Sábado, 2 de Novembro de 2019

Deerhunter – Timebends

Parece que ainda foi ontem, mas já foi em janeiro que os Deerhunter de Bradford Cox, Lockett Pundt, Moses Archuleta e Josh McKay, nos ofereceram o seu tão aguardado oitavo registo de originais, um fabuloso álbum intitulado Why Hasn’t Everything Disappeared?, gravado em Marfa, no Texas, mítica localidade norte-americana que serviu de cenário a Giant (1956), o último filme protagonizado por James Dean. Agora, a poucos dias de Bradford Cox editar um EP intitulado Myths 004, a meias com o músico e produtor galês e seu amigo Cate Le Bon, que produziu Why Hasn’t Everything Disappeared?, os Deerhunter divulgam um novo inédito, um verdadeiro épico intitulado Timebends, gravado em Nova Iorque na passada noite de doze de setembro.

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Em pouco mais de treze minutos, Timebends possibilita ao ouvinte contemplar uma peça sonora de eminentemente experimental, um tratado de pop rock setentista de forte cariz psicadélico, que vai progredindo até um final catárquico e portentoso, uma composição sustentada num piano cru e enevoado e numa guitarra repleta de fuzz, além de um trabalho percurssivo brilhante, nuances que poderão indicar novas coordenadas sonoras por parte dos Deerhunter em futuros registos, que poderão ter na expressão rock cósmico talvez a forma mais feliz de se catalogarem. Confere...

Deerhunter - Timebends


autor stipe07 às 15:26
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Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2019

Deerhunter – Why Hasn’t Everything Already Disappeared?

Após quase década e meia de excelentes registos discográficos que têm vindo a consolidar uma das carreiras mais bem sucedidas e profícuas do indie rock experimental contemporâneo, os Deerhunter de Bradford Cox, Lockett Pundt, Moses Archuleta e Josh McKay, já têm finalmente o pronto seu tão aguardado oitavo registo de originais, um fabuloso álbum intitulado Why Hasn’t Everything Disappeared?, gravado em Marfa, no Texas, mítica localidade norte-americana que serviu de cenário a Giant (1956), o último filme protagonizado por James Dean. Este registo sucede a Fading Frontier (2015), vê a luz do dia à boleia da 4AD Records e foi produzido pela cantora e compositora galesa Cate Le Bon, com a ajuda da própria banda e dos produtores e engenheiros de som Ben H. Allen III e Ben Etter, que já tinham trabalhado com o grupo em discos anteriores.

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Mestres de um estilo sonoro bastante sui generis e que mistura alguns dos arquétipos fundamentais do indie rock, sempre com uma componente pop e que possa entroncar numa acessibilidade melódica que nem sempre está na linha da frente das bandas que se movimentam neste espetro sonoro mais underground, os Deerhunter oferecem-nos em Why Hasn't Everything Already Disappeared? mais um conjunto de experimentações sónicas que, não renegando, em alguns instantes, aquela toada lo fi, crua e pujante, feita também de quebras e mudanças de ritmos e momentos de pura distorção, também tentam, dentro de um salutar experimentalismo, adocicar os nossos ouvidos com melodias que misturem acessibilidade, diversidade e intrincado bom gosto, sempre com enorme eficácia.

Disco com dez canções com uma identidade muito própria, Why Hasn't Everything Already Disappeared? mostra logo os dentes na luminosidade do cravo que introduz os acordes de Death In Midsummer e no modo como o mesmo é dedilhado e flui de modo a receber de braços abertos a bateria e as guitarras. Nesta canção esbarramos com uma típica sonoridade rock setentista, um funk psicadélico particularmente alegre e bastante dançável, pensado por um Cox que curiosamente diz detestar a música psicadélica, com as distorções e os ruídos de fundo constantes, que já são uma imagem de marca dos Deerhunter, testada desde o versátil Microcastle (2008), a conduzirem o tema para um ambiente claramente festivo. Depois, No One's Sleeping, uma composição inspirada pela trágica morte de Jo Cox, uma política britânica assassinada em dois mil e dezasseis por Thomas Mair, um indivíduo com um histórico de doenças mentais, vai recebendo cordas, teclas e efeitos de sopros de um modo aparentemente anárquico, mas tremendamente calculado, uma fórmula que resulta, no seu todo, numa composição que, mais do que agregar diversos fragmentos, afirma-se como uma alegoria pop de indisfarçável leveza e beleza sonora.

A partir desse mote inicial,  Why Hasn't Everything Already Disappeared? prossegue a sua senda encantatória, frequentemente com uma toada até algo progressiva. Além da base instrumental típica dos Deerhunter, temos composições em que o sintetizador é o elemento chave, como é o caso do instrumental Greenpoint Gothic e da experimental Détournement, outras em que é o piano, de mãos dadas com uma guitarra que às vezes parece planar, quem assume as rédeas, nomeadamente na nostalgia de What Happens To People e outras em que o colorido do cravo, um dos instrumentos predilectos de Cox, é, claramente, a grande força motriz, como é o caso de Element, uma ode dos Deerhunter ao meio ambiente e à natureza.

Até ao ocaso de Why Hasn't Everything Already Disappeared?, no clima buliçoso e descomprometido de Futurism, na mágica melancolia que trespassa o xilofone que sustenta Tarnung, no requinte do funk alegre e divertido que conduz Plains e, a encerrar as hostilidades, no devaneio algo caótico que, em Nocturne, dá vida a um minimalismo sintético que depois se transforma num tratado pop, somos convidados a deliciar-nos com um álbum onde a personalidade de cada uma das canções demora um pouco a revelar-se nos nossos ouvidos, já que imensos e variados são os detalhes precisos que as adornam.

Os Deerhunter vivem, de facto, no pico da sua capacidade criativa e mostram-se ao oitavo disco mais arrojados do que nunca, mostrando neste Why Hasn't Everything Already Disappeared? que conseguem navegar sem parcimónia em diferentes campos de exploração. Este projeto de Atlanta, na Georgia, prova-nos que a imprevisibilidade continua a ser, felizmente, algo valioso e ímpar no mundo artístico e Bradford Cox, uma das personagens mais excêntricas no mundo da música contemporânea, continua a jogar com essa evidência a seu favor, à medida que apresenta diferentes ideias e conceitos, de disco para disco, tendo, neste caso, excedido favoravelmente todas as expetativas e criado aquele que é já, na minha opinião, um dos álbuns essenciais de dois mil e dezanove. Espero que aprecies a sugestão...

Deerhunter - Why Hasn't Everything Already Disappeared

01. Death In Midsummer
02. No One’s Sleeping
03. Greenpoint Gothic
04. Element
05. What Happens To People?
06. Détournement
07. Futurism
08. Tarnung
09. Plains
10. Nocturne


autor stipe07 às 08:26
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Domingo, 9 de Dezembro de 2018

Deerhunter – Element

Após quase década e meia de excelentes registos discográficos que consolidaram uma das carreiras mais bem sucedidas e profícuas do indie rock experimental contemporâneo, os Deerhunter de Bradford Cox já têm prontoWhy Hasn’t Everything Disappeared?, um registo gravado em Marfa, no Texas, que será lançado a dezoito de Janeiro próximo à boleia da 4AD Records e que foi produzido pela cantora e compositora galesa Cate Le Bon, com a ajuda da própria banda e dos produtores e engenheiros de som Ben H. Allen III e Ben Etter, que já tinham trabalhado com o grupo em discos anteriores.

Deerhunter

O mais recente single divulgado deste Why Hasn’t Everything Disappeared?, o oitavo disco da carreira dos Deerhunter, que sucede ao aclamado disco Fading Frontier (2015), é Element, o quarto tema do alinhamento, uma composição descrita por Cox como uma ode ao ambiente e à natureza, um tema com uma tremenda sensibilidade pop e que resplandesce pelo modo como as cordas e os sopros vão interagindo entre si de um modo muito calculado, o que resulta, no seu todo, em quase três minutos de puro deleite sonoro, com indisfarçável leveza e beleza melódica. Confere...

Deerhunter - Element


autor stipe07 às 18:20
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Sábado, 17 de Novembro de 2018

Cat Power – Wanderer

Seis anos depois do excelente Sun, já viu a luz do dia Wanderer, o  décimo álbum de estúdio da norte-americana Cat Power, uma cantora e compositora também conhecida como Chan Marshall, nascida em Atlanta, na Georgia e que foi cedo viver para Nova Iorque onde conheceu  Steve Shelley (baterista dos Sonic Youth) e Tim Foljahn (guitarrista dos Two Dollar Guitar) que a encorajaram a gravar Dear Sir (1995) e Myra Lee (1996), os seus primeiros registos de originais e que, desde logo, chamaram a atenção de Matador Records, sendo este Wanderer o primeiro alinhamento que ela publica noutra etiqueta, neste caso a também insuspeita Matador Records.

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Uma das personalidades mais carismáticas e íntegras do indie rock atual, Cat Power oferece-nos em Wanderer mais um disco cheio de emoção e repleto de testemunhos de uma vivência pessoal que é, no fundo, comum a tantas mulheres da sua idade. E é curioso perceber que esta artista não é propriamente púdica no modo como se expôe aos seus admiradores e lhes conta eventos através das suas canções, quase como se estivesse a fazê-lo num balcão de um bar a uma das suas amigas numa noite de diversão. Aliás, escuta-se o dueto dela com Lana Del Rey em Woman e parece que estamos a testemunhar algo parecido com essa descrição. E depois, quando em Robin Hood ela disserta sobre as dificuldades da vida de quem tenta sobreviver com menos posses, ou quando em Me Voy ela fala diretamente connosco quase em jeito de despedida, percebemos esta proximidade que ela faz questão de ter com o ouvinte, esta busca clara de uma conexão que, como seria de esperar, faz que Wanderer tenha um clima geral bastante introspetivo, cheio de momentos de rara beleza e a exalarem a um forte travo a vulnerabilidade.

Produzido também com a ajuda da autora e com todos os instrumentos a serem tocados pela mesma, Wanderer deambula entre a folk, o blues e o melhor cancioneiro norte-americano, sabendo, por isso, sonoramente, a toda a carreira de Cat Power, já que foram estas as bitolas pelas quais ela se foi guiando nestas duas décadas, mesmo quando em Sun, o antecessor, ela explorou territórios mais eletrónicos e sintéticos, ou quando, neste mesmo Wanderer, nos oferece uma versão de Stay, um tema que Mikky Ekko produziu para o Unapologetic (2012), de Rihanna. Assim, cheio de pianos e guitarras inspiradas é, em suma, um registo de celebração de uma autenticidade rara nos dias de hoje, um disco que sabe a oferenda, mas também a versatilidade e empenho, por parte de uma das artistas mais marcantes, maduras e criativas do cenário musical contemporâneo. Espero que aprecies a sugestão...

Cat Power - Wanderer

01. Wanderer
02. In Your Face
03. You Get
04. Woman (Feat. Lana Del Rey)
05. Horizon
06. Stay
07. Black
08. Robbin Hood
09. Nothing Really Matters
10. Me Voy
11. Wanderer/Exit


autor stipe07 às 15:00
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Quinta-feira, 1 de Novembro de 2018

Deerhunter - Death In Midsummer

Após quase década e meia de excelentes registos discográficos que consolidaram uma das carreiras mais bem sucedidas e profícuas do indie rock experimental contemporâneo, os Deerhunter de Bradford Cox acabam de anunciar a edição de Why Hasn’t Everything Disappeared?, um registo que será lançado a dezoito de Janeiro próximo à boleia da 4AD Records e que foi produzido pela cantora e compositora galesa Cate Le Bon, com a ajuda da própria banda e dos produtores e engenheiros de som Ben H. Allen III e Ben Etter, que já tinham trabalhado com o grupo em discos anteriores.

Deerhunter

O primeiro single divulgado deste Why Hasn’t Everything Disappeared?, o oitavo disco da carreira dos Deerhunter, que sucede ao aclamado disco Fading Frontier (2015), é Death In Midsummer, o primeiro tema do alinhamento, uma composição com uma tremenda sensibilidade pop e que vai crescendo de intensidade à medida que vai recebendo cordas e sopros de um modo muito calculado, o que resulta, no seu todo, em pouco mais de quatro minutos de puro deleite sonoro que mais do que agregarem diversos fragmentos, incorporam uma canção com um corpo uno e de indisfarçável leveza e beleza melódica. Confere o video de Death In Midsummer e a capa e o alinhamento de Why Hasn’t Everything Disappeared?...

Deerhunter WHEAD Album Packshot_00Death in Midsummer

No One’s Sleeping

Greenpoint Gothic

Element

What Happens to People?

Détournement

Futurism

Tarnung

Plains

Nocturne


autor stipe07 às 10:51
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Terça-feira, 29 de Maio de 2018

Deerhunter – Double Dream Of Spring

Após quase década e meia de excelentes registos discográficos que consolidaram uma das carreiras mais bem sucedidas e profícuas do indie rock experimental contemporâneo, os Deerhunter de Bradford Cox acabam de anunciar a edição de The Double Dream of Spring, um registo em formato cassete, limitado a trezentas cópias, com dez temas no alinhamento. Esta edição física irá com a banda na sua próxima digressão, a ter início nos próximos dias, com dois concertos em Nova Iorque e que virá depois até à Europa, com passagem por Inglaterra, França e Alemanha. As dez canções de Double Dream Of Spring foram gravadas em Atlanta, na casa de Bradford Cox e, de acordo com um press release do grupo, antecipam também a gravação e posterior edição de um novo álbum de originais, que deverá ver a luz do dia ainda este ano e que será produzido por Cate Le Bon.

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Mestres de um estilo sonoro bastante sui generis e que mistura alguns dos arquétipos fundamentais do indie rock, sempre com uma componente pop que entronca numa acessibilidade melódica que nem sempre está na linha da frente das bandas que se movimentam neste espetro sonoro mais underground, os Deerhunter oferecem-nos em Double Dream Of Spring um conjunto de experimentações sónicas que, não renegando, em alguns instantes, aquela toada lo fi, crua e pujante, feita também de quebras e mudanças de ritmos e momentos de pura distorção, também tenta, dentro de um salutar experimentalismo, adocicar os nossos ouvidos com melodias que misturem acessibilidade, diversidade e intrincado bom gosto, sempre com enorme eficácia. Mostra-o logo o instrumental Dial’s Metal Patterns, tema que parecendo ter sido criado num momento de puro improviso, vai recebendo cordas e sopros de um modo aparentemente anárquico, o que resulta, no seu todo, numa composição que, apesar dos seus quase doze minutos, mais do que agregar diversos fragmentos, é um corpo uno e de indisfarçável leveza e beleza sonora.

A partir desse mote inicial, Double Dream Of Spring prossegue a sua senda encantatória, sempre com essa toada experimental e algo progressiva e além da base instrumental típica dos Deerhunter, temos composições repletas de arranjos fornecidos por sons do quotidiano, como é o caso de Strang's Glacier, outras em que o sintetizador é o elemento chave, nomeadamente The Primitive Baptists, ou instantes, como em Denim Opera, em que o rugoso e a crueza mais lo fi mas que nunca incomoda vem à tona. Em Lilacs In Motor Oil, por exemplo, identifica-se um xilofone, mas tudo o resto é um absoluto emaranhado que nos submerge e nos leva ao alheamento de tudo aquilo que nos pode afetar em nosso redor e quer a mágica melancolia que trespassa o xilofone e a bateria de Faulkner's Dance, quer o sintetizador irrepreensível e um efeito de guitarra que parece planar na cativante How German Is It?, solidificam o ambiente geral de um alinhamento que apela, segundo após segundo, ao que de melhor conseguem captar todos os nossos sentidos.

Double Dream Of Spring acaba por fazer, de modo inesperado e bastante subtil, uma espécie de súmula de toda a sensibilidade pop que foi balizando a evolução da carreira dos Deerhunter e que em alguns momentos foi atingida com um forte cariz épico e monumental, mas que também abrigou os seus alicerces fundamentais em instantes mais introspetivos e etéreos. Fazer uma pausa na gravação de temas com formato mais acessível acaba por ser uma consequência óbvia para um grupo que vive no pico da sua produção criativa e que exigindo e conseguido navegar sem parcimónia em diferentes campos de exploração, acaba por sentir necessidade de criar algo onde reine a imprevisibilidade, faceta que é, afinal, bastante valiosa no mundo artístico e que Bradford Cox, uma dos personagens mais excêntricas no mundo da música de hoje, tanto valoriza. Double Dream Of Spring é a materialização desse instintiva necessidade. Espero que aprecies a sugestão...

Deerhunter - Double Dream Of Spring

01. Clorox Creek Chorus
02. Dial’s Metal Patterns
03.
04. Strang’s Glacier
05. The Primitive Baptists
06. Denim Opera
07. Lilacs In Motor Oil
08. Faulkner’s Dance
09. How German Is It?
10. Serenity 1919 (Ives)


autor stipe07 às 20:39
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Quarta-feira, 21 de Outubro de 2015

Deerhunter - Fading Frontier

Dois anos após um fabuloso disco de garage rock, com elevada estética punk e cheio de guitarras vintage intitulado Monomania e um atropelamento grave em 2014, Bradford Cox está de regresso com os seus Deerhunter aos álbuns com Fading Frontier, nove canções que viram a luz do dia a dezasseis de outubro à boleia da 4AD e que foram produzidas pelo próprio grupo de Atlanta e por Ben H. Allen III, habitual colaborador dos Deerhunter desde o mítico Halcyon Digest (2010).

Se Monomania tinha uma toada lo fi, crua e pujante, com canções cheias de quebras e mudanças de ritmos e momentos de pura distorção, vozes quase inaudíveis e uma raiva que ainda não tinha sido vista nos Deerhunter, mesmo nos primeiros álbuns da banda, Fading Frontier não renega totalmente estes atributos essenciais para a definição justa do adn do grupo, com Duplex Planet à cabeça como tema que impulsionado pela guitarra de Tim Game, dos Stereolab, assegura algum ideal de continuidade. Mas a verdade é que este é o disco mais melódico do historial da banda e, se do cardápio dos Deerhunter há já excelentes instantes sonoros que merecem figurar em lugar de destaque na indie contemporânea, Fading Frontier contém instantes sonoros que são verdadeiros clássicos e que puxam os autores para um patamar superior de abrangência, não só pela miríade sonora que abrangem, mas também, e principalmente, por estarmos a falar de canções que misturam acessibilidade, diversidade e intrincado bom gosto, tudo com enorme eficácia.

Compêndio que privilegia então uma sensibilidade pop inédita nos Deerhunter e que em alguns momentos é atingida com um forte cariz épico e monumental, como se infere logo em All The Same, o estrondoso tema que abre o alinhamento, Fading Frontier também abriga os seus alicerces fundamentais em instantes mais introspetivos e etéreos, como é o caso da mágica melancolia que trespassa o piano e o baixo de Lather and Wood e do sintetizador irrepreensível e um efeito de guitarra que parece planar na cativante Living My Life, uma canção que permite obter, nos quase quatro minutos de duração, um completo alheamento de tudo aquilo que nos preocupa ou pode afetar em nosso redor. E além destes dois aspetos, transversais a grande parte do historial do grupo e que se misturam e se sublimam em vários temas deste novo álbum, com o single Breaker a ser talvez aquele que melhor consegue juntar toda a amálgama que hoje define o adn dos Deerhunter, há outros dois traços também algo antagónicos, mas aqui expressos com intensidade e requinte superiores; Refiro-me ao funk alegre e divertido de Snakeskin, canção que conta com a participação especial de Zumi Rosow no saxofone e, em Ad Astra, a um piscar de olhos objetivo áquele pós-punk britânico dos anos oitenta que fazia questão de viver permanentemente de braço dado com o experimentalismo e em simbiose com a psicadelia.

Fading Frontier é um daqueles registos discográficos onde a personalidade de cada uma das canções do alinhamento demora um pouco a revelar-se nos nossos ouvidos, mas é incrivelmente compensador experimentar sucessivas audições para destrinçar os detalhes precisos e a produção impecável e intrincada que as distingue e que sustenta a bitola qualitativa de um disco incubado por um grupo que vive no pico da sua produção criativa, porque exige e consegue navegar sem parcimónia em diferentes campos de exploração. A imprevisibilidade é, afinal, algo de valor no mundo artístico e Bradford Cox, uma dos personagens mais excêntricas no mundo da música de hoje, continua a jogar com essa evidência, a seu favor, à medida que apresenta diferentes ideias e conceitos de disco para disco, tendo, neste caso, excedido favoravelmente todas as expetativas e criado um dos álbuns essenciais do ano. Espero que aprecies a sugestão...

Deerhunter - Fading Frontier

01. All The Same
02. Living My Life
03. Breaker
04. Duplex Planet
05. Take Care
06. Leather And Wood
07. Snakeskin
08. Ad Astra
09. Carrion


autor stipe07 às 21:20
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Quinta-feira, 27 de Novembro de 2014

Warehouse - Omission

Warehouse - "Omission"

No passado mês de julho os Warehouse, uma banda indie de Atlanta, na Georgia, editaram, em nome próprio, Tesseract, o seu registo de estreia, que recordo ter feito parte da minha banda sonora de um determinado período do último verão. Entretanto, Dustin Payseur, dos Beach Fossils e Katie Garcia da Captured Tracks, anunciaram o lançamento de uma nova etiqueta chamada Bayonet Records e que Tesseract, dos Warehouse, será um dos primeiros álbuns do seu cardápio, estando previsto o próximo mês de março como data de novo lançamento do disco, mas agora com o novo selo. Já agora, os Red Sea e os Frankie Cosmos são outros dois projetos já confirmados na nova editora.

Omission é o primeiro single que será retirado deste novo lançamento de Tesseract, uma canção surpreedente, sustentada por várias camadas de ruídos, enquanto a voz rouca de Elaine Edenfield, vocalista dos Warehouse, grita e passeia livremente por uma melodia enérgica, rugosa e incisiva. Confere...


autor stipe07 às 13:28
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Segunda-feira, 10 de Novembro de 2014

Black Swan Lane – A Moment Of Happiness

Formados em 2007 por Jack Sobel e John Kolbeck, antigos membros dos The Messengers e Mark Burgess, dos The Chameleons, os Black Swan Lane são uma das novas coqueluches do indie rock britânico, com outros nomes tão importantes como Andy Clegg, Andy Whitaker, Kwasi Asante, Yves Altana & Achim Faerber, a terem dado já uma mão a um projeto que se estreou ainda nesse ano com A Long Way From Home, tendo-se depois seguido já mais quatro discos: The Sun and The Moon Sessions (2009), Things You Know and Love (2010), Staring Down The Path Of Sound (2011) e The Last Time in Your Light (2013). Recentemente chegou aos escaparates A Moment Of Happiness, o mais recente álbum do cardápio destes Black Swan Lane que, com uma carreira dividida pelos dois lados do atlântico, entre Atlanta e Manchester, acabam por agregar tudo aquilo que tem de melhor o indie rock atual.

Com um percurso já bastante sólido e profícuo, numa média de quase um lançamento por ano, estes Black Swan Lane chegam a A Moment Of Happiness no auge de uma carreira, que as guitarras e o baixo de DNA ou Dust claramente revisitam e resumem, a primeira num registo mais punk e sombrio e a segunda numa vertente mais luminosa. A viagem espiritual da acústica Body and Soul é também um excelente registo introspetivo que mostra muito do código genético de uma banda que tem colado a si, como seria de esperar, o indie rock de cariz mais alternativo e que aposta no revivalismo de outras épocas, nomeadamente os primórdios do punk rock mais sombrio que fez furor nos finais da década de setenta e início da seguinte, com nomes com os Joy Division, os The Chameleons, naturalmente, ou os Cure à cabeça.

A voz de Jack Sobel ganha plano de destaque quando em Lost For You persegue um esqueleto instrumental melancólico, fazendo com que a frase Everything I Lost For You, ecoe dentro de nós com tal ênfase só possível de replicar por quem reside num universo algo sombrio e fortemente entalhado numa forte teia emocional amargurada. Em Pretty in Tears volta a não descolar no grau de emotividade que coloca na sua interpretação vocal, exemplarmente acompanhado pelas exuberância das cordas e, em Below The Sound tem ao seu lado uma percurssão coesa e bastante ritmada.

Até ao ocaso de A Moment Of Happiness torna-se imprescindível e especial deleitar os nossos ouvidos com o ritmo sempre crescente, até à inevitável explosão sónica, de More e com o cariz épico de Years. O alinhamento chega quase ao encerramento de forma espetacular com uma nova versão alargada no tempo e na emoção de Lonely, uma canção que os Black Swan Lane já compuseram há alguns anos, mas que só agora aparece em disco.

A Moment Of Happiness é um álbum muito bem produzido, sem lacunas, com elevada coerência e sequencialidade, mas é sobretudo um exercício de audição individual das canções. Mesmo ignorados por meio mundo, os Black Swan Lane aproveitam o fato de estarem no apogeu da carreira e do grau de maturidade de todos os seus membros, para persistirem em criar discos fantásticos e que mereciam uma maior projeção. Talvez seja desta vez que conseguem quebrar o enguiço de quem insiste em querer catalogar com injusto menosprezo alguns  projetos que procuraram replicar apenas, ao longo da carreira, zonas de conforto, memso que o façam com elevada bitola qualitativa. Seja como for, a verdade é que com A Moment Of Happiness os Black Swan Lane firmam a sua posição na classe dos artistas que basicamente só melhoram com o tempo. Espero que aprecies a sugestão...

Order

Black Swan Lane - A Moment Of Happiness

01. DNA
02. Dust
03. Body and Soul
04. Lost for You
05. Pretty in Tears
06. Below the Sound
07. Time
08. More
09. Sandia
10. Lonely
11. Years
12. A Moment of Happiness

 


autor stipe07 às 22:13
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Terça-feira, 4 de Novembro de 2014

The Coathangers - Sex Beat (The Gun Club Cover)

The Coathangers

Crook Kid Coathanger, Minnie Coathanger e Rusty Coathanger são as The Coathangers, um trio de Atlanta que aposta no punk rock de garagem, fazendo-o de uma modo bastante genuíno, o que lhes valeu terem já conseguido cimentar um som com um cunho muito próprio e de cariz fortemente identitário.

A banda prepara-se para lançar um single a meias com os These Arms Are Snakes, seus colegas na Suicide Squeeze, contribuindo com a cover que fizeram para o rockabilly de Sex Beat, um original dos californianos Gun Club, uma versão alegre e divertida e que aposta numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico. Confere...

 


autor stipe07 às 17:18
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Domingo, 31 de Agosto de 2014

Suno Deko - Throw Color EP

Suno-Deko

Lançado no passado dia vinte e dois de julho através da conceituada Stratosfear, Throw Color é o novo EP de Suno Deko, aka David Courtright, um músico de Atlanta, na Georgia, que aposta numa pop experimental.

Com este EP, Courtright oferece-nos uma perspetiva bastante criativa e única de como o indie rock actual pode abarcar várias influências e diferentes estilos, desde que a conjugação entre as cordas e a percussão com os sintetizadores abriu uma verdadeira caixa de pandora.

Jovial, hiperativo e barulhento na dose certa, Throw Color tem uma toada lo fi, crua e pujante. Está cheio de quebras e mudanças de ritmos, com uma certa e, quanto a mim, feliz dose de improviso, em quatro canções com uma energia ímpar que debita ao longo de seus mais de quinze minutos de duração, sons que se atropelam durante o percurso e que sustentam temas cheios de personalidade, alegria e cor.

Será certamente compensador experimentar sucessivas audições para destrinçar os detalhes precisos e a produção impecável e intrincada que distingue os vários e que, por acréscimo, sustenta o conteúdo de Throw Color. Mas o jogo que se estabelece entre as cordas e a bateria em Bluets, uma canção sóbria, calma, limpa e tranquila, é o meu tema preferido do EP, um viciante momento de pop melosa e introspetiva. No entanto, Deliver também tem algo de especial e fortemente emotivo, proporcionado por uma melodia sintetizada fortemente nostálgica e uma letra bastante emotiva, capaz de despedaçar qualquer coração menos habituado e disponível a deixar-se confundir por sentimentos particularmente profundos (I would tear the stars down for your love).

Throw Color foi idealizado e composto com base na emoção e na intuição de um artista que sabe que territórios deve pisar e esta liberdade é algo que nem todos conseguem com semelhante qualidade. Masterizado por Warren Hildebrand dos Foxes In Fiction, provoca um forte impacto lisérgico em quem se predispõe a ouvir atentamente o seu conteúdo e destaca-se pelo manancial de de detalhes e nuances instrumentais, excelentes para explorar e descobrir uma perspetiva diferente e peculiar do que pode ser proposto no cenário indie atual, enquanto se flutua num universo de composições etéreas e sentimentalmente atrativas. Espero que aprecies a sugestão... 


autor stipe07 às 22:50
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Sexta-feira, 31 de Janeiro de 2014

Dog Bite - Tranquilizers

Dog Bite é um projeto musical que nasceu na mente de Phil Jones, um músico norte americano com raízes em Atlanta, que depois de andar em digressão com os Washed Out, ao comando das teclas, resolveu convidar membros dos Mood Rings e dos Red Sea, assim como Cameron Gradner, baterista que também andou em digressão com os Washed Out, para formar uma banda. Velvet Changes, o disco de estreia dos Dog Bite, foi editado em fevereiro de 2013 pela Carpark Records, uma editora de Washington, casa de Toro Y Moy e dos Cloud Nothing, dois projetos cuja simbiose das duas sonoridades, a chillwave do primeiro e o rock experimental do segundo, descrevem com alguma precisão a sonoridade deste projeto, que está de regresso com Tranquilizers, um novo registo de originais, editado no passado dia 21 janeiro pela mesma Carpark Records.

OLD IS NEW: Dog Bite is not a new trick for Phil Jones (middle), who was recording under the name before collaborating with Washed Out.

Fortemente influenciado por nomes como J Dilla, Portishead, Caribou e os The Roots, Jones vive num mundo carregado de detalhes com um forte pendor psicadélico, onde as vozes sintetizadas e uma chillwave nostálgica são a pedra de toque dos dez temas de Tranquilizers, o seu novo álbum. Logo a abrir, o sintetizador etéreo do instrumental There Was Time é uma importante referência para o arsenal eletrónico que sustenta Tranquilizers. A voz faz a sua aparição, timidamente, em We e com ela uma batida algo hipnótica que nos obriga a descolar da realidade que nos rodeia, caso haja interesse em assimilar a doutrina sonora que Jones tem para nos oferecer.

É preciso chegar a We Are Queen para sentirmos a abafo de uma guitarra que, não sendo esplendorosa, ao dar as mãos a um baixo bem vincado e a um sintetizador eloquente, criam um dos temas mais complexos e, por isso, mais ricos deste disco. A percussão de Tuesdays é a trave mestra que dá equilibrio a uma guitarra que resiste e mantém-se protagonista maior de uma canção que se assume como um dos maiores destaques de Tranquilizers, a mesma percussão que alimentsa o potente groove de Wonder Dark e nos faz cerrar punho enquanto Phil repete, insistentemente, que tem a receita para atingirmos todos os sonhos que Dream Feast, um dos singles deste Tranquilizers, revela, ao mesmo tempo que Royals não deixa que acordemos naquele preciso momento em que o sonho atinge o seu auge. Para esse acordar tranquilo e em beleza estão lá os acordes de L'Oiseau Storm e o sintetizador hipnótico de Rest Assured.

Desde que nomes como os Best Coast, The Walkmen ou Wavves, entre tantos e tantos outros, começaram a replicar com sucesso um subgénero da pop algo vintage, feito de uma chillwave lo fi, muitos outros se seguiram com apreciável sucesso. Os Dog Bite acompanham a tendência, ainda por cima com a particularidade de adicionarem em maior quantidade ao sintetizador detalhes da chillwave e da eletrónica e assim criarem um caldeirão sonoro algo retro. Espero que aprecies a sugestão...

Dog Bite - Tranquilizers

01. There Was Time
02. We
03. Lady Queen
04. Tuesdays
05. Clarinets
06. Wonder Dark
07. Dream Feast
08. Royals
09. L’oiseau Storm
10. Rest Assured0

 

 

 


autor stipe07 às 21:20
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Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2013

Dog Bite - Velvet Changes

Dog Bite é um projeto musical que nasceu na mente de Phil Jones, um músico norte americano com raízes em Atlanta, que depois de andar em digressão com os Washed Out, ao comando das teclas, resolveu convidar membros dos Mood Rings e dos Red Sea, assim como Cameron Gradner, baterista que também andou em digressão com os Washed Out, para formar uma banda. Velvet Changes é o disco de estreia dos Dog Bite e foi editado no passado dia cinco de fevereiro pela Carpark Records, uma editora de Washington, casa de Toro Y Moy e dos Cloud Nothing, dois projetos cuja simbiose das duas sonoridades, a chillwave do primeiro e o rock experimental do segundo, descrevem com alguma precisão o conteúdo de Velvet Changes.

Fortemente influenciado por nomes como J Dilla, Portishead, Caribou e os The Roots, para estes Dog Bite e o álbum Velvet Changes, Jones também se deixou levar pelo artista neozelandês Connan Mockasin e um filme de 1975 chamado Picnic at Hanging Rock. Jones usa a primeira metade desse filme como ponto de partida para a conceção do álbum e utiliza na escrita das canções as suas próprias narrativas para explicar o grande dilema do argumento dessa película que se baseava num piquenique organizado por um grupo de alunas e um professor e uma parte do grupo que desaparece sem motivo concreto. Neste aparente pesadelo psicadélico, Velvet Changes pode não chegar a nenhuma conclusão sobre o que terá sucedido, mas asseguro-vos que as letras deixam pistas curiosas acerca dos motivos para tão inusitado e misterioso evento. Um bom exemplo disso é este excerto de SupersoakerHot dream, warm touch, cool bed, you’re tough.

Do surf rock de Forever Until à nostalgia da musa My Mary, a sonoridade das canções assenta na típica dream pop lo fi com origem há umas duas décadas, onde o sintetizador e as guitarras melódicas assumem a primazia na condução sonora. Mesmo no meu tema preferido do álbum, You're Not That Great, cujo início é feito por uma linha de baixo que segue até ao fim, rapidamente a guitarra se sobrepõe e indica o rumo futuro da canção. O mesmo acontece em Native America, com a bateria inicial a ser rapidamente domada e dominada pelas cordas distorcidas e cheias de efeito.

Parece um cliché esta descrição para quem acompanha com regularidade as publicações deste blogue, mas a verdade é que desde que nomes como os Best Coast, The Walkmen ou Wavves, entre tantos e tantos outros, começaram a replicar com sucesso este subgénero da pop, muitos outros se seguiram com apreciável sucesso. Os Dog Bite acompanham a tendência, ainda por cima com a particularidade de adicionarem em maior quantidade ao sintetizador detalhes da chillwave e da eletrónica e assim criarem este caldeirão sonoro algo retro.

Para promover Velvet Changes, os Dog Bite preparam-se para andar em digressão com Toro Y Moi, que também anda a divulgar o extraordinário Anything in Return. Espero que aprecies a sugestão...

01. Forever, Until
02. Supersoaker
03. No Sharing
04. Prettiest Pills
05. You’re Not That Great
06. Holiday Man
07. Native America
08. Paper Lungs
09. Stay Sedated
10. The Woods And The Fire
11. My Mary


autor stipe07 às 21:52
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Segunda-feira, 10 de Setembro de 2012

Cat Power – Sun

Lançado através da Matador Records, Sun é o apelativo nome da nova rodela de Chan Marshall, conhecida no universo musical como Cat Power, uma artista norte americana com quase vinte anos de carreira e que já abordou inúmeras facetas líricas e instrumentais durante este período.

Este nono disco é o primeiro em seis anos e serviu para esta cantora natural de Atlanta, na Geórgia, em onze canções deixar de lado a personagem que sempre projetou, assente numa vertente mais acústica e que destilava setimentos amargurados e soturnos, para conceber agora algo mais ousado, com a ajuda de sintetizadores e um arsenal de novas referências eletrónicas. O fim da relação de longa data com o ator Giovanni Ribisi poderá ter algo a ver com esta mudança; A própria Chan mudou de visual e agora surge com um aspeto mais radioso, de cabelo curto, a substituir as cordas da guitarra por batidas e o sofrimento pelo humor e pela ironia.

Sun abandona então a amargura hermética que definiu obras como You Are Free (2003), The Greatest (2006) e Moon Pix (1998) para se envolver  em algo mais abrangente e experimental, desconcertante e luminoso, como o título do disco exige; Um álbum que brilha e parece inteiramente aquecido pelo Sol.

Sun é um tratado de visíveis contrastes. Enquanto as letras de Real Life, Ruin e Human Being reforçam toda a melancolia alguma dose de rancor, algo que poderá ter a ver com os recentes problemas que circundaram a vida pessoal da cantora, a voz e a sonoridade que percorre essas canções e todo o disco levam Cat Power para outra direção. Assim, em alguns momentos, Sun parece confuso para quem conhece a discografia anterior da banda, mas também não demora muito tempo a prender o ouvinte.

Mesmo que esta inflexão sonora dã cantora pareça fascinante e inusitada, não há como negar que esta aventura pelo campo da música mais eletrónica e experimental, deixa sempre algmu desconforto, mesmo que se reconheça mérito e qualidade no que se escuta. Como a própria Cat optou por ser ela própria a comandar as máquinas e produzir os sons que utilizou, alguns são um pouco arcaicos e causam uma reacção um pouco adversa em certos momentos. E essa execução básica de algumas composições faz com que Sun acabe por não atingir um nível elevado de excelência. Mas, não há como negar a mestria de  Real Life, 3,6,9 e da extensa Nothin But Time, canções que carimbam e atestam a qualidade de topo desta compositora de eleição.

Sun é um trabalho que exige tempo. Quanto mais nos aventuramos no disco, melhor percebemos o quanto Cat Power evoluiu como cantora, compositora e até como produtora. Por mais que demore a entrar, quando desvendado Sun tece no ouvinte uma teia sonora e poética que toca e emociona, mesmo que algumas nuvens tentem bloquear essa sensação. Espero que aprecies a sugestão...

01. Cherokee
02. Sun
03. Ruin
04. 3,6,9
05. Always On My Own
06. Real Life
07. Human Being
08. Manhattan
09. Silent Machine
10. Nothin But Time
11. Peace And Love


autor stipe07 às 22:51
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Quarta-feira, 18 de Abril de 2012

Lotus Plaza – Spooky Action At A Distance

O excêntrico Bradford Cox pode muito bem ser considerado um dos novos génios do rock alternativo. Seja nos Deerhunter ou nos Atlas Sound, em cada novo projeto em que se envolve, Cox tem deixado um rasto de genialidade como compositor. Foi justamente essa mesma genialidade incontida que ocultou o primeiro álbum do seu parceiro nos Deerhunter, o guitarrista Lockett Pundt, natural de Atlanta, na Geórgia e líder dos Lotus Plaza, um projeto que mesmo com todos os esforços de Pundt, soou, na estreia, em 2009, como uma espécie de replicação daquilo que Bradford vinha a desenvolver.

Os últimos três anos, entretanto, aprimoraram as composições individuais de Pundt, algo que este Spooky Action At A Distance, lançado recentemente pela Kranky, comprova. O artista deixa de lado a timidez da estreia e desenvolve um álbum verdadeiramente próprio, rico e muito mais amplo, comprovando que é um compositor adulto, ainda abertamente influenciado por Bradford, mas nitidamente mais interessado em desenvolver algo verdadeiramente seu.

Da canção de abertura às restantes composições sonoras que se revelam no interior de Spooky Action At A Distance, este disco soa bastante aos irlandeses My Bloody Valentine e aquilo que Kevin Shields e seus parceiros desenvolveram há duas décadas, no entanto, com uma sequência moderna, revitalizada e coerente. Mas, além das guitarras distorcidas e da delineada instrumentação bastante próxima do que os Deerhunter propuseram com Halycon Digest, em 2010, neste novo trabalho dos Lotus Plaza outro destaque são as letras, bastante honestas, intimistas e capazes de abordar temas convencionais como a separação (Strangers) e a nostalgia (Remember Our Days), de forma renovada e em diálogo com o público.

A constante busca de Pundt pela construção de um álbum orientado pela experimentação e com o músico a absorver abertamente os tiques da dream pop, resultou numa psicadelia sóbria e remodelada, algo evidente em Dusty Rhodes e principalmente em Out Of Touch, momento que também se aproxima da herança deixada não só pelo já citado Kevin Shields, como pelos próprios irmãos Reid (The Jesus and Mary Chain).

Oposto de tantos grupos ou artistas que insistem em rodear-se pelas mesmas referências e ensinamentos, este Spooky Action At A Distance, mostra que Pundt sabe muito bem como controlar e explorar cada mínimo ruído emanado de uma guitarra e mais do que elaborar pequenas canções sobre o abandono ou mesmo exaltar as distorções criadas pelo instrumento que assume, o músico consegue dar acabamento e consistência ao álbum, ao revelar um trabalho que impregnado por um espírito jovem dialoga de forma surpreendente com os ensinamentos de outros veteranos. Se existe mais algum génio por trás dos Deerhunter, então Bradford Cox não pode mais assumir esse título solitariamente. Espero que aprecies a sugestão...

01.Untitled
02.Strangers
03.Out Of Touch
04.Dusty Rhodes
05.White Galactic One
06.Monoliths
07.Jet Out Of The Tundra
08.Eveningness
09.Remember Our Days
10.Black Buzz

Myspace


autor stipe07 às 21:52
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