Sexta-feira, 6 de Março de 2020

The National – Never Tear Us Apart

The National - Never Tear Us Apart

Ainda não tem um ano nos escaparates I Am Easy To Find, o oitavo registo de originais dos norte-americanos The National, mas a banda de Matt Berninger e dos irmãos Dessner e Devendorf mantém-se ativa e acaba de divulgar uma versão espetacular de Never Tear Us Apart, um clássico dos anos noventa do século passado, assinado pelos australianos INXS de Michael Hutchence.

O objetivo deste lançamento dos The National, numa revisitação que soube manter a grandiosidade do clássico, entalhando nele aquela sombra e rugosidade típicas da banda nova iorquina, é ajudar as vítimas dos incêndios na Austrália, fazendo a canção parte do alinhamento de Songs for Australia, uma complição que junta uma série de artistas com a mesma missão. Confere...


autor stipe07 às 18:43
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Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2020

Tame Impala – The Slow Rush

Quase cinco anos após Currents e a testar os limites da nossa paciência devido a tão prolongado hiato, eis que os australianos Tame Impala de Kevin Parker voltam, finalmente, aos discos com The Slow Rush, o novo registo de originais do projeto, um alinhamento com doze músicas gravadas, produzidas e misturadas pelo próprio Parker entre Los Angeles e o estúdio do artista em Fremantle, na Austrália, onde reside. The Slow Rush viu a luz do dia à boleia da Modular Records, a habitual etiqueta do grupo.

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Banda fundamental daquele prisma sonoro em que eletrónica e psicadelia se juntam de modo a descobrir novos sons, dentro de um espetro eminentemente pop, há mais de uma década que os Tame Impala refletem essa permissa para a exploração de um universo muito pessoal e privado de Kevin Parker, o grande mentor do projeto. E fazem-no situando-se na vanguarda das propostas musicais dessa área, mas também com um forte pendor nostálgico, também uma das inconfundíveis pedras de toque da discografia dos Tame Impala, nuance que começou por olhar com gula para o período setentista, mas que mais recentemente tem apontado baterias à década seguinte.

Ora, este último travo amplifica-se em The Slow Rush, um trabalho que se mantém, portanto, na peugada eminentemente oitocentista que marcou o antecessor Currents, uma filosofia estilística idealizada, como já disse, quase única e exclusivamente por Parker e que, mais do que nunca, é hoje feita de constantes encaixes eletrónicos durante a construção melódica, aos quais se juntam um almofadado conjunto de vozes em eco e guitarras mágicas que se manifestam com uma mestria instrumental única.

Excelentes exemplos dessa guinagem profunda oitocentista estão bem audíveis no vistoso e exuberante jogo entre o orgânico e o sintético que é possível contemplar em Gilmmer, no cósmico charme de Breathe Deeper e na daftpunkiana Is It True, com o apontar de novas pistas futuras, burilado em temas como Lost In Yesterday, canção sobre as nossas memórias, principalmente as menos felizes e a dificuldade natural que todos sentimos para exorcizar alguns demónios que nos atormentam por causa de eventos passados, ou Phostumous Forgiveness, longa e estratosférica canção, uma junção daquilo que eram inicialmente duas composições distintas e que flui de modo homogéneo e no universo próprio da banda e da sonoridade em que se insere, rebocada pela mestria vocal de Parker e pela multiplicidade de efeitos que cria com a guitarra elétrica, assim como o groove que oferece ao tema o baixo e uma habilidade inata do grupo no manuseamento dos sintetizadores e da percussão.

Conhecidos por nos transportar até aos dias em que os homens eram homens, as raparigas eram girl-groups e a vida revolvia em torno da ideia de expandir os pensamentos através de clássicos de blues rock, com os Cream ou Jimmy Hendrix à cabeça, em The Slow Rush os Tame Impala não fogem à regra deste modus operandi, replicando e aprimorando a fórmula dos recentes antecessores, através de doze canções impecavelmente estruturadas, algumas com uma vibração excitante e onde, no fundo, mais guinadela menos guinadela por alguns dos fundamentos da história da pop contemporânea, mantém-se a temática de revisão da psicadelia que busca pontos de encontro com o rock clássico, proposto há mais de quatro décadas por gigantes que se entregaram ao flutuar sonoro da lisergia. Espero que aprecies a sugestão...

Tame Impala - The Slow Rush

01. One More Year
02. Instant Destiny
03. Borderline
04. Posthumous Forgiveness
05. Breathe Deeper
06. Tomorrow’s Dust
07. On Track
08. Lost In Yesterday
09. Is It True
10. It Might Be Time
11. Glimmer
12. One More Hour


autor stipe07 às 13:11
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Quarta-feira, 12 de Fevereiro de 2020

The Jungle Giants – Sending Me Ur Loving

The Jungle Giants - Sending Me Ur Loving

Oriundos de Brisbane e formados por Sam Hales, Cesira Aitken, Andrew Dooris e Keelan Bijker, os The Jungle Giants já têm finalmente nos escaparates o sucessor de Quiet Ferocity, o registo que este quarteto editou em dois mil e dezassete. Recordo que os Jungles Giants, estrearam-se em dois mil e treze com Learn To Exist e dois anos depois viu a luz do dia Speakerzoid, o antecessor desse Quiet Ferocity.

Sending Me Ur Loving é o primeiro tema divulgado desse novo trabalho ainda sem título, uma canção produzida pelo próprio Sam Hales, o líder do grupo e que através de um baixo encorpado e pleno de groove, algumas teclas insinuantes, uma guitarra impregnada com aquele fuzz psicadélico hoje tanto em voga e alguns efeitos futuristas, nos oferece uma ode festiva e inebriante, capaz de exaltar o melhor do catálogo do grupo.

A apresentação deste tema antecipa a entrada dos The Jungle Giants numa digressão de dois meses que acabou de começar na Holanda e que terminará no final de março no Japão, com passagem, pelo meio, por vários palcos dos Estados Unidos da América e do Canadá. Confere...


autor stipe07 às 13:43
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Quinta-feira, 9 de Janeiro de 2020

Tame Impala – Lost In Yesterday

Tame Impala - Lost In Yesterday

Quase cinco anos após Currents e a testar os limites da nossa paciência devido a tão prolongado hiato, eis que os australianos Tame Impala de Kevin Parker voltam, finalmente, a dar sinais de vida com The Slow Rush, o novo registo de originais do projeto, um alinhamento com doze músicas gravadas, produzidas e misturadas pelo próprio Parker entre Los Angeles e o estúdio do artista em Fremantle, na Austrália, onde reside. The Slow Rush tem data de lançamento prevista para catorze de fevereiro do próximo ano, à boleia da Modular Records, a habitual etiqueta do grupo.

Lost In Yesterday é já o quinto tema divulgado de The Slow Rush e o último antes de o disco chegar aos escaparates. Os leitores mais atentos de Man On The Moon certamente recordam-se que este ano a nossa redação já divulgou as composições PatienceBorderline, It Might Be Time e Posthumous Forgiveness. Quanto ao seu conteúdo, Lost In Yesterday é uma canção sobre as nossas memórias, principalmente as menos felizes e a dificuldade natural que todos sentimos para exorcizar alguns demónios que nos atormentam por causa de eventos passados. Esse exercício contemplativo é idealizado por Kevin Parker à boleia de uma atmosfera sonora bastante aprazível, tremendamente épica e de forte pendor setentista. Aliás, uma regra essencial da filosofia estilistica dos Tame Impala, tem a ver com o foco e um enorme ênfase na nostalgia, mas tal reflete-se não numa cópia declarada de tiques, mas antes numa projeção de sintetizações, batidas e linhas de guitarra feita com uma contemporaneidade invulgar. Estes serão, certamente, e tendo em conta todas as amostras já divulgadas, alguns dos detalhes fundamentais daquele que será o quarto alinhamento dos Tame Impala e certamente um dos marcos discográficos de dois mil e vinte. Confere...


autor stipe07 às 10:34
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Terça-feira, 10 de Dezembro de 2019

Crayon Fields – All The Pleasures Of The World

Crayon Fields - All The Pleasurse Of The World

Os míticos Crayon Fields de Geoff O'Connor são de Melbourne e deram-nos o último registo de originais em setembro de dois mil e quinze. O trabalho intitulava-se No One Deserves You e enquanto não vê sucessor, o quarteto está a preparar uma comemoração em grande dos dez anos de vida de All The Pleasures Of The World, o disco que em dois mil e nove lançou este projeto australiano para o estrelato, à boleia da Chapter Music.

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All The Pleasures Of The World são pouco mais de trinta minutos de uma simbiose bastante criativa entre a típica folk, com nuances mais clássicas da pop e do indie rock, A reedição de luxo deste belíssimo álbum inclui lados B, instrumentais demos e covers de clássicos de bandas e nomes como os ABBA, Roxette ou Kath Bloom e, entretanto, já podemos conferir o buliçoso baixo e a melodia vibrante da nova roupagem do tema homónimo do registo. Confere...


autor stipe07 às 14:08
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Quarta-feira, 4 de Dezembro de 2019

Tame Impala – Posthumous Forgiveness

Tame Impala - Posthumous Forgiveness

Quase cinco anos após Currents e a testar os limites da nossa paciência devido a tão prolongado hiato, eis que os australianos Tame Impala de Kevin Parker voltam, finalmente, a dar sinais de vida comThe Slow Rush, o novo registo de originais do projeto, um alinhamento com doze músicas gravadas, produzidas e misturadas pelo próprio Parker entre Los Angeles e o estúdio do artista em Fremantle, na Austrália, onde reside. The Slow Rush tem data de lançamento prevista para catorze de fevereiro do próximo ano, à boleia da Modular Records, a habitual etiqueta do grupo.

Posthumous Forgiveness é já o quarto tema divulgado de The Slow Rush. Os leitores mais atentos de Man On The Moon certamente recordam-se que este ano a nossa redação já divulgou as composições Patience e Borderline e It Might Be Time

Quanto ao seu conteúdo, Posthumous Forgiveness é, na verdade, uma junção daquilo que eram inicialmente duas composições distintas, com o resultado final a oferecer-nos pouco mais de seis minutos de um pop rock de forte matriz psicadélica e com uma atmosfera sonora bastante aprazível, tremendamente épica e de forte pendor setentista. Aliás, uma regra essencial da filosofia estilistica dos Tame Impala, tem a ver com o foco e um enorme ênfase na nostalgia, mas tal reflete-se não numa cópia declarada de tiques, mas antes numa projeção de sintetizações, batidas e linhas de guitarra feita com uma contemporaneidade invulgar. Estes serão, certamente, e tendo em conta todas as amostras já divulgadas, alguns dos detalhes fundamentais daquele que será o quarto alinhamento dos Tame Impala e certamente um dos marcos discográficos de dois mil e vinte. Confere...


autor stipe07 às 12:38
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Quarta-feira, 13 de Novembro de 2019

Pond – Sessions

Depois de terem começado a primavera deste ano do nosso hemisfério com Tasmania, os POND de Nick Allbrook, baixista dos Tame Impala, estão de regresso com Sessions, um apanhado de onze das canções mais emblemáticas do projeto australiano, interpretadas ao vivo em estúdio e produzidas por Kevin Parker.

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O objetivo primordial de Sessions é, de acordo com Jay Watson, multi-instrumentista dos POND, capturar a essência de um espetáculo ao vivo do grupo e, ao mesmo tempo, reproduzir um pouco da essência das famosas Peel Sessions, da autoria do famoso e saudoso DJ John Peel, da BBC, que promoveu algumas das melhores sessões ao vivo da história da indie contemporânea.

Com especial enfase no conteúdo de Tasmania, mas com temas como Don’t Look at the Sun (Or You’ll Go Blind), lançado originalmente no disco de estreia Psychedelic Mango (2009), Paint Me Silver, Burnt Out StarSweep Me Off My Feet retirados de The Weather (2017), ou Man It Feels Like Space Again, tema homónimo do disco do grupo de dois mil e quinze, a oferecerem ao alinhamento um cariz amplo, abrangente e bastante apelativo, porque Tasmania será, na minha opinião, o registo menos inspirado da carreira dos POND, Sessions é um álbum obrigatório para todos aqueles que da psicadelia, à dream pop, passando pelo shoegaze e o chamado space rock, se deliciam com a mistura destas vertentes e influências sonoras, sempre em busca do puro experimentalismo e com liberdade plena para ir além de qualquer condicionalismo editorial que possa influenciar o processo criativo de um projeto.

Os POND vivem num momento crucial da carreira, não só porque Tasmania mostrou que a banda parece cada vez menos disponível para abraçar aquele lado mais experimental e, consciente ou inconscientemente, um pouco amarrada ao sucesso comercial dos Tame Impala e a resvalar para um perfil mais direcionado para as tabelas de vendas do que o exercício pleno de uma salutar liberdade criativa. Que Sessions seja um ponto de partida para o regresso a um conceito de criação artística que privilegie guitarras alimentadas por um combustível eletrificado que inflame raios flamejantes que cortem a direito, feitas, geralmente, de acordes rápidos, distorções inebriantes e plenas de fuzz e acidez e acompanhadas por sintetizadores munidos de um infinito arsenal de efeitos e sons originários das mais diversas fontes instrumentais, reais ou fictícias. Não faltam exemplos desses neste alinhamento que terá na expressão rock cósmico talvez a forma mais feliz de se catalogar. Espero que aprecies a sugestão...

Pond - Sessions

01. Daisy
02. Paint Me Silver
03. Sweep Me Off My Feet
04. Don’t Look At The Sun (Or You’ll Go Blind)
05. Hand Mouth Dancer
06. Burnt Out Star
07. Tasmania
08. Fire In The Water
09. The Weather
10. Medicine Hat
11. Man It Feels Like Space Again


autor stipe07 às 15:44
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Sexta-feira, 8 de Novembro de 2019

Vancouver Sleep Clinic – Onwards To Zion

Foi numas férias em Bali que Tim Bettinson, o músico e compositor australiano de vinte e três anos que encabeça o projeto Vancouver Sleep Clinic, se inspirou e começou a idealizar o conteúdo de Onwards To Zion, o seu segundo registo de originais, onze maravilhosas canções que sucedem a Revival, o álbum de estreia que o autor lançou em dois mil e dezassete e que colocou logo este projeto debaixo de merecidos holofotes, não só da crítica dos antípodas, mas também de diversas outras latitudes do nosso globo.

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Onwards To Zion tem uma faceta dupla bastante interessante e que vale bem a pena tomar como ponto de partida para a análise do seu conteúdo; Se por um lado, para compôr as suas canções, o autor teve de reaprender a incubar e ressuscitar todo o talento que sempre demonstrou ter desde tenra idade para esta poda, já que o álbum encarna um marco de libertação do projeto Vancouver Sleep Clinic de uma espécie de purgatório editorial porque Tim esteve em acérrima luta judicial com a sua editora para poder criar livre de constrangimentos artísticos, por outro é um registo que tem como grande força motriz a perca de um amigo muito chegado do músico, sendo um exercício de catarse dessa inevitável dor.

Logo a abrir o alinhamento de Onwards To Zion, na pueril melodia sintetizada e na batida que se esprai em espuma e dor no falsete de Bad Dream, Tim plasma esta permissa, numa canção que se debruça sobre esse trauma e a necessidade de seguir em frente, sem receios, porque seria certamente esse o desejo de quem partiu. A luminosidade dessa composição e, pouco depois a riqueza emotiva e instrumental da lindíssima Shooting Stars, são músicas que entroncam no desejo do músico de materializar em Onwards To Zion um forte ensejo de oferecer algo de positivo ao mundo, mesmo que subsistam depois, no âmago do álbum, alguns instantes menos coloridos, mas não menos inspirados ou belos, como as cordas melancólicas de Summer 09, canção composta num dia de chuva intensa, a charmosa eletrónica ambiental de ZION, uma enumeração exaustiva de todos os sentimentos negativos que chicotearam Tim em tempos, ou a feliz interseção entre R&B e rock psicadélico plasmada em Into The Sun, um tema sobre como enfrentar com coragem os medos para que não se derrape para um poço sem fundo caso não se consiga exorcizá-los.

Registo repleto de guitarras sonhadoras abraçadas a sintetizadores cósmicos e sofisticados e camaleónicos arranjos da mais diversificada proveniência, com o jazz e a pop sessentistas à cabeça como inspirações óbvias, tudo embrulhado num profundo e inebriante pendor emotivo, Onwards To Zion oferece-nos a visão mágica de uma jornada de descoberta individual, feita por um músico que tem sentido na pele algumas das maiores agruras que a passagem da juventude para a vida adulta podem proporcionar, mas que parece não só passar incólume a essa travessia, como pronto para servir de exemplo e de aconchego a quem com ele se identificar e o solicitar. Espero que aprecies a sugestão...

Vancouver Sleep Clinic - Onwards To Zion

01. Bad Dream
02. Lovina Beach (Sunrise)
03. Summer ’09
04. Into The Sun
05. Shooting Stars
06. Fever
07. Villa Luna (Midnight)
08. Ghost Town
09. ZION
10. Yosemite
11. Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love Love


autor stipe07 às 18:19
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Terça-feira, 29 de Outubro de 2019

Tame Impala – It Might Be Time

Tame Impala - It Might Be Time

Quase cinco anos após Currents e a testar os limites da nossa paciência devido a tão prolongado hiato, eis que os australianos Tame Impala de Kevin Parker voltam, finalmente, a dar sinais de vida com It Might Be Time, tema que fará parte de The Slow Rush, o novo registo de originais do projeto, um alinhamento com doze músicas gravadas, produzidas e misturadas pelo próprio Parker entre Los Angeles e o estúdio do artista em Fremantle, na Austrália, onde reside. The Slow Rush tem data de lançamento prevista para catorze de fevereiro do próximo ano, à boleia da Modular Records, a habitual etiqueta do grupo.

It Might Be Time é já o terceiro tema divulgado de The Slow Rush. Os leitores mais atentos de Man On The Moon certamente recordam-se que este ano a nossa redação já divulgou as composições Patience e Borderline. No entanto esta é a primeira canção a confirmar alguns dos detalhes fundamentais daquele que será o quarto alinhamento dos Tame Impala e certamente um dos marcos discográficos de dois mil e vinte.

Quanto ao seu conteúdo, It Might Be Time oferece-nos quatro minutos e meio de um pop rock de forte matriz psicadélica e com uma atmosfera sonora bastante aprazível, num resultado final algo melancólico e espiritual e onde, como é norma no projeto, é dado um enorme ênfase na nostalgia e no modo como apresenta com uma contemporaneidade invulgar alguns sons do passado, importantes pedras de toque da filosofia sonora dos Tame Impala.Confere...


autor stipe07 às 13:33
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Quarta-feira, 4 de Setembro de 2019

City Calm Down – Television

Jack Bourke, Sam Mullaly, Jeremy Sonnenberg e Lee Armstrong são os City Calm Down, um quarteto australiano oriundo de Melbourne e que estreou nos lançamentos discográficos há quase meia década com A Restless House, através da etiqueta I OH YOU. O sempre difícil segundo disco, intitulado Echoes In Blue, viu a luz do dia o ano passado e agora, quase no ocaso deste inconstante verão de dois mil e dezanove, chegou aos escaparates Television, o terceiro compêndio de uma das bandas mais excitantes e inovadoras do cenário indie australiano.

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Gravado com a ajuda do produtor Burk Reid (Courtney Barnett, DZ Deathrays, Julia Jacklin) nos estúdios The Grove Studios de Sidney, Television tem dez composições que em pouco mais de meia hora plena de emoção, arrojo e amplitude sonora, nos oferecem, sempre de forma progressiva, um apelo sentido aos nossos sentidos, sugerindo-nos que nos mantenhamos sempre atentos aquilo que a vida e a natureza têm para nos oferecer diariamente e que a pressa, o medo ou o simples desconforto, não deixam que ouçamos. De facto, em canções como as efusivas e muito british Television e Mother, as mais intrincadas e emotivas Visions Of Graceland e A Seat In The Trees, a contemplativa Lucy Bradley, as solarengas Weatherman e New Year's Eve e o single Stuck (On The Eastern), uma canção que sobrevivendo à custa de uma dança incisiva entre baixo e sintetizador, recria com inesperada luminosidade aquela pop punk rock sintética e exultante que causou algum caos capilar na penúltima década do século passado, é constantemente espevitado o nosso lado mais humano e profundo ao som de canções quase sempre assentes num baixo vibrante adornado por uma guitarra jovial e pulsante, teclas inspiradas e uma bateria que nunca se faz rogada no momento de abanar com o nosso âmago.

Disco enérgico, musculado, sonoramente direto, mas liricamente exigente para quem se quiser dedicar a destrinçar toda a carga emotiva e a trama filosófica que os City Calm Down pretenderam colocar no seu dorso, mas também tremendamente apelativo caso a audição tenha um fim meramente recreativo, Television é o melhor trabalho da carreira de um quarteto que pode muito bem vir a ser a próxima grande exportação sonora dos antípodas. Espero que aprecies a sugestão...

City Calm Down - Television

01. Television
02. Visions Of Graceland
03. Mother
04. Stuck (On The Eastern)
05. Lucy Bradley
06. Flight
07. Weatherman
08. Mental
09. New Year’s Eve
10. Cut The Wires


autor stipe07 às 15:41
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Segunda-feira, 15 de Julho de 2019

Dope Lemon – Smooth Big Cat

Os seguidores mais atentos do universo sonoro indie e altrnativo já terão certamente ouvido falar de Angus Stone, um cantor, compositor e produtor australiano, nascido a vinte e sete de abril do já longínquo ano de mil novecentos e oitenta e seis e que se tem notabilizado com a sua irmã, formando juntos o duo Angus & Julia Stone, já com quatro discos em carteira, numa carreira iniciado há cerca de uma década com o excleente, Smoking Gun. Ora, Angus Stone também tem uma carreira a solo, onde assina com o pseudónimo Dope Lemon, iniciada há três anos com o registo Honey Bones, que teve sequência, no ano seguinte, com o EP Hounds Tooth e que vê agora sucessor com Smooth Big Cat, dez canções abrigadas pela BMG Australia e que, rezam as crónicas, se tornaram num verdadeiro desafio para o músico, que procurou um ambiente intimista e recatado sem colocar em causa o exigido som de estúdio que faz parte do seu adn.

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Tal cono o antecessor, Smooth Big Cat foi gravado nos estúdios Belafonte, que pertencem ao próprio Angus Stone e que se situam num rancho que tambem possui. Stone tocou e gravou todos os instrumentos e misturou e produziu todas as dez composições de um trabalho que relata a vida de uma personagem chamada exatamente Dope Lemon e que funciona como uma espécie de alter-ego do artista. Dope Lemon é, no fundo, um tipo normal mas também bizarro e sempre bem disposto e otimista, que gosta de estar no seu canto a ouvir música com um copo numa mão e um cigarro na outra.

É esta a figura que trespassa a filosofia temática das dez canções de Smooth Big Cat, que tiveram na sua concepção como principal ferramenta alguns dos típicos traços identitários de uma espécie de folk psicadélica de cariz eminentemente etéreo e contemplativo, com uma considerável vertente experimental associada. Canções como a boémia Hey You, movida a cordas reluzentes, adornadas por diversos efeitos e acamadas numa batida algo hipnótica, a cósmica Salt & Pepper, que impressiona pelo efeito metálico e pela vasta miríade de elementos percurssivos, a lisérgica Hey Little Baby, um portento de acusticidade que se espraia por cinco minutos particularmente solarengos, a mais épica e orgânica Lonely Boys Paradise ou a romântica Give Me Honey, oferecem-nos um cândido alinhamento repleto de blues folk acústica particularmente embaladora e intimista, mas também de um rock bastante sui generis, porque não se faz só de guitarras, mas acima de tudo de fragmentos de sons sintetizados e distorcidos, versos hipnóticos, um registo vocal muitas vezes sussurrante, geralmente dialogante e com forte pendor lo fi e também subtis instantes melódicos de pura subtileza e encantamento. 

Disco homogéneo e que nos permite aceder a uma outra dimensão, mística e cósmica, num subida feita à boleia de timbres, detalhes e harmonias, agregadas com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, Smooth Big Cat tem aquele travo despreocupado e ligeiro que, sendo particularmente sedutor, provoca imediato encantamento, fazendo-o sem descurar as mais básicas tentações pop, com tudo a soar, no final e no seu todo, utopicamente perfeito. Espero que aprecies a sugestão...

Dope Lemon - Smooth Big Cat

01. Hey You
02. Salt And Pepper
03. Hey Little Baby
04. Lonely Boys Paradise
05. Give Me Honey
06. Dope And Smoke
07. Smooth Big Cat
08. The Midnight Slow
09. Mechanical Bull
10. Hey Man, Don’t Look At Me Like That


autor stipe07 às 16:45
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Quinta-feira, 27 de Junho de 2019

The Laurels – Sound System

The Laurels - Sound System

Já tem sucessor anunciado Sonicology, o disco que os australianos The Laurels lançaram há cerca de três anos e que na altura sucedeu a Plains, o álbum de estreia, lançado em dois mil e doze. Ainda sem nome anunciad,o esse novo trabalho do grupo de Sidney, formado por Luke O’Farrell (voz, guitarra), Piers Cornelius (voz, guitarra), Conor Hannan (baixo) e Kate Wilson (bateria), contará com a participação especial de Kat Harley (Mezko) no baixo e na voz e tem já um single divulgado, uma canção chamada Sound System.

Tema que nos oferece um som muito plural, criado a partir de elementos retirados das mais diversas épocas e estilos, sem que soe necessariamente preso a esses géneros, com um registo vocal efusiante, um efeito de guitarra agudo imponente e um ritmo bastante dançável proporcionado por uma linha de baixo robusta e uma melodia bastante aditiva, Sound System pinta um quadro algo negro mas impressivamente realista daquilo que poderá ser o futuro próximo de um mundo cada vez mais influenciado pela realidade virtual, pelos grandes grupos empresariais e pela força dos media, conforme explica Luke O'Farell (Sound System lives of high rise apartments and rent prices loom large over this paean to a future dystopian city, the inhabitants of which are doomed to a lifetime of evenings spent in queues waiting to eat at fine dining restaurants after a round of putt putt golf. Sound System finds this group of part-time disc jockeys loading up their van with generators and loud speakers as they seek to reignite the street party.) Confere...


autor stipe07 às 17:38
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Sábado, 15 de Junho de 2019

City Calm Down – Stuck (On The Eastern)

City Calm Down - Stuck (On The Eastern)

Jack Bourke, Sam Mullaly, Jeremy Sonnenberg e Lee Armstrong são os City Calm Down, um quarteto australiano oriundo de Melbourne e que estreou nos lançamentos discográficos há quase meia década com A Restless House, através da etiqueta I OH YOU. O sempre difícil segundo disco, intitulado Echoes In Blue, viu a luz do dia o ano passado e agora, já no próximo verão, chegará aos escaparates Television, o terceiro compêndio de uma das bandas mais excitantes e inovadoras do cenário indie australiano.

Gravado com a ajuda do produtor Burk Reid (Courtney Barnett, DZ Deathrays, Julia Jacklin) nos estúdios The Grove Studios de sidney, Television tem em Stuck (On The Eastern) o primeiro single divulgado, uma canção que sobrevivendo à custa de uma dança incisiva entre baixo e sintetizador, recria com inesperada luminosidade aquela pop punk rock sintética e exultante que causou algum caos capilar na penúltima década do século passado. Confere...


autor stipe07 às 14:20
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Terça-feira, 16 de Abril de 2019

Courtney Barnett – Everybody Here Hates You

Courtney Barnett - Everybody Here Hates You

Um dos grandes destaques da edição deste ano do Record Store Day é, claramente, Everybody Here Hates You, uma nova canção da australiana Courtney Barnett, divulgada em exclusivo para esta iniciativa anual, amplamente publicitada neste espaço e que é marcada pela chegada de vários álbuns e singles, em edição limitada, às lojas de discos, um pouco por todo o mundo.

A canção viu a luz do dia em formato vinil de sete polegadas, com artwork desenhado pela própria Barnett e impressiona pelo charme algo displiscente mais feliz como a autora parece desprezar todos aqueles que a julgam constantemente, fazendo-o através de um clima sonoro que entre a folk mais experimental e a psicadelia, exala um travo algo boémio, com um realismo ímpar. Everybody Here Hates You tem no lado b Small Talk, uma composição que a autora já tinha guardada na gaveta desde o ano passado. Confere...


autor stipe07 às 21:36
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Quinta-feira, 11 de Abril de 2019

Tame Impala - Borderline

Tame Impala - Borderline

Cerca de quatro anos após Currents e a testar os limites da nossa paciência devido a tão prolongado hiato, eis que os australianos Tame Impala de Kevin Parker voltam, finalmente, a dar sinais de vida com o anúncio praticamente certo de um novo disco ainda este ano.

De facto, depois de há algumas semanas nos terem brindado com o tema Patience, agora chegou a vez de ficarmos a conhecer a canção Borderline, que foi apresentada em primeira mão no famoso programa de televisão norte-americano Saturday Night Live. A mesma gravita em redor de um teclado inspirado, em redor do qual se insinua a bateria, diversos encaixes eletrónicos, uma guitarra indulgente e o habitual registo vocal ecoante, num resultado final algo melancólico e espiritual e onde, como é norma no projeto, rock, eletrónica e psicadelia dão as mãos dentro de um espetro eminentemente pop. Confere...


autor stipe07 às 23:07
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Domingo, 24 de Março de 2019

Tame Impala – Patience

Tame Impala - Patience

Cerca de quatro anos após Currents e a testar os limites da nossa paciência devido a tão prolongado hiato, eis que os australianos Tame Impala de Kevin Parker voltam, finalmente, a dar sinais de vida com Patience, tema que deverá fazer parte de um novo disco deste coletivo que tem na nostalgia e no modo como apresenta com uma contemporaneidade invulgar alguns sons do passado, importantes pedras de toque da sua filosofia sonora.

Esta canção Patience não foge à bitola concetual anteriormente descrita já que nos seus quase cinco minutos acomoda-se num rock psicadélico sonoramente sustentado numa guitarra mágica de forte índole setentista e que se manifesta com um charme vintage único e em constantes encaixes eletrónicos, detalhes aos quais se junta o já habitual almofadado conjunto de vozes em eco, num resultado final em que rock, eletrónica e psicadelia dão as mãos dentro de um espetro eminentemente pop. Confere...


autor stipe07 às 10:48
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Segunda-feira, 4 de Março de 2019

Pond – Tasmania

Quase dois anos depois de The Weather e quatro do excelente Man It Feels Like Space Again, os australianos POND de Nick Allbrook, baixista dos Tame Impala, estão de regresso aos discos em dois mil e dezanove com Tasmania, um álbum que viu a luz do dia através da Marathon Artists e idealizado por uma banda obrigatória para todos aqueles que da psicadelia, à dream pop, passando pelo shoegaze e o chamadospace rock, se deliciam com a mistura destas vertentes e influências sonoras, sempre em busca do puro experimentalismo e com liberdade plena para ir além de qualquer condicionalismo editorial que possa influenciar o processo criativo de um projeto.

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Oitavo disco da trajetória discográfica dos POND e produzido por Kevin Parker, vocalista dos Tame Impala, Tasmania começou a ser incubado quando Nick Albrook trocou impressões com um cientista especializado em meterologia e questões ambientais que lhe explicou que a temperatura média da Austrália iria continuar a subir consideravelmente nas próximas décadas e que não faltaria muito até a Tasmânia ser o único local habitável desse continente. De facto, canções como o rock orquestral, vibrante e épico de Daisy , o charme hipnótico dos sintetizadores que adornam a melodia de Selené ou o intenso downgrade sonoro, fortemente lisérgico, cósmico e imponente do tema homónimo, (might go and shack up in Tasmania before the ozone goes. And paradise burns in Australia, who knows?) comprovam essa permissa conceptual do disco, alargada com maior abrangência na alegoria pop eletrónica eminentemente sintética de Hand Mouth Dancer, tema em que Albrook alarga as suas preocupações ambientais à realidade geopolítica europeia e à crise de refugiados que atualmente assola o nosso continente (I’m no hero; just do my hand mouth dance,[This is ] for all the actual heroes, dying to get the kids to France). E estes três exemplos, além de mostrarem o leque temático do disco, também podem servir para balizar a matriz sonora de dez canções que apostam, claramente, na diversidade e que têm apenas como ponto comum irem progredindo e aumentando de intensidade, dentro de um universo que terá na expressão rock cósmico talvez a forma mais feliz de se catalogar.

Tasmania é, portanto, mais um retrato fiel do caldeirão sonoro que os POND reservam para nós cada vez que entram em estúdio para compor. Seja no andamento mais progressivo e experimental de Goodnight, P.C.C., no curioso travo R&B de The Boys Are Killing Me ou na vibe cósmica e etérea inicial e depois explosiva de Burnt Out Star, não faltam guitarras alimentadas por um combustível eletrificado que inflama raios flamejantes que cortam a direito, feitas, geralmente, de acordes rápidos, distorções inebriantes e plenas de fuzz e acidez e acompanhadas, desta vez mais do que nunca, por sintetizadores munidos de um infinito arsenal de efeitos e sons originários das mais diversas fontes instrumentais, reais ou fictícias. Para compor o ramalhete não falta ainda uma secção rítmica que aposta, frequentemente, numa sobreposição instrumental em camadas, onde vale quase tudo, mas nunca é descurado um forte sentido melódico e uma certa essência pop, numa busca de acessibilidade enquanto passeamos por uma espécie de jardim contemplativo que nos proporciona um rol de emoções e sensações expressas com intensidade e minúcia, misticismo e argúcia e sempre com uma serenidade extraordinariamente melancólica e bastante impressiva.

Com um clima glam muito próprio, Tasmania enche-nos com um espaço sonoro pleno de texturas e fôlegos e onde é transversal uma sensação de experimentação nada inócua e que espelha o cimento das coordenadas que se apoderaram do departamento de inspiração dos POND, sendo o resultado da ambição deste fabuloso projeto australiano em se rodear, cada vez mais, com uma áurea resplandecente e inventiva e de se mostrar mais heterogéneo e abrangente do que nunca. Espero que aprecies a sugestão...

Pond - Tasmania

01. Daisy
02. Sixteen Days
03. Tasmania
04. The Boys Are Killing Me
05. Hand Mouth Dancer
06. Goodnight, P.C.C.
07. Burnt Out Star
08. Selené
09. Shame
10. Doctor’s In


autor stipe07 às 22:06
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Sexta-feira, 1 de Março de 2019

Robert Forster - Inferno

Lembram-se dos míticos The-Go Betweens? Pois é... Robert Forster, um dos fundadores deste projeto australiano, andou bastante ocupado nos últimos anos a orientar a histórica edição da Domino Records de Anthology Volume 1 1978-1984 , uma revisitação de alguns dos melhores momentos da sua antiga banda The Go-Betweens e escreveu o livro de memórias Grant & I, que foi eleito pela Mojo e pela Uncut como Livro do Ano. Mas Forster tem também um muito recomendável projeto a solo, que começou há pouco mais de uma década e que acaba de ver um novo capítulo.

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O novo disco de Robert Forster chama-se Inferno, é o primeiro registo do artista desde Songs To Play (2015) e contém nove temas gravados em Berlim no último verão, com a ajuda de Victor Van Vugt (Beth OrtonTrailer Park, PJ Harvey Stories From The City, Stories From The Sea), que produziu de modo brilhante o registo e com quem Forster tem trabalhado nesta sua trajetória a solo. Nos créditos de Inferno, lançado através da Tapete Records, é também possível encontrar os multi-instrumentalistas Scott Bromley e Karin Bãumler, que também tocaram em Songs To Play (2015), além do baterista Earl Havin (Tidersticks, Mary J. Blige) e do teclista Michael Muhlhaus (Blumfeld, Kante), que tocam pela primeira vez em canções de Robert Forster.

Inferno é um solarengo festim pop, onde não falta uma vasta interseção de detalhes sonoros oriundos de diferentes latitudes e espetros sonoros, idealizados por um músico com uma vasta experiência e com uma irrepreensível formação musical. Assim, desde a empolgante alegoria pop que é Inferno (Brisbane In Summer), passando pelo groove refrescante de Life Has Turned A Page e pela pitada underground setentista de Remain e terminando, de modo brilhante, dramático e inteligente na épica One Birds In The Sky, este é um registo esteticamente apurado e onde o vintage e o contemporâneo se cruzam de modo muitas vezes impercetível, apenas uma de várias nuances que oferecem à toada geral do alinhamento não só um intenso charme como uma sensação de familiariedade inconfundíveis. Espero que aprecies a sugestão...

Robert Forster - Inferno

01. Crazy Jane On The Day Of Judgement
02. No Fame
03. Inferno (Brisbane In Summer)
04. The Morning
05. Life Has Turned A Page
06. Remain
07. I’ll Look After You
08. I’m Gonna Tell It
09. One Bird In The Sky


autor stipe07 às 14:09
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Domingo, 12 de Agosto de 2018

John Butler Trio – Home

John Butler Trio - Home

Quatro anos depois do último disco, um trabalho intitulado Flesh & Blood, John Butler prepara-se para regressar aos lançamentos discográficos com Home, um álbum que irá ver a luz do dia a vinte e oito de setembro e do qual já se conhece o tema homónimo.

Tema conduzido por um vigoroso arsenal instrumental eminentemente percurssivo, Home abraça nas cordas, tambores e sintetizações um elevado grau de epicidade e a típica emotividade de um músico que se faz rodear por excelentes intérpretes, criando uma canção que faz antever um álbum com uma soul muito vibrante e luminosa, como é apanágio da discografia deste projeto. Confere...


autor stipe07 às 15:37
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Quarta-feira, 8 de Agosto de 2018

Confidence Man - Confident Music For Confident People

Foi a insuspeita Amplifire em parceria com a Heavenly Recordings quem teve a honra de colocar nos escaparates Confident Music For Confident People, o álbum de estreia de Confidence Man, um projeto sedeado em Melbourne, na Austrália e que está a dar muito que falar neste verão, sendo considerada uma das bandas mais desinibidas e dançantes que surgiu no universo sonoro indie e alternativo em dois mil e dezoito. Com uma abordagem animada e charmosa ao universo sonoro feito com aquele rock convincente que se mistura com uma eletrónica de apurado faro relativamente às tendências mais contemporâneas e que têm colocado em ponto de mira alguns dos melhores tiques da pop das últimas duas décadas do século passado, este é um disco cheio de groove, um trabalho discográfico perfeito para criar um ambiente festivo único e inédito tendo em conta o som que vai predominando nas pistas de dança atuais.

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Logo no clima incisivo e luminoso da batida e das nuances rítmicas e vocais de Try Your Luck fica expressa a sonoridade típica de um disco assente numa pafernália de instrumentos eletrónicos bastante heterogénea e peculiar. Os sintetizadores repletos de efeitos cósmicos e as baterias eletrónicas que debitam uma pafernália alargada de timbres, possibilitam-nos dançar de modo acelerado e enérgico em diversos universos míticos que marcam a história mais recente da música de dança. Por exemplo, se o clima punk de Don't You Know I'm In A Band consegue fazer-nos viajar até ao underground nova iorquino de dois mil e uns pozinhos e C.O.O.L. Party aos subúrbios de Brooklyn em plenos anos noventa, já o piano de Catch My Breath suspira por uma remistura efusiva no catálogo de Fatboy Slim, com Out Of The Window a levar-nos até à herança que resultou da onda de Manchester, liderada, no auge, pelos Primal Scream e Fascination a acentuar esse olhar anguloso sobre alguns dos melhores atributos que foram deixados pela britpop de pendor mais psicadélico há umas duas décadas atrás.

As canções de Confident Music For Confident People são, sem dúvida, uma imensa lufada de ar fresco no panorama musical do chamado eletropunk atual. Além de entrarem facilmente no goto e nas ancas chegam para semear discórdia e inquietar os nossos ouvidos. Os Confidence Man disparam ao longo das onze canções do alinhamento do registo, os seus gostos musicais em várias direcções, fazendo-o sem preconceitos nem compromissos, numa mistura explosiva de energia, audácia, irreverência e atitude, salpicada com a indispensável qualidade melódica e uma interessante dose de acessibilidade, dizendo-nos sem qualquer pudor que as pistas de dança podem também ser a salvação e um excelente remédio para muitos dos nossos problemas. Espero que aprecies a sugestão...

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autor stipe07 às 15:12
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