Segunda-feira, 11 de Março de 2019

Panda Bear – Buoys

Já está nos escaparates desde o início do passado mês de fevereiro Buoys, o sexto álbum de estúdio do músico norte-americano Panda Bear, mais um vigoroso passo em frente na carreira a solo de Noah Lennox, um músico natural de Baltimore, no Maryland e a residir em Lisboa e um dos nomes obrigatórios da indie pop e daquele rock mais experimental e alternativo que se deixa cruzar por uma elevada componente sintética, sempre com uma ímpar contemporaneidade e enorme bom gosto.

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Quem acompanha cuidadosamente e com particular devoção a carreira de Panda Bear, compreende a necessidade que ele sente de propôr em cada novo disco algo que supere os limites da edição anterior. É como se, independente da pluralidade de acertos que caracterizavam o antecessor, o novo compêndio de canções que oferece tenha que transpôr barreiras e como se tudo o que fora antes construído se encaminhasse de alguma forma para o que ainda há-de vir, já que é frequente perceber que, entre tantas mudanças bruscas e nuances, é normal perceber que, para Bear, o que em outras épocas fora acústico, transformou-se depois em eletrónico, o ruidoso tornou-se melodioso e o que antes era experimental, estranhamente aproximou-se da pop. Agora, quase quatro anos depois do aclamado Panda Bear Meets The Grim Reaper e um do EP A Day With The Homies, Lennox dá um novo significado a essa necessidade de superação e de evolução a cada disco no conteúdo deste Buoys, um regresso a um maior minimalismo e acusticidade, numa sequência de nove canções que não deixam de nos oferecer ainda primorosas e atrativas experimentações, mas com um menor nível de desordem sonora e, consequentemente, uma maior acessibilidade para o ouvinte, com o próprio autor a confessar que pretendeu fazer desta vez canções que a sua descendência pudesse ouvir, compreender e apreciar.

Assim, num álbum sereno, apelativo e coerente, importa antes de mais referir que uma das maiores diferenças que notamos neste Buoys relativamente aos registos anteriores do autor é uma maior predominância da componente vocal na sonoridade global dos temas. Isso não significa necessariamente que exista uma maior abundância dessa vertente, desta vez gravada quase sempre num único take, mas é um facto que desta vez as batidas sintéticas e os efeitos maquinais das cordas ou a sua acusticidade, em vez de se sobreporem à voz, amparam-na e, em alguns casos, até ajudam a evidenciar os dotes de quem a replica. E para esta nova realidade plasmada em Buoys muito contribuiu o excelente trabalho de produção de Rusty Santos, além de diversos arranjos da autoria de DJ e cantora de trap e reggaetón chilena Lizz, não só vocais mas também, por exmplo, de gotas de água ou disparos de laser, só para citar alguns dos exemplos mais audíveis e felizes. Por exemplo, no caso das gotas de água, são elas que de certa forma marcam o ritmo de Dolphin, o single de apresentação do disco e ajudam a dar ao tema uma frescura e um colorido muito curiosos e apelativos.

Mas há outros momentos fortes e merecedores de devoção e audição atenta neste Buoys. O eco que ressoa das cordas e da voz que dá vida a Cranked, atravessada pelos tais lasers, o toque cósmico do dub crescente em Token, o belíssimo instante de folk psicadélica que é I Know I Don't Know ou o (falso) minimalismo tremendamente detalhístico de Master, fazem o disco fluir com uma salutar leveza e uma homogeneidade que acaba por fazer transparecer um certo humanismo que Lennox certamente quis que transbordasse de um alinhamento que entre o experimental e o atmosférico, seduz e emociona, um rol de canções em que, parecendo que não, abundam sons que tão depressa surgem como se desvanecem e deixam-nos sempre na dúvida sobre uma possível alteração repentina do rumo dos acontecimentos, exigindo ao ouvinte estar permanentemente alerta e focado no que escuta.

Exatidão e previsibilidade não são palavras que constem do dicionário deste autor e Buoys, um disco corajoso e encantador, plasma mais uma completa reestruturação no som de Panda Bear, firmada por uma poesia sempre metafórica, o que faz com que este artista se mostre ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade e capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-lo para cenários complexos, mas repletos de sensações únicas e que só ele consegue transmitir. Espero que aprecies a sugestão...

Panda Bear - Buoys

01. Dolphin
02. Cranked
03. Token
04. I Know I Don’t Know
05. Master
06. Buoys
07. Inner Monologue
08. Crescendo
09. Home Free


autor stipe07 às 17:48
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Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2019

Wye Oak – Evergreen

Wye Oak - Evergreen

Foi na primavera do ano passado e à boleia da Merge Records que viu a luz do dia The Louder I Call, The Faster It Runs, o sexto registo de originais da dupla de Baltimore Wye Oak formada por Jenn Wasner e Andy Stack. Mestres da folk e do indie rock, mas com um cardápio sonoramente cada vez mais eclético, suportado por uma sólida carreira de pouco mais de uma década cujos maiores trunfos são a belíssima voz de Jenn e o magnífico trabalho instrumental de Andy, os Wye Oak solidificaram nesse registo uma opção clara por sonoridades mais contemporâneas e direcionadas, essencialmente, para cruzamentos entre a pop e a eletrónica.

Agora, quase um ano depois desse registo, a dupla acaba de divulgar um novo tema intitulado Evergreen, à boleia da iniciativa Adult Swin Singles, uma composição que contém as novas caraterísticas marcantes da dupla, uma salutar confusão sonora muito experimental e apelativa que originou uma atmosfera sonora simultaneamente íntima e vibrante, por um lado e eminentemente sintética, por outro, mas sem descurar uma faceta emocional, que é perservada não só pela voz de Jenn, mas também pelos diversos arranjos que vão flutuando pela melodia. Confere...


autor stipe07 às 12:39
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Sábado, 27 de Outubro de 2018

Beach House - Alien

Beach House - Alien

Um dos grandes destaques de 7, o álbum que a dupla Beach House lançou na passada primavera, é Lose Your Smile, tema já editado em formato single de edição limitada e que tem como lado b Alien, canção que clarifica a vontade que este projeto sedeado em Baltimore, no Maryland, formado pela francesa Victoria Legrand e pelo norte americano Alex Scally, teve, em 7, de fornecer maior luminosidade às canções. E Alien demonstra-o através de um rock expansivo e a piscar o olho aquele shoegaze que tradicionalmente assenta na orgânica típica das guitarras ritmadas e intensas, cruzadas com efeitos sintetizados com elevado teor sintético e que parecem querer personificar uma estranha escuridão interestelar. Confere...


autor stipe07 às 16:55
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Segunda-feira, 4 de Junho de 2018

Wye Oak – The Louder I Call, The Faster It Runs

Foi a seis de abril e à boleia da Merge Records que viu a luz do dia The Louder I Call, The Faster It Runs, o novo registo de originais da dupla de Baltimore Wye Oak formada por Jenn Wasner e Andy Stack. Este é o sexto disco da carreira destes norte-americanos até há pouco tempo denominados mestres da folk e do indie rock, mas com um cardápio sonoramente cada vez mais eclético, suportado por uma sólida carreira de pouco mais de uma década cujos maiores trunfos são a belíssima voz de Jenn e o magnífico trabalho instrumental de Andy e que solidifcam neste registo uma opção clara por sonoridades mais contemporâneas e direcionadas, essencialmente, para cruzamentos entre a pop e a eletrónica.

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Logo na miríade de sons e batidas sintetizadas de The Instrument percebe-se que há o objetivo claro de presentear o ouvinte com uma atmosfera sonora simultaneamente íntima e vibrante, por um lado e eminentemente sintética, por outro, mas sem descurar uma faceta emocional, que é perservada não só pela voz de Jenn, mas também pelos diversos arranjos que vão flutuando pela melodia. E essa dupla faceta é algo que a coleção irrepreensível de sons inteligentes e solidamente construídos do tema homónimo, solidifica, uma canção que evolui e cresce, segundo após segundo, enquanto nos emerge num ambiente carregado de batidas e ritmos, mas suavizado por uma encantadora prestação vocal. 

A partir daí, à medida que o disco avança e se percebe o alargado leque de influências que ditou o seu conteúdo, ficam claras as transições sonoras em que os Wye Oak apostam e nota-se, dentro do objetivo acima referido, a experimentação de diferentes estilos, cabendo, no alinhamento, ecos bem audíveis de dream pop, quer na guitarra de Lifer, quer no piano de It Was Not Natural, mas também de synthpop, irrepreensível em Symmetrydance punk oitocentista em Over and Over e aquela eletrónica mais ambiental e progressiva, bem exemplificada, por exemplo, em Say Hello. Esta sucessão de heterogeneidade que acaba por se justificar no próprio título do registo, mostrando uma alternância entre momentos de cor e outros sombrios e instantes instrumentalmente algo minimais e outros mais intrincados, pessimismo e otimismo, razão e crença, entronca sempre numa ânsia de dissertar acerca de alguns dilemas existenciais comuns a todos nós, incertezas e medos, ciência e filosofia, mas também triunfos e clarezas, com a maior simplicidade e honestidade possíveis. Espero que aprecies a sugestão...

Wye Oak - The Louder I Call, The Faster It Runs

01. (Tuning)
02. The Instrument
03. The Louder I Call, The Faster It Runs
04. Lifer
05. It Was Not Natural
06. Symmetry
07. My Signal
08. Say Hello
09. Over And Over
10. You Of All People
11. Join
12. I Know It’s Real


autor stipe07 às 17:17
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Quarta-feira, 16 de Maio de 2018

Beach House – 7

Quase três anos depois da dose dupla que foi Depression Cherry e Thank Your Lucky Stars, o quarto e o quinto discos da dupla Beach House, lançados em 2015 e de terem limpo o armário o ano passado com B-sides e Rarities, este projeto sedeado em Baltimore, no Maryland, formado pela francesa Victoria Legrand e pelo norte americano Alex Scally tem novo álbum já nos escaparates. É um trabalho intitulado 7 e foi misturado por Alan Moulder, tendo sido gravado no estúdio da banda em Baltimore e também nos estúdios Carriage House em Stamford e nos estúdios Palmetto Studio em Los Angeles.

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7 viu a luz do dia a onze de maio e, felizmente, mantem intacta aquela habitual toada simples e nebulosa da dupla, uma filosofia sonora bastante melódica e etérea, plena de sintetizadores assertivos e ruidosos e guitarras com efeitos recheados de eco, aspectos fundamentais da sonoridade do projeto e transversais aos registos anteriores. No entanto, 7, contendo estes pilares da aura melancólica e mágica de um projeto que vive em redor da voz doce de Victoria e da mestria instrumental de Alex, exemplarmente replicados no intimismo perene de Pay No Mind e no clima simulaneamente etéreo e pastoso de L’Inconnue, tem a novidade maior de se aproximar com superior gula de algumas referências óbvias de finais do século passado. Este propósito está explícito logo no edifício instrumental nada minimal que sustenta Dark Spring, canção que ao abrir de modo irrepreensível este 7, clarifica a vontade da dupla de fornecer maior luminosidade às canções, através de um rock mais expansivo e a piscar o olho aquele shoegaze que tradicionalmente assenta na orgânica típica das guitarras ritmadas e intensas, cruzadas com efeitos sintetizados com elevado teor sintético e que parecem querer personificar uma estranha escuridão interestelar.

7 prossegue sempre em modo levitação e quando se chega, num crescendo de corpo e emoção, à distorção inebriante que conduz Drunk In LA e à exuberância barroca do sintetizador que se cruza com uma subtil passagem pelas cordas em Dive, assim como à espiral instrumental disposta em camadas finíssimas em redor de quatro cliques repetitivos em Black Car e ao andamento sentimentalmente pronunciado e épico de Lose Your Smile, sentimo-nos invariavelmente impregnados por um ambiente contemplativo fortemente consistente, que encarna um notório marco de libertação e de experimentação e nos agarra pelos colarinhos sem dó nem piedade, sugando-nos para um universo pop feito com uma sonoridade tão preciosa, bela, silenciosa e fria, como só estes Beach House nos podem proporcionar.

Disco para ser apreogado aos sete ventos, 7 é mais um convincente apelo para que a nossa mente e o nosso espírito se deixem ir à boleia de uma proposta estética assente num clima abstrato e meditativo, com um impacto verdadeiramente colossal e marcante, possível de ser apreciada ao vivo e a preto e branco por cá ainda este ano. Dia vinte e cinco de Setembro os Beach House atuam no Coliseu de Lisboa antes de seguirem até ao Teatro Sá da Bandeira, no Porto, no dia seguinte. Espero que aprecies a sugestão...

Beach House - 7

01. Dark Spring
02. Pay No Mind
03. Lemon Glow
04. L’Inconnue
05. Drunk In LA
06. Dive
07. Black Car
08. Lose Your Smile
09. Woo
10. Girl Of The Year
11. Last Ride


autor stipe07 às 13:36
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Sexta-feira, 9 de Março de 2018

Beach House – Dive

Beach House - Dive

Quase três anos depois da dose dupla que foi Depression Cherry e Thank Your Lucky Stars, o quarto e o quinto discos da dupla Beach House, lançados em 2015, parece que este projeto sedeado em Baltimore, no Maryland, formado pela francesa Victoria Legrand e pelo norte americano Alex Scally tem novo disco em carteira. É um trabalho intitulado 7 e foi misturado por Alan Moulder, tendo sido gravado no estúdio da banda em Baltimore e também nos estúdios Carriage House em Stamford e nos estúdios Palmetto Studio em Los Angeles.

7 verá a luz do dia a onze de maio próximo e do seu alinhamento, que já é conhecido, farão parte Lemon Glow, canção que divulgámos há algumas semanas e Dive, o mais recente single divulgado do registo. Esta canção volta a mostrar aquela toada simples e nebulosa, bastante melódica e etérea, plena de sintetizadores assertivos e ruidosos e guitarras com efeitos recheados de eco, que mantêm intacta a aura melancólica e mágica de um projeto que vive em redor da voz doce de Victoria e da mestria instrumental de Alex e se aproxima cada vez mais de algumas referências óbvias de finais do século passado. Importa ainda referir que a dupla está de regresso a Portugal este ano. Dia 25 de Setembro atuam no Coliseu de Lisboa antes de seguirem até ao Teatro Sá da Bandeira, no Porto, no dia seguinte. Confere...


autor stipe07 às 20:54
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Quinta-feira, 15 de Fevereiro de 2018

Beach House – Lemon Glow

Beach House - Lemon Glow

Quase três anos depois da dose dupla que foi Depression Cherry e Thank Your Lucky Stars, o quarto e o quinto discos da dupla Beach House, lançados em 2015, parece que este projeto sedeado em Baltimore, no Maryland, formado pela francesa Victoria Legrand e pelo norte americano Alex Scally tem novo disco em carteira.

De facto, os Beach House acabam de divulgar uma nova canção intitulada Lemon Gow. tema que tem aquela toada simples e nebulosa, bastante melódica e etérea, plena de sintetizadores assertivos e ruidosos e guitarras com efeitos recheados de eco, que mantêm intacta a aura melancólica e mágica de um projeto que vive em redor da voz doce de Victoria e da mestria instrumental de Alex e se aproxima cada vez mais de algumas referências óbvias de finais do século passado. Confere...


autor stipe07 às 17:38
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Quarta-feira, 17 de Maio de 2017

Beach House - B-Sides and Rarities

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A dupla Beach House, um projeto sedeado em Baltimore, no Maryland, formado pela francesa Victoria Legrand e pelo norte americano Alex Scally, está de regresso em 2017 aos lançamentos discográficos depois da parelha de álbuns que lançou em 2015, com um intervalo de dois meses, Depression Cherry e Thank Your Lucky Stars. Recordo que anteriormente a dupla já havia lançado Beach House (2006), Devotion (2008), Teen Dream (2010) e Bloom (2012). Desta vez não irá ver a luz do dia um álbum de originais, mas uma compilação de catorze canções com lados b e raridades retiradas de todos os discos da dupla.

Seja como for, deste B-Sides and Rarities dos Beach House irão também constar dois inéditos, os temas Chariot e Baseball Diamond, que foram gravados durante as sessões de Depression Cherry e Thank Your Lucky Stars e dos quais já é possível escutar o primeiro, um tema que assenta numa sonoridade simples e nebulosa, bastante melódica e etérea, plena de sintetizadores assertivos e ruidosos e guitarras com efeitos recheados de eco, que mantém intacta a aura melancólica e mágica de um projeto que vive em redor da voz doce de Victoria e da mestria instrumental de Alex e se aproxima cada vez mais de algumas referências óbvias de finais do século passado. Confere Chariot e o alinhamento de B-Sides and Rarities...

Chariot

Baby

Equal Mind

Used To Be (2008 single version)

White Moon (iTunes session remix)

Baseball Diamond

Norway (iTunes session remix)

Play The Game 

The Arrangement

Saturn Song

Rain In Numbers

I Do Not Care For the Winter Sun

10 Mile Stereo (Cough Syrup Remix)

Wherever You Go


autor stipe07 às 15:51
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Terça-feira, 11 de Abril de 2017

Future Islands – The Far Field

Disco que teve início de incubação janeiro de 2016, altura em que o trio composto por Samuel T. Herring (vocalista e letrista), William Cashion (baixo e guitarra) e  Gerrit Whelmers (teclado) começou a escrevê-lo na Carolina do Norte, The Far Field é o quinto e novo registo de originais dos Future Islands, doze canções que este projeto oriundo de Baltimore foi testando em concertos dados com nomes falsos e que viram a luz do dia a sete de abril último,à boleia da 4AD.

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Banda com uma carreira já bem cimentada no panorama índie contemporâneo, não só por causa da elevada bitola qualitativa do cardápio sonoro que credita, mas também por causa do carisma de Samuel Herring, um agitador nato, fabuloso dançarino e um dos melhores frontmen da atualidade, os Future Islands chegam ao quinto disco numa fase central da carreira e com a percepçao clara de que este é o momento certo de assaltarem, de uma vez por todas, os lugares de topo do panorama sonoro em que se movimentam. O baixo de Alladin e a melodia sintetizada que deambulam em redor dele e os restantes arranjos percussivos, num resultado final eloquente, algo etéreo e contemplativo e de elevada amplitude e luminosidade, acabam por ser ingredientes que se repetem noutras canções e que alicercam as permissas fundamentais de um alinhamento que olha de modo guloso e anguloso para a pop sintetizada oitocentista, movida a néons e plumas, mas que também não descura um olhar em frente, ao abarcar detalhes e arranjos que definem muita da melhor eletrónica que se vai escutando atualmente.

The Far Field faz, portanto, uma espécie de mescla entre o melhor retro e vintage que a pop contém na sua herança identitária e que teve a penúltima década do século passado como período mais feliz, mas basta escutar-se o modo como o refrão de Time On Her Side abraça o céu e a terra sem se perceber onde termina e acaba essa copúla, ou o modo luxuriante como o já referido baixo e o sintetizador se unem ao tom grave da voz em Cave, para não haver dúvidas que estes Future Islands apontam neste seu novo registo algumas novas matrizes para precisar uma nova definição de pop, que juntando rock e eletrónica, não renegue o rico passado que contém, mas que saiba como continuar a conjugar dois mundos que sempre pareceram como água e azeite, mas que aifnal podem tocar-se, envolver-se e emocionarmos sem hver fornteitras claras, nessa simbiose, relativamente a cada um dos dois territórios referidos.

Com Shadows a ser aquela canção que nos leva aos confins do universo, embalados pela voz de Debbie Harry e por um punho cerrado que nos impele sem receio de encontro aos nossos sonhos, The Far Field é um disco que, mesmo nos momentos em que apresenta uma superior percentagem de risco e um certo experimentalismo psicadélico, como nos sopros e no flash agudo da lânguida Beauty Of The Road, ou nos efeitos percussivos metálicos que rugem no fundo de North Star, assim como no groove libidinoso e festivo do baixo que conduz o frenesim algo endiabrado de Day Glow Fire, contém, por excelência, um ambiente algo reflexivo e intimista, mas também uma abundância de fragmentos sonoros cheios de vida e cor, dispostos de modo orgânico e enérgico, com a sua audição a oferecer-nos uma viagem ao passado e ao futuro, com aquela sensualidade que apela diretamente às emoções e que acaba por colocar um enorme e excitante ponto de interrogação nos fãs e apreciadores da banda relativamente ao seu futuro sonoro. Espero que aprecies a sugestão...

Future Islands - The Far Field

01. Aladdin
02. Time On Her Side
03. Ran
04. Beauty Of The Road
05. Cave
06. Through The Roses
07. North Star
08. Ancient Water
09. Candles
10. Day Glow Fire
11. Shadows
12. Black Rose


autor stipe07 às 18:28
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Segunda-feira, 30 de Maio de 2016

Snakes - Snakes

Baltimore, no estado do Maryland, é o poiso dos Snakes de Eric Paltell, Cooper Wright, George Cessna e Cobra Jones, uma banda de regresso aos lançamentos discográficos com um homónimo, cuja edição, quer digital quer física, tem a chancela da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Em Theme For Snakes a cortina deste álbum abre-se e perante nós, impávido e sereno, o imenso e quente deserto que preenche grande parte do oeste norte americano mostra-se deslumbrante e altivo e que nomes como John Ford, Howard Hawks, Fritz Lang, ou até mesmo Ennio Morricone, Quentin Tarnatino e Sergio Leone, este último com uma nada desprezável dimensão paródica, projetaram com implacável mestria na grande tela.

Rapidamente se percebe que estes Snakes são uma das bandas que atualmente melhor traduz e interpreta um estilo sonoro que nem sempre é de fácil aceitação do lado de cá do atlântico, mas que é muito caro a um país que nasceu e avançou e deve muito da sua herança cultural aos cowboys e aos seus duelos ao pôr do sol com foras da lei, a garimpeiros e exploradores corajosos e sedentos de riquezas e a saloons empoeirados e a tresandar a whisky pestilento, não só no Texas, mas também em paisagens remotas e selvagens da Califórnia, Arizona, Utah, Colorado ou Wyoming.

As sete canções deste Snakes são uma verdadeira ode e homenagem a todo este ideário, com canções como a pulsante Young American, a sombria e enigmática Aloha From Old Mexico e a cinematográfica Calling Out The Law a colocarem-nos bem no epicentro de uma trama que se serve essencialmente das guitarras para dar vida a histórias onde aventura, crime, paixão, vingança, amor e coragem se misturam e que podemser escutadas, ou até que o sol se ponha ou até que uma bala certeira nos separe e nos desligue destes Snakes. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:07
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Segunda-feira, 19 de Outubro de 2015

Beach House – Thank Your Lucky Stars

Ainda há poucas semanas chegou às lojas, através da Sub Pop, Depression Cherry, o quinto álbum da dupla Beach House, um projeto sedeado em Baltimore, no Maryland, formado pela francesa Victoria Legrand e pelo norte americano Alex Scally e a dupla já tem outro longa duração nos escaparates. Thank Your Lucky Stars é o novo álbum dos Beach House, um disco editado no passado dia dezasseis de outubro e uma coleção de canções com uma filosofia e uma sonoridade diferentes do álbum anterior, mas que voltam a conter, felizmente, aquela toada simples e nebulosa, bastante melódica e etérea, plena de sintetizadores assertivos e ruidosos e guitarras com efeitos recheados de eco, que mantêm intacta a aura melancólica e mágica de um projeto que vive em redor da voz doce de Victoria e da mestria instrumental de Alex e se aproxima cada vez mais de algumas referências óbvias de finais do século passado.

Em mais nove canções os Beach House continuam a sua demanda camaleónica, já que exalam o contínuo processo de transformação que a dupla procura sempre mostrar, com a marca do indie pop muito presente e com uma dose de experimentalismo cada vez maior. Se Majorette contém um traço melódico algo efusivo e mais luminoso do que as propostas de Depression Cherry, o sintetizador onírico que conduz She's So Lovely e que é já uma imagem de marca da sonoridade da dupla, assim como o falsete doce de Victoria que o acompanha, é mais um convincente apelo para que a nossa mente e o nosso espírito se deixem ir à boleia desta proposta estética assente num clima abstrato e meditativo, presente neste tema com um impacto verdadeiramente colossal e marcante.

Esta pop experimental dos Beach House está cada vez mais elaborada e charmosa. A batida hipnótica feita no teclado em All Your Yeahs e a variação que ela sofre sem alterar a melodia, num crescendo de corpo e emoção e o fuzz de guitarra em One Thing, que a aproxima-a escandalosamente de alguns detalhes marcantes do rock mais progressivo, ou a exuberância algo barroca do sintetizador de Common Girl, assim como o andamento sentimentalmente pronunciado e épico de The Traveller, são alguns aspetos marcantes desta continua evolução e que nunca defraudam o ambiente contemplativo fortemente consistente deste álbum e que impregna o adn dos Beach House.

Thank Your Lucky Stars é mais uma impressão concetual forjada com superior veia criativa que nos mostra de modo exímio como a dupla consegue que as texturas e as atmosferas que criam, transitem, muitas vezes, entre a euforia e o sossego, de modo quase sempre impercetível, mas a inquietar constantemente todos os poros do nosso lado mais sentimental e espiritual. Sempre balizados pelos sintetizadores, clarificam esta impressão, também com belíssimas letras, sempre entrelaçadas com deliciosos acordes, num resultado final em que prevalecem quase sempre melodias minuciosamente construídas com diversas camadas de instrumentos, onde não falta uma estranha escuridão interestelar e uma soul que encarna um notório marco de libertação e de experimentação e nos agarra pelos colarinhos sem dó nem piedade e nos suga para um universo pop feito com uma sonoridade tão preciosa, bela, silenciosa e fria, como só estes Beach House nos podem proporcionar. 

Em Thank Your Lucky Stars viajamos bastante acima do solo que pisamos, numa pop com traços de shoegaze e embrulhada numa melancolia épica algo inocente, mas com uma tonalidade muito vincada e que sopra na nossa mente de modo a envolvê-la com uma elevada toada emotiva e delicada, uma receita que faz o nosso espírito facilmente levitar e que provoca um cocktail delicioso de boas sensações, além de atestar a maturidade e a capacidade que esta dupla possui de replicar a sua sonoridade típica e genuína sem colocar em causa um alto nível de excelência. Espero que aprecies a sugestão...

Beach House - Thank Your Lucky Stars

01. Majorette
02. She’s So Lovely
03. All Your Yeahs
04. One Thing
05. Common Girl
06. The Traveller
07. Elegy To The Void
08. Rough Song
09. Somewhere Tonight


autor stipe07 às 19:05
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Quinta-feira, 8 de Outubro de 2015

Beach House - Thank Your Lucky Stars (preview)

Beach House Releasing New Album Thank Your Lucky Stars Next Week

Ainda há poucas semanas chegou às lojas, através da Sub Pop, Depression Cherry, o quinto álbum da dupla Beach House, um projeto sedeado em Baltimore, no Maryland, formado pela francesa Victoria Legrand e pelo norte americano Alex Scally e a dupla já tem outro longa duração na forja e prestes a ver a luz do dia. Thank Your Lucky Stars é o novo álbum dos Beach House, será editado já a dezasseis de outubro e, de acordo com a banda, não é uma compilação de b sides de Depression Cherry ou uma espécie de segundo capítulo do mesmo, mas uma coleção de canções com uma filosofia e uma sonoridade totalmente diferentes, estando ambos muito satisfeitos com o resultado final.

Confere o artwork e o alinhamento deste Thank Your Lucky Stars, um trabalho que será certamente alvo de crítica neste espaço muito em breve e um pequeno filme sobre os Beach House intitulado Forever Still...

We are very excited, it's an album being released the way we want," the band wrote onTwitter. "It's not a companion to Depression Cherry or a surprise or b-sides." (We beg to differ: It very much IS a surprise.

01 Majorette
02 She's So Lovely
03 All Your Yeahs
04 One Thing
05 Common Girl
06 The Traveller
07 Elegy to the Void
08 Rough Song
09 Somewhere Tonight


autor stipe07 às 12:49
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Sábado, 29 de Agosto de 2015

Beach House - Depression Cherry

Ontem chegou às lojas, através da Sub Pop, Depression Cherry, o quinto álbum da dupla Beach House, um projeto sedeado em Baltimore, no Maryland, formado pela francesa Victoria Legrand e pelo norte americano Alex Scally e que anteriormente havia lançado Beach House (2006), Devotion (2008), Teen Dream (2010) e Bloom (2012). Gravado em Bogalusa, no Louisiana, entre catorze de novembro e quinze de janeiro últimos, um período de tempo em que ocorreram as datas que marcam as partidas de John Lennon e Roy Orbison, dois nomes consensuais e influentes no seio da dupla, Depression Cherry assenta numa sonoridade simples e nebulosa, bastante melódica e etérea, plena de sintetizadores assertivos e ruidosos e guitarras com efeitos recheados de eco, que mantêm intacta a aura melancólica e mágica de um projeto que vive em redor da voz doce de Victoria e da mestria instrumental de Alex e se aproxima cada vez mais de algumas referências óbvias de finais do século passado.

Depois do sucesso de Teen Dream e Bloom, seria de esperar que os Beach House mantivessem a progressão sonora e a evolução do contexto comercial que vinham a firmar, optando por um som amplo e ruidoso. Mas aquilo que nos oferece Depression Cherry é uma espécie de retorno às origens, à boleia de nove canções que exalam o contínuo processo de transformação que a dupla procura sempre mostrar, com a marca do indie pop muito presente, mas com uma dose de experimentalismo superior aos dois antecessores citados.

O sintetizador onírico que introduz Levitation e o falsete doce de Victoria que o acompanha, conseguem o efeito pretendido e que o título deste primeiro tema de Depression Cherry encarna. Se realmente pretendemos saborear condignamente este álbum, só nos resta deixarmos a nossa mente e o nosso espírito irem à boleia desta proposta estética assente num clima abstrato e meditativo, presente em praticamente todo o trabalho, com um impacto verdadeiramente colossal e marcante.

Esta pop experimental dos Beach House está cada vez mais elaborada e charmosa. A introdução do fuzz de guitarra nesta canção inicial, ou os devaneios do teclado em Space Song, que marcam o traço melódico do tema, são apenas dois aspetos marcantes desta evolução e todos os detalhes mais eletrificados que nos vão surgindo, nesta e noutras canções, nunca defraudam o ambiente contemplativo fortemente consistente do trabalho. O efeito desse instrumento no single Sparks e, paralelamente, o aparecimento da bateria, além de consolidar essa impressão concetual, sendo balizada pelos sintetizadores, mostra o modo exímio como a dupla consegue que as texturas e as atmosferas que criam, transitem, muitas vezes, entre a euforia e o sossego, de modo quase sempre impercetível, mas que inquieta todos os poros do nosso lado mais sentimental e espiritual.

Há nos Beach House uma certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida e uma exibição consciente da sua sapiência melódica. Os floreados percussivos do baixo e da bateria de 10:37 e os acordes iniciais épicos e deslumbrantes de PPP são também perfeitos para clarificar essa impressão, não faltando belíssimas letras entrelaçadas com deliciosos acordes, nestas melodias minuciosamente construídas com diversas camadas de instrumentos. E a estranha escuridão das melodias interestelares e a soul da secção rítmica de Wildflower, um tema cantado em jeito de lamúria ou desabafo, encarnam um notório marco de libertação e de experimentação, numa canção onde não terá havido um anseio por cumprir um caderno de encargos alheio, mas que nos agarra pelos colarinhos sem dó nem piedade e que nos suga para um universo pop feito com uma sonoridade tão preciosa, bela, silenciosa e fria, como a paisagem que rodeou os Beach House durante o período de gestação desta e de todas as outras composições de Depression Cherry. Já agora, convém enfatizar que a escrita carrega neste trabalho uma sobriedade sentimental que acaba por servir de contraponto à sonoridade algo sombria e, em alguns instantes, tipicamente lo fi da sonoridade, mas que, na minha modesta opinião, envolve os Beach House numa intensa aúrea sexual, despindo-os de todo aquele mistério, tantas vezes artificial, que os poderia envolver, para mostrar, com ousadia, a verdadeira personalidade da dupla.

Depression Cherry é tudo menos um disco igual a tantos outros ou um compêndio sonoro comum. Nele viajamos bastante acima do solo que pisamos, numa pop com traços de shoegaze e embrulhada numa melancolia épica algo inocente, mas com uma tonalidade muito vincada e que sopra na nossa mente de modo a envolvê-la com uma elevada toada emotiva e delicada, uma receita que faz o nosso espírito facilmente levitar e que provoca um cocktail delicioso de boas sensações.

Enquanto muitas bandas procuram a inovação na adição de uma vasta miríade de influências e tiques sonoros, que muitas vezes os confundem e dispersam enquanto calcorreiam um caminho que ainda não sabem muito bem para onde os leva, os Beach House, ao quinto trabalho, parecem ter balizado com notável exatidão o farol que querem para o seu percurso musical, iluminado por este excelente disco que atesta a maturidade e a capacidade que a dupla possui de replicar a sua sonoridade típica e genuína sem colocar em causa um alto nível de excelência, conseguindo também mutar a sua música, disco após disco, e adaptá-la a um público ávido de novidades, que procura constantemente algo de novo e refrescante e que alimente o seu gosto pela música alternativa. Espero que aprecies a sugestão...

Beach House - Depression Cherry

01. Levitation
02. Sparks
03. Space Song
04. Beyond Love
05. 10:37
06. PPP
07. Wildflower
08. Bluebird


autor stipe07 às 14:08
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Terça-feira, 12 de Maio de 2015

Lower Dens – Escape From Evil

Viu a luz do dia no final de março Escape From Evil, o novo disco dos Lower Dens, uma banda norte americana natural de Baltimore, liderada por Jana Hunter e que em 2010 chamou, de imediato, todos os holofotes para si com o emocionante álbum de estreia Twin-Hand Movement. Em 2012 voltaram a surpreender com Nootropics, e agora, três anos depois, pela mão da Ribbon Music, chega-nos este novo trabalho que se deve ouvir sem expetativas porque aviso desde já que nos irá sugar para uma rede sonora construída com ritmos repetitivos e um emaranhado de sons e imagens etéreas.

Cada vez mais abrangentes e em busca de um universo sonoro mais amplo, consistente e luminoso, um pouco em contraste com o cinza que marcou os registos anteriores, mesmo ao nível visual, os Lower Dens chegam ao terceiro disco em pleno processo de exploração de novas possibilidades melódicas e ritmícas que oferecem ao cardápio do grupo uma maior consolidação e abrangência e cenários estilísticos que abarcam um leque mais aberto de influências, com a eletrónica a ter uma concorrência mais acentuada da dream pop e do post punk no resultado final. Responsável pela produção de Bloom dos Beach House ou Singles dos Future Islands, Chris Coady produziu Escape From Evil e acaba por ser uma figura central nesta nova realidade dos Lower Dens  e onde é clara uma superior espontaneidade e fluidez de processos.

Os sintetizadores luminosos de To Die In L.A. e o modo como o groove das guitarras nos convidam em Non Grata e Company a um abanar de ancas mais ou menos explícito, são apenas três notáveis exemplos desta menor frieza dos Lower Dens e a demanda por ambientes menos amargos e melancólicos em troca da transmissão de sensações mais calorosas, extrovertidas e acolhedoras.

Jana Hunter, a líder e figura principal do projeto, continua a encantar-nos com uma voz que apela diretamente ao nosso intímo e que em canções como a dream pop de Your Heart Still Beating nos desperta para a necessidade de apreciarmos devidamente algumas das nossas memórias e convidando-nos, em praticamente todo este novo alinhamento, a passear por recordações do passado e por pequenas frações de pensamentos individuais que musicadas nos soam próximas, como se as canções quisessem conversar connosco.

Com um imenso arsenal de arranjos, temas e conceitos explorados, Escape From Evil é, sem dúvida, um disco de ruptura, um virar de página sem aparente retorno, uma fuga apenas aparentemente espontânea, porque terá sido certamente devidamente ponderada de uma zona de conforto para um novo manancial de possibilidades que beneficiam o ouvinte ávido pela audição de algo diferente e surpreendente no inesgotável universo da dream pop. Há que saudar, no entanto, na componente lírica, o evidente sentimentalismo confessional e a manutenção da exposição intimista que Jana Hunter continua a não hesitar em partilhar connosco sem qualquer tipo de receio. Espero que aprecies a sugestão... 

Lower Dens - Escape From Evil

01. Sucker’s Shangri-La
02. Ondine
03. To Die In L.A.
04. Quo Vadis
05. Your Heart Still Beating
06. Electric Current
07. I Am The Earth
08. Company
09. Société Anonyme


autor stipe07 às 22:26
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Terça-feira, 7 de Abril de 2015

Dan Deacon - Gliss Riffer

Dan Deacon é um dos artistas mais alternativos do cenário indie atual. Além de colaborar com vários projetos, já lançou nove discos desde 2003 e agora, três anos depois do estupendo America, chegou finalmente aos escaparates Gliss Riffer, um trabalho editado através da Domino Records, que também abriga os Dirty Projectors, os Hot Chip e os Animal Collective, algumas das bandas concorrentes de Dan Deacon.

Dan Deacon é um mestre a manipular ruídos, texturas, massas instrumentais e as mais inusitadas particularidades sonoras. Dono de uma formação musical erudita, ele encontrou na eletrónica uma forma de sobressair e apaixonado pelas mais complexas formas sonoras produzidas, este músico natural de Baltimore acabou por encontrar o seu espaço particular dentro da vanguarda eletrónica que define muita da música norte americana atual. 

Em Gliss Riffer Deacon assume uma postura distinta em relação às bandas que o acompanham na editora e que referi acima. Este disco impressiona pela grandiosidade, logo patente nos samples e nos teclados do single Feel The Lightning e nos sintetizadores inebriantes de Sheathed Wings, não havendo regras ou limites impostos para a inserção da mais variada miríade de arranjos, detalhes e ruídos. Deacon é um genuíno e incomparável manipulador do sintético, um génio inventivo que converte tudo aquilo que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico.

Não tendo qualquer tipo de preocupação explícita por compôr de modo particularmente comercial e acessível, o que desde logo é um enorme elogio que pode ser feito em relação a este autor, Deacon deixa-se apropriar de todo o arsenal tecnológico que permite que seja colocado à sua disposição e torna-se ele próprio parte integrante de uma orquestra robótica e maquinal que o consome e dele se apropria, para que as canções que todas estas máquinas, que parecem ter vida própria, compôem possam ter uma alma e um elo de ligação com a humanidade, plasmada nas letras confessionais e sinceras e numa voz manipulada de modo a ser também, ela própria, mais um elementos sintético essencial e autónimo. No entanto, uma audição atenta deixa perceber, em certos momentos, aproximações ao cenário musical mais erudito e orgânico que todos reconhecemos quando são os músicos e produtores que dominam totalmente o arsenal instrumental que utilizam.

Se os dois temas já citados e When I Was Done Dying têm alguns arranjos e detalhes percurssivos que lhes dão o tempero acessível da pop, a partir do efeito agudo de Meme Generator, um tema que dá pistas sobre o que poderá ser o futuro do hip-hop e da buzina e da batida tribal de Mind On Fire, o rumo passa a ser outro e várias experiências curiosas apoderam-se das canções, nomeadamente no teclado hipnótico e minimal que conduz Take It to The Max e na desconcertante Learning to Relax, canção que torna claro que o território assumido por Deacon não deixa de unir, amiúde, elementos da música clássica com batidas esquizofénicas e samples ruidosos que tendem inevitavelmente a resultar num resultado de proporções épicas.

Gliss Riffer é, sem dúvida, mais um trabalho coeso, dinâmico e concetual na trajetória discográfica de um produtor que não receia entregar-se de corpo e alma ao mundo das máquinas e numa simbiose corajosa e sem entraves ou inibições, ser aquele detalhe orgânico que dá alma a todas aquelas ligaçoes de fios e transistores que transportam um infinito catálogo de sons e díspares referências que parecem alinhar-se apenas na cabeça e nos inventos nada óbvios de Deacon. Espero que aprecies a sugestão...

01. Feel the Lightning
02. Sheathed Wings
03. When I Was Done Dying
04. Meme Generator
05. Mind On Fire
06. Learning to Relax
07. Take it to the Max
08. Steely Blues


autor stipe07 às 21:25
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Domingo, 22 de Março de 2015

Dead Mellotron – Winter EP

Oriundo de Baltimore, no Maryland, o projeto Dead Mellotron editou no passado mês de dezembro Winter, um EP com cinco canções onde reina um cruzamento feliz entre o rock progressivo e uma dream pop de forte cariz eletrónico, mas onde não falta alguma diversidade, principalmente ao nível das orquestrações e do conteúdo melódico. Intro, a canção de abertura do álbum, plasma essa relação quase simbiótica entre dois universos sonoros que nem sempre coexistem pacificamente, com a fragilidade incrivelmente sedutora de Totaled a mostrar já guitarras e um baixo e uma bateria que seguem a sua dinâmica natural, enquanto assumem uma faceta algo negra e obscura, para criar um instrumental tipicamente rock, esculpido com cordas ligas à eletricidade, mas com uma certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica.

All Gray aconchega a chegada de uma voz sintetizada, que se confunde, de certo modo, com um simples arranjo instrumental, enquanto olha para o interior da alma e incita os nossos desejos mais profundos, como se cavasse e alfinetasse um sentimento em nós, numa melodia que explora uma miríade mais alargada de instrumentos e sons e onde a vertente experimental assume uma superior preponderância ao nível da exploração do conteúdo melódico que compôe e onde a letra também é um elemento vital, tantas vezes o veículo privilegiado de transmissão da angústia que frequentemente nos invade. Acaba por ser nesta canção que se percebe que a escrita dos Dead Mellotron carrega uma sobriedade sentimental que acaba por servir de contraponto a uma sonoridade algo sombria e, em alguns instantes, tipicamente lo-fi.

Até ao final, a guitarra planante e etérea de Who Else e o sintetizador lisérgico e cósmico por onde deambula Sleepover, mostra como estes Dead Mellotron nos permitem aceder a uma outra dimensão musical com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde tudo soa utopicamente perfeito, já que, principalmente no último tema, das guitarras que escorrem ao longo do mesmo, passando pelo tal sintetizador e os efeitos e vozes, tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do tema tivesse um motivo para se posicionar dessa forma.

Winter é como o frio, a chuva, o vento ou a neve que nos apoquentam, enquanto nos recordam da importância dessa estação do ano algo incómoda para o ciclo de renovação da natureza, num EP que nos agarra pelos colarinhos sem dó nem piedade e que nos suga para um universo pop feito com uma sonoridade tão preciosa, bela, silenciosa e estranha como a paisagem vasta, imensa e simultaneamente diversificada que sustenta o universo sonoro recheado de novas experimentações e renovações e que soa poderoso, jovial e inventivo, de onde este projeto norte americano é natural. Espero que aprecies a sugestão... 

No Cover

01. Intro

02. Totaled
03. All Gray
04. Who Else
05. Sleepover


autor stipe07 às 21:57
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Domingo, 11 de Janeiro de 2015

Panda Bear – Panda Bear Meets The Grim Reaper

Quem acompanha cuidadosamente e com particular devoção a carreira a solo de Panda Bear, um músico natural de Baltimore, no Maryland e a residir atualmente em Lisboa, compreende a necessidade que ele sente de propôr em cada novo disco algo que supere os limites da edição anterior. É como se, independente da pluralidade de acertos que caracterizavam a antecessor, o novo compêndio de canções que oferece tenha que transpôr barreiras e como se tudo o que fora antes construído se encaminhasse de alguma forma para o que ainda há-de vir, já que é frequente perceber que, entre tantas mudanças bruscas e nuances, é normal perceber que para Bear o que em outras épocas fora acústico, transformou-se depois em eletrónico, o ruidoso tornou-se melodioso e o que antes era experimental estranhamente aproximou-se da pop.

Panda Bear Meets The Grim Reaper, sucessor do aclamado Tomboy e quinto álbum da carreira deste músico norte americano que reside em Lisboa há oito anos, sabe a essa necessidade de superação e de evolução a cada disco. Nos mais de cinquenta minutos que dura, encontramos uma sequência de primorosas e ainda mais atrativas experimentações, com o nível de desordem sonora a mostrar-se sempre acessível ao ouvinte e o disco a fluir dentro de limites bem definidos. As canções sucedem-se articuladas entre si e de forma homogénea, com cada uma, sem exceção, a contribuir para a criação de um bloco denso e criativo, cheio de marcas sonoras relacionadas com vozes convertidas em sons e letras que praticamente atuam de forma instrumental e onde tudo é dissolvido de forma homogénea, o que faz com que Panda Bear Meets The Grim Reaper esteja longe de revelar todos os seus segredos logo na primeira audição.

Impecavelmente produzido por Peter Kember e pelo próprio Panda Bear e editado através da Domino Recordings, Panda Bear Meets The Grim Reaper começou a ser idealizado na mente criativa do músico durante as gravações de Centipede Hz, o último registo dos Animal Collective. Declaradamente influenciado pelo movimento hip-hop que floresceu na última década do século passado com nomes como Dust Brothers, Q-Tip, A Tribe Called Quest, Pete Rock, DJ Premier, 9th Wonder, e J Dilla, a serem influências assumidas, o álbum plasma essas referências do passado tingidas com novidade, algo que confere a este disco um resultado ao mesmo tempo nostálgico e inovador, com o indie rock, a folk, esse hip-hop e a electrónica, a cruzarem-se constantemente entre si, com noção de equilíbrio e um limbo perfeito, que nos faz descobrir a sua complexidade à medida que o vamos ouvindo de forma viciante.

Assim que Panda Bear começa a preparar o terreno com Sequential Circuits e somos invadidos pelo esplendor do efeito vocal que ecoa nos nossos ouvidos, percebemos que estamos prestes a escutar algo grandioso, plasmado logo no épico festim que parece implodir a qualquer instante em Mr Noah, e no eletropunk blues, enérgico e libertário, que escorre por todos os poros desta canção. Já completamente consumidos pelo arsenal infinito de efeitos, flashes e ruídos que correram impecavelmente atrás da percussão orgânica e bem vincada que sustentou esse tema, desaceleramos e mudamos de direção, como se tivessemos transposto quase instantaneamente uma espécie de portal, para um universo de pendor mais psicadélico, embalados pelo intro Davy Jones’ Locker, que estende graciosamente a passadeira vermelha ao belíssimo instante de folk psicadélica que é Crosswords, uma das canções mais melancólicas e acessíveis da carreira deste músico. O ordenado caos, onde cada fragmento tem um tempo certo e uma localização e tonalidade exatas, seja debitado por um instrumento orgânico ou resultado de uma programação sintetizada, prossegue a sua demanda triunfal na insanidade desconstrutiva e psicadélica em que alicerçam as camadas de sons que dão vida a Butcher Baker Candlestick Maker, na incontestável beleza e coerência dos detalhes orgânicos que nos fazem levitar em Latin Boy e no poderio eloquente do ruído de fundo da monumental Come To Your Senses, um bom tema para desesperar mentes ressacadas.

Mesmo no doce romantismo da trompete e da harpa de Tropic Of Cancer e do piano de Lonely Wanderer, dois lindíssimos instantes pop, que entre o experimental e o atmosférico, seduzem e emocionam, abundam sons que tão depressa surgem como se desvanecem e deixam-nos sempre na dúvida sobre uma possível alteração repentina do rumo dos acontecimentos, exigindo ao ouvinte estar permanentemente alerta e focado no que escuta. 

Até ao final, se Principe Real impressiona pela sintetização da voz omnipresente, em contraste com a batida grave e o baixo pulsante entregue a um espírito desolado e que nos remete para os sons de fundo de uma típica cidade do mundo moderno, que poderá ser a Lisboa que também é de Bear e onde há um jardim com o nome da canção que pode ser um local aprazível para a escuta de Panda Bear Meets The Grim Reaper, já a hipnótica Selfish Gene subjuga momentaneamente qualquer atribulação que nesse instante nos apoquente, enquanto sentados num banco desse espaço verde, isolados por um par de auscultadores de última geração, abosrvemos egoisticamente todo o cruzamento espectral e meditativo de que o disco vive.

O ocaso chega mais depressa do que gostaríamos com Acid Wash, canção que sabe claramente a despedida e onde as batidas sintéticas e repletas de efeitos maquinais, nunca se sobrepôem em demasiado ao restante conteúdo sonoro, assente em elementos minimalistas que vão sendo adicionados a um efeito aquático sintético com um volume crescente.

Panda Bear Meets The Grim Reaper é um álbum extraordinário porque além de não renegar a identidade sonora distinta de Panda Bear, ainda a eleva para um novo patamar de diferentes cenários e experiências instrumentais através de canções que nos fazem querer descobrir a sua complexidade à medida que se escuta o alinhamento de forma viciante. Exatidão e previsibilidade não são palavras que constem do dicionário deste autor e este novo trabalho, naturalmente corajoso e muito complexo e encantador, ao ser desenvolvido dentro de uma ambientação essencialmente experimental, plasma mais uma completa reestruturação no seu som, firmada por uma poesia sempre metafórica, o que faz com que Panda Bear se mostre ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade e capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-lo para cenários complexos, mas repletos de sensações únicas e que só ele consegue transmitir. Espero que aprecies a sugestão...

Panda Bear - Panda Bear Meets The Grim Reaper

01. Sequential Circuits
02. Mr Noah
03. Davy Jones’ Locker
04. Crosswords
05. Butcher Baker Candlestick Maker
06. Boys Latin
07. Come To Your Senses
08. Tropic Of Cancer
09. Shadow Of The Colossus
10. Lonely Wanderer
11. Príncipe Real
12. Selfish Gene
13. Acid Wash


autor stipe07 às 18:25
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Sábado, 23 de Agosto de 2014

Dope Body - Hired Gun

Dope Body

Oriundos de Baltimore, os indie rockers norte americanos Dope Body estão de regresso com um novo álbum intitulado Lifer e que chegará aos escaparates a vinte e um de outubro através da Drag City.

Hired Gun é o primeiro avanço divulgado de Lifer e mostra uns Dope Body em grande forma: Fazem-no através de uma canção assente num indie rock clássico e visceral, pleno de noise, guitarras distorcidas, riffs poderosos e uma percurssão vibrante. Confere...

 


autor stipe07 às 11:50
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Quarta-feira, 30 de Abril de 2014

Wye Oak - Shriek

Já viu a luz do dia o novo disco da dupla de Baltimore Wye Oak formada por Jenn Wasner e Andy Stack. O quarto disco da carreira destes norte-americanos já algo veteranos no universo da folk e do indie rock chama-se Shriek, sucede a Civilian (2011) e foi editado no dia vinte e oito de Abril, por intermédio da Merge Records e da City Slang.

Numa dupla em que os dois maiores trunfos são a belíssima voz de Jenn e o magnífico trabalho instrumental de Andy, principalmente à frente das teclas, ficamos logo agarrados ao disco com Before, o tema de abertura, feito de uma melodia feita com um teclado que recuou no tempo uns trinta anos e ao qual vão sendo adicionados vários detalhes e elementos eletrónicos, incluindo o som da bateria. O tema homónimo segue a mesma toada e depois, ao sermos presenteados com a atmosfera simultaneamente íntima e vibrante do single The Tower, percebe-se o que Shriek tem que facilmente nos fascina, nada mais nada menos que uma coleção irrepreensível de sons inteligentes e solidamente construídos, que nos emergem em ambientes carregados de batidas e ritmos que, tomando como exemplo o potente baixo desta canção, poderão facilmente fazer-nos abanar a anca sem percebermos muito bem como e porquê.

E à medida que o disco avança e se percebe o alargado leque de influências que ditou o seu conteúdo, ficam claras as transições sonoras em que os Wye Oak apostam e nota-se a experimentação de diferentes estilos, onde também cabem ecos bem audíveis de post punksynthpop e dance punk dos anos oitenta e a eletrónica sombria, bem exemplificados, por exemplo, em Glory.

Um teclado em espiral e melodicamente hipnótico, uma percussão minimal e alguns efeitos que nos transportam numa viagem rumo ao revivalismo dos anos oitenta, apimentado por um falsete afundado num colchão de sons eletrónicos e que satirizam essa eletrónica retro, feita com VHS, é outra nuance explícita do universo sonoro abarcado pelos Wye Oak em Shriek, nomeadamente em Sick Talk.

Shriek é um trabalho rico e arrojado, que aponta em diferentes direções sonoras e onde não há um único estilo que possa catalogar o cardápio sonoro apresentado, como é usual acontecer nos Wye Oak. O disco tem um fio condutor óbvio, assente em alguma da melhor synth pop contemporânea, mas uma das suas articularidades é conseguir, sem fugir muito desta bitola, engolabr diferentes aspetos e detalhes de outroas raízes musicais e tem até aquele charme típico do vagaroso e caliente ritmo latino, muito bem replicado quando os sintetizadores ao entrarem em ação compilam com música, história, cultura, saberes e tradições, num pacote sonoro cheio de groove e de paisagens sonoras que contam histórias que a voz de Jenn Wasner sabe, melhor do que ninguém, como encaixar. Espero que aprecies a sugestão...

Wye Oak - Shriek

01. Before
02. Shriek
03. The Tower
04. Glory
05. Sick Talk
06. Schools Of Eyes
07. Despicable Animal
08. Paradise
09. I Know The Law
10. Logic Of Color

 


autor stipe07 às 22:58
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Segunda-feira, 21 de Maio de 2012

Beach House - Bloom

Desde a estreia dos Beach House que era notório o esforço da dupla Victoria Legrand e Alex Scally, natural de Baltimore, em aperfeiçoar uma fórmula própria dentro dos limites etéreos da dream pop. Entusiastas de várias bandas da década de oitenta, em 2010, com Teen Dream e os contornos pop melódicos que abraçavam nesse disco, fizeram com que o projeto ganhasse amplo destaque e a dupla alcançasse um novo nível lírico e instrumental, além da tão ansiada fórmula de sucesso que andavam à procura. No entanto, parece que a eterna insatisfação reina no seio do grupo já que com Bloom, o novo álbum, editado pela Sub Pop, os Beach House parecem abrir-se para novos rumos e expetativas sonoras.

Este quarto registo da banda evoca sentimentos ainda mais próximos do ouvinte, que nas dez composições do disco irá descobrir uma míriade de referências leves e hipnóticas que musicalmente se desfazem nos ouvidos do espectador, ou seja, longe de repetirem os mesmos acertos do passado, a dupla opta por experimentar, não de forma revolucionária, mas como se estivesse a preparar, como já dei a entender, um novo ciclo musical próprio.

No entanto, durante os cinquenta minutos do disco, a sonoridade é vincada e firme, ao contrário de experiências naturalmente etéreas e oníricas apresentadas por outras bandas do género. Nos Beach House, as guitarras que antes serviam para construir densos planos de fundo musicais, agora ressurgem em formas menos experimentais e mais acessíveis ao público e sente-se no disco a necessidade de dar continuidade ao que fora testado em músicas como Walk In The Park e 10 Mile Stereo, canções que conseguiram puxar Teen Dream para além dos sintetizadores mágicos e vocais enevoados que delimitaram boa parte da estrutura do álbum anterior.

A presença ativa do produtor Chris Coady, responsável por alguns discos que me dizem bastante, nomeadamente  Dear Science dos TV On The Radio, Yellow House de Grizzly Bear e o recente Eye Contact do Gang Gang Dance, deverá ter sido importante para  alcançar essa nova musicalidade dentro do álbum. Coady repete em Bloom todos os acertos gerados no último disco da banda e acaba por ser como que um terceiro membro do projeto, tornando as composições muito mais audíveis e abertas. A voz de Legrand surge límpida e perfeitamente audível e deixou de ser aplicada como mais um instrumento, algo que era uma caraterística básica dos três últimos lançamentos dos Beach House.

Bloom não é um disco apenas destinado ao grande público e deverá ecoar com perfeição nos ouvidos dos mais antigos seguidores da dupla. Diferente dos anteriores discos, quando o duo parecia interessado em se encontrar e produzir um som de força própria, em Bloom o casal deixa-se contagiar por outras referências, algo facilmente observado na aproximação de diversas músicas com elementos típicos dos anos oitenta. Logo em Wild, segunda canção do álbum, esse tipo de som já é visível e a maneira como as guitarras e os teclados (repletos de eco) são alinhados transportam imediatamente o ouvinte para o cenário montado há três décadas. Além disso houve a necessidade de amarrar todas as canções, aplicando pequenos ruídos ou interlúdios que acabam por ligar as canções num imenso bloco sonoro, o que deu ao disco um certo tom conceptual.

Legrand e Scally não poderiam ter escolhido um melhor nome para o novo álbum da banda. O florescer que se manifesta no título do trabalho encontra coerência no conteúdo do disco, um projeto que absorve a luz vinda de diversas referências e as converte em algo novo, permeado por boas guitarras, arranjos instrumentais límpidos e o mesmo conjunto de versos melancólicos e intimistas que o duo desenvolve há já alguns anos para nos enfeitiçar. Se Teen Dream parecia ser o ápice, Bloom demonstra que o casal de Baltimore pode ir ainda mais longe e se existe algum limite ao trabalho da dupla, este ainda parece impossível de ser detectado. Espero que aprecies a sugestão...

 

1. Myth
2. Wild
3. Lazuli
4. Other People
5. The Hours
6. Troublemaker
7. New Year
8. Wishes
9. On The Sea
10. Irene


autor stipe07 às 14:03
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