man on the moon
music will provide the light you cannot resist! ou o relato de quem vive uma nova luz na sua vida ao som de algumas das melhores bandas de rock alternativo do planeta!
Suburban Living – Suburban Living
Wesley Bunch, um músico de Filadélfia, é a mente criativa que dá vida a Suburban Living, um projeto de que acaba de se estrear no formato álbum com um homónimo preenchido com oito canções, editado através da etiqueta nova iorquina PaperCup Music, o abrigo perfeito para um trabalho que tem os seus pilares assentes numa pop com traços de shoegaze e num indie rock carregado de psicadelia.

Gravado nos estúdios EarthSound, em Virginia Beach, com o engenheiro de som Mark Padgett, Suburban Living traça linhas paralelas com a tradição sonora deixada por herança há umas três décadas por nomes como os My Bloody Valentine, os Pylon ou os Cure, claramente audíveis na forte vertente experimental nas guitarras pulsantes e numa certa soul na secção rítmica, dois aspetos essenciais do tratamento sonoro que Wesley resolveu dar à nostalgia que certamente sente relativamente a uma outra época, que marcou fortemente várias gerações de músicos e ainda hoje é um referencial bastante explorado. Assim, obscuro e melancólico, mas pleno de energia e focado numa enorme dedicação à causa, Suburban Living não complica na altura de exaltar o retro, mesmo que nos dias de hoje exista já alguma saturação relativamente ao vintage
Se durante a audição de Suburban Living somos confrontados com a aparente primazia da guitarra e do efeito peculiar que ela debita e que carimba e tipifica o som caraterístico que Wesley quer que seja marca identificativa do projeto, o que mais me agradou neste disco foi, no entanto, o baixo vigoroso e o modo como dá as mãos a uma bateria, numa relação progressiva que contém uma tonalidade muito vincada e que acaba por ser um excelente tónico para potenciar a capacidade do músico, num registo vocal geralmente em eco, mas também amiúde reverberado, em soprar na nossa mente e envolvê-la com uma elevada toada emotiva e delicada, que faz o nosso espírito facilmente levitar, provocando um cocktail delicioso de boas sensações.
Canções como a épica Faded Lover, mas também Wasted ou Dazed, além de conterem belíssimas letras entrelaçadas com deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos, são exemplares no modo como nelas Wesley deixou as guitarras, o baixo e a bateria seguir a sua dinâmica natural, fazendo com que os temas assumissem aquela faceta algo negra e obscura que carateriza um ambiente sonoro fortemente etéreo e melancólico. Esta dinâmica ganha um fôlego ainda maior em New Strings, um dos singles de Suburban Living e um tema onde a voz atinge o auge açucarado qualitativo, uma canção que ilustra o quanto certeiro e incisivo o músico conseguiu ser na replicação do ambiente sonoro que escolheu.
Instrumentalmente Drowning é outro dos meus destaques deste trabalho, uma canção naturalmente conduzida pelo tal baixo vibrante, mas que sobressai pela distorção da guitarra e o efeito sintetizado que constrói a melodia, um cenário idílico para quem, como eu, aprecia alguns dos detalhes básicos da melhor psicadelia. No final do disco, Different Coast segue-lhe as pisadas, numa toada que privilegia a simbiose entre traços identitários do rock psicadélico, e da dream pop, o que justifica os elogios realtivamente ao modo como sendo este compêndio tipicamente rock e esculpido com cordas ligas à eletricidade, também consegue mostrar canções cheias de uma fragilidade incrivelmente sedutora.
O clima geral lo fi, que não é mais do que um notório marco de libertação e de experimentação vintage, acaba por ser uma consequência lógica de todo o ideário sonoro e conceptual de Suburban Living. E este é um disco que nos agarra pelos colarinhos, sobretudo pelo modo como nos mostra a interpretação contemporânea do revivalismo de outras épocas, nomeadamente os primórdios do punk rock mais sombrio, pelas mãos de um músico bastante inspirado e mestre a misturar e a explorar diferentes territórios sonoros, sugando-nos assim para um universo pop que impressiona pelo bom gosto com que se cruzam várias dinâmicas sonoras, com o indie rock a servir de elemento aglutinador de um imenso arsenal de arranjos e detalhes, que são um atestado de qualidade ao alcance de poucos projetos que pretendem deixar uma marca indelével neste universo sonoro. Espero que aprecies a sugestão...

01. Faded Lover
02. New Strings
03. Wasted
04. Dazed
05. Drowning
06. No Fall
07. Hotel Unizo
08. Different Coast