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Surfer Blood – Carefree Theatre

Sexta-feira, 02.10.20

Parece que ainda foi ontem, mas já tem mais de uma década de vida Astro Coast, o extraordinário registo de estreia dos Surfer Blood e que colocou esta banda oriunda da Flórida no mapa e fez dela, logo à partida, como uma das mais promissoras e merecedora de justas odes, álbum após álbum, num percurso discográfico inatacável no que diz respeito ao valor qualitativo do mesmo. Caso dúvidas ainda persistissem sobre isso em algumas mentes mais desatentas ao fenómeno musical indie norte-americano, Carefree Theatre, o novo álbum deste grupo atualmente formado por John Paul Pitts, Tyler Schwarz, Mike McClear e Lindsey Mills é a demonstração suprema de que este é um dos projetos mais luminosos e otimistas do cenário indie alternativo global dos últimos anos, tendo os Surfer Blood sabido, por exemplo, superar com inegável capacidade de superação a trágica morte do guitarrista Thomas Fekete, um dos fundadores da banda, que sofria de um tipo raro de cancro, em dois mil e dezasseis.

Surfer Blood com novo álbum… “Carefree Theatre” – Glam Magazine

De facto, escuta-se Carefree Theatre e existe no álbum uma luz radiante constante, uma boa disposição encharcada de charme e uma elevada e deliciosa dose de otimismo e celebração. Mesmo nos dois temas finais, a reflexiva Dewar e a nostálgica Rose Bowl, um tema que recorda um daqueles momentos da nossa vida que nunca esquecemos e que gostaríamos que se eternizasse, essas sensações positivas mantêm-se à tona e nunca vacilam.

Em canções que se esfumam mais rápido que um cigarro e que desfilam numa sequência estonteante e de tirar o fôlego, são variados os destaques do trabalho. Assim, da toada inicialmente rugosa mas depois fortemente orquestral de Dessert Island, à empatia ensolarada de Karen e ao frenesim pop do tema homónimo, passando, pouco depois, pelo piscar de olhos da distorção das guitarras ao rock mais progressivo em In the Tempest’s Eye e, no ponto alto do disco, pelo energia otimista que exala de Summer Trope, o alinhamento de Carefree Theatre escorre sem conceder espaço para a depressão, o recolhimento e a nebulosidade.

São vários os elementos que contribuem decisivamente para esta descrição tão elogiosa do álbum e uma delas é, sem sombra de dúvida, a voz de John Pitts, um importante fator para todo um positivismo saudável que acaba por ditar uma indisfarçável aproximação com o ouvinte, até porque, melodicamente, é quem decide a maioria dos rumos sonoros que as diferentes canções têm, mesmo que abundem várias camadas de distorção nos alicerces das mesmas. Seja como for e apesar da tal importância da voz, as guitarras são também um dos principais atributos de Carefree Theatre e imprescindíveis para o seu dinamismo. Tocadas pelo mesmo Pitts e por Mike McClear, são extremamente criativas e diversificadas, num registo que parece ter sido pensado para soar bem nos nossos ouvidos, com naturalidade e sem exageros desnecessários, num resultado final verdadeiramente feliz e inspirado.

Catalogados frequentemente como uma banda de surf rock, provavelmente pelos tais desatentos que mencionei acima, os Surfer Blood têm neste Carefree Theatre o disco menos surf rock da carreira, dvendo ser colocado sem receio e de modo cimentado bem no centro do espetro do puro e clássico indie rock, não deixando até de em determinadas distorções e apontamentos, quer do baixo, quer da guitarra, de piscar o olho a espetros sonoros tão variados como o punk ou o próprio garage rock.

Disco tremendamente confiante, dinâmico, altivo, lúcido, objetivo, direto e incisivo e com um forte cariz radiofónico, Carefree Theatre inspira os Surfer Blood a manterem-se fiéis ao seu adn e a não hesitarem nem por um instante na sua louvável cruzada de busca incessante do melhor estilo sonoro, num percurso cheio de energia criativa, marcad, amiúde, por uma angústia quase inofensiva, mas que neste caso está repleto momentos altos e de notável esplendor e júbilo. Espero que aprecies a sugestão... 

Surfer Blood - Carefree Theatre

01. Dessert Island
02. Karen
03. Carefree Theatre
04. Parkland (Into The Silence)
05. In the Tempest’s Eye
06. In My Mind
07. Unconditional
08. Summer Trope
09. Uneasy Rider
10. Dewar
11. Rose Bowl

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publicado por stipe07 às 18:00


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