Quarta-feira, 27 de Dezembro de 2017

Os melhores discos de 2017 (10-01)

10 - Paperhaus - Are These The Questions That We Need To Ask

Em Are These The Questions That We Need To Ask os Paperhaus aprimoram o seu espetro sonoro, mostrando-nos um som corrosivo, hipnótico e contundente, um clarividente exemplar da habitual cartilha sonora que este coletivo da costa leste costuma guardar na sua bagagem. Há neles uma aúrea de grandiosidade indisfarçável e um notável nível de excelência no modo como conseguem ser nostálgicos e na forma como mutam a sua música e adaptam-na a um público ávido de novidades refrescantes, mas que também recordem os primórdios das primeiras audições musicais que alimentaram o nosso gosto pela música alternativa. Este projeto caminha sobre um trilho aventureiro calcetado com um experimentalismo ousado, que parece não conhecer tabus ou fronteiras e que nos guia propositadamente para um mundo onde reina uma certa megalomania e uma saudável monstruosidade agressiva, aliada a um curioso sentido de estética. Esta cuidada sujidade ruidosa que os Paperhaus produzem, concebida com justificado propósito e usando a distorção das guitarras como veículo para a catarse, é feita com uma química interessante e num ambiente simultaneamente denso e dançável, despido de exageros desnecessários, mas que busca claramente a celebração e o apoteótico.

Paperhaus - Are These The Questions That We Need To Ask

01. Told You What To Say
02. Go Cozy
03. Nanana
04. Walk Through the Woods
05. It’s Not There
06. Needle Song
07. Serentine
08. Bismillah

09 - Sleep Party People - Lingering

Lingering é um lugar mágico para onde podemos canalizar muitos dos nossos maiores dilemas, porque tem um toque de lustro de forte pendor introspetivo, livre de constrangimentos estéticos e que nos provoca um saudável torpor, num disco que, no seu todo, contém uma atmosfera densa e pastosa, mas libertadora e esotérica. Acaba por ser um compêndio de canções que nos obriga a observar como é viver num mundo onde somos a espécie dominante e protagonista, mas também observadora de outros eventos e emoções, um trabalho experimentalista naquilo que o experimentalismo tem por génese: a mistura de coisas existentes, para a descoberta de outras novas.

Sleep Party People - Lingering

01. Figures
02. The Missing Steps
03. Fainting Spell
04. Salix And His Soil
05. Lingering Eyes
06. Dissensions (Feat. Luster)
07. Limitations
08. The Sound Of His Daughter
09. The Sun Will Open Its Core
10. We Are There Together (Feat. Beth Hirsch)
11. Odd Forms
12. Vivid Dream

08 - Grooms - Exit Index

Com um forte cariz urbano e atual, Exit Index é um daqueles trabalhos em que há uma interligação latente entre os temas e não faz grande sentido escutá-los de forma isolada. É um disco que procura gravitar em torno de diferentes conceitos sonoros e esferas musicais, que transmitem, geralmente, sensações onde a nostalgia do nosso quotidiano facilmente se revê. Todos os temas são arrebatadores banquetes de sedução, languidez e luxúria, feitos com um indie rock sem fronteiras, desapegos ou concessões e que se servem também, em bandeja de ouro, com um forte entusiasmo lírico, certamente com o propósito de contornar todas as amarras que prendem a nossa alma e apresentar, desse modo, a notável disponibilidade dos Grooms para nos fazerem pensar, mexendo com os nossos sentimentos e tentando dar-nos pistas para uma vida mais feliz. Há neste alinhamento quase uma pueril simplicidade, que plasma uma notável capacidade de reinventar, reformular ou simplesmente replicar o que de melhor tem o indie rock psicadélico nos dias de hoje, oferecendo-nos, enquanto se vai num abrir e fechar de olhos do nostálgico ao glorioso, uma caldeirada de estilos e emoções cozinhada por mestres de um estilo sonoro carregado de um intenso charme.

Grooms - Exit Index

01. The Directory
02. Horoscopes
03. Turn Your Body
04. Magistrate Seeks Romance
05. End
06. Dietrich
07. Softer Now
08. Some Fantasy
09. They Can Tell
10. Thimble

07 - LCD Soundsystem - American Dream

American Dream talvez reflita, no fundo, a realidade atual de uma América onde não existem, nos dias de hoje, muitas razões para celebrar ou motivos que inspirem à criação musical que exale, de modo evidente, a gloriosa celebração do que é viver num país que nunca se cansa de apregoar que lidera os destinos do mundo. De um modo mais particular, talvez aquele que mais interesse, ensina-nos que nunca é tarde para recomeçar, que os anos podem passar por nós, mas o nosso espírito pode manter-se amplamente jovial e criativo, mesmo que isso suceda de modo menos intuitivo, mas mais refletido, maduro e consciente. É assim, de certo modo, a melhor descrição que se pode fazer destes renovados LCD Soundsystemcomo entidade.

LCD Soundsystem - American Dream

01. Oh Baby
02. Other Voices
03. I Used To
04. Change Yr Mind
05. How Do You Sleep?
06. Tonite
07. Call The Police
08. American Dream
09. Emotional Haircut
10. Black Screen

06 - Slowdive - Slowdive

Disco muito desejado por todos os seguidores e não só e que quebra um longo hiato, Slowdive é um lugar mágico para onde podemos canalizar muitos dos nossos maiores dilemas, porque tem um toque de lustro de forte pendor introspetivo, livre de constrangimentos estéticos e que nos provoca um saudável torpor, num disco que, no seu todo, contém uma atmosfera densa e pastosa, mas libertadora e esotérica. Acaba por ser um compêndio de canções que nos obriga a observar como é viver num mundo onde o amor é tantas vezes protagonista, mas onde também subsistem outros eventos e emoções capazes de nos transformar positivamente.

Slowdive - Sugar For The Pill

01. Slomo
02. Star Roving
03. Don’t Know Why
04. Sugar For The Pill
05. Everyone Knows
06. No Longer Making Time
07. Go Get It
08. Falling Ashes

05 - Beach Fossils - Somersault

Somersault eleva os Beach Fossils a um novo patamar criativo, com as canções a abrigarem-se à sombra de uma filosofia estilística bastante marcada e homogéna, o que faz com que funcionem, individualmente, como vinhetas climáticas que vão servindo para marcar o ambiente e a cadência do mesmo. Mas, um dos maiores atributos do alinhamento é a quase indivisibilidade entre os temas, que podem ser apreciados como um todo, já que, liricamente, debruçando-se sobre as agruras de uma América cada vez mais confusa, garantem a formatação de uma obra de maior alcance e até, do modo como estão alinhados, engrandecem algumas canções menores. É o caso de Be Nothing, composição posicionada no final de Somersault e que, no modo como cresce e progride, além de personificar aquele grito de raiva que muitas vezes é imprescindível soltar no clímax de um instante reflexivo, acaba também por fazer uma súmula de todo o ideário, quer sentimental, quer sonoro, subjacente à intimidade que exala de toda a obra e que nos envolve de um modo muito particular.

Beach Fossils - Somersault

01. This Year
02. Tangerine (Feat. Rachel Goswell)
03. Saint Ivy
04. May 1st
05. Rise (Feat. Cities Aviv)
06. Sugar
07. Closer Everywhere
08. Social Jetlag
09. Down The Line
10. Be Nothing
11. That’s All For Now

04 - The War On Drugs - A Deeper Understanding

A Deeper Understanding é um trabalho que, do vintage ao contemporâneo, consegue encantar-nos e fazer-nos imergir na intimidade de um Gradunciel sereno e bucólico, através de uma viagem aos universos de Dylan e Kurt Vile, passando por Springsteen, com canções cheias de versos intimistas que flutuam livremente. É um disco simultaneamente amplo e conciso sobre as experiências pessoais do músico, mas também sobre o presente, a velhice, o isolamento, a melancolia e o cariz tantas vezes éfemero dos sentimentos, em suma, sobre a inquietação sentimental, ou seja, o existencialismo e as perceções humanas de uma América que parece ter encalhado e não saber como voltar novamente ao rumo certo.

The War On Drugs - A Deeper Understanding

01. Up All Night
02. Pain
03. Holding On
04. Strangest Thing
05. Knocked Down
06. Nothing To Find
07. Thinking Of A Place
08. In Chains
09. Clean Living
10. You Don’t Have To Go

03 - Father John Misty - Pure Comedy

Sedutor, cativante, profundamente engenhoso e com todos os atributos para ser um verdadeiro diabo vestido de anjo, John Tillman aprofunda neste seu novo trabalho, que é já, claramente, um dos melhores discos do ano, o refinado e oportuno sentido de humor que tão bem o carateriza e a sagacidade das suas letras, cada vez mais inteligentes e enigmáticas. E Father John Mistyleva a cabo esta demanda com um elevado sentido críptico e desafiante, já que não é óbvia, em alguns instantes, a descodificação célere das suas reais intenções relativamente a todos aqueles que se deixam inebriar pelos seus sermões e fazer parte de um rebanho que se assanha sempre que o pastor investe no seu tema recorrente, o amor.

Resultado de imagem para father john misty love comedy tracklist

1. Pure Comedy
2. Total Entertainment Forever
3. Things It Would Have Been Helpful to Know Before the Revolution
4. Ballad of the Dying Man
5. Birdie
6. Leaving LA
7. A Bigger Paper Bag
8. When the God of Love Returns There'll Be Hell to Pay
9. Smoochie
10. Two Wildly Different Perspectives
11. The Memo
12. So I'm Growing Old on Magic Mountain
13. In Twenty Years or So

02 - The Feelies - In Between

Aos quarenta anos de idade, os The Feelies deslumbram intensamente pelo à vontade com que, nas várias inflexões e variações, quer de sons quer de arranjos, que colocam nas suas músicas, ainda navegam em segurança e vigor nos meandros intrincados e sinuosos de um indie rock que entre uma toada maisgrunge, progressiva e psicadélica e uma leveza pop mais intimista, nunca deixam de exalar um sedutor entusiasmo lírico, uma atmosfera amável mesmo no meio de algum fuzz constante e um clima geral luminoso, enérgico e até algo frenético, num disco que flui bem, não só porque tem um conjunto de belíssimas canções, que nos oferecem camadas sofisticadas de arranjos criativos e bonitos, mas também porque é um álbum que reforça o traço de honestidade de uma banda cada vez mais protagonista no universo sonoro em que se move.

The Feelies - In Between

01. In Between
02. Turn Back Time
03. Stay The Course
04. Flag Days
05. Pass The Time
06. When To Go
07. Been Replaced
08. Gone, Gone, Gone
09. Time Will Tell
10. Make It Clear
11. In Between (Reprise)

01 - Ulrika Spacek - Modern English Decoration

Os Ulrika Spacek levam-nos a sorrir e a abanar a anca ao som de canções que se insinuam continuamente por causa do modo algo desconexo como se vão desenvolvendo ritmíca e melodicamente, acabando este disco por ser a expressão máxima de um modo bastante textural, orgânico e imediato de criar música e de fazer dela uma forma artística privilegiada na transmissão de sensações que não deixam ninguém indiferente. Modern English Decoration atesta a segurança, o vigor e o modo criativamente superior como este grupo britânico entra em estúdio para compôr e criar um shoegaze progressivo que se firma com um arquétipo sonoro sem qualquer paralelo no universo indie e alternativo atual. O melhor disco do ano, claramente.

Ulrika Spacek - Modern English Decoration

01. Mimi Pretend
02. Silvertonic
03. Dead Museum
04. Ziggy
05. Everything, All The Time
06. Modern English Decoration
07. Full Of Men
08. Saw A Habit Forming
09. Victorian Acid
10. Protestant Work Slump

 
 

autor stipe07 às 14:20
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Terça-feira, 26 de Dezembro de 2017

Os melhores discos de 2017 (20-11)

20 - Foxygen - Hang

Hang é um verdadeiro tratado sonoro carregado de emoção, cor e alegria, uma verdadeira viagem no tempo, mas também um disco intemporal na forma como plasma com elevada dose de criatividade o que de melhor recria atualmente o vintage. MasHang também aponta caminhos para o futuro não só da dupla, como de todo um género musical que não se deve esgotar apenas na recriação de algumas das referências fundamentais do passado, mas também subsistir numa demanda constante por algo genuíno e que depois sirva de modelo e de referencial sonoro. O modo como o misticismo exótico dos Foxygen recria a música de outrora, faz já deles um modelo a seguir para outros projetos que queiram trilhar este caminho sinuoso e claramente aditivo, principalmente pelo modo como, não só neste disco, mas mesmo em cada música, conseguem ser transversais e estabelecer pontes entre o passado e o futuro.

Foxygen - Hang (2017)

01. Follow the Leader
02. Avalon
03. Mrs. Adams
04. America
05. On Lankershim
06. Upon a Hill
07. Trauma
08. Rise Up

19 - Courtney Barnett And Kurt Vile – Lotta Sea Lice

Lotta Sea Lice é um exercício de aceitação plena por parte dos autores de um estado de consciência sobre uma vida que ambos saboreiam em constante rebuliço, mas constante no modo como lidam com os diferentes sentimentos e emoções estejam em que local do mundo estiverem. É, em suma, um conjunto de canções que mostram dois seres humanos profundamente reflexivos, mas também auto confiantes e que servem-se da viola e da guitarra, seus fiéis companheiros nestas jornadas únicas e sentimentais sobre as vidas de dois músicos transportadas para uma contemporaneidade cheia de encruzilhadas e dilemas.

Courtney Barnett  And Kurt Vile - Lotta Sea Lice

01. Over Everything
02. Let It Go
03. Fear Is Like A Forest
04. Outta the Woodwork
05. Continental Breakfast
06. On Script
07. Blue Cheese
08. Peepin’ Tom
09. Untogether

18 - Oh Sees - Orc

Edifício sonoro brilhante e cheio de vida e cor, Orc possibilita aosOh Sees atravessarem novamente as barreiras do tempo e manterem-se, ao mesmo tempo, joviais e coerentes. Para delírio dos fiéis seguidores, o grupo mantém intata a sua insana cartilha de garage folk rock blues com uma capacidade inventiva que se pronuncia instantaneamente, através de um desejo inato de proporcionar o habitual encantamento sem o natural desgaste da contínua replicação do óbvio. A verdade é que o som deste grupo é, cada vez mais, uma espécie de roleta russa e um caldeirão de originalidade, que acaba por transportar o ouvinte para uma espécie de bad trip musical, através de um veículo sonoro que se move através de uma sucessão de loopings bizarros, mas ainda assim dançantes.

Download Oh Sees   Orc (2017) Mp3

01. The Static God
02. Nite Expo
03. Animated Violence
04. Keys to the Castle
05. Jettisoned
06. Cadaver Dog
07. Paranoise
08. Cooling Tower
09. Drowned Beast
10. Raw Optics

17 - Grizzly Bear - Painted Ruins

Álbum desafiante porque só revela todo o seu potencial instrumental e todos os detalhes e nuances que o trespassam após repetidas audições, Painted Ruins é uma verdadeira obra de arte por isso e porque mantém acesa a chama algo angustiante e nebulosa de uns Grizzly Bear que mais do que se preocuparem em agradar ao mainstream e à radiofonia, preferem estar na linha da frente daqueles que compõem com o firme propósito de deixar algo que marque e exercite a mente de quem aceita ouvir e deliciar-se com os seus sermões.

Grizzly Bear - Painted Ruins

01. Wasted Acres
02. Mourning Sound
03. Four Cypresses
04. Three Rings
05. Losing All Sense
06. Aquarian
07. Cut-Out
08. Glass Hillside
09. Neighbors
10. Systole
11. Sky Took Hold

16 - Perfume Genius - No Shape

Nada subtil, confiante, decidido e até, em certos momentos, algo descarado, Hadreas renova em No Shape o seu firme propósito de utilizar a música não apenas como um veículo de manifestação artística, mas, principalmente, como um refúgio explícito para uma narrativa que, sendo feita quase sempre na primeira pessoa, materializa o desejo de alguém que já confessou não conseguir fazer música se ela não falar sobre si próprio e que amiúde admite guardar ainda muitos segredos dentro de si. Se nos apraz partir nesta viagem de descoberta da mente de um homem cheio de particularidades, devemos estar também imbuídos da consciência de que temos, com igual respeito e apreço, de conhecer o lado mais obscuro da sua personalidade, um verdadeiro manancial que se em alguns provoca um sentimento de repulsa, noutros causa uma atração intensa, como se o uso da dor para transformar a intimidade de alguém em algo universal fosse afinal uma das estratégias mais bem sucedidas de abordar de modo genuíno as relações e a fragilidade humana. No Shape lança os holofotes não só sobre Mike, mas também sobre nós próprios, já que ajuda ao contacto e à tomada de consciência de muito do que guardamos dentro de nós e tantas vezes nos recusamos a aceitar e passamos a vida inteira a renegar.

Perfume Genius - No Shape

01. Otherside
02. Slip Away
03. Just Like Love
04. Go Ahead
05. Valley
06. Wreath
07. Every Night
08. Choir
09. Die 4 You
10. Sides
11. Braid
12. Run Me Through
13. Alan

15 - Tashaky Miyaki - The Dream

Com uma sonoridade cada vez mais sóbria e adulta, Lucy e Tashaki criaram em The Dream um catálogo sonoro envolvente, climático e tocado pela melancolia, através de uma instrumentação que tem como pano de fundo essencial o clássico rock abarcado pela típica herança da América do Norte, que serve-se de guitarras sobriamente eletrificadas e distorcidas para obter uma mistura sem fronteiras definidas, entre esse grande universo sonoro e o blues, a folk, e, implicitamente, alguns pilares fundamentais da eletrónica ambiental. É, em suma, um compêndio sonoro que surpreende pelo bom gosto como apresenta de forma sombria e introspetiva, mas superiormente frágil e sedutora, a visão dosTashaki Miyaki sobre alguns temas que sempre tocaram a dupla, mas, principalmente, pela forma madura e sincera como tentam conquistar o coração de quem os escuta com melodias doces e que despertam sentimentos que muitas vezes são apenas visíveis numa cavidade anteriormente desabitada e irrevogavelmente desconhecida do nosso ser.

Tashaki Miyaki - The Dream

01. L.A.P.D. Prelude
02. City
03. Girls On T.V.
04. Out Of My Head
05. Anyone But You
06. Cool Runnings
07. Tell Me
08. Facts Of Life
09. Keep Me In Mind
10. Get It Right
11. Somethin Is Better Than Nothin
12. L.A.P.D. Finale
13. L.A.P.D.

14 - Elbow - Little Fictions

Sempre encantadores, aditivos e simultaneamente amplos e grandiosos e detalhados e impressivos no modo como falam e cantam sobre o amor, no fundo a grande força motriz de toda a pafernália de sensações e acontecimentos que fui descrevendo até aqui, os Elbow provam em Little Fictions que estão num elevado e excitante momento criativo e intactos e genuínos a expôr-se e a desarmar-nos. Afirmo-o convictamente porque este disco tem alguns momentos que, sendo devidamente absorvidos, não deixarão de nos provocar aquelas reações físicas que muitas vezes tentamos refrear, porque há quem considere que a cena dos sentimentalismos, do sorriso sem razão aparente e das lágrimas felizes ou infelizes (e aqui há as duas possibilidades) é só para os fracos de coração e de espírito.

Elbow - Little Fictions

01. Magnificent (She Says)
02. Gentle Storm
03. Trust The Sun
04. All Disco
05. Head For Supplies
06. Firebrand And Angel
07. K2
08. Montparnasse
09. Little Fictions
10. Kindling

13 - My Sad Captains - Sun Bridge

Sun Bridge é um disco que não nos dá tempo para recuperar o fôlego, porque são imensos os momentos que proporcionam prazer, conforto e admiração durante a sua escuta. É um trabalho para ser ouvido e contemplado, um alinhamento onde há momentos animados e luminosos, mas também instantes de pausa, de sossego e melancolia, esta, muitas vezes, quase absurda. Tal sofreguidão deve-se, em suma, à consistência com que, música após música, somos confrontados e confortados por melodias maravilhosamente irresistiveis e ternurentas.

My Sad Captains - Sun Bridge

01. Early Rivers
02. Everything At The End Of Everything
03. Destination Memory
04. Don’t Listen To Your Heart
05. None In A Million
06. William Campbell
07. Curtain Calls
08. New Sun
09. Wintersweet
10. Relive

12 - Happyness - Write In

Write In é outro clímax de todo o ideário processual que timbra o som identitário dos Happyness, que nos oferecem um álbum que, sendo um belo psicoativo sentimental, encarna uma viagem até à gloriosa época do rock independente, sem rodeios, medos ou concessões, proporcionada por uma banda com um espírito aberto e criativo e atravessada por um certo transe libidinoso.

Happyness - Write In

01. Falling Down
02. The Reel Starts Again (Man As Ostrich)
03. HAnytime
04. Through Windows
05. Uptrend / Style Raids
06. Bigger Glass Less Full
07. Victor Lazarros Heart
08. Anna, Lisa Calls
09. The C Is A B A G
10. Tunnel Vision On Your Part

11 - Pond - The Weather

Já com um acervo único e peculiar e que resulta da consciência que os músicos que compôem este coletivo têm das transformações que abastecem a música psicadélica atual, os POND são umbilicalmente responsáveis por praticamente tudo aquilo que move e se move neste género e já se assumiram como referências essenciais para tantos outros. Querendo estar mais perto do grande público e serem comercialmente mais acessíveis, nesta parada psicotrópica explicitamente aberta ao experimentalismo que é The Weather, além de não colocarem em causa a sua própria integridade sonora ou descurarem a essência do projeto, propôem mais um tratado de natureza hermética e não se cansando de quebrar todas as regras e até de desafiar as mais elementares do bom senso que, no campo musical, quase exigem que se mantenha intocável a excelência, conseguem conquistar novas plateias com distinção. Os POND sabem como impressionar pelo arrojo e mesmo que incomodem em determinados instantes da audição, mostram-se geniais no modo como dão vida a mais um excelente tratado sonoro do melhor revivalismo que se escuta atualmente relativamente aorock psicadélico do século passado.

Pond - The Weather

01. 30000 Megatons
02. Sweep Me Off My Feet
03. Paint Me Silver
04. Colder Than Ice
05. Edge Of The World, Pt. 1
06. A / B
07. Zen Automaton
08. All I Want For Xmas (Is A Tascam 388)
09. Edge Of The World, Pt. 2
10. The Weather


autor stipe07 às 17:59
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Terça-feira, 21 de Novembro de 2017

Man On The Moon faz hoje 25 anos.

Clássico intemporal e, no meu caso, um lema e um manual existencial, Man On The Moon, a canção da minha vida, viu a luz do dia, em formato single, a vinte e um de novembro de mil novecentos e noventa e dois, faz precisamente hoje, dia vinte e um de novembro de dois mil e dezassete, vinte e cinco anos. Composição que dá nome a este blogue e ao respetivo programa de rádio na Paivense FM e para alguns uma espécie de alcunha minha, já que é rápida a associação que fazem entre esta música e a minha pessoa, tem um significado muito próprio para a minha história pessoal, já que foi e ainda é a banda sonora principal dos últimos vinte e cinco anos da minha vida.

Recentemente, à publicação New Musical Express, Bill Berry, o baixista dos R.E.M., explicou de modo muito detalhado toda a história que envolve esta canção, desde o modo como ela nasceu e foi concebida, até ao ideário que pretende transmitir, terminando na descrição sobre o modo como o icónico vídeo dessa canção foi idealizado e concebido.

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Terminada no último dia de gravações de Automatic For The People num estúdio em Seattle, Man On The Moon, uma obra de arte índie, começou por ser uma demo instrumental intitulada C to D Slide, criada numa guitarra pelo baterista Bill Berry, á qual Michael Stipe juntou, mais tarde, uma das suas melhores letras. E fê-lo por exigência dos restantes membros da banda que achavam que aquela melodia tinha uma história muito significativa para contar.

Assim, com conceitos como crença, jogo, dúvida, conspiração e verdade na mente e com Andy Kaufman, um entertainer famoso e controverso na América dos anos setenta que Stipe admira profundamente, a servir de fio condutor de todos eles, Michael colocou-nos a todos a pensar no que seria a nossa vida hoje se Charles Darwin não tivesse tido a coragem de colocar em causa algumas verdades insofismáveis ou se, no pacote das mesmas e de modo mais alegórico, se a aterragem na lua, a passagem de Moisés por um mar vermelho seco ou a morte de Elvis e do próprio Kaufman, realmente sucederam. E ele fez isso com o propósito claro de nos mostrar que mais importante que a aleatoriedade do jogo (Monopoly, twenty-one, checkers, and chess... Let's play Twister, let's play Risk) todas essas teorias ou questões metafísicas que muitas vezes nos turvam a visão e nos tolhem a mente, é aquilo que guardamos dentro de nós e a força que temos para acreditar nas nossas virtudes e, desse modo, nunca desistirmos de atingir os nossos maiores sonhos que define o nosso destino.

If you believe there's nothing up his sleeve, then nothing is cool.


autor stipe07 às 20:26
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Segunda-feira, 5 de Junho de 2017

Washed Out – Get Lost

Washed Out - Get Lost

Desde o psicadélico e inebriante álbum Paracosm (2013) que o projeto Washed Out, do multi-instrumentista norte-americano natural da Georgia, Ernest Greene, um dos nomes fundamentais, a par de Neon Indian ou Toro Y Moi, da nova chillwave, não dava sinais de vida. No entanto, esse hiato já chegou ao fim com a divulgação de Get Lost, uma canção que surge isoladamente, sem atrelar a edição prevista de um álbum.

Em Get Lost a batida dançante, os detalhes percussivos orgânicos e os flashes irradiantes sintetizados transportam-nos de imediato para o universo sonoro típico de Washed Out e já nem queremos olhar para trás porque entramos em contado direto com uma praia ensolarada à beira de uma floresta tropical, à boleia de uma pop sonhadora, excelente para nos hipnotizar e que acaba por funcionar como aquele eficaz soporífero que nos leva para longe de uma realidade tantas vezes pouco agradável. Confere...


autor stipe07 às 13:10
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Sábado, 20 de Maio de 2017

Sufjan Stevens, Bryce Dessner, Nico Muhly, James McAlister – Mercury

Um dos registos discográficos que é aguardado com maior expetativa nas próximas semanas intitula-se Planetarium, um álbum conceptual sobre o sistema solar, que irá ver a luz do dia a nove de junho através da 4AD, com a assinatura dos músicos norte americanos Sufjan Stevens, Bryce Dessner, Nico Muhly e James McAlister.

Com dezassete temas num alinhamento que podes conferir abaixo e que têm vindo a ser trabalhadas pelo quarteto desde 2013, depois de uma performance no Brooklyn Academy Of Music, em Nova York, Planetarium será, certamente, uma gloriosa e cósmica viagem sonora pelos recantos do nosso sistema planetário, à boleia de um conjunto de canções que do rock progressivo à pop construída em redor de pianos melancólicos, aglutinará também no seu âmago uma forte veia eletroacústica algo suave e adocicada, como se percebe, por exemplo, em Mercury, o mais recente tema divulgado do disco e já com direito a um vídeo a preto e branco, assinado por Deborah Johnson. Confere... 

01 Neptune
02 Jupiter
03 Halley’s Comet
04 Venus
05 Uranus
06 Mars
07 Black Energy
08 Sun
09 Tides
10 Moon
11 Pluto
12 Kuiper Belt
13 Black Hole
14 Saturn
15 In the Beginning
16 Earth
17 Mercury


autor stipe07 às 00:24
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Quarta-feira, 17 de Maio de 2017

Beach House - B-Sides and Rarities

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A dupla Beach House, um projeto sedeado em Baltimore, no Maryland, formado pela francesa Victoria Legrand e pelo norte americano Alex Scally, está de regresso em 2017 aos lançamentos discográficos depois da parelha de álbuns que lançou em 2015, com um intervalo de dois meses, Depression Cherry e Thank Your Lucky Stars. Recordo que anteriormente a dupla já havia lançado Beach House (2006), Devotion (2008), Teen Dream (2010) e Bloom (2012). Desta vez não irá ver a luz do dia um álbum de originais, mas uma compilação de catorze canções com lados b e raridades retiradas de todos os discos da dupla.

Seja como for, deste B-Sides and Rarities dos Beach House irão também constar dois inéditos, os temas Chariot e Baseball Diamond, que foram gravados durante as sessões de Depression Cherry e Thank Your Lucky Stars e dos quais já é possível escutar o primeiro, um tema que assenta numa sonoridade simples e nebulosa, bastante melódica e etérea, plena de sintetizadores assertivos e ruidosos e guitarras com efeitos recheados de eco, que mantém intacta a aura melancólica e mágica de um projeto que vive em redor da voz doce de Victoria e da mestria instrumental de Alex e se aproxima cada vez mais de algumas referências óbvias de finais do século passado. Confere Chariot e o alinhamento de B-Sides and Rarities...

Chariot

Baby

Equal Mind

Used To Be (2008 single version)

White Moon (iTunes session remix)

Baseball Diamond

Norway (iTunes session remix)

Play The Game 

The Arrangement

Saturn Song

Rain In Numbers

I Do Not Care For the Winter Sun

10 Mile Stereo (Cough Syrup Remix)

Wherever You Go


autor stipe07 às 15:51
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Terça-feira, 9 de Maio de 2017

Perfume Genius - No Shape

Cerca de dois anos e meio depois do excelente Too Bright, Mike Hadreas, aka Perfume Genius, está de regresso aos lançamentos discográficos com No Shape, o quarto álbum da carreira de um dos nomes mais excitantes do cenário musical alternativo, um alinhamento de treze canções editado através da conceituada Matador Records, gravado em Los Angeles e produzido por Blake Mills (Fiona Apple, Alabama Shakes, Laura Marling).

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Este músico norte-americano natural de Seattle anda há quase uma década a oferecer-nos momentos sonoros que, sendo essencialmente soturnos e abertamente sofridos, ampliam continuamente, disco após disco, as suas virtudes como cantor e criador de canções impregnadas com uma rara honestidade, já que são profundamente autobiográficas e, ao invés de nos suscitarem a formulação de um julgamento acerca das opções pessoais do artista e da forma vincada como as expõe, optam por nos oferecer esperança enquanto se relacionam connosco com elevada empatia.

No Shape, o novo trabalho de Perfume Genius, não foge de tais permissas, proporcionando-nos mais um emotivo e exigente encontro com o âmago do autor e toda a intrincada teia relacional que ele estabelece com um mundo nem sempre disposto a aceitar abertamente a diferença e a busca de caminhos menos habituais para o encontro da felicidade plena. E, num registo com várias canções que abordam a relação de Hadreas com Alan Wyffels, o seu namorado de sempre e colaborador musical, quando o músico dialoga connosco coloca sempre em cima da mesa emoção e delicadeza em simultâneo, o que acaba por provocar, quase sempre, um misto de tristeza e admiração do lado de cá. Este No Shape segue tal rumo porque sendo devidamente assimilado, espanta pelo seu realismo e provoca aquela lágrima fácil, tal é a profundidade com que relata histórias e eventos de ambos e que suscitam tudo menos indiferença.

Esta trama revela-se logo no início do disco com o registo quase à capella de Otherside, apenas acompanhado pelo dedilhar perene de três teclas do piano, a provocar inquietude e até um certo embaraço e depois Slip Away revela-se uma daquela canções em que se confere um retrato sincero de sentimentos, um tema que pode bem fazer parte de um manual de auto ajuda para quem procura forças para superar os percalços de uma vida que possa estar emocionalmente destruída.

Disco bastante dominado por uma voz que se faz acompanhar, geralmente, por esse ilustre piano, mas também por sintetizadores, que amiúde dão as mãos a  diferentes elementos percussivos e a violinos, errantes na subversão religiosa de Just Like Love e fulgurantes no profundo e intenso muro de lamentações a que sabe Choir, No Shape também não renega a crueza acústica e orgânica das cordas, exuberantes na encantadora Valley e mais rugosas e impulsivas, mas detalhisticamente ricas, em No Wreath, canção onde  a questão da identidade de géneros é abordada de modo explícito, nomeadamente o conflito permanente do artista entre aquela que é a sua dimensão física e a sua identidade enquanto ser humano realizado e feliz (I’m gonna peel off every weight, Until my body gives way, And shuts up). Aliás, esta é uma questão muito em voga no meio artístico norte-americano,com as questões da transsexualidade a serem cada vez mais arma de arremesso contra a opressão da direita mais conservadora.

Nada subtil, confiante, decidido e até, em certos momentos, algo descarado, Hadreas renova em No Shape o seu firme propósito de utilizar a música não apenas como um veículo de manifestação artística, mas, principalmente, como um refúgio explícito para uma narrativa que, sendo feita quase sempre na primeira pessoa, materializa o desejo de alguém que já confessou não conseguir fazer música se ela não falar sobre si próprio e que amiúde admite guardar ainda muitos segredos dentro de si. Os timbres distorcidos e a dinâmica melosa e emotiva e vintage de Die 4 You, são talvez o perfeito exemplo da forma como Mike criou neste trabalho, através de um aparato tecnológico mais ou menos amplo, caminhos de expressão musical inéditos na sua discografia e novas formas de se revelar a quem quiser conhecer a sua personalidade.

Se nos apraz partir nesta viagem de descoberta da mente de um homem cheio de particularidades, devemos estar também imbuídos da consciência de que temos, com igual respeito e apreço, de conhecer o lado mais obscuro da sua personalidade, um verdadeiro manancial que se em alguns provoca um sentimento de repulsa, noutros causa uma atração intensa, como se o uso da dor para transformar a intimidade de alguém em algo universal fosse afinal uma das estratégias mais bem sucedidas de abordar de modo genuíno as relações e a fragilidade humana. No Shape lança os holofotes não só sobre Mike, mas também sobre nós próprios, já que ajuda ao contacto e à tomada de consciência de muito do que guardamos dentro de nós e tantas vezes nos recusamos a aceitar e passamos a vida inteira a renegar. Espero que aprecies a sugestão...

Perfume Genius - No Shape

01. Otherside
02. Slip Away
03. Just Like Love
04. Go Ahead
05. Valley
06. Wreath
07. Every Night
08. Choir
09. Die 4 You
10. Sides
11. Braid
12. Run Me Through
13. Alan


autor stipe07 às 21:39
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Sexta-feira, 24 de Março de 2017

Gorillaz - Saturn Barz (feat Popcaan)

Depois de há alguns dias atrás a página oficial do órgão Phonographic Performance Limited, entidade que no Reino Unido regista novas canções de artistas do país, ter criado enorme alarido ao informar que novos temas dos Gorillaz de 2-D, Murdoc, Noodle e Russel, estariam prestes a ver a luz do dia, eis que acaba de ser divulgado o título do novo álbum deste projeto liderado por Damon Albarn, assim como a sua data de lançamento e respetivo alinhamento de canções.

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Assim, Humanz, o próximo disco dos Gorillaz, produzido pelo próprio Damon Albarn e primeiro da banda desde The Fall (2011), irá ver a luz do dia a vinte e oito de abril e terá dezanove canções e seis interlúdios, que incluirão a participação especial de nomes tão relevantes como Mavis Staples, Carly Simon, Grace Jones, De La Soul, Jehnny Beth das Savages, Pusha T, Danny Brown, Vince Staples, Kelela e D.R.A.M., entre outros. Humanz foi gravado em cinco locais diferentes, nomeadamente Londres, Paris, Nova Iorque, Chicago e na Jamaica.

Com o anúncio destes detalhes do novo disco dos Gorillaz, foi também dado a conhecer o vídeo integral, realizado por Jamie Hewlett, de Saturnz Barz, o primeiro single retirado de Humanz e que conta com a participação especial vocal de Popcaan, assim como excertos de Ascension, Andromeda e We Got The Power, outras três canções do álbum, também já disponíveis para audição integral, abaixo.

1. Ascension feat. Vince Staples
2. Strobelite feat. Peven Everett
3. Saturnz Barz feat. Popcaan
4. Momentz feat. De La Soul
5. Submission feat. Danny Brown & Kelela
6. Charger feat. Grace Jones
7. Andromeda feat. D.R.A.M.
8. Busted and Blue
9. Carnival feat. Anthony Hamilton
10. Let Me Out feat. Mavis Staples & Pusha T
11. Sex Murder Party feat. Jamie Principle & Zebra Katz
12. She’s My Collar feat. Kali Uchis
13. Hallelujah Money feat. Benjamin Clementine
14. We Got The Power feat. Jehnny Beth
Bonus material on Deluxe:
15. The Apprentice feat. Rag’n’ Bone Man, Zebra Katz & RAY BLK
16. Halfway To The Halfway House feat. Peven Everett
17. Out Of Body feat. Kilo Kish, Zebra Katz & Imani Vonshà
18. Ticker Tape feat. Carly Simon & Kali Uchis
19. Circle Of Friendz feat. Brandon Markell Holmes

 


autor stipe07 às 09:14
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Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2016

Os melhores discos de 2016 (10-01)

10 - Suuns - Hold/Still

Assertivos e capazes de romper limites, os Suuns oferecem-nos, em Hold/Still, entre belíssimas sonorizações instáveis e pequenas subtilezas, um portento sonoro de invulgar magnificiência, com proporções incrivelmente épicas, um disco bem capaz de proporcionar um verdadeiro orgasmo volumoso e soporífero a quem se deixar enredar nesta armadilha emocionalmente desconcertante, feita com uma química interessante e num ambiente simultaneamente denso e dançável, despido de exageros desnecessários, mas que busca claramente a celebração e o apoteótico.

Suuns - Hold-Still

01. Fall
02. Instrument
03. UN-NO
04. Resistance
05. Mortise And Tenon
06. Translate
07. Brainwash
08. Careful
09. Paralyzer
10. Nobody Can Save Me Now
11. Infinity

 

09 - LNZNDRF - LNZNDRF

LNZNDRF é uma simbiose corajosa e sem entraves ou inibições, entre três músicos que acabaram por ser aquele detalhe orgânico que dá alma a todas as ligações de fios e transístores que tiveram que estabelecer nestas oito canções e que transportam um infinito catálogo de sons e díspares referências que parecem alinhar-se apenas na cabeça e nos inventos nada óbvios de cada um deles e de todos em conjunto. Espero que aprecies a sugestão...

LNZNDRF - LNZNDRF

01. Future You
02. Beneath The Black Sea
03. Mt Storm
04. Kind Things
05. Hypno-Skate
06. Stars And Time
07. Monument
08. Samarra

08 - Allah-Las - Calico Review

Calico Review é um disco feito de referências bem estabelecidas e com uma arquitetura musical que garante aos Allah-Las a impressão firme da sua sonoridade típica e ainda permite terem margem de manobra para futuras experimentações. Ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento nascesse um mapa genético que define o universo que motiva esta banda californiana, Calico Review conquista e seduz, com as suas visões de uma pop caleidoscópia e o seu sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar tantas referências antigas.

Allah-Las - Calico Review

01. Strange Heat
02. Satisfied
03. Could Be You
04. High And Dry
05. Mausoleum
06. Roadside Memorial
07. Autumn Dawn
08. Famous Phone Figure
09. 200 South La Brea
10. Warmed Kippers
11. Terra Ignota
12. Place In The Sun

07 - Astronauts - End Codes

Dan Carney é um mestre da introspeção que todos precisamos de fazer periodicamente, aquela que resulta porque vai direita ao âmago, de punhos cerrados, com garra e fibra, sem falsos atalhos e cansativos clichês. Além de refletir sabiamente sobre o mundo moderno, Astronauts fá-lo materializando os melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, tornando-nos novamente cúmplices das suas angústias e incertezas, enquanto sobrepõe texturas, sopros e composições contemplativas, que criam uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades e um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual. Espero que aprecies a sugestão...

Astronauts - End Codes

01. Recondition
02. Civil Engineer
03. Dead Snare
04. You Can Turn It Off
05. A Break In The Code, A Cork In The Stream
06. When It’s Gone
07. Split Screen
08. Hider
09. Breakout
10. Newest Line
11. Skeleton

 

06 - Pavo Pavo - Young Narrator In The Breakers

Com nuances variadas e harmonias magistrais, em Young Narrator In The Breakers tudo se orienta com o propósito de criar um único bloco de som, fazendo do disco um corpo único e indivisível e com vida própria, com os temas a serem os seus orgãos e membros e a poderem personificar no seu todo umgroove e uma ligeireza que fazem estremecer o nosso lado mais libidinoso, servidos em bandeja de ouro por um compêndio aventureiro, que deve figurar na prateleira daqueles trabalhos que são de escuta essencial para se perceber as novas e mais inspiradas tendências do indie rock contemporâneo, além de ser, claramente, um daqueles discos que exige várias e ponderadas audições, porque cada um dos seus temas esconde texturas, vozes, batidas e mínimas frequências que só são percetíveis seguindo essa premissa.

Pavo Pavo - Young Narrator In The Breakers

01. Ran Ran Run
02. Annie Hall
03. Ruby (Let’s Buy The Bike)
04. Wiserway
05. A Quiet Time With Spaceman Sputz
06. Somewhere In Iowa
07. Belle Of The Ball
08. The Aquarium
09. No Mind
10. John (A Little Time)
11. Young Narrator In The Breakers
12. 2020, We’ll Have Nothing Going On

05 - You Can't Win, Charlie Brown - Marrow

Marrow escuta-se num ápice e não deixa ninguém indiferente! Mexe, espicaça, suscita um levantar de poeira que depois não se resolve de modo a que no fim assente pedra sobre pedra e exala uma curiosa sensação de sofreguidão, porque se quer ouvir sempre mais e mais e ficar ali, preso neste mundo dosYou Can't Win, Charlie Brown, consistentes e esplendororos no modo como, música após música, conceptual e criativamente nos confortam e desassossegam com melodias maravilhosamente irresistiveis e onde é muito ténue a linha que separa o positivamente irascível do enigmaticamente ternurento.

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1 – Above The Wall

2 – Linger On

3 – Pro Procrastinator

4 – Mute

5 – If I Know You, Like You Know I Do

6 – In The Light There Is No Sun

7 – Joined By The Head

8 – Frida (La Blonde)

9 - Bones

04 - Radiohead - A Moon Shaped Pool

Disco muito desejado por todos os seguidores e não só e que quebra um longo hiato de praticamente meia década, A Moon Shaped Pool é um lugar mágico para onde podemos canalizar muitos dos nossos maiores dilemas, porque tem um toque de lustro de forte pendor introspetivo, livre de constrangimentos estéticos e que nos provoca um saudável torpor, num disco que, no seu todo, contém uma atmosfera densa e pastosa, mas libertadora e esotérica. Acaba por ser um compêndio de canções que nos obriga a observar como é viver num mundo onde somos a espécie dominante e protagonista, mas também observadora de outros eventos e emoções, um trabalho experimentalista naquilo que o experimentalismo tem por génese: a mistura de coisas existentes, para a descoberta de outras novas, como tão bem prova a fabulosa e surpreendente versão de True Love Waits, uma das mais bonitas canções que a banda compôs e que tocou ao vivo pela primeira vez já no longínquo ano de 1995.

Radiohead - A Moon Shaped Pool

01. Burn The Witch
02. Daydreaming
03. Decks Dark
04. Desert Island Disk
05. Ful Stop
06. Glass Eyes
07. Identikit
08. The Numbers
09. Present Tense
10. Tinker Tailor Soldier Sailor Rich Man Poor Man Beggar Man Thief
11. True Love Waits

03 - DIIV - Is The Is Are

Is The Is Are é um daqueles registos discográficos onde a personalidade de cada uma das canções do alinhamento demora um pouco a revelar-se nos nossos ouvidos, mas é incrivelmente compensador experimentar sucessivas audições para destrinçar os detalhes precisos e a produção impecável e intrincada que as distingue e que sustenta a bitola qualitativa de um disco incubado por um grupo que procura redimir-se do seu passado, mas que também quer mostrar que vive no pico da sua produção criativa, porque exige e consegue navegar sem parcimónia em diferentes campos de exploração. A imprevisibilidade é, afinal, algo de valor no mundo artístico e Zachary Cole, uma dos personagens mais excêntricas no mundo da música de hoje, continua a jogar com essa evidência a seu favor, à medida que apresenta diferentes ideias e conceitos de disco para disco, tendo, neste caso, excedido favoravelmente todas as expetativas e criado um dos álbuns essenciais do ano.

01. Out Of Mind
02. Under The Sun
03. Bent (Roi’s Song)
04. Dopamine
05. Blue Boredom (Sky’s Song)
06. Valentine
07. Yr Not Far
08. Take Your Time
09. Is The Is Are
10. Mire (Grant’s Song)
11. Incarnate Devil
12. (Fuck)
13. Healthy Moon
14. Loose Ends
15. (Napa)
16. Dust
17. Waste Of Breath

02 - Parquet Courts - Human Performance

Independentemente de todas as referências nostálgicas e mais contemporâneas que Human Performance possa suscitar, este tomo de canções possibilita-nos apreciar uns Parquet Courts renovados, enérgicos e interventivos, que chegam a 2016 instalados no seu trabalho mais consistente e ousado, uma sucessão incrível de canções que são potenciais sucessos esingles e passos certos e firmes para um futuro que não deverá descurar um piscar de olhos a ambientes ainda mais experimentalistas, sem colocar em causa esta óbvia e feliz vontade de chegarem a cada vez mais ouvidos.

01. Dust
02. Human Performance
03. Outside
04. I Was Just Here
05. Paraphrased
06. Captive Of The Sun
07. Steady On My Mind
08. On Man, No City
09. Berlin Got Blurry
10. Keep It Even
11. Two Dead Cops
12. Pathos Prairie
13. It’s Gonna Happen

01 - MALL WALK - Funny Papers

Funny Papers sabe a muito pouco, tal é a hipnose instrumental que nos oferece, pensada para nos levar numa road trip pelo deserto com o sol quente na cabeça, à boleia da santa tríade do rock, uma viagem lisérgica através do tempo em completo transe e hipnose. Da psicadelia, ao garage rock, passando pelo shoegaze e agora também pelo chamado punk rock, são várias as vertentes e influências sonoras que podem descrever a sonoridade dos MALL WALK, que acabam de dar um passo bastante confiante, criativo e luminoso na sua já respeitável carreira. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:26
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Terça-feira, 27 de Dezembro de 2016

Os melhores discos de 2016 (20-11)

Aproxima-se o final do ano e o momento de fazer o balanço discográfico de 2016. Como é habitual, Man On The Moon começa hoje a publicar a lista daqueles que considera terem sido os vinte melhores discos do ano, abrindo as hostilidades com os lançamentos discográficos posicionados da vigésima à décima primeira posição. Confere...

20- Wussy - Forever Sounds

Em Forever Sounds os Wussy mantêm-se concisos e diretos na visceralidade controlada que querem exalar e provam elevada competência no modo como separam bem os diferentes sons e os mantêm isolados e em posição de destaque, durante o processo de construção dos diferentes puzzles que lhes dão substância. Muitas vezes torna-se demasiado dominante e percetivel a distorção das guitarras em bandas que apostam no espetro sonoro relacionado com o indie rock mais cru, mas no caso deste quinteto tal preponderância atinge uma bitola qualitativa elevada, além de não faltar uma porta aberta a um saudável experimentalismo. O modo exemplar como Forever Sounds amplifica estas impressões faz deste Wussy um nome a reter com urgência, impulsionados por um disco que é um espetacular tratado de indie punk rock aternativo, aditivo, rugoso e viciante.

Wussy - Forever Sounds

01. Dropping Houses
02. She’s Killed Hundreds
03. Donny’s Death Scene
04. Gone
05. Hello, I’m A Ghost
06. Hand Of God
07. Sidewalk Sale
08. Better Days
09. Majestic-12
10. My Parade

19 - The Lees Of Memory - Unnecessary Evil

Os The Lees Of Memory deslumbram pelo à vontade com que navegam nos meandros intrincados e sinuosos do indie rock mais progressivo e psicadélico. A leveza contínua, o entusiasmo lírico, a atmosfera amável, apesar do fuzz constante e o clima geral luminoso, enérgico e algo frenético de Unnecessary Evil, são os principais indicadores de um disco que flui bem, não só porque tem um conjunto de belíssimas canções, que nos oferecem camadas sofisticadas de arranjos criativos e bonitos, mas também porque é um álbum que reforça o traço de honestidade de uma banda que quer tornar-se protagonista no universo sonoro em que se move. Espero que aprecies a sugestão...

The Lees Of Memory - Unnecessary Evil

01. Any Way But Down
02. No Power
03. XLII
04. Stay Down
05. Just For A Moment
06. Unnecessary Evil
07. Artificial Air
08. The End Of The Day
09. Squared Up
10. Look Away

18 - James Supercave - Better Strange

Better Strange é um disco muito experimentalista naquilo que o experimentalismo tem por génese: a mistura de coisas existentes, para a descoberta de outras novas. Mas tem também uma estrutura sólida e uma harmonia constante. É estranho mas pode também não o ser. É a música no seu melhor.

James Supercave - Better Strange

01. Better Strange
02. Whatever You Want
03. Burn
04. Body Monsters
05. How To Start
06. Get Over Yourself
07. The Right Thing
08. Virtually A Girl
09. Chairman Gou
10. With You
11. Just Repeating What’s Around Me
12. Overloaded

17 - Autolux - Pussy's Dead

Pussy's Dead contou com uma enorme sapiência para a criação de nuances variadas e harmonias magistrais, onde tudo se orientou com o propósito de criar um único bloco de som, fazendo do disco um corpo único e indivisível e com vida própria, onde couberam todas as ferramentas e fórmulas necessárias para que a criação de algo verdadeiramente imponente e que obriga a crítica a ficar mais uma vez particularmente atenta a esta nova definição sonora que deambula algures pela cidade dos anjos. Espero que aprecies a sugestão...

Autolux - Pussy's Dead

01. Selectallcopy
02. Soft Scene
03. Hamster Suite
04. Junk For Code
05. Anonymous
06. Brainwasher
07. Listen To The Order
08. Reappearing
09. Change My Head
10. Becker

 

16 - American Wrestlers - Goodbye Terrible Youth

Terrible Youth, permitem-nos contemplar todo um charme rugoso que os American Wrestlers replicam hoje melhor que ninguém e dão-nos o mote para um álbum curioso e desafiante, que impressiona pela forma livre e espontânea como os vários instrumentos, mas em especial as guitarras, se expressam, guiadas pela nostalgia e pelas emoções que Gary, o líder deste projeto, pretende transmitir.

 

15 - Pfarmers - Our Puram

Our Puram é um ribeiro sonoro por onde confluem vários sons da mais diversa estirpe e de diferentes proveniências, mas todos cheios de vida e prestes a desaguar na Terra Prometida idealizada pelos Pfarmers. Aí são arremessadas para longe todas as tensões e desajustes de um passado de Seim, que está, pelos vistos, na sua vida pessoal, a salivar por uma banda sonora tremendamente sensorial, feita aqui com uma arrebatadora coleção de trechos sonoros cuja soma resulta numa grande melodia linda e inquietante. Para chegar a este resultado único, Seim e os seus parceiros, não recearam entregar-se de corpo e alma ao instrumentos que mais apreciam mas também ao mundo das máquinas, numa simbiose corajosa e sem entraves ou inibições, em oito canções que transportam um infinito catálogo de sons e díspares referências que parecem alinhar-se apenas na cabeça e nos inventos nada óbvios destes Pfarmers.

Pfarmers - Our Puram

01. 97741
02. Tour Guide
03. Red Vermin
04. You’re with Us
05. Sheela
06. The Commune
07. Osho Rising
08. Our Puram

 

14 - Ultimate Painting - Dusk

Em Dusk vai-se, num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, numa espécie de indie-folk-surf-suburbano, feito por mestres de um estilo sonoro carregado de um intenso charme e que parecem não se importar de transmitir uma óbvia sensação de despreocupação, algo que espalha um charme ainda maior pela peça em si que este disco representa. Neste disco, os Ultimate Paiting avançam em passo acelerado em direção à maturidade, de um modo extraordinariamente jovial, que seduz pela forma genuína e simples como retratam sonoramente eventos e relacionamentos de um quotidiano rotineiro. 

Ultimate Painting - Dusk

01. Bills
02. Song For Brian Jones
03. A Portrait Of Jason
04. Lead The Way
05. Monday Morning, Somewhere Central
06. Who Is Your Next Target?
07. Skippool Creek
08. I’m Set Free
09. Silhouetted Shimmering
10. I Can’t Run Anymore

 

13 - Helado Negro - Private Energy

Ao quinto disco, cada vez mais confiante, inspirado e multifacetado, Langecontinua a aventurar-se corajosamente na sua própria imaginação, construída entre o caribe que o viu nascer e a América de todos os sonhos. Nestas suas novas canções contorna, mais uma vez, todas as referências culturais que poderiam limitar o seu processo criativo para, isento de tais formalismos, não recear misturar tudo aquilo que ouviu, aprendeu e assimilou e que é, mais uma vez, sonoramente tão bem retratado, com enorme mestria e um evidente bom gosto, ao mesmo tempo que reflete com indisfarçável temperamento sobre si próprio, enquanto compila com música, história, cultura, saberes e tradições, num pacote sonoro cheio de groove e de paisagens sonoras que contam histórias que Helado Negro sabe, melhor do que ninguém, como encaixar.

Helado Negro - Private Energy

01. Calienta
02. Tartamudo
03. Obra Dos
04. Lengua Larga
05. Runaround
06. Young, Latin And Proud
07. Obra Tres
08. Transmission Listen
09. Persona Facil
10. Mi Mano
11. Obra Cuatro
12. It’s My Brown Skin
13. We Don’t Have Time For That
14. Obra Cinco

 

12 - Wilco - Schmilco

Disco que se destaca pelo habitual entusiasmo lírico e por um prolífero e desafiante incómodo contínuo, que neste caso se saúda com inegável deleite, Schmilco mantém firme o traço de honestidade de uma banda que quer continuar a ser protagonista no universo sonoro em que se move. É um trabalho que desafia o nosso lado mais sombrio e os nossos maiores fantasmas, no convite que nos endereça à consciência do estado atual do nosso lado mais carnal e no desarme total que torna inerte o lado mais humano do nosso peito, nem sempre devidamente realista e racional. Com a temática das canções a expôr as habituais angústias da sociedade de hoje profundamente tecnológica e a dependência da contínua revolução que vivemos, Jeff Tweedy avisa-nos que não se pode deixar de vivenciar sentimentos e emoções reais, de preferência com a crueza e a profundidade simultaneamente vigorosas e profundas que merecem.

Wilco - Schmilco

01. Normal American Kids
02. If I Ever Was A Child
03. Cry All Day
04. Common Sense
05. Nope
06. Someone To Lose
07. Happiness
08. Quarters
09. Locator
10. Shrug And Destroy
11. We Aren’t The World (Safety Girl)
12. Just Say Goodbye

 

11 - Psychic Ills – Inner Journey Out

Os Psychic Ills fazem-nos recuar quase meio século, sob o efeito soporífero de canções que parecem não ter um tempo exato para viverem e que se deixam espraiar até ao limite de tudo aquilo que têm de sublime para nos transmitir, oferecem-nos uma revisão bastante contemporânea de toda a herança que o indie rock de cariz mais melancólico, ambiental e lo fi nos deixou até hoje. 

Psychic Ills - Inner Journey Out

01. Back To You
02. Another Change
03. I Don’t Mind
04. Mixed Up Mind
05. All Alone
06. New Mantra
07. Coca-Cola Blues
08. Baby
09. Music In My Head
10. No Worry
11. Hazel Green
12. Confusion (I’m Alright)
13. Ra Wah Wah
14. Fade Me Out


autor stipe07 às 21:26
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