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The Bright Light Social Hour – Jude Vol. II

Quarta-feira, 02.09.20

Jackie O'Brien, Curtis Roush, Edward Braillif e Zac Catanzaro são os The Bright Light Social Hour, uma banda sedeada em Austin, no Texas, e já bastante reconhecida no universo alternativo norte-americano, muito por causa dos excelentes concertos que costumam proporcionar, além dos discos, tendo já tocado em festivais míticos como Lollapalooza ou Austin City Limits. Jude Vol. II é o título do novo registo de originais do quarteto, oito canções que submergiram de um evento algo trágico e que marcou imenso o coletivo. Há cinco anos, depois de terem lançado Space Is Still The Place, o segundo album da carreira, os The Bright Light Social Hour viram Alex, o manager da banda e irmão de Jack, o vocalista, afundar-se num caos depressivo profundo, que culminou com um diagnóstico de desordem bipolar e o suicídio num lago em Travis, mesmo junto ao estúdio da banda. A partir daí, as novas canções do grupo e que fazem parte deste Jude Vol. II, contêm a marca desse evento e mesmo as que não abordam diretamente o mesmo, contêm uma indesmentível espiritualidade e travo a algo de transcendente e profundamente marcante.

BrightLightSocialHr (@tblsh) | Twitter

Foram dezoito as composições que a banda levou para Los Angeles, em novembro de dois mil e dezassete, para os míticos estúdios Sunset Sound, onde os The Doors ou Prince, entre outros gravaram alguns dos discos mais improtantes da sua carreira. Com a ajuda do produtor Chris Coady (Beach House, Slowdive, Yeah Yeah Yeahs), selecionaram o núcleo duro desse novo catálogo, aprimoraram-no e incubaram um registo de catarse e esperança, um álbum que faz a cura de toda a angústia e dor que o grupo teve de suportar e superar por causa da partida precoce e inusitada de um dos seus membros, não músico.

De facto, Jude Vol. II é mais uma prova concreta de como grandes tragédias podem motivar superiores criações artísticas. Todas as oito composições do registo são belíssimos instantes sonoros, que resultam de uma agregação bem sucedida de alguns dos melhores detalhes identitários do shoegaze, do indie rock, da electrónica e do alt-pop, um caldeirão sonoro que se fundiu num som amplo, robusto, bastante charmoso e tremendamente identitário, sendo difícil encontrar outros grupos e projetos comparáveis ou que sejam facilmente identificáveis como sendo influências vincadas destes The Bright Light Social Hour.

Logo no baixo imponente que marca a batida que induz a psicadélica You Got My Feel e no modo como a guitarra e o sintetizador vão adicionando diversos entalhes e arranjos, fica bem omnipresente toda a trama sonora vibrante, intensa e mística que marca todo o disco. Depois, o forte pendor experimental e lisérgico, rematado por um solo de guitarra esplendoroso e um registo rítmico intenso, em So Come On, o groove insinuante da percurssão e do riff de guitarra hipnótico que marca o clima pop da dançável Enough, o travo mais roqueiro e rugoso de Mexico City Blues, a melancolia que transpira em todos os segundos da experimental Ouroboros' 20 e o tom épico e faustoso de Feel U Deep, mostram-nos não só o elevado leque de estilos que Jude Vol. II abraça, mas também a materialização feliz de uma jornada preconizada por quatro músicos que transpuseram com incrível mestria a mistura agridoce de beleza avassaladora e perda terrível, que inundou as suas vidas recentes.

Em suma, Jude Vol.II é uma joia psicadélica absoluta, um trabalho impressionante, celebrando tudo o que existe de bom numa banda que bateu no fundo da forma mais dura que se pode imaginar, mas que tem muito de bom guardado dentro de si e que encontrou uma extroardinária forma de nos mostrar, tenhamos nós a predispoção que estes The Bright Light Social Hour claramente merecem, um discos fundamentais de dois mil e vinte. Espero que aprecies a sugestão...

The Bright Light Social Hour - Jude Vol. II

01. You Got My Feel
02. So Come On
03. Enough
04. Mexico City Blues
05. Ouroboros ’20
06. Feel U Deep
07. Aegean Mirror
08. Revolution Thom

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publicado por stipe07 às 14:04

Night Moves - Can You Really Find Me

Sexta-feira, 05.07.19

Já chegou aos escaparates e através da insuspeita Domino Records, Can You Really Find Me, o novo registo de originais da dupla norte-americana Night Moves, formada por Micky Alfano e John Pelant, sendo o último o principal responsável pela escrita das canções neste projeto. Can You Really Find Me foi produzido por Jim Eno, membro fundador e baterista dos Spoon, nos estúdios Public Hi-Fi em Austin, no Texas e contou com as participações especiais dos músicos Mark Hanson e Chuck Murlowski.

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Sedeados em Minneapolis, estes Night Moves apostam todas as fichas numa espécie de mistura entre um country cósmico e o típico rock psicadélico, um caldeirão improvável mas perfeito para incubar canções texturalmente ricas e que acabam por encarnar deliciosos tratados de epicidade e lisergia, como é possível atestar no conteúdo de Can You Really Find Me.

De facto, neste sucessor de Pennied Days, o disco que os Night Moves lançaram em fevereiro de dois mil e dezasseis, canções como Ribboned Skies, uma composição onde o piano se mostra tremendamente sedutor, Mexico, um solarengo tratado de pop efusiva, Keep Me In Mind, uma ode à melhor herança daquela América profunda que teve sempre uma indisfarçável faceta psicotrópica, Waiting For The Simphony, um portento de cosmicidade e sentimentalismo e, principalmente, Strands Align, uma verdadeira orgia lisérgica que nos catapulta, em simultâneo, para duas direções aparentemente opostas, a indie folk psicadélica e o rock experimental, divagamos por um alinhamento extremamente coeso, com uma identidade sonora perfeitamente definida e certamente conduzido pela ambição de criar um microcosmos sonhador onde a realidade ao redor ganha cores garridas ou um romantismo incurável.

Can You Really Find Me sabe a Queen e a Fleetwood Mac e transporta melodias gentis, cantadas quase sempre com a voz de John Pelant próxima de um registo enternecedor e delicado e muitas vezes atravessada por trechos de rock cósmico, que apenas nos sobressaltam um pouco antes do regresso à pureza original em que o disco assenta, uma convocatória à celebração e até ao romantismo, que nos emerge numa realidade palpável e, ao mesmo tempo, efabulada, com canções que nos trazem o melhor de uma América cada vez mais heterogénea e saudosa de um passado que já foi bem mais glorioso, por muito que o poder instalado tente demonstrar o contrário. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 21:11

Night Moves – Strands Align

Sábado, 11.05.19

Night Moves - Strands Align

Será a vinte e oito de junho próximo que chegará aos escaparates e através da insuspeita Domino Records, Can You Really Find Me, o novo registo de originais da dupla norte-americana Night Moves, formada por Micky Alfano e John Pelant, sendo o último o principal responsável pela escrita das canções neste projeto. Can You Really Find Me foi produzido por Jim Eno, membro fundador e baterista dos Spoon, nos estúdios Public Hi-Fi em Austin, no Texas e contou com as participações especiais dos músicos Mark Hanson e Chuck Murlowski.

Sedeados em Minneapolis, estes Night Moves apostam todas as fichas numa espécie de mistura entre um country cósmico e o típico rock psicadélico, um caldeirão improvável mas perfeito para incubar canções texturalmente ricas e que acabam por encarnar deliciosos tratados de epicidade e lisergia, como será certamente possível atestar no conteúdo de Can You Really Find Me.

Para já podemos deliciar-nos com Strands Align, o primeiro avanço já revelado de Can You Really Find Me, uma verdadeira orgia lisérgica que nos catapulta, em simultâneo, para duas direções aparentemente opostas, a indie folk psicadélica e o rock experimental. Confere...

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publicado por stipe07 às 13:29

Missio – Rad Drugz

Segunda-feira, 14.01.19

Missio - Rad Drugz

Os electro rockers norte americanos Missio vão regressar aos discos este ano, via RCA Records e em dose dupla com The Darker The Weather the Better The Man. The Darker The Weather (Part 1), chega aos escaparates a vinte e nove de março e The Better The Man (Part II) lá mais para o verão.

Os artistas rock estão nos dias de hoje debaixo dos holofotes e, para muitos, ser membro de uma banda é sinónimo, muitas vezes, de ser alguém que sofe de uma adição a drogas e a sexo e de ser alguém irresponsável, imaturo e rebelde. Por outro lado, a sensação que muitas vezes existe é que é cada vez menor a separação entre aquilo que é o conteúdo musical em si e a personalidade do artista, uma ideia claramente errada porque a autobiografia sonora é, na minha opinião, cada vez menos uma realidade. Por isso, geralmente nunca esperamos que os nossos gurus do rock sejam modelos de virtude, mesmo quando conseguem evitar enveredar pela espiral de decadência que a fama muitas vezes potencia.

A crítica a estas ideias pré-concebidas e erradas e uma novela russa cheia de personagens disfuncionais são as ideias centrais de Rad Drugz!, o primeiro single divulgado deste novo registo dos Missio, uma dupla oriunda de Austin, no Texas, uma empolgante composição rica de linhas de baixo encorpadas, um riff de guitarra pulsante e uma batida sintetizada, idealizada com o intuíto de fazer dançar todos aqueles que gostam de abanar a anca mas deprezam terrenos sonoros como o house, o discosound e afins. Confere...

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publicado por stipe07 às 14:06

Quiet Company – Aloha

Quarta-feira, 09.01.19

Quiet Company - Aloha

Oriundos de Austin, no Texas, os Quiet Company, estrearam-se no já longínquo ano de dois mil e seis com o registo Shine Honesty e são atualmente formados por Taylor Muse, o cantor, escritor e grande mentor da banda, o guitarrista Tommy Blank, o baixista Trevor Dowdy, o baterista Jeff Stringer e o multi-instrumentista Bill Gryta.

Já neste mês de janeiro os Quiet Company vão editar On corners & Shapes, o terceiro de uma série de eps que têm dado a conhecer aos seus fãs desde o longa duração Your Husband, the Ghost, de dois mil e dezassete e, em jeito de antecipação, acabam de revelar Aloha, um lindíssimo tema que impressiona pelo modo seu grau de intimismo, mas também de epicidade, com o piano e alguns efeitos de cordas a assumirem as rédeas melódicas e a sustentarem diversas mudanças de ritmo. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:48

Abram Shook – Love At Low Speed

Terça-feira, 04.07.17

Depois dos fantásticos Sun Marquee e Landscape Dream, Abram Shook regressou em 2017 aos discos com Love At Low Speed, dez canções que deverão certamente muito do seu conteúdo e da sua alma a uma estadia recente do músico na Europa, com passagem demorada no nosso país. Penitencio-me desde já publicamente por não ter estado com Shook durante a sua presença por Portugal na última primavera, mas se a vida é feita muitas vezes de encontros fortuítos, também é, infelizmente, assídua em desencontros inevitáveis, porque quer a vida pessoal quer a vida profissional não propiciam, com frequência, a que possamos estar onde queremos e quando desejamos.

Resultado de imagem para Abram Shook 2017

A ideia romântica da busca espiritual do nosso âmago sempre fez parte do imaginário de quem desde muito cedo se habituou a ser sistematicamente auto reflexivo e a exigir mais do que o normal quer de si próprio quer do mundo que o rodeia. E Shook é um indivíduo que tem bastante impressa em si esta filosofia. Este músico e compositor natural de Austin, no Texas e tendo crescido em Santa Cruz, na Califórnia, desde muito novo sentiu alguma dificuldade em perceber qual o seu lugar neste mundo e, tendo a felicidade de ter condições materiais para isso, aventurou-se pelo mundo numa odisseia espiritual que ainda hoje prossegue e que lhe tem permitido absorver várias culturas e perceber outras realidades, algo que se reflete nas canções que cria.

Estas duas facetas, a musical e a de viajante, vão, álbum após álbum, aprimorando a sua particular minúcia relativamente ao modo impressivo como relata acontecimentos reais ou fictícios e de um modo sempre algo romancista. Seja como for, está sempre muito presente o  muitas vezes o cariz autobiográfico, com canções como Lisbon ou The Hours a serem exemplos claros de relatos de instantes de estadia ou de transição entre lugares.

Abram é, nitidamente, um viajante que gosta de explorar o mundo musicalmente e dos sons que cria extrair diferentes sensações. Ele tem a pop de índole mais acústica como guia espiritual, mas acaba por cometer o pecado da gula quando também se serve de um imenso cardápio que, do jazz ao experimentalismo eletrónico e à psicadelia, abarca um vasto espetro referencial, principalmente ao nível dos detalhes e dos arranjos com que adorna os seus temas. Do baixo vibrante de No Return, às guitarras que piscam o olho ao rock setentista em Eventually, passando pela vibe surf de Machinery ou a tropicália de Device e o charme algo inquietante de Quiet Side, são vários os pontos altos de um disco que sendo, claramente, um compêndio intimista, também se mostra expansivo e luminoso e, em determinados instantes, detentor de um açucar muito próprio e um pulsar particularmente emotivo e rico em sentimento.

Love At Low Speeed é mais uma materialização concreta de melodias que vivem à sombra de uma herança natural típica de quem teve o jazz como elemento base da formação musical e quis reforçar, no terceiro capítulo da sua discografia, uma nova abordagem, desta vez mais orgânica, a diferentes géneros musicais, sendo confessadamente influenciado por nomes que são referências de géneros diversos, nomeadamente Shuggie Otis, Serge Gainsbourg ou o brasileiro Chico Buarque. Espero que aprecies a sugestão..

Abram Shook - Love At Low Speed01. The Hours

02. Eventually
03. Lies
04. Divinity
05. Red Lines
06. Machinery
07. No Return
08. Device
09. Lisbon
10. Quiet Side

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publicado por stipe07 às 21:31

Spoon - Hot Thoughts

Segunda-feira, 20.03.17

Um dos trabalhos discográficos mais aguardados no início deste ano é, claramente, Hot Thoughts, o nono álbum de originais dos Spoon de Britt Daniel, dez canções que marcam o regresso da banda deste coletivo a uma casa que bem conhece, a Matador Records, que em 1996 editou Telephono, o disco de estreia destes texanos. Produzido pela banda e por Dave Fridmann, Hot Thoughts tem também a curiosidade de ser o primeiro disco dos Spoon a não contar com Mick Harvey, que abandonou o projeto depois da digressão de suporte a They Want My Soul (2014), o antecessor deste Hot Thoughts.

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Há quem considere os Spoon como a banda indie mais relevante dos últimos vinte anos e se afirmações deste calibre apenas encontram razão de ser na liberdade que cada um tem de exprimir livremente a sua opinião, a verdade é que este Hot Thoughts é um trunfo de peso para os defensores dessa tese. E ao longo do alinhamento do registo são vários os instantes sonoros que deslumbram o ouvinte mais incauto; O efeito metálico da guitarra que conduz, com bravura, o tema homónimo que disserta sobre a extrema sensualidade de uma rapariga misteriosa, o groove libidinoso e festivo de Can I Sit Next To You, o clima algo narcótico e desafiante de Do I Have To Talk Into It, canção que se sustenta num curioso diálogo sonoro entre dois dos grandes pilares instrumentais dos Spoon, o baterista Jim Eno e o teclista Alex Fischel e que também brilham em First Caress, composição que vagueia à tona de alguns dos demónios que afligem a mente de Britt Daniel (Coconut milk, coconut water, You still like to tell me they’re the same, And who am I to say?), os sinos e o saxofone de Us ou os arranjos exóticos que adornam Pink Up, tema sobre uma viagem de comboio com destino à cidade marroquina de Marraquexe, são, talvez, os melhores fragmentos sonoros de um registo cheio de vida e cor, ecléctico, abrangente e contundente no modo como agrega grandes canções de modo directo, orgânico e enérgico.

Se a música é vista hoje em dia por Britt Daniel como uma experiência sensual e física e que apela diretamente às emoções, este é então o disco certo para qualquer um de nós poder sentir na pele tal permissa, de preferência comungando tal experiência com alguém predisposto a deixar-se levar com o mesmo grau de devoção por dez canções que representam um enorme salto qualitativo em frente na carreira dos Spoon e que acabam por colocar um enorme e excitante ponto de interrogação nos fãs e apreciadores da banda relativamente ao seu futuro sonoro. Espero que aprecies a sugestão...

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01 Hot Thoughts
02 WhisperI’lllistentohearit
03 Do I Have to Talk You Into It
04 First Caress
05 Pink Up
06 Can I Sit Next to You
07 I Ain’t the One
08 Tear It Down
09 Shotgun
10 Us

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publicado por stipe07 às 17:56

VoirVoir - There Are No Goodbyes

Terça-feira, 20.09.16

April Smith, Josh Maskornick, Matt Juknevic, Matt Molchany e Felicia Vee, são os VoirVoir, uma banda norte-americana natural de Bethlehem, na Pensilvânia e que acaba de se estrear nos lançamentos discográficos com There Are No Goodbyes, através da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

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Com dez excelentes composições de indie rock rugoso e monumental, There Are No Goodbyes é um intenso compêndio de garage rockpós punk e rock clássico, uma fusão de estilos e géneros que, como se percebe logo no single I Wanna, é dominada por aquela sonoridade crua, rápida e típica que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas. Logo aí se percebe qual é a bitola sonora destes VoirVoir e o alinhamento, na verdade, não defrauda os apreciadores do género, com temas do calibre da incisiva His Last Sound ou da ruidosa e inconstante If Miles Were Years, só para citar dois exemplos, a serem conduzidos por guitarras que apontam em diferentes direções, um baixo que não receia tomar as rédeas do conteúdo melódico e rítmico e alguns efeitos e arranjos que ajudam a destacar a forma corajosa como, logo na estreia, estes VoirVoir não se coibem de tentar experimentar, sem perturbar a conturbada homogeneidade de um alinhamento que raramente deixa de ser fluído e acessível, apesar de numerosos e ricos momentos de especificidade rugosa que personificam uma garra e uma criatividade que deverá, em edições futuras, empurrar e alargar as barreiras deste projeto, para um nível mais elevado de projeção.

Disco que tem até em Down Together uma canção excelente para funcionar como um ombro amigo que ajuda a consolar algumas angústias e problemas, There Are No Goodbyes existe para nos mostrar a vida tal como ela realmente se apresenta diante de nós e para satisfazer uma raiva que, se muitas vezes transcende certos limites e resvala para uma obscuridade aparentemente imutável e definitiva, geralmente nunca perde aquela consciência que nos permite continuar a avançar e a fintar as adversidades, mesmo que existam nos dias de hoje, na sociedade ocidental, dita civilizada, alguns eventos politicos ou económicos, moralmente de difícil compreensão para o mais comum dos mortais. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 21:12

Mumblr - The Never Ending Get Down

Quarta-feira, 29.06.16

Depois da espetacular estreia nos discos em 2014 com Full Of Snakes, os norte americanos Mumblr de Nick Morrison, Ian Amidon, Sean Reilly e Scott Stitzer, estão de regresso com o sucessor, um trabalho intitulado The Never Ending Get Down e que viu a luz do dia a dez de junho através da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Estes Mumblr mantêm-se apostados em criar hinos sonoros que plasmem diferentes manifestações de raiva adolescente, já que parece ser este o ideário lírico privilegiado das canções e da escrita de Nick Morrisson, que agora também se debruça na temática dos sonhos e das sensações que as recordações dos mesmos provocam. Por exemplo, o edifício melódico de Mud Mouth, carregado de variações rítmicas e a transpirar dores e anseios que, para desespero de tantos, insistem em não saltarem do irrealismo puro e Microwave, o primeiro single divulgado de The Never Ending Get Down, confirmam esta direção, que numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, contém aquela sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas.

Os Mumblr não desistem de segurar firme a bandeira de um estilo sonoro que do fuzz ao grunge, alinhado em redor de guitarras que explodem em elevadas doses de distorção, com raízes no rock alternativo da década de noventa, já foi várias vezes declarado extinto e fora de moda, muito por causa do cada vez maior uso da sintetização e de cuidados superlativos nos processos de arrumação e polimento do som, por parte das maiores bandas rock da atualidade. Este desejo, quase em jeito de desafio, por parte dos Mumblr, de se manterem íntegros a uma fórmula que dificilmente lhes renderá maiores dividendos do que uma pura e fiel devoção por parte de alguns seguidores e nos quais me incluo, saúda-se e, seguindo as pegadas firmemente impressas pelo excelente Full Of Snakes, The Never Ending Get Down revela um superior arrojo ao nível da construção arquitetónica das canções, agora mais heterógenas e menos diretas e incisivas, mas mais ricas, quer sonora, quer liricamente, como já expus acima. A feliz incostância da secção ritmíca e das guitarras em Three Leg Dog, uma canção onde Nick se expõe com invulgar avidez e os laivos de punk rock de cariz mais progressivo que palpitam em VHS, assim como, numa direção oposta, a forma como o baixo e os tambores de Push se entrelaçam cruamente com a guitarra, parecendo que os Mumblr tocam a canção no canto mais recôndito do nosso quarto, mesmo ali ao lado, são um claro exemplo de um vigor e de uma expressão estética que, olhando de frente para alguns ícones do rock alternativo dos anos noventa, com os Sonic Youth e os Nirvana à cabeça, estampa um olhar genuíno e único, sempre com uma sensação plena de controle, inclusive quando a própria temática das canções que, como já referi, exploram a dura realidade da nossa existência, até convidaria a um maior manifestação, através da sonoridade, de uma certa raiva ou descontrole emocional.

Quem espera encontrar nos Mumblr um ombro amigo para consolar as suas angústias e problemas, escuta Ugly Ugly, Tiny Tiny ou Last Stop e vai sentir-se defraudado e incompreendido porque eles estão cá para nos plasmar com alguns dos aspetos práticos do lado negro deste mundo e não para nos ensinar como lidar com ele. The Never Ending Get Down existe para nos mostrar a vida tal como ela realmente se apresenta diante de nós e para satisfazer uma raiva que, se muitas vezes transcende certos limites e resvala para uma obscuridade aparentemente imutável e definitiva, geralmente nunca perde aquela consciência que nos permite continuar a avançar e a fintar as adversidades, mesmo que existam nos dias de hoje, na sociedade ocidental, dita civilizada, alguns eventos politicos ou económicos, moralmente de difícil compreensão para o mais comum dos mortais. Espero que aprecies a sugestão...

 

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publicado por stipe07 às 21:58

Mumblr - Microwave

Quarta-feira, 27.04.16

Depois da espetacular estreia nos discos em 2014 com Full Of Snakes, os norte americanos Mumblr de Nick Morrison, Ian Amidon, Sean Reilly e Scott Stitzer, estão de regresso com o sucessor, um trabalho intitulado The Never Ending Get Down e que irá ver a luz do dia a dez de junho através da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Estes Mumblr mantêm-se apostados em criar hinos sonoros que plasmem diferentes manifestações de raiva adolescente, já que parece ser este o ideário lírico privilegiado das canções e da escrita de Nick Morrisson, que agora também se debruça na temática dos sonhos e das sensações que as recordações dos mesmos provocam. E Microwave, o primeiro single divulgado de The Never Ending Get Down, confirma esta direção, que numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, contém aquela sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas. Confere...

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publicado por stipe07 às 22:03






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