Os aveirenses Booby Trap de Pedro Junqueiro, Pedro Azevedo, Carlos Ferreira e o novo baterista Hugo Lemos, já têm sucessor para Survival, o excelente disco que lançaram no final de 2013. Overloaded é o nome do novo registo de originais do quarteto e parecendo que mal passaram cerca de três anos desde o disco de estreia, é claramente evidente o progresso evidenciado pelo quarteto, algo claramente plasmado neste segundo trabalho, que em pouco mais de meia hora nos oferece uma verdadeira obra-prima de crossover thrash, um género musical que surgiu nos anos oitenta e que se define pela mistura entre o hardcore punk e o trash metal. Recordo que enquanto o trash metal nasceu quando parte da cena metal incorporou influências vindas do hardcore punk, o crossover thrash nasceu pelo caminho inverso, quando as bandas hardcore punk passaram a metalizar a sua música.

Editado pela Firecum Records, Overloaded contém, desde logo, uma personalidade e uma amplitude sonora mais agressiva, no bom sentido, num alinhamento mais eclético que o antecessor e com a cereja de se ter também ampliado a técnica e o apuro interpretativo, quer instrumental quer vocal, com a percussão a ser o aspeto em que isso mais se nota, já que o Hugo Lemos, fazendo jus ao posto que lhe foi designado, demonstra enorme criatividade e competência e trouxe, claramente, um novo ânimo para a banda.
O álbum impressiona logo pouco depois do início com o tema homónimo, feito de guitarras bem elaboradas, uma bateria impecável no modo como transmite alma e robustez e a voz inconfundível de Pedro Junqueiro a mostrar-se irreprensível no modo com replica os inconfundíveis traços deste género sonoro, sem deixar de se mostrar afinada e particularmente melodiosa. Em seguida, Fuck Off And Die retoma a nítida influência da escola thrash do final dos anos oitenta, ou seja, suja, rápida e com solo de guitarra requintado, para depois chegar Bloody Mary, canção que faz uma espécie de síntese perfeita de todo o legado dos Booby Trap, também plasmada na renovada versão do tema que dá nome ao quarteto. Já agora, merece igualmente audição atenta e dedicada a cover de Beber até Morrer, um dos momentos altos do cardápio dos míticos Ratos de Porão e até ao ocaso de Overloaded é impossível ficar indiferente ao riff da guitarra de Drunkenstein, uma canção repleta de ironia e simbolismo, duas das imagens de marca mais vincadas desta banda aveirense.
Em Overloaded os Booby Trap mostram-se tremendamente inspirados, passam com distinção o sempre difícil teste do segundo disco, transpiram uma enorme união e uma superior cumplicidade entre todos os músicos e deixam percetível, ao longo do alinhamento, todas as influências que trazem de muitos anos de estrada e um maior rigor interpretativo, mas sem perderem a originalidade e aquela irreverência que tão bem os carateriza. Espero que aprecies a sugestão...


Uma das mentes mais brilhantes e inspiradas da música nacional chama-se David Santos e assina a sua música como Noiserv. Vindo de Lisboa, Noiserv trará na bagagem um compêndio de canções que fazem parte dos EPs 56010-92 e A Day in the Day of the Days , dos álbuns One Hundred Miles from Thoughtless e Almost Visible Orchestra e do DVD Everything Should Be Perfect Even if no One's There, uma já assinalável discografia, ímpar no cenário musical nacional, de um artista que trouxe uma nova forma de compôr e fazer música e que gosta de nos deixar no limbo entre o sonho feito com a interiorização da cor e da alegria sincera das suas canções e a realidade às vezes tão crua e que ele também sabe tão bem descrever.
No próximo dia dezanove de junho, Noiserv estará em Castelo de Paiva, no auditório municipal, a partir das 21:30, para nos embalar com os seus acordes, num espetáculo organizado em parceria por este blogue, a Academia de Música de Castelo de Paiva, a Rádio Paivense FM e a Câmara Municipal de Castelo de Paiva.
Este espetáculo servirá também para homenagear Sérgio Vieira, uma figura incontornável do universo musical paivense, que recentemente nos deixou e que era leitor assíduo deste blogue, além de um grande fã de Noiserv e da sua música.
Os bilhetes, com um preço único de 5 euros e limitados a uma lotação de duzentos lugares, podem ser já adquiridos através do contacto 962751689, nas instalações Rádio Paivense, no Posto de Turismo local, no Café Central ou, caso ainda existam disponíveis no dia do concerto, na bilheteira do Auditório Municipal. Oportunamente serão divulgados mais locais de venda.
Contamos com a tua presença numa noite que será certamente muito bonita e inesquecível! Para já, fiquemos com uma pequena amostra do que poderá ser este concerto único...
Formados a 1 de Dezembro de 2008 entre Castelo de Paiva e Cinfães, os Cityspark abraçaram, de acordo com a banda, o desafio a novas sonoridades que passam pelo rock, a pop e o indie. Começaram por gravar, em 2009, o EP Made In Cityspark e um ano depois regressaram ao estúdio para gravar um novo tema intitulado Butterfly. Agora, alguns anos depois e após muitas dores de cabeça de persistência, de concertos realizados mas, acima de tudo, muita vontade de cumprir um dever realizado, chegou aos escaparates Violet, o primeiro longa duração da banda.

Violet foi gravado nos estúdios Replay Studios, produzido por Mário de Sá e a própria banda e já teve direito a um concerto de apresentação em Castelo de Paiva, que contou com a presença de diversos convidados especiais, estando a decorrer em bom ritmo a promoção do disco.
Independentemente do estado atual daquele indie rock de cariz mais alternativo e que aposta no revivalismo de outras épocas, nomeadamente os primórdios do punk rock mais sombrio que fez furor nos finais da década de setenta e início da seguinte, com nomes com os Joy Division, The Chameleons, ou os Cure à cabeça, o género nunca foi particularmente desenvolvido por cá, apesar do sucesso de algumas bandas nos anos oitenta, que se destacaram confessando essas influências e que, agregadas a esse estigma, procuraram também evoluir, nos trabalhos seguintes, para outras sonoridades e para a exploração de diferentes territórios sonoros.
Duas décadas depois, os Cityspark contêm no seu alinhamento músicos que sempre se mostraram expansivos e claro no modo como confessaram uma profunda devoção por essas referências fundamentais, mas Violet é um sinal claro que, se estes quatro músicos se orgulham dos atalhos e das rotas convergentes e divergentes com as suas preferências pessoais que já exploraram, também querem quebrar o enguiço de quem insiste em querer catalogar com injusto menosprezo alguns instantes discográficos de determinados projetos, afirmando que procuram apenas perceber zonas de conforto. Os Cityspark não renegam as suas raízes, mas também procuram romper com as mesmas e, de modo incisivo, alargar os horizontes até um presente que no universo do rock alternativo, aposta cada vez mais na eletrónica, mesmo que, para este quarteto seja essencial apostar em guitarras angulares, feitas de distorções e aberturas distintas e num baixo cheio daquele groove punk, com a bateria a colar todos estes elementos, com uma coerência exemplar.
Violet são, portanto, onze canções dominadas pelo rock festivo e solarengo, mas onde a eletrónica tem também uma palavra importante a dizer, já que, apesar do papel fundamental da guitarra na arquitetura sonora dos temas, os sintetizadores conduzem também o processo melódico, de modo a replicar uma sonoridade que impressiona pelo equilíbrio perfeito entre a contemporaneidade e um certo charme vintage.
O primeiro single retirado de Violet chama-se Sun Will Shine e o vídeo da canção já pode ser visto e partilhado por todos nas redes sociais. A canção é uma belíssima composição envolvida numa psicadelia luminosa, fortemente urbana, mística, mas igualmente descontraída e jovial, mas não o único grande destaque deste excelente disco; Os riffs de guitarra harmoniosos e a percurssão vincada de Come On e, principalmente, de Everybody, o meu tema preferido do disco, abrem-nos uma janela imensa de luz e cor e se, mais adiante, em Ugly Man, os Cityspark nivelam com elevada bitola qualitativa as suas experiências eletrónicas, em Why Have You Forgotten Me? o jogo de sedução que se estabelece inicialmente entre o orgão e a bateria, acaba por chamar a atenção da guitarra, que pouco depois junta-se e todos mostram como as belas orquestrações podem viver e respirar lado a lado e harmoniosamente com distorções e arranjos mais agressivos. Este quinto tema do alinhamento de Violet atravessa o atlântico para o lado de cá, vindo dos subúrbios de Brooklyn até aquela assumida pompa sinfónica e inconfundível e que nunca descurava as mais básicas tentações pop e que também fez escola no cenário indie britânico na década de noventa.
A busca de diferentes ambientes e a capacidade dos Cityspark em abarcar um leque aprofundado de referências fica também plasmada nos efeitos e no fuzz das guitarras de People Say e Run To The Lady, mais dois temas do disco que merecem audição cuidada. Em ambos, os Cityspark piscam o olho descaradamente ao rock progressivo mais enérgico e ao indie rock dançável e anguloso nova iorquino e à energia do punk que se alia com alguns laivos de eletrónica que, neste caso, casaram impecavelmente com a voz, que, já agora, ao longo do disco evidencia uma elevada elasticidade e a capacidade de reproduzir diferentes registos e dessa forma atingir um significativo plano de destaque. Everybody é um tema essencial para se perceber a capacidade do vocalista em atravessar diferentes picos de tonalidade sem colocar em causa a firmeza e a visceralidade que as distorções a vertente lírica exigem e o jogo de vozes que se estabelece em Ugly Man, assim como os efeitos em eco de Come On também atestam o elevado nivel do registo vocal de Violet.
Com onze canções com uma sonoridade impar, em Violet é possível absorver a obra como um todo, mas entregar-se aos pequenos detalhes que preenchem o trabalho é outro resultado da mais pura satisfação, como se os Cityspark quisessem projetar inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção do alinhamento. Conforme me confessaram na entrevista que podes conferir abaixo, este disco é para ser consumido de forma agradável e fluente e sem pressões, para que o desejo de carregar novamente no play seja uma realidade. Espero que aprecies a sugestão...
Depois de terem começado a carreira em 2008 e terem editado um EP logo no ano seguinte, porque é que foi preciso esperar tanto tempo para ver a luz do dia o primeir longa duração?
Na realidade boa parte deste álbum já tinha sido gravado em 2013 mas depois de ouvirmos achamos que não reunia as condições necessárias para ser lançado, juntando a tudo isso o facto de ser preciso alguma “capital” para o pôr ca fora. Tudo tem um custo e por vezes esse custo fica caro e quando não se tem apoios fica difícil mas não impossível e o resultado está à vista.
Violet parece-me um título fantástico para um disco de estreia e bastante apelativo. Sabe a uma espécie de grito de revolta colorido, uma daquelas entradas em grande no palco em início do espetáculo, de forma tão ruidosa que desperta logo o espetador mais incauto. É isso que vocês pretendem com o vosso trabalho de estreia? Causar um forte impacto? Como esperam que seja recebida a vossa música?
Evidente que todas as bandas por mais pequenas e anonimas que sejam tem como objectivo causar sempre impacto pela positiva e obvio que não fugimos a essa regra, o nome “violet” surge na simplicidade de querer “abrir” os olhos a quem de repente passa o olhar pela capa do nosso CD, e assim sendo pensamos que isso foi conseguido pelas várias críticas que nos foi feito relativamente ao “violet”. Esperamos que seja consumido pelas pessoas de forma agradável e fluente sem pressões e que o possas ouvir e no final dizer “tenho que ouvir de novo”. O que hoje em dia se passa é bem diferente disso, é meter a ferro e fogo nos ouvintes o que não se quer ouvir.
Quando confessam fazer música como forma de desafio a novas sonoridades que passam pelo rock, a pop e o indie. À medida que iam gerando Violet, preocuparam-se em experimentar e compor de acordo com as vossas preferências, ou também tiveram o foco permanentemente ligado na vertente mais comercial? No fundo, em termos de ambiente sonoro, o que idealizaram para o álbum inicialmente, correspondeu ao resultado final ou houve alterações de fundo ao longo do processo?
Tudo o que está no “violet” foi feito para nos satisfazer, existem músicas que sem dúvida gostamos mais que outras mas no geral foram e são da nossa preferência.
Quando se fala no “comercial” fala-se quase sempre de algo que agrada a 99% das pessoas e sim não temos problemas em assumir que queremos alcançar o máximo de ouvintes possíveis mas para isso não significa que tenhas que ser ridículo e fazer o tal “lixo “ comercial. Na fase de produção do álbum ouve músicas que entraram de uma forma e saíram de outra mas no final ficamos satisfeitos. Na banda existem músicos com varias preferências musicais e de certa forma ate se torna engraçado porque o que fazemos é juntar tudo e agradar a “gregos e a troianos” onde está presente o rock, pop, indie etc…
Sempre senti uma enorme curiosidade em perceber como se processa a dinâmica no processo de criação melódica. Numa banda com vários elementos, geralmente há sempre uma espécie de regime ditatorial (no bom sentido), com um líder que domina a parte da escrita e, eventualmente, também da criação das melodias, podendo os restantes músicos intervir na escolha dos arranjos instrumentais. Como é a química nos Cityspark? Acontece tudo naturalmente e de forma espontânea em jam sessions conjuntas, ou um de vocês domina melhor essa componente?
O processo criativo dos Cityspark é simples e creio que seja assim na maioria das bandas e porquê? Porque tem duas vertentes ou seja tanto podemos criar algo em dez, vinte minutos numa jam como andar um mês para finalizar algo já começado. Tanto podes fazer uma música para a vida nuns minutos como uma valente merda em meses, é como a veia criativa estiver. Mas na realidade o que acontece na maioria das vezes nas nossas composições é trabalho de casa onde eu (Hugo) e o Jorge temos um papel mais activo trazendo as musicas e letras e depois os arranjos são feitos no local de ensaio. Mas o importante de tudo isto é que seja Cityspark.
Liricamente, este disco deverá ser certamente resultado de experiências pessoais e da vossa percepção acerca daquilo que vos rodeia. No que diz respeito à escrita das letras, o que mais vos inspira? E, já agora, qual é a dinâmica da banda nesse aspeto?
As letras de facto são elaboradas em experiencias vividas mas nada de extermínios cerebrais onde a depressão e o fascínio pelas coisas negativas esteja presente, pelo menos por enquanto não são feitas nessa direcção. A parte lírica tem como base num simples gesto ou observação ou ate mesmo a preocupação em chamar atenção dos outros em fazer algo de interessante onde o amor e a fantasia estão presentes.
Violet foi produzido por vocês e por Mário de Sá. Como surgiu a possibilidade de trabalhar com uma verdadeira referência? Que peso teve no produto final?
Cruzamo-nos com o Mário num concurso e logo de início houve um interesse da parte dele em crer saber o que fazíamos e os projectos que tínhamos para o futuro, achamos que era uma boa oportunidade para trabalhar com alguém que já tinha passado pelo mesmo e o interesse foi crescendo por ambos ate que surgiu o “Violet”. Quando tens alguém que sabe o que queres é sempre fácil de alcançar certos objectivos e o Mário ajudou-nos muito a nível de aprendizagem e na construção musical. Foi como disse nas palavras acima referidas, houve musicas que entraram de uma forma e saíram de outra e isso chama-se pré produção onde ele teve de facto um papel fundamental.
Como estão a decorrer os concertos de apresentação do disco? E onde podemos ver os Cityspark a tocar num futuro próximo?
Logo após o lançamento do “violet” foram dados alguns concertos para a promoção do álbum onde tivemos convidados e amigos naquela que podemos chamar “a nossa festa”. Neste momento está ser feito todo um trabalho de marcação de concertos
onde brevemente a banda estará na estrada.
Para terminar, outra curiosidade… Quais são as três bandas atuais que mais admiram?
As bandas que mais admiramos é sempre muito complicado responder pois somos cinco músicos onde passa de tudo nos nossos ouvidos e onde os gostos são distintos, mas de uma forma mais simples podemos dizer as bandas que mais impacto tem na cena musical actual e de certa forma nos incentivam para continuarmos a fazer música. São elas, The Killers, The Editors,Coldplay, U2
Além da versão rádio, na Paivense FM, o blogue Man On The Moon também já tem versão TV, na Everything Is New TV. O 1.º episódio acaba de ir para o ar e fala do álbum Help Me! dos suecos The Sweet Serenades. Confere...

Uma das míticas bandas da década de noventa do universo punk, rock e e trash metal hardcore foram os Booby Trap. De acordo com a au biografia oficial, nasceram em 1993 na cidade de Aveiro e marcaram uma época com o seu som thrash metal/hardcore, apesar de misturarem outras influencias como o rock ou punk). Da sua formação original faziam parte Pedro Junqueiro (voz), Pedro Azevedo (guitarra), Miguel Santos (bateria) Nuno Barbosa (guitarra) e Ricardo Melo (baixo).
Lançam a sua demo de estreia “Brutal Intervention”em 1994 e o split CD “Mosh It Up" em 1996 com as bandas brasileiras T.I.T. e Locus Horrendus entre várias outras aparições por diversas colectâneas.
Deram mais de uma centena de concertos, partilhando palcos com bandas de renome como Cruel Hate, Inkisição, Dorsal Atlantica, G.B.H., Cradle Of Filth, Gorefest, Grave, Hypocrisy, Moonspell, Primitive Reason, Hate Over Grown, Genocide, WC Noise, entre muitas outras. Os Booby Trap eram conhecidos por dar concertos muito poderosos em que a descarga de energia e a interacção com o público eram muito valorizadas. Tocaram em locais míticos do rock/metal em Portugal como o Johnny Guitar, Cave das Quimicas, Voz do Operario, C.T.S. De Celas ou o festival Penafiel Ultra Brutal. As suas letras mostravam uma forte opinião e critica de cariz social por entre laivos de humor negro.
Os Booby Trap foram pioneiros e deram a cara por um movimento musical desenvolvido na região que viria a ser conhecido a nível nacional como “Aveiro Connection. Após o seu prematuro desaparecimento em 1997, os seus elementos deram origem a varias outras bandas como Anger, Konk, Superego, Strange Airplane, Snowball e Wild Bull.
A boa notícia é que depois de no ano passado se terem reunido novamente para dois concertos de comemoração, contando agora com Carlos Ferreira no baixo, e depois de estas duas actuações terem sido muito bem recebidas por parte do publico e após constatarem que a vontade de continuarem a tocar juntos, deicidiram dar continuidade á sua actividade como banda e estão a preparar um novo EP. Enquanto esse trabalho não chega convido-te a fazeres o download gratuito de uma antologia da banda, relativa ao seu percurso na década de noventa, uma coletânea disponível no bandcamp dos Booby Trap. Confere...
Brosandi
Hendumst í hringi
Höldumst í hendur
Allur heimurinn óskýr
Nema þú stendur
Rennblautur
Allur rennvotur
Engin gúmmístígvél
Hlaupandi inn í okkur
Vill springa út úr skel
Vindurinn
Og útilykt af hárinu þínu
Ég anda eins fast og ég get
Með nefinu mínu
Hoppípolla
I engum stígvélum
Allur rennvotur (rennblautur)
I engum stígvélum
Og ég fæ blóðnasir
En ég stend alltaf upp
Og ég fæ blóðnasir
Og ég stend alltaf upp
Como é carnaval, o samba é a banda sonora do dia. E todos precisamos, diariamente, de sorte. Fica o Samba Enredo do Grupo de Samba Tribal, A.R.C de Estarreja, em modo É Fartar, Vilanagem. Sorte para eles hoje...
Conheces a Paivense FM?
Estreia amanhã, dia 19 de maio, à meia noite (de sábado para domingo), o programa Man On The Moon, a versão rádio deste blogue. Arriscas?! Mais informação no Facebook de Man On The Moon.

Como é natural, estou muito entusiasmado com esta nova etapa de vida de um blogue com quatro anos de história, um percurso enriquecedor sempre em prol desta minha grande paixão que é a música, na sua vertente mais alternativa.
A Nova Paivense FM é uma rádio muito importante na região de origem, com um longo e válido historial no panorama das rádios locais nacionais e hoje dirigida por pessoas amigas, competentes, dedicadas e com uma enorme abertura para apoiarem novos e diferentes projetos e acolherem pessoas que queiram, responsavelmente, assumir a vontade de fazer rádio. Assim, desde já e para eles, o meu profundo agradecimento público pela oportunidade.
Espero que quem ouvir o programa aprecie o conteúdo e, como nunca fiz rádio e pretendo evoluir de emissão para emissão, agradeço todas as críticas, comentários e sugestões que posteriormente dirigam. Será muito importante para o futuro do programa o feedback de todos, em relação a este grande passo...
Ontem, dia 21 de setembro, os R.E.M. anunciaram ao mundo o fim de uma grande aventura com mais de 30 anos no site oficial da banda. Estava sentado no sofá de casa a ouvir a primeira faixa de Rumspringa, o disco mais recente do projeto Canon Blue, quando oportal Stereogum, através da rede social Facebook, surgiu-me perante o olhar com uma atualização onde se lia R.E.M. quits. Muito sinceramente, tenho uma dificuldade imensa em descrever o que senti naquele preciso momento, o enorme vazio que instantaneamente se apoderou de mim! Fiquei sem vontade nenhuma de abrir o link e ler o conteúdo e senti uma necessidade imensa de abrir bem os meus olhos e respirar fundo para não me deixar abater emocionalmente pelo que iria ler. Carreguei então no dito link que de imediato me remeteu para o comunicado oficial da banda e que ontem transcrevi neste blogue.

À medida que os anos vão passando, crescemos, a nossa vida evolui e avança, passamos por experiências boas e amargas e, se tudo for correndo bem, atingimos sonhos e objetivos. E ao longo dessa caminhada há sempre marcas, pessoas, circunstâncias e factos da nossa vida, ideias, sonhos e desejos que nos acompanham e marcam a nossa identidade, como se fossem um carimbo ou uma tatuagem invisivel, que não se vê, mas que nós e os que connosco convivem sabem que existe e que está lá. E os R.E.M. são, sem a mínima hesitação, uma marca na minha vida, um descritor essencial da minha identidade, algo indissociável da meu eu enquanto pessoa, doa a quem doer, como sabem todos aqueles que porventura me conhecem minimamente e possam estar a ler este texto.
Poderá haver quem me ache demasiado sentimental e lamechas (só eu sei o quanto algumas músicas dos R.E.M. contribuiram ao longo da minha vida para alimentar esta marca da minha personalidade) em determinados momentos e situações da minha existência; Neste facto concreto, o fim dos R.E.M. enquanto banda, tenho todo o direito de o ser e de extravasar a minha imensa mágoa, exatamente porque eles são, como referi, uma caraterística essencial da minha identidade!
Sei que pode haver quem ache um exagero falar assim, mas sinto que ontem perdi um bom amigo e que ele deixou um vazio cá dentro que ninguém (neste caso uma banda) poderá colmatar! Foi como se tivesse deixado de ter ao meu lado um ser que estava sempre ali, que me ouvia quando colocava um disco deles a tocar, com quem falava nos meus passeios e viagens, nos meus momentos de solidão e mais pessoais e por quem esperava avidamente por notícias e novidades! Agora ficam-me apenas as recordações desse amigo, na vasta discografia que guardo lá em casa, como se fossem cartas que me escreveu e me deixou para eu ler sempre que queira!
Já são conhecidos os primeiros temas do EP de estreia do mais recente projeto musical paivense, os Lesbian Rainbows que entrevistei no passado mês de março. Relembro que os Lesbian Rainbows são formados por André Fernandes (Irmãos Brothers, Ghost Orchid) na bateria e Rui Martelo (Blackswan, Irmãos Brothers, TV Paranoia) no baixo e voz.
Torpedo em dia de feira e A bruxa tirou os dedos da tomada, fazem parte do EP The Holy River, um disco com quatro músicas que começaram hoje a ser disponibilizadas, via youtube e facebook. Estas duas músicas e as restantes que serão conhecidas até ao final da semana, foram gravadas ao vivo, numa sessão de improviso, há alguns dias atrás. De acordo com o André, The Holy River é uma alusão ao rio Paiva, até porque foi gravado junto às suas margens, num estúdio improvisado de uma habitação na localidade da Várzea e ao filme The Holy Mountain, do realizador Chileno Alejandro Jodorowsky.
Na próxima semana será conhecido o videoclip oficial do primeiro single do EP, cujas gravações decorreram na tarde de ontem, pelo que consegui apurar. A banda está a dar os primeiros passos, mas já começa a encontrar o seu rumo, com este EP de estreia para a Abutre Netlabel.
Os The National sempre fez disparar cá dentro o sinal de alarme. Com esta consciência e de espírito livre fui, pela segunda vez, assistir a um concerto da banda. Com base no mais recente High Violet e no antecessor Boxer, o espetáculo passou também por alguns momentos mais memoráveis dos primeiros discos, com destaque para Abel, de Alligator.
Foram imensos os momentos altos da noite; No entanto, não posso deixar de destacar a pujança de Apartment Story, a fúria controlada que toda a audiência sentiu em England, ter tido Matt com a mão no meu ombro enquanto cantava it’s a terrible love that I’m walking with spiders, o intimismo de About Today e o derradeiro momento arrepiante da noite, quando a enternecedora Vanderlyle Crybaby Geeks foi tocada e cantada sem amplificação e com a ajuda de todo o Coliseu. Espero revê-los em breve.
A primeira parte do concerto ficou a cargo dos Dark Dark Dark. O coletivo de Minneapolis, brilhantemente liderado pela voz límpida de Nona Marie Invie, contou as suas histórias de acordeão e clarinete em riste num ambiente que poderia muito bem ser o de um clube de jazz decadente. Foram a primeira surpresa agradável da noite. Ficam algumas imagens...
Runaway
Anyone's Ghost
Secret Meeting
Mistaken For Strangers
Bloodbuzz Ohio
Slow Show
Squalor Victoria
Afraid Of Everyone
Lemonworld
Abel
Driver, Surprise Me
Conversation 16
Apartment Story
Think You Can Wait
England
Fake Empire
Encore:
Santa Clara
Mr. November
Terrible Love
About Today
Vanderlyle Crybaby Geeks
min. 3:05

Em Castelo de Paiva há um novo projeto musical alternativo e experimental a despontar. Gostam de se considerar um power duo, chamam-se Lesbian Rainbows e são formados por André Fernandes (Irmãos Brothers, Ghost Orchid) na bateria e Rui Martelo (Blackswan, Irmãos Brothers, TV Paranoia) no baixo e voz.
Esta banda está a dar os primeiros passos, talvez não tenha ainda percebido claramente o seu rumo, mas já estão a gravar o EP de estreia para a Abutre Netlabel. Há poucos dias divulgaram um stúdio report dessa gravação centrado nas suas próprias personagens e que clarifica o que os move e impele a fazer música em Castelo de Paiva e no mundo em que vivemos. A paixão pura e simples pela música enquanto forma de arte, sem pretensiosismos comerciais, para já, parece ser a grande catalisadora deste projeto. Esse mini-documentário pode ser visto aqui.
Entretanto coloquei algumas questões aos Lesbian Rainbows que foram respondidas pelo Rui Martelo...
-Como surgiu o conceito Lesbian Rainbows? Só os dois... Porquê?
Esta ideia advem em parte da minha necessidade de estar envolvido em "cenas" musicais diferentes! Por outro lado o baixo sempre foi o meu instrumento de eleição e que teve a minha maior dedicação. Surge então este novo projecto para saciar a minha vontade de voltar a "estrada" de baixo em punho e debitar rock n'roll.
Somos só dois pelo facto de querer fazer algo diferente e mais cru. Na maioria das bandas rock tens aquele standard de formação em que precisas sempre de uma guitarra no minimo, aqui trata-se de dizer que para se fazer rock n'roll não necessitas obrigatoriamente de uma guitarra.
Já é possível definir a sonoridade deste projeto?
Bem, isso, como deves imaginar, está tudo verdinho ainda, o que não quer dizer que seja mau. Sinto que muita coisa pode vir a mudar com o passar do tempo pois nunca compus com o baixo. Normalmente para fazer um tema pego na guitarra e começo a "destroçar" riffs até a coisa se ir construido. Em Lesbian Rainbows a ideia é diferente porque pego no baixo e sei que ao longo do tempo a minha maneira de fazer temas com raiz no baixo vai mudar.
A sonoridade? Imagina pegares nos Queens of the Stone Age e nos Death from Above 1979, coloca-os dentro de uma panela, agora liga ao Mr. Lucifer e diz lhe para ele pegar fogo a cozinha!! eheheh!
É uma especie de "Evil" Rock n'Roll, mas tem secções mais sludge e psicadélicas também.
Estão a gravar um EP; Podem dar detalhes? (Título, músicas incluídas, se são originais, versões...)
Neste momento estamos a gravar um single para sair com videoclip. As restantes musicas do EP ainda estão em fase de pré-produção e so entram em estúdio mais tarde. Os temas são todos originais.
O Lesbian Rainbows é apenas um projeto paralelo visto estarem ambos envolvidos noutros grupos e projetos, ou tem ambições mais sérias?
Este projecto tem ambições mais sérias. O objetivo é gravar o EP e promovê-lo com uma boa tour por esse underground (ou não) fora. Depois logo se vê. Mas não é para ir parar á gaveta, isso é certo!
Como pretendem divulgar os Lesbian Rainbows e até onde pretendem chegar?
A divulgação engloba tarefas para as quais o André tem mais jeito que eu. Mas no geral vai passar por mostrar ao público a banda pela net e tocar. É o normal de hoje em dia. Vamos adocicar mais um bocadinho as coisas com videos das sessões de estúdio para a malta ver um bocadinho a realidade da banda. Bem, as ambições são grandes, mas como deves imaginar para voar alto às vezes nem precisas de ser a melhor banda do mundo; É preciso conhecer a pessoa certa, ou estar no sitio certo no momento certo e é assim que na maioria das vezes consegues abrir as grandes portas. Também há hipotese de "lamber cús".
Como surgiu a hipótese Abutre Netlabel?
A Abutre foi facil, o André é o big boss... eheheh!
Perspetivas de futuro...
Não olho muito para o futuro, cada vez que olho vejo tudo a ir de mal a pior, por isso abordamos a nossa "cena" dia após dia. Dessa maneira conseguimos motivação para dar os passos necessários e de uma maneira mais certeira.
Actualmente o André tem andado ocupado a fazer sound design e a promover o album de Aura e que tem obtido muito boas reviews a nivel internacional. Para os meus lados, além de Lesbian Rainbows, os Blackswan estão a produzir um álbum que sairá ainda este ano. Tenho também o meu projeto a solo (Megalodon) que está parado por falta de tempo e estado de espirito. O post rock requer de mim um estado mais "Zen" e não tão sobressaltado pelo quotidiano, que acaba por ser reflectir mais em Lesbian Rainbows.
Aproveito para partilhar links dos projetos mencionados na entrevista;
http://www.myspace.com/blackswanmetal
http://www.myspace.com/auraportugal
http://www.myspace.com/megalodonplanet
Irei acompanhar este projeto com interesse e prometo divulgar novidades e avanços quando for o caso; Fica o stúdio report...
Nestes dias Castelo de Paiva voltou a estar no centro das atenções devido à comemoração dos dez anos da queda da ponte de Entre-Os-Rios. Foi um acidente improvável e uma enorme tragédia; Não adianta escamotear o que é concreto, real e assumido. Mas esse acontecimento parece ter rotulado definitivamente a localidade com alguns adjetivos pouco favoráveis, usados quando se quer descrever uma localidade e enumerar os seus potenciais argumentos, quer humanos quer sociais.

Tenho lido e ouvido algumas verdades, mas também vários disparates que não fogem muito ao já habitual espírito português fatalista. Por isso e por considerar algumas citações que li e ouvi injustas e desfasadas daquela que é a actual realidade paivense, sinto-me impelido, também por gratidão e pela minha consciência, a dar o meu próprio testemunho.
Lembro-me perfeitamente desse chuvoso domingo à noite de março de 2001 como se tivesse sido ontem. Acompanhei de perto tudo o que aconteceu nos dias e semanas seguintes e, sendo uma espécie de espetador privilegiado de tudo o que se passou, por ser um residente temporário e não ter laços afetivos com vitimas, familiares e amigos, pude, no meu interior, tirar racionalmente algumas ilações no que diz respeito à forma como esta gente reagiu e soube levantar-se do caos e da desorientação que se apoderaram em quase todos os paivenses, como se estivessem a viver uma espécie de maldição. Nesses dias a minha admiração por estas gentes cresceu imenso, consciente e inconscientemente; Percebi com uma nitidez impressionante de que massa são feitos os paivenses e senti-me grato por me estarem a ensinar com exemplos diários e concretos de vida que para os momentos difíceis há sempre uma saída...
Tem sido dito nestes dias que Castelo de Paiva pouco ou nada evoluiu nestes dez anos, que se mantém refém de um isolamento atroz e que continua a ser uma terra flagelada pelo infortúnio, tendo em conta alguns dramas sociais que ainda subsistem por cá, derivados da falta de emprego e da estagnação económica que se vive. Não contrario a maioria destas afirmações, mas também não acho justo que se pinte um quadro tão negro. É que, acreditando em algumas dessas coisas que li e ouvi e não conhecendo esta terra, facilmente qualquer pessoa conclui que estamos perante um dos piores locais deste país para se viver, que Castelo de Paiva não é uma terra acolhedora e não tem nada de apelativo, sendo um local do qual se deve fugir à primeira oportunidade. E isso não é verdade! Há exemplos que contrariam esta ideia que tem sido fabricada ao longo do tempo e que mostram a antítese deste cenário. E eu talvez seja um deles...
Durante 22 anos da minha vida nunca tinha ouvido falar de Castelo de Paiva. Natural de outra localidade do mesmo distrito, supostamente mais desenvolvida e atrativa em todos os aspetos, pouco sabia deste concelho afinal tão bonito. Por motivos profissionais, Castelo de Paiva passou a fazer parte de mim e confesso, foi amor à primeira vista. E hoje, treze anos depois desse início de outono que acabou por significar uma nova primavera na minha vida, sinto um imenso orgulho por ser já um paivense de pleno e legal direito, outro motivo consistente que me faz achar que tenho todo o direito de opinar, além de sentir uma certa obrigação moral de transmitir publicamente este meu exemplo... De defender a minha terra!
Por natureza introvertido perante estranhos, pouco tempo depois de andar por cá integrei-me com uma facilidade e abertura de espírito que até a mim impressionou! Rapidamente senti-me em casa e diminuiram os meus momentos de silêncio e reclusão iniciais, naturais em quem chega a uma espécie de mundo novo. E tal facto encontra explicação nestas gentes e na forma extraordinária como me acolheram. Acabei por não demorar muito tempo a perceber que este poderia ser, sem dúvida, um belo local para habitar parte do meu futuro; Os anos foram passando e mesmo exercendo a minha atividade profissional noutros locais bem mais distantes, nunca me desliguei daqui, frequentemente sentia necessidade de aportar a este porto seguro e por cá fui estando e ficando. Hoje, descrever aquilo que é a minha vida contraria firmemente toda a onda negativa em torno deste concelho.
Em Castelo de Paiva sou feliz e por imensos motivos! Aqui tenho Smartieees, o meu maior sorriso e o meu farol, tenho os Vândalos que são um verdadeiro tesouro e os melhores amigos que colecionei, tenho a minha herdade do Freixo que me dá uma vista única e privilegiada sobre o belo local onde essa tragédia ocorreu e tenho perspetivas de um futuro pelas quais sei que lutei imenso mas que em determinados períodos da minha vida achei que não iria atingir. E, acima de tudo isso, tenho-me a mim próprio e à minha consiciência que me diz, cada vez que cá chego e estou, que Castelo de Paiva é o melhor destino que posso ter diariamente e que não o trocava por nenhum outro deste mundo. No fundo, estar em Castelo de Paiva faz-me sentir que sou um privilegiado.
Castelo de Paiva tem um rio famoso, uma paisagem deslumbrante, o melhor vinho verde do mundo e imensa gente boa e com um enorme coração; Gente que sabe receber, pessoas humildes, verdadeiras e que lutam e trabalham diariamente para si e para os outros, que buscam incansavelmente um futuro melhor, que amam a sua terra e que têm um enorme apego às suas raízes. E eu admiro-as a todas por isso.
Alguns dos que me conhecem e me são próximos, profissional e afetivamente, interrogam-me com alguma insistência o porquê do meu fascínio por Castelo de Paiva e o que me levou a tomar a corrente de decisões que me trouxeram até aqui. Fazem-no porque provavelmente nunca tiveram ou terão a perceção plena do que Castelo de Paiva significa para mim, do que aprendi e cresci por cá e porque nunca tiveram o privilégio de viver a minha experiência. E quando lhes tento explicar tudo isto de forma clara, raramente resisto a sorrir enquanto o faço, por estar a falar de coisas boas e que estão guardadas no meu coração. E nesse preciso instante, algumas dessas pessoas começam a entender...
Sou feliz em Castelo de Paiva, é aqui que respiro verdadeiramente, é por cá que olho a vida de frente com esse tal enorme sorriso e é, por isso e por muitas outras razões que, não tenho nascido aqui, quero ficar cá o resto dos meus dias. E desafio todos aqueles que por cá nasceram a quando se sentirem tentados ao desencanto, darem mais valor ao que têm e a não se deixarem vergar por todo este negativismo!
E desafio igualmente todos aqueles que queiram, a arriscar e fazerem o que eu fiz; Castelo de Paiva tem qualidade de vida, mas precisa de pessoas novas e com capacidade de iniciativa! Não falta nas redondezas mercado para muitas áreas profissionais ainda não exploradas e sobram pessoas honestas, qualificadas e com vontade de trabalhar e se agarrar a quem acredite nelas.
Trago esta terra e a maioria destas gentes no meu coração; Amo Castelo de Paiva e recomendo-a vivamente... Só para que se conste!
Em dia de greve, não vou tecer grandes considerações sobre ela. Concordo com esta forma de luta, já participei em greves mas, ao contrário desta, tinham reinvindicações mais concretas. Os sindicatos são fundamentais para mediar os conflitos sociais e para assegurar o diálogo social, mas será que esta greve vai servir para mudar a realidade que temos? Ou será apenas uma válvula de escape do nosso natural descontentamento? No actual contexto, as alternativas preconizadas pelas centrais sindicais são, do meu ponto de vista, pouco claras e dificilmente servem os meus interesses e os da generalidade do povo português. Aquilo que o nosso país precisa é, como refere hoje, Santana Castillo no Público, regenerar o Portugal dos valores. É urgente remover os vendedores de fantasias; dizer basta aos que se apropriaram irresponsavelmente do Estado; despedir os que se serviram e abrir portas aos que queiram servir. Esta proposição não é romântica. É indispensável para devolver aos cidadãos a confiança no Estado.
O meu Benfica é que foi para a Terra Santa com um espírito grevista e o nosso treinador até estava a jogar em casa! Enfim... Uma vergonha.
Como não fiz greve e muito menos aqui, vou aproveitar este dia mais propício à reflexão social, para falar sobre dois temas que acho merecerem a minha divulgação e no fim partilhar um elogio, que me marcou imenso e me deu ânimo para continuar a alimentar Man On The Moon.
Começo por falar de uma notícia que já tem alguns dias, mas ainda não é tarde para a comentar. O Público, na sua edição on-line do passado dia 18, denunciou que, na Universidade de Évora, são usados cães saudáveis do canil municipal como cobaias pelos alunos do curso de Medicina Veterinária. Confere a notícia AQUI.
Penso não ser o único a achar que a evolução de um país também se vê pela forma como trata os seus animais. Este caso é chocante, ultrapassa, quanto a mim, os limites do respeito pela vida animal e acho que merece ser amplamente difundido para que situações como esta deixem de ocorrer. Nem um suposto avanço da medicina veterinária, ou treino específico dos seus futuros profissionais, a quem um dia poderemos dever as vidas dos nossos animais de estimação ou criação, justifica tais procedimentos. Arrancar órgãos a animais saudáveis, mesmo que já estejam condenados ao abate, é de uma crueldade extrema, mesmo que tenham sido sempre submetidos a anestesia geral e, depois da cirurgia, eutanasiados.

Outro assunto ainda na ordem do dia e sobre o qual quero opinar, é a Cimeira da Nato. Durante a mesma ouvi e li variadíssimas considerações acerca do evento e do papel da Nato no mundo actual. Não sou analista político ou militar, mas tenho algumas noções destes temas e de história mundial e que me permitem formular uma opinião, mesmo que modesta.
Não acho que a Nato seja uma organização terrorista, criminosa, dispensável e com propósitos e estratégias puramente belicistas, apenas para servir os interesses capitalistas da sociedade ocidental. Considero-a um garante da paz e estabilidade mundial e um instrumento de cooperação entre países e povos que partilham o mesmo espaço e têm interesses comuns, muitos com raízes milenares.
No que concerne à situação mundial actual, nomeadamente a intervenção da Nato no Afeganistão, ouvi slogans a pedir o fim imediato da mesma. Foi dito também, alto e bom som, que a presença desta organização nesse país era uma agressão selvagem ao seu povo! Sugiro então que a Nato saia rapidamente de lá, onde está enterrada há quase nove anos, se preocupe apenas com a segurança nas suas fronteiras e deixe o povo afegão decidir livremente (?) se quer ser governado por um regime Taliban, cujos líderes fundamentalistas lideram a maior organização terrorista e narcotraficante mundial. Deixemos em paz os férteis campos de tulipas desse país, que se fabrique em liberdade o ópio que depois vai entrar nas nossas fronteiras e, bem pior que tudo isso, deixe-se impôr a sharia ao povo afegão! Como sabemos, na sharia não há separação entre religião e direito sendo que, entre outras imposições à liberdade individual, as mulheres não podem frequentar o ensino e têm outras restrições impensáveis para qualquer uma que vive nos países da Nato. Esta prática mais radical do Islão que não faz a distinção entre vida religiosa e social, cobre não só os rituais religiosos e a administração da fé, mas também os mais variados aspectos do dia-a-dia, ou seja, estamos a falar de direitos que, pelos vistos, só quando convem é que são caros à nossa esquerda mais radical e a outros movimentos anarquistas que aproveitaram a cimeira para criticar ferozmente a presença da Nato nesse país. Onde a sharia é estabelecida, toda a liberdade individual é cruelmente sufocada; Qualquer leigo sabe-o.

Conheci o João em Faro, mas ele nem é de lá nem lá alguma vez viveu. Conhecemo-nos através de uma ideia/projecto/sonho dele e do qual fiz parte com muito gosto. A coisa chamava-se Takk Iceland 09, mais tarde Takk Iceland 10, actualmente está sem nome, mas seguramente mantém-se na pasta dos projectos por cumprir de alguns. Percebi de imediato três coisas acerca do João: é um apaixonado, a música move-o e gosta de partilhar.
No caso dele, a sua natureza leva-o diariamente a procurar tudo o que lhe possa soar a novo dentro do que ele já conhece. Falamos sobretudo de música, mas não só. Além disso, essa procura alarga-lhe horizontes por esse desconhecido infinito.
Para além do que se supõe que ele lá deve interiorizar, a sua procura e a sua - diria mesmo - necessidade de partilhar fazem com que nunca guarde só para si o que vai passando os seus filtros pessoais. Por vezes fá-lo de forma apenas informativa e por vezes deixa que os seus critérios pessoais sejam (ainda mais) evidentes.
Não deve haver dia em que o João não nos envia uma sugestão. Por vezes há condições para ir lá e dar un vistazo e por vezes pensa-se que lá vem o gajo outra vez… acontece-nos a todos, amigo. Hoje a sugestão é das boas. Foi também por uma sugestão dele sobre a mesma canção que comecei a gostar desta banda e isto já muito depois de meio mundo os venerar. Hoje fiquei ainda mais rendido aquela canção e ao que o génio detrás dela faz a cada vez que decide revolucionar a sua vida e a musica que dela resulta.
E aqui, a versão que mudou tudo entre mim e a banda: http://www.youtube.com/watch?v=Rq7tyhi_ChI .

Os Ecos da Cave eram uma banda de Santo Tirso, formada em 1987. Fizeram parte do movimento rock de finais da década de 80, início da década de 90, no qual se incluiam os Ban, Diva, Radar Kadafi, Três Tristes Tigres, Sitiados, UHF, Mler If Dada, entre outros. Uma das suas maiores influências são, sem dúvida, os Heróis do Mar, algo bem patente no tema Desejo. Os elementos do grupo eram Carlos Lima (guitarra e harmónica), Armindo (baixo), Francisco (guitarra), José Augusto Costa (bateria) e Alfredo (voz), substituido no ano seguinte pelo Rafael.
Em 1988 concorrem ao 5º Concurso do Rock Rendez-Vous onde chegam às meias-finais. O tema Desejo apareceu na compilação Registos, que incluí as oito bandas melhor classificadas .
Gravaram o seu disco de estreia entre Fevereiro e Julho de 1991 nos Estúdios Pinguim; Refiro-me ao LP As Papoilas do Campo Estéril. Temas do Lado A : O Vôo da Gaivota na Praia Poluída, Ariana, Espírito Livre, Belzebu e Dilema. Lado B: Nocturnos, 4 Paredes, Farrapo Humano e Odeio Amar-te.
Em 1992 participaram na primeira edição das Noites Ritual Rock. Apresentam algumas composições em inglês e uma versão de um tema de José Afonso e, no ano seguinte, foram cabeça de cartaz da primeira edição do Festival Paredes de Coura.
Em 1994, os Ecos da Cave gravaram nos Estúdios Avé Mania, com produção de Carlos Lima. O disco com o título provisório de O Silêncio Extremo do Aborígena, iria incluir temas como Com o Álcool, Vejam Bem (versão de José Afonso), Drop Down Dead, Grande Lua, Corre Como Um Cão, Nova Guerra, Visão Utópica, Parte P'ra Vida, Velhote, Defeitos Humanos e Nada. Este disco não chegou a ver a luz do dia e o grupo acabaria por terminar em 1995.
Desejo é, sem sombra de dúvida, o tema mais conhecido dos Ecos da Cave e será certamente objecto de uma versão pelos Anégia.
Dia de chuva,
A praia deserta,
A brisa do mar,
Fico quente contigo.
E a água salgada,
Que bebi do teu corpo,
Embriagou-me,
Embriagou-me…
Talvez tu estejas
Em qualquer lado,
E a pensar em mim…
Talvez até estejas no teu quarto,
E me desejes aí,
E me desejes aí,
E me desejes aí…
Este dilema já durava há duas semanas... Finalmente ficou resolvido!
The Mission - Like a Child Again
Tem feito enorme sucesso um novo anúncio da Levi's e que já leva, em poucos dias, mais de três milhões de visualizações no Youtube.
No referido anúncio, onde a única referência à minha marca de roupa preferida são as calças usadas pelo protagonista, o mesmo percorre os EUA, de costa à costa, em menos de 2 minutos, passando por pontes, estradas, ruas, monumentos famosos e outros símbolos do país, numa viagem que tem início em NY e termina em SF, Califórnia.
Os passos do jovem parecem mágicos, conseguidos através de duas técnicas cinematográficas que descobri chamarem-se stopmotion e timelapse. E a banda-sonora é excelente e adequada, apesar de ainda não ter conseguido identificar o autor. É impossível ficar indiferente a este anúncio porque, apesar do objectivo comercial subjacente ao filme, todo um país é retratado de forma bastante simples, original e concisa. Confere;
Entretanto chegou-me ontem esta foto, directamente do Hard-Rock Café de Marbella que, por razões óbvias, não resisto a partilhar.
Obrigado Mariline, abraço ao graúdo e miúdos e continuação de boas férias!
"Cheers"... DuponD.
Todos os dias deviam não ser assim...
Mas esta noite vai brilhar mais uma estrela no céu...
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