock ‘n’ Roll Guy
17. You’ve Got A Friend In Beelzebub
18. Let’s Get Drunk Again (And Get Divorced)
19. The Best Cup Of Coffee In Tennessee
20. When The Brat Upstairs Got A Drum Kit
21. The Price You Pay
22. The Boy In The Corner
23. Song Of The Ant
24. I Wish I Had Fangs And A Tail
25. Evil Rhythm
26. She Says Hello
27. The Little Robot Girl
28. I Wish I Were A Prostitute Again

 

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publicado por stipe07 às 22:33

Vundabar – Either Light

Domingo, 15.03.20

Oriundos de Boston, no Massachusetts, os Vundabar são uma dupla formada por Brandon Hagen e Drew McDonald e um caso sério no panorama alternativo da costa leste dos Estados Unidos da América. Algo desconhecidos do lado de cá do atlântico, têm, no entanto, já excelentes álbuns em carteira. A saga discográfica iniciou-se em dois mil e treze com o  registo Antics. Dois anos depois viu a luz do dia Gawk e, no dealbar de dois mil e dezoitoSmell Smoke, um trabalho que já tem sucessor pronto, um disco chamado Either Light, que acaba de chegar aos escaparates, através da Gawk Records e bastante inspirado pela personagem Tony Soprano, da série Os Sopranos, interpretada pelo malogrado ator James Gandolfini.

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De facto, estes Vundabar têm chamado a atenção da crítica e já foram alvo de algumas nomeações e artigos relevantes, mas a verdade é que nunca conseguiram fugir do universo mais underground e alternativo. No entanto, têm agora um trunfo de elevada valia paa chegarem à primeira divisão do indie rock, este trabalho intitulado Either Light, onze composições buriladas a guitarra, baixo e bateria,  com um travo festivo em que sobressai a luminosidade do timbre metálico das cordas e o já mítico ecoante efeito vocal dos Vundabar, ingredientes que conferem a este cardápio de canções uma indesmentível toada pop.

Logo a abrir, o baixo de Out Of It e o modo como se alia a variações rítmicas, um refrão intenso e um efeito de guitarra metálico condutor das base melódica, são detalhes cósmicos inebriantes que merecem, por si só, a audição deste álbum, numa composição que pisca o olho com languidez ao melhor cardápio da pop atual. Depois, o hipnotico frenesim de Burned Off, a delicadeza da oitocentista Codeine, o charme único de Petty Crime, uma curiosa ode strokiana e os arranjos envolventes e sofisticados da sensibilidade melódica muito aprazível de Easyer, composição que intercala uma excelente interpretação vocal de Hagen com um trabalho instrumental habilidoso da restante banda, nomeadamente a bateria e a guitarra, são instantes que impressionam pelo ambiente sonoro com um teor lo fi algo futurista, devido à distorção e à orgânica do ruído em que assentam, quer estas quer as outras canções do registo, onde não faltam alguns arranjos claramente jazzísticos e o tal falsete vocal num registo em falsete, com um certo reverb que acentua o charme rugoso da mesma.

Dicso repleto de canções pop bem estruturadas, devidamente adocicadas com arranjos bem conseguidos e que não dispensam a vertente orgânica conferida pelas cordas e pela percussão, Either Light envolve-se, no seu todo, por uma pulsão rítmica ímpar, sendo um álbum consistente, carregado de referências assertivas, que também impressiona pela cadência frenética em que assenta e que oscila entre o épico e o hipnótico, o lo-fi e o hi-fi, sendo, de certeza, um dos grandes lançamentos deste primeiro trimestre de dois mil e vinte. Espero que aprecies a sugestão...

Vundabar - Either Light

01. Out Of It
02. Burned Off
03. Codeine
04. Petty Crime
05. Easier
06. Never Call
07. Montage Music
08. Jester
09. Paid For
10. Other Flowers
11. Wax Face

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publicado por stipe07 às 20:38

Vundabar – Montage Music

Quinta-feira, 05.03.20

Oriundos de Boston, no Massachusetts, os Vundabar são uma dupla formada por Brandon Hagen e Drew McDonald e um caso sério no panorama alternativo da costa leste dos Estados Unidos da América. Algo desconhecidos do lado de cá do atlântico, têm, no entanto, já três excelentes álbuns em carteira. A saga discográfica iniciou-se em dois mil e treze com o registo Antics. Dois anos depois viu a luz do dia Gawk e, no dealbar de dois mil e dezoitoSmell Smoke, um trabalho que já tem sucessor pronto, um disco chamado Either Light, que acaba de chegar aos escaparates, através da Gawk Records.

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Depois de na reta final de janeiro termos ficado a conhecer o tema Burned Off, o primeiro avanço divulgado de Either Light e algumas semanas depois Petty Crime, agora chega a vez de conferir Montage Music, mais um carrossel sonoro, burilado a guitarra, baixo e bateria,  com um travo festivo em que sobressai a luminosidade do timbre metálico das cordas e o já mítico ecoante efeito vocal dos Vundabar, ingredientes que conferem à canção uma indesmentível toada pop. Será, certamente, mais um dos momentos altos de um disco bastante inspirado pela personagem Tony Soprano, da série Os Sopranos. Confere...

Vundabar - Montage Music

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publicado por stipe07 às 13:07

Vundabar – Petty Crime

Segunda-feira, 10.02.20

Oriundos de Boston, no Massachusetts, os Vundabar são uma dupla formada por Brandon Hagen e Drew McDonald e um caso sério no panorama alternativo da costa leste dos Estados Unidos da América. Algo desconhecidos do lado de cá do atlântico, têm, no entanto, já três excelentes álbuns em carteira. A saga discográfica iniciou-se em dois mil e treze com o  registo Antics. Dois anos depois viu a luz do dia Gawk e, no dealbar de dois mil e dezoitoSmell Smoke, um trabalho que já tem sucessor pronto, um disco chamado Either Light, que irá chegar aos escaparates a três de março, através da Gawk Records.

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Depois de na reta final de janeiro termos ficado a conhecer o tema Burned Off, o primeiro avanço divulgado de Either Light, agora chega a vez de conferir Petty Crime, mais um frenesim punk, burilado a guitarra, baixo e bateria, mas um devaneio indie mais intrincado e experimental que o tema anterior, sobressaindo a luminosidade do timbre metálico das cordas e variadas nuances rítmicas e melódicas, onde não falta um ecoante efeito vocal, ingredientes que conferem à canção uma indesmentível toada pop. Será, certamente, um dos momentos altos de um disco bastante inspirado pela personagem Tony Soprano, da série Os Sopranos, protagonizada pelo malogrado ator James Gandolfini, algo explícito no vídeo desta Petty Crime. Confere...

Vundabar - Petty Crime

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publicado por stipe07 às 11:41

Vundabar – Burned Off

Quarta-feira, 29.01.20

Vundabar - Burned Off

Oriundos de Boston, no Massachusetts, os Vundabar são uma dupla formada por Brandon Hagen e Drew McDonald e já um caso sério no panorama alternativo da costa leste dos Estados Unidos da América. Algo desconhecidos do lado de cá do atlântico, têm, no entanto, já três excelentes álbuns em carteira. A saga discográfica iniciou-se em dois mil e treze com o  registo Antics. Dois anos depois viu a luz do dia Gawk e, no dealbar de dois mil e dezoitoSmell Smoke, um trabalho que já tem sucessor pronto, um disco chamado Either Light, que irá chegar aos escaparates a três de março, através da Gawk Records.

O tema Burned Off é o primeiro avanço divulgado de Either Light, um frenesim punk, burilado a guitarra, baixo e bateria, incisivo e minimalista, tremendamente intuitivo e cru, mas também salutarmente rico em diversos arranjos mais ou menos explícitos, ingredientes que fazem da composição uma das mais divertidas e animadas deste primeiro mês de dois mil e vinte, dentro do universo rock mais indie e alternativo.

Confere Burned Off e o alinhamento de onze canções que farão parte do alinhamento de Either Light...

01 “Out Of It”
02 “Burned Off”
03 “Codeine”
04 “Petty Crime”
05 “Easier”
06 “Never Call”
07 “Montage Music”
08 “Jester”
09 “Paid For”
10 “Other Flowers”
11 “Wax Face”

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publicado por stipe07 às 12:37

Funeral Advantage – Nectarine EP

Sábado, 02.03.19

Lançado há alguns dias à boleia da Sleep Well Records, Nectarine é o novo fôlego na carreira do projeto norte-americano Funeral Advantage de Tyler Kershaw, sete canções que sucedem a um outro EP intitulado Please Help Me, editado no início de dois mil e dezassete e ao longa duração do projeto, um trabalho intitulado Body Is Dead que viu a luz do dia no final do verão de dois mil e quinze.

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Natural de Boston, Tyler Kershaw é mestre a criar um ambiente sonoro fortemente etéreo e melancólico, através de canções tipicamente rock, esculpidas com cordas ligas à eletricidade, mas com um travo lo fi charmoso que lhes confere uma fragilidade incrivelmente sedutora, uma certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida e uma exibição consciente da sapiência melódica de um autor, cantor, produtor e compositor que tem na herança oitocentista o seu principal eixo orientador.

Em Nectarine, assistimos então a uma parada de composições bastante emotivas e intimistas e que além de serem construídas à base de guitarras com efeitos e distorções intrigantes e enleantes e uma percussão bastante vincada, sem ter uma tonalidade exageradamente grave, também estão cheias de boas letras que nos oferecem uma atmosfera sonora épica, positiva, sorridente e bastante apelativa.

O timbre metálico da guitarra de Peach Nectarine, o baixo pulsante que conduz o andamento incisivo e visceral de Black House, o frenesim encantador de Rinsed, o esplendor e a intensidade de Stone Around Your Neck são um convite direto e preciso ao acto de encarar estes últimos dias de inverno com esperança, enquanto ficamos envoltos numa intensa aúrea vincadamente orgânica e, por isso, fortemente sensual, que nos despe de todo aquele mistério, tantas vezes artificial, onde frequentemente nos refugiamos, para que não tenhamos receio de mostrar, com ousadia, a verdadeira personalidade do agregado sentimental que nos carateriza, enquanto não chega a primavera que há-de finalmente libertar-nos de toda esta reclusão que nos entorpece. Espero que aprecies a sugestão...

Funeral Advantage - Nectarine

01. Rinsed
02. Black House
03. Peach Nectarine
04. Stone Around Your Neck
05. Bad Magnet
06. Take Me Down
07. It Never Gets Any Better, You Just Get Used To It

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publicado por stipe07 às 15:15

The Lemonheads – Varshons II

Terça-feira, 12.02.19

Dez anos depois de Varshons, a compilação de covers que continha composições da autoria de Gram Parsons, Wire, GG Allin, Leonard Cohen e Christina Aguilera, entre outros, os norte-americanos Lemonheads de Evan Dando estão de regresso às covers com o segundo capítulo dessa saga. Varshons II inclui versões de clássicos do calibre de Take It Easy dos Eagles, Straight To You de Nick Cave & The Bad Seeds, Speed of the Sound of Loneliness de John Prine, Abandoned de  Lucinda Williams e Can't Forget dos Yo La Tengo, o tema escolhido para single de apresentação deste registo de treze canções, que também inclui revisitações de originais dos Jayhawks, Florida Georgia Line, NRBQ, Paul Westerberg, The Eyes e Bevis Frond, entre outros.

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Esta banda de Boston tem uma carreira de mais de trinta anos firmada em oito discos que nos levam facilmente e num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, à boleia de uma espécie de indie-folk-surf-suburbano, particularmente luminoso e que acaba por se tornar até viciante. E a responsabilidade desta tela impressiva que inclui registos do calibre de Hate Your Friends (1987), Lovely (1990) ou Come On Feel The Lemonheads (1993), só para citar alguns dos exemplos mais emblemáticos da discografia dos Lemonheads, é a versatilidade instrumental de Dando, líder incontestável do projeto desde o início, à vontade seja no baixo, na guitarra ou na bateria e a capacidade que sempre teve de se rodear de intérpretes sonoros igulamente exímios, nomeadamente a baixista Juliana Hatfield e o baterista australiano David Ryan, dupla com quem gravou It's A Shame About  Ray (1992), outro álbum fundamental do cardápio do projeto. Ben Deily, com quem teve graves problemas de relacionamento por questões de ego que estiveram perto de ser esgrimidas na justiça, foi outro nome importante para a afirmação dos Lemonheads como banda fundamental da universo indie norte-americano da última década do século passado.

Esta saga intitulada Varshons, que vê agora o segundo capítulo, dez anos depois do primeiro, como já referi, acaba por ser uma opção natural por parte de um músico que sente necessidade de homenagear algumas das suas principais referências, fazendo-o, neste Varshons II, através de um modus operandi baseado na sua companheira mais fiel, a guitarra, que serve de base melódica às composições, acompanhada por um baixo exemplar no modo como se alia a ela para marcar as várias nuances rítmicas de temas que se espraiam pelos nossos ouvidos algo preguiçosamente. Assim, da vibe soalheira e etérea de Can't Forget, que depois também pisca o olho ao reggae, imagine-se, em Unfamiliar, passando por aquele rock genuínuo e tipicamene americano que todos reconhecemos e que é audível em Settled Down Like Rain, Things e Abandoned, até ao festim garage de Old Man Blank e com travo punk em TAQN e à folk intimista de Speed Of The Sound Of Loneliness e mais efusiva de Now And Then, assim como ao swing de Magnet e à crua acusticidade de Round Here, os Lemonheads homenageiam mas também provam a relevância que os originais ainda têm enquanto saciam o nosso desejo de ouvir algo descomplicado mas que deixe uma marca impressiva firme e de simples codificação. Varshons II é, portanto, um daqueles discos que esconde a sua complexidade na simplicidade e estas boas canções mostram como é bonito quando o rock pode ser básico e ao mesmo tempo encantador, divertido e melancólico, sem muito alarde. Espero que aprecies a sugestão...

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01. Can’t Forget
02. Settled Down Like Rain
03. Old Man Blank
04. Things
05. Speed Of The Sound Of Loneliness
06. Abandoned
07. Now And Then
08. Magnet
09. Round Here
10. TAQN
11. Unfamiliar
12. Straight To You
13. Take It Easy

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publicado por stipe07 às 17:21

Juliana Hatfield - Juliana Hatfield Sings Olivia Newton-John

Quinta-feira, 20.09.18

Juliana Hatfield Sings Olivia Newton-John é o mais recente álbum de estúdio da cantora e compositora americana Juliana Hatfield. Esta artista nasceu em julho de mil novecentos e sessenta e sete, em Wiscasset, no Maine, extremo nordeste dos Estados Unidos. Entretanto, mudou-se para uma cidade costeira de Massachusetts e aí começou a sentir uma forte atração pela música, nomeadamente pela cantora Olivia Newton-John. Acabou por se apaixonar pelo filme Grease, que viu várias vezes no cinema, descobriu os The Replacements já no liceu e, movida por estas duas fortes inspirações, foi estudar música para o Berklee College of Music em Boston, com o intuíto de montar uma banda, o que aconteceu quando se juntou a John Strohm e Freda Love e juntos fundaram os Blake Babies, em plenos anos oitenta. Agora, pouco mais de trinta anos depois desse curioso início de carreira, Juliana Hatfield homenageia a sua maior heroína musical com Juliana Hatfield Sings Olivia Newton-John, um disco com a chancela da American Laundromat Records e onde a artista nos oferece novas versões de alguns dos melhores clássicos da carreira de Olivia Newton-John, com a ajuda de Pete Caldes na bateria e Ed Valauska no baixo.

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Já com treze discos no seu cardápio, quer a solo quer gravados com outras bandas, Juliana Hatfield Sings Olivia Newton-John era o disco que faltava na carreira de Juliana Hatfield, para que ela se sentisse verdadeiramente realizada com a sua caminhada. Neste registo que também é de beneficiência (parte do valor do mesmo reverte para a fundação Olivia Newton-John Cancer Wellness & Research Centre) e que conta com a aprovação do companheiro de Olivia Newton-John, ainda vivo, encontramos verdadeiras obras-primas, assentes num folk rock que faz justiça e enobrece os originais, alguns deles com décadas de vida e que materializaram, na altura, um exemplar percurso discográfico de uma cantora que quebrou algumas barreiras nos anos setenta e oitenta do século passado.

Juliana soube encontrar um notável balanço entre aquilo que são os arranjos originais das canções de Olivia e o seu cunho pessoal artístico, não deixando de haver instantes em que é ténue a fronteira que separa o original da versão. A autora foi feliz a reinterpretar as canções, parecendo muitas vezes que a sua postura foi como estar num bar a cantar as canções que gosta para uma reduzida plateia. Exemplo flagrante disso é Xanadu, composição onde apenas se nota a ausência das segundas vozes relativamente ao original, mas outros momentos altos deste tributo são Physical e Dancin’ Round and Round, um dos momentos altos de Totally Hot, disco que Olivia lançou em mil nocvecentos e setenta e oito e um dos mais importantes da sua carreira. O tema homónimo deste registo também foi revisto por Juliana.

Tributo sincero e bem conseguido de uma artista relativamente a outra, Juliana Hatfield Sings Olivia Newton-John arrebata o ouvinte pela simplicidade melódica e pelo imediatismo e fidelidade de canções, que assumem, notoriamente, a visão sentida de uma fã em relação ao faustoso legado de uma compositra marcante na história da pop, da folk e da country norte-americana do século passado. Espero que aprecies a sugestão... 

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publicado por stipe07 às 14:15

Animal Flag – Void Ripper

Quarta-feira, 20.06.18

Boston, Massachussets, é o poiso do projeto norte americano Matthew Politoski, o grande responsável pelo projeto Animal Flag, de regresso aos lançamentos discográficos com Void Ripper, nove canções que viram a luz do dia em plena primavera passada e disponíveis para audição e possibilidade de doação de um valor pelas mesmas na plataforma bandcamp. Gravado entre 2014 e 2017, em estúdios de Denvers e Boston, no Massachussets, em Void Ripper Matthew contou com a ajuda de Sai Boddupalli nas guitarras, Alex Pickert na bateria, Zach Weeks no baixo e vários intervenientes nas vozes, nomeadamente Sydney Amanuel, Paige Chaplin, Dary Valentina Dominguez, Olivia Laratta e Michi Tassey.

O indie rock que pisca o olho a ambientes particularmente progressivos e com um pendor melódico algo contemplativo e reflexivo é a pedra de toque deste cardápio de temas, uma descrição algo generalista, até porque são temas que merecem audição atenta e que palsma diversas nuances, mas que o tema homónimo claramente exemplifica. Se Candance não foge a esta bitola, com mais ritmo e uma maior amplitude na distorção da guitarra, um rugoso timbre do baixo e algumas variações rítmicas, conferem a esta canção um ambiente ainda mais épico e impulsivo, que mostra o quanto Animal Flag é um projeto particularmente íntimo de uma monumentalidade muito vincada.

À medida que avançamos na audição de Void Ripper vai-se tornando evidente que Matthew e a vasta miríade de convidados que agregou à sua volta para gravar estes temas, não recearam, em nenhum instante, convocar alguns detalhes clássicos que alimentaram os primordios do rock alternativo, sem descurar o compromisso com uma estética muito própria e que, no fundo, não deixando de conter a contemporaneidade e o ideal de inovação, conseguem uma mistura feliz entre estes dois opostos. O piscar de olhos aos Placebo em Stray e aos Bush em Fair, por exemplo e a acusticidade experimental de Lord Of Pain, atingem o louvável intuíto de nos fazer regressar ao passado, enquanto nos entregam sensações auditivas perfumadas por uma herança que nos diz muito.

Se o prazer de escutar estes Animal Flag faz-nos sentir fiéis a um outro tempo que, pelos vistos, não conhece fronteiras temporais, é também a indisfarçável modernidade deste projeto que faz com que esta coleção de canções de fortes inspirações noventistas, possa e deva ser apreciada com a relevância e o valor que, por direito, merece. Espero que aprecies a sugestão...

Animal Flag - Void Ripper

01. Morningstar
02. Void Ripper
03. Candace
04. Stray
05. Fair
06. Lord Of Pain
07. I Can Hear You Laugh
08. Why
09. Five

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publicado por stipe07 às 20:57

The Magnetic Fields - 50 Song Memoir

Terça-feira, 15.08.17

Cinco anos depois do consistente Love At The Bottom Of The Sea, os The Magnetic Fields de Stephen Merritt regressaram aos discos este ano com 50 Song Memoir, através da conceituada Nonesuch Records. Trata-se de mais um álbum conceptual, dividido em cinco discos, um por cada década, cerca de duas horas e meia de música idealizada por Merritt, que começou a escrever e a compor as cinquenta canções do registo em 2015, ano em que fez cinquenta anos de vida, com cada um dos temas a debruçar-se sobre cada um desses anos e a servir de crónica do mesmo. Merritt canta em todas as cinquenta canções do trabalho e tocou mais de cem instrumentos durante a sua gravação. Já agora, no final do século passado os The Magnetic Fields tinham editado o seu primeiro trabalho conceptual, um triplo álbum com sessenta e nove canções de amor e as suas diversas formas de se manifestar e a forma com a mente tremendamente irónica de Merritt olhava na altura para este sentimento.

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Naturais de Boston, no Massachusetts, os The Magnetic Fields são um dos segredos mais bem guardados da pop e neste disco produzido pelo próprio Merritt, secundado por Thomas Bartlett e Charles Newman, transformaram memórias longínquas e recentes do líder da banda para elaborarem uma curiosa biografia sonora, onde diferentes histórias e personagens, verdadeiras e fictícias, se entrelaçam e de modo cronológico.

Escutar 50 Song Memoir é como assistir ao crescimento quer biológico quer psicológico de Merritt e nele não faltam as habituais referências, geralmente amargas, quer a desilusões amorosas, exemplarmente retratadas em Lover's Lies, mas também aos típicos conflitos interiores que se produzem durante a juventude (I'm Sad!) ou a visão que o autor foi tendo do mundo que o rodeia e das transformações que nele foram acontecendo. Danceteria, Rock’n’Roll Will Ruin Your Life, Hustle 76’, How to Play the Synthesizer e Danceteria, plasmam o modo como o músico assistiu às transformações que a música sofreu durante as décadas de setenta e oitenta do século passado e como as mesmas ajudaram a alterar mentalidades, nomeadamente no que concerne a aspetos tão díspares como a liberdade sexual ou a igualdade entre géneros. Judy Garland é outro tema que se debruça sobre o exterior sociológico de Merritt ao versar sobre a morte da atriz norte-americana que dá nome à canção.

Disco onde predomina uma sonoridade eminentemente clássica e geralmente acústica e de forte pendor orgânico, como é apanágio nos The Magnetic Fields, 50 Song Memoir também não deixou de lado os sintetizadores que a partir da última década do século passado tornaram-se ativo importante no processo de criação sonora do grupo. Assim, se a gentileza e cândura luminosa das cordas de A Cat Called Dionysus ou os violinos de Ethan Frome garantem frescura e leveza ao disco, já os efeitos luminosos do teclado de How I Failed Ethic ou a rugosidade sintética de Foxx And I, oferecem ao registo instantes que provam essa busca de uma necessária contemporaneidade, com o rock lo-fi de The Blizzard of ’78 e de Weird Diseases e o experimetalismo lisérgico de Surfin’ a servirem de complemento e a equilibrarem um alinhamento que privilegia a heterogeneidade e a diversidade sonora e, ao fazê-lo com o típico humor e versatilidade instrumental de Merritt, acaba por contar uma outra história, aquela que descreve os vários territórios sonoros que fizeram escola no cenário indie norte-americano nas últimas décadas. Espero que aprecies a sugestão...

The Magnetic Fields - 50 Song Memoir

CD 1
01. ’66: Wonder Where I’m From
02. ’67: Come Back As A Cockroach
03. ’68: A Cat Called Dionysus
04. ’69: Judy Garland
05. ’70: They’re Killing Children Over There
06. ’71: I Think I’ll Make Another World
07. ’72: Eye Contact
08. ’73: It Could Have Been Paradise
09. ’74: No
10. ’75: My Mama Ain’t

CD 2
01. ’76: Hustle 76
02. ’77: Life Ain’t All Bad
03. ’78: The Blizzard Of ’78
04. ’79: Rock’n’Roll Will Ruin Your Life
05. ’80: London by Jetpack
06. ’81: How To Play The Synthesizer
07. ’82: Happy Beeping
08. ’83: Foxx And I
09. ’84: Danceteria!
10. ’85: Why I Am Not A Teenager

CD 3
01. ’86: How I Failed Ethics
02. ’87: At The Pyramid
03. ’88: Ethan Frome
04. ’89: The 1989 Musical Marching Zoo
05. ’90: Dreaming In Tetris
06. ’91: The Day I Finally…
07. ’92: Weird Diseases
08. ’93: Me And Fred And Dave And Ted
09. ’94: Haven’t Got A Penny
10. ’95: A Serious Mistake

CD 4
01. ’96: I’m Sad!
02. ’97: Eurodisco Trio
03. ’98: Lovers’ Lies
04. ’99: Fathers In The Clouds
05. ’00: Ghosts Of The Marathon Dancers
06. ’01: Have You Seen It In The Snow?
07. ’02: Be True To Your Bar
08. ’03: The Ex And I
09. ’04: Cold-Blooded Man
10. ’05: Never Again

CD 5
01. ’06: “Quotes”
02. ’07: In The Snow White Cottages
03. ’08: Surfin’
04. ’09: Till You Come Back To Me
05. ’10: 20,000 Leagues Under The Sea
06. ’11: Stupid Tears
07. ’12: You Can Never Go Back To New York
08. ’13: Big Enough For Both Of Us
09. ’14: I Wish I Had Pictures
10. ’15: Somebody’s Fetish

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publicado por stipe07 às 09:52






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