Segunda-feira, 4 de Junho de 2018

Wye Oak – The Louder I Call, The Faster It Runs

Foi a seis de abril e à boleia da Merge Records que viu a luz do dia The Louder I Call, The Faster It Runs, o novo registo de originais da dupla de Baltimore Wye Oak formada por Jenn Wasner e Andy Stack. Este é o sexto disco da carreira destes norte-americanos até há pouco tempo denominados mestres da folk e do indie rock, mas com um cardápio sonoramente cada vez mais eclético, suportado por uma sólida carreira de pouco mais de uma década cujos maiores trunfos são a belíssima voz de Jenn e o magnífico trabalho instrumental de Andy e que solidifcam neste registo uma opção clara por sonoridades mais contemporâneas e direcionadas, essencialmente, para cruzamentos entre a pop e a eletrónica.

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Logo na miríade de sons e batidas sintetizadas de The Instrument percebe-se que há o objetivo claro de presentear o ouvinte com uma atmosfera sonora simultaneamente íntima e vibrante, por um lado e eminentemente sintética, por outro, mas sem descurar uma faceta emocional, que é perservada não só pela voz de Jenn, mas também pelos diversos arranjos que vão flutuando pela melodia. E essa dupla faceta é algo que a coleção irrepreensível de sons inteligentes e solidamente construídos do tema homónimo, solidifica, uma canção que evolui e cresce, segundo após segundo, enquanto nos emerge num ambiente carregado de batidas e ritmos, mas suavizado por uma encantadora prestação vocal. 

A partir daí, à medida que o disco avança e se percebe o alargado leque de influências que ditou o seu conteúdo, ficam claras as transições sonoras em que os Wye Oak apostam e nota-se, dentro do objetivo acima referido, a experimentação de diferentes estilos, cabendo, no alinhamento, ecos bem audíveis de dream pop, quer na guitarra de Lifer, quer no piano de It Was Not Natural, mas também de synthpop, irrepreensível em Symmetrydance punk oitocentista em Over and Over e aquela eletrónica mais ambiental e progressiva, bem exemplificada, por exemplo, em Say Hello. Esta sucessão de heterogeneidade que acaba por se justificar no próprio título do registo, mostrando uma alternância entre momentos de cor e outros sombrios e instantes instrumentalmente algo minimais e outros mais intrincados, pessimismo e otimismo, razão e crença, entronca sempre numa ânsia de dissertar acerca de alguns dilemas existenciais comuns a todos nós, incertezas e medos, ciência e filosofia, mas também triunfos e clarezas, com a maior simplicidade e honestidade possíveis. Espero que aprecies a sugestão...

Wye Oak - The Louder I Call, The Faster It Runs

01. (Tuning)
02. The Instrument
03. The Louder I Call, The Faster It Runs
04. Lifer
05. It Was Not Natural
06. Symmetry
07. My Signal
08. Say Hello
09. Over And Over
10. You Of All People
11. Join
12. I Know It’s Real


autor stipe07 às 17:17
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Quarta-feira, 16 de Maio de 2018

Beach House – 7

Quase três anos depois da dose dupla que foi Depression Cherry e Thank Your Lucky Stars, o quarto e o quinto discos da dupla Beach House, lançados em 2015 e de terem limpo o armário o ano passado com B-sides e Rarities, este projeto sedeado em Baltimore, no Maryland, formado pela francesa Victoria Legrand e pelo norte americano Alex Scally tem novo álbum já nos escaparates. É um trabalho intitulado 7 e foi misturado por Alan Moulder, tendo sido gravado no estúdio da banda em Baltimore e também nos estúdios Carriage House em Stamford e nos estúdios Palmetto Studio em Los Angeles.

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7 viu a luz do dia a onze de maio e, felizmente, mantem intacta aquela habitual toada simples e nebulosa da dupla, uma filosofia sonora bastante melódica e etérea, plena de sintetizadores assertivos e ruidosos e guitarras com efeitos recheados de eco, aspectos fundamentais da sonoridade do projeto e transversais aos registos anteriores. No entanto, 7, contendo estes pilares da aura melancólica e mágica de um projeto que vive em redor da voz doce de Victoria e da mestria instrumental de Alex, exemplarmente replicados no intimismo perene de Pay No Mind e no clima simulaneamente etéreo e pastoso de L’Inconnue, tem a novidade maior de se aproximar com superior gula de algumas referências óbvias de finais do século passado. Este propósito está explícito logo no edifício instrumental nada minimal que sustenta Dark Spring, canção que ao abrir de modo irrepreensível este 7, clarifica a vontade da dupla de fornecer maior luminosidade às canções, através de um rock mais expansivo e a piscar o olho aquele shoegaze que tradicionalmente assenta na orgânica típica das guitarras ritmadas e intensas, cruzadas com efeitos sintetizados com elevado teor sintético e que parecem querer personificar uma estranha escuridão interestelar.

7 prossegue sempre em modo levitação e quando se chega, num crescendo de corpo e emoção, à distorção inebriante que conduz Drunk In LA e à exuberância barroca do sintetizador que se cruza com uma subtil passagem pelas cordas em Dive, assim como à espiral instrumental disposta em camadas finíssimas em redor de quatro cliques repetitivos em Black Car e ao andamento sentimentalmente pronunciado e épico de Lose Your Smile, sentimo-nos invariavelmente impregnados por um ambiente contemplativo fortemente consistente, que encarna um notório marco de libertação e de experimentação e nos agarra pelos colarinhos sem dó nem piedade, sugando-nos para um universo pop feito com uma sonoridade tão preciosa, bela, silenciosa e fria, como só estes Beach House nos podem proporcionar.

Disco para ser apreogado aos sete ventos, 7 é mais um convincente apelo para que a nossa mente e o nosso espírito se deixem ir à boleia de uma proposta estética assente num clima abstrato e meditativo, com um impacto verdadeiramente colossal e marcante, possível de ser apreciada ao vivo e a preto e branco por cá ainda este ano. Dia vinte e cinco de Setembro os Beach House atuam no Coliseu de Lisboa antes de seguirem até ao Teatro Sá da Bandeira, no Porto, no dia seguinte. Espero que aprecies a sugestão...

Beach House - 7

01. Dark Spring
02. Pay No Mind
03. Lemon Glow
04. L’Inconnue
05. Drunk In LA
06. Dive
07. Black Car
08. Lose Your Smile
09. Woo
10. Girl Of The Year
11. Last Ride


autor stipe07 às 13:36
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Sexta-feira, 9 de Março de 2018

Beach House – Dive

Beach House - Dive

Quase três anos depois da dose dupla que foi Depression Cherry e Thank Your Lucky Stars, o quarto e o quinto discos da dupla Beach House, lançados em 2015, parece que este projeto sedeado em Baltimore, no Maryland, formado pela francesa Victoria Legrand e pelo norte americano Alex Scally tem novo disco em carteira. É um trabalho intitulado 7 e foi misturado por Alan Moulder, tendo sido gravado no estúdio da banda em Baltimore e também nos estúdios Carriage House em Stamford e nos estúdios Palmetto Studio em Los Angeles.

7 verá a luz do dia a onze de maio próximo e do seu alinhamento, que já é conhecido, farão parte Lemon Glow, canção que divulgámos há algumas semanas e Dive, o mais recente single divulgado do registo. Esta canção volta a mostrar aquela toada simples e nebulosa, bastante melódica e etérea, plena de sintetizadores assertivos e ruidosos e guitarras com efeitos recheados de eco, que mantêm intacta a aura melancólica e mágica de um projeto que vive em redor da voz doce de Victoria e da mestria instrumental de Alex e se aproxima cada vez mais de algumas referências óbvias de finais do século passado. Importa ainda referir que a dupla está de regresso a Portugal este ano. Dia 25 de Setembro atuam no Coliseu de Lisboa antes de seguirem até ao Teatro Sá da Bandeira, no Porto, no dia seguinte. Confere...


autor stipe07 às 20:54
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Quinta-feira, 15 de Fevereiro de 2018

Beach House – Lemon Glow

Beach House - Lemon Glow

Quase três anos depois da dose dupla que foi Depression Cherry e Thank Your Lucky Stars, o quarto e o quinto discos da dupla Beach House, lançados em 2015, parece que este projeto sedeado em Baltimore, no Maryland, formado pela francesa Victoria Legrand e pelo norte americano Alex Scally tem novo disco em carteira.

De facto, os Beach House acabam de divulgar uma nova canção intitulada Lemon Gow. tema que tem aquela toada simples e nebulosa, bastante melódica e etérea, plena de sintetizadores assertivos e ruidosos e guitarras com efeitos recheados de eco, que mantêm intacta a aura melancólica e mágica de um projeto que vive em redor da voz doce de Victoria e da mestria instrumental de Alex e se aproxima cada vez mais de algumas referências óbvias de finais do século passado. Confere...


autor stipe07 às 17:38
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Quarta-feira, 17 de Maio de 2017

Beach House - B-Sides and Rarities

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A dupla Beach House, um projeto sedeado em Baltimore, no Maryland, formado pela francesa Victoria Legrand e pelo norte americano Alex Scally, está de regresso em 2017 aos lançamentos discográficos depois da parelha de álbuns que lançou em 2015, com um intervalo de dois meses, Depression Cherry e Thank Your Lucky Stars. Recordo que anteriormente a dupla já havia lançado Beach House (2006), Devotion (2008), Teen Dream (2010) e Bloom (2012). Desta vez não irá ver a luz do dia um álbum de originais, mas uma compilação de catorze canções com lados b e raridades retiradas de todos os discos da dupla.

Seja como for, deste B-Sides and Rarities dos Beach House irão também constar dois inéditos, os temas Chariot e Baseball Diamond, que foram gravados durante as sessões de Depression Cherry e Thank Your Lucky Stars e dos quais já é possível escutar o primeiro, um tema que assenta numa sonoridade simples e nebulosa, bastante melódica e etérea, plena de sintetizadores assertivos e ruidosos e guitarras com efeitos recheados de eco, que mantém intacta a aura melancólica e mágica de um projeto que vive em redor da voz doce de Victoria e da mestria instrumental de Alex e se aproxima cada vez mais de algumas referências óbvias de finais do século passado. Confere Chariot e o alinhamento de B-Sides and Rarities...

Chariot

Baby

Equal Mind

Used To Be (2008 single version)

White Moon (iTunes session remix)

Baseball Diamond

Norway (iTunes session remix)

Play The Game 

The Arrangement

Saturn Song

Rain In Numbers

I Do Not Care For the Winter Sun

10 Mile Stereo (Cough Syrup Remix)

Wherever You Go


autor stipe07 às 15:51
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Terça-feira, 11 de Abril de 2017

Future Islands – The Far Field

Disco que teve início de incubação janeiro de 2016, altura em que o trio composto por Samuel T. Herring (vocalista e letrista), William Cashion (baixo e guitarra) e  Gerrit Whelmers (teclado) começou a escrevê-lo na Carolina do Norte, The Far Field é o quinto e novo registo de originais dos Future Islands, doze canções que este projeto oriundo de Baltimore foi testando em concertos dados com nomes falsos e que viram a luz do dia a sete de abril último,à boleia da 4AD.

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Banda com uma carreira já bem cimentada no panorama índie contemporâneo, não só por causa da elevada bitola qualitativa do cardápio sonoro que credita, mas também por causa do carisma de Samuel Herring, um agitador nato, fabuloso dançarino e um dos melhores frontmen da atualidade, os Future Islands chegam ao quinto disco numa fase central da carreira e com a percepçao clara de que este é o momento certo de assaltarem, de uma vez por todas, os lugares de topo do panorama sonoro em que se movimentam. O baixo de Alladin e a melodia sintetizada que deambulam em redor dele e os restantes arranjos percussivos, num resultado final eloquente, algo etéreo e contemplativo e de elevada amplitude e luminosidade, acabam por ser ingredientes que se repetem noutras canções e que alicercam as permissas fundamentais de um alinhamento que olha de modo guloso e anguloso para a pop sintetizada oitocentista, movida a néons e plumas, mas que também não descura um olhar em frente, ao abarcar detalhes e arranjos que definem muita da melhor eletrónica que se vai escutando atualmente.

The Far Field faz, portanto, uma espécie de mescla entre o melhor retro e vintage que a pop contém na sua herança identitária e que teve a penúltima década do século passado como período mais feliz, mas basta escutar-se o modo como o refrão de Time On Her Side abraça o céu e a terra sem se perceber onde termina e acaba essa copúla, ou o modo luxuriante como o já referido baixo e o sintetizador se unem ao tom grave da voz em Cave, para não haver dúvidas que estes Future Islands apontam neste seu novo registo algumas novas matrizes para precisar uma nova definição de pop, que juntando rock e eletrónica, não renegue o rico passado que contém, mas que saiba como continuar a conjugar dois mundos que sempre pareceram como água e azeite, mas que aifnal podem tocar-se, envolver-se e emocionarmos sem hver fornteitras claras, nessa simbiose, relativamente a cada um dos dois territórios referidos.

Com Shadows a ser aquela canção que nos leva aos confins do universo, embalados pela voz de Debbie Harry e por um punho cerrado que nos impele sem receio de encontro aos nossos sonhos, The Far Field é um disco que, mesmo nos momentos em que apresenta uma superior percentagem de risco e um certo experimentalismo psicadélico, como nos sopros e no flash agudo da lânguida Beauty Of The Road, ou nos efeitos percussivos metálicos que rugem no fundo de North Star, assim como no groove libidinoso e festivo do baixo que conduz o frenesim algo endiabrado de Day Glow Fire, contém, por excelência, um ambiente algo reflexivo e intimista, mas também uma abundância de fragmentos sonoros cheios de vida e cor, dispostos de modo orgânico e enérgico, com a sua audição a oferecer-nos uma viagem ao passado e ao futuro, com aquela sensualidade que apela diretamente às emoções e que acaba por colocar um enorme e excitante ponto de interrogação nos fãs e apreciadores da banda relativamente ao seu futuro sonoro. Espero que aprecies a sugestão...

Future Islands - The Far Field

01. Aladdin
02. Time On Her Side
03. Ran
04. Beauty Of The Road
05. Cave
06. Through The Roses
07. North Star
08. Ancient Water
09. Candles
10. Day Glow Fire
11. Shadows
12. Black Rose


autor stipe07 às 18:28
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Segunda-feira, 30 de Maio de 2016

Snakes - Snakes

Baltimore, no estado do Maryland, é o poiso dos Snakes de Eric Paltell, Cooper Wright, George Cessna e Cobra Jones, uma banda de regresso aos lançamentos discográficos com um homónimo, cuja edição, quer digital quer física, tem a chancela da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Em Theme For Snakes a cortina deste álbum abre-se e perante nós, impávido e sereno, o imenso e quente deserto que preenche grande parte do oeste norte americano mostra-se deslumbrante e altivo e que nomes como John Ford, Howard Hawks, Fritz Lang, ou até mesmo Ennio Morricone, Quentin Tarnatino e Sergio Leone, este último com uma nada desprezável dimensão paródica, projetaram com implacável mestria na grande tela.

Rapidamente se percebe que estes Snakes são uma das bandas que atualmente melhor traduz e interpreta um estilo sonoro que nem sempre é de fácil aceitação do lado de cá do atlântico, mas que é muito caro a um país que nasceu e avançou e deve muito da sua herança cultural aos cowboys e aos seus duelos ao pôr do sol com foras da lei, a garimpeiros e exploradores corajosos e sedentos de riquezas e a saloons empoeirados e a tresandar a whisky pestilento, não só no Texas, mas também em paisagens remotas e selvagens da Califórnia, Arizona, Utah, Colorado ou Wyoming.

As sete canções deste Snakes são uma verdadeira ode e homenagem a todo este ideário, com canções como a pulsante Young American, a sombria e enigmática Aloha From Old Mexico e a cinematográfica Calling Out The Law a colocarem-nos bem no epicentro de uma trama que se serve essencialmente das guitarras para dar vida a histórias onde aventura, crime, paixão, vingança, amor e coragem se misturam e que podemser escutadas, ou até que o sol se ponha ou até que uma bala certeira nos separe e nos desligue destes Snakes. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:07
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Segunda-feira, 19 de Outubro de 2015

Beach House – Thank Your Lucky Stars

Ainda há poucas semanas chegou às lojas, através da Sub Pop, Depression Cherry, o quinto álbum da dupla Beach House, um projeto sedeado em Baltimore, no Maryland, formado pela francesa Victoria Legrand e pelo norte americano Alex Scally e a dupla já tem outro longa duração nos escaparates. Thank Your Lucky Stars é o novo álbum dos Beach House, um disco editado no passado dia dezasseis de outubro e uma coleção de canções com uma filosofia e uma sonoridade diferentes do álbum anterior, mas que voltam a conter, felizmente, aquela toada simples e nebulosa, bastante melódica e etérea, plena de sintetizadores assertivos e ruidosos e guitarras com efeitos recheados de eco, que mantêm intacta a aura melancólica e mágica de um projeto que vive em redor da voz doce de Victoria e da mestria instrumental de Alex e se aproxima cada vez mais de algumas referências óbvias de finais do século passado.

Em mais nove canções os Beach House continuam a sua demanda camaleónica, já que exalam o contínuo processo de transformação que a dupla procura sempre mostrar, com a marca do indie pop muito presente e com uma dose de experimentalismo cada vez maior. Se Majorette contém um traço melódico algo efusivo e mais luminoso do que as propostas de Depression Cherry, o sintetizador onírico que conduz She's So Lovely e que é já uma imagem de marca da sonoridade da dupla, assim como o falsete doce de Victoria que o acompanha, é mais um convincente apelo para que a nossa mente e o nosso espírito se deixem ir à boleia desta proposta estética assente num clima abstrato e meditativo, presente neste tema com um impacto verdadeiramente colossal e marcante.

Esta pop experimental dos Beach House está cada vez mais elaborada e charmosa. A batida hipnótica feita no teclado em All Your Yeahs e a variação que ela sofre sem alterar a melodia, num crescendo de corpo e emoção e o fuzz de guitarra em One Thing, que a aproxima-a escandalosamente de alguns detalhes marcantes do rock mais progressivo, ou a exuberância algo barroca do sintetizador de Common Girl, assim como o andamento sentimentalmente pronunciado e épico de The Traveller, são alguns aspetos marcantes desta continua evolução e que nunca defraudam o ambiente contemplativo fortemente consistente deste álbum e que impregna o adn dos Beach House.

Thank Your Lucky Stars é mais uma impressão concetual forjada com superior veia criativa que nos mostra de modo exímio como a dupla consegue que as texturas e as atmosferas que criam, transitem, muitas vezes, entre a euforia e o sossego, de modo quase sempre impercetível, mas a inquietar constantemente todos os poros do nosso lado mais sentimental e espiritual. Sempre balizados pelos sintetizadores, clarificam esta impressão, também com belíssimas letras, sempre entrelaçadas com deliciosos acordes, num resultado final em que prevalecem quase sempre melodias minuciosamente construídas com diversas camadas de instrumentos, onde não falta uma estranha escuridão interestelar e uma soul que encarna um notório marco de libertação e de experimentação e nos agarra pelos colarinhos sem dó nem piedade e nos suga para um universo pop feito com uma sonoridade tão preciosa, bela, silenciosa e fria, como só estes Beach House nos podem proporcionar. 

Em Thank Your Lucky Stars viajamos bastante acima do solo que pisamos, numa pop com traços de shoegaze e embrulhada numa melancolia épica algo inocente, mas com uma tonalidade muito vincada e que sopra na nossa mente de modo a envolvê-la com uma elevada toada emotiva e delicada, uma receita que faz o nosso espírito facilmente levitar e que provoca um cocktail delicioso de boas sensações, além de atestar a maturidade e a capacidade que esta dupla possui de replicar a sua sonoridade típica e genuína sem colocar em causa um alto nível de excelência. Espero que aprecies a sugestão...

Beach House - Thank Your Lucky Stars

01. Majorette
02. She’s So Lovely
03. All Your Yeahs
04. One Thing
05. Common Girl
06. The Traveller
07. Elegy To The Void
08. Rough Song
09. Somewhere Tonight


autor stipe07 às 19:05
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Quinta-feira, 8 de Outubro de 2015

Beach House - Thank Your Lucky Stars (preview)

Beach House Releasing New Album Thank Your Lucky Stars Next Week

Ainda há poucas semanas chegou às lojas, através da Sub Pop, Depression Cherry, o quinto álbum da dupla Beach House, um projeto sedeado em Baltimore, no Maryland, formado pela francesa Victoria Legrand e pelo norte americano Alex Scally e a dupla já tem outro longa duração na forja e prestes a ver a luz do dia. Thank Your Lucky Stars é o novo álbum dos Beach House, será editado já a dezasseis de outubro e, de acordo com a banda, não é uma compilação de b sides de Depression Cherry ou uma espécie de segundo capítulo do mesmo, mas uma coleção de canções com uma filosofia e uma sonoridade totalmente diferentes, estando ambos muito satisfeitos com o resultado final.

Confere o artwork e o alinhamento deste Thank Your Lucky Stars, um trabalho que será certamente alvo de crítica neste espaço muito em breve e um pequeno filme sobre os Beach House intitulado Forever Still...

We are very excited, it's an album being released the way we want," the band wrote onTwitter. "It's not a companion to Depression Cherry or a surprise or b-sides." (We beg to differ: It very much IS a surprise.

01 Majorette
02 She's So Lovely
03 All Your Yeahs
04 One Thing
05 Common Girl
06 The Traveller
07 Elegy to the Void
08 Rough Song
09 Somewhere Tonight


autor stipe07 às 12:49
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Sábado, 29 de Agosto de 2015

Beach House - Depression Cherry

Ontem chegou às lojas, através da Sub Pop, Depression Cherry, o quinto álbum da dupla Beach House, um projeto sedeado em Baltimore, no Maryland, formado pela francesa Victoria Legrand e pelo norte americano Alex Scally e que anteriormente havia lançado Beach House (2006), Devotion (2008), Teen Dream (2010) e Bloom (2012). Gravado em Bogalusa, no Louisiana, entre catorze de novembro e quinze de janeiro últimos, um período de tempo em que ocorreram as datas que marcam as partidas de John Lennon e Roy Orbison, dois nomes consensuais e influentes no seio da dupla, Depression Cherry assenta numa sonoridade simples e nebulosa, bastante melódica e etérea, plena de sintetizadores assertivos e ruidosos e guitarras com efeitos recheados de eco, que mantêm intacta a aura melancólica e mágica de um projeto que vive em redor da voz doce de Victoria e da mestria instrumental de Alex e se aproxima cada vez mais de algumas referências óbvias de finais do século passado.

Depois do sucesso de Teen Dream e Bloom, seria de esperar que os Beach House mantivessem a progressão sonora e a evolução do contexto comercial que vinham a firmar, optando por um som amplo e ruidoso. Mas aquilo que nos oferece Depression Cherry é uma espécie de retorno às origens, à boleia de nove canções que exalam o contínuo processo de transformação que a dupla procura sempre mostrar, com a marca do indie pop muito presente, mas com uma dose de experimentalismo superior aos dois antecessores citados.

O sintetizador onírico que introduz Levitation e o falsete doce de Victoria que o acompanha, conseguem o efeito pretendido e que o título deste primeiro tema de Depression Cherry encarna. Se realmente pretendemos saborear condignamente este álbum, só nos resta deixarmos a nossa mente e o nosso espírito irem à boleia desta proposta estética assente num clima abstrato e meditativo, presente em praticamente todo o trabalho, com um impacto verdadeiramente colossal e marcante.

Esta pop experimental dos Beach House está cada vez mais elaborada e charmosa. A introdução do fuzz de guitarra nesta canção inicial, ou os devaneios do teclado em Space Song, que marcam o traço melódico do tema, são apenas dois aspetos marcantes desta evolução e todos os detalhes mais eletrificados que nos vão surgindo, nesta e noutras canções, nunca defraudam o ambiente contemplativo fortemente consistente do trabalho. O efeito desse instrumento no single Sparks e, paralelamente, o aparecimento da bateria, além de consolidar essa impressão concetual, sendo balizada pelos sintetizadores, mostra o modo exímio como a dupla consegue que as texturas e as atmosferas que criam, transitem, muitas vezes, entre a euforia e o sossego, de modo quase sempre impercetível, mas que inquieta todos os poros do nosso lado mais sentimental e espiritual.

Há nos Beach House uma certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida e uma exibição consciente da sua sapiência melódica. Os floreados percussivos do baixo e da bateria de 10:37 e os acordes iniciais épicos e deslumbrantes de PPP são também perfeitos para clarificar essa impressão, não faltando belíssimas letras entrelaçadas com deliciosos acordes, nestas melodias minuciosamente construídas com diversas camadas de instrumentos. E a estranha escuridão das melodias interestelares e a soul da secção rítmica de Wildflower, um tema cantado em jeito de lamúria ou desabafo, encarnam um notório marco de libertação e de experimentação, numa canção onde não terá havido um anseio por cumprir um caderno de encargos alheio, mas que nos agarra pelos colarinhos sem dó nem piedade e que nos suga para um universo pop feito com uma sonoridade tão preciosa, bela, silenciosa e fria, como a paisagem que rodeou os Beach House durante o período de gestação desta e de todas as outras composições de Depression Cherry. Já agora, convém enfatizar que a escrita carrega neste trabalho uma sobriedade sentimental que acaba por servir de contraponto à sonoridade algo sombria e, em alguns instantes, tipicamente lo fi da sonoridade, mas que, na minha modesta opinião, envolve os Beach House numa intensa aúrea sexual, despindo-os de todo aquele mistério, tantas vezes artificial, que os poderia envolver, para mostrar, com ousadia, a verdadeira personalidade da dupla.

Depression Cherry é tudo menos um disco igual a tantos outros ou um compêndio sonoro comum. Nele viajamos bastante acima do solo que pisamos, numa pop com traços de shoegaze e embrulhada numa melancolia épica algo inocente, mas com uma tonalidade muito vincada e que sopra na nossa mente de modo a envolvê-la com uma elevada toada emotiva e delicada, uma receita que faz o nosso espírito facilmente levitar e que provoca um cocktail delicioso de boas sensações.

Enquanto muitas bandas procuram a inovação na adição de uma vasta miríade de influências e tiques sonoros, que muitas vezes os confundem e dispersam enquanto calcorreiam um caminho que ainda não sabem muito bem para onde os leva, os Beach House, ao quinto trabalho, parecem ter balizado com notável exatidão o farol que querem para o seu percurso musical, iluminado por este excelente disco que atesta a maturidade e a capacidade que a dupla possui de replicar a sua sonoridade típica e genuína sem colocar em causa um alto nível de excelência, conseguindo também mutar a sua música, disco após disco, e adaptá-la a um público ávido de novidades, que procura constantemente algo de novo e refrescante e que alimente o seu gosto pela música alternativa. Espero que aprecies a sugestão...

Beach House - Depression Cherry

01. Levitation
02. Sparks
03. Space Song
04. Beyond Love
05. 10:37
06. PPP
07. Wildflower
08. Bluebird


autor stipe07 às 14:08
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