Sábado, 12 de Outubro de 2019

Allah-Las - Lahs

Naturais de Los Angeles, os norte americanos Allah-Las de Miles Michaud, Pedrum Siadatian, Spencer Dunham e Matt Correia têm finalmente sucessor para o excelente registo Calico Review de dois mil e dezasseis. Foi ontem, onze de outubro, que viu a luz do dia Lahs, o novo compêndio de originais do quarteto, um trabalho que chegou aos escaparates através da Mexican Summer, a habitual editora do grupo.

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Os Allah-Las viajaram imenso depois da edição de Calico Review, com passagens por locais tão variados como todo o continente americano, a Europa, África do Sul, Austrália, Rússia e leste da Ásia e o conteúdo de Lahs é bastante inspirado por essa demanda mundo fora, nomeadamente as experiências que a banda foi conseguido vivenciar além das normais rotinas de uma digressão musical.

A música dos Allah-Las é algo que se esprai deliciosamente nos nossos ouvidos, sem pressas, arrufos ou complicações desnecessárias. Há uma constante sensação de conforto, calma, quietude e etérea contemplação nas composições deste quarteto e Lahs, o registo mais heterógeneo e completo da carreira do projeto, amplia esta filosofia interpretativa, adocicando-a com novas nuances, nomeadamente aquelas que foram retiradas da lista de arquétipos fundamentais do rock clássico e do alternativo. A soul da guitarra de Holding Pattern é, desde logo, uma primeira demonstração inequívoca de um maior experimentalismo, de um desejo de divagar que contraste com o cariz mais direto e incisivo dos dois trabalhos anteriores dos Allah-Las. Depois, se o efeito metálico da guitarra que ciranda por Keeping Dry espreguiça os nossos sentidos, fazendo também abanar ligeiramente a anca, a tal diversidade atinge píncaros de criatividade em Prazer Em Te Conhecer, um tema cantado em português e que nos oferece uma espécie de Califórnia verde e amarela, já que são evidentes as influências da melhor música popular brasileira, em especial a bossa nova, numa composição imbuída de uma indesmentível vibe tropical, além da típica psicadelia lo-fi que carateriza o adn dos Allah-Las.

Os Allah-Las estão atrasados ou adiantados quase meio século, depende da perspetiva que cada um possa ter acerca do conteúdo sonoro que replicam. Se na década de sessenta seriam certamente considerados como uma banda vanguardista e na linha da frente e um exemplo a seguir, na segunda década do século XXI conseguem exatamente os mesmos pressupostos porque, estando novamente o indie rock lo fi e de cariz mais psicotrópico na ordem do dia, são, na minha modesta opinião, um dos projetos que melhor replica o garage rock dos anos sessenta e a psicadelia da década seguinte.

À medida que nos embrenhamos no âmago do disco, na frescura dançante de In The Air,  na luminosidade de Roco Ono, no clima contemplativo de Star, na radiofonia feliz de Polar Onion, na mescla entre folk e o country sulista americano em Royal Star ou no reverb empoeirado que conduz Electricity, percebemos que a receita dos Allah-Las mantém-se tremendamente eficaz e ainda mais aditiva, mesmo no sentido psicotrópico do termo. A embalagem muito fresca que é, no seu todo, Lahs, assente numa guitarra vintage, que de Creedance Clearwater Revival a Velvet Underground, passando pelos Lynyrd Skynyrd, faz ainda alguns desvios pelo blues dos primórdios da carreira dos The Rolling Stones e pela irremediável crueza dos The Kinks, deixa-nos completamente absortos por este experimentalismo instrumental que pode servir como uma feliz homenagem ao final de um verão que se tem estendido um pouco mais além do necessário. Em suma, estamos na presença de um alinhamento com sabor a despedida do sol e do calor, feito de referências bem estabelecidas e com uma arquitetura musical que garante aos Allah-Las a impressão firme de que a sua sonoridade típica conquista e seduz, com as visões de uma pop caleidoscópia e o sentido de liberdade e prazer juvenil que suscita, também por experimentar um vasto leque de referências antigas. Espero que aprecies a sugestão...

Allah-Las - Lahs

01. Holding Pattern
02. Keeping Dry
03. In The Air
04. Prazer Em Te Conhecer
05. Roco Ono
06. Star
07. Royal Blues
08. Electricity
09. Light Yearly
10. Polar Onion
11. On Our Way
12. Houston
13. Pleasure


autor stipe07 às 17:48
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Terça-feira, 6 de Agosto de 2019

Ty Segall - First Taste

Ty Segall é uma máquina de fazer discos. Não apenas trabalhos aleatórios, composições frias ou registos descartáveis, mas lançamentos de peso dentro da cena independente norte-americana. Dono de uma infinidade de projetos paralelos cada um deles com vários álbuns lançados, é quando assume as guitarras na carreira a solo que este californiano, natural de São Francisco, alcança o melhor desempenho. Segall tem editado ultimamente, em média, dois registos por ano, adicionando à sua discografia, tomo após tomo, mais um conjunto de canções assentes em riffs assimétricos, ruídos pop e todo o assertivo clima do garage rock, algo que faz dele um dos artistas de maior relevância no panorama atual. O novo disco do artista chama-se First Taste e viu a luz no início deste mês de agosto, por intermédio da Drag City.

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Décimo segundo trabalho discográfico da carreira do músico e o primeiro do californiano sem ter as guitarras na linha da frente do processo de composição das suas canções, First Taste é também um dos seus mais ecléticos e heterogéneos registos, porque nos oferece novas nuances que conferem um grau de inedetismo ao seu alinhamento quando comparado com os antecessores mais recentes. Convém, no entanto, salientar que se as guitarras foram substituidas por teclados, sintetizadores e cordas de outras proveniências, First Taste não deixa de soar a um registo típico de Ty Segall porque, mesmo tendo optado por um caminho diferente do habitual, acabou por entroncar, como seria de esperar, naquela caraterística crueza do fuzz que define a personalidade sonora do autor, mas também, tendo em conta a luminosidade do banjo que sustenta The Arms e a indisfarçável melancolia que exala da fabulosa ode festiva do banjo que aquece Lone Comboys, na limpidez que nunca se mostra exageradamente pop e que também marca alguns dos melhores momentos da sua carreira.

Ty Segall tem uma visão muito própria da dita psicadelia e em First Taste, com a tal opção pelo aparente desprezo relativamente à sua fiel amiga guitarra, mostra não só uma bem sucedida saída da sua habitual zona de conforto, mas também uma nova forma de atingir o noise lo fi que tanto lhe diz. Taste, o ruidoso imponente tema que abre o alinhamento do disco, tem esse cunho de acessibilidade, com o travo blues de Whatever, a majestosidade vocal que depois é afagada por um subtil piano em Ice Plant e a imponente parede percurssiva que cerra os punhos aos sons abrasivos sintetizados que se intrometem em Self Esteem, a serem outros momentos altos de mais uma espécie de viagem lisérgica através do tempo, até há quase meio século, em completo transe e hipnose.

Confesso que sempre admirei a capacidade que algumas bandas ou projetos têm de construirem canções assentes numa multiplicidade de instrumentos e são imensos os casos divulgados e exaltados por cá. Como não podia deixar de ser, no caso de Ty Segall a fórmula selecionada desta vez é muito simples, sair da tal zona de conforto. E aquilo que sobressai de First Taste acaba por ser a genialidade e a capacidade de execução deste verdadeiro mestre do improviso psicadélico, capaz de utilizar um receituário diferente e continuar a criar aquelas atmosferas nostálgicas e hipnotizantes capazes de nos transportar para uma outra galáxia, feita de imensa aúrea crua e visceral e, como é seu apanágio, eminentemente sessentista. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 11:12
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Sexta-feira, 10 de Maio de 2019

Starflyer 59 – Young In My Head

Os míticos Starflyer 59 de Jason Martin, ao qual se juntam, atualmente o baixista Steven Dail (Project 86, Inner Means, Crash Rickshaw, Bloodshed), o teclista TW Walsh (TW Walsh, Pedro the Lion, Lo-Tom, The Soft Drugs) e o baterista Charlie, filho de Jason, estão de regresso aos discos com Young In My Head, um compêndio de dez canções que sucedem a Slow, um registo lançado há cerca de três anos. Young In My Head viu a luz do dia através da Tooth & Nail Records, a editora de sempre desta banda oriunda de Riverside, na Califórnia.

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Com já quase três décadas de existência, os Starflyer 59 começaram por apostar em abordagens ao shoegaze, logo no registo homónimo de estreia lançado em mil novecentos e noventa e quatro, uma opção que se manteve nos sucessores Gold Americana. Depois, com The Fashion FocusEverybody Makes Mistakes, e Leave Here a Stranger, os Starflyer 59 entraram num período de transição e começaram a migrar para um som mais limpido e acessivel e próximo dos arquétipos fundamentais do típico indie rock alternativo norte-americano, sendo considerados, na atualidade, como um dos projetos mais profícuos do cenário alternativo do outrolado do atlântico.  Já agora, aos discos que o grupo já lançou, juntam-se nove EPs, quatro edições ao vivo, três compilações e um sem número de edições de singles em vinil, além da participação do grupo em outros projetos paralelos, sendo os mais célebres os Pony Express, Bon Voyage, Dance House Children, The Brothers Martin, White Lighter, Neon Horse e os Lo-Tom.

Young In My Head é, então, o décimo quinto registo de originais do catálogo do grupo, um alinhamento de dez canções que coloca os Starflyer 59 a replicar uma sonoridade com um travo muito nativo e profundamente americano, com as guitarras e os sintetizadores a mostrarem-nos alguns dos maiores méritos daquele rock oitocentista que ainda hoje está bem impresso na memória de muitos. Basta escutar o ritmo frenético do tema homónimo e o modo como a guitarra encaixa e os teclados planam acima da melodia, para recuarmos facilmente até esse período aúreo da história musical contemporânea. Depois, o clima mais blues da guitarra que conduz a subtileza melódica de Cry, a curiosa e inesperada beleza que emana da mais negra e depressiva Remind Me e o rock agreste e poeirento que conduz Crash, atestam a força, o vigor e a vitalidade de um disco bem definido em termos de sonoridade e exemplar na forma como a recria, através de canções que nos oferecem algum do melhor rock que se escuta por aí, às vezes tão rugoso e quente como o asfalto que pisamos todos os dias. Espero que aprecies a sugestão...

Starflyer 59 - Young In My Head

01. Hey, Are You Listening?
02. Young In My Head
03. Not That I Want To
04. Cry
05. Remind Me
06. Smoke
07. Wicked Trick
08. Junk
09. Cain
10. Crash


autor stipe07 às 16:39
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Segunda-feira, 6 de Maio de 2019

Cage The Elephant - Social Cues

Já tem sucessor Tell Me I'm Pretty, o álbum que os norte americanos Cage The Elephant, de Matt Schultz (voz), Brad Schultz (guitarra), Jared Champion (bateria), Daniel Tichenor (baixo) e Lincoln Parish (guitarra), lançaram no final de dois mil e quinze e que na altura nos conduziu por uma verdadeira road trip, à boleia das cordas, da bateria e do sintetizador, uma viagem lisérgica que contou com um complemento de versões acústicas dois anos depois, intitulado UnpeeledSocial Cues é o nome do quinto e novo registo discográfico desta banda oriunda de Bowling Green, no Kentucky, viu a luz a dezanove de abril, foi produzido por John Hill e contém um alinhamento de treze temas que conta com a participação especial de Beck na canção Night Running.

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A composição deste novo álbum dos Cage The Elephant é bastante inspirada no final de uma relação amorosa de Matt Schultz, que criou nas letras que escreveu para alguns dos temas personagens que recriam eventos e pensamentos da sua história pessoal mais recente. Aproveitando esse momento introspetivo, Matt acabou por ir um pouco mais além da sua esfera pessoal e refletiu também sobre o modo como nos dias de hoje nos relacionamos pessoal e socialmente, enquanto vivemos e procuramos ser felizes em ambientes onde o frenesim, a impessoalidade, a competitividade, a ausência constante de valores e a busca incessante do material são presenças constantes e factores de pressão indesmentíveis.

Descrito este enredo musical, feito de poesia que tanto pode exalar descontentamente e frustração, como uma certa euforia e júbilo, a materialização sonora do mesmo assenta numa filosofia interpretativa bastante heterogénea, num alinhamento que oscila também entre dois pólos aparentemente opostos, ou seja, numa lógica de coerência entre letras e musica, entre momentos ruidosos e expansivos e instantes menos ritmados e agitados. Assim, se uma constante sensação de irritação percetível em Broken Boy ganha vida à custa de uma guitarra que a espaços se insinua, no meio de uma batida dominante, já Ready To Let Go balança entre a típica rugosidade do rock feito sem adereços desnecessários, mas que impressiona pela forma como as cordas são manuseadas e produzidas e a calorosa e acústica pop, misturada com um salutar experimentalismo psicadélico. Este lado mais ritmado e eufórico do registo é reforçado pelo fuzz da guitarra da luminosa Black Madonna, pelo rugoso travo psicadélico de House of Glass e pelo instinto pop que sustenta The War Is Over. Já o tema homónimo, por exemplo, querendo dar ao ouvinte algumas pistas sobre como deve agir socialmente perante determinada situação menos pacífica, acaba por fazer parte do conjunto de composições mais minimalistas e soporíferas, no modo como vê a componente da letra enfatizada através de uma opção sonora que primou pela discrição, apenas com a bateria e uma suave guitarra a servirem de pano de fundo para a mensagem. O piano que conduz Goodbye, a melodia sintética e os flashes cósmicos que adocicam Skin And Bones e o clima algo enevoado e lisérgico de What I'm Becoming, sendo canções que oferece ao disco uma maior dose de imprevisibilidade e ineditismo e talvez pensadas para fugirem aos habituais cânones em termos de formatação sonora dos Cage The Elephant, proporcionam-nos os tais instantes mais reflexivos e intimistas.

Álbum com um pretexto explícito, mensagens contundentes e uma identidade bem definida, Social Cues suga-nos para uma centrifugadora que mistura alguns dos mais saborosos ingredientes do rock alternativo atual, com um resultado que te faz sentir emoções fortes e verdadeiramente inebriantes, num alinhamento que nos deixa constantemente à espera que surja nos nossos ouvidos algo de imprevisível e inédito e que contribui para que sejamos definitivamente absorvidos pela mente insana de uma banda sem preocupações estilísticas ou de obediência cega a fronteiras sonoras e que voltou a criar um conjunto de canções plenas de originalidade e com uma elevada bitola qualitativa, enquanto brincam com os nossos sentimentos mais íntimos. Espero que aprecies a sugestão...

Cage The Elephant - Social Cues

01. Broken Boy
02. Social Cues
03. Black Madonna
04. Night Running (Feat. Beck)
05. Skin And Bones
06. Ready To Let Go
07. House Of Glass
08. Love’s The Only Way
09. The War Is Over
10. Dance Dance
11. What I’m Becoming
12. Tokyo Smoke
13. Goodbye


autor stipe07 às 18:22
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Domingo, 21 de Abril de 2019

The Rolling Stones – Honk

Ativos desde mil novecentos e sessenta e dois, os britânicos The Rolling Stones de Mick Jagger, Keith Richards, Ron Wood e Brian Jones, são uma das bandas fundamentais e mais bem sucedidas da história da música e um ícone da cultura pop, não só contemporânea, mas também, naturalmente, do último meio século. Ainda ativos, sempre prontos a ir para a estrada e em estúdio a preparar um novo registo de originais que poderá muito bem ver a luz do dia ainda este ano, apesar dos recentes problemas de saúde de Jagger, os Rolling Stones acabam de editar Honk, uma obra que reune, em dois discos, os maiores sucessos do grupo.

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Honk contém trinta e seis composições e nelas é atualizada toda a história discográfica do grupo britânico, desde clássicos da década de sessenta e de setenta como Start Me Up, Brown Sugar e Rocks Off, até Angie e Rock And A Hard Place, temas de final do século passado, assim como algumas composições presentes em Blue & Lonesome, o disco que o grupo lançou há quase três anos e que venceu um Grammy em dois mil e dezasseis.

A versão deluxe de Honk inclui um terceiro disco com dez composições gravadas ao vivo em digressões recentes dos The Rolling Stones. Entre elas estão Dead flowersBitch Wild Horses, que contam com as participações de Brad Paisley, Dave Grohl e Florence Welch respectivamente. Confere...

The Rolling Stones - Honk

CD 1
01. Start Me Up (Remastered)
02. Brown Sugar
03. Rocks Off
04. Miss You
05. Tumbling Dice
06. Just Your Fool
07. Wild Horses
08. Fool To Cry
09. Angie
10. Beast Of Burden
11. Hot Stuff
12. It’s Only Rock’n’Roll (But I Like It)
13. Rock And A Hard Place
14. Doom And Gloom
15. Love Is Strong
16. Mixed Emotions
17. Don’t Stop
18. Ride ‘Em On Down

CD 2
01. Bitch
02. Harlem Shuffle
03. Hate To See You Go
04. Rough Justice
05. Happy
06. Doo Doo Doo Doo Doo (Heartbreaker)
07. One More Shot
08. Respectable
09. You Got Me Rocking
10. Rain Fall Down
11. Dancing With Mr. D
12. Undercover (Of The Night)
13. Emotional Rescue
14. Waiting On A Friend
15. Saint Of Me
16. Out Of Control
17. Streets Of Love
18. Out Of Tears

CD 3
01. Get Off Of My Cloud (Live At Principality Stadium, Cardiff)
02. Dancing With Mr. D (Live At The Gelredome, Arnhem)
03. Beast Of Burden (Feat. Ed Sheeran) (Live At Arrowhead Stadium, Kansas)
04. She’s A Rainbow (Live At U Arena, Paris)
05. Wild Horses (Feat. Florence Welch) (Live At London Stadium)
06. Let’s Spend The Night Together (Live At Manchester Evening News Arena)
07. Dead Flowers (Feat. Brad Paisley) (Live At Wells Fargo Center, Philadelphia)
08. Shine A Light (Live At ArenA, Amsterdam)
09. Under My Thumb (Live At London Stadium)
10. Bitch (Feat. Dave Grohl) (Live At The Honda Center, Anaheim)


autor stipe07 às 14:52
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Sábado, 9 de Fevereiro de 2019

Flak - Verão

Com uma carreira de mais de três décadas durante a qual incubou e encabeçou bandas tão importantes do universo indie nacional como os Radio Macau ou os Micro Audio Waves, Flak tem também um projeto a solo que começou há exatamente vinte anos com um homónimo que tem finalmente sucessor. Cidade Fantástica é o seu novo registo de originais em nome próprio, um alinhamento de dez canções que viu a luz do dia no final do passado mês de outubro e que foi gravado no mítico Estúdio do Olival, local onde o músico gravou e produziu vários discos, não só das suas bandas, mas também de Jorge Palma, Entre Aspas e GNR, entre muitos outros.

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O mais recente single divulgado de Cidade Fantástica é Verão, uma música que conta com a participação especial vocal de Mariana Norton e que em si é um delicioso tratado de indie pop, assente numa bateria grave e compassada, uma guitarra em contínuo e inquieto frenesim e teclas com efeitos cósmicos, em suma, uma soul contemplativa que sobrevive num terreno experimental e até psicadélico e onde a fronteira entre a sua heterogeneidade instrumental e melódica e um apenas aparente minimalismo estilístico é muitas vezes indecifrável. Sobre Verão o autor refere no seu press release de lançamento:

O Verão é uma canção sobre o mundo fantástico em que vivemos. Não há nenhum que se assemelhe no sistema solar. Temos montanhas mares cores pássaros que cantam nas árvores, um céu estrelado. Provavelmente não existirá nenhum igual no Universo a não ser que existam Universos paralelos. A realidade não existe. A realidade é aquilo que nós queremos ver. Nós é que fazemos a nossa realidade. Quem reflectir um pouco sobre a beleza das coisas e a nossa pequenez, há de lhe sobrar menos tempo e vontade de odiar o vizinho ou aqueles que não são como ele.

No próximo dia 23 de Fevereiro, Flak actuará, com a sua banda, no Teatro de Vila Real, no âmbito do Festival Boreal, com várias datas na primavera e no verão a serem divulgadas em breve. Confere...

https://www.facebook.com/flakoficial/

https://www.instagram.com/surreal_flak/

https://www.youtube.com/channel/UCgcj_xLwGtOj5l0PuVoFnjg 


autor stipe07 às 10:17
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Sábado, 13 de Outubro de 2018

Flak - Manto Branco

Com uma carreira de mais de três décadas durante a qual incubou e encabeçou bandas tão importantes do universo indie nacional como os Radio Macau ou os Micro Audio Waves, Flak tem também um projeto a solo que começou há exatamente vinte anos com um homónimo que tem finalmente sucessor. Cidade Fantástica é o seu novo registo de originais em nome próprio, um alinhamento de dez canções que irá ver a luz do dia no final deste mês e que foi gravado no mítico Estúdio do Olival, local onde o músico gravou e produziu vários discos, não só das suas bandas, mas também de Jorge Palma, Entre Aspas e GNR, entre muitos outros.

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O primeiro single divulgado de Cidade Fantástica foi a canção Ao Sol da Manhã, tema com direito a um video centrado em ilustrações de Francisco Cortez Pinto, fotografadas e editadas pelo próprio Flak. Agora chegou a vez de ganhar vida Manto Branco, o segundo single do disco, uma música que em si é um delicioso tratado de indie pop, assente numa bateria grave e compassada, uma guitarra em contínuo e inquieto frenesim e teclas com efeitos cósmicos, em suma, uma soul contemplativa que sobrevive num terreno experimental e até psicadélico e onde a fronteira entre a sua heterogeneidade instrumental e melódica e um apenas aparente minimalismo estilístico é muitas vezes indecifrável. Sobre esta composição Manto Branco, o autor refere no seu press release de lançamento:

Manto Branco. Não sei de onde me veio a frase. Manto Branco universo. Across the Universe. Olhar de Falcão. As palavras foram surgindo em simultâneo com a melodia. A segunda estrofe foi escrita mais tarde a partir do nome de uma antiga banda psicadélica brasileira, Perfume Azul do Sol. O vídeo do Vasco Mendes sugere-nos que algo vai acontecer. Por certo nada de bom. Talvez uma premonição. Um sinal dos tempos."

Cidade Fantástica será apresentado ao vivo no Teatro Ibérico, em Lisboa, a oito e nove de Novembro. Confere Manto Branco...


autor stipe07 às 21:37
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Sexta-feira, 24 de Agosto de 2018

Flak - Ao Sol da Manhã

Com uma carreira de mais de três décadas durante a qual incubou e encabeçou bandas tão importantes do universo indie nacional como os Radio Macua ou os Micro Audio Waves, Flak tem também um projeto a solo que começou há exatamente vinte anos com um homónimo que tem finalmente sucessor. Cidade Fantástica é o seu novo registo de originais em nome próprio, um alinhamento de dez canções que irá ver a luz do dia no final de outubro e que foi gravado no mítico Estúdio do Olival, local onde o músico gravou e produziu vários discos, não só das suas bandas, mas também de Jorge Palma, Entre Aspas e GNR, entre muitos outros.

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O primeiro single divulgado de Cidade Fantástica é a canção Ao Sol da Manhã, tema já com direito a um video com a letra, centrado em ilustrações de Francisco Cortez Pinto, fotografadas e editadas pelo próprio Flak. Misturado por Benjamim, que também tocou os teclados e masterizado por Tiago Sousa, o tema conta com as participações especiais de Rita Laranjeira na voz e António Dias no baixo. A música em si é um delicioso tratado de indie pop, assente em flashes de samples que gostam de jogar ao esconde esconde, uma guitarra em contínuo e inquieto frenesim e instrumentos percussivos a tresandar a uma soul contemplativa por todos os poros, uma composição que sobrevive num terreno experimental e até psicadélico e onde a fronteira entre a sua heterogeneidade instrumental e melódica e um apenas aparente minimalismo estilístico é muitas vezes indecifrável. Sobre esta composição Ao Sol da Manhã, o autor refere no seu press release de lançamento:

Enviei por engano uma demo de outra canção deste disco a um ex-aluno. Ele respondeu-me que lhe fazia lembrar o tipo de ambiente dos Mild High Club, banda que eu não conhecia. Fiquei curioso, fui ouvir o disco e no final apeteceu-me fazer uma canção pop com um toque de bossa-nova. Fui construindo uma sequência de acordes por cima de um ri de blues até ter a canção estruturada. A melodia é repetida com pequenas variações enquanto a harmonia vai mudando criando diferentes texturas. Quando completei a melodia, e tal como fiz na maioria das outras canções deste disco, quis aproveitar a energia do momento e fazer imediatamente uma letra para a canção. Agarrei um livro de um dos montes que tenho à minha volta quando estou a fazer canções, abri-o numa página qualquer e calhou estar a letra do “Sitting on the Dock of the Bay” do Otis Redding. Aí pensei que era uma boa ideia transportar a baía de São Francisco para Lisboa à beira rio. E é um programa mais ou menos comum no meu dia-a-dia, ir dar uma volta junto ao rio, apanhar sol e ver os barcos passar. Entretanto o Benjamim gravou um beat, o António Vasconcelos Dias gravou um baixo numa onda Motown, o Benjamim tocou em todos os teclados que estavam disponíveis e assim fomos fixando o arranjo, de uma forma espontânea, meio improvisada. Depois, todos cantamos, a Rita Laranjeira adicionou mais vozes, o Benjamim misturou e o Tiago Sousa masterizou.

Este álbum Cidade Fantástica será apresentado ao vivo no Teatro-Cine de Torres Vedras a seis de Outubro e no Teatro Ibérico, em Lisboa, a oito e nove de Novembro. Confere o seu primeiro single...


autor stipe07 às 23:12
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Segunda-feira, 2 de Julho de 2018

Courtney Barnett – Tell Me How You Really Feel

Já chegou aos escaparates Tell Me How You Really Feel, o segundo registo de originais da australiana Courtney Barnett, um trabalho produzido pela própria e por Burke Reid e Dan Luscombe e lançado pela Milk! Records, etiqueta da própria Barnett e ainda pela Mom + Pop Music e pela Marathon Artists. Tell Me How You Really Feel sucede a Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit, o feliz título do arrebatador disco de estreia de Courtney Barnett, que viu a luz do dia há pouco mais de três anos e que à epoca sucedeu aos EPs I've Got a Friend Called Emily Ferris (2011) e How to Carve a Carrot into a Rose (2013), editados depois conjuntamente em The Double EP: A Sea of Split Peas, em 2013.

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No radar da crítica especializada desde o EP A Sea of Split Peas, Courtney Barnett tem-se mostrado nesta última meia década bastante hábil no modo como expôe aqueles pequenos detalhes da vida comum e do seu próprio quotidiano e os transforma, na sua escrita, em eventos magnificientes e plenos de substância. E se na estreia, há três anos, procurou um ambiente eminentemente festivo e jovial que nos levasse a colocar o nosso melhor sorriso eufórico e enigmático e a passar a língua pelo lábio superior com indisfarçável deleite, ao som de uma voz doce, uma bateria intensa e uma guitarra que brilhava daqui ao céu, num vaivém musculado e constante, agora a opção foi por uma atmosfera menos imediata e um pouco mais intrincada e até amargurada e agressiva, com Hopefulessness, tema onde salta ao ouvido o excelente improviso da guitarra, a define, logo à partida, não o clima instrumental do alinhamento, mas, pelo menos, a sua temática algo agreste (No one’s born to hate, We learn it somewhere along the way, Take your broken heart, Turn it into art).

A partir desse prometedor início de alinhamento, no azedume abrasivo de City Looks Pretty, canção que conta com as irmãs Deal dos The Breeders nas vozes secundárias, no turbilhão ruminante da distorção que sustenta Charity, no modo como a autora depreza todos aqueles que a julgam no charme algo displiscente mas feliz de Need A Little Time, no modo tenso como o ruído trespassa a voz no refrão de Nameless, Faceless e, principalmente, na raiva incontida do grunge que arquiteta e agita I’m Not Your Mother, I’m Not Your Bitch fica expresso, de modo sintomático, um certo paradoxo sonoro, uma constante tensão oscilante entre o tédio e a ansiedade, onde o rock e a pop, o doce e o amargo e, enfim, aquilo que é meramente quotidiano e aquilo que é naturalmente poético se entrelaçam.

Álbum repleto de alusões ao desentendimento e ao lado menos radiante do amor, Tell Me How You Really Feel terá como importante propósito mostrar que a vida pode tornar-se num caminho sinuoso, mas que percorrer essa estrada não tem de ser algo vivido em permanente inquietude e depressão, desde que os fantasmas sejam exorcizados no momento certo. Os acordes deambulantes que empoeiram com ruído e frenesim a maioria das canções manifestam instrumentalmente estas experiências de vida sincera e fazem do registo uma jornada espiritual que nos é dada a apreciar e saborear em verdadeira plenitude, nesta contemporaneidade cheia de encruzilhadas e dilemas.. Espero que aprecies a sugestão...

Courtney Barnett - Tell Me How You Really Feel

01. Hopefulessness
02. City Looks Pretty
03. Charity
04. Need A Little Time
05. Nameless, Faceless
06. I’m Not Your Mother, I’m Not Your Bitch
07. Crippling Self Doubt And A General Lack Of Self Confidence
08. Help Your Self
09. Walkin’ On Eggshells
10. Sunday Roast


autor stipe07 às 14:10
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Quinta-feira, 10 de Maio de 2018

Bed Legs - Bed Legs

Oriundos de Braga, Fernando Fernandes,Tiago Calçada, Helder Azevedo, David Costa e agora também Leandro Araújo são os Bed Legs, que, de acordo com Marcio Freitas dos Dead Men Talking, autor do press release de lançamento do novo registo discográfico do grupo, se afirmam cada vez mais como criadores de música embebida, entornada e enrolada em melodias que despertam a maior das emoções e sensações, numa roda-viva que brota vivências por todos os lados. Esta banda começou por criar um certo e justificado burburinho, junto dos críticos mais atentos, à boleia de Not Bad, um EP editado no início de 2014 e, dois anos depois, através de Black Bottle, o longa duração de estreia, nove canções que justificaram, desde logo, a ideia de estarmos perante uma banda apostada em calcorrear novos territórios, de modo a entrar, justificadamente e em grande estilo, na primeira divisão do campeonato indie e alternativo nacional.

Resultado de imagem para Bed Legs Bed Legs braga 2018

Agora, dois anos depois, os Bed Legs editaram o sempre difícil segundo disco, um homónimo gravado na Mobydick Records, com o apoio do GNRation, por Budda Guedes e masterizado por Frederico Cristiano. Dele ficou-se a conhecer há algum tempo Spillin' Blood, o tema que abre um alinhamento onde, citando novamente Marcio Freitas, abunda a soltura dos teclados e do baixo, a riqueza dos ecos das guitarras e da bateria multi-ritualista, (...) num delicioso frenesim que inebria o mais puro dos seres.

De facto, escuta-se Bed Legs na íntegra e a primeira constatação óbvia é que, tendo em conta o registo anterior, os Bed Legs estão cada vez mais maduros e consistentes. Continuam a firmar o seu adn sonoro, impregnado-o e mascarando-o com o clássico rock cru e envolvente, sem máscaras e detalhes desnecessários, mas não faltam novos arranjos, quase sempre fornecidos por uma guitarra nada longe do rock de garagem e a piscar o olho a territórios cada vez mais progressivos (ouça-se Lift Me Up) e a uma salutar vibe psicadélica, exemplarmente replicada no solo eletrificado planante de Keep On, um tratado de lisergia enleante e submersivo.

A voz está também a tornar-se num caso sério da lista de predicados que os Bed Legs possuem, extravasando de modo superior o rol de emoções que as letras suscitam, sendo o complemento perfeito para um emaranhado sonoro, que parece resultar de uma espécie de rasgo das cordas vocais e que se destaca particularmente nas mudanças de tonalidade que executa à boleia da guitarra de Dreams On Fire, principalmente após a guinada ritmica e textural que o tema sofre a meio e no delicioso tratado de rhythm and blues que é Back On Track, uma ode ao melhor rock americano e onde, ao ouvir-se a postura vocal de Fernandes é fácil imaginar que uma lágrima de dor escorre-lhe da garganta ao coração, tal é a emoção com que ele canta. Esta emoção também se sente perfeitamente em Dance! quando Fernandes se cruza com a guitarra e berra literalmente uma espécie de último suspiro antes de um momento de dança desenfreada, claramente há muito contido.

Bed Legs é um título feliz para este disco, exatamente porque no seu conteúdo está impressa a identidade de um projeto onde por detrás da amálgama estilística que abrange, dentro de um espetro sonoro claramente delimitado, existe existe um universo inteiro de detalhes, sobreposições e arranjos que vale a pensa descobrir e que faz dos Bed Legs um nome a reter no cada vez mais intrincado e valioso universo sonoro alternativo nacional. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:23
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Terça-feira, 1 de Maio de 2018

Unknown Mortal Orchestra - Sex & Food

Três anos depois do excelente Multi-Love, os neozelandeses Unknown Mortal Orchestra, do músico e compositor Ruban Nielson e de Jake Portrait e Greg Rogove, instalados em Portland, no Oregon há já aguns anos, estão de regresso ao formato longa duração com Sex & Food, uma extraordinária compilação de doze canções que, estreitando os laços entre a psicadelia e o R&B, contêm a impressão firme da sonoridade típica da banda, catupultando-a ainda para uma estética mais abrangente, reforçando de forma ainda mais comercial e ainda assim específica o que havia de mais tradicional e inventivo na trajetória da banda.

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Produzido pelo próprio Ruban Nielson, gravado entre Seoul (Coreia do Sul), Hanoi (Vietname), Reykjavik (Islândia), Cidade do México (México), Auckland (Nova Zelândia) e Portland (Estados Unidos), lançado com a chancela da Jagjaguwar e fortemente influenciado pela internet, Sex & Food além de reviver marcas típicas do rock nova iorquino do fim da década de setenta, tão bem impressas na vibe escandalosamente urbana de Major League Chemicals, também ressuscita de novo uma das imagens de marca dos Unknown Mortal Orchestra e um dos terrenos onde se sentem mais à vontade, aquelas referências mais clássicas, consentâneas com a pop psicadélica da década anterior, deliciosamente presentes no efeito da guitarra e no reverb vocal de Ministry Of Alienation. Mas não se pense que este é um disco unicamente revivalista; Aliás, um dos seus grandes atributos é o seu cariz futurista e inovador, sendo, claramente, um dos registos mais criativos e indutores de novas nuances dos últimos tempos, tendo em conta o universo sonoro em que se movimenta. O modo como o rugoso e inebriante efeito da guitarra de American Guilt é acompanhado pela bateria e pela distorção vocal, transportam-nos para um rock que entre uma psicadelia progressiva e o classicismo punk oferecem-nos uma abordagem ao género pouco vista e, logo depois, The Internet Of Love (That Way) acaba por nos facultar o mesmo vigor de inedetismo, desta vez olhando para uma improvável simbiose entre blues e R&B, com um resultado final bastante apelativo. E a seguir, na falsa acusticidade orgânica de Doomsday, na batida, no groove e na riqueza dos arranjos da Everyone Acts Crazy Nowadays e no travo lisérgico das variações rítmicas de How Many Zeros a banda volta a guinar constantemente e a pisar universos nostálgicos, mesmo que díspares, mas apresentando sempre um clima geral muito inovador e difícil de comparar com outros projetos atuais.

Ecletismo é também, por tudo isto, uma palavra de ordem em Sex & Food, que podia ser descrito de modo simplista e tremendamente redutor por uma abrangente mistura entre rock e eletrónica, mas o modo como esse ecletismo se define ao longo do registo contém uma multiplicidade quase infinita de detalhes e aspetos que o que importa realmente exaltar é, dentro de toda a salutar amálgama do alinhamento, o modo como Ruben idealizou o volume e a densidade instrumental das canções, todas assentes em ambientes díspares, tornando indisfarçável mais uma busca dos Unknown Mortal Orchestra de melodias agradáveis, marcantes e ricas em detalhes e assentes em texturas com uma grandiosidade controlada, que possam conter um forte apelo às pistas de dança, mas também servir de banda sonora para instantes de maior intimidade, sozinho ou a dois.

A conquistarem um número cada vez maior de adeptos devido a uma especificidade sonora cada vez mais aprimorada e criativa mas sem deixar de ser acessível, os Unknown Mortal Orchestra chegam ao quarto tomo da sua discografia certeiros, relativamente ao estereótipo vincado com que pretendem impregnar o seu cardápio sonoro e que procura reviver os sons outrora desgastados de outra décadas , mas oferecendo aos ouvintes essa viagem ao passado sem se desligarem das novidades e marcas do presente. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 11:12
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Quarta-feira, 25 de Abril de 2018

Jack White – Boarding House Reach

Já chegou aos escaparates Boarding House Reach, o terceiro registo de originais de Jack White, sucessor do já longínquo Lazaretto. Músico, compositor e guitarrista natural de Nashville, Jack White oferece-nos treze novas canções onde mergulha a fundo em territórios mais densos e experimentais, através de uma guitarra com a sua habitual assinatura plena de groove, à qual se juntam elementos percussivos caraterísticos do universo hip-hop e outros detalhes como congas ou elementos vocais sintetizados, num resultado final extremamente apelativo e bem conseguido.

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Boarding House Reach chegou às lojas a vinte e três de março via Third Man Records/Columbia e conta nos seus créditos com nomes como o percussionista Louis Cato, o baixista Charlotte Kemp Muhl, Neal Evans, John Scofield, Bobby Allende, Ann e Regina McCrary do trio gospel McCrary Sisters. Nele, do blues, ao rock mais clássico, passando por alguns laivos de metal, um White algo rebelde e de costas voltadas ao mainstream volta a mostrar a sua superior mestria à frente da guitarra, com Connected By Love a mostrar-nos, desde logo, a sua forte ligação à América sulista de onde ele é oriundo,ao mesmo tempo que, querendo ser porta voz e estandarte de uma geração nerd tantas vezes alienada dos princípios e dos valores que edificarama sociedade em que vive, reflete sobre alguns dos maiores dilemas de um país com uma heterogeneidade bastante vincada. 

Pouco importado em apresentar canções polidas ou que pareçam ter sido gravadas com recursos de superior qualidade, fruto de uma aúrea que se foi instalando em seu redor nas últimas duas décadas e que lhe permite criar sem um firme propósito comercial e mesmo assim ser bem suceddio nessa área, White procura, acima de tudo, compôr mostrando de modo genuíno e cru as suas pretensões. O clima minimal do efeito da guitarra e o cariz lo fi da voz em Why Walk A Dog?, os devaneios quer do piano, quer das várias vozes e dos arranjos da experimental Hypermisophoniac, o modo como declama a letra de Ezmerelda Steals The Show, assim como o swing rugoso do riff que conduz Corporation imprimem esta simplicidade algo despreocupada de gravar, com a ironia dessa sensação errónea a ser o facto de estarmos a falar de temas que viram a luz do dia graças aos mais modernos recursos tecnológicos que um músico pode dispôr nos dias de hoje. O objetivo talvez seja também passar a ideia que mais que um compositor e criador, White quer mostrar que é uma espécie de historiador das maiores tendências do rock do último meio século, ao mesmo tempo que tenta ser o mais genuíno possível, com alguns temas aparentemente inacabados e outros a exalar improviso por todos os poros a serem mais achas para essa fogueira da tal espontaneidade artística que acaba por ter, em muitos momentos, um certo odor a uma espécie de pretensiosimo que acaba por soar algo repetitivo. Seja como for, Boarding House Reach é um álbum obrigatorio quer para os fãs do músico que para os apreciadores do rock de cariz mais clássico. Espero que aprecies a sugestão...

Jack White - Corporation

01. Connected By Love
02. Why Walk A Dog?
03. Corporation
04. Abulia And Akrasia
05. Hypermisophoniac
06. Ice Station Zebra
07. Over And Over And Over
08. Everything You’ve Ever Learned
09. Respect Commander
10. Ezmerelda Steals The Show
11. Get In The Mind Shaft
12. What’s Done Is Done
13. Humoresque


autor stipe07 às 16:55
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Domingo, 8 de Abril de 2018

Bed Legs - Spillin' Blood

Oriundos de Braga, Fernando Fernandes,Tiago Calçada, Helder Azevedo, David Costa e agora também Leandro Araújo são os Bed Legs, que, de acordo com Marcio Freitas dos Dead Men Talking, autor do press release de lançamento do novo registo discográfico do grupo, se afirmam cada vez mais como criadores de música embebida, entornada e enrolada em melodias que despertam a maior das emoções e sensações, numa roda-viva que brota vivências por todos os lados. Esta banda começou por criar um certo e justificado burburinho, junto dos críticos mais atentos, à boleia de Not Bad, um EP editado no início de 2014 e, dois anos depois, através de Black Bottle, o longa duração de estreia, nove canções que justificaram, desde logo, a ideia de estarmos perante uma banda apostada em calcorrear novos territórios, de modo a entrar, justificadamente e em grande estilo, na primeira divisão do campeonato indie e alternativo nacional.

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Agora, dois anos depois, os Bed Legs preparam-se para editar o sempre difícil segundo disco, um homónimo gravado na Mobydick Records, com o apoio do GNRation, por Budda Guedes e masterizado por Frederico Cristiano. Dele já se conhece Spillin' Blood, o tema que abre um alinhamento de oito composições onde, citando novamente Marcio Freitas, abunda a soltura dos teclados e do baixo, a riqueza dos ecos das guitarras e da bateria multi-ritualista, (...) num delicioso frenesim que inebria o mais puro dos seres. Acrescento que, de acordo com esta amostra, o álbum estará impregnado com o clássico rock cru e envolvente, sem máscaras e detalhes desnecessários, mas onde não faltam arranjos inéditos e uma guitarra nada longe do rock de garagem, mas que também pisca o olho a territórios mais progressivos e a uma salutar vibe psicadélica. Nestes Bed Legs é viva e evidente mais uma prova que se o rock estiver em boas mãos tem capacidade que sobra de renovar-se e quantas vezes for necessário. Brevemente divulgarei a crítica desta nova saga discográfica deste quinteto bracarense. Confere...


autor stipe07 às 19:28
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Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2018

Stephen Malkmus And The Jicks – Middle America

Stephen Malkmus And The Jicks - Middle America

O ex-Pavement Stephen Malkmus continua a construir um inatacável percurso com os The Jicks que cobre de alegria todos os apreciadores do verdadeiro rock n'roll, ao mesmo tempo que circulam rumores mais ou menos consistentes de que os Pavement poderão reunir-se de novo lá para 2019. Seja como for, basta ouvir Middle America, o novo single deste músico norte-americano, para se perceber que Malkmus tem boas razões para conseguir manter sempre uma elevada bitola qualitativa nos seus lançamentos, desta vez através de uma canção que replica com autenticidade a zona de conforto em que Malkmus se movimenta, aquele típico indie rock dos anos noventa, com alguns detalhes que abraçam o jazz e o blues. O resultado final é uma melodia aditiva, comandadas invariavelmente pela guitarra, acompanhada por uma letra com um elevado sentido de humor e descontração. Ainda não se sabe se esta Middle America fará parte do alinhamento de um novo disco de Stephen Malkmus, que, a confirmar-se, seria o sucessor do excelente Wig Out The Jagbags, editado em 2014 Confere...


autor stipe07 às 10:43
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Sexta-feira, 2 de Fevereiro de 2018

They Might Be Giants – I Like Fun

Já aclamados com dois Grammys e detentores de três décadas e meia de uma exemplar carreira, os They Might Be Giants de John Flansburgh, John Linnell, Dan Miller, Danny Weinkauf e Marty Beller, estão de regresso aos discos com I Like Fun, o vigésimo álbum desta banda de rock alternativo de Massachusetts. Produzido e misturado por Patrick Dillett (St. Vincent, David Byrne, Mary J. Blige, The National, Donald Fagen) nos estúdios Reservoir, é um disco que tem a particularidade de ter no seu alinhamento vários temas que se inserem numa iniciativa da banda chamada Dial-A-Song Project, que teve início já na decada de oitenta. Este recurso permite ligarmos para um número de telefone que nos oferece a audição de um tema da banda, com I Like Fun a conter uma base de canções regularmente partilhadas com os visitantes.

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Se analisarmos com distanciamento e amplitude a história do universo indie, facilmente chegaremos à conclusão que os They Might Be Giants são um grupo de músicos com um vasto conhecimento das bases do indie rock e um dos nomes essenciais deste universo cultural sonoro das últimas décadas. E merecem amplo destaque porque conseguiram sempre ser originais, dentro do quadro musical que faz parte do ADN da banda e que se sustenta na busca de sonoridades estranhas, bizarras e inovadoras. I Like Fun é mais uma prova concreta da excentricidade deste grupo, da rara graça como os seus membros combinam e manipulam, com sentido melódico e lúdico, a estrutura de uma canção, no fundo, um esforço indisciplinado, infantil e claramente emocional, mas bem sucedido de se manterem à tona de água na lista das bandas imprescindíveis para contar a história contemporânea do rock alternativo.

I Like Fun é um exercício poético de muitos contrastes, uma viagem divertida e ligeira que oferece ao ouvinte um amplo espetro sonoro que se estende entre a pop luminosa de I Left My Body ou a lamechice de Push Back The Hands e Lake Monsters, além do rock vintage sessentista de This Microphone e o rock de cariz mais alternativo audível nas guitarras que conduzem By The Time You Get This, sem descurar alguns aspetos essenciais do punk rock, claramente esplanados em All Time What e na inebriante e corrosiva An Insult To The Fact Checkers, mas também daquela blues sulista que o piano de Mrs. Bluebeard replica com um acerto e uma luminosidade invulgares. E, qual cereja no topo do bolo desta alegoria pop, também não falta um trajeto curioso de cariz mais experimental e eminentemente progressivo em When The Light Comes On.

Assim, do frenesim rock à psicadelia, passando pelo rock mais progressivo, não faltam neste alinhamento piscares de olho a toda a herança não só da própria banda como da história do rock nas últimas décadas, havendo sempre espaço para o sarcasmo e o humor que tão bem carateriza a dupla que lidera este projeto. De facto, os They Might Be Giants não perderam a capacidade de escrever belas canções no universo das coisas estranhas que fazem apenas parte do universo temático da banda e demonstram essa virtude de modo cativante e com uma salutar criatividade e elevada imaginação. Espero que aprecies a sugestão...

They Might Be Giants - I Like Fun

01. Let’s Get This Over With
02. I Left My Body
03. All Time What
04. By The Time You Get This
05. An Insult To The Fact Checkers
06. Mrs. Bluebeard
07. I Like Fun
08. Push Back The Hands
09. This Microphone
10. The Bright Side
11. When The Light Comes On
12. Lake Monsters
13. Mccafferty’s Bib
14. The Greatest
15. Last Wave


autor stipe07 às 18:15
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Quarta-feira, 11 de Outubro de 2017

Fink - Resurgam

Três anos depois do excelente álbum Hard Believer, o projeto Fink de Fin Greenall (voz, guitarra), um músico britânico com quarenta e cinco anos, natural de Bristol e que, deambulando entre Londres e Berlim, vai-se destacando não só como músico, mas também como compositor e produtor para outros projetos, está de volta com Resurgam, dez canções que viram a luz do dia no final de setembro e que catapultam este projeto para um nível qualitativo de excelência numa carreira sempre a subir, disco após disco.

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O título deste novo disco de Fink é inspirado numa inscrição de origem latina que o autor encontrou numa igreja quase milenar de Cornwall, sua cidade natal e cujo espírito e significado faz-se sentir, transversalmente, ao longo de todo o alinhamento, produzido pelo carismático Flood (PJ Harvey, U2, Foals, Warpaint, The Killers) e gravado nos estúdios Assault & Battery Studios, que este produtor partilha com Alan Moulder no norte de Londres.

Num projeto em que os dois maiores trunfos são a belíssima voz de Fin e o magnífico trabalho instrumental, principalmente de Tim Thornton, à frente da bateria e da guitarra, ficamos logo agarrados ao disco com Resurgam, o tema homónimo de abertura, feito de uma melodia que tem por base uma bateria e a voz de Fink impregnada de soul, às quais vão sendo adicionados vários detalhes e elementos, incluindo o som de um teclado e algumas cordas. Este tema inicial é perfeito para nos transportar para um disco essencialmente acústico, vincadamente experimental e orgânico e com uma forte toada blues. Depois, no clima envolvente de Day 22, bastante influenciado por alguns arranjos de sopros inebriantes e na sumptuosa delicadeza do piano que baliza Cracks Appear, ao qual vão sendo adicionados vários detalhes e elementos, incluindo o som de uma guitarra eletrificada, percebe-se que há não só um maior arrojo pop relativamente a Hard Believer, mas também a assunção por parte do autor de que a opção por um alinhamento sinuoso e cativante e que nos convide frequentemente à introspeção e à reflexão sobre o mundo moderno, acaba por ser a opção certa não só para conseguir materializar os melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, mas também para chegar a um número ainda maior de ouvintes que ainda não tiveram a oportunidade de se deliciar com a filosofia estilística deste artista tremendamente dotado.

Na verdade, além dos temas já citados, não faltam neste disco, vários outros exemplos do forte cariz eclético e heterogéneo do cardápio de Fink. Se o transbordar de um sentimento algo angustiante e sentido à boleia do piano em Word to The Wise e da viola em Not Everything Was Better In The Past mostram um lado do músico algo inquietante e a suplicar por um outro patamar de serenidade, já a subtil clareza da batida sincopada que alimenta a sempre crescente The Determined Cut e a suavidade contínua e algo subtil de Godhead oferecem-nos, em oposição, um Fink mais sorridente e esperançoso, um exímio e lúcido contador de histórias que servem a qualquer comum dos mortais.

Resurgam está recheado de sons inteligentes e solidamente construídos, que nos emergem em ambientes carregados de ritmos e estruturas sonoras muitas vezes falsamente minimalistas e que têm como grande atributo poderem facilmente fazer-nos acreditar que a música pode ser realmente um veículo para o encontro do bem e da felicidade coletivas. Espero que aprecies a sugestão...

Fink - Resurgam

01. Resurgam
02. Day 22
03. Cracks Appear
04. Word To The Wise
05. Not Everything Was Better In The Past
06. The Determined Cut
07. Godhead
08. This Isn’t A Mistake
09. Covering Your Tracks
10. There’s Just Something About You


autor stipe07 às 21:25
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Segunda-feira, 2 de Outubro de 2017

Time For T - Hoping Something Anything

Gravado ao longo do ano de 2016 nos Spitfire Audio Studios em Londres, produzido pela própria banda e masterizado por JJ Golden (Rodrigo Amarante, Devendra Banhart, Vetiver) em Ventura, California, Hoping Something Anything é o novo registo de originais dos Time for T de Tiago Saga. Refiro-me a um projeto nacional mas com raízes em Inglaterra, mais concretamente em Brighton, por este jovem com genes britânicos, libaneses e espanhóis que cresceu no Algarve. Enquanto estudava composição contemporânea na Universidade de Sussex, Inglaterra, Tiago Saga foi criando a sua própria sonoridade assente na world music e na folk rock anglo-saxónica com outros músicos que foi conhecendo e com quem foi partilhando as mesmas inspirações, nomeadamente Joshua Taylor (baixo), Martyn Lillyman (bateria), Oliver Weder (teclas), os seus parceiros nestes Time For T. Andrew Stuart-Buttle (violino), Harry Haynes (guitarra eléctrica) e Louis Pavlo (teclas) foram outros convidados especiais de um disco que viu a luz do dia a quinze de Setembro último, à boleia da Last Train Records, editora que os Time For T têm em parceria com a banda amiga de Brighton, os Common Tongues.

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Banda eclética no modo como abraça diferentes influências e sonoridades, os Time For T tanto deambulam pela folk como pelo rock psicadélico e nesse balanço, lá pelo meio, tanto piscam o olho à tropicália, como é o caso das batidas e dos arranjos de Ronda, como ao próprio jazz, exuberante nos sopros e nas teclas de Back to School, indo também até ao blues experimental em India, aquele rock mais impulsivo e cru, audível em Rescue Plane e ao mais boémio que procura ser melodicamente acessível, sem deixar de exalar profundidade lírica, um ideário concetual que a divertida Wax plasma na perfeição.

Este é, portanto, um compêndio de catorze canções ecléticas, com metade delas compostas logo desde o lançamento do ep homónimo do grupo em janeiro de 2015 e a outra metade inspiradas pela viagem de Tiago Saga à India no início de 2016. Mas, independentemente deste balizar temporal, cada uma delas tem vincada a sua própria identidade, estando todas de certo modo livres daquelas amarras que uma produção demasiado cuidada e límpida muitas vezes causa. Como o disco foi produzido pelos próprios Time For T, os temas acabam por soar aquele charme genuíno que os registos mais orgânicos quase sempre possuem. Ao vivo as versões dos temas não deverão diferir muito, nomeadamente em termos de arranjos e esse é, claramente, outro grande atributo deste Hoping Something Anything, um disco para ser escutado e saboreado num final de tarde relaxante e, de preferência, solarengo, juntamente com um bom chá,quente ou frio. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 17:29
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Terça-feira, 8 de Agosto de 2017

Fink – Cracks Appear

Fink - Cracks Appear

Três anos depois do excelente álbum Hard Believer, o projeto Fink de Fin Greenall (voz, guitarra), um músico britânico com quarenta e cinco anos, natural de Bristol e que, deambulando entre Londres e Berlim, vai-se destacando não só como músico, mas também como compositor e produtor para outros projetos, está de volta com Resurgam, dez canções que vão ver a luz do dia em setembro próximo.

Cracks Appear é o primeiro tema divulgado de Resurgam, uma composição que tem por base uma bateria e umas teclas impregnadas de soul, às quais vão sendo adicionados vários detalhes e elementos, incluindo o som de uma guitarra eletrificada Este tema inicial é perfeito para nos transportar para um disco que, apesar de um aparente maior arrojo pop relativamente a Hard Believer, será essencialmente acústico, vincadamente experimental e claramente dominado por cordas com uma forte toada blues.

O título deste novo disco de Fink é inspirado numa inscrição de origem latina que Greenall encontrou numa igreja quase milenar de Cornwall, sua cidade natal e cujo espírito e significado faz-se sentir, transversalmente, ao longo de todo o alinhamento, produzido pelo carismático Flood (PJ Harvey, U2, Foals, Warpaint, The Killers) e gravado nos estúdios Assault & Battery Studios, que este produtor partilha com Alan Moulder no norte de Londres. Confere...


autor stipe07 às 00:11
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Quarta-feira, 26 de Outubro de 2016

Bruno Pernadas - Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them

Com ampla formação musical (Escola do Hot-Club de Portugal e Escola Superior de Música de Lisboa), Bruno Pernadas é um músico versátil. Autor, arranjador e guitarrista nos projetos Julie & the Carjackers, When We Left Paris e Suzie´s Velvet, guitarrista no Real Combo Lisbonense e improvisador rodado, Bruno tem também composto e tocado em vários projectos de artes performativas. How Can We Be Joyful In a World Full of Knowledge? foi o seu disco de estreia a solo, um extraordinário trabalho, composto e produzido pelo próprio em 2014 e que contou com a participação de vários músicos, entre os quais João Correia (Julie & the Carjackers, Tape Junk), Afonso Cabral (You Can’t Win, Charlie Brown), Francisca Cortesão (Minta & the Brook Trout, They’re Heading West) e Margarida Campelo (Julie & the Carjackers, Real Combo Lisbonense). Ano e meio depois dessa auspiciosa estreia, Bruno Pernadas está de regresso com Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them, à boleia da Pataca Discos.

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Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them é uma sequência da sonoridade apresentada em How Can We Be Joyful In a World Full of Knowledge? e que nos permitiu contactar com uma variedade imensa de instrumentos de cordas, metais e sopro, além da percurssão. Dos violinos às guitarras e ao violoncelo, passando pelo trombone, trompete e flauta, Bruno Pernadas presenteou-nos nesse alinhamento com um amplo panorama de descobertas sonoras, numa espécie de exercício criativo nostálgico, mas sem descurar o efeito da novidade, que agora se repete, em dez canções que foram gravadas nos Estúdios 15A, com a colaboração de João Correia, Nuno Lucas, Margarida Campelo, Afonso Cabral, Francisca Cortesão, Diogo Duque, Diana Mortágua, João Capinha e Raimundo Semedo.

Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them oferece-nos um delicioso caldeirão sonoro, onde as composições vestem a sua própria pele enquanto se dedicam, de corpo e alma, à hercúlea tarefa comunicativa que o autor designou para cada uma, individualmente. E fazem-no fervilhando de emoção, arrojo e astúcia, enquanto vêm potenciadas todas as suas qualidades, à medida que Pernadas polvilha o conteúdo das mesmas com alguns dos melhores tiques de variadíssimos géneros e subgéneros sonoros, cabendo, no desfile dos mesmos, liderados pelo jazz contemporâneo, indie rock, pop, folk, eletrónica, ritmos latinos e até alguns lampejos da música dita mais clássica e erudita.

Assim, o exercício que se coloca perante o ouvinte que se predispõe a saborear convenientemente o universo criado por those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them, deverá firmar-se, por exemplo, em Spaceway 70, na vontade de apreciar o modo como uma flauta ou um trompete cirandam em redor de um par de acordes da guitarra, como em Problem number 6 se equilibram com total desembaraço, flashes de samples, alguns sopros que gostam de jogar ao esconde esconde, uma guitarra em contínuo e inquieto frenesim e instrumentos percussivos a tresandar a samba por todos os poros, como na soul contemplativa de Valley in the ocean é dada total liberdade ao piano e às cordas para provocarem em nós uma agradável e viciante sensação de letargia e torpor, o modo como o trompete, o sintetizador e um efeito de guitarra quase surreal produzem um intenso travo oriental e exótico em Anywhere in spacetime, o devaneio cavernoso lo fi das teclas de Because it’s hard to develop that capacity on your own, o ménage a trois desavergonhado e feito cópula, à vez, entre trompete, piano e flauta em Galaxy, ou de perceber a teia intrincada de relações promíscuas que se estabelecem, constantemente, durante os mais de doze minutos de Ya ya breathe, entre as teclas do piano, as distorções da guitarra e os diferentes instrumentos percussivos que se escutam, enquanto o baixo, procura estabelecer alguma ordem e harmonizar um salutar caos, numa composição que sobrevive num terreno experimental e até psicadélico e onde a fronteira entre a heterogeneidade instrumental e melódica final e o (aparente) minimalismo inicial é geralmente indecifrável. Com esta atitude certa, constata-se, então, que those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them é um ponto de partida para muitas emoções agradáveis, por ser, curiosamente, o ponto de chegada de muitas porções de um mundo onde é possível sentir, sonoramente, diferentes cheiros e sabores, enquanto se aprecia composições de diferentes cores, intensidades e balanços, que desafiam e apuram todos os nossos sentidos.

Saboreando poemas escritos em inglês pelo autor do disco e por Rita Westwood, those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them coloca-nos à prova à medida que diante de nós escorre aquilo que o género humano tem de mais genuíno e seu, enquanto Pernadas disserta alegremente e claramente fascinado pelo lado mais luminoso, colorido e natural deste mundo, sobre uma heterogeneidade de sensações e aspetos físicos e naturais que o atraem e que, em contacto com a espécie humana, obriga todas as partes envolvidas a diferentes processos adaptativos, o que resultou numa multiplicidade de raças, experiências e estádios de desenvolvimento que hoje caraterizam a nossa cultura e a nossa essência e que estas dez canções também, à sua maneira, plasmam. E durante este exercício antropológico, o autor aproveita para estabelecer paralelismos com o amor e a teia intrincada de relações, sensoriais e neurológicas que esse sentimento provoca, quer individualmente, quer durante a sua materialização com outro(s), com canções do calibre das já descritas Problem number 6 ou Valley in the ocean a fazerem-nos crer que se há sentimento mais belo e capaz de nos transformar e fazer-nos ver com exatidão o mundo que nos rodeia é a vivência plena do amor. Espero que aprecies a sugestão…

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01. Poem (1)
02. Spaceway 70
03. Problem Number 6
04. Valley In The Ocean
05. Anywhere In Spacetime
06. Poem (2)
07. Because It's Hard To Develop That Capacity On Your Own
08. Galaxy
09. Ya Ya Breathe
10. Lachrymose


autor stipe07 às 18:00
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Terça-feira, 13 de Setembro de 2016

Allah-Las - Calico Review

Naturais de Los Angeles, os norte americanos Allah-Las são Miles, Pedrum, Spencer e Matt e têm um novo disco intitulado Calico Review, um trabalho lançado por intermédio da Mexican Summer no último dia nove de setembro e que sucede ao excelente Worship The Sun (2014) e a um homónimo, que foi o disco de estreia da banda, editado em 2012. Calico Review foi gravado no Valentine Recording Studio, um estúdio famoso em Los Angeles que estava encerrado desde finais da década de setenta, com o equipamento utilizado a ser, de acordo com a banda, semelhante ao que foi usado pelos The Beach Boys em Pet Sounds.

Resultado de imagem para Allah-las 2016

Os Allah-Las estão atrasados ou adiantados quase meio século, depende da perspetiva que cada um possa ter acerca do conteúdo sonoro que replicam. Se na década de sessenta seriam certamente considerados como uma banda vanguardista e na linha da frente e um exemplo a seguir, na segunda década do século XXI conseguem exatamente os mesmos pressupostos porque, estando novamente o indie rock lo fi e de cariz mais psicotrópico na ordem do dia, são, na minha modesta opinião, um dos projetos que melhor replica o garage rock dos anos sessenta e a psicadelia da década seguinte.

Depois de terem impressionado com o búzio de Allah-Las e a abrangência vintage de Worship The Sun, estes californianos trazem o mesmo horizonte vasto de referências e as inspirações dos antecessores, mas de forma ainda mais abrangente e eficaz, levando-nos numa viagem que espelha fielmente o gosto que demonstram relativamente aos primórdios do rock e conseguindo apresentar, em simultâneo, algo inovador e diferente.

No momento de compôr e de selecionar o cardápio instrumental das canções a receita dos Allah-Las é muito simples mas tremendamente eficaz e aditiva, mesmo no sentido psicotrópico do termo. A embalagem muito fresca e luminosa, apimentada por um manto de fundo lo fi empoeirado, e rugoso mas pleno de soul, é assente numa guitarra vintage, que de Creedance Clearwater Revival a Velvet Underground, passando pelos Lynyrd Skynyrd, faz ainda alguns desvios pelo blues dos primórdios da carreira dos The Rolling Stones e pela irremediável crueza dos The Kinks.

Começa-se a escutar Strange Heat e cá vamos nós a caminho da praia ao som dos Allah-Las e de volta à pop etérea e luminosa dos anos sessenta para, pouco depois, na percussão vibrante exemplarmente cruzada com as cordas de um violão em Satisfied e nos acordes sujos de Famous Phone Figure, assim como no groove da guitarra e de uma voz que parece planar sobre It Could Be You e Autumn Dawn, os dois dos melhores temas do disco,ficarmos completamente absortos por este experimentalismo instrumental que se aproxima do blues marcado pela guitarra acústica, além dos metais e de alguns ruídos que assentam muito bem, num disco que até abraça a folk e o country sulista americano em Terra Ignota.

Place In The Sun, o ocaso de Calico Review, é uma feliz homenagem ao final do verão, uma canção com sabor a despedida do sol e do calor, através de uma balada que obedece à sonoridade pop dos anos sessenta e uma forma muito assertiva de encerrar um disco feito de referências bem estabelecidas e com uma arquitetura musical que garante aos Allah-Las a impressão firme da sua sonoridade típica e ainda permite terem margem de manobra para futuras experimentações. Ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento nascesse um mapa genético que define o universo que motiva esta banda californiana, Calico Review conquista e seduz, com as suas visões de uma pop caleidoscópia e o seu sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar tantas referências antigas. Espero que aprecies a sugestão...

Allah-Las - Calico Review

01. Strange Heat
02. Satisfied
03. Could Be You
04. High And Dry
05. Mausoleum
06. Roadside Memorial
07. Autumn Dawn
08. Famous Phone Figure
09. 200 South La Brea
10. Warmed Kippers
11. Terra Ignota
12. Place In The Sun


autor stipe07 às 17:56
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