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Balthazar – Halfway

Terça-feira, 11.02.20

Balthazar - Halfway

O excelente registo Fever ainda não tem um ano de existência, mas os belgas Balthazar mantêm-se criativamente ativos, estando de regresso no início deste ano aos lançamentos discográficos, em formato single, com Halfway, um tema que acaba de ver a luz do dia através da etiqueta Play It Again Sam e que foi idealizado por Jinte Deprez e Maarten Devoldere, as duas grandes mentes criativas do projeto.

Incubada durante a recente digressão de promoção a Fever e com muitas das nuances que marcaram esse trabalho que o grupo belga lançou em dois mil e dezanove, Halfway é uma composição melodicamente charmosa e com uma soul muito própria, assente num travo R&B algo peculiar, abrigado por uma linha de baixo plena de groove e adornada por deliciosos falsetes e diversos arranjos de elevado apuro melódico e onde as teclas são protagonistas. Confere...

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publicado por stipe07 às 12:47

Balthazar - Fever

Terça-feira, 12.03.19

Quase meia década após o aclamado Thin Walls, os belgas Balthazar estão de regresso no início deste ano aos lançamentos discográficos com Fever, um disco que viu a luz do dia a vinte e cinco de janeiro através da etiqueta Play It Again Sam e que foi idealizado por Jinte Deprez e Maarten Devoldere, as duas grandes mentes criativas do projeto.

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Após o lançamento e a promoção de Thin Walls, os dois grandes mentores dos Balthazar exploraram outros territórios e latitudes sonoras, algo que acabou por influenciar o conteúdo de Fever. Enquanto Devoldere andou pela antiga república soviética do Quirguistão a gravar temas de jazz abrigado pelo alterego Warhaus, Deprez ficou por Ghent a aprofundar a sua paixão antiga pelo R&B mais clássico, tendo gravado um disco a solo, assinando nele J. Bernardt. Quando ambos se voltaram a reunir para preparar a nova etapa dos Balthazar levaram consigo essas novas nuances que acabam, certamente, por estar impressas de modo mais ou menos explícito no conteúdo de Fever. Aliás, isso percebeu-se logo umas semanas antes do lançamento do álbum quando foi dado a conhecer o single I’m Never Gonna Let You Down Again, uma composição charmosa e com uma soul muito própria, assente numa linha de baixo plena de groove e adornada por deliciosos falsetes e diversos arranjos de elevado apuro melódico e onde as teclas são protagonistas.

Os Balthazar sempre tiveram uma preocupação clara em seguir determinados cânones e regras pré-estabelecidas por eles próprios, ou seja, sempre elegeram a sua bitola como se estivessem plenamente convencidos que existe um caminho bem balizado rumo ao estrelato e ao sucesso comercial e  Fever demonstra essa filosofia já que assume-se como um compêndio sonoro com uma elevada maturidade, quer melódica quer instrumental e com um acerto criativo que não defrauda minimamente a herança anterior deste grupo belga.

Ao longo do alinhamento, canções comoa homónima Fever, uma composição que plasma todos os dotes percurssivos e ritmícos do grupo, a sedutora e intrigante Changes, o baixo proativo de Wrong Faces, a boémia Phone Number e o groove dançante da festiva Entertainment são, além do single inicialmente descrito, outras notáveis composições que demonstram o modo coerente e apaixonado como os Balthazar funcionam enquanto corpo único e como catalizaram toda a energia para compor excelentes e convincentes músicas que são prova de uma notável auto confiança, uma tremenda experiência e um acerto interpretativo incomum. Espero que aprecies a sugestão...

Balthazar - Fever

01. Fever 06:05
02. Changes 03:46
03. Wrong Faces 03:57
04. Whatchu Doin’ 03:44
05. Phone Number 04:51
06. Entertainment 03:08
07. I’m Never Gonna Let You Down Again 03:37
08. Grapefruit 04:56
09. Wrong Vibration 02:46
10. Roller Coaster 02:47
11. You’re So Real

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publicado por stipe07 às 17:00

Balthazar – I’m Never Gonna Let You Down Again

Segunda-feira, 07.01.19

Quase meia década após o aclamado Thin Walls, os belgas Balthazar estão de regresso no início deste ano aos lançamentos discográficos com Fever, um disco que irá ver a luz do dia a vinte e cinco de janeiro através da etiqueta Play It Again Sam e que foi idealizado por Jinte Deprez e Maarten Devoldere, as duas grandes mentes criativas do projeto.

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Após o lançamento e a promoção de Thin Walls, os dois grandes mentores dos Balthazar exploraram outros territórios e latitudes sonoras, algo que acabou por influenciar o conteúdo de Fever. Enquanto Devoldere andou pela antiga república soviética do Quirguistão a gravar temas de jazz abrigado pelo alterego Warhaus, Deprez ficou por Ghent a aprofundar a sua paixão antiga pelo R&B mais clássico, tendo gravado um disco a solo, assinando nele J. Bernardt. Quando ambos se voltaram a reunir para preparar a nova etapa dos Balthazar levaram consigo essas novas nuances que acabam, certamente, por estar impressas de modo mais ou menos explícito em I’m Never Gonna Let You Down Again, o primeiro single revelado de Fever.

Composição charmosa e com uma soul muito própria, assente numa linha de baixo plena de groove e adornada por deliciosos falsetes e diversos arranjos de elevado apuro melódico e onde as teclas são protagonistas, I’m Never Gonna Let You Down Again é uma clara manifestação dos tais novos interesses e da busca de uma maior pureza sentimental, sem olhar propriamente para aquilo que o ouvinte à partida espera de um grupo capaz de agradar às massas, sendo, também por isso, uma harmoniosa porta de entrada para um álbum que deverá certamente marcar a reentrée discográfica. Confere...

Balthazar - I’m Never Gonna Let You Down Again

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publicado por stipe07 às 12:03

Tame Impala – Currents B-Sides And Remixes EP

Quinta-feira, 16.11.17

Dois anos depois de Currents, um disco onde os Tame Impala de Kevin Parker continuaram a explorar o universo muito pessoal e privado do grande mentor do projeto, mas de um modo mais pop, dançante e eletrónico que os discos antecessores, eis que voltamos a ter novidades deste projeto australiano, um ep intitulado Currents B-Sides And Remixes. São cinco canções, três inéditos e duas remisturas de dois temas fulcrais de Currents, uma da autoria de Gum para Reality In Motion e outra dos belgas Soulwax para Let It Happen.

A nostalgia e o modo como são apresentados com uma contemporaneidade invulgar alguns sons do passado, continua a ser uma pedra de toque importante na discografia dos Tame Impala, conhecidos por nos transportar até aos dias em que os homens eram homens, as raparigas eram girl-groups e a vida revolvia em torno da ideia de expandir os pensamentos através de clássicos de blues rock, com os Cream ou Jimmy Hendrix à cabeça. E o primeiro inédito deste ep, List Of People (To Try And Forget About) reflete de modo clarividente esse propósito de oferecer ao ouvinte uma visão muito particular do universo que os Tame Impala adoram recriar, sonoramente sustentado em constantes encaixes eletrónicos durante a construção melódica, aos quais se junta um almofadado conjunto de vozes em eco e guitarras mágicas que se manifestam com uma mestria instrumental vintage única. Depois, em Powerlines, a aposta acaba por recair em texturas mais sintéticas e experimentais, exemplarmente sintonizadas nas sobreposições e mudanças de ritmo do tema, com eletrónica e psicadelia a darem as mãos de modo a descobrir novos sons, dentro de um espetro eminentemente pop. Finalmente, Taxis Here pisca um pouco o olho à soul do R&B e à eletrónica mais ambiental e à nostalgia deste genero, num ambiente sonoro que se aconchega nos nossos ouvidos e que se cola à pele com o amparo certo para que se expresse na canção a melíflua melancolia que Parker certamente quis que dela deslizasse. Quanto às remisturas, têm o natural objetivo de aproximar os Tame Impala ainda mais do circuito disco, com a aposta a recair naquele típico groove viajante lisérgico que tão bem recriam, sem que a identidade dos autores das novas versões seja colocada em causa, com destaque para a faixa revista pelos Soulwax e que contém todos os habituais tiques das remisturas feitas pelos belgas.

Acervo que merece toda a atenção por parte dos apreciadores deste género sonoro muito peculiar, Currents B-Sides And Remixes é um excelente complemento ao conteúdo de Currents, um naipe de canções com texturas e fôlegos diferentes e onde aquela sensação de experimentação caseira está presente, ampliando a aura resplandecente e romântica de uns Tame Impala cada vez mais heterogéneos e abrangentes. Espero que aprecies a sugestão...

Tame Impala - Currents B-Sides And Remixes

01. List Of People (To Try And Forget About)
02. Powerlines
03. Taxi’s Here
04. Reality In Motion (Gum Remix)
05. Let It Happen (Soulwax Remix)

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publicado por stipe07 às 21:33

Warhaus – We Fucked A Flame Into Being

Segunda-feira, 05.09.16

Warhaus é o alterego artístico e projeto a solo de Maarten Devoldere, um dos líderes dos belgas Balthazar e que acaba de editar We Fucked A Flame Into Being, um alinhamento abrigado à sombra da PIAS América e sem a preocupação clara em seguir determinados cânones e regras pré-estabelecidas. A capa que Maarten veste nos Warhaus não é um outro caminho balizado pelo músico rumo ao estrelato e ao sucesso comercial, mas antes um marco de ruptura com o catálogo dos Bathazar, em dez canções que exalam uma elevada maturidade, quer melódica quer instrumental, um caso evidente de acerto criativo relevante no sempre profícuo cenário musical belga.

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We Fucked A Flame Into Being é um título particularmente feliz para um alinhamento que exala sensualidade e lascívia por por todos os poros. No timbre da percussão, no sussurro grave e sedutor da voz de Maarten  e no negrume crú e vintage de I'm Not Him sentimos logo todos os nossos poros inquietarem-se e quando as cordas se anunciam de modo insinuante ficamos desde logo rendidos a este diálogo de engate em que não são precisas muitas palavras ou um discuro demasiado elaborado para nos deixarmos possuir e enrolar por este disco.

Apreciar devidamente We Fucked A Flame Into Being é aceitar esta cópula necessariamente húmida, intensa, apaixonada e sentida entre música e ouvinte, numa relação de completa submissão da nossa parte a um rock clássico exemplarmente temperado por uma nostalgia blues, arrebatadora em The Good Lie, que num ambiente ora sombrio e nostálgico, ora explicitamente sexual, como sucede no vai e vem impiedoso de Against The Rich, encarna uma clara manifestação de diferentes pistas para quem busca numa relação não apenas a pureza sentimental, mas também aquelas sensações mais orgânicas e imediatas, que podendo ser emotivas ou amargas, sãos as que tantas vezes melhor nos mostram como é bom estar vivo e perceber que tudo em nós funciona e faz sentido.

A cereja no topo do bolo de We Fucked A Flame Into Being é, quanto a mim, Leave With Me, canção com uma vibração ímpar e que emerge com toques de grandiosidade nos sempre incautos caminhos do rock mais melancólico e minimal, mas merece também entrega total da nossa parte o fuzz da guitarra e o c'mon do refrão da mais soturna e exigente Memory, o ardor intimista das cordas e dos tambores de Wanda e o sentimentalismo minimalista de Bruxelles, uma ode de amor a uma cidade que vive um presente algo conturbado, mas que é um exemplo europeu de integração e de liberdade, também ao que o amor em todas as suas possíveis dimensões diz respeito, uma cidade onde não és julgado pela tua religião, orientação sexual ou condição social, mas apenas pelo modo como respeitas uma multiplicidade cultural e sociológica que deveria ser exemplo para tantas outras cidades e culturas da nossa contemporaneidade. 

O clima sonhador e etéreo de Time And Again, como que personifica aquele momento em que após longos e saborosos minutos de intenisdade física precisamos de deixar que o nosso corpo recupere de todo o torpor em que se encontra, no reconforto de um sono profundo, encerrando assim um alinhamento que explora não só o orgânico, mas também os recantos mais obscuros das relações, especialmente aquelas que se desejam que não sejam sempre pacíficas, criado por um músico com um charme inconfundível e sem paralelo no universo alternativo atual. Espero que aprecies a sugestão...

Warhaus - We Fucked A Flame Into Being

01. I’m Not Him
02. The Good Lie
03. Against The Rich
04. Leave With Me
05. Beaches
06. Machinery
07. Memory
08. Wanda
09. Bruxelles
10. Time And Again

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publicado por stipe07 às 18:17

Balthazar – Thin Walls

Terça-feira, 19.05.15

Três anos após o aclamado Rats, os belgas Balthazar estão de regresso com Thin Walls, um disco que viu a luz do dia a trinta de março através da etiqueta Play It Again SamThin Walls foi gravado em Inglaterra, nos estúdios Yellow Fish Studios, com o apoio de Ben Hillier (Blur, Depeche Mode, Elbow) e Jason Cox (Massive Attack, Gorillaz).

Mais autêntico e selvagem do que qualquer um dos trabalhos anteriores dos Balthazar, que sempre tiveram uma preocupação clara em seguir determinados cânones e regras pré-estabelecidas, quase sempre por eles próprios, como se estivessem plenamente convencidos que existe um caminho bem balizado rumo ao estrelato e ao sucesso comercial, Thin Walls é um marco de ruptura com esse passado, um compêndio sonoro que exala uma elevada maturidade, quer melódica quer instrumental e um acerto criativo superior a qualquer registo anterior deste grupo belga.

Escrito na ressaca da extensa digressão de promoção a Rats, este terceiro trabalho dos Balthazar reflete o corropio que a banda viveu durante vários meses e a necessidade que todos sentiram de se libertar dessas amarras e das rotinas desgastantes que a vida na estrada tantas vezes oferece, para comporem novas canções que renovassem não só o cardápio da banda, mas que representassem igualmente um salto em frente na carreira e na digestão emocional dos cinco elementos do grupo relativamente aquilo que a música enquanto atividade profissional tem provocado na dimensão pessoal de cada um. Dirty Love expressa claramente todo o transtorno emocional que uma digressão proporciona e que muitas vezes resulta no fim do amor e Then What, o primeiro avanço divulgado do disco, é uma canção que fala de alguém que está completamente dominado por esse mesmo amor que sente por alguém, ao ponto de perceber que a sua felicidade deixou de depender de si próprio e que não lhe resta outra saída senão aprender a lidar com essa nova realidade. Estes acabam por ser dois exemplos claros desta clara manifestação de novos interesses e da busca de uma maior pureza sentimental, sem olhar propriamente aquilo que o ouvinte à partida espera de um grupo capaz de agradar às massas.

Ao longo do alinhamento, canções como a emotiva Bunker ou a perturbadora e amarga I Looked For You são outras notáveis composições que demonstram o modo coerente e apaixonado como os Balthazar funcionam enquanto corpo único e como catalizaram toda a energia que foram reprimindo ao longo do tempo em que escreveram e compuseram presos às tais amarras, para apresentarem em Thin Walls excelentes e convincentes músicas que são prova de uma notável auto confiança, uma tremenda experiência e acerto interpretativos e, principalmente, temas que transbordam uma salutar melancolia, que consegue tocar mesmo em quem se considera menos propenso ou mais resistente ao arrepio fácil. Espero que aprecies a sugestão...

Balthazar - Thin Walls

01. Decency
02. Then What
03. Nightclub
04. Bunker
05. Wait Any Longer
06. Dirty Love
07. Last Call
08. I Looked For You
09. So Easy
10. True Love

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publicado por stipe07 às 22:06

Balthazar – Then What

Segunda-feira, 02.02.15

Balthazar - Then What

Três anos após o aclamado Rats, os belgas Balthazar estão de regresso aos discos com Thin Walls, disco que vai ver a luz do dia a trinta de março através da etiqueta Play It Again Sam.

Thin Walls foi gravado em Inglaterra, nos estúdios Yellow Fish Studios, com o apoo de Ben Hillier (Blur, Depeche Mode, Elbow) e Jason Cox (Massive Attack, Gorillaz).

Then What é o primeiro avanço divulgado do disco, uma canção que fala de alguém que está completamente dominado pelo amor que sente por alguém, ao ponto de perceber que a sua felicidade deixou de depender de si próprio e que não lhe resta outra saída senão aprender a lidar com essa nova realidade. Confere...

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publicado por stipe07 às 17:42

dEUS – Selected Songs 1994 – 2014

Sexta-feira, 28.11.14

Oriundos de Antuérpia, os dEUS de Tom Barman fazem parte da minha existência há duas décadas e este é, se calhar, o momento certo de ambos fazermos o balanço dos laços que nos unem e do nível de afinidade que persiste entre grupo e fã convicto e dedicado, como acho que sou relativamente a este coletivo belga. Selected Songs 1994 - 2014, a coletânea que o grupo lançou no passado dia vinte e quatro deste mês é, claramente, a melhor forma de saldar contas, reavivar memórias e paixões e de voltar a incendiar o peito ao som de algumas das canções mais memoráveis que escutei e que são indissociáveis de alguns dos acontecimentos e instantes mais significativas das minhas últimas duas décadas.

Há muitas bandas em relação às quais, devido à consistência e linearidade sonora da sua carreira, merecem todos os elogios que possam ser dispensados e os dEUS, mesmo não tendo estado particularmente dispostos, ao longo da carreira, a grandes inflexões sonoras, também devido à forte liderança de Tom Barman, apesar de algumas mudanças no plantel, sempre agradaram e contam no seu cardápio com alguns verdadeiros clássicos e referências do indie rock alternativo contemporâeno.

 A caminho dos cinquenta anos, Tom Barman continua a ser o principal compositor e a escrever letras impressionantes, descritas sonoramente com extrema devoção, que começa calma e amiúde transfigura-se numa viagem mais tensa e raivosa, quase sempre através da avidez vocal de uma personagem incontornável do universo indie. Instrumentalmente, estes belgas sabem fazer músicas climáticas, estruturalmente bem arranjadas, com pianos e violinos e frequentemente provam que no seu som nem tudo depende apenas do baixo, da guitarra e da bateria. É verdade que a guitarra tem, geralmente, o assento vip nas pistas da mesa de mistura, amiúde com uma certa fúria centrada em riffs e distorções que produzem acertos musicais, mas depois combinam frequentemente com detalhes tão preciosos como buzinas, teclas de um piano, o sintetizador,  o xilofone e o violino, arranjos que dão impulso às músicas e emitem em algumas delas um forte sentimento orquestral.

Selected Songs 1994-2014 é, como se diz na gíria futebolísatica, uma convocatória feita por um treinador altamente experimentado, que deixa pouca margem para contestação, mesmo no seio do seu grupo e que agradará certamente aqueles que sempre se sentiram atraídos por dEUS devido à forma como distorceram as guitarras para a criação de tratados sonoros capazes de pôr a dançar e fazer vibrar grandes multidões, assim como também é certeira no modo como contém temas com uma elevada carga melancólica e introspetiva, capazes de derreter o coração mais conformado.

Em dois volumes, com o primeiro a conter os temas mais épicos e ruidosos e o segundo com as composições mais delicadas e comtemplativas, dos hinos 7 Days, 7 WeeksInstant Street, a última uma música muito fácil de se gostar, bastante alegre e de uma simplicidade verdadeiramente apaixonante, que se esborracha num final extasiante e verdadeiramente caótico, a The Magic Hour, um instante contemplativo verdadeiramente delicioso, passando pelas épicas Dream Sequence #1 ou Disappointed In The Sun, e as viscerais e monumentais Roses, Suds And Soda, The Architect ou Via, vão a jogo todos os trunfos e o melhor plantel que os dEUS têm para nos oferecer, com uma tática amadurecida com vinte anos de estrada e oito extraordinários discos, exemplarmente documentados na capa da coletânea. Espero que aprecies a sugestão... 

dEUS - Selected Songs 1994 - 2014

CD 1
01. Instant Street
02. The Architect
03. Little Arithmetics
04. Constant Now
05. Hotellounge (Be The Death Of Me)
06. Slow
07. Roses
08. Via
09. Quatre Mains
10. Fell Off The Floor, Man
11. Sun Ra (Live At A38 Budapest, 03.03.2012)
12. Suds And Soda
13. Theme From Turnpike
14. Ghost
15. Bad Timing

CD 2
01. The Real Sugar
02. Nothing Really Ends
03. Serpentine
04. Magic Hour
05. Eternal Woman
06. Right As Rain
07. Include Me out
08. 7 Days, 7 Weeks
09. Nothings
10. Wake Me Up Before I Sleep
11. Smokers Reflect
12. Secret Hell
13. Magdalena
14. Disappointed In The Sun
15. Twice (We survive)

 

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publicado por stipe07 às 19:42

Yuko – Long Sleeves Cause Accidents

Sábado, 07.06.14

Lançado pela Unday Records a sete de abril último, Long Sleeves Cause Accidents é o mais recente disco dos belgas Yuko, uma banda que se divide por Ghent e Bruxelas e formada por Kristof (voz, guitarra), Karen (bateria, percussão), Jasper (guitarras) e Thomas (baixo). Long Sleeves Cause Accidents está disponível para audição na aplicação Spotify


A frase Long Sleeves Cause Accidents era usada como forma de aviso durante a II Guerra Mundial quando a mão de obra masculina foi substituida por mulheres nas fábricas, devido à partida de soldados para a linha a frente e um título feliz para um disco que resulta do trabalho árduo de Kristof Deneijs, o grande cérebro dos Yuko, incubado nos novos estúdios da banda e que viu finalmente a luz, três anos após As If We Were Dancing, o antecessor. Long Sleeves Cause Accidents é uma coleção de nove canções com uma sonoridade única e peculiar, paisagens sonoras que do post rock mais barroco à típica pop nórdica, estão impregnadas com uma beleza e uma complexidade tal que merecem ser apreciadas com alguma devoção e fazem-nos sentir vontade, no fim, de carregar novamente no play e voltar ao início.

O baixo de Dive! e a sonoridade orquestral e épica que vai crescendo em seu redor, conduz-nos logo para um lugar umas vezes calmo outras mais agitado, mas certamente distante, que consegue também ser alcançado muito por influência de uma voz que, algures entre Jónsi e Thom Yorke, parece conversar connosco. A melancolia de While You Figure Things Out é comandada por um som de guitarra, que aliado a outras cordas e ao piano, dão um tom fortemente denso e contemplativo à canção e juntamente com os timbres de voz de Casper, consegue trazer a oscilação necessária para transparecer mais sentimentos, fazendo dela mais um momento obrigatório de contemplar em Long Sleeve Cause Accidents. O groove de You Took A Swing At Me faz uma simbiose cuidada entre o jazz e a folk pop melancólica mais negra e introspetiva, com ritmos e batidas feitos com detalhes da eletrónica e que mesmo acompanhado por uma variada secção de metais, não colocam em causa uma faceta algo acústica. de uma canção cheia de otimismo (And I konw, you're not a disaster).

O momento alto do disco chega com First Impression, um dos singles já retirados deste álbum e que impressiona pelo tambor da percussão que, juntamente com o baixo, fazem a canção mudar constantemente de velocidade, preparando o caminho para as guitarras e a definir um rock melódico extasiante, que conta ainda com um baixo insistente e um desempenho fortemente emocional por parte de Casper. A beleza contagiante e a limpidez do dedilhar da guitarra e da voz em Usually You Are Mine, elevam os Yuko à dimensão de mestres da folk acústica, ampliada quando um coro gospel a exalar blues por todos os poros emerge de um sono profundo e converte-se num portento de sensibilidade e optimismo, a transbordar de amor, o mesmo amor sincero e às vezes sofrido que alimenta as distorções das guitarras, o ênfase da bateria e os lamentos do indie rock alternativo que cobre Justine Part 1.

Até ao fim impressiona ainda o post rock de She Keeps Me Thin, mas o que importa salientar mesmo é o constante sobreposição de texturas, sopros e composições jazzísticas contemplativas, uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades, um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual. Long Sleeves Cause Accidents é um disco que tem como maiores trunfos uma escrita maravilhosa e os sublimes arranjos orquestrais que o sustentam e quando o disco chega ao fim ficamos com a sensação que acabou-nos de passar pelos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que, por tudo isso, deixou marcas muito positivas e sintomas claros de algum deslumbramento perante a obra. Espero que aprecies a sugestão... 

Yuko - Long Sleeves Cause Accidents

01. Dive!

02. While You Figure Things Out
03. You Took A Swing At Me
04. First Impression
05. Usually You Are Mine
06. Justine Part 1
07. The Idealist
08. She Keeps Me Thin
09. A Couple Of Months On The Couch

 

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publicado por stipe07 às 18:36

Customs – The Market

Domingo, 01.06.14

Oriundos da Bélgica, os Customs são uma banda de rock alternativo formada por Kristof Uittebroek, Joan Govaerts, Jelle Janse e Yannick De Clerck. The Market é o registo mais recente do grupo, um disco lançado no passado dia trinta e um de janeiro por intermédio da How Is Denmark Records / Warner Music Belgium.


A banda sonora criada pelos Customs encontra raízes no velhinho rock n'roll feito sem grandes segredos, carregado de decibéis e criado por um catálogo grandioso de guitarras distorcidas, mas onde não faltam alguns detalhes sintéticos e batidas com um groove insinuante, um cozinhado que sabe a algo condimentado com um cardápio de sons catalogados algures entre os Joy Division e os LCD Soundsystem.

Desse modo, os Customs parecem viver num momento em que a ânsia, a rispidez e a pura e simples crueza norteiam o produto final criado no sue seio, mas não deixam para um plano menor um interessante cuidado na produção e nos arranjos, principalmente nas cordas e por uma utilização geralmente assertiva do sintetizador. Temas como Hole in The Market e Are You With Me? plasmam um superior cuidado não só na procura de uma maior diversidade melódica e até instrumental, mas também na demonstração de um elevado controle das operações, estado sempre presente aquele habitual universo cinzento e nublado, que parece cobrir a mente criativa de Kristof Uittebroek, o principal cérebro dos Customs.

Essa Hole In The Market, um dos singles de The Market e disponivel para download, é um exemplo claro de uma tentativa feliz e bem sucedida deste coletivo belga em olhar para o outro lado do Canal da Mancha e procurar agarrar a herança do punk rock britânico e dar-lhe um cariz mais festivo e luminoso, mas também com forte pendor pop. The Market é marcante, elétrico e explosivo, uma coleção madura e consistente de canções que cairão no goto de todos aqueles que apreciam quer o género, quer o estilo. Espero que aprecies a sugestão...

Customs - The Market

01. Love To The Lens
02. Hole In The Market
03. The Hand
04. Dear Ann (Worthless On The Market)
05. Are You With Me?
06. Love, You Don’t Scare Me Any More
07. She Is My Mechanic
08. It’s Funny ’cause It’s True
09. Gimme Entertainment
10. A Sea Of Chablis

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publicado por stipe07 às 22:58






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