Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Badly Drawn Boy – Banana Skin Shoes

Sexta-feira, 11.12.20

O inglês Damon Gough, aka Badly Drawn Boy, passou grande parte da última fase da sua carreira a assinar ou a fazer parte dos créditos de algumas bandas-sonoras, com especial destaque para o alinhamento que criou para os filmes About a Boy, uma comédia adaptada de um romance de Nick Hornby Being Flynn, ambos do realizador Paul Weitz. De facto, desde que em dois mil e dez editou a triologia It’s What I’m Thinking, Badly Drawn Boy não editou qualquer registo de originais fora dessa bitola cinéfila, um hiato que teve, finalmente, os dias contados em dois mil e vinte, com a edição do álbum Banana Skin Shoes, o nono trabalho da carreira do artista.

Badly Drawn Boy Announces New Album, Shares "Banana Skin Shoes" |  Consequence of Sound

Produzido e misturado por Gethin Pearson (Kele Okereke, JAWS), Banana Skin Shoes é um registo animado e bem humorado, um alinhamento em que versatilidade e heterogeneidade combinam entre si, plasmando o vasto leque de influências que Badly Drawn Boy abarcou quando entrou e estúdio para dar vida às suas catorze canções. logo na vasta amálgama de efeitos, flashes e devaneios rítmicos do tema homónimo o ouvinte fica com uma ideia bastante clara do que o espera daí para a frente, uma orgia de sons díspares perfeitamente enleados e onde pop, indie rock, funk, rap, bossanova e jazz vão espreitando e atiçando todos os nossos sentidos. Logo a seguir, em Is This A Dream?, um tema vibrante e épico, onde se torna quase impercetível o jogo de sedução incrivelmente libdinoso que se estabelece entre teclas e cordas, enquanto uma enleante melodia, repleta de cor e otimismo, faz tudo para colocar no nosso rosto o melhor sorriso que conseguirmos armar, se dúvidas ainda exsitiam acerca da enorme beleza deste álbum, certamente que elas ficam dissipadas com este tema extraordinário.

A partir daí e depois de as hostilidades terem sido abertas de modo tão convincente, no festim percurssivo enleante de Tony Wilson Said, no melancólico piscar de olhos à bossa nova em You And Me Against The World, uma harmoniosa composição que impressiona pela solidez das flautas, na cadência lo fi setentista de Never Change e no orquestral dramatismo que exala de Apple Tree Boulevard, fica carimbada não só a tal diversidade de estilos já referida, mas também o poder que estas canções têm de fazer sorrir, mesmo o ouvinte mais céptico. Num ano tão estranho e bizarro, é mesmo um disco tão multifacetado, divertido e dançante como este que estamos a precisar de ouvir na sua reta final, para termos um pouco mais de fé relativamente ao futuro próximo. Espero que aprecies a sugestão...

Badly Drawn Boy - Banana Skin Shoes

01. Banana Skin Shoes
02. Is This A Dream?
03. I Just Wanna Wish You Happiness
04. I’m Not Sure What It Is
05. Tony Wilson Said
06. You And Me Against The World
07. I Need Someone To Trust
08. Note To Self
09. Colours
10. Funny Time Of Year
11. Fly On The Wall
12. Never Change
13. Appletree Boulevard
14. I’ll Do My Best

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 18:09

Leo Middea - Sorrindo Pra Saudade

Quarta-feira, 09.12.20

Foi nos subúrbios do Rio de Janeiro, onde cresceu, que Leo Middea descobriu o gosto pela música, impulsionado pelo amor. Com catorze anos decidiu aprender a tocar violão para impressionar alguém por quem se apaixonou e daí até se estrear nos discos, em dois mil catorze, foi um ápice. Dois foi o primeiro tomo da sua carreira, um registo que o levou a tocar em vinte e três concertos na vizinha Argentina, ano seguinte. A Dança do Mundo, o sempre difícil segundo álbum, chegou no ano seguinte. O registo contou com as participações especiais de Laura Lavieri, Bruna Moraes, Nina Oliveira e Jota.Pê, foi produzido por Peter Mesquita e deu origem a mais uma digressão de Leo Middea, desta vez no seu país natal, com passagens pelo Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Goiânia, Curitiba e Porto Alegre, e não só. A Dança do Mundo conquistou, em poucos meses, um lugar em diversas seleções de melhores discos do ano e obteve críticas positivas pela imprensa brasileira e portuguesa. Há três anos atrás, o cantor e compositor mudou-se para Lisboa e essa mudança trouxe mais de setenta concertos em Portugal, mas também atuações ao vivo na vizinha Espanha e em França.

LEO MIDDEA apresenta Vicentina » Zimel

Agora, quase no ocaso de dois mil e vinte, Leo Middea tem já nos escaparates o seu terceiro registo de originais, um álbum intitulado Vicentina, produzido por Paulo Novaes, com arranjos de Polivalente e com a participação especial do cantor Janeiro. Foi um disco financiado a custo, mas de modo bastante gratificante, suponho, já que o valor obtido para financiar a gravação do mesmo foi angariado após Leo andar pelas ruas pedindo um euro por pessoa. Também angariou fundos com a série Shows na Varanda, durante setembro último, uma original sequência de concertos pensados de modo a contornar as restrições impostas pela situação pandémica atual.

Sorrindo Pra Saudade é o mais recente single retirado de Vicentina, uma canção com aura saudosa, nuances melancólicas e uma atmosfera quente, que consegue transportar-nos através de acordes suaves para a relação que é possível cada um de nós estabelecer com a vida, uma filosofia de escrita poética que no Brasil foi já seguida por nomes tão proeminentes como Caetano Veloso ou Chico Buarque. Sonoramente, a canção obedece aos cânones fundamentais da melhor música popular brasileira, mas sem deixar, ao nível de determinados arranjos e nuances, de conter um toque europeu e, de certo modo, algo cosmopolita e contemporâneo. Sobre a canção, Leo Middea explica que fala sobre o processo de mudança para Portugal, por mais que haja a saudade de um amor, ela representa também pra mim a força interna do caminho que estamos dispostos a seguir. O Tarot do refrão: “Perdoa amor, mas segui o meu tarot, na verdade eu só me amei demais, mais do que você me amou, é real. A minha vinda para Portugal teve muito haver também com a questão espiritual e, realmente joguei este tarot para ver se era o caminho certo a se seguir. Confere...

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 13:53

MOMO - Till the End of Summer Time

Quinta-feira, 21.05.20

MOMO é Marcelo Frota, um cantor e compositor brasileiro, mas a residir em Lisboa, que se estreou a solo em dois mil e seis com o aclamado registo A Estética do Rabisco, onze composições com fortes influências da herança do rock setentista que o país irmão produziu com particular abundância à quatro décadas atrás, em especial no nordeste. Seguiram-se mais quatro álbuns, que piscaram o olho a uma atmosfera mais acessível, sempre dentro de um espetro rock, os registos Buscador (2008), Serenade Of A Sailor (2011), Cadafalso (2013) e Voá (2017). Este último já teve sucessor, um trabalho intitulado I Was Told To Be Quiet, lançado no passado mês de outubro, no Brasil pelo selo LAB344, nos Estados Unidos pelo Yellow Racket Records e na Itália por Deusamora Records.

MOMO. lança single “Till the End of Summer Time” – Glam Magazine

Agora, pouco mais de meio ano depois do lançamento desse registo, MOMO está de volta com um EP que deverá chegar em pleno verão e que irá contar com colaborações de artistas independentes como Alex Siegel (Amo Amo) e Helio Flanders (Vanguart). Do seu alinhamento já se conhecem dois temas, Rosto Zen, lançado a dezassete de Abril e agora, algumas semanas depois, Till the End of Summer Time.

Esta nova canção de MOMO, gravada pelo autor em casa e misturado em Los Angeles pelo produtor Tom Biller (Karen O, Elliott Smith, Kate Nash), que se tornou parceiro regular desde o trabalho anterior I Was Told To Be Quiet, é uma história de amor marcada pela mudança de estações e que pretende descrever a desilusão e o isolamento que sentimos nos últimos meses. O videoclipe destaca o sentimento de separação e foi filmado remotamente enquanto o músico brasileiro e a realizadora italiana Chiara Missaggia estavam isolados nas suas casas, durante a quarentena imposta pela COVID-19. É uma composição inspirada musicalmente nos clássicos de jazz de nomes como George Gershwin e Irving Berlin e em compositores da bossa nova como Tom Jobim. De acordo com o autor, a sua letra fala de um amor que não funcionou, deste o primeiro encontro até à última despedida. O título remete para a canção pop de mil novecentos e quarenta e cinco, Till the End of Time, gravada por Perry Como, Doris Day e outros artistas e que inspirou um filme com o mesmo título. Confere...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 21:19

MOMO - I Was Told To Be Quiet

Segunda-feira, 06.01.20

MOMO é Marcelo Frota, um cantor e compositor brasileiro que se estreou a solo em dois mil e seis com o aclamado registo A Estética do Rabisco, onze composições com fortes influências da herança do rock setentista que o país irmão produziu com particular abundância à quatro décadas atrás, em especial no nordeste. Seguiram-se mais quatro álbuns, que piscaram o olho a uma atmosfera mais acessível, sempre dentro de um espetro rock, os registos Buscador (2008), Serenade Of A Sailor (2011), Cadafalso (2013) e Voá (2017). Este último já tem sucessor, um trabalho intitulado I Was Told To Be Quiet, lançado no passado mês de outubro, no Brasil pelo selo LAB344, nos Estados Unidos pelo Yellow Racket Records e na Itália por Deusamora Records.

Resultado de imagem para MOMO I Was Told To Be Quiet

I Was Told To Be Quiet foi gravado em Los Angeles e produzido pelo norte-americano Tom Biller, amigo pessoal de Marcelo e que já trabalho com nomes tão influentes como Fiona Apple, Sean Lennon, Elliot Smith, Kanye West e Warpaint, entre outros. O seu alinhamento é uma resposta sensível ao mundo atribulado que vivemos e junta a herança calorosa e afetiva das sonoridades tupiniquins, nomeadamente a bossa nova e o samba, com a estética arrojada do indie contemporâneo. O resultado é um reportório brilhante e original, no qual o autor exibe diversas nuances de sua musicalidade. Entre composições cantadas em português, inglês e francês, temos contato com seu lado mais sonhador (Higher Ground), o mais confessional (For I Am Just a Reckless Child) e, como não podia deixar de ser, o mais ensolarado (Diz a Verdade). Depois, enquanto em Vida MOMO regressa um pouco aos ambientes psicadélicos de inicío da carreira, Mon Neant, Marigold e Lillies for Eyes impressionam pela riqueza estilística ao nível dos arranjos. Já Stupid Lullaby e Sereno Canto, composições mais exigentes e intrincadas, revelam toda a sua formosura à medida que o ouvinte se deixa conquistar pela voz e pelos sentimentos que MOMO lhes induziu.

Com uma lista notável de convidados, nomeadamente Wado, Thiago Camelo e Ana Lomelino (Mãeana) e com as participações especiais nas gravações dos músicos Régis Damasceno (baixo) e Marco Benevento (piano, polli synth, cordas synth), I Was Told To Be Quiet é um álbum alegre, livre e libertador, parco em pensamentos negativos e que, fazendo a antítise do seu título encharcado em ironia, nos oferece um MOMO buliçoso e salutarmente crítico relativamente ao modo como observa o mundo que o rodeia e como reflete sobre a feliz irrequietude da sua própria existência. Espero que aprecies a sugestão...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 14:58

Taïs Reganelli - Tanto Mar (Chico Buarque)

Sábado, 07.12.19

Filha de pais brasileiros, Taïs Reganelli nasceu em Berna, na Suíça, há quarenta e um anos, durante o exílio político de seu pai, o jornalista Wilson Roberto Reganelli, que foi embora do Brasil após a morte de seu companheiro de trabalho, o também jornalista Vladimir Herzog, assassinado pela ditadura militar. A família viveu na Suíça doze anos antes de voltar definitivamente ao país natal, para Campinas, no interior de São Paulo, quase no ocaso da década de oitenta do século passado.

Resultado de imagem para Taïs Reganelli - Tanto Mar Chico Buarque

Taïs Reganelli iniciou sua carreira ainda na adolescência, cantando em bares, teatros e espaços culturais da cidade, sempre acompanhada de seu irmão mais velho, o violonista Henrique Torres, com quem formou um duo por mais de vinte anos. Em mil novecentos e noventa e nove, fixou-se em Itália onde durante dois anos deu vários concertos com o irmão,  regressando de novo ao Brasil em dois mil e um para cimentar um lugar de relevo no cenário musical do país irmão e dividir o palco com grandes nomes da música popular brasileira. Ao longo desses anos tocou em vários países da América Latina e da Europa, entre eles Nicarágua, Chile, França, Espanha, Bélgica, Holanda, Itália e Portugal. Lançou quatro álbuns de carreira, destacando-se Leve, há oito anos, que ganhou posições de destaque em várias listas dos melhores discos brasileiros desse ano.

Atualmente a cantora e compositora Taïs Reganelli, vive em Portugal, está apaixonada por Lisboa e a explorar a nossa cultura musical e conceitos tão nossos como a saudade e a solidão. Na sequência, a intérprete estreou-se no nosso país com o lançamento do single Vem (Além de toda solidão), um original da Madredeus composto por Pedro Ayres Magalhães, Rodrigo Leão e Gabriel Gomes e que Taïs canta com pronúncia brasileira, dando ao original um cunho muito pessoal e uma identidade diferente da original sob a produção do pianista e compositor Pablo Lapidusas.

Agora, dois meses depois dessa feliz estreia por cá e da revisitação à Madredeus, Taïs Reganelli dá-nos a conhecer outra versão, neste caso de Tanto Mar, um original icónico de Chico Buarque e que é, segundo a autora, uma forma de aproximar ainda mais Portugal e Brasil, com histórias parecidas de luta e resistência durante os períodos em que foram submetidos a regimes ditatoriais.

Com a ajuda novamente de Pablo Lapidusas, Reganelli ofereceu ao original de Buarque uma toada mais roqueira e contemporânea, desconstruindo-o e conseguindo com felicidade um contraponto certeiro entre guitarras distorcidas e a sua voz suave. A presença inicial e a espaços de um sintetizador melodicamente inspirado, ajuda a ampliar o grau de emotividade e o colorido de um tema cujo original fala sobre o nosso vinte e cinco de abril e cuja escolha se entende devido ao facto de a ditadura ser algo muito presente dentro do seio familiar da cantora, como referi acima.

Realizado por Juliana Frug, o video da composição apropria-se, de acordo com o seu press release, de uma profusão de cravos para celebrar um dos principais acontecimentos de Portugal, ocorrido em 25 de abril de 1974. A ideia foi produzir um clipe conceitual, apenas com cravos e água (simbolizando o mar que separa os Continentes), interpretando assim toda a letra, afirma Taïs. A cartela de cores foi pensada de acordo com as cores das bandeiras do Brasil e de Portugal com algumas pequenas variações de tons, acrescenta Juliana Frog.

Importa ainda referir que o concerto de lançamento deste single está marcado para dia 14 de dezembro, às 21h, no AveNew, em Lisboa. Confere...

Web: https://www.taisreganelli.com/

Facebook: https://www.facebook.com/taisreganellioficial/

Instagram: https://www.instagram.com/taisreganelli/

YouTube: https://www.youtube.com/user/taisreganelli    

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 14:06

Allah-Las - Lahs

Sábado, 12.10.19

Naturais de Los Angeles, os norte americanos Allah-Las de Miles Michaud, Pedrum Siadatian, Spencer Dunham e Matt Correia têm finalmente sucessor para o excelente registo Calico Review de dois mil e dezasseis. Foi ontem, onze de outubro, que viu a luz do dia Lahs, o novo compêndio de originais do quarteto, um trabalho que chegou aos escaparates através da Mexican Summer, a habitual editora do grupo.

Resultado de imagem para Allah-Las - LAHS

Os Allah-Las viajaram imenso depois da edição de Calico Review, com passagens por locais tão variados como todo o continente americano, a Europa, África do Sul, Austrália, Rússia e leste da Ásia e o conteúdo de Lahs é bastante inspirado por essa demanda mundo fora, nomeadamente as experiências que a banda foi conseguido vivenciar além das normais rotinas de uma digressão musical.

A música dos Allah-Las é algo que se esprai deliciosamente nos nossos ouvidos, sem pressas, arrufos ou complicações desnecessárias. Há uma constante sensação de conforto, calma, quietude e etérea contemplação nas composições deste quarteto e Lahs, o registo mais heterógeneo e completo da carreira do projeto, amplia esta filosofia interpretativa, adocicando-a com novas nuances, nomeadamente aquelas que foram retiradas da lista de arquétipos fundamentais do rock clássico e do alternativo. A soul da guitarra de Holding Pattern é, desde logo, uma primeira demonstração inequívoca de um maior experimentalismo, de um desejo de divagar que contraste com o cariz mais direto e incisivo dos dois trabalhos anteriores dos Allah-Las. Depois, se o efeito metálico da guitarra que ciranda por Keeping Dry espreguiça os nossos sentidos, fazendo também abanar ligeiramente a anca, a tal diversidade atinge píncaros de criatividade em Prazer Em Te Conhecer, um tema cantado em português e que nos oferece uma espécie de Califórnia verde e amarela, já que são evidentes as influências da melhor música popular brasileira, em especial a bossa nova, numa composição imbuída de uma indesmentível vibe tropical, além da típica psicadelia lo-fi que carateriza o adn dos Allah-Las.

Os Allah-Las estão atrasados ou adiantados quase meio século, depende da perspetiva que cada um possa ter acerca do conteúdo sonoro que replicam. Se na década de sessenta seriam certamente considerados como uma banda vanguardista e na linha da frente e um exemplo a seguir, na segunda década do século XXI conseguem exatamente os mesmos pressupostos porque, estando novamente o indie rock lo fi e de cariz mais psicotrópico na ordem do dia, são, na minha modesta opinião, um dos projetos que melhor replica o garage rock dos anos sessenta e a psicadelia da década seguinte.

À medida que nos embrenhamos no âmago do disco, na frescura dançante de In The Air,  na luminosidade de Roco Ono, no clima contemplativo de Star, na radiofonia feliz de Polar Onion, na mescla entre folk e o country sulista americano em Royal Star ou no reverb empoeirado que conduz Electricity, percebemos que a receita dos Allah-Las mantém-se tremendamente eficaz e ainda mais aditiva, mesmo no sentido psicotrópico do termo. A embalagem muito fresca que é, no seu todo, Lahs, assente numa guitarra vintage, que de Creedance Clearwater Revival a Velvet Underground, passando pelos Lynyrd Skynyrd, faz ainda alguns desvios pelo blues dos primórdios da carreira dos The Rolling Stones e pela irremediável crueza dos The Kinks, deixa-nos completamente absortos por este experimentalismo instrumental que pode servir como uma feliz homenagem ao final de um verão que se tem estendido um pouco mais além do necessário. Em suma, estamos na presença de um alinhamento com sabor a despedida do sol e do calor, feito de referências bem estabelecidas e com uma arquitetura musical que garante aos Allah-Las a impressão firme de que a sua sonoridade típica conquista e seduz, com as visões de uma pop caleidoscópia e o sentido de liberdade e prazer juvenil que suscita, também por experimentar um vasto leque de referências antigas. Espero que aprecies a sugestão...

Allah-Las - Lahs

01. Holding Pattern
02. Keeping Dry
03. In The Air
04. Prazer Em Te Conhecer
05. Roco Ono
06. Star
07. Royal Blues
08. Electricity
09. Light Yearly
10. Polar Onion
11. On Our Way
12. Houston
13. Pleasure

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 17:48

Taïs Reganelli - Vem (Além de toda solidão)

Terça-feira, 08.10.19

Filha de pais brasileiros, Taïs Reganelli nasceu em Berna, na Suíça, há quarenta e um anos, durante o exílio político de seu pai, o jornalista Wilson Roberto Reganelli, que foi embora do Brasil após a morte de seu companheiro de trabalho, o também jornalista Vladimir Herzog, assassinado pela ditadura militar. A família viveu na Suíça doze anos antes de voltar definitivamente ao país natal, para Campinas, no interior de São Paulo, quase no ocaso da década de oitenta do século passado.

Resultado de imagem para Taïs Reganelli Vem (Além de toda solidão)

Taïs Reganelli iniciou sua carreira ainda na adolescência, cantando em bares, teatros e espaços culturais da cidade, sempre acompanhada de seu irmão mais velho, o violonista Henrique Torres, com quem formou um duo por mais de vinte anos. Em mil novecentos e noventa e nove, fixou-se em Itália onde durante dois anos deu vários concertos com o irmão,  regressando de novo ao Brasil em dois mil e um para cimentar um lugar de relevo no cenário musical do país irmão e dividir o palco com grandes nomes da música popular brasileira. Ao longo desses anos tocou em vários países da América Latina e da Europa, entre eles Nicarágua, Chile, França, Espanha, Bélgica, Holanda, Itália e Portugal. Lançou quatro álbuns de carreira, destacando-se Leve, há oito anos, que ganhou posições de destaque em várias listas dos melhores discos brasileiros desse ano.

Atualmente a cantora e compositora Taïs Reganelli, vive em Portugal, está apaixonada por Lisboa e a explorar a nossa cultura musical e conceitos tão nossos como a saudade e a solidão. Na sequência, a intérprete estreia-se no nosso país com o lançamento do single Vem (Além de toda solidão), um original da Madredeus composto por Pedro Ayres Magalhães, Rodrigo Leão e Gabriel Gomes e que Taïs canta com pronúncia brasileira, dando ao original um cunho muito pessoal e uma identidade diferente da original sob a produção do pianista e compositor Pablo Lapidusas.

Esta versão do single Vem (Além de toda solidão), também já tem direito a um vídeo realizado por Juliano Luccas, captado na capital do nosso país e inspirado na verdade e crueza da interpretação de Jacques Brel no filme da canção Ne me quitte pas. O vídeo mistura imagens de sítios icónicos de Lisboa com cenas de um corpo feminino, acentuando o contraste entre o macro (a imponente arquitetura lisboeta, o mar...) e o micro (o umbigo, uma lágrima que cai...). 

A cantora explica assim o motivo da escolha da canção para o seu primeiro single: Os Madredeus influenciaram muito a minha carreira e sempre incluí suas músicas em meus concertos no Brasil. Quando cheguei aqui (em Lisboa) quis gravar uma canção deles e de que gostava imenso, em homenagem ao país que estava me recebendo.

Depois do lançamento de Vem (Além de toda solidão), Taïs Reganelli prepara a gravação de mais dois singles e vídeos e de um concerto ao vivo no Casino do Estoril, no dia vinte e um de Novembro, às vinte e duas horas. Confere...

Facebook: https://www.facebook.com/taisreganellioficial/

Instagram: https://www.instagram.com/taisreganelli/

YouTube: https://www.youtube.com/user/taisreganelli

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 17:06

Allah-Las – Prazer Em Te Conhecer

Segunda-feira, 23.09.19

Allah-Las - Prazer Em Te Conhecer

Naturais de Los Angeles, os norte americanos Allah-Las de Miles Michaud, Pedrum Siadatian, Spencer Dunham e Matt Correia têm finalmente sucessor para o excelente registo Calico Review de dois mil e dezasseis. Será a onze de outubro que irá ver a luz do dia Lahs, o novo compêndio de originais do quarteto, um trabalho que irá chegar aos escaparates através da Mexican Summer, a habitual editora do grupo.

Os Allah-Las viajaram imenso depois da edição de Calico Review, com passagens por locais táo variados como todo o continente americano, a Europa, África do Sul, Austrália, Rússia e leste da Ásia e o conteúdo de Lahs é bastante inspirado por essa demanda mundo fora, nomeadamente as experiências que a banda foi conseguido vivenciar além das normais rotinas de uma digressão musical.

Depois de Polar Onion, o mais primeiro single divulgado das treze canções do alinhamento de Lahs, agora chegou a vez de nos deliciarmos com Prazer Em Te Conhecer, um tema cantado em português e que nos oferece uma espécie de Califórnia verde e amarela, já que são evidentes as influências da melhor música popular brasileira, em especial a bossa nova, numa composição imbuída de uma indesmentível vibe tropical, além da típica psicadelia lo-fi que carateriza o adn dos Allah-Las.

Merece também uma vista de olhos o vídeo de Prazer Em Te Conhecer, que mostra algumas das tais experiências que a banda foi conseguido vivenciar na digressão acima referida e que foram sendo captadas pelo baterista Matt Correia. Confere...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 13:14

King Gizzard and the Lizard Wizard - Sketches Of Brunswick East

Quinta-feira, 07.09.17

Quando no início do ano o projeto australiano King Gizzard and the Lizard Wizard de Stu Mackenzie anunciou que iria lançar cinco álbuns em 2017, foram muitos os cépticos que se apressaram a apontar o dedo à impossibilidade deste grupo de rock psicadélico conseguir levar por diante tal desiderato. Mas a verdade é que Sketches Of Brunswick East, treze canções que viram a luz do dia a vinte e cinco de agosto, através da ATO Records, são já o terceiro capítulo desta imponente saga onde detalhes da soul, do jazz, do rock, essencialmente o setentista e sonoridades africanas e até a folk tradicional inglesa se misturam, para dar vida e cor a um alinhamento onde também teve uma importante palavra a dizer Alexander Brettin, outro músico australiano e natural de Brunswick East, bairro dos subúrbios de Melbourne, tal como Stu e fã de Todd Rundgren e Wire, que tem como carapaça pop o projeto Mild High Club.

Resultado de imagem para King Gizzard and the Lizard Wizard 2017

Com os King Gizzard and the Lizard Wizard a contarem já com cerca de uma dezena de discos em carteira, a verdade é que este Sketches Of Brunswick East é já o terceiro trabalho que também conta com a participação dos Mild High Club. E Sketches Of Brunswick East, que também alude ao clássico de Miles Davis, Sketches Of Spainresulta na plenitude, porque é profusamente intensa e feliz esta estreita colaboração entre Stu e Alexander, nomeadamente através da modo como trocam trechos de guitarra acústica, que acabam por servir depois de base a um posterior trabalho de aperfeiçoamento e desenvolvimento por parte dos restantes membros dos King Gizzard and the Lizard Wizard, com o resultado final, mais uma vez, a ser verdadeiramente intenso e contagiante.

O disco inicia com um solo de piano lindíssimo por parte de Brettin, secundado por alguns detalhes percurssivos da autoria do baterista Michael Cavanagh e a partir daí o que se escuta é uma verdadeira espiral entusiasta e multicolorida, que nos colocabem no centro de um tornado que, da psicadelia, à dream pop, passando pelo shoegaze e o chamado space rock, se delicia com a mistura destas vertentes e influências sonoras, sempre em busca do puro experimentalismo e com liberdade plena para ir além de qualquer condicionalismo editorial que possa influenciar o processo criativo de um grupo.

Se ao longo da audição deste álbum parece evidente que tudo aquilo que se pode escutar, dos arranjos às melodias passando pelos diferentes detalhes e samples, é cuidadosamente pensado. É curioso constatar que a busca do caos também pareceu fazer parte da filosofia dominante no processo de construção do arquétipo das várias canções. O jazz experimental acaba por ser a base, mas é muito redutor uma catalogação tão objetiva já que, obedecendo a uma filosofia firme de controle instrumental, quer a homenagem descarada à melhor bossa nova em You Can Be Your Silhouette, assim como os devaneios dos sopros divagantes de Sketches Of Brunswick East II e o modo como em The Spider And Me as variações rítmicas também sobressaiem devido ao modo como as cordas se entrelaçam com a voz, são apenas alguns exemplos felizes que nos remetem para um espetro muito mais vasto e abrangente, onde diferentes estruturas e influências submergem e se acotovelam, quase em uníssono, para conseguirem destaque entre si. É, em pouco mais de trinta minutos, o espraiar indulgente e sereno de uma prévia colocação numa máquina de lavar, num programa que permitiu uma espécie de rotação e sobreposição constante de tudo aquilo que a herança musical contemporânea, de índole eminentemente psicadélica, foi agregando e assimilando ao longo das últimas cinco décadas.

Mais uma vez os King Gizzard and the Lizard Wizard conseguem facultar-nos um acervo de canções único e peculiar e que resulta, certamente, da consciência que Stu, o grande mentor do projeto, tem das transformações que abastecem a música psicadélica atual, enquanto tenta ligar-nos umbilicalmente aquela que considera ser a melhor lista de referências essenciais na parada psicotrópica explicitamente aberta ao experimentalismo que tem inundado os nossos ouvidos ultimamente. Sendo este seu terceiro disco do ano um tratado sonoro de natureza hermética, também não se furta a quebrar algumas regras da pop, nomeadamente na questão da crueza lo fi, e até de desafiar as mais elementares do bom senso, impressionando, assim, pelo arrojo e mostrando-se genial no modo como dá vida a mais um excelente tratado sonoro do melhor revivalismo que se escuta atualmente relativamente ao rock psicadélico do século passado. Espero que aprecies a sugestão...

Sketches of Brunswick East artwork

01. Sketches Of Brunswick East I
02. Countdown
03. D-Day
04. Tezeta
05. Cranes, Planes, Migraines
06. The Spider And Me
07. Sketches Of Brunswick East II
08. Dusk To Dawn On Lygon Street
09. The Book
10. A Journey To (S)hell
11. Rolling Stoned
12. You Can Be Your Silhouette
13. Sketches Of Brunswick East III

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 09:27

Jens Lekman - Life Will See You Now

Sexta-feira, 24.02.17

Depois de em 2015 o músico e compositor sueco Jens Lekman ter voltado às luzes da ribalta com um assumido compromisso de todas as semanas compor e gravar um novo tema, através do seu projeto Smalltalk, do quel resultou o EP Ghostwriting, uma espécie de complemento dessa hercúlea tarefa onde o autor e a banda que o tem acompanhado transformaram as suas histórias pessoais em canções, assentes numa folk acústica intensa, próxima  e subtilmente encantadora, agora, no dealbar de 2017, este artista que desde 2000 tem revelado o seu charme melancólico e romântico com inegável bom gosto, está de regresso ao formato longa duração, com Life Will See You Now, o quarto álbum da sua carreira, editado a dezassete de fevereiro através da Secretly Canadian.

Resultado de imagem para jens lekman 2017

Hábil poeta e permanentemente focado e apaixonado pelo processo de escrita e composição, Jens Lekman é exímio a entender os mais variados sentimentos e confissões humanas e fá-lo de forma peculiar, convertendo simples sensações em algo grandioso, épico e ainda assim delicadamente confessional. Neste trabalho, o modo como a sua voz e o piano se apresentam logo na abertura do tema homónimo, causando espanto, faz-nos também entender, com clareza, aquilo que nos espera, em dez canções onde o autor se particularmente intimista e reflexivo, sobrepondo as palavras dos seus poemas com uma evidente exaltação instrumental, necessária e preciosa para a materialização da clara honestidade poética e melódica que sempre o guiou. E essa permissa transforma-se, neste artista, num mecanismo eficaz de diálogo direto com quem se predispõe a ouvi-lo.

Na verdade, Lekman é único e universal a traduzir com simplicidade musical tudo aquilo que gostaríamos de expressar em momentos de maior dor e melancolia, mas também de euforia e exaltação.  What’s That Perfume That You Wear?, tema que inclui um sample do tema The Path de Ralph MacDonald, que data do ano 1978 e que é uma das músicas favoritas do sueco, é um notável exemplo do modo como Lekman retrata o tenebroso final de uma relação amorosa, mas de modo a fazer desse evento uma espécie de desabrochar e a possibilidade de um novo recomeço. E essa capacidade que Lekman tem de nos mostrar sempre o lado positivo e radioso de um qualquer evento, por muito catastrófico que possa parecer, é um dos seus maiores atributos sonoros, audível na exuberância não só das teclas, mas também das cordas e dos metais que tanto se escutam nas suas canções, que nunca descuram a busca de ritmos dançantes e de uma curiosa tropicalidade, também sublime na leveza divertida e primaveril de Wedding In Finistére. Outro bom exemplo dessa estranha dicotomia entre tragédia e celebração está plasmada em Evening Prayer, instante pop também bastante dançante e que se debruça sobre alguém que descobriu que tem cancro e que decide fazer uma cópia do tumor entretanto retirado do próprio corpo numa impressora 3-D. Outra notável canção deste trabalho é, sem dúvida, Our First Fight, composição onde o autor aprimora a sua habitual delicadeza e na pele de um contemporâneo trovador, arrasta-nos, através de soberbos arranjos, para um cenário bucólico bastante impressivo, onde a paixão dá lugar à saudade, o beijo converte-se em despedida e o que é aparentemente grandioso serve agora para nos confortar.

Produzido por Ewan Pearson (M83, Goldfrapp, Chemical Brothers), Life Will See You Now é um festim para os nossos ouvidos e uma boa dose de humor, um verdadeiro caleidoscópio de sensações realisticamente agradáveis, mas também profundamente reflexivas, em que cada uma das suas canções tem tudo para transformar-se num memorável clássico do indie pop, um disco que recheia o curriculum deste sueco com um atestado superior de magnificiência sonora, assente também versos pegajosos e um tipo de atmosfera quase mágica que apenas ele parece capaz de desenvolver. Espero que aprecies a sugestão...

Jens Lekman - Life Will See You Now

01. To Know Your Mission
02. Evening Prayer
03. Hotwire The Ferris Wheel
04. What’s That Perfume That You Wear?
05. Our First Fight
06. Wedding In Finistére
07. How We Met, The Long Version
08. How Can I Tell Him
09. Postcard #17
10. Dandelion Seed

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 17:32






mais sobre mim

foto do autor


Parceria - Portal FB Headliner

HeadLiner

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Man On The Moon · Man On The Moon -Programa 422


Disco da semana 117#


Em escuta...


pesquisar

Pesquisar no Blog  

links

as minhas bandas

My Town

eu...

Outros Planetas...

Isto interessa-me...

Rádio

Na Escola

Free MP3 Downloads

Cinema

Editoras

Records Stream


calendário

Maio 2021

D S T Q Q S S
1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.