Quinta-feira, 18 de Outubro de 2018

The KVB – Only Now Forever

Foi no passado dia doze de outubro à boleia da Invada Records que chegou aos escaparates Only Now Forever, o sexto registo de originais da carreira dos londrinos The KVB, mais uma banda a apostar na herança do krautrock e do garage rock, aliados com o pós punk britânico dos anos oitenta. Liderados pela dupla Nicholas Wood e Kat Day, o núcleo duro do projeto, os The KVB gravaram este Only Now Forever em Berlim, no apartamento que a banda tem nessa cidade alemã, depois de um ano de dois mil e dezasseis particularmente intenso e repleto de concertos.

Resultado de imagem para the KVB band 2018

 

Only Now Forever é um extraordinário registo sonoro em cuja concepção a dupla esmerou-se na construção de composições volumosas e conduzidas por um som denso, atmosférico e sujo, que encontra o seu principal sustento nas guitarras, na bateria e nos sintetizadores, instrumentos que se entrelaçam na construção de canções que espreitam perigosamente uma sonoridade muito próxima da pura psicadelia.

Com vários instantes sonoros relevantes, nomeadamente o compositório eletrónico que sustenta a voluptuosa epicidade de Above Us, o clima hipnótico do ecos e do som repetitivo das teclas de On My Skin e a melodia enleante de Only Now Forever, o tema homónimo do disco, três dos vários momentos altos deste agregado, Only Now Forever está recheado de canções onde os sintetizadores se posicionam numa posição cimeira, mas onde a primazia melódica foi entregue às guitarras, sempre acompanhadas por um baixo vibrante que nos recorda a importância que este instrumento ainda tem no punk rock mais sombrio que influencia tanto e tão bem esta banda. E há que realçar que os The KVB conseguem aliar às cordas desse instrumento, cuja gravidade exala ânsia, rispidez e crueza, uma produção cuidada, arranjos subtis e uma utilização bastante assertiva da componente maquinal.

Only Now Forever é mais uma cabal demonstração do modo exemplar como os The KVB são capazes de se insinuar nos nossos ouvidos com uma toada geral de elevado travo orgânico e fazem-no de modo inédito, porque são poucos os projetos contemporâneos que conseguem aliar desta forma a monumentalidade das cordas eletrificadas e da percurssão, com uma abundância de arranjos delicados, quer sintéticos, quer feitos com metais minimalistas. De facto, enquanto muitas bandas procuram a inovação na adição de uma vasta miríade de influências e tiques sonoros, que muitas vezes os confundem e dispersam enquanto calcorreiam um caminho que ainda não sabem muito bem para onde os leva, os The KVB já balizaram com notável exatidão o farol que querem para o seu percurso musical. Espero que aprecies a sugestão...

The KVB - Only Now Forever

01. Above Us
02. On My Skin
03. Only Now Forever
04. Afterglow
05. Violet Noon
06. Into Life
07. Live In Fiction
08. Tides
09. No Shelter
10. Cerulean


autor stipe07 às 21:42
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quarta-feira, 31 de Janeiro de 2018

Jaguwar - Ringthing

Uma das novas coqueluches da Tapete Records são os Jaguwar, projeto que nasceu em Berlim, na Alemanha, um trio formado inicialmente por Oyémi e Lemmy em 2012 aos quais se juntou Chris dois anos depois. Editaram dois Eps através da americana Prospect Records e tocaram ao vivo numa série de países como Inglaterra, Dinamarca, França, Sérvia, Alemanha, entre outros, partilhando o palco com nomes tão importantes como os We Were Promised Jetpacks, Japandroids e The Megaphonic Thrift, entre outros.

A estreia na Tapete Records foi a doze de janeiro de último com Ringthing, o longa duração de estreia do grupo. São dez canções que nasceram depois de o trio, armado com um impressionante leque de aparelhos de efeitos, guitarras, baixos e amplificadores e apoiado por um prodigioso abastecimento de café e cigarros, ter-se instalado nos estúdios Tritone Studio em Hof, na Baviera. Um dos grandes destaques do álbum é Crystal, canção que se insere naquele universo sonoro que mistura rock e pop, com uma toada noise e um elevado pendor shoegaze. O tema assenta numa guitarra rugosa e plena de efeitos metálicos, acompanhada por uma bateria falsamente rápida, e esta dupla é a mesma que vai ser depois o grande suporte das canções, em volta da qual gravitarão diferentes arranjos, quer orgânicos, quer sintéticos, geralmente com um teor algo minimal. Na verdade, além desse destaque, canções como a ritmada Lunatic, que sobrevive à custa de um efeito agudo metálico ou, em oposição, a mais climática e contemplativa Gone, expôem de modo esclarecido, como o som destes Jaguwar é assumidamente indie e plana entre a experimentação e o psicadelismo.

Ao longo deste, disco liderado pelas guitarras, ouve-se canções fáceis e ao mesmo tempo complexas, com variações, ruídos e efeitos variados. Existiu, sem dúvida, um aturado trabalho de produção, nenhum detalhe foi deixado ao acaso e houve sempre a intenção de dar algum sentido épico e grandioso às canções, arriscando-se o máximo até à fronteira entre o indie e o post rock. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 18:32
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quinta-feira, 30 de Novembro de 2017

Jaguwar - Crystal

Uma das novas coqueluches da Tapete Records são os Jaguwar, projeto que nasceu em Berlim, na Alemanha, um trio formado inicialmente por Oyémi e Lemmy em 2012 aos quais se juntou Chris dois anos depois. Editaram dois Eps através da americana Prospect Records e tocaram ao vivo numa série de países como Inglaterra, Dinamarca, França, Sérvia, Alemanha, entre outros, partilhando o palco com nomes tão importantes como os We Were Promised Jetpacks, Japandroids e The Megaphonic Thrift, entre outros.

A estreia na Tapete Records será a doze de janeiro de 2018 com Ringthing, o longa duração de estreia do grupo. São dez canções que nasceram depois de o trio, armado com um impressionante leque de aparelhos de efeitos, guitarras, baixos e amplificadores e apoiado por um prodigioso abastecimento de café e cigarros, ter-se instalado nos estúdios Tritone Studio em Hof, na Baviera. Delas já se conhece Crystal, canção que se insere naquele universo sonoro que mistura rock e pop, com uma toada noise e um elevado pendor shoegaze. Já com direito a vídeo, o tema assenta numa guitarra rugosa e plena de efeitos metálicos, acompanhada por uma bateria falsamente rápida, e esta dupla é a mesma que vai ser depois o grande suporte das canções, em volta da qual gravitarão diferentes arranjos, quer orgânicos, quer sintéticos, geralmente com um teor algo minimal. Confere...


autor stipe07 às 17:05
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon... (1)
Sábado, 10 de Junho de 2017

Ulrika Spacek – Modern English Decoration

Lançado no passado dia dois de junho através da Tough Love Records, Modern English Decoration é o mais recente capítulo da saga discográfica dos britânicos Ulrika Spacek de Rhys Edwards e Rhys William, um disco que à semelhança de The Album Paranoia, o registo de estreia editado no início de 2016, foi gravado, produzido e misturado numa galeria de arte chamada KEN e à qual os Ulrika Spacek e os três músicos que os acompanham, Ben White, Callum Brown e Joseph Stone, chamam de sua casa, a bolha onde se refugiam para compôr, idealizar vídeos e expressar-se através de outras formas de arte além da música.

Resultado de imagem para ulrika spacek 2017

A filosofia de composição musical destes Ulrika Spacek baliza-se através de um assomo de crueza tingido com uma impressiva frontalidade quer lírica quer sonora. Na complacência enganadora de Mimi Pretend há uma guitarra rugosa e plena de efeitos metálicos, acompanhada por uma bateria falsamente rápida, e esta dupla é a mesma que vai ser depois o grande suporte das canções, em volta da qual gravitarão diferentes arranjos, quer orgânicos, quer sintéticos, geralmente com um teor algo minimal. E se a guitarra nunca perde identidade, a bateria mantém-se precisa no modo como confere alma e robustez ao ritmo de cada composição. Depois, há um baixo implacável na marcação à zona e todo este arsenal instrumental é rematado por uma voz geralmente reverberizada e que se arrasta. É um rock que impressiona pela rebeldia com forte travo nostálgico e por aquela sensação de espiral progressiva de sensações, que tantas vezes ferem porque atingem o âmago, bastanto ouvir Protestant Work Slump para se tomar contacto com esta autenticidade que desmascara quem arrisca entrar no jogo de sedução ímpar que Modern English Decoration proporciona.

Canções do calibre de Dead Museum, quase cinco minutos de um cósmico devaneio soul ou, em oposição, a indulgência acústica intensamente reflexiva do tema homónimo, plasmam também uma das maiores virtudes destes Ulrika Spacek que é a capacidade de conseguirem divagar por diferentes ângulos e espetros dentro de um universo sonoro bastante específico. Isso sucede porque corre-lhes nas veias aquela atitude claramente experimental e enganadoramente despreocupada, expressa numa vontade óbvia de transformar cada composição numa espécie de jam session, através de uma espécie de colagem de vários momentos de improviso. Se nas cordas de Saw A Habit Forming aquela pop sessentista ácida e psicotrópica, encontra o poiso ideal para se espraiar, o modo quase cínico como em Full Of Men os Ulrika Spacek nos levam a sorrir e a abanar a anca ao som de uma canção que se insinua continuamente por causa do modo algo desconexo como se vai desenvolvendo ritmíca e melodicamente, acaba por ser a expressão máxima deste modo bastante textural, orgânico e imediato de criar música e de fazer dela uma forma artística privilegiada na transmissão de sensações que não deixam ninguém indiferente.

Modern English Decoration atesta a segurança, o vigor e o modo criativamente superior como este grupo britânico entra em estúdio para compôr e criar um shoegaze progressivo que se firma com um arquétipo sonoro sem qualquer paralelo no universo indie e alternativo atual. Um dos discos obrigatórios do ano, claramente. Espero que aprecies a sugestão...

Ulrika Spacek - Modern English Decoration

01. Mimi Pretend
02. Silvertonic
03. Dead Museum
04. Ziggy
05. Everything, All The Time
06. Modern English Decoration
07. Full Of Men
08. Saw A Habit Forming
09. Victorian Acid
10. Protestant Work Slump


autor stipe07 às 00:05
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quarta-feira, 19 de Abril de 2017

Glass Vaults - Bleached Blonde

Os Glass Vaults são uma banda oriunda de Wellington, na Nova Zelândia e em cujo regaço melancolia e lisergia caminham lado a lado, duas asas montadas em canções que nos oferecem paisagens multicoloridas de sons e sentimentos, arrepios que nos provocam, muitas vezes, autênticas miragens lisérgicas e hipnóticas enquanto deambulam pelos nossos ouvidos num frágil balanço entre uma percussão pulsante, uma eletrónica com um vincado sentido cósmico e uma indulgência orgânica que se abastece de guitarras plenas de efeitos texturalmente ricos e a voz de Larsen que, num registo ecoante e esvoaçante, coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta. E tudo isto sente-se com profundo detalhe, numa banda que por vir dos antípodas parece carregar nos seus ombros o peso do mundo inteiro e não se importar nada com isso, algo que nos esclareceu com veemência Sojourn, o longa duração de estreia destes Glass Vaults, editado em 2015 à boleia da Flying Out e que sucedeu a Glass (2010) e Into Clear (2011), dois eps que colocaram logo alguma crítica em sobressalto.

Resultado de imagem para glass vaults band 2017

Agora, quase dois anos depois desse auspicioso início de carreira no formato longa duração, o trio está de regresso aos discos com The New Happy, um trabalho que irá ver a luz do dia a doze de maio através de Melodic Records e de cujo alinhamento já se conheceu, há alguns dias, um tema intitulado Brooklyn e agora uma segunda composição intitulada Bleached Blonde. Esta última é uma belísima composição marada por uma percussão de elevado cariz étnico, cruzada por um efeito de uma guitarra plena de swing, um verdadeiro festim de cor e alegoria, onde tudo é filtrado de modo a reproduzir toda a magnificiência que costuma marcar as propostas sonoras de uns Glass Vaults que impressionam pela orgânica e pelo forte cariz sensorial. Parece confirmar-se que New Happy será um disco com um som esculpido e complexo e com um encadeamento que nos obrigará a um exercício exigente de percepção fortemente revelador e claramente recompensador. Confere...


autor stipe07 às 21:39
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quarta-feira, 16 de Novembro de 2016

The History Of Colour TV – Wreck

Resultado de imagem para The History Of Colour TV berlin band

Os berlinenses The History Of Colour TV estão prestes a regressar aos lançamentos discográficos com Something Like Eternity, um álbum que irá ver a luz do dia a vinte e cinco de novembro próximo. De acordo com Wreck, o avanço já divulgado do trabalho, será um registo que certamente nos colocará bem no centro de um noise rock que não deixa de nos fazer recordar experimentações típicas do melhor rock alternativo lo fi dos anos oitenta. Refiro-me a uma canção que se define como um edifício sonoro ruidoso que não dispensa uma forte presença dos sintetizadores e teclados, que agregados a guitarras plenas de distorção e a uma batida vigorosa, acaba, neste caso, por conferir uma explícita dose de um pop punk dance que mescla orgânico e sintético com propósitos bem definidos. O download do tema pode ser feito via bandcamp. Confere...

The History Of Colour TV - Wreck

01. Wreck
02. August Twenty First

 


autor stipe07 às 21:30
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quinta-feira, 29 de Setembro de 2016

The Deltahorse - Transatlantic

Não é tarefa fácil escrever sobre um disco quando se faz parte dos créditos do mesmo e da lista de agradecimentos relativamente a todos aqueles que, de acordo com os autores, tornaram possível que o tomo de canções em questão ganhasse vida. Tal demanda é ainda mais complicada quando o álbum é um excelente tratado de indie rock e, dizendo-o com toda a naturalidade e sinceridade, o leitor não achar que tais elogios se devem apenas à referida menção. Mas a verdade é que Transatlantic, o disco de estreia dos The Deltahorse, editado à boleia da Slower Faster Music, é a prova audível de que estamos na presença de um novo grupo que se apresenta ao universo musical indie, como um projeto que prima pelo detalhe e pelo bom gosto e que merece garantidamente uma audição atenta.

Formados pelo cantor e compositor Vadim Zeberg, por Dana Colley, um saxofonista de Boston, nos Estados Unidos, que chegou a tocar esse instrumento com os Morphine e pelo berlinense Sash, os The Deltahorse têm no seu núcleo duro três músicos de diferentes proveniências e que, por incrível que pareça, nunca estiveram juntos no mesmo local, pelo menos até à data da edição de Transatlantic. A internet foi um veículo essencial no processo de composição melódica e na definição da arquitetura de dez canções perfeitas para uma noite diferente, plena de aventura e diversão, na melhor companhia possível ou, em alternativa, com disponibilidade para encontrar alguém diferente e especial, tal é o charme, a luxúria e a sofisticação do ambiente que as mesmas recriam.

Canções como a sedutora Street Walking, que aborda o modo infalível como uma bela mulher caminha na rua, a intimista Balcony TV que descreve um programa a dois bastante curioso ou Call It A Day, composição que nos oferece algumas sugestões credíveis para tornar um dia normal num marco nas nossas vidas, tenhamos nós coragem para nos deixarmos conduzir pelo lado mais obscuro da nossa mente, acentua uma espécie de concetualidade relacionada com uma viagem para um outro mundo onde não somos nós a espécie dominante e protagonista, mas antes observadores do modo como, se formos corajosos, podemos ter uma vida muito mais preenchida caso deixemos que os nossos maiores sonhos se materializem em concretos eventos e intensas emoções.A verdade é que a música dos The Deltahorse pode-nos salvar nesse mundo e fazer com que não nos sintamos isolados e perdidos, mas antes plenamente realizados e absortos por uma sensação de prazer única e intemporal.

Da eletrónica ao rock mais experimental, o som dos The Deltahorse oscila entre o sintético e o orgânico, enquanto choca com a energia da bateria e os arranjos fantásticos de um trompete convicto, podendo-se assistir a um salutar combate entre percussão, sopros, teclas e cordas, sempre a crescer de intensidade, como se estivessemos a descolar para uma viagem rumo ao tal mundo criado pela banda e definitivamente na rota certa para uma vida muito mais realizada e feliz. Espero que aprecies a sugestão...

Transatlantic

Call It A Day

Happy Heart (Can Go For Miles)

Easy Life

Summer Mode

These Are Your Friends

Broadcast

Balcony TV

Street Walking

Tonight

Cinematic


autor stipe07 às 22:17
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Domingo, 15 de Novembro de 2015

The Brian Jonestown Massacre – Mini Album Thingy Wingy

Os The Brian Jonestown Massacre surgiram em 1990, na Califórnia e são conhecidos pela mistura de psicadelia com o folk. Com um enorme cardápio discográfico já no historial da banda, do qual se destaca, por exemplo, Aufheben, um disco lançado na primavera de 2012 e décimo terceiro álbum de estúdio desta banda de Anton Newcombe, esta é um grupo que coloca em sentido todos os admiradores deste espetro sonoro e sobre o qual se lançam todos os holofotes sempre que dão sinal de vida e ampliam o seu catálogo.

Grvado em Berlim, nos estúdios de Anton e lançado pela A. Records, selo do próprio Newcombe, Mini Album Thingy Wingy é mais um mergulho profundo no lado mais lisérgico da mente do seu criador, o grande líder de uma banda sempre em constante mutação e que conta atualmente no seu alinhamento com os guitarristas Jeff Davies and Peter Hayes, entre outros. Pish, o tema que abre o disco, clarifica o caldo psicadélico em que estes The Brian Jonestown Massacre se movimentam, onde além de guitarras plenas de fuzz e distorções planantes e lisérgicas, também encontramos pandeiretas, uma bateria encorpada e um baixo pleno de personalidade, instrumentos que nos oferecem texturas sonoras que se aproximam do shoegaze, uma marca forte na sonoridade desta banda.

Além do elevado pendor eletrificado das cordas dos The Brian Jonestown Massacre, há uma faceta acústica melodicamente intensa e propositadamente contemplativa na sua música. A viola de Prší Prší e Dust e os instrumentos de sopro que a acompanham, assim como os efeitos do teclado, oferecem-nos um forte travo setentista que nos permitem aceder a uma dimensão musical com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde tudo soa utopicamente perfeito. Mas é em Get Some, o destaque maior de Mini Album Thingy Wingy, que fica claramente plasmado o estilo, o método e a obsessão típicas de Newcombe, um dos poucos génios do rock atual e que apenas subsiste num universo sonoro recheado de novas experimentações e renovações, sem nunca deixar de soar tão poderoso, jovial e inventivo como já o fazia há duas décadas. Na verdade, ele reinventa a sua banda em cada novo álbum e deixa sempre claro que é irrepreensível na interpretação das suas influências, que constantemente se renovam e se alteram. Espero que aprecies a sugestão...

The Brian Jonestown Massacre - Mini Album Thingy Wingy

01. Pish
02. Prší Prší
03. Get Some
04. Dust
05. Leave It Alone
06. Mandrake Handshake
07. Here Comes The Waiting For The Sun


autor stipe07 às 19:04
link do post | comenta / bad talk | See the bad talk... (1) | The Best Of... Man On The Moon...
Quarta-feira, 19 de Agosto de 2015

The KVB – Mirror Being

Nicholas Wood e Kat Day são o núcleo duro dos londrinos The KVB, mais uma banda a apostar na herança do krautrock e do garage rock, aliados com o pós punk britânico dos anos oitenta. Mirror Being é o mais recente registo de originais da dupla, um álbum com dez canções lançado há algumas semanas pela Invada Records e que sucede ao aclamado EP Out Of Body, editado o ano passado.

Escritos e gravados entre Londres e Berlim no ano passado, logo após as sessões de Out Of Body, os dez temas de Mirror Being são instrumentais e experimentações analógicas que foram sendo captadas pela dupla ao longo desta etapa inicial da carreira, iniciada em 2012 com Always Then, ao qual se seguiu os trabalhos Immaterial Visions e Minus One, antes do já referido EP. Já agora, a banda encontra-se a gravar em Bristol o próximo registo de originais que deverá ver a luz do dia lá para o final do ano. 

Este compêndio algo abstrato deve ser escutado e entendido como apenas uma aparente junção de vários sons dispersos que os The KVB foram criando ao longo do tempo e que fizeram-nos o favor de não deixarem que se perdessem. E ao apreciar este alinhamento percebe-se que a dupla esmera-se na construção de canções volumosas e que se deixam conduzir por um som denso, atmosférico e sujo, que encontra o seu principal sustento nas guitarras, na bateria e nos sintetizadores, instrumentos que se entrelaçam na construção de canções que espreitam perigosamente uma sonoridade muito próxima da pura psicadelia.

Com vários instantes sonoros relevantes instrumentalmente, Dys-Appearance e, principalmente, Obsession, são os momentos altos deste agregado, canções conduzidas pelos sintetizadores, mas onde não falta um baixo vibrante e que recorda-nos a importância que este instrumento tem para o punk rock mais sombrio, com a diferença que os The KVB conseguem aliar às cordas desse instrumento, cuja gravidade exala ânsia, rispidez e crueza, uma produção cuidada, arranjos subtis e uma utilização bastante assertiva da componente maquinal. Pouco depois, Fields inflete um pouco as pisadas deixadas pelos temas anteriormente referidos, já que além de conter uma guitarra carregada de fuzz e distorção, insinua os nosso ouvidos com alguns samples vocais impercetíveis mas que conferem ao tema uma toada orgânica inédita em Mirror Being, além da abundância de arranjos delicados feitos com metais minimalistas.

Enquanto muitas bandas procuram a inovação na adição de uma vasta miríade de influências e tiques sonoros, que muitas vezes os confundem e dispersam enquanto calcorreiam um caminho que ainda não sabem muito bem para onde os leva, os The KVB parecem ter balizado com notável exatidão o farol que querem para o seu percurso musical, atirando-nos para ambientes eletrónicos onde os teclados têm o maior destaque, construindo diversas camadas sonoras, quase sempre entregue a um espírito desolado e que nos remete para os sons de fundo de uma típica cidade do mundo moderno. Também por isso, Mirror Being é um excelente documento sonoro como ponte da primeira etapa da carreira da dupla e com algumas dicas que nos permitem teorizar com alguma exatidão o que aí vem já nos próximos meses. Espero que aprecies a sugestão...

The KVB - Mirror Being

01. Atlas
02. A Tenuous Grasp
03. Dys-Appearance
04. Obsession
05. As They Must
06. Fields
07. Poetics Of Space
08. Chapter
09. Mirror Being
10. Descent


autor stipe07 às 22:17
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sábado, 27 de Junho de 2015

Howling - Sacred Ground

Escuta-se o piano suplicante, a batida minimal e o agudo de uma voz particularmente sedutora em Signs, o tema de abertura de Sacred Ground e fica logo claro na nossa mente que RY X e Frank Wiedemann, a dupla berlinense que assina a sua música como Howling, aposta numa mistura entre o indie rock e a eletrónica ambiental, cheia de soul e sentimento. Disco de estreia deste projeto, Sacred Ground é um emaranhado intenso e particularmente melódico de sons que nos elevam para um patamar elevado, principalmente quando deixam à vista todo aquele mel que nos remete para indie pop de há trinta anos atrás, quase sempre através de efeitos sintetizados futuristas que trazem consigo sons melancólicos de outras décadas, assim como todo o clima sentimental do passado e as letras consistentes, que confortavam e destruiam o coração num mesmo verso.

Mas não é só de eletrónica que se alimenta este álbum que tem a chancela da  Monkeytown Records. Stole The Night, o single de apresentação do disco, sustenta-se num baixo mágico e profundamente sedutor, em redor do qual se entrelaça uma teia imensa de sons que parecem planar e divagar enquanto nos hipnotizam.

Numa simbiose perfeita entre batida e efeito sintetizado, X Machina é uma bolha de hélio que nos provoca um saudável torpor, que de algum modo apenas é interrompido em Litmus, aquela canção que todos os grandes discos têm e que também serve para exaltar a qualidade dos mesmos, principalmente quando se agregam em seu redor o rumo sonoro geral do trabalho, que neste caso além dos aspetos sonoros já descritos, acumula, devido ao orgão, um charme melódico que impressiona pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transporta. Estas duas canções, o techno minimal de Short Line e Forest, dois temas com flashes de efeitos que disparam em diferentes direções e onde o jogo de vozes merece dedicada audição e os efeitos metálicos borbulhantes de Zürich, que parecem ter sido criados no meio de uma floresta suspensa no ceú por duas nuvens carregadas de poeira e que, tocando-se entre si, criam aquele som típico da agulha a ranger no vinil, definem a elevada bitola qualitativa destes Howling e o encontro feliz que proporcionam entre o minimalismo que se usufrui num relaxante sofá e a house music. Já a viagem orbitral, mas a uma altitude pouco espacial, numa espécie de limbo, que nos oferece o edifício ambiental declaradamente fresco e dançável da chillwave de Quartz, os detalhes acústicos das cordas de Howling e o entorpecimento inebriante de Lullaby, mostram que Sacred Ground é um álbum relaxante, de paisagens frias e tranquilas e que resultou de  percurso feito com uma electrónica de matriz mais paisagista que transcende a lógica da canção pop de formato mais clássico e que nunca deixa de lado aquela pulsão rítmica que cativa o corpo para a pista de dança.

Sacred Ground faz dos Howling novos mestres do espetro sonoro em que procuram impôr-se, já que cheios de charme, fortemente sedutores e com um elevado bom gosto, mesmo nos momentos mais soturnos e melancólicos, criam canções que apesar de poderem ser fortemente emotivas e terem a tendência de nos fazer debruçar em sonhos por realizar, acrescentam novas cores no nosso ouvido, usando como arma de arremesso uma eletrónica simples e intrigante, feita de intimismo romântico que integra uma espantosa solidez de estruturas, num misto de euforia e contemplação. Espero que aprecies a sugestão... 

Howling - Sacred Ground

01. Signs
02. Stole The Night
03. Interlude I
04. X Machina
05. Litmus
06. Zürich
07. Short Line
08. Quartz
09. Interlude II
10. Forest
11. Howling
12. Lullaby


autor stipe07 às 22:07
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sábado, 11 de Abril de 2015

Howling - Stole The Night

Howling - Stole The Night

RY X e Frank Wiedemann são os Howling, um projeto sedeado em Berlim e que aposta numa mistura entre o indie rock e a eletrónica ambiental, cheia de soul e sentimento e que se irá estrear nos discos com Sacred Ground, um trabalho que irá ver a luz do dia no início de maio.

O baixo mágico de Stole The Night é a surpreendente revelação mais recente de um álbum que tem a chancela da  Monkeytown Records e da autoria de uma dupla que tem surpreendido por essa Europa fora, com excelentes atuações em clubes de relevo, estando prevista uma passagem pelo Lux, em Lisboa, poucos dias depois da edição de Sacred Ground. Confere...


autor stipe07 às 14:28
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Gut und Irmler - 500M

Gravado no estúdio Faust em Scheer no Outono de 2013, 500M é o novo disco da dupla Gut und Irmler, formada por Jochen Irmler, um mestre do krautrock e um explorador sonoro nato e por Gudrun Gut, uma produtora berlinense experimentada e disciplinada. 500M foi editado no passado dia oito de setembro por intermédio da Bureau B.

Membro fundador dos Malaria!, dos Mania D e dos Einsturzende Neubauten, Gut é exímia na forma como manipula um verdadeiro arsenal de equipamento sonoro que replica uma vasta teia de instrumentos e sons e depois no modo como os transforma a seu belo prazer, mas sempre com corência e com aquela típica sobriedade alemã. Simultaneamente analógico e digital, envolto num manto de referências que nos remetem para o glorioso passado do krautrock, mas também para um presente feito com melodias elípticas e beats lineares que definem as novas tendências do cenário eletrónico berlinense que insiste em manter-se na vanguarda há várias décadas, 500M é um tratado sonoro com nove capítulos que se complementam duma maneira cósmica!

Nome lendário e reputado, Irmler também teve uma importante palavra a dizer no conteúdo deste disco, nomeadamente no modo como a dupla explorou um cruzamento assertivo entre o aspeto mais maquinal e carregado das batidas, com o caldeirão algo psicadélico de onde brotaram alguns dos arranjos e detalhes que foram sendo sobrepostos à percurssão, de um modo particularmente intuitivo e expressivo. O teclado e o detalhe sonoro metálico que vagueia por Fruh, o orgão de Mandarine ou uma voz samplada em Traum e em Auf Und Ab são apenas três exemplos do modo particularmente esmerado e criativo com que estes Gut und Irmler conseguem sobrepôr sobre uma base sonora maquinal aparentemente fria e desprovida de vida, vários elementos e fragmentos que acabam por originar edifícios sonoros expressivos, frequentemente hipnóticos e, quase sempre, dotados de um certo charme que nem o ambiente mais psicotrópico que se escuta nos ritmos programados para criar Parfum consegue disfarçar.

500M é um alinhamento de vários blocos de som sintetizado e de experiências livres de qualquer formalismo ou regra e que só se justificam numa espécie de tratado de natureza hermética, onde esse bloco de composições não é mais do que partes de uma só canção de enormes proporções. Sonoramente, asssiste-se a um desfile de alguns dos pilares fundamentais da eletrónica, nas suas mais diversas vertentes e sub géneros, feito de acertos e instantes sonoros experimentais, com travos do krautrock mais rígido e maquinal que se pode imaginar, mas também de uma psicadelia feita com uma autêntica salada de sons sintetizados, mudanças bruscas de ritmos e volume, ruídos impercetíveis e samples vocais e instrumentais bizarros. Este é um disco claramente embebido num conteúdo vintage heterogéneo, mas relacionado com um tempo futuro, cenários imaginados e universos paralelos. Espero que aprecies a sugestão...

Fruh
Chlor
Mandarine
Traum
Noah
Auf und Ab
Parfum
Brucke
500m

autor stipe07 às 22:15
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quinta-feira, 2 de Outubro de 2014

Camera - Remember I Was Carbon Dioxide

Apelidados de krautrock guerrilla devido à forma ousada como costumam apresentar a sua música, tocando muitas vezes em locais públicos sem licença, nomeadamente estações de metro, os berlinenses Camera são Franz Bargmann, Timm Brockmann e Michael Drummer, um coletivo que se estreou em 2012 com o fantástico Radiate!. Algum tempo depois chegou o EP Système Solaire e agora estão de regresso com Remember I Was Carbon Dioxide, mais um longa duração, este com doze canções que nos abraçam e nos convidam para encetar uma viagem única e de algum modo hipnótica pelo krautrock, um universo sonoro que agrada profundamente a este trio e que é, naturalmente, dominado pela eletrónica.

Escuta-se Remember I Was Carbon Dioxide e estamos, de certa forma, positivamente condenados a usufruir de um banquete com um cardápio eminentemente sintético, mas que não deixa de piscar o olho a alguns detalhes mais orgânicos. Esta aparente ambivalência soa nestes Camera como um todo complexo, mas coerente e que fica logo patente em From The Outside, a canção de abertura, quando um baixo encorpado e uma batida marcada e hipnótica se aliam a um conjunto de ritmos e sons diversificados. Esta fórmula vai ao encontro do press release do lançamento quando afirma que na primeira faixa do disco, a assinatura sonora de Camera, está elegantemente tecida no remoinho hipnótico da música, um eco distante de “Autobahn” dos Kraftwerk. E, na realidade, estes Camera, apesar de serem contemporâneos na forma como abordam este espetro sonoro tão caraterístico e, ao contrário de muitos outros, rigidamente balizado numa década específica, no que concerne às suas origens e período aúreo, merecem especial relevo porque essa contemporaneidade revela-se na forma como apontam noutras direções, onde pode dominar também, mesmo que implicitamente, um teor ambiental denso e complexo, com um resultado atmosférico, mas que não deixa a sonoridade geral do trio e deste Remember I Was Carbon Dioxide cair numa perigosa letargia, já que há aqui, e concretizando, sinais bem audíveis que apontam baterias também ao rock e à punk dance.

Em suma, nestas doze canções assiste-se a uma soma de várias partes, num disco que apresenta uma banda em constante progressão e alienação do óbvio sonoro, vanguardista e, na mesma medida, comprometida com a sua notável herança e espólio, um trio que se deixou levar com natural fluídez pelo trabalho que desenvolveu em estúdio e que, com essa postura corajosa, não defrauda aquela componente experimental que lhe é intrínseca e que fica sempre gravada na memória de quem assiste aos concertos dos Camera.

Enérgico, psicadélico e movido a sintetizadores que não escondem a rigidez maquinal que lhes é subjacente, mas temperado com guitarras que trazem consigo ecos bem audíveis de post punksynthpop e dance punk, Remember I Was Carbon Dioxide é um disco onde a produção é uma das mais valias já que, desde o processo dos primeiros arranjos até à manipulação geral do álbum, tudo soa muito polido e nota-se a preocupação por cada mínimo detalhe, o que acaba por gerar num resultado muito homogéneo e que, de algum modo, ajuda a colocar de novo Berlim na linha da frente das referências fundamentais no género. Espero que aprecies a sugestão...

From The Outside
Parhelion
Synhcron
Roehre
4PM
Haeata
Ozymandias
To The Inside
2AM
Trophaee
Vortices
Hallraum


autor stipe07 às 20:27
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quinta-feira, 7 de Agosto de 2014

Fink – Hard Believer

Hard Believer é o novo registo discográfico do projeto Fink liderado por Fin Greenall (voz, guitarra), um músico britânico com quarenta dois anos, natural de Bristol e habitual colaborador do consagrado John Legend, mas que já foi DJ e hoje, deambulando entre Londres e Berlim, vai-se destacando não só como músico, mas também como compositor e produtor para outros projetos. Fink conta ainda com a companhia de Tim Thornton (bateria, guitarra) e Guy Whittaker (baixo) e este é o primeiro registo da R’COUP’D, uma nova etiqueta criada por Greenall com o apoio da Ninja Tune Records.


Num trio em que os dois maiores trunfos são a belíssima voz de Fin e o magnífico trabalho instrumental, principalmente de Tim, à frente da bateria e da guitarra, ficamos logo agarrados ao disco com Hard Believer, o tema homónimo de abertura, feito de uma melodia que tem por base uma bateria e umas cordas impregnadas de soul, às quais vão sendo adicionados vários detalhes e elementos, incluindo o som de um teclado. Este tema inicial é perfeito para nos transportar para um disco essencialmente acústico, vincadamente experimental e dominado por cordas com uma frote toada blues.

Green and the Blue segue a mesma dinâmica da primeira canção de um alinhamento sinuoso e cativante, que nos convida frequentemente à introspeção e à reflexão sobre o mundo moderno e onde Fin não poupa na materialização dos melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, havendo, no disco, vários exemplos do forte cariz eclético e heterogéneo do seu cardápio.

Pouco depois, ao sermos presenteados com o trip hop de White Flag, percebemos que os Fink também manipulam com mestria os típicos suspiros sensuais que o baixo e as batidas da dub proporcionam e que há uma elevada dose de sensualidade e suavidade na tonalidade das canções que interpretam. Por exemplo, em Pilgrim, o baixo em espiral e melodicamente hipnótico, a corda de uma viola que com ele se entrelaça e alguns efeitos que nos transportam numa viagem rumo ao revivalismo dos anos oitenta e o dedilhar deambulante de Shakespearesão outros dois momentos que trazem brisas bastante aprazíveis ao ouvinte.

O auge do disco chega com a atmosfera simultaneamente íntima e vibrante do single Looking Too Closely e ao sermos irremediavelmente desarmados pelo jogo de sedução que se instala entre o piano, a viola e a voz de grave, profunda e enigmática de Fin, percebe-se o que Hard Believer tem que facilmente nos fascina, nada mais nada menos que uma coleção irrepreensível de sons inteligentes e solidamente construídos, que nos emergem em ambientes carregados de batidas e ritmos que, tomando como exemplo as teclas desta canção, poderão facilmente fazer-nos acreditar que a música pode ser realmente um veículo para o encontro do bem e da felicidade coletivas.

Hard Believer é um trabalho rico e arrojado, que aponta em diferentes direções sonoras, apesar de haver um estilo vincado que pode catalogar o cardápio sonoro apresentado. O disco tem um fio condutor óbvio, assente em alguma da melhor indie pop contemporânea, mas uma das suas particularidades é conseguir, sem fugir muito desta bitola, englobar diferentes aspetos e detalhes de outras raízes musicais, num pacote cheio de paisagens sonoras que contam histórias que a voz de Fin sabe, melhor do que ninguém, como encaixar. Hard Believer é um álbum maduro e consciente e faz dos Fink, enquanto criadores musicais, uma das novas bandas mais excitantes e influentes do cenário alternativo atual. Espero que aprecies a sugestão...

Fink - Hard Believer

01. Hard Believer

02. Green And The Blue
03. White Flag
04. Pilgrim
05. Two Days Later
06. Shakespeare
07. Truth Begins
08. Looking Too Closely
09. Too Late
10. Keep Falling

 


autor stipe07 às 16:20
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quarta-feira, 22 de Janeiro de 2014

Stephen Malkmus And The Jicks – Wig Out At Jagbags

Foi lançado dia sete de janeiro Wig Out At Jagbags, o novo trabalho de Stephen Malkmus, juntamente com os seus colaboradores The Jicks, um álbum que sucede a Mirror Traffic, disco editado em 2011 e produzido por Beck Hansen. Wig Out At Jagbags foi inspirado na mudança de Malkmus e da sua família para Berlim. O disco foi produzido pela banda juntamente com Remko Schouten (Pavement), e conta com a participação especial de Fran Healy (Travis), na voz.

O ex-Pavement Stephen Malkmus continua a construir um inatacável percurso com os The Jicks que cobre de alegria todos os apreciadores do verdadeiro rock n'roll. Basta ouvir o single Lariat (We grew up listening to the music of the best decade ever) para se perceber que Malkmus tem boas razões para conseguir manter sempre uma elevada bitola qualitativa nos seus lançamentos discográficos já que se deixa influenciar pelo que de melhor se vai fazendo e assim, naturalmente, tornar-se também numa influência importante para vários punhados de artistas que procuram um lugar ao sol no universo sonoro alternativo.

Wig Out At Jagbags é rock n'roll sem espinhas e sem segredos; E este é, à partida, um dos maiores elogios que se pode fazer a um álbum que replica com autenticidade a zona de conforto em que Malkmus se movimenta, aquele típico indie rock dos anos noventa, com alguns detalhes que abraçam o jazz e o blues. Este é o som de Malkmus, a fórmula que ele utiliza para criar melodias aditivas, comandadas invariavelmente pela guitarra e quase sempre acompanhadas por letras com um elevado sentido de humor e descontração, leves, ligeiras e descomplicadas. Em suma, Wig Out At Jagbags é um daqueles discos que sobrevive à custa das cumplicidades que consegue estabelecer com o ouvinte, através de letras que falam de um quotidiano comum e quase sempre animado e por isso atrativo e através de guitarras simultaneamente maduras e melodicamente acessiveis

Com quarenta e sete anos e duas décadas de carreira, Malkmus talvez esteja a abrandar um pouco e há alguns temas no alinhamento deste sexto álbum da sua carreira a solo que o demonstram; Mas este é, na minha opinião, outro elogio, porque parece-me que o músico começa também a querer apalpar outros territórios um pouco mais pop e a carregar com uma toada ainda mais blues o seu reportório. Escuta-se os tons acústicos guiados pelo piano e pal viola da já citada Lariat ou da balada Houston Hades e percebe-se que ele está a alargar o seu leque de possiblidades, o que prova que, sendo mais calmo que os antecessores, Wig Out At Jagbags mantém a génese, mas é também um trabalho mais maduro, aventureiro e abrangente.

Os metais de Chartjunk, o clima jazzístico de J Smoov, tocado com a ajuda de um trio de sopro alemão, o garage rock dos anos sessenta audível em Planetary Motion e um certo punk rock à antiga plasmado em Rumble at The Rainbo (Come and join us in this punk rock tune, Come and slam dance with some ancient dudes, We are returning/ Returning to our roots, No new material just cowboy boots), servem para demonstrar que Malkmus está no momento mais alto de uma carreira recheada de instantes memoráveis e canções que ficarão para sempre como marcos fundamentais do seu legado. Espero que aprecies a sugestão...

Stephen Malkmus And The Jicks - Wig Out at Jagbags

01. Planetary Motion
02. The Janitor Revealed
03. Lariat
04. Houston Hades
05. Shibboleth
06. J Smoov
07. Rumble At The Rainbo
08. Chartjunk
09. Independence Street
10. Scattegories
11. Cinnamon And Lesbians
12. Surreal Teenagers

 


autor stipe07 às 21:03
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quinta-feira, 19 de Dezembro de 2013

Ulrich Schnauss & Mark Peters - Tomorrow Is Another Day

Lançado no passado dia vinte ecinco de outubro pela Bureau B, Tomorrow Is Another Day é um dos mais interessantes discos que chegou à minha redação, até pela sonoridade singular, pouco habitual no blogue. O disco é da autoria do projeto Ulrich Schnauss & Mark Peters que, conforme o nome indica, resulta da colaboração de dois músicos que dessa forma deram origem a uma dupla de pop eletrónica.

Ulrich Schnauss nasceu em Kiel, no litoral norte de Alemanha, em 1977 e começou por destacar-se no cenário drum n'bass da Berlim dos anos noventa, tendo integrado os projetos A Long Way to Fall e A Strangely Isolated Place. Mark Peters é um britânico nascido em 1975 , natural de Liverpool e um dos membros da banda Engineers. Schnauss juntou-se aos Engineers em 2010 como teclista e a partir daí nasceu uma forte amizade entre estes dois músicos, que começaram a explorar juntos algumas vertentes mais instrumentais do cenário indie pop e eletrónico que sempre norteou o processo de criação melódica de ambos.

Tomorrow Is Another Day é já o segundo disco desta parceria que começou com Underrated Silence e o trabalho onde os dois integrantes aprimoram a forma como exploram paisagens sonoras expressionistas, através das teclas de Schnauss e a guitarra de Peters, as grandes referências instrumentais neste processo de justaposição de vários elementos sonoros.

Das Volk Hat Keine Seele é o grande destaque de Tomorrow Is Another Day, um trabalho produzido pelo próprio Schnauss e onde quase todos os temas sáo apenas instrumentais. É o disco que consolida a parceria da maturidade que a mesma já demonstra, um trabalho onde o diálogo feliz e profícuo entre o contraste das preferências sonoras da dupla melhor se sublima e onde se destaca a emoção com que a música criada por ambos consegue transportar bonitos sentimentos.

Há uma forte dinâmica criativa no seio deste projeto e apesar das diferentes origens musicais, nenhum estilo musical domina o outro e o efeito é o de duas vozes igualmente magistrais numa conversa coerente celebrando a natureza dinâmica da combinação instrumental e explorando um novo método de abordagem criativa, que permite a concordância e a discordância, por sua vez. Espero que aprecies a sugestão... 

1. Slow Southern Skies
2. Tomorrow Is Another Day
3. Das Volk Hat Keine Seele
4. Inconvenient Truths
5. One Finger And Someone Else's Chords
6. Additional Ghosts
7. Walking With My Eyes Closed
8. Rosmarine
9. Bound By Lies
10. There's Always Tomorrow

 


autor stipe07 às 21:58
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Domingo, 15 de Dezembro de 2013

The Deltahorse - The Deltahorse EP


Os The Deltahorse são uma multinacional do indie rock, já que são formados pelo berlinense Sash e por Dana Colley, uma saxofonista de Boston, nos Estados Unidos, que chegou a tocar esse instrumento com os Morphine.

A sonoridade dos Deltahorse assenta num baixo vibrante, numa guitarra luminosa e num saxofone cheio de groove, tudo muito bem temperado com uma voz peculiar. Eles próprios afirmam que a sua música inspira-se naqueles ambientes de final de noite de um bar, onde quem resta lá dentro é o dono, o barman e aqueles clientes que não têm mais para onde ir.

Hey Yuri é o primeiro single retirado de The Deltahorse, o trabalho de estreia destes The Deltahorse, editado no passado dia dezanove de novembro. A canção conta com a participações epsecial de TJ Eckleberg, um cantor e compositor natural de Sidney, na Austrália e assenta numa linha de baixo bem acompanhada pela voz de TJ, com os arranjos do saxofone de Colley a criarem um ambiente sombrio e sensual, muito à imagem do tipo de atmosfera que o grupo pretende criar.

O tema foi disponibilizado para download gratuito e no EP, além desta canção, podemos escutar mais três canções que reforçam a perceção de estarmos na presença de uma pequena coleção de canções perfeita para uma noite diferente, plena de aventura e diversão, na melhor companhia possível ou, em alternativa, com disponibilidade para encontrar alguém diferente e especial.

Assim, algures entre Bowie, Beck e os Morphine, os The Deltahorse são um novo grupo que se apresenta ao universo musical indie, como mais um projeto que prima pelo detalhe e pelo bom gosto e que merece garantidamente uma audição atenta. Confere...


autor stipe07 às 20:20
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quinta-feira, 7 de Novembro de 2013

The Deltahorse feat TJ Eckleberg - Hey Yuri

The Deltahorse

Os The Deltahorse são uma multinacional do indie rock, já que são formados por TJ Eckleberg, um cantor e compositor natural de Sidney, na Austrália, ao qual se juntaram o berlinense Sash e Dana Colley, uma saxofonista de Boston, nos Estados Unidos, que chegou a tocar esse instrumento com os Morphine.

A sonoridade dos Deltahorse assenta, por isso, num baixo vibrante, numa guitarra luminosa e num saxofone cheio de groove, tudo muito bem temperado com a voz peculiar de TJ. Eles próprios afirmam que a sua música inspira-se naqueles ambientes de final de noite de um bar, onde quem resta lá dentro é o dono, o barman e aqueles clientes que não têm mais para onde ir.

Hey Yuri é o primeiro single retirado de The Deltahorse EP, o trabalho de estreia destes The Deltahorse e que será editado já a dezanove de novembro. A canção assenta numa linha de baixo bem acompanhada pela voz de TJ, com os arranjos do saxofone de Colley a criarem um ambiente sombrio e sensual, muito à imagem do tipo de atmosfera que o grupo pretende criar.

Assim, algures entre Bowie, Beck e os Morphine, Hey Yuri é uma canção que apresenta ao universo musical indie mais um projeto que prima pelo detalhe e pelo bom gosto e que merece, no mínimo, uma audição atenta. O tema foi disponibilizado para download gratuito. Confere...


autor stipe07 às 20:49
link do post | comenta / bad talk | See the bad talk... (2) | The Best Of... Man On The Moon...
Terça-feira, 3 de Setembro de 2013

The Blood Arm – Infinite Nights

Com origem em Los Angeles, mas atualmente sedeados em Berlim, os The Blood Arm são Zebastian Carlisle (guitarra), Nathaniel Fregoso (voz), Matthew Wheeler (bateria) e Dyan Valdés (teclados). Já compôem, gravam e tocam juntos há dez anos e no passado dia dezassete de junho editaram Infinite Nights, o seu quarto álbum de estúdio, por intermédio da RIP Ben Lee Records.

toast head

A mudança dos The Blood Arm de Los Angeles para Berlim foi uma opção bastante ponderada pela banda, nomeadamente por Dyan Valdes e Nathaniel Fregoso e sucedeu porque eles próprios sentiram a necessidade de mudar de ares, nomeadamente após o lançamento, em 2006, de Lie Lover Lie e há dois anos de Turn And Face Me, dois trabalhos muito aclamados pela crítica. A mudança teve o apoio de alguns fãs alemães que estão ser recompensados com uma digressão que os The Blood Arm têm andado a fazer pela Alemanha nos últimos tempos.

Quanto a Infinite Nights, o disco tem muito a ver com a esperança e as expetativas, algo compreensível quando há uma importante mudança, sendo o rock a grande pedra de toque das doze canções. A própria participação especial de Matthew Wheeler dos The Rumble Strips, na voz e na bateria, é mais uma achega para um certo virar de agulhas para outras direções, também sonoras. O alinhamento tem alguns destaques; Logo no início temos a intrigante, introspetiva e charmosa Wrong Side Of The Law, com o disco a acelerar em Midnight Moan, compreensivelmente o grande destaque do disco e single principal, uma canção assente num rock com pitadas de blues que Jack White não se importaria certamente de ter criado.

A calma e melódica Oh Ali Bell!, é uma ligeira mudança na direção do disco, mas sem fugir da toada geral, algo que se aplica também a  Happy Hour e Let Me Be Your Guide. Mas há um certo reverso da moeda em Bubblegum, um tema algo destoado do restante conteúdo de Infinite Nights, mas cuja toada mais experimental não ultrapassa os limites sonoros que a banda sempre impôs a si própria.

Não posso terminar a sucinta análise a este disco sem falar de Sex Fiend, uma injeção frenética e peculiar de um rock enérgico e genuíno e de uma indie pop típica de, por exemplo, uns B-52, uma canção que contribui para que Infinite Nights seja um excelente compêndio sonoro para quem quiser conhecer mais um projeto musical no universo do indie rock que talvez merecesse maior projeção. Espero que aprecies a sugestão...

The Blood Arm - Infinite Nights

01. Wrong Side Of The Law
02. Midnight Moan
03. Oh Ali Bell!
04. Revenge
05. Happy Hour
06. Torture
07. Infinite Nights
08. Sex Fiend
09. Bubblegum
10. Matters Of The Heart
11. Let Me Be Your Guide
12. Another Stop Along The Way


autor stipe07 às 21:47
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Domingo, 17 de Fevereiro de 2013

Apparat - Krieg und Frieden (Music For Theatre)

Conforme anunciei num recente Curtas..., o projeto Apparat, do músico alemão Sascha Ring, está de volta cerca de um ano após a edição do excelente The Devil’s Walk. O novo álbum, Krieg und Frieden, chegou recentemente através da Mute e basicamente é a banda sonora da produção teatral de Sebastian Hartman para a peça Guerra e Paz de Tolstoi.

 Apparat libera "Krieg und Frieden" na íntegra

Tudo aquilo que tu precisas para te deliciares com o décimo registo da carreira de Apparat é um bom par de headphones e um cenário... E qualquer cenário serve, seja uma paisagem campestre e bucólica, ou um emaranhado de ruas de uma grande cidade, com milhares de pessoas que não se conhecem ou alguma vez se viram a cruzarem-se a cada segundo das suas efémeras existências. É irrelevante a tua escolha, mas os headphones são essenciais; Krieg und Frieden (Music For Theatre) está repleto com uma mistura bem interessante entre elementos de uma orquestra e música eletrónica, com alguns temas puramente instrumentais.

Em Krieg und Frieden (Music For Theatre), Apparat consegue ser, ao mesmo tempo, poderoso e delicado, criando um naipe delicioso de atmosferas sonoras, através de instrumentos digitais, mas também com alguns elementos da percussão. Há por aqui algumas parecenças com os islandeses Sigur Rós, não só no ambiente criado e na duração de algumas canções, como na pafernália de elementos inusitados de que o produtor se serve para criar sons.

São imensos os detalhes sonoros que conseguem transformar, garanto-vos, qualquer cena normal, mundana e irrelevante de um dia a dia, em algo misterioso e carregado de tensão. Esta será sem dúvida a pretensão maior de um compositor de bandas sonoras e, por isso, este disco é perfeito para ser ouvido em qualquer circunstância real.

Como numa peça de teatro, este disco tem uma sequência; É para ser ouvido, durante os cerca de quarenta minutos que dura, do início ao fim sem interrupções e asseguro-vos que vale bem a pena esperar pelo final e pela belíssima A Violent Sky. Espero que aprecies a sugestão...

01. 44
02. 44 (Noise Version)
03. LightOn
04. Tod
05. Blank Page
06. PV
07. K&F Thema (Pizzicato)
08. K&F Thema
09. Austerlitz
10. A Violent Sky


autor stipe07 às 18:20
link do post | comenta / bad talk | See the bad talk... (2) | The Best Of... Man On The Moon...

eu...


more about...

Follow me...

. 52 seguidores

Powered by...

stipe07

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Parceria - Portal FB Headliner

Facebook

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Em escuta...

Twitter

Twitter

Blogs Portugal

Disco da semana

Maio 2019

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9

18

21
22
23
24
25

26
27
28
29
30
31


posts recentes

The KVB – Only Now Foreve...

Jaguwar - Ringthing

Jaguwar - Crystal

Ulrika Spacek – Modern En...

Glass Vaults - Bleached B...

The History Of Colour TV ...

The Deltahorse - Transatl...

The Brian Jonestown Massa...

The KVB – Mirror Being

Howling - Sacred Ground

Howling - Stole The Night

Gut und Irmler - 500M

Camera - Remember I Was C...

Fink – Hard Believer

Stephen Malkmus And The J...

Ulrich Schnauss & Mark Pe...

The Deltahorse - The Delt...

The Deltahorse feat TJ Ec...

The Blood Arm – Infinite ...

Apparat - Krieg und Frie...

Robots Don't Sleep - Robo...

Orae - Alexandrina EP

Curtas... LIII

X-Files

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

take a look...

I Love...

Os melhores discos de 201...

Astronauts - Civil Engine...

SAPO Blogs

subscrever feeds