man on the moon
music will provide the light you cannot resist! ou o relato de quem vive uma nova luz na sua vida ao som de algumas das melhores bandas de rock alternativo do planeta!
Matt Corby – Know It All
Há pouco mais de uma década, no meio da interminável vaga de novos artistas que iam surgindo todos os dias e que foram consolidando os alicerces de um blogue já numa fase de afirmação consistente da sua existência, houve alguns autores que, nesse inesquecível ano de dois mil e doze, acabaram por ficar na retina da nossa redação. Um deles foi o australiano Matt Corby, músico cujo primeiro single, Brother, editado no verão desse ano e grande destaque de um EP intitulado Into The Flame, soou do lado de cá como um daqueles singles revelação e que fez querer descobrir, na altura, toda a obra que esse artista já tinha lançado.

Entretanto, há quase três anos, na alvorada da primavera de dois mil e vinte e três, e depois de no final de dois mil e vinte e quatro termos divulgado um single intitulado Problems, Matt Corby voltou aos nossos radares, também pouco mais de dois anos depois de um par de canções chamadas If I Never Say a Word e Vitamin, que o músico lançou em dois mil e vinte. E fê-lo à boleia de um disco intitulado Everything's Fine, o terceiro da sua carreira, um alinhamento de onze canções gravado nos Rainbow Valley Studios com Chris Collins e que foi cuidadosamente dissecado pela nossa redação.
Agora, Matt corby anuncia finalmente o sucessor de Everything's Fine. Trata-se de um trabalho intitulado Tragic Magic. É um registo com treze canções, que vai ver a luz do dia a seis de março e que resultou de dezoito meses de árduo trabalho de composição e gravação em estúdio e que foi produzido por Chris Collins, seu habitual colaborador.
Do seu alinhamento revelámos, no início de dezembro último, o single Burn It Down, uma composição repleta de soul, com um groove e uma luminosidade ímpares. Cerca de duas semanas depois tivemos para escuta Big Ideas, mais um dos momentos altos do alinhamento de Tragic Magic, uma composição angulosa e com um perfil percussivo bastante vincado, assente num vigoroso baixo e em alguns entalhes orgànicos.
Agora no início de dois mil e vinte e seis, já é possível conferir o terceiro tema retirado do alinhamento de Tragic Magic. É uma longa canção chamada Know It All, que tem um piano intrincado, buliçoso e tocante como grande trave mestra. As suas teclas trocam com o timbre adocicado vocal ligeiramente reverberado de Corby, um emaranhado de subtilezas, olhares e toques, aparecendo a bateria e uma secção de cordas a dois minutos do fim, com o intuíto de ampliar o perfil tocante e sensitivo de Know It All. O resultado final é charmoso, intimista e intenso, plasmando alguns dos melhores atributos de um artista inovador e bastante criativo e que, no modo como agrega, burila e mistura o orgânico e o sintético, mostra uma saudável e sedutora faceta marcadamente contemporânea. Confere...

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Matt Corby – Big Ideas
Há pouco mais de uma década, no meio da interminável vaga de novos artistas que iam surgindo todos os dias e que foram consolidando os alicerces de um blogue já numa fase de afirmação consistente da sua existência, houve alguns autores que, nesse inesquecível ano de dois mil e doze, acabaram por ficar na retina da nossa redação. Um deles foi o australiano Matt Corby, músico cujo primeiro single, Brother, editado no verão desse ano e grande destaque de um EP intitulado Into The Flame, soou do lado de cá como um daqueles singles revelação e que fez querer descobrir, na altura, toda a obra que esse artista já tinha lançado.

Entretanto, há quase três anos, na alvorada da primavera de dois mil e vinte e três, e depois de no final do ano anterior termos divulgado um single intitulado Problems, Matt Corby voltou aos nossos radares, também pouco mais de dois anos depois de um par de canções chamadas If I Never Say a Word e Vitamin, que o músico lançou em dois mil e vinte. E fê-lo à boleia de um disco intitulado Everything's Fine, o terceiro da sua carreira, um alinhamento de onze canções gravado nos Rainbow Valley Studios com Chris Collins e que foi cuidadosamente dissecado pela nossa redação.
Agora, Matt corby anuncia finalmente o sucessor de Everything's Fine. Trata-se de um trabalho intitulado Tragic Magic. É um registo com treze canções, que vai ver a luz do dia a seis de março do próximo ano e que resultou de dezoito meses de árduo trabalho de composição e gravação em estúdio e que foi produzido por Chris Collins, seu habitual colaborador.
Do seu alinhamento revelámos, no início do mês, o single Burn It Down, uma composição repleta de soul, com um groove e uma luminosidade ímpares. Agora temos para escuta Big Ideas, mais um dos momentos altos do alinhamento de Tragic Magic.
Tragic Magic é uma composição angulosa, com um perfil percussivo bastante vincado, assente num vigoroso baixo e em alguns entalhes orgànicos, num resultado final charmoso, intimista, mas intenso e que plasma alguns dos melhores atributos de um artista inovador, bastante criativo e que, no modo como agrega, burila e mistura o orgânico e o sintético, mostra uma saudável e sedutora faceta marcadamente contemporânea. Confere...

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Matt Corby – Burn It Down
Há pouco mais de uma década, no meio da interminável vaga de novos artistas que iam surgindo todos os dias e que foram consolidando os alicerces de um blogue já numa fase de afirmação consistente da sua existência, houve alguns autores que, nesse inesquecível ano de dois mil e doze, acabaram por ficar na retina da nossa redação. Um deles foi o australiano Matt Corby, músico cujo primeiro single, Brother, editado no verão desse ano e grande destaque de um EP intitulado Into The Flame, soou do lado de cá como um daqueles singles revelação e que fez querer descobrir, na altura, toda a obra que esse artista já tinha lançado.

Entretanto, há quase três anos, na alvorada da primavera de dois mil e vinte e três, e depois de no final do ano anterior termos divulgado um single intitulado Problems, Matt Corby voltou aos nossos radares, também pouco mais de dois anos depois de um par de canções chamadas If I Never Say a Word e Vitamin, que o músico lançou em dois mil e vinte. E fê-lo à boleia de um disco intitulado Everything's Fine, o terceiro da sua carreira, um alinhamento de onze canções gravado nos Rainbow Valley Studios com Chris Collins e que foi cuidadosamente dissecado pela nossa redação.
Agora, Matt corby anuncia finalmente o sucessor de Everything's Fine. Trata-se de um trabalho intitulado Tragic Magic. É um registo com treze canções, que vai ver a luz do dia a seis de março do próximo ano e que resultou de dezoito meses de árduo trabalho de composição e gravação em estúdio e que foi produzido por Chris Collins, seu habitual colaborador.
Do seu alinhamento acaba de ser revelado o single Burn It Down. Uma bateria de forte timbre nostálgico, um baixo insinuante e um piano expressivo, instrumentos tocados pelo próprio Corby, são as grandes forças motrizes de uma composição repleta de soul, com um groove e uma luminosidade ímpares, que resultam numa espécie de indie jazz psicadélico, bastante vibrante e policromático, aprofundado pelo cariz sensual da postura vocal de Corby. Confere...

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Radio Free Alice - Rule 31
Formados em dois mil e vinte e liderados pelo vocalista Noah Learmonth, ao qual se juntam o guitarrista Jules Paradiso, o baixista Michael Phillips e o baterista Lochie Dowd, os australianos Radio Free Alice lançaram no início deste ano um excelente tema intitulado Empty Words e acabam de chamar a atenção do nosso radar, devido a Rule 31, mais um novo single deste projeto sedeado em Melbourne e que se prepara para entrar em digressão no próximo ano e no seu país natal, com os nova iorquinos Geese, uma tournée com passagens por cidades como Sidney, Melbourne ou Perth.

Produzida pelo mítico Peter Katis, Rule 31 é uma poderosa canção, que transporta nos seus pouco mais de quatro minutos, a melhor herança daquele punk rock que marcou o início deste milénio e que bandas como os The Strokes, Bloc Party, ou LCD Soundsystem ajudaram a cimentar e a escalar globalmente.
Uma linha de baixo potentíssima, que constitui, diga-se, o esqueleto da composição e que é depois exemplarmente acompanhada por uma guitarra com uma poderosa distorção metálica aguda e uma bateria frenética, são os três ingredientes essenciais de Rule 31, um tema enleante e épico, uma incrível explosão sónica de pós punk, conseguida com apreciável crueza e espontaneidade instrumental. Confere...
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Hazel English - Gimme
Artista debaixo dos holofotes da crítica mais atenta desde que lançou há pouco mais de meia década o EP Give In / Never Going Home, Hazel English estreou-se nos discos em dois mil e vinte com Wake Up!, um buliçoso alinhamento de dez composições que nos ofereceram uma bagagem nostálgica tremendamente impressiva, já que, ao escutarmos o registo, parecia que embarcavamos numa máquina do tempo rumo à melhor pop que se fazia há mais ou menos meio século e que ainda hoje influencia fortemente alguns dos melhores nomes da indie contemporânea.

Na primavera dois mil e vinte e três, e já depois de no final de dois mil e vinte e um nos ter brindado com um inédito intitulado Nine Stories, que foi grande destaque de um EP chamado Summer Nights, lançado no verão do ano seguinte, a cantora australiana a residir atualmente em Oakland, nos Estados Unidos, voltou à carga com uma belíssima cover de Slide, um icónico tema dos anos noventa assinado pelos míticos Goo Goo Dolls de Johnny Rzeznik, Robby Takac, George Tutuska e Mike Malinin.
No outono desse mesmo ano de dois mil e vinte e três, Hazel English deliciou-nos com uma novidade intitulada Heartbreaker, que na altura ainda não trazia atrelado o anúncio de um novo disco da artista e que contava nos créditos de produção com Jackson Phillips, aka Day Wave, seu colaborador de longa data. No entanto, esse segundo registo de originais da cantora de Oakland tornou-se mesmo uma realidade em dois mil e vinte e quatro, com Real Life, um alinhamento de onze canções que marcou mais um capitulo nesta profícua parceria com Day Wave.
Real Life era um regalo para os ouvidos de quem aprecia canções com uma forte tonalidade pop e que estejam adocicadas com aquele registo sonoro que, sem ser demasiado ligeiro e radiofónico, consegue ser constantemente sedutor e instigador. Liricamente, e como seria de esperar, o álbum era uma espécie de tratado filosófico sobre desencontros amorosos e sobre a necessidade de saber seguir em frente quando uma relação termina, ou quando há algo na nossa vida que de certo modo nos emperra e não deixa que o rumo delineado seja calcorreado sem atropelos de maior.
Oito meses depois do lançamento de Real Life, em agosto último, Hazel English regressou ao nosso radar com Baby Blue, uma canção escrita e meias com Jackson Phillips e Rutger van Woudenberg, que também assinou a produção da composição, juntamente com Hazel. Baby Blue era um oásis de pop etérea e solarenga, com um forte travo chillwave, que assentava numa guitarra com um timbre metálico ziguezagueante intenso, algumas sintetizações subtilmente charmosas e um registo vocal ecoante.
Já em outubro tivemos para escuta mais uma novidade de Hazel English, intitulada Calgary, gravada em Londres e escrita com a inestimável ajuda de Frank Colucci. Versando sobre a magia de um amor que tem tudo para correr bem, Calgary começou por impressionar pelo timbre metálico ecoante e psicadélico de uma guitarra, que era depois trespassada por outros efeitos enleantes, uma bateria frenética e um baixo lúcido, num registo pop solarengo, cativante e charmoso.
Agora, quase no ocaso de novembro, temos para escuta Gimme, uma nova canção de Hazel English, que também conta nos créditos da escrita e da produção com Jackson Phillips, aka Day Wave, já acima citado. Apostando no habitual registo sonoro da artista, já descrito e que aposta muito no frenesim percurssivo e no timbre metálico ecoante das guitarras, Gimme é uma canção charmosa e radiante, criada por uma cantora e compositora que, com uma mão na indie folk e a outra no rock alternativo, letra após letra, verso após verso, abre-se connosco enquanto discute consigo mesma e coloca-nos na primeira fila de uma vida, a sua, que acontece mesmo ali, diante de nós. Confere Gimme e o vídeo do tema, gravado num terminal do aeroporto JFK, entretanto encerrado, chamado Twilight Flight Center, construído em mil novecentos e sessenta e dois e convertido num hotel temático em dois mil e um...
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GUM – Expanding Blue
GUM é um projeto a solo liderado pelo australiano Jay Watson, um músico com ligações estreitas aos POND e aos Tame Impala, que em dois mil e vinte e três fez faísca pela primaira vez no nosso radar devido a um disco intitulado Saturnia, um alinhamento de dez canções que viu a luz do dia no final do verão desse ano e que sucedeu ao registo Out In The World, que o artista lançou em dois mil e vinte.

Cerca de um ano depois, em julho de dois mil e vinte e quatro, GUM regressou à nossa esfera sonora devido a um álbum intitulado Ill Times, um alinhamento de dez canções que teve a chancela da p(doom) Records, a etiqueta dos King Gizzard e que Jay Watson incubou a meias com Ambrose Kenny-Smith, um dos elementos fundamentais dos King Gizzard. Este registo era um estrondoso hino à melhor herança do rock psicadélico setentista do século passado, cheio de canções imponentes, repletas de guitarras encharcadas com riffs impetuosos, um perfil orgânico muitas vezes embrulhado por uma vasta pafernália de sintetizações cósmicas, às quais competia um extraordinário papel de adorno, num resultado final repleto de guinadas, interseções, detalhes inesperados e trechos de puro experimentalismo.
Agora, na reta final de dois mil e vinte e cinco, Jay Watson oferece-nos um novo tema, um composição intitulada Expanding Blue. Mantendo o ADN identitário deste projeto GUM, Expanding Blue, uma canção sobre as sensações de serendidade e de liberdade que um amor correspondido oferecem-nos sempre, permite-nos contemplar quase cinco minutos sonoros de acusticidade ecoante e contemplativa, feitos com guitarras dedilhadas com minúcia e alguns arranjos de outros instrumentos de cordas, acompanhados por um subtil piano insinuante e por diversos efeitos de proveniência sintética que oferecem ao tema o indispensável travo lisérgico que este projeto carrega sempre consigo, independentemente da carga emotiva das suas composições. Confere...

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Vancouver Sleep Clinic – Beyond All Reason
É sempre com agrado que recordamos na nossa redação um dos discos que mais nos marcou no já longínquo ano de dois mil e dezanove. O trabalho chamava-se Onwards To Zion e era assinado, quase na íntegra, por Tim Bettinson, o músico e compositor australiano que encabeça o projeto Vancouver Sleep Clinic. Era, à altura, o segundo registo de originais de um projeto que ficou logo debaixo de merecidos holofotes, não só da crítica dos antípodas, mas também de diversas outras latitudes do nosso globo e que tinha como grande força motriz a perca de um amigo muito chegado do músico, sendo um exercício de catarse dessa inevitável dor.

Vancouver Sleep Clinic tinha estado pela última vez no nosso radar devido a Fallen Paradise, o álbum que o projeto lançou em dois mil e vinte e dois, o terceiro do grupo, um alinhamento de dez canções que tinha a chancela da Believe e que nos ofereceu pouco mais de trinta e seis minutos de música bastante envolvente, intimista e charmosa. Era um disco intenso, riquíssimo em detalhes e nuances, orquestralmente chegava a ser extravagante em alguns momentos e era tocante, já que exalava, em praticamente todo o seu alinhamento, sentimentos que, à partida, mexem sempre com o nosso âmago e o nosso lado mais irracional.
Agora, no outono de dois mil e vinte e cinco, Vancouver Sleep Clinic impressiona-nos novamente devido a um novo tema Beyond All Season. Trata-se de uma canção sentimentalmente intensa e hipnotizante, com uma elevada luminosidade intimista, que desagua numa feliz interseção entre música clássica eletrónica e pop ambiental, abraçada à voz sempre tocante de Tim, que não deixa ninguém passar incólume e que pode servir como ponte vigorosa, estável e firme para uma travessia segura rumo a um território de aconchego inimitável. Confere...

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Tame Impala – Deadbeat
Cinco anos após The Slow Rush e a testar os limites da nossa paciência devido a tão prolongado hiato, os australianos Tame Impala de Kevin Parker voltaram, finalmente, aos discos com Deadbeat, o quinto e novo registo de originais do projeto, um alinhamento com doze músicas gravadas, produzidas e misturadas pelo próprio Parker no estúdio do artista em Fremantle, na Austrália, onde reside e que, tendo a chancela da Columbia Records, é bastante inspirado na cultura bush doof na cena rave da Austrália Ocidental.

Os seguidores mais atentos do universo sonoro indie, habituaram-se, na última década e meia, a estar sempre particularmente atentos a tudo aquilo em que Kevin Parker fosse criando, quer nos Tame Impala, quer noutros projetos paralelos, ou como convidado. Ao início as cordas do baixo e das guitarras foram sempre suas fiéis aliadas, mas a verdade é que os sintetizadores têm vindo, ao longo dos anos, a ganhar cada vez maior primazia no seu modus operandi e a pop a tornar-se o princial alvo, em detrimento do rock progressivo e psicadélico.
Esta constante mutação sonora, que nunca deixou de ser também evolutiva, acabou por plasmar um importante aspeto da personalidade deste músico, que sempre se mostrou avesso a restrições, seguidismos e balizamentos e que foi perdendo o receio de assumir-se como amante da música de dança, reforçando, ao mesmo tempo o desejo de se vir a tornar num DJ de referência.
Deadbeat é o culminar de toda esta epopeia transformadora e reveladora, num disco que já tem muito pouco, ou praticamente nada, de Currents e que acaba também por cornfirmar as fortes suspeitas relativamente a esta guinada definitiva, que o álbum The Slow Rush já nos tinha deixado em dois mil e vinte. Ao longo de quase uma hora, Parker transforma a sua mente numa enorme pista de dança e oferce-nos um lugar na fila da frente da sua festa privada, com stream aberto, cimentando um ponto forte que este músico sempre teve, que é a capacidade de se conetar com cada um de nós, em particular com todos aqueles que se sentem mais excluídos ou marginalizados, algo bem patente no tema Loser, que tem nas poucas cordas mágicas de uma guitarra do disco e no registo vocal ecoante de Parker aquela marca psicotrópica setentista que tipifica grande parte do catálogo sonoro dos Tame Impala. No entanto, o curioso travo funk do perfil percurssivo do tema, oferece ao mesmo uma tonalidade psicadélica incontestável, numa canção plena de contemporaneidade, mas também com um forte pendor nostálgico, uma das imagens de marca deste projeto.
Antes disso, a abrir o registo, na batida orgânica e lo fi de No Reply, Parker amplifica ainda mais esta ligação que pretende estabelecer com uma audiência que raramente se revê no mainstream, com My Old Ways, tema que abre o disco, a calcorrear territórios um pouco mais intimistas, através de um perfil sonoro com levado travo jazzístico, apesar do registo percussivo sintético, mais uma marca que não é propriamente transversal ao catálogo Tame Impala.
A partir daí, a ecoante Oblivion tem a curiosidade de tocar perigosamente nas fronteiras do techno e a flutuante Not My World acaba por ter um efeito algo hipnótico, apenas afagado por uma melodia cintilante em tom de sino, numa espécie de deep house experimental, também pouco visto no projeto.
Até ao ocaso de Deadbeat, um disco cheio de batidas grandes e vazias que ecoam pelo espaço, na curiosa abordagem ao trance em Ethereal Connection, no piscar de olhos à pop sessentista em See You On Monday (You're Lost) e na eletropop de Dracula, uma canção que aponta baterias para aquilo que nomes como os Justice ou The Weeknd trouxeram para a ribalta já neste século, continua um desfile algo inócuo e inconsequente daquilo a que se pode chamar de uma admirável tentativa de Parker de propor algo novo e que de algum modo redifina a sua própria identidade enquanto artista.
Em suma, essencialmente através de drum machines ligadas desleixadamente a amplificadores de guitarra e deixadas a rodar enquanto reproduzem loops algo rudimentares, Deadbeat acaba, no seu todo, por ter um efeito algo oposto aquilo que a boa música de dança deveria de ter, nomeadamente um poderoso efeito libertador e até terapêutico. Espero que aprecies a sugestão...

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Courtney Barnett – Stay In Your Lane
Quase quatro anos depois de Things Take Time, Take Time, um álbum que figurou na sétima posição dos melhores álbuns de dois mil e vinte e um para esta redação, Courtney Barnett está de regresso ao nosso radar devido a um novo single intitulado Stay In Your Lane, tema que tem a chancela da o selo Mom + Pop Music e que, para já, ainda não traz atrelado um novo disco da artista australiana.

Stay In Your Lane assenta na destemida companheira de sempre de Barnett, a guitarra, neste caso amiúde salutarmente abrasiva, mas também com o baixo a querer mostrar-se interventivo numa canção com um imparável groove insinuante. São detalhes que pintam um belíssimo quadro sonoro de indie rock, quente e tremendamente elegante, servindo para consolidar a já elevada maturidade desta artista e o modo como consegue, definitivamente, ampliar o seu espetro de influências, sem colocar em causa a sua assência. Confere Stay In Your Lane e o vídeo do tema assinado por Alex Ross Perry...

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Hazel English - Calgary
Artista debaixo dos holofotes da crítica mais atenta desde que lançou há pouco mais de meia década o EP Give In / Never Going Home, Hazel English estreou-se nos discos em dois mil e vinte com Wake Up!, um buliçoso alinhamento de dez composições que nos ofereceram uma bagagem nostálgica tremendamente impressiva, já que, ao escutarmos o registo, parecia que embarcavamos numa máquina do tempo rumo à melhor pop que se fazia há mais ou menos meio século e que ainda hoje influencia fortemente alguns dos melhores nomes da indie contemporânea.

Na primavera dois mil e vinte e três, e já depois de no final de dois mil e vinte e um nos ter brindado com um inédito intitulado Nine Stories, que foi grande destaque de um EP chamado Summer Nights, lançado no verão do ano seguinte, a cantora australiana a residir atualmente em Oakland, nos Estados Unidos, voltou à carga com uma belíssima cover de Slide, um icónico tema dos anos noventa assinado pelos míticos Goo Goo Dolls de Johnny Rzeznik, Robby Takac, George Tutuska e Mike Malinin.
No outono desse mesmo ano de dois mil e vinte e três, Hazel English deliciou-nos com uma novidade intitulada Heartbreaker, que na altura ainda não trazia atrelado o anúncio de um novo disco da artista e que contava nos créditos de produção com Jackson Phillips, aka Day Wave, seu colaborador de longa data. No entanto, esse segundo registo de originais da cantora de Oakland tornou-se mesmo uma realidade em dois mil e vinte e quatro, com Real Life, um alinhamento de onze canções que marcou mais um capitulo nesta profícua parceria com Day Wave.
Real Life era um regalo para os ouvidos de quem aprecia canções com uma forte tonalidade pop e que estejam adocicadas com aquele registo sonoro que, sem ser demasiado ligeiro e radiofónico, consegue ser constantemente sedutor e instigador. Liricamente, e como seria de esperar, o álbum era uma espécie de tratado filosófico sobre desencontros amorosos e sobre a necessidade de saber seguir em frente quando uma relação termina, ou quando há algo na nossa vida que de certo modo nos emperra e não deixa que o rumo delineado seja calcorreado sem atropelos de maior.
Oito meses depois do lançamento de Real Life, em agosto último, Hazel English regressou ao nosso radar com Baby Blue, uma canção escrita e meias com Jackson Phillips e Rutger van Woudenberg, que também assinou a produção da composição, juntamente com Hazel. Baby Blue era um oásis de pop etérea e solarenga, com um forte travo chillwave, que assentava numa guitarra com um timbre metálico ziguezagueante intenso, algumas sintetizações subtilmente charmosas e um registo vocal ecoante.
Agora, cerca de três meses depois, temos para escuta mais uma novidade de Hazel English, intitulada Calgary, gravada em Londres e escrita com a inestimável ajuda de Frank Colucci. Versando sobre a magia de um amor que tem tudo para correr bem, Calgary começa por impressionar pelo timbre metálico ecoante e psicadélico de uma guitarra, que é depois trespassada por outros efeitos enleantes, uma bateria frenética e um baixo lúcido, num registo pop solarengo, cativante e charmoso, criado por uma cantora e compositora que, com uma mão na indie folk e a outra no rock alternativo e também na eletrónica, letra após letra, verso após verso, abre-se connosco enquanto discute consigo mesma e coloca-nos na primeira fila de uma vida, a sua, que acontece mesmo ali, diante de nós. Confere Calgary e o vídeo do tema, assinado por Justin Taylor Smith e gravado na paradisíaca paisagem de Banff, um dos cartões postais do Canadá...
