Terça-feira, 23 de Julho de 2019

Stereo Total - Ah! Quel Cinéma!

Um dos nomes míticos do catálogo da Tapete Records são os Stereo Total, dupla que começou a fazer música antes da internet existir, antes do Euro, antes da Alemanha se reunir e antes ainda de haver bandas ou músicas. Aliás, pelo andar da carruagem, os Stereo Total provavelmente ainda estarão a tocar quando tudo isso for consignado ao lixo da história. O grupo é composto por Françoise Cactus, também apresentadora de rádio e Brezel Göring, um homem cuja escolha do nome artístico foi motivada pelo desejo de não ser levado a sério pela música e pelos escribas.

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Quando começaram a fazer música juntos, os Stereo Total tinham como missão romper as regras, desestabilizar as ideias e sarcasticamente repelir amantes sérios de música enquanto os chocam com uma engenharia de som muito abaixo dos padrões dos ouvintes do mainstreamAh! Quel Cinéma!, o novo álbum da dupla e décimo segundo da carreira dos Stereo Total, é um descendente fiel de toda uma linhagem de discos que têm reforçado a já mítica propensão deste projeto para o jogo de palavras, mesmo que tal desiderato não esteja em evidência em todas as letras que apresentam. Sendo um álbum com não um, mas dois pontos de exclamação no título, aprimora ainda mais essa caraterística única da dupla, com temas como lesões pessoais (Ich bin cool), traição (Mes copines), deficiências de personalidade provocadas pelo abuso de drogas (Methedrine), raiva (Hass-Satellit) opiniões inflamadas de si próprio (Brezel says), suicídio (Le Spleen), luto (Dancing with a memory) e almas atormentadas (Elektroschocktherapie) a serem apresentadas em formato panorâmico e, muitas vezes, da forma mais divertida possível.

Musicalmente,  Ah! Quel Cinéma! acaba por ser de difícil catalogação e esse é, naturalmente, um dos principais elogios que se pode fazer ao panorama geral criado pelas suas catorze composições. Se álbuns anteriores dos Stereo Total ressoaram com influências de chanson, trash, disco para punk, rock'n'roll e NDW (New Wave alemão), Ah! Quel Cinéma! tem como grande enfoque uma espécie de rock de garagem Lo Fi, trespassado por uma eletrónica sagaz que não descura uma forte toada orgânica e sensitiva, assente numa vasta gama instrumental de instrumentos mais propensos a serem encontrados nas mãos de crianças em lares onde uma educação musical não está na agenda. Um órgão de plástico de bébé, um piano de brincar, acompanhado por guitarras caseiras e um Casio adquirido numa feira em segunda mão, são alguns dos exemplos dessa pafernália. Nela, cada instrumento musical provavelmente poderia ser traduzido em coordenadas sociais e, nesse sentido, as ferramentas do comércio de Stereo Total falam uma linguagem inequívoca. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:17
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Terça-feira, 28 de Maio de 2019

Von Spar - Under Pressure

Já chegou aos escaparates Under Pressure, o quinto álbum do projeto Von Spar de Sebastian Blume, Jan Philipp Janzen, Christopher Marquez e Phillip Tielsch, sem contar com a homenagem aos Can, captada ao vivo com Stephen Malkmus em dois mil e treze. As oito composições do álbum foram gravadas no Dumbo Studio dos próprios Von Spar em Colónia, com convidados de Toronto, Tóquio, Nova York, Londres e Nashville, contribuições notáveis de nomes como Chris A. Cummings,  Eiko Ishibashi, a professora de punk e reggae Vivien Goldman (The Flying Lizards) ou Lætitia Sadier (Stereolab).

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Passaram-se 15 anos desde o disco de estreia Die uneingeschränkte Freiheit der privaten Initiative e cinco anos desde o álbum Streetlife, mas o arquétipo temático e lírico dos Von Spar, feito de irreverência pop e de uma irrequietude única no que concerne à opção pela desobediência aos formalismos típicos de uma banda alinhada com o mainstream, mantém-se intocável. E tal acontece apesar da faceta algo camaleónica da discografia dos Von Spar, com os diferentes registos do catálogo do grupo a provarem uma metamorfose contínua no som da banda, abrindo frechas ao post punk, ao krautrock e à pop art oitocentista.

Com a chancela da Tapete Records, Under Pressure é uma homenagem declarada ao clássico de David Bowie já com quase quatro décadas e onde o recentemente desaparecido guru da pop já lamentava, juntamente com Freddie Mercury, o rumo descontrolado que este mundo em que vivemos parece ir (It's the terror of knowing what this world is about). Portanto é um trabalho que pretende mostrar que os Von Spar também refletem sobre a nossa contempraneidade, sendo especialmente críticos no que diz respeito à frequente postura intimidatória da classe dirigente, a aguda concorrência social e a necessidade de vivermos numa permanente luta pela sobrevivência, numa era de capitalismo desenfreado e vigilante relativamente aos seus cidadãos. Esta sensação de urgência e de constante frenesim social, acaba por estar plasmada nestas canções logo na dupla entrada A Dream (Pt 1)A Dream (Pt 2), canções em que a banda, juntamente com Cummings e Ishibashi, idealizam uma sequência de sonhos que exploram onde poderiam chegar se as algemas da carne fossem arrematadas. Pouco depois, Vivien Goldman pega o fio à meada, reforça o conceito e liberta-se dos fantasmas do passado em Boyfriends (Dead Or Alive), enquanto Lætitia Sadier em Extend The Song, um hino krautrock notável, defende que poderia tocar e tocar para sempre, impulsionada pela energia motora de uma composição algo ácida e particularmente psicotrópica: (if someone would ask me, Could I go on?).

Apesar do cariz temático bem balizado e que faz os Von Spar divagarem dentro de um universo sonoro bastante específico, a verdade é que neste Under Pressure fazem-no através de diferentes ângulos e espetros, flutuando livremente à boleia de uma atitude claramente experimental e enganadoramente despreocupada, expressa numa vontade óbvia de transformar cada composição numa espécie de retrato fiel de um modo de pensar lascivamente crítico, mas sem deixarem de criar espaço para a reflexão e auto-interrogação por parte do ouvinte. E essa é uma das grandes virtudes de um disco onde não falta refinamento rítmico, saltos quânticos harmónicos, arpejos de sintetizadores giratórios, guitarras para trás sem nenhum sinal de retrogradação mas, principalmente, um modo bastante textural, orgânico e imediato de criar música e de fazer dela uma forma artística privilegiada na transmissão de sensações que não deixam ninguém indiferente. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 16:41
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Quarta-feira, 31 de Janeiro de 2018

Jaguwar - Ringthing

Uma das novas coqueluches da Tapete Records são os Jaguwar, projeto que nasceu em Berlim, na Alemanha, um trio formado inicialmente por Oyémi e Lemmy em 2012 aos quais se juntou Chris dois anos depois. Editaram dois Eps através da americana Prospect Records e tocaram ao vivo numa série de países como Inglaterra, Dinamarca, França, Sérvia, Alemanha, entre outros, partilhando o palco com nomes tão importantes como os We Were Promised Jetpacks, Japandroids e The Megaphonic Thrift, entre outros.

A estreia na Tapete Records foi a doze de janeiro de último com Ringthing, o longa duração de estreia do grupo. São dez canções que nasceram depois de o trio, armado com um impressionante leque de aparelhos de efeitos, guitarras, baixos e amplificadores e apoiado por um prodigioso abastecimento de café e cigarros, ter-se instalado nos estúdios Tritone Studio em Hof, na Baviera. Um dos grandes destaques do álbum é Crystal, canção que se insere naquele universo sonoro que mistura rock e pop, com uma toada noise e um elevado pendor shoegaze. O tema assenta numa guitarra rugosa e plena de efeitos metálicos, acompanhada por uma bateria falsamente rápida, e esta dupla é a mesma que vai ser depois o grande suporte das canções, em volta da qual gravitarão diferentes arranjos, quer orgânicos, quer sintéticos, geralmente com um teor algo minimal. Na verdade, além desse destaque, canções como a ritmada Lunatic, que sobrevive à custa de um efeito agudo metálico ou, em oposição, a mais climática e contemplativa Gone, expôem de modo esclarecido, como o som destes Jaguwar é assumidamente indie e plana entre a experimentação e o psicadelismo.

Ao longo deste, disco liderado pelas guitarras, ouve-se canções fáceis e ao mesmo tempo complexas, com variações, ruídos e efeitos variados. Existiu, sem dúvida, um aturado trabalho de produção, nenhum detalhe foi deixado ao acaso e houve sempre a intenção de dar algum sentido épico e grandioso às canções, arriscando-se o máximo até à fronteira entre o indie e o post rock. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 18:32
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Quinta-feira, 30 de Novembro de 2017

Jaguwar - Crystal

Uma das novas coqueluches da Tapete Records são os Jaguwar, projeto que nasceu em Berlim, na Alemanha, um trio formado inicialmente por Oyémi e Lemmy em 2012 aos quais se juntou Chris dois anos depois. Editaram dois Eps através da americana Prospect Records e tocaram ao vivo numa série de países como Inglaterra, Dinamarca, França, Sérvia, Alemanha, entre outros, partilhando o palco com nomes tão importantes como os We Were Promised Jetpacks, Japandroids e The Megaphonic Thrift, entre outros.

A estreia na Tapete Records será a doze de janeiro de 2018 com Ringthing, o longa duração de estreia do grupo. São dez canções que nasceram depois de o trio, armado com um impressionante leque de aparelhos de efeitos, guitarras, baixos e amplificadores e apoiado por um prodigioso abastecimento de café e cigarros, ter-se instalado nos estúdios Tritone Studio em Hof, na Baviera. Delas já se conhece Crystal, canção que se insere naquele universo sonoro que mistura rock e pop, com uma toada noise e um elevado pendor shoegaze. Já com direito a vídeo, o tema assenta numa guitarra rugosa e plena de efeitos metálicos, acompanhada por uma bateria falsamente rápida, e esta dupla é a mesma que vai ser depois o grande suporte das canções, em volta da qual gravitarão diferentes arranjos, quer orgânicos, quer sintéticos, geralmente com um teor algo minimal. Confere...


autor stipe07 às 17:05
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Terça-feira, 29 de Novembro de 2016

The Notwist – Superheroes, Ghostvillains And Stuff

Considerados por muitos como verdadeiros pais do indie rock, os The Notwist, liderados pelos irmãos Archer, estão de regresso aos lançamentos discográficos com Superheroes, Ghostvillains And Stuff, um trabalho editado no final de outubro à boleia da Sub Pop Records e que ao longo de mais de hora e meia nos oferece uma viagem ao vivo muito calculada e de algum modo hipnótica pelo universo sonoro que os carateriza enquanto banda de rock, mas cada vez mais dominados pela eletrónica.

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Registo gravado na segunda de três noites consecutivas, sempre esgotadas, em dezasseis de dezembro de 2015, no espaço Connewitz, em Leipzig, na Alemanha, país natal dos The Notwist, Superheroes, Ghostvillains And Stuff revisita o extenso e rico catálogo de um projeto que logo no balanço dos metais de They Follow Me, uma canção que ameaça continuamente uma incomensurável explosão sónica, no krautrock de Close To the Glass e no luminoso andamento progressivo de Kong nos mostra as suas variadas facetas. Aliás, quando no início do espetáculo parecemos positivamente condenados a usufruir de um banquete com um cardápio sintético, surgem as cordas e a guitarra luminosa cheia de distorção desta Kong para provar essa génese de uns The Notwist exímios a piscar o olho ao indie rock psicadélico e a sonoridades mais orgânicas, mesmo em concerto.

Daí em diante, seja através desses ambientes mais crus e orgânicos ou outros mais sintéticos e intrincados, os The Notwist conseguem ser eficazes e bastante criativos no modo como separam bem os diferentes sons e os mantêm isolados e em posição de destaque, durante o processo de construção dos diferentes puzzles que dão substância às suas canções. E ao vivo essa sensação amplia-se, num registo onde, ao contrário da maioria dos trabalhos do género, a produção é mesmo uma das mais valias já que, seja entre o processo dos arranjos selecionados para cada tema, até à manipulação geral do álbum, tudo soa muito polido e nota-se a preocupação por cada mínimo detalhe, o que acaba por gerar num concerto muito homogéneo e conseguido.

Trabalho tremendamente catártico, até pelo modo como em Pick Up The Phone não destoa da fórmula cúmplice, madura e melodicamente acessível que esta canção exige, sem que isso coloque em causa o seu encaixe no restante alinhamento, Superheroes, Ghostvillains And Stuff é a demonstração clara de uma banda versátil, que tem sabido ao longo do tempo adaptar-se e encontrar um sopro de renovação e que servindo-se de elementos do krautrock, passando pelo hip hop mais negro, o indie rock e o jazz progressivo, mostra-se, ao vivo, como um verdadeiro caldeirão cuidadosamente tratado e minuciosamente carregado de vida. Espero que aprecies a sugestão...

The Notwist - Superheroes, Ghostvillains And Stuff

01. They Follow Me
02. Close To The Glass
03. Kong
04. Into Another Tune
05. Pick Up The Phone
06. One With The Freaks
07. This Room
08. One Dark Love Poem
09. Trashing Days
10. Gloomy Planets
11. Run Run Run
12. Gravity
13. Neon Golden
14. Pilot
15. Consequence
16. Gone Gone Gone


autor stipe07 às 17:37
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Quarta-feira, 16 de Novembro de 2016

The History Of Colour TV – Wreck

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Os berlinenses The History Of Colour TV estão prestes a regressar aos lançamentos discográficos com Something Like Eternity, um álbum que irá ver a luz do dia a vinte e cinco de novembro próximo. De acordo com Wreck, o avanço já divulgado do trabalho, será um registo que certamente nos colocará bem no centro de um noise rock que não deixa de nos fazer recordar experimentações típicas do melhor rock alternativo lo fi dos anos oitenta. Refiro-me a uma canção que se define como um edifício sonoro ruidoso que não dispensa uma forte presença dos sintetizadores e teclados, que agregados a guitarras plenas de distorção e a uma batida vigorosa, acaba, neste caso, por conferir uma explícita dose de um pop punk dance que mescla orgânico e sintético com propósitos bem definidos. O download do tema pode ser feito via bandcamp. Confere...

The History Of Colour TV - Wreck

01. Wreck
02. August Twenty First

 


autor stipe07 às 21:30
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Sexta-feira, 15 de Julho de 2016

Graham Candy – Plan A

Graham Candy é um ator e compositor que nasceu nos antípodas, na Nova Zelândia, cresceu em Auckland, onde estudou música, dança e teatro, mas tem o seu quartel general atualmente montado na Alemanha, onde vive desde 2013. Começou por dar nas vistas ofercendo a sua voz a algumas composições do conceituado DJ alemão Allen Ferben, nomeadamente no tema She Moves, que ganhou projeção internacional, o que fez com que colaborasse também, e mais recentemente, com Parov Stelar e o DJ Robin Schulz. Depois de um EP editado o ano passado, Plan A é o seu disco de estreia, doze canções editadas no início de maio e que impressionam não só por causa do falsete adocicado de um timbre vocal único, mas também devido a uma feliz amálgama sonora que coloca em primeiro plano uma indie pop bastante acessível e intensa, onde pianos e sintetizadores ditam a sua lei.

As canções de Plan A são um passeio pelas influências de Graham e pela sua capacidade inventiva na hora de usar essas referências para criar. Espalhada pelo álbum há muito da energia que nomes como Gnarls Barkley ou, numa direção oposta, Sufjan Stevens e até Mika, nos foram deixando na primeira década deste século, com o piano de Home e a batida adornada de efeitos de Glowing In The Dark, a plasmarem essas heranças diretas da pop e das novas tendências de uma eletrónica cada vez mais abrangente e que tem sempre as pistas de dança na mira. Os próprios samples que introduzem o groove da batida plena de soul de 90 Degrees são uma excelente amostra desse piscar de olhos objetivo à bola de espelhos, uma filosofia sonora constante num alinhamento ruidoso, mas luminoso, cheio de ganchos, improvisos e colagens, que nasceram, certamente, num processo de gravação rápido e divertido e onde é evidente um processo de mistura e produção bastante inspirado e feliz, que tem como ponto alto a visceralidade e as pujança de Back Into It, uma daquelas canções que clama por punhos cerrados e uma elevada dose de testosterona, à medida que a batida nos aprisiona sem dó nem piedade. 

Claramente talentoso, com uma enorme soul na alma e comparável a alguns virtuosos clássicos da pop e do próprio R&B, exemplarmente homenageados em Kings And Queens, logo na estreia Graham Candy grita e afirma quer o seu lado mais clássico, quer a sua definitiva obsessão por uma superior e ímpar grandiosidade instrumental, onde não faltam saxofones e trompetes, além de uma percussão imponente, detalhes que dão a este excelente álbum uma toada sentimental indisfarçável. É uma espécie de eletropop épico e barroco e mais uma maravilhosa viagem pelos cantos mais alegres e bem dispostos da mente deste excelente autor. Espero que aprecies a sugestão...

Graham Candy - Plan A

01. Home
02. Glowing In The Dark
03. 90 Degrees
04. Back Into It
05. My Wellington
06. Kings And Queens
07. Travellers Lovers
08. Heart Of Gold
09. Little Love
10. Paid A Nickel
11. Broken Heart
12. Memphis


autor stipe07 às 17:18
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Terça-feira, 21 de Junho de 2016

Okta Logue – Diamonds And Despair

Philip Meloi, Benno Herz, Robert Herz e Max Schneider são os alemães Okta Logue, um quarteto distribuido por Frankfurt e Darmstadt e mais um nome a direcionar o seu processo de criação sonora para aquela psicadelia pop ampla e elaborada, através de um som firme e definido e onde cada instrumento parece assumir uma função de controle, nunca se sobrepondo demasiado aos restantes, com Diamonds And Despair, o mais recente disco do grupo, a encarnar um espírito ecoante e esvoaçante, transversal às catorze canções do seu alinhamento e que coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta.

O fuzz do sintetizador e o esplendor das cordas de Pitch Black Dark e da alegoria pop One-Way Ticket To Breakdown, os detalhes percussivos e a guitarra planante de Helpless e o ambiente etéreo e imersivo criado pelos efeitos de Stars Collapse esclarecem o ouvinte acerca da constante omnipresença do experimentalismo rock que ditou a sua lei nos grandiosos anos setenta e da salutar psicadelia instrumental e melódica que definia alguns dos nomes fundamentais desse género que hoje vem sendo replicado com enorme sucesso nos dois lados do atlântico.

Como é apanágio num som que se pretende luminoso, atrativo e imponente, sem descurar aquela fragilidade e sensorialidade que o território estilístico onde estes Okta Logue se movem exige, Diamonds And Despair caracteriza-se, em grande parte, pela subtileza com que este quarteto alemão incorpora uma musicalidade prática, concisa e ao mesmo tempo muito abrangente, num disco marcado pela proximidade entre as canções, fazendo com que o uso de letras cativantes e de uma instrumentação focada em estruturas técnicas simples, amplie os horizontes e os limites que vão sendo traçados em mais de uma hora de canções com tudo para tornarem-se em verdadeiros clássicos da pop experimental. A majestosidade das guitarras que conduzem Waves e a direção delicada e ao mesmo tempo mais esculpida e etérea, que a banda assume em Wasted With You, assim como o acabamento límpido e minimalista, mas fortemente sentimental e profundo de It's Been A While, arrancam o máximo daquilo que as guitarras conseguem enfatizar ao nível dos efeitos e das distorções hipnóticas e acabam por ser um piscar de olhos insinuante a um krautrock que, cruzado com um subtil minimalismo eletrónico, prova o minucioso e matemático planeamento instrumental de um disco em ritmo ascendente, mas sempre controlado, até à última canção.

Pleno de nuances variadas e harmonias magistrais, em Diamonds and Despair tudo se orienta com o propósito de criar um único bloco de som, fazendo do disco um corpo único e indivisível e com vida própria, com os temas a serem os seus orgãos e membros e a poderem personificar no seu todo, se quisermos, uma sonoridade própria e transparente, através de um disco assertivo, onde os Okta Logue utilizaram todas as ferramentas e fórmulas necessárias para a criação de algo verdadeiramente único e imponente e que obriga a crítica a ficar particularmente atenta a este grupo. Espero que aprecies a sugestão...

Okta Logue - Diamonds And Despair

01. Pitch Black Dark
02. Helpless
03. Stars Collapse
04. Waves
05. Diamonds And Despair
06. Heat
07. Under The Pale Moon
08. It’s Been A While
09. One-Way Ticket To Breakdown
10. Wasted With You
11. Heroes Of The Night
12. Distance
13. Summer Days
14. Take It All


autor stipe07 às 21:39
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Sábado, 11 de Abril de 2015

Howling - Stole The Night

Howling - Stole The Night

RY X e Frank Wiedemann são os Howling, um projeto sedeado em Berlim e que aposta numa mistura entre o indie rock e a eletrónica ambiental, cheia de soul e sentimento e que se irá estrear nos discos com Sacred Ground, um trabalho que irá ver a luz do dia no início de maio.

O baixo mágico de Stole The Night é a surpreendente revelação mais recente de um álbum que tem a chancela da  Monkeytown Records e da autoria de uma dupla que tem surpreendido por essa Europa fora, com excelentes atuações em clubes de relevo, estando prevista uma passagem pelo Lux, em Lisboa, poucos dias depois da edição de Sacred Ground. Confere...


autor stipe07 às 14:28
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Quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Gut und Irmler - 500M

Gravado no estúdio Faust em Scheer no Outono de 2013, 500M é o novo disco da dupla Gut und Irmler, formada por Jochen Irmler, um mestre do krautrock e um explorador sonoro nato e por Gudrun Gut, uma produtora berlinense experimentada e disciplinada. 500M foi editado no passado dia oito de setembro por intermédio da Bureau B.

Membro fundador dos Malaria!, dos Mania D e dos Einsturzende Neubauten, Gut é exímia na forma como manipula um verdadeiro arsenal de equipamento sonoro que replica uma vasta teia de instrumentos e sons e depois no modo como os transforma a seu belo prazer, mas sempre com corência e com aquela típica sobriedade alemã. Simultaneamente analógico e digital, envolto num manto de referências que nos remetem para o glorioso passado do krautrock, mas também para um presente feito com melodias elípticas e beats lineares que definem as novas tendências do cenário eletrónico berlinense que insiste em manter-se na vanguarda há várias décadas, 500M é um tratado sonoro com nove capítulos que se complementam duma maneira cósmica!

Nome lendário e reputado, Irmler também teve uma importante palavra a dizer no conteúdo deste disco, nomeadamente no modo como a dupla explorou um cruzamento assertivo entre o aspeto mais maquinal e carregado das batidas, com o caldeirão algo psicadélico de onde brotaram alguns dos arranjos e detalhes que foram sendo sobrepostos à percurssão, de um modo particularmente intuitivo e expressivo. O teclado e o detalhe sonoro metálico que vagueia por Fruh, o orgão de Mandarine ou uma voz samplada em Traum e em Auf Und Ab são apenas três exemplos do modo particularmente esmerado e criativo com que estes Gut und Irmler conseguem sobrepôr sobre uma base sonora maquinal aparentemente fria e desprovida de vida, vários elementos e fragmentos que acabam por originar edifícios sonoros expressivos, frequentemente hipnóticos e, quase sempre, dotados de um certo charme que nem o ambiente mais psicotrópico que se escuta nos ritmos programados para criar Parfum consegue disfarçar.

500M é um alinhamento de vários blocos de som sintetizado e de experiências livres de qualquer formalismo ou regra e que só se justificam numa espécie de tratado de natureza hermética, onde esse bloco de composições não é mais do que partes de uma só canção de enormes proporções. Sonoramente, asssiste-se a um desfile de alguns dos pilares fundamentais da eletrónica, nas suas mais diversas vertentes e sub géneros, feito de acertos e instantes sonoros experimentais, com travos do krautrock mais rígido e maquinal que se pode imaginar, mas também de uma psicadelia feita com uma autêntica salada de sons sintetizados, mudanças bruscas de ritmos e volume, ruídos impercetíveis e samples vocais e instrumentais bizarros. Este é um disco claramente embebido num conteúdo vintage heterogéneo, mas relacionado com um tempo futuro, cenários imaginados e universos paralelos. Espero que aprecies a sugestão...

Fruh
Chlor
Mandarine
Traum
Noah
Auf und Ab
Parfum
Brucke
500m

autor stipe07 às 22:15
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Quinta-feira, 9 de Outubro de 2014

Engineers - Always Returning

Formados atualmente pelo multi-instrumentista Mark Peters, o aclamado músico e produtor alemão Ulrich Schnauss e pelo baterista londrino e compositor Matthew Linley, os Engineers têm criado belíssimas texturas sonoras na última decada e são já um nome de referência no universo da eletrónica de cariz mais ambiental e experimental. Estrearam-se em 2005 com um homónimo que lhes apontou logo imensos holofotes e quatro anos depois, com Three Fact Fader atingiram um estatuto enorme que, no ano seguinte, em 2010, com In Praise Of More, solidificaram definitivamente essa visão, com um enorme grau de brilhantismo. Esse foi o ano em que Ulrich Schnauss juntou-se aos Engineers e Always Returning é o novo passo na carreira de um projeto que parece não encontrar fronteiras dentro daquela pop eletrónica que explora paisagens sonoras expressionistas, através das teclas do sintetizador e de uma percurssão orgânica, as grandes referências instrumentais neste processo de justaposição de vários elementos sonoros.

Com o tema Fight or Flight disponibilizado pela editora Kscope para download gratuíto, Always Returning oscila entre temas puramente instrumentais e outros que não dispensam a presença da voz,  em dez canções que consolidam a maturidade de um grupo que sabe estabelecer entre os seus membros um diálogo feliz e profícuo, em busca do melhor contraste entre as diferentes referências sonoras que orientam o grupo, acabando por as sublimar com mestria e fazer com que se destaque a emoção com que a música criada pelos Engineers consegue transportar bonitos sentimentos.

Always Returning é um disco mutante, que cria um universo quase obscuro em torno de si e que se vai transformando à medida que avançamos na sua audição, que surpreende a cada instante. Da guitarra picada de Bless The Painter, que busca uma psicadelia que se lança sobre o avanço lento mas infatigável de um corpo eletrónico que também usa a voz como camada sonora e que, depois, em Searched for Answers e Smoke & Mirrors, parece que se deixou envolver por uma bolha de hélio passada a lustro pelo rock alternativo dos anos oitenta, ao eco sintetizado e incrivelmente épico de Fight Or Flight, o disco é um manancial de diferentes géneros sonoros e faz uma espécie de súmula da história da música dos últimos quarenta anos.

O auge desta revisão eufórica acontece quando Always Returning desperta-nos para uns Pink Floyd imaginários e futuristas ao som de It Rings So True  e Smiling Back, uns Pink Floyd que certamente não se importariam de ter sido manipulados digitalmente há trinta anos atrás se fosse este o resultado final dessa apropriação. O próprio rock melódico mais barroco, ou a típica folk pop melancólica aparecem em temas como Drive Your Car ou Innsbruck, uma sequência impregnada com uma beleza e uma complexidade tal que merece ser apreciada com alguma devoção e faz-nos sentir vontade, no fim, de carregar novamente no play e voltar ao início dos dois temas. A melancolia das duas canções é comandada por um som de guitarra, que aliado a outras cordas e ao piano, dão um tom fortemente denso e contemplativo aos temas e, no caso de Drive Your Car, a voz de Mark consegue trazer a oscilação necessária para transparecer uma elevada veia sentimental.

Há uma forte dinâmica criativa no seio deste projeto e apesar das diferentes origens musicais, nenhum estilo domina claramente e o efeito é o de várias abordagens sonoras, igualmente magistrais, numa conversa coerente que celebra a natureza dinâmica da combinação instrumental e explora um método de abordagem criativa, que permite a concordância e a discordância, por sua vez. Do rock clássico, passando pela chillwave e a eletrónica ambiental, este alinhamento impressiona pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transporta. Always Returning é um disco muito experimentalista naquilo que o experimentalismo tem por génese: a mistura de coisas existentes, para a descoberta de outras novas. Mas tem também uma estrutura sólida e uma harmonia constante. É estranho mas pode também não o ser. É a música no seu melhor. Espero que aprecies a sugestão...

Bless the Painter
Fight or Flight (Download)
It Rings So True
Drive Your Car
Innsbruck
Searched for Answers
Smiling Back
A Million Voices
Smoke and Mirrors
Always Returning

 


autor stipe07 às 21:31
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Terça-feira, 29 de Abril de 2014

AUTOMAT - AUTOMAT

Uma pesquisa rápida pela internet mostra-nos que Automat foi um álbum de música eletrónica instrumental, cuja autoria e produção foi de dois músicos italianos, chamados Romano Musumarra e Claudio Gizzi. Esse disco foi gravado entre novembro e dezembro de 1977 e lançado no ano seguinte, pela EMI italiana e sob o selo da Harvest Records. Essa pesquisa mostra-nos também que os temas de Automat foram executados com o MCS70, um sintetizador analógico monofónico, desenhado, construído e programado pelo engenheiro italiano Mario Maggi e que Luciano Toroni foi o engenheiro de som  do disco.

A análise ao álbum Automat que partilho com os leitores do meu blogue não se refere a este disco que, pelos vistos, foi um marco do cenário eletrónico que começava a florescer na década de setenta, mas antes de um trabalho editado no início de abril último, por um trio alemão com o mesmo nome. No entanto, aludi a esse disco feito na Itália há quase quarenta anos porque parece-me óbvio que Arbeit, Färber e Zeitblom, os Automat alemães, terão ouvido já esse disco e que o mesmo fará parte do cardápio sonoro que influenciou este trabalho.

Oriundos de Berlim, os Automat começaram este projeto em 2011 mas, só agora, três anos depois, chegou o disco de estreia, um homónimo lançado através da Bureau B e que conta com as colaborações especiais de Lydia Lunch, Genesis Breyer P-Orridge & Blixa Bargeld, nas vozes.

Começar a ouvir AUTOMAT é abraçar uma forte predisposição para encetar uma viagem única e de algum modo hipnótica por um universo sonoro que agrada profundamente a este trio e que é, certamente, dominado pela eletrónica. Ficamos, de certa forma, positivamente condenados a usufruir de um banquete com um cardápio eminentemente sintético, mas que não deixa de piscar o olho a alguns detalhes mais orgânicos.

Uma aparente ambivalência, mas que neste disco e neste trio soa como um todo complexo, mas coerente, fica logo patente em THF, o instrumental de abertura, quando um baixo encorpado e uma batida marcada e hipnótica se aliam a um conjunto de ritmos e sons que borbulham ao longo da canção e a pontuam, como se Berlim quisesse fugir da aparente rigidez maquinal que a batida pode suscitar, para procurar nos trópicos, um local caliente e soalheiro que a presença das congas ajuda a sobressair.

SXF já aponta numa outra direção, onde domina um teor ambiental denso e complexo, com um resultado atmosférico, mas que não deixa a canção cair numa perigosa letargia, já que há aqui sinais bem audíveis que apontam baterias também à punk dance. The Streets, Mount Tamalpais e AM Schlachtense mantêm esta embalagem feita com sintetizadores, num registo predominantemente grave e ligeiramente distorcido e que cria uma atmosfera sombria e visceral, mas agora com o aliciante das vozes engrandecerem o clima dos temas, que procura, a miúde, encostar-se um pouco ao reggae.

AUTOMAT é, em suma, a soma de várias partes, num disco com ecos bem audíveis de post punksynthpop e dance punk dos anos oitenta. A produção é uma das mais valias já que, seja entre o processo dos primeiros arranjos, até à manipulação geral do álbum, tudo soa muito polido e nota-se a preocupação por cada mínimo detalhe, o que acaba por gerar num resultado muito homogéneo e que, de algum modo, ajuda a colocar de novo a dança de música da famosa escola alemã na linha da frente das referências fundamentais no género. Espero que aprecies a sugestão...

THF

SXF

THE STREETS (feat. Lydia Lunch)

MOUNT TAMALPAIS (feat. genesis breyer p-orridge)

TXF

AM SCHLACHTENSEE

GWW

 

 


autor stipe07 às 21:40
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Terça-feira, 18 de Março de 2014

Brace/Choir - Turning On Your Double

Num tempo em que o mundo em que vivemos não roda à volta da sua estrela, mas, em vez disso, rodopia com particular frenesim e um ênfase tal que faz com que vivamos num mundo cheio de perigos e que parece, em determinados períodos da história contemporânea, ter um apetite voraz e incontrolado pela implosão, Turning On Your Double é, de acordo com o press release do lançamento, uma série de oito contos sombrios sobre doença mental, uma meditação sobre as lutas individuais e sociais com distúrbios compulsivos e esquizofrenia: quatro pessoas unidas por uma visão idealista de colaboração, na qual chegaram a pensar que eram uma só pessoa, e as fracturas que surgiram nas suas vidas e personalidades quando a música pára. Temas como a traição, ficção satânica, neuroses relacionadas com a tecnologia e a morte de Osama Bin Laden são revelados através duma combinação de improvisação arrebatadora e composição sublime.

Os Brace/Choir são Christoph Adrian, Max Gassmann, Alex Samuels e Dave Youssef, um quarteto que se formou em Berlim, na Alemanha, no já longínquo ano de 2006. Este disco, lançado por intermédio da Tapete Records no final de fevereiro, sucede a um EP homónimo de 2010 e embarca esta banda num espiral sombria, mas, nem por isso, menos empolgante e atrativa. Falo de um caldeirão sonoro assente num rock progressivo e psicadélico, que não vive só do baixo e da guitarra, mas também do teclado, um elemento essencial do processo de criação melódica de quase todas as canções de Turning On Your Double. Estes instrumentos constituem a tríade que a banda usa como canal privilegiado para comunicar conosco sobre temas como a morte e o renascer e as já clássicas temáticas do amor e de alguns distúrbios emocionais que o mesmo pode provocar, assim como alguns eventos marcantes da nossa história contemporânea. Por exemplo, Fallmen alude explicitamente à captura e morte de Osama Bin Laden.

Uma das particularidades dos Brace/Choir é serem, praticamente todos, multi-instrumentistas, o que lhes permite trocar de ferramenta sonora entre as músicas, quer ao vivo quer em estúdio, o que faz com que cada um dos instrumentos fale com uma diferente voz, cada vez que ganha vida e cor nas canções dos Brace/Choir. É curioso sabermos que este disco tem uma conceção sonora geral e bem balizada e depois percebermos, ao longo da audição, que os diferentes instrumentos têm uma diferente tonalidade e timbre, de mão para mão.

Nomes como os the Replacements ou os Faust são influências declaradas dos Brace/Choir, mas os Mogway ou, num plano oposto, os Jesus and Mary Chain, ou os Doors, são também projetos que certamente terão passado bastante pelos ouvidos deste grupo, que toca um rock que tanto pode ter cor devido às aproximações indisfarçáveis que faz à pop mais melódica e de cariz épico, como se escuta em Biond, ou ter aquela toada mais vintage, feita com um baixo pulsante, um teclado psicadélico, uma distorção hipnótica e uma percussão vincada, aspetos típicos de uma psicadelia que nos remete para ambientes mais sombrios, como fica patente em Five Fingered Leaf ou na longa peça sonora orquestral que é Enemy's Friend, duas canções que, por si só, já fazem com que Turning On Your Double mereça uma audição atenta e integral. Espero que aprecies a sugestão...

01. Biond
02. Five Fingered Leaf

03. Enemy’s Friend
04. Fallmen
05. Be Let Down
06. Coil
07. Satisfier
08. 1 Is 2 


autor stipe07 às 20:58
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Terça-feira, 25 de Fevereiro de 2014

The Notwist – Close To The Glass

Considerados por muitos como os pais do indie rock, os The Notwist, liderados pelos irmãos Archer, estão de regresso aos lançamentos discográficos com Close to The Glass, um trabalho editado ontem, dia vinte quatro de fevereiro, por intermédio da City Slang, na Europa. Os próprios The Notwist produziram o disco, que tem doze canções e sucede a The Devil, You + Me, álbum lançado em 2008. A produção é mesmo uma das mais valias deste disco já que, seja entre o processo dos primeiros arranjos, até à manipulação geral do álbum, tudo soa muito polido e nota-se a preocupação por cada mínimo detalhe, o que acaba por gerar num resultado muito homogéneo e conseguido.

Logo a abrir, Signals deixa-nos todas as pistas que precisamos de seguir para entender o conteúdo sonoro deste álbum. É como se os The Notwist tivessem, de forma muito calculada, agregado numa mesma canção as diferentes pistas que nos preparam para uma viagem única e de algum modo hipnótica por um universo sonoro que os carateriza e cada vez mais dominado pela eletrónica.

O minimalismo é uma arma que os The Notwist utilizam com particular mestria. Conseguem ser concisos e diretos, separar bem os diferentes sons e mantê-los isolados e em posição de destaque, durante o processo de construção dos diferentes puzzles que dão substância às canções. Logo no início, o single homónimo destaca-se pela percussão, com as palmas e o efeito de uma corda a conferirem um ambiente algo tribal à canção.

Quando parecemos positivamente condenados a usufruir de um banquete com um cardápio sintético, surgem as cordas e a guitarra luminosa cheia de distorção de Kong para provar que os The Notwist também gostam de piscar o olho ao indie rock psicadélico e a sonoridades mais orgânicas; Esta é aquela canção que todos os grandes discos têm e que também serve para exaltar a qualidade dos mesmos, principalmente quando se desviam um pouco do rumo sonoro geral do trabalho. Into Another Tune serve-se de um violino e alguns metais para fazer virar de novo agulhas, mas agora, ainda num ambiente orgânico e indie, para o momento introspetivo chamado Casino, dominado pelo simpes dedilhar de uma guitarra, que cria uma lindíssima folk acústica com um forte pendor espiritual e reflexivo. Quase no fim do disco, Steppin' In serve-se da mesma fórmula, cúmplice, madura e melodicamente acessível.

From One Wrong Place To The Next devolve-nos ao ambiente sintético do início, uma sucessão de detalhes sonoros catárticos devido à batida, em busca de uma psicadelia que só uma guitarra picada a lançar-se sobre o avanço lento mas infatigável de um corpo eletrónico que também usa a voz como camada sonora, consegue proporcionar. Seven Hour Drive tem um certo travo a punk rock à antiga, misturado com o melhor do rock britânico dos anos noventa, proposto pela psicadelia dos Spiritualized e Spacemen 3. O minimalismo regressa em Run, Run, Run, tema onde quer Moby quer os Massive Attack certamente sentirão um enorme arrepio quando escutarem a ambiência sonora e os loops da voz e de alguns metais.

Close To The Glass é a demonstração clara de uma banda que quer aventurar-se, colocar de lado a sonoridade que habitualmente a carateriza e optar por criações sonoras mais versáteis, uma fórmula legítima e louvável já que as boas bandas são aquelas que estão sempre abertas a encontrar um sopro de renovação. De uma eletrónica cheia de elementos do krautrock, passando pelo hip hop mais negro, o indie rock e o jazz progressivo, Close To The Glass é um verdadeiro caldeirão onde a voz quase sussurrada de Markus Archer é fundamental para a toada simultaneamente subtil e deslumbrante de um disco onde cada elemento é cuidadosamente tratado e minuciosamente carregado de vida. Espero que aprecies a sugestão...

The Notwist - Close To The Glass

01. Signals
02. Close To The Glass
03. Kong
04. Into Another Tune
05. Casino
06. From One Wrong Place To The Next
07. Seven Hour Drive
08. The Fifth Quarter Of The Globe
09. Run Run Run
10. Steppin’ In
11. Lineri
12. They Follow Me

 


autor stipe07 às 20:57
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Terça-feira, 14 de Janeiro de 2014

The Notwist - Close To The Glass

Os alemães The Notwist estão de regresso aos discos com um novo álbum de originais, que chegará aos escaparates já em fevereiro próximo. Celebrados em 2002 por Neo Golden e autores em 2008 do brilhante The Devil, You + Me, os irmãos Archer deram ao novo álbum o titulo Close To The Glass e já é conhecido o tema homónimo, que mantém a habitual toada fortemente experimental da dupla. A canção foi disponibilizada pela banda para download gratuito. Confere...


autor stipe07 às 13:00
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Domingo, 17 de Fevereiro de 2013

Apparat - Krieg und Frieden (Music For Theatre)

Conforme anunciei num recente Curtas..., o projeto Apparat, do músico alemão Sascha Ring, está de volta cerca de um ano após a edição do excelente The Devil’s Walk. O novo álbum, Krieg und Frieden, chegou recentemente através da Mute e basicamente é a banda sonora da produção teatral de Sebastian Hartman para a peça Guerra e Paz de Tolstoi.

 Apparat libera "Krieg und Frieden" na íntegra

Tudo aquilo que tu precisas para te deliciares com o décimo registo da carreira de Apparat é um bom par de headphones e um cenário... E qualquer cenário serve, seja uma paisagem campestre e bucólica, ou um emaranhado de ruas de uma grande cidade, com milhares de pessoas que não se conhecem ou alguma vez se viram a cruzarem-se a cada segundo das suas efémeras existências. É irrelevante a tua escolha, mas os headphones são essenciais; Krieg und Frieden (Music For Theatre) está repleto com uma mistura bem interessante entre elementos de uma orquestra e música eletrónica, com alguns temas puramente instrumentais.

Em Krieg und Frieden (Music For Theatre), Apparat consegue ser, ao mesmo tempo, poderoso e delicado, criando um naipe delicioso de atmosferas sonoras, através de instrumentos digitais, mas também com alguns elementos da percussão. Há por aqui algumas parecenças com os islandeses Sigur Rós, não só no ambiente criado e na duração de algumas canções, como na pafernália de elementos inusitados de que o produtor se serve para criar sons.

São imensos os detalhes sonoros que conseguem transformar, garanto-vos, qualquer cena normal, mundana e irrelevante de um dia a dia, em algo misterioso e carregado de tensão. Esta será sem dúvida a pretensão maior de um compositor de bandas sonoras e, por isso, este disco é perfeito para ser ouvido em qualquer circunstância real.

Como numa peça de teatro, este disco tem uma sequência; É para ser ouvido, durante os cerca de quarenta minutos que dura, do início ao fim sem interrupções e asseguro-vos que vale bem a pena esperar pelo final e pela belíssima A Violent Sky. Espero que aprecies a sugestão...

01. 44
02. 44 (Noise Version)
03. LightOn
04. Tod
05. Blank Page
06. PV
07. K&F Thema (Pizzicato)
08. K&F Thema
09. Austerlitz
10. A Violent Sky


autor stipe07 às 18:20
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Segunda-feira, 26 de Novembro de 2012

Boys Noize - Out Of The Black

Alexander Ridha é um verdadeiro workaholic. Trata-se de um produtor, compositor, empresário e DJ que construiu já uma extraordinária reputação no mundo da música devido ao seu talento, principalmente com o alter ego Boys Noize. Este projeto já tem mais de uma década e com a expansão do eletro house na década passada, ganhou ainda uma maior pujança. Boys Noize é hoje um nome de culto e uma referência obrigatória e não só na Alemanha, o  grande berço desta sonoridade mais eletrónica e tudo por causa do bom gosto que demonstra em misturar tendências e por fazer música com uma originalidade peculiar. Este é hoje já um padrão de cada um dos seus discos, nomeadamente Out Of The Black, o lançamento mais recente.

2012 tem sido para Alexander Ridha um ano exemplar nessa tal sua faceta workaholic já que Out Of The Black é o terceiro disco do ano que conta com a sua assinatura. Antes já tinha lançado com Mr. Oizo Handbraekes e depois criou com Skrillex um disco de dubstep intitulado Dog Blood. Além desses dois álbuns e de produzir vários artistas que integram o seu selo Boys Noize Records, o rapaz ainda teve a ousadia de criar este Out Of The Black, cheio de tendências e variadas referências pessoais.

Logo no início, What You Want e XTC, encontram fortes raízes no techno e destacam-se pela voz mecanicamente modificada. A primeira remete-nos logo para os franceses Daft Punk e até mesmo para os Justice. XTC é o primeiro single de Out Of The Black e usa sintetizadores típicos dos anos oitenta que produzem uma sequência eletro bem rasgadinha e aditiva. A atmosfera mantém-se em Missile e Touch It, o meu destaque maior deste Out Of The Black, já que amplia as sonoridades dos anos oitenta e tem uma pitada funky, com direito até a scratchReality, e Ich R U concentram-se na questão do ritmo e aqui os sintetizadores perdem primazia em relação à percussão e à batida, fazendo destas duas canções belos temas para as pistas de dança. Rocky 2 é o tema mais duro e visceral do disco. Tem um forte caráter orgânico e uma sonoridade um pouco industrial, uma toada techno que te deixa arrepiado e que tem potencial para colocar multidões em delírio coletivo.

A partir desse tema surge uma novidade... A batida eletro cede a vez ao hip hop logo em Circus Full Of Clowns, tema que conta com a participação especial de Gizzle , que canta uma letra repleta de insultos, por cima de sintetizadores desconexos e uma toada dubstep. A mesma linha é seguida em Got It, em parceria com nada mais nada menos que Snoop Dogg. A letra continua recheada de palavrões e a base conta com uma percussão menos pesada e uma segunda voz feminina. Conchord, em parceria com Siriusmo, traz um piano e progressões com padrões típicos do eletro francês. Uma mistura de Deep com EDM é aclamada em Merlin, onde também se ouve uma percurssão mais tranquila e contagiante, a contrastar com a nova surra sonora que se escuta, a seguir, em Stop. Distant Lover encerra o álbum com a tranquilidade necessária para que não haja um final abrupto.

Em suma, este Out Of The Black comprova o crescimento de Ridha, já que a imprevisibilidade do conteúdo atesta a capacidade que teve, ao longo deste anos de intensa labuta, de absorver diferentes sonoridades e tendências e depois conseguir misturar e agregar tudo sem ser previsível ou anárquico. O house e o techno formam a base, mas não faltam detalhes originais e inusitados que vão do dubstep ao hip hop, passando pelo funk. Há canções onde predomina a voz, noutras a componente instrumental, há tons e timbres variados, batidas e percussões e sintetizadores potentes a leves. É por causa desta versatilidade que Boys Noize é tão respeitado no cenário eletrónico e esse projeto merece estar na linha da frente deste género musical. Espero que aprecies a sugestão...

01 A1. What You Want
02 A2. XTC
03 B1. Missile
04 B2. Ich R U
05 C1. Rocky 2
06 C2. Ich Jack
07 C3. Circus Full Of Clowns (Feat. Gizzle)
08 D1. Touch It
09 D2. Conchord (Feat. Siriusmo (Official Site))
10 E1. Reality
11 E2. Merlin
12 F1. Got It (Feat. Snoop Dogg)
13 F2. Stop


autor stipe07 às 19:03
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Sábado, 25 de Agosto de 2012

Curtas... XLVIII


A estreia dos britânicos The Joy Formidable foi em 2010 com o competente The Big Roar. Desde então ficámos todos a aguardar pelo sucessor que é bem possível estar quase a chegar. Para já, este trio divulgou um novo single; A canção chama-se Wolf’s Law, tem um vídeo interessantíssimo a preto e branco e uma sonoridade épica, de certa forma um misto de Coldplay com Arcade Fire.



O toque intimista e a experimentação fizeram de All Hell, o trabalho de estreia de Daughn Gibson, um dos grandes lançamentos de 2012. Como na altura referi, este disco tem uma inusitada fusão entre as batidas pontuais do dubstep com a melancolia típica da country.

Esta fusão de sonoridades volta a repetir-se em Reach Into The Fire, o mais novo lançamento do músico (agora através do selo Sub Pop), uma canção em que se ouve claramente essa divisão de géneros que usam como elemento de conexão a voz marcante do cantor.



Sabendo que a década de oitenta é a principal influência dos nova iorquinos Future Islands, as invenções instrumentais do grupo ultrapassam as redundâncias dessa época e encontram no synthpop imensas possibilidades. Depois do lançamento de On The Water, em 2011, este trio apresentou agora um novo single intitulado Tomorrow. Também entregue aos mesmos elementos que marcaram a música há três décadas, a nova canção possibilita que o grupo expanda o uso da voz e incorpore um toque de soul music ao já variado catálogo instrumental que acompanha a sua trajetória.



O terceiro disco dos Get Well Soon, projeto encabeçado pelo cantor e compositor alemão Konstantin Gropper, será editado na próxima terça feira, dia vinte e sete de Agosto, pela City Slang, com o título The Scarlet Beast O’ Seven HeadsA edição especial, que divulgo, tem como bónus um outro disco chamado ITZTLACOLIUHQUI - Music For Medations And Summonings.

O primeiro single chama-se Roland, I Feel You e é acompanhado por um vídeo extraordinário, uma monumental sequência cinematográfica da responsabilidade de Phillip Kaessbohrer e produzido pela equipa germânica Bildund Tonfabrik. O tema é uma homenagem do jovem compositor e mentor da banda ao realizador alemão de filmes apocalípticos, Roland Emmerich. You Cannot Cast Out The Demons (You Might As Well Dance), o tema que fecha o disco, pode ser ouvido e descarregado gratuitamente no soundcloud da editora.

Get Well Soon - The Scarlet Beast O'Seven Heads

CD 1
01. Prologue
02. Let Me Check My Mayan Calendar
03. The Last Days Of Rome
04. The Kids Today
05. Roland, I Feel You
06. Disney
07. A Gallows
08. Oh My! Good Heart
09. Just Like Henry Darger
10. Dear Wendy
11. Courage, Tiger
12. The World’s Worst Shrink
13. You Cannot Cast Out The Demons (You Might As Well Dance)


CD 2 – ITZTLACOLIUHQUI
01. Lesson 1: You Are Welcome!
02. Lesson 2: Soon!
03. Lesson 3: Take Shelter!
04. Lesson 4: Absolution And Eternal Refuge
05. Lesson 5: Break The Cycle! Break Your Chains!

 


I Love you But You're Dead é o sugestivo nome da primeira canção já conhecida de Don’t Be A Stranger, o próximo álbum do músico americano Mark Eitzel e que verá a luz do dia no próximo mês de outubro através da Merge Records. Confere...


autor stipe07 às 22:01
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Domingo, 24 de Julho de 2011

Stereoshape - Hello City EP

Os alemães Stereoshape são um trio formado por Oliver Rieger e pelos irmãos Jens Rodner e Lars Rodner. A banda combina diferentes estilos musicais e entrelaça-os numa rede intrincada de sons onde reina o triphop, o disco, o funk e a pop. A evolução musical diferente dos membros da banda caracterizam esta mistura particular de estilos.
Jens Rodner é um guitarrista de rock que tem tocado ao longo dos anos em diversas bandas de hard rock, jazz,  blues e funk.  O irmão Lars também tem uma longa história em bandas rock, mas como cantor, inspirando-se em músicos como Billy Joel e Morrissey. Em simultâneo foi alimentando o seu amor pelo jazz interpretado por Miles Davis, John Coltrane e Chick Corea. Oliver Rieger é o coração eletrónico dos Stereoshape. O seu amor pela música eletrónica e seu dom reconhecido para a batida certa, fizeram logo dele o responsável pela forma, estrutura e cor das canções da banda.

Sempre achei que a pop não é propriamente um género musical, mas antes um tipo de som que poderá ser encontrado em diferentes géneros musicais. Assim como uma cidade abrange milhares de rostos de diferentes etnias, sentimentos, opiniões e modos de vida, o brilho da pop como som é uma espécie de atributo que, numa determinada música, funde e solda conteúdos e estilos diversos, no seio dessa composição.
Dentro deste espírito, Hello City, o EP que estes Stereoshape lançaram já em 2009 através da iD.EOLOGY e que só descobri agora, é essa pop, conforme eu tentei descrever na frase anterior e no seu melhor.
As canções contam histórias sobre devaneios românticos que têm supostamente lugar em noites selvagens onde impera o puro prazer. Falam de viagens psicadélicas, o início de um novo amor ou simplesmente sobre o fascínio de uma simples troca de olhares junto a uma pista de dança. A audição é saborosa e relaxante e o som polido é ligado por elementos sonoros estilísticos da triphop, do funk, do blues, do disco, do electro e do lounge.
Em suma, é um EP que destila urbanidade e sensualidade e que se pode ouvir no terraço de um apartamento no centro da cidade, na esplanada de um bar junto ao rio (tenho sempre a ideia formada que todas as cidades são atravessadas por um rio...), ou durante uma viagem de metro. Seja onde for que se ouça, certamente que nos transportará para o universo que descrevi acima. Espero que apreciem a sugestão...
  

That's The Spirit

If I Could

Superclose

So Hot

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autor stipe07 às 18:37
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Quarta-feira, 29 de Junho de 2011

Kosmonaut - Utopia

Muitas vezes a diferença entre ter-se nada ou algo está na estrutura do que se cria. Confuso? Quantas vezes, mesmo no campo musical, criam-se sons, ouve-se e fica-se com a sensação que não está nada de novo audível ali, exatamente porque a estrutura usada pelo músico não traz algo inovador?

Stefan Mader, um cidadão de Berlim, teve sempre o fascínio por interpretar a música que ia conhecendo e depois procurar criar esse tal novo, que acrescentasse sons inovadores e diferentes. E assim, através do alterego Kosmonaut que terá surgido por ser um programador informático, começou a comprimir algoritmos e a criar pequenas obras de arte digital sonora, criando o seu próprio universo electromusical.

Utopia é a sua mais recente criação, feita a partir da colisão de diversas influências do gótico e do metal industrial, com a techno atmosférica e o deephouse. A partir de partículas elementares estilísticas, Kosmonaut apresenta neste EP novas moléculas musicais, que depois coloca em trechos sonoros que criam um ambiente que varia entre o dubstep hipnótico e o drum'n'bass radiante.  

A utopia é um ideal geralmente definido por algo que está longe, no espaço, no tempo, ou até mesmo ambos. Pelo que descobri, neste EP ele acha que foi abençoado com o dom da visão do futuro e procura recriar e descrever um mundo em que os problemas atuais e as limitações foram superados, uma condição que é desejável, mas ainda, felizmente na minha opinião, inatingível.
Kosmonaut foi então para os cantos mais distantes do universo electromusical e encontrou novas formas e variedades de fazer sons. Em vez de apenas fornecer um simples diário de viagem, ele permite que todos nós que estamos dispostos a ouvi-lo, possamos imaginar, através desta banda sonora, uma sociedade espacial,  regida musicalmente pelo drum'n'bass, o electro dubstep e o chillout. É um mundo colorido em que tudo parece possível e novas formas de expressão musical que podem ser criadas, quase ao minuto.
Parece utópico existir um mundo assim? Ouvindo Kosmonaut, e quer se goste, ou não, esta utopia não é inacessível! De facto, ao escutar Utopia, pode-se ter a sensação de que este mundo chegou ... E estamos bem no meio dele!Espero que aprecies a sugestão...

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Atmosferic Flower

Sky at 7

These Wings

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autor stipe07 às 20:35
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