Sábado, 11 de Maio de 2019

Night Moves – Strands Align

Night Moves - Strands Align

Será a vinte e oito de junho próximo que chegará aos escaparates e através da insuspeita Domino Records, Can You Really Find Me, o novo registo de originais da dupla norte-americana Night Moves, formada por Micky Alfano e John Pelant, sendo o último o principal responsável pela escrita das canções neste projeto. Can You Really Find Me foi produzido por Jim Eno, membro fundador e baterista dos Spoon, nos estúdios Public Hi-Fi em Austin, no Texas e contou com as participações especiais dos músicos Mark Hanson e Chuck Murlowski.

Sedeados em Minneapolis, estes Night Moves apostam todas as fichas numa espécie de mistura entre um country cósmico e o típico rock psicadélico, um caldeirão improvável mas perfeito para incubar canções texturalmente ricas e que acabam por encarnar deliciosos tratados de epicidade e lisergia, como será certamente possível atestar no conteúdo de Can You Really Find Me.

Para já podemos deliciar-nos com Strands Align, o primeiro avanço já revelado de Can You Really Find Me, uma verdadeira orgia lisérgica que nos catapulta, em simultâneo, para duas direções aparentemente opostas, a indie folk psicadélica e o rock experimental. Confere...


autor stipe07 às 13:29
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Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2019

Missio – Rad Drugz

Missio - Rad Drugz

Os electro rockers norte americanos Missio vão regressar aos discos este ano, via RCA Records e em dose dupla com The Darker The Weather the Better The Man. The Darker The Weather (Part 1), chega aos escaparates a vinte e nove de março e The Better The Man (Part II) lá mais para o verão.

Os artistas rock estão nos dias de hoje debaixo dos holofotes e, para muitos, ser membro de uma banda é sinónimo, muitas vezes, de ser alguém que sofe de uma adição a drogas e a sexo e de ser alguém irresponsável, imaturo e rebelde. Por outro lado, a sensação que muitas vezes existe é que é cada vez menor a separação entre aquilo que é o conteúdo musical em si e a personalidade do artista, uma ideia claramente errada porque a autobiografia sonora é, na minha opinião, cada vez menos uma realidade. Por isso, geralmente nunca esperamos que os nossos gurus do rock sejam modelos de virtude, mesmo quando conseguem evitar enveredar pela espiral de decadência que a fama muitas vezes potencia.

A crítica a estas ideias pré-concebidas e erradas e uma novela russa cheia de personagens disfuncionais são as ideias centrais de Rad Drugz!, o primeiro single divulgado deste novo registo dos Missio, uma dupla oriunda de Austin, no Texas, uma empolgante composição rica de linhas de baixo encorpadas, um riff de guitarra pulsante e uma batida sintetizada, idealizada com o intuíto de fazer dançar todos aqueles que gostam de abanar a anca mas deprezam terrenos sonoros como o house, o discosound e afins. Confere...


autor stipe07 às 14:06
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Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2019

Quiet Company – Aloha

Quiet Company - Aloha

Oriundos de Austin, no Texas, os Quiet Company, estrearam-se no já longínquo ano de dois mil e seis com o registo Shine Honesty e são atualmente formados por Taylor Muse, o cantor, escritor e grande mentor da banda, o guitarrista Tommy Blank, o baixista Trevor Dowdy, o baterista Jeff Stringer e o multi-instrumentista Bill Gryta.

Já neste mês de janeiro os Quiet Company vão editar On corners & Shapes, o terceiro de uma série de eps que têm dado a conhecer aos seus fãs desde o longa duração Your Husband, the Ghost, de dois mil e dezassete e, em jeito de antecipação, acabam de revelar Aloha, um lindíssimo tema que impressiona pelo modo seu grau de intimismo, mas também de epicidade, com o piano e alguns efeitos de cordas a assumirem as rédeas melódicas e a sustentarem diversas mudanças de ritmo. Confere...


autor stipe07 às 16:48
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Terça-feira, 4 de Julho de 2017

Abram Shook – Love At Low Speed

Depois dos fantásticos Sun Marquee e Landscape Dream, Abram Shook regressou em 2017 aos discos com Love At Low Speed, dez canções que deverão certamente muito do seu conteúdo e da sua alma a uma estadia recente do músico na Europa, com passagem demorada no nosso país. Penitencio-me desde já publicamente por não ter estado com Shook durante a sua presença por Portugal na última primavera, mas se a vida é feita muitas vezes de encontros fortuítos, também é, infelizmente, assídua em desencontros inevitáveis, porque quer a vida pessoal quer a vida profissional não propiciam, com frequência, a que possamos estar onde queremos e quando desejamos.

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A ideia romântica da busca espiritual do nosso âmago sempre fez parte do imaginário de quem desde muito cedo se habituou a ser sistematicamente auto reflexivo e a exigir mais do que o normal quer de si próprio quer do mundo que o rodeia. E Shook é um indivíduo que tem bastante impressa em si esta filosofia. Este músico e compositor natural de Austin, no Texas e tendo crescido em Santa Cruz, na Califórnia, desde muito novo sentiu alguma dificuldade em perceber qual o seu lugar neste mundo e, tendo a felicidade de ter condições materiais para isso, aventurou-se pelo mundo numa odisseia espiritual que ainda hoje prossegue e que lhe tem permitido absorver várias culturas e perceber outras realidades, algo que se reflete nas canções que cria.

Estas duas facetas, a musical e a de viajante, vão, álbum após álbum, aprimorando a sua particular minúcia relativamente ao modo impressivo como relata acontecimentos reais ou fictícios e de um modo sempre algo romancista. Seja como for, está sempre muito presente o  muitas vezes o cariz autobiográfico, com canções como Lisbon ou The Hours a serem exemplos claros de relatos de instantes de estadia ou de transição entre lugares.

Abram é, nitidamente, um viajante que gosta de explorar o mundo musicalmente e dos sons que cria extrair diferentes sensações. Ele tem a pop de índole mais acústica como guia espiritual, mas acaba por cometer o pecado da gula quando também se serve de um imenso cardápio que, do jazz ao experimentalismo eletrónico e à psicadelia, abarca um vasto espetro referencial, principalmente ao nível dos detalhes e dos arranjos com que adorna os seus temas. Do baixo vibrante de No Return, às guitarras que piscam o olho ao rock setentista em Eventually, passando pela vibe surf de Machinery ou a tropicália de Device e o charme algo inquietante de Quiet Side, são vários os pontos altos de um disco que sendo, claramente, um compêndio intimista, também se mostra expansivo e luminoso e, em determinados instantes, detentor de um açucar muito próprio e um pulsar particularmente emotivo e rico em sentimento.

Love At Low Speeed é mais uma materialização concreta de melodias que vivem à sombra de uma herança natural típica de quem teve o jazz como elemento base da formação musical e quis reforçar, no terceiro capítulo da sua discografia, uma nova abordagem, desta vez mais orgânica, a diferentes géneros musicais, sendo confessadamente influenciado por nomes que são referências de géneros diversos, nomeadamente Shuggie Otis, Serge Gainsbourg ou o brasileiro Chico Buarque. Espero que aprecies a sugestão..

Abram Shook - Love At Low Speed01. The Hours

02. Eventually
03. Lies
04. Divinity
05. Red Lines
06. Machinery
07. No Return
08. Device
09. Lisbon
10. Quiet Side


autor stipe07 às 21:31
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Segunda-feira, 20 de Março de 2017

Spoon - Hot Thoughts

Um dos trabalhos discográficos mais aguardados no início deste ano é, claramente, Hot Thoughts, o nono álbum de originais dos Spoon de Britt Daniel, dez canções que marcam o regresso da banda deste coletivo a uma casa que bem conhece, a Matador Records, que em 1996 editou Telephono, o disco de estreia destes texanos. Produzido pela banda e por Dave Fridmann, Hot Thoughts tem também a curiosidade de ser o primeiro disco dos Spoon a não contar com Mick Harvey, que abandonou o projeto depois da digressão de suporte a They Want My Soul (2014), o antecessor deste Hot Thoughts.

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Há quem considere os Spoon como a banda indie mais relevante dos últimos vinte anos e se afirmações deste calibre apenas encontram razão de ser na liberdade que cada um tem de exprimir livremente a sua opinião, a verdade é que este Hot Thoughts é um trunfo de peso para os defensores dessa tese. E ao longo do alinhamento do registo são vários os instantes sonoros que deslumbram o ouvinte mais incauto; O efeito metálico da guitarra que conduz, com bravura, o tema homónimo que disserta sobre a extrema sensualidade de uma rapariga misteriosa, o groove libidinoso e festivo de Can I Sit Next To You, o clima algo narcótico e desafiante de Do I Have To Talk Into It, canção que se sustenta num curioso diálogo sonoro entre dois dos grandes pilares instrumentais dos Spoon, o baterista Jim Eno e o teclista Alex Fischel e que também brilham em First Caress, composição que vagueia à tona de alguns dos demónios que afligem a mente de Britt Daniel (Coconut milk, coconut water, You still like to tell me they’re the same, And who am I to say?), os sinos e o saxofone de Us ou os arranjos exóticos que adornam Pink Up, tema sobre uma viagem de comboio com destino à cidade marroquina de Marraquexe, são, talvez, os melhores fragmentos sonoros de um registo cheio de vida e cor, ecléctico, abrangente e contundente no modo como agrega grandes canções de modo directo, orgânico e enérgico.

Se a música é vista hoje em dia por Britt Daniel como uma experiência sensual e física e que apela diretamente às emoções, este é então o disco certo para qualquer um de nós poder sentir na pele tal permissa, de preferência comungando tal experiência com alguém predisposto a deixar-se levar com o mesmo grau de devoção por dez canções que representam um enorme salto qualitativo em frente na carreira dos Spoon e que acabam por colocar um enorme e excitante ponto de interrogação nos fãs e apreciadores da banda relativamente ao seu futuro sonoro. Espero que aprecies a sugestão...

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01 Hot Thoughts
02 WhisperI’lllistentohearit
03 Do I Have to Talk You Into It
04 First Caress
05 Pink Up
06 Can I Sit Next to You
07 I Ain’t the One
08 Tear It Down
09 Shotgun
10 Us


autor stipe07 às 17:56
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Terça-feira, 20 de Setembro de 2016

VoirVoir - There Are No Goodbyes

April Smith, Josh Maskornick, Matt Juknevic, Matt Molchany e Felicia Vee, são os VoirVoir, uma banda norte-americana natural de Bethlehem, na Pensilvânia e que acaba de se estrear nos lançamentos discográficos com There Are No Goodbyes, através da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

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Com dez excelentes composições de indie rock rugoso e monumental, There Are No Goodbyes é um intenso compêndio de garage rockpós punk e rock clássico, uma fusão de estilos e géneros que, como se percebe logo no single I Wanna, é dominada por aquela sonoridade crua, rápida e típica que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas. Logo aí se percebe qual é a bitola sonora destes VoirVoir e o alinhamento, na verdade, não defrauda os apreciadores do género, com temas do calibre da incisiva His Last Sound ou da ruidosa e inconstante If Miles Were Years, só para citar dois exemplos, a serem conduzidos por guitarras que apontam em diferentes direções, um baixo que não receia tomar as rédeas do conteúdo melódico e rítmico e alguns efeitos e arranjos que ajudam a destacar a forma corajosa como, logo na estreia, estes VoirVoir não se coibem de tentar experimentar, sem perturbar a conturbada homogeneidade de um alinhamento que raramente deixa de ser fluído e acessível, apesar de numerosos e ricos momentos de especificidade rugosa que personificam uma garra e uma criatividade que deverá, em edições futuras, empurrar e alargar as barreiras deste projeto, para um nível mais elevado de projeção.

Disco que tem até em Down Together uma canção excelente para funcionar como um ombro amigo que ajuda a consolar algumas angústias e problemas, There Are No Goodbyes existe para nos mostrar a vida tal como ela realmente se apresenta diante de nós e para satisfazer uma raiva que, se muitas vezes transcende certos limites e resvala para uma obscuridade aparentemente imutável e definitiva, geralmente nunca perde aquela consciência que nos permite continuar a avançar e a fintar as adversidades, mesmo que existam nos dias de hoje, na sociedade ocidental, dita civilizada, alguns eventos politicos ou económicos, moralmente de difícil compreensão para o mais comum dos mortais. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:12
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Quarta-feira, 29 de Junho de 2016

Mumblr - The Never Ending Get Down

Depois da espetacular estreia nos discos em 2014 com Full Of Snakes, os norte americanos Mumblr de Nick Morrison, Ian Amidon, Sean Reilly e Scott Stitzer, estão de regresso com o sucessor, um trabalho intitulado The Never Ending Get Down e que viu a luz do dia a dez de junho através da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Estes Mumblr mantêm-se apostados em criar hinos sonoros que plasmem diferentes manifestações de raiva adolescente, já que parece ser este o ideário lírico privilegiado das canções e da escrita de Nick Morrisson, que agora também se debruça na temática dos sonhos e das sensações que as recordações dos mesmos provocam. Por exemplo, o edifício melódico de Mud Mouth, carregado de variações rítmicas e a transpirar dores e anseios que, para desespero de tantos, insistem em não saltarem do irrealismo puro e Microwave, o primeiro single divulgado de The Never Ending Get Down, confirmam esta direção, que numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, contém aquela sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas.

Os Mumblr não desistem de segurar firme a bandeira de um estilo sonoro que do fuzz ao grunge, alinhado em redor de guitarras que explodem em elevadas doses de distorção, com raízes no rock alternativo da década de noventa, já foi várias vezes declarado extinto e fora de moda, muito por causa do cada vez maior uso da sintetização e de cuidados superlativos nos processos de arrumação e polimento do som, por parte das maiores bandas rock da atualidade. Este desejo, quase em jeito de desafio, por parte dos Mumblr, de se manterem íntegros a uma fórmula que dificilmente lhes renderá maiores dividendos do que uma pura e fiel devoção por parte de alguns seguidores e nos quais me incluo, saúda-se e, seguindo as pegadas firmemente impressas pelo excelente Full Of Snakes, The Never Ending Get Down revela um superior arrojo ao nível da construção arquitetónica das canções, agora mais heterógenas e menos diretas e incisivas, mas mais ricas, quer sonora, quer liricamente, como já expus acima. A feliz incostância da secção ritmíca e das guitarras em Three Leg Dog, uma canção onde Nick se expõe com invulgar avidez e os laivos de punk rock de cariz mais progressivo que palpitam em VHS, assim como, numa direção oposta, a forma como o baixo e os tambores de Push se entrelaçam cruamente com a guitarra, parecendo que os Mumblr tocam a canção no canto mais recôndito do nosso quarto, mesmo ali ao lado, são um claro exemplo de um vigor e de uma expressão estética que, olhando de frente para alguns ícones do rock alternativo dos anos noventa, com os Sonic Youth e os Nirvana à cabeça, estampa um olhar genuíno e único, sempre com uma sensação plena de controle, inclusive quando a própria temática das canções que, como já referi, exploram a dura realidade da nossa existência, até convidaria a um maior manifestação, através da sonoridade, de uma certa raiva ou descontrole emocional.

Quem espera encontrar nos Mumblr um ombro amigo para consolar as suas angústias e problemas, escuta Ugly Ugly, Tiny Tiny ou Last Stop e vai sentir-se defraudado e incompreendido porque eles estão cá para nos plasmar com alguns dos aspetos práticos do lado negro deste mundo e não para nos ensinar como lidar com ele. The Never Ending Get Down existe para nos mostrar a vida tal como ela realmente se apresenta diante de nós e para satisfazer uma raiva que, se muitas vezes transcende certos limites e resvala para uma obscuridade aparentemente imutável e definitiva, geralmente nunca perde aquela consciência que nos permite continuar a avançar e a fintar as adversidades, mesmo que existam nos dias de hoje, na sociedade ocidental, dita civilizada, alguns eventos politicos ou económicos, moralmente de difícil compreensão para o mais comum dos mortais. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 21:58
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Quarta-feira, 27 de Abril de 2016

Mumblr - Microwave

Depois da espetacular estreia nos discos em 2014 com Full Of Snakes, os norte americanos Mumblr de Nick Morrison, Ian Amidon, Sean Reilly e Scott Stitzer, estão de regresso com o sucessor, um trabalho intitulado The Never Ending Get Down e que irá ver a luz do dia a dez de junho através da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Estes Mumblr mantêm-se apostados em criar hinos sonoros que plasmem diferentes manifestações de raiva adolescente, já que parece ser este o ideário lírico privilegiado das canções e da escrita de Nick Morrisson, que agora também se debruça na temática dos sonhos e das sensações que as recordações dos mesmos provocam. E Microwave, o primeiro single divulgado de The Never Ending Get Down, confirma esta direção, que numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, contém aquela sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas. Confere...


autor stipe07 às 22:03
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Domingo, 10 de Abril de 2016

Ghost King - Bones

A insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas, está de regresso às edições, em formato digital e cassete, como é habitual, com os Ghost King de Carter McNeil (voz e guitarra), Lee Hayden (baixo) e Tom D'agustino (bateria), um trio oriundo do Bronx, em Nova Iorque e que se estreia nos lançamentos discográficos com Bones, um compêndio de onze canções, gravado em três dias e que viu a luz do dia a vinte e seis de março, podendo ser encomendado a um preço bastante acessível.

Colegas de escola, os Ghost King tocam desde os oito anos de idade e apesar das participações em outros projetos, nunca deixaram de acreditar que seria possível um dia editar música juntos. Bones é a materialização bem sucedida de tal desiderato,um compêndio sonoro que logo no baixo vigoroso e na guitarra efusiva de When The Sky Turns Blue, oferece-nos uma excelente demonstração da cumplicidade que une os Ghost King e que, felizmente, foi utilizada como veículo de manifestação artística, nomeadamente a composição musical.

O clima de Bones não se cinge, naturalmente, aquilo que nos é dado a contemplar na canção que abre este alinhamento de onze composições. A trip deambulante, com intenso travo surf pop, que exala de Ghost In Love e, numa abordagem oposta, o clima mais contemplativo e acústico de Below The Sun e Winter's Air, assim como a visceralidade efusiva e imponente de Skeleton Dance e toda a miríade de tiques e detalhes do melhor rock alternativo de finais do século passado que transbordam das guitarras e da bateria da camposição homónima, dividida em dois capítulos que não sobrevivem isoladamente, são instantes de Bones que carecem de audição dedicada e que comprovam a elevada mestria e bom gosto dos autores.

Imponente, repleto de instantes sonoros ricos em nuances variadas que do rock de garagem, à psicadelia, passando pelo grunge, misturam solidão, alienação e escuridão, com luz, alegria e conforto, Bones reflete, numa curiosa amálgama de sensações, uma visão muito própria e saudavelmente impulsiva e, por isso, necessariamente genuína, do melhor indie rock contemporâneo. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 19:23
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Quinta-feira, 10 de Março de 2016

Ghost King - When The Sky Turns Blue

A insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas, está de regresso às edições, em formato digital e cassete, como é habitual, com os Ghost King de Carter McNeil (voz e guitarra), Lee Hayden (baixo) e Tom D'agustino (bateria), um trio oriundo do Bronx, em Nova Iorque e que se prepara para a estreia nos lançamentos discográficos com Bones, um compêndio de onze canções, gravado em três dias e que irá ver a luz do dia a vinte e cinco de março, podendo, desde já, ser encomendado a um preço bastante acessível.

Colegas de escola, os Ghost King tocam desde os oito anos de idade e apesar das participações em outros projetos, nunca deixaram de acreditar que seria possível um dia editar música juntos. O baixo vigoroso e a guitarra efusiva de When The Sky Turns Blue, a primeira amostra divulgada de Bones e disponível para download, é uma excelente demonstração desta cumplicidade que une os Ghost King, em quase três minutos que do rock de garagem, à psicadelia, passando pelo grunge, misturam solidão, alienação e escuridão, com luz, alegria e conforto, refletindo, nesta amálgama de sensações, uma visão muito própria e saudavelmente impulsiva e, por isso, necessariamente genuína, do melhor indie rock contemporâneo. Confere...

 


autor stipe07 às 12:48
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Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2016

Cross Record – Wabi-Sabi

Emily Cross e Dan Duszynski são o casal de esposos que estende o manto em redor de Cross Record, um projeto que gravou o seu disco de estreia, intitulado Wabi-Sabi, num rancho de dezoito hectares, chamado Moon Phase, arrendado por ambos, perto de uma reserva de aves, em Dripping Springs, a trinta minutos de Austin, em pleno Texas, para onde se mudaram da metrópole Chicago. E a verdade é que este álbum soa a um disco incubado, concebido e gravado num rancho, tal é a força e a dimensão de um alinhamento de canções que plasma, com particular minúcia, uma simbiose feliz entre a naturalidade e a pureza que se observa no contraste do cinza e do laranja que dominou os céus durante a sua gravação, porque sucedeu, quase sempre, nas fases iniciais e finais dos dias e o ruído e o rigor estrutural de uma grande cidade. Steady Waves, o grandioso single já retirado de Wabi-Sabi, demonstra esta junção na simplicidade das cordas da viola e a imponência da distorção da guitarra de High Rise amplifica-a, só para citar dois exemplos que sustentam o universo fortemente cinematográfico e imersivo destes Cross Record, exímios a dar asas às emoções que exalam desde as profundezas do refúgio bucólico onde agora residem e que, pelos vistos, os inspira de modo particularmente sensorial.

Tendo visto a luz do dia abrigado pela sempre recomendável Ba Da Bing Records, Wabi-Sabi impressiona, portanto, pela dinâmica fortemente ambiental, como se percebe dede logo nas várias camadas de efeitos e sopros sintetizados de The Curtains Part, canção que lança o disco numa espiral emotiva e onde tudo é quase sempre filtrado de modo bastante orgânico, amplo e rugoso.

Depois dos dois temas acima referidos, ficamos logo esclarecidos que, partindo do princípio que aceitamos uma audição atenta e dedicada deste disco, somos naturalmente convocados para uma viagem que nos conduz a diferentes universos sonoros, sempre na óptica da tal relação simbiótica bastante sedutora e que, sonoramente, se firma entre indie rock, punk e post rock, por um lado e folk e dream pop, por outro. E logo a seguir, a indisfarçável toada folk de de Something Unseen Touches A Flower To My Fore, que nem o pedal de uma guitarra e os tambores disfarçam, proporciona-nos um momento de rara frescura e pureza sonora, com o charme lo fi dos ruídos de fundo por baixo das cordas de The Depths, pouco depois, a fazerem-nos levitar rumo a uma nuvem repleta de sensações fortemente nostálgicas e contemplativas, enquanto atestam o feliz encontro entre sonoridades que surgiram há décadas e se foram aperfeiçoando ao longo do tempo e ditando regras que hoje consagram algumas tendências sonoras mais atuais, onde muitas vezes o minimalismo se confunde com aquilo que é esculpido e complexo, sendo ténue a fronteira entre ambos e real um claro encadeamento entre dois pólos aparentemente opostos e que nos obrigam a um exercício exigente de percepção fortemente revelador e claramente recompensador.

Até ao final deste trabalho absolutamente maravilhoso, em Basket ouve-se estranheza, ouve-se escuridão. Mas também se ouve harmonias de vozes de outro planeta. E logo depois, em Wasp In A Jar, há sensualidade em jeito de lamúria ou desabafo e a certeza que ouvir Wabi-Sabi é uma experiência diferente e revigorante e a oportunidade de contatar com um conjunto de canções que transbordam uma aúrea algo mística e espiritual, reproduzidas por um grupo que sabe como o fazer de forma direta, pura e bastante original. Espero que aprecies a sugestão...

Cross Record - Wabi Sabi

01. The Curtains Part
02. Two Rings
03. Steady Waves
04. High Rise
05. Something Unseen Touches A Flower To My Forehead
06. The Depths
07. Basket
08. Wasp In A Jar
09. Lemon


autor stipe07 às 20:40
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Domingo, 24 de Janeiro de 2016

Shearwater – Jet Plane And Oxbow

Lançado pela Sub Pop Records no passado dia vinte e dois, Jet Plane And Oxbow é o novo álbum dos Shearwater, o nono deste projeto norte americano oriundo de Austin, no Texas e liderado por Jonathan Meiburg, um ornitólogo com uma voz profunda, que passeia várias vezes entre a serenidade e a agitação sem nos darmos conta e exímio em compôr temas que, frequentemente, contêm um clima simultaneamente misterioso e atraente, balizados por uma indie pop com fortes raízes na folk norte americana e apimentada com uma elevada dose de experimentalismo, como se percebe logo em Prime, o exuberante tema que inaugura este alinhamento de onze canções.

Jet Plane And Oxbow esconde no seu seio mais uma pancada seca e certeira numa pop paciente e charmosa, nas asas de uma fidelidade quase canónica à sapiência melódica, ao charme da guitarra e à capacidade que a junção da mesma com efeitos sintetizados radiosos, como se percebe em Quiet Americans, tem de colocar em causa todos os cânones e normas que definem alguns dos pilares fundamentais da nossa interioridade. Mas o indie rock de cariz mais progressivo e épico também faz a sua aparição na visceral Long Time Away e assim, logo nos instantes iniciais do disco, fica clara capacidade inata de Meiburg em compôr entre a serenidade e a agitação sem perder sapiência melódica, caraterística que lhe confere uma versatilidade difícil de encontrar nos líderes da maioria das bandas da atualidade.

Disco que exige audição dedicada e que dificilmente agrada a todos os estados de alma e obra de um projeto onde luz e positivismo não encontram muitas vezes forma de se mostrar, Jet Plane And Oxbow desfila emoções e jorra sentimentos por todos os seus acordes, podendo-se mesmo falar em poros, porque esta é uma música que transmite sensações físicas tácteis, nem sempre passíveis de apurado controle pelo nosso lado mais racional. Não é apenas um simples agregado de efeitos e batidas, entrelaçadas com acordes e sons de cordas, mas algo grandioso e, um rol de emoções e sensações expressas com intensidade e minúcia em Backchannels, misticismo e argúcia em Glass Bones e com uma serenidade melancólica e bastante contemplativa em Pale Kings e no baixo empolgante de Radio Silence.

Jet Planes And Oxbow é tudo menos um disco igual a tantos outros ou um compêndio sonoro comum. Nele viajamos bastante acima do solo que pisamos, numa pop com traços de shoegaze e embrulhada numa elevada toada emotiva e delicada, uma receita que faz o nosso espírito facilmente levitar e que muitas vezes confunde e dispersa enquanto nos dá as mãos para calcorrearmos um caminho que nunca sabemos muito bem para onde nos leva, mas no qual confiamos sem hesitar e sem olhar para trás. Os Shearwater abrem este novo ano com um excelente compêndio de canções que atesta a maturidade e a capacidade que possuem de replicar a sua sonoridade típica e genuína sem colocar em causa um alto nível de excelência, conseguindo também mutar-se, disco após disco, e adaptar-se a um público ávido de novidades, que procura constantemente algo de novo e refrescante e que alimente o seu gosto pela música alternativa. Espero que aprecies a sugestão...

Shearwater - Jet Plane And Oxbow

01. Prime
02. Quiet Americans
03. A Long Time Away
04. Backchannels
05. Filaments
06. Pale Kings
07. Only Child
08. Glass Bones
09. Wildlife In America
10. Radio Silence
11. Stray Light At Clouds Hill

 uc


autor stipe07 às 20:38
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Quinta-feira, 12 de Novembro de 2015

Le Rug - 1779

Natural de Brooklyn, Nova Iorque, o guitarrista e cantor Ray Weiss é um dos destaques da Fleeting Youth Records e um nome importante do cenário indie punk local, já que em integrou projetos tão importantes como os Butter the Children, Red Dwarf ou Medics. A banda Le Rug foi a sua última aposta e dei-a a conhecer há pouco mais de um ano devido a Press Start (The Collection), uma coleção de canções que Weiss apresentou ao mundo por intermédio dessa etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Quase no ocaso de 2015 este projeto Le Rug está de regresso, e para se despedir, com Game Over, uma espécie de balanço de toda a carreira artística do seu grande mentor, que se orgulha de nos últimos dois anos ter editado dez discos e composto mais de trezentas e cinquenta canções, algumas delas incubadas durante um breve período da sua vida passado em Bangecoque, na Tailândia.

Do alinhamento de setenta e uma canções de Game Over, há várias que merecem audição dedicada e 1779, é, certamente, uma delas, um tema que conta com a participação especial de Tim Rusterholtz e é mais uma clara demonstração da capacidade poética de Weiss, especialmente quando a perca, o sentimento de derrota e frustração são o assunto dominante. Confere...


autor stipe07 às 19:40
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Quarta-feira, 4 de Novembro de 2015

Company of Selves - Butterfly Handlers & Memory Travelers

Os norte americanos Company Of Selves de Christopher Hoffman, Christina Courtin, Ryan Ccott, Frank Locrasto, Jake Silver, Bill Campbell, Ian Hoffman e Robin Macmillan, estrearam-se nos discos recentemente com Butterfly Handlers & Memory Travelers, um trabalho que viu a luz do dia em formato cassete e digital através da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Sedeado em Nova Iorque e tendo no núcleo duro o cantor e multi-instrumentista Christopher Hoffman e a cantora Christina Courtin, este coletivo fundamenta a sua sonoridade em cenários e experiências instrumentais que encontram a sua génese num rock clássico, quase sempre esculpido e complexo e que nos convida a um exercício maior na percepção das suas composições, mas que recomendo vivamente e que asseguro ser altamente compensador.

O encaixe entre as cordas que ecorrem melancolia por todos os acordes e a percussão em Stand Or Disappear, depois cortado pelo fuzz inebriante das guitarras, a bateria sintética que cria uma espécie de marcha fúnebre em Roman Candles, a guitarra abrasiva que rebarba e corta a direito em Pyramid Schemes ou a história de uma mulher que acorda para a realidade depois de um longo período de tempo aprisionada num universo paralelo, na graciosa Presidential Model, explicitam com clareza uma espécie de epopeia experimental, onde a sobreposição de texturas, sopros  e trechos melódicos contemplativos, com sons mais rugosos e agrestes, nos permite visualizar uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades, um refúgio bucólico que entre a razão e harmoniosas lamentações e a loucura e o caos, se situa dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual. 

Butterfly Handlers & Memory Travelers é uma ode intensa, crua e incisiva à celebração daquela faceta da nossa vida que também é capaz de abarcar um lado mais paranóico e senil, que muitas vezes serve de escape às nossas angústias e frustrações ou nos oferece o local exato para deixarmos escorrer pela nossa mente aquele romancismo frequentemente paranóico e obsessivo, tantas vezes oculto em dissertações filosóficas acerca do momento exato onde a emoção se sobrepõe à razão. A insanidade desconstrutiva em que alicerçam as camadas de sons que dão vida a I Won't Go e a incontestável beleza e coerência dos detalhes orgânicos, em especial da bateria, que nos fazem levitar em Off World, permitem-nos conferir, num mesmo bloco autoral, os diferentes fragmentos que o grupo foi convocar aos diversos universos sonoros que o rodeia e com os quais se identifica, com um elevado índice de maturidade e firmeza, mostrando imenso bom gosto no modo como estes Company of Selves apostam numa relação simbiótica de estilos e géneros, enquanto partem à descoberta de texturas sonoras amplamente majestosas e particularmente progressivas. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:35
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Quinta-feira, 8 de Outubro de 2015

Doubting Thomas Cruise Control - Remember Me John Lydon Forever

Bobby Cardos, Sean Kelly, Chris Sprindis e Joe McCarthy são os Doubting Thomas Cruise Control, um coletivo norte americano oirundo de Brooklyn, Nova Iorque e que orienta a sua sonoridade por um vasto espetro que vai do rock alternativo mais clássico até ao punkRemember Me John Lydon Forever é o mais recente registo de originais da banda, um trabalho que viu a luz do dia a catorze de agosto através da Duckbill Records, a própria etiqueta da banda e a insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma editora essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Remember Me John Lydon Forever é um portento de autenticidade no modo como explora os fundamentos básicos do típico rock alternativo, que encontra a sua essência em distorções oferecidas por guitarras que buscam sempre um ponto de equilíbrio muitas vezes ténue entre o rugoso e o melódico e que, no caso destes Doubting Thomas Cruise Control, consegue ir num só tema, como é o caso de Nice Guy, do punk ao grunge, passando também por sonoridades mais progressivas. Depois, além das guitarras, o baixo e a bateria precisam igualmente de fazer notar a sua presença e neste trabalho são outros dois instrumentos essenciais na construção do edifício instrumental de grande parte das canções.

Este é um álbum em que, paralelamente a esta filosofia sonora, está presente um forte sabor a juventude e jovialidade, evidência que amplia claramente a excelente impressão que este compêndio de nove canções causa ao ouvinte e crítico experimentado, também, já agora, pelo modo impecável como o disco está produzido e pelos instantes mais melancólicos que contém, como Shed ou Lazlo's, 3A.M. e que nunca colocam em causa a crueza identitária dos seu conteúdo. O próprio tema Soft Focus, o último single divulgado de Remember Me John Lydon Forever, é um festim inebriante, feito com guitarras distorcidas, uma voz que ruge sem desafinar e exala esse espírito jovem e bastante beliçoso.

Num trabalho de elevado teor qualitativo e com uma matriz identitária vincada que evoca alguma da melhor herança que o grunge e o punk rock nos deixaram nos instantes finais do século passado, os Doubting Thomas Cruise Control não caem na tentação de complicar e não se deixam levar por experimentalismos e arranjos desnecessários, conseguindo partir em busca de alguns detalhes do rock sem descurar um salutar sentido mais brando ou melancólico e sempre com uma componente melódica particularmente assertiva. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:17
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Sábado, 5 de Setembro de 2015

Fleeting Youth Records Vol. 3

Uma das etiquetas mais interessantes do cenário indie norte americano é a Fleeting Youth Records, editora que é já uma presença habitual neste espaço de crítica e divulgação musical, fruto de uma relação profícua para ambas as partes. Liderada por Ryan Fyr, a etiqueta lançou no início do verão, no seu bandcamp, a terceira compilação do seu cardápio, intitulada Fleeting Youth Records Vol. 3.

Disponível com a possibilidade de doares um valor pela mesma, ou de a obteres gratuitamente, a compilação contém vinte e duas canções e inclui no alinhamento nomes tão interessantes como os Passenger Peru, Van Dale, Kissing Party, Scot Drakula, Loose Tooth, Robot Princess, Van Dale ou Surfin' Mutants Pizza Party, entre outros, bandas e projetos que lançaram trabalhos discográficos nos últimos meses e que foram todos divulgados e analisados neste blogue.
Fleeting Youth Records Vol. 3 está repleto com algum do melhor punk rock, pleno de fuzz, distorção e experimentalismo que se vai fazendo no cenário mais alternativo do outro lado do atlântico, sendo um documento obrigatório para os apreciadores do género e não só. Confere...


autor stipe07 às 14:31
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Sexta-feira, 4 de Setembro de 2015

Abram Shook – Landscape Dream

A ideia romântica da busca espiritual do nosso âmago sempre fez parte do imaginário de quem desde muito cedo se habituou a ser sistematicamente auto reflexivo e a exigir mais do que o normal quer de si próprio quer do mundo que o rodeia. Natural de Austin, no Texas, o norte americano Abram Shook desde muito novo sentiu alguma dificuldade em perceber qual o seu lugar neste mundo e, tendo a felicidade de ter condições materiais para isso, aventurou-se pelo mundo numa odisseia espiritual que, da América do Sul a excursões de surf na Indonésia, possibilitaram-lhe absorver várias culturas e perceber outras realidades.

Abram cresceu em Santa Cruz, na Califórnia, onde estudou jazz e depois mudou-se para Portland e Boston, onde tocou em várias bandas, com destaque para os The Great Nostalgic e foi, assim, alimentando o seu gosto pela música. Estas duas facetas, a musical e a de viajante, acabaram por se conjugar e servir de inspiração para a sua carreira musical em nome próprio, iniciada com Sun Marquee, um trabalho que chegou aos escaparates em janeiro de 2014 por intermédio da Western Vinyl e que ja tem finalmente sucessor, um disco chamado Landscape Dream e que aprimora a particular minúcia com que o autor gosta de escrever e cantar, quase sempre num registo em falsete, sobre instantes isolados e acontecimentos concretos, muitas vezes com um cariz auto biográfico, desta vez de mãos dadas com Erik Wofford, Danny Reisch, Justin Douglas, Grant Johnson e Christopher Cox, alguns engenheiros de som mediáticos e com provas dadas, naturais de Austin.

Abram é, nitidamente, um viajante que gosta de explorar o mundo musicalmente e dos sons que cria extrair diferentes sensações. Ele tem a pop como guia espiritual e comete o pecado da gula quando se serve de um imenso cardápio que, do jazz, à música latina, passando pelo indie rock e a psicadelia, faz dele um dos mais interessantes novos projetos a solo do universo cenário musical indie atual. Do baixo vibrante de Never Die, às guitarras que piscam o olho ao rock setentista em Find It Chelsea, passando pela vibe africana de Get Gone ou a tropicália de 5AM e Beach Glass e a soul de Perfect e Vessel, são vários os pontos altos de um disco que faz uma ode a uma mescla entre rock de garagem e alguns detalhes fundamentias da psicadelia, algo a que não será alheio a participação recente do músico na última digressão dos Shearwater.

Landscape Dream é um compêndio intimista, mas expansivo e luminoso de canções pop com um açucar muito próprio e um pulsar particularmente emotivo e rico em sentimento, mas também a materialização concreta de melodias que vivem à sombra de uma herança natural típica de quem teve o jazz como elemento base da formação musical e quis reforçar, no segundo capítulo da sua discografia, uma nova abordagem a diferentes géneros musicais, sendo confessadamente influenciado por nomes que são referências de géneros diversos, nomeadamente Shuggie Otis, Serge Gainsbourg ou o brasileiro Chico Buarque. Espero que aprecies a sugestão...

Abram Shook - Landscape Dream

01. Never Die
02. Chelsea Walls
03. Vessel
04. Beach Glass
05. Receiving You
06. Get Gone
07. 5AM Tribute
08. Find It
09. Perfect
10. Understood
11. Arrows
12. Jaw


autor stipe07 às 21:42
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Sábado, 25 de Julho de 2015

Doubting Thomas Cruise Control - Sof Focus

Bobby Cardos, Sean Kelly, Chris Sprindis e Joe McCarthy são os Doubting Thomas Cruise Control, um coletivo norte americano oirundo de Brooklyn, Nova Iorque e que orienta a sua sonoridade por um vasto espetro que vai do rock alternativo mais clássico até ao punk.

Remember Me John Lydon Forever será o próximo registo de originais da banda, um trabalho que irá ver a luz do dia a catorze de agosto através da Duckbill Records e a insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Soft Focus, o último single divulgado de Remember Me John Lydon Forever é um festim inebriante, feito com guitarras distorcidas, uma voz que ruge sem desafinar e que exala um espírito jovem e bastante beliçoso. Fica logo claro que os Doubting Thomas Cruise Control não caiem na tentação de complicar e não se deixam levar por experimentalismos e arranjos desnecessários, conseguindo partir em busca de alguns detalhes do rock sem descurar um salutar sentido mais brando ou melancólico, havendo uma componente melódica particularmente assertiva neste tema. Confere...

 

 


autor stipe07 às 13:54
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Sexta-feira, 24 de Julho de 2015

DIV I DED - Born to Sleep

A vinte e um de julho último chegou aos escaparates Born To Sleep, o disco de estreia dos DIV I DED, um projeto checo criado pelo multi-instrumentista Filip Helštýn em 2013, juntamente com a vocalista Viktorie Marksová e que faz já parte da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Inspirados pela pop melancólica simples e intrigante, feita com aquele intimismo romântico que integra uma espantosa solidez de estruturas, num misto de euforia e contemplação e adornada com arranjos sintetizados e orgânicos muito subtis mas capazes de amenizar a típica crueza das guitarras, os DIV I DED também piscam o olho ao punk rock, enquanto exigem ser encarados e apreciados sem reservas e serem alvo de uma análise detalhística, à boleia de todos os nossos sentidos, para que se torne compensadora a nossa audição e justas as alusões ao conteúdo de Born To Sleep.

As guitarras pulsantes e os flashes elétricos que as suas cordas debitam, têm aqui algo de cósmico e especial enquanto Marsova canta sobre um futuro melhor que aguarda por todos nós nas estrelas, nomeadamente em Electric Age. Não sendo importante dissertar acerca da crença, ou não, dos DIV I DED numa outra existência física e material depois da nossa viagem terrena, importa sim esclarecer que esta dupla checa tem corpo, alma e substância, não sendo possível assimilar convenientemente a beleza poética e angelical dos riffs amplos de Star Rover II ou, num registo mais introspetivo e límpido, o groove do baixo de Between Us, se fizermos de Born to Sleep uma banda sonora casual de um instante rotineiro e normal da nossa existência.

Se Late Awakening, o primeiro single divulgado de Born To Sleep, era um tema que exalava um charme melódico que impressionava pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transportava, tendo sido agora desvendado o conteúdo global do álbum e tendo em conta os temas já descritos e outros que serão ainda citados à frente, percebe-se que nestes DIV I DED apelar ao nosso íntimo com monumentalidade instrumental e uma intensa sensibilidade melodica, são as faces de uma mesma moeda cunhada com sofisticação e que tem tudo para às vezes poder sensibilizar particularmente os mais incautos.

Há, portanto, outros exemplos no álbum do modo hermético e ambicioso como os DIV I DED se movimentam dentro do espetro sonoro com que se identificam; Os sons abrasivos de No Light e o modo implícito como a distorção da guitarra os molda, sem colocar em causa a grandiosidade da canção, assim como o luxuoso e luminoso andamento pop de Frozen evidenciam um notório e aprimorado sentido estético e a junção sónica e algo psicadélica de um verdadeiro caldeirão instrumental e melódico. Já Machines, um momento de experimentação minimal e com um registo vocal que deve ser objeto do maior deleite e admiração, é outro extraordinário exemplo do paraíso de glória e esplendor que estes checos procuraram recriar logo na estreia e que subjuga momentaneamente qualquer atribulação que no instante da sua audição nos apoquente.

Em Born To Sleep houve claramente uma enorme atenção aos detalhes, notando-se um relevante trabalho de produção e, dentro do lo fi e da predominãncia de efeitos em eco, a busca por uma cosmética cuidada e precisa na escolha dos melhores arranjos. Também por isso, este é um disco reflexivo e indutor de sensações intrincadas e profundas e nele os DIV I DED consagram-se como banda relevante no espetro do indie rock de cariz mais sombrio e progressivo e, mais importante que isso, dão-nos pistas preciosas sobre como permitir que o nosso íntimo sobreviva e se mantenha íntegro neste mundo tão estranho. Espero que aprecies a sugestão..


autor stipe07 às 18:05
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Quinta-feira, 2 de Julho de 2015

DIV I DED - Late Awakening

A dezassete de julho chega aos escaparates Born To Sleep, o disco de estreia dos DIV I DED, um projeto checo criado pelo multi-instrumentista Filip Helštýn em 2013, juntamente com a vocalista Viktorie Marksová e que faz já parte da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Inspirados pela pop melancólica simples e intrigante, feita com aquele intimismo romântico que integra uma espantosa solidez de estruturas, num misto de euforia e contemplação e adornada com arranjos sintetizados e orgânicos muito subtis mas capazes de amenizar a típica crueza das guitarras, os DIV I DED também piscam o olho ao punk rock em Late Awakening, o primeiro single divulgado de Born To Sleep, um tema que exala um charme melódico que impressiona pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transporta. Confere...


autor stipe07 às 16:25
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