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Big Scary - Daisy

Sexta-feira, 23.07.21

Os Big Scary são uma dupla australiana sedeada em Melbourne, formada por Tom Iansek e Jo Syme, que se estreou em dois mil e dez com o EP The Big Scary Four Seasons, ao qual se seguiu, no ano seguinte, o longa duração de estreia, intitulado Vacation. Em dois mil e treze viu a luz do dia Not Art, um alinhamento que colocou o hip-hop em plano de destaque na filosofia estilística do grupo e, três anos depois, Animal olhou com gula para ambientes algo teatrais, com o post-rock em cima da mesa como referencial importante no arquétipo sonoro das suas canções.

Big Scary - 'Daisy': Album Review

Este registo Animal viu recentemente sucessor, um disco intitulado Daisy, que contém nove canções e onde é bastante percetível uma simplicidade de processos na fórmula escolhida, mas que é altamente eficaz, respeitando também um cada vez maior ecletismo do adn dos Big Scary. É um registo temática e estilisticamente oposto a Animal, com a situação pandémica atual a ser preponderante nesta alteração de modus operandi.

Acaba, portanto, por ter um naipe de canções mais intimistas relativamente ao antecessor, assentes num arsenal instrumental eminentemente sintético, com a ausência da guitarra a ser uma nuance relevante do álbum, mas que não coloca em causa, diga-se, a bitola qualitativa elevada de um alinhamento que tem no funk arrogante de Get Out!, ampliado por uma potente linha de baixo com fortes reminiscências oitocentistas e no travo arty de Kind Of World  as duas pontas do atual leque estilístico da dupla, num registo em que temas como o amor e a autenticidade em período pandémico e as aspirações pessoais num mundo cada vez mais digital, plasmam-se em letras carregadas de drama e melancolia, aspetos ampliados pela elegância e pela fragilidade característica da voz de Iansek.

Em suma, mais do que um novo acrescento ao cardápio dos Big Scary, Daisy é um upgrade de charme e de reinvenção ao mesmo, um disco revigorante, que faz sentido escutar com devoção nestes tempos conturbados em que vivemos e que, sendo escutado desse modo, endereça ao ouvinte um convite direto ao questionamento pessoal, enquanto desperta a nossa curiosidade relativamente às infinitas possibilidades críticas que a nossa própria vivencia pessoal proporciona, sem muitas vezes nos apercebermos. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 15:28

The Jungle Giants – Love Signs

Sexta-feira, 16.07.21

Oriundos de Brisbane e formados por Sam Hales, Cesira Aitken, Andrew Dooris e Keelan Bijker, os The Jungle Giants já têm finalmente prestes a entrar nos escaparates o sucessor de Quiet Ferocity, o registo que este quarteto editou em dois mil e dezassete. Recordo que os Jungles Giants, estrearam-se em dois mil e treze com Learn To Exist e dois anos depois viu a luz do dia Speakerzoid, o antecessor desse Quiet Ferocity.

The Jungle Giants announce new album 'Love Signs'

Love Signs é o título desse novo trabalhos dos The Jungle Giants, vai ver a luz do dia já a vinte e três de julho e, em jeito de antecipação, a nossa redação partilha o tema homónimo, uma canção produzida pelo próprio Sam Hales, o líder do grupo e que através de um baixo encorpado e pleno de groove, algumas teclas insinuantes, uma guitarra impregnada com aquele fuzz psicadélico hoje tanto em voga e alguns efeitos futuristas, nos oferece uma ode festiva e inebriante, capaz de exaltar o melhor do catálogo do grupo. Confere...

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publicado por stipe07 às 15:13

Courtney Barnett – Rae Street

Terça-feira, 13.07.21

Três anos depois do registo Tell Me How You Really Feel, que na altura sucedeu a Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit, o feliz título do arrebatador disco de estreia, a australiana Courtney Barnet está de regresso em dois mil e vinte e um ao formato longa-duração com Things Take Time, Take Time, um alinhamento de dez canções produzido por Stella Mozgawa (Warpaint, Cate Le Bon, Kurt Vile) em Sidney e Melbourne e que irá ver a luz do dia a doze de novembro próximo, por intermédio do consórcio Mom+Pop Music/Marathon. Foi um disco concebido durante o período de confinamento, que Barnett aproveitou para se embrenhar a fundo na filmografia de Agnes Varda e Andrei Tarkovsky, leituras de livros e pinturas em aguarelas.

Courtney Barnett Announces New Album Things Take Time, Take Time for  November 2021 Release, Shares Video for “Rae Street” - mxdwn Music

Courtney Barnett tem-se mostrado na sua carreira bastante hábil no modo como expôe aqueles pequenos detalhes da vida comum e do seu próprio quotidiano e os transforma, na sua escrita, em eventos magnificientes e plenos de substância. E se na estreia, há três anos, procurou um ambiente eminentemente festivo e jovial que nos levasse a colocar o nosso melhor sorriso eufórico e enigmático e a passar a língua pelo lábio superior com indisfarçável deleite, ao som de uma voz doce, uma bateria intensa e uma guitarra que brilhava daqui ao céu, num vaivém musculado e constante, em dois mil e dezoito a opção foi por uma atmosfera menos imediata e um pouco mais intrincada e até amargurada e agressiva.

Rae Street, o primeiro tema revelado do terceiro disco da autora e tema de abertura do mesmo, já com direito a um video dirigido por W.A.M. Bleakley, é uma fantástica balada, conduzida por uma guitarra com um timbre metálico delicioso, uma composição que coloca Barnett numa trilho algo intermédio relativamente aos dois discos anteriores, materializada numa balada com uma filosofia folk com um charme algo displiscente mas feliz. Confere Rae Street e a tracklist de Things Take Time, Take Time...

01 “Rae Street”
02 “Sunfair Sundown”
03 “Here’s The Thing”
04 “Before You Gotta Go”
05 “Turning Green””
06 “Take It Day By Day”
07 “If I Don’t Hear From You Tonight”
08 “Write A List Of Things To Look Forward To”
09 “Splendour”
10 “Oh The Night”

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publicado por stipe07 às 11:03

Dope Lemon – Rose Pink Cadillac

Quinta-feira, 03.06.21

Dois anos depois do excelente Smooth Big Cat, Angus Stone, um cantor, compositor e produtor australiano, nascido a vinte e sete de abril do já longínquo ano de mil novecentos e oitenta e seis e que também se tem notabilizado com a sua irmã, formando juntos o duo Angus & Julia Stone, está de regresso em dois mil e vinte e um, lá para setembro, com um novo disco intitulado Rose Pink Cadillac, talvez ainda a tempo de fazer furor e aquecer algumas das mentes mais irrequietas que se preparam para gozar o verão dos antípodas.

Listen to Dope Lemon's smooth new single 'Rose Pink Cadillac'

Deste Rose Pink Cadillac acaba de ser divulgado o tema homónimo, o terceiro single extraído do registo após Kids Fallin' In Love e Every Day is A Holiday. Se estes dois temas apostavam num registo sonoro particularmente intimista e recatado, já que são dois portentos de acusticidade que se espraiam de modo particularmente solarengo e em que cordas e bateria sustentam instantes melódicos de pura subtileza e encantamento, a canção que dá nome ao disco coloca a primazia numa atmosfera vigorosamente sensual, brilhante e viciante, através de uma vasta panóplia de batidas e sintetizações que parecem ter sido ressuscitadas daquela nostálgica dimensão mística sessentista feita de detalhes e harmonias agregadas com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível. Confere...

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publicado por stipe07 às 13:12

Pond – America’s Cup

Quarta-feira, 26.05.21

Cerca de três anos após The Weather, um disco verdadeiramente camaleónico, qual odisseia em tecnicolor que misturava synth pop com rock psicadélico, os australianos POND estão de regresso em dois mil e vinte e um aos discos com 9, um registo que irá chegar aos escaparates a um de outubro, por intermédio do consórcio Spinning Top Records/Secretly Distribution.

Depois do funk inebriante de Pink Lunettes, America´s Cup é o segundo single divulgado de 9, uma composição já com direito a um anguloso vídeo dirigido por Sam Kristofski, colaborador habitual dos POND. A canção aproxima ainda mais o projeto liderado por Nick Allbrook, baixista dos Tame Impala, da sonoridade mais recente desta última banda, já que é uma composição que coloca um pouco de lado guitarras alimentadas por um combustível eletrificado que inflama raios flamejantes que cortam a direito, feitas, geralmente, de acordes rápidos, distorções inebriantes e plenas de fuzz e acidez e que eram a grande imagem de marca dos POND na fase inicial da carreria e que parecem cada vez mais voltados para ambientes sonoros com maior sentido melódico e uma certa essência pop, numa busca de uma maior acessibilidade e abrangência. Confere...

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publicado por stipe07 às 13:05

Holy Holy – How You Been

Quinta-feira, 22.04.21

A Austrália é o local de origem dos Holy Holy, uma dupla formada por Tim Carroll e o guitarrista e compositor Oscar Dawson, dois músicos oriundos de Brisbane e Melbourne, respetivamente e, em tempos, professores de inglês no sudoeste da Ásia. Ambos mudaram-se para a Europa em 2011, com Carroll a fixar-se em Estocolmo, na Suécia e Dawson em Berlim, na Alemanha. Depois, num reencontro de ambos na primeira cidade, resolveram fazer música juntos, tendo sido criadas aí as primeiras demos em conjunto, que foram, depois, aprimoradas na Austrália, dando origem a estes Holy Holy. Em 2015 o projeto, já com o baterista Ryan Strathie, estreou-se nos discos com o excelente When The Storms Would Come, que teve um excelente sucessor em dois mil e dezassete, um trabalho intitulado Paint, com dez canções que foram compostas com a dupla a ir contra o seu próprio instinto e vontade, que costumava divagar em redor de sonoridades eminentemente folk, com o resultado a constituir-se, no seu todo, como algo de mais arriscado, mas também mais preciso e minimal, do que o disco de estreia.

OSCAR DAWSON (HOLY HOLY) - GUITAR - Australian Musician MagazineAustralian  Musician Magazine

De facto, se em Paint, há quase quatro anos atrás, os Holy Holy ampliaram largamente o seu espetro sonoro, num disco onde alguns riscos foram tomados e nem sempre calculados, mas com o resultado final a ser bastante compensador, já que encarnou uma espécie de osmose de vários detalhes típicos de sonoridades, que da eletrónica à já referida folk, passando pela pop mais radiofónica e o rock alternativo, deram ao disco e à banda um elevado cariz eclético, o mesmo mantém-se hoje, estando bemplasmado na amplitude e luminosidade de How You Been, a primeira canção que a dupla nos oferece em dois mil e vinte e um. Esta nova canção dos Holy Holy é, claramente, uma vista panorâmica para diversas interseções que, quer na seleção dos arranjos, quer do arsenal instrumental, obedeceu à procura de uma consonância com a componente lírica, parecendo também ter resultado de um arrojado processo de filtragem fina do que de melhor cada subgénero sonoro que influencia atualmente a dupla tem para lhe oferecer. Confere... 

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publicado por stipe07 às 09:43

Nick Cave And Warren Ellis – Carnage

Segunda-feira, 22.03.21

Primeiro longa duração de Nick Cave e Warren Ellis longe do conceito The Bad Sees e do formato banda sonora, Carnage é um impressionante e comovente testemunho desta dupla acerca da pandemia global que nos assola, a oferenda desinteressada de duas pessoas iguais a todas as outras que têm vivido, dia após dia, esta inesperada realidade covid, que nos deprime e apoquenta a todos, mas também tem gerado momentos de intensa criatividade em pessoas comuns e diversos artistas, mas poucos com bitola tão elevada como a que sustenta estas oito canções.

Nick Cave and Warren Ellis: Carnage review – the firebrand returns | Nick  Cave | The Guardian

Álbum que congrega o típico modus operandi das criações artísticas que este músico australiano nos foi apresentano nas últimas três décadas, nos mais variados formatos e rodeado de uma já vasta panóplia de parceiros, Carnage é, como seria de esperar, um álbum imbuído de uma farta espiritualidade, que atinge neste caso uma dimensão inédita, devido a uma profundidade que comove, instiga, questiona, e quase esclarece, porque contamina e alastra-se, tornando-se compreensível por todos aqueles que testemunham e sentem na pele tudo o que é aqui descrito, com ímpar grau de realismo, por exemplo, em Balcony Man, no ocaso do alinhamento. São oito canções, ampliadas por subtilezas instrumentais de raro requinte e intensidade e pela voz de Cave, mais grave e nasalada do que nunca e que parece não suspirar mas respirar ao nosso ouvido, com cruel nitidez e assombro. 

Se o início do registo, Hand of God ainda faz pairar no ouvinte, devido ao enlace curioso com uma inesperada mas subtil eletrónica, alguma dúvida relativamente ao ambiente sonoro do disco, a mesma fica logo desfeita nos temas seguintes, quando o piano se torna rei e senhor do arquétipo sonoro de composições que transpiram uma constante sensação de proximidade com o ouvinte, efeito ampliado por um modo de produção que procurou acentuar o tipicamente lo fi e a recriação realística de um delicioso voyeurismo caseiro. As próprias letras ajudam a este intimismo, já que além do omnipresente amor, elementos da natureza, como montanhas, cursos de água e árvores, abundam, juntamente com as já habituais referências à divindade e, amiúde, a uma hipotética incompreensão por parte de Deus relativamente ao sofrimento alheio.

Cada vez mais maduro e incisivo nas suas criações artísticas e com um braço direito que, ao contrário de tantos outros que teve, como o já falecido Roland S. Howard nos The Bad Seeds, o deixa manobrar livremente e o ampara nos devaneios e nas experimentações, Nick Cave oferece-nos neste Carnage um belo disco, principalmente no modo como inquieta e recria a sensação de desespero comum e contínuo que nos assola a todos, mas também na forma como nos oferece um indisfarçável sentido de esperança. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 17:24

Dope Lemon – Every Day Is A Holiday

Quinta-feira, 06.08.20

Dope Lemon - Every Day Is A Holiday

Os seguidores mais atentos do universo sonoro indie e altrnativo já terão certamente ouvido falar de Angus Stone, um cantor, compositor e produtor australiano, nascido a vinte e sete de abril do já longínquo ano de mil novecentos e oitenta e seis e que se tem notabilizado com a sua irmã, formando juntos o duo Angus & Julia Stone, já com quatro discos em carteira, numa carreira iniciado há cerca de uma década com o excleente, Smoking Gun. Ora, Angus Stone também tem uma carreira a solo, onde assina com o pseudónimo Dope Lemon, iniciada há três anos com o registo Honey Bones, que teve sequência, no ano seguinte, com o EP Hounds Tooth e que viu sucessor em julho de dois mil e dezanove com Smooth Big Cat, dez canções abrigadas pela BMG Australia e que, na altura, se tornaram num verdadeiro desafio para o músico, que procurou um ambiente intimista e recatado sem colocar em causa o exigido som de estúdio que faz parte do seu adn.

Agora, pouco mais de um ano depois do lançamento de Smooth Big Cat, Dope Lemon regressa à carga com um novo tema intitulado Every Day Is A Holiday, composição que conta com a participação especial do coletivo australiano Winston Surfshirt e que teve na sua concepção como principal ferramenta alguns dos típicos traços identitários de uma espécie de folk psicadélica de cariz eminentemente etéreo e contemplativo, com uma considerável vertente experimental associada e onde hip-hop e R&B também se insinuam sem receio. É uma canção boémia, movida a cordas reluzentes, adornadas por diversos sopros e acamadas numa batida bastante hipnótica. Confere...

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publicado por stipe07 às 21:35

Golf Alpha Bravo – The Sundog

Quarta-feira, 15.07.20

Chega da Austrália um dos discos mais interessantes e convidativos deste início de verão. Chama-se The Sundog, é o registo de estreia da carreira a solo de Gab Winterfield, guitarrista e vocalista dos Jagwar Ma e foi editado pela própria etiqueta do músico, a Treasured Recordings Label. The Sundog contém onze canções e no regaço delas viajamos espacial e temporalmente, até à melhor herança do rock psicadélico setentista, uma epopeia pincelada com impressivos tiques do melhor jazz e do melhor blues que são possíveis conferir na história mais recente da música contemporânea, uma espécie de surf blues inspirado pelas vivências pessoais de Gab durante a sua infância e adolescência na zona costeira australiana perto de Sidney, onde cresceu.

Jagwar Ma's Gab Winterfield shares debut solo album as Golf Alpha ...

The Sundog é um daqueles discos que se escutam com o mesmo prazer com que se encosta uma concha ao ouvido e se finge que durante esse ato tão simples, mas também simbólico, se consegue escutar todo o vasto oceano que está defronte de nós e os seres que nele habitam e que stornam, através desse ato tão simples, nossos amigos e confidentes. Se nos Jagwar Ma Gab viajou pelo mundo inteiro, cantou em Coachella ou Glastonbury e conheceu o lado mais frenético daquilo que é a vida cheia e confusa de uma pop star, The Sundog funciona para o autor como um disco de recolhimento, uma tentativa de regresso à terra, às origens e à simplicidade onde cresceu e que o moldou. E de facto, os trinta e oito minutos do disco são bem sucedidos nessa função de auto recolhimento. Para o ouvinte também podem causar resultados similares já que se trata de um registo descomplicado e prazeirento. Nele, à boleia de explorações sonoras eminentemente minimalistas, feitas apenas com o baixo, a viola e a bateria, são criados pontos de interseção seguros e estreitos entre o rock e o jazz, sempre com uma toada eminentemente lo fi e psicadélica, que até nem dispensou alguns artifícios caseiros de gravação. O resultado tanto leva a nossa mente a viajar pela imensidão cósmica, como a embrenhar-se nas profundezas da nossa célula mais minúscula, sendo o disco perfeito para tratar da necessidade primária que todos nós temos, de longe a longe, fugir ao ritmo alucinante desta modernidade que nos absorve, enquanto acende nos nosso corações algumas fogueiras em redor das quais nos sentamos juntamente com todas as faces da nossa individualidade, com o propósito claro de encontrar as melhores saídas para os dilemas que nos afligem ou, simplesmente, usufruir da companhia de todas as vertentes do nosso eu.

The Sundog provoca, de imediato, um sorriso inconsciente, porque não só se escuta de um só travo, quase sem se dar por isso, mas também porque está recheado de canções otimistas, alegres e, sem deixarem de ter o indispensável conteúdo reflexivo e intimista que está sempre subjacente a um alinhamento que quer deixar uma marca enquanto se debruça sobre alguns dos dilemas existenciais típicos da adolescência, sejam eles mais ou menos incisivos no modo como regem a nossa presença neste mundo.

Assim, e olhando de modo mais concreto para as canções de The Sundog, se Stuck Being Me é uma daquelas composições que automaticamente nos colocam a refletir acerca daquilo que é o nosso eu e se está tudo bem ou não com ele, já Unwind é o tema perfeito para nos deixar a divagar, enquanto nos deixamos seduzir por uma brisa leve e aconchegante que nos leva sabe-se lá para onde. Já completamente absorvidos por um início de alinhamento tão intenso e incandescente, levamos um soco no baixo ventre quando entra pelos nossos ouvidos o baixo narcótico em que navega Blue Wave, canção que, quanto a mim (e como ninguém vai ler isto, posso dizê-lo abertamente), tem na sua génese tudo para ser sexualmente bastante apelativa e funcionar como um verdadeiro e eficaz estimulante. Na verdade, quer esta Blue Wave, quer a mais espraiada Rainbow Island, parecem uma espécie de parelha inseparável, dois temas que se enrolaram sem apelo nem agravo, envoltos numa sonoridade que faz com que pareçam ter estado presas num qualquer transítor há várias décadas e que finalmente libertadas com o aconchego que a evolução tecnológica destes dias permite, ficaram disponíveis algures num assento almofadado virado para uma solarenga praia, no início daquela madrugada que todos vivemos uma vez na vida, ou na cama mais confortável lá de casa, com vista para um vasto oceano de questões existenciais, que entre o arrojado e o denso, oferece-nos uma estadia de magia e delicadeza invulgares.

Até ao final aguardam-nos muitas outras surpresas e instantes de difícil mas bastante acessível e recompensadora catalogação sonora, que experimentados à boleia do hipnótico cinismo de Comet Loop, da simplicidade crua e boémia de Love In The Clouds e da exuberância e majestosidade de Groove Baby Groove, permitem-nos a absorção plena e dedicada de uma assumida quietude algo celestial, onde o retro se confunde com charme, uma simbiose à qual é impossível ficar indiferente, até porque se situa num patamar superior de abrangência.

The Sundog tem aquele groove que não deixa ninguém indiferente e um conteúdo, quer lirico, quer instrumental, suficientemente sólido para oferecer ao ouvinte uma experiência auditiva particularmente marcante e imersiva, mas também para o fazer sentir-se rodeado de sensações amenas e relaxantes É, no fundo, uma mistura equilibrada, sóbria e bem sucedida entre o passado e o presente e uma épica jornada de conforto e prazer perfeita para um verão que exige festa e alegria incontrolados, mas também períodos de recolhimento e revisão pessoal. Espero que aprecies a sugestão...

Golf Alpha Bravo - The Sundog

01. Stuck Being Me
02. Unwind
03. Blue Wave
04. Rainbow Island
05. Groove Baby Groove
06. Love In The Clouds
07. Mo’ Clouds
08. Golden Deep
09. Comet Loop
10. Night Glow Drip
11. Dream Baker

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publicado por stipe07 às 15:48

The National – Never Tear Us Apart

Sexta-feira, 06.03.20

The National - Never Tear Us Apart

Ainda não tem um ano nos escaparates I Am Easy To Find, o oitavo registo de originais dos norte-americanos The National, mas a banda de Matt Berninger e dos irmãos Dessner e Devendorf mantém-se ativa e acaba de divulgar uma versão espetacular de Never Tear Us Apart, um clássico dos anos noventa do século passado, assinado pelos australianos INXS de Michael Hutchence.

O objetivo deste lançamento dos The National, numa revisitação que soube manter a grandiosidade do clássico, entalhando nele aquela sombra e rugosidade típicas da banda nova iorquina, é ajudar as vítimas dos incêndios na Austrália, fazendo a canção parte do alinhamento de Songs for Australia, uma complição que junta uma série de artistas com a mesma missão. Confere...

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publicado por stipe07 às 18:43






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